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Em determinado país, vigora um regime ditatorial. O chefe do Executivo assumiu o poder por um golpe de Estado, apoiado pelas Forças Armadas. Os integrantes do Parlamento que não aderiram ao novo governo foram cassados. Foi outorgado um decreto, autorizando apenas o funcionamento de dois partidos políticos, impondo a censura prévia aos meios de comunicação e suprimindo as eleições para cargos do Executivo e Legislativo por tempo indeterminado. Foi instituída uma polícia política, cuja função era reprimir todos os atos de insurreição contra o novo regime. Por outro lado, o Poder Judiciário permaneceu atuando e a Constituição continuou vigendo, com as alterações estabelecidas pelo decreto presidencial já referido. Nesse cenário, Antônio, desejando se apropriar do patrimônio de seu sócio José, decide denunciá-lo ao governo, revelando que o sócio militava em uma organização política clandestina, com o objetivo de derrubar o regime e instalar uma nova ordem. Ocorre que José era estrangeiro e, por isso, Antônio acreditava que, em decorrência da delação, seu visto brasileiro seria cassado e ele seria expulso do país. Por força das denúncias de Antônio, José é preso e torturado até a morte. Oficialmente, José é declarado desaparecido, seus familiares nunca mais têm notícia de seu paradeiro e sua morte na prisão não é admitida pelo governo. Passaram-se dez anos e a democracia é restabelecida no país. É aprovada uma nova Constituição, com uma carta de direitos idêntica à da Constituição Brasileira de 1988. Dentre as medidas adotadas para punir os responsáveis pelos atos violentos cometidos pelos agentes do Estado no regime ditatorial, é aprovada uma lei, instituindo o seguinte tipo penal: "Todos os agentes públicos que atuaram no regime ditatorial, que vigorou no país na última década, prendendo, torturando, lesando e matando pessoas de forma abusiva, bem como aqueles que colaboraram para tais ações, ficam sujeitos à pena de reclusão, de dez a vinte anos." Com fundamento nessa lei, a família de José oferece uma notícia de crime contra Antônio, para que seja processado e punido pelos fatos acima narrados. Considerando tal narrativa e o novo ordenamento jurídico, responda se Antônio pode ser punido, justificando sua resposta. *

