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CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA CELSO SUCKOW DA FONSECA CURSO TÉCNICO EM ADMINISTRAÇÃO RECURSOS PATRIMONIAIS Prof. André Moraes Recursos Patrimoniais Prof. André Moraes 2 I - Recursos Patrimoniais 1. Introdução Os recursos patrimoniais constituem os elementos primordiais para uma organização poder operar, produzir produtos e serviços que irão atender às demandas de marcados. Portanto, são de suma importância uma perfeita adequação e manutenção dos bens patrimoniais para o sucesso da organização. As organizações, em face de suas complexidades e seu tamanho, transacionam constantemente seus recursos patrimoniais, ora adquirindo, ora vendendo, ou trocando-os, sempre com o objetivo maior de otimizar os processos e proporcionar maior satisfação, tanto para cliente externo como interno. Uma vez implantada uma instalação ou instalado um equipamento, é preciso administrá-lo da melhor forma possível, pois são fatores de produção e, portanto, devem contribuir para o resultado operacional da empresa. Assim, devemos formular duas perguntas: Eles estão sendo operados de forma econômica? Sua manutenção está sendo realizada de acordo com as melhores recomendações? Essas perguntas podem ser desdobradas em várias outras, como: Chegou a hora de o equipamento ser substituído por outro, isto é, ele já atingiu sua vida econômica? A manutenção preventiva está reduzindo os custos decorrentes de quebras e paradas de máquinas? Como foi enfatizado, a produção de bens e serviços é obtida por meio de instalações e pessoas. Esses dois fatores se desgastam com o uso, necessitando de manutenção sistemática para que continuem exercendo suas tarefas cumprindo seus objetivos. A “manutenção” das pessoas é assunto muito mais complexo do que a de equipamentos e tem recebido atenção crescente dos administradores. Podemos afirmar que todos os programas de incentivo à criatividade, reciclagem, treinamento periódico, atividades em grupos, workshops e apoio psicológico são formas de manutenção das pessoas. Quanto aos equipamentos, estamos na era da robotização. As maquinarias estão cada vez mais complexas, exigindo pessoal altamente especializado para administrar, por exemplo, sofisticados sistemas de processamento de informações. Até pouco tempo, numa fábrica, como uma montadora de veículos, tínhamos uma média de 1 pessoa na manutenção para 5 a 7 pessoas nos trabalhos diretos. Há previsões de que essa relação chegue em 1 para 1, colocando a manutenção de instalações como área vital para as empresas. 2. Classificação dos Bens Os recursos patrimoniais de uma organização compreendem instalações, máquinas, equipamentos e veículos que fazem possível sua existência, ou seja, sua operação. São todos os bens necessários para a empresa operar, criar valor e proporcionar satisfação ao cliente. Os bens patrimoniais não são adquiridos todos de uma só vez, mas durante sua existência. As organizações, em face de suas complexidades e tamanho, transacionam constantemente seus recursos patrimoniais, ora adquirindo, ora vendendo, ou trocando-os. Fator que também interage com as necessidades de recursos patrimoniais é o sistema de produto ou serviço que se classificam como equipamentos e máquinas, edificações, terrenos, jazidas e intangíveis. Equipamentos e máquinas: são as ferramentas, máquinas operatrizes, caldeiras, guindastes, pontes rolantes, compressores, dispositivos, veículos, computadores, móveis, etc; Edificações: são prédios, galpões, escritórios, almoxarifados, garagens, etc; Terrenos: compreende o local onde estão as instalações, suas áreas livres e terrenos vazios que pertençam à empresa; Jazidas: são as localizações onde a empresa tem direitos, poder ou autorização de extração de produtos minerais; Recursos Patrimoniais Prof. André Moraes 3 Intangíveis: são os recursos que não podemos tocar, não tem corpo ou forma física; são as patentes, projetos, direitos autorais e marcas. Os recursos patrimoniais, também, são divididos em móveis e imóveis. Móveis são aqueles que podem ser movimentados, deslocados de posição sem que percam sua constituição física (máquinas, veículos, móveis, etc). Imóveis são aqueles que, se forem movidos ou deslocados do local, perdem sua forma física, ou não podem ser deslocados (prédios, pontes, terrenos e jazidas). Nas empresas agropecuárias temos recursos denominados semoventes, constituídos pelos animais e plantações que formam o elemento a ser transformado em produtos finais para o mercado (gado, caprinos, suínos, aves, peixes pássaros, cana de açúcar, café, etc). Os recursos patrimoniais, na análise contábil da empresa, fazem parte dos ativos imobilizados. 