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Módulo 01 Material Complementar Anestesia Local Atuação dos Vasoconstritores Curso EAD de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial 3 ATUAÇÃO DOS VASOCONSTRITORES Assim como citado anteriormente, muito além da ação local, os vasoconstritores realizam diversas ações no nosso organismo e, por isso, a importância de sabermos a relação de interação dessas substâncias com medicamentos e comorbidades de cada paciente. Desenvolvemos um quadro que descreve todas ações dos vasoconstritores no organismo. Mas, antes disso, é essencial entendermos como é o mecanismo de ativação dessas substâncias para que suas ações fiquem mais claras. Os vasoconstritores utilizados em anestesia local odontológica (com exceção da felipressina) atuam diretamente na ativação dos receptores adrenérgicos. Estes, por sua vez, se dividem em receptores alfa (α) e beta (β). Caso os receptores α sejam ativados, iremos observar a contração do músculo liso dos vasos (ou seja, vasoconstrição) pelos receptores α1 e hipotensão induzida pelo estímulo gerado nos receptores α2. Agora, ao contrário dos receptores α, quando ativamos os receptores β, podemos observar estimulação cardíaca (↑ frequência cardíaca e força de contração) através do β1 e relaxamento do músculo liso (vasodilatação e broncodilatação) pelos β2. Cada vasoconstritor pode atuar de forma mais intensa nos receptores α ou nos β, gerando diferentes reações e isto será descrito no quadro abaixo (Quadro 1). 4 Quadro 1 - Atuação dos vasoconstritores nos diferentes órgãos e sistemas do corpo. ADRENALINA NORADRENALINA LEVONORDEFRINA FENILEFRINA FELIPRESSINA Nos receptores α e β adrenérgicos, mas os efeitos β predominam 90% sobre os receptores α 75% sobre os receptores α e 25% sobre os β 95% sobre o receptor α Estimulante direto da musculatura lisa vascular No miocárdio ↑ débito e a frequência cardíaca Contração da musculatura cardíaca Igual à adrenalina, mas em menor grau Pouco efeito Não há efeito direto Nas células marca-passo ↑ irritabilidade das células marca-passo, causando ↑ incidência de disritmias ↑ irritabilidade das células marca- passo, causando ↑ incidência de disritmias Igual à adrenalina, mas em menor grau Pouco efeito Não possui efeito disritmogênico Nas artérias coronárias ↑fluxo sanguíneo ↑fluxo sanguíneo Igual à adrenalina, mas em menor grau ↑fluxo sanguíneo Em altas doses, pode ↓ fluxo sanguíneo VASOCONS- TRITOR AÇÃO 5 Na pressão arterial SISTÓLICA: ↑ DIAST.: ↓ Se doses muito elevadas, ela ↑ a diastólica. SISTÓLICA: ↑ DIASTÓLICA: ↑ Igual à adrenalina, mas em menor grau SISTÓLICA: ↑ DIAST.: ↑ ---------x--------- Na dinâmica cardio-vascular ↑ PA, ↑ débito cardíaco, ↑ frequência cardíaca, ↑ força de contração = ↓ geral da eficiência cardíaca ↑ PA,↓ frequência cardíaca, ↑ resistência periférica total Igual à adrenalina, mas em menor grau ↑ PA, bradicardia reflexa, vasoconstrição potente ( ↑ resistência periférica) ---------x--------- No sistema respiratório Potente dilatador dos bronquíolos Constrição das arteríolas pulmonares, ↓ resistência das vias aéreas. Igual à adrenalina, mas em menor grau Igual à adrenalina, mas em menor grau ---------x--------- 6 No sistema nervoso central Estimulação do SNC, causando temor e ansiedade, tensão, agitação, cefaleia, fraqueza, tontura, palidez, dificuldade respiratória e palpitação Efeitos semelhantes aos descritos na adrenalina, mas menos frequentes e menos graves Efeitos semelhantes aos descritos na adrenalina, mas menos frequentes e menos graves ---------x--------- ---------x--------- No metabolismo ↑consumo de oxi- gênio nos tecidos, ↑ glicogenólise no fígado e nos mús- culos esqueléticos, ↑ glicemia Essa resposta pode ser obtida com o equivalente a 4 tubetes contendo adrenalina a 1:100.000. ↑ taxa metabólica ↑ consumo de oxigênio pelos tecidos ↑ glicemia da mesma maneira que a adrenalina, porém em menor grau Igual à adrenalina, mas em menor grau ↑ taxa metabólica Outras ações (p. ex., glicogenólise) são parecidas àquelas produzidas pela adrenalina ---------x--------- 7 Outras ações relevantes Produz constrição dos vasos sanguíneos cutâneos. O grau e a duração da isquemia observada após a infiltração de noradrenalina no palato podem levar à necrose dos tecidos moles. Não é recomendada para casos que exijam hemostasia. Utilizada para pacientes com hipertireoidismo ou em uso de inibidores MAO/ antidepressivos tricíclicos. Apresenta ações antidiuréticas e ocitócicas. ↓: significa “diminui”, “reduzido” ou “menor” / ↑: significa “aumenta”, “aumentado” ou “maior” MAO: monoamina oxidase Fonte: Adaptado de Malamed (2013c). Amauri Porto 8 ATENÇÃO: Além dos efeitos sistêmicos, a injeção extravascular de noradrenalina nos tecidos pode produzir necrose e descamação e, por isso, deve ser evitada nas anestesias realizadas na região do palato. Amauri Porto 9 REFERÊNCIAS MALAMED, S. F. Ação clínica de substâncias específicas. In: ______. (org.). Manual de anestesia local. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013a. Cap 4, p. 52-75. MALAMED, S. F. Farmacologia dos anestésicos locais. In: ______. (org.). Manual de anestesia local. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013b. Cap 2, p. 25-38. MALAMED, S. F. Farmacologia dos vasoconstritores. In: ______. (org.). Manual de anestesia local. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013c. Cap 3, p. 39-51. PURICELLI, E. Princípios gerais aplicados ao tratamento cirúrgico-odontológico. In: ______. Técnica anestésica, exodontia e cirurgia dentoalveolar. Porto Alegre: Artes médicas, 2014. (Série ABENO, Odontologia Essencial: parte clínica). Cap 1, p. 13-22. WANNMACHER, L.; FERREIRA, M. B. C. Anestésicos locais. In: _____. (org.). Farmacologia clínica para dentistas. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. 10 EQUIPE RESPONSÁVEL Coordenação Geral Roberto Nunes Umpierre Marcelo Rodrigues Gonçalves Gerência do projeto Ana Célia da Silva Siqueira Coordenação Executiva Rodolfo Souza da Silva Responsável Teleducação Ana Paula Borngräber Corrêa Gestão educacional Ylana Elias Rodrigues Coordenação do curso Adriana Corsetti Taíse Simonetti Conteudistas Adriana Corsetti Taíse Simonetti Elaboração de questionários e testes Adriana Corsetti Angelo Luiz Freddo Taíse Simonetti Gravação das etapas cirúrgicas Adriana Corsetti Carlos Eduardo Baraldi Bruna Pires Porto Camila Longoni Luiza Bastos Nozari Taíse Simonetti Revisores Angelo Luiz Freddo Carlos Eduardo Baraldi Deise Ponzoni Vinicius Coelho Carrard Revisão ortográfica Ana Paula Borngräber Corrêa Angélica Dias Pinheiro Normalização Geise Ribeiro da Silva Projeto gráfico Lorenzo Costa Kupstaitis Diagramação e Ilustração Davi Perin Adorna Lorena Bendati Bello Lorenzo Costa Kupstaitis Michelle Iashmine Mauhs Pedro Vinícius Santos Lima 11 Filmagem/ Edição/Animação Héctor Gonçalves Lacerda Luís Gustavo Ruwer da Silva Camila Alscher Kupac Divulgação Angélica Dias Pinheiro Camila Hofstetter Camini Carolina Zanette Dill Laíse Andressa de Abreu Jergensen Dúvidas e informações sobre o curso Site: www.telessauders.ufrgs.br E-mail: ead@telessauders.ufrgs.br Telefone: 51 3308-2098 ou 51 3308-2093 Esta obra está protegida por uma licença Creative Commons: Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional