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ADMINISTRAÇÃO 
APLICADA À ENGENHARIA 
DE SEGURANÇA
UNIASSELVI-PÓS
Autoria: Marcelo Longo Freitas Mandarino
Indaial - 2022
2ª Edição
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090
Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech 
UNIASSELVI
Copyright © UNIASSELVI 2022
M271a
 Mandarino, Marcelo Longo Freitas
 Administração aplicada à engenharia de segurança. / Marcelo Lon-
go Freitas Mandarino. – Indaial: UNIASSELVI, 2022.
 162 p.; il.
 ISBN Digital 978-65-5646-508-1
1. Administração. – Brasil. II. Centro Universitário Leonardo da 
Vinci.
CDD 658
Impresso por:
Reitor: Prof. Hermínio Kloch
Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol
Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: 
Carlos Fabiano Fistarol
Ilana Gunilda Gerber Cavichioli
Norberto Siegel
Julia dos Santos
Ariana Monique Dalri
Jairo Martins
Marcio Kisner
Marcelo Bucci
Revisão Gramatical: Desenvolvimento de Conteúdos EdTech
Diagramação e Capa: 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Sumário
APRESENTAÇÃO ............................................................................5
CAPÍTULO 1
Administração E Engenharia De Segurança Do Trabalho – 
Contexto Histórico ......................................................................7
CAPÍTULO 2
Sistemas De Gestão, Política E Programas De Engenharia
De Segurança Do Trabalho .......................................................61
CAPÍTULO 3
Teorias E Métodos De Investigação De Acidentes ...............109
APRESENTAÇÃO
A administração ao longo dos séculos foi influenciada por diversos 
filósofos e pensadores, e cada um contribuiu com sua teoria para a evolução da 
administração como ciência. 
Seus princípios e relações com a sociedade também foram influenciados por 
organizações religiosas e militares, sofrendo a influência de outras ciências, como 
a matemática e a física, sendo fundamentais todas essas e outras ações que 
modificaram o pensamento administrativo, de forma a contribuir na construção da 
sociedade moderna.
A concepção de trabalho, advinda da Revolução Industrial, acabou por 
modificar completamente a estrutura econômica e social da época, sendo estas 
mudanças consideradas as maiores ocorridas no milênio dentro do período de um 
século.
Associando alguns princípios e teorias da administração com a relação do 
trabalho, podemos observar que dentro dos estudos da administração há diversas 
abordagens, destacando-se, inicialmente, a abordagem clássica, que pode ter 
ênfase nas tarefas executadas ou na estrutura da organização.
Posteriormente, diversas outras teorias surgiram e algumas foram se 
complementando. Considerando que a sociedade está em constante evolução, 
com muitos avanços tecnológicos que influenciam diretamente as nossas 
condições sociais e econômicas, características do sistema capitalista, há uma 
relação direta com o aumento de trabalho, produtividade e investimentos.
Nesse sentido, a engenharia de segurança do trabalho, associada as suas 
normas regulamentadoras, tem como objetivo prevenir os acidentes de trabalho, 
assim como as doenças ocupacionais e as formas de agravo à saúde do 
trabalhador, de forma a proporcionar um ambiente seguro e saudável tanto para o 
empregado quanto para o empregador.
Conheceremos ao longo dos capítulos as diversas políticas e programas 
relacionados à saúde e à segurança do trabalhador e suas principais 
características, além dos aspectos relacionados à legislação.
Por fim, ampliaremos nossos conhecimentos a respeito das teorias e métodos 
utilizados nas análises e prevenção de acidentes, que nos proporcionarão avaliar 
os principais tipos e classificações associados a erros humanos nos acidentes 
de trabalho, assim como analisaremos e planejaremos o método de investigação 
após a ocorrência do acidente.
Este livro está dividido em três capítulos. No Capítulo 1, será dada ênfase 
aos princípios e teorias da administração, juntamente aos conceitos de segurança 
do trabalho, e teremos um breve histórico da evolução das leis e direitos dos 
trabalhadores.
Já no Capítulo 2, abordaremos o sistema de gestão, enfatizando as normas 
relacionadas e também veremos as principais políticas e programas relacionados 
à saúde e à segurança do trabalhador.
No Capítulo 3, aprenderemos diferentes tipos e modelos de análise 
e prevenção de acidentes, assim como avaliaremos os principais tipos e 
classificações de erro humano, analisando as causas dos acidentes de trabalho 
através da investigação da árvore de causas.
Bons estudos!
CAPÍTULO 1
ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE
SEGURANÇA DO TRABALHO – CONTEXTO 
HISTÓRICO
A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
• Adquirir conhecimentos dos pressupostos da administração e suas principais 
teorias.
• Revisar a evolução histórica do conceito de segurança do trabalho ao longo do 
tempo.
• Interpretar a evolução da saúde e segurança do trabalho, relacionando com os 
dias atuais.
• Analisar e discutir os direitos dos trabalhadores ao longo dos anos.
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 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
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ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
1 CONTEXTUALIZAÇÃO 
Neste capítulo, você estudará os princípios da administração, suas principais 
teorias, o surgimento do conceito de segurança do trabalho e o histórico das leis e 
direitos dos trabalhadores no Brasil. 
Você observará a forma como eram realizados os trabalhos, desde a 
Revolução Industrial, assim como a preocupação com a segurança e os direitos 
dos trabalhadores, fazendo uma análise crítica com os direitos dos trabalhadores 
nos dias atuais. Através das diversas teorias da administração, que foram 
evoluindo ao longo do tempo, poderá identifi car as suas contribuições e desafi os. 
Contará também com exercícios para reforçar o conteúdo apresentado, assim 
como sugestões para leituras de textos e vídeos para assistir. 
2 PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO
Podemos considerar que a administração é uma ciência jovem, tendo sua 
história iniciada no século XX, sendo o resultado de diversas contribuições 
cumulativas iniciadas por fi lósofos, empresários, economistas, físicos e estadistas 
que, ao longo do tempo, foram divulgando e desenvolvendo suas obras e teorias 
dentro dos seus respectivos campos de atuação. Por esses motivos, são utilizados 
na administração moderna diversos conceitos e princípios que são empregados 
em várias ciências, como as ciências matemáticas, humanas, físicas, incluindo 
também outras, como o direito, a engenharia, a tecnologia da informação, entre 
outras.
Historicamente, foram observados traços pré-históricos da administração 
durante, por exemplo, o período da Antiguidade no Egito, Mesopotâmia e Assíria, 
onde foram testemunhados exemplos de dirigentes capazes de conduzir milhares 
de trabalhadores nas construções de diversos monumentos, e alguns perduram 
até os dias de hoje, como as pirâmides do Egito.
No decorrer do tempo, alguns fi lósofos gregos se destacaram com suas 
importantes contribuições para o pensamento administrativo do século XX, sendo 
eles: Sócrates, Platão e Aristóteles (CHIAVENATO, 2004).
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 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
2.1 CONTRIBUIÇÃO DOS PRINCIPAIS 
FILÓSOFOS
• Sócrates (470 a.C. - 399 a.C.): expõe seu ponto de vista a respeito da 
administração com uma habilidade pessoal separada do conhecimento 
técnico e da experiência (CHIAVENATO, 2014).
• Platão (429 a.C. - 347 a.C.): discípulo de Sócrates, analisou os problemas 
referentes à natureza política e social relacionada ao desenvolvimento 
do povo grego. Tendo como marca ser questionador, foi corajoso 
na publicação de sua obra A República, propondo um movimento 
de democracia administrativa, incluindo impostos e contas públicasAdministração APlicada À Engenharia de Segurança
3.8 TEORIA DA CONTINGÊNCIA 
A Teoria da Contingência teve seu surgimento através da realização de 
diversas pesquisas, que tinham como objetivo verifi car em determinados tipos de 
empresas quais modelos de estruturas organizacionais eram mais efi cazes. 
Seu princípio é que tudo é relativo, tudo depende e nada é absoluto, seja 
nas organizações ou na teoria administrativa. Essa abordagem contingencial 
explica que, para o alcance efi caz dos objetivos da organização, há uma relação 
funcional entre as condições ambientais (variáveis independentes) e as técnicas 
administrativas (variáveis dependentes), não existindo uma causalidade direta 
entre elas. Nesse sentido, existe uma relação funcional entre elas ao invés de 
uma relação de causa-efeito.
“Representa a mais recente abordagem da teoria administrativa” 
(CHIAVENATO, 2014, p. 537). Nessa nova concepção, o funcionamento e a 
estrutura da organização são dependentes da interação com o ambiente externo, 
não havendo, portanto, uma única forma nem melhor maneira para organizar e 
estruturar as empresas.
De todas as teorias administrativas, a abordagem contingencial é considerada 
a mais integrativa e eclética. Suas considerações conseguem abranger e dosar 
todas as variáveis: estrutura, pessoas, tecnologia e ambiente, além de todas as 
contribuições das várias teorias anteriores (CHIAVENATO, 2014).
3.9 NOVAS ABORDAGENS
O mundo está mudando e a teoria administrativa também, mas, mudando 
para onde? Por qual caminho? Diversas mudanças de conceitos estão ocorrendo, 
assim como vêm acontecendo na ciência moderna. Diante de todo esse 
movimento, a teoria administrativa não passará inalterada. No Quadro 4, veja a 
trajetória da teoria administrativa.
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ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
QUADRO 4 – A TRAJETÓRIA DA TEORIA ADMINISTRATIVA 
RESUMIDA EM TRÊS PERÍODOS
1- Período cartesiano 
e newtoniano da 
Administração
Criação das bases teóricas da Administração iniciada por Taylor e Fayol, 
envolvendo principalmente a Administração Científi ca, a Teoria Clássica e 
a Neoclássica. A infl uência predominante foi a física tradicional, de Isaac 
Newton, e a metodologia científi ca, de René Descartes. Iniciou no começo 
do século XX até a década de 1960, aproximadamente, e no qual o pensa-
mento linear e lógico predominou na teoria administrativa. Foi um período 
de calmaria e de relativa permanência no mundo das organizações.
2- Período sistêmico 
da Administração
A infl uência da Teoria de Sistemas substituiu o reducionismo, o pensamen-
to analítico e o mecanicismo pelo expansionismo, pensamento sintético e 
teleologia, respectivamente, a partir da década de 1960. A abordagem sis-
têmica trouxe uma nova concepção da Administração e a busca do equilí-
brio na dinâmica organizacional em sua interação com o ambiente externo. 
Teve sua maior infl uência no movimento do desenvolvimento organizacio-
nal (DO) e na Teoria da Contingência. Foi um período de mudanças e de 
busca da adaptabilidade no mundo das organizações.
3- Período atual da 
Administração
Está acontecendo graças à profunda infl uência das teorias do caos e da 
complexidade na teoria administrativa. A mudança chegou para valer no 
mundo organizacional.
FONTE: Adaptado de Chiavenato (2014)
Vivemos em uma sociedade em constante evolução, e os avanços 
tecnológicos e as condições econômicas e sociais da sociedade vêm ocorrendo 
com constância. Com isso, mudanças nos valores culturais também ocorrem e 
trazem consigo novos problemas, restrições e contingência sobre os sistemas 
sociais.
O economista austríaco Joseph Schumpeter criou o conceito da destruição 
criativa, que é uma teoria para explicar as transformações que ocorrem no 
sistema capitalista, o qual está em constante evolução. Ele foi um dos pioneiros 
em considerar as inovações tecnológicas na dinâmica do capitalismo. Considera 
que, com as novas tecnologias, novas ondas surgem como verdadeiras tsunamis, 
que vêm acompanhadas de aumento de trabalho, produtividade e investimento. 
As cinco ondas apontadas por Schumpeter podem ser vistas na Figura 4:
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 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
FIGURA 4 – AS ONDAS DE SCHUMPETER
FONTE: . Acesso em: 14 maio 2022.
Com isso, vemos a importância de estarmos atentos às mudanças no 
cenário em que estamos inseridos. A atualização a novos modelos de atuação e 
área profi ssional se torna cada vez mais necessária para distintos segmentos de 
atividades.
A grande contribuição trazida por Schumpeter foi de delimitar a relação 
entre o investimento e a transformação em produtos que, quando próspera, gera 
emprego, renda e estabelece um novo paradigma.
Com esta seção, passamos a conhecer um pouco mais das Teorias da 
Administração, assim como suas abordagens e associações.
ATIVIDADES DE ESTUDO:
1 A Teoria da Burocracia foi desenvolvida por volta da década de 
1940 por:
( ) Fayol.
( ) Max Weber.
( ) Elton Mayo.
( ) Ludwig von Bertalanffy.
2 A Teoria da Contingência tem como princípio:
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ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
a) As transações planejadas com o ambiente. A organização é a 
coordenação de diferentes atividades de contribuintes individuais. 
Já o conjunto de hábitos, crenças, valores, tradições, interações 
e relacionamentos sociais típicos de cada organização está 
relacionado à cultura organizacional.
b) Estudar os sistemas de forma global, envolvendo todas as suas 
partes e interdependências.
c) A organização está baseada em legislação própria, em que as 
regras são defi nidas antecipadamente, abrangendo todas as 
áreas e prevendo as ocorrências que poderão ocorrer dentro da 
organização.
d) Tudo é relativo, tudo depende e nada é absoluto, seja nas 
organizações ou na teoria administrativa, havendo uma relação 
funcional entre as condições ambientais (variáveis independentes) 
e as técnicas administrativas (variáveis dependentes), inexistindo 
uma causalidade direta entre elas.
3 Complete a frase com uma das opções a seguir: 
Segundo Chiavenato (2014), as origens da teoria 
__________________ são resumidas em quatro causas:
• A oposição surgida entre a Teoria Tradicional e a Teoria das 
Relações Humanas.
• A necessidade de visualizar a organização como uma unidade 
social.
• A infl uência do estruturalismo nas ciências sociais.
• O novo conceito de estrutura.
( ) Estruturalista.
( ) Burocrática.
( ) De sistemas.
( ) Comportamental.
4 SURGIMENTO DO CONCEITO DE 
SEGURANÇA DO TRABALHO
Antes de iniciarmos a leitura a respeito do surgimento da segurança do 
trabalho, sua evolução e seus conceitos, devemos nos perguntar: o que é a 
segurança do trabalho? Por que ela existe? Qual a sua importância?
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 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
De uma forma simplista, podemos afi rmar que a segurança do trabalho 
são todas as formas e medidas adotadas que visam minimizar os tão temidos 
acidentes de trabalho e, por conseguinte, as doenças ocupacionais, assim como 
proteger a sua integridade física e capacidade operacional.
O trabalho em si existe desde o surgimento do homem que, seja para o seu 
sustento ou sobrevivência, já realizava alguns tipos de trabalho.
4.1 PRIMÓRDIOS DA SEGURANÇA 
E SAÚDE NO TRABALHO E SUA 
EVOLUÇÃO
Os primeiros registros em que se observou alguma preocupação a respeito da 
saúde dos trabalhadores ocorreram por volta do ano 350 a.C., em que Aristóteles 
já estudava tanto as doenças ocupacionais quanto as formas de se evitá-las.
Hipócrates, conhecido como o Pai da Medicina, ainda no tempo dos romanos, 
descreveu o sofrimento dos trabalhadores das minas, que foram acometidos pela 
intoxicação de chumbo, oriundo deste tipo de atividade.
No ano de 1700, o médico BernardinoRamazzini descreve, em sua obra De 
Morbis Artifi cum Diatriba, diversas doenças relacionadas a mais de 50 profi ssões 
existentes na época. Embora sua obra tenha dado publicidade e evidência 
à associação de diversas doenças relacionadas às atividades laborais, não se 
tem registro de nenhuma política pública e/ou proposta para a implementação 
de ações que pudessem reduzir os riscos a que estes trabalhadores estavam 
expostos.
Com a Revolução Industrial na Inglaterra, em meados do século XVIII, 
e decorrente de alguns fatores, como o aumento do uso de máquinas, as 
longas jornadas de trabalho, juntamente às péssimas condições de trabalho 
e salubridade, foi verifi cado um crescente aumento do número de agravos 
relacionados às atividades laborais.
Naquele período, devemos considerar que estábulos, galpões e armazéns 
foram transformados em fábricas, onde se colocava o maior número possível 
de máquinas para produção. Esses ambientes eram hostis e insalubres, com 
elevada temperatura e umidade e sem ventilação para a renovação do ar. Por 
sua vez, as máquinas não possuíam dispositivos de segurança, ocasionando 
constantes riscos de acidentes aos trabalhadores. A mão de obra utilizada à época 
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ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
era constituída por homens, mulheres e também crianças, conforme podemos 
verifi car na Figura 5, não havendo nenhum tipo de avaliação prévia quanto ao 
estado de saúde do trabalhador nem suas condições físicas para o desempenho 
das atividades. 
Os ambientes e as condições das fábricas eram muito ruins e o resultado 
desse cenário não podia ser diferente: diversos trabalhadores adoeciam, muitos 
eram mutilados pelas máquinas e outros até morriam na realização do seu 
trabalho.
FIGURA 5 – TRABALHO INFANTIL NA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
FONTE: . Acesso em: 21 mar. 2022.
Diante desse cenário e circunstâncias, o povo começou a reivindicar seus 
direitos trabalhistas e, com isso, os órgãos governamentais tiveram que adotar 
ações que pudessem oferecer condições mais dignas aos trabalhadores.
Nesse contexto, em 1802, foi aprovada a primeira lei de proteção aos 
trabalhadores, proibindo o trabalho noturno e estabelecendo o limite de 12 
horas na jornada diária de trabalho. Embora outras leis também tenham sido 
promulgadas nesse período, elas não eram respeitadas pelos empregadores 
devido aos investimentos necessários e à falta de interesse. Quanto à redução do 
número de acidentes de trabalho, as medidas adotadas se mostram inefi cazes. 
Com o passar do tempo, houve uma percepção coletiva de que o trabalho 
realizado era fonte de exploração tanto social quanto econômica, ocasionando 
sérios danos à saúde dos trabalhadores e morte. Os rumos tomados por essa 
percepção causaram uma grande mobilização social, cobrando do Estado 
46
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
intervenção entre as relações empregador-empregado, com vistas à redução dos 
riscos ocupacionais. Eis que, então, na Inglaterra, surgem as primeiras normas 
trabalhistas, seguidas por outras nações. 
No ano de 1830, Robert Baker, médico inglês, foi procurado pelo proprietário 
de uma fábrica inglesa e solicitou que o aconselhasse a respeito da proteção 
da saúde de seus trabalhadores. Conhecedor da obra de Ramazzini, Baker 
aconselhou ao proprietário da fábrica que contratasse um médico da região onde 
funcionava a fábrica para a realização de visitas diárias ao local de trabalho, de 
forma a analisar possíveis infl uências das condições do ambiente laboral sobre a 
saúde dos trabalhadores. Isso permitiria que, tão logo fosse observado qualquer 
tipo de alteração, os trabalhadores pudessem ser afastados de suas atividades 
sem prejudicar mais a sua saúde. Nesse contexto, surgiu o primeiro serviço 
médico industrial.
Foi criada no ano de 1831 uma comissão para avaliar a situação dos 
trabalhadores, e foi gerado um relatório apontando que os trabalhadores (adultos 
e crianças) se encontravam doentes e abandonados, demonstrando tamanha 
crueldade do ser humano. A publicação desse relatório gerou grande impacto 
sobre a opinião pública, surgindo, dois anos depois, a primeira legislação 
considerada efi ciente para a proteção do trabalhador “Factory Act” – Lei das 
Fábricas.
Essa lei era aplicada à indústria têxtil, que utilizava força hidráulica ou a 
vapor, proibindo para menores de 18 anos o trabalho noturno, restringindo a carga 
horária para 12 horas diárias e 69 horas semanais; idade mínima de 9 anos e 
menores de 13 anos deveriam frequentar a escola na fábrica. 
Em 1919, logo após a Primeira Guerra Mundial, com o enfoque da adoção 
de práticas de proteção à saúde do trabalhador, foi criada a O rganização 
Internacional do Trabalho (OIT), sendo referência até os dias de hoje quando se 
trata do assunto.
A OIT é a única agência das Nações Unidas que tem estrutura t ripartite, 
com representantes do governo, dos empregadores (organizações) e dos 
trabalhadores, que participam em situação de igualdade nas diversas instâncias 
da organização. Tem como missão a promoção de oportunidades em condições 
de liberdade, equidade, segurança e dignidade para homens e mulheres, assim 
conceituado como trabalho decente, sendo condição fundamental para a redução 
das desigualdades sociais e o desenvolvimento sustentável.
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ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
Você sabia que o dia 28 de abril é o Dia Mundial da Segurança 
e Saúde do Trabalhador e também o Dia Nacional em Memória das 
Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho? Foi instituído pela 
Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2003, em alusão 
aos 78 trabalhadores mortos na explosão de uma mina, nos Estados 
Unidos, em 28 de abril de 1969.
Encerramos esta seção em que estudamos os conceitos de segurança e 
saúde no trabalho e seu processo de evolução. Com isso, observamos que, na 
Revolução Industrial, o trabalho infantil era comum nas fábricas. Pensando nos 
dias de hoje, embora não seja mais autorizado este tipo de trabalho, podemos 
afi rmar que este foi totalmente abolido da nossa sociedade? Convidamos você a 
fazer uma refl exão a respeito do trabalho infantil atualmente.
ATIVIDADES DE ESTUDO: 
1 Sobre a evolução da saúde e segurança do trabalho, marque V 
para as afi rmativas verdadeiras e F para as falsas:
( ) As doenças ocupacionais existiram após a criação da 
Organização Internacional do Trabalho (OIT).
( ) Durante o processo da Revolução Industrial a Saúde do 
Trabalhador foi melhorada, verifi cando-se uma diminuição dos 
agravos relacionados às atividades laborais.
( ) Durante o processo da Revolução Industrial era permitido o 
trabalho infantil.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) V – V – V.
b) F – F – V.
c) V – F – F.
d) F – V – F.
48
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
2 Complete a frase de acordo com as sentenças a seguir: A 
Organização Internacional do Trabalho (OIT) possui uma 
organização _____________________.
a) Bipartite, com a participação do governo e do representante da 
empresa.
b) Tripartite, com representantes do governo, dos empregadores 
(organizações) e dos trabalhadores, que participam em situação 
de igualdade nas diversas instâncias da organização.
c) Bipartite, com a participação dos representantes das empresas e 
seus empregados.
d) Que possui a participação única e exclusiva dos empregadores.
3 Assista ao fi lme Tempos Modernos, com Charlie Chaplin, que trata 
de uma crítica aos maus-tratos que os trabalhadores recebiam 
durante a Revolução Industrial, e faça uma resenha crítica, 
apontando fatos que possam se assemelhar com os dias atuais. 
Resenha de no máximo duas páginas. Filme disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=3tL3E5fIZis.
R.:________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
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ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
5 HISTÓRICO DAS LEIS E DIREITOS 
DOS TRABALHADORES NO BRASIL
No Brasil, podemos dizer que a legislação sobre segurança e saúde no 
trabalho é relativamente recente. A economia, até o início do século XX, era 
baseada no trabalho braçal escravizado e na agricultura, entretanto, isso não 
signifi ca que não havia naquela época acidentes decorrentes do trabalho. Devido 
ao tardio desligamento da escravidão, as conquistas sociais relacionadas ao 
trabalho também demoraram a acontecer. 
Muito depois do restante do mundo, o Brasil, em 1930, começou o cuidado 
com os seus trabalhadores devido ao início do nosso processo de industrialização 
– que podemos chamar como a nossa Revolução Industrial.
Embora nesse período tenha-se identifi cado a modernização, a dignidade 
e a saúde do trabalhador não eram prioridades para o empregador. Não havia 
preocupação com as condições de trabalho; as medidas de segurança e as 
jornadas de trabalho eram exaustivas, com mais de 14 horas diárias.
No ano de 1923, foi promulgada a Lei Eloy Chaves, considerada a semente 
da Previdência Social Brasileira. Essa lei criou as Caixas de Aposentadorias e 
Pensões (CAPs), inicialmente voltadas para o setor ferroviário e, posteriormente, 
expandidas para outros ramos, como navegação, aviação, portuário e marítima. 
Ela concedia aos trabalhadores associados ajuda médica, aposentadoria, pensões 
para dependentes e auxílio-funeral. Cada CAP respondia pelo pagamento dos 
aposentados de uma empresa específi ca.
No ano de 1933, foram criados os I nstitutos de Aposentadorias e Pensões 
(IAPs), surgindo como uma forma de extensão dos benefícios para toda uma 
categoria. Esses institutos se diferenciavam das CAPS p or abranger não apenas 
uma empresa específi ca, mas sim a categoria profi ssional completa, como a 
categoria dos bancários, dos comerciários e dos industriários, e com abrangência 
nacional. Assim, a abrangência dos IAPs era bem maior.
Em 1943, no governo de Getúlio Vargas, foi aprovada, através do Decreto-
Lei nº 5.452, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Nela foram introduzidos 
também os direitos trabalhistas, até então inexistentes. Nesses direitos, estavam 
contemplados as regras de horário dos trabalhadores, as férias, o descanso 
remunerado, as condições mínimas necessárias de segurança e higiene nos 
locais de trabalho, entre outros.
50
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
Conheça mais em:
https://www2.camara.leg.br/legin/fed/declei/1940-1949/decreto-
lei-5452-1-maio-1943-415500-publicacaooriginal-1-pe.html.
No ano de 1966, todos os IAPs foram unifi cados em apenas um instituto, o 
Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), considerado o embrião do que 
conhecemos hoje como o INSS. Essa unifi cação ocorreu através de uma Lei 
Orgânica de Previdência Social. Com a criação do INPS, outros benefícios, como 
auxílio-reclusão, auxílio-natalidade e auxílio-funeral, passaram a fazer parte do rol 
de benefícios aos quais empregadores e profi ssionais liberais tinham direito.
Destaca-se, ainda, na década de 1960, a criação de uma importante fundação 
para a área de segurança do trabalho. Criada no ano de 1966, a Fundação Jorge 
Duprat Figueiredo, de Segurança e Medicina do Trabalho (FUNDACENTRO) 
é voltada para estudos e pesquisas das condições dos ambientes de trabalho. 
Seus primeiros passos foram registrados em uma época em que havia grande 
preocupação com os altos índices de acidentes e doenças do trabalho.
Na década de 1970, foram observadas diversas inovações na área de 
abrangência da previdência social, sendo criados o Sistema Nacional de 
Previdência e Assistência Social (SINPAS), o Instituto de Administração Financeira 
da Previdência Social (IAPAS) e o Instituto Nacional de Assistência Médica da 
Previdência Social (INAMPS).
Ao fi nal da década de 1970, mais precisamente no ano de 1978, foram criadas 
as Normas Regulamentadoras (NRs), que são disposições complementares 
ao Capítulo V (Da Segurança e da Medicina do Trabalho) da CLT. Nelas estão 
constituídas as obrigações, os direitos e os deveres a serem cumpridos tanto pelos 
trabalhadores quanto pelos empregadores, com vistas a garantir segurança no 
trabalho, assim como prevenir a ocorrência de doenças e acidentes de trabalho.
As primeiras NRs foram publicadas pela Portaria nº 3.214, de 8 de junho 
de 1978, e as demais ao longo do tempo, visando assegurar a prevenção da 
segurança e saúde dos trabalhadores na execução dos seus serviços laborais, 
assim como em segmentos econômicos específi cos. A seguir, no Quadro 5, 
destacaremos o resumo com todas as NRs e suas características.
51
ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
QUADRO 5 – NORMAS REGULAMENTADORAS
Norma Regulamentadora Característica
NR-1 DISPOSIÇÕES GERAIS
NR-2
INSPEÇÃO PRÉVIA (REVOGADA PELA PORTARIA SEPRT Nº 915, 
DE 30 DE JULHO DE 2019)
NR-3 EMBARGO OU INTERDIÇÃO
NR-4
SERVIÇOS ESPECIALIZADOS EM ENGENHARIA DE 
SEGURANÇA E EM MEDICINA DO TRABALHO
NR-5
COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDEN-
TES
NR-6 EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI)
NR-7
PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAÚDE 
OCUPACIONAL
NR-8 EDIFICAÇÕES
NR-9
AVALIAÇÃO E CONTROLE DAS EXPOSIÇÕES OCU-
PACIONAIS A AGENTES FÍSICOS, QUÍMICOS E BIO-
LÓGICOS
NR-10
SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM 
ELETRICIDADE
NR-11
TRANSPORTE, MOVIMENTAÇÃO, ARMAZENAGEM E 
MANUSEIO DE MATERIAIS
NR-12
SEGURANÇA NO TRABALHO EM MÁQUINAS E EQUI-
PAMENTOS
NR-13
CALDEIRAS, VASOS DE PRESSÃO E TUBULAÇÕES E 
TANQUES METÁLICOS DE ARMAZENAMENTO
NR-14 FORNOS
NR-15 ATIVIDADES E OPERAÇÕES INSALUBRES
NR-16 ATIVIDADES E OPERAÇÕES PERIGOSAS
NR-17 ERGONOMIA
NR-18
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NA INDÚS-
TRIA DA CONSTRUÇÃO
NR-19 EXPLOSIVOS
NR-20
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO COM INFLA-
MÁVEIS E COMBUSTÍVEIS
NR-21 TRABALHOS A CÉU ABERTO
NR-22
SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL NA MINERA-
ÇÃO
NR-23 PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS
NR-24
CONDIÇÕES SANITÁRIAS E DE CONFORTO NOS 
LOCAIS DE TRABALHO
NR-25 RESÍDUOS INDUSTRIAIS
NR-26 SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA
NR-27
REGISTRO PROFISSIONAL DO TÉCNICO DE SEGURANÇA DO 
TRABALHO (REVOGADA PELA PORTARIA Nº 262, DE 30 DE MAIO 
DE 2008)
52
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
NR-28 FISCALIZAÇÃO E PENALIDADES
NR-29
NORMA REGULAMENTADORA DE SEGURANÇA E 
SAÚDE NO TRABALHO PORTUÁRIO
NR-30 SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO AQUAVIÁRIO
NR-31
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NA AGRICUL-
TURA, PECUÁRIA, SILVICULTURA, EXPLORAÇÃO 
FLORESTAL E AQUICULTURA
NR-32
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO EM SERVI-
ÇOS DE SAÚDE
NR-33
SEGURANÇA E SAÚDE NOS TRABALHOS EM ESPA-
ÇOS CONFINADOS
NR-34
CONDIÇÕES E MEIO AMBIENTE DE TRABALHO NA 
INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO, REPARAÇÃOE DES-
MONTE NAVAL
NR-35 TRABALHO EM ALTURA
NR-36
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO EM EMPRE-
SAS DE ABATE E PROCESSAMENTO DE CARNES E 
DERIVADOS
NR-37
SEGURANÇA E SAÚDE EM PLATAFORMAS DE PE-
TRÓLEO
FONTE: O autor 
Todas as Normas Regulamentadoras descritas no Quadro 
5 podem ser acessadas no site: https://www.gov.br/trabalho-e-
previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-
trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/ctpp-nrs/normas-
regulamentadoras-nrs.
No ano de 1988, foi promulgada a Constituição Federal, conhecida como 
Constituição Cidadã, passando a adotar o tripé Previdência Social, Assistência 
Social e Saúde. Dois anos depois, em 1990, foi criado o INSS (Instituto Nacional 
do Seguro Social), responsável por diversos benefícios dos trabalhadores, a 
exemplo da aposentadoria, auxílio-doença, cobertura e proteção à licença-
maternidade, entre outros, excetuando os servidores públicos. 
Já nos anos 2000, o Decreto nº 7.607, de 7 de novembro de 2011, dispõe 
sobre a Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho (PNSST). Tal 
política tem por objetivos a promoção da saúde, a melhoria da qualidade de 
53
ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
vida do trabalhador e a prevenção de acidentes e de danos à saúde advindos, 
relacionados ao trabalho ou que ocorram no curso dele, por meio da eliminação 
ou redução dos riscos nos ambientes de trabalho.
A segurança no trabalho no Brasil é regulamentada por leis, normas, decretos 
e portarias, que assim compõem a legislação trabalhista. Com esse histórico, 
podemos observar que, ao longo dos anos, diversos foram os incrementos feitos 
na legislação de forma a garantir mais direitos aos trabalhadores, entretanto, de 
nada adianta os trabalhadores possuírem direitos se não fazem o melhor uso dos 
equipamentos de proteção e condições seguras de trabalho.
Nesse sentido, vale a pena sempre conscientizar os trabalhadores de 
qualquer segmento de atividade para a utilização dos Equipamentos de Proteção 
Individual, seguindo sempre as recomendações do fabricante. 
5.1 A IMPORTÂNCIA DA SEGURANÇA 
E SAÚDE DO TRABALHO
Sendo considerada como a ciência que estuda as possíveis causas de 
incidentes e acidentes originados durante a atividade laboral, a segurança do 
trabalho tem como principal objetivo prevenir tanto os acidentes de trabalho 
quanto as doenças ocupacionais e as formas de agravo à saúde do trabalhador. 
Sua fi nalidade é atingida quando consegue proporcionar um ambiente seguro e 
saudável tanto para o empregado quanto para o empregador.
As crenças, as atitudes e os valores espirituais e materiais são considerados 
dentro da cultura organizacional um complexo de padrões organizacionais 
que podem atuar tanto de maneira positiva quanto negativa na segurança do 
trabalhador. Por exemplo, se temos dentro de uma empresa a cultura de que 
o uso dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) é uma mera burocracia 
desnecessária e não uma necessidade de segurança, essa cultura organizacional 
claramente caminha para o aumento dos incidentes e acidentes.
O norte americano Frank Bird, nos anos 1967 e 1968, analisou 170.000 
trabalhadores de 21 grupos diferentes de trabalho em 297 empresas dos Estados 
Unidos da América. Nesse período, houve mais de 1,7 milhão de comunicados de 
acidentes. A partir desse resultado, Frank criou a sua pirâmide, conforme ilustrado 
a seguir: 
54
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
FIGURA 6 – PIRÂMIDE DE FRANK BIRD
FONTE: . Acesso em: 20 maio 2022.
Essa pirâmide contribui para a prevenção dos acidentes e é considerada um 
tratamento estatístico. Nela se observa que, para a ocorrência de um acidente que 
incapacite o trabalhador, ocorrerão outros 600 incidentes sem danos pessoais ou 
materiais.
A implementação de normas, a adoção de critérios técnicos, assim como 
os treinamentos para a qualifi cação profi ssional são fundamentais para se evitar 
acidentes. O comportamento é a base para a melhoria e prevenção. Empresas 
têm adotado programas que visam avaliar e melhorar diretamente as rotinas de 
trabalho, de forma a se criar ambientes livres de eventos indesejáveis.
