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DIREITO ADMINISTRATIVO O Direito Administrativo é a esfera do Direito Público Interno que, mediante regras e princípios exclusivos, regulamenta o exercício da função administrativa que é exercida por agentes públicos, órgãos públicos, pessoas jurídicas de Direito Público, em outras palavras, pela Administração Pública. Vale ressaltar que a Administração Pública, no que lhe diz respeito, pode ser entendida em duas vertentes: Direito Público: tem a finalidade de regular os interesses da coletividade Direito Privado que tem por objetivo regulamentar os interesses entre os particulares. Não se pode ignorar, por exemplo, que o Poder Legislativo é quem produz as normas a que se submete também o Poder Administrativo (executando-as) ou que as interpretações do Poder Judiciário sobre essas normas tenham impactos na sua execução. Por essa razão, deve- se respeitar, dessa maneira, as competências particulares de cada um em busca da harmonia na tripartição. Portanto, pode-se mencionar como fontes do Direito Administrativo: Normas; jurisprudência; doutrina; costumes. 2 1 2 2 O administrador público somente poderá realizar o que está descrito na Lei. O administrador privado pode realizar tudo o que a Lei não proíba. FICA A DICA O Direito Administrativo tem sua origem na França, no século XVIII e no início do século XIX, sendo reconhecido como um ramo autônomo do direito no início do processo de desenvolvimento do Estado de Direito, baseado no princípio da legalidade e da separação. Destacamos que devido ao desenvolvimento do Estado de Direito e sua decorrente necessidade de garantir segurança na relação entre Administração Pública e os administrados, foi necessário criar ramos autônomos do direito para que fosse possível regular a relação supracitada. Assim, restou ao Direito Administrativo delimitar funções e organizar as ideias governamentais, que antes mal saíam do papel, tendo como objetivo assegurar os direitos consequentes da referida relação, garantindo assim, os interesses de forma geral da coletividade, chamados hoje de interesse público. ORIGEM DO DIREITO ADMINISTRATIVO 3 A ideia que fundamenta a aplicação de Direito Administrativo foi ‘puissance publique’, isto é, o poder do Estado em face dos administrados. Em seguida, Leon Duguit, tentando substituir pela ideia de serviço público, atribuiu a este a base do Direito Administrativo pelo fato de serem serviços indispensáveis prestados pelo Estado com a finalidade de suprir as necessidades gerais da sociedade. Na centralização, a pessoa política desempenha suas tarefas diretamente por meio de seus órgãos. Nesse caso, a própria pessoa estatal (União, estados, DF e municípios) realiza diretamente a atividade administrativa, sem a interferência de qualquer outra entidade. Não há transferência de atividades para outras pessoas. A Lei chamou a nossa administração centralizada de administração direta (art. 4º, Decreto-Lei n. 200/1967). A criação de órgãos decorre da desconcentração( distribuição interna de competências, dentro da mesma pessoa jurídica). Na desconcentração, há o controle hierárquico, pois os órgãos de menor hierarquia permanecem subordinados aos órgãos que lhes são superiores. Mas cabe ressaltar que os ministérios são órgãos da pessoa jurídica da União. Nesse caso, a União presta suas atividades diretamente por meio de seus órgãos (ministérios). FORMAS DE PRESTAÇÃO DA ATIVIDADE ADMINISTRATIVA (CONCENTRAÇÃO E DESCONCENTRAÇÃO, CENTRALIZAÇÃO E DESCENTRALIZAÇÃO 4 Na desconcentração, há o controle hierárquico, pois os órgãos de menor hierarquia permanecem subordinados aos órgãos que lhes são superiores. Mas cabe ressaltar que os ministérios são órgãos da pessoa jurídica da União. Nesse caso, a União presta suas atividades diretamente por meio de seus órgãos (ministérios). Na desconcentração, existe relação de hierarquia entre os diversos órgãos e autoridades. Como consequência dessa hierarquia, há o poder de controlar, de revisar, coordenar e corrigir os órgãos subordinados, avocar e delegar atos. Ex.: a criação dos ministérios em nível federal (Ministério da Saúde, da Fazenda, da Justiça, da Educação, do Trabalho), quanto da hierarquia, com diversos níveis de responsabilidade decisória, como, por exemplo, diretor de departamento, diretor de divisão, chefe de seção; ou em razão do território (geográfica), como no caso das agências da Receita Federal espalhadas pelos diversos estados. A concentração ocorre quando um único órgão (ou poucos) desempenha todas as funções administrativas do ente político, sem divisão em outros órgãos menores. Na descentralização a atividade é prestada por pessoas diversas. Ocorre a distribuição de competências de uma para outra pessoa. Assim, pressupõe duas pessoas: o ente político e a entidade descentralizada. Na descentralização, o Estado, por questão de autonomia administrativa, visando maior eficiência, resolve repassar a atividade para que outra pessoa a exerça em seu lugar. 