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0 CURSO: GESTÃO AMBIENTAL E RESPONSABILIDADE SOCIAL 2 APRESENTAÇÃO A Gestão Ambiental visa ordenar as atividades humanas para que estas gerem o menor impacto possível sobre o meio, observando desde a escolha das melhores técnicas até o cumprimento da legislação e a alocação correta de recursos humanos e financeiros. O objetivo do curso é contribuir para que vocês tenham informações e conhecimento básico sobre as questões ambientais, ressaltando que o curso não irá aprofundar em aspectos técnicos científicos de gestão ambiental. 3 SUMÁRIO 1. O QUE É ECOLOGIA E MEIO AMBIENTE 04 2. ECOSSITEMAS BRASILEIROS 09 3. CRISE AMBIENTAL 12 4. O MOVIMENTO ECOLÓGICO 16 5. ELEMENTOS DA POLÍTICA AMBIENTAL E INSTRUMENTOS DE REGULAÇÃO E CONTROLE 17 6. AUDITORIAS AMBIENTAIS 29 7. ECONOMIA ECOLÓGICA 30 8. SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL (SGA) 31 9. O QUE É RESPONSABILIDADE SOCIAL 33 10. RELATÓRIOS AMBIENTAIS E DE SUSTENTABILIDADE 41 11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 42 4 APOSTILA DO CURSO DE GESTÃO AMBIENTAL E RESPONSABILIDADE SOCIAL 1. O QUE É ECOLOGIA E MEIO AMBIENTE A Ecologia é a especialidade da biologia que estuda o meio ambiente e os seres vivos que vivem nele, ou seja, é o estudo científico da distribuição e abundância dos seres vivos e das interações que determinam a sua distribuição. As interações podem ser entre seres vivos e/ou com o meio ambiente. Ecologia é uma ciência complexa que nos permite entender como os seres vivos relacionam-se uns com os outros e com o ambiente em que vivem. Ao estudar ecologia podemos compreender melhor a importância de cada espécie do planeta e como o ambiente influencia na distribuição e na abundância das diferentes espécies. Ao entendermos essas relações, fica mais claro também a importância de preservamos o meio ambiente. A palavra ecologia é derivada de duas palavras gregas: oikós e logos, que significam, respectivamente, “casa” e “estudo”. Podemos concluir, desse modo, que ecologia seria o estudo do local em que os seres vivos vivem, entretanto, essa parte da biologia é muito mais complexa. Uma forma melhor de definir a ecologia seria: Na ecologia, um organismo não será analisado em todos esses níveis, sendo alguns deles exclusivos de outras áreas da biologia. Em ecologia, os níveis de organização tratados são: organismo, populações, comunidades, ecossistemas e biosfera. Organismo: é um indivíduo de uma determinada espécie. População: é um termo usado para referir-se a indivíduos de uma mesma espécie, que vivem num determinado local e num determinado tempo. Em uma população, há a troca de material genético entre os indivíduos. 5 Comunidade: é um termo utilizado para referir-se ao conjunto de populações que vivem numa determinada área e num determinado tempo. Em uma comunidade, os indivíduos de diferentes espécies interagem entre si. Figura 1. Fonte: Núcleo de Pós-Graduação e Extensão – FAVENI, 2020. Ecossistema: refere-se ao conjunto formado pelos componentes abióticos (sem vida) e bióticos (seres vivos) de uma região. Esses dois componentes interagem entre si e garantem que ocorra o fluxo de energia e a reciclagem da matéria. Biosfera: conjunto de todos os ecossistemas do planeta, ou seja, todas as regiões da Terra onde há seres vivos. 1.1 Conceitos básicos da ecologia Para estudar-se ecologia, é importante ter-se conhecimento de alguns conceitos básicos. Além dos já estudados quando falamos sobre níveis de organização, são conceitos importantes: Habitat: é onde uma determinada espécie vive. A zebra vive na savana africana, sendo está, portanto, seu habitat. Nicho ecológico: é o modo de vida de determinado organismo. Pirâmide ecológica: é a representação gráfica que reproduz os diferentes níveis tróficos de um ecossistema. As pirâmides ecológicas podem ser de três tipos: número, biomassa e energia. Relações ecológicas: são as interações estabelecidas entre os seres vivos. As relações ecológicas podem ser intraespecíficas, quando envolvem indivíduos da mesma espécie, e interespecíficas, quando ocorre entre indivíduos de espécies diferentes. As relações ecológicas podem, ainda, ser classificadas em harmônicas e desarmônicas, considerando-se os benefícios e malefícios advindos da interação. 6 Figura 2. Fonte: Núcleo de Pós-Graduação e Extensão – FAVENI, 2020. Cadeia alimentar: sequência linear pela qual a matéria e a energia são transferidas de um nível trófico a outro. A cadeia alimentar mostra uma sequência de seres vivos que servem de alimento para outros, iniciando-se com os organismos produtores. Teia alimentar: conjunto de várias cadeias alimentares interligadas. Nas teias alimentares, um mesmo organismo pode estar em diferentes níveis tróficos. Nível trófico: conjunto de organismos de um ecossistema que apresentam o mesmo tipo de nutrição. Todos os organismos que realizam fotossíntese, por exemplo, ocupam o mesmo nível trófico: os produtores. Existem três níveis tróficos principais: produtores, consumidores e decompositores. Produtores: são os organismos autotróficos, ou seja, aqueles capazes de sintetizar seu próprio alimento. Plantas e algas são organismos produtores. Consumidores: são aqueles organismos heterotróficos, incapazes de sintetizar seu próprio alimento, e, desse modo, precisam ingerir outros seres vivos. Os consumidores primários são aqueles que se alimentam dos produtores, os secundários alimentam-se dos consumidores primários, os terciários alimentam-se dos consumidores secundários, e assim sucessivamente. Decompositores: são organismos que realizam a decomposição, processo por meio da qual obtêm os nutrientes de que necessitam da matéria morta, e promovem a devolução de alguns compostos químicos para o ambiente. 1.2 - Relação sociedade e meio ambiente Em um ecossistema, os seres vivos relacionam-se com o ambiente físico e também entre si, formando o que chamamos de relações ecológicas. As relações ecológicas ocorrem dentro da mesma população (isto é, entre indivíduos da mesma espécie), ou entre populações diferentes (entre indivíduos de espécies diferentes). 7 Essas relações estabelecem-se na busca por alimento, água, espaço, abrigo, luz ou parceiros para reprodução. 1.2.1 Relações Harmônicas (relações positivas) intraespecíficas (entre indivíduos da mesma espécie) Sociedade (++) União permanente entre indivíduos em que há divisão de trabalho. Uma sociedade é composta por um grupo de indivíduos da mesma espécie que vivem juntos de forma permanente e cooperando entre si. Ex.: insetos sociais (abelhas, formigas e cupins) Figura 3. Fonte: Núcleo de Pós-Graduação e Extensão – FAVENI, 2020. Colônia (++) Associação anatômica formando uma unidade estrutural e funcional. Ex.: coral, caravela. Colônia é um grupo de organismos da mesma espécie que formam uma entidade diferente dos organismos individuais. Por vezes, alguns destes indivíduos especializam-se em determinadas funções necessárias à colônia. Colônia isomórfica – indivíduos com mesma forma Ex: coral Colônia heteromórfica – indivíduos com formas diversas. Ex: caravela. Figura 4. Fonte: Núcleo de Pós-Graduação e Extensão – FAVENI, 2020. 1.2.2 Relações Interespecíficas (entre indivíduos de espécies diferentes) Mutualismo (++) Associação obrigatória entre indivíduos, em que ambos se beneficiam. Ex.: líquen (fungo + cianobactéria), cupim e protozoário, micorrizas (fungos + raízes de plantas), ruminantes e protozoários. Figura 5. Fonte: Núcleo de Pós-Graduação e Extensão – FAVENI, 2020. 8 Protocooperação (++) Associação facultativa entre indivíduos, em que ambos se beneficiam. Ex.: Anêmona do Mar e paguro, gado e anu (limpeza dos carrapatos), crocodilo africano e ave palito (higiene bucal).a assegurar que todos os seres humanos possam desfrutar de uma vida próspera e de plena realização pessoal, e que o progresso econômico, social e tecnológico ocorra em harmonia com a natureza. Paz: Estamos determinados a promover sociedades pacíficas, justas e inclusivas que sejam livres do medo e da violência. Não pode haver desenvolvimento sustentável sem paz e não há paz sem desenvolvimento sustentável. Parceria: Estamos determinados a mobilizar os meios necessários para implementar esta Agenda por meio de uma Parceria Global para o Desenvolvimento Sustentável revitalizada, com base num espírito de solidariedade global reforçada, concentrada em especial nas necessidades dos mais pobres e mais vulneráveis e com a participação de todos os países, todas as partes interessadas e todas as pessoas. 38 Os 17 objetivos sustentáveis (Figura 18) e 169 metas visam a superar barreiras- chave sistêmicas para o desenvolvimento sustentável, tais como a desigualdade, o consumo e os padrões de produção insustentáveis, infraestrutura inadequada e falta de empregos. A dimensão ambiental do desenvolvimento sustentável é coberta nas metas sobre os oceanos e recursos marinhos, bem como nas metas sobre os ecossistemas e a biodiversidade. Figura 18. Os 17 Objetivos Globais para o Desenvolvimento Sustentável Fonte: Pimentel, D. Gestão da Responsabilidade Social e Sustentabilidade, 2013. 9.5 Gestão Socialmente Responsável Para que uma organização seja responsável pelos impactos de suas decisões e atividades sobre as partes interessadas, isto não é razão suficiente para que algumas empresas se responsabilizem por estes impactos. Talvez, seja esta, efetivamente, a diferença entre a gestão tradicional de uma empresa da gestão socialmente responsável: sua vontade de identificar e tratar os problemas resultantes dos impactos de suas decisões e atividades, a partir do respeito e consideração dos interesses das partes interessadas que serão afetados por suas decisões e atividades. Entre os aspectos mais desafiadores da gestão socialmente responsável está o reconhecimento das expectativas e interesses das partes interessadas em seus múltiplos relacionamentos. 39 Figura 19. Relação entre a organização e as suas partes. Fonte: ABNT NBR ISO 26000:2010. Neste sentido, há algumas características que também deverão ser levadas em consideração: A gestão terá de estar em total vínculo com o negócio da empresa; Deve haver um total comprometimento da alta direção Por envolver partes interessadas, muitas vezes sensíveis, necessitará de uma gestão profissional, sem improvisações; Total envolvimento da empresa na gestão das ações a serem operacionalizadas; Envolverá o cumprimento total da legislação; Necessitará o envolvimento formal de todas as áreas; Necessitará de registros formais dos resultados e/ou avaliação das ações realizadas. 9.6 Conscientização e Desenvolvimento de Competências para a Gestão Socialmente Responsável A responsabilidade social representa um campo de oportunidades e inovações e para inovar é necessário que se invista na formação de profissionais sensíveis, éticos e responsáveis, com visão de longo prazo, capacidade de conciliar resultados econômicos, sociais e ambientais, habilidade para dialogar com stakeholders, coragem para influenciar atitudes e comportamentos, romper paradigmas e mudar modelos de negócio; e ainda consciência para compreender o propósito moral e filosófico da mudança que se deve operar no modo de as .empresas fazerem negócios. No caso da gestão socialmente responsável, bons gestores aliados a ferramentas inovadoras são de extrema importância ao processo. ACCOUNTABILITY 40 TRANSPARÊNCIA COMPORTAMENTO ÉTICO RESPEITO DAS PARTES INTERESSADAS RESPEITO PELO ESTADO DE DIREITO RESPEITO PELAS NORMAS INTERNACIONAIS DE COMPORTAMENTO RESPEITO PELOS DIREITOS HUMANOS Figura 20. Requisitos da norma ABNT NBR 16001 inseridos no ciclo PDCA Fonte: Pimentel, D. Gestão da Responsabilidade Social e Sustentabilidade, 2013. A figura acima mostra a estrutura geral da Norma. A cláusula “escopo” estabelece os compromissos básicos, os objetivos e as algumas considerações sobre a Norma e sua adoção. A cláusula “termos e definições” traz os principais conceitos para a aplicação da Norma. A cláusula “requisitos do sistema de gestão da responsabilidade social” é o coração da Norma e estabelece os elementos inter-relacionados e interativos para estabelecer políticas e objetivos da RS e como atingi-los. Política da responsabilidade social - o documento aprovado pela Alta Administração da organização contendo as suas intenções e diretrizes globais em relação à RS e que orienta os desdobramentos do SGRS. Planejamento - o passo inicial no planejamento do SGRS é identificar e priorizaras partes interessadas e entender as suas expectativas e interesses. A organização deve definir como vai fazer isso. 41 10. RELATÓRIOS AMBIENTAIS E DE SUSTENTABILIDADE Relatório Ambiental Simplificado – RAS: são estudos relativos aos aspectos ambientais relacionados à localização, instalação e operação de novos empreendimentos, que conterá, dentre outras, as informações relativas ao diagnóstico ambiental da região de inserção do empreendimento, sua caracterização, a identificação dos impactos ambientais e das medidas de controle, de mitigação e de compensação. Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD): foi concebido para a recomposição de áreas degradadas pela atividade de exploração de recursos minerais. No entanto, tem sido utilizado para os diversos tipos de empreendimentos, e geralmente, é previsto no escopo dos Estudos Ambientais. Plano Técnico de Recomposição da Flora (PTRF): tem como objetivo a recomposição da flora considerando as características bióticas e abióticas da área, em especial as características florísticas e a fisionomia regional. É solicitado pelo órgão ambiental quando o empreendimento gera intervenções ou causa danos sobre a vegetação. Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA): o Estudo de Impacto Ambiental é um estudo detalhado destinado a identificar e avaliar todas as alterações que determinada atividade poderá causar ao meio ambiente. Deve ser elaborado apenas para as atividades capazes de provocar impactos significativos. O Relatório de Impacto Ambiental reflete as conclusões do EIA e deve ser apresentado de forma clara e objetiva. Relatório de Controle Ambiental (RCA): é exigido pela Resolução CONAMA nº. 010/90, na hipótese de dispensa do EIA/RIMA para a obtenção da Licença Prévia de atividades de extração mineral da classe II. Deve ser elaborado de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo órgão ambiental competente. O RCA tem sido exigido por alguns órgãos de meio ambiente também para o licenciamento de outros tipos de atividade. Plano de Controle Ambiental (PCA): é exigido pela Resolução CONAMA nº. 009/90 para a concessão da Licença de Instalação de atividade de extração mineral de todas as classes. O PCA é uma exigência adicional ao EIA/RIMA, apresentado na fase anterior à concessão da Licença Prévia. No entanto, o Plano de Controle Ambiental tem sido exigido, também, para o licenciamento e outros tipos de atividades. 42 11. REFERENCIA BIBLIOGRÁFICA AFONSO, Cíntia Maria. Sustentabilidade: caminho ou utopia? São Paulo: Annablume, 2006. ALMEIDA, Fernando. O bom negócio da sustentabilidade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002. BARBIERI, José Carlos. Gestão Ambiental Empresarial: conceitos, modelos e instrumentos. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2007. BAZZO, Walter Antônio; PEREIRA, Luiz Teixeira do Vale. Introdução à Engenharia. 6 ed. Florianópolis: UFSC, 2000. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curricularesnacionais: meio ambiente, saúde / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: 1997. COLLARES, José Enilcio Rocha. Política ambiental e sustentabilidade na escala local. 2004. 266f. Tese (Doutorado em Geografia) - IGEO, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2004. IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Vocabulário básico de recursos naturais e meio ambiente. Rio de Janeiro, 2004. LEFF, Enrique (Coord.). et al. A Complexidade Ambiental. Trad. Eliete Wolff. São Paulo: Cortez, 2003. TOWNSEND, C. R., M. BEGON E J. L. HARPER 2006. Fundamentos em Ecologia. 2ªed. Artmed, Porto Alegre. PRIMACK, R. B. E E. RODRIGUES 2001. Biologia da Conservação. Ed. Planta, Londrina. RICKLEFS, R.E. 201o. A Economia da Natureza. 6ª ed. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro. BEGON, M., C. R. TOWNSEND E J. L. HARPER 2007. Ecologia de Indivíduos a Ecossistemas. 4ªed, Artmed, Porto Alegre. (2005, 4ª ed. Blackwell, Oxford ou 3a ed., 1996). 43 BLOCO DE NOTAS FAÇA AQUI SUAS ANOTAÇÕES! 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 Comensalismo (+0) Associação em que um indivíduo aproveita restos alimentares do outro, sem prejudicá-lo. Ex.: Tubarão e rêmoras, leão e a hiena, urubu e o homem Figura 6. Fonte: Núcleo de Pós-Graduação e Extensão – FAVENI, 2020. Inquilinismo ou Epibiose (+0) Uma espécie usa a outra como abrigo, mas somente ela se beneficia, mas sem causar prejuízos à outra. Ex: orquídeas e bromélias associadas a árvores de grande porte (epifitismo), peixe-agulha e pepino-do-mar (epizoísmo). Foresia (+0) Uma espécie transporta outra sem se beneficiar ou prejudicar. Ex: animais e carrapicho. 1.2.3 Relações desarmônicas (relações negativas) intraespecíficas (entre indivíduos da mesma espécie) Canibalismo (+-) Ato no qual um indivíduo alimenta-se de outro(s) da mesma espécie. Ex: Viúva-negra, louva-a-deus. Figura 7. Fonte: Núcleo de Pós-Graduação e Extensão – FAVENI, 2020. Competição Intraespecífica (--) Disputa por territórios, parceiros sexuais, comida etc.Ex: Leões disputando território, búfalos disputando fêmeas para acasalamento. 1.2.4 Relações Interespecíficas (entre indivíduos de espécies diferentes) Amensalismo ou antibiose (0-) Uma espécie inibe o desenvolvimento de outra. Ex.: liberação de antibióticos por determinados fungos, causando a morte de certas bactérias; maré vermelha; eucaliptos e outras plantas. Predatismo ou Predação (+-) Um indivíduo mata outro para alimentar-se.Ex.: 9 serpente e rato; leão e zebra. Herbivorismo ou Herbivoria (+-) Um indivíduo (consumidor) mata outro (produtor) para alimentar-se. Em termos populacionais é considerado um mutualismo indireto, pois a população de predadores controla a população de presas e vice versa.Ex: boi e capim. Figura 8. Fonte: Núcleo de Pós-Graduação e Extensão – FAVENI, 2020. Parasitismo (+-) O parasita retira do corpo do hospedeiro nutrientes para garantir a sua sobrevivência, debilitando-o gradativamente. Ex.: lombriga e ser humano, lagarta e folhagens, carrapato e cachorro etc. Ectoparasitismo– parasitas externos. Ex: pulga, carrapato, piolho. Endoparasitismo – parasitas internos. Ex: lombriga, tênia, ancilóstomo. Parasitismo intracelular – parasitas do interior de células. Ex: vírus. Holoparasitismo – parasitismo completo. Ex: cipó-chumbo. Hemiparasitismo – parasitismo incompleto. Ex: erva-de-passarinho Parasita monóxeno – com apenas um hospedeiro. Ex: lombriga. Parasita heteróxeno – com dois hospedeiros, um intermediário (fase assexuada) e um definitivo (fase sexuada). Ex: tênia, esquistossomo. Competição Interespecífica (--) Disputa por recursos (território, presas, etc) entre espécies diferentes com sobreposição de nichos.Ex: Leões e hienas. Princípio de Gause ou da exclusão competitiva – espécie mais eficiente na exploração do nicho, exclui a competidora em seu habitat. 6. Esclavagismo ou Sinfilia (+-)Uma espécie força outra a trabalhar.Ex: formiga e pulgão. 