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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA 
CENTRO DE CIÊNCIAS RURAIS 
CURSO DE GRADUAÇÃO EM MEDICINA 
VETERINÁRIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
Anne Gabriela Alende Pires 
 
 
 
 
 
 
 
 
RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO EM 
MEDICINA VETERINÁRIA 
 
 
 
 
Santa Maria, RS 
2025 
 
 
 
 
 
Anne Gabriela Alende Pires 
 
 
 
 
 
 
 
RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO EM 
MEDICINA VETERINÁRIA 
 
 
 
 
 
 
 
Relatório de Estágio Curricular Supervisionado 
apresentado ao Curso de Graduação em Medicina 
Veterinária do Centro de Ciências Rurais da 
Universidade Federal de Santa Maria, como 
requisito parcial para a avaliação da Disciplina de 
Estágio Curricular Supervisionado em Medicina 
Veterinária. 
Local de Estágio: Clínica de Ruminantes do 
Hospital Veterinário Universitário da 
Universidade Federal de Santa Maria – RS. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Supervisor do Estágio: Ma. MV Roberta Cortez 
 Orientador na UFSM: Prof. Dr. MV Marta Lizandra do Rêgo Leal 
 
 
 
 
 
 
 
 
Santa Maria, RS 
2025 
 
 
 
 
 
 
 AGRADECIMENTOS 
 
Agradeço primeiramente a Deus, por me guiar com sabedoria e por ser minha força nos 
momentos de dúvida e cansaço. Sua presença me acompanhou em cada etapa desta caminhada. 
Aos meus avós, com quem vivi uma infância cheia de memórias felizes no campo, entre 
árvores, animais e muito amor. A simplicidade e os ensinamentos daqueles dias foram 
fundamentais para formar quem sou hoje. Obrigada por tanto carinho, valores e por sempre 
acreditarem em mim. 
Aos meus pais, que sempre estiveram ao meu lado com amor incondicional, apoio e 
dedicação. Cada conquista minha carrega o esforço e o cuidado de vocês. Obrigada por nunca 
deixarem que eu desistisse e por sempre me impulsionarem a ser melhor. 
Aos meus irmãos, companheiros de vida e parte essencial da minha história. Obrigada 
por estarem presentes, por cada palavra de apoio e por serem sempre meu refúgio, independente 
da distância. 
Ao meu companheiro Igor, obrigada por sua paciência, amor e incentivo constantes. Ter 
você ao meu lado fez toda a diferença. Seu apoio nos momentos difíceis me deu força para 
seguir com confiança. 
Gostaria de dedicar este momento de forma especial à Polly e à Luna, cujo amor 
incondicional e companheirismo marcaram profundamente minha vida e minha jornada na 
Medicina Veterinária. 
E por fim, mas não menos importante, agradeço aos professores, residentes e colegas 
estagiários pelos ensinamentos e por toda contribuição significativa à minha formação pessoal 
e profissional. A todos vocês, meu mais sincero agradecimento. Esse caminho foi trilhado com 
o amor, apoio e inspiração que cada um de vocês me ofereceu. 
 
 
 
 
 
RESUMO 
 
 
RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO EM 
MEDICINA VETERINÁRIA 
 
AUTOR: Anne Gabriela Alende Pires 
ORIENTADOR: Marta Lizandra do Rêgo Leal 
SUPERVISOR: Roberta Cortez 
 
O Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária (ECSMV) representa uma fase 
essencial da formação acadêmica, na qual o estudante aplica os conhecimentos teóricos 
adquiridos ao longo da graduação e aprofunda sua experiência na área escolhida. Este estágio 
foi realizado na Clínica de Ruminantes do Hospital Veterinário da Universidade Federal de 
Santa Maria, no período de 10 de fevereiro a 9 de maio de 2025, totalizando 450 horas de 
atividades práticas e 90 horas dedicadas à elaboração deste relatório. Durante esse tempo, foi 
possível vivenciar a rotina clínica e cirúrgica da unidade, participando ativamente de 
atendimentos, exames diagnósticos e procedimentos cirúrgicos. As atividades desenvolvidas 
incluíram o acompanhamento de diversos casos clínicos, sendo dada ênfase especial a dois 
casos, sendo o primeiro de um possível tumor nasal enzoótico em ovino e um caso de prolapso 
retal em bezerro, que foi explorado de forma mais aprofundada neste relatório. A análise dos 
casos foi embasada na literatura científica, abordando os sinais clínicos apresentados, as 
condutas terapêuticas adotadas e as estratégias preventivas aplicadas, estabelecendo uma 
correlação entre o conhecimento teórico e a prática clínica observada. O ECSMV foi 
fundamental para o desenvolvimento profissional, permitindo o contato direto com 
enfermidades que acometem pequenos ruminantes e bovinos, além de proporcionar uma rica 
vivência prática em diferentes contextos da medicina veterinária. 
 
 
Palavras-chave: Clínica. Tumor nasal enzoótico. Prolapso retal. Ruminantes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 ABSTRACT 
 
 
SUPERVISED CURRICULAR INTERNSHIP REPORT IN VETERINARY 
MEDICINE 
 
AUTHOR: Anne Gabriela Alende Pires 
 ADVISOR: Marta Lizandra do Rego Leal 
SUPERVISOR: Roberta Cortez 
 
The Supervised Internship in Veterinary Medicine (ECSMV) represents an essential phase of 
academic training, in which the student applies the theoretical knowledge acquired throughout 
the undergraduate course and deepens his/her experience in the chosen area. This internship 
was carried out at the Ruminant Clinic of the Veterinary Hospital of the Federal University of 
Santa Maria, from February 10 to May 9, 2025, totaling 450 hours of practical activities and 
90 hours dedicated to the preparation of this report. During this time, it was possible to 
experience the clinical and surgical routine of the unit, actively participating in care, 
diagnostic exams and surgical procedures. The activities developed included the monitoring 
of several clinical cases, with special emphasis on two cases, the first being a possible 
enzootic nasal tumor in a sheep and a case of rectal prolapse in a calf, which was explored in 
more depth in this report. The analysis of the cases was based on scientific literature, 
addressing the clinical signs presented, the therapeutic approaches adopted, and the preventive 
strategies applied, establishing a correlation between theoretical knowledge and the observed 
clinical practice. The ECSMV was essential for professional development, allowing direct 
contact with diseases that affect small ruminants and cattle, in addition to providing a rich 
practical experience in different contexts of veterinary medicine. 
 
 
Keywords: Clinic. Enzootic nasal tumor. Rectal prolapse. Ruminants. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................. 7 
2 CONTEXTUALIZAÇÃO DA INSTITUIÇÃO .................................................... 8 
3 ATIVIDADES DESENVOLVIDAS............................................................................11 
3.1 ATENDIMENTOS CLÍNICOS...................................................................................12 
3.2 PROCEDIMENTOS CIRÚRGICOS...........................................................................13 
3.3 PROLAPSO RETAL ...................................................................................................15 
3.3.1 Tratamento do prolapso retal ....................................................................................19 
3.4 TUMOR NASAL ENZOOTICO ................................................................................23 
3.4.1 Transmissão do tumor nasal enzoótico ....................................................................34 
4 CONCLUSÃO ................................................................................................ 36 
5 REFERÊNCIAS...........................................................................................................38 
 
 
 
