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DIREITO CONSTITUCIONAL Funções Essenciais à Justiça Livro Eletrônico Presidente: Gabriel Granjeiro Vice-Presidente: Rodrigo Calado Diretor Pedagógico: Erico Teixeira Diretora de Produção Educacional: Vivian Higashi Gerente de Produção Digital: Bárbara Guerra Coordenadora Pedagógica: Élica Lopes Todo o material desta apostila (incluídos textos e imagens) está protegido por direitos autorais do Gran. Será proibida toda forma de plágio, cópia, reprodução ou qualquer outra forma de uso, não autorizada expressamente, seja ela onerosa ou não, sujeitando-se o transgressor às penalidades previstas civil e criminalmente. CÓDIGO: 240606026995 ARAGONÊ FERNANDES Juiz de Direito do TJDFT. Foi promotor de Justiça do MPDFT. Foi assessor de ministros em Tribunais Superiores. Aprovado em diversos concursos. Professor de Direito Constitucional exclusivo do Gran. Coordenador da Gran Pós. Autor de obras jurídicas. Fundador do Canal Sai Pobreza. Palestrante. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 3 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes SUMÁRIO Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 Funções Essenciais à Justiça . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 1. Ministério Público . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 1.1. Considerações Iniciais e Ingresso na Carreira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 1.2. Princípios Institucionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 1.3. Princípio do Promotor Natural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 1.4. Autonomia Funcional, Administrativa e Orçamentária . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 1.5. Diferentes Ramos Existentes no Ministério Público . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 1.6. Foro por Prerrogativa de Função . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 1.7. Garantias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24 1.8. Proibições . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 1.9. Funções Institucionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27 1.10. Conselho Nacional do Ministério Público – CNMP . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 2. Advocacia Pública . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38 2.1. Defensor Legis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 3. Advocacia Privada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 4. Defensoria Pública . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 4.1. Princípios Institucionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56 4.2. Autonomia Administrativa, Funcional e Orçamentária . . . . . . . . . . . . . . . . . 56 4.3. Foro por Prerrogativa de Função . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58 4.4. A Atuação da Defensoria Pública nas Tutelas Coletivas . . . . . . . . . . . . . . . . . 59 4.5. A Percepção de Honorários Advocatícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59 5. Quadro Comparativo entre Pontos Principais das Funções Essenciais à Justiça 60 6. Tópico Especial: Súmulas Aplicáveis à Aula . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 Questões de Concurso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62 Gabarito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66 Gabarito Comentado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 4 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes aPrEsEntaÇÃoaPrEsEntaÇÃo As Funções Essenciais à Justiça são tratadas logo após o Poder Judiciário – ao longo dos artigos 127 a 135 da Constituição. Elas abrangem o Ministério Público, a Advocacia – pública e privada – e a Defensoria Pública. É aqui que começam as perguntas em provas, colocando outros órgãos e entidades no rol aí de cima. Se você olhasse as provas de alguns anos atrás, veria uma grande proeminência de questões sobre o MP em detrimento da Defensoria Pública e da Advocacia (pública ou privada). Hoje em dia essa disparidade é bem menor. A advocacia pública, por exemplo, tem sido explorada em diversas questões, relativamente simples. Isso também acontece com a Defensoria Pública, instituição que ganhou muito relevo nos últimos anos. Aliás, não sei se você sabe, mas quando parti para os concursos de alto rendimento na área jurídica queria ser Defensor Público. O curioso é que passei para Defensor, para Promotor e para Juiz, mas o único cargo em que não tomei posse foi exatamente o de Defensor... A razão para isso? Defensor Público era no querido Estado do Rio Grande do Sul, enquanto Promotor e Juiz eram no DF, minha terra natal (nas aulas você notará um sotaque nordestino, fruto da convivência com um monte de paraibanos lá de casa – tenho orgulho de minhas origens!). Acabei ficando apenas alguns meses na Promotoria de Justiça, pois os concursos da Magistratura e do MP caminharam juntos. Foi, sem dúvidas, a decisão mais difícil de minha vida. Confesso que nunca me arrependi da escolha que fiz, pois adoro o meu trabalho, embora ele seja uma árdua tarefa. Essa vida de concurseiro é curiosa! Ah, também aqui, como já deve ser do seu costume, citarei os julgados mais importantes sobre o tema. Venha comigo! As funções essenciais à Justiça são o Ministério Público, a Advocacia (pública e privada) e a Defensoria Pública. Não estão nesse rol o Judiciário ou as Polícias Civil e Militar. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 5 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇAFUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA 1 . MinistÉrio PÚBliCo1 . MinistÉrio PÚBliCo 1 .1 . ConsiDEraÇÕEs iniCiais E inGrEsso na CarrEira1 .1 . ConsiDEraÇÕEs iniCiais E inGrEsso na CarrEira Uma coisa: o Ministério Público também recebe o nome de Parquet – palavra de origem francesa, que remete aos antigos procuradores do rei da França, que ficavam em pé sobre o assoalho (parquet) da sala de audiência. Você ainda pode ouvir expressões como custos legis (fiscal da lei),Logo, é ele quem atuará como órgão acusador. O primeiro ponto que enseja grande discussão é sobre a (im)possibilidade de o MP fazer investigações, coletar provas. Embora o artigo 144 da Constituição diga que cabe exclusivamente à polícia federal e à polícia civil a tarefa de polícia judiciária (responsável pelas investigações), prevaleceu O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 28 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes no STF e no STJ a orientação segundo a qual seriam legítimas as provas coletadas pelo MP (STF, HC n. 91.661). Adotou-se no caso a teoria norte-americana dos princípios implícitos – “quem pode o mais, pode o menos”. Como assim? Ora, se o MP é o titular da ação penal, cabe a ele oferecer a acusação. Mas para isso ele precisa de provas, certo? Então, ele pode requisitar as provas à autoridade policial ou ainda coletá-las diretamente. Afinal, quem pode o mais (acusar), pode o menos (coletar provas para acusar)! De todo modo, não esqueça que a presidência do inquérito policial é atividade privativa do Delegado de Polícia, não podendo ser exercida pelo Ministério Público (STF, RHC n. 81.326). Aragonê, você me disse que o MP é o titular da ação penal. Mas e se ele permanecer inerte, mesmo diante da notícia de um grave crime? É justamente nesses casos que se permite o uso da ação penal privada subsidiária da pública, prevista lá no artigo 5º, LIX, da Constituição. Falando abreviadamente – o assunto é mais afeito ao Processo Penal –, temos quatro tipos de ações penais: a) ação penal pública: subdivide-se em incondicionada (regra em nosso ordenamento); condicionada à representação do ofendido; e condicionada à requisição do Ministro da Justiça (crimes contra o Presidente da República). b) ação penal privada: o particular age com uma queixa-crime. Seria para aqueles crimes em que o maior interessado na condenação seja a própria vítima. Exemplo: crime contra a honra. c) ação penal privada subsidiária da pública: mencionada aí em cima. É aquela possibilidade dada aos cidadãos para que iniciem a ação penal, ante a inércia do órgão acusador (Ministério Público). d) ação penal pública subsidiária da pública: pouco conhecida da grande maioria dos concurseiros. Ela é a possibilidade dada a outro ente público de promover a denúncia diante da inércia do MP. Está presente, por exemplo, no artigo 80 do Código de Defesa do Consumidor. Eu acrescento, por fim, que a peça inicial da ação penal pública é chamada de denúncia, ao passo que na ação penal privada ela recebe o nome de queixa-crime. Ah, mas pera lá: o julgado que você viu aí em cima, sobre o poder de investigação do MP, desagradou os delegados de polícia e agradou o Ministério Público, certo? Pois é, mas depois o jogo virou... Isso porque, ao contrário do que queria a PGR, o STF entendeu pela validade dos dispositivos da Lei n. 12.850/2013 (Lei das Organizações Criminosas) que possibilitam ao delegado O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 29 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes de polícia celebrar acordos de colaboração premiada. Nessa situação, deve ser ouvido o representante do Ministério Público, mas a sua manifestação não terá caráter vinculante. No julgamento, não se acolheu a tese da PGR segundo a qual somente o MP teria legitimidade para oferecer acordos de colaboração premiada, tendo em vista o fato de ser o titular da ação penal pública (STF, ADI n. 5.508). Outra coisa: em agosto de 2018, o STF firmou a compreensão de que cabe prioritariamente ao MP propor a ação de cobrança de multa decorrente de sentença penal condenatória transitada em julgado (STF, ADI n. 3.150). Para contextualizar e facilitar sua compreensão, suponha que a pessoa tenha sido condenada, por roubo, a cumprir pena de cinco anos de reclusão, em regime inicial semiaberto, além do pagamento de 12 dias-multa. Então, o que o Tribunal entendeu foi que essa multa penal – 12 (doze) dias-multa, no meu exemplo – deverá ser cobrada prioritariamente pelo MP, pois continua a ser uma sanção criminal, embora possa ser considerada dívida de valor. Assim, a legitimidade prioritária para a ação de execução seria do Ministério Público, que deveria ajuizar a ação perante a Vara de Execuções Penais (VEP). Entretanto, caso o titular da ação penal, devidamente intimado, não propusesse a execução da multa no prazo de noventa dias, o juiz da execução criminal deveria dar ciência do feito ao órgão competente da Fazenda Pública (federal ou estadual, conforme o caso) para a respectiva cobrança na própria vara de execução fiscal. Pois é, mas se pode complicar, para que facilitar? Digo isso porque o Pacote Anticrime (Lei n. 13.964/2019) alterou o artigo 51 do Código Penal, de modo que na atual redação consta o seguinte: Art. 51. Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será executada perante o juiz da execução penal e será considerada dívida de valor, aplicáveis as normas relativas à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição. Ou seja, pela leitura do Código Penal em sua atualidade, reforçou-se a legitimidade do MP para executar a multa penal, não falando na Procuradoria da Fazenda. Embora se admita a possibilidade de o Ministério Público investigar, a presidência de inquérito policial é ato privativo de Delegado de Polícia. Antes de terminar, uma polêmica: durante muito tempo, houve uma briga envolvendo o Ministério Público x Defensoria Pública, acerca da configuração da sala de audiências. Isso O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 30 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes porque o MP tem garantido na LC n. 75/93 (LOMP) a prerrogativa de se situar no mesmo plano e imediatamente à direita dos magistrados. Então, a Defensoria questionava apontando ofensa à isonomia e paridade de armas. Buscava-se que o MP se sentasse no mesmo plano, especialmente quando atuasse como parte. Ao julgar a ação, o STF entendeu que a regra legal não fere os princípios da isonomia, do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório nem compromete a necessária paridade de armas que deve existir entre a defesa e a acusação. Prevaleceu o entendimento de que a atual posição dos sujeitos processuais na sala de audiências e de julgamento é justificada, seja pela tradição, seja pela diferenciada função desempenhada pelo órgão ministerial como representante do povo, uma vez que atua de forma imparcial para alcançar os fins que lhe foram constitucionalmente conferidos (STF, ADI n. 4.768). Ah, ainda sobre a configuração da sala de audiências, a Lei n. 14.508, promulgada no final de 2022 – logo depois do julgamento do STF – estabelece que os advogados das duas partes deverão se posicionar no mesmo plano e em igual distância para o juiz do caso nas audiências de instrução e julgamento. Prevalece o entendimento de que a lei não interfere em nada o julgamento que você viu aí em cima, na medida em que não falou no MP, apenas se referido aos advogados. II – zelar pelo efetivo respeitodos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia; III – promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos; A promoção do inquérito civil é privativa do Ministério Público. Ou seja, nenhum outro ente público pode presidir o inquérito civil, que serve muitas vezes como preparativo para a ação civil pública. Traçando um paralelo, o inquérito policial é usado para instruir a ação penal pública, enquanto o inquérito civil é usado para dar suporte à ação civil pública. No ano de 2021 o STF declarou a inconstitucionalidade de uma alteração feita no artigo 16 da Lei da Ação Civil Pública (LACP). Com isso, os efeitos de decisão em ação civil pública não devem ter limites territoriais, sob pena de restrição ao acesso à justiça e violação do princípio da igualdade. Para você entender melhor, veja o que dizia o artigo 16: A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, nos limites da competência territorial do órgão prolator, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendo-se de nova prova. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 31 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes As decisões em ações civis públicas estão dentro do processo coletivo e otimizam o acesso à Justiça. O professor Gregório Assagra de Almeida fala em um microssistema processual coletivo, formado pela ação popular, ação civil pública, CDC, mandado de segurança coletivo (adiciono, por conta, o mandado de injunção coletivo e o habeas corpus coletivo).1 Voltando para a decisão do STF, em seu voto, o ministro relator destacou que a alteração de 1997 na Lei da Ação Civil Pública ocorreu na contramão dos avanços na proteção de direitos metaindividuais. Ele pontuou que, a partir da decisão e da coisa julgada, os efeitos e a eficácia da decisão não se confundem com a limitação territorial. Os efeitos têm a ver com os limites da lide. Não se poderia confundir limitação territorial de competência com os efeitos. Fixada a competência de um caso, a decisão do julgador não poderia ter seus efeitos limitados territorialmente. Para piorar, o artigo 16 exigiria a propositura de ações em todos os territórios de pessoas lesadas, o que vai contra o sistema brasileiro, violando os princípios da igualdade e da eficiência da prestação jurisdicional (STF, RE n. 1.101.937). Avançando, diferentemente do que acontece com o inquérito civil, na ação civil pública há outros legitimados. A esse respeito, veja o teor do artigo 5º da Lei n. 7.357/85 (LACP): Art. 5º Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar: I – o Ministério Público; II – a Defensoria Pública; III – a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; IV – a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista; V – a associação que, concomitantemente: a) esteja constituída há pelo menos 1 (um) ano nos termos da lei civil; b) inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção ao patrimônio público e social, ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à livre concorrência, aos direitos de grupos raciais, étnicos ou religiosos, ou ao patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico. Sobre o tema, foi questionada junto ao STF a legitimidade da Defensoria Pública para atuar nas tutelas coletivas. O Tribunal, então, confirmou a possibilidade de a Defensoria Pública ajuizar ações civis públicas (STF, ADI n. 3.943). Lembro, na linha do que acabamos de ver, que ela (a Defensoria) não poderá promover inquérito civil. Outra observação se impõe: a Lei n. 4.717/65 (Lei da Ação Popular – LAP) diz que o legitimado para o ajuizamento da ação popular é o cidadão, vale dizer, o brasileiro no gozo de capacidade eleitora ativa (quem pode votar). 1 ALMEIDA, Gregório Assagra de. Manual das ações constitucionais. Belo Horizonte: Del Rey, 2007. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 32 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes A LAP norma também prevê que, caso o cidadão desista da ação popular, o Ministério Público poderá prosseguir com a ação – repare que não falou que o MP pode ajuizar. A questão da (im)possibilidade de o MP ajuizar ação civil pública nas mais variadas situações é recorrente nas provas e na jurisprudência. Então, vou destacar algumas delas, que serão mais exploradas nas provas do nível de Analista para cima, mas vez ou outra aparecem até em provas de técnico. Vamos a elas? Começando, o Ministério Público tem legitimidade para promover ação civil pública cujo fundamento seja a ilegalidade de reajuste de mensalidade escolares (STF, Súmula n. 643). De igual modo, o STF também entende que o MP pode ajuizar a ACP que vise anular ato administrativo de aposentadoria que importe em lesão ao patrimônio público ou que busque defender direitos sociais relacionados ao FGTS, ou ainda quando se visa o fornecimento de remédios a portadores de certa doença. Mas tem uma orientação do STF que está lá no topo das cobranças: ela diz respeito à ilegitimidade do MP para ajuizar a ACP tratando sobre pretensão relativa à matéria tributária (STF, ARE n. 694.294). E quem disse que só o STF tem decisões envolvendo a legitimidade do MP e da Defensoria nas ações civis públicas? Confira algumas súmulas do STJ sobre o tema: Súmula n. 601. O Ministério Público tem legitimidade ativa para atuar na defesa de direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos dos consumidores, ainda que decorrentes da prestação de serviço público. Súmula n. 329. O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil pública em defesa do patrimônio público. Existem diversas espécies de inquéritos. Destacam-se: inquéritos policial, civil, administrativo, policial militar, judicial, parlamentar de inquérito, policial legislativo. IV – promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção da União e dos Estados, nos casos previstos nesta Constituição; São cinco as ações do controle concentrado de constitucionalidade (sempre digo que elas cabem nos dedos de uma mão): ADI, ADO, ADC, ADPF e ADI n. Interventiva. As quatro primeiras (ADI, ADO, ADC e ADPF) podem ser ajuizadas por nove legitimados, que são listados no artigo 103 da Constituição Federal: a) Presidente da República; b) Mesa do Senado Federal; c) Mesa da Câmara dos Deputados; d) Mesa de Assembleia Legislativa O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 33 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes ou da Câmara Legislativa do DF; e) Governador de Estado ou do DF; f) Procurador Geral da República (PGR); g) Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); h) Partido político com representação no Congresso; e i) Confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. A única ferramenta do controle concentrado que contacom regra diferente é a ADI Interventiva, exatamente o que estamos tratando agora. Segundo a Constituição, ela pode ser proposta apenas pelo PGR, que fica sendo o único legitimado perante o STF. Aplicando o princípio da simetria, a Súmula n. 614 do STF diz que somente o PGJ tem legitimidade para propor ADI n. interventiva por inconstitucionalidade de lei municipal. A ADI Interventiva é cabível se houver violação a um dos princípios constitucionais sensíveis, previstos no artigo 34, VII, da Constituição. Eles são chamados de sensíveis, pois, se forem violados, autorizam a intervenção federal, medida extrema em uma Federação. Vale lembrar que a característica central de uma Federação é a autonomia dos entes que a compõem, e ela (autonomia) será afastada no processo de intervenção. V – defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas; VI – expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei complementar respectiva; VII – exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei complementar mencionada no artigo anterior; Aqui, lembro-me da observação que você viu lá em cima, no sentido de que o MP pode investigar, mesmo o artigo 144 da Constituição afirmando caber exclusivamente à PF e à PC as funções de polícia judiciária. VIII – requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais; Quando se fala no inquérito policial, você precisa lembrar que se houver o seu arquivamento, por decisão do juiz e a requerimento do promotor de justiça, não pode a ação penal ser iniciada sem o surgimento de novas provas (STF, Súmula n. 524). IX – exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas. Repare que a própria redação do inciso IX do artigo 129 já deixa claro que o rol de atribuições do Ministério Público é meramente exemplificativo, podendo ser ampliado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 34 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes 1.10. CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO – CNMP1.10. CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO – CNMP Na aula sobre o Judiciário ressaltei a importância do CNJ para as provas de concurso. No caso do CNMP, as questões aparecem em número bem menor, e normalmente estão ligadas à composição do órgão. Avançando, o CNMP também foi criado pela EC n. 45/04, também conhecida como Reforma do Judiciário. Ele é competente para fazer o controle da atuação administrativa e financeira do Ministério Público e do cumprimento dos deveres funcionais de seus membros. Em sua composição, conta com quatorze membros, sendo oito deles da própria carreira, enquanto outros seis vêm de fora da estrutura da instituição. Aliás, traçando um paralelo, o CNJ tem quinze membros (um a mais, certo?). Deles, nove vêm do Judiciário e há também seis de fora. A paridade nos seis membros de fora do Poder/Instituição, inclusive, é a mesma, como você logo verá. Voltando ao CNMP, ele será presidido pelo PGR. O cargo de Corregedor será preenchido por um dos sete membros do Ministério Público – Estadual ou da União. A duração do mandato é de dois anos, admitida uma recondução. Há duas exceções a essa regra: a primeira, relativa ao PGR, que ficará na presidência do CNMP enquanto for PGR – mesmo que haja reconduções sucessivas, como aconteceu à época de Geraldo Brindeiro. A segunda em relação ao Corregedor, que não pode ser reconduzido – art. 130-A, § 3º, da Constituição. Veja então a composição do Conselho: Composição CNMP Oito vindos do Ministério Público PGR Será o Presidente do CNMP. Enquanto for PGR, será presidente (não há limitação de tempo). 4 MPU 1 de cada ramo do MPU (MPF, MPT, MPM e MPDFT. O Corregedor do CNMP será um dos sete integrantes do MP. Ele não pode ser reconduzido. 3 MPE Seis vindos de fora 2 Juízes 1 indicado pelo STF e 1 indicado pelo STJ 2 Advogados Indicados pelo Conselho Federal da OAB 2 Cidadãos 1 indicado pela CD 1 indicado pelo SF Observação: o Presidente do Conselho Federal da OAB oficiará junto ao CNMP. Não há dúvidas de que o CNJ é órgão do Poder Judiciário (isso está escrito no artigo 92 da CF) e que, nessa condição, faz controle interno desse Poder – exceto em relação ao STF. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 35 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Por outro lado, a jurisprudência do STF sinaliza a compreensão de que o CNMP exerceria o controle externo do Ministério Público. A esse respeito, vou colocar a seguir um trechinho de um julgado do STF: O constituinte, ao erigir o Conselho Nacional do Ministério Público como órgão de controle externo do Ministério Público, atribuiu-lhe, expressamente, competência revisional ampla, de sorte que não há vinculação à aplicação da penalidade ou à gradação da sanção imputada pelo órgão correcional local (CRFB/1988, art. 130-A, § 2º, IV) (STF, MS n. 34.712). Vamos ver agora as atribuições do Conselho, previstas no artigo 130-A, § 2º: I – zelar pela autonomia funcional e administrativa do Ministério Público, podendo expedir atos regulamentares, no âmbito de sua competência, ou recomendar providências; Lá dentro do Ministério Público eu contei uma mudança da orientação do STF que, de tão importante, vou repetir aqui mais uma vez, ok? Em 2020, a partir de voto proferido pelo ministro Alexandre de Moraes (que foi do MP-SP), o STF passou a entender que cabe ao CNMP dirimir conflito de atribuições entre membros do MP Federal e do MP Estadual. Prevaleceu a orientação de que o CNMP possui isenção suficiente para definir, segundo as normas em que se estrutura a instituição, qual agente do Ministério Público tem aptidão para a condução de determinado inquérito civil. Em compasso com o artigo 130-A da CF, o CNMP agiria no controle da atuação administrativa do MP e do cumprimento dos deveres funcionais de seus membros. Dentro desse controle, estaria zelando pela autonomia funcional e administrativa do MP, bem como pela legalidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do MPU ou do MP Estadual. Trocando em miúdos, ficou vencedora a tese segundo a qual a solução de conflitos de atribuições entre ramos diversos dos Ministérios Públicos pelo CNMP é a mais adequada, pois reforça o mandamento constitucional que lhe atribuiu o controle da legalidade das ações administrativas dos membros e órgãos dos diversos ramos ministeriais, sem ingressar ou ferir a independência funcional (STF, ACO n. 843). II – zelar pela observância do art. 37 e apreciar, de ofício ou mediante provocação, a legalidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do Ministério Público da União e dos Estados, podendo desconstituí-los, revê-los ou fixar prazo para que se adotem as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, sem prejuízo da competência dos Tribunais de Contas; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br36 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Eu já disse isso lá no CNJ e repito aqui: os dois conselhos não têm competência para efetuar controle de constitucionalidade de lei, seja na via difusa ou na concentrada (STF, MS n. 27.744). O que se permitiu em relação ao CNJ – e não haveria razão para entendimento diverso no CNMP – é que o Conselho poderia deixar de aplicar norma que entenda ser inconstitucional. Relembrando, o caso julgado pelo STF envolvia uma determinação dada pelo CNJ para que um TJ exonerasse servidores nomeados sem concurso público para cargos em comissão que não se amoldavam às atribuições de direção, chefia ou assessoramento. Frisou-se que a decisão do CNJ não configuraria controle de constitucionalidade, sendo exercício de controle da validade dos atos administrativos do Poder Judiciário (STF, PET n. 4656/PB). III – receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos do Ministério Público da União ou dos Estados, inclusive contra seus serviços auxiliares, sem prejuízo da competência disciplinar e correcional da instituição, podendo avocar processos disciplinares em curso, determinar a determinar a remoção ou a disponibilidaderemoção ou a disponibilidade e aplicar outras sanções administrativas e aplicar outras sanções administrativas, assegurada ampla defesa; O primeiro ponto que você precisa lembrar é que a Reforma da Previdência, trazida pela EC n. 103/2019, retirou da Constituição a aposentadoria compulsória com proventos proporcionais como forma de punição a magistrados e a membros do MP. Antes dessa modificação, falava-se que o CNMP poderia aplicar penalidades como remoção, disponibilidade e aposentadoria compulsória com proventos proporcionais. Agora, o texto constitucional cita apenas a “remoção, disponibilidade e outras sanções administrativas”. Mas fique atento: mesmo após a mudança na CF, o CNJ e o CNMP continuam aplicando a aposentadoria compulsória com base na LOMAN/LOMP. Prevaleceu o entendimento no sentido de que o texto constitucional mantém a possibilidade de aplicação de outras sanções. A título ilustrativo, em 2021, houve a aposentadoria compulsória de uma Desembargadora do TJ-MS acusada de acobertar infrações praticadas por seu filho, dando-lhe privilégios indevidos. Você lembra que o CNMP e o CNJ não possuem jurisdição, certo? Em razão disso, o Conselho não pode aplicar a pena de demissão de membros do MP, na medida em que ela (a demissão) depende de decisão judicial transitada em julgado. IV – rever, de ofício ou mediante provocação, os processos disciplinares de membros do Ministério Público da União ou dos Estados julgados há menos de um ano; Note que a competência do CNMP é para rever processos disciplinares apenas contra membros do MPU e do MPE. O que quero dizer com isso é que o Conselho não tem competência para rever punição imposta a servidor do MP (STF, MS 28.827). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 37 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Ah, é importante destacar que a atuação do CNMP não é subsidiária, mas, sim, concorrente. Isso autoriza a que ele apure independentemente da ação da Corregedoria do órgão de origem. (STF, MS n. 28.620). Assunto exaustivamente cobrado pelas Bancas Examinadoras é o que trata da possibilidade de o CNMP rever os processos disciplinares de Membros julgados há menos de um ano. Dentro da premissa de que a atuação da Corregedoria do órgão não impede a atuação do CNMP, seja concomitante, seja posterior, é assegurada ao Conselho a atribuição de rever os PADs que tenham tramitado internamente. A deflagração do processo pode ocorrer por iniciativa do próprio Conselho ou mediante provocação de algum interessado. Fique atento(a) a um detalhe: quando está revendo processos disciplinares julgados nas Corregedorias, o CNMP tem o limite de um ano. Por outro lado, quando exerce a sua competência originária para a apuração disciplinar, não haverá o parâmetro temporal de um ano (STF, MS n. 34.685). V – elaborar relatório anual, propondo as providências que julgar necessárias sobre a situação do Ministério Público no País e as atividades do Conselho, o qual deve integrar a mensagem prevista no art. 84, XI. No mais, uma distinção importante: as ações contra o CNJ são julgadas pelo Plenário do STF, enquanto as que forem propostas contra o CNMP serão julgadas pelas Turmas do Tribunal. E por que então tal diferença? É que o CNJ é presidido pelo Presidente do STF, autoridade que atrairia o julgamento para o Pleno. Agora imagine a seguinte situação: o PGJ de determinado MP Estadual indefere o pagamento de gratificação a servidores do órgão. Acontece que essa decisão é reformada por outra, proferida pelo Colégio de Procuradores do mesmo MP. Então, ao ser acionado, o CNMP revoga o ato do Colégio de Procuradores, restabelecendo a decisão do PGJ. Só que esse “balaio de gatos” não tem fim, e o sindicato dos servidores resolve ir ao STF, buscando o pagamento da gratificação aos servidores. Ao julgar, o Tribunal primeiro reafirmou a orientação de que não existe direito ao duplo grau de jurisdição na instância administrativa. Na sequência, foi decidido que exatamente em razão da ausência do duplo grau, nem o CNMP, nem o Colégio de Procuradores seriam competentes para rever ou modificar atos de natureza discricionária do Procurador-Geral, no âmbito de seu poder de gestão e administração da unidade ministerial, quando tais atos respeitem a legalidade, a proporcionalidade e a moralidade (STF, MS n. 34.472). Há, ainda, a previsão de que leis da União e dos Estados criarão Ouvidorias do Ministério Público, competentes para receber reclamações e denúncias de qualquer interessado O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 38 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes contra membros ou órgãos do Ministério Público, inclusive contra seus serviços auxiliares, representando diretamente ao Conselho Nacional do Ministério Público. Tem mais: qualquer pessoa é parte legítima para representar ilegalidades perante o CNMP, porque a apuração é de interesse público (STF, MS n. 28.620). Para finalizar, um ponto importantíssimo: quando o CNJ e o CNMP foram criados (EC n. 45/2004), atribuiu-se ao STF a competência originária para julgar ações contra esses Conselhos. O problema é que começaram a chegar muitos processos... Daí veio uma interpretação restritiva da parte do STF: o termo “ações” passou a ser entendido como “ações constitucionais”, restringindo o acesso ao Tribunal apenas para julgamento de Habeas Corpus, Habeas Data, Mandado de Injunção e Mandado de Segurança. Resumindo, ficariam apenas os remédios constitucionais (HC, HD, MI e MS). Ou seja, não seria competência do STF julgar ações ordinárias contra o CNJ (STF, AO n. 1.706). No entanto, numa reviravolta ocorrida em novembro de 2020, em decisão majoritária, prevaleceu a tese de que compete exclusivamente ao STF processar e julgar ações ordinárias contra decisões e atos administrativos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) proferidas no âmbito de suas atribuições constitucionais (STF, ADI n. 4.412). Assim, não há mais distinção se a ação é ordinária ou um remédio constitucional. O julgamento estará sempre dentro da competência originária do STF. A competênciado CNMP para rever processos disciplinares abrange apenas os Membros do MPU e do MPE, não se estendendo para punições impostas a servidor do Ministério Público. 2 . aDVoCaCia PÚBliCa2 . aDVoCaCia PÚBliCa Logo de cara tem a parte hoje que aparece nas “paradas de sucesso” das Bancas Examinadoras. Preste atenção no trecho que vem agora, pois depois vou decompô-lo: é que segundo o artigo 131 da Constituição: (...) a Advocacia-Geral da União é a instituição que, diretamente ou através de órgão vinculado, representa a União, judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 39 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Repare você que a Constituição deferiu à AGU a missão de representar a União, sem restringir a atuação a nenhum dos Poderes da República. Em razão disso, a representação judicial ou extrajudicial vale para todos os Poderes da União. Quer um exemplo? Outro dia, eu vi um caso em que o Presidente do TJDFT impetrou mandado de segurança contra decisão do CNJ, a qual obrigava que todos os juízes do Tribunal fizessem plantão – aqui no TJDFT, apenas os juízes substitutos fazem os plantões. Advinha então quem foi o advogado responsável pela impetração do MS? A AGU, claro! Ah, para você saber, o STF deferiu a liminar, suspendendo o ato do CNJ. No mérito, confirmou-se a decisão, o que significa que foi validada a decisão do TJDFT segundo a qual apenas os juízes substitutos precisariam fazer plantão (STF, MS n. 32.462). Mas pera lá! Em outro julgado se decidiu que a Defensoria Pública tem a garantia de estar em juízo para defesa de suas prerrogativas e funções institucionais, não se mostrando necessário, nessa hipótese, que sua representação judicial fique a cargo da Advocacia-Geral da União (STF, SL n. 866). Prosseguindo, se de um lado, a União representa judicial e extrajudicialmente todos os Poderes da República, de outro, quando o assunto é a prestação de consultoria e assessoramento jurídico, a missão abrange apenas o Poder Executivo. Como você vai fazer para lembrar isso? Fácil! Basta você ter em mente que nós temos os Consultores Legislativos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Ou seja, o Legislativo já tem seu corpo próprio de consultores, que prestam a assessoria jurídica necessária. Já em relação ao Judiciário, ninguém melhor do que ele para entenderem do juridiquês. Logo, não teria cabimento algum o Judiciário pedir consultoria e assessoramento jurídico à AGU. É dentro desse contexto que a atuação de consultoria e assessoramento jurídico prestada pela AGU se restringe ao Poder Executivo. Agora que já falei sobre a missão da instituição – a AGU –, vou tratar do seu chefe, que é o AGU. Pois bem, o Advogado-Geral da União ocupa cargo de livre nomeação pelo Presidente da República, dentre cidadãos com mais de 35 anos, de notável saber jurídico e de reputação ilibada. Note-se que na escolha do AGU não há formação de lista nem a necessidade de aprovação do nome pelo Senado Federal. Repare que, assim como os Ministros de Estado, o cargo é de livre nomeação e livre dispensa. No entanto, há dois pontos que diferenciam o AGU dos demais Ministros: Primeiro: a idade mínima para ser Ministro de Estado é de 21 anos, enquanto para o AGU se exige no mínimo 35 anos. Segundo: nos crimes de responsabilidade, o AGU será julgado pelo Senado Federal, estando ou não em conexão com o Presidente ou Vice-Presidente da República (artigo 52, O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 40 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes II). Se você bem lembra a situação dos Ministros de Estado, eles serão julgados pelo STF tanto nos crimes comuns quanto nos de responsabilidade. A única hipótese de eles irem para o Senado na responsabilidade é em caso de conexão com o Presidente ou Vice. Só pelas duas ponderações aí de cima você já percebe que o AGU tem um status diferenciado. O problema é que não lhe foi dado foro especial nos crimes comuns. Vale dizer, em tais crimes ele responderia perante o Juiz de 1ª instância. Foi daí que se editou medida provisória (posteriormente convertida em lei) equiparando o AGU ao cargo de Ministro de Estado. Houve questionamento no STF, mas o Tribunal entendeu pela constitucionalidade da norma (STF, INQ n. 1.660). Então, nos crimes comuns, o AGU será julgado pelo STF, indo para o Senado Federal nos crimes de responsabilidade. Vamos sistematizar? Procedimento de escolha e competência para julgamento do AGU Quem escolhe? Presidente da República Há sabatina? Não Candidato precisa ser da carreira? Não. É pessoa da confiança do PR, precisando ter notório saber jurídico e reputação ilibada. É necessária autorização do Legislativo para destituição? Não. É cargo em comissão, de livre nomeação e exoneração pelo PR. Idade mínima? 35 anos, ao contrário dos demais ministros de Estado (21 anos) Quem julga no crime comum? STF Quem julga no crime de responsabilidade Senado, havendo ou não conexão com PR ou vice-PR Observações:Observações: 1) a CF não previu procedimento de nomeação e destituição do PGE/PGDF. O tratamento fica a cargo da Constituição Estadual/LODF. Porém, o STF aponta que a destituição não pode ser condicionada à aprovação da AL/CLDF, por ser cargo em comissão, de livre nomeação e exoneração. A orientação atual, inclusive, é no sentido de que a escolha não fica vinculada a integrantes da carreira (STF, ADI n. 5.211). 2) É constitucional norma de Constituição estadual que restringe a escolha do PGE aos integrantes da carreira da advocacia pública local (STF, ADI n. 3.056). 3) não é válida LC estadual que equipare o procurador-geral do Estado a secretário de Estado para dar- lhe foro especial. Vamos olhar por outro ângulo, comparando a escolha do PGR, do PGJ e do AGU e, de quebra, vendo o foro para julgamento? 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Não Mandato 2 anos, admitida a recondução 2 anos, admitida UMA recondução Não há. Cargo de livre nomeação e livre exoneração É possível a destituição antes do mandato? Sim. Depende de iniciativa do PR e autorização de MA do SF Sim. Depende de autorização de MA dos membros do Legislativo (AL no caso do MPE e SF para o MPDFT). Não há mandato. Por ser cargo em comissão, Presidente nomeia e exonera a qualquer tempo. Foro especial CC: STF CR: Senado MPE CC: TJ CR: TJMPDFT CC: STJ CR: STJ CC: STF CR: Senado (com ou sem conexão com PR) Mudando de assunto, para ingressar na carreira da advocacia pública, é exigido que o concurso seja de provas + títulos. Não há na Constituição Federal a necessidade de comprovação de três anos de prática jurídica – quarentena de entrada. Porém, nada impede que a regra própria da carreira exija a comprovação de algum período de experiência. Outra coisa: a posse no cargo público já legitima a atuação do membro da advocacia pública. Nesse sentido, a Súmula n. 644/STF diz que ao titular do cargo de procurador de autarquia não se exige a apresentação de instrumento de mandato para representá-la em juízo. Ainda na advocacia pública federal, há uma ramificação em três carreiras: o Advogado da União, que atua na Administração Direta; o Procurador Federal, o qual representa a União na Administração Indireta; e, por fim, o Procurador da Fazenda Nacional, que é o advogado do governo em matéria tributária. A propósito, o § 3º do artigo 131 diz que na execução da dívida ativa de natureza tributária caberá à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) representar a União. As funções de AGU serão exercidas, nos planos estadual, distrital e municipal, respectivamente, pelos procuradores-gerais dos Estados (PGE), do Distrito Federal (PGDF) e dos municípios (PGM). 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O STF fixou a seguinte tese acerca das manifestações dos advogados públicos: Considerando-se a natureza do cargo, é constitucional a necessidade de ordem ou autorização expressa do Advogado-Geral da União para manifestação do advogado público sobre assunto pertinente às suas funções, ressalvadas a liberdade de cátedra e a comunicação às autoridades competentes acerca de ilegalidades constatadas. No julgamento, prevaleceu a orientação de que a proibição era destinada a agentes públicos específicos, não cria qualquer espécie de censura direcionada à imprensa, e possui como objetivo primordial o resguardo do sigilo necessário ao desempenho da advocacia e, consequentemente, a salvaguarda dos interesses públicos envolvidos na atuação da AGU (STF, ADI n. 4.652). Outra coisa: segundo o artigo 132 da Constituição, compete às procuradorias dos estados atribuições para as atividades de consultoria jurídica e representação judicial das respectivas unidades federadas, mas apenas relativamente à administração pública direta, autárquica e fundacional. Ficam de fora as sociedades de economia mista e as empresas públicas, que contratam corpo jurídico próprio. Em razão disso, declarou-se a inconstitucionalidade de norma estadual que conferia à Procuradoria-Geral do Estado competência para controlar os serviços jurídicos de entidades da administração estadual indireta, inclusive a representação judicial, com a possibilidade de avocação de processos e litígios judiciais, de empresas públicas e sociedades de economia mista. Prevaleceu a orientação de que se a norma fosse validada poderia haver uma ingerência indevida do Governador na administração das empresas públicas e sociedades de economia mista, pessoas jurídicas de direito privado, o que impediria a defesa dessas entidades. Isso porque, como é o chefe do poder executivo estadual quem escolhe o Procurador-Geral do Estado, num eventual litígio, por exemplo, entre uma sociedade de economia mista e a administração pública direta, o Governador poderia determinar a avocação do processo e defender o seu próprio interesse (STF, ADI n. 3.536). Agora preste atenção a um assunto que pode ser cobrado nas provas tanto lá na parte de Ordem Social quanto aqui nas Funções Essenciais à Justiça. 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Aliás, nesse julgado aí de cima foram reunidas as hipóteses que excepcionam o princípio da unicidade do artigo 132 da CF. Confira: Exceções ao Princípio da Unicidade Orgânica da Advocacia Pública Estadual Manutenção de órgãos de consul- torias jurídicas já existentes antes da promulgação da CF. Criação de procuradorias vincula- das ao Poder Legislativo e ao Tribu- nal de Contas, para defesa de sua autonomia e independência perante os demais Poderes. Instituição de procuradorias jurídi- cas em universidades estaduais, por conta do princípio da autonomia universitária. Quando você pensar que já viu de tudo, repare neste julgado: determinado estado criou uma Procuradoria-Geral da Assembleia Legislativa, equiparando a remuneração de seus membros à dos que integram a PGE. Por violar simetria e harmonia entre os Poderes, a norma foi declarada inconstitucional. O defeito não estava na criação do órgão vinculado ao Legislativo. Afinal, ele pode existir e defender os interesses do Legislativo. O problema residia no fato de prever prerrogativas, status e remuneração equivalente à Procuradoria Estadual (STF, ADI n. 2.820). Outra coisa: determinada norma estadual retirou a obrigatoriedade de que os cargos de chefia nas assessorias jurídicas dos órgãos da Administração Direta do Poder Executivo e nas procuradorias das autarquias e das fundações estaduais fossem exercidos pelos Procuradores de Estado. Ao ser questionada no STF, a norma foi considerada inconstitucional por violar o caráter privativo das competências dos Procuradores do Estado, violando o artigo 132 da Constituição (STF, ADI n. 5.541). Também por violação ao artigo 132 da Constituição, foi declarada a inconstitucionalidade de norma estadual que criou órgão e cargos jurídicos fora da estrutura da Procuradoria do Estado, dando-lhes funções de representação judicial, consultoria e assessoramento jurídico de autarquias e fundações (STF, ADI n. 7.380). 