2. ECOSSITEMAS BRASILEIROS O Brasil possui uma grande diversidade de ecossistemas. Quase todo o seu território está situado na zona tropical. Por isso, nosso país recebe grande quantidade de calor durante todo o ano, o que favorece essa grande diversidade. Veja, no mapa a seguir, exemplos dos principais ecossistemas encontrados no Brasil. 10 Figura 9. Fonte: Núcleo de Pós-Graduação e Extensão – FAVENI, 2020. Floresta Amazônica: Estende-se além do território nacional, com chuvas frequentes e abundantes. Apresenta flora exuberante, com espécies, como a seringueira, o guaraná, a vitóriarégia, e é habitada por inúmeras espécies de animais, como o peixe- boi, o boto, o pirarucu, a arara. Para termos uma ideia da riqueza da biodiversidade desses ecossistemas, ele apresenta, até o momento, 1,5 milhão de espécies de vegetais identificadas por cientistas. Mata de cocais: A mata de cocais situa-se entre a floresta amazônica e a caatinga. São matas de carnaúba, babaçu, buriti e outras palmeiras. Vários tipos de animais habitam esse ecossistema, como a araracanga e o macaco cuxiú. Pantanal mato-grossense: Localizado na região Centro-Oeste do Brasil, engloba parte dos estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul. Área que representa a terra úmida mais importante e conhecida do mundo (maior planície alagável do planeta), com espantosos índices de biodiversidade animal. Sofre a influência de diversos ecossistemas, como o cerrado, a floresta Amazônica, a mata Atlântica, assim como os ciclos de seca e cheia, e de temperaturas elevadas. São 140 mil quilômetros quadrados só no Brasil, equivalente a 5 Bélgicas ou ao território de Portugal. É onde vivem jacarés - cerca de 32 milhões - , 365 espécies de aves, 240 de peixes, 80 de mamíferos e 50 de répteis. Mais de 600.000 capivaras habitam a região. O pantanal é escolhido como pouso de milhões de pássaros, entre eles o tuiuiús, a ave-símbolo da região. Os cervos-do- pantanal, bem mais raros, também fazem parte da fauna local. 11 Campos sulinos: Os campos sulinos são formações campestres encontradas no sul do país, passando do interior do Paraná e Santa Catarina até o sul do Rio Grande do Sul. Os campos sulinos são conhecidos como pampas, termo de origem indígena que significa "regiões planas". Em geral, há predomínio das gramíneas, plantas conhecidas como grama ou relva. Animais como o ratão-do-banhado, preá e vários tipos de cobras são ali encontrados. Caatinga: A caatinga localiza-se na maior parte da região Nordeste. No longo período da seca, a vegetação perde as folhas e fica esbranquiçada. Esse fato originou o nome caatinga que na língua tupi, significa "mata branca". Os cactos, como o mandacaru, o xique-xique e outras plantas, são típicos da caatinga. A fauna inclui as cobras cascavel e jiboia, o gambá, a gralha, o veado-catingueiro etc. Restinga: A restinga é típica do litoral brasileiro. Os seres que habitam esse ecossistema vivem em solo arenoso, rico em sais. Parte desse solo fica submersa pela maré alta. Encontramos nesse ecossistema animais como maria-farinha, besourinho- dapraia, viúva-negra, gavião-se-coleira, coruja-buraqueira, tiê-sangue e perereca, entre outros. Como exemplos de plantas características da restinga podemos citar: sumaré, aperta-goéla, açucena, bromélias, cactos, coroa-de-frade, aroeirinha, jurema e taboa. Manguezal: A costa brasileira apresenta, desde o Amapá até Santa Catarina, uma estreita floresta chamada manguezal, ou mangue. Esse ecossistema desenvolve-se, principalmente, no estuário e na foz dos rios, onde há água salobra e local parcialmente abrigado da ação das ondas, mas aberto para receber a água do mar. Os solos são lodosos e ricos em nutrientes. Os manguezais são abrigos e berçários naturais de muitas espécies de caranguejos, peixes e aves. Apresentam um pequeno número de espécies de árvores, que possuem raízes-escoras. Essas raízes são assim chamadas por serem capazes de fixar as plantas em solo lodoso. Cerrado: O cerrado ocorre principalmente na região Centro-Oeste. A vegetação é composta de arbustos retorcidos e de pequeno porte, sendo as principais espécies: o araçá, o murici, o buriti e o indaiá. É o habitat do lobo-guará, do tamanduá-bandeira, da onça-pintada etc. Mata Atlântica: Esse ecossistema estende-se da região do Rio Grande do Norte até o sul do país. Apresenta árvores altas e vegetação densa, pouco espaço vazio. É uma das áreas de maior diversidade de seres vivos do planeta. Encontra-se plantas como o pau-brasil, o ipê-roxo, o angico, o manacá-da-serra e o cambuci e várias espécies de animais, como a onça pintada, a anta, a queixada, o gavião e o mico-leãodourado. 12 Mata de araucária: A mata de araucária situa-se na região sub-tropical, no sul do Brasil, de temperaturas mais baixas. Entre outros tipos de árvores abriga o pinheiro-do- paraná, tambémconhecido como araucária. Da sua fauna destacamos, além da ema, a maior ave das Américas, a gralha-azul, o tatu, o quati e o gato-do-mato. 3. CRISE AMBIENTAL Vivemos em um mundo superlotado. Segundo Achim Steiner, diretor do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), “nós vivemos num planeta em que, em menos de 200 anos, saltamos de 1,5 bilhão de pessoas para 6,5 bilhões. Em 40 anos, deveremos ser 9 bilhões na Terra. Precisamos entender que não estamos enfrentando um problema pequeno, como escassez de petróleo: viveremos o fenômeno de que tudo será escasso” (AMBERGER, JEPPESEN e PONTES, 2010). Esta conclusão pouco animadora ganha mais gravidade por causa das medidas econômicas adotadas por várias nações: o consumo como remédio para combater a recessão. E, junto destas medidas econômicas, a ideia que está por toda a parte: quanto mais se compra, mais feliz se vive. O nível de consumo atual, sobretudo dos mais ricos, leva a uma exploração acima dos limites da Terra. Neste contexto, a nossa pegada ecológica torna-se insustentável (LAMIM-GUEDES, 2011). A pegada ecológica é um cálculo da quantidade de área de terra e água (por exemplo, floresta, solos agrícolas, rios, etc.) que uma população humana requer para produzir os recursos que usa e para assimilar os seus resíduos, utilizando a tecnologia disponível (AMEND et al., 2010). Sendo que a pegada ecológica da humanidade já é superior a que o planeta suporta, caminhamos em direção a uma deterioração da saúde ambiental irreversível. A diferença entre as pegadas ecológicas dos países – que por serem médias, minimizam as desigualdades dentro de cada país – demonstra que as nações degradam o planeta em diferentes intensidades. A leitura que podemos ter da figura abaixo é de que um americano médio equivale, em termos de impacto sobre o planeta, a cerca de 20 haitianos. 13 Figura 10. Pegadas ecológicas de diferentes países. Fonte: Pimentel, D. Gestão da Responsabilidade Social e Sustentabilidade, 2013. Por causa desta situação, vivemos muitos problemas socioambientais como mudanças climáticas, desmatamento, perda de biodiversidade, crise na produção de alimentos, poluição, chuva ácida e perigos da radiatividade pelo uso da energia nuclear. Tudo isto, em conjunto, pode ser entendido como uma crise sistêmica, não apenas ambiental, fruto do modelo econômico baseado no consumo e na concentração de bens e capital. Tal situação só não é pior devido à exploração das populações pobres, que tem “tornado possível a sustentabilidade econômica do atual padrão de poder mundial que vem mantendo não só extremamente desigual como se polarizando ainda mais, ensejando o fenômeno de dualização social” (PORTO-GONÇALVES, 2013, p. 42). Cerca de 80% dos recursos naturais são consumidos por menos de 20% da população mundial. Esses 20% mais ricos consomem 45% de toda carne e peixe à disposição no mercado, enquanto os 20% mais pobres consomem apenas 5%. No consumo de papel, a proporção é de 84% para 1,1% (INMETRO/IDEC, 2002). Com isto, fica claro que existe uma enorme desigualdade no acesso e utilização dos recursos naturais. A seguir está apresentada a contabilidade da situação dos mais vulneráveis. Figura 11. Situação mundial, condições de vida e renda. Fonte: Pimentel, D. Gestão da Responsabilidade Social e Sustentabilidade, 2013. Esta situação é um fator para o surgimento de conflitos ambientais, geralmente deflagrados pela disputa sobre o uso de recursos naturais ou quanto ao uso de espaços territoriais comuns (MOISÉS, 1994). A ideia de conflito na área ambiental está associada 14 ao “controle de recursos que hoje sabe-se que são limitados e não podem ser utilizados indiscriminadamente. São eles os recursos ambientais cujo uso intensivo tem provocado tanto a sua escassez quanto o comprometimento da qualidade ambiental” (QUINTAS, 2006, p. 25). Portanto, os conflitos ambientais são “aquelas situações onde haja risco e/ou dano social/ambiental e não haja nenhum tipo de reação por parte dos atingidos ou de outros atores da sociedade civil face ao problema” (CARVALHO e SCOTTO, 1995 apud QUINTAS, 2006, p. 65). 3.1 Crise ambiental ou crise civilizatória? A evidente ênfase sobre os aspectos econômicos e tecnológicos da crise socioambiental também contradiz as promessas de uma abordagem plural e complexa de desenvolvimento, e sugere o predomínio da esfera do mercado na condução da sustentabilidade em detrimento da sociedade civil e do Estado. Para os setores interessados num projeto de mudanças de maior amplitude, esta “sustentabilidade de mercado”, que tem orientado as ações e debates recentes, denuncia a falácia do discurso da sustentabilidade (LIMA, 2003, p. 106). Neste contexto, emerge a ideia de que a crise ambiental pode ser resolvida pela comunidade científica, confiando na capacidade humana de produzir novas soluções tecnológicas e econômicas a cada etapa, em resposta a cada problema que surge, permanecendo basicamente no mesmo paradigma civilizatório dos últimos séculos (MEC, 1996, p. 178). No entanto, a questão ambiental representa uma síntese dos impasses que o atual modelo de civilização acarreta (crise civilizatória). Neste contexto, a superação dos problemas acarretados exigirá mudanças profundas na concepção de mundo, de natureza, de poder e de bem-estar, tendo por base novos valores individuais e sociais. Faz parte desta nova visão de mundo, a percepção de que o homem não é o centro da natureza (MEC, 1996, p. 179). 