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Professor: Eraldo Alves Barboza – Disciplina: IDPP 
ÍNDICE 
 
 
UNIDADE I................................................................................................................................2 
1. Elementos de Teoria Geral do Direito....................................................................................2 
1.1. Noção Elementar de Direito ............................................................................................3 
1.1.1. Conceito e Etimologia ..............................................................................................5 
1.1.2. Multiplicidade e Unidade do Direito ........................................................................6 
1.2. Direito e Moral ................................................................................................................9 
1.2.1. Normas Morais .........................................................................................................9 
1.2.2. Normas Jurídicas ....................................................................................................10 
1.3. Direito Objetivo e Direito Subjetivo .............................................................................10 
1.4. Direito Positivo e Direito Natural..................................................................................12 
1.5. Fontes do direito ............................................................................................................14 
1.6. Fontes de explicitação ou integração.............................................................................16 
1.7. Lei..................................................................................................................................16 
1.7.1. Classificação...........................................................................................................17 
1.7.2. Formação das leis ...................................................................................................18 
1.7.3. Hierarquia ...............................................................................................................19 
1.7.4. Eficácia ...................................................................................................................19 
1.7.5. Aplicação da lei no tempo e no espaço...................................................................20 
1.8. Elementos de Teoria Geral do Estado ...........................................................................22 
1.8.1. Histórico .................................................................................................................22 
1.8.2. Conceito..................................................................................................................23 
1.8.3. Elementos do Estado ..............................................................................................23 
1.8.4. Fins do Estado ........................................................................................................26 
1.9. Formas de Estado ..........................................................................................................27 
1.9.1. Federação................................................................................................................27 
1.10. Formas de Governo .....................................................................................................28 
1.11. Sistemas de Governo ...................................................................................................29 
1.12. Democracia..................................................................................................................29 
QUESTIONÁRIO ....................................................................................................................31 
Bibliografia...............................................................................................................................34 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 2
UNIDADE I 
 
 
 
1. Elementos de Teoria Geral do Direito. 
Inicialmente gostaríamos de esclarecer que o direito está presente em toda atividade 
humana. Diante disso, para falar de direito, é necessário que antes de qualquer outra definição 
fique claro o seu conceito. Este é um ponto de vista a partir do qual, o pensamento se organiza 
e analisa a realidade. 
No entanto, o conceito de direito, apresenta muitas dificuldades, pois tal ciência não 
é unívoca, universal, ela surge e se desenvolve em realidades muito específicas. 
Assim sendo, o direito pode ser entendido ora como norma, ora como autorização ou 
permissão. Às vezes pode ser referido como a “qualidade de justiça”, assim tantos outros 
significados podem ser atribuídos ao direito. 
O homem é um ser fundamentalmente social por instinto e por força da inteligência 
e, assim sendo, sempre acaba por organizar-se em grupos sociais tais como a família, escola, 
associação religiosa, profissional, comercial e industrial etc. Por força desse tipo de 
organização social em que o homem se insere, quase que por instinto, surgem relações de 
coordenação, subordinação e delimitação que, por sua vez, não existiriam sem que houvesse 
normas. Assim sendo, a norma jurídica é obra da vida social.1 
No atual estágio dos conhecimentos científicos acerca do direito, é predominante o 
entendimento de que não há sociedade sem direito. Mesmo assim, há autores que sustentam o 
convívio social do homem em uma fase evolutiva pré-jurídica. Estes autores apresentam como 
exemplo, a ilha do solitário Robson Crusoé, antes da chegada do índio Sexta-Feira, afirmando 
que não havia lugar para o direito naquela ilha. 
A chegada do índio Sexta-Feira à ilha solitária do Robson não anuncia o nascimento 
do direito para se estabelecer um pacto de entendimento entre ambos, mas, ao contrário, 
aumenta a dúvida sobre esse inesperado encontro de culturas diferentes. 
O Direito, afirma o professor Rosemiro Pereira Leal,2 “não é aquela criatura 
mencionada por Sorman, abortada pela humanidade, desentranhada de uma seleção natural e 
 
1 LACERDA, Vanessa Gramani. Noções básicas de direito para administradores e gestores. Ed. Alínea. 
Campinas – São Paulo. 2004. 
2 Rosemiro Pereira Leal. Teoria Geral do Processo. 5ª edição. 
 3
espontânea de regras sociais e econômicas para a salvaguarda da liberdade com conteúdos e 
mensagens de paz, regulando as instituições surgidas do inconsciente coletivo”. 
É o direito produto racional e dinâmico de controle sócio-político-econômico em 
vários níveis temporais de elaboração humano-técnica, à medida em que os grupos sociais 
surgem, organizando-se a si mesmos por regramentos técnico-jurídicos convenientes. 
Para Ada Pellegrini Grinover3, a função do direito na sociedade é, sobretudo, 
ordenadora, isto é, de coordenação dos interesses que se manifestam na vida social, de modo a 
organizar a cooperação entre pessoas e compor os conflitos que se verificam entre os seus 
membros. 
Podemos acrescentar, levando em consideração o pensamento da ilustre jurista, que o 
direito é construído pela humanidade como necessidade inapartável desta, e produzido pela 
atividade humana em incessante elaboração de estruturas formais diferenciadas e adequadas à 
regulação dos interesses prevalentes em cada época e, por via de sua qualidade ordenativa e 
sistêmica, para criar, extinguir, impor, manter ou ocultar, em convenientes padrões de 
legalidade (licitude ou incolumidade), as ideologias (de repressão, dominação, permissão) e 
teorias adotadas nas diversas quadras da história dos privilégios, conflitos e insatisfações 
humanas. 
O direito, portanto, como todo – ciência jurídica – existe para coordenar a vida em 
sociedade e desde os primórdios da civilização já se fazia presente, não como sistema jurídico 
organizado e estruturado, mas enquanto regras de convívio. 
 
1.1. Noção Elementar de Direito 
De modo algum poderíamosrepresentação popular. 
 
• Monarquia: hereditariedade Inglaterra, Espanha e Japão 
 vitaliciedade 
 
• República : eletividade Brasil, Estados Unidos, Portugal 
 temporariedade 
 
 29
1.11. Sistemas de Governo 
Os sistemas de governo são o parlamentar e o presidencial. 
No regime parlamentar34, o Parlamento representa o Estado. O primeiro-ministro 
exerce uma função de confiança, podendo ser destituído do cargo. O governo é efetivamente 
estabelecido por um colegiado, com a direção do primeiro-ministro. No regime parlamentar, o 
chefe do governo é o primeiro-ministro e o chefe de Estado é o rei ou presidente. O chefe de 
Estado não tem qualquer responsabilidade política. O regime parlamentarista é empregado nas 
monarquias (Inglaterra, Espanha) e repúblicas (Itália). No Brasil, existiu no período do 
Império. Após a renúncia do presidente Jânio Quadros, a Emenda Constitucional nº 4, de 2-9-
1961, instituiu o sistema parlamentar de governo, tendo terminado pela manifestação do povo 
no referendo de 6 de janeiro de 1963. 
No parlamentarismo, os poderes não são autônomos nem independentes. O 
Legislativo pode ser dissolvido pelo chefe de Estado, com convocação de novas eleições. Na 
França, por exemplo, o Poder Judiciário é uma repartição do Ministério da Justiça. 
No sistema presidencialista, o presidente governa durante seu mandato. Não pode 
dissolver o Congresso, nem ser por ele destituído. É eleito direta ou indiretamente pelo povo. 
O sistema do presidencialismo ocorre apenas nos Estados republicanos (Brasil, Estados 
Unidos, França). 
O Presidente da República é o chefe de governo e de Estado. Como chefe de 
governo, administra os interesses internos do país. Como chefe de Estado, representa o país, 
defendendo seus interesses no exterior, e o governa. Os ministros de Estado não são 
escolhidos pelo Congresso, nem precisam da autorização dessa casa para serem dispensados. 
O mandato do presidente é de prazo definido. 
No dia 7 de setembro de 1993, o eleitorado definiu, por meio de plebiscito, que a 
forma de governo é a república e o sistema de governo é o presidencialista, de acordo com o 
art. 2º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. 
 
1.12. Democracia 
Nos dias atuais, a expressão “democracia” deixou de significar uma forma de 
governo para definir um regime político. Diz-se que um Estado é democrático quando se 
subordina ao direito e se enquadra nos princípios que regem o regime democrático. 
 
34 É importante salientar que o parlamentarismo é o sistema de governo em que o Executivo e o legislativo são 
interdependentes: a chefia do Estado e chefia do Governo são exercidas por pessoas distintas e a chefia do 
governo é exercida pelo Primeiro Ministro que não tem mandato. 
 30
Os princípios básicos da democracia são, modernamente, os seguintes: 
a) subordinação do Estado às leis que ele próprio edita; 
b) divisão de poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e independência no seu 
exercício, guardada a harmonia entre si; 
c) temporariedade das funções de governo; 
d) igual oportunidade para todos; 
e) prevalência da vontade da maioria sem que se despreze a manifestação da minoria; 
f) filosofia de vida própria. 
Historicamente, a democracia pode ser direta ou indireta. Nos dias atuais não é 
possível, em regra geral, o exercício da democracia direta – tal como acontecia, por exemplo, 
em Atenas, no período clássico –, ou seja, o povo deliberar diretamente sobre os destinos do 
Estado ou o exercício da administração pública. Ainda assim temos algumas manifestações 
diretas da democracia, como é o caso da eleição dos governantes e também o dos plebiscitos e 
referendos. A palavra “plebiscito” teve origem em Roma e significava lei elaborada 
diretamente pelo povo, nos comícios. Hoje plebiscito é a deliberação tomada diretamente pelo 
povo, sobre uma providência qualquer a ser efetuada pelo governo, antes de ser tomada essa 
providência. Quando a consulta ao povo se verificar depois de efetivada a providência, tem-se 
aí o referendo. 
Democracia indireta é o chamado sistema representativo. Por ela, diante da 
impossibilidade de o povo participar diretamente do governo, elegem-se representantes 
populares que deliberam e exercem o governo em nome do eleitorado, ou seja, em nome do 
próprio povo. 
Art. 1º - A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos 
Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e 
tem como fundamentos: 
I - a soberania; 
II - a cidadania; 
III - a dignidade da pessoa humana; 
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; 
V - o pluralismo político. 
Parágrafo único - Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes 
eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. 
 
