Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da 3ª Vara Cível Pelotas – RS
XUXA MENEGUEL, brasileira, solteira , profissão, ins Crito no CPF sob nº 000.000.000-00, portador do RG nº 000000 SSP/DF, endereço eletrônico nome@gmail.com, domiciliada e residente nesta cidade na rua 06 nº 50, Vila Princesa, filha de Fulano de Tal e Beltrana de Tal (exigência TJDFT), por intermédio de seu advogado subscrito, com endereço profissional à rua... E endereço eletrônico advogado@adv.com.br, vem respeitosamente perante Vossa Excelência, com fulcro no artigo 319 e seguintes do Código de Processo Civil – Lei 13.105/2015, ajuizar
AÇÃO DE INDENIZAÇÃO 
em face de FAUSTO SILVA, brasileiro, casado, profissão, inscrito no CPF sob nº 000.000.000-00, portador do RG nº 000000 SSP/DF, residente e domiciliado nesta cidade na rua 07 nº 70, bairro Dunas, endereço eletrônico Fausto.silva@gmail.com, filiação desconhecida, pelos fatos e fundamentos a seguir delineados.
DOS FATOS
No dia 16 de dezembro de 2020, por volta das 15h30min, o Réu quando conduzia a caminhonete de sua propriedade, marca Nissan, modelo Frontier, placas ISX 9999, em decorrência de dirigir em velocidade incompatível com a via de rolamento, perdeu o controle do veículo e acabou colidindo contra a residência de Silvio Santos, localizada na rua 02 nº 105, bairro Getúlio Vargas. Na oportunidade a motocicleta de propriedade da amiga da autora, Sra. Marlene Matos, que não possui condições de contratar advogado por não possuir condições financeiras, motivo pelo qual a Autora, vem, a juízo, buscar Justiça em nome da amiga, estava estacionada junto ao portão da garagem da residência, a qual foi prensada com a força do impacto contra a parede, sofrendo diversos danos, conforme atesta o boletim de ocorrência anexo. Com o impacto a motocicleta restou parcialmente destruída, sendo que os danos causados, conforme orçamentos anexos, importaram, no de menor valor, em R$ 3.539,00 (três mil quinhentos e trinta e nove reais)
 DO DIREITO
Diz o artigo 186 do Código Civil que “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”. Já o artigo 927 do mesmo diploma legal estabelece que “Aquele que, por ato Ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo”. A Autora buscou de todas as formas uma composição para os danos que lhe foram causados, sem, no entanto, obter qualquer satisfação. Em decorrência até o presente momento a Autora perdeu o seu único meio de locomoção, não tendo condições financeiras de arcar com o conserto do veículo. Os danos apontados foram causados em razão da batida do veículo conduzido pelo Réu que acabaram por destruir praticamente a motocicleta, sem qualquer atenuante para o ocorrido, a não ser a imperícia e imprudência que foi observada na ocasião. Além disso, de se mencionar que o fato que a situação a que foi e está sendo exposta a Autora em decorrência da colisão do veículo contra a residência e dos danos causados a motocicleta, vai além de um mero aborrecimento quotidiano, atingindo direitos da personalidade. Não se pode no caso em tela se pretender apenas a reparação dos danos materiais causados, mas, sobretudo, impor ao Réu, que se negou terminantemente a indenizar os prejuízos causados, uma penalidade que sirva de lição pedagógica e que, de alguma forma, possa reparar os danos morais causados a Autora. Tem prevalecido a respeito do tema da fixação do “quantum” indenizatório nos Tribunais a teoria da natureza satisfatóriopedagógico da indenização, principalmente em casos como o dos autos, em que uma pessoa causa dano a outra e, sem qualquer fundamento que o justifique, se recusa a buscar atenuar os prejuízos causados.
Neste sentido a lição do eminente Mário Moacyr Porto: “...a indenização, no caso de danos extrapatrimoniais, é uma reparação satisfatória, ‘doublé’ de pena privada, que atenua as consequências do sofrimento injusto e castiga o responsável pelo injusto sofrimento de infligiu” (Temas de Responsabilidade Civil, São Paulo, RT, 1989, p. 32).
