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trat restaurador atraumatico

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lesão de cárie, sendo uma das suas principais utilizações, seu uso no âmbito da saúde pública, 
devido ao seu baixo custo. Além disso, não há qualquer risco se o gel entrar em contato com 
tecidos moles bucais, pois o mesmo não é tóxico, como comprovado nos inúmeros testes 
realizados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 DISCUSSÃO 
 
A já comprovada eficácia do ART, em cumprir com excelência a missão a que se 
destina, que é levar a prevenção às regiões em que esta não se faz presente pela dificuldade de 
acesso ou por escassez de recursos no provimento de atendimento odontológico dentro da 
filosofia de promoção de saúde, nos leva a crer que esta técnica, que apresenta baixo custo e 
ampla cobertura, o conceito mais moderno de saúde pública, deveria ser adotada de forma 
mais abrangente no nosso país, onde existem várias regiões que não possuem infra-estruturas 
básicas de saúde à população. 
Em resumo, todos os dados disponíveis tendem a mostrar a eficácia, aplicabilidade, 
baixo custo e fácil manuseio da técnica. Importante salientar que o ART é apenas um 
componente do tratamento de saúde bucal, o qual deve sempre começar com mensagens de 
promoção de saúde sobre dieta prudente e ótima higiene oral. Tratamento este desenvolvido 
para atender milhões de pessoas de países em desenvolvimento e grupos específicos como 
refugiados e comunidades carentes, as quais estão impossibilitadas de obter tratamento 
dentário restaurador convencional. 
Nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) o TRA tem sido indicado como 
tratamento de escolha para procedimentos clínicos em saúde bucal. Portanto faz-se necessária 
uma avaliação de sua aplicabilidade nas condições encontradas no desenvolvimento de 
atividades em comunidades indígenas, assim como suas vantagens e desvantagens. 
Lima (2003), realizou uma análise das Ações de Saúde Bucal desenvolvidas no DSEI 
Parintins, e entrevistas com os índios usuários a fim de avaliar sua compreensão e satisfação 
com o tratamento realizado. 
Os seguintes objetivos foram traçados: 
− Verificar a viabilidade da execução do TRA nas comunidades indígenas do DSEI 
Parintins; 
− Verificar a adesão do paciente ao TRA. 
Desde que a técnica passou a ser utilizada nas comunidades, em 2002, foi observado 
pela equipe um aumento crescente no número de indígenas que receberam restaurações. Em 
2002 foram realizadas em nove viagens às aldeias 1.723 restaurações e em 2003 foram 1.199 
restaurações realizadas em seis viagens. 
Foram realizadas entrevistas com 22 indígenas das comunidades de Nova Alegria, 
Vila da Paz, Ponta Alegre, Molongotuba, Simão, Escola Agrícola São Pedro e Vila Nova. 
Todos os entrevistados relataram ter gostado do tratamento restaurador atraumático e 
conseguiram mastigar normalmente com o dente tratado. 
Dos 22 entrevistados, 17 relataram que fazer o tratamento restaurador atraumático é 
melhor que “arrancar” o dente. 
De acordo com as respostas colhidas no questionário, observou-se que 100% de do 
entrevistados estavam satisfeitos com a restauração feita utilizando-se o TRA e relataram 
estar satisfeitos com o tratamento realizado, dizendo ainda quererem que os odontólogos do 
DSEI continuem realizando o tratamento em área indígena. 
Houve resistência por parte dos indígenas no começo da aplicação da técnica TRA, 
pois eles associavam o ART à técnica de adequação do meio bucal feita com cimento de 
óxido de zinco e eugenol, que possui baixa resistência e que era usado na rotina de trabalho 
até 2001. Como era utilizado óxido de zinco e eugenol, as restaurações eram pouco duráveis e 
como a visitas da equipe odontológica eram de 3 em 3 meses ou até de 4 em 4 meses, muitos 
pacientes ficavam com a cavidade exposta e com grau variado de incômodo, fazendo com 
que, ao retorno da equipe, eles não quisessem mais que colocasse a “massinha branca” e sim 
“tirar” o dente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 CONCLUSÃO 
 
Extensivos estudos comprovaram o sucesso na aplicabilidade, eficácia e 
funcionalidade da técnica do ART como tratamento odontológico preventivo restaurador. 
O ART tem sido um sucesso pela sua utilização em milhões de pessoas de países em 
desenvolvimento que são incapazes de obter tratamento dentário convencional ou residem em 
locais que não possuem infra-estrutura adequada à instalação de equipamento odontológico 
elétrico e que, por isso, atualmente não têm acesso ao tratamento odontológico. Esse sucesso 
também é devido à utilização do material, cimento de ionômero de vidro, pelas suas 
propriedades de adesão química ao esmalte, dentina e cemento, pela sua biocompatibilidade, 
durabilidade, liberação contínua de flúor, atuando positivamente sobre a microbiota bucal e a 
dentina remanescente. 
Endossada por diversos autores de vários países e pela própria OMS, não resta dúvida 
de que o ART é uma técnica que tem sua indicação, como prevenção em odontologia, 
principalmente nos estados e cidades brasileiros mais carentes de recursos financeiros 
destinados à saúde, impedindo assim que as pessoas que habitam estas regiões tenham que 
conviver com a morbidade causada pela doença cárie, que rebaixa ainda mais a sua qualidade 
de vida. 
O grande número de estudos sobre ART confirmou a sua aplicabilidade. Por ser uma 
técnica manual de remoção de tecido dental cariado, não exige infra-estrutura voltada ao 
atendimento odontológico, equipamentos elétricos e sofisticados sistemas restauradores. 
No estudo de Lima (2003), sobre a aplicabilidade do ART nas comunidades indígenas 
Sateré – Mawé do Rio Andirá, concluiu-se que é viável a realização de ART em comunidades 
indígenas, devido às vantagens de sua aplicação nas condições de infra-estrutura encontrada 
nessas regiões, em comparação com técnicas tradicionais de restauração, como amálgama e 
resinas, que necessitam de energia elétrica, por exemplo. 
Após quase dois anos de utilização da ART na área indígena, está havendo um maior 
numero de pacientes a procura da equipe odontológica para “obturar” o dente e não mais 
“tirar” o mesmo. 
Como 100% dos entrevistados aprovaram a nova técnica podemos concluir que há 
uma ótima aceitabilidade por parte dos indígenas, o que ajuda na aplicabilidade da técnica. 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
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