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O PAPEL DO PEDAGOGO NA SUPERVISÃO 
ESCOLAR 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 04 
 
1.1 - História da supervisão escolar......................................................................... 05 
 
1.2 - O que é o pedagogo......................................................................................... 07 
 
2 - O papel do pedagogo na supervisão escolar...................................................... 08 
 
2.1- Supervisor escolar: conceito, atribuições e responsabilidades......................... 12 
 
2.2 - Planejamento participativo na escola............................................................... 15 
 
2.3- Obstáculos enfrentados pelo supervisor escolar no planejamento 
Pedagógico............................................................................................................... 19 
 
2.4 - Formação escolar, pedagogia e tecnologia...................................................... 21 
 
2.5 - Análises de documentos oficiais que regulamentam o curso de Pedagogia no 
Brasil: Questionamentos acerca da docência como base da profissão do 
Pedagogo................................................................................................................. 22 
 
2.6 - Relação entre Pedagogia e Educação ........................................................... 27 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................ 29 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 - INTRODUÇÃO 
 
 
A supervisão surgiu no Brasil no intuito de fiscalização e inspeção e com o 
tempo foi-se desenvolvendo e ganhando espaço, inclusive no ambiente 
escolar. 
 
A presença do supervisor escolar é importante no ambiente de educação 
devido seu olhar criterioso sobre a realidade de seu ambiente de ensino 
com objetivo de realizar mudanças, transformando-se numa via de acesso 
para o sucesso da educação escolar. Sendo, também, responsável pelo 
funcionamento geral da escola, em todos os setores, seja, administrativo, 
burocrático, financeiro, cultural e de serviços. 
 
O papel do pedagogo escolar também é imprescindível na ajuda aos 
professores no aprimoramento do seu desempenho na sala de aula, na 
análise e compreensão das situações de ensino com base nos 
conhecimentos teórico, ou seja, na vinculação entre as áreas do 
conhecimento pedagógico e o trabalho de sala de aula. 
 
A tecnologia também se tornou um grande aliado ao trabalho do supervisor, 
pois o computador passa a ser considerada uma ferramenta educacional, 
importante na construção do conhecimento. 
 
O objetivo do artigo é debater a função do supervisor escolar dentro de um 
mecanismo de avaliação escolar. Ou seja, este estudo busca definir a 
função do supervisor dentro do seu contexto histórico e da importância que 
a função adquire na atualidade, apresentando desafios e novos 
colaboradores para a função da supervisão. Diante disso surge os 
seguintes questionamentos: De que forma acontece a supervisão 
pedagógica no cotidiano escolar? 
 
Atualmente, a função de supervisor pedagógico é ainda confundida por 
muitos e, por isso, não muito esclarecida o conhecimento de suas funções 
que lhes são atribuídas e que vivem em constantes contradições entre 
aquilo que pensam e aquilo que é possível realizar, ou seja, que teoria e 
prática nem sempre estão coerentes. Por isso, evidenciar o trabalho do 
supervisor é importante para colaborar nessa problemática. Além disso, 
ainda é distorcido a presença do pedagogo na supervisão. 
 
A relevância do tema está na contribuição científica, na medida em que 
amplia a visão da função do supervisor no âmbito da escola e para, além 
disso, possibilita um novo olhar nos processos escolares para a 
concretização de uma educação democrática. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para o desenvolvimento desse estudo utilizou-se como metodologia uma 
pesquisa bibliográfica tem caráter descritivo qualitativo através de busca de 
literaturas com o objetivo de esclarecer a função da supervisão escolar e 
sua importância, apontando desafios e novos aliados a essa função. 
 
 
1.1 - História da supervisão escolar 
 
A supervisão surgiu no Brasil pela primeira vez com a Reforma Francisco 
Campos, Decreto-Lei nº 19.890, de 18 de abril de 1931, concebida de forma 
bem diferente da que se vinha realizando até aquele momento de simples 
fiscalização, para assumir o caráter de supervisão e inspeção (RANGEL, 
2001). 
 
Também há evidências que o termo supervisão surgiu no período da 
Revolução Industrial, com o objetivo de otimizar produção quantitativa e 
qualitativa, visando o lucro dessa forma. Por isso a função do supervisor 
surgiu devido a necessidade de melhores técnicas para orientar os 
profissionais a exercerem suas funções na indústria e no comércio (ALVES, 
2012; RANGEL, 2001). 
 
 
No contexto brasileiro a supervisão tem uma concepção e apresenta -se 
como uma prática relativamente recente. remonta aos anos 70 e surgiu, "no 
cenário sociopolítico-econômico, historicamente, como função de 
'controle'". (RANGEL, 2001 p.63). 
 
 
Ao longo do tempo, prevaleceu uma imagem da supervisão ligada à 
fiscalização e ao controle. Contudo, alguns estudos históricos revelam que 
se muitas vezes eles pareciam ligados aos políticos pela hierarquia 
administrativa e enfrentando os docentes, outras tantas se recortavam com 
independência dos mandatos governamentais e se uniam às lutas do 
magistério. Este leque de posições em torno do vínculo com as gestões 
políticas e com os mestres também está presente nos discursos e práticas 
que hoje os supervisores realizam. (FERREIRA, 2010 p.149) 
 
Etimologicamente, supervisão significa "visão sobre", e da sua origem traz 
o viés da administração, que a faz ser entendida como gerência para 
controlar o executado. Desta forma, quando transporta para a educação, 
passou a ser exercida como função de controle no processo educacional 
(FERREIRA, 2010). 
 
Assim, a função de Supervisor escolar propriamente dita só veio a ser 
regulamentada oficialmente pelo Parecer Nº 252/69, com a finalidade de 
promover a melhoria na qualidade do ensino (MENDES, 2009). 
 
 
 
 
 
 
 
Recentemente (Decreto Lei 95/97 de 23/4), a supervisão foi assumida como 
uma das áreas de formação especializada já previstas na Lei de Bases do 
Sistema Educativo (1986) e no Decreto-Lei que aprovou o regime jurídico 
da formação de educadores e professores (Decreto-Lei 344/89 de 11/10). 
efetivamente, o reforço da autonomia das escolas como fator de construção 
de uma escola democrática e de qualidade traduziu-se também no 
reconhecimento oficial da necessidade de formações especializadas para o 
exercício de cargos, funções ou atividades especificas, por meio de cursos 
de especialização realizados em instituições do ensino superior. define -se 
que a área de supervisão pedagógica e formação de formadores visa 
"qualificar para o exercício de funções de gestão e coordenação de projetos 
e atividades de formação inicial e contínua de educadores e professores" 
(RANGEL, 2011 p.85-86). 
 
A partir da década de 80, surge uma nova concepção de Supervisão 
Escolar através da Gestão Democrática, devido grandes discussões entre 
político e educacional, pois a figura do supervisor desponta como elemento 
de intermediação associada a ideia de mudança com aplicação de novas 
propostas curriculares. 
 
A origem da supervisão escolar também está associada ao Programa de 
Assistência e Formação de Professores Leigos (PABAEE), implantado no 
Brasil por influência norte-americana. Com isso, o conceito de supervisão 
educacional tem sofrido alterações no decorrer do tempo, alterando seus 
objetivos de acordo com as diferentes etapas que marcaram o processo 
evolutivo dessa profissão. Tais alterações, geraram mudanças profundas na 
maneira de encarar a tarefa educativa e na compreensão da escola como 
local especializado paraconduzir o processo educativo (FERREIRA, 2010). 
 
A supervisão encontra seus fundamentos nas ciências da educação e nas 
ciências sociais que explicam a criação e o desenvolvimento dos grupos 
organizados socialmente para realizar funções ou atividades consideradas 
desejáveis. 
 
A política da Gestão Democrática, implantada no sistema de ensino com a 
Constituição de 1988, reforçou o discurso de que a escola pública pertence 
ao setor público. Desse modo determinou-se legalmente a implementação 
de um trabalho pedagógico articulado, com o objetivo de tornar possível a 
elaboração de um projeto educacional que vincule projetos pessoais dos 
educadores a um projeto mais amplo e que envolva o fazer individual e o 
coletivo, dando ainda mais importância a função do supervisor escolar. 
 
