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NEOPLASIAS DA CAVIDADE ORAL E NASOSSINUSAIS LUARA PAIVA R2 OTORRINOLARINGOLOGIA - HOC NEOPLASIAS CAVIDADE ORAL Tumores malignos Tumores benignos NASOSSINUSAIS Tumores malignos Tumores benignos TUMORES NASOSSINUSAIS INTRODUÇÃO Vários tumores acometem nariz e seios paranasais: CEC, carcinoma indiferenciado, estesioneuroblastoma, carcinoma neuroendócrino, adenocarcinoma… Não tem relação clara com tabagismo e etilismo. Fatores de risco: inalação de rapé, pó de madeira, níquel, cromo, químicos e têxteis. EBV pode ser fator de risco. Inicialmente oligossintomáticos, até invadireim pele, órbita e base de crânio. 3-6% das neoplasias de CeP DIAGNÓSTICO VDNL: avaliar com cuidado parede lateral e teto da cavidade nasal. Podemos encontrar sinais de malignidade na TC: destruição óssea, invasão assoalho orbitário/crânio/fossa pterigopalatino. RM avalia limites profundos de invasão tumoral. Diagnóstico: biópsia para anatomopatológico. TRATAMENTO Preferencialmente cirúrgico, podendo envolver CCP, plástica e neurocirurgia. Pode haver necessidade de RT +/- QT adjuvantes. CARCINOMA DE NASOFARINGE 2% dos CA de cabeça e pescoço. Associado a EBV, fatores dietéticos (peixes com nitrosaminas) e genéticos. Mais comum em homens. Pode se apresentar como Adenopatia cervical posterossuperior indolor; Perda auditiva condutiva unilateral (OMS por disfunção tubária); Otalgia referida; Obstrução nasal e rinorreia sanguinolenta; Trismo é sinal de invasão de músculos pterigoideos. CARCINOMA DE NASOFARINGE Tipo I: carcinoma de células escamosas queratinizadas; Tipo II: carcinoma não queratinizado; Tipo III: carcinoma indiferenciado. CARCINOMA ESPINOCELULAR É o tumor nasossinusal maligno mais comum. (80% do SPN) Imagem: carcinoma epidermoide de seio maxilar esquerdo, com evidente destruição das paredes ósseas da maxila e invasão de estruturas adjacentes LINFOMA É a 2ª neoplasia maligna mais comum na CeP. Pode envolver tecido nodal; quando extranodal, pode acometer anel de Waldeyer. Hodgkin/não Hodgkin: Linfoma nasofaríngeo deriva de células B, mais comum no ocidente, acomete seios maxilar e etmoide Linfoma nasal primário deriva de linfócitos T: acomete fossa nasal, com comportamento agressivo. Linfoma de células NK/T: idade avançada e tumor volumoso são fatores relacionados à baixa sobrevida; associação forte com EBV. LINFOMA Evolui com edema, necrose e destruição óssea. Ao diagnóstico, paciente deve ser encaminhado para hematologista/oncologista para avaliação de medula óssea e avaliação de tórax, abdome e pelve por TC. Avaliar acometimento local por TC/RM; solicitar carga viral para EBV. Tratamento pode incluir QT e RT. ESTESIONEUROBLASTOMA Tumor neuroepitelial raro que surge entre o teto nasal e fossa craniana anterior. Cresce de terminações sensitivas do nervo olfatório na placa cribriforme ou na cavidade nasal. Devido à proximidade com o assoalho da fossa craniana anterior e da placa cribiforme, tem uma alta taxa de extensão intracraniana, com comportamento agressivo. MELANOMA Não tem relação com exposição solar. Fatores de risco desconhecidos. Lesões muito agressivas. TUMORES BENIGNOS NASOSSINUSAIS São relativamente raros. Sintomas iniciais são inespecíficos: obstrução nasal unilateral, rinorreia, epistaxe. Com o crescimento tumoral, pode haver diplopia, proptose, epífora, insuficiência velofaríngea, hipoestesia palatal, ulceração palatal, fístula oronasal, anosmia, neuropatia craniana, edema facial. PAPILOMA NASOSSINUSAL São tumores epiteliais que surgem da mucosa que recobre a cavidade nasal e os seios paranasais. Segundo TU nasossinusal mais comum. Três tipos: > npapiloma invertido (62%) > evertido (exofítico) 32% > cilíndrico (de células oncocíticas). 