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Anatomia Interna A adequada intervenção endodôntica requer o conhecimento detalhado da configuração interna dental. Foram desenvolvidas várias técnicas visando estudar a morfologia dos grupamentos dentários. Considerando que a radiografia fornece apenas a imagem bidimensional, muitos detalhes poderão passar despercebidos. Posição dos dentes na arcada dentária, desvios da direção radicular como decorrentes da adaptação da raiz à direção dos vasos sanguíneos e nervos: Teoria da Hemodinâmica. Anatomia das cavidades pulpares e posição dos dentes superiores e inferiores na arcada dentária, sentido mesiodistal e sentido vestíbulopalatin o. Inclinações médias em graus dos dentes nos arcos dentários, sentidos mesiodistal e vestíbulopalatin o. Considerações preliminares Em um mesmo indivíduo não existem dois dentes iguais, comprimento, largura e dimensões coronárias e radiculares, morfologias externa e interna, número e trajeto de canais radiculares e inclinações dentárias nas arcadas. Em todo dente existem duas porções distintas: uma livre - coroa e outra implantada no osso - raiz. Há dentes que só possuem uma raiz (unirradiculares), outros apresentam, duas (birradiculares) ou mais raízes (multirradiculares). A sua vez, toda raiz possui, normalmente, um ou dois canais, esta última, nos casos de achatamento proximal acentuado. Cavidade pulpar A polpa dentária, o único tecido mole do dente, está protegida no interior das estruturas calcificadas numa cavidade denominada cavidade pulpar. Esta é limitada pela dentina coronária e pela dentina radicular, reproduzindo a morfologia externa do dente. A cavidade pulpar está dividida em duas partes: câmara pulpar e canal radicular. ICSup - Vista vestibular Câmara pulpar: O número de faces que compõe a câmara pulpar depende do número de canais que o dente contém e do grupo dental a que pertence. Assim, a câmara pulpar dos incisivos e caninos portadores de apenas um canal tem 5 paredes: mesial, distal, vestibular, lingual ou palatina e incisal. ICSup - Vista vestibular ICSup - Vista proximal 1o. PMI - vista vestibular 1o. PMI - vista proximal 2o. PMS - vista vestibular 2o. MI - 1 canal Finalmente para os casos de pré-molares e molares, superiores ou inferiores, que contém mais de um canal a câmara pulpar possui as 5 faces já citadas e mais o assoalho. 1o. PMS com 2 canais - vista proximal 1o. PMI com 2 canais - vista proximal 1o. PMI com 2 canais - vista vestibular 1o. MI - vista vestibular 1o. MS - vista proximal O teto da câmara pulpar dos pré-molares e molares é a sua face oclusal, enquanto que o teto da câmara pulpar dos dentes anteriores corresponde à sua face incisal. De modo geral, a câmara pulpar dos incisivos, caninos e pré-molares superiores localiza-se no centro do dente; já a dos pré-molares e molares inferiores, situa-se do centro para mesial. ICS CS PMS PMI MS MI Com relação ao canal radicular, seu início confunde-se com o término da câmara pulpar nos dentes portadores de um canal (a nível do colo anatômico do dente) e nos dentes com mais de um canal começa no assoalho da câmara pulpar. Composição da câmara pulpar A - Assoalho C - Cornos pulpares P - Paredes T - Teto ICS MI Para estudar a anatomia interna, vários métodos foram introduzidos, desde a injeção de borracha líquida e sua posterior vulcanização no interior dos dentes, diafanização e atualmente a microtomografia. 1o. PMI 1o. PMS https://www.endo-e.com/images/Anato_Interna/MetEstAnato.htm 2o. PMI Histológico ● CDC - Junção Cemento Dentina Canal ● D - dentina ● C - cemento ● Menor diâmetro do canal se dá: 42% Dentina e 32% CDC ● Distância da Junção CDC ao vértice em média é 0,7mm, porém na prática clínica essa medida torna-se 1mm. Geralmente o canal radicular apresenta o mesmo trajeto da raiz a que pertence. Pode ser, portanto, reto, curvo e sinuoso. Salienta-se novamente que, no terço apical o canal costuma mudar de direção, mesmo em raízes retilíneas, apresentando o forame localizado para-apicalmente. ICS A desembocadura do canal nas imediações do ápice raramente coincide de forma retilínea, geralmente em um dos lados da raiz (seta). ICS Aspecto da macroconfiguração da cavidade pulpar, revelado pela técnica da diafanização onde se pode ver o verdadeiro labirinto da anatomia interna dental ou o sistema de canais radiculares, após as considerações básicas da anatomia interna (coroa, raiz, esmalte, dentina, câmara pulpar, cemento, canal radicular e ápice). O sistema de canais radiculares não é formado exclusivamente por canais únicos, e sim por um emaranhado de canais, como podemos observar a seguir: https://www.endo-e.com/images/Anato_Interna/MetEstAnato.htm O forame apical distancia-se do ápice radicular, podendo esta distância variar entre 0,5 à 3,0mm, lateralmente da raiz, com maior freqüência para distal: D - 48%. C- centro do ápice. Cirurgia de Acesso Endodôntico A cirurgia de acesso (CA) endodôntico destina-se ao acesso à câmara pulpar e canal radicular, valendo-se de brocas de alta rotação (AR) diamantadas e carbide. Por meio do ponto de eleição (PE), direção de trepanação (DT) e forma de conveniência (FC) alcançamos o acesso à câmara pulpar. A localização ou exploração do canal radicular deve ser feito por meio de explorador modificado (ponta reta) para canais amplos ou instrumentos endodonticos manuais do tipo K, de fino calibre para canais conscritos, de preferência número 15, 21mm, devido a maior resistência a flexocompressão, sempre vinculado à dependência do volume da entrada do canal. Após a localização e exploração do canal radicular, sempre aquém do CRI passaremos para o preparo da entrada do canal ou preparo cervical, valendo-se das brocas de Largo e Gates-Glidden (baixa rotação), respectivamente, e de número compatível ao diâmetro do canal. Após a fase de odontometria e determinação do comprimento real de trabalho - CRT utilizaremos instrumentos endodônticos - limas para acesso e confirmação do CRT, nunca inferior ao número 15, devido facilidade de visualização e confirmação radiográfica. No acaso de canais conscritos, esvaziar e ampliar com instrumentos 08 e 10 o suficiente para conceder o instrumento número 15. Para os dentes anteriores o ponto de eleição (PE) situa-se nas imediações do cíngulo (face palatina), a direção de trepanação (DT) é perpendicular à face palatina e a forma de conveniência (FC) é triangular de base incisal para os incisivos. Observar ponto de eleição PE e forma de conveniência FC para os incisivos, com formato triangular com base para incisal Notar que, o ponto de eleição PE localiza-se nas proximidades do cíngulo e a forma de conveniência FC têm base maior para incisal e, todas as paredes acompanham a anatomia externa coronária, mantendo as paredes eqüidistantes, resguardando a estética e principalmente a resistência do elemento dentário que sofreu intervenção endodõntica. Valendo-se da broca (AR) 1033 (tronco-cônica invertida) precederemos com um pique no ponto de eleição (PE), para que o inicio da cirurgia de acesso possa acontecer sem deslizes da broca da broca esférica durante este procedimento. Pique no PE com broca 1033 Inicio da cirurgia de acesso endodôntico com broca esférica diamantada Observar a linha em azul: longo eixo do dente e a verde: linha paralela à face palatinado ICS A direção de trepanação, trata-se de um procedimento dinâmico, começa perpendicular à face palatina e termina paralelo ao longo eixo do dente. Aliás, o procedimento de trepanação e algo desejável, do contrário seria uma perfuração, acidente ou algo indesejável. Trepanação: alcançar uma cavidade pré existente - câmara pulpar. Broca perpendicular à face palatina do dente Atenção para dinâmica de trepanação, veja que no inicio a broca localiza-se perpendicular à face palatina (1), tendendo ao longo eixo do dente, assim que aprofundamos (3), conjuntamente com a trepanação, conformando a forma de conveniência com brocas, esféricas diamantadas atuando em esmalte e carbide em dentina. Entretanto, necessário se faz, utilizar brocas de haste longa (HL) - carbide, para facilitar a iluminação e visão do operador. 