Outro ponto importante é o significado específico que o termo "supervisão" 
adquire nos diferentes sistemas de ensino. No estado de São Paulo a 
expressão esteve sempre relacionada ao cargo de "supervisor", alocado 
nas delegacias de ensino (Lei Complementar nº836, dezembro 1977). Nos 
demais estados, não existe o cargo, mas a função. Esse profissional fica na 
escola e realização a "supervisão pedagógica", junto aos professores, 
 
 
 
 
 
recebendo nome de coordenador, orientados, assistente pedagógico ou 
equivalente. Essa distinção torna-se importante, visto que decorrem 
algumas dificuldades de entendimento de muitas críticas feitas ao trabalho 
do "supervisor", para pessoas não familiarizadas com o sistema paulista de 
ensino (FERREIRA, 2010). 
 
A profissão de Supervisor Escolar ou Supervisor Educacional sempre foi 
carregada de indefinições tanto é que embora este profissional contribua 
decisivamente para o êxito das práticas educativas no contexto escolar. 
 
 
1.2 - O que é o pedagogo 
 
Pedagogia é a ciência que trata da educação dos jovens, que estuda os 
problemas relacionados com o seu desenvolvimento como um todo. Institui -
se a partir das Diretrizes Curriculares- Resolução CNE/CP n. 1 de 15 de 
maio de 2006 que a Pedagogia é responsável pela formação de professores 
da Educação Básica: Educação Infantil, séries iniciais do Ensino 
Fundamental e formação de professores no nível de Ensino Médio. 
 
As Diretrizes Curriculares- Resolução CNE/CP n. 1 de 15 de maio de 2006 
ainda ressalta a docência, prescrevendo o seguinte: 
 
 
Art. 2º As Diretrizes Curriculares para o curso de Pedagogia aplicam-se à 
formação inicial para o exercício da docência na Educação Infantil e nos 
anos iniciais do Ensino Fundamental, nos cursos de Ensino Médio, na 
modalidade Normal, e em cursos de Educação Profissional na área de 
serviços e apoio escolar, bem como em outras áreas nas quais sejam 
previstos conhecimentos pedagógicos. 
 
 
§ 1º Compreende-se a docência como ação educativa e processo 
pedagógico metódico e intencional, construído em relações sociais, étnico -
raciais e produtivas, as quais influenciam conceitos, princípios e objetivos 
da Pedagogia, desenvolvendo-se na articulação entre conhecimentos 
científicos e culturais, valores éticos e estéticos inerentes a processos de 
aprendizagem, de socialização e de construção do conhecimento, no âmbito 
do diálogo entre diferentes visões de mundo (BRASIL, 2006, p. 11). 
 
Sua atuação vai além da docência e educação, atua também no processo 
de aprendizagem, na área administrativa escolar. A pedagogia ocupa-se 
dos processos educativos, métodos, maneiras de ensinar, mas antes tem 
significado bem mais amplo. ela é um campo de conhecimentos sobre a 
problemática educativa na sua totalidade e historicidade e, ao mesmo 
tempo, uma diretriz orientadora da ação educativa. É por isso que a 
pedagogia expressa finalidade sociopolíticas numa ação explicita da ação 
educativa (LIBÂNEO, 2002). 
 
 
 
 
 
 
Art. 4. Parágrafo único. As atividades docentes também compreendem 
participação na organização e gestão de sistemas e instituições de ensino, 
englobando: I - planejamento, execução, coordenação, acompanhamento e 
avaliação de tarefas próprias do setor da Educação; II - planejamento, 
execução, coordenação, acompanhamento e avaliação de projetos e 
experiências educativas não-escolares; III - produção e difusão do 
conhecimento científico-tecnológico do campo educacional, em contextos 
escolares e não-escolares. (BRASIL, 2006 p.15). 
Para LIBÂNEO (2002), pedagogia é o campo do conhecimento que se 
ocupa do estudo sistemático da educação, do ato educativo, da prática 
educativa concreta que se realiza na sociedade como um dos ingredientes 
básicos da configuração da atividade humana. Dessa forma, a educação é o 
conjunto das ações, processos, influências, estruturas, que intervêm no 
desenvolvimento humano de indivíduos e grupos na sua relação ativa com o 
meio natural e social num determinado contexto de relações entre grupo e 
classes. 
 
 
2 - O papel do pedagogo na supervisão escolar 
 
A presença do supervisor escolar é importante no ambiente escolar devido 
seu olhar criterioso sobre a realidade de seu ambiente de ensino com 
objetivo de realizar mudanças, transformando-se numa via de acesso para 
o sucesso da educação escolar. Assim, o supervisor escolar é o profissional 
responsável pela coordenação do trabalho pedagógico, assumindo um 
papel de liderança envolvido no processo de ensino aprendizagem, rumo à 
educação de qualidade para todos (MEDINA, 1995). 
 
Sua função também é contribuir com o dia a dia do professor, para melhorar 
a produção do seu trabalho e o processo de ensino ‐aprendizagem, que vai 
refletir diretamente no desempenho do aluno. O supervisor, atualmente, é 
considerado o instrumento de execução das políticas pedagógicas e, muitas 
vezes, é responsável pelo funcionamento geral da escola, em todos os 
setores: administrativo, burocrático, financeiro, cultural e de serviços 
(RANGEL, 2001). 
 
Na definição de RANGEL (2001), a supervisão passa de escolar, como é 
frequentemente designada, a pedagógica e caracteriza-se por um "trabalho 
de assistência ao professor, em forma de planejamento, acompanhamento, 
coordenação, controle, avaliação e atualização do desenvolvimento de 
processo ensino-aprendizagem". (p.32). 
 
 
 
 
 
Desse modo, setores que fazem parte da competência do supervisor: 
 
 
 
 
 
 
• à política: coordenação da interpretação e coleta de subsídios para 
desenvolver novas políticas relacionadas a realidade; 
 
• ao planejamento: coordenação, construção e elaboração do projeto 
educacional, coordenando o desenvolvimento da mesma. O 
planejamento de ensino não limita, mas prevê as ações didáticas. Por 
isso, supervisionar o planejamento de ensino é orientar conceitos e 
critérios, procurando garantir oportunidades de sua construção 
coletiva (FERREIRA, 2010; LIBÂNEO, 2002); 
 
• à avaliação: Analisa e julga as práticas educacionais, sendo a 
avaliação ponto essencial do processo de ensino-aprendizagem; 
 
Segundo o Projeto de Lei 4.412/2001, artigo 4º, parágrafo 5º, é atribuição 
do supervisor educacional assegurar o processo de avaliação da 
aprendizagem escolar e promover a recuperação dos alunos com menos 
rendimento, em colaboração com todos os segmentos da comunidade 
escolar, objetivando a definição de prioridade e a melhoria da qualidade do 
ensino. 
 
- conjunto desses elementos: discutir estratégias de ação pedagógica, 
como por exemplo, a escolha de livros didáticos, que é escolher recursos 
de apoio de ensino-aprendizagem, valores e conhecimento, no qual a 
orientação supervisora é fundamental nessas decisões. 
 
A supervisão intervém no processo de ensino e aprendizagem através de 
princípios de objetividade, de contextualização, de flexibilidade, de 
transversalidade e de interdisciplinaridade. Isso significa a construção de 
estratégias que focalizam o aprimoramento de todos esses processos. 
 
A supervisão participa do projeto pedagógico da escola, da sua elaboração 
(componente estruturais, conceituais, fundamentos, finalidade) e de sua 
utilização, como referência, não só do que é,mas também do que se 
pretende que seja o trabalho educativo (FERREIRA, 2010). 
 
O supervisor educacional trabalha com ações gerais, sem descrevê-las e 
que essas ações configuram uma nova concepção da supervisão, cuja 
função está centrada na questão da qualidade sociais e pedagógicas das 
atividades de qualificação, buscando-se superar a visão burocratizada, 
fiscalizadora, inspetora e fragmentada, que tem caracterizado a supervisão 
no Brasil. 
 
