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Fundamento constitucional, conceito, 
natureza, pressupostos, causas 
excludentes e outros conceitos 
relevantes. 
Direito Civil 
Responsabilidade Civil 
Conteudista Responsável: Profª Marlene Lessa 
cod TGPCDS202502_aUnica 
Todos os direitos são reservados. É proibida a reprodução, distribuição, disponibilização para download ou qualquer 
outra forma de compartilhamento, total ou parcial, deste material por quaisquer meios, físicos ou digitais, sem 
autorização expressa do detentor dos direitos autorais. Uso estritamente pessoal e educacional. 
 
2 
 
 
Sumário 
 
Noção de Responsabilidade e Justiça .............................................................. 3 
Fundamento Constitucional .................................................................................. 6 
Conceito e Natureza Jurídica da Responsabilidade Civil ..................... 7 
Pressupostos Gerais da Responsabilidade Civil ......................................... 8 
Causas Excludentes da Responsabilidade Civil ....................................... 18 
Responsabilidade Civil Subjetiva ...................................................................... 22 
Responsabilidade Civil Objetiva ........................................................................ 24 
Indenização ..................................................................................................................... 24 
Responsabilidade Civil do Estado .................................................................... 27 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
Noção de Responsabilidade e Justiça 
 
 
Alcançar o equilíbrio das relações jurídicas importa, significativamente, 
quando se fala em responsabilidade “lato sensu”. Além disso, obter “justiça” 
também é solução para grande parte dos conflitos sociais. 
 
Qual de nós, sofrendo agressão ou algum mal injusto, não tende a 
reagir? Tão instintiva se delineia tal atitude que, o Direito Romano, apontava a 
vingança privada como um comportamento espontâneo e natural das 
pessoas. 
 
Move a justiça em sociedade coibir práticas prejudiciais, punir os 
infratores e restabelecer a paz. Mas, nem sempre foi assim... 
 
A “justiça” experimentada pelas comunidades primitivas era, em geral, a 
de um grupo despojando outro grupo, uma família investindo contra o ato 
antissocial de um indivíduo. Em palavras simples, uma vingança coletiva, 
desproporcional e, muitas vezes, cruel. 
 
Há lugares onde esta realidade subsiste: redutos onde o Estado não se 
faz presente. Boaventura de Souza Santos alertou sobre o fato, ao afirmar que 
“atos de vingança coletiva como a instituição de um poder paralelo buscam 
agilizar o processo de justiça, pois esta, monopolizada pelo Estado, é lenta e 
burocratizada”. 
 
 A cultura grega foi a que discutiu a ideia de “harmonia” e “equidade” 
(“aequalitas”) como premissas do “justo”. Realmente, a Justiça seria este 
equilíbrio entre as partes ou, a equivalência das obrigações - como defenderam 
vários povos. 
 
Os latinos entenderam que os 
institutos que revelavam a justiça eram: o 
“responsum” e o “Sponsio” (o “sponsor” 
tinha o dever de responder por uma 
obrigação assumida). “Responsor” era 
quem se incumbia de pagar a dívida futura. 
Dali decorreu nosso “responder”, ou seja, 
arcar com o ônus do negócio. O pacto 
era verbal entre o devedor e o credor: 
“Promete pagar? - Prometo”. E, deste 
modo, se consolidava o vínculo 
obrigacional. 
 
Imagem: A vingança de Ulisses sobre os 
pretendentes de Penélope – Pintura de Christoffer 
Wilhelm Eckesberg (1814) 
 
4 
 
 
Explica a Profa. Judith Martins Costa em “Os Fundamentos 
da Responsabilidade Civil1” que “se a Justiça é o equilíbrio, o 
seu contrário, a injustiça, injuria, será o desequilíbrio. E a função 
primordial da justiça será a de restabelecer o equilíbrio 
fraudado. (...) Pouco importa, nesta perspectiva, se o 
desequilíbrio a corrigir proveio ou não da culpa. A justiça a ser 
posta em funcionamento terá por causa “um estado de coisas 
objetivo, a perturbação da ordem que deve ser restabelecida”. 
(...) Porquanto, não se busca um culpado, mas um responsável 
pelo próprio fato do desequilíbrio”. (RTJE, Vol. 93, pg. 35.). 
 
 Em momento posterior, a Lei das XII Tábuas (451 a 449 a. C) inseriu o 
componente penalização / sanção, para aqueles que, em questões criminais, 
tivessem que pagar um “quantum” à vítima, foi o que estudiosos2 do Direito 
Romano revelaram. 
 
 A Pena de Talião, seria imposta se as partes não chegassem a um 
consenso: “olho por olho, dente por dente” – “si membrum rupsit, ni cum eo 
pacit, talio est”3. 
 
 A Lex Poetelia Papiria abrandou o processo civil romano que, por ser 
primitivo, mostrava-se extremamente rigoroso, posto que o devedor 
inadimplente era: i) preso até que alguém pagasse sua dívida; ii) vendido como 
escravo e, finalmente, se ninguém arcasse com seu débito iii) morto. Somente 
em 428 a 441 a. C. o processo executivo foi alterado para o corpo do devedor 
não mais responder pela dívida. Passou a colocar o patrimônio como alvo do 
credor, em alteração do paradigma do liame obrigacional. 
 
 A Lex Aquilia (século III a. C.) previa que o dano ocasionado deveria 
ter um correspondente no valor da reparação ou como uma pena patrimonial 
(resultado do plebiscito 286/287 a.C). A premissa de não lesionar ninguém, 
então, se sedimenta (“neminem laedere” - não fazer mal a ninguém). 
Decorrente do provável nome de um tribuno romano, o termo responsabilidade 
Aquiliana (extracontratual) encontra sua origem. 
 
 Explica Maria Helena Diniz que “o Estado passou, então, a intervir nos 
conflitos privados, deixando o valor dos prejuízos, obrigando a vítima a aceitar 
a composição, renunciando à vingança. Essa composição permaneceu no 
direito romano com o caráter de pena privada e como reparação, visto que não 
havia nítida distinção entre a responsabilidade civil e a penal”. 
 
