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Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 10 1 TIREOIDE ANATOMIA - A tireoide é uma glândula alveolar (acinar) sem ductos e muito vascularizada, localizada abaixo da cartilagem cricoidea e anterior à traqueia. Seu peso é de 10 a 25 g e consiste em um lobo direito e um lobo esquerdo conectados pelo istmo (0,5 cm); Suprimento sanguíneo → artérias tireóideas superior e inferior; Drenagem → plexo sobre a superfície glandular origina as veias tireóideas superior, média e inferior, que drenam nas veias jugular interna e braquicefálica; Inervação → gânglios cervicais médio e inferior do SNS; HISTOLOGIA - É composta pelas seguintes células: o Células foliculares (epiteliais) → sintetizam os hormônios tireoidianos e formam os folículos; o Células endoteliais → revestem os capilares que fazem o suprimento sanguíneo dos folículos; o Células parafoliculares (ou C) → sintetizam calcitonina e ficam espalhadas entre os folículos*; o Fibroblastos, linfócitos e adipócitos; *Localizam-se preferencialmente nas regiões centrais dos lobos da tireoide, onde a atividade das células foliculares é maior. Além da calcitonina, as células C secretam outros fatores reguladores que modulam a atividade das células foliculares de modo parácrino; Folículos tireoidianos - A principal função da tireoide é a síntese e o armazenamento dos hormônios tireoidianos, sendo o folículo tireoidiano a unidade funcional dessa glândula; - O folículo tireoidiano consiste em uma camada de células epiteliais da tireoide dispostas ao redor de uma cavidade central repleta de coloide (que corresponde a ~30% da massa da tireoide); - Esse coloide contém a proteína tireoglobulina (Tg), que é importante na síntese e no armazenamento dos hormônios tireoidianos; - As células foliculares são morfológica e funcionalmente polarizadas, ou seja, cada lado/compartimento celular desempenha funções específicas relacionadas com a síntese e liberação dos hormônios tireoidianos: o Superfície apical → voltada para a luz folicular, ou seja, onde o coloide é armazenado. É onde ocorre a síntese dos hormônios da tireoide, que exige a iodação dos resíduos de tirosina da proteína Tg, que, por sua vez, está no coloide; o Superfície basolateral → voltada para o interstício e, portanto, exposta à corrente sanguínea. É onde ocorre a liberação hormonal e a captação de iodo para fazer a iodação da proteína Tg na superfície apical; Logo, a polaridade das células foliculares é essencial para a manutenção da captação de iodeto e a desiodação de T4 no lado basolateral, e para o efluxo de iodeto e os mecanismos de iodação no lado apical; EIXO HIPOTÁLAMO-HIPÓFISE-TIREOIDE - O TRH (hormônio liberador de tirotrofina) é um tripeptídeo sintetizado nos neurônios parvicelulares do núcleo paraventricular do hipotálamo e liberado pelas terminações nervosas da eminência mediana, de onde é transportado pelo sistema porta hipotalâmico-hipofisário para a adeno- hipófise; - O TRH se liga aos receptores de membrana acoplados à proteína Gq/11 nos tireotropos da adeno-hipófise → ativação da fosfolipase C → hidrólise do difosfato de fosfatidilinositol, formando IP3 (trifostato de inositol) e DAG (diacilglicerol) → IP3 abre o canal de Ca+2 do REL → ↑ [Ca+2] intracelular → exocitose e liberação de TSH; TSH - O TSH (hormônio estimulante da tireoide) estimula a síntese e a secreção de T3 e T4; - O TSH é transportado na corrente sanguínea até a tireoide, onde se liga ao receptor de TSH (TSHR) na membrana basolateral das células foliculares. O receptor de TSH é acoplado à proteína G pelas vias do AMPc, da fosfolipase C (Gq) e da PKA (Gs): Gs (ativação da adenilato-ciclase → ↑ AMPc → ativação da PKA): faz a regulação da captação de iodeto e da transcrição da Tg, a tireoide-peroxidase (TPO) e a atividade do simportador de sódio-iodeto (Na+/I-); Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 10 2 Gq (ativação da fosfolipase C e ↑ [Ca+2] intracelular): faz