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Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 9 1 ESCÓRIAS NITROGENADAS - São produtos tóxicos do metabolismo dos aminoácidos (mais especificamente, do grupo amina dos aminoácidos). São elas: o Amônia: mais tóxica e de alta solubilidade; o Ureia: média toxicidade e média solubilidade; o Ácido úrico: baixa toxicidade e baixa solubilidade; - Anidrido: é o substrato originado a partir da desidratação de um ácido (creatina-fosfato), reação que gera a creatinina; AMÔNIA - A amônia é bastante tóxica para os tecidos humanos, por isso seus níveis sanguíneos devem ser regulados cuidadosamente; - A amônia livre é gerada a partir de alguns processos metabólicos, como a degradação de nucleotídeos e de aminoácidos provenientes da dieta (a maior parte desses aminoácidos é metabolizada no fígado); - Essa amônia livre é convertida em um composto não tóxico (glutamina) antes de sair dos tecidos extra-hepáticos para a corrente sanguínea e ir para o fígado, onde ocorre a conversão para sua forma de excreção (ureia); - A separação da amina acontece pela oxidação de aminoácidos pelos processos de TRANSAMINAÇÃO e DESAMINAÇÃO; Como isso ocorre? ❖ A partir da oxidação de aminoácidos – metabolismo proteico (descrito mais a frente) ❖ A partir de da amônia livre - A amônia livre produzida pelos tecidos extra-hepáticos vai direto para o rim para ser excretada na urina como amônia, ou se combina com o GLUTAMATO, formando a molécula de L-GLUTAMINA (reação catalisada pela enzima glutamina- sintetase); - A GLUTAMINA é uma forma de transporte não tóxico para a amônia, estando normalmente em elevadas concentrações no sangue; - Ela é transportada para o fígado (principal órgão processador dos grupos amino), rins e instestino, onde a enzima glutaminase converte a glutamina em GLUTAMATO e NH4+ (íon amônio), formado a partir do nitrogênio amídico na mitocôndria das células hepáticas; - O NH4+ dos rins e intestino é transportado no sangue para o fígado, onde essa amônia vai ser usada no ciclo da ureia; - Parte do glutamato produzido na reação glutaminase pode ser adicionalmente processada no fígado pela glutamato- desidrogenase, liberando mais amônia para utilização como combustível. Porém, maior parte do glutamato entra em reações de transaminação necessárias para biossíntese de aminoácidos e para outros processos. ❖ Ciclo Glicose-Alanina - A alanina transporta amônia dos músculos esqueléticos para o fígado, tendo um papel essencial no transporte não- tóxico da amônia pelo sangue; - No músculo e em tecidos que degradam aminoácidos como combustível energético, os grupos amino são coletados na forma de glutamato a partir de reações de transaminação; - O glutamato, nesse caso, transfere o seu grupo amino para o ácido pirúvico (produto do metabolismo da glicose nos músculos) pela enzima alanina-aminotransferase, formando a molécula de alanina; - Essa alanina vai para o fígado, onde libera o grupo amina na molécula de α-cetoglutarato, formando o ácido pirúvico novamente a partir da própria molécula de alanina, e o glutamato a partir do α-cetoglutarato; - O glutamato vai passar pelos processos de transaminação e desaminação, iniciando o ciclo da ureia; - Já o ácido pirúvico formado pela alanina sofre o processo de gliconeogênese, originando a glicose, que é transportada de volta ao sangue e aos músculos (onde formará do ácido pirúvico novamente → ciclo glicose-alanina; UREIA - O ciclo da ureia inicia dentro da mitocôndria hepática, mas três de suas etapas ocorrem no citosol dos hepatócitos; - O primeiro grupo amino que entra no ciclo da ureia vem do metabolismo dos aminoácidos pelo fígado, mas também podem vir de fontes extra-hepáticas (como já falado); - Seja qual for a fonte, amônia presente na mitocôndria hepática reage com CO2 para iniciar o ciclo da ureia; Obs: os animais terrestres necessitam de vias para a excreção de nitrogênio que minimizem a toxicidade da amônia e sua consequente desidratação, excretando o nitrogênio amínico na forma de ureia, sendo denominados ureotélicos. Desse modo, o ser humano é classificado como ureotélico devido excretar maior quantidade de ureia comparado com outras excretas nitrogenadas. Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 9 2 CICLO DA UREIA 1. Ocorre a reação da amônia (NH3+) com o gás carbônico (CO2) na matriz mitocondrial dos hepatócitos, dando origem à molécula de carbamoil-fosfato. Essa reação é catalisada pela enzima carbamoil-fosfato sintetase I; 2. Nessa reação, gasta-se 2 moléculas de ATP (uma para fornecer o fosfato necessário à molécula de carbamoil- fosfato, e outra para fornecer energia); 3. Ainda na mitocôndria, o carbamoil-fosfato reage com a ornitina e perde fosfato, formando a citrulina (reação catalisada pela enzima ornitina transcarbamilase). Essa perda de fosfato fornece energia para a reação; 4. A molécula de citrulina passa para o citosol e se une com o aspartato, que veio do processo de transaminação do glutamato, a partir da doação de um grupo amino para o oxalacetato; 5. Essa reação de citrulina + aspartato forma o argininosuccinato, sendo catalisada pela enzima arginina- succinato-sintetase e tendo gasto de ATP (ocorre a quebra de ATP em AMP e pirofosfato); 6. Parte desse argininosuccinato é removida e forma a molécula de fumarato (que sai do ciclo da ureia para entrar no ciclo de Krebs ou do ácido cítrico) e a molécula de arginina (que continua no ciclo da ureia); - Essa arginina, a partir da enzima arginino-succinato-liase, forma duas moléculas: o Ureia → produto final dessa cascata metabólica; o Ornitina → recomeça o ciclo ao reagir com o carbamoil-fosfato para formar a citrulina; OBS: pessoas com defeitos genéticos em qualquer das enzimas envolvidas na formação de ureia não toleram dietas ricas em proteínas. Os aminoácidos ingeridos em excesso, além das necessidades mínimas diárias, são desaminados no fígado, produzindo amônia livre, que não pode ser convertida em ureia para ser exportada para a corrente sanguínea e a amônia é altamente tóxica. A ausência de uma enzima do ciclo da ureia pode resultar em hiperamonemia e em possíveis danos cerebrais irreversíveis; o Bicicleta de Krebs - É o processo de economia energética do ciclo da ureia a partir do fumarato (produzido pelo argininosuccinato), pois ele é convertido em malato, que é transportado para dentro da mitocôndria, onde ocorre a geração de NADH pela reação da enzima malato desidrogenase; cada molécula de NADH pode gerar até 2,5 ATP durante a respiração mitocondrial, reduzindo em grandes quantidades o custo energético da síntese de ureia; o Função fisiológica - A ureia é filtrada pelo glomérulo e é reabsorvida passivamente no TCP. A concentração de ureia aumenta junto com a absorção de água, e retorna ao lúmen tubular a favor do seu gradiente de concentração para o insterstício e vasos retos, sendo excretada pelo ducto coletor junto com água e ácidos. O acúmulo de ureia no lúmen tubular contribui para a pressão osmótica, sendo um componente importante da regulação renal do equilíbrio hídrico; ÁCIDO ÚRICO - O ácido úrico resulta dos nucleotídeos, sobretudo do catabolismo das purinas (adenina e guanina), sendo a única via de excreção pela urina; - Os nucleotídeos têm diversas funções no organismo: formar DNA e RNA, sinalizadores celulares (AMPc, ADP, AMP, coenzimas (FAD, NAD, NADP, coenzima A), e fornecer energia para as vias metabólicas