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E-BOOK INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO Fundamentos de Segurança no Trabalho APRESENTAÇÃO Ações voltadas à saúde e à segurança ocupacional nem sempre estiveram presentes no ambiente de trabalho. Com a evolução do processo produtivo, que começou de forma artesanal e hoje é realizado grandemente por linha de produção, foram desenvolvidas medidas que protegessem os trabalhadores dos danos causados pelas condições de trabalho. Mesmo que essas medidas existam, ainda há necessidade de aprimorá-las e modificar a cultura dos empregados e empregadores. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer as mudanças voltadas à saúde e à segurança ocupacional ao longo do tempo.• Analisar o impacto da evolução tecnológica no processo de trabalho.• Refletir sobre a introdução da saúde e da segurança ocupacional no meio ambiente de trabalho. • DESAFIO Com a chegada da tecnologia, o acesso ao produto está mais rápido e barato. Porém, para que fosse possível chegar a tal resultado, muitas pessoas sofreram com amputações, doenças e perda de familiares, condições provocadas pelas condições de trabalho. Assim que a segurança e a saúde ocupacional começaram a ser implementadas, as condições de trabalho foram melhorando, e a integridade física dos trabalhadores, preservada. Vamos ao desafio? Esta é a imagem do Parthenon, uma construção grega realizada entre 447 e 438 a.C. e dedicada à deusa Athenas. O trabalho era executado pelo homem, com o auxílio de animais. Esta é uma imagem da Ponte Presidente Costa e Silva, popularmente conhecida como Ponte Rio-Niterói. Uma construção brasileira realizada entre 1969 e 1974. O trabalho era executado pelo homem, com o auxílio de máquinas. Esta imagem simboliza o que temos de mais moderno na construção, que é a construção de casas utilizando impressora 3D. O trabalho é executado, em grande parte, por máquinas. Conhecendo essa evolução ocorrida no método utilizado para construir edificações, como o avanço tecnológico pode ter melhorado as condições de saúde e segurança ocupacional? INFOGRÁFICO Observe no infográfico a evolução iniciada assim que a segurança e a saúde ocupacional começaram a ser implementadas. CONTEÚDO DO LIVRO O trabalho é tão antigo quanto o homem. As histórias do homem e do trabalho se confundem em alguns momentos, pois, nos primórdios, o homem trabalhava para garantir sua sobrevivência e de sua prole. Vamos conhecer um pouco mais sobre segurança do trabalho acompanhando o capítulo a seguir. Boa leitura! GESTÃO ESTRATÉGICA DE RECURSOS HUMANOS Luciano Oliveira de Oliveira Fundamentos de segurança no trabalho Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer as mudanças voltadas à saúde e à segurança ocupacional ao longo do tempo. Analisar o impacto da evolução tecnológica no processo de trabalho sobre a saúde ocupacional. Refl etir sobre a introdução da saúde e da segurança ocupacional no meio ambiente de trabalho. Introdução Neste texto, vamos discorrer sobre os fundamentos de segurança no trabalho e as novas tecnologias de gestão. No primeiro momento, va- mos relembrar fatos históricos, tentando identificar como o trabalho era conceituado e qual é sua importância nos dias atuais. Vamos identificar, também, o impacto da evolução tecnológica sobre a saúde do trabalhador e, por último, refletir sobre a qualidade de vida no trabalho. Mudanças voltadas à saúde e à segurança ocupacional ao longo do tempo No princípio, o homem não tinha muita criatividade e se apropriava apenas do que a terra lhe oferecia. Porém, com o decorrer do tempo, sentiu a necessidade de criar novas opções para sustentar seus desejos e vontades devido à escassez de alimentos, mas este novo caminho proporcionou inúmeros riscos à sua saúde. Ocorrem, então, diversas invenções, como o fogo, a lança de pedra, a faca de pedra e até mesmo armaduras para proteção corporal. Você consegue perceber que, nesta fase, a capacidade do homem de empreender, criar e inovar é imensa? Essas características estão presentes até os dias atuais, claro, com maior volume e agressividade. O Quadro 1 ajudará você a situar-se em relação a alguns períodos da história sobre a evolução do ser humano. Nômades (25 mil anos atrás) O homem não plantava, apenas coletava da terra a sua alimentação e fazia migrações entre as regiões quando estes recursos terminavam. Caça (20 mil anos atrás) Com a escassez de alimentos, a caça tornou-se seu principal trabalho, em função de sua sobrevivência. Agricultura (entre 10 e 12 mil anos atrás) O homem deixou de ser nômade e passou a estabelecer-se em região fixa. Ele percebeu a multiplicação dos alimentos ao colocar sementes na terra, colhendo o que plantava. Em momentos de pouca caça, o plantio era a sua alimentação. Comércio (em torno de 3 mil anos) Percebeu também que poderia trocar seu trabalho por coisas que não tinha. Assim dava-se origem ao comércio entre as pessoas. Corporações de ofício (século XI) Surge o artesanato, e os artesãos passavam seus conhecimentos aos companheiros e aprendizes. Nascem, nesse momento, alguns conceitos de qualidade e marca de produtos. Era Industrial ou Maquinofatura (século XVIII) Auge da Revolução Industrial. Com o advento das máquinas, o homem fornecia sua mão de obra em troca de salários. Homem = Máquina. Era da Informação Valoriza-se, aqui, o conhecimento do ser humano e o livre comércio entre as nações (globalização). Quadro 1. O ser humano percorreu três grandes revoluções: a agrícola, a industrial e a tecnológica. Cada uma marcou uma fase de adaptação das pessoas em relação ao trabalho. Os movimentos ocorridos no século XVIII deram a essa época o título de século das luzes, devido ao progresso das ciências, como física, filosofia e biologia. Com o passar dos anos, a indústria precisou expandir as vendas do que produzia, pois o consumo local não estava mais atendendo às expectativas dos empresários. A busca constante por novos mercados e a expansão da economia Gestão estratégica de recursos humanos126 geraram atritos entre alguns países, provocando, assim, a Primeira Guerra Mundial (de 1914 a 1918). Nesse período, a mulher precisou deixar o lar e ser introduzida nas empresas para fazer o trabalho dos homens que lutavam na guerra. Surge então o espaço da mulher no mundo do trabalho. É muito importante você saber que, durante a Revolução Industrial, as condições de trabalho eram completamente insalubres e precárias (jornadas de trabalho de 14 a 18 horas diárias). Não existia preocupação com a saúde dos trabalhadores. Repare que o termo “segurança” nunca foi uma prioridade para o ser humano no seu processo de evolução. Ainda hoje, presenciamos ocorrências que colocam o homem como objetivo empresarial secundário. Acesse este link para compreender um pouco mais sobre as guerras que marcaram a história da humanidade: http://www.sohistoria.com.br/ef2/cronologiaguerras/. Após o fim da Primeira Guerra Mundial, o mundo tentava se reerguer, mas as dificuldades eram muitas. A Europa, devastada, dependia das impor- tações de vários países para se reconstruir, e um dos principais países era os Estados Unidos. A produção em massa de produtos e serviços fez deste país uma potência financeiro-econômica, gerando muitos empregos. No entanto, a Europa atingiu o equilíbrio e passou a depender menos dos Estados Unidos. Em 1929 ocorre uma grande crise financeira mundial gerada pelos Estados Unidos, período chamado de “a grande depressão”. Com o passar dos anos, os Estados Unidos precisaram desenvolver estratégias para proteger seu mercado interno, reduzindo as importações e aumentando as tarifas. Esse evento ajudou a desencadear a Segunda Guerra Mundial. As guerras marcaram a história da humanidade e estão presentes até nossosdias. No entanto, as guerras corporativas são feitas por estratégias psicológicas, tendo como armas o conhecimento e a informação. 127Fundamentos de segurança no trabalho Você percebeu a importância de conhecer a história para entender os dias atuais? Com o fim da Segunda Guerra Mundial, muitas mudanças ocorreram no mundo do trabalho, tendo sido proporcionadas pelo avanço da tecnologia. A partir de então, começam as preocupações com a saúde dos trabalhadores, pois manter-se competitivo nesta nova era de tecnologias, informação e co- nhecimento somente é possível com e através das pessoas. O impacto da evolução tecnológica no processo de trabalho sobre a saúde ocupacional Todos os profi ssionais que trabalham sob algum tipo de pressão, em qualquer parte da organização, correm grande risco de desenvolver alguma doença ocupacional. Contudo, essas doenças não estão ligadas somente a pressões no ambiente de trabalho. Uma desavença com um colega, uma discussão com algum subordinado, um erro de comunicação resultando a perda de uma venda e problemas na família são exemplos de situações que podem provocar reações adversas, o que estimula o surgimento de alguma doença ocupacional com o decorrer do tempo. Saúde ocupacional Para que você entenda mais sobre saúde ocupacional, deve compreender o mecanismo da saúde para o ser humano de modo geral. A saúde é descrita como o desfecho da gestão de seis áreas distintas inerentes aos ser humano (SILVA; MARCHI, 1997). Cada uma delas apresenta sua importância para o resultado fi nal da saúde de um indivíduo. São elas: 1. Saúde física: quadro clínico do indivíduo, desde a alimentação até o uso correto do sistema médico. 2. Saúde emocional: alta capacidade de gerenciamento do estresse até um nível elevado de entusiasmo. 3. Saúde social: harmonia familiar, bons relacionamentos. 4. Saúde profissional: satisfação com o trabalho, desenvolvimento pro- fissional constante e realizações nas funções exercidas. 5. Saúde intelectual: expansão dos conhecimentos, participação no po- tencial interno. Gestão estratégica de recursos humanos128 6. Saúde espiritual: pensamentos positivos e otimistas baseados em valores e ética. Você sabe que o trabalho é necessário ao ser humano, pois tal atividade é a grande responsável pela autocolocação do indivíduo em sociedade. O trabalho exerce um papel de grande importância para a construção de identidade, autoestima e bem-estar psíquico da pessoa. Vimos aqui a evolução do homem até os dias atuais. Podemos perceber, com essa evolução, que o trabalho sempre foi parte inerente do ser humano. Ele apenas evoluiu. Não podemos escapar do trabalho e, da mesma forma que configura uma conquista, traz também desgaste mental com o decorrer do tempo. Todos os indivíduos, quando executam algum tipo de trabalho, estão sujeitos ao desenvolvimento de algum tipo de doença ocupacional. Você sabia que a palavra “trabalho” deriva do latim tripalium? Tripalium (tri, três; palum, madeira) era um instrumento feito de três estacas usadas para torturar escravos e pobres que não conseguiam pagar seus impostos. Evolução da tecnologia – a era da informação Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo sofreu enormes mudanças provo- cadas pelo avanço tecnológico. O surgimento da informática fez emergir a era da informação, modifi cando a forma de se comunicar com a nova automação. Tais acontecimentos impactaram na economia mundial, e assim surgiu a globalização. Com isso, o comércio entre as nações fi cou mais competitivo, o que causou mudanças extremas na forma de trabalhar. Essa novidade alterou o comportamento das pessoas e sua forma de ver o mundo. A informação pode ser armazenada e transformada, gerando valor ao ser humano. O conhecimento conquista dimensões globais no momento em que temos acesso a novas culturas, novos clientes e novas possibilidades. Tudo isso foi possível com a Internet. Você deve estar se perguntando: e o Brasil? O que aconteceu com o Bra- sil? Em relação a outros países, a industrialização aqui é nova. No entanto, 129Fundamentos de segurança no trabalho já ensaiava o surgimento durante o período colonial. A História nos mostra quatro períodos que o Brasil percorreu para chegar onde estamos hoje. São eles: Primeiro período (1500 a 1808): Toda a produção vinha de Portugal, pois a colônia era proibida de produzir qualquer tipo de produto. Segundo período (1808 a 1930): Denominado “período da implan- tação”, pois sofreu inúmeros ajustes tarifários para as importações, principalmente com a entrada da Inglaterra no processo. Novas leis surgiram e desencadearam mudanças e crescimento nas indústrias, tendo como consequência a redução das importações. Com o início da Primeira Guerra, o Brasil precisou utilizar mais seus recursos internos, pois havia grande dificuldade na importação de insumos e matéria-prima. Terceiro período (1930 a 1956): Período considerado como a “Revo- lução Industrial Brasileira”, pois o governo de Getúlio Vargas adota políticas de substituição de mão de obra de imigrantes pela mão de obra nacional. Em decorrência do êxodo rural, há maior investimento na indústria, fazendo com que o café deixasse de ser o princípio de atividade econômica principal. Quarto período (a partir de 1956): A partir desse momento, o Bra- sil começa a ser reconhecido como uma economia internacional e se torna um país altamente industrializado. Sua história foi marcada por altos e baixos. O grande desenvolvimento só foi possível graças aos investimentos estrangeiros, que foram atraídos com vários incentivos – tarifários, cambiais e fiscais – do governo. Aumente seus conhecimentos sobre a Revolução Industrial Brasileira acessando este link : https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_ industrializa%C3%A7%C3%A3o_no_Brasil. Em 1919 é criada a Lei n° 3.724, de 15 de janeiro, primeira lei brasileira sobre acidentes de trabalho. Gestão estratégica de recursos humanos130 Normas regulamentadoras Existe uma série de normas regulamentadoras no Brasil. Elas são responsáveis por manter os empregados contratados mediante o regime da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), protegidos e com a devida preservação da sua saúde física e mental, dentro das empresas públicas ou privadas. Hoje, conta--se com 37 normas regulamentadoras aprovadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego no Brasil. No link a seguir, você pode ver mais detalhes a respeito de cada norma regula- mentadora sobre segurança e saúde no trabalho: http://www.mtps.gov.br/ seguranca-e-saude-no-trabalho/normatizacao/normas-regulamentadoras. A introdução da saúde e da segurança ocupacional no meio ambiente de trabalho Como vimos até aqui, o trabalho percorreu muitos caminhos e evoluiu de forma signifi cativa no decorrer do tempo. Algumas questões ligadas à saúde no trabalho sempre estiveram presentes. Neste último trecho, você verá as principais doenças que atingem os trabalhadores e que estão relacionadas ao mundo do trabalho. Estresse no trabalho A partir do momento em que nasce, o ser humano recebe infl uências constantes e estímulos do ambiente onde vive, das pessoas que o circundam e do seu próprio organismo. Tais estímulos desencadeiam uma série de reações fun- damentais para a sua sobrevivência. No decorrer da vida, o homem adapta-se gradativamente ao mundo. Tais adaptações podem ocorrer de forma tranquila ou conturbada, conforme a natureza dos estímulos recebidos. As reações do organismo, diante dos estímulos proporcionados pela rotina, passaram a ser motivo de fascínio e estudo de muitos pesquisadores. 131Fundamentos de segurança no trabalho Após muitos anos de estudos e experiências, chegou-se à identificação da “síndrome do estresse”. Essa doença é caracterizada por afetar o indivíduo de modo geral, causando defesa sistêmica. É considerada de adaptação por buscar um estado de equilíbrio (ARANTES; VIEIRA, 2002). Existem alguns indicadores sintomáticos deestresse nos indivíduos, evi- denciados pela dinâmica psicossomática. São eles: Sintomas psicológicos: instabilidade emocional, ansiedade, depressão, agressividade, irritabilidade, entre outras sensações. Sintomas físicos: úlceras, alergias, asma, enxaquecas, alcoolismo, disfunções coronarianas e circulatórias. Sintomas sociais: queda no desempenho profissional, ausências, aci- dentes, conflitos domésticos, apatia. Foram citados aqui alguns indicadores de estresse que o corpo humano está sujeito quando é atingido pelos agentes estressores. Repare, porém, caro leitor, que o corpo humano e a mente, através de processos simultâneos, estão em uma busca constante pelo equilíbrio dos níveis das emoções. Por consequência, surgem alguns sintomas provindos das funções dos órgãos distribuídos pelo corpo humano, conforme expressa o Quadro 2. Órgãos Sintomas Aparelho digestório Vômitos, diarreia, prisão de ventre, alterações da mobilidade do estômago e dos intestinos. Aparelho respiratório Asma, bronquite. Aparelho geniturinário Dor ao urinar, cólicas renais, aumento da frequência urinária, vaginismo, ejaculação precoce, cólicas menstruais. Aparelho circulatório Hipertensão arterial, enxaqueca, cefaleia de tensão. Pele Neurodermites, eczemas, pruridos. Quadro 2. Gestão estratégica de recursos humanos132 Para muitos pesquisadores, o estresse é considerado o mal do século XXI, pois é a partir dele que outras doenças – depressão e síndrome de burnout, por exemplo – começam a se manifestar. Síndrome de burnout É impossível falar em estresse no trabalho sem citar a síndrome de burnout! Essa síndrome é considerada uma das mais significativas doenças ligadas ao estresse no trabalho. Os primeiros estudos sobre burnout tiveram início na década de 1970 com o surgimento de vários tipos de pesquisas sobre o assunto. O termo “burnout” foi utilizado inicialmente por Freudenberger (1974), um médico psicanalista que, através de experiências pessoais de frustração e dificuldades, chegou a um estado de exaustão física e emocional. Freudenberger descreveu burnout como um sentimento de fracasso e exaustão, causado por excessivo desgaste de energia e recursos, ligados a situações de trabalho em que se tem, como objeto de trabalho, o contato com outras pessoas. Explica-se a síndrome de burnout como uma resposta emocional do corpo em função de situações de estresse – relacionadas ao trabalho –. Podem ser situações que envolvam outras pessoas ou apenas o próprio indivíduo, quando este alimenta muitas expectativas relativas ao seu desenvolvimento no trabalho, mas, por diferentes razões, não as atinge. Podemos identificar a síndrome de burnout em profissões como as de médico, en- fermeiro, professor, bombeiro e policial. São ocupações que lidam diretamente com pessoas. As condições de trabalho estão divididas em ambiente físico (temperatura, pressão etc.), químico (vapores, poeiras, fumaças etc.), biológico (vírus, bac- térias, fungos etc.) e em condições de higiene e de segurança. Com a devida 133Fundamentos de segurança no trabalho preocupação por parte das empresas, é possível o ajuste da estrutura com a realidade psicossocial que envolve o ser humano. O Quadro 3 mostra a relação das outras doenças que percorrem o dia a dia do ser humano dentro das empresas. Doenças ocupacionais Doenças por repetição Lesão por esforço repetitivo (LERS) Distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) Doenças respiratórias Asma ocupacional Antracose Bissinose Siderose Doenças de pele Dermatose ocupacional Câncer Doenças auditivas Surdez Doenças visuais Catarata Desgaste da visão Doenças psicossociais Estresse Depressão Síndrome de burnout Ansiedade Síndrome do pânico Quadro 3. No contexto empresarial atual, no qual as inovações acontecem em um ritmo cada vez mais acelerado, a pressão acarretada sobre os trabalhadores tende a ser cada vez maior. Há uma busca constante de melhoria da produti- vidade e aumento da competitividade frente ao mercado globalizado. Estudos comprovam que as doenças ocupacionais estão se tornando cada fez mais frequentes, exigindo a atenção e os cuidados da alta diretoria das organizações, no sentido de procurar atenuar seus efeitos sobre a atuação dos profissionais. Uma das ferramentas mais utilizadas é a pesquisa de clima organizacional. Gestão estratégica de recursos humanos134 ARANTES, M. A. C.; VIEIRA, M. J. F. Estresse: clínica psicanalítica. 2. ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2002. SILVA, M. A. D.; MARCHI, R. Saúde e qualidade de vida no trabalho. São Paulo: Best Seller, 1997. Leituras recomendadas BECK, A. T.; ALFORD, B. A. Depressã o: causas e tratamento. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2011. CARLOTTO, M. S. Síndrome de Burnout: um tipo de estresse ocupacional. Canoas: Ulbra, 2001. DEJOURS, C. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. 5. ed. São Paulo: Cortez, 1992. DUPONT. Principais doenças ocupacionais. [S.l.: s.n.], 2015. Disponível em: <http://fa- landodeprotecao.com.br/principais-doencas-ocupacionais>. Acesso em: 21 jun. 2016. LIMONGI-FRANÇA, A. C.; RODRIGUES, A. L. Stress e trabalho: uma abordagem psicos- somática. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1999. MUCHINSKY, P. M. Psicologia organizacional. São Paulo: Pioneira Thompson Learning, 2004. ROBBINS, S. P. Comportamento organizacional. 8. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1999. ROJAS, P. Té cnico em seguranç a do trabalho. Porto Alegre: Bookman, 2015. ZANELLI, J. C. (Org.). Estresse nas organizacõ es de trabalho: compreensã o e intervenç ã o baseadas em evidê ncias. Porto Alegre: Artmed, 2010. Gestão estratégica de recursos humanos136 Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Referem-se às leis que regulamentam o vínculo empregatício, regendo o acordo de trabalho entre funcionários e empresas.O vídeo mostra como a segurança e a saúde ocupacional começaram a ser inseridas nas atividades laborais. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) As Normas Regulamentadoras, estabelecidas pelo Ministério do Trabalho, referem-se a qual tópico de atuação nas indústrias e organizações? A) As diretrizes básicas para avaliação e concessão de benefícios sociais referente à doença e acidente relacionado ao trabalho. B) As normativas obrigatórias para as empresas e organizações para implementação de ações de proteção da integridade física e saúde dos trabalhadores, onde o regime de contrato seja a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. C) Referem-se às leis que regulamentam o vínculo empregatício, regendo o acordo de trabalho entre funcionários e empresas. D) A descrição da formação mínima necessária para os profissionais da segurança e saúde ocupacional atuantes nas organizações. E) Definição dos tópicos de avaliação de concessão de bolsas de apoio ao desenvolvimento dos trabalhadores no Programa Nacional de Valorização do Trabalhador. Em relação às doenças ocupacionais, inerentes à realização de qualquer tipo de 2) atividade laborar, podemos afirmar que: A) Todos os trabalhadores estão expostos em menor ou maior grau, sendo que medidas de prevenção e controle devem ser adotadas para evita-las. B) Com a Revolução Digital a incidência destas doenças ocupacionais foi reduzida, em função das atividades realizadas pelos trabalhadores. C) Os trabalhadores devem escolher trabalho em locais onde existam menos riscos, estando assim protegidos das doenças ocupacionais. D) Somente a pressão por realizar uma determinada tarefa gera doenças ocupacionais E) As doenças ocupacionais estão controladas nos ambientes de trabalho, em função da grande evolução tecnológica e competitividade global. 3) Em relação às doenças ocupacionais apresentadas, os Distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) estão associados a: A) Ruído, onde um trabalhador fica exposto a diversas máquinas em operação sem a devidaproteção sonora. B) Poeira, onde um trabalhador fica em ambiente com material em suspensão no ar sem a devida proteção respiratória. C) Estresse, relacionado à carga de trabalho muito superior a que um determinado trabalhador consegue realizar. D) Câncer, onde um trabalhador fica exposto a compostos químicos carcinogênicos. E) Repetição de uma tarefa, como por exemplo, um operador de computador que utiliza o teclado durante períodos de tempo longos. 4) As condições nos locais de trabalho levam a riscos ocupacionais nestes ambientes. Exemplos de atividade que envolvem a presença de riscos biológicos são: A) Costura de peças de vestuário em fábricas têxteis. B) Manuseio de material contendo vírus em laboratórios de analise clínicas. C) Corte e dobra de chapas de aço em metalúrgicas. D) Mistura de componentes químicos em indústrias químicas. E) Trabalho em temperatura baixa em câmaras frias de frigoríficos. 5) A Síndrome de burnout, termo utilizado inicialmente por Freudenberger (1974), caracteriza um esgotamento físico e mental, causado por: A) Exposição a risco relacionado às temperaturas e pressões anormais (altas ou baixas) no ambiente de trabalho. B) Dificuldade de atendimento das normas regulamentadoras impostas pelo Ministério do Trabalho. C) Sentimento de fracasso e exaustão, causado por excessivo desgaste de energia e recursos, ligados a situações de trabalho. D) Dificuldades respiratórias relacionadas à asma causada por poeiras no local de trabalho. E) Carregamento e movimentação excessiva de peso nos ambientes de trabalho. NA PRÁTICA Vejamos um exemplo de como pode ocorrer o desenvolvimento de proteção de uma máquina. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: A história do direito e da justiça do trabalho no Brasil Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Saúde e Segurança no Trabalho Informal: Desafios e Oportunidades para a Indústria Brasileira Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Saúde do trabalhador e da trabalhadora Relaciona a questão da saúde e segurança no trabalho no Brasil com o esforço de integração com as linhas de assistência de saúde públicas. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Institucional Fundacentro A Fundacentro é o maior centro de pesquisa da América Latina na área de Segurança e Saúde no Trabalho (SST). Este vídeo traz um breve resumo dos trabalhos realizados pela Instituição ao longo de mais de quatro décadas de existência. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Normas Regulamentadoras - NR´s. APRESENTAÇÃO O ambiente de trabalho pode causar doenças ou acidentes quando estratégias de prevenção não são implementadas para proteger os trabalhadores, que devem ser adequadas para diminuir os riscos presentes no ambiente e os impactos dos fatores comportamentais dos trabalhadores. As Normas Regulamentadoras (NRs) foram criadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego como diretriz para promover a prevenção de doenças e riscos ocupacionais e proteger a saúde e integridade física dos trabalhadores. Nesta Unidade de Aprendizagem você vai conhecer as normas regulamentadores e sua aplicação no ambiente de trabalho conforme a necessidade da empresa. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar as normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego.• Relacionar as normas regulamentadoras adequadas à situação analisada.• Construir meios de implementação das normas regulamentadoras.• DESAFIO Uma empreiteira foi contratada por uma construtora para realizar a pintura da fachada de um edifício com cinco pavimentos. Para que os funcionários da empreiteira possam ingressar no canteiro de obras é necessário apresentar algumas documentações referentes à proteção da saúde dos funcionários, identificação dos riscos ocupacionais, capacitação para trabalho em altura e utilização de equipamentos de proteção individual. O setor de Recursos Humanos da empresa pediu que você, engenheiro da obra, ajudasse a identificar quais documentos devem ser apresentados à empresa cliente que atendam a esses critérios. Liste os documentos que serão apresentados, identificando o número da norma referente a cada um deles. INFOGRÁFICO Para um equilíbrio entre as exigências legais, as quais incluem-se as NRs, e os valores e princípios da empresa, é preciso desenvolver ações como capacitações, levantamentos estatísticos de custos, acidentes, doenças, comparar como a prevenção resulta em economia, entre outras ações que promovam a conscientização dos gestores e funcionários sem que seja necessário um ato punitivo como autuação e multa. Veja no infográfico que atitudes podem nortear estas ações para contribuir com a implementação das NRs. CONTEÚDO DO LIVRO Com a leitura do capítulo Normas Regulamentadoras NRs, da obra Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional, você vai conhecer as Normas Regulamentadoras publicadas pelo Ministério do Trabalho que possuem valor de lei, identificando a relação das mesmas com a prática profissional, a qual busca adequar o que gera risco à saúde e integridade física dos trabalhadores, resultando na implementação das normas. Boa leitura. SEGURANÇA DO TRABALHO E SAÚDE OCUPACIONAL André Luís Abitante Normas regulamentadoras — NRs Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Identificar as normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho. � Relacionar a(s) norma(s) regulamentadora(s) adequada(s) à situação analisada. � Construir meios de implementação das normas regulamentadoras. Introdução O ambiente de trabalho pode causar doenças ou acidentes, quando estratégias de prevenção não são implementadas para proteger os traba- lhadores, ou seja, ele deve ser adequado para diminuir os riscos presentes e os impactos dos fatores comportamentais dos trabalhadores. As normas regulamentadoras foram criadas pelo Ministério do Traba- lho (MTb), como diretriz para promover a prevenção de doenças e riscos ocupacionais e proteger a saúde e integridade física dos trabalhadores. Neste capítulo, você conhecerá as normas regulamentadores e a aplicação no ambiente de trabalho conforme a necessidade da empresa. Normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho As normas regulamentadoras (NRs) são publicações do Ministério do Trabalho, por meio da Portaria número 3.214/78, para parametrizar a saúde e a segurança ocupacional dentro das instituições que possuem empregados contratados por regime de trabalho baseado na Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT. As NRs são elaboradas e modificadas por uma comissão tripartite (go- verno, empresários e empregados), por meio de portarias expedidas pelo MTb. Nada, nessas normas, “cai em desuso” sem a existência de uma nova portaria, Identificação interna do documento G75O2FXW5D-LP4FLZ1 identificando a modificação pretendida. Cabe lembrar que os requisitos de segurança e saúde ocupacional não ficam restritos às NRs, estando presentes em outros documentos, como: leis, decretos, decretos-lei, medidas provisórias, portarias, instruções normativas da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), resoluções da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e agências do Governo, ordens de ser- viço do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e regulamentos técnicos do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). Veja, a seguir, quais são essas normas (NRs)e sobre o que cada uma aborda em sua redação. � NR 1 – Disposições Gerais: trazem algumas definições sobre o campo de aplicação de todas as normas regulamentadoras, atividades de órgãos governamentais relacionados à saúde e segurança ocupacional, termos que serão comuns às outrasnormas regulamentadoras e responsabilida- des dos envolvidos na aplicação das normatizações. Trata da Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho (SSST), das Delegacias Regionais do Trabalho (DRT), bem como define o que são setor de serviços, canteiros de obras, frentes de trabalho, responsabilidades solidárias, etc. Estabelece, ainda, as penalidades previstas para os empregados infratores: advertência oral, advertência escrita, suspensão sem paga- mento, dispensa por “justa causa” – em relação ao empregador, há a NR 3 (Embargo ou Interdição) e NR 28 (Fiscalização e Penalidades). Tem a sua existência jurídica assegurada, em nível de legislação ordinária, nos artigos 154 a 159 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). � NR 2 – Inspeção Prévia: trata sobre as situações em que as empresas deverão solicitar ao MTb a realização de inspeção prévia em seus estabelecimentos, bem como a forma de sua realização. Contudo, as demandas de trabalho do Ministério do Trabalho são maiores que as forças de trabalho que o mesmo possui, estando esta prática em desuso pela instituição governamental, mesmo que normatizada, com existência jurídica assegurada, em nível de legislação ordinária, nos artigos 160 e 161 da CLT. Pela norma, toda empresa deve comunicar e solicitar vistoria e aprovação da DRT, órgão regional do MTb, antes de iniciar suas atividades e sempre que ocorrerem modificações substanciais nas instalações e/ou nos equipamentos de seu(s) estabelecimento(s). Estando tudo em conformidade, a empresa recebe o CAI (Certificado de Aprovação de Instalações). Normas regulamentadoras — NRs2 Identificação interna do documento G75O2FXW5D-LP4FLZ1 � NR 3 – Embargo ou Interdição: a norma define a aplicação de medidas de urgência em situações de risco grave e iminente, ou seja, toda situação de trabalho que coloque a vida ou integridade física do trabalhador em risco, para paralisação das atividades de forma parcial ou totalitária, até que o risco seja neutralizado.As situações de risco são definidas pelas NRs — por exemplo, na NR 13 (itens 13.1.4, 13.2.5, 13.3.2, 13.3.4, 13.3.12 e 13.5.1), em relação às caldeiras e vasos sob pressão, na NR 15 anexo 1 (item 7), anexo 2 (item 4) e anexo 3, com relação às atividades e operações insalubres envolvendo ruído e calor, etc. Somente o Delegado Regional do Trabalho, baseado em laudo técnico, poderá interditar ou embargar, respectivamente, um estabelecimento ou obra (serviço de construção, montagem, instalação, manutenção e/ou reforma), indi- cando na decisão tomada, com a brevidade que a ocorrência exigir, as providências que deverão ser adotadas. A NR 3 tem existência jurídica assegurada, em nível de legislação ordinária, no artigo 161 da CLT. A norma estabelece,ainda,o princípio da “dupla visita” para os Auditores Fiscais do Trabalho (AFT), ou seja, a fiscalização possui caráter educa- tivo e punitivo, desde que: não haja caracterizado nenhum risco grave e iminente; tenha ocorrido promulgação ou expedição de novas leis, regulamentos ou instruções ministeriais; trata-se de primeira inspeção nos estabelecimentos ou locais de trabalho recentemente inaugurados ou empreendidos; trata-se de estabelecimento ou local de trabalho com até (10) dez trabalhadores, salvo quando for constatada infração por falta de registro de empregado ou de anotação da CTPS, bem como na ocorrência de reincidência, fraude, resistência ou embaraço a fiscalização; trata-se de microempresa ou de pequeno porte, na forma da lei específica. As empresas podem recorrer (de embargos ou interdições) no prazo de 10 (dez) dias à Secretaria de Segurança e Medicina do Trabalho (SSMT), à qual é facultado dar efeito suspensivo. � NR 4 – Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT): aborda a formação e o dimensiona- mento das equipes de profissionais de saúde e segurança ocupacional que irão compor o serviço (baseado no número de empregados total), definindo algumas das atividades que devem ser apresentadas ao Minis- tério do Trabalho, assim como a periodicidade de apresentação dessas informações. Cada empresa deve registrar na DRT, órgão regional do MTb, uma equipe SESMT, contemplando médico, engenheiro de segurança, enfermeiro, técnico de segurança e auxiliar de enfermagem. Essa equipe é dimensionada segundo o Quadro II desta NR — por 3Normas regulamentadoras — NRs Identificação interna do documento G75O2FXW5D-LP4FLZ1 exemplo: os canteiros de obras e as frentes de trabalho com menos de 1.000 (mil) empregados e situados no mesmo estado, território ou distrito federal não serão considerados como estabelecimentos, mas como integrantes da empresa de engenharia principal responsável, ou seja, os engenheiros de segurança, os médicos e os enfermeiros poderão ficar centralizados, desde que a distância a ser percorrida entre aquele estabelecimento em que se situa o serviço e cada um dos demais não ultrapasse a 5 km (cinco quilômetros). � NR 5 – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA): define os critérios que devem ser seguidos para constituição da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, processo eleitoral e dimensiona- mento, que deve ser feito baseado no Quadro I da referida norma, que funciona como uma matriz, cruzando informações sobre o grupo que a empresa pertence, a Classificação Nacional de Atividade Econômica, o número de empregados, treinamentos e atribuições da CIPA — por exemplo: nos grupos C-18 e C-18A (construção) deverá ser constituída a CIPA por estabelecimento a partir de 70 trabalhadores; quando o estabelecimento possuir menos de 70 trabalhadores, observar o di- mensionamento descrito na NR 18, subitem 18.33.1. A NR 5 tem sua existência jurídica assegurada, em nível de legislação ordinária, nos artigos 163 a 165 do Capítulo V do Título II da CLT. Os objetivos da CIPA visam a garantir a representação dos trabalhadores nas questões de melhoria da segurança e saúde ocupacional, em reuniões mensais, e seu registro junto ao órgão regional do MTb deve ser feito em até 10 (dez) dias após a eleição. O empregador deve promover para todos os membros da CIPA, titulares e suplentes, por meio da SESMT, em horário de expediente normal da empresa, curso sobre prevenção de acidentes do trabalho, com carga horária mínima de 18 (dezoito) horas, obedecendo a um currículo básico. � NR 6 – Equipamento de Proteção Individual (EPI): determina os critérios para identificação dos Equipamentos de Proteção Individual, Treinamento para uso, monitoramento das condições do EPI e respon- sabilidades dos empregados e empregadores. A interpretação desta norma, principalmente no que diz respeito à responsabilidade do em- pregador, é de fundamental importância para a aplicação da NR 15, na caracterização e/ou descaracterização da insalubridade. A norma tem a sua existência jurídica assegurada, em nível de legislação ordinária, nos artigos 166 a 167 da CLT. Conforme estabelece a Portaria MTb/ SIT no. 25, de 15 de outubro de 2001, todo fabricante ou importador Normas regulamentadoras — NRs4 Identificação interna do documento G75O2FXW5D-LP4FLZ1 de EPI deve cadastrar-se junto ao MTb, de acordo com as disposições contidas no Anexo II da NR 6. O uso de EPI é obrigatório, e deve ser recomendado pelo SESMT ou CIPA, nas seguintes condições: sempre que as medidas de proteção coletiva forem tecnicamente inviáveis ou não oferecerem completa proteção contra os riscos de acidentes de trabalho e/ou de doenças profissionais e do trabalho; enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas; para atender às situações de emergência. É responsabilidade do empregador (item 6.6 da NR 6): adquirir o adequado EPI ao risco de cada atividade; exigir seu uso; fornecer ao trabalhador somente o aprovado pelo órgão nacional com- petente em matéria de segurança e saúde no trabalho; orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e conservação; substituir imediatamente,quando danificado ou extraviado; responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica; comunicar ao MTb qualquer irregularidade observada. As responsabilidades do empregado (item 6.7 da NR 6) são: usar, utilizando-o apenas para a finalidade a que se destina; responsabilizar-se pela guarda e conservação; comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio para uso; cumprir as determinações do empregador sobre o uso adequado. � NR 7 – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO): estabelece a obrigatoriedade de elaboração e implantação do PCMSO por parte de todos os empregadores e instituições, visando ao monitoramento individual dos trabalhadores expostos a agentes quí- micos, físicos e biológicos, definidos pela NR 9 Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). Um Médico deve ser o responsável pela elaboração e pelo acompanhamento do programa, sendo o empregador responsável por viabilizar esse processo. Esta norma determina os exames médicos admissionais (realizados para todos os funcionários), os demissionais, e os Atestados de Saúde Ocupacional (ASO), onde devem constar todos os itens previstos na NR 7, com atenção para: nome, número de identidade, função, riscos ocupacionais específicos, tipos de exames que foram realizados com data, nome do médico coordenador e nº de registro no Conselho Regional de Medicina (CRM), definição apto/ inapto, nome do médico examinador e forma de contato ou endereço, data e assinatura (inclusive do trabalhador, comprovando o recebimento de uma segunda via do atestado). O PCMSO pode e deve ser alterado a qualquer momento, em seu todo ou em parte, sempre que o médico detecte mudanças em riscos ocupacionais decorrentes das alterações nos processos de trabalho; novas descobertas da ciência médica, em relação 5Normas regulamentadoras — NRs Identificação interna do documento G75O2FXW5D-LP4FLZ1 a efeitos de riscos existentes; mudança de critérios de interpretação dos exames; ou, ainda, reavaliações do reconhecimento dos riscos. Esses documentos não necessitam de homologação ou registro nas Delegacias Regionais do Trabalho, basta ser arquivado no estabelecimento e ficar à disposição da fiscalização, por um período mínimo de 20 anos após o desligamento do trabalhador. � NR 8 – Edificações: aborda critérios que devem ser seguidos para manter a segurança, o conforto e a saúde dos profissionais que utilizam a edificação onde se encontra a empresa, descrevendo as medidas e características adequadas para as instalações. A NR 8 tem sua existência jurídica assegurada, em nível de legislação ordinária, nos artigos 170 a 174 da CLT. As recomendações vão desde os pisos (que não devem apresentar saliências nem depressões), passando pelas aberturas nas paredes (que devem ser protegidas de forma que impeçam a queda de pessoas ou objetos), pelos terraços (que devem dispor de guarda-corpo com no mínimo 90 cm de altura), até questões referentes à ventilação e iluminação natural (evitar insolação excessiva ou falta de insolação). � NR 9 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA): traz as recomendações para definição e prevenção dos riscos ambientais, a responsabilidade do empregador e dos empregados no atendimento à normatização, por meio do estabelecimento da obrigatoriedade de elaboração e implementação de um programa de higiene ocupacional. A NR 9 tem sua existência jurídica assegurada, em nível de legislação ordinária, nos artigos 176 a 178 da CLT. O item 9.5.1 estabelece que, para fins de elaboração do PPRA, os riscos ambientais são os agentes físicos (ruído, vibrações, pressões anormais, etc.), químicos (poeiras, fumos, névoas, etc.) e biológicos (bactérias, fungos, etc.) existentes nos ambientes de trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde dos trabalhadores. Recomenda-se que o empregador direcione a elaboração do PPRA para o SESMT da empresa ou contrate um serviço terceirizado, que pode ser uma instituição, uma empresa de consul- toria privada ou, até mesmo, um profissional autônomo. O PCMSO deverá ser planejado e implantado com base nos riscos à saúde dos trabalhadores identificados nas avaliações realizadas pelo PPRA, não poderá existir um PCMSO sem que o mesmo esteja baseado num PPRA atualizado. O PPRA deve ser complementado por outros programas (previstos nas demais NRs) e requisitos legais, tais como: Programa de Conservação Auditiva (PCA - Ordem de Serviço INSS/DSS 608/99), Normas regulamentadoras — NRs6 Identificação interna do documento G75O2FXW5D-LP4FLZ1 Programa de Proteção Respiratória (PPR - Instrução Normativa MTb/ SSST 01/94), Programa de Prevenção de Exposição Ocupacional ao Benzeno no Trabalho (PPEOB - NR 15), Avaliação Ergonômica (NR 17), Programa de Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT - NR 18) e Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR - NR 22). � NR 10 – Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade: a norma descreve as diversas atividades de trabalho com eletricidade, elencando as documentações necessárias para evidenciar medidas pro- tetivas, habilitações e treinamentos entre outros, contemplando as fases de geração, transmissão, distribuição e consumo de energia elétrica, incluindo elaboração de projetos, construção, montagem, operação, manutenção das instalações elétricas, bem como quaisquer trabalhos realizados em suas proximidades. A NR 10 tem sua existência jurídica assegurada pelos artigos 179 a 181 da CLT, porém, por tratar-se de serviço técnico, várias normas da ABNT (5410, 5413, 9518 etc.) tratam dos mesmos assuntos. Estabelece medidas de proteção individual (EPIs — capacete classe B, óculos de proteção contra a radiação, luvas e mangas isolantes de borracha, vestimenta resistente ao arco elétrico, etc.) e coletiva, tais como: isolação das partes vivas, obstáculos, barreiras, sinalização, sistema de seccionamento automático de alimentação, bloqueio do religamento automático, aterramento das instalações entre outras. Os EPIs e normas destes, particularmente para os riscos da eletricidade, devem seguir a Portaria MTb/SIT 48/03 e a Portaria MTb/ SIT 108/04. Para efetivo cumprimento e aplicação da NR 10, as empre- sas devem contar com colaboradores que tenham realizado um curso específico na área elétrica reconhecido pelo Sistema Oficial de Ensino, o que pode ocorrer, segundo a regulamentação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), em três níveis: cursos de formação inicial (eletricistas), de nível médio (eletrotécnicos ou eletromecânicos) e superior (engenheiros eletricistas). Treinamentos na empresa não bastam para qualificar o trabalhador, sendo necessária a apresentação de um diploma ou certificado de qualificação profissional, que devem ser “reciclados” em um período de até dois anos. � NR 11 – Transporte, Movimentação, Armazenagem e Manuseio de Materiais: traz informações sobre a segurança no transporte, a movimentação, a armazenagem e o manuseio de materiais, descrevendo procedimentos que devem ser seguidos, capacitações, arranjo físico e estrutura da edificação. Essa NR foi redigida recentemente, devido ao 7Normas regulamentadoras — NRs Identificação interna do documento G75O2FXW5D-LP4FLZ1 grande número de acidentes causados pelos equipamentos de içamento e transporte de materiais, ocorridos com a crescente mecanização das atividades, que motivaram um aumento da quantidade de materiais movimentados no ambiente de trabalho. A NR 11 tem a sua existência jurídica assegurada no nível de legislação ordinária, nos artigos 182 e 183 da CLT, bem como várias NBRs que tratam do assunto (6327, 11900, 13541, 13542, 13543 e 13545). Trata tanto dos equipamentos de içamento (talhas manuais e elétricas, pontes-rolantes, guindaste de cavalete, de torre, de cabeça de martelo, lança horizontal e móvel sobre rodas ou esteiras) e transporte (rolete, correia,rosca sem fim e de caneca), suas particularidades e inspeções, como da armazenagem de materiais e dos trabalhadores diretamente envolvidos, como,por exemplo: 1) operadores de gruas e guindastes móveis, e o uso de procedimentos sinalizatórios com o braço e as mãos; 2) estivadores, cujo carregamento manual de sacos só pode dar-se até 60m. � NR 12 – Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos: aborda requisitos que devem ser adotados na instalação, operação e manutenção de máquinas e equipamentos. A NR 12 tem a sua existência jurídica assegurada, em nível de legislação ordinária, nos artigos 184 a 186 da CLT, além de ligação direta com várias normas da ABNT (NBRs). Trata sobre dispositivos de acionamento e parada, particularidades de prensas hidráulicas e mecânicas, comando bi-manual, energia elétrica, elementos rotativos, transmissão de força, combustão interna, guilho- tinas, injetoras, calandras, enfim, tudo que é utilizado atualmente