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• DISCIPLINA: CLÍNICA LACANIANA
Apresentação
• Tadeu de Aguiar
• Psicólogo, psicanalista, mestrando em Psicologia (UFF), especialista em
gerontologia e saúde mental, membro do Internacional dos fóruns e do Fórum
nacional da Escola de Psicanálise do Campo Lacaniano
• Pesquisa e tem interesse em:
• Diagnóstico e psicanálise com interface com psicopatologia e psiquiatria;
Topologia e matemática no ensino de Lacan; prática clínica em psicanalise;
estruturas clinicas em psicanalise, Psicologia hospitalar e da saúde;
Sexualidade e contemporaneidade; formação do psicólogo na atualidade,
formação em psicanálise; psicanálise e velhice.
Apresentação
• E-mail: tadeu_aguiar@id.uff.br
Telefone: 21995390247
Instagram: @psitadeuaguiar
Lattes:
https://wwws.cnpq.br/cvlattesweb/PKG_MENU.menu?f
_cod=B1DFFCC55AE497E0AC323F27ABDC089F#
mailto:tadeu_aguiar@id.uff.br
https://wwws.cnpq.br/cvlattesweb/PKG_MENU.menu?f_cod=B1DFFCC55AE497E0AC323F27ABDC089F
https://wwws.cnpq.br/cvlattesweb/PKG_MENU.menu?f_cod=B1DFFCC55AE497E0AC323F27ABDC089F
Cronograma da disciplina 
• Objetivo
• Aprofundar o estudo da clínica psicanalítica, a partir das contribuições de Jacques Lacan,
explorando sua evolução teórica desde o retorno a Freud até as formulações da finais,
destacando os quatro conceitos fundamentais da psicanalise: o inconsciente, a repetição, a
transferência e a pulsão e os deslocamentos que Lacan fez na clínica psicanalítica.
• Metodologia
• A disciplina será desenvolvida por meio de aulas expositivas, leituras dirigidas, discussão de
textos fundamentais e debates teóricos e clínicos. As aulas combinarão a abordagem teórica
com a análise da prática clínica, permitindo a articulação entre conceito e experiência analítica.
Cronograma da disciplina
• Temas de Aprendizagem e Cronograma
• 20/02 - Introdução à disciplina, apresentação da ementa, metodologia, avaliação e objetivos. Apresentar o
psicanalista Jaques Lacan na história da psicanálise
• 27/02- O retorno a Freud e os conceitos fundamentais da psicanálise freudiana revisados por Lacan.
• 13/03 - O inconsciente estruturado como linguagem, a função do significante e estrutura da linguagem na
constituição do sujeito e a repetição na experiencia clínica.
• 13/03 - As formações do inconsciente: sonhos, lapsos, ato falho e sintoma.
• 20/03 - A subversão do sujeito e sua relação com o desejo.
• 27/03 – A ética da psicanálise e sua implicação para o fazer do psicanalista
Cronograma da disciplina
• 03/04 - Transferência na clínica lacaniana: o saber em questão
• 10/04 - A pulsão e a sexualidade na clínica lacaniana: o gozo em questão
• 17/ 04 - Estruturas clínicas: neurose, psicose e perversão. Diagnóstico
estrutural em Lacan: do Édipo ao Nome-do-Pai.
• 24/04 – AVA 1: questões objetivas e discursiva
Cronograma da disciplina
• 08/05 - O objeto pequeno a e a teoria do gozo e suas implicações na clínica
• 15/05 – A teoria dos discursos e sua implicação para a clínica psicanalítica
• 22/05 - O real, o simbólico e o imaginário na experiência psicanalítica
• 29/05 - A direção da cura na clínica lacaniana e a posição do analista e a estrutura da transferência.
• 05/06 - Discussão do caso freudiano a luz da teoria lacaniana
• 12/06 – AVA 2: prova + trabalho
• 26/06 – Seminário teórico-clínico: discussão e retomada das questões trabalhadas na disciplina
(encerramento da disciplina).
Jacques 
Lacan 
O Inconsciente
de Freud a Lacan
• Jacques Marie Émile Lacan foi um renomado psicanalista
francês que revolucionou a interpretação das teorias de
Sigmund Freud. Seu trabalho influenciou profundamente a
psicanálise, a filosofia e outras áreas do conhecimento.
