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PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO MESTRADO EM EDUCAÇÃO JOSENILDO DE JESUS POLÍTICAS EDUCACIONAIS PARA FORMAÇÃO CONTINUADA DE DIRETORES ESCOLARES DO MUNICÍPIO DE REGENTE FEIJÓ-SP PRESIDENTE PRUDENTE - SP 2020 PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO MESTRADO EM EDUCAÇÃO JOSENILDO DE JESUS POLÍTICAS EDUCACIONAIS PARA FORMAÇÃO CONTINUADA DE DIRETORES ESCOLARES DO MUNICÍPIO DE REGENTE FEIJÓ-SP Dissertação apresentada à Pró - Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, Universidade do Oeste Paulista, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Educação – Área de concentração: Educação Orientador: Prof. Dr. Cristiano Amaral Garboggini di Giorgi Presidente Prudente - SP 2020 370.7 J58p Jesus, Josenildo de. Políticas educacionais para formação continuada de diretores escolares do Município de Regente Feijó – SP. / Josenildo de Jesus. – Presidente Prudente, 2020. 86 f.: il. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade do Oeste Paulista – Unoeste, Presidente Prudente, SP, 2020. Bibliografia. Orientador: Prof. Dr. Cristiano Amaral Garboggini di Giorgi 1. Políticas Públicas em Educação. 2. Formação Continuada. 3. Administração Escolar. 4. Direção da Escola. I. Título. Catalogação na fonte – Bibliotecária Renata Maria Morais de Sá – CRB 8/10234 JOSENILDO DE JESUS POLÍTICAS EDUCACIONAIS PARA FORMAÇÃO CONTINUADA DE DIRETORES ESCOLARES DO MUNICÍPIO DE REGENTE FEIJÓ-SP Dissertação apresentada à Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, Universidade do Oeste Paulista, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Educação – Área de concentração: Educação Presidente Prudente, 23 de outubro de 2020. BANCA EXAMINADORA _______________________________________________ Orientador: Prof. Dr. Cristiano Amaral Garboggini di Giorgi Universidade do Oeste Paulista – Unoeste Presidente Prudente - SP _______________________________________________ Prof. Dr. Marcos Vinicius Francisco Universidade do Oeste Paulista – Unoeste Presidente Prudente - SP _______________________________________________ Prof. Dr. Regilson Maciel Borges Universidade Federal de Lavras - UFLA Lavras - MG DEDICATÓRIA Deus, que em tudo tem me segurado, minha esposa, que na doença me mostrou amor e compaixão, minhas filhas (o), que são parte de minha vida, alegria de meu ser, meu Tio, pai de criação, José Carlos G Santos, que sempre me conduziu a um caminho justo, honesto e com respeito, sem vícios, mas de sacrifícios, pois tudo requer esforço, vontade, motivação. Aos meus professores, de Tiana do Barreiro Vermelho na zona rural dos gerais, aos meus professores e pró- reitores da Unoeste, estes seguirão como minha grande referência de humanidade e vida. Minha mãe, a maior pedagoga da minha vida que era analfabeta, mas nem por isso deixei de aprender com ela o saber que não se aprende em universidade. J.J.L.M – “O Doce Veneno das Palavras” AGRADECIMENTOS Ao Dr. Fernando da Secretaria de Educação e a Secretária de Educação de Cristalina – GO, que muito fez para que eu pudesse sair para cursar o Mestrado em Educação. Á minha família que de longe e de perto me apoiaram nesta caminhada e mesmo aqueles que pouco estudo tem, me motivaram a continuar os estudos. Aos professores da Escola Municipal Souza Lima, no Bairro Marajó, Zona rural de Cristalina, estes sempre acreditaram em mim, em meus projetos, em minha conduta moral como professor e pessoa da comunidade. Ao Guilherme, aluno de mestrado e membro da Unoeste, pela grande ajuda na realização deste sonho. Aos professores do Mestrado em Educação da Unoeste, Marcos Vinicius, Monica Fürkotter, Crstiano Di Giorgi, Danielle Santos, Maria Elisa, Camélia Santina, Zizi Trevizan, Erika Porceli, Carmem Lúcia, Raimunda Abou, Sidinei de Oliveira, Elisa Tomoe Moriya, Regilson Maciel, sem esquecer de Ina, sua filha e irmão, João Gomes, esposo da professora Maria Elisa “O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – (Brasil) CAPES – Código de Financiamento 001”. Os pés sujam de lama, empoeira, porque quem caminha tem por natureza fazer parte da terra que nos permite pisa-la. Mas, como não sujar os pés se temos que caminhar e como não caminhar se precisamos sujar os pés? O sapato é um equipamento de proteção, não apenas um artigo de ostentação ou para esconder unhas é a expressão da beleza da sociedade do espetáculo e motivo de risos quando o calçado é apenas calçado de quem tem apenas um calçado, sendo ele o escravo de todos os dias, tempos, lugares, noite ou dia. Os valores de pés que andam sujos caminham em busca de um calçado especial, que não o estético, mas o humano. Desse modo, a estrada é uma trajetória compassiva de vida que aparece e esvanece sem aviso, pois com a chegada, outros caminhos serão caminhados. L.M.J.J – “Entre os pés sujos e o caminho” RESUMO Políticas educacionais para formação continuada de diretores escolares do Município de Regente Feijó-SP Esta pesquisa de mestrado foi desenvolvida no Município de Regente Feijó – SP. Vincula-se a linha de pesquisa “Políticas Públicas em Educação, Práticas Educativas e Diversidade” do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) e toma como objeto de estudo as Políticas Educacionais para formação continuada de diretores de escola. O objetivo é verificar em que medida as atividades de formação continuada oferecidas aos diretores de escola do município de Regente Feijó-SP correspondem às suas necessidades formativas. A metodologia é qualitativa e abrange dois procedimentos para se atingir o objetivo principal: 1- pesquisa documental sobre as políticas educacionais e atividades de formação oferecidas pelo Município; e 2- entrevistas semiestruturadas com gestores sobre a efetividade das mesmas. Foram entrevistadas sete gestoras, sendo que o critério de inclusão foi: escolha daqueles que permaneceram mais tempo como diretores de escolas da rede municipal, no período de 2009 a 2018. Como resultado esperava-se a caracterização das necessidades formativas dos gestores, nos processos formativos que lhes foram oferecidos e em que medida atenderam a estes. O referencial teórico compôs-se de proposições que tomam a instituição escolar como meio de estudos com foco em seus diretores/gestores, como as políticas públicas de formação para este público. Embora o estudo tenha demonstrado que o Município de Regente Feijó tem realizados políticas de formação para diretores/gestores, materializados em suas práticas de gestão escolar, prevalece nesta esfera, um caráter fragmentado de ações, compostos de melhorias e anacronismos. A pesquisa apontou que no tocante as Políticas Educacionais há certa cumplicidade entre Direção Municipal de Ensino e gestão escolar, corroborando com limites e impossibilidades do trabalho do Diretor/Gestor escolar, uma vez que na expressão de suas falas também encontramos possibilidades latentes da construção de meios, opções que transpõem os limites impostos pelo gerencialismo , numa constante luta por melhoria contínua, pois além de vozes e sujeitos envolvidos na escola, esta, também carrega o nome da Diretora/ Gestora. Palavras-chave: Políticas Educacionais. Formação Continuada. Gestão Escolar. Diretor/Gestor. Necessidades Formativas. ABSTRACT Educational policies for continuing educationof school principals in the municipality of Regente Feijó-SP This master's research was developed in the Municipality of Regente Feijó - SP. It is linked to the research line “Public Policies in Education, Educational Practices and Diversity” of the Graduate Program in Education at the University of Oeste Paulista (Unoeste) and takes as an object of study the Educational Policies for the continuous training of school principals. The objective is to verify to what extent the continuing education activities offered to school principals in the municipality of Regente Feijó-SP correspond to their training needs. The methodology is qualitative and covers two procedures to achieve the main objective: 1- documentary research on educational policies and training activities offered by the Municipality; and 2- semi-structured interviews with managers about their effectiveness. Seven managers were interviewed, and the inclusion criterion was: choice of those who stayed longer as principals of schools in the municipal network, from 2009 to 2018. As a result, it was expected to characterize the training needs of managers in the training processes that they were offered and to what extent they responded to them. The theoretical framework was made up of propositions that take the school institution as a means of studies focusing on its principals / managers, such as public training policies for this public. Although the study has shown that the Municipality of Regente Feijó - SP has implemented training policies for principals / managers, materialized in their school management practices, a fragmented character of actions, composed of improvements and anachronisms, prevails in this sphere. The research pointed out that with regard to Educational Policies there is a certain complicity between the Municipal Directorate of Education and school management, corroborating the limits and impossibilities of the work of the School Director / Manager, since in the expression of his speeches we also find latent possibilities for the construction of means , options that go beyond the limits imposed by the managerial ones, in a constant struggle for continuous improvement, because in addition to the voices and subjects involved in the school, it also carries the name of the Director / Manager. Keywords: Educational Policies. Continuing Education. School Management. Director / Manager. Formative Needs. LISTA DE SIGLAS ANPEd - Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação CNE - Conselho Nacional de Educação CIACs - Centro Integrais de Atenção à criança CONEDS - Congressos Nacionais de Educação CONARFE - Comissão Nacional de Reformulação dos Cursos de Formação de Educadores DMEC - Departamento Municipal de Educação e Cultura EAD - Educação a Distância FHC - Fernando Henrique Cardoso FNDE - Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FUNDEB - Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica FUNDESCOLA - Fundo de Fortalecimento da Escola PDRAE - Plano Diretor da Reforma do Aparelho. IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IDEB - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação LDBEN - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional MEC - Ministério da Educação ONG - Organização não Governamental PDDE - Programa Dinheiro Direto na Escola PDE - Plano de Desenvolvimento da Educação PPP - Projeto Político Pedagógico PROGED - Programa de Formação Continuada de Gestores da Educação Infantil e Fundamental PNEGEB - Programa Nacional Escola de Gestores da Educação Básica PROGESTÃO - Programa de Capacitação a Distância para Gestores Escolares TIC - Tecnologias da Informação e Comunicação TCC - Trabalho de Conclusão de Curso UNESP - Universidade Estadual Paulista UNOESTE - Universidade do Oeste Paulista LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Participação em processos formativos ofertados pelo município de Regente Feijó - SP entre os anos de 2009 e 2018 ..................... 51 Quadro 2 - Participação em processos formativos ofertados pelo estado de SP entre os anos de 2009 e 2018 .................................................... 52 Quadro 3 - Participação em processos formativos ofertados pelo governo federal entre os anos de 2009 e 2018 .............................................. 53 Quadro 4 - Participação em processos formativos ofertados por ONGs entre os anos de 2009 e 2018 .......................................................... 53 Quadro 5 - Participação em processos formativos ofertados por empresas privadas entre os anos de 2099 e 2018 .......................... 54 Quadro 6 - Consulta prévia dos processos formativos sobre as necessidades de formação .............................................................. 54 Quadro 7 - Consulta sobre as necessidades de formação durante o andamento dos processos de formação .......................................... 56 Quadro 8 - Contribuição dos processos formativos às necessidades de formação .......................................................................................... 56 Quadro 9 - Influência dos processos formativos na prática profissional ............. 58 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 - Resposta de entrevista estruturada, Diretora/Gestora I ....................... 63 Gráfico 2 - Resposta de entrevista estruturada, Diretora/Gestora II ...................... 64 Gráfico 3 - Resposta de entrevista estruturada, Diretora/Gestora III ..................... 64 Gráfico 4 - Resposta de entrevista estruturada, Diretora/Gestora IV ..................... 65 Gráfico 5 - Resposta de entrevista estruturada, Diretora/Gestora V ...................... 65 Gráfico 6 - Resposta de entrevista estruturada, Diretora/Gestora VI ..................... 66 Gráfico 7 - Resposta de entrevista estruturada, Diretora/Gestora VII .................... 66 Gráfico 8 - Gráfico geral ......................................................................................... 67 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO ........................................................................................ 13 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................. 21 2 O DIRETOR/GESTOR E SUA AUTONOMIA ............................................... 29 2.1 A gestão escolar, suas concepções e a formação continuada .............. 33 2.2 Gestão democrática ................................................................................... 34 2.3 Gestão da escola pública e políticas educacionais para formação continuada de Diretores/Gestores ............................................................ 37 3 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS ...................................................... 49 3.1 Ações de formação continuada desenvolvidas pelo Município de Regente Feijó-SP ........................................................................................ 49 3.2 Observações das gestoras sobre o processo de formação continuada .................................................................................................. 51 3.3 Ressalvas de cada encontro ..................................................................... 59 4 PONDERAÇÕES ACERCA DE POLÍTICAS EDUCACIONAIS ................... 62 4.1 Progestão como políticas públicas de formação continuada ................ 67 4.2 Progestão e a formação de Diretores/Gestores ....................................... 70 4.3 Progestão e sua contribuição para formação continuada de Diretores/Gestores do Município de Regente Feijó. ................................ 74 CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................... 78 REFERÊNCIAS ............................................................................................ 80 APÊNDICE – QUESTIONÁRIO................................................................... 86 13 APRESENTAÇÃO O sonho, o vale a Fé e o amor1. Ao nascer, encontramos um mundo pronto, com suas normas, suas divisões, seus preceitos e preconceitos, aprendemos por convenções que não nossa, onde é nosso lugar e que não é toda mesa posta que se pode sentar e comer à vontade. Aprendi em minha vida que comer farinha com rapadura e tomar água com açúcar é alimento do dia, que feijão com osso dentro e farinha é a melhor comida e quando há arroz e algum tipo de carne, um banquete. Aprendi com a perda de minha matriarca que realmente, comemos o pão que o Diabo amassou quando temos que passar de mão em mão para sobreviver. Aprendi que somos um fardo quando precisamos dos outros, que sabem que nada sabemos e que nada podemos oferecer. Para uns que desterritorializados e desfamiliarizados percorrem o mundo sem saber o seu porto, encontrar orientação para continuar é encontrar a representação de Deus na benevolência de alguém que se compadece a assumi um risco de criar, educar, orientar e dar estudo aquele que se encontrava à mercê da própria sorte. Dona Maria de Lurdes, cerradeira, ou geraizeira, nunca teve medo da vida, nem de lavar roupas o dia todo para outras pessoas, no intuito de ter o dinheiro do feijão com arroz e mesmo quando não tinha pedia, pois não deixava os filhos com fome. Andava longas distâncias sem reclamar e aproveitava de tudo que era comestível, transformava, aproveitava e nos alimentava, sua maior lição era lutar pela vida, se ainda estivesse por aqui, não teria nem lugar para sua alegria e para mim seria o maior presente de minha vida. Entre as léguas para estudar e voltar, as pernas finas e empoeiradas tinham até medo de quebrar na caminhada e nas idas e vindas da Escola do Barreiro vermelho e a Fazenda Zumba (Correntina – BA), o tempo passava. Na cidade, as mãos foram arrebentadas em fazer massa e jogar tijolo para construção. E entre vendedor de picolés, limpador de café na enxada, garçom, locutor de porta de loja, oreia seca (ajudante de pedreiro), o único caminho não esquecido, era o dos estudos. Entre altos e baixos e aos 23 anos, a alegria foi o termino do ensino médio, e na influência de poucos que buscavam o melhor, 1 Autoria própria. 14 estudei os oito meses dia e noite quando podia, o prêmio foi entrar na universidade (UNEB), mesmo tarde e aos 26 anos era uma conquista, o rumo da vida mudava. Mas como de sempre e com as mesmas pernas finas que até aqui chegaram, também tive que caminhar, as idas e vindas da universidade serviram para continuar a nadar, pois nada é fácil e sem sacrifício não há vitória. Não tinha dinheiro para o ônibus, mas tinha pernas que voavam na poeira da Serra do Mimo (Barreiras – BA) Bairro, lugar por onde passava. Foram dias de sol, de chuva, de poeira de lama, de frio e de calor. A vida dá voltas, aos 30 anos ao terminar a universidade e passar em um concurso público em Cristalina – GO, foi prova que a sorte não me beirava, mas o esforço, o sacrifício e a presença de Deus em minha vida sempre estiverem comigo de mãos dadas. Agora era terminar o probatório para fazer um mestrado, sonho que vinha durante a universidade. Nada foi tão difícil até chegar neste sonho. Somos sabotados de todas as formas e quem não tem costume com os enganos da vida é pego de surpresa. Talvez o sofrimento tenha me lapidado, a educação, honestidade, respeito, boas e sinceras amizades foram portas abertas para a vida. A escola que ministrei aulas é uma escola que já teve muitos altos e baixos, e como professor e coordenador pude perceber que, o processo de nomeação de Diretor/Gestor escolar atendia mais alguns interesses pessoas que profissionais, o que veio mudar com o tempo e a gestão passar a ser por votação, sentia que para poder contribuir com conhecimento e fundamentação careceria estudar mais, por isso fui compreender mais acerca desta área de conhecimento. Há muito e por conhecer de longas datas a Unoeste, era o sonho de estudos, entre idas e voltas para seleção, consegui ser aprovado, mais uma porta, mais um sacrifício, mas por uma causa justa, por um sonho e por aprender. Em 2018, comecei o curso de Mestrado em Educação na Unoeste, estive com os melhores e humanos professores. Todo início é difícil, mas foi muito bom, aprendi ouvindo, lendo o que podia, escrevendo e pesquisando temas e autores ainda não estudados, é claro com a orientação e exímios professores. O primeiro semestre foi muito bom, o segundo com um pouco mais de dificuldades, as questões familiares ficaram pesadas e o coração começava a dar sinal de problemas sérios, sentia dor, zonzeiras, fraqueza, todavia não achava que fosse tão grave. Neste mesmo ano quebrei o pé, o que me deixou lento nas atividades 15 até de uma disciplina que fazia na UNESP. Esse foi um terrível baque psicológico, pois tudo se juntava e cada dia adoecia mais. Mas meus professores foram mais que humanos, souberam conduzir-me a não desistir do sonho. E como não lembrar que muitas vezes até dinheiro para comer o professor Marcos dava. E meu sentimento de impotência frente a situações nunca vividas me tragava por dentro, eu queria fazer as coisas de forma certa, bem, dar orgulhos aqueles excelentes professores. Mas, eu já entrara em uma situação de abatimento interno, estive por muitas vezes no SUAP, o que me ajudou muito e por isso muito eu consegui reverter. O Vale, dias mais difíceis de minha vida Do final de 2018 para 2019, foram dias de dores em que o estômago estufava e o fígado transborda de tamanho, e muito antes os sinais de um coração cansado, abatido e quase