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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ 9ª CÂMARA CÍVEL Apelação Cível n° 0032794-26.2018.8.16.0001 9ª Vara Cível de Curitiba Apelante(s): Eliseu Soares de Mello, ELTON DANIEL BAREA DA SILVA e FORMULA COMERCIO DE AUTOMOVEIS LTDA Apelado(s): FORMULA COMERCIO DE AUTOMOVEIS LTDA, ELTON DANIEL BAREA DA SILVA e Eliseu Soares de Mello Relator: Desembargador Gil Francisco de Paula Xavier Fernandes Guerra APELAÇÕES CÍVEIS – AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS DECORRENTE DE ACIDENTE DE TRÂNSITO – COLISÃO ENTRE VEÍCULO E MOTOCICLETA EM CRUZAMENTO – ABALROAMENTO TRANSVERSAL – SENTENÇA QUE JULGA PARCIALMENTE PROCEDENTE O PEDIDO INICIAL. – PEDIDO DE FIXAÇÃO DEAPELAÇÃO 1 (AUTOR) INDENIZAÇÃO POR DANOS ESTÉTICOS – CICATRIZES NA PERNA E TORNOZELO DIREITOS – MARCAS QUE SOMENTE EXISTEM EM DECORRÊNCIA DO ATO PRATICADO PELO RÉU – APARÊNCIA DO MEMBRO – CICATRIZES QUE INDUZEM O CONCEITO JURÍDICO DE ENFEAMENTO – INDENIZAÇÃO DEVIDA – VALOR ARBITRADO DE ACORDO COM OS PARÂMETROS DESTA CORTE PARA CASOS SEMELHANTES – RECURSO PROVIDO. PEDIDO DE PENSÃO MENSAL VITALÍCIA – NÃO ACOLHIMENTO – DÉFICIT PARCIAL PERMANENTE NA PERNA DIREITA – PERDA DE MASSA MUSCULAR – 10% DA TABELA SUSEP – AUTOR QUE NÃO FICOU INCAPACITADO PARA O TRABALHO – PARTE QUE TRABALHAVA COMO MOTOBOY E DEPOIS DO ACIDENTE PASSOU A TRABALHAR COMO VIGIA – AUTOR, ADEMAIS, QUE CONTINUOU PILOTANDO MOTOCICLETA – SENTENÇA MANTIDA. RECURSO 1 PARCIALMENTE PROVIDO. – PEDIDO DE AFASTAMENTO DA CULPAAPELAÇÃO 2 (RÉUS) PELO ACIDENTE – MOTOCICLISTA AUTOR QUE VINHA PELA PREFERNCIAL QUANDO FOI ATINGIDO PELO MOTORISTA RÉU – RÉU QUE INFRINGIU ART. 44 DO CTB AO DEIXAR DE REDOBRAR OS CUIDADOS AO CRUZAR UMA PREFERENCIAL – CULPA EXCLUSIVA DO RÉU – SENTENÇA MANTIDA. DANOS MATERIAIS – VALOR GASTO PELO AUTOR COM BOLETIM DE OCORRÊNCIA – DEVER DE RESTITUIÇÃO, UMA VEZ QUE O VALOR FOI DISPENDIDO EM DECORRÊNCIA DO ATO ILÍCITO DO RÉU – SENTENÇA MANTIDA, POR FUNDAMENTO DIVERSO. LUCROS CESSANTES – INDENIZAÇÃO DEVIDA EM RELAÇÃO AO TEMPO EM QUE O AUTOR FICOU AFASTADO DO TRABALHO – COMPROVAÇÃO DE VÍNCULO INFORMAL DE TRABALHO (MOTOBOY) – VALOR QUE DEVE CORRESPONDER À DIFERENÇA ENTRE O QUANTO A PARTE AUFERIA NO MÊS E O MONTANTE RECEBIDO PELO INSS NO PERÍODO – PEDIDO PARCIALMENTE PROVIDO. DANOS MORAIS – MANUTENÇÃO – AUTOR QUE PRECISOU SE SUBMETER A DOIS PROCEDIMENTOS CIRÚRGICOS NA PERNA E TORNOZELO – VALOR EM CONSONÂNCIA COM OS PARÂMETROS DESTA CORTE. RECURSO 2 PARCIALMENTE PROVIDO. Tratam-se de recursos de autuado sob nº em queApelação Cível 0032794-26.2018.8.16.0001 figura como apelante 1 , apelantes 2 Eliseu Soares de Mello Formula Comércio de e apelados , interpostos nos autos de Automóveis Ltda. e Outro Os Mesmos Ação de em trâmiteIndenização por Danos Materiais e Morais decorrente de acidente de trânsito perante o Juízo da 9ª Vara Cível do Foro Central da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba. I – RELATÓRIO Tratam-se de recursos de apelação interpostos por ambas as partes contra a sentença de mov. , mantida pela decisão de que rejeitou os embargos de declaração, que265.1 mov. 288.1 assim relatou os fatos: “Trata-se de ação de indenização por danos materiais e morais decorrentes de acidente de trânsito ajuizada por Eliseu Soares de Melo em face de Elton Daniel Barea da Silva (motorista) e Valdemar Negosecki, sendo que este último foi posteriormente substituído pela requerida Formula Comercio de Automóveis Ltda (proprietária do veículo). Em sua inicial, narrou o autor, em síntese, que: i) em 16/08/2018, por volta das 13h05min, o primeiro requerido, condutor do veículo Renault, modelo Duster, de placa AZR – 9597, que trafegava pela Rua José Ferreira da Rocha e, ao cruzar a Rua Izaac Ferreira da Cruz, desrespeitou a preferencial e colidiu com o autor, que pilotava uma motocicleta Yamaha, modelo YBR 125K, ano 2007 e placa APR – 7957; ii) conforme boletim de ocorrência, o requerido assumiu a responsabilidade pelo fato danoso, revelando que foi o culpado pelo acidente; iii) ao ser encaminhado para atendimento médico, constou-se que o autor havia fraturado o membro inferior direito; iii) precisou ser submetido a dois procedimentos cirúrgicos para fixação de pinos e placa para corrigir o membro faturado; iv) entre a primeira e segunda cirurgia, passaram-se 18 (dezoito) dias, sendo que o autor reside sozinho e precisou dos cuidados de familiares e amigos durante esse período; v) o autor atuava como motoboy em três empresas, no entanto, em razão das lesões sofridas, foi afastado de sua atividade laboral e até a presente data encontra-se impossibilitado de retornar à função; vi) desde então, mantém-se com auxílio acidente do INSS, no valor de R$ 1.450,00 (mil e quatrocentos e cinquenta reais), ressaltando que houve abrupta diminuição nos seus rendimentos em relação ao que vinha recebendo, uma vez que, antes do acidente, seu ganho mensal na profissão de motoboy perfazia o valor de R$ 2.120,00 (dois mil cento e vinte reais); vii) discorreu sobre os requisitos para configuração da responsabilidade civil; viii) os danos materiais se referem às despesas com transporte para tratamento médico e para a confecção do boletim de ocorrência, no valor total de R$ 568,30 (quinhentos e sessenta e oito reais e trinta centavos); ix) pugnou pela indenização a título de lucros cessantes, com apuração do valor em sede de liquidação de sentença; x) versou acerca do dano estético sofrido, requerendo indenização no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais); xi) pleiteou a fixação de pensão mensal vitalícia, no valor de R$ 2.120,00 (dois mil cento e vinte reais), em decorrência da redução de sua capacidade laboral; xii) apontou a ocorrência de danos morais em virtude da incerteza, medo e dor que o acidente acarretou. Por fim, requereu a concessão de assistência judiciária gratuita e a total procedência da demanda. Juntou documentos (seqs. 1.2/1.34). Decisão de seq. 6.1 deferiu os benefícios da justiça gratuita e determinou a designação de audiência preliminar com a citação das partes requeridas. Citado (seq. 26.2), o requerido Valdemar Negosecki apresentou contestação à seq. 49.1, arguindo a preliminar de ilegitimidade passiva sob o fundamento de que não era o proprietário do veículo quando este se envolveu no acidente. Na oportunidade, indicou a empresa Fórmula Renault como parte legítima a integrar o polo passivo da lide. A parte autora se manifestou na seq. 52.1, requerendo a exclusão do requerido Valdemar Negosecki e sua substituição pela empresa Fórmula Renault. Sentença de seq. 66.1 acolheu a preliminar de ilegitimidade