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. O PAPEL DO PEDAGOGO NA SUPERVISÃO ESCOLAR SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 04 1.1 - História da supervisão escolar......................................................................... 05 1.2 - O que é o pedagogo......................................................................................... 07 2 - O papel do pedagogo na supervisão escolar...................................................... 08 2.1- Supervisor escolar: conceito, atribuições e responsabilidades......................... 12 2.2 - Planejamento participativo na escola............................................................... 15 2.3- Obstáculos enfrentados pelo supervisor escolar no planejamento Pedagógico............................................................................................................... 19 2.4 - Formação escolar, pedagogia e tecnologia...................................................... 21 2.5 - Análises de documentos oficiais que regulamentam o curso de Pedagogia no Brasil: Questionamentos acerca da docência como base da profissão do Pedagogo................................................................................................................. 22 2.6 - Relação entre Pedagogia e Educação ........................................................... 27 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................ 29 1 - INTRODUÇÃO A supervisão surgiu no Brasil no intuito de fiscalização e inspeção e com o tempo foi-se desenvolvendo e ganhando espaço, inclusive no ambiente escolar. A presença do supervisor escolar é importante no ambiente de educação devido seu olhar criterioso sobre a realidade de seu ambiente de ensino com objetivo de realizar mudanças, transformando-se numa via de acesso para o sucesso da educação escolar. Sendo, também, responsável pelo funcionamento geral da escola, em todos os setores, seja, administrativo, burocrático, financeiro, cultural e de serviços. O papel do pedagogo escolar também é imprescindível na ajuda aos professores no aprimoramento do seu desempenho na sala de aula, na análise e compreensão das situações de ensino com base nos conhecimentos teórico, ou seja, na vinculação entre as áreas do conhecimento pedagógico e o trabalho de sala de aula. A tecnologia também se tornou um grande aliado ao trabalho do supervisor, pois o computador passa a ser considerada uma ferramenta educacional, importante na construção do conhecimento. O objetivo do artigo é debater a função do supervisor escolar dentro de um mecanismo de avaliação escolar. Ou seja, este estudo busca definir a função do supervisor dentro do seu contexto histórico e da importância que a função adquire na atualidade, apresentando desafios e novos colaboradores para a função da supervisão. Diante disso surge os seguintes questionamentos: De que forma acontece a supervisão pedagógica no cotidiano escolar? Atualmente, a função de supervisor pedagógico é ainda confundida por muitos e, por isso, não muito esclarecida o conhecimento de suas funções que lhes são atribuídas e que vivem em constantes contradições entre aquilo que pensam e aquilo que é possível realizar, ou seja, que teoria e prática nem sempre estão coerentes. Por isso, evidenciar o trabalho do supervisor é importante para colaborar nessa problemática. Além disso, ainda é distorcido a presença do pedagogo na supervisão. A relevância do tema está na contribuição científica, na medida em que amplia a visão da função do supervisor no âmbito da escola e para, além disso, possibilita um novo olhar nos processos escolares para a concretização de uma educação democrática. Para o desenvolvimento desse estudo utilizou-se como metodologia uma pesquisa bibliográfica tem caráter descritivo qualitativo através de busca de literaturas com o objetivo de esclarecer a função da supervisão escolar e sua importância, apontando desafios e novos aliados a essa função. 1.1 - História da supervisão escolar A supervisão surgiu no Brasil pela primeira vez com a Reforma Francisco Campos, Decreto-Lei nº 19.890, de 18 de abril de 1931, concebida de forma bem diferente da que se vinha realizando até aquele momento de simples fiscalização, para assumir o caráter de supervisão e inspeção (RANGEL, 2001). Também há evidências que o termo supervisão surgiu no período da Revolução Industrial, com o objetivo de otimizar produção quantitativa e qualitativa, visando o lucro dessa forma. Por isso a função do supervisor surgiu devido a necessidade de melhores técnicas para orientar os profissionais a exercerem suas funções na indústria e no comércio (ALVES, 2012; RANGEL, 2001). No contexto brasileiro a supervisão tem uma concepção e apresenta -se como uma prática relativamente recente. remonta aos anos 70 e surgiu, "no cenário sociopolítico-econômico, historicamente, como função de 'controle'". (RANGEL, 2001 p.63). Ao longo do tempo, prevaleceu uma imagem da supervisão ligada à fiscalização e ao controle. Contudo, alguns estudos históricos revelam que se muitas vezes eles pareciam ligados aos políticos pela hierarquia administrativa e enfrentando os docentes, outras tantas se recortavam com independência dos mandatos governamentais e se uniam às lutas do magistério. Este leque de posições em torno do vínculo com as gestões políticas e com os mestres também está presente nos discursos e práticas que hoje os supervisores realizam. (FERREIRA, 2010 p.149) Etimologicamente, supervisão significa "visão sobre", e da sua origem traz o viés da administração, que a faz ser entendida como gerência para controlar o executado. Desta forma, quando transporta para a educação, passou a ser exercida como função de controle no processo educacional (FERREIRA, 2010). Assim, a função de Supervisor escolar propriamente dita só veio a ser regulamentada oficialmente pelo Parecer Nº 252/69, com a finalidade de promover a melhoria na qualidade do ensino (MENDES, 2009). Recentemente (Decreto Lei 95/97 de 23/4), a supervisão foi assumida como uma das áreas de formação especializada já previstas na Lei de Bases do Sistema Educativo (1986) e no Decreto-Lei que aprovou o regime jurídico da formação de educadores e professores (Decreto-Lei 344/89 de 11/10). efetivamente, o reforço da autonomia das escolas como fator de construção de uma escola democrática e de qualidade traduziu-se também no reconhecimento oficial da necessidade de formações especializadas para o exercício de cargos, funções ou atividades especificas, por meio de cursos de especialização realizados em instituições do ensino superior. define -se que a área de supervisão pedagógica e formação de formadores visa "qualificar para o exercício de funções de gestão e coordenação de projetos e atividades de formação inicial e contínua de educadores e professores" (RANGEL, 2011 p.85-86). A partir da década de 80, surge uma nova concepção de Supervisão Escolar através da Gestão Democrática, devido grandes discussões entre político e educacional, pois a figura do supervisor desponta como elemento de intermediação associada a ideia de mudança com aplicação de novas propostas curriculares. A origem da supervisão escolar também está associada ao Programa de Assistência e Formação de Professores Leigos (PABAEE), implantado no Brasil por influência norte-americana. Com isso, o conceito de supervisão educacional tem sofrido alterações no decorrer do tempo, alterando seus objetivos de acordo com as diferentes etapas que marcaram o processo evolutivo dessa profissão. Tais alterações, geraram mudanças profundas na maneira de encarar a tarefa educativa e na compreensão da escola como local especializado paraconduzir o processo educativo (FERREIRA, 2010). A supervisão encontra seus fundamentos nas ciências da educação e nas ciências