1 3 Para a seleção da broca utilizada para a CA devemos levar em consideração o volume da cãmara pulpar, valendo-se da radiografia de diagnóstico, seta amarela: Broqueiro endodôntico para CA e Preparo Cervical Brocas AR esféricas diamantadas: 1011, 1013 e 1015 - seleção do tamanho Volume da câmara pulpar DT e esboço da CA com broca esférica diamantada FC com broca carbide de haste longa (HL) buscando a trepanação Trepanação Acesso à cãmara pulpar e seu preparo: Fase 1: esmalte - broca diamantada Fase 2: dentina - broca carbide Fase 3: desgaste compensatório Verificar a presença de teto da câmara pulpar com explorador no. 5 angulado, com tração para oclusal, como também, a presença de concrescênci a na palatina ou lingual, valendo-se do explorador no. 5 modificado, de ponta reta. Observar que, a presença de teto da câmara pulpar impossibilita a remoção da polpa ou do conteúdo tóxico necrótico da região indicada pela seta. Entretanto, a presença de concrescência (seta) inviabiliza a ação do instrumento em grande parte da parede palatina ou lingual, impossibilitando a sanificação durante o PQC do canal radicular. A remoção do teto da câmara pulpar pode ser feita com broca AR esférica carbide HL ou em baixa rotação (CA - contra ângulo), valendo-se da tração para oclusal, testar antes com a broca sem rotação, verificando aonde a mesma prende. A manobra descrita, também pode ser feita com broca tronco-cônica de ponta inativa - AR 3083, aliás, daremos preferência. Presença de teto, seta Broca AR esférica carbide HL Broca CA esférica carbide HL Broca tronco-cônica de ponta inativa - AR número 3083 Com relação a concrescência palatina ou lingual (seta) a mesma pode ser parcialmente removida com brocas esféricas AR ou CA, porém, a broca AR3083 (conforme figura) seria a melhor escolha, principalmente no início do treinamento acadêmico. Entretanto, após remoção da concrescência podemos também fazer o refinamento da forma de contorno (geometria), neste caso triangular com base para incisal, com a mesma broca. Utilizar a broca em forma de chama de vela para acabamento do ângulo cavo superficial, removendo todos os prismas de esmalte sem suporte dentinário, melhorando desta forma o selamento provisório posterior entre sessões. Broca em forma de chama de vela ou pera - AR no. 1111, para acabamento de resina. Contorno externo: forma de conveniênci a FC Contorno interno: orifício de entrada do canal Prof. Dr. Bombana, A. C. Preparo do orifício de entrada do canal - Preparo Cervical: Localização e exploração da entrada do canal com a ponta reta do explorador ou instrumento de fino calibre, lima tipo K número 15, com 21mm. Justifica-se este comprimento, devido maior resistência a flexocompressão quando comparado aos instrumentos de 25 e 31mm. Caso necessário, ampliar a entrada de canais conscritos com instrumentos manuais, normalmente números 15, 20 e 25 (21mm), Utilizar brocas de Largo e Gates-Glidden, de número compatível ao diâmetro do canal, respectivamente. Brocas de Largo, disponíveis nos comprimentos 28 e 32mm, para dentes posteriores e anteriores, respectivamente, e, com tamanhos (diâmetros) de 1 a 6, identificável pelo no. de traços no cabo Gates-Glidden, idem a Largo Exploração do canal com explorador de ponta reta e ou lima tipo k número 15. Entretanto, devido amplitude do canal, o explorador de ponta reta cumpriria satisfatoriament e seu papel. Uso da broca de Largo, compatíve l ao diâmetro da entrada do canal, utilizar sempre em rotação e não forçar, apenas o peso. Importante salientar que, as brocas de Largo e Gates-Glidden possuem pontas embotadas (sem corte), evitando desgastes indevidos no interior do canal radicular. Observar que o instrumento endodõntico após a cirurgia de acesso, forma de conveniência e preparo cervical adequados, atua em todas as paredes do canal radicular, preservando a resistência e a estética coronária do elemento dentário, do contrário, bastaria cortar a coroa e acessar o canal radicular. Odontometria Medidas Odontométricas Seria ideal, se fosse possível, medir o dente fora da cavidade bucal, com auxílio de um paquímetro de precisão. O comprimento do dente 21, do ápice dentário à borda incisal, neste caso é 27,5mm. O comprimento endodôntico de trabalho para dentes portadores de polpa viva (PV) seria 26mm e, para polpa morta (PM) 26,5mm, devido razões anatômicas, biológicas e patológicas ligadas a reparação após tratamento endodôntico. Material necessário: Kit com posicionadores radiográficos ou suporte porta filme tipo Han Shin autoclaváveis, são compostos pelo anterior (superior e inferior), direito superior e inferior esquerdo e, esquerdo superior e inferior direito. A técnica radiográfica utilizada é do paralelismo. Durante o treinamento endodôntico laboratorial ou clínico os posicionadores radiográficos devem ser utilizados, como segue: Tomada radiográfica inicial ou de diagnóstico para tratamento endodôntico com o posicionador para dentes anteriores, filme colocado na posição vertical (afastar a lingueta no manequim, tanto para superiores e inferiores) e com picote para incisal. Tomada radiográfica inicial ou de diagnóstico para tratamento endodôntico com o posicionador para dentes posteriores, filme colocado na posição horizontal (afastar a lingueta no manequim, tanto para superiores e inferiores) e com picote para oclusal. Tomada radiográfica inicial ou de diagnóstico para tratamento endodôntico com o posicionador para dentes anteriores, filme colocado na posição vertical e com picote para incisal. A radiografia inicial do tratamento endodôntico, além de fazer parte do exame complementar ao diagnóstico clínico provável também será importante para o planejamento do tratamento, como por exemplo para análise do número de raízes, volume da câmara pulpar e canal radicular, presença de nódulos, reabsorções radiculares ou ósseas perirradiculares, curvaturas radiculares, rizogênese incompleta ou completa, entre outras. Nota: Após a cirurgia de acesso a exploração da entrada do canal é feita com explorador de ponta reta para dentes com a câmara pulpar volumosa e, com lima do tipo K, número 15, 21mm de comprimento e pré-curvada (para ampliar a área de exploração) para dentes que possuem pouco volume na câmara pulpar. O preparo da entrada do canal, normalmente é feito com brocas de Largo e Gates-Glidden de tamanhos compatíveis, respectivamente. O esvaziamento do canal, de forma geral é feito, por meio da associação do hipocloritode sódio a 1% e instrumentos do tipo K, de fino calibre, sempre renovando a substância química, com farta irrigação e aspiração, valendo-se das cânulas fina e calibrosa, respectivamente. Técnica da Odontometria Na realidade, não existe um procedimento de odontometria capaz de atender a todos os casos. Aliás, a literatura endodôntica registra vários métodos de mensuração que comportam entre si múltiplas diferenças no que tange aos seus fundamentos e metodologia de execução. Por essa razão, nos ateremos a uma metodologia simples, que tem sido usada, com boa margem de sucesso, na clínica privada e ambulatorial. A descrição da técnica utilizada por esta Disciplina é representada pela técnica de Ingle (1957) modificada, como segue (passos 1 ao 7): 1-) A partir da radiografia de diagnóstico do dente 21 (polpa morta), tomada com a técnica do cone longo ou paralelismo, medimos com auxílio do negatoscópio, lupa e régua milimetrada transparente, o comprimento do dente, calcado nos dois pontos referenciais: o incisal ou oclusal e o vértice radiográfico de cada raiz, transferindo a medida para a ficha, com o nome de Comprimento Aparente do Dente (CAD). Radiografia de Diagnóstico ou Inicial do tratamento endodôntico do dente 21, tomada com a técnica do Paralelismo. Mante r a centralização do dente em questão Mensuração do Comprimento Aparente de Dente (CAD), por meio da radiografia inicial, negatoscópio radiográfico, régua, lupa e sobreluvas Radiografia de Diagnóstico ou Inicial do tratamento endodôntico, tomada com a técnica do Paralelismo CAD = 22mm, obtido pela distância em milímetros do vértice radiográfico e borda incisal 2-) A partir do CAD, subtraímos 3mm ou 5mm, dependendo da técnica preconizada pelo Curso de Endodontia, transferindo o resultado para o instrumento de odontometria: CAD - 3mm ou - 5mm = CRI ou CI (Comprimento Real do Instrumento ou Comprimento Inicial). A subtração de 3mm ou 5mm do CAD é devido possíveis distorções da imagem na radiografia de diagnóstico, esse espaço serve como margem de segurança para que os tecidos apicais e periapicais não sejam traumatizados quando da introdução do instrumento no canal radicular. Para o Endodontista experiente, pode-se subtrair até 1mm a partir do CAD, em função do aprimoramento das técnicas radiográficas, muitas vezes com mínima distorções. 