passiva e julgou extinto o processo sem resolução de mérito em relação ao requerido Valdemar Negosecki. Citado (seq. 58.2), o requerido Elton Daniel Barea da Silva opôs embargos de declaração em face da decisão de seq. 66.1, cujas razões foram acolhidas pela decisão de seq. 89.1. Em seguida, o requerido apresentou contestação (seq. 98.1), sustentando, em suma, que: i) preliminarmente, a inépcia da petição inicial, sob o fundamento de que o autor não apresentou documentação idônea que comprove a culpabilidade do primeiro réu em relação ao acidente; ii) insurgiu-se contra o pedido de indenização a título de dano material, moral, estético e lucros cessantes, bem como em relação à pensão mensal, ressaltando a necessidade de abatimento dos valores recebidos por seguro DPVAT; iii) impugnou os documentos apresentados pelo autor, alegando que, por terem sido produzidos de forma unilateral, não possuem cunho probatório. Por fim, requereu a total improcedência dos pedidos formulados na inicial. Por fim, requereu a expedição de ofício à seguradora a fim de obter informações quanto à indenização do seguro DPVAT recebida pelo autor, para compensação/dedução do valor diante de eventual condenação indenizatória. A empresa requerida, comparecendo espontaneamente ao feito, apresentou contestação (seq. 108.1). Em sede preliminar, arguiu preliminar de inépcia do pedido de indenização por lucros cessantes. No mérito, tratou sobre a dinâmica do acidente,aduzindo que houve imprudência por parte do autor e, por fim, reforçou as razões apresentadas pelo primeiro requerido. (...) Decisão saneadora afastou as preliminares suscitadas pelos réus, fixou os pontos controvertidos e deferiu a produção de prova oral, pericial médica e documental, inclusive a expedição de ofício à seguradora para que prestasse informações quanto ao “pagamento do seguro obrigatório em nome do autor, o valor pago e a data do respectivo pagamento, por acidente ocorrido em 16.08.2018” (seq. 123.1).” Ao final, julgou parcialmente procedente o pedido para: “i) condenar os réus solidariamente ao pagamento de indenização por danos materiais no valor de R$ 96,30 (noventa e seis reais e trinta centavos), devendo tal valor ser corrigido pela média do INPC/IGPD-I, com juros de mora de 1% ao mês, ambos contabilizados a partir do pagamento da despesa; ii) condenar os réus solidariamente ao pagamento de indenização por danos moral no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais) ao autor, devendo o referido valor ser corrigido monetariamente pela média do INPC/IGPD-I a partir desta decisão, com juros de mora de 1% ao mês a partir do evento danoso – realizada a compensação com o valor recebido a título de seguro DPVAT; iii) condenar os réus solidariamente ao pagamento de indenização por lucros cessantes, no valor de R$ 3.710,00 (três mil setecentos e dez reais), devendo tal valor ser corrigido pela média do INPC/IGPD-I, com juros de mora de 1% ao mês, ambos contabilizados a partir do evento danoso. Pela sucumbência recíproca, condeno ambas as partes - na proporção de 40% (quarenta por cento) a parte autora e 60% (sessenta por cento) as partes rés - ao pagamento das custas e processuais e de honorários sucumbenciais, os quais fixo em 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação, sendo 6% (seis por cento) em favor dos advogados da parte autora e 4% (quatro por cento) em favor dos advogados da parte ré, o que faço conforme aplicação do art. 85, § 2º, CPC, ante o grau de zelo profissional, o lugar de prestação do serviço, a importância e a natureza da causa, o trabalho realizado e o tempo exigido para o seu serviço, mormente pela baixa complexidade da matéria e pelo julgamento antecipado da lide. Desse pagamento fica a parte autora dispensada, visto ser beneficiária da assistência judiciária gratuita (seq. 6.1).” Inconformado, apela o autor no , pedindo pela fixação de indenização por danomov. 274.1 estético em razão de ter ficado com 6 (seis) cicatrizes na perna e tornozelo, as quais seriam visíveis a olho nu e lhe remeteria aos momentos do acidente. Pede também pela fixação de pensão mensal em razão de ter perdido permanentemente a musculatura da perna direita no percentual de 10% de dano corporal; que a pensão vitalícia seria devida diante da redução de sua capacidade laborativa; e, que nos termos do art. 950 do CC, a pensão é devida em decorrência do maior esforço realizado pela parte para realização do serviço, ainda que não esteja inabilitado para tanto. Pede pelo provimento do recurso. Por sua vez, recorrem os réus no , alegando que no local do acidente a visibilidademov. 296.1 era ruim em razão dos carros estacionados; que teria olhado para ambos os lados antes de cruzar a preferencial, a fim de certificar-se que não estaria vindo nenhum veículo; que o réu estaria em baixa velocidade, considerando ter parado para esperar a preferencial; que o Boletim de Ocorrência seria omisso e incompleto por não descrever as razões do acidente; que o autor poderia estar conduzindo sua motocicleta em velocidade acima do permitido; e, que por não ter sido devidamente comprovada a dinâmica do acidente, não poderiam ser condenados ao pagamento de indenização. Subsidiariamente, entendem pela ocorrência de culpa concorrente na proporção de 50% para cada parte. Quanto aos danos materiais fixados em R$ 96,30, apontam que o valor foi impugnado em contestação, o qual, ademais, não poderia ser imputado aos réus por se tratar de valor pago pelo autor para confecção do boletim de ocorrência, necessário para comprovar os fatos constitutivos do seu direito. No tocante aos lucros cessantes, alegam que o autor não comprovou o quanto efetivamente auferia por mês, constando nas declarações juntadas que prestava serviço de motoboy de maneira esporádica; e, que na data do acidente o autor sequer poderia estar trabalhando, como afirmou no BO, uma vez que estava recebendo auxílio-acidente pelo INSS; assim, pedem pelo afastamento da condenação. Por fim, pedem pelo afastamento da condenação ao pagamento de indenização por danos morais diante da ausência de comprovação pelo autor ou, subsidiariamente, pela minoração do devido, pois capaz de gerar enriquecimentoquantum ilícito à parte. Contrarrazões nos .movs. 297.1 e 302.1 Vieram os autos conclusos. É o relatório. II – FUNDAMENTAÇÃO Tratam-se de recursos interpostos por ambas as partes contra a sentença de quemov. 