• Nascimento: 13 de abril de 1901, Paris, França.
• Falecimento: 9 de setembro de 1981, Paris.
• Formado em Medicina em 1932, especializando-se em
psiquiatria.
• Iniciou sua formação em psiquiatria no Hospital Sainte-
Anne, em Paris.
• Em 1934, defendeu a tese "Sobre a psicose paranoica".
• Foi convidado a integrar a Sociedade Psicanalítica de
Paris.
Ascensão na Psicanálise
• Em 1936, apresentou o artigo "O Estado do Espelho".
• Introduziu as teorias de Freud na França.
• Passou a ministrar seminários na Universidade de Paris a partir de
1953.
• Destacou a primazia da linguagem na constituição do inconsciente.
• Incorporou conceitos da linguística, filosofia e literatura à psicanálise.
• Reinterpretou Freud a partir da linguística estruturalista.
O Real, Simbólico e Imaginário
• Redefiniu a segunda tópica freudiana:
• Ordem Simbólica: Estrutura a experiência e subordina o ego.
• Ordem Imaginária: Relacionada à autoimagem e repressão.
• O Real: Aquilo que escapa à simbolização.
• Reformulou a prática clínica ao destacar o papel do analisando.
• As sessões deveriam terminar com uma revelação, e não em tempos
predefinidos.
• Algumas sessões poderiam durar poucos minutos.
Controvérsias e Impacto
• Suas métodos não convencionais levaram à sua expulsão da
Associação Psicanalítica Internacional em 1953.
• Criou a Escola Freudiana de Paris (1964-1980).
• Sua influência ultrapassou a psicanálise, impactando a cultura e
o pensamento contemporâneos.
•
•
•
Da Associação Internacional de 
Psicanálise (IPA) á Escola de Lacan
• Fundação da Escola Freudiana de Paris
• Criada por Jacques Lacan em 1964.
• Dissolvida em 1980 por não seguir rigorosamente os princípios freudianos.
• Objetivo: renovar a psicanálise, enfatizando a transmissão e a formação do 
analista.
• Proposição de 9 de Outubro
• Texto fundamental de Lacan sobre o lugar do analista na Escola.
• Introduz a função do "Passe" para validar a formação analítica.
• Propõe uma Escola que não seja hierárquica, mas baseada na transmissão e 
experiência.
• O analista da Escola não se auto-proclama, mas deve ser reconhecido por seus 
pares.
Ensino e transmissão da Psicanálise
• Seminários de Lacan
• Foram 27 seminários ministrados 
entre 1953 e 1980.
• Alguns títulos relevantes:
• "Os Escritos Técnicos de Freud" 
(Seminário 1)
• "O Eu na Teoria de Freud e na 
Técnica da Psicanálise" (Seminário 
2)
• "As Psicoses" (Seminário 3)
• "A Relação de Objeto" (Seminário 4)
• "Os Quatro Conceitos Fundamentais 
da Psicanálise" (Seminário 11)
• "Encore" (Seminário 20)
Ensino e transmissão 
da Psicanálise
• Escritos e Outros Textos
• "Escritos" (1966): coletânea de textos 
fundamentais.
• "Outros Escritos" (2001): reúne artigos, 
conferências e textos importantes.
• Principais ensaios:
• "Função e Campo da Fala e da 
Linguagem em Psicanálise"
• "A Instância da Letra no Inconsciente"
• "O Estádio do Espelho como Formador 
da Função do Eu"
• "Subversão do Sujeito e Dialética do 
Desejo"
Muito obrigado!
“Não se deve compreender muito rápido” (Lacan, 1973-
1974)
Retorno a Freud
• O que é o "Retorno a Freud"?
• Proposta central de Lacan para reestabelecer a
psicanálise.
• Busca um retorno rigoroso à obra original de Freud,
distanciando-se das interpretações posteriores que
considerava desvios.
• Foco no inconsciente como estruturado pela linguagem
O inconsciente 
• Linguagem e Inconsciente: Lacan afirmou
que "o inconsciente está estruturado
como uma linguagem".
• Colocou ênfase no estudo do significante e
no papel da linguagem na constituição do
inconsciente. Influência da linguística
estruturalista de Saussure.
• Freudiano: Lacan rejeita interpretações
meramente ego-psicológicas do
inconsciente.
