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ECONOMIA ciência que estuda os fenômenos relacionados com a obtenção e a utilização dos recursos materiais necessários ao bem-estar. Capitalismo O capitalismo é um sistema econômico que visa ao lucro e à acumulação das riquezas e está baseado na propriedade privada dos meios de produção. Os meios de produção podem ser máquinas, terras, ou instalações industriais, por exemplo, e eles têm a função de gerar renda por meio do trabalho. É um movimento de novidades e continuidades, pois a necessidade do capital de abrir novas frentes de exploração econômica e dominação ideológica é intrínseca ao capitalismo, que ao longo da história só fez aprimorar suas formas de expropriação, se adequando às novas realidades a fim de manter o seu motor propulsor, ou seja, o lucro. A história nos mostra que o capital precisa de novas áreas de exploração para desenvolver plenamente a extração de mais-valia, sempre aliada a difusão do ideário burguês de mundo que fundamente essa exploração. Marx afirma que: “A necessidade de mercados sempre crescentes para seus produtos impele a burguesia a conquistar todo o globo terrestre. Ela precisa estabelecer-se, explorar e criar vínculos em todos os lugares” às análises de Lênin e Trotski, que já no começo do século passado identificaram o processo de desenvolvimento capitalista como sendo “desigual e combinado”, Marx e Engels (2008) já defendiam no Manifesto do Partido Comunista. Para eles, as crises de superprodução e a formação de um mercado mundial são inerentes ao capitalismo, e que, portanto são inevitáveis e geram uma contradição insolúvel no sistema. Através da leitura de Lênin (2005), podemos identificar a forma e momento histórico em que o capitalismo atinge a sua fase monopolista, ou seja, o imperialismo, onde Lênin nos apresenta o conceito de desenvolvimento desigual2 . A livre concorrência que para Marx era uma “lei estrutural” do capitalismo, levaria a uma concentração do capital. Já Lênin (2005, p. 21) analisa que: “a livre concorrência gera a concentração da produção, e que a referida concentração, num certo grau do seu desenvolvimento, conduz ao monopólio O conceito de desenvolvimento desigual apresentado por Lênin consiste no desenvolvimento da economia capitalista pautada na presença simultânea das diversas economias nacionais em diferentes estágios históricos, marcados por saltos, que só podem ser resolvidos através de métodos mais desenvolvidos e que essas economias ainda não dispõem. Essas economias se vêm pressionadas externamente a precipitar ou saltar estágios dessa evolução, que levariam um período histórico inteiro para se desenvolver integralmente. Os grandes trustes passam a dominar o mercado mundial, ocupando fatias gigantescas do mercado mundial e nesse momento surgem os grandes bancos o capitalismo moderno, no qual impera o monopólio, é a exportação de capital. O que se vê a partir daí é o desenvolvimento desigual, por saltos, das diferentes empresas e ramos da indústria e dos diferentes países. Toma força a formação de monopólios, como as uniões monopolistas de capitalistas em todos os países centrais e a situação monopolista de uns poucos países, nos quais a acumulação do capital tinha alcançado grandes proporções. Para melhor apreendermos o desenvolvimento do capitalismo e sua configuração atual na América Latina e em especial no Brasil, recorreremos à obra de Florestan Fernandes ,Fernandes nos mostra que os países latino americanos são produtos da “expansão da civilização ocidental”, e que estes possuem uma “incapacidade” para acompanhar a velocidade da transformação do capitalismo nos países hegemônicos. Neste sentido, a organização baseada na aristocracia e na oligarquia, contribuem para a exclusão dos trabalhadores dos processos políticos e do poder, privilegiando as camadas sociais mais ricas. O interesse da nação, portanto, será historicamente reduzido aos interesses dos privilegiadosSegundo Fernandes, os países latino americanos se depararam com dois problemas; o primeiro refere-se à forma e a difusão do imperialismo inglês, e posteriormente o norte-americano e o segundo é a maneira como enfrentar esse imperialismo baseado em grandes corporações, tendo em vista a “debilidade econômica” mesmo dos países mais avançados da região. O autor destaca ainda uma tradição colonial de subserviência baseada numa “cegueira nacional, até certo ponto estimulada e controlada a partir de fora” Propriedade privada dos meios de produção Para o funcionamento do capitalismo, é necessário que o Estado garanta a propriedade privada. Com a propriedade privada garantida, os capitalistas – detentores de terras, maquinários ou qualquer outro meio de produção – são livres para utilizá-la da forma como desejam, afinal, são os donos desses recursos. máximo lucro e pela acumulação de riquezas O objetivo do capitalismo é a obtenção de lucros cada vez maiores e esses lucros são decorrentes