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DIREITO 
CONSTITUCIONAL
Funções Essenciais à Justiça
Livro Eletrônico
Presidente: Gabriel Granjeiro
Vice-Presidente: Rodrigo Calado
Diretor Pedagógico: Erico Teixeira
Diretora de Produção Educacional: Vivian Higashi
Gerente de Produção Digital: Bárbara Guerra
Coordenadora Pedagógica: Élica Lopes
Todo o material desta apostila (incluídos textos e imagens) está protegido por direitos autorais 
do Gran. Será proibida toda forma de plágio, cópia, reprodução ou qualquer outra forma de 
uso, não autorizada expressamente, seja ela onerosa ou não, sujeitando-se o transgressor às 
penalidades previstas civil e criminalmente.
CÓDIGO:
240606026995
ARAGONÊ FERNANDES
Juiz de Direito do TJDFT. Foi promotor de Justiça do MPDFT. Foi assessor de ministros 
em Tribunais Superiores. Aprovado em diversos concursos. Professor de Direito 
Constitucional exclusivo do Gran. Coordenador da Gran Pós. Autor de obras jurídicas. 
Fundador do Canal Sai Pobreza. Palestrante.
 
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Funções Essenciais à Justiça
Aragonê Fernandes
SUMÁRIO
Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
Funções Essenciais à Justiça . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1. Ministério Público . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.1. Considerações Iniciais e Ingresso na Carreira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.2. Princípios Institucionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
1.3. Princípio do Promotor Natural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
1.4. Autonomia Funcional, Administrativa e Orçamentária . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
1.5. Diferentes Ramos Existentes no Ministério Público . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
1.6. Foro por Prerrogativa de Função . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
1.7. Garantias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
1.8. Proibições . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
1.9. Funções Institucionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
1.10. Conselho Nacional do Ministério Público – CNMP . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
2. Advocacia Pública . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
2.1. Defensor Legis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
3. Advocacia Privada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
4. Defensoria Pública . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
4.1. Princípios Institucionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
4.2. Autonomia Administrativa, Funcional e Orçamentária . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
4.3. Foro por Prerrogativa de Função . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
4.4. A Atuação da Defensoria Pública nas Tutelas Coletivas . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
4.5. A Percepção de Honorários Advocatícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
5. Quadro Comparativo entre Pontos Principais das Funções Essenciais à Justiça 60
6. Tópico Especial: Súmulas Aplicáveis à Aula . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60
Questões de Concurso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62
Gabarito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66
Gabarito Comentado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
 
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aPrEsEntaÇÃoaPrEsEntaÇÃo
As Funções Essenciais à Justiça são tratadas logo após o Poder Judiciário – ao longo 
dos artigos 127 a 135 da Constituição.
Elas abrangem o Ministério Público, a Advocacia – pública e privada – e a Defensoria Pública.
É aqui que começam as perguntas em provas, colocando outros órgãos e entidades no 
rol aí de cima.
Se você olhasse as provas de alguns anos atrás, veria uma grande proeminência de 
questões sobre o MP em detrimento da Defensoria Pública e da Advocacia (pública ou privada).
Hoje em dia essa disparidade é bem menor. A advocacia pública, por exemplo, tem sido 
explorada em diversas questões, relativamente simples.
Isso também acontece com a Defensoria Pública, instituição que ganhou muito relevo 
nos últimos anos.
Aliás, não sei se você sabe, mas quando parti para os concursos de alto rendimento na 
área jurídica queria ser Defensor Público. O curioso é que passei para Defensor, para Promotor 
e para Juiz, mas o único cargo em que não tomei posse foi exatamente o de Defensor...
A razão para isso? Defensor Público era no querido Estado do Rio Grande do Sul, enquanto 
Promotor e Juiz eram no DF, minha terra natal (nas aulas você notará um sotaque nordestino, 
fruto da convivência com um monte de paraibanos lá de casa – tenho orgulho de minhas origens!).
Acabei ficando apenas alguns meses na Promotoria de Justiça, pois os concursos da 
Magistratura e do MP caminharam juntos. Foi, sem dúvidas, a decisão mais difícil de minha vida.
Confesso que nunca me arrependi da escolha que fiz, pois adoro o meu trabalho, embora 
ele seja uma árdua tarefa.
Essa vida de concurseiro é curiosa!
Ah, também aqui, como já deve ser do seu costume, citarei os julgados mais importantes 
sobre o tema.
Venha comigo!
As funções essenciais à Justiça são o Ministério Público, a Advocacia (pública e privada) 
e a Defensoria Pública. Não estão nesse rol o Judiciário ou as Polícias Civil e Militar.
 
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FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇAFUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA
1 . MinistÉrio PÚBliCo1 . MinistÉrio PÚBliCo
1 .1 . ConsiDEraÇÕEs iniCiais E inGrEsso na CarrEira1 .1 . ConsiDEraÇÕEs iniCiais E inGrEsso na CarrEira
Uma coisa: o Ministério Público também recebe o nome de Parquet – palavra de origem 
francesa, que remete aos antigos procuradores do rei da França, que ficavam em pé sobre 
o assoalho (parquet) da sala de audiência. Você ainda pode ouvir expressões como custos 
legis (fiscal da lei),Logo, é ele quem atuará como 
órgão acusador.
O primeiro ponto que enseja grande discussão é sobre a (im)possibilidade de o MP fazer 
investigações, coletar provas.
Embora o artigo 144 da Constituição diga que cabe exclusivamente à polícia federal 
e à polícia civil a tarefa de polícia judiciária (responsável pelas investigações), prevaleceu 
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no STF e no STJ a orientação segundo a qual seriam legítimas as provas coletadas pelo MP 
(STF, HC n. 91.661).
Adotou-se no caso a teoria norte-americana dos princípios implícitos – “quem pode o 
mais, pode o menos”.
Como assim?
Ora, se o MP é o titular da ação penal, cabe a ele oferecer a acusação. Mas para isso ele 
precisa de provas, certo?
Então, ele pode requisitar as provas à autoridade policial ou ainda coletá-las diretamente. 
Afinal, quem pode o mais (acusar), pode o menos (coletar provas para acusar)!
De todo modo, não esqueça que a presidência do inquérito policial é atividade privativa 
do Delegado de Polícia, não podendo ser exercida pelo Ministério Público (STF, RHC n. 81.326).
Aragonê, você me disse que o MP é o titular da ação penal. Mas e se ele permanecer 
inerte, mesmo diante da notícia de um grave crime?
É justamente nesses casos que se permite o uso da ação penal privada subsidiária da 
pública, prevista lá no artigo 5º, LIX, da Constituição.
Falando abreviadamente – o assunto é mais afeito ao Processo Penal –, temos quatro 
tipos de ações penais:
a) ação penal pública: subdivide-se em incondicionada (regra em nosso ordenamento); condicionada 
à representação do ofendido; e condicionada à requisição do Ministro da Justiça (crimes contra 
o Presidente da República).
b) ação penal privada: o particular age com uma queixa-crime. Seria para aqueles crimes em 
que o maior interessado na condenação seja a própria vítima. Exemplo: crime contra a honra.
c) ação penal privada subsidiária da pública: mencionada aí em cima. É aquela possibilidade dada 
aos cidadãos para que iniciem a ação penal, ante a inércia do órgão acusador (Ministério Público).
d) ação penal pública subsidiária da pública: pouco conhecida da grande maioria dos concurseiros. 
Ela é a possibilidade dada a outro ente público de promover a denúncia diante da inércia do MP. 
Está presente, por exemplo, no artigo 80 do Código de Defesa do Consumidor.
Eu acrescento, por fim, que a peça inicial da ação penal pública é chamada de denúncia, 
ao passo que na ação penal privada ela recebe o nome de queixa-crime.
Ah, mas pera lá: o julgado que você viu aí em cima, sobre o poder de investigação do MP, 
desagradou os delegados de polícia e agradou o Ministério Público, certo?
Pois é, mas depois o jogo virou...
Isso porque, ao contrário do que queria a PGR, o STF entendeu pela validade dos dispositivos 
da Lei n. 12.850/2013 (Lei das Organizações Criminosas) que possibilitam ao delegado 
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de polícia celebrar acordos de colaboração premiada. Nessa situação, deve ser ouvido o 
representante do Ministério Público, mas a sua manifestação não terá caráter vinculante.
No julgamento, não se acolheu a tese da PGR segundo a qual somente o MP teria 
legitimidade para oferecer acordos de colaboração premiada, tendo em vista o fato de 
ser o titular da ação penal pública (STF, ADI n. 5.508).
Outra coisa: em agosto de 2018, o STF firmou a compreensão de que cabe prioritariamente 
ao MP propor a ação de cobrança de multa decorrente de sentença penal condenatória 
transitada em julgado (STF, ADI n. 3.150).
Para contextualizar e facilitar sua compreensão, suponha que a pessoa tenha sido 
condenada, por roubo, a cumprir pena de cinco anos de reclusão, em regime inicial semiaberto, 
além do pagamento de 12 dias-multa.
Então, o que o Tribunal entendeu foi que essa multa penal – 12 (doze) dias-multa, no 
meu exemplo – deverá ser cobrada prioritariamente pelo MP, pois continua a ser uma sanção 
criminal, embora possa ser considerada dívida de valor.
Assim, a legitimidade prioritária para a ação de execução seria do Ministério Público, que 
deveria ajuizar a ação perante a Vara de Execuções Penais (VEP). Entretanto, caso o titular 
da ação penal, devidamente intimado, não propusesse a execução da multa no prazo de 
noventa dias, o juiz da execução criminal deveria dar ciência do feito ao órgão competente 
da Fazenda Pública (federal ou estadual, conforme o caso) para a respectiva cobrança na 
própria vara de execução fiscal.
Pois é, mas se pode complicar, para que facilitar?
Digo isso porque o Pacote Anticrime (Lei n. 13.964/2019) alterou o artigo 51 do Código 
Penal, de modo que na atual redação consta o seguinte:
Art. 51. Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será executada perante o juiz da 
execução penal e será considerada dívida de valor, aplicáveis as normas relativas à dívida ativa da 
Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição.
Ou seja, pela leitura do Código Penal em sua atualidade, reforçou-se a legitimidade do 
MP para executar a multa penal, não falando na Procuradoria da Fazenda.
Embora se admita a possibilidade de o Ministério Público investigar, a presidência de inquérito 
policial é ato privativo de Delegado de Polícia.
Antes de terminar, uma polêmica: durante muito tempo, houve uma briga envolvendo o 
Ministério Público x Defensoria Pública, acerca da configuração da sala de audiências. Isso 
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porque o MP tem garantido na LC n. 75/93 (LOMP) a prerrogativa de se situar no mesmo 
plano e imediatamente à direita dos magistrados.
Então, a Defensoria questionava apontando ofensa à isonomia e paridade de armas. 
Buscava-se que o MP se sentasse no mesmo plano, especialmente quando atuasse como parte.
Ao julgar a ação, o STF entendeu que a regra legal não fere os princípios da isonomia, do 
devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório nem compromete a necessária 
paridade de armas que deve existir entre a defesa e a acusação.
Prevaleceu o entendimento de que a atual posição dos sujeitos processuais na sala de 
audiências e de julgamento é justificada, seja pela tradição, seja pela diferenciada função 
desempenhada pelo órgão ministerial como representante do povo, uma vez que atua de forma 
imparcial para alcançar os fins que lhe foram constitucionalmente conferidos (STF, ADI n. 4.768).
Ah, ainda sobre a configuração da sala de audiências, a Lei n. 14.508, promulgada no 
final de 2022 – logo depois do julgamento do STF – estabelece que os advogados das duas 
partes deverão se posicionar no mesmo plano e em igual distância para o juiz do caso nas 
audiências de instrução e julgamento.
Prevalece o entendimento de que a lei não interfere em nada o julgamento que você viu 
aí em cima, na medida em que não falou no MP, apenas se referido aos advogados.
II – zelar pelo efetivo respeitodos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos 
direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia;
III – promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e 
social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos;
A promoção do inquérito civil é privativa do Ministério Público. Ou seja, nenhum outro 
ente público pode presidir o inquérito civil, que serve muitas vezes como preparativo para 
a ação civil pública.
Traçando um paralelo, o inquérito policial é usado para instruir a ação penal pública, 
enquanto o inquérito civil é usado para dar suporte à ação civil pública.
No ano de 2021 o STF declarou a inconstitucionalidade de uma alteração feita no artigo 
16 da Lei da Ação Civil Pública (LACP). Com isso, os efeitos de decisão em ação civil pública 
não devem ter limites territoriais, sob pena de restrição ao acesso à justiça e violação do 
princípio da igualdade.
Para você entender melhor, veja o que dizia o artigo 16:
A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, nos limites da competência territorial do órgão 
prolator, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que 
qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendo-se de nova prova.
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As decisões em ações civis públicas estão dentro do processo coletivo e otimizam o acesso 
à Justiça. O professor Gregório Assagra de Almeida fala em um microssistema processual 
coletivo, formado pela ação popular, ação civil pública, CDC, mandado de segurança coletivo 
(adiciono, por conta, o mandado de injunção coletivo e o habeas corpus coletivo).1
Voltando para a decisão do STF, em seu voto, o ministro relator destacou que a alteração 
de 1997 na Lei da Ação Civil Pública ocorreu na contramão dos avanços na proteção de direitos 
metaindividuais. Ele pontuou que, a partir da decisão e da coisa julgada, os efeitos e a eficácia 
da decisão não se confundem com a limitação territorial. Os efeitos têm a ver com os limites 
da lide. Não se poderia confundir limitação territorial de competência com os efeitos.
Fixada a competência de um caso, a decisão do julgador não poderia ter seus efeitos 
limitados territorialmente. Para piorar, o artigo 16 exigiria a propositura de ações em todos 
os territórios de pessoas lesadas, o que vai contra o sistema brasileiro, violando os princípios 
da igualdade e da eficiência da prestação jurisdicional (STF, RE n. 1.101.937).
Avançando, diferentemente do que acontece com o inquérito civil, na ação civil pública 
há outros legitimados. A esse respeito, veja o teor do artigo 5º da Lei n. 7.357/85 (LACP):
Art. 5º Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar:
I – o Ministério Público;
II – a Defensoria Pública;
III – a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios;
IV – a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista;
V – a associação que, concomitantemente:
a) esteja constituída há pelo menos 1 (um) ano nos termos da lei civil;
b) inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção ao patrimônio público e social, ao meio 
ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à livre concorrência, aos direitos de grupos raciais, 
étnicos ou religiosos, ou ao patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico.
Sobre o tema, foi questionada junto ao STF a legitimidade da Defensoria Pública para 
atuar nas tutelas coletivas. O Tribunal, então, confirmou a possibilidade de a Defensoria 
Pública ajuizar ações civis públicas (STF, ADI n. 3.943).
Lembro, na linha do que acabamos de ver, que ela (a Defensoria) não poderá promover 
inquérito civil.
Outra observação se impõe: a Lei n. 4.717/65 (Lei da Ação Popular – LAP) diz que o 
legitimado para o ajuizamento da ação popular é o cidadão, vale dizer, o brasileiro no gozo 
de capacidade eleitora ativa (quem pode votar).
1 ALMEIDA, Gregório Assagra de. Manual das ações constitucionais. Belo Horizonte: Del Rey, 2007.
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A LAP norma também prevê que, caso o cidadão desista da ação popular, o Ministério 
Público poderá prosseguir com a ação – repare que não falou que o MP pode ajuizar.
A questão da (im)possibilidade de o MP ajuizar ação civil pública nas mais variadas 
situações é recorrente nas provas e na jurisprudência.
Então, vou destacar algumas delas, que serão mais exploradas nas provas do nível de 
Analista para cima, mas vez ou outra aparecem até em provas de técnico. Vamos a elas?
Começando, o Ministério Público tem legitimidade para promover ação civil pública cujo 
fundamento seja a ilegalidade de reajuste de mensalidade escolares (STF, Súmula n. 643).
De igual modo, o STF também entende que o MP pode ajuizar a ACP que vise anular ato 
administrativo de aposentadoria que importe em lesão ao patrimônio público ou que busque 
defender direitos sociais relacionados ao FGTS, ou ainda quando se visa o fornecimento de 
remédios a portadores de certa doença.
Mas tem uma orientação do STF que está lá no topo das cobranças: ela diz respeito à 
ilegitimidade do MP para ajuizar a ACP tratando sobre pretensão relativa à matéria tributária 
(STF, ARE n. 694.294).
E quem disse que só o STF tem decisões envolvendo a legitimidade do MP e da Defensoria 
nas ações civis públicas? Confira algumas súmulas do STJ sobre o tema:
Súmula n. 601. O Ministério Público tem legitimidade ativa para atuar na defesa de 
direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos dos consumidores, ainda que 
decorrentes da prestação de serviço público.
Súmula n. 329. O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil pública 
em defesa do patrimônio público.
Existem diversas espécies de inquéritos. Destacam-se: inquéritos policial, civil, administrativo, 
policial militar, judicial, parlamentar de inquérito, policial legislativo.
IV – promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção da 
União e dos Estados, nos casos previstos nesta Constituição;
São cinco as ações do controle concentrado de constitucionalidade (sempre digo que 
elas cabem nos dedos de uma mão): ADI, ADO, ADC, ADPF e ADI n. Interventiva.
As quatro primeiras (ADI, ADO, ADC e ADPF) podem ser ajuizadas por nove legitimados, 
que são listados no artigo 103 da Constituição Federal: a) Presidente da República; b) Mesa 
do Senado Federal; c) Mesa da Câmara dos Deputados; d) Mesa de Assembleia Legislativa 
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ou da Câmara Legislativa do DF; e) Governador de Estado ou do DF; f) Procurador Geral da 
República (PGR); g) Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); h) Partido 
político com representação no Congresso; e i) Confederação sindical ou entidade de classe 
de âmbito nacional.
A única ferramenta do controle concentrado que contacom regra diferente é a ADI 
Interventiva, exatamente o que estamos tratando agora.
Segundo a Constituição, ela pode ser proposta apenas pelo PGR, que fica sendo o único 
legitimado perante o STF.
Aplicando o princípio da simetria, a Súmula n. 614 do STF diz que somente o PGJ tem 
legitimidade para propor ADI n. interventiva por inconstitucionalidade de lei municipal.
A ADI Interventiva é cabível se houver violação a um dos princípios constitucionais 
sensíveis, previstos no artigo 34, VII, da Constituição.
Eles são chamados de sensíveis, pois, se forem violados, autorizam a intervenção 
federal, medida extrema em uma Federação. Vale lembrar que a característica central de 
uma Federação é a autonomia dos entes que a compõem, e ela (autonomia) será afastada 
no processo de intervenção.
V – defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas;
VI – expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência, requisitando 
informações e documentos para instruí-los, na forma da lei complementar respectiva;
VII – exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei complementar mencionada 
no artigo anterior;
Aqui, lembro-me da observação que você viu lá em cima, no sentido de que o MP pode 
investigar, mesmo o artigo 144 da Constituição afirmando caber exclusivamente à PF e à 
PC as funções de polícia judiciária.
VIII – requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados os 
fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais;
Quando se fala no inquérito policial, você precisa lembrar que se houver o seu arquivamento, 
por decisão do juiz e a requerimento do promotor de justiça, não pode a ação penal ser 
iniciada sem o surgimento de novas provas (STF, Súmula n. 524).
IX – exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade, 
sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas.
Repare que a própria redação do inciso IX do artigo 129 já deixa claro que o rol de 
atribuições do Ministério Público é meramente exemplificativo, podendo ser ampliado.
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1.10. CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO – CNMP1.10. CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO – CNMP
Na aula sobre o Judiciário ressaltei a importância do CNJ para as provas de concurso. 
No caso do CNMP, as questões aparecem em número bem menor, e normalmente estão 
ligadas à composição do órgão.
Avançando, o CNMP também foi criado pela EC n. 45/04, também conhecida como 
Reforma do Judiciário.
Ele é competente para fazer o controle da atuação administrativa e financeira do 
Ministério Público e do cumprimento dos deveres funcionais de seus membros.
Em sua composição, conta com quatorze membros, sendo oito deles da própria carreira, 
enquanto outros seis vêm de fora da estrutura da instituição.
Aliás, traçando um paralelo, o CNJ tem quinze membros (um a mais, certo?). Deles, 
nove vêm do Judiciário e há também seis de fora. A paridade nos seis membros de fora 
do Poder/Instituição, inclusive, é a mesma, como você logo verá.
Voltando ao CNMP, ele será presidido pelo PGR. O cargo de Corregedor será preenchido 
por um dos sete membros do Ministério Público – Estadual ou da União.
A duração do mandato é de dois anos, admitida uma recondução.
Há duas exceções a essa regra: a primeira, relativa ao PGR, que ficará na presidência 
do CNMP enquanto for PGR – mesmo que haja reconduções sucessivas, como aconteceu 
à época de Geraldo Brindeiro.
A segunda em relação ao Corregedor, que não pode ser reconduzido – art. 130-A, § 
3º, da Constituição.
Veja então a composição do Conselho:
Composição CNMP
Oito vindos do Ministério Público
PGR
Será o Presidente do CNMP.
Enquanto for PGR, será presidente (não há limitação de 
tempo).
4 MPU 1 de cada ramo do MPU (MPF, MPT, MPM e MPDFT.
O Corregedor do CNMP será um dos sete integrantes 
do MP. Ele não pode ser reconduzido.
3 MPE
Seis vindos de fora
2 Juízes 1 indicado pelo STF e 1 indicado pelo STJ
2 Advogados Indicados pelo Conselho Federal da OAB
2 Cidadãos
1 indicado pela CD
1 indicado pelo SF
Observação: o Presidente do Conselho Federal da OAB oficiará junto ao CNMP.
Não há dúvidas de que o CNJ é órgão do Poder Judiciário (isso está escrito no artigo 92 
da CF) e que, nessa condição, faz controle interno desse Poder – exceto em relação ao STF.
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Por outro lado, a jurisprudência do STF sinaliza a compreensão de que o CNMP exerceria 
o controle externo do Ministério Público. A esse respeito, vou colocar a seguir um trechinho 
de um julgado do STF:
O constituinte, ao erigir o Conselho Nacional do Ministério Público como órgão de 
controle externo do Ministério Público, atribuiu-lhe, expressamente, competência 
revisional ampla, de sorte que não há vinculação à aplicação da penalidade ou à 
gradação da sanção imputada pelo órgão correcional local (CRFB/1988, art. 130-A, § 
2º, IV) (STF, MS n. 34.712).
Vamos ver agora as atribuições do Conselho, previstas no artigo 130-A, § 2º:
I – zelar pela autonomia funcional e administrativa do Ministério Público, podendo expedir 
atos regulamentares, no âmbito de sua competência, ou recomendar providências;
Lá dentro do Ministério Público eu contei uma mudança da orientação do STF que, de tão 
importante, vou repetir aqui mais uma vez, ok?
