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AULA 5 COMPLIANCE DIGITAL E GOVERNANÇA CORPORATIVA Prof. Felipe Santos Ribas 2 INTRODUÇÃO A Lei n. 13.709 de 2018, denominada Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que entrou em vigor no ano de 2020, é um tema de grande relevância no Brasil, uma vez que vem acompanhado de preocupações ao redor de adaptações das empresas que realizam tratamento de dados pessoais para fins comerciais. Devido às interconexões entre o Compliance e a Governança Corporativa, será exposto como funciona a gestão de riscos de um programa efetivo de Compliance Digital, procurando abordar questões práticas ligadas ao risco do tratamento de dados pessoais, desde a coleta até a sua eliminação. TEMA 1 – A RELAÇÃO ENTRE O COMPLIANCE E A PROTEÇÃO DE DADOS PESSOAIS Com a entrada em vigor da Lei n. 13.709, de 14 agosto de 2018, as organizações se viram obrigadas a estruturar um programa de tratamento de dados pessoais, com plano de gerenciamento de dados que possua regras de boas práticas, mitigação de riscos das informações e normas de segurança integrados a um programa de Compliance. O Compliance relaciona-se com o cumprimento de leis e normas, mas também corresponde aos esforços com intuito de fazer com que as empresas e seus membros adotem comportamentos desejáveis e éticos (Carvalho et al., 2019). Portanto, “estar em compliance” é estar em conformidade com o ordenamento jurídico, é estar em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Além dos prejuízos financeiros decorrentes das sanções administrativas (ex: multas elevadas) e dos processos de indenizatórios, o descumprimento da LGPD pode trazer riscos reputacionais para a organização que, ao fim e ao cabo, terão reflexos patrimoniais. De acordo com a Febraban, oito em cada dez empresas do país não estão preparadas para cumprir com os requisitos da referida lei, o que causa grande preocupação para os negócios, uma vez que as organizações podem perder a sua credibilidade, somar prejuízos e consequentemente ter dificuldades de se manter no mercado. Alguns dos desafios para atender aos requisitos da lei são (Noomisblog, 3 2019): • Custos e restrições orçamentárias; • A criação de uma metodologia eficiente de gestão de riscos; • A falta de integração entre as áreas de riscos, controles, compliance e auditoria interna; • A falta de prioridade da administração; • A cultura da organização. Compreende-se o compliance de dados pessoais como um sistema, um processo para disciplinar as empresas que façam tratamento de dados a atuar com ética e em conformidade com os limites legais, preservando a privacidade dos cidadãos. Diante disso, as empresas possuem a responsabilidade de auferir as informações recebidas exclusivamente para o seu objetivo singular e preservar tão somente o necessário (razoável) para a prestação do serviço, por exemplo: a) uma clínica odontológica, ao fazer o cadastro de um novo cliente/paciente, não precisa conhecer a orientação sexual dele; b) uma operadora de telefonia celular, ao celebrar a contratação de um serviço, não precisa saber ou exigir que o seu cliente informe a cor da sua pele. Como alguns dados podem ser repassados para terceiros, para fins diversos que vão além de um marketing invasivo, a LGPD preocupa-se com o grau de honestidade das organizações que recebem, cadastram e tratam dados pessoais. Luciana Bacci (2019), ao comentar a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, explica que: O crescente uso e valor comercial dos dados pessoais sensíveis, seu compartilhamento entre jurisdições legais e o aumento da complexidade nos sistemas de informação e comunicação são fatores que podem dificultar os processos das empresas na hora de garantir a privacidade e alcançar a conformidade com as várias leis aplicáveis. [...] Neste sentido, a proteção de dados pessoais pode ser entendida como o aspecto dos sistemas de tecnologia da informação e comunicação que está relacionado com a habilidade de um indivíduo ter ciência e, em alguns casos, controle sobre quais dados em um sistema computadorizado são utilizados ou mesmo compartilhados com terceiros. Quando o assunto é proteção de dados pessoais, temos que reforçar quem são os principais atores da privacidade: o titular do dado pessoal, o controlador do dado pessoal e o operador do dado pessoal. Com efeito, hoje vivemos na sociedade da informação e num contexto de virtualização da informação. Antigamente, o acúmulo, a preservação e o 4 tratamento da informação aconteciam em meios físicos, materiais, como por exemplo um caderno, um livro, um ficheiro etc. Hoje, os dados estão quase que exclusivamente em meio digital, armazenado em computadores. Esse cenário cria um leque de oportunidades para o armazenador de informações, que pode realizar