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CURSO: GESTÃO AMBIENTAL E 
RESPONSABILIDADE SOCIAL 
2 
 
 
 
APRESENTAÇÃO 
 
 
A Gestão Ambiental visa ordenar as atividades humanas para que estas gerem o 
menor impacto possível sobre o meio, observando desde a escolha das melhores 
técnicas até o cumprimento da legislação e a alocação correta de recursos humanos e 
financeiros. 
O objetivo do curso é contribuir para que vocês tenham informações e 
conhecimento básico sobre as questões ambientais, ressaltando que o curso não irá 
aprofundar em aspectos técnicos científicos de gestão ambiental. 
3 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
 
1. O QUE É ECOLOGIA E MEIO AMBIENTE 04 
2. ECOSSITEMAS BRASILEIROS 09 
3. CRISE AMBIENTAL 12 
4. O MOVIMENTO ECOLÓGICO 16 
5. ELEMENTOS DA POLÍTICA AMBIENTAL E INSTRUMENTOS 
DE REGULAÇÃO E CONTROLE 
17 
6. AUDITORIAS AMBIENTAIS 29 
7. ECONOMIA ECOLÓGICA 30 
8. SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL (SGA) 31 
9. O QUE É RESPONSABILIDADE SOCIAL 33 
10. RELATÓRIOS AMBIENTAIS E DE SUSTENTABILIDADE 41 
11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 42 
4 
 
 
 
APOSTILA DO CURSO DE GESTÃO AMBIENTAL E RESPONSABILIDADE SOCIAL 
 
 
1. O QUE É ECOLOGIA E MEIO AMBIENTE 
A Ecologia é a especialidade da biologia que estuda o meio ambiente e os seres 
vivos que vivem nele, ou seja, é o estudo científico da distribuição e abundância dos seres 
vivos e das interações que determinam a sua distribuição. As interações podem ser entre 
seres vivos e/ou com o meio ambiente. 
Ecologia é uma ciência complexa que nos permite entender como os seres 
vivos relacionam-se uns com os outros e com o ambiente em que vivem. Ao estudar 
ecologia podemos compreender melhor a importância de cada espécie do planeta e 
como o ambiente influencia na distribuição e na abundância das diferentes espécies. Ao 
entendermos essas relações, fica mais claro também a importância de preservamos o 
meio ambiente. 
A palavra ecologia é derivada de duas palavras gregas: oikós e logos, que 
significam, respectivamente, “casa” e “estudo”. Podemos concluir, desse modo, que 
ecologia seria o estudo do local em que os seres vivos vivem, entretanto, essa parte da 
biologia é muito mais complexa. Uma forma melhor de definir a ecologia seria: 
 
Na ecologia, um organismo não será analisado em todos esses níveis, sendo 
alguns deles exclusivos de outras áreas da biologia. Em ecologia, os níveis de 
organização tratados são: organismo, populações, comunidades, ecossistemas e 
biosfera. 
 Organismo: é um indivíduo de uma determinada espécie.
 População: é um termo usado para referir-se a indivíduos de uma mesma 
espécie, que vivem num determinado local e num determinado tempo. Em 
uma população, há a troca de material genético entre os indivíduos.
5 
 
 
 
 Comunidade: é um termo utilizado para referir-se ao conjunto de populações 
que vivem numa determinada área e num determinado tempo. Em uma 
comunidade, os indivíduos de diferentes espécies interagem entre si.
 
Figura 1. Fonte: Núcleo de Pós-Graduação e Extensão – FAVENI, 2020. 
 
 
 Ecossistema: refere-se ao conjunto formado pelos componentes abióticos 
(sem vida) e bióticos (seres vivos) de uma região. Esses dois componentes 
interagem entre si e garantem que ocorra o fluxo de energia e a reciclagem da 
matéria.
 Biosfera: conjunto de todos os ecossistemas do planeta, ou seja, todas as 
regiões da Terra onde há seres vivos.
 
1.1 Conceitos básicos da ecologia 
Para estudar-se ecologia, é importante ter-se conhecimento de alguns conceitos 
básicos. Além dos já estudados quando falamos sobre níveis de organização, são 
conceitos importantes: 
 Habitat: é onde uma determinada espécie vive. A zebra vive na savana africana, 
sendo está, portanto, seu habitat.
 Nicho ecológico: é o modo de vida de determinado organismo.
 Pirâmide ecológica: é a representação gráfica que reproduz os diferentes níveis 
tróficos de um ecossistema. As pirâmides ecológicas podem ser de três tipos: número, 
biomassa e energia.
 Relações ecológicas: são as interações estabelecidas entre os seres vivos. As 
relações ecológicas podem ser intraespecíficas, quando envolvem indivíduos da mesma 
espécie, e interespecíficas, quando ocorre entre indivíduos de espécies diferentes. As 
relações ecológicas podem, ainda, ser classificadas em harmônicas e desarmônicas, 
considerando-se os benefícios e malefícios advindos da interação.
6 
 
 
 
 
 
Figura 2. Fonte: Núcleo de Pós-Graduação e Extensão – FAVENI, 2020. 
 
 
 Cadeia alimentar: sequência linear pela qual a matéria e a energia são 
transferidas de um nível trófico a outro. A cadeia alimentar mostra uma sequência de 
seres vivos que servem de alimento para outros, iniciando-se com os organismos 
produtores.
 Teia alimentar: conjunto de várias cadeias alimentares interligadas. Nas teias 
alimentares, um mesmo organismo pode estar em diferentes níveis tróficos.
 Nível trófico: conjunto de organismos de um ecossistema que apresentam o 
mesmo tipo de nutrição. Todos os organismos que realizam fotossíntese, por exemplo, 
ocupam o mesmo nível trófico: os produtores. Existem três níveis tróficos principais: 
produtores, consumidores e decompositores.
 Produtores: são os organismos autotróficos, ou seja, aqueles capazes de 
sintetizar seu próprio alimento. Plantas e algas são organismos produtores.
 Consumidores: são aqueles organismos heterotróficos, incapazes de sintetizar 
seu próprio alimento, e, desse modo, precisam ingerir outros seres vivos. Os 
consumidores primários são aqueles que se alimentam dos produtores, os secundários 
alimentam-se dos consumidores primários, os terciários alimentam-se dos consumidores 
secundários, e assim sucessivamente.
 Decompositores: são organismos que realizam a decomposição, processo por 
meio da qual obtêm os nutrientes de que necessitam da matéria morta, e promovem a 
devolução de alguns compostos químicos para o ambiente.
 
1.2 - Relação sociedade e meio ambiente 
Em um ecossistema, os seres vivos relacionam-se com o ambiente físico e também 
entre si, formando o que chamamos de relações ecológicas. As relações ecológicas 
ocorrem dentro da mesma população (isto é, entre indivíduos da mesma espécie), ou 
entre populações diferentes (entre indivíduos de espécies diferentes). 
7 
 
 
 
Essas relações estabelecem-se na busca por alimento, água, espaço, abrigo, luz 
ou parceiros para reprodução. 
 
1.2.1 Relações Harmônicas (relações positivas) intraespecíficas (entre 
indivíduos da mesma espécie) 
 Sociedade (++) União permanente entre indivíduos em que há divisão de 
trabalho. Uma sociedade é composta por um grupo de indivíduos da mesma espécie que 
vivem juntos de forma permanente e cooperando entre si. 
Ex.: insetos sociais (abelhas, formigas e cupins) 
Figura 3. Fonte: Núcleo de Pós-Graduação e Extensão – FAVENI, 2020. 
 
 
 Colônia (++) Associação anatômica formando uma unidade estrutural e 
funcional. Ex.: coral, caravela. Colônia é um grupo de organismos da mesma espécie que 
formam uma entidade diferente dos organismos individuais. Por vezes, alguns destes 
indivíduos especializam-se em determinadas funções necessárias à colônia.  Colônia 
isomórfica – indivíduos com mesma forma 
Ex: coral Colônia heteromórfica – indivíduos com formas diversas. 
Ex: caravela. 
Figura 4. Fonte: Núcleo de Pós-Graduação e Extensão – FAVENI, 2020. 
 
 
1.2.2 Relações Interespecíficas (entre indivíduos de espécies diferentes) 
 Mutualismo (++) Associação obrigatória entre indivíduos, em que ambos se 
beneficiam. Ex.: líquen (fungo + cianobactéria), cupim e protozoário, micorrizas (fungos + 
raízes de plantas), ruminantes e protozoários. 
Figura 5. Fonte: Núcleo de Pós-Graduação e Extensão – FAVENI, 2020. 
8 
 
 
 
 Protocooperação (++) Associação facultativa entre indivíduos, em que ambos se 
beneficiam. Ex.: Anêmona do Mar e paguro, gado e anu (limpeza dos carrapatos), 
crocodilo africano e ave palito (higiene bucal).a assegurar que todos os seres humanos 
possam desfrutar de uma vida próspera e de plena realização pessoal, e que o 
progresso econômico, social e tecnológico ocorra em harmonia com a natureza. 
 Paz: Estamos determinados a promover sociedades pacíficas, justas e inclusivas 
que sejam livres do medo e da violência. Não pode haver desenvolvimento 
sustentável sem paz e não há paz sem desenvolvimento sustentável. 
 Parceria: Estamos determinados a mobilizar os meios necessários para 
implementar esta Agenda por meio de uma Parceria Global para o 
Desenvolvimento Sustentável revitalizada, com base num espírito de 
solidariedade global reforçada, concentrada em especial nas necessidades dos 
mais pobres e mais vulneráveis e com a participação de todos os países, todas 
as partes interessadas e todas as pessoas. 
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Os 17 objetivos sustentáveis (Figura 18) e 169 metas visam a superar barreiras- 
chave sistêmicas para o desenvolvimento sustentável, tais como a desigualdade, o 
consumo e os padrões de produção insustentáveis, infraestrutura inadequada e falta de 
empregos. A dimensão ambiental do desenvolvimento sustentável é coberta nas metas 
sobre os oceanos e recursos marinhos, bem como nas metas sobre os ecossistemas e a 
biodiversidade. 
 
 
Figura 18. Os 17 Objetivos Globais para o Desenvolvimento Sustentável Fonte: Pimentel, D. 
Gestão da Responsabilidade Social e Sustentabilidade, 2013. 
 
