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Paciente J.F.R., sexo masculino, 68 anos, viúvo, aposentado, vive sozinho, com apoio eventual de uma filha. Relata quadro de desconforto epigástrico pós-prandial com duração de aproximadamente sete meses, associado a sintomas de Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), como dor na garganta, azia regurgitação, halitose, disfagia, tosse seca e rouquidão. Está em uso contínuo de omeprazol 20 mg em jejum e domperidona 10 mg antes das refeições principais, prescritos em consulta anterior com médico da rede privada, mas os sintomas persistem e o motivaram a buscar acompanhamento na Unidade Básica de Saúde. Problemas/Condições do paciente - Dispepsia com sintomas de desconforto epigástrico, disfagia e regurgitação. - Suspeita de Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) - Tabagismo (+/- 6 cigarros por dia há mais de 40 anos) - Sedentarismo - Alimentação inadequada, rica em alimentos gordurosos, doces e refrigerantes. - Consumo habitual de bebidas alcoólicas - Sobrepeso (IMC = 29), sem diagnóstico de HAS ou diabetes até o momento. Etiologia da síndrome dispéptica/DRGE - Tabagismo crônico. - Alimentação inadequada. - Sobrepeso com aumento da pressão intra-abdominal. - Consumo regular de álcool. - Uso contínuo de medicamentos, que aliviam parcialmente os sintomas sem tratar causas subjacentes. - Sedentarismo e envelhecimento, que afetam a motilidade gastrointestinal. Achados no exame clínico: - Sensibilidade leve na região epigástrica à palpação profunda. - Tosse seca ocasional durante o exame. - IMC: 29 kg/m² (sobrepeso). - Sinais vitais dentro dos limites da normalidade. Sinais e sintomas referidos na anamnese: azia. Desconforto epigástrico após refeições, principalmente o almoço. - Disfagia leve. - Episódios de regurgitação ácida. - Halitose persistente. - Tosse seca e disfonia pela manhã. Rouquidão - Relato de alimentação rica em frituras, refrigerantes e bebidas alcoólicas nos fins de semana. - Tabagismo crônico. - Estilo de vida sedentário. Outras estratégias a serem empregadas - Avaliação antropométrica: IMC de 29 kg/m² (sobrepeso). - Instrumento CAGE: pontuação 2/4 – sugestivo de uso problemático de álcool. - Avaliação do tabagismo: fumante ativo há 45 anos. - Avaliação do comportamento alimentar: refeições volumosas e noturnas. - Educação em saúde: orientação sobre mudanças no estilo de vida. - Encaminhamento para grupos da UBS: nutrição, cessação do tabagismo, atividade física. 4 - Exames para diagnóstico e acompanhamento Exames fundamentais: - Endoscopia digestiva alta (EDA) - Sorologia para H. pylori - Hemograma completo - Função hepática e renal - Glicemia e perfil lipídico Resultados disponíveis: - Hemograma: sem alterações. - Glicemia: 105 mg/dL. - H. pylori: aguardando resultado. - Endoscopia: não realizada – aguardando vaga via regulação. 5 - Plano terapêutico Abordagens clínicas: Medidas farmacológicas: - Omeprazol 20 mg/dia, em jejum. - Domperidona 10 mg antes das principais refeições. - Antiácidos se houver piora sintomática. - Tratamento para H. pylori, se positivo. Medidas não farmacológicas: - Fracionamento das refeições. - Evitar deitar após as refeições. - Redução de peso. - Cessação do tabagismo. - Redução do consumo de álcool. - Elevação da cabeceira da cama. Encaminhamentos: - Gastrologia. - Nutricionista. - Programa antitabagismo. - Grupo de caminhada da UBS. 6 - Reflexão conclusiva sobre a APS A síndrome dispéptica é um problema comum na Atenção Primária, frequentemente relacionado a hábitos de vida inadequados e envelhecimento. A abordagem clínico-comportamental é essencial, considerando que muitos casos têm origem ou agravamento em fatores modificáveis como alimentação, tabagismo e sedentarismo. Na APS, o acompanhamento longitudinal permite observar a evolução dos sintomas e reforçar a adesão ao tratamento, além de identificar precocemente complicações. A interdisciplinaridade e o cuidado centrado na pessoa promovem não apenas a remissão dos sintomas, mas também melhor qualidade de vida e prevenção de agravos. 7 - Anexo – Solicitações e Prescrição Fictícia Solicitações de Exames: - Endoscopia digestiva alta (EDA) - Sorologia para H. pylori - Hemograma completo - Função hepática (TGO, TGP) - Ureia e creatinina - Glicemia de jejum - Perfil lipídico Prescrição médica: Paciente: Sr. J.F.R. – 68 anos CID-10: K21.9 – Doença do Refluxo Gastroesofágico sem esofagite Data: 04/05/2025 1. Omeprazol 20 mg – 1 cápsula ao dia, em jejum, por 8 semanas. 2. Domperidona 10 mg – 1 comprimido antes das três principais refeições. 3. Antiácidos – se necessário. 4. Se H. pylori positivo: iniciar IBP + amoxicilina + claritromicina por 14 dias. 5. Encaminhamentos: Nutrição, tabagismo, atividade física, gastrologia.