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Paulo Victor Pimenta Viana 
Universidade Federal do Maranhão 
Disciplina de Farmacologia I 
 
Farmacocinética
 
CONCEITO 
 
 Estuda o destino dos fármacos no organismo após 
a sua administração. É a partir dos resultados obtidos 
pelo estudo da farmacocinética que se determina a 
posologia, a via de administração ideal e os intervalos 
entre as doses. 
 A utilização dos princípios farmacocinéticos é 
essencial para ampliar o sucesso terapêutico e reduzir a 
ocorrência de efeitos adversos. 
 
PROCESSOS FARMACOCINÉTICOS 
 
1. Absorção 
2. Biodisponibilidade 
3. Distribuição 
4. Eliminação 
- Biotransformação ou Metabolismo 
- Excreção 
 
Entender a disposição dos fármacos no organismo é 
entender os mecanismos pelos quais os fármacos 
atravessam as membranas e as propriedades das 
moléculas e das membranas – um fármaco só penetra em 
uma célula ou tecido se tiver afinidade físico química com 
estas estruturas. 
 
1. ABSORÇÃO 
 
 Transferência do fármaco desde o seu local de 
aplicação até a corrente circulatória. 
“Todo o trajeto que o fármaco faz até chegar na 
corrente sanguínea” – precisa chegar no sangue para que 
então seja distribuído e chegue no local que irá agir. 
➢ Efeito desejado na maioria das vezes. 
➢ Toda droga que entra no corpo, irá chegar na corrente 
sanguínea. 
 
Fatores relacionados com a Absorção 
 
✓ Concentração (dosagem): quanto maior, maior a 
absorção 
✓ Peso molecular: quanto menor, maior a absorção 
✓ Solubilidade: lipossolúveis são mais absorvidos 
✓ Ionização: não ionizada é mais absorvida 
✓ Forma farmacêutica: líquidas são mais absorvidas 
 
✓ Dissolução da forma farmacêutica: quanto maior, 
melhor a absorção 
✓ pH local: deve ser compatível com a afinidade da 
droga 
✓ Área absortiva: quanto maior, maior a absorção 
✓ Espessura da membrana absortiva: quanto mais fina, 
melhor a absorção 
✓ Circulação local: quanto mais irrigado, melhor a 
absorção 
✓ Condições fisiológicas 
✓ Condições patológicas 
 
Considerações Gerais da Absorção 
 
1. Influencia o início e a intensidade de efeitos dos 
fármacos: um fármaco que é absorvido mais rápido, 
tem seu efeito mais rápido 
2. Determinante da escolha de via de administração e 
dosagens: a via de administração tem que favorecer a 
absorção do fármaco, assim como a diminuição da 
dosagem 
3. Depende dos movimentos transmembrana: capacidade 
do fármaco de atravessar uma membrana de um 
tecido ou epitélio qualquer (ativo – passivo – 
facilitado) 
4. Depende do fluxo sanguíneo no local: quanto mais 
irrigado o tecido, maior a absorção do fármaco 
5. Depende da via de administração e espessura da 
superfície: membranas mais finas – absorção mais 
rápida e melhor 
6. Modificada por condições fisiológicas e patológicas 
 
 
Absorção significa atravessar barreiras 
biológicas, ou seja, tendo como base a principal via de 
administração, a oral, o fármaco precisa atravessar o 
trato gastrointestinal, o endotélio vascular e as 
membranas plasmáticas. 
 
Paracetamol – 500 mg 
➢ Considerando todas as barreiras que irão ser 
atravessadas, esses 500 mg não irão chegar 100% em 
seu destino 
➢ Um tecido apresenta padrões diferentes de absorção 
pois diferentes células compõem esse tecido 
➢ Logo, é impossível que um fármaco mantenha um 
padrão de absorção contínuo e igual ao longo de toda 
a travessia de um epitélio, uma vez que ele irá 
encontrar padrões epiteliais diferentes 
(Características Químicas do próprio fármaco x 
Características do epitélio – facilita ou dificulta) 
 
Movimentos Transmembranas 
 
✓ Influenciados por características tanto do fármaco 
quanto da membrana 
✓ As membranas são estruturas dinâmicas, mutáveis, 
adaptáveis à passagem de diversas substâncias e 
podem apresentar: fluidez, flexibilidade, organização, 
resistência elétrica e impermeabilidade relativa a 
moléculas polarizadas. 
✓ Em outras palavras, conforme esteja a membrana em 
determinado momento, ela pode facilitar ou dificultar 
a passagem/absorção de um fármaco 
 
