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Aluno PERMANEÇA DESPERTO E FIRME NA FÉ Id e o lo g ia s e t e n d ê n c ia s c o m o a a tu a l c u ltu ra W o k e m o ld a m p e rc e p ç õ e s e id e n tid a d e s , a fe ta n d o a fo rm a ç ã o d o s jo v e n s e a m issã o da igreja. D ia n te d e s se cen ário , é e s se n c ia l u m o lh a r c rít ic o e fu n d a m e n t a d o n a s E s c r itu ra s para c o m p r e e n d e r os im p a c t o s d e s s a s d in â m ic a s e re s p o n d e r c o m d is c e rn im e n to . C o m b a se na B íb lia , é p o ss ív e l a v a lia r e s s e s d e s a fio s e fo r t a le c e r a fé, p r e s e r v a n d o a v e r d a d e e o s v a lo r e s c r is t ã o s . A c la re z a s o b re e s s a s q u e s t õ e s c a p a c it a líd e re s e ig re ja s a p e rm a n e c e re m firm e s , c o n d u z in d o s u a s c o m u n id a d e s co m s a b e d o ria e f id e lid a d e ao E v a n g e lh o . CBO * Lições Bíblicas OVENS CASA PUBLICADORA DAS CfHD A SSE M B LE IA S DE DEUS Presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil José Wellington Costa Junior Presidente do Conselho Administrativo José Wellington Bezerra da Costa Diretor Executivo Ronaldo Rodrigues de Souza Gerente de Publicações Alexandre Claudino Coelho Consultor Doutrinário e Teológico Elienai Cabral Gerente Financeiro Josafá Franklin Santos Bomfim Gerente de Produção Jarbas Ramires Silva Gerente Comercial Cícero da Silva Gerente da Rede de Lojas João Batista Guilherme da Silva Gerente de TI Rodrigo Sobral Gerente de Comunicação Leandro Souza da Silva Chefe do Setor de Educação Cristã Marcelo Oliveira Chefe do Setor de Arte & Design Wagner de Almeida Comentarista Alexandre Coelho Editora Telma Bueno Revisora Verônica Araujo Designer Suzane Barboza Capa Fábio Longo Fotos shutterstock.com RIO DE JANEIRO - CPAD MATRIZ Av. Brasil, 34.401 - Bangu - CEP21852-002 Rio de Janeiro - RJ CENTRAL DE ATENDIMENTO 0800-021-7373 Ligação gratuita Segunda a sexta: 8h às 18h. LivRARiA V írtual www.cpad.com.br Comunique-se com a editora da revista: telma.bueno@cpad.com.br A LIBERDADE EM CRISTO VIVENDO O VERDADEIRO EVANGELHO CONFORME NOS ENSINA A CARTA DE PAULO AOS GÁLATAS Com a graça do Senhor, esta mos iniciando mais um trimestre. Estudaremos uma das Cartas mais importantes do Novo Testamento escrita pelo apóstolo Paulo — a Carta aos Gálatas. Paulo de forma brilhante nos ensina como Deus nos livrou do poder do pecado e do jugo da Lei. Encontramos na Carta aos Gála tas importantes temas teológicos e doutrinários, como por exemplo, doutrina da eleição, justificação, propiciação, redenção e santificação. Embora tenha sido escrita em um contexto e em uma época díspar da nossa, esta Carta tem importantes doutrinas para a Igreja atual. Ao ler Gálatas podem os ter a certeza de que á nossa salvação não é resultado da observância da Lei, do esforço humano, mas é fruto da graça divina. Você já parou para pensar onde estaríamos se Deus, pela sua infi nita misericórdia, não tivesse nos resgatado do poder do pecado e da morte? Graças a Deus pelo seu dom inefável (1 Co 9.15) que alcançou judeus e gentios. Que Deus o(a) abençoe. A Editora. http://www.cpad.com.br mailto:telma.bueno@cpad.com.br ijjÍ Í u k i í i íw y * yxv-jio W itw ■ n w ™ íib Ik «n« m v iy^'v ’*TJa r c , — - a : í i - a r ; ^ - ^ i a - á S S ? 1’ ^tíw"rriiTí—i - -rw yw yii • rH t** i w«j P ‘ .V;H^ W - L L 1 „... f^ íu jW A -L^ íit iw jiK Í ! . .VJy* 1 tyhpfito fW W.M: '*W,H*«i „.> * " *■ ü 3 1.' f c ú & t í WilSll*».... ^ ll!)- iií4 ■ Itew *A1'■teto' »hi '■ ">v ^JK-j ’'>■■». %ú,.. Wb“*'■3*3 GÁLATAS: A CARTA DA LIBERDADE CRISTÃ "Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, tem os também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé de Cristo [...]." (Gl 2.16) " RESUMODaLIçãS1̂ A Carta aos Gálatas é uma exposição da salvação pela fé em contraste com a salvação pelas obras. LEITURA SEMANAL SEGUNDA-FEIRA - Gl 1.1 C om issionad o p o r Cristo TERÇA-FEIRA - Gl 1.6,7 Um outro evangelho QUARTA-FEIRA - Gl 1.23 Paulo d e fen d e a fé q u e antes p erseg u ia QUINTA-FEIRA - At 15.5 O s fariseus queriam a circuncisão d o s g en tio s SEXTA-FEIRA - Gl 2.20 Estou crucificado com Cristo SÁBADO - At 15.29 O s apóstolos de Jeru sa lém não recom endaram a circuncisão JOVENS 3 G álatas 1.1-5 1 Paulo, apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que o ressuscitou dos mortos), 2 e todos os irmãos que estão comigo, às igrejas da Galácia: INTRODUÇÃO Ao longo deste trimestre, estuda remos a Carta de Paulo aos Gálatas. Escrita no primeiro sécuLo da nossa era, essa correspondência foi enviada aos crentes da região da GaLácia e buscou mostrar aos seus Leitores a importância da liberdade cristã e a suficiência do Evangelho. Eram homens e mulheres que haviam sid o a lca n ça d o s pela pregação e o ensino da salvação ofe recida por Jesus, mas que, em algum momento, se deixaram Levar por ensinos diferentes dos que haviam recebido, e estavam se afastando do pLano de Deus para as suas vidas. Rever os ensinos do apóstolo nesta Carta pode nos fazer refletira respeito da im portância de valorizar o sacrifício de Jesus e não nos deixar Levar por ensinos estranhos, que buscam coLocar o esforço humano como um substituto à graça de Deus. I - A CARTA AOS GÁLATAS 1. O contexto. O Evangelho de Cristo se espalhou pelo Império Ro mano quando judeus e estrangeiros ouviram a sua mensagem e recebe ram Je su s em seu s corações. Essa divulgação se deu pelo testem unho de irm ãos ju d e u s que fugiram de 3 graça e paz, da parte de Deus Pai e da de nosso Senhor Jesus Cristo, 4 o qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus, nosso Pai, 5 ao qual glória para todo o sempre. Amém! JerusaLém por conta da perseguição, m as tam bém se deu por conta do trabaLho específico de obreiros como Barnabé e SauLo, que foram enviados por Deus, e pela igreja, às nações gentias como missionários. Essa fase iniciaL da igreja é apresentada no Livro de Atos dos ApóstoLos. Mas a história da igreja não se resum e aos relatos de Lucas, que inspirado pelo Espírito Santo, registrou os acontecim entos reLativos às atividades missionárias. As cartas dos apóstoLos também trazem informações que nos mostram outros acontecim entos nesse período. Muitos gentios se tornaram cristãos, e com o aumento deles entrando na igreja, crendo que a saLvação prometida por Cristo vinha pela fé, surgiu o que vam os cham ar de “choque cultural”: um grupo d e ju d e u s, que também tinha crido em Jesus, passou a ensinar que a Salvação dependia também da guarda da Lei de M oisés. Je su s era judeu, e guardou a Lei, sujeitando-se a eLa. Portanto, todos os seus seguidores deveríam também passar peLo mesmo rito. Esse grupo é denominado dejudai- zantes, e como veremos, deu trabaLho por onde passava, pois seu ensino, de forma praticamente imperceptíveLaos 4 JOVENS gálatas, enfatizava o esforço humano como um auxiliar à graça de Deus. 2. O autor. Paulo é o autor da Carta aos Gálatas. Ele se identifica como tal logo no primeiro versículo, não dando margem para que outra pessoa possa ser apresentada como responsável por essa autoria. Como veremos no decorrer das lições, sua autoridade apostólica foi questionada por um grupo de judeus. Por isso, colocar seu nome na carta que escreveu foi uma forma de se identificar com seus leitores e, os detalhes evidentes nela, mostram que Paulo conhecia os irmãos gálatas. Sobre a data dajudeu, com o crente Abraão. Os irmãos gálatas certamen te tiveram contato com a história de Abraão, seja por Pauto, seja pelos judaizantes, e o apóstolo se vale da figura do patriarca para exemplificar a realidade da justificação pela fé. Era a forma mais adequada de mostrar aos leitores que a Lei de Moisés não era superior à graça de Deus e à salvação pela fé. A Palavra de Deus destaca que Abrão foi chamado por Deus para deixar a sua terra e os seus parentes para herdar uma terra que ele JOVENS 31 N a g ra ç a , r e c e b e m o s o q u e n ã o m e r e c e m o s , e na m is e r ic ó r d ia , n ã o r e c e b e m o s o q u e m e r e c e m o s . A ju s t if ic a ç ã o d o s g e n t io s n ã o v ir ía p e la s o b ra s, e s im p e la fé. nem mesmo sabia onde era. Ele creu em Deus, dando início a uma viagem cujo destino era ignorado, mas estava ciente da fidelidade do Senhor. Ao Longo de sua história, ainda que não comptetamente perfeita, o patriarca demonstrou fé não somente que Deus o guiaria ao destino aonde chegaria, mas principalmente na promessa de que seria pai de uma multidão de pessoas. 2. Foi considerado justo. Abraão, de onde provém os judeus, foi consi derado justo. E como isso se deu? Pela fé, Abraão recebeu a promessa de ter um filho, mas com o passar do tempo, ele viu que a promessa de Deus não havia sido cumprida ainda. Ele chegou a mencionar que o mordomo Eliézer era o adm inistrador daquela casa e herdaria os seus bens. Mas Deus deu uma lição prática ao patriarca. O Eterno levou o ancião para fora da tenda onde estava, e como era de noite, pediu que ele contasse as estrelas. Deus ainda disse: [...] “se as podes contar" [...] (Gn 15.5). Ele concluiu dizendo: “Assim será a tua semente" (ou descendência). O verso a seguir diz que “E creu ele no SENHOR, e foi-lhe imputado isso por justiça” (Gn 15.6). Abraão foi justificado por ter crido no que Deus havia falado. 3. Deus iria justificar os gentios pela fé. Paulo menciona que Deus havia previsto que a fé seria o instrumento pelo qual os pecadores, judeus ou gen tios, fossem declarados justos diante de Deus. O Eterno escolhe a fé, e não as obras, para justificar uma pessoa. As obras dependem do potencial e da vontade de cada um, e como cada ser humano não tem as mesmas con dições que outro, surge uma injustiça, pois um poderia fazer mais obras e outro, não, Como se fosse pouco, as obras tendem a nos fazer orgulhosos de nossas próprias capacidades. Isso desagrada a Deus. Em sua sabedoria, “Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia" (Rm 11.32). Na misericórdia não há mérito de quem erra, mas sim, m érito de quem exerce a misericórdia. Na graça, recebemos o que não merecemos, e na misericórdia, não recebemos o que merecemos. Ajustificação dos gentios não viria pelas obras, e sim pela fé. III - A FÉ COMO FONTE DE VIDA 1.0 justo viverá da fé. Essa expres são é oriunda do profeta Habacuque (Hc 2,4). Ele profetizou ao povo de Judá em meio a uma grande corrupção moral e espiritual, e sob a sombra dos ataques dos babilônios. Esses seriam usados pelo Eterno para julg ar Judá. Havia hebreus arrogantes naqueles dias, e Deus diz ao profeta que “eis que a sua alma se incha, não é reta nele: mas o justo, pela sua fé, viverá” (Hc 2,4). Essa expressão, de que o justo viverá da fé, também se acha em Romanos que diz: “U se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo 32 JOVENS viverá da fé” (Rm 1.17). Em mais de uma referência Bíblica nos é dito que a fé traz a vida (Hb 10.38). 2. Aquele que não permanecer nessas coisas. Uma das mais sérias realidades da vida cristã é a necessi dade de perseverança daqueles que aceitaram a Jesus. Não estamos mais sujeitos ao pecado, e nossa liberdade é para viver no Espírito e não pecar. Esse exercício, porém, deve ser constante e perm anente. A perm anência e a constância são virtudes que devemos cultivar, e na direção certa. Os gálatas estavam sendo inconstantes no tocante ao Evangelho que haviam recebido, e ao se apoiarem na guarda da Lei, não somente se colocavam debaixo de um jugo, mas também de uma maldição. Pior que isso, não praticar a Lei na ín tegra torna a pessoa maldita: “Maldito aquele que não confirmar as palavras desta lei, não as cumprindo. E todo o povo dirá: Amém” (Dt 2726). Os gálatas não precisavam nem deviam guardar os preceitosjudaicos, primeiro porque não eram judeus: segundo, porque se colocavam debaixo de uma maldição, e terceiro, porque não conseguiríam praticar toda a Lei, tornando-se, por tanto, culpados. 3. Cristo é a posteridade de Abraão. A descendência de Abraão é Cristo, e através dEle, judeus e gentios são alcançados pela fé. Em Cristo, e não na guarda da Lei, temos a possibilidade de ser feitos filhos de Deus por adoção, e herdeiros da eternidade não pelos nossos méritos, mas pelo mérito de Cristo. Foi o que Ele fez, e não o que tentam os fazer, que nos garante o acesso a Deus. © CONCLUSÃO Todos podemos ser tentados a acres centar alguma coisa ao Evangelho de Jesus. Podemos não fazer isso na doutrina, mas fazê-lo na nossa prática de vida, criando crendices e hábitos que vão contra a Palavra de Deus. 0 Eterno espera que 0 que recebemos de Deus seja defendido e mantido a todo custo: 0 Sacrifício de Jesus é suficiente para a nossa salvação, e que quando optamos por observar práticas que a Bíblia não diz, estamos acrescentando ao Evangelho coisas que Deus jamais planejou para a sua Igreja. © HORA DA REVISÃO 1, Segundo a lição, como Paulo se dirige aos crentes na introdução da Carta? 2, O que significa a palavra “fascinação”? 3. De acordo com a lição, qual o sig nificado da palavra “representado” em grego? 4. Como Abraão foi justificado? 5, Qual o instrumento de Deus previsto para justificar judeus e gentios? A PROMESSA QUE NAO PODE SER REVOGADA M i siaisiaraai LEITURA SEM ANAL "Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus." (Gl 3 .26) I I |l| I I I W T f A promessa de Deus não pode ser revogada pela Lei, pois Deus não se contradiz. SEGUNDA-FEIRA - GI317 A aliança não é invalidada pela Lei TERÇA-FEIRA - Gn 1 2 ,3 Todas as famílias da terra QUARTA-FEIRA - Jo 1.17 A graça veio p o r Jesus Cristo QUINTA-FEIRA-Gl3.19 A Lei existe p o r causa das transgressões SEXTA-FEIRA-Gl 3.25 Não precisam os d e aio SÁBADO - Gl 3 21 A Lei não é contra as prom essas de Deus 34 JOVENS Gálatas 3.17-24 17 Mas digo isto: que tendo sido o testamento anteriormente confirmado por Deus, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não o invalida, de forma a abolir a promessa. 18 Porque, se a herança provém da lei, já não provém da promessa; mas Deus, pela promessa, a deu gratuitamente a Abraão. 19 Logo, para que é a lei? Foi ordenada por causa das transgressões, até que viesse a posteridade a quem a promessa tinha sido feita, e foi posta pelos anjos na mão de um medianeiro. 20 Ora, o medianeiro não o é de um só, mas Deus é um. 21 Logo, a lei é contra as promessas de Deus? De nenhuma sorte; porque, se dada fosse uma lei que pudesse vivificar, a justiça, na verdade, teria sido pela lei. 22 Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes. 23 Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar, 24 De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que, pela fé, fôssemos justificados. INTRODUÇÃO Nesta lição, veremos que Paulo se refere à importância da promessa em de trimento da Lei. Os judaizantes criam que eram a semente de Abraão, e somente eles. Mas Pauto mostra que a semente de Abraão, para Deus, é mais abrangente, e alcança todos os que creram e creem em Jesus pela fé, judeus e gentios. A Lei, que é o pacto moisaico, nãotem o poder de anular a promessa de Deus feita ao patriarca 400 anos antes, pois Deus não voltou atrás em sua promessa. I - O PACTO DE DEUS A N TE RIOR À LEI 1. A Lei não invalida o testamento. Paulo se vale de uma linguagem jurídica para mostrar aos gálatas a importân cia das promessas de Deus, Aqui, ele apresenta uma contraposição entre a promessa e uma lei. Deus fez promessas a Abraão, e destacamos a de que ele seria pai de uma grande nação. Pelo que vemos ao longo da revelação divina, com base em Gênesis 12.3: “em ti serão benditas todas as famílias da terra", o alcance da promessa divina a Abraão ia além da sua semente física. Deus fez um pacto com Abraão, e esse pacto não seria revogado pela lei de Moisés. Na língua grega há duas expressões para a palavra 'aliança'. A primeira é synthehe, “colocarjunto", onde um pacto é feito entre partes iguais, com direitos iguais de discutir o acordo a ser proposto. A segunda palavra é diatheke, “colocar por”, e traz a ideia de um acordo em que as partes são desiguais, quando uma parte coloca os termos e a outra aceita ou rejeita. Essa é 0 termo que Paulo usa para explicar o pacto de Deus com Abraão, O patriarca, como ser humano, era limitado no que poderia oferecera Deus, exceto pela fé que tinha no Eterno. Deus, por sua vez, prometeu bênçãos a Abraão, e uma vez feito o pacto acerca dessa promessa, não voltaria atrás. Em sua presciência, Deus sabia que os gentios seriam alcançados e experimentariam a oportunidade de viver pela fé. 2. A herança vem pela promessa. Por mais que a herança possa ser regulamen tada por uma lei, ou seja, por mais que JOVENS 35 uma lei defina as regras para que uma herança possa ser dada e recebida, a lei não tem o poder de modificar a vontade do testador nem de alterar o testamento depois de o testador ter falecido. A lei pode regulamentar, mas não invalidar o testamento, ainda mais se essa Lei veio muito tempo depois de o testamento ter sido acertado entre o doador e o herdeiro. A promessa de Deus a Abraão não poderia ser revogada pela lei que Deus deu ao seu povo. A herança não viria através da Lei, mas da promessa baseada e ratificada pelo testamento entre Deus e Abraão. 