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MUSICOTERAPIA E 
ARTETERAPIA 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. José Augusto Pereira Navarro Lins 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Após o primeiro contato com alguns aspectos da prática profissional 
musicoterapêutica, conheceremos um pouco a respeito das experiências 
musicais e os efeitos que essas experiências podem gerar no nosso organismo. 
Novamente, tomaremos como base o livro Definindo musicoterapia, de Bruscia 
(2016), dialogando com artigos, teses e dissertações que contribuam para uma 
compreensão contextualizada do tema. Também seremos provocados a refletir 
a respeito de mais alguns aspectos das relações entre o homem e a música. 
Considerando a natureza polissêmica (com vários significados) e transdisciplinar 
da música, no Tema 1 teremos contato com a experiência musical, analisando 
seus diferentes prismas, sempre partindo de um olhar musicoterapêutico. Já no 
Tema 2, observaremos os níveis de experiência musical e como esta qualidade 
influi na abordagem musicoterapêutica. No Tema 3, apresentaremos alguns 
efeitos biológicos da música e de que maneira estes podem estar relacionados 
à prática musicoterapêutica. Continuaremos nossos estudos, conhecendo 
alguns efeitos psicoemocionais da música no Tema 4 e efeitos intelectuais no 
Tema 5. 
Vale lembrar que o objetivo desta leitura não é habilitar à prática 
musicoterapêutica, mas sim ampliar a forma de concepção do leitor a respeito 
da música e da experiência musical, bem como conhecer algumas de suas 
aplicabilidades musicoterapêuticas. 
TEMA 1 – EXPERIÊNCIA MUSICAL 
Primeiramente, é importante esclarecer que utilizamos o termo 
experiência musical assim como é trazido por Bruscia (2016, p. 119), já que “o 
agente da terapia é entendido não apenas como a música (i.e., um agente 
externo ao cliente), mas também como a experiência do cliente com a música 
(i.e., a interação entre pessoa, processo, produto e contexto, e a interação entre 
as pessoas)”. Isso quer dizer que o cliente acessa, aborda, elabora, recria 
situações e resolve diferentes questões terapêuticas diretamente por meio da 
experiência que tem com a música. 
No livro Definindo musicoterapia, Kenneth Bruscia (2016, p. 125) escreve 
que “existem quatro tipos de experiências distintas: improvisar, recriar (ou 
executar), compor e ouvir. Cada um desses tipos de experiência musical tem 
 
 
3 
suas próprias e únicas características, e cada uma é definida por seus próprios 
processos específicos de envolvimento”. O autor define e discorre a respeito do 
tema, partindo do ponto de vista do terapeuta, pensando nessas experiências 
musicais como potenciais ferramentas para o trabalho musicoterapêutico – este 
será também o nosso prisma principal. No entanto é impossível pensar na 
experiência musical sem considerar a individualidade de cada pessoa que se 
permite às diferentes formas de experimentar a música. 
Para pensarmos em como esta individualidade influencia toda a 
experiência de cada indivíduo, vamos trazer uma reflexão baseada em conceitos 
da fenomenologia, a qual foi postulada em textos elaborados por Immanuel Kant 
(1724-1804). De uma forma bastante simplificada, com um olhar 
fenomenológico, a capacidade humana de conhecer a realidade integral do 
mundo é limitada. Assim, uma pessoa é capaz de compreender a realidade em 
função daquilo que lhe é acessível ao seu intelecto. Assim, não sendo possível 
acessar o conhecimento em sua integralidade, a consciência humana aprende 
apenas os fenômenos acessíveis pelos sentidos (Scruton, 1983, citado por 
Malaquias, 2020, p. 51). 
Nossos sentidos podem ser entendidos como nossos receptores que 
geram mobilizações neurais e intelectuais que são processadas e chegam a um 
conceito, ideia, memória etc. Esse aspecto da percepção humana nos leva à 
individualidade das pessoas, pois cada um percebe o mundo por meio dos seus 
órgãos dos sentidos, com base nas experiências prévias com o fenômeno. 
A natureza dessas experiências prévias pode influenciar diretamente em 
toda a experiência. Se pensarmos nos contatos prévios que o paciente possa ter 
com a música, por exemplo, podemos imaginar um indivíduo que domine a 
linguagem musical pode ter sua escuta e expressão sonoro-musical determinada 
por certos regramentos da linguagem musical (pulso, ritmo, tonalidades, 
harmonias, melodias etc.), percebendo muitos signos e significados musicais 
que talvez um leigo completo a respeito da linguagem não venha a perceber. 
É muito importante atentar que esta afirmação não tem julgamento de 
valor, não é melhor ou pior. Essa característica da experiência musical é do 
indivíduo e é contextualizada no processo musicoterapêutico, bem como nos 
objetivos terapêuticos delineados pelas partes envolvidas (musicoterapeuta e 
cliente). O que tentamos expor é que aspectos individuais, como o conhecimento 
prévio em música, pode influenciar a experiência musical. Um exemplo extremo, 
 
 
4 
contraditório e provocativo: imagine a experiência musical de um paciente 
inconsciente em um hospital. Como será essa percepção? Podemos estender a 
reflexão para aspectos relacionados às crenças, valores e preconceitos, 
aspectos comportamentais e emocionais, a saúde mental... novamente, o que 
vale é a reflexão sobre a forma como aspectos individuais influenciam as 
experiências musicais e não conjecturar conceitos e julgamentos. 
Saiba mais 
Verifique a atividade prática 1 – Cada um escuta com o ouvido que tem. 
Assim, é imprescindível termos em mente os níveis da experiência 
musical do cliente, para entendermos como as experiências musicais se 
caracterizam como o caminho do processo musicoterapêutico, ou como 
ferramenta do musicoterapeuta em diferentes contextos profissionais. 
TEMA 2 – NÍVEIS DE EXPERIÊNCIA 
Para pensarmos nos níveis de experiência que as pessoas possam ter 
com a música, devemos compreender que nem sempre a experiência gera 
produção sonora musical, compreensão de conceitos e conteúdos musicais. 
Bruscia (2016, p. 119) traz que: 
a experiência do cliente pode ser pré-musical, musical, extramusical ou 
mesmo não musical, dependendo do quanto a “música” está envolvida 
nas experiências. Qualquer uma dessas experiências pode ser 
terapêutica. Assim, dizer que a musicoterapia envolve apenas o uso da 
música, ignorando todos os outros possíveis componentes da 
experiência musical, é negar totalmente a riqueza da experiência 
musical e sua miríade de potenciais terapêuticos. 
O autor atenta para o fato de que, em musicoterapia, não somente o 
produto sonoro produzido (música) é o que importa, não é uma questão de 
estética musical, mas sim a experiência do cliente com aquela vivência. As 
mobilizações internas que essas experiências lhe proporcionam, as elaborações 
mentais, emocionais, as relações sociais e interpessoais, enfim... 
Antes de mergulharmos conceitualmente nos níveis de experiência 
musical, os quais os pacientes e demais pessoas podem experimentar em 
musicoterapia, devemos compreender que as experiências musicais possuem 
duas naturezas principais de relação: os processos receptivos e os 
processos ativos. De acordo com Bruscia (2016, p. 121), eles se definem da 
seguinte maneira: 
 
 
5 
• Processos ativos: esses processos podem ser vivenciados pelo cliente 
(quando ele improvisa, compõe, canta ou toca um instrumento, com ou 
sem o auxílio do terapeuta); também pode ser vivenciado pelo terapeuta, 
(quando este improvisa, compõe, canta ou toca um instrumento, com ou 
sem o cliente); nas duas situações, são sempre os contextos terapêuticos 
e o andamento do processo terapêutico do cliente quem determinará a 
natureza da experiência proposta; 
• Processos receptivos: estes processos também podem ser vivenciados 
pelo cliente (quando ele ouve, percebe e interpreta as produções 
musicais apresentadas ou criadas pelo terapeuta, quando ouve suas 
próprias produções ou suas produções criadasem parceria com o 
terapeuta); também pode ser vivenciado pelo terapeuta (quando este 
ouve, percebe e interpreta as produções musicais apresentadas ou 
criadas pelo cliente, criada por si próprio ou em parceria com o cliente). 
É importante perceber que esses dois processos não possuem uma 
relação antagônica ou oposta, uma vez que a escolha dos termos ativa e 
receptiva foi feita justamente para demonstrar que, em música, não existe um 
processo passivo de experiência, já que, ao ouvir música, mergulhamos em uma 
experiência sonora que invariavelmente nos estimula os pensamentos, reações 
neurológicas, mentais, psicológicas, reações emocionais e respostas corporais. 
Saiba mais 
Verifique a atividade prática 2 – Pulsação, ciranda e questão. 
2.1 Pré-musical (Bruscia, 2016, p. 121) 
 Produções pré-musicais são aquelas que são insuficientemente 
desenvolvidas, organizadas ou completas para serem consideradas 
intrinsicamente musicais; também pode ser uma produção cuja função é mais 
sinal comunicativo do que propriamente uma expressão musical. 
 Como exemplo, podemos incluir vibrações aleatórias, formas vibratórias, 
sinais elétricos musicais, ritmos motores, ritmos visuais, sons naturais ou 
ambientais, sons de animais, sons instrumentais ou corporais desorganizados, 
vocalizações aleatórias, balbucios ou prosódias. 
 
 
 
6 
2.2 Musical (Bruscia, 2016, p. 121-122) 
 São produções cujas sonoridades são suficientemente controladas ou 
organizadas de forma a criar relações que são musicalmente significativas. 
Embora essa sonoridade possa representar, descrever ou referir-se a algo além 
dela própria, seu significado primário apoia-se nas relações musicais existentes 
entre os sons simultâneos e sucessivos. 
Isso fica claro quando percebemos que essas produções são organizadas 
de acordo com elementos musicais básicos (pulsação, ritmo, escala, tonalidade, 
melodia, harmonia, textura, timbre, dinâmica etc.), bem como quando essas 
produções criam formas musicais como temas, frases, improvisos, composições, 
execuções etc. 
É importante saber que os esforços intencionais de ouvir ou escutar 
música é considerada uma experiência musical, pois é feito um esforço cognitivo 
e intelectual para perceber, apreender e experiências as relações e os 
significados intrínsecos da música, envolvendo a espera, a percepção, 
discriminação e análise sonora, a avaliação e a interpretação musical, a 
memorização e a relembrança, o sentir, o preferir etc. 
2.3 Extramusical (Bruscia, 2016, p. 122) 
As produções extramusicais são entendidas como os aspectos não 
musicais da música ou da experiência musical que se originam, afetam ou 
retiram o seu significado. Podemos pensar na letra, em histórias ou dramas 
representados na música. Estes elementos podem possuir significado por si 
próprios ou podem depender da música para lhes dar significado. 
A música é independente dos elementos extramusicais para que se 
perceba seu significado essencial, apesar de esse significado ser intensificado 
ou ampliado por causa dos elementos extramusicais. Por conta dessa dupla 
camada de significados, o ouvinte pode colocar a música no primeiro plano da 
experiência, mantendo os elementos extramusicais em segundo plano, ou fazer 
o inverso, centrando-se nos elementos extramusicais para obtenção de 
significados. 
Como exemplos desses processos, temos comportamentos e reações à 
música que não envolvem fazer música, mas que se originam da experiência 
musical vivenciada. Realizar movimentos e mímicas, dramatizando, 
 
 
7 
desenhando, pintando, esculpindo, imaginando, fantasiando, falando ou 
escrevendo são tipos de respostas extramusicais. No entanto, é importante notar 
que, para perceber se tais respostas estão centradas na música ou nos 
elementos extramusicais, o terapeuta deve conhecer a música que conduz à 
experiência, bem como ter um olhar ou escuta clínica apurada para conseguir ler 
os comportamentos e respostas de seu cliente/paciente. 
2.4 Paramusical (Bruscia, 2016, p. 123) 
Estas são produções cujos aspectos do ambiente musical se impõem ao 
indivíduo enquanto ele ouve ou faz música e não se relacionam intrinsecamente 
com a música, não dependendo dela para obter significado. São 
comportamentos ou reações que ocorrem dentro do contexto da atividade 
musical, mas que não são musicais em sua intenção ou conteúdo. Essas 
respostas podem surgir quando a música está presente no ambiente, no entanto 
não dependem da música para obter-se significado: distrair-se, sonhar acordado, 
conversar algo que não seja a música, praticar outra atividade com fundo musical 
podem ser exemplos desse tipo de produção. 
2.5 Não musical (Bruscia, 2016, p. 123) 
São produções do cliente que não possuem significado se levarmos em 
conta os estímulos ou as respostas surgidas por meio da música. Pensamento, 
comportamentos ou reações que não possuem intenção ou significado musical 
que não se derivam, afetam ou retiram seu significado de uma atividade musical. 
2.6 Concluindo 
Como acabamos de ler, esses níveis de experiência musical são 
percebidos pelo musicoterapeuta ao observar, escutar e analisar as diferentes 
naturezas de produções de seu cliente quando de uma experiência musical 
musicoterapêutica. Essa capacidade de avaliar e perceber o cliente é 
desenvolvida tanto com o desenvolvimento da percepção musical do terapeuta 
quanto com o treinamento da postura musicoterapêutica desenvolvida durante 
os estágios, supervisões e práticas profissionais dos musicoterapeutas. Por isso 
é que salientamos ainda mais a importância de se saber que a musicoterapia é 
 
 
8 
uma prática profissional que deve ser exercida por profissionais habilitados e 
capacitados para o seu exercício. 
TEMA 3 – EFEITOS BIOLÓGICOS DA MÚSICA 
A experiência musical, receptiva ou ativa é uma experiência física. As 
vibrações sonoras oriundas da música entram em todas as partes do corpo de 
qualquer ser vivo que esteja em sua presença. Não se limita apenas ao caminho 
que se inicia no nosso ouvido e chega até o nosso cérebro, onde são 
processados e transmitidos ao longo de todo o sistema nervoso; ela adentra os 
organismos via outros sentidos e pele para todos os ossos, tecidos, órgãos 
internos, músculos e assim por diante (Bruscia, 2016, p. 135). 
Assim, é impossível compreender a natureza dos efeitos da música nos 
indivíduos isoladamente. Os efeitos biológicos acontecem simultaneamente às 
mobilizações psicoemocionais e intelectuais da música, além de poder estar 
relacionada a uma prática em grupo, envolvendo a socialização. 
Entretanto, podemos observar alguns aspectos neurológicos e achados 
clínicos que contribuem para uma abordagem biológica sobre os efeitos da 
música. Nobre et al. (2012, p. 630) discutem a respeito das funções musicais e 
contribuem para nossa reflexão, apontando que 
as funções musicais são complexas, múltiplas e de localização 
assimétricas, envolvendo o hemisfério direito para altura, timbre e 
discriminação melódica e o hemisfério esquerdo para ritmos, 
identificação semântica de melodias, senso de familiaridade, 
processamento temporal e sequencial dos sons. No entanto, a 
lateralização das funções musicais pode ser diferente em músicos, 
comparado aos indivíduos sem treinamento musical, o que sugere um 
papel da música na chamada plasticidade cerebral. 
Nessa colocação, já temos alguns dos efeitos neurológicos da música que 
surgem pela sua natureza de ação e processamento orgânico e, assim, quando 
contextualizado dentro de uma prática terapêutica, encontramos entrelaces da 
estimulação musical e a plasticidade cerebral, muito discutida nos dias atuais. A 
seguir, teremos alguns trabalhos que nos ajudam a perceber as possibilidades 
clínicas desses efeitos. 
3.1 Possibilidades clínicas 
As ondas sonoras já foram associadas ao tratamento das dores físicas, 
possuindo efeito analgésico e até mesmo anestésico(Bontempo, 1992, p. 11). 
 
 
9 
Além disso, pacientes que escutam melodias relaxantes antes de uma cirurgia 
costumam experimentar menos temor e necessitam, portanto, de uma dose 
menor de anestésico. Isso já foi e é associado à prática odontológica, em 
procedimentos nos quais a anestesia é renunciada porque a música que o 
paciente escuta pelos fones de ouvido consegue acalmá-lo e, por vezes, até 
impor-se ao ruído irritante da broca (Adams et al., 2001, p. 175). 
Diversos autores apontam para os efeitos clínicos do tratamento 
vibroacústico, que se caracteriza por uma aplicação de vibrações sonoras, 
produzidas por harpas, mesas vibroacústicas, entre outras ferramentas que 
geram vibrações de frequências pré-concebidas a fim de atingir determinadas 
regiões do corpo, produzindo efeitos benéficos aos pacientes. Desde a ação no 
tônus muscular em pacientes paralíticos cerebrais, produzindo relaxamento 
muscular e menor intensidade de espasmos musculares. Quando associada à 
fisioterapia, o tratamento vibro-acústico promoveu ampliação do movimento em 
pacientes idosos submetidos a cirurgias ortopédicas; alívio da dor causada por 
condições como poliatrite, reumatismo, cólicas, fibromialgia, entre outras 
(Teixeira, 2019, p. 31-32). 
Em uma revisão bibliográfica a respeito dos benefícios do uso da música 
no setor da saúde, Oliveira et al. (2014, p. 872) apontam resultados dos efeitos 
da utilização da música no contexto da ginecologia, obstetrícia e neonatologia 
que já foram constados em diferentes pesquisas, dentre os quais a minimização 
dos desconfortos do parto, a melhora na adaptação do bebê nos primeiros 
meses de vida, influindo inclusive em lactentes, havendo resultados benéficos 
como ganho de peso, melhora na saturação de oxigênio, regulação da 
frequência cardíaca, respiratória e na temperatura corporal. No setor da 
nefrologia, pesquisas nacionais apontaram para os benefícios de indivíduos que 
realizavam hemodiálise, dentre os quais estavam o relaxamento e a ausência de 
alguns sintomas (Oliveira et al., 2014, p. 873). A música demonstra influência no 
sistema cardiovascular, o que envolve desde a regulação da frequência cardíaca 
ao controle da pressão arterial (Oliveira, 2014, p. 874). Por outro lado, estudos 
apontam que o aumento da velocidade das pulsações musicais (andamento) 
gerou efeito excitatório, aumentando o ritmo respiratório, aumentando a pressão 
arterial e da frequência cardíaca em resposta à ativação do sistema nervoso 
simpático (Bernardi, 2006, citado por Nobre et al., 2012, p. 626). 
 
 
10 
Em um estudo em que se avaliou o efeito da música sobre a sensação de 
náuseas e vômitos associados à quimioterapia, Silva (2014, p. 634) aponta que 
com relação ao escore de náusea e vômito houve redução 
estatisticamente significativa, assim como em outro estudo que utilizou 
também técnica não farmacológica para controle desses sintomas, 
evidenciando que apenas a abordagem farmacológica não é suficiente 
para o controle total dos mesmos em pacientes submetidos à 
quimioterapia de alto e moderado potencial emético [...], confirmando 
a hipótese dos autores de que tais efeitos poderiam ser reduzidos com 
as experiências musicais. 
 Estudos demonstraram que sujeitos que realizaram um treinamento de 
caminhada em grupo acompanhado de fundo musical sincronizado às passadas 
tiveram significativa melhora na coordenação motora se comparado com o grupo 
controle (Shauer; Mauritz, 2003, citados por Souza; Silva, 2010, p. 37). 
 Sobre os efeitos da música no contexto neurológico, o pesquisador, 
neurologista e escritor Oliver Sacks já mencionou diversos efeitos, considerados 
milagres da música em relação a pacientes com Doença de Parkinson: 
em 1991, Dr. Sacks depôs perante o Comitê Especial para o 
Envelhecimento do Senado dos Estados Unidos sobre o poder 
terapêutico da música no tratamento de problemas neurológicos. Em 
seu testemunho, descreveu o caso de Rosalie, uma doente do Beth 
Abraham com Doença de Parkinson, que permanecia paralisada, 
completamente imóvel, a maior parte do dia, normalmente com um 
dedo sobre os óculos. “Mas ela toca piano muito bem e durante horas, 
quando toca, os sintomas da doença desaparecem e ela tem fluência, 
facilidade, liberdade e normalidade”, declarou Sacks ao comitê 
(Campbell, 2001, citado por Corte; Lodovici Neto, 2009, p. 2300) 
 Finalizando, esses são alguns dos efeitos biológicos da música 
comprovados cientificamente a partir de dados clínicos e pesquisas acadêmicas. 
No entanto, devemos ter em mente que, como uma área nova na história da 
humanidade, a musicoterapia, aliada às ciências biológicas e médicas ainda irá 
nos apontar outras possibilidades e ações que até então são desconhecidas. 
TEMA 4 – EFEITOS PSICOEMOCIONAIS DA MÚSICA 
Antes de pensarmos nos efeitos psicológicos e emocionais da experiência 
musical, devemos ter em mente que características individuais dos sujeitos que 
vivenciam a música influem e até mesmo determinam a natureza da ação e 
resposta ao estímulo musical. Basta pensarmos nas experiências anteriores das 
pessoas com determinados gêneros musicais para percebermos como o gosto 
por um determinado gênero pode criar reações positivas ou negativas em 
 
 
11 
relação à experiência. Aspectos culturais como os valores religiosos, filosóficos 
e ideológicos podem determinar uma abertura ou fechamento para determinado 
tipo de experiência musical. Imagine de que maneira um canto sagrado indígena, 
um hino nacional, um samba de terreiro, um funk proibidão podem soar nos 
ouvidos de pessoas diferentes com conceitos e níveis de tolerância diversos... 
Concluindo, o que traremos agora são algumas pontuações teóricas a 
respeito da música e da mente, música e emoção, bem como alguns estudos 
práticos que comprovam sua utilização e efeitos clínicos. 
Os pesquisadores de Sá e Mendes (2017, p. 112), ao revisarem a 
literatura brasileira a respeito dos temas psicologia e música, concluem que “a 
música transmite ideias e ideais, possibilitando o indivíduo se relacionar consigo 
mesmo, com os outros e com o todo que o circunda, ou seja, o mundo ou a 
sociedade. A Psicologia com igual finalidade ainda permite a reflexão dos ideais 
do mesmo e que, em determinados casos, são corroborados pela música”. 
De alguma maneira, a musicoterapia voltada à praticas psicoterapêuticas 
se relaciona com essa forma de entender os efeitos e possibilidades da música 
e psicologia. Isso porque, de maneira geral, a musicopsicoterapia visa ajudar os 
clientes a encontrar significado e completude em suas vidas, já que a música 
pode favorecer a promoção de maior autoconsciência, bem como a resolução de 
conflitos internos pode canalizar e possibilitar a liberação emocional e a 
autoexpressão. Ainda nesse contexto, a música pode promover transformações 
nas emoções e atitudes, bem como pode estar associada à promoção de 
experiência que provoquem uma melhoria nas habilidades interpessoais, 
resolvendo problemas, auxiliando no desenvolvimento de relacionamentos 
saudáveis, bem como a cura para traumas emocionais. Pode auxiliar o cliente a 
conduzir sua busca por uma compreensão interna mais profunda, uma 
orientação à realidade ou reestruturação cognitiva, como também à mudança de 
comportamentos (Bruscia, 2016, p. 206). 
Todas essas possibilidades de relação entre a experiência musical e os 
aspectos psicológicos estão vinculados à natureza dos processos perceptivos, 
cognitivos, motores, emocionais e psicossociais envolvidos nessa experiência. 
Pesquisas apontam que a exposição à música estimula a atividade cognitiva, 
atuando também sobre áreas cerebrais afetadas por derrame, auxiliando ainda 
na atenuação da depressão nesses pacientes (Antunha, 2010, p. 239). 
 
 
12 
Outras pesquisas apontam a experiência musical gerando sensações de 
bem-estar, de alegria e felicidade, de realização, de geração de condutas (Sá; 
Mendes, 2017,p. 99). Neste mesmo trabalho de revisão, os autores apontam 
que “as ondas sonoras musicais podem estimular ou alterar o funcionamento das 
ondas cerebrais, sendo um possível instrumento de intervenção clínica” (Sá; 
Mendes, 2017, p. 100). Eles prosseguem com a reflexão apontando estudos que 
trazem a música “como um amparo significativo para a redução ou alívio da 
tensão emocional vivenciada pelo indivíduo, o que possibilitará que este supere 
dificuldades, propiciando vivências satisfatórias de eventos ou situações 
anteriormente vistas como um momento difícil” (Sá; Mendes, 2017, p. 102). 
Ainda sobre a música e os processos psicoemocionais, Muszkat (2012, 
citado por Soares e Rubio, 2012, p. 6) afirma que 
a educação musical favorece a ativação dos neurônios espelho, que 
são um grupo de células que parecem estar relacionadas com os 
comportamentos empáticos, sociais e os imitativos. Sua missão é 
refletir a atividade que nós estamos observando. Tais neurônios são 
essenciais para a cognição social humana, que é formada por um 
conjunto de processos cognitivos e emocionais responsáveis pelas 
funções de empatia, ressonância afetiva e compreensão de 
ambiguidades na linguagem verbal e não verbal. De acordo com este 
autor, a música tem potencial para reorganizar e redimensionar o 
cérebro. 
Percebemos como a experiência musical atua tanto fisiológica quanto 
psicologicamente, tendo reflexos nas áreas do comportamento, afetividade e 
comunicação. Além disso, Weigsding e Barbosa (2014, p. 48) contribuem com a 
discussão ao afirmarem que a música 
tem uma representação neuropsicológica extensa, com acesso direto 
à afetividade, controle de impulsos, emoções e motivação. Ela pode 
estimular a memória não verbal por meio das áreas associativas 
secundárias as quais permitem acesso direto ao sistema de 
percepções integradas ligadas às áreas associativas de confluência 
cerebral que unificam as várias sensações. Exemplo pode ser dado 
referindo-se à sensação gustativa, olfatória, visual e proprioceptiva as 
quais dependem da integração de várias impressões sensoriais num 
mesmo instante, como a lembrança de um cheiro ou de imagens após 
ouvir determinado som ou determinada música. O conjunto dessas 
atividades motoras e cognitivas envolvidas no processamento da 
música é chamado de função cerebral. 
Percebemos como a experiência musical se relaciona direta e 
indiretamente com o funcionamento psíquico dos seres humanos. Muitos desses 
efeitos possuem ação em diferentes aspectos do desenvolvimento humano. O 
próximo tema nos trará os efeitos intelectuais da música e será importante 
perceber como todos esses efeitos biológicos, psicoemocionais e intelectuais da 
 
 
13 
música não podem ser compreendidos de maneira isolada, havemos de 
considerar ações cruzadas e efeitos múltiplos da música em diferentes 
contextos. 
Saiba mais 
Verifique a atividade prática 3 – Um teste de tolerância. 
TEMA 5 – EFEITOS INTELECTUAIS DA MÚSICA 
De acordo com o dicionário Michaelis Online ([S.d.]), o intelecto pode ser 
definido como a “faculdade do entendimento humano, do raciocínio e da 
compreensão, da inteligência”. Além disso, o dicionário traz uma definição 
baseando-se num prisma filosófico e, segundo a filosofia aristotélica, o intelecto 
é “aquilo que transforma as sensações em percepções abstratas, levando-as a 
um conceito” (Michaelis Online, [S.d.]). 
Portanto, temos aqui dois aspectos principais que se relacionam com a 
prática musicoterapêutica e os efeitos intelectuais da música: o raciocínio e a 
transformação das sensações em percepções e conhecimento. Talvez, 
possamos pensar nos processos de aprendizagem como processos em que o 
intelecto humano mais trabalha e, sendo assim, a música pode contribuir com a 
aprendizagem, favorecendo o desenvolvimento cognitivo/ linguístico, psicomotor 
e socioafetivo da criança, pois, já que estão todos correlacionadas, as áreas 
indissociáveis formam um único ser provido de necessidades, seja social, seja 
afetiva (Soares; Rubio, 2012, p. 1). 
Howard Gardner, psicólogo e pesquisador de cognição e educação, 
trouxe contribuições para esse entendimento em sua teoria das inteligências 
múltiplas, que compreende que o ser humano possui várias maneiras diferentes 
de processar informações, havendo assim, diferentes facetas da inteligência e, 
portanto, diferentes formas de desenvolver o intelecto humano. De acordo com 
Cazé (2018, p. 19-20), Gardner define nove inteligências distintas: 
Linguística: é o tipo de capacidade exibida em sua forma mais 
complexa, talvez pelos poetas. 
Lógico-matemática: como o nome implica, é a capacidade lógica e 
matemática, assim como a capacidade cientifica. 
Espacial: é a capacidade de formar um modelo mental de um mundo 
espacial e de ser capaz de manobrar e operar utilizando esses 
modelos. 
Musical: é a quarta categoria identificada. Leonard Bernstein a possuía 
em alto grau, Mozart presumivelmente ainda mais. 
 
 
14 
Corporal-cenestésica: é a capacidade de resolver problemas, ou de 
elaborar produtos usando o corpo inteiro, ou partes do corpo. 
Interpessoal: é a capacidade de compreender as outras pessoas: o que 
as motivam, como elas trabalham, como trabalhar cooperativamente 
com elas. 
Intrapessoal: um sétimo tipo de inteligência, é a capacidade correlativa 
voltada pra dentro. É a capacidade de formar um modelo acurado e 
verídico de si mesmo e utilizar esse modelo para operar efetivamente 
na vida. 
Natural: sensibilidade com a natureza, para o entendimento da mesma 
e desenvolvimento de habilidades biológicas. Personalidade famosa 
com esse tipo de inteligência: Charles Darwin, Richard Dawkins. 
Existencial: capacidades filosóficas, refletir sobre a existência e a vida. 
Personalidade famosa com esse tipo de inteligência: Nietzsche, 
Descartes 
Com base nessa forma de compreensão da inteligência, percebemos que 
os efeitos da experiência musical, seja ela ativa ou receptiva, não se limitam a 
um aspecto do intelecto humano. Para compreendermos de que maneira a 
música influencia em seu desenvolvimento, Beatriz Ilari (2003, p. 9-10) organiza 
oito sistemas do neurodesenvolvimento que podem nos auxiliar: 
1. Sistema de controle da atenção – responsável pelo direcionamento 
e distribuição da energia mental dentro do cérebro. É esse controle que 
mantém a criança concentrada, permitindo que dê atenção exclusiva a 
uma determinada tarefa e ignore as distrações. 
2. Sistema da memória – responsável pelo armazenamento de 
informações, é importantíssimo no aprendizado de qualquer disciplina. 
Devido ao fato de a música ser uma arte temporal (isto é, que existe 
num determinado tempo e espaço), o sistema da memória tem uma 
importância fundamental para a educação musical. 
3. Sistema da linguagem – responsável pela detecção dos diferentes 
sons de uma língua, pela habilidade de compreender, lembrar e utilizar 
um vocabulário novo, pela capacidade de expressão de pensamentos 
na forma da fala ou escrita, e pelo ritmo de compreensão com que o 
indivíduo atende às explicações e instruções verbais. 
4. Sistema de orientação espacial – responsável pela capacitação do 
indivíduo para lidar ou criar informações organizadas em Gestalt, em 
padrões visuais ou em configurações específicas. A orientação 
espacial nos permite perceber que várias partes se encaixam em um 
todo, como num quebra-cabeça. 
5. Sistema de ordenação sequencial – responsável pela capacitação 
do indivíduo para lidar com as cadeias de informação que têm uma 
ordem ou sequência. No caso da música, é esse sistema que permite 
ao aluno compreender o conceito de escalas e sequência musical. 
6. Sistema motor – responsável pelas conexões entre o cérebro e os 
diversos músculos do corpo humano. Por exemplo, o sistema motor 
possibilita que uma determinada criança toque violino ou pratique um 
esporte. 
7. Sistema do pensamento superior – responsável pelo raciocínio 
lógico, pela resolução de problemas, pela formaçãoe utilização de 
conceitos, pela compreensão de como e onde as regras são aplicadas 
e válidas, e pela percepção do ponto central de uma ideia complexa. 
8. Sistema do pensamento social – responsável pela capacidade de 
interagir através de relações interpessoais e de pertencimento em um 
grupo. Na educação musical, é o sistema de pensamento social que 
permite que as crianças façam música de câmara ou cantem juntas em 
um coral. 
 
 
15 
Esses sistemas são criados desde o nascimento de um indivíduo, e tudo 
indica que, do nascimento até os 10 anos de idade, o cérebro está em pleno 
desenvolvimento, apresentando as melhores condições de aprendizado, o que 
é chamado de janelas de oportunidades. O desenvolvimento desses sistemas, 
por sua vez, auxilia no desenvolvimento das diversas inteligências, sendo que 
os estímulos, desde que não em demasia, podem beneficiar o 
neurodesenvolvimento para o cérebro como um todo (Ilari, 2003, p. 14). 
As experiências musicais são capazes de estimular diversos, senão todos 
esses sistemas, inter-relacionando os processamentos intelectuais, tendo efeito 
sobre diferentes formas de inteligência. Por exemplo, cantar auxilia no 
aprendizado musical, no desenvolvimento da afetividade e na socialização, e 
também no progresso da aquisição da linguagem (Ilari, 2003, p. 14). Quando 
esse cantar é acompanhado por gestos e movimentos corporais, pode estimular 
os sistemas da linguagem, da memória e de ordenação sequencial por meio do 
canto e desenvolver os sistemas de orientação espacial e sistema motor, além 
de desenvolver o sistema do pensamento social (Ilari, 2003, p. 15). 
Sobre os jogos musicais, a autora comenta que: 
os jogos acontecem em aulas coletivas, o que obviamente visa a 
estimulação dos sistemas de orientação espacial e do pensamento 
social. Jogos de memória de timbres, notas e instrumentos, dominós 
de células rítmicas ou instrumentos musicais e brincadeiras de solfejo 
podem ativar os sistemas de controle de atenção, da memória, da 
linguagem, de ordenação sequencial e do pensamento superior. Já os 
jogos que utilizam o corpo, tais como mímica de sons imaginários, 
brincadeira da cadeira, cantigas de roda, encenações musicais e 
pequenas danças podem incentivar o sistema da memória, de 
orientação espacial, motor e de pensamento social, entre outras (Ilari, 
2003, p. 15) 
 Aprender a tocar um instrumento musical é, além de um prazer, um 
processo cognitivo que envolve diferentes facetas da nossa inteligência. Envolve 
desde o sistema de atenção e memorização, orientação espacial, ordenação 
sequencial, coordenação motora, pensamentos superiores, socialização. Já o 
ato de compor e improvisar, envolve a experimentação com sons, a utilização do 
ouvido interno e a resolução de problemas. Ao compor uma música, são 
mobilizados os sistemas de controle da atenção, da memória, da linguagem, de 
ordenação sequencial e de pensamento superior, entre outros (Ilari, 2003, p. 15). 
Apesar de a autora estar referenciando a prática didática da música dentro 
do contexto escolar, em termos de experiência musical, a prática 
musicoterapêutica envolve os pacientes em vivências da mesma natureza, com 
 
 
16 
objetivos e contextos diferentes. Para compreendermos isso, basta imaginar a 
seguinte situação: uma prática de escuta musical (uma obra de Johann 
Sebastian Bach), em que os participantes irão ouvir a obra sentados ou deitados, 
depois conversam sobre o que ouviram, relatam suas percepções e suas 
sensações. Então ouvem novamente, agora buscando lembrar e identificar os 
elementos abordados pelo grupo. Por fim, ouvem a música enquanto se 
movimentam, buscando representar esses elementos. 
 Agora, refletindo superficialmente sobre a natureza dessa prática, essa 
proposta dentro de uma escola pode ter inúmeros objetivos e conteúdos 
pedagógicos e musicais a serem desenvolvidos com os alunos. Escuta musical, 
atenção auditiva, distinção de timbres, percepção musical, gêneros musicais, 
compositores influentes, coordenação motora, trabalho com a percussão 
corporal, trabalhos de grupo, enfim, uma infinidade de objetivos que estão 
relacionados a diferentes formas da inteligência e do conhecimento. Esta mesma 
experiência em um grupo de idosos de uma casa de repouso ou lar de idosos 
pode ganhar outros significados, já que são outras pessoas, com outros 
objetivos. Os efeitos da música sobre os processos intelectuais neste segundo 
contexto nos aproximam da reabilitação cognitiva, estimulação de movimentos 
corporais, estímulo a memória, ao pensamento, a socialização etc. 
Independente da área de atuação do profissional, as experiências 
musicais se apresentam como um agente terapêutico ou uma terapia auxiliar que 
pode trazer inúmeros benefícios à saúde das pessoas. 
NA PRÁTICA 
Prática 1 – Cada um escuta com o ouvido que tem 
Esta é uma proposta de escuta musical. Como se trata de uma proposta 
de escuta, será necessário ter um dispositivo de reprodução de áudio e um fone 
de ouvido, ou caixas de som com boa qualidade de som. 
 A obra sugerida é Japurá River, uma composição de Philip Glass para o 
grupo brasileiro Uakti, registrada no álbum Águas da Amazônia. 
 
 
 
17 
Saiba mais 
GLASS: Águas da Amazônia – Japurá River. Uakti – Tema, 30 jul. 2018. 
Disponível em: . Acesso em: 
21 jul. 2021. 
Também está disponível em perfis de streaming de música do grupo Uakti 
(Spotify, Deezer, Apple Music, YouTube Music etc.). 
 Com o áudio preparado: 
1. posicione-se confortavelmente para escutar a música; 
2. ao término, questione-se ou questione o grupo de estudo: o que ouvimos? 
– esta pergunta tem um caráter aberto, não é necessário fazer 
direcionamentos temáticos (percepção musical, mobilizações emocionais, 
pensamentos e sensações, memórias etc.). O importante é que emane 
dos ouvintes a sua percepção primária a respeito da música; 
3. posicione-se confortavelmente para escutar a música novamente; 
4. então direcione uma outra pergunta ao grupo ou a si próprio: quais foram 
suas percepções musicais da obra? 
5. para encerrar, refletir sobre como cada um percebe e conceitua a música 
de formas diferentes, a partir de suas referências. Pense a respeito da 
individualidade. 
Prática 2 – Pulsação, ciranda e questão 
 Esta é uma proposta de prática musical (percussão corporal e improviso) 
com base em uma pulsação, um batimento regular que sustenta a música. O 
pulso é um elemento musical percebido por meio dos sentidos; é derivado dos 
ritmos naturais dos movimentos corporais e que guiam a música e a dança. 
 A ciranda é uma dança e um ritmo tradicional de muitos estados 
brasileiros, sobretudo em Pernambuco e na Paraíba. Em uma análise superficial, 
ela se caracteriza como uma dança circular com coreografia relativamente 
simples, em que os brincantes acompanham o compasso da música, marcada 
com um tambor (alfaia, bumbo, zabumba). Cada tempo do compasso é um passo 
que é dado. Inicia-se com o pé esquerdo, girando a roda para a direita. 
 A seguir, uma partitura rítmica que demonstra a pulsação em um 
compasso de quatro tempos, com a acentuação no primeiro tempo. 
 
 
 
18 
Figura 1 – Partitura rítmica 
 
A proposta deve ser realizada em duas ou mais pessoas e consiste em: 
1. todos juntos, marcar este compasso de quatro tempos com palmas, 
contando a pulsação (1-2-3-4); 
2. todos juntos, marcar o compasso, acentuando o primeiro tempo (1-2-3-4), 
com uma palma mais forte; 
3. individualmente, um de cada vez irá improvisar um ritmo enquanto os 
demais continuam marcando o compasso e sua acentuação; 
4. após todos improvisarem, refletirem e conversarem a respeito dos 
seguintes aspectos: 
a. qual o nível de experiência cada um teve no primeiro momento (1.)? 
Pré-musical, musical, extramusical, paramusical, não musical? 
b. qual o nível de experiência cada um teve no segundo momento (2.)? 
Pré-musical,musical, extramusical, paramusical, não musical? 
c. qual o nível de experiência cada um teve no terceiro momento (3.)? Pré-
musical, musical, extramusical, paramusical, não musical? 
É importante saber que avaliar os níveis de experiência musical requer 
um profissional habilitado com treinamento auditivo, percepção musical, 
conhecimento da linguagem musical, dinâmicas de grupo, atenção e capacidade 
de discernimento. Um músico, um professor de música, um musicoterapeuta 
podem ser capazes de fazê-lo. Contextualizar essa experiência musical em um 
processo terapêutico, buscando ajudar ao cliente a encontrar significados e 
possibilidades de mobilizações internas e aprofundar essas experiências em um 
processo contínuo é papel do musicoterapeuta. 
Mesmo assim, essa proposta tem sua validade para os demais 
interessados, já que seu objetivo não é realizar uma avaliação musicoterapêutica 
do nível de experiência musical de cada participante, mas sim promover um 
contato com esse processo de percepção da sua própria produção sonora. 
 
 
19 
Prática 3 – Um teste de tolerância 
 Essa é uma proposta de audição musical em que teremos a oportunidade 
de abordar gêneros musicais que costumam gerar reações psicoemocionais 
variadas, bem como os valores individuais de cada pessoa podem trazer ao 
setting musicoterapêutico diferentes questionamentos. 
 A primeira audição será a canção Aleluia, interpretada por Mariage Coral 
& Orquestra. Logo após essa audição, será proposta a escuta da canção Amor 
de quê, de Pabllo Vittar. 
Saiba mais 
ALELUIA. Mariage Coral & Orquestra, 23 dez. 2013. Disponível em: 
. Acesso em: 21 jul. 2021. 
PABLLO Vittar – Amor de quê (Official Music Video). Pabllo Vittar, 4 dez. 
2019. Disponível em: . 
Acesso em: 21 jul. 2021. 
 Ao término das audições, discuta sobre as mobilizações emocionais e o 
estado mental influenciado por cada canção. 
FINALIZANDO 
Assim, tendo conhecido a natureza das experiências musicais, seus 
efeitos sobre aspectos biológicos, psicoemocionais, intelectuais e sociais, 
podemos perceber como a prática profissional musicoterapêutica pode ter 
inúmeras formas de ação sobre a saúde humana, o que nos aproxima do 
próximo assunto que abordaremos: as diferentes áreas de atuação dos 
profissionais musicoterapeutas que invariavelmente irá nos relembrar das 
informações e experiências que apreendemos até agora. 
 
 
 
 
 
20 
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