sociais que explicam a criação e o desenvolvimento dos grupos organizados socialmente para realizar funções ou atividades consideradas desejáveis. A política da Gestão Democrática, implantada no sistema de ensino com a Constituição de 1988, reforçou o discurso de que a escola pública pertence ao setor público. Desse modo determinou-se legalmente a implementação de um trabalho pedagógico articulado, com o objetivo de tornar possível a elaboração de um projeto educacional que vincule projetos pessoais dos educadores a um projeto mais amplo e que envolva o fazer individual e o coletivo, dando ainda mais importância a função do supervisor escolar. Outro ponto importante é o significado específico que o termo "supervisão" adquire nos diferentes sistemas de ensino. No estado de São Paulo a expressão esteve sempre relacionada ao cargo de "supervisor", alocado nas delegacias de ensino (Lei Complementar nº836, dezembro 1977). Nos demais estados, não existe o cargo, mas a função. Esse profissional fica na escola e realização a "supervisão pedagógica", junto aos professores, recebendo nome de coordenador, orientados, assistente pedagógico ou equivalente. Essa distinção torna-se importante, visto que decorrem algumas dificuldades de entendimento de muitas críticas feitas ao trabalho do "supervisor", para pessoas não familiarizadas com o sistema paulista de ensino (FERREIRA, 2010). A profissão de Supervisor Escolar ou Supervisor Educacional sempre foi carregada de indefinições tanto é que embora este profissional contribua decisivamente para o êxito das práticas educativas no contexto escolar. 1.2 - O que é o pedagogo Pedagogia é a ciência que trata da educação dos jovens, que estuda os problemas relacionados com o seu desenvolvimento como um todo. Institui - se a partir das Diretrizes Curriculares- Resolução CNE/CP n. 1 de 15 de maio de 2006 que a Pedagogia é responsável pela formação de professores da Educação Básica: Educação Infantil, séries iniciais do Ensino Fundamental e formação de professores no nível de Ensino Médio. As Diretrizes Curriculares- Resolução CNE/CP n. 1 de 15 de maio de 2006 ainda ressalta a docência, prescrevendo o seguinte: Art. 2º As Diretrizes Curriculares para o curso de Pedagogia aplicam-se à formação inicial para o exercício da docência na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos cursos de Ensino Médio, na modalidade Normal, e em cursos de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar, bem como em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos. § 1º Compreende-se a docência como ação educativa e processo pedagógico metódico e intencional, construído em relações sociais, étnico - raciais e produtivas, as quais influenciam conceitos, princípios e objetivos da Pedagogia, desenvolvendo-se na articulação entre conhecimentos científicos e culturais, valores éticos e estéticos inerentes a processos de aprendizagem, de socialização e de construção do conhecimento, no âmbito do diálogo entre diferentes visões de mundo (BRASIL, 2006, p. 11). Sua atuação vai além da docência e educação, atua também no processo de aprendizagem, na área administrativa escolar. A pedagogia ocupa-se dos processos educativos, métodos, maneiras de ensinar, mas antes tem significado bem mais amplo. ela é um campo de conhecimentos sobre a problemática educativa na sua totalidade e historicidade e, ao mesmo tempo, uma diretriz orientadora da ação educativa. É por isso que a pedagogia expressa finalidade sociopolíticas numa ação explicita da ação educativa (LIBÂNEO, 2002). Art. 4. Parágrafo único. As atividades docentes também compreendem participação na organização e gestão de sistemas e instituições de ensino, englobando: I - planejamento, execução, coordenação, acompanhamento e avaliação de tarefas próprias do setor da Educação; II - planejamento, execução, coordenação, acompanhamento e avaliação de projetos e experiências educativas não-escolares; III - produção e difusão do conhecimento científico-tecnológico do campo educacional, em contextos escolares e não-escolares. (BRASIL, 2006 p.15). Para LIBÂNEO (2002), pedagogia é o campo do conhecimento que se ocupa do estudo sistemático da educação, do ato educativo, da prática educativa concreta que se realiza na sociedade como um dos ingredientes básicos da configuração da atividade humana. Dessa forma, a educação é o conjunto das ações, processos, influências, estruturas, que intervêm no desenvolvimento humano de indivíduos e grupos na sua relação ativa com o meio natural e social num determinado contexto de relações entre grupo e classes. 2 - O papel do pedagogo na supervisão escolar A presença do supervisor escolar é importante no ambiente escolar devido seu olhar criterioso sobre a realidade de seu ambiente de ensino com objetivo de realizar mudanças, transformando-se numa via de acesso para o sucesso da educação escolar. Assim, o supervisor escolar é o profissional responsável pela coordenação do trabalho pedagógico, assumindo um papel de liderança envolvido no processo de ensino aprendizagem, rumo à educação de qualidade para todos (MEDINA, 1995). Sua função também é contribuir com o dia a dia do professor, para melhorar a produção do seu trabalho e o processo de ensino ‐aprendizagem, que vai refletir diretamente no desempenho do aluno. O supervisor, atualmente, é considerado o instrumento de execução das políticas pedagógicas e, muitas vezes, é responsável pelo funcionamento geral da escola, em todos os setores: administrativo, burocrático, financeiro, cultural e de serviços (RANGEL, 2001). Na definição de RANGEL (2001), a supervisão passa de escolar, como é frequentemente designada, a pedagógica e caracteriza-se por um "trabalho de assistência ao professor, em forma de planejamento, acompanhamento, coordenação, controle, avaliação e atualização do desenvolvimento de processo ensino-aprendizagem". (p.32). Desse modo, setores que fazem parte da competência do supervisor: • à política: coordenação da interpretação e coleta de subsídios para desenvolver novas políticas relacionadas a realidade; • ao planejamento: coordenação, construção e elaboração do projeto educacional, coordenando o desenvolvimento da mesma. O planejamento de ensino não limita, mas prevê as ações didáticas. Por isso, supervisionar o planejamento de ensino é orientar conceitos e critérios, procurando garantir oportunidades de sua construção coletiva (FERREIRA, 2010; LIBÂNEO, 2002); • à avaliação: Analisa e julga as práticas educacionais, sendo a avaliação ponto essencial do processo de ensino-aprendizagem; Segundo o Projeto de Lei 4.412/2001, artigo 4º, parágrafo 5º, é atribuição do supervisor educacional assegurar o processo de avaliação da aprendizagem escolar e promover a recuperação dos alunos com menos rendimento, em colaboração com todos os segmentos da comunidade escolar, objetivando a definição de prioridade e a melhoria da qualidade do ensino. - conjunto desses elementos: discutir estratégias de ação pedagógica, como por exemplo, a escolha de livros didáticos, que é escolher recursos de apoio de ensino-aprendizagem, valores e conhecimento, no qual a orientação supervisora é fundamental nessas decisões. A supervisão intervém no processo de ensino e aprendizagem através de princípios de objetividade, de contextualização, de flexibilidade, de transversalidade e de interdisciplinaridade. Isso significa a construção de estratégias que focalizam o aprimoramento de todos esses processos. A supervisão participa do projeto pedagógico da escola, da sua elaboração (componente estruturais, conceituais, fundamentos, finalidade) e de sua utilização, como referência, não só do que é,mas também do que se pretende que seja o trabalho educativo (FERREIRA, 2010). O supervisor educacional trabalha com ações gerais, sem descrevê-las e que