Conheça o “modismo” dos caminhoneiros com seus caminhões 
arqueados e os riscos de acidentes de trabalho que também podem 
afetar outras pessoas. Disponível em:
https://www.uol.com.br/carros/noticias/redacao/2022/01/26/
caminhoes-arqueados-quem-e-responsavel-por-essas-modifi cacoes.
htm.
55
ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
Quando falamos e pensamos em segurança do trabalho, devemos pensar 
em nós e também nos outros, encarando qualquer tipo de intervenção como um 
investimento para a preservação da vida humana e não como um custo e/ou gasto 
para a empresa. 
A Segurança e Saúde do Trabalhador (SST) e a Segurança e Saúde 
Ocupacional (SSO) são programas da empresa formados por Normas 
Regulamentadoras, procedimentos ou instruções de trabalho que são impostos 
pelos empregadores com vistas a minimizar ou até mesmo anular os riscos de 
acidente de trabalho aos quais os trabalhadores estão diariamente expostos.
O Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do 
Trabalho (SESMT) ou, de forma resumida, SST, é composto por profi ssionais 
especializados, sendo eles:
• Médico do Trabalho.
• Engenheiro de Segurança do Trabalho.
• Técnico de Segurança do Trabalho.
• Enfermeiro do Trabalho.
• Auxiliar ou Técnico em Enfermagem do Trabalho.
Esses são os profi ssionais obrigatórios para o funcionamento do SESMT 
(SST), e sua quantidade para cada empresa é defi nida de acordo a Norma 
Regulamentadora nº 4 (NR-4).
A NR-4 ainda estabelece que, as empresas, sejam elas públicas ou privadas, 
assim como os órgãos públicos da administração direta e indireta que possuam 
em seu quadro colaboradores regidos pelas regras da Consolidação das Leis do 
Trabalho (CLT), deverão manter, obrigatoriamente, o SESMT de acordo com o 
grau de risco das atividades e o número de empregados (BRASIL, 1978).
A função primordial do SESMT é proporcionar, através desse grupo de 
profi ssionais, a integridade física da equipe de trabalho, de forma a manter um 
ambiente mais seguro e prevenir doenças ocupacionais. Aos profi ssionais do 
SESMT, compete:
a) aplicar os conhecimentos de engenharia de segurança e de medicina 
do trabalho ao ambiente de trabalho e a todos os seus componentes, 
inclusive máquinas e equipamentos, de modo a reduzir e até eliminar os 
riscos ali existentes à saúde do trabalhador;
b) determinar, quando esgotados todos os meios conhecidos para a 
eliminação do risco e este persistir, mesmo reduzido, a utilização, pelo 
trabalhador, de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), de acordo 
56
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
com o que determina a NR-6, desde que a concentração, a intensidade 
ou a característica do agente assim o exija; 
c) colaborar, quando solicitado, nos projetos e na implantação de novas 
instalações físicas e tecnológicas da empresa, exercendo a competência 
disposta na alínea “a”; 
d) responsabilizar-se tecnicamente pela orientação quanto ao cumprimento 
do disposto nas NRs aplicáveis às atividades executadas pela empresa 
e/ou seus estabelecimentos; 
e) manter permanente relacionamento com a CIPA, valendo-se ao máximo 
de suas observações, além de apoiá-la, treiná-la e atendê-la, conforme 
dispõe a NR-5; 
f) promover a realização de atividades de conscientização, educação 
e orientação dos trabalhadores para a prevenção de acidentes do 
trabalho e doenças ocupacionais, tanto através de campanhas quanto de 
programas de duração permanente; 
g) esclarecer e conscientizar os empregadores sobre os acidentes do 
trabalho e doenças ocupacionais, estimulando-os em favor da prevenção;h) analisar e registrar em documento(s) específi co(s) todos os acidentes 
ocorridos na empresa ou estabelecimento, com ou sem vítima, e todos os 
casos de doença ocupacional, descrevendo a história e as características 
do acidente e/ou da doença ocupacional, os fatores ambientais, as 
características do agente e as condições do(s) indivíduo(s) portador(es) 
de doença ocupacional ou acidentado(s); 
i) registrar mensalmente os dados atualizados de acidentes do trabalho, 
doenças ocupacionais e agentes de insalubridade, devendo o 
empregador manter a documentação à disposição da inspeção do 
trabalho; 
j) manter os registros de que tratam as alíneas “h” e “i” na sede dos 
Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina 
do Trabalho ou facilmente alcançáveis, sendo de livre escolha da 
empresa o método de arquivamento e recuperação, desde que sejam 
asseguradas as condições de acesso aos registros e entendimento de 
seu conteúdo, devendo ser guardados somente os mapas anuais dos 
dados correspondentes às alíneas “h” e “i” por um período não inferior a 
5 (cinco) anos; 
k) as atividades dos profi ssionais integrantes dos Serviços Especializados 
em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho são 
essencialmente prevencionistas, embora não seja vedado o atendimento 
de emergência, quando se tornar necessário. Entretanto, a elaboração 
de planos de controle de efeitos de catástrofes, de disponibilidade de 
meios que visem ao combate a incêndios e ao salvamento e de imediata 
atenção à vítima deste ou de qualquer outro tipo de acidente estão 
incluídos em suas atividades (BRASIL, 1978). 
57
ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
Nesta seção, você aprendeu um pouco mais a respeito da importância da 
segurança do trabalho, conhecendo alguns dos direitos dos trabalhadores ao 
longo do tempo até o marco da Constituição Federal. Tomou conhecimento de 
todas as Normas Regulamentadoras, as quais regulamentam e orientam os 
procedimentos vinculados à saúde e à segurança do trabalho. Por fi m, conheceu 
a composição do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina 
do Trabalho, assim como a sua competência.
ATIVIDADES DE ESTUDO: 
1 A respeito do histórico dos direitos dos trabalhadores brasileiros, 
marque V para as afi rmativas verdadeiras e F para as falsas:
( ) O Brasil teve a sua primeira legislação muito tempo depois do 
restante do mundo, podendo ser considerada até recente quando 
pensamos em segurança e saúde no trabalho.
( ) A Lei Eloy Chaves, promulgada em 1923, dava direitos apenas às 
mulheres trabalhadoras das indústrias.
( ) Os Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs) se 
diferenciavam das Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPs) 
por abranger não apenas uma empresa específi ca, mas sim a 
categoria profi ssional completa, como a categoria dos bancários, 
dos comerciários e dos industriários, e com abrangência nacional.
( ) No governo Getúlio Vargas, além de ter sido aprovada a 
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), também foi aprovada a 
Constituição Cidadã de 1988.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
( ) F – V – F – F. 
( ) V – F – F – V. 
( ) F – F – V – V. 
( ) V – F – V – F.
2 A respeito da Pirâmide de Frank Bird, é correto afi rmar:
a) Contribui para a prevenção dos acidentes e é considerada um 
tratamento estatístico. Nela se observa que, para a ocorrência de 
um acidente que incapacite o trabalhador, ocorrerão outros 600 
incidentes sem danos pessoais ou materiais.
58
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
b) Considera as crenças, as atitudes e os valores espirituais e 
materiais na proporção dos acidentes de trabalho.
c) Trata-se de uma pirâmide precisa para calcular a frequência e a 
quantidade de acidentes de trabalho.
d) Estabelece regras para serem adotadas nas Normas 
Regulamentadoras previstas na Política Nacional de Segurança e 
Saúde no Trabalho (PNSST).
3 O Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina 
do Trabalho (SESMT) é composto pelos seguintes profi ssionais: 
a) Médico do trabalho, engenheiro de segurança do trabalho, 
enfermeiro do trabalho.
b) Engenheiro civil, técnico do trabalho, enfermeiro do trabalho, 
técnico de segurança do trabalho e auxiliar ou técnico de 
enfermagem do trabalho.
c) Auxiliar ou técnico em enfermagem do trabalho, técnico de 
segurança do trabalho, engenheiro de segurança do trabalho, 
enfermeiro de segurança do trabalho e médico do trabalho.
d) Auxiliar técnico do trabalho, dentista do trabalho, engenheiro de 
segurança do trabalho, enfermeiro de segurança do trabalho e 
médico do trabalho.
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES 
Vimos ao longo do capítulo as diversas contribuições das teorias da 
administração, assim como a de outras ciências. De todas as contribuições, 
conseguimos ver algumas delas sendo aplicadas atualmente? Conseguimos ver a 
mecanização do trabalho? 
As leis e os direitos trabalhistas ao longo do tempo foram sendo incorporados, 
assim como as normas regulamentadoras, que visam promover a garantia da 
integridade da saúde física e mental dos trabalhadores através da defi nição de 
procedimentos, que devem ser cumpridos como medidas de proteção em seu 
ambiente de trabalho.
A adoção dessas medidas que visam implementar a segurança não deve 
ser vista como um custo extra e desnecessário para a empresa, tampouco pelo 
profi ssional de segurança do trabalho. Toda e qualquer medida que vise prevenir 
acidentes deve ser considerada um investimento. 
59
ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
Uma boa gestão dos profi ssionais da Saúde e Segurança do Trabalho, 
através de visão estratégica e mudança de cultura, supera os custos associados. 
O investimento em segurança nunca é demais.
REFERÊNCIAS
ANDRADE, R. O. B. de; AMBONI, N. TGA – Teoria Geral da Administração. 
Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
BAUER, R. Gestão da mudança: caos e complexidade nas organizações. São 
Paulo: Atlas, 1999.
BRASIL. Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978. Aprova as Normas 
Regulamentadoras - NR - do Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis 
do Trabalho, relativas à Segurança e Medicina do Trabalho. Brasília, DF: 
Diário Ofi cial [da] República Federativa do Brasil, 6 jul. 1978. Disponível 
em: https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-
especifi cos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/sst-
portarias/1978/portaria_3-214_aprova_as_nrs.pdf. Acesso em: 31 maio 2022.
CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração: uma visão 
abrangente da moderna administração das organizações. 6. ed. Rio de Janeiro: 
Campus, 2000.
CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração: uma visão 
abrangente da moderna administração das organizações. 7. ed. Rio de Janeiro: 
Elsevier, 2004. 
CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração: uma visão 
abrangente da moderna administração das organizações. 9. ed. Rio de Janeiro: 
Elsevier, 2014.
COLTRO, A. Apostila 04. Teorias burocrática e estruturalista. São Paulo: USP, 
2005. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfi le.php/4240229/mod_
resource/content/1/A%20apostila%2004.pdf. Acesso em: 25 maio 2022.
FAYOL, H. Administração industrial e geral: previsão, organização, comando, 
coordenação, controle. São Paulo: Atlas, 1989.
60
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
MAXIMIANO, A. C. A. Teoria geral dos sistemas: o que é e como funciona? Gen. 
Negócios & Gestão, 2020. Disponível em: https://gennegociosegestao.com.br/
teoria-geral-dos-sistemas/. Acesso em: 25 maio 2020.
RODRIGUES, E. de A. Teorias da administração. Londrina: Editora e 
Distribuidora Educacional S.A., 2016. 
ROSSÉS, G. F. Introdução à administração. Santa Maria, RS: Universidade 
Federal de Santa Maria; Colégio Técnico Industrial de Santa Maria; Rede e-Tec 
Brasil, 2014.
SILVA, R.O. da. Teorias da administração. São Paulo: Person Prentice Hall, 
2008. 
TAYLOR, F. W. The Principles of Scientifi c Management. São Paulo: Atlas, 
1990.
TAYLOR, F. W. Shop Management. Belle Fourche: NuVision Publications, 2008.
CAPÍTULO 2
SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E 
PROGRAMAS DE ENGENHARIA DE
SEGURANÇA DO TRABALHO
A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
• Reconhecer o que são sistemas de gestão integrado e seus potenciais 
benefícios.
• Identifi car as particularidades da norma internacional OHSAS 18001 e da sua 
substituta – ISO 45001. 
• Interpretar os principais programas relacionados à Saúde e Segurança do 
Trabalhador.
• Relacionar as competências e os profi ssionais envolvidos nos respectivos 
programas.
62
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
63
SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E PROGRAMAS DE ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO Capítulo 2 
1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Neste capítulo, você aprenderá mais sobre o sistema de gestão integrado. 
Cada vez mais as empresas vêm sendo cobradas com relação à qualidade e 
à melhoria das condições de trabalho para os seus empregados. Demonstrar 
para a sociedade suas atitudes éticas e responsabilidade socioambiental é 
fator fundamental para o desempenho e sucesso no mercado cada vez mais 
competitivo. 
Em busca de maior efi ciência na gestão e melhorias nos processos, o 
sistema de gestão integrado torna-se uma ferramenta. Sistemas de gestão 
normalmente são baseados em normas e, nesse sentido, este capítulo abordará 
as características da Norma OHSAS 18001, que se refere à avaliação e à 
saúde ocupacional, assim como a Norma ISO 45001, que substitui a 18001 e 
trata do sistema de gestão de segurança e saúde ocupacional e suas principais 
modifi cações. Adentrando nas políticas e programas relacionados à saúde e à 
segurança do trabalhador, vamos conhecer a política nacional de segurança e 
saúde no trabalho, que visa à promoção e à melhoria da qualidade de vida do 
trabalhador, além de abordar a prevenção de acidentes e de danos à saúde que 
se relacionam com a realização do trabalho. 
Além da política, você, aluno, conhecerá também alguns programas que 
são voltados à saúde e segurança do trabalhador. Serão abordados aspectos de 
legislação, direitos e deveres tanto dos empregados quanto dos empregadores, 
assim como suas alterações. Você verá as classifi cações de riscos com suas 
defi nições, além das condições necessárias para se ter direito à insalubridade 
ou à periculosidade e os instrumentos que pautam esses dois direitos de alguns 
trabalhadores. Por fi m, conhecerá a composição e a importância da Comissão 
Interna de Prevenção de Acidentes, sua origem e atribuições. 
2 SISTEMA DE GESTÃO
No intuito de manter seus clientes, as organizações têm direcionado 
esforços na oferta de bens e serviços de forma a atender às necessidades 
e expectativas de seus consumidores. Entretanto, a longo prazo, garantir a 
satisfação das necessidades e dos requisitos apenas dos clientes já não é mais 
condição sufi ciente para que a organização prospere. Outros elementos, como 
funcionários, acionistas, poder público e fornecedores, podem também determinar 
a longevidade da organização, sendo compreendidos como atores que podem 
infl uenciar ou que são infl uenciados pelas ações da organização. Com isso, as 
organizações ampliam seu foco, passando a incluir não apenas o consumidor, 
mas também outras partes interessadas. 
64
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
Ao longo do tempo, as organizações vêm sendo cada vez mais cobradas 
com relação à qualidade, à melhoria nas condições de trabalho e às ações que 
visem minimizar os impactos socioambientais, precisando demonstrar atitudes 
éticas e com responsabilidade, relativas à segurança e à saúde no trabalho. 
Para o atendimento dessa demanda, inserimos o sistema de gestão 
possuindo duas perspectivas: a operação de forma isolada, em que não há 
comunicação entre os sistemas e cada um traça seu próprio objetivo, e a forma 
integrada, inexistindo um sistema para cada tipo de gestão. 
Na Figura 1, serão apresentados esses dois cenários (com e sem versão 
integrada), em que foram utilizados como exemplo o sistema de gestão 
de qualidade (SGQ), o sistema de gestão ambiental (SGA), o sistema de 
gestão de segurança e saúde no trabalho (SGSST) e o sistema de gestão de 
responsabilidade social (SGRS). 
Como podemos observar, embora ambos tratem dos mesmos sistemas, 
quando estes são tratados de forma isolada, há uma tendência à descoordenação. 
Quando integramos os sistemas, através do sistema de gestão integrado, há 
convergência para os objetivos comuns.
FIGURA 1 – SISTEMA DE GESTÃO INTEGRADO VERSUS DESCOORDENADO
FONTE: Silva e Lawal (2014, p. 62)
65
SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E PROGRAMAS DE ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO Capítulo 2 
Essa integração apresenta diversos benefícios, como a redução de custos, 
de duplicidade, a inibição de confl itos nos sistemas, assim como a execução 
de tarefas em menor tempo, permitindo um melhor gerenciamento dos riscos 
pertinentes às atividades desenvolvidas no trabalho, com melhoria na capacidade 
de comunicação e, consequentemente, melhor gestão da organização. 
A integração referida está muito além da simples junção de documentos 
pertencentes a distintos sistemas, ela deve ser desenvolvida de forma a atender 
às necessidades da organização e não apenas dos auditores (RIBEIRO NETO; 
TAVARES; HOFFMANN, 2008).
Todavia, antes de partirmos para a discussão da integração do sistema 
de gestão, refl etiremos um pouco mais a respeito do que devemos considerar 
quando optamos por utilizar um sistema de gestão.
Os sistemas de gestão geralmente são utilizados nas organizações para 
melhorar a sua efi cácia e assegurar e sustentar um ambiente saudável e seguro 
de trabalho. Entretanto, como qualquer outro método, possui seus pontos fortes e 
fracos, sendo que a sua efi cácia é dependente, na sua maioria, da forma como é 
entendido e aplicado na organização. 
2.1 SISTEMA DE GESTÃO 
INTEGRADO (SGI)
O avanço tecnológico que vivenciamos e a inserção de novos produtos e 
técnicas produtivas pertencentes aos ambientes industriais acarretaram diversos 
problemas tanto do ponto de vista pessoal quanto ambiental. 
As organizações, com o passar do tempo, observaram que a competitividade 
e o lucro auferido pelas vendas de produtos e serviços não são sufi cientes para 
a sua sobrevivência no mercado. Com isso, passaram a ser mais exigidas pela 
sociedade, devendo demonstrar suas atitudes éticas também no que se refere à 
saúde e à segurança no trabalho. 
Em busca de maior efi ciência, as organizações começaram a buscar 
melhorias em seus processos e passaram a desenvolver e implementar um 
sistema de segurança e saúde no trabalho.
Podemos dizer que o sistema de gestão integrado é composto por elementos 
que estão inter-relacionados e são utilizados em uma empresa para estabelecer 
a política, seus objetivos e as formas para atingi-los, incluindo a estrutura 
66
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
organizacional da empresa, suas atividades de planejamento, processos e 
recursos disponíveis. De forma resumida, é a maneira pela qual os processos e 
as atividades são gerenciados pela empresa. 
Quando as empresas passam a entender o valor de um SGI efi caz, 
geralmente se tornam bem-sucedidas. De forma geral, a integração se baseia em 
normas, como a ISO 9001 – Qualidade; ISO 14001 – Meio Ambiente; e ISO 18001 
– Saúde e Segurança no Trabalho.
Os sistemas de gestão utilizam o modelo PDCA, que é uma sigla em inglês 
que signifi ca Plan (planejar) – Do (fazer/executar) – Check (checar/verifi car) – Act/
Adjust (agir/ajustar), proposto por Deming (1900-1993) para manter uma melhoria 
contínua nos processos e ilustrado na Figura 2.
FIGURA 2 – CICLO PDCA
FONTE: Alves (2015, p. 2)
Trata-se de umciclo cujas atividades são devidamente planejadas e 
recorrentes, com vistas a atingir ou melhorar resultados e metas estabelecidas, 
não possuindo um fi m predeterminado. Tem por princípio identifi car as causas dos 
problemas e suas possíveis soluções, de forma a tornar os processos de gestão 
mais ágeis e claros. Embora simples, o ciclo PDCA é uma ferramenta de qualidade 
que representa um grande avanço para a efi cácia do planejamento.
Por se tratar de um ciclo, para que funcione de maneira efi caz, todas as 
fases devem acontecer, sob pena de o processo não sofrer prejuízos. Quando 
corretamente implementado, instala-se nas organizações um verdadeiro processo 
de melhoria contínua.
O detalhamento da representação da sigla PDCA será apresentado a seguir 
(CAMPOS, 2004):
67
SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E PROGRAMAS DE ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO Capítulo 2 
- PLAN (Planejar)
Por ser a primeira etapa, é defi nida através da elaboração de um plano de 
ação, geralmente baseado nas políticas ou diretrizes da organização que está 
aplicando essa ferramenta. Deve-se identifi car o problema ou o processo que será 
analisado, podendo ser uma atividade que deve ser melhorada ou um método que 
carece de aperfeiçoamento, por exemplo. Essa primeira etapa é subdividida em 
cinco partes:
1. Identifi cação do problema: deve ser realizada todas as vezes em que 
a organização se deparar com um resultado considerado insatisfatório 
(seria o efeito), advindo de um processo (conjunto de causas).
2. Estabelecimento de metas: com a meta estabelecida, a diferença entre 
o estabelecido e o resultado obtido é o que podemos apontar como o 
não atingimento da meta, se essa diferença for inferior ao estabelecido. 
A meta não alcançada sempre será apontada como o problema. Na 
defi nição da meta, sempre devemos identifi car três partes: o objetivo 
gerencial, o prazo e o valor.
3. Análise do fenômeno: ao identifi car o problema, essa etapa considera 
a análise detalhada do problema juntamente as suas características, 
sendo analisados os dados coletados ou fatos.
4. Análise do processo (causas): analisando as características do 
fenômeno, devemos buscar identifi car as principais e mais importantes 
causas que originaram o problema.
5. Plano de ação: nele devem estar detalhadas todas as ações que devem 
ser tomadas para que se possa atingir a meta inicialmente proposta. 
Podemos dizer que é o produto de todo o processo da etapa Plan. 
- DO (Executar)
Consiste na execução do plano com realização de treinamento dos 
colaboradores envolvidos referente ao método proposto. Resume-se basicamente 
na execução e na coleta de dados para posterior análise. Essa etapa se subdivide 
em duas partes:
1. Treinamento: realizado antes da execução e após a divulgação do plano 
de ação.
2. Execução da ação: quando o plano de fato é executado. Devem ser 
feitas periódicas verifi cações durante a execução no intuito de se manter 
o controle e a eliminação de eventuais dúvidas que possam surgir ao 
longo da execução. Independentemente dos resultados (bons ou ruins), 
estes devem ser registrados. Estes registros é que alimentarão a próxima 
68
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
etapa do ciclo PDCA.
- CHECK (Verifi car)
Verifi cação ou análise dos dados coletados e resultados alcançados. Essa 
etapa pode ocorrer concomitante à realização do plano de ação, quando se verifi ca 
a realização do trabalho, analisando se está sendo feito da forma planejada, ou, 
após a execução, quando se analisa estatisticamente os dados juntamente à 
checagem dos itens de controle. Erros ou falhas podem ser detectados nessa 
etapa.
ACT (Ação) 
Etapa em que se realiza ações corretivas com vistas à correção de 
falhas detectadas no passo anterior, de forma a promover a melhoria contínua 
dos processos. É nessa fase que se inicia novamente o ciclo, com todos os 
apontamentos realizados.
O ciclo PDCA é uma ferramenta de qualidade que pode ser utilizada em 
qualquer organização e processo, independentemente da área, sendo aplicado 
principalmente nas normas de sistemas de gestão. 
Como vimos, existem diversos sistemas de gestão utilizados nas 
organizações, a depender dos seus objetivos. Trabalhar os sistemas de gestão de 
forma isolada dentro das organizações tende a provocar maiores difi culdades no 
gerenciamento.
O valor de um SGI efi caz é considerado e entendido por empresas 
consideradas bem-sucedidas, visando garantir um controle mais efetivo de seus 
processos, permitindo que se destaquem dentro de um mercado altamente 
competitivo e exigente.
Com o aumento das exigências impostas pelo mercado, as empresas 
passaram a ter o comprometimento em atender aos padrões das normas 
internacionais, seja de qualidade, sustentabilidade ambiental ou proteção da 
saúde e segurança do trabalhador.
2.2 AS NORMAS 
De forma a manter equânime o atendimento dos requisitos internacionais, 
em 1947, foi criada a International Organization for Standardization (ISO), com 
69
SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E PROGRAMAS DE ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO Capítulo 2 
sede em Genebra, na Suíça. Trata-se de uma organização internacional não 
governamental independente, que reúne especialistas para o compartilhamento 
do conhecimento e desenvolvimento de normas internacionais voluntárias, que 
são baseadas em consenso e consideradas relevantes para o mercado que apoia 
a inovação. Além disso, fornecem soluções para os distintos desafi os globais, 
estando presente em mais de 160 países. 
No Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é membro 
fundador da ISO. Desde 1950, a ABNT atua na certifi cação de produtos e 
no desenvolvimento de diversos programas, visando ao atendimento das 
necessidades das empresas brasileiras. 
A ABNT estabelece e administra marcas em conformidade com padrões 
aplicados em esquemas de certifi cação voluntária ou compulsória de produtos. É 
um órgão de registro credenciado para certifi car sistemas de qualidade, sistemas 
de gestão ambiental e diversos produtos.
As normas técnicas são documentos publicados por um órgão devidamente 
reconhecido pela ISO que, no caso do Brasil, é a ABNT, em que são determinados 
padrões, regras, diretrizes ou procedimentos destinados a um produto, serviço ou 
material.
Embora a obediência do cumprimento no Brasil não seja obrigatória, tendo 
em vista que as normas não são elaboradas pelo governo ou por algum órgão 
vinculado ao poder público, mas, sim, por instituições privadas, há algumas leis 
que estimulam as empresas a cumprirem determinadas normas.
2.2.1 Norma OHSAS 18001:2007 – 
Série de avaliação de segurança e 
saÚde ocuPacional
A Occupational Health and Safety Assessment Series (OHSAS) é uma sigla 
em inglês que signifi ca Série de Avaliação de Segurança e Saúde Ocupacional; 
fruto de uma série de normas britânicas desenvolvidas e publicadas pelo grupo 
British Standards Institution (BSI).
A OHSAS 18001 é uma norma internacional que defi ne os requisitos 
mínimos para as boas práticas em gestão de saúde e segurança ocupacional, 
independentemente do tamanho das organizações, especifi cando os requisitos 
para um sistema de gestão da segurança e saúde do trabalho que permita à 
70
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
organização desenvolver e implementar uma política e objetivos, considerando 
seus requisitos legais e informações sobre riscos para a Saúde e Segurança no 
Trabalho (SST).
De forma mais resumida, podemos dizer que a OHSAS 18001 fornece os 
elementos necessários para que as organizações alcancem seus objetivos de 
segurança e saúde do trabalho.
Quando foi desenvolvida, buscou-se compatibilidade com as outras normas 
de gestão, como a ISO 9001:2000, que trata da qualidade, e a ISO 14001:2004, 
relativa à gestão ambiental, no intuito de facilitar a integração dos sistemas de 
gestão de saúde e segurança do trabalho, para o caso de a organização optar 
pelouso do SGI.
Embora sejam especifi cados na OHSAS 18001 os requisitos relativos 
a um sistema de gestão da segurança e saúde do trabalho, ela não especifi ca 
os critérios de desempenho específi cos da SST, nem fornece especifi cações 
detalhadas para a concepção de um sistema de gestão. Todos os requisitos 
apresentados têm como objetivo a incorporação em qualquer sistema de gestão 
da segurança e saúde do trabalho.
A OHSAS 18001 é direcionada à Segurança e Saúde no Trabalho e não às 
demais áreas da segurança e saúde, como os programas de bem-estar/promoção 
da saúde, a segurança de produtos, os danos para a propriedade ou os impactos 
ambientais.
Para que a organização implemente e, posteriormente, seja submetida ao 
processo de certifi cação da OHSAS 18001, é preciso que algumas etapas sejam 
cumpridas dentro do processo. Essas etapas serão apresentadas na Figura 3. 
Analisando-as, observa-se que essa norma tem correspondência com o ciclo 
PDCA, visto anteriormente.
71
SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E PROGRAMAS DE ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO Capítulo 2 
FIGURA 3 – CICLO PDCA NA OHSAS 18001
FONTE: Severo (2018, p. 12)
Etapa de planejamento
A organização deve estabelecer, implementar e manter procedimento(s) 
para a identifi cação contínua de perigos, a avaliação de riscos e a determinação 
dos controles necessários, com acesso à legislação e a outros requisitos 
de SST que lhe são aplicáveis. Com relação aos objetivos, estes devem ser 
mensuráveis, quando exequível, e coerentes com a política de SST, incluindo-se 
os comprometimentos com a prevenção de lesões e doenças, com o atendimento 
a requisitos legais aplicáveis e outros requisitos subscritos pela organização e 
com a melhoria contínua.
72
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
Etapa de implementação e operação
A alta direção da organização deve assumir a responsabilidade fi nal pela 
SST e pelo respectivo sistema de gestão, garantindo a disponibilidade de recursos 
essenciais para estabelecer, implementar, manter e melhorar o sistema de gestão 
da SST. Deve também defi nir, documentar e comunicar as funções, alocando 
responsabilidades e prestações de contas, além de delegar autoridades de forma 
a facilitar a gestão. O representante designado pela alta direção da organização, 
independentemente de outras responsabilidades, deverá ter autoridade para:
a) assegurar que o sistema de gestão da SST seja estabelecido, 
implementado e mantido em conformidade com a Norma OHSAS; 
b) assegurar que os relatos sobre o desempenho do sistema de gestão da 
SST sejam apresentados à alta direção para análise crítica e sejam utilizados 
como base para a melhoria do sistema de gestão da SST.
A organização deve identifi car as necessidades de treinamento associadas 
aos seus riscos de SST e a seu sistema de gestão. Após a identifi cação das 
necessidades, deve fornecer treinamento ou tomar outra ação para atender a 
essas necessidades, avaliar a efi cácia do treinamento ou da ação tomada e reter 
os registros associados.
Com relação aos seus perigos de SST e ao sistema de gestão da SST, a 
organização deve estabelecer, implementar e manter procedimento(s) para: 
a) comunicação interna entre os vários níveis e funções da organização; 
b) comunicação com terceirizados e outros visitantes no local de trabalho; 
c) recebimento, documentação e resposta a comunicações pertinentes 
oriundas de partes interessadas externas.
Com relação aos documentos requeridos pelo sistema de gestão da SST e 
pela Norma OHSAS, estes devem ser controlados.
Com relação à parte operacional, a organização deve determinar as 
operações e as atividades que estejam associadas ao(s) perigo(s) identifi cado(s), 
sendo necessária a implementação de controle para gerenciar o(s) risco(s) de 
SST, mantendo controles operacionais; controles referentes a serviços, produtos 
e aquisições de equipamentos; controles de terceirizados ou visitantes no local 
de trabalho e procedimentos e critérios operacionais devidamente documentados 
que permitam cobrir situações em que sua ausência possa acarretar desvios em 
relação à política e aos objetivos de SST.
73
SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E PROGRAMAS DE ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO Capítulo 2 
A organização deve também estabelecer, implementar e manter os 
procedimentos para a identifi cação de potencial situação de emergência, assim 
como as respostas a tais situações, levando em consideração as necessidades 
das partes interessadas, tais como os serviços de emergência e a vizinhança.
Periodicamente, em particular, após o teste periódico ou a ocorrência de 
situações de emergência, deve a organização analisar e revisar criticamente seus 
procedimentos de preparação para atendimento a essas situações. 
Etapa da verifi cação
Nesta etapa, a organização deve estabelecer, implementar e manter 
procedimento(s) que permita(m) o monitoramento e a medição do desempenho 
da SST, fornecendo medidas tanto qualitativas como quantitativas, monitorando 
o grau de atendimento aos objetivos da SST, a efi cácia dos controles, seja 
para a saúde ou para a segurança, com medidas tanto proativas, que permitam 
monitorar a conformidade do programa de gestão com os controles e critérios 
operacionais, quanto reativas, que monitorem as doenças ocupacionais, os 
incidentes, assim como os registros de dados e resultados do monitoramento e 
medição, que viabilizem a futura análise de ações corretivas e ações preventivas. 
Com relação aos registros dos resultados das avaliações periódicas, estes devem 
ser guardados pela organização, podendo a frequência variar de acordo com os 
requisitos legais.
Os incidentes devem ser registrados, investigados e analisados a fi m de 
determinar defi ciências ou outros fatores que possam estar dando causa ou 
contribuindo para a ocorrência dos incidentes; identifi cadas as necessidades 
de ações corretivas, as oportunidades de ações preventivas, assim como as 
oportunidades de melhorias com posterior comunicação dos resultados das 
investigações. 
Com relação às não conformidades identifi cadas, a organização deve 
corrigi-las, investigando e determinando sua(s) causa(s) com posterior execução 
de ações que evitem nova ocorrência. Os resultados devem ser registrados e 
comunicados, juntamente à adoção das medidas preventivas e corretivas, assim 
como a análise crítica da efi cácia das ações que foram tomadas.
Quando novos perigos são identifi cados ou modifi cados através das ações 
corretivas e/ou preventivas adotadas, assim como porventura a necessidade de 
novos controles forem detectados ou modifi cados, o novo procedimento com as 
respectivas ações deve ser submetido à avaliação de riscos antes de sua efetiva 
implementação.
74
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
Auditorias internas devem ser conduzidas dentro de intervalos planejados 
de forma a determinar se o sistema de gestão da SST está em conformidade 
com os arranjos planejados para a gestão, se foi adequadamente implementado 
e mantém-se ativo, assim como a verifi cação da efi cácia no atendimento à 
política e objetivos da organização. Tais programas de auditorias devem ser bem 
planejados, implementados e mantidos com base nos resultados das avaliações 
de riscos das atividades da organização e nos resultados de auditorias anteriores.
Devem ser asseguradas a objetividade e a imparcialidade no processo de 
seleção dos auditores, assim como na condução das auditorias. 
2.2.1.1 ReQuisitos do Sistema de 
Gestão da Segurança e SaÚde 
OcuPacional
Requisitos gerais
A organização deve estabelecer, documentar, implementar, manter e 
melhorar continuamente um sistema de gestão da segurança e saúde do trabalho 
em conformidade com os requisitos da OHSAS e determinar como ele atenderá a 
esses requisitos. O escopo do sistema de gestão deve ser defi nido e documentado 
pela organização. 
Política de Segurança e Saúde do Trabalho
A direção da organizaçãodeve defi nir e autorizar a Política de Segurança e 
Saúde do Trabalho, assegurando que esta política:
a) Seja adequada à natureza e à escala dos riscos para a Segurança e 
Saúde do Trabalho (SST) da organização.
 RISCO: combinação entre a probabilidade de ocorrência de um evento 
ou exposição perigosa e a gravidade da lesão ou doença que pode ser 
causada por este evento ou exposição.
b) Inclua um compromisso para a prevenção de doenças ocupacionais e 
lesões com a melhoria contínua da gestão e desempenho da SST.
c) Inclua no mínimo um compromisso de atendimento aos requisitos legais 
aplicáveis e outros requisitos subscritos pela organização relacionados 
aos seus perigos para a SST.
 PERIGO: fonte, situação ou ato com um potencial para dano em termos 
de prejuízo humano ou doença, ou uma combinação destes.
75
SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E PROGRAMAS DE ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO Capítulo 2 
d) Viabilize estrutura para a revisão dos objetivos da SST.
e) Seja documentada, implementada e mantida.
f) Seja comunicada a todas as pessoas que trabalhem na organização com 
o objetivo de criar uma conscientização das suas obrigações relativas à 
SST.
g) Esteja disponível a todas as partes interessadas.
h) Analisada e revisada periodicamente de forma a garantir a sua relevância 
e adequação à organização.
