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Indaial – 2022
AlimentAção 
ColetivA
Prof.ª Daniella Miranda da Silva
Prof.ª Roseane Leandra da Rosa
1a Edição
temAs Contemporâneos 
em nutrição ClíniCA e
Elaboração:
Prof.ª Daniella Miranda da Silva
Prof.ª Roseane Leandra da Rosa
Copyright © UNIASSELVI 2022
Revisão, Diagramação e Produção:
Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI
Impresso por:
S586t
Silva, Daniella Miranda da
 Temas contemporâneos em nutrição clínica e alimentação coletiva. 
/ Daniella Miranda da Silva; Roseane Leandra da Rosa. – Indaial: UNIASSELVI, 2022.
 209 p.; il.
 ISBN 978-85-515-0460-4
 1. Nutrição. – Brasil. I. Rosa, Roseane Leandra da. II. Centro 
Universitário Leonardo da Vinci.
CDD 613
Prezado acadêmico(a), seja bem-vindo(a) à disciplina de Temas Contemporâneos 
em Nutrição Clínica e Alimentação Coletiva! Este livro tem como propósito apresentar 
áreas de destaque recente dentro dos mais diversos campos da Nutrição, para ampliar 
ainda mais seu repertório técnico e possibilidades de atuação após formado. 
Este livro está dividido em três unidades, cada qual com objetivos, conteúdo, 
autoatividades, dicas, sugestões e recomendações de materiais para agregar ainda 
mais em sua formação! Aproveite-os!
A Unidade 1 aborda as características da sociedade contemporânea e o impacto 
desta nova conformação para o mercado da Nutrição. Em seguida, você conhecerá 
subáreas da Nutrição Clínica que estão em voga nos dias de hoje, tais como Nutrição 
e Estética, Modulação Intestinal, Programação Metabólica, Cirurgia Bariátrica e Alergias 
Alimentares. Finalizaremos essa unidade conhecendo as novas tendências da Nutrição 
para o campo da alimentação coletiva. 
A Unidade 2 deste livro será voltada ao aprofundamento dos seus conhecimentos 
referentes à Suplementação Nutricional. Você aprenderá toda a base teórica necessária 
à prescrição de suplementos nutricionais, desde as diretrizes, legislação, formas 
farmacêuticas, interações, até os possíveis efeitos adversos. Posteriormente, discutiremos 
os suplementos nutricionais mais utilizados em cada ciclo da vida e em condições clínicas 
específicas tais como doenças crônicas não transmissíveis.
A Unidade 3 está pautada no assunto: Fitoterapia Aplicada à Nutrição. 
Estudaremos os conceitos, os fundamentos, suas diretrizes e normas etc., capacitando 
você a atuar de forma eficaz na prática em fitoterapia e abordando os efeitos adversos, 
como excesso de peso, doenças crônicas etc.
Bons estudos!
Prof.ª Daniella Miranda da Silva
Prof.ª Roseane Leandra da Rosa
APRESENTAÇÃO
Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – e 
dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR Codes 
completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite que você 
acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar 
essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só 
aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos.
GIO
QR CODE
Olá, eu sou a Gio!
No livro didático, você encontrará blocos com informações 
adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento 
acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender 
melhor o que são essas informações adicionais e por que você 
poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações 
durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais 
e outras fontes de conhecimento que complementam o 
assunto estudado em questão.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos 
os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. 
A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um 
novo visual – com um formato mais prático, que cabe na 
bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada 
também digital, em que você pode acompanhar os recursos 
adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo 
deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura 
interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no 
texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que 
também contribui para diminuir a extração de árvores para 
produção de folhas de papel, por exemplo.
Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente, 
apresentamos também este livro no formato digital. Portanto, 
acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com 
versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
Preparamos também um novo layout. Diante disso, você 
verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses 
ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos 
nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, 
para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os 
seus estudos com um material atualizado e de qualidade.
ENADE
LEMBRETE
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma 
disciplina e com ela um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conheci-
mento, construímos, além do livro que está em 
suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, 
por meio dela você terá contato com o vídeo 
da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa-
res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de 
auxiliar seu crescimento.
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preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um 
dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de 
educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar 
do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem 
avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo 
para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confi ra, 
acessando o QR Code a seguir. Boa leitura!
SUMÁRIO
UNIDADE 1 - ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA NAS ÁREAS DE NUTRIÇÃO CLÍNICA
E ALIMENTAÇÃO COLETIVA .................................................................................................. 1
TÓPICO 1 - ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA NAS ÁREAS DE NUTRIÇÃO CLÍNICA E 
ALIMENTAÇÃO COLETIVA .....................................................................................................3
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................3
2 CARACTERIZAÇÃO .............................................................................................................4
3 NECESSIDADES DO CONSUMIDOR ...................................................................................6
4 EMPREENDEDORISMO .....................................................................................................10
4.1 ÁREAS POSSÍVEIS PARA EMPREENDER EM NUTRIÇÃO ............................................................ 11
4.1.1 Nutrição Clínica ............................................................................................................................12
4.1.2 Nutrição em Alimentação Coletiva e Produção de Alimentos ....................................... 13
4.1.3 Nutrição em Ensino .................................................................................................................. 13
4.2 PRÉ-REQUISITOS AO EMPRENDEDOR .......................................................................................... 14
4.2.1 Características de um empreendedor ................................................................................. 14
4.2.2 Capacitação Técnica do Empreendedor ............................................................................. 15
4.2.3 Planejamento ............................................................................................................................ 15
5 MARKETING EM NUTRIÇÃO .............................................................................................pela oferta de atendimento 
nutricional em clubes de esportes, academias ou demais estabelecimentos 
desportivo. 
( ) Consultoria Empresarial consiste na oferta, in loco, de palestras sobre temas 
oportunos de Alimentação e Nutrição, além de atendimentos nutricionais 
individuais e/ou coletivos. 
( ) Grupos de Nutrição caracterizam-se pela oferta de assistência nutricional 
individual, presencial ou online, com uma abordagem que permite a oferta de 
serviços diferenciados, como a orientação ou acompanhamento do cliente nas 
etapas do processo alimentar propriamente dito (aquisição de alimentos, lista de 
compras, higienização, pré-preparo e preparo de alimentos, utilizações de louças e 
utensílios, e consumo alimentar). 
( ) Atendimento domiciliar ou Home Care trata-se de atendimento domiciliar a pacientes 
com condições patológicas que apresentam dificuldades de deslocamento. Neste 
caso, o atendimento nutricional pode ser ofertado de forma isolado ou junto a uma 
equipe multiprofissional. 
AUTOATIVIDADE
24
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V - F - F - V - F
b) ( ) V - V - V - F - V.
c) ( ) F - V - V - F - V.
d) ( ) F - V - V - V - F. 
4 De acordo com Dornellas (2015), “não existe um único tipo de empreendedor ou 
um modelo padrão que possa ser identificado, apesar de várias pesquisas sobre o 
tema terem como objetivo encontrar um estereótipo universal”. Contudo, é possível 
identificar três aspectos diferenciais que podem ser trabalhados para o sucesso do 
empreendedor: capacitação técnica, característica pessoais e planejamento. A cerca 
deste itens, julgue as assertivas a seguir:
I- Há um perfil de características pessoas único para todos os empreendedores de 
sucesso que deve incluir a capacidade de detectar oportunidades de negócios, 
evitar quaisquer riscos do negócio e trabalhar em equipe.
II- É fundamental que o indivíduo que deseja empreender busque qualificação técnica 
na área do empreendedorismo por meio de cursos, livros e especializações 
III- O empreendedor deve elaborar um planejamento detalhado de seu negócio, o qual 
deve partir da segmentação e estudo do mercado de atuação escolhido.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Somente a sentença I está correta.
b) ( ) A sentença I e II estão corretas.
c) ( ) Somente a sentença II está correta.
d) ( ) As sentenças II e III estão corretas. 
5 A aplicação de estratégias e ferramentas de Marketing, seja convencional ou digital, 
pelo profissional Nutricionista são muito promissoras. Através dela o Nutricionista pode 
destacar-se no mercado de trabalho, atraindo e fidelizando clientes para o serviço ou 
produto ofertado. Contudo, deve-se ter atenção aos preceitos do Código de Ética da 
Nutrição na utilização do Marketing. Em relação a isto, assinale a alternativa correta:
a) ( ) O nutricionista pode compartilhar informações sobre alimentação e nutrição 
nos diversos meios de comunicação e informação respaldadas em sua opinião 
pessoal, com o objetivo principal de atrair clientes.
b) ( ) O nutricionista somente poderá utilizar em sua divulgação mensagens que 
aleguem exclusividade ou garantia de resultados de produtos, serviços ou 
métodos terapêuticos quando apresente fotos de clientes para comprovar. 
c) ( ) O nutricionista poderá divulgar imagem corporal de terceiros, atribuindo 
resultados a produtos, equipamentos, técnicas ou protocolos por ele aplicado 
quando houver anuência escrita do cliente.
25
d) ( ) É vedado ao nutricionista receber patrocínio ou vantagens financeiras de 
empresas ou indústrias ligadas à área de alimentação e nutrição quando 
configurar conflito de interesses, a não ser que este seja contratado pela 
empresa ou indústria que concedeu tal patrocínio ou vantagem financeira.
e) ( ) É vedado ao nutricionista divulgar sua qualificação profissional, técnicas, 
métodos, protocolos, diretrizes, benefícios de uma alimentação para indivíduos 
ou coletividades saudáveis ou não, bem como dados de pesquisa fruto do seu 
trabalho, mesmo que autorizado por escrito pelos pesquisados, respeitando o 
pudor, a privacidade e a intimidade própria e de terceiros.
26
27
ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA NA ÁREA DE 
NUTRIÇÃO CLÍNICA 
1 INTRODUÇÃO
Prezado acadêmico, neste tópico iremos estudar as subáreas mais evidentes 
dentro da Nutrição Clínica nos dias de hoje. Você já deve ter ouvido falar de Nutrição 
e Estética, Modulação intestinal, Programação Metabólica, e Cirurgia Bariátrica não 
é mesmo? Estas áreas da Nutrição têm ganho cada vez mais espaço no mercado de 
trabalho e nesta disciplina você vai entender o porquê.
Por muito tempo a atuação do Nutricionista na área Clínica foi resumida a 
uma prescrição dietética padrão, aplicada no âmbito de consultórios, ambulatórios e 
hospitais. Com o avanço do conhecimento das Ciências da Saúde bem como da Ciência 
da Nutrição em si observarmos que as atribuições do Nutricionista podem e devem ir 
muito além. Passamos a utilizar as propriedades dos alimentos e prescrições dietéticas 
diferenciadas no tratamento dos pacientes, visando à melhoria da saúde, tratamento 
adjuvante de doenças e/ou qualidade de vida. 
Neste sentido é importante ressaltar que todo conhecimento em Nutrição, 
incluso as novas áreas que abordaremos a seguir, deve sempre ser baseado em achados 
científicos, e nunca em empirismos ou modismos. Sabemos também que a Nutrição 
está em constante evolução, de forma que muito ainda há para se descobrir, por isso 
aqui elencamos 7 das subáreas mais evidentes atualmente, que apresentam respaldo 
científico, cientes de que este tópico deve receber atualização periódica.
 
2 ALIMENTOS FUNCIONAIS 
O conceito de “alimentos funcionais” surgiu na metade da década de 1980 
quando os alimentos passaram a ser relacionados à saúde, como sinônimos de bem-
estar e redutores de riscos de doenças, tornando-se meios para atingirmos uma melhor 
qualidade de vida. De acordo com alguns autores, os japoneses foram os pioneiros no 
processo de regulação dos alimentos funcionais (SOUZA; MARTÍNEZ, 2017).
A definição de alimento funcional e sua nomenclatura difere de acordo com os 
países entre: nutracêuticos, alimentos para uso médico, alimentos para uso saudável, 
entre outros (COLLI et al., 2014). No Brasil, a Resolução nº 18, de 30 de abril de 1999 aprova 
o regulamento técnico que estabelece as diretrizes básicas para análise e comprovação 
UNIDADE 1 TÓPICO 2 - 
28
de propriedades funcionais e/ou de saúde alegadas em rotulagem de alimentos. A partir 
desta resolução, adotamos nacionalmente a terminologia alimento com alegação de 
propriedade funcional, referindo-se a alimento funcional, tal como segue:
Todo alimento ou ingrediente que além das funções nutricionais 
básicas, quando se tratar de nutriente, produzir efeitos metabólicos 
e/ou fisiológicos e/ou efeitos benéficos à saúde, devendo ser seguro 
para consumo sem supervisão médica (ANVISA, 1999).
Ou seja, alimentos funcionais são aqueles que contém compostos, tecnicamente 
denominados de substâncias bioativas, que desempenham impacto positivo na saúde. 
São reconhecidos atualmente alimentos funcionais que apresentam potencial benefício 
no manejo de doenças cardiovasculares, hepáticas, distúrbios endócrinos, obesidade, 
câncer, entre outras. 
Os alimentos funcionais têm despertado interesse dos indivíduos, do meio 
acadêmico-científico e da indústria de alimentos, tanto no Brasil quanto no mundo. Tal 
fato está relacionado a importância que a Nutrição têm adquirido frente a prevenção e 
manejo das doenças crônicas não trasmissíveis, que atingem um percentual cada vez 
maior das populações.
Contudo, sabemos que estabelecer relações de causa e efeito dentro da área 
da Nutrição é uma tarefa muito complexa, haja vista a variedade de fatores de confusão 
envolvidos (genética, estilo de vida, atividade física, estresse). Desta forma, optamos 
por apresentar neste tópico somente os alimentos funcionaise suas aplicações que 
apresentam forte respaldo científico, conforme a tabela a seguir:
TABELA 1 – ALIMENTOS FUNCIONAIS E SUAS APLICAÇÕES
Alimento Composto Biativo Potencial efeito
Soja e derivados
Isoflavonas
Saponinas
Compostos fenólicos
Fitatos
Inibidores de proteases
Fitosteróis
Ação estrogênica (reduz efeitos menopausa)
Ação anticâncer (próstata, mama, útero)
Ação hipolipemiante 
Prevenção da osteoporose
Chá verde Catequinas
Capacidade antimutagênica, ação anticâncer 
Ação antioxidante
Ação hipolipemiante
Ação anticoagulante
Ação hipotensora
Redução de peso (tratamento da obesidade)
Hipoglicemiante (tratamento da diabetes)
Tomate e derivados Licopeno
Ação anticâncer (próstata, pulmão, intestino)
Ação antioxidante
Ação hipolipemiante
Prevenção da osteoporose
29
Linhaça
Fitoesteróis
Lignanas
Ação hipolipemiante
Ação hipotensora
Ação anticoagulante
Ação anticâncer (mama e pulmão)
Brócolis Glicosinolatos Ação anticâncer (próstata, mama, intestino)
Alho
Flavonóides
Alicina
Ajoeno
Ação antioxidante
Ação hipolipemiante
Ação anticoagulante
Ação hipotensora
Ação antibiótica e antifúngica
Cacau
Flavonóides
Teobromina
Ação antioxidante
Ação hipolipemiante
Ação hipotensora
Efeito estimulante
Indução de neurotransmissores (serotonina e 
endorfinas)
Café
Cafeína
Ácido clorogênico
Redução de gordura corporal 
Ação antioxidante
Ação anti-inflamatória
Gengibre
Gingeróis
Soagóis
Ação antiemético
Ação antioxidante
Ação anticoagulante 
Efeito analgésico
Cúrcuma Curcumina
Ação anti-inflamatória
Agente antiulceroso e citoprotetor
FONTE: Adaptado de Colli et al. (2014), Souza e Martínez (2017) e Frankenberg e Bernaud (2018)
Para que se obtenha os benefícios relacionados acima, é necessário que o 
consumo dos alimentos funcionais seja regular (SOUZA; MARTÍNEZ, 2017). Os efeitos 
benefícos dos alimentos funcionais estão relacionados à sinergia entre seus compostos 
bioativos e os nutrientes que o compõem, de forma que, nem sempre o composto 
bioativo isolado resultará no beneficio proposto.
A forma de preparo e consumo de alguns dos alimentos funcionais é capaz de 
influenciar na biodisponibilidade de seus compostos, e consequentemente, 
nos benefícios atrelados ao consumo.
Por exemplo, para maior preservação das propriedades funcionais do alho e 
brócolis, indica-se que sejam consumidos crus (ou o menos cozido possível, 
no caso do brócolis) enquanto o tomate deve ser submetido ao calor. Já o 
chocolate, substâncias antioxidantes estão em maior concentração nas 
versões amargas, por isso, são consideradas mais benéficas.
GIO
30
A indicação principal é pelo maior uso de vegetais, frutas e cereais integrais 
na alimentação regular, já que grande parte dos componentes ativos estudados se 
encontra nesses alimentos (SOUZA; MARTÍNEZ, 2017).
Além disso, os benefícios postulados são observados quando o alimento 
funcional está inserido em uma dieta nutricionalmente equilibrada (SOUZA; MARTÍNEZ, 
2017). Por exemplo, o consumo do chá verde não será suficiente para produzir perda de 
peso e/ou redução do colesterol quando associado a uma dieta hipercalórica, rica em 
açúcares e gordura saturada.
3 NUTRIÇÃO ESTÉTICA
Cresce, em todos os segmentos da sociedade contemporânea a busca pela 
beleza e por traços corporais fortemente influenciados pela mídia. Há não só o culto ao 
corpo magro, como também valoriza-se a aparência da pele, cabelos e unhas. A Ciência 
da Nutrição surge neste contexto visando a utilização de alimentos, nutracêuticos e 
suplementos alimentares no manejo de desordens estéticas.
A Nutrição Estética compreende um novo campo da saúde cujo objetivo 
é implementar um cuidado nutricional que, além dos requisitos fundamentais da 
dietética e da dietoterapia aplicados à prevenção e/ou tratamento de doenças crônicas 
não transmissíveis, também corresponde a necessidades estéticas de seus pacientes. 
Dispõe-se de evidência científica para a aplicação dos princípios da Nutrição Estética 
no tratamento da acne, envelhecimento cutâneo, fibroedema geloide (celulite), flacidez, 
alopecia e unhas frágeis (PUJOL, 2011; DAL BOSCO, 2015).
Abre-se um leque de possibilidades de atuação ao profissional Nutricionista 
que dispõe de conhecimentos em Nutrição Estética, tais como: atuação em consultório 
particular com foco em objetivos estéticos; parcerias com clínicas de estética que 
incluam o tratamento nutricional em seus programas; atendimento domiciliar por meio 
de Personal Dieter em Estética; atuação em Pré e Pós-operatório em conjunto com 
equipe interdisciplinar; e Consultoria a empresas de nutracêuticos e/ou nutricosméticos 
(PUJOL, 2011).
Cabe destacar que enquanto profissionais da área de saúde devemos ser éticos 
ao lidar com a Nutrição Estética para que não incorramos em condutas inadequadas. 
Não podemos minimizar o tema e tratá-lo como fútil pois os aspectos estéticos fazem 
parte da saúde integral, conforme estabelecido pela Organização Mundial da Saúde 
(vide nota). Contudo, devemos atuar com cautela visando não impor ao paciente um 
padrão de beleza ou aparência idealizado, e sim, buscar auxiliá-lo na busca do padrão 
que este julga pertinente.
31
A seguir veremos o papel dos nutrientes no tratamento das principais desordens 
estéticas:
3.1 NUTRIÇÃO E ENVELHECIMENTO CUTÂNEO
O envelhecimento da pele é um processo dinâmico que ocorre em virtude da 
idade e carga genética, além de fatores externos, como exposição a radiação ultravioleta 
(UV), toxicidade do meio ambiente, consumo de álcool, cigarro, estresse e poluição do 
ar. A alimentação também pode contribuir negativamente neste questo quando há 
carência de nutrientes, principalmente antixiodantes (PUJOL, 2011; OLIVEIRA, 2014; 
VENTURI 2019).
A formação de radicais livres, o estresse oxidativo cumulativo, a peroxidação 
lipídica, o dano às proteínas da membrana e a mutação no ácido desoxirribonucleico 
(DNA) podem levar a muitas mudanças estruturais, funcionais e estéticas na pele 
(VENTURI, 2019). À medida que envelhecemos, ocorre perda da elasticidade, colágeno 
e hidratação, tornando a pele seca e fi na, facilitando o surgimento de rugas (SANTOS; 
OLIVEIRA, 2014). Embora o envelhecimento cutâneo afete várias camadas da pele, a 
maioria destas mudanças é observada somente na derme (PUJOL 2011).
A utilização de antioxidantes, tais quais a Vitamina C e E, carotenóides, selênio 
e fl avonóides pode fortalecer o sistema de proteção endógena da pele e combater 
os efeitos nocivos dos radicais livres. Frutas e legumes são excelentes fontes de 
antioxidantes e seu alto consumo está associado à prevenção do envelhecimento da 
pele e outros problemas de saúde (PUJOL, 2011; SANTOS; OLIVEIRA, 2014; DAL BOSCO, 
2015; VENTURI, 2019). 
A seguir, apresentamos na Tabela 2 os principais antioxidantes associados à 
prevenção e ao tratamento do envelhecimento cutâneo e suas fontes alimentares:
A Organização Mundial de Saúde (OMS) defi ne saúde não apenas como 
a ausência de doença, mas como a situação de perfeito bem-estar físico, 
mental e social (OMS, 1946).
NOTA
32
TABELA 2 – NUTRIENTES RELEVANTES NO MANEJO DIETÉTICO DO ENVELHECIMENTO CUTÂNEO 
Antioxidantes Fontes alimentares
Betacaroteno
Abóbora, agrião, batata-doce, cenoura, couve, damasco, espinafre, mamão 
papaia, manga, melão, pimentão.
Licopeno Goiaba, mamão, melancia, tomate.
Vitamina C
Agrião, abacaxi, acerola, caju, goiaba, brócolis, couve-flor, framboesa, laranja, 
limão, tangerina, tomate, kiwi, morango, mamão, melão amarelo, pimentão.
Vitamina E
Azeite, amêndoa, abacate, avelã, germe de trigo, pistache, pinhão, óleos 
vegetais, gema de ovo, manteiga.
Cobre
Oleaginosas, cacau, cogumelo, abacate, lentilha, ervilha, vísceras, mexilhão, 
ostras, semente de girassol e de sésamo.
Selênio
Castanha-do-Brasil, carne vermelha, marisco, salmão, cereais integrais, 
sementes, cogumelo, ovo.
Zinco Oleaginosas, mexilhão, carne, peixe, vísceras, ostras, leite e derivados, grãos.
Polifenóis
Chá verde e preto,café, cacau, frutas, vegetais, vinho tinto, maçã, frutas 
vermelhas, uva roxa, cebola, soja.
FONTE: Adaptado de Pujol (2011), Dal Bosco (2015) e Venturi (2019)
3.2 NUTRIÇÃO E ACNE
Acne é o nome dado a espinhas e cravos que surgem devido a um processo 
inflamatório das glândulas sebáceas e dos folículos pilossebáceos (vide Figura 2). 
Muito frequente na fase da adolescência, sem deixar de ser comum também em 
adultos, principalmente em mulheres (SBD, 2021). Além do incomodo ocasionado pelas 
lesões e cicatrizes, a acne pode apresentar impacto psicológico e social em virtude do 
comprometimento estético dela decorrente (PUJOL 2011; SDB 2021).
FIGURA 2 – ASPECTO DA PELE COM ACNE
FONTE: . Acesso em: 12 fev. 2022.
33
Os principais fatores etiológicos da acne compreendem o excesso de sebo, 
hormônios, bactérias e hiperproliferação de células foliculares (DAL BOSCO 2015; 
VENTURI, 2019). Em relação a dieta, ainda não há consenso na literatura sobre a 
capacidade de alguns alimentos agravarem o quadro apneico. Os fatores dietéticos 
mais relacionados são chocolate, nozes, produtos lácteos, bebida alcoólicas, alimentos 
condimentados, dieta hiperlipidica e dieta de alto índice glicêmico (PUJOL, 2011; MELNIK, 
2012; DAL BOSCO, 2015; VENTURI, 2019).
O padrão dietético ocidental – caracterizado por consumo excessivo de calorias, 
gorduras (especialmente animal) e proteínas lácteas, além de alta carga glicêmica – 
estimula o aumento exacerbado de insulina e do fator de crescimento símile à insulina 
(IGF-1) que, por sua vez, estimula o aumento da atividade da proteína alvo da rapamicina 
em mamíferos (mTOR). O mTOR superativado, por sua vez, aumenta a secreção de 
hormônios andrógenos e a lipogênese sebácea, ambos relacionados com a patogênese 
da acne (MELNIK, 2012).
Entre os nutrientes relacionados positivamente ao tratamento da acne estão: 
Zinco, Selênio, Vitamina A, Ômega-3, Cobre e Ácido Pantotênico e Piridoxina.
O zinco atua modulando a infl amação na acne, diminuindo a produção de sebo e 
apresentando ainda ação cicatrizante. Já a suplementação de Selênio auxilia no combate 
a infecção da acne em virtude de sua relação com a glutationa peroxidase. A importância 
do Cobre se dá por sua ação antibiótica local, capaz de estimular os processos de defesa 
orgânicos e aumentar a resistência à infecções (PUJOL, 2011; VENTURI, 2019).
A vitamina A tem-se revelado uma grande aliada no tratamento da acne, contudo, 
seu uso em doses elevadas é perigoso em virtude de sua toxicidade que pode acarretar 
defeitos congênitos (quando utilizada na gravidez), dislipidemia, hepatotoxicidade e 
infl amação intestinal (PUJOL, 2011).
O Ácido Pantotênico (Vitamina B5) é fundamental para a síntese dos hormônios 
sexuais, sendo que uma dieta defi ciente nesta pode promover o desequilíbrio do 
metabolismo dos ácidos graxos, aumentando a probabilidade de surgimento da acne. 
Já a suplementação de Piridoxina (Vitamina B6) pode auxiliar a reduzir as exacerbações 
cutâneas apresentadas durante o período menstrual (PUJOL, 2011; VENTURI, 2019).
Quer saber mais sobre os sintomas e tratamento completo da acne?
Acesse o site da Sociedade Brasileira de Dermatologia no link: https://www.
sbd.org.br/doencas/acne/
DICA
34
Uma dieta rica em ácidos graxos ômega-3, que é um importante modulador da 
inflamação, parece ser capaz de reduzir a liberação de prostaglandinas pró-inflamatórias 
e favorecer a liberação de prostaglandinas anti-inflamatórias, auxiliando na prevenção e 
tratamento da acne (PUJOL, 2011; VENTURI, 2019).
Ademais, a intervenção dietética no manejo da acne deve ter por objetivos: reduzir 
a ingestão total de energia (no caso de dietas hipercalóricas), glicose e gorduras; diminuir 
oa sinalização de insulina/IGF-1; e limitar o consumo de leucina, predominantemente 
fornecido pelo alto consumo de proteína animal, incluindo carne e lácteos. Esta estratégia 
dietética abrangente só pode ser alcançada através de um maior consumo de vegetais e 
frutas e redução de alimentos de origem animal (MELNIK, 2012).
3.3 NUTRIÇÃO E FIBROEDEMA GELÓIDE 
Diversas nomenclaturas sao atribuidas a popularmente conhecida, celulite, 
tais como: fibroedema geoide, lipodistrófica localizada, hidrolipodistrofia ginóide, 
paniculopatia edematofibroesclerótica e paniculose, lipoesclerose nodular e lipodistrófica 
ginóide (PUJOL, 2011).
Caracteriza-se por retração irregular da superfície cutânea, gerando o aspecto 
de “casca de laranja”. Usualmente localizada na porção superior das coxas, porção 
interna dos joelhos, região abdominal, região glútea e porção superior dos braços 
(PUJOL, 2011). Acomete com mais frequência o sexo feminino do que o masculino, 
independentemente do peso corporal, sendo mais comum em mulheres brancas do 
que em negras ou asiáticas (VENTURI, 2019).
Esta condição, amplamente observada no sexo feminino, impacta negativamente 
na auto estima e convívio social das mulheres, que por vezes limitam-se a atividades 
de lazer tais como um passeio na praia ou banho de piscina para não expor a superfície 
corporal acometida.
Não há consenso em relação a sua etiopatogenia, contudo muitos autores 
concordam que o fibroedema geloide tem causas multifatoriais (estruturais, genéticas 
e endocrinológicas). Ademais, observa-se a presença de eventos inflamatórios que 
envolvem os tecidos adiposos subcutâneos e a derme (VENTURI, 2019). Fatores 
emocionais, hipertensão arterial, obesidade, sedentarismo, uso de roupas apertadas 
e má alimentação também parecem aumentar a predisposição ao aparecimento da 
celulite (DAVID; DE PAULA; SCHNEIDER, 2011).
O consumo de uma dieta hiperlipídica e rica em carboidratos, a baixa ingesta 
hídrica e excessivo consumo de sal agravam o quadro microcirculatório com aumento 
da resistência capilar e consequente piora da celulite. Por exemplo, o consumo de 
açúcares refinados, alimentos gordurosos, chocolate e refrigerantes são alimentos que 
agravam o quadro metabólico (DAVID; DE PAULA; SCHNEIDER, 2011).
35
O	 tratamento	 dietético	 pode	 atuar	 de	 forma	 adjuvante	 no	 tratamento	 do	
Fibroedema	Gelóide.	Evidências	científicas	atuais	sugerem	que	o	padrão	dietético	de	
baixo	índice	glicêmico,	com	teor	reduzido	de	sal,	inclusão	de	alimentos	anti-inflamatórios	
ou	que	promovam	a	desintoxicação,	auxilia	no	tratamento,	principalmente	por	reduzir	a	
inflamação,	diminuir	a	retenção	hídrica,	promover	a	eliminação	de	toxinas	e	reduzir	os	
níveis	de	gordura	corporal	(PUJOL,	2011;	DAVID;	DE	PAULA;	SCHNEIDER,	2011;	VENTURI,	
2019).	Especial	atenção	deve	ser	dada	ao	adequada	ingesta	de	Vitamina	C,	E,	Selênio	e	
Cálcio	(DAL	BOSCO,	2015).		Na	Tabela	3	estão	elencados	alguns	dos	nutrientes	de	escolha	
para	 o	 tratamento	do	 Fibroedema	Gelóide.	A	 prática	 de	 atividade	 física,	 tratamentos	
estéticos	e	manutenção	ou	redução	do	peso	corporal	também	compõe	o	tratamento	
desta	condição	(PUJOL,	2011).
TABELA 3 – NUTRIENTES E POSSÍVEIS MECANISMOS DE AÇÃO NO FIBROEDEMA GELÓIDE
ALIMENTOS/NUTRIENTES MECANISMOS DE AÇÃO
Ginkgo	Biloba Ação	na	microcirculação	periférica
Castanha	da	Índia	 Redução	do	edema
Centella Asiática Estímulo	de	colágeno
Fibra	alimentar
Redução	da	glicemia	pós-prandial
Estímulo	da	lipólise
Uva
Antioxidade,	atua	na	peroxidação	lipídica,	sistema	vascular	
e	linfático
Mamão	e	abacaxi
Efeito	anti-inflamatório
Efeito	anti-edema
Aveia,	cevada,	graos	integrais	
Estímulo	de	colágeno
Estímulo	da	lipólise
Redução	do	edema	
FONTE: Adaptado de David, de Paula e Schneider (2011) e Dal Bosco (2015)
3.4 NUTRIÇÃO E UNHAS FRÁGEIS 
A	 aparência	 das	 unhas	 é	 um	 bom	 indicador	 de	 alterações	metabólicas	 que	
ocorrem	 no	 corpo	 uma	 vez	 que	 estas	 estão	 em	 contato	 com	 o	 periósteo	 do	 osso	
falangeano.	A	Síndrome	das	Unhas	Frágeis	(SUF)	é	o	distúrbio	mais	comum	envolvendo	
as	unhas,	caracterizado	por	uma	alteração	na	sua	consistência	(VENTURI,	2019).	A	SUF	
afeta	aproximadamente	20%	da	população	geral,	sendo	mais	comumem	mulheres	com	
mais	de	50	anos	de	idade	(DAL	BOSCO,	2015;	CHESSA	et al.,	2020).
36
As alterações na apresentação das unhas podem estar ligadas à carências de 
vitaminas e minerais. As deficiências de micronutrientes mais comumente encontradas nas 
unhas estão relacionadas às vitaminas do complexo B, como a niacina, biotina, riboflavina 
e piridoxina; às vitaminas lipossolúveis, como A, E e K; e aos minerais como zinco, ferro, 
cobre e selênio, além dos ácidos graxos essenciais (DIBAISE; TARLETON, 2019). Nas figuras 
a seguir (3 a 5) observa-se o aspecto da unha frente a algumas destas deficiências.
Estas deficiências podem correr em consequência de patologias tais como 
desnutrição, anorexia, anemia, cirrose hepática, doenças disabsortivas e doença celíaca 
são frequentemente associadas a alterações no aspecto das unhas (VENTURI, 2019).
Tais condições podem levar a disfunções no crescimento (lentidão, estrias, sulcos), 
resistência (unhas quebradiças, moles, descamassão), formato (unhas coiloíniquias) e 
coloração (unhas descoloridas, hiperpigmentadas, amareladas, com manchas).
FIGURA 3 – UNHAS QUEBRADIÇAS, PROVÁVEL DEFICIÊNCIA DE BIOTINA
FONTE: DiBaise e Tarleton (2019, p. 25)
FIGURA 4 – UNHAS COLOÍNIQUIAS, PROVÁVEL DEFICIÊNCIA DE FERRO
FONTE: DiBaise e Tarleton (2019, p. 26)
37
FIGURA 5 – UNHAS ESBRANQUIÇADAS, PROVÁVEL DEFICIÊNCIA DE SELÊNIO
FONTE: DiBaise e Tarleton (2019, p. 27)
O profissional Nutricionista deve estar atento aos sinais indicativos de carência 
de micronutrientes supracitados ao realizar o exame físico do paciente, associando estes 
aos achados bioquímicos (exames laboratoriais). Deve também atentar ao estado geral 
de saúde do paciente e presença de comorbidades, bem como avaliar seu consumo 
alimentar, para, somente então, realizar uma prescrição dietoterápica assertiva. Em 
alguns casos, pode ser necessário utilizar suplementos alimentares, tema que será 
abordado mais adiante neste livro.
A suplementação oral com vitaminas (especialmente biotina), oligoelementos 
e aminoácidos (especialmente cisteína) tem sido recomendada no manejo das unhas 
frágeis. A suplementação de Ferro e Zinco, em casos de carência destes minerais, 
também é indicada como parte do tratamento (CHESSA et al., 2020). 
Outra estratégia que vem sendo elencada para o manejo das unhas frágeis é a 
suplementação com peptídeos bioativas de colágeno. Observa-se redução da frequência 
de quebra das unhas, aumento do seu crescimento e melhora do aspecto geral com a 
suplementação de 2,5g ao dia, por um período de 6 meses (HEXSEL et al., 2017).
Dispomos atualmente de uma ampla gama de suplementos multivitamínicos 
desenvolvidos pela indústria farmacêutica para os cuidados com as unhas. Muitos 
destes vendidos sem necessidade de prescrição por profissional médico ou nutricionista. 
Contudo, cabe ao profissional avaliar a composição, qualidade e segurança do uso 
destes suplementos, com atenção para a biodisponibilidade de seus compostos e risco 
de toxicidade, visando o benefício do paciente.
38
3.5 NUTRIÇÃO E SAÚDE CAPILAR
A alopecia é uma condição comum caracterizada pela queda total ou parcial 
de cabelos e/ou pelos de uma determinada área do corpo (PUJOL, 2011). A perda dos 
folículos pilosos pode se dar de duas formas: reversível (não cicatricial) pois o folículo 
piloso é conservado e assim o cabelo voltar a crescer; ou irreversível (cicatricial) pois 
ocorre a destruição do folículo piloso e assim não há a possibilidade de crescimento 
capilar onde ocorreu a queda (VENTURI, 2019). Afeta grande parte da população em 
algum momento no decorrer de suas vidas, podendo ocorrer de forma isolada ou em 
associação a outras doenças (VENTURI, 2019). Além da alopecia, outros distúrbios 
relacionados a aparência e crescimento dos cabelos podem ocorrer, os quais, também 
impactam na auto estima e vida social dos indivíduos.
A etiologia da alopecia está relacionada a distúrbios genéticos, congênitos, 
hormonais, processos inflamatórios, uso de medicamentos, fatores ambientais ou 
condições de saúde, entre elas a nutrição (VENTURI, 2019). Importante destacar que 
aspectos emocionais tais como depressão, ansiedade e estresse estão entre os fatores 
que contribuem para o desenvolvimento da alopecia. 
Uma vez que o as células do folículo piloso têm um alto turnover (rotatividade), 
seu metabolismo requer elevado suprimento de nutrientes e energia. Uma privação 
calórica ou deficiência de proteínas, minerais, ácidos graxos essenciais e vitaminas 
pode levar a anormalidades estruturais, alterações de pigmentação ou perda de cabelo 
(FINNER, 2013; VENTURI 2019). Na tabela 4 associa-se as carências nutricionais as 
respectivas alterações observadas na saúde dos fios.
TABELA 4 – CARÊNCIAS DIETÉTICAS E ALTERAÇÕES OBSERVADAS NO ASPECTO CAPILAR
Carência Aspecto capilar
Calorias Fino, ralo, frágil e cai ainda mais facilmente.
Proteína Frágil, elasticidade reduzida, crescimento lentificado, alteração de cor.
Vitamina C Hiperqueratose perifolicular, entupimento folicular e ondulação.
Biotina (B7)
Tricorrexe nodosa – defeito na haste capilar caracterizado por um 
espessamento (nós), que faz com o cabelo se solte facilmente.
Vitamina B12 Despigmentação.
Zinco Despigmentação, finos, quebradiços. 
Niacina (B3) Queda difusa, frágil. 
Ácidos graxos essenciais Despigmentação, queda na região do escalpo e sobrancelhas. 
Ferro Queda difusa.
Cobre Hipopigmentação.
Selênio Hipopigmentação.
FONTE: Adaptado de Pujol (2011) e Finner (2013)
39
Dada a importância dos nutrientes supracitados para a saúde capilar, a 
prescrição dietética deve garantir seu adequado aporte e biodisponibilidade, através 
do consumo de alimentos fonte e quando necessário, suplementos nutricionais. Assim 
como pontuado no tópico anterior, a cerca das unhas frágeis, o profissional Nutricionista 
deve avaliar criteriosamente o aspecto do cabelo do paciente e investigar sinais e 
sintomas de deficiências nutricionais, antes de realizar a prescrição nutricional.
Atenção especial deve se dar a ingesta hídrica em virtude da cutícula presente 
na camada externa do fio de cabelo, formada por lâminas superpostas que mantêm a 
integridade da vida, a qual protege o córtice e controla o conteúdo de água nos fios 
(PUJOL, 2011). A recomendação de hidratação varia conforme a faixa etária, nível de 
atividade física, fatores ambientes e consumo alimentar de cada indivíduo.
A literatura sugere que alguns nutrientes específicos podem auxiliar estimulando 
as células do folículo piloso, tais como: taurina, catequinas, L-carnitina, coenzima Q10, 
silício orgânico, proantocianidinas (PUJOL 2011; FINNER, 2013). Estes nutrientes podem 
ser ofertados na forma de suplementos nutricionais e/ou incluídos na alimentação do 
paciente através de seus alimentos fontes:
• Catequinas: chá verde, chá branco, chá preto, cerejas, amoras, framboesas, mirtilo, 
uva roxa e vinho tinto.
• Proantocianidinas: frutas, legumes, castanhas, sementes, flores e cascas 
(principalmente de uva).
• Coenzima Q10: carne de gado, sardinha, espinafre e amendoim.
• Silício: vegetais e grãos integrais.
• Taurina: carne de gado, peixe, frango e frutos do mar.
• L-carnitina: carne vermelha, peixe, frango e lácteos.
4 PROGRAMAÇÃO METABÓLICA
Programação metabólica refere-se aos processos pelos quais estímulos externos 
desencadeiam ou “programam" adaptações fisiológicas no indivíduo ainda nas fases 
críticas do desenvolvimento: período da gestação e o início da vida (TEIXEIRA, 2018). 
Isso ocorre em virtude da plasticidade e da sensibilidade a alterações do ambiente nesta 
fase (WEFFORT; LAMOUNIER, 2017). Ou seja, fatores relacionados ao estilo de vida dos 
pais, nele incluso o padrão alimentar, e a exposição a fatores deletérios nos primeiros 
anos de vida, impactam na saúde de seus filhos, tanto a curto quanto a longo prazo.
O período compreendido entre a gestação e a lactação – as 40 semanas de gestação 
e os primeiros 2 anos de vida – é fundamentalpara o crescimento e o desenvolvimento 
da criança, sendo denominado “mil dias”. Trata-se de um período de rápido crescimento 
e desenvolvimento tanto do feto como da criança, no qual as condições nutricionais 
maternas as quais a criança será exposta por intermédio da placenta e do leite materno, 
40
podem ter efeitos de programação de longa duração sobre o risco de obesidade e 
doenças não transmissíveis associadas, incluindo diabetes tipo 2, hipertensão e doenças 
cardiovasculares (KOLETZKO et al., 2012; WEFFORT; LAMOUNIER, 2017).
Nas últimas décadas, avanços científicos nos permitiram identificar que 
estímulos ambientais podem exercer impacto sobre a expressão dos genes. Por meio 
do estudo da epigenética compreende-se que podem ocorrer mudanças reversíveis e 
herdáveis no genoma funcional que não alteram a sequência de nucleotídeos do ácido 
desoxirribonucleico (DNA)(TEIXEIRA, 2018). Sendo que a nutrição materna tem um papel 
essencial nas alterações epigenéticas que favorecem a ocorrência de doenças na fase 
adulta (WEFFORT; LAMOUNIER, 2017).
As alterações epigenéticas mais comuns são metilação do DNA e modificações 
de histonas. A metilação é o fenômeno pelo qual um gene é silenciado, controlando 
várias funções do genoma. Dessa forma, a metilação apresenta função essencial 
durante a morfogênese, para que o desenvolvimento fetal ocorra de maneira adequada. 
Aminoácidos, glicina, histidina, metionina, serina, Vitaminas B6, B12 e o ácido fólico são 
nutrientes cientificamente reconhecidos como influenciadores dos mecanismos de 
metilação do DNA (TEIXEIRA, 2018). 
Existem diversos possíveis mecanismos de modificações nas histonas, incluindo 
metilação, fosforilação e acetilação, que podem alterar a interação entre histonas e DNA, 
alterando a expressão genética. A exposição a metais pesados como arsênico e níquel 
parecem ser fatores causais na modificação das histonas (TEIXEIRA, 2018). 
Embora a maioria dos estudos foque no impacto da influência materna sobre a 
programação metabólica, evidências recentes tem demonstrado que o estado nutricional 
do pai também acarreta em alterações epigenéticas. O excesso de peso paterno pode 
gerar impacto negativo na qualidade, quantidade e integridade do DNA do esperma e 
no desempenho reprodutivo masculino. Ainda, alguns autores afirmam que o padrão 
dietético paterno reside em espermetazóides portadores de informação epigenética, de 
forma que, espermatozóides de pais obesos podem cursar com aumento do estresse 
oxidativo, acarretando em prejuízos perpetuados até a segunda geração (TEIXEIRA 2018).
4.1 EXCESSO DE PESO E PROGRAMAÇÃO METABÓLICA
Os mecanismos epigenéticos envolvidos na suscetibilidade ao desenvolvimento 
da obesidade têm sido amplamente investigados na atualidade. Há três hipóteses que 
buscam explicar a programação metabólica da obesidade (KOLETZKO et al., 2012):
1) Hipótese intrauterina mediada por suprimento: sugere que a exposição intrauterina 
a um excesso de suprimentos energéticos, principalmente glicose, causa alterações 
permanentes do feto que levam à obesidade na vida pós-natal.
41
2) Hipótese de ganho de peso pós-natal acelerado: propõe uma associação entre 
rápido ganho de peso na infância e risco aumentado de obesidade e doenças 
cardiovasculares ao longo da vida. Este ganho acelerado pode se dar em resultado 
de uma dieta com excesso de proteínas.
3) Hipótese de incompatibilidade: sugere que vivenciar uma "incompatibilidade" de 
desenvolvimento entre um ambiente perinatal subótimo e um ambiente infantil 
obesogênico está relacionado a uma predisposição maior ao desenvolvimento de 
obesidade e suas comorbidades.
 
Fatores de risco maternos, como obesidade, ganho de peso em excesso na 
gravidez, tabagismo e baixo nível de vitamina D, associados a um curto período de 
amamentação (menos de 1 mês), podem levar ao sobrepeso ou à obesidade infantil. 
Os primeiros anos de vida representam um período crítico – é a fase em que o apetite 
e a regulação do equilíbrio de energia são programados, o que tem consequências no 
excesso de peso. Sendo assim, o profissional Nutricionista deve iniciar intervenções com 
o intuito prevenir a obesidade antes mesmo da gravidez (WEFFORT; LAMOUNIER, 2017).
4.2 RESTRIÇÃO CALÓRICA E/OU PROTEÍCA E PROGRAMAÇÃO 
METABÓLICA
 
A desnutrição materna leva a alterações na metilação e acetilação de histonas, 
bem como em muitos casos, ao baixo peso ao nascer. Os descendentes nascem com 
baixo peso por sofrerem restrição de crescimento intrauterino (RCIU). Cabe destacar 
que a RCUI também pode ocorrer em virtude de uma disfunção placentária, como a 
síndrome hipertensiva pré-eclampsia, na qual há interrupção do fornecimento normal 
de nutrientes transplacentários e/ou hipoxia fetal (TEIXEIRA, 2018). 
 
O baixo peso ao nascer (BPN) está associado a maior risco de desenvolvimento 
de doenças da idade adulta, tais como: aumento da resistência à insulina e do diabetes 
mellitus tipo 2; aumento da mortalidade por doença coronariana isquêmica; e maior risco 
de síndrome metabólica, dislipidemia e obesidade (WEFFORT; LAMOUNIER, 2017). Este 
quadro parece ser pelo aumento da razão da expressão de genes de apetite/saciedade, 
estimulando o excesso de ingestão alimentar e posterior obesidade (TEIXEIRA, 2018).
4.3 MANEJO NUTRICIONAL NA PROGRAMAÇÃO METABÓLICA
 
Em um cenário o ideal, o manejo nutricional de ambos os genitores deveria 
ocorrer meses antes da fecundação. Neste ponto o objetivo seria a manutenção de um 
peso saudável e o adequado consumo de macro e micronutrientes, de acordo com as 
necessidades individuais.
 
42
Após a fecundação, especial atenção deve ser dada a alimentação materna 
que deve atender as necessidades nutricionais diferenciadas da gestação, de acordo 
com o trimestre gestacional e faixa etária da gestante. Neste período, deve-se evitar a 
exposição aos disruptores endócrinos (TEIXEIRA, 2018): 
Bisfenol A: presente em plásticos e resinas; associado a maior prevalência de doenças 
cardiovasculares e metabólicas, alterações comportamentais (ansiedade, memória, 
aprendizagem), aumento do ganho de peso e de gordura corporal pós-natal, prejuízo 
ao sistema imune.
Ftalatos: presente em plásticos; associado a maior prevalência de doenças 
cardiovasculares e metabólicas, problemas de comportamento e desempenho cognitivo.
Pesticidas organoclorados: incluem herbicidas, fungicidas, inseticidas, repelentes de 
insetos; associado a alterações no aparelho urinário, menor peso ao nascer, aumento de 
acúmulo de gordura corporal, resistência à insulina.
 
