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Atividade Integradora - P6M2 1 - Entender o conceito de choque como distúrbio metabólico entre a oferta e o consumo de oxigênio e conhecer as variáveis que determinam a oferta de oxigênio para os tecidos. O choque representa uma situação de hipóxia tecidual e celular devido à entrega inadequada, ao aumento de consumo ou à utilização inadequada do oxigênio. Desta forma, representa uma situação extrema de disfunção circulatória com risco de vida. O choque é particularmente comum em unidades de terapia intensiva, afetando cerca de um terço dos pacientes nas unidades de cuidados intensivos. O choque séptico representa a maior causa de mortalidade em unidades de terapia intensiva no Brasil e no Mundo. Um diagnóstico de choque pode ser reconhecido baseado em manifestações clínicas, hemodinâmicas e bioquímicas, que incluem hipotensão, cianose, oligúria, acidose metabólica, alteração de estado mental, entre outras situações de má perfusão periférica. As suas principais manifestações podem ser incluídas em três diferentes grupos. 1. Em primeiro lugar, a hipotensão arterial sistêmica, que é geralmente presente, embora a magnitude da hipotensão possa ser apenas moderada, especialmente em pacientes com hipertensão crônica. Tipicamente, em adultos a pressão arterial sistólica é inferior a 90 mmHg ou a pressão arterial média é inferior a 70 mm Hg, com taquicardia associada. 2. Em segundo lugar, ocorrem sinais clínicos de hipoperfusão tecidual, que são aparentes através da observação da perfusão cutânea (pele fria e úmida, com vasoconstrição e cianose), achados que são mais evidentes em estados de baixo fluxo, injúria renal (produção de urina de 1,5 mmol por litro) na insuficiência circulatória aguda. FISIOPATOLOGIA Ao discutir o choque é interessante antes analisar alguns conceitos sobre a utilização de oxigênio tecidual. Esse processo utiliza diferentes passos, entre eles: 1. I Difusão do O2 dos pulmões ao sangue; 2. II Ligação do oxigênio à hemoglobina; 3. III Transporte pelo débito cardíaco para periferia; 4. IV Difusão para mitocôndria. O oxigênio atmosférico entra nos pulmões a partir da pressão gerada pela inspiração, posteriormente o O2 alveolar se difundirá para o sangue capilar pulmonar. A quantidade de O2 que é transferida para o sangue depende da relação ventilação-perfusão e da concentração de O2 inspirado (FiO2). Outros fatores importantes são as características de difusão da membrana alveolocapilar, a concentração de hemoglobina no sangue e sua afinidade pelo O2, com a maior parte do oxigênio sendo carreado por proteínas plasmáticas com pequena quantidade de O2 que permanece livre no plasma. Nos capilares pulmonares, a ligação do oxigênio à hemoglobina é facilitada, enquanto que nos capilares periféricos, a dissociação do O2 é promovida. Algumas situações aumentam e diminuem a afinidade da hemoglobina pelo oxigênio e influenciam esse processo, entre elas: Aumento da afinidade → Diminuição da temperatura; → Aumento do pH; → Diminuição do pCO2; → Diminuição do 2,3-DPG; → Alterações da hemoglobina (hereditárias). Diminuição da afinidade → Diminuição do pH; → Aumento do pCO2; → Aumento da temperatura; → Aumento do 2,3-DPG. O oxigênio posteriormente inicia o processo de difusão do sangue para a mitocôndria por um simples princípio de difusão. É necessário saber que uma pressão parcial de oxigênio de apenas 1 mmHg na mitocôndria é o suficiente para o metabolismo aeróbico normal. Dessa forma, o gradiente de difusão do sangue para a célula é grande o suficiente para que tal processo físico suplemente as necessidade fisiológicas, embora em situações extremas esse processo possa ser insuficiente. A distribuição do oxigênio aos tecidos também é determinada pelos mecanismos de controle da microcirculação local que controlam o fluxo total, tempo de trânsito e o recrutamento capilar. Fatores autonômicos neurais e metabólicos regulam os esfíncteres arteriolares de tal forma a aumentar a densidade capilar. Órgãos com pouca reserva capilar apresentam-se em desvantagem durante hipóxia. Uma vez que o oxigênio chega à mitocôndria, ele deve funcionar como receptor final de elétrons provenientes do metabolismo aeróbico. Mesmo após entrar na mitocôndria, diversos mecanismos em determinadas patologias promovem a má utilização do oxigênio no metabolismo, levando