"A Justiça de MT determinou medidas de proteção em favor de um engenheiro agrônomo de 46 anos, de Cuiabá, que pediu a aplicação, por analogia, da Lei Maria da Penha -que pune com prisão a violência doméstica contra a mulher. O juiz Mário Roberto Kono de Oliveira, responsável pela decisão, disse que, em número consideravelmente menor, há homens vítimas de violência praticada por mulheres. Nesses casos, não há previsão legal de punições, o que justifica a aplicação, por analogia, da Lei Maria da Penha. Em seu artigo 22, a lei federal determina que o juiz pode aplicar 'medidas protetivas de urgência' contra o agressor quando constatada 'prática de violência doméstica e familiar contra a mulher'. Entre as 'medidas protetivas de urgência' determinadas, está a de que a mulher mantenha ao menos 500 metros de distância do engenheiro e que não tente fazer nenhum tipo de contato com ele, podendo ser presa caso descumpra a ordem judicial. 'Não é vergonha nenhuma o homem recorrer ao Poder Judiciário para fazer cessar as agressões da qual vem sendo vítima', afirmou Oliveira na decisão, divulgada.' Do ponto de vista jurídico, essa é uma questão muito interessante. O legislador brasileiro teima em elaborar leis machistas ou feministas sem pensar nas suas consequências praticas. (SIC) A lei acima é um exemplo disso. A lei de fato não aborda a possibilidade de um homem ser a vítima de violência doméstica, mas na prática existem homens que são vítimas de violência (...). É um princípio democrático para evitar que as pessoas vivam sob a sombra do medo de se tornarem vítimas de punições por analogia. Dessa forma, se a lei diz que alguém será punido por tomar sorvete, o magistrado não pode punir alguém que resolveu chupar picolé baseado na analogia que picolé e sorvete são ambos gelados e logo estão abrangidos pela mesma proibição. A lei penal deve ser sempre clara a respeito do que ela deseja punir (...). Existem milhares de exemplos práticos. Para que alguém seja condenado por roubo é necessário que haja a violência ou grave ameaça. Se não houve nem violência nem grave ameaça, o magistrado não pode usar uma interpretação analógica e dizer que o objeto ainda assim foi subtraído e, portanto, houve o roubo. É por isso que o legislador teve que criar um outro crime - o furto - para punir os casos em que não há violência ou grave ameaça. Caso contrário, o batedor de carteira não seria punível, já que ele não agiu com violência ou ameaçou. Essa necessidade de adequação absoluta entre a lei e o fato é o que muitos juristas chamam de princípio da mão e da luva: a luva (a descrição abstrata da ação que existe na lei) deve adequar-se perfeitamente à mão (o fato real ocorrido e sob julgamento). Se sobrar ou faltar um dedo, não houve essa adequação. No caso da matéria acima, faltou um dedo na luva: a lei só fala de mulher como vítima, e não de homem. O problema do magistrado na matéria acima é que ele precisou resolver a questão prática - o risco ao qual estava submetido a vítima da violência - embora o legislador tenha falhado em sua obrigação de pensar holisticamente antes de aprovar a lei. Por isso a interpretação que o magistrado deu foi muito inteligente: ele interpretou que a ordem para que Fulana não se aproxime de seu ex-marido não é uma punição à agressora, (...), mas uma proteção à vítima (...)." Disponível em: [http://direito.folha.uol.com.br/blog/analogia-em-direito-penal](http://direito.folha.uol.com.br/blog/analogia-em-direito-penal). Acesso em: 09 set. 2017 (adaptado). Nesse sentido, sobre a analogia que é considerada uma forma de auto integração da lei penal avalie as afirmações a seguir. I - Diante do princípio da legalidade do crime e da pena, pelo qual não se pode impor sanção penal a fato não previsto em lei, é admissível o emprego da analogia para criar ilícitos penais ou estabelecer sanções criminais. II - Onde há uma regra legal que tenha caráter definitivo é impossível o emprego da analogia. III - Nada impede a aplicação da analogia às normas incriminadoras quando se vise na lacuna evidente da lei favorecer a situação do réu por um princípio de equidade. IV - A analogia in bonam partem, por contrariar o princípio da reserva legal, não pode ser aplicada em Direito Penal. É correto o que se afirma em * 2 pontos II e III, apenas.

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Questões resolvidas

Em determinado país, vigora um regime ditatorial. O chefe do Executivo assumiu o poder por um golpe de Estado, apoiado pelas Forças Armadas. Os integrantes do Parlamento que não aderiram ao novo governo foram cassados. Foi outorgado um decreto, autorizando apenas o funcionamento de dois partidos políticos, impondo a censura prévia aos meios de comunicação e suprimindo as eleições para cargos do Executivo e Legislativo por tempo indeterminado. Foi instituída uma polícia política, cuja função era reprimir todos os atos de insurreição contra o novo regime. Por outro lado, o Poder Judiciário permaneceu atuando e a Constituição continuou vigendo, com as alterações estabelecidas pelo decreto presidencial já referido. Nesse cenário, Antônio, desejando se apropriar do patrimônio de seu sócio José, decide denunciá-lo ao governo, revelando que o sócio militava em uma organização política clandestina, com o objetivo de derrubar o regime e instalar uma nova ordem. Ocorre que José era estrangeiro e, por isso, Antônio acreditava que, em decorrência da delação, seu visto brasileiro seria cassado e ele seria expulso do país. Por força das denúncias de Antônio, José é preso e torturado até a morte. Oficialmente, José é declarado desaparecido, seus familiares nunca mais têm notícia de seu paradeiro e sua morte na prisão não é admitida pelo governo. Passaram-se dez anos e a democracia é restabelecida no país. É aprovada uma nova Constituição, com uma carta de direitos idêntica à da Constituição Brasileira de 1988. Dentre as medidas adotadas para punir os responsáveis pelos atos violentos cometidos pelos agentes do Estado no regime ditatorial, é aprovada uma lei, instituindo o seguinte tipo penal: "Todos os agentes públicos que atuaram no regime ditatorial, que vigorou no país na última década, prendendo, torturando, lesando e matando pessoas de forma abusiva, bem como aqueles que colaboraram para tais ações, ficam sujeitos à pena de reclusão, de dez a vinte anos." Com fundamento nessa lei, a família de José oferece uma notícia de crime contra Antônio, para que seja processado e punido pelos fatos acima narrados. Considerando tal narrativa e o novo ordenamento jurídico, responda se Antônio pode ser punido, justificando sua resposta. *