a regulação do efluxo de iodeto, a produção de H2O2 e a iodação da Tg; Resumo: o acoplamento do TSH ao seu receptor nas células foliculares ativa proteínas efetoras, que iniciam a endocitose das tireoglobulinas (Tg) contendo T3 e T4. A membrana apical se projeta em direção ao coloide, englobando Tg e formando uma vesícula endocítica, que se funde com lisossomos. Esses lisossomos contêm proteases que degradam as Tg, liberando T3 e T4 para fora da célula, e MIT e DIT (que podem ser dissociadas em tirosinas e iodo para serem reutilizadas na célula); - A ativação do receptor de TSH estimula todas as etapas da síntese dos hormônios da tireoide (incluindo a captação e a organificação do iodo, a produção e a liberação de iodotironina, e o crescimento da tireoide); - A secreção de TRH é pulsátil, sofrendo variações circadianas, que faz a secreção de TSH e dos hormônios tireoidianos também → o pico de TSH é durante a noite; - O TSH regula a captação de nutrientes pela tireoide e o transporte intracelular de proteínas envolvidas na síntese, no armazenamento e na liberação dos hormônios tireoidianos. Esses eventos envolvem a regulação dos processos metabólicos celulares, a diferenciação morfológica, a proliferação das células e a proteção contra a apoptose. Especificamente, os efeitos biológicos do TSH incluem a estimulação da transcrição gênica do: o Simportador de Na+/I-; o Tireoglobulina Tg (glicoproteína que dá suporte à iodação da tirosina e a síntese dos hormônios da tireoide); o TPO (enzima que faz a oxidação do iodeto e sua incorporação aos resíduos de tirosina da Tg; o T3 e T4; IPC: o TSH também tem um efeito trófico sobre a glândula tireoide, o qual aparece quando os níveis de TSH são elevados por longo período e leva à hipertrofia e hiperplasia das células foliculares e ↑ do fluxo sanguíneo; O receptor de TSH representa um importante sítio antigênico envolvido na doença autoimune da tireoide. As imunoglobulinas estimulantes da tireoide, que são anticorpos contra o receptor de TSH, podem atuar como agonistas (simulando a ação do TSH, no caso da Doença de Graves) ou como antagonistas, como no hipotireoidismo autoimune (tireoidite de Hashimoto). Essas imunoglobulinas são frações de IgG e, no caso da Doença de Graves (forma comum de hipertireoidismo), estimulam a síntese dos hormônios tireoidianos, com hipertrofia e hiperplasia da glândula. Nesse quadro, os níveis de TSH estão baixos devido aos ↑ níveis de hormônios tireoidianos, que inibem TSH por feedback negativo; FEEDBACKS - A produção e a liberação dos hormônios tireoidianos são reguladas por feedback negativo pelo eixo; - A liberação de TSH é inibida principalmente por T3 livre, que pode agir diretamente na adeno-hipófise (que contém desiodinase tipo II → converte T4 em T3) e indiretamente no hipotálamo, inibindo a liberação de TRH*; *A contribuição dessa T3 de origem intracelular na produção da inibição da liberação de TSH por retroalimentação negativa é maior que a da T3 derivada da circulação; - Outros mediadores neuroendócrinos que inibem parcialmente o TSH incluem dopamina, somatostatina e glicocorticoides em altos níveis; Autorregulação - A autorregulação ocorre quando a própria tireoide se regula de acordo com a disponibilidade de íons iodeto na circulação: quando há uma deficiência de iodo (devido a ↓ do consumo desse mineral), as células foliculares da tireoide ↑ a captação de iodeto para compensar a baixa disponibilidade desse íon*; *Se essa deficiência continuar por tempo prolongado, o ↑ da captação de iodeto não vai ser suficiente para sintetizar T3 e T4, levando à ↓ desses hormônios. Com isso, não ocorrerá feedback negativo sobre o hipotálamo e adeno-hipófise, levando ao ↑ de TRH e TSH (que estimula o crescimento da tireoide e, logo, o bócio) → bócio endêmico; - Por outro lado,quando há excesso de iodo (15 a 20 vezes acima do normal), ocorre inibição da ligação orgânica do Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 10 