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“Quarto minguante”
Anelia está na Unidade de Saúde perto da sua casa, em Itararé, aguardando atendimento médico, ela olha para o monitor e visualiza o seu nome na tela e se aproxima do balcão, dizendo:
· Sou Anelia, já serei atendida?
A recepcionista Lúcia, muito calma, diz que ela será a próxima, mas que precisa atualizar algumas informações no sistema, e pergunta:
· Qual a sua idade, raça e ocupação?
· Tenho 30 anos de idade, negra e atualmente sou cozinheira. Respondeu Anelia. Lúcia afirma que logo ela será chamada para o atendimento.
Anelia entra na sala do médico, já fazendo seus relatos.
· Doutor, eu vim aqui porque ando me sentindo muito fraca e cansada. Sabe, voltei de uma visita a parentes, em uma comunidade quilombola em São Mateus recentemente, e de lá pra cá parece que o corpo não responde. Só de carregar as sacolas da feira e andar quatro quarteirões, sinto muita dor no corpo e fraqueza. Muita dificuldade para lavar as roupas, louças e até mesmo ficar em pé para cozinhar.
Aristides, o médico da equipe, pergunta:
· Entendo, dona Anélia. Isso é recente? Quando começou a perceber esses sintomas?
· Sim, doutor, começou depois da viagem. Aí, na semana passada, até tentei participar de uma atividade física em grupo com o professor de educação física aqui da unidade, mas tive que parar no meio. Estava muito cansada, com falta de ar e até uma tontura de vez em quando.
· Hum, isso é importante! - Completou Dr Aristides. — E ontem a senhora já havia agendado essa consulta, certo?
· Exatamente. Sabe doutor, lembrei que meu pai, que já é idoso, tem 84 anos, ele reclamava das mesmas coisas que eu tô sentindo agora. Isso me preocupou ainda mais, e também pensei na malária, porque lá onde visitei têm uns casos… quando eu era criança também tive algumas crises de falta de ar e de dores nas pernas, mas nunca fui diagnosticada com nada.
Prontamente Aristides responde: — Bem, em relação à malária podemos ficar tranquilos, pois seus sintomas não parecem estar relacionados a essa doença. Vamos investigar outras causas. Vou solicitar alguns exames de sangue, um hemograma e também avaliar a função do fígado. Assim, podemos entender melhor o que está acontecendo.
Anélia não está convencida da resposta do médico e retruca: — Mas tem certeza que não pode ser malária? Após alguns dias, Anélia retorna para discutir os resultados dos exames.
GOVERNO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE – SESA
INSTITUTO CAPIXABA DE ENSINO, PESQUISA E INOVAÇÃO EM SAÚDE – ICEPi/SESA
Anélia entra no consultório com expressão de assustada e querendo ouvir o que o médico tem a dizer:
· Anélia, aqui estão seus resultados. Notei que sua hemoglobina está em 9,0 g/dl e o hematócrito em 30%, indicando níveis baixos. Embora suas transaminases estejam normais, a bilirrubina total deu 3,4 mg/dl, um pouco elevada.
Anélia, arregalou os olhos: — E o que isso significa, doutor? É malária?
Explicou o médico com calma: Esses resultados, juntamente com seus sintomas e o histórico familiar, podem indicar uma possibilidade de anemia falciforme, uma condição que pode ser hereditária e que afeta a hemoglobina. Os níveis baixos de hemoglobina e a bilirrubina alta sugerem que talvez tenhamos um quadro de anemia hemolítica, em que os glóbulos vermelhos são destruídos mais rapidamente.
Anélia, complementou: — Então isso pode ser de família?
Aristides responde: — Sim, existe essa possibilidade, especialmente considerando o histórico familiar. Vamos seguir com mais alguns exames específicos para confirmar e definir o melhor tratamento para melhorar sua qualidade de vida.
ATIVIDADE
---------------------------------------Instruções para elaboração do Fichamento de Citação--------------------------------------------
Fichamento de citação é uma técnica de registro de informações que envolve selecionar e anotar passagens importantes de textos ou obras que você está estudando.
Identificação do documento: Inclua dados bibliográficos completos (título, autor, ano de publicação …), para facilitar a referência e evitar plágio.