9.5 Gestão Socialmente Responsável 
Para que uma organização seja responsável pelos impactos de suas decisões e 
atividades sobre as partes interessadas, isto não é razão suficiente para que algumas 
empresas se responsabilizem por estes impactos. Talvez, seja esta, efetivamente, a 
diferença entre a gestão tradicional de uma empresa da gestão socialmente responsável: 
sua vontade de identificar e tratar os problemas resultantes dos impactos de suas 
decisões e atividades, a partir do respeito e consideração dos interesses das partes 
interessadas que serão afetados por suas decisões e atividades. Entre os aspectos mais 
desafiadores da gestão socialmente responsável está o reconhecimento das expectativas 
e interesses das partes interessadas em seus múltiplos relacionamentos. 
39 
 
 
 
 
 
Figura 19. Relação entre a organização e as suas partes. Fonte: ABNT NBR ISO 26000:2010. 
 
 
Neste sentido, há algumas características que também deverão ser levadas em 
consideração: 
 A gestão terá de estar em total vínculo com o negócio da empresa; 
 Deve haver um total comprometimento da alta direção 
 Por envolver partes interessadas, muitas vezes sensíveis, necessitará de uma 
gestão profissional, sem improvisações; 
 Total envolvimento da empresa na gestão das ações a serem operacionalizadas; 
 Envolverá o cumprimento total da legislação; 
 Necessitará o envolvimento formal de todas as áreas; 
 Necessitará de registros formais dos resultados e/ou avaliação das ações 
realizadas. 
 
9.6 Conscientização e Desenvolvimento de Competências para a Gestão 
Socialmente Responsável 
A responsabilidade social representa um campo de oportunidades e inovações e 
para inovar é necessário que se invista na formação de profissionais sensíveis, éticos e 
responsáveis, com visão de longo prazo, capacidade de conciliar resultados econômicos, 
sociais e ambientais, habilidade para dialogar com stakeholders, coragem para influenciar 
atitudes e comportamentos, romper paradigmas e mudar modelos de negócio; e ainda 
consciência para compreender o propósito moral e filosófico da mudança que se deve 
operar no modo de as .empresas fazerem negócios. 
No caso da gestão socialmente responsável, bons gestores aliados a ferramentas 
inovadoras são de extrema importância ao processo. 
 ACCOUNTABILITY 
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 TRANSPARÊNCIA 
 COMPORTAMENTO ÉTICO 
 RESPEITO DAS PARTES INTERESSADAS 
 RESPEITO PELO ESTADO DE DIREITO 
 RESPEITO PELAS NORMAS INTERNACIONAIS DE COMPORTAMENTO 
 RESPEITO PELOS DIREITOS HUMANOS 
 
 
Figura 20. Requisitos da norma ABNT NBR 16001 inseridos no ciclo PDCA 
Fonte: Pimentel, D. Gestão da Responsabilidade Social e Sustentabilidade, 2013. 
 
A figura acima mostra a estrutura geral da Norma. A cláusula “escopo” estabelece 
os compromissos básicos, os objetivos e as algumas considerações sobre a Norma e sua 
adoção. A cláusula “termos e definições” traz os principais conceitos para a aplicação da 
Norma. A cláusula “requisitos do sistema de gestão da responsabilidade social” é o 
coração da Norma e estabelece os elementos inter-relacionados e interativos para 
estabelecer políticas e objetivos da RS e como atingi-los. 
Política da responsabilidade social - o documento aprovado pela Alta 
Administração da organização contendo as suas intenções e diretrizes globais em relação 
à RS e que orienta os desdobramentos do SGRS. 
Planejamento - o passo inicial no planejamento do SGRS é identificar e priorizaras 
partes interessadas e entender as suas expectativas e interesses. A organização deve 
definir como vai fazer isso. 
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10. RELATÓRIOS AMBIENTAIS E DE SUSTENTABILIDADE 
 Relatório Ambiental Simplificado – RAS: são estudos relativos aos aspectos 
ambientais relacionados à localização, instalação e operação de novos 
empreendimentos, que conterá, dentre outras, as informações relativas ao 
diagnóstico ambiental da região de inserção do empreendimento, sua 
caracterização, a identificação dos impactos ambientais e das medidas de 
controle, de mitigação e de compensação.
 Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD): foi concebido para a 
recomposição de áreas degradadas pela atividade de exploração de recursos 
minerais. No entanto, tem sido utilizado para os diversos tipos de 
empreendimentos, e geralmente, é previsto no escopo dos Estudos Ambientais.
 Plano Técnico de Recomposição da Flora (PTRF): tem como objetivo a 
recomposição da flora considerando as características bióticas e abióticas da 
área, em especial as características florísticas e a fisionomia regional. É solicitado 
pelo órgão ambiental quando o empreendimento gera intervenções ou causa 
danos sobre a vegetação.
 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA): 
o Estudo de Impacto Ambiental é um estudo detalhado destinado a identificar e 
avaliar todas as alterações que determinada atividade poderá causar ao meio 
ambiente. Deve ser elaborado apenas para as atividades capazes de provocar 
impactos significativos. O Relatório de Impacto Ambiental reflete as conclusões 
do EIA e deve ser apresentado de forma clara e objetiva.
 Relatório de Controle Ambiental (RCA): é exigido pela Resolução CONAMA nº. 
010/90, na hipótese de dispensa do EIA/RIMA para a obtenção da Licença Prévia 
de atividades de extração mineral da classe II. Deve ser elaborado de acordo com 
as diretrizes estabelecidas pelo órgão ambiental competente. O RCA tem sido 
exigido por alguns órgãos de meio ambiente também para o licenciamento de 
outros tipos de atividade.
 Plano de Controle Ambiental (PCA): é exigido pela Resolução CONAMA nº. 
009/90 para a concessão da Licença de Instalação de atividade de extração 
mineral de todas as classes. O PCA é uma exigência adicional ao EIA/RIMA, 
apresentado na fase anterior à concessão da Licença Prévia. No entanto, o Plano 
de Controle Ambiental tem sido exigido, também, para o licenciamento e outros 
tipos de atividades.
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11. REFERENCIA BIBLIOGRÁFICA 
AFONSO, Cíntia Maria. Sustentabilidade: caminho ou utopia? São Paulo: Annablume, 
2006. 
 
ALMEIDA, Fernando. O bom negócio da sustentabilidade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 
2002. 
 
BARBIERI, José Carlos. Gestão Ambiental Empresarial: conceitos, modelos e 
instrumentos. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2007. 
 
BAZZO, Walter Antônio; PEREIRA, Luiz Teixeira do Vale. Introdução à Engenharia. 6 ed. 
Florianópolis: UFSC, 2000. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros 
curricularesnacionais: meio ambiente, saúde / Secretaria de Educação Fundamental. – 
Brasília: 1997. 
 
COLLARES, José Enilcio Rocha. Política ambiental e sustentabilidade na escala local. 
2004. 266f. Tese (Doutorado em Geografia) - IGEO, Universidade Federal do Rio de 
Janeiro, Rio de Janeiro, 2004. 
 
IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Vocabulário básico de recursos 
naturais e meio ambiente. Rio de Janeiro, 2004. 
 
LEFF, Enrique (Coord.). et al. A Complexidade Ambiental. Trad. Eliete Wolff. São Paulo: 
Cortez, 2003. 
 
TOWNSEND, C. R., M. BEGON E J. L. HARPER 2006. Fundamentos em Ecologia. 2ªed. 
Artmed, Porto Alegre. 
 
PRIMACK, R. B. E E. RODRIGUES 2001. Biologia da Conservação. Ed. Planta, Londrina. 
RICKLEFS, R.E. 201o. A Economia da Natureza. 6ª ed. Editora Guanabara Koogan, Rio 
de Janeiro. BEGON, M., C. R. TOWNSEND E J. L. HARPER 2007. Ecologia de Indivíduos 
a Ecossistemas. 4ªed, Artmed, Porto Alegre. (2005, 4ª ed. Blackwell, Oxford ou 3a ed., 
1996). 
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BLOCO DE NOTAS 
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53 Comensalismo (+0) Associação em que um indivíduo aproveita restos 
alimentares do outro, sem prejudicá-lo. Ex.: Tubarão e rêmoras, leão e a hiena, urubu e 
o homem 
 
 
Figura 6. Fonte: Núcleo de Pós-Graduação e Extensão – FAVENI, 2020. 
 
 
 Inquilinismo ou Epibiose (+0) Uma espécie usa a outra como abrigo, mas 
somente ela se beneficia, mas sem causar prejuízos à outra. Ex: orquídeas e bromélias 
associadas a árvores de grande porte (epifitismo), peixe-agulha e pepino-do-mar 
(epizoísmo). 
 Foresia (+0) Uma espécie transporta outra sem se beneficiar ou prejudicar. Ex: 
animais e carrapicho. 
 
1.2.3 Relações desarmônicas (relações negativas) intraespecíficas (entre 
indivíduos da mesma espécie) 
 Canibalismo (+-) Ato no qual um indivíduo alimenta-se de outro(s) da mesma 
espécie. Ex: Viúva-negra, louva-a-deus. 
Figura 7. Fonte: Núcleo de Pós-Graduação e Extensão – FAVENI, 2020. 
 
 
 Competição Intraespecífica (--) Disputa por territórios, parceiros sexuais, comida 
etc.Ex: Leões disputando território, búfalos disputando fêmeas para acasalamento. 
 
1.2.4 Relações Interespecíficas (entre indivíduos de espécies diferentes) 
 Amensalismo ou antibiose (0-) Uma espécie inibe o desenvolvimento de outra. 
Ex.: liberação de antibióticos por determinados fungos, causando a morte de certas 
bactérias; maré vermelha; eucaliptos e outras plantas. 
 Predatismo ou Predação (+-) Um indivíduo mata outro para alimentar-se.Ex.: 
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serpente e rato; leão e zebra. 
 Herbivorismo ou Herbivoria (+-) Um indivíduo (consumidor) mata outro (produtor) 
para alimentar-se. Em termos populacionais é considerado um mutualismo indireto, pois 
a população de predadores controla a população de presas e vice versa.Ex: boi e capim. 
 
 
Figura 8. Fonte: Núcleo de Pós-Graduação e Extensão – FAVENI, 2020. 
 