a uma utilização glicolítica anaeróbica da glicose e hiperlactatemia para geração de ATP, apesar da presença de O2. Com diminuições graduais da oferta, o consumo permanece constante devido a um aumento da extração periférica. Porém, diminuições progressivas podem superar a capacidade de adaptação da microcirculação e a produção aeróbica de ATP cair abaixo da necessidade metabólica. A partir desse ponto, também chamado de DO2 crítico, a produção anaeróbica de ATP é iniciada. De modo geral, tal ponto se inicia a partir de uma oferta de 10mL/min/kg. Porém, estudos clínicos não demonstraram a existência de um ponto de inflexão na relação entre oferta e consumo de oxigênio. Alguns demonstraram que a relação é linear até pontos extremos de oferta de oxigênio. O choque apresenta vários mecanismos fisiopatológicos não necessariamente exclusivos e que são dependentes de sua etiologia, podendo ocorrer por hipovolemia em pacientes com sangramento, por exemplo, ou ocorrer por fatores cardiogênicos, como em pacientes com isquemia coronariana aguda ou insuficiência cardíaca avançada. O choque pode ainda ocorrer devido a um processo obstrutivo, como ocorre em pacientes com tromboembolismo pulmonar, tamponamento cardíaco ou pneumotórax hipertensivo, ou fatores distributivos como na sepse grave ou na anafilaxia. Nos choques hipovolêmico e cardiogênico temos um débito cardíaco relativamente baixo e, portanto, transporte de oxigênio insuficiente. Em um estado de choque distributivo, o déficit principal reside na periferia, com a diminuição da resistência vascular sistêmica e extração de oxigênio alterada. Tipicamente, em tais casos o débito cardíaco é elevado em uma primeira fase, embora possa ser baixo, como resultado da depressão miocárdica associada nas fases avançadas do choque séptico. Os doentes com insuficiência circulatória aguda muitas vezes têm uma combinação desses mecanismos. Por exemplo, um paciente com choque distributivo de pancreatite grave, anafilaxia, ou sepse também pode ter hipovolemia e choque cardiogênico por depressão do miocárdio. 2 - Conhecer as principais causas de choque hemorrágico relacionadas com o trauma abdominal contuso, e a propedêutica de identificação das mesmas. Choque hipovolêmico acontece pela redução do volume intravascular (pré-carga reduzida) que, por sua vez, reduz o DC. O choque hipovolêmico pode ser dividido em duas categorias: hemorrágico e não hemorrágico. o Hemorrágico: existem várias causas de choque hemorrágico, sendo o mais comum o trauma, seguido por hemorragia varicosa e úlcera péptica. Causas menos comuns incluem hemorragia perioperatória, aneurisma aórtico abdominal roto e iatrogênico. A hemorragia é a causa mais comum de choque após trauma. Virtualmente todo doente com traumatismos múltiplos tem um componente de hipovolemia. Além do mais, a maioria dos estados de choque não hemorrágico responde parcial ou transitoriamente à reposição volêmica. Portanto, se existem sinais de choque, o tratamento é iniciado como se o doente estivesse hipovolêmico. Entretanto, assim que o tratamento é instituído, é importante identificar o pequeno número de doentes nos quais ochoque é causado por outra etiologia (por exemplo, doentes que têm lesões concomitantes, como tamponamento cardíaco, pneumotórax hipertensivo, lesão medular ou contusão cardíaca, que agravam seu estado de choque hemorrágico e hipovolêmico). → O objetivo principal do tratamento é identificar prontamente e interromper rapidamente a hemorragia. Focos potenciais de perda sanguínea - tórax, abdome, pelve, retroperitônio, membros e sangramentos externos - devem ser rapidamente avaliados no exame físico e estudos complementares apropriados. Radiografia do tórax, da pelve, ou mesmo a avaliação abdominal com ultrassonografia direcionada para trauma (FAST) ou lavagem peritoneal diagnóstica e sondagem vesical, podem ser necessários para determinar o foco da perda sanguínea. O princípio básico do tratamento é interromper o sangramento e repor as perdas volêmicas. TRAUMA FECHADO O trauma fechado é resultante, na maioria dos casos, de colisões automobilísticas, quedas e outras lesões relacionadas a transporte, recreação ou trabalho. Informações importantes a respeito de colisões automobilísticas são uso de cinto de segurança, deformação do volante, direção do impacto, danos ao automóvel ou intrusão no