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- L e i d o s C r i m e s A m b i e n t a i s -
- Lei 9.605/98 -
Introdução 
• A CF trata do meio ambiente em diversos dispositivos, dentre os quais
se destaca a norma do art. 225.
• Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia
qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o
dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras
gerações. (…) § 3º As condutas e atividades consideradas lesivas
ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou
jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente
da obrigação de reparar os danos causados.
Introdução 
• Há um conceito legal de meio ambiente?
• A norma do art. 3, I da lei 6.938/81 (Política
Nacional do Meio Ambiente), dispõe que meio
ambiente é “o conjunto de condições, leis,
influências e interações de ordem física, química
e biológica, que permite, abriga e rege a vida em
todas as suas formas”
Introdução 
• Art. 2º Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes previstos
nesta Lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade,
bem como o diretor, o administrador, o membro de conselho e de órgão técnico,
o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo
da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia
agir para evitá-la.
• Adotou-se a teoria monista;
• Para que o diretor, o administrador, o membro de conselho e de órgão
técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica,
seja responsabilizado, há necessidade de que tenha conhecimento da
conduta criminosa e deixem de impedir a sua pratica quando podia agir para
evita-la.
Introdução 
• Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente conforme o
disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal
ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade.
• Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras,
co-autoras ou partícipes do mesmo fato.
• A CF também prevê a responsabilidade da PJ
• Art. 225, § 3º, CF: As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente
sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas,
independentemente da obrigação de reparar os danos causados
• Posições doutrinárias:
• 1ª corrente:
• 2ª corrente:
• 3ª corrente:
• Qual prevalece?
Responsabilidade da PJ 
• Sobre a responsabilidade penal da PJ:
• Teoria da dupla imputação;
• Ainda é adotada?
• Info. 714/STF
• RHC 88264/ES
• Se PF e PJ forem condenadas pelo mesmo fato: há bis in idem?
• Pessoa Jurídica de direito público, pode ser responsabilizada?
• 1ª Corrente:
• 2ª Corrente
• As penalidades aplicáveis às PJ estão previstas nas normas dos art. 21:
• I - multa;
• II - restritivas de direitos;
• III - prestação de serviços à comunidade.
• Caso a pessoa jurídica seja constituída ou utilizada, preponderantemente, com o fim de permitir,
facilitar ou ocultar a prática de crime definido nesta Lei terá decretada sua liquidação forçada, seu
patrimônio será considerado instrumento do crime e como tal perdido em favor do Fundo
Penitenciário Nacional
Desconsideração da PJ
• Art. 4º Poderá ser desconsiderada a pessoa
jurídica sempre que sua personalidade for
obstáculo ao ressarcimento de prejuízos
causados à qualidade do meio ambiente.
• Aplica-se ao âmbito criminal?
Dosimetria da Pena
• Art. 6º Para imposição e gradação da penalidade, a autoridade
competente observará:
• I - a gravidade do fato, tendo em vista os motivos da infração
e suas conseqüências para a saúde pública e para o meio
ambiente;
• II - os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da
legislação de interesse ambiental;
• III - a situação econômica do infrator, no caso de multa.
• O art. 59, CP, também deve ser observado?
Penas Restritivas de Direito
• Art. 7º As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as
privativas de liberdade quando:
• I - tratar-se de crime culposo ou for aplicada a pena privativa de liberdade
inferior a quatro anos;
• II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade
do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias do crime
indicarem que a substituição seja suficiente para efeitos de reprovação e
prevenção do crime.
• Parágrafo único. As penas restritivas de direitos a que se refere este artigo
terão a mesma duração da pena privativa de liberdade substituída.*
• (há exceção: interdição temporária de direitos)
Penas Restritivas de Direito: requisitos
LEI DOS CRIMES AMBIENTAIS CÓDIGO PENAL
Crime culposo: qualquer pena Crime culposo: qualquer pena
Pena privativa de liberdade inferior a 4 anos Pena privativa de liberdade não superior a 4 
anos e o crime for sem violência ou grave 
ameaça à pessoa
Réu não reincidente em crime doloso;
Circunstâncias judiciais favoráveis Circunstâncias judiciais favoráveis
Penas Restritivas de Direito: espécies
• A lei prevê 5 espécies de PRDs aplicáveis às PF:
• I - prestação de serviços à comunidade;
• II - interdição temporária de direitos;
• III - suspensão parcial ou total de atividades;
• IV - prestação pecuniária;
• V - recolhimento domiciliar.
Penas Restritivas de Direito: espécies
• I - prestação de serviços à comunidade;
• Atribuição de tarefas gratuitas junto a parques
e jardins públicos e unidades de conservação,
• No caso de dano da coisa particular, pública ou
tombada, na restauração desta, se possível.
Penas Restritivas de Direito: espécies
• II - interdição temporária de direitos;
• proibição de o condenado contratar com o Poder
Público, de receber incentivos fiscais ou quaisquer
outros benefícios, bem como de participar de
licitações, pelo prazo:
• de cinco anos, no caso de crimes dolosos;
• de três anos, no de crimes culposos.
Penas Restritivas de Direito: espécies
• III - suspensão parcial ou total de atividades;
• será aplicada quando estas não estiverem
obedecendo às prescrições legais;
• Há pena similar aplicável para PJ, mas está
previsto em dispositivo diverso
Penas Restritivas de Direito: espécies
• IV - prestação pecuniária;
• no pagamento em dinheiro:
• à vítima ou à entidade pública ou privada com fim
social
• de importância, fixada pelo juiz, não inferior a um
salário mínimo nem superior a trezentos e sessenta
salários mínimos.