parando já se instalara no dia a dia de uma vida que se tornava amarga no campo da emoção. O meio do ano foi como começo de uma queda que lentamente mata e o definhamento era perceptível na carne que sumia, no comer que deixava de ser um prazer e na vida que parecia perder seu gosto, uma vez que, cada conflito era uma baixa de sentido de viver. Após amargos dias e meses de dor, onde o sentimento se misturava a um profundo sentimento de morrer, a uma profunda vontade de desistir da vida. Nessa epopeia o mês de novembro e dezembro de 2018 se turvava, as dores no corpo, nos intestinos e fígado se intensificavam, a carne do corpo desaparecia, a garganta se fechava e para andar as pernas perdiam o comando, enquanto o folego, a respiração se encurtava e uma coquetel de 3.000 mg de fortes antibióticos para matar uma bactéria no intestino levou ao descompesamento do corpo, e como se seca de fome e cede, 16 kg se foram em um mês. A vida perdia cada dia o sentido, tudo ia mal, a doença matava aos poucos e meu andar era como a de um moribundo, um morto em um copo vivo, e por dentro as lágrimas tomavam conta do ser, que em longas horas sentado no quintal às vezes até uma ou duas da madrugada desejava o fim. Nestes dias olhava para as estrelas, enquanto um vento leve da noite às vezes passava para refrescar o espírito que abatido em carne e em alma queria descansar. E na imensidão das luzes do céu desejava morrer rápido, porque não podia mais 16 comer, caminhar, respirar direito, a fala sumia cada dia mais, e até um gole de água causava dor, o banho era uma tortura, pois ao me movimentar para lavar as pernas e os pés a tontura e a fraqueza do corpo chegavam de uma só vez. E quantas vezes as lágrimas caiam enquanto o chuveiro em poucos pingos de água caia sobre minha pele se misturando a tristeza e a agonia que passava o corpo. As noites não passavam nunca, mas para que também, o dia iaser quente e pior, os inchaços não deixavam comer, o cheiro de tudo era muito ruim e meu corpo era apenas antibióticos e magreza, sabia que as pessoas que olhavam para mim ao irem em casa, eram de piedade, pois sabiam que estava morrendo aos poucos e pouco se sabia o que causava tanto mal. Na amargura lembrava um poema de Manoel Bandeira que parecia ter sido escrito para mim, e eu pensava nele vivendo-o na carne. Assim se definia o poema: “Chora de manso e no íntimo... procura Curtir sem queixa o mal que te crucia: O mundo é sem piedade e até riria Da tua inconsolável amargura. [...] ”2 A vida virou de ponta cabeça, ir e voltar do hospital tinha virado rotina, tomava injeção para dor, mas duas ou três horas os efeitos voltavam e novamente estava no purgatório terrestre. A esperança de voltar ao curso de Mestrado na Unoeste ficou distante como miragem de poço de água no deserto. Preparei-me para morrer naqueles dias e entrei em contato com cada parente e amigo para dar um adeus, mas de forma que não soubessem o que se passava comigo, mas ao enviar uma foto para uma irmã, está também foi para o Professor Marcos Vinícius professor da Unoeste, este ficou assustado com aquela situação cadavérica que estava eu. No mesmo dia ligou e perguntou por que estava tão magro, ao contar para ele, o mesmo disse que iria até em casa fazer uma visita com a professora Mônica Fürkotter. No tocante a vida turbulenta já tinha ouvido muitas vezes sobre minha morte e isso me matava mais por dentro e como aço que entra na carne e penetra no sentimento ferindo sem remorso o eu, e o todo do ser. O prazer do espelho era minha crucificação, os olhos fundos, os ossos aparecendo em todo corpo e o feio de mim estava em pele e osso, as roupas como que pertencesse a outra pessoa 2 “Renúncia” por Manuel Bandeira, publicado no livro A Cinza das Horas, 1917. 17 não eram mais minhas, caiam de meu corpo, a fome era coisa que não aprecia e quando vinha não passava de um ovo e de um pedaço de batata. Dormir, não podia, doía muito, foram meses sentado à noite toda. Nestas noites, perguntava a Deus porque estava sofrendo tanto e em todos os sentidos, muito delas ia para fora as 3 da madrugada e pedia a Deus para ter uma morte logo, para não sofrer mais, e se não tivesse cura, que ele tirasse de mim qualquer medo de sair desse mundo, pedia para me dar forças para desistir da vida, e pensava em uma hora consegui dormir e não mais abrir os olhos, não mais existir neste mundo. Nestes pensamentos o único companheiro era Gonçalves Dias, que me chamava para uma conversa em que apenas eu e ele, naquela noite moribunda destilávamos palavras escuras. “É bela à noite, quando grave estende Sobre a terra dormente o negro manto De brilhantes estrelas recamado; Mas nessa escuridão, nesse silêncio que ela consigo traz, há um quê de horrível que espanta e desespera e geme n’alma; Um quê de triste que nos lembra a morte! [...]”3 Minha primeira formação foi em Letras Vernáculas pela Universidade do estado da Bahia, tinha ministrado aulas de literatura muitas vezes. E eu mesmo na dor da noite me indagava; por que eu nessa inebriante noite que escraviza meus olhos para não dormir sou logo engolido para só ficar me observando como ave que espera o fim de um animal sedento em um dia de seca ardente? Além de doente também estou louco, mas nem dava para gritar, a voz não saia, apenas como rasga mortalha, grunhindo gemidos para que o vento varresse como folhas. Pensava muito em meus filhos em vê-los antes de morrer, todavia, “sabia que morreria sem isso acontecer”, pois a razão me dizia que aqueles eram meus últimos dias. Não terminaria o mestrado na Unoeste que tanto queria e que tanta dor passei para conseguir passar na seleção, quanta questão familiar teve que enfrentar para realizar esse objetivo. Já tinha passado por muitas dificuldades na vida, mas fiz minha escolha em ser diferente, em fazer as coisas de modo diferente e sem prejudicar outras pessoas, na verdade Deus esteve me carregado desde os últimos suspiros de minha mãe. Beber água com açúcar pra matar a 3 “A Tarde” por Gonçalves Dias, publicado no livro Primeiros Cantos, 1846. https://pt.wikisource.org/wiki/Primeiros_Cantos 18 fome, levar umas boas puxadas de fedegoso e galho de goiaba nas costas só me fizeram saber o meu caminho e meu lugar neste mundo, o que é meu e o que não, e, a saber, que as surras do mundo é que são as mais doidas e sem voltas, pois todas as coisas podem até serem licitas, mas nem todas nos convêm. Fé e esperança, percepções do professor Marco e Mônica Um dia pela manhã apareceu o professor Marcos e a Professora Mônica, professores do Mestrado da Unoeste, trouxeram muitos alimentos, e muitas frutas. Jamais imaginaria que pessoas de tão alto gabarito fossem tão humanas quantos estas, mas em outros momentos da vida os mesmos também tiveram na casa de dois amigos idosos, seu Arkibaldo e Dona Adenilde, estiveram lá para ajudar, também estava doente nessa época, mas não da forma que fiquei em 2019. Com a mesma gentileza e como embaixadores da vida, com alegria e ao mesmo tempo com semblantes de preocupação, ficaram preocupados com aquela aparência e depois de uma boa conversa e orientações foram embora. Esses professores junto a outros, que nos abraçaram em momentos de dor, nos fez lembrar do amor supremo de Deus por nós, nos enviando pessoas amorosas para nos amparar com amor, por isso está escrito no capítulo 13 do livro de Coríntios, v.15, “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior deles é o amor”. No outro dia a professora perguntou se eu podia ir ao Hospital para ser avaliado por um bom médico, respondi que sim. Lá fomos atendidos pelo Dr. Bressa, que de prontidão viu que havia algo errado, pois era anormal uma pessoa emagrecer 16 kg e um só mês e continuar a perder peso, fui internado na EMATO, pois as desconfianças era que estava com câncer de esôfago, devido às dores e os inchaços, não sabia o que era. Foram muitos exames, pesquisas médicas e em poucos dias o Dr. Bressa e sua esposa Rebeca, descobriram que o coração estava inchado e era o que estava afetando todos os órgãos do corpo. Após vários exames fui transferido para a Cardiologia e fiquei aos cuidados dos médicos Dr. Fabio e Dr. Michel Desafios da internação, as dores do mundo, no sentimento e na carne. 19 O Amor e a oração de todos4 Três meses de internação, o primeiro mês sentia o corpo sucumbir e quem pesava 83 chegava aos 59 kg na internação. E naquela descrença de que o fim ia ao menos ser digno me deixava menos deprimido, pois muitas vezes enquanto o corpo cambaleava, minha esposa que me segurava para ir até o banheiro e também para tomar banho, pois num esforço sem limites, aguentava meu corpo que tinha perdido quase o comando, já que, a fraqueza havia se apoderado do corpo. Ela esteve entre as correrias para emergência e a UTI, seus olhos tristes e sua inquietude mostravam que as lágrimas também a cortava por dentro e com demonstração de força enquanto aparelhos eram ligados ao meu corpo, assim que podia, ela acenava com a mão, na intenção de dizer, eu estou aqui, te esperando, vai dar tudo certo e permaneceu todos os dias e todas as noites, lutando com bravura para não sair de perto de mim. Nesse tempo, as veias de tantos acessos para tirar ou para aplicar injeções, já nem se via e o braço muito fino inchava por causa da Dobutamina, moles e fundos, os olhos apenas tinham como vista da vida, as árvores, pessoas que eu via da janela do quarto onde estava internado. As visitas do Professor Marcos e Professora Mônica me alentavam e me dava forças para aguentar mais um dia, eles levaram medicamentosque não podia comprar e também roupas e alimentos. O Professor Adilson pró-reitor da Unoeste e sua esposa Andreia, apareceram como que anjos enviados por Deus em nossas vidas, iam sempre ao HR, nos supriam de tudo que necessitamos e em nossa casa nada faltou, até depois de sair do HR, muito nos acudiu em tudo, deixaram conosco um pedaço de seus corações. Da Universidade, todos os professores do Mestrado e outros ajudaram e fizeram corrente de oração, e aqueles que ouviram da situação ajudavam de alguma forma. Os professores (a) Calu, Marcos Vinicius, Monica Fürkotter, Crstiano Di Giorgi, Danielle Santos, Maria Elisa, Camélia Santina, Zizi Trevizan, Erika Porceli, Carmem Lúcia, Raimunda Abou, Sidinei de Oliveira, Elisa Tomoe Moriya, Regilson Maciel, Ina, sua filha e seu irmão, Seu Arkibalde e D Adenilde, meu Tio pai de Criação, que vendo sempre o melhor me fazia criar boas expectativas em tudo, e com seu grande coração, sua forte emoção, me disse 4 Autoria própria. 20 muitas vezes, estou aqui, sempre esteve e está. Enfim com tanto amor de todos meus professores, esposa, parentes e amigos, consegui enfrentar a batalha pela vida e após implante de CDI – Cárdio-desfibrilado-interno fui para casa. Minha pesquisa de campo foi dolorida, pois ao sair muitas vezes do carro e entrar o fígado e o intestino inchava, e muitas vezes tinha que parar no caminho para descansar, entretanto, minha esposa me acompanhou em todas as visitas. Assim, aos poucos fui retomando o Mestrado. Nisso e como um grande orientador o professor Cristiano, sempre que podia, me levava da Unoeste Campus ll ao terminal de ônibus de Presidente Prudente, me fez um grande bem e me incentivou ao máximo, e nesta caminhada, seu coração se modificou, e uma percepção de olhar para o outro com olhos de misericórdia se via em sua expressão. Tive que sair antes do prazo de terminar a Dissertação da Unoeste de Presidente Prudente, uma vez que, os medicamentos foram perdendo o efeito e não fazendo o mesmo efeito e o médico Rafael Fuzo do HR, indicou um transplante, em um Hospital ao encontrar o Dr. Pierini, que implantou o CDI em mim, indicou um médico, Marcelo Ulhoa, ex-aluno do curso de medicina da Unoeste e ex-aluno do professor, HFA – Hospital das Forças Armadas em Brasília – DF. Hoje, depois de enfrentar muitas burocracias, estou na fila, com 15% de frequência cardíaca, esperando um transplante de coração. Aqui meus sinceros agradecimentos a todos que me abraçaram na Unoeste, não me deixando perecer na hora mais amarga da vida. Obrigado meus amigos da Unoeste e eternos professores de minha vida, que me conduziram no caminho do coração, pois encontrei Deus em suas atitudes, uma vez que seguraram em minha mão ao passar pelo vale, ao fortalecer minha Fé e por me mostrarem que a verdadeira humanidade ao outro, está no amor. 21 1 INTRODUÇÃO O século XX foi marcado por muitas mudanças na política educacional. Neste período ocorreu uma maior participação da sociedade, isso, desde o Manifesto dos Pioneiros da Educação de 1932, quando se cobrou maior autonomia administrativa, econômica e técnica da escola. Esse ideal permaneceu nos anos de 1980, no intuito de se almejar maiores conquistas na gestão democrática da escola pública, princípio presente no inciso VI do artigo 206 da Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988) e, posteriormente reafirmado no inciso VIII do artigo 3º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) nº 9394/96 (BRASIL, 1996). Segundo Castro (2007), os professores do primário tinham sua formação em Escolas Normais de nível médio, enquanto os diretores eram escolhidos entre os professores com mais experiência ou indicados por algum partido ou político. A formação de administradores, planejadores, inspetores, supervisores e demais especialistas educacionais atendia à Lei nº 5.692/71, artigo 33, que indicava a respectiva formação em curso de nível superior, de duração plena ou curta, ou em pós-graduação. Dava-se maior importância ao curso de Pedagogia, qualificação indispensável para o cargo de diretor de escola e, nesse ínterim, o curso de Pedagogia era valorizado, uma vez que privilegiava o desenvolvimento de professores e administradores escolares (CASTRO, 2007). No tocante ao curso de Pedagogia, este permanecia oferecendo as capacitações tradicionais: Supervisão Pedagógica, Administração Escolar, Orientação Educacional e Magistério. (CASTRO, 2007). A história do processo de escolha democrática de dirigentes escolares começou, no Brasil, na década de 1960, quando, nos colégios estaduais do Rio Grande do Sul, foram realizadas votações para diretor a partir das listas tríplices (AMARAL; MANN, 2015). Quando se discute a gestão democrática no Brasil, é preciso lembrar que até a Constituição de 1988, a escolha de diretores era feita majoritariamente por meio de indicação política, uma forma de manter a comunidade escolar no cabresto, visando à permanência de algum político no cargo. Essa forma de clientelismo inibia a participação da comunidade escolar. As decisões eram verticalizadas, o que impedia os diretores de terem autonomia no fazer escolar. 22 Após a Constituição de 1988, duas outras formas de escolhas de diretores, antes de 1988 muito minoritárias, passam a se fazer crescentemente presentes: o concurso público e a eleição de diretores pela comunidade escolar. Ressalte-se, no entanto, que a indicação política de diretores não desapareceu inteiramente até os dias de hoje, tendo como camadas de provimento ao cargo de Diretor/Gestor escolar nas escolas públicas: I) nomeação, II) concurso e III) eleição (PARO,1998). A gestão democrática atende aos princípios e determinações da LDBEN nº 9.394/96, e um desses princípios é a autonomia pedagógica, administrativa e da gestão financeira que a escola deve ter. Isso influencia nos resultados do trabalho do gestor escolar numa perspectiva coletiva, razão pela qual é significativa a preocupação com o desenvolvimento dos dirigentes escolares (BRASIL, 1996). Paro (2010) comenta que há duas vertentes acerca da formação do diretor de escola. A primeira corresponde à posição tradicional, que perdura desde os trabalhos de José Querino Ribeiro 5 (1978 apud PARO, 2010), orientando a formação técnica específica para o dirigente escolar, a partir do pressuposto de que há diferenças na prática específica do professor, entendido como um educador, e do diretor, entendido muito mais como um administrador do que como educador. A posição oposta defende que a formação do diretor é essencialmente educativa, sendo que o pouco de específico ou técnico existente não exige uma formação regular diferenciada. Paro (2009) defende a posição de que todos os educadores são potenciais candidatos à direção escolar e isso não justifica a diferença na formação. Libâneo (2013, p. 96) afirma que o diretor escolar: [...] encarna um sujeito profissional com informações e habilidades para desempenhar liderança, iniciativa, capaz de desenvolver trabalhos em grupos e assegurar a participação da comunidade escolar nos processos de tomada de decisões e resoluções de problemas. É importante destacar que, no Brasil, são adotados vários tipos de políticas para selecionar o diretor escolar, desde as organizadas por programas do 5 RIBEIRO, José Querino. Ensaio de uma teoria da administração escolar. Edição rev., anotada e ampl. por João Gualberto de Carvalho Meneses. São Paulo: Saraiva, 1978. 23 Ministério da Educação (MEC), como algumas produzidas pelos próprios municípios ou estados. Segundo Paro (2010), há três modos de escolha de diretores escolares para atender às políticas de gestão educacional municipal ou estadual: a nomeação,o concurso público e a eleição pela comunidade. Paro (2010) destaca que a nomeação é feita por critério político pelo Secretário de Educação, ou seja, o chefe do Poder Executivo, que escolhe a pessoa de sua confiança para ocupar o cargo proposto. Não é vista como uma alternativa adequada, visto se tratar de um cargo político, que atende ao clientelismo do partido, de modo que o candidato não é escolhido por sua competência, experiência e conhecimento na gestão da educação, mas por afinidade ao partido. Geralmente, a prerrogativa para esse ato é a argumentação de que a lei garante a escolha de seus representantes. No entanto, muitos diretores não correspondem à gestão das escolas, mas a dos grupos privados aos quais estão submetidos. Amaral e Mann (2015), corroborando com Paro (2009), ressaltam que a indicação política de um dirigente escolar pressupõe que a direção da escola funcione como um cargo político de confiança do governante municipal ou estadual, como um meio de compensação no jogo eleitoral. Nesse caso, a figura do diretor aproxima-se a de um governador ou prefeito em menor escala, visto que precisa chefiar uma repartição pública. Para o mesmo autor, a abrangência do concurso público como critério para a seleção dos administradores escolares implica o entendimento da direção escolar como um cargo técnico, cujo ocupante o exercerá permanentemente. Na concepção de Paro (2010), a escolha do diretor escolar por meio de concurso de provas e títulos se assenta nos seguintes pressupostos: trata-se de um processo imparcial que visa tão somente uma seleção técnica, não favorece ninguém, apenas seleciona de maneira objetiva aqueles que têm os conhecimentos exigidos. Porém, não é garantia de que será um bom gestor, apesar do caráter alegadamente democrático, tendo em vista que, ao reconhecer que o aprovado ao cargo de diretor selecione a escola, não proporciona a mesma prática democrática aos trabalhadores da escola, ou seja, a liberdade para escolherem os seus diretores. 24 Essa forma de concurso para gestor escolar é muito comum no estado de São Paulo. A prática da realização de concurso inibe algumas atividades políticas nas instituições públicas; entretanto, conforme salienta o autor, uma das alternativas com menos vícios que as outras opções é a eleição, que melhor contribui para a democratização dos processos educacionais (PARO, 2010). Diante das perspectivas supracitadas, a pesquisa parte da hipótese de que, por meio da análise das necessidades formativas dos gestores escolares, será possível estruturar uma compreensão sobre os processos formativos que lhes foram oferecidos e em que medida estes atendem às suas necessidades e às políticas educacionais. Conforme Di Giorgi et al. (2010), o levantamento das necessidades formativas de professores e gestores é importante, uma vez que possibilita atender às suas expectativas, pautadas em suas vivências no cotidiano escolar, onde desenvolvem a prática educacional. A análise de necessidades formativas vem sendo utilizada como instrumento de planejamento das ações educacionais desde o final da década de 1960. Por meio desta, pode-se auxiliar a estruturação e a organização de processos formativos, respondendo com mais eficácia às exigências sociais e políticas (DI GIORGI et al., 2010). Nesta pesquisa, parte-se da premissa de que, por meio do levantamento das necessidades formativas, haverá maior clareza da aplicabilidade das políticas educacionais, fornecendo informações para a definição de conteúdo e atividades formativas dos gestores escolares. No decorrer da sua experiência profissional, o pesquisador tem encontrado desafios que somente puderam ser sanados pelo conhecimento e aperfeiçoamento diário do trabalho pedagógico. Durante o tempo em que atuou como educador ou coordenador, surgiram muitas inquietações, sobretudo relacionadas com a formação continuada para diretores de escola. A vivência na Escola Municipal Souza Lima, na região de Campos Lindos de Cristalina, Bairro Mansões Marajó, despertou a necessidade de analisar a formação do gestor escolar. Portanto, a problemática assumida foi: Quais foram os processos formativos oferecidos aos gestores e em que medida os projetos de formação continuada oferecidos aos diretores de escolas de Regente Feijó correspondem às suas necessidades formativas e como refletem em sua prática? 