 
1 Em RTJE, Vol. 93, pg. 35. 
2 Destacam-se: Rossi Masella, Michel Viley, Alexandre Cortez Fernandes. 
3 “Se alguém ferir outrem, inexistindo acordo, sofrerá a pena de Talião”… 
 
5 
 
 E a relevância da culpa? Ela passa a ter significado em qual 
momento da história do nosso direito? Esclarece Othon de Azevedo Lopes 
que “o texto da Lei Aquília não falava de culpa, mas apenas do damnun iniuria 
datum, ou mais precisamente, dano material à coisa. Ao contrário do que se 
pode imaginar, o dano iniuria datum não implica nenhuma valoração de 
origem psicológica. Foi somente no direito justinianeu que a culpa passou a ser 
um elemento autônomo e, portanto, sobre o qual se discutia o ônus probatório. 
A inclusão da culpa como pressuposto do delito do damnun iniuria datum foi 
obra dos compiladores do período pós-clássico. Não foi uma mudança brusca, 
eis que a terminologia já era utilizada pelos clássicos, mas apenas nas 
interpolações desse último período, foi que a culpa passou a ter o sentido de 
falta da devida diligência”. 
 
 Na verdade, a responsabilidade civil e a penal acabam se distanciando 
quando se passa a entender que as condutas potencialmente lesivas ao 
convívio social deveriam ser passíveis de reprimenda maior (penal) por ferirem, 
de modo drástico, o sentimento de justiça da comunidade, caso o agressor 
ficasse impune. 
 
 “Reafirmamos, pois, que é quase o mesmo fundamento da 
responsabilidade civil e penal. As condições em que surgem é que são 
diferentes, porque uma é mais exigente do que a outra, quanto ao 
aperfeiçoamento dos requisitos que devem coincidir para se efetivar. E não 
pode deixar de ser assim. Tratando-se de pena, atende-se ao princípio nulla 
poena sine lege, diante do qual só exsurge a responsabilidade penal em 
sendo violada a norma compendiada na lei; enquanto a responsabilidade civil 
emerge do simples fato do prejuízo, que viola também o equilíbrio social, mas 
que, não exige as mesmasmedidas no sentido de restabelecê-lo, mesmo 
porque outra é a forma de consegui-lo. A reparação civil reintegra, realmente, o 
prejudicado da situação patrimonial anterior (pelo menos tanto quanto possível, 
dada a falibilidade da avaliação); a sanção penal não oferece nenhuma 
possibilidade de recuperação ao prejudicado; sua finalidade é restituir a ordem 
social ao estado anterior à turbação” – nas palavras de José de Aguiar Dias. 
 
 Estas considerações demonstram os alicerces históricos da 
responsabilidade, no âmbito jurídico e, também, o interligam à Justiça, como 
parte de nós mesmos, serem humanos que somos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
 
 Alf Ross4 detalha este fato ao afirmar que “como 
princípio do direito, a justiça delimita e harmoniza os 
desejos, pretensões e interesses conflitantes na vida 
social da comunidade. Uma vez adotada a ideia de que 
todos os problemas jurídicos são problemas de 
distribuição, o postulado de justiça equivale a uma 
exigência de igualdade na distribuição ou partilha de 
vantagens ou cargas. A justiça é igualdade. Este 
pensamento foi formulado no século IV a. C. pelos 
pitagóricos, que simbolizaram a justiça com o número 
quadrado, no qual o igual está unido ao igual. A ideia 
da justiça como igualdade, desde então, tem se 
apresentado sob inúmeras variantes.” 
 
 
 
Fundamento Constitucional 
 
 
Nossa Carta Republicana, com preocupação de valorizar a pessoa 
humana e sua a dignidade, deu ênfase constitucional à questão da proteção e 
responsabilidade civil, sobretudo quanto aos direitos e garantias fundamentais, 
harmonizando-os com a solidariedade social: 
 
 
 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer 
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no 
País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à 
segurança e à propriedade, nos termos seguintes: 
 
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, 
além da indenização por dano material, moral ou à imagem; 
 
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a 
imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano 
material ou moral decorrente de sua violação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 Ross, Alf. Direito e Justiça – tradução Edson Bini - revisão técnica Alysson Leandro Mascaro – Bauru, 
SP: EDIPRO, 2000, pg. 313. 
 
7 
 
 
Conceito e Natureza Jurídica da Responsabilidade Civil 
 
 
Tarefa delegada à doutrina, um dos conceitos do direito francês, 
formulado por René Savatier, declarou a responsabilidade civil como 
“obrigação que pode incumbir uma pessoa a reparar o prejuízo causado a 
outra, por fato próprio, ou por fato de pessoas ou coisas que delas dependem.” 
 
A responsabilidade civil, segundo Pablo Stolze Gagliano, deriva da 
“agressão a um interesse eminentemente particular, sujeitando, assim, o 
infrator, ao pagamento de uma compensação pecuniária à vítima, caso não 
possa repor in natura o estado anterior de coisas. É obrigação derivada, um 
dever jurídico sucessivo, de assumir as consequências jurídicas de um fato”. 
 
Outro importante jurista, Sérgio Cavalieri Filho, detalha o 
termo: “a violação de um dever configura o ilícito, que quase 
sempre, acarreta dano para outrem, gerando um novo dever jurídico, 
qual seja, o de reparar o dano. Há, assim, um dever jurídico 
originário, chamado por alguns de primário, cuja violação gera um 
dever jurídico sucessivo, também chamado de secundário, que é o 
de indenizar o prejuízo”. 
 
Conceito simples, do Prof. Álvaro Villaça, resume “dever de indenizar o 
dano (por descumprimento de obrigação contratual ou descumprimento 
normativo)”. Na mesma esteira, prof. Carlos Alberto Bittar: “dever jurídico de 
recompor e compensar o dano, por violação de um dever jurídico preexistente 
(geral ou particular)”. 
 
Analisado minuciosamente o conceito, verificamos, que a 
responsabilidade civil apresenta a característica de ter, independentemente de 
sua materialização em: sanção, indenização ou compensação pecuniária, a 
natureza jurídica sancionadora. 
 
Explicita, nesse sentido, Pablo Stolze Gagliano que, “realmente, a 
construção de uma ordem jurídica justa – ideal perseguido, eternamente, pelos 
grupos sociais – repousa em certas pilastras básicas, em que avulta a máxima 
de que: a ninguém se deve lesar. Mas, uma vez assumida determinada atitude 
pelo agente, que vem a causar dano, injustamente, a outrem, cabe-lhe sofrer 
os ônus relativos, a fim de que possa recompor a posição do lesado, ou 
mitigar-lhe os efeitos do dano, ao mesmo tempo em que se faça sentir ao 
lesante o peso da resposta compatível prevista na ordem jurídica”. 
 