3 iodo dentro da tireoide. Assim, esse fenômeno autorregulador, que consiste na inibição da organificação do iodo pelos altos níveis de iodeto, é chamado de efeito de Wolff-Chaikoff. As células foliculares ↓ a captação de íons iodeto, ↓ síntese de T3 e T4 e ↓ secreção de T3 e T4 armazenados nos folículos tireoidianos*; *Após alguns dias de excesso de iodo na circulação, pode ocorrer um escape do efeito Wolff-Chaikoff, pois como inibe a captação de iodeto, esse mineral acaba diminuindo dentro da glândula tireoide (devido ao downregulation do simportador Na+/I-) e a captação e organificação desses íons volta a ser estimulada; HORMÔNIOS TIREOIDIANOS - Os hormônios tireoidianos são tri-iodotironina T3 (7%) e tetraiodotironina T4 (93%) são ambos derivados do aminoácido tirosina e, logo, classificados como hormônios amínicos; - A tirosina não é um aminoácido essencial, logo, pode ser obtida tanto por meio da dieta e como da síntese pelas células do organismo. Por outro lado, o iodo é um mineral essencial, sendo obtido apenas pela dieta. Ele é absorvido pelo trato gastrointestinal e fica no LEC, indo pela circulação na forma de íons iodeto (I-) até a tireoide (20%), onde é captado e armazenado – os outros 80% são removidos pelos rins: SÍNTESE ❖ Captação de iodeto (I-) ou “sequestro do iodo” 1. O iodeto entra nas células foliculares por transporte ativo secundário e passível de saturação, sendo transportado junto com o sódio por meio de uma proteína carreadora específica (simportador de Na+/I-) da membrana basolateral contra seu gradiente de concentração; 2. O Na+ é bombeado para fora da célula pela Na+/K+ ATPase, a fim de manter o gradiente de concentração do sódio. O iodeto permanece dentro da célula e, ao se acumular no citoplasma, difunde-se de forma passiva para o coloide pela proteína transportadora de cloreto-iodeto (canal de iodeto), localizada na membrana apical das células foliculares; Obs: a captação, a concentração e o efluxo apical de iodeto são funções do transporte transepitelial de iodeto estimulado pelo TSH, que é possível devido à polarização da célula folicular; Obs 2: o iodo transportado por meio do simportador de Na+/I- pode ser substituído por outras substâncias, como perclorato e pertecnetato (este marcado radioativamente pode ser usado em exames de imagem da glândula tireoide); ❖ Síntese de tireoglobulina (Tg) - Além do iodeto, os aminoácidos tirosinas também são necessários para sintetizar os hormônios tireoidianos. Para isso, a glicoproteína tireoglobulina (Tg), rica em resíduos de tirosina, é sintetizada no RER das células foliculares e transportadas por vesículas formadas no complexo de Golgi até o coloide, onde é armazenada; - A Tg é considerada um arcabouço sobre o qual ocorre a síntese dos hormônios da tireoide; ❖ Oxidação de I- a I2 e iodação das tirosinas - Na membrana apical das células foliculares se encontram se encontra a enzima tireoperoxidase (TPO)*, que oxida o iodeto e forma o iodo em sua forma orgânica (I2). Em seguida, a TPO adiciona esse iodo nas tirosinas das Tg (processo chamado de iodação das tirosinas); - Essa reação necessita de peróxido de hidrogênio, que é gerado por uma flavoproteína reduzida de nicotinamida- adenina-dinucleotídeo-oxidase Ca++-dependente fosfato na superfície da célula apical, atuando como aceptor de elétrons no processo da reação; A enzima TPO também é necessária para as próximas duas etapas: organificação de I- em tireoglobulina e reações de acoplamento. A TPO é inibida pelo propiltiouracil (PTU), que bloqueia a síntese dos hormônios tireoidianos, bloqueando todas as etapas catalisadas pela TPO. É usado no tratamento de hipertireoidismo; ❖ Organificação de I2 - O iodo se liga ao carbono 3 ou 5 dos resíduos de tirosina da Tg, em um processo conhecido como organificação do iodo; - Em algumas tirosinas, a TPO adiciona um iodo → formando uma monoiodotirosina (MIT); - Em outras, a TPO adiciona dois iodos → formando uma di- iodotirosina (DIT); o