6% PAPILOMA INVERTIDO É um tumor benigno, mas tem comportamento localmente agressivo e pode sofrer transformação maligna. Mais comum em homens: 5ª-6ª década. Acredita-se que pode estar relacionada a infecção pelo HPV. Sítios de origem: Parede lateral: mais comum; relacionado ao CEC. Seio maxilar: 2º mais comum. Septo nasal: baixa tendência de malignização. PAPILOMA INVERTIDO VDN: massa unilateral, polipoide, irregular, cor rósea/acinzentada, consistência firme. PAPILOMA INVERTIDO TC: lesão com densidade de partes moles que alarga complexo ostiomeatal; realça com contraste; causa remodelamento ósseo e área de hiperostose pode sugerir local de implantação. PAPILOMA INVERTIDO RM: avalia invasão local; diferencia lesão de secreção retida; T1: iso/hipossinal; T2 iso/hipersinal. Apresenta “padrão cerebriforme” PAPILOMA INVERTIDO Tratamento é cirúrgico, com remoção completa da mucosa de implantação e cavidade ampla para acompanhamento de recidivas. RT: TU irressecáveis ou tto adjuvante em caso de malignidade. Lâmina papirácea é o principal local de recidiva. PÓLIPOS COANAIS Surgem na parede dos SF provavelmente por obstrução de uma glândula mucosa, formando cisto de retenção que se exterioriza pelo óstio, ocupando fossa nasal até a coana. Causa obstrução nasal unilateral em crianças e jovens Tipos: Antrocoanais (pólipo de Killian); Etmoidocoanais (etmoide); Esfenocoanais (esfenoide). PÓLIPOS COANAIS TC (pólipos antrocoanais): massa contínua do seio maxilar até a coana. Alargamento do complexo ostiomeatal sem erosão óssea. Inserção mais comum: parede posterior do maxilar. Tratamento: cirúrgico. NASOANGIOFIBROMA JUVENIL TU benigno, mas localmente agressivo. Malformação vascular de células sensíveis à testosterona nas placas pterigóideas da fossa pterigopalatina > acometem adolescentes do sexo masculino. QC: obstrução nasal unilateral + epistaxe recorrente em paciente jovem, do sexo masculino, com bom estado geral. VDN: lesão lisa, avermelhada e endurecida; com/sem pontos de ulceração. NASOANGIOFIBROMA JUVENIL TC: massa de tecido mole na fossa pterigopalatina, deslocando anteriormente a parede posterior do seio maxilar (sinal de Hollman-Miller/sinal antral); pode erodir processo pterigoide e assoalho do esfenoide. RM: sugere lesão hipervascularizada; avlaia invasão local. Biópsia incisional não é recomendada na suspeita de nasoangiofibroma juvenil devido ao risco de hemorragia maciça. Tratamento: cirúrgico, exceto se alta morbidade por invasão local. Embolização pré-operatória tem se mostrado muito útil por diminuir o sangramento intraoperatório. OSTEOMA Tumor nasossinusal benigno mais comum. Geralmente são achados incidentais na TC, em pacientes assintomáticos entre a 3º e 4º decadas. São proliferação benigna de osso maduro dentro das paredes de um seio e são mais comuns nos seios frontal e etmoidal. OSTEOMA Em alguns casos, pode causar deformidade estética e bloquear recesso frontoetmoidal (causando RSC, cefaleia ou mucocele). TC: lesão óssea compacta