265.1 reconheceu a culpa exclusiva do condutor réu no acidente e o condenou, solidariamente à empresa proprietária do veículo, ao pagamento de indenização por danos materiais, morais e lucros cessantes. Em linhas gerais, ingressou o autor com a presente demanda alegando que no dia 16/08/2018, por volta das 13h, trafegava com sua motocicleta na rua Izaac Ferreira da Cruz quando foi atingido pelo veículo conduzido pelo réu Elton, que desrespeitou a preferencial e causou o abalroamento transversal. Que o acidente lhe causou fratura no membro inferior direito, precisando submeter-se a dois procedimentos cirúrgicos para fixação de pinos e placa, buscando a reparação material e moral pelos danos experimentados. Feito este breve introito, passa-se à análise dos recursos em ordem inversa à sua interposição, uma vez que discutem os réus a dinâmica do sinistro. Apelação 2 – Réus (mov. 296.1) Quanto à culpa pelo acidente Sustentam os apelantes que o local do acidente teria pouca visibilidade, tendo o primeiro réu afirmado em depoimento que teria parado e olhado para ambos os lados antes de cruzar a preferencial, não podendo ser responsabilizado pelo acidente por não ter agido com imprudência. Que o Boletim de Ocorrência estaria incompleto, e, que o autor poderia estar em alta velocidade, colaborando assim para o ocorrido. Na eventualidade de não ser acolhido o pedido, que seja reconhecida a culpa concorrente. Pois bem. A dinâmica do acidente foi ilustrada da seguinte forma no croqui confeccionado no Boletim de Ocorrência :(mov. 1.13) E são imagens do local da colisão e dos veículos envolvidos :(mov. 1.34 e 1.31) É fato incontroverso entre as partes que o autor, motociclista, trafegava pela preferencial e o primeiro réu, motorista do veículo, intentava cruzar a via. Em depoimento pessoal, assim afirmou o motorista réu: “parei no ‘pare’, olhei para .esquerda, olhei para direita e arranquei” (mov. 246.2) A assertiva da parte é capaz de elucidar os fatos pela seguinte razão: ao ter o motorista réu olhado primeiro para o lado esquerdo – sentido em que subia o motociclista autor – e depois para o lado direito, e, não se certificando novamente que neste “meio tempo” de fato não estaria vindo nenhum veículo pelo lado esquerdo (sentido mais próximo para iniciar o cruzamento da via preferencial), acabou arrancando com seu veículo e atingindo o motociclista, resultando no abalroamento transversal. De mais a mais, o fato objetivo é que essas cautelas que a parte requerida afirma ter tomado, não foram suficientes para evitar a colisão, por razões que não importam, pois o fato da invasão da via preferencial é preponderante à realização do acidente. A dinâmica dos fatos fica ainda mais evidente quando se nota que os danos no veículo do réu se deram na parte da frente (para-choque), indicando que a motocicleta já estava cruzando à sua frente quando este acelerou para cruzar a via preferencial. Diante disso, ainda que não se vislumbre intenção do réu em causaro acidente, sua ação imprudente desrespeitou a exigência trazida no art. 44 do CTB, que requer do motorista quando se aproxima de cruzamentos. Vejamos:prudência especial Art. 44. Ao aproximar-se de qualquer tipo de cruzamento, o condutor do veículo deve demonstrar prudência especial, transitando em velocidade moderada, de forma que possa deter seu veículo com segurança para dar passagem a pedestre e a veículos que tenham o direito de preferência. Neste sentido: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS. ACIDENTE DE TRÂNSITO. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA.1. ACIDENTE DE TRÂNSITO. VEÍCULO CONDUZIDO PELO RÉU (SERGIO) QUE, AO INICIAR A TRANSPOSIÇÃO DE CRUZAMENTO PARA ADENTRAR EM VIA À ESQUERDA, INTERCEPTOU A TRAJETÓRIA DA MOTOCICLETA CONDUZIDA PELO AUTOR, QUE TRAFEGAVA NA VIA PREFERENCIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 34 E 44, CTB. ALEGAÇÃO DE QUE A MOTOCICLETA ESTAVA EM VELOCIDADE EXCESSIVA E COM A DOCUMENTAÇÃO IRREGULAR. NÃO COMPROVAÇÃO. ÔNUS QUE INCUMBIA À PARTE RÉ. PENDÊNCIAS NO RECOLHIMENTO DE ENCARGOS SOBRE A MOTOCICLETA. MERA INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. PRECEDENTES. SINISTRO QUE TEVE COMO CAUSA PRIMÁRIA E DETERMINANTE A INVASÃO DA VIA PREFERENCIAL. CULPA DO CONDUTOR DO AUTOMÓVEL. SENTENÇA MANTIDA. 2. DANOS MORAIS. pretensão de minoração do quantum fixado na origem (r$15.000,00). impossibilidade. autor que sofreu invalidez parcial permanente. VALOR QUE ATENDEU AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE, À TRÍPLICE FUNÇÃO DA INDENIZAÇÃO, BEM COMO, OS PARÂMETROS ADOTADOS POR ESTE TRIBUNAL EM CASOS SEMELHANTES.3. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA MAJORADOS, COM FULCRO NO ARTIGO 85, §11, CPC.RECURSO DE APELAÇÃO CONHECIDO E IMPROVIDO. (TJPR - 9ª Câmara Cível - 0003700- 36.2017.8.16.0173 - Umuarama - Rel.: DESEMBARGADOR LUIS SERGIO SWIECH - J. 25.09.2022) Para além disso, nada comprovaram os réus quanto a hipótese de o autor estar trafegando em velocidade incompatível com a via, argumento este que não ultrapassa a retórica argumentativa diante da inexistência de indícios mínimos a este respeito. Assim, uma vez que o acidente ocorreu por culpa exclusiva do motorista réu que cruzou a preferencial sem se cerificar que poderia faze-lo com segurança, deve ser mantida a sentença condenatória como lançada, afastando-se, por consequência, o pedido subsidiário de reconhecimento de culpa concorrente na medida em que o autor em nada colaborou para o sinistro. Ressalva-se, por fim, serem infundadas as alegações de não constar no Boletim de Ocorrência indicativos de ilicitude da conduta do réu e que o documento estaria incompleto. O Boletim de Ocorrência é documento confeccionado por autoridade policial que tem por finalidade relatar os fatos verificados no local no ocorrido, sem emitir juízo de valor sobre a dinâmica do sinistro. Para além disso, o fato de não estar preenchido o tópico referente à “infração/recolhimento” não implica em irregularidade , na medida em que se destina o campo à(mov. 1.13, p.3 e 5) anotação de alguma intercorrência anterior nos veículos, o que não seria o caso. Desta forma, deve ser negado provimento ao recurso nesta parte. Quanto aos danos materiais Pedem os recorrentes pela reforma da sentença para que seja afastada a condenação ao pagamento do valor de R$ 96,30 gastos pelo autor para confecção do Boletim de Ocorrência, pois o documento visava a comprovação dos fatos constitutivos do direito da parte, não podendo por isso ser ressarcido. A sentença condenou os réus ao pagamento deste valor por entender que a parte não havia impugnado tal pedido, no entanto, conforme contestação juntada no , o pleitomov. 108.1, p.8 foi expressamente rechaçado pelo réu. A despeito disso, não merece acolhimento a insurgência recursal. De acordo com comprovante de pagamento trazido no , dispendeu o autor o valormov. 