3. Classificação e Codificação de Materiais e Bens Com o aumento considerável dos materiais utilizados nas empresas e as exigências dos consumidores de novos produtos, tornou-se necessária a criação de uma linguagem única que permitisse identificar, de forma inequívoca, cada item de material. Essa linguagem envolve uma classificação e uma codificação dos diversos materiais. Nada adiantaria criarmos um sistema de classificação de materiais se não acoplássemos a ele um sistema de codificação. Da necessidade de implantar um sistema de identificação, nasceu a classificação de materiais que tem por objetivo agrupa-los segundo determinados critérios como: forma, dimensões, peso, tipo, uso, etc. Com base na classificação, é possível elaborar uma catalogação de todos os materiais utilizados nas empresas, criando por conseqüência uma especificação e uma padronização que vão simplificar os controles, facilitar os procedimentos de armazenagem e de operação de um armazém. A classificação de materiais tem por objetivo estabelecer um processo de identificação, codificação, cadastramento e catalogação dos materiais de uma empresa. A primeira fase da classificação é a identificação que consiste na análise e no registro dos principais dados que caracterizam e individualizam cada item de material em particular. Sua finalidade é identificar, a partir de uma especificação bem estruturada, cada item da empresa. A identificação é construída a partir de um processo descritivo que objetiva, seguindo regras específicas, atribuir uma nomenclatura padronizada para todos os materiais. Na composição da nomenclatura são determinados: nome básico do material, nome modificador (que é sua denominação complementar), as características físicas de cada material, a aplicação (onde o material é utilizado), a embalagem (apresentação do invólucro, por exemplo: tinta em galões ou em baldes etc) e as referências comerciais que contêm o nome ou o código de referência de cada fabricante. Após a identificação de cada material, passamos à fase da codificação que consiste em atribuir uma série de números ou letras para cada material, de tal forma que esse conjunto numérico ou alfanumérico possa representar, por meio de um único símbolo, as características de cada material em particular. Existem três sistemas de codificação de materiais utilizados com maior freqüência: Sistema alfabético: constituído unicamente por conjunto de letras, em sua maioria estruturadas de forma mnemônica mediante associação das letras que permite identificar cada material. Sistema alfanumérico: é um método de codificação que mescla números e letras para representar cada material. Esse sistema de codificação é muito utilizado na indústria de autopeças, por exemplo. Sistema numérico: consiste em atribuir uma composição lógica de números para identificar cada material. Recursos PatrimoniaisProf. André Moraes 4 Exemplo de um sistema numérico: Grupo Subgrupo Item Número de identificação 4. Cadastramento de Materiais Após a codificação dos materiais, é necessário fazer o seu cadastro cujo objetivo é o registro do item com todas as suas características em um sistema em banco de dados. Uma vez que os dados de cada item de material são inseridos no sistema, o catálogo vai se formando e, se o sistema for acessado por todos os usuários, o catálogo também vai estar disponível para consultas pelos interessados. Esse cadastro envolve, em termos gerais, três operações básicas: a) a inclusão de um item de material no cadastro de materiais; b) eventuais alterações quando algum item de material tem algumas de suas características modificadas; e c) a exclusão, quando um item de material não faz mais parte dos materiais utilizados na empresa. 