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AULA 1 MARKETING DE SERVIÇOS Prof. André Ricardo Antunes Ribeiro 2 TEMA 1 – CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE MARKETING Com o decorrer dos anos e com as inovações tecnológicas gradativamente se incorporando ao cotidiano das pessoas, as empresas, em suas diferentes dimensões, se viram obrigadas a se adaptarem a um novo contexto, cuja regra prioriza a construção de uma relação harmônica com o perfil desse novo consumidor, mais proativo, exigente, questionador, politizado, ciente dos seus direitos, conectado com as atuais tendências e, principalmente, ávido por informações. Nesse cenário, o marketing é uma arma extremamente poderosa no sentido da criação de um planejamento que viabilize ações para a construção de uma relação sólida das empresas com os seus potenciais clientes. Vamos, então, analisar algumas definições de marketing. Para Kotler e Keller (2018, p. 3), “o marketing envolve a identificação e a satisfação de necessidades humanas e sociais. Uma das mais sucintas e melhores definições de marketing é ‘suprir necessidades gerando lucro’”. Já para a American Marketing Association (AMA, citada por Kotler; Keller, 2018, p. 3), o conceito pode ser definido como a “[...] atividade, o conjunto de conhecimentos e os processos de criar, comunicar, entregar e trocar ofertas que tenham valor para os consumidores, clientes, parceiros e a sociedade como um todo”. Entretanto, o marketing está muito além do esforço de comprar ou vender um serviço ou um produto. Envolve uma relação de quase cumplicidade das empresas com os seus clientes. Pode-se considerar que sempre haverá a necessidade de vender. Porém, o objetivo do marketing é tornar supérfluo o esforço de venda. O objetivo do marketing é conhecer e entender tão bem o cliente de modo que um bem ou um serviço possa se adequar a ele e se vender sozinho. De maneira ideal, o marketing deveria resultar em um cliente disposto a comprar. A única coisa necessária, então, seria tornar o produto disponível. (Kotler; Keller, 2018, p. 4) “Em nosso país, foi por volta de 1954 que o marketing foi literalmente traduzido para que pudéssemos ter um melhor entendimento da expressão e, com o tempo, acabou por significar ‘mercadologia’, ou seja, ‘estudo do mercado’.” (Ferreira Junior; Azevedo, 2015, p. 43). Já para Garcia (2015, p. 5), o marketing pode ser encontrado sob diversos aspectos: • bens: objetos palpáveis, os quais concentram grande parte do esforço de marketing; 3 • serviços: atividades cujo desempenho é requisitado por um contratante – os serviços são a área que mais recebe ações de marketing; • eventos: acontecimentos cuja promoção é realizada por empresas e voltada para consumidores finais e também para outras instituições; • experiências: forma de vivência que permite estar em algum lugar, ter capacidade de sentir ou realizar algo (exemplos: viajar para a Disney, passear de helicóptero etc.); • pessoas: celebridades cuja fama é reconhecida, tanto em relação ao aspecto pessoal quanto ao profissional, e que necessitam vender a própria imagem; • lugares: pontos com geolocalização estratégica, de interesse de turistas, empresários e cidadãos comuns, apresentados como possíveis sedes de empresas, locais turísticos ou residências; • propriedades: imóveis correspondentes ao setor imobiliário, passíveis de compra e venda; • organizações: podem ser supermercados, organizações não governamentais (ONGs), universidades, museus etc.; • informações: divulgações desenvolvidas por instituições educacionais como escolas, cursos e universidades ou disponíveis em livros didáticos, enciclopédias, revistas etc.; • ideias: conceitos que podem determinar ações sobre questões sociais, incentivando mudanças de comportamento – o caso, por exemplo, das campanhas de governos. Torna-se recorrente as pessoas confundirem marketing com publicidade. “O marketing usa a propaganda, mas não se limita a ela. Na verdade, ele visa a realizar os desejos dos clientes e gerar lucro para a empresa” (Garcia, 2015, p. 6). Para a autora, isso também contraria aqueles que pensam que o marketing só serve para enganar clientes ou vender-lhes produtos e serviços considerados supérfluos (Garcia, 2015, p. 6). 