3. A Lei existe por causa das trans gressões. Paulo explica o motivo da Lei existir, pois se não o fizesse, certamente os gálatas manteriam a percepção de que seguir os preceitos mosaicos, sendo gentios, era a forma correta de viver o Evangelho. De certa forma, a Lei de Moisés pode ser comparada a um objeto que tem a capacidade de refletir a imagem de uma pessoa, mas não de limpá-la, A Lei mostrava quem a pessoa era, mas não podia mudá-la. Espelhos não mudam a aparência das pessoas que se coLocam diante deles. A Lei tinha por objetivo regular as relações entre o homem e Deus, entre o homem e o seu próximo e o homem consigo mesmo. Era um código de suma importância para os hebreus. Ela existia porque a natureza pecaminosa dos filhos de Abraão era a mesma natureza peca minosa dos demais seres humanos, e os hebreus pelo menos teriam um referencial escrito para não pecar contra Deus. Como já sabemos, a Lei apontava o pecado. Ela, de certa forma, restringia a maldade, e nos é dito que ela existia por conta das transgressões. Como sabemos, é da natureza pecaminosa do ser humano tentar burlar regras (Rm 7.7). A Lei mostrava o pecado, e os homens testavam os limites do alcance dela pecando contra Deus. 36 JOVENS II - A LEI NÃO INVALIDA AS PROMESSAS DE DEUS 1. A Lei não é contra as promessas de Deus. É estranho imaginar que Deus tenha feito um pacto com Abraão e, qua trocentos anos depois, tenha mudado as regras, fazendo uma Lei para os descen dentes de Abraão e mudando os termos antes acertados. Em sua fidelidade, o Eterno mantém o que foi ajustado com Abraão ao longo dos séculos. Paulo pergunta: “Logo, a lei é contra as promessas de Deus? De nenhuma sorte: porque, se dada fosse uma lei que pudesse vivificar, a justiça, na verdade, teria sido peta lei” (Gl 3.21). O que os judaizantes não compreendiam é que a Lei e a promessa de Deus não eram opostas. Deus não criou a Lei para se opor à promessa que havia feito a Abraão, mas para conduzir os hebreus à fé em Cristo. Ela era um aio, como veremos. 2. Tudo está debaixo do pecado. Antes de falar sobre a Lei como um tu tor, Paulo fala que “a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes" (Gl 3.22). A salvação é uma dádiva, não uma divida que tenha de ser paga pelo esforço humano. Aqui entra o fator graça de Deus. Com todos colocados no mesmo padrão, ou seja, debaixo do pecado, há uma “padroni zação”, ou seja, ninguém é melhor ou superior a ninguém quando se trata de receber a salvação. Ou é pela fé ou não é por caminho nenhum. 3. A lei como “aio”. A Lei agia como um tutor. Ela ensinava, conduzia no ca minho, mas também tolhia a liberdade. Como um batedor militar, que conduz uma autoridade até o seu destino, o aio assim agia. Ele direciona o comboio, faz a proteção, mas não os deixa em liberdade até que tenham chegado ao destino esperado. A Lei de Moisés deve guiar os seus seguidores até Cristo. Da mesma forma que um aio deveria conduzir uma criança até o destino proposto, assim a Lei deveria fazer. A Lei de Moisés não é adversária da graça de Deus. Na prática, a Lei conduz os hebreus até a graça de Deus, pois as ordenanças mosaicas apontam para uma impossibilidade de se agradar a Deus pelas obras: “Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cris to" (Jo 1.17). A Lei nos prende ao pecado mostrando o que é o pecado. A liberdade dessa prisão só pode vir por Cristo, III - OS VERDADEIROS FILHOS DE DEUS 1. Somos filhos de Deus pela fé. O que faz com que sejamos feitos filhos de Deus não é a observância da Lei. Não somos filhos de Deus pelas coisas que fazemos, e sim pela fé em Jesus. É pos sível que resquícios da mensagem dos judaizantes estejam sendo ensinados em nossos dias, quando se exige que uma pessoa cumpra uma série de preceitos para que possa ser abençoada ou salva. 2. Não há judeu nem grego. Na gra ça de Deus, todos somos iguais para a salvação: pecadores. Sem fé, um hebreu não terá a salvação, e pela fé, um gentio verá a Deus. Por isso Paulo diz que “nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus" (Gl 3.28). 3. Somos descendentes de Abraão (Gl 3.29). Paulo não diz que somos herdeiros de Abraão por força da Lei de Moisés, mas sim por causa da promessa de Deus. Os judeus ainda são descendência física de Abraão, mas todos os que creem em Jesus, pela fé, são igualmente filhos de Abraão. Nós fomos feitos filhos de Deus por adoção, mas nem por isso somos menos filhos de Deus. A adoção traz para nós as prerrogativas de uma herança que nos está destinada pela fé. ©CONCLUSÃO A salvação é um presente de Deus, uma herança, que nos é dada por intermédio da fé, que nos justifica e nos faz filhos de Deus por adoção. Ela não é nem pode ser fruto de troca, como algumas pessoas queiram sugerir. E a Lei de Deus não se opõe à promessa dEle, pois aceita 0 homem pela fé, e esse é o padrão que Ele estabeleceu para que os homens se aproximassem dEle. Somos filhos de Deus e descendência do patriarca Abraão pela fé. © HORA DA REVISÃO 1. Qual a promessa feita a Abraão e que alcança todas as famílias da Terra? 2. Q uais são as duas e xp ressõ es gregas para a palavra “aliança”? 3, Por que a Lei existe? 4. Qual o objetivo da Lei? 5. A Lei invalida as promessas de Deus? FILHOS E HERDEIROS TEXTO PRINCIPAL ■ LEITURA SEMANAL "Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo." (Gl 4.7) RESUMO DA LIÇAO A m aturidade exige de nós um com portam ento diferenciado, pois por ela recebem os a herança em Cristo. SEGUNDA-FEIRA- 1 Co 13.H Q uando era m enino TERÇA-FEIRA-Gl 4-3 M eninos estão sujeitos à servidão QUARTA-FEIRA - G U -5 Em Jesus recebem os a adoção QUINTA-FEIRA-Gl 48 D esconhecer a Deus leva à idolatria SEXTA-FEIRA-Gl 414 Paulo foi receb id o com o um anjo de Deus SÁBADO - Gl 4 1 7 N osso zelo p o r Deus 38 JOVENS TEXTO BÍBLICO Gálatas 4.1-7 1 Digo, pois, que, todo o tempo em que o herdeiro é menino, em nada difere do servo, ainda que seja senhor de tudo. 2 Mas está debaixo de tutores e curadores até ao tempo determinado pelo pai. 3 Assim também nós, quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servi dão debaixo dos primeiros rudimentos do mundo; INTRODUÇÃO Vimos na lição anterior que Paulo tratou a respeito da descendência de Abraão: todos os que creem em Jesus pela fé, quer sejam judeus, quer sejam gentios. Nesta lição, trataremos a respeito da maturidade. É ela que faz o herdeiro menino se tornar um her deiro completo e apto para receber a herança. Ao se colocarem debaixo da Lei, os gálatas estavam não somente se colocando num caminho de retrocesso para com o Evangelho, mas estavam iguatmente renunciando a sua matu ridade e sua herança em Cristo. I - HERDEIRO, MAS COMO SE NÃO FOSSE AINDA 1. Herdeiro, mas como escravo. Pau lo começa dizendo que "todo o tempo em que o herdeiro é menino, em nada difere do servo, ainda que seja senhor de tudo” (Gl 4.1). Nesse texto, podemos ver a importância da maioridade, Ainda que uma criança fosse considerada herdeira, não é diferente de um escravo enquanto não atingir a maioridade. À medida que a criança vai crescendo e se desenvolvendo, ela vai se tornando 4 mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, 5 para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. 6 E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espirito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. 7 Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo. menos dependente do aio (daquele que a conduz e que exerce sobre ela uma tutela, uma guarda). A criança não é uma escrava, mas é "considerada’ como se fosse, em relação a herança, até que atinja a maturidade. Paulo comenta que 0 herdeiro, en quanto menino, por mais que seja dono de tudo, não tem acesso à herança e não possui diferença de um escravo. Falta a ele a maturidade que só o tempo poderá trazer. Um comentarista diz que aquela criança era chamada de “jovem senhor”, sendo “senhor” porque um dia, na maioridade, poderia usufruir dos bens e direitos que lhe seriam entre gues, e ‘jovem ” para não se esquecer que sua hora não havia chegado e se colocar no seu lugar. Mas a hora da sua maioridade chegaria, e ele poderia usufruir dos seus bens e títulos, A função da Lei era conduzir as pessoas a Cristo, da mesma forma que o aio conduzia a criança até a escola e se responsabilizava pela sua educação (Gl 4.3). 2. Na p le n itu d e dos tem po s. O momento da história humana em que Deus interveio para transformar uma JOVENS 39 promessa em um fato consumado é chamado de “plenitude dos tempos" Nesse período específico, Deus enviou a Jesus, e o apóstolo ainda reforça: “nascido de mulher, nascido sob a lei” (GI4.4). Essas duas colocações têm im portância pois, mostram não somente a humanidade de Jesus, mas igualmente o fato de que por ter nascido sob a Lei e tê-la cumprido até a morte, seu sa crifício foi único e perfeito, colocando a salvação disponível a todos que creem, independente da sua cultura de origem, Paulo destaca que foi Deus que en viou seu Filho do Céu para este mundo, Essa vinda fazia parte da promessa dada a Abraão, de que nele, todas as famílias seriam benditas. A bênção de Deus não estaria restrita aos descendentes de Abraão que guardavam a Lei. Essa bênção seria dada, pela fé, aos que cressem no sacrifício de Jesus. 3, Remir os que estavam debaixo da lei. A vinda de Jesus foi para remir os que estavam debaixo da Lei. Remir é comprar novamente. Paulo aqui nos mostra que as ações de Deus sempre têm um propósito. Nessa rem issão Jesus pagou a nossa dívida, e com seu sangue, nos comprou para Deus (Ap 5.9). Certo estudioso comentou que os judeus dos tempos de Jesus, de forma geral, consideravam a Lei como "um capataz cujas ordens precisavam ser obedecidas por temor à penalidade decorrente da infração”. Ela é o paida- gogos, responsável por preparar e levar as crianças de uma família para a escola, onde seriam entregues ao “mestre-es- cola". Uma vez entregue as crianças ao mestre-escota, a responsabilidade do p a id a g o g o s estava concluída. Nada mais há de ser feito por ele. II - A NOSSA POSIÇÃO EM DEUS 1, Somos filhos e herdeiros. Antes os gálatas serviam aos ídolos, pois não conheciam a Deus. Mas agora, eles haviam sido salvos, e não foram deixados à própria sorte. Eles foram recebidos como filhos (GI4.6). Paulo- prossegue dizendo que somos filhos e herdeiros, coisa que um escravo não é. Pelo Espírito Santo, os gentios poderíam chamar Deus de “paizinho”, não uma expressão que remonte a ideia de um diminutivo, mas sim de intimidade. Os gentios agora, em Cristo, obedecem a Deus para agradá-lo, e não porque podem ser punidos, como os ídolos faziam com aqueles que os adoravam. Mas essa nova posição para os gálatas estava sendo abalada: “como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos" (GL 4.9,10). 2. Guardando preceitos e regras. Eles eram filhos e herdeiros de Deus pela fé, mas observando a Lei de Moisés, estavam como que voltando à época em que serviam a ídolos. Mais que isso, eles passaram a se preocupar com a guarda das festas hebraicas e os dias santos, uma regra para que a cultura judaica fosse prolongada entre os gentios. Eles aprenderam com os judaizantes a guar dar rituais que se iniciavam com datas importantes do judaísmo. O que comer, o que não comer, não deixar de celebrar tal data. Na prática, pouca diferença tinha o legalismo do paganismo, dos ídolos que antes os gálatas adoravam. Não há nenhum impedimento em se guardar um dia para a adoração a Deus. Os hebreus tinham seu próprio calendário, e dele se valiam para não 40 JOVENS descumprir os mandamentos. Guarda mos o domingo pois foi nete que Jesus ressuscitou, vencendo a morte e nos garantindo que seremos vitoriosos com Ele nesse mesmo aspecto. Mas a guarde de datas e dias como um misticismo não é o que Deus tem para nós. Há algum problema em se seguir regras? De forma alguma. As regras nos ajudam a saber como nos portar em diferentes contextos e trazem organiza ção. No trabalho ou nos estudos, regras como cumprir horários e estar fazendo as suas atividades no departamento onde se trabalha ou na sala onde a aula vai acontecer, ajudam na organização e no bom relacionamento. Mas quando o comprimento de regras se torna o referencial de espiritualidade, tal ideia não é correta, como no caso dos gálatas. 3. Fraqueza de Paulo quando es teve com os gálatas. Paulo relembra seus leitores que esteve com eles em fraqueza, uma forma de dizer que estava acometido de uma enfermida de, E por que ele faz isso? Diferente de pessoas que ensinam que quem serve a Deus não pode ficar doente, ou se está, é porque cometeu aLgum pecado ou porque não tem fé, Paulo nos permite entender que estam os sujeitos às mazelas deste “corpo de humilhação” (Fp 3.21). Ele acrescenta: “E não rejeitastes, nem desprezastes isso que era uma tentação na minha carne” (GI4.14). Os gálatas tinham um coração aparentemente disposto à ge nerosidade e à misericórdia, tanto que “se possível fora, arrancarieis os olhos, e mos darieis” (GI4.15). A receptividade dos gálatas foi relembrada para mostrar que Paulo não lhes era um oponente. Ele tinha gratidão pelos gálatas. G u a r d a m o so d o m in g o p o is f o i n e le q u e J e s u s r e s s u s c it o u , v e n c e n d o a m o r t e e n o s g a r a n t in d o q u e s e r e m o s v it o r io s o s c o m E le n e s s e m e s m o a s p e c to . A graça de Deus, pregada pelo apóstolo, foi suficiente não só para al cançar os seus ouvintes, mas igualmen te poderosa para que eles recebessem a Paulo como um mensageiro de Deus, mesmo quando estava adoecido. E os judaizantes estavam se aproveitando dessa boa vontade dos gálatas para semear entre eLes a desobediência. III- MATURIDADE E RESPON SABILIDADE 1. Inimigo fala a verdade? É pos sível que os judaizantes estivessem ensinando que Paulo era um inimigo dos gálatas por falar daquela forma com eles, Mas o apóstolo o fazia com o coração de um verdadeiro pastor, não como um aventureiro. Ele falava a verdade em amor. O questionamento do apóstolo sobre a sua forma de falar com os leitores deixa claro a diferença entre ser um bajulador e ser um mestre que se preocupa não com o que pode receber, mas com o que pode entregar. 2. O zelo inconveniente. Nem toda demonstração de zelo é do Espírito. É possível que haja na igreja pessoas que apresentam o que seria tido por um comportamento aceitável diante de Deus, mas sem o aval dEle, O zelo dos judai- JO VENS 41 zantes não era espiritual, mas religioso, e esses dois zelos são diferentes. O zelo espiritual se preocupa com a vida espiri tual das pessoas de uma congregação, ao passo que o zelo religioso se prende ao formato como a religião é manifesta. Eles queriam aumentara sua influência entre os gálatas demonstrando um zelo religioso, e isso era contrário ao Evange lho: “Eles têm zelo por vós, não como convém: mas querem excluir-vos, para que vós tenhais zelo por eles" (Gl 4.17). O zelo dos judaizantes era inconveniente. Paulo era contrário ao zelo espi ritual? De forma alguma, Ele diz: “É bom ser zeloso, mas sempre do bem e não somente quando estou presente convosco” (Gl 4.18), Ele não estava ali com os gálatas, mas dem onstrava, mesmo à distância, o zelo espiritual que marcava o seu ministério. 3. A maioridade exige responsabilida des. Crescer implica ter responsabilidades. Uma pessoa que atinge a maioridade tem obrigações das quais não pode se esquivar. É possivel que uma pessoa tenha direito à herança, mas não possa possuí-la devido à idade. Os gálatas já tinham conhecido Jesus, e com 0 Senhor, a maturidade, Agora estavam se colocando como crianças, sendo guiados pela Lei, e considerados sem acesso à herança. A maturidade tem por preceito a diferencia ção da infantilidade. Um adulto não pode agir como criança, como se precisasse passar por todo o processo de cresci mento e amadurecimento. De um adulto se espera diversas características, como: inteligência, experiência, responsabilidade por seus atos, seriedade e conhecimento. Não esperamos isso de uma criança, que ainda está em desenvolvimento e não possui essas competências. ©CONCLUSÃO Nesta lição, vimos que Pauto faz uma comparação entre 0 herdeiro criança e 0 herdeiro que já atingiu a maioridade e mostra a importância de se ter o zelo correto para com as coisas de Deus e as pessoas de Deus. Ele mostra 0 zelo espiritual que caracterizava 0 seu ministério, e que a maturidade tem suas responsabilidades, não sendo, portanto, compatível a uma pessoa madura agir como uma criança para com as coisas de Deus. © HORA DA REVISÃO 1, Segundo a lição, qual era a respon sabilidade do aio? 2. Explique, segundo a lição, o que é a “pLenitude dos tempos". 3, O que significa “remir”? 4. Qual é a nossa posição em Deus? 5, Toda demonstração de zelo é do Espírito? 42 JOVENS FILHOS DE DEUS E DESCENDÊNCIA DE ABRAÃO TEXTO PRINCIPAL "Mas nós, irmãos, somos filhos da promessa, como Isaque." (Gl 4.28) RESUMO DA LIÇAO Pela fé em Jesus Cristo, somos filhos de Deus e descendência de Abraão. LEITURA SEMANAL SEGUNDA-FEIRA - GU.21 Para seguir a Lei, ao menos leia-a TERÇA-FEIRA-Gl 4.22 Dois filhos, um escravo e outro livre Q U A R T A -FE IR A -G l 4.24 Filhos da servidão QUINTA-FEIRA-Gl 4.28 Filhos da prom essa SEXTA-FEIRA - GI4 29 Os filhos da prom essa são perseguid os SÁBADO - Gl 5.1 Não se coloq ue debaixo de servidão JOVENS 43 Gaiatas 4.21-26 21 Dizei-m e vós, os que quereis estar debaixo da lei: não ouvis vós a lei? 22 Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da livre. 