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Atendimento
de Precisão
Uma Abordagem Genética 
no Consultório de Nutrição
Prof. André Heibel
Sumário
Apresentação
Autor | Prof. André Heibel
Empresa | Biogenetika
03
Introdução
Nutrição de Precisão
06
Como funciona 
o meu DNA? 08
Nutrigenética 11
Exames Genéticos 15
MTHFR, folato e vitaminas 
do complexo B
FTO, o gene da obesidade
e MC4R
TCF7L2 e PGC-1 alfa
Genes do ciclo circadiano
Os polimorfismos
mais importantes 19
Conclusão 27
Referências 29
01Atendimento
de Precisão
Apresentação 
do Autor 
e da Empresa
01
Prof. André Heibel | 04
O Prof. André Heibel é um nutricio-
nista com ampla atuação em consultó-
rio, ensino e consultoria científica. Sua 
jornada na nutrição começou no 
ensino médio, motivada por sua paixão 
pelo esporte, mas foi durante a facul-
dade que se aprofundou na nutrição 
clínica, área que abraçou desde então. 
Fundador do Genes Nutrição, projeto 
que começou como um grupo de estu-
dos e, ao longo de mais de uma 
década, se transformou em um negó-
cio com alcance nacional.
Com formação internacional pela Rut-
gers, State University of New Jersey, e 
mestrado em bioquímica nutricional 
pela UnB, André combina pesquisa 
científica com práticas clínicas. Como 
professor e palestrante, ele já compar-
tilhou seus conhecimentos com milha-
res de alunos por todo o Brasil. 
André oferece atendimentos nutricio-
nais personalizados, tanto em Brasília 
quanto online, atendendo pacientes ao 
redor do mundo. Suas consultas são 
conhecidas pela abordagem científica 
sólida e pela didática, resultado de sua 
longa experiência como educador.
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Prof. André Heibel | 05
Parceiros
Comerciais
1200
Laudos
Liberados
21k
Estados
do Brasil
26
Países 
no Mundo
8
N ossos 
N úm eros
Desde 2009, a Biogenetika tem sido líder na 
revolução genética, capacitando indivíduos 
a compreender seu DNA e transformar suas 
vidas com conhecimentos individualizados. 
Seja o protagonista da sua jornada de bem-estar 
com os mapeamentos genéticos da Biogenetika!
Se você deseja desbloquear seu potencial 
máximo, viver com vitalidade e tomar decisões 
informadas sobre sua saúde, nossos testes de 
DNA são a resposta. Não espere mais para 
conhecer a você mesmo em nível genético! 
A Biogenetika está aqui para, junto com seu 
profissional da saúde, guiar você rumo a um 
futuro mais saudável e vibrante através do seu 
próprio DNA!
Atendimento
de Precisão02
Introdução 
à Nutrição 
de Precisão
A Nutrição evolui diariamente e 
é fundamental que o nutricio-
nista tenha consigo as ferra-
mentas mais modernas e pre-
cisas disponíveis no momento. 
Durante anos as recomenda-
ções nutricionais e as estraté-
gias dietéticas eram escolhi-
das com base em poucos 
dados associados ao paciente, 
como o sexo e a idade. 
A tecnologia e o crescimento 
de estudos científicos na área 
da genética trouxeram 
novas possibilidades para os 
nossos consultórios.
A compreensão da individuali-
dade humana é ponto de 
partida para concepção de um 
tratamento nutricional ade-
quado. Apesar de exis-
tirem quase oito bilhões de 
habitantes no planeta, nenhum 
deles compartilha as mesmas 
características genéticas e 
bioquímicas, nem mesmo 
gêmeos idênticos.
Com isso, aplicar durante as 
consultas metodologias que 
visam entender melhor das 
particularidades metabólicas 
do paciente facilitam e tornam 
o trabalho de prescrição 
mais preciso.