• O valor pago será deduzido do montante de eventual
reparação civil a que for condenado o infrator.
Penas Restritivas de Direito: espécies
• V - recolhimento domiciliar.
• baseia-se na autodisciplina e senso de
responsabilidade do condenado, que deverá, sem
vigilância, trabalhar, freqüentar curso ou exercer
atividade autorizada, permanecendo recolhido
nos dias e horários de folga em residência ou em
qualquer local destinado a sua moradia habitual,
conforme estabelecido na sentença condenatória.
Penas Restritivas de Direito: comparação
LEI DOS CRIMES AMBIENTAIS CÓDIGO PENAL
prestação de serviços à 
comunidade;
prestação de serviço à 
comunidade ou a entidades 
públicas;
interdição temporária de direitos; interdição temporária de direitos;
suspensão parcial ou total de 
atividades;
limitação de fim de semana
prestação pecuniária; prestação pecuniária;
recolhimento domiciliar. perda de bens e valores;
Penas Restritivas de Direito
• Circunstâncias que atenuam a pena:
• I - baixo grau de instrução ou escolaridade do agente;
• II - arrependimento do infrator, manifestado pela
espontânea reparação do dano, ou limitação
significativa da degradação ambiental causada;
• III - comunicação prévia pelo agente do perigo
iminente de degradação ambiental;
• IV - colaboração com os agentes encarregados da
vigilância e do controle ambiental.
Circunstâncias Agravantes
• Circunstâncias que agravam a pena quando não constitui nem qualifica o crime:
• I - reincidêncianos crimes de natureza ambiental;
• Somente os crimes previstos nesta lei ?
• II - ter o agente cometido a infração:
• (…)
• h) em domingos ou feriados;
• i) à noite;
• j) em épocas de seca ou inundações;
• l) no interior do espaço territorial especialmente protegido;
• m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais;
• n) mediante fraude ou abuso de confiança;
• o) mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental;
• p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas públicas ou 
beneficiada por incentivos fiscais;
• q) atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios oficiais das autoridades competentes;
• r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções.
SURSIS AMBIENTAL
• Cabimento do SURSIS:
• Art. 16. Nos crimes previstos nesta Lei, a suspensão condicional da pena pode ser aplicada nos
casos de condenação a pena privativa de liberdade não superior a três anos.
• E os requisitos?
• São os do CP (HC350897RS):
• Não reincidente em crime doloso;
• Circunstâncias judiciais favoráveis
• Não seja cabível ou adequada a substituição por PRD
• Cabem ainda os SURSIS:
• Especial (se houve reparação do dano) (art. 78, paragrafo 2, CP)
• Art. 17. A verificação da reparação a que se refere o § 2º do art. 78 do Código
Penal será feita mediante laudo de reparação do dano ambiental, e as
condições a serem impostas pelo juiz deverão relacionar-se com a proteção ao
meio ambiente.
• Etário/humanitário (art. 77, paragrafo 2, CP).
• A execução da pena privativa de liberdade, não superior a quatro anos, poderá
ser suspensa, por quatro a seis anos, desde que o condenado seja maior de
setenta anos de idade, ou razões de saúde justifiquem a suspensão
SURSIS AMBIENTAL
LEI DOS CRIMES AMBIENTAIS CÓDIGO PENAL
Nos crimes previstos nesta Lei, a suspensão
condicional da pena pode ser aplicada nos casos
de condenação a pena privativa de liberdade não
superior a três anos.
A execução da pena privativa de liberdade, não
superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa, por
2 (dois) a 4 (quatro) anos
A lei não traz os requisitos. 
Para jurisprudência, se adotam os do CP
I - o condenado não seja reincidente em crime 
doloso; II - a culpabilidade, os antecedentes, a 
conduta social e personalidade do agente, bem 
como os motivos e as circunstâncias autorizem a 
concessão do benefício; III - Não seja indicada ou 
cabível a substituição prevista no art. 44 deste 
Código.
Pena de Multa
• A multa deve ser calculada segundo os critérios do
CP;
• Se ineficaz, juiz pode aumentar até 3x, tendo em
vista o valor da vantagem econômica auferida;
• A perícia de constatação do dano ambiental,
sempre que possível, fixará o montante do
prejuízo causado para efeitos de prestação de
fiança e cálculo de multa.
Pena de Multa
CRIMES AMBIENTAIS CÓDIGO PENAL
Art. 18. A multa será calculada
segundo os critérios do Código
Penal; se revelar-se ineficaz, ainda
que aplicada no valor máximo...
Art. 60 - Na fixação da pena de
multa o juiz deve atender,
principalmente, à situação
econômica do réu.
...poderá ser aumentada até três
vezes, tendo em vista o valor da
vantagem econômica auferida.
§ 1º - A multa pode ser aumentada
até o triplo, se o juiz considerar
que, em virtude da situação
econômica do réu, é ineficaz,
embora aplicada no máximo
A sentença condenatória e a possibilidade de fixar valor mínimo de 
indenização
• Há previsão expressa na lei dos crimes ambientais, desde a sua
publicação, de que a sentença deve, sempre que possível, fixar o valor
da indenização:
• Art. 20. A sentença penal condenatória, sempre que possível, fixará o
valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração,
considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido ou pelo meio ambiente.
