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OBSERVAÇÕES INICIAIS 
 
A prova objetiva do TJTO foi aplicada dia 29/06/2025. Assim que tivemos acesso 
ao gabarito preliminar iniciamos a tradicional prova comentada do Mege - nós também 
ficamos ansiosos, como vocês, e corremos para entregar tudo dentro do prazo recursal. 
Mais uma vez, missão cumprida! 
A nossa intenção neste material é auxiliar nossos alunos e seguidores na análise 
da elaboração de seus recursos, além de possibilitar, em formato conclusivo, a revisão 
de temas cobrados no certame e verificação de maiores chances de avanço para 2ª fase. 
Na verdade, esse estudo já virou uma tradição obrigatória para todo concurseiro de 
magistratura. 
O arquivo aqui apresentado trata de versão preliminar elaborada com as 
finalidades informadas e concluído por nosso time específico de 1ª fase de magistratura, 
sem maiores pretensões de aprofundamento ou trabalho editorial neste momento, que 
é de puro apoio (e não foca na detectação de questões antecipadas em nossas várias 
formas de atuação – pois o tempo é curto para tal fim e só, no Clube da Magistratura, o 
Mege revisa um edital completo em 1 ano de estudo, ou seja, a produção é realmente 
vasta). 
O corte, neste momento, segue estimado em 66/67 acertos para ampla 
concorrência. Os(as) candidatos(as) que concorrem às vagas destinadas ao sistema de 
cotas, precisam acertar 60 pontos. 
Os nossos professores entendem que 5 (cinco) questões, em especial, estão 
envolvidas em maior polêmica a serem apreciadas (25, 38, 49, 51 e 69). Portanto, podem 
ter suas situações alteradas na fase recursal, o que deixa em aberto a nota de corte para 
outras possibilidades. 
É claro que podem ter mais questões que venham a ser anuladas ou alteradas 
com o gabarito oficial (mas, como a prova foi bem elaborada, não entendemos que a 
surpresa seja maior que 1 ou 2 a mais que a nossa previsão). De todo modo, levamos 
esse pensamento de probabilidade no mapa mental dos caminhos indicados, que 
apresentamos nas páginas seguintes. 
Diante disso, em nosso sentimento, ainda é possível sonhar com a aprovação na 
ampla concorrência com a nota 64/65 (tendo como parâmetro o corte atual e uma 
margem de erro razoável sobre a quantidade de anulações). 
A sua maior ou menor probabilidade dependerá do aproveitamento das 
questões mais polêmicas. Trata-se de mera opinião de parâmetro circunstancial de tudo 
que temos de informação neste momento. 
Em cotas, deve-se analisar o desempenho nas questões que apontamos com 
maior probabilidade de mudança, portanto, notas como 55/56 passam a ter chances. 
Em nossa experiência, constatamos um parâmetro de que a cada 2 (duas) 
questões anuladas a pontuação oficial de corte aumenta em 1 (um) ponto. Essa dica 
deve seguir como norte para definição de maiores chances de avanço no certame. Não 
 
 
4 
temos como cravar quantas questões efetivamente serão afetadas, mas guardem esta 
informação de parâmetro para verificarem suas chances reais! 
Aos alunos da turma do Mege para o TJTO, pedimos que não deixem de reler os 
conteúdos das rodadas com temas antecipados na prova. A melhor fixação será 
importante nos próximos desafios e também para a 2ª fase do concurso. Aos que 
prosseguirão, já tivemos caso de uma prova discursiva inteira tratada nas rodadas da 
turma de reta final para prova objetiva. Isso ocorreu, por exemplo, no TJAP, e se repete 
em praticamente todo TJ (boa parte da prova discursiva já é tratada desde o estudo para 
1ª fase com o Mege). 
Como perceberam, o estudo em sprint final sempre é revertido em pontos 
decisivos. As turmas de reta final são um sucesso desde nossa primeira edição. O 
trabalho de pesquisa faz a diferença! 
É importante mencionar que o Clube da Magistratura, a nossa turma mais 
completa, é extremamente decisivo em qualquer prova (especialmente por tratar de um 
edital completo ao longo de 1 ano – e aqui falamos, sem qualquer receio, em todas as 
fases). Não fizemos maiores apontamentos sobre sua produção neste material por conta 
do curto tempo de comparativo temático entre a sua produção e as questões de prova 
(ainda dentro do prazo recursal – objetivo maior). 
Com a atualização constante de nossos materiais, as questões aqui tratadas já 
entrarão em rota de menção em nossos próximos materiais. 
É válido citar que, neste momento, estamos com inscrições abertas para TJCE, 
além do Clube da Magistratura 2025.2 e TRF1 (2ª fase). 
 
Clube da Magistratura 2025.2 
 
 
CAMINHOS POSSÍVEIS APÓS A PROVA OBJETIVA DO TJTO 
 
Em nossa análise, sobre caminhos pós-prova no TJTO, entendemos que esse 
direcionamento esquematizado pode orientar da melhor forma. 
Sobre a nota de corte de ampla concorrência (estimada em 66/67 pontos), diante 
das polêmicas apontadas como possíveis anulações, estimamos que até 64/65 pontos 
seria possível imaginar uma chance de 2ª fase (com bom aproveitamento de anuladas). 
Uma vez que 1 ou 2 questões ainda podem ter situações modificadas pela banca (não 
acreditamos em mais que isso). 
Em cotas, 55/56 seria esse limite indicado. Na próxima sequência, preparamos 
um quadro esquematizado com indicações de caminhos. 
https://lp.mege.com.br/clube-da-magistratura-ate-passar/
 
 
5 
 
 
SE VOCÊ NÃO FOI TÃO BEM NO TJTO, NÃO SE DESESPERE! 
O Clube da Magistratura foi pensado para todos os níveis de concurseiro da carreira. 
 
Aos colegas que não estão dentro dessas faixas, indicamos, conforme o caso, 
entrar imediatamente no Clube da Magistratura (turma 2025.2). Nossa turma mais 
completa para quem se prepara para carreira (inclusive assinante premium ganha acesso 
a todas as retas finais de magistratura que atuamos). 
Se você presta concursos de magistratura em outros estados, o Clube da 
Magistratura conta com tudo que você precisa para preparação em todas as fases do 
concurso. Em 2025, teremos a sua melhor versão da história! Inclusive com módulo 
complementar para Magistratura Federal. Uma preparação completa: desde o estudo 
voltado para 1ª fase até correções de provas de 2ª fase de forma personalizada (com 
opção de acompanhamento personalizado). Vale a pena conferir! 
 
A SEGUNDA FASE É LOGO ALI! 
Já estamos com inscrições abertas para as turmas de 2ª fase voltadas TJTO (onde 
contaremos com 2 opções: com correções personalizadas e com correções por IA) 
focada em uma preparação completa para este desafio. 
Em nossas atuações vencedoras nas últimas edições de 2ª fase do TJTO (onde 
nossos alunos dominaram as primeiras colocações), seguimos exatamente a mesma 
estratégia que adotaremos no atual concurso, onde contaremos com apoio de 
magistrados do próprio tribunal. 
 
 
6 
Os links para inscrição nas turmas de 2ª fase seguem conforme abaixo (em 
promoção de lançamento): 
 
TJTO (2ª fase - TURMA 1: COM CORREÇÕES PERSONALIZADAS) 
 
TJTO (2ª fase - TURMA 2: COM CORREÇÕES POR IA) 
 
 
Agora é com vocês, vamos para análise de tudo que caiu na objetiva do TJTO. 
Seguiremos firmes em um trabalho realmente específico também para 2ª fase deste 
desafio! 
 
Arnaldo Bruno Oliveira1 
Equipe Mege 
 
 
 
1 Insta: @prof.arnaldobruno (fiquem à vontade para o envio de mensagens sobre o Mege). 
https://loja.mege.com.br/proposta/tjse-2025-2a-fase-turma-1-materiais-videoaulas-provas-e-correcoes-01
https://loja.mege.com.br/proposta/tjto-2025-2a-fase-turma-2-correcoes-personalizadas-por-ia
 
 
7 
SUMÁRIO 
 
BLOCO I ..................................................................................................................... 8 
DIREITO CIVIL ................................................................................................................ 8 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL ........................................................................................ 26 
DIREITO DO CONSUMIDOR ......................................................................................... 44 
DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE .................................................................o juiz da causa 
a pronunciar a sua revelia e a determinar a remessa dos autos ao curador especial. 
Na peça de bloqueio ofertada pelo curador especial, foi arguida a questão preliminar de 
nulidade da citação por hora certa, contestando-se o pleito autoral, já no mérito, por 
negação geral. 
Nesse contexto, é CORRETO afirmar que o juiz: 
(A) acertou ao determinar a remessa dos autos ao curador especial, a quem assistia razão 
ao arguir a nulidade da citação por hora certa; 
(B) acertou ao determinar a remessa dos autos ao curador especial, a quem era lícito 
contestar o pedido por negação geral, mas não arguir a nulidade da citação por hora 
certa; 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art183%C2%A71
 
 
34 
(C) errou ao determinar a remessa dos autos ao curador especial, já que a hipótese 
ensejava o saneamento do feito, com a apreciação da pertinência das provas requeridas 
na inicial; 
(D) errou ao determinar a remessa dos autos ao curador especial, já que a hipótese 
ensejava a extinção do feito, por ausência de pressuposto processual de validade; 
(E) errou ao determinar a remessa dos autos ao curador especial, já que a hipótese 
ensejava a imediata prolação de sentença de mérito, com o acolhimento do pedido do 
autor. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
No caso apresentado, o oficial de justiça descumpriu o teor do art. 252 do CPC, que exige 
que, por duas vezes, o auxiliar do juízo procure o citando: 
Art. 252. Quando, por 2 (duas) vezes, o oficial de justiça houver 
procurado o citando em seu domicílio ou residência sem o 
encontrar, deverá, havendo suspeita de ocultação, intimar 
qualquer pessoa da família ou, em sua falta, qualquer vizinho de 
que, no dia útil imediato, voltará a fim de efetuar a citação, na 
hora que designar. 
Corretamente, contudo, determinou-se a intimação da curadoria especial para a defesa 
de réu revel citado por hora certa: 
Art. 72. O juiz nomeará curador especial ao: 
(...) 
II - réu preso revel, bem como ao réu revel citado por edital ou 
com hora certa, enquanto não for constituído advogado. 
Desse modo, o Juiz acertou ao determinar a remessa dos autos ao curador especial, a 
quem assistia razão ao arguir a nulidade da citação por hora certa. 
_____________________________________________________________________________ 
22. No que se refere ao valor da causa, é CORRETO afirmar que: 
(A) caso seja retificado pelo juiz, de modo a importar em sua majoração, ficará o autor 
isento da obrigação de recolher a diferença das despesas processuais porventura 
apuradas; 
(B) deverá ser atribuído apenas às ações que tenham conteúdo econômico 
imediatamente aferível, sendo dispensável a sua atribuição àquelas que não o tenham; 
(C) deverá ser atribuído apenas às ações, sendo dispensável a sua atribuição às 
demandas reconvencionais; 
 
 
35 
(D) é dispensável a sua atribuição na petição inicial da ação indenizatória fundada em 
danos morais; 
(E) poderá ser impugnado pelo réu, por meio da arguição de preliminar em sua 
contestação. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
A resposta é extraída da análise conjunta dos arts. 291 a 293 do CPC: 
Art. 291. A toda causa será atribuído valor certo, ainda que não 
tenha conteúdo econômico imediatamente aferível. 
Art. 292. O valor da causa constará da petição inicial ou da 
reconvenção e será: 
I - na ação de cobrança de dívida, a soma monetariamente 
corrigida do principal, dos juros de mora vencidos e de outras 
penalidades, se houver, até a data de propositura da ação; 
II - na ação que tiver por objeto a existência, a validade, o 
cumprimento, a modificação, a resolução, a resilição ou a 
rescisão de ato jurídico, o valor do ato ou o de sua parte 
controvertida; 
III - na ação de alimentos, a soma de 12 (doze) prestações 
mensais pedidas pelo autor; 
IV - na ação de divisão, de demarcação e de reivindicação, o valor 
de avaliação da área ou do bem objeto do pedido; 
V - na ação indenizatória, inclusive a fundada em dano moral, o 
valor pretendido; 
VI - na ação em que há cumulação de pedidos, a quantia 
correspondente à soma dos valores de todos eles; 
VII - na ação em que os pedidos são alternativos, o de maior 
valor; 
VIII - na ação em que houver pedido subsidiário, o valor do 
pedido principal. 
§ 1º Quando se pedirem prestações vencidas e vincendas, 
considerar-se-á o valor de umas e outras. 
§ 2º O valor das prestações vincendas será igual a uma prestação 
anual, se a obrigação for por tempo indeterminado ou por tempo 
superior a 1 (um) ano, e, se por tempo inferior, será igual à soma 
das prestações. 
§ 3º O juiz corrigirá, de ofício e por arbitramento, o valor da causa 
quando verificar que não corresponde ao conteúdo patrimonial 
em discussão ou ao proveito econômico perseguido pelo autor, 
caso em que se procederá ao recolhimento das custas 
correspondentes. 
 
 
36 
 Art. 293. O réu poderá impugnar, em preliminar da 
contestação, o valor atribuído à causa pelo autor, sob pena de 
preclusão, e o juiz decidirá a respeito, impondo, se for o caso, a 
complementação das custas. 
Desse modo, a única alternativa correta é a letra E, uma vez que o valor da causa poderá 
ser impugnado pelo réu, por meio da arguição de preliminar em sua contestação, sob 
pena de preclusão. 
_____________________________________________________________________________ 
Texto 1 
Um adolescente de 17 anos de idade ajuizou demanda em que pleiteava a condenação 
da parte ré, uma instituição de ensino superior, a efetivar a sua matrícula no curso 
universitário para o qual fora aprovado no certame seletivo, bem como a lhe pagar verba 
indenizatória de danos morais, no montante correspondente a 15 salários mínimos. 
O autor da ação, em sua petição inicial, alegou que a recusa da ré violava a legislação de 
regência e que, caso não fosse imediatamente realizada a sua matrícula, perderia todo 
o semestre de estudos. 
Apreciando a peça exordial, o juiz entendeu que estavam presentes os requisitos para a 
concessão da tutela provisória ali requerida. Além disso, o magistrado, atentando-se 
para os documentos anexados pelo demandante, constatou que o instrumento de 
mandato ad judicia outorgado ao seu advogado havia sido firmado apenas pelo menor, 
sem que contivesse a assinatura de pelo menos um de seus representantes legais. 
23. No caso da situação relatada no texto 1, deverá o juiz: 
(A) conceder a tutela provisória e, diante da regularidade da representação processual 
do autor, proceder ao juízo positivo de admissibilidade da ação, ordenando a citação da 
parte ré; 
(B) conceder a tutela provisória, mas, antes do juízo positivo de admissibilidade da ação, 
determinar a intimação do autor para regularizar a sua representação processual; 
(C) determinar a intimação do autor para regularizar a sua representação processual e, 
só após, apreciar o seu requerimento de concessão de tutela provisória; 
(D) indeferir de plano a petição inicial, diante da irregularidade da representação 
processual do autor; 
(E) proceder ao declínio de competência em favor de um dos juizados especiais cíveis da 
mesma comarca. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
 
 
37 
Em regra, o incapaz não dispõe de capacidade de estar em Juízo sem a devida assistência 
ou representação. 
É o que se extrai do art. 71 do CPC: “O incapaz será representado ou assistido por seus 
pais, por tutor ou por curador, na forma da lei”. 
Antes de determinar, portanto, a regularização da representação processual da parte 
autora (art. 76 do CPC), deve o Magistrado apreciar a tutela de urgência, a fim de evitar 
perecimento de direito do autor incapaz, com fundamento no art. 104 do CPC: 
Art. 104. O advogado não será admitido a postular em juízo sem 
procuração, salvo para evitar preclusão,decadência ou 
prescrição, ou para praticar ato considerado urgente. 
Dessa forma, presentes os requisitos autorizadores da tutela de urgência, cabe ao Juiz 
conceder a tutela provisória, mas, antes do juízo positivo de admissibilidade da ação, 
determinar a intimação do autor para regularizar a sua representação processual. 
_____________________________________________________________________________ 
24. No caso da situação relatada no texto 1, a tutela provisória requerida na petição 
inicial ostenta a natureza da tutela: 
(A) antecipada de urgência; 
(B) antecipada de evidência; 
(C) cautelar de urgência; 
(D) cautelar de evidência; 
(E) cautelar satisfativa. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
Prevê o art. 300 do CPC que a tutela de urgência será concedida quando houver 
elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao 
resultado útil do processo. 
No caso, a tutela é de urgência, e não de evidência, uma vez que há risco concreto de 
dano ao resultado útil do processo caso não apreciada e deferida de plano pelo Juiz. 
Pretende o autor, em verdade, antecipar os efeitos de eventual provimento jurisdicional 
de mérito, notadamente a matrícula, para que não perca o semestre respectivo. 
Não se busca, pois, assegurar um direito e garantir a sua efetividade (tutela cautelar), 
mas sim, mediante caráter satisfativo, antecipar os efeitos da decisão final, satisfazendo 
a totalidade do direito pleiteado (tutela antecipada). 
O gabarito, portanto, é a letra A, por se tratar de tutela antecipada de urgência. 
 
 
38 
_____________________________________________________________________________ 
25. Nos autos físicos de processo relativo a uma ação de reintegração de posse de força 
nova, o litisconsorte passivo André ofertou a sua contestação no quinto dia do prazo de 
que dispunha para fazê-lo, tendo invocado teses defensivas de cunho exclusivamente 
meritório. Mas, no décimo dia do seu prazo, o mesmo réu protocolizou nova petição, na 
qual requeria a extinção do feito sem resolução do mérito, por não estar presente, em 
sua ótica, o interesse de agir. 
Já o outro litisconsorte passivo, Bruno, assistido por patrono diverso, integrante de 
escritório de advocacia distinto, apresentou peça contestatória, no décimo quinto dia de 
seu prazo, na qual, do mesmo modo, somente veiculou argumentos afetos ao mérito da 
causa. 
Na sequência, o juiz proferiu sentença por meio da qual acolhia o pedido do autor, sem 
que tivesse apreciado a questão suscitada na segunda petição do réu André. 
Transcorridos nove dias úteis depois da ultimação do ato intimatório, André interpôs 
recurso de embargos de declaração, alegando que o órgão judicial havia incorrido em 
omissão ao não apreciar a questão preliminar de falta de interesse de agir. 
Após, efetivou-se a intimação do autor para contra-arrazoar os embargos declaratórios. 
Nesse cenário, os embargos de declaração manejados: 
(A) não deverão ser conhecidos, dado o seu descabimento em sede de procedimentos 
especiais; 
(B) não deverão ser conhecidos, dada a sua intempestividade; 
(C) deverão ser conhecidos e desprovidos, dada a preclusão consumativa operada em 
desfavor de André, a impedir que o tema da falta de interesse de agir seja apreciado pelo 
juiz; 
(D) deverão ser conhecidos e desprovidos, dada a preclusão lógica operada em desfavor 
de André, a impedir que o tema da falta de interesse de agir seja apreciado pelo juiz; 
(E) deverão ser conhecidos e providos, sendo admissível a atribuição de eficácia 
modificativa ao recurso interposto por André. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO. 
Via de regra, na forma do art. 1.023 do CPC, os embargos serão opostos, no prazo de 5 
(cinco) dias, em petição dirigida ao juiz, com indicação do erro, obscuridade, contradição 
ou omissão, e não se sujeitam a preparo. 
 
 
39 
No caso apresentado, os litisconsortes dispõem de prazo em dobro, por se tratar de 
processo físico, para todas as manifestações: 
Art. 229. Os litisconsortes que tiverem diferentes procuradores, 
de escritórios de advocacia distintos, terão prazos contados em 
dobro para todas as suas manifestações, em qualquer juízo ou 
tribunal, independentemente de requerimento. 
(...) 
§ 2º Não se aplica o disposto no caput aos processos em autos 
eletrônicos. 
O recurso de embargos de declaração, portanto, oposto no prazo de nove dias úteis, é 
tempestivo, porquanto André dispunha de prazo em dobro. 
Quanto ao mérito do recurso, não há de se afastar preclusão consumativa operada em 
desfavor de André, que deveria concentrar todas as teses defensivas em uma única peça 
de defesa. Ao juntar aos autos sua contestação, não lhe é dado complementá-la, por 
força do instituto da preclusão consumativa. Nesse sentido: REsp 1840561 / SP, DJe 
17/05/2022. 
Por outro lado, à luz do entendimento do STJ, "as matérias de ordem pública (e.g. 
prescrição, decadência, condições da ação, pressupostos processuais, consectários 
legais, incompetência absoluta, impenhorabilidade, etc) não se sujeitam à preclusão, 
podendo/devendo ser apreciadas a qualquer momento e de ofício nas instâncias 
ordinárias" (REsp 1.809.145/DF, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda 
Turma, julgado em 19/5/2020, DJe de 27/5/2020). 
Desse modo, a despeito da preclusão consumativa, o juiz da causa poderia apreciar, de 
ofício, eventual ausência de condições da ação, notadamente do interesse processual. 
Não é possível depreender, portanto, que a letra C esteja correta, uma vez que, mesmo 
com a preclusão consumativa, o tema da falta de interesse de agir pode ser apreciado 
pelo juiz de ofício. 
Também não há, contudo, como se reputar correta a letra E, uma vez que não há, 
propriamente, omissão do juiz em não analisar tese defensiva acobertada pela preclusão 
consumativa, a despeito de poder apreciar a matéria de ofício. 
Sendo assim, considerando que a questão dá margem a interpretações variadas e que 
não há resposta correta, deve ser anulada. 
_____________________________________________________________________________ 
26. Intentada ação em que a parte autora pleiteava a condenação do réu a cumprir uma 
obrigação contratual, este, depois de validamente citado, apresentou contestação, 
suscitando questões preliminares e meritórias. 
Encerrada a fase postulatória, o juiz da causa de imediato procedeu ao julgamento 
antecipado do mérito, rejeitando os argumentos defensivos do réu e proferindo 
sentença em que acolhia, na íntegra, o pedido do demandante. 
Tendo o demandado interposto recurso de apelação, o órgão fracionário do Tribunal dele 
conheceu, negando-lhe, contudo, provimento, após o que adveio o trânsito em julgado. 
 
 
40 
Instaurada a fase procedimental de cumprimento de sentença, o réu, depois de 
regularmente intimado, ofertou no prazo legal a sua impugnação, alegando e 
comprovando que já havia efetuado o pagamento da obrigação cobrada. Acrescentou 
ele que, embora não tivesse invocado esse argumento defensivo em sua precedente 
contestação, trata-se de fato extintivo do direito do autor, matéria cognoscível ex officio 
pelo órgão judicial. 
Nesse quadro, caberá ao juiz: 
(A) conhecer da matéria defensiva arguida na impugnação ao cumprimento de sentença, 
mas rejeitá-la em seu mérito, ressalvando a faculdade do devedor de suscitá-la em sede 
de embargos à execução; 
(B) deixar de conhecer da matéria defensiva arguida na impugnação ao cumprimento de 
sentença, ressalvando a faculdade do devedor de suscitá-la em sede de ação rescisória; 
(C) deixar de conhecer da matéria defensiva arguida na impugnação ao cumprimento de 
sentença; 
(D) conhecer da matéria defensiva arguida na impugnação ao cumprimento de sentença, 
mas rejeitá-la em seu mérito; 
(E) conhecer da matéria defensiva arguida na impugnação aocumprimento de sentença, 
acolhendo-a em seu mérito. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
Conforme previsão do art. 525, §1º, inciso VII, do CPC, 
Art. 525, §1º, VII, CPC: “Transcorrido o prazo previsto no art. 
523 sem o pagamento voluntário, inicia-se o prazo de 15 (quinze) 
dias para que o executado, independentemente de penhora ou 
nova intimação, apresente, nos próprios autos, sua impugnação. 
§ 1º Na impugnação, o executado poderá alegar: 
(...) 
VII - qualquer causa modificativa ou extintiva da obrigação, como 
pagamento, novação, compensação, transação ou prescrição, 
desde que supervenientes à sentença”. 
Desse modo, considerando que a causa extintiva da obrigação (pagamento) não é 
superveniente à sentença, não é dado ao executado alegá-la na impugnação ao 
cumprimento de sentença. 
A tese, portanto, não deve ser conhecida pelo Juiz. 
_____________________________________________________________________________ 
27. Antônio, munido de um título executivo extrajudicial, ajuizou ação de execução em 
face de Bernardo. 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art523
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art523
 
 
41 
Tendo o executado se quedado inerte, a despeito da validade de sua citação, Antônio 
indicou à penhora um imóvel, alegando se tratar de bem de propriedade do demandado, 
o que foi deferido pelo juiz. 
Por sua vez, Carlos, tomando ciência do feito executivo, intentou ação de embargos de 
terceiro, estribando-se no argumento de que era ele o verdadeiro proprietário do 
imóvel, sendo, portanto, ilegítimo o ato de constrição. Em sua petição inicial, Carlos 
incluiu no polo passivo da ação Antônio e Bernardo, respectivamente, o demandante e 
o demandado no processo de execução. 
Apreciando a peça exordial dos embargos de terceiro, o magistrado, embora tenha 
procedido ao juízo positivo de admissibilidade da demanda, determinou a exclusão de 
Bernardo da relação processual. 
Intimado dessa decisão, Carlos interpôs recurso de agravo de instrumento, pleiteando a 
sua reforma para o fim de que prevalecesse o entendimento acerca da necessidade da 
integração de Bernardo ao processo. 
Nesse contexto, o agravo de instrumento manejado: 
(A) não deverá ser conhecido pelo órgão ad quem, dada a sua incompatibilidade com o 
procedimento especial da ação de embargos de terceiro; 
(B) não deverá ser conhecido pelo órgão ad quem, dado o seu descabimento para 
impugnar a decisão interlocutória proferida; 
(C) não deverá ser conhecido pelo órgão ad quem, dada a falta de legitimidade recursal; 
(D) deverá ser conhecido, porém desprovido pelo órgão ad quem; 
(E) deverá ser conhecido e provido pelo órgão ad quem. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
No caso apresentado, por se tratar de decisão que determinou a exclusão de 
litisconsorte, cabe agravo de instrumento para impugná-la: 
Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões 
interlocutórias que versarem sobre: 
(...) 
VII - exclusão de litisconsorte; 
Ademais, procedeu com acerto o Juiz ao determinar a exclusão de Bernardo do polo 
passivo, uma vez que o executado não indicou o bem à penhora e, portanto, não deve 
ser considerado litisconsorte passivo nos embargos de terceiro: 
Art. 677, § 4º Será legitimado passivo o sujeito a quem o ato de 
constrição aproveita, assim como o será seu adversário no 
 
 
42 
processo principal quando for sua a indicação do bem para a 
constrição judicial. 
O recurso, portanto, deverá ser conhecido, porém desprovido pelo órgão ad quem. 
_____________________________________________________________________________ 
28. A modalidade de intervenção de terceiros por meio da qual se viabiliza ao autor ou 
ao réu o exercício do direito que lhes assiste, em face do alienante imediato, por conta 
da evicção, é: 
(A) chamamento ao processo; 
(B) assistência simples; 
(C) assistência litisconsorcial; 
(D) denunciação da lide; 
(E) oposição. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
A conceituação diz respeito à denunciação da lide, na forma do art. 125, I, do CPC: 
Art. 125. É admissível a denunciação da lide, promovida por 
qualquer das partes: 
I - ao alienante imediato, no processo relativo à coisa cujo 
domínio foi transferido ao denunciante, a fim de que possa 
exercer os direitos que da evicção lhe resultam; 
II - àquele que estiver obrigado, por lei ou pelo contrato, a 
indenizar, em ação regressiva, o prejuízo de quem for vencido no 
processo. 
_____________________________________________________________________________ 
29. Alguns meses depois de ter agredido Caio, causando-lhe graves lesões corporais, 
Tício foi denunciado pelo órgão do Ministério Público como incurso nas sanções penais 
correspondentes ao delito praticado. 
Após a tramitação do processo penal, foi proferida sentença condenatória em desfavor 
de Tício, a qual, à míngua de interposição de qualquer recurso, transitou em julgado. 
Uma vez já liquidados, no juízo cível, os valores das verbas indenizatórias a que fazia jus, 
totalizando a importância de duzentos mil reais, Caio deduziu pretensão de 
cumprimento de sentença em face de Tício, que, regularmente intimado, não pagou a 
verba nem indicou bens à penhora. 
 
 
43 
Na sequência, Caio indicou à constrição judicial o imóvel de propriedade de Tício, que, 
tão logo ciente, invocou a sua impenhorabilidade, alegando, para tanto, tratar-se de bem 
de família. 
Após o cotejo entre os argumentos veiculados por ambas as partes, o juiz, verificando 
que o imóvel indicado por Caio era o único integrante do patrimônio de Tício, servindo-
lhe, ademais, de residência, concluiu tratar-se de bem de família. Daí ter o magistrado 
proferido decisão em que pronunciava a sua impenhorabilidade. 
Nesse cenário, é CORRETO afirmar que: 
(A) se, antes do oferecimento da denúncia, Caio tivesse intentado ação civil ex delicto, o 
juiz, ao ser informado da posterior instauração do processo penal, deveria ter julgado 
extinto o feito cível, dada a perda superveniente do interesse de agir; 
(B) o juiz deveria ter indeferido a petição em que se deduziu a pretensão de 
cumprimento de sentença, já que somente o acórdão penal condenatório constitui título 
executivo judicial, mas não a sentença penal de primeira instância; 
(C) a decisão que pronunciou a impenhorabilidade do bem indicado à penhora é 
impugnável pelo recurso de agravo de instrumento, que, caso seja interposto por Caio, 
deverá ser provido pelo órgão ad quem; 
(D) a decisão que pronunciou a impenhorabilidade do bem indicado à penhora é 
impugnável pelo recurso de apelação, que, caso seja interposto por Caio, deverá ser 
desprovido pelo órgão ad quem; 
(E) a decisão que pronunciou a impenhorabilidade do bem indicado à penhora é 
insuscetível de impugnação por qualquer via recursal típica, podendo Caio valer-se da 
ação de mandado de segurança para submeter a questão ao órgão ad quem. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Art. 313. Suspende-se o processo: 
(...) 
V - quando a sentença de mérito: 
a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de 
existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o 
objeto principal de outro processo pendente; 
A hipótese, portanto, é de suspensão do processo, e não de sua extinção. 
(B) INCORRETA. 
Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-
se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: 
(...) 
 
 
44 
VI - a sentença penal condenatória transitada em julgado; 
Não há qualquer exigência de que se trate de acórdão, bastando que seja sentença penal 
condenatória transitada em julgado. 
(C) CORRETA. O recurso cabível para impugnara decisão, de fato, é o agravo de 
instrumento, na forma do art. 1015, parágrafo único, do CPC: 
Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na 
fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de 
execução e no processo de inventário. 
O recurso deve ser provido pelo Tribunal, por se tratar de cumprimento de sentença 
penal condenatória com pleito de ressarcimento de danos causados, a teor do art. 3º, 
VI, da Lei 8.009/90: 
Art. 3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de 
execução civil, fiscal, previdenciária, trabalhista ou de outra 
natureza, salvo se movido: 
(...) 
VI - por ter sido adquirido com produto de crime ou para 
execução de sentença penal condenatória a ressarcimento, 
indenização ou perdimento de bens. 
(D) INCORRETA. Vide alternativa C. 
(E) INCORRETA. Vide alternativa C. 
_____________________________________________________________________________ 
DIREITO DO CONSUMIDOR 
 
30. Em relação à defesa do consumidor em juízo, o Código de Defesa do Consumidor 
estabelece que: 
(A) têm legitimidade concorrente para a propositura de ações coletivas as entidades e 
órgãos com personalidade jurídica da Administração Pública, direta ou indireta, ainda 
que sem personalidade jurídica, especificamente destinados à defesa dos interesses e 
direitos protegidos pelo Código; 
(B) a pretensão à reparação civil por danos causados a consumidores fundada em lesão 
a direitos difusos ou coletivos prescreve em dez anos, iniciando-se a contagem do prazo 
a partir do conhecimento do dano e de sua autoria; 
(C) na ação que tenha por objeto o cumprimento da obrigação de fazer ou de não fazer, 
a condenação do réu à indenização por perdas e danos exclui a condenação ao 
pagamento de multa; 
(D) o Ministério Público poderá ajuizar ação coletiva visando ao controle abstrato e 
preventivo das cláusulas contratuais gerais que se mostrem abusivas para o consumidor; 
 
 
45 
(E) a ação de regresso proposta por comerciante em face do fabricante poderá ser 
ajuizada em processo autônomo, facultada a possibilidade de prosseguir nos mesmos 
autos, vedada a denunciação da lide. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. O erro da assertiva está na previsão de entidades e órgãos “com 
personalidade jurídica”, pois não há essa previsão no art. 82, III, do CDC; 
Art. 82, III - as entidades e órgãos da Administração Pública, 
direta ou indireta, ainda que sem personalidade jurídica, 
especificamente destinados à defesa dos interesses e direitos 
protegidos por este código; 
Aparentemente, a assertiva foi escrita de forma dúbia, até parece ter havido erro de 
redação. De toda forma, como há disparidade literal com a redação do inciso III acima 
transcrito, entende-se por sua incorreção. 
(B) INCORRETA. O CDC só prevê um tipo de prazo de prescrição, no art. 27, restrito às 
pretensões de responsabilidade por fato do produto ou do serviço. Para as ações 
coletivos, nem o CDC nem a Lei de Ação Civil Pública preveem prazo prescricional 
específico muito menos único para toda e qualquer lesão a direitos difusos e coletivos. 
(C) INCORRETA. Na verdade, o art. 84, par. 2º, preceitua que a indenização por perdas e 
danos não afasta a multa: 
Art. 84, § 2° A indenização por perdas e danos se fará sem 
prejuízo da multa (art. 287, do Código de Processo Civil). 
(D) INCORRETA. Embora o conteúdo em si da assertiva esteja correto, é necessário se 
ater ao enunciado, que restringe as perguntas: “o Código de Defesa do Consumidor 
estabelece que”. 
A possibilidade de o Ministério Público ingressar com ação coletiva para controle 
abstrato e preventivo de cláusulas contratuais abusivas é construção jurisprudencial: 
O controle judicial de práticas e cláusulas abusivas faz-se in 
concreto ou in abstracto. Como o Direito do Consumidor 
caracteriza-se por axiomática ojeriza à lesão consumada - daí ser 
disciplina de riscos mais do que disciplina de danos -, a atuação 
dos órgãos administrativos, do Ministério Público e do próprio 
Poder Judiciário deve buscar, ao máximo e prioritariamente, 
evitar que prejuízos efetivos aconteçam, muitos deles 
dependentes de custosa e difícil, quando não impossível, 
restauração ao statu quo ante ou indenização. Logo, a 
implementação do controle abstrato de práticas e cláusulas 
abusivas independe de reclamação de um ou vários 
 
 
46 
consumidores, já que investigação e eventual acionamento 
judicial acerca de anomalias negociais precisam se antecipar à 
consumação do ilícito (modelo de controle preventivo) em vez 
de esperarem pela materialização dos malefícios (modelo de 
controle remediador ou, na linguagem popular, modelo do "leite 
derramado"). 
(AgInt no AgInt no AREsp n. 2.322.703/RN, relator Ministro 
Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 20/5/2024, DJe 
de 4/6/2024.) 
(E) CORRETA. Trata-se de previsão legal expressa conjugada pelos arts. 13, parágrafo 
único, e 88 do CDC: 
Art. 13, Parágrafo único. Aquele que efetivar o pagamento ao 
prejudicado poderá exercer o direito de regresso contra os 
demais responsáveis, segundo sua participação na causação do 
evento danoso. 
Art. 88. Na hipótese do art. 13, parágrafo único deste código, a 
ação de regresso poderá ser ajuizada em processo autônomo, 
facultada a possibilidade de prosseguir-se nos mesmos autos, 
vedada a denunciação da lide. 
_____________________________________________________________________________ 
31. A vigilância sanitária do Estado do Tocantins, após recebimento de denúncias, 
realizou inspeção nas instalações da fábrica de produção de fertilizantes de Indústrias 
Químicas Dianópolis S/A e constatou a adição de substâncias proscritas no Brasil no 
processo de elaboração de alguns fertilizantes para lavouras de cana-de-açúcar e 
algodão. 
Diante da narrativa, em relação às sanções administrativas previstas no CDC, é CORRETO 
afirmar que: 
(A) as penas de cassação de alvará de licença, de interdição e de suspensão temporária 
da atividade serão aplicadas mediante procedimento administrativo, assegurada a 
ampla defesa, tenha ou não havido reincidência do fornecedor; 
(B) a sanção de proibição de fabricação de produto pode ser aplicada pela autoridade 
administrativa estadual, inclusive por medida cautelar, antecedente ou incidente de 
procedimento administrativo; 
(C) apenas a ANVISA poderá aplicar sanções administrativas à companhia, tendo em vista 
ser competência exclusiva da União ou de suas autarquias, não concorrente com estados 
e municípios; 
(D) a competência originária para aplicar sanções administrativas em face da companhia 
é do município onde o produto é fabricado e, subsidiariamente, do estado ou da União, 
de modo concorrente para estes entes; 
 
 
47 
(E) a sanção administrativa de inutilização de produtos pode ser aplicada no momento 
da autuação, independentemente da instauração de procedimento administrativo, 
assegurada a ampla defesa. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
 
Art. 56. As infrações das normas de defesa do consumidor ficam 
sujeitas, conforme o caso, às seguintes sanções administrativas, 
sem prejuízo das de natureza civil, penal e das definidas em 
normas específicas: 
I - multa; 
II - apreensão do produto; 
III - inutilização do produto; 
IV - cassação do registro do produto junto ao órgão competente; 
V - proibição de fabricação do produto; 
VI - suspensão de fornecimento de produtos ou serviço; 
VII - suspensão temporária de atividade; 
VIII - revogação de concessão ou permissão de uso; 
IX - cassação de licença do estabelecimento ou de atividade; 
X - interdição, total ou parcial, de estabelecimento, de obra ou 
de atividade; 
XI - intervenção administrativa; 
XII - imposição de contrapropaganda. 
Parágrafo único. As sanções previstas neste artigo serão 
aplicadas pela autoridade administrativa, no âmbitode sua 
atribuição, podendo ser aplicadas cumulativamente, inclusive 
por medida cautelar, antecedente ou incidente de 
procedimento administrativo. 
 
Art. 58. As penas de apreensão, de inutilização de produtos, de 
proibição de fabricação de produtos, de suspensão do 
fornecimento de produto ou serviço, de cassação do registro do 
produto e revogação da concessão ou permissão de uso serão 
aplicadas pela administração, mediante procedimento 
administrativo, assegurada ampla defesa, quando forem 
constatados vícios de quantidade ou de qualidade por 
inadequação ou insegurança do produto ou serviço. 
 
Art. 59. As penas de cassação de alvará de licença, de interdição 
e de suspensão temporária da atividade, bem como a de 
intervenção administrativa, serão aplicadas mediante 
procedimento administrativo, assegurada ampla defesa, 
 
 
48 
quando o fornecedor reincidir na prática das infrações de maior 
gravidade previstas neste código e na legislação de consumo. 
§ 1° A pena de cassação da concessão será aplicada à 
concessionária de serviço público, quando violar obrigação legal 
ou contratual. 
§ 2° A pena de intervenção administrativa será aplicada sempre 
que as circunstâncias de fato desaconselharem a cassação de 
licença, a interdição ou suspensão da atividade. 
§ 3° Pendendo ação judicial na qual se discuta a imposição de 
penalidade administrativa, não haverá reincidência até o trânsito 
em julgado da sentença. 
 
