Prévia do material em texto
Avaliação pré-operatória Prof. Msc Luís Henrique Cerqueira Vila Verde Mestre em Odontologia Unioeste/Unicamp Especialista em Implantodontia, Saúde Pública e Preceptoria no SUS Porque conhecer esse assunto? Os pacientes que comparecem ao consultório odontológico, comumente necessitam da realização de procedimentos sob anestesia local ou intervenções cirúrgicas. Riscos de acidentes e complicações cirúrgicas e anestésicas são mais comuns em pacientes com idades mais altas Menos comuns em jovens, MAS EXISTEM E OCORREM. Alta morbidade e morbimortalidade Perspectivas do futuro Aumento de expectativa de vida Avanços nos tratamentos de condições médicas como doenças cardiovasculares, metabólicas, autoimunes e Neoplasias Envelhecimento da população com dentição permanente ainda em boca Intervenções cirúrgicas mais comuns em indivíduos mais idosos e/ou comprometidos sistemicamente Perspectivas do futuro Piramide etária brasil Atenção somente a idade? Apesar da idade ser um dos indicadores de condições sistêmicas que requerem atenção especial, não é o elemento fundamental. American Society of Anesthesiology e Classificação do estado físico. Escala de Goldman ou Detsky American Society of Anesthesiology e Classificação do estado físico. (ASA) índice DE GOLDMAN No intuito de melhorar a estratificação do risco cardiovascular, Goldman et al estruturam, em 1977, o primeiro escore baseado em variáveis clínicas após extenso estudo com 1.001 pacientes acima de 40 anos. Os autores do Índice de Goldman identificaram nove fatores de risco cardíaco, sendo esses estatisticamente significativos e clinicamente importantes, e atribuíram valores a cada um deles. ÍNDICE DE DETSKY O Índice de avaliação de risco cardíaco de Detsky estima a probabilidade da ocorrência de complicações cardíacas após procedimento cirúrgico. É indicado para pacientes que serão submetidos a cirurgias não cardíacas. Essa avaliação pré-operatória para estimar possíveis riscos decorrentes do procedimento cirúrgico em cada paciente é importante para orientar condutas que possam minimizá-los, além de ser mais uma informação na análise de risco-benefício do paciente ser submetido a determinado procedimento cirúrgico. https://portal.wemeds.com.br/indice-de-detsky-risco-cardiaco/ ÍNDICE DE DETSKY nÃO ESQUECER Identificação Dados sociais Queixa Principal Histórico Médico – Frisar todos os sistemas Histórico Odontológico Alergias, histórico anestésico/cirúrgico Medicamentos de uso contínuo nÃO ESQUECER Histórico médico odontológico familiar Questões psicológicas relacionadas ao atendimento odontológico Última Consulta com dentista Coleta assinatura TCLE nÃO ESQUECER É notável a sensibilidade de uma anamnese bem feita para a identificação de uma condição clínica previamente desconhecida. Sinais vitais Anamnese cuidadosa e com tempo Vínculo com paciente Classificar o risco do paciente e melhor momento de intervenção cirúrgica com menor risco Comorbidades mais frequentes Condições crônicas: Hipertensão Arterial, Diabetes Mellitus, DPOC (Enfisema Pulmonar e Bronquite Crônica), Doença Renal Crônica Doenças Autoimunes: Lúpus Eritematoso, Artrite Reumatóide, Esclerose Múltipla, ELA, Pênfigo Bolhoso, Penifigóide, (Existem mais de 100 doenças autoimunes) Doenças neurológicas: Parkinson, Alzheimer, Epilepsia, Demência Tratamentos Neoplásicos: Quimioterapia, Radioterapia e cirurgias invasivas Danos relacionados a condições crônicas: AVC’s, condições degenerativas, perda de cognição, perda de capacidade motora, Perda de capacidade respiratória, insuficiência cardíaca, imunossupressão, transplantados Planejamento e oportunidade cirúrgica Todo ato operatório deve ser planejado e executado no melhor momento cirúrgico, evitando riscos desnecessários ao paciente. Planejamento inicia-se com uma anamnese e exame físico minuciosos, compreendendo queixa principal, anseios, expectativas do paciente, histórico médico, cirúrgico e odontológico. Destinar tempo hábil para consulta inicial e de anamnese Compreender o histórico médico e correlacionar