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Porém, se o município resolver criar uma procuradoria, os membros devem ser admitidos mediante concurso público (STF, ADI n. 6.331). Indo à frente, a Constituição diz que o subsídio do Desembargador de TJ corresponde a 90,25% do que ganha o Ministro do STF e que esse montante também serviria de parâmetros para o MP Estadual, a Defensoria Pública Estadual e a Procuradoria (Advocacia Pública) Estadual. É meio paradoxal, mas o STF afasta da aplicação do percentual de 90,25% exatamente os Membros da Magistratura Estadual (Desembargadores e Juízes). Para eles, seria considerado o teto geral, correspondente aos ganhos de Ministro do STF. A explicação para essa decisão foi a seguinte: se for aplicado o texto explícito da Constituição, um Juiz Federal de 1ª instância seguirá o teto do STF, enquanto o Desembargador de um TJ, que está na 2ª instância, estaria limitado ao percentual de 90,25% (STF, ADI-MC n. 3.854). Ah, no artigo 37, XI, fala que nos Municípios o teto é um só para Executivo e Legislativo (não existe Poder Judiciário, lembra?): o subsídio do prefeito. Ocorre que o STF entendeu que os procuradores municipais estariam sujeitos ao mesmo teto dos procuradores estaduais, ou seja, de 90,25% do que ganha o ministro do STF. Adotou-se a compreensão de que a expressão “procuradores”, contida na parte final do inciso XI do art. 37 da Constituição, compreenderia os procuradores autárquicos, além dos procuradores da Administração Direta, o que conduz à compreensão de que os procuradores municipais também estão abrangidos pela referida locução (STF, RE n. 663.696). Por falar em advogados públicos estaduais, eles têm direito à percepção de honorários advocatícios sucumbenciais nos processos em que atuam em nome do ente estatal, ficando os honorários limitados ao teto constitucional. A discussão que existia decorre do fato de eles já receberem a remuneração prevista para o cargo. Os defensores do pagamento justificam que a medida traria maior empenho no exercício das funções (STF, ADI n. 6.159). Além disso, é válida norma estadual que destine aos procuradores estaduais honorários advocatícios incidentes na hipótese de quitação de dívida ativa em decorrência da utilização de meio alternativo de cobrança administrativa ou de protesto de título (STF, ADI 5.910). Outra coisa: e se ao invés de abrir a oportunidade de advogar o Poder Público pagar uma gratificação aos procuradores estaduais? Isso seria válido? 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Já que o assunto é dinheiro, preste atenção em mais uma decisão: o STF entendeu ser válida lei estadual que destine 5% da receita recebida pelos cartórios (custas e emolumentos) para um fundo especial da procuradoria-geral do estado. Na ocasião, prevaleceu a orientação de que são válidas normas estaduais que destinam parcela da arrecadação dos cartórios a fundos dedicados ao financiamento da estrutura do Poder Judiciário ou de órgãos e funções essenciais à Justiça, como o Ministério Público e da Defensoria Pública. Sabe quem não gostou nem um pouquinho dessa decisão? A ANOREG (Associação dos Notários e Registradores do Brasil), ou seja, os titulares de cartório (STF, ADI n. 3.704). Por outro lado, o STF entende que os membros da advocacia pública não têm direito a férias de 60 dias anuais, ao contrário do que acontece com membros da Magistratura e do Ministério Público (STF, RE n. 929.886). Note que nós acabamos de ver que o STF disse ser constitucional a medida provisória que equiparou o AGU a Ministro de Estado, a fim de lhe dar foro especial nos crimes comuns perante o STF, certo? Pois é, mas indo em direção oposta, o Tribunal disse ser inconstitucional lei complementar estadual que equiparou o cargo de Procurador-Geral do Estado (PGE) aos Secretários de Estado, também visando lhe dar foro especial. Isso porque a Constituição do Estado não poderia delegar ao legislador ordinário (infraconstitucional) a tarefa de estabelecer as competências do TJ. Essa missão – definição das competências do TJ – cabe apenas à CE, conforme o artigo 125, § 1º, da Constituição (STF, HC n. 103.803). Na ocasião, estava em discussão uma situação ocorrida no Estado de Roraima. O PGE da época acabou envolvido em um esquema de pedofilia, apurado na denominada Operação Arcanjo. Na sentença, ele foi condenado a quase 300 anos de prisão e buscava (sem sucesso) anular a ação penal, ao argumento de que deveria ser processado no TJ (foro especial), e não na 1ª instância! Ainda sobre o PGE, o cargo também é de livre nomeação, podendo o governador escolher o nome entre os membros da carreira ou não. De igual modo, não pode a legislação estadual condicionar a destituição do PGE à autorização da Assembleia Legislativa (STF, ADI n. 291). Outra coisa: você viu que Magistrados, membros do Ministério Público e dos Tribunais de Contas adquirem vitaliciedade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 46 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Por sua vez, os membros da Advocacia Pública e da Defensoria Pública não são vitalícios. Ao contrário, eles adquirem estabilidade após três anos de efetivo exercício. Já a garantia da inamovibilidade só alcança os Magistrados, membros do Ministério Público e da Defensoria Pública. Mais uma vez, ficam de fora os advogados públicos (STF, ADI n. 291). Por consequência, o STF fixou a compreensão de que a parcialidade é inerente às funções dos procuradores estaduais, sendo, por isso, inadequado cogitar-se independência funcional, nos moldes da Magistratura, do Ministério Público ou da Defensoria Pública. Logo, como a garantia da inamovibilidade é instrumental à independência funcional, considerou-se insuscetível de extensão a uma carreira cujas funções podem envolver relativa parcialidade e afinidade de ideias (STF, ADI n. 1.246). Quanto ao foro especial, entendia o STF que, embora ele não tenha sido dado pela Constituição Federal, nada impediria que seja conferido por Constituição Estadual (STF, ADI n. 2.587). No entanto, em 2019, o Tribunal mudou a sua orientação para deixar claro que não caberia à Constituição Estadual conceder foro especial a autoridades, indo além daqueles casos já disciplinados na Constituição Federal. Isso porque a própria CF já estabelece autoridades estaduais e até municipais (prefeito e membro de TCM) que contam com a prerrogativa. Ao final, prevaleceu a tese de que o foro especial só seria aplicável àquelas autoridades mencionadas na CF ou naqueles casos em que o foro previsto na CE derivasse diretamentedos artigos 27 e 28 da Constituição – ou seja, deputados estaduais e distritais, vice- governador, secretários de Estado e comandantes da PM e do CBM (STF, ADI n. 2.553). Aproveitando, procuradores estaduais também não podem ter porte de arma dado por legislação estadual. Nesse caso, somente lei federal pode tratar do tema material bélico e essa norma já existe – Estatuto do Desarmamento –, o qual não dá a prerrogativa aos advogados públicos (STF, ADI n. 6.985). Já acabou, Jéssica? Ainda não... Sabe o Estatuto da OAB? Havia a discussão se suas regras poderiam – ou não – ser aplicáveis aos advogados públicos. Enfrentando a questão, o STF entendeu que as regras previstas nos artigos 18 a 21 do Estatuto da OAB (relação de emprego, salário, jornada de trabalho e honorários de sucumbência) não são aplicáveis aos advogados, empregados públicos de empresa pública, sociedade de economia mista e suas subsidiárias, que atuam em regime de monopólio. Em sentido oposto, essas mesmas regras são aplicáveis aos advogados empregados de empresas públicas e de sociedade de economia mista que atuam no mercado em regime concorrencial – ou seja, sem monopólio (STF, ADI n. 3.396). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 47 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes 2 .1 . DEFEnsor lEGis2 .1 . DEFEnsor lEGis Cuidado com a terminologia: custos legis (ou custos constitucionis) é a missão de fiscal da lei, atribuída ao Ministério Público. Agora, quando se fala em defensor legis, ou curador da lei, estamos tratando da missão atribuída ao AGU de, no controle concentrado, fazer a defesa da lei ou ato normativo questionado junto ao STF. Perceba que não se restringiu o papel do AGU às leis ou atos normativos federais. É dele também a incumbência de defender as normas estaduais e as distritais de natureza estadual que sejam atacadas via ADI. É que de acordo com o § 3º do artigo 103 da Constituição, quando o STF apreciar a inconstitucionalidade, em tese (controle concentrado), de norma legal ou ato normativo, citará, previamente, o Advogado-Geral da União, que defenderá o ato ou texto impugnado. Repare bem que o texto constitucional usa expressão afirmativa, quase peremptória, determinando que o AGU faça a defesa da norma. A necessidade de defender a norma seria para formar um contraditório, na medida em que se a ADI n. foi ajuizada, é porque alguém está entendendo que ela é inconstitucional – “estão batendo na lei”. É nessa toada que chegaria o AGU para atuar no sentido contrário. Entretanto, o STF entende que o AGU não estará obrigado a defender a norma questionada em algumas hipóteses. Veja quais são: a) se já houver manifestação anterior, proferida pelo STF, declarando a inconstitucionalidade da norma em controle concentrado de constitucionalidade – STF, ADI n. 1.616; b) se ele assinar, juntamente com o Presidente da República, a petição da ação direta de inconstitucionalidade. Cabe lembrar que o AGU não possui legitimidade para o ajuizamento da ADI. Porém, quando o Presidente da República seja o autor da ação, é natural que a petição tenha sido redigida pelo AGU. Então, nada impede que ele também assine o pedido de declaração de inconstitucionalidade. Em tal hipótese, não se poderia exigir um comportamento esdrúxulo, no sentido de, primeiro, assinar a petição dizendo que a norma é inconstitucional e, na sequência, passar a defendê-la. c) se a norma questionada contrariar o interesse da União – STF, ADI n. 3.916. Uma pergunta: deve o AGU exercer defesa de norma que contrarie os interesses da União? A resposta tende a ser negativa, pois, como o nome do cargo por ele ocupado dá mostras, ele advoga para a União. Em uma interpretação mais alargada, o STF considerou que a AGU teria direito de manifestação, e não propriamente a obrigação de defender a norma questionada. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 48 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Por fim, devemos fazer uma observação: a jurisprudência do STF era no sentido de que na ação direta de inconstitucionalidade por omissão – ADI n. por omissão – não se fazia necessário ouvir o AGU (STF, ADI n. 480). Esse raciocínio se justificava na medida em que se o AGU deve fazer a defesa da norma e a ação direta é ajuizada exatamente por conta do vácuo legislativo (ausência da norma), o que lhe restaria defender? No entanto, com a edição da Lei n. 12.063/09, que deu novo tratamento à ADI por omissão, se a omissão for parcial, será necessária a manifestação do AGU. A nova sistemática não passou despercebida, uma vez que a própria Lei n. 12.063/09, em seu artigo 12-E, § 2º, diz que “o relator poderá solicitar a manifestação do Advogado- Geral da União, que deverá ser encaminhada no prazo de 15 (quinze) dias”. Enquanto o Ministério Público é chamado de custos legis (fiscal da lei), cabe ao Advogado- Geral da União a missão de defensor legis (curador da lei). 3 . aDVoCaCia PriVaDa3 . aDVoCaCia PriVaDa Você vai notar que a Constituição trata da advocacia privada em apenas um artigo e ainda assim de forma muito resumida. No entanto, será preciso saber bem mais do que está no texto constitucional para se sair bem nas provas. Vou começar pelo que consta no artigo 133: “o advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão.” Você viu que destaquei as palavras “indispensável” e “inviolável”, não foi? Pois é, tem uma razão para isso... Começando pela primeira, embora a Constituição diga que o advogado é indispensável, sua presença não será obrigatória em algumas situações. Exemplificando, não há necessidade de a parte estar assistida por advogado na impetração de habeas corpus, no ajuizamento de ações nos juizados especiais cíveis com valor da causa até vinte salários mínimos e nas ações trabalhistas. Quanto ao processo administrativo disciplinar (PAD), a resposta não é tão óbvia como pode parecer no primeiro momento. A Súmula Vinculante n. 5 diz que “a falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição”. Essa súmula se contrapõe ao enunciado da Súmula n. 343/STJ, hoje já superada. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 49 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Mas tem uma observação para lá de importante: a SV n. 5 não se aplica ao PAD Penal. Explico: quando um apenado está em regime prisional semiaberto, ele passa a ter direito às saídas temporárias, popularmente conhecidas como “saidões”. Se ele não retorna, está sujeito a duas penalidades (regressão para o regime fechado e a perda de até 1/3 dos dias remidos). Ocorre que antes de aplicar as punições é necessário instaurar um PAD, pois ele pode não ter voltado por motivos variados. Supondo que não voltou porque estava praticando outras infrações, será caso de imposição das penalidades. Contudo, caso ele não tenha voltado por ter sido atropelado, estando hospitalizado, não faria sentido a aplicação da punição. E, como nesse tipo de PAD está em jogo o direito de liberdade docidadão (diante do possível retorno para o regime fechado), a presença do advogado (ou de defensor público) é imprescindível. O tema, dada a sua importância, já foi inclusive sumulado pelo STJ (Súmula n. 533). Outra coisa: para o STF, são nulos todos os atos privativos de advogado praticados por pessoa não inscrita na OAB ou que esteja com seu registro suspenso (STF, RHC n. 119.900). Por falar em registro suspenso... São válidas as regras que vedam o exercício da advocacia por servidores do Ministério Público da União e do Judiciário. Afastou-se a alegação no sentido de que a proibição geraria quebra dos princípios da isonomia e do livre exercício da profissão (STF, ADI n. 5.235). Pronto! Agora vou falar sobre a parte em que diz que o advogado é inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão. A esse respeito, a inviolabilidade mencionada no texto constitucional vale para os crimes de injúria e difamação e mesmo quanto a eles não é absoluta, pois o profissional responde por excessos praticados no exercício de suas funções. Além disso, ficam de fora dessa garantia os atos que caracterizam os crimes de calúnia e desacato (STF, ADI n. 1.127). Em outras palavras, o mais grave dos crimes contra a honra (calúnia) não estaria protegido pela inviolabilidade profissional. Ela só alcançaria a injúria e a difamação. Avançando, o Estatuto da OAB assegura que antes do trânsito em julgado da sentença os advogados somente poderão ser recolhidos em Sala de Estado-Maior. Duas observações a esse respeito: a primeira, no sentido de que a aferição para saber se as instalações são (ou não são) condignas cabe ao Estado, e não à OAB, como constava na Lei n. 8.906/94. A segunda, é que para gozar dessa prerrogativa, além estar regularmente inscrito na OAB, deve o acusado efetivamente exercer a advocacia à época dos fatos (STJ, RHC n. 27.152). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 50 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Ah, é importante lembrar que em abril de 2023 o direito à prisão especial para pessoas com nível superior, previsto no CPP, foi derrubado pelo STF. Porém, para os advogados há regra especial, que continua valendo (ADPF 334). Por falar em OAB, a necessidade de se submeter à prova para o exercício da profissão de advogado foi questionada no STF, mas o Tribunal confirmou a validade da exigência (STF, RE n. 603.583). Na ocasião, os recorrentes ainda pontuaram que para exercer a Medicina não haveria prova. Em resposta, o Tribunal disse que era a Medicina que estava precisando passar a realizar a seleção. Agora fique de olho nessa tese firmada pelo STF: “é inconstitucional a suspensão realizada por conselho de fiscalização profissional do exercício laboral de seus inscritos por inadimplência de anuidades, pois a medida consiste em sanção política em matéria tributária”. Para você entender melhor, o Estatuto da OAB previa a suspensão do advogado que estivesse inadimplente com o pagamento de suas anuidades. Então, o STF declarou inconstitucionais os arts. 34, XXIII, e 37, § 2º, da Lei n. 8.906/1994, que são exatamente os dispositivos que autorizavam a suspensão da atuação do profissional. Um alerta: embora o julgado tenha se referido a advogado, o raciocínio de impossibilidade de suspensão da atuação diante da inadimplência pode ser estendido aos outros órgãos de classe – ex.: COREN, CREA, CRECI etc. Mas não vá trocar as bolas: é válida a regra que exige o pagamento das anuidades para que os advogados possam participar das eleições internas da OAB. Isso porque os candidatos precisam comprovar situação regular na entidade (STF, ADI n. 7.020). Tem mais: a OAB – Conselhos Federais e Seccionais – não está obrigada a prestar contas ao TCU nem a qualquer outra entidade externa. Isso porque as anuidades cobradas dos advogados não detêm natureza tributária e a entidade, por sua natureza especial, não pode estar submetida ao Estado (RE 1.182.189). Outra coisa: são válidas as regras que vedam o exercício da advocacia por servidores do Ministério Público da União e do Judiciário. Afastou-se a alegação no sentido de que a proibição geraria quebra dos princípios da isonomia e do livre exercício da profissão (STF, ADI n. 5.235). De igual modo, é proibida a advocacia para militares que estejam na ativa, tendo sido declarada inconstitucional a regra que permitia essa possibilidade (STF, ADI 7.227). Avançando, o Estatuto da OAB prevê que o escritório de advocacia é inviolável. Contudo, o STF entende que a inviolabilidade não pode ser invocada quando o próprio advogado seja suspeito da prática de crime (STF, INQ n. 2.424). Na ocasião do julgamento aí de cima, estava sendo apurado o envolvimento de um Ministro do STJ e de seu irmão, advogado. Por conta do envolvimento do Ministro do STJ, o processo começou no STF. O Tribunal determinou a colocação de escutas ambientais dentro do escritório de advocacia. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 51 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Como o local funcionava de dia, houve a determinação ( judicial) para que os equipamentos fossem instalados à noite, o que aparentemente vai contra a Constituição. Coletadas as provas, a defesa reclamou, defendendo a ilicitude dos elementos juntados. No entanto, relembrando a ideia de que não existe direito absoluto, o STF legitimou as provas, dizendo que uma garantia constitucional não poderia ser usada como escudo para a prática criminosa. Ainda sobre o tema, repare que o § 6º do artigo 6º da Lei n. 8.906/94 – Estatuto da OAB – prevê que mesmo sendo afastada a inviolabilidade do escritório de advocacia, seria vedada em qualquer hipótese “a utilização dos documentos, das mídias e dos objetos pertencentes a clientes do advogado averiguado, bem como dos demais instrumentos de trabalho que contenham informações sobre clientes”. Esse dispositivo foi utilizado por um advogado que era investigado com grandes figuras do cenário político, entre as quais um Senador da República, presidente de partido político. Acontece que o STF negou o pedido de anular as provas, fundamentando no fato de que a restrição que você viu aí em cima não se estendia a clientes do advogado averiguado que estejam sendo formalmente investigados como seus partícipes ou coautores pela prática do mesmo crime que deu causa à quebra da inviolabilidade. Ou seja, podem ser coletadas provas no escritório de advocacia que digam respeito ao próprio advogado ou a clientes que estejam com ele na empreitada criminosa (STF, INQ n. 4.074). É constitucional a exigência da submissão à prova da OAB para que o Bacharel em Direito exerça a advocacia. 4 . DEFEnsoria PÚBliCa4 . DEFEnsoria PÚBliCa Não tenho dúvida nenhuma em afirmar que entre as carreiras da Magistratura, do Ministério Público e da Defensoria Pública essa última é a que mais cresce atualmente. Isso se deve, em larga medida, ao fato de ainda ser uma carreira em expansão, sendo que em alguns Estados a instituição só existe “para inglês ver”. Há aqueles que sequer possuíam Defensoria, sendo meio que obrigados pelo STF a instalá-la. Pois bem, o que estou falando aqui acaba refletindo diretamente nas emendas à Constituição. Vou fazer uma tabelinha logo abaixo para você entender melhor: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, porquaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 52 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes ÚLTIMAS EMENDAS CONSTITUCIONAIS RELACIONADAS À DEFENSORIA PÚBLICA Número da EC O que modificou EC n. 45/2004 Deu autonomia AFO (administrativa, funcional e orçamentária) à Defensoria Pública Estadual. EC n. 69/2012 Transferiu da União para o DF a tarefa de organizar e manter a Defensoria Pública do DF. EC n. 74/2013 Estendeu a autonomia AFO às Defensorias Públicas da União e do DF. EC n. 80/2014 Chamada de PEC das Comarcas! De um lado, dispôs que em até oito anos, cada Comarca deveria possuir ao menos um Defensor. Mais: que o número de Defensores fosse proporcional à demanda de trabalho e à população. De outro lado, passou a prever explicitamente os princípios institucionais da unidade, indivisibilidade e da independência funcional, assim como já acontecia com o MP. Também determinou a observância dos artigos 93, II, e 96, aplicáveis originalmente aos magistrados. Olhando para o texto constitucional, após as modificações inseridas pela EC n. 80/14, extrai-se que a Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime democrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados. Fazendo um pequeno apanhado histórico, a assistência judiciária gratuita àqueles que necessitassem foi prevista inicialmente na Constituição de 1934, ficando de fora da Constituição de 1937 e retornando com a democrática de 19462. Foi somente em 1988 que a Defensoria Pública apareceu na Constituição Federal3 (MARTINS, 2021). Em relação ao modelo de assistênciamodelo de assistência judiciária gratuita prestada à população, a a Constituição atual adotou o Constituição atual adotou o salaried staff modelsalaried staff model. Isso significa que se fez a opção por criar um organismo estatal especificamente destinado a prestar serviços jurídicos por membros e servidores concursados, titulares de cargos públicos efetivos e remunerados diretamente pelo Estado, sob regime de dedicação exclusiva. O papel da Defensoria é de grandiosa importância; ela atua muitas vezes tornando visíveis pessoas e situações invisíveis, assegurando o direito a ter direitos. Não por outra razão, o STF entendeu que o descaso dos governantes em não criar ou instalar a Defensoria em seus Estados legitimava a intervenção do Judiciário, assegurando políticas públicas que viabilizassem a implementação da instituição. Nesse cenário, não seria possível invocar a teoria da reserva do possível, prevalecendo a teoria do mínimo existencial (ou dos limites dos limites, ou das restrições das restrições), SANTOS, Eduardo dos. Direito constitucional sistematizado. Indaiatuba: Foco. 2021, pág. 720. 