 
 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
O Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária (ECSMV) constitui uma 
etapa essencial da formação acadêmica, sendo obrigatório para a conclusão do curso e 
fundamental para o aprimoramento técnicoe profissional do estudante em uma área de seu 
interesse. A vivência prática permite o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos ao longo 
da graduação, além de favorecer o desenvolvimento de competências específicas. 
O estágio foi realizado na Clínica de Ruminantes do Hospital Veterinário Universitário 
da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no período de 10 de fevereiro a 9 de maio de 
2025. As atividades foram supervisionadas pela Médica Veterinária Mestre Roberta Cortez, 
residente de segundo ano (R2) na área, com orientação da professora Marta Lizandra do Rego 
Leal. A escolha por esta clínica teve como motivação o interesse por ruminantes, a relevância 
do domínio de enfermidades que acometem esses animais, além da oportunidade de realizar 
atividades práticas e desenvolver habilidades de comunicação com os produtores. 
Além das práticas clínicas, o setor de Medicina de Ruminantes também realiza 
procedimentos cirúrgicos em pequenos e grandes ruminantes, além de ser responsável pelo 
manejo dos rebanhos ovino e bovino pertencentes ao Departamento de Clínica de Grandes 
Animais. Esses animais são utilizados como base para atividades de reprodução e para as 
disciplinas de semiologia, andrologia, ginecologia e clínica médica de ruminantes, além da 
disciplina facultativa de Práticas Hospitalares em Clínica Cirúrgica de Ruminantes. 
Este relatório tem como objetivo apresentar o local de realização do ECSMV, detalhar 
as atividades desempenhadas durante o período de estágio, descrever os principais casos 
acompanhados e realizar a revisão da literatura relacionada aos atendimentos observados. 
 
 
 
 
 
2 CONTEXTUALIZAÇÃO DA INSTITUIÇÃO 
O Estágio Curricular Supervisionado Obrigatório do curso de Medicina Veterinária da 
Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) foi realizado na Clínica de Ruminantes do 
Hospital Veterinário Universitário (HVU), no período de 10 de fevereiro a 9 de maio de 2025. 
O Hospital Veterinário Universitário (HVU), fundado em 1972, oferece atendimento 
clínico a animais domésticos e silvestres, funcionando em dias úteis das 7h30 às 19h30. A 
instituição possui estrutura multissetorial e cumpre um importante papel acadêmico, 
proporcionando formação prática aos estudantes de Medicina Veterinária, além de fomentar 
projetos de pesquisa e ações de extensão à comunidade. Como serviço de referência, o HVU 
atende animais de diferentes portes e categorias: desde pets como cães e gatos, até animais de 
grande porte como equinos e bovinos, bem como espécies silvestres. O hospital mantém 
atendimento aberto ao público, integrando o tripé universitário de ensino, pesquisa e extensão 
em sua rotina assistencial. 
A Clínica de Ruminantes desempenha um papel fundamental no atendimento médico-
veterinário de bovinos e ovinos, realizando consultas clínicas e procedimentos cirúrgicos tanto 
nas instalações do hospital veterinário quanto em propriedades rurais de Santa Maria e regiões. 
Além dos serviços prestados à comunidade, a clínica tem a importante responsabilidade de 
fornecer assistência integral aos rebanhos bovino e ovino mantidos pela UFSM, que são 
essenciais para o desenvolvimento das atividades acadêmicas, pesquisas científicas e programas 
reprodutivos da instituição. 
A equipe do setor é composta por quatro médicos veterinários residentes, sendo dois do 
segundo ano de residência (R2) – Roberta Cortez e Marcelo Spohr – e dois do primeiro ano 
(R1) – Isadora Born e Everson dos Santos. A supervisão docente é realizada pela Professora 
Titular Marta Lizandra do Rego Leal e pelo Professor Adjunto Otávio Luiz Fidelis Junior, 
ambos vinculados ao Departamento de Clínica de Grandes Animais (DCGA) da UFSM. 
Participam ainda das atividades cerca de dez estagiários do curso de graduação em 
Medicina Veterinária, que acompanham a rotina da clínica nos turnos da manhã ou da tarde. 
 As ações desenvolvidas no setor incluem discussões de casos clínicos com a equipe, 
apresentação de seminários, realização de exames laboratoriais (como contagem de ovos por 
grama de fezes – OPG, volume globular e proteína plasmática total), exames de imagem, auxílio 
em aulas práticas e acompanhamento da sanidade dos rebanhos institucionais. 
 
 
 
 
O setor conta com baias internas destinadas à internação dos animais (Figura 1A), que 
disponibiliza cochos fixos. Suas instalações são organizadas em diferentes ambientes, incluindo 
espaço multiuso (Figura 2A), que funciona como farmácia para os animais internados, bloco 
cirúrgico (Figura 2B), onde são realizadas as intervenções cirúrgicas, laboratório (Figura 3A), 
onde é possível realizar diversos exames. O local também possui uma copa (Figura 3B), sala 
de estudos (Figura 3C) e vestiário (Figura 3D), sendo todos de uso coletivo para residentes e 
estagiários. 
No laboratório, são realizados exames laboratoriais básicos, tais como a contagem de 
ovos por grama de fezes (OPG), volume globular (VG) e proteína plasmática total (PPT), sendo 
realizados através de equipamentos específicos próprios do local, como centrífuga, refratómetro 
e microscópio. A sala de estudos é utilizada para apresentações de seminários e discussão de 
casos clínicos, promovendo a integração entre teoria e prática, agregando conteúdo de forma 
simplificada através de debates entre o grupo. No bloco cirúrgico, são conduzidos 
procedimentos cirúrgicos em ovinos e bezerros, incluindo cesarianas, orquiectomias e 
herniorrafias. Na área externa, encontra-se as baias compartilhadas com a Clínica de Equinos, 
o tronco para contenção de bovinos e o embarcadouro. 
Figura 1-A) Corredor interno do setor da Clínica de Ruminantes com baias para bovinos e pequenos 
ruminantes. 1-B) Baias destinadas a internação de bovinos. 1-C) Baias externas. 1-D) Tronco para contenção de 
bovinos. 
 
 
 
 
 
Fonte: Arquivo pessoal (2025). 
 
 
 
 
Figura 2 – A) Espaço multiuso da Clínica de Ruminantes. B) Bloco cirúrgico do setor.
 
Fonte: Arquivo pessoal (2025). 
Figura 3 – A) Laboratório. B) Cozinha. C) Sala de estudos. D) Vestiário. 
Comentado [GU1]: Figura 2A. Espaço multiusso da 
Clínica de Ruminantes. Figura 2B. Bloco cirurgico. Sumiu 
a figura 1?. Reduz o tamanho das letras que estão 
identificando o setor (2A e 2B) estão grandes 
Comentado [GU2]: Reduz aqui também o tamanho das 
letras de identificação. 
 
