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Prezado aluno! 
 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante 
ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um 
aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma 
pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é 
que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a 
resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas 
poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em 
tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa 
disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das 
avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora 
que lhe convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser 
seguida e prazos definidos para as atividades. 
 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
SUMÁRIO 
1. ASPECTOS GERAIS ............................................................................... 5 
1.1 Obesidade e hipertensão ..................................................................... 7 
2. AVALIAÇÃO NUTRICIONAL ................................................................... 8 
2.1 Estado nutricional ................................................................................. 8 
2.1.1 História clínica ................................................................................ 9 
2.1.2 Anamnese alimentar....................................................................... 9 
2.1.3 Exame físico geral e específico .................................................... 11 
2.1.4 Composição corporal.................................................................... 12 
3. PREVENÇÃO DA OBESIDADE ............................................................ 24 
4. TRATAMENTO ...................................................................................... 29 
4.1 Dietas restritas em carboidratos e mediterrânea ................................ 31 
4.2 Substituição de refeições ................................................................... 33 
4.3 Jejum intermitente .............................................................................. 33 
4.3.1 Jejum de dia alternativo................................................................ 34 
4.3.2 Jejum de dia inteiro ...................................................................... 35 
4.3.3 Alimentação com restrição de tempo ........................................... 35 
4.3.4 Jejum intermitente em pessoas saudáveis ................................... 35 
4.3.5 Jejum intermitente no sobrepeso e obesidade ............................. 36 
4.3.6 Considerações sobre o JI ............................................................. 37 
4.4 Exercício físico ................................................................................... 37 
4.4.1 Recomendações de atividade física para crianças e adolescentes
 38 
4.5 Tratamentos nutricionais na obesidade infantil .................................. 39 
 
 
 
 
4 
 
4.6 Tratamento medicamentoso ............................................................... 41 
4.7 Tratamento cirúrgico........................................................................... 42 
4.8 Abordagem a criança e adolescente com sobrepeso ......................... 44 
4.9 Abordagem em adultos ...................................................................... 45 
4.10 Hábitos de vida saudáveis .............................................................. 46 
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................... 48 
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................... 50 
 
 
 
 
 
 
5 
 
1. ASPECTOS GERAIS 
A obesidade é conceituada, atualmente, como um acúmulo em excesso de 
gordura corporal, que é definida através do Índice de Massa Corporal (IMC) (≥30). 
Além disso, a obesidade é considerada uma doença pelas organizações de saúde, 
chefiadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A condição de obesidade, pode 
levar ao desenvolvimento de diversas comorbidades que têm seu risco aumentado 
nesta condição. Em decorrência disto, este tema vem sendo alvo de inúmeras 
pesquisas e políticas públicas de saúde no Brasil e no mundo (SANTOLIN, 2021). 
A obesidade constitui um dos principais desafios para a saúde pública. Seu 
desenvolvimento está associado ao consumo elevado de alimentos ultraprocessados 
e ao comportamento sedentário. No Brasil instituiu-se a Política Nacional de 
Promoção da Saúde em atuação conjunta com o Sistema Único de Saúde (SUS), 
visando a promoção do tratamento e prevenção desta doença (REGO, et. al., 2022). 
A obesidade se relaciona a diversos riscos à saúde, isso inclui não só o aspecto 
biológico (desenvolvimento de outras comorbidades), mas também aspectos 
comportamentais e sociais. A gravidade do problema de saúde pública que a 
obesidade representa é tão considerável que a OMS a determinou como epidemia 
mundial. No Brasil, é o terceiro fator de risco mais associado a óbitos e incapacidades 
em mulheres e o quinto em relação aos homens. Entre os brasileiros maiores de 18 
anos 55,7% encontram-se em excesso de peso e 19,8% em estado de obesidade 
(REGO, et. al., 2022). 
Conforme os registros do SISVAN. Em 2018, 62% dos adultos da população 
brasileira apresentaram excesso de peso, bem como 50,9% dos idosos. Projetou-se 
então, para até 2025, que a população estimada de adultos com sobrepeso será de 
2,3 bilhões, e ao menos 700 milhões, obesos (REGO, et. al., 2022). 
A Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (PNSAN) e a Política 
Nacional de Promoção da Saúde, são um conjunto de programas desenvolvidos para 
enfrentar esse cenário da obesidade no país através do SUS, desempenham papéis 
importantíssimos na promoção da alimentação saudável e do peso ideal, diagnóstico 
precoce, e até procedimentos medicamentosos e cirúrgicos para os casos mais 
graves. 
 
 
 
 
6 
 
A implementação da Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil segue o modelo 
da Estratégia Saúde da Família (ESF), composta por equipes multidisciplinares que 
executam os programas e estratégias da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) 
e são monitorados pelo Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica 
(SISAB) (REGO, et. al., 2022). 
As equipes da APS devem realizar ações de educação e aconselhamento em 
consultas individuais ou em grupos, consoante as diretrizes para alimentação 
apresentadas no Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de Dois Anos e 
no Guia Alimentar para a População Brasileira. 
Considerando a relevância de lidar com a obesidade e a necessidade de 
articular estratégias que possam diminuir o impacto da obesidade na assistência à 
saúde no Brasil, é relevante reunir e resumir o painel científico sobre estratégias de 
sucesso para lidar com a obesidade no Brasil (REGO, et. al., 2022). 
Devido ao alto índice de obesidade entre a população mundial, o dia 04 de 
março foi designado como “Dia Mundial da Obesidade”, visando incentivar práticas 
saudáveis e tratamento adequado para todos que têm a doença, uma vez que as taxas 
de prevalência da obesidade vêm aumentando em todas as faixas etárias, sobretudo 
entre as crianças e adolescentes (FERREIRA, 2022). 
A América Latina, assim como o Brasil, também apresenta diversas culturas e 
uma grande extensão territorial, o que dificulta a criação de hábitos saudáveis para a 
população. Embora o direito a uma vida e alimentação saudável seja previsto para 
todos, o desafio para concretização desses direitos em comunidades carentes é ainda 
maior, em decorrênciauma vez que o indivíduo está em processo de crescimento e 
desenvolvimento, ou seja, o IMC tende a diminuir com o tempo devido a esses fatores. 
Em crianças com obesidade grave e com comorbidades, é importante estabelecer 
uma meta de perda de peso. É recomendado que, para crianças de 2 a 11 anos, seja 
feita uma perda de peso de 500g/mês e para adolescentes, a meta seja de 1 
kg/semana. 
Em um estudo transversal conduzido no interior do estado do Paraná, 
pesquisadores buscaram avaliar a eficácia da terapia em grupo em uma unidade 
básica de saúde para crianças com idades entre 6 e 12 anos diagnosticadas 
previamente com sobrepeso ou obesidade, por meio de um grupo de intervenção 
associado à terapia nutricional. Foram discutidos diversos temas, como diminuição do 
consumo de açúcar, incentivo ao consumo de frutas e vegetais, prato saudável para 
avaliar a independência da criança, mastigação e percepção dos sabores. 
Após a referida intervenção, verificou-se que duas crianças mantiveram sua 
classificação com sobrepeso e uma que se encontrava em estado de obesidade 
passou ao estado de sobrepeso após a intervenção. O estudo mostrou que o baixo 
interesse das crianças e a falta de envolvimento dos pais e responsáveis prejudicaram 
os resultados. Sendo assim, é importante para futuras pesquisas mostrar para os pais 
e responsáveis mediante estudos científicos a relevância do meio familiar nas 
mudanças de hábitos alimentares da criança (FERERIRA, 2022). 
Uma escola no Rio Grande do Sul realizou um estudo transversal com crianças 
com idade de 6 a 12 anos diagnosticadas com obesidade, onde foi comparado o 
 
 
 
 
41 
 
estado nutricional pré e pós-intervenção. A intervenção teve como objetivo mostrar a 
importância de uma alimentação saudável e os danos causados pela alimentação 
inadequada, via vídeos educativos quanto à alimentação, jogos de interação sobre 
nutrição e saúde, além de histórias com o tema alimentação infantil. 
Ao avaliar o estado nutricional, verificou-se que na pré-intervenção, a média de 
peso foi de 43,16 kg e, na pós-intervenção, 42,35 kg, resultando em uma redução de 
1,87% no peso das crianças avaliadas. Além disso, é possível concluir que a 
intervenção foi altamente benéfica para os participantes, demonstrando a relevância 
da realização de atividades na escola com temas relacionados à alimentação. 
Sobretudo, o último objetivo em relação aos tipos de tratamentos nutricionais 
apontou que ainda há muita discussão em relação ao tratamento ideal, uma vez que 
o indivíduo se encontra em fase de desenvolvimento e crescimento e o IMC diminuirá 
provavelmente com o decorrer do tempo. Dessa forma, é possível concluir que as 
recomendações mais utilizadas visam promover uma abordagem nutricional 
qualitativa com foco no incentivo à família e no autoconhecimento da criança para 
regular a fome e saciedade (FERERIRA, 2022). 
4.6 Tratamento medicamentoso 
O propósito do uso de medicamentos visa a redução de 10% do peso corporal, 
o que resulta em uma diminuição das complicações relacionadas à obesidade, como 
diabetes e hipertensão arterial. Atualmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária 
(ANVISA) registra quatro medicamentos para tratar a obesidade no Brasil, seguindo 
diretrizes clínicas específicas. 
O conselho federal de medicina (CFM) proíbe a associação de fitoterápicos e 
benzodiazepínicos com medicamentos para perda de peso. Além de não ser 
necessária e não possuir evidências científicas suficientes, esse tipo de abordagem 
contribui para a estigmatização do tratamento da obesidade. Ressalta-se que a 
prescrição de medicamentos não cabe aos nutricionistas, sendo plausível de 
prescrição somente por médicos (ANS, 2017). 
 