 
 Parasitismo (+-) O parasita retira do corpo do hospedeiro nutrientes para garantir 
a sua sobrevivência, debilitando-o gradativamente. Ex.: lombriga e ser humano, lagarta e 
folhagens, carrapato e cachorro etc. 
 Ectoparasitismo– parasitas externos. Ex: pulga, carrapato, piolho. 
 Endoparasitismo – parasitas internos. Ex: lombriga, tênia, ancilóstomo. 
 Parasitismo intracelular – parasitas do interior de células. Ex: vírus. 
 Holoparasitismo – parasitismo completo. Ex: cipó-chumbo. 
 Hemiparasitismo – parasitismo incompleto. Ex: erva-de-passarinho 
 Parasita monóxeno – com apenas um hospedeiro. Ex: lombriga. 
 Parasita heteróxeno – com dois hospedeiros, um intermediário (fase 
assexuada) e um definitivo (fase sexuada). Ex: tênia, esquistossomo. 
 Competição Interespecífica (--) Disputa por recursos (território, presas, etc) entre 
espécies diferentes com sobreposição de nichos.Ex: Leões e hienas. Princípio de Gause 
ou da exclusão competitiva – espécie mais eficiente na exploração do nicho, exclui a 
competidora em seu habitat. 
 6. Esclavagismo ou Sinfilia (+-)Uma espécie força outra a trabalhar.Ex: formiga 
e pulgão. 
 
2. ECOSSITEMAS BRASILEIROS 
O Brasil possui uma grande diversidade de ecossistemas. Quase todo o seu 
território está situado na zona tropical. Por isso, nosso país recebe grande quantidade de 
calor durante todo o ano, o que favorece essa grande diversidade. Veja, no mapa a seguir, 
exemplos dos principais ecossistemas encontrados no Brasil. 
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Figura 9. Fonte: Núcleo de Pós-Graduação e Extensão – FAVENI, 2020. 
 
 
 Floresta Amazônica: Estende-se além do território nacional, com chuvas 
frequentes e abundantes. Apresenta flora exuberante, com espécies, como a seringueira, 
o guaraná, a vitóriarégia, e é habitada por inúmeras espécies de animais, como o peixe- 
boi, o boto, o pirarucu, a arara. Para termos uma ideia da riqueza da biodiversidade 
desses ecossistemas, ele apresenta, até o momento, 1,5 milhão de espécies de vegetais 
identificadas por cientistas.
 Mata de cocais: A mata de cocais situa-se entre a floresta amazônica e a 
caatinga. São matas de carnaúba, babaçu, buriti e outras palmeiras. Vários tipos de 
animais habitam esse ecossistema, como a araracanga e o macaco cuxiú.
 Pantanal mato-grossense: Localizado na região Centro-Oeste do Brasil, engloba 
parte dos estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul. Área que representa a terra 
úmida mais importante e conhecida do mundo (maior planície alagável do planeta), com 
espantosos índices de biodiversidade animal. Sofre a influência de diversos 
ecossistemas, como o cerrado, a floresta Amazônica, a mata Atlântica, assim como os 
ciclos de seca e cheia, e de temperaturas elevadas. São 140 mil quilômetros quadrados 
só no Brasil, equivalente a 5 Bélgicas ou ao território de Portugal. É onde vivem jacarés - 
cerca de 32 milhões - , 365 espécies de aves, 240 de peixes, 80 de mamíferos e 50 de 
répteis. Mais de 600.000 capivaras habitam a região. O pantanal é escolhido como pouso 
de milhões de pássaros, entre eles o tuiuiús, a ave-símbolo da região. Os cervos-do- 
pantanal, bem mais raros, também fazem parte da fauna local.
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 Campos sulinos: Os campos sulinos são formações campestres encontradas no 
sul do país, passando do interior do Paraná e Santa Catarina até o sul do Rio Grande do 
Sul. Os campos sulinos são conhecidos como pampas, termo de origem indígena que 
significa "regiões planas". Em geral, há predomínio das gramíneas, plantas conhecidas 
como grama ou relva. Animais como o ratão-do-banhado, preá e vários tipos de cobras 
são ali encontrados.
 Caatinga: A caatinga localiza-se na maior parte da região Nordeste. No longo 
período da seca, a vegetação perde as folhas e fica esbranquiçada. Esse fato originou o 
nome caatinga que na língua tupi, significa "mata branca". Os cactos, como o mandacaru, 
o xique-xique e outras plantas, são típicos da caatinga. A fauna inclui as cobras cascavel 
e jiboia, o gambá, a gralha, o veado-catingueiro etc.
 Restinga: A restinga é típica do litoral brasileiro. Os seres que habitam esse 
ecossistema vivem em solo arenoso, rico em sais. Parte desse solo fica submersa pela 
maré alta. Encontramos nesse ecossistema animais como maria-farinha, besourinho- 
dapraia, viúva-negra, gavião-se-coleira, coruja-buraqueira, tiê-sangue e perereca, entre 
outros. Como exemplos de plantas características da restinga podemos citar: sumaré, 
aperta-goéla, açucena, bromélias, cactos, coroa-de-frade, aroeirinha, jurema e taboa.
 Manguezal: A costa brasileira apresenta, desde o Amapá até Santa Catarina, uma 
estreita floresta chamada manguezal, ou mangue. Esse ecossistema desenvolve-se, 
principalmente, no estuário e na foz dos rios, onde há água salobra e local parcialmente 
abrigado da ação das ondas, mas aberto para receber a água do mar. Os solos são 
lodosos e ricos em nutrientes. Os manguezais são abrigos e berçários naturais de muitas 
espécies de caranguejos, peixes e aves. Apresentam um pequeno número de espécies 
de árvores, que possuem raízes-escoras. Essas raízes são assim chamadas por serem 
capazes de fixar as plantas em solo lodoso.
 Cerrado: O cerrado ocorre principalmente na região Centro-Oeste. A vegetação 
é composta de arbustos retorcidos e de pequeno porte, sendo as principais espécies: o 
araçá, o murici, o buriti e o indaiá. É o habitat do lobo-guará, do tamanduá-bandeira, da 
onça-pintada etc.
 Mata Atlântica: Esse ecossistema estende-se da região do Rio Grande do Norte 
até o sul do país. Apresenta árvores altas e vegetação densa, pouco espaço vazio. É uma 
das áreas de maior diversidade de seres vivos do planeta. Encontra-se plantas como o 
pau-brasil, o ipê-roxo, o angico, o manacá-da-serra e o cambuci e várias espécies de 
animais, como a onça pintada, a anta, a queixada, o gavião e o mico-leãodourado.
12 
 
 
 
 Mata de araucária: A mata de araucária situa-se na região sub-tropical, no sul do 
Brasil, de temperaturas mais baixas. Entre outros tipos de árvores abriga o pinheiro-do- 
paraná, tambémconhecido como araucária. Da sua fauna destacamos, além da ema, a 
maior ave das Américas, a gralha-azul, o tatu, o quati e o gato-do-mato.
 
3. CRISE AMBIENTAL 
Vivemos em um mundo superlotado. Segundo Achim Steiner, diretor do PNUMA 
(Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), “nós vivemos num planeta em 
que, em menos de 200 anos, saltamos de 1,5 bilhão de pessoas para 6,5 bilhões. Em 40 
anos, deveremos ser 9 bilhões na Terra. 
Precisamos entender que não estamos enfrentando um problema pequeno, como 
escassez de petróleo: viveremos o fenômeno de que tudo será escasso” (AMBERGER, 
JEPPESEN e PONTES, 2010). 
Esta conclusão pouco animadora ganha mais gravidade por causa das medidas 
econômicas adotadas por várias nações: o consumo como remédio para combater a 
recessão. E, junto destas medidas econômicas, a ideia que está por toda a parte: quanto 
mais se compra, mais feliz se vive. 
O nível de consumo atual, sobretudo dos mais ricos, leva a uma exploração acima 
dos limites da Terra. Neste contexto, a nossa pegada ecológica torna-se insustentável 
(LAMIM-GUEDES, 2011). 
A pegada ecológica é um cálculo da quantidade de área de terra e água (por 
exemplo, floresta, solos agrícolas, rios, etc.) que uma população humana requer para 
produzir os recursos que usa e para assimilar os seus resíduos, utilizando a tecnologia 
disponível (AMEND et al., 2010). 
Sendo que a pegada ecológica da humanidade já é superior a que o planeta 
suporta, caminhamos em direção a uma deterioração da saúde ambiental irreversível. 
A diferença entre as pegadas ecológicas dos países – que por serem médias, 
minimizam as desigualdades dentro de cada país – demonstra que as nações degradam 
o planeta em diferentes intensidades. A leitura que podemos ter da figura abaixo é de que 
um americano médio equivale, em termos de impacto sobre o planeta, a cerca de 20 
haitianos. 
13 
 
 
 
 
 
 
Figura 10. Pegadas ecológicas de diferentes países. Fonte: Pimentel, D. Gestão da 
Responsabilidade Social e Sustentabilidade, 2013. 
 
Por causa desta situação, vivemos muitos problemas socioambientais como 
mudanças climáticas, desmatamento, perda de biodiversidade, crise na produção de 
alimentos, poluição, chuva ácida e perigos da radiatividade pelo uso da energia nuclear. 
Tudo isto, em conjunto, pode ser entendido como uma crise sistêmica, não apenas 
ambiental, fruto do modelo econômico baseado no consumo e na concentração de bens 
e capital. Tal situação só não é pior devido à exploração das populações pobres, que tem 
“tornado possível a sustentabilidade econômica do atual padrão de poder mundial que 
vem mantendo não só extremamente desigual como se polarizando ainda mais, 
ensejando o fenômeno de dualização social” (PORTO-GONÇALVES, 2013, p. 42). 
Cerca de 80% dos recursos naturais são consumidos por menos de 20% da 
população mundial. Esses 20% mais ricos consomem 45% de toda carne e peixe à 
disposição no mercado, enquanto os 20% mais pobres consomem apenas 5%. No 
consumo de papel, a proporção é de 84% para 1,1% (INMETRO/IDEC, 2002). Com isto, 
fica claro que existe uma enorme desigualdade no acesso e utilização dos recursos 
naturais. A seguir está apresentada a contabilidade da situação dos mais vulneráveis. 
Figura 11. Situação mundial, condições de vida e renda. Fonte: Pimentel, D. Gestão da 
Responsabilidade Social e Sustentabilidade, 2013. 
 
