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CURSO DE FISIOLOGIA VEGETAL

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(apenas os produzidos na planta) bem como os reguladores sintéticos. Portanto, 
todo fitohormônio é fitorregulador, mas a recíproca não é verdadeira. Dos fitohormônios 
mais estudados destacam-se as auxinas, giberelinas, citocininas, o etileno, os inibidores 
(ABA) e retardadores. 
 
 13.2.1 Principais hormônios vegetais – São reguladores vegetais - 
Compostos orgânicos ou moléculas sinalizadoras, não nutrientes, responsáveis por efeitos 
marcantes no desenvolvimento da planta em pequenas concentrações, podendo promover, 
inibir, retardar ou modificar processos fisiológicos e morfológicos. O hormônio é ativo 
em quantidades extremamente pequenas (6 ug de AIA kg-1 de abacaxi). 
 Um hormônio é uma substância orgânica, produzida normalmente em tecidos 
meristemáticos e transportada para outros, onde provoca respostas fisiológicas. De função 
semelhante, mas de produção artificial, incluem-se os reguladores vegetais. Estas 
substâncias assumem situação de destaque na agricultura com seus múltiplos usos, tais 
como defensivos (herbicidas), estimuladores, inibidores, etc., provocando respostas 
favoráveis ao seu uso. É muita destacada a ação de fitorreguladores na agricultura, tanto 
os naturais quanto os sintéticos. 
 Em termos de Brasil, destaca-se o uso dessas substâncias como herbicidas 
seletivos (só mata folha larga): 2,4-D; 2,4,5-T, entre outros. O uso de etileno em abacaxi; 
auxinas em algodão (queda de frutos); giberelinas tem grandes efeitos na germinação de 
gramíneas e em plantas anãs mutantes de milho e ervilha, bem como no florescimento de 
folhosas. Retardadores são usados em trigo (menor acamamento) e em plantas 
ornamentais e de arborização. 
 Dos hormônios vegetais mais estudados destacam-se as auxinas, giberelinas, 
citocininas, etileno e o ácido abscisico. Entretanto, atualmente há fortes evidencias 
indicando a existência de hormônios vegetais esteróides, os brassinoesteróides, que 
produzem uma ampla gama de efeitos morfológicos no desenvolvimento vegetal (Veja 
ensaio 19.1 na internet: www.plantphys.net). 
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 Várias outras moléculas sinalizadoras participantes nos processos de resistência a 
patógenos e de defesa contra herbívoros, também tem sido identificadas, incluindo o 
ácido jasmônico, o acido salicílico e o polipeptídio sistemina (Taiz e Zeiger, 2004). 
 O primeiro hormônio de crescimento vegetal a ser descoberto e estudado foi a 
Auxina e deu o inicio aos trabalhos sobre a fisiologia do mecanismo de expansão celular. 
Alem disso, juntamente com a citocinina, parece ser necessária continuamente, enquanto 
os demais hormônios e substancias sinalizadoras, parecem agir como chaves liga-desliga, 
reguladoras de processos específicos do desenvolvimento. 
 
 13.2.1.1 AUXINAS – São hormônios vegetais produzidos 
principalmente nas regiões apicais (gema apical). Transloca-se quase que 
unidirecionalmente na planta, do ápice para a base (de modo polar para a raiz: basipeto), 
onde participa do crescimento e diferenciação dos vários tecidos. Desloca-se numa 
velocidade de 0,5 a l,5cm hora-1. O transporte no caule é basipeto e na raiz é acrópeto, 
provavelmente para diminuir a concentração. 
 Ocorrem principalmente em órgãos que estão em crescimento ativo em quase todo 
reino vegetal. A principal auxina de ocorrência natural é o ácido indol-3-acético (AIA), 
tendo como provável precursor, o aminoácido triptofano, que tem sua síntese mediada 
pela presença do zinco. A inativação da auxina AIA ou a sua destruição é causada por 
processos fotoquímicos (foto-oxidação) e/ou enzimáticos (peroxidases). 
 Os níveis de auxinas nas plantas são controlados por variações na velocidade de 
síntese; destruição e inativação. A velocidade de síntese varia com fatores do meio e pela 
idade da planta ou órgão desta. Em órgãos clorofilados a velocidade de síntese é maior 
em presença de luz do que no escuro. Em regiões temperadas, as plantas perenes 
apresentam maior síntese na primavera que no inverno (fotoperíodo). 
 Além do ácido indolacético, AIA (única auxina natural) existem outras sintéticas, 
como o ácido indolbutírico (AIB) utilizado no enraizamento de estacas; o ácido 
naftalenacético (ANA), usado para reduzir queda de frutos e também em enraizamento; 
2,4-D, usado como herbicida seletivo para gramíneas (mata dicotiledôneas) e 2,4,5-T, 
entre outros. 
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 O mecanismo de ação baseia-se no alongamento da parede celular, sendo a 
resposta inicial dos tecidos vegetais à auxina. Atua na plasticidade da parede celular, 
quebrando as fibrilas de celulose, permitindo que as células se alonguem. Com o 
afrouxamento das fibrilas de celulose, a célula se distende por pressão da água nos 
vacúolos (turgidez: vacuolização), e vai aumentando de tamanho ou volume até que a 
parede celular regule a entrada de água. 
Uma das principais ações da auxina nos vegetais é a regulação do crescimento por 
alongamento de caules jovens e coleóptilos. Baixos níveis de auxina são também 
necessários para o alongamento da raiz, embora altas concentrações atuem inibindo o 
crescimento desse órgão (Figura 13.1). 
 