A Nutrição de Precisão é um 
campo de estudos transversal, 
que deve permear as práticas 
da Nutrição em diferentes 
áreas, como na clínica, na 
esportiva, na materno infantil, 
na comportamental e em qual-
quer outra onde o ser humano 
seja o foco do trabalho.
Ela compreende as áreas 
de genética, estudo do 
microbioma e análise da meta-
bolômica. Neste ebook, focare-
mos nos aspectos genéticos 
que influenciam na absorção, 
metabolismo, transporte e uso 
de diferentes nutrientes e
 xenobióticos, assim como os 
possíveis desfechos clínicos 
decorrentes das alterações 
do seu DNA.
Prof. André Heibel | 07
02
Atendimento
de Precisão03
Como 
Funciona o 
meu DNA?
03
No momento da fecundação, 
50% do material genético do 
indivíduo prestes a ser gerado 
vem da mãe, na forma de óvulo 
e o restante do pai, na forma de 
espermatozoide. A partir daí, 
fica constituída a primeira 
célula com seu genoma – o 
código genético completo, 
com todos os quase 25 mil 
genes que os seres humanos 
possuem. Essa célula se repli-
cará até formar todos os 
órgãos e tecidos do recém-
-nascido e o material genético 
formado na primeira célula 
acompanhará o paciente por 
toda sua vida.
Apesar de sermos 99,5% igual 
em se tratando de padrão 
genético, o 0,5% restante equi-
vale a mais de 16 milhões de 
diferenças na formação de 
enzimas, hormônios, neuro-
transmissores e quaisquer 
outras proteínas que compõe 
nosso organismo.
Essa variabilidade confere 
os aspectos visuais que 
podemos perceber entre 
dois seres humanos, como 
formato do rosto, cor do 
cabelo, tom de pele e outras 
características físicas facil-
mente percebidas. Além das 
diferenças visuais, entenda que 
a construção de proteínas 
também pode variar. Isto é, 
apesar de muito semelhantes, 
o formato da minha insulina 
pode ser ligeiramente diferente 
da sua, e isso confere uma 
diferença de atividade no 
hormônio final.
Além disso, o código genético 
se relaciona com os estímulos 
ambientais como a alimen-
tação, a presença de poluentes 
e/ou contaminantes, a expo-
sição a luz solar, a temperatura 
do ambiente e etc. A interação 
entre padrão genético e 
estilo de vida determinarão os 
desfechos que cada um de nós 
vai enfrentar.
Cada ser humano tem uma 
predisposição genética dife-
rente para cada condição de 
saúde que existe. 
Prof. André Heibel | 09
01
Um mesmo paciente pode ter um 
risco genético muito alto para 
desenvolvimento de doença cardio-
vascular, mas baixo para surgi-
mento de um câncer, por exemplo.
Nosso DNA fica armazenado no 
núcleo celular, que funciona como 
um cofre que protege a molécula, e 
é composto por bases nitroge-
nadas: adenina, timina, citosina e 
guanina. A combinação dessas 
bases funciona como a combi-
nação de letras em um idioma. 
O genoma funciona como uma 
biblioteca, onde cada livro repre-
senta um gene diferente e neles 
estão as instruções para produção 
de uma proteína em seu organismo, 
usando uma sequência específica 
de bases nitrogenadas. Um ser 
humano tem, em média, 3,2 bilhões 
de pares dessas bases.
É justamente aí que mora a ideia de 
variabilidade genética. Pequenas 
diferenças entre meu gene e o seu 
constituem as diferenças físicas 
(fenotípicas) que podemos avaliar 
no consultório.