Por fim, o profissional Nutricionista deve estar atento ao acompanhamento da 
família visando o sucesso no aleitamento materno e a introdução alimentar adequada 
e em tempo oportuno. Orientar os pais quanto ao impacto dos hábitos familiares na 
construção do padrão alimentar dos filhos e para prevenção de doenças, também se faz 
fundamental. 
5 MODULAÇÃO DA MICROBIOTA INTESTINAL
O trato gastrointestinal, particularmente o intestino grosso, contém o maior 
número de bactérias do corpo humano, denominado microbiota intestinal (COMPARE 
et al., 2012). Desde o ambiente intrauterino, detecta-se a presença de bactérias, no 
entanto é a partir do nascimento que o intestino começa a ser colonizado considerando 
variáveis como o tipo de parto, amamentação e genética (GOMES; MAYNARD, 2020). 
Sabe-se, por exemplo, que crianças nascidas de parto cesáreo tem menor percentual 
de bactérias probióticas o que pode acarretar , entre outras coisas, em alterações na 
digestão, alergias e intolerâncias alimentares (PUJOL, 2011).
 
A microbiota intestinal apresenta fundamental importância na manutenção 
da saúde do hospedeiro uma vez que as bactérias estão envolvidas não apenas nos 
processos de digestão de alimentos mas também na regulação energética, produção 
de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) e síntese de vitaminas como Biotina, Tiamina, 
Cobalamina, Riboflavina e Ácido Pantotênico(GOMES; MAYNARD, 2020; GOMAA, 2020) 
e exerce impacto na secreção de insulina e resistência ä sua ação. Estudos recentes 
apontam ainda que a microbiota intestinal influencia na comunicação entre o eixo cérebro-
intestino, afetando funções mentais e neurológicas do hospedeiro (GOMAA, 2020).
 
43
Destaca-se ainda que a mucosa intestinal é a principal interface entre o sistema 
imunológico e o ambiente externo. O diálogo entre hospedeiro e bactéria na interface 
da mucosa intestinal parece desempenhar papel fundamental no desenvolvimento do 
sistema imunológico. A microbiota intestinal elicia mecanismos imunológicos inatos e 
adaptativos que cooperam para proteger o hospedeiro e manter a homeostase intestinal 
(COMPARE et al., 2012).
 
Ainda não se conhece a composição exata da microbiota intestinal, mas estudos 
recentes mostraram que a maioria dos filotipos bacterianos são membros de dois filos: 
os Firmicutes (como Clostridium, Enterococcus, Lactobacillus, Ruminococcus) que 
compõem aproximadamente 60% da microbiota intestinal, e os Bacteroidetes (como 
Bacteroides e Prevotella) perfazendo 15% (LOPEZ-LEGARREA, 2014).
 
A composição da microbiota intestinal varia substancialmente entre os 
indivíduos, contudo é dinâmica e suscetível a mudanças (LOPEZ-LEGARREA, 2014). 
Hábitos alimentares, estilo de vida, idade e genótipo do hospedeiro podem afetar a 
composição da microbiota intestinal (COMPARE et al., 2012). A exposição a antibióticos, 
anti-inflamatórios, analgésicos e anticoncepcionais pode ser responsável por alterar 
a microbiota intestinal, a depender da farmacocinética, da dosagem e do modo de 
administração. Contudo, os antibióticos são a classe de medicamentos mais amplamente 
reconhecida como prejudiciais pois agem de forma não seletiva, contra todos os micro-
organismos do hospedeiro (PUJOL, 2011). 
 
Doenças crônicas não trasmissíveis e outras doenças metabólicas complexas, 
tais como a obesidade, diabetes tipo 2 (DM2), doença hepática gordurosa não alcoólica 
(DHGNA), são produto de múltiplas perturbações orgânicas sob a influência de 
fatores desencadeantes como a microbiota intestinal e a dieta. Assim, a modulação 
da microbiota intestinal pode representar uma nova forma de tratar ou prevenir tais 
condições (COMPARE et al., 2012; GOMES; MAYNARD, 2020).
 
Uma vez que o padrão alimentar pode ser adaptado em favor do estabelecimento 
de uma microbiota intestinal saudável tem se utilizado de intervenções nutricionais 
planejadas para tal. Estudos recentes têm demonstrado os benefícios das adequações 
dietéticas e suplementação com probióticos e prebióticos para a melhora do perfil 
inflamatório e imunológico em todos os ciclos da vida, nas mais variadas condições de 
saúde e doença (GOMES; MAYNARD, 2020).
44
Entre os diferentes componentes da dieta, os carboidratos, especificamente os 
amidos não digeríveis, parecem desempenhar um papel fundamental na modulação 
da microbiota intestinal, particularmente relacionado à formação de ácidos graxos 
de cadeia curta (AGCC). O consumo de polifenóis, presentes em grande quantidade 
na dieta mediterrânea, mostram propriedades benéficas para a microbiota intestinal 
(LOPEZ-LEGARREA, 2014).
 
Uma alimentação rica em vegetais, a exemplo da dieta lactovegetariana e 
ovolactovegetariana acarreta em aumento da microbiota probiótica e diminuição do 
Clostridium, que é uma bactéria patogênica. O mesmo efeito, observa-se em relação 
ao consumo de isoflavona (PUJOL, 2011). O consumo de fibras é essencial para manter 
a integridade da função de barreira do epitélio intestinal. Ademais, uma dieta rica em 
fibras demonstrou melhorar o controle glicêmico e promoveu um perfil metabólico mais 
saudável em pacientes com DM2 (GOMAA, 2020).
 
O alto consumo de gorduras saturadas apresenta impacto deletério na 
modulação da microbiota uma vez que estimula a proliferação de bactérias capazes 
de alterar a permeabilidade do intestino devido ao aumento de mastócitos da mucosa 
permitindo o aumento na circulação sérica de lipopolissacarídeos (LPS) que quando 
ativados induzem reações intracelulares com a produção de mediadores inflamatórios 
que comprometem a sinalização insulínica. Em contrapartida, uma dieta rica em 
fibras exerce o efeito contrário pois induz a produção de proteínas de junção celular 
protegendo a mucosa do intestino e reduzindo a translocação de LPS para a corrente 
sanguínea (GOMES; MAYNARD, 2020).
 
O consumo de alimentos sulfurados, tais como frutas desidratadas tratadas 
com dióxido de enxofre, sucos de caixa, pão branco, bebidas alcoólicas, entre outras, 
é prejudicial pois estimula as bactérias Gram-negativas. Como estas bactérias são 
redutoras de sulfato, acarretam na produção de gases, distensão abdominal e inibição 
da oxidação do ácido butírico, combustível dos enterócitos (PUJOL, 2011).
 
Você lembra o que são prebióticos e probióticos?
Prebióticos são definidos como um componente alimentar não digerível que 
afeta beneficamente o hospedeiro, estimulando seletivamente o crescimento 
e/ou atividade de uma ou um número limitado de bactérias no cólon. 
Probióticos são os microrganismos vivos em si, presentes em alimentos 
(iogurte, leite fermentado, kefir, chucrute, kimchi, fermentados à base de soja) 
ou suplementos, capazes de produzir substâncias antimicrobianas contra 
patógenos intestinais a fim de restaurar a saúde e a composição da microbiota.
NOTA
45
Nos últimos anos difiundiu-se a orientação generalizada a cerca da redução do 
consumo de alimentos com glúten, embora poucas evidências científicas demonstrem 
resultados favoráveis a exclusão aleatória dessa proteína. Hansen et al. (2018) pesquisou 
os efeitos da redução do glúten na dieta de adultos através de um ensaio clínico 
randomizado com duração de 8 semanas. Os autores identificaram que as alterações 
na composição microbiana e na fermentação do cólon se dão devido a mudanças 
qualitativas no consumo de fibras alimentares decorrentes da redução de alimentos 
ricos em glúten (tais como farinhas refinadas) e não unicamente pela baixa ingestão do 
glúten em si (HANSEN, 2018).
 
Na modulação da microbiota intestinal, visando o tratamento da DHGNA tem se 
defendido o uso de cepas probióticas, tais como Lactobacillus paracasei, Lactobacillus 
bulgaricus e Streptococcus thermophilus, e de fibras prebióticas (COMPARE, 2012). Em 
relação a DM2, a suplementação com Lactobacillus casei parece impactar na redução 
da glicemia de jejum, da concentração de insulina e da resistência à insulina e também 
aumentar a SIRT1 (importante enzima com potencial antiinflamatório) e diminuir os 
níveis de fetuina-A (proteínas transportadoras de ácidos graxos livres na circulação) 
(KHALILI et al., 2019). No tratamento da constipação, as cepas Lactobacillus acidophilus, 
Lactobacillus rhamnosus, Lactobacillus paracasei e Bifidobacterium lactis auxiliam na 
melhora da flatulência e distensão abdominal, sintomas frequentemente relatados por 
pacientes constipados (GOMES; MAYNARD, 2020).
 
Os probióticos também podem ser utilizados na prevenção da disbiose que 
ocorre quando o indivíduo é exposto a condições severas (antibioticoterapia prolongada, 
estresse físico ou mental intenso, doenças crônicas etc.). Contudo, os benefícios 
atrelados ao uso de probióticos dependerão sempre da dose e duração da administração, 
seleção de cepas e preservação destas no trato gastrointestinal (GOMAA, 2020).
 
O consumo de prebióticos, tais como Frutooligossacarídeos e Inulina, conferem 
benefícios ao hospedeiro, incluindo aumento da integridade da barreira da mucosa 
intestinal, aumento da imunidade da mucosa do hospedeiro, redução do pH e produção 
de AGCC, bem como inibição do crescimento de microrganismos patogênicos. As fibras 
prebióticas podem ser encontradas de forma isolada em suplementos alimentares ou 
alimentos fonte, tais como aveia, raiz de chicória, alcachofra, aspargos, cebola, alho, 
tomate, cevada, aveia e banana (GOMAA, 2020).A suplementação exógena de pré ou probióticos representa benefícios, conforme 
apontado por diversos autores, contudo, observa-se que, de forma isolada ela não é 
capaz de recolonizar em definitivo a microbiota intestinal. Por isso, uma alimentação 
balanceada e saudável, associada a um estilo de vida equilibrado que considere tempo 
adequado de sono, atividade física e bem estar biopsicossocial pode ter grande influência 
na composição da microbiota, e um ambiente microbiano saudável impactará na melhor 
imunidade e funcionamento fisio-metabólico do individuo (GOMES; MAYNARD, 2020).
46
6 ALERGIAS ALIMENTARES
 
A alergia alimentar faz parte do grupo das reações adversas aos alimentos, 
que podem ser classificadas em: tóxicas, intolerância e hipersensibilidade (alergia) 
(SPERIDIÃO; MORAIS, 2014). É definida como uma doença consequente a uma resposta 
imunológica anômala, que ocorre após a ingestão e/ou contato com determinado(s) 
alimento(s) (SOLÉ et al., 2018). Vem sendo considerada atualmente como um problema 
de saúde pública em todo o mundo e está associado a um impacto negativo significativo 
na qualidade de vida (PEREIRA; MOURA; CONSTANT, 2008; SOLÉ et al., 2018).
 
Os dados sobre a prevalência de alergia alimentar, ao redor do mundo, são 
conflitantes e variáveis a depender de: idade e características da população avaliada, 
mecanismo imunológico envolvido, método de diagnóstico, tipo de alimento, regiões 
geográficas, entre outros. Contudo sabe-se que as alergias alimentares são mais 
comuns em crianças, com uma prevalência de aproximadamente de 6% em menores de 
três anos. Entre os adultos, atinge 3,5% (SOLÉ et al., 2018).
 
As reações de hipersensibilidade são determinadas por proteínas que 
desencadeiam uma reação imunológica, a qual pode determinar várias síndromes 
clínicas. Podem ser classificadas de acordo com o mecanismo imunológico 
predominante: reações tardias mediadas por células, reações imediatas mediadas por 
imunoglobulina E (igE) e reações mistas nas quais ambos os mecanismos (reação por 
células e IgE) participam (SPERIDIÃO; MORAIS, 2014). Na tabela abaixo, observam-se as 
manifestações dos diferentes tipos de alergia:
TABELA 5 – MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DE ACORDO COM O MECANISMO IMUNOLÓGICO ENVOLVIDO
Mediada por IgE
Mediada por IgE e 
célula (misto)
Não mediada por IgE
Pele
Urticária, angioedema, 
rash eritematoso 
morbiliforme, rubor
Dermatite atopica
Dermatite herpetiforme 
Dermatite de contato
Respiratório
Rinoconjuntivite alérgica 
Broncoespasmo agudo
Asma
Hemossiderose induzida 
por alimento (Síndrome de 
Heiner)
Gastrintestinal
Síndrome de alergia 
oral Espasmo intestinal 
agudo
Esofagite 
eosinofílica (EOE) 
Gastrite eosinofílica 
Gastroenterite 
eosinofílica
Síndrome da enterocolite 
induzida por proteína 
alimentar (FPIES) 
Síndrome da protocolite 
induzida por proteína 
alimentar (FPIPS)
Síndrome de enteropatia 
induzida por proteína 
alimentar
Cardiovascular Tontura e desmaio
47
Miscelânea
Cólicas e contrações 
uterinas Sentimento de 
"morte iminente"
Sistêmicas
Anafilaxia Anafilaxia por 
exercício dependente de 
alimento
FONTE: Adaptado de Solé et al. (2018)
 
Os alérgenos alimentares são na sua maior parte representados por 
glicoproteínas hidrossolúveis com peso molecular entre 10 e 70 kDa. Podem sofrer 
modificações conforme o processamento do alimento ou durante a digestão, resultando 
em aumento ou diminuição da alergenicidade. Os alérgenos alimentares relacionados a 
manifestações mais graves de alergia são em geral termoestáveis e resistentes à ação 
de ácidos e proteases. Há três possibilidades de um alimento se tornar capaz de induzir 
reações: quando o alimento é ingerido ou há contato com a pele ou o trato respiratório; 
quando, pela reatividade cruzada, houve produção de IgE específica e sensibilizaçao 
antes mesmo do contato com o alimento; quando há reatividade cruzada entre um 
alérgeno inalável (ex. polens, látex) responsável pela sensibilização e produção de IgE e 
ingestão do alimento (SOLÉ et al., 2018). 
 
Os principais alimentos alergênicos são leite de vaca, ovo, trigo, soja, amendoim, 
castanhas, peixes e frutos do mar (PEREIRA; MOURA; CONSTANT, 2008; SPERIDIÃO; 
MORAIS, 2014; SOLÉ et al., 2018; OLIVEIRA et al., 2018). O momento da vida no qual 
estes alimentos são introduzidos na dieta influencia no desenvolvimento da alergia 
(SPERIDIÃO; MORAIS, 2014). As reações adversas aos aditivos alimentares são raras 
(abaixo de 1%), sendo que os aditivos mais implicados são os sulfitos, o glutamato 
monossódico, a tartrazina e o vermelho carmim. Novos potenciais alérgenos têm sido 
descritos, como kiwi, mamão papaia, gergelim, mostarda, canola e a mandioca (PEREIRA; 
MOURA; CONSTANT, 2008; SOLÉ et al., 2018).
 
Pode haver ainda reações cruzadas frente ao consumo de alimentos alergênicos, 
ou seja, alimentos diferentes podem induzir respostas alérgicas semelhantes no mesmo 
indivíduo. Um indivíduo alérgico a camarão pode não tolerar outros crustáceos, assim 
como alérgicos a amendoim podem também apresentar reação ao ingerir a soja, ervilha 
ou outros feijões (PEREIRA; MOURA; CONSTANT, 2008).
 
O aleitamento materno exclusivo apresenta potencial de prevenção das alergias 
alimentares, possivelmente em virtude da modulação da microbiota intestinal do bebê 
por meio do leite materno (SPERIDIÃO; MORAIS, 2014). Em contrapartida, o consumo 
de fórmulas lácteas e a introdução alimentar precoce na infância, podem atuar como 
fatores de risco para o desenvolvimento de alergias alimentares (SOLÉ et al., 2018).
 
48
Diversos de fatores de risco têm sido associados à ocorrência de alergia 
alimentar, tais como etnia asiática e africana, comorbidades alérgicas (dermatite 
atópica), alterações do aparelho digestivo, insuficiência de vitamina D, redução do 
consumo dietético de ácidos graxos poliinsaturados do tipo ômega 3, redução de 
consumo de antioxidantes, uso de antiácidos, obesidade e outros fatores relacionados 
à higiene (OLIVEIRA et al., 2018; SOLÉ et al., 2018) Ademais, a predisposiçao genética, 
associada a fatores de risco ambientais, culturais e comportamentais, formam a base 
para o desencadeamento das alergias alimentares em termos de frequência, gravidade 
e expressão clínica (SOLÉ et al., 2018).
 
Sabe-se também que o estabelecimento de uma microbiota inadequada 
(disbiose) pode resultar em alterações nos mecanismos reguladores imunológicos, 
culminando em maior susceptibilidade a infecções ou desequilíbrio nos fenômenos 
de tolerância, induzindo respostas de hipersensibilidade, como as alergias alimentares 
(SOLÉ et al., 2018). 
 
O tratamento das alergias alimentares é baseado na exclusão ou eliminação 
do alérgeno alimentar, ou seja, na prescrição de uma "dieta de exclusão” (SPERIDIÃO; 
MORAIS, 2014). Embora pareça simples, o tratamento dietético apresenta múltiplos 
objetivos e princípios, que incluem:
• Aliviar os sintomas pela remoção dos alérgenos da dieta.
• Prevenir a exposição acidental ao alérgeno.
• Prevenir a restrição desnecessária de alimentos.
• Garantir o crescimento e o desenvolvimento adequados para a idade e o sexo em 
crianças e prevenir a desnutrição em adultos.
• Fornecer dieta balanceada, adequada e saudável, com alternativas apropriadas 
para os alimentos removidos da dieta com o objetivo de minimizar o impacto sobre 
a qualidade de vida e prevenir as doenças crônicas na vida adulta (YONAMINE; 
PINOTTI, 2021).
A exclusão de um determinado alimento não é tarefa fácil e a exposição 
acidental ocorre com certa freqüência. Os indivíduos com Alergia 
Alimentar grave (reação anafilática) devem portar braceletes ou cartões 
que os identifiquem, para que cuidados médicos sejam imediatamente 
tomados. Pacientes com história de reações graves devem ser orientados 
a portar medicamentos específicos (adrenalina) (PEREIRA; MOURA; 
CONSTANT, 2008).
NOTA
49
Esta conduta permite não somente tratar o paciente como acaba sendo uminstrumento de diagnóstico uma vez que possibilita confirmar a suspeita da alergia 
alimentar através do desaparecimento dos sintomas e seu reaparecimento após a 
reintrodução do(s) alimento(s) suspeito(s) (SPERIDIÃO; MORAIS, 2014).
No manejo dos casos de alergias alimentares, ao profissional Nutricionista cabe 
realizar a avaliação criteriosa e detalhada da ingestão alimentar do paciente, prescrever 
a conduta dietética adequada e orientar o paciente ou cuidadores a cerca das exclusões. 
Na prescrição dietética deve-se atentar para a substituição dos alimentos alergênicos 
mantendo a palatabilidade da dieta, de acordo com os hábitos alimentares do paciente 
e suas necessidades nutricionais individualizadas (macro e micronutrientes). 
 
Os pacientes e/ou cuidadores devem ser passar por processo de educação 
alimentar e nutricional visando aprender a realizar correta leitura do rótulo dos alimentos 
e escolha de restaurantes. Cabe também a orientação a cerca da higiene de utensílios e 
eletrodomésticos tendo em vista o risco de contaminação cruzada.
 
Nos casos de alergias IgE mediadas, após um período de tratamento com dieta 
de exclusão pode ser realizado o teste de provocação oral (TPO), sob supervisão médica, 
ou reintrodução do alimento na dieta em casa, mediante orientação médica, nos casos 
em que a possibilidade de reações imediatas ou graves seja totalmente descartada, a fim 
de verificar se o paciente adquiriu tolerância clínica ao alimento que antes desencadeava 
manifestações alérgicas. Após a confirmação de aquisição de tolerância, o alimento 
pode ser gradualmente reintroduzido na dieta do paciente. De acordo com a literatura, 
as alergias ao leite de vaca e ao ovo tendem a se resolver de maneira espontânea, em 
contrapartida, no caso da alergia ao amendoim, castanhas e frutos do mar, a tolerância 
espontânea é mais difícil de ocorrer (YONAMINE; PINOTTI, 2021).
7 CIRURGIA BARIÁTRICA
 
A obesidade é considerada um problema de saúde pública no país dada sua 
alta prevalência e impacto deletério na saúde, qualidade de vida e recursos financeiros. 
Conforme você aprendeu na Disciplina de Nutrição Clínica: Trato Gastrointestinal e 
Doenças Crônicas (Unidade 2), o Nutricionista apresenta papel fundamental no manejo 
dietoterápico da obesidade, visando a perda de peso. Contudo, neste tópico, você 
irá conhecer outro ponto de atuação do Nutricionista, que é o manejo de pacientes 
candidatos à cirurgia bariátrica.
 
A cirurgia bariátrica é considerada uma alternativa terapêutica para casos de 
obesidade grave, seguindo os critérios a seguir:
• Pacientes com IMC acima de 40 kg/m², independentemente da presença de 
comorbidades.
50
• Paciente com IMC entre 35 e 40 kg/m² na presença de comorbidades.
• Pacientes com IMC entre 30 e 35 kg/m² na presença de comorbidades que tenham 
obrigatoriamente a classificação “grave” por um médico especialista na respectiva 
área da doença.
Analisa-se também a idade do paciente, sendo que não há restrições neste 
sentido na faixa dos 18 e 65 anos. Acima de 65 anos, o paciente deverá passar por 
uma avaliação individual e recomenda-se que pacientes de 16 a 18 anos devem obter 
consentimento da família ou responsável legal (SBCBM, 2019).
 
As técnicas cirúrgicas possíveis de serem utilizadas nestes casos são: 
Gastroplastia Redutora com Derivação Gastrojejunal em Y-de-Roux (GRYR) ou Bypass 
Gástrico; Banda Gástrica Ajustável; Gastrectomia Vertical ou Sleeve; e Derivação 
Biliopancreática com Duodenal Switch. As técnicas cirúrgicas estão exemplificadas nas 
imagens abaixo:
FIGURA 6 – GASTROPLASTIA REDUTORA COM DERIVAÇÃO GASTROJEJUNAL EM Y-DE-ROUX (GRYR)
FONTE: SBCBM (2017, on-line)
Nesse procedimento misto, é feito o grampeamento de parte do estômago, 
que reduz o espaço para o alimento, e um desvio do intestino inicial, que promove o 
aumento de hormônios que dão saciedade e diminuem a fome. Essa somatória entre 
menor ingestão de alimentos e aumento da saciedade é o que leva ao emagrecimento, 
além de controlar o diabetes e outras doenças, como a hipertensão arterial.
51
FIGURA 7 – GASTRECTOMA VERTICAL
FONTE: SBCBM (2017, on-line)
Esse procedimento e considerado restritivo e metabólico e nele o estômago é 
transformado em um tubo, com capacidade de 80 a 100 mililitros (ml).
FIGURA 8 – DERIVAÇÃO BILIOPANCREÁTICA
FONTE: SBCBM (2017, on-line)
52
É a associação entre gastrectomia vertical e desvio intestinal. Nessa cirurgia, 
60% do estômago são retirados, porém a anatomia básica do órgão e sua fisiologia de 
esvaziamento são mantidas.
FIGURA 9 – BANDA GÁSTRICA AJUSTÁVEL
FONTE: SBCBM (2017, on-line)
Um anel de silicone inflável e ajustável é instalado ao redor do estômago, que 
aperta mais ou menos o órgão, tornando possível controlar o esvaziamento do estômago.
 
O acompanhamento nutricional do paciente deve iniciar já no pré-operatório 
com o objetivo de promover uma perda de peso de 5 a 10% do peso inicial, a fim de 
minimizar os riscos cirúrgicos (OLIVEIRA; MAGNO, 2018). É oportuno neste momento 
orientar o paciente quanto à cirurgia e suas implicações nutricionais, bem como 
estimular mudanças no padrão de comportamento alimentar visando uma melhor 
relação com a comida (CARVALHO; DUTRA, 2014). Recomenda-se a prescrição de uma 
dieta hipocalórica, nutricionalmente equilibrada e segura, individualizada e adaptada às 
condições econômicas e culturais do paciente. Neste período, dietas de baixas calorias 
(1.000 a 1.200kcal/dia) ou dietas de muito baixas calorias (aproximadamente 800kcal/
dia) podem ser utilizadas por duas a quatro semanas (OLIVEIRA; MAGNO, 2018).
 
No período pós-operatório, a dietoterapia deverá ser adaptada à técnica cirúrgica 
empregada e as condições clínicas do paciente (sintomas, carências nutricionais, e 
intolerâncias alimentares) (OLIVEIRA; MAGNO, 2018). Modificações na consistência da 
dieta e composição nutricional são necessárias para adaptar o novo transito digestivo 
do paciente. Apesar de não haver consenso quanto a evolução da dieta pós-operatória, 
no geral, as equipes optam pelo o padrão a seguir:
53
1. Dieta líquida restrita: indicada após o jejum pós-operatório, mantida por 1 a 4 dias.
2. Dieta líquida completa: mantida por até 30 dias, com refeições fracionadas a fim de 
evitar grandes volumes.
3. Dieta pastosa ou cremosa: mantida por 15 a 21 dias.
4. Dieta branda: mantida por até 30 dias.
5. Dieta normal: etapa final da evolução de consistência, com refeições fracionadas 
(CARVALHO; DUTRA, 2014; PEDROSA et al., 2020).
A suplementação multivitamínica e mineral preventiva é condição obrigatória 
e deve ser iniciada logo após a alta clínica e, pelo menos no primeiro mês pós-cirurgia, 
deverá optar- -se pela forma mastigável ou bebível. Destaca-se que esta suplementação 
tem caráter “vitalício”, salvo condição clínica que o contraindique ((PEDROSA et al., 
2020). A suplementação deve contemplar Vitamina A, B1, B2, B6, C, D, E, K, Ácido fólico, 
Cálcio, Ferro, Selenio, Zinco e Cobre, com dosagens de acordo com o procedimento 
cirúrgico realizado e fase da vida (OLIVEIRA; MAGNO, 2018; PEDROSA et al., 2020).
 
O sucesso do tratamento cirúrgico depende em grande parte de mudanças 
alimentares que o paciente precisará manter no pós-operatório, o que implica na 
necessidade de acompanhamento nutricional de longo prazo (CARVALHO; DUTRA, 
2014). Em virtude da modificação mecânica do trato gastrointestinal, a cirurgia bariátrica 
acarreta em maior saciedade e/ou alteração na absorção de nutrientes, contudo, se o 
paciente não aderir a dietoterapia, poderá apresentar complicações pós-operatórias, 
carências de micronutrientes e até mesmo reganho de peso. 
8 NUTRIÇÃO NOS CUIDADOS PALIATIVOS
 
Os cuidados paliativos (CP) são cuidados ativos, coordenados e globais 
oferecidos a pacientes em de sofrimento decorrente de doença incurável ou grave, 
em fase avançada e progressiva, assim como às suas famílias. O objetivo principal da 
assistênciaao paciente em CP é promover bem-estar e qualidade de vida, através da 
prevenção e alívio do sofrimento físico, psicológico, social e espiritual, auxiliando o 
doente a viver a sua doença da forma mais activa possível (PINHO-REIS, 2012). 
 
O respeito aos desejos do paciente, o cultivo de sua autonomia, visando 
preservar ao máximo sua vida normal ou favorecendo para que a este consiga usufruir 
sua vitalidade dentro de seus limites, são a base da estratégia terapêutica nos CP 
(MORAIS, 2016).
 
Em virtude da formação teórica que se recebe desde a graduação, cujo foco é 
manter ou reestabelecer a saúde, por muitos anos os profissionais de saúde acreditaram 
que, quando se esgotam as possibilidades terapêuticas, ou seja, as chances cura, nada 
mais há pra ser feito. Contudo, felizmente, nas últimas décadas temos estudado e 
entendido que o cuidado paliativo é sim uma forma das formas de se prestar assistência 
54
à saúde e que há muita importância em fazê-lo justamente quando o paciente se 
apresenta em seu momento de maior vulnerabilidade existencial, ou seja, quando se 
depara com a iminência da morte.
 
Neste âmbito a assistência integral, com equipe multidisciplinar se faz 
fundamental, sendo o Nutricionista um dos profissionais de grande relevância. Devido 
aos tratamentos ou à própria evolução da doença de base, os doentes experimentam 
sintomas que afetam não só a via de alimentação, o apetite e a utilização de nutrientes 
mas também o ato de consumir e obter prazer através da alimentação. O suporte 
nutricional deverá possibilitar não só os meios e as vias de alimentação necessários 
como também o controle de sintomas relacionados com a alimentação, levando em 
consideração os aspectos éticos e o significado que a alimentação adquire para o 
doente e sua família em CP (PINHO-REIS, 2012).
 
O acompanhamento nutricional do paciente em CP requer um olhar ainda mais 
abrangente do profissional que deverá buscar equilibrar as necessidades nutricionais 
mínimas do paciente as dificuldades encontradas nesta fase da vida. Os familiares ou 
cuidadores devem também ser orientados a fim de entender os objetivos da dietoterapia 
e também por serem primordiais uma vez que, normalmente, os pacientes em CP 
requerem auxilio destes no preparo e até mesmo consumo das refeições. 
 
As necessidades nutricionais (calóricas, proteicas e hídricas) devem ser 
determinadas segundo a expectativa de vida, sintomas, tolerância e aceitação do 
paciente, garantindo assim, oferta de conforto e qualidade de vida. A prescrição 
dietética não deve se ater apenas em oferecer as necessidades nutricionais, ela deve, 
sobretudo, prover prazer e conforto, respeitando os desejos do paciente (MORAIS, 2016; 
MAGALHÃES; OLIVEIRA; CUNHA, 2018).
 
O paciente em CP tende a apresentar sintomas que impactam na alimentação 
tais como: náuseas, vômitos, alteração de paladar (redução, perda, sensibilidade 
aumentada), inapetência, saciedade precoce, má absorção de nutrientes, diarreia 
ou constipação, entre outros (MAGALHÃES, OLIVEIRA, CUNHA, 2018). O nutricionista 
deve adequar a alimentação do paciente aos sintomas apresentados em cada fase do 
acompanhamento, através da modificação das formas de preparo, alimentos ofertados, 
consistência, apresentação e até mesmo via de alimentação, quando necessário. 
 
A perda de peso e/ou desnutrição é um achado frequente entre pacientes em 
CP. A dietoterapia, quando estabelecida precocemente, pode auxiliar na manutenção da 
composição corporal e no controle da perda de peso uma vez que estes estão relacionados 
à evolução clínica desfavorável, comprometimento psicológico, socioeconômico e 
da qualidade de vida do paciente. A terapia nutricional oral (suplementos), enteral 
ou parenteral pode ser considerada, contudo precisa ser discutida em conjunto com 
a equipe multiprofissional, o paciente e seus familiares, considerando aceitação e 
prognóstico (MORAIS, 2016).
55
Cabe destacar que, por vezes, nem todos os instrumentos de avaliação 
nutricional poderão ser aplicados no paciente em CP, principalmente naqueles em estado 
mais avançado, em virtude de sua debilidade física ou sintomas. Qualquer instrumento 
de avaliação que possa gerar desconforto físico ou emocional não deve ser utilizado 
nessa fase (MORAIS, 2016). O simples ato de subir na balança, para alguns pacientes 
pode demandar um esforço além de suas capacidades. O pinçar do adipômetro, para 
um paciente sofrendo as dores da terminalidade, pode ser exacerbado. Portanto o 
profissional deve utilizar na avaliação nutricional os dados que dispor, considerando o 
diagnóstico do paciente, informações coletadas na anamnese, além de sinais e sintomas.
O Consenso Nacional de Nutrição Oncológica aborda as condutas 
nutricionais especificas para pacientes oncológicos em cuidados paliativos. 
Para saber mais, acesse: https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/
files//media/document//consenso-nacional-de-nutricao-oncologica-2-
edicao-2015.pdf 
DICA
56
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
· Alimentos funcionais, como a linhaça, brócolis, chá verde, cacau, entre outros 
- contém compostos bioativos que desempenham impacto positivo na saúde, 
auxiliando no manejo de doenças crônicas.
· A Nutrição pode atuar como adjuvante no tratamento de desordens estéticas através 
da inclusão de micronutrientes chaves, pode meio do consumo de alimentos ou 
suplementos.
· O padrão alimentar dos genitores e o consumo alimentar nos primeiros anos de vida 
impactam na saúde dos filhos, tanto a curto quanto a longo prazo, correlacionando-
se com o desenvolvimento de obesidade, dislipidemias, diabetes, entre outras 
comorbidades.
· Os principais alimentos relacionadas as alergias alimentares são leite de vaca, ovo, 
trigo, soja, amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar. Há relatos de casos de 
alergia aos aditivos alimentares, contudo ainda são raros.
· O acompanhamento nutricional é fundamental no pré e pós operatório da Cirurgia 
Bariátrica. Previamente a cirurgia, o objetivo é que o paciente obtenha perda de 
peso e modifique seu comportamento alimentar. No pós-operatório, o foco està na 
adaptação da alimentação à técnica cirúrgica empregada e às condições clínicas do 
paciente, além de previnir ou tratar carências nutricionais e evitar o reganho de peso.
57
1 A acne é um achado frequente entre adolescentes e adultos que surge devido a 
um processo inflamatório das glândulas sebáceas e dos folículos pilossebáceos. 
Tal situação acarreta não só no em um comprometimento estético de impacto 
psicológico e social. Embora não haja consenso em relação aos fatores dietéticos 
implicados na etiologia do problema, sabe-se que a dietoterapia apresenta efeito 
positivo no tratamento. Sendo assim, disserte acerca dos objetivos da intervenção 
dietoterápica na acne.
2 O profissional Nutricionista se faz fundamental no manejo das alergias alimentares 
uma vez que o tratamento de base consiste na exclusão ou eliminação do alérgeno 
que desencadeia a reação imunológica. Ou seja, se faz necessária a prescrição de 
uma dieta de exclusão. Elenque a seguir os objetivos da intervenção dietoterápica 
nas alergias alimentares:
3 Os alimentos funcionais são aqueles que contém compostos, tecnicamente 
denominados de substâncias bioativas, que apresentam potencial benefício na 
saúde humana devido aos seus efeitos metabólicos diferenciais. Associe os alimentos 
funcionais da coluna I aos seus respectivos compostos bioativas, apresentados na 
coluna II:
(1) Chá verde ( ) Teobromina
(2) Café ( ) Ligananas
(3) Linhaça ( ) Ácido clorogênico
(4) Brócolis ( ) Alicina
(5) Alho ( ) Catequinas
(6) Cacau ( ) Glicosinolatos
A associação CORRETA é:
a) ( ) 1, 3, 5, 4, 2, 6.
b) ( ) 6, 3, 1, 5, 2, 4.
c) ( ) 6, 3, 2, 5, 1, 4.
d) ( ) 2, 5, 6, 3, 4, 1.
4 Programação metabólica refere-se aos processos pelos quais estímulos externos, tais 
como estilo de vida,alimentação, exposição a estressores, desencadeiam adaptações 
fisiológicas no individuo ainda nas fases críticas do desenvolvimento: período 
da gestação e o inicio da vida. Acerca dos aspectos nutricionais na programação 
metabólica, assinale a alternativa correta:
AUTOATIVIDADE
58
a) ( ) A nutrição materna tem um papel essencial nas alterações epigenômicas que 
favorecem a ocorrência de doenças nos filhos, na fase adulta.
b) ( ) Somente aspectos relacionados a nutrição materna – alimentação e estado 
nutricional – são responsáveis pela programação metabólica dos filhos.
c) ( ) É ideal que se inicie o manejo nutricional visando a programação metabólica tão 
logo se confirme a gestação. 
d) ( ) A gestante deve evitar a exposição ao Bisfenol A, Ftalatos e pesticidas 
organoclorados uma vez que estes são considerados disruptores endócrinos, 
que atuam de forma negativa na programação metabólica.
5 O termo microbiota intestinal é utilizado para designar o conjunto de microorganismos 
que povoam o trato gastrointestinal humano. O estudo da microbiota intestinal tem 
ganho destaque nos últimos anos dado o entendimento de sua estreita relação com 
a saúde. Em relação à microbiota intestinal, analise as assertivas a seguir e classifique 
V para as verdadeiras e F para as falsas:
( ) A microbiota intestinal apresenta diversas funções, tais como: digestão, regulação 
energética, produção de ácidos graxos de cadeia cuida, síntese de vitaminas e 
impacto na produção de insulina.
( ) Estudos indicam que a microbiota intestinal humana é formada em sua maior parte 
por Bacteroidetes.
( ) A microbiota intestinal está intimamente relacionada ao sistema imune e seu 
funcionamento.
( ) Uma dieta rica em proteína animal acarreta em aumento da microbiota probiótica 
e redução de bactérias patogênicas.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V - F - V - F.
b) ( ) V - V - F - V.
c) ( ) F - V - F - V.
d) ( ) F - V - V - F.
59
TÓPICO 3 - 
ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA NA ÁREA DE 
ALIMENTAÇÃO COLETIVA
1 INTRODUÇÃO
Prezado acadêmico, neste tópico iremos aprofundar nosso conhecimento 
acerca da atuação do profissional Nutricionista na área de alimentação coletiva e novas 
tendências deste segmento.
Você já ouviu falar sobre o aproveitamento integral dos alimentos? Plantas 
alimentícias não convencionais? Gastronomia aplicada aos serviços de nutrição? 
A partir deste tópico, você irá descobrir como agregar essas tendências na 
prática, ampliando suas possibilidades de atuação no segmento da alimentação coletiva, 
com impacto positivo na saúde dos comensais e na gestão dos recursos.
2 APROVEITAMENTO INTEGRAL DOS ALIMENTOS
 
À medida que a população mundial aumenta, também aumenta a demanda 
de recursos para sustenta-lá, entre eles, a alimentação. Embora tenhamos vivenciado 
avanços tecnológicos que ampliaram nossa capacidade produtiva, acredita-se que, em 
um futuro próximo, estes não serão capazes de sustentar nossa demanda por alimentos. 
Além disso, dado o alto custo da alimentação, uma grande parcela da população tem 
acesso quanti e qualitativo limitado. 
 
Ressalta-se ainda que, de acordo com a Organização das Nações Unidas 
para Alimentação e Agricultura, em âmbito mundial, entre um quarto e um terço dos 
alimentos produzidos anualmente para o consumo humano se perde ou é desperdiçado. 
No Brasil, a despeito da fome afetar 14 milhões de pessoas, desperdiçamos 22 bilhões 
de calorias. Tal quantitativo seria suficiente para satisfazer as necessidades nutricionais 
de 11 milhões de pessoas e permitiria reduzir a fome em níveis inferiores de 5% (FAO, 
2021). Neste contexto, técnicas de aproveitamento integral dos alimentos surgem como 
uma alternativa sustentável, saudável e economicamente viável.
UNIDADE 1
60
A alimentaç ã o com aproveitamento integral possui como princí pio bá sico a 
diversidade de alimentos e a complementaç ã o de refeiç õ es, com o objetivo de reduzir 
custo, proporcionar preparo rá pido e oferecer paladar regionalizados (SESC, 2003).
Técnicas de aproveitamento integral dos alimentos incluem o aproveitamento 
de sobras e aparas que podem ser usados como ingredientes de novas preparações, 
além da utilização integral dos alimentos, ou seja, o aproveitamento de sua totalidade, 
através do consumo das folhas, cascas, sementes, caules e talos.
Através do aproveitamento integral dos alimentos pode-se aumentar a 
densidade nutritiva das preparações alimentares, auxiliar no combate à fome e ainda 
reduzir a quantidade de lixo produzido (CARGILL, 2018).
Por vezes, as folhas, talos e cascas podem ser mais nutritivos do que a parte 
consumida usualmente. A maioria das cascas das frutas apresentam maiores teores de 
fi bras, potássio, magnésio e cálcio que sua polpa (GONDIM, 2005). Por exemplo, as folhas 
verdes da couve-fl or contém mais ferro do que a couve manteiga e são mais nutritivas 
do que a própria couve-fl or (AIOLFI; BASSO, 2013). Já os talos do agrião contêm grande 
concentração de ferro, cálcio e vitamina C (CARGILL, 2018).
Além de serem nutritivas, preparações elaboradas com aproveitamento integral 
dos alimentos tendem a apresentar boa aceitabilidade por parte dos comensais. Em sua 
pesquisa, Aiolfi e Basso observaram aceitabilidade acima de 90% para suco de casca de 
abacaxi, patê de casca de cenoura e bolo de casca de banana (AIOLFI; BASSO, 2013).
Abaixo estão listados alguns exemplos de aproveitamento integral:
Carne assada: croquete, omelete, tortas e recheios.
Carne moí da: croquete, recheio de panqueca e bolo salgado.
Arroz: bolinho, arroz de forno e risotos.
Macarrã o: salada ou misturado com ovos batidos.
Hortaliç as: farofa, panquecas, sopas e purê s.
Peixes e frango: sufl ê , risoto, bolo salgado.
Aparas de carne: molhos, sopas, croquetes e recheios.
As perdas se referem à diminuição da massa disponível de alimentos para 
o consumo humano nas fases de produção, pós-colheita, armazenamento 
e transporte. O desperdício de alimentos está relacionado com as perdas 
derivadas da decisão de descartar alimentos que ainda têm valor e se 
associa, principalmente, ao comportamento dos maiores e menores 
vendedores, serviços de venda de comida e consumidores (FAO, 2021).
NOTA
61
Feijã o: tutu, feijã o tropeiro, virado e bolinhos.
Pã o: pudim, torradas, farinha de rosca e rabanada.
Frutas maduras: doces, bolo, sucos, vitaminas ou batidas e geleia.
Leite talhado: doce de leite.
Folhas de cenoura, beterraba, batata doce, nabo, couve-fl or, abó bora, mostarda, hortelã 
e rabanete: bolinhos, risotos, cremes, sopas, saladas e sucos.
Cascas de pepino, berinjela, beterraba, abó bora: sucos, sopas e refogados.
Cascas de frutas (goiaba, mamão, abacaxi, banana, maçã, manga): sucos, chás, 
vitaminas ou batidas, bolos, biscoitos, geleias.
Cascas de laranja: caramelizada e em doces à base de leite (arroz doce e cremes).
Cascas de batata e mandioca: petiscos assados ou fritos.
Talos de couve-fl or, couve manteiga, agrião, salsa, bró colis, beterraba: patês, refogados, 
recheios, sopas e caldos.
Entrecascas de melancia, maracujá e melão: doces e recheios.
Sementes de abó bora, melã o, jaca: torradas.
Pé s e pescoç o de galinha.
Tutano de boi (SESC, 2003; CARGILL, 2018).
O aproveitamento integral dos alimentos pode ser aplicado tanto no âmbito 
doméstico, ou seja, na alimentação caseira das famílias como também em serviços 
de alimentação e nutrição, tais como, escolas, restaurantes comerciais, restaurantes 
corporativos/empresariais, entre outros.
Cabe destacar que o paciente ou cozinheiro deve ser orientado para correta 
higienização dos alimentos, haja vista que em alguns casos será consumida a parte 
mais externa do alimento, o qual fi ca exposto a sujidades e contaminação microbiológica 
do meio. Alimentos que serão consumidos crus ou coccionados a baixas temperaturas 
(inferiores a 70º C) devem ser higienizados em solução clorada.
Que tal testar algumas receitas16
5.1 PRINCÍPIOS ÉTICOS NO MARKETING EM NUTRIÇÃO .................................................................. 16
5.2 MARKETING DIGITAL EM NUTRIÇÃO .............................................................................................. 18
5.3 MARKETING PROFISSIONAL OU PESSOAL ................................................................................... 19
5.4 MARKETING NUTRICIONAL ..............................................................................................................20
5.5 MARKETING EM FOOD SERVICE ....................................................................................................20
RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................................ 22
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 23
TÓPICO 2 - ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA NA ÁREA DE NUTRIÇÃO CLÍNICA ................27
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................27
2 ALIMENTOS FUNCIONAIS ................................................................................................27
3 NUTRIÇÃO ESTÉTICA ...................................................................................................... 30
3.1 NUTRIÇÃO E ENVELHECIMENTO CUTÂNEO ..................................................................................31
3.2 NUTRIÇÃO E ACNE .............................................................................................................................32
3.3 NUTRIÇÃO E FIBROEDEMA GELÓIDE ...........................................................................................34
3.4 NUTRIÇÃO E UNHAS FRÁGEIS .......................................................................................................35
3.5 NUTRIÇÃO E SAÚDE CAPILAR ........................................................................................................38
4 PROGRAMAÇÃO METABÓLICA ....................................................................................... 39
4.1 EXCESSO DE PESO E PROGRAMAÇÃO METABÓLICA ............................................................... 40
4.2 RESTRIÇÃO CALÓRICA E/OU PROTEÍCA E PROGRAMAÇÃO METABÓLICA ......................... 41
4.3 MANEJO NUTRICIONAL NA PROGRAMAÇÃO METABÓLICA .................................................... 41
5 MODULAÇÃO DA MICROBIOTA INTESTINAL .................................................................. 42
6 ALERGIAS ALIMENTARES ............................................................................................... 46
7 CIRURGIA BARIÁTRICA ................................................................................................... 49
8 NUTRIÇÃO NOS CUIDADOS PALIATIVOS ....................................................................... 53
RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................................ 56
AUTOATIVIDADE ..................................................................................................................57
TÓPICO 3 - ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA NA ÁREA DE ALIMENTAÇÃO COLETIVA .........59
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................59
2 APROVEITAMENTO INTEGRAL DOS ALIMENTOS............................................................59
3 PLANTAS ALIMENTÍCIAS NÃO CONVENCIONAIS (PANCS) .......................................... 62
4 GASTRONOMIA FUNCIONAL ........................................................................................... 65
5 GASTRONOMIA HOSPITALAR ..........................................................................................67
LEITURA COMPLEMENTAR .................................................................................................70
RESUMO DO TÓPICO 3 .........................................................................................................78
AUTOATIVIDADE ..................................................................................................................79
REFERÊNCIAS ......................................................................................................................81
UNIDADE 2 — SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL .............................................................. 89
TÓPICO 1 — FUNDAMENTOS DA SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL ................................. 91
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 91
2 CONCEITO ......................................................................................................................... 91
3 DIRETRIZES E NORMAS PARA A PRESCRIÇÃO DE SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS ...... 93
3.1 ELABORAÇÃO DE RECEITUÁRIO OU PRESCRIÇÃO NUTRICIONAL .........................................95
4 FORMAS FARMACÊUTICAS ..............................................................................................97
5 INTERAÇÃO NUTRIENTE X NUTRIENTE ..........................................................................99
6 EFEITOS ADVERSOS ....................................................................................................... 101
RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................................103
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 104
TÓPICO 2 - SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NOS CICLOS DA VIDA ............................107
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................107
2 GESTAÇÃO .......................................................................................................................107
3 LACTAÇÃO ....................................................................................................................... 110
4 INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA ..........................................................................................111
5 ADULTOS ......................................................................................................................... 115
6 IDOSOS ............................................................................................................................ 116
RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................................120
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 121
TÓPICO 3 - SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NAS DIVERSAS 
SITUAÇÕES CLÍNICAS .......................................................................................................123
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................123
2 SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NA OBESIDADE .......................................................123
3 SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NO DIABETES TIPO II .............................................126
4 SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NA DISLIPIDEMIA ................................................... 127
5 SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NA HIPERTENSÃO ..................................................128
6 SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NO CÂNCER ............................................................129
LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................132
RESUMO DO TÓPICO 3 .......................................................................................................139
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 140
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................142com aproveitamento integral de alimentos? 
Acesse o livro do Mesa Brasil - SESC e mãos na massa! 
Acesse: http://fi les.livros-online-para-baixar.webnode.com/20000 0114-19
d041acb2/Livro-de-receitas-mesa-brasil-aproveitamento-integral-dos-
alimentos.pdf
NOTA
62
3 PLANTAS ALIMENTÍCIAS NÃO CONVENCIONAIS (PANCS)
 
O termo Plantas Alimentícias não Convencionais (PANCs) foi estabelecido 
pelo Biólogo e Professor Valdely Ferreira Kinupp no ano de 2008 e refere-se a todas 
as plantas que possuem uma ou mais partes comestíveis, sendo elas espontâneas ou 
cultivadas, nativas ou exóticas que não estão incluídas em nosso cardápio habitual. No 
Brasil existem pela menos 3 mil espécies de plantas alimentícias, sendo que estimativas 
indicam que pelo menos 10% da flora nativa (4 a 5 mil espécies de plantas) sejam 
alimentícias (KELLEN, 2015).
 