do trabalho dos proletários nos meios de produção – fábricas, comércio, agricultura. Para a maximização do lucro é comum que os donos dos meios de produção reduzam ao máximo os custos de suas atividades e elevem os preços dos produtos ou serviço o quanto for possível. Economia de mercado (e a lei da oferta e da demanda) VOLTAR AO TOPO! Você certamente sabe que vivemos em um mundo capitalista, mas afinal, o que isso significa? Quais são as características da nossa sociedade hoje que fazem com que nossas economias sejam consideradas capitalistas? Nós já te contamos como o sistema capitalista surgiu e por quais fases o capitalismo passou desde seu início, em meados do século XV – se ainda não viu, vai lá conferir! Agora, a Politize! vai te explicar o que é o capitalismo, como ele funciona e quais são as principais vantagens e desvantagens desse modo de produção, adotado na maior parte dos países do mundo. Navegue pelo conteúdo 1. O que é capitalismo? 2. Principais características do capitalismo 1. Propriedade privada dos meios de produção 2. Busca pelo máximo lucro e pela acumulação de riquezas 3. Economia de mercado (e a lei da oferta e da demanda) 4. Trabalho assalariado 5. Existência de classes sociais (capitalistas e proletários) 3. Os países adotam um capitalismo puro? 4. Algumas vantagens do capitalismo 5. Algumas desvantagens do capitalismo 6. Afinal, o capitalismo é bom ou ruim? 7. O que aprendemos neste texto? 8. Referências: O que é capitalismo? O capitalismo é um sistema econômico que visa ao lucro e à acumulação das riquezas e está baseado na propriedade privada dos meios de produção. Os meios de produção podem ser máquinas, terras, ou instalações industriais, por exemplo, e eles têm a função de gerar renda por meio do trabalho. Há duas classes sociais principais nesse sistema: os capitalistas (ou burgueses) e os proletários (ou trabalhadores). Os capitalistas são os donos dos meios de produção, eles empregam os trabalhadores e a eles pagam salários. Os proletários, por sua vez, oferecem sua mão-de-obra para realizar determinado trabalho em troca de uma remuneração. Podemos dizer que o capitalismo é o oposto do socialismo, pois este defende a propriedade social dos meios de produção – não a propriedade privada. No capitalismo, a comercialização dos produtos é realizada em um mercado livre, com pouca ou nenhuma interferência do Estado. Nesse caso, as empresas vendem seus produtos conforme as leis da oferta e da demanda. Ou seja, conforme a quantidade de produtos que são produzidos e estão em estoque, e também de acordo com a procura dos consumidores pelos serviços e bens de consumo. Vamos pensar no exemplo de uma indústria automobilística: os capitalistas são os sócios da empresa, são eles os donos de todas as máquinas usadas na produção dos carros e de tudo o que envolve a distribuição destes ao final do processo, como caminhões, softwares de distribuição e lojas. Os proletários trabalham para essa indústria e recebem um salário como retribuição de suas atividades. Ao final do processo, depois que os carros são vendidos, os capitalistas recebem o dinheiro pago pelos compradores.Deste dinheiro, uma parte é paga em salários, outra parte é paga em impostos, taxas e custos de funcionamento – estes são alguns exemplos – e o restante é o lucro da indústria. O lucro pode ir para os sócios, ou então, pode ser reinvestido na empresa para ampliação de suas atividades. Principais características do capitalismo Para ficar ainda mais fácil de entender como funciona esse sistema, nesta seção vamos explicar algumas das principais características do capitalismo: Propriedade privada dos meios de produção Para o funcionamento do capitalismo, é necessário que o Estado garanta a propriedade privada. Com a propriedade privada garantida, os capitalistas – detentores de terras, maquinários ou qualquer outro meio de produção – são livres para utilizá-la da forma como desejam, afinal, são os donos desses recursos. Busca pelo máximo lucro e pela acumulação de riquezas O objetivo do capitalismo é a obtenção de lucros cada vez maiores e esses lucros são decorrentes do trabalho dos proletários nos meios de produção – fábricas, comércio, agricultura. Para a maximização do lucro é comum que os donos dos meios de produção reduzam ao máximo os custos de suas atividades e elevem os preços dos produtos ou serviço o quanto for possível. Economia de mercado (e a lei da oferta e da demanda) Em uma economia de livre mercado, os bens e serviços são distribuídos de acordo com a lei da oferta e demanda e há pouca interferência do Estado. Segundo essa lei, para os produtores, ou seja, para aqueles que produzem e vendem os bens, quanto mais alto o preço do produto, mais interesse ele tem em vendê-lo e por consequência, maior a quantidade ofertada. Se o preço do produto for muito baixo, os produtores vão ter pouco estímulo a permanecer no mercado, pois terão baixos lucros. Pelo lado da demanda, o