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Gui Lemos de Sant’ana
Uma Breve História da
ANIMAÇÃO
1. A Taça e o Olho de 
Shahr-e Sūkhté
 Shahr-e Sūkhté, em persa, significa 
“A Cidade Queimada”. Shahr-e 
Sukhteh ou Shahr-i Shōkhta, é um sítio 
arqueológico de um assentamento 
urbano da Idade do Bronze, 
associado com a Cultura de Jiroft. 
Localizado no sudeste do Irã, às 
margens do Rio Helmand, perto da 
estrada que liga Zahedan a Zadol.
 As razões para queda inesperada 
da Cidade Queimada ainda são um 
mistério. Artefatos descobertos na 
cidade demonstram uma peculiar 
incongruência com as civilizações 
ao redor e especula-se que Shahr-
e-Sookhteh possa ter demonstrado 
evidências concretas de uma 
civilização pré-histórica persa 
que foi independente da antiga 
Mesopotâmia.
 A equipe de arqueologia da 
cidade, supervisionada pelo Dr. 
Seyed Mansour Seyd Sejjadi, 
fez uma descoberta significativa 
em 2007. Nesta escavação, eles 
descobriram o olho artificial mais 
antigo do mundo, que pertencia 
a uma mulher de 28-32 anos. O 
olho artificial, descoberto em uma 
sepultura antiga, estava na órbita 
esquerda da mulher. A equipe 
de arqueologia estimou a idade 
do olho entre 2900 e 2800 a.C. 
Este deve ser considerado como a 
primeira prótese ocular na história 
médica. 
 A princípio, parece que projetar 
o olho estava associado a aspectos 
estéticos. Em outras palavras, pode 
ser considerado como uma prótese 
ocular para embelezar ainda mais 
o portador, que provavelmente 
era uma mulher rica e de alto nível 
socioeconômico. As seguintes 
razões confirmam a hipótese. 
 Primeiro, o olho artificial foi 
descoberto em seu suposto lugar, 
ou seja, a órbita esquerda da mulher. 
Pode-se dizer que o olho artificial 
foi considerado como órgão do 
corpo do dono, compensando 
sua deficiência (ausência do olho 
esquerdo). Segundo, o desenho do 
olho era uma cópia da anatomia 
para manter sua aparência natural, 
já que, como um olho natural, ele 
tem uma superfície convexa e 
uma característica esférica (o olho 
artificial é hemisférico); o olho 
tem um círculo menor no centro 
que, na verdade, representa a 
córnea; existem manchas brancas 
na conjuntiva que provavelmente 
são cópias de um olho natural 
puramente branco; verificou-se que 
havia fios dourados no interior do 
olho, concebidos como capilares 
finos, o que mostra a familiaridade 
dos artesãos com a anatomia ocular 
No entanto, há mais pontos sobre 
esse olho artificial que implicam 
que, além dos aspectos estéticos, o 
design do olho indica a presença do 
pensamento sobre o significado e o 
estado de visão.
 Este olho artificial possui 
características além de apenas uma 
imitação. Existem linhas que não 
podem ser vistas em um olho natural 
e as mais importantes são oito linhas 
radiais regulares, tiradas do centro 
da córnea. A interpretação dos 
raios, particularmente porque eles 
são institucionalizados em um olho 
artificial, é a mesma semelhança 
com os raios solares. Parece que o 
olho artificial não está completo 
sem os raios e não haveria um olho 
a menos que houvesse luz e brilho. 
Obtemos a capacidade de ver 
quando o sol brilha.
 Deve-se levar em conta que durante 
algum tempo houve uma crença 
(Teoria da Emissão) afirmando 
que a visão está associada à luz que 
emana do olho para os objetos. O 
significado da luz para a visão foi 
tão destacado que, além de manter Esqueleto com o Olho Artificial
a forma natural, os projetistas 
estabeleceram esse conceito 
físico no olho artificial, o que 
novamente é uma evidência de seu 
conhecimento da anatomia ocular e 
da questão da visão, especialmente 
sua física. Temos uma forte prova 
dessa alegação em uma pequena 
taça datada de 5.000 anos atrás, 
encontrada na Cidade Queimada 
em 2004 e mantida no Museu 
do Irã Antigo. A imagem de uma 
 Animação refere-se ao processo, 
segundo o qual cada fotograma 
de um filme é produzido 
individualmente, podendo ser 
gerado tanto por computação gráfica 
quanto fotografando uma imagem 
desenhada ou repetidamente, 
fazendo-se pequenas mudanças 
a um modelo, fotografando o 
resultado. Quando os fotogramas 
são ligados entre si e o filme 
resultante é visto a uma velocidade 
de 16 ou mais imagens por segundo, 
há uma ilusão de movimento 
contínuo. O movimento Phi é uma 
ilusão de óptica, descrita por Max 
Wertheimer (1880 - 1943) num 
trabalho seu de 1912: Experimental 
Studies on the Seeing of Motion, trabalho 
em que afirma que a sensação de 
movimento seja causada por uma 
sucessão de imagens paradas.