2.2.1.2 BeneFícios da imPlementação 
da OHSAS 18001 
As organizações ao redor do mundo têm demonstrado mais interesse 
no conceito da cultura da SST como uma forma para a redução dos riscos de 
acidentes e incidentes.
• INCIDENTE: evento relacionado ao trabalho no qual ocorreu ou poderia 
ter ocorrido lesão, doença (não importando a severidade) ou morte.
• ACIDENTE: é um incidente que ocasionou lesão, doença ou morte.
Um incidente em que não houve lesão, doença ou morte pode ser chamado 
de “quase acidente”, “quase perda” ou “ocorrência perigosa”.
O sucesso da implementação de um programa de SST está vinculado 
à participação de diferentes atores, desde a alta direção até a gerência e seus 
colaboradores. Todos esses são fundamentais para a elaboração de políticas, 
assim como para o estabelecimento de um sistema de avaliação que possibilite a 
melhoria contínua.
A seguir, veremos alguns dos benefícios da implementação da OHSAS 
18001, devendo ser adotada de forma voluntária pelas organizações, não havendo 
nenhuma obrigatoriedade para a sua implementação. 
• Redução da taxa de incidentes e acidentes.
• Melhor monitoramento de desempenho e relatórios de acidentes.
• Redução dos custos gerais de acidentes.
• Maior envolvimento e comprometimento dos colaboradores.
• Melhor comunicação e treinamento.
• Redução da probabilidade de processos judiciais e ações trabalhistas.
• Aumento da produtividade, entre outros.
76
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
Leia o artigo Utilização do PCDA na gestão de segurança e 
saúde no trabalho, disponível em:
https://revista.fatectq.edu.br/index.php/interfacetecnologica/
article/view/312/245.
2.2.2 ISO 45001:2018 – Sistema de 
Gestão de SaÚde e Segurança 
OcuPacional – reQuisitos com 
orientação Para uso
A ISO 45001 é uma norma da série ISO que foi publicada visando 
à substituição da OHSAS 18001:2007, a fi m de apresentar melhorias e 
atualizações necessárias para tornar o sistema de gestão ainda mais detalhado e, 
consequentemente, obter resultados ainda mais positivos, entrando em vigor em 
meados de 2021, quando venceram os três anos de sua publicação.
A nova norma baseia-se também no conceito Plan-Do-
Check-Act (PDCA), que pode ser aplicado individualmente a 
cada um de seus elementos, fornecendo uma estrutura para 
que as organizações planejem e estabeleçam os objetivos e 
processos de SSO necessários para assegurar os resultados 
determinados em sua política, assim como implementar, 
monitorar e tomar ações para a melhoria contínua e o alcance 
dos resultados pretendidos (ISO 45001, 2018) (ROCHA; 
SOUZA, 2019, p. 4).
Embora utilize o ciclo PDCA, essa norma o incorpora dentro de uma nova 
estrutura, conforme ilustrado na Figura 4, que demonstra como as cláusulas de 4 
a 10 podem ser agrupadas em relação ao ciclo.
77
SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E PROGRAMAS DE ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO Capítulo 2 
FIGURA 4 – CICLO PDCA NA NORMA ISO 45001
FONTE: ABNT (2018, p. 8)
A estrutura de alto nível (HLS) em que a norma foi redigida é defi nida pela 
ISO para as normas de sistemas de gestão. Com isso, todas as normas de sistema 
de gestão do futuro terão a mesma estrutura de alto nível, texto idêntico, assim 
como os termos e defi nições comuns. Embora a estrutura de alto nível não possa 
ser modifi cada, podem ser acrescentados subcláusulas e textos específi cos. O 
Quadro 1 apresentará a estrutura dessas cláusulas (ABNT, 2018).
QUADRO 1 – ESTRUTURA DE ALTO NÍVEL DA ISO 45001
Cláusulas Estrutura
Cláusula 0 Introdução 
Cláusula 1 Escopo 
Cláusula 2 Referências normativas 
Cláusula 3 Termos e defi nições 
Cláusula 4 Contexto da organização 
Cláusula 5 Liderança 
Cláusula 6 Planejamento 
Cláusula 7 Suporte 
Cláusula 8 Operação 
Cláusula 9 Avaliação de desempenho 
Cláusula 10 Melhoria 
FONTE: O Autor
78
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
OHSAS 18001 x ISO 45001 – principais exigências
Analisando comparativamente a estrutura e os requisitos abordados pelas 
normas ISO 45001 e OHSAS 18001, Rocha e Souza (2019) sintetizaram as 
principais exigências dispostas na ISO 45001 em relação à Norma OHSAS 18001, 
sendo as cláusulas destacadas a seguir:
• Contexto da organização.
• Liderança e participação do trabalhador.
• Planejamento. 
• Suporte.
• Operação. 
• Avaliação de desempenho. 
• Melhoria. 
Cláusula 4: contexto da organização
Como base de um sistema de gestão, esta cláusula determina o porquê 
de a organização estar aqui. Para isso, devem ser consideradas as questões 
internas e externas que podem impactar os resultados desejados, assim como 
todas as partes interessadas. Devem também ser avaliados os fatores de risco 
relacionados à saúde e à segurança dos trabalhadores e suas expectativas. Todo 
o escopo precisa ser disponibilizado com informação documentada, incluindo os 
limites do sistema de gestão, de forma a focar nos objetivos do negócio.
Cláusula 5: liderança e participação do trabalhador 
Enquanto na OHSAS 18001 era designado um membro da alta direção para 
atuar como responsável e assim oferecer apoio ao sistema de gestão, a ISO 
45001 dá ênfase especial à liderança e não apenas à gestão. Com isso, a alta 
direção passa a ter maior responsabilidade e envolvimento no sistema de gestão 
da organização. Essa cláusula é composta por três subcláusulas: Liderança 
e Comprometimento; Política de Saúde e Segurança Ocupacional (SSO); e 
Funções, Responsabilidades e Autoridades Organizacionais. 
Há uma ampliação na responsabilidade e maior envolvimento da alta direção 
nos processos de implementação do sistema de gestão de SSO, assumidos por 
trabalhadores capacitados, visando ao atendimento dos requisitos, garantindo, 
assim, o pleno conhecimento em todos os níveis da organização. A organização 
deve minimizar ou, se possível for, eliminar toda e qualquer difi culdade que possa 
vir a trazer desmotivação ou inibição da participação dos trabalhadores. Com isso, 
a alta direção passa também a ser responsável por comunicar a importância do 
sistema de gestão, visando aumentar a conscientização e o envolvimento dos 
79
SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E PROGRAMAS DE ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO Capítulo 2 
trabalhadores.
Cláusula 6: planejamento
Mantêm-se os elementos da OHSAS 18001, como a identifi cação, a 
avaliação, o controle de perigos, as exigências legais e a defi nição de objetivos, 
todavia, com vistas à integração da estrutura de alto nível (HLS). Essa etapa de 
planejamento destaca a identifi cação de riscos e as oportunidades, incluindo duas 
subcláusulas: Ações para abordar riscos e oportunidades;e Objetivos do sistema 
de gestão e planejamento. 
Para identifi cação e avaliação dos riscos e oportunidades, a metodologia 
utilizada deverá ser proativa, estando presente no estágio inicial do projeto, de 
forma a garantir a existência de ações que procurem eliminar perigos e reduzir 
riscos antes da mudança planejada, expandindo-se de forma contínua para todo 
o ciclo de vida do ambiente de trabalho. Essas ações devem ser planejadas 
considerando os novos conhecimentos adquiridos, assim como as informações 
disponíveis, fazendo uso das melhores práticas. Esse tipo de abordagem minimiza 
a adoção posterior de ações corretivas, considerando que as ações preventivas 
se sobrepõem de forma proativa.
Cláusula 7: suporte
A ISO 45001 estabelece para esta cláusula que: “a organização deve 
determinar e providenciar os recursos necessários para estabelecimento, 
implementação, manutenção e melhoria contínua do sistema de gestão de SSO” 
(ABNT, 2018, p. 17). Essa cláusula é composta por cinco subcláusulas: Recursos; 
Competência; Conscientização; Comunicação; e Informações documentadas. 
Após a abordagem do contexto responsabilidade e planejamento, para atingir os 
resultados esperados, as organizações devem analisar qual o suporte necessário. 
Estão inclusos nesse suporte os recursos humanos, fi nanceiros e estruturais, 
as comunicações internas e externas, bem como informações documentadas 
importantes para o sistema de gestão de SSO.
Cláusula 8: operação
A organização deve planejar, implementar, controlar e manter seus 
processos de forma a atender aos requisitos do sistema de gestão de SSO. 
Com relação à eliminação de perigos e à redução de riscos, a organização deve 
utilizar a hierarquia de controles, iniciando pela eliminação do perigo; substituindo 
operações, materiais ou equipamentos com menor potencial de perigo; utilização 
de controle de engenharia e reorganização do trabalho; utilização de controles 
administrativos, incluindo treinamento e, por fi m, a utilização de equipamento de 
80
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
proteção individual (EPI) adequado para o trabalho realizado. A organização deve 
também estabelecer um processo que viabilize a implementação e o controle de 
mudanças, sejam estas temporárias ou permanentes, efetuando um processo 
para respostas rápidas a situações de emergência.
Cláusula 9: avaliação de desempenho
A organização precisa determinar quais informações são necessárias para 
avaliar o desempenho e a efi cácia de SSO. Para isso, precisará estabelecer, 
implementar e manter processos que permitam o monitoramento, a medição, 
a análise e a avaliação do seu desempenho em SSO. A ISO 45001 dispõe de 
indicadores de desempenho para acompanhamento dos resultados, assegurando 
o processo de melhoria contínua. Para isso, a organização deve garantir que os 
equipamentos utilizados para essa fi nalidade sejam os mais adequados e possuam 
a precisão exigida, garantindo, assim, a confi abilidade das medidas realizadas. 
De forma a assegurar a conformidade do sistema de gestão em SSO, bem como 
as exigências da nova norma, a organização deve implementar e manter um 
programa bem estruturado de auditoria interna, devendo seus resultados serem 
analisados de forma crítica pela alta direção, assegurando a contínua adequação, 
efi cácia e sufi ciência do sistema de gestão de SSO.
Cláusula 10: melhoria
A organização deve identifi car as oportunidades de melhoria e implementar 
as ações necessárias que permitam atingir os resultados pretendidos no sistema 
de gestão de SSO, incluindo, nessa análise, relatórios, investigações e tomadas 
de ações para determinar e gerenciar os incidentes e as não conformidades. 
Aborda as não conformidades e as ações corretivas, assim como as 
estratégias para a melhoria contínua, refl etindo o objetivo da nova norma de 
prevenir lesões e doenças, assim como oferecer locais de trabalho adequados, 
seguros e saudáveis aos trabalhadores. Traz como exemplos de melhoria 
contínua as novas tecnologias; as boas práticas, sejam elas internas ou externas 
à organização; sugestões e recomendações das partes interessadas; novos 
conhecimentos e materiais relacionados à SSO; mudanças nas capacidades ou 
competências dos trabalhadores e o alcance de melhor desempenho com menor 
uso de recurso.
81
SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E PROGRAMAS DE ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO Capítulo 2 
2.2.2.1 EtaPas Para a imPlementação 
da Norma ISO 45001
Ao implementar um sistema de gestão de SSO, a organização demonstra 
possuir sólido compromisso no alcance das boas práticas em todos os níveis de 
SSO. A implementação, a migração ou a certifi cação para a ISO 45001 dependerá 
do estágio em que a organização se encontra. 
Rocha e Souza (2019, p. 119) descreveram dez passos necessários para 
as organizações que queiram implementar um sistema de gestão de SSO sem o 
objetivo de certifi cação, conforme descrito a seguir:
1. Adquirir e interpretar a nova norma, avaliando as principais 
mudanças e quais são as adequações necessárias para que 
seja implementada. 
2. Avaliar os Gaps (lacunas) no sistema de gestão de SSO 
frente à nova norma com profi ssionais qualifi cados. 
3. Treinar a alta direção, liderança e trabalhadores quanto aos 
requisitos da nova norma e requalifi car auditores internos para 
conhecimento e interpretação das novas exigências. 
4. Elaborar um plano de ação com base nas constatações 
da Gap Analysis (Análise de Lacunas) e compatível com as 
necessidades da organização, defi nindo prazos, custos e 
responsáveis para cada etapa do processo.
5. Adequar os processos e atualizar os documentos existentes, 
conforme o plano de ação, para atender aos novos requisitos 
e mudanças. 
6. Estabelecer de forma efetiva um processo de comunicação 
sobre a nova norma, mostrando seus benefícios e sua 
importância para a segurança e saúde de todos na organização. 
7. Realizar a auditoria interna considerando a nova norma 
como critério, com auditores qualifi cados para a avaliação da 
efi cácia do sistema de gestão de SSO implementado. 
8. Realizar a análise crítica pela alta direção conforme os 
novos requisitos. 
9. Tratar eventuais não conformidades, observações ou 
oportunidades de melhoria, resultantes do processo de 
auditoria e análise crítica. 
10. Estabelecer com o órgão certifi cador o processo de 
certifi cação e migração para a nova norma, determinando o 
período que será realizada e método da auditoria. 
82
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
ATIVIDADES DE ESTUDO:
1 De forma geral, os sistemas de gestão estudados utilizam como 
modelo de planejamento:
a) A Análise SWOT.
b) O Método OKR.
c) O Modelo PDCA.
d) A Matriz BCG.
2 As siglas do Ciclo PDCA signifi cam, respectivamente:
a) Atuar; executar; checar; e planejar.
b) Planejar; checar; atuar; e executar.
c) Executar; atuar; planejar; e checar.
d) Planejar; executar; checar; e atuar.
3 A Norma OHSAS 18001:2007 aborda questões de:
a) Qualidade.
b) Avaliação de Segurança e Saúde Ocupacional.
c) Meio Ambiente.
d) Direitos dos trabalhadores.
4 Marque V para as afi rmativas verdadeiras e F para as falsas:
( ) A norma que substituiu a OHSAS 18001:2007 foi a ISO 9000.
( ) Incidente: evento relacionado ao trabalho, no qual ocorreu ou 
poderia ter ocorrido lesão, doença (não importando a severidade) 
ou morte.
( ) A norma OHSAS 18001:2007 substituiu a ISO 45001:2005.
( ) A norma ISO 45001:2008 utiliza a Análise SWOT como sistema 
de planejamento.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
( ) F – F – V – V.
( ) V – V – V – F.
( ) F – V – V – F.
( ) F – V – F – F.
83
SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E PROGRAMAS DE ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO Capítulo 2 
2.3 POLÍTICA E PROGRAMAS 
RELACIONADOS À SAÚDE E 
SEGURANÇA DO TRABALHADOR
A saúde do trabalhador é um campo da Saúde Pública que estuda 
o processo saúde-doença do homem na sua relação com o trabalho (KA-
RINO; MARTINS;(CHIAVENATO, 2014).
• Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.): discípulo de Platão, até o início da 
Idade Moderna foi o fi lósofo mais infl uente, impulsionando o pensamento 
da Filosofi a, Cosmologia, Nosologia, Metafísica, Lógica e Ciências 
Naturais. Em sua obra Política, que versa a organização do Estado, a 
Administração Pública é por ele distinguida de três formas:
 1- Monarquia ou governo de um só (que pode redundar em tirania).
 2- Aristocracia ou governo de uma elite (que pode descambar em 
oligarquia).
 3- Democracia ou governo do povo (que pode degenerar em anarquia) 
(CHIAVENATO, 2004; 2014).
• Thomas Hobbes (1588-1679): fi lósofo político inglês, defendia de 
forma estritamente racional, livre de qualquer tipo de sentimentalismo 
ou religiosidade, com negação implícita da origem divina do poder, 
o absoluto poder do governo em razão da sua visão pessimista da 
humanidade. Os indivíduos, na ausência do governo, tendem a viver em 
permanente confl ito e guerra para garantir seus meios de subsistência. 
Em 1651, publicou seu livro Leviatã. Assinala a construção racional de 
uma sociedade na qual o povo confere ao governo o poder de organizar 
a vida social, garantindo a paz, em contrapartida, renuncia seus direitos 
naturais em favor do governo. Com isso, as dimensões alcançadas 
pelo Estado ameaçam a liberdade dos cidadãos. A tese em busca da 
construção de uma sociedade que permitisse o poder absoluto dos 
soberanos não foi bem aceita.
• Jean-Jacques Rousseau (1712-1778): fi lósofo social suíço, teórico, 
político e escritor, desenvolveu a teoria do contrato social, que se resume 
em um acordo entre indivíduos com vistas à criação de uma sociedade, 
e não apenas um Estado, ou seja, um pacto de associação e não de 
submissão. 
• Friedrich Engels (1820-1895), fi lósofo social e político alemão, e Karl Marx 
(1818-1883), fi lósofo e revolucionário socialista alemão, desenvolveram 
11
ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
uma teoria socialista partindo da crítica inicial ao capitalismo. Para eles, 
a sociedade capitalista se dividia basicamente em duas classes sociais: 
os exploradores e os explorados. Os exploradores seriam os burgueses 
e, os explorados, o proletariado. Essa teoria, encabeçada por Marx e 
Engels, posteriormente denominada de marxismo, difundiu-se no fi nal do 
século XIX e início do século XX na Europa, fazendo com que boa parte 
da classe trabalhadora passasse a enxergar a situação de exploração 
que viviam. O marxismo, ao longo do século XX, infl uenciou diversos 
setores da atividade humana, desde a política até fatos econômicos, 
sociais, morais etc., tornando-se, nos países de regime comunista, 
a doutrina ofi cial. Em sua obra O Manifesto Comunista (1848), Marx 
faz duras críticas ao capitalismo e traz à tona a história do movimento 
operário, reunindo suas principais ideias da luta de classe e terminando 
com um apelo no mundo inteiro para a união dos operários. O marxismo 
foi a primeira ideologia que se opôs às ideias metafísicas, com afi rmações 
de leis objetivas para o desenvolvimento econômico e social de uma 
sociedade.
2.2 CONTRIBUIÇÃO DA CIÊNCIA
A fi losofi a, durante o período que vai desde a Antiguidade até o início da Idade 
Média, direcionou-se para um cardápio variado de problemas e questionamentos 
que acabaram por afastar os pensamentos voltados à área administrativa. 
Entretanto, outros fi lósofos, agora infl uenciados pelas ciências, agregaram suas 
contribuições para a formação do pensamento administrativo. Os principais serão 
descritos a seguir:
• Francis Bacon (1561-1626): fi lósofo inglês considerado um dos 
precursores do pensamento científi co moderno e fundador da lógica 
moderna, que se baseia em métodos experimentais e indutivos. 
Considera como único método verdadeiro a pesquisa experimental para 
o acesso aos fenômenos da natureza.
• René Descartes (1596-1650): fi lósofo francês, matemático e físico, 
considerado o fundador da fi losofi a moderna e responsável pela 
criação das coordenadas cartesianas, impulsionando a matemática e a 
geometria da época. Se não reconhece alguma coisa com evidência de 
ser verdadeira, não admite como tal. Através do seu livro O Discurso do 
Método, descreveu seu método fi losófi co, denominado cartesiano, em 
que os princípios são:
12
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
• Princípio da dúvida sistemática ou da evidência: não 
aceitar como verdadeira coisa alguma enquanto não se souber 
com evidência – clara e distintamente – aquilo que é realmente 
verdadeiro. Com a dúvida sistemática, evita-se a prevenção 
e a precipitação, aceitando-se apenas como certo o que seja 
evidentemente certo.
• Princípio da análise ou de decomposição: dividir e 
decompor cada difi culdade ou problema em tantas partes 
quantas sejam possíveis e necessárias a sua compreensão e 
solução e resolvê-las separadamente.
• Princípio da síntese ou da composição: conduzir 
ordenadamente os pensamentos e o raciocínio, começando 
pelos aspectos mais fáceis e simples de conhecer para passar 
gradualmente aos mais difíceis.
• Princípio da enumeração ou da verifi cação: fazer 
verifi cações, recontagens e revisões para assegurar que nada 
foi omitido ou deixado de lado (CHIAVENATO, 2014, p. 39).
O método cartesiano descrito por Descartes teve papel decisivo na 
administração, sobretudo nas abordagens normativas e prescritivas, como a 
Administração Científi ca, a Teoria Clássica e a Neoclássica. 
• Galileu Galilei (1564-1642): fi lósofo italiano, cientista, físico, astrônomo 
e matemático. Considerado o pai do método experimental e um dos 
fundadores da Ciência Moderna, com papel fundamental para o 
desenvolvimento da Ciência.
• Isaac Newton (1643-1727): físico inglês, astrônomo e matemático. 
Considerado o cientista mais infl uente da história da ciência.
2.3 CONTRIBUIÇÃO DAS 
ORGANIZAÇÕES: IGREJA E MILITAR
Além dos fi lósofos e cientistas, importantes instituições se destacam com 
contribuições no pensamento administrativo: a igreja e as organizações militares. 
Na civilização ocidental, a Igreja Católica pode ser considerada a organização 
formal mais efi ciente. A igreja tem sobrevivido às revoluções do tempo, apoiada 
não só nos seus objetivos, mas também nas suas técnicas organizacionais e 
administrativas efi cazes, sendo um exemplo de como se conservar e defender 
suas fi nanças, rendas, privilégios e propriedades. 
Já as organizações militares aparecem nos tempos modernos como o 
primeiro sistema administrativo organizado e constituído como uma das principais 
preocupações do Estado moderno, tendo infl uenciado poderosamente para o 
aparecimento das teorias da administração. O Quadro 1 apresentará um resumo 
das principais contribuições dessas duas instituições no pensamento administrativo.
13
ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
QUADRO 1 – INFLUÊNCIAS RELIGIOSAS E MILITARES 
NO PENSAMENTO ADMINISTRATIVO
Instituições Contribuições 
Religiosas (Igreja Católica) A estrutura da Igreja Católica serviu de modelo 
para muitas organizações que, ávidas de expe-
riências bem-sucedidas, passaram a incorporar 
uma infi nidade de princípios e normas adminis-
trativas – organização do tempo, hierarquia de 
autoridade e coordenação funcional.
Militares (Organizações) Têm infl uenciado muito o desenvolvimento 
das teorias administrativas no que se refere 
à organização linear, princípio da unidade de 
comando, escala hierárquica com seu grau de 
autoridade e de responsabilidade, centralização 
do comando e descentralização da execução, 
linha e assessoria, princípio da direção – todo 
soldado deve saber perfeitamente o que se 
espera dele e aquilo que deve fazer.
FONTE: Andrade e Amboni (2011, p. 47) 
Diversas foram as contribuições nos pensamentos e teorias da administração 
desde a sua origem, sendo aplicadas e utilizadas até os dias de hoje. A sociedadeBOBROFF, 2011).
No Art. 200 da Constituição Federal, a saúde do trabalhador é de-
stacada quando se defi ne que compete ao Sistema Único de Saúde (SUS) 
executar ações de saúde do trabalhador e também colaborar na proteção 
do meio ambiente, onde nele está compreendido o do trabalho (BRASIL, 
1988).
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em seu Capítulo V, 
devidamente alterada pela Lei nº 6.514/1977, trata da prevenção de aci-
dentes e segurança no trabalho ao defi nir as obrigações dos órgãos fi scal-
izadores, assim como dos empregadores e empregados no cumprimento 
das Normas regulamentadoras e demais legislações pertinentes à Saúde 
e Segurança do Trabalho:
Art. 154 - A observância, em todos os locais de trabalho, 
do disposto neste Capítulo, não desobriga as empresas 
do cumprimento de outras disposições que, com relação à 
matéria, sejam incluídas em códigos de obras ou regulamentos 
sanitários dos Estados ou Municípios em que se situem os 
respectivos estabelecimentos, bem como daquelas oriundas 
de convenções coletivas de trabalho.
Art. 155 - Incumbe ao órgão de âmbito nacional competente 
em matéria de segurança e medicina do trabalho:
I - estabelecer, nos limites de sua competência, normas sobre 
a aplicação dos preceitos deste Capítulo, especialmente os 
referidos no art. 200;
II - coordenar, orientar, controlar e supervisionar a fi scalização 
e as demais atividades relacionadas com a segurança e a 
medicina do trabalho em todo o território nacional, inclusive a 
Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho;
III - conhecer, em última instância, dos recursos, voluntários ou 
de ofício, das decisões proferidas pelos Delegados Regionais 
do Trabalho, em matéria de segurança e medicina do trabalho.
Art. 156 - Compete especialmente às Delegacias Regionais do 
Trabalho, nos limites de sua jurisdição: 
I - promover a fi scalização do cumprimento das normas de 
84
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
segurança e medicina do trabalho;
II - adotar as medidas que se tornem exigíveis, em virtude das 
disposições deste Capítulo, determinando as obras e reparos 
que, em qualquer local de trabalho, se façam necessárias;
III - impor as penalidades cabíveis por descumprimento das 
normas constantes deste Capítulo, nos termos do art. 201.
Art. 157 - Cabe às empresas:
I - cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina 
do trabalho;
II - instruir os empregados, através de ordens de serviço, 
quanto às precauções a tomar no sentido de evitar acidentes 
do trabalho ou doenças ocupacionais;
III - adotar as medidas que lhes sejam determinadas pelo órgão 
regional competente;
IV - facilitar o exercício da fi scalização pela autoridade 
competente.
Art. 158 - Cabe aos empregados:
I - observar as normas de segurança e medicina do trabalho, 
inclusive as instruções de que trata o item II do artigo anterior;
Il - colaborar com a empresa na aplicação dos dispositivos 
deste Capítulo.
Parágrafo único - Constitui ato faltoso do empregado a recusa 
injustifi cada:
a) à observância das instruções expedidas pelo empregador 
na forma do item II do artigo anterior;
b) ao uso dos equipamentos de proteção individual fornecidos 
pela empresa (BRASIL, 1977).
Dentre outros elementos relativos aos artigos supracitados, destacam-se as 
obrigações previstas para os empregadores e empregados, respectivamente, nos 
Artigos 157 e 158. Nesse sentido, veremos, a seguir, algumas características da 
Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho e programas relacionados a 
essa temática.
 2.3.1 Política Nacional de Segurança 
e SaÚde no Trabalho (PNSST)
A PNSST é regulamentada através do Decreto nº 7.602, de 7 de novembro 
de 2011, estabelecendo como objetivos a promoção da saúde e a melhoria da 
qualidade de vida do trabalhador, assim como aspectos relacionados à prevenção 
de acidentes e danos à saúde oriundos da relação homem-trabalho por meio da 
eliminação ou da redução dos riscos aos quais os trabalhadores estão expostos 
no seu ambiente de trabalho (BRASIL, 2011).
Para o alcance desses objetivos, por meio da articulação continuada, a 
PNSST deverá ser implementada através de ações do governo, representado 
pelos Ministérios do Trabalho e Emprego, da Saúde e da Previdência Social, 
85
SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E PROGRAMAS DE ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO Capítulo 2 
atuando no campo das relações de trabalho, produção, consumo, ambiente e 
saúde, podendo também ter a participação voluntária das organizações que 
representam os trabalhadores e empregados.
São estabelecidos cinco princípios da PNSST, a saber:
1. Universalidade.
2. Prevenção.
3. Precedência das ações de promoção, proteção e prevenção sobre as de 
assistência, reabilitação e reparação.
4. Diálogo social.
5. Integralidade.
A gestão participativa da PNSST é realizada através da Comissão Tripartite 
de Saúde e Segurança no Trabalho, constituída paritariamente por representantes 
do governo, trabalhadores e empregadores.
2.3.2 Política Nacional de SaÚde do 
Trabalhador e da Trabalhadora
Posteriormente, o Ministério da Saúde, considerando o alinhamento entre 
a política de saúde do trabalhador e a PNSST, institui, em 23 de agosto de 
2012, a Portaria nº 1.823 – a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da 
Trabalhadora. Nela são defi nidos os princípios, as diretrizes e as estratégias a 
serem observados pelas três esferas de gestão do SUS, contemplando todos 
os trabalhadores, independentemente de sua localização, forma de inserção 
no mercado de trabalho ou de seu vínculo empregatício, incluindo, também, os 
aposentados e os desempregados.
Os princípios e as diretrizes da Política Nacional de Saúde do Trabalhador 
e da Trabalhadora foram ampliados quando comparados com a Política anterior, 
conforme veremos a seguir:
I – Universalidade.
II – Integralidade.
III – Participação da comunidade, dos trabalhadores e do controle social.
IV – Descentralização.
V – Hierarquização.
VI – Equidade.
VII – Precaução (BRASIL, 2012).
86
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
2.3.3 Programas voltados À SaÚde e 
Segurança do Trabalhador 
A depender da atividade executada, existem diversos programas que 
se relacionam à saúde e segurança do trabalhador, com vistas a orientar ou 
implementar medidas de controle nos ambientes laborais.
No ambiente de trabalho, diversos agentes podem estar presentes de 
forma a trazer riscos e prejuízos à saúde e à qualidade de vida do trabalhador. O 
objetivo da higiene do trabalho é reconhecer, avaliar e controlar todos os fatores 
ambientais relacionados ao ambiente que podem causar doenças ou danos à 
saúde do trabalhador.
A NR-9 associa riscos ambientais aos agentes físicos, químicos e biológicos 
existentes no ambiente de trabalho, identifi cando as exposições ocupacionais. 
Embora não sejam contemplados, outros riscos, como os mecânicos e os 
ergonômicos, não devem ser desconsiderados na análise, uma vez que também 
são agentes causadores de danos à saúde do trabalhador, necessitando, portanto, 
da mesma conscientização, prevenção e controle que os riscos previstos e 
regulamentados nessa norma (BRASIL, 1978).
Veremos, nos próximos tópicos, alguns programas que devem ser aplicados, 
de acordo com cada necessidade, em organizações públicas e privadas, 
no sentido de adotar medidas de segurança que visam priorizar a saúde e as 
condições de trabalho.
2.3.3.1 Programa de CondiçÕes 
e Meio Ambiente de Trabalho na 
IndÚstria da Construção (PCMAT)
Acidente de trabalho é um problema que impacta distintos setores produtivos, 
entretanto, a construção civil é uma das áreas com maior ocorrência de acidentes 
de trabalho, cujos números são alarmantes quando comparados a outros setores 
(SOUZA; PENHA, 2021).
Devido a essa razão, foi necessária a criação de um programa específi co 
para as atividades da indústria da construção e para as atividades e os serviços 
de demolição, reparo, pintura, limpeza e manutenção de edifíciosem geral e de 
manutenção de obras de urbanização.
87
SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E PROGRAMAS DE ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO Capítulo 2 
O PCMAT é considerado um documento minucioso utilizado na construção 
civil, cujo objetivo principal é prevenir acidentes de trabalho em todas as esferas 
desse segmento, defi nindo atribuições e responsabilidades de forma a orientar a 
adoção de medidas de proteção e prevenção, visando evitar ações e situações de 
risco juntamente à redução máxima de possíveis riscos de acidentes e doenças.
Com a nova NR-18, houve a substituição do PCMAT e do Programa de 
Prevençã o de Riscos Ambientais (PPRA) pelo Programa de Gerenciamento 
de Riscos (PGR). Com essa alteração, a NR-18 deixou de ser uma norma de 
aplicação, passando a ser uma norma de gestão de segurança (BRASIL, 2020).
Embora extinto, o PCMAT existente antes da entrada da vigência desta 
norma terá validade até o término da obra. Para toda e qualquer obra iniciada 
após a vigência da alteração da NR-18, deverá ser providenciado o PGR.
Essa NR tem como objetivo estabelecer diretrizes de ordem administrativa, 
de planejamento e de organização, que visam à implementação de medidas de 
controle e sistemas preventivos de segurança nos processos, nas condições e 
no meio ambiente de trabalho na indústria da construção, sendo obrigatórias a 
elaboração e a implementação do PGR nos canteiros de obras, contemplando 
os riscos ocupacionais e suas respectivas medidas de proteção, devendo ser 
elaborado por profi ssional legalmente habilitado em segurança do trabalho e 
implementado sob responsabilidade da organização (BRASIL, 2020).
O PGR é constituído pelo gerenciamento dos riscos ocupacionais e pelas 
seguintes etapas:
a) Identifi cação dos perigos: consiste em identifi car e descrever os riscos a 
que os trabalhadores estão expostos e que podem afetar a saúde e a segurança 
no trabalho.
b) Avaliação dos riscos ocupacionais: consiste em avaliar os riscos 
ocupacionais relativos aos perigos identifi cados na etapa anterior, obtendo-se, 
com isso, informações para a adoção de medidas de prevenção.
c) Controle dos riscos: consiste na adoção de medidas que visem à 
eliminação, à redução ou ao controle dos riscos ocupacionais aos quais os 
trabalhadores estão expostos.
88
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
2.3.3.2 Programa de Proteção 
ResPiratória (PPR)
Trata-se de um programa de segurança do trabalho que visa assegurar 
a saúde do trabalhador com medidas de proteção e controle de doenças 
ocupacionais associadas à inalação de materiais em suspensão, tais como poeira, 
névoa, fumos, vapores e gases.
O PPR deve ser implementado em empresas que, devido às concentrações 
de contaminantes, obriguem o trabalhador a utilizar equipamentos de proteção 
respiratória ou então em que haja defi ciência de oxigênio, de forma a ser 
selecionado o melhor EPI.
Antes de se identifi car os níveis de contaminantes, as empresas devem 
mapear quais são os agentes presentes no ar que faz com que os trabalhadores 
utilizem a proteção respiratória. Uma vez identifi cados os agentes, deve-se 
analisar a sua concentração. A fi nalidade do PPR é defi nir o melhor Equipamento 
De Proteção Respiratória de acordo com a necessidade em que o trabalhador 
está exposto.
Para o sucesso da gestão do PPR, devem ser feitos o planejamento, a 
execução e a avaliação anual das medidas de proteção. Além desses fatores, 
destacam-se outros que também são relevantes para assegurar o desempenho 
das medidas de segurança:
• Monitoramento do uso do Equipamento de Proteção Respiratória (EPR).
• Inspeção, manutenção e higienização dos respiradores.
• Avaliação médica.
• Monitoramento constante dos agentes em que os trabalhadores estão 
expostos.
• Armazenamento adequado dos EPRs.
• Descarte adequado de acordo com a vida útil do EPR.
