Prévia do material em texto
Vias eferentes As vias eferentes fazem a comunicação dos centros do sistema nervoso com os órgãos efetuadores. E podem ser divididas em dois segmentos: • Viscerais: Destinadas ao músculo liso, ao músculo cardíaco ou às glândulas, regulando o funcionamento das vísceras e dos vasos. • Somáticas: Destinadas ao músculo esquelético Somático Constituído pelos músculos estriado esqueléticos e todos os neurônios que o comandam. Quando se quer mover o corpo ou parte do corpo, o cérebro forma a representação do movimento, planejando a ação em toda extensão antes de executá-la. A seguir vamos revisar os tratos: Trato corticoespinais São vias descendentes motoras, que conectam o córtex cerebral aos neurônios motores da medula espinhal. Fazem parte do sistema responsável por comandar movimentos voluntários do corpo. As fibras corticoespinais tem três origens principais que são: • Área 4 (Motora primária): Planeja e executa • Área 6 (Motora secundária): Coordenação motora • Área 3, 1, 2 (Cortex somatossensorial) Seu trajeto é: 1. Córtex cerebral (4, 6, S1) 2. Coroa radiada 3. Capsula interna (perna posterior) 4. Pedúnculo cerebral (mesencéfalo) 5. Base da ponte (Ponte ventral) 6. Pirâmide bulbar (bulbo anterior) 7. Decusação das pirâmides - 75-90% cruzam -> trato corticospinal lateral: Localizado no funículo lateral, atuando sobre movimentos finos de músculos distais. - 10-25% não cruzam -> trato corticospinal anterior: Localizado no funículo anterior atuando em músculos axiais controlando postura e movimento do tronco. Trato corticonuclear Assim como trato corticoespinal é uma via descendente, mas diferente, atua sobre neurônios motores dos nervos cranianos (no tronco ecefálico) e não na medula espinhal. Controlando voluntariamente os músculos da face, matigação, deglutição, fala, olhos, língua e pescoço. Sua origem vem da área motora primária (4 de Brodmann) e seguem o seguinte caminho: 1. Córtex motor (Área 4) 2. Coroa radiada 3. Joelho da capsula interna 4. Pedúnculo cerebral 5. Tronco encefálico As fibras saem sequencialmente para fazer sinapse com núcleos motores dos nervos cranianos. Rubroespinal Juntamente com o trato corticoespinal lateral controla a motricidade voluntária dos músculos distais dos membros. Origina-se no núcleo rubro do mesencéfalo e decussa e reúne-se ao trato corticoespinal no funículo lateral da medula. Tetoespinal Origina-se no colículo superior, que, por sua vez recebe fibra da retina e do córtex visual. O trato tetospinal situa-se no funículo anterior dos segmentos mais altos da medula cervical onde estão os neurônios motores. Envolvido em reflexos visuomotores. Vestibulospinais São dois, medial e lateral. Originam-se nos núcleos vestibulares do bulbo e levam aos neurônios motores os impulsos nervosos necessários à manutenção do equilíbrio a partir de informações que chegam a esses núcleos, vindas da parte vestibular do ouvido e do vestibulocerebelo. Em um tropeço por ações de suas fibras ocorre resposta reflexa extensora. Trato reticulospinais São duas vias descendentes que ligam a formação reticular (no tronco) aos neurônios motores da medula espinhal. Possuem mais papel postural e controle de tônus, possuímos o retículoespinal potino e bulbar, facilitador e liberador postural respectivamente. Anatomia Cerebelo O cerebelo representa 10% do volume encefálico, porém contém mais da metade dos neurônios. Assim como o cérebro possui um córtex envolvido de substância cinza na periferia com um centro de substância branca. Onde são observados massas de substâncias cinzentas (Núcleos centrais do cerebelo e os núcleos da base do cérebro). No córtex cerebelar da superfície para o interior distinguimos as camadas: • Molecular • Células de purkinje • Granular As células de purkinje são os elementos mais importantes do cerebelo. Possuem dendritos que se ramificam na camada molecular e um axônio que sai em direção oposta terminando nos núcleos centrais do cerebelo, onde exercem função inibitória (Esses axônios constituem as únicas fibras eferentes do córtex do cerebelo). A camada molecular é formada principalmente por fibras paralelas e contém dois tipos de neurônios as células estreladas e as células em cesto. A camada granular é constituída por celular granulares ou grânulos do cerebelo, as menores células do corpo humano. Essas células possuem vários dendritos e um axônio que atravessa a camada de Purkinje, e ao atingir se bifurca em T formando as fibras paralelas. A camada granular também possui células de Golgi, com ramificações muito amplas. As fibras que penetram no cerebelo se dirigem ao córtex e são de dois tipos: • Musgosas: Terminações dos demais feixes de fibras que penetram no cerebelo. • Trepadeiras: São