 
Mecanismos de Transporte 
 
1. Processos Passivos 
Não há gasto de energia ou envolvimento de 
outro agente facilitador 
➢ Difusão simples: fármacos lipossolúveis (+ rápido) 
➢ Difusão por poros: fármacos hidrossolúveis de baixo 
peso molecular (tecidos hepático, renal, cerebral) 
 
2. Processos Especializados 
Há gasto de energia e há envolvimento de um 
agente facilitador. Utilizados por drogas de maior peso 
molecular 
➢ Difusão facilitada: a favor do gradiente de 
concentração 
➢ Difusão por troca: o carregador leva e traz moléculas 
distintas 
➢ Transporte ativo: contra o gradiente de concentração 
ou elétrico 
➢ Endocitose: pinocitose ou fagocitose 
➢ Exocitose: 
 
 
Propriedades da droga que interferem na Absorção 
 
✓ Lipossolubilidade 
✓ Hidrossolubilidade 
✓ Estabilidade química 
✓ Peso Molecular 
✓ Carga elétrica 
✓ Forma farmacêutica 
✓ Velocidade de dissolução 
✓ Concentração da droga no local de absorção 
 
Fatores inerentes a membranas que influenciam os 
transportes transmembranas 
 
✓ Constituintes da membrana 
✓ Polaridade da membrana 
✓ Diâmetro dos poros 
✓ Espessura e área permeável da membrana 
 
 
pH X pKa 
 
pH: concentração dos íons de H nos líquidos orgânicos ou 
drogas – característica do meio e da própria droga 
pKa: constante de dissociação característica de cada 
droga e está relacionada ao pH - um fármaco se dissocia 
melhor e outro se dissocia insuficientemente) 
 
“Um bom pKa pode se deparar com um pH desfavorável e 
prejudicar a dissociação do fármaco.” 
 
Moléculas não ionizadas x Moléculas ionizadas 
 
Não ionizadas: melhores; lipossolúveis; se difundem fácil 
Ionizadas: piores, pouco lipossolúveis; dependem da 
permeabilidade da membrana para se difundir. 
 
“O Fármaco ideal é aquele que reúne 
características hidro e lipossolúveis adequadas ou 
suficientes” 
 
 
Fatores que interferem na Velocidade de Absorção 
 
1. Dosagem 
2. Forma farmacêutica 
3. Hidratação e dissolução 
4. Estabilidade química nos sucos digestivos 
5. Presença de alimentos no trato digestivo 
6. Fluxo sanguíneo 
7. Flora bacteriana digestiva 
8. Presença de outros fármacos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2. BIODISPONIBILIDADE 
 
 É a proporção (%) da quantidade administrada 
do fármaco (dose) que chega ao sangue. É a quantidade 
da droga disponível para ser utilizada pelo organismo. 
 
B = Quant. De fármaco que chega ao sangue / Quant de 
fármaco que foi administrada 
 
Fígado → órgão metabolizador (Metabolismo de Primeira 
Passagem) – metaboliza o fármaco antes que ele chegue 
no sangue. 
➢ Por isso alguns fármacos não são administrados por 
via oral, pois perdem grande proporção de 
quantidade, optando por administrações parenterais 
(intramuscular, intravenosa, etc) 
 
 
Considerações Gerais da Biodisponibilidade 
 
1. Determina a relação entre a dose da droga e a 
intensidade da ação: o responsável pela intensidade 
da ação do fármaco é a quantidade que chegou ao 
sangue e não a que foi ingerida 
2. Influencia a resposta clínica e a escolha da via de 
administração: dependendo da via administrada, a 
dosagem é alterada (oral geralmente é maior que a 
intravenosa) 
3. Algumas situações clínicas que alteram a absorção e 
distribuição também podem modificar a 
biodisponibilidade 
 
 
Meia – Vida das Drogas 
 
 É o tempo que determinada concentração da 
droga leva para ser reduzida à metade 
 
Dá origem a dados importantes: 
- Interpretação dos efeitos terapêuticos ou tóxicos das 
drogas: a quantidade do sangue determina se um 
fármaco será benéfico ou tóxico ao organismo 
- Duração do efeito farmacológico: determina o 
intervalo entre as doses 
- Regime posológico adequado 
 
