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CIVIL_PARTE_GERAL_I_apostila_1

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que não gerar duas interpretações entre os interpretes do direito. Ex, o artigo 2045 do Código Civil de 2002 revogou totalmente o Código Civil de 1916, de forma expressa, ou seja, escrita.
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ANTINOMIA DAS NORMAS – pode ocorrer de duas leis regulamentado a mesma a matéria, sem que uma revogue a outra. A esse conflito o intérprete do direito deve ter cautela para não considerar nenhum dispositivo revogado. A isso a doutrina chama de ANTINOMIA, o conflito de duas normas incoerentes entre si.
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Ex, no Código Civil temos o capitulo relacionado a regulamentação de alimentos entre parênteses, no Livro IV. Nada fala sobre os alimentos para o nascituro, chamados de gravídicos. Ora, a mãe tem despesas, além disso, em razão do período de gestação não poderá trabalhar, cabe o direito aos alimentos para o nascituro.
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Assim, em 2008 foi editada a lei que prevê direito aos alimentos para a nascituro, ou seja, para a criança ainda em gestação. Assim, houve uma outra norma após a edição do Código Civil de 2002 que também regulamenta os alimentos entre familiares. Será que com a edição dessa nova lei, a parte relacionada a alimentos do Código Civil foi revogada?
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A isso chamamos de conflito aparente da norma, ou ANTINOMIA, que é resolvido pelo parágrafo primeiro, do artigo 2º da LINDB, pois a lei de alimentos gravídicos regulamenta situação especial, específica do nascituro.
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Já o Código Civil no Livro IV referente ao Direito de Família regulamenta a parte geral do direito alimentar que tem entre si os familiares, ou seja, a parte geral destes direitos. Portanto, a nova lei de alimentos gravídicos é mais ESPECIAL e não revoga a geral.
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É essa a solução do parágrafo segundo, do artigo 2º, “A lei nova, que estabeleça disposição gerais ou especiais a par das existentes, não revoga nem modifica a lei anterior.” (lex specialis derogat legi generali)
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VEDAÇÃO DO EFEITO REPRISTINATÓRIO DAS LEIS – o nosso direito proíbe. O que é; uma lei revogada NÃO SE RESTAURA por ter a lei revogadora perdido sua vigência, é o que determina o parágrafo terceiro, do artigo 2º da LICC.
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Exemplo, vamos supor que o atual Código Civil seja revogado. Por ex, é supostamente editada uma lei que revoga expressamente o nosso Código Civil. Será que o Código Civil de 1916 será restaurado? NÃO, isso chama-se REPRISTINAÇÃO da norma vedada por nosso direito.
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Existe exceção a regra; quando a própria lei determinar o efeito de repristinação da norma ela ocorrerá. Se no exemplo dado da revogação total do Código Civil atual e no corpo desta lei revogadora, tiver a menção que irá voltar a valer o Código de Civil de 1916, ele voltará a ser vigente, mas a norma terá que estabelecer expressamente estes efeitos.
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Essa irretroatividade da norma revogada, “da revogada”, serve para dar segurança jurídica ao sistema. Se não fosse assim, existiria vários conflitos de interpretações ao operadores do direito, não é verdade? Ocorrerei uma insegurança jurídica.
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Por isso que, quase todas as leis contém sempre um capítulo denominado “DISPOSIÇÕES FINAIS” justamente para resolver esse eventual CONFLITO DE NORMAS no tempo que eventualmente poderá existir.
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PRINCÍPIO DA OBRIGATORIEDADE DAS LEIS – (artigo 3º, da LINDB) – ninguém pode alegar o descumprimento da lei, argumentando que não a conhece. Por essa razão que as leis necessitam ser publicadas no Diário Oficial. 
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Isso serve para dar segurança jurídica a sociedade, senão tudo pode parecer um caos, pois eu posso descumprir a lei alegando desconhecimento. O princípio da obrigatoriedade é fundamental ao Estado democrático de direito. Três teorias fundamentam esse fenômeno da obrigatoriedade.
