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Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 10 
1 
 
TIREOIDE 
ANATOMIA 
- A tireoide é uma glândula alveolar (acinar) sem ductos e 
muito vascularizada, localizada abaixo da cartilagem 
cricoidea e anterior à traqueia. Seu peso é de 10 a 25 g e 
consiste em um lobo direito e um lobo esquerdo conectados 
pelo istmo (0,5 cm); 
Suprimento sanguíneo → artérias tireóideas superior e 
inferior; 
Drenagem → plexo sobre a superfície glandular origina as 
veias tireóideas superior, média e inferior, que drenam nas 
veias jugular interna e braquicefálica; 
Inervação → gânglios cervicais médio e inferior do SNS; 
HISTOLOGIA 
- É composta pelas seguintes células: 
o Células foliculares (epiteliais) → sintetizam os 
hormônios tireoidianos e formam os folículos; 
o Células endoteliais → revestem os capilares que 
fazem o suprimento sanguíneo dos folículos; 
o Células parafoliculares (ou C) → sintetizam 
calcitonina e ficam espalhadas entre os folículos*; 
o Fibroblastos, linfócitos e adipócitos; 
*Localizam-se preferencialmente nas regiões centrais dos 
lobos da tireoide, onde a atividade das células foliculares é 
maior. Além da calcitonina, as células C secretam outros 
fatores reguladores que modulam a atividade das células 
foliculares de modo parácrino; 
 
Folículos tireoidianos 
- A principal função da tireoide é a síntese e o 
armazenamento dos hormônios tireoidianos, sendo o 
folículo tireoidiano a unidade funcional dessa glândula; 
- O folículo tireoidiano consiste em uma camada de células 
epiteliais da tireoide dispostas ao redor de uma cavidade 
central repleta de coloide (que corresponde a ~30% da 
massa da tireoide); 
- Esse coloide contém a proteína tireoglobulina (Tg), que é 
importante na síntese e no armazenamento dos hormônios 
tireoidianos; 
- As células foliculares são morfológica e funcionalmente 
polarizadas, ou seja, cada lado/compartimento celular 
desempenha funções específicas relacionadas com a síntese 
e liberação dos hormônios tireoidianos: 
o Superfície apical → voltada para a luz folicular, ou 
seja, onde o coloide é armazenado. É onde ocorre a 
síntese dos hormônios da tireoide, que exige a 
iodação dos resíduos de tirosina da proteína Tg, 
que, por sua vez, está no coloide; 
 
o Superfície basolateral → voltada para o interstício 
e, portanto, exposta à corrente sanguínea. É onde 
ocorre a liberação hormonal e a captação de iodo 
para fazer a iodação da proteína Tg na superfície 
apical; 
Logo, a polaridade das células foliculares é essencial para a 
manutenção da captação de iodeto e a desiodação de T4 no 
lado basolateral, e para o efluxo de iodeto e os mecanismos 
de iodação no lado apical; 
EIXO HIPOTÁLAMO-HIPÓFISE-TIREOIDE 
- O TRH (hormônio liberador de tirotrofina) é um tripeptídeo 
sintetizado nos neurônios parvicelulares do núcleo 
paraventricular do hipotálamo e liberado pelas terminações 
nervosas da eminência mediana, de onde é transportado 
pelo sistema porta hipotalâmico-hipofisário para a adeno-
hipófise; 
- O TRH se liga aos receptores de membrana acoplados à 
proteína Gq/11 nos tireotropos da adeno-hipófise → 
ativação da fosfolipase C → hidrólise do difosfato de 
fosfatidilinositol, formando IP3 (trifostato de inositol) e DAG 
(diacilglicerol) → IP3 abre o canal de Ca+2 do REL → ↑ 
[Ca+2] intracelular → exocitose e liberação de TSH; 
TSH 
- O TSH (hormônio estimulante da tireoide) estimula a 
síntese e a secreção de T3 e T4; 
- O TSH é transportado na corrente sanguínea até a tireoide, 
onde se liga ao receptor de TSH (TSHR) na membrana 
basolateral das células foliculares. O receptor de TSH é 
acoplado à proteína G pelas vias do AMPc, da fosfolipase C 
(Gq) e da PKA (Gs): 
Gs (ativação da adenilato-ciclase → ↑ AMPc → ativação da 
PKA): faz a regulação da captação de iodeto e da transcrição 
da Tg, a tireoide-peroxidase (TPO) e a atividade do 
simportador de sódio-iodeto (Na+/I-); 
Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 10 
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Gq (ativação da fosfolipase C e ↑ [Ca+2] intracelular): faz a 
regulação do efluxo de iodeto, a produção de H2O2 e a 
iodação da Tg; 
Resumo: o acoplamento do TSH ao seu receptor nas células 
foliculares ativa proteínas efetoras, que iniciam a endocitose 