 
 
 31
QUESTIONÁRIO 
 
1 – Analise os itens a seguir. 
I - O homem é um ser fundamentalmente social por instinto e por força da inteligência e, 
assim sendo, sempre acaba por organizar-se em grupos sociais. 
II - Aos olhos do homem comum o Direito é lei e ordem, isto é, um conjunto de regras 
obrigatórias que garante a convivência social graças ao estabelecimento de limites à ação 
de cada um de seus membros. 
III - O Direito não representa um conjunto, pois é composto de várias partes 
desorganizadas, formando um conjunto. 
IV – O direito nasceu junto com o homem. Destina-se a regular as relações humanas. 
Estão certos apenas os itens: 
A) I e II. 
B) II e III. 
C) I, II e IV. 
D) II e IV. 
E) II, III e IV. 
 
2 – Analise os itens a seguir e marque a letra correspondente. 
I – Direito, segundo RADBRUCH, é o conjunto das normas gerias e positivas, que regulam a 
vida social. 
II - Direito Objetivo é o complexo de normas jurídicas que regem o comportamento humano, 
prescrevendo uma sanção no caso de sua violação. 
III - Direito subjetivo, é a permissão, dada por meio de norma jurídica válida, para fazer ou 
não fazer alguma coisa, para ter ou não ter algo. 
IV - O homem por natureza é um ser gregário. Por esta razão, o Direito não é fruto da 
convivência humana, e sim da evolução o Estado. 
Estão corretos apenas os itens: 
A) I e II. 
B) I e III. 
C) II, III e IV. 
D) I, II e III. 
E) I, III e IV 
 
3 - O conjunto de normas jurídicas vigentes em determinado Estado é: 
A) Direito Objetivo. 
B) Direito teórico. 
C) Direito Subjetivo Público. 
D) Direito Subjetivo Privado. 
E) Nenhuma das respostas 
 
4 – Analise os itens a seguir e marque a letra correspondente. 
I – A norma moral é unilateral, pois apenas impõe dever, prescreve um comportamento, mas 
não autorizam ninguém a impor coação para obter que as mesmas sejam cumpridas. 
II – A norma jurídica é bilateral, ou seja, se dirige a duas pessoas. 
III – As normas jurídicas não garantem a ordem necessária à consecução dos objetivos 
sociais, e sim a moral a qual estabelece condutas coercitivas aos cidadãos. 
IV – Não existe diferença entre o Direito e a Moral. Ambos impõem sanções a quem infringe 
as normas reguladoras da sociedade. 
 32
Estão corretos apenas os itens: 
A) I e II. 
B) II e III. 
C) III e IV 
D) I e IV 
E) II e IV 
 
5 – O campo do Direito é: 
A) inteiramente separado da Moral. 
B) maior que o da Moral. 
C) menor que o da Moral. 
D) igual ao da Moral. 
E) nenhuma das respostas. 
 
6 – É o complexo de normas jurídicas que regem o comportamento humano, 
prescrevendo uma sanção no caso de sua violação. 
A) Direito subjetivo. 
B) A ciência do direito. 
C) Direito Natural. 
D) Direito Consuetudinário. 
E) Direito Objetivo. 
 
7 – Analise os itens a seguir e marque a letra correspondente. 
I - O Direito positivo é o ordenamento jurídico em vigor em determinado país e em 
determinada época. 
II – Direito Natural é a idéia abstrata do direito, o ordenamento ideal, correspondente a uma 
justiça superior. 
III – O Direito InternacionalPúblico regula as questões internas que são de ordem privada e 
devem ser respeitadas em relação a cada país. 
IV – O Direito Internacional Privado procura disciplinar as relações das pessoas no espaço, 
em que existe mais de uma norma tratando do assunto. 
Estão corretos apenas os itens: 
A) I, II e IV. 
B) II, III e IV. 
C) I, III e IV. 
D) II e III. 
E) III e IV 
 
8 – Quais são as fontes do Direito nos termos da Lei de Introdução ao Código Civil? 
A) a lei, os costumes, a analogia e os princípios gerais de direito. 
B) costumes, naturalismo, analogia e princípios gerais do direito. 
C) jurisprudência, analogia, direito penal e os costumes. 
D) a lei, a jurisprudência, a analogia e o direito natural. 
E) nenhuma das respostas. 
 
9 – Analise os itens a seguir e marque a letra correspondente. 
I – Promulgação é a declaração do chefe do Poder Executivo ou presidente do Congresso 
de que a lei passa a fazer parte do ordenamento jurídico. 
II – As leis não guardam, entre si, uma graduação hierárquica. 
III – Eficácia de uma lei são seu vigor e abrangência no tempo e no espaço. 
 33
IV – A lei começa a vigorar, em todo território nacional, 30 dias depois de oficialmente 
publicada. 
A) V –V – F – F. 
B) F – F – V – V. 
C) V – V – F – V. 
D) F – V – F – V. 
E) V – F – V – F. 
 
10 – A analogia e os princípios gerais de direito são: 
A) fontes de explicitação ou integração da norma. 
B) fontes do direito. 
C) garantias constitucionais. 
D) medidas sócio-jurídicas subjetivas. 
E) fontes do direito consuetudinário. 
 
11 – Analise os itens a seguir e marque a letra correspondente. 
I – As leis podem ser classificadas em materiais e instrumentais ou processuais. 
II – A lei especial não revoga a lei geral, devido ao fato de a primeira ter sido elaborada sem 
maior rigor pelo jurista. 
III – As lei estaduais e municipais não devem nenhuma hierarquia a Constituição Federal. 
IV – Abrogação é a revogação total da norma, ou seja, a norma antiga perde sua eficácia na 
totalidade. 
A) V – V – F – V. 
B) F – F – V – V. 
C) V – F – F – V. 
D) V – V – F – F. 
E) F – V – V – F. 
 
12 - A sociedade política e juridicamente organizada, dotada de soberania, dentro de 
um território, sob um governo, para a realização do bem comum do povo é: 
A) A Cidade. 
B) O Estado. 
C) O Município. 
D) O liberalismo. 
E) A monarquia. 
 
13 – Os elementos essenciais do Estado são: 
A) independência, liberdade interna e filiação ao OIT. 
B) povo, território e governo soberano. 
C) democracia, soberania, povo e território. 
D) povo, liberdade e expressão e território. 
E) população, território e governo. 
 
14 - Analise os itens a seguir e marque a letra correspondente. 
I - O fim do Estado é assegurar a vida humana em sociedade, pelo fato de que o homem 
não vive isoladamente e necessita de normas que disciplinem comportamentos. 
II - No Brasil são entidades componentes da Federação os Estados-Membros, o Distrito 
Federal e os Municípios. 
III - No Estado unitário ou simples só existe uma única fonte de Direito, que é de âmbito 
nacional, estendendo-se uniformemente sobre todo o seu território. 
IV - No Estado federado, há a reunião de vários municípios que formam a federação. 
 34
Estão corretos apenas os itens: 
A) I e II. 
B) II e III. 
C) I e III. 
D) III e IV. 
E) I e IV. 
F) III e IV. 
 
15 - Analise os itens a seguir e marque a letra correspondente. 
I - A soberania, ou poder de império, é o elemento que prepondera na constituição do 
Estado. 
II - São requisitos para manutenção do Estado Federal a rigidez constitucional e a existência 
de um órgão incumbido de realizar o controle da constitucionalidade. 
III - Pelo modo de organização política do Estado, existem duas formas básicas de governo: 
O Presidencialismo e o Parlamentarismo. 
IV - No parlamentarismo, os poderes são autônomos e independentes. 
A) V – V – V – F 
B) F – F – V – V 
C) V – F – F – V 
D) V – V – F – F 
E) F – V – F – V 
 
16 – Não é princípio básico da democracia: 
A) Subordinação do Estado às leis que ele próprio edita; 
B) Divisão de poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e independência no seu exercício, 
guardada a harmonia entre si; 
C) igual oportunidade para todos; 
D) Unidade sindical; 
E) Filosofia de vida própria. 
 
___________________________________________________________________________ 
 
Bibliografia 
MARTINS, Sérgio Pinto. Instituições de direito público e privado. 6ª ed. – São Paulo: Atlas, 2006; 
BRANCATO, Ricardo Teixeira. Instituições de direito público e privado. 12ª ed. – São Paulo: Saraiva, 
2003; 
DOWER, Nelson Godoy Bassil. Instituições de direito público e privado. 13ª ed. – São Paulo: Saraiva, 
2005; 
PINHO, Ruy Rebello, Instituições de direito público e privado. 24ª ed. – São Paulo: Atlas, 2004. 
FIUZA, César. Direito civil, curso completo. 8ª ed. – Belo Horizonte: Del Rey, 2004; 
REALE, Miguel. Lições preliminares de direito. 15ª ed. - São Paulo: Saraiva, 1987; 
DINIZ, Maria Helena, Compêndio de introdução à ciência do direito. 2ª ed. – São Paulo: Saraiva, 
1989; 
GUSMÃO, Paulo Dourado de, Introdução ao estudo do direito. 12ª ed. – Rio de Janeiro: Forense, 
1986.iniciar nossa trajetória pelo direito sem antes, buscarmos 
uma noção elementar e provisória da realidade de que vamos falar. 
Não se pode estudar um assunto sem se ter dele uma noção preliminar, assim, como 
o cientista, para realizar uma pesquisa, avança uma hipótese, conjetura uma solução provável, 
sujeitando-a a posterior verificação. 
Como explica o Professor Miguel Reale4, para as ciências humanas, talvez o caminho 
mais aconselhável seja aceitar, a título provisório, uma noção corrente consagrada pelo uso. 
Aos olhos do homem comum o Direito é lei e ordem, isto é, um conjunto de regras 
obrigatórias que garante a convivência social graças ao estabelecimento de limites à ação de 
 