essas ações configuram uma nova concepção da supervisão, cuja função está centrada na questão da qualidade sociais e pedagógicas das atividades de qualificação, buscando-se superar a visão burocratizada, fiscalizadora, inspetora e fragmentada, que tem caracterizado a supervisão no Brasil. O supervisor pedagógico escolar faz parte do corpo de professores e tem a especificidade do seu trabalho caracterizado pela coordenação - organização em comum- das atividades didáticas e curriculares e a promoção e o estímulo de oportunidades coletivas de estudo. a coordenação é, portanto, por natureza, uma função que se encaminha de modo interdisciplinar (RANGEL, 2001; LIBÂNEO, 2008). O papel do pedagogo escolar também é imprescindível na ajuda aos professores no aprimoramento do seu desempenho na sala de aula (conteúdos, métodos, técnicas, formas de organização da classe), na análise e compreensão das situações de ensino com base nos conhecimentos teórico, ou seja, na vinculação entre as áreas do conhecimento pedagógico e o trabalho de sala de aula. (LIBÂNEO,2002) . A presença do pedagogo escolar torna-se uma exigência dos sistemas de ensino e da realidade escolar, tendo em vista melhorar a qualidade da oferta de ensino para população (...) sua contribuição vem dos campos do conhecimento implicados no processo educativo-docente, operando uma intersecção entre a teoria pedagógica e os conteúdos-métodos específicos de cada matéria de ensino, entre o conhecimento pedagógico e a sala de aula. (LIBÂNEO, 2002 p. 62). A supervisão escolar supõe a supervisão da escola nos serviços administrativos, de funcionamento geral, como também os pedagógicos. Dessa forma, observam-se ações semelhantes às de direção (gestoras), ficando pouco identifica a especificidade da função com referência ao ensino. Supervisão pedagógica refere-se à abrangência da função, cujo 'olhar sobre' o pedagógico oferece condições de coordenação e orientação. (FERREIRA, 2010 p. 77). A supervisão otimiza a qualidade da pedagogia, representando uma condição da de compreensão e renovação. Desse modo, a pedagogia sem supervisão é menos pedagógica, tal como o será a supervisão sem uma visão da pedagogia. Na expressão “supervisão pedagógica”, direciona não apenas a pedagogia, mas também à sua função potencialmente educativa. Então, quando a supervisão é orientada por uma visão crítica de pedagogia, torna a ação pedagógica mais consciente e susceptível à mudança (VIEIRA, 2009). Assim, as atividades supervisiva e pedagógica fazem parte de um mesmo projeto: Fiscalizar e melhorar a qualidade da processo de educação. Sempre que um educador realiza seu plano, as duas áreas fundem-se numa só. De acordo com LIBÂNEO (2008), a escola é vista como um espaço educativo, uma comunidade de aprendizagem, um lugar em que os profissionais podem decidir sobre seu trabalho e aprender mais sobre sua profissão. A organização e a gestão da escola adquirem um significado bem amplo, além das questões administrativas e burocráticas. elas são entendidas como práticas educativas, pois passam valores, atitudes, modos de agir, influenciando as aprendizagens de professores e alunos. Nesse sentido, todas as pessoas que trabalham na escola participam de tarefas educativas, embora não de forma igual. É nesse ambiente que o supervisor pedagógico atua. Assim, o profissional precisa desenvolver competências especificas para participar das práticas de gestão, como: Desenvolver capacidade de interação e comunicação, habilidade de liderança, organização pedagógica, estar sempre atualizado e possuir opinião crítica. Ainda para LIBÂNEO (2008), o supervisor pedagógico responde pela viabilização, integração e articulação do trabalho pedagógico-didático em ligação direta com os professores, em função da qualidade em ensino. a coordenação tem como principal atribuição a assistência pedagógica aos professores, para se chegar a uma contribuição ideal de qualidade de ensino, auxiliando-os a conceber, construir e administrar situações de aprendizagem adequadas às necessidades educacionais dos alunos. de acordo com estudos recentes sobre formação continuada de professores, o papel do coordenador é de monitoração sistemática da prática pedagógica dos professores (p.101). A supervisão vai muito além de um trabalho meramente técnico- pedagógico, como é entendido com frequência, uma vez que implica uma ação planejada e organizada a partir de objetivos muito claro assumidos por todo o pessoal escolar, com vistas ao fortalecimento do grupo e ao seu posicionamento responsável frente ao trabalho educativo. Nesse sentido, a supervisão deixa de ser apenas um recurso meramente técnico para se tornar um fator político, passando a se preocupar com o sentido e os efeitos da ação que desencadeia mais que os resultados imediatos do trabalho escolar. Em síntese, as funções do supervisor é planejar, coordenar, gerir e acompanhar e avaliar as atividades pedagógicas, visando a qualidade de ensino, otimizando o aprendizado dos alunos (LIBÂNEO,2008). De acordo com FERREIRA (2010), como prática educativa ou como função, a supervisão educacional, independentemente de formação específica em uma habilitação no curso de Pedagogia, constitui -se num trabalho escolar que tem o compromisso de garantir a qualidade do ensino, da educação, da formação humana. seu compromisso é a garantia de qualidade da formação humana que se processa nas instituições escolares, no sistema educacional brasileiro (p. 237-238). Para a profissão de Supervisor Escolar ou Supervisor Educacional precisa ter formação superior em Pedagogia ou pós-graduação em Supervisão Educacional. O curso de Pedagogia deve formar o profissional da educação capaz de exercer as diferentes atribuições requeridas pelos sistemas de ensino, as chamadas habilitações técnicas: administração, orientação e supervisão. 2.1- Supervisor escolar: conceito, atribuições e responsabilidades Como dito alhures, não há, no Brasil, previsão legal acerca do reconhecimento do profissional supervisor escolar. Para fins de atribuições, utilizar-se-á o que prevê o PL 4.106/2012. • supervisionar o cumprimento dos dias letivos e horas/aula estabelecidos legalmente; • orientar e acompanhar os professores no planejamento e desenvolvimento dos conteúdos; • planejar e coordenar atividades de atualização no campo educacional; • coordenar o processo de sondagem de interesses, aptidões e habilidades do educando; • acompanhar o desenvolvimento da proposta pedagógica da escola e o trabalho do professor junto ao aluno, auxiliando em situações adversas; • participar da análise qualitativa e quantitativa do rendimento escolar, junto aos professores e demais especialistas, visando a reduzir os índices de evasão e repetência, e qualificar o processo ensino- aprendizagem; e • valorizar a iniciativa pessoal e dos projetos individuais da comunidade escolar; entre outras. (BRASIL, 2012). O que é traçado pelo PL já tem sido feito há muito pelos profissionais que desempenham essa função nas escolas. Alguns municípios, como Osório, no Rio Grande do Sul, sequer realizam concurso público para essa área, tendo em vista a ausência legal de regulamentação. Noutro prisma, alguns autores auxiliam a conceituar e a compreender o que é a função do supervisor escolar, qual a mais importante que ele deve desempenhar. Nesse sentido, Ferreira (2007, p. 327) afirma que o significado essencial do supervisor escolar está na “formação humana” do processo educacional. Libâneo (2002, p. 35) descreve o supervisor escolar como “um agente de mudanças, facilitador, mediador e in terlocutor”. Portanto, seria um profissional apto a realizara interlocução entre direção escolar, educandos, educadores e todos os demais indivíduos que, de alguma forma, fazem parte da comunidade escolar. Teria como objetivo principal