(A) INCORRETA. Art. 59, caput, do CDC. 
(B) CORRETA. Art. 56, parágrafo único, do CDC. 
(C) INCORRETA. Art. 56, parágrafo único, do CDC. 
(D) INCORRETA. Art. 56, parágrafo único, do CDC. 
(E) INCORRETA. Art. 58 do CDC. 
_____________________________________________________________________________ 
32. Nazaré, na condição de superendividada, requereu a instauração de processo de 
repactuação de dívidas de consumo. Na audiência conciliatória, a consumidora propôs a 
dilação de pagamento pelo prazo de cinco anos e considerou o não comprometimento 
do valor de R$ 600,00 como mínimo existencial. 
O credor, Banco Itaguatins S/A, impugnou sua inclusão no rol apresentado pela 
consumidora sob justificativa de ser o crédito proveniente de mútuo garantido pelo 
penhor de joias. É fato inconteste que o crédito é decorrente de relação de consumo. 
Considerando-se os fatos narrados, o crédito do Banco Itaguatins deve ser: 
(A) mantido no rol de credores, em razão de ser decorrente de relação de consumo; 
(B) excluído do rol de credores, em razão de ser titularizado por instituição financeira; 
(C) excluído do rol de credores, em razão de estar garantido pelo penhor de joias, mesmo 
que seja decorrente de relação de consumo; 
(D) mantido no rol de credores, em razão de ser decorrente de relação de consumo; 
todavia, o valor reservado a título de mínimo existencial deve ser revisto para o 
equivalente a 50% do valor do salário mínimo; 
(E) mantido no rol de credores, em razão de ser decorrente de relação de consumo; 
todavia, o valor reservado a título de mínimo existencial deve ser revisto para o 
equivalente a 25% do valor do salário mínimo. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
 
 
49 
COMENTÁRIOS 
 
Inicialmente, é imperioso destacar que o penhor é um dos direitos reais, nos termos do 
art. 1.225, VIII, do Código Civil. 
Para a resolução da questão, há de se verificar as dívidas excluídas da fase conciliatória 
do processo de repactuação de dívidas: 
Art. 104-A. § 1º Excluem-se do processo de repactuação as 
dívidas, ainda que decorrentes de relações de consumo, 
oriundas de contratos celebrados dolosamente sem o propósito 
de realizar pagamento, bem como as dívidas provenientes de 
contratos de crédito com garantia real, de financiamentos 
imobiliários e de crédito rural. 
Correta, assim, alternativa C. 
_____________________________________________________________________________ 
33. Wander adquiriu um veículo automotor novo num estabelecimento da rede de 
concessionárias do fabricante Bagnole. Decorridos dois meses do início do uso do 
produto, Wander percebeu um defeito no funcionamento do motor e o reportou ao 
fabricante. A peça foi substituída pela concessionária após testes com equipamentos do 
fabricante, mas o problema no motor persistiu. Após tentativas infrutíferas de solução 
durante seis meses, Wander pleiteou em juízo a restituição do valor pago com juros de 
mora. 
Considerando-se a narrativa, é CORRETO afirmar que Wander: 
(A) não faz jus à restituição ou abatimento do preço porque o defeito foi sanado pela 
substituição da peça pela concessionária; 
(B) não faz jus à restituição do preço, e sim à substituição do veículo, pois o produto não 
se tornou inadequado ao consumo, tanto que foi utilizado após a substituição da peça; 
(C) tem direito apenas ao abatimento proporcional do preço do veículo, e sem a 
incidência de juros de mora, em razão de ter continuado a utilizar o veículo após a 
substituição da peça; 
(D) tem direito à restituição do preço do veículo, mas sem a incidência de juros de mora, 
em razão de ter continuado a utilizar o veículo após a substituição da peça, o que 
compensa qualquer dano; 
(E) tem direito à restituição do preço do veículo, inclusive com incidência de juros de 
mora, em razão de o fabricante não ter dado solução definitiva ao problema após o 
decurso de 30 dias, persistindo o inadimplemento. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
 
50 
 
O enunciado veicula uma situação de vício do produto, haja vista que se trata de 
problema intrínseco, não havendo narrativa de risco à saúde ou à segurança do 
consumidor. 
Trata-se de produto durável (veículo automotor) e de vício oculto, dado que apenas foi 
descoberto após dois meses após o início do uso do produto. Assim, nos termos do art. 
26, II e par. 3º, o consumidor procurou o fornecedor para sanar o vício dentro do prazo 
decadencial. 
A hipótese acima, assim, aloca-se no art. 18, par. 1º, do CDC. Embora tenha havido a 
troca inicial do motor, o problema persistiu (não foi sanado), razão pela qual se abriu 
para o consumidor as alternativas dos seus incisos. A escolha é privativa do consumidor 
(“pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha”). 
Diante do exposto, estão incorretas as alternativas A, B e C. 
Segundo o inciso II, o consumidor pode optar pela restituição imediata da quantia paga, 
monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos. Assim, são 
devidos juros de mora. 
Correta assertiva E. 
_____________________________________________________________________________ 
34. A Lei nº 9.656/1998, ao regulamentar os planos e seguros privados de assistência à 
saúde, contempla várias disposições de proteção aos direitos do consumidor, dentre 
elas: 
(A) a vedação à exclusão de cobertura às doenças e lesões preexistentes à data de 
contratação de plano privado de assistência à saúde após 24 meses de vigência do 
instrumento contratual, cabendo à respectiva operadora o ônus da prova e da 
demonstração do conhecimento prévio do consumidor ou beneficiário; 
(B) a garantia da inscrição como segurado de filho adotivo, menor de 18 anos de idade, 
aproveitando os períodos de carência já cumpridos pelo consumidor adotante; 
(C) a obrigatoriedade de que a substituição de qualquer prestador de serviço de saúde 
como contratado, referenciado ou credenciado ao plano de saúde por outro prestador 
equivalente seja comunicada aos consumidores com 90 dias de antecedência; 
(D) a exigência de que a marcação de consultas, exames e quaisquer outros 
procedimentos seja feita de forma a atender às necessidades dos consumidores, 
privilegiando os casos de emergência ou urgência, assim como as pessoas com mais de 
60 anos de idade, as gestantes, lactantes, lactentes e crianças até 2 anos; 
(E) o entendimento de que os administradores e membros dos conselhos 
administrativos, deliberativos,consultivos, fiscais e assemelhados das operadoras de 
plano privado de assistência à saúde respondem objetivamente e subsidiariamente 
pelos prejuízos causados a terceiros, inclusive aos consumidores de planos privados de 
assistência à saúde, em consequência do descumprimento de leis, normas e instruções 
 
 
51 
referentes às operações previstas na legislação e, em especial, pela falta de constituição 
e cobertura das garantias obrigatórias. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
(A) CORRETA. 
Art. 11. É vedada a exclusão de cobertura às doenças e lesões 
preexistentes à data de contratação dos produtos de que tratam 
o inciso I e o § 1o do art. 1º desta Lei após vinte e quatro meses 
de vigência do aludido instrumento contratual, cabendo à 
respectiva operadora o ônus da prova e da demonstração do 
conhecimento prévio do consumidor ou beneficiário. 
(B) INCORRETA. 
Art. 12, VII - inscrição de filho adotivo, menor de doze anos de 
idade, aproveitando os períodos de carência já cumpridos pelo 
consumidor adotante. 
(C) INCORRETA. 
Art. 17. A inclusão de qualquer prestador de serviço de saúde 
como contratado, referenciado ou credenciado dos produtos de 
que tratam o inciso I e o § 1o do art. 1o desta Lei implica 
compromisso com os consumidores quanto à sua manutenção 
ao longo da vigência dos contratos, permitindo-se sua 
substituição, desde que seja por outro prestador equivalente e 
mediante comunicação aos consumidores com 30 (trinta) dias 
de antecedência. 
(D) INCORRETA. 
Art. 18, II - a marcação de consultas, exames e quaisquer outros 
procedimentos deve ser feita de forma a atender às 
necessidades dos consumidores, privilegiando os casos de 
emergência ou urgência, assim como as pessoas com mais de 
sessenta e cinco anos de idade, as gestantes, lactantes, lactentes 
e crianças até cinco anos; 
(E) INCORRETA. 
Art. 26. Os administradores e membros dos conselhos 
administrativos, deliberativos, consultivos, fiscais e 
assemelhados das operadoras de que trata esta Lei respondem 
solidariamente pelos prejuízos causados a terceiros, inclusive 
aos acionistas, cotistas, cooperados e consumidores de planos 
privados de assistência à saúde, conforme o caso, em 
 
 
52 
conseqüência do descumprimento de leis, normas e instruções 
referentes às operações previstas na legislação e, em especial, 
pela falta de constituição e cobertura das garantias obrigatórias. 
_____________________________________________________________________________ 
35. Miracema ajuizou ação de indenização em face da Operadora de Planos de Saúde 
Lajeado Ltda. A autora é associada do plano de saúde desde 07/10/1997 e, nesse 
interregno, sempre cumpriu com as obrigações contratuais. Em 01/01/2023, por decisão 
unilateral da operadora, Miracema foi desligada do plano de saúde original e incluída em 
outro plano, o qual estabelecia, diferentemente do anterior, que a assistência médico-
hospitalar seria prestada apenas por estabelecimento da rede fidelizada, e não mais da 
rede credenciada. Em caso de realização de serviços na rede credenciada, o consumidor 
deveria efetuar o pagamento parcial das despesas, e o reembolso obedeceria à tabela 
imposta pela operadora. 
Em 27/09/2024, Miracema precisou realizar cirurgia de grande porte para tratamento 
de doença preexistente e foi internada no Hospital Tupiratins Ltda., que integrava a rede 
credenciada da operadora na data da contratação do plano, mas não integrava a rede 
fidelizada na época da internação. A operadora negou-se a efetuar os pagamentos 
integrais, sob a alegação de que o referido nosocômio não fazia parte da relação de 
estabelecimentos da rede de atendimento aplicável à consumidora para tal fim, 
prontificando-se a pagar parcialmente os valores referenciados na tabela. 
Considerando-se os fatos narrados, é CORRETO afirmar que a modificação contratual é: 
(A) válida e oponível à consumidora porque ela não se manifestou no prazo legal de 30 
dias, a contar da vigência do novo plano, no sentido de denunciar o contrato de adesão; 
(B) nula e abusiva, por restringir o reembolso integral à assistência prestada por 
estabelecimento fidelizado, de modo que a operadora deve efetuar o pagamento 
integral; 
(C) válida, em razão de a doença que motivou a internação da consumidora ser 
preexistente; portanto, nesse caso, a operadora pode alterar unilateralmente a rede de 
atendimento; 
(D) nula, porque não foi dada a oportunidade de a consumidora se manifestar sobre a 
alteração do plano, de modo que a operadora deve efetuar o pagamento a título de 
reembolso com base na tabela adotada; 
(E) válida, pois constou de maneira expressa, clara e objetiva que a consumidora deveria 
arcar com parte do pagamento se utilizasse serviços médicos em estabelecimento fora 
da rede fidelizada. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
 
 
53 
A questão demanda dispositivos da Lei n. 12.414/2011 (Lei do Cadastro Positivo), 
notadamente seus arts. 4º e 6º: 
Art. 4º O gestor está autorizado, nas condições estabelecidas 
nesta Lei, a: 
I - abrir cadastro em banco de dados com informações de 
adimplemento de pessoas naturais e jurídicas; 
II - fazer anotações no cadastro de que trata o inciso I 
do caput deste artigo; 
III - compartilhar as informações cadastrais e de adimplemento 
armazenadas com outros bancos de dados; e 
IV - disponibilizar a consulentes: 
a) a nota ou pontuação de crédito elaborada com base nas 
informações de adimplemento armazenadas; e 
b) o histórico de crédito, mediante prévia autorização específica 
do cadastrado. 
Art. 6º Ficam os gestores de bancos de dados obrigados, quando 
solicitados, a fornecer ao cadastrado: 
IV - indicação de todos os consulentes que tiveram acesso a 
qualquer informação sobre ele nos 6 (seis) meses anteriores à 
solicitação. 
I. INCORRETA. Para a disponibilização de histórico de crédito, o gestor necessita de 
prévia autorização do cadastrado (art. 4º, IV, b). 
II. CORRETA. Art. 4º, III. 
III. INCORRETA. Art. 6º, IV. 
_____________________________________________________________________________ 
DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE 
 
36. Junior, menor impúbere, devidamente representado, propôs demanda contra o 
município em que reside, tendo por objeto sua matrícula em creche da rede municipal. 
O infante foi diagnosticado com transtorno do espectro autista e, atualmente, tem 3 
anos de idade. Pleiteia-se o acesso à creche próxima de sua residência, no mesmo 
estabelecimento frequentado por seu irmão mais novo, Gabriel. Em sua defesa, o 
município argui preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, sustenta a 
impossibilidade de abertura de vagas em creche por restrições orçamentárias. 
Considerando-se o caso proposto, a jurisprudência dos Tribunais Superiores e a 
legislação aplicável, é CORRETO afirmar que: 
(A) prospera a preliminar, pois a obrigação de atender à criança compete ao ente 
estadual, uma vez que, por força de lei, cabe ao estado a criação de classes específicas 
para crianças e adolescentes com deficiência em sua rede de ensino; 
(B) o direito à creche em favor do infante está assegurado por normas constitucionais de 
eficácia plena e aplicabilidade direta e imediata; 
 
 
54 
(C) a educação infantil, em creche e pré-escola, deve ser prestada pela municipalidade; 
entretanto, sua implementação estaria condicionada a critérios orçamentários e 
administrativos, respeitada a discricionariedade do Poder Executivo; 
(D) a educação é direito subjetivo da criança, sendo dever do estado criar condições para 
garantir o acesso à educação pública e gratuita, preferencialmente próximo à residência; 
contudo, não há obrigação da municipalidade de matricular ambos os infantes na 
mesma unidade educacional; 
(E) é cabível a condenação do município à obrigação, haja vista serseu dever assegurar 
o atendimento educacional gratuito aos educandos com deficiência e com transtornos 
globais do desenvolvimento, preferencialmente em instituições especializadas de 
ensino, a fim de desenvolverem sua capacidade cognitiva de acordo com suas 
especificidades. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
Segundo a Corte Suprema, a educação infantil é direito subjetivo assegurado no próprio 
texto constitucional, mediante norma de aplicabilidade direta e eficácia plena, isto é, 
sem a necessidade de regulamentação pelo Poder Legislativo. Nesse contexto, os entes 
municipais, por meio de políticas públicas eficientes, são primariamente responsáveis 
por proporcionar a concretização da educação infantil mediante a adoção de políticas 
públicas eficientes, que devem alcançar especialmente a população mais vulnerável. 
Eventual omissão estatal na matéria revela uma violação direta ao texto constitucional, 
não se podendo considerar que o oferecimento da educação infantil seja algo que está 
sujeito a avaliações meramente discricionárias da Administração Pública. Existe, 
portanto, um dever constitucional de assegurar o atendimento em creche e pré-escola 
às crianças de zero a cinco anos de idade (art. 208, IV), de sorte que eventual inércia 
administrativa inaugura a possibilidade de proteção desse direito na via judicial. (STF. 
Plenário. RE 1008166/SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 22/9/2022 (Repercussão Geral 
– Tema 548) (Info 1069). 
_____________________________________________________________________________ 
37. O Ministério Público, no corrente ano de 2025, propôs ação penal em face de Mévio, 
imputando-lhe a prática de estupro de vulnerável cometido contra a sua enteada. De 
acordo com a peça acusatória, Mévio, nos momentos em que sua companheira saía de 
casa, aproveitava-se para praticar abusos sexuais em desfavor da infante, que, à época 
dos fatos, tinha 7 anos de idade. A referida ação penal tramitou em uma vara criminal 
comum, ante a inexistência, na localidade, de Vara Especializada da Criança e do 
Adolescente vítima, prevista na Lei nº 13.431/2017. A vítima foi ouvida em juízo, nos 
termos da legislação aplicável, e o seu relato foi corroborado por outros elementos 
probatórios produzidos em contraditório judicial. Ao final, julgou-se procedente a 
pretensão punitiva deduzida na denúncia para condenar Mévio. 
 
 
55 
Tendo em vista o caso proposto, as disposições da Lei nº 13.431/2017 e a jurisprudência 
dos Tribunais Superiores acerca da temática, é CORRETO afirmar que: 
(A) a oitiva da criança não poderia seguir o rito cautelar de antecipação de prova, em 
razão da natureza da infração imputada ao réu; 
(B) a escuta especializada, indicada no caso, é o procedimento de oitiva de criança ou 
adolescente vítima ou testemunha de violência perante autoridade policial ou judiciária; 
(C) a competência para julgamento da ação, no caso, caberia à vara especializada em 
violência doméstica; apenas na ausência dessa, a competência seria da vara criminal 
comum; 
(D) os Tribunais de Justiça não têm prerrogativa para atribuir aos Juizados da Infância e 
Juventude competência para julgar crimes contra crianças e adolescentes; 
(E) o oferecimento da denúncia perante a vara criminal comum foi correto e adequado, 
observado o fator etário e ante a inexistência de juizado ou vara especializada em crimes 
contra crianças e adolescentes. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 23 da Lei 13.431/2017 - Os órgãos responsáveis pela 
organização judiciária poderão criar juizados ou varas 
especializadas em crimes contra a criança e o adolescente. 
Parágrafo único. Até a implementação do disposto 
no caput deste artigo, o julgamento e a execução das causas 
decorrentes das práticas de violência ficarão, preferencialmente, 
a cargo dos juizados ou varas especializadas em violência 
doméstica e temas afins. 
(...) 5. Nos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes, esta Corte já decidiu 
que "somente nas comarcas em que não houver varas especializadas em violência contra 
crianças e adolescentes ou juizados/varas de violência doméstica é que poderá a ação 
tramitar na vara criminal comum." (...) (HC n. 807.617/BA, relator Ministro Ribeiro 
Dantas, Quinta Turma, julgado em 11/4/2023, DJe de 18/4/2023.) 
_____________________________________________________________________________ 
38. O Ministério Público oferece representação em face do adolescente Pedro em razão 
da prática de ato infracional análogo ao crime de tráfico de drogas. O magistrado recebe 
a representação em 22/01/2023. O processo segue o seu curso normal e, após a devida 
instrução, a ação socioeducativa é julgada procedente com a imposição de medida de 
liberdade assistida cominada com prestação de serviços à comunidade. A sentença é 
publicada e tanto a defesa técnica quanto o Ministério Público recorrem do referido 
provimento judicial. 
Nesse caso, é CORRETO afirmar que: 
 
 
56 
(A) conforme súmula do Superior Tribunal de Justiça, o ato infracional análogo ao crime 
de tráfico de drogas, por si só, conduz à imposição de medida socioeducativa de 
internação do adolescente; 
(B) conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o magistrado poderá aplicar 
a medida de internação ao adolescente infrator tão somente nas hipóteses 
taxativamente previstas no Art. 122 do ECA; 
(C) é admitida a aplicação do regime de semiliberdade desde o início ou como forma de 
transição para o meio aberto, possibilitada a realização de atividades externas, mediante 
autorização judicial, sendo obrigatórias a escolarização e a profissionalização; 
(D) de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a medida 
socioeducativa de internação que tenha como fundamento o Art. 122, II, do ECA, será 
aplicada apenas quando o adolescente infrator tiver cometido pelo menos outras duas 
infrações graves; 
(E) no caso de improcedência da representação, é admissível a propositura de ação 
rescisória, proposta pelo Ministério Público, visando à rescisão da coisa julgada 
absolutória formada no processo de apuração de ato infracional. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO. 
(A) INCORRETA. Súmula 492 do STJ - O ato infracional análogo ao tráfico de drogas, por 
si só, não conduz obrigatoriamente à imposição de medida socioeducativa de internação 
do adolescente. 
(B) CORRETA. O STJ e o STF possuem entendimento de que a internação só é cabível nos 
casos do art. 122 do ECA. 
Estatuto da Criança e do Adolescente. Habeas Corpus Incidência da Súmula 691/STF. Ato 
infracional análogo ao tráfico de drogas. Medida de Internação. Ordem concedida de 
ofício. 1. Não compete ao Supremo Tribunal Federal examinar questão de direito não 
apreciada definitivamente pelo Superior Tribunal de Justiça (Súmula 691/STF). 2. A 
conduta praticada pelo paciente não envolveu violência ou grave ameaça à pessoa. 
Ademais, não se comprovou o cometimento de outras infrações graves ou mesmo o 
descumprimento de medida anteriormente imposta. Interpretação do art. 122 do 
Estatuto da Criança e do Adolescente. 3. Habeas corpus não conhecido. Ordem 
concedida de ofício, exclusivamente com relação ao paciente, para que seja fixada 
medida socioeducativa diversa da internação. (HC 125016, Relator(a): Min. MARCO 
AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. ROBERTO BARROSO, Primeira Turma, julgado em 
15/03/2016, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-163 DIVULG 03-08-2016 PUBLIC 04-08-2016) 
GRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. 
ATO INFRACIONAL ANÁLOGO AO CRIME DE TRÁFICO DE DROGAS. INTERNAÇÃO. ARTIGO 
 
 
57 
122 DO ECA. ROL TAXATIVO. 1. A medida socioeducativa de internação somente pode 
ser aplicada quando caracterizada ao menos uma das hipóteses previstas no artigo 122do Estatuto da Criança e do Adolescente e caso não haja outra medida mais adequada e 
menos onerosa à liberdade do adolescente. 2. O fato de haver sido apreendida uma 
porção de 22,7 g de cocaína e 130,7 g de maconha, divididas em 14 porções, evidencia 
a necessidade de aplicação de uma medida intermediária, especialmente à luz da função 
protetiva e pedagógica das medidas socioeducativas, as quais objetivam especialmente 
afastar o adolescente da criminalidade e corrigir eventuais desvios em seu 
comportamento. 3. Agravo regimental não provido. (STJ - AgRg no HC: XXXXX SP 
XXXXX/XXXXX-0, Relator.: Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Data de Julgamento: 
04/09/2014, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe 15/09/2014) 
(C) INCORRETA. 
Art. 120 do ECA - O regime de semi-liberdade pode ser 
determinado desde o início, ou como forma de transição para o 
meio aberto, possibilitada a realização de atividades externas, 
independentemente de autorização judicial. 
(D) INCORRETA. Questão passível de recurso, pois o STJ tem entendido que o Estatuto 
da Criança e do Adolescente não estipulou um número mínimo de atos infracionais 
graves para justificar a internação do menor infrator com fulcro no art. 122, inciso II, do 
ECA (reiteração no cometimento de outras infrações graves), cabendo ao Magistrado 
analisar as peculiaridades de cada caso e as condições específicas do adolescente a fim 
de melhor aplicar o direito. (HC 332.440/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA 
FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 24/11/2015, DJe 01/12/2015); (HC 347.434/SP, 
Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, Rel. p/ Acórdão Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, 
SEXTA TURMA, julgado em 27/09/2016, DJe 13/10/2016); e (AgRg no HC 527.658/SP, 
Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 05/03/2020, DJe 16/03/2020) 
(E) INCORRETA. O STJ entende que, em processo de apuração de ato infracional, é 
inadmissível ação rescisória proposta pelo Ministério Público visando a desconstituição 
de coisa julgada absolutória. (REsp n. 1.923.142/DF, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta 
Turma, julgado em 22/11/2022, DJe de 28/11/2022.) 
_____________________________________________________________________________ 
39. O CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) e o CREAS (Centro de Referência 
Especializado de Assistência Social) compõem a rede socioassistencial pública no âmbito 
do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), na forma da Lei Orgânica da Assistência 
Social (LOAS) – Lei nº 8.742/1993, atuando de forma articulada e complementar na 
garantia de direitos e na proteção social. 
Considerando esses importantes equipamentos de política pública socioassistencial, 
observadas as disposições da Lei nº 8.742/1993, analise as afirmativas a seguir. 
I. O CREAS é a unidade pública municipal, de base territorial, localizada em áreas com 
maiores índices de vulnerabilidade e risco social, destinada à articulação dos serviços 
socioassistenciais no seu território de abrangência e à prestação de serviços, programas 
e projetos socioassistenciais de proteção social básica às famílias. 
 
 
58 
II. As instalações dos CRAS e dos CREAS devem ser compatíveis com os serviços neles 
ofertados, com espaços para trabalhos em grupo e ambientes específicos para recepção 
e atendimento reservado das famílias e indivíduos, assegurada a acessibilidade às 
pessoas idosas e com deficiência. 
III. Os CRAS e os CREAS são unidades públicas estatais instituídas no âmbito do SUAS, 
que possuem interface com as demais políticas públicas e articulam, coordenam e 
ofertam os serviços, programas, projetos e benefícios da assistência social. 
Está CORRETO o que se afirma em: 
(A) I, apenas; 
(B) I e II, apenas; 
(C) I e III, apenas; 
(D) II e III, apenas; 
(E) I, II e III. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
I. INCORRETO. 
Art. 6º-C, § 2º da Lei 8.742/93 - O Creas é a unidade pública de 
abrangência e gestão municipal, estadual ou regional, destinada 
à prestação de serviços a indivíduos e famílias que se encontram 
em situação de risco pessoal ou social, por violação de direitos 
ou contingência, que demandam intervenções especializadas da 
proteção social especial. 
II. CORRETO. 
Art. 6º-D da Lei 8.742/93 - As instalações dos Cras e dos Creas 
devem ser compatíveis com os serviços neles ofertados, com 
espaços para trabalhos em grupo e ambientes específicos para 
recepção e atendimento reservado das famílias e indivíduos, 
assegurada a acessibilidade às pessoas idosas e com deficiência. 
III. CORRETO. 
Art. 6º-C, § 3º da Lei 8.742/93 - Os Cras e os Creas são unidades 
públicas estatais instituídas no âmbito do Suas, que possuem 
interface com as demais políticas públicas e articulam, 
coordenam e ofertam os serviços, programas, projetos e 
benefícios da assistência social. 
_____________________________________________________________________________ 
 
 
59 
40. O Ministério Público promoveu ação civil pública em desfavor da Rede de Televisão 
Binacional S/A, sob a alegação de que a requerida, por meio de sua programação 
televisiva, exibiu obra audiovisual em horário inadequado à respectiva classificação 
indicativa, em desacordo com ato normativo emitido pelo Ministério da Justiça. Em razão 
disso, pleiteia-se a condenação da emissora ao pagamento de indenização por danos 
morais coletivos. 
Considerando-se o caso proposto, as disposições da Lei nº 8.069/1990 e o entendimento 
dos Tribunais Superiores, é CORRETO afirmar que: 
(A) com base no princípio da proteção integral e no dever geral de observância aos 
direitos infantojuvenis, admite-se o controle prévio de viés autorizativo do Estado sobre 
o conteúdo a ser exibido pelas emissoras de rádio e televisão; 
(B) a conduta da emissora de transmitir, através de rádio ou televisão, espetáculo em 
horário diverso do autorizado ou sem aviso de sua classificação se traduz em infração 
administrativa prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente, sendo admitidas penas 
de multa e suspensão da sua programação por até dois dias, em caso de reincidência; 
(C) a conduta da emissora de transmitir, através de rádio ou televisão, espetáculo em 
horário diverso do autorizado ou sem aviso de sua classificação se traduz em infração 
administrativa prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente, não sendo admitida a 
suspensão da sua programação por importar em violação à liberdade de expressão; 
(D) comprovada a grave afronta aos valores e interesses coletivos fundamentais, é 
possível a condenação da emissora de televisão ao pagamento de indenização por danos 
morais coletivos, sem que isso configure violação à liberdade de expressão em sua 
dimensão instrumental; 
(E) é cabível a condenação da emissora, pois, de acordo com o Estatuto da Criança e do 
Adolescente, nenhum espetáculo será apresentado ou anunciado sem aviso de sua 
classificação, antes de sua transmissão, apresentação ou exibição, ressalvados os 
programas com finalidades meramente educativas. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
 
Segundo o STJ, emissora de TV pode ser condenada ao pagamento de indenização por 
danos morais coletivos em razão da exibição de programa fora do horário recomendado 
pelo Ministério da Justiça. 
RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. LIBERDADE DE COMUNICAÇÃO E PROTEÇÃO 
À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE. RESPONSABILIDADE CIVIL DA EMISSORA DE TELEVISÃO. 
EXIBIÇÃO DE FILME EM HORÁRIO DIVERSO DAQUELE RECOMENDADO PELA 
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA. AUSÊNCIA DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA (ADI N. 
2.404/DF). DANOS MORAIS COLETIVOS POR ABUSO DE DIREITO. POSSIBILIDADE, EM 
 
 
60 
TESE. HIPÓTESE NÃO VERIFICADA NO CASO DOS AUTOS. RECURSO ESPECIAL 
DESPROVIDO. 1. O propósito recursal cinge-se em saber se é possível a condenação de 
emissora de televisão ao pagamento de indenização por danos morais coletivos em 
razão da exibição de filme fora do horário recomendadopelo órgão competente. 2. No 
julgamento da ADI n. 2.404/DF, o STF reconheceu a inconstitucionalidade da expressão 
"em horário diverso do autorizado", contida no art. 254 do ECA, asseverando, ainda, que 
a classificação indicativa não pode ser vista como obrigatória ou como uma censura 
prévia dos conteúdos veiculados em rádio e televisão, haja vista seu caráter pedagógico 
e complementar ao auxiliar os pais a definir o que seus filhos podem, ou não, assistir e 
ouvir. 3. A despeito de ser a classificação da programação apenas indicativa e não proibir 
a sua veiculação em horários diversos daqueles recomendados, cabe ao Poder Judiciário 
controlar eventuais abusos e violações ao direito à programação sadia. 4. O dano moral 
coletivo se dá in re ipsa, contudo, sua configuração somente ocorrerá quando a conduta 
antijurídica afetar, intoleravelmente, os valores e interesses coletivos fundamentais, 
mediante conduta maculada de grave lesão, para que o instituto não seja tratado de 
forma trivial, notadamente em decorrência da sua repercussão social. 5. É possível, em 
tese, a condenação da emissora de televisão ao pagamento de indenização por danos 
morais coletivos, quando, ao exibir determinada programação fora do horário 
recomendado, verificar-se uma conduta que afronte gravemente os valores e interesse 
coletivos fundamentais. 6. A conduta perpetrada pela ré no caso vertente, a despeito de 
ser irregular, não foi capaz de abalar, de forma intolerável, a tranquilidade social dos 
telespectadores, de modo que não está configurado o ato ilícito indenizável. 7. Recurso 
especial desprovido. (REsp 1840463/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, 
TERCEIRA TURMA, julgado em 19/11/2019, DJe 03/12/2019) 
_____________________________________________________________________________ 
BLOCO II 
DIREITO PENAL 
 
41. Sem maiores explicações, João arremessa uma pedra em direção a uma loja de 
eletrônicos, danificando a vitrine e sendo preso em flagrante. Seus advogados de defesa 
apresentam diversas circunstâncias relacionadas à sua condição mental no momento e 
possível embriaguez. 
Diante das hipóteses indicadas, é CORRETO afirmar que: 
(A) a comprovação de estado de embriaguez completa tem o condão de excluir a 
imputabilidade penal; 
(B) caso reste comprovada a prévia provocação do proprietário do estabelecimento, 
causando forte emoção em João, ele poderá ser isento de pena; 
(C) se constatado que João tinha 17 anos à época do fato, ele será considerado 
penalmente inimputável e poderá receber medida de segurança; 
 
 
61 
(D) a comprovação de perturbação de saúde mental e de que João não era inteiramente 
capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse 
entendimento ensejará a isenção de pena; 
(E) a embriaguez, se preordenada, configura circunstância que agrava a pena. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
Para responder a essa questão, precisamos primeiro entender alguns conceitos 
importantes, que constam do nosso material de aula. Vou relembrar com você: 
• Perturbação de saúde mental e semi-imputabilidade 
Quando a pessoa tem uma perturbação mental que a torna não inteiramente capaz de 
entender o caráter ilícito do fato ou de se determinar de acordo com esse entendimento, 
estamos diante da semi-imputabilidade (art. 26, parágrafo único, do Código Penal). 
Nessa situação, o juiz pode reduzir a pena, mas isso não isenta o agente de 
responsabilidade. 
Por outro lado, se for comprovado que essa perturbação suprimia totalmente a 
capacidade de compreensão ou de autodeterminação, a pessoa será considerada 
inimputável, e nesse caso haverá isenção de pena (art. 26, caput). 
• Menoridade penal 
Para quem não completou 18 anos, a lei estabelece inimputabilidade absoluta (art. 228 
da Constituição e art. 27 do Código Penal). O adolescente não responde penalmente, 
mas fica sujeito a medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do 
Adolescente (ECA), e não a medidas de segurança. 
• Embriaguez completa 
Se a embriaguez for completa e resultado de caso fortuito ou força maior, haverá 
exclusão da imputabilidade penal. Mas atenção: se a embriaguez for voluntária ou 
culposa, ela não exclui imputabilidade. E se a pessoa bebeu de propósito para criar 
coragem e praticar o crime, isso ainda pode agravar a pena. 
• Estado de emoção ou paixão 
Mesmo que a emoção ou a paixão sejam intensas, elas não isentam de pena. Servem, 
no máximo, como uma circunstância atenuante prevista no art. 65, III, “c”, do Código 
Penal. 
• Embriaguez preordenada 
Quando o agente se embriaga propositalmente para cometer o crime, essa é a chamada 
embriaguez preordenada, que é tratada como circunstância agravante (art. 61, II, “l”, do 
Código Penal). 
 
 
62 
Vamos então, de posse desses conceitos relembrados, analisar cada alternativa: 
(A) INCORRETA. Veja bem: no nosso material, aprendemos que nem toda embriaguez 
completa exclui a imputabilidade. Somente aquela decorrente de caso fortuito ou força 
maior (por exemplo, a pessoa é obrigada a ingerir álcool ou toma remédio sem saber e 
fica embriagada). A questão não especifica a causa dessa embriaguez, então a frase fica 
genérica demais e pode induzir ao erro. Se fosse uma embriaguez voluntária, não 
excluiria a imputabilidade. Portanto, essa alternativa está incorreta. 
(B) INCORRETA. Aqui é importante lembrar que o nosso material foi claro: emoção ou 
paixão, mesmo intensa, não isentam de pena. Elas apenas podem funcionar como 
atenuante, diminuindo a pena, mas nunca excluindo a responsabilidade penal. Logo, 
essa alternativa também está incorreta. 
(C) INCORRETA. Na menoridade penal, a pessoa menor de 18 anos é inimputável, mas 
nosso material explicou que essa inimputabilidade não leva à medida de segurança. O 
adolescente vai responder na forma do Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê 
medidas socioeducativas, e não medidas de segurança como no caso dos inimputáveis 
adultos. Por isso, essa alternativa está incorreta. 
(D) INCORRETA. Cuidado aqui: se a pessoa não era inteiramente capaz, estamos diante 
da hipótese de semi-imputabilidade, que não isenta de pena, apenas autoriza que o juiz 
possa reduzir a pena. Somente se ele fosse totalmente incapaz de entender ou se 
determinar é que haveria isenção. Portanto, essa alternativa também está incorreta. 
(E) CORRETA. Exatamente como vimos no nosso material: quando a embriaguez é 
preordenada — ou seja, a pessoa bebe de propósito para ter coragem ou diminuir a 
resistência moral e então cometer o crime — ela é tratada como uma circunstância 
agravante, prevista no art. 61, II, “l” do Código Penal. Essa é a alternativa correta. 
_____________________________________________________________________________ 
42. Sobre os crimes contra a Administração Pública, é CORRETO afirmar que: 
(A) comete crime de prevaricação o funcionário público que, por indulgência, deixar de 
responsabilizar subordinado que tenha cometido infração no exercício do cargo ou, 
quando lhe falte competência, não tenha levado o fato ao conhecimento da autoridade 
competente; 
(B) patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a Administração 
Pública, valendo-se da qualidade de funcionário, configura o delito de tráfico de 
influência; 
(C) não se incluem no conceito de funcionário público para fins penais jurados e mesários 
eleitorais; 
(D) não se incluem no conceito de funcionário público para fins penais empregados de 
empresa contratada que prestam serviço atípico para a Administração Pública; 
(E) não se aplica o princípio da insignificância nos casos de crimes contra a Administração 
Pública, em qualquer hipótese. 
_______________________________________________________________________ 
 
 
63 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Para entender por que essa alternativa está incorreta, é essencial 
comparar a redação dos artigos: 
Prevaricação– Art. 319 do Código Penal: 
Art. 319 – Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de 
ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para 
satisfazer interesse ou sentimento pessoal. 
Pena: detenção, de três meses a um ano, e multa. 
Perceba que na prevaricação: 
O núcleo do crime é retardar, deixar de praticar ou praticar ato indevido. 
A motivação deve ser satisfazer interesse ou sentimento pessoal. 
Condescendência criminosa – Art. 320 do Código Penal: 
Art. 320 – Deixar o funcionário, por indulgência, de 
responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício 
do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao 
conhecimento da autoridade competente. 
Pena: detenção, de quinze dias a um mês, ou multa. 
Note que aqui: 
O agente não deixa de agir por interesse ou sentimento pessoal, mas por indulgência, 
ou seja, tolerância ou benevolência excessiva. 
A conduta típica é deixar de responsabilizar o subordinado ou não comunicar o fato à 
autoridade competente. 
A alternativa A está incorreta, pois descreve exatamente o comportamento previsto no 
art. 320 (condescendência criminosa), e não no art. 319 (prevaricação). 
Em resumo: Quando o funcionário deixa de responsabilizar o subordinado por 
indulgência, responde por condescendência criminosa. Quando o funcionário pratica ou 
omite ato de ofício para satisfazer interesse ou sentimento pessoal, responde por 
prevaricação. 
(B) INCORRETA. Para verificar se essa afirmação está correta, é importante comparar a 
redação dos artigos: 
Advocacia Administrativa – Art. 321 do Código Penal: 
Art. 321 – Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado 
perante a administração pública, valendo-se da qualidade de 
funcionário. 
Pena: detenção, de um a três meses, ou multa. 
 
 
64 
Parágrafo único – Se o interesse é ilegítimo: 
Pena: detenção, de três meses a um ano, além da multa. 
Perceba que aqui, o crime consiste no ato de usar a condição de servidor público para 
defender ou promover interesses particulares perante a administração. 
Tráfico de Influência – Art. 332 do Código Penal: 
Art. 332 – Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, 
vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato 
praticado por funcionário público no exercício da função. 
Pena: reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. 
Parágrafo único – A pena é aumentada da metade, se o agente 
alega ou insinua que a vantagem é também destinada ao 
funcionário. 
Note que aqui, o núcleo do crime é solicitar ou obter vantagem alegando influência sobre 
ato de outro servidor, e não defender interesse privado usando seu próprio cargo. 
Por isso, a alternativa B está incorreta, pois quando o funcionário patrocina interesse 
privado perante a administração, valendo-se da sua função, a conduta se enquadra no 
crime de advocacia administrativa (art. 321) e não no crime de tráfico de influência (art. 
332). 
Em resumo: Advocacia administrativa é promover interesse privado perante a 
administração valendo-se da função que ocupa. Tráfico de influência é solicitar ou obter 
vantagem prometendo influir em ato de outro servidor público. 
(C) INCORRETA. Para entender por que essa afirmação está incorreta, vejamos o que diz 
o Código Penal: 
Art. 327 – Considera-se funcionário público, para os efeitos 
penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, 
exerce cargo, emprego ou função pública. 
§ 1º – Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, 
emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha 
para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada 
para a execução de atividade típica da Administração Pública. 
Note que o caput do artigo 327 é muito claro ao afirmar que mesmo as pessoas que 
exercem função pública de forma temporária e sem remuneração são consideradas 
funcionários públicos para fins penais. Isso abrange agentes políticos, servidores estatais 
e particulares que colaboram com o poder público, como jurados e mesários eleitorais. 
No caso de jurados e mesários eleitorais, trata-se exatamente de funções públicas 
exercidas transitoriamente e, muitas vezes, sem qualquer pagamento. Ainda assim, 
estão abrangidos pelo conceito legal de funcionário público para efeitos penais. 
Por isso, a alternativa C está incorreta, pois o Código Penal inclui expressamente essas 
pessoas no conceito penal de funcionário público, pois exercem função pública, ainda 
que apenas por um período limitado ou sem receber salário. 
 
 
65 
Em resumo: O conceito penal de funcionário público é amplo e alcança qualquer pessoa 
que exerça, mesmo que de forma temporária e gratuita, funções públicas. 
(D) CORRETA. A redação do parágrafo primeiro deixa claro que aqueles empregados que 
desempenham atividades típicas da Administração Pública são equiparados a 
funcionários públicos para fins penais. 
Essa equiparação ocorre porque, ao desempenharem atividades típicas da 
Administração Pública, esses empregados estão sujeitos às mesmas responsabilidades e 
deveres que os funcionários públicos, especialmente no que diz respeito à proteção da 
probidade administrativa e ao combate à corrupção. Portanto, eles podem ser 
responsabilizados por crimes contra a administração pública, como peculato, corrupção 
passiva, entre outros, quando atuam em conluio com funcionários públicos ou em 
situações que envolvam a administração pública. 
Por isso, a alternativa D está correta, pois os empregados de empresa contratada que 
prestam serviços atípicos não se incluem no conceito penal de funcionário público. 
Em resumo: Só há equiparação quando o serviço prestado é de natureza típica da 
atividade administrativa estatal. 
(E) INCORRETA. A regra geral é que não se aplica o princípio da insignificância aos crimes 
contra a Administração Pública, como demonstra a Súmula 599 do STJ: 
Súmula 599-STJ: 
O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a 
Administração Pública. 
Entretanto, excepcionalmente a jurisprudência admite a insignificância em casos 
específicos onde a lesão ao bem jurídico tutelado é ínfima. Em tais situações, o STJ já 
admitiu a aplicação do princípio da insignificância, considerando as peculiaridades do 
caso concreto, como a mínima ofensividade da conduta, a ausência de periculosidade 
social e o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento. Isso demonstra que, 
embora a regra geral seja a inaplicabilidade, o princípio pode ser considerado em 
circunstâncias excepcionais. 
De acordo com o STJ, “a insignificância nos crimes de descaminho tem colorido próprio, 
diante das disposições trazidas na Lei n. 10.522/2002”, o que não ocorre com outros 
delitos, como o peculato etc. (AgRg no REsp 1346879/SC, Rel. Min. Marco Aurélio 
Bellizze, julgado em 26/11/2013). 
Por isso, a alternativa E está incorreta, pois afirma que em qualquer hipótese é vedada 
a aplicação da insignificância, mas a jurisprudência reconhece exceção expressa para o 
crime de descaminho. 
Em resumo: Como regra, a insignificância é inaplicável aos crimes contra a Administração 
Pública, salvo situação excepcional do descaminho, quando presentes os requisitos 
objetivos e subjetivos previstos em lei e na jurisprudência. 
_____________________________________________________________________________ 
43. Analise as hipóteses a seguir. 
 
 
66 
(i) Pedro, conhecedor de que seu colega de trabalho Renato, 25 anos, está comprando 
um carro, telefona para este fazendo-se passar por funcionário da loja e oferece um 
seguro para o veículo novo. Renato aceita a oferta e transfere o valor equivalente ao 
suposto prêmio para a conta-corrente indicada por Pedro. 
(ii) Luís Felipe veste um colete da cor da marca de um banco e posiciona-se próximo aos 
caixas eletrônicos situados na entrada da agência. Aborda Marisa, 73 anos, que está 
pagando uma conta, apresenta-se como funcionário do banco e oferece ajuda, que é 
aceita pela vítima. Luís Felipe observa a senha digitada e, terminada a operação,53 
BLOCO II .................................................................................................................. 60 
DIREITO PENAL ............................................................................................................ 60 
DIREITO PROCESSUAL PENAL ...................................................................................... 85 
DIREITO CONSTITUCIONAL ....................................................................................... 102 
DIREITO ELEITORAL ................................................................................................... 113 
BLOCO III ............................................................................................................... 117 
DIREITO EMPRESARIAL ............................................................................................. 117 
DIREITO TRIBUTÁRIO................................................................................................. 123 
DIREITO AMBIENTAL ................................................................................................. 129 
DIREITO ADMINISTRATIVO ........................................................................................ 134 
NOÇÕES GERAIS DE DIREITO E FORMAÇÃO HUMANÍSTICA ..................................... 149 
DIREITOS HUMANOS................................................................................................. 154 
 
 
 
 
 
 
8 
BLOCO I 
DIREITO CIVIL 
 
1. Joaquim adquiriu, por contrato de compra e venda com cláusula expressa de garantia 
por seis meses, uma máquina industrial usada para sua fábrica de beneficiamento de 
grãos. A entrega ocorreu em 5 de fevereiro de 2023. A máquina operou normalmente 
até maio de 2023, quando começou a apresentar falhas mecânicas graves, com 
necessidade de paralisação da produção. Um laudo técnico indicou vício oculto 
preexistente à entrega, relacionado à estrutura interna do motor. Joaquim notificou o 
vendedor em 10 de junho de 2023 e, diante da inércia deste, ajuizou ação em 20 de 
novembro de 2023, pleiteando a redibição do contrato com perdas e danos. O vendedor 
contestou, afirmando que a máquina foi vendida no estado em que se encontrava, sendo 
usada, e que não houve má-fé. 
Com base nos dispositivos legais aplicáveis e na jurisprudência dominante, é CORRETO 
afirmar que: 
(A) o vendedor não pode ser responsabilizado, pois, sendo a máquina usada, presume-
se que o comprador aceitou o risco de falhas futuras, afastando a responsabilidade por 
vício oculto; 
(B) a cláusula de garantia contratual não altera a disciplina legal dos vícios redibitórios, 
tampouco impede que o adquirente exerça o direito de redibir o contrato; 
(C) o pedido de redibição só seria admissível se Joaquim demonstrasse que o alienante 
tinha conhecimento do vício oculto no momento da venda, o que não foi alegado na 
petição inicial; 
(D) a responsabilização do vendedor depende de comprovação de culpa, sendo incabível 
a redibição se ele não agiu com dolo ou negligência; 
(E) a única pretensão cabível no caso seria o abatimento proporcional do preço, por ser 
a medida mais adequada à conservação do contrato e menos onerosa ao alienante. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Vide comentários alternativa B. 
(B) CORRETA. O Código Civil, em seus artigos 441 a 446, disciplina o instituto dos vícios 
redibitórios, caracterizados como defeitos ocultos que tornam o bem impróprio ao uso 
a que se destina ou lhe diminuem significativamente o valor. No caso em análise, o laudo 
técnico comprovou a existência de vício oculto preexistente à entrega, relacionado à 
estrutura interna do motor, configurando perfeitamente a hipótese legal de vício 
redibitório. 
 
