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UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA INSTITUTO DE 
CIÊNCIAS HUMANAS 
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA 
 
Discente: Elizama Vidal Pereira 
Matrícula: 202028036L 
Docente: Odilon Caldeira Neto 
Disciplina: História Contemporânea II 
 
Avaliação II - Reflexões acerca dos conteúdos abordados nas aulas “Os 
Fascismos”, “O Nazismo” e “Holocausto”. 
 
 Entre 1847 e 1848, Marx e Engels (2008) afirmaram que “um espectro ronda a 
Europa”. Naquele momento, os autores estavam falando da ideologia comunista como esse 
espectro que crescia e causava medo na elite das potências europeias, porém, como podemos 
observar na história, um segundo espectro também rondava o velho continente: o do 
fascismo. Enquanto o comunismo é posto como uma opção revolucionária, de rompimento 
com o capitalismo, o fascismo surge como uma opção reacionária, de fortalecimento e 
recrudescimento do capitalismo. Neste texto, analisarei o conteúdo das aulas “Os Fascismos”, 
“O Nazismo” e “Holocausto” para buscar explicar a origem, desenvolvimento e importância 
desses eventos para a história contemporânea. 
 
Os Fascismos 
 
 Este movimento autoritário e hipercapitalista, que viria a ser conhecido como 
Fascismo por conta da sua versão italiana, surgiu na Europa, no início do século XX, de 
forma espontânea em diversos países. Neste contexto, a expressão “de forma espontânea” 
está sendo utilizada para indicar a pouca ou nenhuma relação entre os diversos grupos se 
organizando dessa forma naquele momento histórico, entretanto, como bem sabemos, 
 
movimentos sociais não surgem espontaneamente do nada, são acúmulos e consequências de 
seu contexto. 
No final do século XX, Umberto Eco (2018) busca explicar como o termo fascismo 
passou a ser utilizado para denominar todas essas experiências autoritárias com sua 
comunicação sobre o “Fascismo Eterno” ou “Ur-Fascismo”. Para ele, estes movimentos 
totalitários podem ser tratados como equivalentes por possuírem 14 características em 
comum - não estando todas, necessariamente, presentes em cada experiência, porém, a 
ausência de parte delas não seria condição suficiente para excluir determinada experiência do 
termo fascismo. As características elencadas foram: a) tradicionalismo; b) “recusa da 
modernidade”; c) “culto da ação pela ação”; d) “desacordo é traição”; e) racismo e/ou medo 
da diferença; f) frustração, causada “por alguma crise econômica ou humilhação política”; g) 
nacionalismo e/ou xenofobia; h) falta de objetividade na avaliação de seus inimigos retóricos, 
“os inimigos são, ao mesmo tempo, fortes demais e fracos demais”; i) recusa ao pacifismo, “a 
vida é uma guerra permanente”; j) “desprezo pelos fracos”; k) “culto do heroísmo (...) 
estreitamente ligado ao culto da morte”; l) machismo, misoginia e pulsão sexual orientada 
para a guerra e o combate; m) exaltação do povo (abstrato) por ser “a vontade comum” 
enquanto indivíduos não possuem direitos; e, por fim, n) “léxico pobre (...) com o fim de 
limitar os instrumentos para um raciocínio complexo e crítico”. 
Voltando ao princípio dos movimentos fascistas, Paxton (2007) os associa com a 
insatisfação gerada no “armistício de novembro de 1918”, que marca o fim da I Guerra 
Mundial. O fascismo encontra terreno fértil para brotar na Hungria, por conta da insatisfação 
gerada no fim do Império Habsburgo - “Monarquia Dual da Áustria-Hungria” - e perda de 
território à medida que os povos que compunham este império multinacional buscam 
independência, seguida da revolução social de caráter socialista adotadas por Béla Kun. Neste 
cenário, a ideologia fascista surgiu a partir do movimento contra-revolucionário das elites e 
forças armadas húngaras, se opondo à democracia liberal que havia permitido a perda 
territorial e à ditadura bolchevique, e se alimentando de ideias xenófobos, tradicionalistas e 
nacionalistas. Enquanto isso, na metade austríaca, o que ditava o reacionarismo era a 
ideologia pangermânica, onde os trabalhadores alemães viam os outros povos como inimigos, 
principalmente os tchecos. Este movimento ganhou forças com o anti-semitismo e uma 
suposta defesa dos interesses nacionais com slogans populistas de combate à corrupção e 
valorização do comércio alemão e trabalhadores com baixa ou nenhuma especialização. 
Neste cenário, tanto os judeus quanto os socialistas foram taxados de inimigos da nação e 
responsáveis pela derrota na Grande Guerra. 
 