3 Ada Pellegrini Grinover. Teoria Geral do Processo. 9ª edição. Pág. 19. 
4 Miguel Reale. Lições Preliminares de Direito. 15ª edição. Pág. 1. 
 4
cada um de seus membros. Assim sendo, quem age de conformidade com essas regras 
comporta-se direito; quem não o faz, age torto. 
Ainda, na lição do professor Miguel Reale, direção, ligação e obrigatoriedade de um 
comportamento, para que possa ser considerado lícito, parece ser a raiz intuitiva do conceito 
de Direito. A palavra lei, segundo sua etimologia mais provável, refere-se a liame, laço, 
relação, o que completa com o sentido nuclear de “jus”, que invoca a idéia de jungir, unir, 
ordenar, coordenar. 
Ricardo Teixeira Brancato diz que o direito é a ordenação da conduta humana em 
sociedade, por meio de normas coercitivamente importas pelo Estado e garantidas por um 
sistema de sanções peculiares.5 
Nesta esteira, podemos afirmar sem maiores indagações, que o Direito corresponde à 
exigência essencial e indeclinável de uma convivência ordenada, pois nenhuma sociedade 
poderia sobreviver sem um mínimo de ordem, de direção e solidariedade. 
Partindo dessa premissa, percebe-se que o direito só pode existir em função do 
homem. 
Na lição de Maria Helena Diniz6, o ser humano é gregário, (que gosta de ter a 
companhia de outras pessoas; sociável) por natureza, não só pelo intuito sociável, mas 
também por força de sua inteligência, que lhe demonstra que é melhor viver em sociedade 
para atingir seus objetivos. Com isso, espontânea e até inconscientemente, é levado a formar 
grupos sociais: família, escola, associações esportivas, recreativa, cultural, religiosa, 
profissional etc. 
Por esta razão, só podemos falar, de experiência jurídica, onde e quando se formam 
relações entre os homens, as quais são denominadas relações intersubjetiva, por envolverem 
sempre dois ou mais sujeitos. Daí a sempre nova lição de um antigo brocado: “ubi societas, 
ibi jus” (onde está a sociedade está o Direito). A recíproca também é verdadeira: “ubi jus, ibi 
societas”, não se podendo conceber qualquer atividade social desprovida de forma e garantia 
jurídicas, nem qualquer regra jurídica que não se refira à sociedade. 
O Direito, afirma o professor Miguel Reale, é um fato ou fenômeno social; não 
existe senão na sociedade e não pode ser concebido fora dela. Uma das características da 
realidade jurídica é, como se vê, a sua socialidade, a sua qualidade de ser social. 
Oportunamente, podemos observar que as formas mais rudimentares e toscas (que se 
caracteriza pela rudeza; rústico, grosseiro) de vida social já implicam um esboço de ordem 
 
5 Ricardo Teixeira Brancato. Instituições de Direito Público e Privado. 12ª edição. Pág. 1. 
6 Maria Helena Diniz. Compêndio de Introdução à Ciência do Direito. 2ª edição. Pág. 220. 
 5
jurídica, é necessário desde logo observar que durante milênios o homem viveu ou cumpriu o 
Direito, sem se preocupar com problema de seu significado lógico ou moral.7 
Sem sombra de dúvidas, somente num estágio bem maduro da civilização que as 
regras jurídicas adquirem estrutura e valor próprios, independente das normas religiosas ou 
costumeiras e, por via de conseqüência, é só então que a humanidade passa a considerar o 
Direito como algo merecedor de estudos autônomos. 
 
1.1.1. Conceito e Etimologia 
Conceituar é estabelecer limites do significado e sentido de cada palavra. 
Muitas vezes, diz-se que o conceito de Direito deve ser elaborado pela Filosofia do 
Direito, que pode fazer as críticas necessárias para esse fim. 
Aristóteles mencionava que o homem é um animal político, destinado a viver em 
sociedade. Assim, havia necessidade de regras para que pudesse viver em harmonia, evitando 
a desordem. 
No dizer do professor Celso Antônio Bandeira de Mello, o Direito é a arte do bom e 
do eqüitativo (ius est ars boni et aequi). 
O professor Miguel Reale menciona que o direito é “a vinculação bilateral 
atributiva da conduta para a realização ordenada dos valores de convivência”. 
O mesmo jurista diz que “Direito” significa, por conseguinte, tanto o ordenamento 
jurídico, ou seja, o sistema de normas ou regras jurídicas que traça aos homens 
determinadas formas de comportamento, conferindo-lhes possibilidades de agir, como o tipo 
de ciência que estuda, a Ciência do Direito ou Jurisprudência.8 
Na realidade, não há consenso sobre o conceito de direito. Dentre tantos, escolhemos 
o de RADBRUCH: “É o conjunto das normas gerias e positivas, que regulam a vida 
social”. 
É preciso analisar os elementos desse conceito. 
O Direito representa um conjunto, pois é composto de várias partes organizadas, 
formando um sistema. 
Tem o Direito princípios próprios, como qualquer ciência, ainda que não seja exata. 
Exemplos são os princípios da boa-fé, razoabilidade, proporcionalidade etc. 
 
7Ibid., Pág. 221. “Se observarmos, atentamente, a sociedade, verificamos que os grupos sociais são fontes 
inexauríveis de normas, por conseguinte, o Estado não é o único criador de normas jurídicas.” 
8 Miguel Reale. Lições Preliminares de Direito. 15ª edição. Pág. 60. 
 6
O Direito possui inúmeras regras. Algumas delas são compendiadas em códigos, 
como o Código Civil, o Código Tributário Nacional (CTN), o Código Comercial, o Código de 
Processo Civil (CPC), além de inúmeras leis esparsas. 
Como já mencionado linhas atrás, o objetivo do Direito é regular a vida humana em 
sociedade, estabelecendo, para esse fim, normas de conduta, que devem ser observadas pelas 
pessoas. Tem por finalidade a realização da paz e da ordem social, mas também vai atingir as 
relações individuais das pessoas. 
O homem por natureza é um ser gregário. O Direito é fruto da convivência humana. 
 A palavra “direito” origina-se do latim directum – significa aquilo que é reto, que 
está de acordo com a lei. Nasceu junto com o homem. Destina-se a regular as relações 
humanas. As normas de direito asseguram as condições de equilíbrio da sociedade. 
 
1.1.2. Multiplicidade e Unidade do Direito 
O Direito se apresenta sob múltiplas formas, em função de múltiplos campos de 
interesse, o que reflete em distintas e renovadas estruturas normativas como fato social e 
histórico. 
Mas é inegável que, apesar das mudanças que se sucedem no espaço e no tempo, 
continuamos a referir-nos sempre a uma única realidade. É sinal que existem nesta algumas 
“constantes”, alguns elementos comuns que nos permitem identificá-la como experiência 
jurídica, inconfundível com outras, como a religiosa, a econômica, a artística etc.9 
Deve existir, com efeito, algo de comum a todos os fatos jurídicos, sem o que não 
seria possível falar-se em Direito como uma expressão constante da experiência social. A 
primeira finalidade de nossas aulas será, pois, oferecer uma visão unitária e panorâmica dos 
diversos campos em que se desdobra à conduta humana segundo regras de direito. 
Antes de iniciarmos o nosso estudo, é necessário termos uma visão de conjunto: ver o 
Direito como um todo, antes de examiná-lo através de suas partes especiais. 
O Direito abrange um conjunto de disciplinas jurídicas. Certamente,mais para frente, 
teremos oportunidade de examinar a questão relativa à divisão do Direito, mas é indispensável 
antecipar algumas noções, sem as quais nossas considerações ficarão sem consistência. 
Na lição do professor Miguel Reale, o Direito divide-se, em primeiro lugar, em duas 
grandes classes: o Direito Privado e o Direito Público. As relações que se referem ao Estado 
e traduzem o predomínio do interesse coletivo são chamadas relações públicas, ou de Direito 
 
9 Miguel Reale. Lições Preliminares de Direito. 15ª edição. Pág. 3. 
 7
Público. Porém, o homem não vive apenas em relação com o Estado, mas também e 
principalmente em ligação com seus semelhantes: a relação que existe entre pai e filho, ou 
então, entre quem compra e quem vende determinado bem, não é uma relação que interessa de 
maneira direta ao Estado, mas sim ao indivíduo enquanto particular. Essas são as relações de 
Direito Privado. 
Essas classes, por sua vez, se subdividem em vários outros ramos, como, por 
exemplo, o Direito Constitucional, o Direito Administrativo, no campo do Direito Público; o 
Direito Civil, o Direito Comercial, no campo do Direito Privado. O Direito é, pois, um 
conjunto de estudos discriminados; abrange um tronco com vários ramos; cada um desses 
ramos tem o nome de disciplina. 
Com muita propriedade Nelson Dower, diz que o Direito é composto por um 
conjunto de normas jurídicas, que equaciona a vida social, atribuindo aos indivíduos que a 
constituem, não só uma reciprocidade de poderes e faculdades, mas também de deveres e 
obrigações, visando resolver os conflitos de interesses e assegurar a ordem de maneira 
imperativa. 
Acrescenta o ilustre jurista: “Todas essas regras jurídicas, existentes num dado 
momento no país, constituem a ordem jurídica dominante e recebem o nome de Direito 
Positivo”.10 
O Direito Positivo é, portanto, um sistema normativo, ou seja, um conjunto de 
normas jurídicas visando a paz social, a ordem na sociedade. Sua finalidade primordial é o 
bem-estar da sociedade, vale dizer, seu fim principal é a ordem na sociedade. Por isso, Maria 
Helena Diniz definiu o direito como “o conjunto de normas, estabelecidas pelo poder político, 
que se impõem e regulam a vida social de um dado povo em determinada época”. Essas 
normas jurídicas são, apenas, as leis jurídicas provenientes do Estado, de observância 
compulsória, não se conferindo qualquer valor às regras não originadas da estrutura estatal 
sem suporte de coerção. 
O nosso contato em sala de aula está sob a proteção do Direito: eu, dando aula e os 
senhores ouvindo-a, estamos todos no exercício de uma faculdade jurídica. Os senhores 
conquistaram o direito de freqüentar as aulas, por meio dos exames que prestaram no 
vestibular. Quer dizer que freqüentam as aulas em face do exercício de uma atividade 
garantida. Também, por meu lado, estou no exercício de uma função que se integra na minha 
personalidade, como meu patrimônio: exerço um poder de agir, tutelado pelo Direito. 
 