 
9 
A responsabilidade do vendedor independe de sua culpa ou conhecimento prévio do 
defeito. A natureza de bem usado não afasta esta responsabilidade, especialmente 
quando há garantia contratual expressa, como na situação em questão. Conforme o 
artigo 444 do Código Civil: "A responsabilidade do alienante subsiste ainda que a coisa 
pereça em poder do alienatário, se perecer por vício oculto, já existente ao tempo da 
tradição." 
Quanto aos prazos, o art. 445 estabelece que, para vícios ocultos, o prazo decadencial 
começa a fluir do momento em que o defeito se torna evidente. No presente caso, o 
vício manifestou-se em maio de 2023, a notificação ocorreu em junho do mesmo ano e 
a ação foi ajuizada em novembro, respeitando o prazo decadencial legal para bens 
móveis dessa natureza. 
Importante destacar que, nos termos do artigo 446: "Não correrão os prazos do artigo 
antecedente na constância de cláusula de garantia; mas o adquirente deve denunciar o 
defeito ao alienante nos trinta dias seguintes ao seu descobrimento, sob pena de 
decadência." 
A jurisprudência consolidada do STJ (REsp 984.106/SC) estabelece que a garantia 
contratual constitui um benefício adicional à garantia legal, não podendo substituí-la ou 
reduzir seus efeitos. Assim, a cláusula de garantia de seis meses presente no contrato 
não restringe, mas complementa os direitos do adquirente previstos em lei. 
Mesmo que não se demonstre o conhecimento prévio do vício pelo alienante, o artigo 
443 do CC assegura: "Se o alienante conhecia o vício ou defeito da coisa, restituirá o que 
recebeu com perdas e danos; se o não conhecia, tão-somente restituirá o valor recebido, 
mais as despesas do contrato." 
Deste modo, Joaquim preserva integralmente seu direito de pleitear a redibição do 
contrato com perdas e danos, independentemente da cláusula de garantia contratual. 
(C) INCORRETA. Vide comentários alternativa B. 
(D) INCORRETA. Vide comentários alternativa B. 
(E) INCORRETA. Vide comentários alternativa B. 
_____________________________________________________________________________ 
2. A Indústria X descobriu a existência de um maquinário com nova tecnologia que 
poderia quase dobrar sua produção. Contratou então as sociedades A e B para 
importarem e lhe entregarem o maquinário em questão. Pelo contrato, A e B se 
obrigavam solidariamente a fazer a entrega até o final daquele ano. Entretanto, a entrega 
nunca ocorreu, em razão de fato imputável somente à sociedade B, que deixou de 
apresentar oportunamente documentação necessária à importação. Diante disso, a 
Indústria X agora pleiteia judicialmente indenização a título de perdas e danos 
decorrentes do inadimplemento, principalmente lucros cessantes pelo aumento de 
produtividade que nunca ocorreu. 
Essa indenização pode ser exigida de: 
(A) A, apenas; 
 
 
10 
(B) B, apenas; 
(C) A e B, conjuntamente; 
(D) A ou B, alternativamente, à escolha de X; 
(E) A, B ou ambas conjuntamente, à escolha de X. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Vide comentários alternativa B. 
(B) CORRETA. A alternativa correta é a (B): "B, apenas". Este é um caso clássico de 
aplicação do artigo 279 do Código Civil, que estabelece uma importante exceção à regra 
geral da solidariedade passiva. 
Embora o contrato estabeleça solidariedade entre as sociedades A e B para a entrega 
do maquinário, o caso especifica que o inadimplemento ocorreu exclusivamente por 
fato imputável à sociedade B, que deixou de apresentar oportunamente a 
documentação necessária à importação. 
O artigo 279 do Código Civil é cristalino ao dispor que "Impossibilitando-se a prestação 
por culpa de um dos devedores solidários, subsiste para todos o encargo de pagar o 
equivalente; mas pelas perdas e danos só responde o culpado.". Esta norma cria uma 
exceção fundamental ao regime da solidariedade passiva. 
A solidariedade contratual garantiria a obrigação principal (entrega do maquinário), mas 
quando se trata de perdas e danos decorrentes do inadimplemento causado 
exclusivamente por um dos devedores, apenas o culpado responde por essa indenizaçãofica com 
o cartão da vítima e entrega a ela um cartão semelhante que trazia consigo. A vítima não 
percebe a troca e vai embora. Obtidos o cartão e a senha, Luís Felipe saca a quantia de 
R$ 5.000,00 da conta da vítima Marisa. 
(iii) Durante quinze meses, Conrado, médico plantonista de hospital municipal, registrou 
o ponto e foi embora sem cumprir a carga horária. 
Consideradas as hipóteses acima, é correto afirmar, à luz da jurisprudência dos Tribunais 
Superiores, que: 
(A) há duas hipóteses que tipificam crimes de ação penal pública incondicionada; 
(B) todas as hipóteses tipificam o crime de estelionato; 
(C) a hipótese (i) tipifica crime de ação penal pública incondicionada; 
(D) na hipótese (ii), se a vítima tivesse menos de 60 anos, o crime seria de ação penal 
pública condicionada à representação; 
(E) na hipótese (iii), somente se procede mediante representação do órgão ao qual 
couber a representação judicial do município. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
Item I 
Aqui o Pedro ligou para o colega Renato, fingindo que era funcionário da loja, e induziu 
a vítima a fazer uma transferência de dinheiro. 
No caso descrito, Pedro utilizou-se de um meio fraudulento ao se passar por funcionário 
da loja e induziu Renato a erro, levando-o a transferir dinheiro para uma conta sob o 
pretexto de pagamento de um seguro inexistente. Essa ação preenche os requisitos do 
tipo penal de estelionato, uma vez que houve a obtenção de vantagem ilícita em prejuízo 
de Renato, mediante fraude. 
Só que, o §5º desse artigo diz assim: 
“Somente se procede mediante representação, salvo se a vítima 
for: 
I – a Administração Pública, direta ou indireta; 
 
 
67 
II – criança ou adolescente; 
III – pessoa com deficiência mental; ou 
IV – maior de 70 anos de idade ou incapaz.” 
Note que nenhuma dessas exceções se aplica aqui, pois a vítima tem 25 anos. Por isso, 
mesmo sendo crime de ação penal pública (conforme o art. 100 do Código Penal: “A ação 
penal é pública, salvo quando a lei expressamente a declara privativa do ofendido”), essa 
hipótese exige representação da vítima para que o Ministério Público possa oferecer a 
denúncia. Então, é ação pública condicionada à representação. 
Item II 
No segundo caso, o Luís Felipe se passou por funcionário do banco e trocou o cartão da 
vítima, que tinha 73 anos. Em seguida, ele sacou dinheiro da conta dela. 
Aqui também temos estelionato, pois houve fraude para obter vantagem ilícita. No caso 
descrito, Luís Felipe utilizou-se de um artifício ao vestir um colete da cor da marca do 
banco e se apresentar como funcionário, induzindo Marisa a erro. Ele obteve o cartão e 
a senha da vítima de forma fraudulenta e, em seguida, realizou saques na conta dela, 
causando um prejuízo financeiro significativo. 
Mas perceba, ainda, um detalhe essencial: a vítima é idosa. Isso ativa a exceção do inciso 
IV do §5º do art. 171. Portanto, neste caso, a ação penal é pública incondicionada, ou 
seja, não depende de representação. 
Além disso, é importante observar que, por se tratar de vítima idosa, incide uma causa 
de aumento de pena prevista no §4º do art. 171: “§4º – A pena aumenta-se de 1/3 (um 
terço) ao dobro, se o crime é cometido contra idoso ou vulnerável, considerada a 
relevância do resultado gravoso.” 
Item III 
O Conrado, médico plantonista do hospital municipal, registrava o ponto e ia embora 
sem cumprir a carga horária, recebendo remuneração. 
Essa situação já foi objeto de debates na doutrina e na jurisprudência. Atualmente, o 
entendimento mais consolidado no STJ é que a conduta caracteriza estelionato 
qualificado pelo cargo público. 
A razão é que o servidor não tinha posse prévia e legítima do dinheiro. Ele cria uma 
situação falsa (o comparecimento) para induzir a Administração ao erro e obter o 
pagamento indevido. Por isso, incide o art. 171, §3º, do Código Penal: 
“§3º – Se o crime é cometido em detrimento de entidade de 
direito público ou de instituto de economia popular, assistência 
social ou beneficência, aplica-se pena de reclusão de 2 a 6 anos, 
e multa.” 
Portanto, trata-se de estelionato qualificado. 
Em relação à ação penal, como se trata de crime praticado contra a Administração 
Pública, ela será pública incondicionada, ou seja, o Ministério Público pode oferecer a 
 
 
68 
denúncia independentemente de representação. Isso decorre da regra geral do art. 100 
do Código Penal. 
Como não há nenhuma previsão que condicione a persecução penal à representação da 
Administração, aplica-se a regra geral, sendo ação penal pública incondicionada. 
(A) CORRETA. Vamos conferir uma por uma: 
• Estelionato contra adulto – ação pública condicionada à representação. 
• Estelionato contra idoso – ação pública incondicionada. 
• Peculato – ação pública incondicionada. 
Portanto, de fato, existem duas hipóteses de ação penal pública incondicionada: (ii) e 
(iii). 
Essa alternativa está correta. 
(B) INCORRETA. Vamos checar: 
• Estelionato simples. 
• Estelionato simples, com causa de aumento pelo §4º por ter sido praticado 
contra idoso. 
• Estelionato qualificado pelo §3º porque foi cometido em prejuízo da 
Administração Pública. 
Perceba que todas as hipóteses efetivamente configuram estelionato, embora em 
formas diferentes (simples, qualificado e majorado). 
Se a questão perguntasse exclusivamente sobre a tipificação, poderíamos dizer que essa 
afirmação estaria correta. 
Mas atenção: o enunciado quer a alternativa que melhor identifica o regime da ação 
penal e as diferenças entre as hipóteses. E, nesse ponto, a alternativa A é mais completa, 
porque reconhece o dado específico das ações penais incondicionadas. 
Por isso, essa alternativa não é a resposta correta da questão, embora a informação 
sobre a tipificação, isoladamente, esteja certa. 
(C) INCORRETA. Aqui, a gente precisa lembrar que o §5º do art. 171 determina que o 
estelionato só é ação penal pública incondicionada se a vítima for: Administração 
Pública; Criança ou adolescente; Pessoa com deficiência mental; Maior de 70 anos. 
No caso, Renato tem 25 anos. Então, não se enquadra em nenhuma dessas exceções. 
Por isso, a ação penal é pública condicionada à representação, e a alternativa está 
errada. 
(D) INCORRETA. Vamos pensar juntos: 
A regra geral do estelionato exige representação (art. 171, §5º), exceto se a vítima estiver 
em uma das situações que mencionei há pouco. Se Marisa não fosse idosa, não teria 
essa exceção. Portanto, a ação penal passaria a ser condicionada à representação. 
 
 
69 
Então, isoladamente, essa afirmação está correta. Mas, como a questão quer a 
alternativa que melhor abrange o conjunto das hipóteses e diferencia as situações de 
ação penal incondicionada, a letra A continua sendo a mais adequada como gabarito. 
(E) INCORRETA. Essa alternativa está errada por dois motivos: 
Primeiro, porque o crime é estelionato qualificado contra a Administração Pública, então 
a ação penal é pública incondicionada. 
Segundo, porque não existe exigência de representação do município. O Ministério 
Público pode oferecer denúncia diretamente, com base no art. 100 do Código Penal. 
E aqui a lei não traz nenhuma previsão especial que condicione a propositura da ação. 
_____________________________________________________________________________ 
44. Analise as hipóteses a seguir. 
(i) Ao término de um dia de trabalho, João pega o celular de seu colega Ailton 
acreditando ser o seu, coloca-o na mochila e vai para casa. Os aparelhos são do mesmo 
modelo e têm capa de cor idêntica. 
(ii) Caio resolve matar seu avô Hélio, para ficar com a herança. Certo dia, efetua disparo 
de arma de fogo contra a vítima, enquanto ela dormia. O exame de necropsia mostra 
que a morte ocorreu por conta de um infarto e que a vítima já estava morta quando foi 
atingida. 
(iii) Aproveitando-se de que Jorge, seu desafeto, não sabe nadar, Juan empurra-o de uma 
ponteque passa sobre um rio. A vítima bate a cabeça em um dos pilares da ponte, 
circunstância apontada na necropsia como a causa da morte. 
(iv) Rodrigo e José discutem em um bar lotado por conta de política. O primeiro saca 
uma arma de fogo e dispara na direção do segundo. O tiro atinge José de raspão, 
ricocheteia e atinge Luciano, garçom do bar. José e Luciano têm ferimentos leves. 
(v) Convicto de que a Suprema Corte de seu país liberou o uso de drogas, Ramiro, 
estudante universitário, vai a uma festa rave levando consigo dois comprimidos de 
ecstasy para consumo próprio. 
A respeito do erro e suas consequências para a responsabilidade penal, é CORRETO 
afirmar que: 
(A) há três hipóteses em que não haverá repercussão penal ao agente; 
(B) a hipótese (i) expressa um erro acidental sobre o objeto; 
(C) na hipótese (iv), Rodrigo responderá por tentativa de homicídio e lesão corporal 
culposa, aplicada a regra do crime continuado; 
(D) na hipótese (v), Ramiro não será punido, porque não existe a previsão do porte 
culposo de drogas para consumo próprio; 
(E) na hipótese (iii), não é cabível a imputação do crime de homicídio doloso com a 
qualificadora relativa à asfixia por afogamento. 
 
 
70 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
Item I 
O dolo é composto de consciência e vontade dirigidas ao resultado. Aqui, João não tinha 
nenhuma vontade de subtrair coisa alheia. 
Isso se enquadra no erro de tipo essencial, ou seja, ele não teve possibilidade de 
perceber que estava cometendo um ilícito, não tinha como perceber que o celular era 
de outra pessoa. Trata-se de hipótese em que o agente não tem e nem pode ter 
consciência da circunstância que constitui elemento do tipo penal. 
Quando o erro recai sobre elemento constitutivo do tipo penal e é inevitável, exclui o 
dolo e também a culpa, salvo previsão legal expressa de modalidade culposa. No furto, 
não há forma culposa prevista, logo o fato é atípico. 
Erro sobre elementos do tipo 
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de 
crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se 
previsto em lei. 
Item II 
O crime impossível por absoluta impropriedade do objeto está previsto no art. 17 do CP. 
Crime impossível 
Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta 
do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível 
consumar-se o crime. 
A impropriedade absoluta ocorre quando, por circunstâncias conhecidas ou não pelo 
agente, o resultado é absolutamente impossível. 
O corpo sem vida é objeto absolutamente impróprio para consumar homicídio, já que a 
morte da vítima inviabiliza qualquer resultado típico. Portanto, não há tentativa punível, 
conforme o princípio da inidoneidade absoluta do meio ou impropriedade absoluta do 
objeto. 
Item III 
Aqui ocorreu um desvio causal. Ou seja, ele queria matar por afogamento, mas a morte 
ocorreu por outro processo causal (traumatismo). 
Trata-se o fenômeno como aberratio causae, também chamado de desvio de 
causalidade. 
Aberratio causae (desvio de causalidade) ocorre quando o resultado almejado pelo 
agente decorre de uma causa diversa da esperada, mas sem romper o nexo causal entre 
 
 
71 
a conduta e o resultado. O agente responde pelo resultado pretendido, pois subsiste o 
dolo. 
Dessa forma, Juan responde por homicídio doloso, mas não cabe a qualificadora de 
asfixia por afogamento, pois as circunstâncias qualificadoras devem guardar nexo com o 
resultado. 
Item IV 
Aqui ocorre erro na execução com resultado duplo. Rodrigo responde por dois crimes 
em concurso formal. 
Quando, por acidente ou erro na execução, ocorre resultado duplo, responde-se pelo 
crime contra a vítima visada e pelo crime contra a vítima atingida, aplicando-se o 
concurso formal (art. 70 do CP). 
Além disso, é importante lembrar que o crime continuado pressupõe pluralidade de 
condutas e condições semelhantes de execução. Se há unidade de conduta e pluralidade 
de resultados, trata-se de concurso formal. 
Isso significa: Rodrigo responde pelo crime que queria cometer contra José (tentativa de 
homicídio doloso). E responde pelo crime efetivamente cometido contra Luciano (lesão 
corporal dolosa). Os dois crimes ficam reunidos em concurso formal, porque houve uma 
só ação e dois resultados. 
Portanto, não se trata de crime continuado nem de lesão culposa. 
Item V 
Trata-se de erro de proibição indireto, que ocorre quando o agente supõe que existe uma 
causa de exclusão da ilicitude. Se inevitável, afasta a culpabilidade. Se evitável, a pena 
será reduzida de um sexto a um terço (art. 21 do CP). 
Erro sobre a ilicitude do fato 
Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a 
ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá 
diminuí-la de um sexto a um terço. 
O erro de proibição não afasta a tipicidade, mas pode excluir ou diminuir a culpabilidade, 
dependendo da possibilidade ou não de conhecimento da ilicitude. 
Portanto, não é CORRETA dizer que não há punição simplesmente porque não existe 
previsão de porte culposo — o que se analisa é se o erro era evitável ou inevitável. 
(A) INCORRETA. Há três hipóteses em que não haverá repercussão penal ao agente 
(i) erro de tipo essencial inevitável: fato atípico, sem punição. 
(ii) crime impossível: fato atípico, sem punição. 
(v) erro de proibição: pode excluir a culpabilidade se inevitável, ou apenas reduzir a pena 
se evitável. 
Logo, não é CORRETA afirmar que são três hipóteses sem repercussão penal automática. 
 
 
72 
(B) INCORRETA. Erro acidental ocorre quando o agente quer praticar o crime, mas erra 
a execução ou o objeto secundário. Diferente do erro essencial, que recai sobre 
elemento que integra o tipo penal e impede a formação do dolo. 
João não tinha vontade de subtrair nada — logo, é erro essencial. 
(C) INCORRET. Crime continuado pressupõe pluralidade de condutas e condições 
semelhantes de execução. Se há unidade de conduta e pluralidade de resultados, trata-
se de concurso formal. 
Além disso, a lesão não é culposa, mas resultado de erro na execução (aberratio ictus). 
(D) INCORRETA. O erro de proibição pode excluir ou atenuar a culpabilidade, não 
afastando a tipicidade. 
Logo, a ausência de modalidade culposa não é fundamento para exclusão automática da 
responsabilidade penal. 
(E) CORRETA. As circunstâncias qualificadoras devem guardar nexo com o resultado. 
Como a morte ocorreu por traumatismo craniano, não cabe essa qualificadora. 
_____________________________________________________________________________ 
45. Na cidade de Palmas/TO, um motorista dirige sob efeito de álcool e colide com um 
ciclista que transitava pela via, vindo este a sofrer ferimentos leves. 
Considerando as disposições da Lei de Trânsito, é CORRETO afirmar que: 
(A) o motorista poderá ser responsabilizado apenas civilmente pelos danos causados ao 
ciclista; 
(B) quando não há danos graves a terceiros, o ato de dirigir sob influência de álcool 
configura somente infração administrativa; 
(C) o motorista poderá ser processado criminalmente por lesão corporal culposa de 
trânsito; 
(D) o motorista será isento de pena se comprovar que não havia sinais visíveis de 
embriaguez no momento da abordagem pelos agentes de trânsito; 
(E) na hipótese de óbito do ciclista em decorrência das lesões, o motorista poderá ser 
responsabilizado por homicídio doloso de trânsito qualificado pelo uso de álcool. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
A condução de veículo automotor sob influência de álcool ou de qualquer substância 
psicoativa é conduta tipificada no art. 306 do CTB, que prevê crime de perigo abstrato, 
bastando a constatação da concentração de álcool no sangue acima do limite legal, 
independentemente da demonstração de potencial lesivo. 
 
 
73 
Caso o condutor, sob efeito de álcool,venha a praticar crime de lesão corporal culposa 
(art. 303) ou homicídio culposo (art. 302), incide a causa de aumento de pena prevista 
no §3º dos referidos artigos, que prevê elevação de 1/3 a 1/2 se o agente estava sob 
influência de álcool ou substância psicoativa que determine dependência. 
Assim, dirigir embriagado não é apenas infração administrativa, mas crime autônomo de 
perigo abstrato (art. 306 CT(B), cumulável com eventuais crimes de dano (lesão corporal 
ou homicídio culposos) quando houver resultado lesivo. 
Dessa forma temos que: 
• Condutor embriagado: tipifica crime do art. 306 CTB. 
• Ocorrência de lesão corporal leve: tipifica crime do art. 303 CTB. 
• A embriaguez gera causa de aumento de pena na lesão culposa (§3º). 
 
(A) INCORRETA. A responsabilidade civil pelo dano causado no trânsito é independente 
da esfera penal, mas não exclui a responsabilização criminal, quando presentes os 
elementos do tipo. 
Portanto, errada, porque a responsabilidade criminal não é afastada. 
(B) INCORRETA. O crime de embriaguez ao volante previsto no art. 306 do CTB é de 
perigo abstrato, bastando a aferição da concentração igual ou superior a 6 decigramas 
por litro de sangue ou equivalência em ar alveolar, independentemente de dano.” 
Portanto, mesmo sem dano grave, dirigir alcoolizado configura crime, não só infração 
administrativa. 
(C) CORRETA. O art. 303 tipifica a lesão corporal culposa na direção de veículo 
automotor, sendo certo que, se o agente estiver sob influência de álcool, incide a causa 
de aumento de pena. 
Portanto, o motorista que embriagado causa ferimentos pode ser processado por lesão 
corporal culposa de trânsito, com aumento de pena, cumulativamente ao art. 306 CTB, 
se caracterizado. 
(D) INCORRETA. A embriaguez pode ser comprovada por teste, exame clínico, perícia, 
vídeos, prova testemunhal ou outros meios de prova em direito admitidos. 
Logo, a ausência de sinais visíveis não isenta o agente de responsabilidade se houver 
outros meios de prova (bafômetro, exame de sangue, testemunhas). 
(E) INCORRETA. A embriaguez ao volante não desloca automaticamente o dolo eventual. 
O homicídio doloso só é imputado se comprovado que o agente assumiu o risco de 
produzir o resultado morte. 
Portanto, a simples embriaguez não qualifica o homicídio como doloso de trânsito, 
sendo em regra homicídio culposo com causa de aumento (§3º do art. 302 CT(B), salvo 
prova de dolo eventual (situação excepcional que exige demonstração da assunção do 
risco). 
 
 
74 
_____________________________________________________________________________ 
46. Durante ação de combate ao tráfico de drogas montada na rodoviária, a Polícia 
Militar encontrou uma cápsula plástica com 0,8g de cloridrato de cocaína, no interior da 
mochila trazida por Sérgio, que desembarcara de um ônibus vindo de estado vizinho. 
Considerando a situação descrita e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, é 
CORRETO afirmar que: 
(A) trata-se de comportamento atípico, mas com repercussões na esfera extrapenal; 
(B) eventual transação penal em virtude da prática do crime previsto no Art. 28 da Lei nº 
11.343/2006, firmada nos cinco anos anteriores ao fato, impede o reconhecimento da 
atipicidade da conduta; 
(C) para determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal, o juiz atenderá à 
natureza e à quantidade da substância, ao local e às condições da ação e às 
circunstâncias pessoais de Sérgio; 
(D) está vedada a imposição a Sérgio da pena de prestação de serviços à comunidade; 
(E) há uma presunção absoluta de que Sérgio é usuário. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
O porte de drogas para consumo pessoal está previsto no art. 28 da Lei nº 11.343/2006, 
e que não se trata de hipótese de atipicidade, pois a conduta continua sendo crime, 
embora despenalizada em parte (não tem pena privativa de liberdade). 
O art. 28 da Lei de Drogas estabelece crime de mera conduta e perigo abstrato, cujo 
objeto jurídico é a saúde pública. A punição é limitada a penas alternativas (advertência, 
prestação de serviços à comunidade e medida educativa), não cabendo prisão. 
O art. 28, §2º, da Lei nº 11.343/06, estabelece que o juiz, para determinar se a droga 
destinava-se a consumo pessoal, atenderá à natureza e à quantidade da substância 
apreendida, ao local e às condições em que se desenvolveu a ação, às circunstâncias 
sociais e pessoais, bem como à conduta e aos antecedentes do agente. 
A análise da questão não se baseia em presunção absoluta, mas em uma apreciação 
conjunta desses fatores. 
(A) INCORRETA. O porte de droga para uso pessoal continua sendo crime, mesmo que 
despenalizado em parte (sem prisão). O STF decidiu isso no RE 635.659, que foi 
mencionado expressamente: 
“O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 635.659, 
concluiu que o porte de drogas para consumo pessoal é crime de 
perigo abstrato e declarou constitucional o dispositivo, 
mantendo a subsistência da infração penal.” 
 
 
75 
Então não é comportamento atípico. Continua típico, ilícito e sujeito a sanções penais 
alternativas. 
(B) INCORRETA. Aqui há dois problemas. Primeiro, o próprio enunciado fala em “impedir 
o reconhecimento da atipicidade”, mas a conduta já é típica. A transação penal não torna 
atípico ou típico o fato. 
A reincidência ou o cometimento reiterado não tornam a conduta atípica. O art. 28, §4º, 
dispõe que, em caso de reincidência específica, o juiz poderá substituir a medida por 
tratamento especializado. Mas isso não implica reconhecimento de atipicidade. 
Ou seja, a prática anterior só influencia na resposta penal (por exemplo, substituindo a 
medida educativa), mas não afeta a natureza típica do fato. 
Logo, transação penal prévia não interfere na análise da tipicidade. 
(C) CORRETA. O art. 28, §2º, estabelece que o juiz, para definir se a droga era para uso 
pessoal, atenderá cumulativamente: natureza e quantidade, local e condições da ação, 
circunstâncias sociais e pessoais, conduta e antecedentes. 
(D) INCORRETA. A prestação de serviços é uma das penas do art. 28. 
Literalmente: “As penas cominadas ao art. 28 incluem: I – advertência; II – prestação de 
serviços à comunidade; III – medida educativa de comparecimento a programa ou curso 
educativo.” 
Então ela não está vedada — pelo contrário, é prevista expressamente. 
(E) INCORRETA. Errada porque não existe essa presunção. O juiz tem que avaliar vários 
elementos, não só a quantidade. Para determinar se a droga se destinava a consumo 
pessoal, o juiz deve atender cumulativamente aos fatores previstos no art. 28, §2º. 
Ou seja, não existe presunção absoluta. A avaliação é feita caso a caso. 
_____________________________________________________________________________ 
47. Analise as hipóteses a seguir. 
(i) Felício, inconformado com o fim de seu casamento, efetua disparo de arma de fogo 
contra sua ex-esposa, que sobrevive. 
(ii) João, ao descobrir que sua ex-namorada tem um novo relacionamento amoroso, 
envia-lhe uma mensagem de WhatsApp com a foto de um punhal e a seguinte legenda: 
“Se você não for minha, não vai ser de mais ninguém”. 
(iii) Mariana, durante uma discussão motivada por ciúmes, dá um soco em sua 
namorada, causando-lhe lesões corporais. 
(iv) José, durante uma discussão motivada por dívida, dá um soco em sua irmã, 
causando-lhe lesões corporais. 
Consideradas as hipóteses acima, é CORRETO afirmar, à luz dos dispositivos legais 
aplicáveis e da jurisprudência dos Tribunais Superiores, que: 
 
 
76 
(A) em caso de condenação, o efeito da perda do cargo, função pública ou mandato 
eletivo será automático apenas nas hipóteses (i), (iii) e (iv); 
(B) a Lei nº 11.340/2006 aplica-se apenas a três hipóteses; 
(C) todas as hipóteses tipificam crimes de ação penal pública incondicionada; 
(D) em caso de condenação, Felício poderá obter livramento condicional, depois de 
cumprir 55% da pena; 
(E) em caso de condenação,somente Felício não poderá usufruir do direito à visita íntima 
ou conjugal. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
Item I - tentativa de feminicídio (homicídio doloso tentado). Aplica-se a Lei Maria da 
Penha, pois se trata de relação íntima anterior e violência contra mulher. 
Item II - crime de ameaça no contexto de violência doméstica (relação íntima de afeto e 
violência psicológica – art. 7º, II). 
Item III - lesão corporal decorrente de violência doméstica contra mulher, relação 
homoafetiva, aplica-se a Lei Maria da Penha (art. 5º e jurisprudência do STJ). “A proteção 
se estende a relações homoafetivas e a mulheres trans em situação de violência 
doméstica” (REsp 1.977.124-SP). 
Item IV - lesão corporal contra irmã, que pode configurar violência doméstica. A 
vulnerabilidade e a hipossuficiência da mulher são presumidas, tornando desnecessária 
a prova de motivação específica baseada no gênero: 
“É desnecessária a demonstração específica da subjugação feminina para aplicar o 
sistema protetivo da Lei Maria da Penha, pois a organização social brasileira ainda é 
fundada em um sistema hierárquico de poder baseado no gênero.” (AgRg no REsp 
2.080.317-GO) 
Portanto, mesmo em situações envolvendo discussão por outros motivos, há presunção 
da vulnerabilidade feminina e a aplicação da Lei Maria da Penha. 
(A) INCORRETA. A perda do cargo, função pública ou mandato não é efeito automático 
da condenação, dependendo de fundamentação expressa na sentença (art. 92 do CP). 
(B) INCORRETA. A jurisprudência mais recente do STJ (AgRg no REsp 2.080.317-GO) 
deixou claro que não se exige prova da motivação de gênero, pois a vulnerabilidade é 
presumida. 
Ou seja, todas as hipóteses (inclusive a agressão entre irmãos) podem estar cobertas 
pela Lei Maria da Penha. 
(C) CORRETA. 
 
 
77 
• Tentativa de homicídio é ação pública incondicionada. 
• Lesão corporal em contexto de violência doméstica é pública incondicionada (ADI 
4424 e Súmula 542 do STJ). 
• Ameaça em violência doméstica também é pública incondicionada (art. 41). 
Logo, todas as situações se enquadram nessa regra. 
(D) INCORRETA. O crime de homicídio qualificado tentado é hediondo. Para crimes 
hediondos, o Código Penal, em seu artigo 83, inciso V, estabelece que o condenado pode 
obter livramento condicional após cumprir dois terços (2/3) da pena, desde que não seja 
reincidente específico em crimes hediondos. 
(E) INCORRETA. A restrição de visitas depende de decisão judicial específica ou regra 
disciplinar do sistema prisional, não sendo efeito automático da condenação. 
A Lei Maria da Penha não cria regra que suprima automaticamente o direito à visita 
íntima. Se houver risco concreto à vítima, o juiz pode restringir visitas como medida de 
proteção, mas isso é analisado caso a caso, mediante fundamentação. 
_____________________________________________________________________________ 
48. Sobre os crimes contra a dignidade sexual, é CORRETO afirmar que: 
(A) nos crimes sexuais cometidos contra vítima em situação de vulnerabilidade 
temporária, a ação penal é pública incondicionada, ainda que o fato tenha sido praticado 
na vigência da redação dada ao Art. 225 do CP pela Lei nº 12.015/2009; 
(B) com base no princípio da ampla defesa, é facultado à defesa técnica invocar, em 
audiências, elementos sobre a vida sexual pregressa ou modo de vida da vítima; 
(C) o delito de assédio sexual previsto pelo Código Penal não se configura na hipótese de 
constrangimento, com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, praticado 
por um estagiário contra a coordenadora da seção em que trabalha; 
(D) configura contravenção penal o ato de produzir, fotografar, filmar ou registrar, por 
qualquer meio, conteúdo com cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter 
íntimo e privado sem autorização dos participantes; 
(E) o crime de estupro de vulnerável se configura com a conjunção carnal ou a prática de 
ato libidinoso com pessoa menor de 14 anos, podendo ser afastada a imputação do 
resultado na hipótese de comprovação de consentimento da vítima, de sua experiência 
sexual anterior ou da existência de relacionamento amoroso com o agente. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. A ação penal nos crimes contra a liberdade sexual é, em regra, pública 
condicionada à representação da vítima, exceto quando a vítima for menor de 18 anos, 
 
 
78 
pessoa com enfermidade ou deficiência mental ou quando houver violência real, casos 
em que será pública incondicionada. 
Além disso, a alteração do art. 225 reduziu as hipóteses de ação penal pública 
incondicionada, excluindo a previsão genérica de vulnerabilidade temporária. 
Ou seja, a vulnerabilidade temporária, por si só, não torna a ação incondicionada se não 
houver violência real ou incapacidade permanente. É preciso violência real ou 
incapacidade. 
(B) INCORRETA. O art. 212, §1º, do CPP, com redação dada pela Lei nº 13.431/2017, veda 
perguntas sobre a vida sexual pregressa da vítima, salvo quando estritamente relevante 
à causa. Ou seja, não é facultado de forma ampla invocar a vida sexual pregressa — é 
proibido, salvo se demonstrada relevância objetiva para a defesa. 
(C) CORRETA. Assédio sexual é o constrangimento cometido por alguém que prevalece 
da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerente ao exercício de 
emprego, cargo ou função, com o fim de obter vantagem ou favorecimento sexual. 
Nesse caso, quem pratica o constrangimento é o estagiário (subordinado) contra a 
coordenadora (superior). Portanto, não há relação de superior hierárquico ou 
ascendência que caracterize assédio sexual. 
(D) INCORRETA. O art. 216-B do Código Penal, incluído pela Lei nº 13.772/2018, criou o 
crime de registro não autorizado de intimidade sexual, com pena de reclusão de 6 meses 
a 1 ano e multa. 
Portanto, essa conduta é crime, não contravenção penal. 
(E) INCORRETA. O estupro de vulnerável (art. 217- A) é crime de natureza formal e de 
proteção absoluta, não se admitindo consentimento, experiência sexual prévia ou 
relacionamento como causas de exclusão da tipicidade. 
Ademais, a jurisprudência do STJ e STF consolidou entendimento de que tais 
circunstâncias não descaracterizam o crime. 
Súmula 593-STJ: O crime de estupro de vulnerável se configura 
com a conjunção carnal ou prática de ato libidinoso com menor 
de 14 anos, sendo irrelevante eventual consentimento da vítima 
para a prática do ato, sua experiência sexual anterior ou 
existência de relacionamento amoroso com o agente. 
Em situações excepcionais, pode haver uma análise diferenciada, mas a regra geral é a 
aplicação da presunção absoluta de vulnerabilidade para menores de 14 anos. 
_____________________________________________________________________________ 
49. Sobre a disciplina jurídica da reincidência no direito penal brasileiro, analise as 
afirmativas a seguir. 
I. A reincidência não se comunica aos corréus nos casos de concurso de pessoas. 
II. É admissível a fixação de regime inicial semiaberto a reincidentes em crimes dolosos, 
a depender da pena aplicada e das circunstâncias judiciais. 
 
 
79 
III. A condenação por crimes políticos e militares não gera reincidência. 
Está CORRETO o que se afirma em: 
(A) I, apenas; 
(B) I e II, apenas; 
(C) I e III, apenas; 
(D) II e III, apenas; 
(E) I, II e III. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO. 
I. CORRETO. A reincidência é uma circunstância de caráter pessoal, conforme a regra do 
art. 30 do Código Penal: 
Art. 30 - As circunstâncias de caráter pessoal não se comunicam 
aos corréus, salvo quando elementares do crime. 
A reincidência é considerada uma circunstância pessoal, portanto não se comunica aos 
demais envolvidos. 
II. CORRETO. O art. 33, §2º, alínea‘b’ do CP prevê que, quando o condenado for 
reincidente, a pena deverá ser cumprida em regime fechado. 
Todavia, o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça já assentaram que 
esta regra não tem caráter absoluto (HC 136385/SC). O juiz pode fixar regime mais 
brando (semiaberto), desde que apresente fundamentação concreta que demonstre 
circunstâncias judiciais favoráveis. 
Por isso, é sim admissível o regime semiaberto para reincidentes, em situações 
excepcionais e fundamentadas. 
III. CORRETO. “O Código Penal, no art. 64, inciso II, dispõe expressamente que não se 
consideram para efeito de reincidência as condenações anteriores por crimes militares 
próprios e por crimes políticos. 
Art. 64 - Para efeito de reincidência: II - não se consideram os 
crimes militares próprios e políticos. 
Em que pese não gerar reincidência, essas condenações podem sim ser valoradas como 
maus antecedentes. Ou seja: Não contam para efeito de reincidência técnica (que gera 
agravamento automático e impede alguns benefícios), mas podem influenciar a análise 
do histórico do réu na primeira fase da dosimetria, ao fixar a pena-base. 
Assim, essa afirmativa está correta. 
 
 
80 
Acredita-se que a Banca tenha incorrido em erro, pois todas os itens estão corretos. 
Desse modo, a alternativa a ser assinalada seria a “Letra E” e não a “Letra B”. 
_____________________________________________________________________________ 
50. Analise as hipóteses a seguir. 
(i) Mariana vai à festa de aniversário de uma amiga, ingere bebida alcoólica e, ao retornar 
para casa, na condução de seu veículo, abalroa a traseira do carro de Fernanda, que sofre 
ferimentos graves, mas sobrevive. 
(ii) João decide matar Mário, seu opositor político, e planeja provocar um acidente de 
carro, aproveitando-se de que a vítima e seu motorista Fábio rotineiramente trafegam 
por uma estrada à beira de um penhasco. Certo dia, João executa o plano e o acidente 
provocado causa a morte de Mário e Fábio. 
(iii) Patrício decide matar Renata, sua ex-esposa, por conta de desavenças relativas à 
pensão alimentícia. Para assegurar o êxito da missão, acopla um kit rajadas a sua pistola. 
No dia escolhido para o crime, Patrício, em uma motocicleta, segue o veículo de Renata 
e vê quando Mara, colega de trabalho da vítima, entra no carro. Patrício emparelha com 
o carro, mira na cabeça de Renata e dispara. Mara também é atingida e ambas morrem. 
Consideradas as hipóteses acima, a respeito do dolo, é correto afirmar, à luz da doutrina 
e da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que: 
(A) há dolo indireto na hipótese (i) e nas mortes de Fábio e de Mara; 
(B) na hipótese (i), a embriaguez não é suficiente para justificar a imputação de tentativa 
de homicídio com dolo eventual; 
(C) na hipótese (i), não se admite o dolo eventual, haja vista a incompatibilidade entre 
este e a tentativa; 
(D) há dolo direto nas mortes de Fábio e de Mara; 
(E) há dolo de segundo grau na morte de Mara. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
Nos termos do art. 18 do Código Penal, diz-se o crime: I - doloso, quando o agente quis 
o resultado (dolo direto) ou assumiu o risco de produzi-lo (dolo eventual). 
Assim, temos: 
• Dolo direto (determinado ou imediato):É a vontade dirigida especificamente à 
produção do resultado típico. O dolo direto se subdivide em: 
o Dolo direto de primeiro grau 
o Dolo direto de segundo grau 
 
 
81 
• Dolo indireto (indeterminado): Divide-se em: 
o Dolo eventual (de consequências possíveis): O agente direciona sua 
conduta à produção de um resultado, mas assume o risco de causar um 
resultado diverso. 
o Dolo alternativo: Significa a vontade de atingir, indistintamente, um ou 
outro resultado (alternatividade objetiva) ou uma outra vítima 
(alternatividade subjetiva). 
Nos termos do art. 18 do Código Penal, diz-se o crime culposo: II – culposo, quando o 
agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. 
Assim, temos: 
• Culpa consciente (com previsão ou ex lascivia): O agente prevê o resultado (há 
efetiva previsão, e não mera previsibilidade), mas espera sinceramente que ele 
não ocorra, pois supõe poder evitá-lo, utilizando suas habilidades ou contando 
com a sorte. Na culpa consciente, mais do que previsibilidade, existe previsão. 
No dolo eventual, o agente prevê o resultado e não se importa que ele venha a 
acontecer. O agente assume o risco do resultado, que lhe é indiferente (num linguajar 
simples: “dane-se”). 
Na culpa consciente, o agente, embora prevendo o resultado, espera sinceramente que 
ele não ocorra, acreditando que sua habilidade fará com que ele não se produza (num 
linguajar simples: “danou-se”). 
• Culpa inconsciente (sem previsão ou ex ignorantia): 
O agente não prevê o resultado, que, entretanto, era previsível. Neste caso, qualquer 
outra pessoa, nas mesmas circunstâncias, poderia prever a ocorrência daquele 
resultado. 
Item I 
A questão sobre se um acidente de trânsito causado por um motorista embriagado, 
configurando dolo eventual ou culpa, é complexa e depende das circunstâncias 
específicas de cada caso. A jurisprudência brasileira tem se debruçado sobre esse tema, 
e há decisões que apontam em diferentes direções. 
No caso concreto, Mariana foi à festa de aniversário de uma amiga, ingeriu bebida 
alcoólica e, ao retornar para casa, na condução de seu veículo, abalroou a traseira do 
carro de Fernanda, que sofreu ferimentos graves, mas sobreviveu. Este contexto, por si 
só, não permite afirmar de forma automática que Mariana agiu com dolo eventual. Isso 
porque, conforme entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça, a 
embriaguez ao volante, isoladamente considerada, não basta para presumir dolo 
eventual. 
Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça: 
“A embriaguez do agente condutor do automóvel, por si só, não 
pode servir de premissa bastante para a afirmação do dolo 
eventual em acidente de trânsito com resultado morte. A 
 
 
82 
embriaguez, sem o acréscimo de outras peculiaridades, não 
pode servir como presunção de que houve dolo eventual.” 
STJ. 6ª Turma. REsp 1689173-SC, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, 
julgado em 21/11/2017 (Informativo 623). 
Por outro lado, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal reconhece que, quando a 
embriaguez está acompanhada de circunstâncias qualificadoras — como dirigir em 
contramão, em alta velocidade ou em local de grande risco — pode-se caracterizar o 
dolo eventual: 
“Verifica-se a existência de dolo eventual no ato de dirigir veículo 
automotor sob a influência de álcool, além de fazê-lo na 
contramão. Esse é, portanto, um caso específico que evidencia a 
diferença entre a culpa consciente e o dolo eventual.” 
STF. 1ª Turma. HC 124687/MS, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o 
ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 29/5/2018 (Informativo 
904). 
No caso de Mariana, até onde relatado, não há menção a outros fatores agravantes — 
como alta velocidade, direção em contramão, histórico de infrações graves ou absoluto 
desprezo às regras de cuidado — que pudessem demonstrar que ela previu claramente 
o resultado e aceitou sua ocorrência. Assim, em princípio, a conduta estaria mais 
próxima da culpa consciente (quando há previsão do risco, mas expectativa sincera de 
que o resultado não ocorra) ou da culpa inconsciente (se não houver prova de que ela 
sequer previu a possibilidade do acidente). 
Item II 
A questão sobre a caracterização do elemento subjetivo em crimes praticados mediante 
acidente de trânsito requer a análise dos conceitos de dolo direto, dolo eventual e culpa, 
conforme previstos no Código Penal. 
No caso concreto, João decidiu matar Mário, seu opositor político, e planejou provocar 
um acidente de carro, ciente de que Mário e seu motorista, Fábio, trafegavam 
habitualmente por estrada à beira de um penhasco. Ao executar seu plano, provocou o 
acidente que resultouna morte de ambos. 
Diante dessas circunstâncias, verifica-se que João dirigiu sua vontade diretamente à 
produção do resultado morte. Há aqui o dolo direto de primeiro grau em relação a Mário, 
já que ele desejava matá-lo de forma deliberada e consciente. 
No tocante ao motorista Fábio, que também veio a óbito em decorrência da ação, há 
hipótese de dolo direto de segundo grau. Isso porque a morte de Fábio foi consequência 
certa e previsível do plano executado por João, ainda que não fosse o objetivo primário 
de sua conduta. 
Portanto, nesta hipótese, não se cogita dolo eventual ou qualquer forma de culpa, uma 
vez que João quis matar Mário de forma premeditada e assumiu, como consequência 
necessária e diretamente relacionada ao seu plano, a morte de Fábio. Trata-se de 
conduta dolosa com desígnios específicos. 
 
 
83 
Item III 
A questão sobre a caracterização do elemento subjetivo em crimes dolosos contra a vida, 
especialmente quando há vítimas adicionais atingidas, requer a análise dos conceitos de 
dolo direto, dolo eventual e culpa, conforme previstos no Código Penal. 
No caso concreto, Patrício decidiu matar Renata, sua ex-esposa, por conta de desavenças 
relacionadas à pensão alimentícia, tendo planejado a execução com a utilização de um 
kit rajadas acoplado à pistola. Ao seguir o veículo da vítima e visualizar que Mara, colega 
de trabalho de Renata, também se encontrava no carro, Patrício mesmo assim 
emparelhou com o automóvel, mirou na cabeça de Renata e efetuou diversos disparos, 
atingindo ambas, que morreram. 
Em tais circunstâncias, evidencia-se que Patrício dirigiu sua vontade diretamente à 
eliminação da vida de Renata. Trata-se de dolo direto de primeiro grau em relação à 
vítima visada. 
No que concerne à morte de Mara, há duas possíveis interpretações jurídicas. Uma delas 
é a configuração do dolo direto de segundo grau, uma vez que Patrício sabia que, ao 
descarregar rajadas em direção ao interior do veículo, assumia como consequência 
necessária e previsível a morte de qualquer ocupante. Outra possibilidade é a 
caracterização de dolo alternativo, pois, ao escolher atirar contra o carro ocupado, 
Patrício aceitou indistintamente matar Renata ou outra pessoa que viesse a ser atingida. 
Assim, a conduta de Patrício configura homicídio doloso consumado em relação a ambas 
as vítimas, não havendo que se falar em culpa consciente ou dolo eventual, tendo em 
vista que ele agiu com vontade dirigida a suprimir a vida e aceitou como consequência 
natural a morte da segunda vítima. 
(A) INCORRETA. Na hipótese (i) (Mariana, motorista embriagada), não há dolo indireto 
— pois a mera embriaguez, sem outras circunstâncias, não autoriza a imputação de dolo 
eventual. Nas mortes de Fábio e de Mara, praticadas em contextos de vontade dirigida 
ao resultado principal, pode-se reconhecer dolo indireto: 
Morte de Fábio: dolo direto de segundo grau (resultado necessário e previsível). 
Morte de Mara: dolo alternativo ou dolo direto de segundo grau (resultado previsível e 
aceito). 
Logo, o item só estaria CORRETA quanto a Fábio e Mara. 
(B) CORRETA. O entendimento do STJ, expresso no REsp 1689173-SC (Informativo 623), 
aplica-se tanto ao homicídio consumado quanto ao tentado. Se a embriaguez 
isoladamente não é suficiente para caracterizar dolo eventual quando o resultado 
ocorre, também não seria bastante, por si só, para fundamentar tentativa de homicídio 
com dolo eventual, já que o elemento subjetivo é o mesmo em ambos os casos. 
Nesse sentido, a assertiva foi corretamente considerada correta pela banca, pois afirma 
apenas que a embriaguez sozinha não basta para imputar tentativa de homicídio com 
dolo eventual. 
Importante destacar que isso não significa que a embriaguez ao volante nunca possa 
ensejar a responsabilização por dolo eventual. A caracterização depende da existência 
 
 
84 
de outras circunstâncias que demonstrem que o agente assumiu o risco de produzir o 
resultado (por exemplo, dirigir em alta velocidade, na contramão ou em locais de grande 
circulação). 
Portanto, se a assertiva tivesse negado de forma absoluta qualquer possibilidade de 
imputação de dolo eventual em situações de embriaguez combinada com fatores 
agravantes, estaria incorreta. Como ela apenas apontou que a embriaguez isolada não 
justifica por si só essa imputação, sua correção se alinha ao entendimento consolidado 
pelo STJ. 
(C) INCORRETA. A possibilidade de coexistência entre dolo eventual e tentativa é tema 
que suscita debates na doutrina e na jurisprudência pátria. 
De forma geral, prevalece o entendimento de que não há incompatibilidade lógica ou 
jurídica entre tais figuras, na medida em que o dolo eventual, embora caracterizado pela 
assunção do risco de produzir o resultado, pode coexistir com a não consumação por 
circunstâncias alheias à vontade do agente (art. 14, II, CP). 
No âmbito jurisprudencial, não há Súmula ou Informativo de jurisprudência vinculante 
do STF ou do STJ que consolide a questão. 
Entretanto, existem precedentes de tribunais estaduais que expressamente reconhecem 
a compatibilidade. No STJ e no STF, embora não se encontrem decisões vinculantes, há 
acórdãos que não excluem a possibilidade e examinam o dolo eventual como elemento 
subjetivo inclusive em fases de pronúncia e instrução processual, o que revela aceitação 
indireta da compatibilidade. 
Assim, a alternativa está incorreta porque a maior parte da doutrina e a jurisprudência 
não reconhecem qualquer incompatibilidade entre tentativa e dolo eventual. Como 
crime doloso que é, o dolo eventual admite a forma tentada, desde que o resultado não 
se consume por circunstâncias alheias à vontade do agente 
(D) INCORRETA. Na morte de Fábio, configura-se dolo direto de segundo grau, pois sua 
morte foi consequência necessária e previsível da ação dolosa principal. No caso de 
Mara, também se pode falar em dolo direto de segundo grau, já que Patrício sabia que 
ela seria atingida, ou eventualmente em dolo alternativo, porque aceitou 
indistintamente o risco de matar qualquer ocupante. 
A assertiva está correta ao apontar dolo direto como gênero, mas peca por não 
especificar que se trata de dolo de segundo grau, e não dolo direto de primeiro grau 
(vontade imediata de eliminar a vítima). Em síntese, embora não houvesse intenção 
específica de matar Fábio e Mara, sua morte decorreu de forma inevitável da conduta 
inicialmente dirigida contra Mário e Renata. 
(E) INCORRETA. A assertiva disse somente que havia dolo de segundo grau, como se 
fosse a única e inequívoca classificação. Mas a classificação tecnicamente mais adequada 
(ou pelo menos mais aceita) é o dolo alternativo, pois não havia certeza de que a morte 
de Mara ocorreria como consequência necessária. 
Em outras palavras: 
Dolo de segundo grau = resultado secundário inevitável. 
 
