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CAPÍTULO
TRICOTILOMANIA: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA SOBRE UM TRANSTORNO PSIQUIÁTRICO SUBDIAGNOSTICADO
Igor Hendy Brito OLIVEIRA 1
Julia Augusta De Souza COSTA 2
Milena De Oliveira Silva PEDROSA 3
Verônica Cândido De OLIVEIRA 4
 Leilane Cristina Oliveira PEREIRA 5
1,2,3,4 Graduandos do curso de Bacharelado em Psicologia, UNIFSM; 5 Orientadora/Professora da UNIFSM. 
leilanecristinaoli@yahoo.com.br
RESUMO: A tricotilomania é uma tricose compulsiva, também referida como alopecia autoinduzida, que consiste em arrancar os cabelos de uma forma irresistível. A presente pesquisa se trata de uma revisão sistemática da literatura sobre esse transtorno e sobre como a tricotilomania se apresenta como subdiagnosticada. O presente artigo tem como objetivo analisar de forma sistemática artigos sobre a tricotilomania, caracterizando os sintomas da tricotilomania e identificando formas de tratamento para esse transtorno psiquiátrico. Para a elaboração deste material foram utilizados artigos científicos dos últimos 22 anos de base de dados online BVS, utilizando o único descritor: “Tricotilomania”. Quanto aos critérios de inclusão, foram utilizados somente artigos brasileiros publicados nos últimos 22 anos (2000-2022), sendo selecionados aqueles com a temática que possuem relação com o objetivo deste artigo. Sobre os critérios de exclusão, foram retirados artigos que também são fruto de uma revisão sistemática, artigos que se repetem e de forma geral aqueles que não se adequam aos critérios de inclusão, e artigos com outro idioma. Esses artigos abordaram diversas áreas de conhecimento, como a psicologia e a dermatologia, para que assim haja uma maior compreensão sobre o tema abordado.
Palavras-chave: Tricotilomania. Comportamento compulsivo. Revisão Sistemática.
INTRODUÇÃO
A tricotilomania se trata de um distúrbio psicopatológico que leva o indivíduo a uma compulsão de extrair pelos de qualquer região corporal própria ainda que o cabelo seja o alvo principal (SÃO PAULO, 2022). Classifica-se como tricose compulsiva, isto é, comportamento autoagressivo que consiste em extrair os cabelos de qualquer parte do corpo seja arrancando, cortando ou até mesmo coçando, a fim de que seja sentido alívio de ansiedade ou angústia (FISCHER et al, 2018).
A palavra tricotilomania vem do grego “loucura de arrancar os cabelos” e quem tem esse transtorno geralmente tem uma perda capilar perceptível (WAAS;YESUDIAN, 2018, tradução nossa[footnoteRef:1]). Os indivíduos com essa patologia podem apresentem comportamentos específicos antes do ato (por exemplo, buscar fios com cores ou texturas específicas), durante o ato (por exemplo, arrancar os fios de uma forma especifica) e após o ato (por exemplo, enrolar o cabelo entre os dedos, morder o cabelo, engolir o cabelo). Os indivíduos com tricotilomania já fizeram diversas tentativas de parar o ato de extração, que normalmente é marcado por relaxamento durante o ato, e sentimento de perda de controle e vergonha após o ato (DSM-5, 2014). [1: “The term trichotillomania was derived from the Greek words for “hair,” “to pull,” and “madness.” Although this term was conceived in 1889 by the French Dermatologist Francois Henry Hallopeau.”] 
Além do sofrimento mental causado pela tricotilomania, essa também é responsável por gerar problemas sociais e profissionais, dano irreversível nas áreas afetadas e também ao crescimento natural de cabelo  no corpo, consequências médicas como lesões musculoesqueléticas; danos dentários, quando relacionados à tricofagia (ou ato de engolir cabelo) que pode levar a tricobezoares e seus respectivos problemas, como anemia, vômitos, obstrução do intestino e danos ao mesmo por perfuração e entre outros sintomas (DSM-5, 2014). 
Outrossim, fora do meio psíquico e físico em que esse transtorno se faz presente, outro grande óbice na questão se encontra no âmbito de estudo sobre ela mesma. A mínima existência de semelhanças encontradas entre cada caso clínico apresentado de tricotilomania conta como relevante contribuição para o entendimento dessa.
Apesar de haver uma notável emergência em produção e publicação de artigos sobre tricotilomania, o conteúdo desses raramente aborda sobre causas bem como o ponto essencial que se refere ao tratamento, que como aspecto urgente deveria ser concludente, todavia continua em aberto. Sugere-se, assim, direções para diagnóstico, tratamento e pesquisa (GRANT et al, 2021, tradução nossa[footnoteRef:2]). [2: “Treatment strategies are based on an accurate diagnosis.
Misdiagnosis of trichotillomania and skin-picking disorder is unfortunately common [...] proper diagnosis is necessary.”, “The evidence base for psychotherapy for trichotillomania and skin-picking disorder is small".] 
O presente artigo tem como objetivo analisar de forma sistemática artigos sobre a tricotilomania, caracterizando os sintomas da tricotilomania e identificando formas de tratamento para esse transtorno psiquiátrico.
MATERIAIS E MÉTODO
O presente artigo se trata de uma pesquisa bibliográfica cuja finalidade é a obtenção de conhecimentos relacionados ao tema tricotilomania, com objetivo explicativo de repassar informações sobre o tema abordado, assim como suas possíveis causas, identificação e abordagem de casos clínicos.
Para o desenvolvimento dessa Revisão Sistemática foi escolhida a base de dados eletrônicos BVS, na qual se utilizou o seguinte descritor: “Tricotilomania”. Essa busca ocorreu no primeiro semestre de 2022, sendo que para a elaboração dos resultados desta investigação foram usados os artigos que passaram pelos critérios específicos de inclusão e exclusão já citados e abaixo descritos. 
RESULTADOS E DISCUSSÃO
	Na base de dados escolhida, BVS, quando ocorreu a primeira busca com o descritor “TRICOTILOMANIA”, obteve-se um total de 1183 artigos. Essa quantidade inicial permaneceu a mesma ao ser aplicado o filtro em que se contaria somente artigos dos últimos vinte e dois anos. Incluindo apenas textos completos, 547 foram apresentados. Excluindo os 531 que não correspondiam à textos em português, 2 que se repetiam e outros 3 que se faziam menos pertinentes, resultou-se em apenas 11 artigos dos quais foram utilizados para serem alvo do propósito da discussão.
De forma expositiva, os dados quantificáveis da coleta de dados feitos por meio do único descritor utilizado, assim como o total de material excluído – não houve casos de outras revisões de literatura para contar mais exclusões – e o resultado de artigos que foram analisados e pontuados nessa revisão, estão descritos na Figura 1.
Figura 1. Coleta de Dados
Fonte: Dados de Pesquisa. 2022.
Os artigos utilizados forneceram através de suas pesquisas um material consistente que levou esse trabalho a construir uma síntese de saberes importantes sobre o tema abordado. Por meio da tabela 1, foram analisados os resultados da literatura sistematicamente revisada.
Tabela 1. Trabalhos científicos que abordaram sobre aspectos da tricotilomania aptos a serem analisados 
	Nome
	Data
	Autor
	Objetivo
	Resultados
	Dermatoses psicossomáticas em estudantes da área da saúde
	2020
	Meneguetti e col.
	comparar a frequência de dermatoses psicossomáticas e a qualidade de vida de estudantes universitários da área de saúde
	Na porcentagem de frequências de DP, obteve-se 4,93% para tricotilomania.
	Tricotilomania na análise de uma criança
	2017
	Fernandes
	Apresentar vinhetas clínicas relacionadas e motivadas por um caso de tricotilomania.
	Apresentou-se o possível progresso de um tratamento de tricotilomania por meio da abordagem psicanalítica
	Solicitação de ziprasidona para tricotilomania: paciente do sexo masculino, 18 anos
	2015
	Lemos e Guerra Júnior
	Apresentar a relação entre a Síndrome de Down e portadores de tricotilomania.
	É proposto que o tratamento recomendado para a tricotilomania é a psicoterapia, incluindo a terapia cognitivo-comportamental e hipnose, e a farmacoterapia.
	Intervenção analítico-comportamental em tricotilomania
	2010
	Goulart-Junior e Britto
	Analisar funcionalmenteo comportamento-problema de puxar os fios de cabelo
	Um gráfico demonstra as fases manipuladas (de tratamento ou intervenção) e a mudança do comportamento-problema. 
	Qual abordagem para o paciente com queixa de alopecia?
	2010
	Núcleo de Telessaúde Rio Grande do Sul
	Responder perguntas sobre alopecia
	Dependendo da quantidade de cabelo perdida, exames dermatológicos e laboratoriais devem ser realizados. 
	Tricotilomania: dificuldades diagnósticas e relato de dois casos
	2010
	Lima e colaboradores.
	Relatar dois casos de tricotilomania e relacioná-los a problemas sociais e clínicos relevantes.
	Apresentou-se a possibilidade de intervenção com psicoterapia, farmacologia e acompanhamento homeopático.
	Obstrução intestinal e tricobezoar: relato de um caso recidivante
	2008
	Francischi e colaboradores
	Relatar o caso de uma paciente com história de cirurgia por tricobezoar há 16 anos
	A recorrência do tricobezoar é rara, porém deve ser aventada como hipótese diagnóstica em pacientes que já apresentaram tal afecção e procuram atendimento médico com obstrução intestinal.
	Você conhece essa síndrome?
	2006
	Ferreira, Valente e Romiti
	Explanar sobre a síndrome dos cabelos anágenos frouxos
	Apesar de benigno e auto-limitado, o distúrbio freqüentemente aflige os pais e deve ser diferenciado do eflúvio telógeno e da tricotilomania
	Do retiro na tricotilomania ao mundo das trocas objetais
	2011
	Gordon, Alessandra Ricciardi.
	Fazer breve recapitulação sobre considerações relacionadas a tricotilomania e pontuar novos desdobramentos.
	Arrancar cabelos é uma forma perversa de obter o alívio de tensão e lidar com a frustração quando não foi possível desenvolver formas mais maduras de gratificação emocional
	Pistas dermatoscópicas para diferenciar a tricotilomania da alopecia areata em placa
	2010
	Abraham e colaboradores
	Tratar das semelhanças clínicas e dermatoscópicas entre a tricotilomania e alopecia areata em placa
	O exame do couro cabeludo de pacientes com TT revela, em geral, placa de alopecia assimétrica, principalmente na região frontal e vértex.
	Tricoses compulsivas
	2004
	Pereira, José Marcos
	Discutir detalhadamente as características clínicas e propedêuticas de cada doença, dando ênfase aos aspectos psiquiátricos dos pacientes.
	A abordagem do paciente com tricose compulsiva não é simples, uma vez que o paciente e mesmo o acompanhante não admitem uma possível auto-agressão. 
Fonte: Dados de Pesquisa. 2022.
Meneguetti e colaboradores (2020) promovem um estudo analítico, transversal e quantitativo sobre dermatoses psicossomáticas apresentadas por estudantes universitários na área da saúde e a relação dessas com o estresse, o desconforto com as lesões e a busca pela ajuda médica ou psicológica, colocando essas questões na discussão sobre a qualidade de vida analisada. Nessa busca, pode-se dizer que a tricotilomania aparece em segundo lugar (p=0,055) como dermatose que afeta a qualidade de vida no domínio físico. Dessa forma, a tricotilomania, caracterizando-se como psicossomática, provoca lesões na própria pele, gera sofrimento psíquico significativo, afeta direta e indiretamente a relação do indivíduo com si próprio e com o outro e, além disso, compõe um subgrupo específico de transtornos associados aos comportamentos de autocuidado (TANIZAKA et. al. 2020).  
Fernandes (2017) traz uma análise de um caso clínico de tricotilomania infantil, apresentando o processo analítico de abordagens psicanalíticas como uma forma de tratamento, a considerar também que a criança já tomava medicamentos antes de ser iniciado o atendimento psicológico sugestionado no texto. 
Seguindo essa linha de discussão, outros estudos também foram achados defendendo a abordagem psicanalítica como método de tratamento. Em uma dessas literaturas, encontrou-se uma dissertação que apresenta duas maneiras distintas de ver as doenças psicossomáticas, ligadas a duas tradições em psicanálise. Na vertente francesa, percebe-se uma perspectiva lacaniana, em que 
 
O fenômeno não constitui um deslocamento representacional, mas sim uma falha nos processos de simbolização. Em uma segunda vertente, que congrega a Escola Psicossomática de Chicago até autores franceses não lacanianos, cujas principais referências foram Joyce McDougall e Christophe Dejours, o fenômeno psicossomático é compreendido em uma linha divergente, relacionando a formação do sintoma a conflitos inconscientes que são simbolizados na doença, mas em uma forma de simbolização mais precária em relação ao modelo da histeria (GALDI; CAMPOS, 2017). 
 
Apesar disso, de se tratar de possibilidades diferentes de analisar a tricotilomania ainda dentro da psicanálise, a forma de tratamento se baseia em comum no princípio de definição de um sentido ao sintoma que não se manifesta por meio de um resgate de conteúdos fantasiosos inconscientes, como ocorre nos primórdios do que se sabe sobre a histeria, mas ao elaborar um significado para aquilo que foi desencadeado de um contexto histórico-narrativo (GALDI; CAMPOS, 2017). 
Lemos e Guerra (2015) elaboram um artigo que discorre relacionando o conceito de Síndrome de Down e a Tricotilomania, a fim de defender, para o caso de um paciente do sexo masculino de dezoito anos, o uso de ziprasidona – antipsicótico de segunda geração comercializado no Brasil sob o nome comercial de Geodon®. Para a tricotilomania, eles usam como apoio ao que abordam referente ao tratamento o que fora proposto pelo sistema de saúde inglês, National Health Service (NHS), sendo isso a recomendação da psicoterapia, incluindo a terapia cognitivo-comportamental e hipnose. Quanto à farmacoterapia, recomenda-se a clomipramina, que atua como antidepressivo tricíclico, ou inibidores seletivos de receptação da serotonina, a exemplo da fluoxetina e sertralina. 
Além do tratamento medicamentoso supraindicado, é importante ressaltar o aparecimento da Terapia Cognitivo Comportamental como o que fora proposto por um sistema de saúde internacional para o tratamento do transtorno subdiagnosticado em questão. Um estudo publicado no Journal of Medical internet Reseach apresentou resultados clínicos e estatísticos positivos que mostrou uma redução média de 43,4% nos sintomas obsessivo-compulsivos após técnicas da terapia cognitivo-comportamental (FEUSNER et al, 2022, tradução nossa[footnoteRef:3]). [3: “Treatment resulted in clinically and statistically significant improvements, with a 43.4% mean reduction in obsessive-compulsive symptoms”] 
Contamos com a análise feita por Goulart-Júnior e Britto (2010) sobre o comportamento obsessivo de puxar os fios do cabelo, mediante o estudo de uma jovem universitária que fazia uso de tratamento médico e farmacológico desde os doze anos de idade. Os resultados dessa pesquisa mostraram o percentual de tempo de manipular e arrancar os cabelos por sessão, durante as fases de linha de base e intervenção. Durante as sessões de intervenções I e II, o percentual de duração do comportamento de arrancar cabelos diminuiu e alcançou frequência zero nas últimas sessões da intervenção I e manteve-se com ocorrência zero nas últimas sessões da intervenção II e no follow-up. Após mais sessões com o delineamento aplicado, o avanço do crescimento capilar foi visto na jovem. 
Os dois autores souberam retratar os sintomas referentes à tricotilomania quando o estudo sobre isso também focou na duração do comportamento obsessivo. Sobre essa duração e tratamento, Barroso e colaboradores (2017) pontuaram que nos casos infantis de tricotilomania o curso clínico possui um seguimento mais favorável e, consoante a isso, oportunou-se relatar um caso em que o distúrbio comportamental em questão apresentou uma excelente resposta ao tratamento contando com N-acetilcisteína.
O Núcleo de Telessaúde do Rio Grande do Sul (2010) promoveu um estudo sobre as abordagens aconselhadas para um paciente com alopecia. Em resumo, seus resultados basearam-se na ideia central do artigo:  
 
Deve-se solicitar que o paciente junte os cabelos perdidos diariamente. De 50 a 200 fios decabelos perdidos ao dia, considera-se normal. [...] No entanto, exames como hemograma completo, ferro sérico, ferritina, capacidade ferropéxica, TSH, anticorpos antinucleares, hormônios androgênicos como DHEA-S e testosterona livre podem auxiliar no diagnóstico. 
Considerando esta gama de diagnósticos diferenciais, existem os mais variados tipos de tratamentos. A alopecia areata pode ser autolimitada, mas também pode ser tratada com uma combinação de terapias tópicas e sistêmicas. A alopecia de padrão masculino pode ser tratada com finasterida, minoxidil, espironolactona ou dexametasona (NTRS, 2010). 
 
Consoante a isso, Mani e colaboradores (2023, tradução nossa[footnoteRef:4]) colocam que existe uma sobreposição de aspectos tricoscópicos em Alopecia Areata e Tricotilomania, acordando com o Núcleo de Telessaúde do Rio Grande do Sul por ter chance de serem confundidas. Todavia, os autores também apontam que a Alopecia Areata, sendo um distúrbio autoimune, se diferencia da Tricotilomania por essa se tratar de um transtorno do controle de impulso.  [4: “To conclude, even though there is an overlap of trichoscopic features in AA and TTM, it is possible to distinguish the two if an assemblage of specific features are present.”] 
Lima e colaboradores (2010) relatam dois casos de tricotilomania; o enfoque das características clínicas e a discussão sobre a necessidade de diagnóstico precoce foram aspectos trabalhados ao longo do texto, e como resultado observou-se que os sintomas dos dois casos – o arrancar o fio de cabelos – surgiram sem nenhum desencadeante ambiental, mas o tratamento psicológico e o uso da clorapramina demonstraram efeitos ótimos de diminuição do quadro de alopecia e melhora dos dois casos. Azevedo, Fagundes e Pinheiro (2018) em sua pesquisa discorrem sobre essa associação e expõem dados que demonstram que a maioria dos psicólogos entrevistados consideram que o tratamento psicológico aliado a farmacoterapia aparece como um método eficaz de tratamento. 
Francischi e colaboradores (2008) por sua vez, relatam mais um caso de uma paciente que passou por cirurgia em virtude do quadro de obstrução intestinal e de tricobezoar gástrico. Chegou-se ao resultado de que a recorrência de tricobezoar, da mesma etiologia que tricotilomania, é rara, e deve ser considerada como hipótese diagnóstica em casos onde a obstrução intestinal é notada. Em concordância, Silveira et al (2012) apresenta uma coleta de dados que demonstra que 90% dos pacientes com tricobezoares são mulheres com predisposição a distúrbios mentais.
Ferreira, Valente e Romiti (2006) preocupam-se em tratar sobre a síndrome dos cabelos anágenos frouxos, apresentando, através de sua pesquisa, um tricograma que mostra uma porcentagem acima da média relacionado a existência de pelos anágenos que denotam uma cutícula enrugada em sua porção proximal, e apesar de ser benigno e autolimitado, também é considerado distúrbio e precisa ser diferenciado da tricotilomania. 
Algo importante quando se estuda a tricotilomania e outras patologias no geral é saber com exatidão seus sintomas, para quando um diagnostico for necessário não ocorrer dessa ser confundida com outras patologias com sintomas em comum. Esse tema é abordado no artigo elaborado pelos últimos três autores referidos, no qual esses dissertam sobre a síndrome dos cabelos anágenos frouxos, e por conta dos problemas capilares causados por essa síndrome, ela poder ser facilmente confundida com a tricotilomania. No entanto, apesar de haver inconsistências, os critérios descritivos dispostos pelo Manual Diagnóstico e Estatísticos de Transtornos Mentais (DSM) e Classificação Internacional de Doenças (CID) propiciam uma base comum para que o transtorno e síndromes discutidos sejam diferenciados (MARTINHAGO; CAPONI, 2019).
Por Pereira (2004) discutiu-se sobre as tricoses compulsivas de forma detalhada, dando ênfase aos aspectos clínicos. De acordo com o autor, alguns estudos calculam que só nos EUA dois a oito milhões de pessoas podem ter tricotilomania, sendo 90% mulheres. Gouveia (2015) vem pontuar a importância desse tipo de pesquisa social na psicologia como uma forma de entender melhor os comportamentos que estão a ser analisados e como forma de enfatiza-los como problemáticas que precisam receber mais atenção. 
