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1 MANUAL DE TÉCNICAS ANESTÉSICAS EM CLÍNICA EQUINA Cateterização Cateterismo intravenoso Antonio Cruz Indicação Coloca-se um cateter intravenoso para acesso rápi- medicamentos, como antibióticos ou anti-inflama- do corrente e/ou administrar fluidos ou tórios, por via intravenosa. MATERIAL NECESSÁRIO Máquina de tosa Fio de sutura não absorvivel 0-0 ou 1-0 Degermante e álcool Cateter 14G de 8-10 cm de comprimento Lovas estéreis Extensor de cateter Anestésico local Seringa com solução salina Existem diferentes tipos de cateteres, conforme bre a agulha); através da agulha, quando cateter material de que são produzidos e a aplicação ou sonda é introduzido pelo interior da ou a que se destinam. Os materiais existentes são: sobre fio-guia (punciona-se com a agulha e fio- poliuretano, silicone e polipropileno. Para -guia é introduzido em seu interior, retira-se a agu- cateteres de curta duração ( 7 dias), silicone é mais que precisam de um fio-guia geralmente são de apropriado. silicone e usados em implantes de longa duração, Em relação à sua utilidade também existem vários por exemplo, em potros ou cavalos que necessi- tipos: sobre agulha, cateter tradicional no qual tam de terapia intensiva com nutrição parenteral. a cánula é sobre a agulha (primeiro se Para colocar estes últimos preciso experiência e punciona quando sangue flui, desliza-se so- um mais avançado de técnica clínica. PROCEDIMENTO Existem diferentes procedimentos. de acordo com jugular cervical, a cerca de 20 cm da região man- tipo de a ser bem como uma am- no lado direito esquerdo (Figura 1.1). Se de torácica 0 animal for anestesiado e colocado em decúbito safena Neste e recomendavel colocar cateter no lado descreve-se a colocação de um cateter agulha que ficará exposto (por exemplo, vela direita se na decúbito for lateral esquerdo). Procede-se a de uma area de aproxi- Faz-se uma trança na crina, na altura em que ca- madamente 10 5 cm sobre a jugular, no vai ser colocado. Atraves da trança coloca-se 2 Digitalizado com CamScannerextensor do cateter 2) a para ministração a de fluidos mente a da 1.5). Com um Prepara-se a (Figuras on atravessam-se subcutâneo e e 1 4) e 3 mL de anestésico local alguns segundos até no deverá luvas que observe sangue no cateter Uma vez que para a contaminação do cateter ISSO ocorra 2 a ao mes- e uma e mo tempo colocando-o (Figura 1.6). Após se certificar de ainda se visualiza san- Com a mão não dominante (direita para ca- a ou cateter nhotos e esquerda para destros) pressiona-se a estilete mantido numa posi- na porção mais distal do para ção fixa (Figuras 1.7 e 1.8). Esta manobra deve ser no local da suave, sem resistência. Figura 1.1 Local de colocação do cateter. Figura 1.2 Detalhe da trança na crina para manter extensor do cateter. Figura 1.3 Preparação cirúrgica da Figura 1.4 Area Detalhe do extensor do cateter pronto para ser conectado 3 Digitalizado com CamScannerFigura 1.5 cateter é colocado num ângulo de 45°, para Figura 1.6 Após a introdução do cateter na este é a punção orientado paralelamente a ela. Figura 1.7 Uma vez posicionada a introdução do cateter, Figura 1.8 Detalhe do movimento coordenado das mãos empurra-se a "camisa" com uma mão, enquanto a outra man- para introduzir cateter. fixo estilete. Uma vez que cateter esteja inserido em sua totali- dade, estilete é removido e extensor conectado rapidamente (Figura 1.9), para evitar a entrada de ar na Colocado cateter, aspira-se para com- provar a obtenção de sangue, confirmando-se, assim, a localização correta (Figura 1.10). Em seguida, catater é fixado no local, usando-se a borboleta com orifícios que existe em alguns cateteres ou suturando-o na pele (Figuras 1.11 a 1.13). Como alternativa, ele pode ser fixado com cola. Faz-se uma segunda fixação do extensor (Figuras 1.14 e 1.15) para reduzir ou eliminar o Figura 1.9 extensor é conectado ao cateter imediatamen- movimento do cateter (Figura 1.16). te após a retirada da agulha. 