A maioria das PANCs não são cultivadas, mas sim crescem espontâneamente, 
sem que sejam plantadas. Estas podem ser cultivadas mas não precisam de muita 
atenção, apenas cuidados básicos em relação aos demais cultivos. Devido sua variação 
genética, as PANCs são plantas independentes, que possuem maior adaptabilidade 
(LIBERATO; LIMA; SILVA, 2019). Seu cultivo apresenta baixo custo e impacto ambiental 
por não serem necessários maquinários, agrotóxicos e nem grandes volumes de água 
ou espaços para cultivo (ABREU; DINIZ, 2017).
 
As PANCs correspondem a mais sustentabilidade para os sistemas vivos uma 
vez que são espécies com grande importância ecológica, econômica, nutricional e 
cultural, que auxiliam uma melhor distribuição e produção dos alimentos, aliando-se 
à rusticidade e fácil manejo (KELLEN, 2015). As PANCs variam de acordo com cada 
região, podendo uma mesma planta ser conhecida por diversos nomes populares nas 
diferentes regiões do país e os povos mais antigos atualmente são os únicos 
conhecedores e divulgadores dessas culturas (ABREU; DINIZ, 2017).
 
Do ponto de vista nutricional, as PANCs apresentam-se como alimentos 
funcionais por serem fonte de vitaminas essenciais, antioxidantes, fibras, sais minerais, 
que nem sempre são encontradas em outros alimentos (KELLEN, 2015). 
 
Em geral, as PANCs não são encontradas para venda em grandes supermercados 
mas sim em feiras de rua ou mesmo nas ruas, quintais e em terrenos abandonados 
crescendo desordenadamente (ABREU; DINIZ, 2017). Apesar de seu potencial nutritivo, 
devido a falta de conhecimento por parte da população, muitas dessas plantas são 
caracterizadas como ervas daninhas, consideradas como mato e ignoradas (LIBERATO; 
LIMA; SILVA, 2019).
A seguir, apresentamos algumas espécies de PANCS e suas características 
nutricionais:
63
QUADRO 1 – PLANTAS ALIMENTÍCIAS NÃO CONVENCIONAIS (PANCS)
Nome científico Nome popular Nutrientes Consumo
Hypochaeris 
chillensis
Almeirão-do-
campo
Chicória-do-campo
Radite
Cálcio
Zinco
Fósforo
Potássio
Folhas cruas ou cozidas
Saladas, refogados, 
sopas
Opuntia 
monacantha
Arumbeva
Cálcio
Fósforo
Vitamina C
Vitamina E
Carotenóides
Frutos e cladódios 
(palma)
In natura, sucos, 
geleias, sorvetes, 
mousses (frutos)
Saladas, refogados, 
sopas, sucos 
(cladódios)
Begonia cucullata
Begônia
Azedinha-do-brejo
Ácido oxálico
Folhas, ramos, flores e 
frutos jovens
Crus ou cozidos
Portulaca oleracea
Beldroega
Bredo-de-porco
Beldroega-pequena
Onze-horas
Ômega-3
Betacaroteno
Vitamina C
Folhas, flores, ramos e 
sementes
Cruas ou cozidas
Saladas, pão (sementes)
Anredera cordifolia
Bertalha-coração
Trepadeira-mimosa
Folha-santa
Ferro
Vitamina A
Vitamina B
Vitamina C
Folhas e tubérculos
Pão, salada, refogados, 
omeletes
Tropaeolum majus Capuchinha
Vitamina C
Antocianinas
Carotenóides
Flavonóides
Flores, folhas e frutos
Salada, patê, pão, sopa, 
refogados, decoração
Amaranthus sp.
Caruru
Amaranto-verde
Bredo
Caruru-bravo
Caruru-de-porco
Betacaroteno
Vitamina C
Magnésio
Ferro
Potássio
Aminoácidos 
essenciais 
Folhas e flores
Cozidas (algumas 
espécies podem ser 
tóxicas cruas)
Refogados, farofa, pão, 
sementes tostadas
Taraxacum official Dente-de-leão
Vitamina A
Vitamina B
Vitamina C
Ferro
Potássio
Folhas, flores e raízes
Crus ou cozidos
Saladas, refogados, 
empanados, geleias 
(flores)
64
Talinum patens
Erva-Gorda
Major-gomes
Carne-gorda
Beldroega-grande
Zinco
Potássio
Magnésio
Ferro
Proteína
Folhas, ramos e 
sementes
Crus ou cozidos
Saladas, refogados, 
ensopados, pão, torta 
salgada, suflê, creme
Coronopus 
didymus
Mastruço
Mestruz
Mastruz
Potássio
Fósforo
Folhas e ramos
Crus e cozidos
Saladas, empanados, 
temperos
Pereskia aculeata
Ora-pro-nóbis
Carne-de-pobre
Vitamina A
Vitamina B
Vitamina C
Cálcio
Zinco
Fósforo
Ferro
Proteína
Folhas, frutos e flores
Crus ou cozidos
Saladas, refogados, 
sopas, omeletes, tortas, 
pão, bolo, massas 
(folhas e flores)
Brotos (sementes 
germinadas)
Suco, geleia, mousse e 
licor (frutos)
Bidens pilosa
Picão
Picão-preto
Carrapicho
Ferro
Magnésio
Cobre
Proteína
Folhas e ramos
Crus ou cozidos
Salada, farofa, sopa, 
chá, refrigerante 
(fermentado)
Sonchus oleraceus
Serralha
Chicória-brava
Serralha-branca
Serralha-lisa
Vitamina A
Vitamina B
Vitamina C
Cálcio
Ferro
Folhas, talos, flores
Crus ou cozidos
Saladas ou refogados 
(folhas)
Empanados (flores)
Conservas (talos)
Urera aurantiaca Urtigão-de-baraço
Boro
Ferro
Cálcio
Proteína
Folhas e frutos
Crus ou cozidos
Omelete, refogados, 
risoto ou molho (folhas)
In natura (frutos)
Limnocharis flava Couve d’água
Cálcio
Proteína
Folhas, flores, 
pendículos
Cozidos
Refogados, omelete, 
torta salgada, 
empanados
65
Plumeria rubra Jarmim-manga Antocianinas
Folhas e flores
Crus ou cozidos
Chás (folhas secas)
Doces, geleia, temperos 
(flores)
Coronopus 
didymus
Mentruz
Vitamina C
Betacaroteno
Proteína
Folhas
Cruas ou cozidas
Salada, refogados
Cúrcuma longa Açafrão-da-terra
Vitamina C
Vitamina A
Vitamina B2
Ácido fólico
Raiz
Crua
Temperos, sucos, 
molhos
Spondias purpúrea 
L.P.
Siriguela
Cálcio
Magnésio
Ferro
Fósforo
Vitamina C
Zinco
Proteína
Frutos e folhas
Crus ou cozidos
Sucos (fruto)
Salada, refogados 
(folhas)
FONTE: Adaptado de Kellen et al. (2015) e Liberato, Lima e Silva (2019)
 
É de suma importância que o profissional Nutricionista saiba reconhecer as 
espécies de PANCs, seu potencial nutritivo e formas de consumo, a fim de disseminar 
o conhecimento e estimular a inclusão destas no hábito alimentar. Atenção deve ser 
dada ao potencial tóxico e aos fatores antinutricionais que algumas PANCs podem 
apresentar, a depender de sua forma de consumo (cruas ou cozidas).
4 GASTRONOMIA FUNCIONAL
 
Vimos no tópico anterior que tem crescido, cientificamente, o entendimento 
acerca do potencial dos compostos bioativos dos alimentos na prevenção e manejo 
de diversas condições patológicas por meio do consumo de alimentos funcionais. A 
Gastronomia Funcional visa justamente utilizar-se de técnicas culinárias a fim de 
otimizar a aceitação, aproveitamento e consumo dos alimentos funcionais como parte 
de receitas e preparações.
 
A Gastronomia Funcional é a interação entre a nutrição funcional e a gastronomia, 
aliando o prazer de comer um refeição saborosa e atrativa aos benefícios dos nutrientes 
(RODRIGUES; DOVERA, OUKI, 2016; SILVA, 2019). Por respeitar a individualidade bioquímica 
das pessoas e atentar para as suas alergias e intolerâncias, a Gastronomia Funcional 
66
trabalha no resultado que os alimentos terão no organismo da pessoa para depois criar os 
pratos. Ela iniciou principalmente como uma opção para intolerantes e alérgicos a certos 
alimentos e depois foi atingindo um novo público, que é de pessoas que procuram se 
alimentar de forma saudável e balanceada (RODRIGUES; DOVERA, OUKI, 2016).
 
Neste estilo de cozinha, dá-se enfoque à qualidade dos ingredientes 
utilizados, tanto em relação a sua origem (com preferência para insumos orgânicos, 
não transgênicos, de pequenos produtores, de menor processamento industrial) como 
também adequado armazenamento. As técnicasde preparo são definidas visando o 
maior aproveitamento dos nutrientes dos alimentos, a fim de evitar perdas por oxidação. 
 
Outro aspecto próprio da Gastronomia é a construção do sabor através da 
combinação de ingredientes, ervas e especiarias. Diferentemente da Gastronomia 
convencional que tende a ter um maior uso de ingredientes realçadores como sal, açúcar e 
gorduras, na Gastronomia Funcional, visando o equilíbrio nutricional das receitas, busca-se 
reduzir o uso destes ingredientes, equilibrando-os com outros mais nutritivos. A exemplo 
do uso da manteiga, que é vasto na Gastronomia padrão, enquanto na Gastronomia 
Funcional tende-se a reduzir seu uso através de outras formas de cocção (assados, 
cozidos, ao vapor) ou combinação de outras fontes (azeite de oliva, óleos vegetais).
 
Podem ser utilizados um ou mais alimentos funcionais em cada receita assim 
como estes podem ser ingredientes principais ou utilizados como acompanhamento, 
em temperos, molhos e afins. A seguir estão apresentados alguns exemplos de receitas, 
bem como os ingredientes principais, desenvolvidas na Gastronomia Funcional:
• Biscoito de biomassa de banana verde: farinha de aveia, farinha de banana verde, 
linhaça.
• Ratatouile de Legumes: tomate, berinjela, abobrinha e fundo de legumes.
• Pão multigrãos: farinha de trigo integral, farinha de centeio, semente de girassol, de 
gergelim, de linhaça e aveia.
• Filé de tofu: tofu, gengibre, tomilho e castanha-do-Brasil.
• Purê de abóbora cabotiá: abóbora cabotiá assada e azeite de oliva.
• Escondidinho de mandioca com proteína de soja: mandioca, polvilho azedo ou 
fécula de mandioca, proteína de soja, cebola e azeite de oliva.
• Molho branco: castanha de caju.
• Brownie ou bolo: farinha de aveia, cacau, óleo de coco (RODRIGUES; DOVERA; OUKI, 
2016; SILVA, 2019).
 
A Gastronomia Funcional deve ser estimulada e difundida pois tem potencial 
de auxiliar na difusão e popularização de um padrão alimentar mais saudável através 
da construção de sabores, pratos diferentes, formas de apresentação e valorização do 
prazer da alimentação. Afinal de contas, não nos alimentamos somente para nutrir o 
corpo mas também os sentidos (paladar, olfato e visual).
67
5 GASTRONOMIA HOSPITALAR
 
A alimentação tem papel fundamental na recuperação de enfermos e na 
conservação da saúde, sendo estabelecida pela dietoterapia hospitalar (SILVA; MAURÍCIO, 
2013). A dieta hospitalar deve garantir o fornecimento de nutrientes adequados para o 
paciente além de atenuar o sofrimento gerado nesse período em que o indivíduo está 
distante de suas atividades e pessoas de convívio (SOUZA; NAKASATO, 2011).
 
Entretanto, pacientes hospitalizadas, habitualmente, têm uma visão negativa 
das refeições servidas, seja por memórias de hospitalizações anteriores, em que se 
associou doença com comida de hospital, ou mesmo por não gostarem da dieta prescrita 
ou cardápio ofertado (SILVA; MAURÍCIO, 2013; CABRAL; OLIVEIRA; SHINOHARA, 2015). 
A baixa aceitação da dieta hospitalar colabora para a desnutrição do paciente, com 
impacto negativo na saúde, qualidade de vida e consequente aumento dos custos da 
internação. 
 
Neste sentido, a Gastronomia Hospitalar surge para conciliar a prescrição 
dietética e as restrições alimentares dos pacientes, com elaboração de refeições 
saudáveis, nutritivas, atrativas e saborosas a fim de promover a associação de objetivos 
dietéticos, clínicos e sensoriais e promover nutrição com prazer (TALDIVO; SANTOS, 
2016). Prazer voltado à apresentação, ao sabor e ao atendimento das preferências do 
paciente com o objetivo de fornecer humanização (CABRAL; OLIVEIRA; SHINOHARA, 
2015). Para tal, aliam-se técnicas dietéticas básicas das dietas hospitalares aos atrativos 
proporcionados pela gastronomia (SILVA; MAURÍCIO, 2013).
 
Além dos benefícios para a saúde do paciente advindos da melhor adesão à 
dietoterapia hospitalar, a Gastronomia Hospitalar pode ser um diferencial de mercado 
do serviço, uma vez que melhora a satisfação do paciente com o atendimento recebido.
 
A Gastronomia Hospitalar engloba a adaptação de receitas através da substituição 
de ingredientes, tornando-os tão saborosos quanto os pratos originais. Usa-se também 
da boa apresentação visual dos pratos (TALDIVO; SANTOS, 2016) por meio das cores 
dos alimentos escolhidos, técnicas de corte dos alimentos, empratamento (formas e 
disposição dos alimentos) e utensílios utilizados (louça, talheres, guardanapo) (SILVA; 
MAURÍCIO, 2013; SOUZA; NAKASATO, 2011; PINTO; ALVES, 2017). Ainda a variedade do 
cardápio, o respeito as preferências alimentares do paciente (origem, cultura, credo, 
hábitos e costumes), o treinamento especializado de funcionários, a cordialidade no 
atendimento e a rapidez do serviço compõem ferramentas da Gastronomia no ambiente 
Hospitalar (PINTO; ALVES, 2017).
 
Em alguns hospitais têm-se lançado mão do cardápio de opções para dieta 
mais restritas. Através deste instrumento o paciente pode participar do processo de 
escolha de sua refeição, consultando uma lista de alimentos ou preparações disponíveis 
para cada refeição (SOUZA; NAKASATO, 2011).
68
Para o público-infantil, faz-se a apresentação da alimentação de forma lúdica, 
utilizando-se dos alimentos para elaborar figuras como árvores, palhaços, ursos e afins, 
conforme as imagens a seguir:
FIGURA 10 – PRATO APRESENTADO DE FORMA LÚDICA 1
FONTE: . Acesso em: 12 fev. 2022.
FIGURA 11 – PRATO APRESENTADO DE FORMA LÚDICA 2
FONTE: . Acesso em: 12 fev. 2022.
O uso de ervas aromáticas (salsinha, cebolinha verde, manjericão, entre outras) 
e o de temperos (picantes, salgados, ácidos etc.), quando bem empregados, agregam 
sabores especiais aos alimentos, sem impacto deletério no teor nutricional deste. 
Modificações de textura dos alimentos, temperatura e horário apropriados do servimento 
também contribuem para maior satisfação do paciente (SILVA; MAURÍCIO, 2013). 
Em dietas de consistência líquida, líquido-pastosa ou pastosa, deve-se ter 
atenção a monotonia, pois são dietas de aparência semelhante, independentemente dos 
ingredientes utilizados. Nesses casos, indicam-se espessantes industriais, mucilagens, 
gelatinas e farináceos que imitem ou criem formas e estruturas para os alimentos 
(SOUZA; NAKASATO, 2011).
69
FIGURA 12 – PRATO APRESENTADO DE FORMA LÚDICA 3
FONTE: . Acesso em: 12 fev. 2022.
O conceito de comfort food, nova tendência na gastronomia, visa resgatar a 
memória afetiva do comensal por meio de uma alimentação que mete aos sabores da 
experimentados na infância ou no ambiente familiar. A aplicação do comfort food no 
cardápio hospitalar pode ser vantajosa, pois aumenta a aceitação das refeições sem 
gerar grandes aumentos nos custos, visto que o objetivo é produzir comidas simples, 
para que os pacientes sintam-se acolhidos (TALDIVO; SANTOS, 2016).
A implementação da gastronomia hospitalar requer uma estrutura física 
que atenda às necessidades dos profissionais, tanto os de cozinha, responsáveis 
pela elaboração da alimentação com alto valor gastronômico, quanto os da nutrição, 
dedicados a segurança alimentar em todas as etapas de produção e a qualidade 
nutricional das refeições. A área física das cozinhas, dos pontos de refeição e das 
áreas de apoio precisam estar adequadas à complexidade do cardápio estabelecido. 
Os equipamentos que compõem a cozinha hospitalar devem acompanhar os recursos 
tecnológicos existentes no mercado, a fim de que as características desejadas para as 
refeições elaboradas, o tempo dispensado no preparo e a operacionalização de custos 
sejam alcançados (PINTO; ALVES, 2017). 
Tendo em vista que a elaboração do cardápio hospitalar é responsabilidade 
técnica do Nutricionista, cabe a este atualizar-se em relação a Gastronomia Hospitalar 
em prol de seus comensais, que neste caso, são pacientes. Além de conciliar asnecessidades nutricionais dos pacientes aos recursos (cozinheiros, equipamentos, 
utensílios e ingredientes) disponíveis, o Nutricionista deve capacitar sua equipe de 
trabalho para aprimorar as técnicas de preparo e apresentação da dieta hospitalar. 
70
GUIA ALIMENTAR BARIÁTRICO: MODELO DO PRATO PARA PACIENTES 
SUBMETIDOS À CIRURGIA BARIÁTRICA
Maria Paula Carlini CAMBI, Giorgio Alfredo Pedroso BARETTA
RESUMO – Racional: o Modelo de Prato Bariátrico (MPB) pode ser uma forma adequada 
de orientação nutricional após a cirurgia da obesidade. Objetivo: Criar um guia alimentar, 
baseado no Modelo de Prato para educação nutricional de pacientes bariátricos. 
Método: Foi revisado o The Plate Model, modelo de prato sugerido inicialmente para 
pacientes dislipidêmicos e hipertensos com o intuito de adaptá-lo ao paciente bariátrico 
que necessita de educação nutricional efetiva em longo prazo. Resultados: A adaptação 
foi feita considerando que o uso de proteínas de alto valor biológico é a prioridade no 
MPB, seguido de vitaminas e minerais e por último os carboidratos, especialmente os 
integrais. Conclusão: O MPB é ferramenta que pode ser usada de maneira efetiva na 
educação nutricional de pacientes bariátricos.
ABSTRACT - Background: The Bariatric Plate Model (BPM) may be an adequate form 
of nutritional guideline after obesity surgery. Aim: Create a food guide, based on the 
Plate Model for nutritional education of bariatric patients. Method: The Plate Model2 was 
revised from a model initially suggested for dyslipidemic and hypertensive patients to a 
new objective: adaptation to bariatric patient who needs effective long-term nutritional 
education. Results: The adaptation of the Plate Model considered protein needs with 
high biological value, as it is the priority in the BPM, followed by vitamins and minerals 
and lastly the carbohydrates, especially the whole ones. Conclusion: The BPM is a tool 
that can be effectively used in nutritional education of bariatric patients.
INTRODUÇÃO
 
A expansão da epidemia da obesidade e do tratamento cirúrgico para amenizar 
seu impacto na saúde do individuo, traz nova perspectiva na maneira de tratar e manter 
tanto o peso ponderal como o estado nutricional dos operados. O processo cirúrgico 
se mostra eficaz no combate à obesidade de graus II e III e por isso há um aumento 
exponencial no número de operações realizadas em todo o mundo.
 
O paciente submetido à cirurgia bariátrica, seja pela técnica mista bypass 
gástrico como pela restritiva gastrectomia vertical, precisa manter ordem nutricional 
rigorosa, com o intuito de promover perda de gordura subcutânea e preservação de 
massa muscular. A operação per se promove a tão desejada perda ponderal, mas a 
LEITURA
COMPLEMENTAR
71
reeducação alimentar e a atividade física são prioritárias. O guia alimentar mais utilizado 
é a Pirâmide Alimentar, mas ele não traduz exatamente para o paciente como compor o 
seu prato diariamente.
 
O processo de reeducação alimentar é fundamental para vários tipos de situações 
que necessitam de cuidados alimentares especiais. O primeiro modelo de prato surgiu 
para tratar cardiopatas e dislipidêmicos. É uma forma simples de orientação nutricional 
porque visa o objetivo maior do orientado, que é sua compreensão na realidade diária 
em que vive. Facilitar o processo educacional é papel do nutricionista. Para a orientação 
é necessário criar um método claro e praticável para o operado.
Com este objetivo o presente trabalho procura discorrer sobre o Modelo de 
Prato Bariátrico (MPB) que é forma simples de demonstrar ao operado como os macro e 
micronutrientes podem ser distribuídos no seu dia a dia de forma a favorecer sua perda 
ponderal e a manutenção do seu estado nutricional em logo prazo.
MÉTODO
Foi revisado o The Plate Model, modelo de prato sugerido inicialmente para 
pacientes dislipidêmicos e hipertensos com o intuito de adaptá-lo para o paciente 
bariátrico que necessita de educação nutricional efetiva em longo prazo.
RESULTADO
A cirurgia bariátrica é forma eficaz de perda ponderal, mas para resultados em 
longo prazo a qualidade alimentar deve ser priorizada, já que a capacidade volumétrica 
do estômago está reduzida e exige alimentos nutritivos para supri-la. Há mudança 
natural no perfil alimentar do operado com diminuição da ingestão de doces em geral, 
altamente palatáveis e energéticos e aumento no consumo de alimentos hiperproteicos.
O dia a dia do operado deve ser simplificado com maneira mais facilmente 
compreensível de compor suas refeições diárias. Por isso há necessidade de demonstrar, 
através da composição do MPB, como planejar seu prato desde a primeira refeição até a 
última do dia, e qual a importância dos nutrientes nas escolhas que fará.
Restrição calórica
A cirurgia bariátrica, tanto pela técnica restritiva como mista, necessita de 
diminuição de ingestão calórica diária compatível com a diminuição do pouch gástrico. 
Com isso o valor calórico diário ingerido por um operado inicia em média com 500 kcal 
na alimentação líquida e evolui gradativamente até a consistência sólida até 1.200 kcal 
72
diárias. As recomendações nutricionais após a cirurgia bariátrica estão descritas em 
diretrizes que citam a necessidade proteica de 1,0 a 1,5 g/kg de peso ideal (60-80 g/dia, 
25%), carboidratos (45%) e lipídeos (30%).
Os macro e micronutrientes são muito importantes para a manutenção da 
saúde do operado. Dentre os macronutrientes, o mais importante é a proteína.
Proteínas
As proteínas são macromoléculas biológicas constituídas por uma ou mais 
cadeias de aminoácidos e participam em quase todos os processos celulares. Têm 
funções essenciais como a replicação do DNA, o transporte molecular e a resposta 
a estímulos. Funcionam como enzimas para catalisar reações químicas vitais para o 
metabolismo, participam do ciclo celular e na resposta imunológica. As proteínas diferem 
entre si fundamentalmente na sua sequência de aminoácidos, que é determinada 
pela sequência genética e que geralmente provoca o seu enovelamento em estrutura 
tridimensional específica que determina a sua atividade.
Os aminoácidos essenciais são os que o organismo não é capaz de sintetizar por 
si próprio e devem ser obtidos pelo consumo de alimentos que contenham proteínas, as 
quais são transformadas em aminoácidos durante a digestão.
As fontes de proteínas podem ser encontradas em ampla variedade de alimentos 
de origem animal e vegetal. A carne, os ovos, o leite e o peixe são fontes completas. 
Entre os principais vegetais ricos em proteína estão os legumes, principalmente o feijão, 
as lentilhas, a soja e o grão-de-bico. A maioria dos aminoácidos está disponível na 
alimentação humana, mas situações especiais, como a cirurgia bariátrica, necessita de 
suplementação. Quando o corpo não recebe as quantidades de proteínas necessárias 
verifica-se insuficiência e desnutrição proteica, a qual pode provocar uma série de 
doenças, entre as quais o kwashiorkor, a alopecia, a perda muscular intensa.
Muitos operados podem desenvolver intolerância aos alimentos proteicos ricos 
em ferro devido à falta de mastigação adequada e também pela diminuição do ácido 
clorídrico e de enzimas proteolíticas como pepsinogênio. O seu uso deve ser encorajado 
através de treinamentos específicos de mastigação e fracionamento das refeições.
A metade do prato (50%) deve constar de proteínas. Para refeições como almoço 
e jantar, deve-se colocar fontes de proteínas ricas em ferro como carnes - bovina, frango, 
peixe e ovos - para compor metade do prato, ou seja, 50% do total que se vai ingerir. Usar 
sempre opções pobres em gordura. A média de ingestão alimentar dos pacientes operados 
é em torno de 4-6 colheres de sopa de alimentos por refeição. Portanto, seriam 2-3 
colheres de sopa de alimentos, advindos das proteínas. Como elas estão acompanhadas 
de algum teor de lipídios, a orientação é usar na sua forma assada, cozida ou grelhada 
paraminimizar o valor calórico e facilitar o consumo pelo paciente operado.
73
Para o prato do café da manhã ou lanches deve-se priorizar as fontes de proteínas 
ricas em cálcio, como leite e derivados. Iniciar o dia com leite desnatado, queijos tipo 
cottage, ricota ou minas e iogurtes sem açúcar. O uso de iogurtes é excelente para 
manter o consumo de probióticos naturais, responsáveis pelo reequilíbrio das bactérias 
intestinais e proteção contra a disbiose intestinal.
As fontes alimentares proteicas ricas em ferro devem ser usadas em refeições 
separadas como almoço e jantar, das refeições ricas em cálcio como café da manhã e 
lanches para favorecer a absorção destes micronutrientes.
A suplementação de proteínas é fundamental. Para atingir as necessidades 
nutricionais diárias após a cirurgia bariátrica, o uso de Whey Protein deve ocorrer ao 
longo da vida. O uso de suplementos em pó deve iniciar já no primeiro dia de alimentação 
líquida e permanecer ao longo da vida. Ideal usar fórmula isolada, hidrolisada, sem 
lactose, sem glúten e sem sacarose para facilitar a adesão de uso. O pó pode ser diluído 
em água por ser melhor absorvido, ou em leite desnatado.
Vitaminas e mineiras
Uma terça parte do prato (30%) deve ser ocupada pelo grupo de vitaminas, 
minerais e fibras, representado pelas frutas e vegetais em geral. São alimentos fibrosos 
que demandam mastigação. Importante variar as cores do dia a dia para fortalecer o 
sistema imunológico, regenerar a pele e regular o metabolismo. A moderação é a palavra 
de ordem. Excesso de vitaminas e minerais pode ser perigoso. Algumas vitaminas, como a 
D por exposição solar, a piridoxina (B6) e a biotina, são liberadas pelas bactérias intestinais.
Os nutrientes mais importantes e mais discutidos são as vitaminas A, D, B12, 
cálcio e ferro.
 
As vitaminas podem ser hidrossolúveis (solúveis na água) e lipossolúveis 
(solúveis na gordura). No MPB é necessário que ambas estejam presentes. As vitaminas 
hidrossolúveis, como as do complexo B, necessitam ser consumidas cruas para 
manterem seu valor nutricional.
 
Ideal é utilizar as cores para motivar o consumo do máximo de nutrientes 
possível nas refeições. Os amarelos e vermelhos são ricos em vitamina A (lipossolúvel) 
e responsáveis por manter cabelos, pele e unhas saudáveis; suas melhores fontes são 
as cenouras, beterrabas, abóbora e fígado bovino. Os verdes são ricos em vitaminas 
do complexo B, e representados pelos folhosos como couve, mostarda, acelga, alface, 
rúcula, que previnem as anemias. Os cítricos são ricos em vitamina C e importantes 
na fixação do ferro alimentar e na melhora da imunidade; estão presentes em laranja, 
limão, maracujá, acerola, maçã verde, tomates e uvas. Os brancos, como cebola, alho, 
cogumelo, couve-flor, palmito, quiabo, são excelentes na prevenção de doenças 
cardiovasculares e câncer.
74
A vitamina B1 (tiamina) está presente no germe de trigo, feijões, nozes, 
sementes e arroz integral. É importante para os operados porque os protege do beriberi 
bariátrico, que é complicação pós-operatória que pode levar o paciente a complicações 
cardiológicas e neurológicas graves, edema e ambliopia nutricional. Sua suplementação 
em situações graves pode chegar até 100 mg/dia.
 
Um polivitamínico completo pode atender às necessidades diárias das vitaminas, 
sempre aliado à ingestão alimentar suficiente. A vitamina B2 ou riboflavina é encontrada em 
abacate, laticínios, ovos, nozes, germe de trigo e levedo. É muito importante na respiração 
celular, manutenção e restauração dos tecidos. A vitamina B3 ou niacina é essencial para 
a saúde da pele, participa no metabolismo dos carboidratos, protege o sistema digestório 
e o sistema nervoso. Suas fontes mais ricas são peixes, fígado, carne, amendoim levedo e 
grãos integrais. A vitamina B5 ou ácido pantotênico é importante para o metabolismo dos 
macronutrientes e manutenção do sistema nervoso. É produzido também pelas bactérias 
intestinais. A vitamina B6 ou piridoxina participa do metabolismo de proteínas e na formação 
de glóbulos vermelhos e encontrada nas bananas, peixes, batatas e também produzidas 
pelas bactérias intestinais. A vitamina B9 ou ácido fólico presente nos folhosos verde-
escuros e na laranja participa na produção do DNA, divisão celular, formação do tubo neural 
do feto, formação de glóbulos vermelhos e brancos e proteção contra a anemia perniciosa, 
comum nos pacientes bariátricos. A vitamina B12 ou cianocobalamina, ao contrário, está 
presente apenas em alimentos de origem animal, normalmente ricos em proteínas como 
carnes, leite e seus derivados. Sua absorção fica bastante prejudicada após o bypass 
gástrico devido à redução do fator intrínseco estomacal e perda de seu sítio absortivo que 
é o íleo. Sua carência é risco para o sistema nervoso, porque pode causar esquecimento, 
irritabilidade, dificuldade de concentração e formigamento em mãos e pés. Mesmo que 
o paciente consuma estes alimentos, esta vitamina deve ser reposta permanentemente 
ao longo da vida, seja via oral, intramuscular ou sublingualmente. A biotina (vitamina H) 
é do complexo B não dosável pelas tradicionais análises hematológicas, mas ela é muito 
importante para manutenção da saúde de cabelos, pele e unhas e deve ser reposta sempre 
que houver queixa. Na alimentação habitual ela está presente na gema de ovo, germe 
de trigo e também produzida pelas bactérias intestinais. A vitamina D ou colecalciferol é 
importante para a manutenção do peso e também para o metabolismo ósseo. Suas fontes 
alimentares são limitadas em leite e derivados, ovos e fígado. Sua maior fonte é a luz solar, 
por isso é indicado ao paciente tomar sol diariamente, de preferencia sem protetor solar por 
15 min. A suplementação sintética é rotina tanto no período pré como no pós-operatório, 
em média 2000 UI por dia. A vitamina E (vitamina lipossolúvel) ou tocoferol é potente 
antioxidante e protetor das membranas celulares. Suas melhores fontes são amêndoas 
e o leite. A vitamina K (lipossolúvel) – menaquinona ou filoquinona – é importante para a 
coagulação sanguínea e produzida pelas bactérias intestinais. Suas melhores fontes são o 
brócolis, o repolho e a couve.
 
As fontes alimentares de vitaminas e minerais no geral se confundem com 
outros grupos de macronutrientes, como é o caso da vitamina B12 e do zinco, que têm 
como fontes principais alimentos ricos em proteínas de origem animal como carnes, 
frango, leite e seus derivados.
75
Carboidratos
O restante do prato seria composto pelos carboidratos, que são alimentos 
energéticos, importantes para o dia a dia. A escolha neste grupo é pelos integrais. Os 
carboidratos integrais com pães, arroz, massas e cereais; tendem a diminuir a absorção 
de açúcares e gorduras o que favorece a saúde cardiovascular, além de promover 
melhor poder sacietógeno.
FIGURA 1 – COMPOSIÇÃO DIAGRAMÁTICA DE UM PRATO BARIÁTRICO (MPB) E ATIVIDADES ASSOCIADAS
Lipídeos
 
São compostos químicos insolúveis na água. São macronutrientes importantes 
para fornecer ácidos graxos essenciais. As fontes sugeridas são: óleo de canola 
e azeite de oliva. O óleo de canola é encorajado por ser seguro para o ser humano, 
bem como pelos seus efeitos positivos em variáveis como redução do crescimento de 
células tumorais, elevação da capacidade antioxidante, aumento da sensibilidade à 
insulina e tolerância à glicose bem como redução do triacilglicerol total e redução de 
LDL Colesterol. Acrescenta-se ainda a prevenção da alopecia em pacientes operados. 
O óleo de oliva que é fonte lipídica comum na dieta mediterrânea, rica em ácido oleico, 
um ácido graxo monoinsaturado (ω 9) que está presente em concentrações superiores 
a 50% no azeite de oliva.
76
Suplementos nutricionais
 
O uso de suplementos nutricionais é obrigatório e exige controle metabólico 
periódico para se analisar a necessidade de cada nutriente específico. O uso do Whey 
Protein pode melhorar a composiçãocorporal em mulheres além de prevenir a recidiva 
de peso.
 
O ideal de proteínas é de até 30 g por refeição no primeiro ano após a operação. 
Como a ingestão alimentar está aquém do esperado, incentiva-se o uso de Whey Protein, 
um a dois scoops por dia, com média de 25 g de proteínas em medida; a vitamina B12 na 
dose intramuscular mensal 5000 mcg ou via oral 350 mcg por dia; ferro em 18 mg via 
oral para homens, 50-100 mg via oral para mulheres em idade reprodutiva. Em alguns 
casos específicos pode haver a necessidade de uso de ferro endovenoso (ferritina 
abaixo de 30 mg/dl); cálcio em 2000 mg por dia; polivitamínico suficiente para atingir 
200% da RDA para micronutrientes.
Consumo de água
 
A água é combustível para várias reações do organismo e faz papel fundamental 
para o funcionamento intestinal, cerebral, pulmonar, renal e cardiológico. Com um 
consumo de 30 ml/kg de peso ideal por dia se pode evitar a formação de cálculos 
biliares e renais.
Atividade física
 
A prática de atividade física diária é encorajada a partir do 30o dia após a 
cirurgia bariátrica. Educador físico deve planejar e orientar o exercício adequado para 
cada paciente. O objetivo maior deve ser a preservação e recuperação de massa magra 
e eliminação da massa gorda. Com isso há maior chance de manutenção de peso em 
longo prazo.
CONCLUSÃO
 
O Modelo de Prato Bariátrico pode ser boa forma de educação nutricional 
ressalvando a ingestão proteica como base de macronutriente. Aliado a isso, a ingestão 
hídrica, o uso de suplementos e a atividade física deve ser incorporada na rotina do operado.
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78
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
· Aproveitamento integral dos alimentos corresponde a utilização de sobras e aparas 
de alimentos como ingredientes de novas preparações, além da utilização integral 
dos alimentos, ou seja, o aproveitamento de sua totalidade, através do consumo das 
folhas, cascas, sementes, caules e talos.
· As Plantas Alimentícias não Convencionais apresentam grande importância ecológica, 
econômica, nutricional e cultural. Auxiliam na melhor distribuição e produção dos 
alimentos, uma vez que apresentam baixo custo de cultivo e fácil manejo.
· O aproveitamento integral dos alimentos é uma medida de sustentabilidade ambiental, 
economia de recursos financeiros e otimização nutricional uma vez que, folhas, talos 
e cascas podem ser mais nutritivos do que a parte consumida usualmente dos 
alimentos.
· A Gastronomia Funcional é a interação entre a nutrição funcional e a gastronomia, 
aliando o prazer de comer um refeição saborosa e atrativa aos benefícios dos 
nutrientes. Foca na qualidade dos ingredientes e técnicas de preparo visando o maior 
aproveitamento dos nutrientes dos alimentos e maior palatabilidade.
· A Gastronomia Hospitalar pode ser utilizada como uma estratégia nutricional para 
melhorar a adesão do paciente a dietoterapia, manter ou recuperar seu estado 
nutricional e aumentar sua satisfação com o serviço de saúde. 
79
1 Há algumas partes de alimentos que podemos aproveitar e a maioria das pessoas 
desconhece: cascas, talos, folhas externas e sementes, por exemplo. O consumo 
destas partes é denominado Aproveitamento Integral dos Alimento. Com base no que 
você aprendeu nesta Unidade, justifique a importância do aproveitamento integral 
dos alimentos.
2 A Gastronomia Hospitalar surge como uma tendência de mercado visando aliar a 
gastronomia e o prazer de alimentar-se às restrições da dietoterapia para pacientes 
internados. Sua aplicação representa ganhos tanto para o paciente, que tende a 
se alimentar melhor, quanto para a instituição, que ganha destaque ao aumentar 
a satisfação do paciente/cliente. Contudo, alguns quesitos básicos relacionados 
a recursos humanos e equipamentos são necessários para a implantação da 
Gastronomia no ambiente hospitalar, disserte a cerca deles.
 