 
 
 
 
Fonte: Arquivo pessoal (2025). 
3 ATIVIDADES DESENVOLVIDAS 
As atividades acompanhadas e/ou executadas durante o Estágio Curricular 
Supervisionado em Medicina Veterinária (ECSMV), realizado na Clínica de Ruminantes do 
Hospital Veterinário Universitário da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no 
período de 10 de fevereiro a 9 de maio de 2025, envolveram atendimentos clínicos e 
procedimentos cirúrgicos em ruminantes. A descrição detalhada dessas atividades encontra-se 
disposta na Tabela 1. 
De forma geral, os atendimentos externos são iniciados por meio de contato realizado 
pelos proprietários com os médicos veterinários residentes, via telefone ou aplicativo de 
mensagens. Após a comunicação inicial, a equipe se desloca até a propriedade para realizar o 
atendimento do animal enfermo. Em algumas ocasiões, os proprietários dirigem-se diretamente 
ao HVU, solicitando atendimento para pequenos ruminantes ou bovinos. 
Além dos procedimentos clínicos e cirúrgicos, os residentes também atuam nas ações 
de sanidade de rebanhos, realizando visitas técnicas a diferentes propriedades rurais. Os 
 
 
 
 
atendimentos internos, por sua vez, são realizados nos rebanhos pertencentes ao Departamento 
de Clínica de Grandes Animais (DCGA), abrangendo os setores de ovinocultura, bovinocultura 
leiteira, bovinocultura de corte, bem como no rebanho de corte do Colégio Politécnico da 
UFSM. Durante o período do ECSMV, foram realizados 55 atendimentos, envolvendo diversas 
enfermidades e intervenções em ruminantes 
Tabela 1 – Atividadesacompanhadas durante o Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária na 
Clínica de Ruminantes do Hospital Veterinário Universitário da UFSM, no período de 10 de fevereiro a 9 de 
maio de 2025. 
Tipo de Atividade Quantidade Porcentagem (%) 
Atendimentos Clínicos 26 57,78% 
Procedimentos Cirúrgicos 29 64,44% 
Total 45 100% 
Fonte: Elaborado pela autora (2025). 
3.1 ATENDIMENTOS CLÍNICOS 
Durante o período do estágio, foram acompanhados atendimentos clínicos realizados 
pelos residentes da Clínica de Ruminantes, tanto nas dependências do hospital quanto em visitas 
externas. No geral os proprietários entram em contato com os Médicos Veterinários Residentes 
por telefone ou whatsapp e marcam os atendimentos. 
 No total, foram registrados quatro atendimentos clínicos em ovinos, conforme 
apresentados na Tabela 2. Os atendimentos clínicos de bovinos, totalizando 22, estão 
destacados na tabela 3. 
 
Tabela 2 – Distribuição dos atendimentos clínicos em ovinos conforme o diagnóstico clínico observado durante o 
Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária, realizado na Clínica de Ruminantes do HVU – 
UFSM, no período de 10 de fevereiro a 9 de maio de 2025. 
Diagnóstico Clínico 
Quantidade de 
Casos 
Porcentagem (%) 
Verminose 3 75% 
Orquite 1 25% 
Total 4 100% 
 
 
 
 
Fonte: Elaborado pela autora (2025). 
Tabela 3 – Atendimentos clínicos em bovinos acompanhados durante o Estágio Curricular Supervisionado em 
Medicina Veterinária, realizado na Clínica de Ruminantes do HVU – UFSM, no período de 10 de fevereiro a 9 
de maio de 2025. 
Diagnóstico Clínico ou 
procedimentos clínicos 
Quantidade de Casos Porcentagem (%) 
Amochamento 7 31,82% 
Anaplasmose 1 4,55% 
Diarreia 1 4,55% 
Laceração de membro 1 4,55% 
Laceração de coroa de casco 1 4,55% 
Lesão de pálpebra 1 4,55% 
Miíase 5 22,73% 
Parasitose por Moniezia spp. 1 4,55% 
Onfaloflebite 1 4,55% 
Tristeza parasitária bovina 3 13,64% 
Total 22 100% 
 
3.2 PROCEDIMENTOS CIRÚRGICOS 
Os procedimentos cirúrgicos acompanhados estão descritos na tabela 4, totalizando 10 
em ovinos e 20 procedimentos cirúrgicos em bovinos. 
Tabela 4 – Distribuição dos procedimentos cirúrgicos acompanhados em ovinos durante o Estágio Curricular 
Supervisionado em Medicina Veterinária, realizado na Clínica de Ruminantes do HVU – UFSM, no período de 
10 de fevereiro a 9 de maio de 2025. 
Procedimento Cirúrgico Quantidade de Casos Porcentagem (%) 
Ablação de conduto auditivo 1 10% 
Traqueostomia 1 10% 
Caudectomia 5 50% 
Orquiectomia 3 30% 
Total 10 100% 
Fonte: Elaborado pela autora (2025). 
Comentado [GU3]: Qual? 
 
 
 
 
Tabela 4 – Distribuição dos procedimentos cirúrgicos em bovinos acompanhados durante o estágio na Clínica de 
Ruminantes do HVU – UFSM (10/02 a 09/05/2025). 
Procedimento Cirúrgico Quantidade de Casos Porcentagem (%) 
Orquiectomia 12 63,16% 
Herniorrafia 2 10,53% 
Laparotomia exploratória 1 5,26% 
Amputação de prolapso retal 1 5,26% 
Cesárea 2 10,53% 
Postoplastia 1 5,26% 
Total 19 100% 
Fonte: Elaborado pela autora (2025). 
Durante o Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária (ECSMV), dois 
casos se destacaram, sendo diagnosticados como prolapso retal e uma suspeita de tumor nasal 
enzoótico ovino, os quais serão discutidos a seguir. 
 
 
 
 
 
3.3 PROLAPSO RETAL 
O prolapso retal ocorreu em um bezerro sem raça definida, com 4 meses de idade e 110 
kg. O animal foi encaminhado para a Clínica de Ruminantes no dia 20 de fevereiro de 2025 
(figura 4). O histórico era de que o animal apresentava prolapso retal há aproximadamente 20 
dias, associado a quadro diarreico. O animal havia sido submetido a duas tentativas de correção 
cirúrgica prévia, sendo a última há 7 dias antes da chegada na clínica. Tratamento instituído 
previamente incluiu administração de antibiótico à base de oxitetraciclina de longa ação 
(Terramicina® LA) na dose de 10 mL, além de terapia antimicrobiana com sulfametoxazol+ 
trimetoprima por três dias consecutivos. 
Figura 4 – Bezerro sem raça definida apresentando prolapso retal associado a quadro diarreico. 
 
Fonte: Acervo pessoal (2025). 
Durante o exame clínico, foram avaliados os parâmetros fisiológicos do animal segundo 
Feitosa (2008). A frequência respiratória foi de 56 movimentos por minuto, valor acima do 
intervalo de referência para a espécie (30-45 mrpm), indicando possível quadro de dor, estresse 
ou processo inflamatório. A frequência cardíaca registrada foi de 120 batimentos por minuto, 
também superior ao esperado para um animal em condições normais (90-110 bpm), o que pode 
 
 
 
 
estar relacionado ao desconforto, dor ou distúrbios sistêmicos. A motilidade ruminal estava 
ausente na auscultação por dois minutos, sugerindo hipomotilidade ou atonia ruminal. O tempo 
de preenchimento capilar foi inferior a dois segundos, dentro do padrão fisiológico, indicando 
perfusão periférica adequada. A temperatura retal não foi mensurada no momento da avaliação 
pela impossibilidade de realizar a mesma. A coloração das mucosas encontrava-se rosa-pálida, 
e escore de corporal 3. Apesar dos sinais clínicos, o animal estava em alerta. 
Após sua chegada, o animal foi contido de forma adequada em estação para a realização 
de lavagens com soluções geladas durante 15 minutos da área prolapsada para redução do 
edema, com o intuito de tentar corrigir o prolapso. Em seguida, foi realizado um protocolo 
anestésico para tranquilização com Xilazina 2% na dose de 0,05 mg/kg por via intramuscular, 
associada a bloqueio epidural baixo com Lidocaína 2% para analgesia, com monitoramento 
constante dos parâmetros fisiológicos (frequência respiratória e cardíaca) durante todo o 
procedimento. Procedeu-se à reintrodução manual do segmento prolapsado, seguida da fixação 
por sutura em bolsa de tabaco utilizando nylon 0, ajustada para permitir a passagem de fezes 
sem comprometer a vascularização. Finalizando o procedimento sem intercorrências, com a 
aplicação de medicações para controle da dor conforme protocolo pós-operatório. 
Figura 5 – A) Situação inicial do prolapso retal do bezerro pode-se observar a presença dos fios de nylon 
utilizados nas primeiras suturas por outro profissional. B) Condição em que se encontrava a mucosa retal após as 
primeiras suturas e antes das intervenções realizadas na Clínica de Ruminantes da UFSM. C) Após a realização da 
sutura bolsa de tabaco pela equipe da Clínica de Ruminantes. 
 