Parágrafo único. Transitada em julgado a sentença condenatória, a
execução poderá efetuar-se pelo valor fixado nos termos do caput, sem
prejuízo da liquidação para apuração do dano efetivamente sofrido.
• No CPP, a previsão veio somente em 2008.
Responsabilidade da PJ 
• As penalidades aplicáveis às PJ estão previstas nas normas dos art. 21:
• I - multa;
• II - restritivas de direitos;
• III - prestação de serviços à comunidade.
• Para as PF, a prestação de serviços à comunidade é espécie de
PRD, já para as PJ é pena autônoma.
• Caso a pessoa jurídica seja constituída ou utilizada, preponderantemente,
com o fim de permitir, facilitar ou ocultar a prática de crime definido nesta Lei
terá decretada sua liquidação forçada, seu patrimônio será considerado
instrumento do crime e como tal perdido em favor do Fundo Penitenciário
Nacional
Penas restritivas de direitos aplicáveis às pessoas jurídicas
• As penas restritivas de direitos da pessoa jurídica são:
• I - suspensão parcial ou total de atividades;
• será aplicada quando estas não estiverem obedecendo às disposições
legais ou regulamentares, relativas à proteção do meio ambiente
• II - interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade;
• será aplicada quando o estabelecimento, obra ou atividade estiver
funcionando sem a devida autorização, ou em desacordo com a
concedida, ou com violação de disposição legal ou regulamentar
• III - proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter
subsídios, subvenções ou doações.
• não poderá exceder o prazo de dez anos.
• Para as pessoas físicas: cinco anos se doloso ou três anos se
crime culposo
Prestação de serviços a comunidade pelas pessoas 
jurídicas
• Consiste em:
• I - custeio de programas e de projetos ambientais;
• II - execução de obras de recuperação de áreas
degradadas;
• III - manutenção de espaços públicos;
• IV - contribuições a entidades ambientais ou
culturais públicas.
Responsabilidade da PJ 
• Como não há PPL imposta à PJ, como se contam os prazos prescricionais
(STF/STJ)?
• (...) de acordo com a jurisprudência desta Corte, na hipótese de aplicação
de pena de multa e restritiva de direitos à pessoa jurídica, em virtude da
omissão da Lei 9.605/1998, adotam-se, subsidiariamente, as disposições do
Código Penal, nos termos do seu art. 109 e do art. 79 da Lei 9.605/1998.
(AgRg no AREsp 1616383/RJ, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA
TURMA, julgado em 19/05/2020, DJe 26/05/2020)
• Se for apenas multa: 2 anos (art. 114, I, CP)
• Se houver previsão de PPL: mesmo prazo (art. 109, paragrafo único,
CP)
Procedências para serem adotadas em caso de crime ou infração administrativa: 
• A autoridade policial ou administrativa deve encaminhar:
• Os animais serão prioritariamente libertados em seu habitat ou, sendo tal medida inviável
ou não recomendável por questões sanitárias, entregues a jardins zoológicos, fundações ou
entidades assemelhadas, para guarda e cuidados sob a responsabilidade de técnicos
habilitados;
• Até que os animais sejam entregues às instituições mencionadas, o órgão autuante
zelará para que eles sejam mantidos em condições adequadas de acondicionamento e
transporte que garantam o seu bem-estar físico
• Tratando-se de produtos perecíveis ou madeiras, serão estes avaliados e doados a
instituições científicas, hospitalares, penais e outras com fins beneficentes;
• Os produtos e subprodutos da fauna não perecíveis serão destruídos ou doados a
instituições científicas, culturais ou educacionais.;
• Os instrumentos utilizados na prática da infração serão vendidos, garantida a sua
descaracterização por meio da reciclagem.
Procedências para serem adotadas em caso de crime ou infração administrativa: 
• E se o bem utilizado pela empresa (p.ex:caminhão) era locado, há possibilidade de apreensão?
• SIM. 
• Ainda que se trate de bem locado ao real infrator, a apreensão do bem não representa 
injusta restrição a quem não deu causa à infração ambiental, permitindo, por outro 
lado, trazer o risco da exploração da atividade econômica a quem a exerce. Seja em 
razão do conceito legal de poluidor, seja em função do princípio da solidariedade que 
rege o direito ambiental, a responsabilidade administrativapelo ilícito recai sobre 
quem, de qualquer forma, contribuiu para a prática da infração ambiental, por ação 
ou omissão. Após a medida de apreensão, a autoridade administrativa oportunizará o 
direito de defesa ao proprietário do bem antes de decidir sobre sua destinação (info. 
659/STJ)
• Destaque do informativo: A autoridade administrativa deve notificar o proprietário do 
veículo locado para oportunizar que comprove a sua boa-fé antes de decidir sobre a 
destinação do bem apreendido pela prática de infração ambiental.
Procedências para serem adotadas em caso de crime ou infração administrativa: 
• Para que o bem seja apreendido é necessário que ele seja utilizado exclusivamente para prática de crime 
ambiental?
• NÃO
• (…)Merece ser superada a orientação jurisprudencial desta Corte Superior que condiciona a
apreensão de veículos utilizados na prática de infração ambiental à comprovação de que os bens
sejam específica e exclusivamente empregados na atividade ilícita.3. Os arts. 25 e 72, IV, da Lei n.
