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SUMÁRIO 
 
INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 3 
1 CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS, A DISCIPLINA DO DANO MORAL E SUA 
REPARAÇÃO NO CÓDIGO CIVIL DE 1916 .................................................. 4 
2 INTRODUÇÃO A RESPONSABILIDADE CIVIL ............................................ 7 
3 RESPONSABILIDADE CIVIL E RESPONSABILIDADE PENAL ................ 13 
4 RESPONSABILIDADE SUBJETIVA E RESPONSABILIDADE OBJETIVA 14 
5 ELEMENTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL ......................................... 15 
5.1 Conduta humana .......................................................................................... 15 
5.2 Dano.. ........................................................................................................... 20 
5.3 Nexo causal .................................................................................................. 21 
5.3.1 Teoria da equivalência das condições (conditio sine qua non) ..................... 22 
5.3.2 Teoria da causalidade adequada.................................................................. 24 
5.3.3 Teoria da causalidade direta ou imediata ..................................................... 25 
5.3.4 Teoria adotada pelo código civil brasileiro .................................................... 26 
5.3.5 Causas concorrentes .................................................................................... 27 
5.3.6 Concausas .................................................................................................... 29 
5.3.7 A teoria da imputação objetiva e a responsabilidade civil ............................. 30 
6 DANO PATRIMONIAL ................................................................................. 31 
6.1 Dano emergente e lucro cessante ................................................................ 31 
6.2 Interesse negativo e interesse positivo ......................................................... 32 
6.3 Dano patrimonial e equivalente pecuniário da prestação ............................. 33 
7 DANOS MORAIS ......................................................................................... 35 
 
7.1 Danos morais x transtornos. A perda do tempo e o crescimento da tese da 
responsabilidade civil sem dano. .................................................................. 37 
7.2 Danos morais da pessoa jurídica.................................................................. 39 
7.3 Natureza jurídica da indenização por danos morais ..................................... 41 
7.4 Tabelamento e critérios para quantificação dos danos morais ..................... 42 
8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................ 46 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
Prezado aluno, 
 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante 
ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um 
aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma 
pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é 
que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a 
resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas 
poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em 
tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa 
disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das 
avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora 
que lhe convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser 
seguida e prazos definidos para as atividades. 
 
 
4 
 
1 CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS, A DISCIPLINA DO DANO MORAL E SUA 
REPARAÇÃO NO CÓDIGO CIVIL DE 1916 
A irreparabilidade do dano moral surge como consequência da dicotomia entre 
reparação e pena. A pena pecuniária, que anteriormente se dirigia ao ofendido, 
exercendo a dupla função de reparar e punir, se tornou elemento exclusivo do Direito 
Penal, dirigindo-se, essa, ao Estado. 
Nesse sentido, a indenização se referia ao ilícito civil; ao interesse particular de 
a vítima ter seu dano reparado. Já a punição teria relação com o ilícito criminal; a um 
interesse geral de repressão do crime, pelo Estado. A quantia indenizatória destinava-
se à vítima do dano. As multas ou penas pecuniárias, por sua vez, não poderiam ter 
natureza reparatória, mas tão somente punitiva, se destinando ao Estado. 
(TRUGILHO, 2015). 
Assim, a doutrina afirma que “a indenização deveria basear-se tão somente na 
extensão do dano sofrido. Entretanto, como o dano moral não é mensurável, o autor 
baseia sua reparação no valor da multa (penal), coibindo, outrossim, o arbítrio do 
julgador. ” (BEVILAQUA, apud TRUGILHO. 2015. p. 119) 
Trugilho (2015) ainda acrescenta alguns comentários sobre Bevilaqua e a 
disciplina do dano moral: Assim, o jurista se apropria, parcialmente, dos parâmetros 
de aplicação da multa, disciplinados no Código Penal, e os transfere para o Código 
Civil, em forma de reparação do dano moral. 
O próprio autor afirma que a quantia da reparação do dano moral constitui-se 
em pena civil. O vocábulo “pena”, neste caso, tem fundamento punitivo, 
diferentemente da actio injuriarum æstimatoria romana. Isto porque, no Direito 
romano, o escopo da pœna imposta ao ofensor, no contexto dos delitos privados, não 
era a punição; representava uma sanção legal de natureza pecuniária. “Isto é, uma 
soma em dinheiro, ou a entrega de objetos”. Na actio injuriarum æstimatoria, a própria 
vítima ponderava o valor da lesão sofrida, o seu propósito era, pois, substancialmente 
reparatório. 
Já o Código Civil de 1916, ao contrário, utiliza o critério de punição do Código 
Penal, o qual se ampara nas condições do ofensor. Isto é, não se atenta para a 
situação da vítima e para a amplitude da lesão sofrida, em cada caso concreto; fato 
 
5 
 
que configura, inclusive, um contrassenso no pensamento de Bevilaqua, segundo 
quem a indenização deve ser baseada na extensão do dano. 
É importante destacar, por fim, que Bevilaqua é o primeiro dos autores a 
empregar o termo dano moral. 
A reparabilidade do dano moral, anterior a promulgação do Código Civil de 
1916, já era tema de acirrados debates, tanto em âmbito doutrinário, quanto 
jurisprudencial. Havia entre renomados autores do período grande divergência nos 
entendimentos. Sendo Larcerda de Almeida era contrário à reparabilidade do dano 
moral e Carvalho de Mendonça era favorável. O autor defende, ainda, que a reparação 
do dano moral não poderia se restringir às hipóteses e valores determinados em lei. 
Bevilaqua ora diz que as previsões de reparação do dano moral no Código Civil 
são taxativas, ora diz que são exemplificativas, com base nesse contraditório 
entendimento pode-se observar a complexidade do tema. 
Havia grande divergência sendo enfrentada pelos membros do Supremo 
Tribunal Federal e os tribunais brasileiros, também possuíam grande divergência entre 
seus membros. 
As responsabilidades civil e penal por ofensas físicas ou psíquicas ao ser 
humano surgiram e estiveram unidas durante muito tempo. Dito isso, é evidente que 
havia confusão entre a reparação da vítima e a punição ao ofensor. 
A separação entre responsabilidade civil e penal teve início no Direito romano, 
ocorrendo o efetivo desmembramento das matérias no século XIX, como 
consequência de ideais jusracionalistas. 
A intensa sistematização e reestruturação do Direito, entre os séculos XVI e 
XIX, proporcionada pelo jusracionalismo, tem como um de seus postulados a estrita 
separação entre matérias cíveis e criminais, a qual se instrumentalizaria, 
principalmente, por meio da elaboração de códigos distintos: um civil e outro criminal. 
(TRUGILHO, 2015).
direção, o legislador, ao 
disciplinar a impossibilidade da prestação por culpa de um dos devedores solidários, 
determinou, no art. 279, que “subsiste para todos o encargo de pagar o equivalente; 
mas pelas perdas e danos só responde o culpado”. 
Os dispositivos revelam que a responsabilidade que segue ao inadimplemento 
do débito é gênero, do qual a responsabilidade civil é espécie. Tratando-se de relação 
contratual, o pagamento do equivalente exsurge como um dos instrumentos de tutela 
colocados à disposição do credor, ao lado da resolução da relação obrigacional, diante 
do inadimplemento absoluto da prestação, nos termos do art. 475 do Código Civil, 
sem prejuízo da cobrança concomitante de indenização pelas perdas e danos. Cuida-
se, com efeito, o pagamento do equivalente e a indenização das perdas e danos, de 
verbas distintas, com funções diversas, o que impede compreender o equivalente 
abarcado pelo montante pago a título de dano patrimonial. (TEPEDINO, 2021) 
 
35 
 
7 DANOS MORAIS 
A reparação dos danos imateriais é consideravelmente nova no ordenamento 
jurídico brasileiro, sua pacificação tem ocorrido desde a Constituição Federal de 1988, 
devido a previsão legal expressa no art. 5.º, incs. V e X. 
A corrente doutrinária (majoritária na doutrina brasileira) que melhor aborda o 
tema conceitua os danos morais como lesão a direitos da personalidade. Importante 
ressaltar que para a sua reparação não se requer a determinação de um preço para 
a dor ou o sofrimento, mas uma forma para que se possa, em parte, reduzir, as 
consequências do prejuízo imaterial, o que traz o conceito de lenitivo, derivativo ou 
sucedâneo. Devido ao exposto, que se torna evidente o porquê do uso do termo 
reparação e não ressarcimento para os danos morais. 
O dano moral não possui a finalidade de acrescer o patrimônio da vítima, mas 
sim de compensá-la pelos males suportados. Devido essa característica, não cabe a 
incidência de imposto de renda sobre o valor recebido a título de indenização por dano 
moral, essa afirmativa encontra-se consolidada por meio da Súmula 498 do Superior 
Tribunal de Justiça. 
Além do pagamento de uma indenização em dinheiro, presente o dano moral, 
é viável uma compensação in natura, conforme reconhece enunciado nº 589 aprovado 
na VII Jornada de Direito Civil (2015): “a compensação pecuniária não é o único modo 
de reparar o dano extrapatrimonial, sendo admitida a reparação in natura, na forma 
de retração pública ou outro meio”. O enunciado dispõe acerca do direito de resposta 
no caso de atentado contra a honra praticado por veículo de comunicação. Ressalte-
se que o direito de resposta foi regulamentado por lei específica (Lei 13.188, de 11 de 
novembro de 2015) que regula os procedimentos judiciais para o seu exercício. 
Seguindo de forma complementar, diversos casos existem em que o 
magistrado determina ao devedor que substitua o bem que não presta ao fim a que 
se destina por outra da mesma qualidade, quantidade e espécie que funcione 
adequadamente ou então em que a decisão judicial determina que o devedor realize 
alguma atividade a que se obrigou, como a cobertura de tratamento a um consumidor 
de plano de saúde, a instalação de uma linha telefônica, a pintura de uma fachada, o 
 
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desfazimento de uma construção. Em todas essas possibilidades, o Estado-juiz 
objetiva disponibilizar ao interessado a reparação in natura. 
Para a caracterização do dano moral não se faz obrigatória a presença de 
sentimentos humanos negativos, conforme enunciado nº 445 aprovado na V Jornada 
de Direito Civil: “o dano moral indenizável não pressupõe necessariamente a 
verificação de sentimentos humanos desagradáveis como dor ou sofrimento”. Por 
exemplo, a Súmula 227 do STJ que reconhece o dano moral da pessoa jurídica, é 
evidente que a pessoa jurídica não passa por tais situações. 
Com relação à pessoa natural, o Superior Tribunal de Justiça tem entendido 
que, nos casos de lesão a valores fundamentais protegidos pela Constituição Federal, 
o dano moral dispensa a prova dos citados sentimentos humanos desagradáveis, 
presumindo-se o prejuízo. 
Feitas as considerações sobre o dano moral, seguimos com a observância de 
suas principais classificações. 
Com relação ao sentido da categoria o dano moral pode ser classificado em: 
Sentido próprio, nesse caso é entendido como aquilo que a pessoa sente (dano 
moral in natura), causando na pessoa dor, tristeza, vexame, humilhação, amargura, 
sofrimento, angústia e depressão. 
Em sentido impróprio ou também denominado em sentido amplo, nesse caso é 
entendido como qualquer lesão aos direitos da personalidade, como, por exemplo, à 
opção sexual. Na linha do exposto não necessita da prova do sofrimento em si para a 
sua caracterização. 
Quanto à necessidade ou não de prova: 
Dano moral provado ou dano moral subjetivo, é aquele que necessita ser 
comprovado pelo autor da demanda, ônus que lhe cabe. Ocorre, por exemplo, nas 
hipóteses fáticas de acidentes de trânsito, visto que a condenação à compensação de 
danos morais, nessas hipóteses, depende de comprovação de circunstâncias 
peculiares que demonstrem o extrapolamento da esfera exclusivamente patrimonial, 
o que demanda exame de fatos e provas. 
Dano moral objetivo ou presumido (in re ipsa), não necessita de prova, como 
nos casos de morte de pessoa da família, lesão estética, lesão a direito fundamental 
protegido pela Constituição Federal ou uso indevido de imagem para fins lucrativos 
 