25 Diante de tais aspectos, assumiu-se como objetivo geral: verificar em que medida as atividades de formação continuada oferecidas aos diretores de escola do município de Regente Feijó-SP correspondem às suas necessidades formativas. E como objetivos específicos assumiram-se: identificar documentos, projetos e propostas da Secretaria de Educação do município de Regente Feijó- SP, voltados à formação continuada de diretores de escola, no período de 2009 a 2018. Identificar os mecanismos de seleção e nomeação dos diretores de escola do município de Regente Feijó-SP. Conhecer as práticas de formação continuada para diretores de escola oferecidas no município de Regente Feijó-SP. 1.1 Metodologia A pesquisa é de abordagem qualitativa e adota essencialmente dois procedimentos metodológicos no intuito de obter respostas aos objetivos propostos para o estudo: a análise documental e a entrevista semiestruturada. Foi desenvolvida na rede educacional do município de Regente Feijó, cidade do interior da microrregião de São Paulo, com, aproximadamente, 20.124 mil habitantes em 20186. Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2015, os alunos dos anos iniciais da rede pública da cidade tiveram nota média de 6.3 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Para os alunos dos anos finais, essa nota foi de 5.3. Na comparação com cidades do mesmo Estado, a nota dos alunos nos anos iniciais colocava este município na posição 255, entre as 645. Considerando a nota dos alunos dos anos finais, a posição passava a 90 de 645. A taxa de escolarização (para pessoas de 6 a 14 anos) registrada em 2010 foi de 98.8. Este número posicionava o município em 138, dentre as cidades do estado, e na posição 834 de 5570, dentre as cidades do Brasil. Os dados estatísticos disponibilizados pelo município7, indicam que, em Regente Feijó, há 13 escolas de ensino fundamental, com um total de 160 docentes. 6 Dados estatísticos disponibilizados pela Câmara Municipal de Regente Feijó – SP. Disponível em: http://camararegentefeijo.sp.gov.br/conteudo/Institucional/8 7 Idem. 26 O Município de Regente Feijó oferece campo para pesquisa deste porte, visto que comporta um ambiente propício à averiguação de políticas educacionais de formação de diretores/gestor escolar e oferecendo elementos para a pesquisa. Para a pesquisa documental foram consultados documentos oficiais, sendo: a Constituição Federal de 1988 (CF/88), artigos que incumbem a Educação Escolar, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 (LDBEN/96), Plano Nacional de Educação (2014-2024), as Diretrizes do Programa Nacional Escola de Gestores da Educação Básica (PNEGEB) e as Diretrizes do Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares e Legislação do Município de Regente Feijó. Acerca da análise documental, Piana (2009, p. 122) enfatiza que: [...] a pesquisa documental apresenta algumas vantagens por ser “fonte rica e estável de dados”: não implica altos custos, não exige contato com os sujeitos da pesquisa e possibilita uma leitura aprofundada das fontes. Ela é semelhante à pesquisa bibliográfica, segundo o autor, e o que as diferencia é a natureza das fontes, sendo material que ainda não recebeu tratamento analítico, ou que ainda pode ser reelaborado de acordo com os objetivos da pesquisa. Acrescenta-se também, nesta averiguação,a entrevista semiestruturada. Inicialmente, as entrevistas seriam realizadas com 10 gestores/as, todavia devido às dificuldades de locomoção e sobretudo diante de problemas de saúde, foram entrevistadas sete gestoras, mediante o seguinte critério de inclusão: aquelas que mais atuaram no período de 2009 a 2018. Vale apontar que algumas escolas do município de Regente Feijó, estão afastadas até 15 km, do perímetro urbano. Todo esse processo dificultou as entrevistas realizadas com os gestores/as, sobretudo diante de compromissos de última hora ou de imprevistos que ocorrem na dinâmica escolar. O roteiro de entrevista foi construído, tendo como base o levantamento das políticas educacionais de formação dos gestores, estruturadas e executadas pelo município e o foco estará nas necessidades formativas dos gestores, nos processos formativos que lhes foram oferecidos e em que medida estes atendem àquelas. Segundo Triviños (1987, p. 146): 27 Podemos entender por entrevista semiestruturada, em geral, aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses, que interessam à pesquisa, e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do informante. Desta maneira, o informante, seguindo espontaneamente a linha de seu pensamento e de suas experiências dentro do foco principal colocado pelo investigador, começa a participar na elaboração do conteúdo da pesquisa. Nesse sentido, o roteiro (Apêndice) abordou essencialmente o grau de satisfação dos diretores de escola com os processos formativos oferecidos, considerando em que medida estes processos atenderam às suas necessidades formativas, e se os mesmos creem que estes processos os ajudaram a melhorar a sua prática. A análise foi subsidiada pela triangulação de dados e os eixos analíticos foram estruturados a partir das teorias norteadoras da pesquisa, dos documentos e dos dados obtidos a partir das entrevistas. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Oeste Paulista, tendo o número CAAE: XXXX. Termos de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) foram entregues para todas as participantes do estudo. O procedimento qualitativo abrange dois procedimentos para se atingir o objetivo principal: 1- pesquisa documental sobre as políticas educacionais e atividades de formação oferecidas pelo Município; e 2- entrevistas semiestruturadas com gestores sobre a efetividade das mesmas. Foram entrevistadas sete gestoras, sendo que o critério de inclusão foi: escolha daqueles que permaneceram mais tempo como diretores de escolas da rede municipal, no período de 2009 a 2018. Como resultado esperava-se a caracterização das necessidades formativas dos gestores, nos processos formativos que lhes foram oferecidos e em que medida atenderam a estes. O referencial teórico compôs-se de proposições que tomam a instituição escolar como meio de estudos com foco em seus diretores/gestores, como as políticas públicas de formação para este público. Embora o estudo tenha demonstrado que o Município de Regente Feijó tem realizados políticas de formação para diretores/gestores, materializados em suas práticas de gestão escolar, prevalece nesta esfera, um caráter fragmentado 28 de ações, compostos de melhorias e anacronismos. A pesquisa apontou que no tocante as Políticas Educacionais há certa cumplicidade entre Direção Municipal de Ensino e gestão escolar, corroborando com limites e impossibilidades do trabalho do Diretor/Gestor escolar, uma vez que na expressão de suas falas também encontramos possibilidades latentes da construção de meios, opções que transpõem os limites impostos pelo gerencialíssimos, numa constante luta por melhoria continua, pois além de vozes e sujeitos envolvidos na escola, esta, também carrega o nome da Diretora/ Gestora. Na primeira seção deste trabalho, parte introdutória, iniciamos com as mudanças na gestão educacionais a partir do século XX, perpassando os Manifestos dos Pioneiros da Educação de 1932, a Constituição de 1988, a LDB de 1996. As Concepções de administradores, planejadores, inspetores, supervisores e demais especialistas educacionais atendia à Lei nº 5.692/71, artigo 33, que indicava a respectiva formação em curso de nível superior, de duração plena ou curta, ou em pós-graduação. Processo de escolha democrática de dirigentes escolares, nesse caminho a pesquisa parte da hipótese de que, por meio da análise das necessidades formativas dos gestores escolares, será possível estruturar uma compreensão sobre os processos formativos que lhes foram oferecidos. Na segunda seção é feita a contextualização, quando traçamos um panorama da década de 1990 ao novo governo de Bolsonaro, neste percurso falamos das políticas públicas e políticas educacionais para formação continuada de Diretor/Gestor escolar, como as dimensões técnica, política e pedagógica da escola. Em nossa terceira seção passamos pelas memórias das políticas educacionais para formação continuada em Regente Feijó, tecemos reflexões acerca de políticas educacionais possibilitada pelo estudo das correlações e indicadores educacionais que funcionam como resultados de ações educacionais e traz contribuição proeminente para formação dos gestores. Por fim passamos a as análises de questões respondidas pelas Diretoras/Gestoras acerca das políticas públicas acerca da formação continuada ofertadas ou não pelos municípios, neste momento trazemos também os dados referentes a pesquisa. 29 2 O DIRETOR/GESTOR E SUA AUTONOMIA Há muitas controvérsias entre os conceitos de diretor, administrador e gestor escolar; todavia, muitos utilizam o atual termo gestor, ao invés de diretor. Estas concepções foram disputadas por duas correntes, uma defende que a administração escolar decorreria da Teoria Geral da Administração, por isso não existia diferença em administrar uma escola ou administrar uma empresa, no entanto, outra corrente defendia a especificidade da administração escolar. (RUSSO, 2004). E, ao longo do século XX, os termos Administração/Gestão Escolar, passaram por dois períodos de curvatura. O primeiro procurou acentuar a atividade como puramente técnica, com destaque para o período de 1960 até 1970. A partir de 1980, a concepção de Gestão Escolar passou a ser vista sob diversas óticas políticas e a diferentes formulações de políticas educacionais, prezando pelas formas de organização como prática humana de formação de sujeitos históricos, ao priorizar a solidariedade e a cooperação fundamentada nos princípios do diálogo e das relações igualitárias (RUSSO, 2004). Antes, a estrutura da escola era hierarquizada, verticalizada e rígida; o diretor ordenava “com mãos de ferro”, sendo considerado como uma autoridade do Estado; o currículo era fechado e ao diretor cabiam todas as decisões. Com o tempo, podem-se observar lentas mudanças, e uma das mais importantes deu-se com a promulgação da Constituição de 1988 que, em seu art. 206, definiu a forma de gestão da educação brasileira, sendo esta democrática e participativa, atestado em seu inciso III. (BRASIL, 1988). Na LDBEN – Lei nº 9394/96, art. 3º, inciso VIII, verifica-se o mesmo entendimento e na década de 1990, foram intensificados os debates e reformulações que indicaram novos contornos no desenvolvimento de profissionais da educação (BRASIL, 1996). Nesse mesmo andamento, foi fundada a Comissão Nacional de Reformulação dos Cursos de Formação de Educadores (CONARFE). Em 1990, a comissão mudou para Associação Nacional pela Formação do Profissional da Educação (ANFOPE) que visa uma política completa voltada para a formação dos profissionais da educação. Considerando o desenvolvimento primeiro, as qualidades de trabalho, salário, carreira e formação continuada, a30 ANFOPE (2000, p. 37) define gestão democrática como instrumento de luta contra a gestão autoritária na escola. O profissional da educação deve conhecer e vivenciar formas de gestão democrática, entendida como superação do conhecimento de administração enquanto técnica, na direção de apreender. Articula-se a estas acepções, a indicação de que “a formação de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em cursos de graduação e pós-graduação” (BRASIL, 1996, art. 64). Na visão de Carvalho (2009), as reformas educacionais, ao destacarem os novos modelos de gestão, conferem grande evidência à escola, uma vez que desenvolvem melhor o seu trabalho quando estão mais perto da comunidade local, difundindo conhecimento acerca de seu desempenho e compartilhando decisões e responsabilidades. Para tanto, é necessário que a instituição escolar gerida tenha autonomia para que seu gestor possa realizar atividades inerentes ao contexto escolar, atendendo às instâncias do lugar. Da mesma forma, é imperativo saber que há princípios que norteiam nossa caminhada no palco da educação. Sem saberes que movem o ser em seu espaço físico e intelectual e que o transforma, fica difícil provocar mudanças no trabalho, mas também é complexo transformar o meio se não há autonomia por parte dos atores sociais. As discussões acerca das políticas educacionais articulam-se em muitos processos e não poderão negligenciar os procedimentos relacionados à gestão, organização e cultura que, intrínsecos à escola, têm sua seriedade. Dourado (2007) ressalta que é essencial não perdermos o foco no andar da educação que é mediado pelo contexto sociocultural e pelas categorias em que se concretiza o ensino-aprendizagem. Por isso, a escola não pode se transformar em um campo burocrático profissional, mas procurar meios que favoreçam uma organização que preze pela autonomia e aperfeiçoamento diário de suas atividades internas e externas. As políticas educacionais para formação de diretores devem responder às necessidades de diversos grupos sociais por meio de instrumentos que possibilitem o alcance dos objetivos educacionais. Segundo Abrucio (2016), as melhorias são evidentes, mas ainda há muitas dificuldades a deliberar. E uma 31 série de atos se fazem imprescindíveis para somar à qualidade e a igualdade na educação brasileira, de modo a avalizar o direito à educação para todos. Nesse sentido, entende-se por qualidade não apenas a melhor atuação e exercício dos educandos, mas a metodologia que cria as classes (recursos financeiros, humanos, insumos, monitoramento/estimativa, organização do aparelho e informação igualitária) para a melhoria cognitiva e emocional dos cidadãos, dos estudantes, em específico os da escola pública. Por meio da formação continuada e humanizada que será reivindicada maior autonomia pela direção escolar que, na maioria das vezes, segue apenas orientações verticalizadas, sem qualquer observância ao contexto em que se encontra a escola. O gestor também é um educador e a autonomia deste é um dos pilares para que se tenha o mínimo de liberdade para criar estratégias laborais, pautadas nos saberes acumulados ao longo do tempo, e que o gestor, em sua disposição pedagógica, organiza para o discente, instrumentos que competem para a sua capacidade e autonomia. Enquanto atributo de ocupação docente, a autonomia profissional está voltada não apenas para a sala de aula, já que esta, se define também por sua inspiração e não apenas por sua materialidade, conforme destaca Contreras (2012). As bibliografias atuais e as recentes pesquisas voltadas à gestão escolar e educacional como Abrucio (2016), Amaral e Mann (2015), Brasil (1996), Castro (2007), Contreras (2012), Carvalho (2009), Dourado e Duarte (2001), Dourado (2007) Di Giorgi et al. (2010), Fortunati (2007), Fonseca (2000), Paro (1998, 2000, 2009, 2010), Freire (1987, 1993, 1996, 2001), Gatti, Barreto e André (2011), Gatti (2008), Jesus (2004) Libâneo (2004, 2013), Lück (2000, 2007, 2009, 2011), Piana (2009), Placco (2012), Prado (2012), Saviani (2007, 2018), Triviños (1987), César (2016), Ferraz (2012), Zander e Tavares (2013) sugerem uma nova postura de desempenho do gestor de escola - seja ele diretor, secretário, assistente de direção, supervisor, coordenador pedagógico, orientador educacional ou inspetor, voltadas aos princípios fundamentais e complementares da prática de gestão escolar previstas na LDB - Lei nº 9.394/96 (BRASIL, 1996). Paro (2000) concebe a gestão como parte que integram a teoria e a prática, campos nascentes que, por sua vez, se articulam aos esforços humanos na instituição. Ainda, argumenta que este campo de políticas educacionais, 32 embora recente e com indefinições devido às crises paradigmáticas contemporâneas tem dialogado na perspectiva de que haja mudanças e significativas melhorias com relação à formação de gestores, com destaque para a sua autonomia no processo de fazer escolar. Entende-se que, para uma educação de qualidade, o elemento principal é o professor. Não há educação de qualidade sem educador de qualidade e este encontra-se em processo contínuo de aprendizagem (DI GIORGI et al., 2010). Desse modo, a escola é chamada a refletir acerca das mudanças nas reformas educacionais que buscam dar conta de novos desafios, procurando, assim, conferir qualidade à escola pública. É importante destacar que, nessa busca constante por qualidade e autonomia, a instituição de ensino deve funcionar com a participação de todos, principalmente no que diz respeito às oportunidades de deliberações por meio de projetos, do projeto político pedagógico e reuniões organizadas junto à comunidade escolar. Assim, consideram-se os ensinamentos de que a escola é de todos; nela, deve haver autonomia do educador. Para Oliveira (2010), são muitas as mudanças pelas quais passam o gestor escolar e os docentes: as exigências e responsabilidades em mediar o conhecimento aos pequenos discentes são maiores e o efeito disso é que sua principal função, o ensino, fica relegada em segundo plano, de modo que os valores culturais passados ou reproduzidos serão de acordo com a ideologia que rodeia o sistema de ensino. O atual contexto oprime e obriga o docente a ministrar aulas em vários turnos, em condições adversas ao seu exercício, comprometendo a efetividade em suas práxis pedagógica. Ante as várias funções na escola pública, muitas vezes tem que assumir exigências para os quais não foi preparado: agente público, assistente social, enfermeiro, psicólogo, entre outras. Isso também requer do Diretor/Gestor posturas condizentes com as situações enfrentadas pelos professores no dia a dia. A escola sofre transformações em sua estrutura. A atual família e sociedade exigem da instituição e de seus professores cada vez mais, e essa responsabilidade tem deixado muitos gestores e professores sem energia e tempo para o desempenho de suas funções. Também a burocratização da função educativa retira dos gestores e educadores tempo para que leiam, preparem as 33 aulas e produzam materiais a partir de suas experiências que se direcionam a uma identificação de seu código e imagem profissional. O gestor - que também é docente - precisa ter tempo para pesquisar, uma vez que não existem gestão e ensino sem pesquisa. Para que haja questionamento, necessita-se de auto indagação, razão pela qual o estudo serve também para constatar e intervir, pois, na intervenção, aprendem o outro e eu. A pesquisa serve para conhecer o que não é conhecido (FREIRE, 1996). 2.1 A gestão escolar, suas concepções e a formação continuada A concepção de gestão escolar supera e relativiza o conceito de administração escolar. Trata-se de um significado mais abrangente, democráticoe transformador que percebe a escola como um espaço de conflitos, relações interpessoais, emergência e alternância de lideranças, de negociação entre interesses. De tal modo, Libâneo (2004) argumenta que toda escola precisa de uma estrutura organizada, geralmente prevista no regimento interno. No entanto, a estrutura organizacional para a transformação social tem abrangido vários entendimentos sobre a gestão educacional: em se tratando da expressão “gestão educacional”, Lück (2007) a designa como ação de dirigentes em substituição à administração educacional, o que representa um novo paradigma e dinamização dialética no contexto interno e externo da escola. A gestão participativa só se fundamenta quando há a participação da comunidade escolar nas decisões da instituição. No entanto, há fatores socioeconômicos que mudam a postura da gestão escolar por falta de pessoas com informação ou escolarizadas para participarem do processo, sendo que, para Libâneo (2004), os conselhos de classe e escolares são os únicos espaços em que algumas pessoas da comunidade participam. Contudo, gestão participativa é liderar sem medo, organizar, pedir ajuda, motivar a equipe de educadores, comunicar e coordenar os processos e socializar docentes e discentes que chegam ao espaço escolar, além de pais da comunidade escolar. É dirigir e coordenar com competência em saber fazer, como define Libâneo (2004), cuidar para que as ações se concretizem e que as decisões sejam tomadas coletivamente com a participação da comunidade e da escola. 