Tema: Resuma em poucas palavras o tema principal do texto.
Citações: Selecione trechos relevantes do texto, copiando-os de forma fiel. As citações devem ser exatamente iguais ao original e, normalmente, entre aspas. Exemplo: "A citação deve ser exata, incluindo as aspas e a página de onde foi extraída" (SOBRENOME, Ano, p. X).
Comentários ou Análises: Explique o significado da citação e sua relação com o tema estudado. Essa seção pode incluir interpretação pessoal, comparações com outras ideias e como a citação contribui para a compreensão do tema.
ARTIGO 1
Identificação do documento: Manual de Diagnóstico e Tratamento de Doença Falciformes. - Brasília : ANVISA, 2001
Tema: O manual explica com detalhes o que são as doenças falciformes, sua forma de transmissão hereditária, seu
surgimento no mundo, o que pode ocasionar no organismo da pessoa portadora de doença falciforme e diagnósticos.
Citações: A anemia falciforme, doença genética que levou ao conceito de “doença molecular” (14), é caracterizada por anemia hemolítica crônica e fenômenos vasoclusivos que levam a crises dolorosas agudas e à lesão tecidual e
orgânica crônica e progressiva.
Para o diagnóstico de Doenças Falciformes, sugerimos a seguinte metodologia: - Eletroforese alcalina em acetato de celulose - Eletroforese ácida em agar ou agarose - Teste de solubilidade - Dosagem de Hemoglobina Fetal - Dosagem de Hemoglobina A2 - Hemograma completo.
Não há tratamento específico das doenças falciformes. Assim, medidas gerais e preventivas no sentido de minorar as conseqüências da anemia crônica, crises de falcização e susceptibilidade às infecções são fundamentais na
terapêutica destes pacientes. Estas medidas incluem boa nutrição; profilaxia, diagnóstico e terapêutica precoce de infecções; manutenção de boa hidratação e evitar condições climáticas adversas. Além disso, acompanhamento
ambulatorial 2 a 4 vezes ao ano e educação da família e paciente sobre a doença são auxiliares na obtenção de bem- estar social e mental. Assim, o paciente deve identificar o médico e centro de atendimento onde será feito o
acompanhamento da doença e visitas a mútiplos centros devem ser desencorajadas. Os avanços na prevenção de infecções e crises de falcização têm proporcionado uma maior sobrevida aos pacientes, de modo que, a longo prazo, a manutenção da boa qualidade de vida é essencial para os indivíduos com doenças falciformes e deve ser objetivo dos profissionais que tratam destes pacientes.
Comentários ou Análises: Visto que o manual exemplifica com detalhes todas as alterações que a anemia falciforme pode ocasionar, percebe-se que mesmo tendo diversos estudos, ainda existe uma dificuldade tanto por parte da equipe medica, quanto por parte da equipe de enfermagem para tratar pacientes com anemia falciforme, pelo pouco estudo e por ser encaminhados para o serviço secundário para tratamentos. Mostra também que existe o
aconselhamento genético aos pais que desejam filhos as provaveis chances de transmissão hereditária.
ARTIGO 2
Identificação do documento: https://doi.org/10.1590/S0034-89101993000100009 Rev. Saúde Pública 27
(1) • Fev 1993 A anemia falciforme como problema de Saúde Pública no Brasil
Tema: O artigo fala sobre a dificuldade de pessoas que possuem a anemia falciforme e pessoas com traço da anemia falciforme possuem para atuarem no mercado de trabalho devido as limitações que a doença em si ocasiona e que com isso acaba se tornando um problema publico de saúde.
Citações: Trata-se, portanto, de uma doença crônica, incurável, embora tratável, e que geralmente traz alto grau de sofrimento aos seus portadores, que merecem atenção especial do ponto de vista médico, genético e
psicossocial13,16,17,20,22.
Embora a anemia falciforme tenha sido bastante estudada no Brasil em termos de freqüência populacional1,11,15,23 e de manifestações clínicas7,13,24, os seus aspectos de saúde pública têm sido pouco enfatizados no Brasil. O presente
trabalho visa a fornecer uma contribuiçãonesse sentido, discutindo a realidade vivida por uma amostra de pacientes atendidos no Hemocentro da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).
Ao discutir os aspectos de saúde pública da anemia falciforme que podem ser extraídos da realidade vivida pelos pacientes entrevistados, o primeiro problema a ser ressaltado, e talvez o mais importante, é o do diagnóstico tardio de uma doença congênita. De fato, comparando-se a idade dos pacientes com o tempo de estabelecimento do seu diagnóstico, é fácil deduzir que o mesmo foi reconhecido, na maioria deles, na adolescência ou no início da idade adulta. O problema assume proporções mais sérias quando se pondera que os pacientes que constituíram a
casuística examinada no presente trabalho tiveram a oportunidade de atravessar a barreira seletiva da infância, uma vez que muitos brasileiros com anemia falciforme ainda falecem antes dos dez anos de idade.
O diagnóstico laboratorial da anemia falciforme ao nascimento deve ser feito, de preferência, por técnicas sensíveis de eletroforese de hemoglobinas devido à presença, nessa época da vida, de alta percentagem de hemoglobina fetal no sangue13
Os dados do presente trabalho enfatizam, portanto, a necessidade da implantação de programas comunitários de diagnóstico precoce e de orientação médica, genética, social e psicológica dos doentes com a anemia falciforme no Brasil, modificando favoravelmente a realidade vivida pelos brasileiros com tal condição clínica. Torna-se pertinente questionar, por outro lado, a validade dos programas de diagnóstico pré-natal da anemia falciforme, visando o
abortamento "terapêutico" dos casos afetados, que vêm sendo estimulados em alguns países, como é o caso, por exemplo, de Cuba6,18.
· 1. ARAÚJO, J. T. Geographical distribution and incidence of hemoglobins in Brazil. In: Inter-American Symposium on Hemoglobins: Genetic, Functional and Physical Studies on Hemoglobin, 1st .Caracas, 1971. Proceedings. Basel, Karger, 1971.
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· 3. BOWMAN, J. E. Prenatal screening for hemoglobinopahies. Am. J. Hum. Genet., 48: 433-8,1991.
· 4. DAMLOUJI, R. F. et al. Social disability and psychiatric morbidity in sickle cell anemia and diabetes patients. Psychosomatics, 23: 925-31,1982.
· 5. FORATTINI, O. P. Epidemiologia geral. Săo Paulo, Ed. Artes Médicas, 1986.
· 6. GRANDA, H. et al. Cuban programme for prevention of sickle cell disease. Lancet, 1: 152-3,1991.
· 7. HUTZ, M. H. História natural da anemia falciforme em pacientes da regiăo metropolitana do Rio de Janeiro. Porto Alegre, 1981. [Tese de Doutoramento - Instituto de Biocięncias da UFRGS].
· 8. ITANO, H. A. Solubilities of naturally occuning mixtures of human hemoglobin. Arch. Biochem., 47: 148,1953.
· 9. LOUDERBACK, A. L. et al. Clinical evaluation of a rapid screening test for sickle cell trait (S -) and sickle cell anemia (SS). Clin. Chem., 20: 761-5, 1974.
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· 11. NAOUM, P. C. et al. Hemoglobinopatias no Brasil. Bol. Soc. Bras. Hematol.Hemoter.,8: 180-90, 1986.
· 12. RAMALHO, A. S. et al. Hemoglobina S em recémnascidos brasileiros. J. Pediat., 41: 22-6, 1976.
· 13. RAMALHO, A. S. As hemoglobinopatias hereditárias: um problema de saúde pública no Brasil. Ribeirăo Preto, Ed. Soc. Bras. Genética, 1986.
· 14. REILLY, P. Genetics, law and social policy. Cambridge, Harvard University Press, 1977.
· 15. SALZANO, F. M. & TONTO, C. V. Hemoglobin types in Brazilian populations. Hemoglobin, 6: 85-90, 1982.
· 16. SERJEANT, G. R. The clinical features of sickle cell disease. Amsterdam, North-Holland, 1974.
· 17. SERJEANT, R. G. The sickle cell disease. Oxford, Oxford Medical Publications, 1985.
· 18. SVARCH, E. et al. Resultados de los estudios realizados in Cuba sobre la hemoglobinopatia
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· 19. TRINCA, W. Diagnóstico psicológico: prática clínica. Săo Paulo, Ed. Pedagógica e Universitária, 1984.
· 20. VAVASSEUR, J. A comprehensive program for meeting psychological needs of sickle cell anemia patients. J. Natl. Med. Ass., 67: 335-9,1977.
· 21. VICHINSKY, E. et al. Newborn screening for sickle cell disease: effect on mortality. Pediatrics, 81: 749- 55,1988.
· 22. WHITTEN, C. F. & FISCHOFF, F. Psycosocial effects of sickle cell disease. Arch. Inter. Med., 133: 681-9,1974.
· 23. ZAGO, M. A. & COSTA, F. F. Hereditary hemoglobin disorders in Brazil. Trans. R. Soc. Trop. Med. Hyg., 79: 385-8,1985.
· 24. ZAGO, M. A. et al. Enfermidades drepanociticas en una población brasileńa. Sangre, 28: 191,1983.
Comentários ou Análises:
Visando o estudo realizado, nota-se a necessidade da investigação começar logo no pre natal com o pedido de exame de eletroforese de hemoglobina, e aconselhamento genéticos e o diagnostico ser realizado ao nascer, sendo
importante o aconselhamento para todos.
ARTIGO 3
Identificação do documento: ANEMIA FALCIFORME: ASPECTOS CLÍNICOS E EPIDEMIOLÓGICOS MACHADO, Angélica1
; LOURENÇO, Gabriela¹; HAMMES, Thais¹; PARISI, Mariana2 ..
Tema: Esse artigo exemplifica quando foi dito pela primeira vez sobre a anemia falciforme, onde ela é mais prevalente e sobre o aconselhamento genético.
Citações: A anemia falciforme foi descrita pela primeira vez em 1910 por Herrick, é uma doença que afeta
principalmente os povos de origem mediterrânea. É um distúrbio da hemoglobina do gene da β-globina que causa o afoiçamento dos eritrócitos e é o distúrbio de hemoglobina mais comum do mundo. Cerca de 312 mil recém nascidos em 2010 foram afetados pela doença, sendo a principal região afetada a África Subsaariana, que possui cerca de 75% dos casos, tendo uma mortalidade consideravelmente alta. O Brasil, sendo um país com uma grande população
imigrante, contém casos provenientes desses imigrantes principalmente da população afrodescendente.
O traço falciforme é encontrado em todas as regiões brasileiras e, assim sendo, a anemia falciforme é considerada uma das doenças genéticas mais importantes no cenário epidemiológico brasileiro (SILVA, 2006).
O aconselhamento genético tem como objetivo permitir aos indivíduos que tomem decisões precisas relacionadas à procriação e ajudar a compreender alguns aspectos da doença, tais como o sofrimento, tratamento e prognóstico,
além de apresentar importantes implicações psicológicas, sociais e jurídicas, acarretando um alto grau de responsabilidade às instituições que o oferecem. Assim sendo, é imprescindível que ele seja fornecido por profissionais habilitados e com grande experiência, incorporados nos mais rigorosos padrões éticos (DAUDT, 2002). Os indivíduos que apresentam risco de gerar filhos com síndromes falciformes têm o direito de serem informadas, através do aconselhamento genético, a respeito dos aspectos hereditários e clínicos dessa doença. Sendo assim, o
aconselhamento genético deixa de ser um procedimento opcional ou de responsabilidade exclusiva do geneticista, e passa a ser um componente importante da conduta médica, sendo a sua omissão considerada uma falha grave.
(GARNIER, 2016).
GARNIER, Y; et al. Differences of microparticle patterns between sickle cell anemia and hemoglobin SC patients. Revista PLOS ONE, 2016.
Comentários ou Análises:
No Brasil, a principal fonte de diagnóstico e captação de portadores do traço falciforme encontra-se nos centros de referência para doação de sangue, onde são feitas também as sessões de aconselhamento genético. O presente
trabalho enfatiza as manifestações clínicas dos indivíduos portadores de anemia falciforme, a importância do
diagnóstico e a necessidade do aconselhamento genético, na tentativa de diminuir os casos de óbitos e aumentar a expectativa de vida dos portadores.
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