O supervisor pedagógico escolar faz parte do corpo de professores e tem a 
especificidade do seu trabalho caracterizado pela coordenação - 
organização em comum- das atividades didáticas e curriculares e a 
promoção e o estímulo de oportunidades coletivas de estudo. a 
 
 
 
 
 
coordenação é, portanto, por natureza, uma função que se encaminha de 
modo interdisciplinar (RANGEL, 2001; LIBÂNEO, 2008). 
 
O papel do pedagogo escolar também é imprescindível na ajuda aos 
professores no aprimoramento do seu desempenho na sala de aula 
(conteúdos, métodos, técnicas, formas de organização da classe), na 
análise e compreensão das situações de ensino com base nos 
conhecimentos teórico, ou seja, na vinculação entre as áreas do 
conhecimento pedagógico e o trabalho de sala de aula. (LIBÂNEO,2002) . 
 
A presença do pedagogo escolar torna-se uma exigência dos sistemas de 
ensino e da realidade escolar, tendo em vista melhorar a qualidade da 
oferta de ensino para população (...) sua contribuição vem dos campos do 
conhecimento implicados no processo educativo-docente, operando uma 
intersecção entre a teoria pedagógica e os conteúdos-métodos específicos 
de cada matéria de ensino, entre o conhecimento pedagógico e a sala de 
aula. (LIBÂNEO, 2002 p. 62). 
 
A supervisão escolar supõe a supervisão da escola nos serviços 
administrativos, de funcionamento geral, como também os pedagógicos. 
Dessa forma, observam-se ações semelhantes às de direção (gestoras), 
ficando pouco identifica a especificidade da função com referência ao 
ensino. 
 
 
Supervisão pedagógica refere-se à abrangência da função, cujo 'olhar 
sobre' o pedagógico oferece condições de coordenação e orientação. 
(FERREIRA, 2010 p. 77). 
 
 
A supervisão otimiza a qualidade da pedagogia, representando uma 
condição da de compreensão e renovação. Desse modo, a pedagogia sem 
supervisão é menos pedagógica, tal como o será a supervisão sem uma 
visão da pedagogia. Na expressão “supervisão pedagógica”, direciona não 
apenas a pedagogia, mas também à sua função potencialmente educativa. 
Então, quando a supervisão é orientada por uma visão crítica de pedagogia, 
torna a ação pedagógica mais consciente e susceptível à mudança (VIEIRA, 
2009). 
 
Assim, as atividades supervisiva e pedagógica fazem parte de um mesmo 
projeto: Fiscalizar e melhorar a qualidade da processo de educação. 
Sempre que um educador realiza seu plano, as duas áreas fundem-se numa 
só. 
 
De acordo com LIBÂNEO (2008), a escola é vista como um espaço 
educativo, uma comunidade de aprendizagem, um lugar em que os 
profissionais podem decidir sobre seu trabalho e aprender mais sobre sua 
profissão. A organização e a gestão da escola adquirem um significado bem 
amplo, além das questões administrativas e burocráticas. elas são 
 
 
 
 
 
entendidas como práticas educativas, pois passam valores, atitudes, modos 
de agir, influenciando as aprendizagens de professores e alunos. Nesse 
sentido, todas as pessoas que trabalham na escola participam de tarefas 
educativas, embora não de forma igual. É nesse ambiente que o supervisor 
pedagógico atua. 
 
Assim, o profissional precisa desenvolver competências especificas para 
participar das práticas de gestão, como: Desenvolver capacidade de 
interação e comunicação, habilidade de liderança, organização pedagógica, 
estar sempre atualizado e possuir opinião crítica. 
 
Ainda para LIBÂNEO (2008), o supervisor pedagógico responde pela 
viabilização, integração e articulação do trabalho pedagógico-didático em 
ligação direta com os professores, em função da qualidade em ensino. a 
coordenação tem como principal atribuição a assistência pedagógica aos 
professores, para se chegar a uma contribuição ideal de qualidade de 
ensino, auxiliando-os a conceber, construir e administrar situações de 
aprendizagem adequadas às necessidades educacionais dos alunos. de 
acordo com estudos recentes sobre formação continuada de professores, o 
papel do coordenador é de monitoração sistemática da prática pedagógica 
dos professores (p.101). 
 
A supervisão vai muito além de um trabalho meramente técnico-
pedagógico, como é entendido com frequência, uma vez que implica uma 
ação planejada e organizada a partir de objetivos muito claro assumidos por 
todo o pessoal escolar, com vistas ao fortalecimento do grupo e ao seu 
posicionamento responsável frente ao trabalho educativo. Nesse sentido, a 
supervisão deixa de ser apenas um recurso meramente técnico para se 
tornar um fator político, passando a se preocupar com o sentido e os efeitos 
da ação que desencadeia mais que os resultados imediatos do trabalho 
escolar. 
 
Em síntese, as funções do supervisor é planejar, coordenar, gerir e 
acompanhar e avaliar as atividades pedagógicas, visando a qualidade de 
ensino, otimizando o aprendizado dos alunos (LIBÂNEO,2008). 
 
De acordo com FERREIRA (2010), como prática educativa ou como função, 
a supervisão educacional, independentemente de formação específica em 
uma habilitação no curso de Pedagogia, constitui -se num trabalho escolar 
que tem o compromisso de garantir a qualidade do ensino, da educação, da 
formação humana. seu compromisso é a garantia de qualidade da formação 
humana que se processa nas instituições escolares, no sistema educacional 
brasileiro (p. 237-238). 
 
Para a profissão de Supervisor Escolar ou Supervisor Educacional precisa 
ter formação superior em Pedagogia ou pós-graduação em Supervisão 
Educacional. O curso de Pedagogia deve formar o profissional da educação 
capaz de exercer as diferentes atribuições requeridas pelos sistemas de 
 
 
 
 
 
ensino, as chamadas habilitações técnicas: administração, orientação e 
supervisão. 
 
 
2.1- Supervisor escolar: conceito, atribuições e 
responsabilidades 
 
Como dito alhures, não há, no Brasil, previsão legal acerca do 
reconhecimento do profissional supervisor escolar. Para fins de atribuições, 
utilizar-se-á o que prevê o PL 4.106/2012. 
 
• supervisionar o cumprimento dos dias letivos e horas/aula 
estabelecidos legalmente; 
 
• orientar e acompanhar os professores no planejamento e 
desenvolvimento dos conteúdos; 
 
• planejar e coordenar atividades de atualização no campo 
educacional; 
 
• coordenar o processo de sondagem de interesses, aptidões e 
habilidades do educando; 
 
• acompanhar o desenvolvimento da proposta pedagógica da escola e 
o trabalho do professor junto ao aluno, auxiliando em situações 
adversas; 
 
• participar da análise qualitativa e quantitativa do rendimento escolar, 
junto aos professores e demais especialistas, visando a reduzir os 
índices de evasão e repetência, e qualificar o processo ensino-
aprendizagem; e 
 
• valorizar a iniciativa pessoal e dos projetos individuais da 
comunidade escolar; entre outras. (BRASIL, 2012). 
 
O que é traçado pelo PL já tem sido feito há muito pelos profissionais que 
desempenham essa função nas escolas. Alguns municípios, como Osório, 
no Rio Grande do Sul, sequer realizam concurso público para essa área, 
tendo em vista a ausência legal de regulamentação. 
 
Noutro prisma, alguns autores auxiliam a conceituar e a compreender o que 
é a função do supervisor escolar, qual a mais importante que ele deve 
desempenhar. Nesse sentido, Ferreira (2007, p. 327) afirma que o 
significado essencial do supervisor escolar está na “formação humana” do 
processo educacional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Libâneo (2002, p. 35) descreve o supervisor escolar como “um agente de 
mudanças, facilitador, mediador e in terlocutor”. Portanto, seria um 
profissional apto a realizara interlocução entre direção escolar, educandos, 
educadores e todos os demais indivíduos que, de alguma forma, fazem 
parte da comunidade escolar. Teria como objetivo principal contribuir para 
os desenvolvimentos individual, político, econômico, ético e afins. Assim, 
buscando romper com “a cultura política do Brasil há 500 anos, que foi 
sempre fazer da educação uma grande bandeira, mas sempre a reduziu. 
Para os dominantes, o povo é analfabeto, é ignorante, é bárbaro, e a 
educação viria, então, para resolver esses “problemas”. (ARROYO, 2000, p. 
2). Essa cultura política invadiu a cultura pedagógica. 
 