3-) Introduz-se no canal o instrumento até o valor do CRI ou CI, ficando aquém do vértice radiográfico. Cumpre advertir que o instrumento deve ficar justo no canal, pois do contrário, corre-se o risco de movimentação durante a tomada radiográfica. Feito isto, radiografa-se o dente, procurando a menor distorção possível, por meio da técnica da Bissetriz Excêntrica. Transferir a medida (CRI ou CI) para um instrumento endodôntico do tipo K compatível com o comprimento e diâmetro do canal, ou seja, que fique justo, sem forçar, usando-se o número de limitadores de silicone necessários para marcar essa medida. Usar neste momento a régua endodônica milimetrada. O instrumento escolhido deve ser aquele com o comprimento mais próximo do CRI ou CI. O uso de limas números 06, 08 e 10 não são recomendados, devido suas pontas serem muito delgadas e com pequena radiopacidade e praticamente desaparecem, tornando-as imperceptíveis na imagem radiográfica, sempre utilizar no mínimo o instrumento número 15, caso seja volumoso para o diâmetro do canal, ampliar com limas de número inferiores previamente. Introduzir o instrumento no canal. Conferir se o limitador que determina o CRI/CI encosta perfeitamente na referência escolhida, incisal ou ocl usal. Neste exemplo foi subtraído 3mm do CAD. Atenção para o correto posicionamento do grampo 211, é comum o graduando adaptar de forma invertida. CRI ou CI com 19mm Obs.: lima tipo K no. 40 (cor preta) de 21mm, calibrada com limitador de 2mm, possuindo 19mm de comprimento Posicionamento da lima devidamente na referência incisal, sendo que foram introduzidos 19mm Observar que, devido o grampo, a posição do filme radiográfico fica praticamente "paralela" ao longo eixo do dente, diminuindo significativamente a possibilidade de distorção na imagem. Técnica radiográfica da Bissetriz Cêntrica com incidência do feixe de raios X no centro do dente, conferindo menor distorção neste, porém a incisal e principalmente o ápice sofrerão imagens radiográficas distorcidas ou alongadas Técnica radiográfica da Bissetriz Excêntrica com incidência do feixe de raios X no ápice do dente, conferindo menor distorção neste, porém a coroa e terço cervical radicular sofrerão imagens radiográficas cortadas ou distorcidas / alongadas (sem nenhum problema) Técnica radiográfica da Bissetriz Exêntrica com incidência do feixe de raios X no terço radicular apical, seta vermelha Radiografia para cálculo do X, tomada com a técnica da Bissetriz Excêntrica. Manter a centralização do ápice no filme radiográfico 4-) Processada a radiografia, mede-se, com o auxilio do negatoscópio, lupa e régua milimetrada transparente, o espaço entre a ponta do instrumento e o vértice radiográfico. A esta medida teremos um valor X. Radiografia do CRI ou CI Mensuração do Comprimento Real do Instrumento (CRI) ou Comprimento Inicial (CI), por meio do negatoscópio radiográfico, régua, lupa e sobreluvas Neste caso o X = 3mm, porém dependendo das distorções o X poderá ser zero, 1, 2, 4, 5, 6mm... Visualização com a lupa de aumento, X = 3mm 5-) De posse desta medida X (neste caso foi igual a 3mm) iremos acrescentar (somar) ao valor determinado pelo CRI ou CI, totalizando desta forma o valor do Comprimento Real do Dente ou Comprimento do Dente (CRD / CD = CRI / CI + X ). 6-) Com estes valores poderemos indicar o Comprimento Real de Trabalho (CRT) ou Comprimento de Trabalho (CT). 6.1- Dentes com polpa viva. Esta condição implica instrumentar o canal há cerca de 1,0 a 1,5 mm do CRD / CD, dependendo da Escola que você faz parte pode ser até 2mm. Polpa viva: CRT / CT = CRD - 1,0 mm a 1,5 mm 6.2- Dentes com polpa morta. De modo geral ao recuarmos 0,5 a 1,0 mm do vértice radiográfico estaremos no CRT / CT. Polpa morta: CRT / CT = CRD - 0,5 mm a 1,0 mm Transferir a medida (CRT ou CT) para um instrumento endodôntico do tipo K compatível com o comprimento e diâmetro do canal, ou seja, que fique justo, sem forçar, usando-se o número de limitadores de silicone necessários para marcar essa medida. Usar neste momento a régua endodônica milimetrada. O instrumento escolhido deve ser aquele com o comprimento mais próximo do CRT ou CT. O uso de limas números 06, 08 e 10 não são recomendados, devido suas pontas serem muito delgadas e com pequena radiopacidade e praticamente desaparecem, tornando-as imperceptíveis na imagem radiográfica. Introduzir o instrumento no canal. 7-) Processada a radiografia, mede-se, com o auxilio do negatoscópio, lupa e régua milimetrada transparente, o espaço entre a ponta do instrumento e o vértice radiográfico, dependendo se é polpa viva ou mortificada, esta distância pode ser de 0,5 à 1,5mm. Técnica radiográfica da Bissetriz Excêntrica com incidência do feixe de raios X no ápice do dente, conferindo menor Técnica radiográfica da Bissetriz Exêntrica com Radiografia para confirmação do CRT ou CT, tomada com a distorção neste, porém a coroa e terço cervical radicular sofrerão imagens radiográficas cortadas ou distorcidas / alongadas (sem nenhum problema) incidência do feixe de raios X no terço radicular apical, seta vermelha técnica da Bissetriz Excêntrica. Manter a centralização do ápice no filmeradiográfico Radiografia do CRT ou CT Mensuração do Comprimento Real de Trabalho (CRT) ou Comprimento de Trabalho (CT), por meio do negatoscópio radiográfico, régua, lupa e sobreluvas Neste caso (polpa morta) a distância desejada foi 1mm Visualização com a lupa de aumento, CRT ou CT = 21mm, mantendo-se a distância de 1mm do vértice radiográfico Por vezes, necessário se faz acrescentar ou recuar de 0,5 à 1mm no CRT ou CT, em função ainda das distorções radiográficas, normalmente não é necessário fazer nova tomada radiográfica após esse ajuste. Entretanto, para valores superiores é recomendado confirmar radiograficamente as alterações efetuadas no CRT ou CT. Para os cálculos odontométricos foram necessárias 3 radiografias: a inicial com a técnica do paralelismo, cálculo do X com a técnica da bissetriz excêntrica e a confirmação do CRT ou CT com a técnica da bissetriz excêntrica. Observar a coincidência das aletas vestibular e palatina dos grampos nas radiografias para cálculo do X e de confirmação do CRT ou CT, mostrando que o feixe de raios X incidiu perpendicular à bissetriz formada entre o longo eixo do dente e do filme, normalmente, quando as aletas são dissociadas na radiografia, o ângulo vertical pode estar indevid. Dente 21, RX inicial RX cálculo do X RESUMO - Cálculos odontométricos para o dente 21, portador de polpa morta: CAD = 22mm 22 - 3mm = CRI ou CI CRI ou CI = 19mm X = 3mm CRI ou CI + X = CRD 19 + 3 = 22mm CRD ou CD - 1 = CRT ou CT 22 - 1 = 21mm CRT ou CT = 21mm Legenda: CAD - comprimento aparente do dente Pode ser subtraído 3mm ou 5mm do CAD - margem de segurança para não correr risco do instrumento endodôntico ultrapassar o comprimento total de dente, em função das distorções radiográficas CRI ou CI - comprimento real do instrumento ou comprimento inicial X - distância em milímetros da ponta do instrumento ao vértice radiográfico CRD ou CD - comprimento real do dente ou comprimento do dente Polpa morta - subtraímos de 0,5 à 1mm do CRD, neste caso foi 1 milímetro CRT ou CT - comprimento real de trabalho ou comprimento de trabalho Na odontometria