Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ
9ª CÂMARA CÍVEL
 
Apelação Cível n° 0032794-26.2018.8.16.0001
9ª Vara Cível de Curitiba
Apelante(s): Eliseu Soares de Mello, ELTON DANIEL BAREA DA SILVA e FORMULA 
COMERCIO DE AUTOMOVEIS LTDA
Apelado(s): FORMULA COMERCIO DE AUTOMOVEIS LTDA, ELTON DANIEL BAREA DA 
SILVA e Eliseu Soares de Mello
Relator: Desembargador Gil Francisco de Paula Xavier Fernandes Guerra
 
 
APELAÇÕES CÍVEIS – AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS
MATERIAIS E MORAIS DECORRENTE DE ACIDENTE DE
TRÂNSITO – COLISÃO ENTRE VEÍCULO E MOTOCICLETA EM
CRUZAMENTO – ABALROAMENTO TRANSVERSAL – SENTENÇA
QUE JULGA PARCIALMENTE PROCEDENTE O PEDIDO INICIAL.
 
 – PEDIDO DE FIXAÇÃO DEAPELAÇÃO 1 (AUTOR)
INDENIZAÇÃO POR DANOS ESTÉTICOS – CICATRIZES NA
PERNA E TORNOZELO DIREITOS – MARCAS QUE SOMENTE
EXISTEM EM DECORRÊNCIA DO ATO PRATICADO PELO RÉU –
APARÊNCIA DO MEMBRO – CICATRIZES QUE INDUZEM O
CONCEITO JURÍDICO DE ENFEAMENTO – INDENIZAÇÃO
DEVIDA – VALOR ARBITRADO DE ACORDO COM OS
PARÂMETROS DESTA CORTE PARA CASOS SEMELHANTES –
RECURSO PROVIDO.
 
PEDIDO DE PENSÃO MENSAL VITALÍCIA – NÃO ACOLHIMENTO
– DÉFICIT PARCIAL PERMANENTE NA PERNA DIREITA –
PERDA DE MASSA MUSCULAR – 10% DA TABELA SUSEP –
AUTOR QUE NÃO FICOU INCAPACITADO PARA O TRABALHO –
PARTE QUE TRABALHAVA COMO MOTOBOY E DEPOIS DO
ACIDENTE PASSOU A TRABALHAR COMO VIGIA – AUTOR,
ADEMAIS, QUE CONTINUOU PILOTANDO MOTOCICLETA –
SENTENÇA MANTIDA.
 
RECURSO 1 PARCIALMENTE PROVIDO.
 
 – PEDIDO DE AFASTAMENTO DA CULPAAPELAÇÃO 2 (RÉUS)
PELO ACIDENTE – MOTOCICLISTA AUTOR QUE VINHA PELA
PREFERNCIAL QUANDO FOI ATINGIDO PELO MOTORISTA RÉU
– RÉU QUE INFRINGIU ART. 44 DO CTB AO DEIXAR DE
REDOBRAR OS CUIDADOS AO CRUZAR UMA PREFERENCIAL –
CULPA EXCLUSIVA DO RÉU – SENTENÇA MANTIDA.
 
DANOS MATERIAIS – VALOR GASTO PELO AUTOR COM
BOLETIM DE OCORRÊNCIA – DEVER DE RESTITUIÇÃO, UMA
VEZ QUE O VALOR FOI DISPENDIDO EM DECORRÊNCIA DO
ATO ILÍCITO DO RÉU – SENTENÇA MANTIDA, POR
FUNDAMENTO DIVERSO.
 
LUCROS CESSANTES – INDENIZAÇÃO DEVIDA EM RELAÇÃO
AO TEMPO EM QUE O AUTOR FICOU AFASTADO DO
TRABALHO – COMPROVAÇÃO DE VÍNCULO INFORMAL DE
TRABALHO (MOTOBOY) – VALOR QUE DEVE CORRESPONDER
À DIFERENÇA ENTRE O QUANTO A PARTE AUFERIA NO MÊS E
O MONTANTE RECEBIDO PELO INSS NO PERÍODO – PEDIDO
PARCIALMENTE PROVIDO.
 
DANOS MORAIS – MANUTENÇÃO – AUTOR QUE PRECISOU SE
SUBMETER A DOIS PROCEDIMENTOS CIRÚRGICOS NA PERNA
E TORNOZELO – VALOR EM CONSONÂNCIA COM OS
PARÂMETROS DESTA CORTE.
 
RECURSO 2 PARCIALMENTE PROVIDO.
 
 
 
 
Tratam-se de recursos de autuado sob nº em queApelação Cível 0032794-26.2018.8.16.0001
figura como apelante 1 , apelantes 2 Eliseu Soares de Mello Formula Comércio de
 e apelados , interpostos nos autos de Automóveis Ltda. e Outro Os Mesmos Ação de
 em trâmiteIndenização por Danos Materiais e Morais decorrente de acidente de trânsito
perante o Juízo da 9ª Vara Cível do Foro Central da Comarca da Região Metropolitana de
Curitiba.
 
I – RELATÓRIO
 
Tratam-se de recursos de apelação interpostos por ambas as partes contra a sentença de mov.
, mantida pela decisão de que rejeitou os embargos de declaração, que265.1 mov. 288.1
assim relatou os fatos:
 
“Trata-se de ação de indenização por danos materiais e morais decorrentes de acidente de
trânsito ajuizada por Eliseu Soares de Melo em face de Elton Daniel Barea da Silva
(motorista) e Valdemar Negosecki, sendo que este último foi posteriormente substituído pela
requerida Formula Comercio de Automóveis Ltda (proprietária do veículo).
Em sua inicial, narrou o autor, em síntese, que: i) em 16/08/2018, por volta das 13h05min, o
primeiro requerido, condutor do veículo Renault, modelo Duster, de placa AZR – 9597, que
trafegava pela Rua José Ferreira da Rocha e, ao cruzar a Rua Izaac Ferreira da Cruz,
desrespeitou a preferencial e colidiu com o autor, que pilotava uma motocicleta Yamaha,
modelo YBR 125K, ano 2007 e placa APR – 7957; ii) conforme boletim de ocorrência, o
requerido assumiu a responsabilidade pelo fato danoso, revelando que foi o culpado pelo
acidente; iii) ao ser encaminhado para atendimento médico, constou-se que o autor havia
fraturado o membro inferior direito; iii) precisou ser submetido a dois procedimentos
cirúrgicos para fixação de pinos e placa para corrigir o membro faturado; iv) entre a
primeira e segunda cirurgia, passaram-se 18 (dezoito) dias, sendo que o autor reside sozinho
e precisou dos cuidados de familiares e amigos durante esse período; v) o autor atuava como
motoboy em três empresas, no entanto, em razão das lesões sofridas, foi afastado de sua
atividade laboral e até a presente data encontra-se impossibilitado de retornar à função; vi)
desde então, mantém-se com auxílio acidente do INSS, no valor de R$ 1.450,00 (mil e
quatrocentos e cinquenta reais), ressaltando que houve abrupta diminuição nos seus
rendimentos em relação ao que vinha recebendo, uma vez que, antes do acidente, seu ganho
mensal na profissão de motoboy perfazia o valor de R$ 2.120,00 (dois mil cento e vinte
reais); vii) discorreu sobre os requisitos para configuração da responsabilidade civil; viii) os
danos materiais se referem às despesas com transporte para tratamento médico e para a
confecção do boletim de ocorrência, no valor total de R$ 568,30 (quinhentos e sessenta e
oito reais e trinta centavos); ix) pugnou pela indenização a título de lucros cessantes, com
apuração do valor em sede de liquidação de sentença; x) versou acerca do dano estético
sofrido, requerendo indenização no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais); xi) pleiteou a
fixação de pensão mensal vitalícia, no valor de R$ 2.120,00 (dois mil cento e vinte reais), em
decorrência da redução de sua capacidade laboral; xii) apontou a ocorrência de danos
morais em virtude da incerteza, medo e dor que o acidente acarretou. Por fim, requereu a
concessão de assistência judiciária gratuita e a total procedência da demanda. Juntou
documentos (seqs. 1.2/1.34).
Decisão de seq. 6.1 deferiu os benefícios da justiça gratuita e determinou a designação de
audiência preliminar com a citação das partes requeridas.
Citado (seq. 26.2), o requerido Valdemar Negosecki apresentou contestação à seq. 49.1,
arguindo a preliminar de ilegitimidade passiva sob o fundamento de que não era o
proprietário do veículo quando este se envolveu no acidente. Na oportunidade, indicou a
empresa Fórmula Renault como parte legítima a integrar o polo passivo da lide.
A parte autora se manifestou na seq. 52.1, requerendo a exclusão do requerido Valdemar
Negosecki e sua substituição pela empresa Fórmula Renault.
Sentença de seq. 66.1 acolheu a preliminar de ilegitimidade passiva e julgou extinto o
processo sem resolução de mérito em relação ao requerido Valdemar Negosecki.
Citado (seq. 58.2), o requerido Elton Daniel Barea da Silva opôs embargos de declaração
em face da decisão de seq. 66.1, cujas razões foram acolhidas pela decisão de seq. 89.1.
Em seguida, o requerido apresentou contestação (seq. 98.1), sustentando, em suma, que: i)
preliminarmente, a inépcia da petição inicial, sob o fundamento de que o autor não
apresentou documentação idônea que comprove a culpabilidade do primeiro réu em relação
ao acidente; ii) insurgiu-se contra o pedido de indenização a título de dano material, moral,
estético e lucros cessantes, bem como em relação à pensão mensal, ressaltando a
necessidade de abatimento dos valores recebidos por seguro DPVAT; iii) impugnou os
documentos apresentados pelo autor, alegando que, por terem sido produzidos de forma
unilateral, não possuem cunho probatório. Por fim, requereu a total improcedência dos
pedidos formulados na inicial. Por fim, requereu a expedição de ofício à seguradora a fim de
obter informações quanto à indenização do seguro DPVAT recebida pelo autor, para
compensação/dedução do valor diante de eventual condenação indenizatória.
A empresa requerida, comparecendo espontaneamente ao feito, apresentou contestação (seq.
108.1). Em sede preliminar, arguiu preliminar de inépcia do pedido de indenização por
lucros cessantes. No mérito, tratou sobre a dinâmica do acidente,aduzindo que houve
imprudência por parte do autor e, por fim, reforçou as razões apresentadas pelo primeiro
requerido.
(...)
Decisão saneadora afastou as preliminares suscitadas pelos réus, fixou os pontos
controvertidos e deferiu a produção de prova oral, pericial médica e documental, inclusive a
expedição de ofício à seguradora para que prestasse informações quanto ao “pagamento do
seguro obrigatório em nome do autor, o valor pago e a data do respectivo pagamento, por
acidente ocorrido em 16.08.2018” (seq. 123.1).”
 