Para finalizar esse recorte, o movimento fascista italiano surge dos veteranos militares 
descontentes com os resultados da guerra, culpando sua classe política por esse resultado e os 
taxando de traidores que impediram o futuro mítico prometido ao povo italiano. Paxton 
(2007) resume esse momento como sendo de uma desilusão coletiva com o futuro causada 
pela carnificina industrial e prolongada deste novo modo de guerrear criado com a tecnologia 
e urbanização moderna. “Os europeus viam-se divididos entre um velho mundo que não 
podia ser revivido e um novo mundo sobre o qual discordavam acerbamente”. 
 Estes três movimentos não foram os únicos com características fascistas a surgirem na 
Europa naquele período, contudo, foram os que conseguiram alcançar o poder e apoio das 
massas em seus países no período entre-guerras. Apesar da dificuldade em se nomear o que 
ocorria, por conta do fascismo não descender linearmente das correntes políticas daquela 
época - liberalismo, conservadorismo e socialismo - os governos fascistas, ao se tornarem 
situação, não diferiam tanto dos outros governos. Enquanto oposição eles bradavam contra as 
elites e sua sede de poder e corrupção mas acabaram se tornando algo similar, abandonando 
parte de sua ideologia formativa ou gerando contradições no discurso. 
 
O Nazismo 
 
 Ainda que não tenha sido citado anteriormente neste trabalho, um ponto importante 
para a ideologia fascista é a figura do líder, que centraliza, organiza e motiva o caráter 
ideológico da doutrina e do movimento social. Por conta disso, Evans (2010) orienta a 
ascensão do nazismo a partir da trajetória de Adolf Hitler. Os elementos que o alçaram ao 
poder não foram desenvolvidos ou criados por ele, contudo, Hitler soube navegar no contexto 
político e social da Alemanha entre-guerras. Vemos que seu anticomunismo pode ser traçado 
à sua atuação na repressão da revolução mal sucedida na Bavária enquanto que o 
antisemitismo e pangermanismo eram sentimentos crescentes durante o período, 
movimentados pela constante insatisfação, como vemos na existência das organizações 
conspiratórias Ordem Germânica e Sociedade Thule. 
Em 1919, Hitler é enviado para investigar um movimento nacionalista que vinha 
crescendo em influência, o Partido dos Trabalhadores Alemães. Neste partido, em que ele se 
filia, Hitler pode pôr à prova sua habilidade de encantamento e manipulação política, junto 
das ideologias que vinha cultivando. Afinal de contas, tanto Hitler quanto este partido 
possuíam o que interessava para florescimento do movimento fascista, ressentimento da elite 
vista como traidora da pátria, suas políticas falhas e burocracias que alienaram as massas, 
 
repulsa a miscigenação racial e valorização dos elementos germânicos, independente das 
fronteiras nacionais que haviam sido impostas por seus inimigos. Com sua habilidade de 
manipulação, Hitler cresce nas fileiras do partido. Enquanto no comando da propaganda do 
partido ele estabelece alianças e aumenta sua plataforma, alcançando novas audiências no 
povo alemão. É dele também o movimento de renomear o partido, passando a se chamar 
Partido Nacional-Socialista - nome de onde surgirá a denominação de nazismo. 
 Diferente da experiência fascista italiana, na Alemanha, o movimento nazista 
carregava um elemento biologicista em sua ideologia. A defesa do grupo não era só uma 
disputa de “nós vs. eles” enquanto nação ou política. Também se fazia uma defesa genética, 
inspirada em distorções da obra do filósofo FriedrichNietzsche. O Ubermensch, ou 
super-homem, que, para o filósofo, era uma questão de desenvolvimento moral, na mão dos 
propagandistas nazista inimigos também era defender a genealogia alemã, os arianos. O 
movimento nazista consegue se estabelecer a partir de eventos esportivos, mostrando como a 
dita pureza racial era gloriosa. 
 Dentro do movimento nazista, o antisemitismo surge da mesma forma que a 
designação de inimigos feita por outros movimentos fascistas: os judeus seriam inimigos da 
pátria, responsáveis pela derrota alemã na guerra, pela recessão econômica e depravação da 
moral e dos bons costumes. Seu capital não era considerado um capital produtivo para a 
sociedade, era dito que eles acumulavam e especulavam, enquanto os verdadeiros alemães, os 
arianos, minguavam. Aos judeus também era associado o bolchevismo, visto como um mal a 
ser combatido, enquanto que o Partido dos Trabalhadores Alemães era construído em cima de 
um socialismo de viés nacionalista, com um aspecto moral de defesa dos “que viviam do 
trabalho honesto” (Evans, 2010). 
 Com a entrada de Adolph Hitler no partido, primeiro como emissário do exército para 
avaliar a utilidade do movimento como contra revolucionário na Revolução da Bavária, e seu 
crescimento e aumento de influência, o antisemitismo é intensificado. Em sua direção, os 
judeus saem do âmbito do inimigo abstrato e é iniciado o que viria a ser conhecido como o 
Holocausto, a eliminação completa dos judeus. 
 