Prof. André Heibel | 10
A T C A C G T C 
C A G T A G A A 
C A G G G T A T 
G C G G T G C G 
T A A C G G A T 
A A A A T A T T 
T G A A T C A C 
G T C C A G T A 
G A A C A G G G 
T A T G C G G T 
G C G T A A C G 
G A T A A A A T 
A T T T G A A T 
C A C G T C C A 
G T A G A A C A 
G G G T A T G C 
G G T G C G T A 
A C G G A T A A 
A A T A T T T G 
A A T C A C G T 
C C A G T A G A 
A C A G G G T A 
T G C G G T G C 
G T A A C G G A 
T A A A A T A T 
T T G A A T C A 
C G T C C A G T 
A G A A C A G G 
G T A T G C G G 
T G C G T A A C 
G G A T A A A A 
01
Atendimento
de Precisão04Nutrigenética
Imagine que da mesma 
maneira com que podemos 
notar as diferenças físicas no 
rosto de duas pessoas, 
também podemos entender 
que nossos hormônios e as 
enzimas que controlam nosso 
metabolismo também podem 
variar. Portanto, a capacidade 
de usar um determinado 
nutriente também vai ser dife-
rente entre dois seres 
humanos.
A ideia da Nutrigenética é que 
possamos avaliar essas dife-
renças genéticas para 
compreender melhor qual a 
necessidade dietética de cada 
paciente. Cada um de nós tem 
um requerimentoespecífico e 
individual para todos os 
componentes da dieta. Ainda, 
a eficiência metabólica 
também é determinada geneti-
camente. A capacidade de 
detoxificação de xenobióticos 
também sofre grande influ-
ência da sua herança genética.
As diferenças genéticas são 
definidas com bases nos poli-
morfismos, pequenas varia-
ções que ocorrem em um 
mesmo gene entre dois ou 
mais seres humanos. Cada 
um de nós tem uma combi-
nação de milhares de polimor-
fismos, e cada um deles pode 
aumentar ou reduzir o risco 
para uma doença, mas 
também pode ser neutro em 
relação ao seu efeito.
Dentre os tipos mais comuns 
de polimorfismos, os polimor-
fismos de única base, os SNPs 
(do inglês single nucleotide 
polymorphism) são os mais 
relevantes para o nutricionista.
Figura 01. Representação de um SNP. 
O mesmo gene apresenta distintas 
formas para cada um.
Prof. André Heibel | 12
04
SNP
CA T C A
CA T C A
CA T C A
02
Com a mudança da base 
nitrogenada, a proteína a 
ser formada com base no 
gene com SNP terá uma 
estrutura diferente, e por 
consequência a atividade dela 
também será outra.
As caraterísticas do seu 
comportamento alimentar têm 
um forte componente gené-
tico. A vontade de comer 
doces, a ingestão de álcool, 
preferência por determinados 
sabores e o volume de calorias 
ingeridas são algumas 
dessas características.
Além disso, transporte e uso 
de nutrientes, metabolismo de 
lipídeos, homeostase de 
glicose, regulação do apetite, 
gasto energético, ciclo circa-
diano e risco de sensibilidades 
alimentares também sofrem 
grande influência da genética.
A avaliação dessas diferenças 
auxilia a prática do nutricio-
nista e torna suas prescrições 
mais precisas, trazendo mais 
resultados para si e para os 
pacientes atendidos dentro 
das metodologias da Nutrição 
de Precisão.
Prof. André Heibel | 13
03 Atendimento
de Precisão05Exames 
Genéticos
03
A genotipagem foi um grande 
avanço científico dentro da 
Nutrição. É com base nesse 
instrumento desenvolvido no 
meio científico que podemos 
fazer as análises dos polimor-
fismos e mutações do DNA.
Um teste genético funciona 
com base em uma metodo-
logia chamada ‘reação em 
cadeia da polimerase’ ou PCR. 
O método consiste em ampli-
ficar a quantidade de material 
genético de uma amostra 
biológica e posterior sequen-
ciamento das bases nitroge-
nadas ali presentes.
O método não é invasivo e 
necessita apenas de uma 
pequena amostra, como a de 
saliva. A coleta é feita pelo 
próprio paciente com um 
swab esfregado na mucosa 
oral. A partir disso, é 
estabilizado dentro de um 
tubo de ensaio e enviado para 
o laboratório. 