 
85 
Dolo alternativo = resultado aceito indiferentemente. 
Como a morte de Mara não era inevitável, mas apenas tolerada como possibilidade, não 
se pode afirmar que era dolo direto de segundo grau de forma correta e exclusiva. 
_____________________________________________________________________________ 
DIREITO PROCESSUAL PENAL 
 
51. Arnaldo e Armindo foram condenados a nove anos de reclusão pela prática do crime 
de estupro contra Arlete, tendo o Ministério Público interposto recurso total em face da 
condenação. Arnaldo, por sua vez, interpôs recurso de apelação visando a anular o feito, 
alegando suspeição do juiz e falta de imparcialidade deste. Já Armindo deixou 
transcorrer o prazo recursal, não interpondo o recurso competente. Arlete, mesmo não 
habilitada como assistente, interpôs recurso de apelação, visando ao aumento da pena 
dos condenados, 15 dias após transcorrido o prazo do Ministério Público. 
Diante desse cenário, é CORRETO afirmar que o recurso de: 
(A) Arlete não poderá ser conhecido, pois intempestivo; 
(B) Arnaldo, se provido, não poderá aproveitar a Armindo, em razão da reformatio in 
pejus; 
(C) Arletenão poderá ser conhecido, pois ela não se habilitou como assistente; 
(D) Arlete poderá ser conhecido, pois atende aos pressupostos do cabimento e da 
tempestividade; 
(E) Arnaldo, se provido, não poderá aproveitar a Armindo, pois este não recorreu. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO. 
Dispõe o art. 577 do CPP que recurso poderá ser interposto: 
a) pelo Ministério Público; 
b) ou pelo querelante; 
c) ou pelo réu, seu procurador ou seu defensor. 
A ausência do assistente de acusação no rol de legitimados do art. 577 do CPP não 
decorreu de impropriedade legislativa tampouco de um descuido do legislador. 
 
 
86 
Em verdade, o assistente de acusação não está previsto no referido dispositivo como 
legitimado recursal, porque nele estão arrolados os sujeitos processuais que podem 
ingressar com qualquer recurso entre os previstos em lei. 
São os chamados legitimados gerais, nos quais não se enquadra o assistente do 
Ministério Público, cuja legitimidade é restrita e subsidiária (supletiva). 
Diz-se restrita a legitimação do assistente, porque, em tese, somente poderá ele 
recorrer nos casos expressamente previstos em lei, quais sejam: 
a) Apelar da sentença, com fundamento no art. 598 do CPP; 
 Art. 598. Nos crimes de competência do Tribunal do Júri, ou do juiz singular, SE DA 
SENTENÇA NÃO FOR INTERPOSTA APELAÇÃO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO no prazo 
legal, o OFENDIDO ou qualquer das pessoas enumeradas no art. 31, AINDA QUE NÃO 
SE TENHA HABILITADO COMO ASSISTENTE, poderá interpor apelação, que não terá, 
porém, efeito suspensivo. 
Parágrafo único. O prazo para interposição desse recurso será DE QUINZE DIAS e 
correrá do dia em que terminar o do Ministério Público. 
 
b) Apelar da decisão de impronúncia, com fundamento no art. 584, § 1.º, c/c os 
arts. 416 e 598 do CPP; 
 c) Recorrer em sentido estrito da decisão que julgar extinta a punibilidade pela 
prescrição ou outra causa, com base no art. 584, § 1.º, c/c o art. 598 do CPP. 
Diz-se subsidiária ou supletiva a legitimidade recursal do assistente porque, mesmo nas 
hipóteses em que pode se insurgir, fica ele condicionado a que NÃO TENHA O 
MINISTÉRIO PÚBLICO RECORRIDO DA RESPECTIVA DECISÃO. Tal como o caso narrado 
no enunciado. 
 Se o Ministério Público interpuser recurso contra a decisão judicial, é necessário 
distinguir duas situações: 
1)Sendo parcial o 
recurso do Ministério 
Público 
Poderá o assistente insurgir-se em relação à parte da 
decisão não abrangida pela impugnação do Promotor 
de Justiça. 
 
2)Abrangendo o recurso 
ministerial toda a decisão 
recorrida 
Apenas poderá o assistente arrazoar tal insurgência. 
Neste caso, o recurso do Ministério Público terá duas 
razões recursais: as oferecidas pelo próprio promotor de 
justiça recorrente e aquelas deduzidas pelo assistente. 
Isto se extrai da parte final do art. 271 do CPP, quando 
refere que o assistente poderá “arrazoar os recursos 
 
 
87 
interpostos pelo Ministério Público, ou por ele próprio, 
nos casos dos arts. 584, § 1.º, e 598”. Este artigo nos 
permite concluir que o assistente de acusação poderá 
arrazoar todo e qualquer recurso interposto pelo 
Ministério Público, mas, quanto aos por ele próprio 
interpostos, apenas poderá oferecer razões nas 
hipóteses dos arts. 584, § 1.º, e 598, porque, 
simplesmente, apenas nestes casos é que pode ele 
recorrer. 
 
Nesse contexto, observa-se que o Ministério Público interpôs recurso de apelação 
abrangendo integralmente a sentença condenatória. Diante disso, Arlete, na condição 
de vítima, não poderia ter apresentado recurso próprio, mas apenas ofertado razões 
no bojo do recurso interposto pelo Ministério Público. 
(A) INCORRETA. O recurso de Arlete foi interposto dentro do prazo de 15 dias contado 
do fim do prazo do Ministério Público (art. 598, § único, CPP). 
Todavia, não se trata de intempestividade: o ofendido só pode apelar se o MP não 
interpuser apelação. Como o MP recorreu, Arlete não tem interesse processual para 
recorrer (falta-lhe legitimação ativa nesta hipótese). 
(B) INCORRETA. A reformatio in pejus veda agravamento de quem não recorreu, 
mas não impede que seja beneficiado por nulidades que favoreçam ambos. 
Art. 580 do CPP dispõe que, no concurso de agentes, a decisão 
favorável a um dos réus “aproveitará aos outros” quando o 
motivo não for estritamente pessoal. 
Assim, o art. 580 permite o aproveitamento se o fundamento não for pessoal, como 
seria o caso de suspeição baseada em elementos objetivos (não relacionados apenas a 
Arnaldo). 
(C) INCORRETA. O art. 598 do CPP expressamente autoriza que o ofendido recorra 
“ainda que não se tenha habilitado como assistente”, desde que o MP não tenha 
apelação pendente. Aqui, o óbice não é a habilitação, mas o fato de o MP já ter 
recorrido, excluindo a cabimento de recurso próprio de Arlete. 
(D) INCORRETA. Embora tempestivo, o recurso é incabível em face de apelação já 
interposta pelo MP: inexistem interesse e legitimação para recurso do ofendido nestas 
condições (art. 598, caput, CPP). 
(E) INCORRETA. Assim, o art. 580 permite o aproveitamento se o fundamento não for 
pessoal, como seria o caso de suspeição baseada em elementos objetivos (não 
relacionados apenas a Arnaldo). 
_____________________________________________________________________________ 
 
 
88 
52. Luís foi preso e autuado em flagrante pelo crime de furto simples. Na audiência de 
custódia, diante de seus 11 antecedentes criminais relativos a crimes patrimoniais e em 
razão de não possuir residência fixa no distrito da culpa, o Ministério Público requereu a 
conversão de sua prisão em flagrante em prisão preventiva, para garantia da ordem 
pública e para assegurar a aplicação da lei penal. 
Diante desse contexto, é CORRETO afirmar que o juiz: 
(A) não poderá decretar a prisão preventiva de Luís, mas poderá decretar medida 
cautelar de comparecimento periódico em juízo para justificar suas atividades; 
(B) poderá decretar a prisão preventiva e substituí-la por prisão domiciliar se Luís 
declarar endereço no distrito da culpa; 
(C) não poderá decretar a prisão preventiva de Luís, mas poderá decretar a sua prisão 
temporária para assegurar a aplicação da lei penal; 
(D) não poderá decretar a prisão preventiva de Luís, devendo oferecer a este acordo de 
não persecução penal; 
(E) poderá decretar a prisão preventiva de Luís para assegurar a ordem pública e impedir 
a reiteração criminosa. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
(A) CORRETA. Literalidade do CPP. 
Art. 282. As medidas cautelares previstas neste Título deverão 
ser aplicadas observando-se a: 
I - necessidade para aplicação da lei penal, para a investigação 
ou a instrução criminal e, nos casos expressamente previstos, 
para evitar a prática de infrações penais; 
II - adequação da medida à gravidade do crime, circunstâncias 
do fato e condições pessoais do indiciado ou acusado. 
§ 1o As medidas cautelares poderão ser aplicadas isolada ou 
cumulativamente. 
 
Art. 319. São medidas cautelares diversas da prisão: 
I - comparecimento periódico em juízo, no prazo e nas 
condições fixadas pelo juiz, para informar e justificar 
atividades; 
(B) e (E) INCORRETAS. A prisão preventiva não é cabível nos crimes dolosos cuja pena 
privativa de liberdade máxima NÃO ULTRAPASSE QUATRO ANOS, como ocorre no caso 
do furto simples, cuja sanção máxima prevista é de quatro anos de reclusão, além de 
multa. 
 
 
89 
Principais considerações sobre a prisão preventiva 
De acordo com o art. 312 do CPP, só é possível a prisão preventiva se, no caso concreto, 
houver indícios suficientes de autoria, prova da materialidade do crime, e agora, 
também, o perigo gerado pelo estado de liberdade do indivíduo, conforme acréscimo 
trazido pela Lei nº 13.964/2019. 
Epara tanto, a exposição do atendimento desses pressupostos deverá, em atendimento 
aos princípios da fundamentação das decisões judiciais e da congruência/adstrição, ser 
realizada em decisão devidamente motivada e fundamentada. 
Fundamentos 
De acordo com o art. 312, caput e parágrafo único, do CPP, a prisão preventiva pode ser 
decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da 
instrução criminal, para assegurar a aplicação da lei penal ou em caso de 
descumprimento das obrigações impostas por força de outras medidas cautelares. 
Garantia da 
ordem pública 
para o STF, a garantia da ordem pública é visualizada pela 
probabilidade do cometimento de novas infrações. Assim, o 
clamor público ou a comoção social, por si só, não justificam a 
prisão preventiva (Info 913). Contudo, de acordo com Nucci, 
extrai-se da jurisprudência o seguinte conjunto de causas viáveis 
para autorizar a prisão preventiva com base na garantia da ordem 
pública: 
i) gravidade concreta do crime; 
 ii) envolvimento com o crime organizado; 
ii) reincidência ou maus antecedentes do agente e 
periculosidade; 
iv) particular e anormal modo de execução do delito; 
v) repercussão efetiva em sociedade, gerando real 
clamor público. Ainda segundo Nucci, o ideal é a associação de, 
pelo menos, dois desses fatores. 
 
 Garantia da 
ordem 
econômica 
prevalece que a ordem econômica é uma espécie do gênero 
ordem pública, que estaria relacionada com os crimes previstos 
nas Leis 1.521/51 (Crimes Contra a Economia Popular), 7.492/86 
(Crimes Contra o SFN), 8.078/90 (CDC), 8.137/90 (Crimes Contra 
a Ordem Tributária, Econômica e Relações de Consumo), 
8.176/91 (Crimes Contra a Ordem Econômica), 9.279/96 (Crimes 
 
 
90 
Contra a Propriedade Industrial) e 9.613/98 (Lavagem de 
Dinheiro). 
Conveniência da 
instrução 
criminal 
é decretada, por exemplo, quando o agente, em liberdade, 
ameaça testemunhas ou a vítima para que prestem depoimento 
favorável a ele em juízo ou quando está forjando ou destruindo 
provas em seu favor. 
 
Garantia da 
futura aplicação 
da lei penal 
baseia-se na existência de indícios de que o acusado está prestes 
a se evadir ou de que já fugiu para furtar-se ao cumprimento da 
pena em caso de condenação. 
 
Descumprimento 
de obrigações 
impostas por 
força de outras 
medidas 
cautelares 
Pacelli afirma que para a decretação da prisão preventiva com 
fundamento no descumprimento de medida cautelar, não se 
exige a presença das hipóteses do art. 313. Assim, não importa se 
o crime é doloso, nem a quantidade da PPL, nem se o agente é 
reincidente em outro crime doloso, nem se o crime é cometido 
mediante violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, 
adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência. 
 
Condições de admissibilidade 
O art. 313 do CPP esclarece que não basta a presença de um dos fundamentos da prisão 
preventiva, só podendo ela ser decretada em determinadas espécies de infração penal 
ou sob certas circunstâncias. Com efeito, referido dispositivo só permite a preventiva: 
1. Nos crimes dolosos punidos com 
pena privativa de liberdade 
MÁXIMA SUPERIOR A 4 ANOS. 
As contravenções penais, os crimes 
culposos e as infrações penais de menor 
potencial ofensivo não admitem a prisão 
preventiva. 
 
2. Se o réu ostentar CONDENAÇÃO 
ANTERIOR DEFINITIVA POR 
OUTRO CRIME DOLOSO no prazo 
de 5 anos da reincidência. 
 
Vindo a praticar um novo crime doloso, 
antes de passados 5 anos do 
cumprimento ou extinção da pena 
aplicada na primeira infração, mesmo 
que o novo crime seja apenado com PPL 
igual ou inferior a 4 anos, caberá a prisão 
preventiva. 
 
 
91 
 
3. Se o crime envolver VIOLÊNCIA 
DOMÉSTICA OU FAMILIAR 
CONTRA A MULHER, CRIANÇA, 
ADOLESCENTE, IDOSO, ENFERMO 
OU PESSOA COM Deficiência, 
quando houver necessidade de 
garantir a execução de medidas 
protetivas de urgência. 
Apesar de não fazer referência ao 
elemento subjetivo, este crime deve ser 
doloso, pois a prisão preventiva não se 
compatibiliza com os crimes culposos. 
Além disso, não importará a quantidade 
de PPL. 
 
4. Se houver dúvida quanto à 
identificação civil do acusado e 
este se recusar a esclarecê-la 
 
 
ATENÇÃO! Esses requisitos de admissibilidade NÃO SÃO CUMULATIVOS, basta a 
presença de ao menos uma das hipóteses elencadas no art. 313 do CPP. 
 
(C) INCORRETA O Supremo Tribunal Federal decidiu que o rol previsto no inciso III do 
art. 1º da Lei nº 7.960/89 é taxativo. Trata-se de uma escolha legítima do Poder 
Legislativo, que, no exercício de sua competência constitucional, optou por dar 
tratamento mais rigoroso a determinados crimes, considerados mais graves ou 
socialmente relevantes. Essa opção legislativa é compatível com a Constituição Federal. 
Importante destacar que o crime de furto não está incluído nesse rol. 
Art. 1° Caberá prisão temporária: 
(...) 
III - quando houver fundadas razões, de acordo com qualquer 
prova admitida na legislação penal, de autoria ou participação 
do indiciado nos seguintes crimes: 
a) homicídio doloso (art. 121, caput, e seu § 2°); 
b) seqüestro ou cárcere privado (art. 148, caput, e seus §§ 1° e 
2°); 
c) roubo (art. 157, caput, e seus §§ 1°, 2° e 3°); 
d) extorsão (art. 158, caput, e seus §§ 1° e 2°); 
e) extorsão mediante seqüestro (art. 159, caput, e seus §§ 1°, 2° 
e 3°); 
f) estupro (art. 213, caput, e sua combinação com o art. 223, 
caput, e parágrafo único); 
g) atentado violento ao pudor (art. 214, caput, e sua combinação 
com o art. 223, caput, e parágrafo único); (Vide Decreto-Lei 
nº 2.848, de 1940) 
h) rapto violento (art. 219, e sua combinação com o art. 223 
caput, e parágrafo único); 
i) epidemia com resultado de morte (art. 267, § 1°); 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art121
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art148
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art148
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art157
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art158
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art159
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art159
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art213.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art223
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art223
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art214
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art223
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art223
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art223
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art219
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art223
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art223
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art267%C2%A71
 
 
92 
j) envenenamento de água potável ou substância alimentícia ou 
medicinal qualificado pela morte (art. 270, caput, combinado 
com art. 285); 
l) quadrilha ou bando (art. 288), todos do Código Penal; 
m) genocídio (arts. 1°, 2° e 3° da Lei n° 2.889, de 1° de outubro de 
1956), em qualquer de sua formas típicas; 
n) tráfico de drogas (art. 12 da Lei n° 6.368, de 21 de outubro de 
1976); 
o) crimes contra o sistema financeiro (Lei n° 7.492, de 16 de junho 
de 1986). 
p) crimes previstos na Lei de Terrorismo. 
(D) INCORRETA. A assertiva não trouxe informações acerca dos requisitos para a 
propositura do ANPP. 
_____________________________________________________________________________ 
53. Carlos atira em Ian, com animus necandi, mas não consegue atingi-lo. 
Instaurado o inquérito policial, para apurar a tentativa incruenta, sua tramitação vem 
sendo acompanhada por Ian, por meio de advogado contratado para tanto. 
Os autos do inquérito policial encontram-separalisados no Ministério Público por seis 
meses. 
Diante disso, o advogado de Ian: 
(A) pode requerer ao delegado de polícia que indicie Carlos; 
(B) pode requerer ao juiz de garantias que denuncie Carlos; 
(C) pode oferecer denúncia contra Carlos, pois o Ministério Público está inerte; 
(D) pode oferecer queixa contra Carlos, pois o Ministério Público está inerte; 
(E) nada pode fazer, pois o homicídio desafia ação penal pública incondicionada. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
O animus necandi traduz a intenção de matar, elemento que, no caso narrado, configura 
a prática de tentativa de homicídio. Trata-se de crime cuja persecução se dá por meio 
de ação penal pública incondicionada. 
Decorrido o prazo legal sem que o Ministério Público ofereça a denúncia, inicia-se o 
prazo de seis meses para que o ofendido ou seu representante legal proponha a ação 
penal privada subsidiária da pública, por meio da queixa-crime endereçada ao juízo 
criminal competente — hipótese verificada na situação em análise. 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art270
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art285
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art288
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L2889.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L2889.htm#art2
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L2889.htm#art3
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L2889.htm#art3
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6368.htm#art12
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6368.htm#art12
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7492.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7492.htm
 
 
93 
Importante destacar que o descumprimento desse prazo não acarreta a extinção da 
punibilidade, pois se trata de uma decadência imprópria. O efeito dessa omissão 
restringe-se à perda da legitimidade ativa do particular, sem impedir que o Ministério 
Público, enquanto titular da ação penal pública, ofereça a denúncia posteriormente. 
Dessa forma, o prazo de seis meses não limita o exercício da ação penal pelo Estado, 
que mantém seu dever de atuar até o advento da prescrição, configurando-se, nesse 
cenário, uma hipótese de legitimidade concorrente, nos termos do art. 29 do Código de 
Processo Penal. 
 Art. 29. Será admitida ação privada nos crimes de ação pública, 
se esta não for intentada no prazo legal, cabendo ao Ministério 
Público aditar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia 
substitutiva, intervir em todos os termos do processo, fornecer 
elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso 
de negligência do querelante, retomar a ação como parte 
principal. 
Do mesmo modo dispõe o art. 5º inciso LIX da CF. 
_____________________________________________________________________________ 
54. Rafael e Leonardo, réus em ações penais distintas, instauradas pela prática do crime 
de estelionato, foram absolvidos por ambas as sentenças. Quanto a Rafael, o 
fundamento da sentença que o absolveu foi a inexistência, nos autos, de provas 
suficientes para sua condenação. Já relativamente a Leonardo, o fundamento foi o fato 
de que o que lhe foi imputado não constitui crime. 
Considerando que ambas as sentenças absolutórias transitaram em julgado, é CORRETO 
afirmar que a absolvição de: 
(A) Rafael e a de Leonardo não impedem a propositura de ação civil por parte dos 
ofendidos; 
(B) Rafael, mas não a de Leonardo, impede a propositura de ação civil por parte do 
ofendido; 
(C) Leonardo, mas não a de Rafael, impede a propositura de ação civil por parte do 
ofendido; 
(D) Leonardo, mas não a de Rafael, impede a propositura de ação civil pelo Ministério 
Público; 
(E) Rafael e a de Leonardo impedem a propositura de ação civil por parte dos ofendidos. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
 
 
94 
No caso apresentado, Rafael e Leonardo foram absolvidos em ações penais distintas. A 
sentença absolutória de Rafael teve como fundamento a ausência de provas suficientes 
para sua condenação. Já a sentença de Leonardo reconheceu que o fato imputado não 
constitui crime. Ambas as decisões transitaram em julgado. 
Nos termos do artigo 66 do Código de Processo Penal, "não obstante a sentença 
absolutória no juízo criminal, a ação civil poderá ser proposta quando não tiver sido, 
categoricamente, reconhecida a inexistência material do fato". Assim, a absolvição de 
Rafael por insuficiência probatória não impede a propositura da ação civil ex delicto, 
uma vez que a sentença não afirmou a inexistência do fato, mas apenas a ausência de 
provas para a responsabilização penal. 
Quanto à sentença de Leonardo, o artigo 67, inciso III, do mesmo diploma legal dispõe 
que "não impedirão igualmente a propositura da ação civil: (...) III - a sentença 
absolutória que decidir que o fato imputado não constitui crime". Dessa forma, ainda 
que o juízo criminal tenha reconhecido a atipicidade da conduta, isso não obsta a 
responsabilização civil pelos danos eventualmente causados, desde que demonstrado o 
ilícito civil, que possui critérios próprios de configuração, distintos do ilícito penal. 
Portanto, tanto no caso de Rafael quanto no de Leonardo, a sentença penal 
absolutória não impede o ajuizamento de ação civil por parte do ofendido, sendo 
possível a responsabilização por eventuais danos causados, desde que preenchidos os 
requisitos da responsabilidade civil. 
_____________________________________________________________________________ 
55. Marcela e Margareth foram indiciadas pela prática dos crimes de tráfico ilícito de 
entorpecentes, de associação para o tráfico e de lavagem de dinheiro, tendo o Ministério 
Público requerido ao juízo o sequestro do veículo de propriedade de Margareth 
apreendido no transporte das drogas ilícitas, bem como de vários relógios e joias 
apreendidos em poder de Marcela, que supostamente constituíam proveitos dos 
referidos crimes. Após decretado o sequestro, ambas as indiciadas requereram a 
liberação dos respectivos bens e a consequente produção de provas acerca de sua 
possível origem lícita. 
Nessa hipótese, é CORRETO afirmar que: 
(A) o juiz poderá, provada a origem lícita dos bens, decidir no sentido de sua liberação, 
seja no caso dos bens de Marcela, seja no caso do veículo de Margareth; 
(B) o Ministério Público poderá, provada a origem ilícita dos bens de Marcela, requerer 
a conversão do sequestro decretado em sequestro alargado; 
(C) o juiz poderá, provada a origem lícita dos bens, decidir no sentido da liberação do 
veículo de Margareth, mas não dos bens de Marcela; 
(D) o Ministério Público poderá, provada a origem ilícita do veículo de Margareth, 
requerer a conversão do sequestro decretado em sequestro alargado; 
(E) o juiz poderá, provada a origem lícita dos bens, decidir no sentido da liberação dos 
bens de Marcela, mas não do veículo de Margareth. 
 
 
95 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
Conforme o § 5º do art. 60 da Lei nº 11.343/2006, decretado o sequestro, o acusado 
tem prazo de cinco dias para apresentar provas acerca da origem lícita dos bens, e o § 6º 
dispõe que, comprovada essa origem, o juiz deve liberar os bens, “exceto no caso de 
veículo apreendido em transporte de droga ilícita, cuja destinação observará o disposto 
nos arts. 61 e 62”. 
Logo, só os relógios e joias apreendidos em poder de Marcela podem ser liberados após 
demonstração de origem lícita, permanecendo o veículo de Margareth sujeito às regras 
específicas de perdimento ou utilização previstas nos arts. 61 e 62, não havendo 
liberação automática. 
ATENÇÃO! A banca FGV utiliza deliberadamente o termo “sequestro alargado” com o 
propósito de induzir em erro os candidatos. Na realidade, não existe, no ordenamento 
jurídico, modalidade cautelar ou penalcom essa nomenclatura. O instituto correto, 
previsto no Código Penal, é o confisco alargado (art. 91-A), que integra os efeitos da 
condenação criminal e exige expressa declaração de perdimento na sentença, visando 
neutralizar os lucros do crime e restaurar o patrimônio ao estado anterior à prática 
delitiva. 
O Código Penal distingue três espécies de confisco: 
1. Genérico (art. 91, II); 
2. Por equivalente (art. 91, §§ 1º e 2º); 
3. Alargado (art. 91-A). 
Em contraste, o sequestro é medida cautelar — prevista na Lei de Drogas e no Código 
de Processo Penal — destinada à retenção, ainda em poder de terceiros, de bens 
adquiridos com recursos ilícitos, a fim de impedir sua dissipação durante o processo 
penal e assegurar eventual reparação do dano ou o ressarcimento à vítima. 
Portanto, “sequestro alargado” não passa de artifício da banca; a nomenclatura 
correta é confisco alargado, instituto diverso e autônomo em relação ao sequestro 
cautelar. 
_____________________________________________________________________________ 
56. Paulo, senador, foi preso em flagrante, por policiais militares, haja vista ter cometido 
crime de receptação, pois dirigia veículo com chassi raspado, que sabia ser produto de 
furto. 
Levado à delegacia de polícia, o delegado lavrou o auto de prisão em flagrante e o 
recolheu ao cárcere. 
 
 
96 
Nesse contexto, é CORRETO afirmar que a atitude do delegado foi: 
(A) correta, pois qualquer cidadão, preso em flagrante, deve ser recolhido ao cárcere; 
(B) correta, pois, ao vislumbrar o descabimento de fiança, lhe competia recolher o 
senador ao cárcere; 
(C) incorreta, pois se trata de caso em que o arbitramento de fiança é obrigatório; 
(D) incorreta, pois os policiais militares não poderiam ter efetuado a prisão sem 
mandado; 
(E) incorreta, pois senadores, durante o mandato, só podem ser presos em flagrante por 
crime inafiançável. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
Deputados Federais e Senadores podem ser presos em flagrante apenas por crime 
inafiançável (imunidade prisional ou freedom from arrest). Na dicção constitucional, 
eles não podem sofrer prisões preventiva e temporária. 
As imunidades parlamentares constituem garantias institucionais essenciais ao 
funcionamento do sistema democrático, assegurando a independência e autonomia do 
Poder Legislativo. Baseiam-se no princípio da separação dos poderes e na necessidade 
de proteger o livre exercício do mandato parlamentar, apresentando dupla dimensão 
constitucional que merece análise pormenorizada. 
A primeira dimensão corresponde à imunidade material ou inviolabilidade, prevista no 
caput do artigo 53 da Constituição Federal de 1988, que estabelece proteção absoluta 
aos parlamentares por suas opiniões, palavras e votos. Esta garantia possui natureza de 
causa excludente de ilicitude e caráter permanente, mantendo-se mesmo após o 
término do mandato, visando assegurar a liberdade de expressão e deliberação 
parlamentar sem temor de perseguição posterior. 
A segunda dimensão refere-se à imunidade formal ou processual, disciplinada nos 
parágrafos do mesmo dispositivo constitucional, que estabelece limitações ao processo 
penal e à prisão de parlamentares. Esta prerrogativa possui natureza temporal, vigendo 
durante o mandato, e inclui tanto a prerrogativa de foro quanto restrições específicas 
às medidas constritivas da liberdade. 
Dentre as imunidades formais, destaca-se a imunidade prisional, também 
denominada freedom from arrest, prevista no parágrafo segundo do artigo 53 da 
Constituição Federal. Este dispositivo estabelece que "desde a expedição do diploma, os 
membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime 
inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa 
respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão." 
 
 
97 
O marco temporal da proteção inicia-se com a expedição do diploma, não com a posse, 
estendendo-se até o final do mandato. Esta proteção veda expressamente a prisão 
preventiva, a prisão temporária e, por interpretação sistemática, a prisão civil, 
estabelecendo como única exceção o flagrante de crime inafiançável. 
_____________________________________________________________________________ 
57. João e Ana, que comemoravam bodas de prata, zarparam do porto do Rio de Janeiro, 
rumo à Argentina, no transatlântico Golfinho Dourado. 
Logo na saída, ainda em águas brasileiras, João, que é vereador na cidade do Rio de 
Janeiro, agrediu Ana, violentamente, causando-lhe lesões graves. 
Diante disso, o comandante regressou ao porto, e João foi preso em flagrante. 
Nesse caso, é competente para o julgamento da respectiva ação penal: 
(A) a justiça estadual do Rio de Janeiro; 
(B) a justiça argentina; 
(C) o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, haja vista João ser vereador; 
(D) a justiça federal do Rio de Janeiro; 
(E) a justiça eleitoral do Rio de Janeiro, haja vista João ser vereador. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
Inicialmente, é importante destacar que o art. 109, inciso IX, da Constituição Federal 
estabelece a competência da Justiça Federal para julgar crimes praticados a bordo de 
navios ou aeronaves. Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o termo 
"navio" deve ser interpretado como embarcação de grande porte, com capacidade para 
navegação em águas internacionais. 
No caso em análise, trata-se de um transatlântico — navio de grande porte com aptidão 
para deslocamento em águas internacionais —, o que atrai a competência da Justiça 
Federal para o processamento e julgamento do feito. 
Ademais, conforme o art. 89 do CPP, se o crime for praticado a bordo de embarcação 
nas águas territoriais brasileiras, a competência será da Justiça do primeiro porto 
brasileiro em que tocar a embarcação após o crime, ou seja, Rio de Janeiro, que é o 
local onde o navio retornou após o fato. 
Portanto, a Justiça Federal do Rio de Janeiro é competente. 
ATENÇÃO! A Constituição Federal não confere foro por prerrogativa de função a 
vereadores, o que já foi afirmado expressamente pelo STF, inclusive declarando 
 
 
98 
a inconstitucionalidade de normas estaduais que prevejam tal prerrogativa (ADI 
558/RJ, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 22/04/2021). 
Portanto, João, por ser vereador, não possui foro especial, e a competência não será 
do Tribunal de Justiça, e sim do juízo de primeiro grau, no âmbito da Justiça Federal. 
_____________________________________________________________________________ 
58. Fernando, Luiz, Carlos, Roberto e Paulo foram indiciados pela autoridade policial pelo 
fato de constituírem organização criminosa para a prática de crimes de extorsão, de 
roubo e de tráfico de armas. A autoridade policial representou no sentido da infiltração 
de agentes na organização criminosa, tendo o juiz deferido a medida sem a oitiva prévia 
do Ministério Público. Após realizada a diligência, a autoridade policial realizou ação 
controlada consistente no retardamento da intervenção policial com vistas à 
concretização da diligência de apreensão de armas no momento mais eficaz para a 
obtenção de elementos de prova, não tendo comunicado previamente ao juiz nem ao 
Ministério Público. 
Diante desse contexto, é CORRETO afirmar que: 
(A) a ação controlada deve ser previamente comunicada ao Ministério Público, e este, se 
for o caso, estabelecerá seus limites e comunicará ao juiz; 
(B) a decretação, pelo juiz, da infiltração de agentes, no caso de representação do 
delegado de polícia, dispensa a oitiva prévia do Ministério Público; 
(C) a ação controlada deve ser previamente comunicada ao juiz, e este, se for o caso, 
estabelecerá seus limites e comunicará ao Ministério Público; 
(D) a ação controlada e a infiltração de agentes, na hipótese, são válidas e obedeceramespecífica, no caso, a sociedade B. 
A aplicação deste dispositivo legal representa um equilíbrio entre a segurança jurídica 
proporcionada pela solidariedade e a justiça na atribuição de responsabilidade, evitando 
que um devedor não culpado seja obrigado a arcar com prejuízos causados 
exclusivamente por outro. 
Assim, a Indústria X somente poderá exigir a indenização por perdas e danos, 
especialmente os lucros cessantes pelo aumento de produtividade que não ocorreu, da 
sociedade B, que foi a única responsável pelo inadimplemento, conforme determina 
expressamente o artigo 279 do Código Civil. 
(C) INCORRETA. Vide comentários alternativa B. 
(D) INCORRETA. Vide comentários alternativa B. 
(E) INCORRETA. Vide comentários alternativa B. 
_____________________________________________________________________________ 
 
 
11 
3. Manuela era locadora de um imóvel na cidade de Araguaína, pelo qual percebia a 
quantia de R$ 4.000,00. O locatário, no entanto, não havia pagado o aluguel que venceu 
em fevereiro de 2024. Ocorre que Manuela faleceu em maio de 2024, sem propor a ação 
de cobrança, e deixou como único herdeiro Davi, seu filho que completara 12 anos no 
dia da morte da mãe. 
Considerando-se o prazo de três anos para o exercício da pretensão relativa a aluguéis 
de prédios urbanos ou rústicos, Davi pode cobrar o aluguel até: 
(A) fevereiro de 2027; 
(B) maio de 2027; 
(C) fevereiro de 2031; 
(D) maio de 2031; 
(E) fevereiro de 2033. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Vide comentários alternativa C. 
(B) INCORRETA. Vide comentários alternativa C. 
(C) CORRETA. De acordo com o Código Civil, a pretensão para cobrança de aluguéis de 
prédios urbanos ou rústicos prescreve em 3 anos (art. 206, §3º, I, CC). O prazo 
prescricional começa a correr da data em que a obrigação se tornou exigível, ou seja, 
fevereiro de 2024, quando o aluguel não foi pago. 
No entanto, o art. 198, I, do Código Civil estabelece que a prescrição não corre contra 
os absolutamente incapazes. Como Davi tinha 12 anos de idade quando herdou o direito 
à cobrança (maio de 2024), ele é considerado absolutamente incapaz perante a lei civil 
(art. 3º, CC), e permanecerá nessa condição até completar 16 anos. 
Quando Davi completar 16 anos, passará a ser relativamente incapaz, condição em que 
a prescrição corre normalmente contra ele. Considerando que ele tinha 12 anos em 
maio de 2024, completará 16 anos em maio de 2028. 
Assim, o prazo prescricional de 3 anos começará a correr somente a partir de maio de 
2028, quando Davi deixar de ser absolutamente incapaz, e se encerrará em maio de 
2031. Entretanto, como o aluguel era devido desde fevereiro de 2024, e mantendo-se a 
referência ao mês original, o prazo final seria fevereiro de 2031. 
Desse modo, a alternativa correta é a (C). 
(D) INCORRETA. Vide comentários alternativa C. 
(E) INCORRETA. Vide comentários alternativa C. 
 
 
12 
_____________________________________________________________________________ 
4. Alan herdou um imóvel no interior do estado que é objeto de significativas disputas 
de terras. Ansioso por se livrar do bem, vendeu-o para Bruna por preço inferior ao seu 
valor de mercado, em troca de fazer constar na venda cláusula de renúncia à garantia 
por evicção. Pouco após a aquisição do bem, Bruna foi desapropriada dele pelo poder 
público, que tinha o projeto de construir uma usina hidrelétrica na região, o que era 
desconhecido por ambos. 
Diante do ocorrido, Bruna: 
(A) nada pode exigir de Alan, pois sabia que a coisa era litigiosa; 
(B) nada pode exigir de Alan, pois é válida a cláusula de renúncia à garantia por evicção; 
(C) pode exigir de Alan a restituição do preço pago, pois, embora válida a renúncia, não 
sabia do risco da desapropriação; 
(D) pode exigir de Alan a restituição do preço pago, além de indenização pelos prejuízos 
resultantes da evicção; 
(E) pode exigir de Alan o valor do imóvel quando se evenceu, além de indenização pelos 
prejuízos resultantes da evicção. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Vide comentários alternativa “C”. 
(B) INCORRETA. Vide comentários alternativa “C”. 
(C) CORRETA. A questão trata de um caso de evicção, que ocorre quando o adquirente 
de um bem perde a sua posse ou propriedade em virtude de decisão judicial que 
reconhece que o alienante não era seu legítimo proprietário ou não podia dispor dele. 
No caso em análise, a evicção ocorreu em razão de desapropriação pelo poder público. 
O Código Civil, em seu art. 448, permite que as partes, por cláusula expressa, reforcem, 
diminuam ou excluam a responsabilidade pela evicção. Portanto, a cláusula de renúncia 
à garantia por evicção é, em princípio, válida. 
No entanto, o art. 449 do mesmo Código estabelece uma importante exceção: "Não 
obstante a cláusula que exclui a garantia contra a evicção, se esta se der, tem direito o 
evicto a receber o preço que pagou pela coisa evicta, se não soube do risco da evicção, 
ou, dele informado, não o assumiu." 
No caso apresentado, Bruna não sabia do risco específico da desapropriação pelo poder 
público para construção de usina hidrelétrica. Embora soubesse que havia disputas de 
terras (por isso o preço reduzido e a cláusula de renúncia), o risco concreto que gerou a 
evicção era desconhecido por ambas as partes. 
 
 
13 
Deste modo, aplica-se a proteção legal mínima do art. 449 do CC, que permite a Bruna 
exigir a restituição do preço pago, mesmo havendo cláusula de renúncia à garantia por 
evicção, já que ela não tinha conhecimento específico do risco de desapropriação. 
(D) INCORRETA. Vide comentários alternativa “C”. 
(E) INCORRETA. Vide comentários alternativa “C”. 
_____________________________________________________________________________ 
5. Quando sua mãe faleceu, Regiane herdou as roupas que pertenciam a ela. Contratou 
então um brechó em frente à sua casa para que elas fossem vendidas. De imediato, fez 
a entrega das vestimentas, estabelecendo prazo, findo o qual o brechó ou devolveria as 
roupas, ou pagaria a Regiane o preço estimado entre as partes, na modalidade de “venda 
sob consignação” (contrato estimatório). 
Sobre o contrato, é CORRETO afirmar que: 
(A) durante o prazo contratual, Regiane pode vender as roupas a terceiro, contanto que 
o brechó ainda não as tenha vendido e ela dê a este aviso prévio; 
(B) se as roupas vierem a se perder em um incêndio, por fato não imputável ao brechó, 
fica este liberado de pagar a Regiane o preço estimado; 
(C) mesmo que não venda as roupas, pode o brechó escolher pagar a Regiane o preço 
estimado ao final do prazo, para permanecer com as roupas; 
(D) o brechó não pode vender as roupas por preço superior àquele que se comprometeu 
a pagar a Regiane no contrato firmado entre as partes; 
(E) o brechó recebe a propriedade das roupas para poder vendê-las, de modo que há o 
risco de elas serem penhoradas por credores do brechó. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Vide comentários alternativa “C”. 
(B) INCORRETA. Vide comentários alternativa “C”. 
(C) CORRETA. O contrato estimatório ou de consignação, disciplinado nos artigos 534 a 
537 do Código Civil brasileiro, constitui negócio jurídico pelo qual uma pessoa 
(consignante) entrega bens móveis a outra (consignatário), transferindo-lhe poderes 
para vendê-los e facultando-lhe a alternativa de restituí-los ou pagar o preço ajustado 
ao final do prazo convencionado. 
No caso em análise, Regiane (consignante) entregou as roupas herdadas de sua mãe ao 
brechó (consignatário), estabelecendo um prazo determinado. Ao término deste 
período, o brechó dispõe de duas opções legítimas: devolver as vestimentas não 
comercializadas ou, independentemente de tê-las vendido ou não, pagar a Regiane oàs disposições legais que regem a matéria; 
(E) a infiltração de agentes, na hipótese, obedeceu às disposições legais que regem a 
matéria, o que não ocorreu no caso da ação controlada. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. A ação controlada consiste no retardamento da intervenção policial ou 
administrativa relacionada a atos praticados por organização criminosa ou a ela 
vinculada, desde que tais atos permaneçam sob observação e acompanhamento, a fim 
de que a medida ocorra no momento mais eficaz para a colheita de provas e obtenção 
de informações. 
Contudo, nos termos do art. 8º, § 1º, da Lei nº 12.850/2013, o retardamento da 
intervenção deverá ser previamente comunicado ao juiz competente, o qual poderá 
fixar os limites da medida e comunicará o Ministério Público. Assim, a questão está 
incorreta ao afirmar que é o Ministério Público quem deve ser comunicado previamente 
ao juiz, quando, na realidade, ocorre o inverso. 
 
 
99 
ATENÇÃO! 
Se a ação controlada envolver crimes: 
DA LEI DE DROGAS 
OU DE LAVAGEM DE 
DINHEIRO 
Será necessária prévia autorização judicial 
PRATICADOS POR 
ORGANIZAÇÃO 
CRIMINOSA 
Neste caso será necessário apenas que a autoridade (policial 
ou administrativa) COMUNIQUE o juiz que irá realização ação 
controlada 
 
(B) INCORRETA. A infiltração de agentes é um meio de obtenção de prova. Trata-se de 
uma técnica especial de investigação na qual um policial, ocultando sua verdadeira 
identidade, se infiltra como integrante de uma organização criminosa. Essa prática 
permite a obtenção de informações relevantes sobre os crimes cometidos, a 
identificação dos membros do grupo, suas formas de atuação, locais de operação, bens 
adquiridos ilegalmente e outras provas essenciais para o desmantelamento da 
organização e sua utilização em processos penais. 
A doutrina identifica três características fundamentais da infiltração de agentes: 
• Dissimulação: Ocultação da identidade oficial e das intenções reais do agente. 
• Engano: Construção de uma encenação para ganhar a confiança dos suspeitos. 
• Interação: Relação direta e pessoal entre o agente infiltrado e os potenciais 
autores dos crimes. 
Conforme o art. 10 da Lei nº 12.850/2013, depende de autorização judicial prévia, que 
deve ser circunstanciada, motivada e sigilosa, estabelecendo os limites da atuação. 
Nos termos do § 1º do referido artigo, quando a representação for feita pelo delegado 
de polícia, o juiz, antes de decidir, deverá ouvir o Ministério Público. Logo, não se pode 
considerar válida a infiltração de agentes quando não observada essa exigência legal. 
Essa técnica está prevista em diversos diplomas normativos e pode ser aplicada não 
apenas a crimes definidos na Lei de Organização Criminosa, mas também a outras 
infrações previstas em legislações específicas, tais como: 
• Art. 53, I, da Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas); 
• Arts. 190-A a 190-E do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), inseridos 
pela Lei nº 13.441/2017; 
• Art. 1º, § 6º, da Lei nº 9.613/98 (Lei de Lavagem de Dinheiro), incluído pela Lei 
nº 13.964/2019. 
 
 
100 
INFILTRAÇÃO DE AGENTES NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA 
Lei de Drogas 
(art. 53, I) 
Lei do Crime 
Organizado 
(arts. 10 a 14) 
ECA 
(arts. 190-A a 190-
E) 
Lei de Lavagem de 
Dinheiro (art. 1º, 
§ 6º) 
Principais 
características: 
• Não prevê prazo 
máximo. 
• Não disciplina 
procedimento a 
ser adotado. 
Principais 
características: 
• Prazo de 6 meses, 
podendo ser 
sucessivamente 
prorrogada. 
• Só poderá ser 
adotada se a prova 
não puder ser 
produzida por 
outros meios 
disponíveis. 
Principais 
características: 
• Prazo de 90 dias, 
sendo permitidas 
renovações, mas o 
prazo total da 
infiltração não 
poderá exceder 
720 dias. 
• Só poderá ser 
adotada se a prova 
não puder ser 
produzida por 
outros meios 
disponíveis. 
• A infiltração de 
agentes ocorre 
apenas na internet. 
A Lei nº 
13.964/2019 
inseriu dispositivo 
na Lei de Lavagem 
prevendo o 
seguinte: 
Art. 1º (...) 
§ 6º Para a 
apuração do crime 
de que trata este 
artigo, admite-se a 
utilização da ação 
controlada e da 
infiltração de 
agentes. 
 
(C) CORRETA. Nos termos do art. 8º da Lei nº 12.850/2013, a ação controlada consiste 
no retardamento da atuação estatal sobre conduta praticada por organização criminosa 
ou a ela vinculada, devendo ser mantida sob vigilância e acompanhamento. O § 1º do 
mesmo dispositivo exige que o juiz seja previamente comunicado, cabendo-lhe, se 
necessário, estabelecer os limites da medida e, então, comunicar o Ministério Público. 
Portanto, a assertiva está correta ao descrever a forma legal de implementação da ação 
controlada. 
(D) INCORRETA. A assertiva está incorreta por dois fundamentos: em primeiro lugar, 
porque a ação controlada, nos termos da Lei nº 12.850/2013, exige comunicação prévia 
ao juiz competente, o que não ocorreu na hipótese apresentada; em segundo lugar, 
porque a infiltração de agentes pressupõe autorização judicial prévia, motivada e 
sigilosa, sendo obrigatória, quando houver representação do delegado de polícia, a 
oitiva do Ministério Público antes da decisão judicial, conforme dispõe o art. 10, § 1º, da 
referida norma. 
(E) INCORRETA. Pelos fundamentos já expostos nas assertivas anteriores, a alternativa 
está equivocada. 
 
 
101 
Infiltração de 
Agentes 
EXIGE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PRÉVIA, motivada e sigilosa. No caso 
de representação pelo delegado, o juiz deve ouvir o MINISTÉRIO 
PÚBLICO ANTES da decisão. 
Ação 
Controlada 
Exige APENAS COMUNICAÇÃO PRÉVIA ao juiz competente, que 
poderá estabelecer limites e comunicará o Ministério Público. 
 
OBS: Lei de Drogas ou Lavagem exige autorização judicial prévia. 
 