1.1 Perfil do profissional de marketing Um profissional de marketing pode ser considerado alguém que está obcecado por uma resposta “[...] (atenção, compra, voto, doação) de outra parte, denominada cliente potencial (prospect). Se duas partes estão buscando vender 4 algo uma para a outra, ambas são consideradas profissionais de marketing” (Kotler; Keller, 2018, p. 6). Por esse motivo, é essencial que esses profissionais estejam atentos às movimentações do mercado, às novas tendências, ao comportamento do consumidor, de modo que suas ações sejam definidas por decisões mais próximas da assertividade. Por isso, entre as principais tarefas do profissional de marketing estão conhecer bem a clientela e saber dos anseios do consumidor, entendendo seu cotidiano e seus hábitos, com vistas a conseguir atrai- lo e mantê-lo. Para tanto, é preciso oferecer o produto certo, no local certo, na hora certa, pelo preço certo. (Garcia, 2015, p. 6) No que tange à tendência como um aspecto que exija atenção do profissional de marketing, ela “[...] é acompanhada por uma inovação, seja no processo da empresa ou de um produto, seja no processo de uma marca ou de um novo negócio. Assim, não existe tendência sem inovação” (Ferreira Junior; Rieping, 2014, p. 40). Ainda segundo Ferreira Junior e Rieping (2014), a análise de tendências é importante no sentido de se ter: • compreensão do caminho e das dimensões do mercado, de modo que as inovações possam ser integradas ao modelo de negócio, buscando cada vez mais espaço; • identificação de novas potenciais áreas de negócios, assim como acompanhamento do surgimento e do crescimento de novos nichos para inserção de um dado produto ou serviço; • mediante estudo, planejamento de novas estratégias que possam ser desenvolvidas de acordo com as necessidades da empresa, no mercado; • ciência do comportamento de consumo da clientela, de forma que possam ser entendidos certos hábitos e possibilidades futuras e, com isso, se direcionar ações específicas de acordo com o perfil específico de um consumidor. Tendências são constantes e podem implicar aspectos positivos e negativos. No caso do marketing tradicional, e mais ainda no contexto digital, acabam se tornando fatores externos fundamentais para serem acompanhados por profissionais que estejam capacitados a direcionar ações alinhadas com os objetivos das organizações. 5 TEMA 2 – CONCEITOS DE MERCADOLOGIA A definição de mercado deixou de ser pura e simplesmente a de um ponto físico com o propósito de compra e venda de determinados produtos, conforme ele era compreendido antigamente. Com o tempo, o conceito de mercado se tornou muito mais amplo. “Atualmente, os economistas descrevem um mercado como um conjunto de compradores e vendedores que efetuam transações relativas a determinado produto ou classe de produto – mercado imobiliário ou de grãos, por exemplo” (Kotler; Keller, 2018, p. 6). Já a mercadologia pode ser entendida, literalmente, como estudo do mercado, e esse aspecto é fundamental para que profissionais de marketing compreendam o contexto em que estão inseridos e se posicionem de acordo com os interesses e objetivos da organização na qual eles façam parte. Vamos entender agora como funciona uma estrutura (Figura 1) de cinco mercados básicos baseados em um modelo econômico moderno. Figura 1 – Estrutura de fluxos em uma moderna economia baseada em trocas Fonte: Kotler; Keller, 2018, p. 7. Segundo Kotler e Keller (2018, p. 6) e a Figura 1, a estrutura de fluxos em uma economia moderna pode ser analisada como um modelo consistente de trocas. 6 Os fabricantesrecorrem aos mercados de recursos (mercados de matérias-primas, mercados de trabalho, mercados financeiros) para adquiri-los e transformá-los em bens e serviços; depois vendem os produtos acabados a intermediários, que os vendem a clientes finais. O governo recolhe impostos para comprar produtos dos mercados de recursos, de fabricantes e de intermediários; depois, usa esses bens e serviços para fornecer serviços públicos. A economia de cada nação e a economia global consistem em conjuntos de mercados integrados e vinculados entre si por processos de troca. (Kotler; Keller, 2018, p. 6) De acordo com Garcia (2015, p. 6), os principais mercados são categorizados da seguinte maneira: • Mercado consumidor: trata-se do mercado do cliente comum, que não pensa em revenda de produtos. Possui função importante no estabelecimento da superioridade de uma marca. • Mercado organizacional: são empresas, clientes bem informados. Nesse caso, o marketing precisa atuar com o objetivo de melhorar as receitas desses clientes. • Mercado global: as empresas que visam ao mercado global têm de decidir em que país(es) executarão suas atividades e encontrar