 
 
 
8 
 
De fato, ela pretende reprimir condutas idênticas, que são passíveis 
de causar instabilidade social, ao mesmo tempo que, preocupa-se em prevenir 
conflitos e reparar o dano sofrido pela vítima. Daí suas três funções. 
 
 
Realmente, desenvolvido o instituto para regular 
situações inerentes à relação entre indivíduos, a 
responsabilidade civil acabou ampliada para atingir vários 
outros horizontes como: direito do consumidor, meio 
ambiente, relações econômicas, internacionais, direito 
digital, energia nuclear, entre outros. Atinge, ainda, a 
órbita dos direitos transindividuais e intersubjetivos, 
coletivos e difusos. 
 
 
 
Pressupostos Gerais da Responsabilidade Civil 
 
 Nos lembra Antônio Herman V. Benjamin5 que o “paradigma tradicional da 
responsabilidade civil pressupõe a possibilidade do autor definir de maneira 
clara e precisa, quase matemática, a estrutura quadrangular dano-nexo 
causal-causador- vítima”. 
 
Nosso Código Civil, em seu Título IX, trata da responsabilidade civil. Os 
artigos 927 a 954 delineiam os pressupostos: 
 
• PARTES (AGENTE/VÍTIMA) 
• CONDUTA 
• DANO 
• NEXO CAUSAL 
 
1. PARTES (AGENTE) 
 
“Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a 
outrem, fica obrigado a repará-lo.” 
 
 O artigo sob comento indica as partes - como primeiro 
pressuposto da reparação civil: 
 
 “Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano à 
outrem…” 
 
5 Benjamin, Antonio Herman V. – Responsabilidade civil pelo dano ambiental – Revista de direito 
ambiental. RDA 9/5 – jan-mar/1998. p.85. 
 
9 
 
Quem pratica a conduta lesiva é, a priori, o responsável pela 
reparação. 
 
Esclarece Alexandre Cortez Fernandes: “será 
considerado autor todo aquele sujeito que 
perpetra o ato danoso, aquele que age, ou 
deixa de agir quando não deveria, fazendo 
com que ocorra o dano”. 
 
Surge, do ato danoso, uma relação jurídica 
obrigacional derivada. Em um polo: o autor 
e noutro, a vítima. 
 
 
Vejamos em um exemplo triste que, de fato, ocorreu: Uma dona de 
casa resolve cuidar do filho de sua funcionária, enquanto a mesma deixa 
o local para realizar outra atividade determinada pela patroa. A criança 
(menor impúbere) é encontrada caída da janela do edifício e falece, por 
não ter sido adequadamente supervisionada e assistida por quem se 
obrigou a fazê-lo. Em paralelo com a responsabilidade penal, há o dever 
de indenizar (responsabilidade civil) ocasionado pela quebra do dever 
jurídico de cuidado da patroa para com a criança. A funcionária e sua 
família estão interligadas pela tragédia (ato danoso) à autora do ato 
lesivo. A relação jurídica obrigacional se estabelece entre as partes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem: Print da notícia publicada em Correio Braziliense, acesso em 17 de agosto de 2020. 
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2020/06/04/interna-brasil,860958/patroa-e-presa-
apos-filho-da-empregada-morrer-ao-cair-de-predio-recife.shtml 
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2020/06/04/interna-brasil,860958/patroa-e-presa-apos-filho-da-empregada-morrer-ao-cair-de-predio-recife.shtml
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2020/06/04/interna-brasil,860958/patroa-e-presa-apos-filho-da-empregada-morrer-ao-cair-de-predio-recife.shtml10 
 
2. CONDUTA/ATO 
 
 Outro pressuposto, o ato ou conduta, necessita ser analisado: 
 
 “Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem…” 
 
 A conduta lesiva pode ser oriunda de uma omissão (ação negativa, 
“deixar de fazer”) ou comissão (conduta positiva, ação, “fazer”) do agente. Em 
ambos os casos, há a quebra do dever jurídico de cuidado, do princípio 
geral de direito e cláusula geral de “não lesar outrem”, motivo que permite a 
imposição de reprimenda. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Vejamos outro exemplo: motorista cansado resolve ultrapassar o sinal 
vermelho e colide com outro veículo, ocasionando lesão corporal grave a seus 
ocupantes. Temos, nessa hipótese, uma ação que resulta em ato danoso. 
 
 Em lição clara, o Prof. Orlando Gomes diz que “o ato ilícito é a ação ou 
omissão culposa, com a qual se infringe direta e imediatamente, um preceito 
jurídico do Direito, causando dano a outrem”. 
 
 A conduta deve ser humana, se há prejuízo devido à queda 
de meteorito numa propriedade, um descolamento de ribanceira, 
após chuvas torrenciais em plantação, elevação do nível do mar (que 
atinge uma pousada), incêndio espontâneo em área de preservação 
ambiental, todos estes são fatos relevantes ao direito (por causarem 
prejuízo), mas não podem ser atribuídos à ação do homem e sim, 
da natureza. A sanção, nestes exemplos, seria inócua, por óbvio. 
 
 
 
OMISSÃO 
Deixar de fazer 
COMISSÃO 
Ação, “fazer” 
 
11 
 
 
O ato cometido deve ter sido norteado, 
guiado, conduzido pela vontade do agente. A 
voluntariedade é o cerne. A pessoa deve ter tido 
liberdade para escolher que comportamento seria 
melhor. A consciência do agente e o discernimento 
necessário para entender as consequências do 
ocorrido importam. 
 
Para responder pelo dano, o agente deve ser, também, imputável. 
 
 Acrescenta Rui Stocco apud Caio Mário “voluntariedade não é o 
propósito ou a consciência do resultado danoso, ou seja, a consciência de 
causar o prejuízo. Este é um elemento definidor do dolo. A voluntariedade, 
pressuposto na culpa, é a ação em si mesma”. 
 
 A voluntariedade envolve a consequência do que está sendo realizado, 
no momento da conduta omissiva ou comissiva. 
 
 Ainda, na questão do ato lesivo, é mister discutir que o comportamento 
pode ter sido realizado por ato próprio: o agente, de per si, ocasionou o dano. 
Ele mesmo está ligado à conduta omissiva ou comissiva. 
 
 Por outro lado, a lei encarrega da responsabilidade, aquele que 
indiretamente se conecta ao fato. 
 