(E) INCORRETA. Vide comentários anteriores. 
_____________________________________________________________________________ 
59. Em processo no Juizado Especial Criminal por crime de lesão corporal leve, o 
ofendido e o autor do fato chegaram à composição civil dos danos. Contudo, o Ministério 
Público opinou pela não homologação do acordo por entendê-lo inadequado à hipótese 
e ofertou transação penal ao autor do fato consistente no pagamento de multa e 
prestação de serviços. O juiz, por sua vez, contrariando o parecer do Ministério Público, 
homologou o acordo civil. 
Nessa hipótese, é CORRETO afirmar que o juiz: 
(A) deveria ter rejeitado a homologação do acordo, pois o Ministério Público, como 
titular da ação penal, deve decidir qual a medida adequada; 
(B) poderia ter homologado o acordo civil, a despeito do parecer contrário do Ministério 
Público, e homologado, em seguida, a transação penal; 
(C) deve decretar a extinção do feito com a homologação do acordo civil, pois houve 
renúncia ao direito de representação por parte do ofendido; 
(D) poderia ter homologado o acordo civil, a despeito do parecer contrário do Ministério 
Público, e submetido o autor do fato a período de prova; 
(E) deve prosseguir com o feito, rejeitando a homologação do acordo civil e da transação 
penal, pois ambos não são cabíveis na hipótese. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
Trata-se de hipótese envolvendo crime de lesão corporal leve, cuja natureza jurídica é 
de ação penal pública condicionada à representação. Nos termos da Lei nº 9.099/1995, 
especificamente em seu art. 74, §1º, quando as partes — autor do fato e vítima — 
celebram composição civil dos danos na audiência preliminar, e essa composição 
 
 
102 
é homologada pelo juiz, opera-se automaticamente a renúncia ao direito de 
representação por parte do ofendido, nos casos de ação penal pública condicionada. 
Importa destacar que, nessa fase pré-processual, o Ministério Público ainda não atua 
como parte titular da ação penal, pois esta sequer se iniciou formalmente. A audiência 
preliminar tem como finalidade buscar formas consensuais desolução do conflito, sem 
a intervenção do MP no momento da composição. A atuação ministerial se restringe, 
nessa etapa, a eventual oferta de transação penal, caso não haja composição, e desde 
que a vítima ofereça representação ou se trate de crime de ação penal incondicionada. 
Assim, mesmo havendo parecer contrário do MP à homologação da composição, o 
juiz pode e deve homologar o acordo se ele estiver formalmente em conformidade com 
a lei, já que esse controle é jurisdicional e a composição, uma vez homologada, constitui 
título executivo judicial e gera efeito penal relevante: a extinção da punibilidade. 
Com isso, não há espaço para proposta de transação penal após a homologação da 
composição civil, pois a punibilidade já se encontra extinta em razão da renúncia à 
representação, inviabilizando o prosseguimento do feito. Logo, a atitude correta do juiz 
é extinguir o feito, sendo irrelevante, nesse ponto, o posicionamento do Ministério 
Público quanto à conveniência do acordo, uma vez que a vítima, ao compor civilmente, 
renuncia ao direito de representação e impede o início da persecução penal. 
Dessa forma, à luz da sistemática da Lei dos Juizados e da natureza da ação penal no 
caso concreto, a alternativa correta é a letra C. 
_____________________________________________________________________________ 
DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
60. Em razão de uma grande mobilização da sociedade civil organizada, um grupo de 
parlamentares apresentou projeto de lei, que veio a ser aprovado pela Assembleia 
Legislativa do Estado Alfa, daí resultando a publicação da Lei Estadual nº X. Por meio 
desse diploma normativo, foi declarado o tombamento de determinado imóvel, no qual 
funcionou uma instituição educacional de destacada importância para a coletividade. Na 
justificativa ao projeto, foi informado ter sido requerida, pelos proprietários, autorização 
para demolição do prédio. Irresignados com a declaração de tombamento, os 
proprietários do imóvel ingressaram com ação judicial para que fossem desobrigados de 
observar as limitações administrativas provisórias decorrentes da referida declaração, 
embasando-se na inconstitucionalidade da Lei Estadual nº X. 
O magistrado competente, ao apreciar a questão, observou corretamente que, na 
perspectiva da Constituição Federal de 1988: 
(A) há vício de iniciativa na Lei Estadual nº X, sendo, portanto, inconstitucional; 
(B) a matéria não poderia ser disciplinada por lei, por consubstanciar ato próprio do 
Poder Executivo; logo, a Lei Estadual nº X é inconstitucional; 
 
 
103 
(C) a Lei Estadual nº X somente deve ser considerada constitucional caso haja lei 
complementar federal autorizando a sua edição pelo Estado Alfa; 
(D) a preservação da cultura é matéria de competência comum; logo, o Estado Alfa tem 
competência para legislar sobre a matéria, sendo a Lei Estadual nº X constitucional; 
(E) o tombamento está associado a um interesse local, o que atrai a competência dos 
municípios para dispor sobre a matéria, sendo a Lei Estadual nº X inconstitucional. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
A proteção de bens de valor histórico, artístico e cultural é hipótese de competência 
material entre União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na forma do art. 
23, inciso III, da CF/88: 
Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios: 
(...) 
III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor 
histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens 
naturais notáveis e os sítios arqueológicos; 
O Estado Alfa, portanto, dispõe de competência para legislar sobre a matéria, conforme 
previsão do art. 24, inciso VII, do texto constitucional: 
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal 
legislar concorrentemente sobre: 
(...) 
VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico 
e paisagístico; 
Desse modo, conquanto, em regra, o tombamento seja ultimado mediante ato 
administrativo, não há óbice a que seja levado a efeito por lei em sentido formal, sendo 
certo que, no caso apresentado, o Estado Alfa tem competência para legislar sobre a 
matéria, sendo a Lei Estadual nº X constitucional. 
_____________________________________________________________________________ 
61. A Comissão Mista Permanente do Congresso Nacional (CMPCN), competente para 
examinar e emitir parecer sobre os projetos afetos às normas orçamentárias, durante as 
pesquisas promovidas com o objetivo de analisar o projeto de lei orçamentária anual 
para o próximo exercício financeiro, constatou que no presente exercício estariam sendo 
realizadas, por determinado órgão governamental, despesas não autorizadas pela lei 
orçamentária vigente, o que estaria ocorrendo sob a forma de investimentos não 
programados. 
 
 
104 
À luz da sistemática constitucional vigente, é CORRETO afirmar que a referida CMPCN 
deve: 
(A) solicitar os esclarecimentos necessários e, caso não prestados ou considerados 
insuficientes, decidir pela sustação do ato; 
(B) encaminhar as informações à comissão competente, no âmbito do Congresso 
Nacional, para fiscalizar a execução orçamentária; 
(C) remeter as informações obtidas ao Tribunal de Contas da União, que decidirá sobre 
sua juridicidade e eventual sustação do ato; 
(D) submeter a matéria ao plenário do Congresso Nacional, que decidirá pela 
juridicidade, ou não, do ato, após solicitar os esclarecimentos necessários; 
(E) solicitar os esclarecimentos necessários e, caso não prestados ou considerados 
insuficientes, solicitar pronunciamento conclusivo ao Tribunal de Contas da União. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
A resposta é extraída dos arts. 72 e 166, §1º, da CF/88: 
Art. 72. A Comissão mista permanente a que se refere o art. 166, 
§1º, diante de indícios de despesas não autorizadas, ainda que 
sob a forma de investimentos não programados ou de subsídios 
não aprovados, poderá solicitar à autoridade governamental 
responsável que, no prazo de cinco dias, preste os 
esclarecimentos necessários. 
§ 1º Não prestados os esclarecimentos, ou considerados estes 
insuficientes, a Comissão solicitará ao Tribunal 
pronunciamento conclusivo sobre a matéria, no prazo de trinta 
dias. 
§ 2º Entendendo o Tribunal irregular a despesa, a Comissão, se 
julgar que o gasto possa causar dano irreparável ou grave lesão 
à economia pública, proporá ao Congresso Nacional sua 
sustação. 
Art. 166. Os projetos de lei relativos ao plano plurianual, às 
diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual e aos créditos 
adicionais serão apreciados pelas duas Casas do Congresso 
Nacional, na forma do regimento comum. 
§ 1º Caberá a uma Comissão mista permanente de Senadores e 
Deputados: 
I - examinar e emitir parecer sobre os projetos referidos neste 
artigo e sobre as contas apresentadas anualmente pelo 
Presidente da República; 
 
 
105 
II - examinar e emitir parecer sobre os planos e programas 
nacionais, regionais e setoriais previstos nesta Constituição e 
exercer o acompanhamento e a fiscalização orçamentária, sem 
prejuízo da atuação das demais comissões do Congresso 
Nacional e de suas Casas, criadas de acordo com o art. 58. 
No caso apresentado, portanto, a CMPCN deve solicitar os esclarecimentos necessários 
e, caso não prestados ou considerados insuficientes, solicitar pronunciamento 
conclusivo ao Tribunal de Contas da União. 
_____________________________________________________________________________ 
62. O presidente da República editou a Medida Provisória nº X (MPX), que dispõe sobre 
requisitos a serem observados na celebração do contrato de alienação fiduciária em 
garantia, considerando os impactos econômicos que esses ajustes estavam acarretando 
no respectivo momento histórico. Decorrido o prazo de 45 dias, contados da publicação 
daMPX, que ocorrera no mês de março do ano ZZ, foi estabelecido regime de urgência 
e determinado o sobrestamento das demais proposições legislativas em tramitação na 
Casa Legislativa em que a medida provisória se encontrava pendente de apreciação, vale 
dizer, na Câmara dos Deputados. As referidas proposições abrangiam todas as espécies 
legislativas elencadas no Art. 59 da Constituição da República. A MPX veio a ser 
aprovada, sem alterações, em ambas as Casas do Congresso Nacional, 120 dias após a 
sua publicação, sendo convertida na Lei nº Y, promulgada pelo presidente da Mesa do 
Congresso Nacional. 
À luz da sistemática constitucional, é CORRETO afirmar que a narrativa: 
(A) não apresenta incorreção; 
(B) somente apresenta incorreção em relação ao objeto da MPX; 
(C) somente apresenta incorreção em relação à promulgação da Lei nº Y; 
(D) somente apresenta incorreção em relação ao momento de decretação do regime de 
urgência; 
(E) somente apresenta incorreção em relação às proposições legislativas que foram 
sobrestadas. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
Entende o Supremo Tribunal Federal que o trancamento da pauta por conta de MPs não 
votadas no prazo de 45 dias só alcança projetos de lei que versem sobre temas passíveis 
de serem tratados por MP (MS 27931, Relator(a): CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, 
julgado em 29/06/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-172 DIVULG 07-07-2020 PUBLIC 08-
07-2020). 
 
 
106 
Para a Suprema Corte, “o regime de urgência previsto no art. 62, § 6º, da Constituição 
da República – que impõe o sobrestamento das deliberações legislativas das Casas do 
Congresso Nacional – incide, tão-somente, sobre aquelas matérias que se mostram 
passíveis de regramento por medida provisória, excluídos, em consequência, do 
bloqueio procedimental imposto por mencionado preceito constitucional as propostas 
de emenda à Constituição e os projetos de lei complementar, de decreto legislativo, de 
resolução e, até mesmo, tratando-se de projetos de lei ordinária, aqueles que veiculem 
temas pré-excluídos do âmbito de incidência das medidas provisórias (CF, art. 62, § 1º, I, 
II e IV). – Essa fórmula interpretativa constitui reação legítima ao inadmissível controle 
hegemônico, pelo Presidente da República, do poder de agenda do Congresso Nacional, 
pois tem a virtude de devolver às Casas legislativas esse mesmo poder de agenda, que 
traduz prerrogativa institucional das mais relevantes, capaz de permitir à instituição 
parlamentar – livre da indevida ingerência de práticas de cesarismo governamental pelo 
Chefe do Executivo (representadas pelo exercício compulsivo da edição de medidas 
provisórias) – o poder de selecionar e de apreciar, de modo inteiramente autônomo, as 
matérias que considere revestidas de importância política, social, cultural, econômica e 
jurídica para a vida do País, o que ensejará – na visão e na perspectiva do Poder 
Legislativo (e não na vontade unilateral do Presidente da República) – a formulação e a 
concretização, pelo Parlamento, de uma pauta temática própria.” 
Desse modo, a narrativa apenas apresenta incorreção em relação às proposições 
legislativas que foram sobrestadas, uma vez que o trancamento da pauta por conta de 
MPs não votadas no prazo de 45 dias só alcança projetos de lei que versem sobre temas 
passíveis de serem tratados por MP. 
_____________________________________________________________________________ 
63. Após ampla mobilização de diversos correligionários do Partido Político Alfa, foi 
elaborada proposta de alteração do seu estatuto, que passaria a dispor que os órgãos 
provisórios poderiam viger por até oito anos, bem como que a duração dos mandatos 
dos dirigentes de Alfa se estenderia por período equivalente a três legislaturas. A 
proposta, no entanto, foi duramente criticada por outras forças políticas do partido 
político, que a consideravam incompatível com a ordem jurídica. 
À luz da sistemática vigente, é CORRETO afirmar, em relação à compatibilidade da 
proposta com a ordem jurídica, que ela é: 
(A) compatível apenas em relação à disciplina dos mandatos dos dirigentes; 
(B) compatível apenas em relação à disciplina dos órgãos provisórios; 
(C) incompatível, considerando a extensão dos lapsos temporais que pretende fixar; 
(D) incompatível, pois os lapsos temporais que pretende disciplinar estão detalhados em 
lei; 
(E) compatível, pois Alfa tem autonomia para editar o seu estatuto e disciplinar o 
funcionamento dos seus órgãos. 
_______________________________________________________________________ 
 
 
107 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. O STF decidiu que os partidos políticos devem realizar eleições 
periódicas para os mandatos de seus dirigentes em prazos razoáveis, observando a 
alternância de poder e evitando a perpetuação dos mandatos. Três legislaturas seriam 
aproximadamente 12 anos, contrariando este entendimento, portanto (Ac.-STF, de 
8.8.2022, na ADI nº 6230). 
Lei 9.096/95 
Art. 3º, § 2º É assegurada aos partidos políticos autonomia para 
definir o prazo de duração dos mandatos dos membros dos seus 
órgãos partidários permanentes ou provisórios. 
Ac.-STF, de 8/8/2022, na ADI n. 6230: interpretação conforme a CF/1988 dada a este 
parágrafo para assentar que os partidos políticos têm autonomia para estabelecer a 
duração dos mandatos de seus dirigentes, mas devem assegurar a alternância de poder 
por meio de eleições periódicas. 
(B) INCORRETA. Com relação aos órgãos provisórios, o STF declarou a 
inconstitucionalidade do § 3º do art. 3º da Lei dos Partidos Políticos que permitia prazo 
de vigência dos órgãos provisórios de até 8 anos, com efeitos a partir de janeiro de 2023 
(Ac.-STF, de 8.8.2022, na ADI nº 6230). 
(C) CORRETA. Conforme mencionado nas alternativas acima, ambos os prazos (8 anos 
para órgãos provisórios e três legislaturas para mandatos) são excessivos e incompatíveis 
com os princípios constitucionais da alternância de poder e da natureza provisória dos 
órgãos. 
(D) INCORRETA. Os prazos não estão detalhados em lei, haja vista a declaração de 
inconstitucionalidade do art. 3º, §3º da Lei dos Partidos Políticos. No entanto, devem 
pautar-se nos princípios constitucionais, consoante já mencionado. 
(E) INCORRETA. Embora os partidos tenham autonomia, esta deve observar os limites 
constitucionais e a jurisprudência. 
Ac.-TSE, de 20.2.2018, no RPP nº 141796: caráter não absoluto da autonomia dos 
partidos para estabelecer a duração dos seus órgãos provisórios (art. 17, § 1º, da 
CF/1988), devendo resguardar o regime democrático previsto no caput daquele artigo. 
_____________________________________________________________________________ 
64. O Estado Alfa, com base em uma análise econômica do direito, editou a Lei Estadual 
nº Z, dispondo que os débitos tributários inscritos em dívida ativa estadual ou municipal, 
de valor inferior a X (valor correspondente a menos de 30% do salário mínimo nacional), 
não deveriam ser cobrados com o ajuizamento de execução fiscal, mas, sim, por meios 
administrativos, incluindo o possível protesto. Em sede de embargos à execução, um 
 
 
108 
devedor do imposto sobre a propriedade territorial e predial urbana invocou o disposto 
na Lei Estadual nº Z, requerendo a extinção da execução fiscal ajuizada pelo Município 
Beta em razão da falta de interesse de agir. Já o Município Beta sustentou que a Lei 
Estadual nº Z seria inconstitucional. 
O magistrado competente, ao analisar a causa, observou corretamente que a Lei 
Estadual nº Z é: 
(A) constitucional, caso a União, por meio de lei complementar, tenha autorizado a sua 
edição; 
(B) constitucional, pois os estados possuem competência para legislar sobre 
procedimentos; 
(C) inconstitucional, pois os estados não possuem competência para legislar sobre 
direito financeiro; 
(D) inconstitucional, pois afronta a competência do MunicípioBeta para instituir o 
tributo e eventuais desonerações; 
(E) constitucional, pois os estados possuem competência para suplementar a legislação 
federal em matéria de direito financeiro. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
Conforme entendimento do STF em repercussão geral (Tema 109), “lei estadual 
autorizadora da não inscrição em dívida ativa e do não ajuizamento de débitos de 
pequeno valor é insuscetível de aplicação a Município e, consequentemente, não serve 
de fundamento para a extinção das execuções fiscais que promova, sob pena de violação 
à sua competência tributária. 
Embora seja de competência legislativa concorrente da União, aos Estados e ao Distrito 
Federal tratar sobre direito tributário e financeiro, entende o STF que há afronta ao pacto 
federativo e à competência tributária municipal se lei estadual autorizativa de não 
inscrição em dívida ativa e do não ajuizamento de débitos de pequeno valor for imposta 
a Município. 
_____________________________________________________________________________ 
65. Em ação ajuizada em face de ente federativo subnacional, o demandante alicerçou 
sua pretensão em preceito constitucional que abrigava direito fundamental de primeira 
dimensão, sustentando que a essencialidade desses direitos lhes conferia uma posição 
de preeminência no sistema, de modo que os seus efeitos jurídicos não poderiam ser 
afastados ou amenizados pela necessidade de proteção de outros bens e valores 
constitucionais. O ente demandado, por sua vez, sustentou que nenhum preceito 
constitucional pode ser interpretado de forma dissociada da situação concreta e da base 
de valores que lhe dá sustentação, as quais podem afastar o alicerce semiótico utilizado 
 
 
109 
no início do processo de interpretação, de modo que o intérprete delineie a norma que 
realize a justiça na situação sub judice. 
Ao proferir sua sentença, o magistrado observou corretamente que os argumentos do: 
(A) demandado são refratários à tópica pura; 
(B) demandado se ajustam às concepções originalistas; 
(C) demandado são compatíveis com o realismo jurídico; 
(D) demandante se ajustam à teoria externa dos direitos fundamentais; 
(E) demandante se harmonizam com a concepção de que os direitos fundamentais 
apresentam um conteúdo prima facie. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
O realismo jurídico consiste em uma relevante corrente de pensamento na filosofia do 
direito que realça que a aplicação e a interpretação do direito dependem de fatores 
práticos e sociais, cabendo aos juízes aplicar a norma jurídica a partir da interpretação e 
da análise do caso concreto. 
No caso apresentado, o ente demandado advogou a tese de que que nenhum preceito 
constitucional pode ser interpretado de forma dissociada da situação concreta e da base 
de valores que lhe dá sustentação, em consonância com o realismo jurídico, sendo 
correta, portanto, a alternativa C. 
_____________________________________________________________________________ 
66. João está inelegível para concorrer a um mandato eletivo em todos os níveis 
federativos, o que decorreu de sua condenação judicial pela prática de ato de 
improbidade administrativa. 
À luz dessas informações e da sistemática estabelecida na Lei Complementar nº 
64/1990, é necessário que: 
(A) a decisão que condenou João tenha transitado em julgado; 
(B) uma das sanções aplicadas a João tenha sido a perda da função pública; 
(C) a sanção de suspensão dos direitos políticos tenha sido aplicada a João; 
(D) ao menos dois órgãos jurisdicionais colegiados tenham decidido pela condenação de 
João; 
(E) o ato de improbidade administrativa praticado por João tenha importado em 
enriquecimento ilícito ou em dano ao patrimônio público. 
_______________________________________________________________________ 
 
 
110 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
A Lei Complementar nº 64/1990, em seu artigo 1º, inciso I, alínea "l", estabelece que são 
inelegíveis: 
"Os que forem condenados à suspensão dos direitos políticos, em decisão transitada em 
julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, por ato de improbidade administrativa 
que importe lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito, desde a condenação 
ou o trânsito em julgado até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento 
da pena." 
Ac.-TSE, de 21/2/2017, no REspe n. 10049: requisitos de incidência desta alínea: a) 
condenação por ato de improbidade administrativa que importe, simultaneamente, 
lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito; b) presença de dolo; c) decisão 
definitiva ou proferida por órgão judicial colegiado; e d) sanção de suspensão dos 
direitos políticos. 
(A) INCORRETA. A lei não exige necessariamente o trânsito em julgado. A inelegibilidade 
pode decorrer também de decisão proferida por órgão judicial colegiado. 
(B) INCORRETA. A perda da função pública não é requisito para a inelegibilidade. O que 
importa é a suspensão dos direitos políticos. 
(C) CORRETA. De acordo com a lei e a jurisprudência do TSE, deve necessariamente haver 
sanção de suspensão dos direitos políticos. 
(D) INCORRETA. Não há exigência de que dois órgãos colegiados decidam. Basta uma 
decisão de órgão colegiado ou decisão transitada em julgado. 
(E) INCORRETA. A conjunção “ou” torna a questão errada. De acordo com o TSE: 
Ac.-TSE, de 18.10.2016, no REspe nº 4932 e, de 10.12.2013, no RO nº 67938: a 
condenação por ato doloso de improbidade administrativa deve implicar, 
concomitantemente, lesão ao Erário e enriquecimento ilícito. 
_____________________________________________________________________________ 
67. A Lei Complementar Federal nº X veiculou normas gerais de organização, de 
funcionamento e de responsabilidade na gestão dos regimes próprios de previdência 
social preexistentes à sua edição, tendo ainda cominado sanção para o ente subnacional 
que não as observasse, consistente na vedação de figurar como beneficiário de 
transferências voluntárias de origem federal. Além disso, vedou a instituição de regime 
dessa natureza. 
À luz da sistemática constitucional, é CORRETO afirmar, na perspectiva da competência 
da União, que a Lei Complementar Federal nº X é: 
(A) inconstitucional, por imiscuir-se em matéria afeta a cada ente subnacional no 
exercício de sua autonomia política; 
 
 
111 
(B) apenas parcialmente inconstitucional, ao cominar sanções para a inobservância das 
normas gerais que veicula, o que afronta o pacto federativo; 
(C) apenas parcialmente inconstitucional, ao vedar que o ente subnacional venha a 
instituir o regime próprio, em afronta à sua autonomia política; 
(D) constitucional, pois a criação de regimes próprios decorre de permissivo contido em 
lei complementar da União, sendo-lhe permitido estabelecer regras e cominar sanções, 
ou mesmo vedar a sua instituição; 
(E) constitucional, pois a União tem competência legislativa para a edição das normas 
gerais e para fiscalizar os regimes próprios, além de a vedação à instituição de novos 
regimes dessa natureza decorrer da própria ordem constitucional. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
O STF, sob a sistemática da repercussão geral (Tema 968), sedimentou as seguintes teses 
jurídicas vinculantes: 
“1. É constitucional a previsão, em lei federal, de medidas sancionatórias ao ente 
federativo que descumprir os critérios e exigências aplicáveis aos regimes próprios de 
previdência social. 
2. Admite-se o controle judicial das exigências feitas pela União no exercício da 
fiscalização desses regimes. Nesse caso, o ente fiscalizado deverá demonstrar, de forma 
técnica: (i) a inexistência do déficit atuarial apontado; ou, (ii) caso reconheça o 
desequilíbrio, a impertinência das medidas impostas pela União e a existência de plano 
alternativocapaz de assegurar, de maneira equivalente, a sustentabilidade do regime.” 
Tal previsão em lei federal encontra consonância com o texto constitucional, por se tratar 
de normas gerais em matéria de previdência social, na forma do artigo 24, inciso XII, §§ 
1º e 2º, da CF/88. 
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal 
legislar concorrentemente sobre: 
(...) 
XII - previdência social, proteção e defesa da saúde; 
§ 1º No âmbito da legislação concorrente, a competência da 
União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. 
§ 2º A competência da União para legislar sobre normas gerais 
não exclui a competência suplementar dos Estados. 
O gabarito, portanto, é a letra E. 
_____________________________________________________________________________ 
 
 
112 
68. O Estado Alfa editou a Lei Estadual nº X, que veio a ser objeto de ação direta de 
inconstitucionalidade (ADI) perante o Supremo Tribunal Federal. Após o voto do relator, 
que se inclinou pela declaração de inconstitucionalidade, foi requerida vista do processo 
objetivo. Antes que o processo fosse reinserido em pauta, foi editada a Lei Estadual nº 
Y, que revogou a congênere nº X e passou a disciplinar a matéria. 
À luz da sistemática vigente, é CORRETO afirmar que a ADI, na situação indicada: 
(A) pode vir a ser julgada no mérito; 
(B) deve ser extinta sem apreciação do mérito, salvo se a petição inicial for aditada para 
incluir a Lei Estadual nº Y; 
(C) não pode vir a ser julgada no mérito, salvo se tiver sido deferido provimento cautelar 
suspendendo a sua eficácia; 
(D) deve ser extinta sem apreciação do mérito, não sendo admitido o aditamento da 
petição inicial para incluir a Lei Estadual nº Y; 
(E) pode vir a ser julgada no mérito, desde que haja a manifestação favorável de dois 
terços dos membros do Tribunal em questão de ordem. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
Em regra, se o ato normativo que estava sendo impugnado na ADI for revogado antes do 
julgamento da ação, haverá perda superveniente do objeto e a ADI não deverá ser 
conhecida (STF ADI 1203). 
O STF, contudo, trabalha com algumas exceções: 
Exceção 1: não haverá perda do objeto e a ADI deverá ser conhecida e julgada caso fique 
demonstrado que houve "fraude processual", ou seja, que a norma foi revogada de 
forma proposital a fim de evitar que o STF a declarasse inconstitucional e anulasse os 
efeitos por ela produzidos (STF ADI 3306). 
Exceção 2: não haverá perda do objeto se ficar demonstrado que o conteúdo do ato 
impugnado foi repetido, em sua essência, em outro diploma normativo. Neste caso, 
como não houve desatualização significativa no conteúdo do instituto, não há obstáculo 
para o conhecimento da ação (ADI 2418/DF). 
Exceção 3: caso o STF tenha julgado o mérito da ação sem ter sido comunicado 
previamente que houve a revogação da norma atacada. Nesta hipótese, não será 
possível reconhecer, após o julgamento, a prejudicialidade da ADI já apreciada. STF. 
Plenário. ADI 2418/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 4/5/2016 (Info 824). STF. 
Plenário. ADI 951 ED/SC, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 27/10/2016 (Info 845). 
 
 
113 
Diante das diversas exceções reconhecidas pelo STF e a partir dos fatos narrados no 
enunciado, é possível reputar correta a alternativa A, a qual indica que a ADI pode vir a 
ser julgada no mérito, caso a Suprema Corte entenda que uma das exceções esteja 
presente. 
_____________________________________________________________________________ 
DIREITO ELEITORAL 
 
69. Após regular convenção partidária, Caio foi escolhido como candidato do partido 
Alfa, procedendo-se ao encaminhamento do pedido de seu registro, que foi autuado e 
distribuído pelo processo judicial eletrônico na classe Registro de Candidatura. Anexos 
ao pedido de registro, vieram os documentos que comprovavam a adequação do 
candidato, do partido e da federação ao estatuto jurídico eleitoral, entre esses, certidão 
de quitação eleitoral e certidões criminais. Durante a análise do procedimento, o 
Ministério Público questionou a regularidade das certidões acostadas. 
Considerando a legislação em vigor e o posicionamento do Tribunal Superior Eleitoral, é 
CORRETO afirmar que: 
(A) a emissão de certidão de quitação eleitoral fica impossibilitada caso as contas de 
campanha tenham sido desaprovadas; 
(B) a decisão que julga não prestadas as contas de campanha não impede o candidato 
de obter a certidão de quitação eleitoral; 
(C) multa eleitoral, paga antes do julgamento do pedido de registro, enseja quitação; 
(D) as certidões criminais emitidas sem finalidade eleitoral devem ser aceitas, em 
respeito ao princípio da celeridade; 
(E) o registro será inevitavelmente indeferido caso seja positiva a certidão criminal. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO. 
(A) INCORRETA. 
Lei 9.504/97 
Art. 11, § 7º A certidão de quitação eleitoral 
abrangerá exclusivamente a plenitude do gozo dos direitos 
políticos, o regular exercício do voto, o atendimento a 
convocações da Justiça Eleitoral para auxiliar os trabalhos 
relativos ao pleito, a inexistência de multas aplicadas, em caráter 
 
 
114 
definitivo, pela Justiça Eleitoral e não remitidas, e 
a apresentação de contas de campanha eleitoral. 
De acordo com o TSE, “a apresentação das contas de campanha é suficiente para a 
obtenção da quitação eleitoral, nos termos da nova redação conferida ao art. 11, § 7º, 
da Lei nº 9.504/97, pela Lei nº 12.034/2009” (Súmula 57). 
Assim, a desaprovação das contas de campanha, por si só, não impede automaticamente 
a emissão da certidão de quitação eleitoral. O candidato pode quitar os débitos apurados 
e obter a certidão. A jurisprudência do TSE é pacífica no sentido de que a quitação pode 
ser obtida mesmo após desaprovação, desde que cumpridas as obrigações decorrentes. 
(B) INCORRETA. 
Súmula 42 TSE: 
A decisão que julga não prestadas as contas de campanha impede o candidato de obter 
a certidão de quitação eleitoral durante o curso do mandato ao qual concorreu, 
persistindo esses efeitos, após esse período, até a efetiva apresentação das contas. 
(C) CORRETA. 
Súmula 50 TSE: 
O pagamento da multa eleitoral pelo candidato ou a comprovação do cumprimento 
regular de seu parcelamento após o pedido de registro, mas antes do julgamento 
respectivo, afasta a ausência de quitação eleitoral. 
Resolução TSE 23.609/2019 
Art. 28, § 3º O pagamento da multa eleitoral pela candidata ou 
pelo candidato ou a comprovação do cumprimento regular de 
seu parcelamento após o pedido de registro, mas antes do 
julgamento respectivo, afasta a ausência de quitação eleitoral 
(D) INCORRETA. É necessário que as certidões sejam para fins eleitorais, conforme 
resolução vigente sobre o assunto. 
Resolução TSE 23.609/2019 
Art. 27, III - certidões criminais para fins eleitorais fornecidas (Lei 
nº 9.504/1997, art. 11, § 1º, VII) : 
a) pela Justiça Federal de 1º e 2º graus da circunscrição na qual a 
candidata ou o candidato tenha o seu domicílio eleitoral; 
b) pela Justiça Estadual de 1º e 2º graus da circunscrição na qual 
a candidata ou o candidato tenha o seu domicílio eleitoral; 
c) pelos tribunais competentes, quando as candidatas ou os 
candidatos gozarem de foro por prerrogativa de função; 
(E) INCORRETA. 
Resolução TSE 23.609/2019 
Art. 28, § 6º Quando as certidões criminais eleitorais a que se 
refere o caput forem positivas, o RRC deverá ser instruído com 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9504.htm#art11
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9504.htm#art11
 
 
115 
as respectivas certidões de objeto e pé atualizadas de cada um 
dos processos indicados, bem como das certidões de execuções 
criminais, quando for o caso. 
Isso porque nem toda condenação criminal é capaz de gerar a inelegibilidade,devendo-
se aferir se há trânsito em julgado, se o prazo de inelegibilidade já expirou, 
enquadramento na LC 64/90, dentre outros. 
Assim, não é correto afirmar de forma peremptória que o registro será 
INEVITAVELMENTE indeferido, caso seja positiva a condenação criminal. 
Sugerimos recurso para alteração de gabarito dessa questão, portanto. 
_____________________________________________________________________________ 
70. Tício, vereador, candidato a prefeito no Município X, durante campanha eleitoral, 
afirmou falsamente que Caio, atual prefeito, não candidato à reeleição, teria celebrado 
contratação de pessoa jurídica, no âmbito da educação, com superfaturamento, 
beneficiando indevidamente sociedade empresária. Afirmou, ainda, que Caio teria 
recebido parte do valor superfaturado em retribuição à sua conduta. 
Considerando a doutrina pátria e a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral, é 
CORRETO afirmar que: 
(A) não se configura, na hipótese em apreço, crime de calúnia eleitoral, uma vez que Caio 
não é candidato à reeleição, devendo o fato ser julgado pela justiça comum; 
(B) o crime de calúnia eleitoral poderá ser imputado a Tício ainda que posteriormente 
se demonstre que ele não tinha consciência de que o fato criminoso era inverídico; 
(C) na qualidade de vereador, Tício pode se valer de sua garantia constitucional de 
imunidade parlamentar, não lhe sendo imputável o crime de calúnia eleitoral; 
(D) configurando-se a hipótese de imputação falsa de fato ofensivo à reputação de 
outrem, constata-se a prática de crime de calúnia eleitoral; 
(E) admitida a exceção da verdade, após a instrução, os autos serão remetidos ao juízo 
competente originariamente para o julgamento do prefeito Caio. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Art. 324. Caluniar alguém, na propaganda eleitoral, ou visando 
fins de propaganda, imputando-lhe falsamente fato definido 
como crime: 
Pena – detenção de seis meses a dois anos e pagamento de 10 a 
40 dias-multa. 
 
 
116 
O tipo penal não exige, necessariamente, que a vítima da calúnia seja candidato. A 
competência da Justiça Eleitoral decorre do contexto eleitoral (campanha), não da 
condição de candidato da vítima 
(B) INCORRETA. 
Art. 324. Caluniar alguém, na propaganda eleitoral, ou visando 
fins de propaganda, imputando-lhe falsamente fato definido 
como crime: 
É necessário que haja o dolo de caluniar, que só estará presente com a consciência da 
falsidade. Os requisitos da calúnia eleitoral são os mesmos da calúnia prevista no art. 
138 do Código Penal, mudando apenas a especialidade/finalidade eleitoral. 
(C) INCORRETA. A imunidade parlamentar, prevista nos artigos 29, VIII e 53, CF não se 
aplicam à campanha eleitoral. 
De acordo com o TSE: 
Ac.-TSE, de 2.9.2021, no AgR-REspEl nº 1053: a imunidade parlamentar não alcança os 
fatos relacionados à campanha eleitoral. 
Ac.-TSE, de 15.10.2015, no REspe nº 1063 e, de 7.8.2014, no R-Rp nº 38029: a imunidade 
parlamentar não constitui princípio absoluto ou irrestrito e não pode ser invocada para 
se sobrepor ao evidente exercício abusivo do mandato eletivo nem ser aplicada para 
configurar prática de crime contra a honra no processo eleitoral, a fim de beneficiar ou 
prejudicar determinado candidato. 
(D) INCORRETA. A questão está incompleta, embora presentes os elementos necessários 
à caracterização do crime de calúnia eleitoral – falsidade da imputação, contexto de 
propaganda eleitoral e ofensa à reputação. 
Registre-se que para que a conduta seja caracterizada como calúnia, é necessário que a 
imputação seja de um fato determinado, definido como crime. 
(E) CORRETA. No campo do procedimento, o Código Eleitoral estabelece as regras 
básicas para o processamento dos crimes eleitorais, todos eles de ação pública, nos arts. 
355 a 364. No entanto, não existe nenhuma regra relativa à exceção da verdade. Por 
outro lado, o art. 364 do mesmo Estatuto dispõe que o Código de Processo Penal se 
aplica como lei subsidiária ou supletiva. Vale dizer, pois, que, não existindo no Código 
Eleitoral regra de processamento para a exceção da verdade, deve ela ser buscada no 
CPP. 
Se a exceção da verdade for ADMITIDA, significa que o prefeito Caio, em tese, cometeu 
o crime do qual Tício o acusara, e deverá ser processado por isso. Registre-se que 
Prefeitos possuem prerrogativa de foro e, por isso, Caio não poderá ser julgado pelo juiz 
eleitoral, que deverá remeter os autos à Competência Originária Criminal. 
De acordo com a Constituição Estadual do Tocantins: 
Art. 48. Compete privativamente ao Tribunal de Justiça: 
§ 1º Compete ao Tribunal de Justiça, além de outras atribuições 
previstas nesta Constituição, processar e julgar, originariamente: 
 
 
117 
VI - os Prefeitos Municipais. 
_____________________________________________________________________________ 
BLOCO III 
DIREITO EMPRESARIAL 
 
71. Fátima de Oliveira propôs ação para suspender a realização da assembleia de sócios 
de Armazém Cachoeirinha Ltda. por supostas irregularidades. A autora, sócia minoritária 
titular de quotas representativas de 24,8% do capital, alega que a assembleia foi 
convocada para o dia 22 de março de 2025 e que tal data ultrapassa o limite para a 
realização, considerando que o exercício social coincide com o ano civil. Em acréscimo, 
aponta a autora que a documentação referente à prestação de contas dos 
administradores e aos balanços patrimonial e de resultado econômico somente foram 
disponibilizados no dia 08 de março de 2025. 
Considerando-se a narrativa da sócia e as formalidades preliminares à realização da 
assembleia anual de sócios, é CORRETO afirmar que: 
(A) inexiste qualquer irregularidade, seja na convocação, seja na disponibilização dos 
documentos da administração e dos balanços obrigatórios, pois foi respeitado o prazo 
de antecedência de cinco dias antes da assembleia e a data de sua realização está 
abrangida nos seis meses seguintes ao término do exercício social; 
(B) inexiste qualquer irregularidade, pois não é obrigatória a disponibilização aos sócios 
dos documentos da administração e dos balanços obrigatórios antes da assembleia, e a 
data de sua realização está abrangida nos três meses seguintes ao término do exercício 
social; 
(C) há irregularidade no tocante à disponibilização dos documentos da administração e 
dos balanços obrigatórios em prazo inferior a 30 dias, mas não há irregularidade quanto 
à data de realização da assembleia, por estar abrangida nos quatro meses seguintes ao 
término do exercício social; 
(D) inexiste irregularidade no tocante à disponibilização dos documentos da 
administração e dos balanços obrigatórios em prazo inferior a 30 dias, mas há 
irregularidade quanto à data da realização da assembleia, por não estar abrangida nos 
30 dias seguintes ao término do exercício social; 
(E) há irregularidade tanto em relação à disponibilização dos documentos da 
administração e dos balanços obrigatórios em prazo inferior a 15 dias, quanto em relação 
à data da realização da assembleia, por não estar abrangida nos 60 dias seguintes ao 
término do exercício social. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
 
 
118 
A presente questão exige do candidato conhecimento de aspectos legais atinentes à 
sociedade limitada, nos termos do Código Civil. Com efeito, a questão trata de situação 
hipotética de ação que visa suspender a realização da assembleia anual de sócios por 
supostas irregularidades. A autora da ação, sócia minoritária, apontou a seguintes 
irregularidades: (i) a data da convocação da assembleia e (ii) a data da disponibilização 
da documentação a ser votada. 
O tratamento da questão é feito pelo art. 1.078, caput, inciso I e §1º, do Código Civil: 
Art. 1.078. A assembleia dos sócios deve realizar-se ao menos 
uma vez por ano, nos quatro meses seguintes ao términodo 
exercício social, com o objetivo de: 
I - tomar as contas dos administradores e deliberar sobre o 
balanço patrimonial e o de resultado econômico; 
§ 1 o Até trinta dias antes da data marcada para a assembleia, os 
documentos referidos no inciso I deste artigo devem ser postos, 
por escrito, e com a prova do respectivo recebimento, à 
disposição dos sócios que não exerçam a administração. 
_____________________________________________________________________________ 
72. Em relação ao aval prestado por pessoa física em cédula de crédito rural, é CORRETO 
afirmar que: 
(A) não há nulidade no aval prestado por pessoa física em cédula de crédito rural, seja 
ou não o avalista integrante do quadro societário do emitente; 
(B) é nulo o aval prestado por pessoa física em cédula de crédito rural, exceto quando o 
avalista for sócio da sociedade emitente; 
(C) não há nulidade no aval prestado por pessoa física em cédula de crédito rural, exceto 
se o avalista for sócio da sociedade emitente; 
(D) é nulo o aval prestado por pessoa física em cédula de crédito rural, tal qual ocorre 
em relação à nota promissória rural e duplicata rural; 
(E) não há nulidade no aval prestado por pessoa física em cédula de crédito rural, tal qual 
ocorre em relação à nota promissória rural e duplicata rural. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
A presente questão exige do candidato conhecimentos acerca dos títulos do 
agronegócio, mais especificamente sobre as Cédulas de Produto Rural e a questão do 
aval nestes títulos. Com efeito, a Cédula de Produto Rural se encontra regulamentada 
pela Lei nº 8.929/94 e pelo Decreto-Lei nº 167/67. 
 