9.605/1998 estabelecem como efeito imediato da infração a apreensão dos bens e instrumentos
utilizados na prática do ilícito ambiental. A exigência de requisito não expressamente previsto na
legislação de regência para a aplicação dessas sanções compromete a eficácia dissuasória inerente à
medida, consistindo em incentivo, sob a perspectiva da teoria econômica do crime, às condutas
lesivas ao meio ambiente.4. No caso, o veículo foi apreendido por Fiscal do Ibama por ter realizado o
transporte de animais silvestres sem a devida autorização ambiental, sendo de rigor a apreensão do
bem, nos termos da legislação ambiental. (REsp 1.820.640 – PE)
Do processo e da ação penal
• Todos os crimes são de ação penal pública incondicionada;
• Assinatura de TAC, impede o exercício da ação
penal?
• Info. 625/STJ: A assinatura do termo de
ajustamento de conduta com órgão ambiental
não impede a instauração de ação penal.
Do processo e da ação penal
• Competência: em regra, será da justiça estadual.
• O STJ possuía a súmula 91 que afirmava que
“compete a justiça federal processar e julgar os
crimes praticados contra a fauna”, todavia, o
enunciado foi cancelado.
Do processo e da ação penal
• Competência: e se um crime de pesca ilegal (art. 34), ocorrer em um rio
interestadual, quem será o competente?.
• (...) 2. Para atrair a competência da Justiça Federal é necessário
que os danos ambientais produzidos pela prática de pesca
predatória em rio interestadual tenham repercutido para além do
local em que supostamente praticada. 3. No caso, apesar da pesca
predatória ter ocorrido em rio de natureza interestadual, não ficou
demonstrado que o delito tenha causado prejuízo à União, suas
autarquias ou empresas públicas, razão pela qual deve ser
reconhecida a competência da Justiça Estadual para o
processamento do feito. (STJ: AgRg no CC 152534)
Do processo e da ação penal
• Competência: e se um o particular inserir informações falsas no sistema do IBAMA para obter a emissão de DOF?.
• (...) 2. Embora a emissão e o controle o DOF (Documento de Origem Florestal) recaiam sobre o
IBAMA, isso não pode significar, tout court, que qualquer prática delitiva que envolva a inserção
de dados no sistema dessa autarquia (em qualquer de suas unidades) que armazena os
registros, contenha, em si, elemento suficiente para caracterizar o interesse da União ou da
própria autarquia. Isso porque a proteção ao meio ambiente é de competência comum e, em
alguns casos, embora o registro seja feito no Ibama, o interesse envolvido é nitidamente estadual.
Vale dizer, irregularidades no registro, oriundas de prática criminosa, por si, não têm o condão de
atrair a competência federal. Raciocínio diverso ensejaria a competência federal para todo e
qualquer caso, haja vista que a proteção, a fiscalização e a conservação ambiental são propósitos
ínsitos à própria existência (criação) do Ibama. 3. A atividade lesiva ao meio ambiente é que deve
nortear, portanto, a existência de interesse direto da União ou de sua autarquia e, na hipótese,
não há nenhum elemento que aponte, com segurança, qual seria o interesse específico do
investigado que pudesse atrair a competência federal. Em princípio, mostra-se salutar que a
competência se estabeleça no Juízo comum estadual (STJ: CC nº 141822 / PR)
Do processo e da ação penal
• Competência: e se o crime ocorreu dentro de uma Area de Proteção Ambiental
criada por decreto federal, isso justifica a competência da JF?
• (...)1. A jurisprudência deste Sodalício é assente no sentido da
competência da Justiça Federal para o julgamento de crimes
ambientais ocorridos em área abrangida por unidade de
conservação instituída por meio de ato normativo federal, já que,
nesse caso, fica evidenciado o interesse da União na manutenção
e na preservação da região, conforme a dicção do art. 109, inciso
IV, da Constituição Federal (CC 163.409 – DF)
Do processo e da ação penal
• Competência: e se o crime ocorreu dentro de uma Area de Proteção Ambiental criada por decreto federal, mas lei
posterior transferiu a administração e fiscalização da área para outro ente, isso justifica a competência da JF?
• (...) 2. Na hipótese, embora os delitos tenham supostamente ocorrido em unidade de conservação
criada por decreto presidencial, a Lei Federal n. 9.262/1992 transferiu ao Distrito Federal a
administração e a fiscalização da Área de Proteção Ambiental da Bacia dos Rios São Bartolomeu
e Descoberto, o que denota a ausência de interesse direto da União na preservação do local, de
modo que deve ser mantida a competência da Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. 3. "No
caso, embora o local do dano ambiental esteja inserido na Área de Proteção Ambiental da Bacia
do Rio São Bartolomeu, criada pelo Decreto Federal n. 88.940/1993, não há falar em interesse da
União no crime ambiental sob apuração, já que lei federal subsequente delegou a fiscalização e
administração da APA para o Distrito Federal (art. 1º da Lei n. 9.262/1996)" (CC 158.747/DF, Rel.
Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/06/2018, DJe
19/06/2018).
Do processo e da ação penal
• Competência: e no caso de crime contra a fauna que envolve espécie que figura em lista nacional de extinção?
