Prévia do material em texto
Indaial – 2022 AlimentAção ColetivA Prof.ª Daniella Miranda da Silva Prof.ª Roseane Leandra da Rosa 1a Edição temAs Contemporâneos em nutrição ClíniCA e Elaboração: Prof.ª Daniella Miranda da Silva Prof.ª Roseane Leandra da Rosa Copyright © UNIASSELVI 2022 Revisão, Diagramação e Produção: Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI Impresso por: S586t Silva, Daniella Miranda da Temas contemporâneos em nutrição clínica e alimentação coletiva. / Daniella Miranda da Silva; Roseane Leandra da Rosa. – Indaial: UNIASSELVI, 2022. 209 p.; il. ISBN 978-85-515-0460-4 1. Nutrição. – Brasil. I. Rosa, Roseane Leandra da. II. Centro Universitário Leonardo da Vinci. CDD 613 Prezado acadêmico(a), seja bem-vindo(a) à disciplina de Temas Contemporâneos em Nutrição Clínica e Alimentação Coletiva! Este livro tem como propósito apresentar áreas de destaque recente dentro dos mais diversos campos da Nutrição, para ampliar ainda mais seu repertório técnico e possibilidades de atuação após formado. Este livro está dividido em três unidades, cada qual com objetivos, conteúdo, autoatividades, dicas, sugestões e recomendações de materiais para agregar ainda mais em sua formação! Aproveite-os! A Unidade 1 aborda as características da sociedade contemporânea e o impacto desta nova conformação para o mercado da Nutrição. Em seguida, você conhecerá subáreas da Nutrição Clínica que estão em voga nos dias de hoje, tais como Nutrição e Estética, Modulação Intestinal, Programação Metabólica, Cirurgia Bariátrica e Alergias Alimentares. Finalizaremos essa unidade conhecendo as novas tendências da Nutrição para o campo da alimentação coletiva. A Unidade 2 deste livro será voltada ao aprofundamento dos seus conhecimentos referentes à Suplementação Nutricional. Você aprenderá toda a base teórica necessária à prescrição de suplementos nutricionais, desde as diretrizes, legislação, formas farmacêuticas, interações, até os possíveis efeitos adversos. Posteriormente, discutiremos os suplementos nutricionais mais utilizados em cada ciclo da vida e em condições clínicas específicas tais como doenças crônicas não transmissíveis. A Unidade 3 está pautada no assunto: Fitoterapia Aplicada à Nutrição. Estudaremos os conceitos, os fundamentos, suas diretrizes e normas etc., capacitando você a atuar de forma eficaz na prática em fitoterapia e abordando os efeitos adversos, como excesso de peso, doenças crônicas etc. Bons estudos! Prof.ª Daniella Miranda da Silva Prof.ª Roseane Leandra da Rosa APRESENTAÇÃO Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – e dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR Codes completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos. GIO QR CODE Olá, eu sou a Gio! No livro didático, você encontrará blocos com informações adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender melhor o que são essas informações adicionais e por que você poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto estudado em questão. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um novo visual – com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada também digital, em que você pode acompanhar os recursos adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente, apresentamos também este livro no formato digital. Portanto, acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Preparamos também um novo layout. Diante disso, você verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os seus estudos com um material atualizado e de qualidade. ENADE LEMBRETE Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela um novo conhecimento. Com o objetivo de enriquecer seu conheci- mento, construímos, além do livro que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa- res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada! Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confi ra, acessando o QR Code a seguir. Boa leitura! SUMÁRIO UNIDADE 1 - ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA NAS ÁREAS DE NUTRIÇÃO CLÍNICA E ALIMENTAÇÃO COLETIVA .................................................................................................. 1 TÓPICO 1 - ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA NAS ÁREAS DE NUTRIÇÃO CLÍNICA E ALIMENTAÇÃO COLETIVA .....................................................................................................3 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................3 2 CARACTERIZAÇÃO .............................................................................................................4 3 NECESSIDADES DO CONSUMIDOR ...................................................................................6 4 EMPREENDEDORISMO .....................................................................................................10 4.1 ÁREAS POSSÍVEIS PARA EMPREENDER EM NUTRIÇÃO ............................................................ 11 4.1.1 Nutrição Clínica ............................................................................................................................12 4.1.2 Nutrição em Alimentação Coletiva e Produção de Alimentos ....................................... 13 4.1.3 Nutrição em Ensino .................................................................................................................. 13 4.2 PRÉ-REQUISITOS AO EMPRENDEDOR .......................................................................................... 14 4.2.1 Características de um empreendedor ................................................................................. 14 4.2.2 Capacitação Técnica do Empreendedor ............................................................................. 15 4.2.3 Planejamento ............................................................................................................................ 15 5 MARKETING EM NUTRIÇÃO .............................................................................................pela oferta de atendimento nutricional em clubes de esportes, academias ou demais estabelecimentos desportivo. ( ) Consultoria Empresarial consiste na oferta, in loco, de palestras sobre temas oportunos de Alimentação e Nutrição, além de atendimentos nutricionais individuais e/ou coletivos. ( ) Grupos de Nutrição caracterizam-se pela oferta de assistência nutricional individual, presencial ou online, com uma abordagem que permite a oferta de serviços diferenciados, como a orientação ou acompanhamento do cliente nas etapas do processo alimentar propriamente dito (aquisição de alimentos, lista de compras, higienização, pré-preparo e preparo de alimentos, utilizações de louças e utensílios, e consumo alimentar). ( ) Atendimento domiciliar ou Home Care trata-se de atendimento domiciliar a pacientes com condições patológicas que apresentam dificuldades de deslocamento. Neste caso, o atendimento nutricional pode ser ofertado de forma isolado ou junto a uma equipe multiprofissional. AUTOATIVIDADE 24 Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V - F - F - V - F b) ( ) V - V - V - F - V. c) ( ) F - V - V - F - V. d) ( ) F - V - V - V - F. 4 De acordo com Dornellas (2015), “não existe um único tipo de empreendedor ou um modelo padrão que possa ser identificado, apesar de várias pesquisas sobre o tema terem como objetivo encontrar um estereótipo universal”. Contudo, é possível identificar três aspectos diferenciais que podem ser trabalhados para o sucesso do empreendedor: capacitação técnica, característica pessoais e planejamento. A cerca deste itens, julgue as assertivas a seguir: I- Há um perfil de características pessoas único para todos os empreendedores de sucesso que deve incluir a capacidade de detectar oportunidades de negócios, evitar quaisquer riscos do negócio e trabalhar em equipe. II- É fundamental que o indivíduo que deseja empreender busque qualificação técnica na área do empreendedorismo por meio de cursos, livros e especializações III- O empreendedor deve elaborar um planejamento detalhado de seu negócio, o qual deve partir da segmentação e estudo do mercado de atuação escolhido. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Somente a sentença I está correta. b) ( ) A sentença I e II estão corretas. c) ( ) Somente a sentença II está correta. d) ( ) As sentenças II e III estão corretas. 5 A aplicação de estratégias e ferramentas de Marketing, seja convencional ou digital, pelo profissional Nutricionista são muito promissoras. Através dela o Nutricionista pode destacar-se no mercado de trabalho, atraindo e fidelizando clientes para o serviço ou produto ofertado. Contudo, deve-se ter atenção aos preceitos do Código de Ética da Nutrição na utilização do Marketing. Em relação a isto, assinale a alternativa correta: a) ( ) O nutricionista pode compartilhar informações sobre alimentação e nutrição nos diversos meios de comunicação e informação respaldadas em sua opinião pessoal, com o objetivo principal de atrair clientes. b) ( ) O nutricionista somente poderá utilizar em sua divulgação mensagens que aleguem exclusividade ou garantia de resultados de produtos, serviços ou métodos terapêuticos quando apresente fotos de clientes para comprovar. c) ( ) O nutricionista poderá divulgar imagem corporal de terceiros, atribuindo resultados a produtos, equipamentos, técnicas ou protocolos por ele aplicado quando houver anuência escrita do cliente. 25 d) ( ) É vedado ao nutricionista receber patrocínio ou vantagens financeiras de empresas ou indústrias ligadas à área de alimentação e nutrição quando configurar conflito de interesses, a não ser que este seja contratado pela empresa ou indústria que concedeu tal patrocínio ou vantagem financeira. e) ( ) É vedado ao nutricionista divulgar sua qualificação profissional, técnicas, métodos, protocolos, diretrizes, benefícios de uma alimentação para indivíduos ou coletividades saudáveis ou não, bem como dados de pesquisa fruto do seu trabalho, mesmo que autorizado por escrito pelos pesquisados, respeitando o pudor, a privacidade e a intimidade própria e de terceiros. 26 27 ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA NA ÁREA DE NUTRIÇÃO CLÍNICA 1 INTRODUÇÃO Prezado acadêmico, neste tópico iremos estudar as subáreas mais evidentes dentro da Nutrição Clínica nos dias de hoje. Você já deve ter ouvido falar de Nutrição e Estética, Modulação intestinal, Programação Metabólica, e Cirurgia Bariátrica não é mesmo? Estas áreas da Nutrição têm ganho cada vez mais espaço no mercado de trabalho e nesta disciplina você vai entender o porquê. Por muito tempo a atuação do Nutricionista na área Clínica foi resumida a uma prescrição dietética padrão, aplicada no âmbito de consultórios, ambulatórios e hospitais. Com o avanço do conhecimento das Ciências da Saúde bem como da Ciência da Nutrição em si observarmos que as atribuições do Nutricionista podem e devem ir muito além. Passamos a utilizar as propriedades dos alimentos e prescrições dietéticas diferenciadas no tratamento dos pacientes, visando à melhoria da saúde, tratamento adjuvante de doenças e/ou qualidade de vida. Neste sentido é importante ressaltar que todo conhecimento em Nutrição, incluso as novas áreas que abordaremos a seguir, deve sempre ser baseado em achados científicos, e nunca em empirismos ou modismos. Sabemos também que a Nutrição está em constante evolução, de forma que muito ainda há para se descobrir, por isso aqui elencamos 7 das subáreas mais evidentes atualmente, que apresentam respaldo científico, cientes de que este tópico deve receber atualização periódica. 2 ALIMENTOS FUNCIONAIS O conceito de “alimentos funcionais” surgiu na metade da década de 1980 quando os alimentos passaram a ser relacionados à saúde, como sinônimos de bem- estar e redutores de riscos de doenças, tornando-se meios para atingirmos uma melhor qualidade de vida. De acordo com alguns autores, os japoneses foram os pioneiros no processo de regulação dos alimentos funcionais (SOUZA; MARTÍNEZ, 2017). A definição de alimento funcional e sua nomenclatura difere de acordo com os países entre: nutracêuticos, alimentos para uso médico, alimentos para uso saudável, entre outros (COLLI et al., 2014). No Brasil, a Resolução nº 18, de 30 de abril de 1999 aprova o regulamento técnico que estabelece as diretrizes básicas para análise e comprovação UNIDADE 1 TÓPICO 2 - 28 de propriedades funcionais e/ou de saúde alegadas em rotulagem de alimentos. A partir desta resolução, adotamos nacionalmente a terminologia alimento com alegação de propriedade funcional, referindo-se a alimento funcional, tal como segue: Todo alimento ou ingrediente que além das funções nutricionais básicas, quando se tratar de nutriente, produzir efeitos metabólicos e/ou fisiológicos e/ou efeitos benéficos à saúde, devendo ser seguro para consumo sem supervisão médica (ANVISA, 1999). Ou seja, alimentos funcionais são aqueles que contém compostos, tecnicamente denominados de substâncias bioativas, que desempenham impacto positivo na saúde. São reconhecidos atualmente alimentos funcionais que apresentam potencial benefício no manejo de doenças cardiovasculares, hepáticas, distúrbios endócrinos, obesidade, câncer, entre outras. Os alimentos funcionais têm despertado interesse dos indivíduos, do meio acadêmico-científico e da indústria de alimentos, tanto no Brasil quanto no mundo. Tal fato está relacionado a importância que a Nutrição têm adquirido frente a prevenção e manejo das doenças crônicas não trasmissíveis, que atingem um percentual cada vez maior das populações. Contudo, sabemos que estabelecer relações de causa e efeito dentro da área da Nutrição é uma tarefa muito complexa, haja vista a variedade de fatores de confusão envolvidos (genética, estilo de vida, atividade física, estresse). Desta forma, optamos por apresentar neste tópico somente os alimentos funcionaise suas aplicações que apresentam forte respaldo científico, conforme a tabela a seguir: TABELA 1 – ALIMENTOS FUNCIONAIS E SUAS APLICAÇÕES Alimento Composto Biativo Potencial efeito Soja e derivados Isoflavonas Saponinas Compostos fenólicos Fitatos Inibidores de proteases Fitosteróis Ação estrogênica (reduz efeitos menopausa) Ação anticâncer (próstata, mama, útero) Ação hipolipemiante Prevenção da osteoporose Chá verde Catequinas Capacidade antimutagênica, ação anticâncer Ação antioxidante Ação hipolipemiante Ação anticoagulante Ação hipotensora Redução de peso (tratamento da obesidade) Hipoglicemiante (tratamento da diabetes) Tomate e derivados Licopeno Ação anticâncer (próstata, pulmão, intestino) Ação antioxidante Ação hipolipemiante Prevenção da osteoporose 29 Linhaça Fitoesteróis Lignanas Ação hipolipemiante Ação hipotensora Ação anticoagulante Ação anticâncer (mama e pulmão) Brócolis Glicosinolatos Ação anticâncer (próstata, mama, intestino) Alho Flavonóides Alicina Ajoeno Ação antioxidante Ação hipolipemiante Ação anticoagulante Ação hipotensora Ação antibiótica e antifúngica Cacau Flavonóides Teobromina Ação antioxidante Ação hipolipemiante Ação hipotensora Efeito estimulante Indução de neurotransmissores (serotonina e endorfinas) Café Cafeína Ácido clorogênico Redução de gordura corporal Ação antioxidante Ação anti-inflamatória Gengibre Gingeróis Soagóis Ação antiemético Ação antioxidante Ação anticoagulante Efeito analgésico Cúrcuma Curcumina Ação anti-inflamatória Agente antiulceroso e citoprotetor FONTE: Adaptado de Colli et al. (2014), Souza e Martínez (2017) e Frankenberg e Bernaud (2018) Para que se obtenha os benefícios relacionados acima, é necessário que o consumo dos alimentos funcionais seja regular (SOUZA; MARTÍNEZ, 2017). Os efeitos benefícos dos alimentos funcionais estão relacionados à sinergia entre seus compostos bioativos e os nutrientes que o compõem, de forma que, nem sempre o composto bioativo isolado resultará no beneficio proposto. A forma de preparo e consumo de alguns dos alimentos funcionais é capaz de influenciar na biodisponibilidade de seus compostos, e consequentemente, nos benefícios atrelados ao consumo. Por exemplo, para maior preservação das propriedades funcionais do alho e brócolis, indica-se que sejam consumidos crus (ou o menos cozido possível, no caso do brócolis) enquanto o tomate deve ser submetido ao calor. Já o chocolate, substâncias antioxidantes estão em maior concentração nas versões amargas, por isso, são consideradas mais benéficas. GIO 30 A indicação principal é pelo maior uso de vegetais, frutas e cereais integrais na alimentação regular, já que grande parte dos componentes ativos estudados se encontra nesses alimentos (SOUZA; MARTÍNEZ, 2017). Além disso, os benefícios postulados são observados quando o alimento funcional está inserido em uma dieta nutricionalmente equilibrada (SOUZA; MARTÍNEZ, 2017). Por exemplo, o consumo do chá verde não será suficiente para produzir perda de peso e/ou redução do colesterol quando associado a uma dieta hipercalórica, rica em açúcares e gordura saturada. 3 NUTRIÇÃO ESTÉTICA Cresce, em todos os segmentos da sociedade contemporânea a busca pela beleza e por traços corporais fortemente influenciados pela mídia. Há não só o culto ao corpo magro, como também valoriza-se a aparência da pele, cabelos e unhas. A Ciência da Nutrição surge neste contexto visando a utilização de alimentos, nutracêuticos e suplementos alimentares no manejo de desordens estéticas. A Nutrição Estética compreende um novo campo da saúde cujo objetivo é implementar um cuidado nutricional que, além dos requisitos fundamentais da dietética e da dietoterapia aplicados à prevenção e/ou tratamento de doenças crônicas não transmissíveis, também corresponde a necessidades estéticas de seus pacientes. Dispõe-se de evidência científica para a aplicação dos princípios da Nutrição Estética no tratamento da acne, envelhecimento cutâneo, fibroedema geloide (celulite), flacidez, alopecia e unhas frágeis (PUJOL, 2011; DAL BOSCO, 2015). Abre-se um leque de possibilidades de atuação ao profissional Nutricionista que dispõe de conhecimentos em Nutrição Estética, tais como: atuação em consultório particular com foco em objetivos estéticos; parcerias com clínicas de estética que incluam o tratamento nutricional em seus programas; atendimento domiciliar por meio de Personal Dieter em Estética; atuação em Pré e Pós-operatório em conjunto com equipe interdisciplinar; e Consultoria a empresas de nutracêuticos e/ou nutricosméticos (PUJOL, 2011). Cabe destacar que enquanto profissionais da área de saúde devemos ser éticos ao lidar com a Nutrição Estética para que não incorramos em condutas inadequadas. Não podemos minimizar o tema e tratá-lo como fútil pois os aspectos estéticos fazem parte da saúde integral, conforme estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (vide nota). Contudo, devemos atuar com cautela visando não impor ao paciente um padrão de beleza ou aparência idealizado, e sim, buscar auxiliá-lo na busca do padrão que este julga pertinente. 31 A seguir veremos o papel dos nutrientes no tratamento das principais desordens estéticas: 3.1 NUTRIÇÃO E ENVELHECIMENTO CUTÂNEO O envelhecimento da pele é um processo dinâmico que ocorre em virtude da idade e carga genética, além de fatores externos, como exposição a radiação ultravioleta (UV), toxicidade do meio ambiente, consumo de álcool, cigarro, estresse e poluição do ar. A alimentação também pode contribuir negativamente neste questo quando há carência de nutrientes, principalmente antixiodantes (PUJOL, 2011; OLIVEIRA, 2014; VENTURI 2019). A formação de radicais livres, o estresse oxidativo cumulativo, a peroxidação lipídica, o dano às proteínas da membrana e a mutação no ácido desoxirribonucleico (DNA) podem levar a muitas mudanças estruturais, funcionais e estéticas na pele (VENTURI, 2019). À medida que envelhecemos, ocorre perda da elasticidade, colágeno e hidratação, tornando a pele seca e fi na, facilitando o surgimento de rugas (SANTOS; OLIVEIRA, 2014). Embora o envelhecimento cutâneo afete várias camadas da pele, a maioria destas mudanças é observada somente na derme (PUJOL 2011). A utilização de antioxidantes, tais quais a Vitamina C e E, carotenóides, selênio e fl avonóides pode fortalecer o sistema de proteção endógena da pele e combater os efeitos nocivos dos radicais livres. Frutas e legumes são excelentes fontes de antioxidantes e seu alto consumo está associado à prevenção do envelhecimento da pele e outros problemas de saúde (PUJOL, 2011; SANTOS; OLIVEIRA, 2014; DAL BOSCO, 2015; VENTURI, 2019). A seguir, apresentamos na Tabela 2 os principais antioxidantes associados à prevenção e ao tratamento do envelhecimento cutâneo e suas fontes alimentares: A Organização Mundial de Saúde (OMS) defi ne saúde não apenas como a ausência de doença, mas como a situação de perfeito bem-estar físico, mental e social (OMS, 1946). NOTA 32 TABELA 2 – NUTRIENTES RELEVANTES NO MANEJO DIETÉTICO DO ENVELHECIMENTO CUTÂNEO Antioxidantes Fontes alimentares Betacaroteno Abóbora, agrião, batata-doce, cenoura, couve, damasco, espinafre, mamão papaia, manga, melão, pimentão. Licopeno Goiaba, mamão, melancia, tomate. Vitamina C Agrião, abacaxi, acerola, caju, goiaba, brócolis, couve-flor, framboesa, laranja, limão, tangerina, tomate, kiwi, morango, mamão, melão amarelo, pimentão. Vitamina E Azeite, amêndoa, abacate, avelã, germe de trigo, pistache, pinhão, óleos vegetais, gema de ovo, manteiga. Cobre Oleaginosas, cacau, cogumelo, abacate, lentilha, ervilha, vísceras, mexilhão, ostras, semente de girassol e de sésamo. Selênio Castanha-do-Brasil, carne vermelha, marisco, salmão, cereais integrais, sementes, cogumelo, ovo. Zinco Oleaginosas, mexilhão, carne, peixe, vísceras, ostras, leite e derivados, grãos. Polifenóis Chá verde e preto,café, cacau, frutas, vegetais, vinho tinto, maçã, frutas vermelhas, uva roxa, cebola, soja. FONTE: Adaptado de Pujol (2011), Dal Bosco (2015) e Venturi (2019) 3.2 NUTRIÇÃO E ACNE Acne é o nome dado a espinhas e cravos que surgem devido a um processo inflamatório das glândulas sebáceas e dos folículos pilossebáceos (vide Figura 2). Muito frequente na fase da adolescência, sem deixar de ser comum também em adultos, principalmente em mulheres (SBD, 2021). Além do incomodo ocasionado pelas lesões e cicatrizes, a acne pode apresentar impacto psicológico e social em virtude do comprometimento estético dela decorrente (PUJOL 2011; SDB 2021). FIGURA 2 – ASPECTO DA PELE COM ACNE FONTE: . Acesso em: 12 fev. 2022. 33 Os principais fatores etiológicos da acne compreendem o excesso de sebo, hormônios, bactérias e hiperproliferação de células foliculares (DAL BOSCO 2015; VENTURI, 2019). Em relação a dieta, ainda não há consenso na literatura sobre a capacidade de alguns alimentos agravarem o quadro apneico. Os fatores dietéticos mais relacionados são chocolate, nozes, produtos lácteos, bebida alcoólicas, alimentos condimentados, dieta hiperlipidica e dieta de alto índice glicêmico (PUJOL, 2011; MELNIK, 2012; DAL BOSCO, 2015; VENTURI, 2019). O padrão dietético ocidental – caracterizado por consumo excessivo de calorias, gorduras (especialmente animal) e proteínas lácteas, além de alta carga glicêmica – estimula o aumento exacerbado de insulina e do fator de crescimento símile à insulina (IGF-1) que, por sua vez, estimula o aumento da atividade da proteína alvo da rapamicina em mamíferos (mTOR). O mTOR superativado, por sua vez, aumenta a secreção de hormônios andrógenos e a lipogênese sebácea, ambos relacionados com a patogênese da acne (MELNIK, 2012). Entre os nutrientes relacionados positivamente ao tratamento da acne estão: Zinco, Selênio, Vitamina A, Ômega-3, Cobre e Ácido Pantotênico e Piridoxina. O zinco atua modulando a infl amação na acne, diminuindo a produção de sebo e apresentando ainda ação cicatrizante. Já a suplementação de Selênio auxilia no combate a infecção da acne em virtude de sua relação com a glutationa peroxidase. A importância do Cobre se dá por sua ação antibiótica local, capaz de estimular os processos de defesa orgânicos e aumentar a resistência à infecções (PUJOL, 2011; VENTURI, 2019). A vitamina A tem-se revelado uma grande aliada no tratamento da acne, contudo, seu uso em doses elevadas é perigoso em virtude de sua toxicidade que pode acarretar defeitos congênitos (quando utilizada na gravidez), dislipidemia, hepatotoxicidade e infl amação intestinal (PUJOL, 2011). O Ácido Pantotênico (Vitamina B5) é fundamental para a síntese dos hormônios sexuais, sendo que uma dieta defi ciente nesta pode promover o desequilíbrio do metabolismo dos ácidos graxos, aumentando a probabilidade de surgimento da acne. Já a suplementação de Piridoxina (Vitamina B6) pode auxiliar a reduzir as exacerbações cutâneas apresentadas durante o período menstrual (PUJOL, 2011; VENTURI, 2019). Quer saber mais sobre os sintomas e tratamento completo da acne? Acesse o site da Sociedade Brasileira de Dermatologia no link: https://www. sbd.org.br/doencas/acne/ DICA 34 Uma dieta rica em ácidos graxos ômega-3, que é um importante modulador da inflamação, parece ser capaz de reduzir a liberação de prostaglandinas pró-inflamatórias e favorecer a liberação de prostaglandinas anti-inflamatórias, auxiliando na prevenção e tratamento da acne (PUJOL, 2011; VENTURI, 2019). Ademais, a intervenção dietética no manejo da acne deve ter por objetivos: reduzir a ingestão total de energia (no caso de dietas hipercalóricas), glicose e gorduras; diminuir oa sinalização de insulina/IGF-1; e limitar o consumo de leucina, predominantemente fornecido pelo alto consumo de proteína animal, incluindo carne e lácteos. Esta estratégia dietética abrangente só pode ser alcançada através de um maior consumo de vegetais e frutas e redução de alimentos de origem animal (MELNIK, 2012). 3.3 NUTRIÇÃO E FIBROEDEMA GELÓIDE Diversas nomenclaturas sao atribuidas a popularmente conhecida, celulite, tais como: fibroedema geoide, lipodistrófica localizada, hidrolipodistrofia ginóide, paniculopatia edematofibroesclerótica e paniculose, lipoesclerose nodular e lipodistrófica ginóide (PUJOL, 2011). Caracteriza-se por retração irregular da superfície cutânea, gerando o aspecto de “casca de laranja”. Usualmente localizada na porção superior das coxas, porção interna dos joelhos, região abdominal, região glútea e porção superior dos braços (PUJOL, 2011). Acomete com mais frequência o sexo feminino do que o masculino, independentemente do peso corporal, sendo mais comum em mulheres brancas do que em negras ou asiáticas (VENTURI, 2019). Esta condição, amplamente observada no sexo feminino, impacta negativamente na auto estima e convívio social das mulheres, que por vezes limitam-se a atividades de lazer tais como um passeio na praia ou banho de piscina para não expor a superfície corporal acometida. Não há consenso em relação a sua etiopatogenia, contudo muitos autores concordam que o fibroedema geloide tem causas multifatoriais (estruturais, genéticas e endocrinológicas). Ademais, observa-se a presença de eventos inflamatórios que envolvem os tecidos adiposos subcutâneos e a derme (VENTURI, 2019). Fatores emocionais, hipertensão arterial, obesidade, sedentarismo, uso de roupas apertadas e má alimentação também parecem aumentar a predisposição ao aparecimento da celulite (DAVID; DE PAULA; SCHNEIDER, 2011). O consumo de uma dieta hiperlipídica e rica em carboidratos, a baixa ingesta hídrica e excessivo consumo de sal agravam o quadro microcirculatório com aumento da resistência capilar e consequente piora da celulite. Por exemplo, o consumo de açúcares refinados, alimentos gordurosos, chocolate e refrigerantes são alimentos que agravam o quadro metabólico (DAVID; DE PAULA; SCHNEIDER, 2011). 35 O tratamento dietético pode atuar de forma adjuvante no tratamento do Fibroedema Gelóide. Evidências científicas atuais sugerem que o padrão dietético de baixo índice glicêmico, com teor reduzido de sal, inclusão de alimentos anti-inflamatórios ou que promovam a desintoxicação, auxilia no tratamento, principalmente por reduzir a inflamação, diminuir a retenção hídrica, promover a eliminação de toxinas e reduzir os níveis de gordura corporal (PUJOL, 2011; DAVID; DE PAULA; SCHNEIDER, 2011; VENTURI, 2019). Especial atenção deve ser dada ao adequada ingesta de Vitamina C, E, Selênio e Cálcio (DAL BOSCO, 2015). Na Tabela 3 estão elencados alguns dos nutrientes de escolha para o tratamento do Fibroedema Gelóide. A prática de atividade física, tratamentos estéticos e manutenção ou redução do peso corporal também compõe o tratamento desta condição (PUJOL, 2011). TABELA 3 – NUTRIENTES E POSSÍVEIS MECANISMOS DE AÇÃO NO FIBROEDEMA GELÓIDE ALIMENTOS/NUTRIENTES MECANISMOS DE AÇÃO Ginkgo Biloba Ação na microcirculação periférica Castanha da Índia Redução do edema Centella Asiática Estímulo de colágeno Fibra alimentar Redução da glicemia pós-prandial Estímulo da lipólise Uva Antioxidade, atua na peroxidação lipídica, sistema vascular e linfático Mamão e abacaxi Efeito anti-inflamatório Efeito anti-edema Aveia, cevada, graos integrais Estímulo de colágeno Estímulo da lipólise Redução do edema FONTE: Adaptado de David, de Paula e Schneider (2011) e Dal Bosco (2015) 3.4 NUTRIÇÃO E UNHAS FRÁGEIS A aparência das unhas é um bom indicador de alterações metabólicas que ocorrem no corpo uma vez que estas estão em contato com o periósteo do osso falangeano. A Síndrome das Unhas Frágeis (SUF) é o distúrbio mais comum envolvendo as unhas, caracterizado por uma alteração na sua consistência (VENTURI, 2019). A SUF afeta aproximadamente 20% da população geral, sendo mais comumem mulheres com mais de 50 anos de idade (DAL BOSCO, 2015; CHESSA et al., 2020). 36 As alterações na apresentação das unhas podem estar ligadas à carências de vitaminas e minerais. As deficiências de micronutrientes mais comumente encontradas nas unhas estão relacionadas às vitaminas do complexo B, como a niacina, biotina, riboflavina e piridoxina; às vitaminas lipossolúveis, como A, E e K; e aos minerais como zinco, ferro, cobre e selênio, além dos ácidos graxos essenciais (DIBAISE; TARLETON, 2019). Nas figuras a seguir (3 a 5) observa-se o aspecto da unha frente a algumas destas deficiências. Estas deficiências podem correr em consequência de patologias tais como desnutrição, anorexia, anemia, cirrose hepática, doenças disabsortivas e doença celíaca são frequentemente associadas a alterações no aspecto das unhas (VENTURI, 2019). Tais condições podem levar a disfunções no crescimento (lentidão, estrias, sulcos), resistência (unhas quebradiças, moles, descamassão), formato (unhas coiloíniquias) e coloração (unhas descoloridas, hiperpigmentadas, amareladas, com manchas). FIGURA 3 – UNHAS QUEBRADIÇAS, PROVÁVEL DEFICIÊNCIA DE BIOTINA FONTE: DiBaise e Tarleton (2019, p. 25) FIGURA 4 – UNHAS COLOÍNIQUIAS, PROVÁVEL DEFICIÊNCIA DE FERRO FONTE: DiBaise e Tarleton (2019, p. 26) 37 FIGURA 5 – UNHAS ESBRANQUIÇADAS, PROVÁVEL DEFICIÊNCIA DE SELÊNIO FONTE: DiBaise e Tarleton (2019, p. 27) O profissional Nutricionista deve estar atento aos sinais indicativos de carência de micronutrientes supracitados ao realizar o exame físico do paciente, associando estes aos achados bioquímicos (exames laboratoriais). Deve também atentar ao estado geral de saúde do paciente e presença de comorbidades, bem como avaliar seu consumo alimentar, para, somente então, realizar uma prescrição dietoterápica assertiva. Em alguns casos, pode ser necessário utilizar suplementos alimentares, tema que será abordado mais adiante neste livro. A suplementação oral com vitaminas (especialmente biotina), oligoelementos e aminoácidos (especialmente cisteína) tem sido recomendada no manejo das unhas frágeis. A suplementação de Ferro e Zinco, em casos de carência destes minerais, também é indicada como parte do tratamento (CHESSA et al., 2020). Outra estratégia que vem sendo elencada para o manejo das unhas frágeis é a suplementação com peptídeos bioativas de colágeno. Observa-se redução da frequência de quebra das unhas, aumento do seu crescimento e melhora do aspecto geral com a suplementação de 2,5g ao dia, por um período de 6 meses (HEXSEL et al., 2017). Dispomos atualmente de uma ampla gama de suplementos multivitamínicos desenvolvidos pela indústria farmacêutica para os cuidados com as unhas. Muitos destes vendidos sem necessidade de prescrição por profissional médico ou nutricionista. Contudo, cabe ao profissional avaliar a composição, qualidade e segurança do uso destes suplementos, com atenção para a biodisponibilidade de seus compostos e risco de toxicidade, visando o benefício do paciente. 38 3.5 NUTRIÇÃO E SAÚDE CAPILAR A alopecia é uma condição comum caracterizada pela queda total ou parcial de cabelos e/ou pelos de uma determinada área do corpo (PUJOL, 2011). A perda dos folículos pilosos pode se dar de duas formas: reversível (não cicatricial) pois o folículo piloso é conservado e assim o cabelo voltar a crescer; ou irreversível (cicatricial) pois ocorre a destruição do folículo piloso e assim não há a possibilidade de crescimento capilar onde ocorreu a queda (VENTURI, 2019). Afeta grande parte da população em algum momento no decorrer de suas vidas, podendo ocorrer de forma isolada ou em associação a outras doenças (VENTURI, 2019). Além da alopecia, outros distúrbios relacionados a aparência e crescimento dos cabelos podem ocorrer, os quais, também impactam na auto estima e vida social dos indivíduos. A etiologia da alopecia está relacionada a distúrbios genéticos, congênitos, hormonais, processos inflamatórios, uso de medicamentos, fatores ambientais ou condições de saúde, entre elas a nutrição (VENTURI, 2019). Importante destacar que aspectos emocionais tais como depressão, ansiedade e estresse estão entre os fatores que contribuem para o desenvolvimento da alopecia. Uma vez que o as células do folículo piloso têm um alto turnover (rotatividade), seu metabolismo requer elevado suprimento de nutrientes e energia. Uma privação calórica ou deficiência de proteínas, minerais, ácidos graxos essenciais e vitaminas pode levar a anormalidades estruturais, alterações de pigmentação ou perda de cabelo (FINNER, 2013; VENTURI 2019). Na tabela 4 associa-se as carências nutricionais as respectivas alterações observadas na saúde dos fios. TABELA 4 – CARÊNCIAS DIETÉTICAS E ALTERAÇÕES OBSERVADAS NO ASPECTO CAPILAR Carência Aspecto capilar Calorias Fino, ralo, frágil e cai ainda mais facilmente. Proteína Frágil, elasticidade reduzida, crescimento lentificado, alteração de cor. Vitamina C Hiperqueratose perifolicular, entupimento folicular e ondulação. Biotina (B7) Tricorrexe nodosa – defeito na haste capilar caracterizado por um espessamento (nós), que faz com o cabelo se solte facilmente. Vitamina B12 Despigmentação. Zinco Despigmentação, finos, quebradiços. Niacina (B3) Queda difusa, frágil. Ácidos graxos essenciais Despigmentação, queda na região do escalpo e sobrancelhas. Ferro Queda difusa. Cobre Hipopigmentação. Selênio Hipopigmentação. FONTE: Adaptado de Pujol (2011) e Finner (2013) 39 Dada a importância dos nutrientes supracitados para a saúde capilar, a prescrição dietética deve garantir seu adequado aporte e biodisponibilidade, através do consumo de alimentos fonte e quando necessário, suplementos nutricionais. Assim como pontuado no tópico anterior, a cerca das unhas frágeis, o profissional Nutricionista deve avaliar criteriosamente o aspecto do cabelo do paciente e investigar sinais e sintomas de deficiências nutricionais, antes de realizar a prescrição nutricional. Atenção especial deve se dar a ingesta hídrica em virtude da cutícula presente na camada externa do fio de cabelo, formada por lâminas superpostas que mantêm a integridade da vida, a qual protege o córtice e controla o conteúdo de água nos fios (PUJOL, 2011). A recomendação de hidratação varia conforme a faixa etária, nível de atividade física, fatores ambientes e consumo alimentar de cada indivíduo. A literatura sugere que alguns nutrientes específicos podem auxiliar estimulando as células do folículo piloso, tais como: taurina, catequinas, L-carnitina, coenzima Q10, silício orgânico, proantocianidinas (PUJOL 2011; FINNER, 2013). Estes nutrientes podem ser ofertados na forma de suplementos nutricionais e/ou incluídos na alimentação do paciente através de seus alimentos fontes: • Catequinas: chá verde, chá branco, chá preto, cerejas, amoras, framboesas, mirtilo, uva roxa e vinho tinto. • Proantocianidinas: frutas, legumes, castanhas, sementes, flores e cascas (principalmente de uva). • Coenzima Q10: carne de gado, sardinha, espinafre e amendoim. • Silício: vegetais e grãos integrais. • Taurina: carne de gado, peixe, frango e frutos do mar. • L-carnitina: carne vermelha, peixe, frango e lácteos. 4 PROGRAMAÇÃO METABÓLICA Programação metabólica refere-se aos processos pelos quais estímulos externos desencadeiam ou “programam" adaptações fisiológicas no indivíduo ainda nas fases críticas do desenvolvimento: período da gestação e o início da vida (TEIXEIRA, 2018). Isso ocorre em virtude da plasticidade e da sensibilidade a alterações do ambiente nesta fase (WEFFORT; LAMOUNIER, 2017). Ou seja, fatores relacionados ao estilo de vida dos pais, nele incluso o padrão alimentar, e a exposição a fatores deletérios nos primeiros anos de vida, impactam na saúde de seus filhos, tanto a curto quanto a longo prazo. O período compreendido entre a gestação e a lactação – as 40 semanas de gestação e os primeiros 2 anos de vida – é fundamentalpara o crescimento e o desenvolvimento da criança, sendo denominado “mil dias”. Trata-se de um período de rápido crescimento e desenvolvimento tanto do feto como da criança, no qual as condições nutricionais maternas as quais a criança será exposta por intermédio da placenta e do leite materno, 40 podem ter efeitos de programação de longa duração sobre o risco de obesidade e doenças não transmissíveis associadas, incluindo diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares (KOLETZKO et al., 2012; WEFFORT; LAMOUNIER, 2017). Nas últimas décadas, avanços científicos nos permitiram identificar que estímulos ambientais podem exercer impacto sobre a expressão dos genes. Por meio do estudo da epigenética compreende-se que podem ocorrer mudanças reversíveis e herdáveis no genoma funcional que não alteram a sequência de nucleotídeos do ácido desoxirribonucleico (DNA)(TEIXEIRA, 2018). Sendo que a nutrição materna tem um papel essencial nas alterações epigenéticas que favorecem a ocorrência de doenças na fase adulta (WEFFORT; LAMOUNIER, 2017). As alterações epigenéticas mais comuns são metilação do DNA e modificações de histonas. A metilação é o fenômeno pelo qual um gene é silenciado, controlando várias funções do genoma. Dessa forma, a metilação apresenta função essencial durante a morfogênese, para que o desenvolvimento fetal ocorra de maneira adequada. Aminoácidos, glicina, histidina, metionina, serina, Vitaminas B6, B12 e o ácido fólico são nutrientes cientificamente reconhecidos como influenciadores dos mecanismos de metilação do DNA (TEIXEIRA, 2018). Existem diversos possíveis mecanismos de modificações nas histonas, incluindo metilação, fosforilação e acetilação, que podem alterar a interação entre histonas e DNA, alterando a expressão genética. A exposição a metais pesados como arsênico e níquel parecem ser fatores causais na modificação das histonas (TEIXEIRA, 2018). Embora a maioria dos estudos foque no impacto da influência materna sobre a programação metabólica, evidências recentes tem demonstrado que o estado nutricional do pai também acarreta em alterações epigenéticas. O excesso de peso paterno pode gerar impacto negativo na qualidade, quantidade e integridade do DNA do esperma e no desempenho reprodutivo masculino. Ainda, alguns autores afirmam que o padrão dietético paterno reside em espermetazóides portadores de informação epigenética, de forma que, espermatozóides de pais obesos podem cursar com aumento do estresse oxidativo, acarretando em prejuízos perpetuados até a segunda geração (TEIXEIRA 2018). 4.1 EXCESSO DE PESO E PROGRAMAÇÃO METABÓLICA Os mecanismos epigenéticos envolvidos na suscetibilidade ao desenvolvimento da obesidade têm sido amplamente investigados na atualidade. Há três hipóteses que buscam explicar a programação metabólica da obesidade (KOLETZKO et al., 2012): 1) Hipótese intrauterina mediada por suprimento: sugere que a exposição intrauterina a um excesso de suprimentos energéticos, principalmente glicose, causa alterações permanentes do feto que levam à obesidade na vida pós-natal. 41 2) Hipótese de ganho de peso pós-natal acelerado: propõe uma associação entre rápido ganho de peso na infância e risco aumentado de obesidade e doenças cardiovasculares ao longo da vida. Este ganho acelerado pode se dar em resultado de uma dieta com excesso de proteínas. 3) Hipótese de incompatibilidade: sugere que vivenciar uma "incompatibilidade" de desenvolvimento entre um ambiente perinatal subótimo e um ambiente infantil obesogênico está relacionado a uma predisposição maior ao desenvolvimento de obesidade e suas comorbidades. Fatores de risco maternos, como obesidade, ganho de peso em excesso na gravidez, tabagismo e baixo nível de vitamina D, associados a um curto período de amamentação (menos de 1 mês), podem levar ao sobrepeso ou à obesidade infantil. Os primeiros anos de vida representam um período crítico – é a fase em que o apetite e a regulação do equilíbrio de energia são programados, o que tem consequências no excesso de peso. Sendo assim, o profissional Nutricionista deve iniciar intervenções com o intuito prevenir a obesidade antes mesmo da gravidez (WEFFORT; LAMOUNIER, 2017). 4.2 RESTRIÇÃO CALÓRICA E/OU PROTEÍCA E PROGRAMAÇÃO METABÓLICA A desnutrição materna leva a alterações na metilação e acetilação de histonas, bem como em muitos casos, ao baixo peso ao nascer. Os descendentes nascem com baixo peso por sofrerem restrição de crescimento intrauterino (RCIU). Cabe destacar que a RCUI também pode ocorrer em virtude de uma disfunção placentária, como a síndrome hipertensiva pré-eclampsia, na qual há interrupção do fornecimento normal de nutrientes transplacentários e/ou hipoxia fetal (TEIXEIRA, 2018). O baixo peso ao nascer (BPN) está associado a maior risco de desenvolvimento de doenças da idade adulta, tais como: aumento da resistência à insulina e do diabetes mellitus tipo 2; aumento da mortalidade por doença coronariana isquêmica; e maior risco de síndrome metabólica, dislipidemia e obesidade (WEFFORT; LAMOUNIER, 2017). Este quadro parece ser pelo aumento da razão da expressão de genes de apetite/saciedade, estimulando o excesso de ingestão alimentar e posterior obesidade (TEIXEIRA, 2018). 4.3 MANEJO NUTRICIONAL NA PROGRAMAÇÃO METABÓLICA Em um cenário o ideal, o manejo nutricional de ambos os genitores deveria ocorrer meses antes da fecundação. Neste ponto o objetivo seria a manutenção de um peso saudável e o adequado consumo de macro e micronutrientes, de acordo com as necessidades individuais. 42 Após a fecundação, especial atenção deve ser dada a alimentação materna que deve atender as necessidades nutricionais diferenciadas da gestação, de acordo com o trimestre gestacional e faixa etária da gestante. Neste período, deve-se evitar a exposição aos disruptores endócrinos (TEIXEIRA, 2018): Bisfenol A: presente em plásticos e resinas; associado a maior prevalência de doenças cardiovasculares e metabólicas, alterações comportamentais (ansiedade, memória, aprendizagem), aumento do ganho de peso e de gordura corporal pós-natal, prejuízo ao sistema imune. Ftalatos: presente em plásticos; associado a maior prevalência de doenças cardiovasculares e metabólicas, problemas de comportamento e desempenho cognitivo. Pesticidas organoclorados: incluem herbicidas, fungicidas, inseticidas, repelentes de insetos; associado a alterações no aparelho urinário, menor peso ao nascer, aumento de acúmulo de gordura corporal, resistência à insulina. Por fim, o profissional Nutricionista deve estar atento ao acompanhamento da família visando o sucesso no aleitamento materno e a introdução alimentar adequada e em tempo oportuno. Orientar os pais quanto ao impacto dos hábitos familiares na construção do padrão alimentar dos filhos e para prevenção de doenças, também se faz fundamental. 5 MODULAÇÃO DA MICROBIOTA INTESTINAL O trato gastrointestinal, particularmente o intestino grosso, contém o maior número de bactérias do corpo humano, denominado microbiota intestinal (COMPARE et al., 2012). Desde o ambiente intrauterino, detecta-se a presença de bactérias, no entanto é a partir do nascimento que o intestino começa a ser colonizado considerando variáveis como o tipo de parto, amamentação e genética (GOMES; MAYNARD, 2020). Sabe-se, por exemplo, que crianças nascidas de parto cesáreo tem menor percentual de bactérias probióticas o que pode acarretar , entre outras coisas, em alterações na digestão, alergias e intolerâncias alimentares (PUJOL, 2011). A microbiota intestinal apresenta fundamental importância na manutenção da saúde do hospedeiro uma vez que as bactérias estão envolvidas não apenas nos processos de digestão de alimentos mas também na regulação energética, produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) e síntese de vitaminas como Biotina, Tiamina, Cobalamina, Riboflavina e Ácido Pantotênico(GOMES; MAYNARD, 2020; GOMAA, 2020) e exerce impacto na secreção de insulina e resistência ä sua ação. Estudos recentes apontam ainda que a microbiota intestinal influencia na comunicação entre o eixo cérebro- intestino, afetando funções mentais e neurológicas do hospedeiro (GOMAA, 2020). 43 Destaca-se ainda que a mucosa intestinal é a principal interface entre o sistema imunológico e o ambiente externo. O diálogo entre hospedeiro e bactéria na interface da mucosa intestinal parece desempenhar papel fundamental no desenvolvimento do sistema imunológico. A microbiota intestinal elicia mecanismos imunológicos inatos e adaptativos que cooperam para proteger o hospedeiro e manter a homeostase intestinal (COMPARE et al., 2012). Ainda não se conhece a composição exata da microbiota intestinal, mas estudos recentes mostraram que a maioria dos filotipos bacterianos são membros de dois filos: os Firmicutes (como Clostridium, Enterococcus, Lactobacillus, Ruminococcus) que compõem aproximadamente 60% da microbiota intestinal, e os Bacteroidetes (como Bacteroides e Prevotella) perfazendo 15% (LOPEZ-LEGARREA, 2014). A composição da microbiota intestinal varia substancialmente entre os indivíduos, contudo é dinâmica e suscetível a mudanças (LOPEZ-LEGARREA, 2014). Hábitos alimentares, estilo de vida, idade e genótipo do hospedeiro podem afetar a composição da microbiota intestinal (COMPARE et al., 2012). A exposição a antibióticos, anti-inflamatórios, analgésicos e anticoncepcionais pode ser responsável por alterar a microbiota intestinal, a depender da farmacocinética, da dosagem e do modo de administração. Contudo, os antibióticos são a classe de medicamentos mais amplamente reconhecida como prejudiciais pois agem de forma não seletiva, contra todos os micro- organismos do hospedeiro (PUJOL, 2011). Doenças crônicas não trasmissíveis e outras doenças metabólicas complexas, tais como a obesidade, diabetes tipo 2 (DM2), doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), são produto de múltiplas perturbações orgânicas sob a influência de fatores desencadeantes como a microbiota intestinal e a dieta. Assim, a modulação da microbiota intestinal pode representar uma nova forma de tratar ou prevenir tais condições (COMPARE et al., 2012; GOMES; MAYNARD, 2020). Uma vez que o padrão alimentar pode ser adaptado em favor do estabelecimento de uma microbiota intestinal saudável tem se utilizado de intervenções nutricionais planejadas para tal. Estudos recentes têm demonstrado os benefícios das adequações dietéticas e suplementação com probióticos e prebióticos para a melhora do perfil inflamatório e imunológico em todos os ciclos da vida, nas mais variadas condições de saúde e doença (GOMES; MAYNARD, 2020). 