Ao final, julgou parcialmente procedente o pedido para:
 
“i) condenar os réus solidariamente ao pagamento de indenização por danos materiais no
valor de R$ 96,30 (noventa e seis reais e trinta centavos), devendo tal valor ser corrigido
pela média do INPC/IGPD-I, com juros de mora de 1% ao mês, ambos contabilizados a
partir do pagamento da despesa;
ii) condenar os réus solidariamente ao pagamento de indenização por danos moral no valor
de R$ 10.000,00 (dez mil reais) ao autor, devendo o referido valor ser corrigido
monetariamente pela média do INPC/IGPD-I a partir desta decisão, com juros de mora de
1% ao mês a partir do evento danoso – realizada a compensação com o valor recebido a
título de seguro DPVAT;
iii) condenar os réus solidariamente ao pagamento de indenização por lucros cessantes, no
valor de R$ 3.710,00 (três mil setecentos e dez reais), devendo tal valor ser corrigido pela
média do INPC/IGPD-I, com juros de mora de 1% ao mês, ambos contabilizados a partir do
evento danoso.
Pela sucumbência recíproca, condeno ambas as partes - na proporção de 40% (quarenta por
cento) a parte autora e 60% (sessenta por cento) as partes rés - ao pagamento das custas e
processuais e de honorários sucumbenciais, os quais fixo em 10% (dez por cento) sobre o
valor da condenação, sendo 6% (seis por cento) em favor dos advogados da parte autora e
4% (quatro por cento) em favor dos advogados da parte ré, o que faço conforme aplicação
do art. 85, § 2º, CPC, ante o grau de zelo profissional, o lugar de prestação do serviço, a
importância e a natureza da causa, o trabalho realizado e o tempo exigido para o seu
serviço, mormente pela baixa complexidade da matéria e pelo julgamento antecipado da lide.
Desse pagamento fica a parte autora dispensada, visto ser beneficiária da assistência
judiciária gratuita (seq. 6.1).”
 
Inconformado, apela o autor no , pedindo pela fixação de indenização por danomov. 274.1
estético em razão de ter ficado com 6 (seis) cicatrizes na perna e tornozelo, as quais seriam
visíveis a olho nu e lhe remeteria aos momentos do acidente. Pede também pela fixação de
pensão mensal em razão de ter perdido permanentemente a musculatura da perna direita no
percentual de 10% de dano corporal; que a pensão vitalícia seria devida diante da redução de
sua capacidade laborativa; e, que nos termos do art. 950 do CC, a pensão é devida em
decorrência do maior esforço realizado pela parte para realização do serviço, ainda que não
esteja inabilitado para tanto. Pede pelo provimento do recurso.
 
Por sua vez, recorrem os réus no , alegando que no local do acidente a visibilidademov. 296.1
era ruim em razão dos carros estacionados; que teria olhado para ambos os lados antes de
cruzar a preferencial, a fim de certificar-se que não estaria vindo nenhum veículo; que o réu
estaria em baixa velocidade, considerando ter parado para esperar a preferencial; que o
Boletim de Ocorrência seria omisso e incompleto por não descrever as razões do acidente;
que o autor poderia estar conduzindo sua motocicleta em velocidade acima do permitido; e,
que por não ter sido devidamente comprovada a dinâmica do acidente, não poderiam ser
condenados ao pagamento de indenização. Subsidiariamente, entendem pela ocorrência de
culpa concorrente na proporção de 50% para cada parte. Quanto aos danos materiais fixados
em R$ 96,30, apontam que o valor foi impugnado em contestação, o qual, ademais, não
poderia ser imputado aos réus por se tratar de valor pago pelo autor para confecção do
boletim de ocorrência, necessário para comprovar os fatos constitutivos do seu direito. No
tocante aos lucros cessantes, alegam que o autor não comprovou o quanto efetivamente
auferia por mês, constando nas declarações juntadas que prestava serviço de motoboy de
maneira esporádica; e, que na data do acidente o autor sequer poderia estar trabalhando, como
afirmou no BO, uma vez que estava recebendo auxílio-acidente pelo INSS; assim, pedem
pelo afastamento da condenação. Por fim, pedem pelo afastamento da condenação ao
pagamento de indenização por danos morais diante da ausência de comprovação pelo autor
ou, subsidiariamente, pela minoração do devido, pois capaz de gerar enriquecimentoquantum
ilícito à parte.
 
Contrarrazões nos .movs. 297.1 e 302.1
 
Vieram os autos conclusos.
 
É o relatório.
 
 
 
II – FUNDAMENTAÇÃO
 
Tratam-se de recursos interpostos por ambas as partes contra a sentença de quemov. 265.1
reconheceu a culpa exclusiva do condutor réu no acidente e o condenou, solidariamente à
empresa proprietária do veículo, ao pagamento de indenização por danos materiais, morais e
lucros cessantes.
 
Em linhas gerais, ingressou o autor com a presente demanda alegando que no dia 16/08/2018,
por volta das 13h, trafegava com sua motocicleta na rua Izaac Ferreira da Cruz quando foi
atingido pelo veículo conduzido pelo réu Elton, que desrespeitou a preferencial e causou o
abalroamento transversal. Que o acidente lhe causou fratura no membro inferior direito,
precisando submeter-se a dois procedimentos cirúrgicos para fixação de pinos e placa,
buscando a reparação material e moral pelos danos experimentados.
 
Feito este breve introito, passa-se à análise dos recursos em ordem inversa à sua interposição,
uma vez que discutem os réus a dinâmica do sinistro.
 
Apelação 2 – Réus (mov. 296.1)
 
Quanto à culpa pelo acidente
 
Sustentam os apelantes que o local do acidente teria pouca visibilidade, tendo o primeiro réu
afirmado em depoimento que teria parado e olhado para ambos os lados antes de cruzar a
preferencial, não podendo ser responsabilizado pelo acidente por não ter agido com
imprudência. Que o Boletim de Ocorrência estaria incompleto, e, que o autor poderia estar
em alta velocidade, colaborando assim para o ocorrido. Na eventualidade de não ser acolhido
o pedido, que seja reconhecida a culpa concorrente.
 