4 Digitalizado com CamScannerFigura 1.10 - Antes de fixar veterinário deve se Figura 1.11 - Para manter cateter, um (neste certificar de que existe fluxo sanguíneo, fazendo uma caso, polietileno) para fixá-lo à Figura 1.12 - Fixa-se cateter com nós de cirurgião. Figura 1.13 Detalhe cateter imobilizado pela Figura 1.14 - extensor é fixo semelhantemente ao cateter Figura 1.15 Detalhe do extensor do cateter após a (nós de cirurgião) 5 Digitalizado com CamScanner1 MANUAL DE TÉCNICAS CIRÚRGICAS E ANESTÉSICAS EM CLÍNICA EQUINA A tromboflebite deve ser tratada com compressas quentes e aplicação de (DMSO) e nitrofurazona, 4 a 6 vezes por dia. Antibióticos e anti-inflamatórios não esteroides (AINE) aspirina também são indicados. A veia pode ser exami- nada por ultrassonografia, para avaliar tamanho e extensão do trombo e monitorá-lo periodicamente. Algumas vezes, cateter pode se dobrar (Figura 1.17) ou romper na porção proximal e ser perdido na jugular ou ficar retido na circulação pulmonar. Embora possa ser um inconveniente sério, cate- teres retidos no leito vascular pulmonar raramente Figura 1.16 Resultado final, com cateter e extensor fixos e originam complicações. principal problema seria prontos para serem se cateter permanecesse em uma das câmaras cardiacas. Se houver dúvida, a ultrassonografia permite identificar se cateter está no coração ou Cuidados retido na jugular. Existem várias opiniões sobre como cuidar de cate- teres. Como regra geral, deve-se evitar a manipula- Considerações especiais ção desnecessária. Em potros, como permanecem Embora a colocação de um cateter pareça um proce- muito tempo deitados, cateter deve ser coberto dimento rotineiro e quase inócuo, nunca deve ser su- com uma atadura de gaze, considerando que bestimada a sua importância. É importante a escolha extensor deve estar acessivel sem necessidade de remover curativo. Em adultos, isso não é preciso. O interior do cateter deve ser lavado 2 a 4 vezes ao dia com injeção de solução fisiológica ou de lactato de Ringer. Também deve ser lavado após adminis- tração de medicamentos, para mantê-lo limpo e li- vre de impurezas e precipitados de antibióticos. É preciso verificar local de entrada na pele duas vezes ao dia para descartar inflamação, dor ou supuração. Se observada qualquer uma destas, cateter deve ser substituído por outro na jugular contralateral. Cateteres de curta duração devem ser trocados a cada 3 dias, para evitar complicações. Complicações Os cateteres intravenosos podem causar uma va- de complicações: perda de infla. mação, infecção, ruptura,colapso ou extração do Ocasionalmente, cavalo poderá coçar cateter, Se isso poderá ser substituido por outro cateter na jugular contralateral ou em uma Figura 1.17 Detalhe de um cateter dobrado, com de ruptura na porção mais 6 Digitalizado com CamScannerTÉCNICAS CLÍNICAS E DIAGNÓSTICAS CATETERIZAÇÃO / Cateterismo intravenoso do material adequado aperfeiçoar a post-surgical long-term intravenous catheterization técnica de colocação para reduzir riscos de com- of colic horses: a study of 38 cases. J Vet Med A plicações. Physiol Pathol Clin Med. Trab-Dargatz Dargatz DA. A retrospective study Leitura recomendada of vein thrombosis in horses treated with intravenous Lankverd DP, EnsinkJM, van Dijk Klein WR. Factors fluids in a veterinary teaching hospital. J Vet influencing the occurrence of thrombophlebitis after Med. 1994;8(4):264-6. 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