"A Justiça de MT determinou medidas de proteção em favor de um engenheiro agrônomo de 46 anos, de Cuiabá, que pediu a aplicação, por analogia, da Lei Maria da Penha -que pune com prisão a violência doméstica contra a mulher. O juiz Mário Roberto Kono de Oliveira, responsável pela decisão, disse que, em número consideravelmente menor, há homens vítimas de violência praticada por mulheres. Nesses casos, não há previsão legal de punições, o que justifica a aplicação, por analogia, da Lei Maria da Penha. Em seu artigo 22, a lei federal determina que o juiz pode aplicar 'medidas protetivas de urgência' contra o agressor quando constatada 'prática de violência doméstica e familiar contra a mulher'. Entre as 'medidas protetivas de urgência' determinadas, está a de que a mulher mantenha ao menos 500 metros de distância do engenheiro e que não tente fazer nenhum tipo de contato com ele, podendo ser presa caso descumpra a ordem judicial. 'Não é vergonha nenhuma o homem recorrer ao Poder Judiciário para fazer cessar as agressões da qual vem sendo vítima', afirmou Oliveira na decisão, divulgada.' Do ponto de vista jurídico, essa é uma questão muito interessante. O legislador brasileiro teima em elaborar leis machistas ou feministas sem pensar nas suas consequências praticas. (SIC) A lei acima é um exemplo disso. A lei de fato não aborda a possibilidade de um homem ser a vítima de violência doméstica, mas na prática existem homens que são vítimas de violência (...). É um princípio democrático para evitar que as pessoas vivam sob a sombra do medo de se tornarem vítimas de punições por analogia. Dessa forma, se a lei diz que alguém será punido por tomar sorvete, o magistrado não pode punir alguém que resolveu chupar picolé baseado na analogia que picolé e sorvete são ambos gelados e logo estão abrangidos pela mesma proibição. A lei penal deve ser sempre clara a respeito do que ela deseja punir (...). Existem milhares de exemplos práticos. Para que alguém seja condenado por roubo é necessário que haja a violência ou grave ameaça. Se não houve nem violência nem grave ameaça, o magistrado não pode usar uma interpretação analógica e dizer que o objeto ainda assim foi subtraído e, portanto, houve o roubo. É por isso que o legislador teve que criar um outro crime - o furto - para punir os casos em que não há violência ou grave ameaça. Caso contrário, o batedor de carteira não seria punível, já que ele não agiu com violência ou ameaçou. Essa necessidade de adequação absoluta entre a lei e o fato é o que muitos juristas chamam de princípio da mão e da luva: a luva (a descrição abstrata da ação que existe na lei) deve adequar-se perfeitamente à mão (o fato real ocorrido e sob julgamento). Se sobrar ou faltar um dedo, não houve essa adequação. No caso da matéria acima, faltou um dedo na luva: a lei só fala de mulher como vítima, e não de homem. O problema do magistrado na matéria acima é que ele precisou resolver a questão prática - o risco ao qual estava submetido a vítima da violência - embora o legislador tenha falhado em sua obrigação de pensar holisticamente antes de aprovar a lei. Por isso a interpretação que o magistrado deu foi muito inteligente: ele interpretou que a ordem para que Fulana não se aproxime de seu ex-marido não é uma punição à agressora, (...), mas uma proteção à vítima (...)." Disponível em: [http://direito.folha.uol.com.br/blog/analogia-em-direito-penal](http://direito.folha.uol.com.br/blog/analogia-em-direito-penal). Acesso em: 09 set. 2017 (adaptado). Nesse sentido, sobre a analogia que é considerada uma forma de auto integração da lei penal avalie as afirmações a seguir. I - Diante do princípio da legalidade do crime e da pena, pelo qual não se pode impor sanção penal a fato não previsto em lei, é admissível o emprego da analogia para criar ilícitos penais ou estabelecer sanções criminais. II - Onde há uma regra legal que tenha caráter definitivo é impossível o emprego da analogia. III - Nada impede a aplicação da analogia às normas incriminadoras quando se vise na lacuna evidente da lei favorecer a situação do réu por um princípio de equidade. IV - A analogia in bonam partem, por contrariar o princípio da reserva legal, não pode ser aplicada em Direito Penal. É correto o que se afirma em * 2 pontos II e III, apenas.