44 Entre os diferentes componentes da dieta, os carboidratos, especificamente os amidos não digeríveis, parecem desempenhar um papel fundamental na modulação da microbiota intestinal, particularmente relacionado à formação de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC). O consumo de polifenóis, presentes em grande quantidade na dieta mediterrânea, mostram propriedades benéficas para a microbiota intestinal (LOPEZ-LEGARREA, 2014). Uma alimentação rica em vegetais, a exemplo da dieta lactovegetariana e ovolactovegetariana acarreta em aumento da microbiota probiótica e diminuição do Clostridium, que é uma bactéria patogênica. O mesmo efeito, observa-se em relação ao consumo de isoflavona (PUJOL, 2011). O consumo de fibras é essencial para manter a integridade da função de barreira do epitélio intestinal. Ademais, uma dieta rica em fibras demonstrou melhorar o controle glicêmico e promoveu um perfil metabólico mais saudável em pacientes com DM2 (GOMAA, 2020). O alto consumo de gorduras saturadas apresenta impacto deletério na modulação da microbiota uma vez que estimula a proliferação de bactérias capazes de alterar a permeabilidade do intestino devido ao aumento de mastócitos da mucosa permitindo o aumento na circulação sérica de lipopolissacarídeos (LPS) que quando ativados induzem reações intracelulares com a produção de mediadores inflamatórios que comprometem a sinalização insulínica. Em contrapartida, uma dieta rica em fibras exerce o efeito contrário pois induz a produção de proteínas de junção celular protegendo a mucosa do intestino e reduzindo a translocação de LPS para a corrente sanguínea (GOMES; MAYNARD, 2020). O consumo de alimentos sulfurados, tais como frutas desidratadas tratadas com dióxido de enxofre, sucos de caixa, pão branco, bebidas alcoólicas, entre outras, é prejudicial pois estimula as bactérias Gram-negativas. Como estas bactérias são redutoras de sulfato, acarretam na produção de gases, distensão abdominal e inibição da oxidação do ácido butírico, combustível dos enterócitos (PUJOL, 2011). Você lembra o que são prebióticos e probióticos? Prebióticos são definidos como um componente alimentar não digerível que afeta beneficamente o hospedeiro, estimulando seletivamente o crescimento e/ou atividade de uma ou um número limitado de bactérias no cólon. Probióticos são os microrganismos vivos em si, presentes em alimentos (iogurte, leite fermentado, kefir, chucrute, kimchi, fermentados à base de soja) ou suplementos, capazes de produzir substâncias antimicrobianas contra patógenos intestinais a fim de restaurar a saúde e a composição da microbiota. NOTA 45 Nos últimos anos difiundiu-se a orientação generalizada a cerca da redução do consumo de alimentos com glúten, embora poucas evidências científicas demonstrem resultados favoráveis a exclusão aleatória dessa proteína. Hansen et al. (2018) pesquisou os efeitos da redução do glúten na dieta de adultos através de um ensaio clínico randomizado com duração de 8 semanas. Os autores identificaram que as alterações na composição microbiana e na fermentação do cólon se dão devido a mudanças qualitativas no consumo de fibras alimentares decorrentes da redução de alimentos ricos em glúten (tais como farinhas refinadas) e não unicamente pela baixa ingestão do glúten em si (HANSEN, 2018). Na modulação da microbiota intestinal, visando o tratamento da DHGNA tem se defendido o uso de cepas probióticas, tais como Lactobacillus paracasei, Lactobacillus bulgaricus e Streptococcus thermophilus, e de fibras prebióticas (COMPARE, 2012). Em relação a DM2, a suplementação com Lactobacillus casei parece impactar na redução da glicemia de jejum, da concentração de insulina e da resistência à insulina e também aumentar a SIRT1 (importante enzima com potencial antiinflamatório) e diminuir os níveis de fetuina-A (proteínas transportadoras de ácidos graxos livres na circulação) (KHALILI et al., 2019). No tratamento da constipação, as cepas Lactobacillus acidophilus, Lactobacillus rhamnosus, Lactobacillus paracasei e Bifidobacterium lactis auxiliam na melhora da flatulência e distensão abdominal, sintomas frequentemente relatados por pacientes constipados (GOMES; MAYNARD, 2020). Os probióticos também podem ser utilizados na prevenção da disbiose que ocorre quando o indivíduo é exposto a condições severas (antibioticoterapia prolongada, estresse físico ou mental intenso, doenças crônicas etc.). Contudo, os benefícios atrelados ao uso de probióticos dependerão sempre da dose e duração da administração, seleção de cepas e preservação destas no trato gastrointestinal (GOMAA, 2020). O consumo de prebióticos, tais como Frutooligossacarídeos e Inulina, conferem benefícios ao hospedeiro, incluindo aumento da integridade da barreira da mucosa intestinal, aumento da imunidade da mucosa do hospedeiro, redução do pH e produção de AGCC, bem como inibição do crescimento de microrganismos patogênicos. As fibras prebióticas podem ser encontradas de forma isolada em suplementos alimentares ou alimentos fonte, tais como aveia, raiz de chicória, alcachofra, aspargos, cebola, alho, tomate, cevada, aveia e banana (GOMAA, 2020).A suplementação exógena de pré ou probióticos representa benefícios, conforme apontado por diversos autores, contudo, observa-se que, de forma isolada ela não é capaz de recolonizar em definitivo a microbiota intestinal. Por isso, uma alimentação balanceada e saudável, associada a um estilo de vida equilibrado que considere tempo adequado de sono, atividade física e bem estar biopsicossocial pode ter grande influência na composição da microbiota, e um ambiente microbiano saudável impactará na melhor imunidade e funcionamento fisio-metabólico do individuo (GOMES; MAYNARD, 2020). 46 6 ALERGIAS ALIMENTARES A alergia alimentar faz parte do grupo das reações adversas aos alimentos, que podem ser classificadas em: tóxicas, intolerância e hipersensibilidade (alergia) (SPERIDIÃO; MORAIS, 2014). É definida como uma doença consequente a uma resposta imunológica anômala, que ocorre após a ingestão e/ou contato com determinado(s) alimento(s) (SOLÉ et al., 2018). Vem sendo considerada atualmente como um problema de saúde pública em todo o mundo e está associado a um impacto negativo significativo na qualidade de vida (PEREIRA; MOURA; CONSTANT, 2008; SOLÉ et al., 2018). Os dados sobre a prevalência de alergia alimentar, ao redor do mundo, são conflitantes e variáveis a depender de: idade e características da população avaliada, mecanismo imunológico envolvido, método de diagnóstico, tipo de alimento, regiões geográficas, entre outros. Contudo sabe-se que as alergias alimentares são mais comuns em crianças, com uma prevalência de aproximadamente de 6% em menores de três anos. Entre os adultos, atinge 3,5% (SOLÉ et al., 2018). As reações de hipersensibilidade são determinadas por proteínas que desencadeiam uma reação imunológica, a qual pode determinar várias síndromes clínicas. Podem ser classificadas de acordo com o mecanismo imunológico predominante: reações tardias mediadas por células, reações imediatas mediadas por imunoglobulina E (igE) e reações mistas nas quais ambos os mecanismos (reação por células e IgE) participam (SPERIDIÃO; MORAIS, 2014). Na tabela abaixo, observam-se as manifestações dos diferentes tipos de alergia: TABELA 5 – MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DE ACORDO COM O MECANISMO IMUNOLÓGICO ENVOLVIDO Mediada por IgE Mediada por IgE e célula (misto) Não mediada por IgE Pele Urticária, angioedema, rash eritematoso morbiliforme, rubor Dermatite atopica Dermatite herpetiforme Dermatite de contato Respiratório Rinoconjuntivite alérgica Broncoespasmo agudo Asma Hemossiderose induzida por alimento (Síndrome de Heiner) Gastrintestinal Síndrome de alergia oral Espasmo intestinal agudo Esofagite eosinofílica (EOE) Gastrite eosinofílica Gastroenterite eosinofílica Síndrome da enterocolite induzida por proteína alimentar (FPIES) Síndrome da protocolite induzida por proteína alimentar (FPIPS) Síndrome de enteropatia induzida por proteína alimentar Cardiovascular Tontura e desmaio 47 Miscelânea Cólicas e contrações uterinas Sentimento de "morte iminente" Sistêmicas Anafilaxia Anafilaxia por exercício dependente de alimento FONTE: Adaptado de Solé et al. (2018) Os alérgenos alimentares são na sua maior parte representados por glicoproteínas hidrossolúveis com peso molecular entre 10 e 70 kDa. Podem sofrer modificações conforme o processamento do alimento ou durante a digestão, resultando em aumento ou diminuição da alergenicidade. Os alérgenos alimentares relacionados a manifestações mais graves de alergia são em geral termoestáveis e resistentes à ação de ácidos e proteases. Há três possibilidades de um alimento se tornar capaz de induzir reações: quando o alimento é ingerido ou há contato com a pele ou o trato respiratório; quando, pela reatividade cruzada, houve produção de IgE específica e sensibilizaçao antes mesmo do contato com o alimento; quando há reatividade cruzada entre um alérgeno inalável (ex. polens, látex) responsável pela sensibilização e produção de IgE e ingestão do alimento (SOLÉ et al., 2018). Os principais alimentos alergênicos são leite de vaca, ovo, trigo, soja, amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar (PEREIRA; MOURA; CONSTANT, 2008; SPERIDIÃO; MORAIS, 2014; SOLÉ et al., 2018; OLIVEIRA et al., 2018). O momento da vida no qual estes alimentos são introduzidos na dieta influencia no desenvolvimento da alergia (SPERIDIÃO; MORAIS, 2014). As reações adversas aos aditivos alimentares são raras (abaixo de 1%), sendo que os aditivos mais implicados são os sulfitos, o glutamato monossódico, a tartrazina e o vermelho carmim. Novos potenciais alérgenos têm sido descritos, como kiwi, mamão papaia, gergelim, mostarda, canola e a mandioca (PEREIRA; MOURA; CONSTANT, 2008; SOLÉ et al., 2018). Pode haver ainda reações cruzadas frente ao consumo de alimentos alergênicos, ou seja, alimentos diferentes podem induzir respostas alérgicas semelhantes no mesmo indivíduo. Um indivíduo alérgico a camarão pode não tolerar outros crustáceos, assim como alérgicos a amendoim podem também apresentar reação ao ingerir a soja, ervilha ou outros feijões (PEREIRA; MOURA; CONSTANT, 2008). O aleitamento materno exclusivo apresenta potencial de prevenção das alergias alimentares, possivelmente em virtude da modulação da microbiota intestinal do bebê por meio do leite materno (SPERIDIÃO; MORAIS, 2014). Em contrapartida, o consumo de fórmulas lácteas e a introdução alimentar precoce na infância, podem atuar como fatores de risco para o desenvolvimento de alergias alimentares (SOLÉ et al., 2018). 48 Diversos de fatores de risco têm sido associados à ocorrência de alergia alimentar, tais como etnia asiática e africana, comorbidades alérgicas (dermatite atópica), alterações do aparelho digestivo, insuficiência de vitamina D, redução do consumo dietético de ácidos graxos poliinsaturados do tipo ômega 3, redução de consumo de antioxidantes, uso de antiácidos, obesidade e outros fatores relacionados à higiene (OLIVEIRA et al., 2018; SOLÉ et al., 2018) Ademais, a predisposiçao genética, associada a fatores de risco ambientais, culturais e comportamentais, formam a base para o desencadeamento das alergias alimentares em termos de frequência, gravidade e expressão clínica (SOLÉ et al., 2018). Sabe-se também que o estabelecimento de uma microbiota inadequada (disbiose) pode resultar em alterações nos mecanismos reguladores imunológicos, culminando em maior susceptibilidade a infecções ou desequilíbrio nos fenômenos de tolerância, induzindo respostas de hipersensibilidade, como as alergias alimentares (SOLÉ et al., 2018). O tratamento das alergias alimentares é baseado na exclusão ou eliminação do alérgeno alimentar, ou seja, na prescrição de uma "dieta de exclusão” (SPERIDIÃO; MORAIS, 2014). Embora pareça simples, o tratamento dietético apresenta múltiplos objetivos e princípios, que incluem: • Aliviar os sintomas pela remoção dos alérgenos da dieta. • Prevenir a exposição acidental ao alérgeno. • Prevenir a restrição desnecessária de alimentos. • Garantir o crescimento e o desenvolvimento adequados para a idade e o sexo em crianças e prevenir a desnutrição em adultos. • Fornecer dieta balanceada, adequada e saudável, com alternativas apropriadas para os alimentos removidos da dieta com o objetivo de minimizar o impacto sobre a qualidade de vida e prevenir as doenças crônicas na vida adulta (YONAMINE; PINOTTI, 2021). A exclusão de um determinado alimento não é tarefa fácil e a exposição acidental ocorre com certa freqüência. Os indivíduos com Alergia Alimentar grave (reação anafilática) devem portar braceletes ou cartões que os identifiquem, para que cuidados médicos sejam imediatamente tomados. Pacientes com história de reações graves devem ser orientados a portar medicamentos específicos (adrenalina) (PEREIRA; MOURA; CONSTANT, 2008). NOTA 49 Esta conduta permite não somente tratar o paciente como acaba sendo uminstrumento de diagnóstico uma vez que possibilita confirmar a suspeita da alergia alimentar através do desaparecimento dos sintomas e seu reaparecimento após a reintrodução do(s) alimento(s) suspeito(s) (SPERIDIÃO; MORAIS, 2014). No manejo dos casos de alergias alimentares, ao profissional Nutricionista cabe realizar a avaliação criteriosa e detalhada da ingestão alimentar do paciente, prescrever a conduta dietética adequada e orientar o paciente ou cuidadores a cerca das exclusões. Na prescrição dietética deve-se atentar para a substituição dos alimentos alergênicos mantendo a palatabilidade da dieta, de acordo com os hábitos alimentares do paciente e suas necessidades nutricionais individualizadas (macro e micronutrientes). Os pacientes e/ou cuidadores devem ser passar por processo de educação alimentar e nutricional visando aprender a realizar correta leitura do rótulo dos alimentos e escolha de restaurantes. Cabe também a orientação a cerca da higiene de utensílios e eletrodomésticos tendo em vista o risco de contaminação cruzada. Nos casos de alergias IgE mediadas, após um período de tratamento com dieta de exclusão pode ser realizado o teste de provocação oral (TPO), sob supervisão médica, ou reintrodução do alimento na dieta em casa, mediante orientação médica, nos casos em que a possibilidade de reações imediatas ou graves seja totalmente descartada, a fim de verificar se o paciente adquiriu tolerância clínica ao alimento que antes desencadeava manifestações alérgicas. Após a confirmação de aquisição de tolerância, o alimento pode ser gradualmente reintroduzido na dieta do paciente. De acordo com a literatura, as alergias ao leite de vaca e ao ovo tendem a se resolver de maneira espontânea, em contrapartida, no caso da alergia ao amendoim, castanhas e frutos do mar, a tolerância espontânea é mais difícil de ocorrer (YONAMINE; PINOTTI, 2021). 7 CIRURGIA BARIÁTRICA A obesidade é considerada um problema de saúde pública no país dada sua alta prevalência e impacto deletério na saúde, qualidade de vida e recursos financeiros. Conforme você aprendeu na Disciplina de Nutrição Clínica: Trato Gastrointestinal e Doenças Crônicas (Unidade 2), o Nutricionista apresenta papel fundamental no manejo dietoterápico da obesidade, visando a perda de peso. Contudo, neste tópico, você irá conhecer outro ponto de atuação do Nutricionista, que é o manejo de pacientes candidatos à cirurgia bariátrica. A cirurgia bariátrica é considerada uma alternativa terapêutica para casos de obesidade grave, seguindo os critérios a seguir: • Pacientes com IMC acima de 40 kg/m², independentemente da presença de comorbidades. 50 • Paciente com IMC entre 35 e 40 kg/m² na presença de comorbidades. • Pacientes com IMC entre 30 e 35 kg/m² na presença de comorbidades que tenham obrigatoriamente a classificação “grave” por um médico especialista na respectiva área da doença. Analisa-se também a idade do paciente, sendo que não há restrições neste sentido na faixa dos 18 e 65 anos. Acima de 65 anos, o paciente deverá passar por uma avaliação individual e recomenda-se que pacientes de 16 a 18 anos devem obter consentimento da família ou responsável legal (SBCBM, 2019). As técnicas cirúrgicas possíveis de serem utilizadas nestes casos são: Gastroplastia Redutora com Derivação Gastrojejunal em Y-de-Roux (GRYR) ou Bypass Gástrico; Banda Gástrica Ajustável; Gastrectomia Vertical ou Sleeve; e Derivação Biliopancreática com Duodenal Switch. As técnicas cirúrgicas estão exemplificadas nas imagens abaixo: FIGURA 6 – GASTROPLASTIA REDUTORA COM DERIVAÇÃO GASTROJEJUNAL EM Y-DE-ROUX (GRYR) FONTE: SBCBM (2017, on-line) Nesse procedimento misto, é feito o grampeamento de parte do estômago, que reduz o espaço para o alimento, e um desvio do intestino inicial, que promove o aumento de hormônios que dão saciedade e diminuem a fome. Essa somatória entre menor ingestão de alimentos e aumento da saciedade é o que leva ao emagrecimento, além de controlar o diabetes e outras doenças, como a hipertensão arterial. 51 FIGURA 7 – GASTRECTOMA VERTICAL FONTE: SBCBM (2017, on-line) Esse procedimento e considerado restritivo e metabólico e nele o estômago é transformado em um tubo, com capacidade de 80 a 100 mililitros (ml). FIGURA 8 – DERIVAÇÃO BILIOPANCREÁTICA FONTE: SBCBM (2017, on-line) 52 É a associação entre gastrectomia vertical e desvio intestinal. Nessa cirurgia, 60% do estômago são retirados, porém a anatomia básica do órgão e sua fisiologia de esvaziamento são mantidas. FIGURA 9 – BANDA GÁSTRICA AJUSTÁVEL FONTE: SBCBM (2017, on-line) Um anel de silicone inflável e ajustável é instalado ao redor do estômago, que aperta mais ou menos o órgão, tornando possível controlar o esvaziamento do estômago. O acompanhamento nutricional do paciente deve iniciar já no pré-operatório com o objetivo de promover uma perda de peso de 5 a 10% do peso inicial, a fim de minimizar os riscos cirúrgicos (OLIVEIRA; MAGNO, 2018). É oportuno neste momento orientar o paciente quanto à cirurgia e suas implicações nutricionais, bem como estimular mudanças no padrão de comportamento alimentar visando uma melhor relação com a comida (CARVALHO; DUTRA, 2014). Recomenda-se a prescrição de uma dieta hipocalórica, nutricionalmente equilibrada e segura, individualizada e adaptada às condições econômicas e culturais do paciente. Neste período, dietas de baixas calorias (1.000 a 1.200kcal/dia) ou dietas de muito baixas calorias (aproximadamente 800kcal/ dia) podem ser utilizadas por duas a quatro semanas (OLIVEIRA; MAGNO, 2018). No período pós-operatório, a dietoterapia deverá ser adaptada à técnica cirúrgica empregada e as condições clínicas do paciente (sintomas, carências nutricionais, e intolerâncias alimentares) (OLIVEIRA; MAGNO, 2018). Modificações na consistência da dieta e composição nutricional são necessárias para adaptar o novo transito digestivo do paciente. Apesar de não haver consenso quanto a evolução da dieta pós-operatória, no geral, as equipes optam pelo o padrão a seguir: 53 1. Dieta líquida restrita: indicada após o jejum pós-operatório, mantida por 1 a 4 dias. 2. Dieta líquida completa: mantida por até 30 dias, com refeições fracionadas a fim de evitar grandes volumes. 3. Dieta pastosa ou cremosa: mantida por 15 a 21 dias. 4. Dieta branda: mantida por até 30 dias. 5. Dieta normal: etapa final da evolução de consistência, com refeições fracionadas (CARVALHO; DUTRA, 2014; PEDROSA et al., 2020). A suplementação multivitamínica e mineral preventiva é condição obrigatória e deve ser iniciada logo após a alta clínica e, pelo menos no primeiro mês pós-cirurgia, deverá optar- -se pela forma mastigável ou bebível. Destaca-se que esta suplementação tem caráter “vitalício”, salvo condição clínica que o contraindique ((PEDROSA et al., 2020). A suplementação deve contemplar Vitamina A, B1, B2, B6, C, D, E, K, Ácido fólico, Cálcio, Ferro, Selenio, Zinco e Cobre, com dosagens de acordo com o procedimento cirúrgico realizado e fase da vida (OLIVEIRA; MAGNO, 2018; PEDROSA et al., 2020). O sucesso do tratamento cirúrgico depende em grande parte de mudanças alimentares que o paciente precisará manter no pós-operatório, o que implica na necessidade de acompanhamento nutricional de longo prazo (CARVALHO; DUTRA, 2014). Em virtude da modificação mecânica do trato gastrointestinal, a cirurgia bariátrica acarreta em maior saciedade e/ou alteração na absorção de nutrientes, contudo, se o paciente não aderir a dietoterapia, poderá apresentar complicações pós-operatórias, carências de micronutrientes e até mesmo reganho de peso. 8 NUTRIÇÃO NOS CUIDADOS PALIATIVOS Os cuidados paliativos (CP) são cuidados ativos, coordenados e globais oferecidos a pacientes em de sofrimento decorrente de doença incurável ou grave, em fase avançada e progressiva, assim como às suas famílias. O objetivo principal da assistênciaao paciente em CP é promover bem-estar e qualidade de vida, através da prevenção e alívio do sofrimento físico, psicológico, social e espiritual, auxiliando o doente a viver a sua doença da forma mais activa possível (PINHO-REIS, 2012). O respeito aos desejos do paciente, o cultivo de sua autonomia, visando preservar ao máximo sua vida normal ou favorecendo para que a este consiga usufruir sua vitalidade dentro de seus limites, são a base da estratégia terapêutica nos CP (MORAIS, 2016). Em virtude da formação teórica que se recebe desde a graduação, cujo foco é manter ou reestabelecer a saúde, por muitos anos os profissionais de saúde acreditaram que, quando se esgotam as possibilidades terapêuticas, ou seja, as chances cura, nada mais há pra ser feito. Contudo, felizmente, nas últimas décadas temos estudado e entendido que o cuidado paliativo é sim uma forma das formas de se prestar assistência 54 à saúde e que há muita importância em fazê-lo justamente quando o paciente se apresenta em seu momento de maior vulnerabilidade existencial, ou seja, quando se depara com a iminência da morte. Neste âmbito a assistência integral, com equipe multidisciplinar se faz fundamental, sendo o Nutricionista um dos profissionais de grande relevância. Devido aos tratamentos ou à própria evolução da doença de base, os doentes experimentam sintomas que afetam não só a via de alimentação, o apetite e a utilização de nutrientes mas também o ato de consumir e obter prazer através da alimentação. O suporte nutricional deverá possibilitar não só os meios e as vias de alimentação necessários como também o controle de sintomas relacionados com a alimentação, levando em consideração os aspectos éticos e o significado que a alimentação adquire para o doente e sua família em CP (PINHO-REIS, 2012). O acompanhamento nutricional do paciente em CP requer um olhar ainda mais abrangente do profissional que deverá buscar equilibrar as necessidades nutricionais mínimas do paciente as dificuldades encontradas nesta fase da vida. Os familiares ou cuidadores devem também ser orientados a fim de entender os objetivos da dietoterapia e também por serem primordiais uma vez que, normalmente, os pacientes em CP requerem auxilio destes no preparo e até mesmo consumo das refeições. As necessidades nutricionais (calóricas, proteicas e hídricas) devem ser determinadas segundo a expectativa de vida, sintomas, tolerância e aceitação do paciente, garantindo assim, oferta de conforto e qualidade de vida. A prescrição dietética não deve se ater apenas em oferecer as necessidades nutricionais, ela deve, sobretudo, prover prazer e conforto, respeitando os desejos do paciente (MORAIS, 2016; MAGALHÃES; OLIVEIRA; CUNHA, 2018). O paciente em CP tende a apresentar sintomas que impactam na alimentação tais como: náuseas, vômitos, alteração de paladar (redução, perda, sensibilidade aumentada), inapetência, saciedade precoce, má absorção de nutrientes, diarreia ou constipação, entre outros (MAGALHÃES, OLIVEIRA, CUNHA, 2018). O nutricionista deve adequar a alimentação do paciente aos sintomas apresentados em cada fase do acompanhamento, através da modificação das formas de preparo, alimentos ofertados, consistência, apresentação e até mesmo via de alimentação, quando necessário. A perda de peso e/ou desnutrição é um achado frequente entre pacientes em CP. A dietoterapia, quando estabelecida precocemente, pode auxiliar na manutenção da composição corporal e no controle da perda de peso uma vez que estes estão relacionados à evolução clínica desfavorável, comprometimento psicológico, socioeconômico e da qualidade de vida do paciente. A terapia nutricional oral (suplementos), enteral ou parenteral pode ser considerada, contudo precisa ser discutida em conjunto com a equipe multiprofissional, o paciente e seus familiares, considerando aceitação e prognóstico (MORAIS, 2016). 55 Cabe destacar que, por vezes, nem todos os instrumentos de avaliação nutricional poderão ser aplicados no paciente em CP, principalmente naqueles em estado mais avançado, em virtude de sua debilidade física ou sintomas. Qualquer instrumento de avaliação que possa gerar desconforto físico ou emocional não deve ser utilizado nessa fase (MORAIS, 2016). O simples ato de subir na balança, para alguns pacientes pode demandar um esforço além de suas capacidades. O pinçar do adipômetro, para um paciente sofrendo as dores da terminalidade, pode ser exacerbado. Portanto o profissional deve utilizar na avaliação nutricional os dados que dispor, considerando o diagnóstico do paciente, informações coletadas na anamnese, além de sinais e sintomas. O Consenso Nacional de Nutrição Oncológica aborda as condutas nutricionais especificas para pacientes oncológicos em cuidados paliativos. Para saber mais, acesse: https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/ files//media/document//consenso-nacional-de-nutricao-oncologica-2- edicao-2015.pdf DICA 56 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: · Alimentos funcionais, como a linhaça, brócolis, chá verde, cacau, entre outros - contém compostos bioativos que desempenham impacto positivo na saúde, auxiliando no manejo de doenças crônicas. · A Nutrição pode atuar como adjuvante no tratamento de desordens estéticas através da inclusão de micronutrientes chaves, pode meio do consumo de alimentos ou suplementos. · O padrão alimentar dos genitores e o consumo alimentar nos primeiros anos de vida impactam na saúde dos filhos, tanto a curto quanto a longo prazo, correlacionando- se com o desenvolvimento de obesidade, dislipidemias, diabetes, entre outras comorbidades. · Os principais alimentos relacionadas as alergias alimentares são leite de vaca, ovo, trigo, soja, amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar. Há relatos de casos de alergia aos aditivos alimentares, contudo ainda são raros. · O acompanhamento nutricional é fundamental no pré e pós operatório da Cirurgia Bariátrica. Previamente a cirurgia, o objetivo é que o paciente obtenha perda de peso e modifique seu comportamento alimentar. No pós-operatório, o foco està na adaptação da alimentação à técnica cirúrgica empregada e às condições clínicas do paciente, além de previnir ou tratar carências nutricionais e evitar o reganho de peso. 57 1 A acne é um achado frequente entre adolescentes e adultos que surge devido a um processo inflamatório das glândulas sebáceas e dos folículos pilossebáceos. Tal situação acarreta não só no em um comprometimento estético de impacto psicológico e social. Embora não haja consenso em relação aos fatores dietéticos implicados na etiologia do problema, sabe-se que a dietoterapia apresenta efeito positivo no tratamento. Sendo assim, disserte acerca dos objetivos da intervenção dietoterápica na acne. 2 O profissional Nutricionista se faz fundamental no manejo das alergias alimentares uma vez que o tratamento de base consiste na exclusão ou eliminação do alérgeno que desencadeia a reação imunológica. Ou seja, se faz necessária a prescrição de uma dieta de exclusão. Elenque a seguir os objetivos da intervenção dietoterápica nas alergias alimentares: 3 Os alimentos funcionais são aqueles que contém compostos, tecnicamente denominados de substâncias bioativas, que apresentam potencial benefício na saúde humana devido aos seus efeitos metabólicos diferenciais. Associe os alimentos funcionais da coluna I aos seus respectivos compostos bioativas, apresentados na coluna II: (1) Chá verde ( ) Teobromina (2) Café ( ) Ligananas (3) Linhaça ( ) Ácido clorogênico (4) Brócolis ( ) Alicina (5) Alho ( ) Catequinas (6) Cacau ( ) Glicosinolatos A associação CORRETA é: a) ( ) 1, 3, 5, 4, 2, 6. b) ( ) 6, 3, 1, 5, 2, 4. c) ( ) 6, 3, 2, 5, 1, 4. d) ( ) 2, 5, 6, 3, 4, 1. 4 Programação metabólica refere-se aos processos pelos quais estímulos externos, tais como estilo de vida,alimentação, exposição a estressores, desencadeiam adaptações fisiológicas no individuo ainda nas fases críticas do desenvolvimento: período da gestação e o inicio da vida. Acerca dos aspectos nutricionais na programação metabólica, assinale a alternativa correta: AUTOATIVIDADE 58 a) ( ) A nutrição materna tem um papel essencial nas alterações epigenômicas que favorecem a ocorrência de doenças nos filhos, na fase adulta. b) ( ) Somente aspectos relacionados a nutrição materna – alimentação e estado nutricional – são responsáveis pela programação metabólica dos filhos. c) ( ) É ideal que se inicie o manejo nutricional visando a programação metabólica tão logo se confirme a gestação. d) ( ) A gestante deve evitar a exposição ao Bisfenol A, Ftalatos e pesticidas organoclorados uma vez que estes são considerados disruptores endócrinos, que atuam de forma negativa na programação metabólica. 5 O termo microbiota intestinal é utilizado para designar o conjunto de microorganismos que povoam o trato gastrointestinal humano. O estudo da microbiota intestinal tem ganho destaque nos últimos anos dado o entendimento de sua estreita relação com a saúde. Em relação à microbiota intestinal, analise as assertivas a seguir e classifique V para as verdadeiras e F para as falsas: ( ) A microbiota intestinal apresenta diversas funções, tais como: digestão, regulação energética, produção de ácidos graxos de cadeia cuida, síntese de vitaminas e impacto na produção de insulina. ( ) Estudos indicam que a microbiota intestinal humana é formada em sua maior parte por Bacteroidetes. ( ) A microbiota intestinal está intimamente relacionada ao sistema imune e seu funcionamento. ( ) Uma dieta rica em proteína animal acarreta em aumento da microbiota probiótica e redução de bactérias patogênicas. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V - F - V - F. b) ( ) V - V - F - V. c) ( ) F - V - F - V. d) ( ) F - V - V - F. 59 TÓPICO 3 - ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA NA ÁREA DE ALIMENTAÇÃO COLETIVA 1 INTRODUÇÃO Prezado acadêmico, neste tópico iremos aprofundar nosso conhecimento acerca da atuação do profissional Nutricionista na área de alimentação coletiva e novas tendências deste segmento. Você já ouviu falar sobre o aproveitamento integral dos alimentos? Plantas alimentícias não convencionais? Gastronomia aplicada aos serviços de nutrição? A partir deste tópico, você irá descobrir como agregar essas tendências na prática, ampliando suas possibilidades de atuação no segmento da alimentação coletiva, com impacto positivo na saúde dos comensais e na gestão dos recursos. 2 APROVEITAMENTO INTEGRAL DOS ALIMENTOS À medida que a população mundial aumenta, também aumenta a demanda de recursos para sustenta-lá, entre eles, a alimentação. Embora tenhamos vivenciado avanços tecnológicos que ampliaram nossa capacidade produtiva, acredita-se que, em um futuro próximo, estes não serão capazes de sustentar nossa demanda por alimentos. Além disso, dado o alto custo da alimentação, uma grande parcela da população tem acesso quanti e qualitativo limitado. Ressalta-se ainda que, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, em âmbito mundial, entre um quarto e um terço dos alimentos produzidos anualmente para o consumo humano se perde ou é desperdiçado. No Brasil, a despeito da fome afetar 14 milhões de pessoas, desperdiçamos 22 bilhões de calorias. Tal quantitativo seria suficiente para satisfazer as necessidades nutricionais de 11 milhões de pessoas e permitiria reduzir a fome em níveis inferiores de 5% (FAO, 2021). Neste contexto, técnicas de aproveitamento integral dos alimentos surgem como uma alternativa sustentável, saudável e economicamente viável. UNIDADE 1 60 A alimentaç ã o com aproveitamento integral possui como princí pio bá sico a diversidade de alimentos e a complementaç ã o de refeiç õ es, com o objetivo de reduzir custo, proporcionar preparo rá pido e oferecer paladar regionalizados (SESC, 2003). Técnicas de aproveitamento integral dos alimentos incluem o aproveitamento de sobras e aparas que podem ser usados como ingredientes de novas preparações, além da utilização integral dos alimentos, ou seja, o aproveitamento de sua totalidade, através do consumo das folhas, cascas, sementes, caules e talos. Através do aproveitamento integral dos alimentos pode-se aumentar a densidade nutritiva das preparações alimentares, auxiliar no combate à fome e ainda reduzir a quantidade de lixo produzido (CARGILL, 2018). Por vezes, as folhas, talos e cascas podem ser mais nutritivos do que a parte consumida usualmente. A maioria das cascas das frutas apresentam maiores teores de fi bras, potássio, magnésio e cálcio que sua polpa (GONDIM, 2005). Por exemplo, as folhas verdes da couve-fl or contém mais ferro do que a couve manteiga e são mais nutritivas do que a própria couve-fl or (AIOLFI; BASSO, 2013). Já os talos do agrião contêm grande concentração de ferro, cálcio e vitamina C (CARGILL, 2018). Além de serem nutritivas, preparações elaboradas com aproveitamento integral dos alimentos tendem a apresentar boa aceitabilidade por parte dos comensais. Em sua pesquisa, Aiolfi e Basso observaram aceitabilidade acima de 90% para suco de casca de abacaxi, patê de casca de cenoura e bolo de casca de banana (AIOLFI; BASSO, 2013). Abaixo estão listados alguns exemplos de aproveitamento integral: Carne assada: croquete, omelete, tortas e recheios. Carne moí da: croquete, recheio de panqueca e bolo salgado. Arroz: bolinho, arroz de forno e risotos. Macarrã o: salada ou misturado com ovos batidos. Hortaliç as: farofa, panquecas, sopas e purê s. Peixes e frango: sufl ê , risoto, bolo salgado. Aparas de carne: molhos, sopas, croquetes e recheios. As perdas se referem à diminuição da massa disponível de alimentos para o consumo humano nas fases de produção, pós-colheita, armazenamento e transporte. O desperdício de alimentos está relacionado com as perdas derivadas da decisão de descartar alimentos que ainda têm valor e se associa, principalmente, ao comportamento dos maiores e menores vendedores, serviços de venda de comida e consumidores (FAO, 2021). NOTA 61 Feijã o: tutu, feijã o tropeiro, virado e bolinhos. Pã o: pudim, torradas, farinha de rosca e rabanada. Frutas maduras: doces, bolo, sucos, vitaminas ou batidas e geleia. Leite talhado: doce de leite. Folhas de cenoura, beterraba, batata doce, nabo, couve-fl or, abó bora, mostarda, hortelã e rabanete: bolinhos, risotos, cremes, sopas, saladas e sucos. Cascas de pepino, berinjela, beterraba, abó bora: sucos, sopas e refogados. Cascas de frutas (goiaba, mamão, abacaxi, banana, maçã, manga): sucos, chás, vitaminas ou batidas, bolos, biscoitos, geleias. Cascas de laranja: caramelizada e em doces à base de leite (arroz doce e cremes). Cascas de batata e mandioca: petiscos assados ou fritos. Talos de couve-fl or, couve manteiga, agrião, salsa, bró colis, beterraba: patês, refogados, recheios, sopas e caldos. Entrecascas de melancia, maracujá e melão: doces e recheios. Sementes de abó bora, melã o, jaca: torradas. Pé s e pescoç o de galinha. Tutano de boi (SESC, 2003; CARGILL, 2018). O aproveitamento integral dos alimentos pode ser aplicado tanto no âmbito doméstico, ou seja, na alimentação caseira das famílias como também em serviços de alimentação e nutrição, tais como, escolas, restaurantes comerciais, restaurantes corporativos/empresariais, entre outros. Cabe destacar que o paciente ou cozinheiro deve ser orientado para correta higienização dos alimentos, haja vista que em alguns casos será consumida a parte mais externa do alimento, o qual fi ca exposto a sujidades e contaminação microbiológica do meio. Alimentos que serão consumidos crus ou coccionados a baixas temperaturas (inferiores a 70º C) devem ser higienizados em solução clorada. Que tal testar algumas receitas16 5.1 PRINCÍPIOS ÉTICOS NO MARKETING EM NUTRIÇÃO .................................................................. 16 5.2 MARKETING DIGITAL EM NUTRIÇÃO .............................................................................................. 18 5.3 MARKETING PROFISSIONAL OU PESSOAL ................................................................................... 19 5.4 MARKETING NUTRICIONAL ..............................................................................................................20 5.5 MARKETING EM FOOD SERVICE ....................................................................................................20 RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................................ 22 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 23 TÓPICO 2 - ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA NA ÁREA DE NUTRIÇÃO CLÍNICA ................27 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................27 2 ALIMENTOS FUNCIONAIS ................................................................................................27 3 NUTRIÇÃO ESTÉTICA ...................................................................................................... 30 3.1 NUTRIÇÃO E ENVELHECIMENTO CUTÂNEO ..................................................................................31 3.2 NUTRIÇÃO E ACNE .............................................................................................................................32 3.3 NUTRIÇÃO E FIBROEDEMA GELÓIDE ...........................................................................................34 3.4 NUTRIÇÃO E UNHAS FRÁGEIS .......................................................................................................35 3.5 NUTRIÇÃO E SAÚDE CAPILAR ........................................................................................................38 4 PROGRAMAÇÃO METABÓLICA ....................................................................................... 39 4.1 EXCESSO DE PESO E PROGRAMAÇÃO METABÓLICA ............................................................... 40 4.2 RESTRIÇÃO CALÓRICA E/OU PROTEÍCA E PROGRAMAÇÃO METABÓLICA ......................... 41 4.3 MANEJO NUTRICIONAL NA PROGRAMAÇÃO METABÓLICA .................................................... 41 5 MODULAÇÃO DA MICROBIOTA INTESTINAL .................................................................. 42 6 ALERGIAS ALIMENTARES ............................................................................................... 46 7 CIRURGIA BARIÁTRICA ................................................................................................... 49 8 NUTRIÇÃO NOS CUIDADOS PALIATIVOS ....................................................................... 53 RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................................ 56 AUTOATIVIDADE ..................................................................................................................57 TÓPICO 3 - ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA NA ÁREA DE ALIMENTAÇÃO COLETIVA .........59 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................59 2 APROVEITAMENTO INTEGRAL DOS ALIMENTOS............................................................59 3 PLANTAS ALIMENTÍCIAS NÃO CONVENCIONAIS (PANCS) .......................................... 62 4 GASTRONOMIA FUNCIONAL ........................................................................................... 65 5 GASTRONOMIA HOSPITALAR ..........................................................................................67 LEITURA COMPLEMENTAR .................................................................................................70 RESUMO DO TÓPICO 3 .........................................................................................................78 AUTOATIVIDADE ..................................................................................................................79 REFERÊNCIAS ......................................................................................................................81 UNIDADE 2 — SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL .............................................................. 89 TÓPICO 1 — FUNDAMENTOS DA SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL ................................. 91 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 91 2 CONCEITO ......................................................................................................................... 91 3 DIRETRIZES E NORMAS PARA A PRESCRIÇÃO DE SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS ...... 93 3.1 ELABORAÇÃO DE RECEITUÁRIO OU PRESCRIÇÃO NUTRICIONAL .........................................95 4 FORMAS FARMACÊUTICAS ..............................................................................................97 5 INTERAÇÃO NUTRIENTE X NUTRIENTE ..........................................................................99 6 EFEITOS ADVERSOS ....................................................................................................... 101 RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................................103 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 104 TÓPICO 2 - SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NOS CICLOS DA VIDA ............................107 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................107 2 GESTAÇÃO .......................................................................................................................107 3 LACTAÇÃO ....................................................................................................................... 110 4 INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA ..........................................................................................111 5 ADULTOS ......................................................................................................................... 115 6 IDOSOS ............................................................................................................................ 116 RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................................120 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 121 TÓPICO 3 - SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NAS DIVERSAS SITUAÇÕES CLÍNICAS .......................................................................................................123 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................123 2 SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NA OBESIDADE .......................................................123 3 SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NO DIABETES TIPO II .............................................126 4 SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NA DISLIPIDEMIA ................................................... 127 5 SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NA HIPERTENSÃO ..................................................128 6 SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NO CÂNCER ............................................................129 LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................132 RESUMO DO TÓPICO 3 .......................................................................................................139 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 140 REFERÊNCIAS ....................................................................................................................142com aproveitamento integral de alimentos? Acesse o livro do Mesa Brasil - SESC e mãos na massa! Acesse: http://fi les.livros-online-para-baixar.webnode.com/20000 0114-19 d041acb2/Livro-de-receitas-mesa-brasil-aproveitamento-integral-dos- alimentos.pdf NOTA 62 3 PLANTAS ALIMENTÍCIAS NÃO CONVENCIONAIS (PANCS) O termo Plantas Alimentícias não Convencionais (PANCs) foi estabelecido pelo Biólogo e Professor Valdely Ferreira Kinupp no ano de 2008 e refere-se a todas as plantas que possuem uma ou mais partes comestíveis, sendo elas espontâneas ou cultivadas, nativas ou exóticas que não estão incluídas em nosso cardápio habitual. No Brasil existem pela menos 3 mil espécies de plantas alimentícias, sendo que estimativas indicam que pelo menos 10% da flora nativa (4 a 5 mil espécies de plantas) sejam alimentícias (KELLEN, 2015). A maioria das PANCs não são cultivadas, mas sim crescem espontâneamente, sem que sejam plantadas. Estas podem ser cultivadas mas não precisam de muita atenção, apenas cuidados básicos em relação aos demais cultivos. Devido sua variação genética, as PANCs são plantas independentes, que possuem maior adaptabilidade (LIBERATO; LIMA; SILVA, 2019). Seu cultivo apresenta baixo custo e impacto ambiental por não serem necessários maquinários, agrotóxicos e nem grandes volumes de água ou espaços para cultivo (ABREU; DINIZ, 2017). As PANCs correspondem a mais sustentabilidade para os sistemas vivos uma vez que são espécies com grande importância ecológica, econômica, nutricional e cultural, que auxiliam uma melhor distribuição e produção dos alimentos, aliando-se à rusticidade e fácil manejo (KELLEN, 2015). As PANCs variam de acordo com cada região, podendo uma mesma planta ser conhecida por diversos nomes populares nas diferentes regiões do país e os povos mais antigos atualmente são os únicos conhecedores e divulgadores dessas culturas (ABREU; DINIZ, 2017). Do ponto de vista nutricional, as PANCs apresentam-se como alimentos funcionais por serem fonte de vitaminas essenciais, antioxidantes, fibras, sais minerais, que nem sempre são encontradas em outros alimentos (KELLEN, 2015). Em geral, as PANCs não são encontradas para venda em grandes supermercados mas sim em feiras de rua ou mesmo nas ruas, quintais e em terrenos abandonados crescendo desordenadamente (ABREU; DINIZ, 2017). Apesar de seu potencial nutritivo, devido a falta de conhecimento por parte da população, muitas dessas plantas são caracterizadas como ervas daninhas, consideradas como mato e ignoradas (LIBERATO; LIMA; SILVA, 2019). A seguir, apresentamos algumas espécies de PANCS e suas características nutricionais: 63 QUADRO 1 – PLANTAS ALIMENTÍCIAS NÃO CONVENCIONAIS (PANCS) Nome científico Nome popular Nutrientes Consumo Hypochaeris chillensis Almeirão-do- campo Chicória-do-campo Radite Cálcio Zinco Fósforo Potássio Folhas cruas ou cozidas Saladas, refogados, sopas Opuntia monacantha Arumbeva Cálcio Fósforo Vitamina C Vitamina E Carotenóides Frutos e cladódios (palma) In natura, sucos, geleias, sorvetes, mousses (frutos) Saladas, refogados, sopas, sucos (cladódios) Begonia cucullata Begônia Azedinha-do-brejo Ácido oxálico Folhas, ramos, flores e frutos jovens Crus ou cozidos Portulaca oleracea Beldroega Bredo-de-porco Beldroega-pequena Onze-horas Ômega-3 Betacaroteno Vitamina C Folhas, flores, ramos e sementes Cruas ou cozidas Saladas, pão (sementes) Anredera cordifolia Bertalha-coração Trepadeira-mimosa Folha-santa Ferro Vitamina A Vitamina B Vitamina C Folhas e tubérculos Pão, salada, refogados, omeletes Tropaeolum majus Capuchinha Vitamina C Antocianinas Carotenóides Flavonóides Flores, folhas e frutos Salada, patê, pão, sopa, refogados, decoração Amaranthus sp. Caruru Amaranto-verde Bredo Caruru-bravo Caruru-de-porco Betacaroteno Vitamina C Magnésio Ferro Potássio Aminoácidos essenciais Folhas e flores Cozidas (algumas espécies podem ser tóxicas cruas) Refogados, farofa, pão, sementes tostadas Taraxacum official Dente-de-leão Vitamina A Vitamina B Vitamina C Ferro Potássio Folhas, flores e raízes Crus ou cozidos Saladas, refogados, empanados, geleias (flores) 64 Talinum patens Erva-Gorda Major-gomes Carne-gorda Beldroega-grande Zinco Potássio Magnésio Ferro Proteína Folhas, ramos e sementes Crus ou cozidos Saladas, refogados, ensopados, pão, torta salgada, suflê, creme Coronopus didymus Mastruço Mestruz Mastruz Potássio Fósforo Folhas e ramos Crus e cozidos Saladas, empanados, temperos Pereskia aculeata Ora-pro-nóbis Carne-de-pobre Vitamina A Vitamina B Vitamina C Cálcio Zinco Fósforo Ferro Proteína Folhas, frutos e flores Crus ou cozidos Saladas, refogados, sopas, omeletes, tortas, pão, bolo, massas (folhas e flores) Brotos (sementes germinadas) Suco, geleia, mousse e licor (frutos) Bidens pilosa Picão Picão-preto Carrapicho Ferro Magnésio Cobre Proteína Folhas e ramos Crus ou cozidos Salada, farofa, sopa, chá, refrigerante (fermentado) Sonchus oleraceus Serralha Chicória-brava Serralha-branca Serralha-lisa Vitamina A Vitamina B Vitamina C Cálcio Ferro Folhas, talos, flores Crus ou cozidos Saladas ou refogados (folhas) Empanados (flores) Conservas (talos) Urera aurantiaca Urtigão-de-baraço Boro Ferro Cálcio Proteína Folhas e frutos Crus ou cozidos Omelete, refogados, risoto ou molho (folhas) In natura (frutos) Limnocharis flava Couve d’água Cálcio Proteína Folhas, flores, pendículos Cozidos Refogados, omelete, torta salgada, empanados 65 Plumeria rubra Jarmim-manga Antocianinas Folhas e flores Crus ou cozidos Chás (folhas secas) Doces, geleia, temperos (flores) Coronopus didymus Mentruz Vitamina C Betacaroteno Proteína Folhas Cruas ou cozidas Salada, refogados Cúrcuma longa Açafrão-da-terra Vitamina C Vitamina A Vitamina B2 Ácido fólico Raiz Crua Temperos, sucos, molhos Spondias purpúrea L.P. Siriguela Cálcio Magnésio Ferro Fósforo Vitamina C Zinco Proteína Frutos e folhas Crus ou cozidos Sucos (fruto) Salada, refogados (folhas) FONTE: Adaptado de Kellen et al. (2015) e Liberato, Lima e Silva (2019) É de suma importância que o profissional Nutricionista saiba reconhecer as espécies de PANCs, seu potencial nutritivo e formas de consumo, a fim de disseminar o conhecimento e estimular a inclusão destas no hábito alimentar. Atenção deve ser dada ao potencial tóxico e aos fatores antinutricionais que algumas PANCs podem apresentar, a depender de sua forma de consumo (cruas ou cozidas). 