negócios com os dados pessoais de terceiros. É por isso que se diz que hoje vivemos na era da informação e sob o manto da economia da informação. Mas como dito acima, essas possibilidades também trazem malefícios para os titulares dos dados, que têm a sua privacidade invadida e, em alguns casos, a segurança comprometida. Aqui está o racional da LGPD ao impor uma série de limites para as empresas e organizações (públicas e privadas) que fazem tratamento de dados. Além disso, segundo Bacci (2019), “o titular do dado pessoal deve conhecer e exercer os seus direitos garantidos por lei aplicável com ênfase na consciência ao fornecer seus dados pessoais a controladores e/ou operadores com diligência”. Nesse sentido, deve haver transparência por parte do administrador dos dados e liberdade de decisão por parte do titular. É dever do controlador possuir “mecanismos para identificar, avaliar e mitigar os riscos associados à privacidade do titular do dado pessoal, implementando controles que os protejam e assegurem que o tratamento se dará em conformidade com a lei” (Bacci, 2019). A existência de um canal de denúncias é um dos pilares fundamentais em um programa de Compliance, pois este abrange o descumprimento de leis e regras de condutas das organizações. Mas trata-se de um instrumento que também pode auxiliar no tratamento de dados, como bem elucida Isabel Franco (2019, p. 339): Diante dos diferentes formatos para um canal de denúncias, diversas serão, também, as abordagens dadas ao tratamento de dados e as responsabilidades dos agentes envolvidos. Quando uma empresa recebe as denúncias dentro de sua própria estrutura, por mecanismos próprios, agirá como controladora (aquela a quem, nos termos do art. 5º, VI, da LGPD, competem as decisões referentes ao tratamento dos dados). Caso o processo de coleta das denúncias ocorra por intermédio de uma consultoria externa, que trata os dados em nome da empresa, estaremos diante de uma operadora. Neste ponto, importante consignar que a LGPD estabelece que controladores e operadores serão obrigados a reparar danos causados em razão da atividade de tratamento, e que a responsabilidade será solidária não apenas quando houver o descumprimento das obrigações da legislação de proteção de dados, mas, também, quando o operador não seguir as instruções determinadas pelo controlador. É dizer: caso a consultoria externa opte por não seguir as recomendações dadas pela corporação no tocante à implantação do canal de denúncias e a seu formato de operação, e em se verificando um incidente de segurança oriundo daquele descumprimento, a consultoria externa poderá ser responsabilizada. 5 Além disso, as investigações corporativas dentro de um programa de Compliance também devem estar alinhados às balizas e valores da LGPD, para que os dados coletados nas organizações cumpram sua finalidade e sejam mantidos em sigilos. Dessa forma, em consonância com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, toda empresa deve considerar as consequências e o riscos de uma má proteção dedados, bem como da harmonização de procedimentos e políticas de Compliance com base em avaliações transparentes e eficazes para garantir confiança entre as partes. Assim, o programa de Compliance e a LGPD são institutos comunicantes e que merecem uma especial atenção da administração das organizações, pois eles podem mitigar riscos financeiros, reputacionais e até mesmo criminais. TEMA 2 – GESTÃO DE RISCOS: ABORDAGEM CONCEITUAL Ao versar sobre riscos, estamos diante de variáveis que, para a atividade empresarial, denotam de compreensão na gestão de negócios, para que as empresas se mantenham no mercado. A competição é um exemplo de variável que deve ser considerada. O ambiente público também não está imune a riscos. Não é incomum vermos servidores e gestores públicos serem condenados por ações de improbidade, ressarcimento de danos e até mesmo em processos criminais. Por isso, o planejamento é o momento em que se deve antecipar os riscos, bem como estabelecer objetivos mensuráveis como também prazos e ações definidos, para a estratégia que irão orientar a gestão de negócios. Nesse sentido, Neves e Figueiroa, citados por Carvalho et al. (2018) elucidam acerca da gestão de riscos que: Como se sabe, toda empresa, associação, entidade, fundação, enfim, toda organização é criada para atingir os objetivos estabelecidos em seus atos constitutivos e que vão sendo aprimorados paulatinamente junto ao desenvolvimento de suas atividades. Para alcançá-los de forma mais eficiente, são feitos planejamentos mais simples ou mais complexos, a depender da natureza da própria entidade. Ainda, o mapeamento de riscos (risk assessment) é instrumento que auxilia na tomada de decisão e em estratégias do negócio, com o objetivo de construir