• Recupera conceitos freudianos de desejo,
pulsão e o papel do Outro.
Estrutura e 
Linguagem
• Estrutura do Inconsciente
• Significante x Significado:
• Influenciado por Saussure, Lacan
explora o papel dos significantes
como peças centrais do inconsciente.
• O significante não tem relação fixa
com o significado.
• Metáfora e Metonímia:
• Lacan aplica esses conceitos
linguísticos à análise do inconsciente
freudiano:
• Metáfora: Repressão.
• Metonímia: Desejo.
Retorno a Freud
Revisão dos Quatro Conceitos Fundamentais da 
Psicanálise
Desejo: O inconsciente é movido pelo desejo,mas ele é 
sempre marcado pela falta.
Inconsciente: Estruturado pela linguagem, emerge nas 
falhas da fala, nos atos falhos, sonhos e sintomas.
Repetição: Os sujeitos revivem padrões de comportamento
inconsciente devido a traumas não resolvidos.
Transferência: Lacan reinterpreta o papel da transferência, 
enfatizando que o analista é apenas um mediador da 
relação com o inconsciente.
Ler Freud ao pé 
da letra
• O Retorno a Freud como
Transformação: Lacan não apenas
retornou à obra de Freud, mas
reinterpretou e expandiu suas ideias.
• Sua obra introduziu uma abordagem
mais rigorosa da linguagem, do
inconsciente e do papel da
subjetividade.
• Legado: O "Retorno a Freud" de
Lacan permanece um marco na história
da psicanálise e continua a influenciar
teóricos e clínicos até hoje.
O Significante e a Estrutura do Sujeito
• Lacan sustenta que o sujeito do inconsciente não é um sujeito substancial, mas
um efeito da cadeia significante. Ele reformula o cogito cartesiano ("penso, logo
existo") e afirma que o sujeito se inscreve no intervalo entre os significantes,
como uma falta.
• Ponto-chave:
• O sujeito não preexiste ao significante, mas emerge da relação entre 
significantes.
• O significante representa o sujeito para outro significante (matema: S₁ → 
S₂).
• O inconsciente não é um reservatório de significados ocultos, mas um jogo de 
deslocamento e metonímia dentro da estrutura significante.
O Significante e o Desejo
• Lacan reformula a noção de desejo, mostrando que ele não é uma
necessidade ou uma demanda psicológica, mas um efeito da estrutura
significante. O desejo:
• Surge da falta produzida pela entrada na linguagem.
• Nunca se realiza plenamente, pois está sempre deslocado pela cadeia
significante.
• Ponto-chave:
• O desejo é articulado pelo significante, e não por um sujeito unitário.
• A análise deve conduzir o sujeito a confrontar a estrutura significante de seu
desejo, e não buscar preenchê-lo com sentidos preexistentes.
A Interpretação e o Corte Significante
• Lacan propõe que a interpretação analítica não deve buscar significados 
ocultos, mas operar cortes no discurso do analisante para produzir efeitos de 
verdade. A interpretação eficaz:
• Não explica nem esclarece; ela perturba a cadeia significante.
• Opera por hiâncias, rupturas e deslocamentos no discurso.
• Explora a ambiguidade e a polissemia do significante, desestabilizando 
identificações do sujeito.
• Ponto-chave:
• A interpretação não revela um sentido latente; ela faz surgir um novo 
significante.
• O analista intervém na cadeia significante de forma a produzir um efeito de 
surpresa no analisante.
O Significante e a Transferência
• Lacan diferencia a transferência de uma relação interpessoal e a define como
um fenômeno significante, onde o analisante endereça ao analista um saber
inconsciente. Assim:
• A transferência é regida pela lógica do significante, não pelos afetos.
• O analista deve se posicionar como suporte do desejo do analisante, e não
como aquele que oferece significados.
• O manejo da transferência exige que o analista não se confunda com o Ideal
do Eu do analisante, evitando capturá-lo na armadilha do sentido.
• Ponto-chave:
• A transferência é um efeito da cadeia significante, não um laço pessoal.
• O analista deve permitir que o significante opere, sem ocupar o lugar de 
mestre do sentido.
O Grande Outro Como Lugar da Linguagem
• Lacan define o Grande Outro (A) como o campo do significante, da 
linguagem e da estrutura simbólica na qual o sujeito está inserido. O 
sujeito do inconsciente não existe de maneira autônoma, mas se constitui 
em relação ao Outro, ou seja, ao sistema simbólico que o precede e no qual 
ele se inscreve.
