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NÚCLEO EDUCACIONAL DO PROFSSOR A APRENDIZAGEM DE CRIANÇAS AUTISTAS Pós-graduação Transtorno do Espectro Autista RESUMO O Transtorno do Espectro Autista, seguido das discussões acerca da inclusão escolar têm se tornado cada vez mais frequentes no âmbito de Políticas Públicas, em debates acadêmicos e na sociedade em geral. O desconhecido, não raro, desperta o preconceito e a discriminação, delegando a criança a sua própria sorte nas instituições escolares, esquecendo-se de esta deve ser inserida no contexto social a qual pertence. A fim de esclarecer as características dos portadores de TEA, este trabalho aborda tais pontos, fundamentando-os e evidenciando a necessidade de profissionais de educação utilizarem diferentes metodologias para auxiliar autistas em seu desenvolvimento, bem como em sua socialização. Palavras-Chave: Autismo; Metodologias de Ensino; Inclusão Escolar. ABSTRACT Autistic Spectrum Disorder, followed by discussions about school inclusion, has become increasingly frequent in the context of Public Policy, academic debates and society in general. The unknown, not infrequently, arouses prejudice and discrimination, delegating the child to its own fate in school institutions, forgetting that it must be inserted in the social context to which it belongs. In order to clarify the characteristics of the patients with ASD, this work addresses these points, substantiating them and showing the need for educational professionals to use different methodologies to assist autistic patients in their development, as well as their socialization. Keywords: Autism; Teaching Methodologies; School inclusion. 1 INTRODUÇÃO O autismo é definido como um transtorno complexo do desenvolvimento, do ponto de vista comportamental, com diferentes etiologias que se manifesta em graus de gravidade variados (GADIA, 2006). Nas últimas décadas, a incidência de casos de autismo tem crescido de forma significativa em todo o mundo (SCHECHTER; GRETHER, 2008). Em países como os Estados Unidos, a média de idade das crianças diagnosticadas tem sido de 3 a 4 anos (CHAKRABARTI; FOMBONNE, 2005). Considerando-se as taxas de 60/10.000 ou a mais recente taxa de 1% se pode estimar, que entre 1 a 2 milhões de brasileiros preencham critério para o espectro autista, sendo de 400 a 600 mil com menos de 20 anos, e entre 120 e 200 mil menores de cinco anos (IBGE, 2000). O Brasil tem caminhado lentamente quando o assunto é a assistência educacional à criança portadora de Transtorno do Espectro Autista (TEA), seguindo uma postura de países de terceiro mundo, evidenciada na formação inadequada de profissionais na área de Medicina, Pedagogia, Psicopedagogia, dentre outras (BORALLI, 2007). Os profissionais da educação, por vezes, não apresentam o preparo ideal para o contato com crianças autistas, fazendo-se necessário e primordial conhecer o processo de desenvolvimento desses alunos, traduzido em diferentes formas de organização mental e diferentes estruturas cognitivas, que servirão como base para realizar um plano de ensino apropriado para cada criança autista. Apresentando diversas características, o autismo é responsável por vários distúrbios, a começar pelo relacionamento e pelo convívio social, que são prejudicados, bem como o ritmo de desenvolvimento da criança, que se dá de forma lenta e gradativa. A fim de buscar formas de inserir, incluir e integrar a criança no âmbito escolar, auxiliando em sua aprendizagem, este artigo apresenta formas de trabalhar com alunos portadores de TEA, para que possam se desenvolver dentro de suas possibilidades e peculiaridades. O transtorno Autista consiste na presença de um desenvolvimento comprometido ou acentuadamente anormal da interação social e da comunicação, somado a um repertório muito restrito de atividades e interesses. As manifestações do transtorno variam imensamente, dependendo do nível de desenvolvimento e da idade cronológica da criança. Portanto, pretende-se forcar, aqui, em metodologias diferenciadas para que a criança autista conquiste maior autonomia em suas atividades, sentindo-se mais confiante em si mesma, de forma que possa desenvolver seu cognitivo a partir do auxílio de seus educadores. 