as informações colhidas para executar, adiar ou contraindicar a intervenção Discutir condições de saúde com médico assistente hipertensão Arterial A hipertensão arterial é uma condição comum, especialmente entre pacientes cirúrgicos, sendo definida por pressões sistólicas acima de 140 mmHg ou diastólicas acima de 90 mmHg. Essa condição é uma das principais razões para o adiamento de cirurgias eletivas. Os fatores de risco incluem tabagismo, diabetes, idade e histórico familiar, e a hipertensão não tratada pode levar a diversas complicações severas. Danos como: AVC’s e lesões renais hipertensão Arterial hipertensão Arterial Aferições no pré-operatório devem ser avaliadas com cautela Medicações devem ser mantidas e tomadas corretamente: Losartana, HCTZ, Furosemida e Atenolol Em casos de picos hipertensivos na cadeira odontológica: Captopril SL 25 mg Pacientes com aferições alteradas devem ser avaliados com cardiologista ou MFC para ajustes ou orientações hipertensão Arterial Pacientes hipertensos controlados: Procedimento pode ser realizado. Vasoconstritor de escolha: Epinefrina Sal anestésico Mepivacaina ou Articaína Considerar idade, risco-beneficio da intervenção, dor prévia hipertensão Arterial Pacientes hipertensos descompensados: Procedimento adiado Solicitado MAPA Contatado Médico Assistente Sempre considerar última consulta com médico, uso correto de medicação e número de aferições Se o paciente estiver com quadro de urgência ou até emergencial, avaliar risco beneficio da abordagem e utilizar o anestésico: Prilocaína com Felipressina hipertensão Arterial Na maior parte das ocasiões o paciente Hipertenso pode ser atendido em consultório odontológico Não há indicação de suspensão de medicamentos Priorizar o controle da dor Cuidar com anestesias intravasculares acidentais Manter sempre Captopril SL 25 mg no carrinho de emergência Aferir a P.A na consulta inicial (menor ansiedade) Atenção com casos não diagnosticados Arritmia Cardíaca Alteração no ritmo cardíaco Pacientes com arritmias cardíacas, sejam diagnosticadas ou ocultas, apresentam desafios para cirurgiões e anestesistas, pois essas condições geralmente afetam o débito cardíaco. É crucial diferenciar arritmias supraventriculares de ventriculares, sendo as últimas mais críticas e requerendo imediata atenção. Estresse durante atendimento e anestesia podem acelerar ritmo cardíaco e comprometer seu funcionamento Arritmia Cardíaca Diagnóstico com ECG, ecocardiograma e exame físico cardiológico Prognóstico pode ser pior se associado a Isquemia do Miocárdio, Diabetes e Obesidade Tratamento Atenolol, Propanolol, Carvediol e Anticoagulantes, instalação de Marcapasso e mudanças de hábitos Arritmia Cardíaca Avaliar condições correlacionadas: HAS, DM2, Obesidade Avaliar última consulta médica e uso dos medicamentos Se condições descompensadas adiar procedimento e contatar médico assistente Se compensado atendimento normal: Monitorando sinais vitais (FC, PA, Sat) AAS suspender? Valvopatia Cardíaca Valvopatia Adquirida ou Congênita: Defeitos nas válvulas cardíacas Adquiridos: Transplantados cardíacos com evolução para valvopatia Adquiridos: Histórico de Endocardite que evoluiu para defeito valvar Congênitos: Defeitos em Válvulas congênitos Valvopatia Cardíaca Pacientes portadores de defeitos nas válvulas do coração apresentam um risco elevado de EI. A EI é uma condição desencadeada pela bacteremia de bactérias da cavidade oral que atingem a corrente sanguínea, e se alojam no defeito cardíaco levando a uma infecção A EI apresenta uma alta taxa de mortalidade se não tratada precocemente Valvopatia Cardíaca Pacientes portadores de defeitos valvares devem ser submetidos a procedimentos cirúrgicos odontológicos ou que envolvam sangramento, sob profilaxia antibiótica conforme protocolo da AHA. Sempre avaliar outras correlaçõesmédicas existentes como: DM2, HAS, doenças autoimunes Priorizar, se possível, consultas maiores afim de evitar repedidas doses de antibiótico e aumento de resistência bacteriana Prótese vALVAR Correções protéticas em válvulas