Com a amostra, o laboratório 
poderá sequenciar e deter-
minar quais polimorfismos 
estão presentes naquele 
paciente. A solicitação de 
exames genéticos por nutricio-
nistas é direito garantido por 
lei na regulamentação da 
profissão. A solicitação pode 
ser feita por qualquer nutricio-
nista devidamente habilitado 
pelo conselho, independente 
da formação ou área especí-
fica em que atue.
05
Prof. André Heibel | 15
Figura 02. Exemplos de solicitação 
de exame genético.
Na solicitação é possível esco-
lher entre o sequenciamento 
de genes isolados ou de 
painéis genéticos completos, 
contendo uma ampla gama de 
genes diferentes. Levando em
consideração a natureza multi-
fatorial das características 
metabólicas relacionadas à 
alimentação, recomenda-se o 
uso dos painéis em detrimento 
do sequenciamento isolado.
Os pedidos de exames gené-
ticos devem ser feitos em 
folha timbrada com nome 
completo do paciente e do 
nutricionista, data, carimbo, 
número do conselho e contato 
do profissional. Nessa folha 
deve-se inserir o nome do 
painel solicitado bem como 
observações específicas para 
o laboratório.
Não existem valores de refe-
rências para interpretação de 
exames genéticos, mas usual-
mente os laboratórios trazem, 
além do próprio resultado, os 
aspectos relacionados com 
a alteração detectada em 
seus laudos.
Com a expansão da metodo-
logia do PCR o custo do 
exame foi significativamente 
reduzido nos últimos anos, e 
ressalta-se que o exame só 
precisa ser solicitado uma 
única vez na vida dos 
pacientes, já que os polimor-
fismos ali detectáveis não 
serão alterados durante a vida.
Prof. André Heibel | 16
Os pedidos de exames genéticos devem ser feitos em folha timbrada 
com nome completo do paciente e do nutricionista, data, carimbo, numero 
do conselho e contato do profissional. Nessa folha deve-se inserir o nome do 
painel solicitado bem como observações específicas para o laboratório. 
 
Figura 02. Exemplos de solicitação de exame genético. 
 
Não existem valores de referências para interpretação de exames 
genéticos, mas usualmente os laboratórios trazem, além do próprio resultado, 
os aspectos relacionados com a alteração detectada em seus laudos. 
Com a expansão da metodologia do PCR a custo do exame foi 
significativamente reduzido nos últimos anos, e ressalta-se que o exame só 
precisa ser solicitado uma única vez na vida dos pacientes, já que os 
polimorfismos ali detectáveis não serão alterados durante a vida. 
 
EXEMPLO DE LAUDO E/OU: 
Figura 02. Exemplos de solicitação 
de exame genético.04
Prof. André Heibel | 17
Exemplo de Laudo
Gene 
avaliado Variante
Identificação do
polimorfismo*
Resultado 
do paciente
Os pedidos de exames genéticos devem ser feitos em folha timbrada 
com nome completo do paciente e do nutricionista, data, carimbo, numero 
do conselho e contato do profissional. Nessa folha deve-se inserir o nome do 
painel solicitado bem como observações específicas para o laboratório. 
 
Figura 02. Exemplos de solicitação de exame genético. 
 
Não existem valores de referências para interpretação de exames 
genéticos, mas usualmente os laboratórios trazem, além do próprio resultado, 
os aspectos relacionados com a alteração detectada em seus laudos. 
Com a expansão da metodologia do PCR a custo do exame foi 
significativamente reduzido nos últimos anos, e ressalta-se que o exame só 
precisa ser solicitado uma única vez na vida dos pacientes, já que os 
polimorfismos ali detectáveis não serão alterados durante a vida. 
 
EXEMPLO DE LAUDO E/OU: 
04
Atendimento
de Precisão06Os polimorfismos 
mais importantes
O gene MTHFR é responsável 
pela produção de uma enzima 
chave no metabolismo de 
folato, a metileno tetrahidrofo-
lato redutase. É ela que regula a 
produção de grupamentos 
metil (-CH3) e de novas bases 
nitrogenadas. Além disso, a 
degradação de homocisteína e 
a produção de glutationa 
também dependem da ativi-
dade da enzima.