 É o que determina o artigo 932 do Código Civil: 
 
 
Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil: 
I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em 
sua companhia; 
II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas 
mesmas condições; 
III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e 
prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão 
dele; 
IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde 
se albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus 
hóspedes, moradores e educandos; 
V - os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, 
até a concorrente quantia. 
 
 Estes são os atos de terceiro. No caso, a responsabilidade civil é 
indireta, porque provém do mandamento legal de cuidar e proteger. 
 
 
12 
 
 Nas lições de Alvino Lima: “A responsabilidade civil pelo fato de outrem 
se verifica todas as vezes em que alguém responde pelas consequências 
jurídicas de um ato material de outrem, ocasionando ilegalmente um dano a 
terceiro. Em matéria de responsabilidade pelo fato de outrem, a reparação do 
dano cabe a uma pessoa que é materialmente estranha à sua realização”6. 
 
Venosa afirma que o responsável pela reparação está ligado ao 
causador do dano por um liame jurídico, em situação de subordinação ou 
submissão, em caráter permanente ou eventual, como é o caso do pai ou do 
empregador (quando da prática de ações de seus pupilos ou subordinados, 
neste caso, no exercício profissional - sob sua direção ou ordem). 
 
No citado artigo, há a responsabilidade civil por necessidade de se 
cumprir o dever de cuidado, custódia ou vigilância para com os aqueles que se 
encontram sob a autoridade de outros. Ou ainda, pela culpa ao escolher ou 
eleger pessoa sem adequado procedimento ou caráter para atuar naquele 
trabalho (culpa “in eligendo”). 
 
Acerca do fato do animal, presente no art. 936 do Código Civil, temos a 
mesma situação de responsabilização por quebra do princípio de cuidar: 
 
 
Art. 936. O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este 
causado, se não provar culpa da vítima ou força maior. 
 
 
 E, ainda, pelo fato da coisa, como o artigo 937 do Código Civil impõe: 
 
 
Art. 937. O dono de edifício ou construção responde pelos danos que 
resultarem de sua ruína, se esta provier de falta de reparos, cuja 
necessidade fosse manifesta. 
 
Art. 938. Aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano 
proveniente das coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar 
indevido. 
 
 
Determina, a doutrina, acerca da responsabilidade: “considera-se culpa, 
na estrutura do ato ilícito, como o descompasso dos elementos subjetivo-
psicológicos do ofensor em relação aos deveres jurídicos compreendidos 
socialmente” (Othon de Azevedo Lopes). 
 
 
 
6 LIMA, Alvino apud VENOSA, Silvio de Salvo. Op. Cit. p. 265. 
 
13 
 
O fundamento legal, quando se incide na questão da culpa, é o Código 
Civil, em seu artigo 186: 
 
“Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência, ou 
imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente 
moral, comete ato ilícito”. 
 
A culpa ingressa na conduta do agente, apenas como um elemento 
acidental - segundo a doutrina, já que não se prescinde dela, como 
pressuposto essencial, para a reparação de danos. 
 
Ademais, o comportamento antijurídico não é o mesmo que o ilícito e 
explicamos. A verdadeira ilicitude, para ser caracterizada - conforme diz o 
artigo 186 do Código Civil, deve ter dois componentes: o objetivo (violar a 
norma e o direito alheio) e o subjetivo (que é a culpabilidade). 
 
Nas palavras de Fernando de Noronha, a “culpabilidade é a 
possibilidade de imputação do agente do ato praticado à título de culpa ou dolo. 
Uma pessoa é culpada quando poderia e deveria ter agido em conformidade 
com a prescrição legal”. 
 
Portanto, a culpa, como elemento acidental, na reparação de danos, 
incide: 
• pela quebra de dever jurídico “lato sensu”; 
• pela imperícia - inabilidade para realizar uma atividade, seja de 
cunho técnico, científico ou profissional – exemplo de um médico 
que faz cirurgia plástica sem ter realizado curso específico para a 
especialidade, deixando lesão permanente nos pacientes; 
• pela imprudência - fazer um ato sem atenção, sem cuidado, 
sem precaução, de forma impensada e com precipitação – 
exemplo de alguém que conduz veículo embriagado ou; 
• pela negligência - omissão, inobservar dever, agir de modo 
indiferente, com falta de cuidado – exemplo de deixar sem 
manutenção veículo, causando acidente. 
 
A responsabilidade com a violação do artigo 186 do Código Civil, trata, 
como vimos, da responsabilidade aquiliana ou extracontratual, em que se 
verifica uma violação da norma legal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
 
3. DANO 
 
O terceiro pressuposto para responsabilidade civil: o dano. 
 
 “Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem…” 
 
Certamente é o dano que levará o agente, por sua conduta, a reparar a 
vítima pelos desgostos sofridos. Qualquer que seja o tipo de responsabilidade 
envolvida (do Estado, do Consumidor, ambiental, contratual, extracontratual), o 
dano é indispensável. 
 
Diz Fernando de Noronha que o dano “é o prejuízo,de natureza 
individual ou coletiva, econômico ou não econômico, resultante de ato ou fato 
jurídico, que viole qualquer valor inerente à pessoa humana ou atinja bem que 
seja juridicamente tutelado.” 
 
 
Nossa legislação preocupou-se com a proporção da reparação civil em 
comparação aos danos impingidos à vítima. 
 
A importância do dano é real. Diz Sérgio Cavalieri Filho que “o dano é, 
sem dúvida, o grande vilão da responsabilidade civil. Não haveria que se falar 
em indenização, nem em ressarcimento, se não houvesse o dano. Pode haver 
responsabilidade sem culpa, mas não pode haver responsabilidade sem dano”. 
 
Ocorre que, para ser indenizável, o dano deve importar em violação a 
um interesse jurídico. Seja de cunho patrimonial ou extrapatrimonial (tido pela 
lei como moral), a pessoa jurídica ou física, quando atingida, deve comprovar a 
lesão. Sem a existência do dano, de modo efetivo, certo e atual, não há 
reparabilidade. Um dano incerto ou futuro não coaduna com a letra da lei. 
 
 
15 
 
No caso de danos da esfera econômica da vítima, pode se denominar o 
dano emergente como aquele efetivo prejuízo experimentado com o ocorrido 
e, os lucros cessantes como prejuízo razoável, direto e imediato (o que o 
lesado deixou de ganhar). 
 