 
A partir de tais conceitos, é possível perceber que o supervisor escolar 
deve desenvolver uma ação crítica, construtiva e participativa acerca do 
seu saber-fazer pedagógico, sempre trabalhando de forma articulada, lógica 
e coerente com todos os sujeitos que interagem no espaço escolar. Todas 
as suas ações devem visar à qualidade do ensino, bem como à qualidade 
da aprendizagem. 
 
Para a escola atingir bons resultados na aprendizagem dos educandos, são 
necessários planejamento, avaliação e aperfeiçoamento das suas próprias 
ações pedagógicas, a fim de que o processo educacional seja qualitativo. 
Tais ações são vistas como de responsabilidade do supervisor escolar e 
devem garantir à escola resultados excelentes, bem como envolver toda a 
comunidade nas tomadas de decisão que se refiram ao bom andamento da 
escola, ou seja, a comunidade deve participar do seu Projeto Político-
Pedagógico, de forma ativa, demandando seus anseios e perspectivas à 
gestão da escola. E essa deve ter a perspicácia de articular os múltiplos 
saberes que entrecortam a vida dos estudantes, através de seus 
professores, da família e do seu entorno, que são tão educativos quanto o 
próprio espaço escolar. 
 
Subestimar a sabedoria que resulta necessariamente da experiência sócio-
cultural é ao mesmo tempo, um erro científico, e a expressão inequívoca da 
presença de uma ideologia elitista. Talvez seja mesmo, o fundo ideológico 
escondido, oculto, opacizando a realidade objetiva, de um lado, e fazendo 
do outro, míopes os negadores do saber popular, que os induz ao erro 
científico. (FREIRE, 1992, p. 43-44). 
 
Nesse viés, o supervisor escolar tem como objetivo aperfeiçoar o fazer dos 
educadores que atuam no espaço escolar, identificando suas 
potencialidades, sua personalidade, suas qualidades, a fim de que cada um 
contribua para um planejamento pedagógico a partir dentro daquilo que 
melhor sabe fazer. Essa identificação exige do supervisor escolar uma 
atualização constante, bem como uma avaliação do seu desempenho 
profissional. 
 
 
 
 
 
 
Com isso, é muito importante que esse profissional tenha comprometimento 
com a práxis educativa, que entenda o meio em que a escola está inserida, 
provocando, assim, nos educadores, especialmente, o interesse em aliar os 
conteúdos programáticos à realidade dos estudantes, fazendo com que os 
professores compreendam que: 
 
 
a escola deve respeitar os saberes com que os educandos, sobretudo os 
das classes mais populares, cujos saberes são socialmente construídos na 
prática comunitária [...], discutir com os alunos a razão de ser de alguns 
desses saberes em relação com o ensino de alguns conteúdos [...] porque 
não discutir com os alunos a realidade concreta a que se deva associar a 
disciplina cujo conteúdo se ensina. (FREIRE, 2006, p. 30). 
 
 
Todavia, é de se lembrar que o supervisor escolar está ligado ao 
planejamento do currículo escolar, o qual deve se dar de forma 
participativa, a fim de promover a melhoria da qualidade da aprendizagem, 
assim como do ensino, trazendo a realidade para debate em sala de aula, 
bem como levando a escola para o meio familiar desses estudantes. 
 
Vasconcellos (2002, p. 42) assevera que “não podemos ser ingênuos: para 
estabelecer uma outra ordem nas coisas, há necessidade de uma ação 
numa determinada direção, pois não é uma ação qualquer que nos levará 
ao que desejamos”. É necessário planejamento a fim de que os objetivos 
traçados sejam alcançados e, para tanto, o supervisor escolar é peça 
fundamental na elaboração do plano político-pedagógico que a escola 
seguirá. 
 
Todo esse processo requer do supervisor uma vivência do contexto 
histórico-social no qual a escola está inserida, bem como o conhecimento 
sobre quais são seus níveis e modalidades de aprendizagem. Outrossim, é 
necessário conhecer quais são os fundamentos teóricos que sustentam o 
ensino e a aprendizagem na escola e quais os princípios que norteiam a 
prática da escola em que atua. 
 
Ademais, o supervisor escolar deve compartilhar as práticas pedagógicas 
com aqueles que são atingidos por elas. Toda a comunidade escolar 
precisa estar inserida no poder decisório dessas práticas, a fim de que o 
planejamento seja, de fato, participativo. Assim, a autonomia da instituição 
também deve ser visada de forma a envolver a comunidade. 
 
Freire em sua obra Pedagogia da autonomia, vai muito além da autonomia 
da instituição, afirmando que ensinar exige respeito à autonomia do ser do 
educando, e o 
 
 
respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não 
um favor que podemos ou não conceder uns aos outros. Precisamente 
 
 
 
 
 
porque éticos podemos desrespeitar a rigorosidade da ética e resvalar para 
a sua negação, por isso é imprescindível deixar claro que a possibilidade do 
desvio ético não pode receber outra designação senão a de transgressão. 
O professor que desrespeita a curiosidade do educando, o seu gosto 
estético, a sua inquietude, a sua linguagem, mais precisamente, a sua 
sintaxe e a sua prosódia; o professor que ironiza o aluno, que o minimiza, 
que manda que “ele se ponha em seu lugar” ao mais tênue sinal de sua 
rebeldia legítima, tanto quanto o professor que se exime do cumprimento de 
seu dever de propor limites à liberdade do aluno, que se furta ao dever de 
ensinar, de estar respeitosamente presente à experiência formadora do 
educando, transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa 
existência. (2006, p. 59-60). 
 
 
O que se percebe é que a autonomia da instituição escolar só acontecerá 
quando a independência do próprio educando for respeitada, ou seja, ele 
também deve ter sua liberdade preservada, a f im de que participe das 
tomadas de decisão do ambiente escolar. E o autor supramencionado 
afirma que mais que um dever, é um imperioso ético que o educador deve 
respeitar. 
 
Por fim, não menos importante, deve ser levada em consideração a 
necessidade de valorização dos educadores, de uma formação continuada 
e de qualidade, que eleve sua autoestima e que os estimule a desenvolver 
novas práticas educativas nas salas de aula. 
 
 
 
2.2 - Planejamento participativo na escola 
 
Primordialmente, há que se explicitar que não é necessário tratar da crise 
na escola, visto que todos a percebem e dela falam. O planejamento 
participativo surge como uma alternativa a essa crise. É o ato de antever o 
futuro, reduzir riscos, ou seja, é o planejamento de ações em si. O 
planejamento é a base para se ter poder de agir e assim, maiores são as 
condições de intervir no futuro. 
 
O planejamento é uma das mais importantes ferramentas de comunicação e 
articulação de interesses. Existem diferentes formas de fazer um 
planejamento. As principais são: diagnóstico (estudo da realidade); análise 
de riscos/viabilidades; plano (narração escrita aliada ao orçamento para 
execução das ações); proposta ou carta-consulta; plano de ação; planos e 
relatórios de monitorias e relatório de avaliação. 
 
 
Há a necessidade de fazer-se a gerência dos projetos de planejamento. A 
elaboração de um conjunto de atividades delimitadas no tempo, com 
 
 
 
 
 
orçamento específico, buscando gerar um produto ou um serviço inovador, 
fora da rotina é uma ação essencial para o gerenciamento. 
 
O planejamento escolar vai além de tais conceitos e requer conhecimentos 
específicos sobre a prática pedagógica. O planejamentoserá decisivo na 
formação da identidade da escola, pois é ele que definirá quais práticas 
pedagógicas a escola deverá seguir. 
 