pela formação do ATP; - Os nucleotídeos podem ser obtidos a partir de três fontes: dieta, metabolismo celular e a síntese “de novo” de bases nitrogenadas; - As purinas necessárias à síntese de ácidos nucleicos (DNA e RNA) são produzidas no próprio organismo, não tendo necessidade de ingestão; -As purinas ingeridas não são incorporadas a ácidos nucleicos, mas sim convertidasa ácido úrico por enzimas da mucosa intestinal e do fígado, e excretadas na urina; Obs: o processo de degradação celular ocorre o reaproveitamento das bases nitrogenadas purínicas e pirimídicas. A partir da dieta, ocorre a ingestão de DNA de outros seres vivos. Tanto a via do metabolismo quanto a da dieta convergem para rotas de recuperação de nucleotídeos que permitem a reutilização de bases púricas pré-formadas, constituindo a Via de Salvação das Purinas; Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 9 3 CICLO DO ÁCIDO ÚRICO 1. O precursor da via se dá pela transformação da glicose em ribose-6-fosfato pela quebra de uma molécula de ATP em ADP; 2. A ribose-6-fosfato recebe um pirofosfato (derivado da quebra de ATP em AMP), formando o PRPP (5-fosforibosil-1- pirofosfato) → enzima PRPP-sintase; 3. O PRPP recebe um grupo amina a partir da glutamina, formando o glutamato, e ocorrendo a saída do radical pirofosfato → enzima fosforibosil-aminotransferase; 4. Essa reação forma a molécula 5-fosforibosil- aminotransferase, que origina IMP, que, por sua vez, origina duas moléculas: o AMP → vem a partir do precursor adenilsuccinato (formado na quebra do aspartato e GTP em GDP e PO, pela enzima adenilosuccinato sintetase). A partir da formação do Adenilsuccinato, a ação da enzima adenilosuccinato liase libera uma molécula de furamato do adenilsuccinato, que forma o AMP; o GMP → vem a partir do precursor xantina monofosfato (XMP), em uma em que reação a glutamina doa seu grupo amino para o XMP, que forma o glutamato, GMP e pirofosfato pela ação da enzima IMP desidrogenase; Síntese do ácido úrico 5. O AMP sofre uma desaminação a partir da enzima desaminase e é convertido em IMP, o qual forma a molécula de Inosina; 6. A Inosina, pela adição de um PO4-2 inorgânico e pela saída da ribose-1-fosfato, transforma-se em hipoxantina, e forma a xantina por oxidação → enzima xantina-oxidase; 7. A xantina sofre oxidação novamente pela xantina-oxidase e forma uma molécula de ácido úrico; Obs: o AMP também pode formar a adenosina, numa reação que também se dá pela adição de 1 molécula de água e pela remoção de um PO4- . A adenosina também sofre desaminação e forma a molécula de inosina; - O GMP, a partir do XMP, também participa da formação do ácido úrico: 1. O GMP é convertido em guanosina pela adição de uma molécula de água e pela saída do PO4 -2 inorgânico; 2. A guanosina é transformada em guanina pela adição de um PO4 -2 inorgânico e pela saída da Ribose-1-Fosfato; 3. A guanina sofre uma desaminação (pela enzima desaminase), que promove uma hidrólise com a saída do grupo amino da guanina, formando a xantina; 4. A xantina, por meio de uma reação de oxidação, forma o ácido úrico; CREATINA - É um composto que contém carbono, hidrogênio e nitrogênio, sintetizado nos rins, pâncreas e fígado (principalmente) a partir de 3 aminoácidos: glicina, arginina e metionina; - Possui fonte endógena e exógena (pela alimentação); - Uma vez dentro das células musculares, é convertida em fosfocreatina (creatina fosfato) e utilizada como reserva de energia, principalmente no músculo esquelético para exercícios de alta intensidade; o Processo 1. Nos rins, ocorre a transaminação entre a arginina e a glicina, formando o guanidinoacetato (glicociamina) e ornitina, sendo catalisada pela enzima glicina amidinotransferase (AGAT) → ocorre nos rins; 2. É adicionado ao guanidinoacetato um grupo metila (metilação) da metionina (S-adenosilmetionina), formando uma molécula de creatina → enzima guanidato metiltransferase (GAMT) → ocorre no fígado; 3. A creatina é transformada em fosfocreatina pela adição do fosfato do ATP → enzima creatina-quinase (CK); 4. A fosfocreatina é degradada em creatinina para ser eliminada pelo rim; ELIMINAÇÃO DAS ESCÓRIAS NITROGENADAS UREIA Filtração → é livremente filtrada pelos capilares glomerulares, sendo a quantidade filtrada igual a presente no plasma; Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 9 4 Reabsorção → 50% da ureia filtrada é reabsorvida por difusão simples no TCP, por meio das junções celulares epiteliais (via paracelular). Isso ocorre porque a reabsorção de água no TCP faz o filtrado ficar mais concentrado em ureia do que o plasma sanguíneo, criando um gradiente de concentração favorável à reabsorção passiva da ureia; Obs: a reabsorção da ureia no TCP é inversamente proporcional ao fluxo da urina, ou seja, em condições de alto fluxo (poliúria), cerca de 40% da ureia da urina é reabsorvida, enquanto em casos de pouco fluxo (desidratação e insuficiência renal aguda) até 70% da ureia pode ser reabsorvida; - As seguintes estruturas são impermeáveis à ureia: ramo ascendente espesso da alça néfrica, TCD, ductos coletores corticais e ductos coletores da zona externa medular. Porém, os ductos coletores da zona interna medular possuem o transportador de ureia 1 (UT1), que são ativados por ADH, favorecendo sua reabsorção; Secreção → ocorre no ramo descendente delgado da alça néfrica, por meio dos transportadores UT-A2 por difusão simples. A ureia é secretada nessa região pois há uma ↑ concentração dessa substância no líquido intersticial onde a alça néfrica está, maior que no lúmen tubular; AMÔNIA Reabsorção → boa parte do amônio (NH4+) secretado no TCP é reabsorvido no ramo ascendente espesso da alça néfrica, com o NH4+ substituindo o K+ no simportador Na+K+Cl-. O NH4+ se acumula no interstício medular; Secreção → O NH4+ é produzido pela glutamina nas células do TCP (amoniagênese), e a secreção nos ductos coletores ocorre de duas formas: (1) o NH3+ se difunde do interstício medular ao ducto coletor, onde também há secreção de H+, que reagem e formam NH4+. Como o NH4+ é menos permeável que o NH3+, ele permanece no lúmen e é eliminado na urina; (2) antiportadores NH4+H+. Logo, se a secreção de H+ for inibida, o NH4 + reabsorvido pelo ramo ascendente espesso não será excretado na urina; ÁCIDO ÚRICO Filtração → O urato plasmático (forma aniônica do ácido úrico) é livremente filtrado no glomérulo renal; Reabsorção → Na porção inicial do TCP ocorre a reabsorção de 90 a 100% do que foi filtrado, por meio do cotransportador urato-HCO3-. No segmento S3 do TCP ocorre a reabsorção pós-secretória; Secreção → ocorre no segmento S2 do TCP, fazendo retornar 50% do que havia sido reabsorvido. Depende de um transporte ativo secundário, que secreta ácido úrico e fármacos (aspirina, antibióticos e DIU). São eles: transportador de ânions orgânicos (OAT), transportador de urato (URATI) e transportador de urato (UAT); CREATININA Filtração → é totalmente filtrada pelo glomérulo (100%), por isso é utilizada como parâmetro de filtração glomerular (clearance de creatinina); Secreção → ocorre de maneira muito discreta nos TCP e TCD (quase insignificante); o Creatina x Creatinina - Creatinina é uma substância proveniente da degradação da creatina fosforilada (ou fosfocreatina). A creatina é produzida pelo fígado, rins e pâncreas e então transportada até os músculos, onde é degradada por meio da catalisação pela enzima creatina-quinase; - Essa reação se