cardíacas com valvopatias Histórico de correção cirúrgica de Prótese valvar por defeitos congênitos ou adquiridos Próteses biológicas ou aloplásticas Questionar histórico cirúrgico cardiológico durante anamense. Pacientes com alto risco de desenvolver EI Prótese vALVAR Em caso de prótese valvar o procedimento CIRURGICO OU COM SANGRAMENTO deve ser realizado sob profilaxia antibiótica conforma protocolo da AHA Indicação de profilaxia antibiótica independente de quanto tempo de pós-operatório cardíaco corretivo Bacteremias decorrente de abordagem cirúrgica Prótese vALVAR Sempre avaliar outras correlações médicas existentes como: DM2, HAS, doenças autoimunes Priorizar, se possível, consultas maiores afim de evitar repedidas doses de antibiótico e aumento de resistência bacteriana mARCAPASSO iNSTALADO Um número cada vez maior de pacientes que chegam à cirurgia tem um marcapasso cardíaco ou um desfibrilador cardioversor automático implantado. Esses aparelhos conseguem monitorar o ritmo cardíaco, controlar a frequência cardíaca e desfibrilar. Avaliar condição médica prévia: Doenças cardiovasculares associadas, Doenças metabólicas, Histórico de Bypass, cirúrgica prévia, doenças autoimunes, idade e imunossupressor Se controladas as condições, o procedimento pode ser realizado com minucioso monitoramento de sinais vitais NÃO UTILIZAR BISTURI ELÉTRICO, ELETROCAUTÉRIOS E ULTRASSOM ODONTOLÓGICO O paciente bem controlado e estável, não possui restrição anestésica local mARCAPASSO iNSTALADO mARCAPASSO iNSTALADO Condições descompensadas ASA 3 ou superior Múltiplas comorbidades associadas (Insuficiência Cardíaca, Imunossupressão grave , Doenças Metabólicas, Degenerativas) Adiar procedimento Considerar atendimento em âmbito hospitalar Prótese Ortopédica Cirurgia para instalação de prótese ortopédica a menos de 2 anos Procedimentos cirúrgicos ou com possível sangramento v Se sistemicamente estável, não necessita demais medicações Sem contraindicação anestésica CondiçÕes e situações cardiovasculares comuns Insuficiência Cardíaca Congestiva Cirurgias de Revascularização – Considerar tempo > 6 meses ou 6 meses ou 126 mg/dl (DM confirmado) Hemoglobina Glicada: (padrão ouro) Diabetes A literatura propõe parâmetros para definição de riscos, classificando como: baixo risco (glicemia 250mg/dl e HbA1C acima de 9%). Nota-se que os profissionais devem tomar as devidas precauções, pautando-se em uma cuidadosa anamnesee considerando o controle da doença e o uso de medicamentos. Para os pacientes de alto risco recomenda-se adiar o tratamento odontológico eletivo até as condições metabólicas se equilibrarem e referenciar o paciente para a equipe médica (BRANDÃO; SILVA; PENTEADO, 2011) Priorizar atendimentos pela manhã Se descompensado , Médio risco ou acima de 180 de glicemia considerar risco beneficio do procedimento e considerar antibioticoterapia (profilaxia antibiótica prévia e se necessário dose terapêutica pós-operatória em cirurgias maiores) Diabetes Considerar risco maior se houver associação com outras condições médicas Hiperglicemia e os subprodutos do metabolismo da glicose resultam em doença cardiovascular, doença vascular cerebral, nefropatia, neuropatia e retinopatia. Se paciente compensado não há restrição medicamentosa e anestésica, procedimento poderá ser realizado normalmente Suspender medicamentos apenas com avaliação Endocrinológica Cuidados com crises de hipoglicemia na cadeira: Sudorese Fria, Tremores, Visão turva, Tontura, Extremidades pálidas e frias – Aferir com glicosimêtro Doenças autoimunes Lúpus Eritematoso Esclerose Múltipla Artrite Reumatóide Vasculite Sindrome de Sjogren Esclerodermia Poliartrite Polimiosite Conjunto de mais de 100 doenças em que o sistema imune do próprio paciente irá agredir e causar danos em diferentes órgãos, tecidos e sistemas do corpo. O grau, local e tipo de dano irá depender da doença, afim de controlar a progressão o tratamento é feito com Imunossupressores que visam rebaixar o sistema imune. Doenças autoimunes O uso de imunossupressores irá melhorar a condição