um modelo pautado por balizas objetivas, que combinado com os programas de 6 Compliance, compreende a mitigação de riscos no negócio, resultando em qualidade no tocante à finalidade e aos objetivos empresariais. Fernando Borges Mânica (2017), ao tratar da avaliação de riscos, explica que: Deve dar-se de forma ampla, englobando todos os impactos negativos vinculados à área de atuação e escalonando, objetivamente, prioridades para, a partir destas, elencar condutas interventivas continuadas. É a partir do sopesamento dos riscos inerentes à atividade exercida e da definição de metas a serem alcançadas que o código de conduta e os valores institucionais serão institucionalizados. Assim, é comum que as atividades empresariais, aqui incluindo o tratamento de dados, estejam evoluindo e se tornando cada vez mais complexas, por vezes internacionalizadas, de modo que a implementação de programas de compliance e mitigação de riscos tornam-se imprescindíveis. Entretanto, esse gerenciamento de riscos deve ser feito de maneira atrelada a um programa de integridade que, a rigor, é até mais amplo que a ideia isolada de compliance. Embora os termos compliance (conformidade) e integridade sejam tratados por alguns como sinônimos, aquele está contido neste. De acordo com o Decreto n. 8.420/2015, que regulamenta a Lei n. 12.846/2013 (Lei Anticorrupção), o programa de integridade: Consiste, no âmbito de uma pessoa jurídica, no conjunto de mecanismos e procedimentos internos de integridade, auditoria e incentivo à denúncia de irregularidades e na aplicação efetiva de códigos de ética e de conduta, políticas e diretrizes com objetivo de detectar e sanar desvios, fraudes, irregularidades e atos ilícitos praticados contra a administração pública, nacional ou estrangeira. Mas um dos principais instrumentos do programa de integridade é justamente o gerenciamento de riscos, ou seja, a gestão de qualquer evento (oportunidade ou ameaça) que possa ter impacto no cumprimento dos objetivos da organização. E não são apenas riscos financeiros; sim, riscos reputacionais, ambientais ou sociais também devem ser gerenciados. Por exemplo, uma startup sofre um ataque hacker que expõe dezenas de milhares de dados dos seus clientes. De um modo geral, o gerenciamento de riscos é um processo que compreende a identificação, avaliação e tratamento ou aceitação do risco pela alta administração da organização. Com efeito, há alguns riscos que não podem ser completamente isolados, exigindo que os administradores, em consonância com o seu “apetite de risco”, decidam se vão aceitar ou não conviver com o evento. 7 TEMA 3 – MODELO COSO DE GERENCIAMENTO DE RISCOS CORPORATIVOS O Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission (COSO) possui projetos que buscam avaliar e melhorar o gerenciamento de riscos nas empresas. A COSO é uma organização privada norte-americana, sem fins lucrativos, que tem a finalidade estruturar métodos para prevenir fraudes internas. Foi criada em 1985 como National Commission on Fraudulent Financial Reporting (Comissão Nacional sobre Fraudes em Relatórios Financeiros) nos EUA, para estudar fraudes contábeis, e somente na década de 90 se tornou a COSO. Segundo a COSO (2013): Ao avaliar riscos, a administração considera o composto dos futuros eventos em potencial pertinentes à organização e às suas atividades no contexto das questões que dão forma ao perfil de riscos, como tamanho da organização, complexidade das operações e grau de regulamentação de suas atividades. Ao avaliar riscos, a administração leva em consideração eventos previstos e imprevistos. Muitos eventos são rotineiros e recorrentes e já foram abordados nos programas de gestão e orçamentos operacionais, enquanto que outros são imprevistos. A administração avalia os riscos em potencial de eventos imprevistos e, caso ainda não tenha feito essa avaliação, até os previstos que podem causar um impacto significativo na organização. Embora o termo “avaliação de riscos” tenha sido usado em conexão com uma atividade realizada, uma única vez, no contexto de “avaliação de riscos corporativos”, o componente de “avaliação de riscos” é uma interação contínua e repetida das ações que ocorrem em toda a organização. O modelo COSO sugere uma estrutura integrada de controles internos, segregada em 8 componentes e 4 objetivos de controle, representada por um Cubo, que ilustra todas as dimensões do controle. Há uma interconexão entre os componentes e objetivos corporativos. Para que a alta administração possa tomar decisões sobre questões que apresentem elevados riscos, é preciso que o gerenciamento de riscos seja eficaz e que todos esses elementos tenham sido profundamente avaliados pela área de gestão de riscos. TEMA 4 – PRINCIPAIS RISCOS CORPORATIVOS A gestão de riscos não é