Em 2020, a partir de voto proferido pelo ministro Alexandre de Moraes (que foi do 
MP-SP), o STF passou a entender que cabe ao CNMP dirimir conflito de atribuições entre 
membros do MP Federal e do MP Estadual.
Prevaleceu a orientação de que o CNMP possui isenção suficiente para definir, segundo 
as normas em que se estrutura a instituição, qual agente do Ministério Público tem aptidão 
para a condução de determinado inquérito civil.
Em compasso com o artigo 130-A da CF, o CNMP agiria no controle da atuação administrativa 
do MP e do cumprimento dos deveres funcionais de seus membros. Dentro desse controle, 
estaria zelando pela autonomia funcional e administrativa do MP, bem como pela legalidade 
dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do MPU ou do MP Estadual.
Trocando em miúdos, ficou vencedora a tese segundo a qual a solução de conflitos de 
atribuições entre ramos diversos dos Ministérios Públicos pelo CNMP é a mais adequada, 
pois reforça o mandamento constitucional que lhe atribuiu o controle da legalidade das 
ações administrativas dos membros e órgãos dos diversos ramos ministeriais, sem ingressar 
ou ferir a independência funcional (STF, ACO n. 843).
II – zelar pela observância do art. 37 e apreciar, de ofício ou mediante provocação, a legalidade 
dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do Ministério Público da União e dos 
Estados, podendo desconstituí-los, revê-los ou fixar prazo para que se adotem as providências 
necessárias ao exato cumprimento da lei, sem prejuízo da competência dos Tribunais de Contas;
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Eu já disse isso lá no CNJ e repito aqui: os dois conselhos não têm competência para 
efetuar controle de constitucionalidade de lei, seja na via difusa ou na concentrada (STF, 
MS n. 27.744).
O que se permitiu em relação ao CNJ – e não haveria razão para entendimento diverso no 
CNMP – é que o Conselho poderia deixar de aplicar norma que entenda ser inconstitucional.
Relembrando, o caso julgado pelo STF envolvia uma determinação dada pelo CNJ para 
que um TJ exonerasse servidores nomeados sem concurso público para cargos em comissão 
que não se amoldavam às atribuições de direção, chefia ou assessoramento.
Frisou-se que a decisão do CNJ não configuraria controle de constitucionalidade, sendo 
exercício de controle da validade dos atos administrativos do Poder Judiciário (STF, 
PET n. 4656/PB).
III – receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos do Ministério Público da 
União ou dos Estados, inclusive contra seus serviços auxiliares, sem prejuízo da competência 
disciplinar e correcional da instituição, podendo avocar processos disciplinares em curso, 
determinar a determinar a remoção ou a disponibilidaderemoção ou a disponibilidade e aplicar outras sanções administrativas e aplicar outras sanções administrativas, assegurada 
ampla defesa;
O primeiro ponto que você precisa lembrar é que a Reforma da Previdência, trazida 
pela EC n. 103/2019, retirou da Constituição a aposentadoria compulsória com proventos 
proporcionais como forma de punição a magistrados e a membros do MP.
Antes dessa modificação, falava-se que o CNMP poderia aplicar penalidades como 
remoção, disponibilidade e aposentadoria compulsória com proventos proporcionais.
Agora, o texto constitucional cita apenas a “remoção, disponibilidade e outras sanções 
administrativas”.
Mas fique atento: mesmo após a mudança na CF, o CNJ e o CNMP continuam aplicando 
a aposentadoria compulsória com base na LOMAN/LOMP. Prevaleceu o entendimento no 
sentido de que o texto constitucional mantém a possibilidade de aplicação de outras sanções.
A título ilustrativo, em 2021, houve a aposentadoria compulsória de uma Desembargadora do 
TJ-MS acusada de acobertar infrações praticadas por seu filho, dando-lhe privilégios indevidos.
Você lembra que o CNMP e o CNJ não possuem jurisdição, certo?
Em razão disso, o Conselho não pode aplicar a pena de demissão de membros do MP, na 
medida em que ela (a demissão) depende de decisão judicial transitada em julgado.
IV – rever, de ofício ou mediante provocação, os processos disciplinares de membros do 
Ministério Público da União ou dos Estados julgados há menos de um ano;
Note que a competência do CNMP é para rever processos disciplinares apenas contra 
membros do MPU e do MPE.
O que quero dizer com isso é que o Conselho não tem competência para rever punição 
imposta a servidor do MP (STF, MS 28.827).
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Ah, é importante destacar que a atuação do CNMP não é subsidiária, mas, sim, 
concorrente. Isso autoriza a que ele apure independentemente da ação da Corregedoria 
do órgão de origem. (STF, MS n. 28.620).
Assunto exaustivamente cobrado pelas Bancas Examinadoras é o que trata da possibilidade 
de o CNMP rever os processos disciplinares de Membros julgados há menos de um ano.
Dentro da premissa de que a atuação da Corregedoria do órgão não impede a atuação 
do CNMP, seja concomitante, seja posterior, é assegurada ao Conselho a atribuição de rever 
os PADs que tenham tramitado internamente. A deflagração do processo pode ocorrer por 
iniciativa do próprio Conselho ou mediante provocação de algum interessado.
Fique atento(a) a um detalhe: quando está revendo processos disciplinares julgados 
nas Corregedorias, o CNMP tem o limite de um ano. Por outro lado, quando exerce a sua 
competência originária para a apuração disciplinar, não haverá o parâmetro temporal de 
um ano (STF, MS n. 34.685).
V – elaborar relatório anual, propondo as providências que julgar necessárias sobre a situação 
do Ministério Público no País e as atividades do Conselho, o qual deve integrar a mensagem 
prevista no art. 84, XI.
No mais, uma distinção importante: as ações contra o CNJ são julgadas pelo Plenário 
do STF, enquanto as que forem propostas contra o CNMP serão julgadas pelas Turmas 
do Tribunal.
E por que então tal diferença? É que o CNJ é presidido pelo Presidente do STF, autoridade 
que atrairia o julgamento para o Pleno.
Agora imagine a seguinte situação: o PGJ de determinado MP Estadual indefere o 
pagamento de gratificação a servidores do órgão. Acontece que essa decisão é reformada 
por outra, proferida pelo Colégio de Procuradores do mesmo MP.
Então, ao ser acionado, o CNMP revoga o ato do Colégio de Procuradores, restabelecendo 
a decisão do PGJ.
Só que esse “balaio de gatos” não tem fim, e o sindicato dos servidores resolve ir ao 
STF, buscando o pagamento da gratificação aos servidores.
Ao julgar, o Tribunal primeiro reafirmou a orientação de que não existe direito ao duplo 
grau de jurisdição na instância administrativa.
Na sequência, foi decidido que exatamente em razão da ausência do duplo grau, nem 
o CNMP, nem o Colégio de Procuradores seriam competentes para rever ou modificar 
atos de natureza discricionária do Procurador-Geral, no âmbito de seu poder de 
gestão e administração da unidade ministerial, quando tais atos respeitem a legalidade, a 
proporcionalidade e a moralidade (STF, MS n. 34.472).
Há, ainda, a previsão de que leis da União e dos Estados criarão Ouvidorias do Ministério 
Público, competentes para receber reclamações e denúncias de qualquer interessado 
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contra membros ou órgãos do Ministério Público, inclusive contra seus serviços auxiliares, 
representando diretamente ao Conselho Nacional do Ministério Público.
Tem mais: qualquer pessoa é parte legítima para representar ilegalidades perante o 
CNMP, porque a apuração é de interesse público (STF, MS n. 28.620).
Para finalizar, um ponto importantíssimo: quando o CNJ e o CNMP foram criados (EC 
n. 45/2004), atribuiu-se ao STF a competência originária para julgar ações contra esses 
Conselhos. O problema é que começaram a chegar muitos processos...
Daí veio uma interpretação restritiva da parte do STF: o termo “ações” passou a ser 
entendido como “ações constitucionais”, restringindo o acesso ao Tribunal apenas para 
julgamento de Habeas Corpus, Habeas Data, Mandado de Injunção e Mandado de Segurança. 
Resumindo, ficariam apenas os remédios constitucionais (HC, HD, MI e MS).
Ou seja, não seria competência do STF julgar ações ordinárias contra o CNJ (STF, AO 
n. 1.706).
No entanto, numa reviravolta ocorrida em novembro de 2020, em decisão majoritária, 
prevaleceu a tese de que compete exclusivamente ao STF processar e julgar ações ordinárias 
contra decisões e atos administrativos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho 
Nacional do Ministério Público (CNMP) proferidas no âmbito de suas atribuições constitucionais 
(STF, ADI n. 4.412).
Assim, não há mais distinção se a ação é ordinária ou um remédio constitucional. O 
julgamento estará sempre dentro da competência originária do STF.
A competênciado CNMP para rever processos disciplinares abrange apenas os Membros do 
MPU e do MPE, não se estendendo para punições impostas a servidor do Ministério Público.
2 . aDVoCaCia PÚBliCa2 . aDVoCaCia PÚBliCa
Logo de cara tem a parte hoje que aparece nas “paradas de sucesso” das Bancas 
Examinadoras.
Preste atenção no trecho que vem agora, pois depois vou decompô-lo: é que segundo 
o artigo 131 da Constituição:
(...) a Advocacia-Geral da União é a instituição que, diretamente ou através de órgão vinculado, 
representa a União, judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe as atividades de consultoria e 
assessoramento jurídico do Poder Executivo.
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Repare você que a Constituição deferiu à AGU a missão de representar a União, sem 
restringir a atuação a nenhum dos Poderes da República. Em razão disso, a representação 
judicial ou extrajudicial vale para todos os Poderes da União.
Quer um exemplo? Outro dia, eu vi um caso em que o Presidente do TJDFT impetrou 
mandado de segurança contra decisão do CNJ, a qual obrigava que todos os juízes do 
Tribunal fizessem plantão – aqui no TJDFT, apenas os juízes substitutos fazem os plantões.
Advinha então quem foi o advogado responsável pela impetração do MS? A AGU, claro!
Ah, para você saber, o STF deferiu a liminar, suspendendo o ato do CNJ. No mérito, 
confirmou-se a decisão, o que significa que foi validada a decisão do TJDFT segundo a qual 
apenas os juízes substitutos precisariam fazer plantão (STF, MS n. 32.462).
Mas pera lá! Em outro julgado se decidiu que a Defensoria Pública tem a garantia de 
estar em juízo para defesa de suas prerrogativas e funções institucionais, não se mostrando 
necessário, nessa hipótese, que sua representação judicial fique a cargo da Advocacia-Geral 
da União (STF, SL n. 866).
Prosseguindo, se de um lado, a União representa judicial e extrajudicialmente todos 
os Poderes da República, de outro, quando o assunto é a prestação de consultoria e 
assessoramento jurídico, a missão abrange apenas o Poder Executivo.
Como você vai fazer para lembrar isso?
Fácil! Basta você ter em mente que nós temos os Consultores Legislativos na Câmara 
dos Deputados e no Senado Federal. Ou seja, o Legislativo já tem seu corpo próprio de 
consultores, que prestam a assessoria jurídica necessária.
Já em relação ao Judiciário, ninguém melhor do que ele para entenderem do juridiquês. 
Logo, não teria cabimento algum o Judiciário pedir consultoria e assessoramento jurídico à AGU.
É dentro desse contexto que a atuação de consultoria e assessoramento jurídico 
prestada pela AGU se restringe ao Poder Executivo.
Agora que já falei sobre a missão da instituição – a AGU –, vou tratar do seu chefe, 
que é o AGU.
Pois bem, o Advogado-Geral da União ocupa cargo de livre nomeação pelo Presidente 
da República, dentre cidadãos com mais de 35 anos, de notável saber jurídico e de 
reputação ilibada.
Note-se que na escolha do AGU não há formação de lista nem a necessidade de 
aprovação do nome pelo Senado Federal.
Repare que, assim como os Ministros de Estado, o cargo é de livre nomeação e livre 
dispensa. No entanto, há dois pontos que diferenciam o AGU dos demais Ministros:
Primeiro: a idade mínima para ser Ministro de Estado é de 21 anos, enquanto para o 
AGU se exige no mínimo 35 anos.
Segundo: nos crimes de responsabilidade, o AGU será julgado pelo Senado Federal, 
estando ou não em conexão com o Presidente ou Vice-Presidente da República (artigo 52, 
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II). Se você bem lembra a situação dos Ministros de Estado, eles serão julgados pelo STF 
tanto nos crimes comuns quanto nos de responsabilidade. A única hipótese de eles irem 
para o Senado na responsabilidade é em caso de conexão com o Presidente ou Vice.
Só pelas duas ponderações aí de cima você já percebe que o AGU tem um status 
diferenciado. O problema é que não lhe foi dado foro especial nos crimes comuns. Vale 
dizer, em tais crimes ele responderia perante o Juiz de 1ª instância.
Foi daí que se editou medida provisória (posteriormente convertida em lei) equiparando 
o AGU ao cargo de Ministro de Estado. Houve questionamento no STF, mas o Tribunal 
entendeu pela constitucionalidade da norma (STF, INQ n. 1.660).
Então, nos crimes comuns, o AGU será julgado pelo STF, indo para o Senado Federal 
nos crimes de responsabilidade.
Vamos sistematizar?
Procedimento de escolha e competência para julgamento do AGU
Quem escolhe? Presidente da República
Há sabatina? Não
Candidato precisa ser da carreira?
Não. É pessoa da confiança do PR, precisando ter notório 
saber jurídico e reputação ilibada.
É necessária autorização do Legislativo 
para destituição?
Não. É cargo em comissão, de livre nomeação e exoneração 
pelo PR.
Idade mínima?
35 anos, ao contrário dos demais ministros de Estado 
(21 anos)
Quem julga no crime comum? STF
Quem julga no crime de responsabilidade Senado, havendo ou não conexão com PR ou vice-PR
Observações:Observações:
1) a CF não previu procedimento de nomeação e destituição do PGE/PGDF. O tratamento fica a cargo 
da Constituição Estadual/LODF. Porém, o STF aponta que a destituição não pode ser condicionada à 
aprovação da AL/CLDF, por ser cargo em comissão, de livre nomeação e exoneração. A orientação atual, 
inclusive, é no sentido de que a escolha não fica vinculada a integrantes da carreira (STF, ADI n. 5.211).
2) É constitucional norma de Constituição estadual que restringe a escolha do PGE aos 
integrantes da carreira da advocacia pública local (STF, ADI n. 3.056).
3) não é válida LC estadual que equipare o procurador-geral do Estado a secretário de Estado para dar-
lhe foro especial.
Vamos olhar por outro ângulo, comparando a escolha do PGR, do PGJ e do AGU e, de 
quebra, vendo o foro para julgamento?
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PGR PGJ AGU
O que faz?
Chefe do Ministério 
Público da União
Chefe do Ministério Público 
dos Estados e do DF
Chefe da Advocacia-
Geral da União
Quem escolhe Presidente da República
MPE: Governador
MPDFT: PR
Presidente da 
República
Idade mínima 35 anos CF não prevê 35 anos
Procedimento de 
escolha
Escolha recai entre 
integrantes da carreira
Escolha recai entre 
integrantes da carreira
Livre escolha do 
Presidente. Não 
precisa ser da carreira.
Há lista tríplice? Não Sim Não
Há sabatina?
Sim. Maioria absoluta do 
Senado Federal
Não há previsão na CF e não 
pode haver na CE.
Não
Mandato
2 anos, admitida a 
recondução
2 anos, admitida UMA 
recondução
Não há. Cargo de 
livre nomeação e livre 
exoneração
É possível a 
destituição antes 
do mandato?
Sim. Depende de iniciativa 
do PR e autorização de 
MA do SF
Sim. Depende de autorização 
de MA dos membros do 
Legislativo (AL no caso do 
MPE e SF para o MPDFT).
Não há mandato. 
Por ser cargo em 
comissão, Presidente 
nomeia e exonera a 
qualquer tempo.
Foro especial
CC: STF
CR: Senado
MPE
CC: TJ
CR: TJMPDFT
CC: STJ
CR: STJ
CC: STF
CR: Senado (com ou 
sem conexão com PR)
Mudando de assunto, para ingressar na carreira da advocacia pública, é exigido que o 
concurso seja de provas + títulos.
Não há na Constituição Federal a necessidade de comprovação de três anos de prática 
jurídica – quarentena de entrada. Porém, nada impede que a regra própria da carreira exija 
a comprovação de algum período de experiência.
Outra coisa: a posse no cargo público já legitima a atuação do membro da advocacia pública. 
Nesse sentido, a Súmula n. 644/STF diz que ao titular do cargo de procurador de autarquia 
não se exige a apresentação de instrumento de mandato para representá-la em juízo.
Ainda na advocacia pública federal, há uma ramificação em três carreiras: o Advogado 
da União, que atua na Administração Direta; o Procurador Federal, o qual representa a União 
na Administração Indireta; e, por fim, o Procurador da Fazenda Nacional, que é o advogado 
do governo em matéria tributária.
A propósito, o § 3º do artigo 131 diz que na execução da dívida ativa de natureza 
tributária caberá à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) representar a União.
As funções de AGU serão exercidas, nos planos estadual, distrital e municipal, 
respectivamente, pelos procuradores-gerais dos Estados (PGE), do Distrito Federal (PGDF) 
e dos municípios (PGM).
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Sobre o tema, o STF confirmou a constitucionalidade de lei estadual que atribui 
exclusivamente ao PGE a competência para receber citação inicial ou comunicação 
referente a ações ajuizadas contra o estado. Prevaleceu a tese de que norma não legisla 
sobre direito processual, de competência privativa da União, detendo-se em procedimentos 
administrativos, cuja competência é concorrente (STF, ADI n. 5.773).
Por falar em falta de restrições...
O STF fixou a seguinte tese acerca das manifestações dos advogados públicos:
Considerando-se a natureza do cargo, é constitucional a necessidade de ordem ou 
autorização expressa do Advogado-Geral da União para manifestação do advogado 
público sobre assunto pertinente às suas funções, ressalvadas a liberdade de cátedra 
e a comunicação às autoridades competentes acerca de ilegalidades constatadas.
No julgamento, prevaleceu a orientação de que a proibição era destinada a agentes 
públicos específicos, não cria qualquer espécie de censura direcionada à imprensa, e possui 
como objetivo primordial o resguardo do sigilo necessário ao desempenho da advocacia e, 
consequentemente, a salvaguarda dos interesses públicos envolvidos na atuação da AGU 
(STF, ADI n. 4.652).
Outra coisa: segundo o artigo 132 da Constituição, compete às procuradorias dos 
estados atribuições para as atividades de consultoria jurídica e representação judicial das 
respectivas unidades federadas, mas apenas relativamente à administração pública direta, 
autárquica e fundacional. Ficam de fora as sociedades de economia mista e as empresas 
públicas, que contratam corpo jurídico próprio.
Em razão disso, declarou-se a inconstitucionalidade de norma estadual que conferia 
à Procuradoria-Geral do Estado competência para controlar os serviços jurídicos de 
entidades da administração estadual indireta, inclusive a representação judicial, com a 
possibilidade de avocação de processos e litígios judiciais, de empresas públicas e sociedades 
de economia mista.
Prevaleceu a orientação de que se a norma fosse validada poderia haver uma ingerência 
indevida do Governador na administração das empresas públicas e sociedades de economia 
mista, pessoas jurídicas de direito privado, o que impediria a defesa dessas entidades. Isso 
porque, como é o chefe do poder executivo estadual quem escolhe o Procurador-Geral 
do Estado, num eventual litígio, por exemplo, entre uma sociedade de economia mista e a 
administração pública direta, o Governador poderia determinar a avocação do processo e 
defender o seu próprio interesse (STF, ADI n. 3.536).
Agora preste atenção a um assunto que pode ser cobrado nas provas tanto lá na parte 
de Ordem Social quanto aqui nas Funções Essenciais à Justiça.
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Começando, repare na seguinte tese, pois depois vou mostrar exceções a ela: “é 
inconstitucional a criação de Procuradorias Autárquicas no âmbito dos Estados e do Distrito 
Federal, em razão da violação à unicidade orgânica da advocacia pública estadual”.
Você se recorda que as universidades têm natureza jurídica de autarquias, certo?
Depois de idas e vindas, o STF entendeu que as universidades públicas estaduais 
podem ter corpo jurídico próprio, considerada a autonomia que possuem e o fato de que, 
por vezes, seus interesses estariam em choque com o ente da Federação a que pertencem 
(STF, ADI n. 7.218).
Aliás, nesse julgado aí de cima foram reunidas as hipóteses que excepcionam o princípio 
da unicidade do artigo 132 da CF. Confira:
Exceções ao Princípio da Unicidade Orgânica da Advocacia Pública Estadual
Manutenção de órgãos de consul-
torias jurídicas já existentes antes 
da promulgação da CF.
Criação de procuradorias vincula-
das ao Poder Legislativo e ao Tribu-
nal de Contas, para defesa de sua 
autonomia e independência perante 
os demais Poderes.
Instituição de procuradorias jurídi-
cas em universidades estaduais, 
por conta do princípio da autonomia 
universitária.
Quando você pensar que já viu de tudo, repare neste julgado: determinado estado criou 
uma Procuradoria-Geral da Assembleia Legislativa, equiparando a remuneração de seus 
membros à dos que integram a PGE.
Por violar simetria e harmonia entre os Poderes, a norma foi declarada inconstitucional. 
O defeito não estava na criação do órgão vinculado ao Legislativo. Afinal, ele pode existir e 
defender os interesses do Legislativo. O problema residia no fato de prever prerrogativas, 
status e remuneração equivalente à Procuradoria Estadual (STF, ADI n. 2.820).
Outra coisa: determinada norma estadual retirou a obrigatoriedade de que os cargos 
de chefia nas assessorias jurídicas dos órgãos da Administração Direta do Poder Executivo 
e nas procuradorias das autarquias e das fundações estaduais fossem exercidos pelos 
Procuradores de Estado.
Ao ser questionada no STF, a norma foi considerada inconstitucional por violar o caráter 
privativo das competências dos Procuradores do Estado, violando o artigo 132 da Constituição 
(STF, ADI n. 5.541).
Também por violação ao artigo 132 da Constituição, foi declarada a inconstitucionalidade 
de norma estadual que criou órgão e cargos jurídicos fora da estrutura da Procuradoria 
do Estado, dando-lhes funções de representação judicial, consultoria e assessoramento 
jurídico de autarquias e fundações (STF, ADI n. 7.380).
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Agora, repare uma coisa: a CF fala na advocacia pública na esfera federal, estadual 
e distrital, nada mencionando sobre a necessidade deos municípios instituírem uma 
procuradoria própria.
Então, chegou ao STF o questionamento de norma estadual que impunha aos municípios 
a criação dessas procuradorias.
Porém, o tribunal afastou a exigência, dizendo que a Constituição Federal nada disse a 
respeito e a Constituição Estadual também não poderia obrigar. Ou seja, valerá a autonomia 
de cada município. Porém, se o município resolver criar uma procuradoria, os membros 
devem ser admitidos mediante concurso público (STF, ADI n. 6.331).