Comentado [GU4]: Reduzir as letras de identificação 
das figuras. 
 
 
 
 
Fonte: Acervo pessoal (2025). 
Após a realização da sutura, iniciou-se a administração Buscofin por via intramuscular 
a cada 6 horas, sendo prescrito para 3 dias, na dose de 25 mk/kg. Esse medicamento age como 
analgésico, antipirético e antiespasmódico, por ser a base de dipirona e n-butil brometo de 
hioscina. Nesse caso, foi utilizado para o tratamento da dor. Além disso, iniciou-se a 
administração de óleo mineral por via oral, como laxativo emoliente e lubrificante e Meloxicam 
3% na dose de 0,5 mg/kg, por via intramuscular, que é considerado um anti-inflamatório 
seletivo para COX-2. Sua ação anti-inflamatória preserva a COX-1 e bloqueia a isoforma da 
COX responsável pela inflamação (a COX-2) não interferindo com a COX-1, protetora do 
estômago. O Meloxicam bloqueia a biossíntese das prostaglandinas e, consequentemente, a 
liberação dos mediadores responsáveis pelos processos inflamatórios. Para uso tópico, foi 
utilizado a pomada Vetaglós, no local da sutura, que contém agentes antimicrobianos e tem 
como princípio ativo a Gentamicina, que é ativa contra Enterobacter aerogenes, Escherichia 
coli, Klebsiella pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa, Salmonella, além de algumas espécies 
de Sreptococcus e Staphylococcus. Também possui em sua composição ureia e vitamina A, que 
auxilia na manutenção e regeneração do epitélio. Ambos sendo prescritos para seremadministrador por 3 dias consecutivos. Porém, no mesmo dia, houve uma terceira recidiva do 
prolapso retal, sendo indicado a amputação do mesmo 
De acordo com Oliveira (2022), o prolapso retal pode ser definido como uma protrusão 
ou eversão da mucosa retal através do ânus. Sendo manifestada por meio da exteriorização da 
mucosa. O prolapso retal é uma enfermidade multifatorial, de alta prevalência em pequenos 
ruminantes, sendo observada também em bovinos e outras espécies e tem como fatores 
predisponentes condições anatômicas como comprimento de cauda, e fatores etiológicos como 
doenças intestinais, diarreias graves, constipação, infecções parasitárias, e presença de corpos 
estranhos no trato gastrointestinal. Fatores desencadeantes incluem esforço excessivo durante 
a evacuação, tenesmo, doenças do trato urinário inferior (como cistite e urolitíase) e doenças 
prostáticas. Dentre as causas, é possível observar o surgimento do prolapso em casos de 
intoxicação por plantas que causam fibrose hepática, como Senecio spp., Crotalaria spp. e 
Echium plantagineum (RIET-CORREA et. al, 2003). 
O prolapso retal é classificado em dois tipos: prolapso completo ou de espessura total e 
prolapso incompleto ou de espessura parcial. Conforme Eung Jin Shin (2011), o prolapso 
completo representa uma protrusão de toda a camada do reto para o exterior do ânus e o 
 
 
 
 
incompleto é definido como uma condição na qual a parede retal protrusa é limitada ao interior 
do canal anal, o que também é referido como prolapso retal oculto ou intussuscepção retal 
interna. Steiner (2004) ainda descreve que é possível classificar o prolapso retal em quatro 
graus, classificados de I a IV de acordo com a estrutura anatômica exposta e a gravidade. Os 
graus I e II são de maior prevalência e, apesar de serem menos graves, podem ser fatais, pois, 
assim como os demais, podem predispor à prolapso intestinal e sepse (ANDERSON E 
MEISNER, 2008). Nos graus III e IV, há exposição do colón maior e do cólon maior com 
constrição do reto, respectivamente, sendo mais graves e de difícil resolução. 
Segundo Fossum (2021), o diagnóstico de doença retal, perianal ou perineal é baseado 
principalmente no histórico, nos sinais clínicos, no exame físico, incluindo exame de palopação 
retal, exames de imagem (p. ex., radiologia, ultrassonografia, tomografia computadorizada, 
ressonância magnética), endoscopia e/ou exame histopatológico. Avaliações mielográficas, 
manométricas e eletrodiagnósticas podem ser necessárias se houver suspeita de 
comprometimento da inervação anorretal. Muitas doenças podem ser diagnosticadas pelo 
exame físico, e o exame retal completo é crucial. Nos exames laboratoriais, os resultados de 
hemogramas e bioquímico sérico são inespecíficos. 
Ainda conforme Fossum (2021), radiografias retais e perineais podem confirmar os 
achados de exame físico. Se possível, o cólon e o reto devem ser evacuados com enemas, 
laxantes e/ou catárticos antes dos estudos radiográficos. O reto deve ser avaliado quanto a 
tamanho, localização e massas. No caso do bezerro atendido na Clínica de Ruminantes da 
UFSM, não foi realizado exames de imagem, hemograma ou bioquímico, sendo o diagnóstico 
determinado apenas pelo exame físico e visual. 
Há poucos relatos de casos em pequenos ruminantes e bovinos na literatura, apesar de 
haver uma relativa incidência desta condição em ovinos na Clínica de ruminantes 
3.3.1 TRATAMENTO DO PROLAPSO RETAL 
O tratamento e o prognóstico do prolapso retal variam de acordo com a gravidade do 
caso e com o estado fisiológico dos tecidos expostos (ANDERSON E MIESNER, 2008). 
incialmente, opta-se por um manejo conservador, que inclui reposição de fluidos para correção 
da desidratação e dos distúrbios eletrolíticos e administração de medicamentos apropriados. 
Quando necessário, realiza-se a intervenção cirúrgica, sendo a técnica da sutura em bolsa de 
Comentado [GU5]: descrever as siglas 
 
 
 