axônios de neurônios situados no núcleo olivar inferior do bulbo. As fibras trepadeiras são axônios originados do núcleo olivar inferior (bulbo). Quando entram no córtex cerebelar, essas fibras “escalam” os dendritos das células de Purkinje, subindo ao longo da árvore dendrítica na camada molecular. Cada fibra trepadeira faz sinapse com apenas 1 célula de Purkinje. A ação dessas sinapses é muito potente e excitadora (Glutamato). Já as vias musgosas, vem de múltiplas áreas como a medula espinhal, núcleos pontinos, vestibulares etc. Ao entrarem no cerebelo mandam colaterais diretas para os núcleos profundos do cerebelo, ativando-os com sinapses excitatórias, essa ação representa uma rota direta de excitação de saída cerebelar. Após fazer sinapse nos núcleos as fibras continuam até a camada granular do córtex cerebelar onde formam sinapses excitatórias com muitas células granulares, dentro de estruturas chamadas glomérulos cerebelares (cada fibra pode excitar dezenas a centenas de células granulares). Os axônios das células granulares sobem até a camada molecular onde se bifurcam em T formando as fibras paralelas que percorrem a camada molecular horizontalmente e fazem sinapses excitatórias difusas e fracas com os dendritos da célula de purkinje constituindo assim o circuito cerebelar básico Etapa Via Sinapse Estrutura Alvo 1 Fibras musgosas Excitatória Núcleos profundos 2 Fibras musgosas Excitatória Células granulares 3 Fibras paralelas (das granulares) Excitatória (fraca) Células de Purkinje 4 Células de Purkinje Inibitória (GABA) Núcleos profundos 5 Fibras trepadeiras Excitatória (forte) Células de Purkinje Vamos explicar com um exemplo com base na posição de um copo. 1. O córtex motor (área motora primária e áreas pré-motoras) planejam a ação “Estender o braço, abrir a mão, fechar os dedos sobre o copo”. Essa intenção é enviada para o tronco encefálico e medula e seguem para ponte, núcleos pontinos, fibras musgosas e vão ao cerebelo 2. As fibras musgosas trazem informação do núcleo pontino, as informações proprioceptivas do braço e dedo. E ao entrarem no cerebelo mandam as colaterais para os núcleos profundos, se ramificam na camada granular ativando celular granulares, que enviam axônios chamados de fibras paralelas que percorrem a camada molecular horizontalmente ativando milhares de células de purkinje com sinapses excitatórias fracas. 3. Fibras trepadeiras que vem da oliva inferior detectam desvios do movimento, fazem sinapse direta com as células de purkinje, essa ativação é importante caso houver erro como exemplo “Você mirou no copo, mas a mão foi um pouco ao lado” 4. As células de purkinje inibem os núcleos profundos cerebelares através de potenciais inibitórios GABA. Os núcleos profundos recebem a inibição modulada e também excitação direta das fibras musgosas paragerar a resposta fina e ajustada para o tálamo, depois para o córtex motor, núcleos motores, medula e músculos do braço e da mão Se o movimento não está saindo como planejado: • A oliva inferior detecta erro • As fibras trepadeiras ativam fortemente as células de Purkinje • A inibição dos núcleos cerebelares é ajustada • A saída motora é modificada em tempo real para que a mão seja corrigida no meio do caminho Núcleos centrais do cerebelo São os seguintes os núcleos do cerebelo: • Núcleo denteado: Maior dos núcleos centrais do cerebelo, localizado mais lateralmente, com função de coordenação de movimentos finos e voluntários enviando projeções ao núcleo ventrolateral do tálamo. • Núcleo emboliforme: Lateralmente ao fastigial, ajustam membros proximais, e fazem projeções para o núcleo rubro. • Núcleo globoso: Bem semelhante funcionalmente e estruturalmente ao emboliforme forma o núcleo interposito com o emboliforme. • Núcleo fastigial: Se encontra próximo ao plano mediano e associado ao Vermis com função postural e de equilíbrio. Projeta para núcleos vestibulares e formação reticular Dos núcleos centrais saem fibras eferentes do cerebelo, e neles chegam os axônios da célula de purkinje e colaterais das fibras mugosas Divisão Funcional do Cerebelo Nessa divisão as partes do corpo do cerebelo se dispõem médio lateralmente sendo elas: • Medial • Intermédia • Lateral] Os axônios da célula de purkinje da zona lateral projetam-se para o núcleo denteado. Os da zona medial para os núcleos fastigial. E os da zona intermédia para o núcleo interpósito. As células do lobo floculo-nodular projetam-se para o núcleo fastigial Essa maneira de dividir o cerebelo dá a base para divisão funcional do cerebelo em três partes: • Vestibulocerebelo • Espinocerebelo • Cerebrocerebelo Vestibulocerebelo 1. Conexões Aferentes Núcleos vestibulares recebem informações do sáculo e utrículo, essas informações vão ao flóculo e nódulo via trato vestibulocerebelar. Trazem informações originadas na parte vestibular do ouvido sobre a posição da cabeça importante para a manutenção do equilíbrio. 