 
Popham e Baker afirmam que 
 
uma explicação simples e muito clara de planejamento curricular é: um 
educador que está envolvido com questões de currículo interessa-se 
exclusivamente em determinar os objetivos do sistema educacional. 
Existem basicamente duas espécies de decisões que o educador deve 
tomar. Primeiro, ele necessita decidir quais devem ser os objetivos (isto é, 
os fins) do sistema de ensino, e segundo, a consecução destes objetivos. 
Quando o professor está envolvido na seleção de objetivos para uma 
sequência particular de ensino de seu interesse, seja um ano acadêmico ou 
um único período de classe, ele está envolvido na tomada de decisões do 
currículo. Quando o interesse focaliza a seleção ou avaliação dos 
esquemas de ensino pelos quais os objetivos devem ser alcançados, ele 
está envolvido na tomada de decisões no ensino. Consequentemente a 
distinção entre currículo e ensino é essencialmente uma distinção entre fins 
e meios. (1978, p. 88). 
 
 
Aliar todos os sujeitos que interagem no espaço escolar é uma das tarefas 
do supervisor escolar. Esse profissional deve, em decorrência da 
importância da função que desempenha estar intimamente relacionado e 
participando do planejamento escolar. 
 
É para sanar dúvidas e dificuldades, no cotidiano escolar, que o 
planejamento é necessário. Para tanto, o supervisor deverá administrar seu 
tempo, a fim de cumprir determinadas tarefas que são de sua 
responsabilidade, como: dar atenção à formação continuada dos 
professores, planejar reuniões, envolver-se com a comunidade escolar nos 
processos decisórios, dentre outras atribuições. 
 
 
Gandin e Gandin explicam acerca da necessidade urgente de planejamento 
participativo. 
 
 
 
Eis, então, o grande limite e a grande possibilidade da educação, inclusive 
a escolar: a escola só pode reproduzir a sociedade, isto é, ela tem a tarefa 
de incorporar as gerações novas ao espírito, à cultura da geração existente; 
quando esta cultura e este espírito entram em crise, ou seja, quando a 
 
 
 
 
 
sociedade começa a duvidar do que é bom ou do que é mau, as escolas 
perdem sua segurança e entram nesta dúvida geral; como o padrão sempre 
foi o de uma escola fechada que repete o que lhe mandam repetir, a crise 
da escola significa o desencontro entre o “ser responsável por algo” e não 
ter “este algo claramente aceito”. (1999, p. 33). 
 
É de relevância o fato de que o supervisor escolar atue com visão coletiva, 
mostrando a importância (que detêm as relações interpessoais) aos 
professores, alunos e a todos os indivíduos que fazem parte da comunidade 
escolar. Para isso é importante que tal profissional detenha as habilidades 
de olhar, ouvir, falar e cuidar. Somente assim, o planejamento será, de fato, 
coletivo. 
 
 
Fullan e Hargreaves afirmam que: 
 
o isolamento e o individualismo possuem várias causas. É comum 
parecerem uma espécie de fraqueza de personalidade que se revela em 
competitividade, em atitude defensiva quanto à crítica e em uma tendência 
a acumular recursos. As pessoas, todavia, são criaturas de circunstâncias, 
e, quando o isolamento é disseminado, temos de perguntar o que há em 
nossas escolas que tanto contribui para que ele se crie. (2003, p. 20). 
 
 
Quando se fala em planejamento coletivo, o que se objetiva é demonstrar a 
importância de todos no processo de elaboração, aplicação e fiscalização 
do projeto político-pedagógico escolar. Nesse processo, os educandos 
também precisam, inexoravelmente, fazer parte das decisões da escola. 
Podem atuar nas decisões sobre o espaço em que convivem. 
 
A organização e a distribuição dos tempos e espaços escolares 
representam o poder exercido pelo adulto sobre a criança. À primeira vista, 
não é possibilitado à criança o exercício de participação e proposição de 
alternativas para a organização do seu próprio espaço, de modo que possa 
ocupá-lo e transformá-lo em lugar. 
 
Como observa Escolano (1998), o espaço escolar expressa e reflete 
determinados discursos, além de representar um elemento significativo do 
currículo, uma fonte de experiência e aprendizagem. Quando crianças, 
internalizamos as primeiras percepções do espaço, desenvolvemos nossos 
esquemas corporais e acomodamos nossos biorritmos aos padrões 
estabelecidos pelas organizações próprias do tempo escolar. 
 
 
 
Ao recordarmos nossas experiências escolares e ao pensarmos como eram 
as escolas de antigamente, podemos perceber que os espaços não são 
estruturas neutras, mas construções sociais que aprendemos e que 
condicionam a significação de aprendizado e os modos de educação. 
 
 
 
 
 
 
 
Assim, se defendemos a escola como lugar privilegiado da infância em 
nossa sociedade, precisamos repensar a construção, organização e 
ocupação dos edifícios escolares, sendo preciso, sim, repensar a 
importância das condições dos lugares escolares, para que possamos 
permitir que seus usuários se apropriem e vivenciem o espaço e as práticas 
ali desenvolvidas de modo a transformá-lo em lugar; um lugar cheio de 
sentido, que desperte o gosto pelo saber e que permita às 
crianças/adolescentes vivenciarem sua infância juntamente com seus 
pares. 
 
Para que a criança se aproprie da escola, transformando este tempo e 
espaço também em lugar de infância, é necessário que a ela seja permitido 
deixar suas marcas, seja através de uma pintura na parede, de um desenho 
no chão, seja participando da discussão, definição e organização desses 
espaços; enfim, dando-lhe oportunidade de opinar e discutir suas ideias e 
seus desejos. 
 
Assim, uma escola construída e organizada com crianças precisa respeitá-
las como sujeitos de direitos, garantindo, no seu interior, direitos básicos, 
como: direito à educação, ao brincar, à cultura, à saúde e à higiene, a uma 
boa alimentação, à segurança, ao contato com a natureza, a espaços 
amplos por onde possa se movimentar, ao desenvolvimento da criatividade 
e da imaginação, ao respeito à individualidade e ao desenvolvimento de sua 
identidade; enfim, o direito a uma infância cheia de sentidos, possibilitando : 
 
 
à escola uma organização a partir dos sujeitos reais que nela ingressam, e 
quão a leitura do mundo antecede e dá sentido ao mundo da palavra. Essa 
antecedência é de cunho tanto cronológico quanto epistemológico, pois de 
fato é a experiência do mundo que dá sentido à experiência da escola. 
(NOGUEIRA, 2011, p. 20). 
 
 
O planejamento será, de fato, participativo e de qualidade somente quando 
envolver todos os indivíduos que formam a comunidade escolar. 
 
 
 
 
 
 
 
2.3- Obstáculos enfrentados pelo supervisor escolar no 
planejamento Pedagógico 
 
 
 
 
 
 
São infinitos os desafios enfrentados diariamente pelo profissional da 
supervisão escolar e são, de todo modo, muito diversificados. Vasconcellos 
afirma acerca da necessidade do planejamento, que o fator decisivo para a 
significação do planejamento é a percepção por parte do sujeito da 
necessidade de mudança. É claro que se tudo vai bem, se nada há para se 
modificar na escola, para quê introduzir esse tal de “plano” É incrível, mas 
muitos professores parecem tão satisfeitos – ou alienados... – com suas 
práticas que não sentem necessidade nem de aperfeiçoamento. Talvez, se 
questionados sobre a escola, até tenham o que dizer; ou não, de medo que 
dizendo alguma coisa possa sobrar alguma tarefa para eles... Todo o 
trabalho da ideologia dominante vai no sentido de anestesiar a percepção 
das contradições e a consequente necessidade de mudança. (2002, p. 36). 
 
A ação do supervisor escolar é movida por qualidades que são necessárias 
à concretização de objetivos que foram traçados no próprio planejamento 
escolar. Para isso é preciso força de vontade para elaborar um trabalho que 
esteja voltado à transformação. Esse profissional necessita ser dotado de 
compreensão, empatia e consideração por aquilo que os outrospensam e 
estar conectado à realidade escolar, “oxigenando” esse espaço com 
provocações e ideias junto com seus pares, além de estar articulando ações 
integradas na comunidade escolar como um todo. 
 
É perceptível toda essa sensibilidade quando o tema em pauta é a 
formação continuada do professor. Nesse momento, o supervisor terá de 
estar com toda sua atenção voltada às características de cada professor, ao 
pensar e ao fazer de cada professor. E é nesse momento, com tantas 
diferenças reunidas, que novos conhecimentos poderão ser produzidos, 
bem como momentos de mudanças. 
 