dá através da contração muscular, ou seja, toda vez que um músculo contrai, tem-se a quebra de creatina produzindo creatinina, que é lançada na corrente sanguínea e eliminada na urina; METABOLISMO PROTEICO AMINOÁCIDOS - Os principais constituintes das proteínas são os aminoácidos (20 tipos), que se ligam por meio de ligações peptídicas para formar a cadeia polipeptídica; - Os aminoácidos são compostos de um grupo amino (NH2), um hidrogênio, um radical (variável) e um grupo carboxila; - Nos rins, os aminoácidos são reabsorvidos no TCP (por transporte ativo secundário). No entanto, existe um limite para a quantidade que pode ser transportada de cada aminoácido. Por isso, quandoum tipo de aminoácido fica elevado no plasma e no filtrado glomerular, o excesso que não pode ser reabsorvido é eliminado na urina; - Podem vir tanto da dieta quanto de proteínas endógenas (sendo essa uma via de mão dupla → proteínas endógenas podem ser degradadas para gerar aminoácidos, e aminoácidos podem se unir para formá-las); Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 9 5 - Podem ser utilizados para → (1) formar compostos não- proteicos, como os nucleotídeos; (2) formar a amônia quando perdem seus grupos aminos* por meio de uma transaminação e/ou desaminação, que deve se tornar ureia; (3) formar aminoácidos de cadeia carbônica, como os ácidos graxos, glicose e glicogênio; (4) sofrer oxidação para gerar ATP aos tecidos; *Os grupos aminos têm duas grandes funções: 1. Podem ser reutilizados para a síntese de novos aminoácidos; 2. Podem ser canalizados em um produto de excreção, a ureia; - Os aminoácidos sofrem degradação oxidativa em três situações: o Na síntese e degradação de proteínas celulares, pois alguns aminoácidos liberados pela hidrólise de proteínas não são necessários para a biossíntese de novas; o Na dieta rica em proteínas e os aminoácidos ingeridos excedem as necessidades corporais (aminoácidos não podem ser armazenados); o No jejum ou DM descompensada, quando os carboidratos estão indisponíveis, as proteínas são usadas como “combustível”; Como ocorre o metabolismo dos aminoácidos? - A oxidação de aminoácidos acontece no fígado, nos hepatócitos (dentro e fora da mitocôndria); 1. O aminoácido chega no citosol do hepatócito e perde seu grupamento amino (NH3+) e um hidrogênio para o alfa- cetoglutarato (substância livre no citosol); 2. O alfa-cetoglutarato perde O2 para o aminoácido, ou seja, ocorre uma troca entre essas 2 substâncias – transaminação; 3. Ao combinar o O2 com o aminoácido (que perdeu seu grupo amino e o hidrogênio), ele deixa de ser aminoácido e forma o alfa-cetoácido (pode formar ácidos graxos, glicose e ATP); 4. Ao combinar o grupo amino e o hidrogênio ao alfa- cetoglutarato (que perdeu O2), forma-se o glutamato; 5. O glutamato entra na mitocôndria e pode acontecer a transaminação (troca amina) ou desaminação (perde amina); TRANSAMINAÇÃO - É o processo de transferência de um grupo amina de uma molécula para outra; - Essa transferência é catalisada pela enzima amino- transferase, sendo necessária a presença do piridoxal- fosfato (PLP) como cofator enzimático 1. O glutamato doa o seu o grupo amina para o oxalacetato (substância residual do ciclo de Krebs), que perde uma ligação carbonila e se torna o aspartato (que participará do ciclo da ureia); 2. O glutamato ganha um oxigênio, voltando a ser alfa- cetoglutarato (sendo reciclado); DESAMINAÇÃO 1. O glutamato entra em contato com o NAD+ ou NADP+ e água, liberando seu grupo amina (NH3+) e colocando um oxigênio (advindo da água) no lugar; trabalho realizado pela enzima glutamato desidrogenase; 2. Um hidrogênio da água se liga ao NAPH ou NAD+ (formando NADPH ou NADH), e o outro é liberado