5. Código de Barras A codificação de materiais tomou um grande impulso com a introdução de novas tecnologias que permitiram o reconhecimento ótico de caracteres, em substituição à digitação de código dos itens. Para termos uma idéia do volume de transações envolvidas, um supermercado realiza em média 250.000 digitações por dia, isto é, para cada código ou operação realizada envolve a digitação de vários números, o que demandava um grande volume de pessoas para realizar esse trabalho, com grande possibilidade de cometerem erros de digitação. Em um primeiro estágio, duas tecnologias passaram a ser estudadas para serem introduzidos nas operações de movimentação de grandes volumes de dados que eram digitados em terminais dominados data entry que alimentavam os sistemas computacionais. Código magnético: em que as informações de cada item ou operação são armazenadas em um material magnético, tal qual uma tinta especial. Esse processo requer um contato físico entre o leitor e o código e apresenta imunidade contra fraudes. Como necessita de um material especial à base de óxido de ferrite (magnetizável) nas embalagens, tornou-se muito caro. Essa Tecnologia teve aplicação em algumas atividades: bilhete do Metrô e cartões magnéticos (bancos, cartões de crédito etc.). Recursos Patrimoniais Prof. André Moraes 5 Atualmente os cartões de crédito receberam uma nova tecnologia com a introdução de um chip que dá maior segurança contra fraudes. Código de barras: neste sistema, as informações são gravadas oticamente em materiais e com tintas variadas e hoje está sendo largamente utilizado. O código de barras veio revolucionar e simplificar as operações. Entre as vantagens da sua utilização, podemos citar: Fácil utilização. Grande capacidade de captura dos dados via reconhecimento ótico das barras. Baixo custo operacional. Implantação relativamente simples. Uso de equipamentos compactos na leitura dos dados. No Brasil, a introdução e o gerenciamento do uso e da aplicação de códigos de barras têm a supervisão da EAN Brasil – Associação Brasileira de Automação Comercial, criada pelo Decreto 90.095/84 e Portaria 143 do Ministério de Indústria e Comércio. No elenco de código de barra, cada uma das modalidades existentes tem aplicações específicas. O Brasil, em face do citado decreto, passou a adotar o sistema EAN (Europe Article Number). A estrutura de codificação, por sua vez, tem uma configuração como a apresentada abaixo. O dígito verificador tem por finalidade verificar se a leitura dos números representados por barras verticais está correta. Para isso, ele é calculado a partir de um conjunto de operações matemáticas realizadas com os números representados pelas barras, que identificam o prefixo, a empresa e o produto propriamente dito. O resultado final dos cálculos é um número que é comparado ao dígito verificador. Caso a comparação não resulte em sucesso, ou seja, o dígito verificador não for igual ao resultado das operações matemáticas realizadas com os demais números, o leitor de código de barras rejeita a sua leitura. Ë por essa razão que, muitas vezes na saída de um supermercado, o operador do caixa, após algumas Recursos Patrimoniais Prof. André Moraes 6 tentativas frustradas de leitura do código de barras de um produto que adquirimos, digita todos os números encontrados logo abaixo do código de barras. As configurações dos códigos de barras mais utilizados são: EAN – 8: é um código de barras utilizado nas embalagens que possuem pouco espaço para a inserção de um código de barras com um número maior de dígitos. Sua estrutura envolve: EAN – 13: é um código de trezes dígitos e tem uma estrutura bastante semelhante com a estrutura do código EAN – 8. O número de dígitos a mais (5) destina-se à inclusão do código da empresa fornecido pela EAN Brasil. Sua estrutura envolve: EAN – 14: esse código se destina à identificação da embalagem de comercialização do produto. É uma estrutura que migrou do código EAN – 13 que inclui um dígito que identifica a quantidade de produto ou a quantidade de embalagens. Em alguns casos, esse dígito adicional é denominado variante logística. EAN / UCC – 128: é um código de barras projetado para conter um maior número de informações sobre os produtos. Esse código permite incluir dados adicionais tais como: data de fabricação, data de validade etc., informações importantes especialmente no caso de uso em produtos perecíveis. Recursos Patrimoniais Prof. André Moraes 7 A leitura dos códigos de barras é realizada por equipamentos denominados scanner, pistolas laser e canetas ópticas. Para que a leitura seja efetuada, basta que posicionemos o código de barras na altura especificada para que o equipamento faça a leitura. Atualmente, a tecnologia de scanner permitiu a fabricação de equipamentos altamente sensíveis que permitem a leitura em situações bastante adversas em relação aos modelos de equipamentos existentes anteriormente. As aplicações do código de barras são inúmeras. Além do grande avanço na