3 A dieta ofertada nos hospitais normalmente é relacionada à falta de sabor e a uma 
apresentação que não desperta o apetite dos pacientes, resultando em uma baixa 
adesão a dietoterapia. Dessa forma, muitos pacientes acabam agravando seu estado 
nutricional, o qual impacta negativamente na recuperação, tratamento, qualidade de 
vida e custos. Mas novos conceitos, como a gastronomia hospitalar, estão surgindo 
para modificar este panorama. A respeito da Gastronomia Hospitalar, assinale a 
alternativa correta:
a) ( ) É possível aplicar técnicas de Gastronomia Hospitalar somente a paciente que 
recebem dieta livre, ou seja, dieta pastosa.
b) ( ) Para paciente idosos, faz-se a apresentação da alimentação de forma lúdica, 
utilizando-se dos alimentos para elaborar figuras como árvores, palhaços, ursos 
e afins.
c) ( ) Para dietas de consistência líquida, líquido-pastosa ou pastosa, utiliza-se 
espessantes industriais, mucilagens, gelatinas e farináceos que imitem ou criem 
formas e estruturas para os alimentos, afimde evitar a monotonia alimentar.
d) ( ) Para compor o cardápio do público-infantil é comum a utilização de produtos 
alimentícios industrializados e/ou ultraprocessados voltados para este público 
tal como bolacha recheada, salgadinhos de pacote, Nuggets e afins.
4 Da Amazônia ao Rio Grande do Sul, as Plantas Alimentícias não Convencionais (PANCs) 
crescem espontaneamente em qualquer ambiente. Sua alta resistência faz com que 
sejam encontradas em quase todos os lugares, pois são nativas de cada região. Uma 
mesma PANCs pode ser conhecida por diversos nomes populares, de acordo com a 
região onde for encontrada. Associe a seguir a PANCs ao seu nome popular:
AUTOATIVIDADE
80
(1) Tropaeolum majus ( ) Dente-de-leão
(2) Taraxacum official ( ) Siriguela
(3) Pereskia aculeata ( ) Beldroega
(4) Spondias purpúrea L.P. ( ) Capuchinha
(5) Coronopus didymus ( ) Ora-pro-nobis
(6) Portulaca oleracea ( ) Mentruz
A associação CORRETA é:
a) ( ) 1, 3, 5, 4, 2, 6.
b) ( ) 2, 4, 6, 1, 3, 5.
c) ( ) 2, 5, 3, 1, 4, 6.
d) ( ) 3, 4, 6, 1, 2, 5.
5 A Gastronomia Funcional é um ramo recente e especializado da Gastronomia que 
tem por objetivo agregar alimentos funcionais em receitas e preparações culinárias 
afim de aliar o prazer e sabor aos benefícios do consumo destes alimentos. A cerca 
da Gastronomia Funcional, analise as assertivas a seguir:
I- A Gastronomia Funcional trabalha no resultado que os alimentos terão no organismo 
da pessoa para depois criar os pratos pois respeita a individualidade bioquímica das 
pessoas e atenta para as suas alergias e intolerâncias,
II- Especial atenção é dada a qualidade dos ingredientes utilizados nas preparações, 
tanto em relação a sua origem como também adequado armazenamento.
III- As técnicas culinárias utilizadas são definidas visando a otimizar o sabor e 
apresentação visual das preparações, independentemente do grau que geram de 
aproveitamento dos nutrientes dos alimentos.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Somente a sentença I está correta.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) Somente a sentença III está correta.
d) ( ) As sentenças I e II estão corretas. 
81
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88
89
SUPLEMENTAÇÃO 
NUTRICIONAL
UNIDADE 2 —
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
· analisar e compreender os fundamentos, diretrizes e prescrição da suplementação 
nutricional;
· conhecer as formas farmacêuticas, interações e possíveis efeitos adversos dos 
suplementos nutricionais; 
· compreender a aplicação da suplementação nutricional nos diversos ciclos de vida;
· reconhecer a importância da suplementação nutricional em situações clínicas 
diversas.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará 
autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – FUNDAMENTOS DA SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL
TÓPICO 2 – SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NOS CICLOS DA VIDA
TÓPICO 3 – SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NAS DIVERSAS SITUAÇÕES CLÍNICAS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
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UNIDADE 2!
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TÓPICO 1 — 
FUNDAMENTOS DA SUPLEMENTAÇÃO 
NUTRICIONAL
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Caro Acadêmico (a), nesta unidade estudaremos a respeito dos Suplementos 
Nutricionais. Certamente, você já ouviu falar sobre suplementos nutricionais, seja 
você o consumidor ou alguém de seu convívio, não é mesmo?! Imaginamos também 
que já tenha percebido que muitas pessoas fazem uso de suplementos de forma 
indiscriminada, porque ouviram falar a respeito na Internet, televisão ou mesmo pelos 
corredores das academias. Pois, infelizmente o uso de suplementos nutricionais, sem 
prescrição adequada, tem se tornado algo corriqueiro nos dias de hoje e justamente por 
isso o profissional Nutricionista tem que dominar esta tema!
O Nutricionista é o profissional legalmente habilitado para a prescrição de 
suplementos nutricionais, de acordo com os marcos legais que regem a profissão. 
Contudo, para tal, é fundamental que o profissional esteja atento a legislação vigente 
a cerca da prescrição bem como detenha conhecimento técnico para avaliar as 
necessidades individuais de cada paciente, utilizando os suplementos nutricionais em 
complementação a dieta, quando necessário, e na forma indicada.
Para tanto, iremos iniciar esta unidade abordando quais itens abrangem a 
prescrição nutricional de suplementos e quais diretrizes o Nutricionista deve ater-se ao 
fazê-la. Para auxiliar-lhe na prescrição, iremos apresentar um modelo de receituário. Na 
sequência você irá conhecer as diversas formas farmacêuticas nas quais os suplementos 
podem ser apresentados, como cápsulas, comprimidos, pós, xaropes, entre outras. Por 
fim, iremos atentar aos riscos de interação nutriente x nutrientes e efeitos adversos na 
utilização dos suplementos nutricionais.
2 CONCEITO
A categoria de suplemento alimentar foi criada legalmente somente em 2018. 
Nessa categoria foram reunidos produtos que estavam enquadrados em outros grupos 
de alimentos e foram definidas regras mais apropriadas aos suplementos alimentares, 
incluindo limites mínimos e máximos de prescrição, populações indicadas, constituintes 
autorizados e alegações com comprovação científica. Alimentos que eram enquadrados 
com ‘alimentos para atletas’, ‘alimentos para gestantes’, ‘suplementos vitaminicos e 
minerais’ foram reunidos nessa categoria (ANVISA, 2020, on-line).
92
De acordo com a legislação mais atual, a prescrição de suplementos nutricionais 
pelo profissional Nutricionista engloba nutrientes, substâncias bioativas, enzimas, 
prebióticos, probióticos, produtos apícolas, como mel, própolis, geleia real e pólen, novos 
alimentos e novos ingredientes e outros autorizados pela Anvisa para comercialização, 
isolados ou combinados, bem como medicamentos isentos de prescrição à base de 
vitaminas e/ou minerais e/ou aminoácidos e/ou proteínas isolados ou associados 
entre si. O nutricionista poderá prescrever estes suplementos tanto em sua versão 
industrializada quanto manipulados, isentos de prescrição médica (CFN, 2020).
Ômega-3, Multivitamínicos, Creatina, Whey Protein, Colágeno, Maltodextrina e 
Triglicerídeos de Cadeia Média (TCM), Cafeína, Vitaminas isoladas (Vitamina C, Vitamina 
D) são alguns exemplos de suplementos mais populares na atualidade.
FIGURA 1 – SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS
FONTE: . 
Acesso em: 25 fev. 2022.
Ainda de acordo com a Resolução nº 656 de 2020 do CFN, entende-se como 
suplemento alimentar o produto para administração exclusiva pelas vias oral e enteral, 
incluídas mucosa, sublingual e sondas enterais e excluída a via anorretal, apresentado 
em formas farmacêuticas, destinado a suplementar a alimentação de indivíduos (CFN, 
2020). Assim, reitera-se que o profissional nutricionista pode prescrever somente 
suplementos que utilizem o trato gastrointestinal como via de absorção, excluindo-se 
suplementos injetáveis, tópicos ou inaláveis.
Os suplementos nutricionais somente podem utilizar-se de constituintes 
(ingredientes) que tenham sido autorizados pela Anvisa. Em sua formulação podem ser 
adicionados os aditivos permitidos para a categoria e os ingredientes de uso tradicional 
em alimentos utilizados para dar sabor, cor, aroma, consistência ou volume (ANVISA, 
2020), conforme veremos a seguir.
Em sua embalagem, deve constar a expressão “SUPLEMENTO ALIMENTAR”, 
seguida da forma farmacêutica correspondente, além de conter:
93
• Recomendação de uso com quantidade e frequência diária de consumo 
recomendadas para cada grupo populacional e faixa etária.
• Advertências gerais e específicas, de acordo com a composição ou forma de 
administração.
• Restrição de uso, quando o produto não puder ser consumido por determinado 
grupo populacional.
• Tabela nutricional, com descrição das quantidades de nutrientes, substâncias 
bioativas, enzimas, probióticos.
• Lista de ingredientes.
• Declaração da presença de alergênicos, glúten e lactose.
• Informações obrigatórias para todos os alimentos, como prazo de validade, origem 
e lote (ANVISA, 2020).
Cabe destacar que a prescrição de alimentos é soberana na conduta do 
profissional Nutricionista, sendo que uma dieta bem planejada pode suprir várias 
demandas do organismo. Dessa forma, a prescrição de suplementos nutricionais 
serve para complementar aqueles nutrientes ou compostos bioativas que a dieta não 
supriu (SOUZA, 2021) ou adequar a prescrição em caso de carências nutricionais ou 
requerimentos diferenciados associados a uma condição clínica ou patológica específica. 
3 DIRETRIZES E NORMAS PARA A PRESCRIÇÃO DE 
SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS
O uso de suplementos nutricionais tem ganho popularidade e, por estarem 
disponíveis para aquisição sem prescrição, observa-se um uso indiscriminado e muitas 
vezes, desnecessários nos dias atuais. De fato, a Pesquisa de Mercado realizada pela 
Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais apontam que 
mais da metade dos lares brasileiros possuem pelo menos uma pessoa consumindo 
suplementos, sendo que a prescrição destes foi feita por profissional habilitado em 51% 
dos casos (ABIAD,2020). Tendo em vista que o uso desnecessário de suplementos 
nutricionais acarreta, além do desperdício de recursos financeiros, em riscos à saúde 
visto que não é livre de efeitos adversos, se faz fundamental que a prescrição deste se 
dê por profissional legalmente habilitado, sendo o Nutricionista um deles.
Para saber mais sobre os constituintes, de limites de uso, de alegações e de 
rotulagem complementar dos suplementos nutricionais acesse a Instrução 
Normativa da ANVISA nº 28 de 2018 disponível em: https://www.in.gov.br/
materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/34380639/do1-2018-
07-27-instrucao-normativa-in-n-28-de-26-de-julho-de-2018-34380550 
DICA
94
Na prescrição dietética de suplementos alimentares, o nutricionista deve: 
I- considerar o indivíduo na sua integralidade, respeitando suas 
condições clínicas, biopsicossociais, socioeconômicas, culturais e 
religiosas; 
II- realizar triagem e avaliação nutricional sistematizadas, envolvendo 
critérios objetivos e/ou subjetivos que permitam a identificação de 
deficiência ou de riscos nutricionais; 
III- considerar diagnósticos, laudos e pareceres dos demais membros 
da equipe multidisciplinar, definindo com estes, sempre que 
pertinente, a conduta a ser instituída; 
IV- considerar que a prescrição dietética de suplementos alimentares 
não pode ser realizada de forma isolada, devendo fazer parte da 
adequação do consumo alimentar e ser avaliada sistematicamente; 
V- considerar os nutrientes e não nutrientes que possam contribuir 
para a redução do risco e para o tratamento de doenças relacionadas 
à nutrição; 
VI- considerar as possíveis interações entre nutrientes, não 
nutrientes, fármacos e plantas medicinais, bem como reações 
adversas potenciais, toxicidade e contraindicações; 
VII- respeitar os limites de UL para nutrientes e, em casos não 
contemplados, considerar critérios de eficácia e segurança com alto 
grau de evidências científicas; 
VIII- respeitar as listas de constituintes autorizados para uso em 
suplementos alimentares, prevista nos anexos I e II da IN Anvisa n° 
28/2018 e suas atualizações, e os insumos autorizados pela Anvisa, 
para comercialização, disponíveis nas farmácias de manipulação; 
IX- na prescrição de enzimas, indicar a atividade enzimática em 
Unidades (U), e na de probiótico, em Unidades Formadoras de 
Colônias (UFC); 
X- considerar a biodisponibilidade e segurança na prescrição de 
substâncias que podem ser encontradas em diferentes formas 
químicas; 
XI- registrar em receituário: nome do paciente/cliente/usuário; via, 
composição e posologia dos suplementos alimentares; data de 
prescrição; assinatura, carimbo do profissional com nome e número 
de seu registro no Conselho e respectiva jurisdição, telefone e 
endereço completo ou outro meio de contato profissional; e 
XII- registrar, em prontuário dos clientes/pacientes/usuários, via de 
administração, composição e posologia dos suplementos alimentares 
prescritos, mantendo-o arquivado pelo tempo determinado em 
normativa. 
Parágrafo único. Na identificação de efeitos colaterais, efeitos 
adversos, intoxicações, voluntárias ou não, observadas ou relatadas 
pelos clientes/pacientes/usuários, o nutricionista deverá registrar 
no prontuário e, quando pertinente, notificar os órgãos sanitários 
competentes, assim como o laboratório industrial ou a farmácia de 
manipulação (CFN, 2020, on-line).
O Nutricionista deve respeitar o Limite Superior Tolerável de Ingestão (UL) 
ao elaborar a prescrição de suplementos nutricionais (CFN, 2020). O Limite Superior 
Tolerável de Ingestão (UL) é o valor mais alto de ingestão diária continuada de um 
nutriente que aparentemente não acarreta efeito adverso à saúde em quase todos os 
indivíduos de um estágio de vida ou gênero (PUJOL, 2012). Ao utilizar o UL, o profissional 
deve levar em conta o estado fisiológico e patológico do indivíduo, fonte do nutriente, 
atividade física e período da ingestão habitual do nutriente, e assim evitar a ingestão 
95
excessiva. Além disso, o UL deve ser utilizado como valor limite e não como referência 
a ser atingida (PUJOL, 2019). Em caso do nutriente não dispor de UL, deve considerar 
critérios de eficácia e segurança com alto grau de evidências científicas (CFN, 2020).
Destaca-se que, em virtude do limite de prescrição, em alguns casos de 
deficiências nutricionais será necessário referenciar o paciente para manejo com médico. 
Um exemplo se dá no acompanhamento de pacientes com Hipovitaminose D, cujo 
tratamento requer suplementação com 50.000UI/semana ou 6.000UI/dia de Vitamina D, 
por 6 a 8 semanas. Tal situação, quando indicada pelo Nutricionista, deve ser referenciada 
ao Médico para adequado tratamento haja vista que a UL da Vitamina D é de 4.000UI/dia. 
Ao prescrever suplementos industrializados o Nutricionista deve avaliar se este 
não foi registrado no Ministério da Saúde como medicamento, em virtude de um ou 
mais de seus princípios ativos, assim como, verificar a aprovação do produto frente aos 
órgãos regulamentadores. Para tanto, basta consultar o site da Anvisa em: (PUJOL, 2019). 
O mercado dos suplementos alimentares passa por um crescimento acelerado, de 
forma que novos suplementos surgem a todo instante, alguns com promessas milagrosas 
e marketing apelativo. Contudo muitos destes produtos são baseados em observações 
profissionais do uso, em hipóteses de mecanismos de ação ou em estudos sem adequado 
rigor metodológico. Portanto, é responsabilidade do prescritor avaliar rigorosamente 
a indicação dos suplementos, baseando-se em evidências científicas contundentes 
(SOUZA, 2021). Lembrando que, conforme a Resolução nº 656 de 2020, o Conselho 
Federal de Nutricionistas exige pleno conhecimento do assunto, cabendo ao nutricionista 
responsabilidades ética, civil e criminal quanto aos efeitos da suplementação nutricional na 
saúde de seus pacientes, a fim de evitar imperícia, imprudência ou negligência (CFN, 2020).
3.1 ELABORAÇÃO DE RECEITUÁRIO OU PRESCRIÇÃO 
NUTRICIONAL
O receituário ou prescrição nutricional é o instrumento por meio do qual 
o paciente irá adquirir a suplementação prescrita bem como, guiará seu uso após o 
atendimento nutricional. Por isso, é fundamental que ela seja bem detalhada e completa 
para que não deixe dúvidas nem ao farmacêutico, quando esta for manipulada, ou ao 
vendedor, quando adquirida pronta, tão pouco ao paciente.
A prescrição do nutricionista deve obrigatoriamente contemplar os seguintes 
itens: nome do paciente; via de administração do suplemento (oral ou enteral); 
composição (nutrientes e suas respectivas quantidades); posologia (dose, frequência, 
horário, duração); data da prescrição; assinatura e carimbo do profissional, com nome e 
número de seu registro no conselho profissional; telefone e endereço completo ou outro 
meio de contato profissional (CFN, 2020).
96
Além disso, é fundamental atentar a dose prescrita verificando a unidade do 
nutriente (g, mg, mcg, UI), escrita legível, evitando abreviaturas ou rasuras que podem gerar 
erro e comprometer os resultados esperados (SOUZA, 2019). A exclusão ou determinação 
dos coadjuvantes técnicos deve ser feita na prescrição. Neste sentido, por exemplo, caso 
seja necessário garantir um produto livre de lactose (para pacientes intolerantes) ou de 
produtos animais (vegetarianos e veganos) o Nutricionista deve especificá-lo.
O Nutricionista deve explicar ao paciente a cerca da suplementação prescrita, 
ressaltando aspectos de eficácia (uso indicado e posologia), segurança (efeitos 
adversos, precauções, contraindicações, interações, risco de toxicidade) e qualidade 
(armazenamento, prazo de validade) (PUJOL, 2012).
A seguir apresentamos um modelo de prescrição de suplemento nutricional:
Nome do Nutricionista
Nutricionista
CRNx XXXX
Paciente: Nome do Paciente
Uso Oral:
1) Fórmula (1 dose)
Nutriente A (quelado) - xx mcg
Nutriente B (quelado) - xx mg
Nutriente C (citrato) - UI
Excipienteqsp (definir o excipiente que deseja ou o que não deseja)
Aviar para xx dias em _____ (definir a forma farmacêutica)
Posologia: Tomar y x/dia, sendo x dose ao ____ e x dose ao (definir momento)
Nome e Assinatura
Nutricionista
Carimbo com CRN
Endereço 
Telefone
97
4 FORMAS FARMACÊUTICAS
Forma ou base farmacêutica refere-se ao estado final de apresentação das 
substâncias ativas após serem submetidas às operações farmacêuticas. As formas 
farmacêuticas podem ser sólidas, líquidas, semissólidas e gasosas (SOUZA, 2021).
A definição da forma farmacêutica dependerá da natureza do princípio ativo 
escolhido, do mecanismo de ação e do local de ação deste ativo, bem como da 
dosagem (quantidade) prescrita (PUJOL, 2012; SOUZA, 2021). No processo de escolha 
da forma farmacêutica também deve-se verificar as vantagens e desvantagem de 
cada uma, analisar a melhor aceitação organoléptico e a disponibilidade financeira do 
paciente (PUJOL, 2012). A tabela a seguir apresenta as principais formas farmacêuticas 
disponíveis e suas características:
TABELA 1 – PRINCIPAIS FORMAS FARMACÊUTICAS
Forma Farmacêutica Características
Cápsula
Fácil deglutição
Consistência dura ou mole
Menor número de adjuvantes
Boa estabilidade
Não fracionável
Origem vegetal ou animal
Diversidade de tamanhos (capacidade)
Comprimido e filme orodispersível
Desintegra rapidamente
Fácil adesão
Evitam nutrientes com sabor amargo
Doses mais baixas (aproximadamente 60mg no 
filme e 250mg no comprimido)
Avaliar a composição 
Pastilha e goma
Base flavorizada, edulcorada, maldade ou comprimida
Consistência dura, soft ou mastigável
Custo mais alto
Avaliar composição
Pó
Fácil deglutição 
Misturas secas, finamente divididas
Dissolução rápida
Menor irritação de mucosa
Absorção mais rápida
Prazo de validade mais curto
Apresentação em pote ou sachê
98
Possibilita dose elevada
Base comum, efervescente ou consistência de 
shake, sopa, iogurte
Gel
Forma semissólida
Mais usado no esporte
Risco de distúrbios gastrointestinais em doses 
elevadas
Avaliar composição 
Comprimido sublingual
Utiliza sorbitol ou manitol como veículo
Forma de líquidos ou em drágeas
Quanto mais tempo de contato, melhor a absorção 
Doses mais baixas (100 a 150mg)
Xarope
Base de açúcar ou um substituto de
Boa conservação microbiológica
Transporte mais difícil
Avaliar composição 
FONTE: Adaptado de Pujol (2012, 2019) e Souza (2021)
Além do princípio ativo os suplementos são compostos também por coadjuvantes 
técnicos, conhecidos como excipientes ou veículos. Correspondem as substâncias, em 
geral inertes, cuja função é promover a estabilidade química, física ou microbiológica 
da fórmula, além de garantir sua processabilidade de fabricação e a solubilidade dos 
princípios ativos (PUJOL, 2012). Veículo é a parte líquida na qual os ativos são inseridos 
enquanto os excipientes representam a parte sólida ou semissólida, bastante usada em 
cápsulas ou sachês (SOUZA, 2021). Diluentes, molhantes, desintegrantes, lubrificantes, 
flavorizantes, edulcorantes, conservantes e corantes são exemplos de coadjuvantes 
utilizados (PUJOL, 2012; SOUZA, 2021).
A indústria farmacêutica cada vez mais diferencia suas formas farmacêuticas, 
tornando a administração de suplementos mais agradáveis, tornando mais confortável 
a posologia, o que contribui para a adesão do paciente ao tratamento (PUJOL, 2012). 
Para isso tende a incorporar coadjuvantes artificiais que podem não ser benéficos para 
a saúde do paciente (SOUZA, 2021). Por isso é fundamental que o profissional analise 
atentamente os componentes da suplementação antes de sua prescrição, retirando 
excipientes que julgue inadequado para o paciente. 
99
5 INTERAÇÃO NUTRIENTE X NUTRIENTE
Um dos fatores que interfere na biodisponibilidade dos nutrientes se dá em 
virtude das interações que ocorrem entre os mesmos, as quais podem ocorrer de forma 
direta ou indireta. Interações diretas tendem a ser fenômenos competitivos que ocorrer 
durante a absorção intestinal ou utilização tecidual dos nutrientes. Já as interações 
indiretas ocorrem quando um nutriente está envolvido no metabolismo do outro, de 
modo que a deficiência de um acarreta em prejuízo na função do outro (PUJOL, 2012).
Ao realizar a prescrição o Nutricionista deve atentar se os nutrientes suplementados 
são facilitadores ou inibidores da absorção um do outro. A suplementação de diversas 
vitaminas e minerais na mesma cápsula, a exemplo de compostos multivitamínicos 
populares na indústria farmacêutica, tendem a apresentar baixa biodisponibilidade. 
Da mesma forma, cabe analisar os nutrientes advindos diretamente dieta. Em caso de 
interação, deve-se ajustar a forma química de apresentação do nutriente, composição 
da fórmula e/ou posologia (momentos de consumo distintos). 
Em relação aos mineiras, os quais sofrem maior comprometimento na 
biodisponibilidade e interação com nutrientes da dieta e medicamentos, sua 
suplementação na forma quelada pode ser uma alternativa para evitar competição 
intraluminal. Contudo, por requererem maior tecnologia na produção, seu custo é mais 
elevado (PUJOL, 2012; SOUZA, 2021).
A tabela a seguir descreve os nutrientes facilitadores e inibidores de absorção 
aos quais deve-se atentar na prescrição:
TABELA 2 – NUTRIENTES FACILITADORES E INIBIDORES DE ABSORÇÃO
Nutriente Facilitadores Inibidores
Cálcio
Vitamina D, lactose, magnésio, 
vitamina C, lisina, arginina, 
Vitaminas do Complexo B
Ferro, excesso de proteína, 
fibras solúveis, sódio, fosfatos, 
fitatos, zinco, celulose, 
arginatos
Cobre -
Excesso de cálcio, ferro, zinco, 
cádmio, molibdênio, vitamina 
C, frutose, fitatos, caninos
Ferro
Cobre, Vitamina A, Vitamina C, 
ácidos orgânicos, aminoácidos, 
proteína de carne, arginina, 
histidina, lipídeos, TCM, frutose
Cálcio, cobalto, níquel, 
manganês, zinco, cádmio, 
fibra, oxalato, fosfatos, 
polifenóis, proteína de soja, 
proteína do ovo, fitatos, 
caninos
100
Selênio
Proteinas, aminoácidos sul-
furados, metionina, vitamina 
E, arginina, histidina, lipídeos, 
TCM, frutose, excesso de Vita-
mina A e C 
Enxofre, metais pesados
Vitamina A e beta 
caroteno
Gorduras, proteinas, vitamina 
E, ferro, zinco
Pectina, goma guar, celulose, 
farelo de trigo
Vitamina E Gorduras, TCM
Ácidos graxos poliinsaturados, 
vitamina A, farelo de trigo, 
pectina
Zinco
Vitamina A, peptídeos, 
histidina, ácido glutâmico, 
triptofano, cobre
Ferro, cálcio, fitamos, fósforo, 
cádmio, cromo, selênio, 
fosfato, oxalato, fibras, excesso 
de ácido fólico, taninos
Manganês - Cálcio, fósforo, ferro
Cromo - Ferro
Iodo Selênio Cloro
Molibdênio - Sulfato
Potássio Magnésio -
Vitamina B1
Sódio, potássio, vitaminas do 
complexo B
-
Biotina - Ácido alfa lipóico
Vitamina B2, B3 e B5 Vitaminas do complexo B -
Vitamina B6 Vitamina B1, B2 e Triptofano Proteína
Vitamina B9 Vitamina B12 e B6 -
Vitamina C
Ferro, flavonóides cítricos e 
quercetina
Ingestão elevada pode causar 
depleção de cobre
Vitamina D Cálcio e fósforo Ferro, cobre, manganês
Vitamina E TCM Ácidos graxos poliinsaturados
Vitamina K - Vitaminas A e E
Ômega 3 Vitamina E -
FONTE: Adaptado de Pujol (2012)
101
6 EFEITOS ADVERSOS
O consumo inadequado ou o uso excessivo de suplementos nutricionais pode 
acarretar em efeitos adversos, os quais irão depender do nutriente, dose utilizada e de 
características próprias do indivíduo. Rins, fígado e coração são os órgãos usualmente 
acometidos pela toxicidade do uso indevido de suplementos em virtude de seu papel 
na metabolização. Sinais clínicos relacionados à aparência da pele, mucosas e unhas, 
hidratação também podem ser uma manifestação orgânica destes excessos.
Estudos sugerem que desportistas estão entre os indivíduos com maiores 
tendências ao uso excessivo de suplementos nutricionais, sem orientação profissional. 
Contudo, a alta ingestão de suplementos proteicos pode gerar sobrecarga renal pelo 
aumento de uréia no organismo, cálculos renais, gota, dores abdominais,UNIDADE 3 — FITOTERAPIA APLICADA À NUTRIÇÃO .....................................................145
TÓPICO 1 — FUNDAMENTOS DA FITOTERAPIA ................................................................ 147
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 147
2 DIRETRIZES E NORMAS PARA PRESCRIÇÃO ...............................................................149
2.1 POLÍTICA NACIONAL DE PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERÁPICOS ......................................151
2.2 PRESCRIÇÃO DE PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERÁPICOS ................................................ 154
2.2.1 Prescrição por Nutricionistas ............................................................................................... 155
3 FORMAS FARMACÊUTICAS ...........................................................................................164
3.1 FORMAS FARMACÊUTICAS SÓLIDAS ........................................................................................... 166
3.2 FORMAS FARMACÊUTICAS LÍQUIDAS .........................................................................................167
3.3 FORMAS FARMACÊUTICAS PASTOSAS E GASOSA ...................................................................167
3.4 OUTRAS FORMAS FARMACÊUTICAS ...........................................................................................168
3.5 INTERAÇÃO FITOTERÁPICO X NUTRIENTE ................................................................................ 169
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................... 172
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 173
TÓPICO 2 - FITOTERAPIA NOS CICLOS DA VIDA ............................................................. 175
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 175
2 GESTAÇÃO E LACTAÇÃO ................................................................................................ 176
3 INFÂNCIA ........................................................................................................................180
3.1 PLANTAS MEDICINAIS NAS DOENÇAS RESPIRATÓRIAS ..........................................................181
3.2 PLANTAS MEDICINAIS E DISTÚRBIOS GASTROINTESTINAIS .................................................181
3.3 PLANTAS MEDICINAIS E SISTEMA NERVOSO CENTRAL ........................................................182
4 ENVELHECIMENTO .........................................................................................................183
4.1 FITOTERAPIA NA MODULAÇÃO DA IMUNIDADE E COM ATIVIDADE 
 ANTI-INFLAMATÓRIA NO ENVELHECIMENTO ............................................................................185
RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................................186
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................187
TÓPICO 3 - FITOTERAPIA NUTRICIONAL NAS DIVERSAS SITUAÇÕES CLÍNICAS ........189
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................189
2 FITOTERAPIA NA SAÚDE DA MULHER ..........................................................................189
2.1 SÍNDROME PRÉ-MENSTRUAL .......................................................................................................190
2.2 CLIMATÉRIO E MENOPAUSA .......................................................................................................... 192
3 FITOTERAPIA NA SAÚDE DO HOMEM ............................................................................194
4 FITOTERAPIA APLICADA À OBESIDADE E SÍNDROME METABÓLICA .........................196
LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................199
RESUMO DO TÓPICO 3 ...................................................................................................... 202
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 203
REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 205
1
UNIDADE 1 -
ATUAÇÃO DO 
NUTRICIONISTA NAS ÁREAS 
DE NUTRIÇÃO CLÍNICA 
E ALIMENTAÇÃO COLETIVA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
· refl etir sobre a sociedade contemporânea e sua relação com a nutrição e o profi ssional 
nutricionista;
· conhecer a atuação do profi ssional nutricionista clínico nas áreas de atuação mais 
evidentes do momento atual;
· conhecer a atuação do profi ssional nutricionista de alimentação coletiva nas áreas de 
atuação mais evidentes do momento atual;
· compreender a relação entre a nutrição e a gastronomia e suas formas de aplicação 
pelo profi ssional nutricionista.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará 
autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
TÓPICO 2 – ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA NA ÁREA DE NUTRIÇÃO CLÍNICA
TÓPICO 3 – ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA NA ÁREA DE ALIMENTAÇÃO COLETIVA
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
2
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 1!
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3
ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA NAS ÁREAS DE 
NUTRIÇÃO CLÍNICA E ALIMENTAÇÃO COLETIVA
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico(a), nossa disciplina tem por objetivo principal ampliar o seu 
olhar sobre as possibilidades de atuação do profissional Nutricionista, apresentando 
um aprofundamento sobre as subáreas e ferramentas de trabalho mais recentes da 
Nutrição. Por isso, nas próximas páginas estudaremos temas de Nutrição em ascensão 
e/ou desenvolvimento nos últimos anos. Espero que, ao concluir esta disciplina, você se 
identifique com um ou mais dos tópicos apresentados e possa agregá-los à sua atuação 
quando formado.
Para tanto, iniciaremos nossa disciplina discutindo sobre a sociedade 
contemporânea e suas necessidades. É preciso entender que, enquanto sociedade, 
estamos em constante evolução. Nossa rotina de vida, nossa forma de trabalhar, de 
estudar, nossas opções de lazer e nossa forma de comunicação mudaram muito nas 
últimas duas décadas não é mesmo? Da mesma forma, mudou nossa forma de nos 
alimentarmos – desde os alimentos que compõe a refeição, os modos de preparo 
e consumo, até nossas necessidades nutricionais. Por isso, é fundamental que o 
profissional Nutricionista se atualize periodicamente, afim de atender à população de 
acordo com suas demandas da atualidade.
 
Toda essa alteração no modo de vida das pessoas também reflete em 
novas possibilidades de empreender na Nutrição. Quando falamos em empreender, 
normalmente vêm à mente do estudante de Nutrição e até mesmo do profissional 
Nutricionista, a possibilidade de abrir um consultório ou uma linha de produção de 
alimentos. Porém, iremos ver neste tópico que as possiblidades vão muito além destas. 
Iremos também explorar o perfil necessário para o indivíduo que deseja empreender e 
os pontos essenciais do planejamento e gestão do negócio próprio.
Iremos, por fim, abordar o Marketing em Nutrição haja vista o mercado 
competitivo que é o da Nutrição nos dias de hoje. Estratégias de Marketing têm sido 
cada vez mais necessárias e úteis ao profissional Nutricionista em diversas áreas de 
atuação, porém, conforme iremos observar nessa disciplina, elas não podem e não 
devem ser empregadas de forma indiscriminada.
 
TÓPICO 1 - UNIDADE 1
4
2 CARACTERIZAÇÃO
A fim de discutir os impactos da contemporaneidadedesidratação, 
redução da densidade óssea e aumento de acne. O excesso de cafeína pode causar 
prejuízo da estabilidade de membros superiores (tremores), insônia, nervosismo, 
irritabilidade, ansiedade, náuseas e desconforto gastrointestinal. Percebe-se que tais 
excessos agem na contramão do efeito esperado, influenciando negativamente no 
desempenho esportivo (RESENDE; MOLINARI; SILVA, 2015).
O consumo de suplementos termogênicos, compostos por cafeína, taurina, 
chá verde, guaraná em pó, sinefrina, gengibre, Citrus aurantium, extrato de efedrina e 
pimentas caiena e preta também apresentam efeitos adversos característicos. De acordo 
com Oliveira e colaboradores, insônia, sudorese, aumento da temperatura corporal, 
náuseas, agitação, dor de cabeça e arritmia são os sintomas mais frequentemente 
relatados entre os consumidores (OLIVEIRA, 2021). Cabe destacar que a prescrição de 
efedrina não é liberada para o profissional Nutricionista, uma vez que se configura como 
um medicamento. Contudo, a efedrina compõe diversos dos termogênicos ilegalmente 
comercializados no Brasil em farmácias, lojas de suplementos e lojas virtuais. 
Em relação a suplementos termogênicos e outros comercializados com a 
promessa de promover emagrecimento, destaca-se que, frequentemente surge na 
mídia relatos de indivíduos que apresentaram efeitos adversos graves, tais como dano 
hepático e infarto, e até mesmo morte, em decorrência do uso abusivo ou de formulações 
tóxicas. Por isso, mais uma vez, reforçamos o papel do Nutricionista enquanto educador, 
visando alertar os indivíduos sobre os riscos do consumo indevido de suplementos 
nutricionais.
Até mesmo a suplementação de vitaminas não é livre de efeitos adversos, 
quando em doses acima do recomendado. Por exemplo, doses crônicas muito altas de 
Vitamina D podem aumentar a absorção do cálcio, e essa hipercalcemia pode associar-
se com diarreia, constipação, náuseas, vômitos e até mesmo calcificação arterial (SOUZA, 
2021). Enquanto nutrientes antioxidantes como as vitaminas A, C e E, carotenóides 
(licopeno, luteína, zeaxantina) em excesso podem gerar efeito pró-oxidativo (PUJOL, 
2012; SOUZA, 2021). 
102
Dessa forma, faz-se fundamental respeitar os limites da UL, considerando 
ainda o consumo do nutriente advindo dos alimentos, de forma a evitar doses acima da 
necessidade, minimizando o risco de efeitos adversos. Além disso, o acompanhamento 
nutricional, com atenção aos sinais e sintomas relatados pelo paciente, permite ao 
profi ssional avaliar se a prescrição do suplemento nutricional foi assertiva ou se requer 
ajustes ou suspensão. 
Acadêmico, fi cou com alguma dúvida sobre a regulamentação e prescrição 
de suplementos nutricionais? Que tal acessar o Documento de Perguntas e 
Respostas sobre Suplementos Alimentares, publicado pela ANVISA em 2021?! 
Sua dúvida pode estar respondida lá!
Acesse em: https://www.cfn.org.br/wp-content/uploads/2021/04/Suplementos
-Alimentares_7ª-edição-1.pdf 
DICA
103
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
· A prescrição de suplementos nutricionais pelo profissional Nutricionista engloba 
nutrientes, substâncias bioativas, enzimas, prebióticos, probióticos, produtos 
apícolas, como mel, própolis, geleia real e pólen, novos alimentos e novos ingredientes 
e outros autorizados pela Anvisa para comercialização, isolados ou combinados, bem 
como medicamentos isentos de prescrição à base de vitaminas e/ou minerais e/ou 
aminoácidos e/ou proteínas isolados ou associados entre si.
· A prescrição dietética de suplementos nutricionais não pode ser realizada de forma 
isolada, devendo fazer parte da adequação do consumo alimentar do paciente e ser 
avaliada sistematicamente.
· O receituário de prescrição do suplemento nutricional deve apresentar, no mínimo, o 
nome do paciente, a via de administração, composição e posologia do suplemento, a 
data da prescrição, a assinatura e o carimbo do profissional, com nome e número de 
seu registro no conselho profissional, o telefone e endereço completo ou outro meio 
de contato profissional.
· Forma ou base farmacêutica é a apresentação final do suplemento nutricional, após 
ser submetido às operações farmacêuticas. Exemplos: comprimido, cápsula, pó, gel, 
goma, pastilha, xarope, entre outros.
· Na prescrição de suplementos nutricionais deve-se atentar a possibilidade de 
interação direta ou indireta entre os nutrientes, as quais podem facilitar ou inibir a 
absorção destes.
· O consumo de suplementos nutricionais pode acarretar em efeitos adversos, os quais 
irão depender do nutriente, dose utilizada e de características próprias do indivíduo. 
Tais efeitos adversos podem impactar na saúde e qualidade de vida.
104
1 O nutricionista detém respaldo legal para a prescrição de suplementos alimentares 
desde a Lei nº 8.234 de 1991, a qual regulamenta a profissão. Desde então, o 
Conselho Federal de Nutricionistas elabora resoluções e pareceres a cerca do tema. 
A resolução atualmente em vigor, que regulamenta os profissionais para a prescrição 
de suplementos é a nº 656 de 18 de junho de 2020. De acordo com esta resolução, 
quais são os suplementos de prescrição pelo nutricionista?
2 Observa-se um interesse cada vez maior da população em relação aos suplementos 
nutricionais com objetivos relacionados a saudabilidade e estética. Tal fato impulsionou 
a indústria a desenvolver uma ampla gama de nutrientes para suplementação e 
também de formas farmacêuticas para sua apresentação, visando atender aos 
interesses de mercado. Um mesmo nutriente pode atualmente ser apresentado 
sob a forma de cápsulas, comprimidos, xaropes, entre outros. Dessa forma, quais 
aspectos devem ser considerados pelo profissional ao escolher a forma farmacêutica 
do suplemento nutricional prescrito?
3 O receituário é o instrumento por meio do qual o paciente irá adquirir a suplementação 
prescrita pelo profissional bem como, guiará seu uso após o atendimento nutricional. 
De acordo com a Resolução do CFN nº 656 de 2020, assinale a alternativa que 
corresponde aos itens que devem OBRIGATORIAMENTE constar na prescrição de um 
suplemento nutricional:
a) ( ) Nome do paciente/cliente/usuário; via e composição dos suplementos alimentares; 
data de prescrição; assinatura, carimbo com nome e número de seu registro no 
Conselho, telefone e endereço completo ou outro meio de contato profissional.
b) ( ) Nome do paciente/cliente/usuário; composição e posologia dos suplementos 
alimentares; data de prescrição; assinatura, carimbo com nome e número de seu 
registro no Conselho, telefone e endereço completo ou outro meio de contato 
profissional.
c) ( ) Nome do paciente/cliente/usuário; via, composição e posologia dos suplementos 
alimentares; data de prescrição; assinatura, carimbo com nome e número de seu 
registro no Conselho, telefone e endereço completo ou outro meio de contato 
profissional.
d) ( ) Nome do paciente/cliente/usuário; via, composição e posologia dos suplementos 
alimentares; assinatura, carimbo com nome e número de seu registro no 
Conselho, telefone e Instagram profissional.
AUTOATIVIDADE
105
4 Ao elaborar a prescrição de uma formulação, o profissional Nutricionista deve atentar-se 
para o risco de interação entre os nutrientes. Quando são prescritos nutrientes inibidores 
em um mesmo composto, pode haver prejuízo na sua biodisponibilidade. Assinale abaixo 
a alternativa que corresponde a nutrientes que não devem ser prescritos em associação 
de forma simples por serem inibidores da absorção um do outro:
a) ( ) Cálcio e Vitamina D.
b) ( ) Ferro e Vitamina C.
c) ( ) Ferro e Vitamina E.
d) ( ) Zinco e Ferro.
5 Efeitos adversos do uso de suplementos podem surgir em virtude de diversos fatores, 
incluindo a segurança, a composição do produto e padrões inadequados de uso pelos 
consumidores ou prescritores. A respeito da prescrição de suplementos nutricionais 
e seus efeitos adversos, analise as assertivas a seguir:I- A alta ingestão de suplementos proteicos pode gerar sobrecarga renal, cálculos 
renais, gota, dores abdominais, desidratação, redução da densidade óssea e 
aumento de acne.
II- Embora o Nutricionista tenha habilitação para prescrever efedrina, deve atentar-se 
ao risco de efeitos adversos tais como insônia, sudorese, aumento da temperatura 
corporal, náuseas, agitação, dor de cabeça e arritmia.
III- O consumo crônico de doses muito altas de Vitamina D podem gerar hipercalcemia, 
a qual pode associar-se com diarreia, constipação, náuseas, vômitos e até mesmo 
calcificação arterial.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
106
107
SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NOS CICLOS 
DA VIDA
1 INTRODUÇÃO
Caro Acadêmico(a), conforme vimos no tópico anterior, a suplementação 
nutricional é uma estratégia que o Nutricionista pode utilizar para complementar as 
necessidades nutricionais do paciente, conforme avalie ser necessário. Sendo assim, 
neste tópico, iremos estudar a suplementação nutricional específica para cada uma das 
fases do ciclo da vida.
Você já aprendeu na disciplina de Planejamento Alimentar nos Ciclos da Vida, 
que homens e mulheres, em cada fase da vida, apresentam necessidades nutricionais 
características não é mesmo?! Nesta disciplina você irá aprender como utilizar os 
suplementos nutricionais para complementar essas necessidades, quando a dieta por 
si só não for suficiente.
Sendo assim, no Tópico 2 estudaremos os suplementos nutricionais mais 
utilizados na gestação e lactação, infância e adolescência, para adultos e idosos. Você 
lembra que dispomos de Diretrizes e Protocolos do Ministério da Saúde e de outros 
órgãos representativos de classe, tais como a Sociedade Brasileira de Pediatria, que 
norteiam a prescrição de suplementos? Iremos utilizá-los também para embasar nossas 
condutas neste tópico.
2 GESTAÇÃO
A nutrição materna tem grande impacto não só na saúde da própria mãe como 
também no desenvolvimento da prole. Durante a gestação se faz necessário o aumento na 
recomendação da maioria dos nutrientes em virtude dos ajustes fisiológicos relacionados 
ao rápido crescimento tecidual e desenvolvimento do feto (VASCONCELOS, 2011).
No primeiro trimestre gestacional, a saúde do embrião depende em grande 
parte da condição nutricional pré-gestacional da mãe, no que tange às suas reservas 
energéticas, de vitaminas, minerais e oligoelementos. Já no segundo e terceiro trimestre 
gestacional, a ingestão atual de energia e micronutrientes ganham maior relevância 
(VITOLO, 2008). Dessa forma, a assistência nutricional, com foco na dieta materna se 
faz fundamental desde o momento que a gestação começa a ser planejada.
UNIDADE 2 TÓPICO 2 - 
108
Deve-se considerar que, neste período as necessidades nutricionais maternas 
estão aumentadas, com o intuito de promover o crescimento e desenvolvimento do 
feto. Em contrapartida, sintomas característicos das alterações hormonais e estruturais 
decorrentes da gestação, tais como, náuseas, vômitos, pirose, saciedade precoce e 
constipação (VASCONCELOS, 2011), podem prejudicar o consumo alimentar materno. 
Tendo em vista a importância da nutrição materna para a saúde do binômio mãe-
bebê, no intuito de adequar o consumo alimentar da gestante às suas necessidades 
nutricionais, alguns suplementos nutricionais são indicados de forma rotineira e outros 
de acordo com avaliação individual do caso, conforme veremos a seguir.
As necessidades de ferro e ácido fólico durante a gestação são muito elevadas, 
colocando a gestante risco de desenvolver anemia e o bebê de nascer com baixo peso. 
Por isso, desde 2005, o Ministério da Saúde recomenda, por meio do Programa Nacional 
de Suplementação de Ferro, a adoção de medidas complementares ao estímulo à 
alimentação saudável, com o intuito de oferecer ferro adicional de forma preventiva. 
Entre as medidas adotadas estão a suplementação profilática com 40mg de ferro 
elementar e 400mcg de ácido fólico. Ressalta-se que a suplementação com ácido fólico 
deve ser iniciada pelo menos 30 dias antes da concepção e mantida durante toda a 
gestação. Já o ferro deve ser prescrito às gestantes ao iniciarem o pré-natal, sendo 
mantido até o terceiro mês pós-parto (BRASIL, 2013a). 
Apesar de normalmente ser o suplemento de escolha em virtude do seu baixo 
custo, o sulfato ferroso possui como limitantes as intercorrências gastrointestinais 
(vômitos, diarreia, constipação intestinal, fezes escuras e cólicas) (BRASIL, 2013a). Em 
virtude destes efeitos adversos e da biodisponibilidade, sempre que financeiramente 
viável, é preferível a prescrição de ferro quelado (SOUZA, 2021).
Os ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa, especialmente o ômega-3, 
fonte de ácido docosahexaenoico (DHA) e o ômega-6, fonte de ácido araquidônico (ARA), 
são muito importantes durante a gestação. Seu transporte é realizado via placenta, 
sendo depositado no córtex cerebral e retina do feto. A suplementação de DHA previne 
o parto prematuro e ajuda no desenvolvimento visual e cognitivo do feto. Tendo em vista 
que a dieta da população brasileira é deficiente em DHA, pela dificuldade de acesso aos 
alimentos fontes (peixes de água fria), a suplementação nutricional com 200 a 600mg/
dia de DHA é indicada (WEFFORT; LAMOUNIER, 2017).
A Vitamina A possui especial relevância em períodos de rápida diferenciação 
celular, tais como a gestação. O consumo deficiente ou excessivo de Vitamina A neste 
período pode acarretar em defeitos congênitos cerebrais, oculares, auditivos e dos 
aparelhos geniturinário e cardiovascular. Deve-se ter atenção em caso de suplementação 
de Vitamina A pois doses a partir de 8.500mcg/dia, equivalente a 25.000UI apresenta 
potencial teratogênico (VASCONCELOS, 2011; DAL BOSCO, 2015). Doses em torno de 
800mcg/dia são consideradas usuais para gestantes (SOUZA, 2021).
109
O Selênio é um mineral de importância para a regulação e desenvolvimento 
do bebê, sendo que sua deficiência está associada a aborto e parto prematuro 
(VASCONCELOS, 2011). Uma vez que as necessidades nutricionais deste mineral podem 
ser atendidas através do consumo de uma pequena quantidade de Castanha-do-Brasil, 
por exemplo, (SOUZA, 2021) deve-se analisar a dieta da gestante a fim de verificar se 
há necessidade de suplementação. Caso observe-se necessidade de suplementar, 
o profissional Nutricionista deve atentar aos limites da UL, cujo valor é 400cmg/dia, 
pois altas doses podem apresentar efeitos tóxicos para o desenvolvimento intrauterino 
(VASCONCELOS, 2011). 
A deficiência de zinco pode comprometer o desenvolvimento físico e intelectual, 
devendo ser rigorosamente considerada em situações de crescimento rápido, tal qual 
a gestação. Sua deficiência pode acarretar malformações congênitas e defeitos de 
formação do tubo neural (VITOLO, 2008; VASCONCELOS, 2011). Deve-se considerar 
que a ingestão dietética recomendada (RDA) de Zinco para gestantes varia entre 11 e 
12mg conforme a faixa etária, sendo a UL 40mg/dia (SOUZA, 2021). A suplementação de 
Zinco pode ser indicada para gestantes tabagistas ou etilistas tendo em vista que estas 
apresentam concentrações plasmáticas do mineral reduzidas (DAL BOSCO, 2015).
Muitos prescritores adotam como conduta padrão de prescrever polivitamínicos 
industrializados, independentemente de avaliação individual da gestante. Ressalta-
se que tal conduta é contra indicada pelo CFN, conforme observamos na Resolução 
nº 656 de 2020, haja vista a orientação de realização triagem e avaliação nutricional 
sistematizadas que permitam a identificação de deficiência ou de riscos nutricionais. Há 
ainda que se considerar a biodisponibilidade dos nutrientes quando ofertados na forma 
de polivitamínicos, além do seu custo financeiro.
Ao elaborar a prescrição do suplemento nutricional, devemosobservar que o 
setor absortivo da mulher encontra-se modificado durante a gestação, promovendo 
aumento da permeabilidade intestinal, aumento do número de receptores, redução 
no trânsito intestinal e sensibilidade gástrica. Dessa forma, é necessário atenção em 
alguns pontos:
• Produtos industrializados normalmente contém corantes sintéticos, parabenos e 
flavorizantes artificiais, de forma que é melhor optar por suplementos manipulados, 
em cápsulas transparentes ou coloridas naturalmente.
• A gestante apresenta hipocloridria transitória, com consequente redução no processo 
de ionização dos minerais, redução na liberação do Fator Intrínseco da B12 e maior 
desconforto ao ingerir comprimidos. Adaptar a posologia (fracionamento maior do 
que 1x/dia), adequar formas farmacêuticas (pó ou gotas oleosas) e optar por minerais 
quelados podem ser estratégias válidas (MARQUES; SERPA; TEIXEIRA, 2018).
 