Pois bem.
 
A dinâmica do acidente foi ilustrada da seguinte forma no croqui confeccionado no Boletim
de Ocorrência :(mov. 1.13)
 
 
E são imagens do local da colisão e dos veículos envolvidos :(mov. 1.34 e 1.31)
 
 
É fato incontroverso entre as partes que o autor, motociclista, trafegava pela preferencial e o
primeiro réu, motorista do veículo, intentava cruzar a via.
 
Em depoimento pessoal, assim afirmou o motorista réu: “parei no ‘pare’, olhei para
 .esquerda, olhei para direita e arranquei” (mov. 246.2)
 
A assertiva da parte é capaz de elucidar os fatos pela seguinte razão: ao ter o motorista réu
olhado primeiro para o lado esquerdo – sentido em que subia o motociclista autor – e depois
para o lado direito, e, não se certificando novamente que neste “meio tempo” de fato não
estaria vindo nenhum veículo pelo lado esquerdo (sentido mais próximo para iniciar o
cruzamento da via preferencial), acabou arrancando com seu veículo e atingindo o
motociclista, resultando no abalroamento transversal.
 
De mais a mais, o fato objetivo é que essas cautelas que a parte requerida afirma ter tomado,
não foram suficientes para evitar a colisão, por razões que não importam, pois o fato da
invasão da via preferencial é preponderante à realização do acidente.
 
A dinâmica dos fatos fica ainda mais evidente quando se nota que os danos no veículo do réu
se deram na parte da frente (para-choque), indicando que a motocicleta já estava cruzando à
sua frente quando este acelerou para cruzar a via preferencial.
 
Diante disso, ainda que não se vislumbre intenção do réu em causaro acidente, sua ação
imprudente desrespeitou a exigência trazida no art. 44 do CTB, que requer do motorista 
 quando se aproxima de cruzamentos. Vejamos:prudência especial
 
Art. 44. Ao aproximar-se de qualquer tipo de cruzamento, o condutor do veículo deve
demonstrar prudência especial, transitando em velocidade moderada, de forma que possa
deter seu veículo com segurança para dar passagem a pedestre e a veículos que tenham o
direito de preferência.
 
Neste sentido:
 
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS. ACIDENTE DE TRÂNSITO.
SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA.1. ACIDENTE DE TRÂNSITO. VEÍCULO
CONDUZIDO PELO RÉU (SERGIO) QUE, AO INICIAR A TRANSPOSIÇÃO DE
CRUZAMENTO PARA ADENTRAR EM VIA À ESQUERDA, INTERCEPTOU A
TRAJETÓRIA DA MOTOCICLETA CONDUZIDA PELO AUTOR, QUE TRAFEGAVA
NA VIA PREFERENCIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 34 E 44, CTB. ALEGAÇÃO DE
QUE A MOTOCICLETA ESTAVA EM VELOCIDADE EXCESSIVA E COM A
DOCUMENTAÇÃO IRREGULAR. NÃO COMPROVAÇÃO. ÔNUS QUE INCUMBIA À
PARTE RÉ. PENDÊNCIAS NO RECOLHIMENTO DE ENCARGOS SOBRE A
MOTOCICLETA. MERA INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. PRECEDENTES. SINISTRO
QUE TEVE COMO CAUSA PRIMÁRIA E DETERMINANTE A INVASÃO DA VIA
PREFERENCIAL. CULPA DO CONDUTOR DO AUTOMÓVEL. SENTENÇA MANTIDA.
2. DANOS MORAIS. pretensão de minoração do quantum fixado na origem (r$15.000,00).
impossibilidade. autor que sofreu invalidez parcial permanente. VALOR QUE ATENDEU
AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE, À TRÍPLICE
FUNÇÃO DA INDENIZAÇÃO, BEM COMO, OS PARÂMETROS ADOTADOS POR
ESTE TRIBUNAL EM CASOS SEMELHANTES.3. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE
SUCUMBÊNCIA MAJORADOS, COM FULCRO NO ARTIGO 85, §11, CPC.RECURSO
DE APELAÇÃO CONHECIDO E IMPROVIDO. (TJPR - 9ª Câmara Cível - 0003700-
36.2017.8.16.0173 - Umuarama -  Rel.: DESEMBARGADOR LUIS SERGIO SWIECH -  J.
25.09.2022)
 
Para além disso, nada comprovaram os réus quanto a hipótese de o autor estar trafegando em
velocidade incompatível com a via, argumento este que não ultrapassa a retórica
argumentativa diante da inexistência de indícios mínimos a este respeito.
 
Assim, uma vez que o acidente ocorreu por culpa exclusiva do motorista réu que cruzou a
preferencial sem se cerificar que poderia faze-lo com segurança, deve ser mantida a sentença
condenatória como lançada, afastando-se, por consequência, o pedido subsidiário de
reconhecimento de culpa concorrente na medida em que o autor em nada colaborou para o
sinistro.
 
Ressalva-se, por fim, serem infundadas as alegações de não constar no Boletim de Ocorrência
indicativos de ilicitude da conduta do réu e que o documento estaria incompleto.
 
O Boletim de Ocorrência é documento confeccionado por autoridade policial que tem por
finalidade relatar os fatos verificados no local no ocorrido, sem emitir juízo de valor sobre a
dinâmica do sinistro.
 
Para além disso, o fato de não estar preenchido o tópico referente à “infração/recolhimento”
não implica em irregularidade , na medida em que se destina o campo à(mov. 1.13, p.3 e 5)
anotação de alguma intercorrência anterior nos veículos, o que não seria o caso.
 
Desta forma, deve ser negado provimento ao recurso nesta parte.
 
Quanto aos danos materiais
 
Pedem os recorrentes pela reforma da sentença para que seja afastada a condenação ao
pagamento do valor de R$ 96,30 gastos pelo autor para confecção do Boletim de Ocorrência,
pois o documento visava a comprovação dos fatos constitutivos do direito da parte, não
podendo por isso ser ressarcido.
 
A sentença condenou os réus ao pagamento deste valor por entender que a parte não havia
impugnado tal pedido, no entanto, conforme contestação juntada no , o pleitomov. 108.1, p.8
foi expressamente rechaçado pelo réu. A despeito disso, não merece acolhimento a
insurgência recursal.
 
De acordo com comprovante de pagamento trazido no , dispendeu o autor o valormov. 1.14
de R$ 96,30 para conseguir cópia do Boletim de Ocorrência confeccionado no dia do
acidente.
 
E considerando que referida despesa decorreu única e diretamente em razão do acidente
provocado por culpa exclusiva do motorista réu, fica este obrigado a ressarcir o valor
comprovadamente gasto pelo autor.
 
Sobre o tema:
 
APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E
LUCROS CESSANTES. ACIDENTE DE TRÂNSITO COM VÍTIMA FATAL. COLISÃO
TRANSVERSAL.RECURSO DE APELAÇÃO 1 (SEGURADORA). PRELIMINAR DE
ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO ACOLHIMENTO. POSSIBILIDADE DE
AJUIZAMENTO DA AÇÃO DIRETAMENTE CONTRA A SEGURADORA. SEGURO
CARTA VERDE. CARÁTER OBRIGATÓRIO. INTELECÇÃO DO ART. 788 DO CC.
INAPLICABILIDADE DA SÚMULA Nº 529, DO STJ. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE
PROVA DE CULPA DO VEÍCULO SEGURADO. INOCORRÊNCIA. ACERVO
PROBATÓRIO ROBUSTO QUE APONTA CULPA EXCLUSIVA DO CONDUTOR DO
VEÍCULO SEGURADO. TRANSPOSIÇÃO DE PREFERENCIAL EM TREVO DE
RODOVIA SEM O DEVIDO CUIDADO E ATENÇÃO. OBSTRUÇÃO DA TRAJETÓRIA
DO VEÍCULO DOS AUTORES. REDAÇÃO DOS ARTS. 34 E 44 DO CTB. DEVER DE
INDENIZAR CONFIGURADO. PREQUESTIONAMENTO. DESNECESSIDADE.
SENTENÇA MANTIDA. FIXAÇÃO DE HONORÁRIOS RECURSAIS. RECURSO
CONHECIDO E DESPROVIDO.RECURSO DE APELAÇÃO 2 (AUTORA). PLEITO DE
RESSARCIMENTO DO VALOR PAGO PARA A CONFECÇÃO DE BOLETIM DE
OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. DESPESA COMPROVADA. NECESSIDADE DE
REPARAÇÃO INTEGRAL. PRETENSÃO DE RECONHECIMENTO DA
SUCUMBÊNCIA MÍNIMA. IMPOSSIBILIDADE. DISTRIBUIÇÃO DA SUCUMBÊNCIA
QUE DEVE LEVAR EM CONSIDERAÇÃO O NÚMERO DE PEDIDOS E SUA
REPERCUSSÃO ECONÔMICA. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. NECESSIDADE DE
DISTRIBUIÇÃO PROPORCIONAL DAS CUSTAS E DESPESAS PROCESSUAIS E
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE ACORDO COM O DECAIMENTO DE CADA
PARTE. ART. 86, DO CPC. REDISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS SUCUMBENCIAL. PEDIDO
DE EXCLUSÃO DO FRACIONAMENTO E COMPENSAÇÃO DE HONORÁRIOS.
INEXISTÊNCIA. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. RECURSO
CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. RECURSO DE APELAÇÃO 1
CONHECIDO E DESPROVIDO.RECURSO DE APELAÇÃO 2 CONHECIDO E
PARCIALMENTE PROVIDO. (TJPR - 8ª Câmara Cível - 0004377-37.2018.8.16.0139 -
Prudentópolis -  Rel.: DESEMBARGADOR MARCO ANTONIO ANTONIASSI -  J.
12.11.2020)
 