• (...) O interesse da União nos crimes de agressão à fauna depende do envolvimento de animais constantes da Lista
Nacional de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Precedente. 3. No caso, o inquérito policial
instaurado para a apuração de condutas de associação para comercialização de animais em aplicativos de celular
(arts. 29, caput, e § 1º, III, c/c o inciso I e o § 5º, e 32, ambos da Lei n. 9.605/1998, e art. 288 do Código Penal) ainda
se encontra em estágio inicial e não há animais apreendidos, o que causa incerteza em relação à competência. 4.
Para evitar tumulto processual e se garantir a eficácia das investigações, é recomendável que, por ora, o inquérito
siga tramitando na esfera em que se encontra, ou seja, a da Justiça Federal, sobretudo porque há outro,
aparentemente conexo, tramitando no mesmo juízo e também porque relatórios parciais da investigação apontam
que estariam sendo oferecidas espécies "em perigo de extinção", o que poderia vir a confirmar a competência
Federal. (CC 159.976 – SP)
• Nos casos de crimes transnacionais que envolvam espécies ameaçadas de extinção e espécies exóticas ou protegidas por tratador
internacionais o STF fixou a tese:
• “Compete à Justiça Federal processar e julgar o crime ambiental de caráter transnacional que envolva animais silvestres,
ameaçados de extinção e espécimes exóticas ou protegidas por Tratados e Convenções internacionais”. (RE 835558, Relator(a):
Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 09/02/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-174 DIVULG 07-08-2017 PUBLIC 08-08-2017)
Do processo e da ação penal
• É possível a transação penal, mas há requisito específico:
• Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a
proposta de aplicação imediata de pena restritiva dedireitos ou multa, prevista no art. 76 da Lei nº 9.099, de
26 de setembro de 1995, somente poderá ser
formulada desde que tenha havido a prévia
composição do dano ambiental, de que trata o art. 74
da mesma lei, salvo em caso de comprovada
impossibilidade.
Do processo e da ação penal
• O “sursis processual”, previsto na norma do art. 89, da lei 9099/95, é admissível, mas recebe tratamento diferenciado:
• Art. 28. As disposições do art. 89 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, aplicam-se aos crimes de menor potencial
ofensivo definidos nesta Lei, com as seguintes modificações:
• I - a declaração de extinção de punibilidade, de que trata o § 5° do artigo referido no caput, dependerá de laudo de
constatação de reparação do dano ambiental, ressalvada a impossibilidade prevista no inciso I do § 1° do mesmo artigo
(impossibilidade de reparar o dano);
• II - na hipótese de o laudo de constatação comprovar não ter sido completa a reparação, o prazo de suspensão do
processo será prorrogado, até o período máximo previsto no artigo referido no caput, acrescido de mais um ano, com
suspensão do prazo da prescrição;
• III - no período de prorrogação, não se aplicarão as condições dos incisos II, III e IV do § 1° do artigo mencionado no
caput;
• IV - findo o prazo de prorrogação, proceder-se-á à lavratura de novo laudo de constatação de reparação do dano
ambiental, podendo, conforme seu resultado, ser novamente prorrogado o período de suspensão, até o máximo previsto
no inciso II deste artigo, observado o disposto no inciso III;
• V - esgotado o prazo máximo de prorrogação, a declaração de extinção de punibilidade dependerá de laudo de
constatação que comprove ter o acusado tomado as providências necessárias à reparação integral do dano.
Do processo e da ação penal
• E se o laudo de constatação não for emitido por culpa exclusiva do estado? Há
possibilidade de extinção da punibilidade?
• (...) Na hipótese, desde 6/3/2018 os agravantes aguardam a finalização da
fiscalização pelo órgão ambiental IBAMA, oportunidade em que foi atestado
que o PRAD foi implantado a contento e nos moldes em que foi preconizado
(fl. 1.445). 5. Levando-se em consideração que os agravantes adimpliram
três condições estabelecidas quando da concessão do sursis, bem como
que a condição remanescente, de reparação do dano ambiental, só não foi
implementada até a presente data por força alheia à vontade deles, impõe-
se a decretação da extinção de punibilidade ante a inércia estatal na análise
do PRAD apresentado. 6. Agravo regimental provido para conhecer do
recurso especial e dar-lhe provimento, no sentido de decretar a extinção de
punibilidade dos agravantes. (AREsp nº 1610986 / SP – 18/06/2020)
DOS CRIMES EM ESPÉCIE
Noções Gerais
• Princípio da insignificância: é possível aplicar?
• Como o assunto é cobrado em provas?
• Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais
silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: Pena -
detenção, de três meses a um ano, e multa.
• § 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa
ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou
científicos, quando existirem recursos alternativos.
• § 1º-A Quando se tratar de cão ou gato, a pena para as condutas
descritas no caput deste artigo será de reclusão, de 2 (dois) a 5
(cinco) anos, multa e proibição da guarda
• § 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre
morte do animal.