4 GASTRONOMIA FUNCIONAL Vimos no tópico anterior que tem crescido, cientificamente, o entendimento acerca do potencial dos compostos bioativos dos alimentos na prevenção e manejo de diversas condições patológicas por meio do consumo de alimentos funcionais. A Gastronomia Funcional visa justamente utilizar-se de técnicas culinárias a fim de otimizar a aceitação, aproveitamento e consumo dos alimentos funcionais como parte de receitas e preparações. A Gastronomia Funcional é a interação entre a nutrição funcional e a gastronomia, aliando o prazer de comer um refeição saborosa e atrativa aos benefícios dos nutrientes (RODRIGUES; DOVERA, OUKI, 2016; SILVA, 2019). Por respeitar a individualidade bioquímica das pessoas e atentar para as suas alergias e intolerâncias, a Gastronomia Funcional 66 trabalha no resultado que os alimentos terão no organismo da pessoa para depois criar os pratos. Ela iniciou principalmente como uma opção para intolerantes e alérgicos a certos alimentos e depois foi atingindo um novo público, que é de pessoas que procuram se alimentar de forma saudável e balanceada (RODRIGUES; DOVERA, OUKI, 2016). Neste estilo de cozinha, dá-se enfoque à qualidade dos ingredientes utilizados, tanto em relação a sua origem (com preferência para insumos orgânicos, não transgênicos, de pequenos produtores, de menor processamento industrial) como também adequado armazenamento. As técnicasde preparo são definidas visando o maior aproveitamento dos nutrientes dos alimentos, a fim de evitar perdas por oxidação. Outro aspecto próprio da Gastronomia é a construção do sabor através da combinação de ingredientes, ervas e especiarias. Diferentemente da Gastronomia convencional que tende a ter um maior uso de ingredientes realçadores como sal, açúcar e gorduras, na Gastronomia Funcional, visando o equilíbrio nutricional das receitas, busca-se reduzir o uso destes ingredientes, equilibrando-os com outros mais nutritivos. A exemplo do uso da manteiga, que é vasto na Gastronomia padrão, enquanto na Gastronomia Funcional tende-se a reduzir seu uso através de outras formas de cocção (assados, cozidos, ao vapor) ou combinação de outras fontes (azeite de oliva, óleos vegetais). Podem ser utilizados um ou mais alimentos funcionais em cada receita assim como estes podem ser ingredientes principais ou utilizados como acompanhamento, em temperos, molhos e afins. A seguir estão apresentados alguns exemplos de receitas, bem como os ingredientes principais, desenvolvidas na Gastronomia Funcional: • Biscoito de biomassa de banana verde: farinha de aveia, farinha de banana verde, linhaça. • Ratatouile de Legumes: tomate, berinjela, abobrinha e fundo de legumes. • Pão multigrãos: farinha de trigo integral, farinha de centeio, semente de girassol, de gergelim, de linhaça e aveia. • Filé de tofu: tofu, gengibre, tomilho e castanha-do-Brasil. • Purê de abóbora cabotiá: abóbora cabotiá assada e azeite de oliva. • Escondidinho de mandioca com proteína de soja: mandioca, polvilho azedo ou fécula de mandioca, proteína de soja, cebola e azeite de oliva. • Molho branco: castanha de caju. • Brownie ou bolo: farinha de aveia, cacau, óleo de coco (RODRIGUES; DOVERA; OUKI, 2016; SILVA, 2019). A Gastronomia Funcional deve ser estimulada e difundida pois tem potencial de auxiliar na difusão e popularização de um padrão alimentar mais saudável através da construção de sabores, pratos diferentes, formas de apresentação e valorização do prazer da alimentação. Afinal de contas, não nos alimentamos somente para nutrir o corpo mas também os sentidos (paladar, olfato e visual). 67 5 GASTRONOMIA HOSPITALAR A alimentação tem papel fundamental na recuperação de enfermos e na conservação da saúde, sendo estabelecida pela dietoterapia hospitalar (SILVA; MAURÍCIO, 2013). A dieta hospitalar deve garantir o fornecimento de nutrientes adequados para o paciente além de atenuar o sofrimento gerado nesse período em que o indivíduo está distante de suas atividades e pessoas de convívio (SOUZA; NAKASATO, 2011). Entretanto, pacientes hospitalizadas, habitualmente, têm uma visão negativa das refeições servidas, seja por memórias de hospitalizações anteriores, em que se associou doença com comida de hospital, ou mesmo por não gostarem da dieta prescrita ou cardápio ofertado (SILVA; MAURÍCIO, 2013; CABRAL; OLIVEIRA; SHINOHARA, 2015). A baixa aceitação da dieta hospitalar colabora para a desnutrição do paciente, com impacto negativo na saúde, qualidade de vida e consequente aumento dos custos da internação. Neste sentido, a Gastronomia Hospitalar surge para conciliar a prescrição dietética e as restrições alimentares dos pacientes, com elaboração de refeições saudáveis, nutritivas, atrativas e saborosas a fim de promover a associação de objetivos dietéticos, clínicos e sensoriais e promover nutrição com prazer (TALDIVO; SANTOS, 2016). Prazer voltado à apresentação, ao sabor e ao atendimento das preferências do paciente com o objetivo de fornecer humanização (CABRAL; OLIVEIRA; SHINOHARA, 2015). Para tal, aliam-se técnicas dietéticas básicas das dietas hospitalares aos atrativos proporcionados pela gastronomia (SILVA; MAURÍCIO, 2013). Além dos benefícios para a saúde do paciente advindos da melhor adesão à dietoterapia hospitalar, a Gastronomia Hospitalar pode ser um diferencial de mercado do serviço, uma vez que melhora a satisfação do paciente com o atendimento recebido. A Gastronomia Hospitalar engloba a adaptação de receitas através da substituição de ingredientes, tornando-os tão saborosos quanto os pratos originais. Usa-se também da boa apresentação visual dos pratos (TALDIVO; SANTOS, 2016) por meio das cores dos alimentos escolhidos, técnicas de corte dos alimentos, empratamento (formas e disposição dos alimentos) e utensílios utilizados (louça, talheres, guardanapo) (SILVA; MAURÍCIO, 2013; SOUZA; NAKASATO, 2011; PINTO; ALVES, 2017). Ainda a variedade do cardápio, o respeito as preferências alimentares do paciente (origem, cultura, credo, hábitos e costumes), o treinamento especializado de funcionários, a cordialidade no atendimento e a rapidez do serviço compõem ferramentas da Gastronomia no ambiente Hospitalar (PINTO; ALVES, 2017). Em alguns hospitais têm-se lançado mão do cardápio de opções para dieta mais restritas. Através deste instrumento o paciente pode participar do processo de escolha de sua refeição, consultando uma lista de alimentos ou preparações disponíveis para cada refeição (SOUZA; NAKASATO, 2011). 68 Para o público-infantil, faz-se a apresentação da alimentação de forma lúdica, utilizando-se dos alimentos para elaborar figuras como árvores, palhaços, ursos e afins, conforme as imagens a seguir: FIGURA 10 – PRATO APRESENTADO DE FORMA LÚDICA 1 FONTE: . Acesso em: 12 fev. 2022. FIGURA 11 – PRATO APRESENTADO DE FORMA LÚDICA 2 FONTE: . Acesso em: 12 fev. 2022. O uso de ervas aromáticas (salsinha, cebolinha verde, manjericão, entre outras) e o de temperos (picantes, salgados, ácidos etc.), quando bem empregados, agregam sabores especiais aos alimentos, sem impacto deletério no teor nutricional deste. Modificações de textura dos alimentos, temperatura e horário apropriados do servimento também contribuem para maior satisfação do paciente (SILVA; MAURÍCIO, 2013). Em dietas de consistência líquida, líquido-pastosa ou pastosa, deve-se ter atenção a monotonia, pois são dietas de aparência semelhante, independentemente dos ingredientes utilizados. Nesses casos, indicam-se espessantes industriais, mucilagens, gelatinas e farináceos que imitem ou criem formas e estruturas para os alimentos (SOUZA; NAKASATO, 2011). 69 FIGURA 12 – PRATO APRESENTADO DE FORMA LÚDICA 3 FONTE: . Acesso em: 12 fev. 2022. O conceito de comfort food, nova tendência na gastronomia, visa resgatar a memória afetiva do comensal por meio de uma alimentação que mete aos sabores da experimentados na infância ou no ambiente familiar. A aplicação do comfort food no cardápio hospitalar pode ser vantajosa, pois aumenta a aceitação das refeições sem gerar grandes aumentos nos custos, visto que o objetivo é produzir comidas simples, para que os pacientes sintam-se acolhidos (TALDIVO; SANTOS, 2016). A implementação da gastronomia hospitalar requer uma estrutura física que atenda às necessidades dos profissionais, tanto os de cozinha, responsáveis pela elaboração da alimentação com alto valor gastronômico, quanto os da nutrição, dedicados a segurança alimentar em todas as etapas de produção e a qualidade nutricional das refeições. A área física das cozinhas, dos pontos de refeição e das áreas de apoio precisam estar adequadas à complexidade do cardápio estabelecido. Os equipamentos que compõem a cozinha hospitalar devem acompanhar os recursos tecnológicos existentes no mercado, a fim de que as características desejadas para as refeições elaboradas, o tempo dispensado no preparo e a operacionalização de custos sejam alcançados (PINTO; ALVES, 2017). Tendo em vista que a elaboração do cardápio hospitalar é responsabilidade técnica do Nutricionista, cabe a este atualizar-se em relação a Gastronomia Hospitalar em prol de seus comensais, que neste caso, são pacientes. Além de conciliar asnecessidades nutricionais dos pacientes aos recursos (cozinheiros, equipamentos, utensílios e ingredientes) disponíveis, o Nutricionista deve capacitar sua equipe de trabalho para aprimorar as técnicas de preparo e apresentação da dieta hospitalar. 70 GUIA ALIMENTAR BARIÁTRICO: MODELO DO PRATO PARA PACIENTES SUBMETIDOS À CIRURGIA BARIÁTRICA Maria Paula Carlini CAMBI, Giorgio Alfredo Pedroso BARETTA RESUMO – Racional: o Modelo de Prato Bariátrico (MPB) pode ser uma forma adequada de orientação nutricional após a cirurgia da obesidade. Objetivo: Criar um guia alimentar, baseado no Modelo de Prato para educação nutricional de pacientes bariátricos. Método: Foi revisado o The Plate Model, modelo de prato sugerido inicialmente para pacientes dislipidêmicos e hipertensos com o intuito de adaptá-lo ao paciente bariátrico que necessita de educação nutricional efetiva em longo prazo. Resultados: A adaptação foi feita considerando que o uso de proteínas de alto valor biológico é a prioridade no MPB, seguido de vitaminas e minerais e por último os carboidratos, especialmente os integrais. Conclusão: O MPB é ferramenta que pode ser usada de maneira efetiva na educação nutricional de pacientes bariátricos. ABSTRACT - Background: The Bariatric Plate Model (BPM) may be an adequate form of nutritional guideline after obesity surgery. Aim: Create a food guide, based on the Plate Model for nutritional education of bariatric patients. Method: The Plate Model2 was revised from a model initially suggested for dyslipidemic and hypertensive patients to a new objective: adaptation to bariatric patient who needs effective long-term nutritional education. Results: The adaptation of the Plate Model considered protein needs with high biological value, as it is the priority in the BPM, followed by vitamins and minerals and lastly the carbohydrates, especially the whole ones. Conclusion: The BPM is a tool that can be effectively used in nutritional education of bariatric patients. INTRODUÇÃO A expansão da epidemia da obesidade e do tratamento cirúrgico para amenizar seu impacto na saúde do individuo, traz nova perspectiva na maneira de tratar e manter tanto o peso ponderal como o estado nutricional dos operados. O processo cirúrgico se mostra eficaz no combate à obesidade de graus II e III e por isso há um aumento exponencial no número de operações realizadas em todo o mundo. O paciente submetido à cirurgia bariátrica, seja pela técnica mista bypass gástrico como pela restritiva gastrectomia vertical, precisa manter ordem nutricional rigorosa, com o intuito de promover perda de gordura subcutânea e preservação de massa muscular. A operação per se promove a tão desejada perda ponderal, mas a LEITURA COMPLEMENTAR 71 reeducação alimentar e a atividade física são prioritárias. O guia alimentar mais utilizado é a Pirâmide Alimentar, mas ele não traduz exatamente para o paciente como compor o seu prato diariamente. O processo de reeducação alimentar é fundamental para vários tipos de situações que necessitam de cuidados alimentares especiais. O primeiro modelo de prato surgiu para tratar cardiopatas e dislipidêmicos. É uma forma simples de orientação nutricional porque visa o objetivo maior do orientado, que é sua compreensão na realidade diária em que vive. Facilitar o processo educacional é papel do nutricionista. Para a orientação é necessário criar um método claro e praticável para o operado. Com este objetivo o presente trabalho procura discorrer sobre o Modelo de Prato Bariátrico (MPB) que é forma simples de demonstrar ao operado como os macro e micronutrientes podem ser distribuídos no seu dia a dia de forma a favorecer sua perda ponderal e a manutenção do seu estado nutricional em logo prazo. MÉTODO Foi revisado o The Plate Model, modelo de prato sugerido inicialmente para pacientes dislipidêmicos e hipertensos com o intuito de adaptá-lo para o paciente bariátrico que necessita de educação nutricional efetiva em longo prazo. RESULTADO A cirurgia bariátrica é forma eficaz de perda ponderal, mas para resultados em longo prazo a qualidade alimentar deve ser priorizada, já que a capacidade volumétrica do estômago está reduzida e exige alimentos nutritivos para supri-la. Há mudança natural no perfil alimentar do operado com diminuição da ingestão de doces em geral, altamente palatáveis e energéticos e aumento no consumo de alimentos hiperproteicos. O dia a dia do operado deve ser simplificado com maneira mais facilmente compreensível de compor suas refeições diárias. Por isso há necessidade de demonstrar, através da composição do MPB, como planejar seu prato desde a primeira refeição até a última do dia, e qual a importância dos nutrientes nas escolhas que fará. Restrição calórica A cirurgia bariátrica, tanto pela técnica restritiva como mista, necessita de diminuição de ingestão calórica diária compatível com a diminuição do pouch gástrico. Com isso o valor calórico diário ingerido por um operado inicia em média com 500 kcal na alimentação líquida e evolui gradativamente até a consistência sólida até 1.200 kcal 72 diárias. As recomendações nutricionais após a cirurgia bariátrica estão descritas em diretrizes que citam a necessidade proteica de 1,0 a 1,5 g/kg de peso ideal (60-80 g/dia, 25%), carboidratos (45%) e lipídeos (30%). Os macro e micronutrientes são muito importantes para a manutenção da saúde do operado. Dentre os macronutrientes, o mais importante é a proteína. Proteínas As proteínas são macromoléculas biológicas constituídas por uma ou mais cadeias de aminoácidos e participam em quase todos os processos celulares. Têm funções essenciais como a replicação do DNA, o transporte molecular e a resposta a estímulos. Funcionam como enzimas para catalisar reações químicas vitais para o metabolismo, participam do ciclo celular e na resposta imunológica. As proteínas diferem entre si fundamentalmente na sua sequência de aminoácidos, que é determinada pela sequência genética e que geralmente provoca o seu enovelamento em estrutura tridimensional específica que determina a sua atividade. Os aminoácidos essenciais são os que o organismo não é capaz de sintetizar por si próprio e devem ser obtidos pelo consumo de alimentos que contenham proteínas, as quais são transformadas em aminoácidos durante a digestão. As fontes de proteínas podem ser encontradas em ampla variedade de alimentos de origem animal e vegetal. A carne, os ovos, o leite e o peixe são fontes completas. Entre os principais vegetais ricos em proteína estão os legumes, principalmente o feijão, as lentilhas, a soja e o grão-de-bico. A maioria dos aminoácidos está disponível na alimentação humana, mas situações especiais, como a cirurgia bariátrica, necessita de suplementação. Quando o corpo não recebe as quantidades de proteínas necessárias verifica-se insuficiência e desnutrição proteica, a qual pode provocar uma série de doenças, entre as quais o kwashiorkor, a alopecia, a perda muscular intensa. Muitos operados podem desenvolver intolerância aos alimentos proteicos ricos em ferro devido à falta de mastigação adequada e também pela diminuição do ácido clorídrico e de enzimas proteolíticas como pepsinogênio. O seu uso deve ser encorajado através de treinamentos específicos de mastigação e fracionamento das refeições. A metade do prato (50%) deve constar de proteínas. Para refeições como almoço e jantar, deve-se colocar fontes de proteínas ricas em ferro como carnes - bovina, frango, peixe e ovos - para compor metade do prato, ou seja, 50% do total que se vai ingerir. Usar sempre opções pobres em gordura. A média de ingestão alimentar dos pacientes operados é em torno de 4-6 colheres de sopa de alimentos por refeição. Portanto, seriam 2-3 colheres de sopa de alimentos, advindos das proteínas. Como elas estão acompanhadas de algum teor de lipídios, a orientação é usar na sua forma assada, cozida ou grelhada paraminimizar o valor calórico e facilitar o consumo pelo paciente operado. 73 Para o prato do café da manhã ou lanches deve-se priorizar as fontes de proteínas ricas em cálcio, como leite e derivados. Iniciar o dia com leite desnatado, queijos tipo cottage, ricota ou minas e iogurtes sem açúcar. O uso de iogurtes é excelente para manter o consumo de probióticos naturais, responsáveis pelo reequilíbrio das bactérias intestinais e proteção contra a disbiose intestinal. As fontes alimentares proteicas ricas em ferro devem ser usadas em refeições separadas como almoço e jantar, das refeições ricas em cálcio como café da manhã e lanches para favorecer a absorção destes micronutrientes. A suplementação de proteínas é fundamental. Para atingir as necessidades nutricionais diárias após a cirurgia bariátrica, o uso de Whey Protein deve ocorrer ao longo da vida. O uso de suplementos em pó deve iniciar já no primeiro dia de alimentação líquida e permanecer ao longo da vida. Ideal usar fórmula isolada, hidrolisada, sem lactose, sem glúten e sem sacarose para facilitar a adesão de uso. O pó pode ser diluído em água por ser melhor absorvido, ou em leite desnatado. Vitaminas e mineiras Uma terça parte do prato (30%) deve ser ocupada pelo grupo de vitaminas, minerais e fibras, representado pelas frutas e vegetais em geral. São alimentos fibrosos que demandam mastigação. Importante variar as cores do dia a dia para fortalecer o sistema imunológico, regenerar a pele e regular o metabolismo. A moderação é a palavra de ordem. Excesso de vitaminas e minerais pode ser perigoso. Algumas vitaminas, como a D por exposição solar, a piridoxina (B6) e a biotina, são liberadas pelas bactérias intestinais. Os nutrientes mais importantes e mais discutidos são as vitaminas A, D, B12, cálcio e ferro. As vitaminas podem ser hidrossolúveis (solúveis na água) e lipossolúveis (solúveis na gordura). No MPB é necessário que ambas estejam presentes. As vitaminas hidrossolúveis, como as do complexo B, necessitam ser consumidas cruas para manterem seu valor nutricional. Ideal é utilizar as cores para motivar o consumo do máximo de nutrientes possível nas refeições. Os amarelos e vermelhos são ricos em vitamina A (lipossolúvel) e responsáveis por manter cabelos, pele e unhas saudáveis; suas melhores fontes são as cenouras, beterrabas, abóbora e fígado bovino. Os verdes são ricos em vitaminas do complexo B, e representados pelos folhosos como couve, mostarda, acelga, alface, rúcula, que previnem as anemias. Os cítricos são ricos em vitamina C e importantes na fixação do ferro alimentar e na melhora da imunidade; estão presentes em laranja, limão, maracujá, acerola, maçã verde, tomates e uvas. Os brancos, como cebola, alho, cogumelo, couve-flor, palmito, quiabo, são excelentes na prevenção de doenças cardiovasculares e câncer. 74 A vitamina B1 (tiamina) está presente no germe de trigo, feijões, nozes, sementes e arroz integral. É importante para os operados porque os protege do beriberi bariátrico, que é complicação pós-operatória que pode levar o paciente a complicações cardiológicas e neurológicas graves, edema e ambliopia nutricional. Sua suplementação em situações graves pode chegar até 100 mg/dia. Um polivitamínico completo pode atender às necessidades diárias das vitaminas, sempre aliado à ingestão alimentar suficiente. A vitamina B2 ou riboflavina é encontrada em abacate, laticínios, ovos, nozes, germe de trigo e levedo. É muito importante na respiração celular, manutenção e restauração dos tecidos. A vitamina B3 ou niacina é essencial para a saúde da pele, participa no metabolismo dos carboidratos, protege o sistema digestório e o sistema nervoso. Suas fontes mais ricas são peixes, fígado, carne, amendoim levedo e grãos integrais. A vitamina B5 ou ácido pantotênico é importante para o metabolismo dos macronutrientes e manutenção do sistema nervoso. É produzido também pelas bactérias intestinais. A vitamina B6 ou piridoxina participa do metabolismo de proteínas e na formação de glóbulos vermelhos e encontrada nas bananas, peixes, batatas e também produzidas pelas bactérias intestinais. A vitamina B9 ou ácido fólico presente nos folhosos verde- escuros e na laranja participa na produção do DNA, divisão celular, formação do tubo neural do feto, formação de glóbulos vermelhos e brancos e proteção contra a anemia perniciosa, comum nos pacientes bariátricos. A vitamina B12 ou cianocobalamina, ao contrário, está presente apenas em alimentos de origem animal, normalmente ricos em proteínas como carnes, leite e seus derivados. Sua absorção fica bastante prejudicada após o bypass gástrico devido à redução do fator intrínseco estomacal e perda de seu sítio absortivo que é o íleo. Sua carência é risco para o sistema nervoso, porque pode causar esquecimento, irritabilidade, dificuldade de concentração e formigamento em mãos e pés. Mesmo que o paciente consuma estes alimentos, esta vitamina deve ser reposta permanentemente ao longo da vida, seja via oral, intramuscular ou sublingualmente. A biotina (vitamina H) é do complexo B não dosável pelas tradicionais análises hematológicas, mas ela é muito importante para manutenção da saúde de cabelos, pele e unhas e deve ser reposta sempre que houver queixa. Na alimentação habitual ela está presente na gema de ovo, germe de trigo e também produzida pelas bactérias intestinais. A vitamina D ou colecalciferol é importante para a manutenção do peso e também para o metabolismo ósseo. Suas fontes alimentares são limitadas em leite e derivados, ovos e fígado. Sua maior fonte é a luz solar, por isso é indicado ao paciente tomar sol diariamente, de preferencia sem protetor solar por 15 min. A suplementação sintética é rotina tanto no período pré como no pós-operatório, em média 2000 UI por dia. A vitamina E (vitamina lipossolúvel) ou tocoferol é potente antioxidante e protetor das membranas celulares. Suas melhores fontes são amêndoas e o leite. A vitamina K (lipossolúvel) – menaquinona ou filoquinona – é importante para a coagulação sanguínea e produzida pelas bactérias intestinais. Suas melhores fontes são o brócolis, o repolho e a couve. As fontes alimentares de vitaminas e minerais no geral se confundem com outros grupos de macronutrientes, como é o caso da vitamina B12 e do zinco, que têm como fontes principais alimentos ricos em proteínas de origem animal como carnes, frango, leite e seus derivados. 75 Carboidratos O restante do prato seria composto pelos carboidratos, que são alimentos energéticos, importantes para o dia a dia. A escolha neste grupo é pelos integrais. Os carboidratos integrais com pães, arroz, massas e cereais; tendem a diminuir a absorção de açúcares e gorduras o que favorece a saúde cardiovascular, além de promover melhor poder sacietógeno. FIGURA 1 – COMPOSIÇÃO DIAGRAMÁTICA DE UM PRATO BARIÁTRICO (MPB) E ATIVIDADES ASSOCIADAS Lipídeos São compostos químicos insolúveis na água. São macronutrientes importantes para fornecer ácidos graxos essenciais. As fontes sugeridas são: óleo de canola e azeite de oliva. O óleo de canola é encorajado por ser seguro para o ser humano, bem como pelos seus efeitos positivos em variáveis como redução do crescimento de células tumorais, elevação da capacidade antioxidante, aumento da sensibilidade à insulina e tolerância à glicose bem como redução do triacilglicerol total e redução de LDL Colesterol. Acrescenta-se ainda a prevenção da alopecia em pacientes operados. O óleo de oliva que é fonte lipídica comum na dieta mediterrânea, rica em ácido oleico, um ácido graxo monoinsaturado (ω 9) que está presente em concentrações superiores a 50% no azeite de oliva. 76 Suplementos nutricionais O uso de suplementos nutricionais é obrigatório e exige controle metabólico periódico para se analisar a necessidade de cada nutriente específico. O uso do Whey Protein pode melhorar a composiçãocorporal em mulheres além de prevenir a recidiva de peso. O ideal de proteínas é de até 30 g por refeição no primeiro ano após a operação. Como a ingestão alimentar está aquém do esperado, incentiva-se o uso de Whey Protein, um a dois scoops por dia, com média de 25 g de proteínas em medida; a vitamina B12 na dose intramuscular mensal 5000 mcg ou via oral 350 mcg por dia; ferro em 18 mg via oral para homens, 50-100 mg via oral para mulheres em idade reprodutiva. Em alguns casos específicos pode haver a necessidade de uso de ferro endovenoso (ferritina abaixo de 30 mg/dl); cálcio em 2000 mg por dia; polivitamínico suficiente para atingir 200% da RDA para micronutrientes. Consumo de água A água é combustível para várias reações do organismo e faz papel fundamental para o funcionamento intestinal, cerebral, pulmonar, renal e cardiológico. Com um consumo de 30 ml/kg de peso ideal por dia se pode evitar a formação de cálculos biliares e renais. Atividade física A prática de atividade física diária é encorajada a partir do 30o dia após a cirurgia bariátrica. Educador físico deve planejar e orientar o exercício adequado para cada paciente. O objetivo maior deve ser a preservação e recuperação de massa magra e eliminação da massa gorda. Com isso há maior chance de manutenção de peso em longo prazo. CONCLUSÃO O Modelo de Prato Bariátrico pode ser boa forma de educação nutricional ressalvando a ingestão proteica como base de macronutriente. Aliado a isso, a ingestão hídrica, o uso de suplementos e a atividade física deve ser incorporada na rotina do operado. REFERÊNCIAS 1. AillsL, Blankenship J, Buffington C, Furtado M, Parrot J.ASMBSAllied Health Nutritional Guidelines for the Surgical Weight Loss Patient. SOARD 4 (2008) S73-S108. 77 2. CamelonKm,HådellK,JämsénPt,KetonenKj,KohtamäkiHm,Mäkimatilla S, Törmälä Ml, Valve Rh. The Plate Model: a visual method of teaching mealplanning.DAISProjectGroup. DiabetesAtherosclerosisIntervention Study.J Am Diet Assoc. 1998 Oct; 98(10):1155-8. 3. CozzolinoSMF.Biodisponibilidadedenutrientes.SP,Manole,2005. Disponível em http:// dx.doi.org/10.1590/S1516-93322005000100017. Acesso em 15 de agosto de 2017. 4. Delgado Floody P, Caamaño Navarrete F, Jerez Mayorga D, et al. Effects of a multidisciplinary program on morbid obese patients and patients with comorbility who are likely to be candidates for bariatric surgery. Nutr Hosp. 2015 May 1;31(5):2011-6. 10. Lopes Gomes D, Moehlecke M, Lopes Da Silva Fb, Dutra Es, D’agord Schaan B, Baiocchi De Carvalho Km. Whey Protein Supplementation EnhancesBodyFatandWeightLossinWomenLongAfterBariatricSurgery: a Randomized Controlled Trial. ObesSurg. 2017 Feb; 27(2):424-431. 5. De Luca M, Angrisani L, Himpensj, et al. Indications for surgery for obesity and weight- related diseases: position statements from the internacional federation for the surgery of obesity and metabolic disorders (IFSO). Obes Surg (2016) 26: 1659 – 1696. 6. Flores L, Moizé V, Pujol J et al Prospective study of individualized or high fixed doses of vitamin D supplementation after bariatric surgery. ObesSurg (2015) 25: 470 – 476. 7. Gesquiere I, Foulon V, Augustijns P, Gils A, Lannoo M, Van Der Schueren B, Matthys C. Micronutrient intake, from diet and supplements, and association with status markers in pre and post-RYGB patients.ClinNutr. 2016 Aug 23.S0261-5614(16)30206-0. 8. HansenTt,JakobsenTA,NielsenMs,etal.Hedonicchangesinfoodchoices following Roux- en-Y gastric bypass. ObesSurg (2016): 26: 1946 – 1955. 9. LinL,AllemekindersH,DansbyA,CampbellL,Durance-TodS,Berger A, Jones Pj. Evidence of health benefits of canola oil.Nutr Rev. 2013 Jun; 71(6):370-85 10. Lopes Gomes D, Moehlecke M, Lopes Da Silva Fb, Dutra Es, D’agord Schaan B, Baiocchi De Carvalho Km. Whey Protein Supplementation Enhances Body Fat and Weight Loss in Women Long After BariatricSurgery: a Randomized Controlled Trial. ObesSurg. 2017 Feb; 27(2):424-431. 11. Mechanik Ji et al Obesity 2013 mar; 21 (01): S1 – 27. 12. Mehaffey Jh, Mehaffey Rl, Mullen Mg, et al.Nutrient Deficiency 10 Years Following Roux-en-Y Gastric Bypass: Who’s Responsible? Obes Surg. 2017 Feb 28 13. Moizé Vl, Pi-Sunyer X, Mochari H And Vidal J. Nutritional Pyramid forPost-gastric Bypass Patients ObesSurg (2010) 20:1133–1141. 14. Trüeb R M , Serum Biotin Levels in Women Complaining of Hair Loss. Int J Trichology. 2016 Apr-Jun; 8(2): 73–77. 15. Winkvist A, Klingberg S, Nilsson Lm, Et al. Longitudinal 10-year changes in dietary intake and associations with cardio-metabolic risk-factors in the Northern Sweden Health and Disease Study. Nutr J. 2017 Mar 28;16(1):20. 78 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: · Aproveitamento integral dos alimentos corresponde a utilização de sobras e aparas de alimentos como ingredientes de novas preparações, além da utilização integral dos alimentos, ou seja, o aproveitamento de sua totalidade, através do consumo das folhas, cascas, sementes, caules e talos. · As Plantas Alimentícias não Convencionais apresentam grande importância ecológica, econômica, nutricional e cultural. Auxiliam na melhor distribuição e produção dos alimentos, uma vez que apresentam baixo custo de cultivo e fácil manejo. · O aproveitamento integral dos alimentos é uma medida de sustentabilidade ambiental, economia de recursos financeiros e otimização nutricional uma vez que, folhas, talos e cascas podem ser mais nutritivos do que a parte consumida usualmente dos alimentos. · A Gastronomia Funcional é a interação entre a nutrição funcional e a gastronomia, aliando o prazer de comer um refeição saborosa e atrativa aos benefícios dos nutrientes. Foca na qualidade dos ingredientes e técnicas de preparo visando o maior aproveitamento dos nutrientes dos alimentos e maior palatabilidade. · A Gastronomia Hospitalar pode ser utilizada como uma estratégia nutricional para melhorar a adesão do paciente a dietoterapia, manter ou recuperar seu estado nutricional e aumentar sua satisfação com o serviço de saúde. 79 1 Há algumas partes de alimentos que podemos aproveitar e a maioria das pessoas desconhece: cascas, talos, folhas externas e sementes, por exemplo. O consumo destas partes é denominado Aproveitamento Integral dos Alimento. Com base no que você aprendeu nesta Unidade, justifique a importância do aproveitamento integral dos alimentos. 2 A Gastronomia Hospitalar surge como uma tendência de mercado visando aliar a gastronomia e o prazer de alimentar-se às restrições da dietoterapia para pacientes internados. Sua aplicação representa ganhos tanto para o paciente, que tende a se alimentar melhor, quanto para a instituição, que ganha destaque ao aumentar a satisfação do paciente/cliente. Contudo, alguns quesitos básicos relacionados a recursos humanos e equipamentos são necessários para a implantação da Gastronomia no ambiente hospitalar, disserte a cerca deles. 3 A dieta ofertada nos hospitais normalmente é relacionada à falta de sabor e a uma apresentação que não desperta o apetite dos pacientes, resultando em uma baixa adesão a dietoterapia. Dessa forma, muitos pacientes acabam agravando seu estado nutricional, o qual impacta negativamente na recuperação, tratamento, qualidade de vida e custos. Mas novos conceitos, como a gastronomia hospitalar, estão surgindo para modificar este panorama. A respeito da Gastronomia Hospitalar, assinale a alternativa correta: a) ( ) É possível aplicar técnicas de Gastronomia Hospitalar somente a paciente que recebem dieta livre, ou seja, dieta pastosa. b) ( ) Para paciente idosos, faz-se a apresentação da alimentação de forma lúdica, utilizando-se dos alimentos para elaborar figuras como árvores, palhaços, ursos e afins. c) ( ) Para dietas de consistência líquida, líquido-pastosa ou pastosa, utiliza-se espessantes industriais, mucilagens, gelatinas e farináceos que imitem ou criem formas e estruturas para os alimentos, afimde evitar a monotonia alimentar. d) ( ) Para compor o cardápio do público-infantil é comum a utilização de produtos alimentícios industrializados e/ou ultraprocessados voltados para este público tal como bolacha recheada, salgadinhos de pacote, Nuggets e afins. 4 Da Amazônia ao Rio Grande do Sul, as Plantas Alimentícias não Convencionais (PANCs) crescem espontaneamente em qualquer ambiente. Sua alta resistência faz com que sejam encontradas em quase todos os lugares, pois são nativas de cada região. Uma mesma PANCs pode ser conhecida por diversos nomes populares, de acordo com a região onde for encontrada. Associe a seguir a PANCs ao seu nome popular: AUTOATIVIDADE 80 (1) Tropaeolum majus ( ) Dente-de-leão (2) Taraxacum official ( ) Siriguela (3) Pereskia aculeata ( ) Beldroega (4) Spondias purpúrea L.P. ( ) Capuchinha (5) Coronopus didymus ( ) Ora-pro-nobis (6) Portulaca oleracea ( ) Mentruz A associação CORRETA é: a) ( ) 1, 3, 5, 4, 2, 6. b) ( ) 2, 4, 6, 1, 3, 5. c) ( ) 2, 5, 3, 1, 4, 6. d) ( ) 3, 4, 6, 1, 2, 5. 5 A Gastronomia Funcional é um ramo recente e especializado da Gastronomia que tem por objetivo agregar alimentos funcionais em receitas e preparações culinárias afim de aliar o prazer e sabor aos benefícios do consumo destes alimentos. A cerca da Gastronomia Funcional, analise as assertivas a seguir: I- A Gastronomia Funcional trabalha no resultado que os alimentos terão no organismo da pessoa para depois criar os pratos pois respeita a individualidade bioquímica das pessoas e atenta para as suas alergias e intolerâncias, II- Especial atenção é dada a qualidade dos ingredientes utilizados nas preparações, tanto em relação a sua origem como também adequado armazenamento. III- As técnicas culinárias utilizadas são definidas visando a otimizar o sabor e apresentação visual das preparações, independentemente do grau que geram de aproveitamento dos nutrientes dos alimentos. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Somente a sentença I está correta. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) Somente a sentença III está correta. d) ( ) As sentenças I e II estão corretas. 81 REFERÊNCIAS ABREU, N. C. O; DINIZ, J. C. As vantagens da introdução das plantas alimentícias não convencionais na alimentação dos beneficiários do Bolsa Família na Estratégia de Saúde da Família Bernardo Valadares, em Sete Lagoas - MG. Revista Brasileira de Ciências da Vida. v.5, n. 4, p. 1-16. 2017. AGNEZ, L. F. Consumo da informação na sociedade contemporânea. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Curitiba-PR, 2009. AIOLFI, A. H.; BASSO, C. Preparações elaboradas com aproveitamento integral dos alimentos. Disciplinarum Scientia. Série: Ciências da Saúde, Santa Maria, v. 14, n. 1, p. 109-114. 2013. ANVISA. RDC nº 18 de 30 de abril de 1999. Aprova o Regulamento Técnico que estabelece as diretrizes básicas para análise e comprovação de propriedades funcionais e ou de saúde alegadas em rotulagem de alimentos, constante do anexo desta portaria. Diário Oficial da União - DOU, 1999. BAGGIO, A. F.; BAGGIO, D. K. Empreendedorismo: Conceitos e definições. Revista de Empreendedorismo, Inovação e Tecnologia. Passo Fundo, v. 1, n. 1, p. 25-38. 2014. BELLUZZO, R. C. B.; DUDZIAK, E. A. Educação, informação e tecnologia na sociedade contemporânea: diferenciais à inovação? Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação. São Paulo, v. 4, n. 2, p. 44-51. 2008. BORSOI, A.T., et al. A Alimentação no Contemporâneo: reflexões sobre a interface com o meio ambiente. 3º Simpósio Internacional de História Ambiental e Migrações. Florianópolis-SC, 2014. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças não Transmissíveis. Vigitel Brasil 2020: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico: estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal em 2020. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/ centrais-de-conteudo/publicacoes/publicacoes-svs/vigitel/relatorio-vigitel- 2020-original.pdf/. Acesso em: 12 fev. 2022. CABRAL, J. V. B.; OLIVEIRA, F. H. P. C.; SHINOHARA, N. K. S. A gastronomia hospitalar como ferramenta de bem-estar ao paciente. Higiene Alimentar, v. 29, p. 167-171. 2015. 82 CÂNDIDO, J.; SOUZA L. R. Síndrome de Burnout: as novas formas de trabalho que adoecem. Psicologia.pt. v. 1, n. 1, pp. 1-12. 2016. CARGILL. Aproveitamento Integral dos Alimentos. 2018. Disponível em: https://alimentacaoemfoco.org.br/aproveitamento-integral-alimentos/. Acesso em: 5 fev. 2022. CARVALHO, K. M. B; DUTRA, E. S. Obesidade. In: CUPPARI L. Guia de Nutrição: Clínica no Adulto. 3 ed. Barueri-SP: Manoel, 2014. CHEESA M. A. et al. Pathogenesis, Clinical Signs and Treatment Recommendations in Brittle Nails: A Review. Dermatol Ther (Heidelb). v. 10, n. 1, p. 15-27, 2020. CHIAVENATO, I. Empreendedorismo: dando asas ao espírito empreendedor. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2021. COLOMBO, M. Modernidade: a construção do sujeito contemporâneo e a sociedade de consumo. Revista Brasileira de Psicodrama. São Paulo, v. 20, n. 1, p. 25-39. 2012. COLLI, C., et al. Alimentos Funcionais. In: CUPPARI L. Guia de Nutrição: Clínica no Adulto. 3. ed. São Paulo: Manoel, 2014. COMPARE, D. et al. Guteliver axis: The impact of gut microbiota on non alcoholic fatty liver disease. Nutrition, Metabolism & Cardiovascular Diseases. v. 22, p. 471-476, 2012. CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS (CFN). Resolução CFN Nº 599 de 2018. Dispõe sobre o Código de Ética do Nutricionista e dá outras providências. 2018. Disponível em: https://www.cfn.org.br/wp-content/uploads/2018/04/ codigo-de-etica.pdf. Acesso em: 26 nov. 2021. DAL BOSCO, S. M. Personal Dieter: da gestação ao envelhecimento. São Paulo: Atheneu, 2015. DAVID, R. B; DE PAULA, R. F.; SCHNEIDER, A. P. Lipodistrofia ginoide: conceito, etiopatogenia e manejo nutricional. Rev Bras Nutr Clin. v. 26, n. 3, p. 202-206, 2011. DIBAISE, M.; TARLETON, S. M. Hair, nails, and skin: Differentiating cutaneous manifestations of micronutrient deficiency. Nutr Clin Pract., v. 34, n. 4, p. 490- 503, 2019. DIEZ-GARCIA, R. W. Mudanças alimentares e a educação alimentar e nutricional. In: DIEZ-GARCIA, R. W. D.; CERVATO-MANCUSO, A. M. Mudanças alimentares e a educação alimentar e nutricional. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanaara Koogan, 2017. p. 3-16 83 FAO - Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. Perdas e desperdícios de alimentos na América Latina e no Caribe. 2021. Disponível em: https://www.fao.org/americas/noticias/ver/pt/c/239394/ Acesso em: 3 fev. 2022. FERREIRA, M. P.; SANTOS, J. C.; SERRA, F. A. R. et al. Ser Empreendedor. São Paulo: Editora Saraiva, 2009. FIESP. Federação das Industrias do Estado de São Paulo & ITAL. Instituto de Tecnologia de Alimentos. Projeto Brasil Food Trends 2020. São Paulo: Ideal. 2010. 176 p. FINNER, A.M. Nutrition and hair: deficiencies and supplements. Dermatol Clin, v. 31, n. 1, p. 167-72, 2013. FONSECA, A. B. et al. Modernidade alimentar e consumo de alimentos: contribuições sócio-antropológicas para a pesquisa em nutrição. Ciência & Saúde Coletiva, v. 16, n. 9, p. 3853-3862, 2011. FRANÇA, F.C. et al. Mudanças dos hábitos alimentares provocados pela industrialização e o impacto sobre a saúde do brasileiro. Anais do I Seminário Alimentação e Cultura na Bahia. Bahia, 2012. p. 1-7. FRANKENBERG A. D. V.; BERNAUD, F. Alimentos funcionais. In: OLIVEIRA, A. M. SILVA, F. M. Dietoterapia nas Doenças do Adulto. Rio de Janeiro: Rubio, 2018. GARCIA, R. W. D. Reflexos da globalização na cultura alimentar: considerações sobre as mudanças na alimentação urbana. Revista de Nutrição,Campinas, v. 16, n. 4, p.483-492, 2003. GOMAA, E. Z. Human gut microbiota/microbiome in health and diseases: a review. Antonie Van Leeuwenhoek, v. 113, n. 12, p. 2019-2040, 2020. GOMES, P. C.; MAYNARD, D. C. Relação entre o hábito alimentar, consumo de probiótico e prebiótico no perfil da microbiota intestinal: Revisão integrativa. Research, Society and Development, v. 9, n. 8, 2020. GONDIM, J. A. M. et al. Composição Centesimal e de Minerais em Casca de Frutas. Revista de Ciências e Tecnologia de Alimentos. v. 25, n. 4, p. 825-827, 2005. HANSEN, L. B. S. et al. A low-gluten diet induces changes in the intestinal microbiome of healthy Danish adults. Nature Communications, v. 9, 2018. HEXSEL, D., et al. Oral supplementation with specific bioactive collagen peptides improves nail growth and reduces symptoms of brittle nails. Journal Of Cosmetic Dermatology, v. 16, n. 4, p. 520-526, 8 ago. 2017. HINTZ, H. C. Novos tempos, novas famílias? Da modernidade à pós- modernidade. Pensando famílias. Porto Alegre, v. 3, p. 8-20. 2001. 84 IBGE. Pesquisa de orçamentos familiares 2017-2018: primeiros resultados / IBGE, Coordenação de Trabalho e Rendimento. Rio de Janeiro: IBGE, 2019. KELEN, M. E. B. et al. Plantas alimentícias não convencionais (PANCs): hortaliças espontâneas e nativas. Porto Alegre: UFRGS, 2015. KHALILI, L., et al. The Effects of Lactobacillus casei on Glycemic Response, Serum Sirtuin1 and Fetuin-A Levels in Patients with Type 2 Diabetes Mellitus: A Randomized Controlled Trial. Iran Biomed J. 2019. KOLETZKO, B et al. Early nutrition programming of long-term health. Proceedings of the Nutrition Society, v. 71, p. 371-378. 2012. LIBERATO, P. S.; LIMA, D. V. T.; SILVA, G. M. B. PANCs - Plantas alimentícias não convencionais e seus benefícios nutricionais. Environ. Smoke, v. 2, n. 2. p. 102- 109. 2019. LOPEZ-LEGARREA, P et al. The influence of Mediterranean, carbohydrate and high protein diets on gut microbiota composition in the treatment of obesity and associated inflammatory state. Asia Pac J Clin Nutr, v. 23, n. 3, p. 360-368, 2014. LUMERTZ, C. R; DANILEVICZ, A. M. F.; VENZKE, J. G. Empreendedorismo em nutrição : estudo observacional do perfil do nutricionista atuante no mercado empreendedor. 2015, 57f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Nutrição) – Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2015. MAGALHÃES, E. S.; OLIVEIRA, A. S. M.; CUNHA, N. B. Atuação do nutricionista para melhora da qualidade de vida de pacientes oncológicos em cuidados paliativos. Arch. Health. Sci. v. 25, n. 3, p. 4-9, 2018. MARQUES, L. C, et al. Desafios de empreender em novos negócios no setor da saúde: consultoria em nutrição. Revista UNILUS Ensino e Pesquisa, v. 15, n. 41, p. 74-86, 2018. MARTINS, C. Empreendedorismo em nutrição: 9 passos que você deve seguir. 2018. Disponível em: https://institutocristinamartins.com.br/empreendedorismo- em-nutricao/. Acesso em: 19 nov. 2021. MARTINS, C. Os 5 Pilares do Marketing Digital para o Nutricionista. 2021. Disponível em: https://nutmed.com.br/blog/nutricao-clinica/os-5-pilares-do- marketing-digital-para-o-nutricionista Acesso em: 29 dez. 2021. MEDEIROS, J. A.; ANDRADE, L. D. F. Desvendando o perfil empreendedor de estudantes de nutrição de uma instituição federal de ensino superior. 2017, 56f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Enfermagem) – Centro de Educação e Saúde, Universidade Federal de Campina Grande, Cuité-PB, 2017. 85 MELNIK, B. Dietary intervention in acne: Attenuation of increased mTORC1 signaling promoted by Western diet. Dermatoendocrinol, v. 4, n. 1, p. 20-32, 2012. MOBILON MÍDIA. Tecnoblog: O que é streaming? [Netflix, Spotify, mais o que?]. 2019. Disponível em: https://tecnoblog.net/290028/o-que-e-streaming/. Acesso em: 2 nov. 2021. MORAIS, S. R. et al. Nutrição, qualidade de vida e cuidados paliativos: uma revisão integrativa. Rev. dor., v. 17, n. 2, p. 136-140, 2016. NERRIS, J.; BARRIOS, W. Planejamento e gestão de consultórios de nutrição. São Paulo: Senac, 2020. NETTO, A. F. N. et al. Trabalho, tecnologia e lazer na sociedade contemporânea. Impulso. Piracicaba, v. 20, n. 50, p. 73-84, 2010. OLIVEIRA, A. et al. Alergia alimentar: prevalência através de estudos epidemiológicos. Revista De Ciências Da Saúde Nova Esperança. v.16, n. 1, p. 7-15, 2018. OLIVEIRA, A. M; MAGNO, F. C. C. M. ais. In: OLIVEIRA A. M; SILVA F. M. Dietoterapia nas Doenças do Adulto. Rio de Janeiro: Rubio, 2018. PEDROSA, C., et al. Orientações Nutricionais na Cirurgia Bariátrica/Metabólica – Recomendações da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO). Rev Port Endocrinol Diabetes Metab. v. 15, n. 1-2, p. 59-69, 2020. PEREIRA, A. C. S; MOURA, S. M.; CONSTANT P. B. L. Alergia alimentar: sistema imunológico e principais alimentos envolvidos. Semina: Ciências Biológicas e da Saúde. v. 29, n. 2, p. 189-200, 2008. PINHO-REIS, C. Suporte Nutricional em Cuidados Paliativos. Revista Nutrícias. v. 15, p. 24-27. 2012. PINTO, C. C.; ALVES, E. A. A gastronomia no contexto da hotelaria hospitalar: um estudo de caso na cidade do Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Rev. Brasileira de Administração Hospitalar e Inovação em Saúde. v. 14, n. 2, p.1-13, 2017. PUJOL, A. P. Nutrição aplicada à estética. Rio de Janeiro: Rubio, 2011. RODRIGUES, C.; DOVERA, J. S.; OUKI, T. M. M. Gastronomia Funcional: um novo conceito para alimentação saudável. 2016. 52p. Trabalho de Conclusão de Curso (Tecnologia em Gastronomia) - UniCEUB, Brasilia. 2016. SANTOS, M. P; OLIVEIRA, N. R. F. Ação das vitaminas antixoxidantes na prevenção do envelhecimento cutâneo. Disciplinarum Scientia. Série: Ciências da Saúde, Santa Maria, v. 15, n. 1, p. 75-89. 2014. 86 SBCBM - Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. Cirurgia Bariátrica – Técnicas Cirúrgicas. 2017. Disponível em: https://www.sbcbm.org. br/tecnicas-cirurgicas-bariatrica/. Acesso em: 30 jan. 2022. SBCBM - Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. Quem pode fazer a cirurgia bariátrica e metabólica? Disponível em: https://www.sbcbm.org. br/quem-pode-fazer-cirurgia-bariatrica-e-metabolica/. Acesso em: 30 jan. 2022. SESC. Banco de Alimentos e Colheita Urbana: Aproveitamento Integral dos Alimentos. Rio de Janeiro: SESC/DN, 2003. 45 pág. (Mesa Brasil SESC- Segurança Alimentar e Nutricional). Programa Alimentos Seguros. Convênio CNC/CNI/SEBRAE/ANVISA. SILVA, C. P. et al. Gastronomia Funcional. In: PIMENTEL, C. V. M. B.; ELIAS, M. F.; PHILIPPI, S. T. Alimentos funcionais e compostos bioativos. São Paulo: Manole. 2019. SILVA, C. R. M.; TESSAROLO, F. M. l. Influenciadores digitais e as redes sociais enquanto plataformas de mídia. XXXIX Intercom. São Paulo–SP, 2016. p. 1-14. SILVA, E. M. M. Marketing para quem entende de Nutrição. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2014. SILVA, S. M.; MAURÍCIO, A. A. Gastronomia hospitalar: um novo recurso para melhorar a aceitação de dietas. ConScientiae Saúde, v. 12, n. 1, p. 17-27, 2013. SPERIDIÃO, P. G. L; MORAIS, M. B. Intolerância à lactose e alergia alimentar. In: CUPPARI L. Guia de Nutrição: Clínica no Adulto. 3 ed. Barueri-SP: Manoel, 2014. SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA (SBD). Acne. 2021. Disponível em: https://www.sbd.org.br/doencas/acne/. Acesso em: 12 jan. 2022. SOLÉ D. et al. Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar: 2018 - Parte 1 - Etiopatogenia, clínica e diagnóstico. Documento conjunto elaborado pela Sociedade Brasileira de Pediatria e Associação Brasileira de Alergia e Imunologia. Arq Asma Alerg Imunol, v. 2, n. 1, p. 7-38, 2018. SOUZA, L.; MARTÍNEZ, D. G. A. Nutrição funcional e fitoterapia [recurso eletrônico]. Porto Alegre: SAGAH, 2017. SOUZA, M. D.; NAKASATO, M. A gastronomia hospitalar auxiliando na redução dos índices de desnutrição entre pacientes hospitalizados. O Mundo da Saúde, v. 35, n. 2, p. 208-214, 2011. TALDIVO, B. P.; SANTOS, M. C. T. Gastronomia Hospitalar. Rev. Conexão Eletrônica. v.13, n. 1, p. 1-8. 2016. 87 TEIXEIRA M. Programação metabólica. In: MARQUES, N; SERPA, F; TEIXEIRA, M. Nutrição clinica funcional: da fertilidade à gestação. São Paulo: Valéria Paschoal Editora Ltda, 2018. VENTURI, I. Nutrição aplicada à estética [recurso eletrônico]. Porto Alegre: SAGAH, 2019. WEFFORT, V. R. S.; LAMOUNIER, J. A. Nutrição em pediatria: da neonatologia à adolescência. 2. ed. Barueri: Editora Manole, 2017. WINGERT, K. H.; CASTRO, L. R. Marketing para Nutrição: conceitos e ferramentas aliados à prática da Nutrição. Disciplinarum Scientia. Série: Ciências da Saúde, Santa Maria, v. 19, n. 3, p. 353-371. 2018. YONAMINE, G. H.; PINOTTI, R. Alergia alimentar: alimentação, nutrição e terapia nutricional. Sao Paulo: Manole, 2021. 88 89 SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL UNIDADE 2 — OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: · analisar e compreender os fundamentos, diretrizes e prescrição da suplementação nutricional; · conhecer as formas farmacêuticas, interações e possíveis efeitos adversos dos suplementos nutricionais; · compreender a aplicação da suplementação nutricional nos diversos ciclos de vida; · reconhecer a importância da suplementação nutricional em situações clínicas diversas. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – FUNDAMENTOS DA SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL TÓPICO 2 – SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NOS CICLOS DA VIDA TÓPICO 3 – SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NAS DIVERSAS SITUAÇÕES CLÍNICAS Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 90 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 2! Acesse o QR Code abaixo: 91 TÓPICO 1 — FUNDAMENTOS DA SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Caro Acadêmico (a), nesta unidade estudaremos a respeito dos Suplementos Nutricionais. Certamente, você já ouviu falar sobre suplementos nutricionais, seja você o consumidor ou alguém de seu convívio, não é mesmo?! Imaginamos também que já tenha percebido que muitas pessoas fazem uso de suplementos de forma indiscriminada, porque ouviram falar a respeito na Internet, televisão ou mesmo pelos corredores das academias. Pois, infelizmente o uso de suplementos nutricionais, sem prescrição adequada, tem se tornado algo corriqueiro nos dias de hoje e justamente por isso o profissional Nutricionista tem que dominar esta tema! O Nutricionista é o profissional legalmente habilitado para a prescrição de suplementos nutricionais, de acordo com os marcos legais que regem a profissão. Contudo, para tal, é fundamental que o profissional esteja atento a legislação vigente a cerca da prescrição bem como detenha conhecimento técnico para avaliar as necessidades individuais de cada paciente, utilizando os suplementos nutricionais em complementação a dieta, quando necessário, e na forma indicada. Para tanto, iremos iniciar esta unidade abordando quais itens abrangem a prescrição nutricional de suplementos e quais diretrizes o Nutricionista deve ater-se ao fazê-la. Para auxiliar-lhe na prescrição, iremos apresentar um modelo de receituário. Na sequência você irá conhecer as diversas formas farmacêuticas nas quais os suplementos podem ser apresentados, como cápsulas, comprimidos, pós, xaropes, entre outras. Por fim, iremos atentar aos riscos de interação nutriente x nutrientes e efeitos adversos na utilização dos suplementos nutricionais. 2 CONCEITO A categoria de suplemento alimentar foi criada legalmente somente em 2018. Nessa categoria foram reunidos produtos que estavam enquadrados em outros grupos de alimentos e foram definidas regras mais apropriadas aos suplementos alimentares, incluindo limites mínimos e máximos de prescrição, populações indicadas, constituintes autorizados e alegações com comprovação científica. Alimentos que eram enquadrados com ‘alimentos para atletas’, ‘alimentos para gestantes’, ‘suplementos vitaminicos e minerais’ foram reunidos nessa categoria (ANVISA, 2020, on-line). 92 De acordo com a legislação mais atual, a prescrição de suplementos nutricionais pelo profissional Nutricionista engloba nutrientes, substâncias bioativas, enzimas, prebióticos, probióticos, produtos apícolas, como mel, própolis, geleia real e pólen, novos alimentos e novos ingredientes e outros autorizados pela Anvisa para comercialização, isolados ou combinados, bem como medicamentos isentos de prescrição à base de vitaminas e/ou minerais e/ou aminoácidos e/ou proteínas isolados ou associados entre si. O nutricionista poderá prescrever estes suplementos tanto em sua versão industrializada quanto manipulados, isentos de prescrição médica (CFN, 2020). Ômega-3, Multivitamínicos, Creatina, Whey Protein, Colágeno, Maltodextrina e Triglicerídeos de Cadeia Média (TCM), Cafeína, Vitaminas isoladas (Vitamina C, Vitamina D) são alguns exemplos de suplementos mais populares na atualidade. FIGURA 1 – SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS FONTE: . Acesso em: 25 fev. 2022. Ainda de acordo com a Resolução nº 656 de 2020 do CFN, entende-se como suplemento alimentar o produto para administração exclusiva pelas vias oral e enteral, incluídas mucosa, sublingual e sondas enterais e excluída a via anorretal, apresentado em formas farmacêuticas, destinado a suplementar a alimentação de indivíduos (CFN, 2020). Assim, reitera-se que o profissional nutricionista pode prescrever somente suplementos que utilizem o trato gastrointestinal como via de absorção, excluindo-se suplementos injetáveis, tópicos ou inaláveis. Os suplementos nutricionais somente podem utilizar-se de constituintes (ingredientes) que tenham sido autorizados pela Anvisa. Em sua formulação podem ser adicionados os aditivos permitidos para a categoria e os ingredientes de uso tradicional em alimentos utilizados para dar sabor, cor, aroma, consistência ou volume (ANVISA, 2020), conforme veremos a seguir. Em sua embalagem, deve constar a expressão “SUPLEMENTO ALIMENTAR”, seguida da forma farmacêutica correspondente, além de conter: 93 • Recomendação de uso com quantidade e frequência diária de consumo recomendadas para cada grupo populacional e faixa etária. • Advertências gerais e específicas, de acordo com a composição ou forma de administração. • Restrição de uso, quando o produto não puder ser consumido por determinado grupo populacional. • Tabela nutricional, com descrição das quantidades de nutrientes, substâncias bioativas, enzimas, probióticos. • Lista de ingredientes. • Declaração da presença de alergênicos, glúten e lactose. • Informações obrigatórias para todos os alimentos, como prazo de validade, origem e lote (ANVISA, 2020). Cabe destacar que a prescrição de alimentos é soberana na conduta do profissional Nutricionista, sendo que uma dieta bem planejada pode suprir várias demandas do organismo. Dessa forma, a prescrição de suplementos nutricionais serve para complementar aqueles nutrientes ou compostos bioativas que a dieta não supriu (SOUZA, 2021) ou adequar a prescrição em caso de carências nutricionais ou requerimentos diferenciados associados a uma condição clínica ou patológica específica. 3 DIRETRIZES E NORMAS PARA A PRESCRIÇÃO DE SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS O uso de suplementos nutricionais tem ganho popularidade e, por estarem disponíveis para aquisição sem prescrição, observa-se um uso indiscriminado e muitas vezes, desnecessários nos dias atuais. De fato, a Pesquisa de Mercado realizada pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais apontam que mais da metade dos lares brasileiros possuem pelo menos uma pessoa consumindo suplementos, sendo que a prescrição destes foi feita por profissional habilitado em 51% dos casos (ABIAD,2020). Tendo em vista que o uso desnecessário de suplementos nutricionais acarreta, além do desperdício de recursos financeiros, em riscos à saúde visto que não é livre de efeitos adversos, se faz fundamental que a prescrição deste se dê por profissional legalmente habilitado, sendo o Nutricionista um deles. Para saber mais sobre os constituintes, de limites de uso, de alegações e de rotulagem complementar dos suplementos nutricionais acesse a Instrução Normativa da ANVISA nº 28 de 2018 disponível em: https://www.in.gov.br/ materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/34380639/do1-2018- 07-27-instrucao-normativa-in-n-28-de-26-de-julho-de-2018-34380550 DICA 94 Na prescrição dietética de suplementos alimentares, o nutricionista deve: I- considerar o indivíduo na sua integralidade, respeitando suas condições clínicas, biopsicossociais, socioeconômicas, culturais e religiosas; II- realizar triagem e avaliação nutricional sistematizadas, envolvendo critérios objetivos e/ou subjetivos que permitam a identificação de deficiência ou de riscos nutricionais; III- considerar diagnósticos, laudos e pareceres dos demais membros da equipe multidisciplinar, definindo com estes, sempre que pertinente, a conduta a ser instituída; IV- considerar que a prescrição dietética de suplementos alimentares não pode ser realizada de forma isolada, devendo fazer parte da adequação do consumo alimentar e ser avaliada sistematicamente; V- considerar os nutrientes e não nutrientes que possam contribuir para a redução do risco e para o tratamento de doenças relacionadas à nutrição; VI- considerar as possíveis interações entre nutrientes, não nutrientes, fármacos e plantas medicinais, bem como reações adversas potenciais, toxicidade e contraindicações; VII- respeitar os limites de UL para nutrientes e, em casos não contemplados, considerar critérios de eficácia e segurança com alto grau de evidências científicas; VIII- respeitar as listas de constituintes autorizados para uso em suplementos alimentares, prevista nos anexos I e II da IN Anvisa n° 28/2018 e suas atualizações, e os insumos autorizados pela Anvisa, para comercialização, disponíveis nas farmácias de manipulação; IX- na prescrição de enzimas, indicar a atividade enzimática em Unidades (U), e na de probiótico, em Unidades Formadoras de Colônias (UFC); X- considerar a biodisponibilidade e segurança na prescrição de substâncias que podem ser encontradas em diferentes formas químicas; XI- registrar em receituário: nome do paciente/cliente/usuário; via, composição e posologia dos suplementos alimentares; data de prescrição; assinatura, carimbo do profissional com nome e número de seu registro no Conselho e respectiva jurisdição, telefone e endereço completo ou outro meio de contato profissional; e XII- registrar, em prontuário dos clientes/pacientes/usuários, via de administração, composição e posologia dos suplementos alimentares prescritos, mantendo-o arquivado pelo tempo determinado em normativa. Parágrafo único. Na identificação de efeitos colaterais, efeitos adversos, intoxicações, voluntárias ou não, observadas ou relatadas pelos clientes/pacientes/usuários, o nutricionista deverá registrar no prontuário e, quando pertinente, notificar os órgãos sanitários competentes, assim como o laboratório industrial ou a farmácia de manipulação (CFN, 2020, on-line). O Nutricionista deve respeitar o Limite Superior Tolerável de Ingestão (UL) ao elaborar a prescrição de suplementos nutricionais (CFN, 2020). O Limite Superior Tolerável de Ingestão (UL) é o valor mais alto de ingestão diária continuada de um nutriente que aparentemente não acarreta efeito adverso à saúde em quase todos os indivíduos de um estágio de vida ou gênero (PUJOL, 2012). Ao utilizar o UL, o profissional deve levar em conta o estado fisiológico e patológico do indivíduo, fonte do nutriente, atividade física e período da ingestão habitual do nutriente, e assim evitar a ingestão 95 excessiva. Além disso, o UL deve ser utilizado como valor limite e não como referência a ser atingida (PUJOL, 2019). Em caso do nutriente não dispor de UL, deve considerar critérios de eficácia e segurança com alto grau de evidências científicas (CFN, 2020). Destaca-se que, em virtude do limite de prescrição, em alguns casos de deficiências nutricionais será necessário referenciar o paciente para manejo com médico. Um exemplo se dá no acompanhamento de pacientes com Hipovitaminose D, cujo tratamento requer suplementação com 50.000UI/semana ou 6.000UI/dia de Vitamina D, por 6 a 8 semanas. Tal situação, quando indicada pelo Nutricionista, deve ser referenciada ao Médico para adequado tratamento haja vista que a UL da Vitamina D é de 4.000UI/dia. Ao prescrever suplementos industrializados o Nutricionista deve avaliar se este não foi registrado no Ministério da Saúde como medicamento, em virtude de um ou mais de seus princípios ativos, assim como, verificar a aprovação do produto frente aos órgãos regulamentadores. Para tanto, basta consultar o site da Anvisa em: (PUJOL, 2019). O mercado dos suplementos alimentares passa por um crescimento acelerado, de forma que novos suplementos surgem a todo instante, alguns com promessas milagrosas e marketing apelativo. Contudo muitos destes produtos são baseados em observações profissionais do uso, em hipóteses de mecanismos de ação ou em estudos sem adequado rigor metodológico. Portanto, é responsabilidade do prescritor avaliar rigorosamente a indicação dos suplementos, baseando-se em evidências científicas contundentes (SOUZA, 2021). Lembrando que, conforme a Resolução nº 656 de 2020, o Conselho Federal de Nutricionistas exige pleno conhecimento do assunto, cabendo ao nutricionista responsabilidades ética, civil e criminal quanto aos efeitos da suplementação nutricional na saúde de seus pacientes, a fim de evitar imperícia, imprudência ou negligência (CFN, 2020). 3.1 ELABORAÇÃO DE RECEITUÁRIO OU PRESCRIÇÃO NUTRICIONAL O receituário ou prescrição nutricional é o instrumento por meio do qual o paciente irá adquirir a suplementação prescrita bem como, guiará seu uso após o atendimento nutricional. Por isso, é fundamental que ela seja bem detalhada e completa para que não deixe dúvidas nem ao farmacêutico, quando esta for manipulada, ou ao vendedor, quando adquirida pronta, tão pouco ao paciente. A prescrição do nutricionista deve obrigatoriamente contemplar os seguintes itens: nome do paciente; via de administração do suplemento (oral ou enteral); composição (nutrientes e suas respectivas quantidades); posologia (dose, frequência, horário, duração); data da prescrição; assinatura e carimbo do profissional, com nome e número de seu registro no conselho profissional; telefone e endereço completo ou outro meio de contato profissional (CFN, 2020). 96 Além disso, é fundamental atentar a dose prescrita verificando a unidade do nutriente (g, mg, mcg, UI), escrita legível, evitando abreviaturas ou rasuras que podem gerar erro e comprometer os resultados esperados (SOUZA, 2019). A exclusão ou determinação dos coadjuvantes técnicos deve ser feita na prescrição. Neste sentido, por exemplo, caso seja necessário garantir um produto livre de lactose (para pacientes intolerantes) ou de produtos animais (vegetarianos e veganos) o Nutricionista deve especificá-lo. O Nutricionista deve explicar ao paciente a cerca da suplementação prescrita, ressaltando aspectos de eficácia (uso indicado e posologia), segurança (efeitos adversos, precauções, contraindicações, interações, risco de toxicidade) e qualidade (armazenamento, prazo de validade) (PUJOL, 2012). A seguir apresentamos um modelo de prescrição de suplemento nutricional: Nome do Nutricionista Nutricionista CRNx XXXX Paciente: Nome do Paciente Uso Oral: 1) Fórmula (1 dose) Nutriente A (quelado) - xx mcg Nutriente B (quelado) - xx mg Nutriente C (citrato) - UI Excipienteqsp (definir o excipiente que deseja ou o que não deseja) Aviar para xx dias em _____ (definir a forma farmacêutica) Posologia: Tomar y x/dia, sendo x dose ao ____ e x dose ao (definir momento) Nome e Assinatura Nutricionista Carimbo com CRN Endereço Telefone 97 4 FORMAS FARMACÊUTICAS Forma ou base farmacêutica refere-se ao estado final de apresentação das substâncias ativas após serem submetidas às operações farmacêuticas. As formas farmacêuticas podem ser sólidas, líquidas, semissólidas e gasosas (SOUZA, 2021). A definição da forma farmacêutica dependerá da natureza do princípio ativo escolhido, do mecanismo de ação e do local de ação deste ativo, bem como da dosagem (quantidade) prescrita (PUJOL, 2012; SOUZA, 2021). No processo de escolha da forma farmacêutica também deve-se verificar as vantagens e desvantagem de cada uma, analisar a melhor aceitação organoléptico e a disponibilidade financeira do paciente (PUJOL, 2012). A tabela a seguir apresenta as principais formas farmacêuticas disponíveis e suas características: TABELA 1 – PRINCIPAIS FORMAS FARMACÊUTICAS Forma Farmacêutica Características Cápsula Fácil deglutição Consistência dura ou mole Menor número de adjuvantes Boa estabilidade Não fracionável Origem vegetal ou animal Diversidade de tamanhos (capacidade) Comprimido e filme orodispersível Desintegra rapidamente Fácil adesão Evitam nutrientes com sabor amargo Doses mais baixas (aproximadamente 60mg no filme e 250mg no comprimido) Avaliar a composição Pastilha e goma Base flavorizada, edulcorada, maldade ou comprimida Consistência dura, soft ou mastigável Custo mais alto Avaliar composição Pó Fácil deglutição Misturas secas, finamente divididas Dissolução rápida Menor irritação de mucosa Absorção mais rápida Prazo de validade mais curto Apresentação em pote ou sachê 98 Possibilita dose elevada Base comum, efervescente ou consistência de shake, sopa, iogurte Gel Forma semissólida Mais usado no esporte Risco de distúrbios gastrointestinais em doses elevadas Avaliar composição Comprimido sublingual Utiliza sorbitol ou manitol como veículo Forma de líquidos ou em drágeas Quanto mais tempo de contato, melhor a absorção Doses mais baixas (100 a 150mg) Xarope Base de açúcar ou um substituto de Boa conservação microbiológica Transporte mais difícil Avaliar composição FONTE: Adaptado de Pujol (2012, 2019) e Souza (2021) Além do princípio ativo os suplementos são compostos também por coadjuvantes técnicos, conhecidos como excipientes ou veículos. Correspondem as substâncias, em geral inertes, cuja função é promover a estabilidade química, física ou microbiológica da fórmula, além de garantir sua processabilidade de fabricação e a solubilidade dos princípios ativos (PUJOL, 2012). Veículo é a parte líquida na qual os ativos são inseridos enquanto os excipientes representam a parte sólida ou semissólida, bastante usada em cápsulas ou sachês (SOUZA, 2021). Diluentes, molhantes, desintegrantes, lubrificantes, flavorizantes, edulcorantes, conservantes e corantes são exemplos de coadjuvantes utilizados (PUJOL, 2012; SOUZA, 2021). A indústria farmacêutica cada vez mais diferencia suas formas farmacêuticas, tornando a administração de suplementos mais agradáveis, tornando mais confortável a posologia, o que contribui para a adesão do paciente ao tratamento (PUJOL, 2012). Para isso tende a incorporar coadjuvantes artificiais que podem não ser benéficos para a saúde do paciente (SOUZA, 2021). Por isso é fundamental que o profissional analise atentamente os componentes da suplementação antes de sua prescrição, retirando excipientes que julgue inadequado para o paciente. 99 5 INTERAÇÃO NUTRIENTE X NUTRIENTE Um dos fatores que interfere na biodisponibilidade dos nutrientes se dá em virtude das interações que ocorrem entre os mesmos, as quais podem ocorrer de forma direta ou indireta. Interações diretas tendem a ser fenômenos competitivos que ocorrer durante a absorção intestinal ou utilização tecidual dos nutrientes. Já as interações indiretas ocorrem quando um nutriente está envolvido no metabolismo do outro, de modo que a deficiência de um acarreta em prejuízo na função do outro (PUJOL, 2012). Ao realizar a prescrição o Nutricionista deve atentar se os nutrientes suplementados são facilitadores ou inibidores da absorção um do outro. A suplementação de diversas vitaminas e minerais na mesma cápsula, a exemplo de compostos multivitamínicos populares na indústria farmacêutica, tendem a apresentar baixa biodisponibilidade. Da mesma forma, cabe analisar os nutrientes advindos diretamente dieta. Em caso de interação, deve-se ajustar a forma química de apresentação do nutriente, composição da fórmula e/ou posologia (momentos de consumo distintos). Em relação aos mineiras, os quais sofrem maior comprometimento na biodisponibilidade e interação com nutrientes da dieta e medicamentos, sua suplementação na forma quelada pode ser uma alternativa para evitar competição intraluminal. Contudo, por requererem maior tecnologia na produção, seu custo é mais elevado (PUJOL, 2012; SOUZA, 2021). A tabela a seguir descreve os nutrientes facilitadores e inibidores de absorção aos quais deve-se atentar na prescrição: TABELA 2 – NUTRIENTES FACILITADORES E INIBIDORES DE ABSORÇÃO Nutriente Facilitadores Inibidores Cálcio Vitamina D, lactose, magnésio, vitamina C, lisina, arginina, Vitaminas do Complexo B Ferro, excesso de proteína, fibras solúveis, sódio, fosfatos, fitatos, zinco, celulose, arginatos Cobre - Excesso de cálcio, ferro, zinco, cádmio, molibdênio, vitamina C, frutose, fitatos, caninos Ferro Cobre, Vitamina A, Vitamina C, ácidos orgânicos, aminoácidos, proteína de carne, arginina, histidina, lipídeos, TCM, frutose Cálcio, cobalto, níquel, manganês, zinco, cádmio, fibra, oxalato, fosfatos, polifenóis, proteína de soja, proteína do ovo, fitatos, caninos 100 Selênio Proteinas, aminoácidos sul- furados, metionina, vitamina E, arginina, histidina, lipídeos, TCM, frutose, excesso de Vita- mina A e C Enxofre, metais pesados Vitamina A e beta caroteno Gorduras, proteinas, vitamina E, ferro, zinco Pectina, goma guar, celulose, farelo de trigo Vitamina E Gorduras, TCM Ácidos graxos poliinsaturados, vitamina A, farelo de trigo, pectina Zinco Vitamina A, peptídeos, histidina, ácido glutâmico, triptofano, cobre Ferro, cálcio, fitamos, fósforo, cádmio, cromo, selênio, fosfato, oxalato, fibras, excesso de ácido fólico, taninos Manganês - Cálcio, fósforo, ferro Cromo - Ferro Iodo Selênio Cloro Molibdênio - Sulfato Potássio Magnésio - Vitamina B1 Sódio, potássio, vitaminas do complexo B - Biotina - Ácido alfa lipóico Vitamina B2, B3 e B5 Vitaminas do complexo B - Vitamina B6 Vitamina B1, B2 e Triptofano Proteína Vitamina B9 Vitamina B12 e B6 - Vitamina C Ferro, flavonóides cítricos e quercetina Ingestão elevada pode causar depleção de cobre Vitamina D Cálcio e fósforo Ferro, cobre, manganês Vitamina E TCM Ácidos graxos poliinsaturados Vitamina K - Vitaminas A e E Ômega 3 Vitamina E - FONTE: Adaptado de Pujol (2012) 101 6 EFEITOS ADVERSOS O consumo inadequado ou o uso excessivo de suplementos nutricionais pode acarretar em efeitos adversos, os quais irão depender do nutriente, dose utilizada e de características próprias do indivíduo. Rins, fígado e coração são os órgãos usualmente acometidos pela toxicidade do uso indevido de suplementos em virtude de seu papel na metabolização. Sinais clínicos relacionados à aparência da pele, mucosas e unhas, hidratação também podem ser uma manifestação orgânica destes excessos. Estudos sugerem que desportistas estão entre os indivíduos com maiores tendências ao uso excessivo de suplementos nutricionais, sem orientação profissional. Contudo, a alta ingestão de suplementos proteicos pode gerar sobrecarga renal pelo aumento de uréia no organismo, cálculos renais, gota, dores abdominais,UNIDADE 3 — FITOTERAPIA APLICADA À NUTRIÇÃO .....................................................145 TÓPICO 1 — FUNDAMENTOS DA FITOTERAPIA ................................................................ 147 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 147 2 DIRETRIZES E NORMAS PARA PRESCRIÇÃO ...............................................................149 2.1 POLÍTICA NACIONAL DE PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERÁPICOS ......................................151 2.2 PRESCRIÇÃO DE PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERÁPICOS ................................................ 154 2.2.1 Prescrição por Nutricionistas ............................................................................................... 155 3 FORMAS FARMACÊUTICAS ...........................................................................................164 3.1 FORMAS FARMACÊUTICAS SÓLIDAS ........................................................................................... 166 3.2 FORMAS FARMACÊUTICAS LÍQUIDAS .........................................................................................167 3.3 FORMAS FARMACÊUTICAS PASTOSAS E GASOSA ...................................................................167 3.4 OUTRAS FORMAS FARMACÊUTICAS ...........................................................................................168 3.5 INTERAÇÃO FITOTERÁPICO X NUTRIENTE ................................................................................ 169 RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................... 172 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 173 TÓPICO 2 - FITOTERAPIA NOS CICLOS DA VIDA ............................................................. 175 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 175 2 GESTAÇÃO E LACTAÇÃO ................................................................................................ 176 3 INFÂNCIA ........................................................................................................................180 3.1 PLANTAS MEDICINAIS NAS DOENÇAS RESPIRATÓRIAS ..........................................................181 3.2 PLANTAS MEDICINAIS E DISTÚRBIOS GASTROINTESTINAIS .................................................181 3.3 PLANTAS MEDICINAIS E SISTEMA NERVOSO CENTRAL ........................................................182 4 ENVELHECIMENTO .........................................................................................................183 4.1 FITOTERAPIA NA MODULAÇÃO DA IMUNIDADE E COM ATIVIDADE ANTI-INFLAMATÓRIA NO ENVELHECIMENTO ............................................................................185 RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................................186 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................187 TÓPICO 3 - FITOTERAPIA NUTRICIONAL NAS DIVERSAS SITUAÇÕES CLÍNICAS ........189 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................189 2 FITOTERAPIA NA SAÚDE DA MULHER ..........................................................................189 2.1 SÍNDROME PRÉ-MENSTRUAL .......................................................................................................190 2.2 CLIMATÉRIO E MENOPAUSA .......................................................................................................... 192 3 FITOTERAPIA NA SAÚDE DO HOMEM ............................................................................194 4 FITOTERAPIA APLICADA À OBESIDADE E SÍNDROME METABÓLICA .........................196 LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................199 RESUMO DO TÓPICO 3 ...................................................................................................... 202 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 203 REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 205 1 UNIDADE 1 - ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA NAS ÁREAS DE NUTRIÇÃO CLÍNICA E ALIMENTAÇÃO COLETIVA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: · refl etir sobre a sociedade contemporânea e sua relação com a nutrição e o profi ssional nutricionista; · conhecer a atuação do profi ssional nutricionista clínico nas áreas de atuação mais evidentes do momento atual; · conhecer a atuação do profi ssional nutricionista de alimentação coletiva nas áreas de atuação mais evidentes do momento atual; · compreender a relação entre a nutrição e a gastronomia e suas formas de aplicação pelo profi ssional nutricionista. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA TÓPICO 2 – ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA NA ÁREA DE NUTRIÇÃO CLÍNICA TÓPICO 3 – ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA NA ÁREA DE ALIMENTAÇÃO COLETIVA Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 2 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 1! Acesse o QR Code abaixo: 3 ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA NAS ÁREAS DE NUTRIÇÃO CLÍNICA E ALIMENTAÇÃO COLETIVA 1 INTRODUÇÃO Caro acadêmico(a), nossa disciplina tem por objetivo principal ampliar o seu olhar sobre as possibilidades de atuação do profissional Nutricionista, apresentando um aprofundamento sobre as subáreas e ferramentas de trabalho mais recentes da Nutrição. Por isso, nas próximas páginas estudaremos temas de Nutrição em ascensão e/ou desenvolvimento nos últimos anos. Espero que, ao concluir esta disciplina, você se identifique com um ou mais dos tópicos apresentados e possa agregá-los à sua atuação quando formado. Para tanto, iniciaremos nossa disciplina discutindo sobre a sociedade contemporânea e suas necessidades. É preciso entender que, enquanto sociedade, estamos em constante evolução. Nossa rotina de vida, nossa forma de trabalhar, de estudar, nossas opções de lazer e nossa forma de comunicação mudaram muito nas últimas duas décadas não é mesmo? Da mesma forma, mudou nossa forma de nos alimentarmos – desde os alimentos que compõe a refeição, os modos de preparo e consumo, até nossas necessidades nutricionais. Por isso, é fundamental que o profissional Nutricionista se atualize periodicamente, afim de atender à população de acordo com suas demandas da atualidade. Toda essa alteração no modo de vida das pessoas também reflete em novas possibilidades de empreender na Nutrição. Quando falamos em empreender, normalmente vêm à mente do estudante de Nutrição e até mesmo do profissional Nutricionista, a possibilidade de abrir um consultório ou uma linha de produção de alimentos. Porém, iremos ver neste tópico que as possiblidades vão muito além destas. Iremos também explorar o perfil necessário para o indivíduo que deseja empreender e os pontos essenciais do planejamento e gestão do negócio próprio. Iremos, por fim, abordar o Marketing em Nutrição haja vista o mercado competitivo que é o da Nutrição nos dias de hoje. Estratégias de Marketing têm sido cada vez mais necessárias e úteis ao profissional Nutricionista em diversas áreas de atuação, porém, conforme iremos observar nessa disciplina, elas não podem e não devem ser empregadas de forma indiscriminada. TÓPICO 1 - UNIDADE 1 4 2 CARACTERIZAÇÃO A fim de discutir os impactos da contemporaneidadedesidratação, redução da densidade óssea e aumento de acne. O excesso de cafeína pode causar prejuízo da estabilidade de membros superiores (tremores), insônia, nervosismo, irritabilidade, ansiedade, náuseas e desconforto gastrointestinal. Percebe-se que tais excessos agem na contramão do efeito esperado, influenciando negativamente no desempenho esportivo (RESENDE; MOLINARI; SILVA, 2015). O consumo de suplementos termogênicos, compostos por cafeína, taurina, chá verde, guaraná em pó, sinefrina, gengibre, Citrus aurantium, extrato de efedrina e pimentas caiena e preta também apresentam efeitos adversos característicos. De acordo com Oliveira e colaboradores, insônia, sudorese, aumento da temperatura corporal, náuseas, agitação, dor de cabeça e arritmia são os sintomas mais frequentemente relatados entre os consumidores (OLIVEIRA, 2021). Cabe destacar que a prescrição de efedrina não é liberada para o profissional Nutricionista, uma vez que se configura como um medicamento. Contudo, a efedrina compõe diversos dos termogênicos ilegalmente comercializados no Brasil em farmácias, lojas de suplementos e lojas virtuais. Em relação a suplementos termogênicos e outros comercializados com a promessa de promover emagrecimento, destaca-se que, frequentemente surge na mídia relatos de indivíduos que apresentaram efeitos adversos graves, tais como dano hepático e infarto, e até mesmo morte, em decorrência do uso abusivo ou de formulações tóxicas. Por isso, mais uma vez, reforçamos o papel do Nutricionista enquanto educador, visando alertar os indivíduos sobre os riscos do consumo indevido de suplementos nutricionais. Até mesmo a suplementação de vitaminas não é livre de efeitos adversos, quando em doses acima do recomendado. Por exemplo, doses crônicas muito altas de Vitamina D podem aumentar a absorção do cálcio, e essa hipercalcemia pode associar- se com diarreia, constipação, náuseas, vômitos e até mesmo calcificação arterial (SOUZA, 2021). Enquanto nutrientes antioxidantes como as vitaminas A, C e E, carotenóides (licopeno, luteína, zeaxantina) em excesso podem gerar efeito pró-oxidativo (PUJOL, 2012; SOUZA, 2021). 102 Dessa forma, faz-se fundamental respeitar os limites da UL, considerando ainda o consumo do nutriente advindo dos alimentos, de forma a evitar doses acima da necessidade, minimizando o risco de efeitos adversos. Além disso, o acompanhamento nutricional, com atenção aos sinais e sintomas relatados pelo paciente, permite ao profi ssional avaliar se a prescrição do suplemento nutricional foi assertiva ou se requer ajustes ou suspensão. Acadêmico, fi cou com alguma dúvida sobre a regulamentação e prescrição de suplementos nutricionais? Que tal acessar o Documento de Perguntas e Respostas sobre Suplementos Alimentares, publicado pela ANVISA em 2021?! Sua dúvida pode estar respondida lá! Acesse em: https://www.cfn.org.br/wp-content/uploads/2021/04/Suplementos -Alimentares_7ª-edição-1.pdf DICA 103 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: · A prescrição de suplementos nutricionais pelo profissional Nutricionista engloba nutrientes, substâncias bioativas, enzimas, prebióticos, probióticos, produtos apícolas, como mel, própolis, geleia real e pólen, novos alimentos e novos ingredientes e outros autorizados pela Anvisa para comercialização, isolados ou combinados, bem como medicamentos isentos de prescrição à base de vitaminas e/ou minerais e/ou aminoácidos e/ou proteínas isolados ou associados entre si. · A prescrição dietética de suplementos nutricionais não pode ser realizada de forma isolada, devendo fazer parte da adequação do consumo alimentar do paciente e ser avaliada sistematicamente. · O receituário de prescrição do suplemento nutricional deve apresentar, no mínimo, o nome do paciente, a via de administração, composição e posologia do suplemento, a data da prescrição, a assinatura e o carimbo do profissional, com nome e número de seu registro no conselho profissional, o telefone e endereço completo ou outro meio de contato profissional. · Forma ou base farmacêutica é a apresentação final do suplemento nutricional, após ser submetido às operações farmacêuticas. Exemplos: comprimido, cápsula, pó, gel, goma, pastilha, xarope, entre outros. · Na prescrição de suplementos nutricionais deve-se atentar a possibilidade de interação direta ou indireta entre os nutrientes, as quais podem facilitar ou inibir a absorção destes. · O consumo de suplementos nutricionais pode acarretar em efeitos adversos, os quais irão depender do nutriente, dose utilizada e de características próprias do indivíduo. Tais efeitos adversos podem impactar na saúde e qualidade de vida. 104 1 O nutricionista detém respaldo legal para a prescrição de suplementos alimentares desde a Lei nº 8.234 de 1991, a qual regulamenta a profissão. Desde então, o Conselho Federal de Nutricionistas elabora resoluções e pareceres a cerca do tema. A resolução atualmente em vigor, que regulamenta os profissionais para a prescrição de suplementos é a nº 656 de 18 de junho de 2020. De acordo com esta resolução, quais são os suplementos de prescrição pelo nutricionista? 2 Observa-se um interesse cada vez maior da população em relação aos suplementos nutricionais com objetivos relacionados a saudabilidade e estética. Tal fato impulsionou a indústria a desenvolver uma ampla gama de nutrientes para suplementação e também de formas farmacêuticas para sua apresentação, visando atender aos interesses de mercado. Um mesmo nutriente pode atualmente ser apresentado sob a forma de cápsulas, comprimidos, xaropes, entre outros. Dessa forma, quais aspectos devem ser considerados pelo profissional ao escolher a forma farmacêutica do suplemento nutricional prescrito? 3 O receituário é o instrumento por meio do qual o paciente irá adquirir a suplementação prescrita pelo profissional bem como, guiará seu uso após o atendimento nutricional. De acordo com a Resolução do CFN nº 656 de 2020, assinale a alternativa que corresponde aos itens que devem OBRIGATORIAMENTE constar na prescrição de um suplemento nutricional: a) ( ) Nome do paciente/cliente/usuário; via e composição dos suplementos alimentares; data de prescrição; assinatura, carimbo com nome e número de seu registro no Conselho, telefone e endereço completo ou outro meio de contato profissional. b) ( ) Nome do paciente/cliente/usuário; composição e posologia dos suplementos alimentares; data de prescrição; assinatura, carimbo com nome e número de seu registro no Conselho, telefone e endereço completo ou outro meio de contato profissional. c) ( ) Nome do paciente/cliente/usuário; via, composição e posologia dos suplementos alimentares; data de prescrição; assinatura, carimbo com nome e número de seu registro no Conselho, telefone e endereço completo ou outro meio de contato profissional. d) ( ) Nome do paciente/cliente/usuário; via, composição e posologia dos suplementos alimentares; assinatura, carimbo com nome e número de seu registro no Conselho, telefone e Instagram profissional. AUTOATIVIDADE 105 4 Ao elaborar a prescrição de uma formulação, o profissional Nutricionista deve atentar-se para o risco de interação entre os nutrientes. Quando são prescritos nutrientes inibidores em um mesmo composto, pode haver prejuízo na sua biodisponibilidade. Assinale abaixo a alternativa que corresponde a nutrientes que não devem ser prescritos em associação de forma simples por serem inibidores da absorção um do outro: a) ( ) Cálcio e Vitamina D. b) ( ) Ferro e Vitamina C. c) ( ) Ferro e Vitamina E. d) ( ) Zinco e Ferro. 5 Efeitos adversos do uso de suplementos podem surgir em virtude de diversos fatores, incluindo a segurança, a composição do produto e padrões inadequados de uso pelos consumidores ou prescritores. A respeito da prescrição de suplementos nutricionais e seus efeitos adversos, analise as assertivas a seguir:I- A alta ingestão de suplementos proteicos pode gerar sobrecarga renal, cálculos renais, gota, dores abdominais, desidratação, redução da densidade óssea e aumento de acne. II- Embora o Nutricionista tenha habilitação para prescrever efedrina, deve atentar-se ao risco de efeitos adversos tais como insônia, sudorese, aumento da temperatura corporal, náuseas, agitação, dor de cabeça e arritmia. III- O consumo crônico de doses muito altas de Vitamina D podem gerar hipercalcemia, a qual pode associar-se com diarreia, constipação, náuseas, vômitos e até mesmo calcificação arterial. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 106 107 SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NOS CICLOS DA VIDA 1 INTRODUÇÃO Caro Acadêmico(a), conforme vimos no tópico anterior, a suplementação nutricional é uma estratégia que o Nutricionista pode utilizar para complementar as necessidades nutricionais do paciente, conforme avalie ser necessário. Sendo assim, neste tópico, iremos estudar a suplementação nutricional específica para cada uma das fases do ciclo da vida. Você já aprendeu na disciplina de Planejamento Alimentar nos Ciclos da Vida, que homens e mulheres, em cada fase da vida, apresentam necessidades nutricionais características não é mesmo?! Nesta disciplina você irá aprender como utilizar os suplementos nutricionais para complementar essas necessidades, quando a dieta por si só não for suficiente. Sendo assim, no Tópico 2 estudaremos os suplementos nutricionais mais utilizados na gestação e lactação, infância e adolescência, para adultos e idosos. Você lembra que dispomos de Diretrizes e Protocolos do Ministério da Saúde e de outros órgãos representativos de classe, tais como a Sociedade Brasileira de Pediatria, que norteiam a prescrição de suplementos? Iremos utilizá-los também para embasar nossas condutas neste tópico. 2 GESTAÇÃO A nutrição materna tem grande impacto não só na saúde da própria mãe como também no desenvolvimento da prole. Durante a gestação se faz necessário o aumento na recomendação da maioria dos nutrientes em virtude dos ajustes fisiológicos relacionados ao rápido crescimento tecidual e desenvolvimento do feto (VASCONCELOS, 2011). No primeiro trimestre gestacional, a saúde do embrião depende em grande parte da condição nutricional pré-gestacional da mãe, no que tange às suas reservas energéticas, de vitaminas, minerais e oligoelementos. Já no segundo e terceiro trimestre gestacional, a ingestão atual de energia e micronutrientes ganham maior relevância (VITOLO, 2008). Dessa forma, a assistência nutricional, com foco na dieta materna se faz fundamental desde o momento que a gestação começa a ser planejada. UNIDADE 2 TÓPICO 2 - 108 Deve-se considerar que, neste período as necessidades nutricionais maternas estão aumentadas, com o intuito de promover o crescimento e desenvolvimento do feto. Em contrapartida, sintomas característicos das alterações hormonais e estruturais decorrentes da gestação, tais como, náuseas, vômitos, pirose, saciedade precoce e constipação (VASCONCELOS, 2011), podem prejudicar o consumo alimentar materno. Tendo em vista a importância da nutrição materna para a saúde do binômio mãe- bebê, no intuito de adequar o consumo alimentar da gestante às suas necessidades nutricionais, alguns suplementos nutricionais são indicados de forma rotineira e outros de acordo com avaliação individual do caso, conforme veremos a seguir. As necessidades de ferro e ácido fólico durante a gestação são muito elevadas, colocando a gestante risco de desenvolver anemia e o bebê de nascer com baixo peso. Por isso, desde 2005, o Ministério da Saúde recomenda, por meio do Programa Nacional de Suplementação de Ferro, a adoção de medidas complementares ao estímulo à alimentação saudável, com o intuito de oferecer ferro adicional de forma preventiva. Entre as medidas adotadas estão a suplementação profilática com 40mg de ferro elementar e 400mcg de ácido fólico. Ressalta-se que a suplementação com ácido fólico deve ser iniciada pelo menos 30 dias antes da concepção e mantida durante toda a gestação. Já o ferro deve ser prescrito às gestantes ao iniciarem o pré-natal, sendo mantido até o terceiro mês pós-parto (BRASIL, 2013a). Apesar de normalmente ser o suplemento de escolha em virtude do seu baixo custo, o sulfato ferroso possui como limitantes as intercorrências gastrointestinais (vômitos, diarreia, constipação intestinal, fezes escuras e cólicas) (BRASIL, 2013a). Em virtude destes efeitos adversos e da biodisponibilidade, sempre que financeiramente viável, é preferível a prescrição de ferro quelado (SOUZA, 2021). Os ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa, especialmente o ômega-3, fonte de ácido docosahexaenoico (DHA) e o ômega-6, fonte de ácido araquidônico (ARA), são muito importantes durante a gestação. Seu transporte é realizado via placenta, sendo depositado no córtex cerebral e retina do feto. A suplementação de DHA previne o parto prematuro e ajuda no desenvolvimento visual e cognitivo do feto. Tendo em vista que a dieta da população brasileira é deficiente em DHA, pela dificuldade de acesso aos alimentos fontes (peixes de água fria), a suplementação nutricional com 200 a 600mg/ dia de DHA é indicada (WEFFORT; LAMOUNIER, 2017). A Vitamina A possui especial relevância em períodos de rápida diferenciação celular, tais como a gestação. O consumo deficiente ou excessivo de Vitamina A neste período pode acarretar em defeitos congênitos cerebrais, oculares, auditivos e dos aparelhos geniturinário e cardiovascular. Deve-se ter atenção em caso de suplementação de Vitamina A pois doses a partir de 8.500mcg/dia, equivalente a 25.000UI apresenta potencial teratogênico (VASCONCELOS, 2011; DAL BOSCO, 2015). Doses em torno de 800mcg/dia são consideradas usuais para gestantes (SOUZA, 2021). 109 O Selênio é um mineral de importância para a regulação e desenvolvimento do bebê, sendo que sua deficiência está associada a aborto e parto prematuro (VASCONCELOS, 2011). Uma vez que as necessidades nutricionais deste mineral podem ser atendidas através do consumo de uma pequena quantidade de Castanha-do-Brasil, por exemplo, (SOUZA, 2021) deve-se analisar a dieta da gestante a fim de verificar se há necessidade de suplementação. Caso observe-se necessidade de suplementar, o profissional Nutricionista deve atentar aos limites da UL, cujo valor é 400cmg/dia, pois altas doses podem apresentar efeitos tóxicos para o desenvolvimento intrauterino (VASCONCELOS, 2011). A deficiência de zinco pode comprometer o desenvolvimento físico e intelectual, devendo ser rigorosamente considerada em situações de crescimento rápido, tal qual a gestação. Sua deficiência pode acarretar malformações congênitas e defeitos de formação do tubo neural (VITOLO, 2008; VASCONCELOS, 2011). Deve-se considerar que a ingestão dietética recomendada (RDA) de Zinco para gestantes varia entre 11 e 12mg conforme a faixa etária, sendo a UL 40mg/dia (SOUZA, 2021). A suplementação de Zinco pode ser indicada para gestantes tabagistas ou etilistas tendo em vista que estas apresentam concentrações plasmáticas do mineral reduzidas (DAL BOSCO, 2015). Muitos prescritores adotam como conduta padrão de prescrever polivitamínicos industrializados, independentemente de avaliação individual da gestante. Ressalta- se que tal conduta é contra indicada pelo CFN, conforme observamos na Resolução nº 656 de 2020, haja vista a orientação de realização triagem e avaliação nutricional sistematizadas que permitam a identificação de deficiência ou de riscos nutricionais. Há ainda que se considerar a biodisponibilidade dos nutrientes quando ofertados na forma de polivitamínicos, além do seu custo financeiro. Ao elaborar a prescrição do suplemento nutricional, devemosobservar que o setor absortivo da mulher encontra-se modificado durante a gestação, promovendo aumento da permeabilidade intestinal, aumento do número de receptores, redução no trânsito intestinal e sensibilidade gástrica. Dessa forma, é necessário atenção em alguns pontos: • Produtos industrializados normalmente contém corantes sintéticos, parabenos e flavorizantes artificiais, de forma que é melhor optar por suplementos manipulados, em cápsulas transparentes ou coloridas naturalmente. • A gestante apresenta hipocloridria transitória, com consequente redução no processo de ionização dos minerais, redução na liberação do Fator Intrínseco da B12 e maior desconforto ao ingerir comprimidos. Adaptar a posologia (fracionamento maior do que 1x/dia), adequar formas farmacêuticas (pó ou gotas oleosas) e optar por minerais quelados podem ser estratégias válidas (MARQUES; SERPA; TEIXEIRA, 2018). 