sua utilização nas embalagens industriais e comerciais, promoveu uma sensível melhora na produtividade, no manuseio e no despacho de cargas e serviço de atendimento a cientes, como é o caso de uma loja de departamento ou mesmo um supermercado. Essa tecnologia de código de barras teve sua aplicação estendidas para controle de pacientes em hospitais, como vem sendo utilizada pelo Hospital Albert Einstein, para o controle da utilização de medicamentos e prescrições médicas para os pacientes com auxílio de um palm (equipamento semelhante a uma agenda) que tem a capacidade de leitura ótica dos códigos de barras existente em uma pulseira colocada m cada paciente. Com a automação dos processos de despacho de cargas unificadas, a utilização do código de barras veio criar sistemas bem mais eficientes que permitem separar a carga por cliente, em função do código de barras fixado na embalagem. Recursos Patrimoniais Prof. André Moraes 8 6. Identificação por Radiofreqüência A tecnologia não parou no código de barras. A identificação por radiofreqüência é uma tecnologia mais recente que vem sendo expandida na coleta automática de dados. A operação de um sistema de identificação por radiofreqüência requer um conjunto de equipamentos: etiquetas, também chamadas de transporder ou RF-TAG, antenas que utilizam as ondas de radiofreqüência para a leitura das etiquetase os chamados controladores que são os responsáveis pela decodificação das informações existentes na RF-TAG. As etiquetas têm uma enorme variedade de tamanho, capacidade de armazenamento de dados, vida útil e aplicações. Por exemplo, no rastreamento do gado bovino é utilizado um tipo de etiqueta que é fixada internamente no animal; outras são encapsuladas para se tornarem imunes a ambientes mais hostis, como indústrias químicas. Essa tecnologia ainda é muito cara: uma etiqueta eletrônica custa hoje entre US$ 1 e US$ 2, embora existam etiquetas de até 10 centavos de dólar; porém, não são regráveis. O sistema de leitura custa US$ 2 mil e US$ 3 mil por conjunto instalado. Uma etiqueta é capaz de armazenar um volume mínimo de dados que pode ser coletado por antenas instaladas na retaguarda e na frente dos caixas dos supermercados, possibilitando que o comprador não necessite retirar os produtos adquiridos de dentro do carrinho de compras na hora de passar no caixa, pois a antena instalada na proximidade do caixa vai “ler” as etiquetas, e o sistema vai permitir que todos os produtos sejam precificados. Além disso, esse sistema também permitirá uma reposição mais rápida dos produtos nas gôndolas que hoje demoram em média duas ou três horas. Com a etiqueta, assim que passar no caixa, a retaguarda da loja vai saber que precisa repô-lo. Ainda hoje, 30 anos depois de ter sido criada a tecnologia do código de barras, existem inúmeras empresas que não utilizam. O uso da tecnologia de RFID deverá ser lento e gradual, principalmente porque existem muitos produtos que dificilmente usarão a etiqueta eletrônica, pois seu custo, por menor que seja, inviabilizará a adoção da nova tecnologia. 7. Depreciação A depreciação de um bem é a perda de seu valor, decorrente do uso, deterioração ou obsolescência tecnológica. A forma de calcular essa perda define o critério de depreciação do bem. Como critério de avaliação e a vida do bem impactam no resultado operacional da empresa, ambos são regulados pela Receita Federal, por meio de Instruções Normativas, como mostrado abaixo. Vida Útil de Alguns Grupos de Bens Espécie do Bem Vida útil (anos) Taxa anual Bibliotecas 10 10% Britadores 5 20% Caminhão fora de estrada 4 25% Correias de transmissão 2 50% Edifícios 25 4% Escavadeiras 4 25% Instalações elétricas 5 20% Móveis e utensílios em geral 10 10% Veículos em geral 5 20% Recursos Patrimoniais Prof. André Moraes 9 O critério de depreciação utilizado e aceito pelos órgãos da Receita Federal é o linear, ou da linha reta, pelo qual se depreciam partes iguais durante toda vida útil do bem. Outro critério é o da soma dos dígitos, muito freqüente nos exercícios acadêmicos. As empresas poderão utilizar cota de depreciação diferente da fixada, desde que comprovem sua adequação ao tempo e vida útil do bem, de acordo com a finalidade e condições de utilização, mediante laudo pericial de órgão competente. Podem ser aprovados mediante pedidos aos órgãos de incentivos à produção critérios de depreciação acelerada, como para casos comprovados de grande desgaste do bem por operar em mais de um turno de 8 horas por dia. È uma forma de incentivo à implantação, renovação e modernização do parque industrial. 