1.14 de R$ 96,30 para conseguir cópia do Boletim de Ocorrência confeccionado no dia do acidente. E considerando que referida despesa decorreu única e diretamente em razão do acidente provocado por culpa exclusiva do motorista réu, fica este obrigado a ressarcir o valor comprovadamente gasto pelo autor. Sobre o tema: APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E LUCROS CESSANTES. ACIDENTE DE TRÂNSITO COM VÍTIMA FATAL. COLISÃO TRANSVERSAL.RECURSO DE APELAÇÃO 1 (SEGURADORA). PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO ACOLHIMENTO. POSSIBILIDADE DE AJUIZAMENTO DA AÇÃO DIRETAMENTE CONTRA A SEGURADORA. SEGURO CARTA VERDE. CARÁTER OBRIGATÓRIO. INTELECÇÃO DO ART. 788 DO CC. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA Nº 529, DO STJ. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE PROVA DE CULPA DO VEÍCULO SEGURADO. INOCORRÊNCIA. ACERVO PROBATÓRIO ROBUSTO QUE APONTA CULPA EXCLUSIVA DO CONDUTOR DO VEÍCULO SEGURADO. TRANSPOSIÇÃO DE PREFERENCIAL EM TREVO DE RODOVIA SEM O DEVIDO CUIDADO E ATENÇÃO. OBSTRUÇÃO DA TRAJETÓRIA DO VEÍCULO DOS AUTORES. REDAÇÃO DOS ARTS. 34 E 44 DO CTB. DEVER DE INDENIZAR CONFIGURADO. PREQUESTIONAMENTO. DESNECESSIDADE. SENTENÇA MANTIDA. FIXAÇÃO DE HONORÁRIOS RECURSAIS. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.RECURSO DE APELAÇÃO 2 (AUTORA). PLEITO DE RESSARCIMENTO DO VALOR PAGO PARA A CONFECÇÃO DE BOLETIM DE OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. DESPESA COMPROVADA. NECESSIDADE DE REPARAÇÃO INTEGRAL. PRETENSÃO DE RECONHECIMENTO DA SUCUMBÊNCIA MÍNIMA. IMPOSSIBILIDADE. DISTRIBUIÇÃO DA SUCUMBÊNCIA QUE DEVE LEVAR EM CONSIDERAÇÃO O NÚMERO DE PEDIDOS E SUA REPERCUSSÃO ECONÔMICA. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. NECESSIDADE DE DISTRIBUIÇÃO PROPORCIONAL DAS CUSTAS E DESPESAS PROCESSUAIS E HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE ACORDO COM O DECAIMENTO DE CADA PARTE. ART. 86, DO CPC. REDISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS SUCUMBENCIAL. PEDIDO DE EXCLUSÃO DO FRACIONAMENTO E COMPENSAÇÃO DE HONORÁRIOS. INEXISTÊNCIA. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. RECURSO DE APELAÇÃO 1 CONHECIDO E DESPROVIDO.RECURSO DE APELAÇÃO 2 CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. (TJPR - 8ª Câmara Cível - 0004377-37.2018.8.16.0139 - Prudentópolis - Rel.: DESEMBARGADOR MARCO ANTONIO ANTONIASSI - J. 12.11.2020) Assim, mantem-se a sentença nesta parte, ainda que por fundamento diverso. Quanto aos lucros cessantes Apontam os recorrentes que o autor trabalhava como motoboy prestando serviço de maneira esporádica, sem habitualidade. Que o auxílio-doença por ele recebido do INSS deveria ser descontado do total que alegava auferir mensalmente, e, que o auxílio-doença já estava sendo pago antes mesmo do acidente, o que lhe impediria de estar trabalhando no momento, como alegou no Boletim de Ocorrência. Pois bem. Constou na petição inicial :(mov. 1.1) “Em consequência do acidente, o Requerente pleiteou junto ao INSS o Auxilio Doença, passando a receber a título de benefício o valor mensal e R$ 1.450,00 (dois mil e quatrocentos e cinquenta reais). Entretanto, a profissão exercida do Requerente é de motofretista, conforme declarações das empresas K2 FILME CLIPE E PRODUÇÕES, KYBOA PRODUTOS DE LIMPEZA e MAURO GRANDE ARQUITETOS, doc. Anexo, seu ganho mensal perfazia o valor de R$ 2.120,00 (dois mil cento e vinte reais) e, ao receber o Auxilio doença, sofreu uma diminuição nos seus rendimentos. Destarte os fatos, o Requerente encontra amparo de pleitear os lucros Cessantes, que por causa do acidente, o deixou de auferir. (...)” Os documentos trazidos nos indicam que o autor teve seu pedido de auxílio-movs. 1.6 e 1.5 doença requerido em 09/07/2018, deferido em 18/07/2018 e válido até 30/11/2018. O pedido foi renovado em 16/11/2018 e estendido até 03/02/2019. O acidente, por sua vez, ocorreu em 16/08/2018, ou seja, posteriormente ao pedido de concessão de auxílio-doença requerido junto ao INSS. O fato de o autor estar trabalhando como motoboy no momento do acidente, ainda que – em tese – estivesse afastado perante a previdência social, não lhe impede de pleitear os lucros cessantes. Eventual responsabilidade da parte frente à seguridade social poderá, eventualmente e se o caso, ser discutida em autos próprios perante a autoridade competente. No momento, discute-seapenas a responsabilidade civil dos réus frente ao autor. E diante disso, devem os réus responder pela diferença de renda entre o valor recebido do auxílio-doença e o a parte efetivamente auferia mensalmente, nos termosquantum preconizados pelo art. 402 e 949 do Código Civil.[1] [2] Sobre o tema: APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO DE REPARAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. ACIDENTE DE TRÂNSITO MOTOCICLETA E CAMINHÃO. COLISÃO EM VIA PREFERENCIAL. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA. BOLETIM DE OCORRÊNCIA. PRESUNÇÃO IURIS TANTUM DE VERACIDADE. CAMINHÃO CONDUZIDO PELO SEGUNDO RÉU QUE ATRAVESSOU VIA PREFERENCIAL E CAUSOU A OBSTRUÇÃO DA PASSAGEM DO AUTOR. INVASÃO DA VIA PREFERENCIAL. CAUSA PRIMÁRIA. INOBSERVÂNCIA ÀS NORMAS DE TRÂNSITO. CULPA CONCORRENTE. INOCORRÊNCIA. ALEGAÇÃO DE QUE O AUTOR SEGUIA EM ALTA VELOCIDADE. NÃO COMPROVADA. CULPA EXCLUSIVA DO CONDUTOR RÉU. DEVER DE INDENIZAR. DANOS MORAIS. QUANTUM INDENIZATÓRIO. MAJORAÇÃO DEVIDA. CARÁTER PUNITIVO-REPARADOR. PARÂMETROS DOUTRINÁRIOS E JURISPRUDENCIAIS. DANOS EMERGENTES. CONJUNTO PROBATÓRIO QUE POSSIBILITA A QUANTIFICAÇÃO DOS VALORES DESPENDIDOS PELO AUTOR. MANUTENÇÃO. LUCROS CESSANTES. POSSIBILIDADE DE ABATIMENTO DOS VALORES RECEBIDOS À TITULO DE AUXÍLIO-SAÚDE. COMPROVAÇÃO DO RECEBIMENTO NOS AUTOS. DPVAT. POSSIBILIDADE DE DESCONTO DOS VALORES RECEBIDOS DA INDENIZAÇÃO JUDICIAL INDEPENDENTE DA NATUREZA. SÚMULA 246 DO STJ. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE O VALOR NOMINAL DA APÓLICE. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DESTE E. TRIBUNAL. HONORÁRIOS RECURSAIS. ART. 85, §11 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE MAJORAÇÃO. FIXAÇÃO EM PATAMAR MÁXIMO. RECURSO DE APELAÇÃO 01, DE CD SUL LOGÍSTICA E OUTRO – DESPROVIDORECURSO DE APELAÇÃO 02, DE THIAGO RAMALHO ANTUNES – PARCIALMENTE PROVIDORECURSO DE APELAÇÃO 03, DE SOMPO SEGUROS S. A. – PARCIALMENTE PROVIDO. (TJPR - 8ª Câmara Cível - 0007401-85.2017.8.16.0017 - Maringá - Rel.: DESEMBARGADOR HELIO HENRIQUE LOPES FERNANDES LIMA - J. 05.12.2022) De acordo com declarações prestadas por três empresas nos , o autor lhesmovs. 