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TEMA 2 ACESSIBILIDADE Prof. Marlise Geller Introdução: A acessibilidade é um conjunto de medidas que visa garantir o acesso para pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida a espaços, mobiliários, edificações, transportes, informação e comunicação com segurança e autonomia. Garantir a acessibilidade é eliminar as barreiras existentes nas ruas, nos meios de transporte, nos diferentes locais, como escolas, residências, hospitais, além de eliminar barreiras para o acesso às informações, comunicações e demais serviços, inclusive serviços eletrônicos, como o acesso a um terminal bancário. A acessibilidade ainda é um desafio, não só em relação às barreiras físicas, como a falta de rampas nas ruas e edifícios, mas também as barreiras psicossociais, como o medo, o preconceito e a ignorância, que devem ser enfrentados no dia a dia da pessoa com deficiência. ACESSIBILIDADE: Existem hoje mais de um bilhão de pessoas com algum tipo de deficiência, como indicado na figura abaixo: Considerando essas informações, é importante conhecer o Decreto-lei nº 5.296 de 2 de dezembro de 2004, que estabelece normas e critérios para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, indicando que a acessibilidade como condição para utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida (BRASIL, 2004). Em síntese, a acessibilidade está classificada em: · Acessibilidade arquitetônica: eliminação de barreiras ambientais físicas nas residências, nos edifícios, nos espaços e equipamentos urbanos, nos meios de transporte individuais ou coletivos. · Acessibilidade comunicacional: eliminação de barreiras na comunicação interpessoal (oral, língua de sinais), escrita (jornal, revista, livro, apostila, incluindo textos em Braille) e o uso de recursos digitais (acessibilidade digital). · Acessibilidade metodológica: eliminação de barreiras nos métodos e técnicas de estudos (escolar), de trabalho (profissional), de ação comunitária (social, cultural, artística etc.) e de educação familiar. · Acessibilidade instrumental: eliminação de barreiras para o acesso e manuseio de instrumentos, utensílios e ferramentas de estudos (escolar), de trabalho (profissional), de lazer e recreação (turismo, esportes). · Acessibilidade programática: eliminação de barreiras “invisíveis” inseridas em políticas públicas (leis, decretos, portarias etc.), normas e regulamentos (institucionais, empresariais). · Acessibilidade atitudinal: eliminação de preconceitos, estigmas, estereótipos e discriminações nas pessoas em geral. A Lei no 13.146/2015, Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (BRASIL, 2015), dispõe, não só sobre acessibilidade, mas outros importantes conceitos que se inter-relacionam: desenho universal, barreiras e adaptações e tecnologia assistiva. O termo Desenho Universal é empregado em projetos de produtos, serviços e ambientes que possam ser usados por todos, ou seja, seu princípio fundamental é possibilitar o uso dos produtos, serviços e ambientes da forma mais independente e intuitiva possível, em diferentes situações, sem ou com o mínimo possível de adaptações. Nesse sentido, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) elabora parâmetros técnicos de acessibilidade a partir de preceitos do desenho universal, que envolvem aspectos como: utilização equitativa, flexibilidade de utilização, informação perceptível, tolerância ao erro, mínimo esforço físico, entre outros. O conceito de barreiras refere-se a qualquer obstáculo, atitude ou comportamento que dificulte ou impeça a participação social de uma pessoa, limitando seus direitos à acessibilidade, à liberdade de movimento e de expressão, à informação. Como exemplo, tem-se as barreiras arquitetônicas, como uma rampa de acesso inexistente ou inadequada. Também, pode-se citar barreiras tecnológicas, que dificultam ou impedem o acesso da pessoa com deficiência às tecnologias. Ainda de acordo com o Decreto-lei nº 5.296 de 2 de dezembro de 2004 (BRASIL, 2004), barreiras são entendidas como: qualquer entrave ou obstáculo que limite ou impeça o acesso, a liberdade de movimento, a circulação com segurança e a possibilidade de as pessoas se comunicarem ou terem acesso à informação, classificadas em: a) barreiras urbanísticas: as existentes nas vias públicas e nos espaços de uso público; b) barreiras nas edificações: as existentes no entorno e interior das edificações de uso público e coletivo e no entorno e nas áreas internas de uso comum nas edificações de uso privado multifamiliar; c) barreiras nos transportes: as existentes nos serviços de transportes; d) barreiras nas comunicações e informações: qualquer entrave ou obstáculo que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens por intermédio dos dispositivos, meios ou sistemas de comunicação, sejam ou não de massa, bem como aqueles que dificultem ou impossibilitem o acesso à informação. Considerando-se esse contexto, a adaptação constitui-se em alterações e ajustes necessários para assegurar que a pessoa com deficiência possa exercer, em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas. Dentre os aspectos fundamentais para a acessibilidade, destacam-se: Audiodescrição ou descrição visual: como uma ferramenta pode ser utilizada para tornar acessível não só produtos audiovisuais – peças, espetáculos de dança, mas também palestras, exposições. Legendagem descritiva: indica ruídos importantes para a narrativa, como, por exemplo, a buzina de um carro, um telefone tocando, uma porta fechando. Interpretação para Libras: funciona na prática com a sobreposição de imagem, normalmente incluída no canto debaixo direito da tela, em que um intérprete traduz o conteúdo falado para a Libras. No contexto da acessibilidade, destaca-se também o conceito de Tecnologia Assistiva (TA), definido como uma área de conhecimento interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologia, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social (CORDE, 2007). Segundo Bersch (2017), a partir dos princípios do Comitê de Ajudas Técnicas – CAT, as TA dividem-se em em doze grupos: De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), na maioria dos países em desenvolvimento, apenas de 5 a 15% das necessidades de Tecnologia Assistiva são atendidas. Isto torna-se um problema, considerando as questões de acessibilidade, uma vez que a TA pode auxiliar as Pessoas com Deficiência a ter mais mobilidade, comunicar-se com mais eficácia, ver e ouvir melhor, efetivando sua participação nas atividades em sociedade. Exemplos de Tecnologia Assistiva: · Leitores de tela; · Aplicativos de tradução; · Acessibilidade no Windows: · Função Narrador – nativa do Windows, lê em voz alta textos, ícones, legendas e demais informações na tela do computador. · Função Lupa – nativa do Windows, amplia os textos de diversos formatos. · Acessibilidade no Word: · Função Ditar – no Microsoft Word, com o auxílio de um microfone é possível falar o texto e o editor se encarrega de escrever o conteúdo. É possível verificar se o documento, no Word ou no Power Point, por exemplo, contém problemas de acessibilidade. O desenvolvimento de TA, articulado ao Desenho Universal, é uma das formas de concretização da acessibilidade, usabilidade e promoção da inclusão. image1.png image2.png image3.png image4.png