 
tabaco a mais comumente empregada. Em casos mais graves ou de recorrência, pode ser 
indicada a amputação do segmento prolapsado. 
Dentro das opções de tratamento, é possível realizar a redução manual e no 
posicionamento do reto em seu local anatômico e realizar uma sutura perianal em bolsa de 
tabaco com fio de poliéster e fazer sua manutenção por cinco a 10 dias, período suficiente para 
a inflamação da mucosa retal diminuir, reduzindo-se a chance de recidivas. Esse método foi 
realizado na Clínica de Ruminantes da UFSM, mas não foi possível obter melhora. A redução 
do prolapso retal está descrita por Rockett (2012) e deve ser feita com o objetivo de aliviar a 
dor e aflição associadas ao prolapso retal. Como complicações desse procedimento, estão a 
ruptura de reto pela contenção inadequada do paciente e ataxia de membros pélvicos devido a 
anestesia epidural caudal. Para a execução, é necessário realizar anestesia epidural caudal, lavar 
o tecido da área prolapsada com grandes quantidades de água e antisséptico e realizar a sutura 
bolsa de tabaco. 
Outra forma de tratamento possível é realizar a colopexia, que é utilizada principalmente 
para prevenir o prolapso retal recorrente, sendo testadas para ovinos da raça Dorper 
(OLIVEIRA, 2009). A colopexia pode ser realizada por laparoscopia com técnicas semelhantes. 
Uma possível complicação é a infecção decorrente da penetração da sutura do lúmen do cólon. 
Esse método é mais utilizado para pequenos animais, como cães e gatos e é descrito por Fossum 
(2021). 
É possível realizar uma primeira tentativa de tratamento com a sutura de bolsa de tabaco 
e se houver recidiva, realizar nova intervenção com a amputação do segmento prolapsado, como 
foi feito no caso relatado. 
Para a realização da amputação, o animal estava em jejum alimentar e hídrico. Foi 
realizado limpeza e antissepsia do local, com clorexidina degermante a 1% para remover as 
fezes do local e higienizar a ampola retal. O protocolo anestésico utilizado para a amputação 
do segmento prolapsado foi iniciado com medicação pré-anestésica (MPA) à base de Xilazina 
2%, na dose de 0,1 mg/kg por via intramuscular (IM) seguido de anestesia epidural 
lombrossacral com lidocaína a 2% sem vasoconstritor na dose de 0,14 ml/kg. A técnica 
cirúrgica utilizada foi descrita por Anderson e Miesner (2008) e executada em um estudo 
realizado por Schuh (2019). Para a realização, um tubo de silicone foi introduzido no reto e 
fixado com dois pinos de Steinmann estéreis, formando uma “cruz” cruzando-se entre si em 
angulo de 90° e evitando que a parte amputada se deslocasse para dentro após a incisão. Após 
Comentado [GU6]: referencia 
 
 
 
 
a amputação do segmento prolapsado, foi realizado a sutura entre as mucosas interna e externa 
do reto com ponto simples interrompido com fio poliglactina 910 2-0, unindo a mucosa interna 
e externa do reto em todo o diâmetro. Por fim, foi retirado os pinos e o tubo de silicone. 
 
Figura 6 – Tubo de silicone introduzido no reto e fixado por dois pinos de Steinmann cruzando-se entre si em 
ângulo de 90. 
 
Fonte: Acervo pessoal (2025). 
Figura 7 – segmento prolapsado amputado, medindo cerca de 15 cm. 
 
 
 
 
 
Fonte: Acervo pessoal (2025). 
No pós cirúrgico imediato, o animal foi mantido em observação e medicado para dor 
com Flunixina Meglumina na dose de 1,1 mg/kg, que possui uma potente ação analgésica e 
Ceftiofur na dose de 1 ml para cada 50 kg de peso via IM. Apesar do auxílio medicamentoso, 
o bezerro apresentou uma nova recidiva logo após a cirurgia, tendo prolapso de alças intestinais. 
Diante disso, optou-se pela eutanásia do animal. 
 
 
 
 
Figura 8 – recidiva do prolapso logo após a cirurgia, com exposição de alça intestinal.
 
Fonte: Acervo pessoal (2025). 
Há ainda, uma terceira possibilidade de intervenção, que é a realização da colopexia. 
Esse procedimento cirúrgico que, após colocação das vísceras em posiçãoanatômica, permite 
fixar o cólon na parede abdominal. Apesar da colopexia estar descrita na literatura para cães, 
gatos e ovinos, geralmente não é indicado em grandes ruminantes, devido ao risco de 
desenvolvimento de timpanismo durante o procedimento em decúbito dorsal e às limitações 
financeiras dos proprietários (JEONG; KWON, 2023). Além disso, mesmo em ovinos, é 
possível que haja recidivas do prolapso retal quando realizada a colopexia. Em um estudo 
realizado por Oliveira (2009) com 30 ovinos da raça Dorper, três animais tiveram recidiva e 
três vieram a óbito no pós-operatório, sendo a colopexia uma alternativa viável para o 
tratamento de prolapso retal em ovinos, mas sem estudos encontrados para bovinos até o 
momento. 
 
3.4 TUMOR NASAL ENZOOTICO 
O segundo caso de maior relevância não obteve diagnóstico definitivo, apenas 
presuntivo pela necrópsia. Uma ovelha, de 2 anos, da raça Texel, pesando 44kg chegou para 
atendimento pela equipe no dia 21 de março de 2025. O proprietário trouxe como queixa 
principal dificuldade respiratória, perda de peso progressiva e protusão ocular. Ao realizar o 
 
 
 
 
exame clínico, observou-se severa dificuldade respiratória, presença de secreção nasal mucosa, 
possível aumento de volume na palpação da porção cranial da traqueia, temperatura de 41°C 
(acima do valor de referência), mucosas rosadas e ruídos inspiratórios e expiratório na ausculta 
pulmonar no exame específico. Nesse sentido, iniciou-se a suspeita de que o animal havia 
sofrido algum tipo de trauma traqueal e devido a isso, optou-se por fazer um exame radiográfico 
do animal, para avaliar a região cervical com projeções ortogonais. 
Segundo o laudo disponibilizado pelo Setor de Diagnóstico por Imagem do Hospital 
Veterinário Universitário da Universidade Federal de Santa Maria (HVU-UFSM), a porção 
cervical da traqueia com calibre e trajeto estavam preservados e havia uma ínfima quantidade 
de conteúdo gasoso em esôfago (porção intracervical), sendo necessário considerar que o 
animal estava dispneico durante o exame. Ademais, não havia alterações dignas de nota. 
Figura 9 – Imagens radiográficas disponibilizadas pelo Setor de Diagnóstico por Imagem do HVU – 
UFSM realizadas no dia 21 de março de 2025.
 
 
 
 
 
Fonte: Setor de Diagnóstico por Imagem do HVU- UFSM. 
Também foi realizado hemograma do animal que em seus resultados, apresentou anemia 
leve a moderada, hipocrômica. 
Tabela 5 – Hemograma de ovelha adulta comparado a valores de referência realizado no dia 21 de março 
de 2025. 
Parâmetro Resultado Referência 
Hemácias (milhões/mm³) 8,92 8,00 - 16,00 
Hemoglobina (g/dL) 8,1 9,0 - 15,0 
Hematócrito (%) 27,3 24,0 - 50,0 
VCM (fL) 30,7 23,0 - 48,0 
CHCM (g/dL) 29,6 31,0 - 38,0 
RDW (%) 16,1 - 
Plaquetas (/mm³) 369.000 300.000 - 600.000 
Proteína Plasmática Total 
(g/dL) 
6,8 6,0 - 7,5 
Fibrinogênio (mg/dL) 600 100 - 500 
Leucócitos (/mm³) 11.400 4.000 - 12.000 
Segmentados (/mm³) 6.384 700 - 6.000 
Linfócitos (/mm³) 4.674 2.000 - 9.000 
Monócitos (/mm³) 342 0 - 750 
Fonte: Elaborado pela autora (2025). 
Figura 10 – ovelha apresentando dificuldade respiratória intensa recebendo oxigenioterapia com máscara antes 
da realização da Traqueostomia. 
Comentado [GU7]: Pelo leucograma e fibrinogenio não 
é possivel falar que o animal tinha um processo 
infeccioso cronico. Remover essa parte. 
 