Indo à frente, a Constituição diz que o subsídio do Desembargador de TJ corresponde 
a 90,25% do que ganha o Ministro do STF e que esse montante também serviria de 
parâmetros para o MP Estadual, a Defensoria Pública Estadual e a Procuradoria (Advocacia 
Pública) Estadual.
É meio paradoxal, mas o STF afasta da aplicação do percentual de 90,25% exatamente 
os Membros da Magistratura Estadual (Desembargadores e Juízes). Para eles, seria 
considerado o teto geral, correspondente aos ganhos de Ministro do STF.
A explicação para essa decisão foi a seguinte: se for aplicado o texto explícito da Constituição, 
um Juiz Federal de 1ª instância seguirá o teto do STF, enquanto o Desembargador de um TJ, 
que está na 2ª instância, estaria limitado ao percentual de 90,25% (STF, ADI-MC n. 3.854).
Ah, no artigo 37, XI, fala que nos Municípios o teto é um só para Executivo e Legislativo 
(não existe Poder Judiciário, lembra?): o subsídio do prefeito.
Ocorre que o STF entendeu que os procuradores municipais estariam sujeitos ao mesmo 
teto dos procuradores estaduais, ou seja, de 90,25% do que ganha o ministro do STF.
Adotou-se a compreensão de que a expressão “procuradores”, contida na parte final do 
inciso XI do art. 37 da Constituição, compreenderia os procuradores autárquicos, além dos 
procuradores da Administração Direta, o que conduz à compreensão de que os procuradores 
municipais também estão abrangidos pela referida locução (STF, RE n. 663.696).
Por falar em advogados públicos estaduais, eles têm direito à percepção de honorários 
advocatícios sucumbenciais nos processos em que atuam em nome do ente estatal, 
ficando os honorários limitados ao teto constitucional. A discussão que existia decorre do 
fato de eles já receberem a remuneração prevista para o cargo. Os defensores do pagamento 
justificam que a medida traria maior empenho no exercício das funções (STF, ADI n. 6.159).
Além disso, é válida norma estadual que destine aos procuradores estaduais honorários 
advocatícios incidentes na hipótese de quitação de dívida ativa em decorrência da utilização 
de meio alternativo de cobrança administrativa ou de protesto de título (STF, ADI 5.910).
Outra coisa: e se ao invés de abrir a oportunidade de advogar o Poder Público pagar 
uma gratificação aos procuradores estaduais? Isso seria válido?
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Julgando o caso, o STF entendeu pela validade do pagamento de gratificação instituída 
para compensar os procuradores que optassem pelo Regime de Dedicação Exclusiva. 
Eles teriam uma gratificação de 30% sobre o subsídio e, em troca, não poderiam exercer 
a advocacia ( judicial e administrativa) nem atividades de assessoria ou consultoria. Só 
poderiam exercer o magistério (STF, ADI n. 6.784).
Já que o assunto é dinheiro, preste atenção em mais uma decisão: o STF entendeu ser 
válida lei estadual que destine 5% da receita recebida pelos cartórios (custas e emolumentos) 
para um fundo especial da procuradoria-geral do estado.
Na ocasião, prevaleceu a orientação de que são válidas normas estaduais que destinam 
parcela da arrecadação dos cartórios a fundos dedicados ao financiamento da estrutura do 
Poder Judiciário ou de órgãos e funções essenciais à Justiça, como o Ministério Público e da 
Defensoria Pública. Sabe quem não gostou nem um pouquinho dessa decisão? A ANOREG 
(Associação dos Notários e Registradores do Brasil), ou seja, os titulares de cartório (STF, 
ADI n. 3.704).
Por outro lado, o STF entende que os membros da advocacia pública não têm direito a 
férias de 60 dias anuais, ao contrário do que acontece com membros da Magistratura e do 
Ministério Público (STF, RE n. 929.886).
Note que nós acabamos de ver que o STF disse ser constitucional a medida provisória 
que equiparou o AGU a Ministro de Estado, a fim de lhe dar foro especial nos crimes comuns 
perante o STF, certo?
Pois é, mas indo em direção oposta, o Tribunal disse ser inconstitucional lei complementar 
estadual que equiparou o cargo de Procurador-Geral do Estado (PGE) aos Secretários 
de Estado, também visando lhe dar foro especial.
Isso porque a Constituição do Estado não poderia delegar ao legislador ordinário 
(infraconstitucional) a tarefa de estabelecer as competências do TJ. Essa missão – definição 
das competências do TJ – cabe apenas à CE, conforme o artigo 125, § 1º, da Constituição 
(STF, HC n. 103.803).
Na ocasião, estava em discussão uma situação ocorrida no Estado de Roraima. O PGE da 
época acabou envolvido em um esquema de pedofilia, apurado na denominada Operação 
Arcanjo. Na sentença, ele foi condenado a quase 300 anos de prisão e buscava (sem sucesso) 
anular a ação penal, ao argumento de que deveria ser processado no TJ (foro especial), e 
não na 1ª instância!
Ainda sobre o PGE, o cargo também é de livre nomeação, podendo o governador escolher 
o nome entre os membros da carreira ou não. De igual modo, não pode a legislação estadual 
condicionar a destituição do PGE à autorização da Assembleia Legislativa (STF, ADI n. 291).
Outra coisa: você viu que Magistrados, membros do Ministério Público e dos Tribunais 
de Contas adquirem vitaliciedade.
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Por sua vez, os membros da Advocacia Pública e da Defensoria Pública não são vitalícios. 
Ao contrário, eles adquirem estabilidade após três anos de efetivo exercício.
Já a garantia da inamovibilidade só alcança os Magistrados, membros do Ministério 
Público e da Defensoria Pública. Mais uma vez, ficam de fora os advogados públicos (STF, 
ADI n. 291).
Por consequência, o STF fixou a compreensão de que a parcialidade é inerente às funções 
dos procuradores estaduais, sendo, por isso, inadequado cogitar-se independência funcional, 
nos moldes da Magistratura, do Ministério Público ou da Defensoria Pública. Logo, como 
a garantia da inamovibilidade é instrumental à independência funcional, considerou-se 
insuscetível de extensão a uma carreira cujas funções podem envolver relativa parcialidade 
e afinidade de ideias (STF, ADI n. 1.246).
Quanto ao foro especial, entendia o STF que, embora ele não tenha sido dado pela 
Constituição Federal, nada impediria que seja conferido por Constituição Estadual (STF, 
ADI n. 2.587).
No entanto, em 2019, o Tribunal mudou a sua orientação para deixar claro que não caberia 
à Constituição Estadual conceder foro especial a autoridades, indo além daqueles casos já 
disciplinados na Constituição Federal. Isso porque a própria CF já estabelece autoridades 
estaduais e até municipais (prefeito e membro de TCM) que contam com a prerrogativa.
Ao final, prevaleceu a tese de que o foro especial só seria aplicável àquelas autoridades 
mencionadas na CF ou naqueles casos em que o foro previsto na CE derivasse diretamentedos artigos 27 e 28 da Constituição – ou seja, deputados estaduais e distritais, vice-
governador, secretários de Estado e comandantes da PM e do CBM (STF, ADI n. 2.553).
Aproveitando, procuradores estaduais também não podem ter porte de arma dado por 
legislação estadual. Nesse caso, somente lei federal pode tratar do tema material bélico 
e essa norma já existe – Estatuto do Desarmamento –, o qual não dá a prerrogativa aos 
advogados públicos (STF, ADI n. 6.985).
Já acabou, Jéssica?
Ainda não...
Sabe o Estatuto da OAB? Havia a discussão se suas regras poderiam – ou não – ser 
aplicáveis aos advogados públicos.
Enfrentando a questão, o STF entendeu que as regras previstas nos artigos 18 a 21 
do Estatuto da OAB (relação de emprego, salário, jornada de trabalho e honorários de 
sucumbência) não são aplicáveis aos advogados, empregados públicos de empresa pública, 
sociedade de economia mista e suas subsidiárias, que atuam em regime de monopólio.
Em sentido oposto, essas mesmas regras são aplicáveis aos advogados empregados de 
empresas públicas e de sociedade de economia mista que atuam no mercado em regime 
concorrencial – ou seja, sem monopólio (STF, ADI n. 3.396).
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2 .1 . DEFEnsor lEGis2 .1 . DEFEnsor lEGis
Cuidado com a terminologia: custos legis (ou custos constitucionis) é a missão de fiscal 
da lei, atribuída ao Ministério Público.
Agora, quando se fala em defensor legis, ou curador da lei, estamos tratando da 
missão atribuída ao AGU de, no controle concentrado, fazer a defesa da lei ou ato normativo 
questionado junto ao STF.
Perceba que não se restringiu o papel do AGU às leis ou atos normativos federais. É 
dele também a incumbência de defender as normas estaduais e as distritais de natureza 
estadual que sejam atacadas via ADI.
É que de acordo com o § 3º do artigo 103 da Constituição, quando o STF apreciar a 
inconstitucionalidade, em tese (controle concentrado), de norma legal ou ato normativo, 
citará, previamente, o Advogado-Geral da União, que defenderá o ato ou texto impugnado.
Repare bem que o texto constitucional usa expressão afirmativa, quase peremptória, 
determinando que o AGU faça a defesa da norma.
A necessidade de defender a norma seria para formar um contraditório, na medida em 
que se a ADI n. foi ajuizada, é porque alguém está entendendo que ela é inconstitucional – 
“estão batendo na lei”. É nessa toada que chegaria o AGU para atuar no sentido contrário.
Entretanto, o STF entende que o AGU não estará obrigado a defender a norma 
questionada em algumas hipóteses. Veja quais são:
a) se já houver manifestação anterior, proferida pelo STF, declarando a inconstitucionalidade da 
norma em controle concentrado de constitucionalidade – STF, ADI n. 1.616;
b) se ele assinar, juntamente com o Presidente da República, a petição da ação direta de 
inconstitucionalidade.
Cabe lembrar que o AGU não possui legitimidade para o ajuizamento da ADI. Porém, 
quando o Presidente da República seja o autor da ação, é natural que a petição tenha sido 
redigida pelo AGU. Então, nada impede que ele também assine o pedido de declaração de 
inconstitucionalidade.
Em tal hipótese, não se poderia exigir um comportamento esdrúxulo, no sentido de, 
primeiro, assinar a petição dizendo que a norma é inconstitucional e, na sequência, passar 
a defendê-la.
c) se a norma questionada contrariar o interesse da União – STF, ADI n. 3.916.
Uma pergunta: deve o AGU exercer defesa de norma que contrarie os interesses da 
União? A resposta tende a ser negativa, pois, como o nome do cargo por ele ocupado dá 
mostras, ele advoga para a União.
Em uma interpretação mais alargada, o STF considerou que a AGU teria direito de 
manifestação, e não propriamente a obrigação de defender a norma questionada.
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Por fim, devemos fazer uma observação: a jurisprudência do STF era no sentido de que 
na ação direta de inconstitucionalidade por omissão – ADI n. por omissão – não se fazia 
necessário ouvir o AGU (STF, ADI n. 480).
Esse raciocínio se justificava na medida em que se o AGU deve fazer a defesa da norma 
e a ação direta é ajuizada exatamente por conta do vácuo legislativo (ausência da norma), 
o que lhe restaria defender?
No entanto, com a edição da Lei n. 12.063/09, que deu novo tratamento à ADI por 
omissão, se a omissão for parcial, será necessária a manifestação do AGU.
A nova sistemática não passou despercebida, uma vez que a própria Lei n. 12.063/09, 
em seu artigo 12-E, § 2º, diz que “o relator poderá solicitar a manifestação do Advogado-
Geral da União, que deverá ser encaminhada no prazo de 15 (quinze) dias”.
Enquanto o Ministério Público é chamado de custos legis (fiscal da lei), cabe ao Advogado-
Geral da União a missão de defensor legis (curador da lei).
3 . aDVoCaCia PriVaDa3 . aDVoCaCia PriVaDa
Você vai notar que a Constituição trata da advocacia privada em apenas um artigo e 
ainda assim de forma muito resumida.
No entanto, será preciso saber bem mais do que está no texto constitucional para se 
sair bem nas provas.
Vou começar pelo que consta no artigo 133: “o advogado é indispensável à administração 
da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão.”
Você viu que destaquei as palavras “indispensável” e “inviolável”, não foi? Pois é, tem 
uma razão para isso...
Começando pela primeira, embora a Constituição diga que o advogado é indispensável, 
sua presença não será obrigatória em algumas situações.
Exemplificando, não há necessidade de a parte estar assistida por advogado na impetração 
de habeas corpus, no ajuizamento de ações nos juizados especiais cíveis com valor da causa 
até vinte salários mínimos e nas ações trabalhistas.
Quanto ao processo administrativo disciplinar (PAD), a resposta não é tão óbvia como 
pode parecer no primeiro momento.
A Súmula Vinculante n. 5 diz que “a falta de defesa técnica por advogado no processo 
administrativo disciplinar não ofende a Constituição”. Essa súmula se contrapõe ao enunciado 
da Súmula n. 343/STJ, hoje já superada.
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Mas tem uma observação para lá de importante: a SV n. 5 não se aplica ao PAD Penal.
Explico: quando um apenado está em regime prisional semiaberto, ele passa a ter 
direito às saídas temporárias, popularmente conhecidas como “saidões”. Se ele não retorna, 
está sujeito a duas penalidades (regressão para o regime fechado e a perda de até 1/3 dos 
dias remidos).
Ocorre que antes de aplicar as punições é necessário instaurar um PAD, pois ele pode 
não ter voltado por motivos variados. Supondo que não voltou porque estava praticando 
outras infrações, será caso de imposição das penalidades.
Contudo, caso ele não tenha voltado por ter sido atropelado, estando hospitalizado, 
não faria sentido a aplicação da punição.
E, como nesse tipo de PAD está em jogo o direito de liberdade docidadão (diante 
do possível retorno para o regime fechado), a presença do advogado (ou de defensor 
público) é imprescindível. O tema, dada a sua importância, já foi inclusive sumulado pelo 
STJ (Súmula n. 533).
Outra coisa: para o STF, são nulos todos os atos privativos de advogado praticados por 
pessoa não inscrita na OAB ou que esteja com seu registro suspenso (STF, RHC n. 119.900).
Por falar em registro suspenso...
São válidas as regras que vedam o exercício da advocacia por servidores do Ministério 
Público da União e do Judiciário. Afastou-se a alegação no sentido de que a proibição geraria 
quebra dos princípios da isonomia e do livre exercício da profissão (STF, ADI n. 5.235).
Pronto! Agora vou falar sobre a parte em que diz que o advogado é inviolável por seus 
atos e manifestações no exercício da profissão.
A esse respeito, a inviolabilidade mencionada no texto constitucional vale para os 
crimes de injúria e difamação e mesmo quanto a eles não é absoluta, pois o profissional 
responde por excessos praticados no exercício de suas funções.
Além disso, ficam de fora dessa garantia os atos que caracterizam os crimes de calúnia 
e desacato (STF, ADI n. 1.127).
Em outras palavras, o mais grave dos crimes contra a honra (calúnia) não estaria protegido 
pela inviolabilidade profissional. Ela só alcançaria a injúria e a difamação.
Avançando, o Estatuto da OAB assegura que antes do trânsito em julgado da sentença 
os advogados somente poderão ser recolhidos em Sala de Estado-Maior.
Duas observações a esse respeito: a primeira, no sentido de que a aferição para saber 
se as instalações são (ou não são) condignas cabe ao Estado, e não à OAB, como constava 
na Lei n. 8.906/94.
A segunda, é que para gozar dessa prerrogativa, além estar regularmente inscrito na OAB, 
deve o acusado efetivamente exercer a advocacia à época dos fatos (STJ, RHC n. 27.152).
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Ah, é importante lembrar que em abril de 2023 o direito à prisão especial para pessoas 
com nível superior, previsto no CPP, foi derrubado pelo STF. Porém, para os advogados há 
regra especial, que continua valendo (ADPF 334).
Por falar em OAB, a necessidade de se submeter à prova para o exercício da profissão 
de advogado foi questionada no STF, mas o Tribunal confirmou a validade da exigência 
(STF, RE n. 603.583).
Na ocasião, os recorrentes ainda pontuaram que para exercer a Medicina não haveria 
prova. Em resposta, o Tribunal disse que era a Medicina que estava precisando passar a 
realizar a seleção.
Agora fique de olho nessa tese firmada pelo STF: “é inconstitucional a suspensão realizada 
por conselho de fiscalização profissional do exercício laboral de seus inscritos por inadimplência 
de anuidades, pois a medida consiste em sanção política em matéria tributária”.
Para você entender melhor, o Estatuto da OAB previa a suspensão do advogado que 
estivesse inadimplente com o pagamento de suas anuidades.
Então, o STF declarou inconstitucionais os arts. 34, XXIII, e 37, § 2º, da Lei n. 8.906/1994, 
que são exatamente os dispositivos que autorizavam a suspensão da atuação do profissional.
Um alerta: embora o julgado tenha se referido a advogado, o raciocínio de impossibilidade 
de suspensão da atuação diante da inadimplência pode ser estendido aos outros órgãos 
de classe – ex.: COREN, CREA, CRECI etc.
Mas não vá trocar as bolas: é válida a regra que exige o pagamento das anuidades para 
que os advogados possam participar das eleições internas da OAB. Isso porque os candidatos 
precisam comprovar situação regular na entidade (STF, ADI n. 7.020).
Tem mais: a OAB – Conselhos Federais e Seccionais – não está obrigada a prestar contas 
ao TCU nem a qualquer outra entidade externa. Isso porque as anuidades cobradas dos 
advogados não detêm natureza tributária e a entidade, por sua natureza especial, não pode 
estar submetida ao Estado (RE 1.182.189).
Outra coisa: são válidas as regras que vedam o exercício da advocacia por servidores do 
Ministério Público da União e do Judiciário. Afastou-se a alegação no sentido de que a proibição 
geraria quebra dos princípios da isonomia e do livre exercício da profissão (STF, ADI n. 5.235).
De igual modo, é proibida a advocacia para militares que estejam na ativa, tendo sido 
declarada inconstitucional a regra que permitia essa possibilidade (STF, ADI 7.227).
Avançando, o Estatuto da OAB prevê que o escritório de advocacia é inviolável. Contudo, 
o STF entende que a inviolabilidade não pode ser invocada quando o próprio advogado 
seja suspeito da prática de crime (STF, INQ n. 2.424).
Na ocasião do julgamento aí de cima, estava sendo apurado o envolvimento de um 
Ministro do STJ e de seu irmão, advogado.
Por conta do envolvimento do Ministro do STJ, o processo começou no STF. O Tribunal 
determinou a colocação de escutas ambientais dentro do escritório de advocacia.
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Como o local funcionava de dia, houve a determinação ( judicial) para que os equipamentos 
fossem instalados à noite, o que aparentemente vai contra a Constituição.
Coletadas as provas, a defesa reclamou, defendendo a ilicitude dos elementos juntados. 
No entanto, relembrando a ideia de que não existe direito absoluto, o STF legitimou as 
provas, dizendo que uma garantia constitucional não poderia ser usada como escudo para 
a prática criminosa.
Ainda sobre o tema, repare que o § 6º do artigo 6º da Lei n. 8.906/94 – Estatuto da OAB – 
prevê que mesmo sendo afastada a inviolabilidade do escritório de advocacia, seria vedada 
em qualquer hipótese “a utilização dos documentos, das mídias e dos objetos pertencentes 
a clientes do advogado averiguado, bem como dos demais instrumentos de trabalho que 
contenham informações sobre clientes”.
Esse dispositivo foi utilizado por um advogado que era investigado com grandes figuras 
do cenário político, entre as quais um Senador da República, presidente de partido político.
Acontece que o STF negou o pedido de anular as provas, fundamentando no fato de que 
a restrição que você viu aí em cima não se estendia a clientes do advogado averiguado que 
estejam sendo formalmente investigados como seus partícipes ou coautores pela prática 
do mesmo crime que deu causa à quebra da inviolabilidade.
Ou seja, podem ser coletadas provas no escritório de advocacia que digam respeito 
ao próprio advogado ou a clientes que estejam com ele na empreitada criminosa (STF, 
INQ n. 4.074).
É constitucional a exigência da submissão à prova da OAB para que o Bacharel em Direito 
exerça a advocacia.
4 . DEFEnsoria PÚBliCa4 . DEFEnsoria PÚBliCa
Não tenho dúvida nenhuma em afirmar que entre as carreiras da Magistratura, do 
Ministério Público e da Defensoria Pública essa última é a que mais cresce atualmente.
Isso se deve, em larga medida, ao fato de ainda ser uma carreira em expansão, sendo 
que em alguns Estados a instituição só existe “para inglês ver”. Há aqueles que sequer 
possuíam Defensoria, sendo meio que obrigados pelo STF a instalá-la.
Pois bem, o que estou falando aqui acaba refletindo diretamente nas emendas à 
Constituição. Vou fazer uma tabelinha logo abaixo para você entender melhor:
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ÚLTIMAS EMENDAS CONSTITUCIONAIS RELACIONADAS À DEFENSORIA PÚBLICA
Número da EC O que modificou
EC n. 45/2004 Deu autonomia AFO (administrativa, funcional e orçamentária) à Defensoria Pública Estadual.
EC n. 69/2012 Transferiu da União para o DF a tarefa de organizar e manter a Defensoria Pública do DF.
EC n. 74/2013 Estendeu a autonomia AFO às Defensorias Públicas da União e do DF.
EC n. 80/2014
Chamada de PEC das Comarcas! De um lado, dispôs que em até oito anos, cada Comarca 
deveria possuir ao menos um Defensor. Mais: que o número de Defensores fosse proporcional 
à demanda de trabalho e à população.
De outro lado, passou a prever explicitamente os princípios institucionais da unidade, 
indivisibilidade e da independência funcional, assim como já acontecia com o MP.
Também determinou a observância dos artigos 93, II, e 96, aplicáveis originalmente aos 
magistrados.
Olhando para o texto constitucional, após as modificações inseridas pela EC n. 80/14, 
extrai-se que a Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função jurisdicional 
do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime democrático, 
fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa, 
em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma 
integral e gratuita, aos necessitados.
Fazendo um pequeno apanhado histórico, a assistência judiciária gratuita àqueles 
que necessitassem foi prevista inicialmente na Constituição de 1934, ficando de fora da 
Constituição de 1937 e retornando com a democrática de 19462. 
Foi somente em 1988 que a Defensoria Pública apareceu na Constituição Federal3 
(MARTINS, 2021).
Em relação ao modelo de assistênciamodelo de assistência judiciária gratuita prestada à população, a a 
Constituição atual adotou o Constituição atual adotou o salaried staff modelsalaried staff model. Isso significa que se fez a opção por criar 
um organismo estatal especificamente destinado a prestar serviços jurídicos por membros 
e servidores concursados, titulares de cargos públicos efetivos e remunerados diretamente 
pelo Estado, sob regime de dedicação exclusiva.