Esta situação é um fator para o surgimento de conflitos ambientais, geralmente 
deflagrados pela disputa sobre o uso de recursos naturais ou quanto ao uso de espaços 
territoriais comuns (MOISÉS, 1994). A ideia de conflito na área ambiental está associada 
14 
 
 
 
ao “controle de recursos que hoje sabe-se que são limitados e não podem ser utilizados 
indiscriminadamente. São eles os recursos ambientais cujo uso intensivo tem provocado 
tanto a sua escassez quanto o comprometimento da qualidade ambiental” (QUINTAS, 
2006, p. 25). Portanto, os conflitos ambientais são “aquelas situações onde haja risco 
e/ou dano social/ambiental e não haja nenhum tipo de reação por parte dos atingidos ou 
de outros atores da sociedade civil face ao problema” (CARVALHO e SCOTTO, 1995 
apud QUINTAS, 2006, p. 65). 
 
3.1 Crise ambiental ou crise civilizatória? 
A evidente ênfase sobre os aspectos econômicos e tecnológicos da crise 
socioambiental também contradiz as promessas de uma abordagem plural e complexa 
de desenvolvimento, e sugere o predomínio da esfera do mercado na condução da 
sustentabilidade em detrimento da sociedade civil e do Estado. Para os setores 
interessados num projeto de mudanças de maior amplitude, esta “sustentabilidade de 
mercado”, que tem orientado as ações e debates recentes, denuncia a falácia do discurso 
da sustentabilidade (LIMA, 2003, p. 106). 
Neste contexto, emerge a ideia de que a crise ambiental pode ser resolvida pela 
comunidade científica, confiando na capacidade humana de produzir novas soluções 
tecnológicas e econômicas a cada etapa, em resposta a cada problema que surge, 
permanecendo basicamente no mesmo paradigma civilizatório dos últimos séculos (MEC, 
1996, p. 178). No entanto, a questão ambiental representa uma síntese dos impasses 
que o atual modelo de civilização acarreta (crise civilizatória). 
Neste contexto, a superação dos problemas acarretados exigirá mudanças profundas na 
concepção de mundo, de natureza, de poder e de bem-estar, tendo por base novos 
valores individuais e sociais. Faz parte desta nova visão de mundo, a percepção de que 
o homem não é o centro da natureza (MEC, 1996, p. 179). 
 
3.2. Sustentabilidade 
Sustentabilidade é um conceito oriundo das ciências biológicas e se refere à 
capacidade de suporte de um ecossistema – projeção de um máximo populacional de 
uma espécie que pode ser mantido indefinidamente sem gerar uma degradação de 
recursos que acabe por afetar a própria viabilidade de reprodução da espécie -, 
permitindo sua reprodução ou permanência no tempo (LOUREIRO, 2012, p. 56). 
A ideia é que as sociedades devem produzir suas necessidades sem ultrapassar 
a capacidade do ambiente de sustentá-las. Portanto, a sustentabilidade é entendida como 
15 
 
 
 
um componente essencial de um desenvolvimento que se preocupa com a qualidade do 
ambiente e com a qualidade de vida das pessoas. 
A proposição do Desenvolvimento Sustentável nos anos 1980 deve-se a um 
processo de mudanças nas concepções de modelos de desenvolvimento. O cenário 
criado pela percepção da crise ambiental nas décadas de 1960 e 1970, gerou uma série 
de respostas, como a publicação do livro Primavera silenciosa (título original Silent 
Spring) por Rachel Carson em 1962, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio 
Ambiente Humano, realizada em Estocolmo em 1972 e a publicação do relatório Limites 
do Crescimento. 
O eco desenvolvimento desdobrou-se nas ideias de desenvolvimento durável ou 
viável – algo muito próximo de uma concepção de harmonização de objetivos sociais, 
ambientais e econômicos que foi retomada como preocupação central das resoluções da 
Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada 
no Rio de Janeiro, em junho de 1992 (Rio92). Desta forma, “poderíamos dizer que a ideia 
de desenvolvimento durável foi encampada pelo conceito de desenvolvimento 
sustentável e está fortemente associada a este conceito no debate que se estende 
durante os anos 90 e permanecem em pauta até agora” (SCOTTO, CARVALHO e 
GUIMARÃES, 2009, p. 26). Segundo Scotto, Carvalho e Guimarães (2009, p. 8), "A noção 
de desenvolvimento sustentável e a própria ideia de sustentabilidade são, mais do que 
conceitos homogêneos e bem delimitados, campos de disputa sobre diferentes 
concepções de sociedade”. 
O quadro socioambiental que caracteriza as sociedades contemporâneas revela 
que o impacto dos humanos sobre o meio ambiente está se tornando cada vez mais 
complexo, tanto em termos quantitativos, quantoqualitativos (JACOBI, 1999, p. 175). O 
desenvolvimento do conceito de sustentabilidade representa, por um lado, uma 
alentadora tentativa de reconciliar a busca do bem-estar presente e a segurança de 
condições de vida satisfatórias no futuro. 
Por outro lado, há uma preocupante tendência a que se torne mais uma panaceia 
salvacionista, que ilude os alarmados e inibe os alarmistas, sem necessariamente 
resolver os problemas que geraram o alarme (BURSZTYN, 1993, p. 7). Não se trata de 
algo conjuntural, mas do esgotamento de um sistema que tem como motor o “ter” e o 
“acumular”. Um desenvolvimento que tem como pressuposto básico o crescer mais, sem 
parar, sem respeitar limites naturais. Tudo para concentrar riquezas, não importando a 
destruição ambiental que possa haver, nem que essa geração de riqueza seja, ao mesmo 
tempo, geração de pobreza, exclusão social, desigualdades de todo tipo (GRZYBOWSKI, 
16 
 
 
 
2011). 
Na tentativa de destacar a complexidade da sustentabilidade, Ignacy Sachs (2002, 
p. 85-88), propõem as dimensões da sustentabilidade, as quais devem ser levadas em 
conta para se chegar próximo a uma sustentabilidade real, estas são: 
 Social (voltada para a redução da pobreza e para a organização social), 
 Econômica (desenvolvimento econômico equilibrado, com segurança alimentar, 
autonomia na pesquisa científica e tecnológica e inserção soberana na economia 
internacional), 
 Ecológica (relacionada à preservação dos recursos naturais e biodiversidade), 
 Ambiental (respeito a capacidade de autodepuração dos ecossistemas), 
 Espacial (voltada para uma configuração rural-urbana equilibrada), 
 Cultural (referente ao respeito pelas especificidades culturais, identidades e 
tradições das comunidades locais), 
 Política Nacional (democracia definida em termos de apropriação universal dos 
direitos humanos) e 
 Política Internacional (garantia de paz, cooperação, Princípio da Precaução). 
A reflexão sobre a Justiça social é muito importante para se pensar em educação 
ambiental e pela busca efetiva da sustentabilidade. Neste sentido, críticas ao sistema 
econômico, como a proteção ao sistema financeiro, são imprescindíveis. Mudanças de 
comportamento como diminuir o consumo, reduzir o uso do carro, dar preferência ao 
transporte público, comprar produtos mais justos socialmente e produzidos de maneira 
mais limpa são parte inerente da educação ambiental. 
A sustentabilidade está inexoravelmente associada à redefinição de valores e 
padrões de desenvolvimento capazes de frear o crescimento populacional e, 
consequentemente, o consumo. 
 
4. O MOVIMENTO ECOLÓGICO 
O ambientalismo, movimento ecológico ou movimento verde consiste em um 
heterogêneo feixe de correntes de pensamento e movimentos sociais que têm na defesa 
do meio ambiente sua principal preocupação, reivindicando medidas de proteção 
ambiental e sobretudo uma ampla mudança nos hábitos e valores da sociedade. 
Seu foco é reparar os danos causados pelo homem na natureza e desenvolver 
métodos de progresso material que não danifiquem o meio ambiente. A sustentabilidade 
e a economia verde são os pilares centrais do movimento ambientalista. 
O movimento ambientalista organizado iniciou realmente após a triste ocorrência 
17 
 
 
 
das duas bombas atômicas lançadas na segunda guerra mundial em 1945 em Hiroshima 
e Nagasaki pelos Estados Unidos. Pois foi a partir deste episódio que o ser humano 
percebeu o imenso potencial destruidor que podemos ter. 
A importância do movimento ecológico - É proteger o meio ambiente. - Evitar a 
extinção de espécies animais. Muitos grupos ambientalistas atuam em defesa de 
determinadas espécies animais, por exemplo. - Despertar as pessoas e governos a 
respeito da necessidade de preservação do meio ambiente. 
O que o movimento ambientalista já conquistou, foi ter dado espaço e legitimidade 
para reivindicações ecológicas de filósofos, povos indígenas, comunidades tradicionais e 
de antigas religiões orientais como o Budismo e o Hinduísmo, que entendem a natureza 
– incluindo o homem – como um todo integrado e interdependente. 
Figuras 12 e 13. Fonte: Pimentel, D. Gestão da Responsabilidade Social e Sustentabilidade, 
2013. 
 
5. ELEMENTOS DA POLÍTICA AMBIENTAL E INSTRUMENTOS DE REGULAÇÃO E 
CONTROLE 
5.1 Licenciamento ambiental como instrumento de gestão ambiental 
As questões relativas ao meio ambiente têm sido relevantemente abordadas nas 
últimas décadas. A difusão de conhecimentos por meios acadêmicos e pela mídia tem 
dado acesso à grande parte da sociedade a informações que mostram as consequências 
da gestão de recursos naturais que comprometam sua sustentabilidade. Tais 
consequências podem ser notadas por todos, principalmente, por meio das experiências 
diárias. O município é o espaço das vivências cotidianas, e pode ser considerado, assim, 
a escala em que essa percepção socioambiental é mais notada. 
Nesse sentido, destaca-se a importância da municipalização da gestão ambiental, 
que está inserida em dois importantes marcos normativos: a Constituição Federal, que 
incumbe ao Poder Público e à coletividade o dever de defender e preservar o meio 
ambiente ecologicamente equilibrado e, ademais, atribui competência ambiental comum 
entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios; e a Lei 6.938/81, que dispõe sobre a 
18 
 
 
 