34 A participação interna está relacionada à política de “boa vizinhança”, à clareza dos objetivos, postura, conhecimento, respeito, honestidade, ética e moral da gestão. Acerca disso, Lück (2011) destaca que este aspecto é solidário, pois manifesta reconhecimento de cada profissional em sua reciprocidade e trocas de habilidades. Ainda assevera a autora, que, dentro de uma instituição, cada um tem desejos e possui uma vida fora do ambiente educacional. A formação continuada é necessária para complementar à formação inicial, condição imprescindível para maturação e profissionalização dos gestores, visto que nenhuma escola vai para frente, transforma-se ou se desenvolve se o seu gestor não tiver habilidades para dirigir o todo escolar. A escola atual tem vivenciado grandes transformações culturais, que atravessam ordens econômicas, políticas, culturais e atingem os mais diversos sujeitos (OLIVEIRA, 2008). As questões que permeiam um gestor são de muitas ordens, no entanto, as formações calcadas nos conhecimentos práticos de gestão humana, pedagógica e social diferenciam o trabalho na instituição de ensino. Sua legalidade, fundamentada no diálogo e articulação moral no que concerne aos processos decisórios de escolha e de ação, é fator de mudança. A escola é uma instituição que precisa de pessoas competentes técnica, teórica e humanamente no fazer pedagógico. E como aditado, formação pedagógica é o principal meio para que o gestor desempenhe seu trabalho com eficiência. Além do saber e do saber fazer, suas ações devem ser exemplos e justificar o discurso e a visão da direção. Caso contrário, tornar-se-á uma gestão míope, reducionista em organização socioeducacional. Para Libâneo (2004), torna-se imprescindível um ambiente adequado, que facilite a integração da cultura favorável às mudanças e participação da equipe escolar. Jesus (2004) destaca a formação continuada ou contínua como uma oportunidade para o trabalho em equipe: a cooperação deve ser orientada para a resolução de problemas comuns para além do acréscimo de capacidades profissionais, em conformidade com os objetivos de cada ação. 2.2 Gestão democrática Várias são as concepções de gestão, como também os seus modelos, de modo que, a gestão democrática e seus princípios estão ligados à administração, 35 enquanto atividade racional voltada à realização de trabalhos necessários à vida humana, presente em todos os tipos de instituições. Fortunati (2007) realça que a gestão democrática atende aos princípios do artigo 206 da Constituição Federal de 1988, especificando o pleno desenvolvimento da pessoa - direito do cidadão previsto no artigo 205 -, o que marca também o dever do Estado. Tais princípios ficarão mutilados, caso não sejam efetivados em práticas reais no sistema e no chão da escola. É salientado, que a gestão escolar é democrática, participativa, humana, social e atende a uma gama de questões sociais. “O diretor não é um representante oficial do Estado, não está para impor ordens”, empurrar de goela abaixo suas burocracias sem reflexão e deliberações do corpo escolar, mesmo porque, o educador é aquele que educa, que disciplina, não pode a minoria submeter-se à maioria e as oprimirem, dividi-las e mantê-las assim, do mesmo modo como não pode a manipulação das elites sobrepor sua força sob o contexto escolar (FREIRE, 1987, p. 78-86). Quem participa assume uma postura política que estabelece um verdadeiro sentido de autonomia e participação social; e é pela participação e intervenção que a instituição escolar aumenta sua competência e capacidade de informação. Ser gestor/diretor é dirigir e coordenar com competência em saber e saber fazer, como define Libâneo (2004) cuidar para que as ações se concretizem que as decisões sejam tomadas coletivamente com a participação da comunidade e da escola. Para Lück (2011), depois de conhecer as relações de poder na instituição e seu impacto na vida escolar, o gestor desempenha um importante trabalho de gestão. Este desenvolve a consciência e os valores, como também princípios elevados de conhecimento. Estabelece o canal de comunicação com todos, conhecendo quem são os professores da escola, suas competências e habilidades, de forma que possam trocar informações que reforcem a interação entre gestão e educadores, sempre pautados pela ética e transparência. Paro (1998, p. 7) explana que: Para responder às exigências de qualidade e produtividade da escola pública, a gestão da educação deverá realizar-se plenamente em seu caráter mediador. Ao mesmo tempo, consentânea com as características dialógicas da relação pedagógica, deverá assumir a forma democrática para atender tanto ao direito da população ao controle democrático do 36 estado quanto à necessidade que a própria escola tem da participação dos usuários para bem desempenhar suas funções. Todo esse processo de fazer da gestão democrática obedece aos princípios da LDB de 1996, com o objetivo de uma educação pública de qualidade, diante disso se abre a participação da comunidade, através de associação de pais e mestres e conselhos escolares, etc. É por isso que quanto mais formação continuada para gestores melhor será o seu trabalho como profissional, uma vez que não contribui apenas com os aspectos intelectuais e técnicos do gestor/diretor, como a sua ação frente às questões humanas e sociais no ambiente escolar. Os princípios da gestão democrática da escola pública são preceituados na forma participativa em que tanto pais como comunidade local participam das atividades inerentes a escola. Assim como é estabelecido pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação Infantil que versam como norteadores da ação pedagógica, princípios e respeito à ordem democrática, tornando explícitas pelas escolas as propostas curriculares, como seus processos de ensinos voltados para as relações com sua comunidade regional e mundial. Da mesma forma, para a Educação Infantil as Diretrizes Curriculares estabelecem a participação dos “familiares das crianças”, na criação, coordenação, supervisão e avaliação dos projetos pedagógicos a escola (BRASIL, 2005). Compreende-se que a consolidação de uma gestão democrática, não ocorre de forma automática e muito menos espontânea,há relações de poder, que interferem na dinâmica de mudanças, nisso é necessário esforços coletivos direcionados a ações coletivas, no intuito de superar os interesses individuais. Paro (1998), entende que a gestão democrática precisa estar alinhada a mudanças de paradigmas, junto a propostas de construção de propostas educacionais ao desenvolvimento de uma gestão diferente das praticadas hoje em dia em muitas instituições, requer uma prática consolidada por meio de ações fincadas na parceria entre sujeito no interior da escola e da instituição escolar com a família. A escola está rodeada de expressões, valores culturais e interesses que, muitas vezes, levam a comportamentos contraditórios. Sarmento e Alves (2016, p. 286-296), ressaltam que: 37 Desta maneira, se parte do entendimento de que a gestão democrática é uma necessidade, e que para existir deve haver diálogo entre funcionários, professores, gestores, alunos e familiares, enfim, todos aqueles que participam da instituição escolar, no sentido de que se possam estabelecer parâmetros para a melhor execução do trabalho pedagógico na escola. São muitas as expressões no interior das organizações, segundo suas características pessoais vivenciadas no decorrer de suas vidas, estas interpretam as situações segundo seus repertórios de valores, conhecimentos, experiências e perspectivas de vida. Para Bordenave e Carvalho (1979) muito depende da flexibilidade mental do sujeito, isso fora da emoção, visto que, necessitas de razão para fazer julgamentos, de ter empatia para se colocar no lugar do outro, de ser um líder e conhecedor das necessidades do outros. Qualidades desenvolvidas por gestores/diretores que procuram fazer uma gestão democrática e participativa. Atender a comunidade, aos pais nas ações, atividades promovidas pela escola será um grande passo na construção de uma escola que integra todos os níveis socioculturais, dessa maneira Fonseca (2000, p. 146 apud SCOTUZZI8, 2008, p.81) afirma que: [...] se a escola e as famílias de uma determinada comunidade conseguissem se comunicar correctamente, haveria muito mais probabilidades de entendimento mútuo, de a escola fazer sentido para a comunidade, de os alunos nela sentirem espelhadas as suas vivências e, logo, terem mais facilmente sucesso (grifo do autor). É preciso mobilizar a todos para um objetivo comum, capacitar os sujeitos para entenderem os problemas sócios e as possibilidades de soluções, como afirmam Bordenave e Carvalho (1979, p. 145): O debate sobre a participação da população enquanto processo de comunicação capaz de conduzir o comunicador a uma prática educacional libertadora e a população a uma tomada de decisão crítica (não alienada) obriga à reflexão sobre o processo político, sobre as relações entre o Estado e a Sociedade Civil. Exige considerar, nas mais elementares práticas humanas, a visão global da problemática social. 2.3 Gestão da escola pública e políticas educacionais para formação continuada de Diretores/Gestores Da década de 1990 para cá grandes mudanças têm ocorrido no cenário da educação, muitos estudiosos discutem o caso de que a educação vem 8 SCOTUZZI, Claudia Aparecida Sorgon. Gestão democrática nas escolas e Progestão: que relação é esta?, Tese (Mestrado em Educação) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, UNESP. p. 262, 2008. 38 mudando sua dinâmica. Nesse processo de apropriação do conhecimento as instituições escolares tentam atender ao coletivo social em seus trabalhos internos, mas de caráter técnico-pedagógico, mantendo também uma relação com os processos econômicos e políticos no intuito de se relacionar melhor com a população, e especialmente com os desfavorecidos. Esse terreno fértil para a internalização do conhecimento, em que se sustenta a defesa das instituições escolares, têm impulsionado o trabalho de organização e práticas pedagógicas que procuram ser eficazes e eficientes com a consciência política, entretanto, apenas para instrumentalizar aqueles que vão atuar dentro de uma realidade social e de trabalho. Pensando assim, a escola tenta instituir condições de aquisição de códigos de leitura e escrita, numa perspectiva de mediar conhecimentos científicos, filosóficos e artísticos imprescindíveis para que o sujeito possa viver e se adaptar em um mundo diverso, com diversos meios de comunicação que avançam dia a dia em “velocidades inimagináveis”. A compreensão de políticas educacionais para formação de gestores/diretores escolares se torna imperiosas, visto que, dinamizam e clarificam a abrangência da educação, como política de desenvolvimento de pessoal responsável pela gestão da escola pública. Para tanto, a Constituição de 1988, reconheceu os municípios como entes federativos, em pé de igualdade com os estados, seguidos por vários movimentos (BRASIL, 1988). Nesse sentido, Zander e Tavares (2013, p.115-16) apontam que: O movimento que seguiu foi de progressiva descentralização da execução das políticas sociais - saúde, educação, habitação, saneamento, etc. – para os municípios. Em nome da autonomia, estados, municípios e escolas passaram a assumir responsabilidades ampliadas, embora dificilmente tenham participado das definições das políticas Dessa maneira se criaram estratégias eficientes para que fossem superadas questões relativas a impedimentos políticos-pedagógicos que colocam a instituição em pé de igualdade e oportunidades, principalmente no que concerne a melhoria qualitativa. Desse modo, as relações entre escola e sociedade devem ser claras, pautadas fortemente pela organização dos estados e municípios, sustentados por meio de políticas que valorizem e provoquem mudanças significativas na escola, através da ação do gestor/diretor escolar. 39 De acordo com Frigotto e Ciavatta (2003) as políticas de educacionais da década de 1990 tiveram como arcabouço recorrência necessárias às mudanças da escola, seguindo a tipologia de sujeito a ser formado ante os processos de reestruturação do mercado internacional, diante da consensualidade e a naturalização de interesses particulares. Corroborando com Frigotto e Ciavatta (2003), é lícito salientar que para nas políticas governamentais, a centralidade da educação atende as exigências não apenas para o trabalhador, mas a necessidades e estratégias dos países, visto que essa era uma estratégia global de desenvolvimento socioeconômico da população, que também estava inserida nos arranjos do sucesso e nova ordem competitiva internacional. Por incrível que pareça essas novas formas, demandas educativas para o trabalho, tiveram seu início nos anos 70, nessa perspectiva, a função da instituição escolar, segundo Silva et al. (1991) se fez prioritária para apropriação/transmissão da informação organizada, sendo as qualidades necessárias e desejáveis como perfil das novas políticas educativas, autoridade de conteúdo, desenvolvimento de habilidades cognitivas e de capacidades sociais. As mudanças na década de 1980 foram significativas para a mudança do pensamento educacional, principalmente através do Fórum Brasileiro em Defesa da Escola Pública que integravam educadores em torno das propostas de autonomia da educação pública, o que Saviani (2007) mencionou como, momento de maturidade para o pensamento acadêmico e, seguramente, para a qualidade da educação brasileira. E isso ficou visível pelas produções científicas da Constituinte de 1988 (BRASIL, 1988) e da LDB de 1996 (BRASIL, 1996). É oportuno lembrar, de acordo com Frigotto e Ciavatta (2003) que no final do século XX, a perspectiva neoliberal se intensificou no país e com ampliação da recessão econômica, fortalecimento da ordem econômica mundial, em suas três distinções: desenvolvimento tecnológico, globalização e economia, o que reordenou aestrutura política de marcado, econômica e social do Estado. Essa dinâmica fez com que o Estado fosse deixando de assumir sua responsabilidade com o desenvolvimento socioeconômico, colocando milhares de pessoas numa condição mais intensa de pobreza e desprovidas de apoio do Estado. É nesse quadro político, que se desenvolveram as políticas com foco em programas e ações do governo federal aos estados e aos municípios. A política de 40 reestruturação da gestão financeira da educação básica, segundo Cury (2002), ganhou realce nos governos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Ainda, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, houve interferências na tramitação da LDB, aprovaram uma lei minimalista que desobriga a União da manutenção da educação. Como exemplo de umas das dimensões presentes na LDB, Saviani (2018, p. 297) pondera: No que se refere à formação profissional, a marca do Governo FHC foi à separação entre ensino médio e ensino técnico-profissional determinada pelo Decreto nº 2.208, de 17 de abril de 1997. Tal medida significou voltar atrás no tempo, não apenas em relação à Lei n. 5.692 de 1971, mas em relação à LDB de 1961, já que esta flexibilizou a relação entre os ramos do ensino médio de então, permitindo a equivalência e o trânsito entre eles, quebrando, assim, a “dualidade de sistemas” própria das reformas Capanema da década de 1940, na vigência do Estado Novo. Ora, é a essa dualidade que se retornou com o referido decreto. Saviani (2018) infere, ainda, que a medida de maior impacto do governo FHC, foi o desenvolvimento do Sistema Nacional de Avaliação, promulgado pela Medida Provisória nº1. 568, editada em 14 de fevereiro de 1997 e aprovada pelo Congresso. Converteu-se na Lei nº 9.448, de 14 de março de 1997, ao decompor o INEP em Autarquia Federal: Art. 1º Fica o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais - INEP, órgão integrante da estrutura do Ministério da Educação e do Desporto, transformado em Autarquia Federal vinculada àquele Ministério, com sede e foro na cidade de Brasília - DF, tendo como finalidades: I - Organizar e manter o sistema de informações e estatísticas educacionais; II - Planejar, orientar e coordenar o desenvolvimento de sistemas e projetos de avaliação educacional, visando o estabelecimento de indicadores de desempenho das atividades de ensino no País; III - Apoiar os Estados, o Distrito Federal e os Municípios no desenvolvimento de sistemas e projetos de avaliação educacional; IV - Desenvolver e implementar, na área educacional, sistemas de informação e documentação que abranjam estatísticas, avaliações educacionais, práticas pedagógicas e de gestão das políticas educacionais; V - Subsidiar a formulação de políticas na área de educação, mediante a elaboração de diagnósticos e recomendações decorrentes da avaliação da educação básica e superior; VI - Coordenar o processo de avaliação dos cursos de graduação, em conformidade com a legislação vigente; VII - Definir e propor parâmetros, critérios e mecanismos para a realização de exames de acesso ao ensino superior; VIII - Promover a disseminação de informações sobre avaliação da educação básica e superior; 41 IX - Articular-se, em sua área de atuação, com instituições nacionais, estrangeiras e internacionais, mediante ações de cooperação institucional, técnica e financeira bilateral e multilateral. (BRASIL, 1997, p. 1) Estas funções incumbidas ao INEP foram “perdidas”, o órgão passou de disseminador de informações educacionais, antigas atribuições, para torna-se um órgão de avaliação da educação brasileira em todos os níveis e modalidades. Saviani (2018, p. 298) também esclarece que: Consolidou-se, em consequência, o SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica), que ficou sob gestão do INEP e instituiu-se, em 1998, o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), também gerenciado pelo INEP. E a política educacional do Governo FHC se completa com a entrada na Câmara dos Deputados do projeto do PNE, o PL n. 4.173/98, em 12/2/1998, apensado ao projeto da oposição, PL n. 4.155/98, de 10/2/1998 e convertido na Lei nº 10.172, de 9/1/2001, que instituiu o Plano Nacional de Educação. Posteriormente, nos quatro primeiros anos do Governo Lula, criou-se uma grande diversidade de programas peculiares. Os programas deste governo atendiam, em sua maioria, os mais vulneráveis. A partir da Emenda Constitucional n. 53, de 19 de dezembro de 2006, que conferiu nova composição ao parágrafo 5º do art. 212 da Constituição Federal e ao art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, o governo instituiu o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB). O Fundo foi aprovado pela Medida Provisória n. 339, de 28/12/2006, que foi transformada na Lei n. 11.494, de 20 de junho de 2007, constituindo enfim o FUNDEB, organismo de financiamento da educação básica, abrangendo três fases: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, com duração prognosticada para 14 anos. O governo Lula realizou muitos programas sociais, envolvendo instituições em âmbito social, assim como ONGs, Organizações da sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) e diversos sindicatos (OLIVEIRA, 2009). É preciso ainda lembrar que durante a gestão do governo Lula a Escola de Gestores qualificou muitos diretores escolares, numa proposta de democratização da gestão escolar, e aumentou também a oferta de vagas na modalidade da graduação à distância, a fim de atender a carência de professores em áreas específicas. Ampliou o ensino universitário federal, por meio da criação de 42 campus de universidades federais no país, e criou o Programa Universidade para 42 Todos (ProUni), ao conceder milhares de bolsas de estudos (parciais ou integrais) a estudantes de baixa renda, BRASIL (2005). Para exemplificar esse processo, apresenta-se, na sequência, uma reportagem veiculada pelo Jornal Estadão (25 de fevereiro de 2008)9: No ano em que municípios vão escolher seus novos prefeitos, o governo federal quer marcar presença nas áreas rurais e nas cidades mais pobres do País. No lançamento do programa Territórios da Cidadania nesta segunda-feira, 25, no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula anunciou investimentos de R$ 11,3 bilhões para os municípios. O programa é o primeiro grande pacote de programas do governo Lula para as zonas rurais. Apenas este ano, 958 municípios, em todos os Estados, com uma população que chega a 24 milhões de pessoas. Veja os principais programas do governo: 1. Bolsa-Família É o carro-chefe dos programas. Criado em 2004, a partir da reforma e fusão de programas de transferência de renda já existentes, beneficia famílias em situação de pobreza - com renda mensal por pessoa de R$ 60 a R$ 120 - e extrema pobreza - com renda mensal por pessoa de até R$ 60. Para permanecerem no programa, as famílias precisam cumprir determinadas condições, como a permanência das crianças de até 15 anos na escola, com frequência mínima de 85%; e a atualização das carteiras de vacinação. Beneficiados - 11 milhões de famílias. Investimento previsto para 2008 - R$ 10,9 bilhões 2. Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) criado em 1996, ainda na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, é um programa que tem por objetivo retirar crianças e adolescentes entre 7 e 15 anos de idade do trabalho infantil considerado perigoso - aquele que coloca em risco sua saúde e segurança. O Peti concede bolsas mensais - que chegam a R$ 40 - para que a criança ou adolescente freqüente a escola. E promove atividades culturais e esportivas, artísticas e de lazer em período complementar. Beneficiados - 875 mil crianças e adolescentes Investimento previsto para 2008 - R$ 368 milhões 3. Luz para Todos Foi criado em novembro de 2003 para levar energia elétrica a 10 milhõesde brasileiros residentes no meio rural até o ano de 2008, e dessa forma universalizar o acesso à energia a todas as pessoas. Beneficiados - 7,2 milhões Investimento previsto para 2008 - R$ 3,5 bilhões 4. Brasil Alfabetizado e Educação de Jovens e Adultos O programa é voltado para pessoas com 15 anos ou mais e faz parcerias com Estados, municípios, universidades, empresas privadas, organizações não governamentais, organismos internacionais e instituições civis para combater o analfabetismo. É articulado à Educação de Jovens e Adultos (EJA) e tem por objetivo ainda fortalecer políticas que estimulem a continuidade nos estudos e a reinserção nos sistemas de ensino. Beneficiados - 8,9 milhões de pessoas Investimento previsto para 2008 - R$ 381 milhões 5. ProUni Criado em 2004, o Programa Universidade para Todos ter por objetivo permitir o acesso de jovens de baixa renda à educação superior, por meio da concessão de bolsas de estudo, integrais ou parciais. Os beneficiados são estudantes de cursos de graduação em instituições privadas de educação superior. As instituições precisam aderir ao programa e recebem, em contrapartida, isenção de alguns Veja os principais programas sociais do governo Lula tributos. Os critérios de seleção são os resultados dos estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o perfil socioeconômico. Beneficiados - 116 mil pessoas em 2005 Instituições privadas cadastradas - 1.142. 9 Ver: https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,veja-os-principais-programas-sociais-do-governo- lula,130446. Publicada em 25 de fevereiro de 2008 às 22h e 13min. https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,veja-os-principais-programas-sociais-do-governo-lula,130446 https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,veja-os-principais-programas-sociais-do-governo-lula,130446 43 Após o Governo de Lula, Dilma Rousseff foi responsável pela continuidade do governo anterior, mantendo e ampliando os programas e políticas públicas sociais, tais como o Bolsa-Família, Minha Casa Minha Vida e Prouni, implementou o Pronatec entre outros, como os Programas de Aceleração do Crescimento. Reeleita em 2014, Dilma foi alvo de um golpe jurídico, midiático e parlamentar, acusada de cometer pedaladas fiscais. Após o impeachment, o vice-presidente, Michel Temer, assumiu o poder. Nessa manobra César (2016, p.14-15) destaca que: O impeachment da presidenta Dilma é golpe, sim e há grandes e poderosos interesses por trás dele. Em primeiro lugar, os interesses das elites retrógradas brasileiras que não se conformaram com a possibilidade de a imensa maioria do povo deixar de lhe ser subordinada. A ascensão social de cerca de 40 milhões de brasileiros, sendo que algo em torno de 18 milhões saíram da linha de miséria absoluta, ocorrida durante os governos de Lula da Silva e de Dilma Rousseff, por meio das políticas de inserção social e de valorização do trabalho adotadas, alterou a correlação de forças sociais no Brasil. O pleno emprego, inédito no país, e os melhores salários tiraram pedintes e crianças das ruas bem como extinguiram as filas de desempregados dispostos a trabalhar por salários irrisórios. Escassearam as empregadas domésticas, sobrevivência colonial brasileira; aumentaram as vendas de veículos, de passagens aéreas, de acesso de negros e de pobres às universidades públicas e privadas, historicamente mantidos à distância das elites pátrias (ou seriam párias?). Da mesma forma que Temer entrou, saiu, seu governo foi marcado por poucas mudanças nas áreas de políticas públicas educacionais e sociais. Deixou o governo como o presidente mais rejeitado da história, segundo A CNI – Confederação Nacional da Indústria, sendo que 74% considerou sua gestão ruim ou péssima. Atuou com veemência na flexibilização das leis trabalhistas, atendendo aos interesses do grande capital10. No que refere ao atual presidente, Jair Bolsonaro, de acordo com o site Rede Brasil Atual, o governo Bolsonaro está sendo marcado por cortes bilionários de gastos públicos, entre estes destaca-se: a redução do orçamento destinado à educação, sobretudo no Programa Dinheiro Direto nas Escolas (PDDE), que não teve repasses do governo federal no ano de 2019. Antes do governo Bolsonaro o PDDE somava as cifras de 399,6 milhões, que beneficiavam 34.194 unidades escolares de ensino integral. Houve, ainda, o congelamento do programa de erradicação do analfabetismo O Brasil Alfabetizado, que concedia bolsas de 10 Reportagem da seção Retrospectiva do Portal Terra, publicada em 20 dez. 2018. Ver: https://www.terra.com.br/noticias/retrospectiva/denuncias-e-maior-rejeicao-da-historia-marcam-fim- da-era-temer,90e585dc96324be1a56d03920bc7aa81fibkq345.html. https://www.terra.com.br/noticias/retrospectiva/denuncias-e-maior-rejeicao-da-historia-marcam-fim-da-era-temer,90e585dc96324be1a56d03920bc7aa81fibkq345.html https://www.terra.com.br/noticias/retrospectiva/denuncias-e-maior-rejeicao-da-historia-marcam-fim-da-era-temer,90e585dc96324be1a56d03920bc7aa81fibkq345.html 44 estudos e atendia 114 municípios, sendo mantido em apenas uma cidade, isso por meio de decisão judicial, O Mais Alfabetização 11 , como o PDDE, ficou sem repasse de verbas em 2019. Krawczyk e Lombardi (2018, p.125), asseveram que após Dilma: Detidamente, os assombrosos contornos da deposição da presidenta Dilma Rousseff em 2016 se estendem a várias configurações, sem deixar incólume os setores públicos da saúde, da educação, dos direitos trabalhistas e, por que não dizer, as dimensões da existência humana. Instalou-se a política do ódio e a ausência de reflexão gera o modelo de pensamento bélico-binário, que “ignora a complexidade dos fenômenos e divide as pessoas entre amigos e inimigos” (CASARA, 2017). Em linhas mais gerais, no Estado Pós-Democrático há a progressiva desconsideração, ou mesmo a eliminação, dos atores jurídicos, o abandono do sistema de vínculos legais, a afirmação dos interesses midiáticos de massa, a mudança do paradigma do próprio sistema de corrupção e da efetiva liberdade de imprensa, a utilização do poder penal para excluir e neutralizar os discordantes da nova ordem estabelecida, a diminuição das ações afirmativas e das políticas inclusivas e o aumento das medidas penais de controle e exclusão. Nesse sentido, uma das políticas educacionais que também carece de atenção refere-se à formação continuada. Estudos mostram que a formação continuada deve partir das necessidades de formação apontadas pelos docentes (DI GIORGI et. al., 2010; GATTI; BARRETO; ANDRÉ, 2011). Di Giorgi et. al. (2010, p.15), entende que a formação contínua deve ser constante na profissão do educador, mas não pode ser uma mera acumulação de informação, sim um trabalho de seleção, organização e interpretação da informação. Nessa perspectiva, os programas de formação continuada vêm sendo implantados, partindo de um olhar dos gestores municipais e estaduais, desconsiderando as reais necessidades formativas dos educadores, uma vez que é preciso ressignificação dos programas de formação continuada. Muitas vezes os programas de formação têm mais caráter compensatório do que prioritariamente de atualização. Os processos de formação continuada precisam estar alinhados com as necessidades formativas dos educadores, que por sua vez, tem como fim o desenvolvimento e o bem estar do aluno. Ao mencionar as políticas docentes no Brasil, Gatti, Barreto e André (2011) ressaltam que, os dados revelam que tanto os municípios quanto os 11 Instituído pelo Ministério da Educação (MEC) pela Portaria Nº 142/2018, tem como objetivo fortalecer e apoiar técnica e financeiramente as escolas no processo de alfabetização de estudantes regularmente matriculados nos dois primeiros anos do ensino fundamental.45 estados ainda realizam formações continuadas como oficinas, palestras, seminários e cursos de curta duração, às vezes presenciais ou à distância. Assim, válidos são os posicionamentos de Freire (1996), já que formar é mais que treinar, não é puro processo técnico de transferir conhecimento, é preciso que a política de formação continuada supere os cursos de férias, é viver a prática e a teoria como maneira eficaz de formação. Para Marin (2000), essa terminologia incorporada na área educacional tem estreita relação com cursos rápidos e descontextualizados, como palestras e alguns encontros esporádicos, essas ideias de capacitação, com pacotes fechados aceitos de cima para baixo, em nome de uma suposta inovação e melhoria educacional, funciona mais como propostas fechadas, sem reconhecimento das necessidades formativas dos gestores e educadores. Marin (2000, p. 19) ainda compreende que o termo “educação continuada” pode ser utilizado em abordagens mais amplas, já que congrega elementos gerais a respeito de treinamento, capacitação e aperfeiçoamento. Placco (2010) distingue alguns elementos no processo de formação em serviço, evidenciando que, O processo de formação em serviço, em qualquer escola, precisaria atender a um conjunto de circunstâncias: a) estar, em primeiro lugar, atrelado ao projeto político pedagógico, organizado e implementado pelos próprios profissionais da escola; b) ser planejado coletivamente pelos educadores da escola, liderados pelos seus gestores (direção, coordenação pedagógica); c) prever espaços e tempos para que os processos formativos a serem desencadeados possibilitem a participação de todos, a reflexão sobre os fundamentos necessários à docência e a relação desses fundamentos com a experiência docente de cada profissional; d) garantir que o compromisso, seja dos gestores, seja dos educadores da escola, esteja voltado para o alcance dos objetivos pedagógicos e do desenvolvimento profissional, além do aprimoramento da prática pedagógica dos professores; e) possibilitar processos avaliativos contínuos para que as necessidades emergentes da escola e do próprio processo formativo possam ser incluídas. (PLACCO, 2010, p. 7) Freire (2001) ressalta a importância da formação permanente dos educadores, pois lhes permite o pensamento e a reflexão crítica acerca de sua prática. É pensando o hoje e o ontem, que podemos melhorar a nossa prática. Isso implica a formação permanente, pois se fundamenta na prática de analisar a própria prática. Neste mesmo espaço, procura-se conhecer os principais mecanismos de gestão, expressos no Planejamento, no Projeto Político Pedagógico, no gerenciamento de pessoas e recursos em seus respectivos 46 campos de trabalho, comunicação, interação com a comunidade escolar e formação continuada. Freire (2001) contribuiu significativamente para o aprofundamento de discussões acerca da formação continuada. Discute a formação de educadores com o entrelaçamento do diálogo, teoria-prática, construção do conhecimento, democracia, politicidade e educação. Essa prática tem seus fundamentos na filosofia e na antropologia humana, contribuindo ativamente para a compreensão da prática docente. É necessário que haja quem aprenda e quem faça a mediação do conhecimento, ou seja, um formador e um formando, é por meio dessa relação que o homem é lançado as veredas da curiosidade e em busca do conhecimento de si e do mundo. Essa é uma disposição ontológica, o destino não é fixo, mas mutável, sendo assim os sujeitos dessa formação, capazes de mudar e reescrever sua história. A educação contínua não segue uma linha ideológica, ou posição política, a educação é contínua, permanente em razão de uma finitude do sujeito, de outro, e de sua própria consciência, mais ainda, por ter incorporado os saberes de sua vida e também por saber que poderia saber mais, dessa forma é que se pode fundamentar a formação permanente com o sujeito em constante mudança, em processo de transformação social, de engajamento político sócio educacional (FREIRE, 1993). Diante dessa formação os conteúdos emergem-se de cada encontro favorecendo a construção coletiva, uma vez que, não há como grupo algum crescer sem conteúdo, experiência e participação de todos. Entretanto, Paulo Freire (2001), argumenta que também devem participar a população, não para ser reduzida a apenas uma colaboração aos setores da administração pública, mas: Implica, por parte das classes populares, um “estar presente na História e não simplesmente nela estar representadas”. Implica a participação política das classes populares através de suas representações, no nível das opções, das decisões e não só do fazer o já programado. [...] Participação popular para nós não é um slogan, mas a expressão e, ao mesmo tempo, o caminho para a realização democrática da cidade. (FREIRE, 2001, p. 75). Conforme Gatti (2008) para atender a formação de professores, nesta última década, entraram em pauta mundial dois movimentos, de um lado as pressões do mundo que se estrutura em novas formas como, a informatização 47 com o capital intelectual, e por outro, uma forma de extensão que os sistemas do governo assumiram para acabar com o mau desempenho escolar. Isso pode soar como uma contradição e impasse, de modo que, as Políticas Públicas de movimento estão em direção das reformas curriculares e na formação docente e de formadores na nova geração, por isso, muitos documentos internacionais destacam a necessidade nessa direção. Um gestor/diretor deve conhecer os aspectos teóricos e técnicos de seu trabalho como todo processo de planejamento escolar, destaca-se desse modo o Projeto Político Pedagógico (PPP), pois não há como saber para onde ir se não houver um planejamento bem definido e atento às variáveis de uma instituição. Há muitas questões que precisam ser bem resolvidas, geridas, porque nem tudo são flores numa unidade escolar, os conflitos são diversos e muitas vezes se divergem as ideias do gestor/diretor com a dos professores, já que uns acreditam na importância de se ter um planejamento pedagógico e outros não. Muitos ainda continuam no arcaísmo relacionado ao planejamento, todavia, há em sua maioria quem dispunha a realizá-lo. Entre as atividades de um Gestor/Diretor, estão as ações de acompanhar e intervir nas elaborações, execução e avaliação do PPP, sempre com o olhar direcionado para a qualidade do ensino, além disso, se leva em conta a expectativa de desenvolver uma política de gestão de pessoal vinculada à gestão de recursos e materiais financeiros que asseguram o desempenho escolar, Lück, (2009, p. 24) afirma que: Gestão escolar é o ato de gerir a dinâmica cultural da escola, afinado com as diretrizes e políticas educacionais públicas para a implementação de seu projeto político-pedagógico e compromissado com os princípios da democracia e com métodos que organizem e criem condições para um ambiente educacional autônomo (soluções próprias no âmbito de suas competências) de participação e compartilhamento (tomada de decisões conjuntas efetivação de resultados) e autocontrole (acompanhamento e avaliação com retorno de informação). É necessário que o diretor esteja ciente da complexidade da gestão escolar, socializar e reconhecer a necessidade de aprimorar conhecimentos, habilidades e atitudes, as mais variáveis possíveis, e nas mais distintas e diferentes dimensões do trabalho da gestão escolar, de modo a se tornar capaz de exercer de forma efetiva essas funções (LÜCK, 2009). Esses campos da dimensão escolar estão alocados em duas áreas: organização e implementação. 48 Entender as dimensões pedagógicas do gestor/diretor é entender que todas estão interligadas para que as propostas educacionais sejam impetradas. Conhecer os embasamentos da educação, sua legislação, regulamentos, resultados, monitoramentoe avaliação do trabalho, é dever de um gestor/diretor. Acerca dos embasamentos da educação, legislação, pode-se destacar os saberes a respeito da Constituição Federal e da Constituição Estadual, entre outros, assim temos: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Diretrizes Curriculares Nacionais dos diversos níveis e modalidades de ensino, Legislação Educacional da União e do Estado, Instrumentos Normativos e Executivos do sistema e rede de ensino, Estatuto do Magistério, Estatuto da Criança e do Adolescente etc. Ressalta-se que ante as mudanças que procedem ao gestor/diretor está a gestão democrática, gestão de pessoas, gestão pedagógica, gestão administrativa, gestão da cultura escolar que funciona como foco na ascensão da aprendizagem e formação de educandos com qualidade (LÜCK, 2009). Lück (2009) ressalta a importância da gestão voltada para promoção do conhecimento, sendo que a ação pedagógica é privilegiada ante as demais extensões da gestão. Todavia, a gestão pedagógica é uma das mais importantes, de tal modo que, o foco da escola estará no aluno, na aprendizagem significativa eficiente e eficaz. 49 3 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS 3.1 Ações de formação continuada desenvolvidas pelo Município de Regente Feijó-SP O primeiro contato feito, com intuito de realizar a pesquisa no município de Regente Feijó-SP, ocorreu com a Secretária de Educação, que muito disposta atendeu ao pesquisador e prontificou-se a ajudar nesse processo. A respeito da temática a ser abordada, ela informou de antemão que o município realizava muitos cursos para seus docentes e gestores, sendo uma das formações continuadas para gestores o Programa de Capacitação a Distância para Gestores Escolares (Progestão). Nesse sentido, foi oportuno resgatar, inclusive, os registros de algumas dessas formações, sendo as mesmas desenvolvidas, à época, em parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Presidente Prudente - SP. A primeira ação refere-se à uma proposta de formação continuada de professores das séries iniciais do ensino fundamental, que visava promover mudanças no processo de ensino e aprendizagem de Matemática. O trabalho foi desenvolvido pelo Núcleo de ensino vinculado à Universidade supracitada, no ano de 2006. Embora o projeto tivesse como foco os professores que ministravam matemática nos anos iniciais do ensino fundamental, contou também com a participação de diretores, coordenadores, supervisora de ensino e Secretária Municipal de Educação e Cultura. Na formação continuada, em tela, os momentos formativos eram no horário das aulas, sendo que os professores participantes eram liberados da docência. As responsáveis pela formação foram as docentes Monica Fürkotter (hoje docente da Unoeste), Maria Raquel Miotto Morelatti e Monica Faustino. O importante desta formação continuada foi que: Tal processo diferencia-se de uma reciclagem na medida em que não tem caráter pontual e de atualização, não é constituído de ações estanques e descontextualizadas da prática do professor, e tem como eixo a reflexão coletiva sobre a prática, sobre a experiência de vida escolar do professor, suas crenças, posições, valores e imagens, com o objetivo de proporcionar a ele o máximo aproveitamento de sua capacidade produtiva. (FÜRKOTTER; MORELATTI; FAUSTINO, 2007, p. 599). 