37 
 
(Súmula 403 do STJ). Na mesma esteira da sumular, cite-se proposta aprovada na 
VII Jornada de Direito Civil, evento promovido pelo Conselho da Justiça Federal em 
2015, segundo o qual o dano à imagem restará configurado quando presente a 
utilização indevida desse bem jurídico, independentemente da concomitante lesão a 
outro direito da personalidade, sendo dispensável a prova do prejuízo do lesado ou 
do lucro do ofensor para a caracterização do dano, por se tratar de modalidade in re 
ipsa (Enunciado n. 587). 
Quanto à pessoa atingida: 
Dano moral direto, é aquele que atinge a própria pessoa, a sua honra subjetiva 
(autoestima) ou objetiva (repercussão social da honra). Como exemplo, cita-se os 
crimes contra a honra, que geram a responsabilidade civil daquele que os pratica, nos 
termos do art. 953 do Código Civil. 
Dano moral indireto, também denominado dano moral em ricochete, é aquele 
que atinge a pessoa de forma reflexa, como nos casos de morte de uma pessoa da 
família (art. 948, caput, do CC), lesão à personalidade do morto (art. 12, parágrafo 
único, do CC) e perda de uma coisa de estima, caso de um animal de estimação (art. 
952 do CC). Em síntese, trata-se de um dano que atinge uma pessoa ou coisa e 
ressoa em outra pessoa. É evidente que as suas hipóteses são amplas, atingindo 
muito além da situação descrita no art. 948 do Código Civil. A legitimidade para o 
pedido de reparação por danos morais como regra geral é do próprio ofendido, porém, 
em determinadas situações, são colegitimadas também aquelas pessoas que, sendo 
muito próximas afetivamente à vítima, são atingidas indiretamente pelo evento 
danoso, reconhecendo-se, em tais casos, o chamado dano moral reflexo ou em 
ricochete. (TARTUCE, 2021) 
Abordadas as classificações seguimos para uma abordagem acerca de 
algumas questões controvertidas relacionadas ao tema dos danos morais. 
7.1 Danos morais x transtornos. A perda do tempo e o crescimento da tese da 
responsabilidade civil sem dano. 
A doutrina e a jurisprudência têm se atentado para a concepção do fato de que 
os danos morais suportados por alguém não se confundem com os meros transtornos 
 
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ou aborrecimentos que a pessoa sofre no dia a dia. Pois Isso pode ocasionar em um 
descrédito da própria concepção da responsabilidade civil e do dano moral. O juiz, em 
análise do caso concreto deve apontar se a reparação imaterial é cabível ou não. 
Assim,
o dano moral não se confunde com os meros aborrecimentos decorrentes de 
prejuízo material, nesse sentido o Conselho da Justiça Federal aprovou o enunciado 
nº 159. 
O Superior Tribunal de Justiça tem entendido de forma reiterada que a mera 
quebra de um contrato ou o mero descumprimento contratual não gera dano moral. 
Em síntese, a jurisprudência do STJ tem entendido que o descumprimento do 
contrato que envolva valores fundamentais protegidos pela CF/1988 pode gerar dano 
moral presumido ou in re ipsa. 
Importante ressaltar que, servem como parâmetros para a análise do caso 
concreto de violação a direitos fundamentais os direitos consagrados pelos artigos 5º 
ao 7º da CF/1988, que perfazem a concretização da cláusula geral de tutela da pessoa 
humana (art. 1.º, inc. III, do Texto Maior). Nesse sentido, a V Jornada de Direito Civil, 
aprovou-se enunciado de nº 411, com seguinte teor: “o descumprimento de um 
contrato pode gerar dano moral, quando envolver valor fundamental protegido pela 
Constituição Federal de 1988”. 
Dando seguimento ao tema, o Superior Tribunal de Justiça sempre entendeu 
que a simples presença de um corpo estranho, sem o posterior consumo, não geraria 
a reparação imaterial. 
Em 2014, surgiu outra tendência no Tribunal da Cidadania, que passou a 
considerar a reparação de danos imateriais mesmo nos casos em que o produto não 
é consumido. Inaugurou-se, assim, uma forma de julgar que admite a reparação civil 
pelo perigo de dano, não mais tratada a hipótese como de mero aborrecimento ou 
transtorno cotidiano. (TARTUCE, 2021). Vejamos o teor da ementa: 
“Recurso especial. Direito do consumidor. Ação de compensação por dano 
moral. Aquisição de garrafa de refrigerante contendo corpo estranho em seu 
conteúdo. Não ingestão. Exposição do consumidor a risco concreto de lesão 
à sua saúde e segurança. Fato do produto. Existência de dano moral. 
Violação do dever de não acarretar riscos ao consumidor. Ofensa ao direito 
fundamental à alimentação adequada. Artigos analisados: 4.º, 8.º, 12 e 18, 
CDC, e 2.º, Lei 11.346/2006. 1. Ação de compensação por dano moral, 
ajuizada em 20.04.2007, da qual foi extraído o presente recurso especial, 
concluso ao gabinete em 10.06.2013. 2. Discute-se a existência de dano 
 
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moral na hipótese em que o consumidor adquire garrafa de refrigerante com 
corpo estranho em seu conteúdo, sem, contudo, ingeri-lo. 3. A aquisição de 
produto de gênero alimentício contendo em seu interior corpo estranho, 
expondo o consumidor a risco concreto de lesão à sua saúde e segurança, 
ainda que não ocorra a ingestão de seu conteúdo, dá direito à compensação 
por dano moral, dada a ofensa ao direito fundamental à alimentação 
adequada, corolário do princípio da dignidade da pessoa humana. 4. Hipótese 
em que se caracteriza defeito do produto (art. 12, CDC), o qual expõe o 
consumidor a risco concreto de dano à sua saúde e segurança, em clara 
infringência ao dever legal dirigido ao fornecedor, previsto no art. 8.º do CDC. 
5. Recurso especial não provido” (STJ, REsp 1.424.304/SP, 3.ª Turma, Rel. 
Min. Nancy Andrighi, j. 11.03.2014, DJe 19.05.2014). (STJ, apud TARTUCE, 
2021. p. 858). 
Para Tartuce (2021), trata-se de um caminhar para o reconhecimento da 
responsabilidade sem dano. 
7.2 Danos morais da pessoa jurídica 
No que se refere ao dano moral da pessoa jurídica, consta a Súmula 227 do 
Superior Tribunal de Justiça o reconhecimento do dano moral a pessoa jurídica, 
podendo ser ainda extraído do art. 52 do Código Civil em vigor, pelo qual se aplica à 
pessoa jurídica, no que couber, o disposto quanto aos direitos da personalidade. Em 
verdade, o dano moral da pessoa jurídica atinge a sua honra objetiva, que é a 
repercussão social da honra, sendo certo que uma empresa tem uma reputação 
perante a coletividade. Não se pode imaginar que o dano moral da pessoa jurídica 
atinja a sua honra subjetiva, que é a autoestima. Nessa linha, a assertiva n. 10, 
publicada na Edição n. 125 da ferramenta Jurisprudência em Teses do STJ, do ano 
de 2019, dedicada à responsabilidade civil e aos danos morais: “a pessoa jurídica 
pode sofrer dano moral, desde que demonstrada ofensa à sua honra objetiva”. 
Em síntese, como regra, o dano moral da pessoa jurídica deve ser provado, 
sendo presumido em algumas situações concretas, como na inscrição indevida do seu 
nome em cadastro negativo. 
Porém, ressalte-se que a tese da reparabilidade dos danos morais da pessoa 
jurídica não é unânime na doutrina nacional. Na IV Jornada de Direito Civil, a comissão 
da Parte Geral provou o Enunciado nº 286, relativo ao art. 52 do CC, prevendo que 
“os direitos da personalidade são direitos inerentes e essenciais à pessoa humana, 
 
40 
 
decorrentes de sua dignidade, não sendo as pessoas jurídicas titulares de tais 
direitos”. O enunciado segue a doutrina, pela qual a pessoa jurídica não pode sofrer 
danos morais, pois esses constituem lesões à dignidade humana, própria das pessoas 
naturais. Para essa linha de pensamento, os danos imateriais que atingem a pessoa 
jurídica seriam danos institucionais. 
Apesar da polêmica, não há como concordar com o último enunciado 
doutrinário. Isso porque a pessoa jurídica possui sim alguns direitos da personalidade, 
tais como direito ao nome, à imagem e à honra objetiva. Em outras palavras, os 
direitos da personalidade não são exclusivos da pessoa humana. Concluindo, por 
constituírem os danos morais lesões a esses direitos de personalidade, não se pode 
negar a reparação a favor das pessoas jurídicas. 
Reitere-se que como exemplos de hipóteses em que tal dano está presente 
podem ser citados os casos de abalo de crédito, como na situação em que o nome da 
pessoa jurídica é inscrito indevidamente em cadastro de inadimplentes. 
Podem ser mencionadas, ainda, as afirmações difamatórias feitas em órgãos 
de imprensa, que podem perfeitamente causar danos à imagem de uma empresa. 
Por fim, vejamos acerca da possibilidade de uma pessoa jurídica de Direito 
Público pleitear danos morais. O tema já foi objeto de proposta de enunciado 
doutrinário, não aprovada, quando da V Jornada de Direito Civil, promovida pelo 
Conselho da Justiça Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em 2011. Imagine, a 
viabilidade de uma Municipalidade pleitear indenização imaterial de uma pessoa 
famosa que fez afirmações injuriosas sobre a cidade nos órgãos de imprensa. 
(TARTUCE, 2021). Isso já foi tema discutido pelo STJ, em ementa publicada no seu 
Informativo nº 534, vejamos seu conteúdo: 
“A pessoa jurídica de direito público não tem direito à indenização por danos 
morais relacionados à violação da honra ou da imagem. A reparação integral 
do dano moral, a qual transitava de forma hesitante na doutrina e 
jurisprudência, somente foi acolhida expressamente no ordenamento jurídico 
brasileiro com a CF/1988, que alçou ao catálogo dos direitos fundamentais 
aquele relativo à indenização pelo dano moral decorrente de ofensa à honra, 
imagem, violação da vida privada e intimidade das pessoas (art. 5.º, V e X). 
Por essa abordagem, no atual cenário constitucional, a indagação sobre a 
aptidão de alguém de sofrer dano moral passa necessariamente pela 
investigação da possibilidade teórica de titularização de direitos 
fundamentais. Ocorre que a inspiração imediata da positivação de direitos 
fundamentais resulta precipuamente da necessidade de proteção da esfera 
individual da pessoa humana contra ataques tradicionalmente praticados pelo 
 