110
3 LACTAÇÃO
A lactação está fisiologicamente sob controle hormonal, principalmente 
daqueles secretados pela hipófise, cuja produção é influenciada por estímulos externos e 
emoções maternas. Contudo, sabe-se que a produção do leite constitui um mecanismo 
complexo, pelo qual fatores nutricionais interagem com as influências estruturais, 
hormonais e comportamentais (VITOLO, 2008).
Na vigência de carências nutricionais ocorrem adaptações no organismo 
materno visando sustentar a lactação, tais como diminuição do gasto energético 
tecidual, aumento da absorção intestinal de nutrientes, níveis mais altos de prolactina, 
maior eficiência enzimática e economia no custo celular para produção e secreção de 
nutrientes no leite materno. Tais adaptações conseguem manter a concentração dos 
macronutrientes (gordura, proteína e lactose) embora não sejam capazes de sustentar 
os níveis de Vitamina A, B1, B12 e C no leite materno. Folato, ferro, vitamina D, cobre 
e zinco também podem ter seus níveis afetados, a depender dos estoques maternos 
deste nutriente (VITOLO, 2008). 
Haja vista a importância da nutrição da lactante, especialmente no tocante aos 
micronutrientes, para a qualidade do leite produzido bem como para sua própria saúde, 
se faz necessária a avaliação de seu consumo alimentar. Uma vez observadas carências 
dietéticas, a suplementação nutricional pode ser utilizada em seu manejo, conforme 
veremos a seguir.
A suplementação de DHA, já iniciada durante a gestação, deve ser mantida na 
fase de lactação visando a oferta do nutriente via leite materno. As doses recomendadas 
variam entre 200 e 600mg/dia (WEFFORT; LAMOUNIER, 2017). Da mesma forma, 
a suplementação profilática de Ferro, na dose de 40mg/dia, deve ser mantida até o 
terceiro mês após o parto (BRASIL, 2013a).
A importância da Vitamina A é aumentada durante a lactação, se comparada 
ao período gestacional, uma vez que a transferência desta vitamina da mãe para o filho, 
por meio do leite materno, é muito maior. A suplementação de Vitamina A em doses 
diárias de no máximo 3.000mcg, ou seja, 10.000UI, é considerada segura e eficaz em 
casos de carência nutricional (VASCONCELOS, 2011). O Ministério da Saúde, por meio do 
Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A, distribui megadoses de 200.000UI 
para serem ofertadas em dose única às puérperas no pós-parto imediato, antes da alta 
hospitalar (BRASIL, 2013b).
O conteúdo de Vitamina D no leite materno está diretamente relacionado 
ao estado nutricional materno desta, à ingestão dietética e ao grau de exposição ao 
sol (VASCONCELOS, 2011). Havendo carência desta vitamina na dieta materna, o 
Nutricionista deve atentar-se, na prescrição, ao seu limite de UL que é de 4.000UI/d 
(SOUZA, 2021).
111
A quantidade de zinco presente no leite materno vai reduzindo à medida 
que o processo de amamentação avança, razão pela qual poderá ser necessária sua 
suplementação a fim de atingir a RDA, que é superior aos demais ciclos da vida, variando 
entre 12 e 13mg/d conforme a faixa etária da lactante (GUINÉ; GOMES, 2015). 
A Sociedade Brasileira de Pediatra recomenda a suplementação de Vitamina 
B12 na dose 50mcg/dia para mães vegetarianas em lactação.
Não há recomendações padronizadas de suplementação nutricional para a 
lactação no tocante aos demais nutrientes, exceto Vitamina A e Ferro. Sendo assim, 
cabe ao profissional que presta assistência realizar a avaliação nutricional completa da 
paciente, considerando sua ingestão nutricional atual e pregressa, exames laboratoriais, 
além de sinais e sintomas, a fim de identificar carências nutricionais que não possam ser 
supridas por meio da dieta. 
4 INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA 
As necessidades nutricionais aumentadas de energia, macro e micronutrientes 
observadas na infância e adolescência refletem as necessidades únicas desta faixa etária 
em relação ao crescimento e às alterações no desenvolvimento da função orgânica e 
na composição corporal. Carências e/ou desequilíbrios nutricionais nesta faixa etária 
podem comprometer o crescimento e desenvolvimento, além de gerar repercussões por 
toda a vida (VITOLO, 2008; VASCONCELOS, 2011).
Seja por baixa aceitação alimentar, seletividade alimentar, inapetência, 
intolerâncias e alergias alimentares ou mesmo por condições patológicas, o consumo 
alimentar da criança ou adolescente pode ficar aquém de suas necessidades, sendo 
necessário que o profissional utilize suplementos nutricionais de forma complementar.
Dispomos no mercado atual de uma ampla gama de suplementos hipercalóricos 
multivitamínicos formulados pela indústria especificamente para crianças e adolescentes. 
São apresentados na forma farmacêutica de pó, saborizados, para serem consumidos 
no leite, vitaminas ou sucos. Tais suplementos estão disponíveis em supermercados e 
farmácias, com slogan que alegam benefício ao desenvolvimento e crescimento infantil, 
sendo seu consumo sem prescrição profissional frequente. Devemos ter atenção ao 
uso indiscriminado destes suplementos pois, em sua maioria, contém alta quantidade 
de açúcar ou seus substitutos (xaropes, glicose, maltodextrina, entre outros), além de 
corantes e conservantes artificiais, cujo consumo frequente pode apresentar prejuízos 
à saúde. Apresentamos (Gio Nota) a lista de ingredientes e tabela nutricional de um 
suplemento, o qual aproximadamente 90% da composição se dá em açúcar.
112
TABELA 3 – TABELA NUTRICIONAL DE SUPLEMENTO HIPERCALÓRICO ACRESCIDO DE VITAMINAS E 
MINERAIS PARA CRIANÇAS, SABOR CHOCOLATE
FONTE: Nestlé (2021?, on-line)
Da mesma forma, o profi ssional deve ter cautela na prescrição de polivitamí nicos, 
pois estes podem conter vitaminas hidro e lipossolú veis em quantidades variá veis, com 
risco de toxicidade quando ingeridas em altas doses ou por tempo prolongado (SBP, 
2021). Ademais, assim como os suplementos hipercalóricos supracitados, muitos dos 
Lista de ingredientes: Açúcar, maltodextrina, cacau lecitinado, leite em 
pó desnatado, fosfato de cálcio tribásico, L-ascorbato de sódio, fosfato 
de magnésio dibásico, acetato de DL-alfa-tocoferila, sulfato de zinco, 
ferro carbonila, nicotinamida, colecalciferol, palmitato de retinila, sulfato 
de manganês, gluconato cúprico, D-pantotenato de cálcio, D-biotina, 
cianocobalamina, cloridrato de tiamina, fi tomenadiona, ribofl avina, 
cloridrato de piridoxina, ácido N-pteroil-L-glutâmico, iodeto de potássio, 
cloreto de cromo, molibdato de sódio, selenito de sódio, estabilizante 
carragena e aromatizantes.
NOTA
113
polivitamínicos comercializados para o público infantil são apresentados na forma 
farmacêutica de xaropes, gomas ou pastilhas, contendo altas doses de açúcares, 
corantes e conservantes.
O aporte adequado de Ferro é uma das maiores preocupações das práticas 
alimentares nesta faixa etária, em virtude do prejuízo que a anemia nesse período acarreta 
no crescimento e desenvolvimento intelectual (VITOLO, 2008). O Programa Nacional de 
Suplementação de Ferro engloba também a suplementação profilática de 1mg de ferro 
elementar/kgpara todas as crianças de seis meses a dois anos de idade (BRASIL, 2013). 
Ressalta-se que a suplementação profilática com ferro pode ocasionar o 
surgimento de efeitos colaterais, tais como vômitos, diarreia e constipação, em função 
do uso prolongado. Por isso é fundamental que as famílias sejam orientadas quanto 
à importância da suplementação, bem como sejam informadas sobre a dosagem, 
periodicidade, efeitos, tempo de intervenção e formas de conservação, para que a 
adesão seja efetiva, garantindo a continuidade e o impacto positivo na diminuição do 
risco da deficiência em ferro e de anemia entre crianças (BRASIL, 2013a).
As fontes alimentares de Vitamina D em geral não conseguem suprir as 
necessidades, sendo a exposição solar a principal fonte. Contudo é comum que 
crianças não sejam expostas ao sol suficientemente, aumentando o risco de deficiência. 
Para garantir o aporte adequado, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a 
suplementação profilática de Vitamina D na dose de 400UI/dia a partir da primeira 
semana de vida até o primeiro ano de idade, e de 600UI/d para crianças de um até os 
dois anos de idade (SBP, 2021). Doses diárias de Vitamina D acima de 1.000UI podem 
causar toxicidade (WEFFORT; LAMOUNIER, 2017).
A deficiência de vitamina A é considerada um problema de saúde pública 
moderada no Brasil pois afeta entre 10% e 20% da população, sobretudo na região 
Nordeste e em alguns locais das regiões Sudeste e Norte. Evidências acerca do impacto 
da suplementação com Vitamina A em crianças de 6 a 59 meses de idade apontam 
uma redução do risco global de morte em 24%, de mortalidade por diarreia em 28% 
e de mortalidade por todas as causas, em crianças HIV positivo, em 45%. Com isso, 
a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a suplementação profilática de 
Vitamina A para prevenir a carência, a xeroftalmia e a cegueira de origem nutricional 
em crianças de 6 a 59 meses (OMS, 2011). Por isso, o Ministério da Saúde, por meio 
do Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A, recomenda: a suplementação 
com dose única de 100.000UI para crianças de 6 a 11 meses de idade; e uma dose 
semestral de 200.000UI para crianças de 12 a 59 meses de idade (BRASIL, 2013b). 
A Sociedade Brasileira de Pediatra reforça a importância de identificar as 
crianças em risco para deficiência de vitamina A por meio da anamnese alimentar, e as 
que não recebem outro suplemento vitamínico com esta vitamina associada, para não 
causar hipervitaminose (SBP, 2021).
114
A deficiência da Vitamina C leva ao quadro clínico do escorbuto e ocorre 
geralmente associada à desnutrição proteico-energética, ao uso de dietas exóticas 
e a pessoas em condições de cuidados precários. O escorbuto é mais frequente em 
crianças entre 6 meses e 2 anos de idade. O tratamento se baseia na suplementação de 
ácido ascórbico, na dose de 300 a 500 mg, fracionada em 2 a 3 vezes ao dia, até a cura 
radiológica que acontece, em geral, após 3 a 4 semanas (WEFFORT; LAMOUNIER, 2017).
Especial atenção deve ser dada a avaliação de possíveis carências nutricionais 
na dieta de crianças veganos ou vegetarias. A necessidade de suplementação de 
ácidos graxos essenciais, ferro, zinco, cálcio e Vitaminas B12 e D precisa ser analisada. 
Recomenda-se a suplementação de Vitamina B12 na dose de 5mcg/dia para crianças 
em aleitamento materno e a avaliação criteriosa do aporte de Ferro e Zinco, para 
suplementação nutricional conforme necessidade (SBP, 2021).
A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que quando a suplementação 
nutricional for necessária, esta deve ser criteriosa, levando em consideração as RDAs 
para cada faixa etária e as diversas preparações comerciais (SBP, 2021). Na tabela a 
seguir estão apresentadas a dose diária recomendada nos casos de suplementação:
TABELA 4 – DOSE DIÁRIA RECOMENDADA NOS CASOS DE SUPLEMENTAÇÃO
FONTE: SBP (2021, on-line)
115
5 ADULTOS 
Um padrão alimentar saudável, baseado em alimentos in natura e minimamente 
processados, com porcionamento e fracionamento adequados, é capaz de suprir as 
necessidades nutricionais de adultos saudáveis. Contudo, em situações nas quais os 
requerimentos estejam aumentados – por exemplo na prática esportiva ou rotina de 
atividades diárias mais extenuantes – ou já existam deficiências nutricionais, a prescrição 
de suplementos pode se fazer necessária e deve ser avaliada individualmente.
Entre adultos praticantes de atividades físicas é frequente o uso de suplementos 
proteícos, aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA do inglês Branched Chain Amino 
Acids), Creatina, Cafeína, Ômega-3 e módulos de carboidratos (palatinos e maltodextrina, 
por exepmplo) e hipercalóricos. As proteínas do soro do leite, conhecidas comercialmente 
como Whey Protein, encontradas sob a forma de pó, são os suplementos de primeira 
escolha para desportistas com objetivos de ganha de massa muscular e aumento de 
resistência física. Já a Creatina é utilizada com vistas a melhora de desempenho (SILVA, 
2021). A indicação, dose e posologia na prescrição de destes suplementos deve ser 
individualizada, conforme as necessidades nutricionais e características clínicas do 
paciente. Há de se considerar que, a Creatina, o Whey Protein, os módulos de carboidratos 
e os suplementos hipercalóricos usualmente são acrescidos de grande quantidade de 
adoçantes, flavorizantes e edulcorantes sintéticos, os quais podem ser prejudiciais à 
saúde. Por isso é importante que o profissional conheça a composição dos produtos 
industrializados para melhor orientar o paciente na aquisição. 
A recomendação de fibras para um adulto é de no mínimo 25g/dia, aporte facilmente 
atingível por meio de frutas, verduras e cereais na dieta. Contudo aproximadamente 1/4 da 
população brasileira apresenta consumo ausente ou irregular de fibras, sendo que o uso 
de suplementos de fibras se faz necessário em até 30% dos casos (PASSOS; TAKEMOTO; 
GUEDES, 2020). Em caso de suplementação nutricional, o profissional deve avaliar 
individualmente qual tipo de fibra será prescrito (fibras solúveis, insolúveis ou mix e sua 
fonte), dose (considerando o que já é consumido na dieta) e a posologia. Com os avanços 
da indústria, atualmente já é possível encontrar uma variedade de suplementos de fibras: 
com ou sem sabor; em diversas formas farmacêuticas (pó, shake, geleia); e adicionados 
de cepas probióticas, colágeno e/ou vitaminas e minerais.
Por fim, apresentamos na tabela a seguir, a recomendação de suplementação para 
casos de carências. Deve-se levar em consideração que esta tabela apresenta as doses 
usualmente recomendadas de acordo com estudos científicos, porém, deve-se sempre 
considerar a quantidade do nutriente que o indivíduo já consome por meio da dieta.
116
TABELA 5 – QUANTIDADE DO NUTRIENTE
Nutriente Dose usual
Vitamina A 2.000 a 9.000UI/d
Vitamina D 2.000 a 4.000UI/d
Vitamina E 100 a 300mg/d
Vitamina K 100 a 200mcg/d
Vitamina B1 2x 15mg/d
Vitamina B2 2x 10mg/d
Vitamina B3 2x 15mg/d
Vitamina B5 2x 40mg/d
Vitamina B6 2x 25mg/d
Vitamina B9 2x 150mcg/d
Vitamina B12
2x 25mcg/d 
* 400 a 1000mcg/d se deficiência
Vitamina B7 2x 400mcg/d
Vitamina C 2x 150mg/d
Cálcio 2x 300mg/d
Magnésio 2x 100 a 150mg/d
Zinco 2x 10mg/d
Cobre 2x 450mcg/d
Ferro
Homens: 2x 10mg/d
Mulheres: 2x 15mg/d
Manganês 2x 2mg/d
Selênio 2x 40mcg/d
Cromo 2x 100mcg/d
FONTE: Adaptado de Souza (2021)
6 IDOSOS
O envelhecimento é um processo contínuo no qual ocorre um declínio 
progressivo de todos os processos fisiológicos, além de modificações psicológicas e 
sociais (DAL BOSCO, 2015; PUJOL, 2019). Entre essas alterações, de importância para a 
Nutrição, destacam-se:
117
• Diminuição dos botões gustativos, com alteração de paladar.
• Redução do olfato e visão.
• Diminuição da secreção de saliva com prejuízos na mastigação e deglutição.
• Acloridria com consequente redução na absorção de nutrientes, especialmente 
Vitamina B12.
• Dentição ausente ou incompleta, com impacto na mastigação.
•Redução da motilidade intestinal com consequente constipação (DAL BOSCO, 2015).
As alterações supracitadas impactam negativamente no consumo alimentar, 
digestão e/ou absorção dos nutrientes, favorecendo o aparecimento de carências de 
vitaminas e minerais. Por isso, os suplementos nutricionais confi guram como uma 
alternativa saudável para suprir essas necessidades, não apenas para que os idosos 
vivam mais, mas principalmente para que vivam melhor (PUJOL, 2019).
Assim como para a população pediátrica, a indústria desenvolveu suplemento 
hipercalóricos e/ou hiperproteícos polivitamínicos para serem usados de forma 
complementar na dieta do idoso. Tais suplementos apresentam-se na forma de pó ou 
líquido pronto para consumo, com ou sem sabor. As versões em pó podem consumidas 
diluídas em sucos, chás, vitaminas, mingaus e até mesmo em sopas. Podem ser 
indicados para indivíduos que apresentam consumo de macro e micronutrientes abaixo 
de suas necessidades nutricionais. A seguir, apresentamos (Gio Nota), como exemplo, a 
lista de ingredientes e tabela nutricional do líder de mercado neste segmento.
Leite em pó desnatado, maltodextrina, proteína isolada do soro do 
leite de vaca, caseinato de cálcio obtido do leite de vaca, gordura láctea, 
frutooligossacarídeos, inulina, minerais ( citrato de cálcio, carbonato de 
magnésio, sulfato ferroso, sulfato de zinco, fosfato de cálcio, sulfato de 
manganês, sulfato de cobre e selenato de sódio), vitaminas (vitamina C, 
bitartarato de colina, vitamina E, inositol, vitamina D, vitamina A, niacina, 
pantotenato de cálcio, vitamina B1, vitamina B6, vitamina K, Vitamina B2, 
ácido fólico, vitamina B2 e biotina) e emulsifi cante lecitina de soja.
NOTA
118
TABELA 6 – TABELA NUTRICIONAL DE SUPLEMENTO HIPERCALÓRICO E HIPERPROTEÍCO ACRESCIDO DE 
VITAMINAS E MINERAIS PARA IDOSOS, SEM SABOR
FONTE: Nestlé (2021?, on-line)
 
 
No manejo da constipação do paciente idoso, a suplementação de probióticos, 
prebióticos e simbióticos produzem efeito benéfico. Embora não haja consenso entre 
recomendações de quantidade e tempo de suplementação (FERNANDES; RODRIGUES; 
SOUZA, 2021).
 
A acloridria no idoso pode reduzir a biodisponibilidade do cálcio dos alimentos. 
Sendo o cálcio um elemento fundamental na prevenção da osteoporose, deve-se ter 
especial atenção a ele nesta faixa etária (VITOLO, 2008). Contudo deve-se avaliar o 
aporte de cálcio da dieta, que na maioria dos casos é capaz de suprir as necessidades 
do idoso (1.000 a 1.200mg/d), suplementando somente se necessário (SOUZA, 2021). 
 
119
Tanto a acloridria orgânica por si só, quanto o uso crônico de medicamentos 
inibidores da bomba de prótons (omeprazol, esomeprazol, lansoprazol, pantoprazol, 
rabeprazol e dexlansoprazol) colocam os idosos como grupo de risco carência de Vitamina 
B12 (DAL BOSCO, 2015; SOUZA, 2021). A suplementação de Vitamina B12 deve ser feita 
com base nos exames bioquímicos do paciente, sendo que sua utilização na forma de 
comprimido sublingual pode ser uma alternativa de melhor absorção (SOUZA, 2021).
 
A sarcopenia, caracterizada pela perda de massa magra, é uma alteração 
extremamente prevalente em idosos que pode ser manejada por meio da suplementação 
nutricional. A suplementação de creatina, em doses de até 5g/d, pode ser benéfica para 
o ganho de massa magra e, ganho de função, desempenho e qualidade de vida. 
A suplementação diária de proteínas, por meio de Colágeno ou Whey protein, em doses 
de 15 a 20g, bem como a de 1g de Ômega-3, podem ser benéficas visando aumento da 
força muscular e função física de idosos (PERUCHI, 2017).
 
Idosos com queixas de empachamento, má digestão e desconforto pós-prandial 
podem beneficiar-se da suplementação de enzimas digestivas antes das principais 
refeições. As enzimas digestivas são classificadas de acordo com o tipo de alimento no 
qual atuam, sendo as mais comuns: as proteases, lipases, amilases e nucleares (SOUZA, 
2021). As enzimas digestivas ,podem ser encontradas em suplementos industrializados 
ou manipuladas em farmácias magistrais. Contudo ainda são necessários mais estudos 
para comprovar sua eficácia na dietoterapia do paciente idoso.
Não esqueça que a Nutrição, assim como as demais ciências da saúde, não 
é uma ciência fixa, sendo que novos conhecimentos surgem todos os dias. 
Por isso, é fundamental que você, acadêmico, mantenha-se constantemente 
atualizado através da leitura de novos livros e artigos científicos que versem 
sobre suplementos nutricionais.
ATENÇÃO
120
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
· As necessidades nutricionais maternas estão aumentadas durante a gestação e 
sintomas gastrointestinais característicos (náuseas, vômitos, pirose, saciedade 
precoce e constipação), podem prejudicar o consumo alimentar materno levando a 
necessidade de suplementar um ou mais nutrientes.
· Toda gestante, deve receber, de maneira profilática, suplementação com 40mg de 
ferro elementar e 400mcg de ácido fólico.
· A exceção da Vitamina A e Ferro, não há recomendações padronizadas de 
suplementação nutricional para a lactação no tocante aos demais nutrientes. Sendo 
assim o Nutricionista deve realizar a avaliação nutricional completa da paciente a fim 
de identificar carências nutricionais que não possam ser supridas por meio da dieta.
· Deve-se atentar ao consumo suplementos hipercalóricos multivitamínicos e 
xaropes polivitamínicos entre crianças e adolescentes, pois, embora abranjam uma 
ampla gama de vitaminas e minerais, são, em sua maioria, compostos por grandes 
quantidades de açúcares, flavorizantes, aromatizantes e/ou corantes artificiais.
· Avaliar possíveis carências nutricionais na dieta de crianças veganos ou vegetarias, 
principalmente em relação a necessidade de suplementação de ácidos graxos 
essenciais, ferro, zinco, cálcio e Vitaminas B12 e D.
· Um padrão alimentar saudável é capaz de suprir as necessidades nutricionais de um 
adulto. Contudo, em situações nas quais os requerimentos estejam aumentados – 
por exemplo na prática esportiva ou rotina de atividades diárias mais extenuantes 
– ou já existam deficiências nutricionais, a prescrição de suplementos pode se fazer 
necessária e deve ser individualmente analisada.
· Visando o manejo dietoterápico da sarcopenia do paciente idoso, suplementos de 
proteínas, Creatina e Ômega-3 podem apresentar resultados benéficos.
121
1 Condições clínicas, psicológicas e até mesmo sociais podem acarretar em redução 
do consumo alimentar na infância e adolescência. Por ser uma fase do ciclo da vida 
onde a demanda por nutrientes é aumentada, pode ser necessário o consumo de 
suplementos nutricionais a fim de evitar prejuízos no crescimento e desenvolvimento. 
Nesse contexto, dispomos de suplementos nutricionais hipercalóricos acrescidos 
de vitaminas e minerais e xaropes polivitamínicos desenvolvidos pela indústria 
especificamente para o público infantojuvenil. Disserte a cerca das características 
destes suplementos.
2 “Com o envelhecimento, há uma série de modificações fisiológicas em todo o 
organismo. Na musculatura esquelética, há uma mudança no padrão de fibras 
rápidas para fibras lentas, levando a uma perda de massa, força e qualidade muscular, 
o que faz com que, conforme o indivíduo envelheça, fique mais fraco e mais lento. 
Esta perda de massa e força muscular gera no idoso uma diminuição da mobilidade, 
aumento da incapacidade funcional e de sua dependência nas atividades, podendo 
levar até mesmo a consequências mais graves como quedas e fraturas. A este 
processo denominamos sarcopenia” (YANAGA, 2020). Disserte sobre os suplementos 
nutricionais que podem ser utilizados no manejo da sarcopenia do idoso. 
3 A suplementação de ferro e ácido fólico durante a gestação é recomendada como 
parte do cuidado no pré-natal para reduzir o risco de baixo peso ao nascer da criança, 
anemia e deficiência de ferro na gestante. No Brasil, são desenvolvidas ações de 
suplementaçãoprofilática com sulfato ferroso desde 2005, através do Programa 
Nacional de Suplementação de Ferro (PNSF). Acerca da suplementação nutricional 
de gestantes, de acordo com o PNSF, assinale a alternativa correta:
a) ( ) Suplementação de gestantes com diagnóstico de anemia com 40mg de ferro 
elementar por dia.
b) ( ) Suplementação de gestantes com diagnóstico de anemia com doses diárias de 
80mg de ferro elementar e 150mg de Vitamina C.
c) ( ) Suplementação profilática diária com 40mg de ferro elementar e 400mcg de 
ácido fólico.
d) ( ) Suplementação profilática diária com 80mg de ferro elementar, 400mcg de 
ácido fólico e 150mg de Vitamina C.
4 Quando a lactante apresenta carências nutricionais, ocorrem adaptações no seu 
organismo visando a manutenção da lactação, as quais conseguem manter a 
concentração dos macronutrientes principais contudo, alguns micronutrientes 
podem ter seus níveis afetados. Em relação a avaliação e manejo de carências de 
micronutrientes na lactação, analise as assertivas abaixo:
AUTOATIVIDADE
122
I- O conteúdo de Vitamina D no leite materno está diretamente relacionado ao estado 
nutricional materno desta, sendo que, quando há necessidade de suplementar esta 
vitamina, o Nutricionista não pode prescrever doses acima de 4.000UI/d
II- A suplementação de Ferro deve ser mantida, de maneira profilática, até o 3º mês 
após o parto, na dose de 40mg/dia.
III- Não se recomenda suplementação de DHA na lactação haja vista os altos estoques 
maternos deste nutriente em consequência de sua suplementação durante a 
gestação.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
5 Uma dieta nutricionalmente equilibrada, com fontes alimentares variadas, baseada 
em alimentos in natura e minimamente processados, é capaz de atender as 
necessidades nutricionais da maioria dos indivíduos adultos saudáveis. Contudo, 
características individuais que elevem os requerimentos nutricionais ou mesmo 
deficiências nutricionais pré existentes podem tornar a prescrição de suplementos 
necessária. Considerando as doses usualmente recomendadas para o manejo de 
carências nutricionais no adulto, assinale a alternativa correta:
a) ( ) A suplementação de Ferro é diferenciada entre os gêneros, sendo a dose usual 
recomendado de 2x 10mg/d para mulheres e 2x 15mg/d para homens.
b) ( ) No tratamento da deficiência de Vitamina B12, recomenda-se a dose de 25mcg/d.
c) ( ) A dose usual recomendada de Zinco é de 30mg/d.
d) ( ) Caso seja necessário suplementar, a dose usual recomendada de Vitamina D é 
de 2.000 a 4.000UI/d.
123
TÓPICO 3 - 
SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NAS 
DIVERSAS SITUAÇÕES CLÍNICAS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Caro Acadêmico(a), chegamos ao último tópico da Unidade 2 da Disciplina 
de Temas Contemporâneos em Nutrição! Até aqui, você já aprendeu os fundamentos 
da suplementação nutricional e sua aplicação nos diversos ciclos da vida e para dar 
continuidade ao seu estudo, neste tópico iremos aprender como aplicar a suplementação 
nutricional nas doenças crônicas não trasmissíveis. 
As doenças crônicas não trasmissíveis (DCNT) representam um problema de 
saúde pública no Brasil, dada sua magnitude, morbi mortalidade e impacto econômico. 
A dietoterapia vêm ganhando cada vez mais espaço no tratamento não medicamentoso 
das DCNT, dada sua importância tanto na gênese quanto no controle destas. 
Pesquisas recentes demonstram que alguns nutrientes e compostos bioativos 
apresentam benefícios no manejo dietoterápico das DCNT. Cabe destacar que os 
suplementos por si não são suficientes, devendo estar inseridos em um padrão 
alimentar adequado, que respeite as diretrizes dietoterápicas estabelecidas para a 
doença. Devemos também ter cautela com as promessas milagrosas veiculadas acerca 
de alguns suplementos, buscando sempre embasamento científico para a prescrição. 
Acadêmico, neste Tópico 3 abordaremos os suplementos nutricionais que 
apresentam potenciais benefícios para as principais DCNT, sendo elas, obesidade, 
dislipidemias, hipertensão e câncer.
2 SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NA OBESIDADE
 
A obesidade é um processo caracterizado pelo acúmulo de gordura corporal que 
afeta negativamente todos os sistemas do organismo e aumenta o risco de doenças 
crônicas não transmissíveis, como doenças cardiovasculares, distúrbio respiratórios, 
diabetes, osteoartrite e diversos tipos de cânceres (OLIVEIRA; SILVA, 2018; PUJOL 2019). 
O tratamento da obesidade é multifatorial sendo que, a abordagem nutricional exerce 
um papel de destaque (OLIVEIRA; SILVA, 2018).
124
Diversas estratégias, intervenções e terapias podem ser utilizadas no manejo 
nutricional do paciente obeso. Uma dessas estratégias é o uso de suplementos 
nutricionais com o objetivo de tratar e prevenir casos de obesidade, bem como reduzir o 
impacto das alterações metabólicas inerentes à patologia. A seguir, veremos nutrientes 
e compostos bioativos que vêm sendo estudados no manejo da obesidade.
O Cálcio têm sido estudado por seu possível efeito antiobesidade. Um dos 
possíveis mecanismos propostos para explicar o efeito do cálcio na perda de peso é 
que durante o processo digestivo, este mineral se ligue aos lipídios da dieta formando 
compostos insolúveis no intestino e é excretado pelas fezes. Parece também que Cálcio 
promove maior saciedade a curto prazo através da ação da insulina no hipotálamo, 
que estimula a produção de hormônios sacietogênicos, além de atuar na supressão do 
armazenamento de gordura enquanto estimula sua degradação (PUJOL, 2019).
A deficiência de Vitamina D é um achado frequente entre indivíduos obesos. 
Pacientes obesos tendem a apresentar uma resposta inferior frente à suplementação 
de Vitamina D, se comparados aos eutróficos. Por tanto, visando a manutenção de níveis 
de Vitamina D plasmática acima de 30ng/ml, recomenda-se a suplementação de 1.600 
a 4.000UI de Vitamina D (BASSATNE, 2019).
A obesidade provoca geração excessiva de espécies reativas de oxigênio (EROs) 
em decorrência do excesso de tecido adiposo. Sendo o cobre um componente das 
enzimas antioxidantes que atuam na proteção do organismo contra a ação dos radicais 
livres, seu consumo é fundamental na obesidade. Além disso, atua como um importante 
modificador do metabolismo lipídico corporal, pois os adipócitos requerem cobre para 
estabelecer um equilíbrio entre os principais combustíveis metabólicos. Na deficiência 
de Cobre, ocorre uma alteração metabólica para vias dependentes de lipídios, o que 
resulta em hipertrofia de adipócitos e acúmulo de gordura (PUJOL, 2019). A dosagem 
usualmente prescrita deste nutriente varia entre 450 a 1.000mcg 2x/d (SOUZA, 2021).
O cromo é um oligoelemento conhecido por sua ação na modulação do estresse 
oxidativo e da inflamação e por seu papel essencial no metabolismo de carboidratos, 
potencializando a ação da insulina. Em função de suas ações, demonstra-se como 
uma opção interessante no tratamento da obesidade, com resultados na melhora da 
sensibilidade à insulina no aumento da massa magra, na diminuição da gordura corporal 
e no controle da saciedade. A dose usualmente prescrita de Cromo é 200mcg/d (PUJOL, 
2019; SOUZA, 2021).
Assim como o cromo e o cobre, o magnésio também está envolvido no 
metabolismo energético e modulação da secreção e a ação da insulina nos tecidos-alvo. 
Sua deficiência colabora para o desenvolvimento do estresse oxidativo em indivíduos 
obesos e parece estar associada à hiperglicemia, hiperinsulinemia e resistência à 
insulina (PUJOL, 2019; SOUZA, 2021).
 
125
O resveratrol possui propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, com ação 
na resistência à insulina e estímulo mitocondrial, razão pela qual tem sido estudado para 
o manejo da obesidade (SOUZA, 2021). Um estudo de revisão sistemática com meta-
análise de 36 artigos observouque a suplementação de resveratrol se mostrou efetiva 
na redução de peso, índice de massa corporal (IMC), circunferência da cintura e gordura 
corporal, além de promover aumento de massa magra. O protocolo de suplementação 
utilizado nestes estudos variou amplamente – de 8 a 3.000mg/d, por um período de 
uma até 48 semanas. Contudo, os melhores resultados de perda de peso parecem ser 
observados em doses de até 200mg/d por 17 ou mais semanas (TRABIZI, 2020).
O ácido lipóico ou alfa-lipoico é produzido em pequenas quantidades no 
corpo humano. Desempenha papel no metabolismo energético, além de ações anti-
inflamatória e antioxidante. Tendo em vista que, no geral, a produção endógena de 
ácido lipóico é baixa e as fontes alimentares apresentam baixa biodisponibilidade, a 
suplementação pode ser necessária. De fato, a suplementação em doses de 800 a 
1.800mg/dia de ácido lipóico parece ser efetiva para a perda de peso, redução do IMC e 
de marcadores inflamatórios em indivíduos obesos (ABDALI; SAMSON; GROVER, 2015).
A suplementação de cafeína, muito utilizada no esporte, pode ter aplicação 
voltada também a obesidade. A cafeína estimula a lipólise por inibir a fosfodiesterase 
e aumentar catecolaminas. Além disso, o consumo de cafeína promove resposta 
estimulante, termogênica, sacietogênica e de diminuição da fome, contribuindo 
para a perda de peso e de gordura corporal (PUJOL, 2019; SOUZA, 2021). A dosagem 
usualmente prescrita de cafeína varia de 3 a 6mg/kg/dia (SOUZA, 2021).
 
Evidências recentes afirmam que a microbiota intestinal também é um fator 
contribuinte para o desenvolvimento da obesidade, uma vez que esta é capaz de 
modular o metabolismo do hospedeiro afetando não apenas o balanço energético, mas 
também a inflamação sistêmica crônica de baixo grau e a função da barreira intestinal. 
A suplementação de probióticos parece alterar a microbiota intestinal, diminuindo a 
permeabilidade intestinal, inflamação e distúrbios metabólicos, criando um ambiente 
promissor para a perda de peso. Embora não haja consenso em relação as cepas e 
doses, estudos demonstram efeitos positivos para a suplementação isolada ou em 
combinação das seguintes cepas: Lactobacillus acidophilus, Lactobacillus gasseri, 
Lactobacillus rhamnosu, Lactobacillus casei, Lactococcus lactis, Bifidobacterium 
bifidum, Bifidobacterium lactis, Lactobacillus curvatus e Lactobacillus plantarum. As 
doses suplementadas variam de 106 a 1010 Unidades Formadoras de Colônia (UFC) 
(MARQUES, 2020).
 
As recomendações nutricionais clássicas para o manejo da obesidade baseiam-
se em restrição calórica. Tendo em vista que em dietas hipocalóricas pode haver 
insuficiência de alguns micronutrientes é importante que o profissional Nutricionista 
fique atento a necessidade fornece-los via suplementação, minimizando o risco de 
deficiências nutricionais. 
126
3 SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NO DIABETES TIPO II
 
A suplementação nutricional de micronutrientes e compostos bioativos 
surge como uma estratégia complementar ao tratamento medicamentoso, já bem 
consolidados na literatura, para pacientes com diabetes tipo 2 (DM2). O intuito da 
utilização dos suplementos é que estes auxiliem a melhorar os parâmetros clínicos e 
metabólicos do paciente, além de auxiliar na prevenção e manejo das complicações 
decorrentes do diabetes descompensado.
 
Assim como no tocante à obesidade, estudos recentes tem apontado associações 
entre a microbiota intestinal e a diabetes tipo 2 (DM2). Uma vez que a microbiota 
tem o papel de manter a integridade da barreira intestinal, levando à normalidade da 
homeostase metabólica, sua modificação através do uso de probióticos pode contribuir 
para o tratamento da DM2. A suplementação de probióticos em indivíduos diabéticos 
auxilia na redução da glicemia de jejum, da hemoglobina glicada, da frutosamina e 
da resistência à insulina, e na melhora do perfil lipídico, diminuindo os níveis séricos 
de colesterol total e de LDL-C e aumentando o de HDL-C . As cepas envolvidas na 
suplementação são: Lactobacillus acidophilus, Lactobacillus helveticus, Lactobacillus 
rhamnosu, Bifidobacterium lactis. As doses suplementadas variam de 106 a 109 Unidades 
Formadoras de Colônia (UFC), por períodos de 4 a 12 semanas (BEZERRA, 2016).
 
Pacientes diabéticos tratados com metformina podem apresentar menores 
níveis de vitamina B12 e ácido fólico e elevados níveis de homocisteína. Esta baixa dos 
níveis de vitamina B12 se manifesta como neuropatia periférica, disfunção cognitiva e 
anemia macrocítica. Níveis elevados de homocisteína apresentam potencial prognóstico 
de doença cardiovascular em pacientes diabéticos, bem como, um determinante de 
complicações como microalbuminúria e retinopatia diabética. Dessa forma, tem se 
defendido a suplementação de 300mcg de Vitamina B12 no tratamento de desordens 
neurológicas, decorrentes do diabetes (PUJOL, 2019).
 
Conforme apontado anteriormente, o cromo apresenta papel no metabolismo 
de carboidratos e ação da insulina, razão pela qual também pode ser benéfico no 
manejo da diabetes. Postula-se que o cromo atua aumentando o número de receptores 
de insulina e na ligação da ao seu sítio de ação. Contudo, estudos sugerem que os 
pacientes com DM2 apresentam alterações no metabolismo do cromo, devido ao 
aumento da sua excreção, resultando no desequilíbrio da homeostase glicose/insulina. 
A suplementação com doses de 200 a 1000μg/dia de cromo pode auxiliar na redução 
da glicose de jejum, glicose pós-prandial, hemoglobina glicada, triglicerídeos e HDL em 
pacientes com DM2 (SUKSOMBOON; POOLSUP; YUWANAKORN, 2014; PUJOL, 2019).
 
Baixos níveis de riboflavina podem contribuir para o aumento do estresse 
oxidativo, particularmente em pacientes diabéticos. A vitamina B2 pode ser um 
antioxidante potencialmente útil, pois estimula a atividade da síntese de metionina 
e a reação direta com as Espécies Reativas de Oxigênio, sendo que, através de um 
efeito poupador de glutationa, modifica as moléculas e diminui o estresse oxidativo. 
127
Pacientes diabéticos com baixo nível de vitamina B2 têm níveis significativamente mais 
elevados de glicemia e inflamação, e muito menor atividade de enzimas antioxidantes 
do que aqueles com maior nível de vitamina B2. Ou seja, ela desempenha um papel 
dominante na utilização dos carboidratos, e um menor nível de riboflavina pode causar 
hiperglicemia, razão pela qual deve-se atentar a necessidade de suplementação caso o 
paciente apresente carência (PUJOL, 2019). 
 
O resveratrol tem sido investigado como um adjuvante no tratamento da 
DM2 pois, em virtude de seu efeito antioxidante, é capaz de modular fatores-chave 
envolvidos no estresse oxidativo. A suplementação de resveratrol demonstra melhora 
da sensibilidade a insulina e redução dos níveis de glicose sanguínea, contudo as 
doses estudadas ainda variam muito, de 5mg a 1g/dia (LIMA, 2020).
 
O zinco é um dos nutrientes mais importantes do corpo humano pois participa 
como cofator de mais de 300 enzimas, apresenta atividade antioxidante e funções 
relacionadas ao metabolismo energético e crescimento. Atua também no controle 
glicêmico, aumentando a secreção, estabilização e sinalização da insulina. Contudo, é 
comum que pacientes diabéticos apresentem baixa concentração de zinco nos tecidos, 
devido à absorção defeituosa e ao aumento da perda, concomitante com o desequilíbrio 
do metabolismo do zinco. A suplementação de zinco em doses de 10 a 20mg/dia parece 
auxiliar no melhor controle da glicêmico da DM2 (PUJOL, 2019; SOUZA, 2021).
4 SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NA DISLIPIDEMIA
 
O objetivo dietoterápico nas dislipidemias envolve o controle dos níveis alterados 
de lípidios e lipoproteínas plasmáticas, redução de peso e aumento do consumo de 
fibras e gorduras poli e monoinsaturadas (OLIVEIRA; SILVA, 2018). Neste sentido, a 
suplementação de nutrientes antioxidantes e compostos bioativos vem sendo estudada 
como uma estratégia auxiliar no manejodas dislipidemias.
 
Os ácidos graxos ômega-3, EPA e DHA, exercem diversos efeitos metabólicos, 
entre eles redução dos triglicerídeos plasmáticos e da inflamação na parede arterial, que 
atuam na redução da chance de desenvolvimento de eventos cardiovasculares (DAL 
BOSCO, 2015; OLIVEIRA; SILVA, 2018; TORRES, 2015). A suplementação de ômega-3 é 
indicada para pacientes que apresentem:
• Hipertrigliceridemia grave (triglicerídeos ≥ 500mg/dl): dose 2 a 4g/d de EPA e DHA.
• Hipertrigliceridemia leve a moderada (triglicerídeos entre 150 e 499mg/dL): dose de 
1 a 5g/d de EPA e DHA (OLIVEIRA; SILVA, 2018; SOUZA, 2021).
 
O adequado consumo de fibras é fundamental para pacientes com dislipidemia, 
principalmente fibras solúveis, em virtude de seu efeito benéfico sobre os níveis 
séricos de colesterol (OLIVEIRA; SILVA, 2018). Este efeito benéfico possivelmente está 
128
relacionado a: absorção intestinal do colesterol dietético pela viscosidade natural da fibra 
solúvel; ao aumento da excreção fecal dos ácidos biliares, levando o fígado a degradar 
mais colesterol para produzir novos ácidos biliares; a redução das taxas de aumento 
da insulina pela redução de absorção de carboidratos, retardando, assim a síntese de 
colesterol; e a produção de ácidos graxos de cadeia curta pela fermentação das fibras 
solúveis no cólon, o que inibe a síntese de colesterol e aumenta a depuração de LDL 
(DAL BOSCO, 2015). Recomenda-se a ingestão de 25g/dia, sendo 6g do tipo solúvel 
(OLIVEIRA; SILVA, 2018). Quando não for possível atingir tal recomendação através da 
alimentação, deve-se considerar os suplementos de fibras.
 
Os fitoesteróis são substâncias encontradas apenas em alimentos de origem 
vegetal e desempenham em humanos funções estruturais análogas ao colesterol, 
por isso, podem ter papel na redução dos níveis de colesterol total e LDL (DAL BOSCO, 
2015; PUJOL, 2019). Recomenda-se a ingestão de 2 a 4g/dia de fitoesterois como 
adjuvante ao tratamento hipolipemiante (TORRES, 2015; DAL BOSCO, 2015). Visto que 
uma dieta balanceada não é capaz de atingir tal recomendação e que os alimentos 
fortificados com este composto usualmente são ultraprocessados deletérios a saúde 
(exemplo: margarina, bebidas lácteas, maionese, molho para salada), a suplementação 
de fitoesteróis pode ser uma alternativa superior. 
 
Os polifenóis ganharam ampla atenção nos últimos anos devido às suas 
atividades antioxidantes, anti-inflamatórias, imunomoduladoras, as quais podem atuar 
em benefício de pacientes com dislipidemias. O resveratrol também têm sido estudado 
na prevenção de doenças cardiovasculares, entre elas a aterosclerose. A suplementação 
de 150 a 1000mg/dia auxilia na redução do LDL e de triglicerídeos (TORRES, 2015; 
FELDMAN, 2021). Da mesma forma, a suplementação de catequina, na dose de 220mg/
dia impacta na redução do colesterol total, do LDL e de triglicerídeos, com efeito também 
no aumento do HDL (FELDMAN, 2021).
 
Observa-se forte associação negativa entre a ingestão dietética de zinco 
e a incidência de alterações nos parâmetros lipídicos plasmáticos, sendo a sua 
suplementação potencialmente benéfica. A suplementação de zinco, em doses de 20 a 
150mg/dia, impacta na redução do colesterol total, o colesterol LDL e os triglicerídeos, 
além de elevar os níveis de HDL (RANASINGHE, 2015).
5 SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NA HIPERTENSÃO
 
A dietoterapia já está bem consolidada como parte do tratamento não 
farmacológico para prevenção e controle da hipertensão arterial sistêmica (HAS). 
Pauta-se na redução do consumo de sódio e manutenção de um peso saudável ou 
redução de peso quando necessário (DAL BOSCO, 2015). Estudos recentes apontam 
que a suplementação de alguns micronutrientes e compostos bioativos pode auxiliar no 
controle pressórico, conforme veremos a seguir.
129
Depois do sódio, o potássio é o mineral mais importante na modulação da 
pressão arterial. O potássio induz queda da pressão arterial através do aumento da 
natriurese, diminuição da secreção de renina e norepinefrina e aumento da secreção 
de prostaglandinas. Recomenda-se a ingestão de 4,7g de potássio ao dia (DAL BOSCO, 
2015; BORGHI; CICERO, 2017). A suplementação deste micronutriente tem mostrado 
promover redução modesta na pressão arterial em indivíduos hipertensos (TORRES, 
2015), devendo ser considerado em conjunto com a dieta.
 
A suplementação de EPA e DHA em doses acima de 2g/dia parece reduzir os 
níveis pressóricos (OLIVEIRA; SILVA, 2018). Altas doses de resveratrol, a partir de 150mg/
dia também são capazes de induzir redução da pressão arterial, embora doses menores 
não apresentem qualquer efeito (TORRES, 2015; BORGHI; CICERO, 2017).
 
A Coenzima Q10 (CoQ10) é um potente antioxidante, capaz de eliminar de 
radicais livres, reduzir o estresse oxidativo, regenerar outras vitaminas e antioxidantes, 
reduzir a oxidação da lipoproteína de baixa densidade, além de ser cofator e coenzima 
na fosforilação oxidativa mitocondrial, que reduz a pressão arterial. A suplementação 
com doses de CoQ10 acima de 100mg/dia auxilia no melhor controle pressórico de 
pacientes hipertensos (BORGHI; CICERO, 2017).
 
A deficiência de vitamina C têm sido reconhecida como fator de risco para 
hipertensão, sendo que, de fato indivíduos hipertensos apresentam níveis plasmáticos 
de vitamina C mais baixos do que os indivíduos normotensos. A suplementação de 
vitamina C em dosagens de 500 a 1.000mg/dia são bem toleradas e melhoram o 
controle pressórico (CICERO, 2017).
 
Embora cálcio e magnésio estejam envolvidos nos mecanismos fisiológicos 
que regulam a pressão arterial, não há evidências científicas atualmente que suportem 
a suplementação destes micronutrientes (DAL BOSCO, 2015; BORGHI; CICERO, 2017; 
OLIVEIRA; SILVA, 2018). 
6 SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL NO CÂNCER 
 
O impacto do câncer na nutrição do paciente já vem sendo amplamente 
discutido nas últimas décadas. Sabe-se que, alterações fisiológicas e orgânicas próprias 
da doença e de seu tratamento impactam nas necessidades nutricionais e consumo 
alimentar do paciente, com prejuízos não só ao seu estado nutricional como também 
ao estado global de saúde, resposta ao tratamento e qualidade de vida. Neste sentido, 
suplementos nutricionais podem ser utilizados junto a dietoterapia convencional com 
o intuito de complementar a dieta do paciente, previnir ou tratar a perda de peso e até 
mesmo melhorar sua imunidade.
 
130
O consumo de nutrientes imunomoduladores tem demonstrado benefícios no 
manejo de pacientes oncológicos, auxiliando na redução dos distúrbios metabólicos 
e inflamatórios da doença (DAL BOSCO, 2015). Os nutrientes imunomoduladores 
mais estudados, sozinhos ou em combinação, são: ômega-3, arginina, glutamina e 
nucleotídeos (INCA, 2016). A suplementação com ômega-3 auxilia na estabilização de 
peso de pacientes oncológicos que apresentam perda progressiva, melhora do apetite 
e consumo alimentar, melhora da imunidade (OLIVEIRA; SILVA, 2018). As doses diária 
indicadas são de 1,5 a 3g de EPA e 1,2 a 2g de DHA (GARÓFOLO, 2012). A suplementação 
de glutamina e de arginina podem ser benéficas em melhorar a resposta imunológica 
de pacientes cirúrgicos (OLIVEIRA; SILVA, 2018). Doses seguras de glutamina não 
ultrapassam 0,65g/kg/dia enquanto que a arginina pode ser suplementada em dosagem 
de 8,5 a 17g/dia (GARÓFOLO, 2012).
 
Suplementos hipercalóricos são indicados na complementação da dieta de 
pacientes oncológicos que apresentam anorexia e/ou baixa ingestão alimentar a 70% 
das necessidades, (DAL BOSCO, 2015; INCA, 2015; OLIVEIRA; SILVA, 2018). No geral, 
estes suplementos são acrescidos também de vitaminas e minerais, apresentados na 
forma de pó ou líquido. Algumas versões contem quantidades significativas de proteínas, 
sendo intitulados como hiperproteícos. As versões em pó podem ser com ou sem sabor, 
sendo utilizadas diluídas em água, sucos, chás, vitaminas, entre outros. Já as versões 
líquidas são comercializadasem sabores variadas, já prontas para consumo. 
 
Recentemente a indústria desenvolveu suplementos hipercalóricos específicos 
para pacientes oncológicos, com alegações voltadas ao controle da perda de peso, 
caquexia, melhora da imunidade e/ou recuperação pós operatória. Estes suplementos, 
além da composição padrão, podem conter nutrientes os imunomoduladores 
supracitados. Alguns destes apresentam-se em formulações concentradas de até 
125ml, visando a melhor aceitação do paciente em virtude da saciedade precoce 
característica da doença. O Instituto Nacional do Câncer defende o uso de suplementos 
imunomoduladores, contendo arginina, nucleotídeos e ômega-3 no perioperatório 
de pacientes submetidos à cirurgia oncológica, independentemente de seu estado 
nutricional, e contraindica seu uso na sepse (INCA, 2016). 
 
Recomenda-se que pacientes oncológicos tenham um aporte de micronutrientes 
de até duas vezes a RDA (INCA, 2015). Por essa razão, é importante avaliar o consumo 
alimentar do paciente, suplementando aqueles nutrientes que não forem atingidos 
através da dieta convencional. 
 
Além disso, a demanda proteíca destes pacientes é aumentada, podendo chegar 
a 2,5g/kg/dia conforme recomendações do Instituto Nacional do Câncer (INCA, 2016). 
Para àqueles que apresentem baixa aceitação alimentar ou sintomas que atrapalham 
o consumo de alimentos fonte de proteína (como disgeusia), pode ser necessária a 
complementação individualizada da dieta com módulos proteícos. 
 