Os EPRs têm como objetivo a proteção dos trabalhadores contra a inalação 
de agentes contaminantes, de forma a proporcionar maior segurança e menor 
risco de exposição. O tipo de EPR a ser utilizado deve ser avaliado de acordo 
com as condições de exposição. Os tipos mais comuns de EPR serão ilustrados 
a seguir: 
89
SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E PROGRAMAS DE ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO Capítulo 2 
FIGURA 5 – TIPOS DE EPR
Respirador Facial Respirador sem manutenção -
Descartável
Respirador Semifacial Equipamento autônomo de
wproteção respiratória
Sistema de linha de ar
FONTE: O autor
90
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
Saiba mais em: https://www.youtube.com/watch?v=XWCYMhYiu2I.
Os respiradores sem manutenção, e de uso único, possuem subclassifi cações 
de acordo com o nível de fi ltragem. Esses respiradores, denominados como PFF 
(Peça Facial Filtrante), possuem três níveis:
• PFF1: utilizado para proteção de poeiras e/ou névoas não oleosas, 
que não desprendam gases/vapores tóxicos; fi bras têxteis, cimento 
refi nado, minério de ferro, minério de carvão, sabão em pó, talco, cal, 
soda cáustica, poeiras vegetais; poeiras de lixamento e esmerilhamento 
que não excedam até 10 vezes o seu limite de tolerância. Usar somente 
contra aerossóis sólidos e líquidos à base de água.
• PFF2: utilizado para proteção em poeiras/névoas não oleosas, que não 
emitam gases/vapores tóxicos, tais como fumos metálicos ou plásticos; 
sílica, fi bras têxteis, cimento refi nado Portland; minério de ferro, minério 
de carvão, minério de alumínio, sabão em pó, talco, cal, soda cáustica e 
poeiras vegetais. Pode ser utilizado também em certas poeiras de aviário 
contendo restos de ração, fezes, plumas e penas de aves; poeiras de 
lixamento e esmerilhamento e névoas de ácido sulfúrico (com o uso de 
outro EPI – óculos de proteção adequados).
• PFF3: contempla a proteção das anteriores, mais outros elementos 
como: asbestos em concentração abaixo do limite, sílica, processamento 
de minerais, arsênio, berílio, prata, platina, chumbo, cádmio, algodão e 
outras névoas não oleosas, fumos metálicos ou plásticos.
2.3.3.3 PerFil ProFissiográFico 
Previdenciário (PPP)
 O Perfi l Profi ssiográfi co Previdenciário (PPP) é um documento que reúne 
informações do histórico laboral do trabalhador, tais como dados administrativos, 
registros ambientais e resultados de monitoração biológica, durante todo o período 
em que o trabalhador executou suas atividades na empresa.
Esse documento deve ser preenchido, atualizado e entregue ao trabalhador 
no momento da rescisão de contrato de trabalho, especifi cando se este esteve 
sujeito aos agentes nocivos à saúde durante o contrato de trabalho, sob pena de 
multa.
91
SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E PROGRAMAS DE ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO Capítulo 2 
A responsabilidade pela emissão do PPP é, no caso de empregado, da 
empresa empregadora; no caso de cooperados fi liados, da cooperativa de 
trabalho; no caso dos Trabalhadores Portuários Avulsos (TPA), do Órgão Gestor 
de Mão de Obra; e, no caso de trabalhador avulso não portuário, do sindicato. 
 As Microempresas e as Empresas de Pequeno Porte não estão dispensadas da 
emissão do PPP. 
A partir de 1º de janeiro de 2023, o PPP será emitido exclusivamente em 
meio eletrônico, a partir das informações constantes nos eventos de Segurança 
e Saúde no Trabalho (SST) e no Sistema Simplifi cado de Escrituração Digital das 
Obrigações Previdenciárias, Trabalhistas e Fiscais (e-Social), para os segurados 
das empresas obrigadas. O PPP em meio físico não será aceito para comprovação 
de direitos perante a Previdência Social para períodos trabalhados.
Além de fornecer para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) 
informações sobre as reais situações às quais está ou esteve exposto durante o 
período em que exerce ou exerceu suas atividades profi ssionais na empresa, o 
PPP tem como fi nalidade:
• Garantir ao trabalhador junto à Previdência Social o direito decorrente 
da relação de trabalho individual, difuso oucoletivo.
• Assegurar à empresa a organização e a individualização das informações 
contidas em seus variados setores ao longo dos anos, evitando ações 
judiciais indevidas relativas aos seus colaboradores.
• Oportunizar tanto aos administradores privados quanto aos públicos o 
acesso a informações confi áveis através de fonte primária de informação 
estatística para o desenvolvimento de vigilâncias ou de políticas em 
saúde coletiva.
ATIVIDADES DE ESTUDO: 
1 A respeito do Perfi l Profi ssiográfi co Previdenciário (PPP), julgue a 
frase a seguir:
O PPP é um documento histórico que deve ser elaborado pela 
empresa, por cada grupo de trabalhadores de atividades afi ns, 
com vistas a prestar ao INSS informações relativas à efetiva 
exposição a agentes nocivos, com base em resultados de 
monitorização biológica no ambiente de trabalho.
R.:____________________________________________________
92
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
2.3.4 Laudos técnicos relacionados 
a Programas de segurança do 
trabalho
Toda empresa, independentemente do seu tamanho ou segmento de 
atuação, deve estar em conformidade com as normas regulamentadoras. Nesse 
sentido, e de forma a se precaver de possíveis ações trabalhistas e fi scalizadoras, 
deve elaborar programas, análises e laudos de saúde e segurança do trabalho. 
Assim, no Quadro 2, serão apresentados alguns dos principais programas e suas 
respectivas normas regulamentadoras.
QUADRO 2 – ALGUNS DOS PROGRAMAS DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO
Programa Norma Regulamentadora
PCMSO – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional NR-7
PCA – Programa de Conservação Auditiva NR-7 e NR-9
PPRA – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais NR-9
PPR – Programa de Proteção Respiratória NR-7 e NR-9
PIE – Prontuário de Instalações Elétricas NR-10
PPRPS – Programa de Prevenção de Riscos em Prensas e Similares NR-12
Laudo de Caldeiras e Vasos de Pressão NR-13
PPEOB – Programa de Prevenção da Exposição Ocupacional ao 
Benzeno
NR-15
Laudo Técnico de Insalubridade NR-15
Laudo Técnico de Periculosidade NR-16
PCMAT – Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na 
Indústria da Construção
NR-18
PGR – Programa de Gerenciamento de Riscos NR-22
PGSSMATR – Programa de Gestão em Segurança, Saúde e Meio 
Ambiente do Trabalho Rural
NR-31
LTCAT – Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho Previdência Social
PPP – Perfi l Profi ssiográfi co Previdenciário Previdência Social
FONTE: O autor
Na sequência, exploraremos três tipos de laudos com suas principais 
características. Para maior detalhamento, o estudante poderá acessar diretamente 
a respectiva norma, conforme ilustrado no Quadro 2.
93
SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E PROGRAMAS DE ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO Capítulo 2 
2.3.4.1 Laudo Técnico das CondiçÕes 
Ambientais do Trabalho (LTCAT)
O Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho (LTCAT) é um 
 documento elaborado por um médico do trabalho ou engenheiro de segurança do 
trabalho, que atesta a exposição do trabalhador a agentes capazes de danifi car 
sua saúde e integridade física. 
O LTCAT é regulamentado pela Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, que 
indica os agentes aos quais o trabalhador está exposto. Tal indicação orienta a 
Previdência Social, sendo os agentes classifi cados em:
• Biológicos: fungos, parasitas, bactérias e vírus, entre outros riscos que 
envolvem seres vivos e podem trazer malefícios para o corpo humano.
• Físicos: são as formas de energia, tais como ruídos, calor, frio, pressão, 
vibrações ou radiação.
• Químicos: fazem parte deste grupo o benzeno, a sílica, o carvão mineral, 
o gás natural e o petróleo, por exemplo. São substâncias, compostos 
ou produtos que entram em nosso organismo pela via respiratória 
(poeiras, gases, neblinas ou vapores) ou contato (absorvidos pela pele 
ou ingeridos).
Cada risco e agente ao qual o trabalhador está exposto possui um limite, 
que deve ser levado em consideração no momento em que se elabora o LTCAT. 
Apenas a exposição aos agentes nocivos não é sufi ciente para a concessão da 
aposentadoria especial. De acordo com a legislação, só tem direito à aposentadoria 
especial o trabalhador que, em função da atividade realizada, a exerce de maneira 
contínua, permanente e sem interrupções durante a sua jornada laboral. 
O LTCAT quantifi ca o agente nocivo, identifi ca e analisa o controle de 
riscos ambientais existentes ou que possam vir a ocorrer no ambiente em que o 
trabalhador exerce suas atividades laborais, considerando também a proteção do 
meio ambiente e dos recursos naturais.
2.3.4.2 Laudo de Insalubridade
A insalubridade é defi nida de acordo com o grau do agente nocivo, levando 
em conta ainda o tipo de atividade desenvolvida pelo trabalhador no curso de 
sua jornada laboral, observados os limites de tolerância, as taxas de metabolismo 
e respectivos tempos de exposição durante a jornada.
94
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
A NR-15 discrimina os agentes considerados nocivos para a saúde e os 
limites de tolerância. Entende-se por “limite de tolerância”, para os fi ns desta 
Norma, a concentração ou intensidade máxima ou mínima, relacionada com a 
natureza e o tempo de exposição ao agente, que não causará danos à saúde do 
trabalhador durante a sua vida laboral (BRASIL, 1978).
Em condições de insalubridade, o exercício do trabalho assegura ao 
trabalhador a percepção de adicional, incidente sobre o salário-mínimo da região, 
equivalente a:
• 40% (quarenta por cento), para insalubridade de grau máximo.
• 20% (vinte por cento), para insalubridade de grau médio.
• 10% (dez por cento), para insalubridade de grau mínimo.
 No caso de incidência de mais de um fator de insalubridade, será apenas 
considerado o de grau mais elevado, para efeito de acréscimo salarial, sendo 
vedada a percepção cumulativa. Quando for possível a eliminação ou a 
neutralização da insalubridade, cessará o pagamento adicional respectivo. 
A eliminação ou a neutralização da insalubridade poderá ocorrer com a 
adoção de medidas de ordem geral que conservem o ambiente de trabalho 
dentro dos limites de tolerância ou com a utilização de equipamento de proteção 
individual.
A NR-15 estabelece os graus de insalubridade e defi ne os percentuais ao 
quais o trabalhador terá direito, conforme demonstrado no Quadro 3:
QUADRO 3 – GRAUS DE INSALUBRIDADE E SEUS RESPECTIVOS PERCENTUAIS
Anexo Atividades ou operações que exponham o trabalhador Percentual
1 Níveis de ruído contínuo ou intermitente superiores aos limites de tolerância 
fi xados no Quadro constante do Anexo 1 e no item 6 do mesmo Anexo da 
NR-15.
20%
2 Níveis de ruído de impacto superiores aos limites de tolerância fi xados nos 
itens 2 e 3 do Anexo 2 da NR-15
20%
3 Exposição ao calor com valores de IBUTG superiores aos limites de tolerân-
cia fi xados nos Quadros 1 e 2 da NR-15
20%
4 Níveis de radiações ionizantes com radioatividade superior aos limites de 
tolerância fi xados no Anexo da NR-15.
40%
5 Ar comprimido. 40%
6 Radiações não ionizantes consideradas insalubres em decorrência de inspe-
ção realizada no local de trabalho.
20%
7 Vibrações consideradas insalubres em decorrência de inspeção realizada no 
local de trabalho.
20%
95
SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E PROGRAMAS DE ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO Capítulo 2 
8 Frio considerado insalubre em decorrência de inspeção realizada no local de 
trabalho.
20%
9 Umidade considerada insalubre em decorrência de inspeção realizada no 
local de trabalho.
20%
10 Agentes químicos cujas concentrações sejam superiores aos limites de 
tolerância fi xados no Quadro 1 da NR-15
10%, 20% 
e 40%
11 Poeiras minerais cujas concentrações sejam superiores aos limites de tole-
rância fi xados no Anexo da NR-15.
40%
12 Atividades ou operações, envolvendo agentes químicos, consideradas insa-
lubres em decorrência de inspeção realizada no local de trabalho.
10%, 20% 
e 40%
13 Agentesbiológicos. 20% e 
40%
FONTE: O Autor
Visando estar em harmonia com as exigências legais trabalhistas, o Laudo 
de Insalubridade é o documento que toda empresa precisa providenciar. Deve 
ser elaborado por engenheiro de segurança do trabalho ou médico do trabalho, 
registrado no Ministério do Trabalho, conforme o Artigo 195 da CLT (BRASIL, 
1943).
O documento permite a verifi cação dos riscos a que o trabalhador está 
exposto no seu ambiente de trabalho, sendo possível identifi car se o trabalhador 
faz jus ou não ao pagamento adicional de insalubridade.
2.3.4.3 Laudo de Periculosidade
O Laudo de Periculosidade atende à legislação trabalhista do Ministério do 
Trabalho e Emprego, com cumprimento aos requisitos estabelecidos na NR-16, 
subsidiando a empresa na classifi cação das atividades e operações perigosas e 
no recolhimento desse adicional.
Deve ser emitido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança 
do trabalho, devidamente habilitado. A NR-16 defi ne que é obrigação do 
empregador caracterizar ou descaracterizar a periculosidade, ou seja, ele deve se 
responsabilizar pela elaboração do documento (BRASIL, 1978). 
A NR-16, juntamente ao Art. 193 da CLT, defi ne algumas atividades 
desenvolvidas pelos trabalhadores, assim como a sua exposição a algum dos 
riscos, como atividades ou operações perigosas, sendo estas:
96
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
• energia elétrica;
• explosivos;
• infl amáveis;
• atividades e operações perigosas com exposição a roubos ou outras 
espécies de violência física nas atividades profi ssionais de segurança 
pessoal ou patrimonial;
• trabalho em motocicleta;
• atividades e operações perigosas com radiações ionizantes ou 
substâncias radioativas (BRASIL, 1978).
As atividades laborais com utilização de motocicleta ou motoneta no 
deslocamento de trabalhador em vias públicas são consideradas perigosas. O 
anexo 5 da NR-16 determina que não são consideradas perigosas: 
a) a utilização de motocicleta ou motoneta exclusivamente no percurso da 
residência para o local de trabalho ou deste para aquela; 
b) as atividades em veículos que não necessitem de emplacamento ou que 
não exijam carteira nacional de habilitação para conduzi-los; 
c) as atividades em motocicleta ou motoneta em locais privados; 
d) as atividades com uso de motocicleta ou motoneta de forma eventual, 
assim considerado o fortuito, ou o que, sendo habitual, dá-se por tempo 
extremamente reduzido.
De acordo com a NR-16, sobre a radiação ionizante, não são consideradas 
perigosas:
a) as atividades desenvolvidas em áreas que utilizam equipamentos móveis 
de Raios X para diagnóstico médico;
b) áreas, tais como emergências, centro de tratamento intensivo, sala de 
recuperação e leitos de internação, não são classifi cadas como salas de irradiação 
em razão do uso do equipamento móvel de Raios X.
 O exercício de trabalho em condições de periculosidade assegura ao 
trabalhador a percepção de adicional de 30% (trinta por cento), incidente sobre o 
salário, sem os acréscimos resultantes de gratifi cações, prêmios ou participação nos 
lucros da empresa. Caso o empregado porventura possua direito à insalubridade, 
poderá optar pelo recebimento desta gratifi cação, não sendo cumulativa. 
As operações de transporte de infl amáveis líquidos ou gasosos liquefeitos, 
em quaisquer vasilhames e a granel, também são consideradas em condições 
de periculosidade. São excluídas, nesse contexto, o transporte em pequenas 
quantidades, até o limite de 200 (duzentos) litros para os infl amáveis líquidos e 
135 (cento e trinta e cinco) quilos para os infl amáveis gasosos liquefeitos.
97
SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E PROGRAMAS DE ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO Capítulo 2 
2.4 COMISSÃO INTERNA DE 
PREVENÇÃO DE ACIDENTES (CIPA)
Na segunda metade do século XVIII, na Inglaterra, a partir da Revolução 
Industrial, a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) surge em 
decorrência da chegada de máquinas industriais juntamente ao aumento de 
lesões e acidentes e à necessidade da criação de um grupo que pudesse discutir 
e apresentar soluções para possíveis riscos de acidentes de trabalho.
No Brasil, criada na década de 1940 pelo governo federal na gestão do 
presidente Getúlio Vargas, a CIPA ganha destaque no Art. 82 do Decreto-Lei nº 
7.036/1944.
Art. 82. Os empregadores, cujo número de empregados seja 
superior a 100, deverão providenciar a organização, em seus 
estabelecimentos, de comissões internas, com representantes 
dos empregados, para o fi m de estimular o interesse pelas 
questões de prevenção de acidentes, apresentar sugestões 
quanto à orientação e fi scalização das medidas de proteção ao 
trabalho, realizar palestras instrutivas, propor a instituição de 
concursos e prêmios e tomar outras providências, tendentes a 
educar o empregado na prática de prevenir acidentes.
A NR-5 tem por objetivo normatizar os parâmetros e os requisitos da CIPA, 
visando à prevenção de acidentes de trabalho e suas doenças relacionadas, de 
modo a tornar o trabalho compatível e permanente com a preservação da vida e 
promoção da saúde do trabalhador (BRASIL, 1978).
Devem constituir e manter a CIPA as organizações e os órgãos públicos da 
administração direta e indireta, bem como os órgãos dos Poderes Legislativo, 
Judiciário e Ministério Público, que possuam empregados regidos pela CLT.
De acordo com a CLT, a constituição da CIPA será obrigatória em 
conformidade com as instruções expedidas pelo Ministério do Trabalho, nos 
estabelecimentos ou locais de obra neles especifi cados. 
De acordo com o dimensionamento previsto no Quadro 1 da NR-5, a CIPA 
será composta por representantes da empresa e dos empregados, conforme 
descrito a seguir:
• Os representantes dos empregadores, titulares e suplentes serão por 
eles designados. 
98
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
• Os representantes dos empregados, titulares e suplentes serão eleitos 
em escrutínio secreto, do qual participem, independentemente de fi liação 
sindical, exclusivamente os empregados interessados. 
• O mandato dos membros eleitos da CIPA terá a duração de 1 (um) ano, 
permitida uma reeleição. 
• O disposto no item anterior não se aplicará ao membro suplente que, 
durante o seu mandato, tenha participado de menos da metade do 
número de reuniões da CIPA.
• O empregador designará, anualmente, dentre os seus representantes, 
o Presidente da CIPA e os empregados elegerão, dentre eles, o Vice-
Presidente. 
• Os titulares da representação dos empregados nas CIPAs não poderão 
sofrer despedida arbitrária, entendendo-se como tal a que não se fundar 
em motivo disciplinar, técnico, econômico ou fi nanceiro.
• No caso de ocorrência de despedida, caberá ao empregador, em caso de 
reclamação à Justiça do Trabalho, comprovar a existência de qualquer 
dos motivos mencionados anteriormente, sob pena de ser condenado a 
reintegrar o empregado (BRASIL, 1978). 
A NR-5 ainda determina que a organização deve promover o treinamento 
para o representante nomeado e para os membros da CIPA, titulares e suplentes, 
devendo ocorrer no prazo máximo de 30 (trinta) dias antes da data da posse, 
podendo ser aproveitados treinamentos anteriores, desde que seja respeitado o 
período de no máximo dois anos, contados da conclusão do curso. O treinamento 
deverá contemplar, no mínimo, os seguintes itens (BRASIL, 1978): 
a) estudo do ambiente, das condições de trabalho, bem como dos riscos 
originados do processo produtivo; 
b) noções sobre acidentes e doenças relacionadas ao trabalho decorrentes 
das condições de trabalho e da exposição aos riscos existentes no estabelecimento 
e suas medidas de prevenção; 
c) metodologia de investigação e análise de acidentes e doenças relacionadas 
ao trabalho; 
d) princípios gerais de higiene do trabalho e de medidas de prevenção dos 
riscos; 
e) noções sobre as legislações trabalhistas e previdenciárias relativas à 
segurança eà saúde no trabalho; 
f) noções sobre a inclusão de pessoas com defi ciência e reabilitados nos 
processos de trabalho; e 
g) organização da CIPA e outros assuntos necessários ao exercício das 
atribuições da Comissão.
99
SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E PROGRAMAS DE ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO Capítulo 2 
2.4.1 AtribuiçÕes da CIPA
A CIPA tem por atribuição, de acordo com a NR-5:
a) acompanhar o processo de identifi cação de perigos e 
avaliação de riscos, bem como a adoção de medidas de 
prevenção implementadas pela organização; 
b) registrar a percepção dos riscos dos trabalhadores, em 
conformidade com o subitem 1.5.3.3 da NR-01, por meio do 
mapa de risco ou outra técnica ou ferramenta apropriada a sua 
escolha, sem ordem de preferência, com assessoria do Serviço 
Especializado em Segurança e em Medicina do Trabalho - 
SESMT, onde houver; 
c) verifi car os ambientes e as condições de trabalho visando 
identifi car situações que possam trazer riscos para a segurança 
e saúde dos trabalhadores; 
d) elaborar e acompanhar plano de trabalho que possibilite a 
ação preventiva em segurança e saúde no trabalho; 
e) participar no desenvolvimento e implementação de 
programas relacionados à segurança e saúde no trabalho; 
f) acompanhar a análise dos acidentes e doenças relacionadas 
ao trabalho, nos termos da NR-1 e propor, quando for o caso, 
medidas para a solução dos problemas identifi cados; 
g) requisitar à organização as informações sobre questões 
relacionadas à segurança e saúde dos trabalhadores, incluindo 
as Comunicações de Acidente de Trabalho - CAT emitidas pela 
organização, resguardados o sigilo médico e as informações 
pessoais; 
h) propor ao SESMT, quando houver, ou à organização, a 
análise das condições ou situações de trabalho nas quais 
considere haver risco grave e iminente à segurança e saúde 
dos trabalhadores e, se for o caso, a interrupção das atividades 
até a adoção das medidas corretivas e de controle; e 
i) promover, anualmente, em conjunto com o SESMT, onde 
houver, a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do 
Trabalho - SIPAT, conforme programação defi nida pela CIPA 
(BRASIL, 1978).
Como vimos, a exigência da constituição de uma CIPA está relacionada 
ao aspecto legal, devidamente prevista na CLT nos Art. 162 a 165. Com isso, a 
constituição da CIPA não é uma questão de opção do empregador, mas sim uma 
obrigação de acordo com a legislação. 
100
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
Para cursos e eventos, acesse o site: 
https://www.gov.br/fundacentro/pt-br/centrais-de-conteudo/
cursos-e-eventos.
ATIVIDADES DE ESTUDO:
1 Julgue os itens relativos à organização e às atribuições do Serviço 
Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do 
Trabalho (SESMT) e da Comissão Interna de Prevenção de 
Acidentes (CIPA), indicando CERTO ou ERRADO.
O SESMT é dotado de autonomia operacional e de autonomia 
administrativa, por isso seu funcionamento dispensa avaliação 
por outro órgão ou outra empresa.
R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
O profi ssional especializado em segurança e em medicina do 
trabalho não pode exercer outras atividades na empresa durante 
o horário de sua atuação no SESMT.
R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
Uma das atribuições da CIPA é elaborar e acompanhar o plano de 
trabalho que possibilite a ação preventiva em segurança e saúde 
no trabalho.
R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
Os profi ssionais integrantes do SESMT têm a incumbência, entre 
outras, de esclarecer e conscientizar os empregadores acerca de 
acidentes de trabalho e doenças ocupacionais, estimulando-os 
em favor da prevenção.
R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
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SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E PROGRAMAS DE ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO Capítulo 2 
O mandato dos membros eleitos da CIPA tem a duração de dois 
anos, não sendo permitida a reeleição.
R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
2 Sobre o Perfi l Profi ssiográfi co Previdenciário (PPP), marque V para 
as afi rmativas verdadeiras e F para as falsas:
( ) As Microempresas e as Empresas de Pequeno Porte estão 
dispensadas da emissão do PPP. 
( ) A responsabilidade pela emissão do PPP é, no caso de 
empregado, da empresa empregadora; no caso de cooperados 
fi liados, da cooperativa de trabalho; no caso dos Trabalhadores 
Portuários Avulsos (TPA), do Órgão Gestor de Mão de Obra; e, 
no caso de trabalhador avulso não portuário, do sindicato.
( ) O PPP também tem como fi nalidade garantir ao trabalhador 
junto à Previdência Social o direito decorrente da relação de 
trabalho individual, difuso ou coletivo.
( ) O PPP é emitido apenas por meio físico, através de papel.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
( ) F – V – V – F.
( ) V – F – F – V.
( ) F – F – V – V.
( ) F – F – F – F.
3 Sobre o Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho 
(LTCAT), é CORRETO afi rmar:
( ) Trata-se de um documento que pode ser elaborado apenas por 
técnicos e engenheiros de segurança do trabalho.
( ) Apenas o médico de segurança do trabalho pode emitir o LTCAT.
( ) Documento elaborado por um médico do trabalho ou engenheiro 
de segurança do trabalho que atesta a exposição do trabalhador 
a agentes capazes de danifi car sua saúde e integridade física.
( ) O LTCAT não leva em consideração os agentes nocivos em que o 
trabalhador exerceu suas atividades laborais.
4 A respeito dos limites de tolerância descritos na NR-15, é 
CORRETO afi rmar:
( ) São os limites máximos em que o trabalhador poderá fi car 
exposto, não estando correlacionado com o tempo de exposição.
102
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
( ) Apenas o tempo de exposição é considerado neste limite de 
tolerância.
( ) É a concentração ou intensidade máxima ou mínima, relacionada 
com a natureza e o tempo de exposição ao agente, que não 
causará danos à saúde do trabalhador durante a sua vida laboral.
( ) Analisa o tempo de entrada e saída do trabalhador na empresa e, 
se ultrapassar 8 horas diárias de trabalho, este passa a ter direito 
à insalubridade.
5 Em condições de insalubridade, o exercício do trabalho assegura 
ao trabalhador a percepção de adicional, incidente sobre o 
salário-mínimo da região, podendo variar percentualmente em:
( ) 5%; 10% e 40%.
( ) 10%; 20% e 50%.
( ) 8%; 10% e 40%.
( ) 10%; 20% e 40%.
6 Complete a frase com as alternativas descritas a seguir: 
No caso de incidência de mais de um fator de insalubridade, será 
apenas considerado o de grau _________________, para efeito 
de acréscimo salarial, sendo _______________a percepção 
cumulativa.
( ) De menor intensidade / vedada.
( ) Mais elevado / vedada.
( ) Mais elevado / permitido.
( ) Mais elevado / obrigatória. 
7 Com relação à eliminação ou à neutralização da insalubridade, 
podemos afi rmar:
( ) Não pode ocorrer em hipótese alguma.
( ) Só pode ocorrer através de estudos clínicos.
( ) Mesmo que cesse a condição de insalubridade, o trabalhador 
permanecerá recebendo, pois não pode ser cortado por se tratar 
de um benefício constitucional.
( ) A eliminação ou a neutralização da insalubridade poderá ocorrer 
com a adoção de medidas de ordem geral que conservem o 
ambiente de trabalho dentro dos limites de tolerância ou com a 
utilização de equipamento de proteção individual.
103
SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E PROGRAMAS DE ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO Capítulo 2 
8 O exercício de trabalho em condições de periculosidade assegura 
ao trabalhador a percepção de adicional de:
( ) 30%.
( ) 20%.
( ) 10%.
( ) 40%.
9 São consideradas atividadesperigosas, EXCETO:
( ) Utilização de motocicleta ou motoneta no deslocamento de 
trabalhador em vias públicas. 
( ) Atuação com energia elétrica.
( ) Atividades desenvolvidas em áreas que utilizam equipamentos 
móveis de Raios X para diagnóstico médico.
( ) Trabalho com explosivos.
10 A respeito da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) 
é CORRETO afi rmar:
( ) Não são obrigatórias em instituições públicas da administração 
direta e indireta.
( ) Composta por representantes da empresa e dos empregados.
( ) Órgãos do poder judiciário não são obrigados a possuir uma 
CIPA.
( ) O mandato dos membros eleitos da CIPA terá a duração de seis 
meses, permitida uma reeleição.
11 A Norma Regulamentadora que regulamenta os parâmetros da 
CIPA é:
( ) NR-10.
( ) NR-22.
( ) NR-33.
( ) NR-5.
104
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Como observamos ao longo deste capítulo, o uso do sistema de gestão 
integrado traz para as organizações diversos ganhos, como melhoria no controle 
do processo de gestão, maior confi abilidade, agilidade e consequente redução 
de custos e de retrabalho. Em busca de maior efi ciência nos seus processos, 
cada vez mais as organizações estão considerando, nas suas políticas e no seu 
planejamento, o uso desse sistema, que utiliza, de forma geral, o modelo PCDA 
em seu processo de gestão. 
Considerando que a integração desse sistema é dada sistematicamente 
através do uso de normas, estudamos no decorrer do capítulo duas normas 
fundamentais na Segurança e Saúde Ocupacional: a OHSAS 18001 e a sua 
substituta, a ISO 45001, que traz melhorias e atualizações para tornar o sistema 
ainda mais detalhado, com impactos diretos nos resultados. Utiliza a estrutura 
HLS (estrutura de alto nível), compatibilizando essa estrutura com as demais 
normas, trazendo textos, termos e defi nições comuns entre elas.
Adentramos nas políticas e programas relacionados à saúde e à segurança 
do trabalhador, e vimos diversos aspectos relacionados à legislação, desde 
as previstas na Constituição Federal, passando pela Consolidação das Leis 
do Trabalho, até as Normas Regulamentadoras. Vimos que muitas delas 
se complementam e, a depender da atividade executada, existem diversos 
programas que se relacionam com a saúde e a segurança do trabalhador, visando 
orientar ou implementar medidas de controle nos ambientes laborais.
Dentro da Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho (PNSST), 
aprendemos que sua gestão é participativa, realizada através da Comissão 
Tripartite de Saúde e Segurança no Trabalho, constituída paritariamente por 
representantes do governo, trabalhadores e empregadores.
Com relação aos programas voltados para a saúde e a segurança do 
trabalhador, estudamos alguns deles e observamos que estão pautados em 
normas regulamentadoras, que estabelecem deveres e obrigações a serem 
cumpridos pelos empregadores de forma a garantir a saúde e a segurança dos 
trabalhadores em seus ambientes de trabalho, sendo as primeiras publicadas 
ainda na década de 1970, através de Portarias do Ministério do Trabalho, visando 
assegurar a prevenção da saúde e a segurança dos trabalhadores em seus locais 
de trabalho.
Embora a implementação dos requisitos de saúde e segurança apresentados 
nas NRs seja de responsabilidade do empregador, o trabalhador, por sua vez, 
105
SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E PROGRAMAS DE ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO Capítulo 2 
também tem sua responsabilidade, devendo fazer o uso adequado, quando 
aplicável, dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) de forma adequada e 
segura.
Aprendemos também o que é o Perfi l Profi ssiográfi co Previdenciário (PPP), 
sua importância e os responsáveis por sua emissão. Com relação aos laudos, 
conhecemos três tipos, sendo estes: o Laudo Técnico das Condições Ambientais 
do Trabalho, o de Insalubridade e o de Periculosidade. Dentro destes, vimos as 
normas regulamentadoras associadas, assim como aprendemos quais atividades 
fazem jus ao ganho adicional de insalubridade ou periculosidade, e suas 
respectivas circunstâncias.
Por fi m, encerrando o capítulo, vimos como surgiu a Comissão Interna 
de Prevenção de Acidentes (CIPA), como é a sua composição, as atribuições 
e contribuições, tendo como objetivo a prevenção de acidentes e doenças 
relacionadas ao trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o 
trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador. 
REFERÊNCIAS
ABNT. ISO 45001:2018. Sistemas de Gestão de Saúde e Segurança 
Ocupacional - Requisitos com Orientação para Uso. Brasília: ABNT, 2018. 47 p. 
ALVES, É. A. C. O PDCA como ferramenta de gestão da rotina. In: CONGRESSO 
NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO, 11., 2015, Rio de Janeiro. Anais
[...]. Rio de Janeiro: [s. n.], 2015. p. 1-12.
BRASIL. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação 
das Leis do Trabalho. Rio de Janeiro: Diário Ofi cial da União, 9 ago. 1943. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm. 
Acesso em: 31 maio 2022.
BRASIL. Decreto-Lei nº 7.036, de 10 de novembro de 1944. Reforma da Lei de 
Acidentes do Trabalho. Rio de Janeiro: Diário Ofi cial da União, 13 nov. 1944. 
Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/declei/1940-1949/decreto-
lei-7036-10-novembro-1944-389493-publicacaooriginal-1-pe.html. Acesso em: 31 
maio 2022.
106
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
BRASIL. Lei nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977. Altera o Capítulo V do 
Título II da Consolidação das Leis do Trabalho, relativo à segurança e medicina 
do trabalho e dá outras providências. Brasília, DF: Diário Ofi cial [da] República 
Federativa do Brasil, 23 dez. 1977. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/leis/l6514.htm. Acesso em: 31 maio 2022.
BRASIL. Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978. Aprova as Normas 
Regulamentadoras - NR - do Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis 
do Trabalho, relativas à Segurança e Medicina do Trabalho. Brasília, DF: 
Diário Ofi cial [da] República Federativa do Brasil, 6 jul. 1978. Disponível 
em: https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-
especifi cos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/sst-
portarias/1978/portaria_3-214_aprova_as_nrs.pdf. Acesso em: 31 maio 2022. 
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do 
Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 5 out. 1988. Disponível em: http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 31 maio 
2022.
BRASIL. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre os Planos de 
Benefícios da Previdência Social e dá outras providências. Brasília, DF: Diário 
Ofi cial [da] República Federativa do Brasil, 25 jul. 1991. Disponível em: http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm. Acesso em: 31 maio 2022.
BRASIL. Decreto nº 7.602, de 7 de novembro de 2011. Dispõe sobre a Política 
Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho - PNSST. Brasília, DF: Diário Ofi cial 
[da] República Federativa do Brasil, 8 nov. 2011. Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/decreto/d7602.htm. Acesso em: 31 
maio 2022.
BRASIL. Portaria nº 1.823, de 23 de agosto de 2012. Institui a Política Nacional 
de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora. Brasília, DF: Diário Ofi cial [da] 
República Federativa do Brasil, 23 ago. 2012. Disponível em: https://bvsms.
saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2012/prt1823_23_08_2012.html. Acesso em: 31 
maio 2022.
BRASIL. Portaria nº 3.733, de 10 de fevereiro de 2020. Aprova a nova redação 
da Norma Regulamentadora nº 18 - Segurança e Saúde no Trabalho na Indústria 
da Construção. Brasília, DF: Diário Ofi cial [da] República Federativa do Brasil, 
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composicao/orgaos-especifi cos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-
saude-no-trabalho/sst-portarias/2020/Portaria_SEPRT_3.733_Altera_a_NR_18.pdf. Acesso em: 31 maio 2022.