do dente 21 o X foi 3mm, porque não houve distorções nas radiografias CAD e cálculo do X, dependendo das distorções radiográficas, alongamento ou encurtamento, esse número pode ser, entre outros, 6, 5 e 4 ou 2, 1 e zero, respectivamente. A ficha de odontometria deve ser preenchida para cada dente, dependendo da sua Escola, conforme figuras ao lado. Ao final do tratamento endodôntico as fichas devidamente preenchidas e acompanhadas pelas radiografias serão entregues ao Professor. A coluna CANAL da ficha será preenchida quando o dente possuir mais de 1 canal, por exemplo: dente 14, devemos escrever V para o canal vestibular na 1a, linha e P para o canal palatino na 2a. linha. A ficha de odontometria está disponível para download no link Universidades, sua Universidade. Nas imagens radiográfica s ao lado, do dente 24 e 14, tomadas durante o atendimento clínico para confirmação do CRT ou CT, podemos salientar outro detalhe interessante , utilizar instrumento s com calibres diferentes em cada um dos canais ou ainda uma lima Imagem radiográfica do dente 24, tomada com a técnica da bissetriz mesioexcêntrica, sendo que a lima mais calibrosa localiza-se no canal palatino Imagem radiográfica do dente 14, tomada com a técnica da bissetriz mesioexcêntrica, sendo que a lima do tipo K localiza-se no canal palatino (maior comprimento) e a lima do tipo H no canal vestibular tipo K e outra do tipo H (Hedströen) , permitindo que a identificaçã o de cada um dos canais na imagem radiográfica seja imediata. Para dentes bi ou multirradiculares, os cálculos odontométricos são feitos simultaneamente em todos os canais, tanto para cálculo do X, bem como para confirmação do CRT ou CT Dente 46, posição dos instrumentos nas referências de pontas de cúspides MV, ML e D para tomada radiográfica de confirmação do CRT ou CT Dente 46, radiografia de confirmação do CRT ou CT, devido a utilização da técnica da bissetriz mesioexcêntrica, a lima da mesial é correspondente ao canal ML, lima do meio - canal MV e na distal - canal D Na radiografia do dente 46 observamos que a lima do canal distal encontra-se centralizada na raiz, caso contrário (deslocamento da lima para mesial ou distal) desconfiar da presença do 4o. canal na raiz distal. Aliás, sempre que nos depararmos com grupamentos dentários que possuem achatamento radicular proximal, devemos ficar atentos com a possibilidade da presença do 2o. canal, para tanto, sempre fazer uso da variação da angulação horizontal para mesial ou técnica de Clark. Os grupamentos dentários que possuem normalmente achatamento radicular proximal: Superiores: pré-molares e raízes mesiovestibulares dos molares. Inferiores: anteriores e molares Dente 26, radiografia de confirmação do CRT ou CT, tomada com técnica da bissetriz Dente 27, radiografia para cálculo do X, tomada com a técnica da bissetriz distoexcêntrica, com variação da angulação horizontal ou técnica de Clark, porém a única exceção da técnica que distalizamos, observar a raiz palatina para distal (maior), bem como a centralização da lima na raiz MV - único canal distoexcêntrica, observar que a lima na raiz MV encontra-se mesializada ou deslocada para mesial, canal MV, é necessário localizar o 4o. canal - MP (mesiopalatino) Técnica de Le Master, 1923: Variação da angulação vertical do feixe de raios X, valendo-se da apreensão do rolete de algodão com fita adesiva (na base do filme - picote para oclusal), conforme figura abaixo e re-posicionamento do cabeçote de raios X (diminuindo a angulação vertical), permitindo a dissociação das imagens, processo zigomático e ápices radiculares. Vale lembrar que, para os molares superiores utilizamos a técnica da bissetriz disto-excêntrica, conforme citado anteriormente. Apreensão do rolete de algodão com fita adesiva, proporcionando paralelismo entre dente e filme Filme com rolete em posição e diminuição do ângulo de incidência vertical do raio X Dissociação das imagens, processo zigomático e ápices radiculares. Associação das técnicas bissetriz disto-excêntrica e Le Master A tomada radiográfica inicial ou de diagnóstico do tratamento endodôntico é obtida pela técnica do paralelismo (filme paralelo ao dente), porém o posicionador deve ser colocado em posição, de tal forma que, o filme periapical fique o mais paralelo possível em relação ao dente, caso contrário a imagem poderá sofrer distorções, como alongamento ou encurtamento, conforme figuras a seguir. Se o alongamento for demasiado, na radiografia do cálculo do X, a distância da ponta do instrumento ao vértice radiográfico será bem menor do que foi subtraído do CAD (3mm ou 5mm, dependendo da sua Escola) podendo até ultrapassar o vértice, lesando os tecidos periapicais e, ao contrário, se houver encurtamento, na radiografia do cálculo do X, a distância da ponta do instrumento ao vértice radiográfico será bem maior do que foi Tomada radiográfica com a técnica do paralelismo de forma correta, observar que a imagem do vértice radicular do dente 21 é nítida subtraído do CAD (3mm ou 5mm, dependendo da sua Escola). Tomada radiográfica com a técnica do paralelismo de forma incorreta, o filme não encontra-se paralelo ao dente, diminuindo a angulação vertical e consequentemente alongando a imagem, quando comparado com a posição anterior, observar que a imagem do vértice radicular do dente 21 não é nítida e esfumaçadaTomada radiográfica com a técnica do paralelismo de forma incorreta, o filme não encontra-se paralelo ao dente, aumentando a angulação vertical e consequentemente encurtando a imagem, quando comparado com a figura acima, observar que a imagem do vértice radicular do dente 21 não é nítida e esfumaçada Observar as três radiografias de confirmação do CRT ou CT com a técnica da bissetriz excêntrica, entretanto foram tomadas com a paciente, filme e lima na mesma posição, variando apenas a angulação vertical, porém visando o terço apical, como segue: Ao contrário, se a incidência do feixe de raios X for cêntrica ou coronária (figuras abaixo) os ápices serão cortados nas imagens radiográficas que sofreram alongamento e encurtamento. Posição correta, incidência do feixe de raios X perpendicular à bissetriz formada entre o longo eixo do dente e do filme, observar sobreposição das aletas V e P do grampo Posição incorreta, diminuição do ângulo vertical, consequentemente, alongamento da imagem radiográfica,observar que a ponta lima encontra-se mais próxima do vértice, quando comparado com o RX correto, além da dissociação das aletas V e P do grampo Posição incorreta, aumento do ângulo vertical, consequentemente, encurtamento da imagem radiográfica, observar que a ponta lima encontra-se mais distante do vértice, quando comparado com o RX correto, além da dissociação das aletas V e P do grampo Cumpre salientar que, além do conhecimento prévio da anatomia interna dentária, o comprimento médio de cada grupamento é de extrema importância, principalmente no que diz respeito aos cálculos odontométricos, passíveis de distorções radiograficas, muitas vezes aumentando ou diminuindo o comprimento dos dentes, conforme tabela abaixo: Dentes Superiores Dente: ICS ILS CS 1o. PMS 2o. PMS 1o. MS 2o. MS Comprimento Médio: 22mm 23mm 26,5 21,5mm 21,5mm 20 (Vs) 21 (P) 21,5mm Dentes Inferiores Dente: ICI ILI CI 1o. PMI 2o. PMI 1o. MI 2o. MI Comprimento Médio: 21mm 22mm 25mm 22mm 22mm 22mm 22,5mm Na imagem radiográfica panorâmica ao lado, chamamos a atenção, principalmente, para os caninos esquerdos, superior e inferior, observar que, possuem comprimento médio aproximado de 40mm, claro que a tabela acima encontra-se baseada nos estudos anatômicos, conferindo o comprimento médio para os grupamentos dentários, porém as variações existem. Além do canino superior ser o maior dente da arcada dentária, ao contrário, o incisivo central inferior é o menor dente, tendo em média 21mm, porém, também podemos nos deparar com um ICI, por exemplo, com 16mm de comprimento, e assim sucessivamente. Conforme descrito no início deste capítulo, os limitadores, cursores ou stops de silicone autoclaváveis encontram-se