Em se tratando de dano extrapatrimonial (ou moral) é o 
comportamento lesivo que atinge a esfera personalíssima do indivíduo, 
impingindo a este, efeitos psicológicos e, em suas emoções ou sua autoestima, 
na órbita de sua intimidade, imagem, nome, honra, liberdade, etc. Neste caso, 
a prova é necessária para caracterizar o comportamento danoso, o qual deverá 
ser compensado em pecúnia, para com a vítima ou seus familiares. 
 
A intenção do legislador foi compensar a dor (permite minimizar os 
efeitos causados pela tristeza e constrangimento da vítima, ao mesmo tempo 
em que se pune o responsável). 
 
Diz o art. 52 do Código Civil: 
 
 
Art. 52. Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos 
direitos da personalidade. 
 
 
Veja que a proteção ao dano extrapatrimonial é aplicável às empresas e 
pessoas jurídicas em geral, por serem passíveis de campanhas difamatórias 
online, clonagem de nome, afrontas à sua reputação no mercado de 
fornecedores, etc. 
 
4. NEXO CAUSAL 
 
Enfim, o último pressuposto para configurar a reparação civil é o nexo 
causal. “Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a 
outrem…” 
 
O nexo de causalidade é o elo de ligação ou liame jurídico que une a 
conduta do agente ao evento danoso. 
 
Diz o Código Civil: 
 
Art. 403. Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas e 
danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito 
dela direto e imediato, sem prejuízo do disposto na lei processual. (GN) 
 
 
 
 
16 
Várias teorias explicam o instituto. Veremos as mais relevantes: 
 
• Teoria da equivalência de condições ou “conditio sine qua 
non” ou “condição sem a qual não” teria ocorrido o evento 
danoso. Trata-se daquela prevista no Código Penal, art. 13. Os 
elementos que concorrem com o resultado são a causa do 
evento. No caso de uma arma de fogo, quem a disparou e 
acertou a vítima deu causa ao resultado. Por isso responde pelo 
delito. O resultado de que depende a existência do crime 
somente é imputável a quem lhe deu causa. Por isso, 
considera-se ação ou omissão sem a qual o resultado não 
teria ocorrido. No exemplo dado, se a vítima tivesse ingerido 
veneno ministrado por um inimigo, dolosamente, mas horas 
depois tivesse recebido um tiro de outro inimigo - haverá de 
responder pelo evento (morte) quem lhe deu causa. Prevalece 
como causa o envenenamento ou o que ato que desferiu tiro - 
proveniente da arma de fogo? A prova tem que apurar. Se foi o 
tiro a causa da morte, o envenenador responderá por tentativa de 
homicídio e o atirador por homicídio consumado ou vice-versa. 
 
• Teoria da causalidade adequada. Nesta teoria leva-se em conta 
a causa que foi apropriada pra produzir o dano. Nas palavras da 
doutrina a causa do dano é o antecedente necessário e 
adequado para gerar o resultado. Por exemplo: pessoa vai 
viajar para outro país. Discute com o vizinho e se atrasa para 
chegar ao aeroporto. Por este motivo perde o vôo contratado e 
acaba por ir em um avião que cai. Morrem todos os tripulantes. A 
discussão entre vizinhos pode ser considerada como causa da 
morte? Por esta teoria não responde, porque o dano com 
resultado morte – queda do avião - não foi provocado pela 
discussão. Não há liame jurídico, não há nexo causal. 
 
• Teoria da Causalidade direta ou imediata: defende que o dano 
decorre ou é efeito direto e imediato da execução da conduta. 
A causa do prejuízo deve ser aquela que está diretamente 
conectada ao dano. Por exemplo, um menino que teve o pai 
morto em acidente de carro provocado por um motorista 
imprudente. O acidente provocou o prejuízo, já que agora o 
menino não mais recebe alimentos do pai. É cabível a 
indenização movida pelo menor contra o motorista, eis que o 
dano se filiou a uma causa, ainda que remota, mas que foi 
necessária para relacioná-la ao dano sofrido. O efeito é direto e 
imediato da execução do comportamento lesivo. A doutrina 
aponta que esta teoria foi a escolhida pelo Código Civil, no 
citado artigo 403. 
 
17 
 
 Nosso Código também aponta para a questão da causa concorrente, 
na qual a vítima também colabora para o evento. Por exemplo, o evento morte 
só ocorreu porque o pai do menino não estava utilizando cinto de segurança. 
Neste caso há a redução da indenização. É o disposto no artigo 945 do Código 
Civil: 
 
 
Art. 945. Se a vítima tiver concorrido culposamente para o evento 
danoso, a sua indenização será fixada tendo-se em conta a gravidade 
de sua culpa em confronto com a do autor do dano. 
 
 
 Outro ponto a se considerar é a denominada concausa. Ela reforça o 
liame jurídico, porque, em se unindo a uma causa principal concorre para 
que o resultado aconteça. 
 
No exemplo isso fica claro: uma mulher vai ter um bebê prematuro com 
risco de não sobreviver. É colocada em helicóptero da Polícia para chegar ao 
hospital rapidamente. No caminho, tiros de uma comunidade atingem o 
helicóptero que cai, levando à morte todos os tripulantes. A concausa (tiros no 
helicóptero), reforça a ligação entre o fato e o evento danoso. Porém, a 
superveniência desta concausa, por si só, determina a ocorrência do resultado. 
A morte pode ser direta e imediatamente ligada à concausa. Assim, respondem 
os infratores que atingiram o helicóptero pela morte da mãe e do bebê e, não 
as complicações do parto. 
 
• Teoria da Imputação Objetiva é a que resolve alguns 
questionamentos que poderiam ser indenizáveis pelas demais 
teorias e, por justiça, não o são. Defende que: o sujeito só pode 
ser responsável pelo fato, se ele criou ou incrementou um 
risco proibido e relevante, através do qual o resultado 
jurídico ocorreu. É o caso de um motorista, segundo a doutrina, 
que causa atropelamento de pedestres em ponto de ônibus por 
estar embriagado. O motorista criou o risco. Deve responder 
pelas vidas que tirou. Nos casos de risco tolerado pela 
comunidade, risco insignificante ou risco permitido - não se fala 
em imputação. Como em lesão decorrente de esportes de 
contato, cirurgias para salvar vida de doente, etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
18 
 
Causas Excludentes da Responsabilidade Civil 
 
 
Vamos para mais um ponto de interesse no tema da responsabilidade 
civil, sobretudo para defesa do agente causador do dano: as causas 
excludentes de responsabilidade. 
 