 
➢ A plenitude terapêutica ideal da ação de um fármaco 
é de 50% de concentração PARA CIMA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Concentração Plasmática 
 
 Concentração da droga mantida no sangue em 
níveis: terapêutico (50% ou mais), subterapêutico(abaixo 
dos 50%) e tóxico (quando em excesso de concentração) 
 
Variável em função de: 
1. Meia vida 
2. Distribuição: saída do fármaco do sangue para ser 
distribuído aos tecidos 
3. Eliminação da droga: metabolismos (fígado, próprio 
sangue) 
4. Magnitude da dose: intensidade 
5. Biodisponibilidade: quantidade de dose que chega ao 
sangue 
6. Volume aparente de distribuição: um tecido irá 
receber mais sangue (mais droga) que outro (variável) 
 
 
➢ A plenitude terapêutica se dá pela concentração 
plasmática constante, bem mais do que a dose 
administrada (“repetidas biodisponibilidades”) 
 
 
3. DISTRIBUIÇÃO 
 
 Distribuição das drogas pelos compartimentos do 
organismo: 
➢ Plasmáticos 
➢ Intersticial 
➢ Intracelular 
➢ Cefalorraquidiano 
➢ Cerebral 
➢ Tubular renal 
➢ Placentário 
 
PARTE LIVRE DA DROGA PARTE LIGADA DA DROGA 
 
Segue o processo de 
distribuição para outras 
partes do organismo 
 
Mantém a concentração 
plasmática 
Medida de proteção 
(drogas alteram 
fisiologia, logo 
necessitam de controle) 
 
Albumina – ácido 
Glicoproteína a1 – básico 
 
➢ Fármacos cuja característica é ter um maior 
percentual livre, agem mais rápido 
➢ Fármacos cuja característica é ter um maior 
percentual ligado a proteínas plasmáticas, agem mais 
devagar 
➢ O que é melhor, é relativo 
 
 
A velocidade de distribuição de um fármaco costuma ser 
maior que a velocidade de metabolização ou excreção 
 
 
 
 
Ligações a proteínas plasmáticas 
 
- Reversível 
- Interação dinâmica (se formam e desfazem) 
- Quando há forte ligação, há efeitos de menor 
intensidade e maior duração 
- A forma livre é a responsável pelos efeitos 
farmacológicos, pois segue o processo de distribuição 
- Alterações nas taxas de proteínas plasmáticas: 
condições patológicas 
- A forma ligada serve como reservatório do fármaco, 
retardando a chegada do fármaco à órgãos-alvo e 
sítios de eliminação 
 
 
Fatores que alteram a velocidade e extensão da 
Distribuição 
 
1. Fluxo sanguíneo local 
2. Propriedades físico-químicos do fármaco 
3. Características das membranas 
4. Afinidade a proteínas plasmáticas 
 
Fatores que alteram a quantidade de fármaco 
distribuído 
 
1. Débito cardíaco 
2. Fluxo sanguíneo local 
3. Permeabilidade capilar 
4. Volume do tecido 
 
Volume de Distribuição 
 
Real: onde tem líquido, tem droga 
Aparente: L / kg 
 
Distribuição em locais especiais 
 
Barreira Hematoencefálica (capilares resistentes e rica 
atividade enzimática) 
Placenta: metabolizador de drogas 
Acúmulo de drogas: reservatórios 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4. ELIMINAÇÃO DAS DROGAS 
 
1. Metabolismo ou Biotransformação 
2. Excreção renal 
 
Metabolismo das Drogas 
 
➢ Inativação: transformada em um produto menos ativo 
➢ Metabólitos ativos de droga ativa: transformação 
parcial em metabólitos ativos 
➢ Ativação de droga inativa: pró-droga; ativa-se a 
droga (depois de passar no fígado e ser metabolizado) 
➢ Ausência de metabolismo: inalteradas 
 
Metabolismo ou Biotransformação 
 
➢ Reações químicas que tornam a droga possível de ser 
excretada (dependem de enzimas hepáticas) 
➢ Modifica-se a estrutura do fármaco para que não seja 
reabsorvido ao passar pelos túbulos renais 
➢ Carregar eletricamente (inativa geralmente) 
 
Metabolismo de Primeira Passagem 
 
➢ Via oral 
➢ Fígado, pele e pulmões 
➢ Varia de droga para droga

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