107
SISTEMAS DE GESTÃO, POLÍTICA E PROGRAMAS DE ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO Capítulo 2 
BSI. OHSAS 18001:2007. Sistemas de gestão da segurança e da saúde do 
trabalho – Requisitos. Londres: BSI, 2007. 35 p. Disponível em: https://comum.
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108
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
CAPÍTULO 3
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO 
DE ACIDENTES
 A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
• Exemplifi car acidente de trabalho e sua caracterização.
• Associar os diferentes tipos e modelos de análise e prevenção de acidentes.
• Avaliar os principais tipos e classifi cações de erro humano.
• Analisar e planejar o método de investigação de acidentes através da árvore de 
causas.
110
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
111
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Neste capítulo, você conhecerá alguns dos principais conceitos que defi nem 
o acidente de trabalho, incluindo os dispositivos legais que os diferenciam. 
Entenderá em quais situações o trabalhador que sofre acidente de trabalho passa 
a ter estabilidade no emprego, por quanto tempo e também as classifi cações de 
afastamentos do trabalhador do seu local de trabalho. Conhecerá os números de 
registros de acidentes e registros de doença do trabalho no âmbito Brasil dentro 
do triênio 2018-2020, assim como sua segmentação por região. 
Dentro da temática de afastamento do trabalhador e registros de acidentes, 
você aprenderá a distinguir auxílio-doença, auxílio-acidente e auxílio-doença 
acidentário. Falando em registros de acidentes, entenderá em quais situações 
a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) deve ser registrada e a sua 
importância. Verá quais são as principais situações que resultam em acidente 
de trabalho e as suas respectivas classifi cações. De posse desse conhecimento, 
você verá, ao longo do capítulo, alguns modelos para análise e prevenção de 
acidentes e suas principais características e limitações. 
Dentro do rol desses modelos, neste capítulo, veremos a teoria do dominó de 
Heinrich, Weaver, Adams e Bird e Loftus, referente ao modelo sequencial; a teoria 
do queijo suíço, referente ao modelo epidemiológico; e a teoria da ressonância 
funcional, referente ao modelo sistêmico. Em cada um desses modelos, você 
encontrará exemplos do seu funcionamento e suas principais características. 
Dentro dos tipos e classifi cações de erros humanos, aprenderá a classifi car e verá 
as principais causas que levam à ocorrência desse tipo de erro e consequente 
acidente, incluindo sugestões de fl uxograma para auxiliar na sua identifi cação e 
classifi cação. Por fi m, conhecerá alguns métodos para análise e investigação de 
acidentes, incluindo sugestões para análise, sendo exemplifi cado um dos modelos, 
o método da árvore de causas, com um exemplo prático de sua aplicação. 
2 ACIDENTE DE TRABALHO 
– PRINCIPAIS CONCEITOS E 
DEFINIÇÕES
Inúmeros são os fatores que podem infl uenciar ou desencadear um acidente 
de trabalho, sendo alguns destes perceptíveis e outros silenciosos. O sucesso 
da segurança do trabalho está diretamente associado à conscientização para 
a adoção das medidas protetivas e preventivas, seja pelo empregado ou pelo 
empregador. 
112
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
Infelizmente, algumas das ações oriundas da segurança do trabalho são 
negligenciadas por muitas empresas que, na busca por maior lucratividade 
nas suas atividades e redução dos custos, reduzem, também, a segurança, 
aumentando os potenciais riscos às atividades laborais e, consequentemente, os 
acidentes de trabalho.
A defi nição de acidente de trabalho remete à ocorrência 
inesperada e não planejada, enquadrada no contexto laboral, que 
resulte em lesão corporal, doença ou morte.
A União Europeia (Eurostat) defi ne acidente de trabalho como 
sendo uma ocorrência discreta durante o trabalho que origina danos 
físicos ou mentais, podendo ser fatais, sendo considerados aqueles 
que levam à morte da vítima no prazo de um ano após a ocorrência 
do acidente, ou não fatais, defi nidos como aqueles que resultam em 
mais de três dias úteis de ausência ao trabalho, por vezes também 
chamados de ‘acidentes graves de trabalho’.
FONTE: . Acesso em: 23 maio 
2022.
No Brasil, o acidente de trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho 
a serviço de empresa, de empregador doméstico ou pelo exercício do trabalho 
dos segurados obrigatórios da previdência social, que provoque lesão corporal ou 
perturbação funcional, causando a morte ou a perda ou redução, permanente ou 
temporária, da capacidade para o trabalho (BRASIL, 1991).
Equiparam-se também a acidente de trabalho, de acordo com o Art. 21 da Lei 
nº 8.213/1991, as seguintes condições: 
I - o acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido 
a causa única, haja contribuído diretamente para a morte do 
segurado, para redução ou perda da sua capacidade para o 
trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica para a 
sua recuperação;
II - o acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do 
trabalho, em consequência de:
113
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
a) ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por 
terceiro ou companheiro de trabalho;
b) ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de 
disputa relacionada ao trabalho;
c) ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de 
terceiro ou de companheiro de trabalho;
d) ato de pessoa privada do uso da razão;
e) desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos 
ou decorrentes de força maior;
III - a doença proveniente de contaminação acidental do 
empregado no exercício de sua atividade;
IV - o acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do local e 
horário de trabalho:
a) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a 
autoridade da empresa;
b) na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa 
para lhe evitar prejuízo ou proporcionar proveito;
c) em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo 
quando financiada por esta dentro de seus planos para melhor 
capacitação da mão de obra, independentemente do meio 
de locomoção utilizado, inclusive veículo de propriedade do 
segurado;
d) no percurso da residência para o local de trabalho ou deste 
para aquela, qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive 
veículo de propriedade do segurado.
§ 1º Nos períodos destinados à refeição ou descanso, ou por 
ocasião da satisfação de outras necessidades fi siológicas, no 
local do trabalho ou durante este, o empregado é considerado 
no exercício do trabalho (BRASIL, 1991, p. 13).
Considerando o disposto legal supramencionado, também são considerados 
como acidentes de trabalho as seguintes entidades mórbidas:
a) Doença profi ssional: entendida como a doença produzida ou desencadeada 
pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da 
respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social.
 b) Doença do trabalho: entendida como a doença adquirida ou desencadeada 
em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se 
relacione diretamente.
São excluídas do rol de doenças consideradas do trabalho:
a) a doença degenerativa;
b) a inerente a grupo etário;
c) a que não produza incapacidade laborativa;
d) a doença endêmica adquirida por segurado habitante de região em que ela 
se desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato 
direto determinado pela natureza do trabalho.
114
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
Tais exclusões se dão em razão da ausência do nexo causal entre o trabalho 
e a doença. Nesses casos, o empregado teria adquirido tais doenças exercendo 
ou não suas funções laborais ao empregador, salvo se comprovada de que é 
resultante da exposição ou contato direto devido à natureza do trabalho.
Independentemente da caracterização da doença, seja profi ssional ou do 
trabalho, para a preservação da saúde do trabalhador, a conscientização e a 
orientação são fundamentais por parte do empregador e empregado quanto ao 
fornecimento e ao uso adequado dos EPIs e EPCs, assim como a obediência à 
legislação vigente, que tem por objetivo a proteção da vida e da saúde laboral.
Encontre mais informações sobre o regulamento da 
previdência social em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/
d3048compilado.htm.
Os registros do Ministério do Trabalho e Previdência apontam que, no triênio 
2018-2020, o Brasil registrou em média mais de meio milhão de acidentes de 
trabalho, conforme ilustrado no Gráfi co 1. Esses dados levam em consideração os 
acidentes de trabalho com e sem registro da CAT.
GRÁFICO 1 – ACIDENTES DE TRABALHO REGISTRADOS 
NO TRIÊNIO 2018-2020 NO BRASIL
FONTE: O autor
115
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
Agora, os dados estão organizados por região, conforme demonstrado no 
Gráfi co 2. Neles estão representados o somatório do triênio 2018-2020, incluindo 
os acidentes de trabalho com e sem registro da CAT.
GRÁFICO 2 – ACIDENTES DE TRABALHO REGISTRADOS 
E SEGMENTADOS POR REGIÃO
FONTE: O autor
Observa-se que a maior incidência é disparada na região Sudeste, 
representando mais de 50% dos acidentes registrados no país, seguida da região 
Sul, com quase 25%. Destaca-se a região Norte com menos de 5% dos registros 
de acidentes de trabalho.
2.1 TIPOS DE ACIDENTES 
Em geral, o acidente está associado a uma combinação de fatores de atos e/
ou condições inseguras, entre eles o uso inadequado de materiais e ferramentas 
e o excesso de confi ança, sendo a falha humana o fator predominante para a 
ocorrência de um acidente de trabalho.
Brisot (2019) classifi ca os tipos de acidentes em dois macrogrupos: os 
acidentes típicos e os de trajeto. Os de trajeto ocorrem durante a jornada e o local 
de trabalho, acontecendo de forma inesperada e independente de ocasionar ou 
não lesão no trabalhador. 
116
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
O acidente de trabalho considerado típico não está associado somente 
ao setor em que o trabalhador exerce as suas atividades, sendo considerado 
acidente típico o ocorrido em qualquer local da empresa em que o trabalhador 
seja acometido por um acidente, incluindo o momento durante as refeições e 
descansos no local de trabalho, estando este a serviço da empresa. O acidente 
típico pode ainda ser dividido em:
• Acidente sem afastamento: tipo de acidente em que o ocorrido com o 
trabalhador permita continuar com as suas atividades laborais logo após 
o ocorrido ou no próximo dia no horário normal de trabalho. Ex.: cortes 
superfi ciais, arranhões, leves escoriações etc.
• Acidente com afastamento: tipo de acidente em que a lesão sofrida pelo 
trabalhador o impeça de retornar as suas atividades logo após o ocorrido 
ou no dia subsequente em horário normal de trabalho. Pode ocorrer de 
duas formas:
o Com afastamento inferior a 15 dias: caso em que o trabalhador 
se afasta das suas atividades laborais e a empresa arca com os 
vencimentos até o décimo quinto dia.
o Com afastamento superior a 15 dias: a partir do décimo sexto dia de 
afastamento, o trabalhador terá que se repostar ao Instituto Nacional 
do Seguro Social (INSS), passando a previdência social a ser a 
responsável pelo pagamento do trabalhador a partir dessa data até 
a data da alta médica. Caso ocorra indisponibilidade de atendimento 
pela previdência social ao segurado antes do término do período 
de recuperação indicado pelo médico, o Decreto nº 8.691/2016 
autoriza o retorno do empregado ao trabalho no dia seguinte à 
data indicada pelo médico. Outrossim, a apresentação de um novo 
atestado fornecido pelo médico com a declaração de alta médica do 
segurado, antes do prazo estipulado inicialmente na concessão ou 
na prorrogação do auxílio-doença, culminará no encerramento do 
benefício na nova data indicada.
O trabalhador afastado por mais de 15 dias pode ser demitido 
em seu retorno? A resposta é: DEPENDE!
O trabalhador, quando afastado por mais de 15 dias, pode ser enquadrado 
em duas condições: incapacitado por doença comum e incapacitado por acidente 
de trabalho.
117
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
No caso do trabalhador afastado devido à incapacidade por doença comum, 
ou seja, não relacionada ao seu ambiente de trabalho, receberá o auxílio-doença 
comum e pode ser demitido em seu retorno, não gozando de nenhum tipo de 
estabilidade. Exemplo de afastamento por doença comum: dengue, cirurgia 
estética, pneumonia.
Por outro lado, o trabalhador afastado por mais de 15 dias devido à 
incapacidade por acidente de trabalho, receberá o auxílio-doença acidentário. 
Nesse caso, o segurado que sofreu acidente de trabalho tem garantida, pelo 
prazo mínimo de doze meses, a manutenção do seu contrato de trabalho na 
empresa, após a cessação do auxílio-doença acidentário, independentemente de 
percepção de auxílio-acidente (BRASIL, 1991).
Cabe aqui alguns esclarecimentos e defi nições de conceitos de 
forma resumida:
Auxílio-doença: benefício pago pelo INSS ao segurado 
empregado por conta da incapacidade temporária. 
Auxílio-acidente: benefício previdenciário indenizatório do 
INSS aos segurados que sofrem qualquer categoria de acidente que 
resulta em sequelas que diminuam a sua capacidade para o trabalho. 
Auxílio-doença acidentário: benefício pecuniário de prestação 
continuada, com prazo indeterminado, sujeito à revisão periódica, que 
se constitui no pagamento de renda mensal ao acidentado urbano ou 
rural que sofreu acidente de trabalho ou doença das condições de 
trabalho e apresenta incapacidade laborativa
Falando em doença do trabalho, serão apresentados no Gráfi co 3 os 
registros de doenças do trabalho do triênio 2018-2020 no Ministério do Trabalho e 
Previdência.
118
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
GRÁFICO 3 – DOENÇAS DO TRABALHO REGISTRADAS 
NO MINISTÉRIO DO TRABALHO E PREVIDÊNCIA
FONTE: O autorVimos no Gráfi co 3 que o número de doenças registradas no ano de 2020 
triplicou quando comparado aos dois anos anteriores. 
A que podemos atribuir esse expressivo aumento? A reportagem 
do Tribunal Superior do Trabalho (TST) ajudará a responder: 
https://www.tst.jus.br/noticias/-/asset_publisher/89Dk/content/
id/27270562/pop_up.
Voltando ao nosso segundo macrogrupo, temos o acidente de trajeto, que 
se caracteriza basicamente na ocorrência do acidente no percurso casa-trabalho 
e vice-versa. No caso de o trabalhador desviar seu trajeto habitual ou horário de 
retorno por conta própria, tal ocorrência de acidente não se caracterizará como 
acidente de trabalho, passando a ser considerado um acidente comum, não sendo 
necessária a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).
Excluindo esse caso, em que não se caracteriza acidente de trabalho, a 
empresa é obrigada a emitir a CAT em caso de ocorrência de acidente de trabalho, 
independentemente da sua gravidade e do tempo de afastamento do trabalhador, 
sob pena de multa pelo Ministério do Trabalho. 
119
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
FIGURA 1 – ACIDENTE DE TRABALHO
FONTE: . Acesso em: 24 abr. 2022.
A empresa deverá comunicar à previdência social o acidente de trabalho 
ocorrido com o segurado até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em 
caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena de multa.
Na falta de comunicação por parte da empresa, ou quando se tratar de 
segurado especial, podem formalizá-la o próprio acidentado, seus dependentes, 
a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade 
pública.
Ocorrendo o acidente fora do local de trabalho, quando o trabalhador está 
em viagem a trabalho ou em atendimento em outras unidades, desde que esteja 
exercendo atividades para a empresa, o acidente é considerado como de trabalho.
Saiba mais a respeito do regulamento da Previdência Social em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3048compilado.htm.
Considerando os registros do Ministério do Trabalho e Previdência, o Gráfi co 
4 ilustrará os registros de acidentes e doenças do trabalho no triênio 2018-2020 
com a devida comunicação através da CAT.
120
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
GRÁFICO 4 – ACIDENTES COM CAT REGISTRADOS NO BRASIL
FONTE: O autor 
Observamos o predomínio de registro com emissão da CAT para os acidentes 
típicos, que são aqueles ocorridos em qualquer local da empresa, seguido dos 
acidentes de trajeto, que se caracterizam basicamente na ocorrência do acidente 
no percurso casa-trabalho e vice-versa e, por fi m, as doenças do trabalho.
Comissão aprova estabilidade provisória a trabalhador afastado 
por acidente ou doença. Estabilidade era apenas para quem sofreu 
acidente de trabalho. O projeto tramita em caráter conclusivo, em 
regime de prioridade, e será ainda analisado pelas comissões de 
Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Seguridade Social 
e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania: https://www.
camara.leg.br/noticias/843507-comissao-aprova-estabilidade-
provisoria-a-trabalhador-afastado-por-acidente-ou-doenca/.
2.1.1 PrinciPais causas dos acidentes
Resultantes de diversas causas, os acidentes de trabalho podem ser 
classifi cados em dois grandes grupos: atos inseguros e condições inseguras. 
121
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
Os atos inseguros estão relacionados diretamente às ações tomadas pelo 
trabalhador que, no decorrer da execução das suas atividades, coloquem em 
risco a sua integridade física ou a de outro trabalhador. Como exemplo de atos 
inseguros temos: descumprimento das normas de segurança, a não utilização 
de EPI, distração no trabalho, agir com excesso de confi ança, uso inseguro do 
equipamento etc.
Embora esses atos descritos como inseguros sejam de execução do 
trabalhador, o empregador tem sua responsabilidade atrelada, como disponibilizar 
equipamentos adequados de proteção, educar seus trabalhadores com constantes 
treinamentos, assim como verifi car e assegurar o cumprimento das normas de 
segurança.
As condições inseguras estão relacionadas aos riscos físicos e ambientais 
presentes no local de trabalho que possam levar à ocorrência de acidentes, seja 
por falhas, defeitos, irregularidades ou carência de dispositivos de segurança.
Como exemplos de condições inseguras temos: elevado nível de ruído, 
instalações elétricas precárias ou defeituosas, ferramental ou maquinário 
defi ciente ou inadequado, iluminação insufi ciente, falta de treinamentos etc.
Vimos que a ocorrência de um acidente de trabalho está relacionada a fatores 
físicos, biológicos, sociais, culturais e psicológicos, sendo que, em sua maioria, 
poderiam ser evitados através de um melhor planejamento, gerenciamento e 
implantação de programas de saúde e segurança no trabalho, assim como a 
oferta de treinamentos e conscientização dos trabalhadores.
2.2 MODELO DE ANÁLISE E 
PREVENÇÃO DE ACIDENTES (MAPA)
Os Modelos de Análise e Prevenção de Acidentes (MAPA) têm como objetivo 
a prevenção de acidentes a partir de casos verdadeiros e práticos, explicando os 
distintos modelos de análise de acidentes.
Esses métodos investigam e descrevem as práticas com vistas a explicar o 
acidente ocorrido. Alguns acidentes ocorrem de modo simples e direto, cujos fatos 
e eventos ocorridos são sufi cientes para explicar os acidentes. Já outros não têm 
suas causas tão diretas, sendo necessária a adoção de modelos de análise de 
acidentes para explicar a sua ocorrência.
No fi nal do século XIX e início do século XX, diversos profi ssionais da 
122
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
segurança e inspeção das fábricas acreditavam que a adoção de medidas físicas 
preventivas, como proteção de máquinas, inspeções de locais potencialmente 
perigosos e limpeza, eram as melhores maneiras de se evitar acidentes. 
Essa visão era pautada na crença de que os acidentes seriam evitados se 
houvesse maior controle das condições físicas das fábricas. Os controles e as 
medidas de precaução foram implementados, todavia, os acidentes continuavam 
ocorrendo e aumentavam a um ritmo alarmante nas fábricas britânicas durante e 
após a Primeira Guerra Mundial.
Tal fato levou à contratação de comitês governamentais para examinar se as 
causas dos acidentes eram originárias das condições físicas de trabalho (fatores 
situacionais) ou das características dos indivíduos (fatores pessoais).
A pedido desses comitês, foram examinadas estatisticamente as taxas 
de acidentes de uma fábrica de munições. Foi pressuposto que todos os 
trabalhadores da fábrica estavam expostos aos mesmos níveis de risco. Assim, 
foram analisadas três propostas de forma a se identifi car as medidas preventivas 
mais vantajosas. Para tanto, foram feitas três proposições:
1. Os acidentes eram resultado do puro acaso, podendo acontecer com 
qualquer um e a qualquer momento.
2. No caso de o trabalhador já ter sofrido um acidente, sua propensão para 
novos acidentes poderia ser reduzida (hipótese dos dedos queimados) 
ou então aumentada (hipótese contagiosa).
3. Algumas pessoas eram mais propensas do que outras a sofrer um 
acidente. 
Se considerarmos a primeira proposição como correta e não encontrarmos 
diferenças nas taxas de acidentes para determinados tipos de pessoas, 
poderíamos considerar o foco da prevenção apenas nas demandas e condições 
ambientais. Se considerarmos a segunda como correta, as ações corretivas 
poderiam ser direcionadas aos trabalhadores que já tenham sofrido um acidente 
anteriormente.
Considerando a terceira proposição como correta, seriam selecionadas 
pessoas que tenham sofrido menos acidentes, independentemente de suas 
responsabilidades e competências, ao passo de que aquelas que sofreram mais 
acidentes poderiam ser dispensadas.Dentro do período de três meses foram analisados registros de acidentes 
e foi identifi cado que algumas pessoas de fato estavam mais envolvidas em 
acidentes do que outras, apoiando, dessa forma, a terceira proposição.
123
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
Mesmo sendo óbvio que todas as pessoas não estão expostas às mesmas 
variáveis, como condições de trabalho, tarefas, tempo e níveis de riscos no 
desempenho de suas atividades laborais, esses resultados e outros similares 
levaram ao modelo de propensão de acidentes, dominando o pensamento e a 
pesquisa de segurança por quase 50 anos.
Ainda que limitada, mas realística, a visão da teoria da propensão relacionada 
a acidente considera que há uma relação do aumento ou diminuição dessa 
propensão com determinados períodos de vida, considerando que as taxas de 
acidentes dos trabalhadores mais jovens geralmente são mais altas do que as 
dos mais velhos, que possuem mais experiência.
Atribui-se a essa maior propensão características relacionadas aos 
trabalhadores mais jovens, tais como: a falta de disciplina e atenção, a 
impulsividade, o orgulho, a superestimativa da sua capacidade, o julgamento 
errôneo dos perigos e a falta de julgamento de suas ações.
A infl uência generalizada desse modelo fez com que a maior parte dos 
acidentes fosse atribuída exclusivamente aos trabalhadores e não às práticas 
defi citárias de gestão ou à combinação dos três pressupostos; prática esta que 
ainda pode ser encontrada em algumas organizações.
Os acidentes não devem ser analisados com superfi cialidade nem vistos 
como uma sentença para o trabalhador, mas sim como oportunidades para se 
aperfeiçoar e prevenir problemas futuros.
A investigação de acidentes deve seguir um método de análise que permita 
o entendimento da dinâmica e da ocorrência do acidente, em que cada um 
deles tem distintas áreas de aplicação, qualidade e efi ciência. Já os modelos 
de acidentes, através de seus princípios, buscam explicar como ocorrem os 
acidentes, e recorrem ao conjunto de axiomas, suposições, crenças e fatos sobre 
acidentes, formando, assim, uma base que auxilia a entender e a explicar eventos 
específi cos (HOLLNAGEL; SPEZIALI, 2008).
Hollnagel e Goteman (2004) classifi cam em três categorias os modelos de 
acidentes: modelo sequencial, modelo epidemiológico e modelo sistêmico, que 
serão apresentados a seguir.
124
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
2.2.1 Modelo de acidentes 
seQuenciais – Teoria do Dominó de 
Heinrich
O primeiro modelo sequencial foi proposto por Heinrich (1941), denominado 
como teoria do dominó, que postulava que os acidentes eram causados por um 
ato inseguro, uma condição insegura ou ambos. De acordo com esse modelo, 
existem cinco fatores na sequência do acidente que, quando encadeados, podem 
resultar em lesão ou acidente no trabalho, conforme ilustra a Figura 2. 
FIGURA 2 – MODELO DE HEINRICH PARA A CAUSA DO ACIDENTE
FONTE: Cooper (1998, p. 7)
Além de fornecer a primeira teoria sequencial do processo de causalidade 
do acidente, o modelo proposto por Heinrich demonstrou que o comportamento 
de segurança desempenhava um papel maior do que se pensava anteriormente, 
trazendo pela primeira vez um foco mais nítido da interação entre o comportamento 
e as condições (situação).
Em essência, essa teoria afi rmava que uma sequência de eventos, 
que englobava cinco estágios distintos, causaria o acidente. Esses estágios 
iniciavam com a hereditariedade e o ambiente que predispunha o trabalhador a 
ter comportamentos que eram mais propensos a acidentes, levando a um ato 
inseguro ou à criação de uma condição considerada insegura. Por fi m, qualquer 
um desses fatores representados por estágios causou um acidente que resultou 
em uma lesão.
Cada um desses estágios era assemelhado a uma peça de dominó que, 
devidamente alinhada umas às outras, quando uma caísse, automaticamente 
derrubava as demais peças (estágios) do dominó.
125
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
A neutralização de qualquer uma das quatro primeiras peças impediria a 
queda da quinta peça (lesão). Isso fez com que Heinrich refl etisse a respeito dos 
atos e condições inseguras, sendo que aproximadamente 80% dos acidentes 
foram desencadeados por atos inseguros, enquanto 20% foram causados por 
condições inseguras (regra conhecida como 80:20).
Pensava-se que a causa dos atos inseguros estava relacionada às atitudes 
ruins, à falta de conhecimento e habilidade, à inadequação física e a um ambiente 
inseguro. Tal visão gerou muitos treinamentos e propagandas na tentativa de se 
mudar determinadas atitudes, cuja efi cácia ainda se questiona. 
2.2.2 Modelo de acidentes 
seQuenciais - Teoria do Dominó de 
Weaver
Utilizando como ponto de partida a teoria de Heinrich, outros teóricos 
desenvolveram seus próprios trabalhos. Em 1971, Weaver propôs em seu modelo 
modifi car as últimas três peças do dominó de Heinrich para sintomas de erro 
operacional causados por omissões de gestão, que interagem com atos e/ou 
condições inseguras (Figura 3), baseado na noção de causalidade múltipla devido 
a fatores organizacionais subjacentes.
FIGURA 3 – MODELO DE DOMINÓ DE WEAVER 
FONTE: Cooper (1998, p. 8)
126
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
Mesmo com o ato ou a condição insegura sendo a causa imediata, Weaver 
sugeriu que as causas subjacentes do erro operacional poderiam ser identifi cadas 
com a realização de três perguntas: Qual foi o ato inseguro? Por que foi permitido 
que ocorresse? Todos os envolvidos conheciam as regras e procedimentos?
Ao mesmo tempo em que esse modelo reconhecia implicitamente a interação 
entre os sistemas de gerenciamento e os acidentes, colocava a responsabilidade 
imediata pelos acidentes na conta da supervisão e gestão.
2.2.3 Modelo de acidentes 
seQuenciais - Teoria do Dominó de 
Adams
Baseado na teoria de seu antecessor, Weaver, e no modelo básico de 
Heinrich, Adams mudou a ênfase das três primeiras peças do dominó de forma a 
refl etir características organizacionais e não pessoais (Figura 4).
FIGURA 4 – MODELO DE DOMINÓ DE ADAMS
FONTE: Cooper (1998, p. 9)
Dessa forma, sua abordagem se afastou da já desacreditada teoria da 
propensão de acidentes. Mesmo que implicitamente, Adams reconheceu a 
noção de cultura de segurança quando afi rmou que os elementos operacionais 
estáveis refl etiam na personalidade da organização. Propôs, também, que os 
127
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
erros operacionais seriam causados pela estrutura gerencial, pelos objetivos da 
organização, organização do sistema de fl uxo de trabalho e pelo planejamento 
e execução das operações. Esses erros operacionais, por sua vez, causaram os 
chamados erros táticos (atos ou condições inseguras). 
O diferencial do modelo proposto por Adams foi que houve o reconhecimento 
explícito de que os erros táticos advinham do resultado de erros estratégicos da 
alta administração da organização.
Assim, Adams se destaca como um dos primeiros teóricos da segurança a 
apontar especifi camente as inúmeras interações entre estruturas organizacionais, 
sistemas e subsistemas com as condições inseguras e/ou comportamento dos 
funcionários.
O reconhecimento das diversas interações entre os elementos físicos 
(trabalho), processuais (organizacionais) e pessoais ajudou a descobrir, ao 
longo de um período de tempo, várias sequências paralelas de acidentes que se 
desenvolvem.
2.2.4 Modelo de acidentes 
seQuenciais - Teoria do Dominó de 
Bird e LoFtus
Bird e Loftus, paralelamente ao desenvolvimento da teoria de Adams, 
adaptaram a teoria do dominó de Heinrich, refl etindo para a infl uência do 
gerenciamento no processo de causa de acidentes. 
Para esse modelo, a combinação dos fatores pessoais (a falta de treinamento 
adequado, por exemplo) ou outros fatores associados a condições inadequadasé composta por organizações e estas de pessoas com ideias, pensamentos, 
sentimentos, aspirações e outras ações que viabilizam a existência de uma 
sociedade. Nesse sentido, todas as contribuições foram e serão importantes para 
a construção da sociedade moderna.
Como vimos, a administração pode reunir contribuições de outras ciências, 
como a matemática e a física, por exemplo, capazes de fornecer para as 
organizações e para a sociedade meios de subsistência, como trabalho e renda.
2.4 A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E 
SUAS FASES
Uma nova concepção de trabalho surge com a invenção da máquina a vapor, 
criada por James Watt (1736-1819), que basicamente aproveitava o vapor da 
água, que era aquecida pelo carvão, para produzir energia e revertia em força 
motriz para as máquinas, o que acabou modifi cando completamente a estrutura 
econômica e social da época, provocando mudanças na ordem econômica e social 
que, dentro do período de um século, foram as maiores mudanças ocorridas no 
14
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
milênio.
Todas essas mudanças são chamadas de Revolução Industrial, iniciada na 
Inglaterra, a partir da segunda metade do século XVIII, sendo dividida em três 
fases:
• Fase 1: século XVIII (1760-1850): esta fase tem a Inglaterra como 
pioneira e está limitada à Europa Ocidental, representando justamente 
toda essa mudança na estrutura econômica e social impulsionada 
pela evolução tecnológica. Também se destaca como característica a 
substituição do trabalho humano pelas máquinas, capazes de realizar 
o mesmo trabalho desenvolvido pelo ser humano com maior precisão 
e menor tempo de execução. Impulsionada pelos trabalhos realizados 
pelas máquinas, ocorreu a expansão das indústrias, metalúrgicas e 
siderúrgicas, sendo o carvão considerado elemento essencial para a 
produção das máquinas. À frente desse processo e, auferindo os lucros 
da produção, estava a classe burguesa. Com isso, o então proletariado 
dá origem à classe operária ou trabalhadora, explorada com a mão 
de obra barata nas fábricas. Nessa época, como consequência da 
Revolução Industrial, Londres foi transformada na capital fi nanceira mais 
importante, tornando-se uma grande potência econômica, expandindo-
se mais tarde para outros países da Europa.
• Fase 2: século XIX (1850-1950): neste período, foram observados não 
apenas os avanços tecnológicos, mas também geográfi cos, considerando 
que a Revolução Industrial deixou de estar limitada a Inglaterra, 
espalhando-se para outros países, como Estados Unidos da América, 
França, Alemanha e Japão. O processo de evolução das tecnologias 
foi essencial para revolucionar o sistema industrial, possibilitando o 
aumento na produtividade nas indústrias, assim como os lucros obtidos 
pela classe dominante à época – a burguesia. As revoluções ocorridas 
nessa fase foram responsáveis pelo encerramento do antigo regime, 
assim como o fortalecimento do capitalismo devidamente impulsionado 
pelo processo de industrialização. Essas mudanças e invenções foram 
fundamentais para a revolução do sistema industrial, trazendo um novo 
panorama social e econômico para a população. Ao mesmo tempo que 
esse novo panorama trouxe consigo o progresso, evidenciou também 
as condições precárias dos trabalhadores nos seus locais de trabalho, 
incluindo as longas e duras jornadas de trabalho, sem falar na baixa 
remuneração. No fi nal do século XIX, com o considerável aumento na 
produção de mercadorias e, por consequência, o aumento das indústrias 
ao redor do mundo, algumas inovações foram criadas para dar conta 
da nova demanda, visando o aumento da produção em um menor 
15
ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
espaço de tempo. Com vistas a atingir esses objetivos, Frederick Taylor 
desenvolveu o primeiro modelo de produção industrial, que baseava 
a produção no tempo de movimento dos trabalhadores (o taylorismo). 
O mecanismo elaborado adaptava o trabalhador ao ritmo da máquina 
e, com isso, aconteciam menos interrupções no processo de trabalho, 
havendo menos desperdício e maior produtividade. Logo no início do 
século seguinte (1909), Henry Ford observou as ideias de Taylor e as 
melhorou, introduzindo diversas técnicas que proporcionaram maior 
rapidez e menor custo na produção de mercadorias pelas indústrias. 
Esses modelos deram origem à administração científi ca, que veremos 
com detalhes mais adiante. 
Conheça um pouco mais em:
https://brasilescola.uol.com.br/geografi a/fordismo.htm#:~:text=
Enquanto%20no%20taylorismo%20o%20trabalhador,esteira
%20rolante%2C%20do%20trabalho%20especializado.
• Fase 3: (1950 até a atualidade): nesta fase, além dos avanços produtivos, 
também foram observados avanços no campo científi co e tecnológico 
com o surgimento de computadores, internet, celulares, robótica, genética 
etc. No campo dos direitos trabalhistas, começaram a surgir efeitos que 
visam proteger os trabalhadores, como diminuição das horas de trabalho 
e proibição de trabalho infantil. Para o desenvolvimento do capitalismo 
moderno, essa revolução tem grande relevância, especialmente no 
processo de globalização, tendo como base primordial a informação.
2.5 CONCEITUANDO E ENTENDENDO 
A ADMINISTRAÇÃO 
Administração é uma palavra com origem no latim administratione, que 
signifi ca direção, gerência. Separando a palavra, temos do latim ad (direção, 
tendência para) e minister (subordinação ou obediência) (CHIAVENATO, 2004).
Assegurar o máximo de prosperidade ao padrão concomitante ao máximo 
de prosperidade do empregado deve ser o principal objetivo da administração 
(TAYLOR, 1990).
16
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
Inúmeras são as defi nições do conceito de administração. Entretanto, as 
defi nições, em sua maioria, compartilham de uma ideia básica: “a administração 
está relacionada com o alcance de objetivos por meio dos esforços de outras 
pessoas” (SILVA, 2008, p. 18).
Esses esforços, realizados por meio do trabalho das pessoas, visam 
satisfazer as nossas necessidades para dar uma resposta que tenha utilidade 
para a sociedade. Assim, começa a fazer sentido a defi nição de alguns papéis 
e habilidades dentro de uma escala hierárquica. Discutiremos, agora, conceitos 
relacionados ao gerente.
O papel do gerente é verifi car o desempenho de outras pessoas, podendo 
estar situado em qualquer um dos três níveis (destacados na Figura 1) dentro da 
organização. O papel gerencial está presente em todos os níveis da organização, 
mudando de acordo com a escala hierárquica, aumentando a abrangência e 
longitude do tempo (CHIAVENATO, 2014).