23 Todavia, o que era da escrava nasceu segundo a carne, mas o que era da livre, por promessa, 24 o que se entende por alegoria; porque estes são os dois concertos: um, do monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Agar. 25 Ora, esta Agar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde à Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos. 26 Mas a Jerusalém que é de cima é livre, a qual é mãe de todos nós; INTRODUÇÃO A lição desta semana é a respeito da história apresentada por Paulo sobre Ismael e Isaque, os dois filhos de Abraão. Ele fala da escravidão e da liberdade, representadas pelos dois filhos, onde a escravidão é a perda da liberdade e da identidade. Os gálatas deveriam compre ender que a liberdade que receberam em Jesus estava sendo colocada em risco por conta da decisão deles, de se sujeitarem aos ensinos dos judaizantes. I - O QUE A LEI DIZ 1. Paulo se vale da história. A fim de reforçar seu argumento, o apóstolo mostra aos gálatas a diferença entre ser escravo e ser livre. Ele começa com a seguinte pergunta: “Dizei-me vós, os que quereis estar debaixo da lei: não ouvis vós a lei" (v.i)? Em outras palavras, “Já que vocês querem viver debaixo da Lei, ao menos vejam o que ela diz", Então ele partilha a história dos dois filhos de Abraão. A Palavra de Deus nos informa que Abraão teve diversos filhos além de Isaque e Ismael (Gn 25.1-7), mas somente os dois primeiros são utilizados por Paulo para realizara comparação necessária. Esses dois filhos e suas histórias estão imersos em um contexto especifico, a saber, Ismael nasceu de um arranjo social, e Isaque, da promessa de Deus. No tocante à origem social, um era escravo, e o outro livre, pois a mãe de Ismael era uma serva de Sara, ao passo que Isaque era filho da esposa de Abraão, uma mulher livre. 2. O significado de ser escravo. No mundo do primeiro século, no Império Romano, a escravidão era bem conhecida. Milhões de pessoas foram feitas escra vas por causa de guerras, de dívidas, ou porque nasceram filhos de escravos. O escravo era simplesmente uma pessoa que não tinha direito sobre a própria vida. Sua vida e morte residiam nas mãos do seu proprietário. Trabalhavam sem direito ou garantia alguma, até a morte, ou, em alguns casos, até que o seu senhor lhe concedesse a liberdade, sendo que, neste caso, o escravo agora livre, passava a ser chamado de liberto. Os gálatas conheciam bem essa realidade. Os anos de dominação dos romanos mostravam a vocação que tinham de dominação e de sujeição dos povos conquistados. As tropas romanas situadas nas diversas metrópoles do im pério estavam lá para lembrar quem eram os senhores e quem eram os vassalos. 3. A busca pela liberdade. Paulo se utiliza da história de Abraão para ilustrar o que os gálatas precisavam saber, Ele é chamado de pai da fé, mas é dele que 44 JOVENS também procedem osjudeus. O patriarca era casado com Sara, e a promessa de ser uma grande nação foi dada a ambos, não somente a Abraão. A genética repassada do patriarca aos seus descendentes seguia uma linha de muitos séculos, onde, por vezes, os hebreus se viram dominados por outros povos, Eles sabiam a importância de serem livres, e no primeiro século não desfrutavam ainda de plena liberdade. II - O FILHO DA CARNE E O FILHO DA PROMESSA 1. A carne e seu filho. A comparação que Paulo faz com referência a Ismael, o primeiro filho de Abraão, como sendo o resultado não da fé ou da promessa,mas como sendo um arranjo de uma decisão baseada em um pensamento humano diante da impaciência. A ideia partiu de Sara, que seguiu um costume de sua época, em que uma escrava poderia dar um filho ao seu senhor. Ninguém poderia negar que Ismael era filho de Abraão. Entretanto, ele re presenta um arranjo humano, uma forma de antecipar a realização da promessa de Deus. Sempre teremos dificuldades quando tentarmos ajudar Deus a cumprir o que Ele, de bom grado, nos prometeu. Hagar enquanto estava grávida desprezou sua senhora, e depois Sara ordenou que Hagar fosse embora. Am bas se irritaram e competiram, e Abraão estava nesse fogo cruzado. Uma criança nasceu, mas não segundo a vontade de Deus. Paulo vai, por analogia, dizer que Ismael é o filho gerado pela carne. Ele não faz essa declaração com des prezo, pois seu objetivo é exemplificar aos gálatas a diferença entre confiar na carne e confiar na promessa de Deus. 2. A promessa e seu filho. Isaque foi chamado de "filho da promessa". Apesar da incapacidade de Abraão e Sara de poderem experimentara paternidade e a maternidade durante décadas, Deus lhes havia feito uma promessa. Abraão seria pai de uma multidão de pessoas, e Sara, a mãe. Sara deu a ideia a Abraão de tomar uma escrava para ser mãe, mas, mesmo assim, Deus não retirou o que havia dito para com a esposa de Abraão, pois a fidelidade do Eterno é inquestionável. Ismael podia ser o mais velho biologicamente, mas ele não estava vinculado à promessa de Deus. Isaque foi dado a Abraão e Sara como garantia de que Deus cumpre o que promete. É à descendência de Isaque, e não de Ismael, que os crentes seriam associados. 3.0 escravo persegue o livre. A Pa lavra de Deus nos diz que no momento da cerimônia em que Isaque, o filho da promessa, foi desmamado, Ismael zom bou dele (Gn 21.8,9). Da mesma forma que Hagar quando engravidou zombou de Sara, Ismael 0 faz com Isaque. Aqui temos duas lições. A primeira é a do exemplo: crianças aprendem com o que veem e ouvem dos pais. Elas simplesmente reproduzem as atitudes dos pais, mesmo sem entender completamente o que fazem. A segunda lição é a de que quem tem liberdade dentro de casa pode ser perseguido por quem não a tem. Foi o que aconteceu com os gálatas. Nasceram livres, mas estavam sendo colocados debaixo de servidão pelo discurso dos judaizantes, A cena ocorrida séculos antes estava se repetindo. Osjudaizantes também tinham ou vido o Evangelho primeiro, mas por se prenderem a aspectos da Lei mosaica, esqueciam do seu verdadeiro Messias, Jesus, e se colocavam sob escravidão mais uma vez. E agora, estavam induzin do os gentios nesse mesmo caminho. JOVENS 45 III - A SOLUÇÃO PARA ESSE CONFLITO 1. Lança fora a escrava e seu filho. Sara ofereceu Hagar a Abraão para que ela pudesse ser mãe. Abraão não questionou a ideia da esposa. Hagar engravidou e desprezou Sara, que mandou a escrava embora. Hagar encontrou um anjo no caminho que a ordenou que voltasse para se humilhar diante de Sara. Todos, exceto o anjo, agiram sem pensar. 2. Somos filhos da livre. Ao qualificar Ismael como filho da carne, Deus não lhe privou de bênçãos, mas não deu a ele as mesmas que deu a Isaque (Gn 21.13). As palavras de Sara nos mostram a consequência de uma inimizade, e ao mesmo tempo, uma solução para os gálatas: Eles deveriam lançar fora os judaizantes e seus ensinos, e viverem como verdadeiros filhos de Abraão segundo a promessa de Deus. Por qual motivo? Os gálatas eram, da mesma forma que Isaque, filhos da promessa: “De maneira que, irmãos, somos filhos não da escrava, mas da livre" (Gt 4.31), 3. Não tornem a ser escravizados. Paulo nos dá duas ordens aqui: Estejam firmes na sua liberdade, e não se colo quem debaixo de servidão. Na primeira observação, ele ordena que a liberdade que receberam em Cristo seja defendida a todo custo. Na segunda, ele aponta que era possível os gálatas serem es cravizados, não por uma força militar externa, ou como despojo de guerra, ou por causa de uma dívida, coisas comuns para a escravidão naquela época. O que Paulo mostra é que os gálatas estavam se sujeitando voluntariamente à perda da liberdade, Por isso ele diz que eles não se sujeitem à escravidão que a Lei e os judaizantes estavam lhes imprimindo. ©CONCLUSÃO A comparação que Paulo faz sobre Ismael e Isaque foi esclarecedora para os gálatas e 0 deve ser também para nós. Pode haver dois filhos, mas só um era de acordo com a promessa. Em Jesus, somos filhos da promessa de Deus a Abraão, e não dependemos da Lei para ser conduzidos a Deus. Por fim, cabia aos gálatas entenderem que não deveriam se colocar debaixo de um jugo de servidão, pois deixariam de ser livres em Cristo para serem servos da carne. © HORA DA REVISÃO 1. Quais os dois filhos de Abraão que Paulo cita aos gálatas? 2. Quem era o filho da prom essa, Ismael ou Isaque? 3, Dê quem foi a ideia de Abraão ter um filho com Hagar? 4, Quais as duas lições que apren demos com a história de Hagar e Sara? 5. O que Deus disse a Abraão a res peito de Hagar e Ismael? A LIBERDADE QUE CRISTO NOS DEU TEXTO PRINCIPAL ■ LEITURA SEMANAL "Eis que eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará." (Gl 5.2) RESUM O DA LIÇÃO O abandono da liberdade que Cristo nos deu tem causas desastrosas. SEGUNDA-FEIRA - At 15.10 A Lei era difícil de ser guardada TERÇA-FEIRA- G l 5.9 O "ferm ento" judaizante QUARTA-FEIRA - Hb 12.1 Temos uma carreira proposta QUINTA-FEIRA-Gl 5.4 Q uem se justifica pela Lei está separado d e Cristo SEXTA-FEIRA-Gl 5.13 Livres, mas não para ser carnais SÁBADO - Gl 5.15 A carne faz com que nos esqueçam os de ser am orosos JOVENS 47 TEXTO BÍBLICO Gaiatas 5.1-9 1 Estai, pois, firm es na liberdade com que Cristo nos libertou e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão. 2 Eis que eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. 3 E, de novo, protesto a todo homem que se deixa circuncidar que está obrigado a guardar toda a lei. 4 Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caido. INTRODUÇÃO Nesta lição, Paulo trata de uma situação em que é preciso fazer uma escolha: ou os gálatas criam em Cristo e viviam peta fé, ou se firmavam na circuncisão. Ele mostra que a liberdade que conseguiram em Cristo pode ser retirada quando eles decidem substituir o Evangelho de Jesus, que receberam pela fé, pela guarda da Lei, de preceitos que não lhes foi ordenado guardar. Os falsos ensinos tinham suas conse quências. Os gálatas estavam caindo da graça, brigando uns com os outros e dando ocasião à carne. I - A CIRCUNCISÃO TEM ALGUM VALOR? 1. Estejam firmes na liberdade. Paulo orienta que os gálatas sejam firmes, não vacilantes, na liberdade que receberam do Evangelho (Gl 5.13), Era como se eles devessem assumir uma posição fortificada, e por ela lutassem. Essa posição era a liberdade ofertada por Cristo, que corria o risco de ser 5 Porque nós, pelo espirito da fé, aguar damos a esperança da justiça. 6 Porque, em Jesus Cristo, nem a circun cisão nem a incircuncisão têm virtude alguma, mas, sim, a fé que opera por amor. 7 Corríeis bem; quem vos impediu, para que não obedeçais à verdade? 8 Esta persuasão não vem daquele que vos chamou. 9 Um pouco de fermento teveda toda a massa. perdida caso aderissem de vez à Lei de Moisés e desprezassem o ensino do apóstolo. Toda a pregação de Paulo estaria em risco por conta do desvio doutrinário trazido por legalistas. A perseverança era mais do que ter uma atitude diante de outras pes soas. Era também uma convicção que deveriam ter, de forma pessoal, pois haviam sido libertos por Cristo e tinham, pelo Evangelho, a liberdade de serem considerados filhos de Deus. 2. Não se coloquem debaixo de servidão. Ganhar a liberdade é difícil, mas perdê-la é fácil. Deus pôs em liberdadeos filhos de Abraão retirando-os da es cravidão egípcia, mas quando chegaram à Terra Prometida, por se esquecerem de Deus, acabaram sendo subjugados pelos povos que não expulsaram daquela terra. Nos dias de Paulo, os romanos subjugavam não apenas Israel, mas também outros povos conhecidos. Os gálatas mesmo tinham os romanos como senhores, e sabiam que a “liberdade” que tinham não era completa. 48 JOVENS Ao ensinarem sobre a Lei de Moisés como um adicional à graça de Deus, os judaizantes acrescentavam culpa à vida dos gálatas, pois se esses não cum prissem os 613 m andamentos que a Lei possuía, então, por causa de uma única transgressão a um único mandamento, esses gálatas seriam condenados pela Lei toda. Esse é 0 resultado de trocar o Evan gelho pelas obras e pelo esforço pró prio, Eles estavam entrando em uma dívida impagável, que por sinal, Cristo já havia quitado. Outra observação é a de que Paulo os responsabiliza pelo abandono da Liberdade para se colocarem sob servidão. 3. G uardar a Lei obriga o cren te a guard á-la toda. O padrão da Lei é altíssimo, e quando uma pessoa não consegue guardá-la por completo, ela se coloca debaixo de uma maldi ção. Isso estava acontecendo com os gálatas: por acrescentarem ao Evange lho a guarda da Lei, eles estavam se colocando debaixo de uma servidão não somente desnecessária, mas não planejada por Deus. É possível que os gálatas pen sassem que por viver uma vida antes desregrada, poderia ser interessante se submeterem a um conjunto de regras que lhes desse uma identidade, um direcionamento. Entretanto, a guarda da Lei era um peso até mesmo para os própriosjudeus. Pedro, em uma reunião com outros líderes, reconheceu isso quando fariseus crentes exigiram a circuncisão dos gentios que aceitaram a Jesus: “Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discí pulos um jugo que nem nossos pais nem nós podemos suportar?” (At 15.10). O problema era o pecado que a Lei revelava naqueles que a guarda vam. O que Paulo nos mostra é que os judaizantes ensinavam a circunci são como algo obrigatório, mas que os gálatas tinham a opção de não a fazer: “se vos deixardes circuncidar" (Gl 5.2). Cabia aos crentes não caírem naquele problema. Se guardassem os m andam entos do Senhor, não precisariam passar por uma cirurgia dolorosa e desnecessária. Mais que isso, Deus tinha como objetivo tratar com corações de carne, e não com uma m arca na p ele dos hom ens. Quantos problemas podemos evitar se simplesmente observarmos a Palavra de Deus e decidirmos atender ao que estamos aprendendo? Os gálatas é que decidiríam por essa situação, I! - O FERMENTO LEVEDATODA A MASSA 1. Separados de Cristo. Guardar a Lei implicava uma matemática estranha: crer em Jesus e fazer a circuncisão. O resultado dessa conta era invalidar o sacrifício de Jesus e se colocar debaixo de uma escravidão. Como membros do Corpo, os gála tas, que deveríam estar ligados a Jesus, mas estavam se separando dEle, e um membro separado do corpo morre. Aceitando a Lei, os gálatas renunciavam a graça. Não dava para ter os dois. Esse não era o plano de Deus. 2. Corriam bem. No mundo grego, a corrida era um esporte bastante praticado por atletas e soldados. Não tinha um custo financeiro alto, mas exigia do atleta força e resistência. Não bastava ter musculatura, era preciso saber respirar e manter a respiração JOVENS 49 U m a p it a d a d e u m a d o u t r in a e rr a d a te m a c a p a c id a d e d e d is t o r c e r n ã o s ó o e n t e n d im e n t o d o s s a n t o s s o b r e a s c o is a s d e D e u s, m a s p o d e d is t o r c e r ta m b é m a p r á t ic a c r is tã . condicionada ao movimento de projetar o corpo para a frente, continuamente e por um longo tempo, até chegar no destino proposto. Os gálatas corriam bem, diz Paulo. Mas eles pararam. Al guém lhes tirou o fôlego acrescentando um peso desnecessário. O que eles não perceberam era que, ao aceitar um pequeno “corte de pele", no próprio corpo, estavam depositan do, sem perceber, a sua confiança em ações humanas. Isso implicava parar de confiar em Jesus. Um acontecim ento olim pico pú blico pode nos fazer entender o que PauLo diz. O atleta brasileiro Vanderlei Lima corria em 2004 nos jogos olím picos de Atenas, quando, faltando 7 km, e estando em primeiro lugar na disputa, foi empurrado e segurado por um hom em que assistia à corrida, e fazendo com que ele perdesse a vanta gem diante dos seus competidores. Ele concluiu à corrida em terceiro lugar, e posteriormente foi homenageado com a m edalha Pierre de Coubertin. uma honraria concedida aos que dem ons tram resistência e ética nas atividades esportivas. Esse exem plo nos mostra que fatores externos podem influenciar negativam ente a nossa corrida para a eternidade. Pior do que ser parado, os gálatas estavam desobedecendo à verdade do Evangelho (GL 5.7). 3,0 fermento. 0 fermento biológico é um agente levedante que possui micro-organismos vivos, e que uma vez inserido numa massa, faz com que ela cresça. Ele transforma a condição da massa, aumentando seu volume por meio da fermentação. Na culinária é um excelente recurso para a fabricação de pães e bolos, mas é igualmente uma referência a um elemento que distorce descontroladamente o ambiente em que foi inserido. O fermento dos judaizantes havia sido colocado entre os gálatas e es tava crescendo. Uma pitada de uma doutrina errada tem a capacidade de distorcer não só o entendimento dos santos sobre as coisas de Deus, mas pode distorcer também a prática cristã. III - LIBERDADE X CARNALIDADE 1, A condenação dos falsos en- sinadores. "Eu querería que fossem cortados aq u ele s que vos andam inquietando (v, 12)”. Há um ditado popular que ilustra essa sentença: “o mal se corta pela raiz”. Paulo mostra que os perturbadores dos gálatas seriam condenados. Eles não ficariam impunes, pois estavam atrapalhando o Evangelho com uma m ensagem legalista. 2. Dando ocasião à carne. Outro perigo pelo qual aquelas igrejas pas savam era dar ocasião à natureza hu mana por observarem a Lei. Paulo fala que a liberdade que receberam não poderia ser utilizada para que a carne prevalecesse. Os gálatas deveríam se valer da liberdade que ganharam em 50 JOVENS Cristo para servirem melhor a Deus e uns aos outros: “Não useis, então, da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor (v. 13)". O serviço cristão é um ponto forte da vida de fé, pois é necessário que tenhamos comunhão uns com os outros. Escravos brigam entre si. Filhos ajudam -se uns aos outros. 