meios de adaptação a um contexto de trato com diferentes culturas e necessidades. • Mercado sem fins lucrativos: trata-se do terceiro setor. As empresas desse modelo precisam de cautela na hora de definir os seus preços, já que os recursos dos seus compradores são limitados. Levando-se em consideração que um vendedor faz parte do setor produtivo e o mercado é um agrupamento de clientes (Kotler; Keller, 2018, p. 7), vamos analisar como ocorre a interação entre esses dois setores na Figura 2 a seguir. Figura 2 – Sistema simples de marketing Fonte: Kotler; Keller, 2018, p. 7. Um sistema simples de marketing já demonstra a existência de uma interdependência entre os diversos elementos que compõem a sua estrutura, com 7 uma troca contínua de informações entre o setor produtivo e o mercado, favorecendo a oferta de bens e serviços e, consequentemente, atendendo a demanda do mercado. TEMA 3 – TEMAS CENTRAIS DE MARKETING Sobre os conceitos centrais de marketing, iremos a partir de agora destacar dois desses principais elementos: 1. necessidades, desejos e demandas; 2. mercados-alvo, posicionamento e segmentação. 3.1 Necessidades, desejos e demandas A respeito de necessidades e desejos, apesar das similaridades entre os termos, cabe analisarmos suas devidas distinções. Necessidades são os requisitos básicos do ser humano, como comida, ar, água, roupas e abrigo. Os seres humanos também sentem forte necessidade de recreação, instrução e diversão. Essas necessidades tornam-se desejos quando direcionadas a objetos específicos que possam satisfazê-las. (Kotler; Keller, 2018, p. 8) Seguindo essa linha de raciocínio, Kotler e Keller (2018) complementam que as necessidades e desejos estão vinculados à cultura, ao modelo de sociedade na qual estamos inseridos. Ex.: quando um consumidor brasileiro quer almoçar, pode ir até um estabelecimento e pedir uma feijoada, acompanhada de uma caipirinha com gelo. No caso de um consumidor britânico, pode solicitar um fish and chips (porção de peixe com batatas), com algumas cervejas da marca Guinness, em temperatura ambiente, por exemplo. Perceba que as características dos alimentos servidos em um almoço, como sabor, tempero e até temperatura, fazem parte de um rol puramente cultural. De modo a compreender o universo das nossas necessidades, cabe uma análise com mais atenção do modelo apresentado como de hierarquia das necessidades, de Maslow (citado por Garcia, 2015), conforme Figura 3 a seguir. 8 Figura 3 – Hierarquia das necessidades Fonte: Garcia, 2015, p. 10. Já em se tratando de demandas, os autores consideram que essas “[...] são desejos por produtos específicos sustentados pela capacidade de comprá-los. Muitos desejam um Mercedes, mas poucos podem comprá-lo” (Kotler; Keller, 2018, p. 9). 3.2. Mercados-alvo, posicionamento e segmentação Mercados-alvo, posicionamento e segmentação são três termos que se unem em torno de um mesmo objetivo. Dessa forma, profissionais de marketing têm a incumbência de identificar segmentos distintos de consumidores, considerando aspectos demográficos, comportamentais e psicográficos, por exemplo. Com isso, é possível delinear as preferências de determinado perfil de consumidor, buscando atender às suas necessidades, oferecendo-lhe produtos que lhe agreguem valor e, consequentemente, atinjam às expectativas da empresa em torno de uma posterior fidelização. Conforme temos conversado no decorrer desta aula, os consumidores, cada vez mais exigentes, consideram fatores como preço e qualidade como determinantes para a conclusão de uma compra. Entretanto, sempre haverá, potencialmente, um detalhe a mais que o motive à escolha de determinado produto e não de outro; e, por conta disso, existe uma variedade ampla de produtos com valor agregado à disposição. 9 Atualmente, só no setor alimentício, vemos diariamente exemplos dessa natureza. E as preferências seguem padrões definidos por uma sociedade. Um exemplo é a Coca-Cola Clear (Figura 4), lançada em 2018 em alguns países como o Japão, cujo mercado apresenta uma diversidade muito ampla de alimentos industrializados aprimorados tecnologicamente, disponíveis para consumo. Esse produto, além de ser transparente, criando um conceito distinto ao da coloração do produto tradicional, é livre de açúcares e indicado para quem possui restrição alimentar. Figura 4 – Coca-Cola Clear Crédito: Zety Akhzar/Shutterstock. A sociedade japonesa é conhecida pelo seu alto interesse em inovação e isso é fundamental, nesse sentido. Porém, a pergunta que fica é: esse mesmo produto faria sucesso no Brasil? A resposta é relativa: pode ser que sim, pode ser que não, dependendo da sua aceitação pelo consumidor. Veja o caso da Cherry Coke (Figura 5), linha da Coca-Cola com sabor de cereja, lançada na década de 1990, e descontinuada após um certo tempo, e que não fez sucesso no Brasil. Isso leva a crer que os brasileiros, em sua maioria, são mais tradicionalistas em relação a produtos já consolidados no nosso mercado interno. 