Prévia do material em texto

2° V.A Direito Penal 
2° SEMESTRE 
 
 
 
QUESTÃO 1- Determinado cidadão brasileiro praticou delito de genocídio na Argentina, 
tendo matado membros de um grupo étnico daquele país, onde foi condenado 
definitivamente à pena máxima de oito anos de reclusão, segundo a legislação 
Argentina. Após ter cumprido integralmente a pena, esse cidadão retornou a Montes 
Claros, cidade onde sempre estabeleceu domicílio. A partir dessa situação hipotética, 
assinale a opção correta em relação à extraterritorialidade da lei penal, à pena cumprida 
no estrangeiro e à eficácia da sentença estrangeira. 
 
Nesse caso, o brasileiro poderá ser condenado novamente pela justiça do Brasil e, se a 
pena aplicada no Brasil for superior àquela cumprida na Argentina, será computada. 
 
 
 
QUESTÃO 2- Welbert e Kátia ameaçaram Maria Leticia e dela subtraíram o valor de R$ 
1,00 (um real), único valor que a mesma portava no momento. Depois foram os dois 
presos, processados e julgados, sendo ambos condenados a uma pena de dez anos de 
reclusão. Na fundamentação da sentença simplesmente afirmou o juiz que os dois 
mereciam a mesma pena, não havendo necessidade de analisar detalhadamente a 
conduta de cada um, pois concorreram da mesma forma para o mesmo crime. Diante 
disso, é possível afirmar que o juiz ao condenar os dois e ao aplicar a pena violou algum 
princípio penal fundamental? Justifique detalhadamente sua resposta. 
Sim, ao condenar o Welbert e a Katia a uma pena de 10 anos de reclusão pela subtração 
de 1,00 Real, o juiz violou o princípio da proporcionalidade da pena, pois a pena é muito 
superior ao grau de responsabilidade pelo fato. 
 
QUESTÃO 3- advogado Fulano foi contratado por Beltrano para propor ação 
indenizatória, julgada procedente. O advogado, porém, levantou a importância 
depositada pelo réu, negando-se a entregá-la ao seu cliente, sob a alegação de que as 
despesas que tivera e seus honorários superavam o valor da indenização, que foi inferior 
ao pretendido. Beltrano moveu ação de prestação de contas contra Fulano e noticiou o 
fato à autoridade policial, do que resultou processo criminal contra Fulno pelo crime de 
apropriação indébita, sendo condenado à pena de 1 (um) ano e 4 (quatro) meses de 
reclusão e multa de dez dias-multa, fixando-se o dia-multa em um trigésimo do 
salário-mínimo. A pena privativa de liberdade foi convertida em pena de prestação de 
serviços à comunidade e de prestação pecuniária, esta no valor de cinco salários 
mínimos. Após estar definitivamente condenado, Fulano faleceu, sem ter pago, ainda, o 
que devia a Beltrano, conforme ficara assentado na ação de prestação de contas, cuja 
sentença transitou em julgado. Beltrano, com dúvida acerca do que iria acontecer, em 
razão do óbito de Fulano precisa de esclarecimentos fundamentados sobre as seguintes 
questões: a) os herdeiros de Fulano terão de pagar o valor devido a Beltrano conforme 
fixado na ação de prestação de contas? b) há alguma consequência da condenação penal 
para os herdeiros de Fulano ou em favor de Beltrano? Justifique detalhadamente suas 
respostas. 
a- Sim, os herdeiros de fulano terão que pagar o valor devido a Beltrano, por mais que 
eles não tivessem sido legitimados pela situação da prestação, ainda é exigido que 
paguem porque a dívida já tinha sido apurada enquanto o Fulano ainda era vivo. 
b- Não, por causa do princípio da intranscendência da pena, os herdeiros do Fulano não 
terão consequências da condenação penal, pois de acordo com esse princípio apenas a 
pessoa sentenciada poderá responder pelo crime que praticou. 
 