e hiperdensa. Assintomáticos: acompanhamento radiológico se mudança no QC. Ressecção cirúrgica somente se sintomas ou alteração estética. DISPlASIA FIBROSA Distúrbio congênito e benigno do desenvolvimento ósseo: tecido conjuntivo e o osso imaturo substituem a os osso normal. Crescimento lento na infância; tende a estabilizar após a puberdade. TC: identifica-se um padrão característico em “vidro fosco”. Geralmente assintomático. Ressecção cirúrgica somente se alteração estética ou funcional. Transformação maligna é rara. FIBROMA OSSIFICANTE Geralmente causa ossificação com fibrose na mandíbula e maxila; ocasionalmente nos seios paranasais. Acomete mulheres negras entre 3ª e 4º décadas. Tem comportamento mais agressivo; se diferencia da displasia fibrosa por anatomopatológico. Tratamento: cirúrgico, recidivas raras. SCHWANNOMA Tumor benigno das células de Schwann das bainhas neurais Ramos oftálmico e maxilar do trigêmio; sistema austonômico. Nasossinusais são menos de 4% dos schwannomas de CeP geralmente ao longo do trajeto do nervo maxilar Geralmente solitários e de crescimento lento RM: massa bem delimitada, lobulada, iso em T1, realce por contraste. Baixorisco de malignização. NEOPLASIAS DA CAVIDADE ORAL INTRODUÇÃO Maioria: CEC (até 95% dos casos). Fatores de risco: Tabagismo (ativo/passivo), álcool, deficiências alimentares; HPV (16 e 18); Trauma bucal (dentes quebrados, etc); má hiiene oral; Mutações genéticas, histórico familiar; Imunossupressão; Consumo de carnes vermelhas e processadas; Consumo de mate chimarrão. Fatores protetores: ingestão de frutas e vegetais; consumo de café. LESÕES CANCERIZÁVEIS Tumores geralmente aparece em mucosa macroscopicamente normal. Na minoria dos casos vai evoluir de lesões cancerizáveis prévias: Leucoplasia; Eritroplasia; Líquen plano; Fibrose submucosa; Queilite actínica; Queratose palatina; Lupus eritematoso. LESÕES CANCERIZÁVEIS Leucoplasia é a mais frequente. Mancha/placa esbranquiçada que pode ser plana, verrucosa, ulcerativa ou nodular. Pode ter diferentes graus de displasia. Transformação maligna: 0,1-17,5%. LESÕES CANCERIZÁVEIS “Eritroplasia é uma mancha/placa vermelha que não pode ser caracterizada como outra doença definível” Em até 90% dos casos há displasia, carcinoma in situ ou carcinoma invasivo no momento do diagnóstico. LESÕES CANCERIZÁVEIS LESÕES CANCERIZÁVEIS No exame físico, devemos ter atenção com as áreas de alto risco: Assoalho de boca; Porção ventrolateral e base de língua; Palato mole; Úvula; Pilares anterior e posterior; Espaço retromolar. QUADRO CLÍNICO Inicialmente oligossintomático, com uma úlcera única, indolor, irregular, endurecida e de crescimento proressivo. Em estágios avançados apresentam dor, trismo, disfagia, otalgia reflexa, sangramento, perda de peso, metástases linfonodais. CEC palato mole CEC borda lateral da língua CEC lábio inferior CEC ulcerado QUADRO CLÍNICO HPV: pequenas lesões exofíticas em paciente jovens sem histórico de tabagismo/etilismo; predominam na língua e causam metástases cervicais volumosas. Lesões submucosas: sempre palpar; lembrar de tumores de glândulas salivares menores, sarcomas e linfomas. Pode haver múltiplas lesões malignas primárias: sempre realizar exame do trato aerodigestivo superior, VDNL e palpação cervical (Ib, II e III). Linfonodos endurecidos e aumentados em paciente com CEC em fase