contribuir para os desenvolvimentos individual, político, econômico, ético e afins. Assim, buscando romper com “a cultura política do Brasil há 500 anos, que foi sempre fazer da educação uma grande bandeira, mas sempre a reduziu. Para os dominantes, o povo é analfabeto, é ignorante, é bárbaro, e a educação viria, então, para resolver esses “problemas”. (ARROYO, 2000, p. 2). Essa cultura política invadiu a cultura pedagógica. A partir de tais conceitos, é possível perceber que o supervisor escolar deve desenvolver uma ação crítica, construtiva e participativa acerca do seu saber-fazer pedagógico, sempre trabalhando de forma articulada, lógica e coerente com todos os sujeitos que interagem no espaço escolar. Todas as suas ações devem visar à qualidade do ensino, bem como à qualidade da aprendizagem. Para a escola atingir bons resultados na aprendizagem dos educandos, são necessários planejamento, avaliação e aperfeiçoamento das suas próprias ações pedagógicas, a fim de que o processo educacional seja qualitativo. Tais ações são vistas como de responsabilidade do supervisor escolar e devem garantir à escola resultados excelentes, bem como envolver toda a comunidade nas tomadas de decisão que se refiram ao bom andamento da escola, ou seja, a comunidade deve participar do seu Projeto Político- Pedagógico, de forma ativa, demandando seus anseios e perspectivas à gestão da escola. E essa deve ter a perspicácia de articular os múltiplos saberes que entrecortam a vida dos estudantes, através de seus professores, da família e do seu entorno, que são tão educativos quanto o próprio espaço escolar. Subestimar a sabedoria que resulta necessariamente da experiência sócio- cultural é ao mesmo tempo, um erro científico, e a expressão inequívoca da presença de uma ideologia elitista. Talvez seja mesmo, o fundo ideológico escondido, oculto, opacizando a realidade objetiva, de um lado, e fazendo do outro, míopes os negadores do saber popular, que os induz ao erro científico. (FREIRE, 1992, p. 43-44). Nesse viés, o supervisor escolar tem como objetivo aperfeiçoar o fazer dos educadores que atuam no espaço escolar, identificando suas potencialidades, sua personalidade, suas qualidades, a fim de que cada um contribua para um planejamento pedagógico a partir dentro daquilo que melhor sabe fazer. Essa identificação exige do supervisor escolar uma atualização constante, bem como uma avaliação do seu desempenho profissional. Com isso, é muito importante que esse profissional tenha comprometimento com a práxis educativa, que entenda o meio em que a escola está inserida, provocando, assim, nos educadores, especialmente, o interesse em aliar os conteúdos programáticos à realidade dos estudantes, fazendo com que os professores compreendam que: a escola deve respeitar os saberes com que os educandos, sobretudo os das classes mais populares, cujos saberes são socialmente construídos na prática comunitária [...], discutir com os alunos a razão de ser de alguns desses saberes em relação com o ensino de alguns conteúdos [...] porque não discutir com os alunos a realidade concreta a que se deva associar a disciplina cujo conteúdo se ensina. (FREIRE, 2006, p. 30). Todavia, é de se lembrar que o supervisor escolar está ligado ao planejamento do currículo escolar, o qual deve se dar de forma participativa, a fim de promover a melhoria da qualidade da aprendizagem, assim como do ensino, trazendo a realidade para debate em sala de aula, bem como levando a escola para o meio familiar desses estudantes. Vasconcellos (2002, p. 42) assevera que “não podemos ser ingênuos: para estabelecer uma outra ordem nas coisas, há necessidade de uma ação numa determinada direção, pois não é uma ação qualquer que nos levará ao que desejamos”. É necessário planejamento a fim de que os objetivos traçados sejam alcançados e, para tanto, o supervisor escolar é peça fundamental na elaboração do plano político-pedagógico que a escola seguirá. Todo esse processo requer do supervisor uma vivência do contexto histórico-social no qual a escola está inserida, bem como o conhecimento sobre quais são seus níveis e modalidades de aprendizagem. Outrossim, é necessário conhecer quais são os fundamentos teóricos que sustentam o ensino e a aprendizagem na escola e quais os princípios que norteiam a prática da escola em que atua. Ademais, o supervisor escolar deve compartilhar as práticas pedagógicas com aqueles que são atingidos por elas. Toda a comunidade escolar precisa estar inserida no poder decisório dessas práticas, a fim de que o planejamento seja, de fato, participativo. Assim, a autonomia da instituição também deve ser visada de forma a envolver a comunidade. Freire em sua obra Pedagogia da autonomia, vai muito além da autonomia da instituição, afirmando que ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando, e o respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros. Precisamente porque éticos podemos desrespeitar a rigorosidade da ética e resvalar para a sua negação, por isso é imprescindível deixar claro que a possibilidade do desvio ético não pode receber outra designação senão a de transgressão. O professor que desrespeita a curiosidade do educando, o seu gosto estético, a sua inquietude, a sua linguagem, mais precisamente, a sua sintaxe e a sua prosódia; o professor que ironiza o aluno, que o minimiza, que manda que “ele se ponha em seu lugar” ao mais tênue sinal de sua rebeldia legítima, tanto quanto o professor que se exime do cumprimento de seu dever de propor limites à liberdade do aluno, que se furta ao dever de ensinar, de estar respeitosamente presente à experiência formadora do educando, transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência. (2006, p. 59-60). O que se percebe é que a autonomia da instituição escolar só acontecerá quando a independência do próprio educando for respeitada, ou seja, ele também deve ter sua liberdade preservada, a f im de que participe das tomadas de decisão do ambiente escolar. E o autor supramencionado afirma que mais que um dever, é um imperioso ético que o educador deve respeitar. Por fim, não menos importante, deve ser levada em consideração a necessidade de valorização dos educadores, de uma formação continuada e de qualidade, que eleve sua autoestima e que os estimule a desenvolver novas práticas educativas nas salas de aula. 2.2 - Planejamento participativo na escola Primordialmente, há que se explicitar que não é necessário tratar da crise na escola, visto que todos a percebem e dela falam. O planejamento participativo surge como uma alternativa a essa crise. É o ato de antever o futuro, reduzir riscos, ou seja, é o planejamento de ações em si. O planejamento é a base para se ter poder de agir e assim, maiores são as condições de intervir no futuro. O planejamento é uma das mais importantes ferramentas de comunicação e articulação de interesses. Existem diferentes formas de fazer um planejamento. As principais são: diagnóstico (estudo da realidade); análise de riscos/viabilidades; plano (narração escrita aliada ao orçamento para execução das ações); proposta ou carta-consulta; plano de ação; planos e relatórios de monitorias e relatório de avaliação. Há a necessidade de fazer-se a gerência dos projetos de planejamento. A elaboração de um conjunto de atividades delimitadas no tempo, com orçamento específico, buscando gerar um produto ou um serviço inovador, fora da rotina é uma ação essencial para o gerenciamento. O planejamento escolar vai além de tais conceitos e requer conhecimentos específicos sobre a prática pedagógica. O planejamentoserá decisivo na formação da identidade da escola, pois é ele que definirá quais práticas pedagógicas a escola deverá seguir. Popham e Baker afirmam que uma explicação simples e muito clara de planejamento curricular é: um educador que está envolvido com questões de currículo interessa-se exclusivamente em determinar os objetivos do sistema educacional. Existem basicamente duas espécies de decisões que o educador deve tomar. Primeiro, ele necessita decidir quais devem ser os objetivos (isto é, os fins) do sistema de ensino, e segundo, a consecução destes objetivos. Quando o professor está envolvido na seleção de objetivos para uma sequência particular de ensino de seu interesse, seja um ano acadêmico ou um único período de classe, ele está envolvido na tomada de decisões do currículo. Quando o interesse focaliza a seleção ou avaliação dos esquemas de ensino pelos quais os objetivos devem ser alcançados, ele está envolvido na tomada de decisões no ensino. Consequentemente a distinção entre currículo e ensino é essencialmente uma distinção entre fins e meios. (1978, p. 88). Aliar todos os sujeitos que interagem no espaço escolar é uma das tarefas do supervisor escolar. Esse profissional deve, em decorrência da importância da função que desempenha estar intimamente relacionado e participando do planejamento escolar. É para sanar dúvidas e dificuldades, no cotidiano escolar, que o planejamento é necessário. Para tanto, o supervisor deverá administrar seu tempo, a fim de cumprir determinadas tarefas que são de sua responsabilidade, como: dar atenção à formação continuada dos professores, planejar reuniões, envolver-se com a comunidade escolar nos processos decisórios, dentre outras atribuições. Gandin e Gandin explicam acerca da necessidade urgente de planejamento participativo. Eis, então, o grande limite e a grande possibilidade da educação, inclusive a escolar: a escola só pode reproduzir a sociedade, isto é, ela tem a tarefa de incorporar as gerações novas ao espírito, à cultura da geração existente; quando esta cultura e este espírito entram em crise, ou seja, quando a sociedade começa a duvidar do que é bom ou do que é mau, as escolas perdem sua segurança e entram nesta dúvida geral; como o padrão sempre foi o de uma escola fechada que repete o que lhe mandam repetir, a crise da escola significa o desencontro entre o “ser responsável por algo” e não ter “este algo claramente aceito”. (1999, p. 33). É de relevância o fato de que o supervisor escolar atue com visão coletiva, mostrando a importância (que detêm as relações interpessoais) aos professores, alunos e a todos os indivíduos que fazem parte da comunidade escolar. Para isso é importante que tal profissional detenha as habilidades de olhar, ouvir, falar e cuidar. Somente assim, o planejamento será, de fato, coletivo. Fullan e Hargreaves afirmam que: o isolamento e o individualismo possuem várias causas. É comum parecerem uma espécie de fraqueza de personalidade que se revela em competitividade, em atitude defensiva quanto à crítica e em uma tendência a acumular recursos. As pessoas, todavia, são criaturas de circunstâncias, e, quando o isolamento é disseminado, temos de perguntar o que há em nossas escolas que tanto contribui para que ele se crie. (2003, p. 20). Quando se fala em planejamento coletivo, o que se objetiva é demonstrar a importância de todos no processo de elaboração, aplicação e fiscalização do projeto político-pedagógico escolar. Nesse processo, os educandos também precisam, inexoravelmente, fazer parte das decisões da escola. Podem atuar nas decisões sobre o espaço em que convivem. A organização e a distribuição dos tempos e espaços escolares representam o poder exercido pelo adulto sobre a criança. À primeira vista, não é possibilitado à criança o exercício de participação e proposição de alternativas para a organização do seu próprio espaço, de modo que possa ocupá-lo e transformá-lo em lugar. Como observa Escolano (1998), o espaço escolar expressa e reflete determinados discursos, além de representar um elemento significativo do currículo, uma fonte de experiência e aprendizagem. Quando crianças, internalizamos as primeiras percepções do espaço, desenvolvemos nossos esquemas corporais e acomodamos nossos biorritmos aos padrões estabelecidos pelas organizações próprias do tempo escolar. Ao recordarmos nossas experiências escolares e ao pensarmos como eram as escolas de antigamente, podemos perceber que os espaços não são estruturas neutras, mas construções sociais que aprendemos e que condicionam a significação de aprendizado e os modos de educação. Assim, se defendemos a escola como lugar privilegiado da infância em nossa sociedade, precisamos repensar a construção, organização e ocupação dos edifícios escolares, sendo preciso, sim, repensar a importância das condições dos lugares escolares, para que possamos permitir que seus usuários se apropriem e vivenciem o espaço e as práticas ali desenvolvidas de modo a transformá-lo em lugar; um lugar cheio de sentido, que desperte o gosto pelo saber e que permita às crianças/adolescentes vivenciarem sua infância juntamente com seus pares. Para que a criança se aproprie da escola, transformando este tempo e espaço também em lugar de infância, é necessário que a ela seja permitido deixar suas marcas, seja através de uma pintura na parede, de um desenho no chão, seja participando da discussão, definição e organização desses espaços; enfim, dando-lhe oportunidade de opinar e discutir suas ideias e seus desejos. Assim, uma escola construída e organizada com crianças precisa respeitá- las como sujeitos de direitos, garantindo, no seu interior, direitos básicos, como: direito à educação, ao brincar, à cultura, à saúde e à higiene, a uma boa alimentação, à segurança, ao contato com a natureza, a espaços amplos por onde possa se movimentar, ao desenvolvimento da criatividade e da imaginação, ao respeito à individualidade e ao desenvolvimento de sua identidade; enfim, o direito a uma infância cheia de sentidos, possibilitando : à escola uma organização a partir dos sujeitos reais que nela ingressam, e quão a leitura do mundo antecede e dá sentido ao mundo da palavra. Essa antecedência é de cunho tanto cronológico quanto epistemológico, pois de fato é a experiência do mundo que dá sentido à experiência da escola. (NOGUEIRA, 2011, p. 20). O planejamento será, de fato, participativo e de qualidade somente quando envolver todos os indivíduos que formam a comunidade escolar. 2.3- Obstáculos enfrentados pelo supervisor escolar no planejamento Pedagógico São infinitos os desafios enfrentados diariamente pelo profissional da supervisão escolar e são, de todo modo, muito diversificados. Vasconcellos afirma acerca da necessidade do planejamento, que o fator decisivo para a significação do planejamento é a percepção por parte do sujeito da necessidade de mudança. É claro que se tudo vai bem, se nada há para se modificar na escola, para quê introduzir esse tal de “plano” É incrível, mas muitos professores parecem tão satisfeitos – ou alienados... – com suas práticas que não sentem necessidade nem de aperfeiçoamento. Talvez, se questionados sobre a escola, até tenham o que dizer; ou não, de medo que dizendo alguma coisa possa sobrar alguma tarefa para eles... Todo o trabalho da ideologia dominante vai no sentido de anestesiar a percepção das contradições e a consequente necessidade de mudança. (2002, p. 36). A ação do supervisor escolar é movida por qualidades que são necessárias à concretização de objetivos que foram traçados no próprio planejamento escolar. Para isso é preciso força de vontade para elaborar um trabalho que esteja voltado à transformação. Esse profissional necessita ser dotado de compreensão, empatia e consideração por aquilo que os outrospensam e estar conectado à realidade escolar, “oxigenando” esse espaço com provocações e ideias junto com seus pares, além de estar articulando ações integradas na comunidade escolar como um todo. É perceptível toda essa sensibilidade