 
 
 
42 
 
4.7 Tratamento cirúrgico 
A cirurgia bariátrica é indicada aos indivíduos obesos com IMC ≥ 35 com 
complicações ou ≥ 40 que não apresentaram resposta ao tratamento clínico, 
medicamentoso e mudanças de estilo de vida. Após realização da cirurgia bariátrica 
acontece a perda de 20-35% do peso inicial num período de dois a três anos da 
realização do procedimento, o que se associa com melhoras de complicações da 
obesidade, como diabetes tipo 2, HAS, além de aumentar a estimativa de tempo e 
qualidade de vida dos pacientes. 
A recomendação de cirurgia bariátrica em planos de saúde suplementar deve 
seguir a orientação de utilização estabelecida no Rol de Procedimentos e Eventos em 
Saúde da ANS, que estabelece a cobertura obrigatória por planos de segmentação 
hospitalar (com ou sem obstetrícia) e por planos de referência (ANS, 2017). 
O tratamento clínico anterior é obrigatório por um período de no mínimo dois 
anos, com exceção para pacientes com IMC ≥ 50 kg/m2. Este tratamento deve seguir 
as diretrizes nacionais e internacionais, com acompanhamento regular do médico 
especialista e equipe multiprofissional durante todo o período, este tratamento envolve 
prescrição dietética por parte do nutricionista, bem como recomendação de atividade 
física por profissional educador físico e até acompanhamento psicológico de acordo 
com a necessidade do paciente assistido. 
Com isso, o tratamento clínico visa recuperar o estado de saúde dos pacientes 
através da redução do peso corporal para melhora de parâmetros metabólicos e da 
qualidade de vida. Antes de serem submetidos à cirurgia bariátrica, os pacientes 
devem passar por acompanhamento com o cirurgião, o endocrinologista, além de 
passar por avaliação multidisciplinar detalhada no pré-operatório. 
As contraindicações para a cirurgia bariátrica, em conformidade com a ANS 
(2017), englobam pacientes sem tratamento clínico prévio, doenças psiquiátricas 
existentes, como depressão, bipolaridade, esquizofrenia entre outros, dependência 
química de drogas e álcool, doenças com ameaça a vida a curto prazo, e pacientes 
impossibilitados de se cuidarem sem amparo da família ou social. A avaliação básica 
laboratorial básica para o pré-operatório e pós-operatório além das recomendações 
de suplementos nutricionais no pós-operatório estão representadas na figura 7. 
 
 
 
 
43 
 
Figura 7 – Avaliação laboratorial no pré e pós operatório da Cirurgia Bariatrica 
 
Fonte: Agência Nacional de Saúde Suplementar, 2017. 
A figura 8 apresenta tópicos essenciais da abordagem da equipe 
multidisciplinar de cirurgia bariátrica, como a relevância do acompanhamento médico 
e nutricional por toda a vida após a cirurgia. A adoção de mudanças de estilo de vida, 
como o aumento da atividade física e uma dieta saudável, serão fundamentais para o 
sucesso do tratamento a longo prazo. 
Os pacientes que farão cirurgia bariátrica devem ser orientados de forma 
precisa quanto às suas necessidades no pós-operatório, uma vez que a cirurgia não 
representa a cura para a obesidade, mas sim um tratamento que auxilia no seu 
controle. É de suma relevância, destacar que a tentativa de ganhar peso 
intencionalmente para agravar a doença com o objetivo de atingir um IMC compatível 
com a indicação cirúrgica é, sem dúvida, inadequado, pois, além da elevação do IMC 
 
 
 
 
44 
 
colocar em risco a saúde do paciente por si só, a cirurgia também envolve seus riscos 
intrínsecos (ANS, 2017). 
Figura 8 – Acompanhamento multidisciplinar no pré e pós operatório da cirurgia 
bariátrica 
 
Fonte: Agência Nacional de Saúde Suplementar, 2017. 
4.8 Abordagem a criança e adolescente com sobrepeso 
A doença pediátrica com maior índice é atualmente a obesidade, de modo que 
as crianças estão formando a primeira geração a ter uma expectativa de vida inferior 
à de seus pais. A única forma de deter o avanço desta epidemia em toda a sociedade 
é a prevenção. Nesse caso, é necessário haver envolvimento de diferentes frentes 
para enfrentamento deste problema, as ações devem incluir diversos setores da 
 
 
 
 
45 
 
sociedade, como as escolas, o governo, a sociedade científica, as indústrias 
alimentícias e amídia. 
No que diz respeito à indicação de cirurgia bariátrica para crianças e 
adolescentes, não há certeza se este grupo de pacientes pode se beneficiar do 
procedimento cirúrgico. Os estudos com pessoas nessa idade são geralmente 
observacionais, com amostras diferentes e pequenas e acompanhamento a curto 
prazo. É necessário realizar mais estudos, com amostras selecionadas e 
acompanhamentos de longo prazo, antes de considerar a cirurgia bariátrica como uma 
opção para pacientes nessa faixa etária (ANS, 2017). 
4.9 Abordagem em adultos 
No âmbito do grupo de trabalho para enfrentar o excesso de peso e obesidade 
da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), foram elaboradas diretrizes para 
prevenir, diagnosticar e tratar pacientes com excesso de peso e obesidade em 
serviços de saúde, de modo a facilitar a compreensão por todos os profissionais 
envolvidos. 
É indicado que o cálculo do IMC seja feito para todos os pacientes que 
procuram a rede de atendimento ambulatorial e hospitalar. As informações de saúde 
serão usadas para direcionar ações preventivas e tratamentos precoces (instruções 
para a prática de atividades físicas, consultas com nutricionistas e endocrinologistas, 
disponibilização digital ou impressa de dados relevantes sobre o tema), reduzindo a 
morbimortalidade do indivíduo e os custos associados. 
A Figura 9 apresenta as medidas a serem tomadas com os pacientes após a 
classificação calculada com base no IMC. É importante salientar que, para indivíduos 
com mais de 60 anos, o critério de classificação do estado nutricional difere. São 
considerados eutróficos aqueles com IMC entre 22 e 27 kg/m2 e sobrepeso IMC ≥ 27 
kg/m2 (ANS, 2017). 
 
 
 
 
46 
 
Figura 9 – Cuidados dos indivíduos com base no cálculo do IMC 
 
Fonte: Agência Nacional de Saúde Suplementar, 2017. 
4.10 Hábitos de vida saudáveis 
O Guia Alimentar para a População Brasileira (2014) apresenta dez passos 
para uma alimentação adequada e saudável. Esses passos consistem em: 
1. Fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da 
alimentação. 
2. Utilizar óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao 
temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias. 
3. Limitar o consumo de alimentos processados. 
4. Evitar o consumo de alimentos ultraprocessados. 
5. Comer com regularidade e atenção, em ambientes apropriados e, sempre 
que possível, com companhia. 
6. Fazer compras em locais que ofereçam variedades de alimentos in natura 
ou minimamente processados. 
7. Desenvolver, exercitar e partilhar habilidades culinárias. 
8. Planejar o uso do tempo para dar à alimentação o espaço que ela merece. 
9. Dar preferência, quando fora de casa, a locais que servem refeições feitas 
na hora. 
10. Ser crítico quanto a informações, orientações e mensagens sobre 
alimentação veiculadas em propagandas comerciais (BRASIL, 2014, p. 125-
128). 
O excesso de açúcar, gordura saturada e sal estão ligados ao aparecimento de 
doenças crônicas não transmissíveis, entre elas a obesidade. Sendo assim, é 
importante consumir esses produtos com cautela, consoante as recomendações 
nutricionais estabelecidas pela OMS e pelo Ministério da Saúde (ANS, 2017). A figura 
 
 
 
 
47 
 
a seguir apresenta um modelo didático das recomendações para o consumo dessas 
substâncias. 
Figura 10 – Redução da ingestão de açúcar, gordura saturada e sal 
 
Fonte: Agência Nacional de Saúde Suplementar, 2017. 
A ingestão diária de frutas, verduras e legumes é benéfica para diversas 
funções orgânicas e para a saúde, uma vez que são fontes de vitaminas, sais minerais 
e fibras, sendo recomendado o consumo diário da maior variedade possível, visando 
atingir as metas diárias de micronutrientes. Dessa maneira, é essencial incentivar o 
consumo regular de vegetais, frutas, verduras e legumes (ANS, 2017). A figura 11 
evidência um esquema de porções diárias que seria adequado ao consumo. 
A abordagem clínica do tratamento da obesidade compreende a adoção de um 
estilo de vida saudável, combinado com a utilização de medicamentos, quando 
necessário, e, nos casos de perda de peso insuficiente e pouca ou nenhuma melhora 
no quadro das comorbidades, a realização de procedimentos cirúrgicos (ANS, 2017). 
 
 
 
 
48 
 
Figura 11 – Consumo de frutas, verduras e legumes 
 
Fonte: Agência Nacional de Saúde Suplementar, 2017. 
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
É responsabilidade do profissional nutricionista buscar manter-se atualizado 
quanto à novas propostas para prevenção, abordagem e tratamento, não somente em 
relação à obesidade, mas em relação a tudo o que for pertinente à sua prática clínica. 
Isto porque os conhecimentos se renovam e se atualizam. 
Como visto o tratamento cirúrgico da obesidade é considerado a última via 
escolhida, isso porque é um procedimento invasivo e implica todas as complicações 
relacionadas a uma cirurgia, ao pré e ao pós operatório, que devem ser muito bem 
acompanhados, pois as necessidades nutricionais, em especial no pós operatório não 
serão atingidas exclusivamente através da alimentação, uma vez que o espaço 
gástrico estará reduzido, sendo necessária a suplementação específica para os 
micronutrientes necessários à manutenção/recuperação da saúde do paciente. 
O acompanhamento psicológico/psiquiátrico é também imprescindível para o 
paciente pós-bariátrica, decorrente de possíveis sintomas depressivos no pós cirurgia 
devido ao valor emocional e sociocultural da alimentação, uma vez que o paciente em 
pós operatório estará ingerindo uma quantidade mínima de alimentos, quantidade 
essa compatível com a capacidade gástrica decorrente do procedimento. 
 
 
 
 
49 
 
As estratégias de tratamento nutricional dietoterápico para a obesidade são 
variadas, e algumas apresentadas nesta aula apontam possíveis melhoras 
significativas tanto na redução do peso dos indivíduos, quanto em aspectos 
metabólicos. Contudo, como também mencionado nesta aula, as diferentes 
estratégias alimentares, com exceção da restrição energética/calórica, não possuem 
alta evidência científica devido à escassez de estudos sobre as mesmas, geralmente 
sendo ensaios randomizados com pequenos grupos. 
Isto posto, as diferentes estratégias são válidas, e cabe ao nutricionista avaliar 
a necessidade e aplicabilidade da terapia escolhida para seus pacientes, é importante 
conhecer diferentes formas e propostas de tratamento dietoterápico, pois cada 
paciente pode se adaptar e responder melhor a diferentes tratamentos, o profissional 
deve avaliar qual protocolo é mais saudável e eficaz para seu paciente, de forma que 
atenda às necessidades nutricionais, gere aderência ao tratamento, e, por 
conseguinte, os resultados esperados. 
 