3, O cuidado de uns para com os outros. A prática da lib erd ad e cristã nos im pulsiona a cuidar uns dos outros. Se os gálatas desejavam guardar a Lei, que se lembrassem do mandamento “Amarás o teu próximo como a ti mesmo". Parece que na Ga- lácia osjudaizantes conseguiram não somente atrapalhar o entendimento da salvação pela graça, mas também gerar conflitos entre os irmãos, pois Paulo escreve: “Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros (v.15)” Como crianças que estão em um momento de descon- tração e poderiam fazer muitas coisas juntas, decidem brigar umas com as outras porque não querem esperar a sua vez ou por discordarem de uma atividade em conjunto. A liberdade mal direcionada e mal vivida pode trazer a destruição. © PENSE! Qual a im portânc ia da liberdade cris tã de acordo com 0 apóstolo Paulo? © PONTO IMPORTANTE! Ela é im portan te , po is segundo Paulo, a sua prá tica nos im p u l siona a cu ida r uns dos outros. ©CONCLUSÃO É possível que 0 legalismo tenha atraí do pessoas e feito com que pensassem que eram mais santas e serviam melhor a Deus, mas Paulo nos mostra que se o Espírito Santo não agir em nossas vidas, de nada servirá guardar regras. Praticar as obrasda Lei era pegar um desvio que os levaria para fora do caminho pretendido por Deus. Somos livres para andar no Espírito, ser guiados por Deus e usufruir das bênçãos da salvação e da adoção de filhos que recebemos, e não podemos trocar essas graças por práticas que vão exaltar a nossa humanidade e diminuir o poder do sacrifício feito pelo Senhor em nosso lugar. © HORA DA REVISÃO 1, De acordo com a lição, o que era a perseverança que Paulo esperava dos gálatas? 2. Nos dias de Paulo quem subjugava Israel? 3. Segundo a lição, qual é o resultado de trocar o Evangelho pelas obras e pelo esforço próprio? 4. O que os judaizantes ensinavam, mas que os gálatas tinham a opção de não fazer? 5. O que implicava guardar a Lei? A CARNE E O ESPIRITO: A LUTA QUE EXISTE EM NÓS TEXTO PRINCIPAL M LEITURA SEMANAL "Digo, porém: Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne." (Gl 5.16) RESUMO DA LIÇAO A quem nos submetemos mostrará se andamos na carne ou no Espírito. SEGUNDA-FEIRA-Gl 517 Nossa luta interior TERÇA-FEIRA- G l 5.23 Não há Lei contra o fruto do Espírito QUARTA-FEIRA-Gl 5-24 Quem é de Cristo crucifica a carne QUINTA-FEIRA-Gl 5.25 Viva e ande no Espírito SEXTA-FEIRA-Gl 5.26 Cuidado com o orgulho SÁBADO - Rm 8.14 Se som os filhos de Deus 52 JOVENS TEXTO BÍBLICO Gálatas 516-23 16 Digo, porém: Andai em Espirito e não cumprireis a concupiscência da carne. 17 Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem -se um ao outro; para que não façais 0 que quereis. 18 Mas, se sois guiados pelo Espirito, não estais debaixo da lei. 19 Porque as obras da carne são manifes tas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, INTRODUÇÃO No capítulo 5, Paulo mostra que somos guiados ou pela carne ou pelo Espírito. Ele falou anteriormente a res peito do cuidado de não se valer da liberdade para que fosse dada ocasião à carne. Desta feita, o apóstolo menciona que existe uma luta dentro de nós para fazer o que é certo ou o que é errado, e que aqueles que são conduzidos pelo Espírito manifestam o fruto, ao passo que os que são convencidos, em suas ações, a resistir ao Espírito e seguir a natureza humana, manifestam as obras da carne. I - ANDANDO NO ESPÍRITO 1. Andai em Espírito. Paulo já tratou sobre a importância da liberdade, e agora passa a mostrar aos gálatas o distancia mento que há entre viver na carne e ser guiado pelo Espírito (Gl 5.16). Observe que o verbo está no imperativo; aqui não é uma recomendação, mas uma ordem. O cristão deve entender que a única opção para que não cumpra os desejos da natureza humana é andar no Espírito. A íntima comunhão e a dependência constante das orientações do Espírito são a única chave para uma vida de 20 idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, 21 invejas, homicídios, bebedices, gluto- narias e coisas sem elhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus. 22 Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanim idade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. 23 Contra essas coisas não há lei. santidade e integridade no Senhor. Não bastava que os gálatas valorizassem a liberdade que receberam de Cristo. Com essa liberdade, eles deveríam andar no Espírito. De nada adianta a liberdade se a pessoa permanece presa às práticas que ainda a identificam como prisioneira. 2. A luta que existe em nós. Há uma luta interior constante para que sigamos a vontade da nossa carne e não sejamos guiados peto Espírito. A carne luta contra o Espírito, e esse, contra a carne (Gl 5,17). Não é uma luta visível, pois acontece no nosso íntimo, mas as consequências são. Essa luta nos mostra uma verdade: o Novo Nas cimento não elimina a velha natureza pecaminosa. Se assim fosse, não veria mos nas Escrituras tantas advertências a que buscássemos a santificação e a mortificação constante do pecado em nós. Não é possível trazer satisfação às duas naturezas, então quem conhece a Cristo terá de escolher que natureza vai agradar e fortalecer. A carne representa a nossa natureza que busca satisfação naquilo que desagrada a Deus, Ela não desaparece nem morre quando uma pessoa recebe a Jesus pela fé e é perdoada de seus pecados. Esse texto JOVENS 53 também nos mostra que o Espirito pode e deseja nos guiar para uma vida mais plena em que manifestemos o fruto do Espírito, que Paulo descreverá a seguir. Mas observe que Paulo mostra antes as obras da carne e a sua consequência (Gl 5.16-21). O Evangelho primeiro mostra que o homem é pecador. Depois da má notícia, vem a boa: existe salvação em Jesus. Da mesma forma, Paulo fala primeiro das obras da carne, para depois falar do fruto do Espírito. II - AÇÕES DA CARNE 1. Prostituição, impureza, lascívia. As três primeiras obras da carne estão relacionadas ao comportamento sexual (GI5.19). Deus nos fez seres sexuais, mas o pecado faz com que o ser humano ultrapasse os limites impostos por Ele. A prostituição abarca todas as relações sexuais ilícitas, e não somente a prática sexual por dinheiro. A prostituição torna o corpo impuro aos olhos de Deus, e a lascívia é a sensualidade exagerada, um comportamento que não se preocupa com a moralidade, onde a pessoa peca sem se preocupar com qualquer vergonha. 2. Idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações. A idolatria, de acordo com os Dez Mandamentos é pecado. Esse erro coloca o que foi criado no lugar do Criador. A palavra grega pharm ake- ia, era originalmente utilizada para se referir a uma bebida que, se usada na medida certa, poderia salvar a vida de uma pessoa, um remédio. Com o pas sar do tempo, foi sendo usada para se referir a entorpecentes que conduziam pessoas a ter visões dos seus deuses, e no Novo Testamento passou a ser como a feitiçaria, bruxaria. Já as inimizades abrem a lista de pecados que afetam as relações interpessoais. 3. Iras, pelejas, dissensões e here sias. A ira é uma manifestação de fúria, que pode tirar o controle do ser humano. As pelejas ou discórdias buscam um poder pessoal. Dissensões são desen tendimentos causados por divisões. As heresias ou facções são originalmente divisões feitas para separar pessoas. No Novo Testamento, essa palavra re presentava grupos, como os fariseus e saduceus. A sua tônica é a categorização para a exclusão. 4. Invejas, homicídios, bebedices e glutonarias. A inveja é o desejo de possuir algo que outra pessoa possui. O homicídio é fruto do pouco ou nenhum apreço à vida de uma outra pessoa. Bebedices e glutonarias são abusos do direito de poderem manter o corpo alimentado, onde a bebedice é a conse quência da ingestão de bebidas fortes, entorpecendo o corpo e o pensamento, ao passo que as glutonarias eram cos tumeiramente presenciadas em festas a outros deuses, onde a falta de domínio do apetite fazia os seus participantes exagerarem de forma consciente na alimentação, Paulo também apresenta mais uma exortação: Quem pratica essas coisas não herdará o Reino de Deus (v. 21). Se cremos que Paulo foi inspirado pelo Senhor em seus escritos, devemos crer também que ele apontou o destino de quem vive na prática dessas ativida des: o Inferno. O fato de tratar a respeito desse assunto mostra a gravidade e o perigo de se viver uma vida carnal. III - O FRUTO DO ESPÍRITO 1. Amor, gozo, paz. Se Paulo apresenta uma lista daquilo que desagrada a Deus, ele apresenta igualmente uma lista de itens denominados de fruto do Espírito (Gl 5.22). Ele com eça com o amor, a base para os demais frutos, pois foi por amor que Deus enviou o seu Filho para morrer por nós, pecadores. O gozo é uma alegria, um estado de satisfação 54 JOVENS que não depende de circunstâncias externas. A paz é uma tranquilidade interna que é refletida na harmonia entre relacionamentos. Esses trêsprimeiros elementos vêm do relacionamento do salvo com Deus, ao passo que os demais são cultivados na comunhão dos santos. 2. Longanimidade, benignidade, bondade. Longanimidade é sinônimo de paciência, de tolerância para ser resistente com as pressões da vida e das pessoas. Benignidade é benevolência, uma forma de demonstrar um trato amável com todos, mesmo com desafetos. Bondade é a generosidade na prática. 3. Fé, mansidão, temperança. Fé, ou fidelidade em grego épistis, é sinônimo de confiabilidade, que é baseado em algo verdadeiro. Ter fé é também ser fiel, confiável em todos os sentidos. A mansidão é agir com brandura, mesmo que a ocasião permita que a ira seja a opção aceitável, levando em conta que é possível se irar e não pecar. Temperança é domínio próprio, a capacidade de ser vitorioso em relação aos desejos da natu reza humana, resistindo aos impulsos da tentação. Paulo deixa claro que aqueles que são de Cristo crucificaram a carne (Gl 5.24). As obras que antes faziam não poderíam ser vistas na nova vida que receberam pela fé em Jesus. Eles eram livres em Cristo para não pecar, como faziam antes; e completa dizendo que se eles viviam no Espírito, andassem no Espírito também (GI5.25). É impraticável uma pessoa alegar que vive no Espírito e trilhar caminhos que são contrários à direção dEle. Os judaizantes tentavam ensinar os gálatas a que dependes sem da carne, mas as consequências dessa dependência eram opostas ao pretendido por Deus. Paulo os ensina a que vivam no Espírito. Viver andando na carne conduziría os gálatas ao Inferno. O CONCLUSÃO “Contra essas coisas não há lei" (v. 23), é o que Paulo escreve ao concluir a descrição do Fruto do Espírito, ao pas so que também mostra que aqueles que praticam as obras da carne não herdarão 0 reino de Deus. Enquanto estivermos neste mundo teremos uma luta diária dentro de nós, que nos obrigará a inclinar nosso pensamento e ações que agradarão a Deus ou à na tureza humana. Essa responsabilidade de escolha é nossa, como também as recompensas relativas a cada direção que tomamos. 0 HORA DA REVISÃO 1, De aco rd o com a liçã o “andai em Espírito" é um im perativo ou um a e sco lh a ? 2. Segundo a lição, q ual a luta interior d iária q ue enfrentam os? 3, O q u e representa a carne? 4. Relacione o Fruto do Espírito de acordo com GáLatas 5.22. 5, C ite 3 o b ra s d a c a rn e se g u n d o G álatas 5.22, O QUE VOCÊ SEMEAR, CEIFARÁ TEXTO PRINCIPAL ■ LEITURA SEMANAL "Levai as cargas uns dos outros e assim cum prireis a lei de Cristo." (G I6.2) RESUMO DA LIÇAO A espiritualidade também é fruto daquilo que se planta, seja na carne, seja no Espírito. SEGUNDA-FEIRA - Mt 26.41 Vigiando e orando TERÇA-FEIRA - ftm 12.16 D eseje coisas humildes QUARTA-FEIRA-Gl 6.1 A mansidão com o marca do cristão QUINTA-FEIRA-Ef 4 3 2 A p rend endo a perdoar SEXTA-FEIRA - Gl 6.7 A colheita e a sem eadura SÁBADO-Gl6 .8 Sem eando para a vida eterna 56 JOVENS Gálatas 6.1-8 1 Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com es pirito de mansidão, olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado. 2 Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo. 3 Porque, se alguém cuida ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo. 4 Mas prove cada um a sua própria obra e terá glória só em si mesmo e não noutro. 5 Porque cada qual levará a sua própria carga. 6 E o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui. 7 Não erreis: Deus não se deixa escar necer: porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. 8 Porque o que semeia na sua carne da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito do Espírito ceifará a vida eterna. INTRODUÇÃO 0 apóstolo Paulo se detém no início do último capítulo a tratar da forma como a verdadeira liberdade cristã pode ser viven- ciada na comunhão dos santos, Para isso, ele destaca os seguintes pontos: Como tratar um irmão que pecou? Como pensar o que é o correto sobre nós mesmos para não nos enganarmos? Como ter cuidado com o que plantamos, pois colheremos depois? São três pontos importantes que mostram, na prática, a espiritualidade que Deus espera que tenhamos. 1 - COMO TRATAR DOS PECA DOS DOS IRMÃOS 1. A possibilidade de se cometer um pecado. Paulo nos diz que é possível que um irmão na fé seja surpreendido praticando algo que desagrada a Deus. A descrição feita não se refere a uma pessoa que vive pecando, ou que de- liberadamente desobedece à Palavra de forma costumeira. Aqui é tratado a respeito de um servo ou serva de Deus que cometeu um erro, um pecado, mas que não era intencional. A palavra "restaurar", no grego, é hatartizo, que trazia a ídeia de colocar no lugar um osso que havia saído do lugar. É certo que fazer isso não é simples, e no mundo antigo poderia causar bastante dor, mas era neces sário para a restauração do corpo. Mesmo como cristãos, nascidos de novo, precisamos da ajuda do nosso próximo em alguns momentos difíceis. A restauração de um irmão que pecou e se arrependeu começa na Casa de Deus, na comunhão dos santos. É certo que há casos em que a disciplina na igreja deve existir, e ela é necessária, mas deve ter um caráter terapêutico. Se uma parte do nosso corpo sofre um ferimento, tratamos dele, mas há casos em que um membro do corpo está tão infeccionado que precisa ser amputado, pois não está respondendo aos tratamentos que lhe estão sendo administrados. 2.0 que define uma pessoa espi ritual? A vida espiritual do cristão é um tema muito discutido na atualidade, no entanto, não é algo exclusivo do nosso JOVENS 57 tempo, ele também era conhecido nos dias de Paulo. As pessoas buscam algo que lhes conecte com Deus, ou com alguma outra divindade. Buscam reverenciar algo ou alguém que lhes oriente, que lhes dê um senso de di reção e um propósito de vida. Um espirito de mansidão é apre sentado por Paulo nesta Carta como um sinal de espiritualidade. É provável que esse conselho tenha mais impor tância em nossos dias, onde os meios de comunicação e as redes sociais se tornaram um campo fértil para brigas, contendas e disputas. Há crentes que amam a Jesus, mas se veem envolvidos em um pecado e precisam passar por um processo de restauração. Observe que o Senhor não ordena, através do apóstolo, para que o mundo ajude um crente que pecou. Ele ordena que aqueles que são espi rituais, a igreja, ajudem esses irmãos que caíram. Pessoas livres em Cristo valorizam tanto a liberdade que cuidam para que seus irmãos não só recebam os cuidados necessários se pecarem, como também buscam restaurará comunhão aquele que se arrependeu, confessou e abandonou o pecado. A nossa vida espiritual, aos olhos de Deus, não é medida somente pelos nossos momentos com o Senhor, mas também pelos nossos momentos com nossos irmãos. Gritarias, grosserias e maus-tratos vão na contramão do que Deus planejou para a comunhão do seu povo. 3, Todos podemos ser tentados. Nin guém está imune à tentação. “Olhando por ti mesmo, para que não sejas tam bém tentado" (v. 1). Não basta perceber quando um irmão falha, ou corrigi-lo com espírito de mansidão: é preciso que estejamos atentos, vigilantes para não cairmos no mesmo pecado. Se mesmo o Senhor Jesus, cheio do Espírito, foi tentado por Satanás após ter jejuado, nós também podemos ser tentados em diversas áreas. Não se pode negar que o pecado tem uma força destruidora, e que não estamos livres de, em algum momento, nos deixar levar pela antiga natureza e pecar contra Deus. O pecado domina a vida dos não salvos, e tenta demover dos santos a comunhão com o Senhor. Irm ãos podem corrigir uns aos outros. E a igreja espiritual incentiva que os espirituais possam corrigir os seus irmãos que falham. Da mesma forma que um medica mento busca trataruma pessoa doente, somos chamados a tratar dos nossos irmãos que pecaram e demonstram arrependimento e vontade de trilhar novamente o caminho da comunhão com Deus e a igreja. II - LEVAI AS CARGAS UNS DOS OUTROS 1. Levai as cargas uns dos outros. A palavra "carga" é a tradução da pa lavra grega baros, que traz a ideia de um fardo. Não é a representação de um pecado, mas de uma pressão, uma provação. Nem todos temos os mesmos desafios ou lutas. Há irmãos, em nossas igrejas, que passam por situações difíceis, que se tornam verda deiras cargas, acrescentando peso na caminhada. Essas lutas podem ser uma doença na família, um desemprego, um divórcio, um luto etc. É preciso que sejamos sensíveis com nossos irmãos, na mesma medida em que desejamos ser compreendidos. 