T4 = DIT + DIT (reação catalisada pela TPO); o T3 = DIT + MIT (reação catalisada pela TPO); - Como nem todos os resíduos de tirosina iodada sofrem acoplamento, a Tg armazenada na luz folicular (coloide) contém resíduos de MIT e DIT, bem como de T3 e T4; Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 10 4 - A reação de formação de T4 é mais rápida que de T3, por isso mais T4 é produzido (tem concentrações ~40x maiores do que de T3). Por isso, a maior parte de T3 é formada na periferia por desiodação da T4, processo que envolve a remoção de iodo do carbono 5 no anel externo da T4. Assim, T4 atua como pró-hormônio de T3*; *Embora essa desiodação ocorra predominantemente no fígado, uma parte também ocorre na própria célula folicular. Essa desiodação intratireoidiana da T4 resulta da estimulação da desiodinase tipo I pelo TSH; Obs 2: a forma inativa de T3 (ou T3 reverso) contém um iodo em uma posição diferente, e está circulante junto com T3 e T4 em uma quantidade mínima. Pode-se encontrar uma pequena quantidade de T2 circulante, hormônio sem função conhecida formada por 2 MITs; LIBERAÇÃO ❖ Endocitose de tireoglobulina - Quando a tireoide é estimulada (por TSH), a Tg iodada (com seus T4, T3, MIT e DIT) entra por endocitose nas células foliculares, por meio de pseudópodes da membrana apical que englobam a porção do coloide e o absorvem para dentro da célula; - Uma vez dentro da célula, a Tg é transportada em direção à membrana basolateral por ação microtubular; ❖ Hidrólise de T4 e T3 - As vesículas com Tg se fundem com os fagolisossomos, e as proteases lisossômicas hidrolisam ligações peptídicas, clivando a Tg, para liberar T4, T3, MIT e DIT da Tg; - T3 e T4 saem da célula pela membrana basolateral para entrar na circulação, enquanto os MIT e DIT são recicladas para a síntese de nova Tg; IPC: uma fração da T4 produzida é desiodada a T3 antes de sua liberação pela tireoide (uma vez que T3 é a forma mais ativa); ❖ Desiodação do MIT e DIT - MIT e DIT passam por desiodação na célula folicular pela enzima deiodinase tireóidea. Esse I- (gerado por essa etapa) é transportado para o coloide, onde é reciclado para a síntese de hormônio da tireoide. Já as tirosinas são incorporadas na síntese de nova tireoglobulina para começar outro ciclo; - Assim, tanto o I- como a tirosina são “recuperados” pela enzima deiodinase. A deficiência de deiodinase tireoidiana, portanto, imita a deficiência dietética de I-; TRANSPORTE - Como T3 e T4 são lipossolúveis, a maior parte circula ligados a proteínas, principalmente à globulina de ligação da tiroxina ou tireoide (TBG) – 70% da T3 e T4 estão ligados a ela; - Outras proteínas envolvidas são a transtiretina (liga 10% da T4) e a albumina (liga 15% da T4 e 25% da T3); - T4 se liga mais fortemente às proteínas de ligação do que T3 e, por isso, tem menor taxa de depuração metabólica e meia-vida mais longa (7 dias) do que a T3 (1 dia). Por fim, os rins excretam T3 e T4 livres; A capacidade de ligação do hormônio à proteína carreadora pode ser alterada por doença ou por alterações hormonais. Ex: a doença hepática reduz a síntese de proteínas de ligação, enquanto o ↑ do estrogênio (como na gravidez) ↑ a síntese dessas proteínas, fato que reduz a quantidade de Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 10 5 hormônios livres → ↑ TSH → síntese dos hormônios tireoidianos; ARMAZENAMENTO - Diferente da maioria das glândulas endócrinas, que não conseguem armazenar seus produtos, a tireoide pode armazenar seus hormônios de 2 a 3 meses no reservatório de Tg; METABOLISMO - A principal fonte de T3 vem da desiodação periférica da T4 por desiodinases(~80% de T4 sofre desiodação na periferia); - Cerca de 40% da T4 sofre desiodação no carbono 5 do anel externo, produzindo a T3 ativa (sobretudo no fígado e no rim). 