São as circunstâncias que impactam sobre um dos elementos ou 
pressupostos gerais da responsabilidade civil. Elas quebram o liame jurídico 
e o nexo causal, desta forma, impedem a configuração da obrigação de 
indenizar. 
 
O estado de necessidade está previsto no art. 188 do Código Civilque 
diz: 
 
 
Art. 188. Não constituem atos ilícitos: 
I - … 
II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a 
fim de remover perigo iminente. 
 
 
O ato será legítimo somente quando as circunstâncias o tornarem 
absolutamente necessário, não excedendo os limites do indispensável para a 
remoção do perigo. 
 
 O exemplo da doutrina é o caso do motorista que colide com um muro 
para evitar atropelamento de criança que está no meio da rua. Se o 
responsável pela situação de perigo for o dono do muro nada há que se 
indenizar, com fulcro no estado de necessidade. 
 
 Assim determinam os artigos 929 e 930 do Código Civil: 
 
Art. 929. Se a pessoa lesada, ou o dono da coisa, no caso do inciso II 
do art. 188, não forem culpados do perigo, assistir-lhes-á direito à 
indenização do prejuízo que sofreram. 
 
Art. 930. No caso do inciso II do art. 188, se o perigo ocorrer por culpa 
de terceiro, contra este terá o autor do dano ação regressiva para haver 
a importância que tiver ressarcido ao lesado. 
Parágrafo único. A mesma ação competirá contra aquele em defesa de 
quem se causou o dano (art. 188, inciso I). 
 
 
 
 
19 
 
Reconhecem os tribunais: 
 
EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - RESPONSABILIDADE 
OBJETIVA - CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA - EXCLUDENTE DA 
RESPONSABILIDADE - AUSÊNCIA DE PROVAS DA 
RESPONSABILIDADE. - A culpa exclusiva da vítima é excludente da 
responsabilidade civil, mesmo na sua forma objetiva, pois afasta o nexo 
de causalidade entre a conduta da requerida e o dano, já que este teria 
sido causado pelo próprio prejudicado. 
 
(TJ-MG - AC: 10000220884449001 MG, Relator.: Joemilson Donizetti Lopes 
(JD Convocado), Data de Julgamento: 07/07/2022, Câmaras Cíveis / 15ª 
CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação: 13/07/2022) 
 
EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE REPARAÇÃO DE 
DANOS MORAIS - ACIDENTE DE TRÂNSITO - CULPA EXCLUSIVA 
DA VÍTIMA (CICLISTA) - AUSÊNCIA DE NEXO DE CAUSALIDADE 
ENTRE A CONDUTA DO CONDUTOR DO VEÍCULO AUTOMOTOR E 
OS DANOS SOFRIDOS PELO AUTOR - CAUSA DE ISENÇÃO DE 
RESPONSABILIDADE - INEXISTÊNCIA DO DEVER DE INDENIZAR. 1 
- Para se reconhecer o dever de reparar, faz-se necessária a prova da 
culpa, do dano e do nexo de causalidade entre a conduta e o dano 
(artigos 186 e 927 do Código Civil). 2 - Demonstrada a culpa exclusiva 
da vítima pelo acidente de trânsito, fica afastada a responsabilidade da 
empresa ré pelos danos por aquela sofridos, o que redunda na 
improcedência do pedido reparatório. 
 
(TJ-MG - AC: 10000212190409001 MG, Relator.: Claret de Moraes, Data de 
Julgamento: 12/04/2022, Câmaras Cíveis / 10ª CÂMARA CÍVEL, Data de 
Publicação: 19/04/2022) 
 
 
A legítima defesa também é outra das causas que excluem a 
responsabilidade civil, nos termos do artigo 188, I: 
 
 
Art. 188. Não constituem atos ilícitos: 
I - os praticados em legítima defesa… 
 
 
Trata-se do agente que sofre injusta agressão em situação atual ou 
iminente, dirigida para si ou terceiro, com o uso de meios moderados de defesa 
em poder do ofendido. 
 
 É o caso do motorista que se vê cercado por assaltantes com armas em 
punho no meio da rua, prestes a lhe desferir balas. É legítima defesa passar 
por um deles e fugir, sem ter que indenizar a família do ofensor - se este vier a 
ter sequela ou morte decorrente do atropelamento. 
 
20 
 
 Se atropelar um inocente, deverá ser aplicada a regra do art. 930 do 
Código Civil (ação regressiva contra os culpados). 
 
 Em caso de defesa putativa (pensar que está em perigo, mas não 
está), há dever de indenizar, embora o caso, penalmente, seja excludente de 
culpabilidade (dirimente). 
 
 O exercício regular de direito e o estrito cumprimento de dever legal 
também constituem excludentes. É o texto do art. 188, I do Código Civil: 
 
 
Art. 188. Não constituem atos ilícitos: 
I – …. os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um 
direito reconhecido 
 
 
 São exemplos: o auditor que denuncia fraude na empresa e leva à 
demissão dos responsáveis; policial ou os bombeiros que invadem propriedade 
para salvar pessoa em perigo; atividades desportivas. 
 
 Os casos mencionados não são indenizáveis. Sempre deve ser 
lembrado que devem ser atos praticados proporcionalmente, sem excessos. 
Se ocorrer ou extrapolar o necessário caberá sanção, já que configuram abuso 
de direito. O art. 187 do Código Civil prevê o limite: 
 
 
 
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao 
exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim 
econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. 
 
 
 Merece destaque a questão do abuso de direito. Nesta hipótese, o 
abuso terá o critério objetivo-finalístico verificado pelo magistrado, ou seja, o 
exagero na fruição do direito. A responsabilidade é independente da prova 
da culpa. Serve de exemplo o setor de serviços hospitalares que entra em 
greve no pico da pandemia. Há abuso em seu direito de manifestação. Outro 
caso: espancamento de criança pequena sob argumento de correção 
disciplinar, há abuso de direito, etc. 
 
 Outras excludentes são o caso fortuito e a força maior. Diz o artigo 
393 do Código Civil: 
 
 
 
 
21 
 
 
 
Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso 
fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles 
responsabilizado. 
 
Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato 
necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. 
 