41 
 
Estado. Em razão disso, de modo geral, a doutrina e jurisprudência nacionais 
só têm reconhecido às pessoas jurídicas de direito público direitos 
fundamentais de caráter processual ou relacionados à proteção 
constitucional da autonomia, prerrogativas ou competência de entidades e 
órgãos públicos, ou seja, direitos oponíveis ao próprio Estado, e não ao 
particular. Porém, em se tratando de direitos fundamentais de natureza 
material pretensamente oponíveis
contra particulares, a jurisprudência do 
STF nunca referendou a tese de titularização por pessoa jurídica de direito 
público. Com efeito, o reconhecimento de direitos fundamentais – ou 
faculdades análogas a eles – a pessoas jurídicas de direito público não pode 
jamais conduzir à subversão da própria essência desses direitos, que é o 
feixe de faculdades e garantias exercitáveis principalmente contra o Estado, 
sob pena de confusão ou de paradoxo consistente em ter, na mesma pessoa, 
idêntica posição jurídica de titular ativo e passivo, de credor e, a um só tempo, 
devedor de direitos fundamentais” (STJ, REsp 1.258.389/PB, Rel. Min. Luis 
Felipe Salomão, j. 17.12.2013). (STJ, apud TARTUCE, 2021. p. 866). 
Tartuce (2021) comenta que, de fato, pelos próprios argumentos que constam 
do julgamento, fica difícil pensar na reparação de danos morais de uma pessoa 
jurídica de Direito Público. A questão se consolidou de tal forma na Corte Superior 
que, em 2019, na Edição nº 125 da sua ferramenta Jurisprudência em Teses publicou-
se o seguinte: “a pessoa jurídica de direito público não é titular de direito à indenização 
por dano moral relacionado à ofensa de sua honra ou imagem, porquanto, tratando-
se de direito fundamental, seu titular imediato é o particular e o reconhecimento desse 
direito ao Estado acarreta a subversão da ordem natural dos direitos fundamentais” 
(tese nº 11). Talvez, além do que consta da última ementa, as melhores soluções para 
os casos em que as coletividades são atingidas sejam as reparações pelas 
modalidades dos danos morais coletivos ou dos danos sociais. 
7.3 Natureza jurídica da indenização por danos morais 
Outro ponto importante está no fato de não existir unanimidade a respeito da 
natureza jurídica da indenização por danos morais, surgindo três correntes 
doutrinárias e jurisprudenciais relativamente à controvérsia na atualidade: 
1.ª Corrente: A indenização por danos morais tem o mero intuito reparatório ou 
compensatório, sem qualquer caráter disciplinador ou pedagógico. Essa tese 
encontra-se superada na jurisprudência, pois a indenização deve ser encarada como 
mais do que uma mera reparação. 
 
42 
 
2.ª Corrente: A indenização tem um caráter punitivo ou disciplinador, tese 
adotada nos Estados Unidos da América, com o conceito de punitive damages. Essa 
corrente não vinha sendo bem aceita pela nossa jurisprudência, que identificava 
perigos na sua aplicação. Entretanto, nos últimos tempos, tem crescido o número de 
adeptos a essa teoria. 
3.ª Corrente: A indenização por dano moral está revestida de um caráter 
principal reparatório e de um caráter pedagógico ou disciplinador acessório, visando 
a coibir novas condutas. Mas esse caráter acessório somente existirá se estiver 
acompanhado do principal. Essa tese ainda tem prevalecido na jurisprudência 
nacional. 
Seguindo também a última corrente, é preciso salientar que a reparação deve 
estar sempre presente, sendo o caráter disciplinador de natureza meramente 
acessória. Na verdade, existe certa confusão jurisprudencial entre o caráter 
pedagógico e o punitivo. 
Em sede doutrinária, a questão não restou clara na IV Jornada de Direito Civil, 
eis que foi aprovado o Enunciado n. 379 do CJF/STJ, prevendo que “o art. 944, caput, 
do Código Civil não afasta a possibilidade de se reconhecer a função punitiva ou 
pedagógica da responsabilidade civil”. A redação assim ficou, pois muitos dos juristas 
então presentes se declararam adeptos da função punitiva da indenização, o que não 
é posição pacífica na doutrina. (TARTUCE, 2021). 
7.4 Tabelamento e critérios para quantificação dos danos morais 
Tartuce (2021) filiado à corrente que afirma que qualquer tentativa de tarifação 
ou tabelamento dos danos morais, mesmo que por lei, é inconstitucional, ainda explica 
que: 
Primeiro, por lesão à especialidade, segunda parte da isonomia constitucional 
(art. 5º, caput, da CF/1988). 
Segundo, o tabelamento por dano moral viola a cláusula geral de tutela da 
pessoa humana, retirada do art. 1.º, inc. III, da CF/1988. 
Devido a proteção da dignidade humana, nem mesmo é recomendável a 
estipulação de tetos pela legislação infraconstitucional para a referida indenização, o 
 
43 
 
que deve ser tido como incompatível com o Texto Maior. Insta salientar que o próprio 
STJ através da Súmula 281 declarou que o valor da indenização por dano moral não 
estaria sujeito à tarifação prevista na Lei de Imprensa. Porém foi declarada sua 
inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal (cf. Informativo n. 544, do STF, 
de maio de 2009). 
No âmbito doutrinário, na VI Jornada de Direito Civil (2013) aprovou-se o 
enunciado nº 550, que não deixa dúvidas: “a quantificação da reparação por danos 
extrapatrimoniais não deve estar sujeita a tabelamento ou a valores fixos”. 
Mediante o exposto, entende a doutrina que os dispositivos da denominada 
Reforma Trabalhista que objetivam tabelar o dano moral já surgiram eivados de 
inconstitucionalidade, tratado impropriamente de dano extrapatrimonial, com claro 
intuito de englobar todos os danos imateriais, em prejuízo do trabalhador e em 
dissonância com o termo usado pela Constituição e pelo Código Civil. 
Conforme o art. 223-G, § 1.º, da CLT, introduzido pela Lei 13.467/2017, se 
julgar procedente o pedido de reparação extrapatrimonial, o juízo do trabalho fixará a 
indenização a ser paga, a cada um dos ofendidos, em um dos seguintes parâmetros, 
vedada a acumulação: ofensa de natureza leve, até três vezes o último salário 
contratual do ofendido; ofensa de natureza média, até cinco vezes o último salário 
contratual do ofendido; ofensa de natureza grave, até vinte vezes o último salário 
contratual do ofendido; e ofensa de natureza gravíssima, até cinquenta vezes o último 
salário contratual do ofendido (art. 223-G, § 1.º, da CLT). Apesar de a lei falar em 
parâmetros, fica clara a opção do legislador pela tarifação 
Em complemento, está estabelecido que, se o ofendido for pessoa jurídica, a 
indenização será fixada com observância desses mesmos parâmetros estabelecidos, 
mas em relação ao salário contratual do ofensor (art. 223-G, § 2.º, da CLT). Na 
reincidência entre partes idênticas, o juízo poderá elevar ao dobro o valor da 
indenização (art. 223-G, § 3.º, da CLT). 
Tartuce (2021) continua com suas ponderações sobre o tema: acredito que os 
juízes do trabalho simplesmente não aplicarão essa infeliz tabela, pois distante da 
nossa realidade jurídica e constitucional. A propósito, quando da II Jornada de Direito 
Material e Processual do Trabalho, promovida pela ANAMATRA em outubro de 2017, 
foram aprovados os enunciados aglutinados nº 5, reconhecendo a 
 
44 
 
inconstitucionalidade de todo o art. 223-G da CLT, pelas razões ora desenvolvidas. 
Além da violação da isonomia, a tarifação adotada está longe da proteção máxima 
dos trabalhadores, retirada do art. 7.º do Texto Maior. Assim, pensamos que o Tribunal 
Superior do Trabalho percorrerá o mesmo caminho que fez o Superior Tribunal de 
Justiça com a Lei de Imprensa, o que culminou com a edição da Súmula 281 do 
Tribunal da Cidadania 
Feita tal atualização da obra, tornou-se comum em nosso país a fixação dos 
danos morais em salários mínimos, diante de parâmetros que constavam da Lei de 
Imprensa e da Lei de Telecomunicações. O Supremo Tribunal Federal, em 1969, 
editou a Súmula 490, prevendo que “a pensão correspondente a indenização oriunda 
de responsabilidade civil deve ser calculada com base no salário mínimo vigente ao 
tempo da sentença e ajustar-se-á às variações ulteriores”. 
Produzidos os ensinamentos com base na melhor doutrina e jurisprudência, na 
fixação da indenização por danos morais, o magistrado deve agir com equidade, 
analisando: a extensão do dano; as condições socioeconômicas e culturais dos 
envolvidos; as condições psicológicas das partes; o grau de culpa do agente, de 
terceiro ou da vítima. 
Tais critérios
podem ser retirados dos arts. 944 e 945 do CC/2002, bem como 
do entendimento dominante, particularmente do Superior Tribunal de Justiça. 
Por fim, Tartuce (2021) conclui que fica a dúvida se serão efetivamente 
aplicados os doze critérios para a quantificação dos danos imateriais, introduzidos 
pela malfadada Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017), dispositivo influenciado pelo 
art. 53 da Lei de Imprensa, que teve a sua inconstitucionalidade reconhecida pelo 
STF. Conforme o novo art. 223-G da CLT, ao apreciar o pedido formulado pelo 
reclamante da ação de reparação de danos imateriais existentes na relação de 
trabalho, o juízo considerará: a natureza do bem jurídico tutelado; a intensidade do 
sofrimento ou da humilhação; a possibilidade de superação física ou psicológica; os 
reflexos pessoais e sociais da ação ou da omissão; a extensão e a duração dos efeitos 
da ofensa; as condições em que ocorreu a ofensa ou o prejuízo moral; o grau de dolo 
ou culpa; a ocorrência de retratação espontânea; o esforço efetivo para minimizar a 
ofensa; o perdão, tácito ou expresso; a situação social e econômica das partes 
envolvidas; e o grau de publicidade da ofensa. 
 
45 
 
Ora, qual a razão de se utilizar parâmetros para a quantificação, se a reparação 
imaterial acabou sendo tabelada? Em reforço, alguns dos parâmetros introduzidos 
pela Reforma Trabalhista são prejudiciais aos empregados, vítimas do evento danoso, 
como o perdão tácito, a análise de sua situação econômica e a publicidade da ofensa. 
Também não faz sentido a menção ao grau de dolo, pois apenas a culpa se gradua. 
De toda forma, pensamos que o tratamento da responsabilidade civil constante da 
nova lei é, no todo, um grande desastre técnico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
46 
 
8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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Disponível em: . 
 
BRASIL. LEI Nº 10.406, DE 10 DE JANEIRO DE 2002. Disponível em: 
 
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil: obrigações – contratos – parte geral 
– v. 1 / Carlos Roberto Gonçalves coord. Pedro Lenza. – 11. ed. – São Paulo: Saraiva 
Educação, 2021. (Coleção Esquematizado®) e-book Bibliografia 1. Obrigações 
(Direito) - Brasil. I. Título. II. Lenza, Pedro. 
 
STOLZE, Pablo; PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Manual de direito civil – volume 
único / Pablo Stolze; Rodolfo Pamplona Filho. – 4. ed. – São Paulo: Saraiva 
Educação, 2020. 
 
TARTUCE, Flávio Manual de Direito Civil: volume único / Flávio Tartuce. – 11. ed. – 
Rio de Janeiro, Forense; METODO, 2021 
 
TEPEDINO, Gustavo. Fundamentos do direito civil: responsabilidade civil / 
Gustavo Tepedino, Aline de Miranda Valverde Terra, Gisela Sampaio da Cruz Guedes 
– 2. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2021. 
 