 
 
 
 
50 
 
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Manual de diretrizes para o 
enfrentamento da obesidade na saúde suplementar brasileira. Rio de Janeiro, 
2017. 
ALMEIDA, J. C. et al. Revisão sistemática de dietas de emagrecimento: papel dos 
componentes dietéticos. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, 
[S. l.]. v. 53, p. 673-687, 2009. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de 
Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília: 
Ministério da Saúde, 2014. 
CALADO, I. L., Avaliação e diagnóstico nutricional na doença renal crônica. 
Universidade Federal do Maranhão. UNA-SUS/UFMA. São Luís, 2015. 
FERREIRA, M. G. A importância da alimentação na prevenção da obesidade 
infantil. Orientador: Bruna Carolina Costa Eduardo. 2022. 29 p. Trabalho de 
conclusão de curso (Graduação em Nutrição) - Universidade de Cuiabá, Cuiabá - MT, 
2022. 
JACKSON, A. S.; POLLOCK, M. L. Equações Generalizadas Para Predição de 
Densidade Corporal de Homens. Br J Nutr, [S. l.]. v. 40, p. 497-504, 1978. 
LIMA, C. L. S. et al. Jejum intermitente no emagrecimento: uma revisão 
sistemática. RBNE-RevistaBrasileira De Nutrição Esportiva, [S. l.]. v. 13, n. 79, p. 
426-436, 2019. 
RAMOS, D. B. N. et al. Propostas governamentais brasileiras de ações de prevenção 
e controle do sobrepeso e obesidade sob perspectiva municipal. Cadernos de Saúde 
Pública, [S. l.], ano 2020, v. 36, n. 6, 2020. 
REGO, A. S. et al. Estratégias de enfrentamento da obesidade na atenção primária 
em saúde no Brasil. RBONE-Revista Brasileira de Obesidade, Nutrição e 
Emagrecimento, v. 16, n. 105, p. 1018-1031, 2022. 
SALOMÃO, J. O. et. al. Obesidade, ingestão de sódio e estilo de vida em hipertensos 
atendidos na ESF / Obesidade, consumo de sódio e estilo de vida em hipertensos 
atendidos na ESF. Revista Brasileira de Revisão de Saúde, [S. l.], v. 6, pág. 16002–
16016, 2020. 
 
 
 
 
51 
 
SANTOLIN, C. B. História da obesidade na classificação internacional de doenças 
(cid): De 1900 a 2018. Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR, [S.l.]. v. 25, n. 
3, 2021. 
SILVEIRA, S. R. et. al., Aspectos metabólicos da obesidade. Londrina. Editora 
Científica, 2023. 
VANUCHI, H.; MARCHINI, J. S. (coord.). Nutrição Clínica. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan Ltda, 2014. 445 p.da vulnerabilidade destes indivíduos uma devido a alguns 
fatores que influenciam diretamente neste contexto, como criminalidade, acesso 
limitado à educação, empregos informais e precariedade do sistema de saúde. 
A Organização Mundial de Saúde tem se mostrado cada vez mais consciente 
do papel crucial da saúde mental no desenvolvimento da população mundial, para 
atingir as metas estabelecidas para a saúde global. A promoção da saúde mental 
possui três principais desafios: a obesidade, a ansiedade e a depressão. No que diz 
respeito à obesidade, a combinação de dietas elevadas em gordura e açúcar, com 
baixo teor de micronutrientes essenciais, concomitantes ao aumento do sedentarismo, 
 
 
 
 
7 
 
constituem as principais causas. Logo, o aumento da incidência de obesidade está 
intrinsecamente ligado à alimentação e ao exercício físico (FERREIRA, 2022). 
1.1 Obesidade e hipertensão 
A obesidade representa um fator de risco importante para o surgimento de 
comorbidades como a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS). Alguns índices podem 
ser utilizados para avaliação da obesidade e risco de desenvolvimento de doenças 
cardiovasculares como a hipertensão, são eles: Índice de massa corporal (IMC), 
circunferência da cintura (CC), razão cintura / estatura (RCE) e relação cintura-quadril 
(RCQ). São necessários outros instrumentos que avaliem os hábitos alimentares, 
incluindo o consumo de sódio, que está diretamente relacionado com níveis mais 
elevados de PA (SALOMÃO, et. al., 2020). 
A hipertensão arterial sistêmica é uma doença crônica caracterizada pelo 
aumento da pressão sanguínea nas artérias, possuindo valores de pressão máxima e 
mínima acima de 140/90 mmHg. É o fator de risco mais relevante para todas as 
causas de morbimortalidade no mundo, estando associado a um aumento do risco de 
doença cardiovascular (DCV) (SALOMÃO, et. al., 2020). 
No início do século XXI, a incidência de hipertensão aumentou de cerca de 
25,9% na população adulta global para 31,1% em 2010, uma alta de 5,2% em dez 
anos. No entanto, houve uma redução de 2,6% no mesmo período em países 
desenvolvidos, enquanto nos países em desenvolvimento aconteceu uma elevação 
de 7,7%. Estudos realizados no Brasil contam que a hipertensão afeta cerca de 30% 
da população adulta, o que equivale a 36 milhões de pessoas (SALOMÃO, et. al., 
2020). 
A causa da hipertensão está relacionada à complexa interação de fatores 
ambientais e fisiopatológicos que interferem em diversos sistemas, bem como à 
predisposição genética e ao estilo de vida. Alguns hábitos influenciam no surgimento 
da obesidade, hábitos como o tabagismo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, 
e claro, consumo calórico em excesso. O controle e prevenção da HAS está 
intimamente relacionado com sedentarismo, estresse e o alto consumo de sódio 
(SALOMÃO, et. al., 2020). 
 
 
 
 
8 
 
2. AVALIAÇÃO NUTRICIONAL 
A avaliação do estado nutricional é um método empregado para determinar o 
estado nutricional de pessoas e grupos. A Avaliação Nutricional tem objetivo de 
identificar o estado nutricional, identificar riscos nutricionais, propor intervenção e 
orientação nutricional, além da elaboração do diagnóstico nutricional e avaliação dos 
resultados apresentados. 
O tratamento nutricional se inicia com a avaliação nutricional, pois esta tem o 
objetivo de coletar informações sobre o paciente. Nas demais consultas, a avaliação 
nutricional é refeita com o intuito de observar os resultados obtidos e traçar a 
continuidade do tratamento nutricional. 
A elaboração da conduta dietoterápica específica para o paciente, é realizada 
através do diagnóstico do estado nutricional, o diagnóstico é o resultado obtido na 
avaliação nutricional. Os métodos de avaliação nutricional não são precisos 
isoladamente, mas se complementam, e podem ser divididos em: inquéritos 
alimentares, antropometria, exame físico e exames laboratoriais (SILVEIRA, et. al., 
2023). 
2.1 Estado nutricional 
O estado nutricional é um dos parâmetros de saúde das pessoas. O consumo 
e utilização de nutrientes, bem como as necessidades individuais são o que o 
compõem. A identificação do mesmo é obtida através das informações coletadas na 
avaliação nutricional. 
A alteração do estado nutricional, seja por deficiência ou excesso de ingestão, 
está intimamente ligada ao aumento de ocorrência de diversas enfermidades e 
também à piora de enfermidades pré-existentes. Não somente os déficits nutricionais 
estão ligados a complicações e alterações metabólicas, mas também os quadros de 
ingestão excessiva ou inadequada de alimentos, que levam a diversas alterações 
metabólicas (VANUCHI; MARCHINI, 2014). 
 
 
 
 
9 
 
Modificações no estado nutricional demandam uma intervenção nutricional 
adequada, que, quando ocorre, pode levar a resultados satisfatórios quanto ao estado 
nutricional dos pacientes. 
O conhecimento do estado nutricional é imprescindível para que as 
intervenções nutricionais sejam realizadas de maneira assertiva. A avaliação do 
estado nutricional objetiva identificar disfunções nutricionais, para possibilitar a 
adequada intervenção nutricional, visando a manutenção ou recuperação do estado 
da saúde. Ela pode ser realizada por uma série de instrumentos, ferramentas e 
exames (VANUCHI; MARCHINI, 2014). 
• História clínica 
• Anamnese alimentar 
• Exame físico geral e específico 
• Antropometria 
• Composição corporal 
2.1.1 História clínica 
A história clínica é usada na avaliação nutricional com o objetivo de identificar 
a adequação ou não da ingestão nutricional dos pacientes. Nela, se interrogam os 
pacientes acerca dos fatores que podem intervir no estado nutricional, diretamente ou 
indiretamente: ganho ou perda recente de peso, sinais de doenças gastrointestinais, 
como náuseas, vômitos e diarreia, fatores que limitam alimentação adequada, como 
anorexia, dificuldades de mastigação, lesões bucais, uso de medicamentos que 
interferem na absorção e metabolização dos nutrientes, doenças crônicas e 
intervenções cirúrgicas, tabagismo e alcoolismo, além de fatores psicológicos que 
também podem interferir na ingestão alimentar, como ansiedade, estresse e 
depressão (VANUCHI; MARCHINI, 2014). 
2.1.2 Anamnese alimentar 
Para se avaliar a ingestão alimentar de um indivíduo, a primeira etapa é a 
anamnese alimentar. A anamnese busca fazer com que o paciente se lembre de como 
é seu padrão alimentar. Existem diversos modelos para sua realização, sendo 
possível aplicar em conjunto mais de um modelo, e este é um método bastante 
 
 
 
 
10 
 
empregado, com o intuito de trazer mais confiabilidade ao levantamento desses 
dados. Os modelos em questão se resumem em: recordatório alimentar, inquérito de 
frequência alimentar, registro alimentar e observação direta (VANUCHI; MARCHINI, 
2014). 
Recordatório alimentar: O recordatório alimentar é realizado diretamente com 
o paciente, solicitando que este relate todos os alimentos que ingeriu em um 
determinado período ou no passado (por exemplo, nas últimas 24 horas). É um 
método com aplicação rápida e fácil, que não exige que o paciente saiba ler ou 
escrever. Também possui a vantagem de não influenciar o hábito alimentar do 
paciente, pois apenas é necessário que ele se lembre dos alimentos que ele já 
ingeriu. Porém, apresenta como desvantagem a dependência exclusiva do paciente, 
e pode não ser verídico, e não representar sua ingestão habitual, além de depender 
totalmente da memória do paciente (VANUCHI; MARCHINI, 2014). 
Segundo Silveira et. al. (2023) o modelo mais comumente relatado em relatório 
alimentar, é o recordatório de 24h (R24), este consiste na avaliação da ingesta 
alimentar nas últimas 24horas. Analisa a dieta de forma qualitativa e quantitativa, 
solicitando ao avaliado os tipos de alimentos e bebidas consumidos em um 
determinado período do passado recente. Esse método depende da memória do 
avaliador.Sendo assim, o avaliador, através de modelos de porções, álbuns 
fotográficos e medidas caseiras, auxilia o paciente em suas respostas, buscando 
evitar qualquer tipo de interferência nos resultados. 
Inquérito de frequência alimentar: O inquérito de frequência alimentar tem o 
intuito de determinar a frequência do consumo dos diferentes grupos de alimentos 
(processados, embutidos, carboidratos simples e complexos, leite, frutas, etc.) em um 
determinado período (por exemplo, 1 mês, 1 quinzena, 1 semana) Tem as mesmas 
desvantagens do recordatório alimentar, pois igualmente a ele, depende da memória 
do entrevistado, contudo, a associação de ambos pode trazer mais confiabilidade ao 
levantamento da ingestão alimentar do paciente (VANUCHI; MARCHINI, 2014). 
Registro alimentar: O procedimento de registro alimentar consiste em solicitar 
que o paciente registre todas as refeições que ele ingere em um período específico 
 