disponíveis no mercado com diferentes espessuras (0,5mm, 1,0mm - ideal, 2,0mm, 2,5mm e 3mm) para calibrar os mais variados comprimentos nos instrumentos endodônticos. Caso for necessário, é possível cortar o limitador de 1mm ao meio, obtendo 2 limitadores de 0,5mm, como segue: Limitadores com 0,5mm, 1,0mm, 2,0mm, 2,5mm e 3mm de espessura Apreensão do limitador de 1mm com a pinça Perry e posicionamento da lâmina de bisturi no. 15 para corte, sobre a placa de vidro estéril Após o corte do limitador de 1mm, obtendo 2 limitadores de 0,5mm de espessura Limite apical do tratamento endodôntico O tratamento endodôntico deve ser realizado nos limites de estrutura dentinária do canal, ou seja, desde a fase de esvaziamento (pulpectomia, penetração desinfetante e desobturação) até a obturação devemos determinar um limite de trabalho dentro das paredes do canal dentinário, onde o instrumento endodôntico, substâncias químicas e material obturador devem estar contidos. Para isso é preciso levarmos em conta não só o comprimento do dente, como também das condições do conteúdo do canal radicular (presença de tecido pulpar, restos em decomposição decorrentes da mortificação pulpar ou mesmo material obturador antigo). Estes fatores de ordem biológica estão intimamente relacionados aos mecanismos de reparação pós tratamento endodôntico. Realmente, a meta do tratamento endodôntico é conseguir a cicatrização dos tecidos periapicais em um menor lapso possível, permitindo que o dente restabeleça suas funções estéticas e mastigatórias. Assim, o processo de reparação só tem início quando os tecidos apicais remanescentes apresentam-se livres de inflamação, infecção ou trauma mecânico, do tipo material obturador além do limite desejável. Cumpre lembrar que além dos fatores externos que levaram a instituir a terapia endodôntica, o próprio procedimento endodôntico é capaz de gerar injúrias traumáticas, tanto cirúrgicas quanto medicamentosas, potencializadas quando contidas além dos limites desejáveis. Por isso, as etapas que compõem a endodontia devem ser cercadas de rigorosos cuidados para que as reações inflamatórias não atinjam níveis elevados de intensidade, sejam capazes de eliminar a infecção sediada no canal e evitar a sua re-contaminação e, desta maneira, não perturbem a evolução normal da ferida cirúrgica nem retarde o processo de cicatrização. A maneira pela qual conseguimos identificar a manutenção de inflamação ou infecção é por meio da análise dos sinais e sintomatologia clínica pós-operatória. A presença de dor após qualquer intervenção endodôntica, sem sombra de dúvida, representa a maior expressão da sintomatologia satélite e os sinais, quando presentes, traduzem o agravamento do quadro clínico em questão. É claro que a variação da intensidade dolorosa não deve, por si só, ser tomada como regra para avaliação da resposta inflamatória após o tratamento realizado. No entanto, não se pode questionar que a presença da dor sugere, invariavelmente, que algo anormal ocorreu durante a intervenção praticada. A sensibilidade pós-operatória pode estar relacionada à múltiplos fatores de natureza mecânica, química e biológica, porém estamos convictos que o desrespeito do comprimento de trabalho do canal e consequente laceração do forame apical é um dos gatilhos desencadeadores de toda a manifestação álgica. Como já foi dito anteriormente, a manutenção da forma e posição do forame original faz com que se confeccione um limite entre o canal radicular e a região periapical, preservando os tecidos perirradiculares de agressões e atestando um pós-operatório tranquilo. Cumpre advertir que o temor do profissional em romper a integridade do forame apical (arrombamento do ápice radicular) pode levá-lo a trabalhar aquém do limite ideal de trabalho (sub-instrumentação). Isso pode explicar o porquê do aparecimento de dores constantes, mas pouco intensas que criam desconforto ao paciente, principalmente quando do tratamento endodôntico de polpa mortificada. O estabelecimento da correta odontometria permite situar todos os procedimentos endodônticos dentro no interior dos canais radiculares e assim, garantir condições técnicas facilitadoras da obturação, tranquilidade pós-operatória e reparação da região apical. Variações do limite apical Para que se possa realizar a odontometria de qualquer dente é preciso que se tenha dois pontos de referência conhecidos: uma referência oclusal (ou incisal) e outra apical, a partir da qual limitaremos o esvaziamento, preparo e obturação do canal. Não há como negar que é necessário conhecermos a anatomia do local no qual vamos atuar, principalmente da área apical. Além disso, devemos identificar se estamos diante do tratamento endodôntico de um dente portador de polpa viva ou mortificada. No propósito de atender ao exposto, os clínicos têm usado como referência, o vértice radiográfico, porém, baseados nos trabalhos de Weine, 1971; Schilder, 1974; Yu e Schilder, 2001, sabemos que trabalharneste nível significa, invariavelmente, agir fora do canal radicular. Aliás, Machado e Pesce (1990) deixam claro que o vértice radiográfico constitui apenas o ponto de partida na determinação do comprimento do dente. Pelos estudos de morfologia apical realizados sob a luz da microscopia óptica ou estereomicroscopia (Kuttler, 1955; Green, 1960; Burch e Hullen, 1972) esclarecem que o ponto de maior constrição do canal radicular, conhecido por junção cemento-dentina-canal (ou junção CDC) localiza-se aquém do vértice anatômico, geralmente, cerca de 1,0 mm (linha pontilhada amarela). Distância de 1mm da junção CDC ao ápice Seta vermelha Junção CDC, seta azul forame apical dentário - vértice anatômico Além disso, a junção CDC se distancia do vértice radiográfico (deposição cementária) em decorrência da idade (figura. ao lado), além da deposição dentinária em todo endodonto (câmara pulpar e canal radicular) e, nos casos de mortificação pulpar, a anatomia apical pode se encontrar alterada pela presença de processos patológicos que contribuem para a reabsorção apical (próximas figuras). Distância da junção CDC ao ápice radicular, em função da idade Recomendaçõe s para determinação do limite de trabalho para dentes portadores de polpa mortificada, baseado em evidências radiográficas de reabsorções óssea e radicular - Weine, F. (1976). Polpa morta sem lesão: 1mm aquém, com rarefação periapical: 1,5mm aquém e, com rarefação periapical e reabsorção apical: 2,0mm aquém. Outra razão para não se trabalhar no limite do vértice radiográfico é a limitação da radiografia. Rothier (1975-77) salienta que a imagem radiográfica é limitada pois é bidimensional, pode haver variações no posicionamento horizontal e vertical do feixe de Rx e ainda, a sobreposição de estruturas anatômicas impedem a localização exata da área de maior constrição do canal radicular. No caso de polpa viva, se trabalharmos próximo ao vértice (linha com seta branca), corremos o risco de provocar várias feridas (canal principal e foraminas), dificultando a reparação Na polpa viva adotaremos o limite (CT) para a pulpectomia de 1,0 à 1,5mm aquém do vértice (traço azul), promovendo uma única ferida, favorecendo a reparação Dente 45, polpa morta, observar os traços azul e o branco nas imediações da junção CDC, de 0,5 à 1mm aquém do vértice radiográfico PQC Preparo Químico-Cirúrgico O objetivo da terapia endodôntica é devolver ao elemento dental a saúde, a função e estética. Para que seja alcançado esse objetivo, as etapas do tratamento devem ser desenvolvidas, de modo que não seja possível passar para uma etapa seguinte sem que a anterior esteja completa, pois todas as etapas estão inter-relacionadas. A modelagem é a obtenção de um canal cirúrgico, realizado através da instrumentação, com instrumentos manuais e rotatórios, que apresente conicidade, paredes divergentes para oclusal ou incisal e lisas, que contenha em toda sua extensão o canal anatômico, de modo a não alterar a forma original do canal radicular e que mantenha o forame apical, também na sua posição original. A sanificação é