3.2. Sustentabilidade Sustentabilidade é um conceito oriundo das ciências biológicas e se refere à capacidade de suporte de um ecossistema – projeção de um máximo populacional de uma espécie que pode ser mantido indefinidamente sem gerar uma degradação de recursos que acabe por afetar a própria viabilidade de reprodução da espécie -, permitindo sua reprodução ou permanência no tempo (LOUREIRO, 2012, p. 56). A ideia é que as sociedades devem produzir suas necessidades sem ultrapassar a capacidade do ambiente de sustentá-las. Portanto, a sustentabilidade é entendida como 15 um componente essencial de um desenvolvimento que se preocupa com a qualidade do ambiente e com a qualidade de vida das pessoas. A proposição do Desenvolvimento Sustentável nos anos 1980 deve-se a um processo de mudanças nas concepções de modelos de desenvolvimento. O cenário criado pela percepção da crise ambiental nas décadas de 1960 e 1970, gerou uma série de respostas, como a publicação do livro Primavera silenciosa (título original Silent Spring) por Rachel Carson em 1962, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo em 1972 e a publicação do relatório Limites do Crescimento. O eco desenvolvimento desdobrou-se nas ideias de desenvolvimento durável ou viável – algo muito próximo de uma concepção de harmonização de objetivos sociais, ambientais e econômicos que foi retomada como preocupação central das resoluções da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, em junho de 1992 (Rio92). Desta forma, “poderíamos dizer que a ideia de desenvolvimento durável foi encampada pelo conceito de desenvolvimento sustentável e está fortemente associada a este conceito no debate que se estende durante os anos 90 e permanecem em pauta até agora” (SCOTTO, CARVALHO e GUIMARÃES, 2009, p. 26). Segundo Scotto, Carvalho e Guimarães (2009, p. 8), "A noção de desenvolvimento sustentável e a própria ideia de sustentabilidade são, mais do que conceitos homogêneos e bem delimitados, campos de disputa sobre diferentes concepções de sociedade”. O quadro socioambiental que caracteriza as sociedades contemporâneas revela que o impacto dos humanos sobre o meio ambiente está se tornando cada vez mais complexo, tanto em termos quantitativos, quantoqualitativos (JACOBI, 1999, p. 175). O desenvolvimento do conceito de sustentabilidade representa, por um lado, uma alentadora tentativa de reconciliar a busca do bem-estar presente e a segurança de condições de vida satisfatórias no futuro. Por outro lado, há uma preocupante tendência a que se torne mais uma panaceia salvacionista, que ilude os alarmados e inibe os alarmistas, sem necessariamente resolver os problemas que geraram o alarme (BURSZTYN, 1993, p. 7). Não se trata de algo conjuntural, mas do esgotamento de um sistema que tem como motor o “ter” e o “acumular”. Um desenvolvimento que tem como pressuposto básico o crescer mais, sem parar, sem respeitar limites naturais. Tudo para concentrar riquezas, não importando a destruição ambiental que possa haver, nem que essa geração de riqueza seja, ao mesmo tempo, geração de pobreza, exclusão social, desigualdades de todo tipo (GRZYBOWSKI, 16 2011). Na tentativa de destacar a complexidade da sustentabilidade, Ignacy Sachs (2002, p. 85-88), propõem as dimensões da sustentabilidade, as quais devem ser levadas em conta para se chegar próximo a uma sustentabilidade real, estas são: Social (voltada para a redução da pobreza e para a organização social), Econômica (desenvolvimento econômico equilibrado, com segurança alimentar, autonomia na pesquisa científica e tecnológica e inserção soberana na economia internacional), Ecológica (relacionada à preservação dos recursos naturais e biodiversidade), Ambiental (respeito a capacidade de autodepuração dos ecossistemas), Espacial (voltada para uma configuração rural-urbana equilibrada), Cultural (referente ao respeito pelas especificidades culturais, identidades e tradições das comunidades locais), Política Nacional (democracia definida em termos de apropriação universal dos direitos humanos) e Política Internacional (garantia de paz, cooperação, Princípio da Precaução). A reflexão sobre a Justiça social é muito importante para se pensar em educação ambiental e pela busca efetiva da sustentabilidade. Neste sentido, críticas ao sistema econômico, como a proteção ao sistema financeiro, são imprescindíveis. Mudanças de comportamento como diminuir o consumo, reduzir o uso do carro, dar preferência ao transporte público, comprar produtos mais justos socialmente e produzidos de maneira mais limpa são parte inerente da educação ambiental. A sustentabilidade está inexoravelmente associada à redefinição de valores e padrões de desenvolvimento capazes de frear o crescimento populacional e, consequentemente, o consumo. 4. O MOVIMENTO ECOLÓGICO O ambientalismo, movimento ecológico ou movimento verde consiste em um heterogêneo feixe de correntes de pensamento e movimentos sociais que têm na defesa do meio ambiente sua principal preocupação, reivindicando medidas de proteção ambiental e sobretudo uma ampla mudança nos hábitos e valores da sociedade. Seu foco é reparar os danos causados pelo homem na natureza e desenvolver métodos de progresso material que não danifiquem o meio ambiente. A sustentabilidade e a economia verde são os pilares centrais do movimento ambientalista. O movimento ambientalista organizado iniciou realmente após a triste ocorrência 17 das duas bombas atômicas lançadas na segunda guerra mundial em 1945 em Hiroshima e Nagasaki pelos Estados Unidos. Pois foi a partir deste episódio que o ser humano percebeu o imenso potencial destruidor que podemos ter. A importância do movimento ecológico - É proteger o meio ambiente. - Evitar a extinção de espécies animais. Muitos grupos ambientalistas atuam em defesa de determinadas espécies animais, por exemplo. - Despertar as pessoas e governos a respeito da necessidade de preservação do meio ambiente. O que o movimento ambientalista já conquistou, foi ter dado espaço e legitimidade para reivindicações ecológicas de filósofos, povos indígenas, comunidades tradicionais e de antigas religiões orientais como o Budismo e o Hinduísmo, que entendem a natureza – incluindo o homem – como um todo integrado e interdependente. Figuras 12 e 13. Fonte: Pimentel, D. Gestão da Responsabilidade Social e Sustentabilidade, 2013. 5. ELEMENTOS DA POLÍTICA AMBIENTAL E INSTRUMENTOS DE REGULAÇÃO E CONTROLE 5.1 Licenciamento ambiental como instrumento de gestão ambiental As questões relativas ao meio ambiente têm sido relevantemente abordadas nas últimas décadas. A difusão de conhecimentos por meios acadêmicos e pela mídia tem dado acesso à grande parte da sociedade a informações que mostram as consequências da gestão de recursos naturais que comprometam sua sustentabilidade. Tais consequências podem ser notadas por todos, principalmente, por meio das experiências diárias. O município é o espaço das vivências cotidianas, e pode ser considerado, assim, a escala em que essa percepção socioambiental é mais notada. Nesse sentido, destaca-se a importância da municipalização da gestão ambiental, que está inserida em dois importantes marcos normativos: a Constituição Federal, que incumbe ao Poder Público e à coletividade o dever de defender e preservar o meio ambiente ecologicamente equilibrado e, ademais, atribui competência ambiental comum entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios; e a Lei 6.938/81, que dispõe sobre a 18 Política Nacional de Meio Ambiente, tem como um de seus instrumentos o Licenciamento Ambiental. Institui também o Sistema Nacional de Meio Ambiente - SISNAMA, que visa estabelecer um conjunto articulado e integrado, formado pelos órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, responsáveis pela proteção e melhoria da qualidade ambiental, com atribuições, regras e práticas específicas que se complementam. Gestão ambiental compartilhada é o processo pelo qual formas de cooperaçãoe integração são estabelecidas entre os entes da federação, de forma a assegurar a qualidade ambiental necessária à manutenção e melhoria da qualidade de vida e ao desenvolvimento sustentável, através de uma repartiçãoadequada de responsabilidades e recursos. A ação ambiental dos municípios pode estar associada a inúmeras possibilidades de interação entre os Estados e a União, compartilhando responsabilidades em condições de autonomia, cooperação e complementaridade. O município ao assumir seu papel constitucional traz uma série de benefícios, tais como: mais proximidade dos problemas a enfrentar e melhor acessibilidade dosusuários aos serviços público. O que é Licenciamento Ambiental? Instrumento da Política Nacional de Meio Ambiente instituído pela Lei nº. 6938/1981, com a finalidade de promover o controle prévio à construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, considerados efetiva e potencialmente poluidores. É uma obrigação legal, prévia à instalação de qualquer empreendimento ou atividade potencialmente poluidora ou degradadora do meio ambiente. É um procedimento administrativo. Quais atividades devem ser licenciadas? Resolução Conama nº. 237/1997; Qual a importância da Licença Ambiental? Requisito legal; Instituições