compartimento de passageiros e ejeção do passageiro de dentro do veículo. A ejeção da vítima aumenta sobremaneira as possibilidades de lesões graves. Frequentemente os padrões de lesão podem ser previstos de acordo com o mecanismo do trauma. Esses padrões de lesão também são influenciados pela idade e pela atividade do doente. Um impacto direto, como o contato do abdome com o volante ou com a intrusão da porta em uma colisão de veículos, pode causar compressão ou esmagamento de vísceras abdominais e da pelve. Tais forças deformam os órgãos sólidos e vísceras ocas, podendo causar sua ruptura, acarretando hemorragia secundária, contaminação pelo conteúdo intestinal e, consequentemente, peritonite. O cisalhamento é uma forma de lesão por esmagamento que pode ocorrer quando um dispositivo de segurança e de restrição é usado de forma inadequada. Doentes vítimas de acidentes automobilísticos podem sofrer lesões decorrentes das forças relacionadas à desaceleração nas quais as estruturas fixas e não fixas do corpo sofrem movimentos em sentidos opostos. Exemplos desses tipos de lesões incluem as lacerações do fígado e do baço (órgãos móveis) nos locais de inserção de seus ligamentos de sustentação (estruturas fixas). Lesões extensas do mesentério do intestino delgado também são exemplos de lesões por desaceleração. Nos doentes vítimas de trauma fechado, os órgãos mais frequentemente acometidos são o baço (40 a 55%), o fígado (35 a 45%) e o intestino delgado (5 a 10%). Além disso, observa-se também uma incidência de 15% de hematoma retroperitoneal nos doentes com trauma fechado submetidos a laparotomia. Embora os dispositivos de contenção previnam ferimentos mais graves, eles podem acarretar padrões específicos de lesões. O acionamento do airbag não impede lesão abdominal. Investigação por exames o Lavado peritoneal diagnóstico – é feito em pacientes instáveis, deve ser realizado por cirurgião, é invasivo mas tem boa sensibilidade e especificidade. Se aspirou >10ml de sangue de forma fácil, tem sangue no abdome. Se vier >100.000 hemácias e >500 leucócitos ou bactéria gram+, o LPD é POSITIVO. o Fast – rápido, sensível, acessível, precisa de USG e possui 4 janelas (subxifoide, hepatorrenal, esplenorrenal e suprapubico). É feito em pacientes instáveis. Vê líquido livre mas não sabe qual líquido (baixa especificidade). o Tomografia – feita em paciente estável, é específica, mas custa tempo e dinheiro. O tratamento de trauma contuso e penetrante no abdômen e pélvis inclui: → Delineando o mecanismo de lesão → Restabelecimento das funções vitais e otimização da oxigenação e perfusão dos tecidos → Reconhecimento imediato das fontes de hemorragia com esforços no controle da hemorragia → Exame físico inicial meticuloso, repetido em intervalos regulares → Estabilização pélvica → Laparotomia → Embolização angiográfica e tamponamento pré-peritoneal → Selecionar manobras especiais de diagnóstico conforme necessário, realizadas com uma perda mínima de tempo 3 - Explicar a contraindicação da inserção de um cateter urinário em casos de fratura de bacia. A sondagem vesical permite a avaliação da presença de hematúria (indicando que o retroperitônio possa ser o foco significativo da perda sanguínea) e a monitoração constante da perfusão renal por meio do débito urinário. Sangue no meato uretral ou na próstata deslocada cranialmente, móvel ou não palpável no homem é contraindicação absoluta à inserção de um cateter transuretral antes da confirmação radiográfica da integridade da uretra. Os objetivos de inserir uma sonda vesical no início do processo de reanimação são aliviar a retenção urinária, descomprimir a bexiga antes de realizar a LPD e permitir a monitoração do débito urinário como um índice de perfusão tecidual. Hematúria macroscópica é um sinal de trauma do trato geniturinário e de órgãos intra-abdominais não renais. No entanto, a ausência de hematúria não descarta um ferimento no trato geniturinário. → Na incapacidade de urinar espontaneamente, a presença de fratura pélvica instável, de sangue no meato uretral, de hematoma escrotal, de equimose perineal ou da próstata deslocada cranialmente implicam a obrigatoriedade de realização de um uretrograma retrógrado para confirmar a integridade da uretra antes de inserir a sonda vesical. A detecção de lesão uretral durante a avaliação primária ou secundária pode