10 Figura 5 – Cherry Coke comercializada no Brasil Crédito: Darios/Shutterstock. Outra preocupação das empresas do ramo alimentício é com relação à vantagem competitiva de seus produtos, associada ao desenvolvimento de produtos funcionais, ou seja, de alimentos que, além do aspecto da nutrição, promovam outras vantagens biológicas ao serem consumidos. Alimentos funcionais são aqueles que colaboram para melhorar o metabolismo do corpo e prevenir problemas de saúde. A pesquisa neste ramo científico já descobriu muitas propriedades funcionais, mas não há ainda estudos conclusivos sobre dietas que atendam a todo o sincronismo fisiológico. (Martins, 2011) Segundo Martins (2011), empresas como Becel e Danone, já há algum tempo, vêm focalizando seus esforços no lançamento de produtos que beneficiem consumidores desse nicho de mercado. Para que um alimento industrializado possa ser descrito como funcional, ele deve atender algumas exigências específicas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Para que um alimento industrializado seja considerado funcional, ele deve atender à certificação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o único órgão no Brasil que pode conceder este status aos produtos. Há uma série de nutrientes que determinam se um alimento pode ou não ser considerado funcional, em razão de sua quantidade disponível por porção e benefício comprovado cientificamente. (Martins, 2011) 11 Esse é o caso da marca de iogurte Activia, da Danone (Figura 6): lançada na Europa em 1987, está no Brasil desde 2004 e seu propósito de consumo foi associado ao combate à prisãode ventre. “De acordo com Rafael Ribeiro, então Gerente da Marca, cerca de 58% das brasileiras sofrem com o problema de intestino lento e o produto tem grande credibilidade entre as consumidoras” (Martins, 2011). Isso explicaria a fatia de 13% de participação do produto no mercado nacional de iogurtes, no ano de 2011. Figura 6 – Iogurte Activia, da Danone Crédito: Denismart/Shutterstock. Perceba que o caso da Activia é um exemplo clássico de sucesso no que tange a mercado-alvo (Brasil), posicionamento (alimento funcional) e segmentação (público em geral, majoritariamente feminino, que se preocupa com a relação saúde/alimentação). TEMA 4 – OS 4 Ps DO COMPOSTO DE MARKETING Segundo Santos (2020), a década de 1960 foi fundamental em se tratando de marketing. Primeiramente, porque foi quando surgiram os principais conceitos inerentes ao planejamento de marketing. Ao final da década, houve ainda a criação da ideia do mix ou composto de marketing (Figura 7) definido pelos chamados quatro pês (4 Ps): produto; praça (ou ponto de venda); preço; e 12 promoção, conforme idealizado por E. Jerome McCarthy. Posteriormente, o termo foi popularizado por um dos principais teóricos da área, Philip Kotler. Os 4 P’s são utilizados até hoje para formular novos planejamentos, justamente por representarem as quatro variáveis básicas que compõem a estratégia, e que marcam a atuação de uma empresa independentemente de mercado ou área. Assim, qualquer instituição ou organização empresarial se enquadraria nos 4 P’s, tendo como base a sua interação ou, ainda, atuação com o mercado. (Santos, 2020, p. 22) Na visão do marketing, os 4 Ps influem no modo como uma “[...] empresa visualiza a sua função de vendedora, ou seja, indicam a visão que a empresa tem do ponto de vista de vendas, das ferramentas de marketing disponíveis para influenciar os compradores” (Ferreira Junior; Azevedo, 2015, p. 47). Figura 7 – Composto de marketing ou marketing mix Fonte: Santos, 2020, p. 17. Para uma compreensão mais assertiva do assunto, vamos verificar o que cada um desses elementos representa, de acordo com as considerações de Garcia (2015, p. 11): • Produto: é o alvo da primeira decisão da empresa, que deve saber o que ofertará aos seus clientes. • Preço: indica não apenas quanto o consumidor pagará, mas também de que modo o fará, inclusive apontando para a possibilidade de financiamento ou parcelamento do valor proposto para aquisição de um produto. • Praça: também conhecida como ponto de venda, envolve toda a distribuição do produto, considerando-se como e quando ele chegará a um dado local. 