quando o tema em pauta é a formação continuada do professor. Nesse momento, o supervisor terá de estar com toda sua atenção voltada às características de cada professor, ao pensar e ao fazer de cada professor. E é nesse momento, com tantas diferenças reunidas, que novos conhecimentos poderão ser produzidos, bem como momentos de mudanças. Vasconcellos trata do planejamento como sendo uma prática desafiadora: A questão do planejamento é desafiadora, pois projetar é para o humano, e não poucas vezes estamos reduzidos em nossa humanidade, estamos desanimados, descrentes, cansados. Também no meio educacional – entre professores, membros de equipes de coordenação, direção, mantenedores, pais, funcionários, alunos, estão presentes forças de vida e de morte. Chegamos a nos sentir com ausência de desejo: quem quer a escola? Quem acredita na escola como caminho de construção de uma sociedade mais justa? Escola para quê? Simplesmente como meio de subsistência? (2002, p. 37). Todos esses meandros perpassam pelas responsabilidades do supervisor escolar. Ele deve lidar com todas as adversidades que permeiam a tarefa de planejar. Assim, Veiga-Neto (2002, p. 34) afirma que isso “tem sido entendido tanto numa acepção macro – em nível sistêmico, governamental, etc. quanto na acepção micro – em nível escolar ou mesmo de sala de aula”. O planejamento educacional deve objetivar, principalmente, transformações no cotidiano escolar, a fim de melhorar a qualidade do ensino e da aprendizagem. No que tange ao planejamento participativo, de acordo com Gandin (1984, p.13), “sua ação [está] na crença de que o melhor para as pessoas é aquilo que essas mesmas pessoas decidiram em seus grupos”. O planejamento participativo somente será de qualidade quando aqueles que atuam no meio decidirem sobre ele. E isso já se vê em outros campos, como no da política, por exemplo, que tenta trabalhar com a inserção do orçamento participativo, ação pela qual os próprios integrantes decidem sobre a destinação do orçamento público, dentre outras ações. Dessa feita, o planejamento educacional tem como objetivo analisar os problemas referentes à educação nacional, à estruturação e aos funcionamentos dos sistemas que norteiam a educação brasileira. A intenção é a melhoria da educação, do ensino no País, evidenciando os principais valores de cada pessoa e, principalmente, da escola na sociedade. O planejamento deve estar voltado para a visão global e de desempenho em longo prazo. Leciona Parente Filho (2003, p. 63) que o planejamento “é entendido como processo de mobilização dos meios para a realização de missão setorial ou organizacional”. Nesse sentido, planejar é adiantar uma atividade que será realizada e agir conforme o que foi previsto. Planejar é transformar. É descontruir paradigmas, reinventar o que já existe. Mais do que isso, é lutar pelo que é justo, pelo que é certo, pelo que é de direito de todos. Freire (2003, p. 38) afirma que “o destino do homem deve ser criar e transformar o mundo”. Conforme Vasconcellos relata, é possível a transformação da escola? Entendemos que, fundamentalmente, o que possibilita sua mudança é o fato da contradição estar também ali presente e não apenas fora dela, pois a escola não consegue ser um lugar isolado da sociedade – apesar deste parecer ser o sonho de certos educadores. Para além do otimismo ou pessimismo, temos que tomar a escola como local de contradições dialéticas. [...] Essas contradições, ao serem assumidas por vários segmentos da escola, passam a atuar ainda mais fortemente, ocupando mais espaço e provocando mais reação, o que vai exigir a definição mais clara de posições por parte de todos os membros da comunidade educativa. Por outro lado, à proporção que as contradições são postas a descoberto, são tematizadas, favorece-se a tomada de consciência, a superação do senso comum. (2002, p. 54). O indivíduo epistêmico forma-se pela sua própria ação. Ele interage sobre o meio objetivando alcançar suas necessidades. Essa atividade transforma o meio no qual ele vive. Ao modificar esse meio, o sujeito é confrontado com as resistências do meio. (BECKER, 2003, p. 35). Fullan e Hargreaves afirmam acerca da transformação do professor: se modificar o professor envolve modificar a pessoa que é, precisamos saber como as pessoas se modificam. Nenhum de nós é uma ilha; não nos desenvolvemos em isolamento. Nosso desenvolvimento dá-se através de nossas relações, em especial aquelas que estabelecemos com pessoas importantes para nós. Essas pessoas agem como uma espécie de espelho para nossos “eus” em desenvolvimento. Se em nossos locais de trabalho há pessoas que são importantes para nós e estão entre aquelas por quem temos consideração, eles terão uma enorme capacidade para, positiva ou negativamente, influenciar a espécie de pessoas e, por conseguinte, a espécie de professores que nos tornamos. (2003, p. 55). Transformar de modo epistemológico refere-se ao romper ações que imobilizam. As ações são decisivas, porquanto transforma o sujeito, o mundo, o meio no qual ele vive. O ato de planejar é uma ação importante às intenções de cada sala de aula, de cada escola e de cada comunidade escolar envolvida. 2.4 - Formação escolar, pedagogia e tecnologia O envolvimento da tecnologia na educação ganhou força nos anos 90 quando o governo federal prometeu distribuir 300 mil computadores às escolas e em 1997 lançou o Programa Nacional de Informática na Educação (PROINFO). Para TERUYA (2006) “O computador passa a ser considerado uma ferramenta educacional, não mais um instrumento de memorização, mas um instrumento de mediação na construção do conhecimento”. Dessa forma, a tecnologia torna-se um facilitador para o aprendizado facilitando o trabalho do supervisor na busca da qualidade do serviço educacional. Assim, para efetivar o uso da tecnologia, como ferramenta pedagógica, é necessário que o gestor busque mecanismos de investimento na formação do professor , pois ele precisa conhecer os recursos tecnológicos. Democratizar o espaço da escola, bem como, o uso dos recursos tecnológicos ali existentes, é um grande desafio aos educadores, pois exige, ação política, formação continuada aos docentes, compromisso, responsabilidade, e acima de tudo, muita vontade de mudar (MENDES, 2009) Considerando esta abordagem, acredita-se que os recursos tecnológicos podem contribuir no processo pedagógico, possibilitando, ao aluno, apropriar-se de uma maior gama. É consenso entre os autores que a utilização das tecnologias que permitem acesso rápido e imediato a fontes ampliadas de informação e agilizam seu tratamento, possibilitadas pelo computador, poderá ser uma alavanca para ajudar a escola a se transformar num local onde se constroem conhecimentos significativos e contextualizados (TERUYA, 2006; MENDES,2009). Para LIBÂNEO (2002), as transformações sociais, políticas, econômicas e culturais do mundo contemporâneo afetam os sistemas educacionais e os de ensino. A globalização dos mercados, revolução na produção e nas comunicações, transformação dos meios de produção e outros são fatores da contemporaneidade. Por isso a educação precisa sempre se atualizar, se adaptando a esses novos contextos como agente de mudanças, geradora de conhecimento, formadora de opiniões e atuar na sociedade de forma crítica e criativa. 