33% de T4 sofre desiodação do anel interno, produzindo T3 reversa (rT3), que tem pouca ou nenhuma ação biológica e está em menor concentração; -Após a conversão de T4 em T3 ou rT3, elas são convertidas em T2 (hormônio biologicamente inativo). Os hormônios tireoidianos podem ser excretados após conjugação hepática com sulfo e glicuronídeo e excreção biliar; - Essa desiodação progressiva extratireoidiana dos hormônios da tireoide, catalisada por desiodinases, tem papel importante no metabolismo desses hormônios e requer o oligoelemento selenocisteína para uma atividade enzimática ótima; - Existem três tipos de desiodinase, que diferem na distribuição tecidual, perfil catalítico, especificidade de substratos, funções e regulação: Desiodinase tipo I → catalisa a desiodação do anel externo e interno da T4 e rT3, sendo importante fonte de T3 circulante. É encontrada predominantemente no fígado, no rim e na tireoide. Também converte T3 em T2; Desiodinase tipo II → catalisa a desiodação apenas no anel externo e desempenha importante papel na produção local de T3 nos tecidos que expressam essa enzima. É expressa no cérebro, na hipófise, no tecido adiposo marrom, na tireoide, na placenta e nos músculos esquelético e cardíaco; Desiodinase tipo III → catalisa a desiodação apenas no anel interno e converte a T4 em rT3 e a T3 em T2, inativando, assim, a T4 e a T3. Encontrada predominantemente no cérebro, na placenta e nos tecidos fetais; Esse processo constitui um aspecto importante na proteção placentária do feto. A conversão placentária de T4 em rT3 e de T3 em T2 ↓ o fluxo de T3 (mais ativo) da mãe para o feto. Pequenas quantidades de T4 materna são transferidas ao feto e convertidas em T3, ↑ a concentração de T3 no cérebro fetal e impedindo o hipotireoidismo; RECEPTORES - Os receptores dos hormônios tireoidianos (TR) são expressos em quase todos os tecidos e afetam muitos eventos celulares. Seus efeitos são mediados principalmente pela regulação transcricional de genes e síntese de proteínas (efeitos genômicos), mas também exercem ações que não exigem a modificação da transcrição gênica (efeitos não genômicos); - Existem diferentes isoformas do receptor de hormônios tireoidianos, derivados de dois genes (α e β), que codificam esses receptores; Como funcionam? esses receptores são receptores nucleares associados à cromatina que funcionam como fatores de transcrição ativados por ligantes, que influenciam a transcrição de genes-alvo. Esses receptores ligam-se a elementos amplificadores no DNA, denominados elementos de resposta ao hormônio, regulando a transcrição de genes. A ligação dos hormônios leva ao recrutamento de coativadores específicos, ativando os genes e, por fim, a síntese de proteína; - Esse receptor pode ativar ou reprimir a transcrição gênica → os receptores não ocupados se ligam a elementos de resposta aos hormônios da tireoide no DNA e estão associadas a proteínas correpressoras. A ligação do hormônio ao receptor faz a dissociação do correpressor e a ligação de um coativador, levando à transcrição gênica; - A maior parte (85%) do hormônio da tireoide nuclear ligado consiste em T3, enquanto cerca de 15% é T4; - Os hormônios da tireoide penetram nas células por um processo mediado por carreadores e dependente de energia, temperatura e Na+. Os transportadores envolvidos na entrada dos hormônios são: polipeptídeo cotransportador de taurocolato de sódio (NTCP), polipeptídeo transportador de ânions orgânicos (OATP), transportadores de aminoácidos tipos L e T e membros da família de transportadores de monocarboxilato; A via que usa os receptores nucleares são os receptores de ação lenta, e as que usam os receptores de membrana são de ação rápida; Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 10 6 Dois transportadores demonstraram ter especificidade para o transporte dos hormônios tireoidianos: o OATP1C1, que tem preferência pela T4, e o MCT8, que tem preferência por T3. Mutações ou deleções no gene MCT8 foram associadas à ocorrência de retardo psicomotor e resistência ao hormônio tireoidiano, indicando sua contribuição na função ótima dos hormônios da tireoide; EFEITOS - Embora T4 represente 93% dos hormônios liberados pela tireoide, e T3 apenas 7%, T3 é mais potente, sendo o principal responsável pelos efeitos desses hormônios nas células-alvo*; Em níveis fisiológicos, T4 é quase inativa, pois possui uma afinidade 100x menor que T3 pelo receptor do hormônio tireoidiano, e não penetra na célula em quantidades suficientes para ocupar o sítio de ligação do receptor; - Os eventos celulares mediados pelos hormônios tireoidianos: o Transcrição da Na+/K+-ATPase da membrana celular, ↑ o consumo de O2; o Transcrição da proteína de desacoplamento, ↑ a oxidação dos ácidos graxos e a geração de calor sem produção de ATP; o Síntese e degradação de proteínas, contribuindo para o crescimento e a diferenciação; o Glicogenólise induzida pela adrenalina, e síntese de glicogênio e uso da glicose induzidas pela insulina; o Síntese do colesterol e regulação do receptor de lipoproteínas de LDL; - Ademais, os hormônios tireoidianos são essenciais para o crescimento e o desenvolvimento normais, pois controlam a intensidade do metabolismo e, logo, a função de quase todos os órgãos do corpo: Osso → os hormônios tireoidianos atuas no crescimento, desenvolvimento e maturação dos ossos por meio da ativação dos osteoclastos e osteoblastos. Durante a infância, os atuam com o GH e o IGF-1 no crescimento dos ossos, e sua deficiência pode afetar esse processo (pode fazer a idade óssea ser menor que a idade cronológica). Nos adultos, níveis excessivos traz maior risco de osteoporose; Taxa metabólica basal (TMB) → um dos principais efeitos dos hormônios da tireoide é o ↑ do consumo de O2 em todos os tecidos (exceto cérebro, gônadas e baço) e, logo, ↑ da TMB e ↑ da temperatura corporal. Isso ocorre por meio da indução da síntese e do ↑ da atividade da Na+/K+-ATPase (que é responsável pelo transporte ativo primário de Na+ e K+ em todas as células e está muito relacionada com o consumo de O2 e a produção de calor) → ↑ da TMB (ou seja, ↑ o gasto de energia, com ↑ do consumo de O2 para a produção de mais ATP nas mitocôndrias). Assim quanto maiores os níveis de hormônios tireoidianos, ↑ o gasto energético em repouso (taxa metabólica basal); Síntese cardiovascular → os hormônios tireoidianos exercem efeitos inotrópicos e cronotrópicos, ↑ o débito cardíaco e ↑ a volemia, e ↓ a resistência vascular sistêmica. Essas respostas são mediadas pela alteração da transcrição gênica de várias proteínas, como: Ca+2-ATPase, fosfolambana, miosina, receptores β1-adrenérgicos (upregulation), adenilil-ciclase, proteínas de ligação de nucleotídeos de guanina, trocador Na+/Ca2+, Na+/K+- ATPase e canais de potássio dependentes de voltagem; Esse aumento do DC e FC são importantes para compensar o ↑ do consumo de O2 causado pelos hormônios tireoidianos. Assim, o aumento da demanda metabólica de O2 exige maior distribuição de O2 no corpo, sendo compensada pelos efeitos dos hormônios tireoidianos no sistema cardiovascular e respiratório (pois também ↑ a ventilação); Gordura → induzem a diferenciação do tecido adiposo branco, as enzimas lipogênicas, o acúmulo intracelular de Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 10 7 lipídeos (estimulam a lipogênese e lipólise), a proliferação dos adipócitos, as proteínas de desacoplamento, e desacoplam a fosforilação oxidativa*. O hipertireoidismo ↑ a lipólise**, enquanto o hipotireoidismo ↓ a diminui por mecanismos diferentes; *A síntese das proteínas de desacoplamento(UCPs ou termogeninas) está relacionada com o ↑ da produção de calor pelo organismo devido à ação dos hormônios da tireoide. Isso ocorre pela ação desses hormônios nos receptores nucleares dos adipócitos de um tipo especial de gordura (tecido adiposo marrom), que possui mais mitocôndrias, estimulando a transcrição gênica das UCPs (que servem como bombas de H+) → por isso, um dos principais estimuladores do eixo hipotálamo-hipófise- tireoide é o frio; **A indução da lipólise pelos hormônios tireoidianos, mediada pelas