O Holocausto 
 
 Com a ascensão de Hitler e do Partido Nacional Socialista ao poder na Alemanha, a 
primeira solução encontrada para o problema com os judeus foi a sua segregação, expulsão 
dos territórios e expropriação de seus bens. A medida que a política nazi-fascista avançava e 
 
com a eclosão da guerra, novas medidas foram tomadas. A segunda solução para se lidar com 
esse inimigo fabricado foi a de concentração - não só dos judeus mas de todos aqueles 
considerados inadequados para a manutenção da superioridade genética ariana, como 
dissidentes e agitadores políticos, pessoas romani, pessoas LGBTQIAP+, pessoas com 
deficiência e/ou com transtornos mentais - em campos de trabalho forçado. Arendt (2013) 
aborda como essa medida foi tomada como uma mera questão administrativa pelos burocratas 
do partido e do governo alemão. A terceira solução, ou solução final, seria o extermínio 
dessas pessoas nos campos, o que era encarado como uma simples questão econômica. 
 Um ponto interessante da cobertura de Arendt (2013) no julgamento de Eichmann é a 
descrição de como funcionava o governo alemão sobre a tutela de Hitler. Nesta descrição 
podemos ver um excesso de burocracia nas repartições institucionais mas também um 
elemento fundamental da ideologia fascista, o culto ao líder. Apesar da quantidade de 
elementos institucionais, todos agiam - competindo entre si, inclusive - para atingir um 
objetivo comum, pois, assim, atrairiam a atenção do líder ao executar a tarefa. O extermínio 
dos judeus era visto como uma questão médica, tendo a primeira câmara de gás sido 
construída como uma opção “humanizada” de morte indolor para os que já estavam 
esgotados da rotina dos campos de concentração. 
 Assim, o que Arendt trabalha como sendo a “banalidade do mal” do título de seu 
livro, seria esse estado de alienação e dissociação que o fascismo é capaz de exercer nas 
pessoas para que elas cometam as maiores atrocidades possíveis sem se afetar e/ou 
responsabilizar, satisfeitas de estarem cumprndo o seu objetivo em uma máquina burocrática 
com um objetivo claro mas também distante. Só assim, com a convicção gerada por uma 
ideologia totalitária, seria possível tratar o extermínio em massa de outros seres humanos 
como uma mera questão econômica, de alocação de recursos e ocupação de espaço nos 
campos de concentração. 
 
Conclusão 
 
 É difícil atribuir autoria a slogans e palavras de ordem, principalmente os políticos, 
mas um constantemente utilizado ao se discutir nazismo e holocausto é “nunca mais” - 
frequentemente acompanhado de “para ninguém”, como complemento. A ideia por trás desse 
slogan é de que o holocausto precisa ser constantemente lembrado para não ser repetido. 
Vemos que, apesar da II Guerra Mundial ter se encerrado há 80 anos, suas 
consequências continuam bem vivas em nosso dia a dia. Muitos acharam que os movimentos 
 
fascistas haviam sido rechaçados com a derrota do Eixo porém frequentemente lidamos com 
ameaças de ressurgimento, por meio de grupos fascistas e neonazistas ainda em atuação, ou 
do apagamento da memória, por meio de revisionismos históricos. 
Neste contexto, estudar como foi o surgimento desses movimentos no início do século 
XX, quais suas características definidoras e seus objetivos políticos se torna importante para 
podermos analisar o contexto político atual e identificar ameaças não só à democracia mas 
também a nossas vidas, pois, sabemos o que fascistas são capazes de fazer quando cegos por 
sua ilusão de guerra eterna e da ameaça de inimigos fabricados. 
 
 
Referências Bibliográficas: 
 
ARENDT, H. A segunda solução: concentração & A solução final: assassinato. In: 
Eichmann em Jerusalém: Um relato sobre a banalidade do mal. Tradução: José Rubens 
Siqueira. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. p. 82–128. 
 
 ECO, U. O Fascismo Eterno. Tradução: Eliana Aguiar. Rio de Janeiro: Record, 2018. 
 
EVANS, R. J. A ascensão do nazismo. In: A Chegada do Terceiro Reich. Tradução: Lúcia 
Brito. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2010. p. 211–251. 
 
 MARX, K.; ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista. Tradução: Victor Hugo 
Klagsbrunn. São Paulo: Expressão Popular, 2020. 
 
PAXTON, R. O. A criação dos movimentos fascistas. In: A Anatomia do Fascismo. 
Tradução: Patrícia Zimbres; Tradução: Paula Zimbres. São Paulo: Paz e Terra, 2007. p. 
51–100.

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