 
119 
Com efeito, tanto o art. 10, da Lei nº 8.929/94, quanto o art. 60, do Decreto-Lei nº 
167/67, estabelecem como regência supletiva as normas de Direito Cambial, onde se 
tem regulamentado o aval. O cerne da discussão, porém, vai de encontro ao que prevê, 
o art. 60, §2º, do Decreto-Lei nº 167/67: 
§ 2º É nulo o aval dado em Nota Promissória Rural ou Duplicata 
Rural, salvo quando dado pelas pessoas físicas participantes da 
empresa emitente ou por outras pessoas jurídicas. 
Note que a norma é expressa em estabelecer nulidade ao aval apenas para a Nota 
Promissória Rural e a Duplicata Rural, não abarcando a Cédula de Produto Rural, que por 
sua vez, não encontra limites ou restrições para o aval dado por pessoa física. Este é 
inclusive o entendimento do STJ. Senão vejamos: 
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. 
EMBARGOS À EXECUÇÃO. CÉDULA RURAL PIGNORATÍCIA. 
ALONGAMENTO DA DÍVIDA. REQUISITOS. VERIFICAÇÃO. 
REEXAME DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. 
DECRETO-LEI 167/67, ART. 60, §§ 1º, 2º E 3º. TEOR NORMATIVO 
ESPECÍFICO ÀS CAMBIAIS. GARANTIA DADA POR TERCEIROS EM 
CCR. VALIDADE. AGRAVO DESPROVIDO. 
1. A modificação do entendimento firmado nas instâncias 
ordinárias, quanto à ausência dos requisitos que autorizariam o 
alongamento da dívida rural, demanda, na hipótese dos autos, o 
revolvimento de matéria fático-probatória. 
2. Diversamente da nota promissória rural e da duplicata rural, 
que são emitidas pelo comprador da produção agrícola e 
representam o preço de venda a prazo de bens de natureza 
agrícola, em geral cedidas pelo produtor rural nas operações de 
desconto bancário, a cédula de crédito rural corresponde a 
financiamento obtido para viabilizar a produção agrícola. 
3. "As mudanças no Decreto-lei n.167/67 não tiveram como alvo 
as cédulas de crédito rural. Por isso elas nem sequer foram 
mencionadas nas proposições que culminaram com a aprovação 
da Lei nº 6.754/79, que alterou o Decreto-lei referido. A 
interpretação sistemática do art. 60 do Decreto-lei nº 167/67 
permite inferir que o significado da expressão 'também são nulas 
outras garantias, reais ou pessoais', disposta no seu § 3º, refere-
se diretamente ao § 2º, ou seja, não se dirige às cédulas de 
crédito rural, mas apenas às notas e duplicatas rurais" (REsp 
1.483.853/MS, TERCEIRA TURMA, Rel. Ministro MOURA 
RIBEIRO, julgado em 4/11/2014, DJe de 18/11/2014). 
4. O Decreto-Lei 167/67, em seu art. 60, §§ 2º e 3º, determina a 
nulidade do aval e de outras garantias, reais ou pessoais, 
referindo-se apenas à nota promissória rural e à duplicata rural 
 
 
120 
endossadas, ressalvando a validade das garantias nestes títulos 
quando prestadas por pessoas físicas participantes de sociedade 
empresária emitente, por esta ou por outras pessoas jurídicas. 
5. Tal nulidade, portanto, não atinge a cédula de crédito rural, 
porque esta corresponde a um financiamento bancário, negócio 
jurídico, de natureza contratual, em que há a participação direta 
de instituição de crédito. Trata-se de operação diversa das 
referentes às notas promissórias e duplicatas rurais, nas quais o 
banco não participa da relação jurídica subjacente, ingressando 
na relação cambial apenas durante o ciclo de circulação do título. 
6. Dada a natureza de financiamento bancário, inexiste óbice à 
prestação de quaisquer garantias na cédula de crédito rural, 
sendo válidas mesmo as dadas por terceiro pessoa física, 
cumprindo-se assim a função social dessa espécie contratual. 
7. Agravo interno a que se nega provimento. 
(AgInt no AREsp n. 1.622.258/MG, relator Ministro Raul Araújo, 
Quarta Turma, julgado em 16/5/2022, DJe de 14/6/2022.) 
_____________________________________________________________________________ 
73. Após a decretação de falência da sociedade Cerealista Palmas do Paranã Ltda., o juiz 
instaurou, de ofício, incidente para efeito de habilitação e classificação de créditos de 
direito público constantes da relação de credores apresentada pela falida. 
A Fazenda Pública do Estado do Tocantins apresentou, tempestivamente, a relação de 
créditos inscritos em dívida ativa e não relacionados pela falida. 
Após o fim do prazo para habilitação: 
(A) é expressamente proibido que os créditos não definitivamente constituídos, não 
inscritos em dívida ativa ou com exigibilidade suspensa sejam informados 
posteriormente pela Fazenda Pública; 
(B) o falido, os demais credores e o administrador judicial disporão do prazo de 15 dias 
para manifestar objeções, limitadamente, sobre os cálculos e a classificação; 
(C) os créditos incontroversos e exigíveis serão incluídos no quadro geral de credores, 
observada a sua classificação, após a manifestação do comitê de credores no prazo de 
dez dias; 
(D) a Fazenda Pública, após a manifestação da falida, será intimada para prestar, no prazo 
de 15 dias, eventuais esclarecimentos sobre objeções apresentadas; 
(E) havendo questionamento sobre os cálculos apresentados pela Fazenda Pública para 
apuração do valor atualizado dos créditos, o juiz remeterá as partes ao juízo da execução 
fiscal, a quem cabe decidir sobre tal matéria. 
_______________________________________________________________________ 
 
 
121 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
A presente questão exige do candidato conhecimentos acerca do incidente de 
classificação do crédito público, previsto no art. 7º-A, da Lei nº 11.101/05, inserido pela 
reforma promovida pela Lei nº 14.112/20. 
Responde a presente questão o inciso I, do §3º, do art. 7º-A, da Lei nº 11.101/05: 
§ 3º Encerrado o prazo de que trata o caput deste artigo: 
I - o falido, os demais credores e o administrador judicial disporão 
do prazo de 15 (quinze) dias para manifestar objeções, 
limitadamente, sobre os cálculos e a classificação para os fins 
desta Lei; 
_____________________________________________________________________________ 
74. A legislação falimentar nacional confere legitimidade ativa tanto a qualquer credor 
quanto ao próprio devedor, hipótese conhecida como pedido de autofalência. 
Sobre tal pedido, é CORRETO afirmar que: 
(A) ele somente se aplica ao empresário individual, sendo competente para decretar a 
falência o juiz do lugar em que o devedor se encontre, tratando-se de empresário de 
espetáculos públicos;(B) o devedor deverá requerer sua falência no prazo de 30 dias a partir do vencimento 
de qualquer obrigação líquida; 
(C) os empresários individuais sem registro e as sociedades empresárias sem ato 
constitutivo arquivado na Junta Comercial não podem se valer da autofalência; 
(D) devem ser apresentadas as demonstrações contábeis referentes ao último exercício 
social e as levantadas especialmente para instruir o pedido; 
(E) as sociedades empresárias devem apresentar a relação de seus administradores nos 
últimos cinco anos, com os respectivos endereços, suas funções e participação 
societária. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
A questão exige do candidato conhecimentos acerca do pedido de autofalência que é o 
pedido de falência requerido pelo próprio devedor. Responde a presente questão, o art. 
105, da Lei nº 11.101/05: 
 
 
122 
Art. 105. O devedor em crise econômico-financeira que julgue 
não atender aos requisitos para pleitear sua recuperação judicial 
deverá requerer ao juízo sua falência, expondo as razões da 
impossibilidade de prosseguimento da atividade empresarial, 
acompanhadas dos seguintes documentos: 
I – demonstrações contábeis referentes aos 3 (três) últimos 
exercícios sociais e as levantadas especialmente para instruir o 
pedido, confeccionadas com estrita observância da legislação 
societária aplicável e compostas obrigatoriamente de: 
a) balanço patrimonial; 
b) demonstração de resultados acumulados; 
c) demonstração do resultado desde o último exercício social; 
d) relatório do fluxo de caixa; 
II – relação nominal dos credores, indicando endereço, 
importância, natureza e classificação dos respectivos créditos; 
III – relação dos bens e direitos que compõem o ativo, com a 
respectiva estimativa de valor e documentos comprobatórios de 
propriedade; 
IV – prova da condição de empresário, contrato social ou 
estatuto em vigor ou, se não houver, a indicação de todos os 
sócios, seus endereços e a relação de seus bens pessoais; 
V – os livros obrigatórios e documentos contábeis que lhe forem 
exigidos por lei; 
VI – relação de seus administradores nos últimos 5 (cinco) anos, 
com os respectivos endereços, suas funções e participação 
societária. 
Das alternativas apresentadas na questão, apenas, a letra E está correta. 
_____________________________________________________________________________ 
75. A sociedade Laticínios Colmeia da Natividade Ltda., em recuperação judicial, teve 
deferido o processamento de sua recuperação judicial. O plano de recuperação judicial 
foi apresentado no prazo legal, mas ainda não foi apreciado pela assembleia de credores 
mesmo após o fim do prazo de suspensão da prescrição e das execuções em face da 
devedora. 
Considerando-se tal cenário e as disposições da Lei nº 11.101/2005, é CORRETO afirmar 
que: 
(A) os credores poderão apresentar plano alternativo ao do devedor no prazo de 30 dias, 
contado do final do prazo de suspensão; 
(B) as execuções em face do devedor serão retomadas, mas persistirá a proibição de 
qualquer forma de retenção ou ato de constrição judicial ou extrajudicial sobre os bens 
do devedor; 
(C) o juiz decretará a convolação da recuperação judicial em falência diante da ausência 
de deliberação dos credores sobre o plano de recuperação judicial; 
 
 
123 
(D) o juiz deverá convocar assembleia de credores para deliberar sobre a convolação da 
recuperação judicial em falência, a ser realizada em até 30 dias, contados do final do 
prazo de suspensão; 
(E) o devedor poderá apresentar termo de adesão dos credores, substitutivo da 
deliberação assemblear, no prazo de 15 dias, contado do final do prazo de suspensão. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
A questão retrata situação hipotética de um processo de recuperação judicial, onde foi 
apresentado um plano de recuperação judicial, mas passado o prazo do período de stay 
(art. 6º, §4º), o plano não foi apreciado pela assembleia de credores. Na forma do art. 
6º, §4º-A, I, que estabelece que após tal período, é facultado aos credores apresentarem 
um plano alternativo em até 30 dias, ocasião não qual seria prorrogado um o período de 
stay. 
_____________________________________________________________________________ 
DIREITO TRIBUTÁRIO 
 
76. Determinada lei estadual, editada no mês de agosto de 2024, estabeleceu alíquotas 
menores para o IPVA incidente sobre a propriedade de veículos elétricos, em relação às 
alíquotas do imposto fixadas para os demais veículos, com o objetivo de promover a 
sustentabilidade ambiental. 
À luz da Constituição Federal de 1988 (CF/1988), a aludida lei estadual, em tese, se revela 
materialmente: 
(A) constitucional, pois a CF/1988 autoriza a fixação de alíquotas diferenciadas do IPVA 
em função do impacto ambiental do veículo, com o propósito de promover a finalidade 
parafiscal da tributação; 
(B) constitucional, porquanto a CF/1988 permite a fixação de alíquotas diferenciadas do 
IPVA em razão do impacto ambiental do veículo, no intuito de promover a finalidade 
extrafiscal da tributação; 
(C) inconstitucional, haja vista que a CF/1988 não permite a fixação de alíquotas 
diferenciadas do IPVA em virtude do impacto ambiental do veículo, não podendo a lei 
estadual desbordar da moldura constitucional, ainda que sob o pretexto de promover a 
sustentabilidade ambiental; 
(D) constitucional, na medida em que, embora a CF/1988 não autorize expressamente o 
estabelecimento de alíquotas diferenciadas do IPVA de acordo com o impacto ambiental 
do veículo, a defesa do meio ambiente foi erigida à categoria de direito fundamental e 
de princípio geral da atividade econômica, a legitimar o ato normativo mencionado; 
 
 
124 
(E) constitucional, uma vez que, embora a CF/1988 não autorize expressamente o 
estabelecimento de alíquotas diferenciadas do IPVA de acordo com o impacto ambiental 
do veículo, a Emenda Constitucional nº 132/2023 trouxe o princípio da defesa do meio 
ambiente como um dos vetores do Sistema Tributário Nacional, a legitimar o ato 
normativo mencionado. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Função parafiscal refere-se à utilização dos tributos não apenas para 
arrecadar recursos financeiros (função fiscal), como também para destinar sua 
arrecadação ao custeio de atividades paraestatais. 
O IPVA é predominantemente fiscal e não tem característica parafiscal. 
(B) CORRETA. Tributos extrafiscais são aqueles que possuem finalidades que 
ultrapassam o caráter meramente arrecadatório da tributação. 
Em que pese o IPVA seja predominantemente fiscal, possui outras finalidades previstas 
constitucionalmente, como a promoção do meio ambiente. É o que se verifica do art. 
155, §6º, II, da CR: 
Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir 
impostos sobre: 
III - propriedade de veículos automotores. 
§ 6º O imposto previsto no inciso III: 
II - poderá ter alíquotas diferenciadas em função do tipo, do 
valor, da utilização e do impacto ambiental; (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
(C) INCORRETA. Em desconformidade com o art. 155, §6º, da CR. 
(D) INCORRETA. Em desconformidade com o art. 155, §6º, II, da CR, que expressamente 
autoriza o estabelecimento de alíquota diferenciada em função do impacto ambiental. 
(E) INCORRETA. Em desconformidade com o art. 155, §6º, II, da CR, que expressamente 
autoriza o estabelecimento de alíquota diferenciada em função do impacto ambiental. 
_____________________________________________________________________________ 
77. Suponha que determinado bem imóvel de titularidade da União, que se encontrava 
afetado à atividade de administração de infraestrutura aeroportuária exercida pela 
Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), tenha sido objeto de 
concessãode uso junto à sociedade empresária ABC, que desempenha atividade de 
revenda de veículos automotores. 
 
 
125 
Considere, ademais, que, no contrato de concessão de uso firmado com a sociedade 
empresária ABC, constava expressamente que esta seria responsável pelo pagamento 
dos tributos municipais incidentes sobre o bem. 
Diante do contexto apresentado, o Município Alfa iniciou a cobrança de IPTU em face da 
sociedade empresária ABC. 
De acordo com a Constituição Federal de 1988 e com a jurisprudência do Supremo 
Tribunal Federal acerca da matéria, a referida cobrança se afigura: 
(A) devida, uma vez que a imunidade tributária recíproca não alcança a sociedade 
empresária ABC, a qual explora atividade econômica com fins lucrativos, sendo certo que 
o imóvel concedido se encontra desvinculado de finalidade estatal; 
(B) indevida, haja vista que a sociedade empresária ABC não é proprietária do imóvel, 
mas mera detentora de posse precária e desdobrada decorrente de contrato de 
concessão de uso, não podendo, portanto, figurar como sujeito passivo da obrigação 
tributária; 
(C) indevida, porquanto a celebração do contrato de concessão de uso com a sociedade 
empresária ABC não descaracteriza a natureza de bem público do imóvel, 
independentemente da finalidade a ele atribuída, motivo pelo qual deve incidir a 
imunidade tributária recíproca; 
(D) indevida, na medida em que a previsão contratual relativa à responsabilidade pelo 
pagamento de tributos não pode ser oposta à Fazenda Pública Municipal para modificar 
a definição legal do sujeito passivo da obrigação tributária, salvo disposição de lei em 
contrário; 
(E) devida, pois a imunidade tributária recíproca não alcança a Infraero, tampouco a 
concessionária que explora comercialmente o imóvel objeto do contrato de concessão 
de uso, sob pena de violação aos princípios da livre concorrência e do exercício de 
atividade profissional ou econômica lícita. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
A imunidade recíproca está prevista no art. 150, VI, ‘a’ da CR e veda a tributação de 
impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços entre entes federados. Tem por 
finalidade proteger o princípio federativo, impedindo que os tributos sejam usados 
como formas de pressões políticas. 
O STF, ao analisar a imunidade recíproca, adota o princípio da livre concorrência (art. 
173, §1º, II) como diretriz hermenêutica, do que resulta a não aplicação da imunidade 
recíproca extensiva quando dela puder resultar concorrência deslegal com a iniciativa 
privada. No caso em tela, em que pese o imóvel seja de propriedade da União, há 
contrato de concessão de uso firmado com a sociedade empresária ABC, que o utiliza 
para fins empresariais (atividade de revenda de veículos automotores). Além disso, o 
 
 
126 
IPTU pode ser exigido não somente do proprietário do imóvel, mas também do 
possuidor: 
CTN, Art. 32. O imposto, de competência dos Municípios, sobre 
a propriedade predial e territorial urbana tem como fato gerador 
a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóvel por 
natureza ou por acessão física, como definido na lei civil, 
localizado na zona urbana do Município. 
Além disso, é necessário o conhecimento do Tema 385 da Repercussão geral: 
A imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, a, da Constituição 
não se estende a empresa privada arrendatária de imóvel 
público, quando seja ela exploradora de atividade econômica 
com fins lucrativos. Nessa hipótese é constitucional a cobrança 
do IPTU pelo Município. 
Assim, a imunidade tributária recíproca não alcança o imóvel em questão, sendo devida 
a exigência do IPTU, o que torna incorretas as alternativas B, C e D. 
A alternativa E também está incorreta, pois o conteúdo do contrato de concessão de 
uso não é irrelevante: veja que a imunidade foi afastada exatamente em razão do uso 
do imóvel para fins empresariais (atividade de revenda de veículos automotores). Assim, 
a única resposta correta é a alternativa A. 
_____________________________________________________________________________ 
78. João adquiriu a propriedade de determinado imóvel fruto de parcelamento do solo 
urbano. Como o novo imóvel não estava previsto na Planta Genérica de Valores, o 
Município Alfa realizou a avaliação individualizada do referido bem, com base nos 
critérios previstos em lei municipal, após o que apurou o valor venal do imóvel e 
procedeu ao lançamento do IPTU respectivo. 
João, então, ajuizou ação anulatória com o objetivo de desconstituir o lançamento 
mencionado, sob a alegação de violação ao princípio da legalidade tributária. 
Tendo em conta as disposições da Constituição Federal de 1988 e do Código Tributário 
Nacional (CTN), assim como a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal acerca do 
tema, o pedido formulado na mencionada ação anulatória deverá ser julgado: 
(A) procedente, na medida em que a aferição do valor venal do imóvel, por constituir a 
base de cálculo do IPTU, depende de previsão na Planta Genérica de Valores ou da edição 
de lei específica para tal fim, inclusive na hipótese de imóvel novo oriundo de 
parcelamento de solo urbano, em observância ao princípio da reserva legal em matéria 
tributária; 
(B) procedente, visto que a fixação ou a majoração do valor venal do imóvel para efeito 
de cobrança do IPTU não prescinde da edição de lei em sentido formal, exigência que 
somente pode ser afastada quando a atualização não exceder os índices oficiais de 
correção monetária, sendo irrelevante, para fins tributários, o fato de o imóvel possuir 
matrícula nova; 
 
 
127 
(C) improcedente, porquanto a apuração do valor venal de imóvel novo não previsto na 
Planta Genérica de Valores, em decorrência de parcelamento do solo urbano, pode ser 
realizada mediante avaliação técnica individualizada, desde que obedecidos os critérios 
fixados em lei e garantido ao contribuinte o direito ao contraditório; 
(D) procedente, uma vez que é inconstitucional a lei municipal que delega ao Poder 
Executivo a avaliação individualizada de imóvel para fins de cobrança do IPTU, pois a 
fixação ou a majoração da base de cálculo do tributo exige lei em sentido estrito, 
admitida apenas a atualização monetária por ato infralegal em conformidade com os 
índices oficiais de correção monetária; 
(E) improcedente, haja vista que é possível a realização de avaliação técnica 
individualizada para a aferição do valor venal de imóvel novo, desde que observados os 
critérios previstos em lei e efetuado o lançamento por arbitramento, na forma do Art. 
148 do CTN, devendo, ademais, ser o aludido imóvel incluído na Planta Genérica de 
Valores para a cobrança dos próximos IPTUs. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
A questão exigia o conhecimento do seguinte entendimento fixado no Tema 1084 da 
Repercussão Geral: 
É constitucional a lei municipal que delega ao Poder Executivo a 
avaliação individualizada, para fins de cobrança 
do IPTU de imóvel novo não previsto 
na Planta Genérica de Valores, desde que fixados em lei os 
critérios para a avaliação técnica e assegurado ao contribuinte o 
direito ao contraditório. STF. Plenário. ARE 1.245.097/PR, Rel. 
Min. Roberto Barroso, julgado em 5/6/2023 (Repercussão Geral 
– Tema 1084) (Info 1098). 
_____________________________________________________________________________ 
79. João, engenheiro residente no Estado Alfa, mudou-se com sua família para o Estado 
Beta em razão de novo vínculo empregatício, alterando também seus domicílios civil e 
tributário. Pouco antes da mudança, havia adquirido, no Estado Alfa, um veículo 
automotor do tipo SUV para uso particular, aproveitando o benefício de emplacamento 
gratuito oferecido pela concessionária e a alíquota de IPVA reduzida praticada pelo 
Estado Alfa. 
Algum tempo depois, foi surpreendido com uma notificação do Estado Beta, exigindo o 
pagamento do IPVArelativo ao exercício anterior, com fundamento em legislação 
estadual e na propriedade do veículo enquanto domiciliado em seu território. Sentindo-
se injustiçado, pois já havia recolhido o imposto ao Estado Alfa no exercício em questão, 
João, por meio de advogado, ajuizou ação declaratória de inexistência de relação 
jurídico-tributária em face da Fazenda Pública do Estado Beta. 
 
 
128 
Com base na jurisprudência dos Tribunais Superiores, é CORRETO afirmar que a ação 
intentada por João: 
(A) não irá prosperar, pois uma ação de consignação de pagamento em face das Fazendas 
Públicas de Alfa e de Beta é mais adequada ao caso narrado; 
(B) não irá prosperar, pois a Constituição autoriza a cobrança do tributo somente pelo 
Estado Beta, por ser o local em que João mantém seu domicílio tributário; 
(C) irá prosperar, pois o local de licenciamento do veículo, feito no Estado Alfa, determina 
o sujeito ativo da relação jurídico-tributária do IPVA; 
(D) irá prosperar, pois o ajuizamento de uma ação de repetição de indébito em face da 
Fazenda Pública de Alfa revela-se inviável; 
(E) não irá prosperar, pois ambos os Estados, Alfa e Beta, podem exigir o IPVA em razão 
da ausência de lei complementar que discipline nacionalmente a competência tributária 
do imposto. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
A questão exigia o conhecimento do seguinte entendimento fixado no Tema 708 da 
Repercussão Geral: 
A cobrança do Imposto sobre a Propriedade de Veículos 
Automotores (IPVA) somente pode ser realizada pelo Estado em 
que o contribuinte mantém sua sede ou domicílio tributário. 
STF. Plenário. RE 1016605, Redator do acórdão Min. Alexandre 
de Moraes, julgado em 16/09/2020 (Repercussão Geral – Tema 
708). 
_____________________________________________________________________________ 
80. Vocacionada à produção de materiais médicos destinados à exportação, a empresa 
Gamma Ltda. contratou serviço de transporte, por sua conta e ordem, para movimentar 
mercadorias de sua fábrica, situada no Município Alfa, até o porto localizado no 
Município Beta, ambos no Estado ABC. O transporte foi realizado com o objetivo de 
posterior embarque das mercadorias ao exterior, sendo todas as mercadorias vendidas 
a um único comprador sediado na Ásia. Em seguida, a empresa foi autuada pela Fazenda 
Estadual de ABC para pagamento de ICMS sobre o serviço de transporte intermunicipal, 
sob o argumento de inexistir imunidade tributária incidente ou regra de isenção prevista 
na legislação estadual ou nacional aplicável ao transporte interno no Estado ABC. 
Considerando a legislação aplicável ao ICMS e a jurisprudência dos Tribunais Superiores, 
é CORRETO afirmar que: 
 
 
129 
(A) o transporte intermunicipal de mercadorias destinadas à exportação não usufrui de 
isenção de ICMS, pois a desoneração se restringe às operações de transporte 
interestadual; 
(B) a incidência do ICMS é legítima, pois a legislação nacional aplicável limita a isenção 
apenas à saída da mercadoria para o exterior, e não a etapas anteriores; 
(C) a Fazenda Estadual pode exigir o ICMS sobre o transporte de mercadorias, cabendo 
à empresa Gamma posteriormente pleitear a repetição do indébito após a comprovação 
da exportação; 
(D) a incidência do ICMS no transporte intermunicipal é obrigatória na ausência de 
autorização expressa em convênio do Confaz dispensando o tributo; 
(E) não incide ICMS sobre o transporte intermunicipal de mercadorias destinadas à 
exportação, pois a isenção alcança toda a cadeia logística vinculada à operação de 
exportação. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
É necessário o conhecimento da Súmula 649 do STJ e entendimento que determina sua 
incidência também no transporte intermunicipal de mercadorias destinadas à 
exportação: 
Súmula 649 STJ: Não incide ICMS sobre o serviço 
de transporte interestadual de mercadorias destinadas ao 
exterior. 
A isenção prevista no art. 3º, II, da LC 87/1996 aplica-se a toda a 
cadeia de exportação, incluindo o transporte interestadual e 
também o intermunicipal, mesmo que anteceda a saída da 
mercadoria ao exterior, pois visa assegurar a competitividade do 
produto nacional. STJ. 2ª Turma. AREsp 2.607.634-SP, Rel. Min. 
Francisco Falcão, julgado em 18/2/2025 (Info 842). 
_____________________________________________________________________________ 
DIREITO AMBIENTAL 
 
81. O Município XYZ, localizado em região de expansão agrícola, recebeu requerimento 
para instalação de um empreendimento de pequeno porte com potencial impacto 
ambiental local. Contudo, o município não possui órgão ambiental capacitado nem 
conselho de meio ambiente constituído. 
O estado onde está localizado o município, por sua vez, também não conta com estrutura 
técnico-administrativa suficiente para conduzir o processo de licenciamento ambiental. 
 
 
130 
Diante dessa situação, foi encaminhado pedido à União para que atue no licenciamento 
da atividade. 
Com base nas disposições da Lei Complementar nº 140/2011, é CORRETO afirmar que: 
(A) a União poderá desempenhar as ações administrativas de licenciamento ambiental, 
em caráter supletivo, em razão da inexistência de órgão ambiental capacitado ou 
conselho de meio ambiente no estado e no município; 
(B) a exigência de licenciamento ambiental é afastada em se tratando de 
empreendimento de pequeno porte e de inexistência de estrutura municipal e estadual, 
ficando, assim, dispensada a atuação de qualquer ente federativo; 
(C) a atuação da União como substituta do estado e do município independe de 
requerimento formal, podendo ser instaurada de ofício nos casos de urgência ambiental; 
(D) o estado poderá licenciar o empreendimento desde que o município solicite 
formalmente apoio, ainda que possua conselho de meio ambiente, mas sem corpo 
técnico ambiental; 
(E) a União atuará em cooperação com o Estado, mas apenas no fornecimento de 
recursos financeiros, sendo vedado apoio técnico ou científico nas hipóteses de atuação 
supletiva. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 15 da LC 140/2011 - Os entes federativos devem atuar em 
caráter SUPLETIVO nas ações administrativas de licenciamento e 
na autorização ambiental, nas seguintes hipóteses: 
I - inexistindo órgão ambiental capacitado ou conselho de meio 
ambiente no Estado ou no Distrito Federal, a União deve 
desempenhar as ações administrativas estaduais ou distritais até 
a sua criação; 
II - inexistindo órgão ambiental capacitado ou conselho de meio 
ambiente no Município, o Estado deve desempenhar as ações 
administrativas municipais até a sua criação; e 
III - inexistindo órgão ambiental capacitado ou conselho de 
meio ambiente no Estado e no Município, a União deve 
desempenhar as ações administrativas até a sua criação em um 
daqueles entes federativos. 
_____________________________________________________________________________ 
82. Durante operação de fiscalização ambiental, um grupo foi flagrado praticando pesca 
predatória em área de preservação permanente. 
Considerando a Lei nº 9.605/1998, uma circunstância legalmente prevista como 
agravante da pena no caso narrado é a seguinte: 
 
 
131 
(A) a utilização de máquinas e equipamentos de alto valor agregado na atividade ilegal; 
(B) o cometimento do crime durante a fase de reprodução natural dos peixes, em 
período de defeso; 
(C) a ocorrência da infração em unidade de conservação de proteção integral nos últimos 
90 dias do ano civil; 
(D) a participação de mais de cinco pessoas na execução da atividade pesqueira irregular; 
(E) o uso de redes de pesca com malhas que não atendem aos padrões técnicos 
recomendados. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 15 da Lei de Crimes Ambientais - São circunstâncias14 
preço previamente acordado entre as partes e manter os bens para si. Esta faculdade 
constitui elemento essencial desta modalidade contratual, consagrada expressamente 
no art. 534 do Código Civil, que estabelece: "Pelo contrato estimatório, o consignante 
entrega bens móveis ao consignatário, que fica autorizado a vendê-los, pagando àquele 
o preço ajustado, salvo se preferir, no prazo estabelecido, restituir-lhe a coisa 
consignada." 
Assim, resta evidente a possibilidade de o brechó, mesmo não tendo comercializado as 
roupas durante o período contratual, optar por adquiri-las mediante o pagamento do 
valor estimado. 
Ressalte-se que os credores do estabelecimento de brechó não podem efetuar a 
penhora das roupas recebidas em consignação, uma vez que estas não integram 
efetivamente o patrimônio do consignatário. O Código Civil é explícito ao proteger os 
bens consignados contra eventuais execuções promovidas pelos credores do 
estabelecimento comercial. Conforme estabelece o artigo 536: "A coisa consignada não 
pode ser objeto de penhora ou sequestro pelos credores do consignatário, enquanto 
não pago integralmente o preço." 
(D) INCORRETA. Vide comentários alternativa “C”. 
(E) INCORRETA. Vide comentários alternativa “C”. 
_____________________________________________________________________________ 
6. Isaías redigiu seu testamento particular, figurando como testemunhas Xisto, Zuleide e 
Yvone. Isaías então manifestou a intenção de beneficiar, com legados: a) Adamantina, 
irmã de Xisto; b) Benedita, sobrinha de Isaías, interditada por vício em tóxicos; c) Célia, 
filha de Isaías em um relacionamento extraconjugal; d) a Fundação Diamante, cuja 
criação e organização foi determinada por Isaías no próprio testamento; e e) o primeiro 
filho que vier a nascer de Eleutério, neto de Isaías, já nascido e ainda vivo. 
Está impedido(a) de figurar como legatário(a) nesse testamento: 
(A) Adamantina; 
(B) Benedita; 
(C) Célia; 
(D) a Fundação Diamante; 
(E) o primeiro filho que vier a nascer de Eleutério. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
(A) CORRETA. O Código Civil estabelece uma série de regras sobre a validade de 
disposições testamentárias e impedimentos para figurar como beneficiário em 
testamentos. Analisando cada uma das opções: 
 
 
15 
Adamantina é irmã de Xisto, que é testemunha do testamento. Conforme o art. 1.801, 
inciso II, do Código Civil, não pode ser nomeados herdeiros nem legatários "as 
testemunhas do testamento" e também, de acordo com o mesmo dispositivo, inciso I, 
não podem ser nomeados " a pessoa que, a rogo, escreveu o testamento, nem o seu 
cônjuge ou companheiro, ou os seus ascendentes e irmãos", o que inclui os irmãos da 
testemunha testamentária. Logo, Adamantina está impedida de ser legatária. 
O Código Civil invalida disposições testamentárias em favor de pessoas não legitimadas 
a suceder, mesmo quando disfarçadas por contratos onerosos ou realizadas via 
interposta pessoa. O parágrafo único do artigo 1.802 estabelece uma presunção de 
interposição quanto aos familiares próximos do não legitimado (ascendentes, 
descendentes, irmãos, cônjuge ou companheiro). Complementarmente, o artigo 1.900, 
inciso V, declara nulas quaisquer disposições que favoreçam estas pessoas, formando 
um sistema de proteção contra fraudes no âmbito sucessório. 
Embora Benedita seja interditada por vício em tóxicos, não há impedimento legal para 
que um relativamente incapaz receba legado em testamento. A interdição por 
toxicomania gera incapacidade relativa (art. 4º, II, CC), não impedindo a pessoa de ser 
beneficiária em testamento. 
Célia, filha extraconjugal de Isaías, não existe impedimento legal para que o testador 
beneficie seus filhos, independentemente da natureza da filiação. O art. 1.596 do CC 
estabelece a igualdade entre filhos, proibindo qualquer discriminação. 
O art. 62 do CC permite expressamente que se institua fundação por testamento. O fato 
de a fundação ser determinada no próprio testamento não a impede de figurar como 
legatária. 
O art. 1.799, I, do CC permite a nomeação como legatário da "I - os filhos, ainda não 
concebidos, de pessoas indicadas pelo testador, desde que vivas estas ao abrir-se a 
sucessão;". Como Eleutério já é nascido e vivo, seu futuro filho (prole eventual) pode ser 
validamente contemplado no testamento. 
Assim sendo, a única pessoa impedida de ser legatária é Adamantina (alternativa A), por 
ser irmã de uma testemunha testamentária. 
(B) INCORRETA. Vide comentários alternativa “A”. 
(C) INCORRETA. Vide comentários alternativa “A”. 
(D) INCORRETA. Vide comentários alternativa “A”. 
(E) INCORRETA. Vide comentários alternativa “A”. 
_____________________________________________________________________________ 
7. Celina, viúva de 83 anos, reside sozinha em imóvel de sua propriedade, localizado em 
área urbana valorizada. Nos últimos anos, passou a apresentar sinais progressivos de 
comprometimento cognitivo, embora ainda consiga realizar algumas atividades do dia a 
dia com a ajuda de vizinhos. Seu único filho, Roberto, reside em outro estado e, embora 
legalmente responsável, tem se mantido distante da mãe, delegando a terceiros a 
supervisão da idosa. Recentemente, Roberto, sem consultar Celina, contratou uma 
empresa para vender o imóvel da mãe, alegando a necessidade de levantar recursos para 
 
 
16 
custear cuidados futuros, e firmou contrato de compra e venda com cláusula de 
irrevogabilidade. O negócio foi contestado pelo Ministério Público, após denúncia de 
uma vizinha, com fundamento em possível abuso patrimonial. 
À luz do Estatuto da Pessoa Idosa, é CORRETO afirmar que: 
(A) a atuação de Roberto é legítima, pois o Art. 5º do Estatuto da Pessoa Idosa permite 
que familiares promovam atos em nome da pessoa idosa visando à sua proteção, ainda 
que sem consentimento expresso; 
(B) a alienação do imóvel sem consentimento da idosa vulnerável pode configurar abuso 
patrimonial, atraindo as medidas de proteção ao idoso, nos termos do Art. 43 do 
Estatuto da Pessoa Idosa, independentemente de prévia interdição judicial; 
(C) a atuação do Ministério Público é indevida, pois o Estatuto da Pessoa Idosa exige a 
existência de processo judicial em curso para sua intervenção em defesa patrimonial do 
idoso; 
(D) a cláusula de irrevogabilidade no contrato firmado por Roberto protege o negócio 
jurídico contra qualquer questionamento, conforme o Art. 4º do Estatuto da Pessoa 
Idosa; 
(E) a iniciativa de Roberto encontra respaldo no dever legal da família de zelar pelos bens 
do idoso, previsto no Art. 3º do Estatuto da Pessoa Idosa, sendo suficiente sua alegação 
de intenção protetiva para convalidar a venda. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Vide comentários alternativa “B”. 
(B) CORRETA. A alternativa correta é a (B): a alienação do imóvel sem consentimento da 
idosa vulnerável pode configurar abuso patrimonial, atraindo as medidas de proteção ao 
idoso, nos termos do Art. 43 do Estatuto da Pessoa Idosa, independentemente de prévia 
interdição judicial. 
O Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003) estabelece diversas proteções contra 
abusos patrimoniais, sendo que o Art. 43 prevê expressamente a aplicação de medidas 
específicas de proteção quando os direitos da pessoa idosa forem ameaçados ou 
violados por ação ou omissão da família ou de terceiros. 
A situação descrita apresenta vários elementos preocupantes: Celina, mesmo com 
comprometimento cognitivo, ainda possui capacidade civil não sendo declarada 
interditada; Roberto agiu unilateralmente, sem consultar a mãe sobre a venda de um 
bem que é de propriedade exclusiva dela; e a alegação de "levantar recursos para 
cuidados futuros" enquanto se mantém distante, delegando a terceiros a supervisão da 
mãe, sugere possível desinteresse genuíno no bem-estar da idosa.que 
agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime: 
(...) 
II - ter o agente cometido a infração: 
(...) 
g) em período de defeso à fauna; 
(...) 
_____________________________________________________________________________ 
83. João, proprietário de uma pequena propriedade rural, foi autuado por cortar 
algumas árvores nativas em sua terra sem a devida autorização ambiental. O corte das 
árvores não causou danos significativos ao meio ambiente, sendo considerado um crime 
de menor potencial ofensivo. 
No processo judicial, o Ministério Público propôs a suspensão condicional do processo, 
conforme o Art. 89 da Lei nº 9.099/1995, com a condição de que João reparasse o dano 
ambiental causado. 
Com base na Lei nº 9.605/1998, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas 
derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, é CORRETO afirmar que: 
(A) a suspensão condicional do processo não pode ser concedida em crimes ambientais, 
independentemente da reparação do dano; 
(B) a reparação do dano ambiental não é condição necessária para a concessão da 
suspensão condicional do processo em crimes de menor potencial ofensivo; 
(C) a suspensão condicional do processo pode ser concedida em crimes ambientais de 
menor potencial ofensivo, desde que haja a prévia composição do dano ambiental, salvo 
comprovada impossibilidade; 
 
 
132 
(D) a suspensão condicional do processo em crimes ambientais de menor potencial 
ofensivo depende exclusivamente da aceitação do acusado, independentemente da 
reparação do dano; 
(E) a suspensão condicional do processo é aplicável apenas a crimes ambientais que não 
envolvam flora ou fauna silvestre. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 89 da Lei 9.099/95 - Nos crimes em que a pena mínima 
cominada for igual ou inferior a um ano, abrangidas ou não por 
esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá 
propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde 
que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido 
condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que 
autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do Código 
Penal). 
§ 1º Aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presença 
do Juiz, este, recebendo a denúncia, poderá suspender o 
processo, submetendo o acusado a período de prova, sob as 
seguintes condições: 
I - reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo; 
 
Art. 28 da Lei de Crimes Ambientais - As disposições do art. 89 
da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, aplicam-se aos 
crimes de menor potencial ofensivo definidos nesta Lei, com as 
seguintes modificações: 
I - a declaração de extinção de punibilidade, de que trata o § 5° 
do artigo referido no caput, dependerá de laudo de constatação 
de reparação do dano ambiental, ressalvada a impossibilidade 
prevista no inciso I do § 1° do mesmo artigo; 
_____________________________________________________________________________ 
84. Um pequeno produtor rural necessita acessar diariamente uma Área de Preservação 
Permanente (APP) às margens de um rio em sua propriedade para levar o gado até o 
ponto de água e realizar atividades de manejo sustentável. 
Considerando o disposto na Lei nº 12.651/2012 (Código Florestal), é CORRETO afirmar, 
em relação às condições legais para esse acesso, que: 
(A) o acesso é permitido mediante prévia autorização do órgão ambiental competente, 
que deverá avaliar um plano de manejo específico para a área; 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9099.htm#art89
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9099.htm#art89
 
 
133 
(B) é admitido o acesso desde que o proprietário comprove a manutenção de 50% da 
vegetação nativa em toda a extensão da APP afetada pelo trânsito dos animais; 
(C) a lei permite o acesso de pessoas e animais à APP para obtenção de água e realização 
de atividades de baixo impacto ambiental, sem outras exigências específicas; 
(D) o acesso só é viável após a assinatura de termo de compromisso ambiental com 
obrigação de recomposição vegetal nas áreas de passagem; 
(E) é permitido o acesso desde que limitado a 5 animais por vez e mediante instalação 
de cercas que direcionem o trajeto específico até o ponto de água. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 9º do Código Florestal - É permitido o acesso de pessoas e 
animais às Áreas de Preservação Permanente para obtenção de 
água e para realização de atividades de baixo impacto ambiental. 
Art. 3º Para os efeitos desta Lei, entende-se por: 
(...) 
X - atividades eventuais ou de baixo impacto ambiental: a) 
abertura de pequenas vias de acesso interno e suas pontes e 
pontilhões, quando necessárias à travessia de um curso d’água, 
ao acesso de pessoas e animais para a obtenção de água ou à 
retirada de produtos oriundos das atividades de manejo 
agroflorestal sustentável; 
_____________________________________________________________________________ 
85. Considere a seguinte situação hipotética: o Conselho Nacional do Meio Ambiente 
(CONAMA) está analisando medidas para enfrentar o aumento da poluição atmosférica 
em grandes centros urbanos. 
Nesse contexto, com base na Lei de Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº 
6.938/1981), é CORRETO afirmar que compete ao CONAMA: 
(A) fiscalizar diretamente os estabelecimentos industriais potencialmente poluidores, 
aplicando multas e sanções administrativas quando constatadas irregularidades; 
(B) estabelecer normas e padrões nacionais de controle da poluição por veículos 
automotores, após ouvir os ministérios competentes; 
(C) determinar a interdição imediata de atividades econômicas em áreas urbanas que 
apresentem índices críticos de poluição do ar; 
(D) exigir a realização de auditorias ambientais trimestrais em todas as indústrias 
localizadas em regiões metropolitanas; 
(E) criar programas de compensação financeira obrigatória para populações afetadas 
pela poluição atmosférica. 
 
 
134 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 8º da Lei 6.938/91 - Compete ao CONAMA: 
(...) 
VI - estabelecer, privativamente, normas e padrões nacionais de 
controle da poluição por veículos automotores, aeronaves e 
embarcações, mediante audiência dos Ministérios competentes; 
_____________________________________________________________________________ 
DIREITO ADMINISTRATIVO 
 
86. Visando à otimização dos serviços de atenção básica, três entes federados decidiram 
celebrar um consórcio público, nos termos da Lei Federal nº 11.107/2005, para a 
implementação e administração conjunta de um programa de saúde. No contrato de 
consórcio público, foram definidos os objetivos comuns, a forma de representação, os 
critérios de rateio das despesas e receitas, bem como a autonomia administrativa e 
financeira dos entes participantes. 
Nessa situação, é CORRETO afirmar que: 
(A) o consórcio público em questão poderá ser composto pela União e por dois 
municípios, sendo facultada a participação dos estados em cujos territórios esses 
municípios estejam situados; 
(B) a contratação do consórcio público pela administração direta ou indireta dos entes 
da Federação consorciados depende de prévia licitação; 
(C) a outorga, pelo consórcio público, de concessão, permissão ou autorização de obras 
ou serviços públicos é vedada, devendo o contrato de consórcio público atribuir a prática 
desses atos administrativos a cada ente participante; 
(D) o consórcio público em questão deverá obedecer ao disposto no respectivo contrato 
quando houver conflito com as normas que regulam o Sistema Único de Saúde, ante o 
critério da especialidade; 
(E) o consórcio público em questão possui personalidade jurídica própria, além de 
autonomia administrativa, financeira e orçamentária. 
_______________________________________________________________________GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
 
 
135 
Art. 1º, § 2º. Lei Federal n.º 11.107/2005: “A União somente 
participará de consórcios públicos em que também façam parte 
todos os Estados em cujos territórios estejam situados os 
Municípios consorciados.”. 
(B) INCORRETA. 
Art. 3º: “O consórcio público será constituído por contrato cuja 
celebração dependerá da prévia subscrição de protocolo de 
intenções.”. 
Art. 5º: “Art. 5º O contrato de consórcio público será celebrado 
com a ratificação, mediante lei, do protocolo de intenções.”. 
(C) INCORRETA. 
Art. 2º, § 3º: “Os consórcios públicos poderão outorgar 
concessão, permissão ou autorização de obras ou serviços 
públicos mediante autorização prevista no contrato de consórcio 
público, que deverá indicar de forma específica o objeto da 
concessão, permissão ou autorização e as condições a que 
deverá atender, observada a legislação de normas gerais em 
vigor.”. 
(D) INCORRETA. 
Art. 1º, § 3º: “Os consórcios públicos, na área de saúde, deverão 
obedecer aos princípios, diretrizes e normas que regulam o 
Sistema Único de Saúde – SUS.”. 
(E) CORRETA. 
Art. 6º O consórcio público adquirirá personalidade jurídica: 
I – de direito público, no caso de constituir associação pública, 
mediante a vigência das leis de ratificação do protocolo de 
intenções; 
II – de direito privado, mediante o atendimento dos requisitos da 
legislação civil. 
_____________________________________________________________________________ 
87. Determinado órgão público estadual celebrou contrato administrativo pelo regime 
de empreitada integral para a renovação do sistema de esgotamento sanitário de sua 
sede. No curso da execução da obra, foram identificadas fissuras nas fossas que não 
haviam sido antevistas por ocasião da elaboração do projeto, motivo pelo qual passou a 
ser necessária a completa desativação do sistema de esgoto durante os trabalhos. Para 
não interromper o funcionamento do prédio público, o poder público considerou 
essencial incluir no projeto a instalação de um sistema de esgotamento provisório, de 
modo a operar em paralelo às obras de renovação do sistema já existente. 
Nessa situação, à luz da Lei nº 14.133/2021, é CORRETO afirmar que: 
(A) a contratada pode ser remunerada pelo poder público com base em sistemática 
orientada por preços unitários ou referenciada pela execução de quantidades de itens 
unitários; 
 
 
136 
(B) as obras para manter o funcionamento do prédio público devem ser interrompidas 
até a formalização do termo aditivo referente à execução, pelo contratado, da instalação 
do sistema de esgotamento provisório; 
(C) a contratada, independentemente do valor acrescido pela modificação do projeto, 
não é obrigada a aceitar o acréscimo referente à instalação do sistema de esgotamento 
provisório, ainda que mantidas as mesmas condições contratuais; 
(D) a contratada poderá executar a instalação do sistema de esgotamento provisório sem 
a prévia assinatura do termo aditivo, ante a justificada necessidade de antecipação de 
seus efeitos, mas a sua formalização deverá ocorrer no prazo máximo de um mês; 
(E) a contratada deve ser remunerada pelo poder público com base em sistemática 
orientada por preços unitários ou referenciada pela execução de quantidades de itens 
unitários. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
No regime de execução (indireta) da empreitada integral, há a “contratação de 
empreendimento em sua integralidade, compreendida a totalidade das etapas de obras, 
serviços e instalações necessárias, sob inteira responsabilidade do contratado até sua 
entrega ao contratante em condições de entrada em operação, com características 
adequadas às finalidades para as quais foi contratado e atendidos os requisitos técnicos 
e legais para sua utilização com segurança estrutural e operacional (art. 6º, XXX Lei 
Federal n.º 8.666/1993). 
Além disso, “Nas licitações de obras ou serviços de engenharia, após o julgamento, o 
licitante vencedor deverá reelaborar e apresentar à Administração, por meio eletrônico, 
as planilhas com indicação dos quantitativos e dos custos unitários, bem como com 
detalhamento das Bonificações e Despesas Indiretas (BDI) e dos Encargos Sociais (ES), 
com os respectivos valores adequados ao valor final da proposta vencedora, admitida a 
utilização dos preços unitários, no caso de empreitada por preço global, empreitada 
integral, contratação semi-integrada e contratação integrada, exclusivamente para 
eventuais adequações indispensáveis no cronograma físico-financeiro e para balizar 
excepcional aditamento posterior do contrato (art. 56. § 5º). 
(A) INCORRETA. Como visto, a utilização dos preços unitários somente pode ser feita 
para eventuais adequações indispensáveis no cronograma físico-financeiro e para balizar 
excepcional aditamento posterior do contrato. 
(B) INCORRETA. Nos termos do art. 132 da Lei, “A formalização do termo aditivo é 
condição para a execução, pelo contratado, das prestações determinadas pela 
Administração no curso da execução do contrato, salvo nos casos de justificada 
necessidade de antecipação de seus efeitos, hipótese em que a formalização deverá 
ocorrer no prazo máximo de 1 (um) mês.”. Dessa forma, salvo antecipação excepcional 
dos efeitos, as obras do sistema de esgotamento provisório somente podem ser iniciadas 
após a formalização do aditivo. Entretanto, o novo sistema de esgotamento sanitário 
 
 
137 
deve continuar a ser construído em paralelo, sem solução de continuidade, como 
expressamente consignou o enunciado da questão. 
(C) INCORRETA. Nos termos do art. 125, por se tratar de obra ou serviço de engenharia, 
a contratada é obrigada a aceitar o acréscimo de até 50%, mas sempre com o 
restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato (art. 130) . 
(D) CORRETA. Vide comentário à letra “B”. 
(E) INCORRETA. Vide comentário à letra “A”. 
_____________________________________________________________________________ 
88. Adamastor ajuizou ação popular imputando ao secretário municipal de educação de 
uma cidade vizinha àquela em que reside a prática de ato lesivo à moralidade 
administrativa. 
Nessa situação, acerca da ação popular em questão, é CORRETO afirmar que: 
(A) não dependerá o seu cabimento da demonstração, por Adamastor, de qualquer 
prejuízo material aos cofres públicos; 
(B) pode conter causa de pedir ou pedido próprios de ação direta de 
inconstitucionalidade por omissão de medidas administrativas; 
(C) não poderá conter pedidos de índole, ao mesmo tempo, preventiva e repressiva ou 
corretiva, tendo em vista que a lesividade do ato é condição para o cabimento da ação; 
(D) será cabível ainda que o ato lesivo à moralidade administrativa tenha caráter 
normativo, sendo dotado de generalidade e abstração; 
(E) será competente para dela conhecer o foro do município em que o secretário de 
educação exerce suas funções, não sendo lícito o ajuizamento da demanda no foro do 
domicílio de Adamastor. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
(A) CORRETA. O STJ possui firme orientação de que um dos pressupostos da Ação 
Popular é a lesão ao patrimônio público. Ocorre que a Lei nº 4.717/65 deve ser 
interpretada de forma a possibilitar, por meio de Ação Popular, a mais ampla proteção 
aos bens e direitos associados ao patrimônio público, em suas várias dimensões (cofres 
públicos, meio ambiente, moralidade administrativa, patrimônio artístico, estético, 
histórico e turístico). 
Para o cabimento da Ação Popular, basta a ilegalidade do ato administrativo por ofensa 
a normas específicas ou desvios dos princípios da Administração Pública, dispensando-
se a demonstração de prejuízo material (STJ. 2ª Turma. AgInt no AREsp 949.377/MG, Rel. 
Min. Herman Benjamin, julgado em 09/03/2017; STF. Plenário. ARE 824781 RG. Rel. Min. 
Dias Toffoli,j. 27/08/2015, Repercussão Geral - Tema 836). 
 