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA O Autismo é uma doença multifatorial, ligada a fatores genéticos, ambientais, neurológicos e imunológicos, cujo diagnóstico preciso pode ser confundindo com outras patologias neurais por não apresentar os mesmos sinais em todos os quadros (CANUT et al., 2014). O termo autismo surgiu em 1911, mas foi em 1943, através das pesquisas do psiquiatra infantil Leo Kanner, referindo-se às crianças que não se relacionavam com as outras e que demonstravam grande resistência à mudanças, que se descobriu a doença, corroborando com o significado em si da palavra que, do grego, representa autos, ou seja, em si mesma (SANTOS, 2008). Ao longo do tempo, percebendo-se a grande variedade de habilidades, bem como de padrões de comportamento que ocorriam em autistas, houve mudança na nomenclatura para um mais apropriado, denominado Transtorno Invasivo do Desenvolvimento – TID (TUCHMAN, 1991). Já no ano de 2013, ocorreram consideráveis mudanças nos critérios diagnósticos do autismo, adotando-se o termo TEA (Transtorno do Espectro Autista), como categoria diagnóstica (KHOURY et al., 2014). No autismo, são detectados padrões repetitivos de comportamento, como insistência em rotinas e apego excessivo a objetos, além de estereótipos motores e verbais, como bater palmas várias e repetidas vezes, andar em círculos e se balançar com frequência (FRONBONNE, 2002). Diante das características levantadas, o autista apresenta dificuldade em sua aprendizagem, sobretudo por ser um portador de necessidades especiais, que precisa de atenção diferenciada para avançar em sua formação. É importante determinar que a Lei n° 7.853 de 1989, que dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, regulamentada pelo Decreto nº 3.298 de 1989, que definiu o que é deficiência, a separou em vários tipos, conceituando-a como: Incapacidade – uma redução efetiva e acentuada da capacidade de integração social, com necessidade de equipamentos, adaptações, meios ou recursos especiais para que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou transmitir informações necessárias ao seu bem-estar pessoal e ao desempenho de função ou atividade a ser exercida. (BRASIL, 1989). Entretanto, cabe-nos ressaltar que poucos distúrbios e doenças sugerem tantas pesquisas e estudos como o autismo, chegando-se, há muito tempo, a considerar que existe grande correlação entre determinados parâmetros neurológios e autismo, como déficits cognitivos, crises epiléticas e Q.I. (Quociente de Inteligência) mais elevado em meninos do que em meninas (ASSUMPÇÃO, 1997). No autista, existe alteração em seus sentidos, que são classificados como térmico, tátil, orgânico, equilíbrio, cinestésico, audição, linguagem, pensamento, visão, paladar e olfato (BORALLI, 2007). Com grande dificuldade em aprender, as crianças autistas não utilizam corretamente as palavras, entretanto, através de programas de aprendizagem, apresentam mudanças positivas em relação ao processo de ensino-aprendizagem, inclusive motoras e de interação social (GAUDERER, 1987). 3 METODOLOGIA Esta pesquisa bibliográfica foi realizada mediante busca em artigos eletrônicos, livros e revistas que trataram o Transtorno do Espectro Autista, em suas várias dimensões, incluindo características psicológicas, comportamentais e educacionais. A pesquisa bibliográfica permite compreender que a resolução de um problema pode ser obtida através dela, sendo considerada o primeiro passo de toda a pesquisa científica (LAKATOS E MARCONI, 1992, p. 44). Nos descritores, foram utilizadas palavras-chave como “autismo”, “transtorno do espectro autista”, “autistas e educação”, buscando-se compreender a História da patologia, bem como as possíveis ações pedagógicas para o auxílio de crianças portadoras de TEA.4 RESULTADOS E DISCUSSÕES São diversas as características comportamentais apresentadas por autistas, interferindo não apenas nos aspectos sociais, mas em seu desenvolvimento, sobretudo no que diz respeito à aprendizagem no período escolar, visto que este acontece de forma muito lenta, cabendo ao professor a adequação do seu sistema de comunicação para com o