10 Nelson Godoy Bassil Dower. Instituições de Direito Público e Privado. 13ª edição. Pág. 4. 
 8
Miguel Reale11 afirma que há em cada comportamento humano, a presença, embora 
indireta, do fenômeno jurídico: o Direito está pelo menos pressuposto em cada ação do 
homem que se relacione com outro homem. O médico, que receita para um doente, pratica um 
ato de ciência, mas exerce também um ato jurídico. Talvez não o perceba, nem tenha 
consciência disso, nem ordinariamente é necessário que haja percepção do Direito que está 
sendo praticado. Na realidade, porém, o médico que redige uma receita está no exercício de 
uma profissão garantida pelas leis do país e em virtude de um diploma que lhe faculta a 
possibilidade de examinar o próximo e de ditar-lhe o caminho para restabelecer a saúde; um 
outro homem qualquer, que pretenda fazer o mesmo, sem iguais qualidades, estará exercendo 
ilicitamente a Medicina. Não haverá para ele o manto protetor do Direito; ao contrário, seu ato 
provocará a repressão jurídica para a tutela de um bem, que é a saúde pública. O Direito é, sob 
certo prisma, um manto protetor de organização e de direção dos comportamentos sociais. 
Posso, em virtude do Direito, ficar em minha casa, quando não estiver disposto a trabalhar, 
assim como posso dedicar-me a qualquer ocupação, sem ser obrigado a estudar Medicina e 
não Direito, a ser comerciante e não agricultor. Todas essas infinitas possibilidades de ação se 
condicionam à existência primordial do fenômeno jurídico. O Direito, por conseguinte, tutela 
comportamentos humanos: para que essa garantia seja possível é que existem as regras, as 
normas de direito como instrumentos de salvaguarda e amparo da convivência social. Existem 
tantas espécies de normas e regras jurídicas quantos são os possíveis comportamentos e 
atitudes humanas. Se o comportamento humano é de delinqüência, tal comportamento sofre a 
ação de regras penais, mas se a conduta visa à consecução de um objetivo útil aos indivíduos 
e à sociedade, as normas jurídicas cobrem-na com o seu manto protetor. 
Pois bem, quando várias espécies de normas do mesmo gênero se correlacionam, 
constituindo campos distintos de interesse e implicando ordens correspondentes de pesquisas 
temos, consoante já assinalamos, as diversas disciplinas jurídicas, sendo necessário apreciá-
las no seu conjunto unitário, para que não se pense que cada uma delas existe 
independentemente das outras. Não existe um Direito Comercial que nada tenha a ver com o 
Direito Constitucional. Ao contrário, as disciplinas jurídicas representam e refletem um 
fenômeno jurídico unitário que precisa ser examinado. Um dos primeiros objetivos da 
Introdução ao Estudo do Direito é a visão panorâmica e unitária das disciplinas jurídicas. 
 
 
11 Miguel Reale. Lições Preliminares de Direito. 15ª edição. Pág. 6 
 9
1.2. Direito e Moral 
Não é tarefa fácil estabelecer o que é direito e o que é moral, pois ambos têm 
semelhanças e dessemelhanças, a problemática da distinção entre uma e outra é velha questão 
doutrinária, pois ambas constituem normas de conduta. 
Ao tratar deste assunto Monteiro, Washington de Barros, Curso de Direito Civil, 
(1979: 3) assim se expressa: 
" ...o direito e a moral regulam atos de seres livres, os homens, tendo em e outra por 
fim o bem-estar do indivíduo e da sociedade." 
A vida em sociedade exige a observância de outras normas, além das jurídicas, como 
as religiosas, morais, de urbanidade etc. As jurídicas e morais têm em comum o fato de 
constituírem normas de comportamento. No entanto, distinguem-se precipuamente pela 
sanção (que no direito é imposta pelo Poder Público para constranger os indivíduos à 
observância da norma, e na moral somente pela consciência do homem, traduzida pelo 
remorso, pelo arrependimento, porém sem coerção) e pelo campo de ação, que na moral é 
mais amplo. É célebre, neste aspecto, a comparação 
de Bentham, utilizando-se de dois círculos 
concêntricos, dos quais a circunferência 
representativa do campo da moral se mostra mais 
ampla. Algumas vezes tem acontecido de o direito 
trazer para sua esfera de atuação preceitos da moral, 
considerados merecedores de sanção mais eficaz. 
 
1.2.1. Normas Morais 
Constitui norma de comportamento. A norma moral é unilateral, pois apenas impõe 
dever, prescreve um comportamento, mas não autorizam ninguém a impor coação para obter 
que as mesmas sejam cumpridas. 
As normas morais apenas impõem deveres, mas não autorizam a uma faculdade de 
exigir o comportamento por elas prescritas. 
Destinam-se a aprimorar a comunhão humana de um grupo social que já esta 
ordenado por outras normas. Salientando que a observância às normas morais não é essencial 
à preservação da sociedade, pois elas têm em vista o bem individual.10
1.2.2. Normas Jurídicas 
Assim como a norma moral, a norma jurídica constitui normas de comportamento, 
entretanto, só a norma jurídica é autorizante, porque só ela dá ao lesado pela sua violação o 
poder de exigir seu cumprimento ou a reparação do mal sofrido. 
Ao contrário da norma moral, a norma jurídica é bilateral, ou seja, se dirige a duas 
pessoas. De um lado como imperativo impõe dever a determinada pessoa, de outro lado, 
autoriza o lesado pela sua violação a exigir do outro a reparação do dano causado 
As normas jurídicas garantem a ordem necessária à consecução dos objetivos 
sociais, aquelas que ordenam quais as condutas do sujeito imprescindíveis aos demais. 
Contudo, é jurídica toda norma justa como injusta, moral como imoral, pois o lesado 
pela violação de qualquer uma poderá exigir, por meio dos órgãos competentes, o seu 
cumprimento ou reparação do mal sofrido. 
 
1.2.3. Diferenças entre a Moral e o Direito 
No campo da moral estão contidos os deveres do homem para com Deus, para 
consigo mesmo e para com seus semelhantes, ao passo que, o direito compreende apenas os 
deveres do homem para com os semelhantes; 
Direito tem a coação, a moral é incoercível; 
A moral visa unicamente a prática do bem, a abstenção do mal, enquanto o direito 
evita que se lese ou se prejudique a outrem; 
Para a moral, o que tem importância é a intenção de quem age, dirigi-se ao momento 
interno, a intenção que determina o ato, ao passo que o direito dirige-se ao momento externo, 
físico, ao ato exterior; 
O direito é bilateral e a moral unilateral; 
Desta forma, conclui-se que a moral representa a pratica da boa convivência, e o 
direito nada mais é que um conjunto de regras obrigatórias que garantem a convivência social, 
impondo limites à ação de cada um de seus membros. 
 
1.3. Direito Objetivo e Direito Subjetivo 
Vejamos agora uma noção restrita do direito, que o focaliza exclusivamente como 
norma. 
Na lição de Paulo Dourado de Gusmão12, devemos considerar o direito como regra 
obrigatória, ou como o conjunto de regras obrigatórias, ao fazer isso estamos considerando-o 
 
12 Paulo Dourado de Gusmão. Introdução ao Estudo do Direito. 12ª edição. Pág. 81. 
 11
como direito objetivo, ou seja, o direito em sentido objetivo. Desta forma, Direito Objetivo é a 
consideração normativa do direito, ou seja, a consideração do direito com norma obrigatória. 
O Código Penal, ou qualquer norma desse código, os Códigos de Processo, o Código Civil, 
bem como qualquer uma das suas regras, ou seja, Direito Objetivo é o complexo de normas 
jurídicas que regem o comportamento humano, prescrevendo uma sanção no caso de sua 
violação. (jus est norma agendi). 
Enquanto o Direito Objetivo é a consideração normativa do direito, o Direito 
Subjetivo tem origem no permanente movimento de forças individuais e coletivas, que lutam 
pela obtenção e eficácia de direitos subjetivos. Nas relações de vida, cada qual procura 
assumir a posição de comando, de senhorio, de titular de direitos. No meio civilizado, o ter e 
o poder decorrem de direitos subjetivos, constituídos à luz do ordenamento jurídico. O 
esforço pela conquista e firmeza de direitos não se limita ao plano amistoso. Quando não é 
possível o diálogo e o entendimento, os tribunais podem definir a existência de direitos e seus 
respectivos titulares.13 
Costuma-se distinguir o direito objetivo do subjetivo. A professora Maria Helena 
Diniz, diz que o direito subjetivo, é a permissão, dada por meio de norma jurídica válida, para 
fazer ou não fazer alguma coisa, para ter ou não ter algo, ou, ainda, a autorização para exigir, 
por meio dos órgãos competentes do poder público ou através dos processos legais, em caso 
de prejuízo causado por violação de norma, o cumprimento da norma infringida ou a 
reparação do mal sofrido. P. ex., são direitos subjetivos as permissões de: casar e constituir 
família; adotar pessoa como filho; ter domicílio inviolável; vender os seus pertences; usar, 
gozar e dispor da propriedade; alugar uma casa sua; exigir pagamento do que lhe é devido;14 
mover ação para reparar as conseqüências de ato considerado ilícito. Tais permissões dadas 
por meio de normas jurídicas podem ser: a) explícitas, se as normas de direito as mencionam 
expressamente, p. ex., o consentimento dado a maior de idade para praticar atos da vida civil 
(NCC, art. 5º); e b) implícitas, quando as normas não se referem a elas de modo expresso, mas 
regulam o seu uso, por não proibi-lo, ou melhor, serão implícitas as permissões de fazer, de 
não fazer, de ter e de não ter, o que a norma jurídica não proíbe que se faça ou que não se 
faça, que se tenha ou que não se tenha. Exemplificativamente: a permissão de casar (implícita 
 
13 No dizer de Paulo Nader. “Enquanto que para muitos autores a distinção entre o Direito objetivo e o subjetivo 
era familiar aos romanos, Michel Villey defende a tese de que, para o Direito Romano clássico, o seu de cada um 
era apenas o resultado da aplicação dos critérios da lei, “uma fração. de coisas é não um poder sobre as coisas”. 
Introdução ao Estudo do Direito. 5ª edição. Pág. 370. 
14 Esta é a definição de Goffredo Telles Jr. (O direito quântico, 5. ed., São Paulo, Max Limonad, 1971, cap. VIII, 
e Direito subjetivo-I, in Enciclopédia Saraiva do Direito, v. 28, p. 298) por nós adotada. 
 12
no art. 1.521 NCC e seus incisos). Todas essas permissões, explícitas ou implícitas, fundam-
se no princípio da legalidade (CF/88, art. 5º, II).15 
“A idéia realista de que o Direito Subjetivo é um ‘autorizamento’ dado pelo Direito 
Objetivo nos leva a ampliar o conceito do Direito Subjetivo, a fim de nele incluir, não só a 
autorização de exigir o cumprimento de normas jurídicas violadas, mas também a autorização 
de fazer e de ter o que a norma jurídica não proíbe.”16 
De fato, o que a norma jurídica não proíbe está autorizado por ela. É evidente que 
ninguém pode ser obrigado a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei, 
nos termos do que dispõe a Constituição da República. 
Para uma maior compreensão, o direito subjetivo apresenta-se sempre em relações 
jurídicas. Um não existe sem o outro. O sujeito ativo de uma relação jurídica é o portador do 
direito subjetivo, enquanto que o sujeito passivo é o titular de um dever jurídico. Este possui o 
encargo de garantir alguma coisa àquele. 
Sim, porque “a todo o direito corresponde uma ação que o assegura”, nos termos do 
Código Civil. E mais: quando a norma jurídica é violada por alguém que impeça a outrem o 
uso do direito subjetivo, tal fato constitui crime: o crime de constrangimento ilegal previsto 
no Código Penal. 
 