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TEORIAS; DA PRESUNSÃO LEGAL, DA FICÇÃO LEGAL E DA NECESSIDADE SOCIAL
TEORIA DA PRESUNÇÃO LEGAL – presumi-se que a lei, uma vez publicada no Diário Oficial, torna-se conhecida de todos por presunção, por lógica.
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TEORIA DA FICÇÃO LEGAL – o fato da lei se tornar conhecida por todos trata-se em verdade de uma ficção legal e não presunção. De fato é verdade, qual pessoa consulta o Diário Oficial para saber a entrada em vigor de uma determinada lei?
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TEORIA DA NECESSIDADE SOCIAL – a mais aceita dentre os doutrinadores. Diz que lei deve ser aceita não por ficção ou presunção, mas por questão de ordem pública e social para um melhor bem estar da própria sociedade.
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Até mesmo pelo conceito genérico da lei, que é um ato emanado do poder legislativo com o fim de editar normas de comportamento social. Desta forma, esta teoria talvez retrate bem o Princípio da Obrigatoriedade das Leis.
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INTEGRAÇÃO DAS NORMAS JURÍDICAS
Nosso direito é o escrito, ou seja, necessita de leis formais para sua observância. E quando não houver lei escrita, o juiz pode dispensar o julgamento alegando lacuna da lei ?
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Para isso a LINDB tem a solução; em caso de lacuna no direito deve o juiz aplicar o costume, a analogia e os princípios gerais do direito
Art. 4o  Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito. 
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Ex, o que está acontecendo muito é compra pela internet. O Código do Consumidor não prevê a compra pela internet, ou seja, contratos feitos pela rede sem que haja assinatura. O CDC prevê, timidamente, a possibilidade de devolução da compra, em 7 dias, em caso de compra fora do estabelecimento do comerciante.
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Isso porque na época da edição do CDC em 1990 existiam apenas compras por telefone, no máximo. Assim, se houver um caso de revisão de contrato feito pela rede mundial de computadores, pela lógica não existe lei regulamentando essa situação. E se essa situação for levada ao juiz este não poderá deixar de julgar.
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A LINDB determina que deve o juiz usar a analogia, os costumes e os princípios gerais do direito dentro de um critério de subsidiário, nessa ordem dada, primeiro a analogia, depois os costumes e por fim os princípios gerais do direito.
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ANALOGIA – quando se aplica a mesma situação parecida da lei, deve-se haver a mesma solução ou a mesma disposição legal, já dizia os romanos nestes casos. Se divide em ANALOGIA LEGIS E ANALOGIA JURIS.
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ANALOGIA LEGIS – é usar uma lei determinada que regulamenta situação parecida. E nessa situação parecida existe a lacuna do caso. Ex, o Código do Consumidor não fala em contratos feitos pela internet, não existe lei regulamentadora.
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Então, o juiz ao se deparar com um caso de compras pela internet, que nestes casos o contrato nem se quer foi assinado, deve usar, por analogia, o Código de Defesa do Consumidor, no capítulo relacionado aos contratos de consumo, porque a hipóteses é semelhante, ou seja, relação de consumo, somente omissa a questão da falta de instrumento contratual assinado.
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Desta forma, o juiz usará a analogia com uma lei que regulamenta uma situação parecida, não específica a matéria, pois o Código não fala em compras pela internet, mas poderá ser usado o Código do Consumidor por analogia legis.
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ANALOGIA JURIS – é usar os pensamentos de julgamentos de outros casos e conciliar com outros textos legislativos para suprir a lacuna. Ou seja, usa-se o pensamento ou fundamento para suprir a lacuna para que o juiz fundamente a sentença.
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ANALOGIA JURIS – é muito comum nos fundamentos das sentenças e acórdãos dos juízes, pois ajudam o julgador a fundamentar seu pensamento e, de acordo com o Princípio da Fundamentação das decisões do poder judiciário, de cunho constitucional, é muito corriqueiro esta prática entre os operadores do direito.
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COSTUME - segundo na lista para que o juiz use para suprir a lacuna. É o comportamento reiterado de sociedade em determinada situação. É a convicção obrigatória psicológica de