Assim, mantem-se a sentença nesta parte, ainda que por fundamento diverso.
 
Quanto aos lucros cessantes
 
Apontam os recorrentes que o autor trabalhava como motoboy prestando serviço de maneira
esporádica, sem habitualidade. Que o auxílio-doença por ele recebido do INSS deveria ser
descontado do total que alegava auferir mensalmente, e, que o auxílio-doença já estava sendo
pago antes mesmo do acidente, o que lhe impediria de estar trabalhando no momento, como
alegou no Boletim de Ocorrência.
 
Pois bem.
 
Constou na petição inicial :(mov. 1.1)
 
“Em consequência do acidente, o Requerente pleiteou junto ao INSS o Auxilio Doença,
passando a receber a título de benefício o valor mensal e R$ 1.450,00 (dois mil e
quatrocentos e cinquenta reais).
Entretanto, a profissão exercida do Requerente é de motofretista, conforme declarações das
empresas K2 FILME CLIPE E PRODUÇÕES, KYBOA PRODUTOS DE LIMPEZA e
MAURO GRANDE ARQUITETOS, doc. Anexo, seu ganho mensal perfazia o valor de R$
2.120,00 (dois mil cento e vinte reais) e, ao receber o Auxilio doença, sofreu uma diminuição
nos seus rendimentos.
Destarte os fatos, o Requerente encontra amparo de pleitear os lucros Cessantes, que por
causa do acidente, o deixou de auferir. (...)”
 
Os documentos trazidos nos indicam que o autor teve seu pedido de auxílio-movs. 1.6 e 1.5
doença requerido em 09/07/2018, deferido em 18/07/2018 e válido até 30/11/2018. O pedido
foi renovado em 16/11/2018 e estendido até 03/02/2019.  
 
O acidente, por sua vez, ocorreu em 16/08/2018, ou seja, posteriormente ao pedido de
concessão de auxílio-doença requerido junto ao INSS.
 
O fato de o autor estar trabalhando como motoboy no momento do acidente, ainda que – em
tese – estivesse afastado perante a previdência social, não lhe impede de pleitear os lucros
cessantes. Eventual responsabilidade da parte frente à seguridade social poderá,
eventualmente e se o caso, ser discutida em autos próprios perante a autoridade competente.
No momento, discute-seapenas a responsabilidade civil dos réus frente ao autor.
 
E diante disso, devem os réus responder pela diferença de renda entre o valor recebido do
auxílio-doença e o a parte efetivamente auferia mensalmente, nos termosquantum
preconizados pelo art. 402 e 949 do Código Civil.[1] [2]
 
Sobre o tema:
 
APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO DE REPARAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E
INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. ACIDENTE DE TRÂNSITO MOTOCICLETA E
CAMINHÃO. COLISÃO EM VIA PREFERENCIAL. SENTENÇA DE PARCIAL
PROCEDÊNCIA. BOLETIM DE OCORRÊNCIA. PRESUNÇÃO IURIS TANTUM DE
VERACIDADE. CAMINHÃO CONDUZIDO PELO SEGUNDO RÉU QUE
ATRAVESSOU VIA PREFERENCIAL E CAUSOU A OBSTRUÇÃO DA PASSAGEM
DO AUTOR. INVASÃO DA VIA PREFERENCIAL. CAUSA PRIMÁRIA.
INOBSERVÂNCIA ÀS NORMAS DE TRÂNSITO. CULPA CONCORRENTE.
INOCORRÊNCIA. ALEGAÇÃO DE QUE O AUTOR SEGUIA EM ALTA
VELOCIDADE. NÃO COMPROVADA. CULPA EXCLUSIVA DO CONDUTOR RÉU.
DEVER DE INDENIZAR. DANOS MORAIS. QUANTUM INDENIZATÓRIO.
MAJORAÇÃO DEVIDA. CARÁTER PUNITIVO-REPARADOR. PARÂMETROS
DOUTRINÁRIOS E JURISPRUDENCIAIS. DANOS EMERGENTES. CONJUNTO
PROBATÓRIO QUE POSSIBILITA A QUANTIFICAÇÃO DOS VALORES
DESPENDIDOS PELO AUTOR. MANUTENÇÃO. LUCROS CESSANTES.
POSSIBILIDADE DE ABATIMENTO DOS VALORES RECEBIDOS À TITULO DE
AUXÍLIO-SAÚDE. COMPROVAÇÃO DO RECEBIMENTO NOS AUTOS. DPVAT.
POSSIBILIDADE DE DESCONTO DOS VALORES RECEBIDOS DA INDENIZAÇÃO
JUDICIAL INDEPENDENTE DA NATUREZA. SÚMULA 246 DO STJ. INCIDÊNCIA DE
JUROS DE MORA SOBRE O VALOR NOMINAL DA APÓLICE. IMPOSSIBILIDADE.
PRECEDENTES DESTE E. TRIBUNAL. HONORÁRIOS RECURSAIS. ART. 85, §11 DO
CPC. IMPOSSIBILIDADE DE MAJORAÇÃO. FIXAÇÃO EM PATAMAR MÁXIMO.
RECURSO DE APELAÇÃO 01, DE CD SUL LOGÍSTICA E OUTRO –
DESPROVIDORECURSO DE APELAÇÃO 02, DE THIAGO RAMALHO ANTUNES –
PARCIALMENTE PROVIDORECURSO DE APELAÇÃO 03, DE SOMPO SEGUROS S.
A. – PARCIALMENTE PROVIDO. (TJPR - 8ª Câmara Cível - 0007401-85.2017.8.16.0017 -
Maringá -  Rel.: DESEMBARGADOR HELIO HENRIQUE LOPES FERNANDES LIMA
-  J. 05.12.2022)
 
De acordo com declarações prestadas por três empresas nos , o autor lhesmovs. 1.4 e 1.7
prestava serviço de motoboy recebendo mensalmente R$ 500,00, R$ 870,00 e R$ 750,00,
respectivamente. Apontam que desde a data do acidente de trânsito o serviço não mais pôde
ser prestado.
 
Assim, os lucros cessantes constituem-se como a diferença entre o valor efetivamente
auferido no mês (no caso, o valor do auxílio-doença de R$ 1.450,00 apontado pelo próprio
autor na inicial) e o valor que normalmente receberia se trabalhando estivesse (total de R$
2.120,00), devidos durante o período em que a parte ficou de atestado médico (75 dias – dois
meses e meio – ).mov. 1.15
 
Do total apurado, a ser calculado em cumprimento de sentença, deverá ser descontado 30%
pois assim determinou a sentença e nenhuma das partes se insurge.
 
Por fim, destaca-se que a impugnação dos réus quanto à validade das declarações emitidas
pelas empresas para as quais o autor prestava serviço não encontra respaldo probatório. O
fato de não ter sido apontado o CNPJ e/ou constar o carimbo do assinante não é suficiente
para invalidar os documentos, merecendo destaque a assertiva do magistrado sobre o tema 
: (mov. 265.1) “Nesse ponto, há que se considerar que o serviço de motoboy é comumente
contratado de modo informal e, portanto, a declaração devidamente assinada pelo
responsável é suficiente para atribuir verossimilhança às alegações da parte autora. A
propósito: (...)”
 