50 A formação continuada ocorreu por meio de ações didático-pedagógicas, partindo da experiência e prática cotidiana dos educadores, buscando por meio desse trabalho a colaboração e soluções possíveis e necessárias a partir da intervenção em sala de aula. Assim: Acreditamos que um processo de formação continuada que tem como eixo a reflexão coletiva sobre a prática, sobre a experiência, crenças, posições, valores e imagens, poderá aprimorar a competência dos professores e levá-los a incorporar recursos metodológicos a uma “nova” prática docente, que propicie a construção do conhecimento através do “fazer”, e de atividades que permitam trabalhar as competências matemáticas, quais sejam, experimentar (pôr à prova), conjecturar (suposição, hipótese), representar, estabelecer relações, comunicar (descrever), argumentar (discutir, raciocinar) e validar (FÜRKOTTER; MORELATTI; FAUSTINO, 2007, p. 598). O trabalho de formação continuada em Regente Feijó partiu da realidade dos educadores, de suas experiências em sala, os materiais produzidos (didático- pedagógico) foram realizados de acordo as reflexões das dificuldades obtidas na troca de experiências dos educadores. Outro trabalho de Formação contínua de Gestores de Regente Feijó, na modalidade de pesquisa-ação, foi realizado nos anos de 2011 e 2012, pela instituição anterior, sob a condução da professora Yoshie Ussami Ferrari Leite, bem como dos seguintes alunos: Pamela Tamires Belão Fernandes, Patrícia Cralcev Azevedo e Edimar Aparecido da Silva. A pesquisa-ação foi desenvolvida com gestores escolares da rede municipal de Regente Feijó – SP, tendo como abordagem a preparação de políticas de formação contínua, partindo de reflexões acerca do contexto escolar. Ressalta-se, ainda, o trabalho priorizou a integração e reflexão direta com gestores, dando a estes, voz para participarem e, ainda, procurando instrumentalizar o município para que pudesse programar políticas públicas educacionais e criar condições para uma gestão coletiva e democrática. (LEITE et al., 2014, p.3957). Outra ação formativa, foi decorrente da pesquisa de Pamela Tamires Belão Fernandes, “Uma experiência de pesquisa-ação: a formação contínua de professores e gestores escolares no Município de Regente Feijó”, desenvolvido pelo Núcleo de Ensino/PROGRAD vinculado à FCT/UNESP. Realizada em 2013, a pesquisa trouxe contribuições relevantes à formação continuada de educadores, professores e gestores. O objetivo do trabalho foi refletir acerca das necessidades 51 e dificuldades dos educadores, e também contribuir para uma gestão integrada e democrática. Para Fernandes (2015), os programas de desenvolvimento contínuo podem cooperar a repensar os saberes da ocupação docente, tanto no que se refere aos "saberes a serem ensinados" quanto ao "saber ensinar". Fica explícito a necessidade de que haja participação da equipe escolar, só assim é possível falar em gestão democrática, em que todos façam parte como reguladores, fiscalizadores e avaliadores nos processos de tomadas de decisão na escola. A autora destaca ainda, que houve avanços no que se refere à gestão democrática participativa, pois, os esforços foram de todo o corpo escolar que participou das ações de desenvolvimento. 3.2 Observações das gestoras sobre o processo de formação continuada Usamos para designar as participantes da pesquisa, Diretora/Gestora l até o Diretora/Gestora Vll. Em todas as unidades escolares o cargo era ocupado apenas por mulheres. As entrevistadas ao serem questionadas se participaram, entre os anos de 2009 a 2018, de algum processo formativo oferecido pelo município de Regente Feijó, responderam da seguinte forma: Quadro 1 - Participação em processos formativos ofertados pelo município de Regente Feijó - SP entre os anos de 2009 e 2018 Questão 1 Respostas Diretora/Gestora 1 Sim, sempre estão em constante formação. Diretora/Gestora 2 Sim, de palestras, mas não de formação específica. Diretora/Gestora 3 Sim, participou de cursos de gestão escolar. Diretora/Gestora 4 Sim, informou de cursos de gestão escolar Diretora/Gestora 5 Sim, participou de algumas palestras, porém, não participou de formação específica. Diretora/Gestora 6 Sim, participou. Diretora/Gestora 7 Sim, participou de palestras, mas não de cursos de gestão. Fonte: O autor. Considerando essa primeira questão, nota-se que todas que foram questionadas responderam que sim, todavia em suas falas latentes percebemosinquietação em suas respectivas falas, uma vez que, umas haviam participado de cursos, enquanto outras tinham assistido palestras, caso das entrevistadas 2, 5, 7. Sim, de palestras, mas não de formação específica. Já as questões ditas pelas 52 gestoras1, 3, 4 e 6, referem-se que participaram de cursos de formação de gestores, diferenciando apenas na forma em que informaram, pois enquanto uma afirmaram que: que há constante formação, outras apenas relatam a participação em cursos de gestão. Segundo Nogueira e Nogueira (2002), não estamos como sujeitos que se diferenciam por trabalhar mais com o intelecto que com as coisas práticas, estamos como sujeitos que organizam a instituição escolar, que direciona sendo assim capaz de fixar parâmetros para que todos realizem seus trabalhos. O que mais observamos na pesquisa foi essa capacidade de unir os parâmetros da Secretária à gestão escolar, a capacidade de gerir por meios teóricos e práticos. Ao perguntar as respectivas gestoras se, enquanto gestor(a), participaram, entre os anos de 2009 a 2018, de algum processo formativo oferecido pelo governo estadual, as respostas foram as seguintes: Quadro 2 - Participação em processos formativos ofertados pelo estado de SP entre os anos de 2009 e 2018 Questão 2 Respostas Diretora/Gestora 1 Não participou de formação oferecida por Governo Estadual. Diretora/Gestora 2 Não, não participou. Diretora/Gestora 3 Sim participou de cursos de formação. Diretora/Gestora 4 Não participou. Diretora/Gestora 5 Não participou Diretora/Gestora 6 Não participou Diretora/Gestora 7 Não participou Fonte: O autor. O quadro mostra que as mesmas responderam de diferentes formas, mas atendendo a expectativa, apenas uma gestora participou de curso oferecido pelo Estado. Certamente participou por meio de uma parceria entre Estado e municípios, caso muitas vezes do Progestão que foi oferecido por muitos estados junto a municípios. As outras 6 gestoras não participaram de cursos oferecidos pelo governo estadual. Ao questionar as respectivas gestoras se, enquanto gestor(a), participaram, entre os anos de 2009 a 2018, de algum processo formativo oferecido pelo governo federal, as entrevistadas responderam da seguinte forma: 53 Quadro 3 - Participação em processos formativos ofertados pelo governo federal entre os anos de 2009 e 2018 Questão 3 Respostas Diretora/Gestora 1 Não participou Diretora/Gestora 2 Não participou Diretora/Gestora 3 Não participou Diretora/Gestora 4 Sim, participou Diretora/Gestora 5 Não participou Diretora/Gestora 6 Não participou Diretora/Gestora 7 Não participou Fonte: O autor. Nas respostas, nota-se que apenas uma gestora disse ter participado, as outras 6 responderam que não participaram de qualquer curso oferecido pelo governo federal. Nesse sentido e até aqui mantem-se certa coerência, no entanto é preciso pressionar o governo em todas suas esferas por uma política de formação continuada dos gestores. Para Paulo Freire, é preciso superar os comuns cursos de férias ministrados a educadores, discutindo apenas a prática de discutir a prática, está só é eficaz quando vivenciamos a unidade entre a prática e a teoria (FREIRE, 2001, p.75). As participantes da pesquisa, ao serem questionadas se, enquanto gestor(a), participaram, entre os anos de 2009 a 2018, de algum processo formativo oferecido por alguma ONG, responderam que: Quadro 4 - Participação em processos formativos ofertados por ONGs entre os anos de 2009 e 2018 Questão 4 Respostas Diretora/Gestora 1 Não participou Diretora/Gestora 2 Não participou Diretora/Gestora 3 Não participou Diretora/Gestora 4 Não participou Diretora/Gestora 5 Não participou Diretora/Gestora 6 Não participou Diretora/Gestora 7 Não participou Fonte: O autor. Nessa questão, todas as gestoras responderam não ter participado de qualquer curso oferecido a estes, isso indica que, não tem ONG em Regente Feijó, que realize qualquer trabalho junto às escolas do Munícipio, caso tenha não fomos informados acerca disso. 54 Ao perguntar a cada uma das participantes da pesquisa se, enquanto gestor(a), participou, entre os anos de 2009 a 2018, de algum processo formativo oferecido por alguma empresa privada, as respostas foram as seguintes: Quadro 5 - Participação em processos formativos ofertados por empresas privadas entre os anos de 2099 e 2018 Questão 5 Respostas Diretora/Gestora 1 Não participou Diretora/Gestora 2 Sim, um curso de pós-graduação. Diretora/Gestora 3 Não participou Diretora/Gestora 4 Não participou Diretora/Gestora 5 Sim, pós-graduação, por meios próprios. Diretora/Gestora 6 Sim, pós-graduação, por meios próprios Diretora/Gestora 7 Sim, pós-graduação, por meios próprios. Fonte: O autor. As participantes 2, 5, 6 e 7, responderam que os cursos que realizaram foram oferecidos por instituição privada de pós-graduação, ou seja, segundo as entrevistadas a maioria dos educadores fazem curso custeados por elas, sendo que os cursos buscados são a nível de especialização, para que desenvolvam melhor os seus trabalhos. As participantes da pesquisa 1, 3 e 4, ainda não fizerem qualquer curso por instituição privada, fora, a graduação e os cursos realizados no Munícipio. Questionadas se, em algum processo formativo de que o(a) senhor(a) participou, houve alguma consulta prévia de suas necessidades de formação, as respostas foram as seguintes: Quadro 6 - Consulta prévia dos processos formativos sobre as necessidades de formação Questão 6 Respostas Diretora/Gestora 1 [...] os cursos são oferecidos, recebe ofertas por telefone, e sendo online, mas que no momento prioriza as formações presenciais oferecidas pelo município. Diretora/Gestora 2 Não houve. Diretora/Gestora 3 Não geralmente eles vêm com a formação pronta Não há levantamento feito antes... Diretora/Gestora 4 Não, é discutido tudo nas reuniões, onde são colocadas as dificuldades e esclarecimentos. Diretora/Gestora 5 Não, não houve. Diretora/Gestora 6 Sim Diretora/Gestora 7 Não lhe perguntaram, porque as formações não são em suas necessidades, deveriam olhar para o nosso trabalho, pois não tem coordenadores, só professores e funcionários de cozinha e limpeza. Fonte: O autor. 55 As participantes 2, 3, 4, 5 e 7 responderam que, não houve, ou se lembra de alguma consulta acerca de suas necessidades formativas, a participante 3 revela que: “não geralmente eles veem com a formação pronta. Não há levantamento feito antes”. A participante 4 disse: “não, é discutido tudo nas reuniões, onde são colocadas as dificuldades e esclarecimentos”. A 7 ressaltou que: “não lhe perguntaram, porque as formações são em suas necessidades, deveriam olhar para o nosso trabalho, pois não tem coordenadores, só professores e funcionários de cozinha e limpeza”. As participantes disseram apenas: “não houve”. Percebemos na fala das participantes acima que, há uma certa implementação de cursos rápidos ou descontextualizados a situação vivida por estas, como também já dito, cursos esporádicos, palestras abordando superficialmente questões que não de seus contextos. Corroborando com Marin (2000), os cursos rápidos, servem como pacotes que implementados em um tempo mínimo muitas vezes não atende as necessidades de um contexto permeado por questões que vão além do palpável. Placco (2012) nos lembra de que no que tange a apropriação de conhecimento e saberes acerca da docência necessita de exercício profissional e que a escola é o lócus para esta formação. Por isso, os processos formativos devem atender a trajetória daquele que exerce sua profissão em determinado contexto. Destacamos o que saliente Diniz-Pereira (2010), uma vez que os profissionais de educação não podem apenas assinar listas de chamadas e colecionar certificados, a participação deve ser efetiva nos instantes deformação. As participantes 1 e 6, salientaram que sim, todavia, a participante 1 ainda disse que, os cursos são oferecidos, as ofertas são feitas por telefone e online, mas que no momento prioriza as formações presenciais oferecidas pelo Município. Ao questionar cada participante se em algum processo formativo de que o(a) senhor(a) participou, houve, durante o processo, foi feito alguma consulta de suas necessidades de formação, as respostas foram as seguintes: 56 Quadro 7 - Consulta sobre as necessidades de formação durante o andamento dos processos de formação Questão 7 Respostas Diretora/Gestora 1 [...] sempre tem algo direcionado: a gente tem noção da necessidade, e o que é oferecido é o que estamos precisando. Alguns palestra são de 1 dia, curso de 15 dias na DMEC (não soube responder). Diretora/Gestora 2 Não houve Diretora/Gestora 3 [...] sempre é feito esse levantamento, do que a gente pretende, do que a gente tem mais dificuldade, eles sempre fazem esse levantamento e aí direciona no que a gente pede, enquanto secretaria Municipal. Diretora/Gestora 4 Houve muitos debates, teve discussões. Diretora/Gestora 5 Não, não houve. Diretora/Gestora 6 Sim Diretora/Gestora 7 Ainda não, espero que tenha algo mais focado, pois é o que muitos Diretores precisam às vezes a gente é nomeada para o cargo e não tem nenhuma formação, só algumas dicas e leis, mas necessita de formação prática mesmo. Fonte: O autor. As participantes 1, 3, 4 e 6, afirmaram que há sempre algo direcionado e que é feito levantamento das dificuldades, há debates e discussões. As participantes 2 e 5 negaram haver alguma consulta a respeito de suas necessidades de formação. As divergências podem ser percebidas pelo fato de que, algumas participantes tem pouco menos de 6 anos na área de gestão. Podemos ajuizar que, na ausência de nortes claros, uns podem agir com certo receio e mover-se em uma direção no intuito de manter-se no lugar que alcançou e isso é justificável, pois, algumas questões seguem um mesmo padrão, instigado ou estimulado a se manter em movimento, para que não seja deixado ou ultrapassado. Questionadas de em que medida os processos formativos de que o(a) senhor(a) participou corresponderam às suas necessidades de formação, com a solicitação de que detalhasse para cada um dos processos formativos frequentados, as respostas indicam que: Quadro 8 - Contribuição dos processos formativos às necessidades de formação continua Questão 8 Respostas Diretora/Gestora 1 Contribuiu em como fazer a gestão, tudo que nós fazemos, em relação a tudo que existe na escola, forma de direcionar a escola, tudo é focado para educação. Respondeu também, que houve aprendizagem nos processos formativos recebidos: “teve muita aprendizagem, porque estamos sempre em aprendizagem, é todo dia, todo momento...” Diretora/Gestora 2 Ela é que foi em busca de formação (não respondeu à questão) 57 Quadro 9 - Contribuição dos processos formativos às necessidades de formação conclusão Questão 8 Respostas Diretora/Gestora 3 Foram muito importantes pra mim, porque a gente precisa estar à parte do que está acontecendo, sabendo mais as coisas né, estudando melhor, eles trazem sempre muitas leis, muitas coisas que a gente não está muito por dentro. Então, pra mim, é muito importante o processo de informação. Diretora/Gestora 4 Tudo que se aprende é importante, porém ainda há muitas dificuldades, o gestor precisa de formação, de esclarecimento, de formação para lidar com pessoas. Olhar para o aluno, o diretor deve entender de relações humanas, de leis, e minha autoridade tem limite. Diretora/Gestora 5 Eu vou atrás... Precisa de apoio Diretora/Gestora 6 Ajudaram para que eu soubesse as funções de uma diretora. Foram muito, pois participei até de algumas formações dirigidas a professores. Diretora/Gestora 7 Minha experiência é de sala de aula, e dos cursos que fiz como professora, isso aí me ajudou a trabalhar, mas na área de gestão, gestão mesmo ainda não. Fonte: O autor. As participantes 1, 3, 4 e 6 argumentaram que, contribuiu muito no fazer da gestão e que nestes processos formativos houve aprendizagem, foram importantes, pois permitiu aprender mais acerca da gestão e das leis necessários aos tramites práticos da escola. Assim como foi bom para que muitos aprendessem a lhe dar com outras pessoas da escola, ou seja, a aplicar melhor as relações humanas. Em contrapartida as participantes 2, 5 e 7, contaram que, “foi em busca de formação” (Diretora/Gestora 2), que “eu vou atrás ... preciso de apoio” (Diretora/Gestora 5) e que “minha experiência é de sala de aula, e dos cursos que fez como professora, isso aí me ajudou a trabalhar, mas na área de gestão, gestão mesmo ainda não” (Diretora/Gestora 7). Compreendemos, que as mudanças se expandem por meio do discurso, da denúncia, do debate ou do diálogo, já que, transformam os aspectos da conjuntura em que estão os interessados em emoções, formas de resistência ou de dependência recíproca (THIOLLENT, 2009). Ainda nestes diálogos, pode-se apreender certos benefícios, pois, se pode observar a construção da identidade de Diretora seu desenvolvimento e autonomia, Ghedin e Franco (2008), estas respondiam com propriedade acerca das questões entendidas e aquelas que atravessavam seu campo teórico e prático. A respeito da questão se (a) senhor (a), enquanto gestor (a), mudou de alguma forma a sua prática, em função de algum processo formativo, solicitando que se detalhe para cada um dos processos formativos frequentados, assim como 58 para cada um dos aspectos da sua prática que eventualmente foram modificados em cada um deles, as respostas foram as seguintes: Quadro 10 - Influência dos processos formativos na prática profissional Questão 9 Respostas Diretora/Gestora 1 Sim, como gestora, conseguimos ver o outro lado, de como atuar, em 21 anos de prefeitura, esses 5 anos foram na gestão. A respeito dos cursos na área de gestão enquanto diretora, disse que teve um curso longo, foi o Progestão, ainda quando era professora, pois haviam sobrado vagas então participou isso foi por volta de 2009 e 2010. Foi um curso que somou muito. Diretora/Gestora 2 Sim, sempre muda, pois está em constante formação. Diretora/Gestora 3 Para a Diretora/gestora. Sempre ajuda a gente sempre traz ideias novas, e que procura sempre adequar os conhecimentos a sua demando, eles sempre trazem coisas amplas do que se está acostumado, pois a escola é pequena, por isso sempre procura adequar, usando as mesmas ideias, mas de acordo a sua realidade, os cursos serviram, pois ajudaram, e Progestão até então ainda é utilizado, visto que, ajuda em alguns esclarecimentos. Diretora/Gestora 4 Sim, algumas coisas sim, há abertura de horizontes e contribuiu para o discernimento. Diretora/Gestora 5 Sim, sempre muda, pois se está em constantes mudanças, às crianças de ontem não são as de hoje. Sim, quando vi pedir, elabora um projeto, para que quer, e o porquê... Diretora/Gestora 6 Mudei muito, pois quando aprendemos, aí passamos a fazer as coisas de modo certo, a gente não acerta em tudo, mas aprende a corrigir os erros com o tempo. Como disse foram muitos cursos, mas o Progestão eu ainda consulto, pois tem muitas coisas que ainda estou aprendendo, ainda tem os cursos e palestras oferecidos pela prefeitura para gestores e a Secretaria de Educação está sempre à disposição para nos atender. Diretora/Gestora 7 Agente muda, pois leva uma queda ali e outra aqui e assim vai aprendendo e com os conhecimentos de pedagogia ajuda muito, principalmente os da pós, ele foi bom para esclarecer algumas dividas. A Secretaria atende, mas ainda precisa, principalmente aqui para nós. Fonte: O autor. As participantes foram unanimes em suas colocações, cada uma pode citar mudanças e contribuições, inclusive cita o Progestão como formaçãocontinuada que ofereceu um olhar diferente dos conhecimentos anteriores, outras mencionaram que, estão mudando, e sempre muda a prática ante a um processo formativo. Além das novas ideias que surgem com a formação há a ampliação da visão de diretora/gestora. A Diretora/Gestora 6 define sua fala da seguinte maneira: “Como disse foram muitos cursos, mas o Progestão eu ainda consulto, pois tem muitas coisas que ainda estou aprendendo, ainda tem os cursos e 59 palestras oferecidos pela prefeitura para gestores e a Secretaria de Educação está sempre à disposição para nos atender”. 