FIGURA 1 – HIERARQUIA E HABILIDADES ADMINISTRATIVAS
FONTE: Chiavenato (2014, p. 10)
Podemos observar que as habilidades da gerência mudam de acordo com 
o nível. No nível institucional (nível mais alto), para as tomadas de decisão 
inerentes a este nível, as habilidades são mais conceituais. No nível intermediário, 
destacamos a habilidade humana (relação interpessoal) como a mais importante, 
17
ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
pois esse nível conduz o trabalho através das pessoas. No primeiro nível 
(operacional), as habilidades são de caráter mais técnico, ou seja, é o saber como 
fazer (execução de tarefas e operação).
Em grau diferente, as habilidades conceituais, humanas e técnicas são 
necessárias em todos os níveis de gerência. À medida que subimos no nível da 
organização (Figura 1) para os mais elevados, as necessidades de habilidades 
técnicas diminuem, enquanto aumentam os níveis relacionados às habilidades 
conceituais. Já os níveis inferiores necessitam de maior habilidade técnica para 
lidar com problemas operacionais concretos e cotidianos na organização.
O sucesso de qualquer decisão depende tanto da habilidade conceitual 
das pessoas que tomam a decisão como daqueles que executam a ação. Para 
o administrador, a combinaçãode trabalho (maquinário sem proteção, por exemplo) pode ser criada por um 
controle de gestão defi ciente, levando a atos ou a condições inseguras (Figura 5).
128
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
FIGURA 5 – MODELO DE DOMINÓ DE BIRD E LOFTUS
FONTE: Cooper (1998, p. 10)
Tal condição, por sua vez, causa um incidente, gerando perdas relacionadas 
a pessoas, propriedades ou processos operacionais. Esse modelo teve grande 
infl uência em algumas indústrias em suas práticas de segurança devido ao seu 
subsequente desenvolvimento em uma ferramenta de auditoria, tendo sua ênfase 
na redução de custos e retorno fi nanceiro. 
Os modelos sequenciais apresentados têm por característica a sequência 
de atividades que considera o acidente como um resultado determinístico de 
uma sucessão de fenômenos encadeados em causa e efeito. Bastando existir 
um evento ou circunstância que provoque o início do processo, todas as demais 
peças serão derrubadas, gerando um acidente e lesão, caso não seja removida 
uma das peças antecessoras. 
Nesse tipo de análise, todos os riscos seguem uma ordem defi nida, conhecida 
e previamente determinada com a ocorrência natural para o acidente. Embora 
simples em sua concepção, esses métodos estabelecem uma ordem sucessória 
para que ocorra o dano. A teoria do dominó é muito contestada e limitada quando 
a análise a ser feita considera fatores desencadeantes do acidente de natureza 
mais complexa.
129
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
2.2.5 Modelo de acidente 
ePidemiológico – Teoria do QueiJo 
suíço
Durante as décadas de 1980 e 1990, o crescente número de acidentes não 
triviais deixou claro que muitas dessas ocorrências não podiam ser explicadas 
com base apenas no resultado da sequência ou cadeia de eventos, como 
defendia a teoria do dominó, sendo necessário explicar como poderia surgir esta 
sequência de eventos e suas condições latentes que, através de combinações 
múltiplas, levassem à ocorrência do acidente. Essa necessidade levou à proposta 
de modelos que muitas vezes são classifi cados como epidemiológicos, como é o 
caso do modelo do Swiss Cheese - queijo suíço.
Existem diversos métodos disponíveis que podem diferir em relação a quão 
bem formulados e fundamentados eles são. Uma investigação de acidente deve 
sempre ser orientada por um método ou procedimento.
O método direcionará a investigação a olhar para certas coisas e não para 
outras. Em uma análise de causa raiz, por exemplo, haverá uma tendência na 
busca de causas defi nitivas, enquanto o “queijo suíço” ou análise epidemiológica 
tenderá a procurar condições latentes. Não é possível iniciar uma investigação com 
a mente completamente aberta, assim como não é possível “ver” passivamente o 
que está lá.
Usado na análise de risco e gerenciamento de risco de sistemas humanos, o 
modelo de queijo suíço compara os sistemas humanos a diversas fatias de queijo, 
tipo suíço, empilhadas lado a lado (Figura 6).
Os orifícios nas fatias de queijo representam fraquezas individuais em partes 
individuais do sistema, variando continuamente seu tamanho e posição em todas 
as fatias. O sistema como um todo produz falhas (representadas pelos orifícios do 
queijo suíço). Quando todos esses orifícios, em cada uma das fatias, alinham-se 
momentaneamente, permitem uma trajetória linear de oportunidade de acidente, 
de modo que um perigo passe por todos os orifícios em todas as defesas, levando 
então à ocorrência de uma falha e, consequentemente, ao acidente.
130
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
FIGURA 6 – MODELO DO QUEIJO SUÍÇO. COMO AS BARREIRAS, AS DEFESAS E A 
SALVAGUARDA PODEM SER PENETRADAS POR UMA TRAJETÓRIA DE ACIDENTE
FONTE: . Acesso em: 23 maio 2022.
Esse método foi originalmente proposto pelo psicólogo britânico James T. 
Reason, em 1990, sendo o mais conhecido exemplo de modelo epidemiológico 
e, desde então, ganhou ampla aceitação em diversas áreas como: saúde, setor 
de segurança da aviação e em organizações de serviços de emergência, por 
exemplo.
Leia o artigo Análise e classifi cação dos fatores humanos nos 
acidentes industriais, disponível em: https://www.scielo.br/j/prod/a/
zmmLcCK9KqZt9XsRwbfhVYG/?format=pdf&lang=pt.
Dentro de um sistema sociotécnico, esse modelo apresentado enxerga o 
acidente como uma combinação de diversos fatores latentes e falhas ativas em 
sua proteção. A denominação desse sistema – epidemiológico – nos remete à 
área da saúde. Vemos que ele faz uma analogia do acidente com uma doença 
que, no caso do modelo, espalha-se pelo sistema.
Percebemos que as consequências advindas das condições latentes se 
tornam evidentes somente quando combinadas com as diversas falhas ativas no 
sistema de proteção, quebrando, dessa forma, as defesas do sistema.
131
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
Em um mundo ideal, a penetração de possíveis trajetórias de acidentes 
seria impedida devido às camadas defensivas serem impenetráveis. Entretanto, 
no mundo real, há fraquezas e lacunas em cada uma das camadas de 
proteção (Figura 7). Embora tanto as camadas defensivas quanto suas falhas 
(representadas pelos buracos) pareçam ser fi xas e estáticas, na prática, elas são 
dinâmicas e estão em constante fl uxo de movimentação.
FIGURA 7 – REPRESENTAÇÃO DAS CONDIÇÕES IDEAIS E 
REAIS DOS SISTEMAS DE DEFESA EM PROFUNDIDADE
FONTE: Reason (1997, p. 9)
Assim como as camadas de defesa podem ser removidas ou alteradas 
durante os processos de calibração, manutenção, testes ou como resultados de 
erros e violações, os buracos dentro dessas camadas também são mutáveis, 
podendo ser vistos em constante movimento como resposta às ações dos 
operadores e das demandas inseridas no sistema.
Considerando que os sistemas são projetados, fabricados, operados e 
gerenciados por seres humanos, não é exagero afi rmar que todos os acidentes 
organizacionais estejam implicados em decisões e ações humanas.
Embora seja uma parte inevitável da condição humana, a falibilidade deve 
ser reconhecida em sistemas complexos devido a possíveis erros ou violação 
dos procedimentos, indo além do escopo da psicologia individual. Essas razões 
são consideradas como condições latentes. Fazendo uma associação com o 
corpo humano, para as organizações tecnológicas, essas condições latentes se 
assemelham aos agentes patógenos residentes.
132
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
Assim como os patógenos, projeto inadequado, falhas na supervisão, 
defeitos de fabricação não detectados, falhas de manutenção, treinamento 
defi ciente, ferramentas e equipamentos inadequados, exemplifi cados aqui como 
condições latentes, podem estar presentes por muitos anos dentro do sistema 
sem apresentar falhas graves, até que a combinação com diversos fatores e 
circunstâncias, como ambiente local e falhas ativas na proteção, permite que as 
camadas de defesa sejam totalmente penetradas, ocasionando o acidente.
As condições latentes são partes inevitáveis da vida organizacional e estão 
presentes em todos os sistemas, sendo impossível prever todas as possíveis 
ramifi cações futuras do sistema.
Importante fazer uma distinção entre falhas ativas e condições latentes. 
Os efeitos das falhas ativas geralmente são imediatos e relativamente curtos, 
enquanto as condições latentes podem permanecer adormecidas dentro do 
sistema por muito tempo e sem causar nenhum dano até que a sua interação com 
outras circunstâncias locais destrua todas as camadas de defesa do sistema.
As falhas ativas são cometidas pelo pessoal chamado de linha de frente 
(interface homem-sistema) ou pessoal da ponta. Já as condições latentes 
geralmente são geradas pelo alto escalão das organizações, por agências 
reguladoras e governamentais, incluindo as condições ambientais.Quando identifi cada uma falha ativa, esta tende a ser exclusiva de um evento 
específi co. Já as condições latentes, se não identifi cadas e corrigidas, podem 
contribuir para diversos acidentes, aumentando a probabilidade de ocorrência de 
mais falhas ativas e a criação de um ambiente propício para erros ou violações do 
sistema, o que agrava as consequências de atos inseguros. 
Conforme vimos, a teoria do queijo suíço aborda falhas ativas no sistema, 
como erros e violações de procedimentos, e condições latentes ocasionadas por 
falha de equipamento ou falta de experiência da equipe, por exemplo.
As sucessivas camadas de defesa, barreiras e proteção não são sufi cientes 
para evitar que um acidente aconteça. Para isso, basta o alinhamento de 
todos os buracos (falhas no sistema) para que as barreiras de proteção sejam 
ultrapassadas e ocorra o acidente.
Um exemplo prático foi o que aconteceu na sala de controle da usina nuclear 
de Chernobyl em 1986, marcado como o pior acidente nuclear da história, em que 
as barreiras de segurança foram removidas pelos operadores para completar o 
teste do novo gerador.
133
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
Saiba mais sobre o que aconteceu na usina de Chernobyl em:
https://brasilescola.uol.com.br/historia/chernobyl-acidente-
nuclear.htm.
Os modelos epidemiológicos, quando comparados aos modelos sequenciais, 
dão uma compreensão mais ampla do ocorrido por apresentarem melhor os 
fatores contribuintes organizacionais. Entretanto, sua visão para o sistema 
sociotécnico é estática, sendo os sistemas dinâmicos.
Com isso, muitos pesquisadores argumentam que os modelos 
epidemiológicos são incapazes de explicar os acidentes que acontecem nos 
sistemas sociotécnicos complexos devido a sua dinâmica. Com isso, outros 
modelos de acidente foram propostos como solução, a exemplo do modelo de 
acidente sistêmico, que veremos adiante.
Outro exemplo prático que podemos ver da aplicação do modelo de queijo 
suíço é no combate à Covid-19. Nenhuma medida adotada é 100% efi caz, 
entretanto, implementar diversas medidas de prevenção (camadas de defesa), e 
combiná-las, pode resultar em maior proteção contra o vírus do que se adotarmos 
apenas uma ou outra medida e de forma isolada. As camadas de proteção, assim 
como a responsabilidade – pessoal e compartilhada –, podem ser vistas na Figura 
8.
134
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
FIGURA 8 – MODELO DO QUEIJO SUÍÇO NO COMBATE À COVID-19
FONTE: . Acesso em: 20 abr. 2022.
135
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
Saiba mais sobre a teoria do queijo suíço como estratégia para 
o combate à Covid-19 em:
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-54977391.
2.2.6 Modelo de acidente sistÊmico – 
modelo de ressonÂncia Funcional
As defi ciências dos métodos que utilizavam o raciocínio linear simples 
tornaram-se comumente reconhecidas no fi nal da década de 1970, em que se 
constatou que, mesmo em ambientes de trabalho relativamente bem controlados, 
diversos eventos graves ocorreram e que tais eventos, muitas vezes, envolveram 
múltiplas sequências em série e em paralelo. 
Com isso, surgiram os métodos que compreenderam em múltiplas sequências 
e condições latentes, que fi caram aquém das necessidades práticas por utilizarem 
o mesmo pensamento linear para a defi nição da ordem e da causalidade.
Diante da necessidade de se analisar sistemas sociotécnicos mais complexos 
com a utilização de conceitos de engenharia mais modernos que viabilizassem a 
análise e a descrição de eventos que acontecem sem que suas causas sejam 
claramente reconhecidas, foi desenvolvido por Erik Hollnagel o método de análise 
de Ressonância Funcional. 
O propósito desse método foi o de proporcionar uma metodologia que ao invés 
de focar na natureza das falhas focasse na natureza das atividades cotidianas. 
Com isso, é possível realizar análises de segurança sem a decomposição do 
sistema em componentes e sem depender da noção de causalidade.
Uma forma de enxergarmos esse sistema é pensarmos de forma análoga 
às ondas circulares que se formam em um lago quando arremessamos uma 
pedra. Cada impacto forma ondas circulares que se cruzam e se expandem até se 
dissiparem totalmente.
Considerando que as condições de operação nos locais de trabalho podem 
sofrer variações, seja na tecnologia e infraestrutura ou nas condições psicológicas 
e fi siológicas dos trabalhadores, tais variações podem infl uenciar (as oscilações) 
na ordem natural do processo produtivo. A depender da magnitude dessas 
136
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
oscilações, podem surgir os acidentes de trabalho, variando suas probabilidades 
de acordo com a magnitude das oscilações. 
Como seu propósito era construir um modelo sustentado em como as coisas 
acontecem ao invés de interpretar o que acontece e, como não havia método 
anterior comparável para a avaliação da segurança, foram formulados quatro 
princípios sobre os quais esse método foi construído (HOLLNAGEL, 2012):
• Fracassos e sucessos são equivalentes no sentido de terem a mesma 
origem. Outra maneira de dizer isso é que as coisas podem dar tanto certo quanto 
errado pelas mesmas razões.
• O desempenho cotidiano dos sistemas sociotécnicos, incluindo os humanos 
individual e coletivamente, seja sempre ajustado às condições.
• Que muitos dos resultados, independentemente se notamos ou não, devem 
ser descritos como emergentes e não como resultantes. 
• As relações e dependências entre as funções de um sistema devem ser 
descritas à medida que se desenvolvem em uma situação específi ca, e não como 
vínculos de causa e efeito predeterminados. Esse princípio é feito usando a 
ressonância funcional.
O modelo de acidente sistêmico, ilustrado na Figura 9, possui a existência 
dos seguintes componentes principais: Variabilidade do desempenho humano; 
Disfunções tecnológicas menores ou falência completa; Condições latentes em 
geral; e Falhas ou inexistência de barreiras. Na fi gura, veremos que essas quatro 
principais forças, por uma simples combinação linear, não ocasionam o acidente 
ou incidente, entretanto, a ressonância funcional mediará sua infl uência. De forma 
isolada, cada uma das quatro fontes de variabilidade apresentadas é considerada 
como um sinal de intensidade baixa e outras fontes consideradas como ruídos 
aleatórios (ALMEIDA, 2008).
137
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
FIGURA 9 – EXEMPLO DE MODELO DE RESSONÂNCIA FUNCIONAL
FONTE: Hollnagel e Goteman (2004, p. 171)
Relembrando conceitos da física, a ressonância, clássica ou mecânica, 
refere-se ao fenômeno de oscilação do sistema com maior amplitude em algumas 
frequências do que em outras. Conhecidas como frequência ressonante (ou 
ressonância), essas frequências, se aplicadas repetidamente, podem produzir 
oscilações com grandes amplitudes, podendo danifi car ou até destruir o sistema. 
Um exemplo famoso aconteceu nos Estados Unidos da América, na ponte de 
Tacoma Narrows, onde o vento produziu uma frequência perto da frequência de 
vibração da ponte.
Veja o que aconteceu com a ponte quando ocorreu a frequência 
de ressonância, disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=j-zczJXSxnw&t=312s. 
Formalmente, a ressonância funcional pode ser defi nida como o sinal 
detectável que emerge da interação não intencional da variabilidade cotidiana de 
múltiplos sinais. Tanto o sinal-alvo quanto a combinação com os demais sinais 
constituem o ruído e são geralmente subliminares.
138
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
A ressonância funcional é apresentada como uma maneira de se entender 
os resultados que não são causais (emergentes) e lineares, possibilitando, dessa 
forma, a previsibilidade e o controle.
A investigação que se baseia no modelo de ressonância funcional não se 
iniciacom a busca da causalidade, mas, sim, tenta-se entender o que deveria ter 
acontecido em uma situação de rotina para, a partir daí, buscar o entendimento e 
a explicação do porquê esta situação não aconteceu. 
Esse método, apesar de ser considerado relativamente recente, possui 
diversas aplicações em uma grande variedade de setores e cenários, podendo 
ser utilizado para predizer ocorrências e possíveis difi culdades que emergem 
das complexas interações entre o ser humano, o maquinário e os fatores 
organizacionais.
Além disso, nas relações de falhas com as rotinas de trabalho, esse método 
proporciona também melhor entendimento devido ao seu foco ser na variabilidade 
do sistema e não apenas em suas fraquezas, o que possibilita a redução de riscos 
e recomendações mais assertivas.
Os resultados adversos obtidos pelo sistema são assumidos como 
combinações inesperadas de variabilidade normal das funções do sistema, ou 
seja, são os acoplamentos das variáveis que levam aos resultados adversos e 
não sequenciais de causa e efeito. 
Do ponto de vista prático, o uso desse modelo permite discutir a variabilidade 
de cada uma das funções expostas no hexágono da Figura 10, e como elas 
podem ser afetadas pela variabilidade das demais. Esse modelo deve identifi car 
as condições que possam levar à condução dos acidentes.
FIGURA 10 – REPRESENTAÇÃO DA FUNÇÃO HEXAGONAL
FONTE: Hollnagel e Goteman (2004, p. 4)
139
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
A visão sistêmica enfatiza a dependência das funções umas das outras, 
assim como seus acoplamentos e desacoplamentos inesperados podem surgir de 
repente. 
Veja um exemplo em que é aplicado o modelo de acidente de 
ressonância funcional para analisar um acidente de voo em: https://
corescholar.libraries.wright.edu/isap_2007/4/.
Encerramos neste ponto a abordagem dos três principais tipos de acidentes. 
O Quadro 1 reunirá os três tipos de modelos de acidentes apresentados neste 
capítulo, assim como o conjunto de suposições a respeito de como deve ocorrer 
uma análise de acidente e qual deve ser a resposta.
QUADRO 1 – PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DOS 
TIPOS DE MODELOS DE ACIDENTES
Tipo de modelo Princípio de pesquisa Objetivos da análise Exemplo
Modelos
sequenciais
Causas específi cas 
e links
bem defi nidos
Eliminar ou conter 
causas
• Cadeia linear de even-
tos (dominó)
• Árvores / redes
Modelos
epidemiológicos
Portadores, barrei-
ras e
condições latentes
Fortalecer as defesas 
e as barreiras
• Condições latentes
• Portadores-barreiras
• Sistemas patológicos
Modelos sistêmicos Acoplamentos fortes 
e
interações complexas
Monitorar e controlar 
a variabilidade de 
desempenho
• Modelos de teoria de 
controle
• Modelos de caos, resso-
nância estocástica
FONTE: Hollnagel e Goteman (2004, p. 2)
2.3 PRINCIPAIS TIPOS E 
CLASSIFICAÇÕES DE ERROS 
HUMANOS
Um tema polêmico e que gera muitas discussões é o erro humano, 
principalmente quando se associa o comportamento inseguro do trabalhador 
140
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
às causas dos acidentes. Em um sistema, considera-se satisfatório o seu 
funcionamento quando este se comporta como o planejado. Qualquer ação que 
modifi que tal comportamento é considerada como erro.
O erro, entretanto, não pode ser atribuído exclusivamente à ação humana, 
considerando que este é o resultado da interação entre o homem e o sistema 
ou do homem e os equipamentos, embora Van Elslande e Alberton (1999) 
considerem que todo erro pode ser considerado como humano, visto que o erro 
pode ser originado tanto pelos projetistas do sistema quanto pelos operadores.
Nesse sentido, Hollnagel e Goteman (2004) demonstram a evolução 
das mudanças ocorridas apresentando diversos outros fatores que podem 
estar atrelados à ocorrência de um evento/acidente. Nesse rol estão, além do 
erro humano, as falhas técnicas e uma categoria denominada como “outras”, 
destacadas como as principais categorias das causas de acidentes, sendo 
adotadas pela comunidade técnica por volta de 1970, conforme ilustrado na 
Figura 11.
FIGURA 11 – PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DOS 
TIPOS DE CAUSAS ATRIBUÍDAS AOS ACIDENTES
FONTE: Almeida (2008, p. 19)
141
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
Uma crescente preocupação no ambiente de trabalho técnico moderno são 
os fatores humanos, como usinas de energia, cabines de aviões, trens ou pontes 
de navios, em que os sistemas de alta tecnologia são operados em larga escala 
através da interação homem-máquina. A taxa de erros humanos é muito afetada 
pelos fatores atribuídos à habilidade, ao conhecimento, à experiência, à fadiga, ao 
nível de estresse e vigilância, assim como pela execução de tarefas relacionadas 
ao desenho do ambiente de trabalho, incluindo a interface homem-máquina. 
Observa-se com isso ampla evidência de que as taxas de incidentes e acidentes 
são diretamente afetadas pelos erros humanos (HOLLNAGEL, 2003).
Podemos separar e analisar o problema do erro humano de duas formas: com 
a abordagem da pessoa e a abordagem do sistema. Cada uma das abordagens 
tem seu modelo de causa de erro e cada modelo dá origem a fi losofi as bastante 
distintas no gerenciamento de erros (REASON, 2000).
A abordagem da pessoa tem por tradição concentrar-se nos atos inseguros, 
erros de procedimento ou violação do sistema. Esses atos inseguros são vistos 
como decorrentes principalmente de processos mentais, desatenção, falta de 
motivação, descuido, negligência e imprudência. 
A abordagem sistêmica parte do princípio de que os seres humanos são 
falíveis e que, mesmo nas melhores organizações, os erros são esperados e 
vistos não como causa, mas sim como consequência. As origens desses erros 
não são apoiadas tanto na perversidade do ser humano. Tem como ideia central a 
defesa do sistema, e que todas as tecnologias consideradas perigosas possuem 
barreiras e salvaguardas. 
Na ocorrência de um evento adverso, a principal questão não é descobrir 
quem errou, mas, sim, por que as defesas não foram sufi cientes para impedir 
que o erro ocorresse. De uma forma ou de outra, o erro humano provavelmente 
será o responsável pela maioria dos incidentes, seja por erro de projeto, erros 
operacionais, de manutenção e até erros de julgamento na tomada de decisão.
Estudos na área de erro humano indicam que as pessoas têm certas 
tendências de erro e que estas são relacionadas à maneira como lidam com 
ambientes complexos e imprevisíveis. Algumas pessoas demonstram uma 
capacidade limitada e dependem muito de sistemas baseados em regras, assim 
como possuem difi culdade para lidar com o novo e o imprevisível. 
O apontamento de tais tendências normalmente não cria problemas, mas 
eventualmente podem surgir situações que impõem exigências às pessoas que, 
por consequência, passam a causar sobrecarga de informações, assim como 
requisitos de solução fora do padrão, produzindo, dessa forma, tendências de erro 
que são traduzidas em erros físicos reais. 
142
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
Quando estudamos e discutimos o erro humano, não devemos considerar 
apenas o operador, mas sim todo o sistema. No Quadro 2, serão apresentadas a 
classifi cação e as principais causas dos erros humanos.
QUADRO 2 – PRINCIPAIS CAUSAS DO ERRO HUMANO
Passo Causa típica do erro humano
Identifi cação do problema 1. Problema não reconhecido
2. Problema não identifi cado corretamente
3. Problema ignorado
4. Problema reconhecido tarde demais
5. Problema pouco claro devido à falta de dados
Diagnóstico do problema 1. Diagnóstico incorreto
2. Apenas parcialmente diagnosticado
3. Suposições incorretas
4. Conhecimento insufi ciente para diagnosticar o problema corre-
tamente
5. Negligenciando os principais fatores relacionados ao diagnóstico
Remediação do problema 1. Solução errada ou ruim para o problema, “cura é pior que 
doença”
2. Remediação muito pequena
3. Remediação tarde demaisFONTE: Hyatt (2018, p. 207)
A tendência geral desde a década de 1970 tem sido ampliar o foco, passando 
de uma preocupação com falhas técnicas para incluir primeiro o ‘erro humano’ e 
só depois as falhas organizacionais, a cultura organizacional e afi ns. Entretanto, 
quando o foco é alterado do desempenho humano para o desempenho 
organizacional, tanto os fatores como as condições de desempenho devem ser 
alterados. Nesse sentido, se o foco está relacionado à organização, fatores, como 
clima econômico, político e social, devem fazer parte da avaliação das condições 
de desempenho.
Embora os erros, na sua maioria, estejam associados a falhas, incidentes 
e acidentes, devemos ter a compreensão de que não necessariamente um erro 
leva à obtenção de resultados indesejados. Em alguns casos, o acaso (erro) pode 
levar a bons resultados, mesmo com falhas de planejamento e execução.
Reason (1990; 1997) divide os erros em três tipos de categoria:
143
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
• Erros no nível da habilidade: considerado o tipo de erro em que o 
operador, com baixo nível de consciência, executa procedimentos de 
forma automática e rotineira. Tipicamente, esses erros envolvem falhas 
de execução, atribuídos aos lapsos e deslizes como os de ocorrência 
mais comuns. As falhas de memória geralmente estão associadas aos 
lapsos, enquanto as falhas no reconhecimento de sinais ou perturbações 
que venham a interromper os comportamentos automáticos, 
independentemente de sua natureza, são associadas aos deslizes. 
Tanto os lapsos quanto os deslizes são antecessores da detecção de um 
problema.
• Erros no nível das regras: o operador, nesse nível de erro, tem sua 
consciência aumentada para aplicação de regras ou desvios familiares 
nas situações consideradas de rotina. Podem ocorrer nesse nível três 
tipos básicos de falhas: aplicação de uma regra considerada ruim; 
aplicação de uma regra até considerada boa, entretanto, inadequada ao 
momento; e ausência de aplicação de uma regra boa. 
• Erros no nível de conhecimento: o operador, nesse nível, atua com 
elevado nível de consciência para a resolução dos problemas, 
que não dispõe de regras previamente estabelecidas. Quando o 
operador é requisitado a operar nesse nível, a probabilidade de erro é 
potencializada, considerando, dentre outros fatores, a pressão exercida 
pela organização, em que o tempo é limitado, assim como os recursos 
para a tomada de decisão.
Tanto no nível das regras quanto de conhecimento, o operador tem 
consciência da existência de um problema, havendo, dessa forma, intenção 
na condução das atividades. Já no nível associado à habilidade, os erros são 
considerados não intencionais, uma vez que suas ações foram tomadas de forma 
quase que inconsciente. 
Acabamos de ver, portanto, alguns tipos de erro humano, suas classifi cações 
e distintas abordagens. Como praticamente todas as ações de um projeto ou 
execução são realizadas por seres humanos, é inevitável dissociar o erro humano 
das eventuais falhas, eventos adversos ou acidentes.
Agora, conheceremos um método que o auxiliará na investigação do erro 
humano. Para tanto, devemos ter em mente que, para a realização de uma 
análise conclusiva e satisfatória, evitando-se futuros acidentes, a investigação 
deverá permitir que se descubra os motivos que levaram ao acidente. Portanto, 
erros humanos são apenas o ponto de partida para a investigação de acidentes.
Maurer (2011) apresenta dois métodos de investigação do erro humano, 
propostos por Reason (1990) e Saurin et al. (2008), constituindo-se do uso do 
144
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
fl uxograma para auxiliar no entendimento da existência ou não do erro humano 
dos trabalhadores. O fl uxograma apresenta uma série de perguntas, cujas 
respostas apontarão para um determinado tipo de erro. Os fl uxogramas serão 
representados nas Figuras 12 e 13.
FIGURA 12 – MÉTODO 1 PARA AUXÍLIO NA INVESTIGAÇÃO DE ERRO HUMANO
FONTE: Saurin et al. (2008 apud MAURER, 2011, p. 74)
145
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
FIGURA 13 – MÉTODO 2 PARA AUXÍLIO NA INVESTIGAÇÃO DE ERRO HUMANO
FONTE: Reason (1990 apud MAURER, 2011, p. 25) 
Esses métodos de estudo, através do uso dos fl uxogramas, têm como 
propósito a identifi cação e a classifi cação do tipo de erro humano, contribuindo 
para a fase posterior de análise das possíveis causas da falta de segurança.
Para fazer uso desse método, basta responder às perguntas contidas no 
fl uxograma. Dependendo da resposta, diferentes caminhos serão percorridos, 
levando ao fi m, que é a identifi cação do tipo de erro humano, caso ele exista, 
gerando estatísticas para as distintas causas dos acidentes.
Esses fl uxogramas podem e devem ser adaptados de acordo com a 
particularidade do estudo que será realizado. O método visa auxiliar o investigador 
146
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
na etapa inicial e as modifi cações das perguntas devem ser realizadas pelo 
profi ssional que aplicará o modelo de investigação.
3.4 MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE 
ACIDENTES
Os incidentes, independentemente de ocasionar ou não lesão, são 
inevitáveis, contudo, há grande preocupação na proteção do sistema de trabalho, 
de forma a mitigar, proteger e até mesmo evitar que esses eventos indesejáveis 
aconteçam devido a falhas humanas.
As condições de segurança dentro de uma organização são sim possíveis de 
serem realizadas sem a necessidade de eliminação das fontes geradoras de risco, 
entretanto, para que isso aconteça, treinamentos constantes são fundamentais 
para todos os profi ssionais.
Maurer (2011) destaca um estudo realizado por Hollnagel e Goteman 
(2004), em que foram analisados dados relativos a quatro décadas, extraindo 
como resultado das causas de acidentes a distribuição apresentada na Figura 
14. Salienta-se que o tempo em que os acidentes eram atribuídos a falhas nos 
equipamentos devido ao seu baixo desempenho, à inexistência de proteção, a 
falhas nos projetos ou, ainda, relacionados à tecnologia, já não se aplica mais. 
O fator principal atribuído às causas de acidentes é o fator humano, podendo 
ser associado a outros tipos de falhas, como as organizacionais e de tecnologia/
equipamento. 
FIGURA 14 – PROCESSO EVOLUTIVO DAS FALHAS QUE OCASIONAM ACIDENTES
FONTE: Hollnagel e Goteman (2004 apud MAURER, 2011, p. 21) 
147
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
Passando para os métodos de análise, devemos ter em mente que, para 
escolhermos o método de investigação de acidente, é necessário, primeiramente, 
caracterizá-lo. Para isso, Hollnagel e Speziali (2008) propõem que seis perguntas 
sejam feitas para que se alcance o resultado:
1. O acidente foi semelhante a algo que já aconteceu antes ou foi novo e 
desconhecido? (Para responder a esta pergunta, deve-se utilizar como 
referência o histórico da instalação, bem como toda a indústria).
2. A organização estava pronta para responder ao acidente, no sentido de 
que havia procedimentos estabelecidos ou diretrizes disponíveis?
3. A situação foi rapidamente controlada ou o desenvolvimento foi 
demorado?
4. O acidente e as consequências materiais fi caram confi nados a um 
subsistema claramente delimitado (tecnológico ou organizacional) ou 
envolveram vários subsistemas ou toda a instalação?
5. As consequências, em geral, eram esperadas/familiares ou eram novas/
incomuns?
6. As consequências foram proporcionais ao evento inicial ou foram 
inesperadamente grandes (ou pequenas)?
Durante a aplicação dessas questões, devemos ter em mente que a obtenção 
das respostas depende de uma compreensão prévia e informal do que pode ter 
ocorrido. Essa etapa não é tão trivial para um investigador iniciante, que deve 
fazer isso sem permitir que os agentes externos o infl uenciem com suposições 
prematuras a respeito das causas do acidente.
As perguntas de1 a 3 tratam de questões que dizem respeito à tratabilidade. 
Isso quer dizer que, se essas perguntas forem respondidas positivamente, é um 
indicativo de que o sistema é tratável, pelo menos até certo ponto. 
As perguntas de 4 a 6 tratam das questões relacionadas à dimensão 
do acoplamento. Isso quer dizer que, se as perguntas forem respondidas 
positivamente, é um indicativo de que o sistema é do tipo fracamente acoplado.
Essa foi apenas uma proposta para auxiliar no processo de investigação do 
acidente. Hollnagel e Speziali (2008) destacam que há uma infi nidade de métodos 
de investigação, sendo praticamente impossível listar todos.
Baseado na compilação das informações relativas a alguns dos métodos 
investigativos, no Quadro 3, serão apresentados 21 métodos de investigação 
ou análise de acidentes. O quadro é composto por breves informações de cada 
método. Lembre-se: esta lista não esgota o assunto relacionado aos tipos e 
classifi cações dos métodos existentes para análise e investigação de acidentes.
148
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
QUADRO 3 – CONJUNTO INICIAL DE MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES
Nome do método Breve descrição Fonte
Evolução de aci-
dentes e análise de 
barreiras
Fornece um método para a análise de incidentes e aci-
dentes que modela a evolução para um incidente/acidente 
como uma série de interações entre sistemas humanos e 
técnicos.
Svensson
(2001)
Análise de barreira
A análise de barreira é usada para identifi car os perigos as-
sociados a um acidente e as barreiras que deveriam estar 
em vigor para evitá-lo. Uma barreira é qualquer meio utili-
zado para controlar, prevenir ou impedir que o perigo atinja 
o alvo.
Dianous, 
Fiévez (2006)
Análise de mudanças
Essa técnica é usada para examinar um acidente analisan-
do a diferença entre o que ocorreu antes ou era esperado 
e a sequência real de eventos. O investigador que realiza a 
análise de mudanças identifi ca diferenças específi cas entre 
a situação livre de acidentes e o cenário do acidente. Essas 
diferenças são avaliadas para determinar se as diferenças 
causaram ou contribuíram para o acidente.
DOE (1999)
Confi abilidade cog-
nitiva e Método de 
Análise de Erros
Pode ser usado de forma preditiva e retrospectiva. O uso 
retrospectivo (análise de acidentes) baseia-se em uma dis-
tinção clara entre o que pode ser observado (chamado de 
fenótipo) e o que deve ser inferido (chamado de genótipo). 
Os genótipos utilizados no CREAM são divididos em três 
categorias: individuais, tecnológicos e organizacionais.
Hollnagel
(1998)
Gráfi cos de eventos 
e fatores causais
O gráfi co de eventos e fatores causais é uma exibição gráfi -
ca da cronologia do acidente e é usado principalmente para 
compilar e organizar evidências para retratar a sequência 
dos eventos do acidente.