Vasconcellos trata do planejamento como sendo uma prática 
desafiadora: 
 
A questão do planejamento é desafiadora, pois projetar é para o humano, e 
não poucas vezes estamos reduzidos em nossa humanidade, estamos 
desanimados, descrentes, cansados. Também no meio educacional – entre 
professores, membros de equipes de coordenação, direção, mantenedores, 
pais, funcionários, alunos, estão presentes forças de vida e de morte. 
Chegamos a nos sentir com ausência de desejo: quem quer a escola? 
Quem acredita na escola como caminho de construção de uma sociedade 
mais justa? Escola para quê? Simplesmente como meio de subsistência? 
(2002, p. 37). 
 
 
Todos esses meandros perpassam pelas responsabilidades do supervisor 
escolar. Ele deve lidar com todas as adversidades que permeiam a tarefa 
de planejar. Assim, Veiga-Neto (2002, p. 34) afirma que isso “tem sido 
entendido tanto numa acepção macro – em nível sistêmico, governamental, 
etc. quanto na acepção micro – em nível escolar ou mesmo de sala de 
aula”. 
 
 
 
 
 
 
O planejamento educacional deve objetivar, principalmente, transformações 
no cotidiano escolar, a fim de melhorar a qualidade do ensino e da 
aprendizagem. No que tange ao planejamento participativo, de acordo com 
Gandin (1984, p.13), “sua ação [está] na crença de que o melhor para as 
pessoas é aquilo que essas mesmas pessoas decidiram em seus grupos”. 
 
O planejamento participativo somente será de qualidade quando aqueles 
que atuam no meio decidirem sobre ele. E isso já se vê em outros campos, 
como no da política, por exemplo, que tenta trabalhar com a inserção do 
orçamento participativo, ação pela qual os próprios integrantes decidem 
sobre a destinação do orçamento público, dentre outras ações. 
 
Dessa feita, o planejamento educacional tem como objetivo analisar os 
problemas referentes à educação nacional, à estruturação e aos 
funcionamentos dos sistemas que norteiam a educação brasileira. A 
intenção é a melhoria da educação, do ensino no País, evidenciando os 
principais valores de cada pessoa e, principalmente, da escola na 
sociedade. 
 
O planejamento deve estar voltado para a visão global e de desempenho 
em longo prazo. Leciona Parente Filho (2003, p. 63) que o planejamento “é 
entendido como processo de mobilização dos meios para a realização de 
missão setorial ou organizacional”. 
 
Nesse sentido, planejar é adiantar uma atividade que será realizada e agir 
conforme o que foi previsto. Planejar é transformar. É descontruir 
paradigmas, reinventar o que já existe. Mais do que isso, é lutar pelo que é 
justo, pelo que é certo, pelo que é de direito de todos. Freire (2003, p. 38) 
afirma que “o destino do homem deve ser criar e transformar o mundo”. 
 
Conforme Vasconcellos relata, 
 
é possível a transformação da escola? Entendemos que, 
fundamentalmente, o que possibilita sua mudança é o fato da contradição 
estar também ali presente e não apenas fora dela, pois a escola não 
consegue ser um lugar isolado da sociedade – apesar deste parecer ser o 
sonho de certos educadores. Para além do otimismo ou pessimismo, temos 
que tomar a escola como local de contradições dialéticas. [...] Essas 
contradições, ao serem assumidas por vários segmentos da escola, passam 
a atuar ainda mais fortemente, ocupando mais espaço e provocando mais 
reação, o que vai exigir a definição mais clara de posições por parte de 
todos os membros da comunidade educativa. Por outro lado, à proporção 
que as contradições são postas a descoberto, são tematizadas, favorece-se 
a tomada de consciência, a superação do senso comum. (2002, p. 54). 
 
O indivíduo epistêmico forma-se pela sua própria ação. Ele interage sobre o 
meio objetivando alcançar suas necessidades. Essa atividade transforma o 
 
 
 
 
 
meio no qual ele vive. Ao modificar esse meio, o sujeito é confrontado com 
as resistências do meio. (BECKER, 2003, p. 35). 
 
 
Fullan e Hargreaves afirmam acerca da transformação do professor: 
 
se modificar o professor envolve modificar a pessoa que é, precisamos 
saber como as pessoas se modificam. Nenhum de nós é uma ilha; não nos 
desenvolvemos em isolamento. Nosso desenvolvimento dá-se através de 
nossas relações, em especial aquelas que estabelecemos com pessoas 
importantes para nós. Essas pessoas agem como uma espécie de espelho 
para nossos “eus” em desenvolvimento. Se em nossos locais de trabalho há 
pessoas que são importantes para nós e estão entre aquelas por quem 
temos consideração, eles terão uma enorme capacidade para, positiva ou 
negativamente, influenciar a espécie de pessoas e, por conseguinte, a 
espécie de professores que nos tornamos. (2003, p. 55). 
 
 
Transformar de modo epistemológico refere-se ao romper ações que 
imobilizam. As ações são decisivas, porquanto transforma o sujeito, o 
mundo, o meio no qual ele vive. O ato de planejar é uma ação importante 
às intenções de cada sala de aula, de cada escola e de cada comunidade 
escolar envolvida. 
 
 
2.4 - Formação escolar, pedagogia e tecnologia 
 
O envolvimento da tecnologia na educação ganhou força nos anos 90 
quando o governo federal prometeu distribuir 300 mil computadores às 
escolas e em 1997 lançou o Programa Nacional de Informática na Educação 
(PROINFO). 
 
Para TERUYA (2006) “O computador passa a ser considerado uma 
ferramenta educacional, não mais um instrumento de memorização, mas um 
instrumento de mediação na construção do conhecimento”. Dessa forma, a 
tecnologia torna-se um facilitador para o aprendizado facilitando o trabalho 
do supervisor na busca da qualidade do serviço educacional. 
 
Assim, para efetivar o uso da tecnologia, como ferramenta pedagógica, é 
necessário que o gestor busque mecanismos de investimento na formação 
do professor , pois ele precisa conhecer os recursos tecnológicos. 
Democratizar o espaço da escola, bem como, o uso dos recursos 
tecnológicos ali existentes, é um grande desafio aos educadores, pois 
exige, ação política, formação continuada aos docentes, compromisso, 
responsabilidade, e acima de tudo, muita vontade de mudar (MENDES, 
2009) 
 
 
 
 
 
 
Considerando esta abordagem, acredita-se que os recursos tecnológicos 
podem contribuir no processo pedagógico, possibilitando, ao aluno, 
apropriar-se de uma maior gama. 
 
É consenso entre os autores que a utilização das tecnologias que permitem 
acesso rápido e imediato a fontes ampliadas de informação e agilizam seu 
tratamento, possibilitadas pelo computador, poderá ser uma alavanca para 
ajudar a escola a se transformar num local onde se constroem 
conhecimentos significativos e contextualizados (TERUYA, 2006; 
MENDES,2009). 
 
Para LIBÂNEO (2002), as transformações sociais, políticas, econômicas e 
culturais do mundo contemporâneo afetam os sistemas educacionais e os 
de ensino. A globalização dos mercados, revolução na produção e nas 
comunicações, transformação dos meios de produção e outros são fatores 
da contemporaneidade. Por isso a educação precisa sempre se atualizar, 
se adaptando a esses novos contextos como agente de mudanças, 
geradora de conhecimento, formadora de opiniões e atuar na sociedade de 
forma crítica e criativa. 
 
 
2.5 - Análises de documentos oficiais que regulamentam o curso de 
Pedagogia no Brasil: Questionamentos acerca da docência como base 
da profissão do Pedagogo 
 
A Resolução CNE/CP nº. 1, de 15 de Maio de 2006, que institui as 
Diretrizes Curriculares Nacionais para o cursode Pedagogia, especialmente 
nos art.2 e 4, normatizam que os cursos de pedagogia “destinam-se a 
formação de professores para exercer funções de magistério na Educação 
Infantil, nos anos iniciais do ensino fundamental, nos cursos de Ensino 
Médio, na modalidade Normal, de Educação Profissional na área de 
serviços e apoio escolar e em outras áreas nas quais sejam previstos 
conhecimentos pedagógicos”. 
 