O papel da Defensoria é de grandiosa importância; ela atua muitas vezes tornando 
visíveis pessoas e situações invisíveis, assegurando o direito a ter direitos.
Não por outra razão, o STF entendeu que o descaso dos governantes em não criar ou 
instalar a Defensoria em seus Estados legitimava a intervenção do Judiciário, assegurando 
políticas públicas que viabilizassem a implementação da instituição.
Nesse cenário, não seria possível invocar a teoria da reserva do possível, prevalecendo 
a teoria do mínimo existencial (ou dos limites dos limites, ou das restrições das restrições), 
SANTOS, Eduardo dos. Direito constitucional sistematizado. Indaiatuba: Foco. 2021, pág. 720. 2 
3 MARTINS, Flávio. Curso de direito constitucional. 5ª ed. São Paulo: Saraiva. 2021, pág. 1.492.
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de modo que seria um retrocesso social impedir o pleno funcionamento da Defensoria 
(STF, AI n. 598.212).
Para se ter uma ideia, o Estado de Santa Catarina, um dos que mais se destaca pela 
prosperidade da Capital e de cidades como Joinville, Chapecó e Criciúma, não possuía 
Defensoria Pública.
No lugar da Defensoria, optou a norma estadual por firmar convênio com a OAB local para 
que prestasse os serviços aos necessitados na condição de dativo. O cenário de completo 
descaso ensejou a declaração de inconstitucionalidade das normas que permitiam a 
atuação da OAB em substituição à Defensoria. Na ocasião, foi dado um prazo de um ano 
para que o Estado implantasse a DPE/SC (STF, ADI n. 3.892).
Avançando, se para os Juízes temos a LOMAN (LC n. 35/79), e para o MP temos a LOMP 
(LC n. 75/93), no caso da Defensoria, a norma de regência é a LC n. 80/94.
Ela é lei orgânica da Defensoria e organiza a Defensoria Pública da União, do DF e 
dos Territórios, além de prescrever normas gerais para a organização da Defensoria no 
âmbito estadual.
Pois exatamente por conflitar com a norma federal foi declarada a inconstitucionalidade 
de lei estadual que previa a livre nomeação e exoneração, pelo governador, dos cargos 
de Defensor Público-Geral e do Subdefensor Público-Geral locais, escolhidos dentre 
advogados com reconhecido saber jurídico e idoneidade.
Prevaleceu o entendimento de não caber equiparar o Defensor Público-Geral aos 
Secretários de Estado, em especial, por ser um cargo privativo de membro da carreira (STF, 
ADI n. 4.982).
Já disse isso lá atrás e vou repetir agora: no âmbito municipal, não há Defensoria 
Pública, Ministério Público ou Poder Judiciário.
O ingresso na carreira dar-se-á mediante aprovação em concurso público de provas 
e títulos.
Para o STF, não há a necessidade de o candidato estar registrado na OAB. Isso porque 
a capacidade postulatória dos defensores é consequência direta da nomeação e posse no 
cargo, não cabendo condicionar sua atuação a registro na OAB. No mesmo julgado, o Tribunal 
confirmou a tese de que a Defensoria pode atuar tanto em relação a pessoas físicas ou 
jurídicas, presente a condição de hipossuficiência (STF, ADI n. 4.636).
Outra coisa: é certo que não existe Defensoria Pública na esfera municipal. Porém, numa 
decisão que não agradou nem um pouco os Defensores, o STF entendeu que municípios 
podem instituir a prestação e assistência jurídica à população de baixa renda. Tal serviço 
não substituiria a Defensoria. Ao contrário, atuaria de forma simultânea.
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A criação do serviço na esfera municipal ainda atenderia ao interesse local e visaria ao 
controle das condições das pessoas vulneráveis, dever comum a todos os entes federados 
(STF, ADPF n. 279).
Por outro lado, entendeu-se pela inconstitucionalidade de norma estadual que recriava 
cargos de advogado da Justiça Militar para fazer a defesa gratuita de praças da Polícia 
Militar. Afinal, para essa tarefa o poder público já conta com a atuação da Defensoria 
Pública (STF, ADI n. 3.152).
Em nova regra, que também vale para a magistratura e para o MP, a remuneração é feita 
por meio de subsídios, na forma do art. 39, § 4º, da Constituição. Assim, não é compatível 
com o texto constitucional norma estadual que disponha sobre a contratação temporária 
de advogados para o exercício da função de defensor público (STF, ADI n. 3.700).
Outro ponto importante: já se reconheceu a constitucionalidade de norma estadual 
que viabiliza aos Procuradores do Estado a opção pela carreira da Defensoria, quando 
o cargo inicial para o qual foi realizado o concurso englobava a assistência jurídica aos 
necessitados (STF, ADI n. 3.720).
Aliás, situação como esta aconteceu no Distrito Federal. Deixe-me explicar: antes da EC 
n. 69/12, a tarefa de organizar e manter a Defensoria Pública do DF (DPDF) cabia à União.
O problema é que a União não criou a DPDF. Então, quem “fazia as vezes” da DPDFcustos constitucionis (fiscal da Constituição) ou (ombudsman) ouvidor 
da sociedade.
Mas fique atento a uma coisa: “custos legis” (fiscal da lei) é o MP, enquanto “defensor 
legis” (curador da lei) é o Advogado-Geral da União, que atua defendendo a norma 
questionada no STF. Falo isso para você não trocar alhos com bugalhos.
Avançando, a primeira Constituição brasileira a fazer referência ao Ministério Público 
foi a de 1891. De lá para cá, a instituição constou em todos os textos constitucionais – seja 
com maior ou menor grau de atuação.
No entanto, não há dúvidas de que foi a atual Constituição a que maior autonomia 
deu ao MP.
A própria Constituição, em seu artigo 127, conceitua o MP dizendo que ele “é instituição 
permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem 
jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis”.
Você vai ver que quase todas as regras de ingresso, garantias e proibições aplicáveis aos 
Magistrados são estendidas aos membros do MP. Note que eu disse quase...
Começando, o artigo 129, § 3º, da Constituição aponta que se aplicam ao MP, no que 
couberem, as regras do artigo 93.
Dentro desse cenário, o candidato deve se submeter a concurso público de provas e 
títulos, sendo obrigatória a participação da OAB em todas as fases da disputa.
Agora imagine a cena: algumas Comarcas são criadas em determinado Estado, mas o 
MP local não designa promotores de justiça para atuarem nelas.
Após diversas tentativas infrutíferas, o Corregedor do TJ resolve autorizar a nomeação 
de “Promotor de Justiça ad hoc”. Assim, um bacharel em direito alheio aos quadros do MP 
funcionaria como órgão acusatório penal.
Pergunto a você: pode isso, Arnaldo?
É claro que não, miserável!
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O STF entendeu que haveria ofensa ao princípio do promotor natural e à exclusividade 
da promoção da ação penal pública pelo Ministério Público (STF, ADI n. 2.958). É cada uma 
que o povo inventa...
Por falar em ausência de promotor na comarca...
A lei complementar que rege o MP-AC exigia que os promotores fizessem prévia 
comunicação, pedindo autorização para se ausentar da comarca ou do estado onde exercem 
as atividades.
Houve questionamento no STF, tendo o tribunal entendido que a medida seria desarrazoada 
e desnecessária, ferindo a liberdade de locomoção do agente público, sem motivos válidos 
para justificar a medida (STF, ADI n. 6.845).
Avançando, uma inovação trazida pela EC n. 45/2004 é a chamada quarentena de 
entrada. De acordo com essa regra, exige-se do bacharel em Direito no mínimo três anos 
de atividade jurídica. O dispositivo surgiu com o claro intuito de que o futuro julgador 
tenha mais experiência, dada a relevância das funções que exercerá.
Para regulamentar o conceito “atividade jurídica”, o CNJ editou a Resolução n. 75/2009 
e o CNMP a Resolução n. 40/2009. Nelas são previstas diversas hipóteses de contagem 
do prazo de três anos. Destaco que não há a obrigatoriedade de o candidato exercer a 
advocacia, sendo esta apenas uma das diversas hipóteses.
EXEMPLO
Eu, por exemplo, usei tanto no concurso de Promotor de Justiça quanto no de Juiz o período 
em que fui Analista Judiciário do STF e Assessor de Ministro do STJ – eu também passei para 
Defensor Público, mas na época (2011) não foi exigido o triênio de prática jurídica.
Em decisão recorrentemente cobrada nas provas, o STF entendeu que a contagem do 
prazo de três anos se inicia com a conclusão do curso, e não com a colação de grau (STF, 
ADI n. 3.460).
Ainda sobre o tema, há uma decisão importantíssima (para as provas e para a vida!): 
“a comprovação de atividade jurídica pode considerar o tempo de exercício em cargo 
não privativo de bacharel em Direito, desde que ausentes dúvidas acerca da natureza 
eminentemente jurídica das funções desempenhadas” (STF, MS n. 28.226).
Assim, nada impede que o(a) candidato(a) que trabalha como técnico judiciário (nível 
que se exija apenas médio) de um Tribunal ou técnico administrativo no Ministério Público 
se candidate ao concurso da Magistratura (ou MP ou Defensoria), quando comprovar que 
desempenhava a chamada atividade-fim.
Uma dúvida comum: e o pessoal que trabalha como agente ou escrivão de polícia, pode 
também usar o tempo de atividade policial para contagem de atividade jurídica?
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A resposta é positiva, de acordo com o CNJ. Para isso, obviamente o candidato precisa 
ser bacharel em Direito e juntar certidão circunstanciada, expedida pelo órgão competente, 
indicando as respectivas atribuições e a prática reiterada de atos que exijam a utilização 
preponderante de conhecimento jurídico (CNJ, Consulta n. 0009079-37.2017.2.00.0000).
Tem mais um ponto frequente de perguntas no fórum de dúvidas: na Magistratura, o 
CNJ não admite a utilização de pós-graduação, mestrado ou doutorado para a contagem 
de atividade jurídica. Repare que falei na Magistratura, porque em relação ao Ministério 
Público, o CNMP editou a Resolução n. 40/2009, prevendo que a pós-graduação conta 
como um ano de prática jurídica, enquanto o mestrado e o doutorado equivalem a dois 
e três anos, respectivamente.
Agora fique atento(a) a um julgamento do STF que tem causado grande confusão 
no pessoal: o Conselho Federal da OAB ajuizou uma ADI pedindo que fosse declarada a 
inconstitucionalidade das resoluções do CNJ e do CNMP que permitiam a contagem de 
tempo de atividade jurídica usando pós, mestrado e doutorado.
Ao julgar o caso, o STF primeiro disse que, em relação à resolução do CNJ, o pedido 
estava prejudicado, porque desde 2009, ano da edição da Resolução n. 75, os concursos 
para a magistratura não permitiriam a contagem.
Por outro lado, no que se refere à Resolução n. 40 do CNMP, o Tribunal decidiu que 
ela foi editada dentro da autonomia do órgão, sendo válida. Ou seja: nos concursos para 
o Ministério Público podem ser usados pós-graduação, mestrado ou doutorado para a 
contagem de tempo de atividade jurídica.
A partir daí, um montão de gente começou a falar que agora essa contagem valeria 
também para a magistratura. Só que isso está errado! A decisão do STF foi restrita ao 
Ministério Público, até porque se discutia uma resolução do CNMP.
aragonê, mas, se o CnJ quiser, ele pode editar nova resolução nos mesmos moldes da aragonê, mas, se o CnJ quiser, ele pode editar nova resolução nos mesmos moldes da 
que foi feita pelo CnMP?que foi feita pelo CnMP?
Claro que pode, dentro de sua autonomia. Se isso acontecer, passa a ser possível. Até 
lá, nada feito!
Aragonê, e como ficam os concursos para defensor e advogado público?
Não há uma regra unificada nacionalmente. Vale, então, o que estiver previsto no edital. 
Em regra, os editais admitem para essas carreiras a contagem até de tempo de estágio 
obrigatório da faculdade, o que facilita as coisas.
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o CEAJUR (Centro de Atendimento Jurídico), um braço da Procuradoria do DF atuando em 
defesa dos necessitados.
Pois bem. Quando passou para o DF a missão de organizar e manter a DPDF é que foi 
verdadeiramente criada a Defensoria. Daí, os membros que atuavam no CEJUR puderam 
fazer a opção entre migrar ou não para a Defensoria.
Aqueles que migravam foram proibidos de advogar; os que não migraram foram colocados 
numa carreira em extinção, a de Procuradores de Autarquias no DF. Estes sim puderam 
permanecer advogando.
Avançando, mas dentro de algo que acabei de falar, aos defensores públicos é proibido 
o exercício da advocacia fora das atribuições institucionais (mesmo em causa própria).
Outra coisa: o artigo 131 da Constituição diz que a Advocacia-Geral da União é a 
instituição que, diretamente ou através de órgão vinculado, representa a União, judicial e 
extrajudicialmente. Repare você que a Constituição deferiu à AGU a missão de representar 
a União, sem restringir a atuação a nenhum dos Poderes da República. Em razão disso, a 
representação judicial ou extrajudicial vale para todos os Poderes da União.
Mas pera lá! Em importante julgado para as provas, decidiu-se que a Defensoria Pública 
tem a garantia de estar em juízo para defesa de suas prerrogativas e funções institucionais, 
não se mostrando necessário, nessa hipótese, que sua representação judicial fique a cargo 
da Advocacia-Geral da União (STF, SL n. 866).
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Por falar da legitimidade da Defensoria para atuar em juízo, lembro que ela não está no 
rol daqueles autorizados ao ajuizamento da ADI ou de outras ações de controle concentrado 
– artigo 103 da Constituição.
Daí, para tentar burlar essa vedação, a DPU ajuizou ação cível originária diretamente 
no STF contra a União e os Estados-membros, buscando indenização por morte/acidente 
em serviço de servidores civis e militares no exercício das funções.
No entanto, o STF negou o pedido, pontuando a ilegitimidade da Defensoria para instaurar 
processo de fiscalização normativa abstrata – ADI, ADO, ADC, ADPF e ADI Interventiva –, 
ainda que sob o rótulo de ação cível originária (STF, ACO n. 3.061).
Aos Defensores Públicos foi garantida a inamovibilidade – assim como acontece com a 
Magistratura e o MP.
Em contrapartida, os Defensores Públicos e a os membros da Advocacia Pública 
adquirem estabilidade após três anos de efetivo exercício. A garantia da vitaliciedade só 
é assegurada à Magistratura, ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas.
Já que estou fazendo um comparativo entre defensores, promotores e juízes, para os 
dois últimos a EC n. 45/04 exigiu a quarentena de entrada, que consiste na comprovação 
de três anos de atividade jurídica para ingresso na carreira.
Pois bem, a EC n. 80/14 previu que se aplicaria à Defensoria Pública, “no que couber”, 
o disposto no artigo 93 da Constituição, que é o regramento que trata da exigência de 
quarentena.
Acontece que a Lei Complementar n. 80/94 prevê, em seu artigo 26, comprovação de 
atividade jurídica por dois anos, aceitando inclusive o tempo de estágio.
Por sua vez, a Resolução n. 118/2015 exigia três anos de prática jurídica, em compasso 
com a inovação trazida pela EC n. 80/14.
Daí você me pergunta: o que eu marco na prova?
Marca o que o STJ decidiu... rsrs...
Deixe-me falar: o Tribunal entendeu que a exigência de requisitos para acesso a cargos 
públicos deve estar em lei, de modo que não vale a previsão constante na Resolução 118/2015.
Em outras palavras, até que venha nova lei complementar alterando a LC n. 80/94, 
continua valendo a necessidade de comprovação de dois anos de atividade jurídica para 
ingresso na carreira de defensor (STJ, RESP n. 1.676.831).
Vamos agora para uma tabelinha de pode e não pode?
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Poder de Requisição da Defensoria Pública
É válida a regraÉ válida a regra que garante aos defensores públicos 
o poder de requisitarpoder de requisitar de autoridades e de agentes 
públicos certidões, documentos, informações e demais 
providências necessárias à sua atuação institucional 
(STF, ADI n. 6.876).
É inconstitucional a regra prevista em lei estaduaÉ inconstitucional a regra prevista em lei estaduall 
que garante à Defensoria Pública a possibilidade 
de requisitar a instauração de inquérito policial.requisitar a instauração de inquérito policial. 
Isso porque a matéria está inserida na competência 
privativa da União para legislar sobre direito processual 
(STF, ADI n. 4.346).
Observação: segundo o artigo 5º do CPP, é possível a instauração de inquérito policial mediante a requisição 
da autoridade judiciária ou do Ministério Público.
4 .1 . PrinCÍPios instituCionais4 .1 . PrinCÍPios instituCionais
Mais uma novidade da EC n. 80/14: assim como acontece com o Ministério Público, agora 
para a Defensoria Pública também se prevê constitucionalmente os princípios institucionais 
da unidade, da indivisibilidade e da independência funcional.
Grifei a palavra “constitucionalmente”, porque tais princípios institucionais já constavam 
na Lei Orgânica da Defensoria, em seu artigo 3º.
Ah, não se fala em independência funcional ou em inamovibilidade para os membros 
da advocacia pública, viu?
4 .2 . autonoMia aDMinistratiVa, FunCional E orÇaMEntÁria4 .2 . autonoMia aDMinistratiVa, FunCional E orÇaMEntÁria
Aqui está um ponto importantíssimo para as provas!
É o seguinte: quando veio a EC n. 45/04, foi assegurada a autonomia AFO (administrativa, 
funcional e orçamentária) às Defensorias Públicas Estaduais.
Somente com a EC n. 74/13 é que a DPU e a DPDF ganharam a mesma autonomia.
Mas aí surgiu um problema: os membros da AGU chiaram, pois a DPU ganhou autonomia 
e eles, não.
Como o governo resolveu? Ao invés de estender a autonomia aos membros da advocacia 
pública federal, brigou foi para retirar a autonomia da DPU.
Qual o argumento? Vício de iniciativa na PEC que resultou na promulgação da EC n. 74/13.
Opa, mas daí vem outro problema... é que, no âmbito federal, não há iniciativa privativa 
para as propostas de emenda à Constituição.
Em outras palavras, o artigo 60 da Constituição elenca os seguintes legitimados para 
a propositura de PEC: a) Presidente da República; b) 1/3 dos membros da Câmara dos 
Deputados; c) 1/3 dos membros do Senado Federal; e d) mais da metade das Assembleias 
Legislativas, reunidas, cada uma, por maioria simples (ou relativa) de votos.
Se você leu com atenção, notou que a Defensoria não é legitimada para propor PEC, 
certo? Então, como falar em vício de iniciativa...
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Talvez alguém diga: nesse caso, a PEC deveria ter sido proposta pelo Presidente da 
República.
Novo engano! É que a Defensoria Pública, assim como o Ministério Público e o Tribunal de 
Contas, é dotada de autonomia, não se subordinando ao Executivo ou a qualquer outro Poder.
Nessa linha, o STF entendeu quea autonomia da Defensoria Pública é um preceito 
fundamental de nossa Constituição.
Em decorrência, não é inconstitucional a EC n. 74/13, que deu autonomia à DPU e à DPDF, 
não se falando em vício de iniciativa. Frisou-se na decisão que a concessão de autonomia 
encontra respaldo nas práticas da comunidade jurídica internacional (STF, ADI n. 5.296).
Agora se ligue na seguinte situação: é certo que cabe ao chefe do Executivo dar o pontapé 
inicial nos projetos de lei relativos ao regime jurídico dos servidores estaduais – simetria 
com o artigo 61 da CF.
Daí, houve ADI no STF contra lei estadual, de iniciativa da própria Defensoria, que 
instituiu o plano de cargos e vencimentos dos servidores da instituição. A alegação na ADI 
era de vício de iniciativa.
Porém, ao julgar a ação, o STF entendeu que a partir das ECs que modificaram o artigo 
134, a iniciativa de lei sobre criação de cargos, política remuneratória e planos de carreira da 
Defensoria Pública é privativa do defensor público-geral, tudo em prestígio à autonomia 
administrativa e funcional (STF, ADI n. 5.943).
Agora imagine a situação: por meio de decisão judicial foi determinada a lotação de 
defensores públicos, sob a justificativa de suprir a carência em comarcas desamparadas.
A situação chegou ao STF, que firmou a seguinte tese: 
Ofende a autonomia administrativa das Defensorias Públicas decisão judicial que 
determine a lotação de defensor público em localidade desamparada, em desacordo 
com os critérios previamente definidos pela própria instituição, desde que observados 
os critérios do artigo 98, caput, e parágrafo 2º do ADCT, incluído pela EC 80/2014 (RE 
n. 887.671).
Também prestigiando a autonomia da Defensoria, foi que se deu provimento a uma 
ADPF ajuizada contra ato de Governador (STF, ADPF n. 307).
Olha a situação: ao receber o orçamento vindo da DPE, o Governador fez alguns cortes. 
O problema é que o Chefe do Executivo só está autorizado a fazer cortes no orçamento 
do Judiciário, do MP ou da Defensoria se ele for encaminhado fora dos limites da LDO, o 
que não tinha acontecido.
Não satisfeito, o Governador errou novamente, ao colocar a Defensoria Pública dentro 
da estrutura da Secretaria de Estado da Justiça, que está em posição de subordinação 
ao Executivo.
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Resultado: a autonomia da Defensoria foi duplamente violada, o que gerou o acolhimento 
dos argumentos apresentados na ADPF.
Outro caso recorrentemente lembrado nas provas de concurso sobre violação da 
autonomia foi o que declarou a inconstitucionalidade da norma que impunha à Defensoria 
estadual a assinatura de convênio exclusivo com a OAB (STF, ADI n. 4.163).
Cuidado com um ponto: o fato de a Defensoria estadual possuir autonomia administrativa 
não afasta a necessidade de a legislação estadual observar as normas gerais veiculadas 
na Lei Orgânica nacional.
Dentro desse contexto, o STF declarou a inconstitucionalidade de norma paraibana que 
fixava critérios diferentes dos constantes na LC n. 80/94 para a investidura nos cargos de 
Defensor-Público Geral, seu substituto e também o Corregedor-Geral (STF, ADI n. 3.569).
Mais uma coisa: o papel central da Defensoria é fazer a defesa dos necessitados. Em 
razão disso, não pode a norma estadual atribuir à Defensoria a missão de fazer a defesa 
de servidores públicos processados civil ou criminalmente mesmo por atos ocorridos 
praticados no exercício de suas funções.
É bem verdade que nada impediria a atuação da Defensoria em favor de algum servidor 
público que se encaixe dentro do critério da hipossuficiência. Mas aí a atuação seria pela 
necessidade, e não pelo serviço público (STF, ADI n. 3.022).
Viola a Constituição ato de Governador de Estado que insere a Defensoria Pública dentro 
da estrutura de Secretaria de Estado.