A própria tricotilomania, segundo Goulart-Júnior e Britto (2010), apresenta controvérsias em seus critérios diagnósticos pois apesar de possuir como sintoma o “comportamento repetitivo de arrancar os cabelos, uma sensação de tensão antes de arrancá-los, tentar resistir ao impulso e experimentar alívio quando se arranca o cabelo”, de modo que remeta a um transtorno obsessivo-compulsivo, um indivíduo com tricotilomania não têm pensamentos obsessivos e a atividade compulsiva está limitada a uma só ação, muitas vezes passada despercebida por quem pratica. 
Nessa perspectiva, mostra-se, por exemplo, a existência de alopecias naturais e não compulsivas, que podem ter causalidades herdadas geneticamente e ou mesmo motivos biológicos, em casos como o de mulheres no climatério e na pós-menopausa, nos quais a estimativa é de que 50% dessas apresentem algum grau de alopecia de padrão feminino (APF). Todavia, a perda de cabelo é uma característica comum também da tricotilomania e em um cenário em que uma análise somente de sintomas ocorresse, o transtorno e a condição não patológica poderiam ser confundidas. Outrossim, o tratamento também poderia contar com um mesmo elemento: o microagulhamento do couro cabeludo como terapia complementar (DIAS; REZENDE, 2022). 
Gordon (2011) analisa a tricotilomania apresentada por uma mulher de trinta e quatro anos de idade que já passou por psicoterapia psicanalítica e continua tendo tal sintomatologia compulsiva, fazendo uma recapitulação sobre esse transtorno segundo a literatura psiquiátrica e psicanalítica e pontuando o que se pôde retirar diante do material estudado, de maneira a colocar a tricotilomania como quadro compulsivo contido em um desenvolvimento emocional precário e que participa de um dinamismo que ocorre e foi percebido entre aspectos compulsivos e os investimentos narcísicos e objetais discutidos na psicanálise. 
Leite et. al (2021) revisam didaticamente sobre a psicanálise e provoca a reflexão de que essa, com suas considerações sobre o insconsciente, descoberta de conflitos entre estruturas psíquicas e atenção flutuante por parte do analista pode ter sua significante colaboração no tratamento da tricotilomania. Por outro lado, Cardoso e Santos (2020) já publicavam sobre a eficácia de abordagens e técnicas comportamentais no tratamento da tricotilomania, como, por exemplo, o Treinamento de Reversão de Hábito. 
Abraham e colaboradores (2010) contribuem para a presente pesquisa mostrando a diferença entre a tricotilomania e a alopecia areata. Segundo o artigo, a diferença mostrada pontua que na tricotilomania se faz presente pontos amarelos e uma ausência de cabelos, já na alopecia areata consiste em cabelos fraturados ou cortados, mas ainda assim com a existência capilar. Em seus resultados, dos quais os autores colocam como observações, explicita-se que nos exames feitos os pacientes com tricotilomania revelaram placa de alopecia assimétrica, principalmente na região frontal e vértex. Nos casos de AA, o quadro se caracteriza por placas de alopecia não cicatricais, lisas, arredondadas ou ovais. Fora isso, nos testes também foram notados em conjunto outros transtornos compulsivos, alterações de comprimentos capilares e também de cor. 
Barcaui e Miot (2020) corroborando com a conclusão dos autores supracitados, dicutiram sobre a relevância da dermatoscopia para diferenciação de diagnóstico. Apesar de diferentes, as dermatoses psicossomáticas, incluindo-se a tricotilomania, além de terem as possibilidades de redução de sintomas mediante novas técnicas como biofeedback, terapia aversiva, prática reforçada, extinção, supercorreção e prevenção de resposta, também podem receber contribuições no processo de tratamento mediante fármacos antidepressivos,Acesso em: 04 dez. 2023.
FISCHER, A. R.; REGINO, C. M.; GRZYBOWSKI, L. M. C.; ROSTE, R. R. L.; CARVALHO, M. F. C. M. Tricotilomania: uma Visão Geral de Aspectos Neurobiológicos e Comportamentais. Ensaios e Ciência C Biológicas Agrárias e da Saúde, [S. l.], v. 22, n. 1, p. 27–32, 2018. DOI: 10.17921/1415-6938.2018v22n1p27-32. Disponível em: https://ensaioseciencia.pgsscogna.com.br/ensaioeciencia/article/view/4668. Acesso em: 5 dez. 2023.
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