1.4 e 1.7 prestava serviço de motoboy recebendo mensalmente R$ 500,00, R$ 870,00 e R$ 750,00, respectivamente. Apontam que desde a data do acidente de trânsito o serviço não mais pôde ser prestado. Assim, os lucros cessantes constituem-se como a diferença entre o valor efetivamente auferido no mês (no caso, o valor do auxílio-doença de R$ 1.450,00 apontado pelo próprio autor na inicial) e o valor que normalmente receberia se trabalhando estivesse (total de R$ 2.120,00), devidos durante o período em que a parte ficou de atestado médico (75 dias – dois meses e meio – ).mov. 1.15 Do total apurado, a ser calculado em cumprimento de sentença, deverá ser descontado 30% pois assim determinou a sentença e nenhuma das partes se insurge. Por fim, destaca-se que a impugnação dos réus quanto à validade das declarações emitidas pelas empresas para as quais o autor prestava serviço não encontra respaldo probatório. O fato de não ter sido apontado o CNPJ e/ou constar o carimbo do assinante não é suficiente para invalidar os documentos, merecendo destaque a assertiva do magistrado sobre o tema : (mov. 265.1) “Nesse ponto, há que se considerar que o serviço de motoboy é comumente contratado de modo informal e, portanto, a declaração devidamente assinada pelo responsável é suficiente para atribuir verossimilhança às alegações da parte autora. A propósito: (...)” Desta forma, deve ser dado parcial provimento a esta parte do recurso para determinar que os lucros cessantes sejam calculados entre a diferença recebida pelo autor à título de auxílio- doença e do que efetivamente auferia por mês, de acordo com as declarações trazidas, descontado deste total 30% que se destinariam às despesas próprias de manutenção. Mantem- se a correção de acordo com o dispositivo da sentença. Quanto aos danos morais Por fim, pugnam os recorrentes pelo afastamento da condenação ao pagamento de indenização por danos morais em razão de o autor ter dado causa e/ou contribuído para o acidente, também porque não comprovado o dano. Subsidiariamente, pedem pela minoração do fixado.quantum Sem razão. A dinâmica do acidente já foi acima analisada, mantendo-se o reconhecimento de culpa exclusiva do motorista réu pelo acidente. Diante disso, não há como invocar a culpa exclusiva e/ou concorrente do autor para afastar ou minorar o valor indenizatório. E evidentemente que a situação experimentada pelo autor extrapolou o mero dissabor cotidiano, na medida em que, por ato imprudente do réu, precisou o autor submeter-se a dois procedimentos cirúrgicos na perna , permanecendo setenta e cinco dias de(mov. 1.28) repouso .(mov. 1.15) O fato de o autor ser pessoa de parcos rendimentos não é capaz de autorizar a minoração do valor de R$ 10.000,00 fixado em primeiro grau. A uma, porque o montante deve ser suficiente para amenizar o sofrimento experimentado pela parte (no caso, tanto físico quanto psicológico), a duas, porque nada foi trazido quanto à impossibilidade financeira dos réus e, a três, porque encontra-se em consonância com parâmetros desta Corte para casos semelhantes. Confira-se: AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. TRANSPORTE COLETIVO. ACIDENTE DE TRÂNSITO. QUEDA DE PASSAGEIRA. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA.APELAÇÃO CÍVEL. RÉ. EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. CULPA DE TERCEIRO. ART. 735 DO CC. CULPA CONCORRENTE. PROVAS FRÁGEIS. DANOS MORAIS. LAUDO PERICIAL. LESÃO FÍSICA. NECESSIDADE DE CIRURGIA. QUANTUM. R$ 10.000,00. ADEQUAÇÃO AOS PARÂMETROS DESTA CORTE DE JUSTIÇA. DEDUÇÃO DO DPVAT. REDUÇÃO DO VALOR IMPERTINENTE. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO NÃO PROVIDO.APELAÇÃO CÍVEL. AUTORA. DEDUÇÃO DO SEGURO DPVAT. S. 246 DO STJ. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO NÃO PROVIDO. (TJPR - 8ª Câmara Cível - 0000533-11.2019.8.16.0021 - Cascavel - Rel.: DESEMBARGADOR SERGIO ROBERTO NOBREGA ROLANSKI - J. 19.09.2022) APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ACIDENTE DE TRÂNSITO. COLISÃO ENTRE VEÍCULO E MOTOCICLETA. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA. APELO 1. IMPUGNAÇÃO À CONCESSÃO DOS BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA AO AUTOR. AUSÊNCIA DE PROVAS QUE DESCARACTERIZE A HIPOSSUFICIENCIA FINANCEIRA DO BENEFICIADO. NÃO ACOLHIMENTO. DINÂMICA DO ACIDENTE DEMONSTRADA PELO BOLETIM DE OCORRÊNCIA E NÃO DESCONSTITUÍDO POR DEMAIS PROVAS. VEÍCULO DO RÉU QUE INVADIU A PISTA PREFERÊNCIAL INTERCEPTANDO A TRAJETÓRIA DA MOTOCICLETA. CULPA EXCLUSIVA DO RÉU. CONDENAÇÃO INDENIZATÓRIA DEVIDA. DANOS MORAIS. EXISTÊNCIA. VÍTIMA QUE, EMBORA NÃO TENHA SOFRIDO, FOI HOSPITALIZADA, SUBMETIDA A CIRURGIA E TRATAMENTO FISIOTERAPEUTICO. REDUÇÃO DA QUANTIA ARBITRADA PAUTADA NOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. ABATIMENTO DO VALOR RECEBIDO A TÍTULO DE SEGURO DPVAT. POSSIBILIDADE. SÚMULA 246 DO STJ. APELO 2. DANOS ESTÉTICOS. INEXISTÊNCIA DE ELEMENTOS QUE EVIDENCIEM PREJUÍZO DESSA NATUREZA. DESCABIMENTO. APELO 1 CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO.APELO 2 CONHECIDO E NÃO PROVIDO (TJPR - 9ª Câmara Cível - 0012167-38.2017.8.16.0194 - Curitiba - Rel.: DESEMBARGADOR ARQUELAU ARAUJO RIBAS - J. 22.05.2022) Desta forma, nega-se provimento ao recurso. Apelação 1 – Autor (mov. 274.1) Quanto ao dano estético Busca o recorrente a reforma da sentença para que lhe seja fixada indenização por dano estético em razão das cicatrizes na perna e tornozelo direitos. Alega que as cicatrizes são aparentes a olho nu e lhe remeteriam à memória os momentos de sofrimento. Pois bem. Quanto à conceituação do dano estético, vale citar pronunciamento de ilustre membro desta Corte, Des. Marco Antonio Antoniassi, em trecho que ora se transcreve: “Sobre o dano estético, a doutrina ensina que ele corresponde a uma alteração morfológica de formação corporal que agride a visão, causando desagrado e repulsa, deve ser visível, porque concretizado na deformidade (CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa de Responsabilidade Civil. 8 ed. São Paulo: Malheiros, 2008, p. 102).Vale citar também os ensinamentosde Flávio Tartuce, que assim se manifestou sobre o tema: "Tais danos, em regra, estão presentes quando a pessoa sofre feridas, cicatrizes, cortes superficiais ou profundos em sua pele, lesão ou perda de órgãos internos ou externos do corpo, aleijões, amputações, entre outras anomalias que atingem a própria dignidade humana." (TARTUCE, Flávio. Manual de Direito Civil. Volume Único. 