das tireoglobulinas (Tg) contendo T3 e T4. A membrana 
apical se projeta em direção ao coloide, englobando Tg e 
formando uma vesícula endocítica, que se funde com 
lisossomos. Esses lisossomos contêm proteases que 
degradam as Tg, liberando T3 e T4 para fora da célula, e MIT 
e DIT (que podem ser dissociadas em tirosinas e iodo para 
serem reutilizadas na célula); 
- A ativação do receptor de TSH estimula todas as etapas da 
síntese dos hormônios da tireoide (incluindo a captação e a 
organificação do iodo, a produção e a liberação de 
iodotironina, e o crescimento da tireoide); 
- A secreção de TRH é pulsátil, sofrendo variações 
circadianas, que faz a secreção de TSH e dos hormônios 
tireoidianos também → o pico de TSH é durante a noite; 
- O TSH regula a captação de nutrientes pela tireoide e o 
transporte intracelular de proteínas envolvidas na síntese, 
no armazenamento e na liberação dos hormônios 
tireoidianos. Esses eventos envolvem a regulação dos 
processos metabólicos celulares, a diferenciação 
morfológica, a proliferação das células e a proteção contra a 
apoptose. Especificamente, os efeitos biológicos do TSH 
incluem a estimulação da transcrição gênica do: 
o Simportador de Na+/I-; 
o Tireoglobulina Tg (glicoproteína que dá suporte à 
iodação da tirosina e a síntese dos hormônios da 
tireoide); 
o TPO (enzima que faz a oxidação do iodeto e sua 
incorporação aos resíduos de tirosina da Tg; 
o T3 e T4; 
IPC: o TSH também tem um efeito trófico sobre a glândula 
tireoide, o qual aparece quando os níveis de TSH são 
elevados por longo período e leva à hipertrofia e hiperplasia 
das células foliculares e ↑ do fluxo sanguíneo; 
O receptor de TSH representa um importante sítio 
antigênico envolvido na doença autoimune da tireoide. As 
imunoglobulinas estimulantes da tireoide, que são 
anticorpos contra o receptor de TSH, podem atuar como 
agonistas (simulando a ação do TSH, no caso da Doença de 
Graves) ou como antagonistas, como no hipotireoidismo 
autoimune (tireoidite de Hashimoto). Essas imunoglobulinas 
são frações de IgG e, no caso da Doença de Graves (forma 
comum de hipertireoidismo), estimulam a síntese dos 
hormônios tireoidianos, com hipertrofia e hiperplasia da 
glândula. Nesse quadro, os níveis de TSH estão baixos devido 
aos ↑ níveis de hormônios tireoidianos, que inibem TSH por 
feedback negativo; 
FEEDBACKS 
- A produção e a liberação dos hormônios tireoidianos são 
reguladas por feedback negativo pelo eixo; 
- A liberação de TSH é inibida principalmente por T3 livre, 
que pode agir diretamente na adeno-hipófise (que contém 
desiodinase tipo II → converte T4 em T3) e indiretamente 
no hipotálamo, inibindo a liberação de TRH*; 
*A contribuição dessa T3 de origem intracelular na produção 
da inibição da liberação de TSH por retroalimentação 
negativa é maior que a da T3 derivada da circulação; 
- Outros mediadores neuroendócrinos que inibem 
parcialmente o TSH incluem dopamina, somatostatina e 
glicocorticoides em altos níveis; 
 
Autorregulação 
- A autorregulação ocorre quando a própria tireoide se 
regula de acordo com a disponibilidade de íons iodeto na 
circulação: quando há uma deficiência de iodo (devido a ↓ 
do consumo desse mineral), as células foliculares da tireoide 
↑ a captação de iodeto para compensar a baixa 
disponibilidade desse íon*; 
*Se essa deficiência continuar por tempo prolongado, o ↑ da 
captação de iodeto não vai ser suficiente para sintetizar T3 e 
T4, levando à ↓ desses hormônios. Com isso, não ocorrerá 
feedback negativo sobre o hipotálamo e adeno-hipófise, 
levando ao ↑ de TRH e TSH (que estimula o crescimento da 
tireoide e, logo, o bócio) → bócio endêmico; 
- Por outro lado,quando há excesso de iodo (15 a 20 vezes 
acima do normal), ocorre inibição da ligação orgânica do 
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iodo dentro da tireoide. Assim, esse fenômeno 
autorregulador, que consiste na inibição da organificação 
do iodo pelos altos níveis de iodeto, é chamado de efeito de 
Wolff-Chaikoff. As células foliculares ↓ a captação de íons 
iodeto, ↓ síntese de T3 e T4 e ↓ secreção de T3 e T4 
armazenados nos folículos tireoidianos*; 
*Após alguns dias de excesso de iodo na circulação, pode 
ocorrer um escape do efeito Wolff-Chaikoff, pois como inibe 
a captação de iodeto, esse mineral acaba diminuindo dentro 