58 JOVENS Quem Leva as cargas uns dos outros cumpre a Lei de Cristo. Os judaizantes inseriram nas igrejas da GaLácia a ideia da circuncisão como o início da prática da Lei para os gentios, mas se esses irmãos queriam mesmo cumprir a Lei de Cristo (GL 6.2), e não a de Moisés, deveriam ajudar uns aos outros. 2.0 que você acha de si mesmo? É notório que temos, todos nós, uma imagem do que somos. É possíveLque vejamos a nós mesmos de uma forma e Deus nos veja de outra. Um dos elem entos facilitadores da tentação é a arrogância (Gl 6.3). É um cuidado que todos devemos ter, pois não raro, acreditamos que somos mais do que realmente somos. É da natureza humana pecaminosa a arro gância, e por isso devemos cultivar um espírito humilde. Observe que Paulo apresenta esse pensamento através de uma hipótese: “Se aLguém cuida ser alguma coisa” (Gl 6.3). Ele se vale dessa prem issa não para apontar pessoas, e sim para que seus leitores olhassem para si mesmos e não fossem descuidados. O orgulho pode nos fazer pensar que som os superiores aos outros, que merecemos muito mais do que nos é dado, ou que estam os sendo preteridos no trabalho, nos estudos e até mesmo na igreja. 3. O que é instruído na Palavra. Uma pessoa que é abençoada rece bendo um ensino das Escrituras deve ter uma mente e um coração aberto à generosidade, pois aquele que o está instruindo passou tempo aprendendo, entendendo um conteúdo e se esme rando em repassá-lo para que o seu aluno possa crescer diante de Deus. A U m d o s e le m e n to s fa c ilita d o re s da ten ta çã o é a a rro g â n c ia (Gl 6.3). É u m c u id a d o q u e to d o s d e v e m o s ter, p o is não raro, a c re d ita m o s q u e s o m o s m a is d o q u e re a lm e n te so m o s. palavra instruir, no grego, é hatecheo, de onde vem a palavra catecismo, que significa 'instruir', ensinar, Uma pessoa espiritual compartilha o que possui com outras pessoas, e no caso do ensino bíblico, isso é uma ordenança: “E o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com aquele que o instruí" (v, 6). Quem ensina precisa se qualificar, estudar, aprender e usar o seu conhe cimento para o crescimento do Reino de Deus. Portanto, é justo que esse tipo de obreiro seja reconhecido na igreja e ajudado a cumprir o seu ministério. III - C O LH E N D O O QUE SE PLANTA 1. Deus não se deixa escarnecer. Pode parecer estranho Paulo dizer que Deus não se deixa escarnecer para a igreja, mas foi necessário. Em nossos dias, o Eterno tem sido apresentado erroneamente por alguns, como uma divindade boazinha, que existe para ser acionada quando algum as pes soas se veem em problemas. Quantas pregações têm sido veiculadas com o objetivo de mostrar um deus que obedece às vontades humanas, que isenta os homens de seus pecados JOVENS 59 sem que haja arrependimento. Mas esse não é o Deus da Bíblia. Cremos na misericórdia do Senhor, na sua presença quando invocado, e no seu poder de transformar situações, mas isso não anula a nossa responsa bilidade para com nossos erros. A expressão “não erreis” deixa claro que quem pensa que plantará na carne e colherá frutos no espírito está agindo fora do conhecimento natural e espiritual. 2. P lantando e co lhendo (v. l ) . O que o homem semear, isso haverá de colher. A lei da semeadura é opcional, mas a da colheita é obrigatória. Paulo não fala aqui da simples ação da na tureza levando sementes pelo vento para serem depositadas em terrenos férteis, como ocorre com certas plantas. Paulo aqui foca a ação do homem ao plantar o que vai ser colhido no futuro. Deve se ter em mente que há uma lacuna de tempo entre a semeadura e a colheita. Nem sempre as nossas ações, sejam elas boas, sejam elas más, terão frutos imediatos, mas esses frutos, um dia nos alcançarão. 3. Carne e Espírito com o campos de semeadura. A carne e o espírito são terrenos férteis para serem semeados. Não é sem razão que no capítulo 5 o apóstolo fala acerca das obras da carne e o Fruto do Espírito; dois “terrenos" a que, se dada a devida atenção, trazem seus frutos. Ao longo da Carta, ele usa as palavras carne e Espírito algumas vezes. Ele queria que os gálatas sou bessem, e nós também, que essa luta é real, diária e precisa ser levada a sério. Não basta saber quais são as obras da carne e o Fruto do Espírito. É preciso tomar uma decisão: semear na carne e colher as obras da carne ou semear no espírito e colher o Fruto do Espírito. i ©CONCLUSÃO Cuidar uns dos outros com misericórdia, restaurar 0 irmão que pecou e vigiar no que semeamos são orientações de Deus para os nossos dias. Há leis no mundo natural que não podem ser quebradas, e no mundo espiritual vale o mesmo. Se desejamos ser tratados com misericórdia caso pequemos, ajamos da mesma forma com aqueles que pecaram, conduzindo-os ao arre pendimento e à restauração. © HORA DA REViSÃO 1. Segundo a lição, qual a ideia da palavra restaurar no grego? 2. Onde começa a restauração de um irmão que pecou e se arrependeu? 3. Qual caráter deve ter a disciplina? 4, Qual o sinal da vida espiritual apre sentado por Paulo aos Gálatas? 5, Qual a ideia da palavra grega para ca rga ? 60 JOVENS TEXTO PRINCIPAL "Desde agora, ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus." (GI6.17) RESUMO DA LIÇAO Não há virtude alguma na circuncisão e nem na incircuncisão, mas a virtude está em ser uma nova criatura mediante a fé em Jesus Cristo. LEITURA SEMANAL SEGUNDA-FEIRA - Rm 2.25 A circuncisão só tem valor se guardar a Lei TERÇA-FEIRA-Gl 6.10 Façamos o bem a todos QUARTA-FEIRA-Gl 6.13 Os judaizantes ensinavam a Lei, mas não a guardavam QUINTA-FEIRA-Gl 6.9 A colheita para os que não se cansam de fazer o bem SEXTA-FEIRA - Hb 416 Graça em tem po oportuno SÁBADO - Gl 6.17 Um soldado com várias cicatrizes JOVENS 61 Gálatas 6.9-15 9 E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido. 10 Então, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé. 11 Vede com que grandes letras vos escrevi por minha mão. 12 Todos os que querem mostrar boa apa rência na carne, esses vos obrigam a circuncidar-vos, somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo. INTRODUÇÃO Ao longo deste trimestre estudamos a Carta aos Gálatas, escrita pelo após tolo Paulo. Ao concluir sua carta, Paulo apresenta recomendações práticas para os irmãos e os incentiva a terem uma fé igualmente prática. Ele prossegue com a ideia da perseverança no fazer a obra de Deus, e lembra novamente do centro do seu pensamento na Carta: a não cir cuncisão para os gentios que aceitaram a Jesus. Como um bom soldado, ele trazia consigo as marcas do seu Senhor, algo que os judaizantes não traziam, e completa desejando a graça de Deus para os seus leitores. I - O BEM DEVE PERMANECER SENDO FEITO 1. Firmeza no fazer o bem. Na parte final de sua Carta, Paulo fala sobre a constância no fazer o bem. Se por um lado, ele adverte aos gálatas sobre questões doutrinárias, por outro lado, reconhece que elesfaziam boas obras, e que elas deveriam permanecer como uma prática cristã. Paulo não diz que os 13 Porque nem ainda esses mesmos que se circuncidam guardam a lei, mas querem que vos circuncideis, para se gloriarem na vossa carne. 14 Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucifi cado para mim e eu, para o mundo. 15 Porque, em Cristo Jesus, nem a cir cuncisão nem a incircuncisão têm virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura. gálatas precisavam fazer o bem, como se não o fizessem. Ele pede para que não se cansem de fazê-lo. O motivo pelo que Paulo incentiva os gálatas a serem constantes nisso é que um dia ceifarão o que estão plantando. Essa linguagem conectada à agricultura era de conhe cimento dos seus leitores. Se na lição antecedente vimos um tipo de plantio e colheita, o que o homem semear, isto também colherá, nesta lição veremos o poder da decisão e a necessidade de ser constante no trabalho do Reino. Quem faz o bem, ainda que demore, um dia colherá o que plantou, isso se tal pessoa não desistir, Paulo Lembra aos seus leitores de que para recebera recompensa não podem desfalecer, se cansar. Da mesma forma que um agricultor exerce seu trabalho constante, mesmo dependendo do clima, sabe que um dia a colheita vai chegar. 2. Os domésticos da fé. A nossa fé deve ser prática e direcionada às pessoas que nos cercam, mas de forma específica, Paulo menciona um grupo de pessoas: os dom ésticos da fé. Esses eram os 62 JOVENS irmãos da igreja em que congregavam. A prioridade deveria ser direcionada aos que já tinham sido salvos. Em nossos dias, somos bombardeados com propagandas solicitando auxílio para diversos grupos tidos por necessitados. Não é errado um cristão oferecer auxílio a qualquer grupo de pessoas que realmente precise, pois doenças, guerras, catástrofes naturais e outras situações que afetam a economia e a segurança de um país po dem surgir em qualquer lugar do mundo. Muitos cristãos colaboram nesse aspecto, que é uma forma de generosidade, e isso não deve ser desconsiderado. Entretanto, a recomendação apostólica é que faça mos o bem a todos, “principalmente" aos domésticos da fé" (v. 10). 3. Grandes letras. É provável que Paulo estivesse tendo dificuldades com sua visão. Uma possível referência nesse aspecto é que ele relembra aos gálatas que quando esteve com eles, mesmo em fraqueza, não foi desprezado. Pelo contrário, ele diz que se os gálatas pudessem, eles teriam arrancado os olhos para darem ao apóstolo (GL4.15). Pode ter sido esse o motivo que o levou a destacar esse texto, II-A P A R Ê N C IA NA CARNE 1. Circuncisão nos gentios. “Todos os que querem mostrar boa aparência na carne, esses vos obrigam a circunci- dar-vos" (v. 12). O apóstolo mostra que osjudaizantes queriam demonstrar uma aparência de que andavam no Espírito, Eles preferiam a marca de um ato exterior para não serem perseguidos. A circuncisão nunca foi nem nunca será um pré-requisito ou pós-requisito para a salvação em Cristo. 2. Não guardam a Lei. Um dos pro blemas dos falsos mestres é que eles não cumpriam aquilo que ensinavam os outros a guardarem. Na prática, osjudai zantes provavelmente foram os primeiros a perseguir os verdadeiros cristãos, não com a força do Estado ou com armas e prisões, como o Saulo não convertido fazia. A constância na apresentação e um falso ensino não deixa de ser uma forma de perseguição. Uma das formas de tirar uma pessoa dos caminhos do Senhor é ensinar a ela um atalho que a levará a lugar nenhum. 3. Em que gloriar-se, Osjudaizantes impunham a circuncisão aos gentios, mas eles mesmos não guardavam a Lei. Se sentiam realizados em obrigar os gentios a guardarem os mandamentos que eles mesmos não guardavam (v, 13). Paulo diz que a alegria dele não era a mensagem da circuncisão, e sim a cruz de Cristo. Ele via o mundo como crucificado, ou seja, morto, e da mesma forma, se via morto para o mundo. Essa fala é necessária, pois uma pessoa pode ver o mundo como um sistema morto, mas estar disponível para torná-lo vivo em sua vida. III - PALAVRAS FINAIS 1. Jesus faz acepção de pessoas? Paulo explica que ser ou não circuncidado não faz diferença em Cristo, mas sim ser uma nova criatura. Milhares de judeus, no primeiro século, receberam Jesus como seu Messias, da mesma forma que gentios também creram no EvangeLho e tiveram suas vidas transformadas. Não é a circuncisão que faz a pessoa ser uma nova criatura. No judaísmo, uma pessoa gentia poderia se tornar um prosélito, desde que fosse circuncidada e prati casse as obras da Lei, mas isso não fazia dela uma nova criatura. JOVENS 63 2. As marcas de Cristo. Paulo fala algo que os judaizantes não tinham autoridade para alegar: Ele tinha as marcas de Cristo. Essa expressão remonta aos sofrimentos e adversidades enfrentados por amor a Jesus ao longo do seu ministério. Ele escreveu aos corintios sobre o que havia passado por amor do Evan gelho: açoitado diversas vezes, preso, apedrejado, náufrago em três ocasi ões, além das viagens perigosas por causa de ladrões, de falsos irmãos, de judeus que lhe desejavam a morte, e os períodos de escassez, de vigílias e a constante pressão que as igrejas lhe traziam ao coração (2 Co 11.22-29). Cada momento de perseguição deixou marcas no apóstolo, mas ele não se manifesta em tom de reclamação ou vitimismo, mas sim no sentido de mostrar que os seus acusadores tentavam fugir da perseguição por causa da cruz de Cristo 3. A graça de Jesus. PauLo começa sua Carta aos Gálatas desejando “graça e paz da parte de Deus pai e da de nosso Senhor Jesus Cristo” (Gl 1.3) e conclui com a graça de Jesus. Ao longo de sua Carta, ele mostrou que a graça não é somente para a salvação, mas também para a nossa vida cristã. Ele experimentou a graça em sua vida mesmo quando teve negada uma oração por si mesmo, ao ouvir de Deus: "E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza" (2 Co 12.9). O autor aos Hebreus nos orienta a que “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno" (Hb 4.16). Aqui vale lembrar de que um dos lemas da Reforma Protestante: “Somente a graça, e não os esforços humanos, pode nos levar até Deus.' © CONCLUSÃO A Carta aos Gálatas permanece sendo uma defesa do Evangelho de Jesus Cristo para os gentios. É um docu mento para toda a Igreja. Que essa seja apresentada completa, da mesma forma que foi completo o sacrifício de Jesus por nós. Assim concluímos este trimestre: com a graça de Deus, uma graça disposta não somente para a salvação, mas também para a manutenção dela. Que esta esteja conosco, em nossas vidas até que sejamos chamados por Deus para experimentar a vida eterna com Ele nos céus. O HORA DA REVISÃO 1. O que Paulo fala na parte final de sua Carta? 2. Segundo a lição, qual grupo de pessoas a nossa fé deve ser dire cionada? 3. O que os que desejavam a circun cisão queriam demonstrar? 4. A circuncisão é um pré-requisito para a salvação? 5. O que a expressão “as marcas de Cristo" remonta? 64 JOVENS DO QUE O MUNDO TEM TE CHAMADO? CB4D c p a d .c o m .b rcom posição desse documento, tem sido comentado que a sua escrita se deu entre os anos 48 a 51 de nossa era. 3. O motivo da Carta. A Carta aos Gálatas foi escrita com o objetivo de alertar aqueles crentes acerca do perigo que estavam correndo por acrescentar à mensagem do Evangelho a prática da Lei de Moisés. Eles já haviam crido nas Boas-Novas, e não era necessário agregar às suas vidas nenhum dos elementos da lei que Deus dera aos hebreus por ocasião da sua saída do Egito. Isso pode estar claro para nós, leitores do século XXI, mas para os crentes gálatas, não. Devemos nos lembrar de que no primeiro século havia circulado pelas igrejas pessoas que introduziam doutrinas diferentes das que eram ensinadas pelos apóstolos, e que por isso as igrejas precisavam ser lembradas do verdadeiro Evangelho e de suas práticas. Deus usa o apóstolo Paulo, um ho mem de formação intelectual farisaica, mas devidamente convertido a Jesus, para orientar os leitores de que a Lei de Moisés havia sido dada por Deus aos hebreus, e não aos gentios. Como verem os posteriormente, a própria igreja de Jerusalém já havia traçado parâm etros para que o Evangelho fosse apresentado entre os gentios, sem a necessidade da circuncisão (At 15.28,29). A partir desse ponto, tratare mos a palavra "circuncisão" como um sinônimo da guarda da Lei de Moisés. ^ PENSE! Podemos acrescen ta r à m ensa gem do Evangelho a p rá tica da Lei de M oisés para se r salvo? Q PONTO IMPORTANTE! Não! Pela fé recebem os a C ris to e não é necessário agregar às nos sas vidas nenhum dos e lem entos da le i que Deus dera aos hebreus p o r ocasião da sua saída do Egito para a nossa salvação. II - A SAUDAÇÃO PAULINA 1. Paulo, apóstolo, não da parte dos homens (v.1). Paulo inicia a Carta aos Gálatas com a sua identificação nominal. Ele era conhecido pelos irmãos daquela região, e eles não teriam dú vida de quem era o autor da carta. Ele também acrescenta um título ao seu nome: apóstolo. Diferente de um título honorífico, ou que trouxesse a ideia de ser um obreiro diferenciado, apóstolo era um “enviado", alguém que havia sido escolhido para levar uma mensagem. Era uma honra, mas igualmente uma grande responsabilidade, ser portador das Boas-Novas. Ele completa com mais uma sen tença: “não da parte dos homens". Esse aspecto é importante, pois ele não teria JOVENS 5 escrito tais palavras se a sua autoridade apostólica não estivesse sendo colo cada em xeque por seus acusadores, osjudaizantes. Era necessário que eLe mostrasse, o que eLe faz, no texto mais à frente, que a sua cham ada vinha de Deus. Se ele não andou junto com os apóstolos de Jerusalém , que autori dade teria para ser um apóstolo? Os judaizantes criam que se Paulo não fora enviado por JerusaLém, então não teria autoridade para ensinar, doutrinar ou falar de Jesus como quem foi co missionado para tais ações. É verdade que PauLo não andou com os Doze por ocasião do ministério terreno de Jesus, mas da mesma forma que os Doze, PauLo foi ensinado peLo próprio Jesus, como ele descreve (Gl 1.12). 