131
A utilização de nutrientes antioxidantes têm sido estudada em pacientes com 
câncer, primeiramente como potenciais agentes anticancerígenos para melhorar os 
desfechos e, em segundo lugar, para reduzir o estresse oxidativo resultante do tratamento 
quimio e radioterápico, reduzindo assim sua toxicidade limitante. A suplementação 
de 500mg/d de selênio em pacientes submetidos a radioterapia auxilia no controle 
da diarreia, ao passo que, doses de 200mg/d reduzem a toxicidade hematológica de 
pacientes em tratamento quimioterápico. Para pacientes com câncer de cabeça e 
pescoço em radioterapia, a suplementação de 260 a 400mg de Vitamina E é capaz 
de reduzir efeitos adversos, especialmente mucosite, enquanto que em doses de 400 
a 600mg/dia parece reduzir a neuropatia consequente do tratamento quimioterápico. 
A suplementação de Vitamina C parece não apresentar benefícios para o paciente 
oncológico (HARVIE, 2014).
Para saber mais sobre a dietoterapia para pacientes oncológicos, acesse 
os Consensos Nacionais de Nutrição Oncológica, publicados pelo Instituto 
Nacional de Câncer. Eles se encontram disponíveis em: https://www.inca.
gov.br/publicacoes/livros/consenso-nacional-de-nutricao-oncologica
DICA
132
SUPLEMENTAÇÃO E ALIMENTAÇÃO ADEQUADA NO CONTEXTO ATUAL DA 
PANDEMIA CAUSADA PELA COVID-19
Bárbara Paixão de Gois, 
Araída Dias Pereira, 
Karem Lays Soares Lopes, 
Flávia Campos Corgosinho
RESUMO: O surto do coronavírus foi classificado pela Organização Mundial da Saúde, 
como pandemia. Desde então, o assunto vem sendo abordado de forma exaustiva nas 
redes sociais e veículos de comunicação em massa. A importância de uma alimentação 
balanceada e rica em nutrientes, além de enfatizar que não existem superalimentos, 
fórmulas, “shots”, sucos ou soroterapias por infusão endovenosa de nutrientes, que sejam 
indicados para prevenir ou até mesmo tratar pessoas contaminadas pelo coronavírus, 
precisa ser reforçada. Esse artigo tem como objetivo informar os profissionais da saúde 
e população em geral, acerca do papel da alimentação e da real necessidade do uso de 
suplementos alimentares nesse contexto. As informações utilizadas basearam-se nos 
conhecimentos já consolidados na literatura sobre nutrição, e em documentos científicos 
e oficiais até então divulgados. Alguns nutrientes como Vitamina A, D, C, Complexo B, 
Ferro, Zinco e Selênio podem atuar de maneira positiva no sistema imunológico, no 
entanto, uma alimentação balanceada é capaz de fornecer esses nutrientes. Já o uso 
de suplementação para melhora da imunidade na prevenção e tratamento da COVID-19 
não tem respaldo cientifico até o momento. 
Palavras-chave: COVID-19, Alimentação saudável, Imunidade.
INTRODUÇÃO
 
O surto do coronavírus (SARS-CoV-2) foi classificado pela Organização Mundial 
da Saúde (OMS), como pandemia. Desde então, o assunto vem sendo abordado de forma 
exaustiva nas redes sociais e veículos de comunicação em massa. No que diz respeito 
a nutrição, as informações que objetivam orientar a população sobre o consumo de 
suplementos e alimentos no combate ou prevenção da doença, tem ganhado muita 
repercussão (CFN, 2020). 
Em nota oficial em sua página, o Conselho Federal de Nutricionistas alertou 
a população e os profissionais da área a não acreditarem em notícias divulgadas em 
meios não oficiais. Reforçou também, a importância de uma alimentação balanceada e 
LEITURA
COMPLEMENTAR
133
rica em nutrientes, além de enfatizar que não existem superalimentos, fórmulas, “shots”, 
sucos ou soroterapias por infusão endovenosa de nutrientes, que sejam indicados para 
prevenir ou até mesmo tratar pessoas contaminadas pelo vírus (CFN, 2020).
Em 20 de março de 2020, foi declarado pelo Ministério da Saúde a transmissão 
comunitária da COVID-19 em todo o Brasil. A partir desse dia, a preocupação em conter 
a disseminação do vírus e em proteger especialmente os grupos de risco foi acentuada, 
e as campanhas de conscientização intensificadas. Os últimos dados divulgados pela 
Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS,2020), mostraram que cerca de 81% 
dos casos da COVID-19 progridem para leve ou moderado, 14% para grave e apenas 5% 
para crítico, sendo que os idosos, pessoas com Doenças Crônicas não Transmissíveis 
(DCNTs), doenças pulmonares e câncer, também, parecem desenvolver doenças graves 
mais frequentemente que os outros (ZHOU et al., 2020;WANG et al., 2020;OPAS, 2020).
A melhor forma de prevenir o contágio é a quarentena, quando possível. Também 
é muito importante a higienização das mãos, que se cubra o nariz e a boca ao espirrar 
ou tossir, que se evite aglomerações, que os ambientes estejam sempre ventilados e 
que os objetos pessoais não sejam compartilhados. Não há qualquer comprovação 
cientifica a respeito do uso de alimentos ou suplementes alimentares para prevenção 
(BRASIL, 2020; WATKINS, 2020).
Por se tratar de um tipo de coronavírus, as pesquisas tem sido direcionadas 
com base nas experiências com a Síndrome Respiratória Aguda (SARS) e a Síndrome 
Respiratória do Oriente Médio (MERS) que também são causadas por outros tipos 
de coronavírus, para tentar entender como o sistema imunológico responde ao 
mesmo, já que podem se passar meses ou até mesmo anos, até que se consiga 
decifrar todas as nuances do recém descoberto SARS-CoV-2, causador da COVID-19 
(PROMPETCHARA; KETLOY; PALAGA, 2020). 
Nesse sentido, esse artigo tem como objetivo informar os profissionais 
da saúde e população em geral, a cerca do papel da alimentação e da real 
necessidade do uso de suplementos alimentares, no contexto atual da COVID-19. 
As informações aqui disponibilizadas baseiam-se nos conhecimentos já consolidados 
na literatura sobre nutrição, e em alguns documentos científicos e oficiais divulgados, 
desde o início da pandemia pelos órgãos governamentais e revistas científicas.
BENEFÍCIOS DA ALIMENTAÇÃO EQUILIBRADA
Nutrir-se vai muito além da prática de satisfazer a fome. A nutrição é um 
componente crucial do desenvolvimento e da saúde humana. Sabe-se que uma 
alimentação equilibrada e saudável está relacionada, dentre outras coisas, a concepção, 
a gestação, a recuperação no puerpério e ao aleitamento materno apropriado. Além 
disso, está envolvida com o crescimento adequado na infância, melhor resposta 
134
imune, menor risco dedesenvolvimento de doenças, e a uma expectativa de vida maior. 
Deste modo, uma dieta saudável e equilibrada é capaz de promover a saúde, bem como 
prevenir doenças (BARTRINA et al., 2006;WHO, 2018).
A alimentação deve ser variada e composta por alimentos de boa qualidade 
nutricional. A quantidade deve ser adequada, uma vez que tanto a sub quanto a 
hiper nutrição, são igualmente prejudiciais. No que diz respeito à população brasileira, é 
recomendado que a dieta seja composta em sua maioria, por alimentos in natura ou 
minimamente processados (ABARCA-GÓMEZ et al., 2017; BRASIL, 2014).
Os processados devem ser consumidos de maneira limitada, e os 
ultraprocessados sempre que possível, evitados. Recomenda-se ainda, que o consumo 
de sal, açucares e gorduras seja feito em pequenas quantidades, sendo que estes estão 
intimamente relacionados com o surgimento de doenças, se o uso for indiscriminado. 
Quando tais recomendações são praticadas, o organismo mantém boas condições de 
saúde (BRASIL, 2014; ABARCA-GÓMEZ et al., 2017; WHO, 2018).
Em contrapartida, uma alimentação desequilibrada, quanti e qualitativamente 
pode gerar uma série de consequências. Há muito é consolidado na ciência que 
a alimentação é capaz de impulsionar ou reduzir as chances do desenvolvimento 
de doenças, especialmente das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs). 
As DCNTs são um grupo de enfermidades que incluem obesidade, doenças 
cardiovasculares, diabetes, hipertensão arterial, câncer e algumas enfermidades 
pulmonares, estas diminuem a qualidade e expectativa de vida (ABARCA-GÓMEZ et al., 
2017). O desenvolvimento e agravo de DCNTs está diretamente relacionado a hábitos 
alimentares ruins e seu tratamento inclui a mudança de comportamento. Destaca-se 
ainda, o fato de que pacientes portadores de DCNTs estão mais suscetíveis a ação de 
doenças oportunistas, como algumas doenças virais e bacterianas. Neste sentido, 
essas pessoas compõem o grupo de risco de indivíduos que estão mais vulneráveis à 
ação de doenças como a COVID-19 (GASMI, et al., 2020; CDC, 2020).
Nesta perspectiva, é de suma importância ressaltar que a alimentação tem papel 
fundamental na condição de saúde dos indivíduos, sendo capaz de potencializar a 
ação do sistema imune. Deve-se destacar ainda, que a alimentação saudável se baseia 
na diversidade de consumo de alimentos de boa qualidade e em quantidades 
adequadas, e deve ser praticada continuamente para potencializar seus benefícios, 
não sendo a alimentação por si só uma garantia de que indivíduos se tornem imunes 
a COVID-19 (GASMI, et al., 2020).
ALIMENTAÇÃO E IMUNIDADE
Muitos são os fatores que podem influenciar na nossa imunidade como sono, 
atividade física, fatores emocionais e a alimentação (LASSELIN; ALVAREZ-SALAS; 
GRIGOLEIT, 2016).
135
A energia e os nutrientes obtidos por meio dos alimentos desempenham um 
papel importante no desenvolvimento e preservação do sistema imunológico, portanto, 
qualquer desequilíbrio nutricional afeta sua competência e integridade (LÓPEZ; 
BERMEJO, 2017). Entretanto, não existe um superalimento ou fórmula nutricional, 
com comprovação científica, capaz de impedir as contaminações virais (CFN, 2020). 
Alguns nutrientes como Vitamina A, C, Ferro, Zinco e Selênio podem atuar 
de maneira positiva no sistema imunológico. Em condições fisiológicas normais, é 
possível atingir as necessidades diárias desses micronutrientes (MAGGINI et al., 
2018; CFN, 2020).
A vitamina A ajuda a manter a integridade estrutural e funcional das células 
da pele, do trato respiratório e outros. Além disso, é importante para o bom 
funcionamento das células do sistema imune. Alimentos de origem animal (retinol) 
e vegetais alaranjados e verde-escuros (pró-vitamina A) são ricos na mesma 
(Tabela 1) (MAGGINI et al., 2018).
A vitamina C, dentre as suas diversas funções, atua como um importante 
antioxidante, pode aumentar o número de anticorpos e age na diferenciação e 
proliferação de células do sistema imune (CARR; MAGGINI, 2017). As frutas cítricas 
são as principais fontes dessa vitamina (Tabela 1).
Dentre as várias funções do ferro, ele é essencial para diferenciação 
e crescimento celular e componente de enzimas críticas para o funcionamento das 
células imunes (MAGGINI et al., 2018). Os alimentos de origem animal (ferro heme e não-
heme) e de origem vegetal (ferro não heme) são fontes de ferro (Tabela 1).
O zinco é um importante antioxidante e exerce um papel central no crescimento 
celular e diferenciação de células imunes que apresentam rápida diferenciação e 
renovação (MAGGINI et al., 2018). O zinco pode ser encontrado em alimentos de 
origem animal, nas castanhas e sementes (Tabela 1).
O selênio atua auxiliando na regulação do sistema imunológico (MAGGINI et al., 
2018). A principal fonte de selênio é a castanha-do-Brasil, apenas 1 unidade é capaz de 
fornecer 100% das recomendações diárias desse micronutriente (Tabela 1).
SUPLEMENTAÇÃO, QUANDO É NECESSÁRIA?
Os suplementos alimentares englobam plantas e suas partes, vitaminas, 
minerais, aminoácidos e diversos ingredientes que podem conter princípios bioativos 
essenciais ou não, que trazem benefícios a saúde.
136
Entretanto, é preciso entender que eles não agem como pílulas mágicas, 
neutralizando maus hábitos de vida e melhorando instantaneamente a saúde de quem 
os consome. É necessário que se tenha um estilo de vida saudável, com uma dieta 
balanceada, prática de atividade física e bons hábitos relacionados a saúde como 
um todo (KHAN et al., 2020).
Com objetivo de melhorar a imunidade, e consequentemente, minimizar os 
efeitos do coronavírus no organismo, a ideia de fazer uso de suplementos alimentares 
vem sendo amplamente divulgada nas redes sociais e veículos de massa, em sua 
maioria por pessoas leigas e sem nenhum embasamento científico (CFN, 2020).
De fato, é sabido que com o avançar da idade, o sistema imunológico 
passa por várias mudanças, e que algumas substâncias, como os microrganismos 
vivos conhecidos como probióticos, podem ser utilizados para melhorar a imunidade. 
Finamore et al. (2019), em um estudo randomizado, duplo-cego, controlado por 
placebo, suplementaram um grupo de 98 adultos com mais de 70 anos por 30 dias, 
com uma mistura de duas cepas de probióticos. Os resultados mostraram que 
a suplementação foi capaz de melhorar a resposta imune inata e adaptativa dos 
idosos suplementados.
Além disso, já é consenso que a ingestão de alimentos e ou suplementação que 
contém probióticos, prebióticos e simbióticos favorecem a preservação da microbiota 
presente no trato gastrointestinal e essa, exerce um papel importante agindo 
com barreira fisiológica. A colonização de microrganismos benéficos a saúde no 
intestino auxilia a resposta imune, sendo a alimentação equilibrada a melhor forma 
de fazer essa colonização, e assim, prevenir doenças. Produtos lácteos, iogurtes 
137
e lácteos fermentados são boas fontes de probióticos, já os prebióticos podem ser 
encontrados em frutas, legumes, condimentos e verduras, como banana, cebola, alho, 
chicória, tomate, dentre outros (PERBELIN et al., 2019).
Para fins de tratamento de pessoas já acometidas pela COVID-19 e que estão 
sob cuidados de profissionais da saúde como médicos e nutricionistas, um manejo 
nutricional com a tentativa de fortalecer o sistema imune e, ajudar o corpo a combater a 
ação do vírus, pode ser adotado. Com base na experiência adquirida com os coronavírus 
causadores da Síndrome Respiratória Aguda (SARS) e a Síndrome Respiratóriana alimentação e nutrição 
dos indivíduos, precisamos primeiramente abordar as mudanças processadas no 
modo de vida do homem e na organização da sociedade nas últimas décadas. O 
século XXI está sendo marcado por forte avanço científico, econômico e tecnológico 
que repercute em modificações significativas no mercado de trabalho, no ensino, nas 
relações interpessoais, nos sistemas de comunicação, entre outros.
A feminização da sociedade observada a partir dos movimentos sociais, 
principalmente o movimento feminista, das décadas de 1960 e 1970, e o fortalecimento 
da mulher no mundo do trabalho a partir dos anos de 1980, influenciaram na estrutura 
e nas relações familiares e sociais (FONSECA, 2011; HINTZ, 2001). A despeito dos 
avanços alcançados em relação à equidade de gênero, conquista de direitos civis 
básicos e independência financeira, a mulher ainda acumula, majoritariamente, as 
responsabilidades pelas tarefas domésticas.
Outro aspecto característico da sociedade contemporânea se dá na reorganização 
das relações familiares, antes hierárquicas foram se estruturando como uma família 
onde os conceitos de igualdade passaram a predominar. Assim abre-se a possibilidade 
de diálogo entre as gerações, de forma que filhos passam, não só a ser considerados 
como também consultados, nas decisões familiares. Observa-se, ademais, modificações 
relativas ao número de membros pertencentes ao sistema familiar, pois de uma família 
extensa (pais, filhos, parentes e empregados) passa-se a conviver uma família nuclear 
(pais e filhos). Tal conformação diminui a rede de apoio da família extensa, impactando em 
questões estruturais, emocionais e culturais (HINTZ, 2001).
O desenvolvimento de novas técnicas e tecnologias de comunicação provocaram 
mudanças nos modos de produção e distribuição da informação na atualidade (AGNEZ, 
2009). Observamos os meios de comunicação tradicionais – tais como televisão aberta, 
telefone fixo, rádio, revistas, livros – se tornarem obsoletos e serem substituídos, em 
grande parte, pelos meios de comunicação digitais, como smartphone, computador, 
internet, serviços de mensagens instantâneas e mídias digitais. 
Esta evolução tecnológica possibilitou avanços educacionais, tais quais a 
Educação a Distância (EAD), a disseminação do conhecimento de forma globalizada, além 
de inovações nas formas de ensinar e aprender (BELUZZO; DUDZIAK, 2008). Da mesma 
forma, o acesso à cultura e lazer também apresentam transformações em virtude da 
expansão tecnológica, sendo por vezes as atividades ou eventos físicos substituídos por 
participação coletiva em programas de meios de comunicação como as mídias digitais 
(AGNEZ, 2009) e utilização de serviços de streaming. Conversas ou reuniões à distância 
através de plataformas ou aplicativos de comunicação, participação em redes sociais 
de compartilhamento de fotos e vídeos, tais como Facebook®, Instagram®, Tiktok®, 
Youtube® entre outras, são responsáveis pela conexão à nível global, em contrapartida, 
com redução dos encontros presenciais. 
5
Em suma, graças as redes de comunicação eletrônica, indivíduos de todas 
as partes do mundo podem agora interagir, trocar informações e experiências, a 
qualquer momento, ainda que estejam nas mais distantes partes do mundo (AGNEZ, 
2009). Contudo o grande volume de informações disponibilizadas e a necessidade 
de atualização constante, criou nos indivíduos certo stress informacional, gerando a 
necessidade de aprendermos a nos relacionar com a informação, buscando sua síntese, 
compreensão, relevância e pertinência (BELUZZO; DUDZIAK, 2008). Tanto os avanços 
quanto os benefícios das tecnologias de comunicação são inegáveis, mas há de ser 
ter um olhar crítico aos seus efeitos deletérios relacionados à divulgação irrestrita de 
informações de cunho duvidoso, à liberdade do marketing, aos limites da privacidade 
individual, ao afastamento e isolamento social, bem como a perda ou enfraquecimento 
da identidade cultural.
O mercado de trabalho vem sofrendo intensas transformações nas últimas 
décadas, induzido inclusive pela intensidade das inovações tecnológicas mencionado 
acima, que por um lado, modificam as relações de trabalho e, de outro, acirram a 
competitividade entre os indivíduos. Smartphones, tablets e a internet têm conectado 
os trabalhadores de forma ininterrupta à suas funções laborais, configurando jornadas 
de trabalho sem fim. Este excesso de horas de trabalho acarreta no afastamento do 
funcionário e sua família, sendo comum a deterioração das relações nessas situações, 
e redução do tempo de lazer (NETTO et al., 2010). Essas transformações impactam 
também na saúde do trabalhador, sendo a Síndrome o Burnout (estresse causado 
pelo trabalho) considerada um problema de ordem social e de grande relevância na 
atualidade (CÂNDIDO; SOUZA, 2016).
Cabe destacar que alguns autores, tais como Colombo (COLOMBO, 2012), têm 
pontuado com veemência aspectos relacionados ao consumismo desenfreado e ao 
imediatismo na sociedade contemporânea:
A vida moderna mostra como tudo é efêmero e vão, a cultura do 
vazio impulsiona a ação na busca irrefreada do prazer e do poder. 
O mundo está sempre cheio de novidades, os modelos de carros 
novos, os celulares, os computadores, a internet. A velocidade da 
transformação é muito rápida e violenta, instigando assim o ser 
humano a buscar sempre mais, a consumir ilimitadamente, caindo 
nas malhas do sistema de consumo sem pensar, transformando a 
adição de coisas em vício, tudo é poder e prazer (n.p.).
Você sabe o que são serviços streaming?
O streaming é a tecnologia de transmissão de dados pela internet, principalmente 
aúdio e vídeo, sem a necessidade de baixar o conteúdo. O arquivo, que pode 
ser um vídeo ou uma música, é acessado pelo usuário on-line. O detentor do 
conteúdo transmite a música ou filme pela internet e esse material não ocupa 
espaço no computador ou smartphone (MOBILON MÍDIA, 2019).
NOTA
6
O consumismo na sociedade contemporânea parece estar alicerçado na ideia 
de felicidade, satisfação, realização. Tal fato é explorado pelo marketing, que marketing 
o relaciona diretamente a esse produto, através de seus slogans como: “Pão de Açúcar: 
lugar de gente feliz”, “Casas Bahia: Vem ser feliz” ou ainda a família “Doriana”, que acorda 
cedo desfrutando do “café-marketing” da manhã (COLOMBO, 2012). O consumismo, 
associado ao padrão de vida contemporâneo, impacta também no padrão de consumo 
e nas necessidades dos indivíduos em relação à alimentação e nutrição, conforme 
veremos a seguir. 
3 NECESSIDADES DO CONSUMIDOR 
Nossas escolhas alimentares dependem de determinantes do contexto que 
atuam como “intervenções” estabelecendo padrões, valores, informações (da mídia, da 
publicidade, entre outras fontes) as quais afetam individualmente nossa relação com a 
comida, em seu sentido mais íntimo (DIEZ-GARCIA, 2017). O contexto das transformações 
sociais, econômicas, tecnológicas e científicas ocorridas nas últimas décadas, somadas 
ao perfil epidemiológico brasileiro atual, caracterizado por alta prevalência de doenças 
crônicas não transmissíveis, acarretou em modificações nas necessidades e hábitos 
alimentares dos indivíduos.
Mudanças ocorridas no mercado de trabalho, marcadas pela industrialização e 
pela ampliação do comércio, e pelas novas relações entre o indivíduo e a coletividade, 
influenciaram diretamente nos hábitos alimentares atuais e determinaram novas relações 
com a alimentação. A feminização da sociedade repercutiu na redução da frequência 
de refeições preparadas e consumidas no lar e em família, bem como na transmissão 
de habilidades culinárias aos descendentes. A competitividade imposta pelo mercado 
e a fragilidade dos vínculos empregatícios acarretaram em uma nova organização do 
tempo e à eleição de prioridades, reduzindo o período disponível para o convívio familiar, 
sobretudo para o preparo e consumo das refeições (FONSECA et al., 2011). 
A globalizaçãodo 
Oriente Médio (MERS), é possível realizar abordagem similar ao tratar a COVID-19 
(ZHANG; LIU, 2020).
Os micronutrientes exercem papéis vitais no sistema imunológico, sendo os 
mais necessários para sustentar a imunocompetência, as vitaminas A, C, D, complexo 
B, betacaroteno, ferro, selênio e zinco. A resposta imune fica comprometida quando 
o estado nutricional se encontra inadequado, predispondo os indivíduos a infecções 
(MAGGINI; PIERRE; CALDER, 2018).
Além disso, o comprometimento nutricional pode ser exacerbado pela própria 
resposta imune a uma infecção. Assim, nesse momento delicado para a saúde pública, 
deve se ter uma atenção especial as necessidades diárias desses micronutrientes, que 
podem não ser alcançadas por meio da alimentação, e então, a suplementação 
torna-se uma alternativa (HARYANTO, et al. 2015; MAGGINI; PIERRE; CALDER, 2018).
A tabela 2 apresenta opções de suplementos nutricionais a serem 
adotados por nutricionistas ou médicos no suporte ao tratamento de pessoas 
hospitalizadas e acometidas pela COVID-19, com base na sua ação benéfica no 
auxílio do tratamento de doenças correlatas.
 
138
É importante ressaltar, que a decisão de suplementar ou não, doses e 
tempo de suplementação, cabe a cada profissional, com base na história clínica 
do paciente e as recomendações para cada suplemento. A suplementação de 
indivíduos saudáveis sem orientação de um profissional não se justifica.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Dado o atual cenário onde a pandemia da COVID-19 assola o mundo, a 
propagação de informações relacionadas ao tema se dá de forma muito rápida e contínua. 
No que diz respeito a alimentação e nutrição, é preciso ter cuidado com orientações 
divulgadas por meios não oficiais e sem qualquer respaldo científico. Apesar do uso 
de suplementação para melhora da imunidade e estado nutricional de pacientes, 
estar bem consolidada na literatura, pouco se sabe sobre seu real benefício no auxílio 
ao tratamento da COVID-19, e até o momento, não há qualquer respaldo cientifico 
para essa prática ser adotada por indivíduos saudáveis ou que não apresentem alguma 
deficiência pré existente. É preciso ter cautela, e uma alimentação equilibrada ainda é 
a melhor forma de manter a saúde e prevenir doenças.
FONTE: https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/desafios/article/view/8825/16733. 
139
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
· No manejo dietoterápico da obesidade, devemos considerar, a suplementação 
individualizada, dos seguintes nutrientes e compostos bioativos: cálcio, vitamina D, 
cobre, cromo, magnésio, resveratrol, ácido lipóico, cafeína e probióticos.
· Tendo em vista que a dietoterapia na obesidade envolve a prescrição de dietas 
hipocalóricas, as quais podem apresentar aporte insuficiente de um ou mais 
micronutrientes, é fundamental que o Nutricionista avalie se há necessidade fornecê-
los via suplementação.
· A modulação da microbiota intestinal de pacientes diabéticos através da 
suplementação nutricional de cepas probióticas auxilia na melhora dos parâmetros 
glicêmicos e controle da doença. 
· O resveratrol é um polifenol que vem sendo estudado por seus efeitos positivos no 
manejo da DM2, obesidade, dislipidemia e hipertensão. 
· A suplementação de ômega-3, em doses diferentes, têm sido recomendada no 
manejo da hipertrigliceridemia, do câncer e da hipertensão.
· Ômega-3, arginina, glutamina e nucleotídeos são conhecidos como nutrientes 
imunomoduladores, cuja suplementação tem sido associada a redução dos distúrbios 
metabólicos e inflamatórios no câncer.
140
1 A dislipidemia é reconhecida como um importante fator de risco para doenças 
cardiovasculares, uma vez que está envolvida no processo da aterosclerose. O 
tratamento da dislipidemia engloba uma abordagem multidisciplinar e multifatorial, 
que requer adequações no estilo de vida, alimentação e atividade física. Sabendo que 
a suplementação nutricional pode atuar de forma adjuvante no manejo dietoterápico 
desta condição, disserte a respeito dos suplementos e doses que o profissional 
Nutricionista pode considerar.
2 Têm-se recomendado, para pacientes oncológicos, o consumo de suplementos 
hipercalóricos imunomoduladores. Com base no que você aprendeu neste Tópico, 
especifique quais nutrientes são considerados imunomoduladores e qual é o benefício 
atrelado a sua suplementação para pacientes oncológicos.
3 A dietoterapia é parte fundamental do tratamento da obesidade. Diversas estratégias, 
intervenções e terapias tem sido elencadas para melhorar a adesão e resultados da 
dietoterapia, entre elas a suplementação de nutrientes e compostos bioativos com 
potencial benefício na perda de peso e manejo das alterações metabólicas inerentes 
à obesidade. A respeito da suplementação nutricional no tratamento da obesidade, 
assinale a alternativa correta:
a) ( ) O magnésio têm sido estudado auxiliar na promoção de saciedade através 
da ação da insulina no hipotálamo, que estimula a produção de hormônios 
sacietogênicos, além de atuar na supressão do armazenamento de gordura 
enquanto estimula sua degradação.
b) ( ) Recomenda-se à suplementação de Vitamina D para todos os invíduos obesos, 
independente dos níveis de Vitamina D plasmática.
c) ( ) A suplementação com 200mcg/dia de cromo melhora a sensibilidade à insulina, 
auxilia no aumento da massa magra, na diminuição da gordura corporal e no 
controle da saciedade.
d) ( ) A suplementação de ácido lipóico em doses de 3 a 6mg/kg/dia promove resposta 
estimulante, termogênica, sacietogênica e de diminuição da fome, contribuindo 
para a perda de peso e de gordura corporal.
 
4 Pesquisas recentes tem reforçado a importância da dieta, com foco especial em 
micronutrientes que, em associação com modificações do estilo de vida e terapia 
medicamentosa, podem auxiliar no controle da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS). 
Considerando suplementos nutricionais indicados no controle dos níveis pressóricos, 
analise as assertivas abaixo:
AUTOATIVIDADE
141
I- A suplementação de EPA e DHA em doses acima de 2g/dia parece reduzir os níveis 
pressóricos.
II- A suplementação diária de 500 a 1000mg de cálcio e 200mg magnésio é indicado 
para regular a função vascular.
III- A Coenzima Q10 (CoQ10) é um potente antioxidante, capaz de eliminar de radicais 
livres, reduzir o estresse oxidativo, regenerar outras vitaminas e antioxidantes, 
reduzir a oxidação da lipoproteína de baixa densidade, além de ser cofator e 
coenzima na fosforilação oxidativa mitocondrial, que reduz a pressão arterial. A 
suplementação com doses de CoQ10 acima 100mg/dia auxilia no melhor controle 
pressórico de pacientes hipertensos (BORGHI; CICERO, 2017).
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Somente a sentença I está correta
b) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
5 A modulação da microbiota intestinal têm sido apresentada com uma estratégia válida 
tanto na prevenção quanto no tratamento da diabetes. Especificamente, no tocante 
a diabetes tipo 2 a suplementação de cepas probióticos melhora os parâmetros 
metabólicos, observando se melhora do controle glicêmico e do perfil lípidico. Em 
relação às cepas probióticos recomendadas para suplementação na diabetes tipo 2, 
assinale a alternativa correta:
a) ( ) Lactobacillus rhamnosu, Lactobacillus reuteri, Lactobacillus gasseri e 
Enterococcus faecium.
b) ( ) Lactobacillus helveticus, Lactobacillus rhamnosu, Streptococcus thermophilus 
e Bifidobacterium infantis.
c) ( ) Lactobacillus acidophilus, Lactobacillus rhamnosu, Saccharomyces boulardi e 
Bifidobacterium bifidum.
d) ( ) Lactobacillus acidophilus,Lactobacillus helveticus, Lactobacillus rhamnosu e 
Bifidobacterium lactis.
142
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145
FITOTERAPIA APLICADA À 
NUTRIÇÃO
UNIDADE 3 —
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• conhecer os conceitos e legislações que abrangem a fi toterapia, englobando desde 
os fundamentos, políticas públicas e efeitos adversos;
• explorar as possibilidades que o universo da fi toterapia dispõe em termos de 
prevenção e tratamento de doenças em todos os ciclos da vida;
• aplicar a fi toterapia em doenças crônicas ligadas à terapêutica nutricional, conhecendo 
as condições necessárias para execução da prescrição.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará 
autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – FUNDAMENTOS DA FITOTERAPIA
TÓPICO 2 – FITOTERAPIA NOS CICLOS DE VIDA
TÓPICO 3 – FITOTERAPIA NUTRICIONAL NAS DIVERSAS SITUAÇÕES CLÍNICAS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
146
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 3!
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147
TÓPICO 1 — 
FUNDAMENTOS DA FITOTERAPIA
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Olá acadêmico(a), seja bem-vindo(a) à Unidade 3, na qual será abordado um 
tema muito importante na área da nutrição e que foi constantemente discutido em 2021 
no conselho federal, a fitoterapia e sua aplicabilidade na atuação de nutricionistas.
Inicialmente, serão explanados os conceitos que envolvem essa terapia e sua 
abrangência em termos de prescrição, adentrando a suas normas e legislações que 
datam desde muito tempo, mas que ganharam mais destaque após2006, com a 
consolidação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS, 
tema que também será abordado para facilitar sua compreensão. 
Vamos começar? Fique ligado, todo conteúdo aqui descrito, pode fazer diferença 
na sua prática profissional.
Você já ouviu a frase: “Planta medicinal, se não faz bem, mal também não faz”?
Se sim, o que você acha dessa afirmação? Se não, qual seria sua opinião sobre ela?
Bem, vamos aos conceitos e ao final dessa introdução, você obterá a resposta.
A fitoterapia é uma ciência que utiliza de espécies vegetais, conhecidas por 
plantas medicinais, para prevenção e tratamento de diferentes doenças. Desde a 
antiguidade, as plantas medicinais são usadas com grande eficácia, existem registros 
de uso de plantas com finalidade terapêutica desde o Egito Antigo, sendo que o primeiro 
relato de uso medicinal é o Papiro de Ebers e relaciona as plantas usadas no processo 
de embalsamento das múmias (HIRSCHBRUCH, 2016).
Atualmente, observa-se que a maioria dos medicamentos tem sua síntese 
baseada em princípios ativos isolados em plantas. É possível contar com o tratamento 
por meio de plantas e até mesmo como adjuvante de cura de algumas patologias 
descartando efeitos colaterais e minimizando as agressões a outros órgãos. Este é o 
princípio dos alimentos com propriedades funcionais, uma vez que os princípios ativos 
são sempre fitoquímicos ou fitocomplexos com atividade específica e seletiva.
148
São diversas as maneiras descritas para utilizar as plantas medicinais, sendo as 
mais usadas os chás, extratos líquidos, temperos, óleos e extratos secos que podem ser 
encapsulados ou adicionados a sucos ou qualquer outra preparação culinária, as quais 
veremos de forma mais detalhada nós próximos tópicos. 
Todavia, é importante ressaltar que cada planta tem uma finalidade específica 
e que, apesar de terem algumas propriedades conhecidas a muito tempo, é sempre 
bom checar outras características, as quais podem até prejudicar o paciente, uma vez 
que os princípios ativos apresentam toxicidade variável. As plantas medicinais tem 
amplo espectro de ação, dependendo sempre da forma e da dosagem utilizada para 
determinação dos efeitos físicos (HIRSCHBRUCH, 2016).
E então, eis que temos nossa resposta: NÃO!
A frase citada não está correta, pois as plantas medicinais não podem ser usadas 
de forma aleatória sem orientação, já que podem causar efeitos colaterais, intoxicação e 
até levar um indivíduo a morte, dependendo da sua forma de utilização.
 
Tudo bem até aqui? Antes de darmos sequência na fitoterapia, vamos apenas 
conceituar as Práticas Integrativas e Complementares, para que você possa associar 
com a fitoterapia. 
As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) são recursos 
terapêuticos baseados em conhecimentos tradicionais, voltados para prevenir 
diversas doenças, além de ser usado como tratamento paliativo e recuperação da 
saúde, com ênfase na escuta acolhedora, no desenvolvimento do vínculo terapêutico 
e na integração do ser humano com o meio ambiente e a sociedade (BRASIL, 2015). 
Foram institucionalizadas por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e 
Complementares no SUS (PNPIC) sendo que entre as principais diretrizes desta política 
está o aumento da resolutividade dos serviços de saúde, realizada a partir da integração 
entre os modelos de cuidado, de racionalidades com olhar e atuação mais ampliados, 
atuando de forma integrada e/ou complementar no diagnóstico, na avaliação e no 
cuidado (BRASIL, 2015).
No Brasil, o debate sobre as PICS iniciou no final da década de 1970, após a 
declaração da Alma Ata e validada, e, nos anos 1980, com a 8ª Conferência Nacional 
de Saúde, onde se discutiu as demandas e necessidades da população por um olhar 
que questionasse o modelo hegemônico de ofertar cuidado, sem legitimar saberes e 
práticas, momento esse onde foi iniciado o movimento de busca por outras formas 
de autocuidado e cuidado nos âmbitos do bem-estar físico, mental e social, quando o 
Governo Federal em conjunto com gestores de saúde, entidades de classe, conselhos, 
academia e usuários do SUS instituiu uma política pública permanente que considerasse 
não só os mecanismos naturais de prevenção de agravos e recuperação da saúde, mas 
a abordagem ampliada do processo saúde-doença e a promoção global do cuidado 
149
humano (BRASIL, 2015). Assim, embasado pelas diretrizes da OMS, o Ministério da Saúde 
aprovou, através da Portaria GM/MS nº 971, de 3 de maio de 2006, a Política Nacional de 
Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no SUS (BRASIL, 2006).
As práticas foram sendo institucionalizadas por meio da PNPIC, ao longo dos 
anos, conforme Figura 1. Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece, de forma 
integral e gratuita, 29 procedimentos de Práticas Integrativas e Complementares (PICS) 
à população, sendo: Medicina Tradicional Chinesa/Acupuntura, Medicina Antroposófica, 
Homeopatia, Plantas Medicinais e Fitoterapia, Termalismo Social/Crenoterapia, Arteterapia, 
Ayurveda, Biodança, Dança Circular, Meditação, Musicoterapia, Naturopatia, Osteopatia, 
Quiropraxia, Reflexoterapia, Reiki, Shantala, Terapia Comunitária Integrativa, Yoga, 
Apiterapia, Aromaterapia, Bioenergética, Constelação Familiar, Cromoterapia, Geoterapia, 
Hipnoterapia, Imposição de mãos, Ozonioterapia e Terapia de Florais (BRASIL, 2015).
FIGURA 1 – LINHA DO TEMPO DA IMPLANTAÇÃO DAS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES NO SUS
FONTE: . 
Acesso em: 14 abr. 2021.
Evidências científicas têm mostrado os benefícios do tratamento integrado entre 
medicina convencional e práticas integrativas e complementares. Além disso, há um crescente 
número de profissionais capacitados e habilitados e maior valorização dos conhecimentos 
tradicionais de onde se originam grande parte dessas práticas (BRASIL, 2015).
Com essa abordagem das Práticas Integrativas e Complementares, que envolvem 
a fitoterapia e sua importância na rede de saúde, seguiremos ao próximo subtópico, onde 
você poderá visualizar um pouco sobre as legislações que direcionam a fitoterapia no 
Brasil e especificamente as orientações aos nutricionistas sobre a prescrição.
2 DIRETRIZES E NORMAS PARA PRESCRIÇÃO 
Vamos iniciar nesse tópico a frase abaixo, para que você possa internalizar o 
diferencial do profissional da nutrição nessa área.
150
A fitoterapia é a ciência que estuda as plantas medicinais e seu uso no 
tratamento de doenças. Assim, muitos nutrientes são relacionados 
com a fitoterapia, o que faz do profissional de nutrição a referência 
para orientar a população (SOUZA; MARTÍNEZ, 2017, p. 193).
 
Dando seguimento, você acompanhará um pouquinho da história da fitoterapia.
O termo “fitoterapia” tem origem nas palavras gregas Phython (planta) e 
Therapeia (terapia), ou seja, terapia com as plantas, visando o estudo das espécies 
consideradas medicinais e as suas aplicações no tratamento de doenças (CARVALHO, 
2004 apud ROSA, 2013). São utilizadas há muito tempo, na China há registros de 
cultivo de plantas medicinais desde 3000 a.C., com elas eram produzidos vermífugos, 
purgantes, cosméticos, diuréticos e gomas que serviam para embalsamar múmias. 
Hipócrates (460-377 a.C.), em sua obra Corpus Hipocraticum, escreveu sobre doenças e 
os respectivos remédios elaborados com plantas, ressaltando o interesse pelas espécies 
vegetais desde a antiguidade (NOLLA; SEVERO; MIGOTT, 2005 apud ROSA, 2013).
As plantas fazem parte da vida do ser humano, desde o início das civilizações, 
como fonte de alimentos, de materiais para o vestuário, habitação, utilidades domésticas, 
defesa e como meio de restaurar a saúde. No Brasil, os primeiros europeus que chegaram, 
se depararam com uma grande quantidade de plantas medicinais usadas pelos indígenas 
(NOLLA; SEVERO; MIGOTT, 2005 apud ROSA, 2013). Assim, por intermédio dos Pajés, os 
conhecimentosdas ervas foram transmitidos e aprimorados de geração em geração, 
mas, infelizmente, com o início da industrialização e subsequente urbanização do país, 
o conhecimento das plantas passou para segundo plano, o acesso à medicamentos 
sintéticos e a não preocupação em comprovar as propriedades terapêuticas das plantas 
tornou o conhecimento da flora medicinal um atraso. 
O estudo das plantas medicinais mostrou uma resistência inicial a acompanhar 
as grandes revoluções científicas do período, mas com o tempo e reconhecimento por parte 
dos cientistas voltou a ganhar força (LORENZI; MATTOS, 2002 apud ROSA, 2013), sendo 
que de acordo com a Organização Mundial de Saúde, 65% a 80% da população de países 
em desenvolvimento utilizavam como primeira opção de tratamento as plantas medicinais, 
e essa alternativa tem ajudado no tratamento de diversas patologias, considerando o vasto 
conhecimento popular (NOLLA; SEVERO; MIGOTT, 2005 apud ROSA, 2013).
As novas tendências globais de uma preocupação com a biodiversidade e as 
ideias de desenvolvimento sustentável trouxeram novas áreas de estudos das espécies 
vegetais, que acabaram despertando novos interesses na fitoterapia, os quais criaram 
novas linhas de pesquisa em universidades brasileiras, que buscam validar a utilização 
das plantas. Considera-se validada a espécie que responder positivamente à aplicação 
do conjunto de ensaios capazes de comprovar a existência que lhe é atribuída, bem 
como sua toxicidade (LORENZI; MATTOS, 2002 apud ROSA, 2013). 
151
2.1 POLÍTICA NACIONAL DE PLANTAS MEDICINAIS E 
FITOTERÁPICOS
A Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF) foi aprovada 
por meio do Decreto nº 5.813, de 22 de junho de 2006, e se tornou parte essencial 
das políticas públicas de saúde, meio ambiente, desenvolvimento econômico e social, 
passando a representar um dos elementos fundamentais na implementação de ações 
de promoção de melhorias na qualidade de vida da população brasileira. 
As ações decorrentes dessa Política, concretizada em um Programa, são 
indispensáveis para a o acesso da população as plantas medicinais e fitoterápicos, 
inclusão social e regional, desenvolvimento industrial e tecnológico, promoção da 
segurança alimentar e nutricional e uso sustentável da biodiversidade brasileira e da 
valorização e preservação do conhecimento tradicional associado as comunidades e 
povos tradicionais (PNPMF, 2006). Com isso, a Portaria Interministerial nº 2960, de 9 de 
dezembro de 2008, aprova o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e 
cria o Comitê Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos.
Nesse sentido, com intuito de alcançar a proposta da Política Nacional de Plantas 
Medicinais e Fitoterápicos que visa “garantir à população brasileira o acesso seguro e 
o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos, promovendo o uso sustentável da 
biodiversidade, o desenvolvimento da cadeia produtiva e da indústria nacional”, ficam 
definidos os seguintes objetivos:
• Construir e/ou aperfeiçoar marco regulatório em todas as etapas 
da cadeia produtiva de plantas medicinais e fitoterápicos, a partir 
dos modelos e experiências existentes no Brasil e em outros países, 
promovendo a adoção das boas práticas de cultivo, manipulação 
e produção de plantas medicinais e fitoterápicos. • Desenvolver 
instrumentos de fomento à pesquisa, desenvolvimento de 
Você sabe a diferença entre plantas medicinais, fitoterapia e fitoterápico? 
Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), planta medicinal é 
todo e qualquer vegetal com substâncias que podem ser utilizadas com 
fins terapêuticos ou que sejam precursores de fármacos semissintéticos. 
Assim como para a ANVISA, que conceitua as plantas medicinais como 
aquelas capazes de aliviar ou curar enfermidades e têm tradição de uso 
como remédio em uma população ou comunidade (BRASIL, [201-?]). Por sua 
vez, fitoterápico é uma preparação farmacêutica que utiliza como matéria-
prima partes de plantas, como folhas, caules, raízes, flores e sementes, e 
apresentam efeitos farmacológicos conhecidos e a fitoterapia inclui as 
preparações fitofarmacológicas, os medicamentos fitoterápicos e o uso 
popular das plantas em si (SOUZA; MARTÍNEZ, 2017). 
IMPORTANTE
152
tecnologias e inovações em plantas medicinais e fi toterápicos, nas 
diversas fases da cadeia produtiva. • Desenvolver estratégias de 
comunicação, formação técnico-científi ca e capacitação no setor 
de plantas medicinais e fi toterápicos. • Inserir plantas medicinais, 
fi toterápicos e serviços relacionados à Fitoterapia no SUS, com 
segurança, efi cácia e qualidade, em consonância com as diretrizes 
da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no 
SUS. • Promover e reconhecer as práticas populares e tradicionais 
de uso de plantas medicinais e remédios caseiros. • Promover o 
uso sustentável da biodiversidade e a repartição dos benefícios 
decorrentes do acesso aos recursos genéticos de plantas medicinais 
e ao conhecimento tradicional associado. • Promover a inclusão da 
agricultura familiar nas cadeias e nos arranjos produtivos das plantas 
medicinais, insumos e fi toterápicos. • Estabelecer mecanismos de 
incentivo ao desenvolvimento sustentável das cadeias produtivas 
de plantas medicinais e fi toterápicos, com vistas ao fortalecimento 
da indústria farmacêutica nacional e incremento das exportações 
de fi toterápicos e insumos relacionados. • Estabelecer uma política 
intersetorial para o desenvolvimento socioeconômico na área de 
plantas medicinais e fi toterápicos (PNPMF, 2006, p. 12).
A partir destas legislações, em conformidade com orientações da OMS, outro 
marco importante foi a publicação da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse 
para o SUS (RENISUS), a qual apresenta plantas medicinais que demonstram potencial 
para gerar produtos de interesse ao SUS. O intuito com essa lista é direcionar pesquisas que 
possam subsidiar a elaboração da relação de fi toterápicos para utilização da população, 
com segurança e efi cácia para o tratamento das doenças (RENISUS, 2022). 
Em 2009, já havia uma lista com 71 plantas de interesse do SUS sendo divulgada 
pelo Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos do Ministério da Saúde, 
dentre elas constam a Cynara scolymus (alcachofra), Schinus terebentthifolius (aroeira 
da praia) e a Uncaria tomentosa (unha-de-gato), usadas pela sabedoria popular e 
confi rmadas cientifi camente, para distúrbios de digestão, infl amação vaginal e dores 
articulares, respectivamente (RENISUS, 2022). 
Ainda, em relação ao controle na produção e distribuição de plantas medicinais 
e fi toterápicos a normatização acontece através de resoluções elaboradas pela Agência 
Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Atualmente a principal regulamentação 
sobre plantas medicinais e fi toterápicos é a Resolução nº 26 de 2014 que revogou as 
Resoluções nº 14/2010 e nº 10/2010 (ANVISA, 2014). Esta RDC (nº 26 de 13 de maio de 
Para mais informações sobre essa lista, acesse: https://www.gov.br/saude/pt-
br/composicao/sctie/daf/plantas-medicinais-e-fi toterapicas/ppnpmf/plantas-
medicinais-de-interesse-ao-sus-2013-renisus. 
DICA
153
2014) dispõe sobre o registro de medicamentos fitoterápicos e o registro e a notificação 
de produtos tradicionais fitoterápicos, abrangendo produtos industrializados que se 
enquadram como medicamentos fitoterápicos e produtos tradicionais fitoterápicos, 
estabelecendo requisitos mínimos para registro e renovação de registro e notificação 
desses produtos e conceitos relacionados. 
Importante destacar que os medicamentos fitoterápicos são registrados e os 
produtos tradicionais fitoterápicos devem possuir registro ou notificação, sendo que as 
plantas medicinais sob a forma de droga vegetal, denominadas chás medicinais, serão 
dispensadas de registros conforme Art. 22 do Decreto 8.077 de 2013 (ANVISA, 2014).
Atualmente o SUS oferta à população, com recursos de União, Estados e 
Municípios,medicamentos fitoterápicos, os quais constam na Relação Nacional de 
Medicamentos Essenciais (RENAME) e são indicados para diferentes tratamentos. A 
RENAME engloba a seleção e a padronização de todos os medicamentos indicados 
para o atendimento das doenças no âmbito do SUS, apresentando o conjunto dos 
medicamentos a serem disponibilizados e ofertados aos usuários, visando à garantia 
da integralidade do tratamento medicamentoso. A Portaria MS/GM Nº 1 de 2 de janeiro 
de 2015, estabeleceu a RENAME de 2014 no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) 
por meio da atualização do elenco de medicamentos e insumos da Relação Nacional de 
Medicamentos Essenciais (RENAME, 2022).
Nesse sentido, as plantas medicinais constituem o Componente Básico da 
RENAME, que inclui drogas e derivados vegetais para manipulação das preparações 
dos fitoterápicos. Hoje são 12 as espécies contempladas pela RENAME (2022) e podem 
ser financiadas pelos recursos do Componente Básica da Assistência Farmacêutica. As 
plantas com suas indicações validadas farão parte da RENAFITO, que é a relação nacional 
de plantas medicinais e fitoterápicos, que vem subsidiar a prescrição de fitoterápicos 
no âmbito dos serviços de saúde do SUS, sendo parte da Política Nacional de Práticas 
Integrativas e Complementares (PNPIC, 2006). 
RENAME
Atualmente a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename) 
contempla 12 fitoterápicos, oriundos de espécies vegetais padronizadas, 
sendo eles:
1. Alcachofra (Cynara scolymus L.);
2. Aroeira (Schinus terebinthifolius Raddi);
3. Babosa (Aloe vera (L.) Burm.f);
4. Cáscara-sagrada (Rhamnus purshiana D.C.);
5. Espinheira-santa (Maytenus officinalis Mabb);
6. Guaco (Mikania glomerata Spreng.);
DICA
154
2.2 PRESCRIÇÃO DE PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERÁPICOS 
Dentre os profissionais da saúde habilitados para prescrever plantas medicinais 
e fitoterápicos, estão os cirurgiões dentistas, farmacêuticos e nutricionistas, já que 
possuem legislação específica para reconhecer e regulamentar essa prescrição 
de fitoterápicos (CFO, 2008; CFF, 2011; CFN, 2013;2021). Por sua vez, na medicina, a 
fitoterapia não é considerada uma especialidade, sendo facultado ao médico realizar 
prescrição de fitoterápicos. 
Para o farmacêutico, a prescrição é regulamentada por uma legislação específica, 
(Resolução Nº 546 de 21 de julho de 2011), da mesma forma como ocorre na nutrição, a 
resolução 680/2021 regulamenta a prática da fitoterapia na nutrição. 
No caso da enfermagem, pode ser prescrito dentro das normas do exercício 
profissional (Lei n.º 7.498/1986, com a revogação da resolução 272/2002), sendo que os 
enfermeiros podem prescrever desde que façam parte da equipe multiprofissional dos 
programas de saúde e dentro de protocolos pré-estabelecidos (Portaria 648/GM/2006 
– Política Nacional de Atenção Básica). Ainda, cabe ressaltar que os fisioterapeutas 
também não possuem legislação específica, desta forma sua atuação nesta área fica 
sujeita ao regulamento de atuação do profissional deliberado pelo Conselho de Classe e 
no SUS ao previsto nos protocolos dos programas de saúde.
Acadêmico, até aqui traçamos um panorama geral sobre a fitoterapia e suas 
legislações, agora iremos direcionar para o nutricionista, legislação pertinente e forma 
de prescrição. 
7. Garra-do-diabo (Harpagophytum procumbens); 
8. Hortelã (Mentha x piperita L.);
9. Isoflavona de soja (Glycine max (L.) Merr.);
10. Plantago (Plantago ovata Forssk.); 
11. Salgueiro (Salix alba L.);
12. Unha-de-gato (Uncaria tomentosa (Willd. ex Roem. & Schult.)
Além do nome científico e do nome popular, a RENAME traz a indicação/ação, a apresentação do 
fitoterápico e a concentração/composição, em que é apresentada a quantidade de marcador. 
Para mais informações, acesse: 
https://www.conasems.org.br/ministerio-da-saude-lanca-rename-2022-com-mudancas-e-
atualizacoes/. 
155
2.2.1 Prescrição por Nutricionistas
A Resolução do CFN nº 680, de 19 de janeiro de 2021, alterada pela resolução 
688/2021 e texto retificado em 24 de maio de 2021, regulamenta a prática da fitoterapia 
pelo nutricionista e dá outras providências.
Na estruturação dessa resolução, o CFN considerou a Política Nacional de 
Práticas Integrativas e Complementares no Sistema Único de Saúde (PNPIC); o Decreto 
Presidencial nº 5.813, de 22 de junho de 2006, que aprovou a Política Nacional de 
Plantas Medicinais e Fitoterápicos; a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) da Agência 
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nº 67, de 8 de outubro de 2007; a Portaria 
Interministerial nº 2.960, de 9 de dezembro 2008, que aprovou o Programa Nacional 
de Plantas Medicinais e Fitoterápicos; a RDC nº 26, de 13 de maio de 2014, que dispõe 
sobre o registro de medicamentos fitoterápicos e o registro e a notificação de produtos 
tradicionais fitoterápicos; a Instrução Normativa (IN) da Anvisa nº 2, de 13 de maio de 
2014, que publica a “Lista de medicamentos fitoterápicos de registro simplificado” e a 
“Lista de produtos tradicionais fitoterápicos de registro simplificado”; a RDC nº 84, de 17 
de junho de 2016, que aprova o Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira e dá 
outras providências e a RDC nº 298, de 12 de agosto de 2019, que aprova a Farmacopeia 
Brasileira, 6ª edição.
Por fim, ainda para elaboração dessa resolução considerou: que compete ao 
nutricionista, enquanto profissional de saúde, zelar pela preservação, promoção e 
recuperação da saúde; o reconhecimento de evidências científicas sobre a eficácia 
da fitoterapia assim como da existência de reações adversas, efeitos colaterais, 
contraindicações, toxicidade e interações com outras plantas, drogas vegetais, 
medicamentos e alimentos associados a essa prática, determinando que sua 
adoção seja precedida de competente capacitação, acompanhada de contínua 
atualização científica e do cumprimento dos regulamentos normativos sobre o tema; 
o reconhecimento de práticas culturais que utilizam plantas medicinais com efeitos 
terapêuticos tradicionalmente reconhecidos e a necessidade de aprofundar pesquisas 
que fundamentem a adoção de recursos naturais de promoção e recuperação da 
saúde no atendimento do nutricionista; e a necessidade de regulamentar a prática da 
fitoterapia na assistência nutricional e dietoterápica com vistas a ampliar as abordagens 
de cuidado e as possibilidades terapêuticas para os clientes/pacientes/usuários, 
permitindo maior integralidade e resolutividade da atenção à saúde.
 