da glândula tireoide (devido ao downregulation do 
simportador Na+/I-) e a captação e organificação desses íons 
volta a ser estimulada; 
 
HORMÔNIOS TIREOIDIANOS 
- Os hormônios tireoidianos são tri-iodotironina T3 (7%) e 
tetraiodotironina T4 (93%) são ambos derivados do 
aminoácido tirosina e, logo, classificados como hormônios 
amínicos; 
- A tirosina não é um aminoácido essencial, logo, pode ser 
obtida tanto por meio da dieta e como da síntese pelas 
células do organismo. Por outro lado, o iodo é um mineral 
essencial, sendo obtido apenas pela dieta. Ele é absorvido 
pelo trato gastrointestinal e fica no LEC, indo pela circulação 
na forma de íons iodeto (I-) até a tireoide (20%), onde é 
captado e armazenado – os outros 80% são removidos pelos 
rins: 
SÍNTESE 
❖ Captação de iodeto (I-) ou “sequestro do iodo” 
1. O iodeto entra nas células foliculares por transporte ativo 
secundário e passível de saturação, sendo transportado 
junto com o sódio por meio de uma proteína carreadora 
específica (simportador de Na+/I-) da membrana 
basolateral contra seu gradiente de concentração; 
2. O Na+ é bombeado para fora da célula pela Na+/K+ 
ATPase, a fim de manter o gradiente de concentração do 
sódio. O iodeto permanece dentro da célula e, ao se 
acumular no citoplasma, difunde-se de forma passiva para 
o coloide pela proteína transportadora de cloreto-iodeto 
(canal de iodeto), localizada na membrana apical das células 
foliculares; 
Obs: a captação, a concentração e o efluxo apical de iodeto 
são funções do transporte transepitelial de iodeto 
estimulado pelo TSH, que é possível devido à polarização da 
célula folicular; 
Obs 2: o iodo transportado por meio do simportador de 
Na+/I- pode ser substituído por outras substâncias, como 
perclorato e pertecnetato (este marcado radioativamente 
pode ser usado em exames de imagem da glândula tireoide); 
❖ Síntese de tireoglobulina (Tg) 
- Além do iodeto, os aminoácidos tirosinas também são 
necessários para sintetizar os hormônios tireoidianos. Para 
isso, a glicoproteína tireoglobulina (Tg), rica em resíduos de 
tirosina, é sintetizada no RER das células foliculares e 
transportadas por vesículas formadas no complexo de Golgi 
até o coloide, onde é armazenada; 
- A Tg é considerada um arcabouço sobre o qual ocorre a 
síntese dos hormônios da tireoide; 
❖ Oxidação de I- a I2 e iodação das tirosinas 
- Na membrana apical das células foliculares se encontram 
se encontra a enzima tireoperoxidase (TPO)*, que oxida o 
iodeto e forma o iodo em sua forma orgânica (I2). Em 
seguida, a TPO adiciona esse iodo nas tirosinas das Tg 
(processo chamado de iodação das tirosinas); 
- Essa reação necessita de peróxido de hidrogênio, que é 
gerado por uma flavoproteína reduzida de nicotinamida-
adenina-dinucleotídeo-oxidase Ca++-dependente fosfato na 
superfície da célula apical, atuando como aceptor de elétrons 
no processo da reação; 
A enzima TPO também é necessária para as próximas duas 
etapas: organificação de I- em tireoglobulina e reações de 
acoplamento. A TPO é inibida pelo propiltiouracil (PTU), que 
bloqueia a síntese dos hormônios tireoidianos, bloqueando 
todas as etapas catalisadas pela TPO. É usado no tratamento 
de hipertireoidismo; 
❖ Organificação de I2 
- O iodo se liga ao carbono 3 ou 5 dos resíduos de tirosina da 
Tg, em um processo conhecido como organificação do iodo; 
- Em algumas tirosinas, a TPO adiciona um iodo → formando 
uma monoiodotirosina (MIT); 
- Em outras, a TPO adiciona dois iodos → formando uma di-
iodotirosina (DIT); 
o T4 = DIT + DIT (reação catalisada pela TPO); 
o T3 = DIT + MIT (reação catalisada pela TPO); 
- Como nem todos os resíduos de tirosina iodada sofrem 
acoplamento, a Tg armazenada na luz folicular (coloide) 
contém resíduos de MIT e DIT, bem como de T3 e T4; 
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- A reação de formação de T4 é mais rápida que de T3, por 
isso mais T4 é produzido (tem concentrações ~40x maiores 
do que de T3). Por isso, a maior parte de T3 é formada na 
periferia por desiodação da T4, processo que envolve a 
remoção de iodo do carbono 5 no anel externo da T4. Assim, 
T4 atua como pró-hormônio de T3*; 
*Embora essa desiodação ocorra predominantemente no 
fígado, uma parte também ocorre na própria célula folicular. 