• Ponto-chave:
• O Grande Outro não é uma entidade subjetiva, mas o lugar do 
significante.
• O sujeito só pode se constituir na relação com o Outro, pois sua própria 
fala já é endereçada a um Outro.
• O desejo do sujeito é sempre mediado pelo desejo do Outro.
O Outro e a Transferência
• Lacan desloca a noção de transferência do campo interpessoal para o registro 
do significante, mostrando que a transferência se constitui na relação do 
sujeito com o Outro. No tratamento analítico:
• O analisante dirige sua fala ao analista como se este encarnasse o Outro.
• O analista não deve ocupar esse lugar de maneira direta, mas sim sustentar a 
falta no Outro, permitindo que o desejo do analisante se desloque.
• Se o analista assume o lugar do Outro como mestre do saber, ele pode cair na 
armadilha da sugestão, desviando-se da ética da psicanálise.
• Ponto-chave:
• A transferência é um fenômeno que diz respeito ao Outro, e não ao analista 
como pessoa.
• O manejo da transferência exige que o analista não encarne o Outro de forma 
dogmática, mas sim funcione como suporte para o desejo do analisante.
O Outro Como Lugar do Saber
• Lacan enfatiza que o saber inconsciente está estruturado no Outro. Isso 
significa que o sujeito não detém diretamente o saber sobre si mesmo; ele se 
encontra no Outro simbólico, onde a verdade do sujeito se estrutura. Assim:
• O sujeito busca no Outro um saber sobre si mesmo, mas esse saber nunca é 
plenamente acessível.
• O analista deve sustentar o lugar de falta no Outro, para que o analisante 
possa construir seu próprio saber.
• A interpretação não deve ser dada como um saber imposto pelo analista, mas sim 
como um corte que revela a estrutura do desejo do sujeito.
• Ponto-chave:
• O saber inconsciente não está no sujeito, mas no Outro.
• O analista não é aquele que possui o saber, mas aquele que permite que o 
sujeito o construa.
Em suma...
• No texto, Lacan reafirma que a psicanálise deve operar a partir da 
lógica do significante, e não da psicologia do sentido. Ele desloca o foco da 
interpretação tradicional, que busca significados latentes, para uma 
abordagem que trabalha com a estrutura do significante, utilizando o corte, 
a repetição e a hiância como operadores clínicos.
• Os principais pontos sobre o significante em "A Direção do Tratamento e 
os Princípios do seu Poder" são:
O sujeito é um efeito do significante, não uma substância.
A interpretação opera por cortes na cadeia significante, e não pela 
busca de sentidos ocultos.
A transferência é um fenômeno significante, e não uma relação 
interpessoal.
O desejo é estruturado pelo significante, e não pela necessidade.
• Esse texto é fundamental para entender como Lacan reformula a clínica 
psicanalítica a partir de uma lógica do significante.
Em suma...
•
O Outro é o lugar do significante e da linguagem, não uma 
entidade subjetiva.
A transferência se organiza na relação do sujeito com o Outro, e 
não com o analista como indivíduo.
O saber inconsciente está no Outro, mas ele é barrado, não 
possui um saber absoluto.
O analista deve sustentar a falta no Outro, permitindo que o 
sujeito se confronte com a impossibilidade de um saber total sobre 
si mesmo.
• Com essa abordagem, Lacan redefine o lugar do analista na clínica e 
reafirma a psicanálise como um campo que opera a partir do significante 
e da falta, e não da sugestão ou da imposição de sentidos.
• Ferdinand de Saussure (1857–1913) foi um linguista suíço
considerado um dos fundadores da linguística moderna e do
estruturalismo. Sua principal contribuição está na formulação
da linguística estrutural, que influenciou diversas áreas do
conhecimento, como a antropologia, a psicanálise e a
filosofia.
• Principais contribuições
• Diferenciou língua e fala: a língua como um sistema social e
estruturado, e a fala como o uso individual da língua.
• Introduziu o conceito de signo linguístico, composto por
significante (a forma sonora ou gráfica) e significado (o
conceito associado).
• Estabeleceu a distinção entre sincronia (estudo da língua
em um momento específico) e diacronia (estudo da
evolução da língua ao longo do tempo).