de financiamento; Mercado (não como diferencial, mas pré-requisito). Órgãos licenciadores: Federal: IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais); Estadual; Municipal; A Resolução CONAMA 237/97 - Art. 7º. determina que o licenciamento deve ser 19 solicitado em uma única esfera de ação. Tipos de licença ambiental Licença Prévia (LP): Avalia a concepção, tecnologia e localização do empreendimento; Análise do Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA): Define requisitos para implantação; Evita investimentos desnecessários em projetos, ou pelo indeferimento ou pelos requisitos impostos. Licença de Instalação(LI): Apresentação, análise e aprovação dos projetos executivos para implantação da obra, e do Plano de Controle Ambiental; Autoriza a implantação do empreendimento; Qualquer alteração no projeto durante a obra deverá ser comunicada/solicitado parecer previamente ao órgão licenciador. Licença de Operação (LO): Verificação da implantação e eficácia das medidas de controle e demais condicionantes da LI, bem como da conformidade com o projeto aprovado; Autoriza o funcionamento do empreendimento; Definirá restrições ou condicionantes; Qualquer alteração durante a operação (ampliação da capacidade, nº. funcionários, instalações, etc.) deve ser comunicada previamente ao órgão ambiental. Licença de Instalação e de Operação em caráter corretivo O empreendimento ou atividade instalado, em instalação ou em operação, sem a licença ambiental pertinente, deverá regulariza-se obtendo LI ou LO, em caráter corretivo, mediante a comprovação de viabilidade ambiental do empreendimento. A continuidade da instalação ou do funcionamento de empreendimento ou atividade concomitantemente com o trâmite do processo de Licenciamento Ambiental, dependerá de assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta com o órgão ambiental, com previsão de condições e prazos para instalação e funcionamento do empreendimento ou atividade até a sua regularização. A possibilidade de concessão de LI e de LO, em caráter corretivo, não desobriga os empreendimentos e atividades considerados efetiva ou potencialmente poluidores, bem como os que possam causar degradação ambiental, de obterem o prévio licenciamento ambiental, nem impede a aplicação de penalidades pela instalação ou operação sem a 20 licença competente, exceto nos casos e condições previstas no § 2º do art. 9º (atividades industriais, de extração mineral, de exploração agrossilvipastoril e de disposição final de esgoto sanitário e de resíduos sólidos urbanos) e no caput do art. 15 (empreendimentos ou atividades ambientais e hídricas, anteriores a publicação do Decreto). 5.2 Planejamento ambiental Planejamento ambiental é um conceito utilizado no contexto de diversas áreas do conhecimento para se referir a processos e mecanismos de sistematização de ações que visam atingir metas e objetivos de caráter ambiental. Suas definições, instrumentos e metodologias têm sido discutidos desde pelo menos a década de 1970. João da Silva e Rozely Santos definem planejamento ambiental como "umprocesso contínuo que envolve coleta, organização e análise sistematizada dasinformações, por meio de procedimentos e métodos, para se chegar a decisõesou escolhas acerca das melhores alternativas para o aproveitamento dos recursos disponíveis em função de suas potencialidades, e com a finalidade de atingir metas específicas no futuro, tanto em relação a recursos naturais quantoà sociedade." 5.2.1 Zoneamento Ambiental O Zoneamento Territorial Ambiental (ZTA) é um instrumento que visa conciliaro desenvolvimento econômico, ambiental e social de uma certa região do Estado sustentavelmente. Zoneamento Territorial Ambiental (ZTA) é um instrumento de planejamento e gestão ambiental conforme a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) Leinº 6.938, de 31 de agosto de 1981. O objetivo do zoneamento é classificar e delimitar zonas territoriais no âmbito local/municipal, regional, federal ou global.Aplica-se o zoneamento também a unidades de planejamento tais como bacias hidrográficas, setores industriais e unidades de conservação. Os software mais utilizados na construção de um ZTA são o ArcGis e o Spring, que auxiliam na construção de mapas de várias temáticas. Um dos maiores desafios do zoneamento é a integração dos dados necessários para sua construção, bem como a questão da implementação/fiscalização. 5.2.2 Classificação das zonas territoriais Não existe um padrão para a definição dos tipos de zoneamento, entretanto podemos perceber certas similaridades nas mais diversas abordagens. Alguns exemplos 21 de zonas territoriais usadas são: zona de proteção ambiental, zona de adensamento, zona de recuperação, zonas de interesse econômico, zonas de interesse cultural, etc. O elaborador do zoneamento tem liberdade para escolher os tipos e termos que mais se adequem aos objetivos de seu projeto, levando em conta as características geológicas, hídricas, demográficas, pedológicas, sociais, climáticas, ocupacionais, hidrogeológicas e econômicas, dentre várias outras. Etapas de elaboração do Zoneamento Para elaboração de um Zoneamento ambiental é necessário seguir certas etapas, tais como levantamento de informações sobre a área, como fotos aéreas, mapas topográficos, geológicos, etc. Outras etapas incluem fotointerpretação do material obtido seguida de processamento digital de imagens e visitas de campo para reconhecimento e correção de possíveiserros. Planejamento Urbano Sustentável O planejamento urbano sustentável deve ser entendido como um processo planejado de desenvolvimento urbano voltado para o desenvolvimento sustentável. No Brasil, o principal instrumento legal de promoção deste tipo de planejamento é o Estatuto da Cidade, Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001, o qual contempla uma visão sustentável do uso e manejo do solo, sua ocupação, infraestrutura básica de saneamento ambiental, criação e manutenção de unidades de preservação do meio ambiente, para que assim, possa ser garantido o direito de moradia de uma maneira socialmente justa, economicamente viável de forma tal a reduzir os impactos e danos ao meio ambiente. O planejamento urbano está cada vez mais inserindo variáveis ambientais. No passado tais processos de planejamento privilegiavam questões sociais e econômicas. Hoje é crescente as criações de projetos de habitações sustentáveis, captação de água de chuva para a irrigação, inserção de energia de fontes alternativas, consumo consciente, hortas comunitárias, usos de materiais recicláveis e etc., demonstrando essa tendência sustentável. O Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) foi definido no Estatuto da Cidade (Lei nº10.257/2001) como um processo que avalia os impactos positivos e negativos causados por determinados empreendimentos ou atividades urbanas. Na maioria dos casos, o EIV analisa um único empreendimento ou atividade, entretanto, caso se faça necessário, ele poderá contemplar mais de um empreendimento. Os municípios têm autonomia para determinar quais projetos ou entidadesdeverão realizar, ou ser analisadas por um EIV, com intuito de obterem licenças ou autorizações para construção, ampliação ou funcionamento. Os estudos devem no mínimo contemplar 22 o crescimento na concentração populacional, uso e ocupação do solo, especulação imobiliária, aumento no tráfego e na demanda por transporte público, entre outros previstos na lei. Além disso, os estudos podem embasar a elaboração de condicionantes ao empreendimento em processos de licenciamento e autorizações. Vale ressaltar que a elaboração de um EIV não substitui um Estudo de Impacto Ambiental (EIA), quando este se fizer necessário. Certos empreendimentos podem necessitar tanto do EIA, quanto do EIV. O EIV, dentro do Planejamento Ambiental Urbano, se alinha com a idéia de promover uma cidade sustentável, uma vez que levará estes estudos consideram impactos ambientais, sociais e econômicos. 5.2.3 Avaliação de impacto ambiental A Avaliação de Impacto Ambiental (ou AIA) é um instrumento preventivo usado nas políticas de ambiente e gestão ambiental com o intuito de assegurar que um determinado projeto passível de causar danos ambientais seja analisado deacordo com os prováveis impactos no meio ambiente, e que esses mesmos impactos sejam analisados e tomados em consideração no seu processo de aprovação. A elaboração de um AIA é apoiada em estudos ambientais elaborados por equipesmultidisciplinares, os quais apresentam diagnósticos, descrições, analises e avaliações sobre os impactos ambientais efetivos e potenciais do projeto. O órgão brasileiro que regulamenta a legislação e emite resoluções para todo o território brasileiro, é o CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente). O CONAMA foi instituído pela Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, como um órgão normativo na área ambiental. O órgão executivo, a nível federal, é o IBAMA (Instituto Brasileiro do MeioAmbiente e dos Recursos Naturais Renováveis), encarregado de executar e fazer executar a política e as diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente. Cada Estado do Brasil possui seu órgão estadual correspondente como, por exemplo, a FATMA (Fundação do Meio Ambiente) em Santa Catarina,o INEA (Instituto Estadual do Ambiente), no Estado do Rio de Janeiro ea CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), em São Paulo. Estes órgãos são responsáveis pela execução de programas, projetos e pelo controle e fiscalização de atividades capazes de provocar a degradação ambiental. O Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) é o relatório que reflete todas as 23 conclusões apresentadas num Estudo de Impacto Ambiental (EIA ou AIA). O RIMA deve ser elaborado de forma objetiva e possível de se compreender, ilustrado por mapas, quadros, gráficos, redigido em linguagem não técnica a fim de ser passível de fácil interpretação no processo de participação publica.O EIA e o RIMA fazem parte do processo de Licenciamento ambiental. A conservação de recursos naturais; a compatibilização do empreendimento com o meio ambiente, incluindo a sociedade; a redução de resíduos e emissões; o uso eficiente dos recursos; o desenvolvimento sustentável: todos esses benefícios são resultados de uma avaliação de impacto ambiental que direcione as ações a serem tomadas. 