pela indústria. Conceitua os sistemas de proteção de máquinas e equipamen- tos (fixas, enclausuradas, à distância ou intertravamento) e estabelece os cuidados específicos no trabalho de manutenção e operação, por meio de programas especiais, como, por exemplo, o Programa de Prevenção de Riscos em Prensas e Equipamentos Similares (PPRPS). � NR 13 – Caldeiras, Vasos de Pressão e Tubulação: a norma traz diretrizes para implementação da segurança na operação de caldei- ras, vasos de pressão e tubulação, descrevendo informações sobre manutenção, documentos que devem ser elaborados para evidenciar a realização de medidas protetivas (prontuários, registro de segurança, projeto de instalação e/ou reparo, relatórios de inspeção), definição de termos técnicos sobre o assunto, entre outros. A NR 13 tem a sua existência jurídica assegurada, em nível de legislação ordinária, nos artigos 187 e 188 da CLT, sendo balizada pelas NBRs 5413, 12177 e 12228.A norma conceitua, para questões legais, a pressão máxima, Normas regulamentadoras — NRs8 Identificação interna do documento G75O2FXW5D-LP4FLZ1 pressão máxima admissível e pressão de projeto. Estabelece como risco grave e iminente a falta de qualquer um dos seguintes itens: válvula de segurança com pressão de abertura ajustada em valor igual ou inferior à PMTA; instrumento que indique a pressão do vapor acumulado; injetor ou outro meio de alimentação de água, independentemente do sistema principal, em caldeiras a combustível sólido; sistema de drenagem rápida de água, em caldeiras de recuperação de álcalis; sistema de indicação para controle do nível de água ou outro sistema que evite o superaquecimento por alimentação deficiente. Para efeito desta NR, será considerado operador de caldeira aquele que possuir ensino fundamental completo e satisfizer pelo menos uma das seguintes condições: possuir certificado de Treinamento de Segurança na Operação de Caldeiras e comprovação de estágio prático, conforme subitem 13.3.11; possuir certificado de Treinamento de Segurança para Operação de Caldeiras previsto no item 13.3.5 alínea “b” da NR 13; possuir comprovação de pelo menos 3 (três) anos de experiência nesta atividade. � NR 14 – Fornos: são descritas nesta NR poucas informações para serem seguidas na operação de fornos, relacionadas à instalação, estrutura dos fornos e sistema de proteção. � NR 15 – Atividades e Operações Insalubres: esta norma define, em seus anexos, os agentes insalubres, limites de tolerância e critérios técnicos e legais para avaliar e caracterizar as atividades e operações insalubres e o adicional devido para cada caso. Devem ser observadas a NBR 14725 (Produtos químicos — Informações sobre segurança, saúde e meio ambiente) e a CLT (Título II - Capítulo V - Seção XIII - Das Atividades Insalubres ou Perigosas), entre outros, inclusive a NR 15 prevê que, na falta de uma legislação nacional específica para a segu- rança e atividade do trabalhador, podem ser aplicadas normalizações ou critérios de avaliações internacionais validados e reconhecidos, pois a segurança das pessoas transcende a legislação nacional, trata-se de um direito de todo ser humano. Atividade ou operação insalubre é toda aquela prestada em condições que expõem o trabalhador aos agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância fixados em razão da sua natureza, intensidade ou concentração do agente e tempo de exposição aos seus efeitos sem as devidas medidas de controle de ordem individual, coletiva ou administrativa (CLT, Art. 189). Os limites de exposição são valores de referência, tolerados como admissíveis, para fins de exposição ocupacional; para determinar esses valores, são utilizados estudos epi- demiológicos, analogia química e experimentação científica. A norma 9Normas regulamentadoras — NRs Identificação interna do documento G75O2FXW5D-LP4FLZ1 estabelece dois tipos de critérios para caracterização da insalubridade: os quantitativos (ruído, calor, radiação, vibrações etc.) e os qualitativos (radiações não ionizantes, frio, benzeno, agentes cancerígenos, etc.). A NR 15 é importante na operacionalização da NR 9 (PPRA), no que diz respeito à obrigatoriedade dos levantamentos ambientais dos agentes químicos e físicos quantificáveis, isto é, aqueles que possuem limites de tolerância estabelecidos pelos documentos legais existentes. � NR 16 – Atividades e Operações Perigosas: a NR define as atividades consideradas perigosas e responsabilidades do empregador para proteção dos trabalhadores. Atualmente, os agentes inseridos dentro da questão da periculosidade são os líquidos inflamáveis e explosivos, as radiações ionizantes, a eletricidade (energia elétrica), as atividades e operações perigosas com exposição a roubos ou outras espécies de violência fí- sica nas atividades profissionais de segurança patrimonial ou pessoal, bem como algumas atividades desenvolvidas em motocicletas. Esta norma tem sua existência jurídica assegurada, em nível de legislação ordinária, nos artigos 193 a 197 da CLT. Os artigos 193 a 197 dizem respeito, exclusivamente, aos dois agentes de periculosidade: inflamáveis e explosivos. As leis existentes transferem toda aplicabilidade da CLT aos critérios técnicos estabelecidos pela NR 16. � NR 17 – Ergonomia: define parâmetros que permitam a análise ergo- nômica do trabalho, ou seja, a adaptação das condições de trabalho às condições psicofisiológicas dos trabalhadores, a fim de proporcionar máximo de conforto, segurança e desempenho. A NR 17 tem a sua existência jurídica assegurada, em nível de legislação ordinária, nos artigos 198 e 199 da CLT. A análise ergonômica do trabalho (AET) deve conter as seguintes etapas: análise da demanda e do contexto; análise global da empresa no seu contexto das condições técnicas, econômicas e sociais; análise da população de trabalho; definição das situações de trabalho a serem estudadas; descrição das tarefas prescritas, das tarefas reais e das atividades; análise das atividades — elemento cen- tral do estudo; diagnóstico; validação do diagnóstico; recomendações; simulação do trabalho com as modificações propostas; avaliação do trabalho na nova situação. � NR 18 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção: a norma informa medidas protetivas que devem ser imple- mentadas em canteiros de obras,de caráter preventivo, para minimizar os riscos e proteger a integridade física e saúde dos trabalhadores deste ramo de atividade, como o Programa de Condições e Meio Ambiente Normas regulamentadoras — NRs10 Identificação interna do documento G75O2FXW5D-LP4FLZ1 de Trabalho - PCMAT, treinamentos, procedimentos, particularidades sobre a CIPA deste ramo de atividade, entre outros. A NR 18 tem a sua existência jurídica assegurada, em nível de legislação ordinária, no inciso I do artigo 200 da CLT, bem como ligação com diversas normas da ABNT.Segundo o item 18.3.1 da NR 18, o PCMAT é obrigatório nas obras (individualizadas) com 20 (vinte) trabalhadoresou mais, contemplando os aspectos desta NR e outros dispositivos comple- mentares de segurança (por ex.: NR 9 – PPRA), entre eles: memorial sobre condições e meio ambiente de trabalho nas atividades e opera- ções, levando-se em consideração riscos de acidentes e de doenças do trabalho e suas respectivas medidas preventivas; projeto de execução das proteções coletivas em conformidade com as etapas da execução da obra; especificação técnica das proteções coletivas e individuais a serem utilizadas; cronograma de implantação das medidas preventivas definidas no PCMAT; layout inicial do canteiro da obra, contemplando, inclusive, previsão do dimensionamento das áreas de vivência; programa educativo contemplando a temática de prevenção de acidentes e doenças do trabalho, com sua carga horária.É obrigatório o registro do PCMAT na DRT, conforme o item 18.2, antes do início das atividades, porém alterações podem ocorrer durante a construção, visando sempre à segu- rança dos trabalhadores, como, por exemplo: alteração de cronograma, inclusão de novas tecnologias e equipamentos, mudança de projeto ou alteração na relação mão de obra e equipamento. � NR 19 – Explosivos: trata, exclusivamente, dos aspectos de segurança que envolve as atividades com explosivos, no que diz respeito à esto- cagem, ao manuseio e ao transporte. Explosivos são substâncias, ou misturas de substâncias, que, quando excitadas por agente externo, são capazes de rapidamente se transformarem em gases, produzindo calor intenso e pressões elevadas. � NR 20 – Segurança e Saúde no Trabalho com Inflamáveis e Combus- tíveis: a norma descreve informações sobre características envolvendo as atividades com líquidos inflamáveis e combustíveis, GLP e outros gases inflamáveis, suas instalações, capacitações, procedimentos, me- didas protetivas e de prevenção, entre outros. As definições de líquido inflamável e combustível dependem do aspecto legal em questão. Sob o ponto de vista legal da periculosidade, vale somente a definição dada pela NR 20, onde o ponto de fulgor (PF) é a referência principal para se caracterizar um determinado líquido como inflamável ou combustível: líquido inflamável é todo produto que possua ponto de fulgor inferior a 11Normas regulamentadoras — NRs Identificação interna do documento G75O2FXW5D-LP4FLZ1 70ºC e pressão de vapor absoluta que não exceda a 2,8 kgf/cm², a 37,7ºC; líquido combustível é todo produto que possua ponto de fulgor igual ou superior a 70 ºC e inferior a 93,3ºC. Todo projeto e toda instalação de equipamentos e armazenagem desses produtos, por exemplo, postos de combustíveis, devem seguir as NBRs pertinentes. � NR 21 – Trabalhos a Céu Aberto: define as necessidades mínimas para manter atividades sob céu aberto para manter o conforto dos trabalhadores, sem expô-los a situações de risco, tais como em minas ao ar livre e pedreiras. Torna obrigatório, por exemplo: a existência de abrigos, ainda que rústicos, capazes de proteger os trabalhadores contra intempéries; medidas especiais que protejam os trabalhadores contra a insolação excessiva, o calor, o frio, a umidade e os ventos inconvenien- tes; aos trabalhadores que residirem no local do trabalho deverão ser oferecidos alojamentos que apresentem adequadas condições sanitárias; para os trabalhos realizados em regiões pantanosas ou alagadiças, serão imperativas as medidas de profilaxia de endemias, de acordo com as normas de saúde pública; os locais de trabalho deverão ser mantidos em condições sanitárias compatíveis com o gênero de atividade. � NR 22 – Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração: a norma traz uma série de critérios e procedimentos que devem ser seguidos para diminuir os riscos à saúde e integridade física dos trabalhadores do ramo da mineração — a céu aberto e subterrâneo, incluindo também os garimpos, no que couberem, beneficiamentos de minerais e pes- quisa mineral. São abordadas as particularidades da CIPA deste setor, responsabilidades do empregador e empregados, medidas protetivas, entre outros.Estabelece o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), sendo que os riscos das atividades deste setor dependem de algumas condições, entre as quais podemos destacar: tipo de mineral ou lavrado; formação geológica do mineral e da rocha encaixante (hospedeira); porcentagem de sílica livre no minério lavrado; presença de gases; presença de água; métodos de lavra. O PGR inclui todas as etapas do PPRA (NR 9) — por isso, a Instrução Normativa INSS/PRES número 20 estabelece que o PGR pode substituir o Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT) para fins de comprovação da ativi- dade especial. O subitem 22.3.7.1.3 da NR 22 desobriga as empresas de mineração da exigência do PPRA em função da obrigatoriedade de implementar o PGR. � NR 23 – Proteção Contra Incêndios: esta norma traz informações sobre proteção contra incêndios. Contudo, não basta segui-la para Normas regulamentadoras — NRs12 Identificação interna do documento G75O2FXW5D-LP4FLZ1 implementar medidas de proteção contra incêndio, sendo preciso co- nhecer as NBRs pertinentes(principalmente a ABNT 14276), além de seguir as legislações estaduais para esta finalidade. A NR 23 tem a sua existência jurídica assegurada em nível de legislação ordinária, no inciso IV do artigo 200 da CLT.Conforme o item 23.8.1 da NR 23, exercícios de combate ao fogo devem ser feitos periodicamente, objetivando: que o pessoal grave o significado do sinal de alarme; que a evacuação do local faça-se em boa ordem; que seja evitado qualquer pânico; que sejam atribuídas tarefas e responsabilidades específicas aos empregados; que seja verificado se a sirene de alarme foi ouvida em todas as áreas. � NR 24 – Condições Sanitárias e de Conforto nos Locais de Traba- lho: traz informações que devem ser seguidas pelas instituições para promover um ambiente de trabalho com condições mínimas de higiene e conforto, descrevendo características de banheiros, refeitórios, limpeza do ambiente, entre outros � NR 25 – Resíduos Industriais: define resíduos industriais e as res- ponsabilidades das empresas sobre o destino final a ser dado, àqueles resultantes da produção e/ou dos ambientes de trabalho, na busca por alternativas sustentáveis.Existe uma relação direta entre a NR 25 com a NR 6, NR 7, NR 9 e NR 15. Não é competência dos Auditores Fiscais do Trabalho (AFTs) a fiscalização ambiental que,dependendo da com- petência de cada caso, pode ficar a cargo do IBAMA, das Secretarias Estaduais de Meio Ambiente ou dos respectivos órgãos estaduais de controle ambiental. Recomenda-se a consulta da Lei Ambiental de cada Estado da Federação em complemento à Lei Federal no 9.605/98, que introduz a criminalidade da conduta do empregador e determina as penas previstas para as condutas danosas ao patrimônio ambiental. � NR 26 – Sinalização de Segurança: esta norma estabelece a padroni- zação da sinalização de segurança utilizada nos ambientes de trabalho, que deve ser utilizada combinada às NBRs pertinentes. As cores devem ser usadas nos locais de trabalho para facilitar a identificação dos equipamentos de segurança, delimitar áreas, identificar as canaliza- ções empregadas nas indústrias para a condução de líquidos e gases, e advertir contra riscos.A ABNT publicou diversas normas técnicas sobre a padronização das cores no ambiente de trabalho: algumas delas estão listadas nos documentos complementares desta NR. � NR 27 – Registro Profissional do Técnico de Segurança do Tra- balho: esta norma foi revogada. Ela descrevia informações sobre o 13Normas regulamentadoras — NRs Identificação interna do documento G75O2FXW5D-LP4FLZ1 procedimento de registros dos profissionais técnicos em segurança do trabalho, que foi modificado. � NR 28 – Fiscalização e Penalidades: descreve como serão calculadas as penalidades relativas ao descumprimento das Normas Regulamen- tadoras, que serão constatados por meio da fiscalização dos auditoresfiscais da Superintendência Regional do Trabalho. � NR 29 – Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho Portuário: a norma parametriza a saúde e segurança ocupacional das atividades portuárias, como medidas protetivas, medidas prevencionis- tas, responsabilidade dos empregados e do empregador, peculiaridades da CIPA deste ramo de atividade, entre outros. � NR 30 – Segurança e Saúde no Trabalho Aquaviário: regulamenta as ações de proteção à saúde e segurança dos trabalhadores que traba- lham em embarcações, atribuições do Grupo de Segurança e Saúde no Trabalho de bordo, responsabilidades dos empregados e empregadores, entre outros. � NR 31 – Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura, Pecuária, Silvicultura, Exploração Florestal e Aquicultura: normatiza as ativi- dades de saúde e segurança ocupacional em ramos de atividades rurais. � NR 32 – Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde: são descritos os parâmetros para proteção dos trabalhadores que laboram em serviços de saúde, observando a complexidade destes e seus riscos para definição de ações prevencionistas. � NR 33 – Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados: a norma estabelece os requisitos mínimos para a identificação e o reco- nhecimento de espaços confinados, avaliação, monitoramento e controle dos riscos existentes, de forma a garantir permanentemente a segurança e saúde dos trabalhadores que interagem direta ou indiretamente nestes espaços. As normas da ABNT 14606 e 16577 complementam a NR 33. Espaço confinado é qualquer área ou ambiente não projetado para ocupação humana contínua, que possua meios limitados de entrada e saída, cuja ventilação existente é insuficiente para remover contaminan- tes ou onde possa existir a deficiência ou enriquecimento de oxigênio. Segundo o item 33.2.1 da NR 33, são responsabilidades do empregador: indicar formalmente o responsável técnico pelo cumprimento desta norma; identificar os espaços confinados existentes no estabelecimento; identificar os riscos específicos de cada espaço confinado; implementar a gestão em segurança e saúde no trabalho em espaços confinados, por Normas regulamentadoras — NRs14 Identificação interna do documento G75O2FXW5D-LP4FLZ1 medidas técnicas de prevenção, administrativas, pessoais e de emergên- cia e salvamento, de forma a garantir permanentemente ambientes com condições adequadas de trabalho; garantir a capacitação continuada dos trabalhadores sobre os riscos, as medidas de controle, de emergência e salvamento em espaços confinados; garantir que o acesso ao espaço confinado somente ocorra após a emissão, por escrito, da Permissão de Entrada e Trabalho, conforme modelo constante no anexo II desta NR; fornecer às empresas contratadas informações sobre os riscos nas áreas onde desenvolverão suas atividades e exigir a capacitação de seus trabalhadores; acompanhar a implementação das medidas de segurança e saúde dos trabalhadores das empresas contratadas provendo os meios e condições para que eles possam atuar em conformidade com esta NR; interromper todo e qualquer tipo de trabalho em caso de suspeição de condição de risco grave e iminente, procedendo ao imediato abandono do local; garantir informações atualizadas sobre os riscos e medidas de controle antes de cada acesso aos espaços confinados. � NR 34 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção, Reparação e Desmonte Naval: traz definições sobre procedimentos, medidas protetivas e de prevenção, responsabilidades dos empregados e do empregador para promoção da saúde e segurança dos trabalhadores que atuam na construção Naval. � NR 35 – Trabalho em Altura: define procedimentos e medidas pro- tetivas para realização de atividades que envolvam trabalho em altura. Trabalho em altura é todo aquele executado em atividades acima de 2m do nível do piso, ou mesmo quando o trabalho é desenvolvido próximo a valas com profundidade maior que 2,00 metros, mesmo que o trabalhador não suba em estrutura alguma, já que o desnível existe independentemente disto. Os trabalhos em altura só podem ser executados com o auxílio de equipamentos concebidos para tal fim, ou utilizando dispositivos de proteção coletiva, tais como guarda-corpos, plataformas ou redes de segurança. Se tal não for possível, devido à natureza do trabalho, deve-se dispor de meios de acesso seguros. Como é possível verificar, o trabalho em altura está presente em praticamente todos os tipos de atividades profissionais, seja nas atividades fins ou em atividades de suporte, como manutenção e limpeza, por exemplo. Até o ano de edição desta norma (2012), cerca de 40% dos acidentes de trabalho eram causados por quedas. No setor da construção civil, por exemplo, segundo a Fundacentro, cerca de 23% dos acidentes de trabalho 15Normas regulamentadoras — NRs Identificação interna do documento G75O2FXW5D-LP4FLZ1 são quedas de altura. De acordo com a norma, cabe ao empregador: garantir a implementação das medidas de proteção estabelecidas na Norma; assegurar a realização da Análise de Risco — AR e, quando for aplicável, preparar a Permissão de Trabalho — PT; desenvolver procedimento operacional para as atividades rotineiras que envolvam trabalho em altura; assegurar a realização de avaliação prévia das condições no local do trabalho em altura, pelo estudo, planejamento e implementação das ações e das medidas complementares de segu- rança aplicáveis; adotar as providências necessárias para acompanhar o cumprimento das medidas de proteção estabelecidas na Norma pelas empresas contratadas; garantir aos trabalhadores informações atuali- zadas sobre os riscos e as medidas de controle; garantir que qualquer trabalho em altura só se inicie depois de adotadas as medidas de pro- teção definidas na NR 35; assegurar a suspensão dos trabalhos em altura quando verificar situação ou condição de risco não prevista, cuja eliminação ou neutralização imediata não seja possível; assegurar que todo trabalho em altura seja realizado sob supervisão, cuja forma será definida pela análise de riscos de acordo com as peculiaridades da atividade; assegurar a organização e o arquivamento da documentação prevista nesta Norma. Já, ao trabalhador, cabem as seguintes obrigações: cumprir as disposições legais e regulamentares sobre trabalho em altura, inclusive os procedimentos expedidos pelo empregador; colaborar com o empregador na implementação das disposições contidas nesta Norma; interromper suas atividades exercendo o direito de recusa, sempre que constatarem evidências de riscos graves e iminentes para sua segurança e saúde ou a de outras pessoas, comunicando imediatamente o fato a seu superior hierárquico, que diligenciará as medidas cabíveis; zelar pela sua segurança e saúde e a de outras pessoas que possam ser afetadas por suas ações ou omissões no trabalho. � NR 36 – Segurança e Saúde no Trabalho em Empresas de Abate e Processamento de Carnes e Derivados: esta norma define critérios para proteção da saúde e integridade física de trabalhadores que atuam em frigorífico, abatedores, entre outros, trazendo um grande foco para ergonomia deste processo de trabalho. Normas regulamentadoras — NRs16 Identificação interna do documento G75O2FXW5D-LP4FLZ1 Estas normas constantemente são atualizadas para atender às mudanças do mercado de trabalho, além serem produzidas novas normatizações para atender aos ramos de atividades que ainda possuam poucos parâmetros de saúde e segurança ocupacional para serem seguidos. Como identificar as normas regulamentadoras que devem ser aplicadas na empresa A identificação das normas regulamentadoras que se aplicam à empresa deve ser observada a partir da leitura da norma na íntegra, observando se as suas descrições são voltadas ao ramo de atividade da empresa. De modo geral, a maioria das normas regulamentadoras possui uma abor- dagem específica, ou seja, direciona-se a um determinado ramo de atividade.Já as generalistas, que são a minoria,têm sua abordagem direcionada a todas as empresas que possuem vínculo de trabalho regido por CLT. No quadro 1, são apresentadas as normas regulamentadoras baseadas nessas características. Normas Regulamentadoras Específicas Normas Regulamentadoras Generalistas NR6; NR10; NR11; NR12; NR13; NR14; NR15; NR16; NR18; NR19; NR20; NR21; NR22; NR25; NR 29; NR30; NR31; NR32; NR33; NR34; NR35; NR36. NR-37 Segurança e saúde em plataformas de petróleo: essa norma estabelece os requisitos mínimos de segurança, saúde e condições de vivência no trabalho a bordo de plataformas de petróleo brasileiras. Foi criada com o objetivo de diminuir a incidência de doenças ocupacionais, contribuindo para a preservação das plataformas e do ambiente marinho. NR1; NR2; NR3; NR4; NR5; NR7; NR8; NR9; NR17; NR23; NR24; NR26; NR28. Quadro 1. Normas regulamentadoras com abordagem específica. 17Normas regulamentadoras — NRs Identificação interna do documento G75O2FXW5D-LP4FLZ1 A partir do momento em que os processos de trabalho desenvolvidos na empresa são conhecidos pelos profissionais que estarão trabalhando direta- mente com a implementação das normas regulamentadoras, torna-se simples compreender quais as específicas que deverão ser implementadas. Para saber mais sobre as normas regulamentadoras, acesse o site do Ministério do Trabalho. No menu à esquerda do site, clique no título hiperlinkado “Segurança e saúde no tra- balho”. A seguir, abrirá uma nova página onde você encontrará o botão “Normatização”. Clique neste botão e aparecerá a opção da leitura das normas regulamentadoras em português; clique nesta opção e aparecerão as normas regulamentadoras publicadas. Lembre-se de que a melhor forma de manter seu conhecimento sobre as normas atualizado é acessando do site do Ministério do Trabalho. Meios para implementar as normas regulamentadoras no ambiente de trabalho Para implementar as normas regulamentadoras no ambiente de trabalho, é preciso compreender a cultura organizacional, identificar as inconformidades que devem ser adequadas e estabelecer as prioridades de adequação, dando urgência às situações de maior risco para a saúde e integridade física dos trabalhadores. Esta etapa deve contar com a participação dos trabalhadores, quando for uma demanda que interfira nas práticas destes profissionais, pois eles podem trazer a visão dos impactos que essas mudanças podem causar na operação. Também, é preciso que a gestão apoie as modificações e adequações que serão propostas para que sejam aceitas de forma sistêmica e com um olhar corporativo. Sempre que for necessário implementar uma nova diretriz ou modificar o que já existe, deve-se ler a normatização na íntegra, evitando fazer apenas a leitura de resumos e comentários sobre a normatização, e buscar analisar o que será preciso mudar, utilizando-se de ferramentas de gestão, como 5W2H, PDCA, Brainstorming, entre outras, que favorecem o alcance de propostas para melhoria. Se a equipe responsável pela implementação das modificações tiver dúvidas sobre como determinado requisito das normas regulamentadoras deve ser interpretado, é possível ler os manuais das Normas, que foram publicados Normas regulamentadoras — NRs18 Identificação interna do documento G75O2FXW5D-LP4FLZ1 pelo Ministério do Trabalho, e, em casos em que o manual não foi elaborado, pode-se fazer uma consulta a auditores que trabalham na Superintendência Regional do Trabalho. Quem nunca se deparou comum monitor sobre alguns livros, para que o mesmo fique na altura dos olhos da pessoa que opera o computador? Isso, na verdade, é um cuidado ergométrico.No ambiente de trabalho, a NR 17 (item 17.4.3) é quem recomenda as medidas a serem tomadas com equipamentos utilizados no processamento eletrônico de dados com terminais de vídeo de forma habitual e permanente.Entre elas: � condições de mobilidade suficientes para permitir o ajuste da tela do equipamento à iluminação do ambiente, protegendo-a contra reflexos, e proporcionar corretos ângulos de visibilidade ao trabalhador; � o teclado deve ser independente e ter mobilidade, permitindo ao trabalhador ajustá-lo de acordo com as tarefas a serem executadas; � a tela, o teclado e o suporte para documentos devem ser colocados de maneira que as distâncias olho-tela, olho-teclado e olho-documento sejam aproximada- mente iguais. Outra alternativa para adequar as práticas da empresa às exigências legais é observar como as empresas do mesmo ramo de atividade estão aplicando a normatização em seus estabelecimentos, selecionando as melhores práticas conforme a realidade da empresa. Também pode ser efetiva a consulta a estudos de casos, publicados em periódicos acadêmicos, ou, ainda, contratar uma consultoria que preste um serviço de apoio à implementação. Um exemplo de contratação de consultoria para adequação das práticas às normas regulamentadoras é a contratação do serviço de elaboração de Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA e Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO. As normas que parametrizam a elaboração destes programas descrevem a necessidade de possuir um médico coordena- dor do PCMSO, a partir do momento que a empresa possui um determinado número de funcionários, conforme o grau de risco. Como algumas empresas são pequenas e não atingem o número definido na legislação para manter um médico coordenador na empresa, a maioria opta por contratar uma consulto- ria que elabore os programas e auxilie o setor de recursos humanos, que, na maioria das vezes, assume esse papel na ausência do Serviço Especializado 19Normas regulamentadoras — NRs Identificação interna do documento G75O2FXW5D-LP4FLZ1 em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho - SESMT (que tam- bém é dimensionado conforme o número de funcionários e grau de risco da empresa, devendo ser consultado o Quadro II da NR4 para identificação dos profissionais que irão compor o serviço). Os meios disponíveis para adequar as práticas da empresa às exigências legais são inúmeros, porém só serão bons quando se opta por aquele que está de acordo com a conduta corporativa. Logo não há uma definição do melhor meio para implementação das normas, mas é necessário conhecer as alternativas existentes para identificar a que melhor será aproveitada dentro da instituição. BRASIL. Decreto-lei n.º 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Brasília, DF, 1943. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ decreto-lei/Del5452.htm>. Acesso em: 15 fev. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 1: disposições gerais.Diário Oficial da União,Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2009. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/ Documentos/SST/NR/NR1.pdf>. Acesso em: 2 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 2: inspeção prévia.Diário Oficial da União,Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 1983. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/ Documentos/SST/NR/NR2.pdf>. Acesso em: 10 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 3: embargo e interdição. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2011. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/ images/Documentos/SST/NR/NR3.pdf>. Acesso em: 3 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 4: serviços especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2016. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/Documentos/ SST/NR/NR4.pdf>. Acesso em: 2 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 5: Comissão Interna de Prevenção de Acidentes. Diá- rio Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2011. Disponível em: <http:// trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR5.pdf>. Acesso em: 27 dez. 2017. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 6: Equipamento de Proteção Individual - EPI.Diário Oficial da União, Brasília,DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2017. Disponível em: <http:// trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR6.pdf>. Acesso em: 22 dez. 2017. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 7: Programa de Controle Médico de Saúde Ocupa- cional.Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2013. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR7.pdf>. Acesso em: 22 dez. 2017. Normas regulamentadoras — NRs20 Identificação interna do documento G75O2FXW5D-LP4FLZ1 BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 8: edificações.Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2011. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/ Documentos/SST/NR/NR8.pdf>. Acesso em: 10 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 9: Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2017. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR-09.pdf>. Acesso em: 22 dez. 2017. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 10: segurança em instalações e serviços em eletri- cidade.Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2016. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR10.pdf>. Acesso em: 10 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 11: transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais.Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em2016. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR11. pdf>. Acesso em: 10 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 12: segurança no trabalho em máquinas e equipa- mentos.Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2017. Disponível em: <http://www.trabalho.gov.br/images//Documentos/SST/NR/NR12/NR-12.pdf>. Acesso em: 30 dez. 2017. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 13: caldeiras, vasos de pressão e tubulação. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2017. Disponível em: <http:// trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR13.pdf>. Acesso em: 10 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 14: fornos. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 1983. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/Docu- mentos/SST/NR/NR14.pdf>. Acesso em: 10 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 15: atividades e operações insalubres. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2014. Disponível em: <http://traba- lho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR15/NR-15.pdf>. Acesso em: 5 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 16: atividades e operações perigosas. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2015. Disponível em: <http://trabalho. gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR16.pdf>. Acesso em: 5 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 17: ergonomia. Diário Oficial da União,Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2007. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/ Documentos/SST/NR/NR17.pdf>. Acesso em: 11 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 18: condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2015. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR18/ NR18atualizada2015.pdf>. Acesso em: 27 dez. 2017. 21Normas regulamentadoras — NRs Identificação interna do documento G75O2FXW5D-LP4FLZ1 BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 19: explosivos. Diário Oficial da União,Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2011. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/ Documentos/SST/NR/NR19.pdf>. Acesso em: 11 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 20: segurança e saúde no trabalho com inflamáveis e combustíveis. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2016. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR20.pdf>. Acesso em: 11 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR21: trabalhos à céu aberto. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 1979. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/ images/Documentos/SST/NR/NR21.pdf>. Acesso em: 11 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 22: segurança e saúde ocupacional na mineração. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2016. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images//Documentos/SST/NR/NR-22-atualizada-2016.pdf>. Acesso em: 11 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 23: proteção contra incêndio. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2011. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/ images/Documentos/SST/NR/NR23.pdf>. Acesso em: 11 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 24: condições sanitárias e de conforto nos locais de trabalho. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 1993. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR24.pdf>. Acesso em: 11 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 25: resíduos industriais. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2011. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/ images/Documentos/SST/NR/NR25.pdf>. Acesso em: 11 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 26: sinalização de segurança. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2015. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/ images/Documentos/SST/NR/NR26.pdf>. Acesso em: 11 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 27: registro profissional do técnico em segurança do trabalho. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2008. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR27.pdf>. Acesso em: 12 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 28: fiscalização e penalidades. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2017. Disponível em: <http://trabalho. gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR-28.pdf>. Acesso em: 12 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 29: norma regulamentadora de segurança e saúde no trabalho portuário. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2014. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR29. pdf>. Acesso em: 12 jan. 2018. Normas regulamentadoras — NRs22 Identificação interna do documento G75O2FXW5D-LP4FLZ1 BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 30: segurança e saúde no trabalho aquaviário. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2015. Disponível em: <http:// trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR30.pdf>. Acesso em: 12 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 31: segurança e saúde na agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e aquicultura. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em2013. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/Docu- mentos/SST/NR/NR31.pdf>. Acesso em: 12 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 32: segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2012. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR33.pdf>. Acesso em: 12 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 33: segurança e saúde nos trabalhos em espaço confinados. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2011. Dis- ponível em: <http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR32.pdf>. Acesso em: 12 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR34: condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção, reparação e desmonte naval. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2017. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/ Documentos/SST/NR/NR-34.pdf>. Acesso em: 12 jan. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 35: trabalho em altura. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2016. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/ images/Documentos/SST/NR/NR35.pdf>. Acesso em: 22dez. 2017. BRASIL. Ministério do Trabalho. NR 36: segurança e saúde no trabalho em empresas de abate e processamento de carnes e derivados. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Atualizada em 2016. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/ Documentos/SST/NR/NR36.pdf>. Acesso em: 12 jan. 2018. Leitura recomendada GANDON, L. F. M. et al. Redução das faltas e dos acidentes de trabalho com base na implementação de melhorias ergonômicas na linha de produção de um frigorífico gaúcho. Revista Eletrônica Gestão & Saúde, Brasília, DF, v. 8, n. 1, p. 92-113, jan. 2017. Disponível em: <http://periodicos.unb.br/index.php/rgs/article/view/23921/pdf>. Acesso em: 24 dez. 2017. 23Normas regulamentadoras — NRs Identificação interna do documento G75O2FXW5D-LP4FLZ1 DICA DO PROFESSOR Desde 1978, as Normas Regulamentadoras estão parametrizando as ações adequadas para proteção da saúde e integridade física dos trabalhadores. Na dica do professor a seguir, você vai conhecer um pouco sobre a história da saúde e segurança no trabalho no Brasil até a criação das Normas Regulamentadoras. Acompanhe. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) O desenvolvimento das diretrizes de monitorização da saúde ocupacional devem ser realizadas baseando-se nos riscos ocupacionais existentes no ambiente de trabalho. Logo, o documento base que identifica, reconhece, avalia e analisa esses riscos deve ser elaborado antes do documento norteador de gestão de saúde ocupacional. Quais são os nomes desses programas e das Normas Regulamentadoras que normatizam o desenvolvimento dos documentos? A) Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional - NR07 e Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - NR09. B) Programa de Condições de Meio Ambiente de Trabalho - NR18 e Programa de Prevenção de Risco Ambiental - NR09. C) Atestado de Saúde Ocupacional - NR07 e Programa de Condições de Meio Ambiente de Trabalho - NR18. D) Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional - NR07 e Análise Preliminar de Riscos - NR35. Highlight Highlight Highlight E) Atestado de Saúde Ocupacional - NR07 e Análise Preliminar de Riscos - NR35. 2) A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) é um dos grupos de prevenção presentes na empresa. Você está ajudando o setor de Recursos Humanos da empresa a implementar a CIPA. Qual a norma que você consultará para implementar a comissão e como será feita a seleção dos participantes? A) A norma a ser consultada é a NR10, e a comissão será composta apenas por funcionários designados pelo empregador. B) A norma a ser consultada é a NR15, e a comissão será composta por funcionários que se candidatarem à comissão sendo escolhidos através de sorteio. C) A norma a ser consultada é a NR15, e a comissão será composta por funcionários designados pelo empregador e eleitos pelos empregados. Em casos específicos à composição, as atribuições da CIPA será assumida apenas por um designado pelo empregador. D) A norma a ser consultada é a NR05, e as atribuições da CIPA será assumida apenas por um designado pelo empregador. E) A norma a ser consultada é a NR05, e a comissão será composta por funcionários designados pelo empregador e eleitos pelos empregados. 3) Você está participando do processo de estruturação do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) da indústria em que trabalha, pois há pouco participou de um processo seletivo interno para o cargo de Engenheiro de Segurança e está implementando o serviço junto com o RH da empresa, setor que atendia estas demandas antes da necessidade do SESMT. Para implementar o SESMT em uma empresa deve-se observar qual Norma Regulamentadora? Como serão definidos os membros que irão compor o SESMT? A) A norma é a NR4. Os membros do SESMT serão definidos a partir do número de funcionários e o grau de risco da empresa consultando o Quadro I da NR4. B) A norma é a NR4. Os membros do SESMT serão definidos a partir do número de funcionários e o grau de risco da empresa consultando o Quadro II da NR4. C) A norma é a NR 1. Os membros serão definidos conforme a necessidade da empresa atendendo o previsto no plano de carreira da instituição. D) A norma é a NR1. Os membros serão definidos conforme o item 1.7 da NR1. E) A norma é a NR5. Os membros serão definidos conforme o Quadro I da NR5. 4) Você é o responsável técnico por uma obra que recebeu, no dia de hoje, à fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho. O auditor fez uma série de apontamentos sobre a segurança do canteiro resultando na paralisação das atividades de acabamento externo por irregularidades nas documentações dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) de atividades de trabalho em altura, linha de vida e andaime fachadeiro. Qual o termo correto para definir a situação atual da obra conforme as Normas Regulamentadoras? Tendo em vista a ocorrência dessa paralisação, é possível dar continuidade ao desenvolvimento das atividades de acabamento interno do edifício? A) A obra está parcialmente embargada. Sim, é possível continuar às atividades de acabamento interno, pois o embargo refere-se apenas às atividades de acabamento externo. B) A obra está embargada. Não é possível continuar às atividades de acabamento interno. A obra está parcialmente embargada. Não é possível dar continuidade às atividades de acabamento interno. C) D) A obra está interditada. Não é possível dar continuidade às atividades de acabamento interno. E) A obra está parcialmente interditada. Sim, é possível continuar as atividades de acabamento interno, pois a interdição refere-se apenas às atividades de acabamento externo. 5) Um funcionário que possui o cargo de operador de máquinas da indústria que você trabalha como engenheiro de produção, questionou você porque ele ganha apenas 20% de insalubridade, se ele pode ficar surdo realizando a atividade de trabalho dele e o colega dele que faz o abastecimento das empilhadeiras ganha 30% de periculosidade, mesmo sem a possibilidade de ficar surdo, o que considera algo grave. Que resposta você daria a ele? A) Explicaria ao funcionário que as Normas Regulamentadoras 15 e 16 trazem a porcentagem dos adicionais de periculosidade e insalubridade, respectivamente, e que devem ser atribuídos aos funcionários conforme os critérios estabelecidos pelo setor SESMT. B) Diria a ele que o risco existe para os dois, mas que a definição dos adicionais é feita pelo setor de Recursos Humanos, por meio da identificação dos cargos que podem ocorrer mais acidentes de trabalho. C) Explicaria ao funcionário que a Norma Regulamentadora 15 traz a porcentagem dos adicionais que devem ser atribuídos aos funcionários conforme o risco exposto, por esse motivo eles recebem adicionais diferentes. D) Explicaria ao funcionário que a Norma Regulamentadora 16 traz a porcentagem dos adicionais que devem ser atribuídos aos funcionários conforme o risco exposto, por esse motivo eles recebem adicionais diferentes. E) Diria a ele que os adicionais de insalubridade e periculosidade são definidos por lei, dando diretrizes do que caracteriza a insalubridade e a periculosidade, e definindo o percentual fornecido a cada tipo de atividade insalubre e periculosa. NA PRÁTICA Dentro de uma empresa, o engenheiro, para atuar apenas com a segurança ocupacional, deverá especializar-se em Engenharia de Segurança para atender às exigências da Norma Regulamentadora 4, que fala sobre o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT). Na indústria Aldaris, especializada em máquinas para o ramo mecânico, Carlos é o engenheiro e membro do SESMT. Junto com ele, atua uma equipe multidisciplinar composta por profissionais da saúde (Enfermeiro do Trabalho, Técnico em Enfermagem do Trabalho e Médico do Trabalho), além de profissionais da segurança (Técnicosde Segurança do Trabalho). Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: NR 17 - PARTE 1 - A Elaboração da Norma O vídeo mostra a maneira com que a NR17 foi criada, suas características e aplicações. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Normas Regulamentadoras - NR ́s No site do Ministério do Trabalho você pode acessar as normas NR-1 até a NR-10, que são relativas à segurança e medicina do trabalho. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Highlight Nova norma técnica e resoluções de segurança do Ministério do Trabalho e Emprego impactaram no aumento do uso do elevador de cremalheira nos canteiros Acesse o link e saiba como a norma técnica e as resoluções de segurança do Ministério do Trabalho e Emprego impactaram no aumento do uso do elevador de cremalheira nos canteiros. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! A importância das normas regulamentadoras para a proteção de patrões e empregados Na reportagem especial do Jornada você vai conhecer um pouco das chamadas NR’s e mostrar que o cumprimento delas não é apenas uma responsabilidade do empregador. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Higiene e Segurança do Trabalho - Aula 06 - As normas NR e as atividades industriais Aula do Prof. Sérgio Eston sobre as normas da NR e as atividades industriais. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Higiene e Qualidade de Vida no Trabalho APRESENTAÇÃO Atualmente, as organizações empresariais vivem um período de grande avanço das tecnologias e aumento da competitividade de mercado. Esses fatores são partes inerentes ao processo de evolução no mundo globalizado. As empresas precisam adaptar-se constantemente aos novos avanços, modernizando-se para acompanhar esse processo evolutivo. Essas mudanças no cenário competitivo provocam sobrecarga física e mental nos indivíduos trabalhadores nas organizações, e as exigências e tensões atingem, com frequência, todos os níveis organizacionais. Essa sobrecarga, somada ao ambiente onde o indivíduo está inserido, afeta diretamente sua saúde geral. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar os fatores que envolvem a higiene e a segurança no trabalho, os principais conceitos de saúde e as doenças ocupacionais mais evidenciadas no mundo do trabalho. Você vai entender, também, as particularidades do programa de qualidade de vida no trabalho (QVT). Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer os fatores relacionados à higiene e segurança no trabalho.• Identificar o conceito de saúde ocupacional e as principais doenças relacionadas com o ambiente de trabalho. • Mostrar as principais particularidades de um programa de qualidade de vida no trabalho (QVT). • DESAFIO Os estudos realizados sobre estresse buscam demonstrar que o custo do estresse é muito mais alto do que sua prevenção. Esses estudos ressaltam também que várias pesquisas realizadas por empresas ou instituições vinculadas à saúde do trabalhador são unânimes em afirmar que é muito alto o preço que as sociedades industrializadas pagam com o desgaste físico e mental dos trabalhadores e das empresas. Baseadas nisso, muitas organizações têm demonstrado interesse em tentar administrar o estresse de seus funcionários. Você, como gestor de RH de uma empresa, adotaria quais métodos para amenizar o estresse de seus colaboradores? INFOGRÁFICO O dia a dia é repleto de momentos que proporcionam certas alterações no organismo das pessoas, de forma geral. Uma das alterações impactantes na saúde no mundo do trabalho é o estresse. O estresse atingiu tamanho patamar que é até chamado de "doença do século", e suas implicações sob o homem podem ser devastadoras caso não sejam tratadas de forma devida. Analise a história a seguir, para compreender como algumas tarefas podem desencadear o estresse em um indivíduo. Às 10h, o gerente se aproxima da mesa de Caio e pede a ele um relatório financeiro sobre as movimentações do mês. A ideia é apresentá-lo em uma reunião de diretoria às 14h. Caio entra em pânico, pois acredita que não terá tempo hábil para a tarefa. Passado um tempo, Caio olha para o relógio que está marcando 11h e percebe que não está nem da metade do relatório, ele começa a suar frio, ter dor de cabeça e aumento de pressão. Às 13:30h, o gerente aborda Caio em sua mesa, e o funcionário entrega o relatório, mas sem revisar, pois não teve tempo hábil. Veja no infográfico uma comparação do tipo de estresse que o gerente causa em Caio após o resultado da reunião: Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! CONTEÚDO DO LIVRO É muito importante manter os colaboradores em perfeita harmonia com sua saúde. Qualquer que seja sua localização na organização, os fatores estressantes sempre estarão presentes. Para aprender mais sobre o conteúdo, faça a leitura do capítulo Higiene e qualidade de vida no trabalho, base teórica desta Unidade de Aprendizagem. Boa leitura. GESTÃO ESTRATÉGICA DE RH Luciano Oliveira de Oliveira Higiene e qualidade de vida no trabalho Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Reconhecer os fatores relacionados à higiene e segurança no trabalho. � Identificar o conceito de saúde ocupacional e as principais doenças relacionadas com o ambiente de trabalho. � Mostrar as principais particularidades de um programa de qualidade de vida no trabalho (QVT). Introdução A saúde é o resultado não só dos nossos atos como também de nossos pensamentos. Mahatma Gandhi Atualmente, as organizações empresariais vivem um período de grande avanço das tecnologias e aumento da competitividade de mercado. Esses fatores são partes inerentes ao processo de evolução no mundo globalizado. As empresas precisam adaptar-se constantemente aos novos avanços, modernizando-se para acompanhar esse processo evolutivo. Essas mudanças no cenário competitivo provocam sobrecarga física e mental nos indivíduos trabalhadores nas organizações, e as exigências e tensões atingem, com frequência, todos os níveis organizacionais. Essa sobrecarga, somada ao ambiente onde o indivíduo está inserido, afeta diretamente sua saúde geral. Neste texto, você vai reconhecer os fatores que envolvem a higiene e segurança no trabalho, os principais conceitos de saúde e as doenças ocu- pacionais mais evidenciadas no mundo do trabalho. Vai entender, também, as particularidades do programa de qualidade de vida no trabalho (QVT). Higiene e segurança no trabalho Algumas pesquisas têm apontado que passamos a maior parte da vida dentro das organizações de trabalho. Sabemos que viver neste ambiente aumenta a probabilidade de desenvolver algum tipo de doença ocupacional ou, conforme a situação, sofrer algum incidente que atinja nossa integridade física. Você vai compreender, a partir da leitura deste texto, que o ambiente organizacional apresenta circunstâncias físicas/materiais, psicológicas e so- ciais. Ou seja, inserido neste ambiente, o indivíduo está suscetível a fatores que prejudicam sua integridade física e bem-estar, além de sua saúde mental e intelectual. Este é o contexto no qual você encontra o principal aspecto responsável por proporcionar situações de bem-estar físico e mental e, também, situações de vitalidade e segurança dos colaboradores. A essas condições dá-se o nome de higiene do trabalho. A higiene do trabalho, para sua eficiência e eficácia organizacional, depende de programas relacionados com o ambiente onde os colabora- dores estão inseridos na organização. Confira agora alguns exemplos de programas: � Ambiente estrutural – Oferecer iluminação adequada e ventilação constante para evitar odores e favorecer a circulação doar; temperatura ambiente aceitável ao corpo humano, protetores auriculares para ame- nizar poluições sonoras e ruídos excessivos e proporcionar ambientes confortáveis e agradáveis. � Ambiente psicológico – Promover relacionamentos aprazíveis entre as pessoas, tornar as atividades agradáveis e motivadoras, oferecer gestão democrática e participativa, amenizar os fatores geradores de estresse e envolver as pessoas e suas emoções. � Ambiente ergonômico – Oferecer equipamentos e instrumentos apro- priados aos colaboradores, mesas e acomodações de acordo com a estatura das pessoas, favorecer a redução do esforço físico através de equipamentos adequados. � Ambiente saudável (saúde ocupacional) – Promover um ambiente agradável para as relações entre as pessoas, oferecer benefícios assis- tenciais médicos e hospitalares, conceder programas de QVT com o intuito de reduzir possíveis doenças ocupacionais e acidentes. Gestão estratégica de recursos humanos2 Tópicos relevantes em relação à segurança no trabalho Antes de você estudar sobre as áreas que envolvem a segurança do trabalho, precisa conhecer dois termos muito usados na esfera profissional de diversas organizações e que estão amparados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Esses dois termos são a periculosidade e a insalubridade. A periculosidade abrange aspectos laborais que podem causar lesões e até mesmo a morte do trabalhador (como explosivos, substâncias radioativas, etc.). Essa característica de trabalho confere um acréscimo de 30% sobre o salário do colaborador. A insalubridade é provocada por funções que podem causar prejuízos à saúde do colaborador (como substâncias químicas, poeiras tóxicas, etc.) e o adicional varia de acordo com o grau de insalubridade da função laboral de cada funcionário. O adicional pode ser de 10% (grau mínimo), 20% (grau médio) ou 40% (grau máximo). O percentual será aplicado sobre o salário-base do trabalhador. A segurança no trabalho tem como foco a precaução de acidentes que possam ocorrer nas dependências da organização e até mesmo fora dela. Ou seja, é uma estratégia praticada pelas empresas para evitar e antecipar-se, de alguma forma, aos riscos inerentes às suas atividades empresariais. Um programa adequado de segurança no trabalho requer alguns estágios, a saber: � utilização de softwares de indicadores de acidentes; � elaboração de relatórios de prevenções; � elaboração de normas e regras para a segurança ocupacional; � bonificações aos gestores que administrarem com eficácia as prevenções de acidentes. A gestão da segurança do trabalho percorre três áreas: a prevenção de acidentes, prevenção de incêndios e prevenção de furtos. Neste texto, você vai estudar apenas a prevenção de acidentes. Há dois tipos de acidentes de trabalho: � Acidente sem afastamento: o colaborador continua trabalhando depois do incidente e este não é relatado como acidente no trabalho. � Acidente com afastamento: o colaborador precisa se afastar do trabalho depois do incidente que vivenciou. Neste caso, o fato deve ser relatado e informado. 3Higiene e qualidade de vida no trabalho Cada organização tem a sua forma de gestão sobre os acidentes do trabalho. Algumas pesquisas apontam que controlar as causas dos acidentes por meio da prevenção é a melhor forma de amenizar problemas e até mesmo processos judiciais futuros. Algumas empresas buscam, inclusive, estudar os traços de personalidade das pessoas que estão mais propensas aos acidentes. O uso de relatórios de controle dos custos de acidentes também é mencionado como um processo importante na gestão. Para compreender melhor a definição e os aspectos que envolvem os acidentes de trabalho, acesse o link: TRABALHO SEGURO. O que é acidente de trabalho. [200-?]. Disponível em: <http://www.tst.jus.br/web/trabalhoseguro/o-que-e-acidente-de- -trabalho>. Acesso em: 08 dez. 2016. Saúde ocupacional e as principais doenças relacionadas com o ambiente de trabalho O desgaste emocional que um colaborador enfrenta, seja no ambiente social ou no profissional, torna-o vulnerável às doenças ocupacionais. Um dos principais problemas que figuram hoje nas empresas é o estresse no trabalho, considerado por muitos pesquisadores como a doença do século. Como você sabe, a dor é um sinal de que algo no corpo humano não está bem. Em uma empresa, sinais evidentes de que algo não está bem são con- flitos internos, falta de motivação, absenteísmo, rotatividade e consequente queda na produtividade. Da mesma forma que o corpo humano necessita da investigação do problema e de um tratamento, as empresas também precisam investigar a origem dos seus problemas e buscar meios para solucioná-los. Uma empresa que não cuida da saúde física e mental da sua equipe é uma empresa doente. Gestão estratégica de recursos humanos4 Saúde ocupacional Para você entender melhor a saúde ocupacional, deve compreender o meca- nismo da saúde para um ser humano de um modo geral. Os pesquisadores Silva e Marchi (1997) definiram saúde como “o resultado do gerenciamento adequado das áreas física, emocional, social, profissional, intelectual e espiritual” de um indivíduo. Os autores mencionam ainda que o ponto ideal da saúde de uma pessoa somente será atingido mediante o equilíbrio constante dessas dimensões. A Figura 1 proporciona a você uma melhor compreensão sobre o conceito de saúde. Figura 1. Exemplo de retornos não programados. Como visto, nossa saúde está em constante desequilíbrio! Qualquer dimen- são que sofrer alguma decepção provocará uma reação em cadeia nas demais. Principais doenças ocupacionais Muitas empresas enfrentam problemas ligados ao temperamento emocional dos indivíduos em todos os ambientes organizacionais, principalmente no nível estratégico. Problemas como estresse, depressão, mau relacionamento com o grupo, irritação, cansaço e síndrome de burnout são comuns neste universo. 5Higiene e qualidade de vida no trabalho A síndrome de burnout é uma espécie de esgotamento físico e mental, um distúrbio psíquico que afeta indivíduos profissionalmente ativos. O esforço constante objetivando a excelência no trabalho, as comparações com colegas e a busca pelo alto desempenho são fatores determinantes para o aparecimento da síndrome de burnout. Cabe à empresa identificar essas características no colaborador e trabalhá-las para que sejam positivas para o indivíduo e a organização. O trabalho é parte fundamental, vital na construção do ser humano. O exercício de alguma profissão é essencial na colocação de um indivíduo na sociedade em que está inserido. Perceba, no entanto, que ao mesmo tempo em que o trabalho é vital na vida, ele também é o grande responsável pelo desgaste mental e físico que o homem desenvolve com o passar do tempo. As circunstâncias que envolvem o trabalho estão divididas em ambiente físico (temperatura, pressão do ar, etc.), ambiente químico (vapor, poeira, gás, etc.), ambiente biológico (vírus, bactérias, fungos, etc.) e momentos de segurança e higiene. Veja, a seguir, as principais doenças ocupacionais que afetam os seres humanos em algum momento da vida laboral. � Estresse no trabalho – É considerado por muitos pesquisadores da área da saúde como a doença do século. O estresse promove uma sensação de desconforto mental e físico quando o indivíduo é colocado em alguma situação que exija esforço adicional em relação ao seu estado normal de vida. Ou seja, o estresse ocorre exatamente no momento que o organismo luta internamente para voltar ao nosso estado de equilíbrio. Pode ser dividido em eustress e distress. O eustress é um “estresse bom”, que impulsiona o trabalhador para atingir objetivos através do esforço. Já o distress é uma angústia, fazendo com que o indivíduo não perceba mais a alegria em trabalhar ou em ter desafios na vida profissional. � Síndrome de burnout – É considerada uma doença cujo ponto de partida é o estresse no trabalho. É uma depressãopromovida pela vida laboral do indivíduo. Geralmente, ocorre em profissões que lidam diretamente com a morte, como médicos, bombeiros e policiais. � Doenças por repetição – Ocorrem quando o trabalhador desenvolve ati- vidades com repetições exageradas sem intervalos adequados de tempo. Podemos citar como exemplo a lesão por esforço repetitivo (LERS) e os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT). Gestão estratégica de recursos humanos6 � Doenças respiratórias – São relacionadas com o ambiente biológico. Exemplos: asma ocupacional, antracnose, bissinose e siderose. � Doenças de pele – São promovidas pelo excesso de exposição aos raios solares, além de outros fatores. Exemplos: dermatose ocupacional e câncer de pele. � Doenças auditivas – São doenças promovidas pelo ambiente físico. Exemplo: surdez. � Doenças de visão – Estão relacionadas com o ambiente físico, ou podem ser hereditárias. Exemplos: catarata e desgaste da visão. � Doenças psicossociais – São síndromes de cunho psicológico (salvo o estresse e a síndrome de burnout). Exemplos: depressão; ansiedade e síndrome do pânico, entre outras. No contexto atual, o avanço das novas tecnologias, a disputa constante pela vantagem competitiva entre as organizações e a busca exaustiva pela produtividade com custos reduzidos são pontos cruciais para a sobrevivência das empresas. Porém, são também fatores que provocam uma sobrecarga cada vez maior na vida dos trabalhadores. Assim, muitas vezes é inevitável o corpo humano ficar suscetível a doenças ocupacionais. Algumas estratégias têm sido empregadas pelas organizações para melhorar a qualidade de vida de seus colaboradores, mas você estudará sobre esse tema em outro capítulo. As profissões mais estressantes no ano de 2016 foram: trabalho (carreira), militar, bom- beiro, piloto de avião, policial, coordenador de eventos, executivo de relações públicas, executivo corporativo, apresentador de TV/rádio e repórter de jornal. Fonte: Pati (2016). Principais particularidades de um programa de qualidade de vida no trabalho (QVT) Com a leitura realizada até aqui, você compreendeu que uma empresa é formada por pessoas que, interligadas, formam uma sociedade organizacional. Nela, 7Higiene e qualidade de vida no trabalho cada indivíduo deve desempenhar suas funções, conforme suas habilidades profissionais. Para a maior eficiência no desempenho dessas habilidades, cada pessoa deve estar em perfeita harmonia com seu ambiente de trabalho, ou seja, a qualidade da vida laboral de um indivíduo contribuirá positivamente para sua saúde e para a produtividade da empresa. A qualidade de vida no trabalho (QVT) pode ser entendida como o conjunto de medidas que uma empresa adota, com o intuito de implantar melhorias e inovações gerenciais, tecnológicas e estruturais no ambiente de trabalho. Para a melhoria na QVT, a organização deve considerar alguns fatores, como riscos físicos, químicos e biológicos, além da carga de trabalho física- -mental, cognitiva e psíquica. Tais fatores podem influenciar de forma direta ou indireta na saúde do trabalhador e, por consequência, na produtividade da organização como um todo. A ideia central da QVT é identificar os pontos favoráveis e desfavoráveis de um ambiente de trabalho para as pessoas. Esses pontos são caracterizados pela cultura da empresa, pelo perfil individual de cada indivíduo que forma o ambiente organizacional social e pelos fatores internos e externos que compõem a organização. O homem tenta direcionar seus objetivos de forma a colaborar nos sistemas produtivos no ambiente empresarial, mas busca atingir também seus próprios objetivos de vida. Um dos objetivos da QVT é servir tanto as aspirações mais altas dos trabalhadores quanto suas necessidades mais básicas. Ela procura aproveitar as habilidades mais refinadas dos trabalhadores, proporcionando um ambiente que lhes dê coragem para desenvolver suas capacidades. A análise de todas essas considerações deve levar você a refletir a respeito dos muitos fatores que influenciam, positiva ou negativamente, o desempenho produtivo da organização. Tais fatores precisam ser muito bem analisados e avaliados. Assim, é possível a implementação de práticas que valorizem a dualidade homem-organização como elemento determinante da expansão da empresa com um todo. Gestão estratégica de recursos humanos8 Algumas pesquisas apontam que as empresas que direcionam ações para melhorar a QVT de seus colaboradores conseguem uma grande evolução da sua produtividade. Em resumo, a qualidade de vida dos trabalhadores deve apresentar os seguintes componentes: � entusiasmo com o trabalho efetuado; � perspectiva de um futuro na empresa; � condecoração pelos resultados obtidos; � percepção do salário; � benefícios recebidos; � convívio humano dentro do grupo organizacional; � clima psicossocial e físico de trabalho; � autonomia para tomar decisões e atuar; � sensação de pertencimento e participação. Programas de bem-estar Algumas organizações, a fim de evitar problemas futuros com a saúde de seus colaboradores, adotam programas de bem-estar para melhorar o modo de vida das pessoas. Um bom programa de bem-estar apresenta, em geral, três ingredientes: � Auxílio ao colaborador na identificação de riscos possíveis que afetam a saúde; � Promoção da educação dos colaboradores com relação aos riscos de saúde, como controle da pressão sanguínea, atenção com alimentação inadequada e estresse, entre outros cuidados; � Incentivo ao encorajamento do colaborador a alterar seu estilo de vida com atividades físicas, alimentação adequada, entre outros hábitos mais saudáveis. Você percebeu como as organizações precisam direcionar esforços contí- nuos com programas para melhorar a qualidade de vida de seus colaboradores? Promover a saúde e o bem-estar dos indivíduos que compõem a sociedade organizacional é um meio de proporcionar aumento significativo da produti- vidade da empresa e melhorar o clima organizacional como um todo. 9Higiene e qualidade de vida no trabalho Veja dicas sobre como melhorar a QVT acessando este link: MARQUES, J. R. QVT: qua- lidade de vida no trabalho. 10 maio 2015. Disponível em: <http://www.ibccoaching. com.br/portal/rh-gestao-pessoas/qualidade-de-vida-no-trabalho-dicas-e-conceitos/#>. Acesso em: 08 dez. 2016. ARANTES, M. de A. C.; VIEIRA, M. J. F. Estresse: clínica psicanalítica. 2. ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2002. CARLOTTO, M. S. Síndrome de Burnout: um tipo de estresse ocupacional. Canoas, RS: Ulbra, 2001. CHIAVENATO, I. Administração: teoria, processo e prática. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organi- zações. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. DAVIS, K.; NEWSTROM, J. W. Comportamento humano no trabalho: uma abordagem psicológica. São Paulo: Pioneira Thomson Learnig, 2002. DU PONT. Principais doenças ocupacionais. 2016. Disponível em: <http://falandode- protecao.com.br/principais-doencas-ocupacionais>. Acesso em: 24 nov. 2016. IVANCEVICH, J. M. Gestão de recursos humanos. 10. ed. Porto Alegre: AMGH, 2011. LIMONGI-FRANÇA, A. C.; RODRIGUES, A. L. Stress e trabalho: uma abordagem psicos- somática. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1999. MUCHINSKY, P. M. Psicologia organizacional. São Paulo: Pioneira Thompson Learning, 2004. PATI, C. As 10 profissões mais estressantes para 2016. Exame, São Paulo, 12 jan. 2016. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/carreira/as-10-profissoes-mais-estressantes- -para-2016/>. Acesso em: 24 nov. 2016. SIGNORINI, M. Qualidade de vida no trabalho: e as dimensões da satisfação, do saber e do sagrado no trabalho significativo. Rio de Janeiro: Taba Cultural, 2000. SILVA, M. A. D.; MARCHI, R. Saúde e qualidade de vida no trabalho. São Paulo: Best Seller, 1997. Gestão estratégica de recursos humanos10 TELES, A. X. Psicologia organizacional: a psicologia na empresa ena vida em sociedade. São Paulo: Atlas, 1994. Leituras recomendadas BISPO, P. Saúde no trabalho: prevenir é melhor do que lamentar. 03 jun. 2013. Disponível em: <http://www.rh.com.br/Portal/Qualidade_de_Vida/Entrevista/8593/saude-no- -trabalho-prevenir-e-melhor-do-que-lamentar.html>. Acesso em: 25 nov. 2016. MARGIS, R. et al. Relação entre estressores, estresse e ansiedade. Revista Psiquiatria RS, Porto Alegre, v. 25, supl. 1, p. 65-74, abr. 2003. Disponível em: <http://www.scielo. br/pdf/rprs/v25s1/a08v25s1>. Acesso em: 25 nov. 2016. 11Higiene e qualidade de vida no trabalho DICA DO PROFESSOR Assistindo ao vídeo a seguir, você vai compreender os mecanismos que direcionam as empresas na busca pela melhora da qualidade de vida de seus colaboradores. Assim, é preservada a saúde mental e física de todos os envolvidos na organização. Assista ao vídeo! Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) No universo da higiene do trabalho, encontramos alguns programas relacionados à saúde dos colaboradores que variam de acordo com seu ambiente. Qual alternativa representa as características do ambiente psicológico? A) Promover um ambiente agradável para as relações entre as pessoas, oferecer benefícios assistenciais médicos e hospitalares e conceder programas de qualidade de vida no trabalho com o intuito de reduzir possíveis doenças ocupacionais e acidentes. B) Iluminação adequada, ventilação constante para evitar odores e fazer o ar circular, temperatura ambiente aceitável ao corpo humano, protetores auriculares para amenizar poluições sonoras e ruídos excessivos e proporcionar ambientes confortáveis e agradáveis. C) Promover relacionamentos aprazíveis entre as pessoas, tornar as atividades agradáveis e motivadoras, oferecer gestão democrática e participativa, amenizar os fatores geradores de estresse e envolver as pessoas e suas emoções. D) Oferecer equipamentos e instrumentos apropriados aos colaboradores, mesas e acomodações de acordo com a estatura das pessoas, redução do esforço físico através de equipamentos adequados. E) Promover espaços físicos adequados às atividades laborais e flexibilizar os horários de trabalho de acordo com a produção de cada colaborador. 2) No ambiente organizacional, conforme a atividade desenvolvida, o colaborador está amparado pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) a receber um adicional de periculosidade e insalubridade. Tais valores serão acrescidos à sua remuneração calculada sobre seu salário-base. Quais percentuais são aplicados ao adicional de insalubridade? A) 10, 30 e 50%. B) 5, 15 e 30%. C) 10, 20 e 30%. D) 20, 30 e 40%. E) 10, 20 e 40%. 3) Os pesquisadores Silva e Marchi (1997) comentam que o ponto ideal da saúde de uma pessoa só será alcançado com o equilíbrio constante de algumas dimensões. Qual alternativa aponta uma dimensão, de acordo com os pesquisadores? A) Dimensão de eustress. B) Dimensão de distress. C) Dimensão química. D) Dimensão individual. E) Dimensão espiritual. 4) No mundo do trabalho, encontramos algumas doenças ocupacionais que atacam os trabalhadores, não importando o nível em que se encontram na organização. Aponte a alternativa que cita a "doença do século". A) Síndrome de burnout. B) Lesão por esforço repetitivo. C) Distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. D) Cegueira. E) Estresse. 5) Algumas pesquisas apontam que as empresas que direcionam ações para melhorar a qualidade de vida no trabalho de seus colaboradores conseguem uma grande evolução na produtividade. Marque V para verdadeiro e F para falso nas afirmativas que representam componentes da QVT. ( ) Perspectiva de um futuro na empresa. ( ) Indiferença em relação ao salário. ( ) Autonomia para tomar decisões e atuar. ( ) Benefícios recebidos. A) V, V, F, F. B) F, F, V, V. C) V, F, V, V. Highlight D) F, V, F, V. E) V, V, V, V. NA PRÁTICA Confira a seguir a forma como podemos pensar a organização em relação à sua saúde de forma prática e simples. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Qualidade de vida Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Gestão de Recursos Humanos Fiscalização da segurança do trabalho APRESENTAÇÃO Para que as empresas sigam as normatizações de saúde e segurança ocupacional, foi necessário criar um departamento de fiscalização federal. O Ministério do Trabalho (MTb) conta com as Superintendências Regionais do Trabalho, que realizam a função com a finalidade de proteger os trabalhadores de agressores físicos e psíquicos. Nesta Unidade de Aprendizagem abordaremos a fiscalização da segurança do trabalhador. Bons estudos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer o papel do MTE nas ações de segurança do trabalho.• Identificar as atribuições dos fiscais do MTE.• Analisar as normatizações de saúde e segurança ocupacional.• DESAFIO As ações previstas em normatização para proteger a saúde e a segurança dos trabalhadores são obrigatórias. Por esse motivo, caso as empresas não as apliquem, poderão ser multadas como forma de punição ao descumprimento. Uma empresa de construção civil, que tem 300 funcionários, foi fiscalizada pelos auditores ficais do MTb. Durante a fiscalização, foi encontrada a seguinte irregularidade: Betoneira com a cremalheira exposta. Tal irregularidade refere-se aos seguintes itens da NR 12: 12.38: código 212.077-1 infração 4 12.38.1: código 212.078-0 infração 4 Observação: existem outros itens que não foram seguidos, mas, para o desafio, consideraremos apenas o descrito. Calcule a multa que a empresa receberá por não obedecer aos itens 12.38 e 12.38.1 da NR 12. Considere o valor da UFIR igual a 1,0641. INFOGRÁFICO Observe no infográfico a função das Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego. CONTEÚDO DO LIVRO A fiscalização do trabalho é uma atividade desempenhada pelo Estado por meio de seu órgão gestor com a finalidade de verificar e adequar o cumprimento, por parte das empresas, da legislação de proteção ao trabalhador. Ela atua na orientação para a prevenção e na correção de procedimentos informais adotados pelas empresas. Acompanhe o capítulo 4 Fiscalização da segurança do trabalho da obra Técnico em segurança do trabalho, que será a base teórica desta Unidade de Aprendizagem. Boa leitura! Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094 R741t Rojas, Pablo. Técnico em segurança do trabalho [recurso eletrônico] / Pablo Rojas. – Porto Alegre : Bookman, 2015. Editado como livro impresso em 2015. ISBN 978-85-8260-280-5 1. Segurança do trabalho. I. Título. CDU 331.45 Fiscalização da segurança do trabalho e te a t n e er a egi a ti i a a e rg i a ta ara reg ar a ati i a e na em re a e a re entam ri eg ran a e a e tra a a r er tam m a r a r e iment a ta e a it re i ai em a in e e eri i a ti e in e e rea i a a e ment i ita e a it re i ai Objetivos de aprendizagem Compreender os objetivos da fiscalização do trabalho. Reconhecer os poderes do auditor fiscal e sua importância. Calcular uma multa recebida em caso de infração. capítulo 4 64 A fiscalização da segurança do trabalho tem por objetivo evitar que o trabalhador, por ser o ele- mento mais fraco da relação empregatícia, seja exposto a situações de risco que prejudiquem a sua saúde física e mental. Todas as atividades trabalhistas estão sujeitas à fiscalização do Estado por força da Constituição Federal de 1988. Conforme artigo 21, inciso XXIV, “[...] compete à União organizar, manter e executar a inspeção do trabalho.” (BRASIL, 1988b). A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em seu Artigo 626 e seguintes, prevê a competência da regulamentação pelo Ministério do Trabalho (BRASIL, 1943): Art. 626 Incumbe às autoridades competentesdo Ministério do Trabalho, àquelas que exer- çam funções delegadas, a fiscalização do fiel cumprimento das normas de proteção ao tra- balho. Parágrafo único - Os fiscais do Instituto Nacional de Seguridade Social e das entidades pa- raestatais em geral, dependentes do Ministério do Trabalho, serão competentes para a fis- calização a que se refere o presente Art., na forma das instruções que forem expedidas pelo Ministro do Trabalho. Poderes do auditor fiscal O auditor fiscal pode realizar inspeções em qualquer empresa de sua área de atuação em qual- quer dia e horário, sem necessidade de comunicar previamente. Ele possui acesso a todas as de- pendências da empresa e pode solicitar informações e esclarecimentos a qualquer pessoa para apurar fatos considerados por ele como relevantes à inspeção. O auditor fiscal também pode retirar da empresa, mediante aviso, cópias de documentos, mo- delos de equipamentos ou amostras de materiais para análise na sede da Delegacia Regional do Trabalho ou em outro órgão a ela vinculado. Se julgar necessário, ele pode ainda solicitar a especialistas em segurança e medicina do trabalho da empresa ou peritos do Estado esclareci- mentos sobre os aspectos técnicos necessários para melhor entender as situações encontradas durante a vistoria. DEFINIÇÃO Fiscalização é a prática de vigilância constante sobre determinada atividade que tenha seu procedimento regulado por lei específica. ATENÇÃO Qualquer resistência ao trabalho do auditor fiscal por parte da empresa pode ser objeto de ação policial para garantir a ação fiscalizadora. ATENÇÃO Para começar A fiscalização do trabalho é uma atividade desempenhada pelo Estado por meio de seu órgão gestor com a finalidade de verificar e adequar o cumprimento, por parte das empresas, da legislação de proteção ao trabalhador. Ela atua na orientação para a prevenção e na correção de procedimentos informais adotados pelas empresas. PARA SABER MAIS Acesse o ambiente virtual de aprendizagem Tekne (www.grupoa. com.br/tekne) para ler leis, decretos, portarias, atos declaratórios, convenções, instruções normativas e precedentes administrativos. Highlight 65 Todos os procedimentos fiscais realizados pelo auditor fiscal estão previstos no Decreto nº 4.552, de 27 de dezembro de 2002, que aprova o Regulamento da Inspeção do Trabalho (RIT) (BRASIL, 2002c). A Convenção nº 81 da Organização Internacional do Trabalho (1947) (ratificada pelo Brasil), em consonância com a legislação federal, estipula os principais poderes da inspeção do trabalho, de- talhados a seguir. Livre acesso: Efetiva a inspeção do trabalho, uma vez que a inspeção por si, sem o poder de visita, seria uma atividade meramente burocrática. O livre acesso é autorizado porque o auditor fiscal defende o interesse coletivo, a fé pública e o dever de sigilo da autoridade fiscalizadora. Investigação: Completa o poder de livre acesso aos locais da empresa e aos seus documentos para comprovar a veracidade dos fatos. Injunção: Imposição de obrigações à empresa com a finalidade de fazer cumprir as normas legais de proteção do trabalho ou mesmo prevenir ou interromper atividades ou situações que estejam colocando em risco a integridade física dos trabalhadores. Notificação para correção de irregularidade: O auditor fiscal do trabalho sempre notifica a em- presa sobre a correção de irregularidades constatadas durante a inspeção em relação a aspectos pertinentes à saúde e à segurança do trabalho de acordo com os prazos estabelecidos na legislação (60 dias prorrogáveis por mais 60 dias). Expedição de notificação de débito: Poder que o auditor fiscal do trabalho tem de emitir notifi- cação fiscal de débito contra o infrator quando houver mora no pagamento do FGTS ou do salário dos trabalhadores. Essa notificação é expedida após procedimento próprio de ação fiscal, sem pre- juízo de lavratura de auto de infração. Autuação: O auditor fiscal do trabalho pode lavrar auto de infração quando observar violação a preceito legal, sendo que a não lavratura poderá acarretar a configuração de crime de responsabi- lidade. Autorização e autenticação: Consistem em poderes conferidos ao auditor fiscal do trabalho, como autorização do trabalho aos domingos, autorização para a redução do intervalo intrajornada, autenticação dos livros de inspeção do trabalho e das fichas ou livros de registro do empregado, os Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho (TRCT), etc. Mediação: Forma extrajudicial de solução e prevenção de conflitos. No âmbito da Superintendên- cia Regional do Trabalho, é possível solicitar uma mesa redonda, que consistirá na mediação de um auditor fiscal do trabalho entre representante de empresa e empregados em torno da discussão da negociação de acordo ou convenção coletiva de trabalho. PARA SABER MAIS Acesse o ambiente virtual de aprendizagem Tekne para ler, na íntegra, o decreto relativo ao Regulamento da Inspeção de Trabalho. NO SITE Conheça as convenções da OIT ratificadas pelo Brasil acessando o ambiente virtual de aprendizagem. NO SITE Highlight 66 Norma Regulamentadora 28 – NR 28 (BRASIL, 2006) Instituída pela Portaria GM nº 3.214, de 8 de junho de 1978 (BRASIL, 1978a), a NR 28 é o instrumen- to utilizado pelo auditor fiscal para realizar a fiscalização e impor penalidades sobre as infrações encontradas durante a vistoria. Cálculo das penalidades previstas na NR 28 As multas previstas na NR 28 são calculadas por meio do cruzamento entre o número de funcionários e o código da infração. No corpo da NR 28 existem dois anexos. No Anexo I, são apresentadas as graduações das multas impostas para as infrações referentes à segurança do trabalho e à medicina do trabalho em quatro níveis e as faixas com o número de empregados (Tabela 4.1). No Anexo II são encontradas as tabelas com os itens, o código de infração e a classificação da infração (Tabela 4.2). Tabela 4.1 Anexo I da NR 28 Valor da multa (em UFIR) Segurança do trabalho 6.304 Medicina do trabalho 3.782 Anexo I (Alterado pela Portaria nº 3, de 1º de julho de 1992) Número de empregados Gradação de multas (em BTN) Segurança do trabalho Medicina do trabalho 1 2 3 4 1 2 3 4 1 – 10 630 – 729 1129 – 1393 1691 – 2091 2252 – 2792 378 – 482 676 – 839 1015 – 1254 1350 – 1680 11 – 25 730 – 830 1394 – 1664 2092 – 2495 2793 – 3334 429 – 498 840 – 1002 1255 – 1500 1681 – 1998 26 – 50 831 – 963 1665 – 1935 2496 – 2898 3335 – 3876 499 – 580 1003 – 1166 1501 – 1746 1999 – 2320 51 – 100 964 – 1104 1936 – 2200 2899 – 3302 3877 – 4418 581 – 662 1176 – 1324 1747 – 1986 2321 – 2648 101 – 250 1105 – 1241 2201 – 2471 3303 – 3717 4419 – 4948 663 – 744 1325 – 1482 1987 – 2225 2649 – 2976 251 – 500 1242 – 1374 2472 – 2748 3719 – 4121 4949 – 5490 745 – 826 1483 – 1646 2226 - 2471 2977 – 3297 501 – 1000 1375 – 1507 2749 – 3020 4122 – 4525 5491 – 6033 827 – 906 1647 – 1810 2472 – 2717 3298 – 3618 Mais de 1000 1508 – 1646 3021 – 3284 4526 – 4929 6034 – 6304 907 – 900 1811 – 1973 2718 – 2957 3619 – 3782 Tabela 4.2 Anexo II da NR 28 NR 1 (101.000-0) Item/subitem Código Infração 1.7 “a” 101.001-8 1 1.7 “b” 101.010-7 1 1.7 “c” I 101.005-0 3 1.7 “c” II 101.006-9 3 1.7 “c” III 101.007-7 3 1.7 “c” IV 101.008-5 3 1.7 “d” 101.009-3 3 1.7 “e” 101.011-5 3 PARA SABER MAIS Leia a NR 28 na íntegra acessando o ambiente virtual de aprendizagem Tekne. Té c n ic o e m S e g u ra n ç a d o T ra b a lh o 67 DICA Para calcular a penalidade imposta pelo auditor fiscal, é preciso encontrar nas tabelas do Anexo II o número da infração e, em seguida, identificar no Anexo I a faixa em que a empresa se encontra, de acordo com o número de funcionários. em e Vamos supor que uma empresa com mil funcionários tenha sido autuada por um auditor fiscal por não ter instalado a CIPA. Tal irregularidade pode ser confirmada a partir da leitura da NR 5, que, em seu item 5.2 dasessão “Da Constituição”, dispõe o seguinte: Devem constituir CIPA, por estabelecimento, e mantê-la em regular funcionamento as em- presas privadas, públicas, sociedades de economia mista, órgãos da administração direta e indireta, instituições beneficentes, associações recreativas, cooperativas, bem como outras instituições que admitam trabalhadores como empregados (BRASIL, 1978a). Constatada a irregularidade, o valor da multa é calculado consultando o Anexo II da NR 28 para identificar o número da infração no quadro de penalidades da NR 5 referente ao item 5.2 (Tabela 4.3). A seguir, identifica-se o código e o grau da infração para, então, fazer o cruzamento das infor- mações na Tabela 4.1. Tabela 4.3 Item 5.2 do Anexo II da NR 28 NR 5 (205.000-5) Item/subitem Código Infração 5.2 205.001-3 4 5.6 205.067-6 3 O próximo passo para encontrar o valor da multa imposta pelo auditor fiscal consiste em multi- plicar o valor mínimo da penalidade (5.491) pelo valor da UFIR (1,0641), o que perfaz um total de R$ 5.842,97. Se o cálculo fosse feito multiplicando o valor máximo, a multa seria de R$ 6.419,71. O valor mínimo da infração é 5.491 UFIR, e o máximo, 6.033 UFIR. O valor da UFIR congelou depois de 2000 por força do § 3º do artigo 29 da Medida Provisória nº 2.095/76. Seu valor foi fixado em R$ 1,0641 e vigora desde então. S Estabelecido o valor da multa, existem duas alternativas: pagar a multa e solucionar os problemas apontados; ou recorrer da multa apresentando as soluções dos problemas indicados pelo auditor fiscal. A lei garante ao empregador amplo direito de defesa mediante requerimento à autoridade compe- tente (Delegacia Regional do Trabalho - DRT) no prazo de 10 dias. A decisão, quando desfavorável PARA SABER MAIS Leia a NR 5 na íntegra acessando o ambiente virtual de aprendizagem Tekne. NO SITE Acesse o ambiente virtual de aprendizagem Tekne para conhecer as alterações no valor da UFIR entre os anos de 1995 e 2000. NO SITE 68 ao empregador, também é passível de recurso ao diretor-geral do Departamento do Ministério do Trabalho, também no prazo de 10 dias após a notificação do indeferimento da defesa. Para recorrer, é necessário recolher multa aos cofres públicos. Té c n ic o e m S e g u ra n ç a d o T ra b a lh o Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. DICA DO PROFESSOR O vídeo aborda a fiscalização da segurança do trabalho. Acompanhe! Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) O auditor fiscal está vinculado a que organização? A) À empresa. B) Ao empregado. C) Ao sindicato. D) Secretaria Especial de Trabalho e Previdência do Ministério da Economia. E) Ao Estado. 2) Qual o objetivo da fiscalização realizada pelo auditor fiscal? A) Evitar a exposição do trabalhador aos riscos ocupacionais. B) Multar o empregador quando descumpre as normatizações de saúde e segurança ocupacional. C) Interditar os locais que oferecem risco ao empregador. D) Indicar ao empregador as denúncias realizada pelos empregados. E) Investigar as situações que coloquem em risco a saúde e a segurança dos empregados, quando permitido pela empresa. 3) Que itens não se referem aos poderes da inspeção do trabalho? A) Livre acesso para inspeção dos locais de trabalho. B) Investigação de documentos permitidos pela empresa. C) Notificar a empresa sobre a necessidade de correção de irregularidades. D) Autuar a empresa quando infringir uma das normatizações do Ministério do Trabalho. E) Mediar acordos de melhorias das condições de trabalho entre sindicato e empresa. 4) A Norma Regulamentadora 28 é: A) A norma relacionada ao Ministério do Trabalho. B) A norma que dá o poder de autuação ao auditor fiscal do Ministério do Trabalho. C) É a regulamentação da inspeção do trabalho. D) É a norma utilizada pelo auditor fiscal para impor penalidades à empresa. E) A norma que possibilita o auditor fiscal do Ministério do Trabalho inspecionar os locais de trabalho. 5) Qual dos itens abaixo não é necessário para calcular a penalidade conforme a NR 28? A) Número de trabalhadores da empresa. B) Itens das normatizações que não foram cumpridos. C) Grau de infração. D) Anexos I e II da NR 28. E) Grau de risco da empresa. NA PRÁTICA A fiscalização do auditor fiscal do trabalho do Ministério do Trabalho pode ocorrer em qualquer empresa e a qualquer momento, pois ele não precisa avisar previamente. Caso haja denúncia de uma obra que não está seguindo as normatizações do Ministério do Trabalho, o auditor fiscal do trabalho irá visitá-la, pedindo documentações exigidas pelas NR e evidências de que as normas estão sendo seguidas. ID da Imagem: 11612566 Se ele identificar um andaime sem proteções, interditará o dispositivo até que a empresa o regularize. A empresa, portanto, não pode fazer uso do andaime até que esteja com as proteções. Se a empresa descumprir as orientações do Ministério do Trabalho ou as notificações do auditor, poderá ter um aumento nas multas ou até ser convocada a assinar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC). SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: NR 28 - Fiscalização e penalidades. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! OLIVEIRA, J.C. Segurança e saúde no trabalho: uma questão mal compreendida. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! BRASIL. Ministério do Trabalho. Segurança e saúde no trabalho. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Ergonomia - Fundamentos e aplicações [Série Tekne] Leia o tópico Legislação aplicada à ergonomia (página 96) Responsabilidade do empregado e empregador APRESENTAÇÃO Com a finalidade de situar o empregador e os empregados nas ações de saúde e segurança ocupacional, as regulamentações do Ministério do Trabalho pontuam a responsabilidade das duas partes na promoção da prevenção de doenças e acidentes do trabalho. Mesmo com regulamentações, o comprometimento das duas partes ainda está distante da sua participação efetiva. Nesta Unidade de Aprendizagem aprenderemos mais sobre a responsabilidade do empregado e do empregador. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar a responsabilidade dos empregados e dos empregadores.• Comparar a responsabilidade dos empregados com a dos empregadores.• Reconhecer a necessidade de aplicabilidade das exigências das normatizações por ambas as partes. • DESAFIO Em uma empresa de construção civil ocorreu um acidente envolvendo um trabalhador da obra. A obra não tinha redes de proteção ou qualquer mecanismo que contivesse a queda de materiais dos pavimentos superiores. O funcionário teve traumatismo craniano, ficou internado por uma semana no hospital e faleceu por morte cerebral. Deixou esposa e cinco filhos, que entraram na justiça para que a empresa fosse punida. Escreva de que forma a empresa será responsabilizada por ter causado a morte desse trabalhador. INFOGRÁFICO O infográfico apresenta um resumo do conteúdo desta Unidade de Aprendizagem. Confira! CONTEÚDO DO LIVRO Nos países desenvolvidos, a cultura prevencionista é praticada tanto pelos empregadores quanto pelos empregados. Já nos países em desenvolvimento, como o Brasil, ainda há fatores sociais, econômicos e culturais que dificultam a execução da legislação e das práticas normatizadas. Em consequência disso, ações judiciais são impetradas diariamente pelos trabalhadores em busca de reparação civil e criminal, resultando em benefícios previdenciários decorrentes de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais. Acompanhe um trecho da obra Técnico em segurança do trabalho. Inicie o estudo pelo tópico Responsabilidade do empregador na prevenção de acidentes do trabalho.Boa leitura! Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094 R741t Rojas, Pablo. Técnico em segurança do trabalho [recurso eletrônico] / Pablo Rojas. – Porto Alegre : Bookman, 2015. Editado como livro impresso em 2015. ISBN 978-85-8260-280-5 1. Segurança do trabalho. I. Título. CDU 331.45 54 O contrato de trabalho cria um vínculo entre a empresa e o empregado que obriga reciprocamente as partes, ou seja, traz vantagens e ônus recíprocos. Ao assumir o contrato de trabalho, o empre- gado se coloca à disposição do empregador com sua força de trabalho e fica subordinado às regras fixadas no contrato e na legislação trabalhista. Por sua vez, ao assinar o contrato de trabalho com um trabalhador, o empregador assume diversas obrigações, como pagar os salários pelos serviços prestados, manter um ambiente de trabalho sau- dável e reduzir os riscos ao trabalho por meio da aplicação de normas de saúde, higiene e seguran- ça. Esses preceitos estão previstos na Constituição Federal (BRASIL, 1988b) (Artigo 7º, incisos XXII, XXIII e XXVIII) e no Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho relativas à segurança e à medicina do trabalho, aprovadas pela Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978 (BRASIL, 1978a). Responsabilidade do empregador na prevenção de acidentes do trabalho Por lei, a empresa é responsável pela adoção e pelo uso de medidas coletivas e individuais de pro- teção e segurança da saúde do trabalhador, devendo prestar informações pormenorizadas sobre os riscos da operação a executar e do produto a manipular. De acordo com o Artigo 157 da CLT (BRA- SIL, 1943), cabe à empresa cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho e instruir os empregados, mediante ordens de serviço, quanto às precauções para evitar acidentes de trabalho ou doenças ocupacionais. A empresa deve também punir o empregado que, sem justificativa, recusar-se a observar as re- feridas ordens de serviço e a usar os equipamentos de proteção individual fornecidos, conforme previsto no Artigo 158 da CLT (BRASIL, 1943). Quanto às terceirizações, por força de norma re- gulamentadora, a empresa tomadora de serviços está obrigada a estender aos empregados da empresa contratada que lhe presta serviços no seu estabelecimento a assistência de seus serviços especializados em engenharia e segurança e em medicina do trabalho. IMPORTANTE Para haver responsabilização do empregador por um acidente de trabalho, é necessário existir nexo causal entre sua conduta e o resultado danoso (causalidade naturalística) ou entre o resultado danoso e a conduta que ele deveria ter adotado (causalidade normativa). IMPORTANTE Para começar Nos países desenvolvidos, a cultura prevencionista é praticada tanto pelos empregadores quanto pelos empregados. Já nos países em desenvolvimento, como o Brasil, ainda há fatores sociais, econômicos e culturais que dificultam a execu- ção da legislação e das práticas normatizadas. Em consequência disso, ações judiciais são impetradas diariamente pelos trabalhadores em busca de reparação civil e criminal, resultando em benefícios previdenciários decorrentes de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais. IMPORTANTE O Artigo 2 da CLT diz que o empregador é o responsável pela prestação de serviço, pois é ele quem contrata, assalaria e dirige a prestação de serviço na empresa, portanto, cabe a ele o ônus e o bônus advindos dessa prestação de serviço (BRASIL, 1943). O Highlight 55 No acidente de trabalho real e na doença do trabalho, o empregador sempre tem o domínio da situação fática, ou seja, o empresário é sempre conhecedor do ambiente e das formas como são realizadas as atividades produtivas. No acidente de trabalho por ficção legal e na doença pro- fissional, a situação real foge ao seu controle, e ele raramente pode prevê-los ou evitá-los. As res- ponsabilidades do empregador em relação à segurança no ambiente do trabalho dividem-se em quatro esferas, detalhadas a seguir. Esfera civil A responsabilidade civil é a obrigação de reparar o dano que uma pessoa causa a outra. Em direito, a teoria da responsabilidade civil procura determinar em que condições uma pessoa pode ser con- siderada responsável pelo dano sofrido por outra pessoa e em que medida está obrigada a repará- -lo. A reparação do dano é feita por meio da indenização, que é quase sempre pecuniária. O dano pode ser à integridade física, à honra ou aos bens de uma pessoa. Após a publicação da Constituição de 1988 (BRASIL, 1988b), o empregador passou a responder civilmente pela reparação do dano, mesmo que a culpa seja levíssima. O instrumento jurídico que permite a verificação da culpa e a avaliação da responsabilidade é o Código Civil. O empregador também é responsável pelos atos de seus empregados durante o exercício de suas funções. De acordo com a Súmula 311 do Supremo Tribunal Federal, “[...] é presumida a culpa do patrão ou comitente pelo ato culposo do empregado ou preposto.” (BRASIL, 1964). O sócio-gerente da empresa que deixar de atender às normas de saúde e segurança do trabalho está praticando atos contrários ao texto expresso de lei, e, no caso de acidente de trabalho, seus bens particulares responderão pela reparação do dano. A seguir, são apresentados os tipos de indenização geralmente proferidos pelos juízes. Em caso de morte do empregado: Pagamento das despesas com tratamento da vítima, seu fu- neral e luto da família; prestação de alimentos às pessoas a quem o defunto os devia; dano moral; e constituição de um capital representado por imóveis ou títulos da dívida pública, impenhoráveis, cuja renda assegure o cabal cumprimento do pagamento das prestações vincendas. Pagamento das despesas de tratamento médico da vítima: Inclui medicamentos, hospitais, fisioterapia, próteses, órteses, colchão de água, cama hospitalar, cadeira de rodas sem e com motor, enfermeiros, acompanhantes e manutenção de equipamentos, próteses e órteses por toda a vida da vítima. Pagamento de lucros cessantes até o fim da convalescença: Valor pertinente a tudo o que o acidentado deixou de ganhar em razão do acidente. Aplicação de multa: No grau médio da pena criminal correspondente, duplicada em caso de alei- jão ou deformidade. Pagamento de dote: Se a vítima for mulher em condições de casar e do acidente resultar aleijão ou deformidade, é determinado o pagamento de dote segundo as posses do ofensor e as circuns- tâncias da ofendida. NO SITE O t t ho o o está previsto no Artigo 21 da Lei 8.213/91, disponível no ambiente virtual de aprendizagem Tekne: www. grupoa.com.br/tekne. NO SITE c a p ít u lo 3 R e s p o n s a b il id a d e s d a e m p re s a p e la s e g u ra n ç a n o a m b ie n te d e t ra b a lh o 56 Indenização em virtude da incapacidade total ou parcial permanente para o trabalho: Se a ofensa resultar em incapacidade total ou parcial permanente para o trabalho, o pagamento de pensão correspondente à importância que o trabalhador deixará de receber pelo trabalho para o qual se inabilitou ou proporcional à depreciação que o trabalhador sofreu. Indenização por dano estético: O dano estético é um dano de caráter não patrimonial, distinto do dano moral. Ele é caracterizado por uma modificação duradoura ou permanente na aparência externa de uma pessoa contribuindo para o surgimento de dor moral. Ele é uma ofensa aos direitos de personalidade da pessoa, pois provoca desequilíbrio entre o estado passado da pessoa e o esta- do presente e futuro. É uma modificação para pior. Indenização em dinheiro: Feita no mesmo valor do capital indicado pela justiça do trabalho (total ou parcial) com o objetivo de fornecer ao acidentado um capital que garanta a sua subsistência futura. Indenização por dano moral: O dano moral tem origem em uma ofensa ou violação dos bens de ordem moral de uma pessoa, tais sejam o que se referem à sua liberdade,à sua honra, à sua saúde (mental ou física), à sua imagem. O trabalhador sempre tem direito a pleitear indenização quando se sentir lesado. Esfera criminal De acordo com o Artigo 13, § 2°, do Código Penal de 1984 (BRASIL, 1984), a pessoa que tem o dever legal e a possibilidade real de agir no sentido de evitar o resultado e não o faz dolosamente ou culpo- samente será penalmente responsável por essa omissão. O empregador tem o dever de agir, seja pelo poder de mando e direção sobre o empregado, mas os responsáveis pela segurança do trabalho na em- presa (técnico de segurança, SESMT, CIPA) também podem responder criminalmente pelos acidentes. DEFINIÇÃO Comportamento doloso é aquele em que o agente quis intencionalmente o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. Comportamento culposo é aquele em que o agente não tomou o cuidado necessário no sentido de evitar o resultado. O Artigo 121, § 3°, do Código Penal (BRASIL, 1984) trata do homicídio culposo, que é o instrumento utilizado quando ocorre a morte de um trabalhador em um acidente de trabalho, pois é a moda- lidade do crime que decorre, em regra, da inobservância das normas de segurança e medicina do trabalho. De acordo com o Artigo 19, § 2°, da Lei nº 8.213/91 (BRASIL, 1991a), mesmo que não haja qualquer acidente ou risco de acidente, o simples descumprimento das normas de segurança e higiene do trabalho já é um relevante penal, respondendo o transgressor por contravenção penal punível com multa. NO SITE Assista a um vídeo sobre a responsabilidade civil das empresas sobre a segurança do trabalho disponível no ambiente virtual de aprendizagem Tekne. NO SITE ATENÇÃO Se o causador do acidente for o próprio empregado, por culpa exclusiva sua (ato inseguro), não haverá crime, pois a auto-ofensa não é punida em nosso ordenamento jurídico. ATENÇÃO 57 Esfera trabalhista A empresa é obrigada a conceder estabilidade provisória pelo prazo de 12 meses ao empregado que for vítima de acidente de trabalho. Quando a empresa descumpre as normas de proteção à segurança e à saúde do trabalhador, seus empregados podem rescindir o contrato de trabalho por culpa do empregador, com base nas alíneas c e f do Artigo 483 da CLT (BRASIL, 1943). Quando ocorre a morte de um empregado em acidente de trabalho por culpa da empresa ou de seus prepostos, os dependentes ou herdeiros do falecido têm direito às mesmas verbas trabalhistas a que ele teria direito no caso de rescisão indireta do contrato de emprego, como 40% do FGTS e aviso prévio. Esfera previdenciária Quando o acidente de trabalho ocorre por negligência das normas de segurança e higiene do tra- balho, a Previdência Social proporá ação regressiva contra os responsáveis (Artigo 120 da Lei nº 8.213/91). Esse dispositivo é mais um instrumento de punição a quem der causa a acidente de trabalho, que não ficará civilmente impune mesmo que a vítima ou seus parentes não tenham interesse ou não possam, por qualquer motivo, acionar o causador do dano (BRASIL, 1991a). Responsabilidade dos agentes empresariais nos acidentes do trabalho Além de a empresa ter as responsabilidades estabelecidas pela legislação, também os seus agentes respondem de acordo com a sua participação e responsabilidade pelo ocorrido. O enquadramento legal do crime é feito de acordo com o modo de agir e o comportamento do agente, que pode ser doloso ou culposo. No caso de comportamento doloso, o agente responderá por lesão corporal ou homicídio sim- ples, de acordo com o caso, sujeitando-se à pena de 3 meses a 1 ano de detenção no caso de lesão corporal leve, e de 6 a 20 anos de reclusão no caso de homicídio. O agente também poderá ser enquadrado no Artigo 132 do Código Penal (BRASIL, 1984). Artigo 132 - Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente: Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave. Parágra- fo único - A pena é aumentada de um sexto a um terço se a exposição da vida ou da saúde de outrem a perigo decorre do transporte de pessoas para a prestação de serviços em estabele- cimentos de qualquer natureza, em desacordo com as normas legais. NO SITE O Artigo 483 da CLT pode ser lido na íntegra no ambiente virtual de aprendizagem Tekne. NO SITE 58 No comportamento culposo, o agente responderá por crime de lesão corporal culposa ou ho- micídio culposo, de acordo com o caso, sujeitando-se à pena de 2 meses a 1 ano de detenção no caso de lesão corporal e de 1 a 3 anos no caso de homicídio culposo. A pena será aumentada em um terço se o crime resultar de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício (p. ex., engenheiro que falha na escolha do ferro da laje que desaba; técnico de segurança que orienta erroneamente o empregado que se acidenta; médico do trabalho que erra no tempo de exposição do empregado aos gases exalados de certo produto químico, etc.). As responsabilidades sobre os acidentes de trabalho também recaem sobre os integrantes do SES- MT e da CIPA, pois suas atividades têm por finalidade promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador no local de trabalho. Desse modo, eles têm a obrigação legal de aplicar os conheci- mentos de suas especialidades para esse fim. O SESMT estabelece e avalia os procedimentos adotados pela empresa no campo de segurança e medicina no trabalho, portanto, seus integrantes, dentro dos limites de sua área de atuação, res- pondem por culpa ou dolo quando ocorrem acidentes de trabalho. Os integrantes da CIPA podem dar causa ao acidente do trabalho por ação ou omissão. Os integrantes do SESMT e da CIPA somente se eximirão de responsabilidade quando provarem que não puderam agir para prevenir ou evitar o acidente ou que, apesar de cumprirem com todas as suas obrigações legais, este ainda assim ocorreu. DICA Geralmente existe nexo causal entre o resultado e a conduta dos membros do SESMT e da CIPA no acidente de traba- lho real, ocorrido no local de trabalho, e de doença do trabalho. Quando isso é comprovado, ocorre a ação criminal. ATENÇÃO Uma ordem ilegal dada por um superior hierárquico não impede o membro do SESMT ou da CIPA de agir da forma correta, mas se ele agir incorretamente para atender a uma ordem ilegal dada por um superior hierárquico, a responsabilidade sobre um possível evento danoso aos funcionários recairá sobre ele. ATENÇÃO Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. DICA DO PROFESSOR O vídeo aborda as responsabilidades do empregador e dos empregados. Confira! Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) É de responsabilidade do empregado: A) Avaliar os riscos existentes no local de trabalho. B) Seguir a ordem de serviço expedida. C) Comprar seus equipamentos de proteção individual (EPIs). D) Fazer cumprir as normas regulamentadoras. E) Divulgar os riscos ocupacionais existentes no ambiente de trabalho. 2) O empregador não será responsabilizado pelo acidente ocorrido no trabalho quando: A) O funcionário se negar a seguir as exigências da empresa relativas à segurança ocupacional. B) Não forem fornecidos EPIs. C) A informação dos riscos ocupacionais não estiver ao alcance dos empregados. Highlight D) O trabalhador realiza muitas horas extras. E) O funcionário desconhecer o programa de riscos ambientais. 3) Quando o empregado se acidenta em uma máquina que estava sem as proteções necessárias para protegê-lo e morre, o empregador poderá responder por: A) Ato inseguro. B) Descumprir a ordem de serviço. C) Homicídio culposo. D) Rescisão de trabalho por culpa do empregador. E) Inobservância de regra técnica. 4) Qual das esferas abaixo não se refere à responsabilidade do empregador relacionada à segurança ocupacional? A) Esfera civil. B) Esfera criminal. C) Esfera trabalhista. D) Esfera previdenciária. E) Esferaprevencionista. 5) Além da empresa, outros agentes poderão ser responsabilizados pelos atos que descumprem as normatizações de saúde e segurança ocupacional. Qual dos agentes abaixo não será responsabilizado? A) Comissão Interna de Prevenção de Acidentes. B) Técnico em segurança do trabalho. C) Preposto da empresa. D) Delegado sindical. E) Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho. NA PRÁTICA Caso os profissionais de saúde e segurança ocupacional não cumpram suas obrigações éticas e profissionais de proteger o trabalhador dos riscos ocupacionais, poderão ser responsabilizados junto com a empresa e responder judicialmente por seus atos. Por exemplo, caso ocorra um acidente dentro de uma empresa de construção civil ocasionando a morte de um empregado, o que deve ser feito pelo engenheiro e pelos técnicos em segurança do trabalho? Essas ações são de apresentação necessária aos órgãos governamentais quando questionarem a responsabilidade desses profissionais no acidente, tendo em vista que possuem conhecimento e habilidades para que o evento não aconteça. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: NR 1 - Disposições gerais Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Responsabilidade civil do empregador por acidente do trabalho Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Gerenciamento de riscos: Técnicas de Análise de Riscos APRESENTAÇÃO A implementação do gerenciamento de riscos nas empresas é realizado com a finalidade de minimizar os efeitos dos riscos ocupacionais no ambiente de trabalho. Há diversas técnicas utilizadas para minimizar os riscos e, nesta Unidade de Aprendizagem abordaremos as técnicas de análise de riscos que podem ser utilizadas para atingir esse objetivo. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar as técnicas de análise de riscos.• Reconhecer a forma de aplicação das técnicas de análise de riscos.• Indicar a técnica de análise de riscos mais adequada para cada situação.• DESAFIO Você foi convidado a participar da Análise Preliminar de Perigos de uma empresa de manutenção mecânica. A empresa fornece serviço de emergência mecânica, e a maioria dos chamados é referente à troca de pneus em rodovias. Para realizar a Análise Preliminar de Perigos, você deverá elaborar uma planilha com as seguintes colunas: - Perigo - Causa - Efeito - Categoria de Severidade dos Efeitos - Recomendações/observações Utilize as informações a seguir para analisar a Categoria de Severidade dos Efeitos: I – Desprezível II – Marginal III – Crítica IV – Catastrófica Agora, analise o cenário apresentado e bom desafio! INFOGRÁFICO Observe no infográfico alguns grupos de trabalhadores que podem ter o nível de perigo aumentado em virtude de características específicas. CONTEÚDO DO LIVRO A análise de riscos consiste na análise integrada dos riscos inerentes a determinado produto, sistema, operação, funcionamento ou atividade, no contexto apropriado. Há diferentes técnicas para realização da análise de riscos e, para saber por qual optar para realizar o gerenciamento dos riscos, é importante conhecê-las. Acompanhe um trecho da obra Técnico em segurança do trabalho, base teórica desta unidade. Inicie o estudo pelo tópico "Análise de riscos". Boa leitura! Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094 R741t Rojas, Pablo. Técnico em segurança do trabalho [recurso eletrônico] / Pablo Rojas. – Porto Alegre : Bookman, 2015. Editado como livro impresso em 2015. ISBN 978-85-8260-280-5 1. Segurança do trabalho. I. Título. CDU 331.45 ca pí tu lo 7 G er en ci am en to d e ri sc os Gerenciamento de riscos O gerenciamento de riscos é uma atividade desempenhada em todo o mundo e em todas as empresas organizadas a fim de avaliar e controlar os riscos por meio da formulação e implantação de medidas e procedimentos técnicos e administrativos. Este capítulo abordará o gerenciamento de riscos na área de segurança do trabalho, incluindo as metodologias e técnicas de análise de riscos e os diferentes tipos de risco a que o trabalhador pode estar exposto. Objetivos de aprendizagem Conceituar riscos, análise de riscos e avaliação de riscos em segurança do trabalho. Aplicar as metodologias e técnicas de análise e avaliação de riscos. Conceituar riscos operacionais e ambientais e suas formas de tratamento. Compreender o que é o mapa de riscos, qual é sua finalidade e como deve ser desenvolvido. capítulo 7 92 O controle dos riscos implica verificar, fiscalizar, conferir, inspecionar e dominar as situações de riscos. Tais atividades têm baixo custo, pois requerem poucos investimentos em pessoas e equipa- mentos. Já o gerenciamento de riscos tem como objetivo final reduzir os riscos por meio da pre- venção (redução da frequência de ocorrências) e da proteção contra os riscos existentes (redução de consequências). Isso implica administrar, dirigir, governar, orientar e regular as atividades, o que requer consideráveis investimentos em recursos humanos, materiais e tecnológicos. O gerenciamento de riscos é responsável pela manutenção das operações das instalações produti- vas dentro de padrões de segurança considerados toleráveis pela legislação. Para gerir os riscos, é preciso inicialmente analisá-los e avaliá-los e implantar um programa de gerenciamento de riscos (PGR) a fim de estabelecer como será conduzido o gerenciamento e como será dado o tratamento aos riscos identificados. Os profissionais envolvidos com o gerenciamento de riscos são os responsáveis pela elaboração dos planos e do direcionamento a ser seguido pelas organizações para proporcionar segurança ao patrimônio físico e humano da empresa e de seu entorno. As ações e medidas adotadas por esses profissionais balizam a segurança nas atividades executadas nas empresas e orientam os trabalha- dores por meio de treinamentos e pelo estabelecimento de normas de conduta. Análise de riscos A análise de riscos é feita por meio de um conjunto de métodos e técnicas que buscam identificar e avaliar os riscos considerando seu tipo, nível (análise qualitativa) e quantidade (análise quantita- tiva). Uma das principais finalidades de realizar uma análise de riscos é representar os interesses de segurança da comunidade, do meio ambiente e da empresa. Seus resultados identificam o cenário, a frequência e as consequências dos riscos analisados. A análise de riscos fornece aos responsáveis pela segurança do trabalho nas empresas elementos so- bre os riscos existentes nas atividades para que sejam tomadas decisões e adotadas providências para prevenir a ocorrência de acidentes. Antes de iniciar a análise de riscos, é preciso identificar o perigo existente no local a ser analisado, o que é feito a partir de diversas técnicas, descritas a seguir. Para começar As empresas têm uma grande dúvida sobre qual caminho seguir quando se trata de riscos, pois os custos de controlar e de gerir os riscos são bem diferentes. As empresas organizadas conhecem bem essa diferença e optam geralmente pelo gerenciamento de riscos, pois ele garante melhores resultados no médio e longo prazo. DEFINIÇÃO Gerenciamento de riscos é o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar os recursos humanos e materiais de uma organização, no sentido de minimizar os efeitos dos riscos sobre essa organização ao mínimo possível. É um conjunto de técnicas que visa a reduzir ao mínimo os efeitos das perdas acidentais, enfocando o tratamento aos riscos que possam causar danos pessoais. ao meio ambiente e à imagem da empresa. Ã DEFINIÇÃO A análise de riscos consiste na análise integrada dos riscos inerentes a um determinado produto, sistema, operação, funcionamento, atividade, no contexto apropriado.Ã ca pí tu lo 7 G er en ci am en to d e ri sc os 93 Técnicas de identificação do perigo As técnicas de identificação do perigo possibilitam conhecer os perigos existentes e facilitam a identificação dos riscos com a aplicação de uma metodologia de trabalho. Segundo a Agência Europeia para a Saúde e Segurança no Trabalho, uma das principais atividades de responsabilidade da área de saúde e segurança do trabalho nas empresas é circular constantemente pelas áreas onde são desenvolvidas as atividades produtivas observando com atenção os perigos existentes e possíveis riscos que venham a gerar acidentes com os trabalhadores (OCCUPATIONAL SAFETY AND HEALTH ADMINISTRATION, 1996). Os responsáveis pela saúde e segurança do trabalho também precisam manter conversas constan- tes com os trabalhadores das áreas e buscar conhecer todos os aspectos envolvidos nos processos produtivos, utilizando a opinião dos trabalhadores para conhecer, por meio das experiências vivi- das por eles, a realidade da segurança do local de trabalho. Os relatos sobre as situações vividas no dia a dia das operações pelos trabalhadores das áreas da empresa permitem ao membro da área de saúde e segurança entender as operações rotineiras e as não rotineiras, como as paradas para manutenção e setup. As técnicas de identificação de perigos, quando aplicadas com base nessas observações, permiti- rão apontar as pessoas que estarão expostas aos perigos direta (pessoas que trabalham no local) e indiretamente (pessoas que circulam pelo local). As técnicas, quando aplicadas, devem considerar as questões de gênero, uma vez que homens e mulheres são sujeitos a diferentes tipos de perigo, embora exercendo a mesma atividade. Outros aspectos importantes dizem respeito a outros grupos de trabalhadores que podem ter o nível de perigo aumentado em virtude de características específicas, como: Trabalhadores com deficiência: Devem receber o mesmo tratamento dado aos demais traba- lhadores, sem ser discriminados. Os locais de trabalho têm de dar acesso a esses trabalhado- res e, se necessário, ser adaptados para o desempenho das atividades. Cabe aí a identificação da existência de perigo específico a este tipo de trabalhador. Trabalhadores migrantes: As regiões industriais recebem esse tipo de trabalhador constante- mente, em virtude das dificuldades econômicas nas regiões agrícolas do país. Em geral esses trabalhadores não possuem preparo para enfrentar os perigos nas empresas e devem ser objeto de estudo e atenção dos membros da área de saúde e segurança da empresa durante todo o seu período de adaptação e treinamento. Trabalhadores jovens: É fato constatado que os jovens são mais vulneráveis a acidentes de trabalho, sendo, portanto, merecedores de atenção por parte dos responsáveis pela saúde e segurança do trabalho. A empresa deve atribuir aos trabalhadores jovens atividades onde a maturidade física e psicológica seja suficiente para desempenhá-la, de forma que, com o passar do tempo, ele adquira segurança para realizar funções de maior perigo. Trabalhadores idosos: A identificação de perigo para o trabalhador idoso precisa ser feita consi- derando as alterações de aptidões desses trabalhadores. As exigências físicas do trabalho têm de ser minimizadas e o nível de avaliação dos perigos existentes deve ser aprimorado. O risco considerado pequeno para o trabalhador adulto pode ser grande para o trabalhador idoso. 94 Mulheres grávidas e lactantes: As atividades desenvolvidas por essas mulheres têm de ser es- tudadas, entendidos os perigos existentes e aplicadas as medidas de controle considerando se são suficientes para as grávidas e lactantes. Se isso não for possível, elas devem ser transfe- ridas para áreas que atendam as necessidades de saúde e segurança da gestante ou lactante. Pessoal inexperiente ou sem formação: Não podem exercer atividades em locais onde exis- tam perigos, pois qualquer ocorrência levará a empresa a sofrer graves sanções jurídicas e financeiras. A área de saúde e segurança do trabalho da empresa não deve permitir a entrada em serviço dessas pessoas. Trabalhadores temporários e a tempo parcial: A empresa contratada segue as regras e os procedimentos adotados pela empresa contratante, e seus funcionários seguem as mesmas regras adotadas para os funcionários da contratante. A responsabilidade final sempre recai sobre a empresa contratante no caso de algum acidente. Os perigos que correm os trabalha- dores contratados são os mesmos que correm os funcionários da empresa. Trabalhadores da manutenção: São trabalhadores que exercem atividades em diferentes lo- cais da empresa e em situações onde o perigo é iminente em virtude de movimentações, ele- vações, esforços e deslocamentos necessários aos processos de manutenção das áreas e de equipamentos produtivos. A identificação do perigo é feita por tarefa, ou seja, cada tarefa é precedida de uma autorização da área de saúde e segurança do trabalho para ser executada. Trabalhadores imunocomprometidos: Tem maior possibilidade de contraírem doenças pro- venientes de agentes químicos e biológicos presentes no ambiente de trabalho. Eles devem ser realocados em áreas onde não exista este tipo de perigo e ser orientados a utilizar EPIs respiratórios em tempo integral. Trabalhadores com problemas de saúde: São objeto de atenção no tocante à qualidade do ar do local em que trabalham e dos perigos decorrentes de agentes químicos e gases presentes no ambiente. Preferencialmente, devem ser realocados em atividades onde o perigo seja menor. Trabalhadores sob medicação susceptível de aumentar a sua vulnerabilidade ao dano: Pre- cisam ser realocados de suas funções imediatamente. Os responsáveis pela área de saúde e segurança do trabalho da empresa não devem permitir que estes exerçam atividades onde ocorrerá o agravamento da saúde do trabalhador. Técnica de incidentes críticos A técnica de incidentes críticos (TIC), do inglês critical incident technique (CIT), foi desenvolvida por Flanagan no American Institute for Research entre 1941 e 1945 para determinar requisitos críticos para o trabalho de pilotos, cientistas e outros profissionais que exercem atividades sujeitas a inci- dentes (FLANAGAN, 1954). NA HISTÓRIA John Flanagan Clemans (1906 - 1996) foi um dos pioneiros da psicologia da aviação. Durante a Segunda Guerra Mundial, desenvolveu programas e testes para ajudar os pilotos a realizarem suas missões. Neste período, ele criou a técnica do incidente crítico para identificar e classificar os comportamentos associados ao sucesso e ao fracasso. DEFINIÇÃO Segundo Flanagan, incidente é qualquer atividade humana observável e suficientemente completa em si mesma para permitir inferências e previsões. Incidente crítico é aquele no qual o objetivo ou a intenção do ato é claro para o observador e suas consequências são suficientemente definidas de maneira a deixar pouca dúvida em relação a seus efeitos (FLANAGAN,1954, p. 327). Ã 95 Essa técnica possibilita a coleta de observações relacionadas ao comportamento humano, úteis para resolver problemas e gerar teorias psicológicas. A análise tem caráter qualitativo e é feita por meio de cinco passos, descritos no Quadro 7.1. A TIC permite focar um incidente e conhecer suas causas e consequências. Quadro 7.1 Os cinco passos da técnica de incidentes críticos 1º Passo Determinar o objetivo geral do estudo por meio de uma descrição simples e clara do tópico de pesquisa. 2º Passo Planejar e especificar como os incidentes sobre os fatos serão observados e coletados. 3º Passo Coletar dados presentes e históricos sobre um incidente por meio de entrevistas com pessoas responsáveis e participantes das operações, dando ênfase ao comportamento da pessoa na narrativa sobre seu comportamento durante a ocorrência do fato e ao tempo de duração da ocorrência, bem como à sua repetição. 4º Passo Analisar os dados eresumir a descrição da análise de maneira eficiente e prática. 5º Passo Interpretar os dados com base no referencial teórico adotado pela metodologia. DEFINIÇÃO O referencial teórico possibilita fundamentar e dar consistência a um estudo. Sua função é embasar a pesquisa nas publica- ções mais recentes sobre o tema a fim de apoiar as ideias desenvolvidas no estudo. O referencial teórico deve conter citações dos autores pesquisados para evitar o plágio e possibilitar que o estudo ressalte as ideias do pesquisador, pois tudo o que não for identificado como citação é considerado resultado das análises do autor da pesquisa. Técnica What if A técnica What if (WI) é desenvolvida a partir de checklists e não é utilizada para a verificação de uma ação ou processo realizado, mas sim para uma ação a ser realizada. Essa técnica consiste em uma série de questionamentos sobre uma ação operacional ou mudança de processo ou de con- ceituação de um projeto. ASSISTA AO FILME Acesse o ambiente virtual de aprendizagem Tekne para assistir a um vídeo sobre como elaborar um referencial teórico: www. grupoa.com.br/tekne. DEFINIÇÃO Checklist é um instrumento de controle composto por um conjunto de condutas, nomes, itens ou tarefas que devem ser lembrados e/ou seguidos. Esse instrumento é aplicado a vá- rias atividades e usado frequentemente como ferramenta de segurança no trabalho, em ins- peções de segurança. Té cn ic o em S eg ur an ça d o Tr ab al ho 96 Esse método é empregado preliminarmente na identificação de perigos gerais para a análise de riscos, pois possibilita: fazer a revisão de riscos; realizar ajustes das formas de pensar entre as áreas (p. ex., produção, processo, segurança) sobre como tornar as operações mais seguras; gerar relatórios sobre os resultados que podem ser utilizados como subsídios para treinar operadores e técnicos. A seguir, são descritos os procedimentos necessários à aplicação da técnica WI. Formação de um grupo de trabalho: Composto por um responsável pela coordenação dos traba- lhos, supervisor (es) e técnico(s) de operações e manutenção e engenheiro(s) do projeto. Elaboração do planejamento das atividades a serem desenvolvidas: O planejamento deve contemplar as informações contidas nos documentos previamente levantados sobre o que precisa ser estabelecido e a criação de um cronograma de atividades. Organização dos trabalhos: É realizada mediante uma reunião para a apresentação do planeja- mento, dos documentos coletados (memorial, fluxogramas, diagramas, especificações, instruções, incidentes anteriores), da metodologia, do cronograma de trabalho e dos objetivos a serem alcan- çados. Formulação de questões sobre os temas: É realizada mediante uma reunião na qual os partici- pantes do grupo de trabalho formulam questões a serem respondidas durante o andamento dos trabalhos (nas reuniões subsequentes). As questões são respondidas obedecendo aos passos do fluxograma do processo ou projeto analisado. Análise preliminar de perigo A análise preliminar de perigo (APP) é uma técnica indicada para identificar a existência de perigos e riscos nas operações empresariais que envolvem materiais perigosos e de novos perigos e riscos que passarão a existir em virtude de ampliação das instalações ou alterações em processos pro- dutivos. Por meio dela, é possível investigar os eventos perigosos nas instalações, tanto na parte mecânica quanto nos sistemas e nas operações de produção e manutenção. A APP fornece aos analistas dados sobre o comportamento provável dos materiais utilizados quan- do liberados sem controle. Além disso, fornece as causas e indica os métodos de detecção disponí- veis e os efeitos sobre os trabalhadores, a população circunvizinha e o meio ambiente. A análise é acompanhada de avalições qualitativas dos riscos e indicação de priorização de ações. As medidas preventivas indicadas visam a eliminar ou minimizar as consequências das possíveis ocorrências. Para realizar a APP, é preciso possuir dados e informações sobre: a região (dados demográficos e climatológicos); as instalações (premissas do projeto e suas especificações técnicas, especificações de equipa- mentos, layout da instalação, memorial dos sistemas de segurança existentes); as substâncias (propriedades e características físicas e químicas, inflamabilidade e toxidade). 97 A realização da APP exige uma equipe de trabalho formada por pessoas detentoras de conheci- mentos sobre as operações a serem analisadas e que consigam desempenhar determinadas fun- ções (Quadro 7.2). Quadro 7.2 Equipe de trabalho necessária a uma análise preliminar de risco Coordenador Responsável pelos trabalhos que ficará a cargo da formação da equipe, da coleta de dados e informações necessárias aos trabalhos, da distribuição de informações, da organização das reuniões e do encaminhamento dos resultados dos trabalhos aos responsáveis. Líder Deve ser experiente na metodologia que será aplicada nos trabalhos, cabendo a ele orientar os demais membros sobre o que deve ser realizado e acompanhar o andamento dos trabalhos, inclusive os resultados das atividades. Especialistas Conhecedores dos sistemas analisados que podem contribuir com os trabalhos por meio de suas experiências e vivências. Relator Encarregado de gerar as planilhas e os relatórios de maneira simples e objetiva. Metodologia de análise e avaliação de riscos Existem muitas metodologias de trabalho para realizar a análise de risco. Neste capítulo, será apre- sentada uma delas, que é segura e de fácil execução. Essa metodologia já foi utilizada inúmeras vezes por diversos especialistas no mundo todo, de acordo com a Occupational Safety & Health Administration (1996) (OSHA) que faz parte do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos. Metodologia OSHA 1º Passo – Identificação dos perigos: Determinar as possibilidades de ocorrência de um evento não desejado que coloque em risco a segurança dos trabalhadores (utilize uma das técnicas de identificação de perigo). 2º Passo - Quantificação dos riscos: Estimar, por meio de índices de segurança ou simulações, a quantidade de riscos existentes e a probabilidade da ocorrência de acidentes, bem como suas consequências. 3º Passo - Estabelecimento do risco aceitável: Após definir e quantificar os riscos, identificar aqueles que têm baixa probabilidade de gerar ocorrências. NO SITE Saiba mais sobre a OSHA acessando o ambiente virtual de aprendizagem Tekne. NO SI DEFINIÇÃO Índices de segurança são métodos estatísticos que identificam os locais sensíveis da instalação onde podem ocorrer os acidentes de maiores consequências. DEFINIÇÃO 98 IMPORTANTE Apesar de não existirem regras específicas para a avaliação de riscos, elas seguem os preceitos contidos nas normas regulamentadoras, considerando sempre que a avaliação deve: ser estruturada para abranger todos os perigos e riscos relevantes; ser iniciada pela análise da possibilidade de eliminar o risco identificado; ser registrada. 4º Passo – Definição da estratégia para o gerenciamento do risco: Escolher um método que permita gerir, da melhor forma, os riscos existentes, buscando sempre diminuí-los ou eliminá-los. A estratégia é estabelecida considerando as seguintes etapas: priorizar as ações a serem implementadas e definir as medidas e os processos de controle utilizados; implementar os meios e processos de controle; medir a eficácia das medidas aplicadas; rever toda a estratégia periodicamente ou sempre que se verifiquem alterações; monitorar o programa de avaliação de riscos. Técnicas de análise e avaliação de riscos As técnicas de análise e avaliação de riscos estão diretamente ligadas aos preceitos descritos na NR 9 (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) (BRASIL, 1978a) e na norma ISO 31000: 2009 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2009). A análise de riscos para a implantação do PGR deve ser feitade acordo com a norma CETESB P nº 4.261, Manual de orientação para a elabo- ração de estudo de análise de riscos (COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2003). A seguir, são apresentadas as principais técnicas para realizar a análise e a avaliação de riscos. Série de riscos A técnica da série de riscos (SR) proporciona uma análise qualitativa dos riscos com o objetivo de fornecer elementos que possibilitem ações preventivas e corretivas que inibam a sequência de fatos negativos ou sua repetição (relação causa e efeito). A técnica é aplicada com um fluxograma do processo ou com um esquema visual contendo todas as partes envolvidas nos processos anali- sados (Figura 7.1). NO SITE As normas ISO 31000: 2009 e CETESB P no 4.261 estão disponíveis no ambiente virtual de aprendizagem Tekne. NO SITE PARA SABER MAIS Consulte o Capítulo 2 deste livro para saber mais sobre a NR 9. ca pí tu lo 7 G er en ci am en to d e ri sc os 99 Causas Riscos iniciais Área de operações Riscos contribuintes Risco principal Consequências Eventos catastróficos E E Figura 7.1 Série de riscos. Fonte: Adaptada de Silvieri (1996). Os riscos iniciais são aqueles que dão origem à série de riscos. Já os riscos contribuintes consis- tem em todos os outros riscos que podem influenciar a segurança. O risco principal pode causar morte, lesão de degradação da capacidade funcional do trabalha- dor; danos a equipamentos, veículos ou estruturas; perda material, entre outras consequências. A SR permite a identificação do risco puro e sua avaliação, bem como a recomendação de ações necessárias (Quadro 7.3). Quadro 7.3 Avaliação do nível de risco puro Risco puro Ações recomendadas Intolerável Catastrófico Desastroso Eliminação do risco, realização de estudos urgentes dos métodos e processos e estabelecimento de um plano de ação Muito alto Bloqueio físico, habilitação formal, procedimento operacional, monitoramento contínuo, treinamento, O&M + plano de ação Alto Habilitação formal, procedimento operacional, monitoramento periódico, treinamento, O&M + plano de ação Médio Procedimento operacional, treinamento, plano de ação Baixo Tolerância Fonte: Cadernos Sest Senat (2011). DEFINIÇÃO O risco puro identifica somente a existência de risco de perda sem possibilidade de ganho ou de lucro. ÇÃO Té cn ic o em S eg ur an ça d o Tr ab al ho 100 Análise preliminar de riscos A análise preliminar de riscos (APR) baseia-se em uma técnica utilizada pelos militares nos pro- gramas de segurança de seus sistemas. É uma análise eficiente e de baixo custo que considera os perigos existentes e os riscos da atividade de acordo com elementos definidos na elaboração do projeto. Consiste em uma análise detalhada das etapas do processo do trabalho e possui cunho qualitativo. DICA A APR é ideal para atividades de alto risco (p. ex., redes de alta tensão, mineradoras), pois oferece grande vantagem sobre outros meios na identificação dos riscos antes do início das atividades, na conscientização da equipe de traba- lho sobre os riscos potenciais e no estabelecimento de medidas de segurança a serem adotadas durante a realização das atividades. A APR serve para avaliar a operação empresarial como um todo (operações que acontecem constan- temente) ou tarefas e atividades específicas (que ocorrem em virtude de necessidade ou são progra- madas periodicamente). Ela deve contemplar os aspectos previstos e indicados no PPRA da empresa, sendo recomendada a elaboração de um formulário para facilitar sua implementação. A APR segue uma sequência. A primeira etapa consiste em reunir os dados necessários buscando todas as informações disponíveis sobre a área analisada. Na falta dessas informações, pode-se re- correr a informações disponíveis sobre a atividade desempenhada em outros locais que utilizem os mesmos equipamentos e materiais. Depois, realiza-se a análise preliminar de riscos propriamente dita, na qual se identificam os eventos iniciadores em potencial e outros capazes de gerar consequências indesejáveis. São feitas intervenções para minimizar os riscos ou eliminá-los, sempre considerando os seguintes aspectos: equipamentos e materiais perigosos existentes nos locais analisados (p. ex., combustíveis, substâncias químicas e tóxicas, sistemas de alta pressão e sistemas de armazenamento e dis- tribuição de energia); riscos existentes nos equipamentos e nas substâncias usadas nos locais analisados que pos- sam ser responsáveis por início ou propagação de incêndios ou explosões, bem como a exis- tência de sistemas de controle ou parada emergencial; fatores ambientais capazes de alterar o funcionamento de equipamentos e recipientes de materiais utilizados no local analisado (p. ex., terremotos, vibração, temperaturas extremas, descargas eletrostáticas e umidade); procedimentos (operacionais, de teste, manutenção e atendimento às situações de emergên- cia), erros humanos, funções desempenhadas pelos trabalhadores, a t dos equipamentos (ergonomia) e equipamentos de proteção individual (EPIs) e coletiva (EPCs); ca pí tu lo 7 G er en ci am en to d e ri sc os 101 instalações e equipamentos de apoio às atividades desenvolvidas no local analisado (áreas de armazenamento, equipamentos de testes e treinamentos e utilidades); equipamentos de segurança existentes no local analisado (sistemas de atenuação, redundân- cia, extintores de incêndio e equipamentos de proteção pessoal instalados). Após a análise preliminar dos riscos, é preciso fazer o registro dos resultados por meio de um formulário que apresenta os perigos identificados, suas causas, o modo de detecção, os efeitos potenciais, bem como as categorias de frequência e severidade do risco e as medidas corretivas e preventivas (Quadro 7.4). Os resultados levam à melhoria contínua da segurança. Quadro 7.4 Campos a serem preenchidos em um formulário de APR Responsáveis Responsáveis pela aplicação da APR Data É a data de aplicação da APR, como data de início e fim do trabalho. Nome da empresa Nome da empresa em que está sendo realizado o trabalho. No caso de haver empreiteira, colocar o nome da empreiteira. Tarefa a ser executada Descrever detalhadamente a tarefa e o local em que a tarefa está sendo ou será executada. Riscos do trabalho Os riscos devem ser listados com riqueza de detalhes, uma vez que esta é a finalidade principal da APR. A partir dos riscos é que tem início o processo de neutralização, eliminação ou atenuação. EPIs Descrição dos EPIs de uso obrigatório durante a realização dos trabalhos. Equipamentos usados durante o trabalho Cada equipamento gera um risco específico que, por menor que pareça, merece atenção e deve ser listado. Quanto mais detalhes, mais eficiente será a APR. Normas de segurança a serem observadas É importante relatá-las, tanto para ciência do funcionário quanto para efeito de documentação. Etapas de trabalho Cada etapa tem seu risco específico, que deve ser observado e listado. No campo de descrição das etapas de trabalho, cada etapa precisa conter etapa, risco, medidas preventivas a serem observadas e nível de risco. Revisão A cada revisão, a ordem numérica da APR deve ser alterada. Sugerimos que haja um campo para enumerar as revisões da APR (iniciando com 000, primeira revisão 001, e assim por diante). Responsáveis pela APR A equipe de trabalho deve ser envolvida na APR (os integrantes do SESMT são os responsáveis pela implantação e pelo gerenciamento da APR, mas isso não impede que outros funcionários, como os chefes de setores, sejam incluídos). NO SITE No ambiente virtual de aprendizagem Tekne você encontra dois modelos de formulário de APR. NO SITE Té cn ic o em S eg ur an ça d o Tr ab al ho 102 Análise dos modos de falha e dos seus efeitos A análise dos modos de falha e de seus efeitos (failure mode and effect analysis – FMEA) possui caráter quantitativoe qualitativo. Essa ferramenta procura evitar que ocorram falhas no projeto do produto ou do processo produtivo por meio da análise das falhas potenciais e de propostas de ações de melhoria. Os objetivos da FMEA são: avaliar a falha potencial (pode ocorrer, embora não ocorra necessariamente) e os seus efeitos; identificar ações que eliminem ou reduzam a ocorrência da falha; documentar a análise. A FMEA é aplicada a muitos projetos e processos, não sendo, portanto, uma ferramenta exclusiva da análise de riscos. Sua principal função é avaliar a frequência esperada da ocorrência de deter- minados tipos de avarias nos equipamentos e suas consequências. Essa técnica não considera os erros cometidos pelos operadores nos processos operacionais, pois é uma ferramenta exclusiva de análise de falhas em equipamentos e máquinas. Análise da árvore de falhas A análise da árvore de falhas (AAF), do inglês fault tree analysis (FTA), enfatiza as causas de riscos. Seu foco é a análise dos riscos previamente observados, e não a sua identificação, e possui cunho qualitativo e quantitativo. A árvore de falhas é um modelo gráfico de combinações paralelas e sequenciais de falhas que podem resultar na ocorrência do efeito (cabeça da árvore). Os elemen- tos gráficos empregados na construção da árvore de falhas estão na Tabela 7.1. Tabela 7.1 Elementos gráficos da árvore de falhas Símbolo lógico Evento Observações Evento intermediário ou de topo Evento básico Acontecimento inicial, falha inicial ou que não precisa de maior atenção. Evento condicional Condição específica ou restrições que se aplicam a qualquer porta lógica. Evento exterior Evento que ocorre habitualmente. Evento por desenvolver Não é objeto de maior desenvolvimento por não ser importante ou por não haver informação suficiente que o fundamente. Fonte: Adaptada de Baptista (2008). PARA SABER MAIS Para saber mais sobre a ferramenta FMEA, acesse o ambiente virtual de aprendizagem Tekne. DICA Por ser uma técnica que exige bastante trabalho, a FTA geralmente é aplicada em zonas restritas de análise, nas quais as falhas podem levar a grandes consequências (p. ex., eventos associados com falhas de componentes, erro humano e falhas do sistema). ca pí tu lo 7 G er en ci am en to d e ri sc os 103 A aplicação do método consiste na criação de uma árvore (diagrama) que terá em sua raiz o pro- blema a analisar. A partir daí, empregando a lógica booleana (lógicas E e OU), cada uma das causas que poderá originar o problema é colocada no nível seguinte, e assim sucessivamente. O diagrama é uma técnica de integração de sistemas t n, uma vez que os eventos maiores se desdobram em consequências específicas. Os símbolos utilizados para indicar as portas lógicas são representados na Tabela 7.2. A Figura 7.2 mostra um exemplo de árvore de falhas com a aplicação da simbologia e das portas lógicas. Tabela 7.2 Portas lógicas da árvore de falhas e suas funções Símbolo lógico Definição – Porta Observações OU Porta OU O evento de saída ocorre se pelo menos um evento ocorrer E Porta E O evento de saída ocorre se todos os eventos anteriores ocorrerem Porta de entrada O evento advém de outra sequência (folha) e tem continuidade na sequência presente (folha). Porta de saída Este símbolo representa uma transferência, ou seja, que a árvore continua em outra folha. Fonte: Adaptada de Baptista (2008). Fusível falha Superaquecimento do motor Falha elétrica (curto-circuito) Falha na fonte Corrente excessiva no circuito Corrente excessiva no motor Falha primária no fusível Falha primária no motor Figura 7.2 Exemplo de árvore de falhas. Fonte: Helman e Andery (1995). DEFINIÇÃO A integração top down (de cima para baixo) consiste em uma das técnicas mais conhecidas para testes de integração usando a abordagem incremental. O teste começa do nível mais alto para o mais baixo, ou seja, os componentes de mais alto nível são integrados primeiro. DEFINIÇÃO 104 Estudo de riscos operacionais O estudo de riscos operacionais, conhecido como HAZOP (do inglês HAZard and OPerability analy- sis), é uma metodologia que examina instalações e/ou processos complexos com vistas a encontrar procedimentos e operações que constituam risco real e/ou potencial. Depois dessa primeira análi- se, a segunda fase dessa metodologia envolve eliminar ou mitigar os riscos encontrados. A aplicação do HAZOP consiste na criação de uma tabela com dois campos principais, o das pa- lavras-chave (p. ex., mais, menos, tanto quanto) e o dos parâmetros (p. ex., temperatura, ven- tilação, iluminação). A seguir, consideram-se os objetivos do processo, os seus possíveis desvios, as eventuais consequências desses desvios e os perigos representados por essas consequências. CURIOSIDADE O método HAZOP foi inicialmente desenvolvido pela indústria química britânica e tinha como campo de aplicação refinarias e plataformas petrolíferas. Hoje, o seu uso é adaptado a situações das mais variadas. Outras técnicas utilizadas na análise e avaliação de riscos Análise de revisão de critérios (ARC): Técnica utilizada para revisão dos documentos que envol- vem segurança em produto ou processos (p. ex., especificações, normas, códigos, regulamentos de segurança). Implica a adoção de procedimentos que possibilitem a identificação de possíveis problemas ou acidentes futuros. A ferramenta utilizada nessa técnica é a checklist. Análise da missão (AM): Consiste na análise de todas as atividades de um sistema já em operação, levando em conta os fatores com potencial de causar danos. Diagrama e análise de fluxo (DAF): Consiste em análises realizadas por meio de diagramas, úteis na análise de eventos sequenciais como fiação elétrica e estado geral de maquinários e equipamentos. Mapeamento (M): Técnica útil na delimitação de áreas perigosas, como laboratórios e áreas de produção, entre outras. Análise do ambiente (AA): Trata-se da análise completa do ambiente, de maneira geral, abarcan- do higiene industrial, climatologia, etc. Análise de componentes críticos (ACC): Analisa atentamente certos componentes e subsistemas de importância crítica para determinada operação ou processo. Análise de procedimentos (AP): Revisão das ações a serem praticadas em uma tarefa. Análise de contingências (AC): Por meio dessa técnica, são analisadas as situações potenciais de emergência derivadas de eventos não programados, erro humano ou causa natural inevitável. anagement er ig t an ri k tree (MORT): Semelhante à AAF, essa técnica é muito utilizada para análise organizacional. PARA SABER MAIS Você encontra mais informações sobre as metodologias APP e HAZOP acessando o ambiente virtual de aprendizagem Tekne. Té cn ic o em S eg ur an ça d o Tr ab al ho Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. DICA DO PROFESSOR O vídeo apresenta a dica do professor sobre as técnicas de análise de riscos. Confira! Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Qual dos itens a seguir não se relaciona aos objetivos das técnicas de identificação de perigo? A) Conhecer os perigos que envolvem o processo produtivo. B) Aplicar metodologia de análise. C) Facilitar a identificação dos riscos. D) Apontar os funcionários que estão expostos aos riscos. E) Apontar a falha dos gestores e descumprimentos de normatização. 2) Algumas características físicas podem trazer risco ao processo produtivo, sendo necessário conhecer os trabalhadores para diminuir o risco. Indique qual das características abaixo não seria considerada um risco. A) Ser adulto. B) Deficiência física. C) Imaturidade. D) Ser idoso. E) Gravidez. 3) A técnica que analisa o comportamento de profissionais como piloto de avião é: A) Análise preliminar de perigos. B) Técnica de incidentes críticos.C) Técnica What If. D) Checklist. E) Planilha. 4) Qual das informações a seguir não se refere a um procedimento para aplicação da técnica What If? A) Formação de um grupo de trabalho. B) Organização dos trabalhos. C) Formulação de questões sobre os temas. D) Planejamento de ações que não deverão ser realizadas. E) Elaboração e planejamento de atividades que serão desenvolvidas. 5) Qual dos itens a seguir não é utilizado na técnica de Análise Preliminar de Perigos? A) Dados climatológicos. B) Layout da instalação. C) Disciplina dos funcionários. D) Premissa do projeto. E) Características das substâncias utilizadas. NA PRÁTICA As técnicas de análise de riscos são utilizadas para antecipar-se aos acidentes ou doenças ocupacionais. Muitas vezes, elas são realizadas após algum acidente, mas não deixam de cumprir o papel prevencionista por evitar que outros ocorram. Highlight SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: O que é e como fazer uma Análise de Riscos Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Manual de Análise de Riscos Industriais Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Higiene e Segurança do Trabalho - Aula 01 - Terminologia Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Riscos Ocupacionais APRESENTAÇÃO Pode haver diversos agentes agressores no ambiente de trabalho. Para que fosse possível identificá-los de forma mais fácil, foram separados em cinco grupos, que são os riscos físicos, biológicos, químicos, ergonômicos e de acidente. Conheça, nesta Unidade de Aprendizagem, quais são os riscos ocupacionais e como estão presentes no local de trabalho. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer os riscos ocupacionais.• Identificar os riscos originados no ambiente de trabalho.• Listar os riscos ocupacionais.• DESAFIO No ambiente de trabalho existem inúmeros riscos ocupacionais que devem ser observados para que seja possível aplicar medidas de proteção. Observe as imagens e descreva os riscos ocupacionais aos quais o trabalhador está exposto. INFOGRÁFICO Observe no infográfico a classificação dos riscos ocupacionais. CONTEÚDO DO LIVRO O mapa de riscos ambientais é uma representação gráfica (esboço, croqui ou outro) de uma das partes ou de todo o processo produtivo da empresa, em que se registram os riscos e os fatores de risco a que os trabalhadores estão sujeitos e que são vinculados, direta ou indiretamente, ao processo, à organização e às condições de trabalho. Acompanhe um trecho da obra Técnico em segurança do trabalho. Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094 R741t Rojas, Pablo. Técnico em segurança do trabalho [recurso eletrônico] / Pablo Rojas. – Porto Alegre : Bookman, 2015. Editado como livro impresso em 2015. ISBN 978-85-8260-280-5 1. Segurança do trabalho. I. Título. CDU 331.45 107 Mapa de riscos ambientais O mapa de riscos ambientais teve origem nos movimentos sindicais italianos que lutavam pela sua participação nas decisões sobre a segurança no ambiente de trabalho. Eles entendiam na épo- ca que as decisões sobre as formas de produzir ditadas pelos empresários ofereciam muitos riscos à saúde e à segurança dos trabalhadores. Segundo Oddone et al. (1986), os sindicalistas italianos desenvolveram a metodologia de elaboração do mapa de riscos com base em dois princípios: o do grupo homogêneo e o da não delegação. Grupo homogêneo: Estrutura organizada que proporciona ao trabalhador participação nas deci- sões sobre a realização do trabalho. O grupo homogêneo é composto pelos trabalhadores da em- presa, pelo grupo dos departamentos e pelos grupos das seções, ou seja, até nos menores grupos, são mantidas as mesmas características do todo. Não delegação: Assumir a responsabilidade de não entregar aos patrões as decisões sobre suas condições de saúde e segurança no trabalho. A participação nessas decisões proporciona ao traba- lhador maior controle sobre os eventuais riscos existentes e não vistos pelos empregadores. A obrigação de elaboração do mapa de riscos ambientais foi introduzida na legislação brasileira por meio da Portaria GM nº 3.214, de 8 de junho de 1978 (BRASIL, 1978a). De acordo com a NR 5, ficou es- tabelecida a seguinte atribuição à Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA): “[...] identificar os riscos do processo de trabalho e elaborar o mapa de riscos ambientais com a participação do maior número possível de trabalhadores, com assessoria do SESMT, onde houver.” (BRASIL, 1978a). No Brasil, essa metodologia começou a ser utilizada no início da década de 1980 com a troca de experiência entre sindicalistas e técnicos brasileiros e italianos e, de forma mais sistemática, a partir da década de 1990 por meio do Instituto Nacional de Saúde no Trabalho (INST-CUT), que desen- volveu, com base em estudos práticos, a metodologia do mapa de riscos ambientais tendo como referência a experiência sindical italiana (ODDONE et al., 1986). Em 1983, o Ministério do Trabalho, por meio da Portaria nº 33, de 27 de outubro de 1983 (BRASIL, 1983), promoveu alterações nas NRs 4 e 5 visando a adequar a legislação às necessidades da época. A Portaria atrelou o grau de risco previsto no quadro I da NR 5 ao SESMT e atribuiu novas responsa- bilidades à CIPA. O aperfeiçoamento da legislação ocorreu com a publicação da Portaria DNSST nº 5, de 17 de agosto de 1992 (BRASIL, 1992b), que alterou a NR 9 e estabeleceu a obrigatoriedade de elaboração do mapa de riscos ambientais. Art. 1º - Acrescentar ao item 9.4 da Norma Regulamentadora NR-9 - Riscos Ambientais, a alínea “C” e itens, estabelecendo a obrigatoriedade da elaboração de Mapas de Riscos Ambientais nas Empresas cujo grau de risco e número de empregados demandem a constituição de Comissão Interna de Pre- venção de Acidentes - CIPA, conforme quadro I da NR 5, aprovada pela Port. 3.214/78, que passa a vigorar com a seguinte redação: 9.4. Caberá ao empregador: c) realizar o mapeamento de riscos ambientais, afixando-o em local visível, para informação aos tra- balhadores conforme abaixo: 1 - o Mapa de Riscos será executado pela CIPA, através de seus membros, depois de ouvidos os traba- lhadores de todos os setores produtivos da Empresa, e com a colaboração do Serviço Especializado em engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho - SESMT da empresa, quando houver (...). DEFINIÇÃO O mapa de riscos ambientais é uma representação gráfica (esboço, croqui, o t ou outro) de uma das partes ou de todo o processo produtivo da empresa, em que se registram os riscos e os fatores de risco a que os trabalhadores estão sujeitos e que são vinculados, direta ou indiretamente, ao processo, à organização e às condições de trabalho. DEFINIÇÃO DEFINIÇÃO Grupo homogêneo é a menor unidade social de trabalho existente em um setor ou área, onde os trabalhadores estão submetidos às mesmas condições resultantes da organização do trabalho, tendo em comum as suas atividades, os riscos e os fatores de risco a eles relacionados (SIVIERI, 1996). ÇÃO NO SITE A Portaria DNSST n o 5, de 17 de agosto de 1992, está disponível no ambiente virtual de aprendizagem Tekne. NO SITE 108 Em dezembro de 1994, o Ministério do Trabalho e Emprego publicou a Portaria nº 25 que, em seu artigo 1º, aprovou o texto atual da NR 9. Em seu corpo, a Portaria 25 incluiu o Anexo IV – Mapa de Riscos –, no qual estão descritas orientações sobre a elaboração do mapa de riscos ambientais e também a classificação dos principais riscos ocupacionais em grupos, de acordo com a sua nature- za, e a padronização das cores correspondentes. A Tabela I do Anexo IV da Portaria no 25 classifica os riscos em cinco grupos, detalhados a seguir (BRASIL, 1994b). Classificação dos riscos ocupacionais Grupo 1 -Riscos físicos (verde) Ruídos: Provocam cansaço, irritação, dores de cabeça, diminuição da audição (surdez temporária, surdez definitiva e trauma acústico), aumento da pressão arterial, problemas no aparelho digesti- vo, taquicardia, perigo de infarto. Vibrações: Geram cansaço, irritação, dores nos membros, dores na coluna, doença do movimento, artrite, problemas digestivos, lesões ósseas, lesões dos tecidos moles, lesões circulatórias. Radiações ionizantes: Provocam alterações celulares, câncer, fadiga, problemas visuais, acidentes do trabalho. Radiações não ionizantes: Causam queimaduras e lesões na pele, nos olhos e em outros órgãos. Frio: Leva à taquicardia, aumento da pulsação, cansaço, irritação, fadiga térmica, prostração térmi- ca, choque térmico, perturbação das funções digestivas, hipertensão. Calor: Provoca os mesmos sintomas do frio. Pressões anormais: Ocasionam embolia traumática pelo ar (narcose por nitrogênio), intoxicação por oxigênio e gás carbônico, doença por descompressão. Umidade: Gera doenças do aparelho respiratório, da pele e da circulação, além de traumatismos por quedas. Iluminação (inadequada): Ocasiona fadiga, problemas visuais, acidentes do trabalho. Grupo 2 - Riscos químicos (vermelho) Poeiras: São produzidas mecanicamente por ruptura de partículas maiores. Fumos: São partículas sólidas produzidas por condensação de vapores metálicos. Névoas: São fumaças produzidas por combustão incompleta, como a liberada pelos escapamen- tos dos automóveis, que contêm monóxido de carbono; são contaminantes ambientais e represen- tam riscos de acidentes à saúde. Neblinas: São partículas líquidas produzidas por condensação de vapores. Gases: São dispersões de moléculas que se misturam com o ar. NO SITE A Portaria n o 25, de 29 de dezembro de 1994, está disponível no ambiente virtual de aprendizagem Tekne. O S ATENÇÃO A não elaboração e não afixação do mapa de riscos ambientais nos locais de trabalho acarreta aplicação de multas pela fiscalização do trabalho nos termos previstos na NR 28 da Portaria nº 3.214/78 (BRASIL, 1978a) e portarias do Ministério do Trabalho e Emprego. ATENÇÃO Té c n ic o e m S e g u ra n ç a d o T ra b a lh o 109 Vapores: São dispersões de moléculas no ar que podem se condensar para formar líquidos ou sólidos em condições normais de temperatura e pressão. Substâncias compostas: Existem milhares de substâncias compostas, geradas pela combinação de mais de 100 elementos químicos. Produtos químicos em geral: Todos os produtos químicos considerados perigosos à saúde de acordo com a Convenção no 170 da OIT (ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO, 1990). Grupo 3 - Riscos biológicos (marrom) Vírus: São pequenos agentes infecciosos (20-300 m de diâmetro) que apresentam genoma cons- tituído de uma ou várias moléculas de ácido nucleico (DNA ou RNA), as quais possuem a forma de fita simples ou dupla. Os vírus são capazes de infectar todos os tipos de seres vivos e representam a maior diversidade biológica do planeta. Bactérias: São microrganismos unicelulares, desprovidos de envoltório nuclear e organelas mem- branosas. Geralmente são microscópicas ou submicroscópicas (entre 0,2 e 30 m). Podem ser en- contradas na forma isolada ou em colônias e viver na presença de ar (aeróbias), na ausência de ar (anaeróbias) ou, ainda, ser anaeróbias facultativas. Estão entre os organismos mais antigos, com evidências encontradas em rochas de 3,8 bilhões de anos. Protozoários: São microrganismos unicelulares divididos pela biologia em quatro grupos, de acordo com o seu meio de locomoção. Os ciliados se locomovem na água mediante o batimento de cílios numerosos e curtos; os flagelados utilizam o movimento de um único e longo flagelo; os rizópodos utilizam pseudópodos (“falsos pés”), moldando a forma do seu próprio corpo para se locomover; e os esporozoários não possuem organelas locomotoras nem vacúolos contráteis. Fungos: Pertencem a um reino separado das plantas, dos animais e das bactérias (estão mais próximos dos animais do que das plantas). A maioria dos fungos não é vista a olho nu por seu tamanho muito pequeno. Eles normalmente são vistos quando frutificam como cogumelos ou como bolores. Parasitas: São organismos que vivem em associação com outros dos quais retiram os meios para a sua sobrevivência, normalmente prejudicando o organismo hospedeiro, no processo conheci- do como parasitismo. Todas as doenças infecciosas e as infestações dos animais e das plantas são causadas por parasitas. O efeito de um parasita no hospedeiro pode ser mínimo, sem afetar suas funções vitais, como é o caso dos piolhos, ou até causar a sua morte, como ocorre com muitos vírus e bactérias patogênicas. Bacilos: São organismos unicelulares responsáveis por infecções como tétano, botulismo, cólera, coqueluche, difteria, shigelose e outras. Grupo 4 - Riscos ergonômicos (amarelo) Esforço físico intenso: Resulta de atividade desenvolvida pelo trabalhador durante a jornada de trabalho que exige grande esforço físico ou trabalho pesado, o que deve ser evitado, pois pode gerar danos físicos e psicológicos. NO SITE Você encontra o texto da Convenção n o 170 da OIT no ambiente virtual de aprendizagem Tekne. NO SITE DEFINIÇÃO Trabalho pesado é “[...] qualquer atividade que exija um grande esforço físico, caracterizado por um consumo elevado de energia e severa pressão no coração e pulmões.”. (GRANDJEAN, 1988, p. 363). DEFINIÇÃO PARA SABER MAIS Conheça a tabela de elementos químicos acessando o ambiente virtual de aprendizagem Tekne. 110 Levantamento e transporte manual de peso: É uma das formas de trabalho mais antigas e comuns, sendo responsável por muitas lesões e acidentes do trabalho. Essas lesões, em sua grande maioria, afetam a coluna vertebral, mas também causam outros males, como a hérnia escrotal. Todo trabalho que exige levantamento e transporte de peso deve seguir as recomen- dações e os parâmetros da NR 17 para não comprometer a saúde e a segurança do trabalhador. Os limites de peso estabelecidos pela Consolidação das Leis do Trabalho são: para homens – 60 kg; para mulheres e trabalhadores menores de 18 anos quando realizam trabalhos contínuos – 20 kg; para mulheres e trabalhadores menores de 18 anos quando realizam trabalhos ocasio- nais – 25 kg. Exigência de postura inadequada: Geralmente ocorre quando o trabalhador é obrigado a exer- cer suas atividades em máquinas projetadas sem considerar a ergonomia e em postos de trabalho mal projetados. A má postura gera fadiga, dores corporais, LER, DORT e afastamentos do trabalho. A má postura produz consequências danosas ao trabalhador quando ele executa trabalho estático (exige que o trabalhador permaneça parado por muito tempo), atividades que exigem muita força e tarefas que requerem posturas incorretas (pernas dobradas, braços levantados, corpo curvado, entre outras). Controle rígido de produtividade: Impõe riscos físicos e psicológicos ao trabalhador e gera es- tresse. Imposição de ritmos excessivos: Quando a carga de trabalho supera a capacidade do emprega- do e ele não consegue modificá-la, ocorre o aumento do número de acidentes de trabalho. Trabalho em turno e noturno: São fatores que geram doenças (causadas pela diminuição da me- latonina e cortisol) e instabilidade emocional no trabalhador (estresse), uma vez que ele não con- segue uma boa qualidade de sono, o que leva a um aumento no risco de ocorrência de acidentes de trabalho. Jornadas de trabalho prolongadas: A duração normal da jornada de trabalho pode ser acres- cida de, no máximo, duas horas, desde que previamente acordado por escrito com o emprega- do ou mediante acordo coletivo, também conhecido como horas extras. Um período superior a esse aumenta bastante a possibilidade de ocorrência de acidentes em razão de desgaste físico e emocional. Monotonia e repetitividade: Levam à baixa produtividade e a problemas físicose psíquicos. Outras situações causadoras de estresse físico e ou psíquico têm de ser analisadas e eliminadas ou amenizadas, pois, segundo Sivieri (1996), podem gerar : alexitimia (estado psicológico que se caracteriza pela incapacidade de discriminar e mani- festar emoções; dificuldade de expressar sentimentos tomando por físicas as manifestações emocionais); estresse (estado de saturação por desgaste constante no trabalho que tem como principais sintomas lentidão para resolver questões, cansaço, insônia e ansiedade aumentada). baixa autoestima (estado psicológico que se caracteriza pelo sentimento de inadequação, incapacidade, culpa e autodepreciação). Té c n ic o e m S e g u ra n ç a d o T ra b a lh o c a p ít u lo 7 G e re n c ia m e n to d e r is c o s 111 Grupo 5 – Riscos de acidentes (azul) Arranjo físico inadequado: Não permite a integração entre o trabalhador e o equipamento. O rendimento da produção é prejudicado e provoca cansaço e desgaste pela necessidade constante de deslocamentos. Os riscos de acidentes aumentam bastante (NR 12). Máquinas e equipamentos sem proteção: Oferecem grande risco aos operadores e às pessoas que circulam ao seu redor (NR 12). Ferramentas inadequadas ou defeituosas: Provocam diversos tipos de acidentes (NR 12). Iluminação inadequada: Diminui o rendimento das pessoas e provoca doenças profissionais. Transforma o ambiente de trabalho em um local sombrio, o que pode levar a problemas psíquicos nos trabalhadores (NR 12). Eletricidade: Para trabalhar com eletricidade, é necessário passar por um treinamento, não sendo permitido a pessoas não treinadas realizar esse tipo de atividade. Existem muitos riscos envolvidos no trabalho com eletricidade, os quais podem provocar acidentes, como choque elétrico, explosão elétrica e queimaduras por eletricidade, resultando em graves lesões ou mesmo em morte. Probabilidade de incêndio ou explosão: Medidas de prevenção que atuem sobre um ou mais dos componentes do triângulo do fogo são necessárias para evitar o início do incêndio ou da explosão. Sistemas de detecção e alarme sonoros destinados a avisar rapidamente a existência de um incêndio precisam fazer parte das medidas de segurança para possibilitar a extinção rápida e a evacuação do pessoal do local de trabalho. Armazenamento inadequado: Os materiais devem ser armazenados e estocados de modo a não prejudicar o trânsito de pessoas e de trabalhadores, a circulação de materiais, o acesso aos equipa- mentos de combate a incêndio e a entrada e saída de portas ou saídas de emergência, além de não provocar empuxos ou sobrecargas nas paredes, lajes ou estruturas de sustentação maiores do que o previsto em seu dimensionamento. Animais peçonhentos: Animais peçonhentos são aqueles que produzem substância tóxica e apresentam um aparelho especializado para a inoculação dessa substância, que é o veneno. Esses animais possuem glândulas que se comunicam com dentes ocos, ferrões ou aguilhões, por onde o veneno passa ativamente. Outros riscos Alguns autores sinalizam que os cinco grupos de riscos descritos na NR 9 já não são suficientes para englobar os riscos identificados posteriormente por serem fruto da evolução da sociedade e do próprio desenvolvimento econômico. Os riscos não contemplados na verdade sempre existiram, mas não eram considerados porque não ocorrem no ambiente produtivo, e sim em decorrência dele, no entorno da organização produtiva e na vida do trabalhador. São os fatores sociais e am- bientais. Fatores sociais: Decorrem das condições de vida dos trabalhadores, como o transporte (ida e vin- da do trabalho), a alimentação (durante o período de trabalho e fora dele), o lazer (necessidade de convivência com a família e amigos) e a moradia (propriedade do imóvel ou despesa com aluguel e ambiente de criação dos filhos), entre outros. DEFINIÇÃO O triângulo do fogo é uma representação dos três elementos necessários para iniciar uma combustão: combustível (p. ex., madeira, gasolina, propano, magnésio), comburente (normalmente o oxigênio do ar) e fonte de ignição (p. ex., cigarros, instalações elétricas, faíscas, maçarico, eletricidade estática, reações exotérmicas). ÇÃO IMPORTANTE Além das situações de risco descritas neste capítulo, há ainda outras que podem contribuir para a ocorrência de acidentes, e todas devem ser tratadas preventivamente. IMPORTANTE Té c n ic o e m S e g u ra n ç a d o T ra b a lh o 112 Fatores ambientais: Correspondem aos riscos gerados pelo processo produtivo no ambiente ex- terno à empresa, como a liberação de rejeitos sólidos e resíduos líquidos, a instalação de dutos e o transporte de produtos e materiais, atividades que prejudicam a vida dos seres humanos e tam- bém da fauna e flora. Desenhando o mapa de riscos ambientais O desenho do mapa de riscos é feito após o mapeamento dos riscos. Os riscos indicados podem ser exclusivos do processo produtivo ou do ambiente em que se realizam os trabalhos, de forma que as pessoas que transitam pelo local consigam conhecer e identificar os riscos com um simples olhar para o mapa, que deve estar afixado em locais de acesso ao ambiente. Para ter certeza de que o mapeamento dos riscos ambientais foi feito adequadamente e contem- plou todos os aspectos relacionados aos riscos, é recomendado solicitar aos funcionários das áreas que preencham um questionário complementar, o qual permitirá que se conheça a visão de cada trabalhador sobre os riscos existentes em suas atividades e área. O conjunto de respostas forne- cidos nos questionários permite a checagem do mapeamento de riscos e a realização de ajustes sobre aspectos de segurança que não haviam sido identificados. Após tabular os dados obtidos nos questionários, a próxima etapa consiste em confrontá-los com o mapeamento feito pelos especialistas e promover os ajustes necessários. É preciso classificar os riscos seguindo uma legenda específica de cores e símbolos de riscos (Figura 7.3). Cores utilizadas para identificar os tipos de riscos de acordo com seus agentes Físicos (verde) Químicos (vermelho) Biológicos (vermelho-escuro) Ergonômicos (amarelo) Acidentes (azul) Tamanho dos Círculos utilizados para indicar o tamanhho do risco existente Grande Médio Pequeno 5 Tipo de risco 1 5 Tipo de risco 2 5 Tipo de risco 3 Figura 7.3 Cores e símbolos usados no mapeamento de riscos. Quando os riscos são provocados por mais de um agente, isso é incluído no mapa de riscos am- bientais conforme ilustrado na Figura 7.4. O círculo grande é utilizado e preenchido com as cores indicativas dos riscos existentes. Dentro do círculo, coloca-se o número de trabalhadores sujeitos ao risco. Quando um agente de risco afeta toda a área de trabalho, ele é representado e indicado no centro do mapa de riscos, conforme ilustrado na Figura 7.5. NO SITE Acesse o ambiente virtual de aprendizagem Tekne para conhecer um modelo de questionário aplicado ao mapeamento de riscos. O S TE ca p tu lo er en ci am en to d e ri sc os 113 Dois agentes Três agentes Quatro agentes Tipo de risco 4 5 5 Tipo de risco 5 Tipo de risco 6 5 5 5 Tipo de risco 8 Tipo de risco 7 Tipo de risco 9 Tipo de risco 11 5 5 5 5 Tipo de risco 10 Tipo de risco 12 Preencha com as cores indicativas dos riscos existentes e o círculo no tamanho grande. Indique dentro do círculo o número de trabalhadores sujeitos ao risco. Figura 7.4 Representação para a existência de riscos provocados por mais de um agente. Quando um agente de risco afeta toda a área de trabalho, ele deve ser representado e indicado no centro do mapa de riscos com a seguinte representação: 60 Tipo de risco 13 Figura 7.5 Representação de um risco que afeta toda a área de trabalho. DICAS Para facilitar a elaboração do relatório a ser enviado pela CIPA para a diretoriada empresa, cada círculo do mapa de riscos precisa receber um número. Caso o círculo represente mais de uma fonte geradora de riscos, para cada cor deve ser utilizado um número. Isso possibilitará representar os círculos por números no relatório. A relação dos riscos existentes no local de trabalho que será utilizada na tabulação dos riscos pode ser feita em um formulário como o apresentado na Tabela 7.3. Em seguida, essa relação precisa ser transferida para o desenho do mapa de riscos. Tabela 7.3 Formulário para a relação dos riscos existentes no local de trabalho Relação dos riscos identificados no ambiente de trabalho Classificação Pequeno Médio Grande Especificação do agente de risco X X X X X X X X X X X X X X X 114 O mapa de risco da área, seção ou departamento deve ser feito utilizando as técnicas de desenho de plantas de engenharia, respeitando as dimensões do local e as divisões e indicações de portas e janelas. O desenho pode ser feito de maneira simplificada ou completo, com indicações de máqui- nas, mesas e outros objetos instalados e definidos no a t da empresa. DICA Para fazer o a t, utilize as ferramentas de desenho no Word ou PowerPoint, que premitem inserir linhas, círculos e semicírculos, bem como escolher o tamanho e a cor. Depois de elaborado o mapa de riscos da empresa e de áreas e setores, é preciso emitir o relató- rio para a diretoria da empresa apontando os riscos encontrados. A empresa terá 30 dias após o recebimento para manifestar-se. O relatório é feito por área, seção e departamento, contendo as planilhas dos riscos encontrados em cada um deles. O relatório pode ser um formulário como o apresentado na Tabela 7.4, devendo ser preenchido um formulário para cada tipo de risco. No relatório são considerados os seguintes aspectos: riscos existentes (riscos baseados na NR 9, de acordo com o grupo de riscos); fonte geradora (causa do problema); número no mapa (número(s) utilizado(s) para identificar os círculos no mapa de riscos; proteção individual ou coletiva (indicar os EPIs e EPCs existentes e seu uso); recomendações (medidas sugeridas para eliminar ou controlar os riscos existentes). Tabela 7.4 Relatório de riscos levantados pela CIPA Área, departamento, setor: Número de funcionários X Masculino X Feminino X Total X GRUPO DE RISCO (1, 2, 3, 4, 5) – Descrição (físicos, químicos, biológicos, ergonômicos, acidentes) Riscos existentes Fonte geradora Nº no mapa Proteção individual e coletiva Recomendações X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Uma cópia do relatório com protocolo de entrega à diretoria fica em poder da CIPA, e a resposta da diretoria é cobrada depois de decorrido o prazo de manifestação, uma vez que os mapas precisam ser afixados nos locais de trabalho, e as alterações sugeridas negociadas. As negociações e os pra- zos acordados entre a CIPA, o SESMT e a empresa são registrados no livro de atas da CIPA. NO SITE No ambiente virtual de aprendizagem Tekne você encontra um e emplo de mapa de riscos para uma pe uena empresa de manu atura industrial desenvolvido con orme as orientaç es ornecidas neste cap tulo. O S Té cn ic o em S eg ur an ça d o Tr ab al ho Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. DICA DO PROFESSOR O vídeo preparado para esta unidade especifica os riscos ocupacionais. Confira! Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Os riscos ocupacionais podem ser identificados por qual cor? A) Verde, azul, vermelho, rosa, preto. B) Amarelo, laranja, vermelho, azul e verde. C) Vermelho, amarelo, marrom, azul, verde. D) Laranja, azul, marrom, vermelho, verde. E) Azul, verde, preto, amarelo, vermelho. 2) Qual das classificações abaixo não se refere a um risco ocupacional? A) Risco de doença. B) Risco de acidente. C) Risco físico. D) Risco químico. E) Risco ergonômico. 3) A vibração é um agente agressor referente a qual classe de risco? A) Risco químico. B) Risco físico. C) Risco biológico. D) Risco ergonômico. E) Risco de acidente. 4) O documento que deve ser fixado em local visível ao trabalhador, elaborado com legendas de cores e símbolos, com a participação dos trabalhadores para identificar os riscos ocupacionais, é: A) Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. B) Ordem de serviço. C) Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional. D) Mapa de Riscos. E) Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho. 5) Quais agentes são responsáveis pela elaboração do Mapa de Risco? A) SESMT B) Trabalhador. C) Sindicato. D) Técnico em segurança do trabalho. E) CIPA. NA PRÁTICA Há diversas normatizações que se referem aos riscos ocupacionais. Nas empresas, as normas regulamentadoras que serão aplicadas com essa finalidade são: - NR 1: Ordem de serviço. - NR 5: Mapa de Riscos. - NR 7: Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional. - NR 9: Programa de Prevenção de Riscos Ocupacionais. - NR 15: Identifica agentes insalubres no ambiente de trabalho. - NR 16: Identifica agentes periculosos no ambiente de trabalho. - NR 17: Define o método para análise do risco ergonômico. - NR 18: Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho. A aplicação de cada uma dessas normatizações pelos profissionais do SESMT dentro da empresa ajudará no gerenciamento dos riscos ocupacionais e na proteção ao trabalhador. A empresa X identificou que havia funcionários se desligando/"encostando-se" por riscos de saúde. Com base na NR 7, a empresa decidiu fazer ginástica laboral com os profissionais duas vezes por semana. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Mapa de riscos Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Técnico em Segurança do Trabalho Análise da percepção dos riscos ocupacionais entre trabalhadores de uma indústria do segmento têxtil, Minas Gerais, Brasil Este estudo objetivou analisar a percepção dos trabalhadores de uma fábrica de produtos têxteis em relação aos riscos ambientais e possíveis agravos à saúde, visando proporcionar processo de reflexão-ação entre esses profissionais. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Riscos ocupacionais a que estão expostos os trabalhadores da construção civil Objetivo: dentificar através de revisão da literatura, os riscos ocupacionais a que estão expostos os trabalhadores da construção civil bem como os principais equipamentos de proteção individual (EPI) e equipamentos de proteção coletiva (EPC) utilizados. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Mapa de Risco Ambiental Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Riscos ocupacionais de uma indústria calçadista sob a ótica dos trabalhadores Artigo sobre Riscos ocupacionais de uma indústria calçadista sob a ótica dos trabalhadores. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Controle e eliminação dos riscos ocupacionais APRESENTAÇÃO Para que o trabalhador seja protegido dos riscos ocupacionais, após identificá-los e analisá-los, é necessário traçar estratégias para sua eliminação ou controle. Para que isso seja possível, os profissionais que atuam na saúde e na segurança ocupacional devem conhecer as formas de controle e proteção. Nesta Unidade de Aprendizagem conheceremos de que forma é possível controlar ou eliminar os riscos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Diferenciar as formas de controle e eliminação dos riscos.• Selecionar os mecanismos de controle e eliminação dos riscos para diferentes situações.• Identificar como controlar e eliminar os riscos ocupacionais.• DESAFIO Após elaborar o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), foram identificados os riscos ocupacionais quea empresa possui. Ao identificá-los, foram feitas análises quantitativas dos riscos, como ruído de 90 dB (A) no setor de serralheria, pelo uso de máquinas muito ruidosas, e índices acima do limite de tolerância de exposição ao tolueno no setor de pintura. Conhecendo essa realidade, qual estratégia de controle e/ou eliminação dos riscos você utilizaria? Descreva respeitando a seguinte hierarquia: - Elencar medidas de proteção coletiva de controle e eliminação dos riscos. - Elencar medidas administrativas de controle e eliminação dos riscos. - Elencar medidas de proteção individual para controle e eliminação dos riscos. INFOGRÁFICO Para atingirmos bom controle e eliminação dos riscos ocupacionais, vamos observar no infográfico algumas medidas de prevenção. CONTEÚDO DO LIVRO A empresa que investe na segurança do trabalho, além de evitar acidentes, lucra mais, pois deixa de gastar com remuneração dos dias parados do acidentado e evita o remanejamento ou a contratação de funcionários para suprir a ausência do acidentado e os gastos decorrentes dos processos judiciais trabalhistas, cíveis e criminais. Acompanhe um trecho da obra Técnico em segurança do trabalho e conheça as formas de proteção coletiva e individual. Inicie o estudo a partir do tópico Investimento em segurança do trabalho. Boa leitura! Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094 R741t Rojas, Pablo. Técnico em segurança do trabalho [recurso eletrônico] / Pablo Rojas. – Porto Alegre : Bookman, 2015. Editado como livro impresso em 2015. ISBN 978-85-8260-280-5 1. Segurança do trabalho. I. Título. CDU 331.45 58 No comportamento culposo, o agente responderá por crime de lesão corporal culposa ou ho- micídio culposo, de acordo com o caso, sujeitando-se à pena de 2 meses a 1 ano de detenção no caso de lesão corporal e de 1 a 3 anos no caso de homicídio culposo. A pena será aumentada em um terço se o crime resultar de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício (p. ex., engenheiro que falha na escolha do ferro da laje que desaba; técnico de segurança que orienta erroneamente o empregado que se acidenta; médico do trabalho que erra no tempo de exposição do empregado aos gases exalados de certo produto químico, etc.). As responsabilidades sobre os acidentes de trabalho também recaem sobre os integrantes do SES- MT e da CIPA, pois suas atividades têm por finalidade promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador no local de trabalho. Desse modo, eles têm a obrigação legal de aplicar os conheci- mentos de suas especialidades para esse fim. O SESMT estabelece e avalia os procedimentos adotados pela empresa no campo de segurança e medicina no trabalho, portanto, seus integrantes, dentro dos limites de sua área de atuação, res- pondem por culpa ou dolo quando ocorrem acidentes de trabalho. Os integrantes da CIPA podem dar causa ao acidente do trabalho por ação ou omissão. Os integrantes do SESMT e da CIPA somente se eximirão de responsabilidade quando provarem que não puderam agir para prevenir ou evitar o acidente ou que, apesar de cumprirem com todas as suas obrigações legais, este ainda assim ocorreu. DICA Geralmente existe nexo causal entre o resultado e a conduta dos membros do SESMT e da CIPA no acidente de traba- lho real, ocorrido no local de trabalho, e de doença do trabalho. Quando isso é comprovado, ocorre a ação criminal. Investimento em segurança do trabalho Muitas empresas consideram a segurança do trabalho uma área cujas atividades e procedimento geram despesas e não lucros, e evitam tais gastos sempre que possível . Por sua vez, também exis- tem as empresas que consideram as despesas com segurança do trabalho um investimento. ATENÇÃO Uma ordem ilegal dada por um superior hierárquico não impede o membro do SESMT ou da CIPA de agir da forma correta, mas se ele agir incorretamente para atender a uma ordem ilegal dada por um superior hierárquico, a responsabilidade sobre um possível evento danoso aos funcionários recairá sobre ele. ATENÇÃO 59 O investimento em segurança do trabalho é feito considerando toda a legislação pertinente, bem como estudos e pesquisas realizados com o objetivo de eliminar os fatores de risco que levam a acidentes ou reduzir seus efeitos. Nada é deixado ao acaso, pois isso pode conduzir a fatalidades. A seguir são apresentados os investimentos mais comuns e obrigatórios feitos pelas empresas. Equipamento de proteção coletiva (EPC) São equipamentos utilizados para proteção de segurança enquanto um grupo de pessoas realiza determinada tarefa ou atividade. Eles podem ser de proteção de um coletivo (geralmente estão instalados nos locais, como guarda-corpos, corrimãos, grades, etc.), ou são EPIs de uso coletivo (não exclusivo do funcionário), pois são usados por quem tiver necessidade no momento da execu- ção da atividade, como máscaras de solda ou cinto de segurança, adotados por todos os trabalha- dores quando expostos a determinados riscos. Os equipamentos de proteção coletiva protegem todos os trabalhadores expostos ao risco ao mes- mo tempo. Entre eles, destacam-se: enclausuramento acústico de fontes de ruído; ventilação dos locais de trabalho (exaustores para gases e vapores); proteção de partes móveis de máquinas (tela/grade para proteção de polias, peças ou engre- nagens móveis, sensores de movimento); ar-condicionado/aquecedor para locais frios; placas de aviso e sinalizadoras; corrimão em escadas e passarelas; fitas antiderrapantes de degrau de escada; iluminação; piso antiderrapante; barreiras de proteção contra luminosidade e radiação; guarda-corpos; sirene de alarme de incêndio; cabines para pintura; purificadores de ar/água; chuveiro e lava-olhos de emergência (Figura 3.1). O uso de EPCs independe da ação do trabalhador, uma vez que devem estar presentes no ambiente de trabalho por determinação e indicação do SESMT da empresa e por recomendação da CIPA. IMPORTANTE A empresa que investe na segurança do trabalho, além de evitar acidentes, lucra mais, pois deixa de gastar com remuneração dos dias parados do acidentado e evita o remanejamento ou a contratação de funcionários para suprir a ausência do acidentado e os gastos decorrentes dos processos judiciais trabalhistas, cíveis e criminais. IMPORTANTE c a p ít u lo 3 R e s p o n s a b il id a d e s d a e m p re s a p e la s e g u ra n ç a n o a m b ie n te d e t ra b a lh o Té c n ic o e m S e g u ra n ç a d o T ra b a lh o 60 Equipamento de proteção individual (EPI) É todo dispositivo ou produto, de uso individual do trabalhador, destinado à proteção contra riscos capazes de ameaçar a sua segurança e a sua saúde. Ele deve ser utilizado sempre que os EPCs não forem suficientes para eliminar completamente o risco de acidentes ou doenças ocupacionais. O SESMT ou a CIPA são responsáveis por indicar e recomendar ao empregador o fornecimento do EPI ao trabalhador em perfeito estado de conservação e funcionamento e nas seguintes situações: sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os riscos de acidentes do trabalho ou de doenças profissionais e do trabalho e também quando não for possível eliminar o risco por meio de EPCs; enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas e quando for neces- sário complementar a proteção individual; para atender a situações de emergência ou execução de trabalhos eventuais e em exposições de curtos períodos. Os EPIs fornecidos devem ser adequados ao tipo de atividade ou risco existente e à parte do corpo a ser protegida (Figura 3.2). Os seguintes equipamentos são exemplos de EPIs: proteção auditiva (abafadores de ruídos ou protetores auriculares); proteção respiratória (máscaras e filtro); proteção visual e facial (óculos e viseiras); proteçãoda cabeça (capacetes); proteção de mãos e braços (luvas e mangotes); proteção de pernas e pés (sapatos, botas e botinas); proteção contra quedas (cintos de segurança e cinturões). A B Figura 3.1 Equipamentos de proteção coletiva: (A) chuveiro de emergência; (B) lava-olhos de emergência. Fonte: iStock/Thinkstock. 61 Figura 3.2 Alguns equipamentos de proteção individual. Fonte: iStock/Thinkstock. Treinamento aos empregados O treinamento aos empregados sobre a segurança do trabalho deve ser feito a partir do momen- to em que eles são contratados, nos moldes exigidos pela NR 18, item 18.28 (BRASIL, 1978a). O trabalhador receberá por escrito os procedimentos de trabalho e de segurança a serem seguidos em sua execução. Durante o treinamento, o empregado receberá informações sobre o histórico da empresa e sobre a política de segurança. Também será instruído sobre o que é segurança do trabalho, o que é aciden- te de trabalho e quais são suas implicações, bem como será informado sobre as condições do meio ambiente de trabalho, os riscos de sua função e o uso de EPCs e EPIs. As empresas geralmente patrocinam os programas e ações propostos pelo SESMT e pela CIPA por meio da disponibilização dos recursos financeiros necessários à elaboração de palestras e de mate- riais impressos e à contratação de palestrantes. As responsabilidades da empresa com a segurança do trabalho são enormes e vão muito além das descritas na legislação, pois elas referem-se à vida do trabalhador. IMPORTANTE O treinamento aos empregados sobre segurança do trabalho deve ser reciclado periodicamente. IMPORTANTE ASSISTA AO FILME Para saber mais, assista aos vídeos produzidos pelo governo de Pernambuco sobre o uso de EPCs e EPIs disponíveis no ambiente virtual de aprendizagem Tekne. Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. DICA DO PROFESSOR O vídeo a seguir nos mostra como realizar o controle e a eliminação dos riscos ocupacionais. Confira! Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) O que são equipamentos de proteção coletiva? A) Equipamentos que protegem vários trabalhadores ao mesmo tempo no ambiente de trabalho. B) Equipamentos que protegem individualmente cada trabalhador. C) Medidas administrativas para proteger os trabalhadores. D) Medidas de organização do trabalho. E) Equipamentos de uso coletivo. 2) Marque o item que não se refere a equipamento de proteção coletiva. A) Instalação de pisos antiderrapantes. B) Cinto para travar quedas. C) Proteção da cremalheira da betoneira. D) Placas de aviso de piso molhado. E) Instalação de películas nas janelas para diminuir a radiação solar. 3) Os EPCs devem estar presentes no ambiente de trabalho. A responsabilidade pela determinação e indicação dos EPCs na empresa é: A) Do engenheiro de segurança B) Da Comissão Interna de Prevenção a Acidentes (CIPA) C) Dos empregados D) Do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) E) Do empregador 4) Marque a questão que não se refere ao equipamento de proteção individual (EPI). A) Deve ser utilizado de acordo com o risco existente. B) Deve proteger a parte do corpo do trabalhador exposta ao risco. C) Possuir Certificado de Aprovação (CA). D) Deve ser adquirido pelo empregado sempre que for necessário. E) O trabalhador deve ser treinado para o uso. 5) Indique qual dos itens não é considerado um EPI. A) Óculos de proteção. B) Luvas. C) Sapato de segurança. D) Capacete de segurança. E) Uniforme. NA PRÁTICA Avaliar os riscos ocupacionais deve ser a base de uma gestão eficaz na área de segurança e saúde, visando prevenir e reduzir acidentes e doenças do trabalhador. Para tal, é importante que as empresas invistam em medidas de proteção individual e coletiva. No entanto, algumas empresas ainda enxergam as ações de prevenção e segurança como uma despesa, evitando esses gastos. Empresas que realmente se preocupam com a proteção e segurança dos trabalhadores vêem tais ações como um investimento, adotando medidas de proteção que reduzam os riscos ocupacionais no ambiente de trabalho. Importante lembrar que os riscos em tais ambientes (e consequentemente, as medidas contra eles) devem ser pensadas levando em consideração as rotinas, as tarefas laborais executadas, o ambiente em si, bem como as situações não diretamente relacionadas ao trabalho. Por exemplo, quando os trabalhadores se deslocam, chegando ou saindo do trabalho, ou ainda quando vão ao banheiro, eles podem estar expostos a risco. Da mesma forma, os riscos nesse tipo de ambiente podem afetar visitantes, fornecedores, clientes e a sociedade em geral. Por isso, é importante a análise minuciosa dos riscos potenciais e reais. Buscando identificar as melhores soluções para cada caso. Em termos de efetividade, mas também de praticidade, economicidade e facilidade/rapidez na implementação. Uma empresa de produtos químicos, por exemplo, ao invés de substituir um composto químico prejudicial à saúde, como o benzeno - o que não seria algo simples, uma vez que deveria investir também em testes e pesquisas para avaliar a possibilidade de troca, acarretando em custos adicionais, que seriam repassados ao produto -, pode investir em exaustores e em EPIs para proteger os trabalhadores, sem influenciar no processo produtivo. Cabe ressaltar que apesar de prevenir os riscos relacionados ao manuseio de equipamentos perigosos; exposição a agentes químicos e infecciosos, entre outros, garantindo ambientes de trabalho mais seguros, os riscos continuarão existindo. Ou seja, estar em segurança não significa estar, de fato, isento de riscos. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: NR 6 - Equipamento de proteção individual - EPI Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! NR 15 - Atividades e operações insalubres Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! 100% Seguro - Equipamentos de Proteção Individual | Parte 1 Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! 