3.3 Ressalvas de cada encontro Podemos perceber que todas as Diretoras/Gestoras participaram de algum curso proporcionado pelas políticas públicas de formação de gestores para estas. Todavia, ainda fica latente em algumas respostas à eficácia destes tipos de formação, uma vez que, uma palestra rápida e cursos relâmpagos deixam a desejar, ainda mais para quem trabalha com uma diversidade de públicos e assuntos diversos. Isso fica explicito em algumas falas, quando argumentam que participaram de palestra e não de cursos de formação. Mas, isso também pode até ser elucidado, já que, algumas gestoras por serem novas no cargo, assumiram uma diretoria de escola há pouco tempo. Por outro lado, fica injustificável não ter uma formação específica para as diretoras/gestoras que assumiram o cargo há pouco tempo. Desse modo a Diretora/Gestora 1 relatou que, apesar do pouco tempo no cargo, tem aprendido muito, pois cada escola é diferente, uma vez que há bairros com famílias mais estruturadas, e os alunos que provêm destes tem uma base melhor, o que leva a um trabalho sem muitas dificuldades, mas na atual escola em que atua há uma “clientela” mais carente, com 60% de crianças mais necessitadas, e é na gestão, forma de gerenciar em lidar com a família, da falta de recursos, que muitas vezes tem que pedir ajuda a prefeitura: “mas graças a Deus aqui em Regente a prefeitura sempre está atendendo ao básico e até materiais que as crianças não conseguem trazer, a prefeitura nos socorre, ela nos ajuda...”. A Diretora/Gestora 2, afirmou várias vezes que tem seu trabalho acompanhado pela Divisão Municipal de Educação, ou seja, tem recebido atenção devida em seu trabalho, além disso, os cursos realizados são para gestores e professores e todos que compõem o trabalho escolar. Também argumenta: “errei muito no início de carreira, achei que era da forma que eu pensava, com o apoio da dirigente de ensino e supervisora, erra-se menos. Fui melhorando no decorrer...”. É possível notar que a Diretora/Gestora 2, enfatiza bem que, houve e há cursos oferecidos pelo município e que mudam para melhorar o trabalho dos gestores. Os coordenadores têm formação a cada 15 dias, neste caso menciona 60 que: não só os gestores tem formação é para todos os professores, diretores tem formação e podem ir e tirar dúvidas com as assessoras da divisão municipal, temos apoio. A Diretora/Gestora 3, nos traz informações já observadas nas entrevistas anteriores, mas com novos elementos, segundo ela, as assessoras vão até a comunidade para orientá-la, inclusive a supervisora sempre vai, e que em âmbito municipal é bem assistida, já que, estão mais próximos, diferente do âmbito Estadual e Federal. Informou-nos também que há formadores na Secretaria de Educação e uma coisa muito peculiar as entrevistadas, foi o prazer em falar do município e da secretária de educação, as diretoras/gestoras ressaltam que são bem assessoradas no trabalho realizado, em momento algum durante as entrevistas, houve aglomerações de pais ou qualquer reclamação da escola, ao contrário, uma mãe que chegava à escola, e enquanto esperávamos nossa vez de ser atendidos, Dona Geralda, disse: graças a Deus temos essa escola boa, se não fosse ela ia ser difícil. A Diretora/Gestora 5 além das questões respondidas tece reflexões acerca das relações que emergem dentro do ambiente escolar, como o dia a dia de trabalho, que precisa de entendimento de lei, de saber lidar com pessoas, uma vez que, se trabalha com diversos públicos, pois a escola tem parcerias com outros órgãos, nesse caso com pessoas que vem da área da saúde para a escola em tempo de campanha, e também do Conselho tutelar. Ante as questões que ultrapassam nossas leituras e dados colhidos, podemos refletir que a Diretora/Gestora 5, pensa que, não se pode negar a ninguém sua maneira de falar, suas angústias e emoções, suas lutas por um mundo melhor, mesmo que seja, o pequeno que se vive, mas com expectativas de melhorias, porque, ainda que, mesmo sem querermos ser, somos políticos, pois os anseios e até mesmo nossas brigas dentro de nós compõem um ato político, que nos conduz não nos abater ante os encalços e percalços de nossas lutas. Há nesta entrevista a corroboração desta Diretora/Gestora 6 para com outras entrevistadas, no caso da pós-graduação, em suma, todas feitas por instituições particulares custeadas por meios próprios. Algumas questões ficaram um pouco vagas, mas deu para apreender que esta, participou e participa de cursos de formação e outros, ambos oferecidos pelo município, inclusive afirmou 61 por diversas vezes que há sempre cursos de formação, ou ao menos palestras para gestores. A cerca da Gestora/Diretora 7, apesar de que esta tenha mencionado ter feito alguma preparação na Secretaria de Educação, ainda assim, é pouco e refletindo a sua angústia e emoção ao falar podemos assim aduzir: “Nem tudo que parece é o que vemos”, esse velho ditado popular nos traz a mensagem de que nem tudo o que reluz é ouro e como acrescentado, por trás do dito há o não dito, a impressão não é a primeira que fica, uma vez que, são muitos dizeres, muitas vozes que ao serem emitidas trazem cada um o discurso que também implícito diz que sou de A ou sou de B, e recorrendo aos pensamentos populares, ainda que simples, poucas palavras bastam para um bom entendedor. As verdades são muitas, pois mutáveis são as diversas realidades de cada espaço geográfico e físico, que conquistado por leis decretos, canetas e papéis fundem-se a fatos de nossas vidas. Uma resposta pode até parecer errada do ponto de vista de um, certa para outro e confusa para quem de longe “enxerga de olhos fechados”. Lück (2011) ressalta que, a escola é uma teia de relações e comunicação e isso é caracterizado pelas crenças, valores, suposições, expectativas, emoções e sentimentos. Isso vai dizer como as decisões são tomadas, se aceitas ou não. Por meio de uma capacidade aguda de compreender o clima e a cultura da escola. A relação de cursos realizados no município com a prática de gestão é íntima, pois houve contribuição para o trabalho, mas se faz necessário sempre um olhar diferenciado para cada escola, pois nenhuma é ilha. Para as diretoras/gestoras, as pessoas não são uma máquina para executar funções, são pessoas, seres humanos, as pessoas não são programáveis, o seu crescimento passou por dificuldades, pois a área de gestão exige muito conhecimento e muito discernimento. Nessa entrevista pode ser observado o cuidado que as diretoras/gestoras tem com o corpo escolar, como é salientado por Lück (2011), que tem essencial importância à forma de olhar, o tom de voz, gesto e postura, como o momento escolhido para uma intervenção do Diretor/Gestor. A escola contém um conjunto de valores e hábitos próprios e simbólicos muitas vezes arraigados em suas práticas diárias de convivência, logo, contendo pessoas com distintas personalidades. 62 4 PONDERAÇÕES ACERCA DE POLÍTICAS EDUCACIONAIS As reflexões acerca de políticas educacionais possibilitada pelo estudo das correlações e indicadores educacionais funcionam como resultados de ações educacionais e trazem contribuições proeminentes para formação dos gestores. Desse modo, acreditamos que estasreflexões nos trazem muitas discussões acerca da gestão escolar (gestor/diretor). No campo da educação, os indicadores possibilitam melhores formulações de políticas em diferentes áreas do governo para oferta educacional, como permite o aprofundamento de pesquisas a respeito de diferentes dimensões da realidade escolar. Para Jannuzzi (2005, p. 141) Comunicabilidade é outra propriedade importante, com a finalidade de garantir a transparência das decisões técnicas tomadas pelos administradores públicos e a compreensão delas por parte da população, dos jornalistas, dos representantes comunitários e dos demais agentes públicos. Estudos nacionais e internacionais em sociologia demonstram que em determinado contexto social, econômico e cultural a família tem significativa importância no desenvolvimento do aluno, enquanto o sistema de educação pode promover a eficácia e equidade na oferta educacional. Uma vez que, o trabalho desenvolvido na escola, pode oferecer sucesso escolar em contextos em que estes não seriam previstos, o que motiva os estudos acerca de fatores extraescolares, Soares (2007, p.153) menciona que: [...] dentro da escola há dois importantes processos que interagem para a produção do desempenho dos alunos: a gestão escolar e o ensino. Nesse sentido, a gestão, responsabilidade da direção da escola, tem como função administrar o projeto pedagógico da escola, as pessoas que constituem a comunidade escolar e os aspectos físicos e financeiros da organização escolar. Dessa maneira, a ação da gestão implica garantir o funcionamento da escola “de forma que os recursos nela existentes possam ser usados para atender às necessidades de aprendizagem dos alunos”. A escola é composta por um conjunto organizacional, cada uma com suas funções hierarquizadas, desempenhadas por diferentes sujeitos. Os objetivos são específicos, o que concorre para a realização do objetivo central, assim o diretor/gestor se apresenta como a pessoa de responsabilidade geral do corpo escolar, sendo que seu trabalho pode ser definido da seguinte forma; garantir o bom funcionamento da instituição escolar (SAVIANI, 2007). 63 É admissível afirmar que, de acordo as atuais cobranças por uma educação de qualidade, também há a multiplicação de exigências sobre a direção/gestão, por isso a relevância em formação continuada para esta classe, uma vez, a formação inicial nem sempre atende as cobranças do cargo (LÜCK, 2000). Numa perspectiva acerca das políticas educacionais para formação continuada de diretores, que desempenham papéis acima mencionados, pode-se perceber que há diretores/gestores de escolas em Regente Feijó, que tem capacidade de conduzir suas respectivas escolas a promoção dos saberes necessários aos seus educandos. Gráfico 1 – Resposta de entrevista estruturada, Diretora/Gestora I Fonte: O autor. Segundo questionário representado no gráfico 01, a gestora participou de 44% de cursos realizados pelo Município, 56% representam cursos não realizados por Governo Federal, Estadual, ONG, Iniciativa privada e questões não respondidas. Gráfico 2 - Resposta de entrevista estruturada, Diretora/Gestora II 64 Fonte: O autor. Conforme questionário representado no gráfico 02, a gestora participou de 33% de cursos realizados pelo Município, 67% representam cursos não realizados por Governo Federal, Estadual, ONG, Iniciativa privada e questões não respondidas. Gráfico 3 - Resposta de entrevista estruturada, Diretora/Gestora III Fonte: O autor. De acordo questionário representado no gráfico 03, a gestora participou de 56% de cursos realizados pelo Município, 44% representam cursos não realizados por Governo Federal, Estadual, ONG, Iniciativa privada e questões não respondidas. 65 Gráfico 4 - Resposta de entrevista estruturada, Diretora/Gestora IV. Fonte: O autor. Conforme questionário representado no gráfico 04, a gestora participou de 56% de cursos realizados pelo Município, 44% representam cursos não realizados por Governo Federal, Estadual, ONG, Iniciativa privada e questões não respondidas. Gráfico 5 - Resposta de entrevista estruturada, Diretora/Gestora V. Fonte: O autor. Conforme questionário representado no gráfico 05, a Diretora/Gestora participou de 44% de cursos realizados pelo Município, 56% representam cursos não realizados por Governo Federal, Estadual, ONG, Iniciativa privada e questões não respondidas. 66 Gráfico 6 - Resposta de entrevista estruturada, Diretora/Gestora VI. Fonte: O autor. Conforme questionário representado no gráfico Vl a gestora participou de 67% de cursos realizados pelo Município, 33% representam cursos não realizados por Governo Federal, Estadual, ONG, Iniciativa privada e questões não respondidas. Gráfico 7 - Resposta de entrevista estruturada, Diretora/Gestora VII. Fonte: O autor. Conforme questionário representado no gráfico Vll a gestora participou de 33% de cursos realizados pelo Município, 67% representam cursos não realizados por Governo Federal, Estadual, ONG, Iniciativa privada e questões não respondidas. 67 Gráfico 8 - Resposta de entrevista estruturada, Diretora/Gestora VII. Fonte: O autor. Segundo as informações no gráfico geral, 51% dos Diretores/Gestores que participaram da entrevista, disseram que realizaram cursos oferecidos pelo Município, 49% representam cursos não realizados por Governo Federal, Estadual, ONG, Iniciativa privada e questões não respondidas. Todavia, podemos atestar por meio desta pesquisa que todos os Diretores/Gestores participam de algum curso realizado pelo município de Regente Feijó. 4.1 Progestão como políticas públicas de formação continuada Trataremos neste capítulo o Progestão como políticas públicas de formação continuada de gestores de escola, no âmbito municipal, uma vez que, o Progestão é parte importante na profissionalização de Diretor/Gestor escolar. Todo educador passa pelo processo de especialização, amadurecimento de seu saber pessoal e profissional, já que, ganha experiências no trato diário com outras pessoas de sua área de trabalho, como avalia Paro (2000), a formação do educador/diretor/gestor não acaba, as possibilidades de novos entendimentos, novos contornos de formação estão sendo revistos, remodelados a todo instante. A prática de gestão é sempre mediadora, pois está entrelaçada entre o conhecimento e o procedimento metodológico que possibilita uma interação construtiva entre os indivíduos que permeiam o espaço escolar. Da mesma forma que é desgastante para o professor em sala de aula, também o é para o Diretor/Gestor escolar realizar seu trabalho, à docência não 68 está fácil, nem tão pouco a gestão de uma escola, a ampliação do atendimento à população pela escola trouxe vários desconfortos sociais, pois se mostrou insuficiente para atender e garantir a qualidade de ensino para todos, principalmente para a classe desprivilegiada, “ante a isso a escola continua como agente de exclusão social”, de modo que, não diferencia os fatores de necessidades sociais, pessoa de cada aluno, e todos tentam aprender de uma só forma, mas com condições socioculturais totalmente diferentes da realidade. Um Diretor/Gestor, não consegue fazer milagres, mas pode observar o seu contexto geral escolar e produzir redes de conhecimentos que procurem minimizar e até sanar as questões relacionadas ao ensino-aprendizagem em seu espaço escolar. Para que o Diretor/Gestor se aproprie de conhecimentos pertinentes a sua área de atuação há a necessidade de formação contínua, ou continuada, pois como já dito, estamos sempre em formação por causa da remodelagem dos padrões tecnológico e socioculturais. Em nosso trabalho, ouvimos muito acerca do programa PROGESTÃO, que surgiu por volta da década de 1990, ejunto a este o Programa Nacional de Escola de Gestores da Educação Básica Pública, que surge a partir de 2005. Os dois programas tiveram como objetivo, a formação e qualificação de Diretores/Gestores de escola, estes cursos foram oferecidos à distância para contribuir com a formação dos profissionais que se dedicavam a gestão escolar, e colaborar com a melhoria da qualidade da educação básica escolar. Mas é preciso realçar que nem todos os cursos de formação continuada de Diretor/ Gestor, estão alinhados com a realidade educacional da escola e do município, pois, ainda há práticas de modelos fincados numa visão tradicional de administração escolar. Os novos discursos acerca das possibilidades de interação democráticas da educação se movem em torno das especificidades pedagógicas, a qual tem como base o desenvolvimento de consciências, valores e direcionamento das relações entre pessoas, nesse processo é almejado o desejo de aprender, mas passar o que foi aprendido ao longo da humanidade. É possível entender que a Direção/Gestão da educação perpassa por um modo que vem englobando cada vez mais a articulação entre múltiplos interesses, como a administração de conflitos, o respeito à diversidade e as atividades democráticas, não negando a importância das técnicas administrativas que são muitos importantes no trabalho de uma gestão escolar. 69 Paro (2010) argumenta que a educação tem seus objetivos, todavia não diferentes da empresa capitalista, mas antagônicos a eles. Nisso a primeira faz mediação para humanização do ser na busca da liberdade e dos valores universais, ao passo que a segunda, se opõe aos interesses da maioria e faz uso da dominação, o que transita no âmbito das necessidades, ou seja, é meramente competitiva, capitalista, visando o lucro e não o desenvolvimento humano-social. Assenta-se a esse esta visão o que explana Sander (2005), que a gestão democrática não se finda na atitude democrática, mas que também demanda de métodos democráticos reais no trato da democracia, pois é necessária a criação de oportunidades para educação cidadã, como trabalho e aprendizado coletivos a educação no intuito de desenvolver a interação participativa que faz refletir e fazer o aprendizado como uma estratégia de ação humana e social, junto às execuções de políticas educacionais, somente assim, há a possibilidade para o fortalecimento da democracia na escola como o enriquecimento de nossas memórias educativas para posteridade. Em termos legislativos e até mesmo práticos para realização de uma real gestão democráticas das instituições de ensino, pode-se deduzir que, mesmo diante do caráter formalista que adquiriram, houve avanços significativos, uma vez que, podemos presenciar nas instituições seus conselhos participativos, uma garantia mínima, mas significativa para transparência do trabalho na gestão escolar. Esses avanços não podem servir para baixar a guarda ante a real necessidade civil (GRAMSCI, 2017), é preciso compreender que a luta é diária entre o que é instância civil e governamental para desenvolvimento e planejamento de políticas públicas que respondam as questões pertinentes e demandas da população, e que se efetivem em prática social. Um Diretor/Gestor enquanto pessoa que se relaciona com outros espíritos, necessita de formação política, de informação de conhecimento do que acontece em seu meio escolar e social, como estar envolvido em instâncias de debate e deliberações, definições coletivas e claro conhecer as regras, leis que regem seu trabalho, de modo a poder argumentar e acompanhar o que se passa e não antecipar ações que necessitam de tempo, já que, uma determinação antecipada pode afetar sua gestão e por ser morosa atrasará outras decisões. Quando pensamos a democratização da escola, do ensino, também se sugere realçar sua objetividade, sua função social, numa visão de, para que e 70 para quem serve, e propor uma adequada educação de qualidade (PIANA, 2009). Como isso a participação de todos, dos membros da escola, a possibilidade do coletivo se torna mais forte, desse modo assegura Lück (2000, p.13) que: A institucionalização da democracia e, simultaneamente, o aprimoramento da eficiência e da qualidade da educação pública têm sido uma força poderosa a estimular o processo de mudanças na forma de gerir escolas no Brasil. A participação da comunidade escolar, incluindo professores, especialistas, pais, alunos, funcionários e diretor, é parte desse esforço que promove o afastamento das tradições corporativas e clientelistas, prejudiciais à melhoria do ensino por visarem ao atendimento a interesses pessoais e de grupos. Para Piana (2009), e educação traz a busca do ser humano a amoldar-se da cultura, apropriar-se do conhecimento produzido ao longo dos tempos. E a escola é o lugar ideal para a socialização do conhecimento, do saber e de como organizar as práticas educativas que levam o sujeito a uma formação ética, participativa tornando-o crítico e criativo. E essa é a função da escola, de contribuir para a disseminação do saber e também para a produção de novos conhecimentos, consistindo no meio escolar, espaço de relevância democrática da escola e da gestão escolar. Por outro lado, podemos ver a escola como autônoma, haja vista que, a autonomia da escola é, pois um aprendizado de democratização do ambiente público, que delega ao Diretor/Gestor e aos agentes pedagógicos da escola, “meios”, para dar respostas ao cidadão, sendo alunos, pais, ou membros da comunidade, a quem a instituição serve. Isso para não os levar a outros órgãos distantes onde não possam ser atendidos (NEVES, 2008). 4.2 Progestão e a formação de Diretores/Gestores Como aditado usamos os termos Diretor/Gestor conforme Prado (2012), uma vez que, foram os ideais democráticos responsáveis pela substituição e terminologia usada. Dessa maneira e de acordo ao uso do termo, Prado (2012, p.25) apresenta o seguinte pensamento acerca de Diretor, por Gestor: [...] o vocábulo “diretor” (não necessariamente as práticas) é substituído não só na legislação, mas também na produção acadêmica que se sucede no período, por “gestor”, aquele que administra as tensões, que se envolve em todas as áreas da escola, que aproxima as questões burocrático-administrativas das pedagógicas e de pessoas, que delega poderes e tarefas, enfim, aquele que enxerga as especificidades da administração escolar para além da administração empresarial e que é (ou deveria ser) “democrático”. 