5.2.4 Agenda 21 Mais de vinte anos depois da Eco 92, os quinze municípios da Agenda 21 Comperj se reúnem em um só lugar, para que todo mundo saiba que a luta pela preservação do planeta não pode parar. A Agenda 21 foi um dos principais resultados da conferência Eco-92 ou Rio-92, ocorrida no Rio de Janeiro, Brasil, em 1992. É um documento que estabeleceu a importância de cada país a se comprometer a refletir, global e localmente, sobre a forma pela qual governos, empresas, organizações não- governamentais e todos os setores da sociedade poderiam cooperar no estudo de soluções para os problemas socioambientais. Cada país desenvolve a sua Agenda 21 e no Brasil as discussões são coordenadas pela Comissão dePolíticas de Desenvolvimento Sustentável (CPDS) e da Agenda 21 Nacional . Ela se constitui num poderoso instrumento de reconversão da sociedade industrial rumo a um novo paradigma, que exige a reinterpretação do conceito de progresso, contemplando maior harmonia e equilíbrio holístico entre o todoe as partes, promovendo a qualidade, não apenas a quantidade do crescimento. Com a Agenda 21 criou-se um instrumento aprovado pela OMF, internacionalmente, que tornou possível repensar o planejamento. Abriu-se o caminho capaz de ajudar a construir politicamente as bases de um plano de ação e de um planejamento participativo em âmbito global, nacional e local, de forma gradual e negociada, tendo como meta um novo paradigma econômico e civilizatório. As ações prioritárias da Agenda 21 brasileira são os programas de inclusão social (com o acesso de toda a população à educação, saúde e distribuição de renda), a sustentabilidade urbana e rural, a preservação dos recursos naturais e minerais e a ética política para o planejamento rumo ao desenvolvimento sustentável. Mas o mais importante ponto dessas ações prioritárias, segundo este estudo, é o planejamento de 24 sistemas de produção e consumo sustentáveis contra a cultura do desperdício. A Agenda 21 é um plano de ação para ser adotado global, nacional e localmente, por organizações do sistema das Nações Unidas, governos e pela sociedade civil, em todas as áreas em que a ação humana impacta o meio ambiente. Não houve resistência dos países para a liberação do acordo.A adoção formal por parte da ONU do conceito de desenvolvimento sustentável parte da criação em 1972 da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (WCED) que em 1987 publicou um relatório intitulado "Nosso futuro comum", também conhecido como o relatório Brundtland. Esse relatório indicou a pobreza nos países do sul e o consumismo extremo dos países do norte como as causas fundamentais da insustentabilidade do desenvolvimento e das crises ambientais. A comissão recomendou a convocação de uma conferência sobre esses temas. O desenvolvimento da Agenda 21 começou em 23 de dezembro de 1989 coma aprovação em assembléia extraordinária das Nações Unidas uma conferência sobre o meio ambiente e o desenvolvimento como fora recomendado pelo relatório Brundtland e com a elaboração de esboços do programa, que, como todos os acordos dos estados- membros da ONU, sofreram um complexo processo de revisão, consulta e negociação, culminando com a segunda Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, mais conhecida como Rio-92 ou Eco-92, entre 3 e 14 de junho de 1992 no Rio de Janeiro, onde representantes de 179 governos aceitaram adotar o programa. A Agenda 21 teve um estreito acompanhamento a partir do qual foram feitos ajustes e revisões. Primeiro, com a conferência Rio+5, entre os dias 23 e 27 de junho de 1997 na sede da ONU, em Nova Iorque; posteriormente com a adoção de uma agenda complementária denominada metas do desenvolvimento do milênio (Millenium development goals), com ênfase particular nas políticas de globalização e na erradicação da pobreza e da fome, adotadas por 199 países na 55ª Assembléia da ONU, que ocorreu em Nova Iorque entre os dias 6 e 8 de setembro de 2000; e a mais recente, a Cúpula de Johannesburgo, na cidade sul-africana entre 26 de agosto a 4 de setembro de 2002. 5.2.5 Convenção do clima e Protocolo de Kyoto A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (em inglês, United Nations Framework Convention on Climate Change ou UNFCCC)é um tratado ambiental internacional que visa estabilizar as concentraçõesde gases de efeito estufa 25 O Protocolo de Quioto é um tratado internacional com compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos gases que produzem o efeito estufa, que são a causa do atual aquecimento global. na atmosfera resultantes das ações humanas, afim de impedir que interfiram de forma prejudicial e permanente no sistema climático do planeta. O tratado foi aprovado em junho de 1992, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento ocorrida no Rio de Janeiro (informalmente conhecido como ―Cúpula da Terra‖ ou ―Rio 92‖). Dois anos maistarde, em 21 de março de 1994, entrou em vigor e, hoje, conta com a participação de 196 países signatários. A Convenção estabelece compromissos e obrigações para todos os países signatários (chamados de Partes da Convenção) no combate às alterações climáticas com base no princípio da ―responsabilidade comum, mas diferenciada‖. Embora todas as Partes devam agir para proteger o meio ambiente e o sistema climático nos níveis nacional, regional e global, pela Convenção é necessário considerar as diferentes circunstâncias de cada país: como cada Parte contribuiu (e contribui) para o problema e também sua capacidade para prevenir, reduzir e controlar a ameaça. Inicialmente, o tratado não fixou limites para as emissões dos gases de efeito estufa (GEE) ou continha disposições obrigatórias para os membros. Em vez disso, ele incluiu provisões para atualizações (chamadas de ―Protocolos‖), estas sim capazes de definir os limites obrigatórios de emissões. As atualizações ocorrem periodicamente nas reuniõesdos países signatários, as Conferências das Partes – COP. 5.2.6 Sistema de Unidade de Convenção O Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) é um conjunto de normas e procedimentos oficiais que possibilitam às esferas governamentais federal, estadual e municipal, bem como à iniciativa privada, criar, implementar e gerir no país as unidades de conservação (que são as representantes no Brasil do que internacionalmente é conhecido como área protegida), sistematizando assim a conservação da natureza no Brasil. O SNUC tem suas origens nos anos 1970, quando o antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), apoiado pela organização não- governamental (ONG) Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza, criou o Plano do Sistema de Unidades de Conservação do Brasil, publicado oficialmente em 1979. 26 O plano continha objetivos específicos necessáriosà conservação da natureza no Brasil e propunha novas categorias de manejo dos recursos naturais, que não eram previstas na legislação da época - Código Florestal Brasileiro, de 1965 e a Lei de Proteção à Fauna, de 1967. Uma segunda etapa do plano, elaborada pelo IBDF, foi sancionada pelo governo em 1982 e publicada sob o seu nome e siglas atuais - Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC). Segundo a legislação brasileira vigente, as UCs são criadas por meio de decreto presidencial ou estadual após uma avaliação sobre sua importância ecológica e só podem ser alteradas e reduzidas por projetos de lei. No entanto, em 2012, a Câmara e o Senado aprovaram, e a presidente DilmaRousseff sancionou e transformou em lei federal, uma Medida Provisória que previa a redefinição de limites de sete UCs na Amazônia. Isso abre um precedente perigoso para a conservação no país, pois antes as UCs tinham limites modificados somente por meio de projetos de leis, que possuem tramitação legislativa mais longa e por isso davam mais espaço a manifestações populares e consultas públicas. Uma unidade de conservação ambiental é caracterizada pelo seu objetivo institucional de preservar e conservar os recursos hídricos, a fauna e a flora, assim como as características geológicas do espaço. Além da luta pela preservação, as unidades ainda tem como propósito recuperar os ecossistemas degradados pela ação de terceiros, promover o desenvolvimento sustentável e instrumentalizar a defesa do meio ambiente. O ICMS Ecológico não é um novo imposto para atuar nessa questão. Na realidade, ele servecomo uma nova forma de redistribuição de recursos dentro do ICMS, considerando o nível de atividade econômica nas cidades e a preservação dos espaços ambientais. A Constituição Federal de 1988 determina, em seu artigo 158, que 25% do produto total da arrecadação do ICMS deve ser repassado aos municípios. Na prática, de todo o ICMS arrecadado pelo Estado, 75% fica para o poder estadual, enquanto o restante vai para os municípios. Dos 25% destinado aos municípios, 18,75% são repassados conforme o valor proporcional a quanto cada município contribuiu na arrecadação, enquanto 6,25% é definido por lei estadual, abrindo a possibilidade do ICMS Ecológico. A lógica contábil do Sistema de Contas Nacionais (SCN) permite uma avaliação do desempenho global da economia, por meio da apresentação das relações entre agentes econômicos, transações, atividades, produtos, e ativose passivos. Calcula-se, assim, o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos em uma determinada região durante um 27 ICMS Ecológico é um importante instrumento de conservação do Meio Ambiente, adotado em alguns estados do Brasil, que privilegia a manutenção de biomas. período determinado. A contribuição das atividades econômicas para a economia pode ser medida por um indicador como o PIB, no entanto, esse indicador não incorpora a contribuição que os recursos naturais (incluindo os ecossistemas) têm na economia. Dentro dessa lógica, o Sistema de Contas Econômicas Ambientais (SCEA) surge como um conjunto de metodologias para a contabilidade de recursos naturais (como água, florestas e ecossistemas) associados à atividade econômica. ICMS ecológico Os seguintes estados brasileiros instituiram o ICMS Ecológico: Paraná (1989), São Paulo (1993), Minas Gerais (1995), Amapá (1996), Rio Grande do Sul (1997), Rondônia (1997), Mato Grosso do Sul (2000), Pernambuco (2000), Mato Grosso (2000), Tocantins (2002), Acre (2004), Rio de Janeiro (2007), Ceará (2007), Pará (2012). Para um município requerer o ICMS Ecológico é necessário ter em seu território uma Unidade de Conservação, devidamente registrada no Cadastro Estadual de Unidades de Conservação, ou ser diretamente influenciado porela, ou ainda, possuir mananciais de abastecimento público de municípios confrontantes. Além desses pré- requisitos, o município interessado precisa atender aos seguintes critérios ambientais e de conservação do meio ambiente: Ações de gerenciamento de resíduos sólidos, inclusive lixo hospitalar e resíduos da construção civil - coleta, transporte e destinação dos resíduos sólidos, aterro sanitário, incineração, reciclagem e compostagem; Ações efetivas de educação ambiental, na zona urbana e rural, nas escolas e grupos da sociedade organizada, instituídas por intermédio de lei municipal e/ou programas específicos; Ações de combate e redução do desmatamento, com a devida fiscalização e comprovação da efetiva recuperação de áreas degradadas - reflorestamento; Programas de redução do risco de queimadas, conservação do solo e da água e da biodiversidade; Programa de proteção de mananciais de abastecimento público; Identificação de fontes de poluição atmosférica, sonora e visual, e comprovação 28 O conhecimento das obrigações legais é imprescindível!!! → o infrator não pode alegar desconhecimento!!! das medidas adotadas para a minimização dessas práticas; Identificação das edificações irregulares, bem como a comprovação das medidas adotadas para sua adequação às normas de uso e ocupaçãodo solo; Programas de instituição e proteção das unidades de conservação; Elaboração de legislação sobre a política municipal de meio ambiente, incluindo a criação do Conselho Municipal do Meio Ambiente e do FundoMunicipal do Meio Ambiente, obedecidas as peculiaridades locais, respeitadas as legislações federal e estadual sobre o assunto. 5.2.7 Legislação Ambiental Trata dos aspectos ambientais do empreendimento; O Brasil se destaca mundialmente no que se refere à legislação ambiental; Constituição da República – 1988 → a primeira no mundo a dedicar um capítulo exclusivamente ao tema Meio Ambiente. Art. 225; “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações”. 5.2.8 Fiscalização Ambiental Atender às denúncias; Acompanhar o passivo Ambiental; Acompanhar condicionantes e pós licenciamento; Atender às emergências ambientais; Verificar empreendimento licenciados; Atender ao Ministério Público/Poder Judiciário; Durante as fiscalizações, é obrigatoriamente gerado o Auto de Fiscalização (AF) e, se constatada alguma irregularidade, é lavrado o Auto de Infração (AI); Art. 6º da Lei Federal nº 6.938/81: estabelece que a fiscalização poderá ser realizada pelos “órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Município”; Federal: IBAMA, Polícia Militar de Meio Ambiente (para assuntos referentes à 29 fauna, mediante convênio estabelecido com o Ibama); Estadual: Órgão Executivos do SISEMA (SEMAD e Polícia Militar de Meio Ambiente); Municipal: Órgão Executor do SISMAD (SMA), Órgãos de Apoio (SETTRA, DEMLURB, CESAMA, SAU). Poder de Polícia: garantida a entrada e permanência em estabelecimento público ou privado, durante o período de qualquer atividade, ainda que noturno; (Decreto Estadual 44844/06 - Art. 29); 5.2.9 Monitoramento e Fiscalização – pós licença O licenciamento ambiental não se resume na expedição da referida licença. É preciso implantar a Gestão Ambiental do empreendimento, garantindo a conformidade da atividade e buscando a melhoria contínua dos aspectos ambientais. As Condicionantes Ambientais são instrumentos de controle estipulados pelo órgão licenciador com o objetivo de garantir a adequação da atividade ao longo da validade da licença. O órgão ambiental competente estabelecerá as condicionantes para o monitoramento da atividade, como, por exemplo: os laudos de análise de efluentes e emissões, comprovantes e relatórios de geração e destinação dos resíduos sólidos, outros relatórios e informações pertinentes, devendo o responsável seguir os modelos e padrões definidos pelo órgão licenciador e constantes na referida licença. 6. AUDITORIAS AMBIENTAIS A Norma NBR ISO 14.010 define Auditoria Ambiental como o ―processo sistemático e documentado de verificação, executado para obter e avaliar, de forma objetiva, evidências de auditoria para determinar se as atividades, eventos, sistemas de gestão e condições ambientais específicos ou as informações relacionadas a estes estão em conformidade com os critérios de auditoria e para comunicar os resultados deste processo ao cliente‖. Resumindo e simplificando o conceito acima temos que a Auditoria Ambiental é — um processo sistemático e formal de verificação, por uma parte auditora, se a conduta ambiental e/ou desempenho ambiental de uma entidade auditada atendem a um conjunto de critérios especificados.‖ (Philippi Jr. & Aguiar, 2004). A auditoria ambiental é o retrato do desempenho ambiental da empresa em um determinado momento, ou seja, verifica se até aquele ponto a empresa está atendendo os padrões ambientais estabelecidos pela legislação ambiental vigente, ou seja, a 30 auditoria ambiental visa principalmente verificar o sistemade gestão ambiental de uma organização. A auditoria ambiental é uma ferramenta importante que deve ser usada pelas empresas para controlar a observância a critérios e medidas estipulados com o objetivo de evitar a degradação ambiental, que em geral decorre quando há falta ou pouco controle do impacto ambiental das operações. Para dar suporte à aplicação de sistemas de gestão ambiental e de auditoria ambiental são necessárias diretrizes sobre os critérios de qualificação para auditores ambientais. A finalidade desta Norma é oferecer tais diretrizes. Os auditores internos precisam ter o mesmo nível de competência que os auditores externos, mas podem não atender, em todos os aspectos, os critérios detalhados descritos nesta Norma, dependendo de fatores como: Tamanho, natureza, complexidade e impactos ambientais da organização. 7. ECONOMIA ECOLÓGICA Todos os países precisam ter planos bem elaborados para conciliar essas duas áreas. De nada adianta um plano de crescimento econômico que não respeite a natureza, pois o futuro cobrará os danos do presente. São necessárias instituições que fiscalizam, punam e eduquem as pessoas a agir da maneira certa. O meio ambiente não é algo longe de todos e a natureza não está aí para o homem usar como bem entender. Somos parte dela e sentiremos, junto com ela, toda a destruição. O Prêmio Nobel de Economia de 2018 mostrou a importância de se falar na estreita relação entre economia e meio ambiente. O desenvolvimento sustentável e seus três pilares (natureza, economia e sociedade), nos mostra que é preciso aliar esses campos na busca por um futuro melhor. Afinal, um crescimento econômico desenfreado não mantém a natureza sadia. É preciso que os três pilares estejam em equilíbrio para um futuro melhor para todos. A economia ambiental é um sub-ramo da economia que tem por objetivo encontrar maneiras que possam tornar mais suaves os problemas ambientais. Tenta encontrar recursos e criar projetos que proporcione medidas de preservação e conservação ambiental. Problemas como desmatamento, poluição do ar e da água, mudanças climáticas e mercado de carbono, são hoje, os principais temas discutidos entre os especialistas da área ambiental. Vale lembrar, que isolar e descartar de forma classificada os materiais e resíduos 31 resulta em programas de reciclagem e reaproveitamento de materiais, e essa medida não só traz benefícios como também gera empregos. Atualmente as empresas buscam medidas de preservação ambiental e isso faz com que elas tenham uma imagem positiva no mercado econômico, pois os consumidores buscam por produtos ecologicamente corretos. Priorizar medidasambientais faz com que as empresas mudem a forma de produção e a formade como eliminam os resíduos. Muitas vezes, essas medidas influenciam diretamente na obtenção de lucros. Vale ressaltar, que a preocupação das indústrias com o meio ambiente raramente aparecem apenas pela consciência da escassez de recursos naturais, em geral, surge diante as exigências do mercado, e isso faz com que elas procurem setores de economia ambiental para auxiliá-las nesse processo de preservação. O setor de economia ambiental esta em alta devido à procura pelas indústrias de projetos e medidas preventivas que façam com que elas possam se desenvolver e crescer, seguindo as exigências do mercado. Essa procura é devida a preocupação com alguns fatores importantes como: A Permanência no Mercado: é importante que as empresas sigam os padrões ambientais e muitas vezes, devido a esses padrões serem muito rigorosos algumas não conseguem se manter no mercado. Responsabilidade Criminal e Legal: as novas leis de proteção ao meio ambiente, vem sendo responsáveis por fazer as empresas se adequarem tecnologicamente sob pena de tornar impossível a realização da implantação ou a ampliação das mesmas. 