gratuita. Tanto para o processamento e o armazenamento de informações como para a estruturação de equipes multidisciplinares, para analisar as informações corporativas e aprimorar e revisar 8 os programas de forma eficaz, evoluindo com o tempo, são necessários investimentos. Mas é um custo positivo, pois serve para atenuar prejuízos. Edmo Colnaghi Neves e Caio Cesar Figueiroa (citados por Carvalho et al.) argumentam que a área de gestão de riscos pode surgir por solicitação do conselho de administração, o mais comum, mas também como iniciativa de outros departamentos, como o financeiro, por exemplo. A implementação da gestão de riscos se dá de forma progressiva, com o empoderamento da área e o desenho do processo. Muitas empresas, após implementar a área de gestão de riscos, criam um comitê executivo que fará os reportes junto à alta administração, que tem a palavra final sobre os assuntos levados para deliberação. Nesse sentido, é bastante comum que os administradores solicitem medidas complementares ao simples tratamento do risco. Por exemplo: se a área de riscos identificar possíveis prejuízos decorrentes de fraudes contratuais internas, os administradores podem solicitar que a auditoria instaure uma investigação interna. É preciso destacar,finalmente, que grande parte dos riscos são comuns para qualquer empresa comercial, senão vejamos: • Riscos operacionais: Risco de terceirização de serviços; Risco de conformidade (fraude, desvio de dinheiro, descumprimento de regras e protocolos internos etc.); Risco de mudança no ambiente tecnológico ou de sistema; Risco de informação (falta) e de segurança da informação (sigilo/restrição); Risco contratual ou de contencioso (judicialização de demandas, ex.: trabalhistas, indenizatórias etc.); Risco de falha humana ou de indisponibilidade de pessoal especializado; • Riscos Financeiros: Risco de crédito e Risco de Liquidez (fluxo de caixa); • Riscos Estratégicos: Risco regulatório; Risco de imagem ou reputacionais; Os litígios judiciais estão cada vez mais presentes na área corporativa, sendo que as pessoas estão gradativamente mais conscientes da invasão da sua privacidade e intimidade, o que exige uma cautela por parte das empresas que fazem tratamento de dados. Dessa forma, como cada organização possui várias áreas, a gestão de riscos deve se comunicar com as demais áreas das empresas, para que todas caminhem juntas com a mesma finalidade, planejamento e objetivo, fazendo 9 assim com que haja redução de custos, melhorias de qualidade na gestão das empresas e incontáveis benefícios. Para finalizar, cabe esclarecer que um programa de integridade existe também para proteger a empresa e os funcionários de eventos imprevisíveis. A aplicação eficaz de compliance pode evitar que as pessoas se envolvam em condutas ilícitas e, na mesma medida, um tratamento sério de riscos, com processos e metodologias bem definidas, pode mitigar riscos para essas pessoas. Dessa forma, empregar um programa de integridade, com uma boa gestão de riscos, é aspecto crucial para as organizações asseverarem lisura e segurança nas relações com os clientes. TEMA 5 – METODOLOGIA DE AVALIAÇÃO DE RISCOS Tem-se que medidas exigentes e rigorosas não são, por si sós, apropriadas, mas sim a padronização faz com que se busque melhores resultados e melhor aproveitamento nas organizações, o que diminui os custos das operações, bem como resulta em eficácia do controle dos riscos, evitando que tanto os profissionais quanto os clientes não pratiquem ilícitos, que podem trazer sérias consequências como o comprometimento de licença profissional ou até mesmo responder processos administrativos e judiciais. Edmo Colnaghi Neves e Caio Cesar Figueiroa (citados por Carvalho et al.) assim ensinam: Diante destas preocupações, já há diversas regras internacionais – como o próprio FCPA e o UK Bribery Act – fixando regras para auditoria de clientes que deverão ser previamente operacionalizadas à execução dos serviços. Dentre elas, pode-se destacar a identificação completa do cliente e dos serviços prestados, tudo com o objetivo de prevenir a lavagem de dinheiro. A nova proposta do risk based approach, portanto, aprimora as principais regulamentações internacionais observadas a partir da ideia de ganhos de efetividade durante a gestão e controle de riscos. Ao identificar os riscos, estes são decorrentes de descumprimentos de políticas de Compliance, regulamentos, leis e código de condutas, em que os canais de denúncias são um dos mecanismos de prevenção, por meio do quais tanto os funcionários quanto os clientes podem se valer dessa ferramenta. Quando as empresas se valem de programas de Compliance, inúmeras são as formas de mitigar possíveis riscos, como relatórios periódicos na empresa, responsabilização, relatórios de processos judiciais, equipes multidisciplinares para análise de informações, entre outras, que vão depender de cada empresa. 