comportamento é oposto, pois os consumidores vão ter mais interesse em consumir um produto, quanto mais baixo for o seu valor. É uma relação bem simples, pense com a gente: se você está com sede e pretende comprar uma água, você provavelmente comprará apenas uma garrafa se considerar seu valor alto, mas se ela estiver barata, você vai considerar comprar uma quantidade maior. Quando há um intensa competição entre os capitalistas, aquele que reduzir os preços, conseguirá vender mais. Nessa dinâmica, os consumidores buscam sempre os menores preços e os donos dos meios de produção buscam sempre os maiores lucros. Trabalho assalariado O trabalho assalariado do sistema capitalista substituiu as relações servis e escravocratas dos séculos de feudalismo. No sistema capitalista, os proletários trabalham para os burgueses e recebem um salário em troca de sua força de trabalho. O trabalho assalariado no capitalismo é fundamental para a manutenção do sistema, afinal, é com o salário que os trabalhadores compram bens e serviços e garantem o funcionamento do sistema. Como a classe dos trabalhadores é muito maior que a classe dos burgueses, é imprescindível que eles possam consumir, caso contrário, faltaria demanda. Apesar de o capitalismo se basear no trabalho assalariado, sabe-se que práticas próximas ao trabalho escravo ainda são comuns no mundo. Existência de classes sociais (capitalistas e proletários) Esta é uma das características que mais geram críticas ao funcionamento do capitalismo. Isso porque, de um lado, existe uma pequena parcela da população que é detentora dos meios de produção e, a partir da acumulação de riquezas, eleva o seu poder econômico. E de outro, um número muito grande de proletários trabalham para garantir a satisfação de suas necessidades. Por inúmeras razões, como qualificação profissional e oportunidades de educação, por exemplo, alguns trabalhadores conquistam bons salários, o que lhes permite condições confortáveis de vida e até mesmo ascensão social. Mas por outro, uma grande parcela da população recebe salários baixos, o que pode diminuir as condições de mobilidade na escala social. Microeconomia e macroeconomia Demos início a UNIDADE I, tratando da distinção entre os conceitos de macroeconomia e microeconomia. Por macroeconomia, a definimos como o estudo de problemas econômicos dentro de uma abordagem agregada. Quer dizer, a teoria econômica e a formulação de políticas econômicas são concebidas na perspectiva de variáveis tratadas de maneira agregada. Como dissemos, estamos interessados dentro da macroeconomia, em analisar o comportamento de variáveis no tempo e suas inter-relações. Os exemplos desses agregados podem ser dados como PIB, Inflação, Desemprego, Taxa de Câmbio, Taxa de Juros e Balanço de Pagamentos. Quanto as peculiaridades individuais, como o comportamento de firmas, famílias e governo, tratamos dentro da microeconomia. Temos como exemplo da microeconomia, o estudo de mercados específicos ou a demanda de dados de bens e serviços. Tanto na microeconomia, quanto na macroeconomia, fazemos uso de instrumentos de mensuração e recorremos a diferentes métodos, em que os mais importantes se baseiam no método de análise positiva e análise normativa, que são determinados procedimentos adotados pelos cientistas e pesquisados na observação e análise de fenômenos econômicos.Tratamos também de distinguir entre pensamentos teóricos mais relevantes na macroeconomia, quais sejam: keynesiano, monetarista e novo-clássico. O analista macroeconômico deve distinguir, diante de proposições de políticas, em que ambiente teórico ele está inserido, ou, a origem das ideias fundamentais. Comecemos pelo sistema teórico novo-clássico que foi desenvolvido num cenário dominado por altas taxas de inflação e desemprego. O pensamento novo-clássico tem sua origem na corrente do pensamento clássico de Adam Smith, David Ricardo e outros. A proposta novo-clássica é liberal do “laissez-faire” e sugere o estabelecimento 31 Henrique Tomé da Costa Mata de regras na condução de políticas para limitar o papel da administração monetária na condução de política monetária. Os novo-clássicos foram, neste sentido, radicais, pois não acreditam na suficiência de políticas ativas de estabilização econômica. É uma crítica radical ao pensamento keynesiano, que foi revolucionário no sentido de defender o intervencionismo do estado para a administração de demanda agregada. O conceito de expectativa racional é o alicerce teórico novo-clássico, no sentido em os agentes, firmas e consumidores são racionais, mas não dispõem de informação perfeita para suas previsões sobre o comportamento dos preços e outras variáveis econômicas. Essas ideias levaram ao estabelecimento do postulado novo-clássico que prega a ineficácia de políticas, o emprego e a produção são variáveis reais que não devem ser afetadas por mudanças previstas na administração ativa da demanda agregada, como a política fiscal. Os