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Simulações HM – 2025.1 Caso Clínico 5 #ID: Wanda, 44 anos, professora de história. #QP: “Tosse seca, dor quando respiro” #HDA: Paciente refere tosse seca de início há 5 dias com expectoração amarelada há 2 dias com piora noturna, associada à calafrios, dispneia, fadiga, dor torácica ventilatório-dependente há 3 dias, febre e perda de apetite. Fez uso de Dipirona com efeito por 4 horas. #HMP: nega MUC, alergias, comorbidades e internações previas. Nega vacinação para H1N1. #HF: pai hipertrofia prostática e mãe com artrite reumatoide. #HS: Faz consumo de álcool aos finais de semana, faz uso mensal de maconha uma vez ao mês, baixa ingesta hídrica e atividade física iniciadas há 1 mês com cessação após sintomas. #EF: Dados vitais: PA: 126X72mmHg; FC: 98bpm; FR: 18irpm; T: 38,6ºC; AC: BNF, 2T, RR, SSCE; Orientada, sem sinais meníngeos, pupilas isocóricas e foto reagentes, corada, desidratada ++ de 4, taquipneia, anictérica e febril; Exame físico pulmonar: expansibilidade diminuída no terço inferior do hemitórax esquerdo, estertores crepitantes à esquerda, macicez à percussão, frêmito toracovocal aumentado, MV+++; ABD: ok; MMII sem edema; Sat: 93%; #Conduta: encaminho paciente para observação, com uso de dipirona 9500mg para a febre. Solicito exames laboratoriais, exames de imagem e testes para H1N1, COVID-19. #Avaliação: pneumonia #Exames: RAIO X Laboratoriais: • Leucocitose com desvio à esquerda (aumento de bastões) #Evolução: classifico CURB 65, PSI, prescrevo Amoxicilina 500 mg 2 comprimidos (1 g) VO de 8/8 horas, por 5 dias; QA’s 1. Vacinas em Adultos. calend-sbim-adulto.pdf 2. CURB 65 (foquem nesse caso) CURB-65 1. C – Nível de consciência; 2. U – Ureia > 50 mg/dl; 3. R – Frequência respiratória ≥ 30ipm; 4. B – Pressão sanguínea (blood pressure): PAS2. Como reconhecer a gravidade evolutiva de uma síndrome gripal? Os sinais de alerta incluem: • Hipoxemia grave (Sat. O2 30 irpm) • Instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia) • Alteração do nível de consciência • Aumento dos marcadores inflamatórios (PCR, leucocitose com desvio) • Comprometimento respiratório progressivo à ausculta pulmonar (sibilos e redução de murmúrio vesicular) • Febre persistente • Dor torácica • Dispneia • Confusão mental • Desidratação 3. Conduta inicial diante de um paciente com IR grave. 1. Estabilização clínica (conduta imediata): • Monitorização cardíaca + oximetria de pulso; • Suplementação de oxigênio sob máscara ou cateter nasal; • Risco iminente de parada respiratória/hipoxemia grave/rebaixamento do nível de consciência: Intubação orotraqueal + ventilação mecânica; • Avaliação do nível de consciência, exame físico dirigido com auscultas cardíaca e respiratória; • Gasometria arterial; • História clínica breve pelo paciente e/ou acompanhante. 2. Conduta pós-estabilização inicial: • Avaliar provável etiologia e iniciar tratamento específico; • Ajustar a suplementação de oxigênio para manter saturação de hemoglobina entre 90-94%; • Reavaliar a todo momento a necessidade de intubação e ventilação mecânica pelo risco de parada respiratória; • Avaliar indicações e contraindicações para ventilação não invasiva (ver adiante); • Radiografia de tórax; • Reavaliar estado ventilatório por gasometria arterial. 4. Como fazer suporte ventilatório hemodinâmico de uma paciente com síndrome respiratória aguda grave. 1. Avaliação Inicial e Monitoramento: • Sinais Vitais: Meça pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória, temperatura e saturação de oxigênio (SpO₂). • Exames Complementares: Solicite gasometria arterial, hemograma completo, eletrólitos, função renal e hepática, além de radiografia de tórax. 2. Oxigenoterapia: • Objetivo: Manter SpO₂ entre 90% e 94%. • Métodos: o Cateter Nasal: Inicie com fluxo de 1 a 6 L/min. o Máscara de Venturi: Para maior controle da FiO₂, utilize conforme necessidade. o Máscara com Reservatório (Não Reinalante): Se SpO₂ permanecer baixa, utilize com fluxo de 10 a 15 L/min. 3. Ventilação Não Invasiva (VNI): • Indicações: Pacientes com insuficiência respiratória hipercápnica (p.ex., DPOC exacerbado) sem contraindicações como rebaixamento do nível de consciência ou instabilidade hemodinâmica.SciELO Brasil • Configurações Iniciais: o Pressão de Suporte (PS): Inicie com 5-10 cmH₂O. o Pressão Expiratória Final Positiva (PEEP): Comece com 5 cmH₂O. o FiO₂: Ajuste para manter SpO₂ no alvo desejado. • Monitoramento: Reavalie após 1-2 horas. Se não houver melhora clínica, considere intubação orotraqueal. 