TRUGILHO, Diogo Lima. A história da reparabilidade do dano moral: de Freitas a 
Bevilaqua, 1 ed. / Diogo Lima Trugilho. - Belo Horizonte: Initia Via, 2015.
inerentes a 
responsabilidade extracontratual: o ato ilícito e o abuso de direito. Essa inovação se 
faz importante, pois o Código Civil de 1916 a amparava somente no ato ilícito. 
Pode-se observar que a responsabilidade civil prevista no Código Civil anterior 
(1916) era baseada no conceito único de ato ilícito (art. 159). Nesse caso, havia uma 
única pilastra a sustentar a construção. Por outro lado, a responsabilidade civil, no 
Código Civil de 2002, é baseada em dois conceitos: o de ato ilícito (art. 186) e o de 
abuso de direito (art. 187). 
Importante ressaltar que, a modificação estrutural da matéria de antijuridicidade 
civil no estudo comparativo das codificações privadas brasileiras também atinge a 
responsabilidade contratual, pois a aplicação do art. 187 do CC/2002 pode e deve 
ocorrer em sede de autonomia privada. Trata-se aqui de um dispositivo unificador do 
sistema de responsabilidade civil, que supera a dicotomia responsabilidade contratual 
x extracontratual. (TARTUCE, 2021). 
Seguimos agora com uma análise das categorias de ato ilícito e abuso de 
direito. 
O ato ilícito trata-se de um ato que é praticado em desacordo com a ordem 
jurídica, violando direitos e causando prejuízos a outrem. A norma jurídica cria o dever 
de reparar o dano caso ocorram esses atos, tornando o ato ilícito fonte do direito 
obrigacional. Considerado como fato jurídico em sentido amplo, o ato ilícito produz 
efeitos jurídicos (somente impostos pela lei) que não são desejados pelo agente. 
O ato ilícito pode ser civil, penal ou administrativo. É fundamental a observância 
de casos em que a conduta ofende a sociedade (ilícito penal) e o particular (ilícito 
civil), acarretando dupla responsabilidade. Como por exemplo a ocorrência de um 
acidente de trânsito pode haver um crime e o dever de indenizar. Mas, prevista no art. 
935 do CC como regra geral, a responsabilidade civil independe da criminal. 
A responsabilidade também pode ser tripla, atingindo a esfera administrativa, 
como ocorre caso a conduta que cause danos ao meio ambiente, sendo-lhe aplicadas 
as sanções administrativas, civis e criminais previstas nas Leis 6.938/1981 (Política 
Nacional do Meio Ambiente) e 9.605/1998 (Crimes Ambientais). 
 
10 
 
Afirma-se que o ato ilícito indenizante, é a conduta humana que fere direitos 
subjetivos privados, estando em desacordo com a ordem jurídica e causando danos 
a alguém. (TARTUCE, 2021). O art. 186 do Código Civil em vigência, possui a 
seguinte redação: 
“Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou 
imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, 
comete ato ilícito”. 
Tartuce (2021) explica que de acordo com a redação atual do art. 186 do CC, 
o ato ilícito civil relacionado ao dever de indenizar constitui uma soma entre lesão de 
direitos e dano causado, sendo assim, Ato ilícito = Lesão de direitos + dano. 
Nessa norma pode-se observar duas importantes diferenças em relação ao art. 
159 do Código Civil anterior (1916): 
“Art. 159. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência, ou 
imprudência, violar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano. 
A verificação da culpa e a avaliação da responsabilidade regulam-se pelo disposto 
neste Código, artigos 1.518 a 1.532 e 1.537 a 1.553”. 
A primeira e a mais importante diferença é que o dispositivo anterior utilizava a 
expressão ou em vez de e, que consta da atual legislação, admitindo o ato ilícito por 
mera lesão de direitos. Isso não é mais possível. Sendo assim, o dano constitui 
elemento fundamental para o ato ilícito civil e para o correspondente dever de reparar 
(art. 927, caput, do CC/2002). 
A segunda diferença é que a disposição atual permite a reparação do dano 
moral puro, sem repercussão patrimonial (“dano exclusivamente moral”). Tal 
reparação já era admitida pela Constituição Federal, no seu art. 5.º, incs. V e X. 
Como consequência do ato ilícito surge a obrigação de indenizar, de reparar o 
dano. 
Seguindo paralelamente com o primeiro conceito de antijuridicidade, o art. 187 
do CC traz uma nova dimensão de ilícito, consagrando a teoria do abuso de direito 
como ato ilícito. A definição de ato ilícito é ampliada nesse caso com vistas a 
considerar como precursor da responsabilidade civil aquele ato praticado em exercício 
irregular de direitos, constituindo ato originariamente lícito, pois houve exercício além 
 
11 
 
dos limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé objetiva ou pelos 
bons costumes. Vejamos a redação do artigo em comento: 
“Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, 
excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico e social, pela boa-
fé ou pelos bons costumes” 
Tartuce (2021) segue comentando que esse dispositivo está revolucionando a 
visualização da responsabilidade civil, trazendo nova modalidade de ilícito, precursora 
do dever de indenizar. Através da análise do art. 187 do Código Civil atual, A definição 
de abuso de direito se baseia em quatro conceitos legais indeterminados, cláusulas 
gerais que devem ser preenchidas pelo juiz caso a caso: fim social; fim econômico; 
boa-fé; bons costumes. 
O conceito de abuso de direito é, aberto e dinâmico, estando em consonância 
com a concepção tridimensional de Miguel Reale, pela qual o Direito é fato, valor e 
norma. O juiz da causa, deverá ter plena consciência do aspecto social que circunda 
a lide, para que a aplicação da lei ocorra em conformidade com a sua carga valorativa. 
Mais do que nunca, com o surgimento e o acatamento do abuso de direito como ato 
ilícito pelo atual Código Civil, terá força a tese pela qual a atividade do julgador é, 
sobretudo, ideológica. 
O conceito de abuso de direito se mantém intimamente relacionado com o 
princípio da socialidade, em vigor na atual legislação, porque o art. 187 do CC trata 
do fim social do instituto jurídico violado. O termo bons costumes deve ter sua análise 
produzida de forma sociológica e temporal. A V Jornada de Direito Civil, seguindo essa 
linha de raciocínio, aprovou o enunciado nº 413 com o seguinte teor: “os bons 
costumes previstos no art. 187 do CC possuem natureza subjetiva, destinada ao 
controle da moralidade social de determinada época; e objetiva, para permitir a 
sindicância da violação dos negócios jurídicos em questões não abrangidas pela 
função social e pela boa-fé objetiva”. 
O abuso de direito também possui interação com o princípio da eticidade, visto 
que Código Civil prevê as consequências do ato ilícito para a pessoa que age em 
desrespeito à boa-fé, aqui prevista a boa-fé de natureza objetiva, sua relação 
encontra-se vinculada com a conduta leal, proba e integradora das relações negociais. 
A função de controle exercida pela boa-fé objetiva está consagrada no art. 187 do CC, 
 
12 
 
inserindo a presença do abuso de direito na esfera contratual, ou seja, na autonomia 
privada. 
O abuso de direito se conceitua como um ato jurídico de objeto lícito, mas cujo 
exercício, levado a efeito sem a devida regularidade, acarreta um resultado que se 
considera ilícito. 
Conclui-se que o abuso de direito é um ato lícito pelo conteúdo, ilícito pelas 
consequências, caracterizando assim sua natureza jurídica mista – entre o ato jurídico 
e o ato ilícito. A ilicitude do abuso de direito encontra-se presente na forma de 
execução do ato, assim é possível concluir que a diferença em relação ao ato ilícito 
tido como puro reside no fato de que o último é ilícito no todo, quanto ao conteúdo e 
quanto às consequências. 
O enunciado nº 539, da VI Jornada de Direito Civil, trata que “o abuso de direito 
é uma categoria jurídica autônoma em relação à responsabilidade civil. Por isso, o 
exercício abusivo de posições jurídicas desafia controle independentemente de dano”. 
De fato, cabem, medidas preventivas em caso de presença
do abuso de direito, 
independentemente da presença do dano. Contudo, para que o abuso de direito seja 
analisado, o dano deve estar presente, conforme consta o art. 927, caput, do CC, que 
exige o elemento objetivo do prejuízo para que surja a consequente responsabilidade 
civil do agente. 
O abuso de direito se caracteriza, conforme seu atual diploma legal quando 
determinada conduta seja praticada por pessoa que exceda um direito que possui, 
atuando em exercício irregular de direito. Conforme disposto, não há que se cogitar o 
elemento culpa na sua configuração, bastando que a conduta exceda os parâmetros 
que constam do art. 187 do CC. 
Portanto, de acordo com o entendimento majoritário da doutrina nacional, 
presente o abuso de direito, a responsabilidade é objetiva, ou independentemente de 
culpa. Nesse sentido, os juristas que integraram a I Jornada de Direito Civil organizada 
pelo Conselho da Justiça Federal, aprovaram o Enunciado nº 37 e que tem a seguinte 
redação: “Art. 187. A responsabilidade civil decorrente do abuso do direito independe 
de culpa, e fundamenta-se somente no critério objetivo finalístico”. 
A V Jornada de Direito Civil, concluiu que o abuso de direito tem fundamento 
constitucional nos princípios da solidariedade, devido processo legal e proteção da 
 
13 
 
confiança, aplicando-se a todos os ramos do direito (Enunciado n. 414). (TARTUCE, 
2021). 
3 RESPONSABILIDADE CIVIL E RESPONSABILIDADE PENAL 
Gonçalves (2021) aduz que a palavra “responsabilidade” possui origem advinda 
do latim respondere, sendo suas referências inerentes a ideia de segurança ou 
garantia da restituição ou compensação do bem sacrificado. Possuindo o significado 
de recomposição, de obrigação de restituir ou ressarcir. A ilicitude é chamada de civil 
ou penal tendo em vista exclusivamente a norma jurídica que impõe o dever violado 
pelo agente. O doutrinador sintetiza os principais pontos de distinções: 
Na responsabilidade penal, o agente infringe uma norma penal de direito 
público. O interesse lesado é o da sociedade. 
É pessoal, intransferível. Responde o réu com a privação de sua liberdade, em 
regra. 
É pessoal também em outro sentido: a pena não pode ultrapassar a pessoa do 
delinquente. 
A tipicidade é um de seus requisitos genéricos. 
Embora a culpa civil e a culpa penal tenham os mesmos elementos, exige -se, 
para a condenação criminal, que tenha certo grau ou intensidade. 
Somente os maiores de 18 anos são responsáveis criminalmente. 
Já na responsabilidade civil, o interesse diretamente lesado é o privado. O 
prejudicado poderá pleitear ou não a reparação. Se, ao causar dano, transgride 
também a lei penal, torna -se, ao mesmo tempo, obrigado civil e penalmente. 
É patrimonial: é o patrimônio do devedor que responde por suas obrigações. 
Ninguém pode ser preso por dívida civil, exceto o devedor de pensão alimentícia do 
direito de família. 
No cível há várias hipóteses de responsabilidade por ato de outrem (CC, art. 
932, p. ex.). 
Qualquer ação ou omissão pode acarretá-la, desde que viole direito e cause 
prejuízo a outrem (CC, arts. 186 e 927). 
 