composta pela ação conjugada de substâncias químicas auxiliares da instrumentação e instrumentos endodônticos, com vistas à promoção da limpeza e desinfecção do sistema de canais radiculares. Limpeza: Consiste na eliminação de irritantes como os subprodutos de microrganismos e tecido pulpar vivo ou mortificado e outro qualquer componente orgânico ou inorgânico, presente no interior do canal. Desinfecção: Consiste na eliminação de agentes patogênicos. ICS Canal Anatômico ICS Canal Cirúrgico contendo em toda sua extensão o Anatômico MI Canal Anatômico MI Canal Cirúrgico contendo em toda sua extensão o Anatômico MS Canal Anatômico MS Canal Cirúrgico contendo em toda sua extensão o Anatômico As substâncias químicas são consideradas auxiliares, justamente por colaborarem para o processo de limpeza do sistema de canais. Elas são empregadas no interior do canal, e desempenham papel fundamental no preparo químico cirúrgico. A ação das substâncias químicas associada à dos instrumentos endodônticos favorece a sanificação do sistema de canais radiculares por apresentar determinadas propriedades como: facilitar a ação dos instrumentos; auxiliar na remoção das raspas de dentina e restos orgânicos e inorgânicos e também apresentar propriedades bactericidas. Essa etapa da utilização da substância química é constantemente renovada, pela troca da substância toda vez que cessar a efervescência, sendo essa troca feita através de irrigação com Hipoclorito de Sódio (NaOCL) na concentração de 1,0 %, concomitante com a aspiração. . Medicação Intracanal / MIC A função da medicação intracanal em endodontia é basicamente combater microrganismos que resistiram à sanificação do sistema de canais radiculares proporcionada pelo preparo químico-cirúrgico, modular a reação inflamatória que ocorre após o preparo do canal radicular, ocupando fisicamente o espaço do canal, pois sabemos que o conduto vazio funciona como um tubo de ensaio para a recontaminação microbiana do mesmo. Antigamente a fase de medicação intracanal constituía-se numa espécie de rodízio de medicamentos, principalmente derivados fenólicos, empregados de forma empírica, sem embasamento científico, baseado na experiência adquirida pelo profissional, comprometendo o processo reparacional e, consequentemente, o sucesso do tratamento endodôntico. Nas últimas décadas as associações a base de antiinflamatórios do grupo dos corticosteróides e antibióticos ou antimicrobianos são utilizados para o controle da reação inflamatória em dentes que sofreram intervenções endodônticas, porém portadores de polpa viva, representados pela hidrocortisona - Otosporin® (potência 1); prednisolona - Rifocort® (potência 2) e, dexametasona - NDP formula & ação® (potência 10). A ação dos medicamento s intracanal (MIC) estará condicionada ao veículo utilizado (aquoso, viscoso ou oleoso); concentração ; tensão superficial no canal radicular e, a duração entre as sessões durante a terapia endodôntica. A. PRP, B. NDP, C. Rifocort, D. Otosporin e E. Hidróxido de Cálcio PA com veículo aquoso, viscoso ou oleoso em tubetes Seringa com Hidróxido de Cálcio PA e veículo aquoso (UltraCal®) (Endodontia UNINOVE) Secagem do canal Iniciar aspiração com cânulas de grosso, médio e fino calibre (Fig1), respectivamente, de cervical à proximidades do comprimento de trabalho (CRT ou CT), Fig 2, sem necessidade de calibrar com limitadores os comprimentos das cânulas. Fig1 Cânulas de aspiração grossa (branca), média (verde) e fina (roxa) acopladas no intermediário plástico (transparente), autoclaváveis Fig2 Cânula fina, após uso das grossa e média Secagem do canal Seguir a secagem com cones de papel, temos preferência pelos cones de papel absorvente Cell Packs (1ª. e 2ª. Série) embalados e previamente esterilizados (Fig1). Cone de papel de calibre e comprimento idêntico (Fig2) ao instrumento utilizado no preparo apical (PA). Fig1 Cones de papel absorvente Cell Packs (1ª. e 2ª. Série) embalados e previamente esterilizados Fig2 Cone de papel #40 no CT Introdução da MIC Valendo-se da seringa Carpule e tubetes de NDP ou PRP previamente posicionado, calibrar agulha curta pr é curvada e limitador de silicone à 2mm aquém doCRT. Salienta-se, a pré curvatura pode ser conseguida por meio por ex.: do intermediário de aspiração ou caneta. Introdução da MIC Tubetes de NDP e PRP Valendo-se da seringa ML (SS White) e o tubete de glicerina previamente posicionado, calibrar agulha longa pré curvada e limitador de silicone à 2mm aquém do CRT, valendo-se do giro à direita do acionador de êmbolo da seringa ML até sair uma gota através da extremidade para lubrificação da agulha, substituir o tubete de glicerina pelo Hidróxido de Cálcio (Calen®), rosquear novamente o suficiente para desprezar a primeira gota de Ca(OH)2. Preencher de apical para cervical até as imediações da entrada do canal. Seringa ML® (SS White) (Endodontia UNICID e UNISANTA) Salienta-se que, a agulha longa Septoject XL (27G 0.40 X 30 AM) da Septodont® possui um diâmetro interno 43% maior quando comparado às convencionais, conferindo-lhe menor possibilidade de obstrução da agulha e facilidade de introdução do hidróxido de cálcio com veículo viscoso ou oleoso no interior do canal radicular, possibilitando inclusive o uso da seringa para anestesia Carpule convencional, (Endodontia UNICID e UNISANTA). Diferença do diâmetro interior Agulha longa Septoject XL (longa) da Septodont® Tubetes Calen® Lubrificando agulha longa com Glicerina Desprezando a 1a. gota de Calen® RX inicial do tratamento endodôntico Introdução da MIC, 2mm aquém do CT ou CRT, de apical para cervical, conforme videoclipe a seguir Selamento provisório e remoção do isolamento absoluto RX depois da MIC (Calen®) e selamento Observar que, na radiografia após a introdução de MIC a base de Hidróxido de Cálcio Ca(OH)2 a luz do canal torna-se quase invisível, devido a radiopacidade da medicação intracanal ser semelhante à dentina. Obturação Obturação do canal radicular O propósito da obturação é selar toda a extensão da cavidade endodôntica, desde a sua abertura coronária até o seu término apical, ou seja, o material obturador deve preencher todo o espaço ocupado anteriormente pela polpa, proporcionando um selamento tridimensional, figura B. A - Antes do tratamento endodôntico B - Após o tratamento endodôntico Finalidades da obturação: Um canal radicular vazio, mesmo estéril, atua como verdadeiro tubo de ensaio coletando, em seu interior, líquidos teciduais e exsudatos inflamatórios oriundos da região circunvizinha ao ápice. Estes ao encontrarem ambiente propício à estagnação, facilmente se decompõem (ricos que são em proteínas, enzimas e sais minerais), gerando produtos tóxicos e irritantes aos tecidos da região, bem como propiciam ótimo meio de cultura para os microrganismos. Com a obturação tridimensional e hermética do canal, os tecidos circum-apicais permanecem definitivamente isolados dos canalículos dentinários e do ar atmosférico. A - Observar a diafanização na vista proximal de um incisivo central superior exibindo canal radicular devidamente obturado. B - Radiografia do tratamento endodôntico finalizado. Entretanto, a qualidade da obturação (adaptação do material obturador) pode ser observada radiograficamente apenas nas paredes mesial e distal (proximal) devido a radiografia ser bidimensional. A - Diafanizaçã o de um ICS obturado B - ICS apresentando obturação adequada Todavia, uma obturação defeituosa, com espaços vazios em seu interior não teremos selamento suficiente para impedir a penetração pelo forame de serosidades que propiciam um meio nutritivo favorável à multiplicação de germes e o conduto passará a comportar-se como foco de infecção, criando reações inflamatórias periapicais peculiares aos dentes infeccionados. Figura A - É possível visualizar no corte longitudinal proximal do ICS, falhas na obturação, como também, presença de teto da câmara pulpar, concrescência palatina e restauração infiltrada. A - Corte e radiografia proximal ICS B - Tratamentos endodônticos insatisfatórios Alguns trabalhos clássicos