Nesses artigos, está explicito que o curso de Pedagogia é essencialmente 
direcionado ao contexto escolar, a saber, a docência. No entanto, tem-se 
também explicitado que o curso de Pedagogia formará profissional para 
“(...) serviços e apoio escolar, em outras áreas nas quais sejam previstos 
conhecimentos pedagógicos”, o que nos leva a entender que as atividades 
do pedagogo (a) vão além da docência. 
 
 
 
Estudiosos da educação, dentre eles Libâneo (2010) e Pinto (2011), 
questionam o fato de a pedagogia ser reduzida à docência, visto que, no 
entendimento destes autores, a docência é uma prática da pedagogia e não 
o inverso. Nesse sentido, a pedagogia atua nos processos educativos de 
forma efetiva e pontual, focada na intencionalidade das ações, nas quais 
 
 
 
 
 
estão inclusos o planejamento, a organização e a coordenação dos 
processos educativos e não apenas a atuação em sala de aula. 
 
No artigo Diretrizes Curriculares da pedagogia: imprecisões teóricas e 
concepção estreita da formação profissional de educadores, de José Carlos 
Libâneo (2006), tem-se a discussão em torno da natureza do conhecimento 
pedagógico, no qual o autor expõe pontual crítica ao conteúdo do 
documento e aponta as “imprecisões conceituais com relação ao campo 
pedagógico”. 
 
 
No referido artigo, o autor explica, de forma detalhada, as incongruências e 
imprecisões conceituais e normativas da Resolução, ao estabelecer um 
curso de pedagogia em licenciatura única. Além de não esclarecer quais 
são as definições operacionais do profissional formado em pedagogia, a 
Resolução deixa implícito que cada uma das modalidades seria uma área 
de atuação profissional (LIBÂNEO, 2006). 
 
Há uma incompletude, incoerência e falta de clareza no texto das DNC, 
uma vez que institui a formação do pedagogo como docente, mas ao 
mesmo tempo lhe atribui diferentes funções e exige amplo conhecimento 
pedagógico, ao passo que defini também que o pedagogo pode atuar em 
“(...) áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos” . Dessa 
forma, a ambiguidade do texto deixa margem para justificarmos nosso 
posicionamento frente às deliberações do documento (LIBÂNEO, 2006). 
 
A precária fundamentação teórica da Resolução, na qual se tem uma 
concepção simplista e reducionista da pedagogia à docência, leva ao 
entendimento genérico das atividades docentes e simplificam o campo de 
atuação científico da pedagogia, trazendo assim prejuízos para a educação 
escolar e para a definição da identidade profissional do pedagogo 
(LIBÂNEO, 2006). 
 
Libâneo (2006) afirma que “todo trabalho docente é trabalho pedagógico, 
mas nem todo trabalho pedagógico é docente”. Distinguindo a ação 
educativa e a ação docente, a atividade pedagógica e a atividade 
administrativa. Ressalta também que a natureza constitutiva da pedagogia 
a é teoria e a prática da educação ou da formação humana, ou seja, a 
reflexão sistemática acerca do fenômeno educativo em todas as suas 
dimensões. 
 
 
Assim, o autor propõe a discussão ampla da importância do conhecimento 
pedagógico específico, identificado e instituído pela presença de 
especialista de educação nas escolas, pontuando as diferenças entre 
docência e gestão, que aparece de forma equivocada na Resolução que, ao 
dispor as atribuições do pedagogo (a), mistura objetivos, conteúdos, 
apresentando conceitos ambíguos e confusos com base epistemológica 
insuficiente (LIBÂNEO, 2006). 
 
 
 
 
 
 
Por esse e por outros fatores apresentados ao longo do artigo, o autor 
combate à ideia de que a base da formação de pedagogos é a docência. 
Para diferenciar e conceituar docência e gestão traz uma citação de Paro 
(1986, apud LIBÂNEO, 2006) defendendo a afirmação de que, 
 
 
(...) todo professor precisa aprender a participar das formas de organização 
e gestão da escola é algo inquestionável. A crítica é ao conceito de gestão 
presente na Resolução, à equivocada identificação entre atividade docente 
e atividades gestora, e entre competência do professor para participar da 
gestão e área de atuação profissional. Trata-se, na verdade, de conceitos 
distintos. O docente é aquele que ensina para o aluno aprenda o que 
necessita para inserir-se de forma crítica e criadora na sociedade em que 
vive. O gestor é o que dispõe e coordena a ut ilização adequada e racional 
de recursos e meios, organiza situações, para a realização de fins 
determinados (LIBÂNEO, 2006, p.7). 
 
 
 
Entendemos, com base nas teorias apresentadas, que a falta de clareza 
das definições apresentadas na Resolução pode comprometer o 
funcionamento da gestão escolar, à medida que não esclarecem quais são 
as competências específicas do gestor e do docente. O desafio lançado 
está em se estruturar um curso de formação que abranja de forma 
significativa os dois lados da questão. Ou seja, um professor capacitado 
para lecionar e gerir sistemas educacionais. 
 
Por sua vez, Farias (et al, 2009) afirma que o professor ou o docente é 
quem lida diretamente com a disposição dos saberes aos alunos, mediando 
os processos de ensino aprendizagem. Esse sujeito articula conhecimentos 
multidimensionais, sequenciando os saberes de forma a alcançar seus 
objetivos, ou seja, ensinar. 
 
Ensinar é uma atividade interativa mediada pelo entendimento discursivo 
entre o professor, os alunos e o conhecimento; tem caráter explícito, 
intencional e organizado. O professor, embora não seja o único praticante, 
é aquele socialmente reconhecido como responsável pela concretização do 
ato de ensinar no âmbito escolar (FARIAS et al, 2009, p.86) 
 
 
Diferentemente da atividade docente, voltada basicamente ao ensino, a 
atividade de gestão abarca outros aspectos e engloba dimensões mais 
amplas dos processos educativos. O gestor é responsável, dentre outras 
funções, pela coordenação, planejamento e potencialização dos meios e 
recursos disponíveis para tornar viáveis os processos educativos. Dessa 
forma, lida com inúmeras situações que vão além da sala de aula e, por 
esse motivo, necessita de uma formação voltada para a gestão 
educacional. 
 
 
 
 
 
 
No entanto, a docência e a gestão não podem ser processos fragmentados 
e dicotomizados. A gestão escolar necessita da participação de todos os 
sujeitos que compõem a escola. Dessa forma, ao compreendermos a escola 
e os processos educativos como a somatória das ações direcionadas a este 
fim, afirmamos que a Educação, a Docência e a Pedagogia estão 
intrinsecamente ligadas, inter-relacionadas, se complementam e ao mesmo 
tempo se distinguem quanto à natureza epistemológica. 
 
Na mesma direção dos posicionamentos apresentados até aqui, 
encontramos os estudos de Umberto Pinto (2011), que no livro Pedagogia 
Escolar e Coordenação: Pedagógica e Gestão Educacional, compartilha das 
ideias de Libâneo e aborda a importância do trabalho do Pedagogo escolar. 
O autor analisa as Diretrizes Curriculares para o curso de 
Pedagogia (2006) e coloca-as como incongruentes ao afirmar a docência 
com base da formação do Pedagogo. A priorização da formação de 
professores em detrimento à formação de especialistas de ensino, 
explicaria a desvalorização do Pedagogo Escolar (PINTO, 2011, p.18). 
 
Assim, o autor postula que há, portanto, “a distorção do princípio da 
docência ser a base de formação do pedagogo, (...) ideia que alimentou o 
discurso de que a experiência docente é suficiente para atuar como 
pedagogo” (PINTO, 2011, p.18). Esses estudos acerca da atuação do 
pedagogo escolar mostram que o trabalho desse profissional envolve as 
dimensões coletivas, culturais e sociais, voltado para a reflexão críticasobre a prática, e, portanto, direcionado “a superação das contradições”, 
ainda muito presentes no âmbito das práticas educativas (PINTO, 2011, p. 
76). 
 