1.4. Direito Positivo e Direito Natural 
Resumidamente tentaremos apontar as várias classificações do Direito. 
Uma primeira classificação envolve o direito natural e o direito positivo. 
A idéia do Direito Naturail, por sua vez, surgiu na Grécia Antiga. Acreditavam 
alguns pensadores, que existe um "direito natural permanente e eternamente válido, 
independente de legislação, de convenção ou qualquer outro expediente imaginado pelo 
homem". 
O Direito Natural nasce a partir do momento em que surge o homem. Aparece, 
portanto, naturalmente para regular a vida humana em sociedade, de acordo com as regras da 
natureza. Seria uma norma criada pela natureza e não pelo homem. 
Os jusnaturalistas entendem que a lei deve ser justa para ser lei. Se não o for, não tem 
validade. 
 
15 Constituição da República Federativa do Brasil. Art. 5º, Inc II. “II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar 
de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;” 
16 Ricardo Teixeira Brancato. Instituições de Direito Público e Privado. 12ª edição. Pág. 8. 
 13
Santo Agostinho, São Tomas de Aquino e outros doutores da Igreja definiram o 
jusnaturalismo,isso ocorreu nos séculos XVII e XVIII. Apesar dessa definição aparecer nos 
séculos citados, no século XVI, Hugo Gregório, defendia a existência de um direito ideal e 
eterno, ao lado do direito positivo. 
Direito Positivo é apenas a norma legal, emanada do Estado e não de outras fontes do 
Direito. 
O Direito positivo, na lição de Carlos Roberto Gonçalves, é o ordenamento jurídico 
em vigor em determinado país e em determinada época. É o direito posto. 
O Direito Natural seria universal, valendo em toda parte, e é imutável. Direito 
Positivo valeria por determinado tempo, podendo ser modificado e dentro de certo espaço 
geográfico. O Direito Natural estabelece, segundo Paulo,17 aquilo que é bom (bonum et 
aequum). O Direto Positivo estabelece o que é útil. O Direito Natural é conhecido pela razão. 
O Direito Positivo é conhecido por uma declaração de vontade alheia, que é a promulgação. 
Uma subclassificação divide o Direito Positivo em Direito Internacional e Direito 
Nacional. 
O Direito Internacional é subdividido em Direito Internacional Público e Direito 
Internacional Privado. 
O Direito Internacional Público regula as questões internacionais que são de ordem 
pública e devem ser respeitadas em relação a cada país. São as relações entre Estados, 
enquanto nações. Exemplos são os tratados internacionais, as declarações de direitos, como a 
Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948), as convenções da Organização 
Internacional do Trabalho (OIT), as questões relativas à guerra, ao mar territorial etc. 
O Direito Internacional Privado procura disciplinar as relações das pessoas no 
espaço, em que existe mais de uma norma tratando do assunto. Como exemplo poderíamos 
citar, a transferência de um empregado da Argentina para o Brasil. Qual é a lei que se aplica: 
a argentina, em que o empregado foi contratado, ou a brasileira, em que o empregado 
trabalha? Quais são, por exemplo, os efeitos do casamento de uma pessoa no Uruguai perante 
o Direito brasileiro etc. 
O Direito Nacional pode ser dividido em Público e Privado. 18 
 
17 Paulo Nader. Introdução ao Estudo do Direito. 5ª edição. Pág. 456. 
18 Para Ricardo Teixeira Brancato, “Dois são os aspectos do estudo do Direito: o público e o privado. O Direito 
Público versa sobre o modo de ser do Estado Romano; o Privado sobre o interesse dos particulares”. Quando se 
fala em direito público cuida-se de disciplinar os interesses da coletividade. Quando se fala em direito privado 
cuida-se dos preceitos que disciplinam as relações jurídicas individuais. Instituições de Direito Público e 
Privado. 12ª edição. Pág. 18. 
 14
Ulpiano, no Direito Romano, dividia o Direito em público e privado. O Direito 
Público tinha por objeto o estado das coisas em Roma. O Direito Privado preocupava-se com 
a utilidade de cada cidadão. Essa classificação tem natureza eminentemente didática, pois o 
Direito enquanto ciência é o gênero, e têm seus diversos ramos, que são considerados as 
espécies. Cada ramo do Direito mantém relações com as demais espécies do gênero. 
O Direito Público envolve a organização do Estado, em que são estabelecidas normas 
de ordem pública, que não podem ser mudadas pela vontade das partes, como a obrigação de 
pagar tributos. Já o Direito Privado diz respeito ao interesse dos particulares, às normas 
contratuais que são estabelecidas pelos particulares, decorrentes da manifestação de vontade 
dos interessados. 
Divide-se o Direito Público em Direito: Constitucional, Econômico, Administrativo, 
Penal, Financeiro, Tributário, Processual (Civil, Penal e Trabalhista), da Seguridade 
Social (Previdência Social, Assistência Social, Saúde). 
O Direito Privado é dividido em Direito Civil, Comercial e do Trabalho. Há autores 
que entendem que o Direito do Trabalho pertence ao Direito Público, mas o que prepondera é 
a autonomia da vontade das pessoas na contratação, apesar da existência de normas de ordem 
pública que incidem sobre a relação de emprego. 
 
1.5. Fontes do direito 
Fonte vem do latim fons, com o significado de nascente, manancial.19 
No significado vulgar, fonte tem o sentido de nascente de água, o lugar donde brota 
água. Figuradamente, refere-se à origem de alguma coisa, de onde provém algo. Fonte de 
Direito tem significado metafórico, em razão de que já é uma fonte de várias normas. 
Claude du Pasquier afirma que fonte de regra jurídica “é o ponto pelo qual ela sai das 
profundezas da vida social para aparecer à superfície do Direito”. 
Ainda aqui existe controvérsia, pois são varias as classificações das fontes do direito. 
A própria expressão “fonte” tem sido criticada. A Lei de Introdução ao Código Civil, por 
exemplo, dá como fontes do direito a lei, os costumes, a analogia e os princípios gerais de 
direito. 
O estudo das fontes do Direito pode ter várias acepções, como sua origem, 
fundamento de validade das normas jurídicas e a própria exteriorização do Direito. 
 
19 Segundo Ricardo Teixeira Brancato, fonte do direito é o veio (à semelhança de “veio d’água”) de onde o 
direito surge. Fontes são os meios que servem de origem ao direito; são a forma de manifestação do direito. 
Instituições de Direito Público e Privado. 12ª edição. Pág. 21. 
 15
Fontes diretas ou formais são as formas de exteriorização do Direito. Exemplos 
seriam as leis, o costume etc. 
Eduardo Garcia Máynez afirma que as fontes formais são como o leito do rio, ou 
canal, por onde correm e manifestam-se as fontes materiais. 
Fontes indiretas ou materiais20 (doutrina, jurisprudência) são o complexo de fatores 
que ocasionam o surgimento de normas, envolvendo fatos e valores. São analisados fatores 
sociais, psicológicos, econômicos, históricos etc. São os fatores reais que irão influenciar na 
criação da norma jurídica. 
Alguns autores afirmam que o Estado é a única fonte do Direito, pois ele goza do 
poder de sanção. Uma segunda corrente prega que existem vários centros de poder, de onde 
emanam normas jurídicas. 
Para certos autores, relevante é apenas o estudo das fontes formais. As fontes 
materiais dependem da investigação de causas sociais que influenciaram na edição da norma 
jurídica, matéria que é objeto da Sociologia do Direito. 
Miguel Reale prefere trocar a expressão fonte formal por teoria do modelo jurídico. 
Esta é “a estrutura normativa que ordena os fatos segundo valores, numa qualificação 
tipológica de comportamentos futuros, a que se ligam determinadas conseqüências”.21 
As fontes do Direito têm por objetivo estabelecer como o Direito se expressa. Pode 
significar o ente que produz a norma. 
As fontes podem ser classificadas em heterônomas e autônomas. 
Heterônomas são as impostas por agente externo. Exemplos: Constituição, leis, 
decretos, sentença normativa, regulamento de empresa, quando unilateral. 
Autônomas são as elaboradas pelos próprios interessados. Exemplos: costume, 
convenção e acordo coletivo, regulamento de empresa (quando bilateral), contrato. 
Podem as fontes ser estatais, em que o Estado estabelece a norma. Exemplos: 
constituição, leis, sentença normativa. Extra-estatais são as fontes oriundas das próprias 
partes, como o regulamento de empresa, o costume, a convenção e o acordo coletivo, o 
contrato. São profissionais as fontes estabelecidas pelos trabalhadores e empregadores 
interessados, como a convenção e o acordo coletivo de trabalho. 
 
20 Para Miguel Reale, “fonte material” não é outra coisa senão o estudo filosófico ou sociológico dos motivos 
éticos ou dos fatos que condicionam o aparecimento e as transformações das regras de direito. Fácil é perceber 
que se trata do problema do fundamento ético ou do fundamento social das normas jurídicas, situando-se, por 
conseguinte, fora do campo da Ciência do Direito. Lições Preliminares de Direito. 15ª edição. Pág. 140. 
21Miguel Reale. O Direito como experiência. 2ª edição. Pág. 162. 
 16
Quanto à vontade das pessoas, as fontes podem ser voluntárias e interpretativas. 
Voluntárias são as dependentes da vontade dos interessados, como o contrato, a convenção e 
o acordo coletivo, o regulamento de empresa (quando bilateral). Imperativas são as impostas 
coercitivamente às pessoas pelo Estado, como a Constituição, as leis, a sentença normativa. 
Pode-se dizer; para justificar as fontes de Direito, que as normas de maior hierarquia 
seriam o fundamento de validade das regras de hierarquia inferior. 
São fontes do Direito: a Constituição, as leis, os decretos, os atos do Poder 
Executivo, os contratos, as convenções e os acordos coletivos. 
 