7.1 Depreciação linear É o sistema de depreciação que é aceito pela Receita Federal, ou seja, aquele que o bem é depreciado em partes iguais durante sua vida útil. D = depreciação P = valor ou custo inicial do Bem VR = valor residual N = vida útil 7.2 Depreciação pelo Método da Soma dos Dígitos A depreciação pelo método da soma dos dígitos permite uma depreciação maior no início da vida do bem. Para calcular o valor da depreciação por esse método primeiro dividimos o número de períodos restantes a depreciar (igual a N – t + 1) pela soma dos dígitos (N (N + 1) / 2). Depois, só precisamos multiplicar o resultado pela diferença entre o valor inicial (o preço P ) e o valor residual. Lembrando-se que t é o período de referência, a expressão encontrada é: D = P – VR N Dt = N – t + 1 x (valor inicial – valor residual) N ( N + 1 ) 2 Dt = Nd x (P – VR) S Recursos Patrimoniais Prof. André Moraes 10 8. Vida Econômica dos Recursos Patrimoniais A vida econômica dos recursos patrimoniais, ou seja, de um bem é o período de tempo (geralmente em anos) em que o custo anual equivalente de possuir e de operar o bem é mínimo. Os bens como equipamentos e instalações, se desgastam com o uso, necessitando cada vez mais de manutenção. Assim, é de se esperar que os custos operacionais aumentem com o passar do tempo. Paralelamente, seu valor de venda ou de mercado vai diminuindo. A partir de um instante não é mais interessante manter o bem, é quando ele atingiu a sua vida econômica. A vida útil de um bem é o período de tempo em que o bem consegue exercer as funções que dele se espera. A vida útil depende de como o bem é utilizado e mantido. 9. Administração Patrimonial no Setor Público No setor público a classificação é feita de acordo com o tempo de duração que, conforme esse critério, o material pode ser classificado como material de consumo ou permanente. a) Material de consumo: é aquele que, em razão de seu uso corrente, perde normalmente sua identidade física e/ou tem sua utilização limitada a dois anos. b) Material permanente: é aquele que, em razão de seu uso corrente, não perde sua identidade física, mesmo quando incorporado a outro bem, e/ou apresenta uma durabilidade superior a dois anos. 9.1 Material Permanente A Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda, através do artigo 3° da Portaria n° 448/2002, apresenta cinco condições excludentes para a classificação de um bem como permanente. De acordo com essa norma, é material de consumo aquele que se enquadras em um ou mais dos seguintes quesitos: Art. 3° - Na classificação da despesa serão adotados os seguintes parâmetros excludentes, tomados em conjunto, para a identificação do material permanente: I – Durabilidade, quando o material em uso normal perde ou tem reduzidas as suas condições de funcionamento, no prazo máximo de dois anos; II – Fragilidade, cuja estrutura esteja sujeita à modificação, por ser quebradiço ou deformável, caracterizando-se pela irrecuperabilidade e/ou perda de sua identidade; III – Perecibilidade, quando sujeito quando sujeito a modificações (químicas ou físicas) ou que se deteriora ou sua característica normal de uso; IV – Incorporabilidade,quando destinado à incorporação a outro bem, não podendo ser retirado sem prejuízo das características do principal; e V – Transformabilidade, quando adquirido para fim de transformação. No controle patrimonial de bens móveis pode ser administrados em três momentos: a entrada na organização, as movimentações internas e a saída final do bem, conforme tabela a seguir: Recursos Patrimoniais Prof. André Moraes 11 OPERAÇÃO ATIVIDADE MEDIDA ADMINSTRATIVA Entrada Recebimento Tombamento Registro Movimentações internas Guarda e Conservação Transferência Movimentação Saída Desfazimento Alienação (baixa de bens) A entrada de um bem patrimonial, após sua aquisição, dá-se através dos almoxarifados. Neste momento, várias são as tarefas que devam ser executadas: Verificação se o material entregue corresponde à descrição da nota fiscal; Verificação se o material entregue corresponde à descrição da nota de empenho; No caso de as verificações dos itens anteriores ocorrerem sem maiores problemas, atesta-se a nota fiscal; Incorporação do material permanente ao patrimônio da organização, ou seja, faz-se o tombamento do material. Tombamento: é o procedimento de identificação de um bem, efetuado