4 .3 . Foro Por PrErroGatiVa DE FunÇÃo4 .3 . Foro Por PrErroGatiVa DE FunÇÃo
Quanto ao foro especial, entendia o STF que, embora ele não tenha sido dado pela 
Constituição Federal, nada impediria que seja conferido por Constituição Estadual (STF, 
ADI n. 2.587).
No entanto, em 2019, o Tribunal mudou a sua orientação, para deixar claro que não caberia 
à Constituição Estadual conceder foro especial a autoridades, indo além daqueles casos já 
disciplinados na Constituição Federal. Isso porque a própria CF já estabelece autoridades 
estaduais e até municipais (prefeito e membro de TCM) que contam com a prerrogativa.
Ao final, prevaleceu a tese de que o foro especial só seria aplicável àquelas autoridades 
mencionadas na CF ou naqueles casos em que o foro previsto na CE derivasse diretamente dos 
artigos 27 e 28 da Constituição – ou seja, deputados estaduais e distritais, vice-governador, 
secretários de Estado e chefes das forças policiais (STF, ADI n. 2.553).
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4 .4 . a atuaÇÃo Da DEFEnsoria PÚBliCa nas tutElas ColEtiVas4 .4 . a atuaÇÃo Da DEFEnsoria PÚBliCa nas tutElas ColEtiVas
Outro ponto importante para as provas! É que a Associação Nacional dos Membros 
do Ministério Público (CONAMP) ingressou com ação direta de inconstitucionalidade, 
questionando a legitimidade da Defensoria Pública para ajuizar ação civil pública.
Na ação, buscava-se a declaração de inconstitucionalidade da Lei n. 11.448/07, a qual 
modificou o art. 5º da Lei n. 7.357/85, introduzindo a Defensoria Pública no rol de legitimados, 
previsto no artigo 5º da última norma.
No entanto, contrariamente ao que se pedia, o STF confirmou a legitimidade da Defensoria 
Pública para atuar nas tutelas coletivas, em especial, na ação civil pública, pontuando, 
ainda, não haver nenhum prejuízo ao MP por conta do reconhecimento dessa legitimidade 
(STF, ADI n. 3.943).
4 .5 . a PErCEPÇÃo DE HonorÁrios aDVoCatÍCios4 .5 . a PErCEPÇÃo DE HonorÁrios aDVoCatÍCios
Em diferentes passagens (artigos 46, III; 91, III; e 130, III), a LC n. 80/94 prevê que os 
defensores públicos não podem receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto, honorários, 
percentagens ou custas processuais, em razão de suas atribuições.
Essa regra, no entanto, não impede que a instituição receba verbas de sucumbência 
decorrentes de sua atuação.
Nos termos do art. 4º, XXI, da LC n. 80/94, as verbas de sucumbência serão direcionadas não 
aos Defensores, mas a fundos geridos pela própria defensoria e destinados ao aparelhamento 
da instituição e à capacitação de seus membros e servidores.
Pois é, mas embora a legislação diga que também os entes públicos devem pagar as 
verbas de sucumbência à Defensoria Pública, o STJ editou a Súmula 421, segundo a qual 
“os honorários advocatícios não são devidos à Defensoria Pública quando ela atua contra 
a pessoa jurídica de direito público à qual pertença”.
Daí, a fim de pacificar a questão e superar as divergências, o STF firmou tese estabelecendo 
ser devido o pagamento de honorários à Defensoria Pública nas demandas em que 
ela representa a parte vencedora contra qualquer ente público, inclusive aqueles aos 
quais está vinculada. O valor recebido, entretanto, deve ser destinado exclusivamente ao 
aperfeiçoamento das próprias Defensorias e não pode ser rateado entre seus membros.
Ou seja, como a tese foi firmada em recurso julgado sob a sistemática da repercussão 
geral, a decisão deve ser seguida pelosoutros tribunais, inclusive o STJ (RE n. 114.005).
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5 . QuaDro CoMParatiVo EntrE Pontos PrinCiPais Das 5 . QuaDro CoMParatiVo EntrE Pontos PrinCiPais Das 
FunÇÕEs EssEnCiais À JustiÇaFunÇÕEs EssEnCiais À JustiÇa
Minha meta é clara: fazer com que você acerte o máximo de questões nas provas!
Então, vou fazer um esquema simples, mas sagaz, comparando alguns pontos sempre 
cobrados pelas Bancas, relacionados ao MP, à Defensoria e à Advocacia Pública. Ficará de 
fora a Advocacia Privada que, mesmo integrando as funções essenciais à Justiça, deve ser 
tratada em separado.
Vamos lá:
Vitaliciedade Inamovibilidade
Independência 
Funcional
Autonomia 
AFO11
Princípios 
Institucionais 
UII22
Ministério 
Público
Sim, após dois 
anos de efetivo 
exercício
Sim Sim MPU e MPE: sim
MP/Contas: não
Sim, desde CF 
de 1988
Defensoria 
Pública
Não Sim Sim
Sim, sendo que:
DPE: EC n. 
45/2004
DPU e DPDF: EC n. 
74/2013
Sim, desde a 
EC n. 80/2014
Advocacia 
Pública
Não Não Não Não Não
1) Autonomia AFO: Autonomia administrativa, funcional e orçamentária
2) Princípios institucionais: unidade, indivisibilidade e independência funcional
6 . tÓPiCo EsPECial: sÚMulas aPliCÁVEis À aula6 . tÓPiCo EsPECial: sÚMulas aPliCÁVEis À aula
SÚMULAS VINCULANTES – STF
Súmula Vinculante n. 5. A falta de defesa técnica por advogado no processo 
administrativo disciplinar não ofende a Constituição.
Súmula Vinculante n. 14. É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso 
amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório 
realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício 
do direito de defesa.
Súmula Vinculante n. 35. A homologação da transação penal prevista no artigo 76 da Lei 
9.099/1995 não faz coisa julgada material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a 
situação anterior, possibilitando-se ao Ministério Público a continuidade da persecução 
penal mediante oferecimento de denúncia ou requisição de inquérito policial.
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SÚMULAS STF – NÃO VINCULANTES
Súmula n. 644. Ao titular do cargo de procurador de autarquia não se exige a apresentação 
de instrumento de mandato para representá-la em juízo.
Súmula n. 643. O Ministério Público tem legitimidade para promover ação civil pública 
cujo fundamento seja a ilegalidade de reajuste de mensalidade escolares.
Súmula n. 614. Somente o Procurador-Geral da Justiça tem legitimidade para propor 
ação direta interventiva por inconstitucionalidade de Lei Municipal.
Súmula n. 524. Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento 
do promotor de justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas.
Súmula n. 210. O assistente do Ministério Público pode recorrer, inclusive 
extraordinariamente, na ação penal, nos casos dos arts. 584, § 1º, e 598 do Código de 
Processo Penal.
sÚMulas stJ
Súmula n. 604. O mandado de segurança não se presta para atribuir efeito suspensivo 
a recurso criminal interposto pelo Ministério Público.
Súmula n. 601. O Ministério Público tem legitimidade ativa para atuar na defesa de 
direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos dos consumidores, ainda que 
decorrentes da prestação de serviço público.
Súmula n. 594. O Ministério Público tem legitimidade ativa para ajuizar ação de 
alimentos em proveito de criança ou adolescente independentemente do exercício 
do poder familiar dos pais, ou do fato de o menor se encontrar nas situações de risco 
descritas no art. 98 do Estatuto da Criança e do Adolescente, ou de quaisquer outros 
questionamentos acerca da existência ou eficiência da Defensoria Pública na comarca.
Súmula n. 533. Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito da 
execução penal, é imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo 
diretor do estabelecimento prisional, assegurado o direito de defesa, a ser realizado 
por advogado constituído ou defensor público nomeado.
Súmula n. 421. Os honorários advocatícios não são devidos à Defensoria Pública quando 
ela atua contra a pessoa jurídica de direito público à qual pertença.
(entendimento superado em virtude de decisão proferida no RE 114.005, julgado pelo 
STF sob a sistemática da repercussão geral).
Súmula n. 329. O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil pública 
em defesa do patrimônio público.
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QUESTÕES DE CONCURSOQUESTÕES DE CONCURSO
DEFEnsoria PÚBliCa
001. 001. (Q3178937/MP-TO/TÉCNICO/2024) Julgue os itens que se seguem, tendo como base 
a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 e o posicionamento do Supremo 
Tribunal Federal (STF).
A defensoria pública é órgão constitucional subordinado ao Poder Executivo e, portanto, 
faz parte da sua estrutura administrativa.
002. 002. (Q3085745/TJ-ES/ANALISTA/2024) De acordo com a jurisprudência do STF no que tange 
a funções essenciais à justiça e aos Poderes Legislativo e Judiciário, julgue os itens a seguir.
O chefe do Poder Executivo estadual dispõe de iniciativa legislativa privativa para apresentar 
projeto de lei que institua plano de cargos, carreira e vencimentos dos servidores da 
Defensoria Pública Estadual.
003. 003. (Q2777411/TJ-ES/ANALISTA/2024) Julgue os itens subsequentes, a respeito dos 
Poderes da República.
Será inconstitucional lei que autorize os defensores públicos de determinado estado a 
exercerem a advocacia fora de suas atribuições institucionais.
MinistÉrio PÚBliCo
001. 001. (Q3264636/MP-GO/ANALISTA/2024) No que se refere às atribuições do presidente 
da República, à fiscalização contábil, financeira e orçamentária e ao processo legislativo 
no âmbito do Poder Legislativo, bem como às funções essenciais à justiça, julgue os itens 
seguintes.
As normas que disponham sobre a organização, as atribuições e o estatuto do Ministério 
Público de cada estado podem ser estabelecidas por lei complementar estadual, sendo 
a iniciativa dessa lei facultada ao procurador-geral de justiça do respectivo estado, que 
deve observar o regramento geral definido pelas normas gerais previstas na Lei Orgânica 
Nacional do Ministério Público, de iniciativa privativa do presidente da República.
002. 002. (Q3134656/CAU/ANALISTA/2024) A Câmara dos Deputados e o Senado Federal são 
dotados de diversos órgãos e comissões essenciais para o adequado funcionamento 
do processo legislativo. Esse processo envolve a criação, o exame e a aprovação de uma 
variedade de propostas legislativas, incluindo leis ordinárias, medidas provisórias, emendas 
constitucionais, decretos legislativos e resoluções, todas vitais para o relacionamento eficaz 
 
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da sociedade. Cada categoria de proposição legislativa é submetida a um procedimento 
específico de tramitação. A respeito dessa temática, julgue os itens que se seguem.
Os tribunais superiores e a Procuradoria-Geral da República não podem apresentar iniciativas 
legislativas, pois são órgãos pertencentes ao sistema de justiça, aos quais cabe a defesa 
dos direitos sociais e individuais indisponíveis, ou seja, defesa da ordem jurídica e do regime 
democrático.
003. 003. (Q2820568/CNMP/ANALISTA/2024) No que se refere ao catálogo de direitos humanos 
e à sua efetivação, julgue os itens a seguir, à luz da legislação aplicável e da jurisprudência 
do Supremo Tribunal Federal.
O Ministério Público não detém legitimidade para defender em juízo os direitos das populações 
indígenas, uma vez que se trata de competência exclusiva da Defensoria Pública.
004. 004. (Q3169854/PC-PE/ESCRIVÃO DE POLÍCIA/2024) Conforme a CF, o controle externo da 
atividade policial será exercido pelo
a) Poder Judiciário, na forma disciplinada em lei ordinária.
b) Poder Executivo, na forma disciplinada em lei complementar.
c) Ministério Público, na forma disciplinada em lei complementar.
d) Poder Executivo, na forma disciplinada em lei ordinária.
e) Ministério Público, na forma disciplinada em lei ordinária.
005. 005. (Q3026956/MP-RO/ANALISTA/2024) Ainda no que se refere ao MP, assinale a 
opção correta.
a) O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) assemelha-se ao MP estadual, 
de modo que os servidores do MPDFT pertencem ao quadro funcional do Distrito Federal.
b) O Ministério Público Militar está vinculado ao Ministério da Defesa.
c) O membro do MP adquire a vitaliciedade a partir de sua investidura no cargo.
d) O MP estadual será administrado, de forma conjunta, pelo Poder Judiciário e pelo Poder 
Executivo estadual.
e) É função do MP promover, de forma privativa, a ação penal pública.
006. 006. (Q2820580/CNMP/ANALISTA/2024) Quanto às funções institucionais do Ministério 
Público relativas aos direitos difusos e coletivos, julgue os itens a seguir à luz da legislação 
aplicável.
O Ministério Público detém legitimidade ativa para propor ação civil pública, porém não 
poderá atuar como fiscal da lei quando não for parte na ação.
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007. 007. (Q3033985/DATAPREV/ADVOGADO/2024) Julgue os itens seguintes, relativos ao regime 
de precatórios e ao Ministério Público.
De acordo com a interpretação prevalecente acerca das funções do Ministério Público na 
área penal, esse órgão tanto pode reunir elementos de prova por meio de inquérito policial 
quanto realizar investigações criminais diretamente.
008. 008. (Q3026955/MP-RO/ANALISTA/2024) No que diz respeito ao Ministério Público (MP), 
assinale a opção correta.
a) Ao membro do MP é assegurado o recebimento dos honorários de sucumbência, que 
serão partilhados de forma igualitária entre seus membros.
b) O membro do MP pode ser filiado a partido político, mas não pode ser candidato a cargo 
eletivo enquanto estiver vinculado à instituição.
c) A promotoria do MP junto aos tribunais de contas constitui carreira própria, por isso seus 
membros não são submetidos às vedações e aos direitos aplicáveis aos membros do MP.
d) As funções do MP podem ser exercidas por autoridades policiais quando não houver 
promotor lotado na respectiva comarca.
e) Uma das funções essenciais do MP é a defesa judicial dos interesses e direitos da população 
indígena.
009. 009. (Q2820578/CNMP/ANALISTA/2024) Quanto às funções institucionais do Ministério 
Público relativas aos direitos difusos e coletivos, julgue os itens a seguir à luz da legislação 
aplicável.
O Ministério Público detém a competência para promover o inquérito civil para averiguar 
eventual violação à proteção do meio ambiente.
010. 010. (Q2778229/TJ-ES/ANALISTA/2024) De acordo com a jurisprudência do STF no que tange 
a funções essenciais à justiça e aos Poderes Legislativo e Judiciário, julgue os itens a seguir.
O Ministério Público tem legitimidade ativa para propor ação civil pública por meio da 
qual pretenda anular acordo de natureza tributária pactuado entre empresa privada e 
Estado-membro.
aDVoCaCia PÚBliCa
001. 001. (Q3142763/CGE-RJ/AUDITOR/2024) A respeito de direitos e deveres individuais e 
coletivos, estados, servidores públicos, competências do Supremo Tribunal Federal (STF) 
e fiscalização contábil, financeira e orçamentária, julgue os itens seguintes, considerando 
a jurisprudência do STF.
É lícito à Controladoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro restringir a manifestação político-
partidária nas redes sociais de servidores públicos estaduais.
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002. 002. (Q2922577/PGE-RR/PROCURADOR/2024) Acerca da justiça eleitoral, da justiça estadual 
e da advocacia pública, julgue os itens subsequentes.
Segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), a inamovibilidade é garantia implícita dos 
membros da advocacia pública.
FunÇÕEs EssEnCiais À JustiÇa
001. 001. (Q2790371/TJ-ES/ANALISTA/2024) Julgue os itens seguintes, relativos ao Poder 
Legislativo e ao Poder Executivo e às funções essenciais à justiça.
A CF erigiu o Ministério Público, a Advocacia-Geral da União e a Defensoria Pública à categoria 
de órgãos cuja função é essencial à justiça, assegurando a cada uma dessas instituições 
autonomia funcional e administrativa bem como a iniciativa de sua proposta orçamentária.
002. 002. (Q2835216/TJ-CE/TÉCNICO/2024) Acerca do que dispõe a CF sobre o Poder Judiciário 
e as funções essenciais à justiça, assinale a opção correta.
a) O Conselho Nacional de Justiça não é considerado órgão autônomo do Poder Judiciário, 
estando vinculado ao Supremo Tribunal Federal.
b) As súmulas vinculantes editadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) possuem efeito 
vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário, mas não alcançam os Poderes 
Executivo e Legislativo.
c) Além do Ministério Público, a CF alçou à categoria de órgãos cujas funções são essenciais 
à justiça a Advocacia-Geral da União, a Defensoria Pública e a Receita Federal.
d) O Conselho da Justiça Federal é órgão que funciona junto ao Superior Tribunal de Justiça 
(STJ) e entre suas atribuições consta a supervisão administrativa e orçamentária da justiça 
federal e da justiça estadual de primeiro e segundo graus.
e) O Ministério Público é instituição essencial à função jurisdicional do Estado, sendo 
assegurada de forma expressa pelo texto constitucional sua autonomia funcional e 
administrativa, além da prerrogativa de elaborar sua própria proposta orçamentária, desde 
que esta última esteja dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias.
003. 003. (Q3004498/MP-RO/ANALISTA/2024) Assinale a opção correta acerca das funções 
essenciais à justiça.
a) As funções essenciais à justiça fazem parte do Poder Judiciário.
b) O Ministério Público da União engloba o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.
c) Os Ministérios Públicos estaduais são chefiados pelo procurador-geral da República.
d) O Ministério Público e a Defensoria Pública municipais atuam na garantia dos direitosdos cidadãos em âmbito municipal.
e) A Advocacia-Geral da União presta serviços de consultoria e assessoramento jurídico 
aos três poderes da União.
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GABARITOGABARITO
DEFEnsoria PÚBliCa
1. E 2. E 3. C
MinistÉrio PÚBliCo
1. C
2. E
3. E
4. c
5. e
6. E
7. C
8. e
9. C
10. C
aDVoCaCia PÚBliCa
1. E 2. E
FunÇÕEs EssEnCiais À JustiÇa
1. E
2. e
3. b
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GABARITO COMENTADOGABARITO COMENTADO
DEFEnsoria PÚBliCa
001. 001. (Q3178937/MP-TO/TÉCNICO/2024) Julgue os itens que se seguem, tendo como base 
a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 e o posicionamento do Supremo 
Tribunal Federal (STF).
A defensoria pública é órgão constitucional subordinado ao Poder Executivo e, portanto, 
faz parte da sua estrutura administrativa.
A EC 45/04 deu às Defensorias Estaduais a tríplice autonomia (administrativa, funcional 
e orçamentário-financeira). Depois, a EC 74/13 estendeu essa autonomia às defensorias 
da União e do DF.
Assim, é indevido colocá-la em posição de subordinação a qualquer um dos Poderes.
Errado.
002. 002. (Q3085745/TJ-ES/ANALISTA/2024) De acordo com a jurisprudência do STF no que tange 
a funções essenciais à justiça e aos Poderes Legislativo e Judiciário, julgue os itens a seguir.
O chefe do Poder Executivo estadual dispõe de iniciativa legislativa privativa para apresentar 
projeto de lei que institua plano de cargos, carreira e vencimentos dos servidores da 
Defensoria Pública Estadual.
A EC 45/04 e a EC 74/13 deram, respectivamente, às Defensorias dos Estados, da União e 
do DF a autonomia administrativa, funcional e orçamentário-financeira, de modo que cabe 
à respectiva Defensoria encaminhar projetos de lei de seu interesse.
Ou seja, não passa pelo chefe do Executivo a iniciativa nesses casos.
Errado.
003. 003. (Q2777411/TJ-ES/ANALISTA/2024) Julgue os itens subsequentes, a respeito dos 
Poderes da República.
Será inconstitucional lei que autorize os defensores públicos de determinado estado a 
exercerem a advocacia fora de suas atribuições institucionais.
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Juízes, promotores e defensores públicos não podem exercer a advocacia nem mesmo em 
causa própria.
Em relação aos defensores, a sua missão constitucional é fazer a defesa judicial e extrajudicial 
dos necessitados. Fora dessa missão, eles não podem advogar.
Certo.
MinistÉrio PÚBliCo
001. 001. (Q3264636/MP-GO/ANALISTA/2024) No que se refere às atribuições do presidente 
da República, à fiscalização contábil, financeira e orçamentária e ao processo legislativo 
no âmbito do Poder Legislativo, bem como às funções essenciais à justiça, julgue os itens 
seguintes.
As normas que disponham sobre a organização, as atribuições e o estatuto do Ministério 
Público de cada estado podem ser estabelecidas por lei complementar estadual, sendo 
a iniciativa dessa lei facultada ao procurador-geral de justiça do respectivo estado, que 
deve observar o regramento geral definido pelas normas gerais previstas na Lei Orgânica 
Nacional do Ministério Público, de iniciativa privativa do presidente da República.
Além do regramento previsto no texto constitucional, o artigo 128, § 5º prevê que leis 
complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é facultada aos respectivos 
Procuradores-Gerais, estabelecerão a organização, as atribuições e o estatuto de cada 
Ministério Público.
Isso decorre da autonomia assegurada ao MP comum – da União e dos Estados. Vale lembrar 
que o MP de contas não possui autonomia. Assim, projetos de lei de seu interesse devem 
ser propostos pelo TC respectivo.
Certo.
002. 002. (Q3134656/CAU/ANALISTA/2024) A Câmara dos Deputados e o Senado Federal são 
dotados de diversos órgãos e comissões essenciais para o adequado funcionamento 
do processo legislativo. Esse processo envolve a criação, o exame e a aprovação de uma 
variedade de propostas legislativas, incluindo leis ordinárias, medidas provisórias, emendas 
constitucionais, decretos legislativos e resoluções, todas vitais para o relacionamento eficaz 
da sociedade. Cada categoria de proposição legislativa é submetida a um procedimento 
específico de tramitação. A respeito dessa temática, julgue os itens que se seguem.
Os tribunais superiores e a Procuradoria-Geral da República não podem apresentar iniciativas 
legislativas, pois são órgãos pertencentes ao sistema de justiça, aos quais cabe a defesa 
dos direitos sociais e individuais indisponíveis, ou seja, defesa da ordem jurídica e do regime 
democrático.
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A resposta passa pelos artigos 96, II, e 127, § 2º, da CF, que atribuem autonomia ao Judiciário 
e ao MP comum (da União e dos Estados).
Dentro dessa prerrogativa, ambos podem deflagrar o processo legislativo, apresentando 
projetos de lei de seu interesse.
Note que a autonomia é ainda mais ampla, chamada de AFO – administrativa, funcional e 
orçamentário-financeira.
Quem mais tem autonomia? Além do Judiciário e do MP comum, a Defensoria e os Tribunais 
de Contas.
E quem não tem autonomia? O MP de contas, que funciona junto ao respectivo tribunal de 
contas, e a advocacia pública.
Errado.
003. 003. (Q2820568/CNMP/ANALISTA/2024) No que se refere ao catálogo de direitos humanos 
e à sua efetivação, julgue os itens a seguir, à luz da legislação aplicável e da jurisprudência 
do Supremo Tribunal Federal.