 
 
 
11 
 
(por exemplo, durante 24 horas). Por se tratar de um registro em tempo real, esse é 
um processo mais preciso que os recordatórios, mas tem como desvantagem a 
necessidade de que o paciente saiba ler e escrever, ou que dependa de terceiros para 
fazerem o registro por ele. O paciente deve ter ainda algum conhecimento sobre as 
preparações culinárias e alimentos. Outra desvantagem crucial se dá pelo fato de que, 
como o indivíduo está registrando toda sua alimentação no período determinado, sua 
ingestão habitual pode ser influenciada (VANUCHI; MARCHINI, 2014). 
Observação direta: Este método, como o nome diz, consiste na observação 
direta da ingestão alimentar do paciente. É um método extremamente preciso, porém, 
pode ter alto nível de influência sobre o padrão alimentar do paciente, além de 
demandar tempo e exigir que o observador tenha conhecimentos quanto aos 
alimentos e preparações culinárias. 
2.1.3 Exame físico geral e específico 
Em complemento à história clínica, o exame físico geral e específico é 
realizado. Seu objetivo é verificar déficits ou excessos nutricionais, tanto de 
macronutrientes (carboidrato, lipídios e proteína), que podem indicar, por exemplo, 
desnutrição ou marasmo, quanto de micronutrientes/oligoelementos (vitaminas e 
minerais), estes, por sua vez, podem indicar estomatites, cegueira noturna, 
hiperpigmentação, anemias, entre outros. O exame físico geral deve avaliar vários 
dados do paciente, incluindo os antropométricos, os possíveis sinais apresentados 
(como cabelos e unhas quebradiços, coloração dos olhos, pele ressecada, etc.) e o 
cálculo de índices (índice de massa corporal, índice de cintura/quadril). 
Como mencionado anteriormente, neste exame, o avaliador deve observar se 
o paciente apresenta sinais como edemas, manchas na pele, cabelo e unhas 
quebradiços, entre outros. Esses sinais e sintomas podem ser associados a 
deficiências de nutrientes como vitaminas e minerais, essas deficiências podem ser 
comprovadas através de exames bioquímicos. 
Pode ser que o tecido adiposo se encontre escasso, ideal ou abundante; a 
musculatura deve ser avaliada em relação à sua trofia e tonicidade. Em específico, a 
musculatura temporal é altamente exigida na mastigação, sendo assim, quando está 
hipotrófica, isso pode representar um baixo uso e, por conseguinte, apresentar 
 
 
 
 
12 
 
desnutrição. A tabela 1 abaixo evidência alguns sinais e sintomas específicos e quais 
carências eles podem evidenciar (VANUCHI; MARCHINI, 2014). 
Tabela 1 – Sinais e sintomas de alterações nutricionais específicos conforme órgão 
comprometido 
 
Fonte: Adaptado de Vanuchi e Marchini, 2014. 
2.1.4 Composição corporal 
A composição corporal é a distribuição e a quantidade de elementos que 
compõem o peso total do corpo. O método de avaliação nutricional está condicionado 
ao estado nutricional do indivíduo, à sua validação científica, à sua aplicação prática 
e ao treinamento do avaliador. Para estabelecer medidas nutricionais que garantam a 
saúde, é necessário identificar os riscos à saúde e as alterações corporais através da 
análise da composição corporal (SILVEIRA, et. al., 2023). 
Local Sinal Nutriente
Seca e com falhas de pigmentação Vitamina A e Zinco
Seborréia nasolabial Ácidos graxos essenciais
Rash psorisiforme Vitamina A e Zinco
Hemorragia perifolicular Vitamina C
Sangramento fácil Vitaminas K e C
Hiperpigmentação Niacina (B3)
Cabelos Secos, quebradiços; alopecia Proteína e biotina (B7)
Unhas Fissuras transversas Proteína
Cegueira noturna Vitamina A e Zinco
Fotofobia Vitamina A
Inflamação da conjuntiva Vitamina A e riboflavina (B2)
Glossite
Complexo B, ácido fólico (B9), 
ferro
Sangramento gengival Vitamina C e riboflavina (B2)
Estomatite angular e queilite
Riboflavia (B2), niacina (B3) e 
piridoxina (B6)
Redução de paladar Zinco
Coração Insuficiência cardíaca Tiamina (B1)
Demência
Tiamina (B1), niacina (B3), 
cobalamina (B12) e folato
Tetania Cálcio e magnésio
Parestesias Tiamina (B1) e cobalamina (B12)
Pele
Olhos
Boca
Sistema 
neurológico
 
 
 
 
13 
 
Embora o IMC seja um índice muito utilizado na triagem nutricional, ele está 
sujeito a falhas, em especial, quando usado em indivíduos fisicamente ativos, pois 
estes têm um peso elevado devido a quantidade de massa livre de gordura (MLG). 
Para uma avaliação mais confiável da composição corporal, alguns exames podem 
ser usados para avaliar em separado a quantidade de massa livre de gordura e a 
massa gorda. 
Entre os exames mais empregados estão: aferição das dobras cutâneas 
(antropometria), análise de composição corporal por densidade corporal (pesagem 
hidrostática ou deslocamento de ar), exames de imagem (tomografia 
computadorizada, densitometria corporal) e exames de condutividade elétrica 
(bioimpedância elétrica). Dentre estes, os mais utilizados são: a antropometria e 
bioimpedância elétrica. 
A bioimpedância elétrica tem a condutividade elétrica como princípio básico. 
Ela é influenciada pela resistência dos tecidos à condução da corrente elétrica pelos 
tecidos e membranas celulares (SILVEIRA, et. al., 2023). É uma ferramenta muito útil 
na obesidade, pois detecta a concentração de água corporal, massa gorda e massa 
livre de gordura, e inclusive a taxa de metabolismo basal. A massa magra é um bom 
condutor de eletricidade pois ela possui alto conteúdo de água (73% a 75%) e 
eletrólitos. Já a massa gorda (tecido adiposo) não é um bom condutor elétrico, pois 
tem apenas 14% de água aproximadamente, o que é pouco para resistência elétrica. 
Ou seja, a corrente elétrica percorre com mais facilidade a massa magra em relação 
a massa gorda. 
Em indivíduos com obesidade grau III, os tecidos corporais sofrem alterações 
quando comparados com pessoas em sobrepeso ou eutrofia. Acontece não só 
aumento do tecido adiposo, mas também aumento da hidratação total do corpo, onde 
a elevação da água extracelular (AEC) comparada à água Intracelular (AIC). Os 
resultados da composição corporal permitirão uma análise mais aprofundada para o 
diagnóstico e para elaboração das estratégias nutricionais. Após identificar a taxa de 
gordura corporal do obeso, deve-se classificar o estado nutricional (SILVEIRA, et. al., 
2023). Conforme os pontos de corte apresentados na tabela abaixo: 
 
 
 
 
14 
 
Tabela 2 – Classificação do estado nutricional segundo porcentagem de gordura 
corpórea em adultos. 
Estado nutricional %GC Homens %GC Mulheres 
Risco Nutricional ≤ 5 ≤ 8 
Abaixo da média 6 a 14 9 a 20 
Média 15 a 18 20 a 25 
Acima da média 18 a 24 26 a 31 
Risco de doenças 
associados à obesidade 
≥ 25 ≥ 32 
Fonte: Adaptado de Silveira, et. al. 2023. 
Antropometria 
A antropometria é uma técnica que mede as dimensões externas do corpo 
humano e é um indicador do estado nutricional. As principais medidas utilizadas na 
avaliação antropométrica são peso, estatura, dobras cutâneas e circunferências. 
Embora sejam medidas antropométricas, as dobras cutâneas ecircunferências são 
empregadas na avaliação da composição corporal (VANUCHI; MARCHINI, 2014). 
As medidas antropométricas avaliam de forma simples e objetiva a composição 
corporal quanto a tecido adiposo e massa magra. Uma grande vantagem da utilização 
das medidas antropométricas é sua aplicação universal através de instrumentos 
portáteis e com baixo custo (CALADO, 2015). Para melhor compreensão e 
desenvolvimento do tratamento, o peso é classificado em peso atual, peso usual e 
peso ideal, essas classificações podem ser definidas da seguinte maneira: 
• Peso atual: é o peso aferido por balança em calibragem correta, 
corresponde, como o nome diz, ao peso atual do paciente, é aferido pelo 
profissional no dia da consulta. 
• Peso usual: é o peso relatado pelo paciente como peso em que 
normalmente ele se encontra, é uma referência usada para a avaliação de 
mudanças recentes de peso quando não é possível aferir o peso atual. 
• Peso ideal: Existem algumas tabelas de referência divididas por idade e 
sexo, nas quais é possível obter o peso ideal. Porém, é cada vez mais 
 
 
 
 
15 
 
utilizado na prática clínica o IMC (índice de massa corporal), onde se estipula 
o IMC desejado para estimar o peso ideal, através da fórmula a seguir: 
Peso ideal (kg) = [IMC desejado × estatura (m)2] 
Adequação do peso: Após tomar conhecimento do peso atual e o ideal do 
paciente, a etapa subsequente é a adequação do peso, esta consiste na adequação 
do peso atual em referência ao peso ideal ou desejável (CALADO, 2015). Pode-se 
calcular a adequação do peso a partir da seguinte fórmula: 
Adequação do peso (%) =
Peso atual x 100
Peso ideal
 
De acordo com Calado (2015) a classificação do estado nutricional pode ser 
feita posteriormente ao cálculo da adequação de peso. Considera-se como ideal o 
peso atual, quando este tiver como resultado da sua adequação, um valor entre 90% 
e 110%. Este nível de adequação classifica o indivíduo como eutrófico / peso 
adequado, conforme demonstra a tabela 3, a seguir. 
Tabela 3 – Classificação do estado nutricional de acordo com a adequação do peso 
 
Fonte: Calado, 2015. 
Quando o resultado do percentual de adequação do peso for menor que 90% 
ou maior que 110%, faz-se necessária a correção do peso ideal para que se possa 
determinar as necessidades nutricionais, essa correção é conhecida como “peso 
ajustado”. O peso ajustado pode ser obtido através da seguinte equação: 
Peso ajustado (kg) = [(peso ideal – peso atual) x 0,25] + peso atual 
 
 
 
 
16 
 
Estatura 
A aferição de estatura é por meio de um estadiômetro, com o indivíduo em pé. 
Nos casos em que não é possível a utilização do método convencional, obtém-se a 
estatura por meio da “Equação de Chumlea”, criada para idosos, utiliza-se a altura do 
joelho, uma vez que esta não se altera com a idade. A equação de Chumlea está 
representada a seguir: 
Homens: [(2,02 x altura do joelho em cm) – (0,04 x idade)] + 64,19 
Mulheres: [(1,83 x altura do joelho em cm) – (0,24 x idade)] + 84,88 
A aferição da altura do joelho é realizada preferencialmente na perna esquerda, 
com o paciente em posição supina ou sentada, mantém-se o joelho flexionado em 
ângulo de 90°, a medida é feita através do uso de um paquímetro, ou, quando não for 
possível, com uma fita métrica inelástica. A base do paquímetro deve ser posicionada 
ao calcanhar, e o cursor do paquímetro deve ser estendido paralelamente até a patela 
do joelho. Para maior assertividade, realiza-se a aferição duas vezes, e quando 
houver valor diferente nas duas, utiliza-se a média entre elas. Como referido na figura 
a seguir (CALADO, 2015). 
Figura 1 – Aferição de altura do joelho 
 
Fonte: Calado, 2015. 
 