Política Nacional de Meio Ambiente, tem como um de seus instrumentos o Licenciamento 
Ambiental. Institui também o Sistema Nacional de Meio Ambiente - SISNAMA, que visa 
estabelecer um conjunto articulado e integrado, formado pelos órgãos e entidades da 
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, responsáveis pela proteção e 
melhoria da qualidade ambiental, com atribuições, regras e práticas específicas que se 
complementam. 
Gestão ambiental compartilhada é o processo pelo qual formas de cooperaçãoe 
integração são estabelecidas entre os entes da federação, de forma a assegurar a 
qualidade ambiental necessária à manutenção e melhoria da qualidade de vida e ao 
desenvolvimento sustentável, através de uma repartiçãoadequada de responsabilidades 
e recursos. A ação ambiental dos municípios pode estar associada a inúmeras 
possibilidades de interação entre os Estados e a União, compartilhando 
responsabilidades em condições de autonomia, cooperação e complementaridade. O 
município ao assumir seu papel constitucional traz uma série de benefícios, tais como: 
mais proximidade dos problemas a enfrentar e melhor acessibilidade dosusuários aos 
serviços público. 
O que é Licenciamento Ambiental? 
Instrumento da Política Nacional de Meio Ambiente instituído pela Lei nº. 
6938/1981, com a finalidade de promover o controle prévio à construção, instalação, 
ampliação e funcionamento de estabelecimentos e atividades utilizadoras de recursos 
ambientais, considerados efetiva e potencialmente poluidores. 
É uma obrigação legal, prévia à instalação de qualquer empreendimento ou 
atividade potencialmente poluidora ou degradadora do meio ambiente. É um 
procedimento administrativo. 
Quais atividades devem ser licenciadas? 
Resolução Conama nº. 237/1997; 
Qual a importância da Licença Ambiental? 
 Requisito legal; 
 Instituições de financiamento; 
 Mercado (não como diferencial, mas pré-requisito). 
Órgãos licenciadores: 
 Federal: IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais); 
 Estadual; 
 Municipal; 
A Resolução CONAMA 237/97 - Art. 7º. determina que o licenciamento deve ser 
19 
 
 
 
solicitado em uma única esfera de ação. 
Tipos de licença ambiental 
Licença Prévia (LP): 
 Avalia a concepção, tecnologia e localização do empreendimento; 
Análise do Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental 
(EIA/RIMA): 
 Define requisitos para implantação; 
 Evita investimentos desnecessários em projetos, ou pelo indeferimento ou pelos 
requisitos impostos. 
Licença de Instalação(LI): 
 Apresentação, análise e aprovação dos projetos executivos para implantação da 
obra, e do Plano de Controle Ambiental; 
 Autoriza a implantação do empreendimento; 
 Qualquer alteração no projeto durante a obra deverá ser comunicada/solicitado 
parecer previamente ao órgão licenciador. 
Licença de Operação (LO): 
 Verificação da implantação e eficácia das medidas de controle e demais 
condicionantes da LI, bem como da conformidade com o projeto aprovado; 
 Autoriza o funcionamento do empreendimento; 
 Definirá restrições ou condicionantes; 
 Qualquer alteração durante a operação (ampliação da capacidade, nº. 
funcionários, instalações, etc.) deve ser comunicada previamente ao órgão ambiental. 
Licença de Instalação e de Operação em caráter corretivo 
O empreendimento ou atividade instalado, em instalação ou em operação, sem a 
licença ambiental pertinente, deverá regulariza-se obtendo LI ou LO, em caráter corretivo, 
mediante a comprovação de viabilidade ambiental do empreendimento. 
A continuidade da instalação ou do funcionamento de empreendimento ou atividade 
concomitantemente com o trâmite do processo de Licenciamento Ambiental, dependerá 
de assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta com o órgão ambiental, com previsão 
de condições e prazos para instalação e funcionamento do empreendimento ou atividade 
até a sua regularização. 
A possibilidade de concessão de LI e de LO, em caráter corretivo, não desobriga os 
empreendimentos e atividades considerados efetiva ou potencialmente poluidores, bem 
como os que possam causar degradação ambiental, de obterem o prévio licenciamento 
ambiental, nem impede a aplicação de penalidades pela instalação ou operação sem a 
20 
 
 
 
licença competente, exceto nos casos e condições previstas no § 2º do art. 9º (atividades 
industriais, de extração mineral, de exploração agrossilvipastoril e de disposição final de 
esgoto sanitário e de resíduos sólidos urbanos) e no caput do art. 15 (empreendimentos 
ou atividades ambientais e hídricas, anteriores a publicação do Decreto). 
 
5.2 Planejamento ambiental 
Planejamento ambiental é um conceito utilizado no contexto de diversas áreas do 
conhecimento para se referir a processos e mecanismos de sistematização de ações que 
visam atingir metas e objetivos de caráter ambiental. Suas definições, instrumentos e 
metodologias têm sido discutidos desde pelo menos a década de 1970. 
João da Silva e Rozely Santos definem planejamento ambiental como "umprocesso 
contínuo que envolve coleta, organização e análise sistematizada dasinformações, por 
meio de procedimentos e métodos, para se chegar a decisõesou escolhas acerca das 
melhores alternativas para o aproveitamento dos recursos disponíveis em função de suas 
potencialidades, e com a finalidade de atingir metas específicas no futuro, tanto em 
relação a recursos naturais quantoà sociedade." 
 
5.2.1 Zoneamento Ambiental 
O Zoneamento Territorial Ambiental (ZTA) é um instrumento que visa conciliaro 
desenvolvimento econômico, ambiental e social de uma certa região do Estado 
sustentavelmente. 
Zoneamento Territorial Ambiental (ZTA) é um instrumento de planejamento e 
gestão ambiental conforme a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) Leinº 6.938, 
de 31 de agosto de 1981. O objetivo do zoneamento é classificar e delimitar zonas 
territoriais no âmbito local/municipal, regional, federal ou global.Aplica-se o zoneamento 
também a unidades de planejamento tais como bacias hidrográficas, setores industriais 
e unidades de conservação. 
Os software mais utilizados na construção de um ZTA são o ArcGis e o Spring, que 
auxiliam na construção de mapas de várias temáticas. Um dos maiores desafios do 
zoneamento é a integração dos dados necessários para sua construção, bem como a 
questão da implementação/fiscalização. 
 
5.2.2 Classificação das zonas territoriais 
Não existe um padrão para a definição dos tipos de zoneamento, entretanto 
podemos perceber certas similaridades nas mais diversas abordagens. Alguns exemplos 
21 
 
 
 
de zonas territoriais usadas são: zona de proteção ambiental, zona de adensamento, 
zona de recuperação, zonas de interesse econômico, zonas de interesse cultural, etc. O 
elaborador do zoneamento tem liberdade para escolher os tipos e termos que mais se 
adequem aos objetivos de seu projeto, levando em conta as características geológicas, 
hídricas, demográficas, pedológicas, sociais, climáticas, ocupacionais, hidrogeológicas e 
econômicas, dentre várias outras. 
 Etapas de elaboração do Zoneamento 
Para elaboração de um Zoneamento ambiental é necessário seguir certas etapas, 
tais como levantamento de informações sobre a área, como fotos aéreas, mapas 
topográficos, geológicos, etc. Outras etapas incluem fotointerpretação do material obtido 
seguida de processamento digital de imagens e visitas de campo para reconhecimento e 
correção de possíveiserros. 
 Planejamento Urbano Sustentável 
O planejamento urbano sustentável deve ser entendido como um processo 
planejado de desenvolvimento urbano voltado para o desenvolvimento sustentável. No 
Brasil, o principal instrumento legal de promoção deste tipo de planejamento é o Estatuto 
da Cidade, Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001, o qual contempla uma visão sustentável 
do uso e manejo do solo, sua ocupação, infraestrutura básica de saneamento ambiental, 
criação e manutenção de unidades de preservação do meio ambiente, para que assim, 
possa ser garantido o direito de moradia de uma maneira socialmente justa, 
economicamente viável de forma tal a reduzir os impactos e danos ao meio ambiente. 
O planejamento urbano está cada vez mais inserindo variáveis ambientais. No 
passado tais processos de planejamento privilegiavam questões sociais e econômicas. 
Hoje é crescente as criações de projetos de habitações sustentáveis, captação de água 
de chuva para a irrigação, inserção de energia de fontes alternativas, consumo 
consciente, hortas comunitárias, usos de materiais recicláveis e etc., demonstrando essa 
tendência sustentável. 
O Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) foi definido no Estatuto da Cidade (Lei 
nº10.257/2001) como um processo que avalia os impactos positivos e negativos 
causados por determinados empreendimentos ou atividades urbanas. 
Na maioria dos casos, o EIV analisa um único empreendimento ou atividade, 
entretanto, caso se faça necessário, ele poderá contemplar mais de um empreendimento. 
Os municípios têm autonomia para determinar quais projetos ou entidadesdeverão 
realizar, ou ser analisadas por um EIV, com intuito de obterem licenças ou autorizações 
para construção, ampliação ou funcionamento. Os estudos devem no mínimo contemplar 
22 
 
 
 
o crescimento na concentração populacional, uso e ocupação do solo, especulação 
imobiliária, aumento no tráfego e na demanda por transporte público, entre outros 
previstos na lei. 
Além disso, os estudos podem embasar a elaboração de condicionantes ao 
empreendimento em processos de licenciamento e autorizações. 
Vale ressaltar que a elaboração de um EIV não substitui um Estudo de Impacto 
Ambiental (EIA), quando este se fizer necessário. Certos empreendimentos podem 
necessitar tanto do EIA, quanto do EIV. 
O EIV, dentro do Planejamento Ambiental Urbano, se alinha com a idéia de 
promover uma cidade sustentável, uma vez que levará estes estudos consideram 
impactos ambientais, sociais e econômicos. 
 