e evolução da doença autoimune diagnosticada. Conduto o sistema imune afetado poderá expor o paciente a complicações cirúrgicas. Esses pacientes poderão sofrer com infecções locais e a distância do local operado, portanto as condições bucais devem ser controladas como doenças periodontais e infecções odontogênicas As exodontias e procedimentos cirúrgicos deverão ser planejados e realizados sob profilaxia antibiótica. A antibioticoterapia terapêutica pós-operatória poderá ser indicada de acordo com a extensão do procedimento Doenças autoimunes O médico que comumente acompanha os pacientes portadores de doenças autoimunes é o reumatologista Se a doença reumática for associada a outras condições médicas esse paciente deverá ser consultado pelo médico antes, afim de avaliar qual imunossupressor o paciente utiliza e se o acompanhamento está sendo realizado Imunodeficiências As imunodeficiências são condições médicas que poderão acarretar numa queda na resposta imunológica do paciente, seja por danos da própria doença como HIV/AIDS ou por conta de uso de medicamentos imunossupressores em pacientes transplantados, afim de se evitar a rejeição do órgão. Condições comuns: HIV positivo sem tratamento antirretroviral realizado nesse caso o vírus poderá debilitar o sistema imune.( se o tratamento estiver ocorrendo, o paciente não tem riscos associados a procedimentos cirúrgicos odontológicos). Imunodeficiências Pacientes em tratamento oncológico: Avaliar o risco de complicações principalmente associados a radioterapia em cabeça e pescoço, mucosites e infecções fúngicas . Pacientes que fazem uso de Bifosfanatos possuem risco elevado de osteonecrose dos maxilares em caso de intervenções cirúrgicas invasivas. (prescritos em pacientes com Osteoporose e metástases ósseas). Nesses casos o procedimento é contraindicado, se for urgencial ou emergencial avaliar risco-beneficio com esclarecimento ao paciente e contatar equipe médica. Idealmente o tratamento odontológico de rotina deveria ser realizado em todos os pacientes, antes do inicio da terapia neoplásica. Pacientes em tratamento com quimioterapia em andamento ou recente, apresentam riscos maiores de complicações e se as plaquetas estiverem baixas o risco de hemorragias será maior. Imunodeficiências Pacientes transplantados: Após o transplante os pacientes necessitam de um controle médico regular, e muitas vezes com uso de medicamentos imunossupressores e corticoides. Nesses casos o procedimento deverá ser planejado de modo a considerar os riscos de um paciente com resposta imune debilitada aumentando riscos de infecções. Considerar uso de antibioticoterapia (profilaxia antibiótica e se necessário dose terapêutica pós-operatória), principalmente em cirurgias maiores e contaminadas Bibliografia CARIA, Paulo Henrique Ferreira. Anatomia Geral e Odontológica. Virtual Grupo A 2014 HUPP, J. R.; ELLIS, E.; TUCKER, M.R. Cirurgia oral e maxilofacial contemporânea. São Paulo: Elsevier, 2009. EVERS, B. M.; BEAUCHAMP, R.D.; MATTOX, K. Sabiston – tratado de cirurgia. Vol.2. 18a ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. BARASH, Paul G.; CULLEN, B. F. et al. Manual de Anestesiologia Clínica. Porto Alegre: Artmed, 2015. Virtual Grupo A REGEZI, J. Patologia Oral. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. TOWNSEND, C.; BEAUCHAMP, D. Sabiston – tratado de cirurgia. Vol. 1. 19a ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. MALAMED,S.F. Manual de anestesia local. 6.ed Rio de Janeiro. Elsevier, 2013 ANDRADE, E. D. Farmacologia, anestesiologia e terapeutica em odontologia. Porto Alegre: Virtual Grupo A 2013 image1.png image2.png image3.png image4.png image5.jpeg image6.jpeg image7.png image8.png image9.png image10.jpeg image11.jpeg image12.png image13.png image14.jpeg image15.jpeg image16.jpeg image17.jpeg image18.jpeg image19.jpeg image20.jpeg image21.jpeg image22.png image23.png image24.jpeg image25.jpeg image26.png image27.png image28.jpeg image29.png image30.jpeg image31.png image32.png image33.png image34.png image35.jpeg image36.jpeg