na matriz mitocondrial; 3. O oxigênio combinado com o glutamato (que perdeu o grupo amina) volta a formar o alfa-cetoglurato (reciclagem); 4. O grupo amina liberado não é transferido para nenhuma substância (desaminação) e, logo, une-se ao hidrogênio para formar a amônia; DIETA HIPERPROTEICA - A ingestão proteica excessiva aumenta, de forma aguda, a TFG e o fluxo sanguíneo renal em até 100% em relação ao nível basal; Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 9 6 - Logo, o consumo aumentado de proteína induz a uma lesão glomerular mediada hemodinamicamente pelo ↑ da pressão e do fluxo intraglomerular; - Outra hipótese pela qual as dietas hiperproteicas podem ser prejudiciais aos rins é devido ao seu conteúdo dietético excessivo de produtos finais de glicosilação avançada (AGE), que têm uma ação nefrotóxica direta (maior aporte de aminoácidos estimula a formação de AGEs); WHEY PROTEIN - As proteínas do soro são extraídas da porção aquosa do leite, gerada durante o processo de fabricação do queijo; - Algumas de suas principais funções são: o anabolismo muscular, através da redução do catabolismo proteico, favorecendo assim o ganho de força muscular e reduzindo a perda de massa muscular durante a perda de peso; redução da gordura corporal; e melhora do desempenho muscular GOTA - É uma doença que resulta do acúmulo de ácido úrico nas articulações (principalmente na metatarso-falangiana do hálux), tecidos sinoviais, ossos, pele e acúmulo de cálculos nas vias urinárias (na forma de cristais de urato de sódio); - É um problema hereditário que pode estar associado à hiperatividade da enzima PRPP-sintetase. A doença pode ser reversível por meio da mudança de hábitos alimentares (redução da ingestão de carnes vermelhas) e tratamento medicamentoso por inibidores da xantina oxidase; - Se não tratada, progride à fase crônica, em que deposição permanente de cristais na forma de tofos destrói as articulações; INSUFICIÊNCIA RENAL - É a condição na qual os rins perdem a capacidade de efetuar suas funções básicas. São divididas em duas: o Insuficiência renal aguda: quando os rins param de funcionar repentinamente de modo total ou quase total, podendo, futuramente, recuperar seu funcionamento normal ou quase normal; o Insuficiência renal crônica: quando ocorre a perda progressiva da função dos néfrons, diminuindo gradualmente a função dos rins; INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA (IRA) - É caracterizada pela queda abrupta da taxa de filtração glomerular. Sua evolução pode ocorrer em poucos dias ou, até mesmo, em poucas horas; - Na maioria das vezes, o diagnóstico é laboratorial, identificando o ↑ da ureia e creatinina séricas (condição chamada de azotemia, na ausência de sintomas); - Além da alteração na função filtradora/excretoras, também é afetada a função de regulação hidroeletrolítica, podendo levar a vários distúrbios, como: hipervolemia, hipercalemia, hipocalcemia, hiponatremia, acidose metabólica, hiperfosfatemia e hipermagnesemia; - Podem ser classificadas em 3 classes principais: o IRA pré-renal – 55-60% dos casos; o IRA renal (intrínseca) – 35-40% dos casos; o IRA pós-renal – 5-10% dos casos; IRA PRÉ-RENAL - Ocorre devido à ↓ do aporte sanguíneo para os rins, podendo ser consequência da IC com redução do débito cardíaco e pressão sanguínea baixa, ou outras condições de hipovolemia, como hemorragias graves; - Os rins normalmente recebem abundante aporte sanguíneo, em torno de 1100 mL/min (20% a 25% do DC), pois é necessário prover plasma suficiente para a filtração glomerular (essencial para regulação dos líquidos e solutos corporais); - Logo, quando o fluxo sanguíneo renal reduz, pode causar ↓ da TFG, bem como ↓ débito urinário