Finalmente, essa resolução traz como disposição preliminar a regulamentação da 
prática da fitoterapia pelo nutricionista, atribuindo-lhe as competências. A qual entende 
a aplicação da fitoterapia pelo nutricionista na assistência nutricional e dietoterápica, 
como o uso de plantas medicinais em suas diferentes preparações, englobados plantas 
medicinais in natura, drogas vegetais e derivados vegetais, com exceção de substâncias 
ativas isoladas ou altamente purificadas, administradas exclusivamente pelas vias oral e 
enteral, incluídas mucosa, sublingual e sondas enterais e excluída a via anorretal.
156
Nesse sentido, para que o nutricionista possa estar habilitado a adotar a 
fi toterapia em sua prática cínica, devem ser consideradas as seguintes situações, 
descritas no Capítulo II da resolução: 
Art. 3º A prática da fi toterapia na assistência nutricional e dietoterápica 
pelo nutricionista com inscrição ativa no respectivo Conselho 
Regional de Nutricionistas (CRN) deverá observar que:
I. a prescrição de plantas medicinais in natura e drogas vegetais, na 
forma de infusão, decocção e maceração em água, é permitida a 
todos os nutricionistas, ainda que sem certifi cado de pós-graduação 
em fi toterapia ou título de especialista nessa área;
II. a prescrição do que for diferente de infusão, decocção e maceração 
em água, a partir de plantas medicinais in natura e drogas vegetais, ou 
seja, de drogas vegetais em formas farmacêuticas, de medicamentos 
fi toterápicos, de produtos tradicionais fi toterápicose de preparações 
magistrais de fi toterápicos é permitida ao nutricionista com 
habilitação para Fitoterapia, registrada no respectivo CRN conforme 
disposto no art. 5º, mediante:
a. certifi cado de curso de pós-graduação lato sensu em nível de 
especialização em fi toterapia, emitido por instituição de ensino 
superior credenciada pelo Ministério da Educação, observados os 
requisitos legais, com, no mínimo, 200 horas de disciplinas específi cas 
de fi toterapia; ou
b. título de Especialista em Fitoterapia ou de Especialista em Nutrição 
e Fitoterapia;
§ 1º Se o produto apresentar derivado vegetal, mesmo se comercializado 
como alimentos, novos alimentos e ingredientes, e suplementos 
alimentares, sua prescrição enquadra-se no disposto no inciso II;
§ 2º Para a prescrição de drogas vegetais e óleos fi xos, em formas 
farmacêuticas, que podem ser classifi cados como alimentos, novos 
alimentos e ingredientes, e suplementos alimentares, não se exige 
certifi cado de pós-graduação em fi toterapia ou título de especialista 
na área.
§ 3º A adoção da fi toterapia no contexto de racionalidades em 
saúde diferentes do modelo biomédico deve seguir as exigências de 
formação específi ca para cada uma delas.
Art. 4º Aos nutricionistas que, até a data de publicação desta 
Resolução, estejam matriculados ou tenham obtido certifi cado de 
cursos de pós-graduação lato sensu em nível de especialização em 
fi toterapia, emitido por instituição de ensino superior credenciada 
pelo Ministério da Educação, será permitida a complementação 
do requisito de carga horária mínima de 200 horas de disciplinas 
específi cas de fi toterapia pela realização de cursos livres, de extensão, 
As defi nições dos termos supracitados estão contidas no Glossário do 
Anexo I desta Resolução e, na sua ausência, e de maneira complementar, 
na Referência Nacional de Procedimentos Nutricionais do Sistema CFN/
CRN, Anexo I da Resolução CFN nº 417, de 18 de março de 2008, e no 
Glossário (Anexo I) da Resolução CFN nº 600, de 25 de janeiro de 2018. 
Além disso acadêmico, exploraremos mais a diante essas nomenclaturas.
DICAS
157
de aperfeiçoamento e/ou módulos, cujos certificados, declarações, 
programas, histórico escolar e/ou equivalentes demonstrem somar a 
carga horária mínima exigida.
Parágrafo único. Aos nutricionistas de que trata o caput deste artigo, 
será permitida, depois de registrarem a documentação de habilitação, 
a prescrição de drogas vegetais em formas farmacêuticas, de 
medicamentos fitoterápicos, de produtos tradicionais fitoterápicos e 
de preparações magistrais de fitoterápicos.
Art. 5º A solicitação de registro da documentação de habilitação a que 
se refere o inciso II do art. 3º e o parágrafo único do art. 4º deverá ser 
encaminhada pelo nutricionista instruída com os seguintes documentos:
I. para habilitação por título de especialista na área de fitoterapia:
a. vide Resolução do CFN que regulamenta o registro de títulos de 
especialista em Nutrição.
II. para habilitação por pós-graduação lato sensu em nível de 
especialização em fitoterapia:
a. requerimento em formulário do CFN;
b. comprovante do pagamento da taxa de registro;
c. certificado, histórico e ementas dos componentes curriculares 
comprobatórios da realização do curso de pós-graduação lato sensu 
em nível de especialização em fitoterapia realizado por instituição de 
ensino superior credenciada pelo Ministério da Educação; e
d. declaração de veracidade e autenticidade de dados e documentos 
(Anexo II).
§ 1º A documentação exigida no inciso II do art. 5º deve ser 
encaminhada pelo nutricionista ao CFN, por meio digital, via sistema 
on-line, presumida a boa-fé das informações prestadas, sob pena de 
responder administrativa, civil e criminalmente.
§ 2º O Conselho Regional de Nutricionistas (CRN) da região 
onde o profissional possui inscrição principal ativa pode solicitar 
a apresentação de documentação original ou a substituição/
complementação dos documentos recebidos eletronicamente 
sempre que julgar necessário, inclusive nos casos em que a qualidade 
da digitalização não for satisfatória.
§ 3º O CRN tem o prazo de até 60 (sessenta) dias, contados a partir do 
recebimento da documentação completa e adequada, para análise e 
manifestação (deferimento, indeferimento, diligência) (CFN, 2021, p. 1).
 
Acadêmico, é indispensável que leia com muita atenção os requisitos necessários 
para poder prescrever plantas medicinais e fitoterápicos, bem como, se atentar ao tema 
seguinte, para poder realizar as indicações cabíveis a sua atuação.
Fica claro na resolução que o nutricionista poderá adotar a fitoterapia quando 
os produtos prescritos tiverem indicações relacionadas direta ou indiretamente aos 
objetivos da assistência nutricional e dietoterápica, estando o nutricionista preparado 
para justificar, monitorar e avaliar os efeitos da prescrição com base em estudos 
científicos ou em uso tradicional reconhecido. 
Para mais detalhes, acesse diretamente a resolução no site do CFN (http://
resolucao.cfn.org.br/). 
 
Ainda, conforme Art. 9º, a competência do nutricionista para atuar na fitoterapia 
deve respeitar a legislação sanitária vigente, não incluindo:
158
I. a indicação de medicamentos fi toterápicos industrializados sujeitos 
à prescrição médica, assim como a respectiva planta medicinal in 
natura e a droga vegetal na forma de infusão, decocção e maceração 
em água, droga vegetal em forma farmacêutica, preparação magistral, 
entre outras formas, independente da indicação/alegação terapêutica.
II. na composição de medicamento fi toterápico, produto tradicional 
fi toterápico e preparações magistrais de fi toterápicos: vitaminas, 
minerais, aminoácidos, substâncias ativas isoladas ou altamente 
purifi cadas, sejam elas sintéticas, semissintéticas ou naturais e nem 
as associações dessas com outros extratos, sejam eles vegetais ou 
de outras fontes, como a animal ou quaisquer outros componentes; e
III. a venda, a comercialização e a propaganda dos produtos ou 
técnicas que ele indicará ao cliente/paciente/usuário, nos termos do 
art. 60 e 62 da Resolução CFN nº 599, de 2018, Código de Ética e de 
Conduta do nutricionista.
Art. 10. Na prescrição de plantas medicinais in natura e drogas 
vegetais, a que se refere o inciso I do art. 3º, considerar que essas 
devem ser preparadas unicamente por decocção, maceração ou 
infusão em água, conforme indicação, não sendo admissível que 
sejam prescritas sob forma de cápsulas, drágeas, pastilhas, xarope, 
spray ou qualquer outra forma farmacêutica, nem utilizadas quando 
submetidas a outros meios de extração, tais como extrato, tintura, 
alcoolatura ou óleo, nem como fi toterápicos ou em preparações 
magistrais (CFN, 2021, p. 10?).
Vamos lá acadêmico, estamos quase fi nalizando essa resolução, a qual direciona 
toda a base da prescrição por parte do nutricionista. Ressalto que deve estar sempre 
atento a atualizações no site do Conselho.
Para fi nalizarmos esse tópico, segue agora a orientação de como o receituário 
deve ser estruturado, conforme descrito no Art. 12:
I. apresentado de forma clara para o entendimento e contemplar:
a. nomenclatura botânica, sendo opcional incluir a indicação do 
nome popular;
b. parte utilizada;
c. forma de utilização e modo de preparo, no caso de plantas 
medicinais in natura ou drogas vegetais, na forma de infusão, 
decocção ou maceração em água;
d. forma ou meio de extração, a padronização do marcador da parte 
da planta prescrita (sempre que disponível na literatura científi ca) 
e a forma farmacêutica, no caso de drogas vegetais em formas 
farmacêuticas, medicamentos fi toterápicos, produtos tradicionais 
fi toterápicos e de preparações magistrais; e
Partes de vegetais quando utilizadas para o preparo de bebidas alimentícias, 
sob forma de infusão ou decocção, sem fi nalidades farmacoterapêuticas, são 
defi nidas como alimento e não constituem objeto desta Resolução.
IMPORTANTE
159
e. via de administração e posologia.
II. datadoe identificado com dados do paciente e do nutricionista 
(nome completo, número de inscrição no CRN e meios de contato, 
tais como e-mail e telefone institucionais);
III. carimbado e assinado pelo nutricionista;
 
IV. entregue pessoalmente ou enviado eletronicamente (digitalizado 
ou com assinatura digital certificada) ao cliente/paciente/usuário, 
com confirmação de recebimento, no momento da consulta ou 
posteriormente; e
V. adequadamente registrado em prontuário.
Art. 13. O nutricionista deve registrar, em prontuário dos clientes/
pacientes/usuários, as informações sobre a prescrição, exigidas no 
inciso I do art. 11, além da indicação que justificou o uso, mantendo-o 
arquivado pelo tempo determinado em normativa específica, nos 
termos da Resolução CFN nº 594, de 17 de dezembro de 2017. 
Parágrafo único. Na identificação de efeitos colaterais, efeitos 
adversos, intoxicações, voluntárias ou não, observadas ou relatadas 
pelos clientes/pacientes/usuários, o nutricionista deverá registrar 
no prontuário e, quando pertinente, notificar os órgãos sanitários 
competentes, assim como o laboratório industrial ou a farmácia de 
manipulação (CFN, 2021, p. 19?).
Para finalizar as orientações de como deve ser a prescrição, segue Checklist e 
modelos de receituários:
• Nome do paciente
• Nome científico da planta seguido do nome popular
• Parte utilizada
• Modo de preparo
• Posologia (dose e frequência de uso)
• Período de uso
• Nome completo do prescritor
• Endereço e dados relacionados do prescritor
• Data de emissão
• Assinatura e carimbo com registro profissional
• Autorização para reutilização da prescrição, se houver
Destaque que nos exemplos, o CRN usado é o 3, representativo do estado de 
São Paulo e Mato Grosso do Sul; você acadêmico, quando nutricionista, irá inserir o 
respectivo CRN da sua região.
160
FIGURA 2 – MODELO PADRÃO A SER ADAPTADO DIANTE DA REALIDADE DA PLANTA MEDICINAL PRESCRITA
FONTE: . 
Acesso em: 15 fev. 2022.
 
FIGURA 3 – MODELO PARA PRESCRIÇÃO DE INFUSÃO
FONTE: . 
Acesso em: 15 fev. 2022.
161
FIGURA 4 – MODELO PARA PRESCRIÇÃO DE MACERAÇÃO
FONTE: . 
Acesso em: 15 fev. 2022.
 
FIGURA 5 – MODELO PADRÃO A SER ADAPTADO DIANTE DA REALIDADE DO PRODUTO FITOTERÁPICO PRESCRITO
 FONTE: . Acesso em: 15 
fev. 2022.
162
FIGURA 6 – MODELO PARA PRESCRIÇÃO DA TINTURA
FONTE: . 
Acesso em: 15 fev. 2022.
 
FIGURA 7 – MODELO PARA PRESCRIÇÃO DO EXTRATO SECO PADRONIZADO
FONTE: .
Acesso em: 15 fev. 2022.
163
Entre as espécies vegetais disponíveis para prescrição, nove são de exclusiva 
prescrição médica, conforme demonstrado na fi gura a seguir:
TABELA 1 – ESPÉCIES VEGETAIS DE EXCLUSIVA PRESCRIÇÃO MÉDICA
NOME CIENTÍFICO NOME POPULAR INDICAÇÃO
Arctostaphylos uva-ursi (L.) Spreng. Uva-ursina Cistite
Cimicifuga racemosa Cimicifuga Queixas do climatério
Echinacea purpurea (L.) Moench Equinácea Infecções
Ginkgo biloba L. Ginkgo Distúrbios circulatórios
Hypericum perforatum L. Erva-de-são-joão Depressão
Piper methysticum G. Forst. Kava-kava Ansiedade e insônia
Serenoa repens (W. Bartram) Small Saw palmetto Hiperplasia benigna da próstata
Tanacetum parthenium (L.) Sch. Bip. Tanaceto Enxaqueca
Valeriana offi cinalis L. Valeriana Ansiedade e insônia
FONTE: Adaptado de ANVISA (2014)
No Brasil, há uma vasta biodiversidade e a população tem grande aceitação ao 
uso de plantas medicinais e fi toterápicos, por isso, temos uma gama de documentos 
ofi ciais que podem ser consultados para realizar uma prescrição fi toterápica com mais 
segurança. 
Destacam-se:
• Anexo I da Resolução da Diretoria Colegiada nº 10, de 9 de março de 2010
• Instrução Normativa nº 2, de 13 de maio de 2014 (lista de medicamentos fi toterápicos)
• Relação Nacional de Medicamentos Essenciais – RENAME, 2022
As plantas medicinais in natura e substâncias vegetais preparadas 
unicamente por decocção, maceração ou infusão, são atribuições do 
nutricionista sem requerer especialização. Já para realizar a prescrição 
de fi toterápicos e preparações sob forma de cápsulas, drágeas, 
pastilhas, xaropes, sprays ou qualquer outra forma farmacêutica, como 
extrato, tintura, alcoolatura ou óleo, é necessário que o nutricionista 
seja portador do título de especialista ou certifi cado de pós-graduação 
lato sensu nesta área. Ainda, destaca-se que os profi ssionais da nutrição 
não podem prescrever produtos cuja legislação vigente exija prescrição 
médica (SOUZA; MARTÍNEZ, 2017).
ATENÇÃO
164
• Memento Fitoterápico 2016
• Farmacopeia 2011 e 2019
3 FORMAS FARMACÊUTICAS 
Veremos a seguir, as formas farmacêuticas que englobam a fi toterapia, mas, 
antes, para que possam compreender com maior facilidade todas as nomenclaturas, 
faremos uma revisão dos termos utilizados nessa área e seus conceitos, conforme 
descritos na Resolução do CFN 680/2021.
I. Chá medicinal: droga vegetal com fi ns medicinais a ser preparada 
por meio de infusão, decocção ou maceração em água pelo consumidor.
II. Decocção: preparação que consiste na ebulição da droga vegetal 
em água potável por tempo determinado. Método indicado para 
partes de droga vegetal com consistência rígida, tais como: cascas, 
raízes, rizomas, caules, sementes e folhas coriáceas.
III. Derivado vegetal: produto da extração da planta medicinal fresca 
ou da droga vegetal, que contenha as substâncias responsáveis pela 
ação terapêutica, podendo ocorrer na forma de extrato, óleo fi xo e 
volátil, cera, exsudato e outros.
IV. Droga vegetal:
a. planta medicinal, ou suas partes, que contenham as substâncias 
responsáveis pela ação terapêutica, após processos de coleta/
colheita, estabilização, quando aplicável, e secagem, podendo estar 
nas formas íntegra, rasurada, triturada ou pulverizada; e
b. plantas inteiras ou suas partes, geralmente secas, não processadas, 
podendo estar íntegras ou fragmentadas. Também se incluem 
exsudatos, tais como gomas, resinas, mucilagens, látex e ceras, que 
não foram submetidos a tratamento específi co.
V. Fitoterápico: produto obtido de matéria-prima ativa vegetal, 
exceto substâncias isoladas, com fi nalidade profi lática, curativa ou 
paliativa, incluindo medicamento fi toterápico e produto tradicional 
fi toterápico, podendo ser simples, quando o ativo é proveniente de 
uma única espécie vegetal medicinal, ou composto, quando o ativo é 
proveniente de mais de uma espécie vegetal.
VI. Forma farmacêutica: estado fi nal de apresentação que 
os princípios ativos farmacêuticos possuem após uma ou mais 
operações farmacêuticas executadas com ou sem a adição de 
excipientes apropriados, a fi m de facilitar a sua utilização e obter 
o efeito terapêutico desejado, com características apropriadas a 
determinada via de administração. Obs.: os produtos na forma de 
cápsulas, comprimidos, xaropes, soluções, ou em qualquer outra 
Indicação de leitura atualizada:
VALDIR FILHO, C.; ZANCHETT, C. C. C. Fitoterapia Avançada: Uma 
Abordagem Química, Biológica e Nutricional. Disponível em: Minha Biblioteca, 
Grupo A, 2020.
DICA
165
forma farmacêutica, não são necessariamente medicamentos, pois a 
definição de medicamentos envolve outros aspectos além da forma 
farmacêutica.
VII. Infusão: preparação que consiste em verter água fervente sobre 
a droga vegetal e, em seguida, tampar ou abafar o recipiente, por 
período de tempo determinado. Método indicado para partes da 
droga vegetal de consistência menos rígida, tais como: folhas, flores, 
inflorescências e frutos ou com substâncias ativas voláteis.
VIII. Maceração com água: preparação que consiste nocontato da 
droga vegetal com água à temperatura ambiente, por tempo determinado 
para cada droga vegetal. Esse método é indicado para drogas vegetais 
que possuam substâncias que se degradam com o aquecimento.
IX. Marcador: substância ou classe de substâncias (ex.: alcaloides, 
flavonoides, ácidos graxos, etc.) utilizada como referência no 
controle da qualidade da matéria-prima vegetal e do fitoterápico, 
preferencialmente tendo correlação com o efeito terapêutico. O 
marcador pode ser do tipo ativo, quando relacionado com a atividade 
terapêutica do fitocomplexo, ou analítico, quando não demonstrada, até 
o momento, sua relação com a atividade terapêutica do fitocomplexo.
X. Medicamento fitoterápico: obtidos com emprego exclusivo de 
matérias-primas ativas vegetais cuja segurança e eficácia sejam 
baseadas em evidências clínicas e que sejam caracterizados pela 
constância de sua qualidade.
XI. Nomenclatura botânica: espécie (gênero + epíteto específico).
XII. Novos alimentos e novos ingredientes: alimentos ou 
substâncias sem histórico de consumo no país, ou alimentos 
com substâncias já consumidas e que venham a ser adicionadas 
ou utilizadas em quantidades muito superiores às atualmente 
observadas nos alimentos utilizados na dieta habitual.
XIII. Óleo fixo: óleo não volátil, geralmente líquido à temperatura 
ambiente. É predominantemente constituído por triacilgliceróis, com 
ácidos graxos diferentes ou idênticos.
XIV. Plantas medicinais: espécie vegetal cultivada ou não, utilizada 
com propósitos terapêuticos. Chama-se planta fresca aquela 
coletada no momento do uso e planta seca a que foi submetida à 
secagem, quando se denomina droga vegetal.
XV. Posologia: descreve a dose de um medicamento, os intervalos 
entre as administrações e a duração do tratamento.
XVI. Preparação magistral: é aquela preparada na farmácia, a partir 
de uma prescrição de profissional habilitado, destinada a um paciente 
individualizado, e que estabeleça em detalhes sua composição, 
forma farmacêutica, posologia e modo de usar.
XVII. Produto tradicional fitoterápico: obtidos com emprego 
exclusivo de matérias-primas ativas vegetais cuja segurança e 
efetividade sejam baseadas em dados de uso seguro e efetivo 
publicados na literatura técnico-científica e que sejam concebidos 
para serem utilizados sem a vigilância de um médico para fins de 
diagnóstico, de prescrição ou de monitorização.
XVIII. Racionalidades em saúde: com base no termo Racionalidades 
Médicas, que é todo o sistema médico complexo construído sobre 
seis dimensões: morfologia humana, dinâmica vital, doutrina médica 
(o que é estar doente ou ter saúde), sistema diagnóstico, cosmologia 
e sistema terapêutico. O termo racionalidade em saúde propõe uma 
ampliação desse conceito para uma abordagem multiprofissional 
de cuidado em saúde incluindo as práticas tradicionais/ populares, 
ancestrais e ou alternativas. Sistemas terapêuticos contemplados, 
além do biomédico: Medicina Tradicional Chinesa, ayurveda, medicina 
antroposófica e homeopatia.
166
XIX. Substância ativa isolada: substância responsável pela ação 
terapêutica, originada do metabolismo primário ou secundário 
da planta medicinal ou de seus derivados. Na fitoterapia estas 
substâncias não podem ser prescritas, entretanto, cabe esclarecer 
que as substâncias bioativas, compreendidas como nutriente ou 
não nutriente consumido normalmente como componente de 
um alimento, que possui ação metabólica ou fisiológica específica 
no organismo humano, podem ser prescritas como suplementos 
alimentares, conforme legislação vigente.
XX. Uso tradicional: aquele alicerçado no longo histórico de 
utilização no ser humano demonstrado em documentação técnico-
científica, sem evidências conhecidas ou informadas de risco à saúde 
do usuário (CFN, 2021, Anexo I, grifo nosso).
Na figura a seguir são elencadas as diferenças entre medicamento fitoterápico e 
produto tradicional fitoterápico, para facilitar sua compreensão dos produtos.
TABELA 2 – DIFERENÇA ENTRE MEDICAMENTO FITOTERÁPICO E PRODUTO TRADICIONAL FITOTERÁPICO
DIFERENÇAS
MEDICAMENTO 
FITOTERÁPICO
PRODUTO TRADICIONAL 
FITOTERÁPICO
Comprovação de Segurança e 
Eficácia/Efetividade
Por estudos clínicos
Por demonstração de tempo 
de uso
Boas Práticas de Fabricação Segue a RDC n° 17/2010 Segue a RDC n° 13/2013
Informações do fitoterápico 
para o consumidor final
Disponibilizadas na bula
Disponibilizadas no folheto 
informativo
Formas de obter a autorização 
de comercialização junto à 
Anvisa
Registro ou registro simplificado
Registro, registro simplificado 
ou notificação
FONTE: Cechinel Filho e Zanchett (2020, p. 85)
Pronto, agora com todas as nomenclaturas conceituadas, podemos seguir 
com as formas farmacêuticas, que para relembrar representam: “estado final de 
apresentação que os princípios ativos farmacêuticos possuem após uma ou mais 
operações farmacêuticas executadas com ou sem a adição de excipientes apropriados, 
a fim de facilitar a sua utilização e obter o efeito terapêutico desejado” (CFN, 2021. 
Anexo I). Podem ser classificadas em sólidas, líquidas e semissólidas, as quais podem 
ser administradas por via oral, parenteral, retal, vaginal, oftálmica, aérea, auricular e 
percutânea.
3.1 FORMAS FARMACÊUTICAS SÓLIDAS
As formas farmacêuticas sólidas podem ser: pós, granulados, drágeas, cápsulas, 
comprimidos, supositórios e óvulos, as quais estão descritas a seguir:
167
• Pós: formas que resultam da mistura de fármacos em pó, podem ser usados em 
cápsulas e comprimidos.
• Granulados: se apresentam na forma de grãos ou granulados irregulares, podendo 
ser administrados diretamente ou na produção de comprimidos.
• Drágeas: princípio ativo fica envolvido por um revestimento de açúcar e corante.
• Cápsulas: constituídas de um invólucro amiláceo ou gelatinoso, contendo um ou 
mais fármacos.
• Comprimido: forma sólida de um pó medicamentoso, preparado por compressão, 
adicionando-se ou não substâncias aglutinantes. 
• Supositórios e óvulos: formas sólidas usadas para aplicação retal e vaginal. Sua 
aplicação visa permitir a dissolução, suspensão e emulsificação do fármaco (SOUZA; 
MARTÍNEZ, 2017). 
3.2 FORMAS FARMACÊUTICAS LÍQUIDAS 
A forma farmacêutica líquida, é a solução líquida em que todas as substâncias 
sólidas presentes na formulação estarão totalmente dissolvidas, representando um 
veículo adequado, podem ser elas:
• Xarope: aquoso, contendo cerca de dois terços de seu peso em sacarose ou outros 
açúcares. Suas vantagens são: correção de sabor desagradável e conservação do 
fármaco;
• Suspensão: consiste em um sistema heterogêneo, onde a fase externa ou 
dispersante é líquida, e a fase interna ou dispersa é composta por substâncias 
sólidas insolúveis;
• Emulsões: sistemas dispersos constituídos de duas fases líquidas (oleosa e aquosa);
• Tinturas: preparações alcoólicas ou hidroalcoólicas provenientes da extração ou 
diluição de um componente de um fármaco. Nas tinturas, o fármaco é utilizado em 
concentrações de 20%, normalmente;
• Dentifrícios e enxaguatórios: preparações que contêm abrasivos, que permitem 
a limpeza mecânica dos dentes, através dos tensoativos e também os materiais 
aromáticos, que podem apresentar extratos, tinturas e óleos essenciais vegetais; 
• Óleos medicinais: óleos fixos ou ceras líquidas que contêm extratos de substâncias 
vegetais. Utilizados principalmente em massagens e na terapia com aromas (SOUZA; 
MARTÍNEZ, 2017).
3.3 FORMAS FARMACÊUTICAS PASTOSAS E GASOSA
As formas farmacêuticas estão divididas em pomada, creme e gel. Vamos 
identificar suas diferenças:
168
• Pomada: forma semissólida que consiste de solução ou dispersão de um ou mais 
princípios ativos em uma base adequada, usualmente não aquosa.
• Creme: forma semissólida que consiste de uma emulsão, que contém uma fase lipofílica 
e outra aquosa. Costuma ser utilizada para aplicação externa na pele ou mucosa.
• Gel: forma semissólida que contém um agente gelificantepara fornecer firmeza. 
Pode conter partículas suspensas (SOUZA; MARTÍNEZ, 2017).
Quanto à forma gasosa, essa é representada por aerossóis, suspensão de 
partículas líquidas ou sólidas, de tamanho tão pequeno que flutuam temporariamente 
no ar. Embora existam aerossóis em estado natural, no campo médico são obtidos 
através da nebulização de medicamentos líquidos, como um aparelho nebulizador que 
transforma uma preparação líquida em aerossol (SOUZA; MARTÍNEZ, 2017).
3.4 OUTRAS FORMAS FARMACÊUTICAS
Foram citadas anteriormente as formas farmacêuticas mais comuns e com 
evidencias de efeito comprovadas, todavia, existem outras formas menos conhecidas e 
utilizadas, mas que possuem sua importância e podem ser mais exploradas e ter seus 
benefícios documentados, são elas:
• Cataplasmas: preparações em sua maioria magistrais, com aplicação tópica na pele.
• Ceratos: tipo de pomada constituído por uma mistura de cera e óleo. 
• Alcolatos: obtidas pela maceração alcoólica de plantas frescas, seguidas de destilação.
• Sprays: semelhantes aos aerossóis, mas o diâmetro da partícula é maior. 
• Vaporizações: formas magistrais resultantes da liberação de vapor de água por si só, 
se destinam a inalação.
• Ampolas: tubos de vidro/plástico, estirados nos dois topos, que podem conter líquido 
ou pó. Servem para facilitar a esterilização e conservação do conteúdo (SOUZA; 
MARTÍNEZ, 2017).
Ainda nesse assunto, há formas farmacêuticas inovadoras, aplicadas à 
fitoterapia, pensando principalmente nas crianças e idosos. Vamos desbravá-las?
Bons exemplos do aprimoramento nessa área são pirulitos, chocolates, 
balas e gomas de mascar onde são incorporados extratos vegetais que 
viabilizam o efeito terapêutico. São consideradas, formas resultantes 
da adaptação de formas tradicionais às novas tecnologias. Algumas das 
formas farmacêuticas diferenciadas disponíveis são: Shake: ideal para 
preparo de suplementos nutricionais. Disfarça sabores desagradáveis, 
tornando prazerosa a administração de grandes doses de ativos; Jujuba: 
forma de dose única, que consiste em material gelatinoso, doce e saboroso. 
Ótima opção para crianças; Bombom: dose única contendo um ou mais 
CURIOSIDADE
169
3.5 INTERAÇÃO FITOTERÁPICO X NUTRIENTE
Estamos chegando ao final deste tópico e abordaremos de maneira geral como 
podem ocorrer as interações entre os nutrientes, provenientes de nossa alimentação e os 
componentes das plantas medicinais consumidos por meio de fitoterápicos. Vamos lá!?
Já é descrito na literatura que diversas espécies de plantas medicinais e seus 
compostos apresentam interações com nutrientes e com medicamentos, por isso, esse 
tema se torna de relevante discussão, já que o nutricionista no ato da prescrição deve 
estar atento à estas variáveis. 
Antes de adentrarmos as interações, se faz necessário relembrar as fases de 
absorção dos medicamentos e o momento em que as interações podem ocorrer. 
Na figura 8, é demonstrado que na fase farmacêutica (fase I), ocorre a 
desintegração da forma de dosagem, seguida da dissolução da substância ativa; na fase 
farmacocinética (fase II), ocorrem os processos de absorção, distribuição, metabolismo 
e excreção (ADME), podendo ser definida como “o que o organismo faz com o fármaco”. 
Por fim, na fase farmacodinâmica (fase III) acontece a interação do fármaco com seu 
alvo e a consequente produção do efeito terapêutico, e pode ser entendida como “o 
que o fármaco faz no organismo” (PEREIRA, 2007; CECHINEL FILHO; ZANCHETT, 2020).
FIGURA 8 – REPRESENTAÇÃO DA AÇÃO DE UM FÁRMACO NO ORGANISMO
• Desintegração da 
forma
• Dissolução da 
substância ativa
Fa
se
 I • Absorção
• Distribuição
• Metabolização
• Excreção
Fa
se
 II • Interação fármaco-
receptor no tecido-
alvoFa
se
 I
Fármaco disponível 
para absorção
Fármaco disponível 
para ação
D
O
SE
EF
EI
TO
ativos. Promove maior adesão por ser de fácil deglutição e maior volume interno, evitando 
fracionamentos de doses, além de ser uma opção para mascarar sabores; Espuma – 
preparações constituídas pela dispersão de um grande volume de gás em uma preparação 
líquida. Seu uso frequente é a aplicação na pele ou nas mucosas, e se forma no momento 
da administração. Caracteriza-se por conferir suavidade e firmeza e apresenta oleosidade 
mínima; Bastão cosmético: forma muito prática para aplicar ativos no entorno dos olhos 
ou em outras áreas da face. A aplicação é direta na pele, não precisando utilizar espátulas; 
Gel transdérmico – microemulsão: facilita a permeabilidade do fármaco no local de ação. 
Como o fármaco não passa pelo trato gastrintestinal, os efeitos adversos gástricos são 
reduzidos, facilitando o tratamento de uso prolongado (SOUZA; MARTÍNEZ, 2017). 
FONTE: Adaptado de Pereira (2007)
170
A partir desse conceito, seguimos mais diretamente sobre a interação das plantas 
(fitoconstituintes) com os nutrientes. Inicialmente, é imprescindível trazer a reflexão de 
que a relação entre os fitoterápicos e a biodisponibilidade de micronutrientes ainda foi 
pouco explorada, fazendo com que muitas das interações ainda sejam desconhecidas. 
Todavia, com o aumento do consumo de plantas medicinais e fitoterápicos nos últimos 
anos, diferentes interações medicamentosas foram identificadas, visto que esses 
produtos são formulados com extratos vegetais concentrados que contém uma 
infinidade de fitoquímicos, capazes de modular enzimas e transportadores no intestino 
e no fígado. Alguns extratos podem reduzir a absorção de ferro, folato e ascorbato 
(CECHINEL FILHO; ZANCHETT, 2020).
As interações acontecem, porque assim como os fármacos e os micronutrientes, 
os compostos químicos das plantas medicinais estão sujeitos à mesma absorção, vias 
de distribuição, metabolismo e excreção que o organismo utiliza para todo e qualquer 
xenobiótico. Fato que deixa claro que os três (fármaco, composto químico da planta e 
micronutriente) provavelmente irão interferir entre si quando tomados concomitantemente. 
Nesse sentido, considerando que milhões de pessoas ingerem mais de um suplemento 
por vez, é provável que haja milhares misturando plantas com suplementos vitamínicos e 
minerais, podendo impactar diretamente populações mais vulneráveis, como os idosos. 
Entre os compostos fitoquímicos mais reconhecidos como quelantes de metais da dieta 
estão o ácido fítico, as catequinas e a silimarina (GURLEY et al., 2018).
Para contribuir com a compreensão dessa abordagem, na Tabela 3 estão listados 
alguns de exemplos. 
TABELA 3 – EXEMPLOS DE INTERAÇÕES ENTRE PLANTAS MEDICINAIS E MICRONUTRIENTES
Nome popular/nome científico Nutriente e interação
Cáscara sagrada/Rhamnus purshiana DC. Afeta a absorção de nutrientes dos alimentos.
Hortelã-pimenta/Mentha x piperita L. Reduz absorção de ferro.
Psyllium/Plantago ovata L. Pode afetar a absorção de cálcio.
Cimicifuga/Cimicifuga racemosa (L) Nutt. Pode inibir a absorção de ferro.
Camomila/Matricaria recutita L. Reduz a absorção de ferro.
Salgueiro/Salix alba L. 
A presença de taninos nessa planta poderá 
interferir na absorção de ferro.
Saw palmetto/Serenoa repens (W. Bartram) 
Small
A presença de taninos nessa planta poderá 
limitar a absorção de ferro.
Tanaceto/Tanacetum parthenium (L.) Sch Bip.
A presença de taninos pode formar complexos 
com o ferro e, assim, compromete sua absorção.
FONTE: Adaptado de Cechinel Filho e Zanchett (2020, p. 102)
171
Perceba que grande parte das interações ocorrem entre taninos (fi toquímicos) 
e o ferro. Nesse sentido, para fechar essa abordagem, segue Tabela 4 com exemplos de 
interações entre fi toquímicos e micronutrientes.
TABELA 4 – INTERAÇÕES ENTRE CONSTITUINTES FITOQUÍMICOS DE PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERÁPICOS E 
MICRONUTRIENTES
Constituinte químico Micronutriente/Efeito e mecanismo da interação
Polifenóis (catequina, quercetina)
Ferro - reduz a absorção via complexação
Folato e ácido ascórbico - e reduz a absorção via inibição do 
transportador de absorção.
Silimarina Ferro - reduz a absorção viacomplexação.
Ácido fítico Cálcio, ferro e zinco - reduz a absorção via complexação.
Hiperforina
Vitamina D - depuração plasmática por meio da indução do 
metabolismo do CYP3A4.
FONTE: Adaptado de Cechinel Filho e Zanchett (2020, p. 103)
Em relação à interação entre plantas medicinais e fi toterápicos com 
medicamentos alopáticos, apresenta um risco na atualidade, pois, na maioria das 
situações, os indivíduos fazem o uso por conta própria, sem a orientação profi ssional 
adequada; além do não relato no consumo de plantas aos profi ssionais de saúde durante 
a anamnese, já que constituintes presentes nos fi toterápicos e plantas medicinais podem 
modular enzimas responsáveis pela metabolização ou transportadores que afetam a 
exposição sistêmica ou tecidual. Tais interações medicamentosas podem manifestar-
se devido a alterações na absorção, distribuição, metabolismo, e/ou excreção da droga. 
Com isso, destaca-se aqui, que os prescritores devem consultar recursos confi áveis 
para ajudar a avaliar a segurança de combinações específi cas de plantas medicinais 
ou fi toterápicos e medicamentos, devendo os profi ssionais de saúde questionarem 
cuidadosamente os pacientes sobre o uso de produtos à base de plantas, principalmente 
em pacientes idosos com maior risco de interações adversas devido ao número de 
medicamentos que normalmente utilizam (CHECINEL FILHO; ZANCHETT, 2020). 
Para o momento da prescrição, caso faltem informações e/ou ainda tenha dúvidas, é 
recomendado utilizar o Memento Fitoterápico da Farmacopéia Brasileira 
(2016), elaborado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária que visa 
orientar a prescrição de plantas medicinais e fi toterápicos, por intermédio de 
monografi as apresentadas com conteúdos baseados em evidências científi cas 
que poderão ajudar na conduta terapêutica do profi ssional prescritor. 
Acesso disponível em: . 
DICA
172
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• A fitoterapia é uma ciência baseada no uso de plantas medicinais em diferentes formas 
de apresentação que podem ser usadas na prevenção e tratamento de doenças.
• O Governo através de Políticas, como a Política Nacional de Práticas Integrativas 
e Complementares e a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, já 
desenvolveu vários programas de inserção da fitoterapia no SUS, assim como estímulos 
para estudos científicos e registros dos produtos, como o RENISUS e a RENAME.
• O Conselho Federal de Nutricionistas regulamenta a prática de prescrição de 
fitoterápicos pelos nutricionistas, sendo que existem critérios para que no nutricionista 
possa atuar nessa prescrição.
• Para prescrição de fitoterápicos o nutricionista deve inserir todas as informações 
obrigatórias no receituário e se atentar aos fitoterápicos que só podem ser prescritos 
por médicos.
• A prescrição do fitoterápico só deverá ser realizada se o nutricionista entender que tal 
intervenção contribuirá com questões específicas do tratamento dietoterápico.
• As plantas medicinais quando prescritas como infusão, decocção e ou maceração, 
não requerem de formação específica, todo nutricionista pode realizar essa orientação, 
considerando a necessidade do cliente.
• As formas de apresentação farmacêutica podem ser sólidas, líquidas, pastosas 
e gasosas, além de formas específicas usadas atualmente para questões mais 
específicas, como gomas para crianças.
• As plantas medicinais e os fitoterápicos podem interagir com os micronutrientes, 
agindo principalmente na redução da absorção dos mesmos, com destaque para o 
ferro, o cálcio e o zinco.
• Memento fitoterápico é uma base orientativa para prescrição de fitoterápicos.
173
RESUMO DO TÓPICO 1
1 As tendências globais estão direcionadas a manutenção da biodiversidade, e as ideias 
de desenvolvimento sustentável trouxeram novas áreas de estudos das espécies 
vegetais, que acabaram despertando mais interesses na fitoterapia, criando novas 
linhas de pesquisa em universidades brasileiras, que buscam validar a utilização das 
plantas. Considerando essa última afirmação, assinale a alternativa que corresponde 
aos critérios de validação das plantas como medicinais.
a) ( ) Considera-se validada a espécie que responder positivamente à aplicação do 
conjunto de ensaios capazes de comprovar o benefício que lhe é atribuída, bem 
como sua toxicidade.
b) ( ) Considera-se validada a espécie que responder positivamente à aplicação do 
conjunto de ensaios capazes de comprovar a existência que lhe é atribuída, sem 
verificar sua toxicidade num primeiro momento.
c) ( ) Considera-se validada a espécie que não responder à aplicação do conjunto de 
ensaios capazes de comprovar a existência que lhe é atribuída, mas que seja 
usadas de maneira contínua por uma população específica.
d) ( ) Considera-se validada a espécie que responder positivamente à aplicação do 
conjunto de ensaios capazes de comprovar a existência que lhe é atribuída, bem 
como sua toxicidade, após 10 anos de testes de efeitos colaterais e adversos em 
seres humanos.
2 A Resolução 680/2021 do Conselho Federal de Nutricionistas traz como disposição 
preliminar a regulamentação da prática da fitoterapia pelo nutricionista, atribuindo-
lhe as competências. A qual entende a aplicação da fitoterapia pelo nutricionista na 
assistência nutricional e dietoterápica, como o uso de plantas medicinais em suas 
diferentes preparações, englobados plantas medicinais in natura, drogas vegetais 
e derivados vegetais. No entanto essa resolução também prevê exceções no ato 
prescritivo. Assinale a alternativa que corresponde ao que não pode ser prescrito 
pelo nutricionista:
a) ( ) Suplementos nutricionais com oligoelementos que sejam administrados via 
sonda parenteral.
b) ( ) Drogas vegetais que possuam interação com medicamentos e micronutrientes.
c) ( ) Substâncias ativas isoladas ou altamente purificadas, administradas 
exclusivamente pelas vias oral e enteral.
d) ( ) Alimentos funcionais que não tenham registro simplificado na ANVISA.
3 Conforme descrito no Glossário da Resolução 380/2021 do CFN chá medicinal é a 
droga vegetal com fins medicinais a ser preparada por meio de infusão, decocção ou 
maceração em água pelo consumidor. Com isso, a decocção refere-se a:
AUTOATIVIDADE
174
I- Preparação que consiste na ebulição da droga vegetal em água potável por tempo 
determinado.
II- Método indicado para partes de droga vegetal com consistência rígida, tais como: 
cascas, raízes, rizomas, caules, sementes e folhas coriáceas.
III- Preparação que consiste no contato da droga vegetal com água à temperatura 
ambiente, por tempo determinado para cada droga vegetal. 
IV- Esse método é indicado para drogas vegetais que possuam substâncias que se 
degradam com o aquecimento.
Assinale a opção que corresponde as afirmativas CORRETAS:
a) ( ) I, II e III.
b) ( ) I, II e IV.
c) ( ) I e II.
d) ( ) I e IV.
4 A Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos visa garantir à população 
brasileira o acesso seguro e o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos. Apesar 
de não ser uma Política nova, ainda se faz necessário diferenciar alguns de seus 
conceitos. Nesse sentido, diferencie plantas medicinais, fitoterapia e fitoterápico? 
5 A prescrição de plantas medicinais e fitoterápicos pelos nutricionistas deve ser 
consciente e segura, fazendo parte de um contexto dietoterápico, em desordens que 
o profissional da nutrição atue de maneira direta. Para que a prescrição seja realizada 
de maneira correta, foram elaboradas orientações que norteiam o receituário. 
Descreva as informações obrigatórias no receituário:
175
FITOTERAPIA NOS CICLOS DA VIDA
1 INTRODUÇÃO
Olá acadêmico(a)! Espero que esteja envolvido pelo maravilhoso mundo da 
fitoterapia. Agora que passamos pelos conceitos, políticas e demais legislações,e industrialização atingem a alimentação na medida em que 
ampliam a gama de produtos e serviços em escala mundial, através de redes de mercados 
e cadeias de lanchonetes e restaurantes, promovendo padronização e uniformização 
de consumo, de gostos e de comportamentos alimentares (GARCIA, 2003). A internet 
também permite maior disseminação cultural, o que, ao lado de experiências efetivas 
com outras nações e costumes, promove o conhecimento de novos modelos alimentícios 
e nutricionais que passam a influenciar as preferências dos consumidores no dia a dia 
(FIESP-ITAL, 2010).
Assim, a alimentação da sociedade contemporânea caracteriza-se pela escassez 
de tempo, pelo deslocamento das refeições para fora do lar, pela flexibilização de horários 
para comer, por preparações e utensílios transportáveis e pela diversidade na oferta de 
alimentos. O individualismo exacerbado de nossa sociedade impacta nos rituais alimentares, 
7
acarretando na perda do hábito de comer em companhia. O imediatismo, a urgência e o 
individualismo destes tempos infl uenciam as práticas de consumo, condicionando novos 
modos de comer (GARCIA, 2003; FRANÇA et al., 2012 ; BORSOI et al., 2014). 
O consumidor moderno está familiarizado com a produção industrial de alimentos 
e tem apreciado sua regularidade e praticidade (FONSECA et al., 2011). Tal perspectiva 
acarreta na procura por refeições prontas e semiprontas para consumo, alimentos de fácil 
preparo, embalagens de fácil abertura, fechamento e descarte, produtos para o preparo 
em forno de micro-ondas, produtos embalados para consumo individual (monodoses), 
alimentos que possam ser consumidos rapidamente, no transporte ou mesmo no local de 
trabalho, além das opções de fast food e tele-entrega (FIESP-ITAL, 2010).
Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2017-2018, desenvolvida pelo 
IBGE (2019), apontam para um aumento nas despesas com alimentação fora do domicilio, 
bem como para uma redução no consumo de alimentos básicos da culinária brasileira 
tais quais cereais, leguminosas e oleaginosas, conforme observado nos gráfi cos a seguir. 
Observou-se, por exemplo, que em 15 anos, a quantidade média de consumo per capita 
anual de feijão caiu 52% (de 12,394 kg na edição 2002-2003 para 5,908 kg em 2017-
2018), enquanto a quantidade de arroz caiu 37% (31,578 kg para 19,763 kg). 
GRÁFICO 1 – PERCENTUAL DE DESPESA COM ALIMENTAÇÃO NO BRASIL
FONTE: IBGE (2019, on-line)
Para refl etir acerca da importância do hábito de cozinhar na cultura 
alimentar de um povo, assista ao documentário “Cooked”, produzido 
por Michael Pollan, disponível no Netfl ix. Esta série documental resgata 
as tradições na cozinha na tentativa de restaurar o equilíbrio na vida. 
Diante do crescimento da indústria alimentícia, o jornalista caminha na 
contramão e levanta a bandeira de que devemos resgatar as origens dos 
alimentos, devemos nos reconectar com os alimentos. 
DICA
8
GRÁFICO 2 – DISTRIBUIÇÃO DE DESPESAS COM ALIMENTAÇÃO OS GRUPOS ALIMENTOS
FONTE: IBGE (2002-2003, 2017-2018, on-line)
Corroborando estes achados, dados preliminares do Vigitel Brasil 2020 
apontam que menos de ¼ da população brasileira atingia o consumo recomendado pela 
Organização Mundial de Saúde (OMS) para frutas e hortaliças (ingestão diária ≥400g), 
ao passo que, 18,5% dos respondentes havia consumido 5 ou mais grupos de alimentos 
ultraprocessados no dia anterior à entrevista. Esta pesquisa demonstrou ainda que o 
excesso de peso e obesidade seguem aumentando, atingindo alarmantes 57,5% e 21,5% 
da população brasileira, respectivamente (BRASIL, 2021).
Pesquisa realizada em 2010 pela FIESP/ITAL sobre o perfil de consumo alimentar 
no Brasil, o “Projeto Brasil Food Trends 2020”, aponta que “praticidade e conveniência” 
são os principais motivos dos consumidores ao optarem por alimentos industrializados. 
Do total de entrevistados, 34% priorizaram estes dois itens, deixando aspectos como 
“confiabilidade e qualidade”, “sensorialidade e prazer” e “saudabilidade e bem-estar, ética 
e sustentabilidade” em segundo, terceiro e quarto lugar, respectivamente. Este último 
quesito foi eleito como prioritário para apenas 21% dos entrevistados (FIESP-ITAL, 2010).
9
Esse novo modo de alimentar-se do comensal contemporâneo impacta não só 
em aspectos relacionados à cultura alimentar como também à saúde. Haja vista que, 
muitos dos alimentos industrializados e prontos para consumo que ganham cada dia 
mais espaço na mesa dos brasileiros, compõe refeições desbalanceadas, hipercalóricas, 
ricas em açúcares, gorduras e aditivos alimentares. Cabe destacar que este padrão 
alimentar contribui para a elevação das taxas de sobrepeso, obesidade, dislipidemias, 
hipertensão, diabetes, cardiopatias entre outras, além da diminuição da qualidade de 
vida da população (FRANÇA et al., 2012).
Em contrapartida, há uma crescente pressão por parte de anúncios publicitários 
e informações divulgadas nas mídias e comunidade científica para a adoção de um 
estilo de vida mais saudável, o qual engloba alimentação e atividade física. A publicidade 
faz uso de dados científicos para legitimar seus produtos e dar-lhes um status que 
possibilite classificá-los como saudáveis e, dessa forma, recomendáveis para o consumo, 
impactando nas escolhas alimentares (DIEZ-GARCIA, 2017). 
Além da publicidade tradicional, na era da internet, ganharam destaque o papel 
dos influencers digitais, grupo formado por indivíduos que se sobressaem nas redes 
sociais e que possuem a capacidade de mobilizar um grande número de seguidores, 
pautando opiniões e comportamentos e até mesmo criando conteúdos que sejam 
exclusivos. A exposição de seus estilos de vida, experiências, opiniões e gostos acabam 
tendo uma grande repercussão em determinados assuntos. Há um nicho específico 
dentre os influencers digitais voltado ao mercado fitness, capazes de influenciar nas 
decisões de compra de seus seguidores no que diz respeito à alimentos e suplementos. 
Estes indivíduos são contratados pelas marcas para desenvolverem a publicidade de 
seus produtos, visto que a confiança que os seguidores depositam neles é transferida 
para a marca a partir do momento que uma foto ou vídeo é postado indicando seu 
produto (SILVA; TESSAROLO, 2016).
Uma vez que o interesse da publicidade é meramente financeiro, devemos estar 
atentos a veracidade da informação divulgada, pois esta pode se utilizar de estudos 
científicos de qualidade metodológica duvidosa ou mesmo distorcer os resultados em 
prol de seus objetivos de mercado. Os influencer digitais, por sua vez, muitas vezes 
são indivíduos leigos que disseminam informações sem respaldo técnico, visando 
exclusivamente o cumprimento de seus contratos de divulgação de produto. Parte 
da população não apresenta consciência crítica para filtrar as informações divulgadas 
e acaba por aderir a padrões de consumo, que não só não apresentam os benefícios 
postulados, como também podem acarretar em malefícios.
A noção de cuidado consigo e com o outro por meio da alimentação se tornou algo 
cada vez mais valorizado pelos comensais, que passaram a ter preocupações com uma 
alimentação saudável e com a composição nutricional daquilo que ingerem (FONSECA 
et al., 2011). Ganha destaque a procura por alimentos funcionais e produtos para dietas 
e controle do peso (FIESP-ITAL, 2010). A indústria de alimentos tem se utilizado da 
manipulação tecnológica de alimentos por princípios nutricionais afim de atender a esta 
10
busca por alimentos ditos mais saudáveis (DIEZ-GARCIA, 2017). Temos visto aumentar nas 
prateleiras de supermercados produtos alimentícios alegadamente saudáveis, os quais, 
atualmente utilizam denominações “fi t” ou “fi tness”. Muitos destes produtos alimentícios 
“fi t” apresentam menor teor calórico, exclusão de glúten, lactose e/ou açúcares, redução 
de sódio ou ainda e são recomendados, através de estratégias de marketing industrial, 
para indivíduos saudáveis, sem qualquer alergia ou intolerânciaassim 
como pelas orientações para uma prescrição assertiva, iremos adentrar pelas inúmeras 
possibilidades de aplicação dessa terapia, sempre com intuito de beneficiar a saúde de 
nossos clientes/pacientes.
Nesse tópico estamos destinados a explorar os diferentes ciclos da vida, e as 
plantas medicinais que podem ou não ser utilizadas em cada fase. Vamos lá?
Há fases do ciclo da vida que nosso organismo pode estar mais suscetível 
a processos de vulnerabilidades, como é o caso da gestação, lactação, infância e 
envelhecimento, momentos esses em que se pode adoecer com maior facilidade, assim 
como, as interações entre nutrientes e demais xenobióticos é maior e a possibilidade 
de toxicidade de fitoterápicos por exemplo, também pode ser exacerbada, por isso, o 
maior cuidado e necessidade de discussão sobre esses períodos. Nesse sentido será 
abordado as principais alterações e cuidados em relação às fases especiais de vida. 
Em um primeiro momento, durante a gestação e a lactação, pode ocorrer 
pressão de familiares e amigos sobre diferentes assuntos, entre eles o uso de plantas 
medicinais, mais comumente os “chás de vó”. Para cada queixa da gestante, há alguém 
para indicar um chazinho. Entretanto, de maneira geral, o uso de plantas medicinais e 
de fitoterápicos não é recomendado na gestação devido à falta de estudos científicos, 
principalmente ligados a segurança e ausência de toxicidade ao feto, pois muitas plantas 
apresentam atividade abortiva, teratogênica e tóxica.
Por sua vez, na infância, o uso da fitoterapia ocorre por escolha inicialmente 
dos pais e/ou cuidadores, sendo o uso tradicional o mais incentivado em situações 
de problemas gástricos, respiratórios e de insônia. Todavia, por se tratar de uma fase 
importante, deve-se prestar atenção e realizar ajustes da dosagem devido aos sistemas 
ainda imaturos das crianças.
No caso da população idosa, é perceptível que o uso da fitoterapia é maior, 
especialmente no Brasil, sendo o uso das infusões o mais comum. É importante destacar 
aqui, que como os idosos muitas vezes utilizam grande quantidade de medicações, deve-se 
atentar a possíveis interações medicamentosas e, consequentemente, efeitos indesejáveis.
UNIDADE 3 TÓPICO 2 - 
176
Nos próximos tópicos desdobraremos cada situação brevemente descrita 
anteriormente.
2 GESTAÇÃO E LACTAÇÃO 
O período gestacional normal é constituído por aproximadamente 40 semanas, 
em um primeiro momento, que compreende os três primeiros meses ocorrem diversas 
modifi cações fi siológicas no organismo da mãe, isso devido à intensa divisão celular. 
Modifi cações essas que podem desencadear náuseas e vômitos, principalmente. Já nos 
segundo e terceiro trimestres, o desenvolvimento fetal sofre maior infl uência do meio 
externo, sendo a gestação interferida por diversas condições. Em geral nesse período, a 
constipação é uma das principais reclamações (SAMAVATI et al., 2017).
O uso de plantas medicinais durante a gestação é um assunto que requer muita 
atenção, pois, conforme mencionado anteriormente, diversas espécies apresentam 
potencial tóxico, teratogênico e abortivo. No entanto, devido à ideia de que planta 
medicinais, “se não faz bem, mal também não faz”, muitas vezes as gestantes preferem 
usar plantas medicinais para o alívio de sintomas comuns (como náusea e vômito, 
constipação, inchaço, ansiedade e infecções urinárias de repetição), colocando a sua 
saúde e a de seus fi lhos em risco em virtude dos estudos de segurança com plantas 
medicinais serem escassos e muitas vezes da falta de conhecimento de todas as 
propriedades fi toquímicas, unidas a falta de comunicação com seus respectivos 
profi ssionais de saúde (BRUNO et al., 2018). 
Segundo estudo de Samavati et al. (2017), algumas espécies que são 
culturalmente utilizadas por gestantes para alívio de sintomas digestivos, como o 
gengibre, o funcho e a canabis, no combate à náusea; e o ruibarbo, linhaça, feno-grego 
e sene para alívio da constipação. Destas, foi verifi cado que o sene parece ser seguro 
como laxativo, e o gengibre, como antiemético, no primeiro trimestre, devendo o uso ser 
feito com precaução no segundo e terceiro trimestres, assim como o funcho. A linhaça 
Um estudo realizado por Kennedy e colaboradores (2016) com mulheres 
da Europa e na Austrália observou que, no total, 29,3% delas (n = 2.673) 
relataram utilizar plantas medicinais na gravidez. Como resultado, das 
126 espécies relatadas, 27 foram classifi cadas como contraindicadas, 
sendo usadas por 20% das mulheres. 
As plantas mais utilizadas e classifi cadas como seguras foram Zingiber 
offi cinale (gengibre) (56,7%), Vaccinium oxycoccos L./macrocarpon Aiton 
(arando) (55%) e Mentha x piperita L. (hortelã-pimenta) (15,9%).
CURIOSIDADE
177
também deve ser usada com precaução, enquanto o feno-grego e a canabis não devem 
ser utilizados. Já com relação à ingestão de ruibarbo e linhaça no primeiro trimestre, não 
foram encontrados estudos clínicos que suportem esse uso de forma segura. 
O estudo destacou que a emodina, presente no ruibarbo, induz anormalidades 
fetais, e o feno-grego induz efeito teratogênico. Embora seguro no primeiro trimestre, 
há relato que ocorre uma redução do período gestacional quando o gengibre é utilizado 
no segundo trimestre, assim como o funcho. Já a canabis pode levar a transtornos 
neurológicos fetais (SAMAVATI et al., 2017).
De forma mais breve, de acordo com Li e colaboradores (2019), entre as espécies 
mais utilizadas na gestação e consideradas seguras, estão o Zingiber officinale Roscoe 
(gengibre), usado no mundo todo para o combate à náusea no período gestacional e a 
Plantago ovata Forssk (psílio), para modulação da constipação, através do aumento do 
volume de absorção de água e estímulo do peristaltismo intestinal (CLEMENTI; WEBER-
SCHÖNDORFER, 2015). 
Os profissionais de saúde que desejam prescrever plantas medicinais de 
forma complementar à medicina convencional devem agir com cautela, analisando 
o uso em cada caso, avaliando benefícios, efeitos adversos e possíveis interações 
medicamentosas. Pois, ressaltamos mais uma vez, há escassez de evidências clínicas 
para assegurar o uso de plantas medicinais e fitoterápicos no período gestacional e na 
lactação (BRUNO et al., 2018).
É essencial assegurar a qualidade, a segurança e a eficácia, além de esclarecer 
à população em geral e aos profissionais de saúde, principalmente, sobre os riscos do 
uso indiscriminado de espécies medicinais.
Além da falta de conhecimento adequado sobre os compostos presentes nos 
extratos de plantas e seus efeitos terapêuticos ou tóxicos, a prescrição de 
fitoterápicos e o uso de chás durante a gestação devem ser realizados com 
muita cautela e de forma bem planejada. Pode haver efeitos indesejáveis tanto 
na mãe quanto no feto, especialmente no primeiro trimestre, já que o embrião 
está em desenvolvimento. É precisamente nesse estágio que anomalias 
induzidas por agentes teratogênicos podem ocorrer – especialmente 
quando se trata de extratos de plantas medicinais, nos quais os compostos 
exatos presentes não são conhecidos e podem levar a malformações, já que 
a maioria das informações é apenas baseada em estudos de caso, e estudos 
clínicos são raros ou limitados. A maioria das recomendações é baseada 
em estudos pré-clínicos, que podem não refletir de forma adequada as 
condições e o desenvolvimento embrionários de humanos (BRUNO et al., 
2018 apud CECHINEL FILHO; ZANCHETT, 2020, p. 123).
NOTA
178
Na Tabela 5 estão elencadas as espécies vegetais contraindicadas na gestação 
e seus efeitos.
TABELA 5 – ESPÉCIES VEGETAIS CONTRAINDICADAS NA GESTAÇÃO E SUAS RESPECTIVAS AÇÕES MALÉFICAS
NOME CIENTÍFICO NOME POPULAR AÇÃO 
Aloe spp. Babosa
Emenagoga, abortiva, mutagênica, 
ocitócica e catártica
Arnica montana L. Arnica
Estimulante do útero, possui alta 
toxicidade
Artemisia absinthium L. Losna
Emenagoga, neurotóxica e 
ocitócica
Baccharis spp. Carqueja Abortiva, relaxante do úteroalimentar, sob a alegação 
pseudocientífi ca dos benefícios à saúde frente a exclusão destes componentes. 
Contudo, uma vez que o consumidor dispõe de um maior acesso à informação 
e uma parcela destes têm apresentado maior consciência crítica, também têm havido 
uma busca crescente por alimentos e produtos alimentícios que sejam de fato mais 
saudáveis e sustentáveis. Nisto, há maior procura pelo mercado de produtos ou 
alimentos orgânicos, não transgênicos, com menos conservantes e corantes artifi ciais 
e com adição de fi bras, vitaminas e minerais. Para atender a essa demanda, a indústria 
de alimentos tem apresentado como opções as bebidas à base de frutas, snacks de 
frutas, oleaginosas e vegetais e iogurtes naturais (FIESP-ITAL, 2010).
Ao profi ssional Nutricionista, enquanto detentor do conhecimento do papel 
da alimentação para a manutenção da saúde e prevenção de doenças, bem como do 
papel biopsicossocial do ato de comer, cabe equacionar as necessidades nutricionais e 
alimentares próprias da sociedade contemporânea ao estilo de vida que se apresenta, 
para melhor orientar os indivíduos e grupos sob seus cuidados. O Nutricionista deve se 
valer de estratégias de Educação Alimentar e Nutricional no instituto de capacitar seus 
pacientes a analisar os produtos alimentícios disponíveis afi m de fazer as escolhas mas 
apropriadas em cada caso. 
4 EMPREENDEDORISMO
As transformações observadas na sociedade contemporânea abrem espaço para 
a promoção do empreendedorismo e à generalização de uma “cultura empreendedora” 
na sociedade brasileira visando atender as novas necessidades do mercado. Os 
empreendedores precisam identifi car onde estão as oportunidades futuras, as quais 
podem ser indicadas por um conjunto de tendências e mudanças sociais, políticas, 
econômicas e culturais (FERREIRA; SANTOS; SERRA, 2010).
Atento às mudanças no padrão de consumo alimentar, a 2ª edição do 
Guia Alimentar da População Brasileira traz um apelo à priorização de 
alimentos in natura e minimamente processados e estimula a valorização 
dos modos tradicionais de alimentação e do comer em companhia, entre 
outros aspectos.
ATENÇÃO
11
Segundo Chiavenato (2021), empreender significa a união, de forma inteligente, 
inovadora e integrada de: um produto ou serviço (oferta), que satisfaça uma necessidade 
ou aspiração do mercado (uma dor), para um cliente ou consumidor que precisa satisfazer 
tal necessidade (o remédio), e um meio de disponibilizar ou entregar o produto/serviço por 
meio próprio ou de intermediário, por um preço que o cliente possa se dispor a pagar (valor), 
e que permita um razoável retorno do empreendedor (lucro). Ou seja, o empreendedor 
por ser visto como o indivíduo que identifica uma oportunidade e cria um negócio para 
capitalizar sobre ela, assumindo riscos calculados (BAGGIO; BAGGIO, 2014). 
Diferentemente do que muitos imaginam, o empreendedorismo não se limita 
a criação de novas empresas, podendo abranger novos negócios, produtos, marcas e 
inovações em qualquer área de atuação (MEDEIROS; ANDRADE, 2017). Inovar na forma 
de ofertar um serviço padrão é considerado empreendedorismo.
O espírito empreendedor está na veia de muitas pessoas dotadas de uma 
vontade de construir algo que faça valer a pena de viver a sua vida, surgindo quando o 
indivíduo quer conquistar autonomia, atingir excelência em seu próprio empreendimento 
e melhorar sua qualidade de vida (CHIAVENATO, 2021). Além de objetivos pessoais, há 
também fatores exógenos que conduzem o indivíduo ao empreendedorismo como a 
necessidade de ter uma fonte de renda complementar ou frente a uma situação de 
desemprego (FERREIRA; SANTOS; SERRA, 2010).
O comportamento empreendedor impulsiona o indivíduo e transforma contextos. 
A essência do empreendedorismo está na mudança, por isso o empreendedor tende a 
ver o mundo com novos olhos, com novos conceitos, com novas atitudes e propósitos 
(BAGGIO; BAGGIO, 2014).
Devido a difusão de conhecimento acerca dos impactos da Nutrição na saúde, 
estética, qualidade de vida, prevenção e tratamento de doenças, tem crescido cada 
vez mais o interesse da população pelo tema, abrindo espaço para múltiplas formas de 
empreender na área. Associado a isso, temos observado um aumento na competividade 
no mercado de trabalho relacionado à Nutrição em virtude do crescimento exponencial 
no número de graduados semestralmente, que impulsionam o profissional Nutricionista 
a se destacar através do empreendedorismo. 
4.1 ÁREAS POSSÍVEIS PARA EMPREENDER EM NUTRIÇÃO
Assim como há uma ampla gama de áreas e subáreas de atuação dentro da 
Nutrição, também há muitas oportunidades para empreender neste campo. Dessa 
forma, nosso intuito neste tópico não é esgotar o tema e sim elencar algumas, dentre as 
diversas possibilidades, de empreendimentos em Nutrição. 
12
4.1.1 Nutrição Clínica
De forma geral, as iniciativas empreendedoras na área de Nutrição Clínica 
envolvem a avaliação nutricional, a prescrição dietoterápica e o acompanhamento 
nutricional. Os diferenciais apresentados nestas iniciativas dependerão do público-alvo 
atendido e da forma de ofertar tais serviços. Veja a seguir alguns exemplos: 
· Consultório de Nutrição: envolve o estabelecimento e a gestão de um espaço (sala 
ou clínica) para a realização do atendimento nutricional, que pode atender aos 
mais variados perfis de pacientes (crianças, adultos, idosos, gestantes) em suas 
necessidades (emagrecimento, nutrição esportiva, dietoterapia para patologias, 
introdução alimentar). Pode ser exclusivo de um único profissional ou estabelecido 
em sociedade com outros profissionais Nutricionistas ou de áreas fins (por exemplo, 
médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas). A oferta de serviços inovadores 
nestes estabelecimentos pode ser um diferencial do negócio, tais como: espaço 
lúdico para crianças; espaço com cozinha para demonstrações de técnicas e receitas; 
e avaliação por Bioimpedância. Trata-se de um negócio de custo de implantação 
mais elevado haja a vista que engloba as despesas de locação ou aquisição, não só 
do espaço físico como também de equipamentos de antropometria e informática, 
mobiliário, além dos custos de manutenção (água, luz, internet, telefone e afins). 
· Consultoria em Nutrição Esportiva: haja vista que poucas academias contam 
com Nutricionista integrando seu quadro técnico, a oferta de consultoria nestes 
estabelecimentos apresenta alto potencial lucrativo (MARQUES et al., 2018). Clubes 
de esportes, sejam eles recreacionais ou de alto rendimento (atletas) também podem 
ser alvo destes serviços. Um facilitador deste tipo de empreendimento é o baixo 
custo de implantação uma vez que a oferta dos serviços se dá no estabelecimento 
desportivo, o qual por vezes já dispõe de equipamentos de antropometria, cabendo 
ao profissional Nutricionista arcar com seu deslocamento. 
· Consultoria Empresarial: atentos à saúde e qualidade de vida de seus colaboradores, 
muitas empresas têm buscado ofertar-lhes, no ambiente de trabalho, serviços de 
saúde. Neste contexto o profissional Nutricionista pode ofertar, in loco, palestras 
sobre temas oportunos de Alimentação e Nutrição, bem como atendimentos 
nutricionais individuais e/ou coletivos. Requer adequação dos serviços ofertados ao 
perfil dos colaboradores, objetivos do contratante e disponibilidade de espaço físico 
na empresa. No planejamento dos encontros, devem ainda levar em consideração a 
rotina de trabalho, tendo em vista a produtividade dos colaboradores.
· Grupos de Nutrição: caracterizam-se pela oferta de assistência nutricional de forma 
coletiva, por meio de grupos que reúnem indivíduos os quais não se conhecem 
entre si, porém possuem objetivos em comum, tais como emagrecimento, 
reeducação alimentar e controle de patologias. Permite que o profissional molde 
o grupo em relação ao número de encontros, duração, localização (presencial ou 
on-line), temáticas abordados, metodologia dos encontros e ferramentase técnicas 
utilizadas (avaliação nutricional, oferta de orientações e/ou cardápio alimentar, 
oficinas de culinária, lista de compras, grupos para comunicação por aplicativos de 
13
mensagem), conforme sua disponibilidade, interesse e perfil dos participantes. É 
uma possibilidade de ampliar o atendimento para um número maior de indivíduos, 
maximizando assim os lucros, porém requer um alto grau de organização e 
planejamento prévio do Grupo pelo Nutricionista, bem como sua divulgação.
· Personal Dieter: trata-se de um atendimento nutricional domiciliar individualizado ou 
familiar. Esta abordagem permite a oferta de serviços diferenciados, como a orientação 
ou acompanhamento do cliente nas etapas do processo alimentar propriamente dito 
(aquisição de alimentos, lista de compras, higienizição, pré-preparo e preparo de 
alimentos, utilizações de louças e utensílios, e consumo alimentar) (DAL BOSCO, 2015). 
Apresenta a vantagem de ser um empreendimento de relativo baixo custo, contudo 
requer que o profissional disponha de meio de deslocamento adequado até o domicílio 
do paciente haja vista que terá de transportar seus materiais para o atendimento 
(fichas e planilhas, notebook, equipamentos de antropometria, entre outros).
· Atendimento domiciliar ou Home Care: similar ao Personal Dieter, trata-se também 
de atendimento domiciliar, porém focado em pacientes com condições patológicas 
que apresentam dificuldades de deslocamento. Neste caso o atendimento nutricional 
pode ser ofertado de forma isolado ou junto a uma equipe multiprofissional. O 
Nutricionista pode tanto trabalhar de forma autônoma como também pode prestar 
serviços para empresas ou convênios de saúde.
 