2 3 MARTINS, Flávio. Curso de direito constitucional. 5ª ed. São Paulo: Saraiva. 2021, pág. 1.492. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 53 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes de modo que seria um retrocesso social impedir o pleno funcionamento da Defensoria (STF, AI n. 598.212). Para se ter uma ideia, o Estado de Santa Catarina, um dos que mais se destaca pela prosperidade da Capital e de cidades como Joinville, Chapecó e Criciúma, não possuía Defensoria Pública. No lugar da Defensoria, optou a norma estadual por firmar convênio com a OAB local para que prestasse os serviços aos necessitados na condição de dativo. O cenário de completo descaso ensejou a declaração de inconstitucionalidade das normas que permitiam a atuação da OAB em substituição à Defensoria. Na ocasião, foi dado um prazo de um ano para que o Estado implantasse a DPE/SC (STF, ADI n. 3.892). Avançando, se para os Juízes temos a LOMAN (LC n. 35/79), e para o MP temos a LOMP (LC n. 75/93), no caso da Defensoria, a norma de regência é a LC n. 80/94. Ela é lei orgânica da Defensoria e organiza a Defensoria Pública da União, do DF e dos Territórios, além de prescrever normas gerais para a organização da Defensoria no âmbito estadual. Pois exatamente por conflitar com a norma federal foi declarada a inconstitucionalidade de lei estadual que previa a livre nomeação e exoneração, pelo governador, dos cargos de Defensor Público-Geral e do Subdefensor Público-Geral locais, escolhidos dentre advogados com reconhecido saber jurídico e idoneidade. Prevaleceu o entendimento de não caber equiparar o Defensor Público-Geral aos Secretários de Estado, em especial, por ser um cargo privativo de membro da carreira (STF, ADI n. 4.982). Já disse isso lá atrás e vou repetir agora: no âmbito municipal, não há Defensoria Pública, Ministério Público ou Poder Judiciário. O ingresso na carreira dar-se-á mediante aprovação em concurso público de provas e títulos. Para o STF, não há a necessidade de o candidato estar registrado na OAB. Isso porque a capacidade postulatória dos defensores é consequência direta da nomeação e posse no cargo, não cabendo condicionar sua atuação a registro na OAB. No mesmo julgado, o Tribunal confirmou a tese de que a Defensoria pode atuar tanto em relação a pessoas físicas ou jurídicas, presente a condição de hipossuficiência (STF, ADI n. 4.636). Outra coisa: é certo que não existe Defensoria Pública na esfera municipal. Porém, numa decisão que não agradou nem um pouco os Defensores, o STF entendeu que municípios podem instituir a prestação e assistência jurídica à população de baixa renda. Tal serviço não substituiria a Defensoria. Ao contrário, atuaria de forma simultânea. 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Em nova regra, que também vale para a magistratura e para o MP, a remuneração é feita por meio de subsídios, na forma do art. 39, § 4º, da Constituição. Assim, não é compatível com o texto constitucional norma estadual que disponha sobre a contratação temporária de advogados para o exercício da função de defensor público (STF, ADI n. 3.700). Outro ponto importante: já se reconheceu a constitucionalidade de norma estadual que viabiliza aos Procuradores do Estado a opção pela carreira da Defensoria, quando o cargo inicial para o qual foi realizado o concurso englobava a assistência jurídica aos necessitados (STF, ADI n. 3.720). Aliás, situação como esta aconteceu no Distrito Federal. Deixe-me explicar: antes da EC n. 69/12, a tarefa de organizar e manter a Defensoria Pública do DF (DPDF) cabia à União. O problema é que a União não criou a DPDF. Então, quem “fazia as vezes” da DPDFcustos constitucionis (fiscal da Constituição) ou (ombudsman) ouvidor da sociedade. Mas fique atento a uma coisa: “custos legis” (fiscal da lei) é o MP, enquanto “defensor legis” (curador da lei) é o Advogado-Geral da União, que atua defendendo a norma questionada no STF. Falo isso para você não trocar alhos com bugalhos. Avançando, a primeira Constituição brasileira a fazer referência ao Ministério Público foi a de 1891. De lá para cá, a instituição constou em todos os textos constitucionais – seja com maior ou menor grau de atuação. No entanto, não há dúvidas de que foi a atual Constituição a que maior autonomia deu ao MP. A própria Constituição, em seu artigo 127, conceitua o MP dizendo que ele “é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis”. Você vai ver que quase todas as regras de ingresso, garantias e proibições aplicáveis aos Magistrados são estendidas aos membros do MP. Note que eu disse quase... Começando, o artigo 129, § 3º, da Constituição aponta que se aplicam ao MP, no que couberem, as regras do artigo 93. Dentro desse cenário, o candidato deve se submeter a concurso público de provas e títulos, sendo obrigatória a participação da OAB em todas as fases da disputa. Agora imagine a cena: algumas Comarcas são criadas em determinado Estado, mas o MP local não designa promotores de justiça para atuarem nelas. Após diversas tentativas infrutíferas, o Corregedor do TJ resolve autorizar a nomeação de “Promotor de Justiça ad hoc”. Assim, um bacharel em direito alheio aos quadros do MP funcionaria como órgão acusatório penal. Pergunto a você: pode isso, Arnaldo? É claro que não, miserável! O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 6 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes O STF entendeu que haveria ofensa ao princípio do promotor natural e à exclusividade da promoção da ação penal pública pelo Ministério Público (STF, ADI n. 2.958). É cada uma que o povo inventa... Por falar em ausência de promotor na comarca... A lei complementar que rege o MP-AC exigia que os promotores fizessem prévia comunicação, pedindo autorização para se ausentar da comarca ou do estado onde exercem as atividades. Houve questionamento no STF, tendo o tribunal entendido que a medida seria desarrazoada e desnecessária, ferindo a liberdade de locomoção do agente público, sem motivos válidos para justificar a medida (STF, ADI n. 6.845). Avançando, uma inovação trazida pela EC n. 45/2004 é a chamada quarentena de entrada. De acordo com essa regra, exige-se do bacharel em Direito no mínimo três anos de atividade jurídica. O dispositivo surgiu com o claro intuito de que o futuro julgador tenha mais experiência, dada a relevância das funções que exercerá. Para regulamentar o conceito “atividade jurídica”, o CNJ editou a Resolução n. 75/2009 e o CNMP a Resolução n. 40/2009. Nelas são previstas diversas hipóteses de contagem do prazo de três anos. Destaco que não há a obrigatoriedade de o candidato exercer a advocacia, sendo esta apenas uma das diversas hipóteses. EXEMPLO Eu, por exemplo, usei tanto no concurso de Promotor de Justiça quanto no de Juiz o período em que fui Analista Judiciário do STF e Assessor de Ministro do STJ – eu também passei para Defensor Público, mas na época (2011) não foi exigido o triênio de prática jurídica. Em decisão recorrentemente cobrada nas provas, o STF entendeu que a contagem do prazo de três anos se inicia com a conclusão do curso, e não com a colação de grau (STF, ADI n. 3.460). Ainda sobre o tema, há uma decisão importantíssima (para as provas e para a vida!): “a comprovação de atividade jurídica pode considerar o tempo de exercício em cargo não privativo de bacharel em Direito, desde que ausentes dúvidas acerca da natureza eminentemente jurídica das funções desempenhadas” (STF, MS n. 28.226). Assim, nada impede que o(a) candidato(a) que trabalha como técnico judiciário (nível que se exija apenas médio) de um Tribunal ou técnico administrativo no Ministério Público se candidate ao concurso da Magistratura (ou MP ou Defensoria), quando comprovar que desempenhava a chamada atividade-fim. Uma dúvida comum: e o pessoal que trabalha como agente ou escrivão de polícia, pode também usar o tempo de atividade policial para contagem de atividade jurídica? O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 7 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes A resposta é positiva, de acordo com o CNJ. Para isso, obviamente o candidato precisa ser bacharel em Direito e juntar certidão circunstanciada, expedida pelo órgão competente, indicando as respectivas atribuições e a prática reiterada de atos que exijam a utilização preponderante de conhecimento jurídico (CNJ, Consulta n. 0009079-37.2017.2.00.0000). Tem mais um ponto frequente de perguntas no fórum de dúvidas: na Magistratura, o CNJ não admite a utilização de pós-graduação, mestrado ou doutorado para a contagem de atividade jurídica. Repare que falei na Magistratura, porque em relação ao Ministério Público, o CNMP editou a Resolução n. 40/2009, prevendo que a pós-graduação conta como um ano de prática jurídica, enquanto o mestrado e o doutorado equivalem a dois e três anos, respectivamente. Agora fique atento(a) a um julgamento do STF que tem causado grande confusão no pessoal: o Conselho Federal da OAB ajuizou uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade das resoluções do CNJ e do CNMP que permitiam a contagem de tempo de atividade jurídica usando pós, mestrado e doutorado. Ao julgar o caso, o STF primeiro disse que, em relação à resolução do CNJ, o pedido estava prejudicado, porque desde 2009, ano da edição da Resolução n. 75, os concursos para a magistratura não permitiriam a contagem. Por outro lado, no que se refere à Resolução n. 40 do CNMP, o Tribunal decidiu que ela foi editada dentro da autonomia do órgão, sendo válida. Ou seja: nos concursos para o Ministério Público podem ser usados pós-graduação, mestrado ou doutorado para a contagem de tempo de atividade jurídica. A partir daí, um montão de gente começou a falar que agora essa contagem valeria também para a magistratura. Só que isso está errado! A decisão do STF foi restrita ao Ministério Público, até porque se discutia uma resolução do CNMP. aragonê, mas, se o CnJ quiser, ele pode editar nova resolução nos mesmos moldes da aragonê, mas, se o CnJ quiser, ele pode editar nova resolução nos mesmos moldes da que foi feita pelo CnMP?que foi feita pelo CnMP? Claro que pode, dentro de sua autonomia. Se isso acontecer, passa a ser possível. Até lá, nada feito! Aragonê, e como ficam os concursos para defensor e advogado público? Não há uma regra unificada nacionalmente. Vale, então, o que estiver previsto no edital. Em regra, os editais admitem para essas carreiras a contagem até de tempo de estágio obrigatório da faculdade, o que facilita as coisas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 8 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciaisera o CEAJUR (Centro de Atendimento Jurídico), um braço da Procuradoria do DF atuando em defesa dos necessitados. Pois bem. Quando passou para o DF a missão de organizar e manter a DPDF é que foi verdadeiramente criada a Defensoria. Daí, os membros que atuavam no CEJUR puderam fazer a opção entre migrar ou não para a Defensoria. Aqueles que migravam foram proibidos de advogar; os que não migraram foram colocados numa carreira em extinção, a de Procuradores de Autarquias no DF. Estes sim puderam permanecer advogando. Avançando, mas dentro de algo que acabei de falar, aos defensores públicos é proibido o exercício da advocacia fora das atribuições institucionais (mesmo em causa própria). Outra coisa: o artigo 131 da Constituição diz que a Advocacia-Geral da União é a instituição que, diretamente ou através de órgão vinculado, representa a União, judicial e extrajudicialmente. Repare você que a Constituição deferiu à AGU a missão de representar a União, sem restringir a atuação a nenhum dos Poderes da República. Em razão disso, a representação judicial ou extrajudicial vale para todos os Poderes da União. Mas pera lá! Em importante julgado para as provas, decidiu-se que a Defensoria Pública tem a garantia de estar em juízo para defesa de suas prerrogativas e funções institucionais, não se mostrando necessário, nessa hipótese, que sua representação judicial fique a cargo da Advocacia-Geral da União (STF, SL n. 866). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 55 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Por falar da legitimidade da Defensoria para atuar em juízo, lembro que ela não está no rol daqueles autorizados ao ajuizamento da ADI ou de outras ações de controle concentrado – artigo 103 da Constituição. Daí, para tentar burlar essa vedação, a DPU ajuizou ação cível originária diretamente no STF contra a União e os Estados-membros, buscando indenização por morte/acidente em serviço de servidores civis e militares no exercício das funções. No entanto, o STF negou o pedido, pontuando a ilegitimidade da Defensoria para instaurar processo de fiscalização normativa abstrata – ADI, ADO, ADC, ADPF e ADI Interventiva –, ainda que sob o rótulo de ação cível originária (STF, ACO n. 3.061). Aos Defensores Públicos foi garantida a inamovibilidade – assim como acontece com a Magistratura e o MP. Em contrapartida, os Defensores Públicos e a os membros da Advocacia Pública adquirem estabilidade após três anos de efetivo exercício. A garantia da vitaliciedade só é assegurada à Magistratura, ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas. Já que estou fazendo um comparativo entre defensores, promotores e juízes, para os dois últimos a EC n. 45/04 exigiu a quarentena de entrada, que consiste na comprovação de três anos de atividade jurídica para ingresso na carreira. Pois bem, a EC n. 80/14 previu que se aplicaria à Defensoria Pública, “no que couber”, o disposto no artigo 93 da Constituição, que é o regramento que trata da exigência de quarentena. Acontece que a Lei Complementar n. 80/94 prevê, em seu artigo 26, comprovação de atividade jurídica por dois anos, aceitando inclusive o tempo de estágio. Por sua vez, a Resolução n. 118/2015 exigia três anos de prática jurídica, em compasso com a inovação trazida pela EC n. 80/14. Daí você me pergunta: o que eu marco na prova? Marca o que o STJ decidiu... rsrs... Deixe-me falar: o Tribunal entendeu que a exigência de requisitos para acesso a cargos públicos deve estar em lei, de modo que não vale a previsão constante na Resolução 118/2015. Em outras palavras, até que venha nova lei complementar alterando a LC n. 80/94, continua valendo a necessidade de comprovação de dois anos de atividade jurídica para ingresso na carreira de defensor (STJ, RESP n. 1.676.831). Vamos agora para uma tabelinha de pode e não pode? O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 56 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Poder de Requisição da Defensoria Pública É válida a regraÉ válida a regra que garante aos defensores públicos o poder de requisitarpoder de requisitar de autoridades e de agentes públicos certidões, documentos, informações e demais providências necessárias à sua atuação institucional (STF, ADI n. 6.876). É inconstitucional a regra prevista em lei estaduaÉ inconstitucional a regra prevista em lei estaduall que garante à Defensoria Pública a possibilidade de requisitar a instauração de inquérito policial.requisitar a instauração de inquérito policial. Isso porque a matéria está inserida na competência privativa da União para legislar sobre direito processual (STF, ADI n. 4.346). Observação: segundo o artigo 5º do CPP, é possível a instauração de inquérito policial mediante a requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público. 4 .1 . PrinCÍPios instituCionais4 .1 . PrinCÍPios instituCionais Mais uma novidade da EC n. 80/14: assim como acontece com o Ministério Público, agora para a Defensoria Pública também se prevê constitucionalmente os princípios institucionais da unidade, da indivisibilidade e da independência funcional. Grifei a palavra “constitucionalmente”, porque tais princípios institucionais já constavam na Lei Orgânica da Defensoria, em seu artigo 3º. Ah, não se fala em independência funcional ou em inamovibilidade para os membros da advocacia pública, viu? 4 .2 . autonoMia aDMinistratiVa, FunCional E orÇaMEntÁria4 .2 . autonoMia aDMinistratiVa, FunCional E orÇaMEntÁria Aqui está um ponto importantíssimo para as provas! É o seguinte: quando veio a EC n. 45/04, foi assegurada a autonomia AFO (administrativa, funcional e orçamentária) às Defensorias Públicas Estaduais. Somente com a EC n. 74/13 é que a DPU e a DPDF ganharam a mesma autonomia. Mas aí surgiu um problema: os membros da AGU chiaram, pois a DPU ganhou autonomia e eles, não. Como o governo resolveu? Ao invés de estender a autonomia aos membros da advocacia pública federal, brigou foi para retirar a autonomia da DPU. Qual o argumento? Vício de iniciativa na PEC que resultou na promulgação da EC n. 74/13. Opa, mas daí vem outro problema... é que, no âmbito federal, não há iniciativa privativa para as propostas de emenda à Constituição. Em outras palavras, o artigo 60 da Constituição elenca os seguintes legitimados para a propositura de PEC: a) Presidente da República; b) 1/3 dos membros da Câmara dos Deputados; c) 1/3 dos membros do Senado Federal; e d) mais da metade das Assembleias Legislativas, reunidas, cada uma, por maioria simples (ou relativa) de votos. Se você leu com atenção, notou que a Defensoria não é legitimada para propor PEC, certo? Então, como falar em vício de iniciativa... O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 57 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Talvez alguém diga: nesse caso, a PEC deveria ter sido proposta pelo Presidente da República. Novo engano! É que a Defensoria Pública, assim como o Ministério Público e o Tribunal de Contas, é dotada de autonomia, não se subordinando ao Executivo ou a qualquer outro Poder. Nessa linha, o STF entendeu quea autonomia da Defensoria Pública é um preceito fundamental de nossa Constituição. Em decorrência, não é inconstitucional a EC n. 74/13, que deu autonomia à DPU e à DPDF, não se falando em vício de iniciativa. Frisou-se na decisão que a concessão de autonomia encontra respaldo nas práticas da comunidade jurídica internacional (STF, ADI n. 5.296). Agora se ligue na seguinte situação: é certo que cabe ao chefe do Executivo dar o pontapé inicial nos projetos de lei relativos ao regime jurídico dos servidores estaduais – simetria com o artigo 61 da CF. Daí, houve ADI no STF contra lei estadual, de iniciativa da própria Defensoria, que instituiu o plano de cargos e vencimentos dos servidores da instituição. A alegação na ADI era de vício de iniciativa. Porém, ao julgar a ação, o STF entendeu que a partir das ECs que modificaram o artigo 134, a iniciativa de lei sobre criação de cargos, política remuneratória e planos de carreira da Defensoria Pública é privativa do defensor público-geral, tudo em prestígio à autonomia administrativa e funcional (STF, ADI n. 5.943). Agora imagine a situação: por meio de decisão judicial foi determinada a lotação de defensores públicos, sob a justificativa de suprir a carência em comarcas desamparadas. A situação chegou ao STF, que firmou a seguinte tese: Ofende a autonomia administrativa das Defensorias Públicas decisão judicial que determine a lotação de defensor público em localidade desamparada, em desacordo com os critérios previamente definidos pela própria instituição, desde que observados os critérios do artigo 98, caput, e parágrafo 2º do ADCT, incluído pela EC 80/2014 (RE n. 887.671). Também prestigiando a autonomia da Defensoria, foi que se deu provimento a uma ADPF ajuizada contra ato de Governador (STF, ADPF n. 307). Olha a situação: ao receber o orçamento vindo da DPE, o Governador fez alguns cortes. O problema é que o Chefe do Executivo só está autorizado a fazer cortes no orçamento do Judiciário, do MP ou da Defensoria se ele for encaminhado fora dos limites da LDO, o que não tinha acontecido. Não satisfeito, o Governador errou novamente, ao colocar a Defensoria Pública dentro da estrutura da Secretaria de Estado da Justiça, que está em posição de subordinação ao Executivo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 58 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Resultado: a autonomia da Defensoria foi duplamente violada, o que gerou o acolhimento dos argumentos apresentados na ADPF. Outro caso recorrentemente lembrado nas provas de concurso sobre violação da autonomia foi o que declarou a inconstitucionalidade da norma que impunha à Defensoria estadual a assinatura de convênio exclusivo com a OAB (STF, ADI n. 4.163). Cuidado com um ponto: o fato de a Defensoria estadual possuir autonomia administrativa não afasta a necessidade de a legislação estadual observar as normas gerais veiculadas na Lei Orgânica nacional. Dentro desse contexto, o STF declarou a inconstitucionalidade de norma paraibana que fixava critérios diferentes dos constantes na LC n. 80/94 para a investidura nos cargos de Defensor-Público Geral, seu substituto e também o Corregedor-Geral (STF, ADI n. 3.569). Mais uma coisa: o papel central da Defensoria é fazer a defesa dos necessitados. Em razão disso, não pode a norma estadual atribuir à Defensoria a missão de fazer a defesa de servidores públicos processados civil ou criminalmente mesmo por atos ocorridos praticados no exercício de suas funções. É bem verdade que nada impediria a atuação da Defensoria em favor de algum servidor público que se encaixe dentro do critério da hipossuficiência. Mas aí a atuação seria pela necessidade, e não pelo serviço público (STF, ADI n. 3.022). Viola a Constituição ato de Governador de Estado que insere a Defensoria Pública dentro da estrutura de Secretaria de Estado. 