5.2.3 Avaliação de impacto ambiental 
A Avaliação de Impacto Ambiental (ou AIA) é um instrumento preventivo usado nas 
políticas de ambiente e gestão ambiental com o intuito de assegurar que um determinado 
projeto passível de causar danos ambientais seja analisado deacordo com os prováveis 
impactos no meio ambiente, e que esses mesmos impactos sejam analisados e tomados 
em consideração no seu processo de aprovação. A elaboração de um AIA é apoiada em 
estudos ambientais elaborados por equipesmultidisciplinares, os quais apresentam 
diagnósticos, descrições, analises e avaliações sobre os impactos ambientais efetivos e 
potenciais do projeto. 
O órgão brasileiro que regulamenta a legislação e emite resoluções para todo o 
território brasileiro, é o CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente). 
O CONAMA foi instituído pela Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, como um 
órgão normativo na área ambiental. 
O órgão executivo, a nível federal, é o IBAMA (Instituto Brasileiro do MeioAmbiente 
e dos Recursos Naturais Renováveis), encarregado de executar e fazer executar a 
política e as diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente. 
Cada Estado do Brasil possui seu órgão estadual correspondente como, por 
exemplo, a FATMA (Fundação do Meio Ambiente) em Santa Catarina,o INEA 
(Instituto Estadual do Ambiente), no Estado do Rio de Janeiro ea CETESB 
(Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), em São Paulo. Estes órgãos são 
responsáveis pela execução de programas, projetos e pelo controle e fiscalização de 
atividades capazes de provocar a degradação ambiental. 
O Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) é o relatório que reflete todas as 
23 
 
 
 
conclusões apresentadas num Estudo de Impacto Ambiental (EIA ou AIA). O RIMA deve 
ser elaborado de forma objetiva e possível de se compreender, ilustrado por mapas, 
quadros, gráficos, redigido em linguagem não técnica a fim de ser passível de fácil 
interpretação no processo de participação publica.O EIA e o RIMA fazem parte do 
processo de Licenciamento ambiental. 
A conservação de recursos naturais; a compatibilização do empreendimento com o 
meio ambiente, incluindo a sociedade; a redução de resíduos e emissões; o uso eficiente 
dos recursos; o desenvolvimento sustentável: todos esses benefícios são resultados de 
uma avaliação de impacto ambiental que direcione as ações a serem tomadas. 
 
5.2.4 Agenda 21 
Mais de vinte anos depois da Eco 92, os quinze municípios da Agenda 21 Comperj 
se reúnem em um só lugar, para que todo mundo saiba que a luta pela preservação do 
planeta não pode parar. 
A Agenda 21 foi um dos principais resultados da conferência Eco-92 ou Rio-92, 
ocorrida no Rio de Janeiro, Brasil, em 1992. É um documento que estabeleceu a 
importância de cada país a se comprometer a refletir, global e localmente, sobre a forma 
pela qual governos, empresas, organizações não- governamentais e todos os setores da 
sociedade poderiam cooperar no estudo de soluções para os problemas socioambientais. 
Cada país desenvolve a sua Agenda 21 e no Brasil as discussões são coordenadas pela 
Comissão dePolíticas de Desenvolvimento Sustentável (CPDS) e da Agenda 21 Nacional 
. Ela se constitui num poderoso instrumento de reconversão da sociedade industrial rumo 
a um novo paradigma, que exige a reinterpretação do conceito de progresso, 
contemplando maior harmonia e equilíbrio holístico entre o todoe as partes, promovendo 
a qualidade, não apenas a quantidade do crescimento. 
Com a Agenda 21 criou-se um instrumento aprovado pela OMF, 
internacionalmente, que tornou possível repensar o planejamento. Abriu-se o caminho 
capaz de ajudar a construir politicamente as bases de um plano de ação e de um 
planejamento participativo em âmbito global, nacional e local, de forma gradual e 
negociada, tendo como meta um novo paradigma econômico e civilizatório. 
As ações prioritárias da Agenda 21 brasileira são os programas de inclusão social 
(com o acesso de toda a população à educação, saúde e distribuição de renda), a 
sustentabilidade urbana e rural, a preservação dos recursos naturais e minerais e a ética 
política para o planejamento rumo ao desenvolvimento sustentável. Mas o mais 
importante ponto dessas ações prioritárias, segundo este estudo, é o planejamento de 
24 
 
 
 
sistemas de produção e consumo sustentáveis contra a cultura do desperdício. 
A Agenda 21 é um plano de ação para ser adotado global, nacional e localmente, 
por organizações do sistema das Nações Unidas, governos e pela sociedade civil, em 
todas as áreas em que a ação humana impacta o meio ambiente. 
Não houve resistência dos países para a liberação do acordo.A adoção formal por 
parte da ONU do conceito de desenvolvimento sustentável parte da criação em 1972 da 
Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (WCED) que em 1987 
publicou um relatório intitulado "Nosso futuro comum", também conhecido como o 
relatório Brundtland. Esse relatório indicou a pobreza nos países do sul e o consumismo 
extremo dos países do norte como as causas fundamentais da insustentabilidade do 
desenvolvimento e das crises ambientais. A comissão recomendou a convocação de uma 
conferência sobre esses temas. 
O desenvolvimento da Agenda 21 começou em 23 de dezembro de 1989 coma 
aprovação em assembléia extraordinária das Nações Unidas uma conferência sobre o 
meio ambiente e o desenvolvimento como fora recomendado pelo relatório Brundtland e 
com a elaboração de esboços do programa, que, como todos os acordos dos estados- 
membros da ONU, sofreram um complexo processo de revisão, consulta e negociação, 
culminando com a segunda Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e 
Desenvolvimento, mais conhecida como Rio-92 ou Eco-92, entre 3 e 14 de junho de 
1992 no Rio de Janeiro, onde representantes de 179 governos aceitaram adotar o 
programa. 
A Agenda 21 teve um estreito acompanhamento a partir do qual foram feitos ajustes 
e revisões. Primeiro, com a conferência Rio+5, entre os dias 23 e 27 de junho de 1997 na 
sede da ONU, em Nova Iorque; posteriormente com a adoção de uma agenda 
complementária denominada metas do desenvolvimento do milênio (Millenium 
development goals), com ênfase particular nas políticas de globalização e na erradicação 
da pobreza e da fome, adotadas por 199 países na 55ª Assembléia da ONU, que ocorreu 
em Nova Iorque entre os dias 6 e 8 de setembro de 2000; e a mais recente, a Cúpula de 
Johannesburgo, na cidade sul-africana entre 26 de agosto a 4 de setembro de 
2002. 
 
5.2.5 Convenção do clima e Protocolo de Kyoto 
A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (em inglês, 
United Nations Framework Convention on Climate Change ou UNFCCC)é um tratado 
ambiental internacional que visa estabilizar as concentraçõesde gases de efeito estufa 
25 
 
 
 
O Protocolo de Quioto é um tratado internacional com compromissos mais rígidos para 
a redução da emissão dos gases que produzem o efeito estufa, que são a causa do 
atual aquecimento global. 
 
na atmosfera resultantes das ações humanas, afim de impedir que interfiram de forma 
prejudicial e permanente no sistema climático do planeta. 
O tratado foi aprovado em junho de 1992, durante a Conferência das Nações 
Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento ocorrida no Rio de Janeiro 
(informalmente conhecido como ―Cúpula da Terra‖ ou ―Rio 92‖). Dois anos maistarde, em 
21 de março de 1994, entrou em vigor e, hoje, conta com a participação de 196 países 
signatários. 
A Convenção estabelece compromissos e obrigações para todos os países 
signatários (chamados de Partes da Convenção) no combate às alterações climáticas 
com base no princípio da ―responsabilidade comum, mas diferenciada‖. Embora todas 
as Partes devam agir para proteger o meio ambiente e o sistema climático nos níveis 
nacional, regional e global, pela Convenção é necessário considerar as diferentes 
circunstâncias de cada país: como cada Parte contribuiu (e contribui) para o problema e 
também sua capacidade para prevenir, reduzir e controlar a ameaça. Inicialmente, o 
tratado não fixou limites para as emissões dos gases de efeito estufa (GEE) ou continha 
disposições obrigatórias para os membros. Em vez disso, ele incluiu provisões para 
atualizações (chamadas de ―Protocolos‖), estas sim capazes de definir os limites 
obrigatórios de emissões. As atualizações ocorrem periodicamente nas reuniõesdos 
países signatários, as Conferências das Partes – COP. 
 
5.2.6 Sistema de Unidade de Convenção 
O Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) é um 
conjunto de normas e procedimentos oficiais que possibilitam às esferas governamentais 
federal, estadual e municipal, bem como à iniciativa privada, criar, implementar e gerir no 
país as unidades de conservação (que são as representantes no Brasil do que 
internacionalmente é conhecido como área protegida), sistematizando assim a 
conservação da natureza no Brasil. 
O SNUC tem suas origens nos anos 1970, quando o antigo Instituto Brasileiro de 
Desenvolvimento Florestal (IBDF), apoiado pela organização não- governamental (ONG) 
Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza, criou o Plano do Sistema de 
Unidades de Conservação do Brasil, publicado oficialmente em 1979. 
26 
 
 
 
O plano continha objetivos específicos necessáriosà conservação da natureza 
no Brasil e propunha novas categorias de manejo dos recursos naturais, que não eram 
previstas na legislação da época - Código Florestal Brasileiro, de 1965 e a Lei de Proteção 
à Fauna, de 1967. Uma segunda etapa do plano, elaborada pelo IBDF, foi sancionada 
pelo governo em 1982 e publicada sob o seu nome e siglas atuais - Sistema Nacional de 
Unidades de Conservação da Natureza (SNUC). 
Segundo a legislação brasileira vigente, as UCs são criadas por meio de decreto 
presidencial ou estadual após uma avaliação sobre sua importância ecológica e só podem 
ser alteradas e reduzidas por projetos de lei. No entanto, em 2012, a Câmara e o 
Senado aprovaram, e a presidente DilmaRousseff sancionou e transformou em lei 
federal, uma Medida Provisória que previa a redefinição de limites de sete UCs na 
Amazônia. Isso abre um precedente perigoso para a conservação no país, pois antes as 
UCs tinham limites modificados somente por meio de projetos de leis, que possuem 
tramitação legislativa mais longa e por isso davam mais espaço a manifestações 
populares e consultas públicas. 
Uma unidade de conservação ambiental é caracterizada pelo seu objetivo 
institucional de preservar e conservar os recursos hídricos, a fauna e a flora, assim como 
as características geológicas do espaço. Além da luta pela preservação, as unidades 
ainda tem como propósito recuperar os ecossistemas degradados pela ação de 
terceiros, promover o desenvolvimento sustentável e instrumentalizar a defesa do meio 
ambiente. O ICMS Ecológico não é um novo imposto para atuar nessa questão. Na 
realidade, ele servecomo uma nova forma de redistribuição de recursos dentro do ICMS, 
considerando o nível de atividade econômica nas cidades e a preservação dos espaços 
ambientais. 
A Constituição Federal de 1988 determina, em seu artigo 158, que 25% do produto 
total da arrecadação do ICMS deve ser repassado aos municípios. Na prática, de todo o 
ICMS arrecadado pelo Estado, 75% fica para o poder estadual, enquanto o restante vai 
para os municípios. Dos 25% destinado aos municípios, 18,75% são repassados 
conforme o valor proporcional a quanto cada município contribuiu na arrecadação, 
enquanto 6,25% é definido por lei estadual, abrindo a possibilidade do ICMS Ecológico. 
A lógica contábil do Sistema de Contas Nacionais (SCN) permite uma avaliação 
do desempenho global da economia, por meio da apresentação das relações entre 
agentes econômicos, transações, atividades, produtos, e ativose passivos. Calcula-se, 
assim, o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma (em valores monetários) de 
todos os bens e serviços finais produzidos em uma determinada região durante um 
27 
 
 
 
ICMS Ecológico é um importante instrumento de conservação do Meio Ambiente, 
adotado em alguns estados do Brasil, que privilegia a manutenção de biomas. 
 
período determinado. 
A contribuição das atividades econômicas para a economia pode ser medida por 
um indicador como o PIB, no entanto, esse indicador não incorpora a contribuição que os 
recursos naturais (incluindo os ecossistemas) têm na economia. 
Dentro dessa lógica, o Sistema de Contas Econômicas Ambientais (SCEA) surge 
como um conjunto de metodologias para a contabilidade de recursos naturais (como 
água, florestas e ecossistemas) associados à atividade econômica. 
 