 
Figura 13.1 Relação entre a concentração de AIA e seu efeito estimulante ou inibidor no 
desenvolvimento de caules e raízes (Meyer e Anderson, 1973). 
 
Os principais efeitos podem ser resumidos em: a) Alongamento celular por mitose 
e vacuolização; b) Dominância apical; c) Inibição do crescimento da raiz principal, d) 
Diferentes concentrações atingem órgãos diferentemente – Figura 13.1; e) Estimula a 
partenocarpia (frutos sem sementes); f) Efeito depende: do tecido alvo; do meio químico 
e da concentração. 
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Auxinas e Tropismos (curva de resposta a um estimulo desigual, resultando em 
alongamento desuniforme). Fototropismo – Curvatura em resposta ao estímulo luminoso 
(ver experiências de Darwin). Geotropismo – positivo: da raiz principal; negativo: do 
caule. 
Principais usos da Auxina: 1. Obtenção de frutos partenocárpicos, quando se trata 
a parte floral de uvas, melão, tomate, entre outros; 2. Inibe crescimento de gemas laterias; 
na batatinha armazenada impede brotação dos “olhos” – mais tempo; 3. Enraizamento de 
estacas na propagação vegetativa (AIB, ANA); 4. Reduz abscisão de frutos de algodão 
(rico em ABA); 5. Uso como herbicidas seletivos a folhas estreitas: 2,4-D, MCPA e 
2,4,5-T. 
Antiauxinas – Substâncias semelhantes às auxinas: Isômeros óticos, que mostram 
um antagonismo competitivo com a ação auxínica. 
 
 13.2.1.2 GIBERELINAS – De todos os fitohormônios conhecidos 
as giberelinas são os que mostram os maiores efeitos quando aplicados em plantas 
intactas. São promotoras do crescimento, cujos efeitos se assemelham aos das auxinas. 
Uma das diferenças é que as giberelinas quase não apresentam efeitos em segmentos de 
plantas. 
 Ocorrem em todas as angiospermas estudadas, giminospermas briófitas e algas. 
Foi descoberto por KUROSAWA, no Japão, que estudava uma doença do arroz. Esta 
doença (Bakanae) causava um crescimento débil ou anormal das plantas que provocava 
um acamamento, diminuindo sua produtividade. Foi isolado então o fungo Giberella 
fujikuroi, responsável pela doença. O isolamento do principio ativo presente no extrato 
do fungo levou à identificação das giberelinas, que também foi encontrada em muitas 
plantas. Hoje já existem mais de 50 tipos estudados, sendo mais comum o AG3. 
 Seu transporte é de natureza ubíqua ou assimétrica, não polarizado, ocorrendo em 
todas as direções na maioria dos tecidos. Tem como precursores alguns compostos como 
o acido carenóico e o esteviol, que podem ser isolados da erva brasileira (Stervia 
rebandiana). As giberelinas não podem ser ainda, produzidas sinteticamente, devido à 
complexidade de sua estrutura molecular. Ex: Só o GA3 tem 250 isômeros. Assim as 
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giberelinas obtidas comercialmente ainda são resultante da secreção