aluno, sensibilizando os demais colegas da sala a fim de conhecerem suas peculiaridades. É importante que a criança autista receba atenção especial, com ensino estruturado, como o método TEACCH[footnoteRef:1], cuja abordagem diz respeito a um projeto que tenta responder às necessidades do autista, usando os melhores métodos disponíveis. Dentre seus propósitos, estão a habilitação de pessoas portadoras de TEA, auxiliando-as a se comportar de forma funcional e independente, promovendo atendimento adequado e, gradativamente, gerando conhecimentos teóricos e práticos sobre autismo para que informações importantes sejam disseminadas através de treinamento e de publicações (BORALLI 2012). [1: Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Limitações, que fundamenta-se em pressupostos da psicologia linguística, da teoria comportamental e da psicopedagogia. No Brasil este tipo de interveção tem sido utilizadas em muitas Apaes, e parece se adequar bem as necessidades especificas desse tipo de instituição] O método TEACCH deriva da Psicolinguística e historicamente, cujo enfoque proporcionou uma ponte interdisciplinar entre a Psicologia Cognitiva e a Linguística, propiciando o estudo da interação entre o pensamento e a linguagem, e estabelecendo uma constatação de que a imagem visual é geradora de comunicação (WALTER, 2000). É necessário, porém, que sejam definidas estratégias educacionais, atentando-se a metas, como as habilidades de comunicação. Serra (2010), reforça a importância do apoio familiar na educação da criança autista: Seja qual for a proposta pedagógica, um atendimento consciente e responsável não acontece somente no âmbito escolar. A família do indivíduo com autismo possui um papel decisivo no seu desenvolvimento. Sabemos que se trata de famílias que experimentam dores e decepções em diversas fases da vida, desde o momento da notícia da deficiência e durante o processo de desenvolvimento de seus filhos. (SERRA, 2010, p. 41). Apresentando um pensamento fragmentado, em que ocorre apenas um tipo de estímulo sensorial por vez, é fundamental que haja um plano pedagógico assertivo no decorrer da escolarização do educando. Em virtude disso, o TEACCH é um modelo de intervenção que servirá como trato com o autista, oferecendo, também, apoio à Instituição que adotá-lo, uma vez que facilita a aprendizagem e procura diminuir a incidência de condutas inapropriadas, típicas do portador do TEA (MELLO, 2001). O mesmo autor salienta que o programa TEACCH envolve a organização de todo o ambiente educacional em forma de rotinas estruturadas em quadros, painéis ou agendas, tornando assim, mais fácil para a criança situar-se no espaço e compreender o que é esperado dela neste local, adquirindo maiores possibilidades de desenvolver sua independência, de modo que mesmo necessitando do professor para orientá-la, ainda possa conquistar na maior parte do tempo sua autonomia. É importante que todo o ambiente seja dividido em aproximadamente seis áreas ou unidades de ensino e que cada uma contemple um tipo de atividade e trabalho a ser realizado: As generalidades das Unidades de Ensino Estruturado incluem uma área de acolhimento, onde os alunos conversam quando chegam à escola e planeiam as atividades para esse dia; uma área de trabalho onde o aluno trabalha individualmente com o professor e realiza novas aprendizagens; uma área de trabalho autónomo; uma área de trabalho de grupo; uma área para brincar; uma área para o computador e finalmente uma área de transição, por onde o aluno passa quando acaba um trabalho numa determinada área e passa para outra. (COELHO, 2015, p. 57). Dessa forma, aos poucos, a criança adquirirá maior segurança ao compreender seu espaço, realizando as atividades, dentro de seu nível de compreensão e, principalmente, será inserida no processo de inclusão dentro de seu convívio escolar. 