110 3 LACTAÇÃO A lactação está fisiologicamente sob controle hormonal, principalmente daqueles secretados pela hipófise, cuja produção é influenciada por estímulos externos e emoções maternas. Contudo, sabe-se que a produção do leite constitui um mecanismo complexo, pelo qual fatores nutricionais interagem com as influências estruturais, hormonais e comportamentais (VITOLO, 2008). Na vigência de carências nutricionais ocorrem adaptações no organismo materno visando sustentar a lactação, tais como diminuição do gasto energético tecidual, aumento da absorção intestinal de nutrientes, níveis mais altos de prolactina, maior eficiência enzimática e economia no custo celular para produção e secreção de nutrientes no leite materno. Tais adaptações conseguem manter a concentração dos macronutrientes (gordura, proteína e lactose) embora não sejam capazes de sustentar os níveis de Vitamina A, B1, B12 e C no leite materno. Folato, ferro, vitamina D, cobre e zinco também podem ter seus níveis afetados, a depender dos estoques maternos deste nutriente (VITOLO, 2008). Haja vista a importância da nutrição da lactante, especialmente no tocante aos micronutrientes, para a qualidade do leite produzido bem como para sua própria saúde, se faz necessária a avaliação de seu consumo alimentar. Uma vez observadas carências dietéticas, a suplementação nutricional pode ser utilizada em seu manejo, conforme veremos a seguir. A suplementação de DHA, já iniciada durante a gestação, deve ser mantida na fase de lactação visando a oferta do nutriente via leite materno. As doses recomendadas variam entre 200 e 600mg/dia (WEFFORT; LAMOUNIER, 2017). Da mesma forma, a suplementação profilática de Ferro, na dose de 40mg/dia, deve ser mantida até o terceiro mês após o parto (BRASIL, 2013a). A importância da Vitamina A é aumentada durante a lactação, se comparada ao período gestacional, uma vez que a transferência desta vitamina da mãe para o filho, por meio do leite materno, é muito maior. A suplementação de Vitamina A em doses diárias de no máximo 3.000mcg, ou seja, 10.000UI, é considerada segura e eficaz em casos de carência nutricional (VASCONCELOS, 2011). O Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A, distribui megadoses de 200.000UI para serem ofertadas em dose única às puérperas no pós-parto imediato, antes da alta hospitalar (BRASIL, 2013b). O conteúdo de Vitamina D no leite materno está diretamente relacionado ao estado nutricional materno desta, à ingestão dietética e ao grau de exposição ao sol (VASCONCELOS, 2011). Havendo carência desta vitamina na dieta materna, o Nutricionista deve atentar-se, na prescrição, ao seu limite de UL que é de 4.000UI/d (SOUZA, 2021). 111 A quantidade de zinco presente no leite materno vai reduzindo à medida que o processo de amamentação avança, razão pela qual poderá ser necessária sua suplementação a fim de atingir a RDA, que é superior aos demais ciclos da vida, variando entre 12 e 13mg/d conforme a faixa etária da lactante (GUINÉ; GOMES, 2015). A Sociedade Brasileira de Pediatra recomenda a suplementação de Vitamina B12 na dose 50mcg/dia para mães vegetarianas em lactação. Não há recomendações padronizadas de suplementação nutricional para a lactação no tocante aos demais nutrientes, exceto Vitamina A e Ferro. Sendo assim, cabe ao profissional que presta assistência realizar a avaliação nutricional completa da paciente, considerando sua ingestão nutricional atual e pregressa, exames laboratoriais, além de sinais e sintomas, a fim de identificar carências nutricionais que não possam ser supridas por meio da dieta. 4 INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA As necessidades nutricionais aumentadas de energia, macro e micronutrientes observadas na infância e adolescência refletem as necessidades únicas desta faixa etária em relação ao crescimento e às alterações no desenvolvimento da função orgânica e na composição corporal. Carências e/ou desequilíbrios nutricionais nesta faixa etária podem comprometer o crescimento e desenvolvimento, além de gerar repercussões por toda a vida (VITOLO, 2008; VASCONCELOS, 2011). Seja por baixa aceitação alimentar, seletividade alimentar, inapetência, intolerâncias e alergias alimentares ou mesmo por condições patológicas, o consumo alimentar da criança ou adolescente pode ficar aquém de suas necessidades, sendo necessário que o profissional utilize suplementos nutricionais de forma complementar. Dispomos no mercado atual de uma ampla gama de suplementos hipercalóricos multivitamínicos formulados pela indústria especificamente para crianças e adolescentes. São apresentados na forma farmacêutica de pó, saborizados, para serem consumidos no leite, vitaminas ou sucos. Tais suplementos estão disponíveis em supermercados e farmácias, com slogan que alegam benefício ao desenvolvimento e crescimento infantil, sendo seu consumo sem prescrição profissional frequente. Devemos ter atenção ao uso indiscriminado destes suplementos pois, em sua maioria, contém alta quantidade de açúcar ou seus substitutos (xaropes, glicose, maltodextrina, entre outros), além de corantes e conservantes artificiais, cujo consumo frequente pode apresentar prejuízos à saúde. Apresentamos (Gio Nota) a lista de ingredientes e tabela nutricional de um suplemento, o qual aproximadamente 90% da composição se dá em açúcar. 112 TABELA 3 – TABELA NUTRICIONAL DE SUPLEMENTO HIPERCALÓRICO ACRESCIDO DE VITAMINAS E MINERAIS PARA CRIANÇAS, SABOR CHOCOLATE FONTE: Nestlé (2021?, on-line) Da mesma forma, o profi ssional deve ter cautela na prescrição de polivitamí nicos, pois estes podem conter vitaminas hidro e lipossolú veis em quantidades variá veis, com risco de toxicidade quando ingeridas em altas doses ou por tempo prolongado (SBP, 2021). Ademais, assim como os suplementos hipercalóricos supracitados, muitos dos Lista de ingredientes: Açúcar, maltodextrina, cacau lecitinado, leite em pó desnatado, fosfato de cálcio tribásico, L-ascorbato de sódio, fosfato de magnésio dibásico, acetato de DL-alfa-tocoferila, sulfato de zinco, ferro carbonila, nicotinamida, colecalciferol, palmitato de retinila, sulfato de manganês, gluconato cúprico, D-pantotenato de cálcio, D-biotina, cianocobalamina, cloridrato de tiamina, fi tomenadiona, ribofl avina, cloridrato de piridoxina, ácido N-pteroil-L-glutâmico, iodeto de potássio, cloreto de cromo, molibdato de sódio, selenito de sódio, estabilizante carragena e aromatizantes. NOTA 113 polivitamínicos comercializados para o público infantil são apresentados na forma farmacêutica de xaropes, gomas ou pastilhas, contendo altas doses de açúcares, corantes e conservantes. O aporte adequado de Ferro é uma das maiores preocupações das práticas alimentares nesta faixa etária, em virtude do prejuízo que a anemia nesse período acarreta no crescimento e desenvolvimento intelectual (VITOLO, 2008). O Programa Nacional de Suplementação de Ferro engloba também a suplementação profilática de 1mg de ferro elementar/kgpara todas as crianças de seis meses a dois anos de idade (BRASIL, 2013). Ressalta-se que a suplementação profilática com ferro pode ocasionar o surgimento de efeitos colaterais, tais como vômitos, diarreia e constipação, em função do uso prolongado. Por isso é fundamental que as famílias sejam orientadas quanto à importância da suplementação, bem como sejam informadas sobre a dosagem, periodicidade, efeitos, tempo de intervenção e formas de conservação, para que a adesão seja efetiva, garantindo a continuidade e o impacto positivo na diminuição do risco da deficiência em ferro e de anemia entre crianças (BRASIL, 2013a). As fontes alimentares de Vitamina D em geral não conseguem suprir as necessidades, sendo a exposição solar a principal fonte. Contudo é comum que crianças não sejam expostas ao sol suficientemente, aumentando o risco de deficiência. Para garantir o aporte adequado, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a suplementação profilática de Vitamina D na dose de 400UI/dia a partir da primeira semana de vida até o primeiro ano de idade, e de 600UI/d para crianças de um até os dois anos de idade (SBP, 2021). Doses diárias de Vitamina D acima de 1.000UI podem causar toxicidade (WEFFORT; LAMOUNIER, 2017). A deficiência de vitamina A é considerada um problema de saúde pública moderada no Brasil pois afeta entre 10% e 20% da população, sobretudo na região Nordeste e em alguns locais das regiões Sudeste e Norte. Evidências acerca do impacto da suplementação com Vitamina A em crianças de 6 a 59 meses de idade apontam uma redução do risco global de morte em 24%, de mortalidade por diarreia em 28% e de mortalidade por todas as causas, em crianças HIV positivo, em 45%. Com isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a suplementação profilática de Vitamina A para prevenir a carência, a xeroftalmia e a cegueira de origem nutricional em crianças de 6 a 59 meses (OMS, 2011). Por isso, o Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A, recomenda: a suplementação com dose única de 100.000UI para crianças de 6 a 11 meses de idade; e uma dose semestral de 200.000UI para crianças de 12 a 59 meses de idade (BRASIL, 2013b). A Sociedade Brasileira de Pediatra reforça a importância de identificar as crianças em risco para deficiência de vitamina A por meio da anamnese alimentar, e as que não recebem outro suplemento vitamínico com esta vitamina associada, para não causar hipervitaminose (SBP, 2021). 114 A deficiência da Vitamina C leva ao quadro clínico do escorbuto e ocorre geralmente associada à desnutrição proteico-energética, ao uso de dietas exóticas e a pessoas em condições de cuidados precários. O escorbuto é mais frequente em crianças entre 6 meses e 2 anos de idade. O tratamento se baseia na suplementação de ácido ascórbico, na dose de 300 a 500 mg, fracionada em 2 a 3 vezes ao dia, até a cura radiológica que acontece, em geral, após 3 a 4 semanas (WEFFORT; LAMOUNIER, 2017). Especial atenção deve ser dada a avaliação de possíveis carências nutricionais na dieta de crianças veganos ou vegetarias. A necessidade de suplementação de ácidos graxos essenciais, ferro, zinco, cálcio e Vitaminas B12 e D precisa ser analisada. Recomenda-se a suplementação de Vitamina B12 na dose de 5mcg/dia para crianças em aleitamento materno e a avaliação criteriosa do aporte de Ferro e Zinco, para suplementação nutricional conforme necessidade (SBP, 2021). A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que quando a suplementação nutricional for necessária, esta deve ser criteriosa, levando em consideração as RDAs para cada faixa etária e as diversas preparações comerciais (SBP, 2021). Na tabela a seguir estão apresentadas a dose diária recomendada nos casos de suplementação: TABELA 4 – DOSE DIÁRIA RECOMENDADA NOS CASOS DE SUPLEMENTAÇÃO FONTE: SBP (2021, on-line) 115 5 ADULTOS Um padrão alimentar saudável, baseado em alimentos in natura e minimamente processados, com porcionamento e fracionamento adequados, é capaz de suprir as necessidades nutricionais de adultos saudáveis. Contudo, em situações nas quais os requerimentos estejam aumentados – por exemplo na prática esportiva ou rotina de atividades diárias mais extenuantes – ou já existam deficiências nutricionais, a prescrição de suplementos pode se fazer necessária e deve ser avaliada individualmente. Entre adultos praticantes de atividades físicas é frequente o uso de suplementos proteícos, aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA do inglês Branched Chain Amino Acids), Creatina, Cafeína, Ômega-3 e módulos de carboidratos (palatinos e maltodextrina, por exepmplo) e hipercalóricos. As proteínas do soro do leite, conhecidas comercialmente como Whey Protein, encontradas sob a forma de pó, são os suplementos de primeira escolha para desportistas com objetivos de ganha de massa muscular e aumento de resistência física. Já a Creatina é utilizada com vistas a melhora de desempenho (SILVA, 2021). A indicação, dose e posologia na prescrição de destes suplementos deve ser individualizada, conforme as necessidades nutricionais e características clínicas do paciente. Há de se considerar que, a Creatina, o Whey Protein, os módulos de carboidratos e os suplementos hipercalóricos usualmente são acrescidos de grande quantidade de adoçantes, flavorizantes e edulcorantes sintéticos, os quais podem ser prejudiciais à saúde. Por isso é importante que o profissional conheça a composição dos produtos industrializados para melhor orientar o paciente na aquisição. A recomendação de fibras para um adulto é de no mínimo 25g/dia, aporte facilmente atingível por meio de frutas, verduras e cereais na dieta. Contudo aproximadamente 1/4 da população brasileira apresenta consumo ausente ou irregular de fibras, sendo que o uso de suplementos de fibras se faz necessário em até 30% dos casos (PASSOS; TAKEMOTO; GUEDES, 2020). Em caso de suplementação nutricional, o profissional deve avaliar individualmente qual tipo de fibra será prescrito (fibras solúveis, insolúveis ou mix e sua fonte), dose (considerando o que já é consumido na dieta) e a posologia. Com os avanços da indústria, atualmente já é possível encontrar uma variedade de suplementos de fibras: com ou sem sabor; em diversas formas farmacêuticas (pó, shake, geleia); e adicionados de cepas probióticas, colágeno e/ou vitaminas e minerais. Por fim, apresentamos na tabela a seguir, a recomendação de suplementação para casos de carências. Deve-se levar em consideração que esta tabela apresenta as doses usualmente recomendadas de acordo com estudos científicos, porém, deve-se sempre considerar a quantidade do nutriente que o indivíduo já consome por meio da dieta. 116 TABELA 5 – QUANTIDADE DO NUTRIENTE Nutriente Dose usual Vitamina A 2.000 a 9.000UI/d Vitamina D 2.000 a 4.000UI/d Vitamina E 100 a 300mg/d Vitamina K 100 a 200mcg/d Vitamina B1 2x 15mg/d Vitamina B2 2x 10mg/d Vitamina B3 2x 15mg/d Vitamina B5 2x 40mg/d Vitamina B6 2x 25mg/d Vitamina B9 2x 150mcg/d Vitamina B12 2x 25mcg/d * 400 a 1000mcg/d se deficiência Vitamina B7 2x 400mcg/d Vitamina C 2x 150mg/d Cálcio 2x 300mg/d Magnésio 2x 100 a 150mg/d Zinco 2x 10mg/d Cobre 2x 450mcg/d Ferro Homens: 2x 10mg/d Mulheres: 2x 15mg/d Manganês 2x 2mg/d Selênio 2x 40mcg/d Cromo 2x 100mcg/d FONTE: Adaptado de Souza (2021) 6 IDOSOS O envelhecimento é um processo contínuo no qual ocorre um declínio progressivo de todos os processos fisiológicos, além de modificações psicológicas e sociais (DAL BOSCO, 2015; PUJOL, 2019). Entre essas alterações, de importância para a Nutrição, destacam-se: 117 • Diminuição dos botões gustativos, com alteração de paladar. • Redução do olfato e visão. • Diminuição da secreção de saliva com prejuízos na mastigação e deglutição. • Acloridria com consequente redução na absorção de nutrientes, especialmente Vitamina B12. • Dentição ausente ou incompleta, com impacto na mastigação. •Redução da motilidade intestinal com consequente constipação (DAL BOSCO, 2015). As alterações supracitadas impactam negativamente no consumo alimentar, digestão e/ou absorção dos nutrientes, favorecendo o aparecimento de carências de vitaminas e minerais. Por isso, os suplementos nutricionais confi guram como uma alternativa saudável para suprir essas necessidades, não apenas para que os idosos vivam mais, mas principalmente para que vivam melhor (PUJOL, 2019). Assim como para a população pediátrica, a indústria desenvolveu suplemento hipercalóricos e/ou hiperproteícos polivitamínicos para serem usados de forma complementar na dieta do idoso. Tais suplementos apresentam-se na forma de pó ou líquido pronto para consumo, com ou sem sabor. As versões em pó podem consumidas diluídas em sucos, chás, vitaminas, mingaus e até mesmo em sopas. Podem ser indicados para indivíduos que apresentam consumo de macro e micronutrientes abaixo de suas necessidades nutricionais. A seguir, apresentamos (Gio Nota), como exemplo, a lista de ingredientes e tabela nutricional do líder de mercado neste segmento. Leite em pó desnatado, maltodextrina, proteína isolada do soro do leite de vaca, caseinato de cálcio obtido do leite de vaca, gordura láctea, frutooligossacarídeos, inulina, minerais ( citrato de cálcio, carbonato de magnésio, sulfato ferroso, sulfato de zinco, fosfato de cálcio, sulfato de manganês, sulfato de cobre e selenato de sódio), vitaminas (vitamina C, bitartarato de colina, vitamina E, inositol, vitamina D, vitamina A, niacina, pantotenato de cálcio, vitamina B1, vitamina B6, vitamina K, Vitamina B2, ácido fólico, vitamina B2 e biotina) e emulsifi cante lecitina de soja. NOTA 118 TABELA 6 – TABELA NUTRICIONAL DE SUPLEMENTO HIPERCALÓRICO E HIPERPROTEÍCO ACRESCIDO DE VITAMINAS E MINERAIS PARA IDOSOS, SEM SABOR FONTE: Nestlé (2021?, on-line) No manejo da constipação do paciente idoso, a suplementação de probióticos, prebióticos e simbióticos produzem efeito benéfico. Embora não haja consenso entre recomendações de quantidade e tempo de suplementação (FERNANDES; RODRIGUES; SOUZA, 2021). A acloridria no idoso pode reduzir a biodisponibilidade do cálcio dos alimentos. Sendo o cálcio um elemento fundamental na prevenção da osteoporose, deve-se ter especial atenção a ele nesta faixa etária (VITOLO, 2008). Contudo deve-se avaliar o aporte de cálcio da dieta, que na maioria dos casos é capaz de suprir as necessidades do idoso (1.000 a 1.200mg/d), suplementando somente se necessário (SOUZA, 2021). 119 Tanto a acloridria orgânica por si só, quanto o uso crônico de medicamentos inibidores da bomba de prótons (omeprazol, esomeprazol, lansoprazol, pantoprazol, rabeprazol e dexlansoprazol) colocam os idosos como grupo de risco carência de Vitamina B12 (DAL BOSCO, 2015; SOUZA, 2021). A suplementação de Vitamina B12 deve ser feita com base nos exames bioquímicos do paciente, sendo que sua utilização na forma de comprimido sublingual pode ser uma alternativa de melhor absorção (SOUZA, 2021). A sarcopenia, caracterizada pela perda de massa magra, é uma alteração extremamente prevalente em idosos que pode ser manejada por meio da suplementação nutricional. A suplementação de creatina, em doses de até 5g/d, pode ser benéfica para o ganho de massa magra e, ganho de função, desempenho e qualidade de vida. A suplementação diária de proteínas, por meio de Colágeno ou Whey protein, em doses de 15 a 20g, bem como a de 1g de Ômega-3, podem ser benéficas visando aumento da força muscular e função física de idosos (PERUCHI, 2017). Idosos com queixas de empachamento, má digestão e desconforto pós-prandial podem beneficiar-se da suplementação de enzimas digestivas antes das principais refeições. As enzimas digestivas são classificadas de acordo com o tipo de alimento no qual atuam, sendo as mais comuns: as proteases, lipases, amilases e nucleares (SOUZA, 2021). As enzimas digestivas ,podem ser encontradas em suplementos industrializados ou manipuladas em farmácias magistrais. Contudo ainda são necessários mais estudos para comprovar sua eficácia na dietoterapia do paciente idoso. Não esqueça que a Nutrição, assim como as demais ciências da saúde, não é uma ciência fixa, sendo que novos conhecimentos surgem todos os dias. Por isso, é fundamental que você, acadêmico, mantenha-se constantemente atualizado através da leitura de novos livros e artigos científicos que versem sobre suplementos nutricionais. ATENÇÃO 120 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: · As necessidades nutricionais maternas estão aumentadas durante a gestação e sintomas gastrointestinais característicos (náuseas, vômitos, pirose, saciedade precoce e constipação), podem prejudicar o consumo alimentar materno levando a necessidade de suplementar um ou mais nutrientes. · Toda gestante, deve receber, de maneira profilática, suplementação com 40mg de ferro elementar e 400mcg de ácido fólico. · A exceção da Vitamina A e Ferro, não há recomendações padronizadas de suplementação nutricional para a lactação no tocante aos demais nutrientes. Sendo assim o Nutricionista deve realizar a avaliação nutricional completa da paciente a fim de identificar carências nutricionais que não possam ser supridas por meio da dieta. · Deve-se atentar ao consumo suplementos hipercalóricos multivitamínicos e xaropes polivitamínicos entre crianças e adolescentes, pois, embora abranjam uma ampla gama de vitaminas e minerais, são, em sua maioria, compostos por grandes quantidades de açúcares, flavorizantes, aromatizantes e/ou corantes artificiais. · Avaliar possíveis carências nutricionais na dieta de crianças veganos ou vegetarias, principalmente em relação a necessidade de suplementação de ácidos graxos essenciais, ferro, zinco, cálcio e Vitaminas B12 e D. · Um padrão alimentar saudável é capaz de suprir as necessidades nutricionais de um adulto. Contudo, em situações nas quais os requerimentos estejam aumentados – por exemplo na prática esportiva ou rotina de atividades diárias mais extenuantes – ou já existam deficiências nutricionais, a prescrição de suplementos pode se fazer necessária e deve ser individualmente analisada. · Visando o manejo dietoterápico da sarcopenia do paciente idoso, suplementos de proteínas, Creatina e Ômega-3 podem apresentar resultados benéficos. 121 1 Condições clínicas, psicológicas e até mesmo sociais podem acarretar em redução do consumo alimentar na infância e adolescência. Por ser uma fase do ciclo da vida onde a demanda por nutrientes é aumentada, pode ser necessário o consumo de suplementos nutricionais a fim de evitar prejuízos no crescimento e desenvolvimento. Nesse contexto, dispomos de suplementos nutricionais hipercalóricos acrescidos de vitaminas e minerais e xaropes polivitamínicos desenvolvidos pela indústria especificamente para o público infantojuvenil. Disserte a cerca das características destes suplementos. 2 “Com o envelhecimento, há uma série de modificações fisiológicas em todo o organismo. Na musculatura esquelética, há uma mudança no padrão de fibras rápidas para fibras lentas, levando a uma perda de massa, força e qualidade muscular, o que faz com que, conforme o indivíduo envelheça, fique mais fraco e mais lento. Esta perda de massa e força muscular gera no idoso uma diminuição da mobilidade, aumento da incapacidade funcional e de sua dependência nas atividades, podendo levar até mesmo a consequências mais graves como quedas e fraturas. A este processo denominamos sarcopenia” (YANAGA, 2020). Disserte sobre os suplementos nutricionais que podem ser utilizados no manejo da sarcopenia do idoso. 3 A suplementação de ferro e ácido fólico durante a gestação é recomendada como parte do cuidado no pré-natal para reduzir o risco de baixo peso ao nascer da criança, anemia e deficiência de ferro na gestante. No Brasil, são desenvolvidas ações de suplementaçãoprofilática com sulfato ferroso desde 2005, através do Programa Nacional de Suplementação de Ferro (PNSF). Acerca da suplementação nutricional de gestantes, de acordo com o PNSF, assinale a alternativa correta: a) ( ) Suplementação de gestantes com diagnóstico de anemia com 40mg de ferro elementar por dia. b) ( ) Suplementação de gestantes com diagnóstico de anemia com doses diárias de 80mg de ferro elementar e 150mg de Vitamina C. c) ( ) Suplementação profilática diária com 40mg de ferro elementar e 400mcg de ácido fólico. d) ( ) Suplementação profilática diária com 80mg de ferro elementar, 400mcg de ácido fólico e 150mg de Vitamina C. 4 Quando a lactante apresenta carências nutricionais, ocorrem adaptações no seu organismo visando a manutenção da lactação, as quais conseguem manter a concentração dos macronutrientes principais contudo, alguns micronutrientes podem ter seus níveis afetados. Em relação a avaliação e manejo de carências de micronutrientes na lactação, analise as assertivas abaixo: AUTOATIVIDADE 122 I- O conteúdo de Vitamina D no leite materno está diretamente relacionado ao estado nutricional materno desta, sendo que, quando há necessidade de suplementar esta vitamina, o Nutricionista não pode prescrever doses acima de 4.000UI/d II- A suplementação de Ferro deve ser mantida, de maneira profilática, até o 3º mês após o parto, na dose de 40mg/dia. III- Não se recomenda suplementação de DHA na lactação haja vista os altos estoques maternos deste nutriente em consequência de sua suplementação durante a gestação. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 5 Uma dieta nutricionalmente equilibrada, com fontes alimentares variadas, baseada em alimentos in natura e minimamente processados, é capaz de atender as necessidades nutricionais da maioria dos indivíduos adultos saudáveis. Contudo, características individuais que elevem os requerimentos nutricionais ou mesmo deficiências nutricionais pré existentes podem tornar a prescrição de suplementos necessária. Considerando as doses usualmente recomendadas para o manejo de carências nutricionais no adulto, assinale a alternativa correta: a) ( ) A suplementação de Ferro é diferenciada entre os gêneros, sendo a dose usual recomendado de 2x 10mg/d para mulheres e 2x 15mg/d para homens. b) ( ) No tratamento da deficiência de Vitamina B12, recomenda-se a dose de 25mcg/d. c) ( ) A dose usual recomendada de Zinco é de 30mg/d. d) ( ) Caso seja necessário suplementar, a dose usual recomendada de Vitamina D é de 2.000 a 4.000UI/d. 123 TÓPICO 3 - SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NAS DIVERSAS SITUAÇÕES CLÍNICAS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Caro Acadêmico(a), chegamos ao último tópico da Unidade 2 da Disciplina de Temas Contemporâneos em Nutrição! Até aqui, você já aprendeu os fundamentos da suplementação nutricional e sua aplicação nos diversos ciclos da vida e para dar continuidade ao seu estudo, neste tópico iremos aprender como aplicar a suplementação nutricional nas doenças crônicas não trasmissíveis. As doenças crônicas não trasmissíveis (DCNT) representam um problema de saúde pública no Brasil, dada sua magnitude, morbi mortalidade e impacto econômico. A dietoterapia vêm ganhando cada vez mais espaço no tratamento não medicamentoso das DCNT, dada sua importância tanto na gênese quanto no controle destas. Pesquisas recentes demonstram que alguns nutrientes e compostos bioativos apresentam benefícios no manejo dietoterápico das DCNT. Cabe destacar que os suplementos por si não são suficientes, devendo estar inseridos em um padrão alimentar adequado, que respeite as diretrizes dietoterápicas estabelecidas para a doença. Devemos também ter cautela com as promessas milagrosas veiculadas acerca de alguns suplementos, buscando sempre embasamento científico para a prescrição. Acadêmico, neste Tópico 3 abordaremos os suplementos nutricionais que apresentam potenciais benefícios para as principais DCNT, sendo elas, obesidade, dislipidemias, hipertensão e câncer. 2 SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NA OBESIDADE A obesidade é um processo caracterizado pelo acúmulo de gordura corporal que afeta negativamente todos os sistemas do organismo e aumenta o risco de doenças crônicas não transmissíveis, como doenças cardiovasculares, distúrbio respiratórios, diabetes, osteoartrite e diversos tipos de cânceres (OLIVEIRA; SILVA, 2018; PUJOL 2019). O tratamento da obesidade é multifatorial sendo que, a abordagem nutricional exerce um papel de destaque (OLIVEIRA; SILVA, 2018). 124 Diversas estratégias, intervenções e terapias podem ser utilizadas no manejo nutricional do paciente obeso. Uma dessas estratégias é o uso de suplementos nutricionais com o objetivo de tratar e prevenir casos de obesidade, bem como reduzir o impacto das alterações metabólicas inerentes à patologia. A seguir, veremos nutrientes e compostos bioativos que vêm sendo estudados no manejo da obesidade. O Cálcio têm sido estudado por seu possível efeito antiobesidade. Um dos possíveis mecanismos propostos para explicar o efeito do cálcio na perda de peso é que durante o processo digestivo, este mineral se ligue aos lipídios da dieta formando compostos insolúveis no intestino e é excretado pelas fezes. Parece também que Cálcio promove maior saciedade a curto prazo através da ação da insulina no hipotálamo, que estimula a produção de hormônios sacietogênicos, além de atuar na supressão do armazenamento de gordura enquanto estimula sua degradação (PUJOL, 2019). A deficiência de Vitamina D é um achado frequente entre indivíduos obesos. Pacientes obesos tendem a apresentar uma resposta inferior frente à suplementação de Vitamina D, se comparados aos eutróficos. Por tanto, visando a manutenção de níveis de Vitamina D plasmática acima de 30ng/ml, recomenda-se a suplementação de 1.600 a 4.000UI de Vitamina D (BASSATNE, 2019). A obesidade provoca geração excessiva de espécies reativas de oxigênio (EROs) em decorrência do excesso de tecido adiposo. Sendo o cobre um componente das enzimas antioxidantes que atuam na proteção do organismo contra a ação dos radicais livres, seu consumo é fundamental na obesidade. Além disso, atua como um importante modificador do metabolismo lipídico corporal, pois os adipócitos requerem cobre para estabelecer um equilíbrio entre os principais combustíveis metabólicos. Na deficiência de Cobre, ocorre uma alteração metabólica para vias dependentes de lipídios, o que resulta em hipertrofia de adipócitos e acúmulo de gordura (PUJOL, 2019). A dosagem usualmente prescrita deste nutriente varia entre 450 a 1.000mcg 2x/d (SOUZA, 2021). O cromo é um oligoelemento conhecido por sua ação na modulação do estresse oxidativo e da inflamação e por seu papel essencial no metabolismo de carboidratos, potencializando a ação da insulina. Em função de suas ações, demonstra-se como uma opção interessante no tratamento da obesidade, com resultados na melhora da sensibilidade à insulina no aumento da massa magra, na diminuição da gordura corporal e no controle da saciedade. A dose usualmente prescrita de Cromo é 200mcg/d (PUJOL, 2019; SOUZA, 2021). Assim como o cromo e o cobre, o magnésio também está envolvido no metabolismo energético e modulação da secreção e a ação da insulina nos tecidos-alvo. Sua deficiência colabora para o desenvolvimento do estresse oxidativo em indivíduos obesos e parece estar associada à hiperglicemia, hiperinsulinemia e resistência à insulina (PUJOL, 2019; SOUZA, 2021). 125 O resveratrol possui propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, com ação na resistência à insulina e estímulo mitocondrial, razão pela qual tem sido estudado para o manejo da obesidade (SOUZA, 2021). Um estudo de revisão sistemática com meta- análise de 36 artigos observouque a suplementação de resveratrol se mostrou efetiva na redução de peso, índice de massa corporal (IMC), circunferência da cintura e gordura corporal, além de promover aumento de massa magra. O protocolo de suplementação utilizado nestes estudos variou amplamente – de 8 a 3.000mg/d, por um período de uma até 48 semanas. Contudo, os melhores resultados de perda de peso parecem ser observados em doses de até 200mg/d por 17 ou mais semanas (TRABIZI, 2020). O ácido lipóico ou alfa-lipoico é produzido em pequenas quantidades no corpo humano. Desempenha papel no metabolismo energético, além de ações anti- inflamatória e antioxidante. Tendo em vista que, no geral, a produção endógena de ácido lipóico é baixa e as fontes alimentares apresentam baixa biodisponibilidade, a suplementação pode ser necessária. De fato, a suplementação em doses de 800 a 1.800mg/dia de ácido lipóico parece ser efetiva para a perda de peso, redução do IMC e de marcadores inflamatórios em indivíduos obesos (ABDALI; SAMSON; GROVER, 2015). A suplementação de cafeína, muito utilizada no esporte, pode ter aplicação voltada também a obesidade. A cafeína estimula a lipólise por inibir a fosfodiesterase e aumentar catecolaminas. Além disso, o consumo de cafeína promove resposta estimulante, termogênica, sacietogênica e de diminuição da fome, contribuindo para a perda de peso e de gordura corporal (PUJOL, 2019; SOUZA, 2021). A dosagem usualmente prescrita de cafeína varia de 3 a 6mg/kg/dia (SOUZA, 2021). Evidências recentes afirmam que a microbiota intestinal também é um fator contribuinte para o desenvolvimento da obesidade, uma vez que esta é capaz de modular o metabolismo do hospedeiro afetando não apenas o balanço energético, mas também a inflamação sistêmica crônica de baixo grau e a função da barreira intestinal. A suplementação de probióticos parece alterar a microbiota intestinal, diminuindo a permeabilidade intestinal, inflamação e distúrbios metabólicos, criando um ambiente promissor para a perda de peso. Embora não haja consenso em relação as cepas e doses, estudos demonstram efeitos positivos para a suplementação isolada ou em combinação das seguintes cepas: Lactobacillus acidophilus, Lactobacillus gasseri, Lactobacillus rhamnosu, Lactobacillus casei, Lactococcus lactis, Bifidobacterium bifidum, Bifidobacterium lactis, Lactobacillus curvatus e Lactobacillus plantarum. As doses suplementadas variam de 106 a 1010 Unidades Formadoras de Colônia (UFC) (MARQUES, 2020). As recomendações nutricionais clássicas para o manejo da obesidade baseiam- se em restrição calórica. Tendo em vista que em dietas hipocalóricas pode haver insuficiência de alguns micronutrientes é importante que o profissional Nutricionista fique atento a necessidade fornece-los via suplementação, minimizando o risco de deficiências nutricionais. 126 3 SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NO DIABETES TIPO II A suplementação nutricional de micronutrientes e compostos bioativos surge como uma estratégia complementar ao tratamento medicamentoso, já bem consolidados na literatura, para pacientes com diabetes tipo 2 (DM2). O intuito da utilização dos suplementos é que estes auxiliem a melhorar os parâmetros clínicos e metabólicos do paciente, além de auxiliar na prevenção e manejo das complicações decorrentes do diabetes descompensado. Assim como no tocante à obesidade, estudos recentes tem apontado associações entre a microbiota intestinal e a diabetes tipo 2 (DM2). Uma vez que a microbiota tem o papel de manter a integridade da barreira intestinal, levando à normalidade da homeostase metabólica, sua modificação através do uso de probióticos pode contribuir para o tratamento da DM2. A suplementação de probióticos em indivíduos diabéticos auxilia na redução da glicemia de jejum, da hemoglobina glicada, da frutosamina e da resistência à insulina, e na melhora do perfil lipídico, diminuindo os níveis séricos de colesterol total e de LDL-C e aumentando o de HDL-C . As cepas envolvidas na suplementação são: Lactobacillus acidophilus, Lactobacillus helveticus, Lactobacillus rhamnosu, Bifidobacterium lactis. As doses suplementadas variam de 106 a 109 Unidades Formadoras de Colônia (UFC), por períodos de 4 a 12 semanas (BEZERRA, 2016). Pacientes diabéticos tratados com metformina podem apresentar menores níveis de vitamina B12 e ácido fólico e elevados níveis de homocisteína. Esta baixa dos níveis de vitamina B12 se manifesta como neuropatia periférica, disfunção cognitiva e anemia macrocítica. Níveis elevados de homocisteína apresentam potencial prognóstico de doença cardiovascular em pacientes diabéticos, bem como, um determinante de complicações como microalbuminúria e retinopatia diabética. Dessa forma, tem se defendido a suplementação de 300mcg de Vitamina B12 no tratamento de desordens neurológicas, decorrentes do diabetes (PUJOL, 2019). Conforme apontado anteriormente, o cromo apresenta papel no metabolismo de carboidratos e ação da insulina, razão pela qual também pode ser benéfico no manejo da diabetes. Postula-se que o cromo atua aumentando o número de receptores de insulina e na ligação da ao seu sítio de ação. Contudo, estudos sugerem que os pacientes com DM2 apresentam alterações no metabolismo do cromo, devido ao aumento da sua excreção, resultando no desequilíbrio da homeostase glicose/insulina. A suplementação com doses de 200 a 1000μg/dia de cromo pode auxiliar na redução da glicose de jejum, glicose pós-prandial, hemoglobina glicada, triglicerídeos e HDL em pacientes com DM2 (SUKSOMBOON; POOLSUP; YUWANAKORN, 2014; PUJOL, 2019). Baixos níveis de riboflavina podem contribuir para o aumento do estresse oxidativo, particularmente em pacientes diabéticos. A vitamina B2 pode ser um antioxidante potencialmente útil, pois estimula a atividade da síntese de metionina e a reação direta com as Espécies Reativas de Oxigênio, sendo que, através de um efeito poupador de glutationa, modifica as moléculas e diminui o estresse oxidativo. 127 Pacientes diabéticos com baixo nível de vitamina B2 têm níveis significativamente mais elevados de glicemia e inflamação, e muito menor atividade de enzimas antioxidantes do que aqueles com maior nível de vitamina B2. Ou seja, ela desempenha um papel dominante na utilização dos carboidratos, e um menor nível de riboflavina pode causar hiperglicemia, razão pela qual deve-se atentar a necessidade de suplementação caso o paciente apresente carência (PUJOL, 2019). O resveratrol tem sido investigado como um adjuvante no tratamento da DM2 pois, em virtude de seu efeito antioxidante, é capaz de modular fatores-chave envolvidos no estresse oxidativo. A suplementação de resveratrol demonstra melhora da sensibilidade a insulina e redução dos níveis de glicose sanguínea, contudo as doses estudadas ainda variam muito, de 5mg a 1g/dia (LIMA, 2020). O zinco é um dos nutrientes mais importantes do corpo humano pois participa como cofator de mais de 300 enzimas, apresenta atividade antioxidante e funções relacionadas ao metabolismo energético e crescimento. Atua também no controle glicêmico, aumentando a secreção, estabilização e sinalização da insulina. Contudo, é comum que pacientes diabéticos apresentem baixa concentração de zinco nos tecidos, devido à absorção defeituosa e ao aumento da perda, concomitante com o desequilíbrio do metabolismo do zinco. A suplementação de zinco em doses de 10 a 20mg/dia parece auxiliar no melhor controle da glicêmico da DM2 (PUJOL, 2019; SOUZA, 2021). 4 SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NA DISLIPIDEMIA O objetivo dietoterápico nas dislipidemias envolve o controle dos níveis alterados de lípidios e lipoproteínas plasmáticas, redução de peso e aumento do consumo de fibras e gorduras poli e monoinsaturadas (OLIVEIRA; SILVA, 2018). Neste sentido, a suplementação de nutrientes antioxidantes e compostos bioativos vem sendo estudada como uma estratégia auxiliar no manejodas dislipidemias. Os ácidos graxos ômega-3, EPA e DHA, exercem diversos efeitos metabólicos, entre eles redução dos triglicerídeos plasmáticos e da inflamação na parede arterial, que atuam na redução da chance de desenvolvimento de eventos cardiovasculares (DAL BOSCO, 2015; OLIVEIRA; SILVA, 2018; TORRES, 2015). A suplementação de ômega-3 é indicada para pacientes que apresentem: • Hipertrigliceridemia grave (triglicerídeos ≥ 500mg/dl): dose 2 a 4g/d de EPA e DHA. • Hipertrigliceridemia leve a moderada (triglicerídeos entre 150 e 499mg/dL): dose de 1 a 5g/d de EPA e DHA (OLIVEIRA; SILVA, 2018; SOUZA, 2021). O adequado consumo de fibras é fundamental para pacientes com dislipidemia, principalmente fibras solúveis, em virtude de seu efeito benéfico sobre os níveis séricos de colesterol (OLIVEIRA; SILVA, 2018). Este efeito benéfico possivelmente está 128 relacionado a: absorção intestinal do colesterol dietético pela viscosidade natural da fibra solúvel; ao aumento da excreção fecal dos ácidos biliares, levando o fígado a degradar mais colesterol para produzir novos ácidos biliares; a redução das taxas de aumento da insulina pela redução de absorção de carboidratos, retardando, assim a síntese de colesterol; e a produção de ácidos graxos de cadeia curta pela fermentação das fibras solúveis no cólon, o que inibe a síntese de colesterol e aumenta a depuração de LDL (DAL BOSCO, 2015). Recomenda-se a ingestão de 25g/dia, sendo 6g do tipo solúvel (OLIVEIRA; SILVA, 2018). Quando não for possível atingir tal recomendação através da alimentação, deve-se considerar os suplementos de fibras. Os fitoesteróis são substâncias encontradas apenas em alimentos de origem vegetal e desempenham em humanos funções estruturais análogas ao colesterol, por isso, podem ter papel na redução dos níveis de colesterol total e LDL (DAL BOSCO, 2015; PUJOL, 2019). Recomenda-se a ingestão de 2 a 4g/dia de fitoesterois como adjuvante ao tratamento hipolipemiante (TORRES, 2015; DAL BOSCO, 2015). Visto que uma dieta balanceada não é capaz de atingir tal recomendação e que os alimentos fortificados com este composto usualmente são ultraprocessados deletérios a saúde (exemplo: margarina, bebidas lácteas, maionese, molho para salada), a suplementação de fitoesteróis pode ser uma alternativa superior. Os polifenóis ganharam ampla atenção nos últimos anos devido às suas atividades antioxidantes, anti-inflamatórias, imunomoduladoras, as quais podem atuar em benefício de pacientes com dislipidemias. O resveratrol também têm sido estudado na prevenção de doenças cardiovasculares, entre elas a aterosclerose. A suplementação de 150 a 1000mg/dia auxilia na redução do LDL e de triglicerídeos (TORRES, 2015; FELDMAN, 2021). Da mesma forma, a suplementação de catequina, na dose de 220mg/ dia impacta na redução do colesterol total, do LDL e de triglicerídeos, com efeito também no aumento do HDL (FELDMAN, 2021). Observa-se forte associação negativa entre a ingestão dietética de zinco e a incidência de alterações nos parâmetros lipídicos plasmáticos, sendo a sua suplementação potencialmente benéfica. A suplementação de zinco, em doses de 20 a 150mg/dia, impacta na redução do colesterol total, o colesterol LDL e os triglicerídeos, além de elevar os níveis de HDL (RANASINGHE, 2015). 5 SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NA HIPERTENSÃO A dietoterapia já está bem consolidada como parte do tratamento não farmacológico para prevenção e controle da hipertensão arterial sistêmica (HAS). Pauta-se na redução do consumo de sódio e manutenção de um peso saudável ou redução de peso quando necessário (DAL BOSCO, 2015). Estudos recentes apontam que a suplementação de alguns micronutrientes e compostos bioativos pode auxiliar no controle pressórico, conforme veremos a seguir. 129 Depois do sódio, o potássio é o mineral mais importante na modulação da pressão arterial. O potássio induz queda da pressão arterial através do aumento da natriurese, diminuição da secreção de renina e norepinefrina e aumento da secreção de prostaglandinas. Recomenda-se a ingestão de 4,7g de potássio ao dia (DAL BOSCO, 2015; BORGHI; CICERO, 2017). A suplementação deste micronutriente tem mostrado promover redução modesta na pressão arterial em indivíduos hipertensos (TORRES, 2015), devendo ser considerado em conjunto com a dieta. A suplementação de EPA e DHA em doses acima de 2g/dia parece reduzir os níveis pressóricos (OLIVEIRA; SILVA, 2018). Altas doses de resveratrol, a partir de 150mg/ dia também são capazes de induzir redução da pressão arterial, embora doses menores não apresentem qualquer efeito (TORRES, 2015; BORGHI; CICERO, 2017). A Coenzima Q10 (CoQ10) é um potente antioxidante, capaz de eliminar de radicais livres, reduzir o estresse oxidativo, regenerar outras vitaminas e antioxidantes, reduzir a oxidação da lipoproteína de baixa densidade, além de ser cofator e coenzima na fosforilação oxidativa mitocondrial, que reduz a pressão arterial. A suplementação com doses de CoQ10 acima de 100mg/dia auxilia no melhor controle pressórico de pacientes hipertensos (BORGHI; CICERO, 2017). A deficiência de vitamina C têm sido reconhecida como fator de risco para hipertensão, sendo que, de fato indivíduos hipertensos apresentam níveis plasmáticos de vitamina C mais baixos do que os indivíduos normotensos. A suplementação de vitamina C em dosagens de 500 a 1.000mg/dia são bem toleradas e melhoram o controle pressórico (CICERO, 2017). Embora cálcio e magnésio estejam envolvidos nos mecanismos fisiológicos que regulam a pressão arterial, não há evidências científicas atualmente que suportem a suplementação destes micronutrientes (DAL BOSCO, 2015; BORGHI; CICERO, 2017; OLIVEIRA; SILVA, 2018). 6 SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NO CÂNCER O impacto do câncer na nutrição do paciente já vem sendo amplamente discutido nas últimas décadas. Sabe-se que, alterações fisiológicas e orgânicas próprias da doença e de seu tratamento impactam nas necessidades nutricionais e consumo alimentar do paciente, com prejuízos não só ao seu estado nutricional como também ao estado global de saúde, resposta ao tratamento e qualidade de vida. Neste sentido, suplementos nutricionais podem ser utilizados junto a dietoterapia convencional com o intuito de complementar a dieta do paciente, previnir ou tratar a perda de peso e até mesmo melhorar sua imunidade. 130 O consumo de nutrientes imunomoduladores tem demonstrado benefícios no manejo de pacientes oncológicos, auxiliando na redução dos distúrbios metabólicos e inflamatórios da doença (DAL BOSCO, 2015). Os nutrientes imunomoduladores mais estudados, sozinhos ou em combinação, são: ômega-3, arginina, glutamina e nucleotídeos (INCA, 2016). A suplementação com ômega-3 auxilia na estabilização de peso de pacientes oncológicos que apresentam perda progressiva, melhora do apetite e consumo alimentar, melhora da imunidade (OLIVEIRA; SILVA, 2018). As doses diária indicadas são de 1,5 a 3g de EPA e 1,2 a 2g de DHA (GARÓFOLO, 2012). A suplementação de glutamina e de arginina podem ser benéficas em melhorar a resposta imunológica de pacientes cirúrgicos (OLIVEIRA; SILVA, 2018). Doses seguras de glutamina não ultrapassam 0,65g/kg/dia enquanto que a arginina pode ser suplementada em dosagem de 8,5 a 17g/dia (GARÓFOLO, 2012). Suplementos hipercalóricos são indicados na complementação da dieta de pacientes oncológicos que apresentam anorexia e/ou baixa ingestão alimentar a 70% das necessidades, (DAL BOSCO, 2015; INCA, 2015; OLIVEIRA; SILVA, 2018). No geral, estes suplementos são acrescidos também de vitaminas e minerais, apresentados na forma de pó ou líquido. Algumas versões contem quantidades significativas de proteínas, sendo intitulados como hiperproteícos. As versões em pó podem ser com ou sem sabor, sendo utilizadas diluídas em água, sucos, chás, vitaminas, entre outros. Já as versões líquidas são comercializadasem sabores variadas, já prontas para consumo. Recentemente a indústria desenvolveu suplementos hipercalóricos específicos para pacientes oncológicos, com alegações voltadas ao controle da perda de peso, caquexia, melhora da imunidade e/ou recuperação pós operatória. Estes suplementos, além da composição padrão, podem conter nutrientes os imunomoduladores supracitados. Alguns destes apresentam-se em formulações concentradas de até 125ml, visando a melhor aceitação do paciente em virtude da saciedade precoce característica da doença. O Instituto Nacional do Câncer defende o uso de suplementos imunomoduladores, contendo arginina, nucleotídeos e ômega-3 no perioperatório de pacientes submetidos à cirurgia oncológica, independentemente de seu estado nutricional, e contraindica seu uso na sepse (INCA, 2016). Recomenda-se que pacientes oncológicos tenham um aporte de micronutrientes de até duas vezes a RDA (INCA, 2015). Por essa razão, é importante avaliar o consumo alimentar do paciente, suplementando aqueles nutrientes que não forem atingidos através da dieta convencional. Além disso, a demanda proteíca destes pacientes é aumentada, podendo chegar a 2,5g/kg/dia conforme recomendações do Instituto Nacional do Câncer (INCA, 2016). Para àqueles que apresentem baixa aceitação alimentar ou sintomas que atrapalham o consumo de alimentos fonte de proteína (como disgeusia), pode ser necessária a complementação individualizada da dieta com módulos proteícos. 