2.5 - Análises de documentos oficiais que regulamentam o curso de Pedagogia no Brasil: Questionamentos acerca da docência como base da profissão do Pedagogo A Resolução CNE/CP nº. 1, de 15 de Maio de 2006, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o cursode Pedagogia, especialmente nos art.2 e 4, normatizam que os cursos de pedagogia “destinam-se a formação de professores para exercer funções de magistério na Educação Infantil, nos anos iniciais do ensino fundamental, nos cursos de Ensino Médio, na modalidade Normal, de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar e em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos”. Nesses artigos, está explicito que o curso de Pedagogia é essencialmente direcionado ao contexto escolar, a saber, a docência. No entanto, tem-se também explicitado que o curso de Pedagogia formará profissional para “(...) serviços e apoio escolar, em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos”, o que nos leva a entender que as atividades do pedagogo (a) vão além da docência. Estudiosos da educação, dentre eles Libâneo (2010) e Pinto (2011), questionam o fato de a pedagogia ser reduzida à docência, visto que, no entendimento destes autores, a docência é uma prática da pedagogia e não o inverso. Nesse sentido, a pedagogia atua nos processos educativos de forma efetiva e pontual, focada na intencionalidade das ações, nas quais estão inclusos o planejamento, a organização e a coordenação dos processos educativos e não apenas a atuação em sala de aula. No artigo Diretrizes Curriculares da pedagogia: imprecisões teóricas e concepção estreita da formação profissional de educadores, de José Carlos Libâneo (2006), tem-se a discussão em torno da natureza do conhecimento pedagógico, no qual o autor expõe pontual crítica ao conteúdo do documento e aponta as “imprecisões conceituais com relação ao campo pedagógico”. No referido artigo, o autor explica, de forma detalhada, as incongruências e imprecisões conceituais e normativas da Resolução, ao estabelecer um curso de pedagogia em licenciatura única. Além de não esclarecer quais são as definições operacionais do profissional formado em pedagogia, a Resolução deixa implícito que cada uma das modalidades seria uma área de atuação profissional (LIBÂNEO, 2006). Há uma incompletude, incoerência e falta de clareza no texto das DNC, uma vez que institui a formação do pedagogo como docente, mas ao mesmo tempo lhe atribui diferentes funções e exige amplo conhecimento pedagógico, ao passo que defini também que o pedagogo pode atuar em “(...) áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos” . Dessa forma, a ambiguidade do texto deixa margem para justificarmos nosso posicionamento frente às deliberações do documento (LIBÂNEO, 2006). A precária fundamentação teórica da Resolução, na qual se tem uma concepção simplista e reducionista da pedagogia à docência, leva ao entendimento genérico das atividades docentes e simplificam o campo de atuação científico da pedagogia, trazendo assim prejuízos para a educação escolar e para a definição da identidade profissional do pedagogo (LIBÂNEO, 2006). Libâneo (2006) afirma que “todo trabalho docente é trabalho pedagógico, mas nem todo trabalho pedagógico é docente”. Distinguindo a ação educativa e a ação docente, a atividade pedagógica e a atividade administrativa. Ressalta também que a natureza constitutiva da pedagogia a é teoria e a prática da educação ou da formação humana, ou seja, a reflexão sistemática acerca do fenômeno educativo em todas as suas dimensões. Assim, o autor propõe a discussão ampla da importância do conhecimento pedagógico específico, identificado e instituído pela presença de especialista de educação nas escolas, pontuando as diferenças entre docência e gestão, que aparece de forma equivocada na Resolução que, ao dispor as atribuições do pedagogo (a), mistura objetivos, conteúdos, apresentando conceitos ambíguos e confusos com base epistemológica insuficiente (LIBÂNEO, 2006). Por esse e por outros fatores apresentados ao longo do artigo, o autor combate à ideia de que a base da formação de pedagogos é a docência. Para diferenciar e conceituar docência e gestão traz uma citação de Paro (1986, apud LIBÂNEO, 2006) defendendo a afirmação de que, (...) todo professor precisa aprender a participar das formas de organização e gestão da escola é algo inquestionável. A crítica é ao conceito de gestão presente na Resolução, à equivocada identificação entre atividade docente e atividades gestora, e entre competência do professor para participar da gestão e área de atuação profissional. Trata-se, na verdade, de conceitos distintos. O docente é aquele que ensina para o aluno aprenda o que necessita para inserir-se de forma crítica e criadora na sociedade em que vive. O gestor é o que dispõe e coordena a ut ilização adequada e racional de recursos e meios, organiza situações, para a realização de fins determinados (LIBÂNEO, 2006, p.7). Entendemos, com base nas teorias apresentadas, que a falta de clareza das definições apresentadas na Resolução pode comprometer o funcionamento da gestão escolar, à medida que não esclarecem quais são as competências específicas do gestor e do docente. O desafio lançado está em se estruturar um curso de formação que abranja de forma significativa os dois lados da questão. Ou seja, um professor capacitado para lecionar e gerir sistemas educacionais. Por sua vez, Farias (et al, 2009) afirma que o professor ou o docente é quem lida diretamente com a disposição dos saberes aos alunos, mediando os processos de ensino aprendizagem. Esse sujeito articula conhecimentos multidimensionais, sequenciando os saberes de forma a alcançar seus objetivos, ou seja, ensinar. Ensinar é uma atividade interativa mediada pelo entendimento discursivo entre o professor, os alunos e o conhecimento; tem caráter explícito, intencional e organizado. O professor, embora não seja o único praticante, é aquele socialmente reconhecido como responsável pela concretização do ato de ensinar no âmbito escolar (FARIAS et al, 2009, p.86) Diferentemente da atividade docente, voltada basicamente ao ensino, a atividade de gestão abarca outros aspectos e engloba dimensões mais amplas dos processos educativos. O gestor é responsável, dentre outras funções, pela coordenação, planejamento e potencialização dos meios e recursos disponíveis para tornar viáveis os processos educativos. Dessa forma, lida com inúmeras situações que vão além da sala de aula e, por esse motivo, necessita de uma formação voltada para a gestão educacional. No entanto, a docência e a gestão não podem ser processos fragmentados e dicotomizados. A gestão escolar necessita da participação de todos os sujeitos que compõem a escola. Dessa forma, ao compreendermos a escola e os processos educativos como a somatória das ações direcionadas a este fim, afirmamos que a Educação, a Docência e a Pedagogia estão intrinsecamente ligadas, inter-relacionadas, se complementam e ao mesmo tempo se distinguem quanto à natureza epistemológica. Na mesma direção dos posicionamentos apresentados até aqui, encontramos os estudos de Umberto Pinto (2011), que no livro Pedagogia Escolar e Coordenação: Pedagógica e Gestão Educacional, compartilha das ideias de Libâneo e aborda a importância do trabalho do Pedagogo escolar. O autor analisa as Diretrizes Curriculares para o curso de Pedagogia (2006) e coloca-as como incongruentes ao afirmar a docência com base da formação do Pedagogo. A priorização da formação de professores em detrimento à formação de especialistas de ensino, explicaria a desvalorização do Pedagogo Escolar (PINTO, 2011, p.18). Assim, o autor postula que há, portanto, “a distorção do princípio da docência ser a base de formação do pedagogo, (...) ideia que alimentou o discurso de que a experiência docente é suficiente para atuar como pedagogo” (PINTO, 2011, p.18). Esses estudos acerca da atuação do pedagogo escolar mostram que o trabalho desse profissional envolve as dimensões coletivas, culturais e sociais, voltado para a reflexão críticasobre a prática, e, portanto, direcionado “a superação das contradições”, ainda muito presentes no âmbito das práticas educativas (PINTO, 2011, p. 76). O pedagogo participa dos processos educativos escolares em dois níveis