DOE (1999)
Gráfi cos e análise 
de eventos e fatores 
causais
A tabela de eventos e fatores causais pode ser usada para 
determinar os fatores causais de um acidente. Esse pro-
cesso é um primeiro passo importante para determinar 
posteriormente as causas raiz de um acidente. A análise de 
eventos e fatores causais requer raciocínio dedutivo para 
determinar quais eventos e/ou condições que contribuíram 
para o acidente.
DOE (1999)
Modelo de Acidente 
de Ressonância 
Funcional
Um método para investigação de acidentes, bem como ava-
liação de risco com base em uma descrição das funções do 
sistema. A propagação não linear de eventos é descrita por 
meio de ressonância funcional.
Hollnagel e 
Goteman
(2004)
149
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
HERA
Um método para identifi car e quantifi car o impacto do fator 
humano na investigação de incidentes/acidentes, gestão de 
segurança e previsão de potenciais novas formas de erros 
decorrentes de novas tecnologias. O erro humano é visto 
como um potencial elo fraco no sistema e, portanto, devem 
ser tomadas medidas para prevenir erros e seu impacto e 
maximizar outras qualidades humanas, como detecção e 
recuperação de erros. Baseia-se na noção de que o erro 
humano é o principal contribuinte para acidentes e inciden-
tes.
Isaac et al.
(2002)
Sistema de Análise 
e Classifi cação de 
Fatores Humanos
Identifi ca as causas humanas de um acidente e fornece 
uma ferramenta não apenas para auxiliar no processo de 
investigação, mas também para direcionar esforços de trei-
namento e prevenção. O método analisa quatro níveis de 
falha humana, referindo-se ao modelo “queijo suíço”. Esses 
níveis incluem atos inseguros (erro do operador), precon-
dições para atos inseguros (como fadiga e comunicação 
inadequada), supervisão insegura (como emparelhar avia-
dores inexperientes para uma missão difícil) e infl uências 
organizacionais (como falta de tempo de voo devido ao or-
çamento e restrições).
FAA/NTIS
(2000)
Ferramenta de inves-
tigação de fatores 
humanos
Foi desenvolvido com base teórica referente a ferramentas 
e modelos existentes. Ele coleta quatro tipos de informa-
ções de fatores humanos, incluindo: a) os erros de ação 
que ocorrem imediatamente antes do incidente; b) mecanis-
mos de recuperação de erros, no caso de quase acidentes; 
c) os processos de pensamento que levam ao erro de ação; 
e d) as causas subjacentes.
Gordon, Flin 
e Mearns
(2005)
HINT – J-HPES
HINT é um desenvolvimento recente do J-HPES, a versão 
japonesa do Sistema de Avaliação de Desempenho Hu-
mano do INPO. O princípio geral é usar uma análise de 
causa raiz de pequenos eventos para identifi car tendências 
e como base para a prevenção proativa de acidentes. O 
método compreende uma série de etapas (semelhante a 
SAFER). Passo 1: entenda o evento. Passo 2: colete e 
classifi que os dados dos fatores causais. Etapa 3: análise 
causal, usando análise de causa raiz. Etapa 4: proposta de 
contramedidas.
Takano et al. 
(1994)
150
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
Sistema de Melhoria 
do Desempenho 
Humano
Um método patrocinado pelo INPO que utiliza uma família 
de técnicas para investigar eventos, com ênfase particular 
na determinação de aspectos do desempenho humano. A 
metodologia HPES incorpora muitas ferramentas, como 
análise de tarefas, análise de mudanças, análise de barrei-
ras, análise de causa e efeito e gráfi cos de eventos e fato-
res causais. Além disso, muitas metodologias semelhantes 
foram desenvolvidas a partir da HPES e adaptadas, quando 
necessário, para atender aos requisitos específi cos de or-
ganizações individuais.
INPO (1989)
Organização Män-
niska-Teknologia
A base para a análise MTO é que fatores humanos, orga-
nizacionais e técnicos devem ser focados igualmente em 
uma investigação de acidentes. O método é baseado no 
HPES (Human Performance Enhancement System)
Rollenhagen
(1995);
Bento (1992)
Ferramenta de 
Análise de Eventos 
Processuais
O objetivo é ajudar as companhias aéreas a desenvolverem 
medidas corretivas efi cazes para evitar a ocorrência de fu-
turos erros semelhantes. O processo conta com uma abor-
dagem não punitiva para identifi car os principais fatores que 
contribuem para as decisões da tripulação. Usando esse 
processo, o ofi cial de segurança da companhia aérea seria 
capaz de fornecer recomendações destinadas a controlar o 
efeito dos fatores contribuintes. Inclui armazenamento de 
banco de dados, análise e recursos de geração de relató-
rios.
Moodi e
Kimball
(2004)
Análise de causa raiz
A análise de causa raiz identifi ca defi ciências subjacentes 
em um sistema de gestão de segurança que, se corrigidas, 
impediriam a ocorrência de acidentes iguais e semelhantes. 
A análise de causa raiz é um processo sistemático que usa 
os fatos e os resultados das principais técnicas analíticas 
para determinar as razões mais importantes para o aciden-
te.
IAEA
(1999)
SAFER
Um método genérico para a investigação de acidentes de-
senvolvido pela TEPCO. Etapa 1: compreender a Engenha-
ria de HF. Etapa 2: faça um fl uxograma do evento: organizeas informações para entender os detalhes do evento e ter 
uma base para a comunicação e o compartilhamento de 
informações. Etapa 3: pegue pontos problemáticos. Etapa 
4: produza um Diagrama de Causalidade dos Fatores Fun-
damentais que represente a causalidade entre os fatores. 
Etapa 5: pense em medidas para cortar a causalidade dos 
fatores de fundo (de acordo com o diagrama ou fl uxograma 
de eventos). Etapa 6: priorize as medidas. Etapa 7: imple-
mente as medidas. Passo 8: avalie os efeitos.
Yoshizawa
(1999)
151
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
Técnica de Análise 
Sistemática de 
Causa
O International Loss Control Institute (ILCI) desenvolveu o 
SCAT para apoiar a investigação de incidentes ocupacio-
nais. O Modelo de Causa de Perdas do ILCI é a estrutura 
para o sistema SCAT. O resultado de um acidente é per-
da, por ex. danos a pessoas, propriedades, produtos ou 
ao meio ambiente. O incidente (o contato entre a fonte de 
energia e a “vítima”) é o evento que antecede à perda. As 
causas imediatas de um acidente são as circunstâncias 
que precedem imediatamente o contato. Eles geralmente 
podem ser vistos ou sentidos. Frequentemente, eles são 
chamados de atos inseguros ou condições inseguras, mas, 
no modelo ILCI, os termos atos (ou práticas) abaixo do pa-
drão e condições abaixo do padrão são usados.
Bird e
Germain
(1985)
STAMP
A hipótese subjacente ao STAMP é que a teoria do sistema 
é uma maneira útil de analisar acidentes, particularmente 
acidentes de sistema. Os acidentes ocorrem quando dis-
túrbios externos, falhas de componentes ou interações 
disfuncionais entre os componentes do sistema não são 
adequadamente tratados pelo sistema de controle. A segu-
rança é vista como um problema de controle e é gerenciada 
por meio de restrições por uma estrutura de controle incor-
porada em um sistema sociotécnico adaptativo. Entender 
por que um acidente ocorreu requer determinar por que a 
estrutura de controle foi inefi caz. Prevenir futuros acidentes 
requer o desenho de uma estrutura de controle que irá im-
por as restrições necessárias. Os sistemas são vistos como 
componentes inter-relacionados, que são mantidos em um 
estado de equilíbrio dinâmico por ciclos de feedback de in-
formação e controle.
Leveson
(2004)
Plotagem de eventos 
sequencialmente 
cronometrados
Eles propõem um processo sistemático para a investigação 
de acidentes baseado em sequências de eventos multiline-
ares e uma visão de processo dos fenômenos do acidente. 
Com o conceito de processo, um acidente específi co co-
meça com a ação que iniciou a transformação do processo 
descrito para um processo de acidente e termina com o últi-
mo evento danoso conectado desse processo de acidente.
Hendrick e
Benner
(1987)
152
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
Modelo de queijo 
suíço
O modelo Swiss Cheese de causa de acidentes é um mo-
delo usado na análise de risco e gerenciamento de risco 
de sistemas humanos. Ele compara os sistemas humanos 
a várias fatias de queijo suíço empilhadas lado a lado. Foi 
originalmente proposto pelo psicólogo britânico James T. 
Reason em 1990, e desde então ganhou ampla aceitação 
e uso na área da saúde, no setor de segurança da aviação 
e em organizações de serviços de emergência. Às vezes é 
chamado de efeito de ato cumulativo.
Reason
(1990; 1997)
Técnica para Análise 
Retrospectiva de 
Erros Cognitivos
Fornece uma técnica de identifi cação de erro humano es-
pecifi camente para uso no domínio de controle de tráfego 
aéreo. Ele se baseia em modelos de erro em outros campos 
e integra o modelo de processamento de informações de 
Wickens (1992). É representado em uma série de diagra-
mas de fl uxo de decisão. O método marca uma mudança 
dos erros baseado em conhecimento em outras ferramen-
tas de análise de erros para refl etir melhor a natureza visual 
e auditiva do ATM. Ele provou ser bem-sucedido na análise 
de erros em relatórios AIRPROX para derivar medidas para 
reduzir erros e seus efeitos adversos.
Shorrock e
Kirwan (1999;
2002)
FONTE: Hollnagel e Speziali (2008, p. 15-19)
Após as breves descrições dos métodos, podemos observar que muitos 
se referem aos mesmos princípios básicos, como análise de barreiras e análise 
de causa raiz. Portanto, para a seleção do método a ser utilizado no processo 
de investigação de acidentes, deve-se olhar as suas características com mais 
atenção, considerando os critérios técnicos para a seleção do método.
Todo acidente deve ser bem analisado e investigado para que se possa, a 
partir do reconhecimento das falhas, adotar medidas corretivas, para a correção, 
e preventivas, para evitar que novos acidentes aconteçam. Para uma boa 
investigação, os seguintes passos são recomendados:
• Buscar o máximo de informações em relação ao acidente.
• Identifi car as reais causas.
• Adotar o método de investigação mais adequado para aquelas condições 
do acidente.
• Concluir e elaborar recomendações futuras como forma de mitigar outros 
riscos e, consequentemente, acidentes.
Um bom processo de investigação é importante para a melhoria do ambiente 
de trabalho e maior segurança no ambiente laboral, com mais consciência e 
153
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
segurança, evitando-se, assim, prejuízos para a saúde e para o desenvolvimento 
profi ssional, pessoal e social.
3.4.1 Método de Árvore de Causas - 
ADC
Desenvolvido no fi nal da década de 1970 pelo Instituto Nacional de Pesquisa 
e Segurança - Institut National de Recherche et de Sécurité (INRS), na França, o 
método de árvore de causas tem como base a ideia de que os acidentes resultam 
de desvios ou variações.
É baseado na Teoria de Sistemas e aborda o acidente de trabalho como 
sendo um complexo fenômeno de múltiplas causas. Sua aplicação exige que 
a história do acidente seja reconstruída com a máxima precisão possível, com 
registros apenas de fatos, denominados também como fatores de acidente, sem 
interpretações e emissão de valor e juízo para que, de uma forma retrospectiva, 
partindo do fato ocorrido (acidente), possamos identifi car a rede de fatores que 
culminaram no acidente de trabalho. 
Baseando-se então na Teoria de Sistemas, considera-se a situação de 
trabalho como um sistema. Utilizando-se também no conceito de atividade, sua 
composição se constitui em quatro componentes, a saber: 
• Indivíduo (I): trabalhador inserido no seu meio profi ssional, que traz 
consigo o efeito de fatores extraprofi ssionais.
• Tarefa (T): ações designadas ao indivíduo que participa total ou 
parcialmente da produção de um bem ou execução de um serviço. Nela 
também estão compreendidas etapas, como esperas, descolamentos, 
movimentações etc.
• Material (M): compreende todos os materiais e produtos relacionados 
ao ambiente técnico que são disponibilizados para a realização das 
atividades.
• Meio/Método de Trabalho (MT): são os comandos para a realização do 
trabalho, o meio ambiente físico e social onde o indivíduo está inserido 
para a execução das suas tarefas. Trata-se da organização propriamente 
dita do ponto de vista físico.
Como visto, a identifi cação das variações é indispensável para a elaboração 
da árvore de causas, ou seja, para a real identifi cação das causas do acidente. 
O investigador deve identifi car e listar essas variáveis, colocando-as na árvore e 
demonstrando a relação causal entre elas.
154
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
• Antecedentes-estado: são consideradas as situações permanentes 
de trabalho, ou seja, não variam durante o período de trabalho. Esses 
antecedentes são representados por um quadrado dentro da árvore 
de causas. Ex.: falta de proteção em um equipamento, ambiente com 
permanência de alta temperatura, ambiente com ruído constante, postura 
exigida para a realização da atividade ser considerada penosa etc.
• Antecedentes-variações: são consideradas as condições não habituais 
oumodifi cações momentâneas que variaram do ambiente habitual de 
funcionamento. Esses antecedentes são representados por um círculo 
dentro da árvore de causas. Ex.: modifi cação temporária de um processo, 
alteração da matéria-prima devido à ausência da habitual, substituição 
de colaborador etc.
O acidente é um processo que se inicia pela perturbação de um elemento 
do sistema que, passando por uma cadeia de incidentes intermediários, evolui 
até ocasionar um dano material (lesão) ao trabalhador. Importante ressaltar que 
a explicação para a ocorrência do acidente só é possível se pelo menos um 
elemento do sistema for modifi cado da sua situação habitual.
Para se montar uma árvore de causas, devem ser observadas quatro regras 
básicas, a saber:
1. Iniciar a investigação logo após a ocorrência do acidente e no próprio 
local onde o fato ocorreu. Envolver, se for possível, a participação do 
profi ssional que sofreu o acidente, incluir os profi ssionais próximos, 
colegas e técnicos que tenham conhecimento da rotina e do tipo de 
trabalho executado, colocando as seguintes questões para todos os 
incluídos na análise: quem, onde, quando, como e por que, de modo a 
obter todas as possíveis informações a respeito da ocorrência.
2. Evitar interpretações e juízos de valor, fazendo uso apenas de fatos 
objetivos na descrição do acidente. Nessa etapa, o desencadeamento 
lógico e cronológico dos fatos que foram coletados na etapa 1 deve ser 
registrado.
3. Considerando que, para que tenha ocorrido um acidente, alguma coisa 
mudou ou variou do modo habitual, deve-se pesquisar o modo normal de 
trabalho (modo habitual) para verifi car o que variou.
4. Investigar os fatos (permanentes e das variações) segundo os quatro 
componentes I; T; M; e MT.
A seguir, na Figura 15, será apresentado um exemplo do método de árvore 
de causas em um esquema de acidente de trabalho típico com tombamento de 
empilhadeira. 
155
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
FIGURA 15 – EXEMPLO DO MODELO DE MÉTODO DE ÁRVORE DE CAUSAS
FONTE: Binder (1997, p. 20)
marcha à ré
Lembrando que a árvore começa com o acidente e os fatos a ele relacionados. 
O método faz a reconstrução do acidente a partir da lesão até os mais remotos 
fatores relacionados a sua origem.
Veja um exemplo da aplicação do método de árvore de causas/
falhas em:
https://www.scielo.br/j/csp/a/hqZRZbwhqTYmTYMPV84gQCq/?
format=pdf&lang=pt.
ATIVIDADES DE ESTUDO:
1 Sobre acidente de trabalho, marque V para as sentenças 
verdadeiras e F para as falsas:
156
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
( ) Um acidente ocorrido fora do local de trabalho jamais poderá ser 
considerado como acidente de trabalho.
( ) Em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo, 
quando fi nanciada por esta dentro de seus planos para melhor 
capacitação da mão de obra, independentemente do meio 
de locomoção utilizado, inclusive veículo de propriedade do 
segurado.
( ) No percurso da residência para o local de trabalho ou deste para 
aquela, qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo 
de propriedade do segurado.
( ) O acidente sofrido pelo segurado, ainda que fora do local e 
horário de trabalho, independentemente das circunstâncias. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
( ) F – F – V – F.
( ) V – F – F – V.
( ) F – V – V – F.
( ) F – V – V – V.
2 Sobre as doenças de trabalho, entendidas como as doenças 
adquiridas ou desencadeadas em função de condições 
especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacionem 
diretamente, assinale a alternativa CORRETA:
a) Doenças degenerativas são consideradas doenças de trabalho.
b) Pneumonia é considerada doença de trabalho.
c) HIV é considerada doença de trabalho.
d) São excluídas do rol das doenças de trabalho as inerentes a grupo 
etário, como osteoporose e Mal de Alzheimer, por exemplo.
3 Sobre os tipos de acidentes, é CORRETO afi rmar que:
a) São divididos em três tipos: acidente de trajeto, trajetória e 
percurso.
b) São classifi cados em acidentes típicos e de trajeto.
c) Não possuem classifi cação defi nida.
d) São defi nidos de acordo com a atividade exercida pelo 
trabalhador.
4 Sobre o afastamento do trabalho, podemos afi rmar que:
a) Existe apenas o afastamento por 5 dias.
b) Pode ser com tempo inferior a 15 dias, em que a empresa arca 
com os vencimentos.
157
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
c) Pode ser com tempo inferior a 15 dias, em que quem arca com os 
vencimentos é o INSS.
d) Em qualquer tipo de afastamento, a empresa nunca arca com os 
vencimentos do funcionário.
5 Sobre a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho, 
podemos afi rmar:
a) É obrigatória a emissão em casos de acidente de trabalho, 
independentemente da sua gravidade e do afastamento do 
trabalhador.
b) Só deve ser emitida quando o trabalhador se afasta das suas 
atividades.
c) A emissão é facultada ao trabalhador.
d) Só quem pode emitir é o supervisor direto do funcionário 
acidentado.
6 Sobre o modelo de acidentes sequenciais da Teoria do Dominó 
de Heinrich, para que ocorra a lesão, faz-se necessário o 
encadeamento sequencial de quantos fatores?
a) 2.
b) 10.
c) Nenhum.
d) 5.
7 O modelo em que há uma série de barreiras em que o acidente só 
ocorre se todas elas forem penetradas é:
a) Teoria do Queijo Padrão.
b) Teoria do Dominó.
c) Teoria do Queijo Suíço.
d) Modelo Sociotécnico.
8 Os acidentes de trabalho nos quais não há qualquer dano pessoal 
também devem ser investigados e analisados pela empresa. A 
esse tipo de acidente, dá-se o nome de: 
a) Incidente.
b) Acidente de trajeto.
c) Acidente típico.
d) Acidente ocasional.
e) Doença do trabalho.
158
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
9 As doenças ocupacionais estão associadas ao ofício do trabalhador 
e às condições de trabalho. Assim, a doença ocupacional 
caracterizada pela contínua postura inadequada, causando 
dor crônica, e cuja ocorrência está associada apenas à função 
laboral, é conhecida como: 
a) DORT. 
b) Hérnia de disco. 
c) Tendinite. 
d) Dermatose ocupacional. 
e) Artrose.
10 Analise as afi rmativas a seguir referentes aos conceitos para a 
realização de uma boa avaliação de riscos:
I - Não haverá risco sem que se identifi que a exposição de 
trabalhadores e a de outras pessoas: se não há exposição, não 
há risco, embora o perigo possa existir. 
II - A eliminação do risco somente é possível caso ocorra a eliminação 
do perigo. 
III - A ausência de um plano de implementação das melhorias 
identifi cadas, bem como o seu monitoramento, compromete muito 
a efi ciência da gestão de segurança. 
Está CORRETO o que se afi rma em: 
a) I, apenas. 
b) I e II. 
c) I e III. 
d) II e III. 
e) I, II e III.
11 Quais são as etapas fundamentais de uma boa avaliação de 
riscos presentes no ambiente de trabalho para a segurança e a 
saúde dos trabalhadores? 
a) Identifi cação dos riscos, graduação dos riscos, estabelecimento 
de medidas de controle, monitoramento de implementação 
dessas medidas e comunicação aos trabalhadores. 
b) Identifi cação dos riscos, estabelecimento de medidas de controle, 
comunicação aos trabalhadores e treinamento. 
159
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
c) Identifi cação dos riscos, comunicação dos riscos aos 
trabalhadores e aplicação de treinamentos necessários. 
d) Identifi cação dos riscos existentes, graduação dos riscos e 
comunicação aos trabalhadores. 
e) Estabelecimento de medidas de controle, graduação dos riscos 
após o estabelecimento dessas medidas e treinamento dos 
trabalhadores.
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES 
Ao longo deste capítulo, observamos que diversos fatores podem estar 
associados à ocorrência do acidente de trabalho, principalmente os atos e as 
condições inseguras que, muitas vezes, são negligenciados pelos trabalhadores 
e empresas.
O afastamento do trabalhador, independentementedo seu motivo, é sempre 
prejudicial para o produto ou o serviço que é oferecido pela empresa. Do ponto 
de vista do trabalhador, seu afastamento ocasiona incapacidade temporária ou 
permanente que, a depender da lesão, afetará inclusive a sua rotina na residência. 
Já para a sociedade, os afastamentos geram prejuízos, considerando que, após 
15 dias de incapacidade e afastamento do trabalhador, seu salário será pago 
através dos recursos do INSS que, por sua vez, se referem à arrecadação dos 
nossos impostos.
Vimos, através de números atuais e disponíveis no site do Ministério do 
Trabalho e Emprego, a quantidade de registros de acidentes de trabalho em 
âmbito nacional, em que só a região Sudeste é responsável por mais de 50% dos 
registros.
Os conceitos e as condições para que o trabalhador passe a ter direito aos 
benefícios, em caso de afastamento ou doença, foram esclarecidos ao longo 
do capítulo, em que observamos que o simples fato de registrar um acidente de 
trabalho não lhe garante a estabilidade temporária.
Aprendemos que todo e qualquer acidente deve ser registrado, seja para fi ns 
estatísticos ou para futuras ações judiciais, em casos de doenças atribuídas às 
atividades laborais. O instrumento legal para essa fi nalidade é a Comunicação de 
Acidente de Trabalho (CAT).
160
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
As principais causas relacionadas aos acidentes de trabalho geralmente 
são associadas a falhas humanas, todavia, quando pensamos nas diversas 
etapas que compõem o trabalho, difi cilmente conseguimos dissociar a presença 
humana, seja ela na confecção do sistema, na manutenção das máquinas ou no 
gerenciamento. Ações mitigadoras dos riscos de acidente podem ser alcançadas 
através de constantes treinamentos, que devem sempre ser fi nalizados, inclusive 
nas simulações.
Já no que se refere aos modelos de prevenção e análise de acidentes, 
estudamos as principais características dos modelos sequenciais, epidemiológicos 
e de ressonância funcional. Além disso, foi apresentada uma breve descrição de 
diversos outros modelos de investigação de acidentes. 
Por fi m, foi escolhido o método de árvore de causas como o exemplo prático 
a ser apresentado. Vimos que tal modelo é baseado na teoria de sistemas e é 
tema de aplicação em diversas áreas.
Assim, encerramos o último capítulo do livro, ratifi cando que nenhum acidente 
deve ser negligenciado e que mesmo com as diversas barreiras propostas para 
impedir a ocorrência do acidente, devemos sempre atuar com responsabilidade, 
evitar adaptações e registar todo e qualquer evento que não faça parte das 
condições normais de operação.
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161
TEORIAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Capítulo 3 
BRASIL. Decreto nº 8.691, de 14 de março de 2016. Altera o Regulamento 
da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999. 
Brasília, DF: Diário Ofi cial [da] República Federativa do Brasil, 15 mar. 2016. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/decreto/
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VAN ELSLANDE, P.; ALBERTON, L. L’Accident de la Route: Chercher l’ Erreur. 
Securité et Cognition. Paris: Hermes, 1999.de todas as habilidades é fundamental e, para 
serem colocadas em ação com êxito, requerem certas competências pessoais.
“As competências – qualidades de quem é capaz de analisar uma 
situação, apresentar soluções e resolver assuntos ou problemas – são o maior 
patrimônio pessoal do administrador – seu capital intelectual, sua maior riqueza” 
(CHIAVENATO, 2014, p. 10).
A administração está dentro do campo das ciências sociais, que estudam 
e sistematizam conceitos e práticas usados para administrar (ROSSÉS, 2014). 
Por ser uma ciência inexata, as tomadas de decisões dos administradores são 
baseadas em informações que proporcionam o desenvolvimento de habilidades 
humanas, conceituais, comportamentais, técnicas, organizacionais e de 
planejamento, visando aprimorar as práticas da administração e gestão. Pela sua 
complexidade, a administração contempla simultaneamente ciência, tecnologia e 
arte:
• Como ciência: através das teorias, metodologias e fundamentos 
científi cos, além das análises dos fatos e evidências experimentadas e 
testadas na prática cotidiana. Faz relação de causa e efeito, estuda e 
defi ne o que, por que e quando causa determinadas relações.
• Como tecnologia: através de técnicas, ferramentas conceituais e teorias 
científi cas, com medição dos seus resultados.
• Como arte: requer criatividade do administrador com inovação para a 
resolução de problemas, utilizando-se principalmente da arte de criar, 
inovar, mudar e transformar as organizações.
Na medida em que novos desafi os são identifi cados, as doutrinas e as teorias 
administrativas precisam ser adaptadas ou modifi cadas para continuar sendo 
úteis e aplicáveis. Com isso, outras abordagens foram surgindo com o decorrer 
do tempo.
18
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
2.6 ADMINISTRAÇÃO: ABORDAGEM 
CLÁSSICA
Dentro da abordagem clássica da administração, você conhecerá, nesta 
seção, a administração científi ca e a teoria clássica. Esse modo de abordagem 
foi a primeira tentativa em se considerar, de forma analítica, os problemas 
organizacionais de maior complexidade.
A organização era tradicionalmente vista com um meio racional para a 
realização de metas e objetivos. Embora esse entendimento não seja errado, 
há uma tendência em não se perceber os propósitos e os trabalhos internos 
realizados na própria organização. 
Como vimos anteriormente, a administração científi ca teve sua origem dentro 
do período da Revolução Industrial, tendo seus princípios baseados na estrutura 
formal e nos processos da organização, em que as pessoas eram utilizadas para 
o alcance da efi ciência dentro da organização, sendo vistas como instrumentos 
de produção. Acreditava-se que as pessoas deveriam estar sob um sistema de 
autoridade. 
A construção da administração científi ca requeria a construção de uma 
estrutura formal, a qual o trabalho era dividido em pequenas unidades, com a 
realização de tarefas simples por parte dos trabalhadores, sendo colocadas em 
um sistema coordenado visando à racionalização do trabalho.
Dentro da abordagem clássica da administração há dois movimentos, 
conforme ilustrado na Figura 2: 
• Por Taylor (caracterizado pela racionalização do trabalho com vistas ao 
aumento da efi ciência).
• Por Fayol (aplicação de princípios gerais da administração em bases 
científi cas visando ao aumento da efi ciência da empresa). 
FIGURA 2 – ABORDAGEM CLÁSSICA DA ADMINISTRAÇÃO – DESDOBRAMENTO
FONTE: Chiavenato (2000, p. 46)
19
ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
2.7 ABORDAGEM CLÁSSICA DA 
ADMINISTRAÇÃO: SUAS ORIGENS
Para discutirmos as origens da abordagem clássica da administração, é 
necessário que recordemos detalhes das fases da Revolução Industrial, assim 
como as consequências geradas.
Relembrando: durante o processo da Revolução Industrial ocorreram 
transições nos processos de fabricação, que inicialmente utilizavam métodos 
artesanais, passando para uma produção realizada por máquinas, cujo 
fornecimento de energia advinha basicamente do carvão.
Diversos aspectos do cotidiano foram infl uenciados pela Revolução Industrial, 
que foi considerada um divisor de águas na história da civilização. Nesse sentido, 
a abordagem clássica da administração surge principalmente pelo advento da 
Revolução Industrial. Dois fatores podem ser destacados de forma resumida, a 
saber:
• O crescimento acelerado e desorganizado das empresas: até então, 
o que prevalecia dentro das instituições era pautado em improvisação 
e empirismo. O acelerado crescimento das empresas exigia cada vez 
mais uma mudança que substituísse a forma improvisada e empírica por 
uma abordagem mais científi ca. O aumento do tamanho das empresas 
e a sua complexidade levaram à substituição de teorias tradicionais (de 
caráter totalizante e global) por teorias que visam ao planejamento da 
produção e demais aspectos industriais (teorias microindustriais). 
• A necessidade de aumentar a efi ciência e a competência das 
organizações: este fator visava à obtenção de melhores resultados com 
maior efi ciência e efi cácia devido à grande concorrência e competitividade 
entre as empresas, que não parava de crescer. Com a substituição do 
capitalismo liberal pelos monopólios, instala-se a produção em massa, 
aumentando, consequentemente, o número de assalariados nas 
indústrias. Com isso, torna-se mister reduzir o desperdício e economizar 
mão de obra. Dessa forma, surgiu a divisão de trabalho entre os que 
pensam (gerentes), que defi nem padrões de produção, estudam 
normas de trabalho e métodos de administração, e os que executam 
(trabalhadores). Essas condições técnicas e econômicas foram 
determinantes para o surgimento das teorias de Taylor (Administração 
Científi ca) e Fayol (Teoria Clássica), as quais veremos a seguir.
20
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
2.8 ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA – 
TAYLOR
Nascido na Filadélfi a, nos Estados Unidos da América, Frederick Winslow 
Taylor (1856-1915), fundador da Administração Científi ca, iniciou sua carreira 
como operário, passando a capataz até se formar engenheiro. Naquela época, o 
sistema de remuneração vigente era o pagamento por peça ou tarefa executada. 
Com este sistema, os patrões, no momento de fi xar o preço da tarefa, procuravam 
ganhar o máximo possível, em contrapartida, o ritmo de produção era reduzido 
pelos operários, a fi m de contrabalancear os valores pagos pelos patrões por 
peças produzidas. Com isso, o êxito dependia quase que inteiramente da 
iniciativa do operário, que raramente era alcançada. Ao observar este fato, Taylor 
começou a estudar o problema de produção na tentativa de propor uma solução 
que atendesse tanto aos patrões quanto aos empregados.
No primeiro período, correspondente à publicação do seu livro Shop 
Management (1903), Taylor analisou, no nível de execução, junto aos operários, 
a operação de cada um, decompondo seus movimentos e processos de trabalho 
para aperfeiçoá-los e racionalizá-los. Nesse nível de execução, constatou que 
um operário com produção média e com o equipamento disponível produzia bem 
menos do que era potencialmente capaz. Com esse fato, concluiu que, quando o 
operário mais produtivo percebe que sua remuneração é similar à do seu colega 
menos produtivo, sua tendência é de acomodação, perdendo seu interesse 
e produzindo aquém de suas condições produtivas. A necessidade de criar 
condições de remuneração diferenciada, de acordo com a sua produção, traz que:
• O objetivo da Administração é pagar salários melhores e reduzir custos 
unitários de produção.
• Para realizar tal objetivo, a Administração deve aplicar métodos científi cos 
de pesquisa e experimentos para formular princípios e estabelecer 
processos padronizados que permitam o controle das operações fabris.
• Os empregados devem ser cientifi camente selecionados e colocados em 
seus postos com condições de trabalho adequadas para que as normaspossam ser cumpridas.
• Os empregados devem ser cientifi camente treinados para aperfeiçoar 
suas aptidões e executar uma tarefa para que a produção normal seja 
cumprida.
• A Administração precisa criar uma atmosfera de íntima e cordial 
cooperação com os trabalhadores para garantir a permanência desse 
ambiente psicológico (TAYLOR, 2008).
21
ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
No segundo período, correspondente à publicação do seu livro The Principles 
of Scientifi c Management (1911), Taylor concluiu que, para tornar coerente a 
aplicação dos seus princípios na empresa, a racionalização do trabalho operário 
deveria ser acompanhada de uma estruturação geral. A partir daí, desenvolveu 
estudos sobre a Administração geral, a qual denominou de Administração 
Científi ca, mantendo-se a preocupação quanto à tarefa do operário (TAYLOR, 
1990).
Nas indústrias da época, Taylor acreditava que havia três males: vadiagem 
sistemática dos operários, com redução da capacidade produtiva para evitar a 
redução das tarifas e salários; desconhecimento dos gerentes das rotinas de 
trabalho e tempo para execução de uma tarefa; e a ausência de uniformidade dos 
métodos e técnicas aplicados no trabalho. A administração científi ca, idealizada 
por Taylor, visa sanar esses três males (TAYLOR, 1990). 
Para evitar alterações bruscas, que causem descontentamento por parte 
dos empregados e prejuízo aos patrões, Taylor salienta que a implantação da 
Administração Científi ca deve ser gradual e obedecer a um período de quatro a 
cinco anos (TAYLOR, 1990).
A teoria proposta por Taylor é centrada na crença de que fazer com que as 
pessoas trabalhem o máximo possível não é tão efi ciente quanto a otimização da 
maneira como o trabalho era realizado, consistindo em saber exatamente o que 
os funcionários devem fazer (arte do conhecimento) e confi rmar que eles façam 
isso da maneira mais efi ciente e barata.
Taylor (1990) considerava também que os trabalhadores eram motivados 
por dinheiro, promovendo a ideia de um salário justo por dia de trabalho também 
justo, ou seja, o trabalhador que não alcançasse um desempenho satisfatório e 
sufi ciente em um dia, não mereceria receber o mesmo valor que outro trabalhador 
com alta produção. Nesse sentido, o operário que produz pouco ganha pouco e o 
que produz mais, ganha proporcional a sua produção. 
De forma sumarizada, para Taylor (1990), a administração científi ca não 
constitui elemento simples, mas uma combinação global, conforme se observa a 
seguir:
1. Ciência, em lugar do empirismo.
2. Harmonia, em vez de discórdia.
3. Cooperação, não individualismo.
4. Rendimento máximo, em lugar de produção reduzida.
5. Desenvolvimento de cada homem, no sentido de alcançar maior 
efi ciência e prosperidade.
22
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
Ao sistema proposto por Taylor, as críticas podem ser resumidas em dois 
grupos (SILVA, 2008, p. 122).
1- Mecanização: desestimula a iniciativa pessoal do operário, 
tornando-o ‘parte da máquina’, não considerando os seus 
aspectos psicossociais.
2- Esgotamento físico: resultado frequente da ânsia do 
operário em realizar mais do que o previsto, para aumentar 
seu pagamento.