2ª ed. São Paulo: Editora Método, 2012, p. (TJPR - 8ª Câmara Cível - 0077503-10.2018.8.16.0014 - J. 19.09.2022)465).” Também merece destaque o voto da ilustre Desembargadora Ângela Khury (0008162- 11.2012.8.16.0044): “Em relação ao dano estético, consoante os ensinamentos de Teresa Ancona Lopes, pode ser definido como "qualquer modificação duradoura ou permanente na aparência externa de uma pessoa, modificação esta que lhe acarreta um “enfeamento” e lhe causa humilhações e desgostos, dando origem, portanto, a uma dor moral" (O Dano Estético, 3ª ed., São Paulo: RT, 2003, p. 46.) [Grifos nossos].Assim, esse dano requer "tenha havido uma piora em relação ao que a pessoa era antes, relativamente aos seus traços do nascimento e não em comparação com algum exemplo de beleza"”. Conforme acima exposto, o dano estético é aquele que altera a aparência da pessoa. É a cicatriz, ou outro resultado perceptível, de aparência ou função, que não existiria caso não tivesse ocorrido o dano praticado pelo ofensor. É aquele resultado capaz de causar constrangimento à vítima. No caso, o recorrente foi submetido a exame pericial, tendo assim apontado o expert (mov. :175.1) “Cicatriz em 6 centímetros anterior patela a direita em bom estado, 4 cicatrizes de um centímetro em perna a direita cicatriz de 8 centímetros em face lateral de tornozelo a direita.” (...) “9. Existem quaisquer marcas ou cicatrizes no corpo do Requerente ocasionado pelo acidente? R: Sim existem conforme relatado no exame físico e registrado em fotos.” São imagens constantes no laudo: Observa-se que as cicatrizes são visíveis a olho nu, sendo duas delas de tamanho considerável (06 e 08 centímetros). Diante disso, as cicatrizes na perna e tornozelo prejudicaram de maneira permanente a aparência do recorrente, trazendo incômodo também ao seu íntimo, como apontado no recurso. E considerando que elas não existiriam caso não tivesse ocorrido o acidente, fica caracterizado o dano estético, imputável ao causador do sinistro. Para fixação do devido, deve-se sopesar o grau de enfeamento, ou constrangimentoquantum derivado da cicatriz, isto é, o quanto a aparência do indenizado ficou aviltada com as marcas. No particular, apesar de visíveis, as cicatrizes encontram-se nos membros inferiores do recorrente (perna e tornozelo), o que minimiza sua potencialidade. Desta forma, e mesmo considerando a subjetividade inerente à sensibilidade de cada indívíduo, considerando que em casos semelhantes esta Corte tem fixado o quantum indenizatório entre R$ 2.000,00 e R$ 5.000,00, entendo por bem em arbitrar o valor reparatório em R$ 4.000,00 (quatro mil reais). Confira-se: APELAÇÃO CÍVEL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS, MORAIS E ESTÉTICOS. ACIDENTE DE TRÂNSITO. COLISÃO ENTRE AUTOMÓVEL E MOTOCICLETA. INTERCEPTAÇÃO DA TRAJETÓRIA DA MOTOCICLETA, OCASIONANDO FRATURA EXPOSTA DA TÍBIA NA PERNA ESQUERDA DO AUTOR. CULPA DO CONDUTOR REQUERIDO INCONTROVERSA. INSURGÊNCIA RECURSAL SOMENTE QUANTO À RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E ÀS VERBAS INDENIZATÓRIAS. ADMISSIBILIDADE. PLEITO DE REDUÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. VERBA JÁ FIXADA NO MÍNIMO LEGAL. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DESTE PONTO. MÉRITO. SENTENÇA QUE RECONHECEU A RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE O CONDUTOR E O PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO. PLEITO INDENIZATÓRIO DIRECIONADO TANTO EM DESFAVOR DO CAUSADOR DO ACIDENTE COMO CONTRA O PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO. MANUTENÇÃO DA SOLIDARIEDADE. LUCROS CESSANTES DEVIDOS. NÃO SENDO CABÍVEL SUA COMPENSAÇÃO COM BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. SENTENÇA RETOCADA NESTE PONTO. CONDENAÇÃO SOLIDÁRIA DOS REQUERIDOS NO PAGAMENTO DA REFERIDA VERBA. PENSÃO MENSAL DEVIDA. GRAU DE INVALIDEZ FIXADO LEVANDO EM CONSIDERAÇÃO A REDUÇÃO DA CAPACIDADE FUNCIONAL TOTAL (10%), RECONHECIDA PELA PERÍCIA. MANUTENÇÃO. PLEITO DE AFASTAMENTO DA INCIDÊNCIA DO ART. 533 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL COM FULCRO NO ART. 1.694 DO CÓDIGO CIVIL AO CASO. ALIMENTOS DECORRENTES DE INDENIZAÇÃO POR ATO ILÍCITO E NÃO EM RAZÃO DA SOLIDARIEDADE FAMILIAR. INAPLICABILIDADE DO ART. 1.694 DO CC. DANO MORAL CONFIGURADO. INDENIZAÇÃO FIXADA EM R$10.000,00 (DEZ MIL REAIS). MANUTENÇÃO. DANO ESTÉTICO EVIDENCIADO. CICATRIZ DE 15 CM. NA PARTE FRONTAL DA PERNA ESQUERDA. VALOR FIXADO EM R$5.000,00 (CINCO MIL REAIS), MANTIDO. HONORÁRIOS RECURSAIS CABÍVEIS APENAS EM FAVOR DO PROCURADOR DO AUTOR. RECURSO DO REQUERIDO PARCIALMENTE CONHECIDO E DESPROVIDO.RECURSO DO AUTOR CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. (TJPR - 9ª Câmara Cível - 0007763- 39.2017.8.16.0130 - Paranavaí - Rel.: DESEMBARGADOR ARQUELAU ARAUJO RIBAS - J. 24.05.2021) APELAÇÕES CÍVEIS. PROCESSO CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. ACIDENTE DE TRÂNSITO. AÇÃO INDENIZATÓRIA. SENTENÇA QUE JULGOU PARCIALMENTE PROCEDENTES OS PEDIDOS INICIAIS. APELAÇÃO 1 (PARTE RÉ). ALEGAÇÃO DE CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA PELO ACIDENTE DE TRÂNSITO PORQUE TRANSITAVA COM OS FARÓIS DA MOTOCICLETA APAGADOS – TESE AFASTADA – CULPA EXCLUSIVA DO RÉU RECONHECIDA EM AÇÃO DEMANDADA PELO CONDUTOR DA MOTOCICLETA, COM TRÂNSITO EM JULGADO – NÃO COMPROVAÇÃO NESTES AUTOS DE QUE A CULPA FOI EXCLUSIVA DA VÍTIMA, ÔNUS QUE LHE INCUMBIA (ART. 373, II, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL). PRESSUPOSTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL PREENCHIDOS – DEVER DE INDENIZAR CONFIGURADO. PENSÃO VITALÍCIA – PEDIDO DE AFASTAMENTO DESCABIMENTO – INCAPACIDADE LABORAL PARCIAL E PERMANENTE ATESTADA POR LAUDO PERICIAL. PLEITO DE AFASTAMENTO DE DANO ESTÉTICO – CONDENAÇÃO MANTIDA – PERÍCIA MÉDICA JUDICIAL CONCLUSIVA NO SENTIDO DE QUE O ACIDENTE DE TRÂNSITO RESULTOU EM CICATRIZ NA PERNA DIREITA DA AUTORA, QUE CAUSA ALTERAÇÃO DA HARMONIA DE SUA FORMA EXTERNA CORPORAL, COM REPERCUSSÃO DE 2/7 E QUE SÃO VISTAS SOCIALMENTE – DEVIDA A INDENIZAÇÃO POR DANO ESTÉTICO, NOS TERMOS DO ARTIGO 927, CAPUT, DO CÓDIGO CIVIL. QUANTUM INDENIZATÓRIO – DANOS MORAIS E DANOS ESTÉTICOS – REDUÇÃO DEVIDA – OBSERVÂNCIA DOS PARÂMETROS DE PROPORCIONALIDADE, DE RAZOABILIDADE E À TRÍPLICE FUNÇÃO DA INDENIZAÇÃO, BEM COMO ADEQUAÇÃO AOS PRECEDENTES DESTE TRIBUNAL EM CASOS ANÁLOGOS. RECURSO ADESIVO – NÃO CONHECIMENTO – AUTORA QUE PRIMEIRAMENTE INTERPÔS RECURSO DE APELAÇÃO – PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE, TAMBÉM CHAMADO DE PRINCÍPIO DA UNICIDADE OU SINGULARIDADE, O QUAL CONSAGRA QUE PARA CADA TIPO DE DECISÃO JUDICIAL SÓ CABE UM RECURSO, SENDO VEDADA A INTERPOSIÇÃO SIMULTÂNEA OU CUMULATIVA DE DOIS OU MAIS RECURSOS, PELA MESMA PARTE, CONTRA UMA MESMA DECISÃO JUDICIAL. APELAÇÃO 2 (PARTE AUTORA). PRETENSÃO DE REFORMA DA SENTENÇA PARA QUE O TERMO FINAL DA PENSÃO VITALÍCIA SEJA QUANDO A AUTORA VIER A COMPLETAR 73 (SETENTA E TRÊS) DE VIDA, EXPECTATIVA DE VIDA DO BRASILEIRO DE ACORDO COM ESTATÍSTICAS E ESTUDOS DO IBGE – NÃO CONHECIMENTO – PEDIDO INICIAL DE CONDENAÇÃO DO RÉU AO PAGAMENTO DA PENSÃO DE FORMA VITALÍCIA – INOVAÇÃO RECURSAL. PLEITO DE MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS – PARCIAL ACOLHIMENTO – PEDIDO DE INVERSÃO DA FORMA FIXADA NA SENTENÇA EM RELAÇÃO AOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DO ANTIGO ADVOGADO DA AUTORA – CABIMENTO – PROCURAÇÃO REVOGADA – ATUAÇÃO NO FEITO POR APROXIMADAMENTE 3 (TRÊS) MESES – INVERSÃO PARA 70% (SETENTA POR CENTO) DOS HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA AO ATUAL ADVOGADO DA PARTE AUTORA E 30% (TRINTA POR CENTO) AO ADVOGADO INICIALMENTE CONSTITUÍDO. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. APELAÇÃO 1 (PARTE RÉ) PARCIALMENTE PROVIDA. APELAÇÃO 2 (PARTE AUTORA) PARCIALMENTE CONHECIDA E, NA PARTE CONHECIDA, PARCIALMENTE PROVIDA. RECURSO ADESIVO NÃO CONHECIDO. (TJPR - 9ª Câmara Cível - 0034296-76.2014.8.16.0021 - Cascavel - Rel.: DESEMBARGADOR ROBERTO PORTUGAL BACELLAR - J. 31.03.2021) APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS.ACIDENTE DE TRÂNSITO. CAPOTAMENTO. OBRAS EM RODOVIA. AUSÊNCIA DE SINALIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE CIVIL SUBJETIVA. SENTENÇA PARCIALMENTE PROCEDENTE. INCONFORMISMO DE AMBAS AS PARTES.1. Ato ilícito, dano, culpa e nexo causal comprovados. Art. 186 e 927 do Código Civil. Inexistência de culpa exclusiva ou concorrente da vítima. Falta de prova da excludente de responsabilidade civil. Art. 373, II, do Código de Processo Civil. Ônus da prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor não desincumbido a contento. 2. Dano estético leve. Cicatriz cirúrgica que não é deformante, mede 10 cm e de difícil visualização. Indenização arbitrada em R$ 2.000,00 (dois mil reais) adequada, razoável e proporcional ao caso dos autos, levando em consideração as particularidades das lesões sofridas, a natureza, o grau e a intensidade da cicatriz e os aspectos físicos e morfológicos acarretados ao autor. 3. Danos morais. Indenização arbitrada em R$ 20.000,00 (vinte mil reais) condizente com os critérios de razoabilidade e proporcionalidade, ao caráter dúplice (punitivo e pedagógico) e à capacidade econômica das partes.4. Pensão vitalícia. Art. 950 do Código Civil. Redução da capacidade laborativa. Prejuízo corporal no total de 50%. Pensão mensal vitalícia devida, com base na remuneração do autor e correspondente ao grau de redução da capacidade laboral, com inclusão de 13º salário, férias e FGTS.5. Consectários legais da condenação. Autarquia estadual. Condenação solidária. Observância dos Temas 905 do STJ e 810 do STF. Correção monetária. IPCA-E. Juros de mora. Índices de caderneta de poupança. Aplicação apenas da Taxa Selic a partir da vigência da EC 113/21. Danos materiais. Efetivo prejuízo. Art. 398 do Código Civil e súmulas 43 e 54 do STJ. Danos morais. Data do arbitramento (sentença). Súmula 362 do STJ. 6. Honorários advocatícios de sucumbência. Readequação. Art. 85, §§2º e 3º, I, do Código de Processo Civil. O extremo grau de zelo por parte dos causídicos, o trabalho realizado, a quantidade de atuações e o tempo exigido para a realização dos serviços recomendam o aumento dos honorários além do mínimo legal.7. Honorários recursais. Art. 85, §11, do Código de Processo Civil. Majoração quantitativa devida. APELAÇÃO 1 DA RÉ DESPROVIDA. APELAÇÃO CÍVEL 2 DO AUTOR PARCIALMENTE PROVIDA. (TJPR - 3ª Câmara Cível - 0001905- 48.2012.8.16.0115 - Matelândia - Rel.: RICARDO AUGUSTO REIS DE MACEDO - J. 10.10.2022) Assim, deve ser alterada a sentença para fixar os danos estéticos no valor de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), o qual deve ser corrigido pela média do INPC/IGP-DI, a partir da data do julgamento, e acrescido de juros de mora de 1% ao mês, desde a data do fato. Quanto à pensão mensal Pede o recorrente para que seja fixada pensão mensal em razão da perda parcial e permanente da musculatura da perna direita, correspondendo a 10% de dano corporal segundo a tabela SUSEP. Aponta que ainda que esteja capacitado a exercer atividade laboral, o faz com maior esforço, fazendo jus à pensão vitalícia nos termos do art. 950 do CC. Pois bem. De acordo com o laudo pericial juntado no , concluiu o :mov. 175.1 expert 4. Houve perda total ou parcial de movimentos/funções? Quais? R: Há perda parcial de musculatura de perna a direita. 5. A perda é permanente? Qual limitações são impostas por tal situação? R: A perda é permanente. No exame não há limitações o autor dificuldade para ficarrelata em pé, e carregar cargas. 8. Considerando a tabela do DPVAT quanto o grau de perda do Requerente? R: Sequelar (10%) para membro inferior a direita. 2. As lesões evoluíram com cura ou consolidação com sequelas? R: Todas obtiveram êxito terapêutico. Tendo queixas somente em membro inferior a direita, apresentando como sequela perda parcial de massa muscular de perna a direita de leve repercussão. 1. Foi identificado algum déficit funcional fisiológico relacionado com as sequelas da doença /acidente? R: Perda de massa muscular de perna a direita. 2. Em caso positivo favor quantificar esta redução trazendo informações detalhadas do cálculo realizado e informando a bibliografia/tabela utilizada. R: Utilizando da tabela SUSEP a perda foi sequelar 10%, há perda de 1 centímetro de massa muscular porem continua com força grau 5, utilizando a tabela por envolver 2 articulações (joelho e tornozelo) a alteração é do membro inferior. 3. Descreva a profissiografia da parte autora (todos os trabalhos anteriores). R: Motoboy (autônomo), auxiliar operacional 15.05.2019 - relata ter sido demitido após 3 meses. Relata atualmente estar registrado como vigia. 4. Encontra-se o autor atualmente totalmente incapacitado para as atividades laborais? R: Está exercendo atividades profissionais. 5. O déficit funcional identificado traz repercussão para a atividade profissional da parte autora. R: Sim relata dificultar ficar em pé e carregar cargas. 7. As sequelas, se existentes, são compatíveis com a atividade profissional ou com trabalhos da mesma complexidade? No caso negativo favor justificar. R: Sim são tanto que continua dirigindo moto. Estando atualmente em outra atividade. 9. No caso das sequelas, a parte autora apresenta condições para retornar as atividades profissionais? R: Está exercendo atividades profissionais. 7. CONCLUSÃO Do acidente noticiado houve sequela definitiva sequelar (10%) em membro inferior direito. Não o impedindo de realizar atividades laborais. Tanto que o mesmo continua dirigindo moto e está realizando atividades laborais atualmente. Observa-se que a sequela decorrente do acidente, ainda que permanente, foi considerada de grau leve, não o incapacitando para exercer a função anterior (motoboy) tampouco outro tipo de trabalho, tanto é que atualmente trabalha como vigia e continua dirigindo motocicleta. Para além disso, não foi verificado em exame clínico nenhuma limitação de movimento (quesito 5), sendo apenas relatado pelo autor a dificuldade em ficar em pé e carregar peso. Não se pode confundir o déficit funcional/sequela permanente com a incapacidade funcional. No caso, o autor não ficou impedido de exercer a atividade anterior e/ou de intentar nova profissão, como de fato o fez, razão pela qual não faz jus ao recebimento de pensão mensal vitalícia. Em julgados semelhantes, assim decidiu esta Corte: APELAÇÃO CÍVEL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS, MORAIS E ESTÉTICOS. ACIDENTE DE TRÂNSITO. COLISÃO ENTRE MOTOCICLETA E AUTOMÓVEL. INTERCEPTAÇÃO DA TRAJETÓRIA DA MOTOCICLETA, OCASIONANDO FRATURA EXPOSTA COMPLEXA DE PERNA DIREITA DA AUTORA. CULPA DO CONDUTOR REQUERIDO INCONTROVERSA. INSURGÊNCIA RECURSAL SOMENTE QUANTO ÀS VERBAS INDENIZATÓRIAS. ADMISSIBILIDADE. PLEITO DE LUCROS CESSANTES, CASO INDEFERIDO O PEDIDO DE PENSIONAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA NÃO VENTILADA PERANTE O JUÍZO DE PRIMEIRO GRAU. INOVAÇÃO RECURSAL. MÉRITO. PENSÃO MENSAL EM CUNHO VITALÍCIO. LAUDO PERICIAL CONCLUSIVO. AUSÊNCIA DE SEQUELAS INCAPACITANTES AO TRABALHO. AUTORA QUE, INCLUSIVE, ESTÁ LABORANDO. QUANTUM DO DANO ESTÉTICO. CICATRIZES NO JOELHO. INDENIZAÇÃO FIXADA EM R$8.000,00 (OITO MIL MIL REAIS). MANUTENÇÃO. DANO MORAL. INDENIZAÇÃO FIXADA EM R$ 10.000,00 (DEZ MIL REAIS) MAJORADA PARA R$15.000,00 (QUINZE MIL REAIS). HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA DEVIDOS SOBRE O VALOR DA CONDENAÇÃO. SEM HONORÁRIOS RECURSAIS. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO.RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. (TJPR - 9ª Câmara Cível - 0010342- 63.2019.8.16.0170 - Toledo - Rel.: DESEMBARGADOR ARQUELAU ARAUJO RIBAS - J. 25.09.2022) APELAÇÃO CÍVEL. PROCESSO CIVIL. DIREITO CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS EM ACIDENTE DE TRÂNSITO. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA. RECURSO DA AUTORA. PEDIDO DE MAJORAÇÃO DA INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS – ACOLHIMENTO – PECULIARIDADES DO CASO – FRATURA NO PUNHO DIREITO QUE, EMBORA NÃO REPRESENTE INCAPACIDADE LABORATIVA, ACARRETOU DIMINUIÇÃO DA AMPLITUDE ARTICULAR – DANOS MORAIS MAJORADOS PARA R$ 5.000,00 (CINCOMIL REAIS). PEDIDO DE CONDENAÇÃO POR DANO ESTÉTICO – DESCABIMENTO – CICATRIZ DE PEQUENA EXTENSÃO NO PUNHO DIREITO – INDENIZAÇÃO INDEVIDA. PRETENSÃO DE RESSARCIMENTO À TÍTULO DE DANOS EMERGENTES – NÃO ACOLHIMENTO – AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO MÍNIMA DOS GASTOS EFETIVAMENTE REALIZADOS – DANO MATERIAL QUE NÃO SE PRESUME. PENSÃO MENSAL VITALÍCIA – INDEVIDA – AUSÊNCIA DE INCAPACIDADE PARA O TRABALHO – LESÃO QUE NÃO PREJUDICOU A ATIVIDADE LABORATIVA DA AUTORA – RETORNO AO MESMO TRABALHO ANTERIOR AO ACIDENTE. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. (TJPR - 9ª Câmara Cível - 0003871-40.2018.8.16.0146 - Rio Negro - Rel.: DESEMBARGADOR ROBERTO PORTUGAL BACELLAR - J. 14.08.2022) APELAÇÃO CÍVEL E RECURSO ADESIVO – AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS MATERIAIS, MORAIS E ESTÉTICOS – ACIDENTE DE TRÂNSITO – SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA DO PEDIDO – CULPA DA PARTE RÉ INCONTROVERSA – LUCROS CESSANTES – VALOR – MÉDIA DOS RENDIMENTOS COMPROVADOS, EFETIVAMENTE PERCEBIDOS NOS MESES ANTERIORES AO SINISTRO – NECESSÁRIA OBSERVÂNCIA, CONTUDO, AO PRINCÍPIO DA ADSTRIÇÃO – PEDIDO CERTO E DETERMINADO – VALOR LIMITADO AO PEDIDO – TERMO FINAL – LUCROS CESSANTES DEVIDOS ATÉ O RETORNO DO AUTOR AO TRABALHO, POIS REMANEJADO DA FUNÇÃO ANTERIOR – RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO QUE OCORREU A PEDIDO DO PRÓPRIO AUTOR – PERÍCIA CLARA NO SENTIDO DE QUE A REDUÇÃO LABORAL SE RESTRINGE À ATIVIDADE PROFISSIONAL EXERCIDA POR OCASIÃO DO ACIDENTE E QUE NÃO HÁ IMPEDIMENTO PARA O EXERCÍCIO DE OUTRAS ATIVIDADES PROFISSIONAIS –PENSÃO MENSAL VITALÍCIA INDEVIDA - CONDENAÇÃO DA SEGURADORA – DANOS MORAIS E ESTÉTICOS – POSSIBILIDADE DE SEREM ABARCADOS NA COBERTURA PARA DANOS CORPORAIS, DEVIDO A SUA NATUREZA COMPLESSIVA – DANOS CORPORAIS QUE PODEM SER PATRIMONIAIS OU EXTRAPATRIMONIAIS – DEVER DE COBERTURA DAS LESÕES EXTRAPATRIMONIAIS, TAMBÉM COM ENQUADRAMENTO NA RUBRICA “DANOS CORPORAIS” – INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE O CAPITAL SEGURADO DESDE A CITAÇÃO – JUROS DE MORA RELATIVOS AOS LUCROS CESSANTES – ADEQUAÇÃO DE OFÍCIO – MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA – CONTAGEM MÊS A MÊS, VISTO SE TRATAR DE PRESTAÇÕES SUCESSIVAS – HONORÁRIOS RECURSAIS DEVIDOS APENAS PELA RECORRENTE ADESIVA – APELAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDA E RECURSO ADESIVO NÃO PROVIDO, COM A ADEQUAÇÃO, DE OFÍCIO, DOS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE OS LUCROS CESSANTES. (TJPR - 9ª Câmara Cível - 0027388-92.2016.8.16.0001 - Curitiba - Rel.: DESEMBARGADOR DOMINGOS JOSÉ PERFETTO - J. 24.07.2021) Desta forma, nego provimento a esta parte do recurso. Por fim, considerando o parcial provimento de ambos os recursos, mantem-se a distribuição da sucumbência como posta na sentença. III – VOTO Em atenção ao acima exposto, voto pelo parcial provimento do recurso 1 (autor) e parcial provimento do recurso 2 (réus), nos termos da fundamentação. Ante o exposto, acordam os Desembargadores da 9ª Câmara Cível do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ, por unanimidade de votos, em dar PARCIAL PROVIMENTO aos recursos, segundo o voto do Relator. O julgamento foi presidido pelo (a) Desembargador Luis Sérgio Swiech, com voto, e dele participaram Desembargador Gil Francisco De Paula Xavier Fernandes Guerra (relator), Desembargador Alexandre Barbosa Fabiani, Desembargador Arquelau Araujo Ribas e Desembargador Substituto Guilherme Frederico Hernandes Denz. Curitiba, 02 de junho de 2023 Gil Francisco de Paula Xavier Fernandes Guerra Desembargador Relator (rvp) [1] Art. 402. Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos devidas ao credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar. [2] Art. 949. No caso de lesão ou outra ofensa à saúde, o ofensor indenizará o ofendido das despesas do tratamento e dos lucros cessantes até ao fim da convalescença, além de algum outro prejuízo que o ofendido prove haver sofrido.