• Sua obra principal, o Curso de Linguística Geral (1916), foi
publicada postumamente por seus alunos e se tornou um
marco nos estudoslinguísticos e semiológicos.
Um retorno a linguística estrutural 
• A linguística é uma ciência, pois estuda a estrutura e o funcionamento 
da linguagem de forma sistemática, com métodos rigorosos de análise.
• O estruturalismo não é uma ciência em si, mas um método de análise 
que influenciou diversas disciplinas, como a antropologia, a psicanálise 
e a filosofia, além da própria linguística.
• Ferdinand de Saussure inaugurou a linguística estrutural, que pode 
ser considerada uma ciência formal, pois analisa a linguagem como um 
sistema de diferenças, baseado em relações internas e regras 
estruturais.
Estruturalismo linguístico 
• Segundo a linguística estrutural, especialmente na formulação de Ferdinand 
de Saussure, o humano se constitui fundamentalmente pela linguagem. Isso 
significa que:
1. A linguagem é um sistema estruturado – O ser humano não nasce com um 
conjunto fixo de significados, mas ingressa em um sistema de diferenças entre 
significantes.
2. O sujeito é efeito da língua – O acesso ao mundo e à realidade só ocorre 
através da linguagem, que organiza a experiência e possibilita a comunicação.
3. O pensamento é estruturado linguisticamente – Não há pensamento sem 
linguagem; a estrutura da língua condiciona a forma como compreendemos e 
significamos o mundo.
• Assim, para a linguística estrutural, o humano é essencialmente um ser de 
linguagem, cuja subjetividade e identidade são moldadas pela estrutura 
simbólica na qual está inserido.
A formalização da teoria freudiana 
pela linguística estrutural 
• Linguagem e o Inconsciente
• Tese Central: "O inconsciente está estruturado como uma linguagem".
O inconsciente funciona de acordo com as mesmas leis que regem a
linguagem, como a metáfora e a metonímia.
• Influência de Saussure: Lacan adapta o modelo linguístico de
Saussure, destacando a relação entre o significante e o significado e
sua descontinuidade.
Crítica como método de formalização
• A formalização é o processo de traduzir um conceito, fenômeno ou estrutura
em um sistema de regras, símbolos ou fórmulas que permitam sua análise e
manipulação de forma rigorosa.
• Lacan critica os conceitos psicanalíticos "mal criticados" e ambíguos na
linguagem comum. Utiliza a crítica em três eixos: Diálogo interdisciplinar
(Linguística, Lógica, Matemática). Fundamentação teórica da Psicanálise
(diferenciação das demais ciências). Releitura da experiência freudiana sem
romper com sua terminologia.
• O sujeito do inconsciente emerge da relação entre significantes: "um
significante representa um sujeito para outro significante".
• A lógica do significante permite penformalizar sar a Psicanálise de forma mais
rigorosa. A crítica lacaniana reformula a teoria do sujeito e sua relação com a
linguagem. A formalização matemática e linguística do real busca articular a
clínica psicanalítica a um saber estruturado.
Crítica como método de formalização
• O que seria uma crítica em Psicanálise? A pesquisa etimológica de Heidegger
(1965/2001) indica que ‘crítica’, do grego crinein, significa diferenciar, realçar,
deixar ver o diferente como tal em sua diferença.
• Diferenças e limites. Seriam essas as duas fontes críticas das quais se origi
naria o projeto lacaniano de retorno a Freud? A referência a diferenças e limites
aparece no diálogo da Psicanálise com outros campos do conhecimento. Lacan
(1953/1998) propõe a atividade comparativa enquanto busca de equivalências
entre conceitos psicanalíticos e conceitos de outras disciplinas.
• Projeto crítico de Lacan, serão propostos a partir do estabeleci mento de
equivalências com a linguagem da Antropologia, da Filosofia e da Lógica.
Crítica como método de formalização
1.O projeto crítico de Lacan se estrutura em três dimensões: Diálogo 
interdisciplinar com Antropologia, Filosofia e Lógica.
2.Estabelecimento de limites para a Psicanálise, diferenciando-a de outras 
ciências.
3.Revisão conceitual sem ruptura com Freud, mas com reinterpretações.
A lógica do significante e a estruturação do sujeito
• O que Lacan reformula?