• Classificação doutrinária:
• Crime comum;
• Material;
• Doloso;
• Instantâneo (ferir ou mutilar) ou permanente
(praticar maus tratos)
• Briga de galos e farra do boi:
• STF (ADI 1856): (....)LEGISLAÇÃO ESTADUAL QUE AUTORIZA A REALIZAÇÃO DE EXPOSIÇÕES E COMPETIÇÕES
ENTRE AVES DAS RAÇAS COMBATENTES - NORMA QUE INSTITUCIONALIZA A PRÁTICA DE CRUELDADE
CONTRA A FAUNA - INCONSTITUCIONALIDADE. - A promoção de briga de galos, além de caracterizar prática
criminosa tipificada na legislação ambiental, configura conduta atentatória à Constituição da República,
que veda a submissão de animais a atos de crueldade, cuja natureza perversa, à semelhança da “farra do
boi” (RE 153.531/SC), não permite sejam eles qualificados como inocente manifestação cultural, de caráter
meramente folclórico. Precedentes. - A proteção jurídico-constitucional dispensada à fauna abrange tanto
os animais silvestres quanto os domésticos ou domesticados, nesta classe incluídos os galos utilizados em
rinhas, pois o texto da Lei Fundamental vedou, em cláusula genérica, qualquer forma de submissão de
animais a atos de crueldade. - Essa especial tutela, que tem por fundamento legitimador a autoridade da
Constituição da República, é motivada pela necessidade de impedir a ocorrência de situações de risco que
ameacem ou que façam periclitar todas as formas de vida, não só a do gênero humano, mas, também, a
própria vida animal, cuja integridade restaria comprometida, não fora a vedação constitucional, por
práticas aviltantes, perversas e violentas contra os seres irracionais, como os galos de briga (“gallus-
gallus”). Magistério da doutrina.
• Vaquejada
• STF (ADI 4983 – 06/2016): VAQUEJADA – MANIFESTAÇÃO CULTURAL – ANIMAIS – CRUELDADE MANIFESTA –
PRESERVAÇÃO DA FAUNA E DA FLORA – INCONSTITUCIONALIDADE. A obrigação de o Estado garantir a todos
o pleno exercício de direitos culturais, incentivando a valorização e a difusão das manifestações, não prescinde da
observância do disposto no inciso VII do artigo 225 da Carta Federal, o qual veda prática que acabe por submeter os
animais à crueldade. Discrepa da norma constitucional a denominada vaquejada
• Após essa decisão, a foi promulgada a EC 96/2017, que acrescentou o §7 ao art. 225, CF, dispondo que “Para fins do disposto na parte
final do inciso VII do § 1º deste artigo, não se consideram cruéis as práticas desportivas que utilizem animais, desde que sejam
manifestações culturais, conforme o § 1º do art. 215 desta Constituição Federal, registradas como bem de natureza imaterial integrante
do patrimônio cultural brasileiro, devendo ser regulamentadas por lei específica que assegure o bem-estar dos animais envolvidos.”
• A lei 13.873/2019, alterando a lei 13.364, passou a reconhecer "o rodeio, a vaquejada e o laço, bem como as respectivas expressões
artísticas e esportivas, como manifestações culturais nacionais, eleva essas atividades à condição de bens de natureza imaterial
integrantes do patrimônio cultural brasileiro e dispõe sobre as modalidades esportivas equestres tradicionais e sobre a proteção ao
bem-estar animal.“;
• Após a edição da EC e das leis, foram propostas duas ADIs (5772 e 5728), visando a declaração da inconstitucionalidade das normas;
• Há parecer da PGR manifestando-se pela procedência.
• O processo está concluso ao relator;
• Nos autos da Rcl 25869 AgR / PI – PIAUÍ (julgada em 11.09.2017 – pouco após a EC 96), em que se buscava o cancelamento da
VAQUEJADA no estado do PIAUÍ, o tendo como fundamento a violação ao decidido pelo STF na ADI 4983, foi assentado que:
• (...) no julgado indicado como paradigma, o que esta Corte efetivamente assentou foi a inconstitucionalidade da lei cearense que
regulamentava a vaquejada, não sendo cabível, até o presente momento, extrair conclusão no sentido da proibição de sua
prática em todo o território nacional.
• Sacrifício de animais em âmbito de ritual religioso: há
crime?
• STF (RE 494601): É constitucional a lei de proteção
animal que, a fim de resguardar a liberdade
religiosa, permite o sacrifício ritual de animais em
cultos de religiões de matriz africana
• Art. 34. Pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares
interditados por órgão competente: Pena - detenção de um ano a três
anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.
• Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem:
• I - pesca espécies que devam ser preservadas ou espécimes com
tamanhos inferiores aos permitidos;
• II - pesca quantidades superiores às permitidas, ou mediante a
utilização de aparelhos, petrechos, técnicas emétodos não
permitidos;
• III - transporta, comercializa, beneficia ou industrializa espécimes
provenientes da coleta, apanha e pesca proibidas.
• A norma do art. 36 informa que pesca é..
• “todo ato tendente a retirar, extrair, coletar,
apanhar, apreender ou capturar espécimes dos
grupos dos peixes, crustáceos, moluscos e
vegetais hidróbios, suscetíveis ou não de
aproveitamento econômico, ressalvadas as
espécies ameaçadas de extinção, constantes
nas listas oficiais da fauna e da flora.”
• Princípio da insignificância: há divergência.
• Há julgados admitindo:
• Não se configura o crime previsto no art. 34 da Lei nº 9.605/98 na hipótese em há a devolução do único peixe – ainda vivo – ao rio em que
foi pescado. STJ. 6ª Turma. REsp 1.409.051-SC, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 20/4/2017 (Info 602).