131 A utilização de nutrientes antioxidantes têm sido estudada em pacientes com câncer, primeiramente como potenciais agentes anticancerígenos para melhorar os desfechos e, em segundo lugar, para reduzir o estresse oxidativo resultante do tratamento quimio e radioterápico, reduzindo assim sua toxicidade limitante. A suplementação de 500mg/d de selênio em pacientes submetidos a radioterapia auxilia no controle da diarreia, ao passo que, doses de 200mg/d reduzem a toxicidade hematológica de pacientes em tratamento quimioterápico. Para pacientes com câncer de cabeça e pescoço em radioterapia, a suplementação de 260 a 400mg de Vitamina E é capaz de reduzir efeitos adversos, especialmente mucosite, enquanto que em doses de 400 a 600mg/dia parece reduzir a neuropatia consequente do tratamento quimioterápico. A suplementação de Vitamina C parece não apresentar benefícios para o paciente oncológico (HARVIE, 2014). Para saber mais sobre a dietoterapia para pacientes oncológicos, acesse os Consensos Nacionais de Nutrição Oncológica, publicados pelo Instituto Nacional de Câncer. Eles se encontram disponíveis em: https://www.inca. gov.br/publicacoes/livros/consenso-nacional-de-nutricao-oncologica DICA 132 SUPLEMENTAÇÃO E ALIMENTAÇÃO ADEQUADA NO CONTEXTO ATUAL DA PANDEMIA CAUSADA PELA COVID-19 Bárbara Paixão de Gois, Araída Dias Pereira, Karem Lays Soares Lopes, Flávia Campos Corgosinho RESUMO: O surto do coronavírus foi classificado pela Organização Mundial da Saúde, como pandemia. Desde então, o assunto vem sendo abordado de forma exaustiva nas redes sociais e veículos de comunicação em massa. A importância de uma alimentação balanceada e rica em nutrientes, além de enfatizar que não existem superalimentos, fórmulas, “shots”, sucos ou soroterapias por infusão endovenosa de nutrientes, que sejam indicados para prevenir ou até mesmo tratar pessoas contaminadas pelo coronavírus, precisa ser reforçada. Esse artigo tem como objetivo informar os profissionais da saúde e população em geral, acerca do papel da alimentação e da real necessidade do uso de suplementos alimentares nesse contexto. As informações utilizadas basearam-se nos conhecimentos já consolidados na literatura sobre nutrição, e em documentos científicos e oficiais até então divulgados. Alguns nutrientes como Vitamina A, D, C, Complexo B, Ferro, Zinco e Selênio podem atuar de maneira positiva no sistema imunológico, no entanto, uma alimentação balanceada é capaz de fornecer esses nutrientes. Já o uso de suplementação para melhora da imunidade na prevenção e tratamento da COVID-19 não tem respaldo cientifico até o momento. Palavras-chave: COVID-19, Alimentação saudável, Imunidade. INTRODUÇÃO O surto do coronavírus (SARS-CoV-2) foi classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como pandemia. Desde então, o assunto vem sendo abordado de forma exaustiva nas redes sociais e veículos de comunicação em massa. No que diz respeito a nutrição, as informações que objetivam orientar a população sobre o consumo de suplementos e alimentos no combate ou prevenção da doença, tem ganhado muita repercussão (CFN, 2020). Em nota oficial em sua página, o Conselho Federal de Nutricionistas alertou a população e os profissionais da área a não acreditarem em notícias divulgadas em meios não oficiais. Reforçou também, a importância de uma alimentação balanceada e LEITURA COMPLEMENTAR 133 rica em nutrientes, além de enfatizar que não existem superalimentos, fórmulas, “shots”, sucos ou soroterapias por infusão endovenosa de nutrientes, que sejam indicados para prevenir ou até mesmo tratar pessoas contaminadas pelo vírus (CFN, 2020). Em 20 de março de 2020, foi declarado pelo Ministério da Saúde a transmissão comunitária da COVID-19 em todo o Brasil. A partir desse dia, a preocupação em conter a disseminação do vírus e em proteger especialmente os grupos de risco foi acentuada, e as campanhas de conscientização intensificadas. Os últimos dados divulgados pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS,2020), mostraram que cerca de 81% dos casos da COVID-19 progridem para leve ou moderado, 14% para grave e apenas 5% para crítico, sendo que os idosos, pessoas com Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNTs), doenças pulmonares e câncer, também, parecem desenvolver doenças graves mais frequentemente que os outros (ZHOU et al., 2020;WANG et al., 2020;OPAS, 2020). A melhor forma de prevenir o contágio é a quarentena, quando possível. Também é muito importante a higienização das mãos, que se cubra o nariz e a boca ao espirrar ou tossir, que se evite aglomerações, que os ambientes estejam sempre ventilados e que os objetos pessoais não sejam compartilhados. Não há qualquer comprovação cientifica a respeito do uso de alimentos ou suplementes alimentares para prevenção (BRASIL, 2020; WATKINS, 2020). Por se tratar de um tipo de coronavírus, as pesquisas tem sido direcionadas com base nas experiências com a Síndrome Respiratória Aguda (SARS) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS) que também são causadas por outros tipos de coronavírus, para tentar entender como o sistema imunológico responde ao mesmo, já que podem se passar meses ou até mesmo anos, até que se consiga decifrar todas as nuances do recém descoberto SARS-CoV-2, causador da COVID-19 (PROMPETCHARA; KETLOY; PALAGA, 2020). Nesse sentido, esse artigo tem como objetivo informar os profissionais da saúde e população em geral, a cerca do papel da alimentação e da real necessidade do uso de suplementos alimentares, no contexto atual da COVID-19. As informações aqui disponibilizadas baseiam-se nos conhecimentos já consolidados na literatura sobre nutrição, e em alguns documentos científicos e oficiais divulgados, desde o início da pandemia pelos órgãos governamentais e revistas científicas. BENEFÍCIOS DA ALIMENTAÇÃO EQUILIBRADA Nutrir-se vai muito além da prática de satisfazer a fome. A nutrição é um componente crucial do desenvolvimento e da saúde humana. Sabe-se que uma alimentação equilibrada e saudável está relacionada, dentre outras coisas, a concepção, a gestação, a recuperação no puerpério e ao aleitamento materno apropriado. Além disso, está envolvida com o crescimento adequado na infância, melhor resposta 134 imune, menor risco dedesenvolvimento de doenças, e a uma expectativa de vida maior. Deste modo, uma dieta saudável e equilibrada é capaz de promover a saúde, bem como prevenir doenças (BARTRINA et al., 2006;WHO, 2018). A alimentação deve ser variada e composta por alimentos de boa qualidade nutricional. A quantidade deve ser adequada, uma vez que tanto a sub quanto a hiper nutrição, são igualmente prejudiciais. No que diz respeito à população brasileira, é recomendado que a dieta seja composta em sua maioria, por alimentos in natura ou minimamente processados (ABARCA-GÓMEZ et al., 2017; BRASIL, 2014). Os processados devem ser consumidos de maneira limitada, e os ultraprocessados sempre que possível, evitados. Recomenda-se ainda, que o consumo de sal, açucares e gorduras seja feito em pequenas quantidades, sendo que estes estão intimamente relacionados com o surgimento de doenças, se o uso for indiscriminado. Quando tais recomendações são praticadas, o organismo mantém boas condições de saúde (BRASIL, 2014; ABARCA-GÓMEZ et al., 2017; WHO, 2018). Em contrapartida, uma alimentação desequilibrada, quanti e qualitativamente pode gerar uma série de consequências. Há muito é consolidado na ciência que a alimentação é capaz de impulsionar ou reduzir as chances do desenvolvimento de doenças, especialmente das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs). As DCNTs são um grupo de enfermidades que incluem obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão arterial, câncer e algumas enfermidades pulmonares, estas diminuem a qualidade e expectativa de vida (ABARCA-GÓMEZ et al., 2017). O desenvolvimento e agravo de DCNTs está diretamente relacionado a hábitos alimentares ruins e seu tratamento inclui a mudança de comportamento. Destaca-se ainda, o fato de que pacientes portadores de DCNTs estão mais suscetíveis a ação de doenças oportunistas, como algumas doenças virais e bacterianas. Neste sentido, essas pessoas compõem o grupo de risco de indivíduos que estão mais vulneráveis à ação de doenças como a COVID-19 (GASMI, et al., 2020; CDC, 2020). Nesta perspectiva, é de suma importância ressaltar que a alimentação tem papel fundamental na condição de saúde dos indivíduos, sendo capaz de potencializar a ação do sistema imune. Deve-se destacar ainda, que a alimentação saudável se baseia na diversidade de consumo de alimentos de boa qualidade e em quantidades adequadas, e deve ser praticada continuamente para potencializar seus benefícios, não sendo a alimentação por si só uma garantia de que indivíduos se tornem imunes a COVID-19 (GASMI, et al., 2020). ALIMENTAÇÃO E IMUNIDADE Muitos são os fatores que podem influenciar na nossa imunidade como sono, atividade física, fatores emocionais e a alimentação (LASSELIN; ALVAREZ-SALAS; GRIGOLEIT, 2016). 135 A energia e os nutrientes obtidos por meio dos alimentos desempenham um papel importante no desenvolvimento e preservação do sistema imunológico, portanto, qualquer desequilíbrio nutricional afeta sua competência e integridade (LÓPEZ; BERMEJO, 2017). Entretanto, não existe um superalimento ou fórmula nutricional, com comprovação científica, capaz de impedir as contaminações virais (CFN, 2020). Alguns nutrientes como Vitamina A, C, Ferro, Zinco e Selênio podem atuar de maneira positiva no sistema imunológico. Em condições fisiológicas normais, é possível atingir as necessidades diárias desses micronutrientes (MAGGINI et al., 2018; CFN, 2020). A vitamina A ajuda a manter a integridade estrutural e funcional das células da pele, do trato respiratório e outros. Além disso, é importante para o bom funcionamento das células do sistema imune. Alimentos de origem animal (retinol) e vegetais alaranjados e verde-escuros (pró-vitamina A) são ricos na mesma (Tabela 1) (MAGGINI et al., 2018). A vitamina C, dentre as suas diversas funções, atua como um importante antioxidante, pode aumentar o número de anticorpos e age na diferenciação e proliferação de células do sistema imune (CARR; MAGGINI, 2017). As frutas cítricas são as principais fontes dessa vitamina (Tabela 1). Dentre as várias funções do ferro, ele é essencial para diferenciação e crescimento celular e componente de enzimas críticas para o funcionamento das células imunes (MAGGINI et al., 2018). Os alimentos de origem animal (ferro heme e não- heme) e de origem vegetal (ferro não heme) são fontes de ferro (Tabela 1). O zinco é um importante antioxidante e exerce um papel central no crescimento celular e diferenciação de células imunes que apresentam rápida diferenciação e renovação (MAGGINI et al., 2018). O zinco pode ser encontrado em alimentos de origem animal, nas castanhas e sementes (Tabela 1). O selênio atua auxiliando na regulação do sistema imunológico (MAGGINI et al., 2018). A principal fonte de selênio é a castanha-do-Brasil, apenas 1 unidade é capaz de fornecer 100% das recomendações diárias desse micronutriente (Tabela 1). SUPLEMENTAÇÃO, QUANDO É NECESSÁRIA? Os suplementos alimentares englobam plantas e suas partes, vitaminas, minerais, aminoácidos e diversos ingredientes que podem conter princípios bioativos essenciais ou não, que trazem benefícios a saúde. 136 Entretanto, é preciso entender que eles não agem como pílulas mágicas, neutralizando maus hábitos de vida e melhorando instantaneamente a saúde de quem os consome. É necessário que se tenha um estilo de vida saudável, com uma dieta balanceada, prática de atividade física e bons hábitos relacionados a saúde como um todo (KHAN et al., 2020). Com objetivo de melhorar a imunidade, e consequentemente, minimizar os efeitos do coronavírus no organismo, a ideia de fazer uso de suplementos alimentares vem sendo amplamente divulgada nas redes sociais e veículos de massa, em sua maioria por pessoas leigas e sem nenhum embasamento científico (CFN, 2020). De fato, é sabido que com o avançar da idade, o sistema imunológico passa por várias mudanças, e que algumas substâncias, como os microrganismos vivos conhecidos como probióticos, podem ser utilizados para melhorar a imunidade. Finamore et al. (2019), em um estudo randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, suplementaram um grupo de 98 adultos com mais de 70 anos por 30 dias, com uma mistura de duas cepas de probióticos. Os resultados mostraram que a suplementação foi capaz de melhorar a resposta imune inata e adaptativa dos idosos suplementados. Além disso, já é consenso que a ingestão de alimentos e ou suplementação que contém probióticos, prebióticos e simbióticos favorecem a preservação da microbiota presente no trato gastrointestinal e essa, exerce um papel importante agindo com barreira fisiológica. A colonização de microrganismos benéficos a saúde no intestino auxilia a resposta imune, sendo a alimentação equilibrada a melhor forma de fazer essa colonização, e assim, prevenir doenças. Produtos lácteos, iogurtes 137 e lácteos fermentados são boas fontes de probióticos, já os prebióticos podem ser encontrados em frutas, legumes, condimentos e verduras, como banana, cebola, alho, chicória, tomate, dentre outros (PERBELIN et al., 2019). Para fins de tratamento de pessoas já acometidas pela COVID-19 e que estão sob cuidados de profissionais da saúde como médicos e nutricionistas, um manejo nutricional com a tentativa de fortalecer o sistema imune e, ajudar o corpo a combater a ação do vírus, pode ser adotado. Com base na experiência adquirida com os coronavírus causadores da Síndrome Respiratória Aguda (SARS) e a Síndrome Respiratóriana alimentação e nutrição dos indivíduos, precisamos primeiramente abordar as mudanças processadas no modo de vida do homem e na organização da sociedade nas últimas décadas. O século XXI está sendo marcado por forte avanço científico, econômico e tecnológico que repercute em modificações significativas no mercado de trabalho, no ensino, nas relações interpessoais, nos sistemas de comunicação, entre outros. A feminização da sociedade observada a partir dos movimentos sociais, principalmente o movimento feminista, das décadas de 1960 e 1970, e o fortalecimento da mulher no mundo do trabalho a partir dos anos de 1980, influenciaram na estrutura e nas relações familiares e sociais (FONSECA, 2011; HINTZ, 2001). A despeito dos avanços alcançados em relação à equidade de gênero, conquista de direitos civis básicos e independência financeira, a mulher ainda acumula, majoritariamente, as responsabilidades pelas tarefas domésticas. Outro aspecto característico da sociedade contemporânea se dá na reorganização das relações familiares, antes hierárquicas foram se estruturando como uma família onde os conceitos de igualdade passaram a predominar. Assim abre-se a possibilidade de diálogo entre as gerações, de forma que filhos passam, não só a ser considerados como também consultados, nas decisões familiares. Observa-se, ademais, modificações relativas ao número de membros pertencentes ao sistema familiar, pois de uma família extensa (pais, filhos, parentes e empregados) passa-se a conviver uma família nuclear (pais e filhos). Tal conformação diminui a rede de apoio da família extensa, impactando em questões estruturais, emocionais e culturais (HINTZ, 2001). O desenvolvimento de novas técnicas e tecnologias de comunicação provocaram mudanças nos modos de produção e distribuição da informação na atualidade (AGNEZ, 2009). Observamos os meios de comunicação tradicionais – tais como televisão aberta, telefone fixo, rádio, revistas, livros – se tornarem obsoletos e serem substituídos, em grande parte, pelos meios de comunicação digitais, como smartphone, computador, internet, serviços de mensagens instantâneas e mídias digitais. Esta evolução tecnológica possibilitou avanços educacionais, tais quais a Educação a Distância (EAD), a disseminação do conhecimento de forma globalizada, além de inovações nas formas de ensinar e aprender (BELUZZO; DUDZIAK, 2008). Da mesma forma, o acesso à cultura e lazer também apresentam transformações em virtude da expansão tecnológica, sendo por vezes as atividades ou eventos físicos substituídos por participação coletiva em programas de meios de comunicação como as mídias digitais (AGNEZ, 2009) e utilização de serviços de streaming. Conversas ou reuniões à distância através de plataformas ou aplicativos de comunicação, participação em redes sociais de compartilhamento de fotos e vídeos, tais como Facebook®, Instagram®, Tiktok®, Youtube® entre outras, são responsáveis pela conexão à nível global, em contrapartida, com redução dos encontros presenciais. 5 Em suma, graças as redes de comunicação eletrônica, indivíduos de todas as partes do mundo podem agora interagir, trocar informações e experiências, a qualquer momento, ainda que estejam nas mais distantes partes do mundo (AGNEZ, 2009). Contudo o grande volume de informações disponibilizadas e a necessidade de atualização constante, criou nos indivíduos certo stress informacional, gerando a necessidade de aprendermos a nos relacionar com a informação, buscando sua síntese, compreensão, relevância e pertinência (BELUZZO; DUDZIAK, 2008). Tanto os avanços quanto os benefícios das tecnologias de comunicação são inegáveis, mas há de ser ter um olhar crítico aos seus efeitos deletérios relacionados à divulgação irrestrita de informações de cunho duvidoso, à liberdade do marketing, aos limites da privacidade individual, ao afastamento e isolamento social, bem como a perda ou enfraquecimento da identidade cultural. O mercado de trabalho vem sofrendo intensas transformações nas últimas décadas, induzido inclusive pela intensidade das inovações tecnológicas mencionado acima, que por um lado, modificam as relações de trabalho e, de outro, acirram a competitividade entre os indivíduos. Smartphones, tablets e a internet têm conectado os trabalhadores de forma ininterrupta à suas funções laborais, configurando jornadas de trabalho sem fim. Este excesso de horas de trabalho acarreta no afastamento do funcionário e sua família, sendo comum a deterioração das relações nessas situações, e redução do tempo de lazer (NETTO et al., 2010). Essas transformações impactam também na saúde do trabalhador, sendo a Síndrome o Burnout (estresse causado pelo trabalho) considerada um problema de ordem social e de grande relevância na atualidade (CÂNDIDO; SOUZA, 2016). Cabe destacar que alguns autores, tais como Colombo (COLOMBO, 2012), têm pontuado com veemência aspectos relacionados ao consumismo desenfreado e ao imediatismo na sociedade contemporânea: A vida moderna mostra como tudo é efêmero e vão, a cultura do vazio impulsiona a ação na busca irrefreada do prazer e do poder. O mundo está sempre cheio de novidades, os modelos de carros novos, os celulares, os computadores, a internet. A velocidade da transformação é muito rápida e violenta, instigando assim o ser humano a buscar sempre mais, a consumir ilimitadamente, caindo nas malhas do sistema de consumo sem pensar, transformando a adição de coisas em vício, tudo é poder e prazer (n.p.). Você sabe o que são serviços streaming? O streaming é a tecnologia de transmissão de dados pela internet, principalmente aúdio e vídeo, sem a necessidade de baixar o conteúdo. O arquivo, que pode ser um vídeo ou uma música, é acessado pelo usuário on-line. O detentor do conteúdo transmite a música ou filme pela internet e esse material não ocupa espaço no computador ou smartphone (MOBILON MÍDIA, 2019). NOTA 6 O consumismo na sociedade contemporânea parece estar alicerçado na ideia de felicidade, satisfação, realização. Tal fato é explorado pelo marketing, que marketing o relaciona diretamente a esse produto, através de seus slogans como: “Pão de Açúcar: lugar de gente feliz”, “Casas Bahia: Vem ser feliz” ou ainda a família “Doriana”, que acorda cedo desfrutando do “café-marketing” da manhã (COLOMBO, 2012). O consumismo, associado ao padrão de vida contemporâneo, impacta também no padrão de consumo e nas necessidades dos indivíduos em relação à alimentação e nutrição, conforme veremos a seguir. 3 NECESSIDADES DO CONSUMIDOR Nossas escolhas alimentares dependem de determinantes do contexto que atuam como “intervenções” estabelecendo padrões, valores, informações (da mídia, da publicidade, entre outras fontes) as quais afetam individualmente nossa relação com a comida, em seu sentido mais íntimo (DIEZ-GARCIA, 2017). O contexto das transformações sociais, econômicas, tecnológicas e científicas ocorridas nas últimas décadas, somadas ao perfil epidemiológico brasileiro atual, caracterizado por alta prevalência de doenças crônicas não transmissíveis, acarretou em modificações nas necessidades e hábitos alimentares dos indivíduos. Mudanças ocorridas no mercado de trabalho, marcadas pela industrialização e pela ampliação do comércio, e pelas novas relações entre o indivíduo e a coletividade, influenciaram diretamente nos hábitos alimentares atuais e determinaram novas relações com a alimentação. A feminização da sociedade repercutiu na redução da frequência de refeições preparadas e consumidas no lar e em família, bem como na transmissão de habilidades culinárias aos descendentes. A competitividade imposta pelo mercado e a fragilidade dos vínculos empregatícios acarretaram em uma nova organização do tempo e à eleição de prioridades, reduzindo o período disponível para o convívio familiar, sobretudo para o preparo e consumo das refeições (FONSECA et al., 2011). A globalizaçãodo Oriente Médio (MERS), é possível realizar abordagem similar ao tratar a COVID-19 (ZHANG; LIU, 2020). Os micronutrientes exercem papéis vitais no sistema imunológico, sendo os mais necessários para sustentar a imunocompetência, as vitaminas A, C, D, complexo B, betacaroteno, ferro, selênio e zinco. A resposta imune fica comprometida quando o estado nutricional se encontra inadequado, predispondo os indivíduos a infecções (MAGGINI; PIERRE; CALDER, 2018). Além disso, o comprometimento nutricional pode ser exacerbado pela própria resposta imune a uma infecção. Assim, nesse momento delicado para a saúde pública, deve se ter uma atenção especial as necessidades diárias desses micronutrientes, que podem não ser alcançadas por meio da alimentação, e então, a suplementação torna-se uma alternativa (HARYANTO, et al. 2015; MAGGINI; PIERRE; CALDER, 2018). A tabela 2 apresenta opções de suplementos nutricionais a serem adotados por nutricionistas ou médicos no suporte ao tratamento de pessoas hospitalizadas e acometidas pela COVID-19, com base na sua ação benéfica no auxílio do tratamento de doenças correlatas. 138 É importante ressaltar, que a decisão de suplementar ou não, doses e tempo de suplementação, cabe a cada profissional, com base na história clínica do paciente e as recomendações para cada suplemento. A suplementação de indivíduos saudáveis sem orientação de um profissional não se justifica. CONSIDERAÇÕES FINAIS Dado o atual cenário onde a pandemia da COVID-19 assola o mundo, a propagação de informações relacionadas ao tema se dá de forma muito rápida e contínua. No que diz respeito a alimentação e nutrição, é preciso ter cuidado com orientações divulgadas por meios não oficiais e sem qualquer respaldo científico. Apesar do uso de suplementação para melhora da imunidade e estado nutricional de pacientes, estar bem consolidada na literatura, pouco se sabe sobre seu real benefício no auxílio ao tratamento da COVID-19, e até o momento, não há qualquer respaldo cientifico para essa prática ser adotada por indivíduos saudáveis ou que não apresentem alguma deficiência pré existente. É preciso ter cautela, e uma alimentação equilibrada ainda é a melhor forma de manter a saúde e prevenir doenças. FONTE: https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/desafios/article/view/8825/16733. 139 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: · No manejo dietoterápico da obesidade, devemos considerar, a suplementação individualizada, dos seguintes nutrientes e compostos bioativos: cálcio, vitamina D, cobre, cromo, magnésio, resveratrol, ácido lipóico, cafeína e probióticos. · Tendo em vista que a dietoterapia na obesidade envolve a prescrição de dietas hipocalóricas, as quais podem apresentar aporte insuficiente de um ou mais micronutrientes, é fundamental que o Nutricionista avalie se há necessidade fornecê- los via suplementação. · A modulação da microbiota intestinal de pacientes diabéticos através da suplementação nutricional de cepas probióticas auxilia na melhora dos parâmetros glicêmicos e controle da doença. · O resveratrol é um polifenol que vem sendo estudado por seus efeitos positivos no manejo da DM2, obesidade, dislipidemia e hipertensão. · A suplementação de ômega-3, em doses diferentes, têm sido recomendada no manejo da hipertrigliceridemia, do câncer e da hipertensão. · Ômega-3, arginina, glutamina e nucleotídeos são conhecidos como nutrientes imunomoduladores, cuja suplementação tem sido associada a redução dos distúrbios metabólicos e inflamatórios no câncer. 140 1 A dislipidemia é reconhecida como um importante fator de risco para doenças cardiovasculares, uma vez que está envolvida no processo da aterosclerose. O tratamento da dislipidemia engloba uma abordagem multidisciplinar e multifatorial, que requer adequações no estilo de vida, alimentação e atividade física. Sabendo que a suplementação nutricional pode atuar de forma adjuvante no manejo dietoterápico desta condição, disserte a respeito dos suplementos e doses que o profissional Nutricionista pode considerar. 2 Têm-se recomendado, para pacientes oncológicos, o consumo de suplementos hipercalóricos imunomoduladores. Com base no que você aprendeu neste Tópico, especifique quais nutrientes são considerados imunomoduladores e qual é o benefício atrelado a sua suplementação para pacientes oncológicos. 3 A dietoterapia é parte fundamental do tratamento da obesidade. Diversas estratégias, intervenções e terapias tem sido elencadas para melhorar a adesão e resultados da dietoterapia, entre elas a suplementação de nutrientes e compostos bioativos com potencial benefício na perda de peso e manejo das alterações metabólicas inerentes à obesidade. A respeito da suplementação nutricional no tratamento da obesidade, assinale a alternativa correta: a) ( ) O magnésio têm sido estudado auxiliar na promoção de saciedade através da ação da insulina no hipotálamo, que estimula a produção de hormônios sacietogênicos, além de atuar na supressão do armazenamento de gordura enquanto estimula sua degradação. b) ( ) Recomenda-se à suplementação de Vitamina D para todos os invíduos obesos, independente dos níveis de Vitamina D plasmática. c) ( ) A suplementação com 200mcg/dia de cromo melhora a sensibilidade à insulina, auxilia no aumento da massa magra, na diminuição da gordura corporal e no controle da saciedade. d) ( ) A suplementação de ácido lipóico em doses de 3 a 6mg/kg/dia promove resposta estimulante, termogênica, sacietogênica e de diminuição da fome, contribuindo para a perda de peso e de gordura corporal. 4 Pesquisas recentes tem reforçado a importância da dieta, com foco especial em micronutrientes que, em associação com modificações do estilo de vida e terapia medicamentosa, podem auxiliar no controle da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS). Considerando suplementos nutricionais indicados no controle dos níveis pressóricos, analise as assertivas abaixo: AUTOATIVIDADE 141 I- A suplementação de EPA e DHA em doses acima de 2g/dia parece reduzir os níveis pressóricos. II- A suplementação diária de 500 a 1000mg de cálcio e 200mg magnésio é indicado para regular a função vascular. III- A Coenzima Q10 (CoQ10) é um potente antioxidante, capaz de eliminar de radicais livres, reduzir o estresse oxidativo, regenerar outras vitaminas e antioxidantes, reduzir a oxidação da lipoproteína de baixa densidade, além de ser cofator e coenzima na fosforilação oxidativa mitocondrial, que reduz a pressão arterial. A suplementação com doses de CoQ10 acima 100mg/dia auxilia no melhor controle pressórico de pacientes hipertensos (BORGHI; CICERO, 2017). Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Somente a sentença I está correta b) ( ) As sentenças I e II estão corretas. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 5 A modulação da microbiota intestinal têm sido apresentada com uma estratégia válida tanto na prevenção quanto no tratamento da diabetes. Especificamente, no tocante a diabetes tipo 2 a suplementação de cepas probióticos melhora os parâmetros metabólicos, observando se melhora do controle glicêmico e do perfil lípidico. Em relação às cepas probióticos recomendadas para suplementação na diabetes tipo 2, assinale a alternativa correta: a) ( ) Lactobacillus rhamnosu, Lactobacillus reuteri, Lactobacillus gasseri e Enterococcus faecium. b) ( ) Lactobacillus helveticus, Lactobacillus rhamnosu, Streptococcus thermophilus e Bifidobacterium infantis. c) ( ) Lactobacillus acidophilus, Lactobacillus rhamnosu, Saccharomyces boulardi e Bifidobacterium bifidum. d) ( ) Lactobacillus acidophilus,Lactobacillus helveticus, Lactobacillus rhamnosu e Bifidobacterium lactis. 142 REFERÊNCIAS ABDALI, D.; SAMSON, S. E.; GROVER, A. K. How effective are antioxidant supplements in obesity and diabetes? Med Princ Pract. v. 24, n. 3, p. 201-15, 2015. ABIAD - Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais. Pesquisa de Mercado ABIAD. 2020. Disponível em: https://abiad.org. br/2021/wp-content/uploads/2020/09/Infografico-1-Pesquisa-Suplementos- Alimentares-2020.pdf. Acesso em: 15 fev. 2022. ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Suplementos alimentares. 2020. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/alimentos/ suplementos-alimentares. Acesso em: 15 fev. 2022. BASSATNE, A. et al. Vitamin D supplementation in obesity and during weight loss: A review of randomized controlled trials. Metabolism: clinical and experimental, v. 92, p. 193-205, 2019. BEZERRA, A. N. et al. Efeito da suplementação de probióticos no diabetes mellitus: uma revisão sistemática. Revista HUPE, v. 15, n. 2, p. 129-139, 2016. BORGHI C; CICERO, A. F. Nutraceuticals with a clinically detectable blood pressure-lowering effect: a review of available randomized clinical trials and their meta-analyses. Br J Clin Pharmacol, v. 83, n. 1, p.163-171, 2017. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Programa Nacional de Suplementação de Ferro: manual de condutas gerais. Brasília: Ministério da Saúde, 2013a. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Manual de condutas gerais do Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A. Brasília: Ministério da Saúde, 2013b. CFN. Conselho Federal de Nutricionistas. Resolução nº 656 de 15 de junho de 2020. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-n-656-de- 15-de-junho-de-2020-262145306 Acesso em: 15 fev. 2022. DAL BOSCO, S. M. Personal Dieter: da gestação ao envelhecimento. São Paulo: Atheneu, 2015. FELDMAN, F. et al. Efficacy of Polyphenols in the Management of Dyslipidemia: A Focus on Clinical Studies. Nutrients, v.13, n. 2, p. 1-42, 2021. FERNANDES, A. S.; RODRIGUES, S. S.; SOUZA, M. A. Probióticos, probióticos e simbióticos para o tratamento de constipação em idosos. Revista Saúde, v.15, n. 1-2, p. 51-61, 2021. 143 GARÓFOLO, A (org). Nutrição clínica, funcional e preventiva aplicada à oncologia: teoria e prática profissional. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2012. GUINÉ, R. P. F.; GOMES, A. L. A Nutrição na Lactação Humana. Millenium, v. 49, p. 131-152, 2015. HARVIE, M. Nutritional supplements and cancer: potential benefits and proven harms. American Society of Clinical Oncology educational book. American Society of Clinical Oncology. Annual Meeting, e478–e486. 2014. INCA. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Consenso nacional de nutrição oncológica. 2. ed. Rio de Janeiro: INCA, 2015. INCA. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Consenso nacional de nutrição oncológica. 2. ed. Rio de Janeiro: INCA, 2016. LIMA, V. S. et al. Efeitos da suplementação com polifenol resveratrol em pacientes com diabetes mellitus tipo 2: uma revisão sistemática. Research, Society and Development, v. 9, n.10, p. 1 - 25. 2020 MARQUES, N; SERPA, F; TEIXEIRA, M. Nutrição clinica funcional: da fertilidade à gestação. São Paulo: Valéria Paschoal Editora Ltda, 2018. MARQUES, C. G. et al. Weight loss probiotic supplementation effect in overweight and obesity subjects: A review. Clinical nutrition. v. 39, n.3, p. 694- 704, 2020. PASSOS, M. C. F.; TAKEMOTO, M. L. S.; GUEDES, L. S. Patterns of fiber intake among Brazilian adults: perceptions from an online nationwide survey. Arq Gastroenterol, v. 57, n. 2, p. 144-149. 2020. PERUCHI, R. F. P. et al. Suplementação nutricional em idosos (aminoácidos, proteínas, PUFAS, vitamina D e zinco) com ênfase em sarcopenia: uma revisão sistemática. Revista UNINGÁ, v. 3, n. 3, p. 61-69. 2017. PUJOL, A. P. Manual de nutricosméticos (livro eletrônico): receitas e formulações para a beleza. Camboriú-SC: Ed. do Autor, 2012. PUJOL, A. P. Manual de formulações na prática clínica. Camboriú-SC: Ed. do Autor, 2019. 578p. OLIVEIRA, S. R. S. et al. Perfil do consumo de termogênicos por praticantes de atividade física em academias e identificação de possíveis efeitos adversos. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, v.15, n. 92, p. 194-207, 2021. OLIVEIRA A. M; SILVA F. M. Dietoterapia nas Doenças do Adulto. Rio de Janeiro: Rubio, 2018. 144 OMS. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Directriz: administración de suplementos de vitamina A a lactantes y niños 6–59 meses de edad. Genébra, 2011. RANASINGHE, P. et al. Effects of Zinc supplementation on serum lipids: a systematic review and meta-analysis. Nutrition & metabolism, v. 12, n. 26, p. 1-16, 2015. RESENDE, G. B.; MOLINARI, M. G.; SILVA, A. C. Efeitos adversos do uso inadequado de suplementos alimentares por praticantes de exercício físico. Revista Saúde Multidisciplinar, v. 3, p. 100-116, 2015. SBP. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Temas da Atualidade em Nutrologia Pediátrica. São Paulo: SBP, 2021. SILVA, A. A. et al. Avaliação do consumo de suplementos nutricionais em praticantes de atividade física: revisão integrativa. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.7, n. 4, p. 43327-43346, 2021. SOUZA, M. L. R. Suplementação nutricional: guia prático para o atendimento. São Paulo: Valéria Paschoal. 2021. SUKSOMBOON, N.; POOLSUP, N.; YUWANAKORN, A. Systematic review and meta-analysis of the efficacy and safety of chromium supplementation in diabetes. J Clin Pharm Ther, v. 39, n. 3, p. 292-306, 2014. TORRES, N. et al. Nutrition and Atherosclerosis. Arch Med Res, v. 46, n. 5, p. 408-426, 2015. TRABIZI, R. et al. The effects of resveratrol intake on weight loss: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Critical Reviews in Food Science and Nutrition, v. 60, n. 3, p. 375-390, 2020. VASCONCELOS, M. J. O. B. et al. Nutrição clínica: obstetrícia e pediatria. Rio de Janeiro: MedBook, 2011. VITOLO, M. R. Nutrição da gestação ao envelhecimento. Rio de Janeiro: Rúbio, 2008. WEFFORT, V. R. S.; LAMOUNIER, J. A. Nutrição em pediatria: da neonatologia à adolescência. 2. ed. Barueri: Editora Manole, 2017. 145 FITOTERAPIA APLICADA À NUTRIÇÃO UNIDADE 3 — OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • conhecer os conceitos e legislações que abrangem a fi toterapia, englobando desde os fundamentos, políticas públicas e efeitos adversos; • explorar as possibilidades que o universo da fi toterapia dispõe em termos de prevenção e tratamento de doenças em todos os ciclos da vida; • aplicar a fi toterapia em doenças crônicas ligadas à terapêutica nutricional, conhecendo as condições necessárias para execução da prescrição. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – FUNDAMENTOS DA FITOTERAPIA TÓPICO 2 – FITOTERAPIA NOS CICLOS DE VIDA TÓPICO 3 – FITOTERAPIA NUTRICIONAL NAS DIVERSAS SITUAÇÕES CLÍNICAS Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 146 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 3! Acesse o QR Code abaixo: 147 TÓPICO 1 — FUNDAMENTOS DA FITOTERAPIA UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Olá acadêmico(a), seja bem-vindo(a) à Unidade 3, na qual será abordado um tema muito importante na área da nutrição e que foi constantemente discutido em 2021 no conselho federal, a fitoterapia e sua aplicabilidade na atuação de nutricionistas. Inicialmente, serão explanados os conceitos que envolvem essa terapia e sua abrangência em termos de prescrição, adentrando a suas normas e legislações que datam desde muito tempo, mas que ganharam mais destaque após2006, com a consolidação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS, tema que também será abordado para facilitar sua compreensão. Vamos começar? Fique ligado, todo conteúdo aqui descrito, pode fazer diferença na sua prática profissional. Você já ouviu a frase: “Planta medicinal, se não faz bem, mal também não faz”? Se sim, o que você acha dessa afirmação? Se não, qual seria sua opinião sobre ela? Bem, vamos aos conceitos e ao final dessa introdução, você obterá a resposta. A fitoterapia é uma ciência que utiliza de espécies vegetais, conhecidas por plantas medicinais, para prevenção e tratamento de diferentes doenças. Desde a antiguidade, as plantas medicinais são usadas com grande eficácia, existem registros de uso de plantas com finalidade terapêutica desde o Egito Antigo, sendo que o primeiro relato de uso medicinal é o Papiro de Ebers e relaciona as plantas usadas no processo de embalsamento das múmias (HIRSCHBRUCH, 2016). Atualmente, observa-se que a maioria dos medicamentos tem sua síntese baseada em princípios ativos isolados em plantas. É possível contar com o tratamento por meio de plantas e até mesmo como adjuvante de cura de algumas patologias descartando efeitos colaterais e minimizando as agressões a outros órgãos. Este é o princípio dos alimentos com propriedades funcionais, uma vez que os princípios ativos são sempre fitoquímicos ou fitocomplexos com atividade específica e seletiva. 148 São diversas as maneiras descritas para utilizar as plantas medicinais, sendo as mais usadas os chás, extratos líquidos, temperos, óleos e extratos secos que podem ser encapsulados ou adicionados a sucos ou qualquer outra preparação culinária, as quais veremos de forma mais detalhada nós próximos tópicos. Todavia, é importante ressaltar que cada planta tem uma finalidade específica e que, apesar de terem algumas propriedades conhecidas a muito tempo, é sempre bom checar outras características, as quais podem até prejudicar o paciente, uma vez que os princípios ativos apresentam toxicidade variável. As plantas medicinais tem amplo espectro de ação, dependendo sempre da forma e da dosagem utilizada para determinação dos efeitos físicos (HIRSCHBRUCH, 2016). E então, eis que temos nossa resposta: NÃO! A frase citada não está correta, pois as plantas medicinais não podem ser usadas de forma aleatória sem orientação, já que podem causar efeitos colaterais, intoxicação e até levar um indivíduo a morte, dependendo da sua forma de utilização. Tudo bem até aqui? Antes de darmos sequência na fitoterapia, vamos apenas conceituar as Práticas Integrativas e Complementares, para que você possa associar com a fitoterapia. As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) são recursos terapêuticos baseados em conhecimentos tradicionais, voltados para prevenir diversas doenças, além de ser usado como tratamento paliativo e recuperação da saúde, com ênfase na escuta acolhedora, no desenvolvimento do vínculo terapêutico e na integração do ser humano com o meio ambiente e a sociedade (BRASIL, 2015). Foram institucionalizadas por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (PNPIC) sendo que entre as principais diretrizes desta política está o aumento da resolutividade dos serviços de saúde, realizada a partir da integração entre os modelos de cuidado, de racionalidades com olhar e atuação mais ampliados, atuando de forma integrada e/ou complementar no diagnóstico, na avaliação e no cuidado (BRASIL, 2015). No Brasil, o debate sobre as PICS iniciou no final da década de 1970, após a declaração da Alma Ata e validada, e, nos anos 1980, com a 8ª Conferência Nacional de Saúde, onde se discutiu as demandas e necessidades da população por um olhar que questionasse o modelo hegemônico de ofertar cuidado, sem legitimar saberes e práticas, momento esse onde foi iniciado o movimento de busca por outras formas de autocuidado e cuidado nos âmbitos do bem-estar físico, mental e social, quando o Governo Federal em conjunto com gestores de saúde, entidades de classe, conselhos, academia e usuários do SUS instituiu uma política pública permanente que considerasse não só os mecanismos naturais de prevenção de agravos e recuperação da saúde, mas a abordagem ampliada do processo saúde-doença e a promoção global do cuidado 149 humano (BRASIL, 2015). Assim, embasado pelas diretrizes da OMS, o Ministério da Saúde aprovou, através da Portaria GM/MS nº 971, de 3 de maio de 2006, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no SUS (BRASIL, 2006). As práticas foram sendo institucionalizadas por meio da PNPIC, ao longo dos anos, conforme Figura 1. Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece, de forma integral e gratuita, 29 procedimentos de Práticas Integrativas e Complementares (PICS) à população, sendo: Medicina Tradicional Chinesa/Acupuntura, Medicina Antroposófica, Homeopatia, Plantas Medicinais e Fitoterapia, Termalismo Social/Crenoterapia, Arteterapia, Ayurveda, Biodança, Dança Circular, Meditação, Musicoterapia, Naturopatia, Osteopatia, Quiropraxia, Reflexoterapia, Reiki, Shantala, Terapia Comunitária Integrativa, Yoga, Apiterapia, Aromaterapia, Bioenergética, Constelação Familiar, Cromoterapia, Geoterapia, Hipnoterapia, Imposição de mãos, Ozonioterapia e Terapia de Florais (BRASIL, 2015). FIGURA 1 – LINHA DO TEMPO DA IMPLANTAÇÃO DAS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES NO SUS FONTE: . Acesso em: 14 abr. 2021. Evidências científicas têm mostrado os benefícios do tratamento integrado entre medicina convencional e práticas integrativas e complementares. Além disso, há um crescente número de profissionais capacitados e habilitados e maior valorização dos conhecimentos tradicionais de onde se originam grande parte dessas práticas (BRASIL, 2015). Com essa abordagem das Práticas Integrativas e Complementares, que envolvem a fitoterapia e sua importância na rede de saúde, seguiremos ao próximo subtópico, onde você poderá visualizar um pouco sobre as legislações que direcionam a fitoterapia no Brasil e especificamente as orientações aos nutricionistas sobre a prescrição. 2 DIRETRIZES E NORMAS PARA PRESCRIÇÃO Vamos iniciar nesse tópico a frase abaixo, para que você possa internalizar o diferencial do profissional da nutrição nessa área. 150 A fitoterapia é a ciência que estuda as plantas medicinais e seu uso no tratamento de doenças. Assim, muitos nutrientes são relacionados com a fitoterapia, o que faz do profissional de nutrição a referência para orientar a população (SOUZA; MARTÍNEZ, 2017, p. 193). Dando seguimento, você acompanhará um pouquinho da história da fitoterapia. O termo “fitoterapia” tem origem nas palavras gregas Phython (planta) e Therapeia (terapia), ou seja, terapia com as plantas, visando o estudo das espécies consideradas medicinais e as suas aplicações no tratamento de doenças (CARVALHO, 2004 apud ROSA, 2013). São utilizadas há muito tempo, na China há registros de cultivo de plantas medicinais desde 3000 a.C., com elas eram produzidos vermífugos, purgantes, cosméticos, diuréticos e gomas que serviam para embalsamar múmias. Hipócrates (460-377 a.C.), em sua obra Corpus Hipocraticum, escreveu sobre doenças e os respectivos remédios elaborados com plantas, ressaltando o interesse pelas espécies vegetais desde a antiguidade (NOLLA; SEVERO; MIGOTT, 2005 apud ROSA, 2013). As plantas fazem parte da vida do ser humano, desde o início das civilizações, como fonte de alimentos, de materiais para o vestuário, habitação, utilidades domésticas, defesa e como meio de restaurar a saúde. No Brasil, os primeiros europeus que chegaram, se depararam com uma grande quantidade de plantas medicinais usadas pelos indígenas (NOLLA; SEVERO; MIGOTT, 2005 apud ROSA, 2013). Assim, por intermédio dos Pajés, os conhecimentosdas ervas foram transmitidos e aprimorados de geração em geração, mas, infelizmente, com o início da industrialização e subsequente urbanização do país, o conhecimento das plantas passou para segundo plano, o acesso à medicamentos sintéticos e a não preocupação em comprovar as propriedades terapêuticas das plantas tornou o conhecimento da flora medicinal um atraso. O estudo das plantas medicinais mostrou uma resistência inicial a acompanhar as grandes revoluções científicas do período, mas com o tempo e reconhecimento por parte dos cientistas voltou a ganhar força (LORENZI; MATTOS, 2002 apud ROSA, 2013), sendo que de acordo com a Organização Mundial de Saúde, 65% a 80% da população de países em desenvolvimento utilizavam como primeira opção de tratamento as plantas medicinais, e essa alternativa tem ajudado no tratamento de diversas patologias, considerando o vasto conhecimento popular (NOLLA; SEVERO; MIGOTT, 2005 apud ROSA, 2013). As novas tendências globais de uma preocupação com a biodiversidade e as ideias de desenvolvimento sustentável trouxeram novas áreas de estudos das espécies vegetais, que acabaram despertando novos interesses na fitoterapia, os quais criaram novas linhas de pesquisa em universidades brasileiras, que buscam validar a utilização das plantas. Considera-se validada a espécie que responder positivamente à aplicação do conjunto de ensaios capazes de comprovar a existência que lhe é atribuída, bem como sua toxicidade (LORENZI; MATTOS, 2002 apud ROSA, 2013). 151 2.1 POLÍTICA NACIONAL DE PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERÁPICOS A Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF) foi aprovada por meio do Decreto nº 5.813, de 22 de junho de 2006, e se tornou parte essencial das políticas públicas de saúde, meio ambiente, desenvolvimento econômico e social, passando a representar um dos elementos fundamentais na implementação de ações de promoção de melhorias na qualidade de vida da população brasileira. As ações decorrentes dessa Política, concretizada em um Programa, são indispensáveis para a o acesso da população as plantas medicinais e fitoterápicos, inclusão social e regional, desenvolvimento industrial e tecnológico, promoção da segurança alimentar e nutricional e uso sustentável da biodiversidade brasileira e da valorização e preservação do conhecimento tradicional associado as comunidades e povos tradicionais (PNPMF, 2006). Com isso, a Portaria Interministerial nº 2960, de 9 de dezembro de 2008, aprova o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e cria o Comitê Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. Nesse sentido, com intuito de alcançar a proposta da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos que visa “garantir à população brasileira o acesso seguro e o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos, promovendo o uso sustentável da biodiversidade, o desenvolvimento da cadeia produtiva e da indústria nacional”, ficam definidos os seguintes objetivos: • Construir e/ou aperfeiçoar marco regulatório em todas as etapas da cadeia produtiva de plantas medicinais e fitoterápicos, a partir dos modelos e experiências existentes no Brasil e em outros países, promovendo a adoção das boas práticas de cultivo, manipulação e produção de plantas medicinais e fitoterápicos. • Desenvolver instrumentos de fomento à pesquisa, desenvolvimento de Você sabe a diferença entre plantas medicinais, fitoterapia e fitoterápico? Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), planta medicinal é todo e qualquer vegetal com substâncias que podem ser utilizadas com fins terapêuticos ou que sejam precursores de fármacos semissintéticos. Assim como para a ANVISA, que conceitua as plantas medicinais como aquelas capazes de aliviar ou curar enfermidades e têm tradição de uso como remédio em uma população ou comunidade (BRASIL, [201-?]). Por sua vez, fitoterápico é uma preparação farmacêutica que utiliza como matéria- prima partes de plantas, como folhas, caules, raízes, flores e sementes, e apresentam efeitos farmacológicos conhecidos e a fitoterapia inclui as preparações fitofarmacológicas, os medicamentos fitoterápicos e o uso popular das plantas em si (SOUZA; MARTÍNEZ, 2017). IMPORTANTE 152 tecnologias e inovações em plantas medicinais e fi toterápicos, nas diversas fases da cadeia produtiva. • Desenvolver estratégias de comunicação, formação técnico-científi ca e capacitação no setor de plantas medicinais e fi toterápicos. • Inserir plantas medicinais, fi toterápicos e serviços relacionados à Fitoterapia no SUS, com segurança, efi cácia e qualidade, em consonância com as diretrizes da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS. • Promover e reconhecer as práticas populares e tradicionais de uso de plantas medicinais e remédios caseiros. • Promover o uso sustentável da biodiversidade e a repartição dos benefícios decorrentes do acesso aos recursos genéticos de plantas medicinais e ao conhecimento tradicional associado. • Promover a inclusão da agricultura familiar nas cadeias e nos arranjos produtivos das plantas medicinais, insumos e fi toterápicos. • Estabelecer mecanismos de incentivo ao desenvolvimento sustentável das cadeias produtivas de plantas medicinais e fi toterápicos, com vistas ao fortalecimento da indústria farmacêutica nacional e incremento das exportações de fi toterápicos e insumos relacionados. • Estabelecer uma política intersetorial para o desenvolvimento socioeconômico na área de plantas medicinais e fi toterápicos (PNPMF, 2006, p. 12). A partir destas legislações, em conformidade com orientações da OMS, outro marco importante foi a publicação da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse para o SUS (RENISUS), a qual apresenta plantas medicinais que demonstram potencial para gerar produtos de interesse ao SUS. O intuito com essa lista é direcionar pesquisas que possam subsidiar a elaboração da relação de fi toterápicos para utilização da população, com segurança e efi cácia para o tratamento das doenças (RENISUS, 2022). Em 2009, já havia uma lista com 71 plantas de interesse do SUS sendo divulgada pelo Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos do Ministério da Saúde, dentre elas constam a Cynara scolymus (alcachofra), Schinus terebentthifolius (aroeira da praia) e a Uncaria tomentosa (unha-de-gato), usadas pela sabedoria popular e confi rmadas cientifi camente, para distúrbios de digestão, infl amação vaginal e dores articulares, respectivamente (RENISUS, 2022). Ainda, em relação ao controle na produção e distribuição de plantas medicinais e fi toterápicos a normatização acontece através de resoluções elaboradas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Atualmente a principal regulamentação sobre plantas medicinais e fi toterápicos é a Resolução nº 26 de 2014 que revogou as Resoluções nº 14/2010 e nº 10/2010 (ANVISA, 2014). Esta RDC (nº 26 de 13 de maio de Para mais informações sobre essa lista, acesse: https://www.gov.br/saude/pt- br/composicao/sctie/daf/plantas-medicinais-e-fi toterapicas/ppnpmf/plantas- medicinais-de-interesse-ao-sus-2013-renisus. DICA 153 2014) dispõe sobre o registro de medicamentos fitoterápicos e o registro e a notificação de produtos tradicionais fitoterápicos, abrangendo produtos industrializados que se enquadram como medicamentos fitoterápicos e produtos tradicionais fitoterápicos, estabelecendo requisitos mínimos para registro e renovação de registro e notificação desses produtos e conceitos relacionados. Importante destacar que os medicamentos fitoterápicos são registrados e os produtos tradicionais fitoterápicos devem possuir registro ou notificação, sendo que as plantas medicinais sob a forma de droga vegetal, denominadas chás medicinais, serão dispensadas de registros conforme Art. 22 do Decreto 8.077 de 2013 (ANVISA, 2014). Atualmente o SUS oferta à população, com recursos de União, Estados e Municípios,medicamentos fitoterápicos, os quais constam na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) e são indicados para diferentes tratamentos. A RENAME engloba a seleção e a padronização de todos os medicamentos indicados para o atendimento das doenças no âmbito do SUS, apresentando o conjunto dos medicamentos a serem disponibilizados e ofertados aos usuários, visando à garantia da integralidade do tratamento medicamentoso. A Portaria MS/GM Nº 1 de 2 de janeiro de 2015, estabeleceu a RENAME de 2014 no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da atualização do elenco de medicamentos e insumos da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME, 2022). Nesse sentido, as plantas medicinais constituem o Componente Básico da RENAME, que inclui drogas e derivados vegetais para manipulação das preparações dos fitoterápicos. Hoje são 12 as espécies contempladas pela RENAME (2022) e podem ser financiadas pelos recursos do Componente Básica da Assistência Farmacêutica. As plantas com suas indicações validadas farão parte da RENAFITO, que é a relação nacional de plantas medicinais e fitoterápicos, que vem subsidiar a prescrição de fitoterápicos no âmbito dos serviços de saúde do SUS, sendo parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC, 2006). RENAME Atualmente a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename) contempla 12 fitoterápicos, oriundos de espécies vegetais padronizadas, sendo eles: 1. Alcachofra (Cynara scolymus L.); 2. Aroeira (Schinus terebinthifolius Raddi); 3. Babosa (Aloe vera (L.) Burm.f); 4. Cáscara-sagrada (Rhamnus purshiana D.C.); 5. Espinheira-santa (Maytenus officinalis Mabb); 6. Guaco (Mikania glomerata Spreng.); DICA 154 2.2 PRESCRIÇÃO DE PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERÁPICOS Dentre os profissionais da saúde habilitados para prescrever plantas medicinais e fitoterápicos, estão os cirurgiões dentistas, farmacêuticos e nutricionistas, já que possuem legislação específica para reconhecer e regulamentar essa prescrição de fitoterápicos (CFO, 2008; CFF, 2011; CFN, 2013;2021). Por sua vez, na medicina, a fitoterapia não é considerada uma especialidade, sendo facultado ao médico realizar prescrição de fitoterápicos. Para o farmacêutico, a prescrição é regulamentada por uma legislação específica, (Resolução Nº 546 de 21 de julho de 2011), da mesma forma como ocorre na nutrição, a resolução 680/2021 regulamenta a prática da fitoterapia na nutrição. No caso da enfermagem, pode ser prescrito dentro das normas do exercício profissional (Lei n.º 7.498/1986, com a revogação da resolução 272/2002), sendo que os enfermeiros podem prescrever desde que façam parte da equipe multiprofissional dos programas de saúde e dentro de protocolos pré-estabelecidos (Portaria 648/GM/2006 – Política Nacional de Atenção Básica). Ainda, cabe ressaltar que os fisioterapeutas também não possuem legislação específica, desta forma sua atuação nesta área fica sujeita ao regulamento de atuação do profissional deliberado pelo Conselho de Classe e no SUS ao previsto nos protocolos dos programas de saúde. Acadêmico, até aqui traçamos um panorama geral sobre a fitoterapia e suas legislações, agora iremos direcionar para o nutricionista, legislação pertinente e forma de prescrição. 7. Garra-do-diabo (Harpagophytum procumbens); 8. Hortelã (Mentha x piperita L.); 9. Isoflavona de soja (Glycine max (L.) Merr.); 10. Plantago (Plantago ovata Forssk.); 11. Salgueiro (Salix alba L.); 12. Unha-de-gato (Uncaria tomentosa (Willd. ex Roem. & Schult.) Além do nome científico e do nome popular, a RENAME traz a indicação/ação, a apresentação do fitoterápico e a concentração/composição, em que é apresentada a quantidade de marcador. Para mais informações, acesse: https://www.conasems.org.br/ministerio-da-saude-lanca-rename-2022-com-mudancas-e- atualizacoes/. 155 2.2.1 Prescrição por Nutricionistas A Resolução do CFN nº 680, de 19 de janeiro de 2021, alterada pela resolução 688/2021 e texto retificado em 24 de maio de 2021, regulamenta a prática da fitoterapia pelo nutricionista e dá outras providências. Na estruturação dessa resolução, o CFN considerou a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no Sistema Único de Saúde (PNPIC); o Decreto Presidencial nº 5.813, de 22 de junho de 2006, que aprovou a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos; a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nº 67, de 8 de outubro de 2007; a Portaria Interministerial nº 2.960, de 9 de dezembro 2008, que aprovou o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos; a RDC nº 26, de 13 de maio de 2014, que dispõe sobre o registro de medicamentos fitoterápicos e o registro e a notificação de produtos tradicionais fitoterápicos; a Instrução Normativa (IN) da Anvisa nº 2, de 13 de maio de 2014, que publica a “Lista de medicamentos fitoterápicos de registro simplificado” e a “Lista de produtos tradicionais fitoterápicos de registro simplificado”; a RDC nº 84, de 17 de junho de 2016, que aprova o Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira e dá outras providências e a RDC nº 298, de 12 de agosto de 2019, que aprova a Farmacopeia Brasileira, 6ª edição. Por fim, ainda para elaboração dessa resolução considerou: que compete ao nutricionista, enquanto profissional de saúde, zelar pela preservação, promoção e recuperação da saúde; o reconhecimento de evidências científicas sobre a eficácia da fitoterapia assim como da existência de reações adversas, efeitos colaterais, contraindicações, toxicidade e interações com outras plantas, drogas vegetais, medicamentos e alimentos associados a essa prática, determinando que sua adoção seja precedida de competente capacitação, acompanhada de contínua atualização científica e do cumprimento dos regulamentos normativos sobre o tema; o reconhecimento de práticas culturais que utilizam plantas medicinais com efeitos terapêuticos tradicionalmente reconhecidos e a necessidade de aprofundar pesquisas que fundamentem a adoção de recursos naturais de promoção e recuperação da saúde no atendimento do nutricionista; e a necessidade de regulamentar a prática da fitoterapia na assistência nutricional e dietoterápica com vistas a ampliar as abordagens de cuidado e as possibilidades terapêuticas para os clientes/pacientes/usuários, permitindo maior integralidade e resolutividade da atenção à saúde. Finalmente, essa resolução traz como disposição preliminar a regulamentação da prática da fitoterapia pelo nutricionista, atribuindo-lhe as competências. A qual entende a aplicação da fitoterapia pelo nutricionista na assistência nutricional e dietoterápica, como o uso de plantas medicinais em suas diferentes preparações, englobados plantas medicinais in natura, drogas vegetais e derivados vegetais, com exceção de substâncias ativas isoladas ou altamente purificadas, administradas exclusivamente pelas vias oral e enteral, incluídas mucosa, sublingual e sondas enterais e excluída a via anorretal. 156 Nesse sentido, para que o nutricionista possa estar habilitado a adotar a fi toterapia em sua prática cínica, devem ser consideradas as seguintes situações, descritas no Capítulo II da resolução: Art. 3º A prática da fi toterapia na assistência nutricional e dietoterápica pelo nutricionista com inscrição ativa no respectivo Conselho Regional de Nutricionistas (CRN) deverá observar que: I. a prescrição de plantas medicinais in natura e drogas vegetais, na forma de infusão, decocção e maceração em água, é permitida a todos os nutricionistas, ainda que sem certifi cado de pós-graduação em fi toterapia ou título de especialista nessa área; II. a prescrição do que for diferente de infusão, decocção e maceração em água, a partir de plantas medicinais in natura e drogas vegetais, ou seja, de drogas vegetais em formas farmacêuticas, de medicamentos fi toterápicos, de produtos tradicionais fi toterápicose de preparações magistrais de fi toterápicos é permitida ao nutricionista com habilitação para Fitoterapia, registrada no respectivo CRN conforme disposto no art. 5º, mediante: a. certifi cado de curso de pós-graduação lato sensu em nível de especialização em fi toterapia, emitido por instituição de ensino superior credenciada pelo Ministério da Educação, observados os requisitos legais, com, no mínimo, 200 horas de disciplinas específi cas de fi toterapia; ou b. título de Especialista em Fitoterapia ou de Especialista em Nutrição e Fitoterapia; § 1º Se o produto apresentar derivado vegetal, mesmo se comercializado como alimentos, novos alimentos e ingredientes, e suplementos alimentares, sua prescrição enquadra-se no disposto no inciso II; § 2º Para a prescrição de drogas vegetais e óleos fi xos, em formas farmacêuticas, que podem ser classifi cados como alimentos, novos alimentos e ingredientes, e suplementos alimentares, não se exige certifi cado de pós-graduação em fi toterapia ou título de especialista na área. § 3º A adoção da fi toterapia no contexto de racionalidades em saúde diferentes do modelo biomédico deve seguir as exigências de formação específi ca para cada uma delas. Art. 4º Aos nutricionistas que, até a data de publicação desta Resolução, estejam matriculados ou tenham obtido certifi cado de cursos de pós-graduação lato sensu em nível de especialização em fi toterapia, emitido por instituição de ensino superior credenciada pelo Ministério da Educação, será permitida a complementação do requisito de carga horária mínima de 200 horas de disciplinas específi cas de fi toterapia pela realização de cursos livres, de extensão, As defi nições dos termos supracitados estão contidas no Glossário do Anexo I desta Resolução e, na sua ausência, e de maneira complementar, na Referência Nacional de Procedimentos Nutricionais do Sistema CFN/ CRN, Anexo I da Resolução CFN nº 417, de 18 de março de 2008, e no Glossário (Anexo I) da Resolução CFN nº 600, de 25 de janeiro de 2018. Além disso acadêmico, exploraremos mais a diante essas nomenclaturas. DICAS 157 de aperfeiçoamento e/ou módulos, cujos certificados, declarações, programas, histórico escolar e/ou equivalentes demonstrem somar a carga horária mínima exigida. Parágrafo único. Aos nutricionistas de que trata o caput deste artigo, será permitida, depois de registrarem a documentação de habilitação, a prescrição de drogas vegetais em formas farmacêuticas, de medicamentos fitoterápicos, de produtos tradicionais fitoterápicos e de preparações magistrais de fitoterápicos. Art. 5º A solicitação de registro da documentação de habilitação a que se refere o inciso II do art. 3º e o parágrafo único do art. 4º deverá ser encaminhada pelo nutricionista instruída com os seguintes documentos: I. para habilitação por título de especialista na área de fitoterapia: a. vide Resolução do CFN que regulamenta o registro de títulos de especialista em Nutrição. II. para habilitação por pós-graduação lato sensu em nível de especialização em fitoterapia: a. requerimento em formulário do CFN; b. comprovante do pagamento da taxa de registro; c. certificado, histórico e ementas dos componentes curriculares comprobatórios da realização do curso de pós-graduação lato sensu em nível de especialização em fitoterapia realizado por instituição de ensino superior credenciada pelo Ministério da Educação; e d. declaração de veracidade e autenticidade de dados e documentos (Anexo II). § 1º A documentação exigida no inciso II do art. 5º deve ser encaminhada pelo nutricionista ao CFN, por meio digital, via sistema on-line, presumida a boa-fé das informações prestadas, sob pena de responder administrativa, civil e criminalmente. § 2º O Conselho Regional de Nutricionistas (CRN) da região onde o profissional possui inscrição principal ativa pode solicitar a apresentação de documentação original ou a substituição/ complementação dos documentos recebidos eletronicamente sempre que julgar necessário, inclusive nos casos em que a qualidade da digitalização não for satisfatória. § 3º O CRN tem o prazo de até 60 (sessenta) dias, contados a partir do recebimento da documentação completa e adequada, para análise e manifestação (deferimento, indeferimento, diligência) (CFN, 2021, p. 1). Acadêmico, é indispensável que leia com muita atenção os requisitos necessários para poder prescrever plantas medicinais e fitoterápicos, bem como, se atentar ao tema seguinte, para poder realizar as indicações cabíveis a sua atuação. Fica claro na resolução que o nutricionista poderá adotar a fitoterapia quando os produtos prescritos tiverem indicações relacionadas direta ou indiretamente aos objetivos da assistência nutricional e dietoterápica, estando o nutricionista preparado para justificar, monitorar e avaliar os efeitos da prescrição com base em estudos científicos ou em uso tradicional reconhecido. Para mais detalhes, acesse diretamente a resolução no site do CFN (http:// resolucao.cfn.org.br/). Ainda, conforme Art. 9º, a competência do nutricionista para atuar na fitoterapia deve respeitar a legislação sanitária vigente, não incluindo: 158 I. a indicação de medicamentos fi toterápicos industrializados sujeitos à prescrição médica, assim como a respectiva planta medicinal in natura e a droga vegetal na forma de infusão, decocção e maceração em água, droga vegetal em forma farmacêutica, preparação magistral, entre outras formas, independente da indicação/alegação terapêutica. II. na composição de medicamento fi toterápico, produto tradicional fi toterápico e preparações magistrais de fi toterápicos: vitaminas, minerais, aminoácidos, substâncias ativas isoladas ou altamente purifi cadas, sejam elas sintéticas, semissintéticas ou naturais e nem as associações dessas com outros extratos, sejam eles vegetais ou de outras fontes, como a animal ou quaisquer outros componentes; e III. a venda, a comercialização e a propaganda dos produtos ou técnicas que ele indicará ao cliente/paciente/usuário, nos termos do art. 60 e 62 da Resolução CFN nº 599, de 2018, Código de Ética e de Conduta do nutricionista. Art. 10. Na prescrição de plantas medicinais in natura e drogas vegetais, a que se refere o inciso I do art. 3º, considerar que essas devem ser preparadas unicamente por decocção, maceração ou infusão em água, conforme indicação, não sendo admissível que sejam prescritas sob forma de cápsulas, drágeas, pastilhas, xarope, spray ou qualquer outra forma farmacêutica, nem utilizadas quando submetidas a outros meios de extração, tais como extrato, tintura, alcoolatura ou óleo, nem como fi toterápicos ou em preparações magistrais (CFN, 2021, p. 10?). Vamos lá acadêmico, estamos quase fi nalizando essa resolução, a qual direciona toda a base da prescrição por parte do nutricionista. Ressalto que deve estar sempre atento a atualizações no site do Conselho. Para fi nalizarmos esse tópico, segue agora a orientação de como o receituário deve ser estruturado, conforme descrito no Art. 12: I. apresentado de forma clara para o entendimento e contemplar: a. nomenclatura botânica, sendo opcional incluir a indicação do nome popular; b. parte utilizada; c. forma de utilização e modo de preparo, no caso de plantas medicinais in natura ou drogas vegetais, na forma de infusão, decocção ou maceração em água; d. forma ou meio de extração, a padronização do marcador da parte da planta prescrita (sempre que disponível na literatura científi ca) e a forma farmacêutica, no caso de drogas vegetais em formas farmacêuticas, medicamentos fi toterápicos, produtos tradicionais fi toterápicos e de preparações magistrais; e Partes de vegetais quando utilizadas para o preparo de bebidas alimentícias, sob forma de infusão ou decocção, sem fi nalidades farmacoterapêuticas, são defi nidas como alimento e não constituem objeto desta Resolução. IMPORTANTE 159 e. via de administração e posologia. II. datadoe identificado com dados do paciente e do nutricionista (nome completo, número de inscrição no CRN e meios de contato, tais como e-mail e telefone institucionais); III. carimbado e assinado pelo nutricionista; IV. entregue pessoalmente ou enviado eletronicamente (digitalizado ou com assinatura digital certificada) ao cliente/paciente/usuário, com confirmação de recebimento, no momento da consulta ou posteriormente; e V. adequadamente registrado em prontuário. Art. 13. O nutricionista deve registrar, em prontuário dos clientes/ pacientes/usuários, as informações sobre a prescrição, exigidas no inciso I do art. 11, além da indicação que justificou o uso, mantendo-o arquivado pelo tempo determinado em normativa específica, nos termos da Resolução CFN nº 594, de 17 de dezembro de 2017. Parágrafo único. Na identificação de efeitos colaterais, efeitos adversos, intoxicações, voluntárias ou não, observadas ou relatadas pelos clientes/pacientes/usuários, o nutricionista deverá registrar no prontuário e, quando pertinente, notificar os órgãos sanitários competentes, assim como o laboratório industrial ou a farmácia de manipulação (CFN, 2021, p. 19?). Para finalizar as orientações de como deve ser a prescrição, segue Checklist e modelos de receituários: • Nome do paciente • Nome científico da planta seguido do nome popular • Parte utilizada • Modo de preparo • Posologia (dose e frequência de uso) • Período de uso • Nome completo do prescritor • Endereço e dados relacionados do prescritor • Data de emissão • Assinatura e carimbo com registro profissional • Autorização para reutilização da prescrição, se houver Destaque que nos exemplos, o CRN usado é o 3, representativo do estado de São Paulo e Mato Grosso do Sul; você acadêmico, quando nutricionista, irá inserir o respectivo CRN da sua região. 160 FIGURA 2 – MODELO PADRÃO A SER ADAPTADO DIANTE DA REALIDADE DA PLANTA MEDICINAL PRESCRITA FONTE: . Acesso em: 15 fev. 2022. FIGURA 3 – MODELO PARA PRESCRIÇÃO DE INFUSÃO FONTE: . Acesso em: 15 fev. 2022. 161 FIGURA 4 – MODELO PARA PRESCRIÇÃO DE MACERAÇÃO FONTE: . Acesso em: 15 fev. 2022. FIGURA 5 – MODELO PADRÃO A SER ADAPTADO DIANTE DA REALIDADE DO PRODUTO FITOTERÁPICO PRESCRITO FONTE: . Acesso em: 15 fev. 2022. 162 FIGURA 6 – MODELO PARA PRESCRIÇÃO DA TINTURA FONTE: . Acesso em: 15 fev. 2022. FIGURA 7 – MODELO PARA PRESCRIÇÃO DO EXTRATO SECO PADRONIZADO FONTE: . Acesso em: 15 fev. 2022. 163 Entre as espécies vegetais disponíveis para prescrição, nove são de exclusiva prescrição médica, conforme demonstrado na fi gura a seguir: TABELA 1 – ESPÉCIES VEGETAIS DE EXCLUSIVA PRESCRIÇÃO MÉDICA NOME CIENTÍFICO NOME POPULAR INDICAÇÃO Arctostaphylos uva-ursi (L.) Spreng. Uva-ursina Cistite Cimicifuga racemosa Cimicifuga Queixas do climatério Echinacea purpurea (L.) Moench Equinácea Infecções Ginkgo biloba L. Ginkgo Distúrbios circulatórios Hypericum perforatum L. Erva-de-são-joão Depressão Piper methysticum G. Forst. Kava-kava Ansiedade e insônia Serenoa repens (W. Bartram) Small Saw palmetto Hiperplasia benigna da próstata Tanacetum parthenium (L.) Sch. Bip. Tanaceto Enxaqueca Valeriana offi cinalis L. Valeriana Ansiedade e insônia FONTE: Adaptado de ANVISA (2014) No Brasil, há uma vasta biodiversidade e a população tem grande aceitação ao uso de plantas medicinais e fi toterápicos, por isso, temos uma gama de documentos ofi ciais que podem ser consultados para realizar uma prescrição fi toterápica com mais segurança. Destacam-se: • Anexo I da Resolução da Diretoria Colegiada nº 10, de 9 de março de 2010 • Instrução Normativa nº 2, de 13 de maio de 2014 (lista de medicamentos fi toterápicos) • Relação Nacional de Medicamentos Essenciais – RENAME, 2022 As plantas medicinais in natura e substâncias vegetais preparadas unicamente por decocção, maceração ou infusão, são atribuições do nutricionista sem requerer especialização. Já para realizar a prescrição de fi toterápicos e preparações sob forma de cápsulas, drágeas, pastilhas, xaropes, sprays ou qualquer outra forma farmacêutica, como extrato, tintura, alcoolatura ou óleo, é necessário que o nutricionista seja portador do título de especialista ou certifi cado de pós-graduação lato sensu nesta área. Ainda, destaca-se que os profi ssionais da nutrição não podem prescrever produtos cuja legislação vigente exija prescrição médica (SOUZA; MARTÍNEZ, 2017). ATENÇÃO 164 • Memento Fitoterápico 2016 • Farmacopeia 2011 e 2019 3 FORMAS FARMACÊUTICAS Veremos a seguir, as formas farmacêuticas que englobam a fi toterapia, mas, antes, para que possam compreender com maior facilidade todas as nomenclaturas, faremos uma revisão dos termos utilizados nessa área e seus conceitos, conforme descritos na Resolução do CFN 680/2021. I. Chá medicinal: droga vegetal com fi ns medicinais a ser preparada por meio de infusão, decocção ou maceração em água pelo consumidor. II. Decocção: preparação que consiste na ebulição da droga vegetal em água potável por tempo determinado. Método indicado para partes de droga vegetal com consistência rígida, tais como: cascas, raízes, rizomas, caules, sementes e folhas coriáceas. III. Derivado vegetal: produto da extração da planta medicinal fresca ou da droga vegetal, que contenha as substâncias responsáveis pela ação terapêutica, podendo ocorrer na forma de extrato, óleo fi xo e volátil, cera, exsudato e outros. IV. Droga vegetal: a. planta medicinal, ou suas partes, que contenham as substâncias responsáveis pela ação terapêutica, após processos de coleta/ colheita, estabilização, quando aplicável, e secagem, podendo estar nas formas íntegra, rasurada, triturada ou pulverizada; e b. plantas inteiras ou suas partes, geralmente secas, não processadas, podendo estar íntegras ou fragmentadas. Também se incluem exsudatos, tais como gomas, resinas, mucilagens, látex e ceras, que não foram submetidos a tratamento específi co. V. Fitoterápico: produto obtido de matéria-prima ativa vegetal, exceto substâncias isoladas, com fi nalidade profi lática, curativa ou paliativa, incluindo medicamento fi toterápico e produto tradicional fi toterápico, podendo ser simples, quando o ativo é proveniente de uma única espécie vegetal medicinal, ou composto, quando o ativo é proveniente de mais de uma espécie vegetal. VI. Forma farmacêutica: estado fi nal de apresentação que os princípios ativos farmacêuticos possuem após uma ou mais operações farmacêuticas executadas com ou sem a adição de excipientes apropriados, a fi m de facilitar a sua utilização e obter o efeito terapêutico desejado, com características apropriadas a determinada via de administração. Obs.: os produtos na forma de cápsulas, comprimidos, xaropes, soluções, ou em qualquer outra Indicação de leitura atualizada: VALDIR FILHO, C.; ZANCHETT, C. C. C. Fitoterapia Avançada: Uma Abordagem Química, Biológica e Nutricional. Disponível em: Minha Biblioteca, Grupo A, 2020. DICA 165 forma farmacêutica, não são necessariamente medicamentos, pois a definição de medicamentos envolve outros aspectos além da forma farmacêutica. VII. Infusão: preparação que consiste em verter água fervente sobre a droga vegetal e, em seguida, tampar ou abafar o recipiente, por período de tempo determinado. Método indicado para partes da droga vegetal de consistência menos rígida, tais como: folhas, flores, inflorescências e frutos ou com substâncias ativas voláteis. VIII. Maceração com água: preparação que consiste nocontato da droga vegetal com água à temperatura ambiente, por tempo determinado para cada droga vegetal. Esse método é indicado para drogas vegetais que possuam substâncias que se degradam com o aquecimento. IX. Marcador: substância ou classe de substâncias (ex.: alcaloides, flavonoides, ácidos graxos, etc.) utilizada como referência no controle da qualidade da matéria-prima vegetal e do fitoterápico, preferencialmente tendo correlação com o efeito terapêutico. O marcador pode ser do tipo ativo, quando relacionado com a atividade terapêutica do fitocomplexo, ou analítico, quando não demonstrada, até o momento, sua relação com a atividade terapêutica do fitocomplexo. X. Medicamento fitoterápico: obtidos com emprego exclusivo de matérias-primas ativas vegetais cuja segurança e eficácia sejam baseadas em evidências clínicas e que sejam caracterizados pela constância de sua qualidade. XI. Nomenclatura botânica: espécie (gênero + epíteto específico). XII. Novos alimentos e novos ingredientes: alimentos ou substâncias sem histórico de consumo no país, ou alimentos com substâncias já consumidas e que venham a ser adicionadas ou utilizadas em quantidades muito superiores às atualmente observadas nos alimentos utilizados na dieta habitual. XIII. Óleo fixo: óleo não volátil, geralmente líquido à temperatura ambiente. É predominantemente constituído por triacilgliceróis, com ácidos graxos diferentes ou idênticos. XIV. Plantas medicinais: espécie vegetal cultivada ou não, utilizada com propósitos terapêuticos. Chama-se planta fresca aquela coletada no momento do uso e planta seca a que foi submetida à secagem, quando se denomina droga vegetal. XV. Posologia: descreve a dose de um medicamento, os intervalos entre as administrações e a duração do tratamento. XVI. Preparação magistral: é aquela preparada na farmácia, a partir de uma prescrição de profissional habilitado, destinada a um paciente individualizado, e que estabeleça em detalhes sua composição, forma farmacêutica, posologia e modo de usar. XVII. Produto tradicional fitoterápico: obtidos com emprego exclusivo de matérias-primas ativas vegetais cuja segurança e efetividade sejam baseadas em dados de uso seguro e efetivo publicados na literatura técnico-científica e que sejam concebidos para serem utilizados sem a vigilância de um médico para fins de diagnóstico, de prescrição ou de monitorização. XVIII. Racionalidades em saúde: com base no termo Racionalidades Médicas, que é todo o sistema médico complexo construído sobre seis dimensões: morfologia humana, dinâmica vital, doutrina médica (o que é estar doente ou ter saúde), sistema diagnóstico, cosmologia e sistema terapêutico. O termo racionalidade em saúde propõe uma ampliação desse conceito para uma abordagem multiprofissional de cuidado em saúde incluindo as práticas tradicionais/ populares, ancestrais e ou alternativas. Sistemas terapêuticos contemplados, além do biomédico: Medicina Tradicional Chinesa, ayurveda, medicina antroposófica e homeopatia. 166 XIX. Substância ativa isolada: substância responsável pela ação terapêutica, originada do metabolismo primário ou secundário da planta medicinal ou de seus derivados. Na fitoterapia estas substâncias não podem ser prescritas, entretanto, cabe esclarecer que as substâncias bioativas, compreendidas como nutriente ou não nutriente consumido normalmente como componente de um alimento, que possui ação metabólica ou fisiológica específica no organismo humano, podem ser prescritas como suplementos alimentares, conforme legislação vigente. XX. Uso tradicional: aquele alicerçado no longo histórico de utilização no ser humano demonstrado em documentação técnico- científica, sem evidências conhecidas ou informadas de risco à saúde do usuário (CFN, 2021, Anexo I, grifo nosso). Na figura a seguir são elencadas as diferenças entre medicamento fitoterápico e produto tradicional fitoterápico, para facilitar sua compreensão dos produtos. TABELA 2 – DIFERENÇA ENTRE MEDICAMENTO FITOTERÁPICO E PRODUTO TRADICIONAL FITOTERÁPICO DIFERENÇAS MEDICAMENTO FITOTERÁPICO PRODUTO TRADICIONAL FITOTERÁPICO Comprovação de Segurança e Eficácia/Efetividade Por estudos clínicos Por demonstração de tempo de uso Boas Práticas de Fabricação Segue a RDC n° 17/2010 Segue a RDC n° 13/2013 Informações do fitoterápico para o consumidor final Disponibilizadas na bula Disponibilizadas no folheto informativo Formas de obter a autorização de comercialização junto à Anvisa Registro ou registro simplificado Registro, registro simplificado ou notificação FONTE: Cechinel Filho e Zanchett (2020, p. 85) Pronto, agora com todas as nomenclaturas conceituadas, podemos seguir com as formas farmacêuticas, que para relembrar representam: “estado final de apresentação que os princípios ativos farmacêuticos possuem após uma ou mais operações farmacêuticas executadas com ou sem a adição de excipientes apropriados, a fim de facilitar a sua utilização e obter o efeito terapêutico desejado” (CFN, 2021. Anexo I). Podem ser classificadas em sólidas, líquidas e semissólidas, as quais podem ser administradas por via oral, parenteral, retal, vaginal, oftálmica, aérea, auricular e percutânea. 3.1 FORMAS FARMACÊUTICAS SÓLIDAS As formas farmacêuticas sólidas podem ser: pós, granulados, drágeas, cápsulas, comprimidos, supositórios e óvulos, as quais estão descritas a seguir: 167 • Pós: formas que resultam da mistura de fármacos em pó, podem ser usados em cápsulas e comprimidos. • Granulados: se apresentam na forma de grãos ou granulados irregulares, podendo ser administrados diretamente ou na produção de comprimidos. • Drágeas: princípio ativo fica envolvido por um revestimento de açúcar e corante. • Cápsulas: constituídas de um invólucro amiláceo ou gelatinoso, contendo um ou mais fármacos. • Comprimido: forma sólida de um pó medicamentoso, preparado por compressão, adicionando-se ou não substâncias aglutinantes. • Supositórios e óvulos: formas sólidas usadas para aplicação retal e vaginal. Sua aplicação visa permitir a dissolução, suspensão e emulsificação do fármaco (SOUZA; MARTÍNEZ, 2017). 3.2 FORMAS FARMACÊUTICAS LÍQUIDAS A forma farmacêutica líquida, é a solução líquida em que todas as substâncias sólidas presentes na formulação estarão totalmente dissolvidas, representando um veículo adequado, podem ser elas: • Xarope: aquoso, contendo cerca de dois terços de seu peso em sacarose ou outros açúcares. Suas vantagens são: correção de sabor desagradável e conservação do fármaco; • Suspensão: consiste em um sistema heterogêneo, onde a fase externa ou dispersante é líquida, e a fase interna ou dispersa é composta por substâncias sólidas insolúveis; • Emulsões: sistemas dispersos constituídos de duas fases líquidas (oleosa e aquosa); • Tinturas: preparações alcoólicas ou hidroalcoólicas provenientes da extração ou diluição de um componente de um fármaco. Nas tinturas, o fármaco é utilizado em concentrações de 20%, normalmente; • Dentifrícios e enxaguatórios: preparações que contêm abrasivos, que permitem a limpeza mecânica dos dentes, através dos tensoativos e também os materiais aromáticos, que podem apresentar extratos, tinturas e óleos essenciais vegetais; • Óleos medicinais: óleos fixos ou ceras líquidas que contêm extratos de substâncias vegetais. Utilizados principalmente em massagens e na terapia com aromas (SOUZA; MARTÍNEZ, 2017). 3.3 FORMAS FARMACÊUTICAS PASTOSAS E GASOSA As formas farmacêuticas estão divididas em pomada, creme e gel. Vamos identificar suas diferenças: 168 • Pomada: forma semissólida que consiste de solução ou dispersão de um ou mais princípios ativos em uma base adequada, usualmente não aquosa. • Creme: forma semissólida que consiste de uma emulsão, que contém uma fase lipofílica e outra aquosa. Costuma ser utilizada para aplicação externa na pele ou mucosa. • Gel: forma semissólida que contém um agente gelificantepara fornecer firmeza. Pode conter partículas suspensas (SOUZA; MARTÍNEZ, 2017). Quanto à forma gasosa, essa é representada por aerossóis, suspensão de partículas líquidas ou sólidas, de tamanho tão pequeno que flutuam temporariamente no ar. Embora existam aerossóis em estado natural, no campo médico são obtidos através da nebulização de medicamentos líquidos, como um aparelho nebulizador que transforma uma preparação líquida em aerossol (SOUZA; MARTÍNEZ, 2017). 3.4 OUTRAS FORMAS FARMACÊUTICAS Foram citadas anteriormente as formas farmacêuticas mais comuns e com evidencias de efeito comprovadas, todavia, existem outras formas menos conhecidas e utilizadas, mas que possuem sua importância e podem ser mais exploradas e ter seus benefícios documentados, são elas: • Cataplasmas: preparações em sua maioria magistrais, com aplicação tópica na pele. • Ceratos: tipo de pomada constituído por uma mistura de cera e óleo. • Alcolatos: obtidas pela maceração alcoólica de plantas frescas, seguidas de destilação. • Sprays: semelhantes aos aerossóis, mas o diâmetro da partícula é maior. • Vaporizações: formas magistrais resultantes da liberação de vapor de água por si só, se destinam a inalação. • Ampolas: tubos de vidro/plástico, estirados nos dois topos, que podem conter líquido ou pó. Servem para facilitar a esterilização e conservação do conteúdo (SOUZA; MARTÍNEZ, 2017). Ainda nesse assunto, há formas farmacêuticas inovadoras, aplicadas à fitoterapia, pensando principalmente nas crianças e idosos. Vamos desbravá-las? Bons exemplos do aprimoramento nessa área são pirulitos, chocolates, balas e gomas de mascar onde são incorporados extratos vegetais que viabilizam o efeito terapêutico. São consideradas, formas resultantes da adaptação de formas tradicionais às novas tecnologias. Algumas das formas farmacêuticas diferenciadas disponíveis são: Shake: ideal para preparo de suplementos nutricionais. Disfarça sabores desagradáveis, tornando prazerosa a administração de grandes doses de ativos; Jujuba: forma de dose única, que consiste em material gelatinoso, doce e saboroso. Ótima opção para crianças; Bombom: dose única contendo um ou mais CURIOSIDADE 169 3.5 INTERAÇÃO FITOTERÁPICO X NUTRIENTE Estamos chegando ao final deste tópico e abordaremos de maneira geral como podem ocorrer as interações entre os nutrientes, provenientes de nossa alimentação e os componentes das plantas medicinais consumidos por meio de fitoterápicos. Vamos lá!? Já é descrito na literatura que diversas espécies de plantas medicinais e seus compostos apresentam interações com nutrientes e com medicamentos, por isso, esse tema se torna de relevante discussão, já que o nutricionista no ato da prescrição deve estar atento à estas variáveis. Antes de adentrarmos as interações, se faz necessário relembrar as fases de absorção dos medicamentos e o momento em que as interações podem ocorrer. Na figura 8, é demonstrado que na fase farmacêutica (fase I), ocorre a desintegração da forma de dosagem, seguida da dissolução da substância ativa; na fase farmacocinética (fase II), ocorrem os processos de absorção, distribuição, metabolismo e excreção (ADME), podendo ser definida como “o que o organismo faz com o fármaco”. Por fim, na fase farmacodinâmica (fase III) acontece a interação do fármaco com seu alvo e a consequente produção do efeito terapêutico, e pode ser entendida como “o que o fármaco faz no organismo” (PEREIRA, 2007; CECHINEL FILHO; ZANCHETT, 2020). FIGURA 8 – REPRESENTAÇÃO DA AÇÃO DE UM FÁRMACO NO ORGANISMO • Desintegração da forma • Dissolução da substância ativa Fa se I • Absorção • Distribuição • Metabolização • Excreção Fa se II • Interação fármaco- receptor no tecido- alvoFa se I Fármaco disponível para absorção Fármaco disponível para ação D O SE EF EI TO ativos. Promove maior adesão por ser de fácil deglutição e maior volume interno, evitando fracionamentos de doses, além de ser uma opção para mascarar sabores; Espuma – preparações constituídas pela dispersão de um grande volume de gás em uma preparação líquida. Seu uso frequente é a aplicação na pele ou nas mucosas, e se forma no momento da administração. Caracteriza-se por conferir suavidade e firmeza e apresenta oleosidade mínima; Bastão cosmético: forma muito prática para aplicar ativos no entorno dos olhos ou em outras áreas da face. A aplicação é direta na pele, não precisando utilizar espátulas; Gel transdérmico – microemulsão: facilita a permeabilidade do fármaco no local de ação. Como o fármaco não passa pelo trato gastrintestinal, os efeitos adversos gástricos são reduzidos, facilitando o tratamento de uso prolongado (SOUZA; MARTÍNEZ, 2017). FONTE: Adaptado de Pereira (2007) 170 A partir desse conceito, seguimos mais diretamente sobre a interação das plantas (fitoconstituintes) com os nutrientes. Inicialmente, é imprescindível trazer a reflexão de que a relação entre os fitoterápicos e a biodisponibilidade de micronutrientes ainda foi pouco explorada, fazendo com que muitas das interações ainda sejam desconhecidas. Todavia, com o aumento do consumo de plantas medicinais e fitoterápicos nos últimos anos, diferentes interações medicamentosas foram identificadas, visto que esses produtos são formulados com extratos vegetais concentrados que contém uma infinidade de fitoquímicos, capazes de modular enzimas e transportadores no intestino e no fígado. Alguns extratos podem reduzir a absorção de ferro, folato e ascorbato (CECHINEL FILHO; ZANCHETT, 2020). As interações acontecem, porque assim como os fármacos e os micronutrientes, os compostos químicos das plantas medicinais estão sujeitos à mesma absorção, vias de distribuição, metabolismo e excreção que o organismo utiliza para todo e qualquer xenobiótico. Fato que deixa claro que os três (fármaco, composto químico da planta e micronutriente) provavelmente irão interferir entre si quando tomados concomitantemente. Nesse sentido, considerando que milhões de pessoas ingerem mais de um suplemento por vez, é provável que haja milhares misturando plantas com suplementos vitamínicos e minerais, podendo impactar diretamente populações mais vulneráveis, como os idosos. Entre os compostos fitoquímicos mais reconhecidos como quelantes de metais da dieta estão o ácido fítico, as catequinas e a silimarina (GURLEY et al., 2018). Para contribuir com a compreensão dessa abordagem, na Tabela 3 estão listados alguns de exemplos. TABELA 3 – EXEMPLOS DE INTERAÇÕES ENTRE PLANTAS MEDICINAIS E MICRONUTRIENTES Nome popular/nome científico Nutriente e interação Cáscara sagrada/Rhamnus purshiana DC. Afeta a absorção de nutrientes dos alimentos. Hortelã-pimenta/Mentha x piperita L. Reduz absorção de ferro. Psyllium/Plantago ovata L. Pode afetar a absorção de cálcio. Cimicifuga/Cimicifuga racemosa (L) Nutt. Pode inibir a absorção de ferro. Camomila/Matricaria recutita L. Reduz a absorção de ferro. Salgueiro/Salix alba L. A presença de taninos nessa planta poderá interferir na absorção de ferro. Saw palmetto/Serenoa repens (W. Bartram) Small A presença de taninos nessa planta poderá limitar a absorção de ferro. Tanaceto/Tanacetum parthenium (L.) Sch Bip. A presença de taninos pode formar complexos com o ferro e, assim, compromete sua absorção. FONTE: Adaptado de Cechinel Filho e Zanchett (2020, p. 102) 171 Perceba que grande parte das interações ocorrem entre taninos (fi toquímicos) e o ferro. Nesse sentido, para fechar essa abordagem, segue Tabela 4 com exemplos de interações entre fi toquímicos e micronutrientes. TABELA 4 – INTERAÇÕES ENTRE CONSTITUINTES FITOQUÍMICOS DE PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERÁPICOS E MICRONUTRIENTES Constituinte químico Micronutriente/Efeito e mecanismo da interação Polifenóis (catequina, quercetina) Ferro - reduz a absorção via complexação Folato e ácido ascórbico - e reduz a absorção via inibição do transportador de absorção. Silimarina Ferro - reduz a absorção viacomplexação. Ácido fítico Cálcio, ferro e zinco - reduz a absorção via complexação. Hiperforina Vitamina D - depuração plasmática por meio da indução do metabolismo do CYP3A4. FONTE: Adaptado de Cechinel Filho e Zanchett (2020, p. 103) Em relação à interação entre plantas medicinais e fi toterápicos com medicamentos alopáticos, apresenta um risco na atualidade, pois, na maioria das situações, os indivíduos fazem o uso por conta própria, sem a orientação profi ssional adequada; além do não relato no consumo de plantas aos profi ssionais de saúde durante a anamnese, já que constituintes presentes nos fi toterápicos e plantas medicinais podem modular enzimas responsáveis pela metabolização ou transportadores que afetam a exposição sistêmica ou tecidual. Tais interações medicamentosas podem manifestar- se devido a alterações na absorção, distribuição, metabolismo, e/ou excreção da droga. Com isso, destaca-se aqui, que os prescritores devem consultar recursos confi áveis para ajudar a avaliar a segurança de combinações específi cas de plantas medicinais ou fi toterápicos e medicamentos, devendo os profi ssionais de saúde questionarem cuidadosamente os pacientes sobre o uso de produtos à base de plantas, principalmente em pacientes idosos com maior risco de interações adversas devido ao número de medicamentos que normalmente utilizam (CHECINEL FILHO; ZANCHETT, 2020). Para o momento da prescrição, caso faltem informações e/ou ainda tenha dúvidas, é recomendado utilizar o Memento Fitoterápico da Farmacopéia Brasileira (2016), elaborado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária que visa orientar a prescrição de plantas medicinais e fi toterápicos, por intermédio de monografi as apresentadas com conteúdos baseados em evidências científi cas que poderão ajudar na conduta terapêutica do profi ssional prescritor. Acesso disponível em: . DICA 172 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • A fitoterapia é uma ciência baseada no uso de plantas medicinais em diferentes formas de apresentação que podem ser usadas na prevenção e tratamento de doenças. • O Governo através de Políticas, como a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares e a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, já desenvolveu vários programas de inserção da fitoterapia no SUS, assim como estímulos para estudos científicos e registros dos produtos, como o RENISUS e a RENAME. • O Conselho Federal de Nutricionistas regulamenta a prática de prescrição de fitoterápicos pelos nutricionistas, sendo que existem critérios para que no nutricionista possa atuar nessa prescrição. • Para prescrição de fitoterápicos o nutricionista deve inserir todas as informações obrigatórias no receituário e se atentar aos fitoterápicos que só podem ser prescritos por médicos. • A prescrição do fitoterápico só deverá ser realizada se o nutricionista entender que tal intervenção contribuirá com questões específicas do tratamento dietoterápico. • As plantas medicinais quando prescritas como infusão, decocção e ou maceração, não requerem de formação específica, todo nutricionista pode realizar essa orientação, considerando a necessidade do cliente. • As formas de apresentação farmacêutica podem ser sólidas, líquidas, pastosas e gasosas, além de formas específicas usadas atualmente para questões mais específicas, como gomas para crianças. • As plantas medicinais e os fitoterápicos podem interagir com os micronutrientes, agindo principalmente na redução da absorção dos mesmos, com destaque para o ferro, o cálcio e o zinco. • Memento fitoterápico é uma base orientativa para prescrição de fitoterápicos. 173 RESUMO DO TÓPICO 1 1 As tendências globais estão direcionadas a manutenção da biodiversidade, e as ideias de desenvolvimento sustentável trouxeram novas áreas de estudos das espécies vegetais, que acabaram despertando mais interesses na fitoterapia, criando novas linhas de pesquisa em universidades brasileiras, que buscam validar a utilização das plantas. Considerando essa última afirmação, assinale a alternativa que corresponde aos critérios de validação das plantas como medicinais. a) ( ) Considera-se validada a espécie que responder positivamente à aplicação do conjunto de ensaios capazes de comprovar o benefício que lhe é atribuída, bem como sua toxicidade. b) ( ) Considera-se validada a espécie que responder positivamente à aplicação do conjunto de ensaios capazes de comprovar a existência que lhe é atribuída, sem verificar sua toxicidade num primeiro momento. c) ( ) Considera-se validada a espécie que não responder à aplicação do conjunto de ensaios capazes de comprovar a existência que lhe é atribuída, mas que seja usadas de maneira contínua por uma população específica. d) ( ) Considera-se validada a espécie que responder positivamente à aplicação do conjunto de ensaios capazes de comprovar a existência que lhe é atribuída, bem como sua toxicidade, após 10 anos de testes de efeitos colaterais e adversos em seres humanos. 2 A Resolução 680/2021 do Conselho Federal de Nutricionistas traz como disposição preliminar a regulamentação da prática da fitoterapia pelo nutricionista, atribuindo- lhe as competências. A qual entende a aplicação da fitoterapia pelo nutricionista na assistência nutricional e dietoterápica, como o uso de plantas medicinais em suas diferentes preparações, englobados plantas medicinais in natura, drogas vegetais e derivados vegetais. No entanto essa resolução também prevê exceções no ato prescritivo. Assinale a alternativa que corresponde ao que não pode ser prescrito pelo nutricionista: a) ( ) Suplementos nutricionais com oligoelementos que sejam administrados via sonda parenteral. b) ( ) Drogas vegetais que possuam interação com medicamentos e micronutrientes. c) ( ) Substâncias ativas isoladas ou altamente purificadas, administradas exclusivamente pelas vias oral e enteral. d) ( ) Alimentos funcionais que não tenham registro simplificado na ANVISA. 