7.1 Selo Verde ou Rotulagem Ambiental É o certificado de produtos adequados ao uso que apresentam menor impacto no meio ambiente em relação a outros produtos comparáveis disponíveis no mercado. Objetivo: Promover a melhoria da Qualidade Ambiental de produtos e processos mediante a mobilização das forças de mercado pela conscientização de consumidores e produtores. O que é o Selo Verde? É uma certificação que destaca a responsabilidade ambiental das empresas em executar suas atividades com o menor impacto ambiental possível. 8. SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL (SGA) Sistema de gestão: conjunto de elementos, que interagem entre si, presente em uma organização, estabelecido a partir das políticas, dos objetivos e dos processos 32 organizacionais. Um sistema de gestão pode abordar uma única disciplina ou várias, por exemplo, gestão da qualidade, gestão ambiental, gestão da saúde e segurança ocupacional, dentre outras. Em outras palavras, a organização pode optar por ter um único ou mais sistemas de gestão, o que chamamos de sistema de gestão integrado (SGI). Os elementos do sistema incluem a estrutura da organização, papéis e responsabilidades, planejamento e operação, avaliação de desempenho e melhoria. Sistema de gestão ambiental: refere-se a uma parte do sistema de gestão da organização, ou seja, foca no gerenciamento ambiental e respeita a legislação, verificando os riscos e as oportunidades que o meio ambiental pode propiciar. Figura 14. Fonte: Pimentel, D. Gestão da Responsabilidade Social e Sustentabilidade, 2013. 8.1 Requisitos do SGA Assim como as demais normas de sistemas de gestão, a ISO 14001 também é baseada na metodologia PDCA (Plan-Do-Check-Act), a qual fornece um processo iterativo para alcançar a melhoria contínua.A figura a seguir ilustra como as seções ou cláusulas de 4 a 10 da norma (em parênteses) podem ser agrupadas em relação ao ciclo PDCA. 33 Figura 15. Estrutura da norma ISO 14001:2015 no ciclo PDCA / Fonte: adaptada de ABNT (2015c). Fonte: Pimentel, D. Gestão da Responsabilidade Social e Sustentabilidade, 2013. De acordo com a ISO 14001 (ABNT, 2015c), o ciclo PDCA pode ser, resumidamente, descrito como a seguir, conforme acima: Plan (planejar): estabelecer os objetivos ambientais e os processos necessários para entregar resultados de acordo com a política ambiental da organização. Do (fazer): implementar o que foi planejado. Check (checar): monitorar e medir os processos em relação à política ambiental, incluindo seus compromissos, objetivos ambientais e critérios operacionais, e reportar os resultados. Act (agir): tomar ações para melhoria contínua. 9. O QUE É RESPONSABILIDADE SOCIAL O conceito de Responsabilidade Social e Ambiental resulta de um longo processo de análise crítica da relação existente entre a sociedade, o meio natural e a economia. E esta amplitude acaba por justificar o porquê de sua contínua e complexa abordagem. Neste sentido, precisaremos conhecer alguns desafios da modernidade e definir e diferenciar o conceito de “responsabilidade social” do conceito de “sustentabilidade”. De forma complementar conheceremos fundamentos, teorias, padrões, acordos, 34 recomendações, códigos unilaterais e multilaterais que abordam a responsabilidades socioambiental. Com este arcabouço teórico apresentado será possível entender a importância, a abrangência e a complexidade de se implementar uma gestão socio ambientalmente responsável. 9.1 Relação entre Responsabilidade Social e o Desenvolvimento Sustentável A responsabilidade social tem como foco a organização e refere-se às responsabilidades da organização com a sociedade e o meio ambiente. A responsabilidade social está intimamente ligada ao desenvolvimento sustentável. Pelo fato de o desenvolvimento sustentável tratar de objetivos econômicos, sociais e ambientais comuns a todas as pessoas, ele pode ser usado como forma de abarcar as expectativas mais amplas da sociedade a serem levadas em conta por organizações que buscam agir responsavelmente. Portanto, convém que um objetivo amplo de responsabilidade social das organizações seja o de contribuir para o desenvolvimento sustentável. Neste sentido, a noção de que a responsabilidade social é centrada em atividades filantrópicas, como doações a instituições beneficentes, não é correta, apesar de serem importantes em determinados contextos. As decisões e atividades das organizações socialmente responsável podem trazer uma contribuição significativa para o desenvolvimento sustentável. Figura 16. Três dimensões da sustentabilidade. Fonte: Pimentel, D. Gestão da Responsabilidade Social e Sustentabilidade, 2013. Responsabilidade Social está intrinsecamente relacionada aos indivíduos, à responsabilidade perante os outros a quem, direta ou indiretamente, consciente ou 35 inconscientemente, estamos ligados e para quem nossas escolhas, decisões e ações possam causar impactos. Responsabilidade social é a relação ética e transparente da organização com todas as suas partes interessadas, visando o desenvolvimento sustentável. Responsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para gerações futuras, respeitando q diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais. 9.2 A Responsabilidade Socioambiental como ferramenta para o desenvolvimento Sustentável A preocupação com a responsabilidade social das organizações tem aumentado por inúmeras razões. Globalização, maior mobilidade e acessibilidade, assim como a disponibilidade de comunicação instantânea significam que indivíduos e organizações em todo o mundo estão tendo maior facilidade de saber sobre as atividades das organizações, tanto das próximas como das distantes. Algumas empresas apresentam formas mais simples de dedicarem tempo e recursos às questões que afligem a sociedade. Algumas realizam Ações Sociais (também conhecidas com Assistencialistas/Filantrópicas) ações pontuais, como distribuição de agasalhos e alimentos às populações carentes e comunidades do entorno de seus empreendimentos. Em outros casos, algumas empresas chegam a ter projetos mais estruturados, mas pelo fato de estarem relacionados apenas às comunidades, são reconhecidas como programas de Investimento Social. Ressalta-se que ambas as formas são parte integrante da gestão socialmente responsável. 36 INVESTIMENTO SOCIAL • Ações contínuas • Comunidade AÇÃO SOCIAL • Ações pontuais • Comunidade Figura 17. Fonte: Pimentel, D. Gestão da Responsabilidade Social e Sustentabilidade, 2013. 9.3 Princípios e Diretrizes Internacionais A responsabilidade social das organizações nasce de um contexto internacional em que Partes como direitos humanos, direitos do trabalho, meio ambiente e desenvolvimento sustentável passam a ser cada vez mais discutidos entre os países- membros das Nações Unidas. Estas iniciativas são traduzidas em padrões, acordos, recomendações e códigos unilaterais e multilaterais que ajudam a compreender a responsabilidade social como Parte emergente para as organizações. Esses documentos, elaborados ou publicados pelas Nações Unidas e seus organismos (OIT, FAO, OMC, IFC e PNUD) que conferem um patamar considerado o mínimo aceitável. Para a implementação da responsabilidade social: Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU; Carta da Terra; Declaração da OIT sobre os Princípios e Direitos Fundamentais do Trabalho e seu Seguimento; Declaração Tripartite sobre Empresas Multinacionais da OIT; Convenção 169 sobre Povos Indígenas e Tribais Diretrizes para Empresas Multinacionais da OCDE; Declaração do Rio e Agenda Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. RESPONSABILIDADE SOCIAL • Ações oriundas do planejamento estratégico • Todas as partes interessadas 37 Agenda 21, da ONU, que tratam do meio ambiente, desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza. 9.4 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável Baseado na experiência de duas décadas de prática de desenvolvimento e a partir de contribuições obtidas através de um processo aberto e inclusivo, o relatório “O Caminho para a Dignidade em 2030”1 apresenta um mapa com o objetivo de alcançar a dignidade nos próximos 15 anos. O documento final destaca a erradicação da pobreza como o objetivo primordial da nova agenda de desenvolvimento e busca em sua essência a integração das três dimensões do desenvolvimento sustentável – econômica, social e ambiental. A nova agenda de desenvolvimento pede uma ação por todos os países, pobres, ricos e de renda média. Os Estados-membros se comprometem a não deixar ninguém para trás. Os “cinco Ps” – pessoas, planeta, prosperidade, paz e parceria – mostram um pouco acerca do amplo alcance da agenda. Pessoas: Estamos determinados a acabar com a pobreza e a fome, em todas as suas formas e dimensões, e garantir que todos os seres humanos possam realizar o seu potencial em dignidade, em um ambiente saudável. Planeta: Estamos determinados a proteger o planeta da degradação, sobretudo por meio do consumo e da produção sustentáveis, da gestão sustentável dos seus recursos naturais e tomando medidas urgentes sobre a mudança climática, para que ele possa suportar as necessidades das gerações presentes e futuras. Prosperidade: Estamos determinados