 
138 
(B) INCORRETA. De acordo com o STJ, a ação popular destina-se ao controle de atos 
administrativos lesivos ao patrimônio público, sendo inviável a sua propositura para 
obtenção da declaração de inconstitucionalidade de lei. A ação popular não é remédio 
processual hábil para controverter lei em tese, não sendo sucedâneo da ação direta de 
inconstitucionalidade, devendo ser mantida a sentença que concluiu pela extinção do 
feito por carência de ação pela inadequação da via eleita. Eis precedentes didáticos do 
STJ: 
PROCESSUAL CIVIL – VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC – 
INEXISTÊNCIA – VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL – 
VETADA A ANÁLISE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL – 
COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – ART. 38 DA 
LEI N. 6.830/80 – AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO – 
SÚMULA 211/STJ – AÇÃO POPULAR – IPTU – ALÍQUOTAS 
PROGRESSIVAS – INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI MUNICIPAL 
N. 691/84 – INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA.(...) 2. Não cabe a esta 
Corte analisar dispositivos constitucionais, sob pena de usurpar 
a competência do Supremo Tribunal Federal. (...) 4. No caso dos 
autos, a ação popular foi proposta pelo recorrente, objetivando 
a declaração de nulidade de todas as certidões de dívidas ativas 
do município do Rio de Janeiro, referentes a IPTU lançados a 
partir de 2000, com fundamento no art. 67 da Lei municipal n. 
691/84 ante a inconstitucionalidade das alíquotas progressivas 
de IPTU. 5. O STJ vem firmando o entendimento de que é 
possível a declaração de inconstitucionalidade incidenter 
tantum de lei ou ato normativo federal ou local em sede de 
ação coletiva. Todavia, in casu, a dita imoralidade perpetrada 
pelo recorrente equivale à inconstitucionalidade da Lei 
municipal n. 691/84, sendo certo que a ação popular é via 
imprópria para o controle da constitucionalidade de leis. 6. O 
reconhecimento da inconstitucionalidade alegada, mesmo em 
decisão de primeira instância, terá eficácia erga omnes, com 
efeito geral e abstrato, abrangendo todos os contribuintes de 
IPTU do município do Rio de Janeiro, "subvertendo todo o 
sistema de controle de constitucionalidade adotado pela 
legislação brasileira". Inadequação da via eleita. Recurso especial 
conhecido em parte e nesta improvido. ( REsp 1195516/RJ, Rel. 
Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 
05/08/2010, DJe 19/08/2010). 
 
REMESSA NECESSÁRIA. AÇÃO POPULAR. INDEFERIMENTO DA 
INICIAL. EXTINÇÃO. AUSÊNCIA DE REQUISITOS OU 
PRESSUPOSTOS. INSURGÊNCIA CONTRA LEI EM TESE. 
IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. ACERTO DA DECISÃO 
RECORRIDA. DESPROVIMENTO. Segundo firmes precedentes 
jurisprudenciais oriundos do Superior Tribunal de Justiça, a Ação 
Popular não é a via adequada para questionar Lei em tese, pois 
 
 
139 
ela não é sucedâneo de Ação Direta de Inconstitucionalidade. 
Vistos, relatados e discutidos estes autos acima identificados: 
ACORDA a Primeira Câmara Cível do Tribunal de Justiça da 
Paraíba, por unanimidade, em DESPROVER a Remessa 
Necessária, nos termos do voto do Relator e da certidão de 
julgamento. ( 0800119-83.2017.8.15.0471, Rel. Des. Leandro dos 
Santos, REMESSA NECESSáRIA CíVEL, 1ª Câmara Cível, juntado 
em 12/09/2018) 
Por outro lado, é possível a declaração incidental de inconstitucionalidade em Ação 
Popular, desde que a controvérsia constitucional não figure como pedido, mas sim como 
causa de pedir, fundamento ou simples questão prejudicial, indispensável à resolução 
do litígio principal, em torno da tutela do interesse público (STJ. 1ª Turma. AgInt no REsp 
1352498/DF, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 05/06/2018). 
(C) INCORRETA. A ação popular pode ser preventiva ou repressiva. Será preventiva 
quando for ajuizada antes da efetivação dos efeitos ofensivos. Será repressiva quando o 
objetivo for anular os atos lesivos, conseguir o ressarcimento dos danos causados e a 
recomposição do patrimônio público lesado. A ação popular é, pois, perfeitamente 
compatível com a tutela inibitória. Inclusive, nos termos do art. 22 da Lei de Ação 
Popular, aplicam-se-lhe as disposições do CPC naquilo que não for incompatível. Ainda, 
a tutela preventiva está prevista expressamente na Lei de Ação Civil Pública, aplicável 
em respeito ao microssistema de tutela coletiva. 
(D) INCORRETA. Como visto, a ação popular não se destina a combater lei em tese. 
Contra lei ou ato normativo em tese, cabe ação direta de inconstitucionalidade. 
(E) INCORRETA. O art. 5º da Lei nº 4.717/65 trata sobre a competência da ação popular, 
mas não traz nenhuma regra sobre a competência territorial. O art. 22 da Lei afirma que 
devem ser aplicadas, subsidiariamente, as regras do CPC, naquilo que não contrariar os 
dispositivos da lei nem a natureza específica da ação. De acordo com o STJ, regra geral, 
o autor pode ajuizar a ação popular no foro de seu domicílio, mesmo que o dano tenha 
ocorrido em outro local. Isso porque como a ação popular representa um direito político 
fundamental, deve-se facilitar o seu exercício. No entanto, o STJ entendeu que o caso 
concreto envolvendo Brumadinho era excepcional com inegáveis peculiaridades que 
impõem a adoção de uma solução diferente para evitar tumulto processual. Em face da 
magnitude econômica, social e ambiental do caso concreto, é possível a fixação do juízo 
do local do fato para o julgamento de ação popular que concorre com diversas outras 
ações individuais, populares e civis públicas decorrentes do mesmo dano ambiental (STJ. 
1ª Seção. CC 164362-MG, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 12/06/2019, Info 
662). 
_____________________________________________________________________________ 
89. A pessoa jurídica Alfa é proprietária de enorme terreno no qual pretendia construir 
diversas habitações. O imóvel foi declarado área de preservação permanente, sendo 
impedidas as construções planejadas, motivo pelo qual a pessoa jurídica ajuizou ação 
contra o Estado X, alegando a ocorrência de desapropriação indireta e pleiteando 
indenização. O pedido foi julgado procedente, reconhecendo-se o direito à indenização. 
O pagamento foi efetuado e a área passou formalmente para o Estado X. Tempos depois, 
constatou-se que não houve desocupação da área nem sua recuperação ambiental, o 
 
 
140 
que ensejou o ajuizamento de ação civil pública pelo Ministério Público em face da 
pessoa jurídica Alfa e do Estado X, pugnando-se pelo cumprimento das obrigações de 
desocupação e restauração ambiental da área, bem como dos custos da medida. A 
sentença determinou que o Estado X removesse os ocupantes e promovesse a 
recuperação ambiental, e que a pessoa jurídica Alfa arcasse com os custos das medidas. 
A decisão transitou em julgado. 
Com base no entendimento atual do Superior Tribunal de Justiça e na legislação em vigor, 
é CORRETO afirmar que: 
(A) a legitimidade para o ajuizamento de cumprimento de sentença da obrigação de 
pagar é exclusiva do Estado X, sendo ele o efetivo beneficiário do ressarcimento devido; 
(B) há legitimidade concorrente entre o Ministério Público e o Estado X para exigir o 
cumprimento da obrigação de pagar, mesmo sem o cumprimento da obrigação de fazer; 
(C) há legitimidade suplementar do Estado X para exigir o cumprimento da obrigação de 
pagar, uma vez descumprida a obrigação de fazer pelo ente estadual; 
(D) há legitimidade concorrente entre o Ministério Público e o Estado X para exigir o 
cumprimento da obrigação de pagar, uma vez cumprida a obrigação de fazer pelo ente 
estadual; 
(E) a legitimidade do Ministério Público para demandar o cumprimento da obrigação de 
pagar é exclusiva, uma vez que atuou como parte autora na ação civil pública. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
O STJ reconheceu a legitimidade do MP para promover a execução da sentença, pois o 
caso envolve direitos difusos, como a proteção ambiental. 
A inércia do Estado em cumprir suas obrigações reforça o interesse do MP na execuçãoda decisão. No entanto, o MP só poderá exigir o cumprimento da obrigação de pagar 
após a efetivação da obrigação de fazer pelo Estado. Assim, foi garantida a continuidade 
da atuação do MP no cumprimento da sentença. 
(STJ. 2ª Turma. AREsp 2.072.862-SP, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 4/2/2025, Info 
839). 
_____________________________________________________________________________ 
90. Em razão do surto de sarampo no país, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância 
Sanitária) pretende editar norma regulatória a fim de flexibilizar os procedimentos e 
testes de novas vacinas para garantir cobertura vacinal suficiente à população nacional. 
Diante da obrigatoriedade da AIR (análise de impacto regulatório) e à luz da teoria do 
consequencialismo, é CORRETO afirmar que: 
 
 
141 
(A) nesse caso de urgência evidente, não há necessidade de AIR, tampouco de ARR 
(avaliação de resultado regulatório), tudo na forma da Lei nº 13.848/2019 e do Decreto 
nº 10.411/2020; 
(B) no referido caso, a AIR deverá ser elaborada pelo Ministério da Saúde, uma vez que 
não é mera alteração ou revogação de norma, e sim a criação de nova norma regulatória, 
tudo na forma da Lei nº 13.848/2019 e do Decreto nº 10.411/2020; 
(C) no referido caso de flexibilização de exigências normativas, é imprescindível a AIR; a 
Anvisa deverá, em conjunto com o Ministério da Saúde, elaborar a referida análise 30 
dias após a edição do novo ato normativo; 
(D) a Anvisa, como agência reguladora, tem competência para fiscalizar e sancionar 
agentes do setor regulado de vigilância sanitária, sendo desprovida de competência 
normativa; no referido caso, compete ao Congresso Nacional editar a nova norma e ao 
Ministério da Saúde, elaborar a AIR; 
(E) a AIR poderá ser dispensada, desde que devidamente motivada e tecnicamente 
fundamentada pela urgência existente e assegurada a realização de ARR (avaliação de 
resultado regulatório) até três anos após a edição do ato normativo, tudo na forma da 
Lei nº 13.848/2019 e do Decreto nº 10.411/2020. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
Nos termos do art. 6º da Lei Federal n.º 13.848/2019 – Lei das Agências Reguladoras, “A 
adoção e as propostas de alteração de atos normativos de interesse geral dos agentes 
econômicos, consumidores ou usuários dos serviços prestados serão, nos termos de 
regulamento, precedidas da realização de Análise de Impacto Regulatório (AIR), que 
conterá informações e dados sobre os possíveis efeitos do ato normativo.”. 
Complementarmente, o § 1º estabelece que “Regulamento disporá sobre o conteúdo e 
a metodologia da AIR, sobre os quesitos mínimos a serem objeto de exame, bem como 
sobre os casos em que será obrigatória sua realização e aqueles em que poderá ser 
dispensada.”. Finalmente, o § 5º fixa que, “Nos casos em que não for realizada a AIR, 
deverá ser disponibilizada, no mínimo, nota técnica ou documento equivalente que 
tenha fundamentado a proposta de decisão.”. 
Essa AIR foi regulamentada pelo Decreto Federal n.º 10.411/2020, cujo art. 4º prevê as 
hipóteses em que ela poderá ser dispensada: 
I - urgência; 
II - ato normativo destinado a disciplinar direitos ou obrigações 
definidos em norma hierarquicamente superior que não 
permita, técnica ou juridicamente, diferentes alternativas 
regulatórias; 
III - ato normativo considerado de baixo impacto; 
IV - ato normativo que vise à atualização ou à revogação de 
normas consideradas obsoletas, sem alteração de mérito; 
 
 
142 
V - ato normativo que vise a preservar liquidez, solvência ou 
higidez: 
a) dos mercados de seguro, de resseguro, de capitalização e de 
previdência complementar; 
b) dos mercados financeiros, de capitais e de câmbio; ou 
c) dos sistemas de pagamentos; 
VI - ato normativo que vise a manter a convergência a padrões 
internacionais; 
VII - ato normativo que reduza exigências, obrigações, restrições, 
requerimentos ou especificações com o objetivo de diminuir os 
custos regulatórios; e 
VIII - ato normativo que revise normas desatualizadas para 
adequá-las ao desenvolvimento tecnológico consolidado 
internacionalmente, nos termos do disposto no Decreto nº 
10.229, de 5 de fevereiro de 2020. 
A avaliação de resultado regulatório - ARR está prevista no inciso III do art. 2º do Decreto, 
conceituada como “verificação dos efeitos decorrentes da edição de ato normativo, 
considerados o alcance dos objetivos originalmente pretendidos e os demais impactos 
observados sobre o mercado e a sociedade, em decorrência de sua implementação”. 
Note que a AIR é prévia à edição do ato normativo (de interesse geral dos agentes 
econômicos, consumidores ou usuários dos serviços prestados), ao passo que o ARR é 
posterior à sua implementação. Nos termos do art. 12 do Decreto, “Os atos normativos 
cuja AIR tenha sido dispensada em razão de urgência serão objeto de ARR no prazo de 
três anos, contado da data de sua entrada em vigor.”. Além disso, segundo o art. 14 do 
Decreto, “Os órgãos e as entidades implementarão estratégias para integrar a ARR à 
atividade de elaboração normativa com vistas a, de forma isolada ou em conjunto, 
proceder à verificação dos efeitos obtidos pelos atos normativos de interesse geral de 
agentes econômicos ou de usuários dos serviços prestados.”. Complementar seu § 4º 
que “Os órgãos e as entidades divulgarão, no primeiro ano de cada mandato 
presidencial, em seu sítio eletrônico, a agenda de ARR, que deverá ser concluída até o 
último ano daquele mandato e conter a relação de atos normativos submetidos à ARR, 
a justificativa para sua escolha e o seu cronograma para elaboração da ARR.”. 
_____________________________________________________________________________ 
91. O contrato de concessão rodoviária firmado em 2018, entre o Estado do Tocantins e 
a concessionária ABC, tem vigência até 2048. Acontece que, desde a época da pandemia 
de covid-19 (caso fortuito e força maior), a concessionária vem suportando prejuízo 
econômico e está em dificuldades para manter a operação rodoviária. 
Considerando o estímulo à consensualidade administrativa e a Lei nº 13.448/2017, é 
CORRETO afirmar que: 
(A) deve ocorrer a caducidade da concessão e ser realizada uma nova licitação pública 
para exploração do serviço público; 
(B) o pleito de reequilíbrio econômico-financeiro deverá ser homologado na via judicial 
e o contrato, prorrogado antecipadamente por mais 30 anos; 
 
 
143 
(C) o estado deve encampar o serviço concedido, sendo dispensados o pagamento de 
indenização ao concessionário e a exigência de autorização legislativa; 
(D) o concessionário pode requerer a extinção do contrato de concessão e o estado, 
promover a relicitação, na forma da Lei nº 13.448/2017; 
(E) o poder concedente deve subvencionar o contrato e promover a prorrogação 
antecipada da concessão por mais 30 anos, transferindo a titularidade do serviço para a 
empresa subcontratada, na forma da Lei nº 13.448/2017. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
Os institutos da relicitação e da prorrogação antecipada vêm assim conceituados na Lei 
Federal n.º 13.448/2017: 
Art. 4º Para os fins desta Lei, considera-se: 
I - prorrogação contratual: alteração do prazo de vigência do 
contrato de parceria, expressamente admitida no respectivo 
edital ou no instrumento contratual original, realizada a critério 
do órgão ou da entidade competente e de comum acordo com o 
contratado, em razão do término da vigência do ajuste; 
II - prorrogação antecipada: alteração do prazo de vigência do 
contrato de parceria, quando expressamente admitida a 
prorrogação contratual no respectivo edital ou no instrumento 
contratual original, realizada a critério do órgão ou da entidade 
competente e de comum acordo com o contratado, produzindo 
efeitos antes do término da vigência do ajuste; 
III - relicitação: procedimento que compreende a extinção 
amigável do contratode parceria e a celebração de novo ajuste 
negocial para o empreendimento, em novas condições 
contratuais e com novos contratados, mediante licitação 
promovida para esse fim. 
(A) INCORRETA. A caducidade é forma de extinção da concessão por culta do contratado, 
em caso de inexecução total ou parcial do contrato (art. 38, Lei Federal n.º 8.987/1995 
– Lei Geral de Concessões). Diferentemente, a Lei Federal n.º 13.448/2017 prevê a 
relicitação no caso de o contratado demonstrar incapacidade de adimplir as obrigações 
contratuais ou financeiras assumidas originalmente, justamente como alternativa à 
declaração de caducidade e aplicação de sanções ao contratado (os processos de 
caducidade e aplicação de sanções ficam sobrestados), extinguindo-se a concessão 
amigavelmente, realizando-se nova licitação com novos interessados (o atual contratado 
não poderá participar). 
(B) INCORRETA. A prorrogação antecipada somente poderá ocorrer se o contrato não 
tiver sido prorrogado anteriormente e por período igual ou inferior ao prazo de 
prorrogação originalmente fixado ou admitido no contrato (art. 5º, § 3º, Lei Federal n.º 
 
 
144 
13.448/2017). Embora o prazo de 30 anos esteja respeitado (entre 2018 e 2048), a 
prorrogação antecipada é uma possibilidade, estando sujeita à discricionariedade do 
órgão ou entidade competente (§ 1º). Não existe exigência de homologação judicial 
alguma de eventual pleito de reequilíbrio econômico-financeiro. 
(C) INCORRETA. Nos termos do art. 37 da Lei Federal n.º 8.987/1995, “Considera-se 
encampação a retomada do serviço pelo poder concedente durante o prazo da 
concessão, por motivo de interesse público, mediante lei autorizativa específica e após 
prévio pagamento da indenização, na forma do artigo anterior.”. 
(D) CORRETA. Vide comentário à letra “A”. 
(E) INCORRETA. Vide comentários às letras “A” e “B”. 
_____________________________________________________________________________ 
92. A empresa ABC, após causar prejuízo financeiro de R$ 250.000,00 ao Município Alfa, 
foi impedida, mediante prévio processo administrativo e pelo prazo de três anos, de 
participar de novas licitações e de ser novamente contratada pela referida entidade 
federativa municipal. 
Com o advento da Lei nº 14.133/2021 e à luz da natureza jurídica contemporânea da 
sanção administrativa, é CORRETO afirmar que: 
(A) a administração local lesada, mediante juízo discricionário e a fim de atender ao 
interesse público, poderá afastar a referida sanção administrativa; 
(B) desde que cumpridos os requisitos legais previstos na Lei nº 14.133/2021 (Art. 163), 
a empresa ABC poderá ser reabilitada e ter a sanção administrativa afastada; 
(C) em razão da natureza da infração cometida e considerando a correspondente sanção 
penal aplicada, o impedimento deve ser integralmente cumprido pela empresa ABC e 
observado pelo Município Alfa; 
(D) apenas a declaração de inidoneidade (sanção de natureza mais branda) comportaria, 
desde que cumpridos os requisitos legais (Art. 163 da Lei nº 14.133/2021), a reabilitação 
do agente econômico infrator; 
(E) dada a natureza jurídica da infração e o valor do dano causado, o parecer prévio da 
assessoria jurídica e a existência de programa de integridade (Art. 163 da Lei nº 
14.133/2021) são legalmente dispensáveis, e a reabilitação do agente poderá ocorrer a 
critério discricionário do Município Alfa. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. A Lei 14.133/2021 estabelece um rol de sanções administrativas, 
incluindo advertência, multa, impedimento de licitar e contratar, e declaração de 
inidoneidade, devendo a Administração Pública aplicar as sanções previstas na lei 
 
 
145 
quando constatada a prática de infrações por parte de licitantes ou contratados, 
conforme os artigos 155 e seguintes da lei. 
A aplicação das sanções visa garantir a probidade administrativa, a segurança jurídica e 
a eficiência nas contratações públicas, além de proteger o interesse público. 
(B) CORRETA. 
Lei 14.133/21 - Art. 163. É admitida a reabilitação do licitante ou 
contratado perante a própria autoridade que aplicou a 
penalidade, exigidos, cumulativamente: 
I - reparação integral do dano causado à Administração Pública; 
II - pagamento da multa; 
III - transcurso do prazo mínimo de 1 (um) ano da aplicação da 
penalidade, no caso de impedimento de licitar e contratar, ou de 
3 (três) anos da aplicação da penalidade, no caso de declaração 
de inidoneidade; 
IV - cumprimento das condições de reabilitação definidas no ato 
punitivo; 
V - análise jurídica prévia, com posicionamento conclusivo 
quanto ao cumprimento dos requisitos definidos neste artigo. 
Parágrafo único. A sanção pelas infrações previstas nos incisos 
VIII e XII do caput do art. 155 desta Lei exigirá, como condição de 
reabilitação do licitante ou contratado, a implantação ou 
aperfeiçoamento de programa de integridade pelo responsável. 
(C) INCORRETA. Vide comentário à letra “B”. 
(D) INCORRETA. Nos termos do art. 163, III, da lei 14.133/2021, acima colacionado, se 
depreende, também, que a reabilitação cabe tanto para a sanção de impedimento de 
licitar e contratar, quanto para a sanção de declaração de inidoneidade. 
(E) INCORRETA. Nos termos do art. 163, da lei 14.133/2021, acima colacionado, os 
requisitos previstos em seus incisos devem ser atendidos cumulativamente, assim a 
análise jurídica prévia, com posicionamento conclusivo quanto ao cumprimento dos 
requisitos necessários à reabilitação não poderá ser dispensada. 
_____________________________________________________________________________ 
93. A sociedade empresária Alfa foi investigada em razão da suposta prática de diversos 
crimes, entre eles, fraude a licitação. O Ministério Público ajuizou ação civil pública em 
seu desfavor, imputando-lhe condutas previstas na Lei nº 12.846/2013 (Lei 
Anticorrupção), bem como na Lei nº 8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa). 
No curso do processo foi ventilada a possibilidade de celebração de acordo de não 
persecução cível. 
À luz do ordenamento jurídico em vigor e da jurisprudência atualizada do Superior 
Tribunal de Justiça, é CORRETO afirmar que: 
(A) a inicial não pode ser recebida, uma vez que a utilização conjunta da Lei de 
Improbidade Administrativa e da Lei Anticorrupção para fundamentar uma mesma ação 
civil configura violação ao princípio do non bis in idem; 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/l14133.htm#art155viii
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/l14133.htm#art155viii
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/l14133.htm#art155xii
 
 
146 
(B) a utilização concomitante das duas legislações para fundamentar a mesma ação não 
é viável, fato que deve ser analisado em fase de sentença, quando da análise do mérito 
e da natureza das infrações; 
(C) o acordo de não persecução cível não seria mais possível, visto já ter sido ajuizada 
ação civil, cabendo acordo de leniência; 
(D) a exigência da demonstração do efetivo prejuízo, em relação a ato de improbidade 
administrativa que cause lesão ao erário, se aplica aos processos ainda em curso, não 
mais se admitindo a teoria do dano in re ipsa; 
(E) o acordo de não persecução cível não seria mais possível, visto já ter sido ajuizada 
ação civil, cabendo acordo de colaboração premiada. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. A Lei Anticorrupção e a Lei de Improbidade Administrativa podem ser 
usadas simultaneamente para fundamentar uma ação civil pública, desde que não 
resultem em punições idênticas pelos mesmos fatos. 
Em julgamento do REsp 2.107.398, em 18 de fevereiro de 2025, o Superior Tribunal de 
Justiça destacou que o Pacto de San José da Costa Rica não se aplica a pessoas jurídicas 
e que princípio do non bis in idem só é violado se houver duplicidadede sanções 
idênticas pelos mesmos atos. 
Ou seja, o simples uso conjunto das leis não configura violação ao princípio, sendo que 
a análise sobre eventual sobreposição de penalidades deve ser feita na sentença, e não 
na fase inicial do processo. 
(B) INCORRETA. Vide comentário à letra “A”. 
(C) INCORRETA. O acordo de não persecução cível pode ser celebrado mesmo após o 
ajuizamento da ação de improbidade administrativa, podendo ocorrer tanto na fase de 
investigação quanto na fase processual, inclusive em grau recursal. A Lei nº 14.230/2021, 
que alterou a Lei de Improbidade Administrativa, trouxe previsão expressa sobre a 
possibilidade do acordo de não persecução civil, inclusive na fase de execução da 
sentença: 
Art. 17-B. O Ministério Público poderá, conforme as 
circunstâncias do caso concreto, celebrar acordo de não 
persecução civil, desde que dele advenham, ao menos, os 
seguintes resultados: 
I - o integral ressarcimento do dano; 
II - a reversão à pessoa jurídica lesada da vantagem indevida 
obtida, ainda que oriunda de agentes privados. 
§ 1º A celebração do acordo a que se refere o caput deste artigo 
dependerá, cumulativamente: 
 
 
147 
I - da oitiva do ente federativo lesado, em momento anterior ou 
posterior à propositura da ação; 
II - de aprovação, no prazo de até 60 (sessenta) dias, pelo órgão 
do Ministério Público competente para apreciar as promoções 
de arquivamento de inquéritos civis, se anterior ao ajuizamento 
da ação; 
III - de homologação judicial, independentemente de o acordo 
ocorrer antes ou depois do ajuizamento da ação de improbidade 
administrativa. 
§ 2º Em qualquer caso, a celebração do acordo a que se refere o 
caput deste artigo considerará a personalidade do agente, a 
natureza, as circunstâncias, a gravidade e a repercussão social do 
ato de improbidade, bem como as vantagens, para o interesse 
público, da rápida solução do caso. 
§ 3º Para fins de apuração do valor do dano a ser ressarcido, 
deverá ser realizada a oitiva do Tribunal de Contas competente, 
que se manifestará, com indicação dos parâmetros utilizados, no 
prazo de 90 (noventa) dias. 
§ 4º O acordo a que se refere o caput deste artigo poderá ser 
celebrado no curso da investigação de apuração do ilícito, no 
curso da ação de improbidade ou no momento da execução da 
sentença condenatória. 
§ 5º As negociações para a celebração do acordo a que se refere 
o caput deste artigo ocorrerão entre o Ministério Público, de um 
lado, e, de outro, o investigado ou demandado e o seu defensor. 
§ 6º O acordo a que se refere o caput deste artigo poderá 
contemplar a adoção de mecanismos e procedimentos internos 
de integridade, de auditoria e de incentivo à denúncia de 
irregularidades e a aplicação efetiva de códigos de ética e de 
conduta no âmbito da pessoa jurídica, se for o caso, bem como 
de outras medidas em favor do interesse público e de boas 
práticas administrativas. 
§ 7º Em caso de descumprimento do acordo a que se refere o 
caput deste artigo, o investigado ou o demandado ficará 
impedido de celebrar novo acordo pelo prazo de 5 (cinco) anos, 
contado do conhecimento pelo Ministério Público do efetivo 
descumprimento. 
(D) CORRETA. A exigência do efetivo prejuízo, em relação ao ato de improbidade 
administrativa que causa lesão ao erário, prevista no art. 10, caput, da Lei nº 8.429/92 
(com redação dada pela Lei nº 14.230/2021) se aplica aos processos ainda em curso.” 
(STJ. 1ª Turma. REsp 1.929.685-TO, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 27/8/2024). 
(E) INCORRETA. Vide comentário à letra “C”. 
_____________________________________________________________________________ 
94. No Município X, foi promulgada uma lei municipal que atribuiu à Guarda Civil 
Metropolitana atividades de policiamento preventivo e comunitário, permitindo-lhe 
 
 
148 
exercer, no âmbito do ente federativo, ações de segurança urbana. O procurador-geral 
de Justiça ajuizou representação pela inconstitucionalidade da lei municipal, perante o 
Tribunal de Justiça, aduzindo que as atribuições previstas ultrapassavam os limites 
constitucionais impostos ao papel das guardas municipais. 
À luz do entendimento do Supremo Tribunal Federal e dos termos da Lei Federal nº 
13.022/2014, é CORRETO afirmar que: 
(A) a lei municipal em comento é inconstitucional, visto que as funções por ela conferidas 
aos guardas municipais se confundem com atividades de segurança pública, cuja 
competência é atribuída às polícias civil e militar; 
(B) lei municipal não pode dispor sobre tema que não se relacione com a proteção de 
bens, serviços, logradouros públicos municipais e instalações do município, cabendo à 
lei federal estabelecer outras funções às guardas municipais; 
(C) é constitucional, no âmbito dos municípios, o exercício de ações de segurança urbana 
pelas guardas municipais, inclusive policiamento ostensivo e comunitário, respeitadas as 
atribuições dos demais órgãos de segurança pública; 
(D) a guarda municipal não faz parte do Sistema Único de Segurança Pública, motivo pelo 
qual legislação municipal somente pode dispor sobre atribuição da guarda municipal 
relacionada à proteção do patrimônio físico dos municípios; 
(E) nos termos da Lei Federal nº 13.022/2014, são competências específicas das guardas 
municipais zelar pelos bens, equipamentos e prédios públicos do município e indiciar 
autor de infração em flagrante delito. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Vide comentário à letra “C”. 
(B) INCORRETA. Vide comentário à letra “C”. 
(C) CORRETA. É constitucional, no âmbito dos municípios, o exercício de ações de 
segurança urbana pelas Guardas Municipais, inclusive policiamento ostensivo e 
comunitário, respeitadas as atribuições dos demais órgãos de segurança pública 
previstos no art. 144 da Constituição Federal e excluída qualquer atividade de polícia 
judiciária, sendo submetidas ao controle externo da atividade policial pelo Ministério 
Público, nos termos do artigo 129, inciso VII, da CF. Conforme o art. 144, § 8º, da 
Constituição Federal, as leis municipais devem observar as normas gerais fixadas pelo 
Congresso Nacional.” (STF. Plenário. RE 608.588/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 
20/02/2025 (Repercussão geral – Tema 656). 
(D) INCORRETA. As guardas civis municipais integram o Sistema único de Segurança 
Pública, conforme disposição expressa da Lei Federal nº 13.675/18, que disciplina a 
organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis pela segurança pública. 
 
 
149 
Art. 9º É instituído o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), 
que tem como órgão central o Ministério Extraordinário da 
Segurança Pública e é integrado pelos órgãos de que trata o art. 
144 da Constituição Federal , pelos agentes penitenciários, pelas 
guardas municipais e pelos demais integrantes estratégicos e 
operacionais, que atuarão nos limites de suas competências, de 
forma cooperativa, sistêmica e harmônica. 
(E) INCORRETA. A Lei Federal nº 13.022/14, que dispõe sobre o Estatuto Geral das 
Guardas Municipais, ao definir as competências específicas em seu art. 5º, estabelece 
caber às guardas municipais “I - zelar pelos bens, equipamentos e prédios públicos do 
Município” e XIV - encaminhar ao delegado de polícia, diante de flagrante delito, o autor 
da infração, preservando o local do crime, quando possível e sempre que necessário”. 
_____________________________________________________________________________ 
NOÇÕES GERAIS DE DIREITO E FORMAÇÃO HUMANÍSTICA 
 
95. Ao apresentar sua contestação, o demandado sustentou que os argumentos usados 
pelo demandante para alicerçar a pretensão deduzida em juízo estavam baseados em 
um conteúdo normativo que destoava da lógica do razoável. Assim ocorria, ainda 
segundo o demandado, porque, na perspectiva desse método, padrões normativos 
cumprem a funcionalidade de estabilizar as relações sociais, coadunando-se com o 
referencial de previsibilidade,o que exige que o seu conteúdo apresente uma relação de 
sobreposição com o denominado programa da norma. Com isso, o intérprete se afasta 
de uma atividade criativa, que seria potencializada caso se admitisse a influência de 
referenciais axiológicos. 
O magistrado competente, ao analisar a visão do demandado na perspectiva da lógica 
do razoável, observou corretamente que: 
(A) a lógica formal é sempre preferível à lógica do problema concreto; 
(B) a função do intérprete é a de individualizar o sentido imanente da norma; 
(C) somente referenciais deônticos devem ser considerados pelo intérprete, não 
referenciais axiológicos; 
(D) a exatidão própria das proposições matemáticas não pode ser transposta para os 
conteúdos normativos; 
(E) juízos de fato, direcionados pelos referenciais de neutralidade e tolerância, norteiam 
a atividade do intérprete, não juízos de valor. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144
 
 
150 
Conforme a doutrina de José Afonso da Silva e Gilmar Mendes, a interpretação jurídica 
guiada pela lógica do razoável não se vincula a uma rigidez formal, típica da lógica 
matemática. Ao contrário, ela considera as complexidades e pluralidades dos casos 
concretos, promovendo uma racionalidade prática que permite alcançar soluções 
equitativas e juridicamente adequadas. 
Trata-se de uma lógica que reconhece o caráter aberto e valorativo dos textos 
normativos, permitindo que o intérprete leve em consideração elementos axiológicos, 
sociais e culturais relevantes. 
1. Inadequação da lógica formal exata: 
o O conteúdo normativo não se reduz a enunciados fechados com única 
resposta correta a partir de silogismos formais. Essa visão ignora a 
dimensão principiológica, valorativa e teleológica do Direito. 
o Assim, a exatidão matemática não pode ser aplicada aos conteúdos 
normativos, pois eles não comportam a mesma rigidez lógica. 
_____________________________________________________________________________ 
96. Em determinada relação processual, o demandante argumentou que celebrara com 
o demandado um contrato inteligente, tendo informado ao juízo que o ajuste deveria 
ser assim considerado por ter três características: 
I. parte do contrato é executada a partir de uma cadeia digital de blocos interligados; 
II. as informações são conectadas com o uso de criptografia; 
III. está lastreado em uma tecnologia de base de dados centralizada. 
O magistrado competente, ao analisar as características expostas pelo demandante, 
concluiu corretamente, em relação à sua correspondência a um contrato inteligente, que 
está(ão) enquadrada(s) nessa categoria: 
(A) I, apenas; 
(B) III, apenas; 
(C) I e II, apenas; 
(D) II e III, apenas; 
(E) I, II e III. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
O contrato inteligente (smart contract), conforme definido na doutrina jurídica e na 
literatura técnica sobre tecnologia blockchain, possui as seguintes características 
essenciais: 
 
 
151 
1. Execução automatizada com base em blockchain (cadeia digital de blocos 
interligados) 
o A característica fundamental do contrato inteligente é a sua execução 
automática por meio de códigos de programação inseridos em uma 
blockchain. 
o Trata-se de um contrato cujas cláusulas são transformadas em código e 
executadas automaticamente quando determinadas condições são 
verificadas na rede. 
2. Uso de criptografia para segurança das informações 
o A criptografia é elemento essencial da tecnologia blockchain, garantindo 
a integridade e a segurança dos dados, bem como a imutabilidade dos 
registros. 
o Assim, é correto afirmar que contratos inteligentes utilizam criptografia 
como parte de sua estrutura técnica. 
3. Base de dados descentralizada 
o A blockchain é, por definição, uma tecnologia de base de dados 
descentralizada, na qual os registros são distribuídos entre vários nós da 
rede. 
o Essa descentralização é precisamente o que garante a confiabilidade do 
sistema, evitando a dependência de uma única entidade controladora. 
_____________________________________________________________________________ 
97. Ao julgar uma demanda coletiva, que surgiu a partir do ajuizamento de ação civil 
pública em prol de determinado interesse transindividual benéfico a um grupo passível 
de ser individualizado, o magistrado competente se deparou com o argumento de que a 
sentença deveria ser sensível a um referencial de predição, que integra a análise 
econômica do direito. 
Ao refletir sobre o referido argumento, o magistrado observou corretamente que, em 
uma perspectiva econômica, a sentença deve: 
(A) promover a ponderação das consequências que advirão do acolhimento da 
pretensão formulada, considerando os diversos aspectos econômicos envolvidos; 
(B) ater-se ao direito, não avançando em juízos de prognose próprios das estruturas 
estatais de poder que possuem legitimidade e expertise para a sua realização; 
(C) apenas explicar a forma de atendimento ao interesse coletivo em um ambiente de 
escassez, considerando a situação factual de insuficiência que ensejou a demanda; 
(D) realizar a ponderação dos interesses a serem atendidos com aqueles que serão 
preteridos no momento do julgamento, considerada a limitação dos recursos existentes; 
(E) promover a interpretação do direito em uma perspectiva pragmática, de modo a 
alcançar os resultados economicamente mais eficientes no momento atual. 
 
 
152 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
A Análise Econômica do Direito (AED), conforme difundida por autores como Richard 
Posner, propõe que o julgador leve em consideração não apenas a literalidade da norma, 
mas também as consequências práticas e econômicas de sua aplicação, buscando 
maximizar a eficiência alocativa dos recursos sociais. No contexto de uma ação civil 
pública, voltada à tutela de direitos coletivos ou difusos, essa análise é ainda mais 
relevante, pois: 
• Os efeitos da decisão judicial tendem a se espraiar para toda a coletividade 
afetada; 
• Há, muitas vezes, envolvimento de recursos públicos e impactos econômicos 
relevantes, exigindo do julgador atenção à eficiência e aos custos sociais da 
decisão. 
A alternativa (A) reflete com precisão a proposta da AED ao sugerir que o magistrado 
deve: "promover a ponderação das consequências que advirão do acolhimento da 
pretensão formulada, considerando os diversos aspectos econômicos envolvidos." 
Isso está em linha com a ideia de decisões judiciais prospectivas, que avaliam os efeitos 
futuros de suas determinações. 
(B) INCORRETA. Afirma uma neutralidade excessiva, desconsiderando o papel do 
magistrado na ponderação dos impactos de sua decisão. 
(C) INCORRETA. Reduz o problema ao conceito de escassez, sem contemplar os critérios 
de eficiência ou externalidades econômicas. 
(D) INCORRETA. Ainda que mencione a ponderação, foca apenas na limitação de 
recursos, não abrangendo o critério mais amplo de consequências econômicas. 
(E) INCORRETA. A eficiência é relevante, mas a AED não se limita a resultados "no 
momento atual", e sim à eficiência intertemporal e impactos futuros. 
_____________________________________________________________________________ 
98. O setor de tecnologia da informação do Poder Executivo do Município Alfa promoveu 
o uso compartilhado de dados pessoais mantidos por esse ente federativo com uma 
pessoa jurídica de direito privado. Ao tomar conhecimento desse fato, Maria, cidadã 
residente no território de Alfa, ajuizou ação popular na qual sustentou a ilicitude desse 
proceder à luz da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. 
O magistrado competente, ao analisar a tese de Maria, concluiu corretamente,em 
relação ao referido uso compartilhado, que ele: 
(A) é expressamente vedado; 
 
 
153 
(B) está sujeito apenas ao juízo de conveniência e oportunidade da Administração 
Pública; 
(C) somente é admitido quando a transferência for respaldada em contrato, convênio ou 
instrumento congênere; 
(D) deve ser informado à autoridade nacional, na forma de regulamento, e depende do 
consentimento do titular, excetuadas apenas as situações indicadas em lei; 
(E) sempre necessita do consentimento do titular, que pode ser afastado quando o 
interesse público o exigir, devendo ser realizada a imediata comunicação à autoridade 
nacional. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018) estabelece normas 
“rigorosas” para o tratamento de dados pessoais por agentes públicos e privados, 
especialmente no tocante ao compartilhamento de tais dados. No caso da Administração 
Pública, o compartilhamento com pessoas jurídicas de direito privado exige, em regra, o 
consentimento do titular e a comunicação à Autoridade Nacional de Proteção de Dados 
(ANPD), salvo hipóteses legais expressamente previstas. Assim, ao analisar a 
controvérsia apresentada na ação popular ajuizada por Maria, o magistrado deve 
considerar o regramento específico da LGPD, sobretudo o disposto no art. 26, § 1º. A 
seguir, analisam-se individualmente as alternativas apresentadas. 
(A) INCORRETA. Essa alternativa está incorreta, pois o compartilhamento de dados 
pessoais pelo Poder Público com entidades privadas não é proibido pela LGPD, mas sim 
condicionado a determinados requisitos legais. O art. 26, § 1º, admite expressamente o 
compartilhamento, desde que haja consentimento do titular e comunicação à ANPD, 
salvo exceções legais. Portanto, afirmar que é "expressamente vedado" revela 
desconhecimento do regime jurídico da matéria. 
(B) INCORRETA. Essa alternativa também é incorreta, pois o compartilhamento de dados 
não é uma questão de simples discricionariedade administrativa. A LGPD impõe limites 
e condições legais objetivas, como a exigência de consentimento do titular e a 
necessidade de comunicação à ANPD. O juízo de conveniência e oportunidade não pode 
se sobrepor aos preceitos legais que regem a proteção de dados pessoais. 
(C) INCORRETA. Apesar de contratos e convênios poderem formalizar o 
compartilhamento, essa não é uma condição suficiente ou exclusiva prevista na LGPD. O 
que a lei exige, de forma clara, é o consentimento do titular e a comunicação à ANPD, 
salvo nas hipóteses legais de dispensa. Assim, essa alternativa reduz indevidamente os 
requisitos legais ao aspecto meramente formal do instrumento jurídico. 
(D) CORRETA. Esta é a alternativa correta, pois está integralmente de acordo com o art. 
26, § 1º, da LGPD. A norma estabelece que o compartilhamento de dados pelo Poder 
Público com pessoas de direito privado deve ser informado à ANPD e depender do 
 
 
154 
consentimento do titular, salvo nas hipóteses de dispensa expressamente previstas em 
lei. Trata-se de regra fundamental para garantir a transparência, a segurança jurídica e a 
proteção dos direitos dos titulares. 
(E) INCORRETA. Embora pareça próxima da correta, essa alternativa incorre ao afirmar 
que o consentimento pode ser afastado com base genérica em “interesse público”, o que 
não está conforme a LGPD. A dispensa do consentimento não decorre de uma cláusula 
aberta, mas sim de hipóteses taxativamente previstas na própria lei (Arts. 7º e 11). 
Ademais, a exigência de “imediata comunicação” à ANPD não está assim redigida na 
norma, que apenas prevê a necessidade de comunicação "na forma do regulamento". 
Portanto, a alternativa não reflete com precisão os comandos legais. 
_____________________________________________________________________________ 
DIREITOS HUMANOS 
 
99. O sistema regional interamericano de proteção dos direitos humanos envolve um 
conjunto de normas importantes para dar cabo a tal desiderato. Regramento vital é a 
Convenção Americana sobre Direitos Humanos que traz dois atores competentes para 
conhecer dos assuntos relacionados com o cumprimento dos compromissos assumidos 
pelos Estados-Partes nessa Convenção. A Corte Interamericana de Direitos Humanos é 
composta de sete juízes, eleitos a título pessoal dentre juristas da mais alta autoridade 
moral, de reconhecida competência em matéria de direitos humanos, que reúnam as 
condições requeridas para o exercício das mais elevadas funções judiciais, de acordo 
com a lei do Estado do qual sejam nacionais ou do Estado que os propuser como 
candidatos. 
Quanto aos efeitos das decisões da mencionada Corte, é CORRETO afirmar que: 
(A) não é dado à Corte reconhecer o pagamento de indenização à parte lesada, muito 
embora seja possível reconhecer a violação a direitos previstos na Convenção; 
(B) é facultativo ao Estado-Parte do caso submetido à Corte o cumprimento das decisões, 
porque esta exerce apenas e tão somente função consultiva à Comissão Interamericana 
de Direitos Humanos; 
(C) é possível que a Corte determine a reforma da legislação ordinária do Estado-Parte, 
mas jamais a mudança da respectiva Constituição, porquanto só se permite a análise das 
normas infraconstitucionais; 
(D) é conferido à Corte, dentre seus atributos, nulificar ou mesmo derrogar normas 
internas de Estados-Partes, não estando em sua prática a declaração de não aplicação 
de normas com efeito erga omnes para todos os poderes públicos; 
(E) existe força obrigatória dos precedentes da Corte, o que significa haver eficácia 
vinculante dos fundamentos determinantes das suas decisões, fazendo com que os 
juízes do Estado subscritor da Convenção se submetam à interpretação da Corte em 
relação à Convenção. 
_______________________________________________________________________ 
 