O Ministério Público não detém legitimidade para defender em juízo os direitos das populações 
indígenas, uma vez que se trata de competência exclusiva da Defensoria Pública.
O artigo 129 da CF lista entre as funções institucionais do MP a defesa dos interesses das 
populações indígenas.
Errado.
004. 004. (Q3169854/PC-PE/ESCRIVÃO DE POLÍCIA/2024) Conforme a CF, o controle externo da 
atividade policial será exercido pelo
a) Poder Judiciário, na forma disciplinada em lei ordinária.
b) Poder Executivo, na forma disciplinada em lei complementar.
c) Ministério Público, na forma disciplinada em lei complementar.
d) Poder Executivo, na forma disciplinada em lei ordinária.
e) Ministério Público, na forma disciplinada em lei ordinária.
Uma das funções institucionais do Ministério Público, previstas no artigo 129 da CF, é a de 
fazer o controle externo da atividade policial, o que afasta as alternativas A, B e D.
Porém, a resposta está na letra C (e não na E), porque cabe a uma lei complementar 
disciplinar o tema.
Letra c.
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005. 005. (Q3026956/MP-RO/ANALISTA/2024) Ainda no que se refere ao MP, assinale a 
opção correta.
a) O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) assemelha-se ao MP estadual, 
de modo que os servidores do MPDFT pertencem ao quadro funcional do Distrito Federal.
b) O Ministério Público Militar está vinculado ao Ministério da Defesa.
c) O membro do MP adquire a vitaliciedade a partir de sua investidura no cargo.
d) O MP estadual será administrado, de forma conjunta, pelo Poder Judiciário e pelo Poder 
Executivo estadual.
e) É função do MP promover, de forma privativa, a ação penal pública.
a) Errada. O MPDFT é um dos ramos do MPU. Logo, os servidores desse órgão são do quadro 
do MP da União, regidos pela Lei 8112/90.
b) Errada. O erro está no fato de o MPU possuir 4 ramos, a saber: MPF, MPT, MPM e MPDFT. 
Logo, não há qualquer ligação com o Ministério da Defesa.
c) Errada, pois juízes e promotores adquirem vitaliciedade após 2 anos de efetivo exercício.
d) Errada. O erro está em desconsiderar que o MP possui autonomia, não tendo qualquer 
subordinação aos demais Poderes.
e) Certa, uma vez que o artigo 129, I, da CF dá ao MP a função institucional de promover 
privativamente a ação penal pública, nos termos da lei.
O STF entende que, a esse respeito, pode o MP coletar provas, em decorrência da teoria norte 
americana dos poderes implícitos. Por outro lado, não é privativa do MP a celebração de 
acordos de colaboração premiada. Esses acordos também podem ser feitos pela autoridade 
policial.
Letra e.
006. 006. (Q2820580/CNMP/ANALISTA/2024) Quanto às funções institucionais do Ministério 
Público relativas aos direitos difusos e coletivos, julgue os itens a seguir à luz da legislação 
aplicável.
O Ministério Público detém legitimidade ativa para propor ação civil pública, porém não 
poderá atuar como fiscal da lei quando não for parte na ação.
A legitimação para ajuizar a ACP é concorrente. O MP e a Defensoria Pública são os principais 
autores dessas ações.
Porém, o próprio artigo 5º da LACP prevê que caberá ao MP atuar obrigatoriamente como 
fiscal da lei quando não intervier no processo como parte.
Errado.
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Funções Essenciais à Justiça
Aragonê Fernandes
007. 007. (Q3033985/DATAPREV/ADVOGADO/2024) Julgue os itens seguintes, relativos ao regime 
de precatórios e ao Ministério Público.
De acordo com a interpretação prevalecente acerca das funções do Ministério Público na 
área penal, esse órgão tanto pode reunir elementos de prova por meio de inquérito policial 
quanto realizar investigações criminais diretamente.
Embora o artigo 144 da Constituição diga que cabe exclusivamente à polícia federal e à 
polícia civil a tarefa de polícia judiciária (responsável pelas investigações), prevaleceu no 
STF e no STJ a orientação segundo a qual seriam legítimas as provas coletadas pelo MP 
(STF, HC n. 91.661).
Adotou-se no caso a teoria norte-americana dos princípios implícitos – “quem pode o mais, 
pode o menos”.
Como assim?Como assim?
Ora, se o MP é o titular da ação penal, cabe a ele oferecer a acusação. Mas para isso ele 
precisa de provas, certo?
Então, ele pode requisitar as provas à autoridade policial ou ainda coletá-las diretamente. 
Afinal, quem pode o mais (acusar), pode o menos (coletar provas para acusar)!
De todo modo, não esqueça que a presidência do inquérito policial é atividade privativa do 
Delegado de Polícia, não podendo ser exercida pelo Ministério Público (STF, RHC n. 81.326).
Certo.
008. 008. (Q3026955/MP-RO/ANALISTA/2024) No que diz respeito ao Ministério Público (MP), 
assinale a opção correta.
a) Ao membro do MP é assegurado o recebimento dos honorários de sucumbência, que 
serão partilhados de forma igualitária entre seus membros.
b) O membro do MP pode ser filiado a partido político, mas não pode ser candidato a cargo 
eletivo enquanto estiver vinculado à instituição.
c) A promotoria do MP junto aos tribunais de contas constitui carreira própria, por isso seus 
membros não são submetidos às vedações e aos direitos aplicáveis aos membros do MP.
d) As funções do MP podem ser exercidas por autoridades policiais quando não houver 
promotor lotado na respectiva comarca.
e) Uma das funções essenciais do MP é a defesa judicial dos interesses e direitos da população 
indígena.
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a) Errada. É vedado o recebimento de honorários de sucumbência tanto para o MP quanto 
para os juízes. Em relação à advocacia pública é possível, desde que respeitado o teto 
constitucional.
b) Errada. O erro está no fato de que entre as proibições impostas a juízes e promotores 
está a de se filiar a partido político, bem assim a concorrer a mandatos eletivos.
c) Errada. É que embora o MP de Contas realmente possua carreira própria, há regramentos do 
MP comum que lhe são estendidos, tanto na parte boa (garantias) quanto na ruim (vedações). 
Dito de outro modo, os membros do MP de Contas possuem apenas as cláusulas de garantias 
subjetivas (vitaliciedade, inamovibilidade, irredutibilidade, independência funcional, forma 
de ingresso na carreira). Ficariam de fora as demais prerrogativas institucionais asseguradas 
ao Ministério Público comum, como a autonomia administrativa, financeira e orçamentária.
d) Errada, pois mesmo na falta de membro do MP, a sua missão constitucional não pode 
ser delegada à autoridade policial.
e) Certa, uma vez que uma das funções institucionais do MP (artigo 129 da CF) é exatamente 
a defesa dos interesses das populações indígenas.
Letra e.
009. 009. (Q2820578/CNMP/ANALISTA/2024) Quanto às funções institucionais do Ministério 
Público relativas aos direitos difusos e coletivos, julgue os itens a seguir à luz da legislação 
aplicável.
O Ministério Público detém a competência para promover o inquérito civil para averiguar 
eventual violação à proteção do meio ambiente.
Vamos lá: a primeira coisa é lembrar que a legitimidade para ajuizamento da Ação Civil 
Pública é concorrente. Ou seja, há alguns legitimados, como é o caso do MP e da Defensoria 
Pública. Todos eles podem inclusive celebrar termo de ajustamento de conduta.
Por outro lado, a promoção do inquérito civil é ato privativo do MP, não sendo estendida 
essa possibilidade a outros legitimados.
Ah, pode haver ACP e inquérito civil para tratar sobre a proteção do meio ambiente.
Certo.
010. 010. (Q2778229/TJ-ES/ANALISTA/2024) De acordo com a jurisprudência do STF no que tange 
a funções essenciais à justiça e aos Poderes Legislativo e Judiciário, julgue os itens a seguir.
O Ministério Público tem legitimidade ativa para propor ação civil pública por meio da 
qual pretenda anular acordo de natureza tributária pactuado entre empresa privada e 
Estado-membro.
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A questão da (im)possibilidade de o MP ajuizar ação civil pública nas mais variadas situações 
é recorrente nas provas e na jurisprudência.
Então, vou destacar algumas delas, que serão mais exploradas nas provas do nível de Analista 
para cima, mas vez ou outra aparecem até em provas de técnico. Vamos a elas?
Começando, o Ministério Público tem legitimidade para promover ação civil pública cujo 
fundamento seja a ilegalidade de reajuste de mensalidade escolares (STF, Súmula n. 643).
De igual modo, o STF também entende que o MP pode ajuizar a ACP que vise anular ato 
administrativo de aposentadoria que importe em lesão ao patrimônio público ou que busque 
defender direitos sociais relacionados ao FGTS, ou ainda quando se visa o fornecimento de 
remédios a portadores de certa doença.
Mas tem uma orientação do STF que está lá no topo das cobranças: ela diz respeito à 
ilegitimidade do MP para ajuizar a ACP tratando sobre pretensão relativa à matéria tributária 
(STF, ARE n. 694.294).
Por outro lado, quando o assunto é TARE (Termo de Acordo de Regime Especial), o STF 
reconhece a legitimidade de o MP para propor ACP (e ICP) para questionar esse tipo de 
acordo tributário, pois se entendeu que ele é potencialmente lesivo ao patrimônio público. 
Isso porque ele autoriza um recolhimento menor do ICMS (RE 576.155).
Certo.
aDVoCaCia PÚBliCa
001. 001. (Q3142763/CGE-RJ/AUDITOR/2024) A respeito de direitos e deveres individuais e 
coletivos, estados, servidores públicos, competências do Supremo Tribunal Federal (STF) 
e fiscalização contábil, financeira e orçamentária, julgue os itens seguintes, considerando 
a jurisprudência do STF.
É lícito à Controladoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro restringir a manifestação político-
partidária nas redes sociais de servidores públicos estaduais.
Toda a confusão começou quando a CGU editou a Nota Técnica n. 1556/2020/CGUNE/
CRG, a qual fixava entendimento acerca de dispositivos relativos a deveres e proibições 
constantes da Lei n. 8.112/1990.
Na prática, a Nota cerceava manifestações de servidores nas redes sociais. Ela foi objeto de 
questionamento via ADI no STF. Porém, o tribunal entendeu pelo não-cabimento da ação, 
uma vez que ela questionava nota técnica, ato destituído de generalidade, abstração ou 
impessoalidade (ADI 6.499).
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Avançando, no dia 16 de janeiro de 2023, a CGU revogou a bendita nota técnica, exatamente 
pelos problemas relacionados à violação da liberdade de expressão.
Só tome cuidado com uma coisa: o STF fixou a seguinte tese acerca das manifestações dos 
advogados públicos:
Considerando-se a natureza do cargo, é constitucional a necessidade de ordem ou 
autorização expressa do Advogado-Geral da União para manifestação do advogado 
público sobre assunto pertinente às suas funções, ressalvadas a liberdade de cátedra 
e a comunicação às autoridades competentes acerca de ilegalidades constatadas.
No julgamento, prevaleceu a orientação de que a proibição era destinada a agentes públicos 
específicos, não cria qualquer espécie de censura direcionada à imprensa, e possui como 
objetivo primordial o resguardo do sigilo necessário ao desempenho da advocacia e, 
consequentemente, a salvaguarda dos interesses públicos envolvidos na atuação da AGU 
(STF, ADI n. 4.652).
Errado.
002. 002. (Q2922577/PGE-RR/PROCURADOR/2024) Acerca da justiça eleitoral, da justiça estadual 
e da advocacia pública, julgue os itens subsequentes.
Segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), a inamovibilidade é garantia implícita dos 
membros da advocacia pública.
A advocacia pública não tem quase nada (inamovibilidade, independência funcional, 
vitaliciedade, duas férias por ano ou princípios institucionais).
Só isso já torna o item errado.
Porém, vou usar um quadro poderoso aqui embaixo, pois ele vai resolver algumas questões 
de prova.
Veja:
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Vitaliciedade Inamovibilidade
Independência 
Funcional
Autonomia AFO1 Princípios 
Institucionais UII2
Ministério 
Público
Sim, após dois 
anos de efetivo 
exercício
Sim Sim MPU e MPE: sim
MP/Contas: não
Sim, desde CF 
de 1988
Defensoria 
Pública
Não Sim Sim Sim, sendo que:
DPE: EC n. 
45/2004
DPU e DPDF: EC 
n. 74/2013
Sim, desde a EC n. 
80/2014
Advocacia 
Pública
Não Não Não Não Não
1) Autonomia AFO: Autonomia administrativa, funcional e orçamentária
2) Princípios institucionais: unidade, indivisibilidade e independência funcional
Errado.
FunÇÕEs EssEnCiais À JustiÇa
001. 001. (Q2790371/TJ-ES/ANALISTA/2024) Julgue os itens seguintes, relativos ao Poder 
Legislativo e ao Poder Executivo e às funções essenciais à justiça.
A CF erigiu o Ministério Público, a Advocacia-Geral da União e a Defensoria Pública à categoria 
de órgãos cuja função é essencial à justiça, assegurando a cada uma dessas instituições 
autonomia funcional e administrativa bem como a iniciativa de sua proposta orçamentária.
A autonomia é dada ao MP comum (da União e dos Estados) e às Defensorias Públicas, 
mas não é assegurada aos advogados públicos. Eles não têm autonomia, inamovibilidade, 
independência funcional ou vitaliciedade.
Errado.
002. 002. (Q2835216/TJ-CE/TÉCNICO/2024) Acerca do que dispõe a CF sobre o Poder Judiciário 
e as funções essenciais à justiça, assinale a opção correta.
a) O Conselho Nacional de Justiça não é considerado órgão autônomo do Poder Judiciário, 
estando vinculado ao Supremo Tribunal Federal.
b) As súmulas vinculantes editadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) possuem efeito 
vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário, mas não alcançam os Poderes 
Executivo e Legislativo.
c) Além do Ministério Público, a CF alçou à categoria de órgãos cujas funções são essenciais 
à justiça a Advocacia-Geral da União, a Defensoria Pública e a Receita Federal.
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d) O Conselho da Justiça Federal é órgão que funciona junto ao Superior Tribunal de Justiça 
(STJ) e entre suas atribuições consta a supervisão administrativa e orçamentária da justiça 
federal e da justiça estadual de primeiro e segundo graus.
e) O Ministério Público é instituição essencial à função jurisdicional do Estado, sendo 
assegurada de forma expressa pelo texto constitucional sua autonomia funcional e 
administrativa, além da prerrogativa de elaborar sua própria proposta orçamentária, desde 
que esta última esteja dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias.
a) Errada, porque o CNJ não está vinculado ao STF. A ele cabe a missão de fazer controle da 
atuação administrativa e financeira do Judiciário e dos deveres funcionais de seus membros.
b) Errada, pois as súmulas vinculantes terão esse efeito os demais órgãos do Judiciário, sobre 
todo o Poder Executivo e também sobre o Legislativo, exceto na função típica de legislar.
c) Errada. O erro está em incluir a Receita Federal entreas funções essenciais à Justiça. 
Nelas há o mnemônico DAMA (Defensoria, Advocacia Pública, Ministério Público e Advocacia 
Privada).
d) Errada. A pegadinha é que o CJF faz a supervisão administrativa e orçamentária da JF 
de primeiro e segundo grau, mas não em relação à justiça estadual.
e) Certa. Ministério Público comum (da União e dos Estados) e a Defensoria Pública contam 
com a tríplice autonomia – administrativa, funcional e orçamentário-financeira.
Letra e.
003. 003. (Q3004498/MP-RO/ANALISTA/2024) Assinale a opção correta acerca das funções 
essenciais à justiça.
a) As funções essenciais à justiça fazem parte do Poder Judiciário.
b) O Ministério Público da União engloba o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.
c) Os Ministérios Públicos estaduais são chefiados pelo procurador-geral da República.
d) O Ministério Público e a Defensoria Pública municipais atuam na garantia dos direitos 
dos cidadãos em âmbito municipal.
e) A Advocacia-Geral da União presta serviços de consultoria e assessoramento jurídico 
aos três poderes da União.
a) Errada, porque o Ministério Público e a Defensoria Pública são dotados de autonomia, 
não integrando nenhum dos Poderes.
b) Certa, uma vez que o MPU engloba quatro ramos: MPF, MPT, MPM e MPDFT.
c) Errada. O erro está no fato de que os MPEs e o MPDFT são chefiados pelo procurador-
geral de justiça.
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d) Errada. Não há judiciário, MP e defensorias municipais.
e) Errada. Segundo o artigo 131, a AGU defende a União na esfera judicial e extrajudicial. 
Porém, no que se refere às atividades de consultoria e assessoramento, a missão recai 
somente sobre o Executivo.
Letra b.
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	Sumário
	Apresentação
	Funções Essenciais à Justiça
	1. Ministério Público
	1.1. Considerações Iniciais e Ingresso na Carreira
	1.2. Princípios Institucionais
	1.3. Princípio do Promotor Natural
	1.4. Autonomia Funcional, Administrativa e Orçamentária
	1.5. Diferentes Ramos Existentes no Ministério Público
	1.6. Foro por Prerrogativa de Função
	1.7. Garantias
	1.8. Proibições
	1.9. Funções Institucionais
	1.10. Conselho Nacional do Ministério Público – CNMP
	2. Advocacia Pública
	2.1. Defensor Legis
	3. Advocacia Privada
	4. Defensoria Pública
	4.1. Princípios Institucionais
	4.2. Autonomia Administrativa, Funcional e Orçamentária
	4.3. Foro por Prerrogativa de Função
	4.4. A Atuação da Defensoria Pública nas Tutelas Coletivas
	4.5. A Percepção de Honorários Advocatícios
	5. Quadro Comparativo entre Pontos Principais das Funções Essenciais à Justiça
	6. Tópico Especial: Súmulas Aplicáveis à Aula
	Questões de Concurso
	Gabarito
	Gabarito Comentadoà Justiça
Aragonê Fernandes
Posso sistematizar?
Carreira
Exigência de três anos de 
atividade jurídica
Pós-graduação, mestrado e 
doutorado podem contar?
Magistratura Sim Não
Ministério Público Sim Sim
Defensoria Pública
Não está sendo aplicada até 
que venha regulamentação 
por lei.
Valerá a regra do edital.
Advocacia Pública
Na CF, não. Valerá a regra do 
edital.
Valerá a regra do edital.
Outra coisa: em regra, os requisitos do cargo público devem ser comprovados no ato da 
posse (STJ, Súmula n. 266). No entanto, para a Magistratura e para o Ministério Público, 
a comprovação deve ser feita na inscrição definitiva (STF, RE n. 655.265 e artigo 3º da 
Resolução 40 do CNMP).
Para que não haja dúvidas, deixe-me explicar aqui a “maratona” que é um concurso 
desse porte: primeiro, o candidato faz a inscrição preliminar. Depois, submete-se a provas 
objetivas (primeira fase) e subjetivas (segunda fase).
Após a segunda fase (e antes da prova oral), é hora da inscrição definitiva, oportunidade 
de comprovação também dos três anos de atividade jurídica. Finalizando, acontecem 
as provas orais e de títulos, esta última de caráter meramente classificatório – o STF já 
entendeu que fase de títulos não pode ter caráter eliminatório.
Aproveitando que falei em concurso público, vou logo começar com um julgado muito 
polêmico, que tende a cair em várias provas que estão por vir.
É o seguinte: chegou ao STF o questionamento de uma lei complementar aplicável ao 
Ministério Público do Estado de Santa Catarina, que dizia o seguinte:
Art. 63-A. O Ministério Público poderá oferecer estágios:
(…)
IV – para bacharéis em Direito regularmente matriculados em cursos de pós-graduação, em 
nível de especialização, mestrado, doutorado ou pós-doutorado, em área afeta às funções 
institucionais do Ministério Público estadual, ou com elas afim.
O questionamento foi feito pela associação de servidores do próprio MP/SC, dizendo 
que a contratação de bacharéis em Direito na função de estagiário seria uma burla ao 
concurso público.
Ao final, o STF confirmou a validade da norma, julgando a ação improcedente, ao 
argumento de que o estágio realizado durante o curso de pós-graduação estaria inserido 
na Lei do Estágio. Também não haveria violação à Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional (LDB), sendo legítimo o instituto da “residência jurídica”, criado pela lei estadual.
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Apontou-se, igualmente, respeito aos princípios da impessoalidade e da publicidade, 
uma vez que o processo seletivo para a contratação de estagiários permitia amplo acesso 
e concorrência, em igualdade de condições, para os estudantes interessados, bem como 
pressupõe publicação de edital no Diário Oficial Eletrônico do Ministério Público. Além 
disso, o programa de residência jurídica seria compatível com o princípio da eficiência 
administrativa, porquanto teria o potencial de oferecer um aprendizado particularizado 
aos futuros ocupantes de cargos públicos, incrementado, por esta via, a qualidade no 
desempenho das suas futuras funções (STF, ADI n. 5.752).
Os requisitos para ingresso nas carreiras do Ministério Público e da Magistratura devem ser 
comprovados na inscrição definitiva, e não na posse.
1 .2 . PrinCÍPios instituCionais1 .2 . PrinCÍPios instituCionais
O artigo 127, § 1º, da Constituição, elenca três princípios institucionais do Ministério 
Público: unidade, indivisibilidade e independência funcional.
As questões mais simples nas provas se limitam a perguntar quais são os princípios ou 
ainda quais não são. Hoje em dia também se pergunta a quais instituições esses princípios 
se aplicam.
Disse “hoje em dia”, porque a EC n. 80/14 definiu que os três princípios institucionais 
também valem para a Defensoria Pública. Ah, eles não se estendem para a advocacia 
pública, pegadinha frequentemente usada pelos examinadores.
O problema é que só isso não será suficiente para a maior parte das provas que são 
aplicadas atualmente.
Então, vou detalhar para você o que pode ser cobrado, para não deixá-lo num mato 
sem cachorro...
1 .2 .1 . uniDaDE
A unidade significa que os membros do Ministério Público integram um só órgão sob a 
direção de um só Procurador-Geral.
Contudo, você tem que lembrar que a unidade existe dentro de cada MP. Em outras 
palavras, há uma chefia para o Ministério Público da União – PGR – e uma chefia no 
Ministério Público Estadual – PGJ.
É dentro desse cenário que o STF reconhece a legitimidade do membro do MP Estadual 
para recorrer diretamente no STF e no STJ nos processos que ele tenha atuado na primeira 
instância.
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Aliás, também se confere essa mesma possibilidade em relação ao ajuizamento de 
reclamação, quando a instância de origem não quiser dar cumprimento à decisão do Tribunal 
Superior ou do STF (STF, RCL n. 7.245).
Para você entender melhor a polêmica, segundo a legislação, quem atuaria no STF e nos 
Tribunais Superiores seriam somente os membros do MPU (PGR e Subprocuradores-Gerais).