Essa desiodação intratireoidiana da T4 resulta da 
estimulação da desiodinase tipo I pelo TSH; 
Obs 2: a forma inativa de T3 (ou T3 reverso) contém um iodo 
em uma posição diferente, e está circulante junto com T3 e 
T4 em uma quantidade mínima. Pode-se encontrar uma 
pequena quantidade de T2 circulante, hormônio sem função 
conhecida formada por 2 MITs; 
 
LIBERAÇÃO 
❖ Endocitose de tireoglobulina 
- Quando a tireoide é estimulada (por TSH), a Tg iodada (com 
seus T4, T3, MIT e DIT) entra por endocitose nas células 
foliculares, por meio de pseudópodes da membrana apical 
que englobam a porção do coloide e o absorvem para dentro 
da célula; 
- Uma vez dentro da célula, a Tg é transportada em direção 
à membrana basolateral por ação microtubular; 
❖ Hidrólise de T4 e T3 
- As vesículas com Tg se fundem com os fagolisossomos, e as 
proteases lisossômicas hidrolisam ligações peptídicas, 
clivando a Tg, para liberar T4, T3, MIT e DIT da Tg; 
- T3 e T4 saem da célula pela membrana basolateral para 
entrar na circulação, enquanto os MIT e DIT são recicladas 
para a síntese de nova Tg; 
IPC: uma fração da T4 produzida é desiodada a T3 antes de 
sua liberação pela tireoide (uma vez que T3 é a forma mais 
ativa); 
❖ Desiodação do MIT e DIT 
- MIT e DIT passam por desiodação na célula folicular pela 
enzima deiodinase tireóidea. Esse I- (gerado por essa etapa) 
é transportado para o coloide, onde é reciclado para a 
síntese de hormônio da tireoide. Já as tirosinas são 
incorporadas na síntese de nova tireoglobulina para 
começar outro ciclo; 
- Assim, tanto o I- como a tirosina são “recuperados” pela 
enzima deiodinase. A deficiência de deiodinase tireoidiana, 
portanto, imita a deficiência dietética de I-; 
 
TRANSPORTE 
- Como T3 e T4 são lipossolúveis, a maior parte circula 
ligados a proteínas, principalmente à globulina de ligação da 
tiroxina ou tireoide (TBG) – 70% da T3 e T4 estão ligados a 
ela; 
- Outras proteínas envolvidas são a transtiretina (liga 10% da 
T4) e a albumina (liga 15% da T4 e 25% da T3); 
- T4 se liga mais fortemente às proteínas de ligação do que 
T3 e, por isso, tem menor taxa de depuração metabólica e 
meia-vida mais longa (7 dias) do que a T3 (1 dia). Por fim, os 
rins excretam T3 e T4 livres; 
A capacidade de ligação do hormônio à proteína carreadora 
pode ser alterada por doença ou por alterações hormonais. 