• - Nos termos da jurisprudência deste Tribunal, a aplicação do princípio da insignificância, de modo a tornar a ação atípica exige a
satisfação de certos requisitos, de forma concomitante: a conduta minimamente ofensiva, a ausência de periculosidade social da ação, o
reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e a lesão jurídica inexpressiva. II – Paciente que sequer estava praticando a pesca e
não trazia consigo nenhum peixe ou crustáceo de qualquer espécie, quanto mais aquelas que se encontravam protegidas pelo período de
defeso. III - “Hipótese excepcional a revelar a ausência do requisito da justa causa para a abertura da ação penal, especialmente pela
mínima ofensividade da conduta do agente, pelo reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e pela inexpressividade da lesão
jurídica provocada” (STF: HC181235)
• Há julgados negando:
• Não há como se afirmar, de plano, que a conduta do paciente, surpreendido com “1 (uma) canoa, 3 (três) malhadeiras de mica malha 50
medindo 60 (sessenta) metros de comprimento, além de 120 (cento e vinte) quilos de pescado obtido em um único dia em área proibida”,
seria inexpressiva ao ponto de torná-la irrelevante
• Se há utilização de petrechos não permitidos: não cabe.
• (...) Não é insignificante a conduta de pescar em época proibida, e com petrechos proibidos para pesca (tarrafa, além de varas de pescar),
ainda que pequena a quantidade de peixes apreendidos. (...) STJ. 6ª Turma. REsp 1685927/RJ, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em
12/09/2017
• O princípio da bagatela não se aplica ao crime previsto no art. 34, caput c/c parágrafo único, II, da Lei 9.605/98. (STF. 1ª Turma. HC
122560/SC)
• Há previsão de excludentes de ilicitude no art. 37, prevendo
que:
• Art. 37. Não é crime o abate de animal, quando realizado:
• I - em estado de necessidade, para saciar a fome do
agente ou de sua família;
• II - para proteger lavouras, pomares e rebanhos da ação
predatória ou destruidora de animais, desde que legal e
expressamente autorizado pela autoridade competente;
• IV - por ser nocivo o animal, desde que assim
caracterizado pelo órgão competente.
• Art. 46. Receber ou adquirir, para fins comerciais ou industriais,
madeira, lenha, carvão e outros produtos de origem vegetal,
sem exigir a exibição de licença do vendedor, outorgada pela
autoridade competente, e sem munir-se da via que deverá
acompanhar o produto até final beneficiamento:
• Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa.
• Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem vende,
expõe à venda, tem em depósito, transporta ou guarda madeira,
lenha, carvão e outros produtos de origem vegetal, sem licença
válida para todo o tempo da viagem ou do armazenamento,
outorgada pela autoridade competente.
• Classificação doutrinária:
• Crime próprio;
• Formal;
• Doloso;
• Instantâneo
• E se o agente falsifica os documentos de origem florestal e/ou autorização para
transporte: há concurso de crimes ou aplica-se o princípio da consunção?
• STJ:
• (...)2. Com efeito, mostra-se inviável a aplicação do entendimento mais
benéfico ao recorrido - reconhecendo a incidência do ante factum
impunível -, pois, no caso, o crime de falsidade ideológica não constitui,
essencialmente, meio necessário para a prática do delito previsto no
art. 46 da Lei n. 9.605/1998, nele não se encerrando a sua
potencialidade lesiva, ou seja, os crimes subsistem em qualquer
contexto fático, independentemente do outro. Precedentes.(REsp nº
1751067 / RO – 5ª turma);
• (...) 2. "Impossibilidade de absorção do crime de falsidade ideológica
pelo crime ambiental, em face da autonomia das condutas, praticadas
de forma distinta e em períodos diversos“ (REsp nº 1718614 / MT)
• E se o agente tinha autorização para transportar
2t de madeira, mas estava transportando 5t:
deve-se apreender apenas o excedente?
• STJ: “O transporte em quantidade excessiva
de madeira, não acobertada pela respectiva
guia de autorização, legitima a apreensão de
toda a mercadoria.” (info. 658)
• Art. 48. Impedir ou dificultar a regeneração natural
de florestas e demais formas de vegetação:
• Pena - detenção, de seis meses a um ano, e
multa.
• Classificação doutrinária:
• Crime comum;
• De mera conduta;
• Doloso;
• Permanente.
• (...) 1. "A jurisprudência tanto do Superior Tribunal de Justiça quanto do
Supremo Tribunal Federal reconhece que o tipo penal do art. 48 da Lei
n. 9.605/1998 é permanente e, dessa forma, pode ser interpretado de
modo a incluir a conduta daquele que mantém edificação, há muito
construída, em área às margens de represa artificial - na qual a
vegetação nativa foi removida também há muito tempo -, não havendo
que se falar na ocorrência de prescrição da pretensão punitiva“ (REsp
nº 1840129 / RN – 13/08/2020)
• E se o agente constrói uma casa em uma área de solo não edificável
(há crime no art. 64) e acaba por impedir a regeneração natural de
floresta: há crime único ou concurso?
• STJ: 2. O crime de destruir floresta nativa e vegetação protetora de
mangues dá-se como meio necessário da realização do único
intento de construir casa ou outra edificação em solo não edificável,
em razão do que incide a absorção do crime-meio de destruição de
vegetação pelo crime-fim de edificação proibida. 3. Dá-se tipo
penal único de incidência final (art. 64 da Lei n. 9.605/98), já em
tese crime uno, diferenciando-se do concurso formal, onde o crime
em tese é duplo, mas ocasionalmente praticado por ação e
desígnio únicos. (REsp 1639723)
• Há julgados mais antigos entendendo que há concurso de crimes.