Porém, dando uma interpretação mais contextualizada, abriu-se a possibilidade de o 
membro do MP Estadual acompanhar o processo até o final, sem precisar “pedir benção” 
aos membros do MP da União (STF, RE n. 848.286).
Cá para nós, tem horas que o concurseiro precisa respirar fundo, porque é eita atrás 
de eita, não é mesmo?
Digo isso porque, num primeiro momento, o STF entendia (PASSADO) que conflito de 
atribuições entre membros do MPU e do MP Estadual deveria ser dirimido pelo próprio STF, 
por envolver conflito federativo. Aplicava-se, assim, a regra do artigo 102, I, f, da CF.
Pois é, mas depois o Tribunal mudou de orientação, passando a entender que o procurador-
geral da República é quem deveria dirimir conflitos de atribuições entre os membros do 
MP Federal e do MP Estadual (STF, ACO n. 1.567). É certo que não faltaram críticas à nova 
orientação, porque o membro do MP Estadual não possui nenhum vínculo de subordinação 
ou hierarquia com o PGR, que chefia apenas o MPU.
Em nova mudança, operada a partir de voto proferido pelo ministro Alexandre de Moraes 
(que foi do MP-SP), o STF atualmente entende que esse conflito deve ser resolvido é pelo 
CNMP. Armaria, nãm!
Explicando em juridiquês, por não ter vinculação direta com qualquer dos ramos dos 
Ministérios Públicos dos entes federativos, mas sendo por eles composto, o CNMP possuiria 
isenção suficiente para definir, segundo as normas em que se estrutura a instituição, qual 
agente do Ministério Público tem aptidão para a condução de determinado inquérito civil.
Invocou-se o § 2º do art. 130-A, segundo o qual é competência do CNMP o controle da 
atuação administrativa do MP e do cumprimento dos deveres funcionais de seus membros. 
Dentro desse controle, caberia ao Conselho zelar pela autonomia funcional e administrativa 
do MP, bem como pela legalidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos 
do MPU, ou do MP Estadual, entre eles, aqueles atos que originaram o conflito de atribuições.
Trocando em miúdos, ficou vencedora a tese segundo a qual a solução de conflitos de 
atribuições entre ramos diversos dos Ministérios Públicos pelo CNMP é a mais adequada, 
pois reforça o mandamento constitucional que lhe atribuiu o controle dalegalidade das 
ações administrativas dos membros e órgãos dos diversos ramos ministeriais, sem ingressar 
ou ferir a independência funcional (STF, ACO n. 843).
Resumo da ópera: conflito de atribuições entre membros do MPU e do MP Estadual 
não vai nem para o STF, nem para o PGR. Agora, seu destino é ser dirimido pelo CNMP.
Em minha humilde opinião, acho que a solução atual ficou bem melhor do que a anterior...
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Os membros do Ministério Público Estadual dispõem de legitimidade para atuar diretamente 
no STF, ajuizando reclamação ou mesmo na interposição de recursos nos processos em que 
tenham atuado na primeira instância.
Foi também com base no princípio da unidade que o STF decidiu ser desnecessária 
a ratificação da denúncia quando apresentada anteriormente por membro do MP 
incompetente. A hipótese envolvia membro pertencente ao mesmo MP e também do 
mesmo grau funcional (STF, HC n. 85.137).
Outra coisa: a Resolução n. 126 do CNMP trouxe regra no sentido de que “após a instauração 
do inquérito civil ou do procedimento preparatório, quando o membro que o preside concluir 
ser atribuição de outro Ministério Público, este deveria submeter sua decisão ao referendo 
do órgão de revisão competente, no prazo de 3 (três) dias.”
Contra esse dispositivo foi ajuizada ADI no STF, sob a alegação de que haveria violação 
aos princípios da unidade e da independência funcional. Ao julgar a ação, o STF negou o 
pedido e manteve a validade da resolução, dizendo que o CNMP agiu dentro dos limites 
constitucionais ao editar resolução para esclarecer que deve ser referendada, pelo órgão 
de revisão competente, a decisão do membro do MP que conclui, após a instauração do 
inquérito civil ou do respectivo procedimento preparatório, ser este ou aquele de atribuição 
de outro ramo do Ministério Público (STF, ADI n. 5.434).
Agora fique ligado(a) em um julgamento que pode interessar a você nas provas e na 
vida: o STF entende que só existe unidade dentro de cada Ministério Público, e não entre 
o MP de um estado e de outro, nem entre estes e os diversos ramos do MPU.
Hora de falarmos sobre um tema bastante polêmico, tratado na EC 130/2023.
É o seguinte: sempre foi possível a permuta entre juízes federais e do trabalho, mesmo 
de regiões diferentes. Assim, um juiz do TRF 1, lotado em Brasília/DF, poderia permutar 
com um juiz do TRF 5, lotado em Fortaleza/CE.
Até aí, tudo bem. Afinal, a fonte pagadora é a mesma (União) e a remuneração é 
equivalente, além de todos serem regidos por normas iguais.
A inovação trazida pela EC permite a permuta entre juízes vinculados a tribunais 
diferentes. Exemplificando, um juiz do TJ-ES poderá permutar com um juiz de igual entrância 
do TJ-PE. Essa lógica valerá para os ramos da justiça federal e do trabalho (nenhuma 
novidade, como você acabou de ver). Além disso, também será possível a permuta entre 
os membros da 2ª instância. Ou seja, um desembargador do TJ-RR pode permutar com um 
desembargador do TJ-AP.
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É importante destacar que não é possível mudar de ramo, saindo de Juiz Estadual para 
Juiz do Trabalho, por exemplo. 
Além da mudança na Constituição, é esperado que o CNJ edite resolução, detalhando 
as regras para a permuta no plano nacional. O que se sabe até aqui é que a permuta será 
entre juízes de igual entrância. Em locais como o DF, no qual inexiste entrância, os juízes 
seriam considerados de entrância final.
Ah, mas e se no novo tribunal o subsídio for menor? 
Você que pediu para trocar, lembra? Assim, não incidiria a lógica de irredutibilidade de 
subsídios. Afinal, quem permuta está “saindo no lucro”, ao não precisar fazer outro concurso 
(e ir para o rabo da fila da antiguidade).
Um detalhe: a previsão de remoção a pedido e de permuta está dentro do artigo 
93, que trata do Poder Judiciário. Seria possível estender os institutos aos membros do 
Ministério Público e da Defensoria Pública?
Em relação ao Ministério Público, a situação parece mais clara, seja pelo artigo 129, § 
4º, da CF, seja porque nas próprias discussões no Congresso durante a tramitação da PEC 
se falou de modo semelhante para juízes e promotores.
E quanto à Defensoria?
Nesse ponto, veja-se o que diz o artigo 134, § 4º, da CF: 
§ 4º São princípios institucionais da Defensoria Pública a unidade, a indivisibilidade e a independência 
funcional, aplicando-se também, no que couber, o disposto no art. 93 e no inciso II do art. 96 
desta Constituição Federal.
Pela letra fria da Constituição, a resposta parece ser afirmativa. Contudo, é importante 
lembrar que a permuta se deve ao reconhecimento do caráter nacional da Magistratura – e, 
por consequência, do MP (STF, ADI 3.854). 
Última coisa: seria possível seguir a mesma lógica para os servidores do Judiciário ou do 
MP, para que permutassem com outros lotados em estados diferentes? Tudo indica que não.
Antes de terminar, é importante deixar claro que nem tudo são flores: isso porque a 
permuta é motivo de muitas críticas, porque permitiria a mudança para um órgão diferente, 
com alteração na questão remuneratória e até no regime estatutário sem a necessidade 
de fazer novo concurso.
Aliás, antes da aprovação da nova emenda à Constituição, o STF já havia declarado a 
inconstitucionalidade de lei estadual e de Resolução do CNMP que previam a permuta, 
respectivamente, no Judiciário e no MP (STF, ADPF n. 482).
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Uma pergunta: se o STF já declarou inconstitucional a permuta baseada em lei ou em 
resoluções, o que mudaria com a nova EC? 
Oh, pequeno gafanhoto, tratando-se de alteração trazida por emenda à Constituição, 
nova declaração de inconstitucionalidade dependeria da comprovação de ofensa a alguma 
cláusula pétrea (ex: violação ao pacto federativo).
Para piorar, em setembro de 2023 – um mês antes da promulgação da EC 130 –, quando 
declarou a inconstitucionalidade de lei complementar estadual que permitia a permuta, o 
STF indicou que ele violava sabe o quê? Exatamente o pacto federativo (STF, ADI n. 6.780).
Aguardemos as cenas dos próximos capítulos...
Cabe ao CNMP a tarefa de dirimir conflitos de atribuições entre membros do MP Estadual 
e do MP Federal.
1 .2 .2 . inDiVisiBiliDaDE
O princípio da indivisibilidade é uma decorrência do postulado da unidade. Por meio 
dele, é possível que um membro do MP substitua outro, dentro da mesma função, pois 
quem exerce os atos não é a pessoa do Promotor, e sim, a instituição Ministério Público.
Exemplificando, um processo de homicídio qualificado que tramita na Vara do Júri da 
Comarca de Belo Horizonte pode ter a denúncia oferecida pelo Promotor de Justiça José, 
mas as audiências serem feitas pelo Promotor João. Nada impediria, ainda, que outro 
Promotor, Alfredo, faça o júri.
aragonê, você quer dizer então que podem mandar qualquer Promotor para fazer um aragonê,você quer dizer então que podem mandar qualquer Promotor para fazer um 
Júri específico? Calma lá, eu não disse isso, até porque a figura do Promotor Natural Júri específico? Calma lá, eu não disse isso, até porque a figura do Promotor Natural 
impede que haja designações casuísticas. Mas isso você verá mais à frente. Fique firme impede que haja designações casuísticas. Mas isso você verá mais à frente. Fique firme 
aí, pois não demora.aí, pois não demora.
Também por conta da indivisibilidade, o STF entendeu que o pedido de arquivamento 
de inquérito em trâmite naquele Tribunal formulado pelo PGR não poderia ser recusado. 
E essa orientação se aplicaria mesmo na hipótese em que um novo PGR ofereça denúncia 
(STF, INQ n. 2.028).
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1 .2 .3 . inDEPEnDÊnCia FunCional
Este princípio é muito importante, principalmente dentro do direito processual penal. 
Aqui no constitucional ele também é lembrado, mas acredito que a grande aposta para as 
provas esteja no princípio da unidade.
Avançando, no exercício de suas funções, o membro do MP é livre e independente, não 
ficando sujeito às ordens de seu superior hierárquico ou mesmo de outro Poder. O que há 
é hierarquia no sentido administrativo, mas nunca de índole funcional.
Comentando esse princípio, Alexandre de Moraes, hoje Ministro do STF, diz que:
(...) nem seus superiores hierárquicos podem ditar-lhes ordens no sentido de agir desta ou 
daquela maneira dentro de um processo. Os órgãos de administração superior do Ministério 
Público podem editar recomendações sobre a atuação funcional para todos os integrantes da 
Instituição, mas sempre sem caráter normativo (MORAES, 2008).
Ou seja, o Chefe da Instituição jamais poderá obrigar que aquele primeiro membro do 
MP atue em sentido diverso de seu entendimento.
Vale lembrar que mesmo após o Pacote Anticrime, que promoveu modificações também 
no artigo 28 do CPP (dispositivo que sofreu interpretação conforme a CF no julgamento da 
ADI n. 6.300), a promoção de arquivamento do IP também passa pelo crivo do PGJ ou da 
instância de revisão ministerial. Em qualquer dos casos, não se poderia obrigar o promotor 
a atuar contra a sua convicção.
1 .3 . PrinCÍPio Do ProMotor natural1 .3 . PrinCÍPio Do ProMotor natural
De antemão, lembre-se: existe o princípio do juiz natural (artigo 5º da Constituição); 
existe o princípio do defensor natural (artigo 4º-A da LC n. 80/94), mas não existe o 
princípio do delegado natural.
Agora é hora de falarmos sobre o princípio do promotor natural.
Embora haja certa resistência (minoritária), prevalece a orientação segundo a qual também 
se admite o princípio do promotor natural. Ele decorreria da norma contida no art. 5º, inciso 
LIII (“ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente”).
No STF, a questão referente à existência do princípio do promotor natural não é pacífica. 
No ano de 1992, houve julgamento do Plenário, no qual quatro Ministros defenderam 
a inexistência desse princípio. No entanto, as decisões mais recentes mencionam a sua 
existência, razão pela qual acredito ser essa a posição atual do Tribunal (STF, HC n. 95.447).
Mas o que se entenderia pelo princípio do promotor natural? Ele não se choca com o 
princípio institucional da indivisibilidade?
Como você viu logo acima, um membro do MP pode ser substituído pelo outro, pois quem 
atua é a instituição, e não a pessoa. A partir disso, criou-se um entendimento (minoritário) 
no sentido de que não haveria o princípio do promotor natural.
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Contudo, o que se impede é a figura do promotor de exceção, que a partir de manipulação 
casuística, recebe uma designação específica, em nítido caráter de perseguição (STF, HC 
n. 136.503).
Exemplificando, pense aí que um grande criminoso, já conhecido pelos Promotores 
da Capital, pratique um crime de homicídio doloso numa pequena cidade no interior 
daquele Estado.
Naquela longínqua Comarca, o Promotor que atua acabou de ingressar na instituição. 
Então, “para não perder o júri”, o MP designa seu melhor quadro para não deixar escapar 
uma sentença de condenação.
Note que no bizarro exemplo por mim criado o Promotor experiente no júri foi mandado 
“por encomenda” para aquela Comarca, a fim de participar apenas do julgamento do 
“bandidão”.
Mas suponhamos que o MP estadual tenha instituído um grupo de apoio para atuar 
em situações complexas, envolvendo, por exemplo, crimes praticados por organizações 
criminosas.
Nesse caso, será que o PGJ poderia enviar os membros desse grupo de apoio, afastando 
o promotor natural da comarca?
A questão foi enfrentada pelo Plenário do STF, tendo o tribunal entendido que o PGJ 
pode avocar funções afetas a outro membro do MP, mas isso dependeria de dois fatores: 
a) concordância do promotor natural; e b) deliberação do Conselho Superior – antes da 
avocação e depois da aceitação (STF, ADI n. 2.854).
O princípio do Promotor Natural impede a figura do promotor de exceção, que a partir de 
manipulação casuística, recebe uma designação específica, em nítido caráter de perseguição.
1 .4 . autonoMia FunCional, aDMinistratiVa E orÇaMEntÁria1 .4 . autonoMia FunCional, aDMinistratiVa E orÇaMEntÁria
Em relação à autonomia administrativa, a Constituição prevê que o MP poderá propor 
ao Poder Legislativo a criação e extinção de seus cargos e serviços auxiliares, provendo-os 
por concurso público de provas ou de provas e títulos, política remuneratória e os planos 
de carreira.
É com base na autonomia deferida pela Constituição que o STF assentou o entendimento 
segundo o qual o Ministério Público não se submete a controle interno, feito pelo Executivo 
(STF, ADI n. 2.513).
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Ao contrário, essa instituição, assim como todo o Poder Público, está sujeito ao controle 
externo, realizado pelo Legislativo, com o apoio dos Tribunais de Contas, e ao controle feito 
pelo CNMP.
Fique atento a um detalhe: você lembra que cargos e órgãos públicos são criados por 
lei, certo?
Pois é, em razão disso, foi declarada a inconstitucionalidade de lei estadual que permitia 
a criação de Procuradorias e de Promotorias de Justiça, por meio de ato infralegal editado 
pelo Procurador-Geral de Justiça. Ao invés de ato infralegal, a criação desses órgãos deveria 
ser feita por lei (STF, ADI n. 1.757).
Quanto à autonomia financeira, assim como acontece em relação ao Poder Judiciário, 
o próprio MP é responsável pela elaboração de sua proposta orçamentária, obviamente 
dentro dos limites estabelecidos na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias).
Sobre o tema, entende-se que o MP pode deflagrar o processo legislativo de lei concernente 
à política remuneratória e aos planos de carreira de seus membros e servidores. Em outras 
palavras, é dele a iniciativa para projetos de lei de seu interesse (STF, ADI n. 603).
Ah, tal qual acontece com aspropostas de iniciativa do Executivo e do Judiciário, não 
cabe emenda parlamentar a projeto de lei de iniciativa do Ministério Público que importe 
aumento de despesa (ADI n. 4.075).
Repare um ponto: foi declarada a inconstitucionalidade de uma lei estadual, ao argumento 
de que ela (a norma) não poderia fazer “compreender na autonomia financeira do Ministério 
Público a competência para elaborar o seu próprio orçamento, sem a participação do Poder 
Legislativo” (STF, ADI n. 1.757). Ou seja, em matéria de orçamento, o MP – assim como o 
Judiciário e a Defensoria – apenas envia a proposta para ser consolidada pelo Executivo e, 
a partir daí, ser votada a LOA pelo Legislativo.
Ainda dentro da autonomia conferida pela CF, o STF entende ser constitucional dispositivo 
de Constituição Estadual que assegura ao MP a autonomia financeira e a iniciativa do PGJ 
para propor ao Legislativo a criação e a extinção de cargos e serviços auxiliares, bem como 
a fixação dos vencimentos dos membros e servidores (Informativo n. 907 do STF).
Agora imagine a seguinte situação: o PGJ de determinado MP Estadual indefere o 
pagamento de gratificação a servidores do órgão. Acontece que essa decisão é reformada 
por outra, proferida pelo Colégio de Procuradores do mesmo MP.
Então, ao ser acionado, o CNMP revoga o ato do Colégio de Procuradores, restabelecendo 
a decisão do PGJ.
Só que esse “balaio de gatos” não tem fim, e o sindicato dos servidores resolve ir ao 
STF, buscando o pagamento da gratificação aos servidores.
Ao julgar, o Tribunal primeiro reafirmou a orientação de que não existe direito ao duplo 
grau de jurisdição na instância administrativa.
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Na sequência, foi decidido que exatamente em razão da ausência do duplo grau, nem o 
CNMP, nem o Colégio de Procuradores seriam competentes para rever ou modificar atos de 
natureza discricionária do Procurador-Geral, no âmbito de seu poder de gestão e administração 
da unidade ministerial, quando tais atos respeitem a legalidade, a proporcionalidade e a 
moralidade (STF, MS n. 34.472).
Ainda dentro do tema autonomia do Ministério Público, o STF declarou a 
inconstitucionalidade de emenda à Constituição de Rondônia, que ampliou o rol de autoridades 
a serem investigadas e processadas, no âmbito cível, pelo PGJ.
O dispositivo questionado dizia competir exclusivamente ao PGJ promover o inquérito 
civil público e a ação civil pública para a proteção do patrimônio público e social, do meio 
ambiente e de outros interesses difusos e coletivos quando praticados pelo governador do 
estado, pelos membros do Legislativo, Judiciário, Tribunal de Contas, Ministério Público e 
da Defensoria Pública.
O problema é que a emenda à Constituição invadiu competência reservada ao Presidente 
da República (normas gerais de organização do MP) e atribuição dada privativamente ao 
chefe do MP Estadual, de elaborar projeto de lei complementar.
Para piorar, houve ampliação das regras previstas na Lei n. 8.625/93, segundo as quais 
se garante a atribuição do PGJ para propor o ICP e a ACP por atos do governador do estado, 
do presidente da Assembleia Legislativa ou dos presidentes de tribunais.
Assim, ao alargar a atuação do PGJ, o dispositivo estadual violou as normas constitucionais 
(STF, ADI n. 5.281).
Mais uma polêmica: a Lei n. 10.001/2000 trazia a previsão de prioridade na tramitação 
de processos e procedimentos decorrentes de relatórios das CPIs.
Daí a PGR foi ao STF alegando inconstitucionalidade ao argumento de que a lei violava 
a independência funcional do Ministério Público.
Porém, o Tribunal rejeitou o pedido e confirmou a validade da norma, pontuando 
que, embora influencie indiretamente o trabalho do Ministério Público, a prioridade no 
processamento das conclusões da CPI não fere a autonomia do órgão.
Pesaram na decisão a importância e o interesse público do trabalho das CPIs, inseridas na 
função fiscalizatória do Congresso Nacional sobre a administração pública, viabilizando uma 
das facetas do sistema de freios e contrapesos, essencial à democracia (STF, ADI n. 5.351).
Por falar em CPI, o STF declarou a inconstitucionalidade de dispositivo da Constituição 
da Bahia, que previa a possibilidade de a CPI convocar o PGJ (chefe do Ministério Público 
estadual) e dirigentes da administração indireta. A norma previa, inclusive, a responsabilização 
por crime de responsabilidade em caso de descumprimento ao chamado da CPI.
Na ocasião, prevaleceu a ideia de que deveria ser respeitada a simetria com o artigo 50 
da CF, o qual permite a convocação de ministros de Estado ou titulares de órgão diretamente 
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subordinados ao chefe do Poder Executivo. Ah, CPI estadual não pode convocar o PGJ, 
mas pode convocar o PGE (chefe da advocacia pública estadual), por estar subordinado 
diretamente ao governador (STF, ADI n. 6.651).
1 .5 . 1 .5 . DiFErEntEs raMos EXistEntEs no MinistÉrio PÚBliCoDiFErEntEs raMos EXistEntEs no MinistÉrio PÚBliCo
Além do Ministério Público da União (MPU), existe também o Ministério Público Estadual 
(MPE) e aquele que atua junto aos Tribunais de Contas (MP/Contas).
De outro lado, convém alertar que não existe Ministério Público municipal – também 
não há Judiciário ou Defensoria Pública na esfera municipal.
O MPU abrange quatro ramos:
a) Ministério Público Federal – MPF;
b) Ministério Público do Trabalho – MPT;
c) Ministério Público Militar – MPM;
d) Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios – MPDFT.
Um detalhe: os membros do MPT atuam dentro da estrutura da Justiça do Trabalho, 
nos diferentes graus de jurisdição. Eles têm legitimidade para atuar junto ao TST, mas não 
junto ao STJ. Neste último tribunal, quem atua são os Subprocuradores-Gerais da República, 
integrantes do MPF (STJ, CC n. 122.940).
Eu já falei isso anteriormente, mas vou repetir: agora, prevalece no STF a orientação 
de que cabe ao CNMP dirimir conflito de atribuições entre membros do Ministério Público 
Federal e do Ministério Público Estadual (STF, ACO n. 843).
Vou cuidar primeiro do MP/Contas, pois ele merece tratamento especial.
1.5.1. MINISTÉRIO PÚBLICO JUNTO AOS TRIBUNAIS DE CONTAS (MP/CONTAS)
De acordo com o artigo 130 da Constituição, aos membros do Ministério Público junto 
aos Tribunais de Contas se aplicam as mesmas disposições pertinentes a direitos, vedações 
e forma de investidura inerentes aos outros membros do MP.