1.6. Fontes de explicitação ou integração 
Resumidamente, Ricardo Teixeira Brancato diz que analogia, é a adaptação de uma 
situação jurídicas a outras semelhantes, já objeto de cogitação ou decisão.22 
Analogia quer dizer semelhança ou nivelamento. Sua presença se faz sentir, 
principalmente, na interpretação da lei – tanto que há uma regra de hermenêutica que se 
denomina analógica – e também no estudo das várias teorias jurídicas ou de certos institutos 
de direito. Por exemplo: no direito comparado a analogia fornece dados imprescindíveis ao 
estudo e compreensão de certas matérias, pois não se pode fazer um estudo completo sobre 
determinados institutos de direito sem o recurso à analogia – como é o caso do habeas 
corpus, cujas origens remontam ao direito anglo-saxão. 
Finalmente os princípios gerais de direito, de noção muito complexa e vaga, ainda 
não mereceram um conceito uniforme por parte dos estudiosos, afora um ou outro trabalho, a 
exemplo do esplêndido livro do eminente Prof. Rubens Limongi França sobre a matéria. 
Digamos que se devem entender por princípios gerais de direito as exigências do ideal de 
justiça a ser concretizado na aplicação do direito. Atende-se, para tanto, não só às condições 
personalíssimas do caso em exame, como à eqüidade que deve dosar a decisão, e também à 
ética, à moral, à solidariedade humana, à dignidade da pessoa, aos fins sociais da norma na 
sua aplicação à hipótese em causa, enfim, aos atributos que sirvam de índole à consciência 
coletiva da sociedade em que vigore o ordenamento jurídico. 
 
1.7. Lei 
Na Declaração dos Direitos Universais do Homem, de 1791, “lei é a expressão da 
vontade geral”, vem do latim lex. 
 
22 Ricardo Teixeira Brancato. Instituições de Direito Público e Privado. 12ª edição. Pág. 24. 
 17
Portalis, na introdução ao Código Civil de Napoleão, afirmava que “lei é o Direito 
reduzido a regras positivas e preceitos particulares”. 
A lei é estabelecida genericamente para regular condutas. Não pretende atender a 
certa e específica questão, mas regular genericamente condutas. Obriga igualmente a todos. 
É a lei geral, disciplinando o comportamento de várias pessoas que estão em certa 
situação. É abstrata, pois determina uma categoria de ações e não uma ação singular. A lei 
realiza a certeza jurídica.23 
Lei em sentido formal é a norma emanada do Estado, e tem caráter imperativo. Lei 
em sentido material é a disposição imperativa, que tem caráter geral, contendo regra de 
direito objetivo. 
Abaixo da Constituição, existem as leis ordinárias, como: o Código Civil, que trata 
de direitos e obrigações, de contratos, de regras sobre família e sucessões, sobre coisas; leis 
sobre organização de sociedades, como da Lei das Sociedades por Ações (Lei nº. 6.404/76); 
sobre benefícios da Previdência Social (Lei nº. 8.213/91) etc. 
Linha atrás, no item 1.1 (Noção Elementar de Direito), o professor Miguel Reale, 
timidamente nos dá uma noção da conceituação de lei. 
Podemos perceber, que o problema conceitual é teórico, assim, Pedro Lessa ensina 
que “lei é a norma jurídica solene formulada e promulgada pelo poder competente, sobre 
relações de ordem interna e de interesse geral”. 
 
1.7.1. Classificação 
Quanto à natureza, as leis podem ser classificadas em materiais e instrumentais ou 
processuais. As leis materiais regulam os direitos das pessoas, como o direito ao casamento, à 
filiação, ao contrato de trabalho e aos direitos trabalhistas etc. As leis instrumentais ou 
processuais são o meio que a pessoa tem para fazer valer seu direito material, que são os 
Códigos de Processo Civil (CPC), Código de Processo Penal (CPP) e outras normas. 
Quanto aos órgãos em relação aos quais são provenientes as leis, eles podem ser 
federais, estaduais e municipais. As regras federais são oriundas do Congresso Nacional 
(Senado e Câmara Federal). As estaduais, das Assembléias Legislativas e as municipais, das 
Câmaras Municipais. 
São classificadas, inda, tendo em vista a sua força obrigatória, isto é sua 
 
23 Nelson Godoy Bassil Dower, conceitua lei jurídica ordinária como “uma regra elaborada pelo legislador, para 
ordenar, dirigir o comportamento do homem que vive em sociedade, determinando como deve ser sua conduta”. 
Instituições de Direito Público e Privado. 13ª edição. Pág. 9. 
 18
imperatividade, se distinguem em: 
 Quanto à amplitude: 
1) Gerais: discorrem sobre todos os ramos do Direito; 
2) Especiais: discorrem sobre um determinado tema; 
3) Extravagantes: elaboradas para modificar as leis especiais. 
A lei especial revoga a lei geral, devido ao fato de a primeira ter sido elaborada com 
maior rigor pelo jurista, tendo em vista versar sobre uma determinada matéria. 
 Quanto à duração: 
1) Permanentes: aquelas que não têm prazo certo para vigorar, têm prazo de vigência 
indeterminado (art. 2.º, LICC); 
2) Temporárias: são aquelas que têm prazo certo para vigência, subdividindo-se em: 
3) Expressas: quando elas mesmas determinam o seu prazo de vigência; 
4) Tácitas: quando não possuem expressamente um prazo certo de vigência, mas 
versam sobre fato determinado e excepcional, ou seja, cessando o fato, cessa a vigência da lei. 
 
1.7.2. Formação das leis 
O processo de elaboração das leis compreende três fases: (a) iniciativa; (b) 
aprovação; (c) execução. 
Iniciativa é a faculdade que a pessoa tem de propor um projeto de lei. Pode ser 
proveniente de uma pessoa ou órgão. O § 2º do art. 61 da Constituição admite que a iniciativa 
popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei 
subscrito por; no mínimo, 1% do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco 
Estados, com não menos de 0,3% dos eleitores de cada um deles. A lei disporá sobre a 
iniciativa popular no processo legislativo estadual (§ 4º do art. 27 da CF). 
O projeto de lei é estudado e discutido. São apresentadas emendas, voltando o 
projeto à Casa de origem. 
A execução da lei compreende sanção, veto, promulgação e publicação da norma. 
Na sanção, o chefe do Poder Executivo (federal, estadual ou municipal) manifesta 
sua aquiescência quanto ao projeto aprovado pelo Poder Legislativo. Pode ser a sanção 
expressa, em que essa pessoa manifesta-se formalmente de acordo com a norma aprovada. É 
tácita quando o chefe do Poder Executivo não se manifesta no prazo legal para declarar-se de 
acordo com o projeto votado pelo Poder Legislativo, deixando decorrer o prazo sem se 
manifestar sobre o tema. 
Veto é a oposição do chefe do Poder Executivo quanto ao projeto. O veto é apreciado 
pelo Poder Legislativo, que pode aceitá-lo ou rejeitá-lo. 
 19
Promulgação é a declaração do chefe do Poder Executivo ou presidente do 
Congresso de que a lei passa a fazer parte do ordenamento jurídico. 
Publicação é a forma de dar publicidade da norma às pessoas. Geralmente, é feita na 
imprensa oficial ou em jornal local. Pode ser feita também pela fixação da lei no mural da 
Prefeitura. 
 
1.7.3. Hierarquia 
As leis guardam, entre si, uma graduação hierárquica. A mais importante das leis é a 
Constituição, que não pode ser contrariadapor nenhuma outra norma. Abaixo da Constituição 
vem a lei ordinária (que é a lei propriamente dita). Depois vem o decreto e, em seguida, o 
regulamento. 
Há, contudo, no permeio, as chamadas “leis complementares”, que se situam entre a 
Constituição e as leis ordinárias. O Prof. Geraldo de Ataliba ensina que, de acordo com o 
conceito jurídico-positivo, é lei complementar “aquela expressamente prevista pelo texto 
constitucional e para cuja elaboração se previu processo especial e qualificado. Especial 
porque exclusivo e próprio da espécie; qualificado porque revestido de exigências que o 
tomam qualitativamente superior ao próprio das leis ordinárias” (Lei complementar na 
Constituição, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1971, p. 30). 
No que tange aos três âmbitos em que se divide a nação, a lei federal prevalece sobre 
a lei estadual e ambas prevalecem sobre a municipal, guardadas as respectivas esferas de 
competência. 
 
 Constituição Federal 
 Leis Complementares 
 Leis Ordinárias 
 Regulamentos 
 Decretos 
 
1.7.4. Eficácia 
Eficácia de uma lei são seu vigor e abrangência no tempo e no espaço. Em regra a lei 
destina-se a cumprimento imediato e geral em todo o território da nação. Em alguns casos 
vigorará também fora do território nacional. Nestes casos se verifica a extraterritonalidade da 
 20
lei, como quando sua eficácia se estende às embaixadas e navios de guerra em portos 
estrangeiros – que são considerados prolongamentos do território nacional.24 
Vigência da lei - a lei começa a vigorar, em todo território nacional, 45 dias depois 
de oficialmente publicada. 
O intervalo entre a data de publicação e de sua entrada em vigor, chama-se 
VACATIO LEGIS. 
Não sendo temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. 
Revogação é a hipótese em que a norma jurídica perde a vigência porque outra 
norma veio modificá-la ou revogá-la. A norma jurídica é permanente e só poderá deixar de 
surtir efeitos se a ela sobrevier outra norma que a revogue. O desuso não implica a perda da 
vigência da norma.25 
A revogação de uma norma jurídica pode ser feita por duas modalidades: 
Ab-rogação: é a revogação total da norma, ou seja, a norma antiga perde sua eficácia 
na totalidade; 
Derrogação: é a revogação parcial da norma, ou seja, a norma antiga continua 
vigorando com alguns pontos revogados pela nova lei. 
Essas duas modalidades de revogação podem ocorrer de duas formas: 
Revogação expressa: é aquela em que um novo comando normativo dispõe 
expressamente a respeito da perda da eficácia da norma anterior; 
Revogação tácita: é aquela em que a nova norma jurídica se torna incompatível com 
a norma anterior, ficando esta última revogada. 
 