na sua incorporação ao patrimônio de uma organização. Por ocasião do tombamento, cadastram-se, em um banco de dados, informações essenciais do bem (características físicas, valor de aquisição, etc). O bem recebe um número patrimonial, pelo qual é identificado, e uma plaqueta contendo este número de registro é afixada no bem, quando possível. A regra geral é de todos os materiais permanentes serem tombados, implicando-se assim, maior possibilidade de controle, mediante a distribuição da carga patrimonial e de inventários. No entanto, apesar de um material permanente ser tombado, isso não o impede de ser alienado ou ter sua destinação alterada. A alienação (ou desfazimento de um bem), que sempre é subordinada ao interesse público e a prévia avaliação do bem, pode se dar por doação, venda, ou permuta tanto para bens móveis quanto para bens imóveis, conforme o artigo 17 da Lei 8.666/93. A alteração de destino usualmente é efetuada mediante um documento interno do órgão, transferindo a responsabilidade pela guarda de bem (geralmente este documento é chamado de Guia de Transferência de Material). Há bens patrimoniais móveis cujas características físicas impossibilitam a fixação de plaquetas. Seria o caso, por exemplo, de celulares e de ferramentas. Caso as características físicas de um material impossibilitem a fixação da plaqueta, procede-se ao tombamento, registrando-se o número patrimonial em um controle à parte. Segundo a Instrução Normativa n° 205/88 da Secretaria de Administração Pública da Presidência da República – SEDAP, existem mais de um modo de aposição de registro patrimonial: “... 7.13. Para efeito de identificação e inventário, os equipamentos e materiais permanentes receberão números seqüenciais de registro patrimonial. 7.13.1. O número de registro patrimonial deverá ser aposto ao material, mediante gravação, fixação de plaquetas ou etiqueta apropriada. Recursos Patrimoniais Prof. André Moraes 12 7.13.2. Para material bibliográfico, o número de registro patrimonial poderá ser aposto mediante carimbo. 9.2 Baixa Patrimonial A baixa de um bem é a retirada contábil do acervo patrimonial de uma organização, ou seja, quando um bem é baixado, ele deixa de fazer parte do ativo imobilizado da organização. A baixa patrimonial pode ocorrer pelas seguintes formas: a) Alienação – venda, permuta ou doação nas formas de Lei n° 8.666/93. b) Comodato – espécie de empréstimo de bens patrimoniais, por tempo pré-determinado. c) Extravio / perda / sinistro 9.3 Classificação dos materiais inservíveis Os materiais considerados genericamente inservíveis, para a repartição, órgão ou entidade que detém sua posse ou propriedade, devem ser classificados como: a) Ocioso – quando, embora em perfeitas condições de uso, não estiver sendo aproveitado. b) Recuperável – quando sua recuperação for possível e orçar, no âmbito, a 50% de seu valor de mercado. c) Antieconômico – quando sua manutenção for onerosa, ou seu rendimento precário, em virtude de uso prolongado, desgaste prematuro ou obsoletismo. d) Irrecuperável – quando não mais puder ser utilizado para fim a que se destina devido a perda de suas características ou em razão da inviabilidade econômica de sua recuperação. 9.4 Bens imóveis Os bens imobiliários estatais, independentemente de sua titularidade (federal, estadual, distrital ou municipal), podem ser classificados em três categorias, de acordo com sua destinação: a) Bens de uso comum do povo – podem ser utilizados por todos os indivíduos, em igualdade de condições, sem necessidade de consentimento individualizado por parte do Poder público. Ex.: praças, ruas, praias. b) Bens de uso especial – também chamados de patrimônios indisponíveis, empregados na execução dos serviços públicos em geral. Ex.: edifícios nos quais são situadas as repartições públicas, veículos oficiais, aeroportos, universidades públicas. c) Bens dominicais – constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal ou real de cada dessas entidades. São bens que não possuem destinação pública definida, mas que podem ser destinados pelo Estado para gerar renda. Ex.: terrenos da marinha, prédios públicos desativados, etc. Referências Bibliográficas Gonçalves, Paulo Sérgio, 2004, Administração de Materiais, 1ª ed, Elsevier. Martins, Petrônio Garcia, 2003, Administração de Materiais e Recursos Patrimoniais, 1ª ed, Saraiva. Pozo, Hamilton, 2002, Administração de Recursos Materiais e Patrimoniais: Uma Abordagem Logística, 2ª ed, Atlas.