14 
 
A culpa, ainda que levíssima, obriga a indenizar (in lege Aquilia et levissima 
culpa venit). 
O menor de 18 anos responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por 
ele responsáveis não dispuserem de meios suficientes (CC, art. 928, caput e 
parágrafo único). 
4 RESPONSABILIDADE SUBJETIVA E RESPONSABILIDADE OBJETIVA 
Responsabilidade subjetiva se trata de uma teoria clássica, conhecida também 
como teoria da culpa ou subjetiva, essa teoria parte do pressuposto da culpa como 
fundamento da responsabilidade civil. Sem culpa não há responsabilidade. Diz-se, 
pois, ser subjetiva a responsabilidade quando esta se ampara na ideia de culpa. A 
prova da culpa (em sentido lato, abrangendo o dolo ou a culpa em sentido estrito) 
passa a ser pressuposto necessário do dano indenizável. 
Já a responsabilidade objetiva é uma teoria que se trata de a lei impor a certas 
pessoas, em determinadas situações, a reparação de um dano cometido sem culpa. 
Na ocorrência dessas situações a responsabilidade é legal ou objetiva, pois prescinde 
da culpa e se satisfaz apenas com o dano e o nexo de causalidade. Também 
conhecida como objetiva ou do risco, essa teoria tem como postulado que todo dano 
é indenizável e deve ser reparado por quem a ele se liga por um nexo de causalidade, 
independentemente de culpa. Nas hipóteses de responsabilidade objetiva, não se faz 
necessária a exigência de comprovação da culpa do agente como requisito para 
obriga-lo a reparar o dano. Ela é de todo prescindível (responsabilidade independente 
de culpa). 
A teoria do risco busca justificar a responsabilidade objetiva, nela, qualquer 
pessoa que exerça alguma atividade cria um risco de dano para terceiros e deve ser 
obrigada a repará-lo mesmo que sua conduta seja isenta de culpa. A responsabilidade 
civil desloca-se da noção de culpa para a ideia de risco, ora encarada como “risco-
proveito”, que se funda no princípio de que é reparável o dano causado a outrem em 
consequência de uma atividade realizada em benefício do responsável (ubi 
emolumentum, ibi onus, isto é, quem aufere os cômodos (lucros) deve suportar os 
incômodos ou riscos); ora mais genericamente como “risco criado”, a que se subordina 
 
15 
 
todo aquele que, sem indagação de culpa, expuser alguém a suportá-lo, em razão de 
uma atividade perigosa; ora, ainda, como “risco profissional”, decorrente da atividade 
ou profissão do lesado, como ocorre nos acidentes de trabalho. 
O Código Civil de 2002 filiou-se à teoria subjetiva. É o que se pode verificar no 
art. 186, que erigiu o dolo e a culpa como fundamentos para a obrigação de reparar o 
dano. A responsabilidade subjetiva subsiste como regra necessária, sem prejuízo da 
adoção da responsabilidade objetiva independentemente de culpa em dispositivos 
vários e esparsos, como, por exemplo, no art. 933, que trata da responsabilidade por 
ato de outrem, e no parágrafo único do art. 927, segundo o qual haverá obrigação de 
indenizar o dano, “independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou 
quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua 
natureza, risco para os direitos de outrem”. (GONÇALVES, 2021). 
5 ELEMENTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL 
É correto afirmar juridicamente que a responsabilidade pressupõe a atividade 
danosa de alguém que, atuando a priori ilicitamente, viola uma norma jurídica 
preexistente (legal ou contratual), subordinando-se, dessa forma, às consequências 
do seu ato (obrigação de reparar). 
A responsabilidade civil advém do dano a um interesse eminentemente 
particular, estando assim, o infrator sujeito ao pagamento de uma compensação 
pecuniária à vítima, caso não possa repor in natura o estado anterior de coisas. 
A responsabilidade civil é composta pelos seguintes elementos: conduta 
(positiva ou negativa); dano; nexo de causalidade. (STOLZE; PAMPLONA. 2020). 
5.1 Conduta humana 
A responsabilidade civil constitui em uma expressão obrigacional mais visível 
da atividade humana. 
 
16 
 
Um fato da natureza, diferentemente, pertencente a uma categoria maior e mais 
abrangente — de fato jurídico em sentido lato —, a despeito de poder causar dano, 
não geraria responsabilidade civil, por não poder ser atribuído ao homem. 
Seguindo a lógica, caberá a responsabilização civil apenas ao homem, por si 
ou através das pessoas jurídicas que forma. 
É de fácil entendimento que constitui pressuposto para que se ocorra a 
responsabilidade civil, a ação (ou omissão) humana voluntária. Trata-se, da conduta 
humana (positiva ou negativa), guiada pela vontade do agente, que causa o dano ou 
prejuízo. 
O núcleo fundamental, portanto, da noção de conduta humana é a 
voluntariedade, que resulta exatamente da liberdade de escolha do agente imputável, 
com discernimento necessário
para ter consciência daquilo que faz. 
Por isso, não se pode reconhecer o elemento “conduta humana”, pela ausência 
do elemento da vontade, não haverá ação voluntária quando faltar domínio da vontade 
humana, (por exemplo: quando o indivíduo age impelido por forças naturais 
invencíveis, pessoa ou veículo irresistivelmente projetados por força do vento). 
Conclui-se que não havendo a voluntariedade não há que se falar em ação 
humana, e, consequentemente, em responsabilidade civil. 
Insta salientar, que a voluntariedade da conduta humana ou ação voluntária, 
elemento essencial da responsabilidade civil, não se define necessariamente como a 
intenção de causar o dano, mas sim, e tão somente, a consciência daquilo que se está 
fazendo. 
E tal ocorre não apenas quando estamos diante de uma situação de 
responsabilidade subjetiva (calcada na noção de culpa), mas também de 
responsabilidade objetiva (calcada na ideia de risco), porque em ambas as hipóteses 
o agente causador do dano deve agir voluntariamente, ou seja, de acordo com a sua 
livre capacidade de autodeterminação. Com relação a consciência é entendida como 
o conhecimento dos atos materiais que se está praticando, não se exigindo, 
necessariamente, a consciência subjetiva da ilicitude do ato. 
Um exemplo, os pais responsáveis pelos danos causados pelo seu filho menor 
de 16 anos, que tenha quebrado uma vidraça ao chutar uma bola, a incapacidade 
absoluta da criança, e sua eventual falta de consciência da ilicitude do ato não 
 
17 
 
excluem a responsabilidade civil, o que poderia ocorrer, todavia, se fosse provado 
que, embora estivessem na área, a bola teria se deslocado por uma repentina rajada 
de vento. (STOLZE; PAMPLONA. 2020). 
Seguimos com a classificação da manifestação da ação humana voluntária, 
podendo ser positiva; negativa. 
A ação humana positiva se define pela prática de um comportamento ativo, 
positivo, por exemplo, uma pessoa que ao dirigir embriagada causa o dano 
arremessando o seu veículo contra o muro do vizinho. 
A ação humana negativa, se trata de uma atuação omissiva ou negativa, 
geradora de dano. No plano físico, a omissão é entendida como um, um “não fazer”, 
uma “simples abstenção”, dando seguimento, no plano jurídico, essa omissão pode 
gerar dano atribuível a pessoa que teve essa conduta omissiva, sendo assim, caberá 
a responsabilização por ele. O art. 186 atribui a obrigação de indenizar a todos que 
causem prejuízo a outrem “por ação ou omissão voluntária”. Por exemplo uma 
enfermeira que deixa de ministrar os medicamentos ao seu patrão, por dolo ou 
desídia, violando as suas regras de profissão. 
Entretanto, devemos destacar que também na ação omissiva a voluntariedade 
da conduta se faz presente, consoante se lê no mesmo artigo de lei (“omissão 
voluntária”...). Isso porque, se faltar este requisito, haverá ausência de conduta na 
omissão, inviabilizando, por conseguinte, o reconhecimento da responsabilidade civil. 
Nas omissões, por vezes, a pessoa não pratica a ação devida por causa de 
uma incapacidade de conduta: é o caso de quem se acha em meio a uma crise de 
histeria e não pode gritar para uma pessoa cega que está caminhando para um 
precipício; daquele que fica paralisado em razão de um choque emocional num 
acidente e não pode prestar socorro às pessoas etc. (STOLZE; PAMPLONA. 2020). 
Stolze; Pamplona (2020) destaca que o atual Código Civil pátrio, disciplina a 
responsabilidade civil por ato próprio, mas também reconhece espécies de 
responsabilidade civil indireta, por ato de terceiro ou por fato do animal e da coisa. 
Nestes casos, poder-se-ia argumentar que inexistiria a conduta voluntária do 
pretenso responsabilizado. 
Ledo engano, uma vez que, em tais situações, ocorreriam omissões ligadas a 
deveres jurídicos de custódia, vigilância ou má eleição de representantes, cuja 
 
18 
 
responsabilização é imposta por norma legal. Vejamos a redação em nosso código 
civil acerca da responsabilidade civil indireta: 
Responsabilidade civil por ato de terceiro: “Art. 932. São também 
responsáveis pela reparação civil: I — os pais, pelos filhos menores que 
estiverem sob sua autoridade e em sua companhia; II — o tutor e o curador, 
pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições; III — o 
empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no 
exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele; IV — os donos de 
hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por 
dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e 
educandos; V — os que gratuitamente houverem participado nos produtos do 
crime, até a concorrente quantia”. 
Responsabilidade civil por fato do animal: “Art. 936. O dono, ou detentor, do 
animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou 
força maior”. 
Responsabilidade civil por fato da coisa: “Art. 937. O dono de edifício ou 
construção responde pelos danos que resultarem de sua ruína, se esta 
provier de falta de reparos, cuja necessidade fosse manifesta”. 
“Art. 938. Aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano 
proveniente das coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar 
indevido”. (BRASIL, 2002. Apud STOLZE; PAMPLONA. 2020. p. 1372). 
Dando seguimento aos estudos, agora sobre a conduta humana e a ilicitude, é 
comum a ilicitude ser apontada pela doutrina como um aspecto necessário da ação 
humana voluntária. 
O ato de vontade, no campo da responsabilidade deve se pautar da ilicitude. 
Na ilicitude há, geralmente, uma cadeia de atos ilícitos, uma conduta culposa. 
Raramente, a ilicitude ocorrerá com um único ato. O ato ilícito traduz-se em um 
comportamento voluntário que transgride um dever. (STOLZE; PAMPLONA. 2020). 
Nesse sentido a doutrina segue: “Do conceito de ato ilícito, fundamento da 
reparação do dano, tal como enunciado no art. 159 do Código Civil, e como vem 
reproduzido no art. 186 do Projeto n. 634-B de 1975, pode-se enunciar a noção 
fundamental da responsabilidade civil, em termos consagrados, mutatis mutandis, na 
generalidade dos civilistas: obrigação de reparar o dano, imposta a todo aquele que, 
por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito ou causar 
dano a outrem”. (CAIO MÁRIO, 2000, p. 35. Apud STOLZE; PAMPLONA. 2020. p. 
1374). 
 
19 
 
Visto que a responsabilidade civil transmite a intenção de atribuição das 
consequências danosas da conduta ao agente infrator, é lógico entender que se faz 
necessário a atuação lesiva contrária ao direito, ilícita ou antijurídica, para que possa 
haver a imposição do dever de indenizar. 
Tendo em vista a antijuridicidade, como regra geral, acompanha a ação 
humana desencadeadora da responsabilidade, entende-se que a imposição do dever 
de indenizar poderá existir mesmo quando o sujeito atua licitamente. Diante o exposto, 
pode-se afirmar que poderá haver responsabilidade civil mesmo na falta de 
antijuridicidade, mesmo que excepcionalmente, por força de norma legal. 
Por isso não se pode dizer que a ilicitude acompanha necessariamente a ação 
humana danosa ensejadora da responsabilização. (STOLZE; PAMPLONA. 2020) 
Vejamos a redação dos arts. 188, II, e 929 e 930 do atual Código Civil, que 
adentram ao campo da responsabilidade civil: 
Art. 188. Não constituem atos ilícitos: I — os praticados em legítima defesa 
ou no exercício regular de um direito reconhecido; II — a deterioração ou 
destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo 
iminente. Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente 
quando as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não 
excedendo os limites do indispensável para a remoção do perigo. 
Art. 929. Se a pessoa lesada, ou o dono da coisa, no caso do inciso II do art. 
188, não forem culpados do perigo, assistir-lhes-á direito à indenização do 
prejuízo que sofreram. 
Art. 930. No caso do inciso II
do art. 188, se o perigo ocorrer por culpa de 
terceiro, contra este terá o autor do dano ação regressiva para haver a 
importância que tiver ressarcido ao lesado. Parágrafo único. A mesma ação 
competirá contra aquele em defesa de quem se causou o dano (art. 188, 
inciso I). (BRASIL, 2002) 
Stolze; Pamplona (2020) comenta que a lei traz uma excludente de ilicitude — 
ou seja, para todos os efeitos, o ato é lícito! — Mas reconhece, mesmo assim, o dever 
de indenizar. 
Insta salientar que, como regra geral, porém não absoluta, a antijuridicidade 
acompanha a ação humana causadora do dano reparável, porém, por se tratar de 
uma situação excepcional, a responsabilização civil por ato lícito depende sempre de 
norma legal que a preveja. 
 