1.7.5. Aplicação da lei no tempo e no espaço 
A eficácia no tempo refere-se à entrada da lei em vigor. 
Geralmente, a lei entra em vigor na data de sua publicação. Se inexiste disposição 
expressa da lei, esta começa a vigorar 45 dias depois de oficialmente publicada (art. da Lei de 
Introdução ao Código Civil – LICC). Nos Estados estrangeiros, a obrigatoriedade da lei 
brasileira, quando admitida, inicia-se três meses depois de oficialmente publicada (§1º, do art. 
 
24 Ricardo Teixeira Brancato. Instituições de Direito Público e Privado. 12ª edição. Pág. 33. 
 
25 Para Nelson Godoy Bassil Dower, revogação “é o ato pelo qual se dá a extinção da vigência e eficácia de uma 
lei. É o ato pelo qual a lei é retirada de circulação, visto que uma lei só se revoga por outra lei“. Instituições de 
Direito Público e Privado. 13ª edição. Pág. 12. 
 21
1°, da LICC). É o que se chama de vacatio legis. Objetiva-se com isso divulgar o texto, 
discuti-lo e apreender seu conteúdo.26 
Se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, destinada a 
correção, o prazo de vigência começará a correr da nova publicação. 
As correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova. 
Não se destinando a lei a ter vigência temporária, terá vigor até que outra a 
modifique ou revogue. 
A lei posterior revoga a anterior quando: 
a) expressamente o declare, como ocorre no final de muitas leis que rezam: 
revogam-se as disposições em contrário, ou quando revoga especificamente outra lei ou artigo 
de lei; 
b) seja com ela incompatível. Exemplo seria prescrever conduta totalmente contrária 
à especificada na lei anterior; 
c) regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. As Leis nº. 8.212/91 
e 8.213/91, que tratam de organização do custeio da Seguridade Social e dos benefícios da 
Previdência Social, regularam a matéria, tendo revogado a antiga norma que versava sobre o 
assunto: a Lei nº. 3.807/60, embora inexista determinação expressa nesse sentido nas novas 
leis. 
A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não 
revoga nem modifica a lei anterior. Difícil na maioria das vezes é dizer qual é a lei geral e 
qual a lei especial. 
Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora 
perdido a vigência. Repristinação é a restauração da norma anteriormente revogada, pelo fato 
de que a lei revogadora perdeu vigência. No sistema jurídico brasileiro, não existe 
repristinação. 
A lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o 
direito adquirido e a coisa julgada. 
Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em 
que se efetuou. 
 
26 O atual sistema brasileiro não proíbe leis retroativas, apenas excluem da incidência da lei nova o ato jurídico 
perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. DIREITO ADQUIRIDO - já se incorporou ao patrimônio de 
alguém. É o direito incorporado (bens materiais e ano materiais). COISA JULGADA - sentença que não cabe 
mais recurso. 
 
 22
Direito adquirido é o que integra o patrimônio jurídico da pessoa, por esta já ter 
implementado todas as condições para adquirir o direito, podendo exercê-lo a qualquer 
momento. Consideram-se, assim, adquiridos os direitos que seu titular, ou alguém por ele, 
possa exercer, como aqueles cujo começo do exercício tenha prazo prefixado, ou condição 
preestabelecida inalterável em relação à vontade de outra pessoa. 
Chama-se coisa julgada a decisão judicial de que já não caiba qualquer recurso. 
A eficácia da lei no espaço diz respeito ao território em que vai ser aplicada a 
norma. A lei aplica-se ao Brasil, tanto para os nacionais como para os estrangeiros que aqui 
residam. 
Em certos casos, a lei pode ter eficácia no exterior, quando a própria norma assim 
disponha. É o que ocorre com o art. 3º da Lei n 7.064/82, que prevê que o empregado 
brasileiro contratado por empresa de construção civil para trabalhar no exterior tem direito às 
verbas trabalhistas (inciso II) e à previdência social previstas na legislação brasileira 
(parágrafo único). 
 
1.8. Elementos de Teoria Geral do Estado 
1.8.1. Histórico 
Podemos verificar que durante todo o nosso estudo, vários autores têm afirmado que 
o homem é um ser gregário, ou seja, só poderá viver em sociedade. Em conseqüência, não há 
sociedade, por mais rudimentar que seja a sua forma, sem governo. 
De um modo geral, a família é considerada a primitiva forma social; aos poucos as 
famílias foram crescendo e formando sociedades mais extensas: as gens se impunham às 
demais: surgia o “Império”. 
Pode-se dizer que a evolução havida desde a família até a cidade originou-se de dois 
princípios: um, de fragmentação; outro, de aglutinação. A família ia aos poucos subdividindo-
se, pois com o aumento do número de seus integrantes estes se viam na contingência de se 
separar, a fim de obterem melhores meios de subsistência. Apesar disso, os membros dessas 
famílias separadas conservavam a convicção de que descendiam de um mesmo tronco. Isto 
servia de defesa contra inimigos; por isso,as famílias originárias de um tronco ancestral 
reuniam-se sob as ordens de um chefe comum; dessa reunião surgiam as gens, as tribos e, por 
fim, as cidades (Anacleto de Oliveira Faria, Instituições de direito público, cit.). 
Essa estrutura prevaleceu durante a Antigüidade, desaparecendo com a Idade Média. 
Consoante o ensinamento do Prof. Pedro Salvetti Netto (em livro cuja leitura 
recomendo porque, entre outras qualidades, é dotado de impressionante clareza), o Estado “é 
 23
a forma mais perfeita de organização social jamais engendrada pelo homem. Produto da 
evolução e da cultura, encontra-se na mais ascendente posição entre as sociedades, razão pela 
qual nele se observa a composição de uma tendência universal, síntese perfeita de uma 
orientação comum, evolutiva e cultural, que lobrigou a harmonia da convivência, nesta forma 
de organização evoluída” (i Curso de ciência política; teoria do Estado, São Paulo, Resenha 
Universitária, 1975, v. 1, p. 39). 
 
1.8.2. Conceito 
Estado é a sociedade política e juridicamente organizada, dotada de soberania, dentro 
de um território, sob um governo, para a realização do bem comum do povo.27 
Bem comum é o conjunto de todas as condições de vida social que consistam e 
favoreçam o desenvolvimento integral da personalidade humana (Papa João XXIII, Pacem in 
terris, Encíclica, II, 58). 
Parece-me de melhor compreensão, o conceito trazido pelo professor Ricardo 
Teixeira Brancato, segundo quem “Estado é a pessoa jurídica soberana constituída de um 
povo organizado sobre um território sob o comando de um poder supremo, para fins de 
defesa, ordem, bem-estar e progresso social”. Esse conceito dá uma noção mais exata do que 
seja Estado, além de explicitar claramente os pressupostos ou elementos deste. Esclarece 
também que o Estado é dotado de personalidade jurídica e possui fins a cumprir.28 
 
1.8.3. Elementos do Estado 
O professor Ricardo Teixeira Brancato, considera os elementos do Estado como 
pressupostos. Ele não deixa de ter razão; mesmo porque, pressuposto é aquilo que se supõe 
antecipadamente; pressuposição, conjectura, suposição, ou seja, pressupõe que para a 
formação do Estado são necessários três elementos imprescindíveis: o povo, o território e o 
governo (soberania é atributo). 
Território29 é a superfície sobre a qual se estabelece o povo, de modo permanente, 
incidindo aí a soberania. São elementos do território: o solo, delimitado por fronteiras naturais 
ou artificiais; o subsolo, até onde seja útil ao Estado; o espaço aéreo, até a altura conveniente 
 
27 Para Rodrigo César Rebello Pinho, Estado é uma sociedade dotada de algumas características próprias, ou dos 
elementos essenciais: povo, território e soberania. (Sinopses Jurídicas. Vol. 17, pág. 01). 
28 Ricardo Teixeira Brancato. Instituições de Direito Público e Privado. Ed. Saraiva. Pág. 59. 
29 O conceito de território é jurídico e não meramente geográfico. Abrange, além do espaço delimitado entre as 
fronteiras do Estado, o mar territorial, a plataforma continental, o espaço aéreo, navios e aeronaves civis em alto-
mar ou sobrevoando espaço internacional e navios e aeronaves militares onde quer que estejam. (Sinopses 
Jurídicas. Vol. 17, pág. 02). 
 24
à preservação da segurança nacional e, finalmente, o mar territorial ou águas territoriais, numa 
extensão indispensável à defesa do território. Essa faixa de água era delimitada antigamente 
pelo alcance de um tiro de canhão. Hoje varia entre dez e quinze milhas marítimas, ou seja, 
18.500 e 27.750 metros, aproximadamente, no caso de alguns países e, no caso do Brasil e 
outros países americanos, as águas territoriais se estendem por duzentas milhas da costa. 
Por exíguo que seja, todo Estado tem de ter seu território, não importa o tamanho. 
Assim, o Vaticano ou o Luxemburgo têm território diminuto mas nem por isso deixam de ser 
Estados. 
Fazem parte do território do Estado, também, a plataforma submarina, os navios de 
guerra, onde quer que estejam, os navios mercantes em alto-mar, os aviões militares, os que 
estejam no espaço aéreo livre e as embaixadas (veja-se no capítulo referente ao “Direito 
Administrativo” o assunto relacionado aos bens públicos). 
Entende-se por povo30 o grupo social organizado, ou seja, uma coletividade de 
cidadãos. Costuma-se diferenciar povo e população, e os que assim distinguem dizem, em 
síntese, que o povo é constituído pelos cidadãos, que são ligados por laços de tradição, 
idioma, religião, respeito a um solo comum onde foram sepultados os seus antepassados e que 
serve de berço aos seus descendentes, formando uma unidade política e cultural a projetar-se 
através da História e sujeito à mesma soberania. Já a população é o conglomerado de 
indivíduos estatisticamente considerados, num dado momento, dentro do território do Estado. 
A população, portanto, é integrada não só pelos cidadãos naturais do país mas também pelos 
estrangeiros, ao passo que o povo é composto somente de cidadãos que pertençam ao Estado, 
estejam no país ou em território estrangeiro. Exemplo: o embaixador do Brasil em Roma é 
membro do povo brasileiro mas faz parte da população italiana; já o embaixador da Itália em 
Brasília faz parte da população brasileira mas é membro do povo italiano. 
Há autores que confundem povo31 com nação, pois diz-se que nação é um grupo 
homogêneo quanto à raça (o que, aliás, é muito precário, pois isto de raça é critério 
impreciso), religião (o que também é falho, pois há nações com inúmeras religiões), idioma (o 
que também não é muito rígido, porque há nações com mais de um idioma), tradições 
históricas, unidade política e cultural, consciente apego ao solo etc., além de outros vínculos 
 