 
A doutrina diverge sobre os termos, apontando que o primeiro seria a 
imprevisibilidade pelo homem médio e o outro um acontecimento inevitável. 
Mas há que se verificar a desnecessidade de distinção, por ser irrelevante na 
prática. No caso da Covid-19, os inadimplentes dos serviços de luz, água, etc 
tiveram quebra da sanção (corte de fornecimento) por questão impossível de 
evitar ou impedir. Assim, excluiu-se a responsabilidade civil durante o período 
crítico. 
 
 Outra importante defesa: quebra o nexo causal, e portanto, exclui a 
responsabilidade civil, a culpa exclusiva da vítima. Isenta a responsabilidade 
quando o ato ou fato é ocasionado somente pela conduta da vítima. 
Exemplo: pessoa é atropelada porque se jogou do pontilhão sobre os carros 
que trafegavam em via rápida. O caso é de culpa exclusiva da vítima, mas o 
ônus da prova é do agente (réu). 
 
 Quando o fato (culpa) é de terceiro, há que analisar detidamente o 
problema da excludente. Deve haver prova de quem foi o efetivo responsável 
para não se ter que indenizar. O agente, no caso de culpa de terceiro, que 
aparenta ter gerado o dano é mero instrumento da ação culposa de terceiro. 
Exemplo do engavetamento. O carro que parou ou o que não frenou é o 
responsável. Os que são atingidos reflexamente na colisão não tem vinculação 
direta com o resultado, mas estão no desdobramento do nexo causal. Deve 
haver cautela na apuração da responsabilidade. 
 
Ainda, sobre o tema do direito de regresso, diz a lei: 
 
 
Art. 934. Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o 
que houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano 
for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz. 
 
 
 
Pode, a pessoa que pagou a indenização, processar o causador do dano para 
reaver o que pagou. 
 
22 
 
Finalmente, a cláusula de não indenizar, nos casos que envolvam 
contratos, pode determinar a excludente da responsabilidade. Tudo vai 
depender do que ficou convencionado pelas partes quando contrataram entre 
si. Para ser válida a cláusula, as partes devem ter igualdade jurídica e não 
podem infringir os preceitos de ordem pública. A cláusula de não indenizar 
que entre em confronto com o Código de Defesa do Consumidor, a justiça 
distributiva, a boa-fé contratual, não prevalecerá. É o caso do estacionamento 
que afirma não se responsabilizar por objetos no carro dosclientes. Pode ser 
questionada sua validade, por estar em disparidade com o Código de Defesa 
do Consumidor. 
 
 
Responsabilidade Civil Subjetiva 
 
 
 Decorre do dano, cujo prejuízo teve origem em um ato culposo ou 
danoso, segundo o previsto no art. 186 do Código Civil: 
 
 
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou 
imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que 
exclusivamente moral, comete ato ilícito. 
 
 
Para Savatier: “a culpa é a INEXECUÇÃO de um dever que o agente 
podia conhecer e observar. Se efetivamente o conhecia e deliberadamente o 
violou ocorre o delito civil, ou em matéria contratual, o dolo contratual. Se a 
violação do dever, podendo ser conhecida e evitada, é involuntária, constitui 
culpa simples”. 
 
“Quando existe intenção deliberada de ofender o direito, ou de 
ocasionar prejuízo a outrem, há o dolo, isto é, o pleno conhecimento do 
mal e o direto propósito de o praticar. Se não houvesse intento 
deliberado, proposital, mas o prejuízo veio a surgir, por imprudência ou 
negligência, existe a culpa (stricto sensu)”. Daí a distinção especificada por 
Rui Stocco. 
 
A doutrina, portanto, caracteriza a culpa e seus elementos em: 
 
• Voluntariedade do comportamento do agente (escopo ou objetivo do 
agente é praticar ou deixar de realizar algo, ignorando as 
consequências); 
• Previsibilidade; 
• Violação do dever jurídico de cuidado; 
 
23 
 
Sedimentados, estão, também, os graus de culpa: 
 
• Grave (agente atua como se tivesse querido o prejuízo da vítima); 
• Leve (falta de diligência do homem médio); 
• Levíssima (inevitável até por alguém cuidadoso e diligente); 
 
 
 Seja qual for o grau de culpa, em todas há o dever de indenizar, todavia, 
pode este critério auxiliar na mensuração do valor devido à vítima. É o que 
diz o artigo 944 do Código Civil: 
 
Art.944. A indenização mede-se pela extensão do dano. 
 
Parágrafo único. Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da 
culpa e o dano, poderá o juiz reduzir, equitativamente, a indenização 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
24 
 
Responsabilidade Civil Objetiva 
 
 
Bastante relevante este tipo de responsabilidade, está alicerçada no risco 
da atividade econômica exercida pelo agente. A pessoa jurídica - 
escolhendo realizar determinada atividade - assume os efeitos advindos de sua 
conduta. É o exemplo da mineradora, da empresa de transportes, do 
fornecedor de produtos ou serviços. Sabe-se que quando exercer suas funções 
no mercado poderá ferir direitos de outrem, então sua responsabilidade será 
apurada de modo distinto. Não se verificará a culpa. Mas sim os elementos: 
dano, nexo causal e a conduta. 
 
Aponta o art. 927 do Código Civil: 
 
 
Art. 927 - Parágrafo único - Haverá obrigação de reparar o dano, 
independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando 
a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por 
sua natureza, risco para os direitos de outrem. 
 
 
 
 
Indenização 
 
 A indenização ou reparação dos danos decorrentes da responsabilidade 
civil pode ser: ressarcimento a dano patrimonial ou extrapatrimonial; reparação 
pecuniária (em dinheiro) e, compensação da vítima pelas lesões sofridas. 
 
A finalidade da indenização é: 
 
• Integrar o patrimônio da vítima, reembolsando o desfalque 
sofrido; 
• Recompor as perdas e danos; 
• Compensar monetariamente pelo desgosto, vergonha, tristeza 
(dano extrapatrimonial) – se for o caso. 
 
Se a obrigação for indeterminada, aponta o art. 946 do Código Civil a 
solução para apurar o “quantum”: 
 
 
 
 
 
25 
 
 
Art. 949. Se a obrigação for indeterminada, e não houver na lei ou no contrato 
disposição fixando a indenização devida pelo inadimplente, apurar-se-á o valor 
das perdas e danos na forma que a lei processual determinar. (grifo nosso) 
 
 Trata-se do procedimento de liquidação que será realizado, com 
nomeação de perito ou avaliador para determinar a indenização. O Código de 
Processo Civil esclarece: 
 
 
Art. 509. Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida, 
proceder-se-á à sua liquidação, a requerimento do credor ou do devedor: 
I - por arbitramento, quando determinado pela sentença, convencionado pelas 
partes ou exigido pela natureza do objeto da liquidação; 
II - pelo procedimento comum, quando houver necessidade de alegar e provar 
fato novo. 
 