Desta forma, deve ser dado parcial provimento a esta parte do recurso para determinar que os
lucros cessantes sejam calculados entre a diferença recebida pelo autor à título de auxílio-
doença e do que efetivamente auferia por mês, de acordo com as declarações trazidas,
descontado deste total 30% que se destinariam às despesas próprias de manutenção. Mantem-
se a correção de acordo com o dispositivo da sentença.
 
Quanto aos danos morais
 
Por fim, pugnam os recorrentes pelo afastamento da condenação ao pagamento de
indenização por danos morais em razão de o autor ter dado causa e/ou contribuído para o
acidente, também porque não comprovado o dano. Subsidiariamente, pedem pela minoração
do fixado.quantum
 
Sem razão.
 
A dinâmica do acidente já foi acima analisada, mantendo-se o reconhecimento de culpa
exclusiva do motorista réu pelo acidente. Diante disso, não há como invocar a culpa exclusiva
e/ou concorrente do autor para afastar ou minorar o valor indenizatório.
 
E evidentemente que a situação experimentada pelo autor extrapolou o mero dissabor
cotidiano, na medida em que, por ato imprudente do réu, precisou o autor submeter-se a dois
procedimentos cirúrgicos na perna , permanecendo setenta e cinco dias de(mov. 1.28)
repouso .(mov. 1.15)
 
O fato de o autor ser pessoa de parcos rendimentos não é capaz de autorizar a minoração do
valor de R$ 10.000,00 fixado em primeiro grau. A uma, porque o montante deve ser
suficiente para amenizar o sofrimento experimentado pela parte (no caso, tanto físico quanto
psicológico), a duas, porque nada foi trazido quanto à impossibilidade financeira dos réus e, a
três, porque encontra-se em consonância com parâmetros desta Corte para casos semelhantes.
 
Confira-se:
 
AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. TRANSPORTE
COLETIVO. ACIDENTE DE TRÂNSITO. QUEDA DE PASSAGEIRA. SENTENÇA DE
PARCIAL PROCEDÊNCIA.APELAÇÃO CÍVEL. RÉ. EXCLUDENTE DE
RESPONSABILIDADE. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. CULPA DE TERCEIRO.
ART. 735 DO CC. CULPA CONCORRENTE. PROVAS FRÁGEIS. DANOS MORAIS.
LAUDO PERICIAL. LESÃO FÍSICA. NECESSIDADE DE CIRURGIA. QUANTUM. R$
10.000,00. ADEQUAÇÃO AOS PARÂMETROS DESTA CORTE DE JUSTIÇA.
DEDUÇÃO DO DPVAT. REDUÇÃO DO VALOR IMPERTINENTE. SENTENÇA
MANTIDA. RECURSO NÃO PROVIDO.APELAÇÃO CÍVEL. AUTORA. DEDUÇÃO DO
SEGURO DPVAT. S. 246 DO STJ. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO NÃO PROVIDO.
(TJPR - 8ª Câmara Cível - 0000533-11.2019.8.16.0021 - Cascavel -  Rel.:
DESEMBARGADOR SERGIO ROBERTO NOBREGA ROLANSKI -  J. 19.09.2022)
 
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ACIDENTE DE TRÂNSITO.
COLISÃO ENTRE VEÍCULO E MOTOCICLETA. SENTENÇA DE PARCIAL
PROCEDÊNCIA. APELO 1. IMPUGNAÇÃO À CONCESSÃO DOS BENEFÍCIOS DA
JUSTIÇA GRATUITA AO AUTOR. AUSÊNCIA DE PROVAS QUE DESCARACTERIZE
A HIPOSSUFICIENCIA FINANCEIRA DO BENEFICIADO. NÃO ACOLHIMENTO.
DINÂMICA DO ACIDENTE DEMONSTRADA PELO BOLETIM DE OCORRÊNCIA E
NÃO DESCONSTITUÍDO POR DEMAIS PROVAS. VEÍCULO DO RÉU QUE INVADIU
A PISTA PREFERÊNCIAL INTERCEPTANDO A TRAJETÓRIA DA MOTOCICLETA.
CULPA EXCLUSIVA DO RÉU. CONDENAÇÃO INDENIZATÓRIA DEVIDA. DANOS
MORAIS. EXISTÊNCIA. VÍTIMA QUE, EMBORA NÃO TENHA SOFRIDO, FOI
HOSPITALIZADA, SUBMETIDA A CIRURGIA E TRATAMENTO
FISIOTERAPEUTICO. REDUÇÃO DA QUANTIA ARBITRADA PAUTADA NOS
PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. ABATIMENTO DO
VALOR RECEBIDO A TÍTULO DE SEGURO DPVAT. POSSIBILIDADE. SÚMULA 246
DO STJ. APELO 2. DANOS ESTÉTICOS. INEXISTÊNCIA DE ELEMENTOS QUE
EVIDENCIEM PREJUÍZO DESSA NATUREZA. DESCABIMENTO. APELO 1
CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO.APELO 2 CONHECIDO E NÃO
PROVIDO (TJPR - 9ª Câmara Cível - 0012167-38.2017.8.16.0194 - Curitiba -  Rel.:
DESEMBARGADOR ARQUELAU ARAUJO RIBAS -  J. 22.05.2022)
 
Desta forma, nega-se provimento ao recurso.
 
Apelação 1 – Autor (mov. 274.1)
 
Quanto ao dano estético
 
Busca o recorrente a reforma da sentença para que lhe seja fixada indenização por dano
estético em razão das cicatrizes na perna e tornozelo direitos. Alega que as cicatrizes são
aparentes a olho nu e lhe remeteriam à memória os momentos de sofrimento.
 
Pois bem.
 
Quanto à conceituação do dano estético, vale citar pronunciamento de ilustre membro desta
Corte, Des. Marco Antonio Antoniassi, em trecho que ora se transcreve:
 
“Sobre o dano estético, a doutrina ensina que ele corresponde a uma alteração morfológica
de formação corporal que agride a visão, causando desagrado e repulsa, deve ser visível,
porque concretizado na deformidade (CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa de
Responsabilidade Civil. 8 ed. São Paulo: Malheiros, 2008, p. 102).Vale citar também os
ensinamentosde Flávio Tartuce, que assim se manifestou sobre o tema: "Tais danos, em
regra, estão presentes quando a pessoa sofre feridas, cicatrizes, cortes superficiais ou
profundos em sua pele, lesão ou perda de órgãos internos ou externos do corpo, aleijões,
amputações, entre outras anomalias que atingem a própria dignidade humana." (TARTUCE,
Flávio. Manual de Direito Civil. Volume Único. 2ª ed. São Paulo: Editora Método, 2012, p.
 (TJPR - 8ª Câmara Cível - 0077503-10.2018.8.16.0014 - J. 19.09.2022)465).”
 
Também merece destaque o voto da ilustre Desembargadora Ângela Khury (0008162-
11.2012.8.16.0044):
 
“Em relação ao dano estético, consoante os ensinamentos de Teresa Ancona Lopes, pode ser
definido como "qualquer modificação duradoura ou permanente na aparência externa de
uma pessoa, modificação esta que lhe acarreta um “enfeamento” e lhe causa humilhações e
desgostos, dando origem, portanto, a uma dor moral" (O Dano Estético, 3ª ed., São Paulo:
RT, 2003, p. 46.) [Grifos nossos].Assim, esse dano requer "tenha havido uma piora em
relação ao que a pessoa era antes, relativamente aos seus traços do nascimento e não em
comparação com algum exemplo de beleza"”.
 
Conforme acima exposto, o dano estético é aquele que altera a aparência da pessoa. É a
cicatriz, ou outro resultado perceptível, de aparência ou função, que não existiria caso não
tivesse ocorrido o dano praticado pelo ofensor. É aquele resultado capaz de causar
constrangimento à vítima.
 
No caso, o recorrente foi submetido a exame pericial, tendo assim apontado o expert (mov.
:175.1)
 
“Cicatriz em 6 centímetros anterior patela a direita em bom estado, 4 cicatrizes de um
centímetro em perna a direita cicatriz de 8 centímetros em face lateral de tornozelo a
direita.”
(...)
“9. Existem quaisquer marcas ou cicatrizes no corpo do Requerente ocasionado pelo
acidente?
R: Sim existem conforme relatado no exame físico e registrado em fotos.”
 