 
 
 
 
Fonte: Acervo pessoal (2025). 
Em decorrência da angústia respiratória severa realizou-se uma traqueostomia de 
emergência. O procedimento incluiu uma tranquilização prévia com a administração de 
Xilazina 2% na dose de 0,05 mg/kg via intravenosa (IV). Após, o animal foi contido em 
decúbito ventral e foi realizada a tricotomia e antissepsia. Foi realizado bloqueio local em “U” 
com lidocaína 2% pelo subcutâneo para uma analgesia eficaz. 
A cirurgia foi realizada seguindo a literatura, usando Hendrickson (2010) como base e 
adaptando para ovinos. Segundo o autor, o local de incisão para esse procedimento segue a 
parte mediana ventral do terço proximal do pescoço, aproximadamente a 3 cm distais da 
cartilagem cricoide, ou no ponto onde os ventres dos músculos esternocefálico e omo-hióideo 
divergem e convergem, respectivamente. Para visualizar a traqueia, os ventres musculares do 
esternotireóideo e do esterno-hióideo, que ficam no aspecto ventral da traqueia, serão 
separados. A partir desse ponto, os anéis traqueais serão visíveis. Dorsolateralmente à metade 
proximal da traqueia estão a artéria carótida comum, o tronco vagossimpático e o nervo laríngeo 
recorrente, todos envoltos na bainha carotídea. 
A traqueostomia é um procedimento que pode ser feito de emergência ou eletivo. 
Também pode ser realizada de forma permanente ou temporária, que foi a forma escolhida no 
momento da cirurgia. De acordo com Henrickson (2010), emergências incluem obstruções da 
 
 
 
 
via respiratória superior, neoplasia nasofaríngea, distensão excessiva de bolsa gutural com pus 
espesso ou edema pós-cirúrgico. A traqueostomia eletiva pode ser feita após cirurgia nasal, 
como, por exemplo, ressecção do septo nasal ou cirurgia laríngea, ou sempre que se esperar 
obstrução respiratória pós-operatória. 
O local da cirúrgica escolhido foi na altura do segundo ao quinto anel traqueal. Foi 
realizada uma incisão de 5 cm da pele e subcutâneo, possibilitando a visualização dos músculos 
esternotireo-hióideos. Foi realizado a dissecção desses músculos com tesoura romba, seguido 
da identificação dos anéis traqueais. O bisturi foi introduzido entre dois dos anéis traqueais, 
com um movimento de punção. Essa incisão foi feita de maneira horizontal, seguindo a direção 
dos anéis, a cerca de 1 cm. Feito isso, foi inserido uma sonda endotraqueal, posicionada 
corretamente e fixada com fio de nylon 1 com sutura do tipo bailarina, seguida de redução do 
espaço morto, sutura de pele com nylon 1, sendo necessário apenas dois pontos simples 
interrompidos em “X” ou Sultan e uma sutura simples contínua em “U” para melhor fixação. 
No pós-operatório, foi realizado um curativo com vetáglos e bandagem ao redor do pescoço, 
para reduzir possíveis contaminações. A cirurgia ocorreu sem intercorrências e o animal 
apresentou um melhor quadro respiratório após o procedimento. 
 
Figura 11 – Sonda endotraqueal fixada com sutura de Bailarina em ovelha. 
 
Fonte: Acervo pessoal (2025). 
 
 
 
 
Como parte do protocolo terapêutico instituído, foram administrados os seguintes 
fármacos, conforme a necessidade clínica do animal: foi administrado butorfanol, na dose de 
0,05 mg, por via intramuscular (IM), a cada 12 horas, durante 1 dia, com início em 21 de março 
de 2025. O anti-inflamatório não esteroidal flunixin meglumine foi prescrito na dose de 2,2 
mg/kg, via IM, a cada 24 horas, durante 3 dias, visando a redução do processo inflamatório, 
além de exercer efeito antipirético e analgésico, sendo indicado principalmente em casos de 
endotoxemia ou processos infecciosos agudos. Foi ainda instituído o antibiótico ceftiofur, na 
dose de 2,2 mg/kg, por via IM, a cada 24 horas, por 5 dias. O ceftiofur é uma cefalosporina de 
terceira geração, com amplo espectro de ação frente a bactérias Gram-positivas e Gram-
negativas, utilizado no tratamento de infecções bacterianas sistêmicas. A dexametasona, 
corticosteroide de potente ação anti-inflamatória foi administrada na dose de 0,01 mg/kg, via 
IM, a cada 24 horas, por 3 dias, indicada para modulação da resposta inflamatória e alívio de 
manifestações clínicas associadas a processos inflamatórios intensos. Para facilitar a 
fluidificação e eliminação de secreções respiratórias, foi utilizado o mucolítico bromexina, na 
dose de 30 mg/kg, por via intravenosa (IV), a cada 24 horas, durante 3 dias, como suporte em 
casos de afecções respiratórias com acúmulo de muco. Por fim, foi prescrito dipirona, na dose 
de 25 mg/kg, em caso de manifestaçãodolorosa, com o objetivo de promover alívio sintomático 
da dor e da febre. 
A limpeza da sonda traqueal foi realizada com solução fisiológica e gaze estéril a cada 
24 horas, considerando o bem-estar animal e redução do estresse pelo manejo excessivo. Além 
dos fármacos previamente mencionados, foi administrada furosemida, na dose de 1 mg/kg, por 
via intramuscular (IM), a cada 24 horas, durante 2 dias. A furosemida é um diurético de alça, 
cuja ação visa a promoção de diurese rápida e eficaz, sendo indicada, neste caso, para auxiliar 
na redução do edema pulmonar identificado clinicamente, contribuindo para o alívio dos sinais 
respiratórios e melhora da oxigenação tecidual. 
Devido instabilidade da respiração e variação na quantidade de produção de secreção ao 
passar dos dias, foi solicitado a realização de um novo hemograma para acompanhamento do 
quadro clínico. Os achados laboratoriais indicaram anemia normocítica normocrômica, com 
possível caráter regenerativo (presença de hemácias nucleadas), além de leucograma com leve 
neutrofilia, sugestiva de resposta inflamatória. As demais células, bem como plaquetas e 
proteína plasmática total, estão dentro da normalidade para a espécie. 
 
 
 
 
Tabela 6 - Hemograma e leucograma de ovelha atendida no Hospital Veterinário Universitário da UFSM, 
realizado em 26 de março de 2025. 
Parâmetro Resultado Valor de Referência 
Hemácias (milhões/mm³) 7,59 8,00 – 16,00 
Hemoglobina (g/dL) 7,1 9,0 – 15,0 
Hematócrito (%) 22,4 24,0 – 50,0 
VCM (fL) 29,6 23,0 – 48,0 
CHCM (g/dL) 31,6 31,0 – 38,0 
RDW (%) 16,7 – 
Plaquetas (/mm³) 412.000 300.000 – 600.000 
Proteína Plasmática Total (g/dL) 6,2 6,0 – 7,5 
Hemácias nucleadas 400 – 
Leucócitos totais (/mm³) 10.900 4.000 – 12.000 
Neutrófilos segmentados (/mm³) 6.867 700 – 6.000 
Linfócitos (/mm³) 3.706 2.000 – 9.000 
Monócitos (/mm³) 218 0 – 750 
Eosinófilos (/mm³) 109 0 – 1.000 
Fonte: Elaborado pela autora (2025). 
Seguiu-se então o tratamento terapêutico com a administração de Clembuterol na dose 
de 0,03 mg/kg, via oral, a cada 12 horas, por 5 dias como broncodilatador para tratamento de 
uma possível pneumonia devido a constante produção de secreção nasal e Bromexina, na dose 
de 30 mg/kg, por via Intramuscular, a cada 1 dia, por 5 dias para expectoração da secreção. A 
bromexina é um agente mucolítico e secretolítico amplamente utilizado na medicina veterinária 
para auxiliar no tratamento de afecções respiratórias, como pneumonias, bronquites e processos 
com excesso de secreção mucopurulenta. Também foi administrado Dexametasona na dose de 
0,2 mg/kg, via intramuscular, a cada 24 horas, por 5 dias associado com Enrofloxacino na dose 
de 2,5 mg/kg e no mesmo intervalo. 
Além disso, foi realizado a técnica de contagem de ovos por grama de fezes, conhecida 
por OPG, que resultou em infecção moderada com a contagem de 2500 ovos. Haemonchus 
contortus, T. colubriformis, S. papillosus e Oe. columbianum são os nematoides que apresentam 
maior prevalência e maior intensidade de infecção, sendo considerados os de maior importância 
econômica para a exploração de pequenos ruminantes (VIEIRA et al., 1997). A realização do 
OPG foi necessária pois observou-se que a ovelha se encontrava em classificação 3 no método 
Famacha (FMC), que é utilizado para detectar anemia causada por Haemonchus contortus em 
ovinos. Esse método foi testado e validado por diversos pesquisadores (FERNANDES et al, 
2015), mas como padrão-ouro, é considerado o hematócrito (Ht) para a avaliação clínica no 
 