20 
 
Por fim, também se faz importante abordar a diferenciação que alguns autores 
fazem entre o ato ilícito e ato ilegal. Neste último, que não repercutiria na 
responsabilidade civil, não haveria propriamente uma violação a um interesse jurídico 
tutelado, mas sim a ausência da realização de condições indispensáveis para a tutela 
jurídica de um interesse próprio. Seria o caso do ato nulo ou anulável, carecedores 
dos requisitos necessários para a sua validade. 
A despeito do interesse teórico do tema, a distinção não é tão significativa, 
havendo, inclusive, diplomas que a ignoram, considerando os atos nulos e anuláveis 
— exemplos clássicos de “atos ilegais” — simplesmente atos ilícitos. 
5.2 Dano 
Mais adiante o dano será tratado com maior ênfase, no momento basta 
entender que o dano é um dos elementos da responsabilidade civil e uma breve 
conceituação para se abordar sobre o nexo causal em seguida. 
Tepedino (2021) explica que no campo da responsabilidade civil, o dano 
apresenta-se como elemento central, sem o qual não se configura o dever de 
indenizar. A noção jurídica de dano ressarcível, entretanto, nunca coincidiu – nem 
mesmo poderá coincidir, por ser muito mais restrita – com a acepção corrente ou 
comum da palavra “dano”, que compreende qualquer forma de modificação pejorativa. 
Afinal, para o Direito, nem todo dano é ressarcível; nem todo dano é, por assim dizer, 
injusto. 
O dano é pautado na ideia de redução do patrimônio, fundada na chamada 
Teoria da Diferença, essa teoria afirma o dano ser o resultado da diferença entre a 
situação do lesado antes do evento danoso e aquela que se verifica após a sua 
ocorrência. Porém essa teoria sofre graves críticas da doutrina pois não é suficiente 
para explicar todas as categorias de dano, nem mesmo se presta a indicar qual é o 
dano considerado indenizável pelo ordenamento jurídico. 
Mais recentemente, esta ideia foi ultrapassada pela noção normativa de dano, 
pela qual dano é a lesão a qualquer interesse jurídico digno de tutela. O dano passa 
a ser, então, dimensionado segundo o legítimo interesse daquele que sofreu a 
 
21 
 
repercussão no bem jurídico lesado – interesse este estabelecido nos limites da 
imputação. 
O vocábulo dano, nos casos em geral, pode aplicado em duas formas: dano 
tanto pode significar a lesão, quer de ordem material, quer de ordem moral, como 
também a consequência jurídica desta lesão. Quando se afirma que uma pessoa sofre 
um dano, é comum que esteja referindo à lesão, essa pode gerar efeitos patrimoniais 
ou extrapatrimoniais, conforme o caso. Mas quando se afirma, em complementação, 
que o dano que a pessoa sofreu é de tal monta, e que este quantum deve ser reparado 
pelo agente que o causou, faz-se referência ao dano como consequência jurídica (já 
no plano da reparação). Ambos significados são relevantes porque o Direito se 
preocupa não só com a atribuição da responsabilidade (quem responde), mas também 
com a definição das verbas indenizatórias (com quanto responde). 
Ademais, o progressivo desenvolvimento do Direito Civil e, consequentemente, 
de um novo panorama metodológico, passou-se a sustentar a inconformidade de a 
reparação civil estar restrita às hipóteses de violação de modelos legais pré-
determinados, deflagrando-se o dever de indenizar da injustiça do dano. Amplia-se, 
portanto, o conceito de dano ressarcível, que passa a ser todo dano injusto. E essa 
ampliação ocorre a partir de dois vetores legislativos: a culpa normativa5 e a expansão 
de hipóteses de responsabilidade objetiva. 
Além do dano injusto, o ordenamento prevê a figura do abuso do Direito e 
também reconhece que há situações lícitas que perdem proteção na colisão com outra 
situação jurídica prevalente no caso concreto. Nesses casos – tanto no de abuso, 
quanto no de não merecimento de tutela –, poderá não haver propriamente dano 
injusto, afastando-se a responsabilidade civil, e ainda assim haver antijuridicidade a 
ser simplesmente apartada. 
5.3 Nexo causal 
Após abordagem sobre os elementos da responsabilidade civil, a conduta 
humana e o dano, agora será tratado acerca do nexo de causalidade. 
Também constituindo essencial condição à responsabilidade civil, o nexo 
causal entre o fato ilícito e o dano por ele produzido, se refere a noção de causa é 
 
22 
 
uma noção que se reveste de um aspecto profundamente filosófico, além das 
dificuldades de ordem prática, quando os elementos causais, os fatores de produção 
de um prejuízo, se multiplicam no tempo e no espaço. 
Assim como no Direito Penal, a investigação deste nexo que liga o resultado 
danoso ao agente infrator é indispensável para que se possa concluir pela 
responsabilidade jurídica deste último. Trata-se, pois, do elo etiológico, do liame, que 
une a conduta do agente (positiva ou negativa) ao dano. 
Por óbvio, somente se poderá responsabilizar alguém cujo comportamento 
houvesse dado causa ao prejuízo. 
Lamentavelmente, entretanto, esta matéria é muito mal compreendida — talvez 
por ser mal explicada — gerando dúvidas e, frequentemente, levando os tribunais a 
adotarem posicionamentos confusos em torno do mesmo objeto de investigação, o 
que só acarreta prejuízo à segurança jurídica e descrédito ao Poder Judiciário. 
Fundamentalmente, são três as principais teorias que tentam explicar o nexo 
de causalidade: teoria da equivalência de condições; a teoria da causalidade 
adequada; a teoria da causalidade direta ou imediata (interrupção do nexo causal). 
(STOLZE; PAMPLONA. 2020). 
5.3.1 Teoria da equivalência das condições (conditio sine qua non) 
Surgindo na segunda metade do século XIX, esta teoria não apresenta 
diferenças entre os antecedentes do resultado danoso, de forma que tudo aquilo que 
concorra para o evento será considerado causa. 
O nome pelo qual é conhecida “equivalência de condições” advém devido, 
todos os fatores causais se equivalerem, caso tenham relação com o resultado. 
Essa teoria em sua essência, sustenta que, havendo culpa, todos os elementos 
que, de alguma forma concorreram para a sua realização, são considerados como 
causas, sem a necessidade de determinar, no encadeamento dos fatos que 
antecederam o evento danoso, qual deles pode ser apontado como o que de modo 
imediato provocou a efetivação do prejuízo. É considerado de forma ampla todo o 
elemento causal que tenha de certa forma constituído a cadeia de fatos que ocasionou 
o dano. 
 
23 
 
Essa teoria segundo a interpretação doutrinária é adotada pelo Código Penal 
brasileiro, em seu art. 13, caput: “Art. 13. O resultado, de que depende a existência 
do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se a causa a ação 
ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido”. 
Na última parte do dispositivo, pode-se extrair uma fórmula de eliminação 
hipotética, segundo a qual causa seria todo o antecedente que, se eliminado, faria 
com que o resultado desaparecesse. 
Um exemplo seria um indivíduo que embriagado, arremessa uma garrafa contra 
um transeunte, causando-lhe a morte. Se for retirada a conduta antecedente 
(arremesso da garrafa), a morte desaparecerá. 
Vejamos o exemplo de forma mais sucinta: Arremesso
da garrafa = Causa → 
Morte = Resultado. 
Porém essa teoria possui um problema, pois ao considerar causa todo o 
antecedente que contribua para o desfecho danoso, seguindo esse raciocínio a 
investigação poderia ser prolongada de forma excessivamente extensa. 
A inconveniência desta teoria, é fundamentada na imensa ampliação, em 
infinita espiral de concausas, do dever de reparar, imputado a um sem-número de 
agentes. 
Seguindo esse raciocínio, se o agente saca a arma e dispara o projétil, matando 
o seu desafeto, não apenas o disparo seria causa, podendo ser estendido a compra 
da arma, a sua fabricação, a aquisição do ferro e da pólvora pela indústria, entre 
outros. Isso causaria em um número ilimitado de agentes na situação de ilicitude. 
A despeito de tudo isso, grande parte dos penalistas adotou-a, sustentando que 
a análise do dolo ou da culpa do infrator poderia limitá-la, vale dizer, os agentes que 
apenas de forma indireta interferiram na cadeia causal por não terem a necessária 
previsibilidade (dolo ou culpa) da ocorrência do dano, não poderiam ser 
responsabilizados. O fabricante da arma, por exemplo, ao produzi-la, não poderia 
imaginar a utilização criminosa do seu produto... 
Em virtude, talvez, de todos esses inconvenientes e imprecisões, a maior parte 
dos cultores contemporâneos do Direito Civil não abraçou tal teoria. (STOLZE; 
PAMPLONA. 2020). 
 
24 
 
5.3.2 Teoria da causalidade adequada 
Esta teoria, é mais bem trabalhada que a anterior, por não apresentar algumas 
de suas inconveniências. 
Para os adeptos desta teoria, não se poderia considerar causa toda e qualquer 
condição que haja contribuído para a efetivação do resultado, conforme sustentado 
pela teoria da equivalência, mas sim, segundo um juízo de probabilidade, apenas o 
antecedente abstratamente idôneo à produção do efeito danoso, ou, causa, para ela, 
é o antecedente, não só necessário, mas, também adequado à produção do resultado. 
Sendo assim, nem todas as condições serão causa, será considerada apenas aquela 
que for mais apropriada para produzir o evento. 
Para se considerar uma causa “adequada”, esta deverá, abstratamente, e 
segundo uma apreciação probabilística, ser apta à efetivação do resultado. 
Como o exemplo anteriormente elencado sobre do disparo por arma de fogo, a 
compra da arma e a sua fabricação não seriam “causas adequadas” para a efetivação 
do evento morte. 
O principal ponto para que se entenda de forma correta e objetiva esta teoria 
consiste no fato de que somente o antecedente abstratamente apto à determinação 
do resultado, segundo um juízo razoável de probabilidade, em que conta a experiência 
do julgador, poderá ser considerado causa. 
Se a teoria anterior peca por excesso, admitindo uma ilimitada investigação da 
cadeia causal, esta outra, a despeito de mais restrita, apresenta o inconveniente de 
admitir um acentuado grau de discricionariedade do julgador, a quem incumbe avaliar, 
no plano abstrato, e segundo o curso normal das coisas, se o fato ocorrido no caso 
concreto pode ser considerado, realmente, causa do resultado danoso. 
Ademais, esta “abstração” característica da investigação do nexo causal 
segundo a teoria da causalidade adequada pode conduzir a um afastamento absurdo 
da situação concreta, posta ao acertamento judicial. Conforme bem advertiu FREITAS 
GOMES, citando DE PAGE, “a determinação do nexo causal é, antes do mais, uma 
‘quaestio facti’, incumbindo ao juiz proceder ‘cum arbitrio boni viri’, sopesando cada 
caso na balança do equilíbrio e da equidade”. (STOLZE; PAMPLONA. 2020). 
 