• Lacan propõe que o sujeito do inconsciente não é uma identidade fixa, mas 
um efeito da linguagem.
• Ele se baseia na ideia de que um sujeito é sempre representado por um 
significante para outro significante, ou seja, sua identidade é construída na 
rede simbólica da linguagem.
• Diferença entre os tipos de identificação
• Lacan diferencia dois tipos de identificação, baseados na relação do sujeito 
com a linguagem:
1. Identificação Imaginária (ligada ao "Eu Ideal")
1. Baseia-se na imagem do corpo, como no estádio do espelho.
2. É uma identificação especular: o sujeito se vê refletido no outro e se reconhece nessa 
imagem.
3. Exemplo: a criança se vê no espelho e identifica sua própria imagem como um "eu" 
completo, mesmo sem ainda ter domínio sobre seu corpo.
Crítica como método de formalização
• Identificação Simbólica (ligada ao "Ideal do Eu")
• Não depende de uma imagem, mas de um significante que marca o 
sujeito.
• Está relacionada ao conceito de traço unário (nur einen einzigen Zug de 
Freud).
• Exemplo: um nome próprio. A criança aprende que aquele nome a designa e, 
a partir disso, insere-se na estrutura da linguagem.
Crítica como método de formalização
• O que é o traço unário?
• O traço unário é um significante isolado que diferencia o sujeito dentro de 
uma série.
• É o que estrutura a identificação simbólica.
• Por exemplo, em um grupo de crianças, uma pode ser chamada de "o mais 
alto". Essa marca diferencia esse sujeito dos demais, criando uma posição 
simbólica.
A função da Matemática no ensino de 
Lacan
• Por que Lacan usa a Matemática?
• Ele busca um modelo lógico para pensar o funcionamento do 
inconsciente.
• Em vez de ver o sujeito como algo dado, ele pensa o sujeito como uma posição 
dentro de um sistema estruturado.
• Para isso, utiliza conceitos da teoria dos conjuntos.
A função da Matemática no ensino de 
Lacan
• O que é o conjunto vazio e como se relaciona com o inconsciente?
• O conjunto vazio na Matemática é um conjunto que não contém nenhum 
elemento, mas que existe como estrutura.
• Lacan o compara ao Outro, o lugar da linguagem onde os significantes 
circulam.
• O sujeito não tem uma identidade fixa, mas é um efeito da relação entre 
os significantes no campo do Outro.
A Matemática e a estrutura do inconsciente
• Como a serialidade dos significantes cria o sujeito?
• O sujeito não existe antes da linguagem, mas surge na relação
entre significantes.
• Assim como em um conjunto numérico, onde cada número
só tem sentido por sua posição na série (1, 2, 3…), o sujeito
só existe por sua posição na cadeia significante.
• Exemplo:
• A palavra "rei" só tem sentido porque existe em relação a
"súdito", "castelo", "coroa".
• Da mesma forma, o sujeito do inconsciente só se define na
relação entre significantes.
Função significante e produção de sentido
• Como o significante funciona na linguagem?
• Lacan se baseia em três teóricos para explicar o funcionamento do significante:
1. Saussure → O significante não tem um significado fixo, seu valor depende da relação com
outros significantes.
1. Exemplo: as palavras "carneiro" e "sheep" podem significar o mesmo animal, mas em
inglês "mutton" é a carne do animal, enquanto em português usamos "carneiro" para
ambos os sentidos.
2. Isso mostra que os significantes se definem por diferenças dentro do sistema da
língua.
2. Frege → Diferencia sentido (Sinn) e referência (Bedeutung).
1. Exemplo: "Pelé" e "Edson Arantes do Nascimento" referem-se à mesma pessoa, mas
cada nome carrega um sentido diferente.
2. No inconsciente, o sujeito não tem uma essência única, mas assume diferentes sentidos
conforme a posição do significante.
3. Peirce → Define o signo como algo que representa algo para alguém.
1. Exemplo: Uma pegada na areia pode significar que alguém passou por ali.
2. Para Lacan, o significante funciona assim: ele não representa algo fixo, mas depende
do contexto para gerar sentido.Função significante e produção de sentido
• Qual a diferença entre o significante e o signo?
• Um signo representa algo diretamente (exemplo: um mapa representa um
território).
• Um significante não tem um sentido fixo, pois seu significado muda conforme o
contexto e a relação com outros significantes.