Quem popularizou e é considerado o pai da teoria da 
administração científi ca foi Frederick Winslow Taylor. Devido a 
isso, a teoria também é conhecida como “taylorismo”. Sua teoria 
tem maior abrangência para os trabalhos realizados em chão de 
fábrica, não levando em consideração os demais setores. Utiliza 
métodos científi cos cujo objetivo é aumentar a produção dentro das 
organizações e aperfeiçoar a efi ciência dos trabalhadores. Tem foco 
na padronização dos métodos de trabalho, em que busca a efi ciência 
através da racionalização do trabalho do operário e do somatório 
da efi ciência total, não exigindo que individualmente cada operário 
realize tarefas complexas para a solução de problemas. Traz uma 
visão mecanicista, que não considera características emotivas 
e psicológicas, focando apenas nas tarefas e funções a serem 
executadas. Considera o trabalhador como responsável por uma 
parte do processo e não do todo e analisa a empresa como uma 
organização isolada do seu ambiente.
Assista ao vídeo Virtudes e defeitos do taylorismo na atualidade, 
disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=N3FAPQOPW2A.
23
ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
2.9 TEORIA CLÁSSICA – FAYOL
Enquanto nos Estados Unidos Taylor e outros engenheiros desenvolviam 
a administração científi ca, na França, em 1916, surgia a teoria clássica 
da administração. Embora ambas tenham como objetivo a efi ciência das 
organizações, a administração científi ca se caracteriza pela ênfase na tarefa 
realizada pelo operário, enquanto que, na teoria clássica, a ênfase é na estrutura 
que a organização necessita para atingir a efi ciência. Em outras palavras, o foco 
da Administração Científi ca está na execução das tarefas, enquanto o foco da 
Teoria Clássica da Administração está na estrutura organizacional. 
Na teoria clássica, fundada por Henri Fayol (1841-1925), partia-se da 
estrutura organizacional para garantir a efi ciência de todas as partes envolvidas, 
podendo essas partes serem órgãos, como seções ou departamentos, ou 
pessoas, como executores de tarefas e ocupantes de cargos.
A teoria clássica da administração, proposta por Fayol, partiu de uma 
abordagem mais ampla, com abordagem sintética e universal da empresa, para 
uma abordagem anatômica e estrutural, que rapidamente superou a abordagem 
de Taylor, que tinha característica analítica e concreta. 
Para Fayol (1989), o ato de administrar se defi ne como: prever, organizar, 
comandar, coordenar e controlar, que envolvem as funções do administrador, 
constituindo os processos administrativos, a saber:
1. Prever. Visualizar o futuro e traçar o programa de ação.
2. Organizar. Constituir o duplo organismo material e social da empresa.
3. Comandar. Dirigir e orientar o pessoal.
4. Coordenar. Ligar, unir e harmonizar todos os atos e esforços coletivos.
5. Controlar. Verifi car que tudo ocorra de acordo com as regras estabelecidas 
e as ordens dadas (CHIAVENATO, 2014).
Dentre as funções básicas da empresa, Fayol apresenta seis funções, 
representadas na Figura 3.
24
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
FIGURA 3 – AS SEIS FUNÇÕES BÁSICAS DA EMPRESA PARA FAYOL
FONTE: Chiavenato (2014, p. 87)
Já começamos a perceber que Fayol separa habilidade administrativa do 
conhecimento técnico. Ele observou que, sobre as atividades do negócio, o efeito 
exercido pela administração muitas vezes não era completamente compreendido 
e que as recomendações da área técnica poderiam ser completamente destruídas 
devido a equivocados procedimentos administrativos.
Depois, concluiu que mais valia a empresa possuir um bom administrador 
como líder, mas com fracos conhecimentos técnicos do que um brilhante técnico, 
mas com medíocres conhecimentos administrativos (FAYOL, 1989). 
O líder com mais conhecimentos e habilidades administrativas e menos 
técnicas é mais útil à empresa do que o oposto. Com isso, conclui que o sucesso 
organizacional tem maior dependência das habilidades administrativas dos seus 
líderes do que de suas habilidades técnicas (FAYOL, 1989). 
Era defendido por Fayol que, independentemente do ramo de atividade, 
qualquer organização necessitava de administração, existindo, em qualquer 
condição, uma função administrativa a ser empenhada, ressaltando a necessidade 
da profi ssionalização e do ensino da administração. 
Em qualquer empresa, seja ela pequena, grande, simples ou complexa, há 
seis grupos de operações ou funções considerados essenciais:
1. Operações técnicas: produção, fabricação, transformação.
2. Operações comerciais: compras, vendas, permutas.
3. Operações fi nanceiras: procura e gerência de capitais.
4. Operaçõesde segurança: proteção de bens e de pessoas.
5. Operações de contabilidade: inventários, balanços, preços 
de custo, estatística etc.
25
ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
6. Operações administrativas: previsão, organização, direção, 
coordenação e controle (FAYOL, 1989, p. 23).
Embora a operação administrativa esteja descrita como um item destacado, 
assim como as demais operações, o ato de administrar não está relacionado ao 
encargo pessoal do chefe ou dos dirigentes da empresa, tampouco é um privilégio 
exclusivo; é considerada uma função que deve ser repartida, como as demais 
funções essenciais, entre todos. Nesse sentido, mesmo que esteja destacada das 
outras cinco funções, não deve ser confundida com a direção da organização.
Dirigir está relacionado à condução da empresa, considerando os fi ns 
almejados, procurando a obtenção das maiores vantagens dentro dos recursos 
disponíveis. É assegurar a condução das seis funções descritas anteriormente.
Fayol (1989) também defi niu cinco pilares referentes às funções para a 
realização das atividades administrativas sob a responsabilidade do administrador: 
o POCCC. Administrar é prever, organizar, comandar, coordenar e controlar.
• Prever: tentar conhecer o futuro e traçar um programa de ação.
• Organizar: construir o duplo organismo material e social da empresa.
• Comandar: dirigir o pessoal.
• Coordenar: ligar, unir e harmonizar todos os atos e reforços.
• Controlar: verifi car que tudo ocorra de acordo com as regras 
estabelecidas e as ordens dadas.
Para a administração, por ser uma ciência social aplicada, ou seja, não é 
uma ciência exata, algumas condições precisam ser satisfeitas para o bom 
funcionamento da saúde e do corpo social de uma organização.
Em matéria administrativa, não existe nada muito rígido nem absoluto. 
Veremos alguns princípios da administração aplicados por Fayol, os quais são 
maleáveis e suscetíveis de adaptação para as necessidades reais.
O número dos princípios de administração não é limitado, podendo-se alinhar 
com outros princípios, regras ou instrumentos administrativos que fortaleçam 
o corpo social ou facilitem seu funcionamento. A seguir, alguns dos princípios 
propostos por Fayol (1989) e aplicados com maior frequência.
1. A divisão do trabalho
Finalidade de produzir mais e melhor com o mesmo esforço. Permite reduzir o 
número de objetivos sobre os quais a atenção e os esforços devem ser aplicados. 
Não se limita apenas às tarefas de ordem técnica, aplica-se a todos os trabalhos, 
sem exceção. Tem como tendência a especialização das funções e a separação 
dos poderes. 
26
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
2. Autoridade e responsabilidade
Consiste no direito de mandar e no poder de se fazer obedecer. Para o 
exercício do poder, não é concebida a autoridade sem a responsabilidade. Em 
qualquer lugar em que se exerça a autoridade, haverá uma responsabilidade. 
Geralmente, a responsabilidade é tão temida quanto a autoridade é cobiçada e, 
muitas vezes, o temor da responsabilidade acaba por paralisar diversas iniciativas 
que, por consequência, acabam por afetar a qualidade.
3. Disciplina
Consiste em sua essência na obediência, na assiduidade e no respeito 
estabelecido entre a empresa e os seus empregados. De maneira ordenada, 
signifi ca a necessidade de os trabalhadores realizarem um esforço comum e, no 
caso das punições, deveriam ser aplicadas com critério, com vistas a incentivar 
esse esforço comum.
4. Unidade de comando
A regra associada à unidade de comando é que um agente, para a execução 
de um ato qualquer, deve receber ordens somente de um chefe. Quando dois 
chefes exercem autoridade e comando sobre o mesmo agente, estabelece-se 
uma situação de mal-estar, trazendo como consequência a anulação de um dos 
chefes. A dualidade de comando não produzirá adaptação do organismo social 
em nenhum caso, considerando que o ser humano não suporta essa dualidade. 
Quando tal cenário persiste, os resultados produzidos tendem a ser insatisfatórios 
em todas as empresas.
5. Unidade de direção
“Esse princípio pode ser assim expresso: um só chefe e um só programa 
para um conjunto de operações que visam ao mesmo objetivo” (FAYOL, 1989, p. 
49). Devemos tomar cuidado para não confundir a relação de um só chefe e um 
só programa (unidade de direção) com o fato de a ordem ser dada por apenas 
um chefe para um agente (unidade de comando). O direcionamento da empresa 
deve ser único e alinhado com todos os agentes, de forma a se atingir o mesmo 
objetivo.
6. Subordinação do interesse particular ao interesse geral
Não deve prevalecer o interesse individual ou de um grupo de agentes sobre 
o interesse da empresa, assim como deve o interesse do Estado sobrepor o de 
um cidadão ou grupo de cidadãos. Tal conceito, embora pareça ser desnecessária 
a sua lembrança, devido à ignorância, à indiferença, ao egoísmo, às fraquezas e 
às ambições, tende a fazer com que indivíduos percam de vista o interesse geral 
em proveito do interesse particular.
27
ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
7. Remuneração do pessoal
Deve, sempre que possível, ser equitativo, buscando satisfazer tanto o 
interesse pessoal (empregado) quanto o da empresa (empregador). A marcha 
dos negócios pode ser infl uenciada pelo modo de retribuição do pessoal, sendo 
relevante a sua escolha. Como exemplos dos modos de retribuição, temos: 
pagamento por dia, por tarefa e por peça. Há outras formas e variedades de 
remuneração extra, como prêmios e participação nos lucros, assim como as 
contribuições para o bem-estar do empregado, como higiene e conforto, acesso à 
moradia, à alimentação e à educação.
8. Centralização
A centralização, embora não seja um sistema de administração, pode 
existir em maior ou menor grau, podendo ser adotada ou rejeitada a critério dos 
dirigentes e de acordo com as circunstâncias, sendo uma questão de medida 
a centralização ou a descentralização, devendo-se encontrar o limite que seja 
favorável à empresa.
9. Hierarquia
Basicamente, constitui-se na série de autoridades (chefes), que vai da 
autoridade superior até os agentes da base. As comunicações partem da 
autoridade superior e passam por todos os graus da hierarquia, atendendo ao 
mesmo tempo a necessidade de uma transmissão segura e pela unidade de 
comando. A depender do tamanho da empresa, esse caminho pode ser muito 
moroso.
10. Ordem
Aqui destacamos dois tipos de ordem: material e social. A fórmula da ordem 
material poderia ser resumida em: um lugar para cada coisa e cada coisa em seu 
lugar. Já a da ordem social seria: um lugar para cada pessoa e cada pessoa em 
seu lugar. O resultado da ordem deve ser a redução de perdas materiais e de 
tempo. Para atingir esses objetivos, é preciso ir além de somente garantir que 
tudo esteja no seu lugar, mas também que a escolha do lugar facilite, tanto quanto 
possível, todas as operações para que a ordem não seja apenas aparente.
11. Equidade
Os desejos de igualdade são aspirações que devem existir muito no trato 
pessoal. O chefe deve ter a constante preocupação de introduzir em todos os 
níveis da hierarquia o sentimento de equidade. Há uma combinação entre justiça 
e benevolência que colabora para o bom desempenho dos agentes.
12. Estabilidade do pessoal
Para que um agente desempenhe suas funções de forma satisfatória, há 
a necessidade de um tempo para se adaptar a essa nova função. Quando há 
28
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
um constante deslocamento de atividades do agente, e considerando o tempo 
necessário para ocorrer o ciclo de aprendizagem, neste cenário a função jamais 
será bem desempenhada. Mudanças são inevitáveis, mas a estabilidade nas 
funções é próspera. É infi nitamente preferível um chefe com capacidade mediana, 
mas estável, a outro com alta capacidade, mas instável. Em determinadoscargos, 
a exemplo das chefi as, o processo de aprendizagem e conhecimento que inspire 
confi ança aos outros geralmente é longa nas grandes empresas.
13. Iniciativa
Chamamos de iniciativa a concepção de um plano conjuntamente com sua 
execução. A iniciativa tende a aumentar as atividades e o zelo dos agentes em 
todos os níveis sociais. Encorajar e desenvolver essa faculdade é necessário. 
Um chefe que sabe induzir o espírito de iniciativa na sua equipe é infi nitamente 
superior ao que não sabe.
14. União do pessoal
Em uma empresa, a harmonia e a união das pessoas são de grande 
vitalidade. Dividir o pessoal deve ser utilizado apenas nos casos em que se queira 
enfraquecer eventuais forças inimigas para enfraquecê-las, mas a divisão do seu 
próprio pessoal é considerada falta grave contra a empresa. Outro destaque é a 
forma de comunicação. Sempre que for possível, deve-se utilizar uma orientação 
ou ordem de forma verbal, considerando ser mais simples e rápida e eventuais 
confl itos ou divergências de entendimentos poderiam ser resolvidos na conversa. 
Com isso, ganha-se em rapidez, clareza e harmonia.
Os princípios de Fayol se encerram aqui, mas não porque tenham se 
esgotado. Não há um limite preciso para os princípios, assim como não existe 
rigidez ou absolutismo, sendo tudo uma questão de proporção. Eles servem 
para nortear ações de gestores ou empreendedores, permitindo também seu 
aperfeiçoamento.
Saiba mais em: Os 14 Princípios da Administração Geral – 
Henry Fayol, disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=TC0bGPkpx6w.
29
ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
Ao sistema proposto por Fayol, as críticas podem ser resumidas em seis 
pontos (CHIAVENATO, 2004).
1. Abordagem simplifi cada da organização formal.
2. Ausência de trabalhos experimentais.
3. Extremo racionalismo na concepção da administração.
4. Teoria da máquina.
5. Abordagem incompleta da organização.
6. Abordagem de sistema fechado.
Mesmo com todas as críticas à teoria clássica, esta abordagem é ainda a 
mais utilizada para os iniciantes da administração. Permite uma visão simples 
e ordenada, que proporciona ao administrador, através de seus princípios, um 
guia geral de manipulação dos deveres do cotidiano do trabalho e ainda disseca 
em categorias compreensíveis e úteis o trabalho organizacional. Essa teoria é 
indispensável para a compreensão das bases da moderna administração.
Assista ao vídeo Taylor x Fayol, que faz uma comparação em 
uma linha de produção, disponível em: https://www.youtube.com/
watch?v=WQWrItnxHAQ.
Nesta primeira seção, aprendemos os princípios da Administração, 
identifi camos os principais fi lósofos e suas contribuições para o campo da 
Administração. Além da contribuição dos fi lósofos, conseguimos identifi car que 
o pensamento administrativo também sofreu infl uência e contribuição tanto 
religiosa (igreja católica) quanto dos militares (organizações). Ao longo do tempo, 
percebemos que a concepção de trabalho foi se modifi cando, criando-se, assim, 
novos conceitos e abordagens na Administração. 
ATIVIDADES DE ESTUDO: 
1 De acordo com Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.), a organização 
do Estado pode ser caracterizada de três formas. Assinale a 
alternativa CORRETA:
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 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
a) Oligarquia, tirania e monarquia.
b) Democracia, anarquia e sistema legislativo.
c) Monarquia, aristocracia e democracia.
d) Legislativo, executivo e judiciário.
2 A respeito do papel gerencial dentro de uma organização, marque 
V para as afi rmativas verdadeiras e F para as falsas:
( ) As habilidades do gerente não mudam conforme o nível.
( ) No nível institucional (nível mais alto), as habilidades exigidas são 
mais conceituais.
( ) No nível intermediário, a habilidade conceitual é a mais importante 
na condução do trabalho.
( ) As habilidades técnicas são mais exigidas no nível institucional 
(nível mais alto). 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) V – V – V – V.
b) F – V – F – F.
c) V – F – F – F.
d) F – V – F – V.
3 Com relação à abordagem clássica da Administração, a Teoria 
Clássica e a Administração Científi ca foram construídas, 
respectivamente, por:
a) Taylor e Chiavenato.
b) Fayol e Sócrates.
c) Aristóteles e Platão.
d) Fayol e Taylor.
4 Fayol defi niu alguns pilares referentes às funções que estão sob a 
responsabilidade do administrador para a realização de atividades 
administrativas. Sobre essas funções, analise as opções a seguir: 
I- Prever.
II- Organizar.
III- Comandar.
IV- Coordenar.
V- Controlar.
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ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
Assinale a alternativa CORRETA:
( ) As afi rmativas I, II, IV e V estão corretas.
( ) As afi rmativas II, III e V estão corretas.
( ) As afi rmativas I, III e IV estão corretas.
( ) Todas as afi rmativas estão corretas.
3 PRINCIPAIS TEORIAS DA 
ADMINISTRAÇÃO
Na seção anterior, estudamos as principais teorias basilares da administração. 
Estas teorias, com abordagem científi ca e clássica, criadas por Taylor e Fayol, 
respectivamente, são consideradas os pilares da administração. 
A partir deste ponto, veremos outras teorias relacionadas à administração, 
conforme ilustrado no Quadro 2:
QUADRO 2 – RESUMO DAS PRINCIPAIS TEORIAS DA ADMINISTRAÇÃO
Ano Teoria
ABORDAGEM
“CLÁSSICA”
1903 Administração Científi ca
1909 Teoria da Burocracia
1916 Teoria Clássica
1932 Teoria das Relações Humanas
1947 Teoria Estruturalista
1951 Teoria dos Sistemas
ABORDAGEM
CONTEMPORÂNEA
1954 Teoria Neoclássica
1957 Teoria Comportamental 
1962 Desenvolvimento Organizacional
1972 Teoria da Contingência
1990 Novas Abordagens (Era da Informação)
FONTE: Chiavenato (2004, p. 13)
3.1 TEORIA DA BUROCRACIA
Por volta da década de 1940, a teoria da burocracia se desenvolveu na 
administração após críticas feitas tanto a teoria clássica, pelo seu mecanicismo, 
quanto a teoria das relações humanas, que veremos mais adiante, por seu 
romantismo ingênuo. Foram apontadas ausência de solidez nas teorias das 
organizações que viabilizassem a orientação do trabalho do administrador. 
32
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
Através das obras do sociólogo e economista Max Weber, estudiosos foram 
buscar inspiração para essa nova teoria da organização, surgindo, então, a teoria 
da burocracia da administração.
Diferente das demais teorias da administração, o conceito da teoria da 
burocracia é póstumo, já que foi desenvolvida antes de 1920, ano em que faleceu 
Max Weber, todavia, os escritos feitos por ele só foram localizados após a década 
de 1940.
Quando falamos ou pensamos no conceito de burocracia, popularmente 
pensamos em algo emperrado, trabalhoso e com muita papelada, inviabilizando 
soluções rápidas e efi cientes, causando consequente inefi ciência à organização. 
Com isso, o termo burocracia passa a estar associado às disfunções (defeitos) 
agregados ao sistema, e não ao sistema em si mesmo.
Não existe um único tipo de burocracia, mas sim graus variados de 
burocratização, ou seja, não se defi ne a burocracia como ausente ou presente.
Embora este seja o conceito popularmente associado à burocracia, Weber 
defendia exatamente o oposto disso. Para ele, burocracia é a efi ciência da 
organização por excelência. Para atingir a efi ciência, a burocracia deve ter as 
características a seguir (CHIAVENATO, 2004):
• Caráter legal das normas e regulamentos
Organização baseada em uma legislação própria, em que antecipadamente 
são defi nidas as regras para o seu funcionamento, abrangendo todas as suas 
áreas, prevendo todas as ocorrências e esquemas capazes de regular tudo o que 
ocorre dentro da organização.
• Caráter formal das comunicações
Traz o caráter formal da burocracia com ações e procedimentos que 
proporcionam a comprovação e a documentação adequadas, assim como 
asseguram que não ocorra interpretação ambíguanas comunicações.
• Caráter racional e divisão do trabalho
Sistemática divisão do trabalho que atenda a uma racionalidade que é 
adequada para se atingir os objetivos da organização com efi ciência.
• Impessoalidade nas relações
As atividades são distribuídas de forma impessoal, sem considerar as 
pessoas como pessoas, mas como ocupantes de cargos e funções.
33
ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
• Hierarquia da autoridade
Estabelece cargos de acordo com o princípio da hierarquia, em que o cargo 
inferior deve estar sob supervisão e controle de um posto superior, não fi cando 
nenhum cargo sem controle ou supervisão.
• Rotinas e procedimentos padronizados
Regras e normas técnicas são fi xadas para o desempenho de cada cargo, 
impedindo que o funcionário execute suas tarefas por livre-arbítrio, mas sim o que 
a burocracia impõe que ele faça.
• Competência técnica e meritocracia
A escolha das pessoas não é pautada em preferências pessoais, mas 
baseada no mérito e na competência técnica.
• Especialização da administração
Baseia-se na separação entre a propriedade e a administração. Os membros 
do corpo administrativo estão separados da propriedade dos meios de produção, 
ou seja, os administradores da burocracia não são seus donos, acionistas ou 
proprietários.
• Profi ssionalização dos participantes
Separa cada profi ssional de acordo com a sua profi ssionalização, defi nindo 
algumas categorias, como especialista, assalariado, ocupante de cargo, nomeado 
pelo superior hierárquico, mandato por tempo indeterminado, entre outras.
• Completa previsibilidade do funcionamento
Pressupõe que o comportamento dos membros da organização é 
perfeitamente previsível; o comportamento de todos os funcionários deve estar 
de acordo com as normas e regulamentos da organização para que se atinja a 
máxima efi ciência possível.
O conceito da racionalidade está muito presente na teoria da burocracia 
proposta por Weber, que implica na adequação dos meios aos fi ns, ou seja, se os 
meios mais efi cientes são escolhidos com vistas à implementação das metas, a 
organização é racional. 
Weber notou fragilidade na estrutura burocrática. “A capacidade para 
aceitar ordens e regras como legítimas, principalmente quando repugnam os 
desejos da pessoa, exige um nível de renúncia que é difícil de se manter. Assim, 
as organizações burocráticas apresentam uma tendência a se desfazerem” 
(COLTRO, 2005, p. 18).
34
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
3.2 TEORIA DAS RELAÇÕES 
HUMANAS
Como um movimento de reação e oposição à Teoria Clássica da 
Administração, a Teoria das Relações Humanas surgiu nos Estados Unidos como 
consequência das conclusões da Experiência de Hawthorne, desenvolvida por 
Elton Mayo e colaboradores.
Experiência de Hawthorne
Elton Mayo, em 1927, coordenou uma pesquisa em uma fábrica para avaliar 
a correlação entre iluminação e efi ciência dos operários, medida por meio da 
produção, estendendo-se à fadiga, aos acidentes no trabalho, à rotatividade do 
pessoal (turnover) e ao efeito das condições de trabalho sobre a produtividade do 
pessoal. A experiência foi dividida em quatro fases.
Na primeira fase, foram observados dois grupos que executavam o mesmo 
trabalho, mas com iluminações diferentes. Identifi caram o fator psicológico 
como uma variável e de difícil isolamento. Quando se aumentava a iluminação, 
a produção era maior e, quando se diminuía, a produção também caía, 
demonstrando que os trabalhadores se julgavam na obrigação de produzir mais 
quando a intensidade de iluminação aumentava e o oposto quando diminuía.
Na segunda fase, os pesquisadores alteraram o local e também as condições 
de trabalho, estabelecendo períodos de descanso, lanches nos intervalos e 
redução da carga horária. Foi observado também que, o fator psicológico, 
identifi cado na etapa anterior, permanecia presente. Houve um aumento na 
produção associado à satisfação dos trabalhadores por estarem em um ambiente 
amistoso e sem pressão.
Na terceira fase, os pesquisadores fi xaram o estudo das relações humanas, 
afastando-se do objetivo inicial de verifi car as condições físicas do trabalho. 
Realizaram entrevistas para conhecer suas atitudes e sentimentos, ouvir suas 
opiniões quanto ao trabalho e ao tratamento que recebiam, bem como ouvir 
sugestões a respeito do treinamento dos supervisores, permitindo com que 
os entrevistados falassem livremente sem a imposição de um roteiro prévio. 
Descobriram que com a organização informal os trabalhadores eram mantidos por 
laços de lealdade.
Na quarta fase, os pesquisadores analisaram a organização informal, 
adotando um sistema de pagamento de acordo com a produção do grupo e não 
35
ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
mais individualmente. Com isso, perceberam que os trabalhadores apresentaram 
certa uniformidade de sentimentos e maior solidariedade.
Por motivos fi nanceiros, a experiência de Hawthorne foi suspensa em 1932. 
Os resultados infl uenciaram a teoria administrativa, abalando os princípios básicos 
da até então dominante teoria clássica.
As experiências comprovaram que a medição do nível de produção não é 
determinada, como se afi rmava na teoria clássica, através da capacidade física 
ou fi siológica do trabalhador, mas por normas sociais e expectativa do grupo, 
assim como pelos benefícios oferecidos pela organização. Ofertar um ambiente 
que propicie maior integração social no grupo de trabalho aumenta a capacidade 
de produção.
A fi m de resgatar os conhecimentos já aprendidos, apresentaremos o Quadro 
3 com o comparativo entre as duas teorias.
QUADRO 3 – COMPARATIVO ENTRE A TEORIA CLÁSSICA 
E A TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS
Teoria Clássica Teoria das Relações Humanas
Trata a organização como máquina Trata a organização como grupos de pessoas
Enfatiza as tarefas ou a tecnologia Enfatiza as pessoas
Inspirada em sistemas de engenharia Inspirada em sistemas de psicologia
Autoridade centralizada Delegação de autoridade
Linhas claras de autoridade Autonomia do empregado
Especialização e competência técnica Confi ança e abertura
Divisão acentuada do trabalho Ênfase nas relações entre as pessoas
Confi ança nas regras e nos regulamentos Confi ança nas pessoas
Clara separação entre linha e staff Dinâmica grupal e interpessoal
FONTE: . Acesso em: 20 maio 2022.
3.3 TEORIA ESTRUTURALISTA 
Com o declínio da teoria das relações humanas ao fi nal da década de 1950, 
após apontar lacunas da teoria clássica, mas sem proporcionar bases adequadas 
para uma nova teoria, foi criado um impasse dentro da Administração que a teoria 
da burocracia não teve condições de solucionar. 
Como um desdobramento da teoria da burocracia e uma pequena 
aproximação da teoria das relações humanas, surge a teoria estruturalista, com 
uma visão crítica da organização formal. As origens da teoria estruturalista são 
36
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
resumidas, segundo Chiavenato (2014), em quatro causas:
• A oposição surgida entre a Teoria Tradicional e a Teoria das Relações 
Humanas.
• A necessidade de visualizar a organização como uma unidade social.
• A infl uência do estruturalismo nas ciências sociais.
• O novo conceito de estrutura.
A teoria estruturalista está centrada no estudo das organizações, 
considerando sua estrutura interna e interações com as demais organizações. 
As ideias centrais dessa teoria são: a sociedade de organizações e o homem 
organizacional.
As organizações, tais como corporações, exércitos, escolas, hospitais, igrejas 
e prisões, são concebidas como unidades sociais (ou agrupamentos humanos) 
que, a fi m de atingir objetivos específi cos, são intencionalmente construídas e 
reconstruídas. 
O homem organizacional refl ete uma personalidade cooperativae coletivista, 
que pode variar de acordo com o tipo de organização e o cargo ocupado.
Essa é uma teoria de transição e mudança, cujo campo está em constante 
crescimento e desenvolvimento. Embora o estruturalismo não constitua uma 
teoria própria e distinta, trouxe consideráveis contribuições. 
O estruturalismo muda o foco para a estrutura da organização como um todo, 
interessando-se pela organização de forma integral como um sistema social onde 
se deve estudar a estrutura em si mesma e não no indivíduo, como na teoria 
clássica, nem no grupo, como na teoria das relações humanas.
3.4 TEORIA DE SISTEMAS
A partir da década de 1960, a abordagem sistêmica da teoria de sistemas 
chegou à teoria geral de sistemas como ramo específi co. A teoria geral de 
sistemas surgiu com os trabalhos de Ludwig von Bertalanffy (1901-1972).
Essa teoria não tem como propósito solucionar problemas ou tentar soluções 
práticas, mas produzir teorias e formulações conceituais para aplicações na 
realidade empírica (CHIAVENATO, 2014).
37
ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
As divisões das diferentes áreas, como física, química, biologia etc., são 
consideradas divisões arbitrárias, que possuem suas fronteiras bem defi nidas 
e diversas lacunas entre elas. Deve-se, portanto, estudar os sistemas de forma 
global, envolvendo todas as suas partes e interdependências.
Há uma grande variedade de sistemas e tipologias para classifi cá-los, sendo 
os seus tipos classifi cados quanto a sua constituição (físicos ou abstratos) e sua 
natureza (abertos ou fechados).
Uma ideia importante resultante do enfoque sistêmico é a 
defi nição da organização como sistema: uma organização 
é um sistema composto de elementos ou componentes 
interdependentes. Não é uma entidade monolítica.
• O sistema técnico é formado por recursos e componentes 
físicos e abstratos, e que, até certo ponto, independem das 
pessoas: objetivos, divisão do trabalho, tecnologia, instalações, 
duração das tarefas, procedimentos.
• O sistema social é formado por todas as manifestações do 
comportamento dos indivíduos e dos grupos: relações sociais, 
grupos informais, cultura, clima, atitudes e motivação.
• A compreensão dos elementos que interagem nas 
organizações é uma habilidade básica para os gestores 
(MAXIMIANO, 2020, s.p.).
Essa teoria tem por característica ser demasiadamente conceitual e abstrata 
e, por isso, de difícil aplicação em situações de práticas gerenciais. Com sua 
abordagem sistêmica, cobre amplamente todos os fenômenos organizacionais. 
3.5 TEORIA NEOCLÁSSICA
Baseada nos princípios da teoria clássica estudada por Taylor e Fayol, a 
teoria clássica da administração surgiu na década de 1950. Diversos autores 
neoclássicos não formam propriamente uma escola com defi nições precisas, mas 
sim um movimento heterogêneo, cujas denominações são as mais variadas. A 
Teoria Neoclássica tem como características principais:
• Ênfase na prática da administração: a teoria somente tem valor quando 
operacionalizada na prática.
• Reafi rmação relativa dos postulados clássicos: retoma grande parte 
do material desenvolvido pela Teoria Clássica, redimensionando-a e 
reestruturando-a de acordo com as contingências da época atual, dando-
lhe uma confi guração mais ampla e fl exível.
• Ênfase nos princípios gerais de administração: os princípios de 
administração que os clássicos utilizavam como leis científi cas são 
38
 Administração APlicada À Engenharia de Segurança
retomados pelos neoclássicos como critérios elásticos para a busca de 
soluções administrativas práticas.
• Ênfase nos objetivos e nos resultados: toda organização existe não para 
si mesma, mas para alcançar objetivos e produzir resultados.
• Ecletismo nos conceitos: absorção de conteúdo de outras teorias 
administrativas mais recentes.
A literatura neoclássica trata de como explicar as funções administrativas 
no processo administrativo. No mundo em que constantemente estamos vendo 
transformações e mudanças, o processo administrativo mostra ser, nas mais 
variadas situações e circunstâncias, fl exível, maleável e adaptável. Nesse sentido, 
o processo administrativo não é apenas o núcleo da teoria neoclássica, mas o que 
fundamentará a administração moderna.
3.6 TEORIA COMPORTAMENTAL
A teoria comportamental da administração, ou Teoria Behaviorista, surgiu 
no fi nal da década de 1940 como uma oposição e também representando um 
desdobramento da teoria das relações humanas, com uma total redefi nição dos 
principais conceitos administrativos.
Fundamenta-se no comportamento individual das pessoas para explicar 
o comportamento organizacional, sendo a motivação humana um dos temas 
fundamentais da teoria. Utiliza-se da compreensão do comportamento humano e 
de suas necessidades para melhorar a qualidade de vida dentro das organizações.
A ênfase, que antes era dada à estrutura organizacional, marcada pela 
infl uência da teoria clássica, neoclássica e burocrática, é transferida para a ênfase 
nas pessoas. A modifi cação no foco, que antes estava nos aspectos estruturais e 
estáticos, passa a ser os aspectos comportamentais e dinâmicos. Pode-se dizer 
que essa teoria buscou atender às necessidades básicas do indivíduo para uma 
qualidade de vida melhor.
Independentemente das críticas que foram atribuídas à teoria comportamental, 
pode-se dizer que seu conteúdo e abordagem deram novos rumos e dimensões 
para a teoria geral da administração, e seus conceitos são os mais populares e 
conhecidos de toda a teoria administrativa.
39
ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO – CONTEXTO HISTÓRICO Capítulo 1 
3.7 TEORIA DO DESENVOLVIMENTO 
ORGANIZACIONAL
Como um conjunto de ideias a respeito do homem, da organização e 
do ambiente, este movimento surgiu a partir de 1962, no intuito de facilitar o 
crescimento e o desenvolvimento das organizações, podendo ser considerado 
um desdobramento prático e operacional da Teoria Comportamental em direção à 
abordagem sistêmica.
Seu conceito se relaciona às mudanças e à capacidade adaptativa da 
organização às alterações que ocorrem no ambiente, levando a um novo 
conceito de organização e de cultura organizacional. Com a fi nalidade de 
efetuar transações planejadas com o ambiente, a organização é a coordenação 
de diferentes atividades de contribuintes individuais. Já o conjunto de hábitos, 
crenças, valores, tradições, interações e relacionamentos sociais típicos de cada 
organização está relacionado à cultura organizacional. Cada organização tem sua 
própria cultura organizacional ou corporativa.
O principal foco do desenvolvimento organizacional está na mudança tanto 
das pessoas quanto em sua natureza e qualidade das relações de trabalho, com 
ênfase na mudança da cultura organizacional devidamente planejada.
Bauer (1999) descreve os objetivos comuns de um programa de 
desenvolvimento organizacional como: 
• Criação de um senso de identidade das pessoas em relação à 
organização. Busca-se a motivação juntamente ao comprometimento, ao 
compartilhamento de objetivos comuns e ao aumento de lealdade.
• Desenvolvimento do espírito de equipe por meio da integração e da 
interação das pessoas.
• Aprimoramento da percepção comum sobre o ambiente externo a fi m de 
facilitar a adaptação de toda a organização.
Em muitos casos, o desenvolvimento organizacional tem sido utilizado como 
instrumento para assegurar alguns objetivos, como manter ou melhorar sua 
posição como dirigente ou então para a promoção pessoal. Sua utilização visa 
mais a legitimação externa e seus efeitos sobre a imagem pública da organização 
do que propriamente a legitimação interna. Entretanto, na prática, os métodos 
aplicados nessa teoria não são considerados novos nem cientifi camente válidos 
e não se comprovou cientifi camente que a aplicação das técnicas melhora a 
capacidade da organização no que tange ao alcance dos seus objetivos.
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