O polimorfismo tem extensa 
literatura científica e é asso-
ciado ao risco aumentado de 
doenças psiquiátricas, metabó-
licas, cardiovasculares e vários 
tipos de câncer. Defeitos 
congênitos e abortos também 
têm estreita ligação com os 
prejuízos gerado pelos polimor-
fismos. Os dois mais comuns 
são o C677T e o A1298C.
Alterações na produção de 
grupamentos metil e na síntese 
de novas moléculas de DNA 
são os mecanismos principais 
por onde o polimorfismo 
confere mais risco de tumores.
06
A partir dessa seção, vamos estudar os polimorfismos mais 
importantes para a prática do nutricionista. Destaca-se a impor-
tância de uma análise completa do paciente, levando em conta a 
anamnese clínica, interpretação de exames bioquímicos, 
avaliação nutricional e antropométrica. Os exames genéticos tem 
caráter preditivo, mas não diagnóstico.
Prof. André Heibel | 19
MTHFR, folato e vitaminas do complexo B
Além do risco de câncer, o poli-
morfismo confere uma piora 
no controle da pressão arterial, 
uma vez que a produção de 
tetrahidrobiopterina, substrato 
para regulação da enzima 
eNOS, fica reduzido. Pacientes 
que apresentem o quadro 
podem se beneficiar, por 
exemplo, da suplementação de 
riboflavina e folato, afim 
de melhorar a eficiência 
enzimática.
A tetrahidrobiopterina também 
é relevante em questões psi-
quiátricas e neurológicas. A 
partir dela enzimas como a 
tirosina e a triptofanohidroxi-
lase produzem dopamina, 
noradrenalina e serotonina. O 
polimorfismo da MTHFR está 
ligado ao aumento no risco de 
Mal de Alzheimer, esquizofre-
nia e até mesmo transtorno 
depressivo.
Mulheres que tenham o poli-
morfismo C677T têm mais 
risco de abortos e/ou de gera-
rem fetos com defeitos no tubo 
neural. O mesmo alelo de risco 
também está associado ao 
nascimento prematuro e 
menor peso ao nascer.
Pacientes que possuem o poli-
morfismo podem ser beneficiar 
de uma maior dose de folato, 
principalmente na sua forma 
mais ativa, o metilfolato. O uso 
de metformina e de contracep-
tivos orais pode reduzir ainda 
mais a concentração de folato 
dentro da célula e deve ser 
ponto de avaliação nutricional.
Além da avaliação do próprio 
folato, o metabolismo de vita-
mina B12 pode sofrer vários 
polimorfismos que também 
influenciarão na via onde o 
folato é principalmente empre-
gado. Destacam-se os poli-
morfismos de transcobala-
mina, de fator intrínseco e da 
enzima fucosiltransferase.05
Prof. André Heibel | 20
A grande prevalência de 
pacientes com deficiência em 
vitamina D torna sua avaliação 
essencial no consultório de 
Nutrição. O calciferol é funda-
mental no controle inflamató-
rio e tem relação com ampla 
gama de doenças. É ela o prin-
cipal agente inibidor do NFkB, 
principal fator de transcrição 
desencadeador da inflamação.
Dentre os polimorfismos mais 
estudados estão os na GC, pro-
teína que transporta vitamina 
D entre os tecidos, o receptor 
de vitamina D (VDR) e o 
CYP2R1, responsável pela sín-
tese da vitamina D em sua 
forma ativa, a 1,25-dihidroxico-
lecalciferol. Mesmo com níveis 
sanguíneos ideais, se houver 
polimorfismos nas enzimas 
citadas o uso da vitamina D 
disponível fica prejudicado, e 
os efeitos causados por ela 
também são reduzidos.