100% Seguro - Equipamentos de Proteção Individual | Parte 2 Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EPI - Equipamentos de Proteção Individual Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EPI na Indústria da Construção Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EPI - Proteção Respiratória Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Espaços Confinados Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Programas de saúde e segurança ocupacional APRESENTAÇÃO Os programas de saúde e segurança ocupacional são obrigatórios pela portaria 3214/78. A finalidade dos programas é proteger a integridade física dos trabalhadores promovendo a saúde e segurança ocupacional. Os empregadores têm o dever de implementá-los no ambiente de trabalho, e os empregados devem seguir as recomendações dos programas. Nesta Unidade de Aprendizagem veremos quais são os programas de saúde e segurança ocupacional regulamentados pela portaria. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Diferenciar os programas de saúde e segurança ocupacional.• Indicar a necessidade de realização dos programas.• Identificar os itens que devem conter os programas de saúde e segurança ocupacional.• DESAFIO Um posto de gasolina contratou uma vendedora para trabalhar na loja de conveniência no dia 19/07/2007. No dia 25/07/2007, a funcionária realizou o exame admissional. Um ano depois de sua contratação, foi promovida para a função de frentista, iniciando suas atividades assim que ocorreu a promoção. A funcionária ficou grávida aos 29 anos e ganhou o bebê no dia 10/08/2010, retornando ao trabalho 120 dias após o parto, tirandoférias no dia do retorno ao trabalho. Três anos depois do parto, ela pediu desligamento da empresa por ter conseguido uma oportunidade de trabalho melhor em outro local. Nesse dia, realizou-se o exame demissional. INFOGRÁFICO Observe no infográfico a relação entre o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). CONTEÚDO DO LIVRO Os programas de Programa de Gerenciamento de Riscos , Programa de Prevenção de Riscos Ambientais , Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional possuem o objetivo de proporcionar condições adequadas para o exercício de todas as atividades dentro da organização, prevenindo acidentes e doenças ocupacionais. Para tanto, é necessário que as empresas cumpram regularmente os requisitos estabelecidos pelas normas de segurança e pratiquem de forma adequada esses programas. No capítulo, Programas de Saúde e Segurança Ocupacional, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, aprenda a definição e requisitos mínimos dos programas acima citados, exigidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego, bem como sua necessidade de implemetacao para prevenção de acidente e doenças. Boa leitura. SEGURANÇA DO TRABALHO E SAÚDE OCUPACIONAL Identificação interna do documento 6KR9VCV6OD-U1I25I1 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Diferenciar os programas de saúde e segurança ocupacional. > Indicar a necessidade de realização dos programas. > Identificar os itens que devem conter os programas de saúde e segurança ocupacional. Introdução Um ambiente de trabalho ou a execução de algumas atividades podem colocar a segurança e a saúde do profissional em risco. Antes de dar início ao trabalho, ele é instruído pelo empregador, sobretudo por meio de ações de planejamento, como planos de gestão voltados à preservação da segurança na obra e instrumentos de controle de risco, a exemplo de programas de saúde e segurança no trabalho. As doenças e os acidentes ocupacionais consistem em um importante tópico de estudo para os gestores e donos de empresas, para os serviços de saúde e a seguridade social, bem como para os trabalhadores, especialmente. Os programas de intervenção para o enfrentamento desse problema se baseiam, em geral, em normas regulamentadoras (NRs), essenciais para normatizar a vigilância da saúde e da segurança, e são aplicados por meio de diversas estratégias no ambiente de trabalho. Programas de saúde e segurança ocupacional Caroline Silva Sena Identificação interna do documento 6KR9VCV6OD-U1I25I1 Neste capítulo, vamos diferenciar os principais programas de saúde e segurança ocupacional, de modo que o leitor entenda a importância desses programas para a garantia de melhores condições de saúde e segurança no trabalho. Além disso, explicaremos quais são os principais requisitos inseridos nesses programas. Programas de saúde e segurança ocupacional Programas de saúde e segurança ocupacional consistem em ações que devem ser obrigatórias dentro das empresas, sejam estas de pequeno, médio ou grande porte. Essas ações auxiliam na prevenção de doenças e de problemas relacionados ao trabalho, problemas que podem ser físicos ou/e mentais, mas que, muitas vezes, são causados pela repetição das atividades e/ou pelo próprio ambiente laboral. No que concerne às ações governamentais, o poder público age por in- termédio do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (DSST), cujo objetivo é garantir, por meio de políticas públicas e ações de fiscalização dos ambientes e das condições de trabalho, que estão sendo implementadas todas as medidas plausíveis para a prevenção de acidentes e doenças laborais, assegurando que a vida e a saúde dos trabalhadores sejam preservadas. Essas ações profiláticas são implantadas por programas como o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), entre outros, além de pelas exigências de equipamento de proteção individual (EPI) e equipamentos de proteção coletiva (EPC), com o intuito de garantir uma maior segurança e reduzir a incidência de acidentes de trabalho. Cabe, ainda, destacar que compete à Secretaria de Trabalho (Setrab), por meio da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), a regulamentação complementar e a atualização das normas de saúde e segurança no trabalho, assim como a fiscalização dos ambientes laborais. Em outras palavras, esse é o órgão governamental responsável por mediar as relações de trabalho entre o trabalhador e a empresa, exceto quando expressamente estabelecido em contrário nas normas legais vigentes. No que tange aos programas de saúde e segurança ocupacional encontra- dos no dia a dia, deparamo-nos com inúmeras siglas em projetos, instruções, normas, leis, etc. Algumas dessas siglas merecem destaque por abordar assuntos diretamente essenciais ao entendimento da saúde ocupacional. No Quadro 1, estão representadas as principais siglas relacionadas aos programas de saúde ocupacional. Programas de saúde e segurança ocupacional2 Identificação interna do documento 6KR9VCV6OD-U1I25I1 Quadro 1. Programas relacionados à saúde ocupacional e suas respectivas siglas Norma regulamentadora Sigla Programa de Conservação Auditiva PCA NR nº 7: Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional PCMSO NR nº 9: Programa de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA NR nº 18: Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção PCMAT NR nº 22: Programa de Gerenciamento de Riscos PGR A seguir, veremos os objetivos dos programas supracitados, visando a melhor compreender a diferença entre cada programa e a identificar as ações que contemplam na prevenção de doenças e acidentes de trabalho. Todos os programas descritos nesta seção tratam a segurança e a saúde como prioridade. Para que o trabalhador esteja mais seguro em seu ambiente de trabalho, é necessário propor treinamento qualificando-o e integrar os processos e as medidas de segurança na rotina da empresa, o que é essencial para transformar a realidade da indústria da construção civil, uma das indústrias que mais gera acidentes do trabalho no Brasil. Programa de Conservação Auditiva A NR nº 9 estabelece diretrizes e parâmetros mínimos para avaliar e acom- panhar a audição do empregado por meio de exames (BRASIL, 2019a). As ações preventivas devem ser iniciadas sempre que o nível de ruído a que o trabalhador estiver exposto for superior a 80 db (limite de ação). De uma forma geral, o PCA é um conjunto de medidas que objetiva prevenir a instalação ou evolução das perdas auditivas ocupacionais de trabalhadores expostos a níveis de pressão sonora elevada. Programas de saúde e segurança ocupacional 3 Identificação interna do documento 6KR9VCV6OD-U1I25I1 Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional O PCMSO, descrito na NR nº 7, visa a estabelecer requisitos para a proteção e a preservação da saúde dos trabalhadores em relação aos riscos ocupacionais, de acordo a avaliação de riscos do PGR da empresa. Esse programa é um documento escrito que serve de alicerce para as próprias ações de execução e de instrução de suas diretrizes (BRASIL, 2018a). Vale destacar que ele deve estar articulado com as demais NRs. Na NR nº 7, é estabelecido que o empregador é obrigado a elaborar e a implementar o PCMSO para promover e prevenir a saúde de seu grupo de trabalhadores. Esse programa também serve como uma ferramenta preventiva de rastreio e diagnóstico precoce dos agravos às saúdes relativos à atividade laboral. A natureza subclínica e a existência de casos de doenças provenien- tes da atividade de trabalho ou danos irreversíveis são componentes desse instrumento (BRASIL, 2018a). Cabe destacar que o PCMSO deverá ser implementado em todas as empresas, independentemente da quantidade de trabalhadores. Ainda, os riscos apresentados no PPRA devem ser considerados por essa ferramenta decontrole. Programa de Prevenção de Riscos Ambientais O PPRA foi estabelecido pela NR nº 9 para deixar o ambiente de trabalho mais seguro para todos os colaboradores. Seu principal objetivo é a preser- var a saúde e a integridade dos trabalhadores por meio da antecipação, do reconhecimento, da avaliação e do consequente “[...] controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração a proteção dos recursos naturais” (BRASIL, 2019a, documento on-line). Nele, portanto, há um conjunto de ações que a empresa deverá implantar no âmbito de segurança e saúde do trabalho e que geralmente é elaborado por um profissional capacitado, ou um técnico, ou um engenheiro de segurança do trabalho. Os riscos ambientais são agentes biológicos, químicos ou físicos que podem causar danos ao colaborador. Eles estão previstos na NR nº 9, e o Quadro 2 contém os principais riscos, sinalizados nos ambientes laborais pelas cores verde, vermelho, amarelo, marrom e azul. Cada organização elabora seu programa de prevenção de riscos, conforme as necessidades de controle em cada departamento. Programas de saúde e segurança ocupacional4 Identificação interna do documento 6KR9VCV6OD-U1I25I1 Quadro 1. Principais riscos ambientais em locais de trabalho Tipo de risco Riscos Físico (verde) � Ruído � Vibração � Radiação ionizante � Radiação não ionizante � Frio � Calor � Pressões anormais � Umidade Químico (vermelho) � Poeira � Ilmenita � Dióxido de titânio � Sulfato ferroso � Fumos metálicos � Névoas � Vapores orgânicos � Dióxido de enxofre � Ácido sulfúrico � Ácido clorídrico � Ácido fluorídrico � Gás freon Biológico (marrom) � Vírus � Bactérias � Protozoários Ergonômico (amarelo) � Esforço físico � Levantamento e transporte de peso � Exigência de postura inadequada � Controle rígido de produtividade � Imposição de ritmos excessivos � Trabalho em turno e noturno � Jornada de trabalho prolongada � Monotonia e repetitividade � Treinamento inexistente � Treinamento inadequado � Atenção e responsabilidade � Estresse físico e/ou psíquico (Continua) Programas de saúde e segurança ocupacional 5 Identificação interna do documento 6KR9VCV6OD-U1I25I1 Tipo de risco Riscos Mecânico (azul) � Arranjo físico inadequado � Máquinas e equipamento sem proteção � Ferramentas inexistentes � Ferramentas inadequadas sem proteção � Iluminação inadequada � Eletricidade � Probabilidade de incêndio � Armazenamento inadequado � Animais peçonhentos � Sinalização inadequada/insuficiente � Transporte de materiais � Piso escorregadio Fonte: Adaptado de Brasil (2019a). Entre as ações mais contempladas no PPRA, estão os treinamentos com trabalhadores sobre a forma adequada de utilização dos equipamentos de proteção, bem como informações acerca do ambiente de trabalho. Além disso, as empresas, em geral, utilizam sinalização adequada para prevenir acidentes nos ambientes laborais. O PPRA é uma obrigação que todas as empresas, independentemente da quantidade de funcionários, devem desenvolver no ambiente de trabalho. Embora esteja previsto na NR nº 9, sua implementação está articulada na NR nº 7, e ele auxilia a NR nº 18. Suas prevenções e seus diagnósticos devem ser relatados por um médico do trabalho, mas as empresas não são obrigadas a ter esse tipo de profissional em seu quadro de funcionários, sendo possível a terceirizá-los (BRASIL, 2015). Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção O Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Cons- trução, previsto na NR nº 18, é um instrumento obrigatório em estabeleci- mentos do setor com 20 trabalhadores ou mais e deve ser elaborado por profissional legalmente habilitado na área de segurança do trabalho. Seu conjunto documental deve contemplar as exigências contidas na NR nº 9, que institui o PPRA. A NR nº 18, no item 18.3.1, define o PCMAT como um programa que estabe- lece condições e diretrizes de segurança do trabalho na indústria da constru- (Continuação) Programas de saúde e segurança ocupacional6 Identificação interna do documento 6KR9VCV6OD-U1I25I1 ção civil, e cuja finalidade é avaliar, por atuações preventivas, a integridade física e a saúde do trabalhador da construção e de todas as pessoas que atuam direta ou indiretamente na realização de uma obra (BRASIL, 2018b). Ou seja, o PCMAT é um conjunto de ações preventivas relacionadas à saúde e à integridade física dos colaboradores que atuam no canteiro de obras. Programa de Gerenciamento de Riscos O PGR, determinado pela NR nº 22, é voltado para o setor da mineração, enquanto a NR nº 18 é própria da construção civil. Porém, ele apresenta itens da NR nº 22 aplicáveis na indústria da construção civil (BRASIL, 2019b). O foco do PGR é semelhante ao do PPRA, estabelecendo parâmetros relacionados aos impactos ambientais e riscos à saúde voltados para a atividade minera- dora. De uma forma mais abrangente que o PPRA, o PGR é uma ferramenta que apresenta um conjunto de ações a serem adotadas pelas organizações para diminuir/e ou extinguir todos os riscos existentes nos ambientes, riscos químicos, físicos, biológicos, ergonômicos ou de acidentes. A Setrab recentemente noticiou que, a partir de agosto de 2021, o PGR suprirá o PPRA. As organizações que se encontram com o PPRA em andamento deverão substituir seus dados e suas medidas de prevenção para o PGR, junto com a relação de todos os perigos existentes na organização (JORGE; SANTOS; ROCUMBACK, 2020). Os requisitos da nova mudança serão apresentados na NR nº 1, “Disposições gerais e gerenciamento de riscos ocupacionais”, cuja função é estabelecer os critérios gerais, o campo de aplicação, os termos e as definições comuns a todas NRs, além de conter os itens para o PGR e as medidas de prevenção em segurança e saúde no trabalho. A importância dos programas de saúde e segurança ocupacional Durante a Revolução Industrial, houve um aumento notável do número de acidentes relacionados ao trabalho, devido ao uso crescente de máquinas, do acúmulo de operários em locais confinados, das longas jornadas laborais, da utilização de crianças nas atividades industriais, das péssimas condições de salubridade nos ambientes fabris, entre outras razões. No Brasil, esses problemas também acompanharam a industrialização, que ocorreu por volta da década de 1930 (CHAGAS; SALIM; SERVO, 2012). Programas de saúde e segurança ocupacional 7 Identificação interna do documento 6KR9VCV6OD-U1I25I1 Até meados da década de 1970, segundo Camisassa (2015), as leis voltadas para a segurança no trabalho existentes no país eram basicamente corretivas, não preventivas. Havia a preocupação de determinar as indenizações por acidentes de trabalho, mas não em investigar e prevenir as causas desses acidentes de forma efetiva. Com o decorrer do tempo e o surgimento de diversas questões trabalhistas, emergiu a necessidade de criação de leis e normas que assegurassem condições laborais menos insalubres. Assim surgiu a Lei nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977, as normas brasileiras (NBRs) e as NRs, que estabeleceram parâmetros para que os profissionais, a fisca- lização e as empresas tivessem onde se fundamentar em seus programas e melhorias na segurança do trabalho. Cada um dispõe de programas, trei- namentos e procedimentos que deverão ser adotados pelas empresas que tenham seus funcionários regidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) (BRISTOT, 2019). Atualmente, apesar de todos os avanços na indústria da construção civil, são recorrentes casos de acidentes de trabalho em canteiros de obras. Com isso, ainda são necessários estudos referentes à problemática. O que se sabe com certeza é que implementar programas de saúde e segurança de forma estratégica contribui para a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais. O acidente pode ser evitado; logo, pode ser prevenido. Porém, comoas tarefas são executadas pelo ser humano, existem diferentes fatores externos que podem contribuir para a ocorrência de um acidente de trabalho (BRIS- TOT, 2019). Ademais, para que os programas de segurança sejam eficazes, é imprescindível que haja um investimento na mão de obra, uma vez que as instalações e manutenções de máquinas devem sempre ser executadas por profissionais capacitados. No Quadro 2, estão representadas as quantidades de acidentes de traba- lhos com comunicação de acidente do trabalho (CAT), revelados pela Ministério da Previdência Social, ocorridos durante o período de 2015 a 2019. Programas de saúde e segurança ocupacional8 Identificação interna do documento 6KR9VCV6OD-U1I25I1 Quadro 2. Acidentes de trabalho entre 2015 e 2019 Ano Acidentes com CAT Total de AcidentesTípico Trajeto Doença 2015 385.646 106.721 15.386 114.626 2016 355.560 108.552 13.927 107.587 2017 341.700 101.156 10.983 103.787 2018 363.314 108.082 10.597 104.024 2019 374.545 102.213 9.352 96.397 Fonte: Adaptado de Brasil ([2020?]). Conforme Bristot (2019), os programas de segurança e saúde podem ser auxiliados por algumas ações para que apresentem resultado significativo na melhoria dos ambientes de trabalho. Veja algumas a seguir. � Inspeções de segurança: avaliações dos riscos nos ambientes laborais. � Campanhas de segurança: campanhas com informações de segurança e saúde do trabalho, como a Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (Sipat), organizadas pela Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa). � Tratamento dos acidentes: controle, prevenção, análise e investigação de acidentes e possíveis acidentes no ambiente de trabalho. � Mapa de riscos: elaborado pela CIPA em cada setor de trabalho, iden- tificando os riscos que estão presentes no ambiente. � Diálogo Diário de Segurança (DDS): conversa rápida diária ou semanal sobre temas de segurança e saúde do trabalho. � Equipamentos de proteção: a utilização de EPI e equipamentos de proteção respiratória (EPR) e a implantação de EPC nos ambientes de trabalho diminuem a intensidade do risco que afeta o trabalhador. Programas de saúde e segurança ocupacional 9 Identificação interna do documento 6KR9VCV6OD-U1I25I1 Caso seja constatado o descumprimento dos preceitos legais ou regulamentares relacionados à saúde e segurança no trabalho, o responsável pela fiscalização deverá lavrar o auto de infração. O auto de infração considerado subsistente ensejará a aplicação da penalidade (multa), depois de concluído o processo, sem prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. Além disso, podem ocorrer o embargo e a interdição, procedimentos de urgência de caráter preventivo e que têm, por consequência, a paralisação total ou parcial das atividades sempre que for constatada a existência de situação de grave e iminente risco à segurança, saúde e integridade física dos trabalhadores (CAMISASSA, 2015). Requisitos dos programas de saúde e segurança ocupacional Com a validação da NR nº 1, que entrou em vigor em 2021, as organizações precisarão criar e implementar o gerenciamento de riscos ocupacionais (GRO) e o PGR. Portanto, a gestão dos riscos ambientais será realizada somente pelo novo PGR, substituindo a exigência do PPRA. Essa mudança também modificou alguns itens do PCMSO, que serão discutidos a seguir. Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção Para a composição do PCMAT, é necessário ter uma previsão de dados para estimar e controlar os riscos ambientais que existem, ou venham a existir, no ambiente laboral. A obrigação de elaborar e implantar o PCMAT se aplica às organizações que têm 20 trabalhadores ou mais, incluindo profissionais empregados e terceirizados. Cabe destacar que esse programa não é meramente um documento que deve ser apresentado ao órgão fiscalizador, mas um conjunto de ações a serem implantadas e que deve considerar o aperfeiçoamento de projetos e conceitos de controle de riscos, o programa de capacitação relacionado à segurança do trabalhador, a especificação de equipamentos de proteção e estimativas constantes dos riscos, com o emprego de métodos de gerenciamento e au- ditorias visando a avaliar a execução do sistema de segurança do trabalho. O PCMAT é desenvolvido na fase de concepção dos projetos, ou seja, é formulado antes de se dar início à construção. Nele, os riscos de todas as etapas processuais da produção devem ser contemplados; portanto, o PCMAT não tem prazo de validade definido. As empresas que não têm no mínimo Programas de saúde e segurança ocupacional10 Identificação interna do documento 6KR9VCV6OD-U1I25I1 20 empregados não são obrigadas a desenvolvê-lo; porém, para a garantia da segurança de seus trabalhadores, a construtora deve elaborar o PPRA. A parte documental do PCMAT, conforme a NR nº 18, é composta de (BRA- SIL, 2018b): � memorial sobre condições e meio ambiente de trabalho nas atividades e operações, levando-se em consideração riscos de acidentes e de doenças do trabalho e suas respectivas medidas preventivas; � projeto de execução das proteções coletivas, em conformidade com as etapas de execução da obra; � especificação técnica das proteções coletivas e individuais a serem utilizadas; � cronograma de implantação das medidas preventivas definidas no PCMAT, em conformidade com as etapas de execução da obra; � leiaute inicial e atualizado do canteiro de obras e/ou da frente de trabalho, contemplando, inclusive, previsão de dimensionamento das áreas de vivência; � programa educativo contemplando a temática de prevenção de aci- dentes e doenças do trabalho, com sua carga horária. Programa de Prevenção de Riscos Ambientais A estrutura básica do PPRA contém o seguinte: � planejamento anual com estabelecimento de metas; � prioridades e cronograma; � estratégia e metodologia de ação; � forma do registro; � manutenção e divulgação dos dados, com periodicidade predefinida; � forma de avaliação do desenvolvimento do PPRA. As etapas desse programa se dão por: � antecipação e reconhecimento dos riscos; � estabelecimento de prioridades e metas de avaliação e controle; � avaliação dos riscos e da exposição dos trabalhadores; � implantação de medidas de controle e avaliação de sua eficácia; � monitoramento da exposição aos riscos; � registro e divulgação dos dados. Programas de saúde e segurança ocupacional 11 Identificação interna do documento 6KR9VCV6OD-U1I25I1 O reconhecimento dos riscos ambientais deverá conter os seguintes itens, quando aplicáveis: � sua identificação; � a determinação e localização das possíveis fontes geradoras; � a identificação das possíveis trajetórias e dos meios de propagação dos agentes no ambiente de trabalho; � a identificação das funções e determinação do número de trabalha- dores expostos; � a caracterização das atividades e do tipo da exposição; � a obtenção de dados existentes na empresa que indiquem possível comprometimento da saúde decorrente do trabalho; � os possíveis danos à saúde relacionados aos riscos identificados, disponíveis na literatura técnica; � a descrição das medidas de controle preexistentes. No tocante ao PCMSO, o programa consegue viabilizar o acompanhamento da saúde do trabalhador por meio de alguns exames: � admissional; � periódico; � de retorno ao trabalho; � de mudança de função; � demissional. Com relação ao atestado de saúde ocupacional (ASO), conforme disposto na NR nº 7 (BRASIL, 2018a), deve conter no mínimo: � o nome completo do trabalhador, o número de registro de sua iden- tidade e sua função; � os riscos ocupacionais específicos existentes, ou a ausência deles, na atividade do empregado, conforme instruções técnicas expedidas pela Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho (SSST); � indicação dos procedimentos médicos aos quais o trabalhador foi submetido, incluindo os exames complementares e a data em que foram realizados; � o nomedo médico coordenador, quando houver, com respectivo número de registro no Conselho Regional de Medicina (CRM); Programas de saúde e segurança ocupacional12 Identificação interna do documento 6KR9VCV6OD-U1I25I1 � definição de apto ou inapto para a função específica que o trabalhador vai exercer, exerce ou exerceu; � nome do médico encarregado pelo exame e seu endereço ou forma de contato; � data e assinatura do médico encarregado pelo exame e carimbo con- tendo o número de inscrição no CRM. Ressalta-se que, ao receber o ASO, o trabalhador deve verificar o que nele consta e solicitar ajustes se identificar alguma irregularidade. Programa de Gerenciamento de Riscos Conforme comentado anteriormente, com o fim do PPRA, foi estabelecido o novo PGR. Segundo a Portaria nº 6.730, de 9 de março de 2020, o PRG deverá conter, no mínimo, inventário de riscos e plano de ação. Ainda conforme a Portaria nº 6.730/2020, esses documentos devem ser redigidos pela organi- zação, respeitando o disposto nas demais NRs, datados e assinados, e estar sempre disponíveis aos trabalhadores interessados ou a seus representantes, bem como à fiscalização (BRASIL, 2020). Outro requisito importante é o inventário de riscos ocupacionais, que traz os dados da identificação dos perigos e das avaliações dos riscos ocupacionais. Esse documento deve contemplar, no mínimo, as seguintes informações: � caracterização dos processos e ambientes de trabalho; � caracterização das atividades; � descrição de perigos e de possíveis lesões ou agravos à saúde dos trabalhadores, com a identificação das fontes ou circunstâncias, des- crição de riscos gerados pelos perigos, com a indicação dos grupos de trabalhadores sujeitos a esses riscos, e descrição de medidas de prevenção implementadas; � dados da análise preliminar ou do monitoramento das exposições a agentes físicos, químicos e biológicos, e os resultados da avaliação de ergonomia nos termos da NR nº 17. � avaliação dos riscos, incluindo a classificação para fins de elaboração do plano de ação; � critérios adotados para avaliação dos riscos e tomada de decisão. Programas de saúde e segurança ocupacional 13 Identificação interna do documento 6KR9VCV6OD-U1I25I1 Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional Com relação ao responsável pela elaboração do PCMSO, temos uma atuali- zação importante: esse responsável terá que elaborar anualmente um novo relatório analítico para substituir o modelo de relatório anual que foi retirado dos anexos. A inclusão de novos anexos, listados a seguir, estabelece as dire- trizes para o controle médico da exposição a agentes nocivos (BRASIL, 2020). � Anexo I: Monitoração da exposição ocupacional a agentes químicos. � Anexo II: Controle médico ocupacional da exposição a níveis de pressão sonora elevados. � Anexo III: Controle radiológico e espirométrico da exposição a agentes químicos. � Anexo IV: Controle médico ocupacional de exposição a condições hiperbáricas. � Anexo V: Controle médico ocupacional da exposição a substâncias químicas cancerígenas e a radiações ionizantes. Neste capítulo, vimos que a aplicação dos programas, junto com as NRs, possibilita que seja reduzida ou extinta a incidência de acidentes laborais. Esses programas também permitem monitorar os danos, os erros cometidos pelos trabalhadores e os fatores ambientais previstos. Vê-se, portanto, a importância de desenvolver medidas de controle e de prevenção ambientais e, principalmente, de desenvolver as atividades da forma estabelecida no projeto. Referências BRASIL. Norma regulamentadora nº 18: condições de segurança e saúde no trabalho na indústria da construção. 2018b. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho/pt- -br/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-18.pdf. Acesso em: 29 jun. 2021. BRASIL. Norma regulamentadora nº 7: programa de controle médico de saúde ocupa- cional. 2018a. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho/pt-br/inspecao/seguranca- -e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-07.pdf. Acesso em: 29 jun. 2021. BRASIL. Norma regulamentadora nº 9: programa de prevenção de riscos ambientais. 2019a. https://www.gov.br/trabalho/pt-br/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/ normas-regulamentadoras/nr-09-atualizada-2019.pdf. Acesso em: 29 jun. 2021. BRASIL. Norma regulamentadora nº 22: segurança e saúde ocupacional na mineração. 2019b. https://www.gov.br/trabalho/pt-br/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/ normas-regulamentadoras/nr-22.pdf. Acesso em: 29 jun. 2021. Programas de saúde e segurança ocupacional14 Identificação interna do documento 6KR9VCV6OD-U1I25I1 BRASIL. Estratégia nacional para redução dos acidentes do trabalho 2015-2016. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego, 2015. (E-book). CHAGAS, A. M. de R.; SALIM, C. A.; SERVO, L. M. (org.). Saúde e segurança no trabalho no Brasil: aspectos institucionais, sistemas de informação e indicadores. 2. ed. São Paulo: Ipea/Fundacentro, 2012. (E-book). CAMISASSA, M. Q. Segurança e saúde no trabalho: NRs 1 a 36 comentadas e descom- plicadas. São Paulo: Método, 2015. BRISTOT, V. M. Introdução à engenharia de segurança do trabalho. Criciúma: Unesc, 2019. (E-book). BRASIL. Portaria nº 6.730, de 9 de março de 2020. Aprova a nova redação da Norma Regulamentadora nº 01 - Disposições gerais e gerenciamento de riscos ocupacionais. (Processo nº 19966.100073/2020-72). Diário Oficial da União, Brasília, 12 mar. 2020. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-6.730-de-9-de-marco- -de-2020-247538988. Acesso em: 29 jun. 2021. BRASIL. Dados estatísticos: Saúde e segurança do trabalhador. [2020?]. Disponível em: https://www.gov.br/previdencia/pt-br/assuntos/previdencia-social/saude-e- -seguranca-do-trabalhador/dados-de-acidentes-do-trabalho. Acesso em: 29 jun. 2021. JORGE, A. O.; SANTOS, A. G. DOS; ROCUMBACK, D. M. O PGR, o fim do PPRA e as mudanças das NR-1 e NR-9 para 2021. Migalhas, 2020. Disponível em: https://www.migalhas.com. br/depeso/338358/o-pgr--o-fim-do-ppra-e-as-mudancas-das-nr-1-e-nr-9-para-2021. Acesso em: 29 jun. 2021. Leitura recomendada BRASIL. Norma regulamentadora nº 5: comissão interna de prevenção de acidentes. 2019. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho/pt-br/inspecao/seguranca-e-saude- -no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-05.pdf. Acesso em: 29 jun. 2021. Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. Programas de saúde e segurança ocupacional 15 Identificação interna do documento 6KR9VCV6OD-U1I25I1 Identificação interna do documento 6KR9VCV6OD-U1I25I1 DICA DO PROFESSOR Os empregadores deverão informar os trabalhadores de maneira apropriada e suficiente sobre os riscos ambientais que possam originar-se nos locais de trabalho, sobre os meios disponíveis para prevenir ou limitar tais riscos e para proteger-se deles. Confira no vídeo algumas dicas! Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) O exame admissional pode ser compreendido como uma importante etapa do processo de gestão de pessoas. Tal processo é orientado pela legislação trabalhista, a qual regulamenta a movimentação de pessoas nas organizações, a partir do momento em que se candidatam para uma vaga até a aposentadoria ou demissão. Considerando, então, as relações de trabalho para a prática de gestão vinculada à segurança no trabalho e saúde ocupacional, no Brasil, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) (BRASIL, 1943), acrescida das normas complementares do Ministério do Trabalho e Emprego e, mais recentemente, da Reforma Trabalhista de 2017 (BRASIL, 2017), orienta o processo de admissãonas empresas, de forma geral. Joana – técnica em segurança do trabalho, administradora, pós-graduada em Psicologia Organizacional, tem 28 anos, é casada, não tem filhos (mas está tentando engravidar) – foi selecionada para a área de Segurança no Trabalho na empresa de engenharia Bioresolve, e seu perfil despertou interesse dos líderes para ocupar o cargo de coordenadora de segurança do trabalho. Na semana seguinte ao processo seletivo, Joana realizou o exame admissional, conforme descrito nas alternativas a seguir. A partir disso, escolha a alternativa correta sobre o exame admissional: A) O exame admissional pelo qual Joana passou foi financiado pela empresa. Além disso, com vistas à promoção e à preservação da saúde do trabalhador, a fiscalização relacionada à obrigatoriedade da realização do exame de admissão é realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). B) Joana foi encaminhada ao exame admissional junto de Mara, selecionada no mesmo processo. Na perspectiva do exame admissional, isso ocorre para que a empresa possa, prematuramente, avaliar e comparar resultados no sentido de identificar qual das duas é mais saudável para ocupar o cargo de coordenadora de segurança do trabalho. C) Joana realizou uma bateria de exames com os médicos da empresa, tais como: hemograma e exame radiológico. O exame da saúde mental, no entanto, não integra as exigências legais do exame admissional, porque já foi realizado na seleção, com profissional psicólogo. D) Considerando que Joana está em idade fértil, a empresa, no curso do exame admissional, no escopo do conjunto de exames obstetrícios e ginecológicos, pode solicitar exame de gravidez, evitando, com isso, a contratação de uma profissional grávida, em caso de teste positivo. E) O exame de admissão de Joana foi realizado pelo técnico de enfermagem da empresa. Tal exame ocorreu, periodicamente, durante dois meses, até que a empresa alcançasse avaliação completa de seu bom estado de saúde em período de tempo ampliado. 2) Em qual das situações a seguir não é necessário realizar o exame de retorno ao trabalho? A) Trabalhadora que se afastou por licença-maternidade. B) Trabalhador que tirou 30 dias de férias. C) Trabalhador que se afastou por doença relacionada ao trabalho durante 45 dias. D) Trabalhador que sofreu acidente de trabalho e ficou afastado por 50 dias. E) Trabalhador que passar por procedimento cirúrgico e ficar afastado por 180 dias. 3) Marque a alternativa incorreta em relação ao atestado de saúde ocupacional (ASO). A) Deve ser emitido em duas vias. B) Deve ser emitido informando os riscos ocupacionais aos quais o trabalhador está exposto na função. C) Deve conter o histórico de saúde e doença do trabalhador. D) O exame que precede a emissão do ASO e o próprio documento devem ser armazenados no prontuário médico do funcionário. E) Deve ser guardado por 20 anos após o desligamento do trabalhador. 4) Marque a resposta errada sobre o PPRA. A) Sua implementação é de responsabilidade do empregador. B) Deve identificar os riscos químicos, físicos e biológicos. C) Deve estar alinhado com as demais NRs. D) Deve conter os exames ocupacionais que serão realizados pelo trabalhador. E) Deve ser elaborado em forma de documento e armazenado por 20 anos. 5) Marque o item que não se refere a uma estratégia de antecipação e reconhecimento dos riscos. A) Análise do projeto de novas instalações. B) Análise do processo de trabalho. C) Localização da fonte geradora do riscos. D) Identificação da forma de propagação dos agentes causadores de doença. E) Fornecimento de EPI para os trabalhadores. NA PRÁTICA A implementação dos programas de saúde e segurança ocupacional no ambiente de trabalho é realizada para identificar os riscos e elaborar estratégias para eliminá-los ou proteger os trabalhadores. O capital humano requer mais "ouvidos", ou seja, perceber a rotina, as características, as particularidades de cada segmento e da equipe ajuda muito a promover ações mais assertivas. A ginástica laboral é uma atividade física orientada, praticada durante o horário do expediente, visando a benefícios pessoais no trabalho. Essa atividade traz grandes benefícios para as empresas, motivo pelo qual é estimulada e implementada por diversas organizações. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Saúde do Trabalhador Para complementar a leitura do Conteúdo do Livro, leia os capítulos 1, 2 e 3 da obra Saúde do Trabalhador. PCMSO A preocupação com a saúde nos ambientes de trabalho começou a muito tempo. Mais precisamente na Itália de 1700, quando Bernardino Ramazzini publicou o livro "As Doenças dos Trabalhadores". Neste vídeo você vai ver como este italiano entendeu já no século XVIII que cada profissão poderia representar um risco para a saúde e os cuidados que cada profissional deve ter no seu da-a-dia de trabalho. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! NR-9 - Programa de Prevenção de Riscos Ambientais Clique a seguir e tenha acesso a toda Norma Regulamentadora 9. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! NR-7 - Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional Clique a seguir e tenha acesso a toda Norma Regulamentadora 7. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Doenças ocupacionais APRESENTAÇÃO Devido à exposição aos riscos ocupacionais, os trabalhadores podem desenvolver doenças decorrentes da atividade desempenhada. Caso a empresa não implante medidas de proteção, a exposição contínua poderá gerar afastamento pela Previdência Social, e, caso o trabalhador não melhore, a Previdência pode conceder aposentadoria por acidente de trabalho. Nesta Unidade de Aprendizagem falaremos sobre as doenças ocupacionais. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Diferenciar doenças ocupacionais das demais enfermidades.• Identificar as possíveis causas das doenças ocupacionais.• Relacionar a doença com as atividades laborais.• DESAFIO Uma mineradora solicitou ao Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) que identificasse por que há muitos funcionários apresentando atestados. Muitas vezes os mineradores não utilizam equipamentos de proteção adequada para suas atividades e começam a apresentar tosse e dificuldade de respiração. Funcionários com maior tempo de empresa apresentam silicose e não conseguem mais realizar suas atividades. Você, sendo funcionário do SESMT, precisa identificar o que pode causar esses sintomas e a doença, propor formas de prevenção e conferir se há ligação entre a atividade laboral e a doença. INFOGRÁFICO A saúde do trabalhador envolve um ampliado conjunto de variáveis sociais, econômicas, tecnológicas, organizacionais, então vinculadas aos fatores de risco ocupacionais situados no processo de realização do trabalho. As mudanças ocorridas no mundo do trabalho têm causado diferentes formas de adoecimento nos trabalhadores, de forma geral, desde transtornos mentais até lesões físicas por esforços repetitivos e exigentes. Afastamentos promovidos por doenças do trabalho, segundo a Organização Mundial do Trabalho, cresceram 25% entre os anos de 2005 e 2015, no Brasil (OIT, 2017). No entanto, a relação entre trabalho e doença, explica o Conselho Federal de Medicina, não é tão imediata, ou seja, facilmente identificada, como nos casos de acidentes de trabalho. Disso decorre a importância da identificação do nexo entre adoecimento e uma dada condição de trabalho. Acompanhe, no Infográfico a seguir, diferentes tipos de adoecimentos causados pelo trabalho. CONTEÚDO DO LIVRO As doenças ocupacionais são ainda piores do que os acidentes de trabalho, pois resultam de riscos não tratados existentes no ambiente de trabalho, muitas vezes da falta de consciência dos riscos por partedo próprio trabalhador. A alternativa para evitar ou minimizar as enfermidades é a prevenção e a conscientização dos trabalhadores. Acompanhe um trecho da obra Técnico em segurança do trabalho, base teórica desta Unidade de Aprendizagem. Boa leitura! Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094 R741t Rojas, Pablo. Técnico em segurança do trabalho [recurso eletrônico] / Pablo Rojas. – Porto Alegre : Bookman, 2015. Editado como livro impresso em 2015. ISBN 978-85-8260-280-5 1. Segurança do trabalho. I. Título. CDU 331.45 134 Os grandes esforços feitos para melhorar a segurança do trabalhador esbarram no risco aceitável e na predisposição do trabalhador em correr riscos. As empresas precisam aprimorar os limites do risco aceitável, ou seja, elas precisam assumir que a saúde do trabalhador é mais importante do que os seus resultados financeiros e passar a não admitir a possibilidade de ocorrência de doenças ocupacionais em suas instalações. Isso parece fácil, mas não é, uma vez que a grande competitividade econômica leva as empresas a economizar seus recursos e evitar o aumento de seus custos de produção. Como o trabalhador precisa do emprego, ele se dispõe a correr os riscos existentes, consciente ou inconscientemente. A necessidade do salário faz ele seguir rigorosamente as recomendações das empresas, mas nem sempre ele está preparado para exercer a atividade. Dessa forma, ele corre os riscos. PARA SABER MAIS Conheça o relatório da OIT sobre prevenção de doenças profissionais acessando o ambiente virtual de aprendizagem Tekne (www.grupoa.com.br/tekne). As principais doenças ocupacionais A saúde do trabalhador pode ser comprometida por diversos fatores, como idade, gênero ou grupo social. Além disso, o trabalhador pode sofrer prejuízos à saúde em virtude de exposição aos riscos existentes em sua atividade profissional. As doenças ocupacionais mais comuns segundo a classifi- cação do Ministério da Saúde do Brasil são detalhadas a seguir. Para começar Segundo a Organização Internacional do Trabalho (2013), o número de mortes causadas pelas doenças ocupacionais é seis vezes maior do que o número de mortes causadas pelos acidentes de trabalho. Elas representam um enorme custo para os empregadores, para os trabalhadores e suas famílias e para os países, uma vez que correspondem a cerca de 4% do PIB mundial. Té c n ic o e m S e g u ra n ç a d o T ra b a lh o 135 Doenças respiratórias As doenças ocupacionais do sistema respiratório decorrem da inalação de agentes agressores pre- sentes no ambiente de trabalho, como gases, vapores, névoas ou particulados (aerodispersoides). Esses agentes, quando interagem com o organismo do trabalhador, geram uma reação defensiva que provoca alterações em seu sistema respiratório. A seguir, são descritas as principais doenças ocupacionais respiratórias classificadas pelo Ministério da Saúde. Pneumoconioses: São definidas pela OIT como “[...] doenças pulmonares causadas pelo acúmulo de poeiras nos pulmões e reação tissular à presença dessas poeiras.” (ORGANIZAÇÃO INTERNACIO- NAL DO TRABALHO, 2003, p. 5). As poeiras levam ao surgimento de duas doenças pulmonares en- contradas frequentemente em trabalhadores: a) Silicose: Causada pela aspiração de poeira sílica (minério) e aerossóis que contêm mais de 7,5% de sílica cristalina. Pode levar à tuberculose (doença mais grave). b) Asbestose: Ocasionada pela aspiração de poeira de amianto (substância cancerígena) presen- te na fabricação de diversos produtos (cimento amianto, materiais de fricção como pastilhas de freio, materiais de vedação, pisos e produtos têxteis, como mantas e tecidos resistentes ao fogo). Asma ocupacional: Caracteriza-se pela obstrução difusa e aguda das vias aéreas, de caráter re- versível, causada pela inalação de poeiras de substâncias alergênicas, presentes nos ambientes de trabalho (algodão, linho, borracha, couro, sílica, madeira vermelha, etc.). Lesão por esforço repetitivo A lesão por esforço repetitivo (LER) é constituída por um conjunto de síndromes (quadros clínicos, patologias, doenças) que atacam os nervos, músculos e tendões (juntos ou separadamente). Ela é proveniente de atividades em que o trabalhador necessita realizar grande esforço físico, adota uma má postura ou uma postura incorreta durante o trabalho ou ainda quando ocorre compressão mecânica constante das estruturas dos membros. A LER pode ter origem em atividades físicas, es- portivas ou domésticas. CURIOSIDADE A LER é uma síndrome relatada desde 1700, quando Ramazzini, o pai da medicina do trabalho, a descreveu como a “doença dos escribas e notórios”. Mais tarde aparece como “doença das tecelãs” (1920) ou “doença das lavadeiras” (1965). O problema se amplia a partir de 1980, quando atinge várias profissões que envolvem movimentos repetitivos ou grande mobilização postural. Té c n ic o e m S e g u ra n ç a d o T ra b a lh o 136 Distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho Distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho (DORT) é o conjunto de afecções musculares, de ten- dões e ligamentos que atingem os membros superiores em torno do ombro e região cervical em virtu- de do uso repetido dos músculos ou de postura inadequada durante a execução das atividades profis- sionais. A DORT provém somente de atividades laborais. A LER e o DORT possuem os mesmos sintomas e provocam exatamente as mesmas consequências – tendinites, tenossinovites, bursites, epicondilites, síndromes compressivas de nervos periféricos, contratura de Dupuytren (contratura de fascia palmar). Figura 9.1 Exemplos de lesões ocupacionais: bursite e tendinite. Fonte: Hemera/Thinkstock e iStock/Thinkstock. Perda auditiva induzida pelo ruído ocupacional A perda auditiva induzida pelo ruído ocupacional (PAIR) manifesta-se pela diminuição gradual da audição decorrente de exposição contínua a níveis elevados de ruído. A perda é irreversível, pois decorre de dano causado às células do órgão de Corti da orelha interna. A perda auditiva pode inclusive vir a prejudicar a fala e o processo de comunicação do trabalhador. Dermatoses ocupacionais As dermatoses são ocorrências difíceis de ser diagnosticadas que podem ser provocadas por agen- tes biológicos (ofídios, vírus, bactérias, fungos artrópodes, leveduras, animais terrestres e aquáti- cos, tecidos e secreções orgânicas, helmintos, protozoários, etc.), físicos (temperatura, eletricidade, radiações) e mecânicos (atrito, traumas, pressão, vibrações, micro-ondas). As dermatoses em geral se manifestam de duas formas: Dermatite irritativa de contato: Provocada pelo manuseio de detergentes, solventes orgânicos e inorgânicos, resinas, óleos de corte e outros produtos. Dermatite alérgica de contato: Provocada pelo contato com borracha e seus aditivos, cromatos, resinas, metais, plásticos, tintas e pigmentos, madeiras. c a p ít u lo 9 D o e n ç a s o c u p a c io n a is 137 Distúrbios neurológicos Existem inúmeras substâncias químicas capazes de gerar distúrbios neurológicos utilizadas nos diversos tipos de indústrias (comestíveis, cosméticos, construção civil, eletroeletrônicos, automo- bilísticas), e nas empresas de serviços, como nos hospitais. Também são encontradas substâncias químicas em grande quantidade nas atividades agrícolas e domésticas. No contexto da medicina do trabalho, os distúrbios neurológicos podem ser provocados por to- xinas presentes no ambiente de trabalho, como solventes orgânicos (tolueno e hidrocarbonetos clorados), por metais (chumbo e manganês) e por pesticidas. De acordo com a Classificação Internacional de Doenças - Décima Revisão (CID-10), em seu Capí- tulo VI, as doenças do sistema nervoso são classificadas pelos códigos G00 a G99, e muitas delas se originam por conta das atividades laborais (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2008). Doenças relacionadas ao estresse Diversas doenças se desenvolvem quando oestresse no trabalho se torna insuportável para o tra- balhador. Geralmente o estresse no local de trabalho acontece em virtude de pressão exercida pelo alcance de metas e pelo cumprimento de prazos, além de outros motivos que geram demanda mental do trabalhador. O estresse gera diversos distúrbios psíquicos, como irritabilidade, fadiga, medo de acidente, de assalto e de desemprego, sonolência, ansiedade, depressão, tensão, distúr- bios do sono. A Organização Mundial da Saúde (OMS) (1946) estabelece que a saúde “[...] é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não consiste apenas na ausência de doença ou de enfermidade.” As condições de saúde podem ser interpretadas de acordo com a cultura, a religião, os costumes, os padrões de vida e o nível de desenvolvimento da sociedade. A melho- ria sempre é bem-vinda. Prevenção de doenças ocupacionais A prevenção de doenças ocupacionais passa historicamente pela medicina do trabalho. A respon- sabilidade da medicina do trabalho sobre a saúde do trabalhador restringe-se ao horário em que ele está trabalhando (MENDES; DIAS, 1991) e, por isso, ela é responsável pela recomendação de implementação de ações preventivas contra os riscos à saúde do trabalhador. Infelizmente, na maioria das empresas, a área de medicina do trabalho limita-se apenas a realizar os exames admissionais, periódicos e demissionais, e existe um “faz de conta” por trás desses exa- mes, com a única finalidade de salvaguardar as empresas contra as ações trabalhistas que serão ATENÇÃO A maioria das dermatoses é causada por substâncias químicas presentes nos locais de trabalho. ATENÇÃO PARA SABER MAIS Conheça mais sobre doenças relacionadas ao trabalho no Manual de Procedimentos para os Serviços de Saúde, desenvolvido pelo Ministério da Saúde e disponível no ambiente virtual de aprendizagem Tekne. 