Um ponto importantíssimo: o MP/Contas não se insere na estrutura do MP comum, 
sejam os dos Estados, seja o da União.
Em razão disso, não podem os membros do MP Estadual atuar junto ao Tribunal de 
Contas, ainda que transitoriamente (STF, MS n. 27.339).
Diferentemente do que acontece com o MPU e com o MP Estadual, o MP de Contas não 
detém legitimidade para propor reclamação perante o STF (RCL n. 24.162).
Além disso, também se entende que o MP/Contas estadual não dispõe das garantias 
institucionais pertinentes ao Ministério Público comum dos Estados-membros, 
notadamente das prerrogativas que concernem à autonomia administrativa e financeira, 
ao processo de escolha, nomeação e destituição de seu titular e ao poder de iniciativa dos 
projetos de lei relativos à sua organização (STF, ADI n. 2378).
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Exatamente por isso, será válida norma estadual que não preveja lista tríplice para a 
escolha do Procurador-geral do MP-Contas.
O caso que chegou ao STF tratava de lei amazonense, segundo a qual o Procurador-
Geral seria escolhido pelo Governador, entre os integrantes da carreira – nada se falou 
sobre lista tríplice.
Daí, o tribunal lembrou que os membros do MP de Contas possuem apenas as cláusulas de 
garantias subjetivas (vitaliciedade, inamovibilidade, irredutibilidade, independência funcional, 
forma de ingresso na carreira). Ficariam de fora as demais prerrogativas institucionais 
asseguradas ao Ministério Público comum, como a autonomia administrativa, financeira 
e orçamentária. De igual modo, também não precisaria ser observado o rito relativo ao 
processo de escolha, nomeação e destituição do Procurador-Geral do Ministério Público 
comum (STF, ADI n. 4.427).
É pela falta de autonomia que cabe ao respectivo Tribunal de Contas a iniciativa de 
projetos de lei de interesse do MP/Contas. Isso é o oposto do MP comum, que conta com 
o poder de dar o start nos projetos de lei de seu interesse.
Só mais uma coisinha...
Existe o MP/Contas atuando junto ao TCU, TCE e TCDF, mas não junto ao TCM-SP e o 
TCM-RJ (órgãos municipais). Quanto a esses últimos, o STF entendeu que não precisa ser 
criado Ministério Público especial.
Prevaleceu a ideia de que não faria sentido falar em simetria aos modelos federal e 
estadual na medida em que na esfera municipal não existe Ministério Público, Defensoria 
Pública ou Judiciário (STF, ADPF n. 292).
1 .5 .2 . CHEFia Do MPu
Um alerta inicial: depois de tratar das chefias do MPU e do MPE/MPDFT eu farei um 
quadro comparativo para facilitar a visualização, ok?
O chefe do MPU é o Procurador-Geral da República – PGR. Ele é nomeado pelo Presidente 
da República, dentre integrantes da carreira, com mais de 35 anos, após a aprovação de 
seu nome pela maioria absoluta dos membros do Senado Federal, para mandato de dois 
anos, permitida a recondução.
Note que não há limitação no número de reconduções. Ou seja, pode o PGR ser 
reconduzido ao cargo quantas vezes o Presidente da República quiser. Contudo, em todas 
as reconduções será necessária a aprovação pelo Senado.
Para tentar ajudar – talvez você não se lembre –, quando o Brasil era presidido por Fernando 
Henrique Cardoso, o então PGR, Geraldo Brindeiro, ficou oito anos consecutivos no cargo.
Outra coisa: na escolha do PGR não há elaboração de lista tríplice. Apenas se exige 
que a indicação recaia sobre um integrante da carreira.
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Daí você me fala; “Professor, eu vi no noticiário que foi elaborada uma lista tríplice 
recentemente para a escolha do novo PGR”.
Pois é, o que acontece é que informalmente a Associação Nacional dos Procuradores da 
República – ANPR – elabora uma lista como espécie de sugestão ao Presidente da República.
Desde o primeiro mandato do Presidente Lula, passando por Dilma e por Temer, o 
escolhido sempre foi algum dos integrantes da lista.
Daí, em 2019, quando Bolsonaro assumiu a Presidência, chegou a hora de substituir a 
então PGR, Raquel Dodge.
Novamente a ANPR encaminhou uma lista tríplice, mas a escolha presidencial recaiu sobre 
o Subprocurador-Geral Augusto Aras, que estava fora da lista. Alguma ilegalidade? Nenhuma.
Repito: não há obrigatoriedade de o Presidente escolher um nome da lista.
Avançando, antes do término do prazo de dois anos, é possível a destituição do PGR, 
que dependerá de iniciativa do Presidente da República e de autorização de maioria 
absoluta do Senado.
Veja que o Senado e o Presidente participariam do processo de escolha e também de 
destituição antes do término do biênio.
Cabe, ainda, lembrar que o PGR será o Presidente do Conselho Nacional do Ministério 
Público, sendo membro nato. Em outras palavras, o tempo em que ele ficar como PGR 
permanecerá à frente do CNMP.
Na escolha do PGR não há formação de lista tríplice. O nome indicado pelo Presidente da 
República precisa ser sabatinado por maioria absoluta do Senado Federal.
1 .5 .3 . CHEFia Dos MPEs E Do MPDFt
Tanto no âmbito estadual quanto no Distrito Federal o Ministério Público é chefiado 
pelo Procurador-Geral de Justiça – PGJ.
Diferentemente do que você viu com o PGR, aqui há lista tríplice. Ela deve ser elaborada 
entre integrantes da carreira, sendo que todos os membros (Promotores e Procuradores 
de Justiça) participam da votação.
Formada a lista, ela é encaminhada para o Chefe do Poder Executivo para que faça a 
escolha de um nome. O indicado terá mandato de dois anos, permitida uma recondução.
Você notou quando eu falei que a escolha caberia ao Chefe do Executivo, e não ao 
Governador?
É que só caberá ao Governador fazer a escolha se estivermos tratando de MP Estadual.
Contudo, no caso do MPDFT, cabe ao Presidente da República indicar um nome entre 
os integrantes da lista. Isso porque, como você viu, o MPDFT é um dos ramos do Ministério 
Público da União.
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Mas pera aí... e se o Chefe do Executivo não escolher um dos integrantes de lista 
tríplice dentro do prazo de 15 dias?
Nessa situação, aplica-se o § 4º do artigo 9º da Lei n. 8.625/93 (Lei Orgânica Nacional 
do Ministério Público), segundo o qual haverá a investidura automática do membro mais 
votado da lista tríplice para PGJ.
Essa regra foi questionada junto ao STF, mas o Tribunal entendeu que a lei é válida e 
cria um rito excepcional para solucionar “uma situação anômala de omissão” do chefe do 
Poder Executivo (STF, ADI n. 2.611).
Em nova diferença em relação ao PGR, o PGJ só pode ser reconduzido uma vez. A 
propósito, o STF já decidiu que será inconstitucional norma estadual que permita reconduções 
sucessivas (STF, ADI n. 3.077).
Também é possível a destituição do PGJ antes do prazo de dois anos. O § 4º do artigo 
128 da CF prevê que os Procuradores-Gerais nos Estados e no Distrito Federal e Territórios 
poderão ser destituídos por deliberação da maioria absoluta do Poder Legislativo.
Um ponto importantíssimo para as provas: o STF entende ser inconstitucional norma 
da Constituição Estadual que preveja a participação da Assembleia Legislativa na escolha 
do PGJ (STF, ADI n. 452).
Aliás, também de declarou a inconstitucionalidade de outra norma estadual, que 
previa que, vagando o cargo de PGJ no curso do biênio, o novo titular apenas completaria 
o período restante, e não iniciando novo biênio (STF, ADI n. 1.783).
Mas lembre-se que o inferno tem subsolo e que a criatividade do legislador às vezes 
não tem limites...
Por meio da iniciativa parlamentar (erro 1, vício de iniciativa, que seria do Procurador-
Geral, regulada por lei complementar), alterou-se a Constituição do Estado de Rondônia 
para prever que a escolha do PGJ seria restrita por meio de votação em turno único, sem 
formação de lista tríplice (erro 2, a lista é obrigatória), restritaa membros vitalícios (erro 
3, não há essa limitação), sem passar pelo Governador (erro 4, é o Chefe do Executivo quem 
escolhe). Ou seja, estava tudo errado (STF, ADI n. 5.653).
De acordo com o § 5º do artigo 128 da CF, leis complementares da União e dos Estados, 
cuja iniciativa é facultada aos respectivos Procuradores-Gerais, estabelecerão a organização, 
as atribuições e o estatuto de cada Ministério Público.
É exatamente por essa razão que as normas estaduais não podem nascer de iniciativa 
parlamentar, mesmo que essa mudança seja feita por meio de emenda à Constituição 
(STF, ADI n. 5.171).
Por falar nas normas gerais de organização do MP, você viu aí em cima que é necessária 
a elaboração de lei complementar, certo?
Pois é, em razão disso, foi declarada a inconstitucionalidade formal de lei ordinária 
estadual que organizava o Estatuto dos membros do Ministério Público do Rio Grande do Sul.
Como miséria pouca é bobagem, a mesma lei também foi declarada inconstitucional 
(agora, por vício material), porque permitia que membros do MP estadual atuassem em 
comissões de sindicância e de PAD estranhos ao órgão ministerial. Ou seja, o membro do 
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MP ia bisbilhotar fora de suas funções. Daí, você precisa lembrar que ele, ainda que em 
disponibilidade, só pode acumular a função com uma de magistério (STF, ADI n 3.194).
Outra coisa: é constitucional lei complementar estadual que preveja competir 
exclusivamente ao PGJ a interposição de recursos perante o STF e o STJ (STF, ADI n. 5.505).
Na escolha do PGJ há formação de lista tríplice, mas não existe a previsão de sabatina 
do nome. Será inconstitucional norma da Constituição Estadual que exija aprovação da 
Assembleia Legislativa.
1 .5 .4 . QuaDro CoMParatiVo EntrE PGr E PGJ
Algumas linhas aí para cima avisei que faria um quadro comparando os critérios de 
escolha dos Chefes do MPU e do MPE/MPDFT. Chegou a hora!
DIFERENÇA ENTRE PGR e PGJ
CRITÉRIO PGR PGJ
O que o cargo significa? É o chefe do MPU É o chefe do MP Estadual e do MPDFT
Quem escolhe?
É escolhido pelo Presidente da 
República entre integrantes da 
carreira
É escolhido pelo Chefe do Executivo, 
entre integrantes de lista tríplice 
elaborada por toda a carreira.
MPE: Governador escolhe
MPDFT: Presidente escolhe
Há lista tríplice? Não Sim
Há sabatina pelo órgão 
do Legislativo (Senado ou 
Assembleia Legislativa)?
Sim, pelo voto de maioria 
absoluta dos Senadores, em 
votação secreta
Não! Se norma estadual previr 
sabatina, será inconstitucional.
É possível a destituição 
antes do término do biênio?
Sim
Dependerá de iniciativa do 
Presidente da República e de 
autorização de maioria absoluta 
do Senado.
Sim
Dependerá de autorização de maioria 
absoluta dos membros do Legislativo 
(AL no caso dos Estados e Senado para 
o MPDFT).
1 .6 . 1 .6 . Foro Por PrErroGatiVa DE FunÇÃoForo Por PrErroGatiVa DE FunÇÃo
É do Tribunal de Justiça a competência para julgar todos os membros do Ministério 
Público Estadual nos crimes comuns e de responsabilidade, ressalvada a competência da 
justiça Eleitoral.
Agora quanto aos membros do MPU é a hora que a porca torce o rabo...
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Antes de detalhar as regras, eu lembro que o MPU possui quatro ramos, a saber: MP 
Federal; MP do Trabalho; MP Militar; e MPDFT.
Veja como fica:
1) O PGR, chefe da instituição, será julgado, nos crimes comuns, pelo STF e, nos crimes 
de responsabilidade, pelo Senado.
2) Os membros do MPU que atuem perante Tribunais (de 2ª instância ou Superiores) 
serão julgados, nos crimes comuns + responsabilidade, pelo STJ.
3) Os membros do MPU que atuam na primeira instância serão julgados, nos crimes 
comuns + responsabilidade, pelo respectivo TRF (sempre ressalvada a competência da 
Justiça Eleitoral).
Cuidado com uma particularidade: os membros do MPDFT recebem o mesmo nome dos 
membros do MP Estadual. Ou seja, temos Promotores de Justiça, Procuradores de Justiça 
e o Procurador-Geral de Justiça.
E, embora o TJDFT também seja organizado e mantido pela União, o STF, invocando o 
princípio da especialidade, entendeu que não cabe ao TJ julgar os membros do MPDFT. 
Em outras palavras, os membros de nenhum dos ramos do MPU serão julgados pelos TJs 
(STF, RE n. 418.852).
Dito isso, eles serão julgados pelo TRF (Promotores de Justiça) ou pelo STJ (Procuradores 
de Justiça e o Procurador Geral de Justiça).
Outra coisa: tanto aí em cima quanto no quadro aqui de baixo, você vai ver que somente 
para quem é julgado na 2ª instância – TJ ou TRF – é que se ressalva a competência da 
Justiça Eleitoral. Logo, as autoridades com foro perante o STF ou STJ serão julgadas nesses 
Tribunais mesmo nos crimes eleitorais. Para eles, vale a máxima segundo a qual “infrações 
penais comuns” abrange crimes comuns, crimes eleitorais, crimes militares e contravenções 
penais (STF, RCL n. 511).
Sistematizando:
FORO PARA JULGAMENTO DE MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO
Ministério Público ESTADUAL Ministério Público da UNIÃO
PGJ
Em crime comum TJ
PGR
Em crime comum STF
Em crime de responsabilidade TJ
Em crime de 
responsabilidade
Senado 
Federal
Se atuar em 2ª instância TJ, exceto crime eleitoral
Se atuar em tribunal
(2ª instância ou superior)
STJ
Se atuar em 1ª instância TJ, exceto crime eleitoral Se atuar na 1ª instância
TRF, exceto 
crime eleitoral
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Os membros do MPDFT que atuam na primeira instância (Promotores de Justiça) serão 
julgados pelo TRF. Já os que trabalham na 2ª instância (Procuradores de Justiça) respondem 
perante o STJ.
1 .7 . Garantias1 .7 . Garantias
As garantias e vedações do Ministério Público seguem, em linhas gerais, as mesmas 
regras já estudadas em relação ao Poder Judiciário. É claro que as diferenças, embora sutis, 
são perguntadas nas provas.
Vamos começar pelas garantias!
1 .7 .1 . VitaliCiEDaDE
É adquirida após dois anos de efetivo exercício, para aqueles que ingressam, mediante 
concurso público, na 1ª instância.
Lembro, ainda, que os conceitos de vitaliciedade e de titularidade não se confundem. 
Desse modo, pode um Promotor titular não ser vitalício, assim como pode um Promotor já 
vitalício ainda ser substituto.
Por outro lado, vitaliciedade e estabilidade apresentam algumas distinções. Para se 
olhar para apenas uma delas, o prazo para a aquisição da estabilidade é bem maior – 3, e 
não 2 anos.
Fique atento, pois os detentores de vitaliciedade (Magistrados, Membros do Ministério 
Público e dos Tribunais de Contas) mantêm as prerrogativas do cargo após a aposentadoria, 
mas uma delas – talvez a mais importante para as provas – não é mantida: o foro especial.
Então, pedimos sua atenção porque o STF entende que, com a aposentadoria, acaba o 
foro por prerrogativa de função. Exemplificando, um Procurador-Geral da República que 
estivesse respondendo à ação penal perante o STF, caso se aposente, o processo passará 
a tramitarna 1ª instância (STF, RE n. 549.560)!
1 .7 .2 . inaMoViBiliDaDE
Os membros do MP não podem ser removidos de ofício, salvo se houver motivo de 
interesse público. A decisão para afastar a inamovibilidade do membro do MP será tomada 
pela maioria absoluta dos membros do próprio órgão ou do CNMP. Fique de olho, pois esse 
quórum era de 2/3 até a EC n. 45/04.
Acerca do tema, os artigos 216 a 218 da LC n. 75/93 (Lei Orgânica do MP) preveem que 
os membros do MP são designados para atuar nos ofícios, pelo prazo de dois anos.
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Porém, essa fixação de prazo foi questionada no STF, pois se alegava a possibilidade de 
remoção dos membros de suas funções de forma indevida, caso, por exemplo, estivessem 
incomodando algum poderoso.
Ao julgar o caso, o STF seguiu o voto do Relator, segundo o qual deveria ser afastada 
qualquer interpretação que possa implicar remoção de procuradores da República de seu 
ofício de lotação (STF, ADI n. 5.052).Um ponto de alerta: com a EC 130/2023, agora existem 
dois tipos de remoção de Magistrados (e, consequentemente, de membros do MP). Veja:
HIPÓTESES DE REMOÇÃO DE MAGISTRADOS E MEMBROS DO MP
Remoção a pedido
(artigo 93, VIII-A)
Remoção determinada
(artigo 93, VIII)
A remoção a pedido de magistrados (e de membro 
do MP), de comarca de igual entrância atenderá, no 
que couber, ao disposto no inciso II do artigo 93, e no 
art. 94 da Constituição.
O ato de remoção ou de disponibilidade do membro 
do MP, por interesse público, fundar-se-á em decisão 
por voto da maioria absoluta do respectivo órgão ou 
do CNMP, assegurada ampla defesa.
- Precisa ser para comarca de igual entrância e leva 
em consideração os parâmetros para a promoção, 
seja por antiguidade ou merecimento.
- Pode aplicada a Procuradores de Justiça (membros 
do 2º grau).
- É uma hipótese de punição, ao lado da disponibilidade. 
Depende de decisão de maioria absoluta do próprio 
órgão ou do CNMP.
1 .7 .3 . irrEDutiBiliDaDE DE suBsÍDios
Nesse ponto, destaca-se a observância do teto do funcionalismo e o pagamento 
de tributos.
Ah, importante lembrar que verbas de caráter indenizatório (exemplo, férias pagas 
em pecúnia) não se submetem ao teto constitucional.
Com a aposentadoria do Magistrado ou membro do Ministério Público termina o foro especial 
e também a proibição para a dedicação a atividades político-partidárias.
1 .8 . ProiBiÇÕEs1 .8 . ProiBiÇÕEs
Se, de um lado, a Constituição assegura um leque de garantias, de outro consagra 
diversas vedações, justificadas pela importante função exercida por esses agentes estatais.
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Veja as principais proibições previstas no artigo 128, § 5º, II, bem assim as pontuações 
que diferenciam os membros do MP dos Magistrados:
1 .8 .1 . EXErCÍCio DE outro CarGo ou FunÇÃo
Veda-se o exercício de outro ofício ou profissão, ainda que em disponibilidade, salvo 
uma de Magistério.
Quando se fala “salvo uma de Magistério”, não há uma restrição numérica, mas, sim, 
ligada à compatibilidade de horários, para que não haja prejuízo à função (STF, ADI n. 3.126).
Lá no Poder Judiciário citei resolução do CNJ, por meio da qual se entendeu pela proibição 
do exercício de atividades de coaching, mentoria ou similares aos juízes (Resolução n. 
226/2016).
Pois é, em fevereiro de 2021 foi a vez de o CNMP editar ato normativo semelhante, 
proibindo as mesmas atividades aos integrantes do Ministério Público. As alterações 
foram incorporadas à Resolução n. 73/2011.
Ainda com base nesse dispositivo, proíbe-se que membros do Ministério Público ocupem 
cargos que estejam fora da estrutura da própria instituição (STF, ADI n. 3.574).
Tente aí puxar pela memória um acontecimento relativamente recente: a então Presidente 
Dilma, já mais para o final do mandato, indicou para o cargo de Ministro da Justiça um 
Procurador de Justiça do MP/BA.
Dentro da proibição ora comentada, decidiu-se que para ocupar o cargo de Ministro de 
Estado ele deveria abandonar o MP/BA, o que não aconteceu.
Então, a Ex-Presidente nomeou outro membro do MP para o cargo de Ministro da Justiça. 
A diferença é que o escolhido, o Subprocurador-Geral da República Eugênio de Aragão, havia 
ingressado no MP antes de 1988, não lhe sendo imposta a proibição (STF, ADPF n. 388).
Ah, considerando o entendimento do STF no sentido de que, na acumulação lícita de 
cargos públicos, deve ser observado o teto de remuneração em cada cargo isoladamente 
e não na somatória dos valores, é possível que, na prática, os ganhos do membro do MP 
superem o subsídio mensal pago aos Ministros do STF.
1 .8 .2 . QuarEntEna DE saÍDa
Todo cuidado é pouco aqui, pois são muitas questões cobrando este assunto: você viu 
que são exigidos três anos de atividade jurídica para o ingresso na carreira (quarentena 
de entrada).
Agora é hora de vermos a quarentena de saída, que nada mais é do que o período em 
que se proíbe que o membro do MP exerça a advocacia no juízo ou Tribunal no qual 
oficiava, também pelo período de três anos.
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Note que a restrição alcança o Tribunal de onde o membro oficiava, ainda que a Corte 
tenha jurisdição em todo o território nacional. Assim, poderia o PGR após a sua aposentadoria 
advogar em processos na 1ª instância, sem a necessidade de aguardar o triênio.
1.8.3. DEDICAÇÃO A ATIVIDADES POLÍTICO-PARTIDÁRIA
Para os Magistrados, essa vedação já estava prevista desde o texto original da 
Constituição, do ano de 1988. Por sua vez, a proibição só alcançou os membros do Ministério 
Público com a EC n. 45/04.
Tem mais: o STF entende que a vedação ao exercício de atividade político-partidária 
constitui causa absoluta de inelegibilidade, impedindo tanto a filiação a partidos políticos 
quanto a disputa de qualquer cargo eletivo, não importando se o membro ingressou no 
MP antes ou após a EC n. 45/04. A proibição não continua em caso de aposentadoria ou 
exoneração (STF, ADI n. 2.534).
1 .8 .4 . EXErCÍCio Da aDVoCaCia E rECEBiMEnto DE Custas ou HonorÁrios
Note que os membros do Ministério Público não podem exercer a advocacia nem mesmo 
em causa própria (STF, HC n. 76.671).
A proibição, contudo, encontra uma exceção: os membros que ingressaram antes da 
Constituição de 1988 puderam optar entre a vitaliciedade e a estabilidade.
A quem optou pela estabilidade, foi permitido o exercício da advocacia.
Tirando tal excepcionalidade, também não poderá haver o recebimento de honorários, 
percentagens ou custas processuais.
1 .9 . FunÇÕEs instituCionais1 .9 . FunÇÕEs instituCionais
Esse é o ponto alto das provas relacionadas ao Ministério Público. O artigo 129 lista 
algumas atribuições, chamando-as de funções institucionais.
Vou apresentar cada uma delas e fazer comentários às mais importantes:
I – promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei;
Vamos por partes! O MP é o titular da ação penal pública.

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