Diverso não é o entendimento do Colendo STJ, consoante se verifica do seguinte precedente. ADMINISTRATIVO – RESPONSABILIDADE – CIVIL – DANO MORAL – VALOR DA INDENIZAÇÃO. 1. O valor do dano moral tem sido enfrentado no STJ com o escopo de atender a sua dupla função: reparar o dano buscando minimizar a dor da vítima e punir o ofensor, para que não volte a reincidir. 2. Posição jurisprudencial que contorna o óbice da Súmula 7/STJ, pela valoração jurídica da prova. 3. Fixação de valor que não observa regra fixa, oscilando de acordo com os contornos fáticos e circunstanciais. 4. Recurso especial parcialmente provido”. (RESP 604801/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 23.03.2004, DJ 07.03.2005 p. 214).
A sanção deve buscar a sua dupla finalidade: a retributiva e a preventiva. Justamente por isso, a quantificação deve ser fundada, principalmente, na capacidade econômica do ofensor, de molde à efetivamente castigá-lo pelo ilícito praticado e inibi-lo de repetir o comportamento, bem como de prevenir a prática da conduta lesiva por parte de qualquer membro da coletividade
Assim, no tocante ao valor da indenização decorrente de danos morais, a ser fixada mediante prudente arbítrio de V. Exa., a jurisprudência recomenda a análise da condição social da vítima e do causador do dano, da gravidade, natureza e repercussão da ofensa, assim como um exame do grau de reprovabilidade da conduta do ofensor, e de eventual contribuição da vítima ao evento danoso.
Ao concreto, demonstrada a abusividade do ato praticado pelo Réu, e levando em conta o caráter pedagógico da indenização, em se tratando de dano moral puro deve a indenização ter como parâmetro quantia que efetivamente sirva para amenizar o sofrimento causado e que também tenha caráter pedagógico, de forma a evitar que no futuro o Réu pratique nova conduta lesiva e não tenha ao menos a preocupação de observar com os prejuízos que causou.
Embora se tenha presente o axioma jurídico de que a reparação não pode servir de causa a enriquecimento injustificado, também não pode ser de tal forma insignificante. 
DO PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA
(demonstrar a probabilidade do direito vindicado e o perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo [5]...).
VI. DOS PEDIDOS
Por todo o exposto, requer a Vossa Excelência:
a) a designação de audiência prévia de conciliação, nos termos do art. 319, VII, do CPC/2015 [6];
OBS: No CPC/73 não havia previsão desta audiência. Com o Novo CPC, a audiência de conciliação passou a ser ANTES da contestação do réu, sendo que somente pode ser dispensada com o acordo de AMBAS as partes (autor e réu).
b) a citação do requerido por meio postal, nos termos do art. 246, inciso I, do CPC/2015 [7];
c) liminarmente, a concessão do pedido de tutela provisória de urgência, com o fim de determinar ao réu que (...);
d) ao final, seja dado provimento a presente ação, no intuito de condenar o réu a (...);
e) seja o réu condenado ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios;
Pretende-se provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, em especial, pelos documentos acostados à inicial, por testemunhas a serem arroladas em momento oportuno e novos documentos que se mostrarem necessários.
Dá-se a causa o valor de R$ XX. XXX, 00 (deve corresponder ao valor pretendido no pedido de indenização).
OBS: No Novo CPC, inclusive o pedido de indenização por danos morais deve haver o valor da causa respectivo.
Termos em que,
Xuxa Meneguel
Pelotas, 10 de fevereiro de 2021.
Advogado
OAB/... XXX. XXX
[1] Exigência incluída pelo Art. 319, inciso II, da Lei13.105/2015.
[2] Exigência incluída pelo Art. 319, inciso II, da Lei13.105/2015.
[3] Exigência incluída pelo Art. 287 7, da Lei 13.105 5/2015.
[4] O novo CPC C traz uma Seção específica sobre a gratuidade de justiça, diferentemente do CPC/73 3. Antes, fundamentava-se o pedido de gratuidade na lei 1.060/1950.
[5] Exigência do art. 300 0, da Lei 13.1055/2015
[6] Exigência do art. 319 9, VII, da Lei 13.105 5/2015
[7] O pedido expresso de citação do réu não é exigido pelo novo CPC C tal como no CPC/73 3 (art. 282, inciso VII)

Mais conteúdos dessa disciplina