Além da inflamação, os efeitos 
deletérios do excesso de radi-
cais livres são largamente 
conhecidos e associados a dis-
funções celulares, risco de doen-
ças e até ao envelhecimento.
Polimorfismos em enzimas 
como a catalase e a superó-
xido dismutase tornam o indiví-
duo mais propenso a sofrer os 
prejuízos da produção de espé-
cies reativas de oxigênio. Os 
pacientes que apresentarem 
alterações genéticas nesse 
sentido deverão aumentar a 
ingestão de compostos bioati-
vos para equilibrar a produção 
aumentada e mitigar os efeitos 
dos radicais livres.
05
Vitamina D, inflamação e estresse oxidativo
Prof. André Heibel | 21
O mais estudado de todos os 
genes que impactam no peso 
é conhecido como FTO, o gene 
da obesidade. A literatura 
aponta que os polimorfismos 
de FTO estão ligados ao 
aumento na chance de desen-
volver síndrome metabólica, 
hipertensão arterial sistêmica, 
diabetes tipo 2, doenças 
cardiovasculares, síndrome 
dos ovários policísticos e 
várias outras doenças.
O efeito metabólico da alte-
ração genética está ligado ao 
aumento do consumo 
alimentar do paciente e 
redução do gasto calórico, via 
diminuição na termogênese. 
Vias metabólicas como a 
gliconeogênese, a oxidação de 
lipídeos e a lipólise tam-
bém tem suas eficiências 
reduzidas no paciente com 
o polimorfismo.
Estudos mostram que os 
pacientes com FTO, além de 
maior consumo de kcal, 
gordura e carboidratos, apre-
sentam mais episódios de 
comer emocional, compulsão 
e maior percepção de esforço 
ao fazer dieta. O sistema de 
recompensas é alterado, 
gerando maior produção de 
grelina, o hormônio da fome.
Além do FTO, o gene MCR4R 
codifica o receptor de melano-
cortina 4, presente na 
membrana das células do 
hipotálamo e que controla o 
eixo de fome e saciedade. 
Pacientes com esse polimor-
fismo tem menor capacidade 
de saciedade e tendem a optar 
por alimentos com maior 
densidade calórica e aumentar 
a frequência das refeições, 
assim como usar mais sal e 
adoçantes na alimentação.
Prof. André Heibel | 22
FTO, o gene da obesidade e MC4R
glicemia, a insulinemia, a hemo-
globina glicada e os índices 
HOMA pode auxiliar o nutricio-
nista a entender o contexto 
metabólico do paciente.
O emprego de estratégias 
nutricionais que gerem 
melhora na homeostase de 
glicose é essencial no caso 
desse tipo de alteração gené-
tica. A restrição no consumo 
de carboidratos, o consumo 
aumentado de fibras, cereais 
integrais e oleaginosas parece 
colaborar com o controle 
glicêmico.
 
Já pacientes com a alteração 
no PGC-1 alfa sofrem princi-
palmente com a saúde mito-
condrial.
O MC4R tem forte relação com o perfil emocional do indivíduo. A 
literatura traz dados onde o polimorfismo também foi associado 
ao ‘comer emocional’, estresse, cravings e percepção de prazer 
ao comer hiperpalatáveis.
Fatores de transcrição são os 
componentes responsáveis 
por ativar ou desativar a trans-
crição de genes em nosso 
genoma. O TCF7L2 é um fator 
de transcrição que controla 
homeostase de lipídeos e 
glicose, enquanto que o PGC-1 
alfa é responsável por biogê-
nese mitocondrial.
O polimorfismo no TCF7L2 
confere importante aumento no 
risco de resistência à insulina e 
diabetes tipo 2. Uma vez que a 
sensibilidade à insulina fica 
prejudicada é gerada uma hiper-
glicemia persistente que por sua 
vez trará consigo todos os male-
fícios dessa condição clínica. 