2. Da parte de Jesus e Deus Pai (v.i). Após ter se apresentado como remetente da Carta, PauLo deixa cLaro a origem do seu apostoLado: ELe vinha da parte de Jesus, e de Deus Pai, que ressuscitou a Jesus dentre os mortos. Em um único verso, e le d estaca a atuação conjunta do Pai e do Filho, e o milagre da ressurreição do Senhor. Foi o Jesus ressuscitado que apare ceu a Paulo quando ele se dirigia a Dam asco, e sem essa ressurreição, PauLo não teria sido saLvo, não teria se tornado um discípulo e não teria sido com issionado aos gentios. Ele havia recebido a m ensagem do Evangelho por revelação do Se nhor Jesus, e isso nos mostra que as Boas-Novas têm origem divina. Essas Boas-Novas estavam em risco, e PauLo percebeu que os gáLatas, mesmo sendo crentes, precisavam ser novam ente ensinados acerca do Evangelho. Essa Carta é uma defesa do verdadeiro Evangelho para os gálatas, que já ti nham experimentado a saLvação, mas que estavam caindo da graça (Gl 5.4) 3. Os irmãos que estão comigo (v.2). Paulo tem a humildade de dizer que não está fazendo a obra de Deus sozinho. Mesm o não m encionando os nomes de seus com panheiros de ministério, eLe mostra aos gáLatas que fazemos meLhor a obra de Deus quando temos comunhão uns com os outros e podemos servir ao Senhor em um grupo de pessoas. Como um corpo, podemos ser úteis com diversos talentos. 4. Os destinatários. Os destinatá rios dessa Carta eram os irmãos das “igrejas da G alácia” (Gl 1.2). O bserve que esse documento não era para uma única igreja, como foram as Cartas aos Romanos, aos Coríntios e aos Efésios, cujos destinatários, como se entende, pertenciam a uma igreja LocaLizada em uma única região. Os gáLatas pertenciam a um grupo de igrejas. @ PENSE! Fazemos a obra de Deus meLhor sozinhos ou em com unhão com ou tro s irm ãos? Q PONTO IMPORTANTE! Podemos s e rv ir ao S enhor em um g ru po de pessoas, po is com o um corpo, podem os se r ú te is com diversos talentos. III - A MENSAGEM PARA OS NOSSOS DIAS 1. A importância da Liberdade. A Carta aos GáLatas defende a Liberdade cristã. E que liberdade é essa? Liber dade de uma vida de santidade, de com unhão com Deus e acesso livre 6 JOVENS a presença dEle. A certeza de que não precisam os seg u ir as obras da Lei para serm os salvos, pois som os salvos pela fé em Jesus. Os gálatas haviam recebido o EvangeLho peLa fé, mas estavam sendo ensinados que a salvação dependia de uma série de observâncias dos costum es judaicos, o que era uma afronta à graça de Deus. 2. Nossa salvação não depende de nossas obras. Nenhuma prática que venham os a fazer tem a capacidade de trazer a SaLvação ofertada por Deus em Jesus, ou o perdão dos pecados. A Carta aos Gálatas é um alerta contra q u alq u er ensino ou pregação que tente com plem entar o sacrifício de Jesus com obras feitas peLos homens. As obras, para o crente, são úteis para que Deus possa ser glorificado pelos ím pios que, vendo as nossas boas obras, percebam que elas são uma ação do Espírito em nós e que glorifiquem a Deus (Mt 5.16). 3. Osjudaizantes. Paulo desejava mostrar, na Carta aos Gálatas, que o sacrifício de Jesus foi único, perfeito e é suficiente para a nossa saLvação. Isso foi necessário porque, havia o grupo dos que “não andavam bem e diretamente conforme a verdade do evangeLho" (GL 2.14) e que desejavam impor os “cos tum es” dos jud eus sobre os gentios. Costum es esses que nem mesmo o apóstolo Pedro parecia observar. @ PENSE! Nossa salvação depende de obras? Q PONTO IMPORTANTE! Não. Os salvos em C ris to são cha m ados a fazer boas obras, mas não para serem salvos. O CONCLUSÃO Sempre teremos diante de nós 0 desa fio de lembrar que a nossa salvação é recebida pela fé, e que não precisamos seguir rituais de outras culturas que se proponham a ser complementares à nossa salvação. Os gálatas precisaram ser ensinados de que a salvação não está vinculada às obras da Lei, pois o Evangelho é suficiente para nos salvar. A graça do Senhor é o que basta para a nossa salvação. O HORA DA REVISÃO 1 Quem se identifica como autor da Carta aos GáLatas? 2 Com que objetivo essa Carta foi escrita? 3 Paulo fazia a obra de Deus sozinho? 4 Por quem PauLo foi comissionado como apóstoLo? 5 A Carta aos Gálatas defende a Liber dade cristã. E que Liberdade é essa? O FALSO EVANGELHO TEXTO PRINCIPAL "Assim com o já vo-lo dissem os, agora de novo também vo-lo digo: se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátem a." (GI 1.9) RESUMO DA LIÇÃO Nem toda mensagem aparentem ente cristã é verdadeiram ente vinda de Deus. LEITURA SEMANAL S E G U N D A -FE IR A -Tt 2.11 A graça se manifestou a todos os hom ens TERÇA-FEIRA - Rm 6.14 Debaixo da graça de Deus QUARTA-FEIRA - G l 1.6 A falta de constância no EvangelhoQ U IN T A -F E IR A -C t2 .20 M orto para a Lei, vivo para Deus SEXTA-FEIRA - 2 Pe 2.1 O cuidado com os falsos m estres SÁBADO -G t 3.13 "Cristo nos resgatou da maldição da lei" 8 JOVENS TEXTO Gálatas 1.6-10 6 M aravilho-m e de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho, 7 o qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. 8 Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho BÍBLICO além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. 9 Assim como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo: se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. 10 Porque persuado eu agora a homens ou a Deus? Ou procuro agradar a ho mens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo. INTRODUÇÃO Após se apresentar como remetente da Carta aos Gálatas, identificando-se como apóstolo da parte de Deus, e mencionando que Jesus Cristo res suscitou dentre os mortos, Paulo passa diretamente ao assunto que pretende tratar com os irmãos: a incursão de idéias e práticas judaizantes na comu nidade dos santos, e as consequências dessas idéias na vida dos irmãos. I - UM APÓSTOLO SURPRESO 1, Paulo se mostra impressionado. O apóstolo Paulo se declara surpreso com os irm ãos gálatas. Os leitores dessa Carta eram pessoas que já ha viam aceitado a Jesus. Já conheciam o Evangelho ejá haviam experimentado o arrependimento e o perdão dos pe cados, mas estavam trilhando uma rota não planejada por Deus. Ele escreve “Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evange lho” (Gl 1.6). O espanto de Paulo não foi advindo de milagres acontecendo naquelas igrejas, ou de conversões de pagãos ou mesmo por pessoas esta rem sendo cheias do Espírito. O que deixou Paulo espantado foi não só o fato de os gálatas atentarem para um Evangelho diferente do que ele havia pregado, mas também pelo fato de que esse “novo evangelho" incentivava os gálatas a desconsiderarem a graça e tentarem, por meio de obras, pagar uma dívida que eles jamais quitariam. Paulo destaca a expressão “tão depressa" para marcar não só a in constância dos gálatas, mas também o pouco tempo que levaram para ser convencidos de uma outra doutrina. Não deve nos espantar que entre o povo de Deus haja pessoas que sejam atraídas por novos ensinos, e que com facilidade se deixem levar por doutrinas que nada tem de respaldo nas Escri turas. A pouca firmeza no que tinham aprendido e a incapacidade de julgarem uma doutrina como errada nos serve de exemplo para que nos firmemos no exercício da verdade. 2. Da graça para a lei. A surpresa de Paulo se dá por causa da mudança que os gálatas fizeram, de passarem da graça de Deus para a Lei de Moisés. Como isso se deu? Eles receberam um ensino em que, para que pudessem realm ente ser salvos, deveríam ser JOVENS 9 circuncidados e seguir a Lei dada aos hebreus por Deus. Bastou o apóstolo se afastar do convívio daqueles irmãos que logo eles deram crédito a outra pregação diferente da que haviam recebido originalmente. Como veremos, Paulo deixa implí cito que a lei e a graça, em que pese serem expressões que remontem a história de Israel e o plano da Salvação, possuem atribuições diferentes, 3. Outro Evangelho. A palavra "outro”, na Língua portuguesa, é um pronome indefinido utilizado de forma ampla, para designar algo ou alguma coisa que seja da mesma natureza, que seja semelhan te, ou que seja de outra natureza. Para definir o exato significado, precisaremos saber o contexto em que essa palavra está sendo usada, Na língua grega, a palavra "outro" tem duas percepções distintas, advindas igualmente de duas palavras apontadas: allós, que significa “outro da mesma espécie”, e heteros, “outro de outra espécie”. Enquanto na primeira designação a opção apresen tada é a de um objeto ou ser da mesma espécie, com possíveis variações, tais como um tigre e um leão, que mesmo sendo animais diferentes entre si, são felinos. Por sua vez, a palavra heteros, “outro" de outra espécie, tais como um cão e um gato. São seres criados, mas diferentes entre si por serem de espé cies diferentes. Por isso Paulo comenta: “U para outro evangelho, o qual não é outro" (GL 1.6, 7). É possível que hoje sintam os a mesma surpresa com que o após tolo se deparou ao saber da notícia da m udança daqueles irmãos. Mas mesmo em nossos dias, é possível ver irmãos na fé sendo convencidos por doutrinas que não foram ensinadas com a correta interpretação dos textos bíblicos, dando ouvidos a instruções que buscam acrescentar à Palavra o que ela não diz. Os gálatas tinham sido evangelizados e ensinados por Paulo, e não perceberam que a mensagem dos judaizantes era um falso evange lho. Eles não negaram, oficialmente, o sacrifício de Jesus, mas acrescentaram argumentos que acharam guarida no pensamento daquelas igrejas. Era uma mensagem aparentemente piedosa, mas que negava a eficácia do Evan gelho. Por meio desse ensino, a graça de Deus estava sendo questionada. 0 PENSE! Paulo teve m otivos para se im pressionar com os gálatas? 0 PONTO IMPORTANTE! 0 espanto do apóstolo se refere à troca que os gálatas estavam fa zendo de um Evangelho verdadei ro para um pseudoevangelho. II - 0 ANÁTEMA 1, A inquietação dos gálatas. Um fal so ensino tem a capacidade de deixaras pessoas alvoroçadas e inquietas. Paulo usa as palavras “vos inquietam e querem transtornar" (v. 7) como um indicativo de que, enquanto seus leitores liam a Carta, provavelmente havia judaizantes entre eles. Um outro detalhe é que a mensagem deles deixava os gálatas inquietos, em vez de descansarem na graça de Deus, eles passaram a reali zar obras da lei, sendo eles mesmos, gentios. Uma mensagem que alvoroça os crentes deve ser analisada com bastante cautela. 10 JOVENS 2. Ainda que um anjo do céu. Os anjos são conhecidos na Palavra de Deus como mensageiros do Eterno para tratar de assuntos referentes aos seres humanos. Eles apareceram, no Antigo Testamento, a Abraão, a Josué, a Gideão, aos pais de Sansão e a Isaías. No Novo Testamento, apareceram à Maria, ao pai de João Ba tista, a Pedro e a Cornélio entre outros. A presença deles geralmente, nas Escrituras, é acompanhada de uma mensagem. Paulo mesmo recebeu a visita de um anjo quando estava indo a Roma em um navio que estava afundando (At 27.23). Cornélio recebeu a visita de um anjo, cuja mensagem foi: “As tuas orações e as tuas esmolas têm subido para memória diante de Deus" (At 10.4). “Procure por Pedro” (At 10.5). O anjo não falou de Jesus ou do Evangelho a Cornélio, mas lhe orientou a respeito de quem deveria chamar para ouvir as Boas-Novas. Pauto deixa expresso que mesmo que um anjo, identificando-se como sendo enviado por Deus, venha apre sentar uma mensagem diferente da sua, que seja considerado maldito. O apóstolo não teme usar esse adjetivo, pois sabe que a pureza do Evangelho está em jogo naquelas igrejas. 3. Anátema. A palavra "anátema- é oriunda do hebraico herem, e pode ter dois sentidos: algo devotado a uma divindade, e ao mesmo tempo excluído da utilização humana, como o relatado em Josué 6,17, quando os despojos de Jerico deveríam ser separados para Deus, não não podendo ser usados pelos israelitas, ordem que não foi seguido por Acã. Esse anátema foi tão sério que Acã e sua família pagaram o preço da ganância com a vida. Mas o segundo sentido é mais radical, pois representa anathematizo, colocar debaixo de uma maldição. Mesmo que um anjo viesse até eles e lhes ensinasse um outro Evan gelho, que fosse maldito e condenado. 0 PENSE! Podemos dar ouvidos a toda m en sagem, mesmo sendo aparente m ente cristã, que chegue até nós? 0 PONTO IMPORTANTE! Não. Precisamos de discernimento, sabedoria e conhecimento para não ser enganados comoos gálatas. III - AGRADAR AOS HOMENS OU ADEUS 1. Repetindo a advertência. Como o assunto é muito sério, Paulo repete a observação. Não poderia haver dúvidas sobre a força das palavras paulinas, pois o assunto era grave. O apóstolo men ciona uma segunda vez essa mesma condenação no versículo 9. A repetição desses dizeres nos mostra o quão sério é deturpar os ensinos da Palavra de Deus. O “evangelho” dos judaizantes estava afastando os irmãos do verdadeiro e os encaminhando para uma vida de legalismo, onde 0 homem acredita que pode ajudar Deus na salvação ou pode ele mesmo ser o seu Salvador. 2.0 que agrada aos homens. Paulo não se preocupa em falar palavras lisonjeiras para deixar seus leitores confortáveis diante do que estavam fazendo. Ele não estava tratando a respeito de boas práticas ou de um discurso protocolar, cabível em certas ocasiões mais formais. Ele estava tra tando a respeito da salvação da alma dos gálatas. Os judaizantes bajuLavam os gentios, e com palavras doces os JOVENS 11 desviavam dos caminhos do Senhor. As palavras de Paulo poderiam soar como amargas, mas era o remédio que os gálatas deveriam tomar, 3. 0 que agrada a Deus. Como vere mos, a preocupação de Paulo é agradar ao Senhor, por isso escreve a Carta aos Gálatas. Se fosse para agradar aos ho mens, ele poderia deixara situação nas igrejas da Galácia correr sem qualquer interferência. O tempo certamente iria mudar o cenário, ou pioraria a situação. Mas ele entendeu que deveria ter uma participação ativa no resgate dos gálatas. Paulo nem estava na Galácia, e poderia deixar o problema de lado, mas resolveu tratar o assunto a fim de que os irmãos não se perdessem. A obediência ao verdadeiro Evange lho agrada a Deus. Preservaras doutri nas bíblicas, de Deus, que recebemos, estudar e estar atentos para discernir quando um falso ensino tenta entrar na congregação, também agrada a Deus. Viver pela fé e não pelas nossas próprias obras, também agrada a Deus. Algo que deve ser observado é que a deturpação dos falsos mestres, e por sua vez, o que desagradava a Deus, é que, na prática, os gálatas queriam “devolver" a Deus o favor, o presente que Ele lhes dera. Ele lhes entregara a Salvação pela graça, e eles queriam retribuir o favor divino por meio de uma vida que se baseava em obras humanas. © PENSE! Im porta agradara Deus ou aos homens? © PONTO IMPORTANTE! Im porta sempre agradara Deus fazendo a sua vontade que é boa, agradável e perfeita. © CONCLUSÃO Nesta segunda lição, vimos que Paulo começa a apontar aos seus leitores o caminho que eles estavam trilhando: um caminho paralelo ao caminho do Evangelho. Eles estavam ouvindo uma mensagem doutrinária errada e não tiveram discernimento. Eram ensinos que estavam em desacordo com o que haviam aprendido. Paulo os exorta que ainda que um ser angelical viesse do céu com uma mensagem parecida, eles não deveriam aceitar, Precisamos ter cuidado com ventos de doutrina que se aproximam de nossas congregações, tentando afastar os irmãos da verdadeira prática da Palavra de Deus. © HORA DA REVISÃO i O que deixou o apóstolo Paulo impressionado com os gálatas? 2 Quais as diferenças existentes na palavra “outro” em grego? 3 Quais os dois sentidos da palavra "anátema”? 4 Para onde o “evangelho” dos ju- daizantes estava conduzindo os gátatas? 5 Paulo escreve para agradar aos homens ou a Deus? 12 JOVENS : PAULO E SUA CHAMADA TEXTO PRINCIPAL "E glorificavam a Deus a respeito de mim." (Gl 1 .24) RESUM O DA LIÇAO Paulo conta um pouco da sua história para defender seu ministério e mostrar que a mensagem que pregava não era estranha aos apóstolos de Jerusalém. LEITURA SEM ANAL SEGUNDA-FEIRA -Gla.14 Saulo, um p ro d íg io no judaísm o TERÇA-FEIRA-Gl 1.13 Saulo, o p e rseg u id o r de crentes QUARTA-FEIRA - At 26.11 Saulo ob rig ou crentes blasfemarem contra Deus QUINTA-FEIRA-At 95 Saulo perseg u e a Jesus SEXTA-FEIRA-Gl 1.12 Jesus se revela a Saulo SÁBADO - Gl 2.9 Os apóstolos reconheceram o m inistério de Paulo e Barnabé JOVENS 13 Gálatas 1.11-24 11 Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens, 12 porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo. 13 Porque já ouvistes qual foi antigamente a minha conduta no judaísm o, como sobrem aneira perseguia a igreja de Deus e a assolava. 14 E, na minha nação, excedia em juda ísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais, 15 Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou e me chamou pela sua graça, 16 revelar seu Filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei carne nem sangue, BÍBLICO 17 nem tornei a Jerusalém, a ter com os que já antes de mim eram apóstolos, mas parti para a Arábia e voltei outra vez a Damasco. 18 Depois, passados três anos, fui a Je rusalém para ver a Pedro e fiquei com ele quinze dias. íg E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor. 20 Ora, acerca do que vos escrevo, eis que diante de Deus testifico que não minto. 21 Depois, fui para as partes da Síria e da Cilicia. 22 E não era conhecido de vista das igrejas da Judeia, que estavam em Cristo; 23 mas somente tinham ouvido dizer: Aque le que já nos perseguiu anuncia, agora, a fé que, antes, destruía. 