71 As políticas de formação de Diretor/Gestor escolar, por meio do Progestão, estão alinhadas a uma diversidade de práticas pedagógicas como de conhecimentos necessários ao trabalho de cada um. E seu eixo transcorre pelos caminhos da gestão democrática, estando organizado da seguinte forma, unidades e temas didáticos, com objetivos específicos apresentados cada um conforme o assunto abordado na unidade e divididos em Cadernos de Estudos e nos Cadernos de Atividades. Este trabalho foi elaborado por 23 especialistas de várias universidades do país. Assim podermos citar Mariza Vasques de Abreu, Esmeralda Moura, Luiz Fernando Dourado, Marisa Ribeiro Teixeira Duarte, Sônia Teresinha de Souza Penin, Sofia Lerche Vieira, Claudia Leme Ferreira Davis, Marta Wolak Grosbaum, Juliane Corrêa Marçal, José Vieira de Souza. As atividades nos módulos tratam de da vida no dia a dia da escola como: ● Módulo l - Como articular a função social da escola com as especificidades e as demandas da comunidade? ● Módulo ll - Como promover, articular e envolver a ação das pessoas no processo de gestão escolar? ● Módulo ll - Como promover a construção coletiva do projeto pedagógico da escola? ● Módulo lV - Como promover o sucesso da aprendizagem do aluno e sua permanência na escola. ● Módulo V - Como construir e desenvolver os princípios da convivência democráticana escola? ● Módulo Vl - Como gerenciar os recursos financeiros? ● Módulo Vll - Como gerenciar o espaço físico e o patrimônio da escola? ● Módulo Vlll - Como desenvolver a gestão dos servidores na escola? ● Módulo lX - Como desenvolver a avaliação institucional da escola? ● Módulo X - Como articular a gestão pedagógica da escola com as políticas públicas da educação para a melhoria do desempenho escolar? Esse trabalho está agrupado em quatro áreas do conhecimento pedagógico acerca da gestão, assim: 72 1. Os módulos I lll e lX ponderação sobre a identidade institucional da escola; 2. Os módulos lll e lV ensino e aprendizagem; 3. Os módulos II V e VIII realçam o clima organizacional entre pessoas das comunidades e com a comunidade escolar; 4. Os módulos Vl, Vll e Vlll, tecem acerca do trabalho na gestão dos servidores, dos recursos financeiros e dos bens da escola, junta se a quarta área o módulo X, as políticas públicas de educação para melhoria e desempenho escolar. O Progestão almeja o desenvolvimento dos gestores, de sua liderança, de conduzir os processos de uma educação de qualidade, junto a uma proposta coletiva, engajada a aprendizagem pedagógica. Dessa maneira se poderá conceber uma formação cidadã, dentro do espaço democrático escolar. Tanto os estados como municípios que aderiram ao programa, tiveram que adotar também a tutoria como sistema de aprendizagem com professores habilitados para tal e atendendo as especificações indicadas no site do CONSED12. Assim o atendimento poderia ser individual, ou em tutoria coletiva, seguindo o atendimento com equipes de uma escola, ou escolas diferentes para orientações, esclarecimentos e dúvidas, estando à tutoria presente nos encontros presenciais. Também estados e municípios poderiam aderir ao programa, adequando o formato do Progestão a sua realidade, por isso a diferença do formato em outros estados e municípios. O Programa de Capacitação para Gestores Escolares – PROGESTÃO – foi iniciativa do Conselho Nacional de Secretários de Educação, o CONSED. O modelo de financiamento foi consorciado, como apoio cooperativo da Fundação Ford, UNED – Universidade de Educação a Distância da Espanha e Roberto Marinho, qual sua contribuição na produção de vídeos do programa. O objetivo do Progestão foi à melhoria da qualidade na gestão da escola pública e democrática, formação de lideranças, sendo seu foco o sucesso escolar e a aprendizagem dos alunos. O formato original do curso poderia ser realizado numa carga horária de 270 horas, divididas em 9 módulos, mas em 2010 passou a ter 300 horas com o acréscimo do módulo 10, distribuídas em estudos a distância e encontros 12 Ver: http://consed.org.br/consed/gt-gestao-escolar/produtos 73 presenciais, como o programa era modular, havia material impresso, vídeos e apoio tutorial. Muitos estados que aderiram ao Progestão, fizeram parcerias com instituições superiores no intuito de emitir um certificado de pós-graduação lato sensu com uma carga horária mínima de 360 horas, acrescentando estudos de metodologia da pesquisa e elaboração de monografia. De acordo com Scotuzzi (2008), embora muitos estados tivessem aderido essa metodologia de formação de gestores em curso de pós-graduação, o Estado de São Paulo, não disponibilizou essa modalidade aos seus gestores e estes receberam apenas o certificado de curso de extensão com carga horária de 300 horas e de estudos cumpridos, sendo relativos a 30 horas de expansão. A autora relata ainda que: Os Estados que ofereceram o curso complementar foram: Amazonas (Universidade Estadual do Amazonas, Fundação de Amparo à Pesquisa no Amazonas), Ceará (Universidade Estadual do Ceará e Universidade Estadual de Santa Catarina), Pará (Universidade do Estado do Pará, Universidade da Amazônia e Centro de Estudo Superior do Pará), Piauí, Rio de Janeiro (Universidade Federal de Juiz de Fora e Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação), Rondônia (Universidade Federal de Rondônia), Santa Catarina (Universidade Estadual de Santa Catarina) e Sergipe (Faculdade Pio X e Faculdade de Administração e Negócios de Sergipe). (SCOTUZZI, 2008, p. 98). Conforme a mesma autora, o Estado de São Paulo foi o último a aderir ao Programa devido ao grande número de diretores/gestores, vice-diretores e professores coordenadores pedagógicos, avaliados como equipe gestora para inscrição no Programa, cerca de 20.000, em 2005 e 2006. Ocorreram muitas mudanças na gestão escolar no contexto da redemocratização no país em 1990, essas mudanças nas composições educacionais na visão de Lück (2000), estiveram sobre dois modelos de gestão, o diretivo-autoritário e o modelo participativo-consultivo. O modelo diretivo-autoritário seguiu uma administração do trabalho fragmentado e sua centralidade é inspirada em modelos Tayloristas, tecnicista, fazendo separação entre pensamento e ação, com decisões verticais, gestão da eficiência que não tem espaço para participação, apena para execução, já no modelo participativo-consultivo, a gestão é vista como participativa e integra a vivência de gestores com o todo da escola, sendo também um grande desafio atual, já que, é um processo de política social, visando à distribuição de poder condição da escola a uma identidade institucional 74 constituída e organizada pelos seus membros mediante a gestão compartilhada com a construção da autonomia e do coletivo escolar (LÜCK, 2000). O Progestão como processo de formação de Diretor/Gestor tem como base a gestão democrática da escola pública, uma vez que, as práticas organizadas e participativas cooperam para a autonomia do corpo escolar. Conforme Dourado e Duarte (2001, p. 72): A autonomia pedagógica, administrativa e de gestão financeira é processo construído coletivamente, sem perder de vista as diretrizes estabelecidas pelos sistemas de ensino e as condições para viabilizá-la na forma da lei. Assim, autonomia, é vista como a possibilidade e a capacidade institucional de as escolas implementarem projetos pedagógicos próprios, vinculados ao anseio dos segmentos que a compõem e articulados ao seu sistema de ensino e às diretrizes nacionais para a educação básica. Essa autonomia pedagógica e administrativa realizada em coletividade é orientada no curso do Progestão, que versa sobre o PDE, instrumento de planejamento que orienta e auxilia a escola em seu direcionamento de como encontrar e chegar aos seus objetivos, definindo o que é a escola, sua pretensão, aonde quer chegar, de que forma e com quais recursos. Sendo um processo difundido pela liderança da escola para o alcance de uma posição almejada, de um jeito mais eficiente e eficaz, com a melhor concentração de energias e de recursos, Brasil (2006, p. 20). O PDE auxilia diretores/gestores a analisar o desempenho da escola, processos, relações interescolar e extraescolar, proporcionando reflexão acerca dos valores, missão, qualidade de funcionamento e resultados. Nesse caso, Ferraz (2012) entende que, o PDE é alicerce desse diagnóstico, pois analisa se é possível projetar o futuro da escola, definir aonde quer chegar, que estratégia tomará para conseguir seus objetivos, como e quem serão os atores envolvidos no procedimento. 4.3 Progestão e sua contribuição para formação continuada de Diretores/Gestores do Município de Regente Feijó. Segundo entrevistas com Diretores/Gestes de escolares de Regente Feijó, podemos perceber que um dos nomes de cursos mais citados por estes, foi o Progestão, para estes, o curso ajudou-os na parte pedagógica, de recursos serviços, apontadas como conhecimentos importantes e como elementos que 75 fazem partes da gestão e financeiro da escola, como as boas práticas realizadas a partir da formação em serviço. Não se pode definir bem a data precisados cursos realizados pelo Diretores/Gestores mesmo com a entrevista semiestruturada, pois uns fizeram em um tempo e outros em outro tempo, mas dentro dos parâmetros da pesquisa de 2009 a 2018. Mas podemos observar na fala das entrevistadas, a citação de abordagens do curso Progestão, como a gestão dos recursos financeiros, patrimoniais, aprendizagens dos alunos, avaliação e processo no ensino- aprendizagem. E também argumentaram acerca da função social da escola, muito debatida no módulo l que faz reflexão acerca do papel da escola no mundo contemporâneo e sobre o sentido de compreender seu desempenho social. Neste módulo l as unidades se dividem da seguinte maneira: Unidade 1: Por que é importante conhecer o papel da escola no mundo contemporâneo? Unidade 2: Como fica a escola na sociedade do conhecimento? Unidade 3: O que a escola tem a ver com a democracia? Unidade 4: Como a escola e a comunidade se articulam? Unidade 5: Escola e cultura: que tipo de relação é esta? A maioria das Diretoras/gestoras argumentaram que até hoje ainda recorre aos cadernos (módulos do Progestão), conforme destacam: Diretora/Gestora I - A respeito dos cursos na área de gestão enquanto diretora, disse que teve um curso longo, foi o Progestão, ainda quando era professora, pois haviam sobrado vagas então participou isso foi por volta de 2009 e 2010. Foi um curso que somou muito. Diretora/Gestora llI - [...], pois a escola é pequena, por isso sempre procura adequar, usando as mesmas ideias, mas de acordo a sua realidade, os cursos serviram, pois ajudaram, e Progestão até então ainda é utilizado, visto que, ajuda em alguns esclarecimentos. Diretora/Gestora VI - Como disse foram muitos cursos, mas o Progestão eu ainda consulto, pois tem muitas coisas que ainda estou aprendendo, ainda tem os 76 cursos e palestras oferecidos pela prefeitura para gestores e a Secretaria de Educação está sempre à disposição para nos atender. Apesar de não lembrarem no momento de nomes de outros cursos, o Progestão foi único a ser citado pela maioria das diretoras/gestoras, quanto sua importância e contribuição para o trabalho que desempenham da rede. Igualmente afirmaram participar de algum curso oferecido pela Secretaria de Educação do Município. Também a secretária de educação nos informou que, a despeito de não estarem com documentos de cursos referentes à gestão presente, muitos cursos foram realizados anteriormente, tanto na gestão passada como na presente, e disse que iria documentar e arquivar os cursos realizados Município. Motivo pelo qual não foi possível fazer a análise documental, optando apenas pelas entrevistas em campo. O Progestão foi como um divisor de águas, pois separou o antes e depois, como em alguns depoimentos, quais os entrevistados relataram que, antes do curso agiam de um modo e após o curso, começaram a rever suas atitudes e formas de realizar a gestão da escola, como suas ações em relações humanas. Essa forma de trabalho pedagógico na gestão escolar é também tema abordado no módulo ll do Progestão, que é a promoção, articulação, envolvimento e ações das pessoas no processo de gestão. Esse módulo também trata da relação democrática na escola, articulada a LDB, destacando os seguintes artigos desta lei: Art. 14 os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; II – participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. Art. 15 os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro público. Olhando para o lado prático, cada sistema de ensino autonomia das normas para sua gestão democrática, para tanto requer a participação dos profissionais, assegurando a preparação de todos na elaboração de um projeto escolar participativo, assim Dourado e Duarte, (2001, p.35) delibera que: 77 A gestão das escolas e dos sistemas de ensino deve contar com a participação de pais, alunos (comunidade escolar) e professores, mas também com representantes das associações comunitárias do poder público e de outras entidades existentes em seu estado ou sua cidade (comunidade local). Podemos inferir que a gestão democrática se faz no exercício da cidadania de pais, alunos, professores, funcionários e, também, com demais entidades ou pessoas representativas da comunidade local. Não há escolas sem pessoas, como não escolas sem conflitos, pois com tudo, ainda é na escola que podemos aprender que viver em sociedade é aprender todos os dias a viver em comunidade, com diferenças, valores, morais, crenças etc. 78 CONSIDERAÇÕES FINAIS A educação, especialmente nestes últimos anos tem tido um olhar diferenciado pelos governos brasileiros, e juntamente com a opinião pública, o que inclui os próprios estudantes, os educadores, gestores, pais e outros segmentos sociais passam a serem debatidas sob diversos aspectos, virtualidade e tecnologia, divisões “contradição, determinação, reprodução, mudança, trabalho, práxis, necessidade, possibilidade aparecem frequentemente na irrealidade pedagógica contemporânea, marcando uma esperança da educação na miragem da pedagogia da práxis” mesmo com a insipiente falta de acesso à tecnologia por muitos brasileiros, Gadotti (2000). As políticas públicas são debatidas a partir de diversas abordagens, para refletir a complexidade da formação continuada de diretores/gestores escolar recorremos à pesquisa documental e entrevista estrutura, no intuito de compreender em que medida as atividades de formação continuada oferecidas aos diretores de escola do município de Regente Feijó-SP correspondem às suas necessidades formativas. Para tanto retomamos nesta pesquisa alguns aspectos teóricos acerca das políticas públicas para o processo de formação dos profissionais que compõem a gestão escolar. Como resultado acerca das necessidades formativas dos gestores, nos processos formativos, o estudo apontou que, no tocante as Políticas Educacionais, há certa cumplicidade entre Direção Municipal de Ensino e gestão escolar, corroborando com limites e impossibilidades do trabalho do Diretor/Gestor escolar, uma vez que na expressão de suas falas também encontramos possibilidades latentes da construção de meios, opções que transpõem os limites impostos pelo gerencialíssimos, numa constante luta por melhoria continua, pois além de vozes e sujeitos envolvidos na escola, esta, também carrega o nome da Diretora/ Gestora. A pesquisa demonstrou também que há políticas públicas para formação de diretores/gestores do Município de Regente Feijó - SP, correspondem às suas necessidades formativas, conforme dados acima. Embora o estudo tenha demonstrado que o Município de Regente Feijó tem realizado políticas de formação para diretores/gestores, materializados em suas práticas de gestão escolar, prevalece nesta esfera, um caráter fragmentado de ações, compostos de melhorias e anacronismos. Todos os cursos realizados 79 pelo Município levaram a transformação da forma de direcionar/gerir uma escola, pois é nesta construção de conhecimento e socialização que há a possiblidade do surgimento de novos saberes, emergidos do próprio contexto de trabalho para toda sociedade. Não conseguimos encontrar documentos na secretária que mostrassem dados referentes aos cursos de formação continuada para Diretor/Gestor escolar, por isso partimos para pesquisa de campo onde colhemos os respectivos dados para o términoda pesquisa. Ante a correria para realizar as pesquisas refletimos igualmente que, uma resposta pode até parecer errada do ponto de vista de um, certa para outro e confusa para quem de longe “enxerga de olhos fechados”. Quando as questões inquietam o ser e os deixam de olhos fixos e expressões duras de quem sofrem na carne e na subjetividade, deixam vazar entre os dedos, e a rigorosidade de seu corpo, a sua intensa angústia ante o dizer, o dito e o não dito, entre olhar para o espelho e dizer é de vidro, ou de olhar para si e dizer, posso até ser matéria, mas ante a minha vivência posso me quebrar também. Em meio às pausas de silêncio e o distanciamento do eu, se apreende a aparente sensação de que algo melhor ainda está por vir e entre o mais ou menos, se pode ainda chegar “ao bom, ao melhor e ao é assim, tudo está bem”. De qualquer forma a palavra pode ser uma arma e nem tudo é máxima, verbalizado, há sempre subordinados a algo, ou a alguém e como marca de ferro em gado, vivemos em um mundo que não de Alice, mas político. Assim, a pouca sustentação de muitas palavras que soam positivas e verdadeiras ficam bambas e como medrosos frágeis travestidos de gigantes, desabam de suas pernas de madeira. 80 REFERÊNCIAS ABRUCIO, F. L. (coord.). Formação de professores no Brasil: diagnóstico, agenda de políticas e estratégias para a mudança. São Paulo: Moderna, 2016. AMARAL, D.; MANN, M. Formação em serviço de gestores escolares a distância: a experiência na UFRJ. In: CAVALIERE, A. M.; SOARES, A. J. G. (orgs.). Educação pública no Rio de Janeiro: novas questões à vista. Rio de Janeiro: Mauad X Faperj, 2015. p. 237-250. ANFOPE. Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação. Proposta de Novas Diretrizes Curriculares para o Curso de Pedagogia. Belo Horizonte, 2000. BRASIL. Constituição (1988). 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Curitiba: Appris, 2013. 86 APÊNDICE – QUESTIONÁRIO Roteiro de questões a serem apresentadas aos sujeitos da pesquisa 1- O(a) senhor(a), enquanto gestor(a), participou, entre os anos de 2009 a 2018, de algum processo formativo oferecido pelo município de Regente Feijó? 2- O(a) senhor(a), enquanto gestor(a), participou, entre os anos de 2009 a 2018, de algum processo formativo oferecido pelo governo estadual? 3- O(a) senhor(a), enquanto gestor(a), participou, entre os anos de 2009 a 2018, de algum processo formativo oferecido pelo governo federal? 4- O(a) senhor(a), enquanto gestor(a), participou, entre os anos de 2009 a 2018, de algum processo formativo oferecido por alguma ONG? 5- O(a) senhor(a), enquanto gestor(a), participou, entre os anos de 2009 a 2018, de algum processo formativo oferecido por alguma empresa privada? 6- Em algum processo formativo de que o(a) senhor(a) participou, houve alguma consulta prévia de suas necessidades de formação? 7- Em algum processo formativo de que o(a) senhor(a) participou, houve, durante o processo, alguma consulta de suas necessidades de formação? 8- Em que medida os processos formativos de que o(a) senhor(a) participou corresponderam às suas necessidades de formação? Por favor, detalhe para cada um dos processos formativos frequentados 9- O(a) senhor(a), enquanto gestor(a), mudou de alguma forma a sua prática, em função de algum processo formativo? Por favor, detalhe para cada um dos processos formativos frequentados, assim como para cada um dos aspectos da sua prática que eventualmente foram modificados em cada um deles. SUMÁRIO APRESENTAÇÃO 1.1 Metodologia 2 O DIRETOR/GESTOR E SUA AUTONOMIA 2.1 A gestão escolar, suas concepções e a formação continuada 2.2 Gestão democrática 2.3 Gestão da escola pública e políticas educacionais para formação continuada de Diretores/Gestores 3 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS 3.1 Ações de formação continuada desenvolvidas pelo Município de Regente Feijó-SP 3.2 Observações das gestoras sobre o processo de formação continuada 3.3 Ressalvas de cada encontro 4 PONDERAÇÕES ACERCA DE POLÍTICAS EDUCACIONAIS 4.1 Progestão como políticas públicas de formação continuada 4.2 Progestão e a formação de Diretores/Gestores 4.3 Progestão e sua contribuição para formação continuada de Diretores/Gestores do Município de Regente Feijó. CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS