Prévia do material em texto
PANCREATITE AGUDA PANCREATITE AGUDA • Definição: o Processo inflamatório agudo que afeta o pâncreas, podendo envolver tecidos peripancreáticos e/ou outros órgãos o 90% → forma leve e autolimitada (PA edematosa intersticial) o 10% → forma grave e internação (PA necrosante ou necro-hemorrágica) o Causa de morbimortalidade por PA: ▪ Até 2 semanas: SIRS → falência orgânica ▪ Mais de 2 semanas: sepse e complicações • Patogenia: o Autodigestão enzimática do órgão (zimogênios) • Etiologia: o Litíase biliar (+ comum): cálculos com 100g de etanol/dia), tabagismo, suscetibilidade individual o Drogas (sulfonamidas, metronidazol, tetraciclina ...) o Hipertriglicerídeo (principalmente ≥1000 mg/dl) o CPRE o Hipercalcemia (incomum) • Clínica: o Dor abdominal alta o Irradiação para o dorso (pâncreas é retroperitoneal) → em barra/faixa/cinturão o Vômitos (muito) o Equimoses (traduzem maior gravidade se presentes; não são patognomônicas; representam hemorragia retroperitoneal): ▪ Sinal de Cullen (ao redor do umbigo, mais central) ▪ Sinal de Grey-Turner (flancos) ▪ Sinal de Fox (base do pênis) o Pode apresentar icterícia leve o Exame físico: ▪ Sinais vitais: • Taquicardia • Febre • Hipotensão • Taquipneia ▪ Abdome: • Dor à palpação (leve a intensa) • Difusa ou localizada • Irritação peritoneal • RHA reduzidos • Distensão abdominal • Massa palpável ▪ Dermatológico: • Escleras amareladas • Equimoses nos flancos, periumbilical ou base do pênis • Paniculite • Diagnóstico: 2 ou 3 dos seguintes: o Clínica sugestiva o ↑ amilase / lipase (>3x limite superior da normalidade) ▪ Amilase: • Início do aumento: 6-12h • Pico em 48h • Mantém elevação por 3 a 7 dias ▪ Lipase: • Início do aumento: 4-8h • Pico em 24h • Mantém elevação por 8 a 14 dias • Mais acurada • Mais específico • Maior janela diagnóstica ▪ Os níveis de amilase e lipase não têm importância prognóstica o Imagem sugestiva (TC com contraste) • Estadiamento: Atlanta revisado o Leve: ausência de falência orgânica o Moderadamente grave: falência transitória ( 60 anos o O: obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²) • Critérios de Ranson: o Critérios da admissão: LEGAL ▪ Leucocitose > 16-18.000/mm³ ▪ Enzima hepática (TGO/AST) > 250 UI/L ▪ Glicose > 200-220 mg/dL ▪ Age (idade) > 55-70 anos ▪ LDH > 350-400 UI/L o Após 48h: FECHOU ▪ Fluidos perdidos > 6-4 litros ▪ Excesso de base mais negativo que -4 / -5 ▪ Cálcio 10% (pós hidratação) ▪ Oxigênio (PaO2) 10-4 mg/dL ≥ 3 pontos → Pancreatite aguda grave ÍNDICE DE SEVERIDADE POR TC • Exames de imagem: o USG de abdome: obrigatório → avaliar etiologia biliar; nas primeiras 48h o TC de abdome com contraste: ▪ Não é obrigatória ▪ Solicitar: • Dúvida diagnóstica • Avaliar prognóstico • Avaliar complicação ▪ Ideal: solicitar após 72-96h • Tratamento: “leve” ou “grave” o Internação enfermaria ou UTI o Dieta zero ou suporte nutricional o Hidratação + correção eletrolítica (principalmente de cálcio) o Analgesia (opioide) + anti-eméticos o CPRE = colangite ou icterícia o Antes da alta = USG + colecistectomia o OBS.: Pancreatite de repetição → pensar em microlitíase e usa-se USG-EDA o Tratamento clínico: ▪ Ressuscitação volêmica: • Cristaloides • Independentemente de instabilidade ▪ Controle álgico: • Analgesia nas primeiras 24h • Opioides podem ser usados ▪ Manejo dietético: • Evitar jejum prolongado • Nutrição enteral (pós ou pré-pilórica) • Quando reintroduzir a dieta? o Melhora da dor abdominal o Melhora das náuseas e vômitos o Movimentos peristálticos presentes o Não há necessidade de normalizar amilase e lipase o Antibioticoprofilaxia nunca tem indicação → usa ATB se infecção: Carbapenêmicos o Tratamento cirúrgico: ▪ PA etiologia biliar: • Colecistectomia: o Leve: na internação • CPRE com papilotomia na urgência se: o Colangite o Obstrução do ducto colédoco • Complicações: o Complicações locais: acometem pâncreas / região peripancreática ▪ Coleção fluida peripancreática aguda ▪ Pseudocisto pancreático • 5 a 15% dos portadores de pancreatite aguda • 70% irão regredir espontaneamente • Coleção “encapsulada” sem componente solido ou necrose • Conteúdo rico em amilase • Complicações: infecção, hemorragia, fístula pancreática, obstrução gastroduodenal ou biliar e pseudoaneurisma • Tratamento: ▪ Coleção necrótica aguda ▪ “Walled-off necrosis” ▪ Necrose infectada: • 1/3 dos pacientes com necrose infectam • Alta morbimortalidade • Principais patógenos: bactérias gram – (E. coli, Proteus, Klebsiella pneumoniae) • Quando devo desconfiar de necrose infectada? o Presença de gás no interior da coleção o Dúvida: aspiração com agulha fina e cultura/Gram o Complicações sistêmicas: agravamento de condição de saúde previamente existente o “Quando devo desconfiar de pancreatite aguda complicada?” → TC de abdome com contraste ▪ Persistência ou retorno da dor abdominal ▪ Novo aumento de amilase e/ou lipase ▪ Piora clínica do doente ANOTAÇÕES DA AULA PANCREATITE AGUDA • Incidência anual de 5 a 35 / 100.000 na população geral o 10-20% casos graves o 80% casos leves o 20% casos recorrentes o 8% evoluem com pacreatite crôbica o Leve → mortalidade baixa 1,5% o Grave → mortalidade alta 17% FISIOPATOLOGIA • Ativação de enzimas pancreáticas intra- celular • Autolesão pancreática - pancreatite aguda (pingo de vela) o Causa lesão na microcirculação o Liberação de mediadores inflamatórios o Inflamação sistêmica ETIOLOGIA (1º e 2º causa com 80%) • 1º Litíase biliar • 2º Álcool • 3º Hipertrigliceridemia • 4º Medicamento / droga • 5º Idiopática • 6º Trauma abd • 7º CPRE • 8º Infecciosa • 9º Reumatológica / autoimune • 10º Neoplasia • Tytius trinitatis DIAGNÓSTICO • Inicialmente = antecedentes pessoais o Litíase o Etilismo o Uso de medicamentos o Hipertrigligeridemia (xantelasma) o Trauma o Abordagem VB recente • Quadro clínico típico: o Dor abd "na faixa" ou epigástrio o Náuseas e vômitos (por contiguidade) o Irradia para dorso (nem sempre) o Melhora com prece maometana • Necessariamente 2 de 3 critérios: o Clínico → acima o Laboratorial → amilase / lipase o Imaginológico → se for necessário EXAMES LABORATORIAIS • Laboratoriais = sem correlação com a gravidade • Amilase: o Pico precoce, meia vida menor o É menos específico o Elevação com 6-12h do início da dor o Pico de 12-30h (na prática = 1-5 dias) o Retorno ao normal com 3-5 dias o Ao menos 3x limite superior de normalidade o Cuidado: AAP, AAV, doença T.O., doença renal, parotidite • Lipase: o Pico tardio, meia vida maior o É mais específico o Elevação com 4-8h (na prática = 2 a 7 dias) o Pico em 26-36h do início da dor o Retorno ao normal com 8-14 dias o Ao menor 3x limite superior de normalidade • E se apresentar aumento de bilirrubina? o Grande maioria apresentará bilirrubinas tocadas o Houve passagem de microcálculos ou barro biliar o Compressão das estruturas próximas por edema o Elevação transitória e discreta o Não há necessariamente de investigar via biliar o Se houver sobreposição e elevação progressiva → ai sim eu devo investigar essa via biliar "OLHAR E VER" •Exames de imagem: o Ultrassom de abdome: ajuda a identificar etiologia // USG-EDA o Tomografia = etiologia e estima gravidade (quadros severos à admissão) ▪ Obviamente com contraste ▪ Ideal é ser feita após 48-72h do início da dor ▪ Se não apresentar melhora ou houver piora o Não é necessária imagem no início caso já tenha fechado diagnóstico • Sinais (não patognomônicos) de pancreatite aguda grave: o Necro-hemorrágica retroperitoneal: ▪ Sinal de Cullen: equimose periumbilical ▪ Sinal de grey-turner: equimose em flancos ▪ Sinal de Fox: equimose na bolsa escrotal CLASSIFICAÇÃO DE ATLANTA = mais fácil e atual • Leve o sem disfunção orgânica o sem complicação local o a mais comum • Moderadamente grave o disfunção orgânica 48h o Ranson >3 // Apache >8 // PCR >150 após 48h • Disfunção orgânica: PAS80 / cálcio 3 pior prognóstico → LEGAL o L - leucócitos o E - enzima (TGO) o G - glicose o A - AGE o L - LDH = DHL • Ranson de 48h → FECHOU o F - fluídos o E - excesso de base o C - cálcio o H - hematócrito o O - oxigênio (PaO2) o U - ureia • BISAP • BALTHAZAR (classificação imaginológica -TC com contraste) o A: pâncreas normal o B: aumento focal ou difuso do pâncreas o C: alterações pancreáticas e inflamação peripancreática o D: coleção líquida em apenas uma localização o E: duas ou mais coleções e/ou presença de gás adjacente ou dentro do pâncreas TRATAMENTO Dieta: o Leve: ▪ Jejum mais abrecviado possível (hidratar via oral + dieta oral precoce) ▪ Mudamos do descanso para o estímulo (jama) o Moderada e grave: ▪ Enteral precoce (72h) ▪ Parenteral = não tolerol enteral / íleo / não atingiu cal. adequada com enteral • Hidratação: o Hidratação avaliando diurese / HT / FR = Stewardship (necessário e ideal para cada paciente) o * 3-5 ml/kg/h primeiras 24-48h → 2 ml/kg/h manutenção • Medicação: o Analgésicos o Sintomáticos • Devo ainda: o Classificar e identificar etiologia o Não realizar ATB no quadro inicial e não puncionar para cultura OBS.: Pancreatite é a patologia que mais perde líquido para o terceiro espaço • Se pancreatite aguda biliar: o Sempre realizar colecistectomia o Se leve = operar na mesma internação o Se moderado e grave = após 6 semanas • Se cálculo impactado no colédoco (muito raro): o Bilirrubina >4 após 48h (?) = USG- EDA / RM-VB o Realizar CPRE terapêutica o Realizar colecistectomia tardia o CPRE AGORA se colangite = raríssimo • Pancreatite aguda grave ou moderada: o Somente suporte: ▪ Intersticial edematosa ▪ Coleção fluida aguda = APFC Coleção necrótica aguda: se estéril → expectante; se infectada Necrose pancreática: STEP-UP- APPROACH 1) suporte clínico intensivo + ATB (carbapenêmicos) 2) drenar coleção por radiointervenção 3) alocar mais drenos 4) VLP retroperitoneal 5) necrosectomia aberta após 4 sem o Observação ou drenagem ▪ Pseudocisto pancreático: pós pancreatite intersticial edematosa - após 4 sem ▪ WON = Walled-off necrose: pós pancreatite necrotisante - 4 sem DRENAR SE: infectar + comprimir + sangrar = transgástrica por EDA / cirúrgica / radiointervenção