 
 
O pedagogo participa dos processos educativos escolares em dois níveis 
diferentes. Inicialmente, ele part icipa dos processos de ensino e 
aprendizagem conduzidos pelos professores em sala de aula. Nesse nível 
de atuação, sua intervenção é de mediação – ao subsidiar as atividades 
docentes e discentes que ali ocorrem. Porém, o pedagogo escolar participa 
também dos processos educativos que se manifestam fora da sala de aula. 
Nos outros espaços escolares sua atuação pode mesmo ser de forma 
indireta: ao orientar, por exemplo, os demais funcionários da escola sobre a 
dimensão educativa do trabalho que desenvolvem junto aos alunos, mas 
também uma ação educativa direta quando atende e orienta alunos e pais 
de alunos (PINTO, 2011, p. 77). 
 
 
Dessa forma, sabemos - baseados nas experiências práticas e também em 
referenciais teóricos - que o fazer pedagógico vai muito além das salas de 
aulas e demanda conhecimentos específicos acerca dos fenômenos 
pedagógicos. “Não é possível mais afirmar que o trabalho pedagógico se 
reduz ao trabalho docente nas escolas (...), o pedagógico e o do docente 
 
 
 
 
 
são termos inter-relacionados, mas conceitualmente distintos” (LIBÂNEO, 
2010, p.14). 
 
De acordo com Pinto (2011), “a Pedagogia Escolar re fere-se à área da 
Pedagogia que estuda as questões relacionadas à educação escolar e às 
áreas de atuação dos pedagogos nas escolas”. Além disso, ressalta que a 
atuação do pedagogo vai além do exercício da docência e exige ações 
pautadas em uma sólida formação pedagógica - ações desenvolvidas a 
partir de estudos sobre processos de ensino e aprendizagem, que ocorrem 
tanto em sala de aula como fora dela, reafirmando assim a importância do 
pedagogo escolar. 
 
 
A escola, como instituição educacional cada vez mais complexa, necessita 
da mediação profissional do pedagogo escolar no desenvolvimento 
qualitativo dos processos de ensino e aprendizagem que nela ocorrem. Os 
professores sozinhos não garantem uma aprendizagem significativa aos 
alunos. Assim, além dos profissionais da esfera operacional e 
administrativa, uma aprendizagem de efetiva qualidade demanda 
intervenções pedagógicas e educacionais sejam do diretor, do vice—diretor, 
do coordenador pedagógico ou orientador educacional. Para tanto, esses 
profissionais devem ter uma formação específica e especializada na área 
pedagógica: uma formação que ocorra no âmbito da Pedagogia (PINTO, 
2011, p.16). 
 
Na citação acima, o autor explicita claramente que os profissionais que 
atuam na coordenação, direção e orientação educacional nas escolas, 
devem ser formados em Pedagogia. Porém, sabe-se que nem sempre é 
assim, pois ao longo dos anos vários embates políticos e mudanças 
ocorreram em relação ao currículo de formação de professores e de 
formação de Pedagogos e, hoje, a realidade da atuação dos pedagogos 
varia de acordo com as propostas educacionais das secretarias de cada 
estado ou município. 
 
Assim, ressaltamos que não pretendemos supervalor izar o pedagogo e, 
muito menos, desmerecer o trabalho docente, e sim destacar que o 
pedagogo possui funções e formação específicas que são diferentes das 
atribuições docentes. 
 
 
Docência e Pedagogia são ao mesmo tempo diferentes e inter-relacionadas, 
pois as práticas pedagógicas que ocorrem no âmbito escolar são inerentes 
e intrinsecamente ligadas tanto à docência quanto à pedagogia. Assim, são 
indispensáveis para a concretização de quaisquer projetos educativos que 
visem justamente superar as contradições e fragmentações, ainda 
presentes no ambiente escolar. 
 
Portanto, esses esclarecimentos se fazem necessár ios para que possamos 
mapear as atribuições legais do Pedagogo Escolar e, assim, 
 
 
 
 
 
compreendermos de que forma ocorrem as organizações dessas atribuições 
e funções no interior da escola. Ou seja, buscamos compreender quais 
vieses perpassam a estruturação da identidade do pedagogo, quais funções 
esses profissionais realmente desempenham na educação escolar e quais 
são os pontos determinantes de configuram o real papel do Pedagogo 
Escolar. 
 
 
 
2.6 - Relação entre Pedagogia e Educação 
 
Em virtude do amplo conceito de educação, de sua complexidade e de seu 
caráter de humanização, constatamos a importância da Pedagogia que se 
“desenvolveu em intima relação com educação” (SAVIANI, 2007, p.100), 
visando compreender e intervir na educação por meio de processos 
intencionais e sistemáticos, a part ir de conhecimentos construídos 
especificamente por este e para este fim. 
 
Educação e Pedagogia são dois conceitos distintos, mas com uma 
interdependência orgânica: o primeiro , como prática, “depende de uma 
diretriz pedagógica prévia”; o segundo, como ciência, “depende de uma 
práxis educacional anterior” (PIMENTA, 2001, p.56 apud FARIAS, 2009, 
p.24). 
 
Portanto, não há como falarmos de educação, ou de processos educativos, 
separadamente das teorias da Pedagogia. Como dito anteriormente, a 
educação é um fenômeno social e não há sociedade sem prática educativa. 
De acordo com Cruz: 
 
 
A Pedagogia, desde a antiguidade clássica, vem sendo pensada 
correlativamente à educação, justamente no que se refere ao processo de 
compreensão da educação e das formas pelas quais os homens identificam, 
(re) elaboram e fomentam entre si e nos outros os aspectos culturais que 
necessitam ser apropriados para a preservação da sua espécie, ou seja, da 
humanidade produzida historicamente pelas gerações (CRUZ, 2011, p.163). 
 
 
 
Analisando a afirmação de Cruz (2011), compreendemos a importância do 
(a) Pedagogo (a) como profissional investigador e articulador dos processos 
educativos, visto que esse (essa) atuará diretamente com a sistematização 
das práticas e dos processos educativos, de forma intencional, assim como 
tem sido concebidas as práticas educacionais realizadas no espaço escolar 
(LIBÂNEO, 2001). 
 
A pedagogia reúne um conjunto de disciplinas especificamente pensadas 
para os estudos das problemáticas da educação, objeto central de 
 
 
 
 
 
investigação da pedagogia. A amplitude dos temas e a importância da 
educação na sociedade colocam a pedagogia como indispensável e 
imprescindível no processo de formação e análise das práticas educativas. 
 
 
(...) A Pedagogia é uma área de conhecimento relevante para se 
compreender o lugar que a educação ocupa no desenvolvimento social, 
assim nos leva ao posicionamento de que a educação tem um papel 
fundamental na vida da sociedade, pois dependendo do seu lugar e do seu 
papel no desenvolvimento da sociedade humana, são definidos os fins e 
objetivos para se encaminhar soluções para os problemas educacionais no 
que se refere à organização e aos métodos de ensino (BERNARDES, 2012, 
p.77) 
 
 
Na citação acima, Bernardes (2012) afirma que é por meio da Pedagogia 
que compreendemos o lugar da educação no desenvolvimento social e a 
vemos como fenômeno social, atividade humana, da qual a Pedagogia se 
encarrega de investigar, com objetivo de transformação dessa realidade. 
 
A Pedagogia, mediante conhecimentos científicos, filosóficos e técnicos 
profissionais, investiga a realidade educacional em transformação, para 
explicar objetivos e processos de intervenção metodológica e organizativa 
referentes à transmissão/assimilação de saberes e modos de ação 
(LIBÂNEO, 2010, p.32). 
 
Assim, considerando as postulações apresentadas, afirmamos a indiscutível 
interdependência entre Educação e Pedagogia, e, portanto, defendemos 
que esta última não pode ser reduzida à prática docente, ou seja, o 
pedagogo não é apenas um professor. A Pedagogia envolve as dimensões 
constitutivas e estruturais dos processos de ensino aprendizagem, que não 
se aplicam apenas a ambientes escolares, mas abarcam qualquer tipo de 
prática educativa, visto que engloba processos amplos e complexos que 
não são apenas deordem metodológica, mas estruturais e organizativos. 
 
 
 
 
 
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