diferentes. Inicialmente, ele part icipa dos processos de ensino e aprendizagem conduzidos pelos professores em sala de aula. Nesse nível de atuação, sua intervenção é de mediação – ao subsidiar as atividades docentes e discentes que ali ocorrem. Porém, o pedagogo escolar participa também dos processos educativos que se manifestam fora da sala de aula. Nos outros espaços escolares sua atuação pode mesmo ser de forma indireta: ao orientar, por exemplo, os demais funcionários da escola sobre a dimensão educativa do trabalho que desenvolvem junto aos alunos, mas também uma ação educativa direta quando atende e orienta alunos e pais de alunos (PINTO, 2011, p. 77). Dessa forma, sabemos - baseados nas experiências práticas e também em referenciais teóricos - que o fazer pedagógico vai muito além das salas de aulas e demanda conhecimentos específicos acerca dos fenômenos pedagógicos. “Não é possível mais afirmar que o trabalho pedagógico se reduz ao trabalho docente nas escolas (...), o pedagógico e o do docente são termos inter-relacionados, mas conceitualmente distintos” (LIBÂNEO, 2010, p.14). De acordo com Pinto (2011), “a Pedagogia Escolar re fere-se à área da Pedagogia que estuda as questões relacionadas à educação escolar e às áreas de atuação dos pedagogos nas escolas”. Além disso, ressalta que a atuação do pedagogo vai além do exercício da docência e exige ações pautadas em uma sólida formação pedagógica - ações desenvolvidas a partir de estudos sobre processos de ensino e aprendizagem, que ocorrem tanto em sala de aula como fora dela, reafirmando assim a importância do pedagogo escolar. A escola, como instituição educacional cada vez mais complexa, necessita da mediação profissional do pedagogo escolar no desenvolvimento qualitativo dos processos de ensino e aprendizagem que nela ocorrem. Os professores sozinhos não garantem uma aprendizagem significativa aos alunos. Assim, além dos profissionais da esfera operacional e administrativa, uma aprendizagem de efetiva qualidade demanda intervenções pedagógicas e educacionais sejam do diretor, do vice—diretor, do coordenador pedagógico ou orientador educacional. Para tanto, esses profissionais devem ter uma formação específica e especializada na área pedagógica: uma formação que ocorra no âmbito da Pedagogia (PINTO, 2011, p.16). Na citação acima, o autor explicita claramente que os profissionais que atuam na coordenação, direção e orientação educacional nas escolas, devem ser formados em Pedagogia. Porém, sabe-se que nem sempre é assim, pois ao longo dos anos vários embates políticos e mudanças ocorreram em relação ao currículo de formação de professores e de formação de Pedagogos e, hoje, a realidade da atuação dos pedagogos varia de acordo com as propostas educacionais das secretarias de cada estado ou município. Assim, ressaltamos que não pretendemos supervalor izar o pedagogo e, muito menos, desmerecer o trabalho docente, e sim destacar que o pedagogo possui funções e formação específicas que são diferentes das atribuições docentes. Docência e Pedagogia são ao mesmo tempo diferentes e inter-relacionadas, pois as práticas pedagógicas que ocorrem no âmbito escolar são inerentes e intrinsecamente ligadas tanto à docência quanto à pedagogia. Assim, são indispensáveis para a concretização de quaisquer projetos educativos que visem justamente superar as contradições e fragmentações, ainda presentes no ambiente escolar. Portanto, esses esclarecimentos se fazem necessár ios para que possamos mapear as atribuições legais do Pedagogo Escolar e, assim, compreendermos de que forma ocorrem as organizações dessas atribuições e funções no interior da escola. Ou seja, buscamos compreender quais vieses perpassam a estruturação da identidade do pedagogo, quais funções esses profissionais realmente desempenham na educação escolar e quais são os pontos determinantes de configuram o real papel do Pedagogo Escolar. 2.6 - Relação entre Pedagogia e Educação Em virtude do amplo conceito de educação, de sua complexidade e de seu caráter de humanização, constatamos a importância da Pedagogia que se “desenvolveu em intima relação com educação” (SAVIANI, 2007, p.100), visando compreender e intervir na educação por meio de processos intencionais e sistemáticos, a part ir de conhecimentos construídos especificamente por este e para este fim. Educação e Pedagogia são dois conceitos distintos, mas com uma interdependência orgânica: o primeiro , como prática, “depende de uma diretriz pedagógica prévia”; o segundo, como ciência, “depende de uma práxis educacional anterior” (PIMENTA, 2001, p.56 apud FARIAS, 2009, p.24). Portanto, não há como falarmos de educação, ou de processos educativos, separadamente das teorias da Pedagogia. Como dito anteriormente, a educação é um fenômeno social e não há sociedade sem prática educativa. De acordo com Cruz: A Pedagogia, desde a antiguidade clássica, vem sendo pensada correlativamente à educação, justamente no que se refere ao processo de compreensão da educação e das formas pelas quais os homens identificam, (re) elaboram e fomentam entre si e nos outros os aspectos culturais que necessitam ser apropriados para a preservação da sua espécie, ou seja, da humanidade produzida historicamente pelas gerações (CRUZ, 2011, p.163). Analisando a afirmação de Cruz (2011), compreendemos a importância do (a) Pedagogo (a) como profissional investigador e articulador dos processos educativos, visto que esse (essa) atuará diretamente com a sistematização das práticas e dos processos educativos, de forma intencional, assim como tem sido concebidas as práticas educacionais realizadas no espaço escolar (LIBÂNEO, 2001). A pedagogia reúne um conjunto de disciplinas especificamente pensadas para os estudos das problemáticas da educação, objeto central de investigação da pedagogia. A amplitude dos temas e a importância da educação na sociedade colocam a pedagogia como indispensável e imprescindível no processo de formação e análise das práticas educativas. (...) A Pedagogia é uma área de conhecimento relevante para se compreender o lugar que a educação ocupa no desenvolvimento social, assim nos leva ao posicionamento de que a educação tem um papel fundamental na vida da sociedade, pois dependendo do seu lugar e do seu papel no desenvolvimento da sociedade humana, são definidos os fins e objetivos para se encaminhar soluções para os problemas educacionais no que se refere à organização e aos métodos de ensino (BERNARDES, 2012, p.77) Na citação acima, Bernardes (2012) afirma que é por meio da Pedagogia que compreendemos o lugar da educação no desenvolvimento social e a vemos como fenômeno social, atividade humana, da qual a Pedagogia se encarrega de investigar, com objetivo de transformação dessa realidade. A Pedagogia, mediante conhecimentos científicos, filosóficos e técnicos profissionais, investiga a realidade educacional em transformação, para explicar objetivos e processos de intervenção metodológica e organizativa referentes à transmissão/assimilação de saberes e modos de ação (LIBÂNEO, 2010, p.32). Assim, considerando as postulações apresentadas, afirmamos a indiscutível interdependência entre Educação e Pedagogia, e, portanto, defendemos que esta última não pode ser reduzida à prática docente, ou seja, o pedagogo não é apenas um professor. A Pedagogia envolve as dimensões constitutivas e estruturais dos processos de ensino aprendizagem, que não se aplicam apenas a ambientes escolares, mas abarcam qualquer tipo de prática educativa, visto que engloba processos amplos e complexos que não são apenas deordem metodológica, mas estruturais e organizativos. REFERÊNCIAS ARROYO, Miguel. A contribuição do pensamento de Paulo Freire para a construção do projeto popular para o Brasil. 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