São imagens constantes no laudo:
 
 
Observa-se que as cicatrizes são visíveis a olho nu, sendo duas delas de tamanho considerável
(06 e 08 centímetros).
 
Diante disso, as cicatrizes na perna e tornozelo prejudicaram de maneira permanente a
aparência do recorrente, trazendo incômodo também ao seu íntimo, como apontado no
recurso. E considerando que elas não existiriam caso não tivesse ocorrido o acidente, fica
caracterizado o dano estético, imputável ao causador do sinistro.
 
Para fixação do devido, deve-se sopesar o grau de enfeamento, ou constrangimentoquantum
derivado da cicatriz, isto é, o quanto a aparência do indenizado ficou aviltada com as marcas.
 
No particular, apesar de visíveis, as cicatrizes encontram-se nos membros inferiores do
recorrente (perna e tornozelo), o que minimiza sua potencialidade.
 
Desta forma, e mesmo considerando a subjetividade inerente à sensibilidade de cada
indívíduo, considerando que em casos semelhantes esta Corte tem fixado o quantum
indenizatório entre R$ 2.000,00 e R$ 5.000,00, entendo por bem em arbitrar o valor
reparatório em R$ 4.000,00 (quatro mil reais).
 
Confira-se:
 
APELAÇÃO CÍVEL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS, MORAIS E
ESTÉTICOS. ACIDENTE DE TRÂNSITO. COLISÃO ENTRE AUTOMÓVEL E
MOTOCICLETA. INTERCEPTAÇÃO DA TRAJETÓRIA DA MOTOCICLETA,
OCASIONANDO FRATURA EXPOSTA DA TÍBIA NA PERNA ESQUERDA DO
AUTOR. CULPA DO CONDUTOR REQUERIDO INCONTROVERSA. INSURGÊNCIA
RECURSAL SOMENTE QUANTO À RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E ÀS
VERBAS INDENIZATÓRIAS. ADMISSIBILIDADE. PLEITO DE REDUÇÃO DOS
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. VERBA JÁ FIXADA NO MÍNIMO LEGAL. FALTA
DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DESTE PONTO. MÉRITO.
SENTENÇA QUE RECONHECEU A RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE O
CONDUTOR E O PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO. PLEITO INDENIZATÓRIO
DIRECIONADO TANTO EM DESFAVOR DO CAUSADOR DO ACIDENTE COMO
CONTRA O PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO. MANUTENÇÃO DA SOLIDARIEDADE.
LUCROS CESSANTES DEVIDOS. NÃO SENDO CABÍVEL SUA COMPENSAÇÃO
COM BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. SENTENÇA RETOCADA NESTE PONTO.
CONDENAÇÃO SOLIDÁRIA DOS REQUERIDOS NO PAGAMENTO DA REFERIDA
VERBA. PENSÃO MENSAL DEVIDA. GRAU DE INVALIDEZ FIXADO LEVANDO
EM CONSIDERAÇÃO A REDUÇÃO DA CAPACIDADE FUNCIONAL TOTAL (10%),
RECONHECIDA PELA PERÍCIA. MANUTENÇÃO. PLEITO DE AFASTAMENTO DA
INCIDÊNCIA DO ART. 533 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL COM FULCRO NO
ART. 1.694 DO CÓDIGO CIVIL AO CASO. ALIMENTOS DECORRENTES DE
INDENIZAÇÃO POR ATO ILÍCITO E NÃO EM RAZÃO DA SOLIDARIEDADE
FAMILIAR. INAPLICABILIDADE DO ART. 1.694 DO CC. DANO MORAL
CONFIGURADO. INDENIZAÇÃO FIXADA EM R$10.000,00 (DEZ MIL REAIS).
MANUTENÇÃO. DANO ESTÉTICO EVIDENCIADO. CICATRIZ DE 15 CM. NA
PARTE FRONTAL DA PERNA ESQUERDA. VALOR FIXADO EM R$5.000,00 (CINCO
MIL REAIS), MANTIDO. HONORÁRIOS RECURSAIS CABÍVEIS APENAS EM
FAVOR DO PROCURADOR DO AUTOR.  RECURSO DO REQUERIDO
PARCIALMENTE CONHECIDO E DESPROVIDO.RECURSO DO AUTOR
CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. (TJPR - 9ª Câmara Cível - 0007763-
39.2017.8.16.0130 - Paranavaí -  Rel.: DESEMBARGADOR ARQUELAU ARAUJO
RIBAS -  J. 24.05.2021)
 
APELAÇÕES CÍVEIS. PROCESSO CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. ACIDENTE
DE TRÂNSITO. AÇÃO INDENIZATÓRIA. SENTENÇA QUE JULGOU
PARCIALMENTE PROCEDENTES OS PEDIDOS INICIAIS. APELAÇÃO 1 (PARTE
RÉ). ALEGAÇÃO DE CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA PELO ACIDENTE DE
TRÂNSITO PORQUE TRANSITAVA COM OS FARÓIS DA MOTOCICLETA
APAGADOS – TESE AFASTADA – CULPA EXCLUSIVA DO RÉU RECONHECIDA
EM AÇÃO DEMANDADA PELO CONDUTOR DA MOTOCICLETA, COM TRÂNSITO
EM JULGADO – NÃO COMPROVAÇÃO NESTES AUTOS DE QUE A CULPA FOI
EXCLUSIVA DA VÍTIMA, ÔNUS QUE LHE INCUMBIA (ART. 373, II, DO CÓDIGO
DE PROCESSO CIVIL). PRESSUPOSTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL
PREENCHIDOS – DEVER DE INDENIZAR CONFIGURADO. PENSÃO VITALÍCIA –
PEDIDO DE AFASTAMENTO DESCABIMENTO – INCAPACIDADE LABORAL
PARCIAL E PERMANENTE ATESTADA POR LAUDO PERICIAL. PLEITO DE
AFASTAMENTO DE DANO ESTÉTICO – CONDENAÇÃO MANTIDA – PERÍCIA
MÉDICA JUDICIAL CONCLUSIVA NO SENTIDO DE QUE O ACIDENTE DE
TRÂNSITO RESULTOU EM CICATRIZ NA PERNA DIREITA DA AUTORA, QUE
CAUSA ALTERAÇÃO DA HARMONIA DE SUA FORMA EXTERNA CORPORAL,
COM REPERCUSSÃO DE 2/7 E QUE SÃO VISTAS SOCIALMENTE – DEVIDA A
INDENIZAÇÃO POR DANO ESTÉTICO, NOS TERMOS DO ARTIGO 927, CAPUT, DO
CÓDIGO CIVIL. QUANTUM INDENIZATÓRIO – DANOS MORAIS E DANOS
ESTÉTICOS – REDUÇÃO DEVIDA – OBSERVÂNCIA DOS PARÂMETROS DE
PROPORCIONALIDADE, DE RAZOABILIDADE E À TRÍPLICE FUNÇÃO DA
INDENIZAÇÃO, BEM COMO ADEQUAÇÃO AOS PRECEDENTES DESTE TRIBUNAL
EM CASOS ANÁLOGOS. RECURSO ADESIVO – NÃO CONHECIMENTO –  AUTORA
QUE PRIMEIRAMENTE INTERPÔS RECURSO DE APELAÇÃO – PRINCÍPIO DA
UNIRRECORRIBILIDADE, TAMBÉM CHAMADO DE PRINCÍPIO DA UNICIDADE
OU SINGULARIDADE, O QUAL CONSAGRA QUE PARA CADA TIPO DE DECISÃO
JUDICIAL SÓ CABE UM RECURSO, SENDO VEDADA A INTERPOSIÇÃO
SIMULTÂNEA OU CUMULATIVA DE DOIS OU MAIS RECURSOS, PELA MESMA
PARTE, CONTRA UMA MESMA DECISÃO JUDICIAL. APELAÇÃO 2 (PARTE
AUTORA). PRETENSÃO DE REFORMA DA SENTENÇA PARA QUE O TERMO
FINAL DA PENSÃO VITALÍCIA SEJA QUANDO A AUTORA VIER A COMPLETAR
73 (SETENTA E TRÊS) DE VIDA, EXPECTATIVA DE VIDA DO BRASILEIRO DE
ACORDO COM ESTATÍSTICAS E ESTUDOS DO IBGE – NÃO CONHECIMENTO –
PEDIDO INICIAL DE CONDENAÇÃO DO RÉU AO PAGAMENTO DA PENSÃO DE
FORMA VITALÍCIA – INOVAÇÃO RECURSAL. PLEITO DE MAJORAÇÃO DOS
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS – PARCIAL ACOLHIMENTO – PEDIDO DE
INVERSÃO DA FORMA FIXADA NA SENTENÇA EM RELAÇÃO AOS HONORÁRIOS
ADVOCATÍCIOS DO ANTIGO ADVOGADO DA AUTORA – CABIMENTO –
PROCURAÇÃO REVOGADA – ATUAÇÃO NO FEITO POR APROXIMADAMENTE 3
(TRÊS) MESES – INVERSÃO PARA 70% (SETENTA POR CENTO) DOS
HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA AO ATUAL ADVOGADO DA PARTE AUTORA E
30% (TRINTA POR CENTO) AO ADVOGADO INICIALMENTE CONSTITUÍDO.
SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. APELAÇÃO 1 (PARTE RÉ)
PARCIALMENTE PROVIDA. APELAÇÃO 2 (PARTE AUTORA) PARCIALMENTE
CONHECIDA E, NA PARTE CONHECIDA, PARCIALMENTE PROVIDA. RECURSO
ADESIVO NÃO CONHECIDO. (TJPR - 9ª Câmara Cível - 0034296-76.2014.8.16.0021 -
Cascavel -  Rel.: DESEMBARGADOR ROBERTO PORTUGAL BACELLAR -  J.
31.03.2021)
 
APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E
MORAIS.ACIDENTE DE TRÂNSITO. CAPOTAMENTO. OBRAS EM RODOVIA.
AUSÊNCIA DE SINALIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE CIVIL SUBJETIVA.
SENTENÇA PARCIALMENTE PROCEDENTE. INCONFORMISMO DE AMBAS AS
PARTES.1. Ato ilícito, dano, culpa e nexo causal comprovados. Art. 186 e 927 do Código
Civil. Inexistência de culpa exclusiva ou concorrente da vítima. Falta de prova da excludente
de responsabilidade civil. Art. 373, II, do Código de Processo Civil. Ônus da prova do fato
impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor não desincumbido a contento. 2.
Dano estético leve. Cicatriz cirúrgica que não é deformante, mede 10 cm e de difícil
visualização. Indenização arbitrada em R$ 2.000,00 (dois mil reais) adequada, razoável e
proporcional ao caso dos autos, levando em consideração as particularidades das lesões
sofridas, a natureza, o grau e a intensidade da cicatriz e os aspectos físicos e morfológicos
acarretados ao autor. 3. Danos morais. Indenização arbitrada em R$ 20.000,00 (vinte mil
reais) condizente com os critérios de razoabilidade e proporcionalidade, ao caráter dúplice
(punitivo e pedagógico) e à capacidade econômica das partes.4. Pensão vitalícia. Art. 950 do
Código Civil. Redução da capacidade laborativa. Prejuízo corporal no total de 50%. Pensão
mensal vitalícia devida, com base na remuneração do autor e correspondente ao grau de
redução da capacidade laboral, com inclusão de 13º salário, férias e FGTS.5. Consectários
legais da condenação. Autarquia estadual. Condenação solidária. Observância dos Temas 905
do STJ e 810 do STF. Correção monetária. IPCA-E. Juros de mora. Índices de caderneta de
poupança. Aplicação apenas da Taxa Selic a partir da vigência da EC 113/21. Danos
materiais. Efetivo prejuízo. Art. 398 do Código Civil e súmulas 43 e 54 do STJ. Danos
morais. Data do arbitramento (sentença). Súmula 362 do STJ. 6. Honorários advocatícios de
sucumbência. Readequação. Art. 85, §§2º e 3º, I, do Código de Processo Civil. O extremo
grau de zelo por parte dos causídicos, o trabalho realizado, a quantidade de atuações e o
tempo exigido para a realização dos serviços recomendam o aumento dos honorários além do
mínimo legal.7. Honorários recursais. Art. 85, §11, do Código de Processo Civil. Majoração
quantitativa devida. APELAÇÃO 1 DA RÉ DESPROVIDA. APELAÇÃO CÍVEL 2 DO
AUTOR PARCIALMENTE PROVIDA. (TJPR - 3ª Câmara Cível - 0001905-
48.2012.8.16.0115 - Matelândia -  Rel.: RICARDO AUGUSTO REIS DE MACEDO -  J.
10.10.2022)
 
Assim, deve ser alterada a sentença para fixar os danos estéticos no valor de R$ 4.000,00
(quatro mil reais), o qual deve ser corrigido pela média do INPC/IGP-DI, a partir da data do
julgamento, e acrescido de juros de mora de 1% ao mês, desde a data do fato.
 
Quanto à pensão mensal
 
Pede o recorrente para que seja fixada pensão mensal em razão da perda parcial e permanente
da musculatura da perna direita, correspondendo a 10% de dano corporal segundo a tabela
SUSEP. Aponta que ainda que esteja capacitado a exercer atividade laboral, o faz com maior
esforço, fazendo jus à pensão vitalícia nos termos do art. 950 do CC.
 
Pois bem.
 
De acordo com o laudo pericial juntado no , concluiu o :mov. 175.1 expert
 
4. Houve perda total ou parcial de movimentos/funções? Quais?
R: Há perda parcial de musculatura de perna a direita.
 
5. A perda é permanente? Qual limitações são impostas por tal situação?
R: A perda é permanente. No exame não há limitações o autor dificuldade para ficarrelata
em pé, e carregar cargas.
 
8. Considerando a tabela do DPVAT quanto o grau de perda do Requerente?
R: Sequelar (10%) para membro inferior a direita.
 
2. As lesões evoluíram com cura ou consolidação com sequelas?
R: Todas obtiveram êxito terapêutico. Tendo queixas somente em membro inferior a direita,
apresentando como sequela perda parcial de massa muscular de perna a direita de leve
repercussão.
 
1. Foi identificado algum déficit funcional fisiológico relacionado com as sequelas da doença
/acidente?
R: Perda de massa muscular de perna a direita.
 
2. Em caso positivo favor quantificar esta redução trazendo informações detalhadas do
cálculo realizado e informando a bibliografia/tabela utilizada.
R: Utilizando da tabela SUSEP a perda foi sequelar 10%, há perda de 1 centímetro de massa
muscular porem continua com força grau 5, utilizando a tabela por envolver 2 articulações
(joelho e tornozelo) a alteração é do membro inferior.
 
3. Descreva a profissiografia da parte autora (todos os trabalhos anteriores).
R: Motoboy (autônomo), auxiliar operacional 15.05.2019 - relata ter sido demitido após 3
meses. Relata atualmente estar registrado como vigia.
 
4. Encontra-se o autor atualmente totalmente incapacitado para as atividades laborais?
R: Está exercendo atividades profissionais.
 
5. O déficit funcional identificado traz repercussão para a atividade profissional da parte
autora.
R: Sim relata dificultar ficar em pé e carregar cargas.
 
7. As sequelas, se existentes, são compatíveis com a atividade profissional ou com trabalhos
da mesma complexidade? No caso negativo favor justificar.
R: Sim são tanto que continua dirigindo moto. Estando atualmente em outra atividade.
 
9. No caso das sequelas, a parte autora apresenta condições para retornar as atividades
profissionais?
R: Está exercendo atividades profissionais.
 
7. CONCLUSÃO
Do acidente noticiado houve sequela definitiva sequelar (10%) em membro inferior direito.
Não o impedindo de realizar atividades laborais. Tanto que o mesmo continua dirigindo
moto e está realizando atividades laborais atualmente.
 
Observa-se que a sequela decorrente do acidente, ainda que permanente, foi considerada de
grau leve, não o incapacitando para exercer a função anterior (motoboy) tampouco outro tipo
de trabalho, tanto é que atualmente trabalha como vigia e continua dirigindo motocicleta.
 
Para além disso, não foi verificado em exame clínico nenhuma limitação de movimento
(quesito 5), sendo apenas relatado pelo autor a dificuldade em ficar em pé e carregar peso.
 
Não se pode confundir o déficit funcional/sequela permanente com a incapacidade funcional.
No caso, o autor não ficou impedido de exercer a atividade anterior e/ou de intentar nova
profissão, como de fato o fez, razão pela qual não faz jus ao recebimento de pensão mensal
vitalícia.
 