seria indispensáveis para melhor entender por quê obturar o sistema de canais radiculares. Dixon & Rickert 1933, valendo-se de implantes de tubos estéreis maciços (A) e ocos (B) de platina no peritônio de cobaias demonstraram que cavidades vazias no organismo são capazes de desenvolver processos inflamatórios. Os tubos de platina estéreis ocos (B) desenvolveram em suas extremidades extenso halo inflamatório, conseqüência do acúmulo e decomposição em seu interior de exsudatos e leucócitos originários dos tecidos circundantes. Os tecidos circundantes nos extremos dos tubos maciços (A), não ocorreram tal processos inflamatórios. Vale lembrar que, a platina é um material biocompatível. B - Processos inflamatórios nas extremidades do tubo de platina oco (vermelho) Dow & Ingle 1955, reforçam o conceito da necessidade do selamento do sistema de canais radiculares através da obturação. Por meio de dentes humanos extraídos e com canais adequadamente obturados foi verificado por auto-radiografias (A), que na ausência de percolação ou infiltração entre o material obturador e a parede dentinária do canal radicular não ocorria a penetração do agente indicador, no caso o isótopo radioativo - I131. Entretanto, para os dentes mal ou parcialmente obturados o I131 foi capaz de penetrar extensamente no canal radicular através do forame apical (B). A - ICS com obturação adequada, não houve penetração do I131 no interior do canal radicular B - CS extensa penetração do I131 no interior do canal radicular (preto) Seltzer e Colaboradores em 1963, trataram endodônticamen te pré-molares de cães, após anestesia, isolamento absoluto, embrocamento do campo operatório, cirurgia de acesso endodôntico, odontometria e pulpectomia, Radiografia pré-operatória da região de pré-molares de cães Isolamento absoluto, dicagem e cirurgia de acesso endodôntico preparo químico cirúrgico de forma asséptica, apenas 1 dos canais foi obturado, o outro permaneceu vazio. Ambos foram selados coronariamente por meio de uma camada espessa de fosfato de zinco, a fim de impedir a infiltração e contaminação via coronária bucal. Após o período de 8 meses, exames radiográficos e histológicos foram obtidos. Foi possível concluir que os canais não obturados ou vazios, desenvolveram rarefações ósseas periapicais e histológicament e infiltrado inflamatório, funcionando como um tubo de ensaio, coletando em seu interior exsudatos oriundos dos tecidos periapicais, ricos que são em proteínas, enzimas e sais minerais, os quais irão se decompor no interior do canal, tornam-se Radiografia após 8 meses, o canal mesial (vazio) apresenta rarefação periapical e o conduto distal obturado não apresenta rarefação óssea periapical Após PQC e obturação apenas de 1 canal, o outro não foi obturado e posterior selamento coronário com FZN produtos altamente tóxicos aos tecidos periapicais. Os condutos obturados apresentaram tecidos periapicais normais ou ligeiramente inflamados. Talvez, uma das mais completas pesquisas relacionadas ao assunto foi o Estudo de Washington, liderado por Ingle em 1962 (Exitos y fracasos en Endodoncia). Trata-se da avaliação clínica e radiográfica efetuada após 2 anos de 1229 dentes tratados endodônticamente, sendo 317 intervenções praticadas em clínicas particulares e 912 na Clínica Odontológica da Universidade de Washington por alunos do Curso de Graduação. Os resultados indicaram 92,75% de sucesso para os casos tratados em clínicas particulares e 91,12% de sucesso para os tratados na clínica da Universidade. Entretanto,houve 104 casos de insucessos dos 1229 tratamentos endodônticos controlados. 7,25% dos insucessos obtidos em clínicas particulares e 8,88% nos tratamentos efetuados na Faculdade de Odontologia de Washington. Torna-se necessário e importante que façamos uma análise minuciosa em torno dos 104 casos de insucessos endodônticos. ICS exibindo tratamento endodôntico deficiente, proporcionando percolação periapical e infiltração coronária por meio de restauração inadequada As microscopias eletrônica de varredura (MEV - Prof. Dr. Gavini, G.) demonstram a parede dentinária do canal radicular livre de magma após adequado PQC e irrigação e aspiração copiosa, aumentando significativamen te a permeabilidade Fig1 MEV da parede dentinária do canal radicular apresentando os túbulos expostos - livre de magma Fig2 MEV da parede dentinária do canal radicular apresentando os túbulos recobertos de magma dentinária (Fig1). Na Fig2 observamos o inverso, parede dentinária do canal radicular totalmente repleta de magma, o qual, impediria a ação da MIC, como também, prejudicaria a adesão do cimento obturador, devido não haver permeabilidade dentinária (acesso aos túbulos dentinários). As microscopias eletrônica de varredura (MEV - FOUSP) mostram o complexo sistema do canal radicular: túbulos dentinários, reentrâncias, canais recorrentes, laterais, etc, e os túbulos dentinários repletos de microorganismo s, os quais, por meio do aumento da permeabilidade e uso de MIC a base de hidróxido de cálcio poderia melhorar significativamen te a desinfecção e as bactérias residuais seriam sepultadas, através de uma MEV do complexo sistema do canal radicular MEV - Túbulos dentinários repletos de microorganismos adequada obturação tridimensional, impedindo acesso dos microorganismo s ao substrato via canal radicular, o qual impediria sua disseminação. Entretanto, a presença de bolhas na obturação poderia impedir a tão almejada obturação tridimensional, permitindo contudo, acesso dos microorganismos residentes nos túbulos ao eventual substrato contido no canal. A radiografia de qualidade da obturação ao lado, exemplifica tal situação. Presença de bolhas A radiografia de qualidade da obturação - fase laboratorial demonstra claramente falhas da obturação (setas), principalmente no terço apical, provavelmente induzida pela falta de conicidade, pela qual, não permitiu que os cones secundários chegassem na nas proximidades do terço apical, provendo adequado selamento desta área. Necessário se faz, a retomada do PQC melhorando a conicidade para ulterior obturação. Para remoção dos cones de guta percha, devemos puxar todos de uma só vez. Setas indicam falhas na obturação Após remoção da obturação Como conseguir conicidade adequada: após a cirurgia de acesso (CA), valendo-se do ponto de eleição (PE), direção de trepanação (DT) e forma de conveniência (FC) apropriadas para cada grupamento dentário; remoção de todo teto da câmara pulpar, irrigação e aspiração, exploração da entrada do canal com instrumentos de fino calibre (K #10 ou #15), vamos prosseguir com o preparo da entrada do canal ou preparo cervical, o qual, ao nosso ver é o principal procedimento para conseguir adequada conicidade, sempre no sentido cérvico-apical. Para tanto, se necessário ampliar a entrada do canal com instrumentos endodônticos do tipo K números 15, 20, 25 ou até 30, sempre aquém do CRI, farta irrigação com hipoclorito de sódio, recapitulando com lima de fino calibre mantendo a patência do canal, sem que o mesmo possa ser obstruído por raspas de dentina, o que impediria o acesso posterior ao terço apical. Tal ampliação com instrumentos manuais deve permitir o uso das brocas de Largo número 2 (compatível com o D1 do instrumento 90) desbastando as áreas de concrescências (zona de segurança - ABOU-RASS, 1980), nova irrigação e aspiração, verificar a patência do canal, em seguida utilizar as brocas de Gates-Glidden número 2 (compatível com o D1 do instrumento 70), nesta fase, a presença de interferências (concrescências) invariavelmente levaria a fratura da broca, a mesma deve ser utilizada apenas contactando sua parte ativa, do contrário levaria á fratura. Somente após esta fase dar-se-á inicio à odontometria e o PQC. Pode-se entender que, a dilatação do terço cervical e médio contribuirá significativamente à conicidade do canal, claro, durante a modelagem, buscaremos esculpir, valendo-se de instrumentos e SQA da instrumentação, unindo os terços cervical, médio e apical, de forma tronco-cônica gradual, com maior