Ex: a doença hepática reduz a síntese de proteínas de 
ligação, enquanto o ↑ do estrogênio (como na gravidez) ↑ 
a síntese dessas proteínas, fato que reduz a quantidade de 
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hormônios livres → ↑ TSH → síntese dos hormônios 
tireoidianos; 
ARMAZENAMENTO 
- Diferente da maioria das glândulas endócrinas, que não 
conseguem armazenar seus produtos, a tireoide pode 
armazenar seus hormônios de 2 a 3 meses no reservatório 
de Tg; 
METABOLISMO 
- A principal fonte de T3 vem da desiodação periférica da T4 
por desiodinases(~80% de T4 sofre desiodação na periferia); 
- Cerca de 40% da T4 sofre desiodação no carbono 5 do anel 
externo, produzindo a T3 ativa (sobretudo no fígado e no 
rim). 33% de T4 sofre desiodação do anel interno, 
produzindo T3 reversa (rT3), que tem pouca ou nenhuma 
ação biológica e está em menor concentração; 
-Após a conversão de T4 em T3 ou rT3, elas são convertidas 
em T2 (hormônio biologicamente inativo). Os hormônios 
tireoidianos podem ser excretados após conjugação 
hepática com sulfo e glicuronídeo e excreção biliar; 
- Essa desiodação progressiva extratireoidiana dos 
hormônios da tireoide, catalisada por desiodinases, tem 
papel importante no metabolismo desses hormônios e 
requer o oligoelemento selenocisteína para uma atividade 
enzimática ótima; 
- Existem três tipos de desiodinase, que diferem na 
distribuição tecidual, perfil catalítico, especificidade de 
substratos, funções e regulação: 
Desiodinase tipo I → catalisa a desiodação do anel externo 
e interno da T4 e rT3, sendo importante fonte de T3 
circulante. É encontrada predominantemente no fígado, no 
rim e na tireoide. Também converte T3 em T2; 
Desiodinase tipo II → catalisa a desiodação apenas no anel 
externo e desempenha importante papel na produção local 
de T3 nos tecidos que expressam essa enzima. É expressa no 
cérebro, na hipófise, no tecido adiposo marrom, na tireoide, 
na placenta e nos músculos esquelético e cardíaco; 
Desiodinase tipo III → catalisa a desiodação apenas no anel 
interno e converte a T4 em rT3 e a T3 em T2, inativando, 
assim, a T4 e a T3. Encontrada predominantemente no 
cérebro, na placenta e nos tecidos fetais; 
Esse processo constitui um aspecto importante na proteção 
placentária do feto. A conversão placentária de T4 em rT3 e 
de T3 em T2 ↓ o fluxo de T3 (mais ativo) da mãe para o feto. 
Pequenas quantidades de T4 materna são transferidas ao 
feto e convertidas em T3, ↑ a concentração de T3 no cérebro 
fetal e impedindo o hipotireoidismo; 
RECEPTORES 
- Os receptores dos hormônios tireoidianos (TR) são 
expressos em quase todos os tecidos e afetam muitos 
eventos celulares. Seus efeitos são mediados principalmente 
pela regulação transcricional de genes e síntese de proteínas 
(efeitos genômicos), mas também exercem ações que não 
exigem a modificação da transcrição gênica (efeitos não 
genômicos); 
- Existem diferentes isoformas do receptor de hormônios 
tireoidianos, derivados de dois genes (α e β), que codificam 
esses receptores; 
Como funcionam? esses receptores são receptores 
nucleares associados à cromatina que funcionam como 
fatores de transcrição ativados por ligantes, que 
influenciam a transcrição de genes-alvo. Esses receptores 
ligam-se a elementos amplificadores no DNA, denominados 
elementos de resposta ao hormônio, regulando a 
transcrição de genes. A ligação dos hormônios leva ao 
recrutamento de coativadores específicos, ativando os genes 
e, por fim, a síntese de proteína; 
- Esse receptor pode ativar ou reprimir a transcrição gênica 
→ os receptores não ocupados se ligam a elementos de 
resposta aos hormônios da tireoide no DNA e estão 
associadas a proteínas correpressoras. A ligação do 
hormônio ao receptor faz a dissociação do correpressor e a 
ligação de um coativador, levando à transcrição gênica; 
- A maior parte (85%) do hormônio da tireoide nuclear ligado 
consiste em T3, enquanto cerca de 15% é T4; 
- Os hormônios da tireoide penetram nas células por um 
processo mediado por carreadores e dependente de 
energia, temperatura e Na+. Os transportadores envolvidos 
na entrada dos hormônios são: polipeptídeo 
cotransportador de taurocolato de sódio (NTCP), 
polipeptídeo transportador de ânions orgânicos (OATP), 
transportadores de aminoácidos tipos L e T e membros da 
família de transportadores de monocarboxilato; 
A via que usa os receptores nucleares são os receptores de 
ação lenta, e as que usam os receptores de membrana são 
de ação rápida; 
 
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Dois transportadores demonstraram ter especificidade para 