25 
 
5.3.3 Teoria da causalidade direta ou imediata 
Também conhecida como teoria da interrupção do nexo causal ou teoria da 
causalidade necessária, menos radical do que as anteriores, foi desenvolvida, no 
Brasil, por AGOSTINHO ALVIM, em sua clássica obra Da Inexecução das Obrigações 
e suas Consequências. 
Para essa teoria a causa seria apenas o antecedente fático que, ligado por um 
vínculo de necessariedade ao resultado danoso, determinasse este último como uma 
consequência sua, direta e imediata. 
Essa corrente está efetivamente de acordo com as fontes históricas da teoria 
do dano. Suposto certo dano, considera-se causa dele a que lhe é próxima ou remota, 
mas, com relação a esta última, é necessário que ela se ligue ao dano, diretamente. 
Mediante isso afirma-se que é indenizável todo dano que se filia a uma causa, ainda 
que remota, desde que ela lhe seja causa necessária, por não existir outra que 
explique o mesmo dano. Quer a lei que o dano seja o efeito direto e imediato da 
execução. 
Vejamos um clássico exemplo doutrinário, para melhor visualização do 
conteúdo tratado. 
Caio é ferido por Tício (lesão corporal), em uma discussão após a final do 
campeonato de futebol. Caio, então, é socorrido por seu amigo Pedro, que dirige, 
velozmente, para o hospital da cidade. No trajeto, o veículo capota e Caio falece. Ora, 
pela morte da vítima, apenas poderá responder Pedro se não for reconhecida alguma 
excludente em seu favor. Tício, por sua vez, não responderia pelo evento fatídico, 
uma vez que o seu comportamento determinou, como efeito direto e imediato, apenas 
a lesão corporal. 
Note-se, portanto, que a interrupção do nexo causal por uma causa 
superveniente, ainda que relativamente independente da cadeia dos acontecimentos 
(capotagem do veículo) impede que se estabeleça o elo entre o resultado morte e o 
primeiro agente Tício, que não poderá ser responsabilizado. (STOLZE; PAMPLONA. 
2020) 
Com base no que foi apresentado o autor conclui que “a causa relativamente 
independente é aquela que, em apertada síntese, torna remoto o nexo de causalidade 
 
26 
 
anterior, importando aqui não a distância temporal entre a causa originária e o efeito, 
mas sim o novo vínculo de necessariedade estabelecido, entre a causa superveniente 
e o resultado danoso. A causa anterior deixou de ser considerada, menos por ser 
remota e mais pela interposição de outra causa, responsável pela produção do efeito, 
estabelecendo-se outro nexo de causalidade”. (TEPEDINO. Apud STOLZE; 
PAMPLONA. 2020. p.1423) 
Stolze; Pamplona (2020) explica que o fato de se considerar “reflexo” ou 
“indireto” o dano não significa dizer que não haverá responsabilidade civil. O objetivo 
é caracterizar aquela espécie de dano que, tendo existência certa e determinada, 
atinge pessoas próximas à vitima direta. Este dano, para a pessoa que o sofreu 
reflexamente (o alimentando que teve o pai morto, por exemplo), é efeito direto e 
imediato do ato ilícito. 
O que não podemos confundir é este dano reflexo — consequência inafastável 
do ilícito — com aquele que não se liga diretamente (por necessariedade) à conduta 
do agente. 
5.3.4 Teoria adotada pelo código civil brasileiro 
No que se refere ao nexo de causalidade e a teoria adotada pelo Código Civil 
brasileiro, há uma imprecisão doutrinária. 
Parte da doutrina, tende a acolher a teoria da causalidade adequada, pois 
esses doutrinadores julgam se tratar de uma teoria mais satisfatória para a 
responsabilidade civil. 
Porém a parte majoritária entende que o Código Civil brasileiro adotou a teoria 
da causalidade direta ou imediata (teoria da interrupção do nexo causal), na vertente 
da causalidade necessária. 
Essa afirmativa é feita a partir da análise do art. 403 do Código Civil de 2002, 
que dispõe: “Art. 403. Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas 
e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes, por efeito dela direto 
e imediato, sem prejuízo do disposto na lei processual”. 
CARLOS ROBERTO GONÇALVES, seguindo a mesma linha de pensamento, 
é contundente ao afirmar que “das várias teorias sobre o nexo causal, o nosso Código 
 
27 
 
adotou, indiscutivelmente, a do dano direto e imediato, como está expresso no art. 
403; e das várias escolas que explicam o dano direto e imediato, a mais autorizada é
a que se reporta à consequência necessária”. O problema é que, muitas vezes, a 
jurisprudência e a doutrina, sucumbindo talvez ao caráter sedutoramente empírico do 
tema, acabam por confundir ambas as teorias, não dispensando, entretanto, em 
nenhuma hipótese, a investigação da necessariedade da causa. 
Demonstrando tal assertiva, TEPEDINO, após colacionar jurisprudência do 
TJRJ, em que se lê a identificação das teorias: “e de acordo com a teoria da causa 
adequada adotada em sede de responsabilidade civil, também chamada de causa 
direta ou imediata” (Ac. 1995.001.271), conclui, acertadamente: “Por todas essas 
circunstâncias, pode-se considerar como prevalentes, no direito brasileiro, as 
posições doutrinárias que, com base no art. 1.060 do Código Civil Brasileiro, 
autodenominando-se ora de teoria da interrupção do nexo causal (Supremo Tribunal 
Federal), ora de teoria da causalidade adequada (STJ e TJRJ), exigem a causalidade 
necessária entre a causa e o efeito danoso para o estabelecimento da 
responsabilidade civil”. 
Portanto, o nosso Código melhor se amolda à teoria da causalidade direta e 
imediata, somos forçados a reconhecer que, por vezes, a jurisprudência adota a 
causalidade adequada, no mesmo sentido. (STOLZE; PAMPLONA. 2020) 
5.3.5 Causas concorrentes 
A concorrência de causas ocorre quando a atuação da vítima também favorece 
a ocorrência do dano, somando-se ao comportamento causal do agente, fala-se em 
“concorrência de causas ou de culpas”, nessa hipótese a indenização deverá ser 
reduzida, na medida da contribuição da vítima. A jurisprudência consagra, com efeito, 
a solução do pagamento pela metade, no caso de culpa de ambas as partes. 
Neste caso de culpa concorrente, cada um responderá pelo dano na proporção 
em que concorreu para o evento danoso, o que tem de ser pesado pelo órgão julgador 
quando da fixação da reparação, uma vez que somente há condenação pela 
existência da desproporcionalidade da culpa. 
 
28 
 
Sendo assim, o dano advém da atuação de ambos os sujeitos da relação 
jurídica. 
Porém esse critério poderá ser relativizado pelo julgador, visto que na 
apreciação do caso concreto que qualquer das partes contribuiu mais para o desfecho 
danoso. Neste caso, a sua participação no quantum indenizatório final deverá 
aumentar. 
O vigente Código Civil brasileiro, adotou expressamente a culpa concorrente 
como um critério de quantificação da proporcionalidade da indenização, conforme 
pode observar na leitura do art. 945: “Art. 945. Se a vítima tiver concorrido 
culposamente para o evento danoso, a sua indenização será fixada tendo-se em conta 
a gravidade de sua culpa em confronto com a do autor do dano”. 
Importante tratar da ressalva no Direito do Consumidor, a teoria da 
concorrência de causas não tem essa mesma amplitude, porque, nos termos do art. 
12, § 3°, III, da Lei n. 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor), nesse caso 
somente a culpa exclusiva da vítima pode interferir na responsabilidade civil do 
fornecedor, sendo que na hipótese prevista tal responsabilidade será excluída. Sendo 
assim, também pode concluir que a culpa simplesmente concorrente (de ambos os 
sujeitos da relação jurídica), por não haver sido prevista pela lei, não exime o 
fornecedor de produto ou serviço de indenizar integralmente o consumidor. (STOLZE; 
PAMPLONA. 2020). 
Nesse sentido, a doutrina segue: 
A culpa exclusiva da vítima é inconfundível com a culpa concorrente: no 
primeiro caso desaparece a relação de causalidade entre o defeito do produto 
e o evento danoso, dissolvendo-se a própria relação de responsabilidade; no 
segundo, a responsabilidade se atenua em razão da concorrência de culpa e 
os aplicadores da norma costumam condenar o agente causador do dano a 
reparar pela metade o prejuízo, cabendo à vítima arcar com a outra metade. 
A doutrina, contudo, sem vozes discordantes, tem sustentado o entendimento 
de que a lei pode eleger a culpa exclusiva como única excludente de 
responsabilidade, como fez o Código de Defesa do Consumidor nesta 
passagem. Caracterizada, portanto, a concorrência de culpa, subsiste a 
responsabilidade integral do fabricante e demais fornecedores arrolados no 
caput, pela reparação dos danos. (DENARI, 1998, p. 153. Apud STOLZE; 
PAMPLONA. 2020. p.1428-1429). 
 
29 
 
5.3.6 Concausas 
Essa expressão é utilizada para caracterizar o acontecimento que, anterior, 
concomitante ou superveniente ao antecedente que deflagrou a cadeia causal, 
acrescenta-se a este, em direção ao evento danoso. 
Trata-se de causa diferente da principal que se juntando, concorre para o 
resultado. Ela não inicia nem interrompe o nexo causal, apenas o reforça. 
O grande questionamento que atinge é sobre a circunstância da concausa 
interromper ou não o processo naturalístico já iniciado, constituindo um novo nexo, 
caso em que o agente da primeira causa não poderia ser responsabilizado pela 
segunda. 
Se esta segunda causa for absolutamente independente em relação à conduta 
do agente — quer seja preexistente, concomitante ou superveniente — o nexo causal 
originário estará rompido e o agente não poderá ser responsabilizado. 
Diferentemente, em se tratando de uma causa relativamente independente — 
aquela que incide no curso do processo naturalístico causal, somando-se à conduta 
do agente —, Surge distinguirmos se é preexistente, concomitante ou superveniente. 
Em geral, essas concausas, quando preexistentes ou concomitantes, não 
excluem o nexo causal, e, consequentemente, a obrigação de indenizar. 
Entretanto, ao se tratar de concausa superveniente — ainda que relativamente 
independente em relação à conduta do sujeito —, o nexo de causalidade poderá ser 
rompido se esta causa, por si só, determinar a ocorrência do evento danoso. 
Em conclusão, temos que, apenas se houver determinado, por si só, o 
resultado danoso, a concausa relativamente independente superveniente haverá 
rompido o nexo causal, excluindo a responsabilidade do sujeito infrator. (STOLZE; 
PAMPLONA. 2020). 
 
30 
 
5.3.7 A teoria da imputação objetiva e a responsabilidade civil 
A teoria da imputação objetiva do resultado, construção doutrinária referente 
ao nexo de causalidade, tem ganhado posição de destaque entre os cultores do Direito 
Penal, porém, essa teoria poderia ser aplicável ao campo da responsabilidade civil? 
Já houve desenvolvimento por KARL LARENZ sobre a teoria da imputação 
objetiva para o Direito Civil, visando estabelecer limites entre os fatos próprios e os 
acontecimentos acidentais. 
Nessa linha de raciocínio, se alguém cria ou incrementa uma situação de risco 
não permitido, responderá pelo resultado jurídico causado, a exemplo do que ocorre 
quando alguém dá causa a um acidente de veículo, por estar embriagado (criação do 
risco proibido), ou quando se nega a prestar auxílio a alguém que se afoga, podendo 
fazê-lo, caracterizando a omissão de socorro (incremento do risco). 
Em todas essas hipóteses, o agente poderá ser responsabilizado penalmente, 
e, por que não dizer, civilmente, para aqueles que admitem a incidência da teoria no 
âmbito do Direito Civil. 
Note-se, entretanto, que, se o “risco criado” é permitido, tolerado, ou 
insignificante, não haverá imputação objetiva, e, por conseguinte, atribuição causal de 
resultado. 
Poderíamos, pois, à vista de todos esses ensinamentos, indagar se essa teoria 
é a que melhor explica o nexo de causalidade. 
E são os próprios penalistas que concluem no sentido de que, antes de servir 
como uma nova teoria, a imputação objetiva serve muito mais como mecanismo 
científico limitador do nexo de causalidade, para identificar as situações em que o 
resultado não poderia ser atribuído ao agente. 
É, portanto, muito mais uma teoria excludente do nexo causal do que 
propriamente afirmativa da sua existência. 
E esta última conclusão também serve para o Direito Civil, razão por que não a 
colocamos ao lado das teorias anteriormente
desenvolvidas. (STOLZE; PAMPLONA. 
2020). 
 