diâmetro cervical e menor apical. Salientamos que, a modelagem após o uso das brocas de Largo e Gates-Glidden com instrumentos endodônticos deve ser minuciosa, tornando-a cônica, sem denunciar a presença das marcas das brocas. Para maiores detalhes da técnica, consultar preparo de canais curvos Podemos observar claramente as marcas deixadas pelas brocas de Largo (seta azul), Gates-Glidden (seta vermelha) e instrumentação (seta amarela). Neste caso faltou unir os terços, valendo-se da adequada cinemática, tornando-a tronco-cõnico gradual, com maior diâmetro cervical e menor apical. Tais defeitos interferem negativamente na desinfecção e limpeza do sistema de canais radiculares, como também, impossibilita tecnicamente a obturação, haja vistas que, os cones secundários seriam impedidos de ultrapassar os defeitos, criando falhas na massa obturadora, conseqüentemente estaríamos colocando em risco o sucesso do tratamento endodôntico a longo prazo Dente 13 Técnica de obturação: Cones Múltiplos com Condensação Lateral e Vertical Simples (calcadores frio) A técnica de condensaçã o lateral a frio consiste da associação de cones de guta percha, principal e secundário e cimento obturador endodôntico, valendo-se dos espaçadores digitais para a Cones de guta percha principais do número 15 ao 40 - 1a. série Cones de guta percha principais do número 45 ao 80 - 2a. série https://www.endo-e.com/canais_curvos.htm condensaçã o lateral da guta percha. Usualmente os cones principais números 15, 20 e 25 não são utilizados, como também os espaçadores números 15, 20 e 40. Aliás, temos preferência pelos espaçadores digitais flexíveis de NiTi. Momento oportuno para obturação Após PQC completo, MIC e selamento provisório, normalmente na segunda sessão, vamos avaliar o pós-operatório, o qual deve ser feito no mínimo 72 horas após o PQC, o paciente não deve relatar dor e, caso esta tenha ocorrido, ela não deve ter ultrapassado as primeiras 48 horas e clinicamente não deve ser observado dor à palpação apical ou à percussão vertical e horizontal e o dente não deve apresentar mobilidade e muito menos edema ou fístula. Cones de guta percha secundários RS ou BS e R7 ou R8 Espaçadores digitais : Fig1 Instrumento utilizado no PA e cone de guta percha principal de mesmo calibre Fig2 Desinfecção do cone principal e cones secundários, seta indica os cones de menor para maior calibre, utilizados nesta ordem Prova do cone - 1. Teste Visual Fig1 Mensuração do cone principal compatível ao do CRT, valendo-se de régua endodõntica e pinça perry estéreis Fig2 Cone principal em posição, mesmo quando forçado em direção apical, não ultrapassa o CRT na referência incisal Prova do cone - 2. Teste Táctil . Fig1 Pinça perry e cone principal, calibrado no CRT Fig2 Pinça perry e cone principal, calibrado no CRT, testando o travamento, valendo-se de ligeira tração incisal Não manusear o s cones de guta percha com a pinça clínica,devido não transferir sensibilidad e táctil necessária para o procediment o. . Pinça clínica e cone principal (errado) A pequena resistência é similar quando tracionamos o indicador da mão esquerda com o polegar e indicador da mão direita No treinamento laboratorial podemos desenvolver essa sensibilidade com o polegar e indicador, tracionando-o no sentido incisal e observando ligeira resistência Prova do cone - 3. Teste Radiográfico Devemos verificar se o canal cirúrgico respeitou os limites do canal anatômico, se cone principal de obturação atingiu o limite determinado na radiografia de confirmação de odontometria - CRT e a adaptação do mesmo nos 3 últimos milimetros. Nesse caso o limite é compatível com polpa mortificada. Adptação do cone ao CRT Após a seleção do cone principal, marcar o cone na referência oclusal ou incisal, imprimindo pressão com o mordente da pinça perry e, retirá-lo, mantendo-o no pote dappen contendo hipoclorito de sódio à 1% ou na compressa de gaze e hipoclorito de sódio à 1%, valendo-se de nova irrigação com serin ga de irrigação. Fig1 Marcar o cone na referência incisal e removê-lo. Levar à compressa de gaze Fig2 Nova desinfecção do cone principal e cones secundários, seta indica os cones de menor para maior calibre a serem utilizados nesta ordem Secagem do canal Iniciar aspiração com cânulas de grosso, médio e fino calibre (Fig1), respectivamente, de cervical à proximidades do comprimento de trabalho (CT), Fig 2, sem necessidade de calibrar com limitadores os comprimentos das cânulas. Fig1 Cânulas de aspiração grossa (branca), média (verde) e fina (roxa) acopladas no intermediário plástico (transparente), autoclaváveis Fig2 Cânula fina, após uso das grossa e média Secagem do canal Seguir a secagem com cones de papel, temos preferência pelos cones de papel absorvente Cell Packs (1ª. e 2ª. Série) embalados e previamente esterilizados (Fig1). Cone de papel de calibre e comprimento idêntico (Fig2) ao instrumento utilizado no preparo apical (PA). Fig1 Cones de papel absorvente Cell Packs (1ª. e 2ª. Série) embalados e previamente esterilizados Fig2 Cone de papel #40 no CT Obturação Para a. manipulação do cimento endodôntico AH-Plus utilizar placa de vidro ou bloco de papel e espátula número 24, valendo-se de porções iguais das pastas, cerca de 0,5 cm de cada pasta para cada canal. No momento da obturação, os cones Fig1 Cimento endodôntico obturador AH Plus - Dentsply® Fig2 Bloco de papel, cerca de 0,5cm de cada pasta para cada canal principais e secundários devem estar secos com gaze estéril, antes de ser aplicado o cimento obturador. Inserção do cimento O paciente deve estar posicionado de forma que o ápice do dente esteja num plano inferior a entrada do canal radicular. O cone principal ou secundário deve ser utilizado para levar o cimento para o interior do conduto. Um pouco de cimento, é levado na ponta do cone, ao interior do canal radicular, pincelando as paredes do conduto de apical para cervical, tomando-se o cuidado de não bombear cimento para o forame, o que poderia provocar extravasamentos. Esse procedimento deverá ser repetido até que o cimento flua para a câmara pulpar. Posicionar o cone principal na medida do CRT No caso de dentes multirradiculares, promover a colocação de todos os cones principais. Levando cimento no interior do canal radicular Condensação lateral Em seguida realizar a condensação lateral, a partir do primeiro cone secundário, com espaçadores digitais de calibre adequado buscando espaço para a colocação dos cones secundários, sempre dos menores para os maiores diâmetros e os mais longos precedem os curtos, buscando maior quantidade de guta percha do terço apical para o cervical, com menor quantidade possível de cimento obturador. Vale lembrar que, os cones secundários devem ter conicidade ligeiramente inferior aos espaçadores utilizados, normalmente utilizamos os de número 25 (vermelho) no terço apical, 30 (azul) terço médio e 35 (verde) do terço médio para o cervical. Iniciar a condensação lateral após a inserção do cone principal Cortes dos cones Selecionar calcador modelo Paiva (Fig1) de tamanho compatível à entrada do canal. Aquecer ao rubro o calcador Paiva, valendo-se da lamparina (limpa e sem cera - Fig2) e cortar os cones, aproximadamente 2 mm abaixo do colo clínico nos dentes anteriores e pré-molares e ao nível do assoalho da câmara pulpar nos molares. Fig1 Jogo de calcadores modelo Paiva, do número 1 ao 4. Fig2 Calcador no.3 ao rubro Selament o final Aplicar de 1 a 2mm de cimento provisório (Citodur, Cavit, Cimpat, Cotosol, Tempore), umedecer uma bolinha de algodão em água, deixar por 1 minuto Fig1 Introdução de cimento provisório com espátula para inserção de guta percha Fig2 Cavidade selada com 1 a 2mm de espessura de cimento provisório Remover o isolamento absoluto e relativo, verificar a oclusão, realizando alívio articular se necessário. Radiografia final Radiografar com posicionador para a técnica do paralelismo e, se possível, utilizar filme duplo para realizar a radiografia final. Fig3 Cavidade preenchida com ionômero de vidro Rx final tomado sem isolamento e com posicionador