 ICMS ecológico 
 
 
Os seguintes estados brasileiros instituiram o ICMS Ecológico: Paraná (1989), São 
Paulo (1993), Minas Gerais (1995), Amapá (1996), Rio Grande do Sul (1997), Rondônia 
(1997), Mato Grosso do Sul (2000), Pernambuco (2000), Mato Grosso (2000), Tocantins 
(2002), Acre (2004), Rio de Janeiro (2007), Ceará (2007), Pará (2012). 
Para um município requerer o ICMS Ecológico é necessário ter em seu território 
uma Unidade de Conservação, devidamente registrada no Cadastro Estadual de 
Unidades de Conservação, ou ser diretamente influenciado porela, ou ainda, possuir 
mananciais de abastecimento público de municípios confrontantes. Além desses pré- 
requisitos, o município interessado precisa atender aos seguintes critérios ambientais e 
de conservação do meio ambiente: 
 Ações de gerenciamento de resíduos sólidos, inclusive lixo hospitalar e resíduos 
da construção civil - coleta, transporte e destinação dos resíduos sólidos, aterro 
sanitário, incineração, reciclagem e compostagem; 
 Ações efetivas de educação ambiental, na zona urbana e rural, nas escolas e 
grupos da sociedade organizada, instituídas por intermédio de lei municipal e/ou 
programas específicos; 
 Ações de combate e redução do desmatamento, com a devida fiscalização e 
comprovação da efetiva recuperação de áreas degradadas - reflorestamento; 
 Programas de redução do risco de queimadas, conservação do solo e da água e 
da biodiversidade; 
 Programa de proteção de mananciais de abastecimento público; 
 Identificação de fontes de poluição atmosférica, sonora e visual, e comprovação 
28 
 
 
 
O conhecimento das obrigações legais é imprescindível!!! → o infrator não pode alegar 
desconhecimento!!! 
 
das medidas adotadas para a minimização dessas práticas; 
 Identificação das edificações irregulares, bem como a comprovação das medidas 
adotadas para sua adequação às normas de uso e ocupaçãodo solo; 
 Programas de instituição e proteção das unidades de conservação; 
 Elaboração de legislação sobre a política municipal de meio ambiente, incluindo a 
criação do Conselho Municipal do Meio Ambiente e do FundoMunicipal do Meio 
Ambiente, obedecidas as peculiaridades locais, respeitadas as legislações federal 
e estadual sobre o assunto. 
 
5.2.7 Legislação Ambiental 
Trata dos aspectos ambientais do empreendimento; 
O Brasil se destaca mundialmente no que se refere à legislação ambiental; 
Constituição da República – 1988 → a primeira no mundo a dedicar um capítulo 
exclusivamente ao tema Meio Ambiente. Art. 225; “Todos têm direito ao meio ambiente 
ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade 
de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- 
lo para as presentes e futuras gerações”. 
 
5.2.8 Fiscalização Ambiental 
 Atender às denúncias; 
 Acompanhar o passivo Ambiental; 
 Acompanhar condicionantes e pós licenciamento; 
 Atender às emergências ambientais; 
 Verificar empreendimento licenciados; 
 Atender ao Ministério Público/Poder Judiciário; 
 Durante as fiscalizações, é obrigatoriamente gerado o Auto de Fiscalização (AF) 
e, se constatada alguma irregularidade, é lavrado o Auto de Infração (AI); 
 Art. 6º da Lei Federal nº 6.938/81: estabelece que a fiscalização poderá ser 
realizada pelos “órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal, 
dos Territórios e dos Município”; 
 Federal: IBAMA, Polícia Militar de Meio Ambiente (para assuntos referentes à 
29 
 
 
 
fauna, mediante convênio estabelecido com o Ibama); 
 Estadual: Órgão Executivos do SISEMA (SEMAD e Polícia Militar de Meio 
Ambiente); Municipal: Órgão Executor do SISMAD (SMA), Órgãos de Apoio (SETTRA, 
DEMLURB, CESAMA, SAU). 
 Poder de Polícia: garantida a entrada e permanência em estabelecimento público 
ou privado, durante o período de qualquer atividade, ainda que noturno; (Decreto 
Estadual 44844/06 - Art. 29); 
 
5.2.9 Monitoramento e Fiscalização – pós licença 
O licenciamento ambiental não se resume na expedição da referida licença. É 
preciso implantar a Gestão Ambiental do empreendimento, garantindo a conformidade da 
atividade e buscando a melhoria contínua dos aspectos ambientais. 
As Condicionantes Ambientais são instrumentos de controle estipulados pelo 
órgão licenciador com o objetivo de garantir a adequação da atividade ao longo da 
validade da licença. O órgão ambiental competente estabelecerá as condicionantes para 
o monitoramento da atividade, como, por exemplo: os laudos de análise de efluentes e 
emissões, comprovantes e relatórios de geração e destinação dos resíduos sólidos, 
outros relatórios e informações pertinentes, devendo o responsável seguir os modelos e 
padrões definidos pelo órgão licenciador e constantes na referida licença. 
 
6. AUDITORIAS AMBIENTAIS 
A Norma NBR ISO 14.010 define Auditoria Ambiental como o ―processo 
sistemático e documentado de verificação, executado para obter e avaliar, de forma 
objetiva, evidências de auditoria para determinar se as atividades, eventos, sistemas de 
gestão e condições ambientais específicos ou as informações relacionadas a estes estão 
em conformidade com os critérios de auditoria e para comunicar os resultados deste 
processo ao cliente‖. 
Resumindo e simplificando o conceito acima temos que a Auditoria Ambiental é 
— um processo sistemático e formal de verificação, por uma parte auditora, se a conduta 
ambiental e/ou desempenho ambiental de uma entidade auditada atendem a um conjunto 
de critérios especificados.‖ (Philippi Jr. & Aguiar, 2004). 
A auditoria ambiental é o retrato do desempenho ambiental da empresa em um 
determinado momento, ou seja, verifica se até aquele ponto a empresa está atendendo 
os padrões ambientais estabelecidos pela legislação ambiental vigente, ou seja, a 
30 
 
 
 
auditoria ambiental visa principalmente verificar o sistemade gestão ambiental de uma 
organização. 
A auditoria ambiental é uma ferramenta importante que deve ser usada pelas 
empresas para controlar a observância a critérios e medidas estipulados com o objetivo 
de evitar a degradação ambiental, que em geral decorre quando há falta ou pouco 
controle do impacto ambiental das operações. 
Para dar suporte à aplicação de sistemas de gestão ambiental e de auditoria 
ambiental são necessárias diretrizes sobre os critérios de qualificação para auditores 
ambientais. A finalidade desta Norma é oferecer tais diretrizes. Os auditores internos 
precisam ter o mesmo nível de competência que os auditores externos, mas podem não 
atender, em todos os aspectos, os critérios detalhados descritos nesta Norma, 
dependendo de fatores como: Tamanho, natureza, complexidade e impactos ambientais 
da organização. 
 
7. ECONOMIA ECOLÓGICA 
Todos os países precisam ter planos bem elaborados para conciliar essas duas 
áreas. De nada adianta um plano de crescimento econômico que não respeite a 
natureza, pois o futuro cobrará os danos do presente. 
São necessárias instituições que fiscalizam, punam e eduquem as pessoas a agir 
da maneira certa. O meio ambiente não é algo longe de todos e a natureza não está aí 
para o homem usar como bem entender. Somos parte dela e sentiremos, junto com ela, 
toda a destruição. 
O Prêmio Nobel de Economia de 2018 mostrou a importância de se falar na estreita 
relação entre economia e meio ambiente. O desenvolvimento sustentável e seus três 
pilares (natureza, economia e sociedade), nos mostra que é preciso aliar esses campos 
na busca por um futuro melhor. Afinal, um crescimento econômico desenfreado não 
mantém a natureza sadia. É preciso que os três pilares estejam em equilíbrio para um 
futuro melhor para todos. 
A economia ambiental é um sub-ramo da economia que tem por objetivo encontrar 
maneiras que possam tornar mais suaves os problemas ambientais. Tenta encontrar 
recursos e criar projetos que proporcione medidas de preservação e conservação 
ambiental. Problemas como desmatamento, poluição do ar e da água, mudanças 
climáticas e mercado de carbono, são hoje, os principais temas discutidos entre os 
especialistas da área ambiental. 
Vale lembrar, que isolar e descartar de forma classificada os materiais e resíduos 
31 
 
 
 
resulta em programas de reciclagem e reaproveitamento de materiais, e essa medida não 
só traz benefícios como também gera empregos. 
Atualmente as empresas buscam medidas de preservação ambiental e isso faz com 
que elas tenham uma imagem positiva no mercado econômico, pois os consumidores 
buscam por produtos ecologicamente corretos. Priorizar medidasambientais faz com que 
as empresas mudem a forma de produção e a formade como eliminam os resíduos. 
Muitas vezes, essas medidas influenciam diretamente na obtenção de lucros. Vale 
ressaltar, que a preocupação das indústrias com o meio ambiente raramente aparecem 
apenas pela consciência da escassez de recursos naturais, em geral, surge diante as 
exigências do mercado, e isso faz com que elas procurem setores de economia ambiental 
para auxiliá-las nesse processo de preservação. 
O setor de economia ambiental esta em alta devido à procura pelas indústrias de 
projetos e medidas preventivas que façam com que elas possam se desenvolver e 
crescer, seguindo as exigências do mercado. Essa procura é devida a preocupação com 
alguns fatores importantes como: 
A Permanência no Mercado: é importante que as empresas sigam os padrões 
ambientais e muitas vezes, devido a esses padrões serem muito rigorosos algumas não 
conseguem se manter no mercado. 
Responsabilidade Criminal e Legal: as novas leis de proteção ao meio ambiente, 
vem sendo responsáveis por fazer as empresas se adequarem tecnologicamente sob 
pena de tornar impossível a realização da implantação ou a ampliação das mesmas. 
 