31 
 
6 DANO PATRIMONIAL 
Retornando sobre a figura do dano, dessa vez deixando a conceituação de 
lado, visto que já foi feita anteriormente nosso primeiro tópico é acerca do dano 
patrimonial. 
6.1 Dano emergente e lucro cessante 
Na esfera patrimonial, a noção jurídica de dano abrange tanto os denominados 
danos emergentes quanto os lucros cessantes. 
De forma geral, afirma-se que dano emergente é o que efetivamente se perdeu, 
mas tal aspecto do dano patrimonial não se reduz à diminuição do ativo, abrangendo 
também o aumento do passivo. Sendo assim, o dano emergente também é sofrido 
por aquele que, em razão do fato de terceiro, incide em cláusula penal e fica obrigado 
a pagar, por ver aumentado o seu passivo. Logo, tanto a diminuição do ativo quanto 
o aumento do passivo integram a ideia de dano emergente. 
Sobre os lucros cessantes, esses estão associados a uma noção mais abstrata, 
representam aquilo que razoavelmente se deixou de lucrar conforme prevê o art. 402 
do Código Civil em sua composição. Tradicionalmente, diz-se que, na reparação dos 
lucros cessantes, tem-se de abstrair de tudo que seria apenas possível, pois é preciso 
considerar o lucro frustrado tomando-se por base o curso normal das coisas e as 
circunstâncias especiais, determináveis no caso concreto. Assim, fazendo-se um 
paralelo com o dano emergente, lucro cessante não é apenas o não aumento do ativo, 
mas também a não diminuição do passivo: se deixa de aumentar o activo ou de 
diminuir o passivo, há um lucro cessante (lucrum cessans). Além disso, os lucros 
cessantes não se resumem àquele ganho que se estancou, mas envolvem também 
aquilo “que o credor não obterá, ainda que não viesse obtendo antes”. 
A reparação dos lucros cessantes suscita diversas discussões e está mais 
sujeita a incertezas, já que não é possível se reconstruir o ciclo do dano, para se 
chegar aos exatos termos em que se estaria se o evento danoso não tivesse ocorrido. 
A reparação dos lucros cessantes impõe que o intérprete reconstrua toda a sequência 
 
32 
 
dos acontecimentos, com base em juízo de probabilidade, a fim de verificar qual teria 
sido a evolução patrimonial provável do prejudicado. Há de se tratar de ganho 
frustrado que, com certa probabilidade, seria de se esperar do curso normal das coisas 
ou, pelo menos, das circunstâncias especiais do caso concreto (estas sim, precisam 
ser comprovadas). É por isso que, enquanto o dano emergente deve ser 
objetivamente demonstrado, o lucro cessante não comporta essa prova tão precisa, 
valendo-se normalmente de presunções. 
Assim, quando se trata de danos emergentes, a qualificação do prejuízo como 
certo não suscita tantas dúvidas. Isso porque o dano emergente, em regra, é 
suscetível de quantificação objetiva, já que constitui diminuição do patrimônio do 
lesado. Impõe-se, então, ao ofendido o ônus de provar a repercussão do evento 
danoso em seu patrimônio, de modo a transmitir ao julgador a noção exata da 
extensão do dano. Quando se discute lucro cessante, entretanto, este requisito da 
certeza encontra-se mitigado. Afinal, referem-se os lucros cessantes a algo que não 
aconteceu – vantagens que deixaram de ser auferidas em virtude do evento danoso. 
A indenização deve ser fixada, portanto, conforme o que razoavelmente se deixou de 
perceber, mas não se reclama certeza, porque a ninguém é dado prever – e, muito 
menos, comprovar – a sequência futura dos acontecimentos. (TEPEDINO, 2021). 
6.2 Interesse negativo e interesse positivo 
O dano patrimonial causado ao credor através do inadimplemento absoluto ou 
pela mora no meio das relações contratuais, pode ser calculado por meio de duas 
diferentes formas: com base no interesse positivo ou o interesse negativo. 
O interesse a que se referem aquelas expressões é a situação hipotética em 
que estaria o lesado sem o evento lesivo. O interesse positivo corresponde, então, à 
situação em que o credor estaria caso o devedor tivesse cumprido perfeitamente sua 
obrigação. Trata-se, pois, do interesse no cumprimento, consubstanciado no dano 
surgido em razão do não cumprimento da obrigação, na vantagem proveniente do 
contrato, na mais valia que aproveita o contratante. O credor que reclama indenização 
pelo interesse positivo demanda a execução do contrato, o que se verifica nos casos 
de mora, quando a prestação ainda é possível de ser adimplida pelo devedor e útil 
 
33 
 
para o credor, ou de inadimplemento absoluto quando o credor pretende obter a 
execução pelo equivalente pecuniário da prestação do devedor. 
Ao interesse positivo se contrapõe o interesse negativo, correspondente ao 
dano sofrido com a celebração do contrato. O lesado deve, nesses termos, ser 
colocado na situação em que estaria caso o contrato não tivesse sido celebrado, 
sendo-lhe ressarcidas as despesas realizadas para a conclusão do negócio e 
tornadas inúteis, bem como os lucros que perdeu por ter desviado seus recursos e 
sua atividade de outras aplicações, de outros contratos, para celebrar o contrato 
inadimplido. O interesse negativo engloba, com efeito, o prejuízo que o lesado evitaria 
se não tivesse confiado que a manifestação de vontade do ofensor produziria o efeito 
que dela se esperava: o adimplemento da obrigação. 
Não se confunde o interesse negativo com os lucros cessantes. A indenização 
pelo interesse negativo abrange tanto os danos emergentes quanto os lucros 
cessantes. O lesado deverá recuperar as diminuições de valores por ele suportadas 
com a celebração do contrato, bem como os benefícios que por isso deixou de obter. 
Os danos emergentes correspondem, então, a todas as despesas em que o credor 
incorreu para celebrar o negócio: em contrato de campanha publicitária, seriam, por 
exemplo, os gastos com gravações, contratação de atores, projetos, honorários de 
artistas etc.; em contrato de transporte de coisa, os gastos com seguro, 
armazenamento e acondicionamento da mercadoria. Os lucros cessantes, por sua 
vez, não são o que o credor razoavelmente deixou de ganhar com o negócio 
inadimplido, mas, sim, o que deixou de auferir por ter celebrado dito contrato, vale 
dizer, o que ele ganharia se tivesse, por exemplo, dado continuidade a outro negócio 
já em curso, ou, então, com o próprio investimento financeiro do capital. Configura, 
outrossim, lucros cessantes o valor, devido ao credor, correspondente ao uso do bem 
por parte do devedor inadimplente, durante a vigência do contrato. (TEPEDINO, 
2021). 
6.3 Dano patrimonial e equivalente pecuniário da prestação 
Acerca do equivalente pecuniário da prestação de verba de natureza diversa 
do dano patrimonial é importante frisar que, por vezes, o legislador utiliza os conceitos 
 
34 
 
de forma distinta, confundindo os institutos. Isso ocorre por exemplo, no art. 182 do 
Código Civil, segundo o qual anulado o negócio jurídico, restituir-se-ão as partes ao 
estado em que antes dele se achavam, e, não sendo possível restituí-las, serão 
indenizadas com o equivalente. 
A toda evidência, o dispositivo transcrito não está a tratar de eventual efeito 
indenizatório da anulação do negócio jurídico, mas sim de sub-rogação objetiva, vale 
dizer, de substituição do bem a ser restituído pelo seu valor pecuniário. Outros 
dispositivos do Código Civil corroboram referido entendimento, a exemplo dos arts. 
234 e 239, que tratam da perda da coisa por culpa do devedor nas obrigações de dar 
e nas de restituir, respectivamente, nos seguintes termos: “se, no caso do artigo 
antecedente, a coisa se perder, sem culpa do devedor, antes da tradição, ou pendente 
a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes; se a perda 
resultar de culpa do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e 
danos” (art. 234); “se a coisa se perder por culpa do devedor, responderá este pelo 
equivalente, mais perdas e danos” (art. 239). Na mesma
podem ser retirados dos arts. 944 e 945 do CC/2002, bem como 
do entendimento dominante, particularmente do Superior Tribunal de Justiça. 
Por fim, Tartuce (2021) conclui que fica a dúvida se serão efetivamente 
aplicados os doze critérios para a quantificação dos danos imateriais, introduzidos 
pela malfadada Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017), dispositivo influenciado pelo 
art. 53 da Lei de Imprensa, que teve a sua inconstitucionalidade reconhecida pelo 
STF. Conforme o novo art. 223-G da CLT, ao apreciar o pedido formulado pelo 
reclamante da ação de reparação de danos imateriais existentes na relação de 
trabalho, o juízo considerará: a natureza do bem jurídico tutelado; a intensidade do 
sofrimento ou da humilhação; a possibilidade de superação física ou psicológica; os 
reflexos pessoais e sociais da ação ou da omissão; a extensão e a duração dos efeitos 
da ofensa; as condições em que ocorreu a ofensa ou o prejuízo moral; o grau de dolo 
ou culpa; a ocorrência de retratação espontânea; o esforço efetivo para minimizar a 
ofensa; o perdão, tácito ou expresso; a situação social e econômica das partes 
envolvidas; e o grau de publicidade da ofensa. 
 
45 
 
Ora, qual a razão de se utilizar parâmetros para a quantificação, se a reparação 
imaterial acabou sendo tabelada? Em reforço, alguns dos parâmetros introduzidos 
pela Reforma Trabalhista são prejudiciais aos empregados, vítimas do evento danoso, 
como o perdão tácito, a análise de sua situação econômica e a publicidade da ofensa. 
Também não faz sentido a menção ao grau de dolo, pois apenas a culpa se gradua. 
De toda forma, pensamos que o tratamento da responsabilidade civil constante da 
nova lei é, no todo, um grande desastre técnico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
BRASIL. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988. 
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. 
 
BRASIL. LEI Nº 10.406, DE 10 DE JANEIRO DE 2002. Disponível em: < 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm> 
 
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil: obrigações – contratos – parte geral 
– v. 1 / Carlos Roberto Gonçalves coord. Pedro Lenza. – 11. ed. – São Paulo: Saraiva 
Educação, 2021. (Coleção Esquematizado®) e-book Bibliografia 1. Obrigações 
(Direito) - Brasil. I. Título. II. Lenza, Pedro. 
 
STOLZE, Pablo; PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Manual de direito civil – volume 
único / Pablo Stolze; Rodolfo Pamplona Filho. – 4. ed. – São Paulo: Saraiva 
Educação, 2020. 
 
TARTUCE, Flávio Manual de Direito Civil: volume único / Flávio Tartuce. – 11. ed. – 
Rio de Janeiro, Forense; METODO, 2021 
 
TEPEDINO, Gustavo. Fundamentos do direito civil: responsabilidade civil / 
Gustavo Tepedino, Aline de Miranda Valverde Terra, Gisela Sampaio da Cruz Guedes 
– 2. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2021. 
 
TRUGILHO, Diogo Lima. A história da reparabilidade do dano moral: de Freitas a 
Bevilaqua, 1 ed. / Diogo Lima Trugilho. - Belo Horizonte: Initia Via, 2015.

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