o transporte dos hormônios tireoidianos: o OATP1C1, que 
tem preferência pela T4, e o MCT8, que tem preferência por 
T3. Mutações ou deleções no gene MCT8 foram associadas à 
ocorrência de retardo psicomotor e resistência ao hormônio 
tireoidiano, indicando sua contribuição na função ótima dos 
hormônios da tireoide; 
EFEITOS 
- Embora T4 represente 93% dos hormônios liberados pela 
tireoide, e T3 apenas 7%, T3 é mais potente, sendo o 
principal responsável pelos efeitos desses hormônios nas 
células-alvo*; 
Em níveis fisiológicos, T4 é quase inativa, pois possui uma 
afinidade 100x menor que T3 pelo receptor do hormônio 
tireoidiano, e não penetra na célula em quantidades 
suficientes para ocupar o sítio de ligação do receptor; 
- Os eventos celulares mediados pelos hormônios 
tireoidianos: 
o Transcrição da Na+/K+-ATPase da membrana 
celular, ↑ o consumo de O2; 
o Transcrição da proteína de desacoplamento, ↑ a 
oxidação dos ácidos graxos e a geração de calor sem 
produção de ATP; 
o Síntese e degradação de proteínas, contribuindo 
para o crescimento e a diferenciação; 
o Glicogenólise induzida pela adrenalina, e síntese de 
glicogênio e uso da glicose induzidas pela insulina; 
o Síntese do colesterol e regulação do receptor de 
lipoproteínas de LDL; 
- Ademais, os hormônios tireoidianos são essenciais para o 
crescimento e o desenvolvimento normais, pois controlam a 
intensidade do metabolismo e, logo, a função de quase 
todos os órgãos do corpo: 
Osso → os hormônios tireoidianos atuas no crescimento, 
desenvolvimento e maturação dos ossos por meio da 
ativação dos osteoclastos e osteoblastos. Durante a infância, 
os atuam com o GH e o IGF-1 no crescimento dos ossos, e 
sua deficiência pode afetar esse processo (pode fazer a idade 
óssea ser menor que a idade cronológica). Nos adultos, 
níveis excessivos traz maior risco de osteoporose; 
Taxa metabólica basal (TMB) → um dos principais efeitos 
dos hormônios da tireoide é o ↑ do consumo de O2 em 
todos os tecidos (exceto cérebro, gônadas e baço) e, logo, ↑ 
da TMB e ↑ da temperatura corporal. Isso ocorre por meio 
da indução da síntese e do ↑ da atividade da Na+/K+-ATPase 
(que é responsável pelo transporte ativo primário de Na+ e 
K+ em todas as células e está muito relacionada com o 
consumo de O2 e a produção de calor) → ↑ da TMB (ou seja, 
↑ o gasto de energia, com ↑ do consumo de O2 para a 
produção de mais ATP nas mitocôndrias). Assim quanto 
maiores os níveis de hormônios tireoidianos, ↑ o gasto 
energético em repouso (taxa metabólica basal); 
 
Síntese cardiovascular → os hormônios tireoidianos 
exercem efeitos inotrópicos e cronotrópicos, ↑ o débito 
cardíaco e ↑ a volemia, e ↓ a resistência vascular sistêmica. 
Essas respostas são mediadas pela alteração da transcrição 
gênica de várias proteínas, como: Ca+2-ATPase, 
fosfolambana, miosina, receptores β1-adrenérgicos 
(upregulation), adenilil-ciclase, proteínas de ligação de 
nucleotídeos de guanina, trocador Na+/Ca2+, Na+/K+-
ATPase e canais de potássio dependentes de voltagem; 
Esse aumento do DC e FC são importantes para compensar o 
↑ do consumo de O2 causado pelos hormônios tireoidianos. 
Assim, o aumento da demanda metabólica de O2 exige 
maior distribuição de O2 no corpo, sendo compensada pelos 
efeitos dos hormônios tireoidianos no sistema cardiovascular 
e respiratório (pois também ↑ a ventilação); 
Gordura → induzem a diferenciação do tecido adiposo 
branco, as enzimas lipogênicas, o acúmulo intracelular de 
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lipídeos (estimulam a lipogênese e lipólise), a proliferação 
dos adipócitos, as proteínas de desacoplamento, e 
desacoplam a fosforilação oxidativa*. O hipertireoidismo ↑ 
a lipólise**, enquanto o hipotireoidismo ↓ a diminui por 
mecanismos diferentes; 
*A síntese das proteínas de desacoplamento(UCPs ou 
termogeninas) está relacionada com o ↑ da produção de 
calor pelo organismo devido à ação dos hormônios da 
tireoide. Isso ocorre pela ação desses hormônios nos 
receptores nucleares dos adipócitos de um tipo especial de 
gordura (tecido adiposo marrom), que possui mais 
mitocôndrias, estimulando a transcrição gênica das UCPs 
(que servem como bombas de H+) → por isso, um dos 
principais estimuladores do eixo hipotálamo-hipófise-
tireoide é o frio; 
**A indução da lipólise pelos hormônios tireoidianos, 
mediada pelas catecolaminas, ocorre pelo ↑ dos receptores 
β-adrenérgicos e ↓ da atividade da fosfodiesterase, 
resultando em ↑ de AMPc e da atividade da lipase sensível 
ao hormônio; 
Os efeitos dos hormônios da tireoide e das catecolaminas, na 
produção de calor, no débito cardíaco, na lipólise e na 