24 E glorificavam a Deus a respeito de mim. INTRODUÇÃO Paulo dá continuidade à Carta aos Gálatas, mas nesta seção, ele conta um pouco a sua história. E por qual motivo ele faria isso? O seu ministério e sua mensa gem estavam sendo atacados por ele não ter sido um dos apóstolos de Jerusalém. A tática dos judaizantes era desqualificar Paulo como apóstolo, para depois des qualificar a sua mensagem. E de que forma tentaram fazer isso? Os inimigos de Pauto provavelmente conheciam o seu passado, e tentaram colocar isso em foco para descredibilizar o apóstolo. Por isso, ele entendeu ser necessário, ainda no início de sua Carta, apresentar uma parte da sua biografia, não para se exaltar, mas para mostrar o que a graça de Deus pode fazer por um pecador. I - O EVANGELHO DE PAULO 1. Paulo faz sua defesa. A história de vida de uma pessoa tem importância. De onde ela veio, o que aconteceu na sua vida, que adversidades enfrentou e que tipo de acontecimentos molda ram o que a pessoa é hoje podem nos servir de exemplo. Paulo se preocupa em estabelecer as suas credenciais narrando um pouco a sua história, mas por um motivo nobre; falsos mestres que tinham ido à Galácia tentavam desqualificar o seu ministério. É comum, em nossos dias, que um indivíduo chegue a uma determinada posição na sociedade e que terceiros, desconhecedores de sua história, o avaliem com o alguém que teve sorte, que teve ajuda, que no fundo 14 JOVENS não merece a posição que ocupa ou que a sua história não corresponde à função em que está. Por isso, devemos ser cautelosos em nossas opiniões, e pensar bastante antes de falar coisas, desconhecendo fatos. Pauto não conta a sua história para im pressionar os gálatas. Ele não faz com o objetivo de comover os seus leitores, e sim para mostrar que ele tinha autoridade para pregar e defen der o Evangelho aos gentios. Histórias e testem unhos sem pre nos fazem lembrar de que as nossas lutas podem ser muito parecidas com as de outros irmãos, e no caso de Paulo, é possível que os gálatas não tivessem, quando foram evangelizados, conhecido com detalhes o seu passado como per seguidor. A expressão “já ouvistes" é um indicativo de que Paulo falou um pouco de sua história provavelmente enquanto os evangelizava, mas o que ele vai descrever a seguir reforça a sua autoridade apostólica, visto que recebeu o Evangelho do Senhor Jesus, e não de homem algum. Ele não fora comissionado pela igreja de Jerusalém, mas pelo próprio Cristo, 2. Ele não pregou o Evangelho dos apóstolosd e Jerusalém. Que tipo de Evangelho Paulo estava ensinando e pregando? O Evangelho é um só, mas judeus e gentios tinham culturas distintas e foi necessário mostrar que da mesma forma que o Evangelho dos irmãos de Jerusalém tinha como fonte o Senhor Jesus, o dos gentios também tinha o Senhor Jesus como fonte. A mensagem de Paulo não era diferente do Evan gelho dos apóstolos em Jerusalém , a base e origem da Igreja. A salvação E n t e n d e m o s q u e D e u s p o d e n o s t r a z e r r e v e la ç õ e s e s p e c íf ic a s p o r m e io d e d o n s d o E s p ír it o , m a s n u n c a e s s a s in t e r a ç õ e s s e r ã o c o n t r á r ia s a o q u e e s tá e s c r it o na P a la v ra d e D eu s. continuava sendo pela fé em Jesus, pois o Evangelho é o “poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu, e do grego (Rm 1.16). Grupos culturais diferentes, mas o mesmo Evangelho da salvação. É possível que, em nossos dias, haja pessoas que aleguem ter rece bido uma nova mensagem da parte do próprio Senhor Jesus. Entendemos que Deus pode nos trazer revelações e sp e cífica s por m eio de dons do Espírito, mas nunca essas interações serão contrárias ao que está escrito na Palavra de Deus. 3.0 Evangelho que Paulo pregava havia sido aprovado pelos apóstolos em Jerusalém. A mensagem de Paulo, como já dissemos, era a mesma dos apóstoLos, mas o público era diferente. E os apóstolos de Jerusalém reco nheceram o ministério de Paulo e a mensagem que ele pregava. O apóstolo comenta que "deram-nos às destras, em comunhão, comigo e com Barnabé, para que fôssemos aos gentios, e eles, à circuncisão (GI2.9). © P E N S E ! Que tipo de Evangelho estamos ensinando e pregando? JOVENS 15 É p o s s ív e L s e r u m a p e s s o a c u m p r id o r a d o s s e u s d e v e re s , r e l ig io s a e, m e s m o a s s im , d e t e s t a r J e s u s e a s u a Ig re ja . Saulo para es trada de Damasco. Os irmãos daquela lo c a lid a d e já sabiam da sua fam a, mas o que parecia ser uma extensão da p e rs e g u iç ã o dos c re n te s q u e residiam em Damasco seria o ponto fin a l na v id a do p erseg u id or, q ue seria transform ado em perseguido por causa do Evangelho. 0 PENSE! Os inimigos de Paulo conheciam o seu passado, e tentaram colocar isso em foco para descred ib ilizar o apóstolo e sua mensagem. 0 PONTO IMPORTANTE! Paulo não ocu ltou o seu passa do aos gálatas, mas quando ele conta parte de sua vida, o faz para exa lta r o poder trans fo rm ado r do Evangelho em sua vida. 0 CONCLUSÃO Nesta lição, estudamos uma parte da vida de Paulo. Isso se deu porque foi necessário mostrar a origem do seu apostolado e da sua mensagem aos gálatas. Não somente o ministério de Paulo estava em jogo, mas igualmente a mensagem que ele havia ensinado àquelas igrejas. Paulo nunca se esque ceu das atrocidades cometidas por ele contra a Igreja de Deus, mas também deixou claro que a graça do Senhor o salvou, e que o seu apostolado era um sinal do poder transformador, não da Lei, mas do Evangelho, ô HORA DA REVISÃO í Por que Paulo conta uma parte de sua história aos gálatas? 2 Os apóstolos de Jerusalém apro varam o Evangelho pregado por Paulo? 3 Por qual motivo os irmãos da Judeia deram graças a Deus? 4 As Cartas de Paulo no Novo Testa mento se ocupam extensivamente não da sua vida pessoal? 5 Quem conduziu Saulo para a estrada de Damasco? O ENCONTRO EM JERUSALÉM E OS FALSOS IRMÃOS TEXTO PRINCIPAL "Porque aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão, esse operou também em mim com eficácia para com os gentios." (Gl 2 .8) RESUM O DA LIÇAO O encontro dos apóstolos em Jerusalém não fez com que Paulo mudasse a sua pregação. LEITURA SEM ANAL SEGUNDA-FEIRA-Gl 2.9 Paulo e Barnabé TERÇA-FEIRA-Gl 2.3 Tito era g re g o e não foi circuncidado QUARTA-FEIRA - l Co 10.32 Judeus, greg os e a Igreja de Deus QUINTA-FEIRA-Gl 2.10 Os gentios e os pob res SEXTA-FEIRA-Gl 2.8 O Evangelho alcança culturas diferentes SÁBADO-Gl 2.4 Falsos irmãos entre os verdadeiros JOVENS 19 Gaiatas 2.1-10 1 Depois, passados catorze anos, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também comigo Tito. 2 E subi por uma revelação e lhes expus o evangelho que prego entre os gentios e particularmente aos que estavam em estima, para que de maneira alguma não corresse ou não tivesse corrido em vão. 3 Mas nem ainda Tito, que estava co migo, sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se. 4 E isso por causa dos falsos irmãos que se tinham entremetido e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus, para nos porem em servidão; 5 aos quais, nem ainda por uma hora, cedem os com sujeição, para que a verdade do evangelho permanecesse entre vós. INTRODUÇÃO Nesta lição, veremos a continuidade da resposta de Paulo às criticas que fizeram sobre a veracidade e autentici dade do seu apostolado. Os judaizantes que estavam trazendo outro evangelho aos crentes da Galácia questionaram se Paulo era realmente um apóstolo. Desta vez, ele fala sobre um encontro que teve com os líderes da igreja de Jerusalém, mostrando que, mesmo não tendo andado com os doze apóstolos de Jesus, era um apóstolo comissiona do pelo Senhor Jesus tanto quanto os demais, e que o seu ministério e a sua mensagem haviam sido reconhecidos em Jerusalém. 6 E, quanto àqueles que pareciam ser alguma coisa (quais tenham sido noutro tempo, não se me dá; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me comunicaram; 7 antes, pelo contrário, quando viram que o evangelho da incircuncisão me estava confiado, como a Pedro o da circuncisão 8 (porque aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circun cisão, esse operou também em mim com eficácia para com os gentios), 9 e conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que se me havia dado, deram-nos as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios e eles. à circuncisão; 10 recom endando-nos som ente que nos lembrássemos dos pobres, o que também procurei fazer com diligência. I - PAULO DEFENDE SEU MI NISTÉRIO 1. Voltando a Jerusalém. Na busca por esclarecer ainda mais a sua história apostólica, Paulo dá continuidade na Carta aos eventos que se seguiram em seu ministério. Por certo, os seus acu sadores não tinham uma história como a dele, que fora perseguidor dos segui dores de Jesus, mas foi alcançado pelo Senhor de uma forma tão especial que foi transformado em um novo homem. Essa defesa era necessária, pois os judaizantes divulgaram questionamentos a respeito da sua autoridade apostólica. Nada melhor do que fazer uma defesa em ordem cronológica, pois argumentos desconexos se perdem na fala. Os 14 20 JOVENS anos mencionados por Paulo podem ser uma referência ao seu encontro com Pedro e Tiago, mencionado em Gálatas 1.18,19.O apóstolo fez questão de mostrar esses dados para que as acusações contra ele não prosperassem. Paulo não tinha nada a esconder. 2. Barnabé e Paulo. Paulo menciona a presença de Barnabé consigo indo a Jerusalém . O "filho da consolação” teria uma participação muito ativa no ministério aos gentios, pois foi ele que acreditou no potencial de Paulo, quando este havia se convertido e não foi aceito imediatamente pela igreja de Jerusalém por força do seu histórico de perseguidor (At 9.26,27). A fama de Paulo assustava muitos dos irmãos hebreus, e até que ele pudesse mostrar o que Jesus havia feito em sua vida, um certo tempo se passou. Basta dizer que quando se conver teu, Paulo ficou tão motivado pelo seu encontro com Jesus e com a cura que recebeu do Senhor, que foi pregar a respeito dEle nas sinagogas em Da masco e depois em Jerusalém, até que os gregos procuraram matá-lo. A igreja precisou mandá-lo com passagem só de ida a Tarso. Tempos depois, quando o Evangelho chegou à Antioquia, e Barnabé foi comissionado a ver como Deus estava operando naquela locali dade, e vendo a graça de Deus naquele lugar (At 11.23), convidou Paulo depois para auxiliá-lo (At 11.25). Barnabé foi o precursor que abriu as portas para que Paulo pudesse ter o reconhecimento ministerial necessário. Ele sabia que era uma honra poder apoiar novos obreiros e despertar talentos na obra do Senhor. 3. Agindo por m eio de um a reve lação. A descrição paulina sobre a sua ida a Jerusalém começa com a ação do Espirito. Ele subiu para Jerusalém por força de uma revelação. Deus é soberano não somente para nos oferecer a sua graça para a salvação, mas também para operar entre nós obras pelo Espírito Santo. Ele decidiu enviar Paulo a Jeru salém, e essa decisão foi comunicada por meio de uma revelação, não por um desejo pessoal do apóstolo ou por um convite da igreja de Jerusalém. É notório que em muitos ambientes cristãos, os meios com que Deus revela a sua vontade são negligenciados, tidos por ultrapassados ou negados. Em nenhum texto das Escrituras há uma indicação de que Deus deixou de revelar coisas importantes aos seus servos por meio do seu Santo Espírito. Cremos que uma vez que já temos as Escrituras como nossa regra de fé e prática, quaisquer orientações divinas precisam estar sujeitas ao que já está escrito na Palavra de Deus. Entretanto, 0 Senhor é capaz de nos trazer orientações conforme a sua soberania e pelos meios que estiverem descritos nas Escrituras. II - OS FALSOS IRMÃOS 1. Tito, um obreiro grego. A equipe de Paulo era multicultural, Barnabé e Paulo eram judeus, mas Tito e Lucas eram gentios. É certo que essa forma ção missionária dava um respaldo mais acentuado à pregação aos gentios, pois havia gentios no grupo missionário de Paulo e Barnabé. Nesta Carta, o após tolo faz menção do nomede Tito por força da situação que vai descrever. Ao chegarem em Jerusalém, Tito foi rece bido junto com Paulo e Barnabé. Aquela equipe evangelística despertou, sem dúvida, a curiosidade dos judaizantes. Até o momento, não há registro de um obreiro grego indo a Jerusalém como participante de uma equipe missioná JOVENS 21 ria liderada por judeus. Tito era uma novidade. E os judaizantes ficaram de olho nele. 2. Os falsos irmãos. Paulo cita que em Jerusalém eles foram observados por pessoas consideradas “falsos irmãos” que eles estavam entre os crentes em Jerusalém . Pessoas que tinham acesso aos apóstolos, conheciam a Lei de Moisés, mas não colaboravam com o Evangelho. Os falsos irmãos estavam ali para impor aos visitantes a obrigatoriedade de todos seguirem a Lei como um requisito para a salvação. Aparentemente não falaram nada, mas Paulo percebeu e registrou aos gálatas aquela tentativa de intromissão. Aqui aprendemos duas lições: a) Nem todos os que estão entre nós são verdadeiros irmãos. Há joio sendo co locado junto com o trigo, e precisamos estar atentos aos que tem aparência de crente, mas se portam como se não o fossem: b) Ele resistiu a essas pessoas, não se sujeitando, em nenhum momento, às investidas. Paulo poderia fazer a política da boa vizinhança para que Tito fosse aprovado, mas isso seria um retrocesso. Os falsos irmãos não queriam fazer a obra de Deus, mas sim colocar a equipe missionária em servidão (Gl 2.4). É provável que aque les falsos irmãos tivessem tentado ver se Tito havia sido circuncidado, para depois ser aceito como um membro da com issão de apóstolos enviados aos gentios. O que os falsos irmãos desejavam era constranger Paulo, sua equipe e sua mensagem aos ditames judaicos. 3. Não cedemos. Paulo mostra aos gálatas que, mesmo estando em Je rusalém, diante do colégio apostólico, ele permaneceu firme na perspectiva que distanciava a prática dos gentios e dos judeus. Isso não se deu por rebeldia, ou por considerar que os apóstolos em Jerusalém estavam aquém da mensagem que ele havia recebido da parte do Senhor Jesus. Paulo não era um obreiro rebelde ou desejoso de arrumar debates e confusão. Ele se posicionou dessa forma “para que a verdade do evangelho permanecesse entre vós" (Gl 2.5). Tito, 0 obreiro grego, não precisou ser circuncidado. Ele fazia parte da equipe de Paulo pela graça de Deus, e se a circuncisão fosse necessária para que Tito fosse salvo, por que ele não havia sido circuncidado? Paulo chama os gálatas para pensarem a esse respeito. Se eles precisassem ser circuncidados e seguirem a Lei para serem salvos, como diziam os judaizantes, então Tito era uma contradição, pois ele ocupava um lugar de importância e não seguia nem cumpria a Lei de Moisés. Mas Paulo mostra que o fato de Tito não ter passado por aquela cirurgia destinada aos bebês judeus era uma prova de que a men sagem confiada ao apóstolo era válida para todos os gentios: a circuncisão não era necessária aos não judeus. Se Tito passasse pela circuncisão, a mensagem dos judaizantes teria prevalecido. Mas o plano dos falsos irmãos fracassou. III - O EVANGELHO DA INCiR- CUNCISÃO 1. Reconhecido entre os apóstolos. Paulo descreve que teve o seu trabalho e chamada reconhecidos entre os após tolos de JerusaLém. Diferente do que os seus acusadores andaram falando, de que ele não era apóstolo ou que ninguém o conhecia em Jerusalém , Paulo diz que “deram-nos as destras, 22 JOVENS em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios e eles, à circuncisão" (GL 2.9). Os apóstolos tiveram Barnabé e Paulo em alta conta, e foram além do reconhecimento: eles chancelaram a missão aos gentios. Paulo fala que os hebreus “nada me com unicaram ”, uma observação do apóstolo acerca da sua mensagem, ou seja, não acrescentaram nada ou nenhuma regra a mais à mensagem de Paulo aos gentios. 2. A recomendação dos apóstolos. Para cada comissionamento há uma ou mais responsabilidades. Os apóstolos de Jerusalém pediram que a missão aos gentios não se esquecesse dos pobres. Em uma sociedade onde a pobreza era bastante comum, e a sobrevivência de certos grupos, como viúvas e órfãos, dependia muito da família ou da caridade alheia, os cristãos se tornaram conheci dos pelo altruísmo e pela generosidade. Em Gálatas 6.10, seguindo a orientação dos irmãos de Jerusalém, ele escreve que “enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé" (Gl 6.10). 3. Dois públicos e uma mesma mensagem. Nem todas as pessoas que são alcançadas pelo Evangelho são da mesma cultura. A Palavra de Deus classifica as pessoas como ju deus, gentios e à igreja de Deus (1 Co 10.32). O Evangelho é o mesmo, mas é possível que uma mensagem seja mais facilmenté aplicada a um grupo cultural do que a outro, e cabe a quem está apresentando as Boas-Novas ter essa sensibilidade para a comunicação do Evangelho, Paulo agiu assim, enten dendo que nem todos os preceitos do judaísmo eram adequados aos gentios, como veremos na próxima lição. ©CONCLUSÃO Ao longo destas duas últimas lições, tratamos da biografia do apóstolo Paulo, conforme ele a demonstra aos gálatas. Na lição passada, estudamos a respeito dele como recém-convertido, e nesta lição, como um representante de uma equipe missionária, tendo a sua mensagem chancelada pelos obreiros de Jerusalém. A sua pregação não era estranha ao conhecimento dos judeus, e mesmo eles receberam a equipe de obreiros aos gentios com apreço e sem preconceito, ainda que houvesse ali na igreja "falsos irmãos". © HORA DA REVISÃO 1 O que fez Paulo subir para Jerusalém? 