 
 
 
17 
 
Índice de Massa Corporal (IMC) 
Segundo Calado (2015), de todos os indicadores antropométricos, o IMC é o 
mais empregado para avaliar o estado nutricional de pessoas e grupos, sendo 
considerado um parâmetro universal. O IMC é obtido através da razão entre o peso e 
a altura ao quadrado, como evidenciado na fórmula a seguir: 
IMC = 
Peso (kg)
Altura² (m)
 
Simplificando, é possível obter o valor do IMC ao dividir o peso pela altura, e 
novamente pela altura. Por exemplo, para saber o IMC de uma pessoa com 75kg e 
1,70 de altura, você divide o peso pela altura (75/1,60), resultando em 46,875, então 
você divide novamente pela altura (46,875/1,60), resultando em 29,29, ou seja, o IMC 
do paciente é 29,29. Segue tabela de classificação do IMC. 
Tabela 4 – Classificação do estado nutricional quando ao IMC 
IMC Classificação Obesidade 
grau/classe 
Risco de doença 
Dobra cutânea subescapular 
 
Fonte: Calado, 2015 
A Dobra cutânea Suprailíaca (DCSI) está localizada acima da crista ilíaca, e 
abaixo da última costela, na linha axilar média. Ao avaliar esta dobra, deve-se 
identificar o local da supra-ilíaca, pinçar a dobra com os dedos indicador e polegar, 
executar esse procedimento três vezes, para posteriormente, realizar o cálculo da 
média entre eles, e só então obtém-se o valor desta dobra (SILVEIRA, et. al., 2023). 
Exemplo na figura a seguir: 
Figura 5 – Dobra cutânea supraíliaca 
 
Fonte: Calado, 2015. 
As dobras cutâneas podem ser classificadas de acordo com a sua adiposidade, 
comparando-as entre uma consulta e outra, ou através de percentuais de padrões de 
referência. A estimativa do percentual de gordura corporal é indicada pela soma das 
 
 
 
 
21 
 
dobras cutâneas (DCT+DCB+ DCSE + DCSI), que é calculada com base na idade e 
no sexo (SILVEIRA, et. al., 2023). Como é demonstrado na tabela a seguir: 
Tabela 5 – Equivalente de gordura em % de peso corporal, mediante soma de 4 
dobras (bíceps, tríceps, subescapular e suprailíaca) de homens e mulheres. 
 
Fonte: adaptado de Silveira et. al., 2023. 
Existem outras formas de avaliação antropométricas que podem ser utilizadas 
em diferentes situações, cabe ao profissional escolher a que melhor se adapte para 
seu paciente. Algumas dessas formas são a utilização das equações para cálculo da 
gordura corporal. Algumas dessas equações são: equações de Durnin and 
Womersley; de Jackson and Pollock; de Visser; de Guedes; de Evans, de Slaughter e 
de Peterson. 
Cabe ao nutricionista decidir com qual método de pregas cutâneas e equação 
ele se adapta melhor, e qual seria mais eficiente para usar em sua prática clínica. Vale 
15 17-29 30-39 40-49 50+ 16-29 30-39 40-49 50+
20 4,8 - - - 10,5 - - -
25 8,1 12,2 12,2 12,6 14,1 17 17,8 21,4
30 12,9 16,2 17,7 18,6 19,5 21,8 24,5 26,6
35 14,7 17,7 19,6 20,8 21,5 23,7 26,4 28,5
40 16,4 19,2 21,4 22,9 23,4 25,5 28,2 30,3
45 17,7 20,4 23 24,7 25 26,9 29,6 31,9
50 19 21,5 24,6 26,5 26,5 28,2 31 33,4
55 20,1 22,5 24,9 27,9 27,8 29,4 32,1 34,6
60 21,2 23,5 27,1 29,2 29,1 30,6 33,2 35,7
65 22,2 24,3 28,2 30,4 30,2 31,6 34,1 36,7
70 23,1 25,1 29,3 31,6 31,2 32,5 35 37,7
75 24 25,9 30,3 32,7 32,2 33,4 35,9 38,7
80 24,8 26,6 31,2 33,8 33,1 34,3 36,7 39,6
85 25,5 27,2 32,1 34,8 34 35,1 37,5 40,4
90 26,2 27,8 33 35,8 34,8 35,8 38,3 41,2
95 26,9 28,4 33,7 36,6 35,6 36,5 39 41,9
100 27,6 29 34,4 37,4 36,4 37,2 39,7 42,6
105 28,2 29,6 35,1 38,2 37,1 37,9 40,4 43,3
110 28,8 30,1 35,8 39 37,8 38,6 41 43,9
115 29,4 30,6 36,4 39,7 38,4 39,1 41,5 44,5
120 30 31,1 37 40,4 39 39,6 42 45,1
Dobras 
Cutâneas 
(mm)
Idade em anos
Homens Mulheres
 
 
 
 
22 
 
lembrar que existem calculadoras, websites, tabelas, aplicativos e programas que 
fazem automaticamente o cálculo de porcentagem de gordura corporal através das 
pregas cutâneas aferidas pelo profissional e inseridas no programa. São programas 
cujas equações supracitadas já estão preparadas para receber as métricas aferidas 
pelo profissional, o uso destes programas pode levar ao melhor aproveitamento do 
tempo, uma vez que, para realizar as equações, é necessário dispender um tempo 
considerável. 
Sendo assim, o conhecimento acerca das fórmulas para o profissional 
nutricionista, atualmente, é necessário para que o profissional não se torne refém 
desses softwares, uma vez que, na ausência da possibilidade do uso dessas 
máquinas, o nutricionista deve ser capaz de fazer o cálculo por si só, e traçar uma 
conduta para seu paciente a partir dos resultados obtidos. 
Existe um cálculo com utilização apenas de três dobras cutâneas criado por 
Jackson e Pollock (1978). O autor elaborou este cálculo através de uma pesquisa com 
mulheres entre 18 e 55 anos. Portanto, essa fórmula é direcionada para este público. 
Deve-se aferir os valores das pregas tricipital, suprailíaca e da coxa. Posteriormente 
realiza-se a soma dos valores obtidos. E com isso, calcula-se a Densidade Corporal 
(DC), com a fórmula evidenciada abaixo. 
DC = 1,0994921 – 0,0009929(∑) + 0,0000023 (∑)² – 0,0001392 (IDADE) 
(Onde ∑, refere-se ao somatório das 3 dobras avaliadas). 
A equação elaborada por Jackson e Pollock (1978) para aferir a densidade 
corporal em homens através de 3 dobras cutâneas considera dobras diferentes, são 
elas a do peitoral, a abdominal e da coxa. É direcionada para a faixa etária de 18 a 61 
anos de idade. Faz-se então, o somatório das dobras e a substituição dos valores da 
fórmula abaixo pelos valores avaliados no paciente. 
DC = 1,1093800 – 0,0008267(∑) + 0,0000016 (∑)² – 0,0002574 (IDADE) 
Ao realizar as etapas anteriores e obter o resultado da densidade corporal, 
deve-se usar a fórmula de Siri, tanto para homens quanto para mulheres, para chegar 
ao valor percentual de gordura corporal. A fórmula em questão é a que se segue: 
 
 
 
 
23 
 
%GC = (495/DC) – 450 
Segue então, um exemplo de avaliação da composição corporal através da 
fórmula acima referida: homem de 25 anos, 77kg e soma das dobras cutâneas: 35mm. 
DC = 1,1093800 – 0,0008267(35) + 0,0000016 (35)² – 0,0002574 (25) 
DC= 1,0759705 
O valor acima refere-se à densidade corporal, logo, substituiremos a seguir o 
DC na fórmula de Siri para obter o percentual de gordura corporal. 
%GC= (495/1,0759705) – 450 
%GC= 460,0497 – 450 
GC= 10,0497% 
Jackson e Pollock (1978) criaram também uma equação para definir a 
densidade corporal através do uso de 7 dobras cutâneas, inclui as seguintes dobras: 
tríceps, peitoral, subescapular, axilar média, suprailíaca, abdominal e da coxa. 
Após aferir essas dobras, realiza-se o somatório das mesmas, e posteriormente 
utiliza-se da equação a seguir, substituindo as variáveis pelos valores avaliados em 
seu paciente. 
DC (g/cm³) =1,112-0,00043499 x (∑ 7 Dobras) + 0,00000055 x (∑ 7 Dobras) x 2 – 
0,00028826 x (Idade) 
Para obtenção do percentual de gordura, utiliza-se novamente a equação de 
Siri: 
Percentual de gordura = (495/DC) – 450. 
Exemplo: homem de 25 anos, 77kg, somatório das dobras cutâneas = 73mm. 
DC (g/cm³) =1,112 - 0,00043499 x (∑ 7 Dobras) + 0,00000055 x (∑ 7 Dobras) x 2 – 
0,00028826 x (Idade) 
DC= 1,112 - 0,00043499 x (73) + 0,00000055 x (73) x 2 – 0,00028826 x (25) 
 
 
 
 
24 
 
Dc= 1,07311953 
%GC= (495/DC) - 450 
%GC= (495/1,07311953) - 450 
GC= 11,27% 
3. PREVENÇÃO DA OBESIDADE 
A Política Nacional de Atenção Básica atual, assim como as anteriores, 
determina que a Estratégia Saúde da Família (ESF) é fundamental para a expansão 
e consolidação da Atenção Básica, e a administração municipal é encarregada de criar 
condições para que a Atenção Básica organize o fluxo de atendimento com o objetivo 
de garantir a integralidade do cuidado (RAMOS, et. al., 2020). 
Sendo assim, com exceção dos procedimentos cirúrgicos, a APS é responsável 
por todo cuidado e atenção ao indivíduo com sobrepeso e obesidade, estando incluída 
a assistência no contexto pós-cirúrgico. Há dois programas que se destacam nessa 
política devido ao seu alto impacto, são o Programa Saúde na Escola (PSE), e o 
Programa Academia da Saúde. 
A Política Nacional de Promoção da Saúde pode ser considerada um fator de 
estímulo para ações de prevenção e controle da obesidade, uma vez que estabelece 
como prioridades: o aprimoramento das iniciativas de Promoção da Alimentação 
Adequada e Saudável (PAAS); a promoção da segurança alimentar e nutricional, com 
o objetivo de garantir o Direito Humano à Alimentação Adequada; o incentivo às 
práticas de atividades físicas, disponibilizando espaços públicos para promover 
atividades físicas que aprimorem a atenção integral à saúde (RAMOS, et. al., 2020). 
De acordo com Ramos et. al. (2020), as normas federais podem influenciar as 
políticas municipais ao indicar ações, estabelecer diretrizes e recursos para a 
implantação, e nortear a organização das Redes de Atenção à Saúde(RAS) visando 
prestar assistência integral às pessoas com doenças crônicas, sobrepeso e 
obesidade. 
 