 
QUESTÃO 4- Elucide as diferenças entre extraterritorialidade incondicionada e 
extraterritorialidade condicionada apresentando as hipóteses de incidência de cada 
uma das modalidades, colacionando ementas de decisões dos tribunais pátrios que 
reconheçam a aplicação de cada modalidade de extraterritorialidade. 
 
 A extraterritorialidade Condicionada são crimes cometidos no estrangeiro contra a vida 
ou a liberdade do Presidente da República; contra o patrimônio ou a fé pública da União, 
do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa pública, 
sociedade de economia mista, autarquia ou fundação estatuída pelo Poder Público; 
contra a administração 
pública, por quem está a seu serviço; e de genocídio, quando o agente for brasileiro ou 
domiciliado no Brasil. Diz-se incondicionada a extraterritorialidade excepcional da lei 
penal brasileira, nesses casos, porque a sua aplicação não se subordina a qualquer 
requisito. Funda-se o 
incondicionalismo na circunstância de esses crimes ofendem bens jurídicos 
de capital importância, afetando interesses relevantes do Estado. 
 
QUESTÃO 5- um país conhecido como “País das Maravilhas”, o legislador, atento às 
necessidades básicas dos estudantes de Direito daquele país, criou um tipo especial de 
crime, qual seja: “DEIXAR DE ESTUDAR PARA A DISCIPLINA DIREITO PENAL DO CURSO 
DE DIREITO”. “PENA – 10 (DEZ) a 30 (TRINTA) DIAS DE RECLUSÃO”. Acontece que Tício, 
morador da maior cidade da região norte daquele país, chamada de “Cidade dos 
Sonhos”, mesmo tendo sido advertido pelo seu professor e pelos seus colegas, 
desrespeitou este dispositivo penal e deixou de estudar para a Disciplina Direito Penal, 
por consequência, além de ter sido reprovado na referida disciplina, foi julgado e 
condenado a 10 (dez) dias de prisão a ser cumprido em regime fechado. Assim sendo, 
Tício foi preso no dia 11/05/2021, às 22:30 h, e recolhido a prisão na mesma data. Isto 
posto, pergunta-se: em qual dia Tício deve ser libertado? Justifique detalhadamente sua 
resposta. 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO 6- No direito penal, o problema da sucessão das leis no tempo é resolvido 
segundo a garantia constitucional de que a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar 
o réu (CRFB, art. 5º, inciso XL e CP, art. 2°). Já no campo processual penal, a norma geral 
de direito intertemporal encontra-se prevista no art. 2º do CPP, disciplinando que a lei 
processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados 
sob a vigência da lei anterior. Assim, quanto ao tema “sucessão de leis penais e 
processuais penais”, é correto afirmar que: * 
 
É no sistema do isolamento dos atos processuais, adotado pelo legislador pátrio no CPP, 
admite-se que cada ato seja regido por uma lei, o que permite que a lei velha regule os 
atos já praticados, ocorridos sob sua vigência, enquanto a lei nova terá aplicação 
imediata, passando a disciplinar os atos futuros. 
 
 
 