gliconeogênese parecem ser sinérgicos, e a importância 
desse sinergismo é ilustrada pela eficácia de agentes 
bloqueadores β-adrenérgicos (ex: propranolol) no 
tratamento de muitos dos sintomas do hipertireoidismo; 
Metabolismo → os hormônios da tireoide ↑ a absorção de 
glicose pelo trato gastrointestinal e potencializam os efeitos 
de outros hormônios (ex. catecolaminas, glucagon e GH) 
sobre a gliconeogênese, lipólise e proteólise. Quanto às 
proteínas, eles ↑ tanto a síntese proteica quanto sua 
degradação, mas, em geral, seus efeitos mais potentes são 
catabólicos (que resulta em ↓ da massa muscular); 
Fígado → regulam o metabolismo dos triglicerídeos e do 
colesterol, e a homeostasia das lipoproteínas. Também 
modulam a proliferação celular e a respiração mitocondrial; 
Hipófise → os hormônios da tireoide regulam a síntese dos 
hormônios hipofisários, estimulam a produção do GH e 
inibem TSH; 
Cérebro → são essenciais para o desenvolvimento do 
sistema nervoso, pois ajudam no crescimento do córtex 
cerebral e cerebelar, e controlam os genes envolvidos na 
mielinização, na diferenciação celular, na migração e na 
sinalização. São necessários para a formação de sinapses e 
o crescimento dos axônios; 
Especialmente no período perinatal, o hormônio da tireoide 
é essencial para a maturação normal do SNC. O 
hipotireoidismo, no período perinatal, causa retardo mental 
irreversível se não for tratado. Por essa razão, a triagem dos 
recém-nascidos para detecção de hipotireoidismo é 
obrigatória por meio do teste do pezinho; se for detectado 
no recém-nascido, a reposição do hormônio da tireoide pode 
reverter os efeitos no SNC; 
 
DISTÚRBIOS 
- A disfunção dos hormônios tireoidianos pode resultar de 
três fatores: (1) alterações nos níveis circulantes dos 
hormônios; (2) comprometimento do metabolismo desses 
hormônios na periferia; (3) resistência à ação desses 
hormônios em nível tecidual; 
- As alterações tireoidianas podem ser genéticas ou 
adquiridas, e sua duração pode ser transitória ou 
permanente. As doenças autoimunes têm papel relevante 
na doença tireoidiana, podendo gerar efeitos patogênicos 
opostos: hiperplasia da tireoide na doença de Graves e 
destruição da tireoide na tireoidite de Hashimoto; 
HIPOTIREOIDISMO 
- É um distúrbio que resulta da insuficiência da ação dos 
hormônios da tireoide, sendo mais comum em mulheres 
adultas. Existem dois tipos: primário e secundário; 
Primário → é causado pela doença da glândula tireoide, 
sendo um distúrbio na própria tireoide (95% dos casos). 
Quando ocorre in útero, a consequência é grave deficiência 
mental ou cretinismo. Nos adultos, pode ocorrer 
aumento/bócio (devido a infiltração linfocítica, como na 
doença de Hashimoto, ou a deficiência dietética de iodo) ou 
Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 10 
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diminuição (devido a doença autoimune, que leva à 
destruição do parênquima, ou cirurgia ou tratamento com 
iodo radioativo) no tamanho da glândula; 
Secundário → caracteriza-se pela ↓ na secreção de TSH e, 
logo, ↓ da liberação dos hormônios tireoidianos. Resulta de 
distúrbios da adeno-hipófise ou do hipotálamo e, algumas 
vezes, pode ocorrer em associação a outras anormalidades 
dos hormônios adeno-hipofisários; 
Obs: de modo alternativo, os pacientes podem apresentar 
sinais e sintomas de hipotireoidismo, porém sem diminuição 
dos níveis de hormônios tireoidianos. Essa condição, 
conhecida como resistência ao hormônio tireoidiano, é um 
raro distúrbio de herança dominante. Em geral, esses 
pacientes apresentam aumento da tireoide (bócio) e estado 
metabólico normal (eutireóideo) ou diminuído 
(hipotireóideo); 
Sintomas do hipotireoidismo 
o ↓ do metabolismo; 
o Ganho de peso sem aumento da ingestão 
alimentar; 
o ↓ da produção de calor e intolerância ao frio; 
o ↓ FC; 
o Lentificação do movimento e fala arrastada; 
o Perda de cabelo e pele seca; 
o Disfunção menstrual; 
o Em alguns casos, ocorre mixedema, onde há ↑ da 
infiltração de líquidos para fora dos capilares e 
edema devido ao acúmulo de mucopolissacarídeos 
no líquido intersticial – caracterizado por edemas 
na face e nas pálpebras (formando bolsas sob os 
olhos); 
HIPERTIREOIDISMO 
- É o estado de atividade funcional excessiva da tireoide, 
caracterizado por ↑ do metabolismo basal e distúrbios do 
SNA. A incidência é maior em mulheres (2%) do que em 
homens (0,02%); 
- A causa mais comum do hipertireoidismo é o bócio tóxico 
difuso ou doença de Graves, apesar de que outras afecções 
também podem o causar, como: bócio nodular tóxico, 
adenoma tóxico, hipertireoidismo induzido por terapia (ex. 