2. Conexões eferentes Suas células de purkinje projetam-se para os neurônios dos núcleos vestibulares medial e lateral. Por intermédio do núcleo lateral e medial modulam os tratos vestíbulo espinais que controlam a musculatura axial e extensora dos membros para manter o equilíbrio na postura e na marcha. Também controlam os movimentos oculares e coordenam os movimentos da cabeça e dos olhos. Espinocerebelo 1. Conexões aferentes Representadas principalmente pelos tratos espinocerebelares anterior (Feedback motor) e posterior (propriocepção membros inferiores), que penetram no cerebelo pelos pedúnculos cerebelares superior e inferior respectivamente. Por meio do esp 2. Conexões eferentes Os axônios das células de Purkinje da zona intermédia fazem sinapse no núcleo interpósito, de onde saem fibras para o núcleo rubro e para o tálamo do lado oposto. Pelas fibras para o núcleo rubro o cerebelo envia eferências pelo trato rubroespinal ( via Interpósito-rubroespinal). Já os impulsos que vão para o tálamo seguem para as áreas motoras do córtex cerebral (via interpósito-tálamo-cortical), onde se origina o trato-corticoespinal. 3. Eferentes 2 O movimento começa quando o verme do cerebelo recebe informações sensoriais sobre a postura e equilíbrio, processando como o corpo deve se ajustar. As células de Purkinje enviam sinais inibitórios para o núcleo fastigial, que é o núcleo profundo responsável pelas respostas motoras da zona medial. O núcleo fastigial ativado envia suas fibras pelo trato fastigiobulbar que se divide em duas rotas: • Fibras fastigiovestibulares: chegam aos núcleos vestibulares, destes partem fibras pelo trato Vestibuloespinal que desce até a medula • Fibras fastigioreticulares: Chegam a formação reticular, desta, partem fibras pelos tratos Reticuloespinais que também descem até a medula. Na medula ambos os tratos fazem sinapses com neurônios motores do grupo medial da coluna anterior, que ativam músculos axiais e músculos proximais dos membros. Como função manutenção do equilíbrio da postura durante movimentos ou enquanto o corpo está parado Cerebrocerebelo 1. Conexões aferentes O córtex cerebral motor planeja o movimento voluntário, envia uma informação aferente aos núcleos pontinos na ponte que por meio de fibras pontocerebelares cruzam ao lado oposto entrando no cerebelo pelo pedúnculo cerebelar médio, no córtex cerebelar ocorre o processamento do plano motor. 2. Conexões eferentes As células de purkinje da zona lateral, enviam sinais inibitórios para o núcleo denteado, que ativado envia sinais ao tálamo no lado oposto no núcleo ventrolateral. O tálamo envia a eferencia ao córtex motor primário, que envia a resposta refinada através do trato cortico espinal lateral. (Via dento-tálamo- cortical). Núcleos da base São o aglomerado de neurônios existentes na porção basal do cérebro, são compostos de substância cinzenta situados no interior do hemisfério cerebral na sua porção basal. Podemos dividir em: • Núcleo Caudado • Putame • Globo pálido • Lentiforme (Composto por, accumbens, claustro e corpo amigdaloide). Núcleo Caudado É uma massa alongada e curva de substância cinzenta, sua forma acompanha o contorno lateral do ventrículo lateral. É dividida em cabeça, corpo e cauda. Sendo: • Cabeça: Localizada na parte mais anterior, se eleva do assoalho do corno anterior do ventrículo lateral • Corpo: O corpo segue situado no assoalho da parte central do ventrículo lateral • Cauda: Porção arqueada se estende até o corno inferior Núcleo lentiforme Sua forma e tamanho são aproximadamente aos de uma castanha do pará, não aparece na superfície ventricular situando-se profundamente no interior do hemisfério. Sua função é sobretudo motora. O núcleo lentiforme é dividido em putame e globo pálido por uma fina lâmina de substância branca. O putame situa-se lateralmente e é maior do que o globo pálido, o qual se dispõe medialmente. O globo pálido é subdividido por outra lâmina de substância branca em uma porção lateral e medial. Claustro Delgada calota de substância cinzenta situada entre o córtex da insula e o núcleo lentiforme, separados por uma fina lâmina branca, a cápsula extrema. Entre o claustro e o núcleo lentiforme, existe outra lâmina branca a cápsula externa. Corpo Amigdalóide É uma massa esferoidede substância cinzenta situada no polo temporal do hemisfério cerebral, em relação com a cauda do núcleo caldado, relacionada com as emoções em especial com o medo. Núcleo Accumbens Massa de substância cinzenta situada na zona de união entre o putame e a cabeça do núcleo caudado