QUESTÃO 7- Em determinado país, vigora um regime ditatorial. O chefe do Executivo 
assumiu o poder por um golpe de Estado, apoiado pelas Forças Armadas. Os integrantes 
do Parlamento que não aderiram ao novo governo foram cassados. Foi outorgado um 
decreto, autorizando apenas o funcionamento de dois partidos políticos, impondo a 
censura prévia aos meios de comunicação e suprimindo as eleições para cargos do 
Executivo e Legislativo por tempo indeterminado. Foi instituída uma polícia política, 
cuja função era reprimir todos os atos de insurreição contra o novo regime. Por outro 
lado, o Poder Judiciário permaneceu atuando e a Constituição continuou vigendo, com 
as alterações estabelecidas pelo decreto presidencial já referido. Nesse cenário, 
Antônio, desejando se apropriar do patrimônio de seu sócio José, decide denunciá-lo ao 
governo, revelando que o sócio militava em uma organização política clandestina, com o 
objetivo de derrubar o regime e instalar uma nova ordem. Ocorre que José era 
estrangeiro e, por isso, Antônio acreditava que, em decorrência da delação, seu visto 
brasileiro seria cassado e ele seria expulso do país. Por força das denúncias de Antônio, 
José é preso e torturado até a morte. Oficialmente, José é declarado desaparecido, seus 
familiares nunca mais têm notícia de seu paradeiro e sua morte na prisão não é admitida 
pelo governo. Passaram-se dez anos e a democracia é restabelecida no país. É aprovada 
uma nova Constituição, com umacarta de direitos idêntica à da Constituição Brasileira 
de 1988. Dentre as medidas adotadas para punir os responsáveis pelos atos violentos 
cometidos pelos agentes do Estado no regime ditatorial, é aprovada uma lei, instituindo 
o seguinte tipo penal: “Todos os agentes públicos que atuaram no regime ditatorial, que 
vigorou no país na última década, prendendo, torturando, lesando e matando pessoas 
de forma abusiva, bem como aqueles que colaboraram para tais ações, ficam sujeitos à 
pena de reclusão, de dez a vinte anos.” Com fundamento nessa lei, a família de José 
oferece uma notícia de crime contra Antônio, para que seja processado e punido pelos 
fatos acima narrados. Considerando tal narrativa e o novo ordenamento jurídico, 
responda se Antônio pode ser punido, justificando sua resposta. * 
 
O Antônio não poderá ser punido, pela lei da retroatividade, ou seja, quando a lei nova 
definiu essa conduta como crime, antes tal era lícita, os fatos cometidos no período 
anterior à sua vigência não podem ser apenados. 
 
QUESTÃO 8- "A Justiça de MT determinou medidas de proteção em favor de um 
engenheiro agrônomo de 46 anos, de Cuiabá, que pediu a aplicação, por analogia, da Lei 
Maria da Penha -que pune com prisão a violência doméstica contra a mulher. O juiz 
Mário Roberto Kono de Oliveira, responsável pela decisão, disse que, em número 
consideravelmente menor, há homens vítimas de violência praticada por mulheres. 
Nesses casos, não há previsão legal de punições, o que justifica a aplicação, por analogia, 
da Lei Maria da Penha. Em seu artigo 22, a lei federal determina que o juiz pode aplicar 
'medidas protetivas de urgência' contra o agressor quando constatada 'prática de 
violência doméstica e familiar contra a mulher'. Entre as 'medidas protetivas de 
urgência' determinadas, está a de que a mulher mantenha ao menos 500 metros de 
distância do engenheiro e que não tente fazer nenhum tipo de contato com ele, 
podendo ser presa caso descumpra a ordem judicial. 'Não é vergonha nenhuma o 
homem recorrer ao Poder Judiciário para fazer cessar as agressões da qual vem sendo 
vítima', afirmou Oliveira na decisão, divulgada.' Do ponto de vista jurídico, essa é uma 
questão muito interessante. O legislador brasileiro teima em elaborar leis machistas ou 
feministas sem pensar nas suas consequências praticas. (SIC) A lei acima é um exemplo 
disso. A lei de fato não aborda a possibilidade de um homem ser a vítima de violência 
doméstica, mas na prática existem homens que são vítimas de violência (...). É um 
princípio democrático para evitar que as pessoas vivam sob a sombra do medo de se 
tornarem vítimas de punições por analogia. Dessa forma, se a lei diz que alguém será 
punido por tomar sorvete, o magistrado não pode punir alguém que resolveu chupar 
picolé baseado na analogia que picolé e sorvete são ambos gelados e logo estão 
abrangidos pela mesma proibição. A lei penal deve ser sempre clara a respeito do que 
ela deseja punir (...). Existem milhares de exemplos práticos. Para que alguém seja 
condenado por roubo é necessário que haja a violência ou grave ameaça. Se não houve 
nem violência nem grave ameaça, o magistrado não pode usar uma interpretação 
analógica e dizer que o objeto ainda assim foi subtraído e, portanto, houve o roubo. É 
por isso que o legislador teve que criar um outro crime – o furto – para punir os casos 
em que não há violência ou grave ameaça. Caso contrário, o batedor de carteira não 
seria punível, já que ele não agiu com violência ou ameaçou. Essa necessidade de 
adequação absoluta entre a lei e o fato é o que muitos juristas chamam de princípio da 
mão e da luva: a luva (a descrição abstrata da ação que existe na lei) deve adequar-se 
perfeitamente à mão (o fato real ocorrido e sob julgamento). Se sobrar ou faltar um 
dedo, não houve essa adequação. No caso da matéria acima, faltou um dedo na luva: a lei 
só fala de mulher como vítima, e não de homem. O problema do magistrado na matéria 
acima é que ele precisou resolver a questão prática – o risco ao qual estava submetido a 
vítima da violência – embora o legislador tenha falhado em sua obrigação de pensar 
holisticamente antes de aprovar a lei. Por isso a interpretação que o magistrado deu foi 
muito inteligente: ele interpretou que a ordem para que Fulana não se aproxime de seu 
ex-marido não é uma punição à agressora, (...), mas uma proteção à vítima (...)." 
Disponível em: . 
Acesso em: 09 set. 2017 (adaptado). Nesse sentido, sobre a analogia que é considerada 
uma forma de auto integração da lei penal avalie as afirmações a seguir. I - Diante do 
princípio da legalidade do crime e da pena, pelo qual não se pode impor sanção penal a 
fato não previsto em lei, é admissível o emprego da analogia para criar ilícitos penais ou 
estabelecer sanções criminais. II - Onde há uma regra legal que tenha caráter definitivo 
é impossível o emprego da analogia. III - Nada impede a aplicação da analogia às normas 
incriminadoras quando se vise na lacuna evidente da lei favorecer a situação do réu por 
um princípio de equidade. IV - A analogia in bonam partem, por contrariar o princípio 
da reserva legal, não pode ser aplicada em Direito Penal. É correto o que se afirma em * 
2 pontos 
II e III, apenas. 
QUESTÃO 9- Construa um exemplo de um caso hipotético que relate a prática de um 
crime segundo o qual exista conflito aparente de leis penais no espaço, sendo que 
referido caso deve envolver um crime praticado em pelo menos três países cabendo ao 
final a aplicação da lei brasileira esclarecendo o porque de aplicação da referida lei. * 
 