2 Que obreiro teve uma participação bem ativa no ministério com Paulo? 3 Qual era a origem de Tito? 4 Quem eram os "falsos irmãos"? 5 Que recomendação os apóstolos de Jerusalém deram a Paulo e Barnabé, apresentada na lição? ADVERTÊNCIA CONTRA O LEGALISMO TEXTO PRINCIPAL "Porquanto ouvimos que alguns que saíram dentre nós vos perturbaram com palavras e transtornaram a vossa alma (não lhes tendo nós dado mandamento)." (At 15.24) RESUM O DA LIÇAO Defender o verdadeiro Evangelho implica pensar e praticar a doutrina bíblica. LEITURA SEM ANAL SEGUNDA-FEIRA - At 11.23 A graça de Deus em Antioquia TERÇA-FEIRA-Gl 2.12 A inconstância de Pedro QUARTA-FEIRA-Gl 2.18 Não pod em os voltar atrás QUINTA-FEIRA - At 15.24 Judaizantes falavam sem autorização SEXTA-FEIRA - At 11.26 Em Antioquia os discípulos foram chamados de cristãos SÁBADO-Gl2,19 Estamos mortos para as obras da Lei 24 JOVENS TEXTO BÍBLICO Gálatas 2.11-16 11 E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. 12 Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando e se apartou deles, te mendo os que eram da circuncisão. 13 E os outros ju d e u s também d issi mulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação. 14 Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do INTRODUÇÃO Nesta lição, trataremos da vivência de uma fé correta. Tal verdade é vista no conflito que aconteceu entre Paulo e Pedro, quando irmãos de Jerusalém vieram a Antioquia e Pedro sentiu-se constrangido a se afastar dos gentios para agradar aos judeus. A resposta de Paulo à essa atitude de Pedro foi registrada e pode nos servir de exemplo sobre o que pode acontecer quando uma pessoa nega, com uma atitude, um ensino das Sagradas Escrituras. O Evangelho de Jesus deve ser ensinado e defendido a todo custo, mesmo na comunidade dos santos. 1.0 CASO DE ANTIOQUIA 1. Pedro chega à Antioquia. A cidade de Antioquia da Síria é apresentada no Novo Testamento como um local onde judeus e cristãos congregavam juntos, onde culturas diferentes eram ensinadas por intermédio do Evangelho de Jesus. O apóstolo Pedro estava ali evangelho,disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios e não como judeu, por que obri gas os gentios a viverem como judeus? 15 Nós somos judeus por natureza e não pecadores dentre os gentios. 16 Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para serm os justificados pela fé de Cristo e não pelas obras da lei, porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada. e não teve dificuldades de se adaptar àquele ambiente. Ele certamente tinha conhecimento de que a igreja em Antio quia era um ambiente onde não havia as divisões étnicas tão acentuadas, co nhecidas e bem delimitadas, como era em Jerusalém. É bom lembrar também que Pedro, segundo Lucas, orientado por Deus, foi o primeiro apóstolo a tratar do Evangelho com um gentio, Cornélio, fora de Jerusalém. Não houve nenhum problema em Pedro comer com os crentes gentios em Antioquia, até que chegassem judeus vindos de Jerusalém. O verbo “comia”, no pretérito imperfeito, mostra que não foi somente em uma única ocasião que Pedro comeu com gentios, e sim em várias refeições. 2. Os da parte de Tiago. Paulo des creve que um grupo de irmãos chegou de Jerusalém . Até aquele momento, Pedro e os que o acompanhavam esta vam comendo com gentios. No mundo antigo, partilhar uma refeição significava muito mais do que simplesmente comer JOVENS 25 ao lado de uma pessoa. É possível que, em nossos dias, você divida uma mesa numa praça de alimentação com uma ou mais pessoas que você não conheça, Mas não foi esse o caso em Antioquia. Comer juntos ali implicava ter comu nhão, aceitação mútua. A mesa estava sendo ocupada por irmãos em Cristo, mesmo que de culturas diferentes. Não se costumava partilhar refeições com inimigos, mas sim com pessoas que se desejava ter próximas. Pedro estava comendo e tendo comunhão com pessoas que já haviam aceitado a Jesus. Os indivíduos no entorno da narrativa não eram gentios incrédulos, mas gentios feitos filhos de Deus pelo poder do Eterno. Paulo nos diz que o grupo que veio de Jerusalém era da “circuncisão”, É possível que fossem pessoas mais intolerantes em relação ao contato com gentios. Há registros de que judeus mais envolvidos com a Lei mantinham distância de pessoas de outras culturas, a fim de não se contaminarem, por acreditarem que a proximidade com outras pessoas não judias poderia lhes deixar impuros. Esses judeus, como se entende, ouviram o Evangelho e creram em Jesus como seu Messias, mas mantinham a prática da Lei, inclusive no tocante ao distanciamento de pessoas não circuncidadas. 3. A dissimulação. Devemos ressaltar que quando Paulo menciona que os jud eus que chegaram como “os de Tiago", não o faz como uma designação pessoal, pois Tiago reconheceu o mi nistério de Paulo aos gentios. É possível que essa observação se deva ao fato de que Tiago representava a igreja de Jerusalém. Paulo não diz o que esses homens falaram, mas mostra que a presença deles foi capaz de mudar o comportamento de Pedro. Da mesma forma que os falsos irmãos aparente mente não falaram nada, mas impunham pela sua presença a sua ideia, os que tinham vindo de Jerusalém certamente partilhavam daquelas mesmas idéias, ou Pedro não teria mudado de atitude. Para tornar mais difícil a situação, Lucas registra que Tiago não havia autorizado ninguém a trazer manda mentos diferentes: “Porquanto ouvimos que alguns que saíram dentre nós vos perturbaram com palavras e transtor naram a vossa alma (não lhes tendo nós dado mandamento)” (At 15.24), Eles poderíam ser da parte de Tiago, mas não falavam em nome de Tiago. A atitude de Pedro envolvia muito mais do que simplesmente partilhar uma refeição. Em um momento, ele agia como se cresse que não havia mais barreiras entre judeus e gentios em Cristo, e no outro momento, com outra ação, demonstrava que as barrei ras ainda existiam. Pedro se viu debaixo de uma enorme pressão, e cedeu a ela. O peso dos visitantes de Jerusalém constrangeu o apóstolo pescador a agir de outra forma. II- DOIS APÓSTOLOS EM CON FLITO 1.0 poder de pressão de um grupo. Paulo descreve que Pedro mudou seu comportamento com a chegada dos irmãos de Jerusalém. Isso nos mostra que o pertencimento ou a identificação cultural com um grupo pode gerar uma grande pressão sobre uma pessoa. Paulo fala que Pedro “se foi retirando e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão", numa referência 26 JOVENS dara de que o apóstolo de Jerusalém, mesmo sendo um homem de Deus, não quis ser visto comendo com gentios à mesa. Até Barnabé se deixou levar por aquela situação. Esse seria um trunfo para osjudaizantes, pois ele era companheiro de missões de Paulo, e ambos haviam estado em Jerusalém para se encontrar com Pedro e Tiago. Mesmo um homem de Deus como ele foi envolvido no constrangimento causado pela ação de Pedro. 2. Repreensão na frente de todos. “Por qual motivo Pedro foi repreendido por Paulo?" A razão era que ele estava, mediante a sua atitude, negando uma doutrina fundamental da fé cristã, que é a justificação pela fé. Não se tratava somente do choque ocasionado por duas culturas diferentes, ou de uma refeição partilhada com pessoas de outra cultura, e sim da contrariedade do poder da graça de Deus. Pedro foi repreendido por ser judeu e viver como gentio, e querer que os gentios vivessem como judeus. Mesmo sendo apóstolo, Pedro teve medo dos homens de Jerusalém, Cer tamente osjudaizantes tinham grande inftuência naquela cidade, a ponto de constrangerem um apóstolo a agir daquela forma. É preciso lembrar que quando Pedro batizou Cornélio, ele foi inquirido pelos irmãos em Jerusalém, que só aceitaram as ações de Pedro depois de saberem que o Espirito Santo também havia sido derramado entre os gentios. Ser lider é ser observado, e não raro, julgado e criticado, como aconteceu nesse episódio, pois Pedro foi falar com Cornélio por ordem de Deus. Já no caso de Antioquia, Pedro cedeu à opinião dos judaizantes. Ele N a da q u e fa ç a m o s c o m o o b je t iv o d e a lc a n ç a r o f a v o r d e D e u s p a ra a s a lv a ç ã o te m re s u lta d o , p o is n o s s o s p e c a d o s s ã o u m a d ív id a q u e n ã o p o d e m o s p a g a r p o r n ó s m e s m o s , m a s q u e fo i paga p o r Je s u s . sabia o que era estar sob os holofotes da acusação, mas precisava saber também que impor uma forma de vida e não vivê-la era danoso para a fé. 3. O hom em não é justificado p e las obras da Lei. Paulo se vale dessa história para falar que o homem “não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo” (Gl 2.16). As obras da lei não servem para justificar o ser humano, e sim para condená-lo, pois um único pecado faria com que toda a lei fosse transgredida, condenando, assim , o seu praticante. Nada que façamos com o objetivo de alcançar o favor de Deus para a salvação tem resultado, pois nossos pecados são uma divida que não podemos pagar por nós mesmos, mas que foi paga por Jesus. Seguir as obras da lei era tentar ajudar Deus a fazer o seu trabalho de nos salvar. A pergunta de Pauto é impressio nante: “é, porventura, Cristo, ministro do pecado?” (Gl 2.17). Essa pergunta tem um motivo: sem perceber, os gátatas estavam tentando restabelecer a lei que foi dada aos judeus. Quem tenta restabelecer um conjunto normativo de práticas para ser declarado justo, já tendo sido justificado por Cristo, acaba JOVENS 27 se tornando participante desse conjunto normativo, e faz de Cristo participante desse cenário. III - ESTOU CRUCIFICADO COM CRISTO 1. Estou crucificado com Cristo. Pauto mostra que a sua fé está baseada na morte e na vida de Jesus Cristo. Na morte, crucificado com Cristo, e na vida, existindo pautado na fé no Filho de Deus. Uma vez que Jesus morreu por Paulo, Paulo se declara vivo paraCristo (Gl 2.20). 2. A fé no Filho de Deus. Paulo re alça que vive a fé no Filho de Deus (Gl 2.20). Ele não diz que a sua vida diante de Deus está pautada na Lei, mas se identifica com a crucificação do Senhor. Cristo cumpriu toda a Lei, e ao morrer na cruz, mostrou que os requisitos exigidos por Deus foram cumpridos. A Lei de Moisés conduzia a Cristo, e o sacrifício de Cristo nos conduz a Deus. Mais que isso, agora Cristo vive em nós. O Evangelho de Jesus não se baseia nas práticas da Lei, mas na morte e ressurreição do Senhor. 3. Cristo morreu por nada? Quando cremos ou ensinamos que é preciso acrescentar a circuncisão ou outras práticas à mensagem do Evangelho, estamos negando que o sacrifício de Jesus por nós é completo ou suficiente. A Lei de Moisés não acrescenta nada à nossa salvação, e as obras que faze mos na vida cristã servem para refletir a glória de Deus em nossas vidas. Se mudamos esse princípio, então esta mos declarando que Jesus morreu por nada, e que o sacrifício dEle precisa ser reforçado - pelos gentios - com práticas que Deus ordenou aos judeus. O CONCLUSÃO Nenhum de nós pode negar um precei to bíblico por força da pressão de um grupo. Nossa vocação inclui defender a fé que um dia nos foi dada, e nos manter nela em todo o tempo, não somente crendo, mas praticando a doutrina correta de que somos salvos pela graça de Deus, por meio da fé, e jamais pelas nossas próprias obras, para que o sacrifício de Jesus não se torne vão. O HORA DA REVISÃO 1 Em que cidade Pedro comia com gentios, de acordo com a lição? 2 Como são identificados os hebreus que vieram de Jerusalém ? 3 O que fez com que Pedro se afas tasse dos gentios? 4 De que forma Paulo se identifica com Cristo? 5 Em que se baseava a fé de Paulo? 28 JOVENS JUSTIFICADOS PELA FÉ EM JESUS CRISTO TEXTO PRINCIPAL ■ LEITURA SEMANAL "Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé." (Rm 1.17) RESUMO DA LIÇAO Abraão foi tornado justo por crer no que Deus falou, e não por seguir um conjunto de ritos. SEGUNDA-FEIRA - Rm 11.21 Todos debaixo da desobediência TERÇA-FEIRA - G l 3.14 A bênção de Abraão aos gentios Q U A R T A -FE IR A -G l 3.3 Com eçar pelo Espírito e term inar pela carne Q U IN T A -FE IR A -H b 10.38 O justo viverá da fé S E X T A -F E IR A -G l 3-5 Deus dá o Espírito e opera maravilhas pela fé SÁBADO - Rm 1.16 Não me envergonho d o Evangelho JOVENS 29 TEXTO BÍBLICO Gaiatas 3.1-11 1 Ó insensatos gátatas! Quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi já representado como crucificado? 2 Só quisera saber isto de vós: recebestes 0 Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? 3 Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne? 4 Será em vão que tenhais padecido tanto? Se é que isso também foi em vão. 5 Aquele, pois, que vos dá o Espírito e que opera maravilhas entre vós o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé? 6 É o caso de Abraão, que creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. INTRODUÇÃO Nesta lição, veremos a forma como Paulo discorre a respeito da doutri na da justificação pela fé aos irmãos gálatas. No capítulo anterior ele havia defendido a sua mensagem e o seu apostolado. Desta vez, ele vai defender a doutrina que os gálatas receberam e depois trocaram por outra forma de pensamento. A fé estava sendo subs tituída pelo esforço humano, e isso é um retrocesso (da bênção para uma maldição). É uma advertência para que o que começamos certo não termine errado por nossa responsabilidade. I - O QUESTIONAMENTO DE PAULO 1. Fascínio para a desobediência. Paulo se dirige aos crentes na intro dução da Carta como irmãos (Gl 1.1), mas aqui, ele fala de um jeito menos 7 Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão. 8 Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gen tios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti. g De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão. 10 Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las. 11 E é evidente que, pela lei, ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé. amistoso, chamando-os de "insensatos gálatas” (Gl 3.1), Isso porque aqueles irm ãos estavam perdendo o juízo, deixando de lado critérios e ficando fascinados com uma outra mensagem. A palavra fascinação significa “forte atração por algo ou por alguém". Paulo faz uma pergunta aos crentes da Galá- cia e o pensamento dele vale para os nossos dias: O que pode ser tão atra ente para a nossa espiritualidade que tenha a capacidade de nos afastar do verdadeiro Evangelho? Para os gálatas, a fascinação provinha da possibilidade de seguir a lei dos judeus, o que, na teoria deles, poderia ajudar na salvação. Eis aqui uma questão: Paulo comen ta que eles foram fascinados, enfeitiça dos, para se tornarem desobedientes ao Evangelho, Aquela nova mensagem que receberam dos judaizantes não lhes movia a fim de obedeceram a Deus, 30 JOVENS mas os convencia, por uma mensagem à desobediência, e eles não haviam percebido isso. 2. Começando certo e terminando errado. Paulo pergunta: "tendo come çado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?” (Gl 3.3). Essa pergunta mostra um cenário que pode se repetir em nossos dias. Os gálatas receberam o Espírito de Deus, mas se deixaram levar pela capacidade pessoal de agradá-lo não pela fé, mas pela observância de preceitos judaicos. A fé e 0 Espírito estavam sendo substituídos pela Lei e pela carne. Eles haviam começado certo, mas estavam terminando errado. Essa pergunta do apóstolo nos faz refletir sobre como fomos chamados e de que forma estamos administrando a vocação que Deus nos deu. Não basta começar da forma correta: é preciso concluir a carreira de forma correta, e curiosamente, Paulo atribui aos gálatas essa capacidade. Ele não atribui a Deus essa obrigatoriedade, pois Ele já nos deu a salvação. Paulo atribui a nós a capacidade de exercer de forma correta a análise do que estamos ouvindo para não sermos enganados por doutrinas erradas. Colocar a prática da Lei em pé de igualdade ao sacrifício de Jesus é, sem dúvida, um ensino pernicioso. 3. Obras da Lei contra a pregação da Fé. Os gálatas provavelmente não tinham conhecimentos dos costumes judaicos e das obrigatoriedades que esses costumes representavam para os hebreus na sua inteireza. A pregação da fé, que alcançou os gálatas quando esses ouviram a men sagem de Paulo, estava sendo subs tituída. Jesus havia sido representado aos gálatas como crucificado. A palavra 'representado" é prographo, pintado. Era com o se a pregação de Paulo fosse uma obra de arte, uma pintura, apresentando Cristo como crucificado, e eles haviam enxergado dessa mesma forma. A cruz representava a morte de Cristo, e o próprio Cristo representava o sacrifício perfeito do Filho de Deus. Não havia sido uma morte por nada, ou por um erro judicial, mas voluntária: “Por isso, o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la" Uo 10.17). Paulo pergunta aos gálatas: “Aquele, pois, que vos dá o Espírito e que opera maravilhas entre vós o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé?” (Gl 3.5). Quantos milagres os gálatas presen ciaram? Quantas intervenções divinas Deus fazia pelo seu Espirito naquelas igrejas? E nada disso era pelas obras da lei, mas pela fé. Se os gálatas sabiam 0 que era uma comunidade de santos vibrante, onde Deus tinha liberdade de atuar e mostrar-lhes um pouco da sua glória, não era por causa da Lei. II-O CRENTE ABRAÃO 1. Creu em Deus. A fim de reforçar seus argumentos, Paulo remonta à origem do povo