Em julgados semelhantes, assim decidiu esta Corte:
 
APELAÇÃO CÍVEL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS, MORAIS E
ESTÉTICOS. ACIDENTE DE TRÂNSITO. COLISÃO ENTRE MOTOCICLETA E
AUTOMÓVEL. INTERCEPTAÇÃO DA TRAJETÓRIA DA MOTOCICLETA,
OCASIONANDO FRATURA EXPOSTA COMPLEXA DE PERNA DIREITA DA
AUTORA. CULPA DO CONDUTOR REQUERIDO INCONTROVERSA. INSURGÊNCIA
RECURSAL SOMENTE QUANTO ÀS VERBAS INDENIZATÓRIAS.
ADMISSIBILIDADE. PLEITO DE LUCROS CESSANTES, CASO INDEFERIDO O
PEDIDO DE PENSIONAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA NÃO
VENTILADA PERANTE O JUÍZO DE PRIMEIRO GRAU. INOVAÇÃO RECURSAL.
MÉRITO. PENSÃO MENSAL EM CUNHO VITALÍCIO. LAUDO PERICIAL
CONCLUSIVO. AUSÊNCIA DE SEQUELAS INCAPACITANTES AO TRABALHO.
AUTORA QUE, INCLUSIVE, ESTÁ LABORANDO. QUANTUM DO DANO ESTÉTICO.
CICATRIZES NO JOELHO. INDENIZAÇÃO FIXADA EM R$8.000,00 (OITO MIL MIL
REAIS). MANUTENÇÃO. DANO MORAL. INDENIZAÇÃO FIXADA EM R$ 10.000,00
(DEZ MIL REAIS) MAJORADA PARA R$15.000,00 (QUINZE MIL REAIS).
HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA DEVIDOS SOBRE O VALOR DA
CONDENAÇÃO. SEM HONORÁRIOS RECURSAIS. RECURSO PARCIALMENTE
CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO.RECURSO PARCIALMENTE
CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. (TJPR - 9ª Câmara Cível - 0010342-
63.2019.8.16.0170 - Toledo -  Rel.: DESEMBARGADOR ARQUELAU ARAUJO RIBAS
-  J. 25.09.2022)
 
APELAÇÃO CÍVEL. PROCESSO CIVIL. DIREITO CIVIL. RESPONSABILIDADE
CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS EM
ACIDENTE DE TRÂNSITO. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA. RECURSO
DA AUTORA. PEDIDO DE MAJORAÇÃO DA INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS
– ACOLHIMENTO – PECULIARIDADES DO CASO – FRATURA NO PUNHO DIREITO
QUE, EMBORA NÃO REPRESENTE INCAPACIDADE LABORATIVA, ACARRETOU
DIMINUIÇÃO DA AMPLITUDE ARTICULAR – DANOS MORAIS MAJORADOS
PARA R$ 5.000,00 (CINCOMIL REAIS). PEDIDO DE CONDENAÇÃO POR DANO
ESTÉTICO – DESCABIMENTO – CICATRIZ DE PEQUENA EXTENSÃO NO PUNHO
DIREITO – INDENIZAÇÃO INDEVIDA. PRETENSÃO DE RESSARCIMENTO À
TÍTULO DE DANOS EMERGENTES – NÃO ACOLHIMENTO – AUSÊNCIA DE
COMPROVAÇÃO MÍNIMA DOS GASTOS EFETIVAMENTE REALIZADOS – DANO
MATERIAL QUE NÃO SE PRESUME. PENSÃO MENSAL VITALÍCIA – INDEVIDA –
AUSÊNCIA DE INCAPACIDADE PARA O TRABALHO – LESÃO QUE NÃO
PREJUDICOU A ATIVIDADE LABORATIVA DA AUTORA – RETORNO AO MESMO
TRABALHO ANTERIOR AO ACIDENTE. SENTENÇA PARCIALMENTE
REFORMADA. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. (TJPR - 9ª Câmara Cível -
0003871-40.2018.8.16.0146 - Rio Negro -  Rel.: DESEMBARGADOR ROBERTO
PORTUGAL BACELLAR -  J. 14.08.2022)
 
APELAÇÃO CÍVEL E RECURSO ADESIVO – AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS
MATERIAIS, MORAIS E ESTÉTICOS – ACIDENTE DE TRÂNSITO – SENTENÇA DE
PARCIAL PROCEDÊNCIA DO PEDIDO – CULPA DA PARTE RÉ INCONTROVERSA –
LUCROS CESSANTES – VALOR – MÉDIA DOS RENDIMENTOS COMPROVADOS,
EFETIVAMENTE PERCEBIDOS NOS MESES ANTERIORES AO SINISTRO –
NECESSÁRIA OBSERVÂNCIA, CONTUDO, AO PRINCÍPIO DA ADSTRIÇÃO –
PEDIDO CERTO E DETERMINADO – VALOR LIMITADO AO PEDIDO – TERMO
FINAL – LUCROS CESSANTES DEVIDOS ATÉ O RETORNO DO AUTOR AO
TRABALHO, POIS REMANEJADO DA FUNÇÃO ANTERIOR – RESCISÃO DO
CONTRATO DE TRABALHO QUE OCORREU A PEDIDO DO PRÓPRIO AUTOR –
PERÍCIA CLARA NO SENTIDO DE QUE A REDUÇÃO LABORAL SE RESTRINGE À
ATIVIDADE PROFISSIONAL EXERCIDA POR OCASIÃO DO ACIDENTE E QUE NÃO
HÁ IMPEDIMENTO PARA O EXERCÍCIO DE OUTRAS ATIVIDADES
PROFISSIONAIS –PENSÃO MENSAL VITALÍCIA INDEVIDA - CONDENAÇÃO DA
SEGURADORA – DANOS MORAIS E ESTÉTICOS – POSSIBILIDADE DE SEREM
ABARCADOS NA COBERTURA PARA DANOS CORPORAIS, DEVIDO A SUA
NATUREZA COMPLESSIVA – DANOS CORPORAIS QUE PODEM SER
PATRIMONIAIS OU EXTRAPATRIMONIAIS – DEVER DE COBERTURA DAS
LESÕES EXTRAPATRIMONIAIS, TAMBÉM COM ENQUADRAMENTO NA
RUBRICA “DANOS CORPORAIS” – INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE O
CAPITAL SEGURADO DESDE A CITAÇÃO – JUROS DE MORA RELATIVOS AOS
LUCROS CESSANTES – ADEQUAÇÃO DE OFÍCIO – MATÉRIA DE ORDEM
PÚBLICA – CONTAGEM MÊS A MÊS, VISTO SE TRATAR DE PRESTAÇÕES
SUCESSIVAS – HONORÁRIOS RECURSAIS DEVIDOS APENAS PELA
RECORRENTE ADESIVA – APELAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDA E RECURSO
ADESIVO NÃO PROVIDO, COM A ADEQUAÇÃO, DE OFÍCIO, DOS JUROS DE
MORA INCIDENTES SOBRE OS LUCROS CESSANTES. (TJPR - 9ª Câmara Cível -
0027388-92.2016.8.16.0001 - Curitiba -  Rel.: DESEMBARGADOR DOMINGOS JOSÉ
PERFETTO -  J. 24.07.2021)
 
Desta forma, nego provimento a esta parte do recurso.
 
Por fim, considerando o parcial provimento de ambos os recursos, mantem-se a distribuição
da sucumbência como posta na sentença.
 
III – VOTO
 
Em atenção ao acima exposto, voto pelo parcial provimento do recurso 1 (autor) e parcial
provimento do recurso 2 (réus), nos termos da fundamentação.
 
Ante o exposto, acordam os Desembargadores da 9ª Câmara Cível do TRIBUNAL DE
JUSTIÇA DO PARANÁ, por unanimidade de votos, em dar PARCIAL PROVIMENTO aos
recursos, segundo o voto do Relator.
 
O julgamento foi presidido pelo (a) Desembargador Luis Sérgio Swiech, com voto, e dele
participaram Desembargador Gil Francisco De Paula Xavier Fernandes Guerra (relator),
Desembargador Alexandre Barbosa Fabiani, Desembargador Arquelau Araujo Ribas e
Desembargador Substituto Guilherme Frederico Hernandes Denz.
 
Curitiba, 02 de junho de 2023
 
Gil Francisco de Paula Xavier Fernandes Guerra
Desembargador Relator (rvp)
 
[1] Art. 402. Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos devidas ao credor
abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar.
[2] Art. 949. No caso de lesão ou outra ofensa à saúde, o ofensor indenizará o ofendido das despesas do
tratamento e dos lucros cessantes até ao fim da convalescença, além de algum outro prejuízo que o
ofendido prove haver sofrido.

Mais conteúdos dessa disciplina