catecolaminas, ocorre pelo ↑ dos receptores β-adrenérgicos e ↓ da atividade da fosfodiesterase, resultando em ↑ de AMPc e da atividade da lipase sensível ao hormônio; Os efeitos dos hormônios da tireoide e das catecolaminas, na produção de calor, no débito cardíaco, na lipólise e na gliconeogênese parecem ser sinérgicos, e a importância desse sinergismo é ilustrada pela eficácia de agentes bloqueadores β-adrenérgicos (ex: propranolol) no tratamento de muitos dos sintomas do hipertireoidismo; Metabolismo → os hormônios da tireoide ↑ a absorção de glicose pelo trato gastrointestinal e potencializam os efeitos de outros hormônios (ex. catecolaminas, glucagon e GH) sobre a gliconeogênese, lipólise e proteólise. Quanto às proteínas, eles ↑ tanto a síntese proteica quanto sua degradação, mas, em geral, seus efeitos mais potentes são catabólicos (que resulta em ↓ da massa muscular); Fígado → regulam o metabolismo dos triglicerídeos e do colesterol, e a homeostasia das lipoproteínas. Também modulam a proliferação celular e a respiração mitocondrial; Hipófise → os hormônios da tireoide regulam a síntese dos hormônios hipofisários, estimulam a produção do GH e inibem TSH; Cérebro → são essenciais para o desenvolvimento do sistema nervoso, pois ajudam no crescimento do córtex cerebral e cerebelar, e controlam os genes envolvidos na mielinização, na diferenciação celular, na migração e na sinalização. São necessários para a formação de sinapses e o crescimento dos axônios; Especialmente no período perinatal, o hormônio da tireoide é essencial para a maturação normal do SNC. O hipotireoidismo, no período perinatal, causa retardo mental irreversível se não for tratado. Por essa razão, a triagem dos recém-nascidos para detecção de hipotireoidismo é obrigatória por meio do teste do pezinho; se for detectado no recém-nascido, a reposição do hormônio da tireoide pode reverter os efeitos no SNC; DISTÚRBIOS - A disfunção dos hormônios tireoidianos pode resultar de três fatores: (1) alterações nos níveis circulantes dos hormônios; (2) comprometimento do metabolismo desses hormônios na periferia; (3) resistência à ação desses hormônios em nível tecidual; - As alterações tireoidianas podem ser genéticas ou adquiridas, e sua duração pode ser transitória ou permanente. As doenças autoimunes têm papel relevante na doença tireoidiana, podendo gerar efeitos patogênicos opostos: hiperplasia da tireoide na doença de Graves e destruição da tireoide na tireoidite de Hashimoto; HIPOTIREOIDISMO - É um distúrbio que resulta da insuficiência da ação dos hormônios da tireoide, sendo mais comum em mulheres adultas. Existem dois tipos: primário e secundário; Primário → é causado pela doença da glândula tireoide, sendo um distúrbio na própria tireoide (95% dos casos). Quando ocorre in útero, a consequência é grave deficiência mental ou cretinismo. Nos adultos, pode ocorrer aumento/bócio (devido a infiltração linfocítica, como na doença de Hashimoto, ou a deficiência dietética de iodo) ou Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 10 8 diminuição (devido a doença autoimune, que leva à destruição do parênquima, ou cirurgia ou tratamento com iodo radioativo) no tamanho da glândula; Secundário → caracteriza-se pela ↓ na secreção de TSH e, logo, ↓ da liberação dos hormônios tireoidianos. Resulta de distúrbios da adeno-hipófise ou do hipotálamo e, algumas vezes, pode ocorrer em associação a outras anormalidades dos hormônios adeno-hipofisários; Obs: de modo alternativo, os pacientes podem apresentar sinais e sintomas de hipotireoidismo, porém sem diminuição dos níveis de hormônios tireoidianos. Essa condição, conhecida como resistência ao hormônio tireoidiano, é um raro distúrbio de herança dominante. Em geral, esses pacientes apresentam aumento da tireoide (bócio) e estado metabólico normal (eutireóideo) ou diminuído (hipotireóideo); Sintomas do hipotireoidismo o ↓ do metabolismo; o Ganho de peso sem aumento da ingestão alimentar; o ↓ da