7.1 Selo Verde ou Rotulagem Ambiental 
É o certificado de produtos adequados ao uso que apresentam menor impacto no 
meio ambiente em relação a outros produtos comparáveis disponíveis no mercado. 
Objetivo: Promover a melhoria da Qualidade Ambiental de produtos e processos 
mediante a mobilização das forças de mercado pela conscientização de consumidores e 
produtores. 
O que é o Selo Verde? É uma certificação que destaca a responsabilidade 
ambiental das empresas em executar suas atividades com o menor impacto ambiental 
possível. 
 
8. SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL (SGA) 
Sistema de gestão: conjunto de elementos, que interagem entre si, presente em 
uma organização, estabelecido a partir das políticas, dos objetivos e dos processos 
32 
 
 
 
organizacionais. Um sistema de gestão pode abordar uma única disciplina ou várias, por 
exemplo, gestão da qualidade, gestão ambiental, gestão da saúde e segurança 
ocupacional, dentre outras. Em outras palavras, a organização pode optar por ter um 
único ou mais sistemas de gestão, o que chamamos de sistema de gestão integrado 
(SGI). Os elementos do sistema incluem a estrutura da organização, papéis e 
responsabilidades, planejamento e operação, avaliação de desempenho e melhoria. 
Sistema de gestão ambiental: refere-se a uma parte do sistema de gestão da 
organização, ou seja, foca no gerenciamento ambiental e respeita a legislação, 
verificando os riscos e as oportunidades que o meio ambiental pode propiciar. 
 
 
 
Figura 14. Fonte: Pimentel, D. Gestão da Responsabilidade Social e Sustentabilidade, 2013. 
 
 
8.1 Requisitos do SGA 
Assim como as demais normas de sistemas de gestão, a ISO 14001 também é 
baseada na metodologia PDCA (Plan-Do-Check-Act), a qual fornece um processo 
iterativo para alcançar a melhoria contínua.A figura a seguir ilustra como as seções ou 
cláusulas de 4 a 10 da norma (em parênteses) podem ser agrupadas em relação ao ciclo 
PDCA. 
33 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 15. Estrutura da norma ISO 14001:2015 no ciclo PDCA / Fonte: adaptada de ABNT 
(2015c). Fonte: Pimentel, D. Gestão da Responsabilidade Social e Sustentabilidade, 2013. 
 
 
 
De acordo com a ISO 14001 (ABNT, 2015c), o ciclo PDCA pode ser, 
resumidamente, 
descrito como a seguir, conforme acima: 
 Plan (planejar): estabelecer os objetivos ambientais e os processos necessários 
para entregar resultados de acordo com a política ambiental da organização.
 Do (fazer): implementar o que foi planejado.
 Check (checar): monitorar e medir os processos em relação à política ambiental, 
incluindo seus compromissos, objetivos ambientais e critérios operacionais, e 
reportar os resultados.
 Act (agir): tomar ações para melhoria contínua.
 
9. O QUE É RESPONSABILIDADE SOCIAL 
O conceito de Responsabilidade Social e Ambiental resulta de um longo processo 
de análise crítica da relação existente entre a sociedade, o meio natural e a economia. E 
esta amplitude acaba por justificar o porquê de sua contínua e complexa abordagem. 
Neste sentido, precisaremos conhecer alguns desafios da modernidade e definir 
e diferenciar o conceito de “responsabilidade social” do conceito de “sustentabilidade”. De 
forma complementar conheceremos fundamentos, teorias, padrões, acordos, 
34 
 
 
 
recomendações, códigos unilaterais e multilaterais que abordam a responsabilidades 
socioambiental. Com este arcabouço teórico apresentado será possível entender a 
importância, a abrangência e a complexidade de se implementar uma gestão socio 
ambientalmente responsável. 
 
9.1 Relação entre Responsabilidade Social e o Desenvolvimento Sustentável 
A responsabilidade social tem como foco a organização e refere-se às 
responsabilidades da organização com a sociedade e o meio ambiente. 
A responsabilidade social está intimamente ligada ao desenvolvimento 
sustentável. Pelo fato de o desenvolvimento sustentável tratar de objetivos econômicos, 
sociais e ambientais comuns a todas as pessoas, ele pode ser usado como forma de 
abarcar as expectativas mais amplas da sociedade a serem levadas em conta por 
organizações que buscam agir responsavelmente. 
Portanto, convém que um objetivo amplo de responsabilidade social das 
organizações seja o de contribuir para o desenvolvimento sustentável. Neste sentido, a 
noção de que a responsabilidade social é centrada em atividades filantrópicas, como 
doações a instituições beneficentes, não é correta, apesar de serem importantes em 
determinados contextos. As decisões e atividades das organizações socialmente 
responsável podem trazer uma contribuição significativa para o desenvolvimento 
sustentável. 
 
 
Figura 16. Três dimensões da sustentabilidade. Fonte: Pimentel, D. Gestão da Responsabilidade 
Social e Sustentabilidade, 2013. 
 
Responsabilidade Social está intrinsecamente relacionada aos indivíduos, à 
responsabilidade perante os outros a quem, direta ou indiretamente, consciente ou 
35 
 
 
 
inconscientemente, estamos ligados e para quem nossas escolhas, decisões e ações 
possam causar impactos. 
Responsabilidade social é a relação ética e transparente da organização com 
todas as suas partes interessadas, visando o desenvolvimento sustentável. 
Responsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela 
relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se 
relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o 
desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais 
para gerações futuras, respeitando q diversidade e promovendo a redução das 
desigualdades sociais. 
 
9.2 A Responsabilidade Socioambiental como ferramenta para o 
desenvolvimento Sustentável 
A preocupação com a responsabilidade social das organizações tem aumentado 
por inúmeras razões. Globalização, maior mobilidade e acessibilidade, assim como a 
disponibilidade de comunicação instantânea significam que indivíduos e organizações em 
todo o mundo estão tendo maior facilidade de saber sobre as atividades das 
organizações, tanto das próximas como das distantes. 
Algumas empresas apresentam formas mais simples de dedicarem tempo e 
recursos às questões que afligem a sociedade. 
Algumas realizam Ações Sociais (também conhecidas com 
Assistencialistas/Filantrópicas) ações pontuais, como distribuição de agasalhos e 
alimentos às populações carentes e comunidades do entorno de seus empreendimentos. 
Em outros casos, algumas empresas chegam a ter projetos mais estruturados, mas pelo 
fato de estarem relacionados apenas às comunidades, são reconhecidas como 
programas de Investimento Social. Ressalta-se que ambas as formas são parte integrante 
da gestão socialmente responsável. 
36 
 
 
 
INVESTIMENTO SOCIAL 
• Ações contínuas 
• Comunidade 
 
AÇÃO SOCIAL 
• Ações pontuais 
• Comunidade 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 17. Fonte: Pimentel, D. Gestão da Responsabilidade Social e Sustentabilidade, 2013. 
 
 
9.3 Princípios e Diretrizes Internacionais 
A responsabilidade social das organizações nasce de um contexto internacional em 
que Partes como direitos humanos, direitos do trabalho, meio ambiente e 
desenvolvimento sustentável passam a ser cada vez mais discutidos entre os países- 
membros das Nações Unidas. 
Estas iniciativas são traduzidas em padrões, acordos, recomendações e códigos 
unilaterais e multilaterais que ajudam a compreender a responsabilidade social como 
Parte emergente para as organizações. Esses documentos, elaborados ou publicados 
pelas Nações Unidas e seus organismos (OIT, FAO, OMC, IFC e PNUD) que conferem 
um patamar considerado o mínimo aceitável. 
Para a implementação da responsabilidade social: 
 Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU;
 Carta da Terra;
 Declaração da OIT sobre os Princípios e Direitos Fundamentais do Trabalho e 
seu Seguimento;
 Declaração Tripartite sobre Empresas Multinacionais da OIT;
 Convenção 169 sobre Povos Indígenas e Tribais
 Diretrizes para Empresas Multinacionais da OCDE;
 Declaração do Rio e Agenda
 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.
RESPONSABILIDADE SOCIAL 
• Ações oriundas do planejamento 
estratégico 
• Todas as partes interessadas 
37 
 
 
 
 Agenda 21, da ONU, que tratam do meio ambiente, desenvolvimento 
sustentável e erradicação da pobreza.
 
9.4 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável 
Baseado na experiência de duas décadas de prática de desenvolvimento e a partir 
de contribuições obtidas através de um processo aberto e inclusivo, o relatório “O 
Caminho para a Dignidade em 2030”1 apresenta um mapa com o objetivo de alcançar a 
dignidade nos próximos 15 anos. 
O documento final destaca a erradicação da pobreza como o objetivo primordial 
da nova agenda de desenvolvimento e busca em sua essência a integração das três 
dimensões do desenvolvimento sustentável – econômica, social e ambiental. A nova 
agenda de desenvolvimento pede uma ação por todos os países, pobres, ricos e de renda 
média. 
Os Estados-membros se comprometem a não deixar ninguém para trás. Os “cinco 
Ps” – pessoas, planeta, prosperidade, paz e parceria – mostram um pouco acerca do 
amplo alcance da agenda. 
 Pessoas: Estamos determinados a acabar com a pobreza e a fome, em todas as 
suas formas e dimensões, e garantir que todos os seres humanos possam realizar 
o seu potencial em dignidade, em um ambiente saudável. 
 Planeta: Estamos determinados a proteger o planeta da degradação, sobretudo 
por meio do consumo e da produção sustentáveis, da gestão sustentável dos seus 
recursos naturais e tomando medidas urgentes sobre a mudança climática, para 
que ele possa suportar as necessidades das gerações presentes e futuras. 
 Prosperidade: Estamos determinados

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