3 Conforme descrito no Glossário da Resolução 380/2021 do CFN chá medicinal é a droga vegetal com fins medicinais a ser preparada por meio de infusão, decocção ou maceração em água pelo consumidor. Com isso, a decocção refere-se a: AUTOATIVIDADE 174 I- Preparação que consiste na ebulição da droga vegetal em água potável por tempo determinado. II- Método indicado para partes de droga vegetal com consistência rígida, tais como: cascas, raízes, rizomas, caules, sementes e folhas coriáceas. III- Preparação que consiste no contato da droga vegetal com água à temperatura ambiente, por tempo determinado para cada droga vegetal. IV- Esse método é indicado para drogas vegetais que possuam substâncias que se degradam com o aquecimento. Assinale a opção que corresponde as afirmativas CORRETAS: a) ( ) I, II e III. b) ( ) I, II e IV. c) ( ) I e II. d) ( ) I e IV. 4 A Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos visa garantir à população brasileira o acesso seguro e o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos. Apesar de não ser uma Política nova, ainda se faz necessário diferenciar alguns de seus conceitos. Nesse sentido, diferencie plantas medicinais, fitoterapia e fitoterápico? 5 A prescrição de plantas medicinais e fitoterápicos pelos nutricionistas deve ser consciente e segura, fazendo parte de um contexto dietoterápico, em desordens que o profissional da nutrição atue de maneira direta. Para que a prescrição seja realizada de maneira correta, foram elaboradas orientações que norteiam o receituário. Descreva as informações obrigatórias no receituário: 175 FITOTERAPIA NOS CICLOS DA VIDA 1 INTRODUÇÃO Olá acadêmico(a)! Espero que esteja envolvido pelo maravilhoso mundo da fitoterapia. Agora que passamos pelos conceitos, políticas e demais legislações,e industrialização atingem a alimentação na medida em que ampliam a gama de produtos e serviços em escala mundial, através de redes de mercados e cadeias de lanchonetes e restaurantes, promovendo padronização e uniformização de consumo, de gostos e de comportamentos alimentares (GARCIA, 2003). A internet também permite maior disseminação cultural, o que, ao lado de experiências efetivas com outras nações e costumes, promove o conhecimento de novos modelos alimentícios e nutricionais que passam a influenciar as preferências dos consumidores no dia a dia (FIESP-ITAL, 2010). Assim, a alimentação da sociedade contemporânea caracteriza-se pela escassez de tempo, pelo deslocamento das refeições para fora do lar, pela flexibilização de horários para comer, por preparações e utensílios transportáveis e pela diversidade na oferta de alimentos. O individualismo exacerbado de nossa sociedade impacta nos rituais alimentares, 7 acarretando na perda do hábito de comer em companhia. O imediatismo, a urgência e o individualismo destes tempos infl uenciam as práticas de consumo, condicionando novos modos de comer (GARCIA, 2003; FRANÇA et al., 2012 ; BORSOI et al., 2014). O consumidor moderno está familiarizado com a produção industrial de alimentos e tem apreciado sua regularidade e praticidade (FONSECA et al., 2011). Tal perspectiva acarreta na procura por refeições prontas e semiprontas para consumo, alimentos de fácil preparo, embalagens de fácil abertura, fechamento e descarte, produtos para o preparo em forno de micro-ondas, produtos embalados para consumo individual (monodoses), alimentos que possam ser consumidos rapidamente, no transporte ou mesmo no local de trabalho, além das opções de fast food e tele-entrega (FIESP-ITAL, 2010). Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2017-2018, desenvolvida pelo IBGE (2019), apontam para um aumento nas despesas com alimentação fora do domicilio, bem como para uma redução no consumo de alimentos básicos da culinária brasileira tais quais cereais, leguminosas e oleaginosas, conforme observado nos gráfi cos a seguir. Observou-se, por exemplo, que em 15 anos, a quantidade média de consumo per capita anual de feijão caiu 52% (de 12,394 kg na edição 2002-2003 para 5,908 kg em 2017- 2018), enquanto a quantidade de arroz caiu 37% (31,578 kg para 19,763 kg). GRÁFICO 1 – PERCENTUAL DE DESPESA COM ALIMENTAÇÃO NO BRASIL FONTE: IBGE (2019, on-line) Para refl etir acerca da importância do hábito de cozinhar na cultura alimentar de um povo, assista ao documentário “Cooked”, produzido por Michael Pollan, disponível no Netfl ix. Esta série documental resgata as tradições na cozinha na tentativa de restaurar o equilíbrio na vida. Diante do crescimento da indústria alimentícia, o jornalista caminha na contramão e levanta a bandeira de que devemos resgatar as origens dos alimentos, devemos nos reconectar com os alimentos. DICA 8 GRÁFICO 2 – DISTRIBUIÇÃO DE DESPESAS COM ALIMENTAÇÃO OS GRUPOS ALIMENTOS FONTE: IBGE (2002-2003, 2017-2018, on-line) Corroborando estes achados, dados preliminares do Vigitel Brasil 2020 apontam que menos de ¼ da população brasileira atingia o consumo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para frutas e hortaliças (ingestão diária ≥400g), ao passo que, 18,5% dos respondentes havia consumido 5 ou mais grupos de alimentos ultraprocessados no dia anterior à entrevista. Esta pesquisa demonstrou ainda que o excesso de peso e obesidade seguem aumentando, atingindo alarmantes 57,5% e 21,5% da população brasileira, respectivamente (BRASIL, 2021). Pesquisa realizada em 2010 pela FIESP/ITAL sobre o perfil de consumo alimentar no Brasil, o “Projeto Brasil Food Trends 2020”, aponta que “praticidade e conveniência” são os principais motivos dos consumidores ao optarem por alimentos industrializados. Do total de entrevistados, 34% priorizaram estes dois itens, deixando aspectos como “confiabilidade e qualidade”, “sensorialidade e prazer” e “saudabilidade e bem-estar, ética e sustentabilidade” em segundo, terceiro e quarto lugar, respectivamente. Este último quesito foi eleito como prioritário para apenas 21% dos entrevistados (FIESP-ITAL, 2010). 9 Esse novo modo de alimentar-se do comensal contemporâneo impacta não só em aspectos relacionados à cultura alimentar como também à saúde. Haja vista que, muitos dos alimentos industrializados e prontos para consumo que ganham cada dia mais espaço na mesa dos brasileiros, compõe refeições desbalanceadas, hipercalóricas, ricas em açúcares, gorduras e aditivos alimentares. Cabe destacar que este padrão alimentar contribui para a elevação das taxas de sobrepeso, obesidade, dislipidemias, hipertensão, diabetes, cardiopatias entre outras, além da diminuição da qualidade de vida da população (FRANÇA et al., 2012). Em contrapartida, há uma crescente pressão por parte de anúncios publicitários e informações divulgadas nas mídias e comunidade científica para a adoção de um estilo de vida mais saudável, o qual engloba alimentação e atividade física. A publicidade faz uso de dados científicos para legitimar seus produtos e dar-lhes um status que possibilite classificá-los como saudáveis e, dessa forma, recomendáveis para o consumo, impactando nas escolhas alimentares (DIEZ-GARCIA, 2017). Além da publicidade tradicional, na era da internet, ganharam destaque o papel dos influencers digitais, grupo formado por indivíduos que se sobressaem nas redes sociais e que possuem a capacidade de mobilizar um grande número de seguidores, pautando opiniões e comportamentos e até mesmo criando conteúdos que sejam exclusivos. A exposição de seus estilos de vida, experiências, opiniões e gostos acabam tendo uma grande repercussão em determinados assuntos. Há um nicho específico dentre os influencers digitais voltado ao mercado fitness, capazes de influenciar nas decisões de compra de seus seguidores no que diz respeito à alimentos e suplementos. Estes indivíduos são contratados pelas marcas para desenvolverem a publicidade de seus produtos, visto que a confiança que os seguidores depositam neles é transferida para a marca a partir do momento que uma foto ou vídeo é postado indicando seu produto (SILVA; TESSAROLO, 2016). Uma vez que o interesse da publicidade é meramente financeiro, devemos estar atentos a veracidade da informação divulgada, pois esta pode se utilizar de estudos científicos de qualidade metodológica duvidosa ou mesmo distorcer os resultados em prol de seus objetivos de mercado. Os influencer digitais, por sua vez, muitas vezes são indivíduos leigos que disseminam informações sem respaldo técnico, visando exclusivamente o cumprimento de seus contratos de divulgação de produto. Parte da população não apresenta consciência crítica para filtrar as informações divulgadas e acaba por aderir a padrões de consumo, que não só não apresentam os benefícios postulados, como também podem acarretar em malefícios. A noção de cuidado consigo e com o outro por meio da alimentação se tornou algo cada vez mais valorizado pelos comensais, que passaram a ter preocupações com uma alimentação saudável e com a composição nutricional daquilo que ingerem (FONSECA et al., 2011). Ganha destaque a procura por alimentos funcionais e produtos para dietas e controle do peso (FIESP-ITAL, 2010). A indústria de alimentos tem se utilizado da manipulação tecnológica de alimentos por princípios nutricionais afim de atender a esta 10 busca por alimentos ditos mais saudáveis (DIEZ-GARCIA, 2017). Temos visto aumentar nas prateleiras de supermercados produtos alimentícios alegadamente saudáveis, os quais, atualmente utilizam denominações “fi t” ou “fi tness”. Muitos destes produtos alimentícios “fi t” apresentam menor teor calórico, exclusão de glúten, lactose e/ou açúcares, redução de sódio ou ainda e são recomendados, através de estratégias de marketing industrial, para indivíduos saudáveis, sem qualquer alergia ou intolerânciaassim como pelas orientações para uma prescrição assertiva, iremos adentrar pelas inúmeras possibilidades de aplicação dessa terapia, sempre com intuito de beneficiar a saúde de nossos clientes/pacientes. Nesse tópico estamos destinados a explorar os diferentes ciclos da vida, e as plantas medicinais que podem ou não ser utilizadas em cada fase. Vamos lá? Há fases do ciclo da vida que nosso organismo pode estar mais suscetível a processos de vulnerabilidades, como é o caso da gestação, lactação, infância e envelhecimento, momentos esses em que se pode adoecer com maior facilidade, assim como, as interações entre nutrientes e demais xenobióticos é maior e a possibilidade de toxicidade de fitoterápicos por exemplo, também pode ser exacerbada, por isso, o maior cuidado e necessidade de discussão sobre esses períodos. Nesse sentido será abordado as principais alterações e cuidados em relação às fases especiais de vida. Em um primeiro momento, durante a gestação e a lactação, pode ocorrer pressão de familiares e amigos sobre diferentes assuntos, entre eles o uso de plantas medicinais, mais comumente os “chás de vó”. Para cada queixa da gestante, há alguém para indicar um chazinho. Entretanto, de maneira geral, o uso de plantas medicinais e de fitoterápicos não é recomendado na gestação devido à falta de estudos científicos, principalmente ligados a segurança e ausência de toxicidade ao feto, pois muitas plantas apresentam atividade abortiva, teratogênica e tóxica. Por sua vez, na infância, o uso da fitoterapia ocorre por escolha inicialmente dos pais e/ou cuidadores, sendo o uso tradicional o mais incentivado em situações de problemas gástricos, respiratórios e de insônia. Todavia, por se tratar de uma fase importante, deve-se prestar atenção e realizar ajustes da dosagem devido aos sistemas ainda imaturos das crianças. No caso da população idosa, é perceptível que o uso da fitoterapia é maior, especialmente no Brasil, sendo o uso das infusões o mais comum. É importante destacar aqui, que como os idosos muitas vezes utilizam grande quantidade de medicações, deve-se atentar a possíveis interações medicamentosas e, consequentemente, efeitos indesejáveis. UNIDADE 3 TÓPICO 2 - 176 Nos próximos tópicos desdobraremos cada situação brevemente descrita anteriormente. 2 GESTAÇÃO E LACTAÇÃO O período gestacional normal é constituído por aproximadamente 40 semanas, em um primeiro momento, que compreende os três primeiros meses ocorrem diversas modifi cações fi siológicas no organismo da mãe, isso devido à intensa divisão celular. Modifi cações essas que podem desencadear náuseas e vômitos, principalmente. Já nos segundo e terceiro trimestres, o desenvolvimento fetal sofre maior infl uência do meio externo, sendo a gestação interferida por diversas condições. Em geral nesse período, a constipação é uma das principais reclamações (SAMAVATI et al., 2017). O uso de plantas medicinais durante a gestação é um assunto que requer muita atenção, pois, conforme mencionado anteriormente, diversas espécies apresentam potencial tóxico, teratogênico e abortivo. No entanto, devido à ideia de que planta medicinais, “se não faz bem, mal também não faz”, muitas vezes as gestantes preferem usar plantas medicinais para o alívio de sintomas comuns (como náusea e vômito, constipação, inchaço, ansiedade e infecções urinárias de repetição), colocando a sua saúde e a de seus fi lhos em risco em virtude dos estudos de segurança com plantas medicinais serem escassos e muitas vezes da falta de conhecimento de todas as propriedades fi toquímicas, unidas a falta de comunicação com seus respectivos profi ssionais de saúde (BRUNO et al., 2018). Segundo estudo de Samavati et al. (2017), algumas espécies que são culturalmente utilizadas por gestantes para alívio de sintomas digestivos, como o gengibre, o funcho e a canabis, no combate à náusea; e o ruibarbo, linhaça, feno-grego e sene para alívio da constipação. Destas, foi verifi cado que o sene parece ser seguro como laxativo, e o gengibre, como antiemético, no primeiro trimestre, devendo o uso ser feito com precaução no segundo e terceiro trimestres, assim como o funcho. A linhaça Um estudo realizado por Kennedy e colaboradores (2016) com mulheres da Europa e na Austrália observou que, no total, 29,3% delas (n = 2.673) relataram utilizar plantas medicinais na gravidez. Como resultado, das 126 espécies relatadas, 27 foram classifi cadas como contraindicadas, sendo usadas por 20% das mulheres. As plantas mais utilizadas e classifi cadas como seguras foram Zingiber offi cinale (gengibre) (56,7%), Vaccinium oxycoccos L./macrocarpon Aiton (arando) (55%) e Mentha x piperita L. (hortelã-pimenta) (15,9%). CURIOSIDADE 177 também deve ser usada com precaução, enquanto o feno-grego e a canabis não devem ser utilizados. Já com relação à ingestão de ruibarbo e linhaça no primeiro trimestre, não foram encontrados estudos clínicos que suportem esse uso de forma segura. O estudo destacou que a emodina, presente no ruibarbo, induz anormalidades fetais, e o feno-grego induz efeito teratogênico. Embora seguro no primeiro trimestre, há relato que ocorre uma redução do período gestacional quando o gengibre é utilizado no segundo trimestre, assim como o funcho. Já a canabis pode levar a transtornos neurológicos fetais (SAMAVATI et al., 2017). De forma mais breve, de acordo com Li e colaboradores (2019), entre as espécies mais utilizadas na gestação e consideradas seguras, estão o Zingiber officinale Roscoe (gengibre), usado no mundo todo para o combate à náusea no período gestacional e a Plantago ovata Forssk (psílio), para modulação da constipação, através do aumento do volume de absorção de água e estímulo do peristaltismo intestinal (CLEMENTI; WEBER- SCHÖNDORFER, 2015). Os profissionais de saúde que desejam prescrever plantas medicinais de forma complementar à medicina convencional devem agir com cautela, analisando o uso em cada caso, avaliando benefícios, efeitos adversos e possíveis interações medicamentosas. Pois, ressaltamos mais uma vez, há escassez de evidências clínicas para assegurar o uso de plantas medicinais e fitoterápicos no período gestacional e na lactação (BRUNO et al., 2018). É essencial assegurar a qualidade, a segurança e a eficácia, além de esclarecer à população em geral e aos profissionais de saúde, principalmente, sobre os riscos do uso indiscriminado de espécies medicinais. Além da falta de conhecimento adequado sobre os compostos presentes nos extratos de plantas e seus efeitos terapêuticos ou tóxicos, a prescrição de fitoterápicos e o uso de chás durante a gestação devem ser realizados com muita cautela e de forma bem planejada. Pode haver efeitos indesejáveis tanto na mãe quanto no feto, especialmente no primeiro trimestre, já que o embrião está em desenvolvimento. É precisamente nesse estágio que anomalias induzidas por agentes teratogênicos podem ocorrer – especialmente quando se trata de extratos de plantas medicinais, nos quais os compostos exatos presentes não são conhecidos e podem levar a malformações, já que a maioria das informações é apenas baseada em estudos de caso, e estudos clínicos são raros ou limitados. A maioria das recomendações é baseada em estudos pré-clínicos, que podem não refletir de forma adequada as condições e o desenvolvimento embrionários de humanos (BRUNO et al., 2018 apud CECHINEL FILHO; ZANCHETT, 2020, p. 123). NOTA 178 Na Tabela 5 estão elencadas as espécies vegetais contraindicadas na gestação e seus efeitos. TABELA 5 – ESPÉCIES VEGETAIS CONTRAINDICADAS NA GESTAÇÃO E SUAS RESPECTIVAS AÇÕES MALÉFICAS NOME CIENTÍFICO NOME POPULAR AÇÃO Aloe spp. Babosa Emenagoga, abortiva, mutagênica, ocitócica e catártica Arnica montana L. Arnica Estimulante do útero, possui alta toxicidade Artemisia absinthium L. Losna Emenagoga, neurotóxica e ocitócica Baccharis spp. Carqueja Abortiva, relaxante do úteroalimentar, sob a alegação pseudocientífi ca dos benefícios à saúde frente a exclusão destes componentes. Contudo, uma vez que o consumidor dispõe de um maior acesso à informação e uma parcela destes têm apresentado maior consciência crítica, também têm havido uma busca crescente por alimentos e produtos alimentícios que sejam de fato mais saudáveis e sustentáveis. Nisto, há maior procura pelo mercado de produtos ou alimentos orgânicos, não transgênicos, com menos conservantes e corantes artifi ciais e com adição de fi bras, vitaminas e minerais. Para atender a essa demanda, a indústria de alimentos tem apresentado como opções as bebidas à base de frutas, snacks de frutas, oleaginosas e vegetais e iogurtes naturais (FIESP-ITAL, 2010). Ao profi ssional Nutricionista, enquanto detentor do conhecimento do papel da alimentação para a manutenção da saúde e prevenção de doenças, bem como do papel biopsicossocial do ato de comer, cabe equacionar as necessidades nutricionais e alimentares próprias da sociedade contemporânea ao estilo de vida que se apresenta, para melhor orientar os indivíduos e grupos sob seus cuidados. O Nutricionista deve se valer de estratégias de Educação Alimentar e Nutricional no instituto de capacitar seus pacientes a analisar os produtos alimentícios disponíveis afi m de fazer as escolhas mas apropriadas em cada caso. 4 EMPREENDEDORISMO As transformações observadas na sociedade contemporânea abrem espaço para a promoção do empreendedorismo e à generalização de uma “cultura empreendedora” na sociedade brasileira visando atender as novas necessidades do mercado. Os empreendedores precisam identifi car onde estão as oportunidades futuras, as quais podem ser indicadas por um conjunto de tendências e mudanças sociais, políticas, econômicas e culturais (FERREIRA; SANTOS; SERRA, 2010). Atento às mudanças no padrão de consumo alimentar, a 2ª edição do Guia Alimentar da População Brasileira traz um apelo à priorização de alimentos in natura e minimamente processados e estimula a valorização dos modos tradicionais de alimentação e do comer em companhia, entre outros aspectos. ATENÇÃO 11 Segundo Chiavenato (2021), empreender significa a união, de forma inteligente, inovadora e integrada de: um produto ou serviço (oferta), que satisfaça uma necessidade ou aspiração do mercado (uma dor), para um cliente ou consumidor que precisa satisfazer tal necessidade (o remédio), e um meio de disponibilizar ou entregar o produto/serviço por meio próprio ou de intermediário, por um preço que o cliente possa se dispor a pagar (valor), e que permita um razoável retorno do empreendedor (lucro). Ou seja, o empreendedor por ser visto como o indivíduo que identifica uma oportunidade e cria um negócio para capitalizar sobre ela, assumindo riscos calculados (BAGGIO; BAGGIO, 2014). Diferentemente do que muitos imaginam, o empreendedorismo não se limita a criação de novas empresas, podendo abranger novos negócios, produtos, marcas e inovações em qualquer área de atuação (MEDEIROS; ANDRADE, 2017). Inovar na forma de ofertar um serviço padrão é considerado empreendedorismo. O espírito empreendedor está na veia de muitas pessoas dotadas de uma vontade de construir algo que faça valer a pena de viver a sua vida, surgindo quando o indivíduo quer conquistar autonomia, atingir excelência em seu próprio empreendimento e melhorar sua qualidade de vida (CHIAVENATO, 2021). Além de objetivos pessoais, há também fatores exógenos que conduzem o indivíduo ao empreendedorismo como a necessidade de ter uma fonte de renda complementar ou frente a uma situação de desemprego (FERREIRA; SANTOS; SERRA, 2010). O comportamento empreendedor impulsiona o indivíduo e transforma contextos. A essência do empreendedorismo está na mudança, por isso o empreendedor tende a ver o mundo com novos olhos, com novos conceitos, com novas atitudes e propósitos (BAGGIO; BAGGIO, 2014). Devido a difusão de conhecimento acerca dos impactos da Nutrição na saúde, estética, qualidade de vida, prevenção e tratamento de doenças, tem crescido cada vez mais o interesse da população pelo tema, abrindo espaço para múltiplas formas de empreender na área. Associado a isso, temos observado um aumento na competividade no mercado de trabalho relacionado à Nutrição em virtude do crescimento exponencial no número de graduados semestralmente, que impulsionam o profissional Nutricionista a se destacar através do empreendedorismo. 4.1 ÁREAS POSSÍVEIS PARA EMPREENDER EM NUTRIÇÃO Assim como há uma ampla gama de áreas e subáreas de atuação dentro da Nutrição, também há muitas oportunidades para empreender neste campo. Dessa forma, nosso intuito neste tópico não é esgotar o tema e sim elencar algumas, dentre as diversas possibilidades, de empreendimentos em Nutrição. 12 4.1.1 Nutrição Clínica De forma geral, as iniciativas empreendedoras na área de Nutrição Clínica envolvem a avaliação nutricional, a prescrição dietoterápica e o acompanhamento nutricional. Os diferenciais apresentados nestas iniciativas dependerão do público-alvo atendido e da forma de ofertar tais serviços. Veja a seguir alguns exemplos: · Consultório de Nutrição: envolve o estabelecimento e a gestão de um espaço (sala ou clínica) para a realização do atendimento nutricional, que pode atender aos mais variados perfis de pacientes (crianças, adultos, idosos, gestantes) em suas necessidades (emagrecimento, nutrição esportiva, dietoterapia para patologias, introdução alimentar). Pode ser exclusivo de um único profissional ou estabelecido em sociedade com outros profissionais Nutricionistas ou de áreas fins (por exemplo, médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas). A oferta de serviços inovadores nestes estabelecimentos pode ser um diferencial do negócio, tais como: espaço lúdico para crianças; espaço com cozinha para demonstrações de técnicas e receitas; e avaliação por Bioimpedância. Trata-se de um negócio de custo de implantação mais elevado haja a vista que engloba as despesas de locação ou aquisição, não só do espaço físico como também de equipamentos de antropometria e informática, mobiliário, além dos custos de manutenção (água, luz, internet, telefone e afins). · Consultoria em Nutrição Esportiva: haja vista que poucas academias contam com Nutricionista integrando seu quadro técnico, a oferta de consultoria nestes estabelecimentos apresenta alto potencial lucrativo (MARQUES et al., 2018). Clubes de esportes, sejam eles recreacionais ou de alto rendimento (atletas) também podem ser alvo destes serviços. Um facilitador deste tipo de empreendimento é o baixo custo de implantação uma vez que a oferta dos serviços se dá no estabelecimento desportivo, o qual por vezes já dispõe de equipamentos de antropometria, cabendo ao profissional Nutricionista arcar com seu deslocamento. · Consultoria Empresarial: atentos à saúde e qualidade de vida de seus colaboradores, muitas empresas têm buscado ofertar-lhes, no ambiente de trabalho, serviços de saúde. Neste contexto o profissional Nutricionista pode ofertar, in loco, palestras sobre temas oportunos de Alimentação e Nutrição, bem como atendimentos nutricionais individuais e/ou coletivos. Requer adequação dos serviços ofertados ao perfil dos colaboradores, objetivos do contratante e disponibilidade de espaço físico na empresa. No planejamento dos encontros, devem ainda levar em consideração a rotina de trabalho, tendo em vista a produtividade dos colaboradores. · Grupos de Nutrição: caracterizam-se pela oferta de assistência nutricional de forma coletiva, por meio de grupos que reúnem indivíduos os quais não se conhecem entre si, porém possuem objetivos em comum, tais como emagrecimento, reeducação alimentar e controle de patologias. Permite que o profissional molde o grupo em relação ao número de encontros, duração, localização (presencial ou on-line), temáticas abordados, metodologia dos encontros e ferramentase técnicas utilizadas (avaliação nutricional, oferta de orientações e/ou cardápio alimentar, oficinas de culinária, lista de compras, grupos para comunicação por aplicativos de 13 mensagem), conforme sua disponibilidade, interesse e perfil dos participantes. É uma possibilidade de ampliar o atendimento para um número maior de indivíduos, maximizando assim os lucros, porém requer um alto grau de organização e planejamento prévio do Grupo pelo Nutricionista, bem como sua divulgação. · Personal Dieter: trata-se de um atendimento nutricional domiciliar individualizado ou familiar. Esta abordagem permite a oferta de serviços diferenciados, como a orientação ou acompanhamento do cliente nas etapas do processo alimentar propriamente dito (aquisição de alimentos, lista de compras, higienizição, pré-preparo e preparo de alimentos, utilizações de louças e utensílios, e consumo alimentar) (DAL BOSCO, 2015). Apresenta a vantagem de ser um empreendimento de relativo baixo custo, contudo requer que o profissional disponha de meio de deslocamento adequado até o domicílio do paciente haja vista que terá de transportar seus materiais para o atendimento (fichas e planilhas, notebook, equipamentos de antropometria, entre outros). · Atendimento domiciliar ou Home Care: similar ao Personal Dieter, trata-se também de atendimento domiciliar, porém focado em pacientes com condições patológicas que apresentam dificuldades de deslocamento. Neste caso o atendimento nutricional pode ser ofertado de forma isolado ou junto a uma equipe multiprofissional. O Nutricionista pode tanto trabalhar de forma autônoma como também pode prestar serviços para empresas ou convênios de saúde. 4.1.2 Nutrição em Alimentação Coletiva e Produção de Alimentos Atualmente, o campo da Alimentação Coletiva é o que concentra maior atuação de nutricionistas empreendedores. Englobando desde a consultoria em Unidades de Alimentação e Nutrição (UAN) até a gestão de estabelecimentos que servem refeições (restaurantes, lanchonetes, confeitarias) ou que as preparam para distribuição (prontas para consumo ou congeladas) (LUMERTZ, 2015). A busca da sociedade contemporânea por uma alimentação mais saudável que alie praticidade abre espaço para que o profissional Nutricionista inove através da elaboração de cardápio e ficha técnica de refeições nutricionalmente balanceadas para tele-entrega de refeições. Da mesma forma, tem surgido a possibilidade de atuar como consultor no desenvolvimento de produtos alimentícios e suplementos em pequenas e grandes indústrias de alimentos. 4.1.3 Nutrição em Ensino Valendo-se do seu conhecimento técnico, o profissional nutricionista pode oferecer cursos e capacitações, nas mais diversas áreas da Nutrição, quer seja para pacientes, colaboradores, empresas ou mesmo para estudantes e Nutricionistas. Neste sentido, diversas são as abordagens possíveis, tais como: 14 · Cursos de culinária convencional ou funcional: podem ser ofertados para pacientes de todas as idades, cuidadores, cozinheiras, funcionárias do lar (ex: babá, auxiliar) e para Nutricionistas. · Cursos ou capacitações para temas específicos da formação profissional: podem ser oferecidos à estudantes ou Nutricionistas, com temáticas de maior interesse ou dificuldade destes, tais como Avaliação Antropométrica, Bioquímica, Intepretação de Exames Laboratoriais, Patologias Específicas, Microbiota Intestinal, Nutrição Enteral e Parenteral, Nutrição Esportiva, entre outros. · Cursos de Aleitamento Materno: para apoio às mães e familiares. · Cursos preparatórios para provas: para estudantes ou Nutricionistas que desejam prestar provas para Residência, Programas de Pós-graduação ou Concursos Públicos. 4.2 PRÉ-REQUISITOS AO EMPRENDEDOR Ao pensar em empreender, é importante atentar para alguns aspectos fundamentais em relação à preparação prévia necessária, tais como capacitação técnica e característica pessoais, que impactam nos resultados alcançados. 4.2.1 Características de um empreendedor Ser empreendedor tem significados distintos para diferentes pessoas e não há um perfil empreendedor único, que inclua todas as características do empreendedor de sucesso. Os empreendedores possuem experiências profissionais, níveis de escolaridade, situações familiares, idades, características psicológicas e emocionais diversas (FERREIRA; SANTOS; SERRA, 2010). Contudo, há um conjunto de traços semelhantes entre os empreendedores, como: apto a detectar oportunidades de negócios; assumir os riscos com prudência; a necessidade de trabalhar com autonomia; a assunção de responsabilidade; a criatividade e inspiração necessária para o negócio; a motivação pessoal e a busca pela recompensa desejada, que pode ser financeira, de independência, de reconhecimento social e/ou de realização pessoal. Além disso, o empreendedor reúne uma visão externa (mercado e consumidores) e uma visão interna (adequação do negócio, produto e oferta) no sentido de viabilizá-las. Ou seja, o empreendedor é definido em termos de comportamentos e atitudes, não de características de personalidade (FERREIRA; SANTOS; SERRA, 2010; MEDEIROS; ANDRADE, 2017; CHIAVENATO, 2021). 15 4.2.2 Capacitação Técnica do Empreendedor Precisamos atentar para o fato de que a formação em Nutrição não aprofunda conhecimentos técnicos relacionados ao empreendedorismo, requerendo do profi ssional que deseja empreender buscar qualifi cação no tema. A importância de estudar empreendedorismo é baseada no fato de que um indivíduo não nasce empreendedor, mas, sim, torna-se um, uma vez que esteja munido de formação e informação adequadas. Além disso, os potenciais empreendedores dotados de conhecimento técnico, entenderão melhor os desafi os a que estã o sujeitos, contribuindo para maior probabilidade de sucesso do empreendimento (FERREIRA; SANTOS; SERRA, 2010). Há quatro as fases do processo de empreender: identifi car e avaliar a oportunidade; desenvolver o plano de negócios; determinar e captar os recursos necessários; gerenciar a organização criada (BAGGIO; BAGGIO, 2014). Minimamente, conhecimentos técnicos relacionados à administração, gestão e liderança, são necessários para lidar com as 3 ultimas fases deste processo. Tal capacitação pode ser obtida através de cursos, livros e especializações. Conforme abordado anteriormente, a evolução tecnológica vivenciada na atualidade transformou o acesso à educação e conhecimento, de forma que dispomos de acesso facilitado à formações voltadas ao empreendedorismo de forma online. 4.2.3 Planejamento Um plano de negócios, ou seja, um planejamento detalhado, é fundamental para um empreendimento de sucesso. Por meio dele é possível defi nir os objetivos do empreendimento e o que deve ser feito para alcança-los (DAL BOSCO, 2015). O planejamento parte da escolha da área de atuação específi ca, ou seja, a segmentação de mercado. Deve incluir ainda o estudo de mercado, que visa avaliar: o investimento (de tempo, recursos fi nanceiros e recursos humanos) necessário ao empreendimento; os comportamentos, preferências e necessidades dos clientes/pacientes; e analisar a concorrência. A defi nição de metas e objetivos que se deseja alcançar é outro ponto fundamental no planejamento, que irá nortear a gestão do negócio, bem como deve ser realizada a avaliação dos aspectos legais que o regulamentam (MARTINS, 2018). Quer estudar mais sobre empreendedorismo, ler relatos de empreendedores e acessar cursos a respeito? Visite o site do Sebrae: https://www.sebrae.com.br/ sites/PortalSebrae/tipoconteudo/empreendedorismo# DICA 16 5 MARKETING EM NUTRIÇÃO Tendo em vista a necessidade de captação pacientes, clientes e/ou consumidores, aliada a competitividade do mercado, faz-se necessário que o profissional Nutricionista utilize de ferramentas e estratégias de Marketing para se sobressair. Cabe destacar que a utilização de recursos de Marketing deve respeitar o Código de Éticada Nutrição, que estabelece limites neste sentido, conforme veremos a seguir. A função primordial do Marketing é lidar com os clientes, visando o estabelecimento de relacionamentos lucrativos com eles, atraindo-os através da promessa de valor superior. Em relação aos clientes atuais, visa a manutenção e cultivo destas relações por meio da satisfação plena destes (SILVA, 2014). Dal Bosco (2015) defende que o marketing do terceiro milênio é orientado à criação e à experiência, e não ao controle de um mercado. Tem por base a implementação da educação desenvolvimentista, do aperfeiçoamento incremental em um processo contínuo, e não somente a utilização de simples táticas para concentrar uma fatia de mercado ou eventos únicos (DAL BOSCO, 2015). Os quatro pilares básicos de qualquer estratégia de marketing – conhecidos como os 4 Ps do Marketing, são: produto, preço, praça e promoção. Para apresentar sua proposta de valor, a empresa ou profissional deve criar uma oferta ao mercado (produto ou serviço) que satisfaça as necessidades do cliente. Ela deve decidir quanto cobrará por esta oferta (preço) e como a disponibilizará aos clientes-alvo (praça). Por último, deve divulga-la e persuadir o cliente-alvo de seus méritos (promoção) (SILVA, 2014). 5.1 PRINCÍPIOS ÉTICOS NO MARKETING EM NUTRIÇÃO O profissional Nutricionista, ao se utilizar de ferramentas e técnicas de Marketing deve respeitar os preceitos do Código de Ética e de Conduta da profissão estabelecido pelo Conselho Federal de Nutricionistas (CFN). Especial atenção deve ser dada ao posicionamento do profissional Nutricionista nas mídias sociais, espaço no qual muitas vezes os limites profissionais-pessoais se confudem. Em relação ao uso de estratégias para comunicação e informação ao público e para divulgação das atividades profissionais, utilizando quaisquer meios, alguns artigos do código de ética merecem maior destaque: Art. 54 É direito do nutricionista divulgar sua qualificação profissional, técnicas, métodos, protocolos, diretrizes, benefícios de uma alimentação para indivíduos ou coletividades saudáveis ou em situações de agravos à saúde, bem como dados de pesquisa fruto do seu trabalho, desde que autorizado por escrito pelos pesquisados, respeitando o pudor, a privacidade e a intimidade própria e de terceiros. 17 Art. 55 É dever do nutricionista, ao compartilhar informações sobre alimentação e nutrição nos diversos meios de comunicação e informação, ter como objetivo principal a promoção da saúde e a educação alimentar e nutricional, de forma crítica e contextualizada e com respaldo técnico-científico. Parágrafo único. Ao divulgar orientações e procedimentos específicos para determinados indivíduos ou coletividades, o nutricionista deve informar que os resultados podem não ocorrer da mesma forma para todos. Art. 56 É vedado ao nutricionista, na divulgação de informações ao público, utilizar estratégias que possam gerar concorrência desleal ou prejuízos à população, tais como promover suas atividades profissionais com mensagens enganosas ou sensacionalistas e alegar exclusividade ou garantia dos resultados de produtos, serviços ou métodos terapêuticos. Art. 57 É vedado ao nutricionista utilizar o valor de seus honorários, promoções e sorteios de procedimentos ou serviços como forma de publicidade e propaganda para si ou para seu local de trabalho. Art. 58 É vedado ao nutricionista, mesmo com autorização concedida por escrito, divulgar imagem corporal de si ou de terceiros, atribuindo resultados a produtos, equipamentos, técnicas, protocolos, pois podem não apresentar o mesmo resultado para todos e oferecer risco à saúde (CFN, 2018, p. 19-20). Da mesma forma, aspectos do Código de Ética devem ser respeitados pelo nutricionista quando da sua associação, divulgação, indicação ou venda de produtos, de marcas de produtos, de serviços, de empresas ou de indústrias, tais quais: Art. 60 É vedado ao nutricionista prescrever, indicar, manifestar preferência ou associar sua imagem intencionalmente para divulgar marcas de produtos alimentícios, suplementos nutricionais, fitoterápicos, utensílios, equipamentos, serviços, laboratórios, farmácias, empresas ou indústrias ligadas às atividades de alimentação e nutrição de modo a não direcionar escolhas, visando preservar a autonomia dos indivíduos e coletividades e a idoneidade dos serviços. I- Inclui-se como formas de divulgação a utilização de vestimentas, adereços, materiais e instrumentos de trabalho com a marca de produtos ou empresas ligadas à área de alimentação e nutrição. Excetuam-se profissionais contratados por empresa ou indústria durante o desempenho de atividade profissional para esta contratante. Art. 62 É vedado ao nutricionista condicionar, subordinar ou sujeitar sua atividade profissional à venda casada de produtos alimentícios, suplementos nutricionais, fitoterápicos, utensílios ou equipamentos ligados à área de alimentação e nutrição. Art. 63 É vedado ao nutricionista fazer publicidade ou propaganda em meios de comunicação com fins comerciais, de marcas de produtos alimentícios, suplementos nutricionais, fitoterápicos, utensílios, equipamentos, serviços ou nomes de empresas ou indústrias ligadas às atividades de alimentação e nutrição. Art. 64 É vedado ao nutricionista receber patrocínio ou vantagens financeiras de empresas ou indústrias ligadas à área de alimentação e nutrição quando configurar conflito de interesses. Parágrafo único. Excetua-se o caso de o nutricionista ser contratado pela empresa ou indústria que concedeu tal patrocínio ou vantagem financeira (CFN, 2018, p. 21). 18 5.2 MARKETING DIGITAL EM NUTRIÇÃO A internet, especialmente as redes sociais, se apresenta como um canal de Marketing, relativamente novo porém muito promissor. O Marketing Digital possibilita que o profi ssional divulgue suas informações, serviços e produtos com amplo alcance geográfi co e agilidade (NERIS; BARROS, 2020). Viabiliza também a customização das ofertas e dos serviços, de acordo com as necessidades individuais, uma vez que permite a coleta de informação acerca das necessidades e interesses dos possíveis clientes (SILVA, 2014; NERIS; BARROS, 2020). O primeiro passo para a utilização do Marketing Digital é buscar conhecer o público alvo, por exemplo através de enquetes, para então produzir conteúdos de qualidade, com constância, que atendam as expectativas destes (MARTINS, 2021). O profi ssional Nutricionista pode lançar mão do Marketing Digital de forma gratuita, através de postagens de texto, imagem ou vídeo em redes sociais, atraindo seguidores que poderão transforma-se em clientes e/ou pacientes. Há ainda a possibilidade de utilizar-se de publicações patrocinadas, através das quais o profi ssional investe um valor em dinheiro para que seu perfi l ou publicações sejam sugeridos para um grupo maior de usuários das redes sociais em questão, ampliando assim sua visibilidade. Que tal reler o Código de Ética e de Conduta do Nutricionista? Acesse o texto na integra em: https://www.cfn.org.br/wp-content/uploads/2018/ 04/codigo-de-etica.pdf ATENÇÃO Você sabe o que é o Marketing Digital? O Marketing Digital é o modelo de negócio no qual a internet é usada para divulgar produtos, negócios, serviços ou atributos de marca e que envolve o uso de dispositivos conectados à internet e suas funcionalidades para espalhar mensagens de marketing com o objetivo de garantir uma maior visibilidade e alcance de público (MARTINS, 2021). NOTA 19 5.3 MARKETING PROFISSIONAL OU PESSOAL O profissional Nutricionista pode utilizar das técnicas de Marketing para captar e manter seus pacientes. De acordo com Neris e Barros (2020) o sucesso do Marketing pessoal está atrelado a imagem do profissional, que precisa estabelecer credibilidade para conquistar seus clientes e divulgar-se. Para construção da credibilidade é necessário entender as diferentes necessidades de cada clientee criar meios de atendê-las. A apresentação pessoal e o conhecimento profissional são parte fundamental do Marketing. O profissional deve ser capaz de comunicar seu conhecimento, habilidades, atitudes e comportamento aos clientes/pacientes. Deve atentar para sua vestimenta, que deve estar de acordo com a situação, evitando vestes informais, além de buscar manter uma imagem positiva, confiante e profissional (SILVA, 2014). O design escolhido pelo profissional também atuará como elemento de Marketing. Por isso a apresentação visual da marca do profissional (logo e slogan), do site e outras mídias digitais deve refletir a imagem que este deseja passar aos futuros ou atuais clientes e estar de acordo com sua missão e valores profissionais. Os 4Ps do Marketing, vistos anteriormente neste capítulo, podem ser aplicados ao Marketing do profissional nutricionista, conforme figura abaixo: FIGURA 1 – OS 4Ps DO MARKETING FONTE: Adaptado de Neris e Barros (2020) e Dal Bosco (2015) PRODUTO PREÇO PRAÇA PROMOÇÃO • Plano dietético • Atendimento a público variado • Qualidade (qualificação profissional) • Cozinha experimental • Acompanhamento feiras, mercado • Treinamento de cozinheira • Uso de aplicativo de celular para acompanhamento • Brindes • Pacotes individuais • Pacotes familiares • Atendimento de planos de saúde • Preço competitivo • Condições de pagamento • Localização estratégica • Horários alternativos/flexíveis • Personal diet • Mídia virtual • Mídia impressa • E-mail marketing • Parceria com outros profissionais 20 5.4 MARKETING NUTRICIONAL Trata-se de uma estratégia de marketing utilizada pela indústria de alimentos com o objetivo de fornecer ao consumidor informações de caráter nutricional sobre os produtos. A divulgação de informações nutricionais nos rótulos dos alimentos e a propaganda nutricional são seus principais instrumentos (SILVA, 2014). Cientes da busca da sociedade contemporânea por saudabilidade, as estratégias de Marketing Nutricional focam na valorização dos possíveis benefícios de seus produtos tais como redução de açúcares, gorduras. Sua aplicação abre campo para a atuação do profissional Nutricionista, o qual pode atuar junto à indústria de alimentos, utilizando seu conhecimento técnico na elaboração das estratégias de Marketing Nutricional. Aspectos estéticos dos produtos são valorizados e o design das embalagens ganha destaque por sua relevância na decisão de compra do consumidor. A embalagem identifica a marca, transmite informações, facilita o transporte e protege o produto. Neste sentido, o objetivo central no uso do Marketing Nutricional é atrair o consumidor expondo as alegações nutricionais relativas à qualidade do produto (composição, propriedades sensoriais, aporte calórico) na embalagem e rotulagem. Uma vez que o consumidor é exposto a uma ampla gama de alimentos concorrentes, a embalagem deve ser capaz de influenciar em sua escolha (SILVA, 2014; WINGUERT; CASTRO, 2018). Estratégias de Marketing abrangem ainda preço e promoções, a publicidade, a disponibilidade e conveniência na oferta dos produtos (WINGUERT; CASTRO, 2018). Dessa forma, o Nutricionista pode atuar junto à indústria de alimentos utilizando seu conhecimento técnico na elaboração de estratégias de Marketing Nutricional, tanto na valorização das propriedades nutricionais. 5.5 MARKETING EM FOOD SERVICE É a aplicação do Marketing no ramo da alimentação coletiva, ou seja, na apresentação das refeições ofertadas em restaurantes, hospitais, cozinhas industriais, praças de alimentação e até mesmo em buffet de alimentos (SILVA, 2014). Tanto estratégias de Marketing convencional quanto de digital podem ser aplicadas ao ramo da alimentação coletiva, inclusive por meio da valorização de aspectos nutricionais das refeições ofertadas. O passo principal é entender o perfil (gênero, idade, contexto social e econômico) e o comportamento do consumidor (horários e dias que frequenta o estabelecimento, tempo de permanência e preferências alimentares), para melhor atendê-lo (SILVA, 2014). Através da delimitação do perfil, é possível traçar estratégias de Marketing mais assertivas para vincular o cliente ao serviço. 21 O relacionamento com o cliente gera um diferencial competitivo para o estabelecimento e influência em seu sucesso. Para tanto, deve-se atentar para a forma com que toda a equipe atende aos clientes, prezando sempre pela educação, cordialidade, empatia, respeito e honestidade. A aparência do ambiente também é considerada um ponto de atenção no relacionamento com o cliente. Para conquistar o cliente é fundamental que o local seja limpo, acusticamente agradável, com mesas e cadeiras confortáveis e iluminação adequada. Neste aspecto, a atuação do Nutricionista é de grande relevância uma vez que é o profissional capacitado tanto para gerir a equipe quanto para implantar às Boas Práticas de Fabricação (SILVA, 2014). Outra estratégia de Marketing deste segmento são os programas de fidelização do cliente, no qual este recebe alguma vantagem (brinde, desconto, cortesia) quando é cliente assíduo do estabelecimento. Essa estratégia por vezes faz com que o serviço de alimentação passe a fazer parte da rotina do cliente, auxilia na prospecção de novos consumidores e ainda é um diferencial competitivo. 22 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: · A evolução científica, econômica e tecnológica experienciada pela sociedade contemporânea acarretou em modificações na forma de nos alimentarmos – alimentos que compõe a refeição, modos de preparo e consumo, e nas necessidades nutricionais. · O ritmo acelerado de vida na atualidade aliado à ampla oferta de alimentos e produtos alimentícios repercute na crescente busca por refeições prontas para consumo e alimentos industrializados, em detrimento de preparações caseiras. · O acesso à informação tem levado uma parcela da população a buscar alimentos e produtos alimentícios saudáveis e sustentáveis. · Há uma ampla gama de áreas e subáreas de atuação dentro da Nutrição passiveis para empreender tais como: Consultório de Nutrição, Consultoria em Nutrição Esportiva, Consultoria Empresarial, Grupos de Nutrição, Personal Dieter, Atendimento domiciliar ou Home Care, Consultoria ou Gestão de serviços de alimentação e Cursos. · O Nutricionista pode utilizar de ferramentas e estratégias de Marketing para sobressair- se no mercado, contanto que respeite os limites estabelecidos pelo Código de Ética da Nutrição. RESUMO DO TÓPICO 1 23 1 A sociedade contemporânea é caracterizada pelo avanço da ciência e tecnologia, por alterações no mercado de trabalho, nas relações interpessoais e familiares, pela globalização e industrialização, que impactam diretamente no modo de vida. Neste contexto, disserte a cerca de do impacto da evolução tecnológica na produção e distribuição de informação na atualidade. 2 Alguns autores afirmam que parte das evoluções ocorridas no padrão alimentar da população mundial e na indústria de alimentos foram impulsionadas por uma tendência social mundial, observada a partir do movimento feminista, a feminização da sociedade. Disserte a respeito da relação entre a entrada da mulher no mercado de trabalho e seu impacto no padrão alimentar das famílias. 3 A área da Nutrição Clínica é muito vasta, possibilitando ao profissional Nutricionista diversas oportunidades de empreender, conforme o nicho e público-alvo escolhido. Dentro deste contexto, analise as assertivas abaixo e classifique V para as verdadeiras e F para as falsas: ( ) Personal Dieter se dá através do estabelecimento e a gestão de um espaço (sala ou clínica) para a realização de atendimentos nutricionais aos mais variados perfis de pacientes (crianças, adultos, idosos, gestantes) em suas necessidades (emagrecimento, nutrição esportiva, dietoterapia para patologias, introdução alimentar). ( ) Consultoria em Nutrição Esportiva caracteriza-se