 
4.1.2 Nutrição em Alimentação Coletiva e Produção de Alimentos
Atualmente, o campo da Alimentação Coletiva é o que concentra maior atuação 
de nutricionistas empreendedores. Englobando desde a consultoria em Unidades de 
Alimentação e Nutrição (UAN) até a gestão de estabelecimentos que servem refeições 
(restaurantes, lanchonetes, confeitarias) ou que as preparam para distribuição (prontas 
para consumo ou congeladas) (LUMERTZ, 2015).
A busca da sociedade contemporânea por uma alimentação mais saudável 
que alie praticidade abre espaço para que o profissional Nutricionista inove através da 
elaboração de cardápio e ficha técnica de refeições nutricionalmente balanceadas para 
tele-entrega de refeições. Da mesma forma, tem surgido a possibilidade de atuar como 
consultor no desenvolvimento de produtos alimentícios e suplementos em pequenas e 
grandes indústrias de alimentos.
4.1.3 Nutrição em Ensino
Valendo-se do seu conhecimento técnico, o profissional nutricionista pode 
oferecer cursos e capacitações, nas mais diversas áreas da Nutrição, quer seja para 
pacientes, colaboradores, empresas ou mesmo para estudantes e Nutricionistas. Neste 
sentido, diversas são as abordagens possíveis, tais como:
14
· Cursos de culinária convencional ou funcional: podem ser ofertados para pacientes 
de todas as idades, cuidadores, cozinheiras, funcionárias do lar (ex: babá, auxiliar) e 
para Nutricionistas.
· Cursos ou capacitações para temas específicos da formação profissional: podem 
ser oferecidos à estudantes ou Nutricionistas, com temáticas de maior interesse ou 
dificuldade destes, tais como Avaliação Antropométrica, Bioquímica, Intepretação 
de Exames Laboratoriais, Patologias Específicas, Microbiota Intestinal, Nutrição 
Enteral e Parenteral, Nutrição Esportiva, entre outros.
· Cursos de Aleitamento Materno: para apoio às mães e familiares.
· Cursos preparatórios para provas: para estudantes ou Nutricionistas que desejam 
prestar provas para Residência, Programas de Pós-graduação ou Concursos Públicos.
 
4.2 PRÉ-REQUISITOS AO EMPRENDEDOR
Ao pensar em empreender, é importante atentar para alguns aspectos 
fundamentais em relação à preparação prévia necessária, tais como capacitação 
técnica e característica pessoais, que impactam nos resultados alcançados.
4.2.1 Características de um empreendedor
Ser empreendedor tem significados distintos para diferentes pessoas e não há 
um perfil empreendedor único, que inclua todas as características do empreendedor 
de sucesso. Os empreendedores possuem experiências profissionais, níveis de 
escolaridade, situações familiares, idades, características psicológicas e emocionais 
diversas (FERREIRA; SANTOS; SERRA, 2010).
Contudo, há um conjunto de traços semelhantes entre os empreendedores, 
como: apto a detectar oportunidades de negócios; assumir os riscos com prudência; a 
necessidade de trabalhar com autonomia; a assunção de responsabilidade; a criatividade 
e inspiração necessária para o negócio; a motivação pessoal e a busca pela recompensa 
desejada, que pode ser financeira, de independência, de reconhecimento social e/ou de 
realização pessoal. Além disso, o empreendedor reúne uma visão externa (mercado e 
consumidores) e uma visão interna (adequação do negócio, produto e oferta) no sentido 
de viabilizá-las. Ou seja, o empreendedor é definido em termos de comportamentos e 
atitudes, não de características de personalidade (FERREIRA; SANTOS; SERRA, 2010; 
MEDEIROS; ANDRADE, 2017; CHIAVENATO, 2021).
15
4.2.2 Capacitação Técnica do Empreendedor
Precisamos atentar para o fato de que a formação em Nutrição não aprofunda 
conhecimentos técnicos relacionados ao empreendedorismo, requerendo do profi ssional 
que deseja empreender buscar qualifi cação no tema. A importância de estudar 
empreendedorismo é baseada no fato de que um indivíduo não nasce empreendedor, 
mas, sim, torna-se um, uma vez que esteja munido de formação e informação 
adequadas. Além disso, os potenciais empreendedores dotados de conhecimento 
técnico, entenderão melhor os desafi os a que estã o sujeitos, contribuindo para maior 
probabilidade de sucesso do empreendimento (FERREIRA; SANTOS; SERRA, 2010).
Há quatro as fases do processo de empreender: identifi car e avaliar a oportunidade; 
desenvolver o plano de negócios; determinar e captar os recursos necessários; gerenciar 
a organização criada (BAGGIO; BAGGIO, 2014). Minimamente, conhecimentos técnicos 
relacionados à administração, gestão e liderança, são necessários para lidar com as 3 
ultimas fases deste processo.
Tal capacitação pode ser obtida através de cursos, livros e especializações. 
Conforme abordado anteriormente, a evolução tecnológica vivenciada na atualidade 
transformou o acesso à educação e conhecimento, de forma que dispomos de acesso 
facilitado à formações voltadas ao empreendedorismo de forma online.
4.2.3 Planejamento
Um plano de negócios, ou seja, um planejamento detalhado, é fundamental 
para um empreendimento de sucesso. Por meio dele é possível defi nir os objetivos do 
empreendimento e o que deve ser feito para alcança-los (DAL BOSCO, 2015).
O planejamento parte da escolha da área de atuação específi ca, ou seja, a 
segmentação de mercado. Deve incluir ainda o estudo de mercado, que visa avaliar: 
o investimento (de tempo, recursos fi nanceiros e recursos humanos) necessário ao 
empreendimento; os comportamentos, preferências e necessidades dos clientes/pacientes; 
e analisar a concorrência. A defi nição de metas e objetivos que se deseja alcançar é outro 
ponto fundamental no planejamento, que irá nortear a gestão do negócio, bem como deve 
ser realizada a avaliação dos aspectos legais que o regulamentam (MARTINS, 2018).
Quer estudar mais sobre empreendedorismo, ler relatos de empreendedores e 
acessar cursos a respeito? Visite o site do Sebrae: https://www.sebrae.com.br/
sites/PortalSebrae/tipoconteudo/empreendedorismo# 
DICA
16
5 MARKETING EM NUTRIÇÃO 
Tendo em vista a necessidade de captação pacientes, clientes e/ou 
consumidores, aliada a competitividade do mercado, faz-se necessário que o profissional 
Nutricionista utilize de ferramentas e estratégias de Marketing para se sobressair. Cabe 
destacar que a utilização de recursos de Marketing deve respeitar o Código de Éticada 
Nutrição, que estabelece limites neste sentido, conforme veremos a seguir.
A função primordial do Marketing é lidar com os clientes, visando o 
estabelecimento de relacionamentos lucrativos com eles, atraindo-os através da 
promessa de valor superior. Em relação aos clientes atuais, visa a manutenção e cultivo 
destas relações por meio da satisfação plena destes (SILVA, 2014).
Dal Bosco (2015) defende que o marketing do terceiro milênio é orientado à 
criação e à experiência, e não ao controle de um mercado. Tem por base a implementação 
da educação desenvolvimentista, do aperfeiçoamento incremental em um processo 
contínuo, e não somente a utilização de simples táticas para concentrar uma fatia de 
mercado ou eventos únicos (DAL BOSCO, 2015).
Os quatro pilares básicos de qualquer estratégia de marketing – conhecidos 
como os 4 Ps do Marketing, são: produto, preço, praça e promoção. Para apresentar sua 
proposta de valor, a empresa ou profissional deve criar uma oferta ao mercado (produto 
ou serviço) que satisfaça as necessidades do cliente. Ela deve decidir quanto cobrará 
por esta oferta (preço) e como a disponibilizará aos clientes-alvo (praça). Por último, 
deve divulga-la e persuadir o cliente-alvo de seus méritos (promoção) (SILVA, 2014). 
5.1 PRINCÍPIOS ÉTICOS NO MARKETING EM NUTRIÇÃO
O profissional Nutricionista, ao se utilizar de ferramentas e técnicas de Marketing 
deve respeitar os preceitos do Código de Ética e de Conduta da profissão estabelecido 
pelo Conselho Federal de Nutricionistas (CFN). Especial atenção deve ser dada ao 
posicionamento do profissional Nutricionista nas mídias sociais, espaço no qual muitas 
vezes os limites profissionais-pessoais se confudem. 
Em relação ao uso de estratégias para comunicação e informação ao público e 
para divulgação das atividades profissionais, utilizando quaisquer meios, alguns artigos 
do código de ética merecem maior destaque:
Art. 54 É direito do nutricionista divulgar sua qualificação profissional, 
técnicas, métodos, protocolos, diretrizes, benefícios de uma 
alimentação para indivíduos ou coletividades saudáveis ou em 
situações de agravos à saúde, bem como dados de pesquisa fruto 
do seu trabalho, desde que autorizado por escrito pelos pesquisados, 
respeitando o pudor, a privacidade e a intimidade própria e de terceiros.
17
Art. 55 É dever do nutricionista, ao compartilhar informações sobre 
alimentação e nutrição nos diversos meios de comunicação e 
informação, ter como objetivo principal a promoção da saúde e a 
educação alimentar e nutricional, de forma crítica e contextualizada 
e com respaldo técnico-científico.
Parágrafo único. Ao divulgar orientações e procedimentos específicos 
para determinados indivíduos ou coletividades, o nutricionista deve 
informar que os resultados podem não ocorrer da mesma forma para 
todos.
Art. 56 É vedado ao nutricionista, na divulgação de informações ao 
público, utilizar estratégias que possam gerar concorrência desleal 
ou prejuízos à população, tais como promover suas atividades 
profissionais com mensagens enganosas ou sensacionalistas e 
alegar exclusividade ou garantia dos resultados de produtos, serviços 
ou métodos terapêuticos.
Art. 57 É vedado ao nutricionista utilizar o valor de seus honorários, 
promoções e sorteios de procedimentos ou serviços como forma de 
publicidade e propaganda para si ou para seu local de trabalho.
Art. 58 É vedado ao nutricionista, mesmo com autorização concedida 
por escrito, divulgar imagem corporal de si ou de terceiros, atribuindo 
resultados a produtos, equipamentos, técnicas, protocolos, pois 
podem não apresentar o mesmo resultado para todos e oferecer 
risco à saúde (CFN, 2018, p. 19-20).
Da mesma forma, aspectos do Código de Ética devem ser respeitados pelo 
nutricionista quando da sua associação, divulgação, indicação ou venda de produtos, 
de marcas de produtos, de serviços, de empresas ou de indústrias, tais quais:
Art. 60 É vedado ao nutricionista prescrever, indicar, manifestar 
preferência ou associar sua imagem intencionalmente para divulgar 
marcas de produtos alimentícios, suplementos nutricionais, 
fitoterápicos, utensílios, equipamentos, serviços, laboratórios, 
farmácias, empresas ou indústrias ligadas às atividades de 
alimentação e nutrição de modo a não direcionar escolhas, visando 
preservar a autonomia dos indivíduos e coletividades e a idoneidade 
dos serviços.
I- Inclui-se como formas de divulgação a utilização de vestimentas, 
adereços, materiais e instrumentos de trabalho com a marca de 
produtos ou empresas ligadas à área de alimentação e nutrição. 
Excetuam-se profissionais contratados por empresa ou indústria 
durante o desempenho de atividade profissional para esta contratante.
Art. 62 É vedado ao nutricionista condicionar, subordinar ou sujeitar 
sua atividade profissional à venda casada de produtos alimentícios, 
suplementos nutricionais, fitoterápicos, utensílios ou equipamentos 
ligados à área de alimentação e nutrição.
Art. 63 É vedado ao nutricionista fazer publicidade ou propaganda em 
meios de comunicação com fins comerciais, de marcas de produtos 
alimentícios, suplementos nutricionais, fitoterápicos, utensílios, 
equipamentos, serviços ou nomes de empresas ou indústrias ligadas 
às atividades de alimentação e nutrição.
Art. 64 É vedado ao nutricionista receber patrocínio ou vantagens 
financeiras de empresas ou indústrias ligadas à área de alimentação 
e nutrição quando configurar conflito de interesses.
Parágrafo único. Excetua-se o caso de o nutricionista ser contratado 
pela empresa ou indústria que concedeu tal patrocínio ou vantagem 
financeira (CFN, 2018, p. 21).
 
18
5.2 MARKETING DIGITAL EM NUTRIÇÃO
A internet, especialmente as redes sociais, se apresenta como um canal de 
Marketing, relativamente novo porém muito promissor. O Marketing Digital possibilita 
que o profi ssional divulgue suas informações, serviços e produtos com amplo alcance 
geográfi co e agilidade (NERIS; BARROS, 2020). Viabiliza também a customização das 
ofertas e dos serviços, de acordo com as necessidades individuais, uma vez que permite 
a coleta de informação acerca das necessidades e interesses dos possíveis clientes 
(SILVA, 2014; NERIS; BARROS, 2020). 
O primeiro passo para a utilização do Marketing Digital é buscar conhecer o 
público alvo, por exemplo através de enquetes, para então produzir conteúdos de 
qualidade, com constância, que atendam as expectativas destes (MARTINS, 2021).
O profi ssional Nutricionista pode lançar mão do Marketing Digital de forma 
gratuita, através de postagens de texto, imagem ou vídeo em redes sociais, atraindo 
seguidores que poderão transforma-se em clientes e/ou pacientes. Há ainda a 
possibilidade de utilizar-se de publicações patrocinadas, através das quais o profi ssional 
investe um valor em dinheiro para que seu perfi l ou publicações sejam sugeridos para um 
grupo maior de usuários das redes sociais em questão, ampliando assim sua visibilidade. 
Que tal reler o Código de Ética e de Conduta do Nutricionista?
Acesse o texto na integra em: https://www.cfn.org.br/wp-content/uploads/2018/
04/codigo-de-etica.pdf
ATENÇÃO
Você sabe o que é o Marketing Digital?
O Marketing Digital é o modelo de negócio no qual a internet é usada para 
divulgar produtos, negócios, serviços ou atributos de marca e que envolve 
o uso de dispositivos conectados à internet e suas funcionalidades para 
espalhar mensagens de marketing com o objetivo de garantir uma maior 
visibilidade e alcance de público (MARTINS, 2021).
NOTA
19
5.3 MARKETING PROFISSIONAL OU PESSOAL
O profissional Nutricionista pode utilizar das técnicas de Marketing para captar 
e manter seus pacientes. De acordo com Neris e Barros (2020) o sucesso do Marketing 
pessoal está atrelado a imagem do profissional, que precisa estabelecer credibilidade para 
conquistar seus clientes e divulgar-se. Para construção da credibilidade é necessário 
entender as diferentes necessidades de cada clientee criar meios de atendê-las. 
A apresentação pessoal e o conhecimento profissional são parte fundamental do 
Marketing. O profissional deve ser capaz de comunicar seu conhecimento, habilidades, 
atitudes e comportamento aos clientes/pacientes. Deve atentar para sua vestimenta, 
que deve estar de acordo com a situação, evitando vestes informais, além de buscar 
manter uma imagem positiva, confiante e profissional (SILVA, 2014).
O design escolhido pelo profissional também atuará como elemento de 
Marketing. Por isso a apresentação visual da marca do profissional (logo e slogan), do 
site e outras mídias digitais deve refletir a imagem que este deseja passar aos futuros ou 
atuais clientes e estar de acordo com sua missão e valores profissionais.
Os 4Ps do Marketing, vistos anteriormente neste capítulo, podem ser aplicados 
ao Marketing do profissional nutricionista, conforme figura abaixo:
FIGURA 1 – OS 4Ps DO MARKETING
FONTE: Adaptado de Neris e Barros (2020) e Dal Bosco (2015)
PRODUTO PREÇO PRAÇA PROMOÇÃO
• Plano dietético
• Atendimento a público 
variado
• Qualidade (qualificação 
profissional)
• Cozinha experimental
• Acompanhamento 
feiras, mercado
• Treinamento de 
cozinheira
• Uso de aplicativo 
de celular para 
acompanhamento
• Brindes
• Pacotes individuais
• Pacotes familiares
• Atendimento de 
planos de saúde
• Preço competitivo
• Condições de 
pagamento 
• Localização 
estratégica
• Horários 
alternativos/flexíveis
• Personal diet
• Mídia virtual
• Mídia impressa
• E-mail marketing
• Parceria com outros 
profissionais
20
5.4 MARKETING NUTRICIONAL
Trata-se de uma estratégia de marketing utilizada pela indústria de alimentos 
com o objetivo de fornecer ao consumidor informações de caráter nutricional sobre 
os produtos. A divulgação de informações nutricionais nos rótulos dos alimentos e 
a propaganda nutricional são seus principais instrumentos (SILVA, 2014). Cientes da 
busca da sociedade contemporânea por saudabilidade, as estratégias de Marketing 
Nutricional focam na valorização dos possíveis benefícios de seus produtos tais 
como redução de açúcares, gorduras. Sua aplicação abre campo para a atuação do 
profissional Nutricionista, o qual pode atuar junto à indústria de alimentos, utilizando 
seu conhecimento técnico na elaboração das estratégias de Marketing Nutricional.
Aspectos estéticos dos produtos são valorizados e o design das embalagens 
ganha destaque por sua relevância na decisão de compra do consumidor. A embalagem 
identifica a marca, transmite informações, facilita o transporte e protege o produto. Neste 
sentido, o objetivo central no uso do Marketing Nutricional é atrair o consumidor expondo 
as alegações nutricionais relativas à qualidade do produto (composição, propriedades 
sensoriais, aporte calórico) na embalagem e rotulagem. Uma vez que o consumidor é 
exposto a uma ampla gama de alimentos concorrentes, a embalagem deve ser capaz 
de influenciar em sua escolha (SILVA, 2014; WINGUERT; CASTRO, 2018). Estratégias 
de Marketing abrangem ainda preço e promoções, a publicidade, a disponibilidade e 
conveniência na oferta dos produtos (WINGUERT; CASTRO, 2018).
Dessa forma, o Nutricionista pode atuar junto à indústria de alimentos utilizando 
seu conhecimento técnico na elaboração de estratégias de Marketing Nutricional, tanto 
na valorização das propriedades nutricionais.
5.5 MARKETING EM FOOD SERVICE 
É a aplicação do Marketing no ramo da alimentação coletiva, ou seja, na 
apresentação das refeições ofertadas em restaurantes, hospitais, cozinhas industriais, 
praças de alimentação e até mesmo em buffet de alimentos (SILVA, 2014). Tanto 
estratégias de Marketing convencional quanto de digital podem ser aplicadas ao ramo 
da alimentação coletiva, inclusive por meio da valorização de aspectos nutricionais das 
refeições ofertadas.
O passo principal é entender o perfil (gênero, idade, contexto social e econômico) 
e o comportamento do consumidor (horários e dias que frequenta o estabelecimento, 
tempo de permanência e preferências alimentares), para melhor atendê-lo (SILVA, 
2014). Através da delimitação do perfil, é possível traçar estratégias de Marketing mais 
assertivas para vincular o cliente ao serviço.
21
O relacionamento com o cliente gera um diferencial competitivo para o 
estabelecimento e influência em seu sucesso. Para tanto, deve-se atentar para a 
forma com que toda a equipe atende aos clientes, prezando sempre pela educação, 
cordialidade, empatia, respeito e honestidade. A aparência do ambiente também é 
considerada um ponto de atenção no relacionamento com o cliente. Para conquistar 
o cliente é fundamental que o local seja limpo, acusticamente agradável, com mesas e 
cadeiras confortáveis e iluminação adequada. Neste aspecto, a atuação do Nutricionista 
é de grande relevância uma vez que é o profissional capacitado tanto para gerir a equipe 
quanto para implantar às Boas Práticas de Fabricação (SILVA, 2014).
Outra estratégia de Marketing deste segmento são os programas de fidelização 
do cliente, no qual este recebe alguma vantagem (brinde, desconto, cortesia) quando 
é cliente assíduo do estabelecimento. Essa estratégia por vezes faz com que o serviço 
de alimentação passe a fazer parte da rotina do cliente, auxilia na prospecção de novos 
consumidores e ainda é um diferencial competitivo.
22
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
· A evolução científica, econômica e tecnológica experienciada pela sociedade 
contemporânea acarretou em modificações na forma de nos alimentarmos – alimentos 
que compõe a refeição, modos de preparo e consumo, e nas necessidades nutricionais. 
· O ritmo acelerado de vida na atualidade aliado à ampla oferta de alimentos e produtos 
alimentícios repercute na crescente busca por refeições prontas para consumo e 
alimentos industrializados, em detrimento de preparações caseiras.
· O acesso à informação tem levado uma parcela da população a buscar alimentos e 
produtos alimentícios saudáveis e sustentáveis.
· Há uma ampla gama de áreas e subáreas de atuação dentro da Nutrição passiveis para 
empreender tais como: Consultório de Nutrição, Consultoria em Nutrição Esportiva, 
Consultoria Empresarial, Grupos de Nutrição, Personal Dieter, Atendimento domiciliar 
ou Home Care, Consultoria ou Gestão de serviços de alimentação e Cursos.
· O Nutricionista pode utilizar de ferramentas e estratégias de Marketing para sobressair-
se no mercado, contanto que respeite os limites estabelecidos pelo Código de Ética 
da Nutrição.
RESUMO DO TÓPICO 1
23
1 A sociedade contemporânea é caracterizada pelo avanço da ciência e tecnologia, 
por alterações no mercado de trabalho, nas relações interpessoais e familiares, pela 
globalização e industrialização, que impactam diretamente no modo de vida. Neste 
contexto, disserte a cerca de do impacto da evolução tecnológica na produção e 
distribuição de informação na atualidade.
2 Alguns autores afirmam que parte das evoluções ocorridas no padrão alimentar 
da população mundial e na indústria de alimentos foram impulsionadas por uma 
tendência social mundial, observada a partir do movimento feminista, a feminização 
da sociedade. Disserte a respeito da relação entre a entrada da mulher no mercado 
de trabalho e seu impacto no padrão alimentar das famílias.
3 A área da Nutrição Clínica é muito vasta, possibilitando ao profissional Nutricionista 
diversas oportunidades de empreender, conforme o nicho e público-alvo escolhido. 
Dentro deste contexto, analise as assertivas abaixo e classifique V para as verdadeiras 
e F para as falsas:
( ) Personal Dieter se dá através do estabelecimento e a gestão de um espaço (sala 
ou clínica) para a realização de atendimentos nutricionais aos mais variados 
perfis de pacientes (crianças, adultos, idosos, gestantes) em suas necessidades 
(emagrecimento, nutrição esportiva, dietoterapia para patologias, introdução 
alimentar). 
( ) Consultoria em Nutrição Esportiva caracteriza-se

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