Art. 510. Na liquidação por arbitramento, o juiz intimará as partes para a 
apresentação de pareceres ou documentos elucidativos, no prazo que fixar, e, 
caso não possa decidir de plano, nomeará perito, observando-se, no que 
couber, o procedimento da prova pericial. 
 
 
 O Código Civil apontou diretrizes sobre quais valores poderiam servir de 
parâmetro para os casos de indenização. Vejamos a seguir os critérios legais: 
 
• Homicídio 
 
 
Art. 948. No caso de homicídio, a indenização consiste, sem excluir outras 
reparações: 
I - no pagamento das despesas com o tratamento da vítima, seu funeral e o 
luto da família; 
II - na prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os devia, levando-se 
em conta a duração provável da vida da vítima. 
 
 
Obs. A média pela jurisprudência, para expectativa de vida é de 65 anos. 
 
• Lesão Corporal 
 
Art. 949. No caso de lesão ou outra ofensa à saúde, o ofensor indenizará o 
ofendido das despesas do tratamento e dos lucros cessantes até ao fim da 
convalescença, além de algum outro prejuízo que o ofendido prove haver 
sofrido. 
 
 
 
26 
Art. 950. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer 
o seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a 
indenização, além das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim 
da convalescença, incluirá pensão correspondente à importância do trabalho 
para que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu. 
Parágrafo único. O prejudicado, se preferir, poderá exigir que a indenização 
seja arbitrada e paga de uma só vez. 
 
Art. 951. O disposto nos arts. 948, 949 e 950 aplica-se ainda no caso de 
indenização devida por aquele que, no exercício de atividade profissional, por 
negligência, imprudência ou imperícia, causar a morte do paciente, agravar-lhe 
o mal, causar-lhe lesão, ou inabilitá-lo para o trabalho. 
 
• Violação À Honra 
 
Art. 953. A indenização por injúria, difamação ou calúnia consistirá na 
reparação do dano que delas resulte ao ofendido. 
Parágrafo único. Se o ofendido não puder provar prejuízo material, caberá ao 
juiz fixar, equitativamente, o valor da indenização, na conformidade das 
circunstâncias do caso. 
 
• Ofensa À Liberdade Pessoal 
 
Art. 954. A indenização por ofensa à liberdade pessoal consistirá no 
pagamento das perdas e danos que sobrevierem ao ofendido, e se este não 
puder provar prejuízo, tem aplicação o disposto no parágrafo único do artigo 
antecedente. 
 
Parágrafo único. Consideram-se ofensivos da liberdade pessoal: 
I - o cárcere privado; 
II - a prisão por queixa ou denúncia falsa e de má-fé; 
III - a prisão ilegal. 
 
• Danos Ao Patrimônio Pessoal 
 
Art. 952. Havendo usurpação ou esbulho do alheio, além da restituição da 
coisa, a indenização consistirá em pagar o valor das suas deteriorações e o 
devido a título de lucros cessantes; faltando a coisa, dever-se-á reembolsar o 
seu equivalente ao prejudicado. 
Parágrafo único. Para se restituir o equivalente, quando não exista a própria 
coisa, estimar-se-á ela pelo seu preço ordinário e pelo de afeição, contanto que 
este não se avantaje àquele. 
 
 
 
 
 
 
 
27 
 
Responsabilidade Civil do Estado 
 
 
Finalmente, a responsabilidade civil, especificamente, a do risco 
administrativo rege a responsabilidade civil da Administração Pública. 
 
Está no art. 37 da Constituição Federal a previsão deste instituto:Art. 37, § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado 
prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, 
nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso 
contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. 
 
 
 
Os agentes que realizam atividades em nome do 
Estado podem vir a praticar danos e, por isso, geram a 
responsabilidade da Administração Pública. O mesmo 
se diga daqueles prejuízos que só puderam ser 
produzidos graças ao agente público prevalecer-se 
dessa condição - o que muito se vê, na mídia, quando 
noticiam desvio de verbas públicas. 
 
 
Para apurar a condição do agente de “se 
prevalecer da função” é necessário vincular a qualidade do cargo como 
determinante para efetivar a conduta lesiva. 
 
A Administração Pública, portanto, defere a realização de atividade 
administrativa a seus servidores e, por este motivo, responde pelos danos que 
eles, nesta condição, causam a terceiros. 
 
A conduta lesiva pode ser resultado de: 
 
a) Comportamento comissivo (“facere”). Ex: desviar recursos 
públicos, espancar preso e causar lesões definitivas. 
 
b) Comportamento omissivo (“non facere”). O Estado deveria agir, 
por imposição legal, não o fez ou agiu deficientemente/ abaixo do 
padrão normal de eficiência. Ex. Deixar de vistoriar lugar que 
incendiou, deixar de prestar contas ao Tribunal de Contas. 
 
 
 
28 
 
 
No tange à reparação do dano é importante enfatizar que este deve 
corresponder à lesão a um direito da vítima. Além de lesão econômica, o 
prejuízo deve ser jurídico. 
 
O dano precisa ser certo e real. A Administração Pública não pode ser 
obrigada a reparar um dano que ainda não existe (dano futuro). 
 
Por se tratar de responsabilidade objetiva, não há necessidade da 
prova da intenção de lesar, por parte do agente. Basta a prova de dano, o nexo 
causal entre o ato lesivo e o prejuízo suportado pela vítima/ administrado. É o 
exemplo da ambulância de hospital público, a caminho de prestar socorro a 
vítima de acidente, passa na fase vermelha do sinal e danifica um veículo de 
particular. Diz o Código Civil, em seu artigo: 
 
 
 
Art. 43. As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente 
responsáveis por atos dos seus agentes que nessa qualidade causem 
danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores 
do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo. 
 
 
 
Na hipótese de ação de regresso contra o agente do Estado, ou em 
caso de o lesado ingressar com ação contra o funcionário, a responsabilidade 
passará a ser subjetiva. Isso significa que o lesado escolhendo acionar o 
motorista da ambulância – e não o Estado, precisará provar a intenção (dolo) 
ou a negligência, imperícia ou imprudência (culpa) do profissional envolvido.

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