138 movidas pelos trabalhadores no caso de contraírem alguma doença profissional. As empresas sa- bem que o investimento em prevenção custa bastante e preferem correr “riscos calculados”, apli- cando seus recursos em alternativas, como a automação de atividades, com consequente aumento da produtividade e dos ganhos. O processo de reeducação do trabalhador se dá por meio de treinamentos oferecidos pela empre- sa, nos quais ele desenvolva o senso crítico e passe a questionar tudo o que pode ser prejudicial a ele no ambiente profissional. O processo de mudança de cultura na empresa precisa acontecer a partir do entendimento dos aspectos estratégicos e das metas, de forma que o pensamento da gestão e dos trabalhadores esteja alinhado para alcançar resultados sustentáveis. Ações preventivas Os capítulos anteriores apresentaram as diversas normas regulamentadoras e as responsabilida- des por elas estabelecidas, mas é importante tratar das ações preventivas, uma vez que, segundo Gomez e Costa (1997), a saúde ocupacional ainda não é considerada uma prioridade em grande parte das empresas. A seguir, são mostrados exemplos de ações preventivas a serem aperfeiçoadas pelas empresas. Melhoria dos processos de gestão dos programas de saúde e segurança do trabalho da em- presa: Pode ser feita por meio de indicadores, mas eles só indicam os resultados obtidos. A melhor forma de melhorar tais processos é pela antecipação de ocorrências: ou seja, trabalhar sempre na busca de melhorias, sem esperar que ocorrências provoquem ações corretivas. Isso exige pessoas capacitadas para trabalhos em prevenção e antecipação de riscos. Diminuição dos prazos de realização dos exames periódicos: Os trabalhadores estão constan- temente sujeitos aos efeitos de suas atividades e do meio em que as realizam. A redução do tempo de realização dos exames periódicos exigidos para o exercício das atividades proporcionaria aos médicos do trabalho a oportunidade de interferir com maior prontidão em possíveis constatações de problemas relacionados à saúde do trabalhador. Os médicos poderiam, ainda, sem prejuízo dos exames obrigatórios, adicionar novos exames que possam servir de amparo para suas decisões. Acompanhamento do trabalhador em tratamento médico: O trabalhador que contrai uma das inúmeras doenças profissionais precisa do amparo da empresa, pois foi ali que ele contraiu a doença. O acompanhamento pelo serviço de medicina ocupacional da empresa, pelo serviço de assistência social e pelo próprio líder ou gestor mostra que o trabalhador é importante para a empresa, e não somente um instrumento para o alcance de metas. Assim, os demais trabalhadores entendem que as recomendações sobre saúde e segurança do trabalho têm o objetivo de protegê- los, e não só garantir os interesses da empresa. DICA Os canais de comunicação interna podem e devem ser utilizados para conscientizar os trabalhadores sobre os riscos existentes e sobre as ações e campanhas de prevenção desenvolvidas pela empresa, bem como para motivá-los a participar dessas ações. IMPORTANTE O trabalhador deve receber informações sobre os resultados das avaliações e ser orientado sobre constatações feitas a partir dos exames realizados. Ele também deve ser orientado pela área de saúde do trabalho a procurar orientação médica caso note a manifestação de sintomas como cansaço muscular nos braços ou nas pernas, dores, dormências, inchaços e outras alterações. IMPORTANTE IMPORTANTE A mudança da forma de pensar dos trabalhadores e das empresas é essencial para que a saúde do trabalhador ocupe lugar de destaque entre as prioridades empresariais. Para que sejam validadas, tais mudanças devem fazer parte de uma mudança de cultura (ou do aperfeiçoamento da cultura organizacional da empresa) e da reeducação do trabalhador. IMPORTANTE 139 Realização de campanhas de vacinação: Embora previstas, as campanhas de vacinação nem sempre são realizadas. A solução para isso seria transformar essas campanhas em eventos nos quais o trabalhador contribuiria de alguma forma com ideias e maneiras de realizá-las. A criação de cronogramas de vacinação individual e de grupos deve ser objeto dessa providência, pois o serviço de medicina do trabalho convocaria os trabalhadores para vacinação individual ou em massa. Reeducação do trabalhador para a prevenção de doenças: A reeducação do trabalhador é um fator de sucesso quando se pretende mudar uma situação, programar um novo processo produtivo ou aperfeiçoar algum sistema já existente. Ela parte do princípio de que o trabalhador já possui di- versos conhecimentos e experiências e, portanto, de nada adianta ficar insistindo em treinamentos e reciclagens padronizadas, muitas vezes aplicados há diversos anos. Realizar palestras sobre saúde e segurança, além de treinamentos específicos ministrados por profissionais capacitados, é uma das soluções que tem contribuído muito para a reeducação do trabalhador. DICA A reeducação do trabalhador deve ser feita por meio de abordagens diferentes das realizadas no passado. É interessante trazer novas ideias para dentro da empresa, e a contratação de empresas especializadas pode ser uma boa solução. Utilização de mídias e recursos visuais: As mídias e os recursos visuais são extremamente im- portantes nos processos de prevenção. O técnico em segurança do trabalho conhece essas mídias e recursos visuais, mas o ideal é que esses recursos sejam usados por publicitários, que saberão transmitir as mensagens de forma que sejam compreendidas por todos os trabalhadores, indepen- dentemente do seu nível de instrução. Disponibilização de serviços odontológicos: Apesar de os serviços odontológicos serem conside- rados complementares aos serviços de medicina do trabalho, já foi comprovado que o trabalhador que não possui saúde bucal adequada produz menos e tem menor nível de confiança e amor-próprio. Os serviços odontológicos devem propiciar ao trabalhador uma reeducação quanto à higiene bucal e à saúde de gengivas e dentes, bem comoconscientizá-lo da importância da aparência física para a confiança e a autoestima. A correção de problemas dentários elimina os riscos de desenvolver conta- minações e infecções decorrentes das substâncias presentes no ambiente de trabalho. Figura 9.2 Ações preventivas: campanhas de vacinação e serviços odontológicos. Fonte: iStock/Thinkstock. c a p ít u lo 9 D o e n ç a s o c u p a c io n a is Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. DICA DO PROFESSOR O diagnóstico de doenças relacionadas ao processo do trabalho pode facilitar a prevenção e a promoção da saúde no ambiente laboral. Dada a dificuldade de estabelecermos nexo entre determinada doença e o ambiente/processo laboral, é importante que você conheça de que forma a natureza de uma doença dermatológica ou parasitária, por exemplo, é interpretada no escopo do contexto ou do processo de trabalho. Acompanhe, a seguir, na Dica do Professor, a caraterização de doenças relacionadas ao trabalho. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Qual doença se refere a uma doença respiratória relacionada ao trabalho? A) Asbestose. B) Sinusite. C) Amidalite. D) Pneumonia. E) Pneumococos. 2) Qual situação não é um agente causador de lesão por esforço repetitivo? A) Má postura. B) Regulagem de cadeiras. C) Grande mobilização postural. D) Compressão mecânica constante das estruturas dos membros. E) Realização de grandes esforços físicos. 3) As dermatoses ocupacionais não são ocasionadas por: A) Bactérias. B) Microondas. C) Ruído. D) Atrito. E) Solvente. 4) Qual agente pode causar distúrbios neurológicos relacionados ao trabalho? A) Exposição à umidade. B) Realização de esforços repetitivos. C) Utilização de detergentes enzimáticos. D) Aplicação de pesticidas. E) Exposição a temperaturas extremas. 5) Qual sintoma não está relacionado ao estresse? A) Sonolência. B) Fadiga. C) Medo. D) Irritabilidade. E) Degeneração óssea. NA PRÁTICA Dentro das empresas, o SESMT será o responsável por identificar as situações que trazem risco à saúde dos trabalhadores, objetivando controlá-las, neutralizá-las ou eliminá-las com ações preventivas. Um exemplo disso pode ser uma fábrica de copos com um grande índice de lesão por esforço repetitivo (LER) dos funcionários que verificam falhas nos copos de vidro. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: A importância da ginástica laboral na prevenção de doenças ocupacionais O objetivo deste estudo foi verificar, através de revisão bibliográfica, a importância da Ginástica Laboral na prevenção de doenças ocupacionais. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Caracterização das doenças profissionais na atividade de construção civil de Santa Maria- RS a indústria da construção civil tem procurado adotar novas posturas sócio-organizacionais, melhorando seus processos, organização e gestão do trabalho. Saiba mais sobre essa pesquisa acessando o link. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Trabalho e morbidade comum em indústria de celulose e papel: um perfil segundo setor Este artigo objetiva identificar as associações das morbidades comuns e dos acidentes de trabalho com setor, descrevendo as cargas de trabalho e realizando um amplo controle de fatores de confusão. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! O ambiente e as doenças de trabalho em indústrias de artefatos de cerâmica vermelha Esta pesquisa contribuirá, para a melhoria do ambiente de trabalho das empresas, que atuam no ramo de fabricação de cerâmica vermelha, proporcionando assim, qualidade no conforto, segurança e saúde dos seus trabalhadores. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Prevenção de Acidentes do Trabalho e Doenças Ocupacionais Vídeo sobre o I Simpósio de Acidentes do Trabalho e Doenças Ocupacionais do TRT-2. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Síndrome de Burnout APRESENTAÇÃO O mundo das organizações vem sendo impactado pelas rápidas mudanças que ocorrem no mundo, fazendo com que as empresas atuem em um ambiente cada vez mais incerto e dinâmico, marcado pela alta competitividade e pela necessidade de constante adaptação para sua sobrevivência. Nesse cenário, há uma forte exigência e pressão sobre os trabalhadores que necessitam se atualizar continuamente e têm sobre suas costas o peso da responsabilidade pelos resultados positivos das empresas. A síndrome de burnout, descrita por Freudenberger, é um distúrbio psíquico relacionado ao esgotamento profissional acarretado por condições de trabalho desgastantes e em excesso e por conflitos interpessoais nas relações de trabalho. Nesta Unidade de Aprendizagem, você verá o trabalho na contemporaneidade, a síndrome de burnout, suas causas e principais sintomas e como a psicologia organizacional e a gestão de pessoas podem atuar na prevenção das doenças relacionadas ao trabalho. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Descrever o trabalho na contemporaneidade.• Definir a síndrome de burnout, suas causas e principais sintomas.• Identificar como a psicologia organizacional e a gestão de pessoas podem atuar para prevenir o adoecimento relacionado ao trabalho. • DESAFIO O papel da psicologia organizacional é de extrema importância no ambiente laboral, no entanto, muitas empresas ainda não contam com profissionais dessa área em seu quadro funcional. Imagine que você acaba de concluir sua especialização em psicologia organizacional e se candidatou a uma vaga para trabalhar no setor de gestão de pessoas de um hospital. Nessa situação, explique ao chefe do setor as funções que irá desenvolver, caso seja contratado, e sua importância. INFOGRÁFICO Com a crescente pressão sobre as empresas e os trabalhadores e com a complexidade que envolve o trabalho atualmente, torna-se cada vez mais imprescindível monitorar o ambiente de trabalho, visto que é crescente o aumento de doenças relacionadas a ele. Veja, no Infográfico, características do mundo empresarial e o que é exigido dos profissionais na contemporaneidade, bem como o que as pressões e exigências sofridas pelas empresas podem causar no trabalhador. CONTEÚDO DO LIVRO A necessidade de reestruturação do trabalho ocasionada pelas transformações que vêm ocorrendo nos ambientes interno e externo das organizações desperta preocupação em todo o mundo, uma vez que, com as exigências de adaptação cada vez mais complexas, os riscos de os trabalhadores desenvolverem doenças de fundo emocional e psicológico e de se envolverem em acidentes nos ambientes de trabalho vêm aumentando. Partindo da premissa de que saúde e trabalho não se dissociam, é fundamental compreender as organizações na atualidade, a forma como os trabalhadores se veem nesse contexto e como empresa e trabalhador se relacionam, buscando encontrar as melhores práticas de prevenção a esses riscos, pois todas as doenças, sejam físicas ou emocionais, causam consequências negativas para o trabalhador e para as empresas. No capítulo Síndrome de burnout, do livro Qualidade de Vida e Segurança no Trabalho, você verá o trabalho na contemporaneidade, o conceito, as causas e os principais sintomas da síndrome de burnout e como a psicologia organizacional e a gestão de pessoas podem atuar para prevenir o adoecimento relacionado ao trabalho. Boa leitura. QUALIDADE DE VIDA E SEGURANÇA NO TRABALHO Ligia Maria Fonseca Affonso Síndrome de burnout Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Descrever o trabalho na contemporaneidade. Definir a síndrome de burnout, suas causas e principais sintomas. Identificarcomo a psicologia organizacional e a gestão de pessoas podem atuar para prevenir o adoecimento relacionado ao trabalho. Introdução O excesso de trabalho, a falta de reconhecimento pelo trabalho realizado, problemas com a liderança, trabalhos sem significado e ambiente de trabalho instável, somados à grande pressão por qualificação, produtivi- dade e aquisição de novas competências e habilidades, vêm abalando a estabilidade emocional dos trabalhadores, impulsionando o surgimento do estresse e da síndrome de burnout, que, se prolongados, podem gerar outros problemas de saúde, inclusive, a depressão. Neste capítulo, você vai estudar sobre o trabalho na contemporanei- dade, conhecerá o conceito, as causas e os principais sintomas da síndrome de burnout e vai conhecer como a psicologia organizacional e a gestão de pessoas podem atuar para prevenir o adoecimento relacionado ao trabalho. O trabalho na contemporaneidade As transformações pelas quais o mundo vem passando têm provocado mu- danças na vida das pessoas, nas sociedades e no mundo das organizações e do trabalho. No século XVII, com o surgimento da burguesia, que se dedicava ao comércio, o sentido do trabalho começa a ser modifi cado — até então, trabalho era considerado como uma atividade inferior destinada aos escravos. Os avanços científi cos ocorridos nesse período, a transição do feudalismo para o capitalismo e as consequências decorrentes desses eventos fazem o trabalho ser valorizado e se consolidar na sociedade como uma atividade digna e contrária à vida ociosa (ALVIM, 2006). Com a Revolução Industrial, ocorrida entre os séculos XVIII e XIX, as máquinas invadem os processos de produção para aprimorá-los e torná-los mais eficientes, fazendo surgir um modelo de trabalho mecanizado, sem valor afetivo por parte do trabalhador, que passa a ser controlado precisamente pelos burocratas, responsáveis por estabelecer as regras de trabalho no modelo de gestão inspirado nas práticas de Frederick Taylor (TAYLOR, 1995). Esse mo- delo prega a racionalização do trabalho e leva à alienação do trabalhador. Há, consequentemente, uma separação entre a concepção do trabalho e sua execução. Frederick Taylor criou o modelo de administração com base na aplicação de métodos científicos para a solução de problemas. Sua intenção era identificar e controlar os desperdícios nas indústrias, elevando o nível de produção, em menor tempo e com menor custo. A racionalização do trabalho, a especialização do operário e a padroni- zação são algumas características da administração científica de Taylor (SILVA, 2013). Nesse período, há um crescente aumento de produção, o que permite ao comércio ter estoque de mercadorias. Dessa forma, faz-se necessário aumen- tar o número de compradores e, aos poucos, a sociedade do consumo vai se formando e, quanto maior as vendas, maior a necessidade de produção. Esse movimento contribuiu para o aparecimento de mais fábricas em diversas localidades e, com a produção em maior escala, surge a necessidade de con- tratar mais trabalhadores. O impasse da época era como conseguir contratar trabalhadores para uma atividade tão desvalorizada como o trabalho. Pen- sando nisso, os produtores repaginaram o significado histórico e social do trabalho, fazendo com que fosse visto como um ato nobre. Surge o conceito de homo economicus, ou seja, o homem como produtor e consumidor. Esse conceito foi crescendo de tal forma que contagiou as diversas classes sociais, influenciou valores culturais e tornou-se algo mais importante e valorizado que o próprio trabalhador. Nesse sentido, o trabalho era o centro da vida do trabalhador, que ficava confinado nas fábricas, e interferia em suas relações familiares, no lazer e em seus sonhos. O trabalho passa a ser, então, algo essencial para a existência do homem, uma vez que não significa somente Síndrome de burnout2 um meio de sobrevivência, mas, também, um meio de realização pessoal e inserção social, sendo um fator de equilíbrio e desenvolvimento (DEJOURS; DESSORS; DESRIAUX, 1993; NARDI, 2006). O avanço do capitalismo para um modelo mais liberal torna o mercado mais livre e competitivo. Assim, o livre comércio, o mercado globalizado, o avanço da tecnologia e o crescente fluxo de informações levam as organi- zações a enxergar as pessoas como meio para alcançar maior diferencial e competitividade, ou seja, as mudanças no trabalho não param de acontecer, e os modelos de gestão, de evoluir. O surgimento do movimento da qualidade total devolve ao trabalhador a responsabilidade de pensar sobre suas atividades e sobre como exercê-las, superando a antiga separação entre a concepção e a execução do trabalho, fazendo com que o trabalhador volte a criar um vínculo afetivo com as atividades laborais. Dessa forma, o sentido negativo do trabalho vai cedendo lugar a um sentido positivo e valorizado. Cabe destacar que as transformações que vêm ocorrendo no mundo, além de gerarem impactos nas dimensões política, econômica, social, ambiental, tecnológica e cultural, afetam também o mundo das organizações, gerando incertezas, imprevisibilidade e turbulência, exigindo que elas estejam atentas e preparadas para se adaptar a todo tipo de mudanças, adotando novas estratégias e formas de trabalhar para enfrentar o mercado altamente competitivo e encontrar respostas para as exigências que se impõem, garantindo sua sobrevivência. Ou seja, o mercado é dinâmico e está em constante transformação, o que faz com que as organizações convivam permanentemente com a necessidade de adaptação, ajustando ou alterando seus processos, relacionamentos, modelos de gestão, estruturas, cultura, etc. Isso significa que a mudança é cada vez mais presente no cotidiano das organizações, que buscam continuamente adaptar sua estrutura, ressignificando sua cultura e adotando novas dinâmicas que tornam o trabalho mais complexo, gerando maiores ou menores impactos em seus ambientes interno e externo (LIMA; BRESSAN, 2003; OURO, 2005; JONES, 2010; KOTTER, 2013). É importante destacar que a capacidade das organizações de se posicionarem no mercado e de responderem aos seus desafios está diretamente relacionada às pessoas e à forma como elas as estimulam e às suas competências, bem como definem seu organograma e suas formas de funcionamento. Além de fatores como produtividade, iniciativa, criatividade, conhecimento e inovação como diferenciais competitivos, as pessoas passaram a ser vistas como o vetor de criação de valor nas organizações, que, por esse motivo, voltaram seu olhar para o capital humano, considerando-o como seu mais importante ativo intangível, capaz de gerar, ou não, valor e riqueza. Ou seja, os seres humanos assumem maior importância para as empresas, uma vez que serão capazes de aumentar ou diminuir a produtividade, 3Síndrome de burnout de melhorar ou piorar a qualidade de um serviço e, ainda, gerar maior ou menor lucro para as organizações. Dessa forma, as organizações passaram a investir em seu capital humano, utilizando novas ferramentas e estratégias de gestão capazes de potencializar suas competências e valorizá-las. Ou seja, as empresas passaram a se preocupar com a forma de trabalho, pois o fator humano permeia todos os níveis da organização e, sem ele, não se produz o resultado esperado (FERNANDES, 2005; CARBONE, 2000; AFFONSO; ROCHA, 2010). Assim, em uma luta entre o velho e o novo, ou seja, entre os paradigmas da gestão tradicional e os da nova gestão, as organizações passam a buscar novas práticas e estratégias de gestão, como, por exemplo, a descentralização do poder e a administração flexível, e começam a incentivar a criatividade, a inovação e a participação dos trabalhadores nas decisões da empresa e sobre suas atividades, como meio de fazer com que se comprometam e se envolvam com a missão da organização e contribuam para a realização de mudanças e para a obtenção de melhores resultados, ou seja, que para o objetivomaior da empresa, a sua razão de existir. O comprometimento organizacional pode ser entendido como um tipo de vínculo social que o trabalhador estabelece com a organização a partir de um sentimento de afeto e de identificação que estimula um comportamento proativo, de participação, de empenho superior e de defesa da organização (MENEZES, 2009). Nesse sentido, a participação confere maior autonomia ao trabalhador ao mesmo tempo que eleva sua autoestima, pois, permitindo sua participação, a organização valoriza suas ideias, experiências e conhecimento. Essa é uma forma de fazer com que o trabalhador se sinta como parte importante no processo organizacional e se comprometa com os objetivos organizacionais. A participação possibilita, ainda, maior interação entre os trabalhadores, me- lhoria no trabalho em equipe, fortalecimento da comunicação e da cooperação, contribuindo, também, para a construção de um ambiente de trabalho mais saudável e motivador, além de revelador talentos (MOTTA, 1999). Ao adotar modelos de administração mais flexíveis, as organizações esperam dos trabalhadores, dentre outros aspectos, maior versatilidade e responsabilidade; mente aberta às mudanças e aprendizagem contínuas, bem Síndrome de burnout4 como a capacidade de assumir riscos. Dessa forma, as organizações esperam que seus trabalhadores estejam disponíveis para adequar-se rapidamente ao ambiente que se apresenta, impulsionando o surgimento do trabalhador multi- funcional, ou seja, capaz de atuar em diversas funções necessárias ao alcance dos objetivos organizacionais e à preservação de seu emprego (GAULEJAC, 2007; SENNETT, 2007; BOLTANSKI; CHIAPELLO, 2009). Mas você já parou para refletir como está o mundo do trabalho atualmente? Não podemos falar em trabalho sem falar nas empresas e na forma como elas se estruturam e gerenciam seus recursos e as pessoas. As empresas contemporâneas valorizam sua mão de obra e têm seu foco em seus clientes; são mais ágeis, algu- mas são mais enxutas e exigem de seus funcionários maior conhecimento sobre seus negócios. Ou seja, modelos de gestão e de organização tradicionais não são mais indicados para a gestão na contemporaneidade, apesar de ainda serem uma prática em muitas organizações, principalmente porque o ambiente externo não é mais o mesmo. Os princípios que orientavam as organizações nos anos 1960, como hierarquia, especialização por funções, unidade de comando e amplitude de controle, não se adequam às organizações atuais (GONÇALVES, 1998). As organizações modernas passaram a ser desenhadas com base em prin- cípios como criação de valor, trabalho em equipe, monitoramento dos resulta- dos, coordenação, maior fluxo de comunicação direta, alocação dinâmica de recursos, entre outros, e buscam se adequar às exigências dos novos tempos. Assim, o universo empresarial tem como palavras de ordem “adaptação” e “atualização”, visto que, no mundo globalizado, as mudanças são rápidas e constantes. Assim, as organizações devem trabalhar para criar vantagem com- petitiva, gerando resultados para seu negócio e seus stakeholders, utilizando estratégias adequadas ao negócio (LUSTRI, 2005). Com o ambiente empresarial altamente competitivo e imprevisível, as empresas se veem cada vez mais dependentes de trabalhadores comprome- tidos e preparados. Nesse sentido, devem investir na qualidade de vida no trabalho, na motivação dos funcionários e, sobretudo, em sua qualificação e capacitação, buscando o desenvolvimento de novas competências e habilidades. Isso significa que capacitar a força de trabalho tem sido uma das maiores preocupações das empresas que buscam se manter no mercado e alcançar o sucesso. Desenvolver continuadamente as pessoas em todos os níveis e grupos das empresas é fundamental para que estejam preparadas para os novos e contínuos desafios. Dessa forma, requer-se dos trabalhadores novos conhe- cimentos, novas habilidades e novos comportamentos, desde a compreensão de processos em sua totalidade até a resolução de problemas. 5Síndrome de burnout Competência refere-se ao conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes necessários aos indivíduos para exercer determinada atividade. Foi Durand (1986) quem construiu o conceito de competência com base em três dimensões: Knowledge, Know-How e Attitudes, também conhecidos como CHA. O conhecimento refere-se ao “saber”; habilidade refere-se ao “saber fazer” e atitude refere-se ao “querer fazer” (CARBONE, 2000). Nesse contexto, os trabalhadores vêm sendo cada vez mais cobrados pelas organizações, visto que, para acompanhar as novas exigências que lhes são requeridas, precisam qualificar-se mais, dedicar-se mais e envolver-se com o trabalho que realizam. Dessa forma, o trabalho assume cada vez mais impor- tância e significado na vida dos trabalhadores, visto que estes passam a maior parte de seu tempo nas empresas e menos tempo com suas famílias. Assim, é importante destacar que o trabalho, além de ser um fator de equilíbrio e desenvolvimento pessoal, pode ser também um fator de deterioração física e psíquica (DEJOURS; DESSORS; DESRIAUX, 1993). Síndrome de burnout Você viu que o trabalho, além de ser um meio de sobrevivência, é uma forma de as pessoas se realizarem profi ssionalmente e pessoalmente, além de um meio de reconhecimento e aceitação social. Ou seja, o trabalho é algo fundamental para a existência humana, uma vez que é por meio da remuneração recebida que as necessidades humanas de alimentação, moradia, educação, bem-estar social, entre outras, são satisfeitas. Dessa forma, o trabalho é um elemento crítico que contribui para o autoconceito e para a identidade pessoal (FERREIRA; LUCCA, 2015). Nesse sentido, é importante ter em mente que um trabalho só possui signi- ficado para um indivíduo se gerar algum valor que ele possa perceber, ou seja, se contribui para seu crescimento profissional ou pessoal; se o resultado do trabalho é relevante; se oferece benefícios em relação ao ambiente empresarial, etc. O sentido que o indivíduo dá a seu trabalho, isto é, a forma como ele trabalha e o que produz com seu trabalho, afeta-o diretamente, não somente no ambiente de trabalho, mas fora dele também, gerando impacto sobre seu pensamento, liberdade, consciência, comportamento e independência. Isso significa que um trabalho que não gera qualquer interesse no trabalhador e Síndrome de burnout6 acontece em um ambiente insignificante contribui para torná-lo entediante, absurdo e sem sentido (MORIN, 2001; RONCHI, 2010). Estudos sobre motivação (BERGAMINI, 2008; VERGARA, 2010) têm revelado que o significado do trabalho é fonte de motivação para alguns trabalhadores, enquanto para outros vem enfraquecendo-se, tendo seu valor limitado às vantagens econômicas por ele geradas e à necessidade de sobre- vivência. Pesquisas apontam que, no Brasil, mais de 50% dos trabalhadores formais andam insatisfeitos com seu trabalho. Dentre as principais causas, estão a falta de reconhecimento e valorização do trabalhador, conflito entre os valores e objetivos pessoais e organizacionais, problemas de liderança, remuneração incompatível com o esforço empreendido, ambiente de trabalho desfavorável, sobrecarga de trabalho, entre outros (DINO, 2018). Essa insatisfação no trabalho é algo preocupante e precisa ser investigado, uma vez que pode gerar consequências negativas na vida do trabalhador, como, por exemplo, diversas doenças de fundo emocional e psicológico, como estresse, burnout e depressão, que, por sua vez, impactam diretamente nos resultados da empresa, visto que geram desmotivação, baixo desempenho do trabalhador e, consequentemente, baixa produtividade, alta rotatividade, absenteísmo, violência no local de trabalho, entre outras (QUICK et al., 1997). O estresse organizacional é considerado como um dos riscos mais sérios ao bem-estar psicossocial do indivíduo e é uma fonte constante de preocupação, pois coloca em risco a saúde dos trabalhadores deuma organização, ambiente no qual 50 a 80% de todas as suas doenças é de fundo psicossomático ou estão relacionadas ao estresse. São muitas as reações fisiológicas, emocionais e comportamentais associadas ao estresse, como doenças do coração e hiperten- são, relacionadas à quantidade de estresse sofrido pelo indivíduo; ansiedade, baixa autoestima, depressão; insatisfação com o trabalho, baixo desempenho e violência no local de trabalho (PELLETIER, 1984; QUICK et al., 1997). A depressão refere-se a um conjunto de manifestações que levam a neces- sidade de isolamento, desânimo, ansiedade, insônia, tristeza, angústia, medo, vontade de chorar, entre outros. É uma doença que pode manifestar-se em dife- rentes momentos da vida de uma pessoa e pode ser considerada um problema de saúde pública, uma vez que causa grande sofrimento e altas taxas de suicídio. É, além disso, um dos principais motivos de afastamento do trabalho (OMS, 1993). O termo burnout traduzido do inglês significa queimar lentamente, até o fim, e tem relação com o desgaste emocional que impacta nos aspectos físicos e emocionais do indivíduo. A síndrome de burnout foi descrita por Freudenberger (1974) como um distúrbio psíquico relacionado ao esgotamento profissional acarretado por condições de trabalho desgastantes e em excesso 7Síndrome de burnout e por conflitos interpessoais com os colegas de trabalho e demais pessoas envolvidas nele (ROSSI et al., 2010). É uma síndrome considerada no mundo organizacional como um grande problema e responsável, dentre outras coisas, pela diminuição do interesse em trabalhar. Assim, burnout é um termo utilizado quando o desgaste emocional está correlacionado com a atividade ou com o ambiente de trabalho (MERZEL, 2019). Freudenberger foi um psicólogo alemão e um dos pioneiros na descoberta dos sintomas de esgotamento profissional, tendo se aprofundado nos estudos sobre a síndrome de burnout (ROSSI et al., 2010). Burnout é uma síndrome psicológica que envolve uma reação prolongada à tensão emocional crônica e que se dá em três dimensões, cujas reações são exaustão devastadora, sensação de ceticismo e desligamento do trabalho, sensação de ineficácia e falta de realização. Veja um pouco mais sobre essas dimensões a seguir (LEITER; MASLACH, 2005). Dimensão da exaustão: os trabalhadores sentem-se esgotados, sem energia e reclamam de estarem sobrecarregados de trabalho. Essa exaus- tão tem como fontes principais a sobrecarga de trabalho e o conflito pessoal no trabalho. Dimensão do ceticismo: refere-se à sensação negativa e insensível aos diversos aspectos do trabalho. Normalmente, desenvolve-se como uma resposta à sobrecarga de exaustão emocional, ou seja, atua como uma proteção emocional. Diante da carga excessiva de trabalho, o trabalhador começa a se retrair e a reduzir o que está fazendo. Esse desligamento do trabalho pode incorrer na perda do idealismo e na desumanização dos outros, ou seja, com o passar do tempo, essa proteção e a diminuição do trabalho se transformam em uma reação negativa do trabalhador em relação às pessoas e ao trabalho. Conforme o ceticismo vai se de- senvolvendo, o trabalhador vai deixando de fazer o melhor para fazer o mínimo, isto é, diminui o tempo que passa no trabalho e o esforço e a dedicação a ele. Com isso, o desempenho cai e o trabalhador acaba fazendo o mínimo para garantir seu salário. Síndrome de burnout8 Dimensão da ineficácia: refere-se ao sentimento de incompetência, de falta de realização profissional e de produtividade no trabalho. Esse sentimento é disparado pela falta de recursos para a execução do trabalho e pela falta de apoio social e de oportunidades para se desenvolver profissionalmente. Os indivíduos que vivenciam essa dimensão do burnout sentem-se como se tivessem cometido um erro na escolha de sua carreira e passam a se autocriticar e a ter uma ideia negativa de si mesmo e dos outros. Mas qual será o perfil de pessoas com maior probabilidade de sofrer de burnout? Na verdade, estudos sobre esse aspecto não apresentaram resultados relevantes, apenas sugestões de tendências. A doença tende a se desenvolver em pessoas com baixa autoestima, baixos níveis de resistência, comportamento de risco e que apresentam traços de ansiedade, hostilidade, depressão, insegurança e vulnerabilidade, ou seja, aspectos relacionados ao neuroticismo. O neuroticismo é um dos cinco traços da teoria dos traços que constituem a persona- lidade de um indivíduo e refere-se ao nível crônico de desajustamento e instabilidade emocional. Os demais traços são a extroversão, a abertura para experiência, a amabi- lidade e a consciência (PERVIN; JOHN, 2013). Essas pessoas encaram as situações estressantes de forma passiva e defen- siva e são emocionalmente instáveis e passíveis de distresse psicológico, ou seja, são pessoas que correm maior risco de desenvolver a síndrome de burnout. Distresse é um termo das áreas de psicologia e psiquiatria relacionado ao estresse excessivo, ou seja, aquele em maior nível, capaz de causar sofrimento e prejudicar a saúde e, consequentemente, outras dimensões da vida pessoal e profissional. O eustresse, por sua vez, refere-se a um estresse bom e que ajuda as pessoas a reagi- rem positivamente diante de desafios e mudanças; é um tipo de estresse que leva o organismo a produzir adrenalina, dando à pessoa ânimo e energia (FARO, 2015). 9Síndrome de burnout Os sintomas da síndrome de burnout podem ser físicos ou psíquicos, como, por exemplo, dores no corpo, cansaço, desânimo, apatia, desinteresse, irritabilidade, alterações no sono e no apetite, além de tristeza excessiva. É importante destacar que a síndrome foi identificada no mundo do trabalho, mais precisamente nas áreas de assistência, como saúde, saúde mental, assistência social, sistema judiciário penal, profissões religiosas, de aconselhamento e no ensino. Nessas áreas de atuação, a necessidade dos outros é colocada em primeiro lugar, e isso exige muito trabalho, abnegação, contato pessoal e emocional intenso e fazer o que for preciso para ajudar o outro. Assim, pro- fissionais da área de saúde, professores e policiais possuem grande propensão a desenvolver a síndrome (LEITER; MASLACH, 2005; MERZEL, 2019). A síndrome de burnout é muitas vezes confundida com estresse, o que pode dever-se ao fato de que os sintomas do estresse estão presentes nessa síndrome (MERZEL, 2019). Outro aspecto que deve ser destacado é que o problema que causa a síndrome não surge em decorrência de falha pessoal, e, sim, da falta de afinidade do indivíduo com aspectos de seu trabalho, como, por exemplo, sobrecarga de trabalho, falta de controle, recompensas insuficientes, ruptura na comunidade, falta de justiça e conflitos de valor. Dessa forma, o acúmulo de atividades e de responsabilidades, bem como o alto nível de exigências e pressões por parte das empresas, pode desencadear os primeiros sintomas da síndrome. Nesse contexto, três aspectos principais se manifestam: o esgotamento físico e mental; uma sensação de impotência e a falta de expectativas. Cabe destacar que, quanto maior for a incompatibilidade entre o traba- lhador e seu trabalho, maior é a probabilidade de desenvolver burnout. Por outro lado, quanto menor for essa incompatibilidade, maior será o nível de comprometimento com o trabalho (ROSSI et al., 2010). Vamos ver um pouco mais sobre algumas incompatibilidades? Sobrecarga de trabalho: é um dos principais preditores da dimensão exaustão do burnout. O trabalhador sente que tem muito trabalho a realizar e pouco tempo e recursos para isso. Pessoas com sobrecarga de trabalho normalmente também sentem um desequilíbrio entre tal Síndrome de burnout10 sobrecarga de trabalho e a vida pessoal, uma vez que, muitas vezes, acabam sacrificando momentos em família para concluir o trabalho. Falta de controle: o trabalhador não tem controle sobre diversos as- pectos que podem interferir no trabalho,como, por exemplo, demissão, mudanças na gerência, enxugamento do quadro funcional, necessidade de trabalhar fora da empresa, de viajar, de trabalhar fora do horário de expediente, etc. Essas situações causam impactos significativos sobre os níveis de estresse e burnout. Recompensas insuficientes: o trabalhador acredita que não está sendo adequadamente recompensado pelo trabalho exercido e pelo desempe- nho apresentado. Isso se refere não somente ao salário e aos benefícios recebidos, mas também ao reconhecimento pela qualidade do trabalho e o esforço empreendido para a sua realização. O reconhecimento positivo sobre o trabalho realizado é fundamental para prevenir o bunout. Ruptura na comunidade: refere-se às relações entre as pessoas no ambiente de trabalho, como a falta de apoio e confiança e conflitos não resolvidos. A quebra do senso de comunidade gera hostilidade e concorrência, dificultando a resolução dos conflitos, o que eleva os níveis de estresse e burnout, dificultando a realização do trabalho. Falta de justiça: refere-se à falta de justiça e igualdade no local de trabalho, situações que levam a raiva e hostilidade, fazendo com que o trabalhador se sinta tratado com desrespeito. Conflitos de valor: acontece quando há uma incompatibilidade entre os valores da empresa e os valores pessoais. Ou seja, há um conflito, por exemplo, entre o que o trabalhador quer fazer e o que ele tem que fazer. Ou seja, o trabalhador precisa agir de uma forma com a qual não concorda para realizar o trabalho, havendo, assim, um conflito de valores. Além disso, a síndrome é preocupante porque pode gerar custos não só para os funcionários, mas também para as empresas. Muitas vezes, os gerentes não dão a devida importância para os sintomas de estresse e esgotamento apresen- tados pelo trabalhador. De modo geral, ao identificar tais sintomas, os gerentes pensam que se trata de um dia ruim na vida do trabalhador, considerando que esse é um problema seu, e não da empresa. Muitas pesquisas revelam que o estresse no trabalho indica uma piora no desempenho do trabalhador, proble- mas nos relacionamentos com a família e de saúde. Por exemplo, o auge da síndrome pode causar uma crise física e emocional que, muitas vezes, requer um atendimento médico com intervenção medicamentosa e psicoterapia. Um funcionário com burnout apresenta padrões mínimos de trabalho, passa a ter 11Síndrome de burnout um desempenho bem abaixo da média e queda na qualidade da produtividade. Além disso, comete mais erros, torna-se menos cuidadoso e apresenta baixo nível de criatividade na resolução de problemas, aspectos que podem gerar altos custos para as empresas (ROSSI et al., 2010; MERZEL, 2019). Apesar de a síndrome de burnout ter sido identificada em atividades relacionadas à assistência, ao aconselhamento e ao ensino, sua aplicação pode tornar-se importante em outras esferas da vida, como, por exemplo, na família, para analisar a relação entre pais e filhos e entre pessoas que formam um casal (PROCACCINI; KIEFABER, 1983). Psicologia organizacional e gestão de pessoas na prevenção de doenças do trabalho O mundo do trabalho está cada vez mais dinâmico e complexo, impactando na forma como as pessoas realizam seu trabalho, lidam com ele e se relacionam com as pessoas nesse ambiente. É claro que tantas mudanças não deixariam o mundo do trabalho de fora, que é um refl exo da vida do homem e acompanha a sua evolução. Você já sabe que as pessoas, atualmente, passam a maior parte de seus dias dentro das empresas onde trabalham, envoltas em processos variados que lhes permitem executar suas tarefas e contribuir para o alcance dos objetivos da empresa. Você já parou para pensar no quanto esse ambiente é complexo e quanta diversidade é possível encontrar nele? Pessoas, valores, crenças, for- mação, pensamentos, experiências, vivências, conhecimentos, habilidades, conhecimentos, todos diferentes uns dos outros. Assim, é natural encontrar nesses ambientes problemas e confl itos que precisam ser tratados e solucionados. Dessa forma, as empresas necessitam de profissionais preparados para encarar toda essa complexidade e lidar cuidadosamente com as pessoas, os pro- blemas e conflitos, permitindo que os profissionais se desenvolvam e exerçam suas atividades em um ambiente harmonioso de trabalho. Você também já sabe que as pessoas são o ativo mais importante das empresas, uma vez que são as responsáveis por ajudá-las a alcançar seus objetivos, ou seja, são responsáveis pelo aumento ou pela diminuição da produtividade, por melhorar ou piorar a qualidade dos serviços ou produtos e por gerar maior ou menor lucro. Dessa Síndrome de burnout12 forma, entendemos que não basta uma ótima estrutura, recursos materiais e tecnológicos necessários se as empresas não puderem contar com profissionais qualificados e comprometidos. Assim, é preciso que essas empresas cuidem dessas pessoas, entendendo-as nesse universo e compreendendo os aspectos relacionados à sua atuação no ambiente de trabalho. A psicologia organizacional tem como objetivo estudar o indivíduo na organização e a influência desta no indivíduo. Nesse contexto, além de es- tudar a estrutura formal e informal das empresas, estuda seus processos de recrutamento e seleção, a forma como recompensam seus trabalhadores pelos serviços executados, como estimulam a motivação nos trabalhadores, como esses se relacionam socialmente neste ambiente e como seu pensamento, seus sentimentos e comportamentos são influenciados pela empresa, entre outros aspectos (FURNHAM, 2001). A gestão de pessoas, por sua vez, tem como responsabilidade coordenar e equilibrar os interesses pessoais e organizacionais, com vistas a manter na orga- nização funcionários motivados, qualificados, produtivos e comprometidos com os objetivos da organização. Nesse contexto, o psicólogo organizacional tem como principal função ocupar-se com a saúde emocional e psicológica do trabalhador. Mas quais são as funções da gestão de pessoas nas organizações? Vamos ver algumas delas a seguir (GIL, 2006). Agregar pessoas: diz respeito a adotar políticas eficazes de atração e retenção do capital humano, ou seja, atrair, selecionar e integrar novos funcionários. Aplicar pessoas: significa que, além de descrever cargos e suas funções, deve-se adequá-los às estratégias da organização, avaliar o desempenho dos funcionários, viabilizar o plano de carreiras e disseminar a cultura organizacional. Recompensar pessoas: refere-se a elaborar uma boa política de remu- neração e recompensar e reconhecer o trabalho realizado. Desenvolver pessoas: refere-se a capacitar e desenvolver os profissionais por meio de programas de desenvolvimento, de gestão de mudança e de comunicação interna, de forma contínua, alinhando-os aos perfis individuais de competência e às demandas da organização. Manter pessoas: refere-se a criar e manter um bom clima e cultura orga- nizacional, gerir programas de saúde, segurança do trabalho, higiene e qualidade de vida. Isso significa que um ambiente satisfatório e seguro é fundamental para a realização do trabalho. 