 
 
 
25 
 
Entre as atividades realizadas no contexto da prevenção à obesidade podemos 
dar enfoque nas seguintes: 
• Vigilância alimentar e nutricional; 
• Ações promotoras de saúde e preventivas em relação à obesidade em 
concepção intersetorial, com ênfase na promoção da alimentação adequada 
e saudável (PAAS) e na atividade física; 
• Estratégias que regulam mídia e rotulagem; 
• Políticas de seguridade pública (para a prática de atividade física); 
• Incentivo ao autocuidado; 
• Ações para instruções sobre amamentação e alimentação complementar 
apropriadas; 
• Iniciativas hospital amigo da criança e unidade básica amiga da amamentação 
(IUBAAM); 
• Atos de educação alimentar e nutricional; 
• Avaliação e educação nutricional feita por intermédio de programas atuando 
em sinergia como o programa saúde na escola (PSE) e o programa bolsa 
família; 
• Atividades de educação em turma; 
• Atendimento individualizado, com inclusão de assistência terapêutica 
multidisciplinar aos pacientes submetidos a procedimento cirúrgico; 
• Além da busca da garantia do acolhimento apropriado às pessoas com 
obesas com os equipamentos da APS (RAMOS, et. al., 2020). 
O Caderno de Atenção Básica aprofunda a abordagem matricial e 
interdisciplinar de cuidados, especialmente por meio dos Núcleos de Apoio à Saúde 
da Família (NASF) e equipes multiprofissionais, enfatizando que o combate à 
obesidade requer um conjunto amplo de medidas que integrem incentivo, apoio e 
proteção às práticas saudáveis de alimentação e exercício físico. 
No Rio de Janeiro, o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das 
DCNT – 2013-2022 21, elaborado em sintonia com o plano nacional, pode ser um 
estímulo potencial para o planejamento local, já que é o único que estabelece metas 
 
 
 
 
26 
 
e indicadores específicos relacionados à obesidade (manter a prevalência de 49,6% 
de excesso de peso e de 16,5% de obesidade em adultos). As ações propostas 
incluem: incentivar a prática de atividades físicas no dia a dia e na vida; apoiar 
iniciativas para promover uma vida saudável em lugares como escolas, escritórios, 
restaurantes, centros de saúde e parques nacionais; e ajudar a cuidar da saúde de 
pessoas com excesso de peso e obesidade na rede de saúde, principalmente na 
atenção primária (RAMOS, et. al., 2020). 
As macropolíticas do SUS se assemelham às políticas constitutivas, uma vez 
que contribuem para criar os próprios espaços, instrumentos, protocolos e 
procedimentos que determinam uma estrutura institucional que impulsiona os 
programas e ações. Também atuam como políticas redistributivas, pois, apesar de 
serem universais, atendem a grupos da sociedade que têm menos acesso a bens e 
serviços públicos. Algumas macropolíticas, principalmente as regulatórias e os 
acordos realizados com a indústria alimentícia para alteração na composição de seus 
produtos, são responsabilidade do governo federal. Todavia, a regulação do ambiente 
alimentar de escolas está presente em iniciativas governamentais e estaduais. 
As campanhas e ações de educação alimentar e nutricional são, sobretudo, em 
forma de palestras e debates. A escola é repetidamente referida como um espaço 
estratégico para as ações de PAAS, educação alimentar e nutricional, regulação de 
cantinas, publicidade de alimentos e hortas (RAMOS, et. al., 2020). 
O Programa Saúde na Escola prevê ações educativas e avaliação 
antropométrica, estando presente na maior parte dos municípios. Contudo, essas 
ações ocorrem de forma pontual durante o ano, particularmente na Semana de Saúde 
na Escola, que tem se dedicado habitualmente ao tema da obesidade. 
O Programa Crescer Saudável tem como objetivo principal a prevenção e o 
controle da obesidade infantil no âmbito do PSE, com ações de avaliação nutricional, 
PAAS, promoção de práticas corporais e encaminhamento dos casos de obesidade à 
RAS. Em geral, os municípios implementam ações e programas estimulados pelo 
Governo Federal, com financiamento específico, como o PAAS, PSE, o Programa 
Crescer Saudável e o Programa Academia da Saúde, que são custeados pelo Piso 
de Atenção Básica. 
 
 
 
 
27 
 
Entretanto, são identificadas algumas ações específicas da administração 
municipal. No que diz respeito aos grupos populacionais atendidos, o PSE é um 
programa do SUS voltado exclusivamente para estudantes, para integrar a APS com 
as secretarias de educação dos municípios, fornecendo suporte no mapeamento do 
estado nutricional desses indivíduos. 
Ademais, o Programa Crescer Saudável, atua no âmbito do PSE, objetiva 
incentivar a integração entre as equipes das escolas e da saúde, incluindo os 
profissionais que atuam nos NASF, para a execução das ações sugeridas pelo 
programa, como a alimentação saudável, a atividade física e o apoio psicológico, 
dentre outras (RAMOS, et. al., 2020). 
As crianças e adolescentes são assistidos por esses programas, pela IUBAAM 
e pela Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil, todos eles visam promover o 
aleitamento materno e a alimentação complementar adequada. Já as ações voltadas 
para os adultos incluem consultas individuais, grupos educativos, Programa Academia 
da Saúde e ações de educação alimentar e nutricional que se relacionam com 
obesidade e doenças crônicas não transmissíveis. 
O Programa Academia da Saúde destaca-se nas propostas governamentais, 
pois pode ajudar a prevenir e controlar a obesidade em decorrência da contribuição 
para o controle de diferentes fatores. Este é um equipamento público que proporciona 
um ambiente seguro e adequado para práticas corporais integradas à PAAS, e tem 
sido considerado um elemento estratégico da APS na integração e articulação dos 
cuidados individuais e coletivos (RAMOS, et. al., 2020). 
Segundo a ANS (2017) A prevenção da obesidade infanto-juvenil, envolve 
algumas estratégias, que devem ser baseadas em: desenvolver ações educativas de 
promover a alimentação saudável desde o pré-natal; estimular o aleitamento materno, 
orientar para a introdução alimentar de forma correta, estimular o conhecimento sobre 
a relevância da atividade física e das práticas corporais para o desenvolvimento da 
criança e do adolescente, promover atividades recreativas e lúdicas, desestimular o 
comportamento sedentário, promover um sono saudável com horas adequadas, 
limitar o tempo de tela de crianças e adolescentes, identificar pacientes de risco. 
 
 
 
 
28 
 
Existem algumas orientações recomendadas pela Sociedade Brasileira de 
Pediatria (SBP) para prevenir o excesso de peso e a obesidade em crianças e 
adolescentes, essas orientações estão esquematizadas na figura 6. 
Para a promoção de uma alimentação saudável, é recomendável utilizar o Guia 
Alimentar da População Brasileira como referência. A segunda edição do Guia 
Alimentar para a População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde, aborda 
quais cuidados e caminhos devem ser tomados para atingir uma alimentação 
saudável, saborosa e equilibrada. O Guia explica desde os cuidados necessários para 
selecionar os alimentos, orienta a preparação das refeições e até o ato de comer. 
Alguns aspectos importantes devem ser destacados para as crianças e adolescentes, 
estes são: 
• Ter cuidado ao escolher os alimentos, atentando-se para a classificação dos 
alimentos de acordo com o processamento pelo qual passam em seu 
processo de produção, que os classifica em: in natura, minimamente 
processados, processados e ultraprocessados; 
• A base da alimentação deve ser feita a partir dos alimentos in natura ou 
minimamente processados; 
• Usar óleos, gorduras, sal e açúcar para tempero e preparação de alimentos. 
Eles podem tornar as refeições mais saborosas e não as desbalancear 
nutricionalmente quando usados de forma moderada; 
• Não adicionar sal ou açúcar apapinha das crianças no primeiro ano de vida, 
outros condimentos como alho, cebola ou manjericão, podem ser utilizados. 
• Consumir o mínimo possível de alimentos processados, para isso, preferir 
consumi-los como ingredientes de preparações culinárias ou parte de 
refeições que tem em sua base alimentos in natura ou minimamente 
processados (ANS, 2017). 
 
 
 
 
29 
 
Figura 6 – Orientações da SBP para a prevenção da obesidade 
 
Fonte: Agência Nacional de Saúde Suplementar, 2017. 
4. TRATAMENTO 
As dietas para perda de peso podem ser categorizadas de forma didática de 
acordo com a quantidade de macronutrientes oferecidos. Apesar de muitas das dietas 
para perder peso serem efetivas na redução de peso em curto prazo, raramente é 
possível avaliar qualitativamente essas dietas. Realmente, uma análise mais 
minuciosa da composição nutricional dos programas de dietas populares revelou que 
nenhum deles alcança um índice adequado de alimentação saudável (ALMEDA et al., 
2009). 
O Índice Glicêmico (IG) é uma medida da qualidade do carboidrato presente 
nos alimentos. Já a Carga Glicêmica (CG) representa o produto do IG do alimento e 
o seu conteúdo de carboidrato disponível. Os planos alimentares sugeridos por 
diversas dietas apresentam uma restrição energética significativa, geralmente inferior 
 
 
 