13 • Promoção: estratégia de divulgação do produto. De forma geral, o marketing mix ou composto de marketing, com seus 4 Ps, possui uma definição que se torna clara, de acordo com a Figura 8 a seguir. Figura 8 – Os 4 Ps e suas características Fonte: Kotler; Keller, 2018, p. 28. Todos os elementos do composto têm um objetivo em comum, que é justamente satisfazer o cliente ou consumidor final. Os 4 Ps (product, price, place e promotion) são utilizados até hoje para formular novos planejamentos (Santos, 2020, p. 22). TEMA 5 – OS 4 Cs DO COMPOSTO DE MARKETING O conceito intitulado como dos quatro cês 4 Cs foi criado em 1990, por Robert F. Lauterborn, um professor de publicidade renomado da Universidade da Carolina do Norte. A proposta da sua criação foi oferecer “[...] uma nova visão para o mix de marketing, abordando as estratégias de marketing com foco no cliente” (Dahan, 2018). E, particularmente, isso se deu pelo fato de que os 4 Ps do marketing priorizavam o produto, minimizando o foco no seu público consumidor. 14 Dessa forma, o P de produto passa a ser o Cliente (em inglês, consumers wants and needs), o preço vira Custo (cost to satisfy), a praça passa a ser entendida como Conveniência (convenience to buy) e a promoção como Comunicação (communication). A começar pelo primeiro C, customer wants and needs, em uma tradução direta “vontades e necessidade do consumidor”, ou somente “cliente” como se convencionou chamar no Brasil, é possível perceber que esse ‘novo’ mix de marketing privilegia o consumidor potencial ou real e, consequentemente, agrega muito mais valor à atividade de comunicação integrada de marketing ao pensar o mercado consumidor em primeiro lugar. (Nogueira, 2020, p. 6) Para autores como Ferreira Junior e Azevedo (2015, p. 48), “os 4 C’s correspondem ao ‘outro lado da moeda’, em comparação com o conceito de análise de mercado pelos 4 P’s”. São estes os 4 Cs: • Cliente: qual é a melhor solução para o cliente? • Custo: qual é o melhor custo, na visão do cliente? • Conveniência: como fica melhor para o cliente obter um dado produto/serviço? • Comunicação: qual é a comunicação mais eficaz, na visão do cliente? Logicamente, não se deve esquecer o que também for melhor para o produtor, pois a comunicação é uma via de duas mãos. Para efeito de comparação, Ferreira Junior e Azevedo (2015) propõem uma esquematização, de modo a deixar mais clara essa visão de mercado, realizando uma analogia entre os 4 Ps e os 4 Cs (Figura 9). Figura 9 – Visualização mais geral de marketing relacionando os 4 Ps e os 4 Cs Fonte: Ferreira Junior; Azevedo, 2015, p. 49. 15 O marketing centrado no consumidor ficou conhecido como marketing 2.0. Para entendermos suas principais características, apresentamos o Quadro 1, que estabelece um comparativo entre marketings 1.0, 2.0 e 3.0. Quadro 1 – Comparação entre marketings 1.0, 2.0 e 3.0 Fonte: Ferreira Junior; Azevedo, 2015, p. 50. Percebe-se, pois, que o marketing evoluiu a ponto de abranger conceitos emocionais significativos para os seres humanos. O consumidor deixou de ser considerado apenas um número e passou a ser tratado como um alvo em potencial para a construção de uma relação de fidelização duradoura, para o que as marcas têm investido cada vez mais em aspectos como empatia, como forma de agradar às pessoas. 16 REFERÊNCIAS DAHAN, J. Mix de marketing: conheça os 4 Ps, 4Cs e 4 As. Guia de Marketing, 9 nov. 2018. Disponível em: . Acesso em: 13 maio 2021. FERREIRA JUNIOR, A. B.; AZEVEDO, N. Q. Marketing digital: uma análise do mercado 3.0. Curitiba: InterSaberes, 2015. FERREIRA JUNIOR, A. B.; RIEPING, M. iTrends: uma análise de tendências e mercados. Curitiba: InterSaberes, 2014. GARCIA, J. L. (Org.). Marketing de serviços e de varejo. São Paulo: Pearson, 2015. KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de marketing. 15. ed. São Paulo: Pearson, 2018. MARTINS, C. Alimentos funcionais aquecem o mercado. Mundo do Marketing, 30 mar. 2011. Disponível em: . Acesso em: 13 maio 2021. NOGUEIRA, M. A. F. Entre “Pês” e “Cês”: uma linha do tempo da comunicação integrada de marketing (CIM). In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 43., 2020, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: Intercom, 2020. p. 1-15. SANTOS, A. C. Marketing. Curitiba: Contentus, 2020.