economistas que representam esse pensamento são os professores Robert Lucas, Tomaz Sargent e Neil Wallace. Entretanto, as teses keynesiana e monetarista são de que políticas de gestão da demanda agregada, à exemplo de política de expansão monetária, afetam o nível de produto e de emprego. Para os keynesianos, o declínio da demanda agregada deve ser compensado por meio de políticas de expansão fiscal, e/ou monetária do governo, para estancar a retração. Mas na visão monetarista, a oferta monetária no curto prazo afeta o equilíbrio do emprego e do produto, enquanto, no longo prazo, a expansão monetária afetaria apenas o nível de preços, inflação. A base das ideias monetárias se deve a Milton Friedman, através da proposição de taxa natural de desemprego - emprego e produto. A expansão monetária desloca o nível de produto acima da taxa natural, com efeitos inflacionários, não obstante, induzir na diminuição da taxa de desemprego. Assim, o efeito de políticas monetárias sobre o produto e inflação na visão monetarista seria eficaz no curto prazo, mas não no longo prazo. Elevadas taxas de crescimento econômico se pode explicar a choque monetário, que induz a diminuição do desemprego e crescimento do nível de produto efetivo. Entretanto, em razão dessa elevação dademanda, os preços podem aumentar, causando inflação. É isso que simboliza a dualidade entre crescimento e inflação – curva de Phillips. A redução do desemprego no curto prazo em razão da expansão do produto real, resultante de choque monetário, é apenas temporária, durante o período em que os agentes não sejam capazes de perceber e internalizar a elevação dos preços e seus impactos no mercado de trabalho. No longo prazo, admitimos que os agentes já sejam capazes de internalizar a percepção da elevação de preços, e assim captaresse efeito (inflação). Na segunda parte desta unidade desenvolvemos noções sobre contabilidade nacional. Esses conceitos podem ser extraídos de modelos simples do fluxo circular da renda. Contas Nacionais são informações estatísticas baseadas em dados agregados da atividade econômica em determinados períodos e são importantes para a gestão, 32 Macroeconomia controle e monitoramento de políticas. As contas nacionais podem ser consideradas na perspectivado produto e da renda. Do lado de produto, temos o conceito de PIB e PNB. Definimos o PIB como a soma de todos os bens e serviços finais gerados em determinado período no país, e PNB como a soma de toda a produção nacional dos residentes e empresas nacionais no exterior do país. Vimos que o PIB é uma medida de fluxo e não de estoque, por isso ele se serve como medida corrente. A dupla contagem é uma preocupação em evitarmos a dupla mensuração do PIB, que ocorre quando se computam simultaneamente os bens intermediários e os bens finais. Consideramos que os bens de capital são as máquinas, equipamentos e infraestruturas em geral destinadas à produção. A utilização de capital implica no efeito depreciação de capital, por isso exige que se proceda a constantes reposição de capital, para a expansão do produto. Quando se deduz do PIB bruto a depreciação, se obtém Produto Interno bruto líquido. Esse mesmo raciocínio é valido para a diferença entre PNB bruto e sua transformação em Produto Nacional Líquido. Também desenvolvemos conceitos de PIB nominal e PIB real, ambos dados em termos monetários, porém, pelo uso do deflator, o nominal se transforma em real, que é o valor do PIB em termos de preços constantes a partir de dado ano-base. PIB na perspectiva da renda nacional. A renda nacional diz respeito à renda dos residentes e firmas, e envolve rendas auferidas no exterior pelos residentes e firmas nacionais e excluem rendas de não residentes e firmas estrangeiras. Portanto, a renda nacional é a soma de todas as rendas dos fatores produtivos obtidos da produção de bens e serviços, e que são contabilizados em dado período. O PNL menos os impostos indiretos resulta na renda nacional. Portanto, RN é igual ao PNB menos a depreciação, menos os impostos. A renda disponível, diferentemente da renda nacional, é a medida da renda recebida pelo trabalhador como resultado de seu trabalho, descontado o valor relativo a pagamentos de impostos. Com base nestes agregados, construímos importante identidade contábil, Y = C + I + G, que pode ser deduzida a partir do fluxo circular de renda para modelo de economia fechada e Y = C + I + G + X – M no modelo de economia aberta. Finalmente, analisamos a relação entre o agregado PIB e os indicadores de desenvolvimento econômico, mostrando como o comportamento do PIB real pode se servir, com suas devidas limitações, de indicador para análise do desenvolvimento econômico e bemestar. Como o conceito do desenvolvimento é muito amplo em matéria de bem-estar, a literatura econômica criou indicadores sistemáticos para captar, com base no PIB, o padrão de bem-estar da sociedade, à exemplo IDH. MATA, Henrique. Macroeconomia. 2018.