 
30 
 
a 1.200 kcal/dia. No entanto, essas dietas podem ser inadequadas em termos de 
micronutrientes, o que pode ter efeitos negativos no estado nutricional do paciente e 
na perda de peso (ALMEDA et al., 2009). 
Em oposição às dietas populares, a comunidade científica tem concentrado 
esforços em encontrar a maneira mais adequada, saudável e prática de reduzir e 
manter o peso corporal. O surgimento de novas dietas, tanto no âmbito acadêmico 
quanto em publicações não científicas, evidencia que ainda não está bem definida de 
forma unânime qual a melhor estratégia dietoterápica para a perda de peso. 
A preferência em seguir ou não um tipo de dieta, por parte dos pacientes, tem 
influência direta na perda de peso. As dietas vegetarianas parecem promover uma 
redução ponderal maior em relação à dieta onívora. Contraditoriamente, quando 
comparados os pacientes quanto a preferência ou não de serguir a dieta que lhes foi 
prescrita, houve maior perda de peso naqueles que não preferiram a dieta a qual 
receberam prescrição (ALMEDA et. al., 2009). 
A aderência da dieta e a perda de peso estão relacionados de forma 
diretamente proporcional nas dietas para emagrecimento, isso independe do tipo de 
dieta prescrita. Almeida et. al. (2009) constatou na sua revisão sistemática maior 
perda de peso (cerca de 7% do peso inicial) diretamente associada à maior adesão 
relatada ao plano alimentar proposto, sobrepondo-se ao tipo de dieta seguida. 
Além disso, o acompanhamento contínuo e interdisciplinar apresenta-se como 
fator relevante para se atingir a pesa ponderal, isso foi evidenciado num estudo 
realizado com mulheres pós-menopáusicas. Neste estudo, verificou-se que as 
mulheres que participaram de grupos de apoio perderam mais peso do que aquelas 
que não participaram desses grupos ao longo de dois anos de acompanhamento, 
independentemente do tipo de dieta preconizada. 
As restrições comuns aos testes clínicos de perda de peso incluem falhas na 
avaliação e manutenção da adesão às dietas propostas e variações na intensidade 
das táticas utilizadas na intervenção. O índice de abandono em geral relatado pela 
revisão de Almeida et. al. (2009) ultrapassa 25% em pelo menos um dos tipos de 
dietas. Porém, é observado que algumas condições podem reduzir a taxa de 
abandono (para aproximadamente 15%) condições como fornecer as refeições em 
uma mesma área física, no local de trabalho, apresentando cardápio variado e com 
 
 
 
 
31 
 
ajuste de acordo com os planos alimentares, além de orientações visuais para a 
escolha dos alimentos. Encontros periódicos com nutricionista também influenciam 
nesse quadro de adesão. 
O efeito das diferentes composições dietéticas em relação a macronutrientes e 
os tipos de alimentos presentes nas dietas para emagrecimento e perda de peso 
corporal ainda não possui esclarecimento definitivo. Dito isto, existe a possibilidade 
de que a redução de carboidratos ou a dieta do tipo mediterrâneo possam oferecer 
maior efeito na perda de peso do que apenas a restrição energética em si. 
No entanto, a restrição energética, sem importar os componentes da dieta, se 
mantém como a intervenção mais eficaz para a perda de peso. As condições de 
aceitabilidade e motivação com o tratamento, estratégias para acompanhamento do 
paciente, as preferências individuais em relação às dietas de emagrecimento, bem 
como as características próprias dos pacientes, necessitam ser mais bem 
evidenciados e estudados (ALMEDA et al., 2009). 
4.1 Dietas restritas em carboidratos e mediterrânea 
A revisão sistemática de Almeida et. al. (2009) demonstrou que a modificação 
dos componentes da dieta como estratégias para a perda de peso em adultos resultou 
em discreta perda ponderal, sendo a restrição energética a maior responsável pela 
perda de peso, e não a modificação dos componentes da dieta. Quanto aos resultados 
obtidos por modificação de componentes dietéticos, os que se demonstram mais 
promissores se relacionam à restrição de carboidratos e/ou ao seguimento de dieta 
do tipo mediterrânea. 
Dentre os estudos clínicos incluídos na revisão de Almeida et. al. (2009), foi 
constatada uma redução de pelo menos 5% do peso inicial nas dietas que sofreram 
restrição no consumo de energia durante o dia, independentemente da composição 
de macronutrientes. A escolha do ponto de corte de 5% para determinar a perda de 
peso adequada foi baseada na observação de que a redução de peso a partir de 5% 
do peso inicial é capaz de melhorar fatores de risco cardiovascular relacionados à 
obesidade, como a hipertensão arterial e o diabetes. 
 
 
 
 
32 
 
Os estudos analisados por Almeida et. al. (2009) mostraram ainda que uma 
dieta com menos carboidratos e mais proteínas e gorduras pode ser uma boa opção 
para perder peso e promover efeitos metabólicos positivos. Na mesma revisão, houve 
também um estudo recente que demonstrou maior perda de peso depois de dois anos 
em protocolo de dietas restritas em carboidratos ou mediterrâneas com restrição 
calórica quando comparadas a dietas com apenas restrição calórica. 
Esta observação evidencia uma vantagem da dieta com baixo teor de 
carboidratos em relação às outras. É importante salientar a dificuldade de se manter 
uma dieta com restrição de carboidratos, provavelmente devido às preferências 
alimentares individuais. Nesse aspecto, já se observou que a chance dos indivíduos 
em dieta restrita em carboidratos abandonarem a dieta é de 80% maior em 
comparação com indivíduos em dietas com restrição lipídica. Um ponto interessante 
é que as pessoas que abandonaram a dieta restrita em carboidrato, o fizeram nos 
primeiros seis meses de, e após 12 meses a diferença em relação à desistência dos 
protocolos dietéticos deixou de ser significativa, podendo se concluir que, ou a pessoa 
desiste de forma precoce da dieta, ou ela mantém a aderência ao plano alimentar. 
Almeida et. al. (2009) avaliou que a maioria dos estudos que avaliou dietas com 
baixo IG ou CG não demonstrou benefícios para a perda de peso ao longo do tempo. 
No entanto, as perdas de seguimento foram altas, quando comparadas as dietas que 
não diferiram somente no IG, alguns desses estudos colocaram a perda de peso como 
desfecho secundário, além disso, eles também tiveram diferenças entre si na forma 
de prescrever e nos valores de IG das dietas, isto pode ter contribuído para os 
resultados negativos. 
Dos estudos referidos acima, apenas um estratificou os participantes conforme 
o grau de insulinemia, este demonstrou maior perda de peso pelos pacientes com 
valores maiores de insulinemiaque adotaram a dieta de baixa CG em comparação à 
dieta com restrição de gordura, apontando uma possível interação entre dieta e 
fenótipo envolvendo a secreção de insulina. 
A dieta mediterrânea tem se associado a benefícios cardiovasculares. Esta 
dieta tem ingestão moderada de gorduras (rica em ácidos graxos monoinsaturados) e 
é apontada como alternativa para a perda de peso por diversos estudos. É relevante 
salientar que a manutenção de uma dieta do tipo mediterrâneo pode ser inviável para 
 
 
 
 
33 
 
indivíduos com menor renda ou devido a diferenças significativas nos alimentos 
recomendados em relação aos hábitos alimentares e culturais das comunidades. Além 
disso, há a influência de outros fatores ambientais, como o nível de atividade física 
dos habitantes da região mediterrânea. Segue tabela com os componentes da dieta 
mediterrânea (ALMEDA et. al., 2009). 
Tabela 6 - principais componentes da dieta mediterrânea 
 
Fonte: Almeida, et. al., 2009. 
4.2 Substituição de refeições 
O uso de substituição de refeições como alternativa para perda de peso não se 
mostra com mais eficácia do que a restrição energética em si. Porém, um ponto 
importante a ser destacado nesse modelo de tratamento dietoterápico, é que ele 
possivelmente está relacionado a maior nível de adesão. Analisando pacientes com 
DM tipo 2 quando realizada a substituição de aproximadamente metade das refeições 
por alimentos com IG baixo e derivados de soja, essa dieta teve adesão superior 
(57,4%) em comparação à dieta controle (29,3%) (ALMEDA et. al., 2009). 
4.3 Jejum intermitente 
O jejum intermitente (JI) pode ser uma conduta dietoterápica adotada para o 
emagrecimento. As categorias jejum de dia alternativo, jejum de dia inteiro e 
 
 
 
 
34 
 
alimentação com restrição de tempo, englobam a maioria dos protocolos de JI (LIMA 
et. al., 2019). 
4.3.1 Jejum de dia alternativo 
O jejum de dia alternativo é composto por uma alternação de dias de jejum, nos 
quais as calorias não são ingeridas, e dias de alimentação, com o consumo de 
alimentos e bebidas ad libitum. O jejum alternativo com ingestão calórica zero nos dias 
de jejum, e com alimentação à vontade nos dias de alimentação, apresenta resultados 
semelhantes à restrição energética em adultos com sobrepeso e obesidade, na perda 
ponderal e na composição corporal depois de oito semanas de acompanhamento, o 
que sugere que o jejum seja uma boa alternativa para perda de peso. 
Houve um estudo que avaliou se o jejum de dia alternativo pode causar 
alterações significativas na expressão de biomarcadores em seres humanos. Foi 
observado um aumento expressivo de hormônio do crescimento humano, 
hemoglobina, glóbulos vermelhos, hematócrito, colesterol total e Lipoproteína de Alta 
Densidade (HDL) e diminuiu o triacilglicerol, bicarbonato e peso em comparação com 
um dia de alimentação habitual. Após o estudo, todos os fatores retornaram a linha de 
base após 48 horas completas, exceto o peso e a taxa de triacilglicerol. Ou seja, ficou 
evidenciada a efetividade do jejum em dias alternativos quanto a melhora de padrões 
metabólicos a curto prazo, porém os resultados à longo prazo ainda são 
desconhecidos (LIMA et. al., 2019). 
Diversos estudos evidenciam que a ingestão em compensação nos dias de 
alimentação, para restituir o déficit calórico dos dias em jejum não ocorre, sendo assim 
a perda de peso e diminuição do percentual de gordura são resultados obtidos a partir 
deste tipo de jejum, onde observa-se também, a preservação da massa magra. Os 
dados sobre o jejum do dia alternativo sugerem que esta dieta pode resultar em uma 
redução de peso discreta e promover melhorias em determinados parâmetros 
metabólicos. Todavia, o jejum não pode ser considerado uma solução de saúde 
pública viável devido a relatos de fome extrema nos dias de jejum (LIMA et. al., 2019). 
 