 
 
 
FMC. Nesse caso, o animal apresentava hematócrito baixo (22,4%) em relação ao valor de 
referência, sendo feita uma nova coleta de sangue para realização de hemograma e comparação 
dos valores entre o dia 26 e 31 de março de 2025. 
Tabela 7 – Resultado do hemograma da ovelha atendida no Hospital Veterinário Universitário da UFSM, 
realizado em 31 de março de 2025. 
Parâmetro Resultado Valores de Referência* Observações 
Eritrograma 
Hemácias 5,8 milhões/mm³ 8,00 - 16,00 
milhões/mm³ 
Anisocitose (++) 
Hemoglobina 5,7 g/dL 9,0 - 15,0 g/dL Pontilhado 
basofílico 
Hematócrito 18,2% 24,0 - 50,0% 
VCM 31,5 fL 23,0 - 48,0 fL 
CHCM 31,3 g/dL 31,0 - 38,0 g/dL 
RDW 18,7% - 
Plaquetas 348.000/mm³ 300.000 - 600.000/mm³ 
Proteína Plasmática 
Total 
6,2 g/dL 6,0 - 7,5 g/dL 
Fibrinogênio 400 mg/dL 100 - 500 mg/dL 
Leucograma 
Leucócitos totais 21.500/mm³ 4.000 - 12.000/mm³ Leucocitose 
Segmentados 15.695/mm³ (73%) 700 - 6.000/mm³ Neutrofilia 
regenerativa 
Linfócitos 5.375/mm³ (25%) 2.000 - 9.000/mm³ 
Monócitos 215/mm³ (1%) 0 - 750/mm³ 
Eosinófilos 215/mm³ (1%) 0 - 1.000/mm³ 
Fonte: Elaborado pela autora (2025). 
O hemograma realizado em 31 de março revelou alterações significativas no perfil 
hematológico do ovino. A análise demonstrou que havia ainda um quadro de anemia 
normocítica homocrômica, com presença de regeneração eritrocitária, compatível com anemia 
 
 
 
 
hemorrágica ou hemolítica (THRALL et al., 2015). Também se detectou leucocitose por intensa 
neutrofilia o que revelou uma resposta inflamatória aguda, possivelmente associada a infecção 
bacteriana ou processo necrótico (JAIN, 1993). Os achados do eritrograma , juntamente com o 
método Famacha podem ser sugestivos de infecção por nematoides gastrointestinais e o animal 
também foi tratado com Cianocobalamina (Vitamina B12). Em ovinos com anemia parasitária, 
a suplementação com cobalamina pode auxiliar na recuperação hematológica, embora não 
substitua o tratamento antiparasitário específico (DA ROCHA et al, 2023). 
Figura 12 – Cartão utilizado para realização do Método Famacha. 
 
Fonte: EMBRAPA (2021). 
No dia 2 de abril de 2025, ainda persistiram os sinais clínicos sem melhora significativa. 
O animal mantinha quadro de dispneia grave, caracterizada por taquipneia acentuada, padrão 
respiratório abdominal e secreção nasal mucopurulenta abundante. Concomitantemente, foram 
observados polidipsia evidente, que foi documentado pelos estagiários da clínica, mas a 
ingestão alimentar estava preservada. Diante da ausência de diagnóstico conclusivo, optou-se 
pela realização de exame endoscópico em colaboração com a Clínica de Equinos do HVU, na 
tentativa de visualizar as vias aéreas superiores, já que havia a suspeita obstrução. No exame, 
foi possível observar a presença de formações polipoides dentro da cavidade nasal, mas não foi 
possível chegar a nenhum diagnóstico devido à dificuldade de realizar o mesmo. Na mesma 
data, registrou-se um evento adverso durante o manejo do paciente, caracterizado pela remoção 
 
 
 
 
acidental do tubo de traqueostomia. Esta intercorrência resultou em uma agudização do quadro 
respiratório, manifestado por acentuação da dispneia preexistente e um aumento do esforço 
respiratório, com piora dos parâmetros. 
Figura 13 – ovelha com secreção nasal mucosa. 
 
Fonte: Autoria própria (2025). 
No seguimento do caso clínico de anemia, realizou-se reavaliação hematológica em 
03/04/2025, dois dias após o início da suplementação com vitamina B12. Os exames, 
processados no laboratório da própria clínica, revelaram evolução positiva dos parâmetros 
avaliados: o hematócrito, que anteriormente se encontrava em 18,2% (indicativo de anemia 
moderada a grave), apresentou elevação significativa para 24%, demonstrando um incremento 
de 31,9%. Diante da ausência de melhora no quadro clínico do animal e da impossibilidade de 
intervenções terapêuticas adicionais, optou-se pela eutanásia, após discussão criteriosa do caso. 
A decisão foi justificada pelo prognóstico desfavorável e pela ausência de resposta ao 
tratamento instituído, sendo devidamente autorizada pelo proprietário. O procedimento seguiu 
protocolo ético e humanitário, visando ao alívio do sofrimento e à garantia de uma morte 
indolor. 
O protocolo executado incluiu medicação pré-anestésica, utilizando Xilazina 2%, 
administrada via intravenosana dose de 1ml. Após a tranquilização do animal e redução do 
estresse, seguiu-se para a indução anestésica, na qual foi utilizado Tiopental, na dose de 10 
mg/kg, via intravenosa, para garantir inconsciência profunda e ausência de percepção dolorosa. 
 
 
 
 
Por fim, após a confirmação da anestesia geral, administrou-se Lidocaína 2% (2 mL/kg, via 
intratecal), causando depressão cardiorrespiratória rápida e irreversível. O corpo do animal foi 
transferido para o Departamento de Patologia da Universidade Federal de Santa Maria para a 
realização da necrópsia. 
Os achados necroscópicos confirmaram a presença de uma neoplasia benigna na 
cavidade nasal. Considerando a idade do animal e as características histopatológicas, sugere-se 
a possibilidade de se tratar do "tumor nasal enzoótico", também denominado Adenocarcinoma 
nasal enzoótico (ENT), que é uma neoplasia contagiosa das células epiteliais secretoras da 
mucosa nasal de ovinos e caprinos. Está associado ao betaretrovírus, vírus do tumor nasal 
enzoótico (ENTV). 
O tumor nasal enzoótico (ENT) manifesta-se clinicamente por sinais respiratórios 
característicos, incluindo descarga nasal persistente que pode variar de serosa a mucopurulenta, 
estridor respiratório evidente e dispneia progressiva. Frequentemente observa-se também 
protrusão ocular unilateral ou bilateral e deformidades cranianas visíveis, acompanhadas de 
anorexia decorrente da dificuldade respiratória. 
À necropsia, as lesões tumorais se apresentam como massas friáveis e pálidas, 
localizadas predominantemente na região dos cornos etmoidais e áreas adjacentes da cavidade 
nasal. Estas formações podem ocorrer de forma unilateral ou bilateral, ocupando 
progressivamente a cavidade nasal e seios paranasais. 
Histologicamente, a neoplasia exibe um espectro de padrões que podem variar desde 
características adenomatosas benignas até padrões adenocarcinomatosos. No entanto, conforme 
descrito na literatura especializada (DE LAS HERAS et al., 1988, 2003), a maioria dos casos é 
classificada como adenocarcinoma de baixo grau de malignidade, caracterizado por 
crescimento localmente invasivo, mas lento, baixa atividade mitótica, preservação relativa da 
arquitetura glandular e mínimo pleomorfismo celular. Esta classificação reflete o 
comportamento biológico da neoplasia, que apesar de seu crescimento progressivo na cavidade 
nasal, raramente apresenta metástases à distância. O diagnóstico diferencial deve incluir outras 
neoplasias nasais esporádicas em ovinos, sendo fundamental a correlação entre os achados 
clínicos, macroscópicos e histopatológicos para o diagnóstico definitivo. 
3.4.1 TRANSMISSÃO DO TUMOR NASAL ENZOÓTICO 
 