10 O Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission (COSO) apresenta alguns métodos para a avaliação de riscos, veja- se: A metodologia de avaliação de riscos de uma organização inclui uma combinação de técnicas qualitativas e quantitativas. Geralmente, a administração emprega técnicas qualitativas de avaliação se os riscos não se prestam a quantificação, ou se não há dados em quantidade suficiente para a realização das avaliações quantitativas, ou, ainda, se a relação custo-benefício para obtenção e análise de dados não for viável. Tipicamente, as técnicas quantitativas emprestam maior precisão e são utilizadas em atividades mais complexas e sofisticadas para suplementar as técnicas qualitativas. As técnicas quantitativas de avaliação geralmente requerem mais esforço e rigor, muitas vezes utilizando modelos matemáticos não triviais. As técnicas quantitativas dependem sobremaneira da qualidade dos dados e das premissas adotadas e são mais relevantes para exposições que apresentem um histórico conhecido, uma freqüência de sua variabilidade e permitam uma previsão confiável. (2013) Dessa forma, para se ter uma gestão de riscos efetiva, necessária se faz uma governança eficaz para prevenir as atividades de gestão de riscos, uma vez que estas se complementam. Portanto, a gestão de riscos manifesta-se como um plano para dirimir ilegalidades e conflitos que possam existir nas organizações. Na prática, o gestor de riscos primeiramente identifica o evento incerto que, se ocorrer, pode provocar um impacto negativo à empresa. Aproveitando a oportunidade, deve-se destacar, também, que a situação incerta pode trazer um impacto positivo para a organização, como, por exemplo, quando se está diante de uma fusão com outra empresa. Na sequência, esse risco deve ser tratado e monitorado. O gestor deve sempre se esforçar para que os impactos negativos nunca ocorram e, por outro lado, para que os impactos se realizem o quanto antes. Se conseguir atingir esses objetivos, o gestor consegue proteger a empresa ou projeto, gerar valor para a empresa ou projeto e facilitar a tomada de decisões pela alta administração. CONCLUSÃO Os padrões para a efetivação do Compliance consistem em valores, culturas e em hábitos cotidianos, os quais serão viabilizados por meio da formação de um programa efetivo, em que a meta é tolher atos ilícitos e corruptivos preventivamente. É fundamental a implementação de um programa de integridade, que crie mecanismos de prevenção para um melhor desempenho das organizações, 11 evitando riscos de negócios e mecanismos para o fortalecimento desse sistema. E, por óbvio, é essencial o comprometimento da alta gestão nas organizações para que os empregados entendam a importância da proteção dos dados para a organização como um todo. Conquanto o Brasil possua diversas normas que cuidam parcialmente do tema, a LGPD é a primeira lei federal inerente a proteção de dados pessoais. Os administradores não estavam adaptados a trabalhar com esse tema. Por esse motivo é que se deve construir uma cultura e difundir as boas práticas para que a lei seja determinante. Toda a organização precisa ser treinada. O controle de dados pessoais deve ser efetuado pelas organizações com o escopo de preservar a privacidade de cada indivíduo, pois eventuais falhas na garantia desses dados podem fomentar graves consequências financeiras e de imagem para as empresas. Por conseguinte, um robusto programa de Compliance Digital, com uma boa gestão de riscos, pode ser decisivo para a perenidade das corporações. 12 REFERÊNCIAS 84% das Empresas não estão Prontas para Proteger Dados Pessoais. Noomisblog, 25 nov. 2019. Disponível em: . Acesso em: 29 jun. 2021. BRASIL. Decreto n. 8.420, de 18 de março de 2015. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 19 mar. 2051. BACCI, L. Boas práticas de proteção de dados pessoais e o pratique ou explique. IBGC, 25 set. 2019. Disponível em: Acesso em: 29 jun. 2021.COSO. Releases Internal Control – Integrated Framework (2013). Disponível em: Acesso em: 29 jun. 2021. FRANCO, I. Guia Prático de Compliance. Rio de Janeiro: Editora Forense, 2019. MÂNICA, F. Prestação de serviços de assistência à saúde pelos municípios. Belo Horizonte: Editora Fórum, 2017. MENDES, L. S. Privacidade, proteção de dados e defesa do consumidor. São Paulo: Editora Saraiva, 2014. NEVES, E. C.; FIGUEIROA, C. C. In: CARVALHO, A. C. et al. (Coord.). Manual de Compliance. São Paulo: Editora Forense, 2018. p. 20-34. PINHEIRO, P. P. Proteção de Dados Pessoais: Comentários à Lei n. 13.709/2018 (LGPD). São Paulo: Editora Saraiva, 2018 SCHREIBER, A. Direitos da personalidade. São Paulo: Editora Atlas, 2011.