reposição excessiva de T4 ou T3), ingestão excessiva de iodo, 
tireoidite, carcinoma folicular e tumor hipofisário produtor 
de TSH; 
Doenças de Graves → é uma doença autoimune que leva à 
secreção autônoma excessiva de hormônio tireoidiano, 
devido à estimulação contínua dos receptores de TSH pela 
IgG, levando à produção excessiva de T3 e T4. É 8x mais 
comum nas mulheres do que nos homens, alcançando um 
pico nos 30 e 40 anos. Cerca de 40 a 50% dos pacientes com 
hipertireoidismo apresenta exoftalmia, em consequência da 
infiltração dos tecidos e dos músculos extraoculares por 
linfócitos e fibroblastos, bem como do acúmulo de 
hialuronato (um glicosaminoglicano produzido pelos 
fibroblastos nos tecidos e nos músculos); 
A expressão dos receptores de TSH nos fibroblastos 
perioculares contribui para a patogenia da exoftalmia; 
Adenomas secretores de TSH → o hipertireoidismo 
secundário é causado por ↑ na liberação dos hormônios 
tireoidianos pela tireoide em resposta a níveis elevados de 
TSH derivados de adenomas hipofisários secretores de TSH 
(são 1 a 2% dos adenomas da hipófise). O perfil hormonal se 
caracteriza pela incapacidade de suprimir o TSH, apesar dos 
níveis elevados de T3 e T4; 
Sintomas de hipertireoidismo 
o Perda de peso acompanhada pelo ↑ da ingestão de 
alimentos (devido ao ↑ do metabolismo); 
o Produção excessiva de calor e da transpiração 
(secundário ao ↑ do consumo de O2); 
o ↑ FC (devido ao upregulation dos receptores β1 no 
coração); 
o Apneia de esforço, tremor, nervosismo e fraqueza 
(devido aos efeitos sobre o SNC); 
o Bócio (que pode comprimir o esôfago e causa 
dificuldade para engolir); 
 
EXAMES 
Dosagem de TSH → quando a tireoide está bem, a produção 
de TSH é inibida, resultando em baixos níveis do hormônio. 
Quando não está bem, o TSH aumenta. É usado para 
diagnosticar hipo e hipertireoidismo, e o monitoramento do 
tratamento; 
T4 livre → ajuda no diagnóstico do hipo e hipertireoidismo. 
A dosagem de T4 livre é mais confiável que T4 para avaliar a 
função tireoidiana, pois T4 total pode ser influenciada por 
Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 10 
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fatores como a concentração de proteínas transportadoras 
no sangue; 
Dosagem de T3 total e/ou livre → em conjunto com a 
interpretação do T4 livre, é um importante exame que ajuda 
no diagnóstico e seguimento do tratamento do 
hipertireoidismo; 
Anticorpo antiperoxidase (anti-TPO) → é o exame 
laboratorial que mede apresença de anticorpos contra a 
enzima peroxidase. Auxilia no diagnóstico de doenças 
autoimunes, como tireoidite de Hashimoto e doença de 
Graves; 
Anticorpos antitireoglobulina (anti-TG) → avalia a presença 
de anticorpos contra a tireoglobulina; 
Anticorpos antirreceptores de TSH (TRAB) → avalia a 
presença de anticorpos contra os receptores de TSH nas 
células foliculares. Esses anticorpos se ligam aos receptores 
estimulando a produção de hormônio. Usado para 
diagnosticar principalmente a doença de Graves; 
USG → avaliar o tamanho, a forma, a estrutura e a presença 
de nódulos ou outras alterações na tireoide; 
Punção aspirativa por agulha fina e biópsia → auxílio na 
identificação da natureza do nódulo de tireoide – benigno ou 
maligno;