 
 
 
O tumor nasal enzoótico (ENA) está associado ao betaretrovírus ENTV (Vírus do 
Tumor Nasal Enzoótico), que apresenta estreita relação genética com o retrovírus Jaagsiekte 
(JSRV), agente etiológico do adenocarcinoma pulmonar ovino (APO). O vírus divide-se em 
duas subespécies distintas: o ENTV-1, que infecta especificamente ovinos, e o ENTV-2, que 
afeta principalmente caprinos (WALSH, et al. 2013), podendo ser distinguidos por PCR. Este 
vírus possui a capacidade única de transformar células epiteliais secretoras em células 
neoplásicas, caracterizando-se por seu potencial oncogênico intrínseco (XIAO et al., 2008). 
Em uma revisão, Wanderley et. al (2009) diz que evidências indicam que condições de 
criação em confinamento e altas densidades populacionais elevam consideravelmente a 
predisposição à enfermidade. Contudo, fatores como sexo e raça não apresentam correlação 
significativa como elementos de risco, especialmente na espécie ovina. A evolução da doença 
ocorre em um período aproximado de seis meses, culminando no óbito dos animais, que 
geralmente apresentam caquexia e importante perda de peso corporal (YONEMICHI et al., 
1978; DE LAS HERAS et al., 1991). 
Por se tratar de um de uma afecção neoplásica de caráter contagioso, é possível que o 
tumor nasal enzoótico seja transmitido por via horizontal, ocorrendo principalmente por via 
respiratória através da inalação de aerossóis contendo partículas virais. A doença apresenta 
maior prevalência em rebanhos submetidos a sistemas de manejo intensivo, onde o contato 
próximo entre os animais favorece a disseminação do agente. A secreção nasal abundante e 
persistente nos animais acometidos constitui um fator relevante na propagação viral 
(CASWELL JL & WILLIAMS KJ, 2015). 
Diante do caráter infeccioso da enfermidade e do risco de disseminação no rebanho, 
torna-se imprescindível a adoção de medidas de controle, incluindo o isolamento dos casos 
positivos e a implementação de rigorosos protocolos de biossegurança. Apesar disso, ainda não 
há relatos de outros animais com os mesmos sinais clínicos na propriedade de origem da ovelha, 
o que pode ser explicado por uma possível baixa contagiosidade, com ocorrência esporádica 
dentro do rebanho ou pela evolução lenta dos sinais clínicos. 
Para a confirmação definitiva da etiologia viral é essencial a realização de exames 
complementares específicos, como imuno-histoquímica para detecção de antígenos virais, 
Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) para identificação do material genético viral ou 
microscopia eletrônica para visualização direta das partículas virais. É importante destacar que 
o exame post-mortem, embora permita identificar a presença de neoplasia nasal, não possui 
 
 
 
 
especificidade para diferenciar o tumor enzoótico de outras neoplasias nasais esporádicas de 
origem não viral que eventualmente possam ocorrer em ovinos. Como ferramenta auxiliar no 
manejo sanitário do rebanho, o teste de ELISA pode ser empregado para identificação 
sorológica de animais infectados, fornecendo subsídios importantes para o controle da 
enfermidade. 
Figura 14 – Imagens macroscópicas (A) e microscópicas (B) da cavidade nasal da ovelha. A seta e círculo 
pontilhado em branco indicam a massa tumoral de caráter brancacento e róseo, vegetante (com projeções 
polipoides) que se estende até metade da cavidade nasal e parcialmente a porção média. Na imagem abaixo (B), 
há a microscopia onde observa-se uma proliferação epitelial neoplásica de padrão predominantemente grandular 
e papilífero, constituída por células colunares a cuboidais organizadas em túbulos e estruturas papilares com uma 
camada de células sustentadas por fino estroma fibrovascular. As células neoplásicas apresentam citoplasma 
eosinófilo moderado a claro, os núcleos são ovais, com cromatina finamente pontilhada e observa-se de 1 a 2 
nucléolos por núcleo. Em meio ao tumor observam-se áreas de metaplasia escamosa. Há leve infiltrado 
linfoplasmocítico multifocal. 
 
Fonte: Cortesia do Laboratório de Patologia Veterinária da UFSM (2025). 
Conclui-se, com base na literatura consultada, que não há registros de um protocolo 
terapêutico eficaz e economicamente viável para o controle da enfermidade em questão. As 
limitações técnicas e operacionais associadas ao tratamento, somadas à ausência de evidências 
científicas robustas, reforçam a necessidade de priorizar medidas preventivas e de controle 
sanitário como estratégias mais adequadas para o manejo desta afecção. 
 
 
 
 
 
4 CONCLUSÃO 
O Estágio Curricular Supervisionado em Medicina Veterinária (ECSMV) mostrou-se 
fundamental no processo de formação profissional, proporcionando a integração entre teoria e 
prática na área de ruminantes. A vivência na Clínica de Ruminantes do Hospital Veterinário 
Universitário da Universidade Federal de Santa Maria (HVU-UFSM) permitiu o 
acompanhamento de diversos casos clínicos e cirúrgicos sob supervisão docente qualificada, 
oferecendo uma visão abrangente da atuação médica veterinária nesta área. 
Durante o período de estágio, foi possível desenvolver competências técnicas essenciais, 
desde a realização de procedimentos cirúrgicos até o atendimento clínico de rotina, além daimportante interação com proprietários e produtores rurais. Essa experiência proporcionou a 
compreensão das particularidades dos diferentes sistemas de produção animal na região, 
enriquecendo a formação profissional. 
As atividades em campo evidenciaram os desafios característicos da medicina 
veterinária rural, marcados por condições estruturais limitantes e restrições no acesso a métodos 
diagnósticos complementares. Essas situações exigiram o desenvolvimento de capacidade 
analítica crítica e habilidade para tomada de decisões em cenários adversos, competências 
fundamentais para o exercício profissional. 
A Clínica de Ruminantes do HVU-UFSM demonstrou seu duplo papel relevante: tanto 
na prestação de serviços à comunidade quanto na formação de novos profissionais. Ao término 
do ECSMV, constata-se significativo crescimento nas dimensões técnica, científica e humana, 
consolidando a formação de uma médica veterinária preparada para atuar com ética, 
competência e responsabilidade social, características essenciais para o exercício profissional 
qualificado. 
 
 
 
 
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