13Síndrome de burnout Monitorar pessoas: refere-se ao acompanhamento e à gestão de pessoas por meio de resultados, o que pode ser operacionalizado por meio de reuniões periódicas com os envolvidos, buscando a análise do desen- volvimento do trabalho e dos resultados alcançados. Todas essas funções são imprescindíveis para o sucesso da gestão de pessoas e para que o setor possa atender às exigências do cenário organizacional con- temporâneo. São funções importantes também para prevenir o adoecimento no trabalho. Nesse contexto, o psicólogo organizacional participa atuando também: nos processos de recrutamento e seleção; no treinamento e no desenvolvimento dos trabalhadores; na avaliação de desempenho; no desenvolvimento de líderes e equipes; no aconselhamento de carreira; nodiagnóstico de problemas; na formulação de programas de qualidade de vida no trabalho; na identificação de doenças e acidentes de trabalho e suas causas. O importante é que essas e outras tantas funções da gestão de pessoas, em conjunto com a psicologia organizacional, permitam a criação de condições necessárias para que as pessoas desenvolvam competências e habilidades necessárias à realização de seu trabalho, tornando-se mais eficientes, eficazes, participativas, satisfeitas e realizadas no ambiente profissional, com menor índice de doenças e acidentes de trabalho (TEIXEIRA et al., 2010). Os problemas emocionais e psíquicos relacionados ao trabalho, como, por exemplo, o estresse e o burnout, acabam desencadeando outras doenças, cau- sando sintomas como dores no corpo, cansaço, desânimo, apatia, desinteresse, irritabilidade, alterações no sono e no apetite, tristeza excessiva, entre outras. Esses problemas e outras doenças relacionadas ao trabalho geram prejuízos não só aos trabalhadores, mas às empresas, acarretando problemas como absenteísmo (falta ao trabalho), alta rotatividade (grande fluxo de entrada e saída de profissionais na empresa), afastamento por doenças, conflitos inter- pessoais, acidentes de trabalho, e outros (ROSSI et al., 2010). Não existe receita pronta para resolver o problema das doenças do trabalho. Cada organização é única e conta com estruturas e processos diferenciados. No caso de identificação de estresse e burnout, por exemplo, é preciso avaliar os seus impactos e consequências na saúde do trabalhador e nos resultados da organização, com a participação dos gestores de pessoas, psicólogos, médicos do trabalho, entre Síndrome de burnout14 outros, pois, para cada caso, haverá uma solução ou ação específica que deve ser buscada com a participação do trabalhador envolvido (ROSSI et al., 2010). Além de todas as ações apresentadas, deve ser dada uma atenção maior ao comportamento e ao desempenho do trabalhador, ou seja, a como ele está se relacionando com seu líder, com seus colegas e seus clientes; se a sua relação com os outros é respeitosa; se está conseguindo executar suas atividades diárias dentro do prazo estabelecido; se cumpre normalmente seu horário de trabalho; se participa com contribuições significativas nas reuniões com seu líder e equipe; se consegue atingir as metas estabelecidas, entre outros. Cabe destacar que, se a empresa cobra tanto do profissional, deve estar atenta a esses e outros aspectos. Por sua vez, é preciso avaliar se a empresa oferece boas condições de trabalho e disponibiliza os recursos necessários para a sua realização; como ela remunera, recompensa e valoriza seus trabalhadores; se as metas estabelecidas para os trabalhadores são factíveis; se o trabalho é significativo para o trabalhador e se este possui autonomia e responsabilidade para sua execução; se a empresa investe e estimula relações pessoais saudáveis; se gerencia os níveis de estresse no ambiente de trabalho; se a comunicação com os trabalhadores é clara e transparente, etc. (ROSSI et al., 2010). Assim, podemos concluir que a manutenção da saúde do trabalhador dentro da empresa é fundamental, pois, além de oferecer ao trabalhador maior qualidade de vida no trabalho, traz para a empresa maior produtividade e obtenção dos resultados esperados, uma vez que trabalho e saúde não se dissociam. Nesse sentido, o psicó- logo organizacional atua na prevenção de adoecimentos relacionados ao trabalho. AFFONSO, L. M. F.; ROCHA, H. M. Fatores organizacionais que geram insatisfação no servidor público e comprometem a qualidade dos serviços prestados. In: SIMPÓSIO DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO E TECNOLOGIA, 7., 2010. Anais [...]. Resende: AEDB, 2010. Disponível em: https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos10/234_SEGeT_Fat_ Organizacionais_c_autores.pdf. Acesso em: 26 fev. 2019. ALVIM, M. B. A relação do homem com o trabalho na contemporaneidade: uma visão crítica fundamentada na gestalt-terapia. Estudos e Pesquisas em Psicologia, Rio de Ja- neiro, v. 6, n. 2, p. 122-130, dez. 2006. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S1808-42812006000200010. Acesso em: 26 fev. 2019. BERGAMINI, C. W. Motivação nas organizações. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2008. BOLTANSKI, l.; CHIAPELLO, E. O novo espírito do capitalismo. 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Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Os modelos de gestão e de organização tradicionais não se encaixam mais em muitas organizações nos dias de hoje, principalmente porque o ambiente externo não é mais o mesmo. Os princípios que orientavam as organizações nos anos 1960 não se adequam às organizações atuais. Nesse sentido, é correto afirmar que é uma característica do trabalho na contemporaneidade: A) a especialização por função. B) a centralização. C) a padronização de processos. D) o monitoramento de resultados. E) a amplitude de controle. 2) Após um período de desvalorização, o trabalho assumiu grande importância passando a representar para as pessoas, além de um meio de sobrevivência, um meio de realização pessoal e de reconhecimento social. As empresas também passaram a se preocupar com a forma de trabalho, pois o fator humano permeia todos os níveis da organização e sem ele não se produz o resultado esperado. Nesse sentido, em uma luta entre os paradigmas da gestão tradicional e os da nova gestão, as organizações passam a buscar novas práticas e estratégias de gestão como: A) participação das pessoas nas decisões sobre suas atividades. B) melhor fluxo de comunicação entre as chefias. C) estímulo a relações formais entre as pessoas. D) capacitação de forma periódica. E) decisões centradas nos níveis mais altos da empresa. 3) Pesquisas apontam que, no Brasil, mais de 50% dos trabalhadores formais andam insatisfeitos com seu trabalho. Essa insatisfação é algo preocupante e precisa ser investigada, uma vez que pode gerar consequências negativas na vida do trabalhador, como, por exemplo, doenças emocionais e psicológicas. Ao distúrbio que envolve uma reação prolongada à tensão emocional crônica damos o nome de: A) ansiedade. B) depressão. C) burnout. D) estresse. E) medo. 4) O burnout é um termo utilizado quando o desgaste emocional está correlacionado com a atividade ou o ambiente de trabalho e que se dá em três dimensões. Quando o trabalhador começa a se retrair e a reduzir o que está fazendo, pode-se dizer que o burnout está acontecedo em que dimensão? A) Estresse. B) Exaustão. C) Conflito. D) Ineficácia. E) Ceticismo. 5) O problema que causa a síndrome de burnout não surge em decorrência de falha pessoal e sim da falta de compatibilidade do indivíduo com aspectos de seu trabalho. O acúmulo de atividades e de responsabilidades, bem como o alto nível de exigências e pressões por parte das empresas podem desencadear os primeiros sintomas da síndrome. Nesse contexto, um dos primeiros sinais que se manifesta é: A) insônia. B) ineficiência. C) falta de expectativa. D) conflito de valor. E) depressão. NA PRÁTICA Pesquisas em torno do tema trabalho revelam que as doenças de ordem emocional ou psíquica desenvolvidas no trabalho acontecem por conta do ambiente e das condições em que o trabalho se dá. No entanto, algumas medidas podem ser tomadas para alterar o ambiente e as condições, reduzindo as doenças. Veja, Na Prática, a história de funcionários que estavam adoecendo no setor de planejamento da Secretaria Municipal de Saúde de um município do estado do Rio de Janeiro e com algumas ações o problema foi contornado. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Síndrome de burnout: as novas formas de trabalho que adoecem Neste artigo, cujo objetivo foi analisar a síndrome de burnout, você verá suas causas, sintomas e a relação da tecnologia nas relações de trabalhos disfuncionais atuais, além de tratamentos disponíveis. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Síndrome de burnout: causas e consequências em diversos profissionais Neste link, você acessa o artigo cujo objetivo foi investigar a síndrome de burnout em profissionais de diversas áreas por meio de revisão bibliográfica exploratória quanti-qualitativa. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Qualidade de vida do trabalho: estresse ocupacional Neste link, você acessa um estudo que teve por objetivo identificar quais são as vantagens dos programas de qualidade de vida no trabalho para empregados e organização. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Acidente de trabalho APRESENTAÇÃO O acidente de trabalho é um evento que ocorre quando houve falha nas medidas preventivas. A Lei n. 8213/91 traz os conceitos de acidente e doença ocupacional, os quais devem ser considerados para caracterizar tais situações. Nesta Unidade de Aprendizagem conheceremos o que é considerado um acidente de trabalho e as consequências de seu acontecimento. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir o que é acidente de trabalho.• Reconhecer as consequências do acidente de trabalho.• Distinguir os diferentes tipos de acidente.• DESAFIO Uma empresa que trabalha com transporte de papelão tem dificuldade de trabalhar a prevenção de acidentes causados por problemas na estrada como os buracos. Recentemente, um caminhoneiro acidentou-se na estrada durante um dia de chuva. Ele relata que não visualizou o buraco que estava cheio de água, passou com a roda dentro, perdeu o controle da direção e tombou o caminhão no acostamento que estava em um nível mais baixo que a pista e em condições precárias. O acidente ocorreu na BR-116, km 483, na cidade de Dom Cavati (MG). De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Federal, o funcionário usava cinto de segurança e dirigia a 80 km/h conforme leitura do tacógrafo. No hospital, foi identificado que o funcionário teve contusões, ficando marcado pelo cinto de segurança na clavícula e na crista ilíaca. Bateu com a cabeça na parte de proteçãodo banco do motorista e na janela, sofrendo alguns cortes causados pelo impacto da cabeça e pela quebra do vidro. Foi identificado que o funcionário não fez uso de álcool, drogas ou outras substâncias psicoativas. O médico de plantão emitiu um atestado solicitando que o funcionário ficasse afastado de suas atividades laborais por sete dias. O motorista relata que teve uma noite de sono tranquila no dia anterior e respeitou as 11 horas de descanso que prevê a legislação, fato que foi confirmado pelo sistema de telemetria que a empresa utiliza para rastrear o caminhão e tacógrafo. INFOGRÁFICO Um acidente de trabalho invariavelmente traz consequências econômicas, políticas e sociais nos aspectos humanos e materiais. Veja no infográfico: CONTEÚDO DO LIVRO Todo trabalhador contratado por uma empresa para prestar serviço continuamente ou por um período determinado está sujeito a riscos que podem levá-lo a sofrer um acidente de trabalho. Esse evento traz diversas consequências negativas ao trabalhador, à empresa e também ao Estado. Acompanhe um trecho da obra Técnico em segurança do trabalho, que abordará as causas do acidente de trabalho e as formas de investigá-las e analisá-las, para buscar suas prevenções. Boa leitura! Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094 R741t Rojas, Pablo. Técnico em segurança do trabalho [recurso eletrônico] / Pablo Rojas. – Porto Alegre : Bookman, 2015. Editado como livro impresso em 2015. ISBN 978-85-8260-280-5 1. Segurança do trabalho. I. Título. CDU 331.45 118 O acidente de trabalho pode ocorrer durante o horário de trabalho – quando o indivíduo está a serviço de uma empresa –, ou mesmo quando se está indo ou vindo do trabalho ou em viagem por motivos profissionais. As empresas, por força da lei e por interesses econômicos, investem na segu- rança do trabalhador, incentivando e patrocinando programas de prevenção de riscos, pois sabem que seus custos (diretos e indiretos), sua imagem e sua competitividade no mercado são afetados na ocorrência desse tipo de acidente. As causas dos acidentes e os estudos e as investigações sobre elas são primordiais para que as em- presas aprimorem seus métodos de gestão e consigam criar barreiras que impeçam sua ocorrência. Entretanto, a maior causa das ocorrências de acidentes de trabalho ainda está relacionada ao ser humano e ao seu comportamento, uma vez que é impossível prever as ações individuais, mesmo quando existem regras e regulamentos que buscam fazê-lo. O acidente de trabalho O acidente de trabalho compreende, além das ocorrências no ambiente de trabalho, as conse- quências geradas pela atividade desempenhada pelo trabalhador, como as doenças decorrentes das condições de trabalho, consideradas doenças profissionais e/ou ocupacionais. As doenças ocupacionais estão previstas no Artigo 20 da Lei nº 8.213/91 e em seus incisos, mas tam- bém existe jurisprudência a respeito de doenças que não constam na lei, mas que já foram conside- radas como tal em virtude das condições de relacionamento direto entre o trabalhador e sua causa (BRASIL, 1991a). A Previdência Social é o órgão governamental incumbido de avaliar os acidentes e as doenças ocupacionais. Para começar O acidente de trabalho é o que de pior pode ocorrer a um trabalhador durante o exercício de suas atividades laborais. O trabalhador sofre consequências físicas, psicológicas e emocionais e pode perder sua capacidade física ou mesmo sua vida. Além disso, em decorrência de um acidente de trabalho, a empresa sofre consequências econômicas, financeiras e legais, e o governo arca com as responsabilidades determinadas pela Lei da Previdência Social. PARA SABER MAIS Acesse o ambiente virtual de aprendizagem Tekne (www.grupoa.com.br/ tekne) para conhecer as disposições sobre os planos de benefícios da Previdência Social e outras providências. DEFINIÇÃO De acordo com o Artigo 19 da Lei nº 8.213/91 (BRASIL, 1991a), o acidente de trabalho ocorre pelo exercício do tra- balho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do Artigo 11 dessa lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho (BRASIL, 1991a). A Previdência Social resulta de contribuições feitas por trabalhadores para prover alguma subsistência na inca- pacidade de trabalhar. Ela é administrada pelo Ministério da Previdência Social, e suas ações são executadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). 119 Quando um trabalhador sofre um acidente de trabalho que resulte em lesão, doença, transtorno de saúde, distúrbio, disfunção, síndrome, evolução aguda ou doença crônica, precisa passar por uma perícia médica para obter o afastamento remunerado pelo INSS. Quando ocorre a morte do trabalhador, os familiares precisam apresentar os documentos solicitados para receber o benefício (pensão). A perícia identificará o nexo entre a tarefa executada pelo trabalhador e determinará sua gravidade. O nexo sempre obedecerá aos códigos da Classificação Internacional de Doenças e de Problemas Relacionados à Saúde (CID). De acordo com o Artigo 21 da Lei nº 8.213/91, acidentes decorrentes de atividades ligadas ao tra- balho ou sofridos em circunstâncias em que o trabalhador é considerado estando à disposição da empresa para trabalho ou em horário de trabalho, incluindo doenças profissionais, são equipara- dos ao acidente de trabalho (BRASIL, 1991a). As situações já definidas e equiparadas estão listadas no corpo dessa lei, mas a evolução das ativi- dades econômicas frequentemente cria novas situações que, após apreciação pela Justiça do Tra- balho, são transformadas em jurisprudências e passam a valer como leis. Essas decisões judiciais têm trazido novas equiparações a acidentes de trabalho em diversas situações em atividades que antes não haviam sido consideradas. Comunicação do acidente de trabalho Todo acidente de trabalho deve ser comunicado à Previdência Social por meio de um documento denominado Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT). O CAT obedece às diretrizes do De- creto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, atualizado em dezembro de 2013, e prevê que a empresa deve comunicar o acidente de trabalho à Previdência Social até o primeiro dia útil seguinte e, em caso de morte, comunicar à autoridade competente (BRASIL, 1991b). Se a empresa se omitir em reconhecer o acidente e deixar de comunicá-lo, será multada pela fisca- lização do Ministério do Trabalho e Emprego. Quando a empresa não comunica a ocorrência do aci- dente de trabalho, o próprio trabalhador acidentado pode fazê-lo, bem como seus dependentes, o sindicato da categoria, os médicos ou a autoridade pública. Causas de acidentes no trabalho São muitas as possíveis situações e causas de ocorrência de um acidente no trabalho. Neste capí- tulo, vamos nos ater somente às causas indicadas na NBR 14.280 (Cadastro de Acidentes do Tra- balho – Procedimento e Classificação), de 28 de fevereiro de 2001, em vigor desde 30 de março de 2001 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2001). NO SITE Conheça a tabela de códigos da Classificação Internacional de Doenças, bem como diversos documentos relativos à CAT, acessando o ambiente virtual de aprendizagem Tekne. NO SITE PARA SABER MAIS Acesse o ambiente virtual de aprendizagem Tekne para conhecer o texto do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, atualizado em dezembro de 2013 e o texto integral da NBR 14280, de 28 de fevereiro de 2001. c a p ít u lo 8 A c id e n te d e t ra b a lh o Té c n ic o e m S e g u ra n ç a d o T ra b a lh o 120 O objetivo da NBR 14280 é “[...] fixar critérios para o registro, comunicação, estatística e análise de acidentes de trabalho, suas causas e consequências, aplicando-se a quaisquer atividades labora- tivas.” (ASSOCIAÇÃO DE NORMAS TÉCNICAS, 2001).Ela é um instrumento prevencionista e, como tal, não indica soluções para os problemas. As soluções devem ser encontradas pelos que dela se utilizam para estudar o acidente ocorrido no trabalho. Técnicas de investigação de acidentes do trabalho e incidentes Além dos preceitos contidos na NBR 14280, as metodologias geralmente utilizadas na investigação dos motivos da ocorrência de acidentes de trabalho e incidentes que resultaram ou poderiam ter resultado em lesões ao trabalhador, danos à empresa e prejuízos nas operações são a técnica de análise sistemática de causas (TASC) e a árvore de causas (ADC), apresentadas na seção Metodolo- gia de investigação e análise de acidentes de trabalho. A investigação parte do pressuposto de que o acidente é sempre um acontecimento que decorre de uma série de fatores existentes em processos, materiais e ambiente e também do comporta- mento humano. Eles acontecem em geral durante o desenvolvimento de alguma atividade indi- vidual ou em equipe. As atividades desenvolvidas pelos trabalhadores são compostas por quatro elementos, detalhados a seguir. O indivíduo (I) Indivíduo é a pessoa que exerce suas atividades profissionais no local de trabalho, com suas capaci- dades físicas e emocionais e suas preocupações profissionais e pessoais. Também são consideradas nessa categoria as demais pessoas que se relacionam com o indivíduo direta ou indiretamente durante o exercício de suas atividades. Os indivíduos são diferentes fisicamente uns dos outros e modificam-se fisiologicamente diante de determinadas circunstâncias vivenciadas dentro e fora do ambiente de trabalho (p. ex., fadiga, embriaguez, sono, condição inabitual). Além disso, passam por modificações de sua forma de ser e agir em virtude de suas condições psicológicas (p. ex., preocupação, descontentamento). Os indivíduos possuem, ainda, capacidades e competências diferentes em decorrência de seus in- teresses pessoais e de sua formação profissional (p. ex., falta de treinamento, treinamento deficien- te, pouca experiência). Eles podem se sentir bem ou mal alocados de acordo com o clima existente em seu local de trabalho, o que influencia aspectos como colaboração, camaradagem, respeito, amizade e outros atributos do ambiente de trabalho. A tarefa (T) Tarefas são atribuições recebidas e realizadas pelo indivíduo na manufatura de um produto ou na execução de um serviço, incluindo as etapas anteriores e posteriores ao processo (ligar a máquina ou equipamento, operar, desligar, limpar, manter). ATENÇÃO O uso da NBR não elimina os demais procedimentos de comunicação de acidentes e identificação de riscos apresentados em capítulos anteriores. ATENÇÃO Té c n ic o e m S e g u ra n ç a d o T ra b a lh o 130 Consequências dos acidentes de trabalho Um acidente de trabalho invariavelmente traz consequências econômicas, políticas e sociais nos aspectos humanos e materiais. No aspecto humano, as consequências sociais acontecem nos três níveis de relacionamento social do trabalhador acidentado: com o próprio acidentado, que perde a autoconfiança em virtude do fato em si, do sofrimen- to físico e emocional e da diminuição de sua capacidade produtiva; com a família do acidentado, em razão do sofrimento a que é submetida involuntariamente, da preocupação com sua vida e saúde e da insegurança gerada com relação ao futuro; com os colegas de trabalho, em razão do mal-estar sentido pelos colegas em virtude do ocor- rido, da inquietação proveniente de incertezas quanto à segurança e do medo de se tornar a próxima vitima. Ainda no aspecto humano, existem consequências relacionadas tanto à empresa, uma vez que há uma variação negativa no clima motivacional e psicológico e o mercado penaliza sua reputação, quanto ao país, pois cada registro de acidente feito por meio da CAT diminui o potencial produtivo estimado. No aspecto material, as consequências atingem o círculo social do trabalhador, trazendo impactos nos três níveis: ao próprio acidentado, refletindo-se na perda de salário, pois ele passa a receber benefícios do INSS que, em geral, são valores menores do que os pagos pela empresa, e perda de sua perspectiva profissional em virtude de diminuição de seu potencial e capacidade física; à família do acidentado, pelo surgimento de dificuldades econômicas e pela necessidade de mudança da forma de vida; aos colegas de trabalho, refletindo-se na queda de produtividade com a consequente perda financeira de prêmios, aumento da carga de trabalho para suprir a ausência do colega aciden- tado e incumbências de formação de um substituto para o colega. A empresa também sofre consequências no aspecto material, pois as linhas de produção ficam pa- radas, as máquinas envolvidas com o acidente precisam passar por manutenção, a produção atrasa e a empresa precisa investir em substituição e treinamento do funcionário acidentado. Ocorrem ainda aumentos dos custos de produção e dos prêmios de seguros. As consequências materiais para o país incluem a perda de produção, que impacta na arrecadação de impostos e no cálculo do PIB. Além disso, o INSS arca com as despesas hospitalares e de recupe- ração do acidentado, gerando, além da perda do poder de compra do trabalhador e de sua família, despesas com a fiscalização e reeducação sobre segurança do trabalho. Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. DICA DO PROFESSOR Confira na dica do professor a diferença entre o acidente de trabalho e o acidente de trajeto. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Caso ocorra um acidente de trabalho, a empresa deve comunicar a quem? A) À diretoria. B) Ao Ministério do Trabalho e Emprego. C) À Previdência Social. D) Ao Sindicato. E) À Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA). 2) Qual o papel da Previdência Social no acidente de trabalho? A) Avaliar o acidente através da perícia médica. B) Investigar o acidente. C) Implementar medidas de proteção aos trabalhadores. D) Multar a empresa. E) Interditar as instalações. 3) Qual item não se refere aos passos que a empresa deve seguir após a ocorrência do acidente? A) Investigar o acidente. B) Prestar os primeiros socorros ao acidentado. C) Punir o trabalhador. D) Promover ações de proteção aos trabalhadores. E) Realizar estatísticas de acidentes. 4) Caso o trabalhador venha a óbito após o acidente, qual é o prazo para a comunicação do evento? A) Até cinco horas após o acidente. B) Até 24 horas após o acidente. C) Até 12 horas após o acidente. D) Imediatamente. E) Até oito horas. 5) Qual item não se refere às condições que podem gerar um acidente? A) Más condições de trabalho. B) Posto de trabalho adaptado ergonomicamente. C) Ambiente de trabalho insalubre. D) Ferramentas de trabalho quebradas. E) Máquinas sem proteção. NA PRÁTICA Na ocorrência do acidente de trabalho, assim que a empresa tiver ciência, deve prestar os primeiros socorros ao trabalhador, podendo fazer o encaminhamento à assistência médica. Após, deve-se conversar com o trabalhador para identificar as possíveis causas do acidente e coletar dados para investigação. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: BRASIL. Ministério da Previdência Social. Formulários solicitados pela Previdência Social. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Técnico em Administração [Série Tekne] Leia a partir do tópico Saúde e Segurança do trabalho (página 228) Acidente do trabalho - conceito e caracterização Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! O que é acidente de trabalho? O link apresenta as questões legais referentes à definição de acidente de trabalho e amplia o escopo do que foi tratado na aula! Conteúdo interativo disponível na plataformade ensino! 4 Coisas sobre Acidente de Trabalho Acidentes de trabalho podem acontecer mesmo que sejam tomadas todas as providências e cuidados. Mas você sabe quais são os direitos de um empregado que sofreu acidente durante o exercício de suas funções? Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Segurança e Saúde No Trabalho: Quem é Quem? Este vídeo mostra uma questão que está entre as mais importantes do nosso cotidiano: as boas condições de trabalho. Aqui, os trabalhadores encontrarão ampla abordagem sobre o tema e tomarão conhecimento do seus direitos e das responsabilidades que governo, empresários e sindicatos têm quando o assunto é segurança e saúde no trabalho. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Ergonomia APRESENTAÇÃO Dentro de um ambiente profissional trabalham pessoas de estrutura corporal, gênero e culturas diferentes, entre outras características. Por esse motivo, ferramentas, postos de trabalho e máquinas nem sempre estarão adaptados a tais diferenças. Para que isso não deixe o trabalhador lesionado, implementa-se a ergonomia no ambiente de trabalho, assunto que abordaremos nesta Unidade de Aprendizagem. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar a aplicação da ergonomia no ambiente de trabalho.• Reconhecer as diferentes situações que exigirão adaptações para atender a ergonomia.• Indicar melhorias para implementar a ergonomia.• DESAFIO O funcionário Emanuel trabalha como ajudante de pedreiro, tem 1,60 m de altura, 52 kg e 22 anos. Está há 10 meses na empresa e há dois meses vem reclamando de fortes dores na coluna depois de fazer o transporte manual dos sacos de cimento para o estoque da obra. Ontem à tarde, o funcionário estava fazendo o descarregamento dos sacos de cimento, cujo peso 50 kg cada, e, quando estava em cima do caminhão, sentiu sua coluna travar, desequilibrou-se e caiu, batendo com a cabeça e a lateral direita no chão. Identifique quais foram os problemas no processo produtivo que resultaram no acidente. INFOGRÁFICO Veja no infográfico as avaliações realizadas com base nos sintomas apresentados e percebidos pela área de saúde e segurança da empresa. CONTEÚDO DO LIVRO A ergonomia é a área da ciência que estuda a relação do homem com o seu ambiente de trabalho, com a finalidade de proporcionar proteção ao trabalhador e evitar que ele desenvolva doenças consequentes de suas atividades profissionais. Acompanhe o capítulo Ergonomia, da obra Ergonomia e conforto ambiental , na qual serão apresentadas as leis e normas, bem como as principais relações da ergonomia relacionadas à segurança do trabalho. Boa leitura. ERGONOMIA E CONFORTO AMBIENTAL Fernando Pinheiro Weber Revisão técnica: Henrique Martins Rocha Engenheiro Mecânico Mestre em Sistemas de Gestão Doutor em Engenharia Mecânica Pós-Doutor em Projetos/Desenvolvimento de Novos Produtos Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin — CRB 10/2147 W373e Weber, Fernando Pinheiro. Ergonomia e conforto ambiental / Fernando Pinheiro Weber ; [revisão técnica: Henrique Martins Rocha]. – Porto Alegre : SAGAH, 2018. 148 p. : il. ; 225 cm. ISBN 978-85-9502-596-7 1. Ergonomia. 2. Engenharia de produção. I. Título. CDU 331.101.1 U N I D A D E 1 Ergonomia Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer a importância da aplicação da ergonomia no ambiente de trabalho. Identificar diferentes situações que exigirão adaptações para atender às necessidades ergonômicas. Indicar melhorias para implementar a ergonomia. Introdução As mudanças nos contextos econômico e organizacional, o compor- tamento individual e o ambiente de trabalho são apenas algumas das variáveis inseridas nos processos de produção. Na garantia da eficiência e manutenção do fluxo produtivo constante, a ergonomia desempenha um importante papel. Neste capítulo, você vai estudar sobre a aplicação da ergonomia no ambiente produtivo e verificar o quanto é importante o conhecimento da Norma Regulamentadora (NR) nº. 17 do Ministério do Trabalho. Além disso, você vai identificar algumas modificações ergonômicas que podem ser implementadas nas empresas e verificar as etapas da análise ergonômica. Aplicação da ergonomia ao ambiente de trabalho As mudanças ocasionadas pelas mudanças econômicas, tecnológicas e, con- sequentemente, das relações de trabalho tornam cada vez mais necessárias a absorção e adaptação de novas demandas nas organizações. Manter-se atualizado é uma obrigação para uma empresa que visa ao lucro e que quer alcançar e manter vantagem competitiva no longo prazo. Os processos produtivos não são fáceis de serem entendidos, uma vez que envolvem seres humanos e toda a sua complexidade, englobando, assim, os seus aspectos psicológicos, fisiológicos, sociais, ambientais, entre outros. Dessa forma, trabalhar com o ser humano não é uma tarefa fácil, pois trata- -se de uma “máquina” com poucos padrões, embora algumas com algumas características em comum. Daí a importância de um processo cuidadoso de seleção, treinamento e retenção de talentos, de forma que os recursos humanos estejam suficientemente satisfeitos a fim de trabalharem em uníssono com os objetivos estratégicos das organizações. Em um cenário econômico competitivo, todos os fatores da produção devem ser considerados. Como produzir melhor e com mais eficiência? Essa é uma pergunta frequentemente abordada nas grandes empresas. A partir do século XX, os estudos da produção, com foco na interação entre homem, máquina e ambiente de trabalho, começaram a surgir, sendo Frederick Winslow Taylor um grande estudioso dessa questão. No entanto, atualmente, a ergonomia tem um conceito diferente do proposto por Taylor, conforme leciona Corrêa e Boletti (2015). O conceito mais atual da ergonomia não é adaptar o homem à máquina, mas adaptar a máquina ao homem, criando um sistema de in- teração entre as partes. Manter uma linha de produção eficiente significa prestar atenção na máquina e, também, nos trabalhadores — somente assim um sistema funcionará adequadamente. Para que ocorra o equilíbrio do sistema proposto de interação entre ho- mem e máquina, a ergonomia deve ser considerada, pois foca na qualidade do processo, não somente adaptando as máquinas aos trabalhadores, mas também verificando as características ambientais envolvidas e como podem afetar a qualidade do trabalho, conforme afirma Iida (2005). A preocupação com a qualidade de vida dos trabalhadores não é ape- nas uma questão de eficácia produtiva — ela vai além, uma vez que, no Brasil, a NR nº. 17 do Ministério do Trabalho, intitulada “Ergonomia” e conhecida como NR–17, tem força de lei. Portanto, a preocupação com o bem-estar e a qualidade de vida no trabalho não tem apenas o objetivo de otimizar a produção ou adaptar a máquina; existe, ainda, o aspecto legal (BRASIL, 1978). Ergonomia14 A Associação Brasileira de Ergonomia conceitua ergonomia da seguinte forma: A Ergonomia (ou Fatores Humanos) é uma disciplina científica re- lacionada ao entendimento das interações entre os seres humanos e outros elementos ou sistemas, e à aplicação de teorias, princípios, dados e métodos a projetos a fim de otimizar o bem-estar humano e o desempenho global do sistema (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ERGONOMIA, 1999). A ergonomia pode fazer parte de todo o processo, desde o projeto de um produto (já adaptado a determinadas condições) até a verificação de produtos ou formas de trabalhar já existentes, propondo adequações. As soluções, na grande maioria das vezes, não são tarefas fáceis a ponto de serem resolvidas na primeira tentativa. Na maioria dos casos, conforme leciona Iida (2005), a tarefa é complexa e exige diversas tentativas ou análises, não existindo respostas prontas. A ergonomia está classificada em três formas de contribuição:Ergonomia de concepção — ocorre quando a ergonomia contribui ainda na fase de projeto do produto, da máquina ou do ambiente. Ergonomia de correção — esse tipo de contribuição é aplicado em situações reais já existentes, abrangendo problemas de segurança, fadiga, doenças do trabalho, entre outros. Ergonomia de conscientização — quando os problemas não são corrigidos nas fases de concepção ou correção, muitas vezes é importante conscientizar o operador a trabalhar de forma segura, bem como oportunizar treinamentos e aperfeiçoamentos para a execução da atividade. 15Ergonomia A ergonomia, inicialmente, era aplicada apenas na indústria e nos setores militar e espacial. Porém, cada vez mais outros setores vêm adotando as suas diretrizes, inclusive no dia a dia das pessoas “comuns”. É evidente que, nos projetos, existem concessões, às vezes relacionadas à postura, ao ruído ou a outro tipo de desconforto; porém, em relação à segurança do operador, nenhuma concessão deve ser permitida, já que os danos à saúde física do trabalhador por vezes são irreparáveis. Na indústria, a ergonomia tem como objetivo contribuir para a eficiên- cia, a confiabilidade e a qualidade das operações. Está presente na interface homem–máquina, na adequação dos postos de trabalho, na organização do trabalho e na verificação das condições ambientais como um todo (ruído, temperatura, luminosidade). Além das condições ambientais, estão inseridos no escopo da ergonomia os aspectos relacionados com a fadiga, o tédio e a monotonia, que podem ser ocasionados em tarefas repetitivas. Na agricultura, a ergonomia avança de forma um pouco mais lenta, devido às características dispersas das atividades desse setor. As máquinas agrícolas vêm evoluindo constantemente, possibilitando mais conforto e segurança ao trabalhador e visando a evitar os acidentes relacionados a esse tipo de máquina. No setor de serviços, o qual inclui hospitais, lojas, escritórios e uma série de outros locais de trabalho, a ergonomia é aplicada de diferentes formas. Em um hospital complexo, por exemplo, onde diferentes equipamentos devem operar em tempo integral, são necessárias escalas de trabalho, iluminação adequada na sala de cirurgia, conforto para o paciente, acessibilidade à edificação e uma série de outros requisitos. A ergonomia também está presente no cotidiano, melhorando a qualidade de vida em vários aspectos. Nesse contexto, a Norma Brasileira (NBR) nº. 9050, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), estabelece con- dições para acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2015). Essa norma utiliza conceitos de ergonomia para tornar os locais acessíveis à maioria da população. Enfim, são inúmeras as maneiras de se aplicar a ergonomia ao ambiente de trabalho e no dia a dia; difícil é imaginar uma situação na qual os conceitos da ergonomia não se aplicam. A verificação das condições de trabalho deve ser constante, e deve-se ter em mente que tanto os trabalhadores quanto a empresa têm necessidades. Esse equilíbrio entre as condições ambientais da Ergonomia16 empresa e a qualidade de vida dos trabalhadores necessita ser mediado por uma equipe multidisciplinar para que metas e resultados possam ser atingidos. Modificações ergonômicas Um dos objetivos da ergonomia é tornar o ambiente de trabalho mais seguro, saudável, confortável e e ciente, conforme lecionam Dul e Weerdmeester (2004). Nesse contexto, os autores Iida (2005) e Kroemer e Gradjean (2007) enfatizam as necessidades de otimização da e ciência e de redução da mono- tonia, do estresse, de erros e acidentes. Dessa forma, promove-se a segurança no local de trabalho, sempre alinhada à produção. Não é possível manter a produção de uma empresa com alto rendimento quando ocorrem diversos afastamentos por lesões ou desconfortos. Tais pro- blemas podem, inclusive, ser motivo de interdições temporárias realizadas pelo Ministério do Trabalho. Com base nesses conceitos, as linhas de montagem tradicionais, responsáveis por trabalhos monótonos e repetitivos, vêm dando espaço para núcleos de trabalho. Trata-se de equipes menores, com maior fle- xibilidade; isto é, uma célula produtiva, responsável por um produto completo. Nessa mudança de forma de trabalho, a ergonomia tem papel fundamental. Além da redução da fadiga, da monotonia e do tédio, nesse tipo de arranjo os erros são mais fáceis de serem percebidos, e não é necessário que toda a linha seja interrompida quando um erro é encontrado, pois este ocorre apenas no núcleo do processo. Com isso, a distribuição de tarefas ocorre de forma mais organizada, conforme leciona Iida (2005). Os benefícios da modificação ergonômica no ambiente de trabalho se tornam mais evidentes quando o próprio posto de trabalho é alterado. Em escritórios, as pessoas utilizam o computador o tempo todo; assim, a adaptação da estação de trabalho é muito importante para melhorar a qualidade das tarefas. Como exemplo, podemos observar, na Figura 1, o registro da atividade muscular dos ombros no ato de escrita. Na posição “A” é registrada a posição ótima de escrever; na posição “B”, a altura elevada move a carga para os ombros; na posição “C”, a altura está ainda mais alta do que na posição “B”, exigindo a elevação lateral dos braços para compensar. Para a aplicação de um estudo ergonômico, seja qual for o método aplicado, é necessário o conhecimento dos movimentos corporais necessários para a tarefa. 17Ergonomia Figura 1. Registro da atividade da musculatura dos ombros. Fonte: Kroemer e Gradjean (2007). Para se conduzir modificações ergonômicas, entre outros métodos exis- tentes, pode ser realizada uma análise ergonômica do trabalho (AET), conforme estabelece a NR–17 (BRASIL, 1978). A aplicação da AET ajuda a verificar as situações problemáticas no sistema produtivo, conforme leciona Iida (2005). Porém, somente com o conhecimento prévio da demanda, da tarefa ou da atividade uma análise correta poderá ser aplicada. Ainda, deve ser realizada uma análise para cada indivíduo; caso contrário, o resultado não será satisfatório. Todas as etapas devem ser corretamente executadas para o bom êxito do estudo técnico. Ergonomia18 Melhorias para adaptar a ergonomia Fundamentalmente, a ergonomia tem por objetivo melhorar a qualidade do trabalho em vários aspectos, como físicos, sensoriais, cognitivos, sociais e organizacionais. Nesse enfoque, está intrínseco o aspecto de prevenção das doenças do trabalho. Identi cada a necessidade de mudança, a indicação de melhorias é feita com base em um dos métodos de análise existentes. São diversos os métodos e ferramentas para a execução da AET, não existindo método certo ou errado; cada um possui características que melhor se aplicam a determinadas situações. Em uma análise ergonômica, inicialmente, deve-se apontar as primeiras observações em relação ao ambiente de trabalho, caso não exista histórico de aplicação da ergonomia na empresa. O escopo da NR–17 prevê os seguintes aspectos a serem observados (BRASIL, 1978): 1. Levantamento, transporte e descarga individual de materiais. 2. Mobiliários dos postos de trabalho. 3. Equipamentos dos postos de trabalho. 4. Condições ambientais de trabalho. 5. Organização do trabalho. Existem dois anexos sobre o trabalho dos operadores de checkout e o tra- balho em teleatendimento ou telemarketing. É importante ressaltar a extensão do conteúdo da norma; além de condições ambientais, o documento também contempla a organização do trabalho. Apesar de a norma estabelecer parâmetros e algumas recomendações, estes não são absolutos, mas referência. O objetivo da NR–17 é proporcionar máximos conforto e segurança e desempenho eficiente. A tolerância de limites de segurança pode ser medida de forma objetiva; porém, em relação ao conforto, a medição se torna mais complexa (BRASIL, 1978). Para essa avaliação, a participação dotrabalhador é fundamental; somente este pode afirmar se determinada solução está atendendo às expectativas. Esta é uma das diferenças em relação à organização do trabalho proposta por Taylor: a participação do trabalhador. Cada vez mais, os colaboradores devem ser consultados sobre o mobiliário, as ferramentas e demais inter- faces da produção. 19Ergonomia Outro conceito que deve ser entendido é o de produção eficiente. Para a NR–17, produzir de maneira eficiente não corresponde à produção máxima da linha de produção, sem medir as consequências na saúde do trabalhador (BRASIL, 1978). Muito pelo contrário, a eficiência está ligada ao desempenho satisfatório de toda a vida de trabalho. A eficiência, nesse caso, está relacio- nada com a manutenção do trabalhador durante todo o período produtivo estipulado de trabalho. Como a tendência da previdência social é aumentar a idade mínima de aposentadoria, até mesmo devido à situação econômica do país, as empresas devem oferecer condições de trabalho adequadas para manter o trabalhador na ativa durante o período necessário. De acordo com o item 17.1.2 da NR–17, cabe ao empregador realizar as análises ergonômicas. Lembrando que a norma recomenda análises em ativi- dades mais complexas, e a solicitação, quando de forma protocolar e rotineira, acaba gerando resultados obsoletos ou ineficientes (BRASIL, 1978). Por isso, é importante entender a demanda, a tarefa e a atividade, que, basicamente, representam as três etapas da AET: 1. Análise da demanda — definir problemas a serem resolvidos. 2. Análise da tarefa — estudar as condições de trabalho nas quais o tra- balhador exerce as suas atividades. 3. Análise da atividade — estudar o comportamento humano no ambiente de trabalho. Analisada a demanda de forma correta e estudando-se o problema de forma adequada, a resposta ao problema ergonômico será satisfatória. Não devem ser feitas análises abstratas ou genéricas; analisa-se algo concreto, para assim entender o problema. O fluxo produtivo depende da manutenção das máquinas e dos homens. Conhecer os limites e as potencialidades de cada um faz parte da organização do trabalho. Somente com esses dois elementos trabalhando de forma integrada, adequada, confortável e segura, torna-se possível obter melhores resultados. Ergonomia20 Deimling e Pesamosca (2014) aplicaram a AET em uma empresa de confecções. O posto de trabalho analisado foi o de fechamento das laterais de camisas, pois exigia maior esforço e demonstrava problemas (verificação da demanda). De acordo com o estudo, a AET possibilitou identificar todos os movimentos realizados pelos(as) funcionários(as). Como resultado da aplicação da ferramenta de análise, verificou-se que vários desses movimentos não estavam de acordo com as recomendações de conforto para a função. Para amenizar o problema, foram propostas três alternativas. A primeira compreendia a reavaliação da máquina, a qual não permitia a aproximação ideal do operador do equipamento. A segunda proposta consistia em providenciar uma cadeira com apoio para os cotovelos, permitindo, dessa forma, a execução das atividades sem interferência. A terceira proposta consistia em intercalar pausas de 3 a 5 minutos, para diminuir os efeitos do trabalho repetitivo, e elaborar exercícios de ginástica laboral específicos para a função. Essas considerações foram realizadas apenas para uma atividade dentro da empresa, mas poderiam ser expandidas para outras áreas que apresentassem reclamações ou afastamentos. 1. Assinale a alternativa correta a respeito do atual conceito de ergonomia. a) Consiste em adaptar o homem ao maquinário para aumentar a produtividade. b) Consiste em prever um novo ambiente a partir de uma análise realizada pelos trabalhadores: a AET. c) Consiste em adaptar as máquinas ao homem, criando um sistema de interação entre as partes. d) Consiste em adaptar o ambiente às demandas operacionais da organização, independentemente do conforto dos funcionários. e) Consiste em alterar espaços de trabalho visando ao conforto dos usuários, mesmo que isso implique contrariar o que está previsto na legislação. 2. A ergonomia de conscientização: a) ocorre quando a ergonomia contribui ainda na fase de projeto do produto, da máquina ou do ambiente. b) é aplicada em situações reais já existentes, abrangendo problemas de segurança, fadiga, doenças do trabalho, entre outros. c) ocorre quando os problemas não são corrigidos nas fases de concepção ou correção, 21Ergonomia visando conscientizar o operador a trabalhar de forma segura. d) é aplicada em situações reais já existentes, visando à memorização de atividades que causem menos estresse físico e psíquico. e) ocorre quando a ergonomia contribui na fase de implementação do produto, da máquina ou do ambiente. 3. A respeito da AET, é correto afirmar que: a) ajuda a verificar as situações problemáticas no sistema produtivo. b) a sua realização independe do conhecimento prévio da demanda, da tarefa ou da atividade. c) mesmo se apenas algumas de suas etapas forem executadas, garantirá o êxito do laudo técnico. d) pode ser realizada por amostragem, de forma coletiva. e) significa análise ergonômica das tarefas e visa adaptar os indivíduos às suas atividades laborais. 4. As etapas da AET são, respectivamente: a) Análise da demanda, da tarefa e da atividade. b) Análise da tarefa, da demanda e da atividade. c) Análise da atividade, da tarefa e de demanda. d) Análise da demanda, da atividade e da tarefa. e) Análise da atividade, da demanda e da tarefa. 5. Na AET, a análise da atividade consiste em: a) definir problemas a serem resolvidos. b) estudar as condições de trabalho nas quais o trabalhador exerce as suas atividades. c) estudar o comportamento humano no ambiente de trabalho. d) definir medidas de controle da eficiência das atividades do trabalhador. e) estudar o comportamento das máquinas utilizadas pelo homem. Ergonomia22 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ERGONOMIA. O que é ergonomia. 1999. Disponível em: <http://www.abergo.org.br/internas.php?pg=o_que_e_ergonomia>. Acesso em: 23 ago. 2018. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050:2015: acessibilidade a edifi- cações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro, 2015. Disponível em: <http://www.acessibilidadenapratica.com.br/tag/nbr-9050-2015/>. Acesso em: 23 ago. 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho. Gabinete do Ministro. Norma Reguladora nº. 17. Er- gonomia. Diário Oficial da União, 6 jul. 1978. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/ images/Documentos/SST/NR/NR17.pdf>. Acesso em: 23 ago. 2018. CORRÊA, V. M. BOLETTI, R. R. Ergonomia: fundamentos e aplicações. Porto Alegre: Bookman, 2015. DEIMLING, M. F.; PESAMOSCA, D. Análise ergonômica do trabalho em uma empresa de confecções. Ibroamerican Journal of Industrial Engineering, v. 6, n. 11, p. 37-58, 2014. DUL, J.; WEERDMEESTER, B. Ergonomia prática. São Paulo: Edgard Blucher, 2004. IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. São Paulo: Blucher, 2005. KROEMER, K. H. E.; GRADJEAN, E. Manual de ergonomia: adaptando o trabalho ao homem, 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2007. Leitura recomendada FREITAS, M. P.; MINETTE, l. J. A importância da ergonomia dentro do ambiente de pro- dução. In: Simpósio Acadêmico de Engenharia de Produção, 9., 2014, Viçosa. Anais... Minas Gerais: Universidade Federal de Viçosa, 2014. Disponível em: <http://www.saepro. ufv.br/wp-content/uploads/2014.5.pdf>. Acesso em: 23 ago. 2018. 23Ergonomia Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Veja na dica do professor como a ergonomia é praticada no ambiente de trabalho. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) As demandas para realização da análise ergonômica podem surgir de quatro origens. Qual item não é uma delas? A) Consultores. B) Fiscal do Ministério