 
155 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
O Sistema Interamericano de Proteção dos Direitos Humanos, consolidado a partir da 
Convenção Americana sobre Direitos Humanos (CADH), estrutura-se em torno de dois 
órgãos principais: a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e a Corte 
Interamericana de Direitos Humanos. A Corte, com sede em San José, Costa Rica, tem 
função jurisdicional e consultiva e suas decisões possuem força vinculante nos casos em 
que os Estados-Partes tenham reconhecido sua jurisdição contenciosa. Com base na 
normativa vigente (Convenção Americana e regulamentações correlatas) e na doutrina 
consolidada, analisam-se abaixo as alternativas apresentadas quanto aos efeitos das 
decisões da Corte. 
(A) CORRETA. Essa alternativa está em desacordo com o texto expresso da Convenção 
Americana. Nos termos do art. 63.1 da CADH, “quando decidir que houve violação de um 
direito ou liberdade protegidos pela Convenção, a Corte disporá que se assegure à parte 
lesada o gozo do seu direito ou liberdade violados. Além disso, se for o caso, disporá que 
se repare as consequências da medida ou situação que configurou a violação desses 
direitos e o pagamento de uma indenização justa à parte lesada.” Assim, está pacificado 
que a Corte pode e deve reconhecer e determinar indenizações, o que invalida 
completamente a assertiva da alternativa A. 
(B) CORRETA. A Corte Interamericana exerce função jurisdicional e consultiva, conforme 
o art. 62 da CADH. Quando um Estado reconhece a jurisdição contenciosa da Corte 
(como o Brasil o fez por meio do Decreto Legislativo nº 89/1998 e do Decreto nº 
4.463/2002), ele se obriga a cumprir as decisões proferidas nos casos em que figure 
como parte. O art. 68.1 da CADH é claro: “Os Estados Partes na Convenção 
comprometem-se a cumprir a decisão da Corte em todo caso em que forem partes.” 
Portanto, o cumprimento das decisões não é facultativo, sendo obrigatório para os 
Estados jurisdicionados. 
(C) CORRETA. A alternativa C incorre em erro ao limitar a autoridade da Corte à legislação 
ordinária. A jurisprudência consolidada da CorteInteramericana, inclusive com 
precedentes envolvendo o Brasil, admite que normas constitucionais também podem 
ser incompatíveis com a Convenção. No caso “Trabajadores Cesados del Congreso (Peru) 
vs. Peru” (2006), e no caso “Gomes Lund e outros vs. Brasil” (2010), a Corte afirmou que 
todas as normas internas, inclusive constitucionais, devem ser compatibilizadas com a 
CADH. A doutrina de Valerio Mazzuoli reforça que o controle de convencionalidade se 
impõe inclusive sobre normas constitucionais, sob pena de responsabilidade 
internacional do Estado. 
(D) CORRETA. A Corte não tem competência para “nulificar” ou “derrogar” normas 
internas, pois não atua como corte constitucional nacional. No entanto, ao exercer o 
controle de convencionalidade, a Corte pode declarar que determinada norma não deve 
ser aplicada por ser incompatível com a Convenção, o que gera efeitos obrigatórios para 
o Estado-Parte no caso concreto. Esse controle não possui efeito erga omnes automático, 
mas vincula o Estado no caso julgado e serve como parâmetro interpretativo para 
 
 
156 
decisões futuras, conforme reconhecido em diversos julgados, como “Gelman vs. 
Uruguai” (2011). 
(E) INCORRETA. A Corte IDH já afirmou reiteradamente que suas decisões possuem 
efeito vinculante para os Estados-Partes, inclusive quanto à interpretação da Convenção. 
No caso “Almonacid Arellano vs. Chile” (2006), estabeleceu-se que os juízes internos 
devem interpretar a legislação nacional em conformidade com a jurisprudência da Corte, 
respeitando seus fundamentos determinantes. A doutrina de Flávia Piovesan confirma 
esse entendimento, destacando que o controle de convencionalidade deve ser exercido 
por todos os poderes do Estado, inclusive o Judiciário, em consonância com a 
jurisprudência da Corte Interamericana. 
_____________________________________________________________________________ 
100. Em 2021, seguindo o procedimento detalhado pela Constituição Federal para 
tratados internacionais de Direitos Humanos, o Brasil ratificou a Convenção 
Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de 
Intolerância. Trata-se de instrumento legal que estabelece tanto direitos que devem ser 
garantidos a todos quanto deveres que os Estados-membros devem cumprir para 
combater o racismo e outras formas de discriminação e intolerância. 
De acordo com essa Convenção, caso tenha sido vítima de uma violação dos direitos ali 
previstos, um brasileiro poderá apresentar uma denúncia à Comissão Interamericana de 
Direitos Humanos, desde que: 
(A) tenha recebido um parecer favorável da Procuradoria-Geral da República; 
(B) não tenha sido suscitado o incidente de deslocamento de competência no plano 
doméstico; 
(C) a matéria da denúncia não esteja pendente de outro processo de solução 
internacional; 
(D) seja representado por advogado ou advogada inscrito(a) na Ordem dos Advogados 
do Brasil ou por defensor(a) público(a); 
(E) o Ministério da Igualdade Racial, ou órgão equivalente, tenha restado inerte ou 
omisso frente à violação pelo prazo de seis meses. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
A Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas 
Correlatas de Intolerância, ratificada pelo Brasil com status de norma constitucional em 
2021 (Decreto Legislativo nº 1/2021 e Decreto nº 10.932/2022), integra o corpo 
normativo interamericano de direitos humanos. Como todo tratado de direitos humanos 
submetido à jurisdição do Sistema Interamericano, a sua aplicação admite, nos termos 
da Convenção Americana sobre Direitos Humanos e do Regulamento da Comissão 
Interamericana de Direitos Humanos, a apresentação de petições individuais à 
 
 
157 
Comissão. Essa possibilidade está condicionada ao preenchimento de certos requisitos 
de admissibilidade, conforme exposto abaixo. 
(A) INCORRETA. O procedimento de admissibilidade de petições individuais no Sistema 
Interamericano não exige manifestação de autoridades nacionais, como a Procuradoria-
Geral da República. Trata-se de uma instância autônoma de proteção internacional 
subsidiária, acessível diretamente pelo indivíduo ou grupo lesado, desde que 
respeitados os requisitos fixados no art. 46 da Convenção Americana e no Regulamento 
da Comissão. A exigência de parecer da PGR é estranha ao sistema e não encontra 
respaldo em norma vigente ou prática institucional da OEA. 
(B) INCORRETA. O incidente de deslocamento de competência (IDC), previsto no art. 
109, § 5º, da Constituição Federal, refere-se ao deslocamento da persecução penal da 
justiça estadual para a federal em casos de graves violações de direitos humanos. Tal 
instituto é interno ao ordenamento jurídico brasileiro e não condiciona a admissibilidade 
de petições perante a Comissão Interamericana, que examina exclusivamente os 
critérios de sua própria normativa. 
(C) CORRETA. Essa é a alternativa correta, conforme estabelece o art. 46, inciso 1, alínea 
c, da Convenção Americana sobre Direitos Humanos. Tal dispositivo determina que uma 
petição não será admitida se estiver pendente de outro procedimento internacional de 
investigação ou solução, com o objetivo de evitar duplicidade de foros internacionais. 
Essa regra, consagrada também no Regulamento da Comissão, visa garantir a coerência 
e a segurança jurídica do sistema internacional de proteção. 
(D) INCORRETA. A exigência prevista nessa alternativa é inexistente no sistema 
interamericano. A Comissão Interamericana não restringe a representação a advogados 
com inscrição na OAB ou a defensores públicos. A própria vítima, um representante legal 
ou qualquer pessoa ou grupo de pessoas pode apresentar petição, inclusive sem 
necessidade de advogado, conforme disposto no art. 23 do Regulamento da Comissão. 
Tal liberalidade visa facilitar o acesso à justiça internacional. 
(E) INCORRETA. Não há qualquer exigência na Convenção ou nos regulamentos 
interamericanos que condicione a admissibilidade da denúncia à omissão de um órgão 
específico do Poder Executivo. O prazo de seis meses a que a Convenção Americana se 
refere (art. 46.1.b) diz respeito à contagem do tempo a partir da decisão definitiva no 
âmbito interno, e não à atuação ou inércia de um ministério. 
_____________________________________________________________________________17 
O Art. 102 do Estatuto da Pessoa Idosa tipifica "apropriar-se de ou desviar bens, 
proventos, pensão ou qualquer outro rendimento do idoso, dando-lhes aplicação diversa 
da de sua finalidade". A venda do imóvel sem o consentimento da idosa proprietária 
pode configurar esta conduta, ainda que não tenha havido prévia interdição judicial. 
A alternativa (A) não procede, uma vez que o artigo 5º do Estatuto da Pessoa Idosa não 
confere aos familiares autorização para dispor dos bens do idoso sem seu 
consentimento. A conduta de Roberto constitui abuso contra pessoa idosa, 
enquadrando-se precisamente no disposto pelo artigo 43 do Estatuto. 
A alternativa (C) é incorreta, pois o Ministério Público possui legitimidade para atuar na 
defesa dos direitos do idoso independentemente de processo judicial prévio. Esta 
prerrogativa encontra respaldo explícito no caput do artigo 45 do Estatuto da Pessoa 
Idosa. 
A (D) é falsa, pois nenhuma cláusula contratual pode impedir a proteção de direitos 
fundamentais do idoso. 
A (E) é incorreta, pois a intenção protetiva alegada não é suficiente para convalidar a 
alienação não autorizada de bem de propriedade da idosa. 
(C) INCORRETA. Vide comentários alternativa “B”. 
(D) INCORRETA. Vide comentários alternativa “B”. 
(E) INCORRETA. Vide comentários alternativa “B”. 
_____________________________________________________________________________ 
8. Em 2012, Álvaro, empresário de 73 anos, casou-se com Elisa, então com 35 anos, sem 
lavratura de pacto antenupcial. Durante o casamento, Álvaro continuou a gerir sozinho 
seu patrimônio, que incluía imóveis urbanos, ações e cotas de uma sociedade 
empresária. Em 2017, adquiriu, com recursos próprios, um apartamento no litoral, que 
passou a ser utilizado pelo casal como residência de veraneio. O imóvel foi registrado 
apenas em nome de Álvaro. Em 2023, Álvaro faleceu, deixando Elisa e dois filhos de 
casamento anterior. No inventário, Elisa alegou direito à meação do apartamento e, 
subsidiariamente, à herança. Os filhos contestaram ambos os pedidos, afirmando que o 
casal era casado sob o regime de separação obrigatória de bens e que o imóvel fora 
adquirido exclusivamente por Álvaro. 
Considerando a situação descrita e o entendimento atual do STF e do STJ sobre o tema, 
é CORRETO afirmar que Elisa: 
(A) tem direito à meação do imóvel, pois a ausência de pacto antenupcial impõe a 
aplicação do regime da comunhão parcial de bens; 
(B) tem direito à meação do imóvel porque, embora o casamento tenha se dado sob 
separação obrigatória, o bem foi adquirido na constância do casamento e houve esforço 
comum; 
(C) não tem direito à meação, mas é herdeira de Álvaro, concorrendo com os 
descendentes, conforme o Art. 1.829 do Código Civil; 
 
 
18 
(D) não tem direito à meação nem à herança, pois o casamento foi celebrado sob o 
regime de separação obrigatória de bens e Álvaro deixou descendentes; 
(E) é meeira do imóvel porque ele se destinava à residência do casal, sendo bem de uso 
comum, o que excepciona a regra da separação obrigatória. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Vide comentários item “D”. 
(B) INCORRETA. Vide comentários item “D”. 
(C) INCORRETA. Vide comentários item “D”. 
(D) CORRETA. O caso envolve um casamento entre Álvaro, empresário de 73 anos, e 
Elisa, de 35 anos, realizado em 2012, sem pacto antenupcial. Nesta situação, aplica-se o 
regime da separação obrigatória de bens, conforme determina o artigo 1.641, inciso II, 
do Código Civil, que impõe este regime aos nubentes maiores de 70 anos (à época do 
casamento, o limite era 60 anos, alterado pela Lei nº 12.344/2010). 
Embora o apartamento tenha sido adquirido durante o casamento, foi comprado 
exclusivamente com recursos de Álvaro e registrado somente em seu nome. Não 
havendo comprovação de esforço comum de Elisa na aquisição do bem, torna-se 
inaplicável a Súmula 377 do STF, que prevê a comunicação de bens adquiridos na 
constância do matrimônio sob o regime de separação legal. 
Quanto ao direito sucessório, o cônjuge casado sob o regime da separação obrigatória 
de bens não figura como herdeiro necessário quando concorre com descendentes do 
falecido, conforme interpretação do artigo 1.829, inciso I, do Código Civil. 
A alternativa A está incorreta porque não é possível afastar o regime de separação 
obrigatória pela ausência de pacto antenupcial. O STF apenas em 2024 alterou este 
entendimento (ARE 1.309.642/SP, Tema 1236), permitindo a escolha mediante escritura 
pública, mas o casamento ocorreu em 2012 e a morte em 2023, antes dessa mudança 
jurisprudencial. 
A alternativa B está incorreta porque não houve comprovação de esforço comum para 
aplicação da Súmula 377 do STF. 
A alternativa C está incorreta porque o artigo 1.829, I, do CC exclui expressamente o 
cônjuge da sucessão quando casado no regime da separação obrigatória de bens. 
A alternativa E está incorreta porque a destinação do imóvel como residência de 
veraneio não excepciona a regra da separação obrigatória de bens. 
Assim, Elisa não tem direito à meação nem à herança, conforme corretamente indicado 
na alternativa D. 
(E) INCORRETA. Vide comentários item “D”. 
 
 
19 
_____________________________________________________________________________ 
9. A Madeireira ABC Ltda. celebrou contrato com o Hotel XYZ Ltda., comprometendo-se 
a entregar no início do inverno toda a madeira necessária para a temporada, de modo 
que as lareiras do hotel ficassem abastecidas. 
De acordo com a situação hipotética apresentada, o elemento acidental presente no 
caso é o seguinte: 
(A) encargo; 
(B) condição resolutiva; 
(C) termo incerto; 
(D) condição suspensiva; 
(E) termo certo. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Vide comentários item “E”. 
(B) INCORRETA. Vide comentários item “E”. 
(C) INCORRETA. 
(D) INCORRETA. Vide comentários item “E”. 
(E) CORRETA. A alternativa (E) é a correta porque o caso apresenta um termo certo 
como elemento acidental do negócio jurídico. 
No contrato entre a Madeireira ABC Ltda. e o Hotel XYZ Ltda., foi estabelecido que a 
entrega da madeira deveria ocorrer "no início do inverno". Esta estipulação caracteriza 
um termo certo, pois trata-se de um evento futuro e certo, com data determinável pelo 
calendário (o início da estação do inverno). 
O termo, conforme o artigo 131 do Código Civil, é um elemento acidental do negócio 
jurídico que "suspende o exercício, mas não a aquisição do direito". Difere da condição 
porque esta se refere a um evento futuro e incerto (art. 121 CC), enquanto o termo se 
refere a um evento futuro e certo. 
Não se trata de condição suspensiva ou resolutiva (alternativas B e D), pois não há 
incerteza quanto à ocorrência do evento - o inverno certamente chegará. Também não 
é um encargo (alternativa A), que seria uma obrigação acessória imposta ao beneficiário 
de uma liberalidade. E não constitui termo incerto (alternativa C), pois o início do 
inverno tem data predeterminada no calendário. 
 
 
20 
Assim, ao estabelecer o início do inverno como momento para a entrega da madeira, as 
partes fixaram um termo certo para o cumprimento da obrigação, caracterizando 
corretamente a alternativa (E). 
_____________________________________________________________________________ 
10. Roberto e Mônica, casados, faleceram em um acidente de carro juntamente com seu 
único filho, João, de apenas 4 anos. Mônica deixou como herdeiras sua mãe Vera e sua 
irmã Betânia. Já Roberto deixou como herdeiros seus pais, Bento e Laura, além de seus 
irmãos Pedro e Thiago. Não foi possível determinar qual deles faleceu primeiro no 
acidente. 
Diante da situação hipotética apresentada, o juiz da causa deve adotar a: 
(A) premoriência, determinando que Vera receba a herança; 
(B) premoriência, determinando que Bento e Laura recebama herança; 
(C) premoriência, determinando que Vera e Betânia recebam a herança; 
(D) comoriência, determinando que Vera, Bento e Laura recebam a herança; 
(E) comoriência, determinando que Betânia, Pedro e Thiago recebam a herança. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Vide comentários item “D”. 
(B) INCORRETA. Vide comentários item “D”. 
(C) INCORRETA. Vide comentários item “D”. 
(D) CORRETA. No caso apresentado, Roberto, Mônica e seu filho João faleceram em um 
mesmo acidente, não sendo possível determinar quem faleceu primeiro. Esta situação 
caracteriza a comoriência, prevista no art. 8º do Código Civil: "Se dois ou mais indivíduos 
falecerem na mesma ocasião, não se podendo averiguar se algum dos comorientes 
precedeu aos outros, presumir-se-ão simultaneamente mortos." 
Aplicando-se a comoriência, considera-se que Roberto, Mônica e João faleceram ao 
mesmo tempo, o que significa que não houve transmissão de herança entre eles. João, 
sendo filho de Roberto e Mônica e tendo falecido simultaneamente aos pais, não herda 
deles, assim como Roberto não herda de Mônica e vice-versa. 
Os bens de Roberto serão transmitidos aos seus ascendentes, que são seus pais Bento 
e Laura, conforme o art. 1.829, II, do Código Civil. Os irmãos Pedro e Thiago não herdam 
neste caso, pois sendo colaterais, só seriam chamados à sucessão na ausência de 
descendentes e ascendentes. 
Quanto aos bens de Mônica, estes serão transmitidos à sua mãe Vera, que é ascendente 
de primeiro grau. A irmã Betânia não herda neste caso, pois havendo ascendente, os 
 
 
21 
colaterais não são chamados à sucessão, de acordo com a ordem de vocação hereditária 
prevista no art. 1.829 do Código Civil. 
Portanto, aplicando-se a comoriência e as regras da sucessão legítima, os herdeiros 
serão Vera (mãe de Mônica) e Bento e Laura (pais de Roberto), o que corresponde à 
alternativa (D). 
(E) INCORRETA. Vide comentários item “D”. 
_____________________________________________________________________________ 
11. Em um contrato de prestação de serviços, foi estipulada cláusula penal no valor de 
R$ 100.000,00 para o caso de inadimplemento total da obrigação. O contratado deixou 
de prestar os serviços por culpa exclusiva sua. O contratante, insatisfeito, ajuizou ação 
exigindo o pagamento da cláusula penal e, cumulativamente, indenização suplementar 
por lucros cessantes de R$ 300.000,00, sem que o contrato previsse expressamente essa 
possibilidade. 
Considerando as disposições do Código Civil acerca da cláusula penal, é CORRETO 
afirmar que: 
(A) o contratante poderá exigir tanto a cláusula penal quanto a indenização suplementar, 
desde que comprove a extensão do prejuízo sofrido, independentemente de cláusula 
contratual autorizando a cumulação; 
(B) o inadimplemento total da obrigação afasta a aplicação da cláusula penal, sendo 
cabível apenas a indenização por perdas e danos, nos termos gerais do Código Civil; 
(C) a cláusula penal estipulada para o caso de inadimplemento total da obrigação 
converte-se em obrigação alternativa, a benefício do credor; 
(D) a cláusula penal, por expressa disposição legal, não é exigível quando o 
inadimplemento decorrer de culpa do devedor, mas apenas quando houver dolo; 
(E) caso o valor da cláusula penal seja considerado excessivo, não poderá o juiz reduzi-
la, por se tratar de manifestação da autonomia privada e da livre estipulação contratual. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Vide comentários item “C”. 
(B) INCORRETA. Vide comentários item “C”. 
(C) CORRETA. A alternativa (C) é a correta porque a cláusula penal estipulada para o caso 
de inadimplemento total da obrigação converte-se em obrigação alternativa, benefício 
do credor. 
De acordo com o artigo 410 do Código Civil, "quando se estipular a cláusula penal para 
o caso de total inadimplemento da obrigação, esta converter-se-á em alternativa a 
 
 
22 
benefício do credor". Esta disposição legal significa que, em caso de inadimplemento 
total, o credor pode escolher entre exigir o cumprimento da obrigação principal ou a 
cláusula penal, configurando assim uma obrigação alternativa. 
No caso apresentado, o contratado deixou de prestar integralmente os serviços 
contratados por culpa exclusiva sua, caracterizando um inadimplemento total. Diante 
dessa situação, e considerando a cláusula penal de R$ 100.000,00 prevista no contrato, 
o credor (contratante) passa a ter o direito de escolher entre exigir o cumprimento da 
obrigação principal ou o pagamento da multa estipulada. 
As demais alternativas apresentam incorreções: a alternativa (A) contraria o artigo 416, 
parágrafo único, do Código Civil, que exige previsão contratual expressa para a 
cumulação de indenização suplementar com a cláusula penal; a alternativa (B) contradiz 
a própria função da cláusula penal, que é justamente garantir o adimplemento; a 
alternativa (D) é incorreta porque a cláusula penal é exigível tanto em caso de culpa 
quanto de dolo; e a alternativa (E) contraria o artigo 413 do Código Civil, que autoriza o 
juiz a reduzir equitativamente a cláusula penal considerada excessiva. 
Portanto, a alternativa (C) está correta ao afirmar que a cláusula penal se converte em 
obrigação alternativa a benefício do credor, conforme estabelece expressamente o 
artigo 410 do Código Civil. 
(D) INCORRETA. Vide comentários item “C”. 
(E) INCORRETA. Vide comentários item “C”. 
_____________________________________________________________________________ 
12. Gabriela, maior de idade e regularmente identificada em seus documentos civis com 
o nome “Gabriela Silva Souza”, compareceu ao cartório de registro civil com o objetivo 
de alterar seu prenome para “Isadora”, alegando razões pessoais e de identidade 
subjetiva. O pedido foi deferido e o novo assento lavrado. Seis meses depois, Gabriela, 
agora identificada como Isadora, solicitou novo pedido extrajudicial ao mesmo cartório 
para retomar o nome anterior. O oficial indeferiu o pedido, afirmando que somente 
decisão judicial poderia permitir nova modificação. Inconformada, Gabriela questionou 
a exigência, argumentando que se tratava de exercício legítimo da sua autonomia da 
vontade. 
Com base na legislação vigente e no entendimento doutrinário e jurisprudencial sobre o 
tema, é CORRETO afirmar que: 
(A) o pedido de Gabriela deve ser acolhido, pois a alteração do prenome por maior de 
idade independe de motivação e pode ser feita extrajudicialmente quantas vezes forem 
necessárias; 
(B) o indeferimento do oficial está correto, pois, após a primeira alteração extrajudicial 
imotivada do prenome, o retorno ao nome anterior só pode ocorrer mediante 
autorização judicial; 
(C) a segunda alteração do prenome poderia ser feita extrajudicialmente, desde que 
Gabriela apresentasse justificativa fundamentada perante o registrador civil; 
 
 
23 
(D) o retorno ao nome anterior pode ser feito livremente pela interessada, desde que o 
prazo entre as alterações não exceda a um ano; 
(E) o prenome não pode ser alterado por via extrajudicial se a pessoa já tiver utilizado 
documentos com o nome anterior, pois isso comprometeria a segurança jurídica. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Vide comentários item “B”. 
(B) CORRETA. A Lei nº 14.382/2022 modificou a Lei de Registros Públicos (Lei nº 
6.015/1973), acrescentando o art. 56, que estabelece que: 
"Art. 56. A pessoa registrada poderá, após ter atingido a 
maioridade civil, requerer pessoalmente e imotivadamente a 
alteração de seu prenome, independentemente de decisão 
judicial, e a alteração será averbada e publicada em meio 
eletrônico. 
§ 1º A alteração imotivada de prenome poderá ser feita na via 
extrajudicial apenas 1 (uma) vez, e sua desconstituição 
dependerá de sentençajudicial. 
§ 2º A averbação de alteração de prenome conterá, 
obrigatoriamente, o prenome anterior, os números de 
documento de identidade, de inscrição no Cadastro de Pessoas 
Físicas (CPF) da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, 
de passaporte e de título de eleitor do registrado, dados esses 
que deverão constar expressamente de todas as certidões 
solicitadas. 
§ 3º Finalizado o procedimento de alteração no assento, o ofício 
de registro civil de pessoas naturais no qual se processou a 
alteração, a expensas do requerente, comunicará o ato 
oficialmente aos órgãos expedidores do documento de 
identidade, do CPF e do passaporte, bem como ao Tribunal 
Superior Eleitoral, preferencialmente por meio eletrônico. 
§ 4º Se suspeitar de fraude, falsidade, má-fé, vício de vontade ou 
simulação quanto à real intenção da pessoa requerente, o oficial 
de registro civil fundamentadamente recusará a retificação." 
No caso em questão, Gabriela realizou a primeira alteração de seu prenome para 
"Isadora" por via extrajudicial, exercendo o direito previsto no art. 56. Contudo, ao 
solicitar o retorno ao nome anterior após apenas seis meses, ela se enquadra 
exatamente na hipótese que exige decisão judicial para o retorno ao nome original após 
uma alteração imotivada. 
 
 
24 
Assim, o indeferimento do oficial do cartório está correto, pois a legislação vigente exige 
autorização judicial para a segunda alteração quando esta representa um retorno ao 
nome original, o que torna a alternativa (B) a correta. 
(C) INCORRETA. Vide comentários item “B”. 
(D) INCORRETA. Vide comentários item “B”. 
(E) INCORRETA. Vide comentários item “B”. 
_____________________________________________________________________________ 
13. Sara e Jorge, ambos na faixa dos 60 anos de idade, desejam se casar, mas querem 
deixar as questões patrimoniais bem decididas por meio de pacto antenupcial. Para isso, 
consultam uma advogada e informam a ela que desejam que o regime escolhido permita 
(i) que a alienação de bens imóveis particulares seja convencionada sem a vênia conjugal 
e (ii) que integrem o patrimônio próprio de cada cônjuge os bens que ele possua ao casar 
e os que por ele forem adquiridos, a qualquer título, na constância do casamento. 
De acordo com a situação hipotética narrada, para adequar-se ao pedido de Sara e Jorge, 
somente cabe adotar o(s) regime(s) de: 
(A) separação convencional de bens; 
(B) participação final nos aquestos; 
(C) separação obrigatória de bens e separação convencional de bens; 
(D) separação obrigatória de bens e participação final nos aquestos; 
(E) separação convencional de bens e participação final nos aquestos. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Vide comentários item “E”. 
(B) INCORRETA. Vide comentários item “E”. 
(C) INCORRETA. Vide comentários item “E”. 
(D) INCORRETA. Vide comentários item “E”. 
(E) CORRETA. A alternativa (E) é correta porque tanto o regime de separação 
convencional de bens quanto o de participação final nos aquestos atendem às exigências 
de Sara e Jorge. 
O casal deseja um regime que permita a alienação de bens imóveis particulares sem 
vênia conjugal e que mantenha como patrimônio próprio de cada cônjuge tanto os bens 
anteriores ao casamento quanto os adquiridos durante a união. 
 
 
25 
O regime de separação convencional (art. 1.687 e 1.688 do CC) satisfaz ambos os 
requisitos, pois cada cônjuge administra exclusivamente seus bens, podendo aliená-los 
livremente, e mantém como próprios tanto os bens anteriores quanto os adquiridos na 
constância do casamento. 
Igualmente, o regime de participação final nos aquestos (art. 1.672 a 1.686 do CC) 
atende às necessidades do casal. Durante o casamento, vigora a separação patrimonial 
(art. 1.673), permitindo a disposição dos bens imóveis particulares sem autorização do 
cônjuge, quando convencionado, e cada um mantém patrimônio próprio constituído 
pelos bens anteriores e pelos adquiridos durante o matrimônio. 
Os demais regimes não atendem às exigências: a comunhão parcial comunica os bens 
adquiridos durante o casamento; a comunhão universal comunica todos os bens; e a 
separação obrigatória é imposta por lei, não sendo de livre escolha. 
_____________________________________________________________________________ 
14. Elias trabalhou muitos anos na área rural de Araguatins, particularmente a serviço 
de Pedro, embora residisse em outro município. Depois que encerrou seu contrato com 
o Elias, em vista do apreço que desenvolveu por ele, e vendo sua dificuldade de 
deslocamento entre sua casa e o trabalho, Pedro cedeu a ele a posse de um terreno com 
um casebre, de sua propriedade, que se encontrava desocupado. No imóvel, Elias fez a 
instalação de rede elétrica, que até então não havia, e reparou o telhado, que ameaçava 
desabar. Menos de um ano depois, todavia, Pedro faleceu e seus herdeiros exigiram de 
Elias o imóvel de volta. Mesmo depois de intimado judicialmente, Elias recusou-se à 
restituição e ainda fez uma obra para instalar água encanada no imóvel, que também 
não tinha. Afinal, foi o imóvel desocupado com o uso de força policial. 
Nesse caso, Elias faz jus ao ressarcimento dos gastos apenas com: 
(A) a instalação de rede elétrica; 
(B) a instalação de rede elétrica e o conserto do telhado; 
(C) a instalação de rede elétrica e de água encanada; 
(D) o conserto do telhado; 
(E) a instalação de água encanada. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Vide comentários item “B”. 
(B) CORRETA. No caso apresentado, Elias recebeu a posse do imóvel por cessão gratuita 
de Pedro, caracterizando um comodato. Elias realizou três benfeitorias no imóvel: 
instalação de rede elétrica, reparo do telhado e instalação de água encanada, sendo esta 
última realizada após ter sido intimado judicialmente a restituir o imóvel. 
 
 
26 
O Código Civil, em seus artigos 1.219 e 1.220, estabelece as regras sobre o direito ao 
ressarcimento por benfeitorias realizadas pelo possuidor. De acordo com esses 
dispositivos, o possuidor de boa-fé tem direito à indenização pelas benfeitorias 
necessárias e úteis. 
Benfeitorias necessárias são aquelas indispensáveis para conservar o bem ou evitar que 
se deteriore. O conserto do telhado que "ameaçava desabar" enquadra-se claramente 
como benfeitoria necessária, pois visava impedir a deterioração do imóvel. 
Benfeitorias úteis são as que aumentam ou facilitam o uso do bem. A instalação de rede 
elétrica pode ser considerada uma benfeitoria útil, pois aumenta a utilidade do imóvel, 
tornando-o mais adequado ao uso. 
Já a instalação de água encanada, embora também seja uma benfeitoria útil, foi 
realizada após Elias ter sido intimado judicialmente a restituir o imóvel. O artigo 1.220 
do Código Civil determina que "ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as 
benfeitorias necessárias". Após a intimação judicial, Elias passou a ser considerado 
possuidor de má-fé, perdendo o direito ao ressarcimento por benfeitorias úteis 
realizadas a partir desse momento. 
Elias, portanto, faz jus ao ressarcimento apenas pela instalação de rede elétrica 
(benfeitoria útil realizada quando era possuidor de boa-fé) e pelo conserto do telhado 
(benfeitoria necessária, ressarcível mesmo ao possuidor de má-fé), o que corresponde 
à alternativa (B). 
(C) INCORRETA. Vide comentários item “B”. 
(D) INCORRETA. Vide comentários item “B”. 
(E) INCORRETA. Vide comentários item “B”. 
_____________________________________________________________________________ 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
15. A Papelaria ABC foi contratada pela sociedade de advogados XYZ para fornecer 
cartões de visita, pastas e papéis timbrados com a logomarca do escritório até o final do 
mês. Constava do contrato a previsão de vultosa multa em caso de descumprimento do 
avençado, não obstantea natureza e a finalidade da obrigação não justificassem esse 
montante. Ademais, pelo contrato, a ABC renunciava à faculdade de pleitear a redução 
judicial da multa. Quando o contrato foi descumprido, a XYZ ajuizou ação em face da ABC 
pretendendo receber a multa, e a ABC, em sua defesa, não alegou seu excesso 
manifesto. 
Diante disso, com relação à redução judicial da multa por excesso manifesto, o 
magistrado: 
(A) pode reduzir equitativamente a multa, pois a norma é cogente e pode ser aplicada 
de ofício pelo magistrado, contanto que instaure debate prévio com contraditório; 
(B) pode reduzir equitativamente a multa, mas somente se houver intervenção do 
Ministério Público no processo, como fiscal da lei; 
 
 
27 
(C) não pode reduzir equitativamente a multa, pois, embora ele pudesse conhecer de 
ofício a excessividade, a norma foi afastada pela vontade das partes; 
(D) não pode reduzir equitativamente a multa, pois, embora a norma seja cogente, ele 
não pode conhecer de ofício a excessividade; 
(E) não pode reduzir equitativamente a multa, pois, além de a norma ter sido afastada 
pela vontade das partes, ele não pode conhecer de ofício a excessividade. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
Conforme entendimento sedimentado do STJ, “verificando que o caso se enquadra nas 
hipóteses previstas no art. 413 do Código Civil, não há qualquer ilegalidade 
na redução da cláusula penal de ofício pela Corte local, conforme entendimento pacífico 
do Superior Tribunal de Justiça” (REsp 1888028 / SP, TERCEIRA TURMA, Rel. Ministro 
MARCO AURÉLIO BELLIZZE, DJe 24/08/2022). 
Com efeito, "no atual Código Civil, o abrandamento do valor da cláusula penal em caso 
de adimplemento parcial é norma cogente e de ordem pública, consistindo em dever do 
juiz e direito do devedor a aplicação dos princípios da função social do contrato, da boa-
fé objetiva e do equilíbrio econômico entre as prestações, os quais convivem 
harmonicamente com a autonomia da vontade e o princípio pacta sunt servanda" (REsp 
1.898.738/SP, Relatora a Ministra Nancy Andrighi, DJe de 26/3/2021). 
A exigência de contraditório é extraída do princípio da não surpresa, contemplado no 
Art. 10. “O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento 
a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que 
se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício”. 
_____________________________________________________________________________ 
16. No que se refere à ação monitória, é CORRETO afirmar que: 
(A) deve estar arrimada em prova escrita, sem eficácia de título executivo, representativa 
de crédito de quantia em dinheiro ou coisa fungível, mas não de obrigações de fazer e 
não fazer; 
(B) pode ser ajuizada em face de devedor capaz, mas não de incapaz; 
(C) pode ser ajuizada em face de devedor que seja particular, mas não quando for a 
Fazenda Pública; 
(D) desde que haja prévia segurança do juízo, o réu poderá opor embargos à ação 
monitória; 
(E) é inadmissível o oferecimento, pela parte ré, de reconvenção. 
_______________________________________________________________________ 
 
 
28 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Art. 700. A ação monitória pode ser proposta por aquele que 
afirmar, com base em prova escrita sem eficácia de título 
executivo, ter direito de exigir do devedor capaz: 
I - o pagamento de quantia em dinheiro; 
II - a entrega de coisa fungível ou infungível ou de bem móvel ou 
imóvel; 
III - o adimplemento de obrigação de fazer ou de não fazer. 
(B) CORRETA. Vide alternativa anterior. De acordo com caput do art. 700 do CPC, apenas 
pode ser demandado em ação monitória o devedor capaz. 
(C) INCORRETA. 
Art. 700, § 6º É admissível ação monitória em face da Fazenda 
Pública. 
(D) INCORRETA. 
Art. 702. Independentemente de prévia segurança do juízo, o réu 
poderá opor, nos próprios autos, no prazo previsto no art. 701 , 
embargos à ação monitória. 
(E) INCORRETA. 
Art. 702, § 6º Na ação monitória admite-se a reconvenção, sendo 
vedado o oferecimento de reconvenção à reconvenção. 
_____________________________________________________________________________ 
17. Nos autos de uma ação de mandado de segurança da competência originária de um 
órgão fracionário do Tribunal, o desembargador relator, apreciando a petição inicial, 
indeferiu a medida liminar requerida pelo impetrante, embora tenha procedido ao juízo 
positivo de admissibilidade da demanda. 
Depois de ofertadas as informações, pela autoridade impetrada, a peça impugnativa, 
pela pessoa jurídica de direito público, e o parecer conclusivo, pelo Ministério Público, o 
órgão julgador, em violação a um dispositivo da lei que disciplina o procedimento do 
mandado de segurança, proferiu acórdão por meio do qual julgava extinto o feito sem 
resolução do mérito, por haver concluído, equivocadamente, pela ausência de condição 
para o regular exercício da ação. 
Nesse quadro, é CORRETO afirmar que: 
(A) a decisão relatorial de indeferimento da medida liminar é insuscetível de impugnação 
por qualquer via recursal típica; 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art701
 
 
29 
(B) a decisão relatorial de indeferimento da medida liminar é impugnável pelo recurso 
de agravo interno; 
(C) a decisão relatorial de indeferimento da medida liminar é impugnável pelo recurso 
ordinário; 
(D) o acórdão que extinguiu o feito sem resolução do mérito é impugnável pelo recurso 
especial; 
(E) o acórdão que extinguiu o feito sem resolução do mérito é impugnável pelo recurso 
extraordinário. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
A resposta é extraída do art. 16, parágrafo único, da Lei 12.016/2009: 
Art. 16. Nos casos de competência originária dos tribunais, 
caberá ao relator a instrução do processo, sendo assegurada a 
defesa oral na sessão do julgamento do mérito ou do pedido 
liminar. 
Parágrafo único. Da decisão do relator que conceder ou 
denegar a medida liminar caberá agravo ao órgão competente 
do tribunal que integre. 
No que se refere à impugnação do acórdão que extinguiu o feito sem resolução do 
mérito, não é hipótese de cabimento de recurso especial e de recurso extraordinário, 
uma vez que apenas podem ser interpostos nas hipóteses taxativas dos arts. 102, III e 
105, III, ambos da CF/88: 
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, 
a guarda da Constituição, cabendo-lhe: 
(...) 
III - julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas 
em única ou última instância, quando a decisão recorrida: 
a) contrariar dispositivo desta Constituição; 
b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; 
c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face 
desta Constituição. 
d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal. 
Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: 
(...) 
III - julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou 
última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos 
 
 
30 
tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a 
decisão recorrida: 
a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência; 
b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei 
federal; 
c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja 
atribuído outro tribunal. 
Correta, portanto, a alternativa B. 
_____________________________________________________________________________ 
18. Nos autos de uma ação de procedimento comum em cuja petição inicial haviam sido 
formulados dois pedidos, o juiz, depois de ofertada a réplica, procedeu ao julgamento 
antecipado parcial do mérito. 
Em sua decisão, o magistrado acolheu a primeira pretensão deduzida pelo demandante 
e condenouo réu, a quem havia sido concedido o benefício da gratuidade de justiça, ao 
pagamento das custas processuais e dos honorários do advogado do autor, tão logo 
adviesse o trânsito em julgado. 
Sem prejuízo, o juiz da causa determinou o prosseguimento do feito, rumo à fase da 
instrução probatória, de modo a viabilizar o posterior julgamento do segundo pedido 
veiculado na peça exordial. 
A parte ré não se valeu, no prazo legal, de qualquer via recursal para questionar o acerto 
do ato decisório que havia acolhido o primeiro pedido do autor. 
Nesse cenário, é CORRETO afirmar que essa decisão: 
(A) pode ser impugnada por ação rescisória; 
(B) pode ser impugnada por recurso de apelação; 
(C) pode ser impugnada por mandado de segurança; 
(D) pode ser impugnada por reclamação; 
(E) não mais pode ser impugnada por qualquer via processual. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
Prevê o art. 356 do CPC que o juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou mais 
dos pedidos formulados ou parcela deles mostrar-se incontroverso ou I estiver em 
condições de imediato julgamento, nos termos do art. 355 do CPC. 
Em regra, a decisão proferida com base neste artigo é impugnável por agravo de 
instrumento (art. 356, §5º, do CPC). 
 
 
31 
Não interposto recurso no prazo legal, opera-se a coisa julgada material, podendo o 
interessado se valer da ação rescisória, desde que presentes uma das hipóteses do art. 
966 do CPC, sendo certo que a ação rescisória pode ter por objeto apenas 1 (um) capítulo 
da decisão (art. 966, §3º, do CPC). 
_____________________________________________________________________________ 
19. Em um processo relativo a ação de usucapião, tendo por objeto unidade autônoma 
de condomínio edilício, o autor, em sua petição inicial, incluiu no polo passivo da 
demanda não só a pessoa em cujo nome o imóvel estava registrado na serventia 
imobiliária, como também os titulares dos imóveis confinantes, o que resultava num 
total de quinze litisconsortes passivos. 
Apreciando a petição inicial, o magistrado procedeu ao juízo positivo de admissibilidade 
da ação e, sem designar audiência de conciliação, ordenou a citação dos quinze 
litisconsortes passivos, alguns dos quais não seriam encontrados. 
Percebendo que a apuração do paradeiro desses réus retardaria sobremaneira a marcha 
processual, o autor requereu ao juiz da causa a limitação do litisconsórcio, alegando que 
este, tal como originalmente formado, comprometeria a rápida solução do litígio. 
Nesse contexto, caberá ao juiz: 
(A) indeferir o pleito do autor, que, ao ter incluído no polo passivo da ação quinze 
litisconsortes, permitiu que a preclusão lógica operasse em seu desfavor; 
(B) indeferir o pleito do autor, já que o litisconsórcio passivo formado é necessário, não 
podendo, portanto, ser limitado; 
(C) deferir o pleito do autor, já que o litisconsórcio passivo formado é facultativo, 
podendo, portanto, ser limitado; 
(D) aguardar o exaurimento das tentativas de localização de todos os réus e, com ou sem 
êxito, apreciar o pleito de limitação do litisconsórcio; 
(E) pronunciar a falta de legitimidade dos litisconsortes passivos que sejam titulares dos 
imóveis confinantes, determinando a sua exclusão do processo. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
A única alternativa correta é a letra E. 
De acordo com o teor do art. 246, § 3º, do CPC, “na ação de usucapião de imóvel, os 
confinantes serão citados pessoalmente, exceto quando tiver por objeto unidade 
autônoma de prédio em condomínio, caso em que tal citação é dispensada”. 
Desse modo, tendo em conta se tratar de unidade autônoma em condomínio edilício, 
cabe ao Juiz pronunciar a falta de legitimidade dos litisconsortes passivos que sejam 
 
 
32 
titulares dos imóveis confinantes, determinando a sua exclusão do processo, na forma 
do artigo acima referido. 
_____________________________________________________________________________ 
20. Nos autos de uma ação de procedimento comum, depois de oferecida pelo réu a 
contestação, na qual havia sido arguida somente defesa direta de mérito, o juiz 
determinou a intimação do órgão da Defensoria Pública, que patrocinava a causa da 
parte autora, para apresentar a sua réplica. 
A peça processual, contudo, não foi oferecida, conforme certificado pela serventia, fato 
que levou o juiz a ordenar a intimação da Defensoria Pública para que promovesse o 
andamento do feito. 
Sem que qualquer outra petição tivesse sido ofertada, o magistrado proferiu sentença 
por meio da qual julgava extinto o processo, sem resolução do mérito, por ter reputado 
configurado o abandono unilateral da causa. 
Inconformado, o defensor público protocolizou recurso de apelação, tendo-o feito 
quando já decorridos 20 dias úteis, a partir de sua intimação pessoal. 
No que concerne à sentença terminativa proferida, ela está: 
(A) correta, razão pela qual não merece ser provida a apelação do autor; 
(B) errada, embora a apelação do autor não mereça ser conhecida, haja vista a sua 
intempestividade; 
(C) errada, embora a apelação do autor não mereça ser conhecida, haja vista a falta de 
interesse recursal; 
(D) errada, devendo ser dado provimento à apelação do autor, caso o juiz não se retrate 
de seu ato decisório; 
(E) errada, devendo ser dado provimento à apelação do autor, não sendo possível ao juiz 
retratar-se de seu ato decisório. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
Conforme previsão do art. 485, III e 1º, do CPC, só é possível ao Juiz proceder à prolação 
de sentença terminativa por abandono das partes se houver prévia intimação pessoal, o 
que não ocorreu no caso: 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: 
(...) 
III - por não promover os atos e as diligências que lhe incumbir, o 
autor abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias; 
 
 
33 
§ 1º Nas hipóteses descritas nos incisos II e III, a parte será 
intimada pessoalmente para suprir a falta no prazo de 5 (cinco) 
dias. 
Sabe-se, ademais, que a Defensoria Pública gozará de prazo em dobro para todas as suas 
manifestações processuais, contados de sua intimação pessoal: 
 Art. 186. A Defensoria Pública gozará de prazo em dobro para 
todas as suas manifestações processuais. 
§ 1º O prazo tem início com a intimação pessoal do defensor 
público, nos termos do art. 183, § 1º . 
Considerando que o prazo para a interposição de recurso de apelação é de 15 dias úteis 
(arts. 212 e art. 1003, §5º, do CPC), contados em dobro para a Defensoria Pública, é 
tempestivo o recurso no caso apresentado. 
É cabível, por fim, o exercício de juízo de retratação, na forma do art. 485, §7º, do CPC. 
Sendo assim, deve ser dado provimento à apelação do autor, caso o juiz não se retrate 
de seu ato decisório. 
_____________________________________________________________________________ 
21. Em um determinado processo, no qual o juiz, sem designar audiência de conciliação, 
determinou a citação do réu, o oficial de justiça incumbido da diligência compareceu ao 
seu endereço residencial e, não o tendo encontrado, de imediato suspeitou que estaria 
ele se ocultando. Logo após, o auxiliar da justiça intimou um vizinho do citando, 
informando-lhe que, no dia útil imediato, voltaria ao local, em determinado horário, para 
efetivar o ato citatório. 
No dia e hora designados, o oficial de justiça retornou à residência do citando e, sem tê-
lo encontrado, deu por feita a citação, exarando certidão da ocorrência e deixando 
contrafé com uma das pessoas que se encontravam no local. 
Efetivada, então, a citação por hora certa, e decorridos 15 dias após a juntada aos autos 
do correspondente mandado, o escrivão enviou telegrama ao citando, dando-lhe ciência 
de tudo. 
Transcorrido o prazo legal, o réu não apresentou contestação, o que levou

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