 
 
 
35 
 
4.3.2 Jejum de dia inteiro 
O jejum de dia todo é talvez a forma mais simples de jejum intermitente e é 
composto basicamente por um a dois dias de jejum completo por semana, com apenas 
água e alimentação nos demais dias. Excepcionalmente, em alguns modelos, é 
permitida a ingestão alimentícia nos dias de jejum, limitando-se a 25% das 
necessidades calóricas diárias, porém esta estratégia não constatou diferença no 
peso ou composição corporal quando comparadas ao grupo controle, em que ambos 
tiveram o déficit calórico semanal equivalente durante 6 meses. Apesar de ambos os 
grupos terem resultados satisfatórios em reduções comparáveis na leptina, colesterol 
total e LDL, triglicerídeos, pressão arterial e insulina de jejum. 
Há estudos que evidenciam que dietas mediterrâneas com restrição calórica, 
ou jejum com restrição calórica, resultam em maior perda de peso e de gordura 
corporal em comparação a dietas com apenas restrição calórica (LIMA et. al., 2019). 
4.3.3 Alimentação com restrição de tempo 
A alimentação com restrição de tempo baseia-se na mesma alimentação 
habitual diária, porém são divididas em janelas (períodos), que são a janela para a 
alimentação e a janela para o jejum. Em homens com peso normal submetidos ao 
programa de alimentação com restrição habitual, onde há prescrição de jejum noturno 
de 11 horas ou mais, é possível alcançar uma perda de 1,3% do peso corporal, sem 
o aparecimento de alterações de humor significativas. 
Em mulheres saudáveis, existe um estudo que aponta que o consumo de 
apenas uma refeição por dia (100% da necessidade energética diária) pode resultar 
em uma perda de peso de 4,1% em comparação com mulheres que consumiam 
também dieta isocalórica em três refeições por dia. A dieta com uma refeição diária 
associa-se também com reduções na glicemia de jejum e melhorias no colesterol LDL 
e HDL e sem mudanças médias na tensão, raiva, depressão, confusão, vigor ou fadiga 
(LIMA et. al., 2019). 
4.3.4 Jejum intermitente em pessoas saudáveis 
O JI pode ser aplicado em pessoas com peso adequado visando melhorar a 
saúde, independentemente da perda de peso, fornecendo benefícios metabólicos, 
 
 
 
 
36 
 
como cardioproteção, redução das taxas de glicose e melhora da composição 
corporal. 
Durante a revisão sistemática de LIMA et. al. (2019), foi examinado um estudo 
que incluiu trinta e dois indivíduos saudáveis com IMC normal e excesso de peso. Eles 
foram submetidos a jejum alternativo com consumo de 25% das necessidades 
energéticas no dia de jejum e ad libitum no dia seguinte, e um grupo controle, ao 
avaliá-los, observou-se que o peso corporal diminuiu em aproximadamente 10%, 
houve redução de massa gorda, e a massa livre de gordura não sofreu alterações. 
As concentrações de triacilglicerol, leptina e Proteína C Reativa (PCR) foram 
reduzidas, em contrapartida, a partícula de LDL e adiponectina plasmática 
aumentaram. Ressaltando que os estudos são escassos e conduzidos por períodos 
pequenos, faz-se necessário a realização de pesquisas adicionais, todavia, os 
achados indicam que as concentrações de LDL e HDL, homocisteína e resistina 
permaneceram inalteradas após o tratamento, o que indica a efetividade deste jejum 
para perda de peso e cardioproteção em adultos com peso adequado ou sobrepeso. 
4.3.5 Jejum intermitente no sobrepeso e obesidade 
Existem preocupações com a perda rápida de peso associada ao jejum, pois 
pode ser em parte devido à perda de água e glicogênio, e não de gordura, podendo 
apresentar quadros de fadiga, tonturas e baixos níveis de energia. Contudo, estudos 
recentes têm demonstrado que o jejum intermitente em indivíduos obesos tem efeitos 
metabólicos positivos, contribuindo para a melhora da saúde. 
Estudos realizados com mulheres obesas apontam redução do peso corporal, 
com redução da massa gorda, massa livre de gordura, massa gordurosa visceral, taxa 
metabólica basal, leptina em jejum e insulina. Há estudos que apontam ainda redução 
significativa do peso corporal, da circunferênciada cintura, do colesterol e dos 
triglicerídeos. Além de melhoras no LDL e glicemia de jejum. Em tratamento 
acompanhado por um ano, a manutenção da perda de peso é relatada. Tanto a 
restrição calórica diária quanto o jejum intermitente apresentam melhoras na 
composição corporal e no perfil metabólico de pessoas obesas (LIMA et. al., 2019). 
 
 
 
 
37 
 
4.3.6 Considerações sobre o JI 
Apesar da eficácia da restrição de calorias na redução de peso, muitas pessoas 
consideram essa dieta difícil, já que requer uma contagem constante de calorias 
durante o dia. Dessa forma, para alguns indivíduos, o JI é mais fácil de ser seguido 
do que outros tipos de dieta e pode ser considerado uma alternativa para o combate 
à obesidade e doenças correlacionadas. Os dados atuais indicam que o uso do JI 
pode ser benéfico para a saúde em geral e para o bem-estar. Mas não há muitas 
pesquisas sobre como isso afeta a saúde de uma pessoa a longo prazo. 
Ensaios controlados randomizados de grande escala e de longo prazo serão 
necessários antes que o uso do jejum seja recomendado para fins de prevenção e 
tratamento de doenças metabólicas. Caso comprovada a eficácia em longo prazo, 
essas propostas dietoterápicas podem constituir um tratamento não-farmacológico 
promissor no que tange à melhoria da saúde, acarretando diversos benefícios à saúde 
pública (LIMA et. al., 2019). 
4.4 Exercício físico 
A OMS aponta que a inatividade física é um dos principais fatores de risco para 
a maioria das mortes por doenças crônicas. A prática de atividades físicas proporciona 
benefícios que vão além da regulação da obesidade. A atividade física exerce papel 
importante na prevenção e tratamento da doença coronariana, hipertensão arterial, 
doenças musculoesqueléticas, doenças respiratórias, além de auxiliar para a 
recuperação de quadros psicológicos como estresse, ansiedade e depressão. Além 
disso, é possível aumentar a sociabilidade e os laços de convivência, entre outros 
fatores que podem contribuir para a obtenção dos objetivos relacionados à perda de 
peso (ANS, 2017). 
A OMS estabelece períodos recomendados de atividade física para as 
diferentes faixas etárias, são eles: pelo menos 60 min de atividade física de 
intensidade moderada a alta diariamente para crianças e jovens de 5 a 17 anos; para 
jovens e adultos de 18 anos ou mais recomenda-se pelo menos 150min de atividade 
física aeróbica de intensidade moderada por semana, exercício de fortalecimento 
muscular 2 dias por semana, e para indivíduos com limitação física, manter-se o mais 
 
 
 
 
38 
 
fisicamente ativo possível. Mesmo que não seja possível alcançar os níveis 
recomendados de atividade física inicialmente, a realização de atividades físicas traz 
diversos benefícios para a saúde. 
Diversas atividades do cotidiano, como o deslocamento para ir e retornar do 
trabalho, atividades domésticas, subir e descer escadas, por exemplo, influenciam na 
melhora do quadro de saúde das pessoas. As pessoas inativas devem iniciar com 
atividades de curta duração e baixa intensidade, evoluindo para volumes mais 
adequados, tais como caminhadas, danças ou tarefas domésticas, além de atividades 
vigorosas, como a corrida, a pedalada ou a natação em ritmo acelerado, a 
movimentação ou a elevação de cargas pesadas. É importante salientar que o gasto 
calórico durante as atividades físicas varia de acordo com a intensidade e duração do 
esforço e o peso corporal do indivíduo. Ademais, a prática de exercícios deve ser 
satisfatória, preferencialmente ao ar livre e em companhia de amigos ou familiares 
(ANS, 2017). 
4.4.1 Recomendações de atividade física para crianças e adolescentes 
Em consonância com a ANS (2017), a realização de exercícios todos os dias é 
importante para manter a saúde de crianças e adolescentes. As atividades devem ser 
prazerosas e adequadas ao estado de crescimento e condições individuais da criança 
adolescente. Todos devem ser ativos fisicamente, mas focar nas crianças antes dos 
dez anos pode mudar o caminho da próxima geração. 
As evidências indicam que a prática de atividades físicas durante a infância e 
adolescência contribuem para o enfrentamento da obesidade de três maneiras: A 
atividade física na infância e adolescência contribui para o equilíbrio do balanço 
energético e, em decorrência disso, na prevenção e tratamento da obesidade e de 
doenças relacionadas nesta fase da vida; jovens ativos normalmente se tornam 
adultos ativos, aumentando o gasto energético durante todo o ciclo de vida, o que 
reduz a probabilidade de desenvolverem obesidade; jovens ativos têm menos 
chances de contrair obesidade e enfermidades relacionadas ao excesso de peso na 
fase adulta. Por outro lado, a chance de jovens inativos tornarem-se indivíduos 
sedentários é de mais de 90%. 
 
 
 
 
39 
 
4.5 Tratamentos nutricionais na obesidade infantil 
O nutricionista tem um papel crucial na promoção da saúde e prevenção de 
doenças relacionadas à obesidade infantil. A avaliação nutricional, que procura avaliar 
o estado nutricional, é indispensável para o diagnóstico preciso da doença e para o 
alinhamento das estratégias adotadas para o tratamento (FERERIRA, 2022). 
Há diversas recomendações baseadas em guias e consensos que indicam a 
abordagem nutricional qualitativa como a mais adequada para o tratamento da 
obesidade infantil. O tópico principal discutido é a relevância de incentivar a família e 
as crianças a compreenderem a regulação da fome e saciedade, um tópico que muitas 
vezes não é compreendido de forma adequada, mas é fundamental no contexto da 
obesidade. Além disso, as orientações devem ser fundamentadas nas mudanças de 
estilo de vida familiar para o tratamento adequado da doença, com a participação ativa 
dos pais e outros membros da família como um fator relevante para o alcance de 
resultados positivos, bem como a adoção de medidas preventivas para diminuir o 
número de crianças com obesidade (FERERIRA, 2022). 
A Sociedade Brasileira de Pediatria publicou, em 2019, um Manual de 
Orientação sobre a Obesidade na Infância e Adolescência e recomendou o tratamento 
desta patologia em 4 estágios para o controle do peso em crianças. O estágio 1 diz 
respeito à inclusão de atividades físicas e dieta, que deve conter o aumento do 
consumo de frutas e vegetais e limitar as atividades sedentárias, como o uso de 
tecnologias por longos períodos. Se houver melhorias no IMC entre 3 e 6 meses, deve-
se prosseguir para o próximo estágio (FERERIRA, 2022). 
No segundo estágio, é indicada uma dieta equilibrada, com aumento na 
ingestão de alimentos com baixa densidade calórica, uso de recordatório alimentar e 
acompanhamento mensal de nutricionista, além de atividades físicas supervisionadas 
e monitoramento do uso de telas. É permitido utilizar telas por 1 hora ou menos. 
Após analisar os riscos à saúde do paciente, a idade e a motivação, prosseguir 
para o estágio 3, no qual adota estratégias comportamentais e tem maior proximidade 
com outros profissionais da saúde, como assistente social e psicólogo. Além disso, 
nesta fase, a criança deve ser acompanhada semanalmente nas primeiras 8 a 12 
 
 
 
 
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semanas e ter um envolvimento multidisciplinar no tratamento, sendo necessária a 
presença mais efetiva dos pais quando as crianças possuírem menos de 12 anos. 
O fracasso nos estágios anteriores leva a criança para o estágio 4, que seria o 
último estágio. Nesta fase, a criança precisa ser submetida a protocolos clínicos em 
unidades de centro pediátrico com acompanhamento multiprofissional, utilizando 
medicamentos e, em algumas situações, passando por cirurgias. A redução de peso 
deve ser uma técnica bem planejada, que deve ser calculada com base na faixa etária 
da criança, na gravidade da enfermidade e na presença de doenças associadas 
(FERERIRA, 2022). 
Em crianças com obesidade leve, manter o peso pode ser uma meta a ser 
considerada,

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