avançada. DIAGNÓSTICO A biópsia incisional é mandatória: Anestesia local; Coletar uma ou mais áreas de tecido suspeito viável, especialmente nas bordas da lesão; Alta suspeição + biópsia negativa = repetir biópsia. ESTADIAMENTO ESTADIAMENTO ESTADIAMENTO TRATAMENTO Estádios I e II: cirurgia ou RT. Cirurgia: menos complicações em estádios iniciais; “poupa” RT em caso de recidiva. RT: custo elevado, maior morbidade imediata e tardia (cáries, xerostomia, osteorradionecrose). Estádios III e IV: cirurgia combinada + RT pós-operatória com/sem QT. Cirurgia curativa é contraindicada se: metástases a distância ou doença local avançada (invasão de base de crânio, fáscia pré-vertebral e envolvimento circular da carótida). TRATAMENTO: CIRURGIA Devemos observar margens > 1cm. Se histologia com lesão a menos de 5mm da borda = margem comprometida. Esvaziamento cervical se pescoço positivo ou alto risco de metástase oculta. Reconstrução deve ser imediata (fechamento primário, enxertos, retalhos e transplantes microcirúrgicos). TRATAMENTO: CIRURGIA Operações pull-through: ressecção TU + esvaziamento cervical em monobloco. Operação composta: há mandibulectomia seccional; Operação comando: há hemimandibulectomia; Glossectomia: Parcial Hemiglossectomia Pelveglossectomia (parte do assoalho bucal) Glossec maiores: subtotais, quase totais, totais e ampliadas TUMORES BENIGNOS DA CAVIDADE ORAL Epiteliais Papiloma Ceratoacantoma Nevo Conjuntivos Fibroma Granuloma CG Lipoma Hemangioma Linfagioma Neurogênicos Neurofibroma Schwannoma Glândulas salivares TU glândulas salivares menores Mucocele Rânula Neoplasia Origem Clínica Localização Tratamento Papiloma escamoso Epitélio escamoso (HPV 6 e 11) Lesão exofítica, pediculada, verrucosa Palato mole, úvula, língua Excisão cirúrgica Fibroma Tecido conjuntivo fibroso - trauma cronico Nódulo firme, liso, cor normal Mucosa jugal, língua Exérese cirúrgica + correçao do fator traumatico Lipoma Tecido adiposo Mole, amarelado, indolor Mucosa jugal Excisão cirúrgica Hemangioma Vascular (endotelial) Azulado, compressível (digitopressao), congênito Lábios, língua Observação, laser, cirurgia, escleroterapia Neoplasia Origem Clínica Localização Tratamento Linfangioma Linfático Vesicular, translúcido, recorrente Língua, palato Cirurgia ou escleroterapia, aspiracao (paliativo) Neurofibroma Bainha de nervos (neurofibromatose) Submucoso, firme, isolado ou múltiplo Língua, mucosa jugal Excisão, avaliar múltiplos Schwannoma Células de Schwann Encapsulado, crescimento lento Língua, palato Excisão cirúrgica Ceratoacantoma Epitélio escamoso (semelhante a CEC) Nódulo de crescimento rápido, centro crateriforme, autolimitado Lábio inferior, pele perioral Excisão cirúrgica (semelhante a carcinoma espinocelular) REFERENCIAS CERVANTES, Otávio Marambaia et al. (ed.). Tratado de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. 2. ed. São Paulo: Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), 2011. 6 v. PANTOJA, João. Rotinas em Otorrinolaringologia. 2. ed. São Paulo: Manole, 2017. image1.png image2.png image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image17.png image18.png image19.png image20.png image21.png image22.png image23.png image24.png image25.png image26.png image27.png image28.jpeg image29.jpeg image30.png image31.png image32.png image33.png image34.png image35.jpeg image36.png image37.png image38.png