4 .3 . Foro Por PrErroGatiVa DE FunÇÃo4 .3 . Foro Por PrErroGatiVa DE FunÇÃo Quanto ao foro especial, entendia o STF que, embora ele não tenha sido dado pela Constituição Federal, nada impediria que seja conferido por Constituição Estadual (STF, ADI n. 2.587). No entanto, em 2019, o Tribunal mudou a sua orientação, para deixar claro que não caberia à Constituição Estadual conceder foro especial a autoridades, indo além daqueles casos já disciplinados na Constituição Federal. Isso porque a própria CF já estabelece autoridades estaduais e até municipais (prefeito e membro de TCM) que contam com a prerrogativa. Ao final, prevaleceu a tese de que o foro especial só seria aplicável àquelas autoridades mencionadas na CF ou naqueles casos em que o foro previsto na CE derivasse diretamente dos artigos 27 e 28 da Constituição – ou seja, deputados estaduais e distritais, vice-governador, secretários de Estado e chefes das forças policiais (STF, ADI n. 2.553). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 59 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes 4 .4 . a atuaÇÃo Da DEFEnsoria PÚBliCa nas tutElas ColEtiVas4 .4 . a atuaÇÃo Da DEFEnsoria PÚBliCa nas tutElas ColEtiVas Outro ponto importante para as provas! É que a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (CONAMP) ingressou com ação direta de inconstitucionalidade, questionando a legitimidade da Defensoria Pública para ajuizar ação civil pública. Na ação, buscava-se a declaração de inconstitucionalidade da Lei n. 11.448/07, a qual modificou o art. 5º da Lei n. 7.357/85, introduzindo a Defensoria Pública no rol de legitimados, previsto no artigo 5º da última norma. No entanto, contrariamente ao que se pedia, o STF confirmou a legitimidade da Defensoria Pública para atuar nas tutelas coletivas, em especial, na ação civil pública, pontuando, ainda, não haver nenhum prejuízo ao MP por conta do reconhecimento dessa legitimidade (STF, ADI n. 3.943). 4 .5 . a PErCEPÇÃo DE HonorÁrios aDVoCatÍCios4 .5 . a PErCEPÇÃo DE HonorÁrios aDVoCatÍCios Em diferentes passagens (artigos 46, III; 91, III; e 130, III), a LC n. 80/94 prevê que os defensores públicos não podem receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto, honorários, percentagens ou custas processuais, em razão de suas atribuições. Essa regra, no entanto, não impede que a instituição receba verbas de sucumbência decorrentes de sua atuação. Nos termos do art. 4º, XXI, da LC n. 80/94, as verbas de sucumbência serão direcionadas não aos Defensores, mas a fundos geridos pela própria defensoria e destinados ao aparelhamento da instituição e à capacitação de seus membros e servidores. Pois é, mas embora a legislação diga que também os entes públicos devem pagar as verbas de sucumbência à Defensoria Pública, o STJ editou a Súmula 421, segundo a qual “os honorários advocatícios não são devidos à Defensoria Pública quando ela atua contra a pessoa jurídica de direito público à qual pertença”. Daí, a fim de pacificar a questão e superar as divergências, o STF firmou tese estabelecendo ser devido o pagamento de honorários à Defensoria Pública nas demandas em que ela representa a parte vencedora contra qualquer ente público, inclusive aqueles aos quais está vinculada. O valor recebido, entretanto, deve ser destinado exclusivamente ao aperfeiçoamento das próprias Defensorias e não pode ser rateado entre seus membros. Ou seja, como a tese foi firmada em recurso julgado sob a sistemática da repercussão geral, a decisão deve ser seguida pelosoutros tribunais, inclusive o STJ (RE n. 114.005). 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Vamos lá: Vitaliciedade Inamovibilidade Independência Funcional Autonomia AFO11 Princípios Institucionais UII22 Ministério Público Sim, após dois anos de efetivo exercício Sim Sim MPU e MPE: sim MP/Contas: não Sim, desde CF de 1988 Defensoria Pública Não Sim Sim Sim, sendo que: DPE: EC n. 45/2004 DPU e DPDF: EC n. 74/2013 Sim, desde a EC n. 80/2014 Advocacia Pública Não Não Não Não Não 1) Autonomia AFO: Autonomia administrativa, funcional e orçamentária 2) Princípios institucionais: unidade, indivisibilidade e independência funcional 6 . tÓPiCo EsPECial: sÚMulas aPliCÁVEis À aula6 . tÓPiCo EsPECial: sÚMulas aPliCÁVEis À aula SÚMULAS VINCULANTES – STF Súmula Vinculante n. 5. A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição. Súmula Vinculante n. 14. É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa. Súmula Vinculante n. 35. A homologação da transação penal prevista no artigo 76 da Lei 9.099/1995 não faz coisa julgada material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação anterior, possibilitando-se ao Ministério Público a continuidade da persecução penal mediante oferecimento de denúncia ou requisição de inquérito policial. 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Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do promotor de justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas. Súmula n. 210. O assistente do Ministério Público pode recorrer, inclusive extraordinariamente, na ação penal, nos casos dos arts. 584, § 1º, e 598 do Código de Processo Penal. sÚMulas stJ Súmula n. 604. O mandado de segurança não se presta para atribuir efeito suspensivo a recurso criminal interposto pelo Ministério Público. Súmula n. 601. O Ministério Público tem legitimidade ativa para atuar na defesa de direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos dos consumidores, ainda que decorrentes da prestação de serviço público. Súmula n. 594. O Ministério Público tem legitimidade ativa para ajuizar ação de alimentos em proveito de criança ou adolescente independentemente do exercício do poder familiar dos pais, ou do fato de o menor se encontrar nas situações de risco descritas no art. 98 do Estatuto da Criança e do Adolescente, ou de quaisquer outros questionamentos acerca da existência ou eficiência da Defensoria Pública na comarca. Súmula n. 533. Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito da execução penal, é imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo diretor do estabelecimento prisional, assegurado o direito de defesa, a ser realizado por advogado constituído ou defensor público nomeado. Súmula n. 421. Os honorários advocatícios não são devidos à Defensoria Pública quando ela atua contra a pessoa jurídica de direito público à qual pertença. (entendimento superado em virtude de decisão proferida no RE 114.005, julgado pelo STF sob a sistemática da repercussão geral). Súmula n. 329. O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil pública em defesa do patrimônio público. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 62 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes QUESTÕES DE CONCURSOQUESTÕES DE CONCURSO DEFEnsoria PÚBliCa 001. 001. (Q3178937/MP-TO/TÉCNICO/2024) Julgue os itens que se seguem, tendo como base a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 e o posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF). A defensoria pública é órgão constitucional subordinado ao Poder Executivo e, portanto, faz parte da sua estrutura administrativa. 002. 002. (Q3085745/TJ-ES/ANALISTA/2024) De acordo com a jurisprudência do STF no que tange a funções essenciais à justiça e aos Poderes Legislativo e Judiciário, julgue os itens a seguir. O chefe do Poder Executivo estadual dispõe de iniciativa legislativa privativa para apresentar projeto de lei que institua plano de cargos, carreira e vencimentos dos servidores da Defensoria Pública Estadual. 003. 003. (Q2777411/TJ-ES/ANALISTA/2024) Julgue os itens subsequentes, a respeito dos Poderes da República. Será inconstitucional lei que autorize os defensores públicos de determinado estado a exercerem a advocacia fora de suas atribuições institucionais. MinistÉrio PÚBliCo 001. 001. (Q3264636/MP-GO/ANALISTA/2024) No que se refere às atribuições do presidente da República, à fiscalização contábil, financeira e orçamentária e ao processo legislativo no âmbito do Poder Legislativo, bem como às funções essenciais à justiça, julgue os itens seguintes. As normas que disponham sobre a organização, as atribuições e o estatuto do Ministério Público de cada estado podem ser estabelecidas por lei complementar estadual, sendo a iniciativa dessa lei facultada ao procurador-geral de justiça do respectivo estado, que deve observar o regramento geral definido pelas normas gerais previstas na Lei Orgânica Nacional do Ministério Público, de iniciativa privativa do presidente da República. 002. 002. (Q3134656/CAU/ANALISTA/2024) A Câmara dos Deputados e o Senado Federal são dotados de diversos órgãos e comissões essenciais para o adequado funcionamento do processo legislativo. Esse processo envolve a criação, o exame e a aprovação de uma variedade de propostas legislativas, incluindo leis ordinárias, medidas provisórias, emendas constitucionais, decretos legislativos e resoluções, todas vitais para o relacionamento eficaz O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilizaçãocivil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 63 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes da sociedade. Cada categoria de proposição legislativa é submetida a um procedimento específico de tramitação. A respeito dessa temática, julgue os itens que se seguem. Os tribunais superiores e a Procuradoria-Geral da República não podem apresentar iniciativas legislativas, pois são órgãos pertencentes ao sistema de justiça, aos quais cabe a defesa dos direitos sociais e individuais indisponíveis, ou seja, defesa da ordem jurídica e do regime democrático. 003. 003. (Q2820568/CNMP/ANALISTA/2024) No que se refere ao catálogo de direitos humanos e à sua efetivação, julgue os itens a seguir, à luz da legislação aplicável e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. O Ministério Público não detém legitimidade para defender em juízo os direitos das populações indígenas, uma vez que se trata de competência exclusiva da Defensoria Pública. 004. 004. (Q3169854/PC-PE/ESCRIVÃO DE POLÍCIA/2024) Conforme a CF, o controle externo da atividade policial será exercido pelo a) Poder Judiciário, na forma disciplinada em lei ordinária. b) Poder Executivo, na forma disciplinada em lei complementar. c) Ministério Público, na forma disciplinada em lei complementar. d) Poder Executivo, na forma disciplinada em lei ordinária. e) Ministério Público, na forma disciplinada em lei ordinária. 005. 005. (Q3026956/MP-RO/ANALISTA/2024) Ainda no que se refere ao MP, assinale a opção correta. a) O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) assemelha-se ao MP estadual, de modo que os servidores do MPDFT pertencem ao quadro funcional do Distrito Federal. b) O Ministério Público Militar está vinculado ao Ministério da Defesa. c) O membro do MP adquire a vitaliciedade a partir de sua investidura no cargo. d) O MP estadual será administrado, de forma conjunta, pelo Poder Judiciário e pelo Poder Executivo estadual. e) É função do MP promover, de forma privativa, a ação penal pública. 006. 006. (Q2820580/CNMP/ANALISTA/2024) Quanto às funções institucionais do Ministério Público relativas aos direitos difusos e coletivos, julgue os itens a seguir à luz da legislação aplicável. O Ministério Público detém legitimidade ativa para propor ação civil pública, porém não poderá atuar como fiscal da lei quando não for parte na ação. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 64 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes 007. 007. (Q3033985/DATAPREV/ADVOGADO/2024) Julgue os itens seguintes, relativos ao regime de precatórios e ao Ministério Público. De acordo com a interpretação prevalecente acerca das funções do Ministério Público na área penal, esse órgão tanto pode reunir elementos de prova por meio de inquérito policial quanto realizar investigações criminais diretamente. 008. 008. (Q3026955/MP-RO/ANALISTA/2024) No que diz respeito ao Ministério Público (MP), assinale a opção correta. a) Ao membro do MP é assegurado o recebimento dos honorários de sucumbência, que serão partilhados de forma igualitária entre seus membros. b) O membro do MP pode ser filiado a partido político, mas não pode ser candidato a cargo eletivo enquanto estiver vinculado à instituição. c) A promotoria do MP junto aos tribunais de contas constitui carreira própria, por isso seus membros não são submetidos às vedações e aos direitos aplicáveis aos membros do MP. d) As funções do MP podem ser exercidas por autoridades policiais quando não houver promotor lotado na respectiva comarca. e) Uma das funções essenciais do MP é a defesa judicial dos interesses e direitos da população indígena. 009. 009. (Q2820578/CNMP/ANALISTA/2024) Quanto às funções institucionais do Ministério Público relativas aos direitos difusos e coletivos, julgue os itens a seguir à luz da legislação aplicável. O Ministério Público detém a competência para promover o inquérito civil para averiguar eventual violação à proteção do meio ambiente. 010. 010. (Q2778229/TJ-ES/ANALISTA/2024) De acordo com a jurisprudência do STF no que tange a funções essenciais à justiça e aos Poderes Legislativo e Judiciário, julgue os itens a seguir. O Ministério Público tem legitimidade ativa para propor ação civil pública por meio da qual pretenda anular acordo de natureza tributária pactuado entre empresa privada e Estado-membro. aDVoCaCia PÚBliCa 001. 001. (Q3142763/CGE-RJ/AUDITOR/2024) A respeito de direitos e deveres individuais e coletivos, estados, servidores públicos, competências do Supremo Tribunal Federal (STF) e fiscalização contábil, financeira e orçamentária, julgue os itens seguintes, considerando a jurisprudência do STF. É lícito à Controladoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro restringir a manifestação político- partidária nas redes sociais de servidores públicos estaduais. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 65 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes 002. 002. (Q2922577/PGE-RR/PROCURADOR/2024) Acerca da justiça eleitoral, da justiça estadual e da advocacia pública, julgue os itens subsequentes. Segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), a inamovibilidade é garantia implícita dos membros da advocacia pública. FunÇÕEs EssEnCiais À JustiÇa 001. 001. (Q2790371/TJ-ES/ANALISTA/2024) Julgue os itens seguintes, relativos ao Poder Legislativo e ao Poder Executivo e às funções essenciais à justiça. A CF erigiu o Ministério Público, a Advocacia-Geral da União e a Defensoria Pública à categoria de órgãos cuja função é essencial à justiça, assegurando a cada uma dessas instituições autonomia funcional e administrativa bem como a iniciativa de sua proposta orçamentária. 002. 002. (Q2835216/TJ-CE/TÉCNICO/2024) Acerca do que dispõe a CF sobre o Poder Judiciário e as funções essenciais à justiça, assinale a opção correta. a) O Conselho Nacional de Justiça não é considerado órgão autônomo do Poder Judiciário, estando vinculado ao Supremo Tribunal Federal. b) As súmulas vinculantes editadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) possuem efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário, mas não alcançam os Poderes Executivo e Legislativo. c) Além do Ministério Público, a CF alçou à categoria de órgãos cujas funções são essenciais à justiça a Advocacia-Geral da União, a Defensoria Pública e a Receita Federal. d) O Conselho da Justiça Federal é órgão que funciona junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e entre suas atribuições consta a supervisão administrativa e orçamentária da justiça federal e da justiça estadual de primeiro e segundo graus. e) O Ministério Público é instituição essencial à função jurisdicional do Estado, sendo assegurada de forma expressa pelo texto constitucional sua autonomia funcional e administrativa, além da prerrogativa de elaborar sua própria proposta orçamentária, desde que esta última esteja dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias. 003. 003. (Q3004498/MP-RO/ANALISTA/2024) Assinale a opção correta acerca das funções essenciais à justiça. a) As funções essenciais à justiça fazem parte do Poder Judiciário. b) O Ministério Público da União engloba o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. c) Os Ministérios Públicos estaduais são chefiados pelo procurador-geral da República. d) O Ministério Público e a Defensoria Pública municipais atuam na garantia dos direitosdos cidadãos em âmbito municipal. e) A Advocacia-Geral da União presta serviços de consultoria e assessoramento jurídico aos três poderes da União. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 66 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes GABARITOGABARITO DEFEnsoria PÚBliCa 1. E 2. E 3. C MinistÉrio PÚBliCo 1. C 2. E 3. E 4. c 5. e 6. E 7. C 8. e 9. C 10. C aDVoCaCia PÚBliCa 1. E 2. E FunÇÕEs EssEnCiais À JustiÇa 1. E 2. e 3. b O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 67 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes GABARITO COMENTADOGABARITO COMENTADO DEFEnsoria PÚBliCa 001. 001. (Q3178937/MP-TO/TÉCNICO/2024) Julgue os itens que se seguem, tendo como base a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 e o posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF). A defensoria pública é órgão constitucional subordinado ao Poder Executivo e, portanto, faz parte da sua estrutura administrativa. A EC 45/04 deu às Defensorias Estaduais a tríplice autonomia (administrativa, funcional e orçamentário-financeira). Depois, a EC 74/13 estendeu essa autonomia às defensorias da União e do DF. Assim, é indevido colocá-la em posição de subordinação a qualquer um dos Poderes. Errado. 002. 002. (Q3085745/TJ-ES/ANALISTA/2024) De acordo com a jurisprudência do STF no que tange a funções essenciais à justiça e aos Poderes Legislativo e Judiciário, julgue os itens a seguir. O chefe do Poder Executivo estadual dispõe de iniciativa legislativa privativa para apresentar projeto de lei que institua plano de cargos, carreira e vencimentos dos servidores da Defensoria Pública Estadual. A EC 45/04 e a EC 74/13 deram, respectivamente, às Defensorias dos Estados, da União e do DF a autonomia administrativa, funcional e orçamentário-financeira, de modo que cabe à respectiva Defensoria encaminhar projetos de lei de seu interesse. Ou seja, não passa pelo chefe do Executivo a iniciativa nesses casos. Errado. 003. 003. (Q2777411/TJ-ES/ANALISTA/2024) Julgue os itens subsequentes, a respeito dos Poderes da República. Será inconstitucional lei que autorize os defensores públicos de determinado estado a exercerem a advocacia fora de suas atribuições institucionais. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 68 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Juízes, promotores e defensores públicos não podem exercer a advocacia nem mesmo em causa própria. Em relação aos defensores, a sua missão constitucional é fazer a defesa judicial e extrajudicial dos necessitados. Fora dessa missão, eles não podem advogar. Certo. MinistÉrio PÚBliCo 001. 001. (Q3264636/MP-GO/ANALISTA/2024) No que se refere às atribuições do presidente da República, à fiscalização contábil, financeira e orçamentária e ao processo legislativo no âmbito do Poder Legislativo, bem como às funções essenciais à justiça, julgue os itens seguintes. As normas que disponham sobre a organização, as atribuições e o estatuto do Ministério Público de cada estado podem ser estabelecidas por lei complementar estadual, sendo a iniciativa dessa lei facultada ao procurador-geral de justiça do respectivo estado, que deve observar o regramento geral definido pelas normas gerais previstas na Lei Orgânica Nacional do Ministério Público, de iniciativa privativa do presidente da República. Além do regramento previsto no texto constitucional, o artigo 128, § 5º prevê que leis complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é facultada aos respectivos Procuradores-Gerais, estabelecerão a organização, as atribuições e o estatuto de cada Ministério Público. Isso decorre da autonomia assegurada ao MP comum – da União e dos Estados. Vale lembrar que o MP de contas não possui autonomia. Assim, projetos de lei de seu interesse devem ser propostos pelo TC respectivo. Certo. 002. 002. (Q3134656/CAU/ANALISTA/2024) A Câmara dos Deputados e o Senado Federal são dotados de diversos órgãos e comissões essenciais para o adequado funcionamento do processo legislativo. Esse processo envolve a criação, o exame e a aprovação de uma variedade de propostas legislativas, incluindo leis ordinárias, medidas provisórias, emendas constitucionais, decretos legislativos e resoluções, todas vitais para o relacionamento eficaz da sociedade. Cada categoria de proposição legislativa é submetida a um procedimento específico de tramitação. A respeito dessa temática, julgue os itens que se seguem. Os tribunais superiores e a Procuradoria-Geral da República não podem apresentar iniciativas legislativas, pois são órgãos pertencentes ao sistema de justiça, aos quais cabe a defesa dos direitos sociais e individuais indisponíveis, ou seja, defesa da ordem jurídica e do regime democrático. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 69 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes A resposta passa pelos artigos 96, II, e 127, § 2º, da CF, que atribuem autonomia ao Judiciário e ao MP comum (da União e dos Estados). Dentro dessa prerrogativa, ambos podem deflagrar o processo legislativo, apresentando projetos de lei de seu interesse. Note que a autonomia é ainda mais ampla, chamada de AFO – administrativa, funcional e orçamentário-financeira. Quem mais tem autonomia? Além do Judiciário e do MP comum, a Defensoria e os Tribunais de Contas. E quem não tem autonomia? O MP de contas, que funciona junto ao respectivo tribunal de contas, e a advocacia pública. Errado. 003. 