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Profa. Ma. Frances Illes
UNIDADE III
Nutrição Clínica Avançada
 Na síndrome da imunodeficiência adquirida, a manifestação clínica avançada é decorrente 
de um quadro de imunodeficiência causado pelo vírus da imunodeficiência humana.
 Está associada com frequência a infecções oportunistas, terapia medicamentosa e apresenta 
alto risco nutricional independente do estágio da doença.
 Com a utilização da terapia antirretroviral, houve uma importante redução na 
mortalidade dos pacientes.
 A terapia antirretroviral é acompanhada de alterações metabólicas como dislipidemia, 
resistência insulínica, hiperglicemia e redistribuição da gordura corporal, fatores de risco 
para a doença cardiovascular.
Dietoterapia em pacientes com HIV/Aids 
A infecção pelo HIV pode evoluir para quatro estágios no decorrer do período:
 Estágio I ou soroconversão: ocorre em 2 a 4 semanas após a infecção pelo vírus, 
acometendo 50 a 90% dos pacientes.
 Estágio II: denominado de fase assintomática, na qual ocorre replicação ativa do vírus e 
destruição das células T helper CD4, sem manifestações clínicas aparentes. Evolui para a 
infecção sintomática na maioria dos indivíduos, quando o sistema imunológico começa a ficar 
debilitado. Contagem de células CD4 > 500cel/mm3.
 Estágio III: ocorre o declínio da função imunológica. O paciente fica suscetível às doenças 
oportunistas como candidíase oral e linfoadenopatia. Contagem de células CD4 entre 200 e 
500cel/mm3.
 Estágio IV: o paciente é definido como portador de Aids. Contagem de células CD4são consideradas 
suficientes para atender as necessidades da população saudável.
 Interação com a levodopa: 
 aminoácidos X L-dopa por receptores intestinais e 
hematoencefálicos.
  proteínas =  aminoácidos circulantes =  competição 
Ldopa X aminoácidos =  L- dopa disponível.
Como deve ser a estratégia para manter a oferta de proteína adequada quando o paciente 
utiliza levodopa?
Interatividade
Deve-se realizar a redistribuição proteica, diminuindo sua oferta no período diurno e 
aumentando no período noturno.
Resposta
 Trauma é um evento agudo que altera a homeostase do organismo, pois desencadeia 
reações neuroendócrinas e imunológicas que visam à manutenção da volemia, do débito 
cardíaco, da oxigenação tecidual e da oferta e utilização de substratos energéticos.
Consequências nutricionais: 
 Catabolismo proteico = balanço nitrogenado negativo + perda de massa magra.
 Resistência à insulina = hiperglicemia.
 Retenção hídrica e de sódio = edema.
 Lipólise = AG livres e emagrecimento.
 A sepse é definida como uma reação inflamatória sistêmica 
secundária a um processo infeccioso e é a principal causa de 
morte nas UTIs.
Doenças do estresse metabólico
Energia
 Devido ao perfil metabólico no trauma e na sepse, o organismo é incapaz de metabolizar 
de maneira adequada uma grande quantidade de energia, ocorrendo efeitos indesejáveis 
como: hiperglicemia, uremia, desidratação, produção excessiva de CO2 e síndrome 
da realimentação.
Proteína 
 O excesso de proteínas pode levar à uremia pré-renal e suas complicações.
Nível de 
estresse
Nível de 
estresse
(kcal/kg/dia)
Proteína Carboidrato Lipídeos
Ausência 30 a 35 15% 60% 25%
Leve a 
moderado
25 a 30 15 a 20% 50 a 60% 25 a 30%
Grave 20 a 25 20% 45 a 50% 30 a 35%
Queimadura
 Lesão traumática de origem térmica, que causa estresse fisiológico grave.
 Necessidades de energia aumentam de acordo com a extensão da lesão.
 O cálculo de SCQ é um método prático e calculado para áreas menores. Toma como 
referência a palma da mão da vítima: considerando que a palma da mão do paciente, 
incluindo os dedos unidos e estendidos, corresponde a 1% de SCQ. 
 De forma direta, dois fatores irão influenciar diretamente o prognóstico da queimadura: a 
profundidade da lesão e a superfície corporal queimada.
 Quanto mais profunda e mais extensa, pior será o prognóstico de sobrevida do paciente.
Necessidades nutricionais
 Energia.
 Cálculo (CURRIERI, 1978).