produção de calor e intolerância ao frio; o ↓ FC; o Lentificação do movimento e fala arrastada; o Perda de cabelo e pele seca; o Disfunção menstrual; o Em alguns casos, ocorre mixedema, onde há ↑ da infiltração de líquidos para fora dos capilares e edema devido ao acúmulo de mucopolissacarídeos no líquido intersticial – caracterizado por edemas na face e nas pálpebras (formando bolsas sob os olhos); HIPERTIREOIDISMO - É o estado de atividade funcional excessiva da tireoide, caracterizado por ↑ do metabolismo basal e distúrbios do SNA. A incidência é maior em mulheres (2%) do que em homens (0,02%); - A causa mais comum do hipertireoidismo é o bócio tóxico difuso ou doença de Graves, apesar de que outras afecções também podem o causar, como: bócio nodular tóxico, adenoma tóxico, hipertireoidismo induzido por terapia (ex. reposição excessiva de T4 ou T3), ingestão excessiva de iodo, tireoidite, carcinoma folicular e tumor hipofisário produtor de TSH; Doenças de Graves → é uma doença autoimune que leva à secreção autônoma excessiva de hormônio tireoidiano, devido à estimulação contínua dos receptores de TSH pela IgG, levando à produção excessiva de T3 e T4. É 8x mais comum nas mulheres do que nos homens, alcançando um pico nos 30 e 40 anos. Cerca de 40 a 50% dos pacientes com hipertireoidismo apresenta exoftalmia, em consequência da infiltração dos tecidos e dos músculos extraoculares por linfócitos e fibroblastos, bem como do acúmulo de hialuronato (um glicosaminoglicano produzido pelos fibroblastos nos tecidos e nos músculos); A expressão dos receptores de TSH nos fibroblastos perioculares contribui para a patogenia da exoftalmia; Adenomas secretores de TSH → o hipertireoidismo secundário é causado por ↑ na liberação dos hormônios tireoidianos pela tireoide em resposta a níveis elevados de TSH derivados de adenomas hipofisários secretores de TSH (são 1 a 2% dos adenomas da hipófise). O perfil hormonal se caracteriza pela incapacidade de suprimir o TSH, apesar dos níveis elevados de T3 e T4; Sintomas de hipertireoidismo o Perda de peso acompanhada pelo ↑ da ingestão de alimentos (devido ao ↑ do metabolismo); o Produção excessiva de calor e da transpiração (secundário ao ↑ do consumo de O2); o ↑ FC (devido ao upregulation dos receptores β1 no coração); o Apneia de esforço, tremor, nervosismo e fraqueza (devido aos efeitos sobre o SNC); o Bócio (que pode comprimir o esôfago e causa dificuldade para engolir); EXAMES Dosagem de TSH → quando a tireoide está bem, a produção de TSH é inibida, resultando em baixos níveis do hormônio. Quando não está bem, o TSH aumenta. É usado para diagnosticar hipo e hipertireoidismo, e o monitoramento do tratamento; T4 livre → ajuda no diagnóstico do hipo e hipertireoidismo. A dosagem de T4 livre é mais confiável que T4 para avaliar a função tireoidiana, pois T4 total pode ser influenciada por Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 10 9 fatores como a concentração de proteínas transportadoras no sangue; Dosagem de T3 total e/ou livre → em conjunto com a interpretação do T4 livre, é um importante exame que ajuda no diagnóstico e seguimento do tratamento do hipertireoidismo; Anticorpo antiperoxidase (anti-TPO) → é o exame laboratorial que mede apresença de anticorpos contra a enzima peroxidase. Auxilia no diagnóstico de doenças autoimunes, como tireoidite de Hashimoto e doença de Graves; Anticorpos antitireoglobulina (anti-TG) → avalia a presença de anticorpos contra a tireoglobulina; Anticorpos antirreceptores de TSH (TRAB) → avalia a presença de anticorpos contra os receptores de TSH nas células foliculares. Esses anticorpos se ligam aos receptores estimulando a produção de hormônio. Usado para diagnosticar principalmente a doença de Graves; USG → avaliar o tamanho, a forma, a estrutura e a presença de nódulos ou outras alterações na tireoide; Punção aspirativa por agulha fina e biópsia → auxílio na identificação da natureza do nódulo de tireoide – benigno ou maligno;