30 Povo é o elemento humano do Estado, o conjunto de pessoas que mantêm um vínculo jurídico-político com o 
Estado, pelo qual se tornam parte integrante deste. O conceito de povo, não se confunde com os de população e 
nação. População é o conjunto de pessoas que se encontram no território de um determinado Estado, sejam 
nacionais ou estrangeiros, um conceito numérico. Nação é o conjunto de pessoas que formam uma comunidade 
unida por laços históricos e culturais, uma realidade sociológica. 
31 * (Notas doutrinárias extraídas de obras dos autores Alexandre de Moraes, Alessandro Groppalli, Pedro Salvetti Neto, 
André Luiz Borges Netto e Sylvio Motta & William Douglas 
 25
bastante fortes a unir os elementos da mesma nação, tais como a vida em comum, os mesmos 
ideais e aspirações, os sacrifícios, as lutas, o trabalho e o próprio sofrimento através da 
História, a consciência de sua unidade etc. Assim, a nação é o ambiente em que se assenta e 
organiza o Estado e o conjunto de seus cidadãos é o povo. Este é sempre elementar no Estado, 
ao passo que a nação se define também por outros elementos bastante complexos. 
O governo dá ao Estado a sua conotação jurídica. É a organização necessária para o 
exercício do poder, a força que conduz a coletividade para o cumprimento das normas que 
cria, estabelece e exige, como condição de vida de um. É elemento formal do Estado e se 
caracteriza, fundamentalmente, pelo conceito de soberania. Soberania deve ser considerada 
como o poder que tem um Estado de se organizar juridicamente e de fazer valer dentro de seu 
território a universalidade de suas decisões. A soberania é a qualidade suprema do poder, 
própria do Estado. 
É indispensável que as autoridades constituídas exerçam sobre as pessoas que 
residam em determinado território um poder de natureza absoluta. Ensina Dalmo Dallari que a 
palavra “soberania” possui dois sentidos. No sentido político, é o “poder incontrastável de 
querer coercitivamente e fixar competências”. No sentido jurídico, soberania seria “o poder 
de decidir em última instância”. A soberania possui essa dupla face de supremacia na ordem 
internae independência na ordem externa. Há autores, ainda, que incluem entre os elementos 
do Estado a finalidade, que é a realização do bem comum. É imprescindível frisar que o 
Estado não é um fim em si mesmo, mas um meio para a satisfação das necessidades do povo 
organizado politicamente sobre determinado território. 
 
1.8.3.1. Soberania 
A soberania, ou poder de império (ou, ainda, simplesmente, poder), é o elemento que 
prepondera na constituição do Estado, sendo considerada mesmo como a institucionalização 
do poder, isto é, o momento decisivo na formação do Estado, segundo Burdeau. Diz-se que o 
poder se institucionaliza quando se subordina a uma estrutura e organização que regulam seu 
exercício, prevendo e provendo a sua transmissão e delimitando a sua extensão. Portanto, 
soberania é o poder institucionalizado. A soberania, assim, é o poder subordinado a uma 
disciplina jurídica e que o torna impessoal. Sem essa disciplina o poder nada mais é do que a 
configuração do arbítrio pessoal que irá depender do prestígio de quem o exerce. Daí os 
regimes ditatoriais. 
Mas o Estado só se constitui definitivamente quando sua organização se abstrai das 
pessoas que o integram, para formar uma estrutura à parte, estabilizar-se num corpo, 
 26
constituir-se de forma permanente, individualizar-se e adquirir personalidade jurídica. 
Constituído assim o Estado, está institucionalizado o poder. Os indivíduos que, como 
governantes, ocasionalmente detêm esse poder são seres transitórios, que cedem lugar a 
outros que os substituam nas funções exercidas e assim sucessivamente. Porém o Estado 
permanece acima dessa conjuntura, sobrevivendo a organização aos indivíduos e perdurando, 
em sua continuidade, a instituição. 
A soberania se apresenta sob dois aspectos: o positivo ou interno e o negativo ou 
externo. No primeiro aspecto o Estado se mostra como poder supremo, como exclusivo 
comando por meio do qual o Estado tem a faculdade de fazer as leis e de obrigar ao seu 
cumprimento, regulando a conduta humana em sociedade. Daí o direito positivo, emanação de 
soberania do Estado, conforme já se viu. 
Externamente a soberania se apresenta em seu aspecto negativo porque significa a 
faculdade de impedir intromissões de um poder estranho que pretenda comandar sobre o 
agregado social que se organizou em Estado. 
No plano internacional os Estados possuem igualdade jurídica e as limitações do 
poder se devem circunscrever apenas aos reclamos da vida internacional disciplinada pelo 
direito internacional, como também já foi visto. 
 
1.8.4. Fins do Estado 
O fim do Estado é assegurar a vida humana em sociedade, pelo fato de que o homem 
não vive isoladamente e necessita de normas que disciplinem comportamentos. Visa ao bem 
comum do povo. 
O Estado deve garantir a ordem interna, assegurar a soberania na ordem 
internacional, fazer as regras de conduta, distribuir justiça. 
São objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, que é um Estado 
Democrático de Direito: 
(a) construir uma sociedade livre, justa e solidária; 
(b) garantir o desenvolvimento nacional; 
(c) erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e 
regionais; 
(d) promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e 
quaisquer outras formas de discriminação (art. 3º da Constituição). 
Os fins sociais ou não essenciais ao Estado são a assistência à família, à educação, à 
criança, ao adolescente, ao idoso e à previdência social. 
 27
1.9. Formas de Estado 
No Estado unitário ou simples32 só existe uma única fonte de Direito, que é de 
âmbito nacional, estendendo-se uniformemente sobre todo o seu território. A França, a 
Bélgica, a Itália e Portugal são Estados unitários.33 
O Estado composto é a reunião de dois ou mais Estados, sob o mesmo governo, 
formando uma união. Era o que ocorria na antiga União Soviética, que congregava a Rússia, a 
Ucrânia etc., e também na Iugoslávia, que incluía a Bósnia, Herzegovina, a Croácia e a 
Dalmácia. 
No Estado federado, há a reunião de vários Estados que formam a federação. É a 
união de Estados que eram independentes. A União faz nascer um novo Estado, sob o império 
de uma Constituição e não de um tratado. Os Estados que aderem à federação não podem 
mais dela se desligar. Perdem os Estados sua soberania. Há distribuição de competências na 
Constituição. Existem várias fontes de Direito, que são a federal, a estadual e a municipal. Os 
Estados podem impor tributos para fazer face a seus encargos. O Brasil e os Estados Unidos 
são Estados federais. 
 
1.9.1. Federação 
A Federação é a forma de Estado caracterizada pela: a) repartição ou distribuição de 
competências inserida no texto constitucional (imune à modificação por meio de um 
procedimento mais rígido do que o previsto para modificação das espécies normativas 
infraconstitucionais); b) capacidade de auto-organização dos Estados-Membros através de 
constituições próprias; c) participação dos Estados-Membros na formação da vontade 
nacional através do Senado Federal (representantes dos Estados – adotamos no Brasil o 
chamado federalismo homogêneo); 
São requisitos para manutenção do Estado Federal a necessária existência de uma 
rigidez constitucional, ou seja, de um procedimento mais rígido para modificação do texto 
constitucional, sem o qual restaria bastante ameaçada a manutenção das competências 
previstas para os entes componentes da federação, bem como a proteção dos direitos 
fundamentais. Além da rigidez da norma constitucional, há também a necessidade de que 
exista um órgão incumbido de realizar o controle da constitucionalidade, de modo a preservar 
 
32 É importante salientar, que os Estados simples correspondem a uma unidade de fonte (única) de onde emana o 
poder estatal. Inexistem entes politicamente descentralizados, podendo ocorrer, no máximo, uma 
descentralização de caráter administrativo 
33 No dizer de Ricardo Teixeira Brancato, O governo dá ao Estado a sua conotação jurídica. É a organização 
necessária para o exercício do poder, a força que conduz a coletividade para o cumprimento das normas que cria, 
estabelece e exige, como condição de vida de um povo (Instituições de Direito Público e Privado, pág. 61). 
 28
a supremacia formal da constituição sobre todo o ordenamento jurídico-positivo. É na 
hierarquia das leis (questão do fundamento de validade) que se firma a idéia de rigidez e 
supremacia constitucional. 
No Brasil são entidades componentes da Federação a União, os Estados-Membros, o 
Distrito Federal e os Municípios. (art. 1°, caput, CF). 
A forma federativa de Estado é uma das quatro cláusulas pétreas previstas na 
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. (art. 60, § 4°, CF) 
 
1.10. Formas de Governo 
Pelo modo de organização política do Estado, existem duas formas básicas de 
governo: Monarquia e República. 
Monarquia. Palavra de origem grega, monarchía, governo de um só, caracteriza-se 
pela vitaliciedade, hereditariedade e irresponsabilidade do Chefe de Estado. O monarca 
governa enquanto viver. A escolha é feita dentro da linha de sucessão dinástica, e o rei não 
tem responsabilidade política. A Monarquia pode ser absoluta ou relativa. Na absoluta todo o 
poder está concentrado nas mãos de uma só pessoa, que o exerce de forma ilimitada, sem 
qualquer controle. Possui poderes ilimitados tanto para fazer as leis como para aplicá-las. Na 
Monarquia limitada ou constitucional, o poder do soberano é delimitado pela Constituição. 
Exemplos: Brasil-Império, Reino Unido da Grã-Bretanha, Espanha e Japão. 
República. Palavra de origem latina, res publica, coisa pública, caracteriza-se pela 
eletividade, temporariedade e responsabilidade do Chefe de Estado. São feitas eleições 
periódicas para a escolha deste, que deve prestar contas de seus atos para o povo que o elegeu 
ou para um órgão de