Um brasileiro chamado Klaus Roberto, cometeu atentados nas sinagogas dos países 
Tunísia, Polônia e Austrália com explosivos matando 86 judeus, e deixando 115 feridos. 
Apesar dos crimes serem cometidos em 3 países diferentes, o autor deles foi punido 
segundo a lei brasileira, mesmo sendo condenado no estrangeiro. O código penal atual 
diz no art. 7° sobre a extraterritorialidade, conforme o inciso I, alínea d, o crime de 
genocídio cometido no estrangeiro será sujeito à lei brasileira, quando o autor for 
brasileiro ou domiciliado no Brasil. 
 
3 pontos 
QUESTÃO 10- Em virtude da seca que assola o país, em especial a região norte do 
Estado de Minas Gerais foi promulgada uma Lei Federal ordinária que estabelece como 
crime o desperdício doloso ou culposo de água, no período compreendido entre 01 de 
março de 2020 e 31 de outubro de 2020. Em virtude do encerramento da estiagem e 
com a volta à normalidade, não houve necessidade de edição de nova lei ou alteração no 
prazo estabelecido na citada legislação. Nessa hipótese, o indivíduo "A" que em 01 de 
novembro de 2020 estiver sendo acusado em um processo criminal por ter praticado o 
referido crime de “desperdício de água”, durante o período de vigência da lei: I – Não 
poderá ser condenado pelo crime de “desperdício de água” conforme previsto na 
referida lei. PORQUE II – A lei penal mais benéfica retroage para beneficiar o réu (art. 2° 
do CP) e em havendo a revogação da lei penal com o encerramento da estiagem deixa de 
ser crime desperdiçar água. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. 
as duas afirmações são falsas. 
	2° V.A Direito Penal 
	QUESTÃO 1- Determinado cidadão brasileiro praticou delito de genocídio na Argentina, tendo matado membros de um grupo étnico daquele país, onde foi condenado definitivamente à pena máxima de oito anos de reclusão, segundo a legislação Argentina. Após ter cumprido integralmente a pena, esse cidadão retornou a Montes Claros, cidade onde sempre estabeleceu domicílio. A partir dessa situação hipotética, assinale a opção correta em relação à extraterritorialidade da lei penal, à pena cumprida no estrangeiro e à eficácia da sentença estrangeira.

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