de água e solutos; - Assim, a IRA pré-renal pode produzir oligúria (referida ao débito urinário diminuído até abaixo do nível de ingestão de água e de solutos), causando acúmulo de água e soluto nos líquidos corporais. Ainda, se o fluxo diminuir muito, pode ocorrer interrupção total do débito urinário (anúria); - Se a causa da IRA pré-renal não for resolvida logo e a isquemia do rim persistir por mais que algumas horas, pode evoluir para IRA intrarrenal, devido à possível lesão; - Principais causas: ↓ volume sanguíneo (hemorragia, diarreia/vômitos, queimadura), insuficiência cardíaca (IAM e lesões valvares), vasodilatação periférica e hipotensão resultantes (choque anafilático, anestesia e sepse); IRA INTRARRENAL - Ocorre devido a anormalidades nos próprios rins, incluindo as que afetam os vasos sanguíneos, glomérulos ou túbulos; - Pode ser dividida em condições que: o Afetam os capilares glomerulares ou outros vasos renais menores; o Lesam o epitélio tubular renal; o Causam lesão do interstício renal;Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 9 7 - Esse tipo de classificação se refere ao local primário da lesão, mas visto que a vasculatura renal e o sistema tubular são interdependentes, o dano dos vasos sanguíneos renais pode levar a dano tubular, e vice-versa; ❖ Glomerulonefrite - É um tipo de IRA intrarrenal causada, usualmente, por reação imune anormal que afeta os glomérulos; - O dano ao glomérulo ocorre 1 a 3 semanas depois da infecção em qualquer outra parte do corpo, principalmente por estreptococos do grupo beta A (dor de garganta estreptocócica, tonsilite estreptocócica ou até mesmo infecção estreptocócica da pele); - Não se trata da infecção em si que acomete os rins, mas sim dos complexos antígeno-anticorpo que se formaram para combater a infecção em outra parte, mas acabam sendo retidos nos glomérulos, sobretudo na membrana basal. Isso faz as células mesangiais se proliferarem e acumular leucócitos; - Muitos glomérulos ficam bloqueados por essa reação inflamatória, e os não bloqueados se tornam permeáveis, permitindo a passagem de proteínas e hemácias para o filtrado; - Nos casos graves, ocorre falência renal completa ou quase total. No entanto, na maioria, os rins retornam a sua função quase normal em semanas ou meses, mas as vezes os glomérulos ficam tão destruídos que não conseguem se recuperar, e a deterioração renal continua indefinidamente, levando à insuficiência renal crônica; o Necrose tubular aguda (NTA) - É a principal causa da IRA renal, sendo a destruição das células epiteliais nos túbulos. Algumas das causas comuns são a isquemia grave e aporte inadequado de oxigênio e de nutrientes para as células epiteliais tubulares e venenos, toxinas ou medicamentos que destroem as células do epitélio tubular; IRA PÓS-RENAL - Ocorre devido obstruções no sistema coletor de urina em qualquer ponto, seja nos cálices até a saída da bexiga. As causas mais comuns de obstrução são os cálculos renais; - A hiperplasia prostática benigna (HPB) é a causa mais comum; - Nesse tipo de insuficiência renal, a função normal dos rins pode ser restaurada se a causa inicial do problema for corrigida em poucas horas, mas se a obstrução crônica permanece por muitos dias ou semanas, pode levar a dano renal irreversível; - Se o débito urinário de apenas um rim estiver comprometido, não terá mudanças importantes na composição dos líquidos corporais, pois o rim contralateral consegue compensar; INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA (IRC) - Resulta da perda progressiva e irreversível de um grande número de néfrons funcionais; - É um dano renal caracterizado por albuminúria ≥ 30 mg por dia e/ou disfunção renal (definida como TFG