5 6 Estado - o conceito de governo foi um termo que se originou do status latino e se refere a um país soberano, com estrutura própria, e politicamente organizado. O Estado é uma criação humana, que ajuda a manter a coexistência dos indivíduos inseridos nele. Ele atua como mantenedor da ordem social, auxiliando o desenvolvimento e comodidade do bem estar de toda sociedade. O Estado é visto por coisa pública (res pública), não podendo ser confundido com governo, uma vez que se trata de um poder político, administrativo e jurídico, que ocupa um território definido. Governo - é considerado a autoridade governante de uma unidade política. O governo não pode ser confundido com administração pública, já que essa tem a função de realizar as diretrizes traçadas pelo governo. No direito administrativo, ele é o responsável por definir o núcleo diretivo do Estado, sendo ele alterável por eleições e gestor dos interesses estatais e do exercício do poder político. Administração Pública: grupo de órgãos, agentes e serviços instituídos pelo Estado e seu poder de gestão. Ela tem como principais objetivos o interesse da sociedade, a redução da burocracia, a descentralização administrativa e a qualidade do serviço prestado à população. CONCEITO DE ESTADO, GOVERNO E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 7 O regime jurídico administrativo é o conjunto de regras relativas à Administração Pública objetivando equilibrar os interesses coletivos e as liberdades individuais. Nesse viés é possível afirmar que o administrador público somente poderá realizar o que está descrito na lei, enquanto que o administrador privado pode realizar tudo o que a lei não proíba. A Administração Pública é composta de entes políticos e entes administrativos, que, por sua vez, são compostos por órgãos públicos. Além disso, a competência conferida à administração é irrenunciável. As prerrogativas da administração são típicas do direito público, fato que não existe no direito privado, no qual predomina a igualdade entre as partes. É necessário fazermos uma distinção entre Regime Jurídico da Administração e Regime Jurídico Administrativo, conforme as lições da Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro, para a qual a expressão regime jurídico da Administração Pública designa, em sentido amplo, os regimes de direito público e de direito privado a que pode submeter-se a Administração Pública. Por outro lado, a autora utiliza a expressão regime jurídico administrativo para abranger tão somente o “conjunto de traços, de conotações, que tipificam o Direito Administrativo, colocando a Administração Pública numa posição privilegiada, vertical, na relação jurídico-administrativa”. REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO 8 Administração Pública Direta: é considerada aquela composta por órgãos públicos ligados ao governo federal, estadual ou municipal(ministérios, secretarias, etc.). Em outras palavras, é o grupo integrante das pessoas federativas, exercendo a competência das atividades administrativas de maneira centralizada. A administração pública direta abrange os três poderes, sendo eles: o poder executivo, legislativo e judiciário. Outro ponto, é o fato de que esses órgãos não possuem personalidade jurídica própria, patrimônio, ou autonomia administrativa, e suas despesas são realizadas pela esfera à qual pertence o órgão. Administração Pública Indireta: é o conjunto de entidades com personalidade jurídica própria, patrimônio e autonomia administrativa, e também cujas despesas são realizadas através de orçamento próprio. É considerada como a transferência da administração por parte do Estado para outras pessoas jurídicas. A administração pública indireta é caracterizada pela descentralização, processo pelo qual a competência administrativa é distribuída de uma pessoa jurídica para outra. Suas entidades são as: autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista. Entidades de direito privado prestam serviços públicos que não são privativos do Poder Público, podendo ser explorados ou exercidos, sem fins lucrativos, por entidades privadas, criadas e geridas por particulares. 9 A seguir os principais modelos da administração indireta: Autarquia Fundação Pública Consórcio Público Empresa Estatal Serviço Social Autônomo Organização Social Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público Fundação de Apoio Parceria Público Privada 10 O art. 37, XIX, da CF/1988, apresenta a forma de criação das entidades da administração indireta, estabelecendo que somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, reservando-se à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de atuação. A lei exigida pela Constituição é uma lei ordinária, pois, havendo necessidade de lei complementar, deve ocorrer menção expressa a esse tipo de lei. Isso ocorreu em relação à definição das áreas de atuação da fundação. Nas autarquias a lei específica cria a entidade, ou seja: com a lei, a entidade já tem existência no mundo jurídico, adquirindo personalidade jurídica, sem depender de outros atos secundários para que esteja totalmente constituída. Como consequência da criação decorrente da lei, não é necessário registrar a autarquia em qualquer órgão. Empresa pública e à sociedade de economia mista - a lei específica é apenas autorizativa. A partir da lei, ainda serão necessários outros procedimentos para a existência jurídica da entidade. Com o registro na junta comercial ou no registro de empresas, conforme a atividade prestada, exploração de atividade econômica ou prestação de serviços públicos, a personalidade jurídica será adquirida. Fundação - ao inseri-la entre as entidades da administração indireta, o STF e a doutrina majoritária admitem que as fundações criadas pelo Estado possam ter personalidade jurídica de direito público ou de direito privado. Sendo fundação pública de direito público, terá natureza de autarquia para todos os fins (a lei deve criar a entidade). Na fundação pública de direito privado a lei autoriza a sua criação (ex.: Funpresp). CRIAÇÃO DAS ENTIDADES DA ADMINISTRAÇÃO INDIRETA