4. Ventilação Mecânica Invasiva: • Indicações: Falha na VNI, hipoxemia grave ou sinais de fadiga muscular respiratória. • Passo a Passo: 1. Pré-Oxigenação: Administre O₂ a 100% por 3-5 minutos. 2. Indução e Bloqueio Neuromuscular: Utilize agentes como midazolam (0,1-0,3 mg/kg IV) e succinilcolina (1-1,5 mg/kg IV) ou rocurônio (0,6-1,2 mg/kg IV). 3. Intubação Orotraqueal: Realize conforme técnica padrão, confirmando posição com capnografia e ausculta pulmonar. 4. Ajustes Iniciais do Ventilador: ▪ Modo: Volume Controlado (VC) ou Pressão Controlada (PC). ▪ Volume Corrente (VC): 6 mL/kg de peso corporal ideal. ▪ Frequência Respiratória (FR): 12-16 incursões/min. ▪ PEEP: Inicie com 5-10 cmH₂O, ajustando conforme oxigenação. ▪ FiO₂: Comece com 100% e titule para manter SpO₂ entre 90-94%. • Monitoramento: Acompanhe pressões de via aérea (pressão de platô ≤30 cmH₂O), complacência pulmonar e parâmetros gasométricos. 5. Suporte Hemodinâmico: • Reposição Volêmica: o Cristaloides: Administre bolus de 250-500 mL de solução salina 0,9% ou Ringer lactato em 15- 30 minutos, reavaliando sinais de perfusão.Iris Paho o Meta: Evitar hipovolemia e sobrecarga hídrica; utilize parâmetros como pressão venosa central (PVC) e débito urinário para guiar a reposição. • Vasopressores: o Indicação: Se PAM 93% e/ou tenham frequência respiratória > 28 irpm ou retenção de CO2 (PaCO2 > 50 mmHg e/oupH 60% de FiO₂ por tempo prolongado) Pressão de Platô (Pplat) •sem falência iminente ✔ PaO₂/FiO₂ entre 150-200 mmHg ✔ Doenças que se beneficiam da VNI: • Exacerbação de DPOC • Edema agudo pulmonar cardiogênico • Imunossuprimidos com insuficiência respiratória • Pós-extubação precoce em pacientes selecionados Não usar VNI em SRAG se: Instabilidade hemodinâmica (PA sistólica < 90 mmHg, necessidade de vasopressores) Rebaixamento do nível de consciência ou incapacidade de proteger vias aéreas Secreção excessiva e dificuldade para eliminar secreções PaO₂/FiO₂ < 150 mmHg (alto risco de falha) 2. Configuração do Ventilador • Modo: Preferência por Pressão de Suporte (PSV) + PEEP ou BIPAP (Bilevel) • Interfaces: o Máscara oronasal (preferida) ou máscara facial total (helmet) Parâmetros Iniciais Parâmetro Valor Inicial Pressão Expiratória Final Positiva (PEEP) 5-10 cmH₂O Pressão de Suporte (PSV) 5-15 cmH₂O (ajustar para obter volume corrente ~6-8 mL/kg) FiO₂ (Fração Inspirada de O₂) 40-60% (ajustar para manter SpO₂ 90-94%) Frequência Respiratória Deixar espontânea (observar se FR < 30 irpm) 3. Monitoramento e Avaliação da Resposta Após iniciar a VNI, é essencial monitorar: Sinais clínicos: redução da dispneia, melhora da saturação de O₂ Gasometria arterial após 1-2 horas Parâmetros ventilatórios para evitar distensão gástrica e desconforto Critérios de Falha da VNI (Indicam necessidade de intubação) SpO₂ < 88-90% apesar de FiO₂ ≥ 60% FR > 35 irpm persistente Aumento do trabalho respiratório, uso de musculatura acessória Acidose respiratória (pH < 7,25) ou piora da hipercapnia 4. Passos se houver falha na VNI - Reavaliar técnica: máscara bem vedada? paciente tolerando? - Ajustar parâmetros: aumentar PSV ou PEEP conforme necessidade - Se falha persistente, proceder com intubação orotraqueal e iniciar ventilação mecânica invasiva (VMI) A VNI é uma ferramenta valiosa quando usada corretamente, mas a avaliação precoce da resposta é fundamental para evitar atrasos na intubação em pacientes que não respondem bem ao suporte não invasivo. 8. Intubação? Máscara? No caso específico de Mauro, com hipoxemia grave (SatO2 65%) e sinais de desconforto respiratório importante (FR 28 irpm, tiragem intercostal moderada), a ventilação não invasiva pode ser tentada inicialmente. Entretanto, devido à persistência da hipoxemia severa e sinais de fadiga respiratória, a intubação orotraqueal deve ser considerada precoce para evitar deterioração clínica. Se indicado, a intubação deve ser feita com sequência rápida para minimizar riscos de dessaturação durante o procedimento.