 Na experiência do movimento 
phi está envolvido um observador 
(ou uma plateia) olhando uma tela 
onde são projetadas duas imagens 
sucessivas. A primeira é uma linha 
(ou círculo, rectângulo, etc.) no 
lado esquerdo da tela. A segunda é 
uma linha no lado direito da tela. 
As imagens devem ser mostradas 
rapidamente e de forma sucessiva. Desenho da Taça de Shahr-e Sūkhté
2. O Fenômeno Phi
Cada fotograma ou frame deve 
durar poucos segundos a ser visto. 
Pergunta-se ao observador (ou 
plateia) o que viram (sensação 
óptica).
 Com as consequentes 
combinações de espaço (entre as 
duas linhas na tela) e de tempo (o 
atraso na projeção de uma das duas 
imagens em sucessão, cada uma 
com o seu tempo de permanência), 
Taça de Shahr-e Sūkhté
Max Wertheimer
cabra é desenhada em episódios 
consecutivos através dos quais ela 
se move em direção a uma árvore 
e começa a comer as folhas. Em um 
modelo reconstruído, as imagens 
formam uma animação em uma 
revisão rápida. O supervisor da 
equipe de pesquisa da Cidade 
Queimada, Dr. Sajjadi, acredita 
que esta é a primeira animação 
descoberta do mundo.
Olho Artificial de Shahr-e Sūkhté
o observador dirá que houve um 
movimento entre as duas linhas (no 
espaço entre ambas) e nos extremos 
da tela (na posição da primeira 
linha e depois da segunda). O 
observador constata uma sensação 
de movimento no espaço e em 
redor das linhas: um movimento 
entre duas linhas, sucessivas e 
distintas, e não um movimento 
3. Zoopraxiscópio
 Zoopraxiscópio vem do grego, 
sendo Zoe “vida”, Praxis “exercício 
da vida humana” e Scópio 
“Observar”. Entende-se então 
como Dispositivo de Observar a 
Vida em seu Exercício.
 Tal dispositivo não capturava 
imagens, apenas os exibia de 
forma animada. Girando-se uma 
manivela, onde um pequeno 
disco gira intercalando fotografias 
do mesmo objeto, em posições 
diferentes. O dispositivo servia 
para projetar as imagens para 
estudo do movimento.
 Inventado por Eadweard 
Muybridge (1830 - 1904) 
tal aparelho influenciou os 
estudos de cronofotografia de 
Marey e conseguinte, todo o 
desenvolvimento fotográfico e 
cinematográfico, como na origem 
da película de celuloide, usada 
ainda hoje.
 Em seus estudos do movimento, 
Muybridge costumava captar 
suas imagens utilizando de 24 
máquinas fotográficas colocadas 
em intervalos regulares ao longo de 
uma pista de corrida, totalmente 
preparada para o experimento. 
Com a passagem de um cavalo 
sob um fundo quadriculado, 
vários fios eram rompidos ao 
longo do trajeto, desencadeando 
disparos sucessivos, decompondo 
assim, o movimento do animal 
em fotogramas. Há uma lenda 
que Muybridge teria feito tal 
experimento para provar que há 
um momento em que nenhuma das 
patas toca o solo. Mas essa história 
está equivocada. Leland Stanford, 
ex-governador da Califórnia e um 
amante de cavalos, possuía entre 
sua coleção um cavalo chamado 
Occident. Para compartilhar os 
movimentos de seu animal com 
amigos importantes do exterior, 
ele propôs a Muybridge o registro 
deste movimento em sequencia 
de imagens. Fotos do Galope de Muybridge
Ilustração do Zoopraxiscópiocontínuo do objeto como é referido 
no movimento beta. O movimento 
phi assemelha-se mais a uma 
região de movimento, envolvendo 
imagens sucessivas. No cinema, 
o movimento é capturado em 
frames (quadros). Estes frames são 
reproduzidos em sequência e esta 
sequência é que dá a sensação de 
movimento.
 A palavra animação tem origem 
do latim, “animatio”, que significa, 
ser animado.Deriva da palavra 
“anima”, traduzido como espírito 
ou alma. Assim, o processo de 
animar é dar alma a algo sem vida 
ou sem movimento.
Conheça um pouco da história 
de como a arte da animação se 
tornou o fenômeno cultural que 
conhecemos hoje em dia.

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