• Exemplo: "banco" pode significar um assento ou uma instituição financeira,
dependendo da frase.
• O que significa "O Um é o Outro"?
• O significante não pode ser idêntico a si mesmo, pois sempre depende da relação
com outros significantes.
• Isso se aplica ao sujeito: ele não é um "ser" fixo, mas algo que se desloca dentro do
campo do significante.
• A identidade do sujeito não é algo fixo, mas um efeito da linguagem.
• Conclusão
• Lacan reinventa a psicanálise freudiana
ao colocar a linguagem no centro da
formação do inconsciente, destacando a
função da letra como essencial para a
constituição do sujeito. Sem se afastar
da proposta central de Freud — o
inconsciente —, ele reformula e formaliza
a clínica psicanalítica a partir do objeto
que toda clínica trabalha: a fala do
paciente.
• Por meio da lógica, da matemática e da
linguística, Lacan delimita o fazer clínico,
afastando-se de concepções imaginárias
da sexualidade, do Édipo como um mito,
da castração como mera perda do pênis
e do falo como um órgão genital. Em vez
disso, ele desloca a psicanálise do mito
para a estrutura que define o humano: a
linguagem.
Referências
• CASELLI, Francisco Rafael Barbosa; LANG, Charles Elias.
Diálogos de Lacan na reinvenção do inconsciente. Psicologia
em Estudo, v. 20, n. 1, p. 139-150, 2015.
• D'AGORD, M. R. DE L.. A crítica como método no retorno a
Freud. Ágora: Estudos em Teoria Psicanalítica, v. 17, n. 2, p.
215–227, jul. 2014.
• LACAN, Jacques. A instância da letra no inconsciente ou a
razão desde Freud. In. Escritos. Tradução de Vera Ribeiro.
Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998.
• SAFATLE, Vladimir. Introdução a Jacques Lacan.
Autêntica, 2017.
	Slide 1: 
	Slide 2: Apresentação 
	Slide 3: Apresentação
	Slide 4: Cronograma da disciplina 
	Slide 5: Cronograma da disciplina
	Slide 6: Cronograma da disciplina
	Slide 7: Cronograma da disciplina
	Slide 8: Jacques Lacan 
	Slide 9: O Inconsciente de Freud a Lacan
	Slide 10: Quem foi Jacques Lacan? 
	Slide 11: Ascensão na Psicanálise 
	Slide 12: O Real, Simbólico e Imaginário 
	Slide 13: Controvérsias e Impacto 
	Slide 14: Lacan e a Psicanálise
	Slide 15: Da Associação Internacional de Psicanálise (IPA) á Escola de Lacan
	Slide 16: Ensino e transmissão da Psicanálise
	Slide 17: Ensino e transmissão da Psicanálise
	Slide 18: Muito obrigado!
	Slide 19: Retorno a Freud
	Slide 20: O inconsciente 
	Slide 21: Estrutura e Linguagem
	Slide 22: Retorno a Freud
	Slide 23: Ler Freud ao pé da letra
	Slide 24: O Significante e a Estrutura do Sujeito 
	Slide 25: O Significante e o Desejo 
	Slide 26: A Interpretação e o Corte Significante 
	Slide 27: O Significante e a Transferência 
	Slide 28: O Grande Outro Como Lugar da Linguagem 
	Slide 29: O Outro e a Transferência 
	Slide 30: O Outro Como Lugar do Saber 
	Slide 31: Em suma...
	Slide 32: Em suma...
	Slide 33
	Slide 34: Um retorno a linguística estrutural 
	Slide 35: Estruturalismo linguístico 
	Slide 36: A formalização da teoria freudiana pela linguística estrutural 
	Slide 37: Crítica como método de formalização
	Slide 38: Crítica como método de formalização
	Slide 39: Crítica como método de formalização
	Slide 40: A lógica do significante e a estruturação do sujeito 
	Slide 41: Crítica como método de formalização
	Slide 42: Crítica como método de formalização
	Slide 43: A função da Matemática no ensino de Lacan
	Slide 44: A função da Matemática no ensino de Lacan
	Slide 45: A Matemática e a estrutura do inconsciente
	Slide 46: Função significante e produção de sentido
	Slide 47: Função significante e produção de sentido
	Slide 48
	Slide 49: Referências

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