003. (Q2820568/CNMP/ANALISTA/2024) No que se refere ao catálogo de direitos humanos e à sua efetivação, julgue os itens a seguir, à luz da legislação aplicável e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. O Ministério Público não detém legitimidade para defender em juízo os direitos das populações indígenas, uma vez que se trata de competência exclusiva da Defensoria Pública. O artigo 129 da CF lista entre as funções institucionais do MP a defesa dos interesses das populações indígenas. Errado. 004. 004. (Q3169854/PC-PE/ESCRIVÃO DE POLÍCIA/2024) Conforme a CF, o controle externo da atividade policial será exercido pelo a) Poder Judiciário, na forma disciplinada em lei ordinária. b) Poder Executivo, na forma disciplinada em lei complementar. c) Ministério Público, na forma disciplinada em lei complementar. d) Poder Executivo, na forma disciplinada em lei ordinária. e) Ministério Público, na forma disciplinada em lei ordinária. Uma das funções institucionais do Ministério Público, previstas no artigo 129 da CF, é a de fazer o controle externo da atividade policial, o que afasta as alternativas A, B e D. Porém, a resposta está na letra C (e não na E), porque cabe a uma lei complementar disciplinar o tema. Letra c. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgaçãoou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 70 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes 005. 005. (Q3026956/MP-RO/ANALISTA/2024) Ainda no que se refere ao MP, assinale a opção correta. a) O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) assemelha-se ao MP estadual, de modo que os servidores do MPDFT pertencem ao quadro funcional do Distrito Federal. b) O Ministério Público Militar está vinculado ao Ministério da Defesa. c) O membro do MP adquire a vitaliciedade a partir de sua investidura no cargo. d) O MP estadual será administrado, de forma conjunta, pelo Poder Judiciário e pelo Poder Executivo estadual. e) É função do MP promover, de forma privativa, a ação penal pública. a) Errada. O MPDFT é um dos ramos do MPU. Logo, os servidores desse órgão são do quadro do MP da União, regidos pela Lei 8112/90. b) Errada. O erro está no fato de o MPU possuir 4 ramos, a saber: MPF, MPT, MPM e MPDFT. Logo, não há qualquer ligação com o Ministério da Defesa. c) Errada, pois juízes e promotores adquirem vitaliciedade após 2 anos de efetivo exercício. d) Errada. O erro está em desconsiderar que o MP possui autonomia, não tendo qualquer subordinação aos demais Poderes. e) Certa, uma vez que o artigo 129, I, da CF dá ao MP a função institucional de promover privativamente a ação penal pública, nos termos da lei. O STF entende que, a esse respeito, pode o MP coletar provas, em decorrência da teoria norte americana dos poderes implícitos. Por outro lado, não é privativa do MP a celebração de acordos de colaboração premiada. Esses acordos também podem ser feitos pela autoridade policial. Letra e. 006. 006. (Q2820580/CNMP/ANALISTA/2024) Quanto às funções institucionais do Ministério Público relativas aos direitos difusos e coletivos, julgue os itens a seguir à luz da legislação aplicável. O Ministério Público detém legitimidade ativa para propor ação civil pública, porém não poderá atuar como fiscal da lei quando não for parte na ação. A legitimação para ajuizar a ACP é concorrente. O MP e a Defensoria Pública são os principais autores dessas ações. Porém, o próprio artigo 5º da LACP prevê que caberá ao MP atuar obrigatoriamente como fiscal da lei quando não intervier no processo como parte. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 71 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes 007. 007. (Q3033985/DATAPREV/ADVOGADO/2024) Julgue os itens seguintes, relativos ao regime de precatórios e ao Ministério Público. De acordo com a interpretação prevalecente acerca das funções do Ministério Público na área penal, esse órgão tanto pode reunir elementos de prova por meio de inquérito policial quanto realizar investigações criminais diretamente. Embora o artigo 144 da Constituição diga que cabe exclusivamente à polícia federal e à polícia civil a tarefa de polícia judiciária (responsável pelas investigações), prevaleceu no STF e no STJ a orientação segundo a qual seriam legítimas as provas coletadas pelo MP (STF, HC n. 91.661). Adotou-se no caso a teoria norte-americana dos princípios implícitos – “quem pode o mais, pode o menos”. Como assim?Como assim? Ora, se o MP é o titular da ação penal, cabe a ele oferecer a acusação. Mas para isso ele precisa de provas, certo? Então, ele pode requisitar as provas à autoridade policial ou ainda coletá-las diretamente. Afinal, quem pode o mais (acusar), pode o menos (coletar provas para acusar)! De todo modo, não esqueça que a presidência do inquérito policial é atividade privativa do Delegado de Polícia, não podendo ser exercida pelo Ministério Público (STF, RHC n. 81.326). Certo. 008. 008. (Q3026955/MP-RO/ANALISTA/2024) No que diz respeito ao Ministério Público (MP), assinale a opção correta. a) Ao membro do MP é assegurado o recebimento dos honorários de sucumbência, que serão partilhados de forma igualitária entre seus membros. b) O membro do MP pode ser filiado a partido político, mas não pode ser candidato a cargo eletivo enquanto estiver vinculado à instituição. c) A promotoria do MP junto aos tribunais de contas constitui carreira própria, por isso seus membros não são submetidos às vedações e aos direitos aplicáveis aos membros do MP. d) As funções do MP podem ser exercidas por autoridades policiais quando não houver promotor lotado na respectiva comarca. e) Uma das funções essenciais do MP é a defesa judicial dos interesses e direitos da população indígena. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 72 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes a) Errada. É vedado o recebimento de honorários de sucumbência tanto para o MP quanto para os juízes. Em relação à advocacia pública é possível, desde que respeitado o teto constitucional. b) Errada. O erro está no fato de que entre as proibições impostas a juízes e promotores está a de se filiar a partido político, bem assim a concorrer a mandatos eletivos. c) Errada. É que embora o MP de Contas realmente possua carreira própria, há regramentos do MP comum que lhe são estendidos, tanto na parte boa (garantias) quanto na ruim (vedações). Dito de outro modo, os membros do MP de Contas possuem apenas as cláusulas de garantias subjetivas (vitaliciedade, inamovibilidade, irredutibilidade, independência funcional, forma de ingresso na carreira). Ficariam de fora as demais prerrogativas institucionais asseguradas ao Ministério Público comum, como a autonomia administrativa, financeira e orçamentária. d) Errada, pois mesmo na falta de membro do MP, a sua missão constitucional não pode ser delegada à autoridade policial. e) Certa, uma vez que uma das funções institucionais do MP (artigo 129 da CF) é exatamente a defesa dos interesses das populações indígenas. Letra e. 009. 009. (Q2820578/CNMP/ANALISTA/2024) Quanto às funções institucionais do Ministério Público relativas aos direitos difusos e coletivos, julgue os itens a seguir à luz da legislação aplicável. O Ministério Público detém a competência para promover o inquérito civil para averiguar eventual violação à proteção do meio ambiente. Vamos lá: a primeira coisa é lembrar que a legitimidade para ajuizamento da Ação Civil Pública é concorrente. Ou seja, há alguns legitimados, como é o caso do MP e da Defensoria Pública. Todos eles podem inclusive celebrar termo de ajustamento de conduta. Por outro lado, a promoção do inquérito civil é ato privativo do MP, não sendo estendida essa possibilidade a outros legitimados. Ah, pode haver ACP e inquérito civil para tratar sobre a proteção do meio ambiente. Certo. 010. 010. (Q2778229/TJ-ES/ANALISTA/2024) De acordo com a jurisprudência do STF no que tange a funções essenciais à justiça e aos Poderes Legislativo e Judiciário, julgue os itens a seguir. O Ministério Público tem legitimidade ativa para propor ação civil pública por meio da qual pretenda anular acordo de natureza tributária pactuado entre empresa privada e Estado-membro. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 73 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciaisà Justiça Aragonê Fernandes A questão da (im)possibilidade de o MP ajuizar ação civil pública nas mais variadas situações é recorrente nas provas e na jurisprudência. Então, vou destacar algumas delas, que serão mais exploradas nas provas do nível de Analista para cima, mas vez ou outra aparecem até em provas de técnico. Vamos a elas? Começando, o Ministério Público tem legitimidade para promover ação civil pública cujo fundamento seja a ilegalidade de reajuste de mensalidade escolares (STF, Súmula n. 643). De igual modo, o STF também entende que o MP pode ajuizar a ACP que vise anular ato administrativo de aposentadoria que importe em lesão ao patrimônio público ou que busque defender direitos sociais relacionados ao FGTS, ou ainda quando se visa o fornecimento de remédios a portadores de certa doença. Mas tem uma orientação do STF que está lá no topo das cobranças: ela diz respeito à ilegitimidade do MP para ajuizar a ACP tratando sobre pretensão relativa à matéria tributária (STF, ARE n. 694.294). Por outro lado, quando o assunto é TARE (Termo de Acordo de Regime Especial), o STF reconhece a legitimidade de o MP para propor ACP (e ICP) para questionar esse tipo de acordo tributário, pois se entendeu que ele é potencialmente lesivo ao patrimônio público. Isso porque ele autoriza um recolhimento menor do ICMS (RE 576.155). Certo. aDVoCaCia PÚBliCa 001. 001. (Q3142763/CGE-RJ/AUDITOR/2024) A respeito de direitos e deveres individuais e coletivos, estados, servidores públicos, competências do Supremo Tribunal Federal (STF) e fiscalização contábil, financeira e orçamentária, julgue os itens seguintes, considerando a jurisprudência do STF. É lícito à Controladoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro restringir a manifestação político- partidária nas redes sociais de servidores públicos estaduais. Toda a confusão começou quando a CGU editou a Nota Técnica n. 1556/2020/CGUNE/ CRG, a qual fixava entendimento acerca de dispositivos relativos a deveres e proibições constantes da Lei n. 8.112/1990. Na prática, a Nota cerceava manifestações de servidores nas redes sociais. Ela foi objeto de questionamento via ADI no STF. Porém, o tribunal entendeu pelo não-cabimento da ação, uma vez que ela questionava nota técnica, ato destituído de generalidade, abstração ou impessoalidade (ADI 6.499). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 74 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Avançando, no dia 16 de janeiro de 2023, a CGU revogou a bendita nota técnica, exatamente pelos problemas relacionados à violação da liberdade de expressão. Só tome cuidado com uma coisa: o STF fixou a seguinte tese acerca das manifestações dos advogados públicos: Considerando-se a natureza do cargo, é constitucional a necessidade de ordem ou autorização expressa do Advogado-Geral da União para manifestação do advogado público sobre assunto pertinente às suas funções, ressalvadas a liberdade de cátedra e a comunicação às autoridades competentes acerca de ilegalidades constatadas. No julgamento, prevaleceu a orientação de que a proibição era destinada a agentes públicos específicos, não cria qualquer espécie de censura direcionada à imprensa, e possui como objetivo primordial o resguardo do sigilo necessário ao desempenho da advocacia e, consequentemente, a salvaguarda dos interesses públicos envolvidos na atuação da AGU (STF, ADI n. 4.652). Errado. 002. 002. (Q2922577/PGE-RR/PROCURADOR/2024) Acerca da justiça eleitoral, da justiça estadual e da advocacia pública, julgue os itens subsequentes. Segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), a inamovibilidade é garantia implícita dos membros da advocacia pública. A advocacia pública não tem quase nada (inamovibilidade, independência funcional, vitaliciedade, duas férias por ano ou princípios institucionais). Só isso já torna o item errado. Porém, vou usar um quadro poderoso aqui embaixo, pois ele vai resolver algumas questões de prova. Veja: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 75 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Vitaliciedade Inamovibilidade Independência Funcional Autonomia AFO1 Princípios Institucionais UII2 Ministério Público Sim, após dois anos de efetivo exercício Sim Sim MPU e MPE: sim MP/Contas: não Sim, desde CF de 1988 Defensoria Pública Não Sim Sim Sim, sendo que: DPE: EC n. 45/2004 DPU e DPDF: EC n. 74/2013 Sim, desde a EC n. 80/2014 Advocacia Pública Não Não Não Não Não 1) Autonomia AFO: Autonomia administrativa, funcional e orçamentária 2) Princípios institucionais: unidade, indivisibilidade e independência funcional Errado. FunÇÕEs EssEnCiais À JustiÇa 001. 001. (Q2790371/TJ-ES/ANALISTA/2024) Julgue os itens seguintes, relativos ao Poder Legislativo e ao Poder Executivo e às funções essenciais à justiça. A CF erigiu o Ministério Público, a Advocacia-Geral da União e a Defensoria Pública à categoria de órgãos cuja função é essencial à justiça, assegurando a cada uma dessas instituições autonomia funcional e administrativa bem como a iniciativa de sua proposta orçamentária. A autonomia é dada ao MP comum (da União e dos Estados) e às Defensorias Públicas, mas não é assegurada aos advogados públicos. Eles não têm autonomia, inamovibilidade, independência funcional ou vitaliciedade. Errado. 002. 002. (Q2835216/TJ-CE/TÉCNICO/2024) Acerca do que dispõe a CF sobre o Poder Judiciário e as funções essenciais à justiça, assinale a opção correta. a) O Conselho Nacional de Justiça não é considerado órgão autônomo do Poder Judiciário, estando vinculado ao Supremo Tribunal Federal. b) As súmulas vinculantes editadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) possuem efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário, mas não alcançam os Poderes Executivo e Legislativo. c) Além do Ministério Público, a CF alçou à categoria de órgãos cujas funções são essenciais à justiça a Advocacia-Geral da União, a Defensoria Pública e a Receita Federal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 76 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes d) O Conselho da Justiça Federal é órgão que funciona junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e entre suas atribuições consta a supervisão administrativa e orçamentária da justiça federal e da justiça estadual de primeiro e segundo graus. e) O Ministério Público é instituição essencial à função jurisdicional do Estado, sendo assegurada de forma expressa pelo texto constitucional sua autonomia funcional e administrativa, além da prerrogativa de elaborar sua própria proposta orçamentária, desde que esta última esteja dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias. a) Errada, porque o CNJ não está vinculado ao STF. A ele cabe a missão de fazer controle da atuação administrativa e financeira do Judiciário e dos deveres funcionais de seus membros. b) Errada, pois as súmulas vinculantes terão esse efeito os demais órgãos do Judiciário, sobre todo o Poder Executivo e também sobre o Legislativo, exceto na função típica de legislar. c) Errada. O erro está em incluir a Receita Federal entreas funções essenciais à Justiça. Nelas há o mnemônico DAMA (Defensoria, Advocacia Pública, Ministério Público e Advocacia Privada). d) Errada. A pegadinha é que o CJF faz a supervisão administrativa e orçamentária da JF de primeiro e segundo grau, mas não em relação à justiça estadual. e) Certa. Ministério Público comum (da União e dos Estados) e a Defensoria Pública contam com a tríplice autonomia – administrativa, funcional e orçamentário-financeira. Letra e. 003. 003. (Q3004498/MP-RO/ANALISTA/2024) Assinale a opção correta acerca das funções essenciais à justiça. a) As funções essenciais à justiça fazem parte do Poder Judiciário. b) O Ministério Público da União engloba o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. c) Os Ministérios Públicos estaduais são chefiados pelo procurador-geral da República. d) O Ministério Público e a Defensoria Pública municipais atuam na garantia dos direitos dos cidadãos em âmbito municipal. e) A Advocacia-Geral da União presta serviços de consultoria e assessoramento jurídico aos três poderes da União. a) Errada, porque o Ministério Público e a Defensoria Pública são dotados de autonomia, não integrando nenhum dos Poderes. b) Certa, uma vez que o MPU engloba quatro ramos: MPF, MPT, MPM e MPDFT. c) Errada. O erro está no fato de que os MPEs e o MPDFT são chefiados pelo procurador- geral de justiça. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 77 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes d) Errada. Não há judiciário, MP e defensorias municipais. e) Errada. Segundo o artigo 131, a AGU defende a União na esfera judicial e extrajudicial. Porém, no que se refere às atividades de consultoria e assessoramento, a missão recai somente sobre o Executivo. Letra b. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br Abra caminhos crie futuros gran.com.br O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. Sumário Apresentação Funções Essenciais à Justiça 1. Ministério Público 1.1. Considerações Iniciais e Ingresso na Carreira 1.2. Princípios Institucionais 1.3. Princípio do Promotor Natural 1.4. Autonomia Funcional, Administrativa e Orçamentária 1.5. Diferentes Ramos Existentes no Ministério Público 1.6. Foro por Prerrogativa de Função 1.7. Garantias 1.8. Proibições 1.9. Funções Institucionais 1.10. Conselho Nacional do Ministério Público – CNMP 2. Advocacia Pública 2.1. Defensor Legis 3. Advocacia Privada 4. Defensoria Pública 4.1. Princípios Institucionais 4.2. Autonomia Administrativa, Funcional e Orçamentária 4.3. Foro por Prerrogativa de Função 4.4. A Atuação da Defensoria Pública nas Tutelas Coletivas 4.5. A Percepção de Honorários Advocatícios 5. Quadro Comparativo entre Pontos Principais das Funções Essenciais à Justiça 6. Tópico Especial: Súmulas Aplicáveis à Aula Questões de Concurso Gabarito Gabarito Comentadoà Justiça Aragonê Fernandes Posso sistematizar? Carreira Exigência de três anos de atividade jurídica Pós-graduação, mestrado e doutorado podem contar? Magistratura Sim Não Ministério Público Sim Sim Defensoria Pública Não está sendo aplicada até que venha regulamentação por lei. Valerá a regra do edital. Advocacia Pública Na CF, não. Valerá a regra do edital. Valerá a regra do edital. Outra coisa: em regra, os requisitos do cargo público devem ser comprovados no ato da posse (STJ, Súmula n. 266). No entanto, para a Magistratura e para o Ministério Público, a comprovação deve ser feita na inscrição definitiva (STF, RE n. 655.265 e artigo 3º da Resolução 40 do CNMP). Para que não haja dúvidas, deixe-me explicar aqui a “maratona” que é um concurso desse porte: primeiro, o candidato faz a inscrição preliminar. Depois, submete-se a provas objetivas (primeira fase) e subjetivas (segunda fase). Após a segunda fase (e antes da prova oral), é hora da inscrição definitiva, oportunidade de comprovação também dos três anos de atividade jurídica. Finalizando, acontecem as provas orais e de títulos, esta última de caráter meramente classificatório – o STF já entendeu que fase de títulos não pode ter caráter eliminatório. Aproveitando que falei em concurso público, vou logo começar com um julgado muito polêmico, que tende a cair em várias provas que estão por vir. É o seguinte: chegou ao STF o questionamento de uma lei complementar aplicável ao Ministério Público do Estado de Santa Catarina, que dizia o seguinte: Art. 63-A. O Ministério Público poderá oferecer estágios: (…) IV – para bacharéis em Direito regularmente matriculados em cursos de pós-graduação, em nível de especialização, mestrado, doutorado ou pós-doutorado, em área afeta às funções institucionais do Ministério Público estadual, ou com elas afim. O questionamento foi feito pela associação de servidores do próprio MP/SC, dizendo que a contratação de bacharéis em Direito na função de estagiário seria uma burla ao concurso público. Ao final, o STF confirmou a validade da norma, julgando a ação improcedente, ao argumento de que o estágio realizado durante o curso de pós-graduação estaria inserido na Lei do Estágio. Também não haveria violação à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), sendo legítimo o instituto da “residência jurídica”, criado pela lei estadual. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 9 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Apontou-se, igualmente, respeito aos princípios da impessoalidade e da publicidade, uma vez que o processo seletivo para a contratação de estagiários permitia amplo acesso e concorrência, em igualdade de condições, para os estudantes interessados, bem como pressupõe publicação de edital no Diário Oficial Eletrônico do Ministério Público. Além disso, o programa de residência jurídica seria compatível com o princípio da eficiência administrativa, porquanto teria o potencial de oferecer um aprendizado particularizado aos futuros ocupantes de cargos públicos, incrementado, por esta via, a qualidade no desempenho das suas futuras funções (STF, ADI n. 5.752). Os requisitos para ingresso nas carreiras do Ministério Público e da Magistratura devem ser comprovados na inscrição definitiva, e não na posse. 1 .2 . PrinCÍPios instituCionais1 .2 . PrinCÍPios instituCionais O artigo 127, § 1º, da Constituição, elenca três princípios institucionais do Ministério Público: unidade, indivisibilidade e independência funcional. As questões mais simples nas provas se limitam a perguntar quais são os princípios ou ainda quais não são. Hoje em dia também se pergunta a quais instituições esses princípios se aplicam. Disse “hoje em dia”, porque a EC n. 80/14 definiu que os três princípios institucionais também valem para a Defensoria Pública. Ah, eles não se estendem para a advocacia pública, pegadinha frequentemente usada pelos examinadores. O problema é que só isso não será suficiente para a maior parte das provas que são aplicadas atualmente. Então, vou detalhar para você o que pode ser cobrado, para não deixá-lo num mato sem cachorro... 1 .2 .1 . uniDaDE A unidade significa que os membros do Ministério Público integram um só órgão sob a direção de um só Procurador-Geral. Contudo, você tem que lembrar que a unidade existe dentro de cada MP. Em outras palavras, há uma chefia para o Ministério Público da União – PGR – e uma chefia no Ministério Público Estadual – PGJ. É dentro desse cenário que o STF reconhece a legitimidade do membro do MP Estadual para recorrer diretamente no STF e no STJ nos processos que ele tenha atuado na primeira instância. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 10 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Aliás, também se confere essa mesma possibilidade em relação ao ajuizamento de reclamação, quando a instância de origem não quiser dar cumprimento à decisão do Tribunal Superior ou do STF (STF, RCL n. 7.245). Para você entender melhor a polêmica, segundo a legislação, quem atuaria no STF e nos Tribunais Superiores seriam somente os membros do MPU (PGR e Subprocuradores-Gerais). Porém, dando uma interpretação mais contextualizada, abriu-se a possibilidade de o membro do MP Estadual acompanhar o processo até o final, sem precisar “pedir benção” aos membros do MP da União (STF, RE n. 848.286). Cá para nós, tem horas que o concurseiro precisa respirar fundo, porque é eita atrás de eita, não é mesmo? Digo isso porque, num primeiro momento, o STF entendia (PASSADO) que conflito de atribuições entre membros do MPU e do MP Estadual deveria ser dirimido pelo próprio STF, por envolver conflito federativo. Aplicava-se, assim, a regra do artigo 102, I, f, da CF. Pois é, mas depois o Tribunal mudou de orientação, passando a entender que o procurador- geral da República é quem deveria dirimir conflitos de atribuições entre os membros do MP Federal e do MP Estadual (STF, ACO n. 1.567). É certo que não faltaram críticas à nova orientação, porque o membro do MP Estadual não possui nenhum vínculo de subordinação ou hierarquia com o PGR, que chefia apenas o MPU. Em nova mudança, operada a partir de voto proferido pelo ministro Alexandre de Moraes (que foi do MP-SP), o STF atualmente entende que esse conflito deve ser resolvido é pelo CNMP. Armaria, nãm! Explicando em juridiquês, por não ter vinculação direta com qualquer dos ramos dos Ministérios Públicos dos entes federativos, mas sendo por eles composto, o CNMP possuiria isenção suficiente para definir, segundo as normas em que se estrutura a instituição, qual agente do Ministério Público tem aptidão para a condução de determinado inquérito civil. Invocou-se o § 2º do art. 130-A, segundo o qual é competência do CNMP o controle da atuação administrativa do MP e do cumprimento dos deveres funcionais de seus membros. Dentro desse controle, caberia ao Conselho zelar pela autonomia funcional e administrativa do MP, bem como pela legalidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do MPU, ou do MP Estadual, entre eles, aqueles atos que originaram o conflito de atribuições. Trocando em miúdos, ficou vencedora a tese segundo a qual a solução de conflitos de atribuições entre ramos diversos dos Ministérios Públicos pelo CNMP é a mais adequada, pois reforça o mandamento constitucional que lhe atribuiu o controle dalegalidade das ações administrativas dos membros e órgãos dos diversos ramos ministeriais, sem ingressar ou ferir a independência funcional (STF, ACO n. 843). Resumo da ópera: conflito de atribuições entre membros do MPU e do MP Estadual não vai nem para o STF, nem para o PGR. Agora, seu destino é ser dirimido pelo CNMP. Em minha humilde opinião, acho que a solução atual ficou bem melhor do que a anterior... O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 11 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Os membros do Ministério Público Estadual dispõem de legitimidade para atuar diretamente no STF, ajuizando reclamação ou mesmo na interposição de recursos nos processos em que tenham atuado na primeira instância. Foi também com base no princípio da unidade que o STF decidiu ser desnecessária a ratificação da denúncia quando apresentada anteriormente por membro do MP incompetente. A hipótese envolvia membro pertencente ao mesmo MP e também do mesmo grau funcional (STF, HC n. 85.137). Outra coisa: a Resolução n. 126 do CNMP trouxe regra no sentido de que “após a instauração do inquérito civil ou do procedimento preparatório, quando o membro que o preside concluir ser atribuição de outro Ministério Público, este deveria submeter sua decisão ao referendo do órgão de revisão competente, no prazo de 3 (três) dias.” Contra esse dispositivo foi ajuizada ADI no STF, sob a alegação de que haveria violação aos princípios da unidade e da independência funcional. Ao julgar a ação, o STF negou o pedido e manteve a validade da resolução, dizendo que o CNMP agiu dentro dos limites constitucionais ao editar resolução para esclarecer que deve ser referendada, pelo órgão de revisão competente, a decisão do membro do MP que conclui, após a instauração do inquérito civil ou do respectivo procedimento preparatório, ser este ou aquele de atribuição de outro ramo do Ministério Público (STF, ADI n. 5.434). Agora fique ligado(a) em um julgamento que pode interessar a você nas provas e na vida: o STF entende que só existe unidade dentro de cada Ministério Público, e não entre o MP de um estado e de outro, nem entre estes e os diversos ramos do MPU. Hora de falarmos sobre um tema bastante polêmico, tratado na EC 130/2023. É o seguinte: sempre foi possível a permuta entre juízes federais e do trabalho, mesmo de regiões diferentes. Assim, um juiz do TRF 1, lotado em Brasília/DF, poderia permutar com um juiz do TRF 5, lotado em Fortaleza/CE. Até aí, tudo bem. Afinal, a fonte pagadora é a mesma (União) e a remuneração é equivalente, além de todos serem regidos por normas iguais. A inovação trazida pela EC permite a permuta entre juízes vinculados a tribunais diferentes. Exemplificando, um juiz do TJ-ES poderá permutar com um juiz de igual entrância do TJ-PE. Essa lógica valerá para os ramos da justiça federal e do trabalho (nenhuma novidade, como você acabou de ver). Além disso, também será possível a permuta entre os membros da 2ª instância. Ou seja, um desembargador do TJ-RR pode permutar com um desembargador do TJ-AP. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 12 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes É importante destacar que não é possível mudar de ramo, saindo de Juiz Estadual para Juiz do Trabalho, por exemplo. Além da mudança na Constituição, é esperado que o CNJ edite resolução, detalhando as regras para a permuta no plano nacional. O que se sabe até aqui é que a permuta será entre juízes de igual entrância. Em locais como o DF, no qual inexiste entrância, os juízes seriam considerados de entrância final. Ah, mas e se no novo tribunal o subsídio for menor? Você que pediu para trocar, lembra? Assim, não incidiria a lógica de irredutibilidade de subsídios. Afinal, quem permuta está “saindo no lucro”, ao não precisar fazer outro concurso (e ir para o rabo da fila da antiguidade). Um detalhe: a previsão de remoção a pedido e de permuta está dentro do artigo 93, que trata do Poder Judiciário. Seria possível estender os institutos aos membros do Ministério Público e da Defensoria Pública? Em relação ao Ministério Público, a situação parece mais clara, seja pelo artigo 129, § 4º, da CF, seja porque nas próprias discussões no Congresso durante a tramitação da PEC se falou de modo semelhante para juízes e promotores. E quanto à Defensoria? Nesse ponto, veja-se o que diz o artigo 134, § 4º, da CF: § 4º São princípios institucionais da Defensoria Pública a unidade, a indivisibilidade e a independência funcional, aplicando-se também, no que couber, o disposto no art. 93 e no inciso II do art. 96 desta Constituição Federal. Pela letra fria da Constituição, a resposta parece ser afirmativa. Contudo, é importante lembrar que a permuta se deve ao reconhecimento do caráter nacional da Magistratura – e, por consequência, do MP (STF, ADI 3.854). Última coisa: seria possível seguir a mesma lógica para os servidores do Judiciário ou do MP, para que permutassem com outros lotados em estados diferentes? Tudo indica que não. Antes de terminar, é importante deixar claro que nem tudo são flores: isso porque a permuta é motivo de muitas críticas, porque permitiria a mudança para um órgão diferente, com alteração na questão remuneratória e até no regime estatutário sem a necessidade de fazer novo concurso. Aliás, antes da aprovação da nova emenda à Constituição, o STF já havia declarado a inconstitucionalidade de lei estadual e de Resolução do CNMP que previam a permuta, respectivamente, no Judiciário e no MP (STF, ADPF n. 482). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 13 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Uma pergunta: se o STF já declarou inconstitucional a permuta baseada em lei ou em resoluções, o que mudaria com a nova EC? Oh, pequeno gafanhoto, tratando-se de alteração trazida por emenda à Constituição, nova declaração de inconstitucionalidade dependeria da comprovação de ofensa a alguma cláusula pétrea (ex: violação ao pacto federativo). Para piorar, em setembro de 2023 – um mês antes da promulgação da EC 130 –, quando declarou a inconstitucionalidade de lei complementar estadual que permitia a permuta, o STF indicou que ele violava sabe o quê? Exatamente o pacto federativo (STF, ADI n. 6.780). Aguardemos as cenas dos próximos capítulos... Cabe ao CNMP a tarefa de dirimir conflitos de atribuições entre membros do MP Estadual e do MP Federal. 1 .2 .2 . inDiVisiBiliDaDE O princípio da indivisibilidade é uma decorrência do postulado da unidade. Por meio dele, é possível que um membro do MP substitua outro, dentro da mesma função, pois quem exerce os atos não é a pessoa do Promotor, e sim, a instituição Ministério Público. Exemplificando, um processo de homicídio qualificado que tramita na Vara do Júri da Comarca de Belo Horizonte pode ter a denúncia oferecida pelo Promotor de Justiça José, mas as audiências serem feitas pelo Promotor João. Nada impediria, ainda, que outro Promotor, Alfredo, faça o júri. aragonê, você quer dizer então que podem mandar qualquer Promotor para fazer um aragonê,você quer dizer então que podem mandar qualquer Promotor para fazer um Júri específico? Calma lá, eu não disse isso, até porque a figura do Promotor Natural Júri específico? Calma lá, eu não disse isso, até porque a figura do Promotor Natural impede que haja designações casuísticas. Mas isso você verá mais à frente. Fique firme impede que haja designações casuísticas. Mas isso você verá mais à frente. Fique firme aí, pois não demora.aí, pois não demora. Também por conta da indivisibilidade, o STF entendeu que o pedido de arquivamento de inquérito em trâmite naquele Tribunal formulado pelo PGR não poderia ser recusado. E essa orientação se aplicaria mesmo na hipótese em que um novo PGR ofereça denúncia (STF, INQ n. 2.028). 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Comentando esse princípio, Alexandre de Moraes, hoje Ministro do STF, diz que: (...) nem seus superiores hierárquicos podem ditar-lhes ordens no sentido de agir desta ou daquela maneira dentro de um processo. Os órgãos de administração superior do Ministério Público podem editar recomendações sobre a atuação funcional para todos os integrantes da Instituição, mas sempre sem caráter normativo (MORAES, 2008). Ou seja, o Chefe da Instituição jamais poderá obrigar que aquele primeiro membro do MP atue em sentido diverso de seu entendimento. Vale lembrar que mesmo após o Pacote Anticrime, que promoveu modificações também no artigo 28 do CPP (dispositivo que sofreu interpretação conforme a CF no julgamento da ADI n. 6.300), a promoção de arquivamento do IP também passa pelo crivo do PGJ ou da instância de revisão ministerial. Em qualquer dos casos, não se poderia obrigar o promotor a atuar contra a sua convicção. 1 .3 . PrinCÍPio Do ProMotor natural1 .3 . PrinCÍPio Do ProMotor natural De antemão, lembre-se: existe o princípio do juiz natural (artigo 5º da Constituição); existe o princípio do defensor natural (artigo 4º-A da LC n. 80/94), mas não existe o princípio do delegado natural. Agora é hora de falarmos sobre o princípio do promotor natural. Embora haja certa resistência (minoritária), prevalece a orientação segundo a qual também se admite o princípio do promotor natural. Ele decorreria da norma contida no art. 5º, inciso LIII (“ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente”). No STF, a questão referente à existência do princípio do promotor natural não é pacífica. No ano de 1992, houve julgamento do Plenário, no qual quatro Ministros defenderam a inexistência desse princípio. No entanto, as decisões mais recentes mencionam a sua existência, razão pela qual acredito ser essa a posição atual do Tribunal (STF, HC n. 95.447). Mas o que se entenderia pelo princípio do promotor natural? Ele não se choca com o princípio institucional da indivisibilidade? Como você viu logo acima, um membro do MP pode ser substituído pelo outro, pois quem atua é a instituição, e não a pessoa. A partir disso, criou-se um entendimento (minoritário) no sentido de que não haveria o princípio do promotor natural. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 15 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Contudo, o que se impede é a figura do promotor de exceção, que a partir de manipulação casuística, recebe uma designação específica, em nítido caráter de perseguição (STF, HC n. 136.503). Exemplificando, pense aí que um grande criminoso, já conhecido pelos Promotores da Capital, pratique um crime de homicídio doloso numa pequena cidade no interior daquele Estado. Naquela longínqua Comarca, o Promotor que atua acabou de ingressar na instituição. Então, “para não perder o júri”, o MP designa seu melhor quadro para não deixar escapar uma sentença de condenação. Note que no bizarro exemplo por mim criado o Promotor experiente no júri foi mandado “por encomenda” para aquela Comarca, a fim de participar apenas do julgamento do “bandidão”. Mas suponhamos que o MP estadual tenha instituído um grupo de apoio para atuar em situações complexas, envolvendo, por exemplo, crimes praticados por organizações criminosas. Nesse caso, será que o PGJ poderia enviar os membros desse grupo de apoio, afastando o promotor natural da comarca? A questão foi enfrentada pelo Plenário do STF, tendo o tribunal entendido que o PGJ pode avocar funções afetas a outro membro do MP, mas isso dependeria de dois fatores: a) concordância do promotor natural; e b) deliberação do Conselho Superior – antes da avocação e depois da aceitação (STF, ADI n. 2.854). O princípio do Promotor Natural impede a figura do promotor de exceção, que a partir de manipulação casuística, recebe uma designação específica, em nítido caráter de perseguição. 1 .4 . autonoMia FunCional, aDMinistratiVa E orÇaMEntÁria1 .4 . autonoMia FunCional, aDMinistratiVa E orÇaMEntÁria Em relação à autonomia administrativa, a Constituição prevê que o MP poderá propor ao Poder Legislativo a criação e extinção de seus cargos e serviços auxiliares, provendo-os por concurso público de provas ou de provas e títulos, política remuneratória e os planos de carreira. É com base na autonomia deferida pela Constituição que o STF assentou o entendimento segundo o qual o Ministério Público não se submete a controle interno, feito pelo Executivo (STF, ADI n. 2.513). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 16 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Ao contrário, essa instituição, assim como todo o Poder Público, está sujeito ao controle externo, realizado pelo Legislativo, com o apoio dos Tribunais de Contas, e ao controle feito pelo CNMP. Fique atento a um detalhe: você lembra que cargos e órgãos públicos são criados por lei, certo? Pois é, em razão disso, foi declarada a inconstitucionalidade de lei estadual que permitia a criação de Procuradorias e de Promotorias de Justiça, por meio de ato infralegal editado pelo Procurador-Geral de Justiça. Ao invés de ato infralegal, a criação desses órgãos deveria ser feita por lei (STF, ADI n. 1.757). Quanto à autonomia financeira, assim como acontece em relação ao Poder Judiciário, o próprio MP é responsável pela elaboração de sua proposta orçamentária, obviamente dentro dos limites estabelecidos na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). Sobre o tema, entende-se que o MP pode deflagrar o processo legislativo de lei concernente à política remuneratória e aos planos de carreira de seus membros e servidores. Em outras palavras, é dele a iniciativa para projetos de lei de seu interesse (STF, ADI n. 603). Ah, tal qual acontece com aspropostas de iniciativa do Executivo e do Judiciário, não cabe emenda parlamentar a projeto de lei de iniciativa do Ministério Público que importe aumento de despesa (ADI n. 4.075). Repare um ponto: foi declarada a inconstitucionalidade de uma lei estadual, ao argumento de que ela (a norma) não poderia fazer “compreender na autonomia financeira do Ministério Público a competência para elaborar o seu próprio orçamento, sem a participação do Poder Legislativo” (STF, ADI n. 1.757). Ou seja, em matéria de orçamento, o MP – assim como o Judiciário e a Defensoria – apenas envia a proposta para ser consolidada pelo Executivo e, a partir daí, ser votada a LOA pelo Legislativo. Ainda dentro da autonomia conferida pela CF, o STF entende ser constitucional dispositivo de Constituição Estadual que assegura ao MP a autonomia financeira e a iniciativa do PGJ para propor ao Legislativo a criação e a extinção de cargos e serviços auxiliares, bem como a fixação dos vencimentos dos membros e servidores (Informativo n. 907 do STF). Agora imagine a seguinte situação: o PGJ de determinado MP Estadual indefere o pagamento de gratificação a servidores do órgão. Acontece que essa decisão é reformada por outra, proferida pelo Colégio de Procuradores do mesmo MP. Então, ao ser acionado, o CNMP revoga o ato do Colégio de Procuradores, restabelecendo a decisão do PGJ. Só que esse “balaio de gatos” não tem fim, e o sindicato dos servidores resolve ir ao STF, buscando o pagamento da gratificação aos servidores. Ao julgar, o Tribunal primeiro reafirmou a orientação de que não existe direito ao duplo grau de jurisdição na instância administrativa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 17 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Na sequência, foi decidido que exatamente em razão da ausência do duplo grau, nem o CNMP, nem o Colégio de Procuradores seriam competentes para rever ou modificar atos de natureza discricionária do Procurador-Geral, no âmbito de seu poder de gestão e administração da unidade ministerial, quando tais atos respeitem a legalidade, a proporcionalidade e a moralidade (STF, MS n. 34.472). Ainda dentro do tema autonomia do Ministério Público, o STF declarou a inconstitucionalidade de emenda à Constituição de Rondônia, que ampliou o rol de autoridades a serem investigadas e processadas, no âmbito cível, pelo PGJ. O dispositivo questionado dizia competir exclusivamente ao PGJ promover o inquérito civil público e a ação civil pública para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos quando praticados pelo governador do estado, pelos membros do Legislativo, Judiciário, Tribunal de Contas, Ministério Público e da Defensoria Pública. O problema é que a emenda à Constituição invadiu competência reservada ao Presidente da República (normas gerais de organização do MP) e atribuição dada privativamente ao chefe do MP Estadual, de elaborar projeto de lei complementar. Para piorar, houve ampliação das regras previstas na Lei n. 8.625/93, segundo as quais se garante a atribuição do PGJ para propor o ICP e a ACP por atos do governador do estado, do presidente da Assembleia Legislativa ou dos presidentes de tribunais. Assim, ao alargar a atuação do PGJ, o dispositivo estadual violou as normas constitucionais (STF, ADI n. 5.281). Mais uma polêmica: a Lei n. 10.001/2000 trazia a previsão de prioridade na tramitação de processos e procedimentos decorrentes de relatórios das CPIs. Daí a PGR foi ao STF alegando inconstitucionalidade ao argumento de que a lei violava a independência funcional do Ministério Público. Porém, o Tribunal rejeitou o pedido e confirmou a validade da norma, pontuando que, embora influencie indiretamente o trabalho do Ministério Público, a prioridade no processamento das conclusões da CPI não fere a autonomia do órgão. Pesaram na decisão a importância e o interesse público do trabalho das CPIs, inseridas na função fiscalizatória do Congresso Nacional sobre a administração pública, viabilizando uma das facetas do sistema de freios e contrapesos, essencial à democracia (STF, ADI n. 5.351). Por falar em CPI, o STF declarou a inconstitucionalidade de dispositivo da Constituição da Bahia, que previa a possibilidade de a CPI convocar o PGJ (chefe do Ministério Público estadual) e dirigentes da administração indireta. A norma previa, inclusive, a responsabilização por crime de responsabilidade em caso de descumprimento ao chamado da CPI. Na ocasião, prevaleceu a ideia de que deveria ser respeitada a simetria com o artigo 50 da CF, o qual permite a convocação de ministros de Estado ou titulares de órgão diretamente O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 18 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes subordinados ao chefe do Poder Executivo. Ah, CPI estadual não pode convocar o PGJ, mas pode convocar o PGE (chefe da advocacia pública estadual), por estar subordinado diretamente ao governador (STF, ADI n. 6.651). 1 .5 . 1 .5 . DiFErEntEs raMos EXistEntEs no MinistÉrio PÚBliCoDiFErEntEs raMos EXistEntEs no MinistÉrio PÚBliCo Além do Ministério Público da União (MPU), existe também o Ministério Público Estadual (MPE) e aquele que atua junto aos Tribunais de Contas (MP/Contas). De outro lado, convém alertar que não existe Ministério Público municipal – também não há Judiciário ou Defensoria Pública na esfera municipal. O MPU abrange quatro ramos: a) Ministério Público Federal – MPF; b) Ministério Público do Trabalho – MPT; c) Ministério Público Militar – MPM; d) Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios – MPDFT. Um detalhe: os membros do MPT atuam dentro da estrutura da Justiça do Trabalho, nos diferentes graus de jurisdição. Eles têm legitimidade para atuar junto ao TST, mas não junto ao STJ. Neste último tribunal, quem atua são os Subprocuradores-Gerais da República, integrantes do MPF (STJ, CC n. 122.940). Eu já falei isso anteriormente, mas vou repetir: agora, prevalece no STF a orientação de que cabe ao CNMP dirimir conflito de atribuições entre membros do Ministério Público Federal e do Ministério Público Estadual (STF, ACO n. 843). Vou cuidar primeiro do MP/Contas, pois ele merece tratamento especial. 