4.1 Inclusão de portadores do Transtorno do Espectro Autista Historicamente, é possível constatar que a humanidade possui uma tendência a excluir, repelir e afastar tudo o que lhe é desconhecido, principalmente considerando as Idades Antiga e Média, caracterizadas como Eras excludentes devido ao fato de que as crianças que nasciam com alguma deficiência, eram permeadas por misticismo em que muitos acreditavam ser amaldiçoadas, tendo seu convívio social negado, sendo escondidas da sociedade, abandonadas ou mortas (FRIAS, 2009). A Constituição Federal, em 1988, estabeleceu critérios inclusivos através de texto que preconizava a educação como direito e garantia de todos. Desde então, diversos documentos surgiram assegurando o bem-estar e o respeito aos portadores de necessidades especiais. A partir de então, a inclusão escolar passou a ser vista como uma proposta na qual qualquer aluno tenha acesso ao ensino regular, e para que a educação promovida por essa escola possa alcançar todos os alunos, faz-se necessário que adaptações na metodologia de ensino, no currículo e na própria avaliação sejam realizadas a fim de que se possa respeitar as limitações de cada aluno e explorar ao máximo seu potencial individual (MANTOAN, 2006). A inclusão poderá trazer benefícios para o desenvolvimento da pessoa que apresenta qualquer deficiência, desde que esta seja oferecida na escola regular, como educação especial que, visa a educar, sustentar, acompanhar, orientar e conduzir (PAEZ, 2001). Para que se cumpra esta proposta, existem no Brasil diversos documentos oficiais que regem e norteiam o funcionamento de adaptações e adequações para promover a inclusão escolar, dentre os quais é válido mencionar a Resolução nº. 2/2001 que instituiu as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, representando um imenso avanço quanto à essa universalização do ensino, e incumbindo a escola de adaptar-se às necessidades dos alunos: Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para a educação de qualidade para todos. (BRASIL, 2001). É possível encontrar diferenças de posicionamentos sobre a inclusão dos autistas quando se trata do setor público e privado; devido ao fato de essa inclusão impor um custo elevado às instituições, a iniciativa se dá, majoritariamente, no setor público, seguindo os seguintes critérios, de acordo com Cutler (2000): · Reconhecimento das características da criança, a fim de prover acomodações físicas e curriculares necessárias; · Treinamento constante de profissionais e busca de novas informações sobre o objeto de estudo; · Preparação da própria instituição para atender aos diferentes perfis dos autistas, visto que estes possuem diversas peculiaridades; · Adaptação da avaliação da aprendizagem do aluno portador de TEA; · Desenvolvimento de programas paralelos à inclusão, como o TEACCH; De acordo com o mesmo autor, tais critérios têm sido de grande utilidade em escolas inglesas que investem na inclusão de crianças autistas. É de suma importância ressaltar que o objetivo da educação de uma criança autista é o de aumentar sua independência, a fim de proporcionar mais segurança ao executar tarefas do cotidiano, além de melhorar a qualidade de vida da criança e de seus familiares (CAROTHES E TAYLOR, 2004). 4.2 Técnicas para a aprendizagem Segundo Carothes e Tayloer (2004), algumas técnicas para a aprendizagem de crianças portadoras de Transtorno do Espectro Autista, apresentam grande eficácia em seu desenvolvimento cognitivo, trazendo diferenças positivas na vida do educando, sendo: · Gravação de vídeos – àqueles alunos que já adquiriram determinadas habilidades, podemter sua imagem vinculada na escola como modelo e exemplo aos demais autistas que ainda apresentam alguma dificuldade para aprender determinado conteúdo; · Atividades pictográficas – através dessa técnica, é possível ensinar o aluno a realizar atividades domésticas diárias, adaptando sua rotina; · Participação e orientação dos colegas – crianças normotípicas auxiliam alunos com autismo, oportunizando o desenvolvimento de habilidades funcionais; Para tanto, faz-se imprescindível reiterar que as escolas devem estar preparadas para que os alunos com autismo se desenvolvam como cidadãos capazes de pensar, aprender, construir e tomar decisões. Não raro, existem casos não diagnosticados de crianças com autismo nas escolas e, devido ás suas dificuldades e diferenças, são rotuladas de indisciplinadas, desorganizadas, sem limites e lentas. O professor deve estar atento ao comportamento desses alunos, uma vez que a instituição representa importante papel na investigação diagnóstica (NUNES, 2008). O currículo educacional deve considerar o contexto no qual a criança está inserida, em que a escola se torna seu lugar de interação e de socialização. 