necessitar da inserção de uma sonda suprapúbica por um médico experiente. → Sangue no meato uretral ou na próstata deslocada cranialmente, móvel ou não palpável no homem é contraindicação absoluta à inserção de um cateter transuretral antes da confirmação radiográfica da integridade da uretra. Todos os órgãos pélvicos são suscetíveis a lesões associadas ao trauma da pelve, sendo a bexiga e a uretra os mais frequentemente acometidos. Em vítimas suspeitas de trauma pélvico, a abordagem da uretra por sondagem deve ser cautelosa. Nesse caso, devido ao sangramento uretral no momento da sondagem, destaca-se a realização de medida diagnóstica preventiva com a uretrografia excretora retrógada para lesão uretral, medida preconizada sempre quando há suspeita de acometimento uretral e necessidade de sondagem vesical. O reconhecimento do mecanismo envolvido no trauma pélvico é importante para a classificação da lesão sofrida, o que interfere na sua abordagem. 4 - Discutir as regras básicas de reposição volêmica e a indicação de terapia transfusional no choque hipovolêmico. REPOSIÇÃO VOLÊMICA INICIAL Na reanimação inicial são utilizadas soluções eletrolíticas isotônicas aquecidas, como ringer lactato ou soro fisiológico. Esse tipo de líquido promove a expansão intravascular transitória e contribui para a estabilização do volume vascular por meio da reposição das perdas que ocorreram para o interstício e para o compartimento intracelular. Um volume de líquido aquecido inicial é administrado. A dose habitual é de um a dois litros no adulto e de 20 mlfkg em crianças. Volumes absolutos de fluidos para a reanimação devem ser baseados na resposta do doente. É importante lembrar que a quantidade inicial de fluidos inclui qualquer fluido administrado no pré-hospitalar. o É importante avaliar a resposta do doente à reposição volêmica e identificar a evidência de uma adequada perfusão e oxigenação orgânica finais (por exemplo, débito urinário, nível de consciência e perfusão periférica). Se, durante a reanimação, a quantidade de líquido necessária para restaurar ou manter a perfusão orgânica for muito maior que essa estimativa, torna-se necessária uma reavaliação cuidadosa da situação, assim como a pesquisa de uma lesão não diagnosticada e de outrascausas de choque. O objetivo da reposição é a restauração da perfusão dos órgãos. Observe, no entanto, que se a pressão subir rapidamente antes que a hemorragia tenha sido controlada definitivamente, pode haver aumento do sangramento. A administração excessiva de fluidos pode exacerbar a tríade letal da coagulopatia, acidose e hipotermia com a ativação da cascata da inflamação. Repor a volemia e evitar a hipotensão são princípios importantes no tratamento inicial de doentes com trauma fechado, particularmente os com traumatismo craniencefálico. Nos traumatismos penetrantes com hemorragia, o retardo da reposição volêmica agressiva, até que o controle definitivo da hemorragia tenha sido realizado, pode prevenir hemorragia maior. É necessário o tratamento cuidadoso e equilibrado, com reavaliações frequentes. Colocar na balança a restauração da perfusão dos órgãos de um lado e os riscos inerentes de aumento de hemorragia do outro, aceitando-se uma pressão sanguínea abaixo dos níveis normais, denomina- se "reanimação controlada", "reanimação balanceada", "reanimação hipotensiva" e "hipotensão permissiva". O objetivo é o equilíbrio e não a hipotensão. REPOSIÇÃO DE SANGUE A decisão de iniciar a transfusão baseia-se na resposta do doente de acordo com o que foi descrito nas seções precedentes. Doentes com resposta transitória ou mínima I sem resposta - aqueles em hemorragia classe III ou IV - necessitarão de sangue e derivados como parte precoce de sua reanimação. SANGUE COM PROVAS CRUZADAS, TIPO ESPECÍFICO E TIPO O NEGATIVO: O principal objetivo da transfusão sanguínea é restabelecer a capacidade de transporte de oxigênio do volume intravascular. A alternativa preferível é sangue com todas as provas cruzadas. Entretanto, o procedimento para realizar as provas cruzadas completas exige aproximadamente 1 hora na maioria dos bancos de sangue. Em doentes que se estabilizam rapidamente, quando há indicação de transfusão, o sangue deve ser selecionado por meio de todas as provas cruzadas. Na maioria dos bancos de sangue, sangue tipo específico pode ser providenciado em aproximadamente 10 minutos. Este sangue é compatível com o do doente, nos sistemas ABO e Rh. DEBORA EDUARDA Realce DEBORA EDUARDA Realce Incompatibilidades devidas a outros anticorpos podem existir. O sangue tipo específico é o de primeira escolha para os doentes que respondem transitoriamente como descrito acima. Quando se torna necessário o uso de sangue tipo específico, as provas cruzadas devem ser completadas no banco de sangue. Quando não está disponível sangue tipo específico, indica-se o uso de concentrados de hemácias tipo O para doentes com hemorragia exsanguinante. Em mulheres em idade fértil, prefere-se o uso de glóbulos Rh negativos para prevenir sensibilizações e futuras complicações. Assim que estiver disponível, o uso de sangue tipo específico é preferível ao tipo O. Isto é verdade, a menos que estejam sendo tratadas simultaneamente várias vítimas não identificadas, o que implica grande risco de troca inadvertida de bolsas de sangue. AQUECIMENTO DOS LÍQUIDOS PLASMA E CRISTALOIDES: A hipotermia deve ser sempre evitada e deve ser corrigida quando o doente chega hipotérmico ao hospital. O uso de aquecedores de sangue é incômodo, mas desejável no serviço de emergência. A maneira mais eficiente e fácil de prevenir a hipotermia em qualquer doente que receba volume maciço de cristaloides é o aquecimento do líquido a 39°C antes de usá-lo. Assim, deve-se armazenar os cristaloides em estufa aquecida ou pelo uso de um forno de microondas. Hemoderivados não podem ser aquecidos em forno de micro-ondas, mas sim através da passagem por aquecedores de fluidos endovenosos. AUTOTRANSFUSÃO: Existem no comércio dispositivos ajustáveis aos tubos de drenagem de tórax que permitem a coleta estéril, a anticoagulação (geralmente com solução de citrato de sódio e não heparina) e a retransfusão do sangue drenado. A coleta do sangue para autotransfusão deve ser considerada em qualquer hemotórax volumoso. TRANSFUSÃO MACIÇA: Um pequeno grupo de doentes em choque vai requerer transfusão maciça, mais frequentemente definida como > 10 unidades de sangue em 24 horas de admissão. A administração precoce de sangue, plasma e plaquetas e a administração agressiva de cristaloides minimizada pode melhorar a sobrevida nesses doentes. Esse tratamento tem sido denominado como balanceado, hemostático ou reanimação de controle de danos. Esforços concomitantes para o rápido controle do sangramento e redução dos efeitos deletérios da coagulopatia, hipotermia e acidose são extremamente importantes nesses doentes. Um protocolo de transfusão maciça que inclua disponibilidade imediata de todos os componentes do sangue deve ser instituído a fim de oferecer uma reanimação otimizada para esses doentes, mesmo que requeiram tremendos recursos. Esses protocolos também melhoram o prognóstico. COAGULOPATIA: Traumatismos graves e hemorragias consomem os fatores de coagulação e podem levar à coagulopatia precocemente, estando presentes em até 30% dos doentes gravemente traumatizados à admissão. A transfusão maciça com diluição de plaquetas e de fatores de coagulação e os efeitos adversos da hipotermia na agregação plaquetária e na cascata da coagulação são as causas comuns de coagulopatia no doente traumatizado. As medidas do tempo de protrombina, do tempo de tromboplastina parcial e a contagem de plaquetas são estudos valiosos na primeira hora, especialmente no doente com história de coagulopatia ou em uso de medicamentos que alterem a coagulação ou quando não há informações confiáveis quanto ao seu estado prévio de coagulação. Em doentes que não requerem transfusão maciça, o uso de plaquetas, crioprecipitado e plasma fresco congelado, incluindo a dosagem dos níveis de fibrinogênio, deve ser norteado por esses parâmetros de coagulação. Doentes com trauma craniencefálico grave são particularmente propensos ao desenvolvimento de anormalidades da coagulação. Os parâmetros da coagulação precisam ser monitorados amiúde nesses doentes; a administração precoce de plasma e/ou plaquetas melhora sua sobrevida quando eles são sabidamente usuários de anticoagulantes ou agentes antiplaquetários. ADMINISTRAÇÃO DE CÁLCIO: A maioria dos doentes que recebe transfusão de sangue não necessita de suplementação de cálcio. Quando necessária, a administração deve ser guiada por dosagem de cálcio ionizado. A suplementação excessiva de cálcio pode ser nociva.