1.5.1. MINISTÉRIO PÚBLICO JUNTO AOS TRIBUNAIS DE CONTAS (MP/CONTAS) De acordo com o artigo 130 da Constituição, aos membros do Ministério Público junto aos Tribunais de Contas se aplicam as mesmas disposições pertinentes a direitos, vedações e forma de investidura inerentes aos outros membros do MP. Um ponto importantíssimo: o MP/Contas não se insere na estrutura do MP comum, sejam os dos Estados, seja o da União. Em razão disso, não podem os membros do MP Estadual atuar junto ao Tribunal de Contas, ainda que transitoriamente (STF, MS n. 27.339). Diferentemente do que acontece com o MPU e com o MP Estadual, o MP de Contas não detém legitimidade para propor reclamação perante o STF (RCL n. 24.162). Além disso, também se entende que o MP/Contas estadual não dispõe das garantias institucionais pertinentes ao Ministério Público comum dos Estados-membros, notadamente das prerrogativas que concernem à autonomia administrativa e financeira, ao processo de escolha, nomeação e destituição de seu titular e ao poder de iniciativa dos projetos de lei relativos à sua organização (STF, ADI n. 2378). O conteúdo destelivro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 19 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Exatamente por isso, será válida norma estadual que não preveja lista tríplice para a escolha do Procurador-geral do MP-Contas. O caso que chegou ao STF tratava de lei amazonense, segundo a qual o Procurador- Geral seria escolhido pelo Governador, entre os integrantes da carreira – nada se falou sobre lista tríplice. Daí, o tribunal lembrou que os membros do MP de Contas possuem apenas as cláusulas de garantias subjetivas (vitaliciedade, inamovibilidade, irredutibilidade, independência funcional, forma de ingresso na carreira). Ficariam de fora as demais prerrogativas institucionais asseguradas ao Ministério Público comum, como a autonomia administrativa, financeira e orçamentária. De igual modo, também não precisaria ser observado o rito relativo ao processo de escolha, nomeação e destituição do Procurador-Geral do Ministério Público comum (STF, ADI n. 4.427). É pela falta de autonomia que cabe ao respectivo Tribunal de Contas a iniciativa de projetos de lei de interesse do MP/Contas. Isso é o oposto do MP comum, que conta com o poder de dar o start nos projetos de lei de seu interesse. Só mais uma coisinha... Existe o MP/Contas atuando junto ao TCU, TCE e TCDF, mas não junto ao TCM-SP e o TCM-RJ (órgãos municipais). Quanto a esses últimos, o STF entendeu que não precisa ser criado Ministério Público especial. Prevaleceu a ideia de que não faria sentido falar em simetria aos modelos federal e estadual na medida em que na esfera municipal não existe Ministério Público, Defensoria Pública ou Judiciário (STF, ADPF n. 292). 1 .5 .2 . CHEFia Do MPu Um alerta inicial: depois de tratar das chefias do MPU e do MPE/MPDFT eu farei um quadro comparativo para facilitar a visualização, ok? O chefe do MPU é o Procurador-Geral da República – PGR. Ele é nomeado pelo Presidente da República, dentre integrantes da carreira, com mais de 35 anos, após a aprovação de seu nome pela maioria absoluta dos membros do Senado Federal, para mandato de dois anos, permitida a recondução. Note que não há limitação no número de reconduções. Ou seja, pode o PGR ser reconduzido ao cargo quantas vezes o Presidente da República quiser. Contudo, em todas as reconduções será necessária a aprovação pelo Senado. Para tentar ajudar – talvez você não se lembre –, quando o Brasil era presidido por Fernando Henrique Cardoso, o então PGR, Geraldo Brindeiro, ficou oito anos consecutivos no cargo. Outra coisa: na escolha do PGR não há elaboração de lista tríplice. Apenas se exige que a indicação recaia sobre um integrante da carreira. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 20 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Daí você me fala; “Professor, eu vi no noticiário que foi elaborada uma lista tríplice recentemente para a escolha do novo PGR”. Pois é, o que acontece é que informalmente a Associação Nacional dos Procuradores da República – ANPR – elabora uma lista como espécie de sugestão ao Presidente da República. Desde o primeiro mandato do Presidente Lula, passando por Dilma e por Temer, o escolhido sempre foi algum dos integrantes da lista. Daí, em 2019, quando Bolsonaro assumiu a Presidência, chegou a hora de substituir a então PGR, Raquel Dodge. Novamente a ANPR encaminhou uma lista tríplice, mas a escolha presidencial recaiu sobre o Subprocurador-Geral Augusto Aras, que estava fora da lista. Alguma ilegalidade? Nenhuma. Repito: não há obrigatoriedade de o Presidente escolher um nome da lista. Avançando, antes do término do prazo de dois anos, é possível a destituição do PGR, que dependerá de iniciativa do Presidente da República e de autorização de maioria absoluta do Senado. Veja que o Senado e o Presidente participariam do processo de escolha e também de destituição antes do término do biênio. Cabe, ainda, lembrar que o PGR será o Presidente do Conselho Nacional do Ministério Público, sendo membro nato. Em outras palavras, o tempo em que ele ficar como PGR permanecerá à frente do CNMP. Na escolha do PGR não há formação de lista tríplice. O nome indicado pelo Presidente da República precisa ser sabatinado por maioria absoluta do Senado Federal. 1 .5 .3 . CHEFia Dos MPEs E Do MPDFt Tanto no âmbito estadual quanto no Distrito Federal o Ministério Público é chefiado pelo Procurador-Geral de Justiça – PGJ. Diferentemente do que você viu com o PGR, aqui há lista tríplice. Ela deve ser elaborada entre integrantes da carreira, sendo que todos os membros (Promotores e Procuradores de Justiça) participam da votação. Formada a lista, ela é encaminhada para o Chefe do Poder Executivo para que faça a escolha de um nome. O indicado terá mandato de dois anos, permitida uma recondução. Você notou quando eu falei que a escolha caberia ao Chefe do Executivo, e não ao Governador? É que só caberá ao Governador fazer a escolha se estivermos tratando de MP Estadual. Contudo, no caso do MPDFT, cabe ao Presidente da República indicar um nome entre os integrantes da lista. Isso porque, como você viu, o MPDFT é um dos ramos do Ministério Público da União. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 21 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Mas pera aí... e se o Chefe do Executivo não escolher um dos integrantes de lista tríplice dentro do prazo de 15 dias? Nessa situação, aplica-se o § 4º do artigo 9º da Lei n. 8.625/93 (Lei Orgânica Nacional do Ministério Público), segundo o qual haverá a investidura automática do membro mais votado da lista tríplice para PGJ. Essa regra foi questionada junto ao STF, mas o Tribunal entendeu que a lei é válida e cria um rito excepcional para solucionar “uma situação anômala de omissão” do chefe do Poder Executivo (STF, ADI n. 2.611). Em nova diferença em relação ao PGR, o PGJ só pode ser reconduzido uma vez. A propósito, o STF já decidiu que será inconstitucional norma estadual que permita reconduções sucessivas (STF, ADI n. 3.077). Também é possível a destituição do PGJ antes do prazo de dois anos. O § 4º do artigo 128 da CF prevê que os Procuradores-Gerais nos Estados e no Distrito Federal e Territórios poderão ser destituídos por deliberação da maioria absoluta do Poder Legislativo. Um ponto importantíssimo para as provas: o STF entende ser inconstitucional norma da Constituição Estadual que preveja a participação da Assembleia Legislativa na escolha do PGJ (STF, ADI n. 452). Aliás, também de declarou a inconstitucionalidade de outra norma estadual, que previa que, vagando o cargo de PGJ no curso do biênio, o novo titular apenas completaria o período restante, e não iniciando novo biênio (STF, ADI n. 1.783). Mas lembre-se que o inferno tem subsolo e que a criatividade do legislador às vezes não tem limites... Por meio da iniciativa parlamentar (erro 1, vício de iniciativa, que seria do Procurador- Geral, regulada por lei complementar), alterou-se a Constituição do Estado de Rondônia para prever que a escolha do PGJ seria restrita por meio de votação em turno único, sem formação de lista tríplice (erro 2, a lista é obrigatória), restritaa membros vitalícios (erro 3, não há essa limitação), sem passar pelo Governador (erro 4, é o Chefe do Executivo quem escolhe). Ou seja, estava tudo errado (STF, ADI n. 5.653). De acordo com o § 5º do artigo 128 da CF, leis complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é facultada aos respectivos Procuradores-Gerais, estabelecerão a organização, as atribuições e o estatuto de cada Ministério Público. É exatamente por essa razão que as normas estaduais não podem nascer de iniciativa parlamentar, mesmo que essa mudança seja feita por meio de emenda à Constituição (STF, ADI n. 5.171). Por falar nas normas gerais de organização do MP, você viu aí em cima que é necessária a elaboração de lei complementar, certo? Pois é, em razão disso, foi declarada a inconstitucionalidade formal de lei ordinária estadual que organizava o Estatuto dos membros do Ministério Público do Rio Grande do Sul. Como miséria pouca é bobagem, a mesma lei também foi declarada inconstitucional (agora, por vício material), porque permitia que membros do MP estadual atuassem em comissões de sindicância e de PAD estranhos ao órgão ministerial. Ou seja, o membro do O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 22 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes MP ia bisbilhotar fora de suas funções. Daí, você precisa lembrar que ele, ainda que em disponibilidade, só pode acumular a função com uma de magistério (STF, ADI n 3.194). Outra coisa: é constitucional lei complementar estadual que preveja competir exclusivamente ao PGJ a interposição de recursos perante o STF e o STJ (STF, ADI n. 5.505). Na escolha do PGJ há formação de lista tríplice, mas não existe a previsão de sabatina do nome. Será inconstitucional norma da Constituição Estadual que exija aprovação da Assembleia Legislativa. 1 .5 .4 . QuaDro CoMParatiVo EntrE PGr E PGJ Algumas linhas aí para cima avisei que faria um quadro comparando os critérios de escolha dos Chefes do MPU e do MPE/MPDFT. Chegou a hora! DIFERENÇA ENTRE PGR e PGJ CRITÉRIO PGR PGJ O que o cargo significa? É o chefe do MPU É o chefe do MP Estadual e do MPDFT Quem escolhe? É escolhido pelo Presidente da República entre integrantes da carreira É escolhido pelo Chefe do Executivo, entre integrantes de lista tríplice elaborada por toda a carreira. MPE: Governador escolhe MPDFT: Presidente escolhe Há lista tríplice? Não Sim Há sabatina pelo órgão do Legislativo (Senado ou Assembleia Legislativa)? Sim, pelo voto de maioria absoluta dos Senadores, em votação secreta Não! Se norma estadual previr sabatina, será inconstitucional. É possível a destituição antes do término do biênio? Sim Dependerá de iniciativa do Presidente da República e de autorização de maioria absoluta do Senado. Sim Dependerá de autorização de maioria absoluta dos membros do Legislativo (AL no caso dos Estados e Senado para o MPDFT). 1 .6 . 1 .6 . Foro Por PrErroGatiVa DE FunÇÃoForo Por PrErroGatiVa DE FunÇÃo É do Tribunal de Justiça a competência para julgar todos os membros do Ministério Público Estadual nos crimes comuns e de responsabilidade, ressalvada a competência da justiça Eleitoral. Agora quanto aos membros do MPU é a hora que a porca torce o rabo... O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 23 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Antes de detalhar as regras, eu lembro que o MPU possui quatro ramos, a saber: MP Federal; MP do Trabalho; MP Militar; e MPDFT. Veja como fica: 1) O PGR, chefe da instituição, será julgado, nos crimes comuns, pelo STF e, nos crimes de responsabilidade, pelo Senado. 2) Os membros do MPU que atuem perante Tribunais (de 2ª instância ou Superiores) serão julgados, nos crimes comuns + responsabilidade, pelo STJ. 3) Os membros do MPU que atuam na primeira instância serão julgados, nos crimes comuns + responsabilidade, pelo respectivo TRF (sempre ressalvada a competência da Justiça Eleitoral). Cuidado com uma particularidade: os membros do MPDFT recebem o mesmo nome dos membros do MP Estadual. Ou seja, temos Promotores de Justiça, Procuradores de Justiça e o Procurador-Geral de Justiça. E, embora o TJDFT também seja organizado e mantido pela União, o STF, invocando o princípio da especialidade, entendeu que não cabe ao TJ julgar os membros do MPDFT. Em outras palavras, os membros de nenhum dos ramos do MPU serão julgados pelos TJs (STF, RE n. 418.852). Dito isso, eles serão julgados pelo TRF (Promotores de Justiça) ou pelo STJ (Procuradores de Justiça e o Procurador Geral de Justiça). Outra coisa: tanto aí em cima quanto no quadro aqui de baixo, você vai ver que somente para quem é julgado na 2ª instância – TJ ou TRF – é que se ressalva a competência da Justiça Eleitoral. Logo, as autoridades com foro perante o STF ou STJ serão julgadas nesses Tribunais mesmo nos crimes eleitorais. Para eles, vale a máxima segundo a qual “infrações penais comuns” abrange crimes comuns, crimes eleitorais, crimes militares e contravenções penais (STF, RCL n. 511). Sistematizando: FORO PARA JULGAMENTO DE MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO Ministério Público ESTADUAL Ministério Público da UNIÃO PGJ Em crime comum TJ PGR Em crime comum STF Em crime de responsabilidade TJ Em crime de responsabilidade Senado Federal Se atuar em 2ª instância TJ, exceto crime eleitoral Se atuar em tribunal (2ª instância ou superior) STJ Se atuar em 1ª instância TJ, exceto crime eleitoral Se atuar na 1ª instância TRF, exceto crime eleitoral O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 24 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Os membros do MPDFT que atuam na primeira instância (Promotores de Justiça) serão julgados pelo TRF. Já os que trabalham na 2ª instância (Procuradores de Justiça) respondem perante o STJ. 1 .7 . Garantias1 .7 . Garantias As garantias e vedações do Ministério Público seguem, em linhas gerais, as mesmas regras já estudadas em relação ao Poder Judiciário. É claro que as diferenças, embora sutis, são perguntadas nas provas. Vamos começar pelas garantias! 1 .7 .1 . VitaliCiEDaDE É adquirida após dois anos de efetivo exercício, para aqueles que ingressam, mediante concurso público, na 1ª instância. Lembro, ainda, que os conceitos de vitaliciedade e de titularidade não se confundem. Desse modo, pode um Promotor titular não ser vitalício, assim como pode um Promotor já vitalício ainda ser substituto. Por outro lado, vitaliciedade e estabilidade apresentam algumas distinções. Para se olhar para apenas uma delas, o prazo para a aquisição da estabilidade é bem maior – 3, e não 2 anos. Fique atento, pois os detentores de vitaliciedade (Magistrados, Membros do Ministério Público e dos Tribunais de Contas) mantêm as prerrogativas do cargo após a aposentadoria, mas uma delas – talvez a mais importante para as provas – não é mantida: o foro especial. Então, pedimos sua atenção porque o STF entende que, com a aposentadoria, acaba o foro por prerrogativa de função. Exemplificando, um Procurador-Geral da República que estivesse respondendo à ação penal perante o STF, caso se aposente, o processo passará a tramitarna 1ª instância (STF, RE n. 549.560)! 1 .7 .2 . inaMoViBiliDaDE Os membros do MP não podem ser removidos de ofício, salvo se houver motivo de interesse público. A decisão para afastar a inamovibilidade do membro do MP será tomada pela maioria absoluta dos membros do próprio órgão ou do CNMP. Fique de olho, pois esse quórum era de 2/3 até a EC n. 45/04. Acerca do tema, os artigos 216 a 218 da LC n. 75/93 (Lei Orgânica do MP) preveem que os membros do MP são designados para atuar nos ofícios, pelo prazo de dois anos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 25 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Porém, essa fixação de prazo foi questionada no STF, pois se alegava a possibilidade de remoção dos membros de suas funções de forma indevida, caso, por exemplo, estivessem incomodando algum poderoso. Ao julgar o caso, o STF seguiu o voto do Relator, segundo o qual deveria ser afastada qualquer interpretação que possa implicar remoção de procuradores da República de seu ofício de lotação (STF, ADI n. 5.052).Um ponto de alerta: com a EC 130/2023, agora existem dois tipos de remoção de Magistrados (e, consequentemente, de membros do MP). Veja: HIPÓTESES DE REMOÇÃO DE MAGISTRADOS E MEMBROS DO MP Remoção a pedido (artigo 93, VIII-A) Remoção determinada (artigo 93, VIII) A remoção a pedido de magistrados (e de membro do MP), de comarca de igual entrância atenderá, no que couber, ao disposto no inciso II do artigo 93, e no art. 94 da Constituição. O ato de remoção ou de disponibilidade do membro do MP, por interesse público, fundar-se-á em decisão por voto da maioria absoluta do respectivo órgão ou do CNMP, assegurada ampla defesa. - Precisa ser para comarca de igual entrância e leva em consideração os parâmetros para a promoção, seja por antiguidade ou merecimento. - Pode aplicada a Procuradores de Justiça (membros do 2º grau). - É uma hipótese de punição, ao lado da disponibilidade. Depende de decisão de maioria absoluta do próprio órgão ou do CNMP. 1 .7 .3 . irrEDutiBiliDaDE DE suBsÍDios Nesse ponto, destaca-se a observância do teto do funcionalismo e o pagamento de tributos. Ah, importante lembrar que verbas de caráter indenizatório (exemplo, férias pagas em pecúnia) não se submetem ao teto constitucional. Com a aposentadoria do Magistrado ou membro do Ministério Público termina o foro especial e também a proibição para a dedicação a atividades político-partidárias. 1 .8 . ProiBiÇÕEs1 .8 . ProiBiÇÕEs Se, de um lado, a Constituição assegura um leque de garantias, de outro consagra diversas vedações, justificadas pela importante função exercida por esses agentes estatais. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 26 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Veja as principais proibições previstas no artigo 128, § 5º, II, bem assim as pontuações que diferenciam os membros do MP dos Magistrados: 1 .8 .1 . EXErCÍCio DE outro CarGo ou FunÇÃo Veda-se o exercício de outro ofício ou profissão, ainda que em disponibilidade, salvo uma de Magistério. Quando se fala “salvo uma de Magistério”, não há uma restrição numérica, mas, sim, ligada à compatibilidade de horários, para que não haja prejuízo à função (STF, ADI n. 3.126). Lá no Poder Judiciário citei resolução do CNJ, por meio da qual se entendeu pela proibição do exercício de atividades de coaching, mentoria ou similares aos juízes (Resolução n. 226/2016). Pois é, em fevereiro de 2021 foi a vez de o CNMP editar ato normativo semelhante, proibindo as mesmas atividades aos integrantes do Ministério Público. As alterações foram incorporadas à Resolução n. 73/2011. Ainda com base nesse dispositivo, proíbe-se que membros do Ministério Público ocupem cargos que estejam fora da estrutura da própria instituição (STF, ADI n. 3.574). Tente aí puxar pela memória um acontecimento relativamente recente: a então Presidente Dilma, já mais para o final do mandato, indicou para o cargo de Ministro da Justiça um Procurador de Justiça do MP/BA. Dentro da proibição ora comentada, decidiu-se que para ocupar o cargo de Ministro de Estado ele deveria abandonar o MP/BA, o que não aconteceu. Então, a Ex-Presidente nomeou outro membro do MP para o cargo de Ministro da Justiça. A diferença é que o escolhido, o Subprocurador-Geral da República Eugênio de Aragão, havia ingressado no MP antes de 1988, não lhe sendo imposta a proibição (STF, ADPF n. 388). Ah, considerando o entendimento do STF no sentido de que, na acumulação lícita de cargos públicos, deve ser observado o teto de remuneração em cada cargo isoladamente e não na somatória dos valores, é possível que, na prática, os ganhos do membro do MP superem o subsídio mensal pago aos Ministros do STF. 1 .8 .2 . QuarEntEna DE saÍDa Todo cuidado é pouco aqui, pois são muitas questões cobrando este assunto: você viu que são exigidos três anos de atividade jurídica para o ingresso na carreira (quarentena de entrada). Agora é hora de vermos a quarentena de saída, que nada mais é do que o período em que se proíbe que o membro do MP exerça a advocacia no juízo ou Tribunal no qual oficiava, também pelo período de três anos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nathaly Rocha - 71338097105, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 27 de 78gran.com.br DirEito ConstituCional Funções Essenciais à Justiça Aragonê Fernandes Note que a restrição alcança o Tribunal de onde o membro oficiava, ainda que a Corte tenha jurisdição em todo o território nacional. Assim, poderia o PGR após a sua aposentadoria advogar em processos na 1ª instância, sem a necessidade de aguardar o triênio. 1.8.3. DEDICAÇÃO A ATIVIDADES POLÍTICO-PARTIDÁRIA Para os Magistrados, essa vedação já estava prevista desde o texto original da Constituição, do ano de 1988. Por sua vez, a proibição só alcançou os membros do Ministério Público com a EC n. 45/04. Tem mais: o STF entende que a vedação ao exercício de atividade político-partidária constitui causa absoluta de inelegibilidade, impedindo tanto a filiação a partidos políticos quanto a disputa de qualquer cargo eletivo, não importando se o membro ingressou no MP antes ou após a EC n. 45/04. A proibição não continua em caso de aposentadoria ou exoneração (STF, ADI n. 2.534). 1 .8 .4 . EXErCÍCio Da aDVoCaCia E rECEBiMEnto DE Custas ou HonorÁrios Note que os membros do Ministério Público não podem exercer a advocacia nem mesmo em causa própria (STF, HC n. 76.671). A proibição, contudo, encontra uma exceção: os membros que ingressaram antes da Constituição de 1988 puderam optar entre a vitaliciedade e a estabilidade. A quem optou pela estabilidade, foi permitido o exercício da advocacia. Tirando tal excepcionalidade, também não poderá haver o recebimento de honorários, percentagens ou custas processuais. 1 .9 . FunÇÕEs instituCionais1 .9 . FunÇÕEs instituCionais Esse é o ponto alto das provas relacionadas ao Ministério Público. O artigo 129 lista algumas atribuições, chamando-as de funções institucionais. Vou apresentar cada uma delas e fazer comentários às mais importantes: I – promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei; Vamos por partes! O MP é o titular da ação penal pública.