• Art. 64. Promover construção em solo não edificável,
ou no seu entorno, assim considerado em razão de
seu valor paisagístico, ecológico, artístico, turístico,
histórico, cultural, religioso, arqueológico, etnográfico
ou monumental, sem autorização da autoridade
competente ou em desacordo com a concedida:
• Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa.
• Classificação doutrinária:
• Crime comum;
• Material;
• Comissivo;
• Doloso;
• E se o agente constrói uma casa em uma unidade de
conservação e causa dano diretos a unidade e impede a
regeneração natural: há concurso de crimes?
• Há três crimes que podem ter ocorrido:
• Art. 64;
• Art. 40. Causar dano direto ou indireto às Unidades
de Conservação e às áreas de que trata o art. 27
do Decreto nº 99.274, de 6 de junho de 1990,
independentemente de sua localização;
• Art. 48. Impedir ou dificultar a regeneração natural
de florestas e demais formas de vegetação;
• Segundo o STJ: há crime único:
• PENAL E PROCESSO PENAL. RECURSO ESPECIAL. CRIMES AMBIENTAIS. DANO EM UNIDADE
DE CONSERVAÇÃO, IMPEDIMENTO À REGENERAÇÃO DA FLORA E CONSTRUÇÃO IRREGULAR
(ARTS. 40, 48 E 64 DA LEI 9.605/1998). ABSORÇÃO DOS DOIS PRIMEIROS DELITOS PELO
ÚLTIMO. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL
DESPROVIDO. (...) 3. Consoante o entendimento das duas Turmas que compõem a Terceira Seção
deste STJ, a conduta do art. 48 da Lei 9.605/1998 é mero pós-fato impunível do ato de construir em
local não edificável. Afinal, com a própria existência da construção desejada e executada pelo agente -
e à qual, portanto, se dirigia seu dolo -, é inevitável que fiqueimpedida a regeneração da flora antes
existente no mesmo lugar. 4. Para analisar a possibilidade de absorção do crime do art. 40 da Lei
9.605/1998 pelo do art. 64, não é relevante a diversidade de bens jurídicos protegidos por cada tipo
incriminador; tampouco impede a consunção o fato de que o crime absorvido tenha pena maior do que
a do crime continente, como se vê na própria Súmula 17/STJ. 5. O dano causado pela construção do
recorrido à estação ecológica se encontra, efetivamente, absorvido pela edificação irregular. Este dano
pode, em tese, ser considerado concomitante à construção, enquanto ato integrante da fase de
execução do iter do art. 64, caso em que se aplicaria o princípio da consunção em sua formulação
genérica; ou, então, como consequência naturalística inafastável e necessária da construção, de
maneira que seu tratamento jurídico seria o de pós-fato impunível. De todo modo, o dano à unidade de
conservação se situa na escala causal da construção irregular (seja como ato executório ou como
exaurimento), nela exaurindo toda sua potencialidade lesiva.
• Art. 65. Pichar ou por outro meio conspurcar edificação ou monumento urbano
• Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa
• § 1o Se o ato for realizado em monumento ou coisa tombada em virtude do
seu valor artístico, arqueológico ou histórico, a pena é de 6 (seis) meses a 1
(um) ano de detenção e multa.
• § 2o Não constitui crime a prática de grafite realizada com o objetivo de
valorizar o patrimônio público ou privado mediante manifestação artística,
desde que consentida pelo proprietário e, quando couber, pelo locatário ou
arrendatário do bem privado e, no caso de bem público, com a autorização
do órgão competente e a observância das posturas municipais e das normas
editadas pelos órgãos governamentais responsáveis pela preservação e
conservação do patrimônio histórico e artístico nacional.
• Classificação doutrinária:
• Crime comum;
• Material;
• Doloso;
• Instantâneo;
• De forma livre
Dos Crimes contra a Administração Ambiental 
• Art. 66. Fazer o funcionário público afirmação
falsa ou enganosa, omitir a verdade, sonegar
informações ou dados técnico-científicos em
procedimentos de autorização ou de
licenciamento ambiental:
• Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
• Classificação doutrinária:
• Crime próprio (art. 327, CP);
• Formal;
• Comissivo ou omissivo;
• Doloso
• Instantâneo
• É especial em relação ao crime de falsidade
ideológica previsto no CP
• Art. 67. Conceder o funcionário público licença,
autorização ou permissão em desacordo com as
normas ambientais, para as atividades, obras ou
serviços cuja realização depende de ato autorizativo
do Poder Público:
• Pena - detenção, de um a três anos, e multa.
• Parágrafo único. Se o crime é culposo, a pena é de
três meses a um ano de detenção, sem prejuízo da
multa.
• Classificação doutrinária:
• Crime próprio;
• Formal;
• Comissivo;
• Doloso;
• Instantâneo
• E se o agente público concede a licença irregularmente, mas
antes da obra começar verifica-se a ilegalidade: há crime?
• (...) 3. O artigo 67 da Lei n. 9.605/1998 está inserido na
Seção V, que trata dos Crimes contra a Administração
Ambiental, e tem como bem jurídico tutelado diretamente a
Administração Pública Ambiental. 4. E se tratando de crime
formal, ou seja, que não exige resultado finalístico, não há
necessidade de se ter começado e/ou finalizado a edificação
em Área de Preservação Permanente e comprovada a
afetação ao ambiente para que o crime se consumasse.
(STJ: REsp nº 1675032 / RJ)

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