Adultos = 25 kcal x P (kg) + 40 kcal x % SCQ
0 – 1 ano = TMB + 15 kcal x % SCQ
1 – 3 anos = TMB + 25 kcal x % SCQ
3 – 15 anos = TMB + 40 kcal x % SCQ
 Proteínas – preconizada uma reposição de 2 a 2,5 g/kg/dia 
para adultos e 1,5 g/kg/dia para crianças. 
 Lipídeos – normolipídica, de 20 a 30% do VET para suprir as 
necessidades energéticas.
 Carboidratos – normoglicídica, de 50 a 60% do VET, principal 
fonte de energia.
Qual a necessidade energética de M. L. O., 25 anos, sexo feminino, 165 cm, 68 kg que sofreu 
queimadura em 22% da superfície corporal queimada?
Interatividade
 Energia = 25 kcal x P (kg) + 40 kcal x % SCQ
 Energia = 25 x 68 + 40 x 22
 Energia = 1700 + 880
 Energia = 2580 kcal/dia
Resposta
 A UTI é definida como a área crítica destinada à internação de pacientes graves, que 
requerem atenção profissional especializada de forma contínua, com materiais específicos e 
tecnologias necessárias para o diagnóstico, a monitorização e a terapia.
 Atenção especial deve ser dada aos pacientes que estão na UTI por mais de uma 
semana, com monitoramento contínuo da oferta de nutrição e revisão regular das 
necessidades nutricionais.
 A lesão por pressão é considerada um dos indicadores 
negativos de qualidade assistencial dos serviços de saúde e 
sua prevenção é importante, pois envolve o contexto do 
movimento global pela segurança do paciente.
Atuação do nutricionista em UTI
Classificação
 Grau I: presença de eritema que não regride após alívio da pressão; existe um 
comprometimento apenas da epiderme. Tais lesões devem ser consideradas um sinal de 
advertência, pois podem cicatrizar espontaneamente com cuidados adequados ou agravar.
 Grau II: tem aparência de queimadura, ocorrendo comprometimento da epiderme, derme ou 
ambas, além de perda parcial do epitélio. A úlcera é dolorosa, pois os terminais nervosos da 
camada dermal estão expostos.
 Grau III: úlcera profunda com comprometimento total da pele e 
do tecido subcutâneo, não se estendendo até o músculo. Pode 
haver presença de drenagem de exsudato, cratera pouco 
profunda, pontos de necrose e até mesmo infecção.
 Grau IV: extensa desnutrição do tecido, chegando a ocorrer lesão óssea ou muscular. 
Durante esse estágio, há perda total da pele e do tecido celular subcutâneo, com danos aos 
músculos, ossos ou estruturas de suporte, tais como tendões ou cápsulas das juntas, 
podendo ocorrer comprometimento infeccioso e drenagem. Há risco de complicações, como: 
septicemia e osteomielite.
Cuidado nutricional
 A cicatrização consome energia. A glicose como principal carboidrato do organismo supre a 
maior parte da energia necessária à cicatrização.
 A carência proteica prolonga a fase inflamatória da cicatrização, consequentemente, 
aumenta o risco de infecção, diminui a síntese do colágeno e a força tensil da ferida.
Lesão estágio 1
 Energia: 30 a 35 kcal/dia.
 Proteínas: 1,5 g/kg.
 Líquidos: 1 mL/kcal/dia.
 Adequar a condição clínica e o estado nutricional.
 Se necessário, utilizar suporte nutricional oral.
Estágios 2, 3 e 4
 Energia: 30 - 35 kcal/kg/dia.
 Proteínas: 1,5 g - 2 g de proteína/kg/dia.
 Líquidos: 1 mL de líquidos/kcal/dia.
 Adequar a condição clínica e estado nutricional se necessário. 
 Se via oral não atender as necessidades, incluir suporte nutricional oral especializado 
(com Zn, arginina, carotenoides, vitaminas A, C e E) e discutir com EMTN uso 
de polivitamínicos.
 Arginina – parece melhorar a cicatrização e a resposta imune. Seu mecanismo de ação pode 
ser parcialmente mediado pelo aumento da secreção de hormônio do crescimento. Sabe-se 
que a arginina participa na síntese de colágeno por via da prolina, sendo essencial para sua 
maturação, é essencial para manter a perfusão tecidual, por seu potente efeito vasodilatador 
da microcirculação e por ser precursora de óxido nítrico. 
 Convido vocês a participarem do chat após a aula!
 A atividade será o desenvolvimento de um caso clínico.
Orientação para atividade do chat
ATÉ A PRÓXIMA!

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