Uma avaliação complementar 
por meio de exames como a 
TCF7L2 e PGC-1 alfa
Prof. André Heibel | 23
06
Genes do ciclo circadiano
Ele é responsável pela biogê-
nese mitocondrial e regulação 
de enzimas antioxidantes. A 
capacidade oxidativa da mito-
côndria depende do PGC-1alfa. 
Indivíduos com menor capaci-
dade mitocondrial estão mais 
sujeitos a quadros de sobre-
peso e obesidade, além de 
terem menor gasto energético 
total (GET) e mais tendência 
ao reganho do peso perdido.
A literatura demonstra que a 
alteração genética no PGC-1 
alfa tem correlação com 
aumento de gordura visceral, 
IMC, circunferência de cintura. 
Bioquimicamente, o colesterol 
total, triglicerídeo, insulina 
também são influenciados 
pelo polimorfismo.
O ser humano evoluiu com 
uma janela de 12 horas com a 
claridade durante o dia e 12 
horas com o escuro da noite. A 
iluminação é usada como prin-
cipal sinal para regular o ciclo 
circadiano e é a genética que 
determina se o individuo é 
mais noturno ou matutino. 
É por meio do ciclo circadiano 
que controlamos a secreção 
de diversos hormônios, a 
expressão de milhares de 
genes, a temperatura corporal 
e o ritmo alimentar.
Os genes da CLOCK, BMAL 
e do receptor de melatonina 
são os mais importantes na 
determinação do cronótipo. 
O padrão noturno é asso-
ciado pela literatura ao 
maior risco no desenvolvi-
mento de doenças psiquitricas 
e metabólicas.
Prof. André Heibel | 24
06
O cronótipo deve ser levado em consideração para determinar a 
distribuição de calorias ao longo do dia, uma vez que o apetite 
também depende disso. Via de regra, pacientes mais noturnos 
tem mais apetite e ativação do sistema de recompensas no 
período da noite, enquanto que os mais matutinos respondem de 
maneira contrária. 
A dieta precisa estar associada a rotina do paciente, que por sua 
vez tem estreita ligação com os polimorfismos citados. A maior 
parte da população tem padrão mais matutino, mas até um terço 
das pessoas é mais noturna.
Prof. André Heibel | 25
Atendimento
de Precisão07Conclusão
A genética é componente 
determinante na saúde 
humana. As diferenças gené-
ticas herdadas compõem a 
individualidade de cada 
paciente. A resposta a cada 
tipo de dieta, suplementação 
ou estratégia está estreita-
mente ligada ao perfil genético 
de cada um de nós.
Hoje, o nutricionista tem à sua 
disposição um arsenal de 
oportunidades tecnológicas e 
é exigência do mercado que 
haja atualização das possibili-
dades de avaliação e pres-
crição disponíveis para melhor 
auxílio do paciente.
Compreender mais sobre a 
nutrigenética auxilia o nutricio-
nista a prescrever de maneira 
mais individualizada, aumen-
tando as chances de o 
paciente obter sucesso nos 
resultados buscados.
Os exames genéticos tem 
caráter preditivo e excelente 
arcabouço teóricona litera-
tura, o que respalda seu uso 
clínico com o caráter de 
avaliação de risco de diversas 
doenças. As necessidades 
nutricionais são determinadas 
pelas características gené-
ticas do indivíduo e as reco-
mendações clássicas gené-
ricas não são o suficiente para 
dar segurança e precisão ao 
nutricionista na hora de pres-
crever uma dieta ou a suple-
mentação de diferentes ativos.
O que outrora foi considerado 
uma ferramenta do futuro já 
está disponível e em uso por 
milhares de nutricionistas 
Brasil a fora. É fundamental 
que mais profissionais se 
capacitem na interpretação de 
dados genéticos, uma vez que 
toda a área da saúde deverá 
investir e depender cada vez 
mais de uma avaliação mais 
completa e precisa de nossos 
pacientes.
07
Prof. André Heibel | 27
Atendimento
de Precisão08Referências
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