4.3 Autismo e Tecnologia O aprender, neste século, tem se relacionado ao mundo físico e o digital, trazendo novas possibilidades de interação (MORAN, 2013). Diante desse contexto, as Tecnologias proporcionam o melhor desenvolvimento dos educandos, incluindo o de crianças autistas, ajudando a superar suas limitações e valorizando suas potencialidades: O computador significa para o deficiente físico um caderno eletrônico; para o deficiente auditivo, a ponte entre o concreto e o abstrato; para o deficiente visual, o integrador de conhecimento; para o autista, o mediador da interação com a realidade; e, para o deficiente mental, um objeto desafiador de suas capacidades intelectuais (VALENTE, 1999, p.19). Pesquisas apontam, assim como estudiosos da área que, a utilização das novas Tecnologias de Comunicação e Informação (TIC), podem permitir que as crianças associem imagens com realidade diária, direcionando-as para áreas em que apresentam maiores dificuldades, como no convívio social. Vygotsky (1988), postulava que o processo de ensino aprendizagem sempre incluirá aquele que aprende, o que ensina e a relação entre os dois, e nessa perspectiva, diante das TICs como recursos pedagógicos, fundamenta-se a teoria do autor como base para a prática. Nesse caso, o uso do iPad, ou tablets, por exemplo, possibilita que o aluno crie novas portas de comunicação, mostrando que: A criança necessitará expressar aquilo que deseja, dentro do contexto que se encontra a história. Ela poderá ser solicitada a montar as próprias frases que expressarão alguma ideia solicitada, ou também, poderá escolher livremente que tipo de ideia ou situação que comunicar e identificar a forma de comunicação adequada para isso. Certamente, isto será um exercício crescente de criatividade e de expressividade, como também a identificação de novas formas de linguagem e de vocabulário. (DOHME, 2011, p.103). Uma das vantagens em se trabalhar com a tecnologia, é o fato de esta despertar no educando, sobretudo naqueles com necessidades especiais, motivação e estímulo, desafiando-os e levando-os a buscar soluções através de jogos de raciocínio lógico, fortalecendo o raciocínio do autista. Ademais, diversas possibilidades de encaminhamentos pedagógicos relacionados às habilidades sociais podem ser sistematizadas com o uso de aparelhos celulares ou filmadoras, exemplificando através de filmagens, o passo a passo de uma atividade com imagens reais ou do contexto da criança ou do estudante. Quanto às habilidades comunicativas, o professor pode optar pela comunicação alternativa que é qualquer dispositivo, método ou sistema utilizado para trabalhar com alunos em que a fala não se desenvolveu ou sofreu alguma mudança. O uso de softwares pedagógicos, diante de tal quadro, auxiliará no processo da oralidade, letramento e comunicação. Como sugestão, é possível trabalhar com o SCALA, projeto de Sistema de Comunicação Alternativa para Letramento de Pessoas com Autismo, que dispõem de recursos de sintetização de voz, gravação de áudio, legenda e animação de ações. Como o SCALA tem sido desenvolvido com foco principal nos déficits cognitivos de pessoas com autismo” (BARTH, PASSERINO e SANTAROSA, 2005, p. 4). No projeto estão disponíveis informações, manuais e materiais com atividades de prancha, narrativas visuais e de alfabetização. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O Transtorno do Espectro Autista é, por excelência, a enfermidade do contato e da comunicação, e para que possamos ajudar essas crianças a desenvolver melhor suas funcionalidades, é necessário conceber programas tendo como base os pontos fortes e déficits fundamentais do autismo, que afetam o aprendizado e as interações em seu dia a dia. As características diagnósticas do autismo, tais como déficits na área social e problemas de comunicação, são úteis para distinguir o transtorno de outras deficiências, mas são relativamente imprecisos para a conceituação de como um indivíduo com autismo entende o mundo, age com base nesta compreensão, e aprende. Foi possível constatar, através desta pesquisa, que o trabalho com uma criança autista é um constante desafio, não somente na alfabetização, mas no convívio escolar e, para tanto, os profissionais precisam estar preparados para oportunizar a aprendizagem a essa criança, ainda que de forma limitada, mas de acordo com suas potencialidades. Apesar de as políticas públicas brasileiras serem bastante escassas, dificultando, assim, o trabalho do educador, ainda há formas para extinguir alguns mitos que acabam impondo limitações aos alunos portadores de TEA; mediante interesse e preocupação com o sujeito, o educador é capaz de mudar esse quadro. Vale ressaltar que o educando portador de quaisquer necessidades especiais, também é detentor de seus direitos como qualquer outro cidadão, e é preciso acabar com atitudes de discriminação e de preconceito no que tange às incertezas do autismo. Mesmo com uma bibliografia escassa e, muitas vezes, a ansiedade da família, o profissional pode, a cada dia, desenvolver um trabalho em sala de aula, a fim de não privar a criança da escolarização, nem do convívio social. Simples práticas diárias podem fazer a diferença. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSUMPÇÃO, F.B. Jr. Transtornos Invasivos do Desenvolvimento Infantil. São Paulo: Lemos Editora e Gráficos Ltda, 1997. BARTH, C.; PASSERINO, L.; SANTAROSA, L. M. C. Descobrindo emoções: software para estudo da teoria da mente em sujeitos com autismo. Revista de Informática Teórica e Aplicada, RENOTE - Cinted-UFRGS, v. 3, n. 1, p. 1-8, 2005. BORALLI, E. Autismo: Trabalhando com a criança e com a família. São Paulo: Edicon, 2007. 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DOHME, V. Atividades lúdicas na educação: o caminho de tijolos amarelos do aprendizado. 6.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011. FRIAS, E. M. A.; MENEZES, M. C.B. Inclusão escolar do aluno com necessidades educacionais especiais: contribuições ao professor do Ensino Regular. Paraná: Módulo, 2009. GADIA, C. Aprendizagem e autismo: transtornos da aprendizagem: abordagem neuropsicológica e multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2006. GAUDERER, E. C. Autismo. São Paulo: Ateneu: 1987. LAKATOS, M.V.; MARCONI, M.A. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Atlas, 1992. MANTOAN, M.T.E. Inclusão escolar: O que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Moderna, 2006. MELLO, A.M. Autismo: Guia prático. São Paulo: AMA, 2001. MORAN, J. M. Novas Tecnologias e mediação pedagógica. São Paulo: Papirus, 2000. NUNES, D.C.S. O pedagogo na educação da criança autista. Publicado em 07 de fevereiro de 2008. Disponível em: Acesso em: 20 abril. 2018. SANTOS, A.C.T. 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O desconhecido, não raro, desperta o preconceito e a discriminação, delegando a criança a sua própria sorte nas instituições escolares, esquecendo-se de esta deve ser inserida no contexto social a qual pertence. A fim de esclarecer as características dos portadores de TEA, este trabalho aborda tais pontos, fundamentando-os e evidenciando a necessidade de profissionais de educação utilizarem diferentes metodologias para auxiliar autistas em seu desenvolvimento, bem como em sua socialização. Palavras-Chave: Autismo; Metodologias de Ensino; Inclusão Escolar. ABSTRACT Autistic Spectrum Disorder, followed by discussions about school inclusion, has become increasingly frequent in the context of Public Policy, academic debates and society in general. The unknown, not infrequently, arouses prejudice and discrimination, delegating the child to its own fate in school institutions, forgetting that it must be inserted in the social context to which it belongs. In order to clarify the characteristics of the patients with ASD, this work addresses these points, substantiating them and showing the need for educational professionals to use different methodologies to assist autistic patients in their development, as well as their socialization. Keywords: Autism; Teaching Methodologies; School inclusion. 1 INTRODUÇÃO