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Enfermagem em neuropsiquiatria 
Júlio Cézar Pereira Fagundes 
 
História da psiquiatria 
Com a evolução da ciência e o surgimento de novas teorias e conhecimentos, tem-se cada vez 
mais ampliado a compreensão do homem, que passa a ser visto dentro de um contexto 
psicológico, biológico, social, econômico, dentro outros. Desse modo, todos inter-relacionados 
e interagindo, não se restringe apenas à concepção do sofrimento psíquico como doença 
localizada no corpo, mas à existência-sofrimento. Diante disso, é inegável o fato de que hoje o 
enfoque da loucura e a forma de entendê-la, tratar dela e lidar com ela já evoluíram muito. 
Da antiguidade até a Idade Média a loucura era compreendida de diversas formas, como causas 
sobrenaturais, sendo tratada como revelações de divindades ou até mesmo como possessão 
demoníaca. Nos séculos XVI e XVII ocorreram mudanças significativas na própria concepção de 
mundo, nos valores humanos e sociais. O capitalismo e a expansão das cidades surgiram 
trazendo a necessidade e a valorização do trabalho, transformando este no elemento mais 
importante da sociedade. Nesse novo contexto, a loucura passou a não ser mais vista como 
sobrenatural e, sim, como “limitação humana” e incapacidade para o trabalho, violando, desse 
modo, a ordem moral e econômica. “Enquanto o sagrado torna-se presente diante do 
desconhecido para exorcizar o medo, a loucura é um fenômeno ainda muito desconhecido e 
fantasioso em nossa sociedade”. 
A partir do século XVII, a miséria tornou-se presente no mundo e, com consequência, houve a 
exclusão de alguns grupos sociais, como mendigos, idosos, crianças, desempregados, prostitutas 
e loucos. Com o objetivo de retirá-los do meio das cidades, foram criados locais de reclusão, 
como hospitais gerais, que, na verdade, destinavam-se a encarcerar, punir e “limpar” as ruas da 
cidade, retirando aqueles que perturbavam a ordem e o bem-estar dos cidadãos. Esses locais 
não tinham finalidade terapêutica, mas de controle e repressão. 
Com a Revolução Industrial e a Revolução Francesa, no século XVIII, ocorreu a consolidação do 
capitalismo e também de um novo pacto social pautado em direitos universais de cidadania. 
Como resultado de tantas mudanças, a necessidade de expansão da ciência e a valorização da 
saúde tornaram-se cada vez mais significativas. Nesse período, a saúde começou a ser 
valorizada, na compreensão de que as populações saudáveis poderiam produzir mais, 
aumentando a riqueza e o poder do Estado. 
A medicina, nesse momento, trouxe a proposta de domínio sobre a vida e a morte, ganhando, 
assim, status, confiança e poder diante do mundo capitalista. 
Por volta de 1793, o médico Philipe Pinel criou o primeiro hospital psiquiátrico, separando os 
loucos dos transgressores da lei, concebendo a loucura como doença mental – até então não 
era vista como doença. O hospital psiquiátrico foi criado e instituído como local de tratamento 
(moral) dos doentes mentais, porém, com o entendimento de que eles seriam incapazes de 
produzir e conviver socialmente. Esses hospitais psiquiátricos passaram a desempenhar papel 
de ensino, pesquisa, tratamento, controle e disciplina em relação à doença e ao doente mental. 
A partir daí novos estudos, concepções e teorias foram surgindo a respeito da loucura e eles 
estão aqui destacados. 
Teorias organicistas: 
Elas concebem a doenças mental como consequência de disfunções do sistema nervoso. 
Teoria da degenerescência: 
A doença mental é entendida como consequência da degeneração moral, que promove lesões, 
disfunções, podendo ser hereditária e incurável. 
Classificação psiquiátrica: 
Proposta pode Emil Kraepelin, ela define a doença mental em termos clínicos, como: sintomas, 
evolução, prognóstico e etiologias (causas). A partir desses princípios, nos anos 80-90 foi criado 
o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM4) e a Classificação 
Internacional das Doenças – 10 (CID-10). 
Tratamento baseados nas concepções biológicas: 
Insulinoterapia (à base de choque insulínico), eletroconvusoterapia (ECT), psicocirurgia 
(lobotomias). Todos esses tratamentos são hoje questionados, devido a seus resultados 
terapêuticos e à forma punitiva como foram utilizados no decorrer do tempo. 
Após a Segunda Guerra Mundial, houve movimentos de reforma psiquiátrica, buscando uma 
concepção mais ampliada da doença mental e uma forma de tratamento mais humano e 
inclusivo. 
A partir da teoria do Inconsciente, de Sigmund Freud, no final do século XIX, a concepção da 
doença mental passou a ser influenciada pela busca da compreensão dos mecanismos psíquicos 
e das relações estabelecidas entra as pessoas, surgindo, a partir daí as psicoterapias 
institucionais e a comunidade terapêutica. 
Nos anos 50 e 60 pós-guerra, com o aumento do desemprego e dos distúrbios psiquiátricos, a 
concepção da doenças mental se tornou insuficiente diante das necessidade terapêuticas 
estabelecidas, uma vez que esta navega a dimensão social presente nas doenças. O hospital 
psiquiátrico, por sua vez, passou a ser considerado ineficaz e de alto custo. Surgiu, então, um 
movimento com propostas de desospitalização e tratamentos em espaços fora do hospital 
psiquiátrico, alternativos, como: ambulatórios médicos, psicológicos e outros. É importante 
lembrar que nessa época, ou seja, por volta de 1952, surgiu o primeiro tratamento baseado em 
drogas psicofármacas ou antipsicóticas, revolucionando a forma de tratamento em relação à 
doença mental. 
No Brasil, a assistência psiquiátrica sempre foi asilar e excludente, ocorrendo majoritariamente 
em hospitais psiquiátricos, públicos ou privados, os conhecidos manicômios. 
A necessidade de se ter uma reforma na psiquiatria em todo o mundo se tornou cada vez mais 
eminente. 
A Psiquiatria Democrática Italiana exerceu um papel importante, influenciando 
significativamente o Brasil em torno das discussões e da luta pela reforma psiquiátrica. Buscou-
se, desse modo, uma visão político-social e um novo paradigma da desinstitucionalização do 
doente mental, pautado na reinserção social e na reconstrução da sua cidadania. 
 
Assistência psiquiátrica no Brasil e Reforma Psiquiátrica 
A história da psiquiatria brasileira não é diferente da mundial, é marcada pela exclusão, 
segregação e asilamento do doente mental. Foram muitas as denúncias e questionamentos 
sobre a prática e assistência desenvolvida especialmente nos hospitais psiquiátricos, que 
funcionavam e ainda funcionam com asilos e locais de isolamento terapêutico. As últimas 
décadas foram marcadas pela expansão de clínicas e hospitais psiquiátricos em todo o país, e 
muitos deles utilizaram-se da fragilidade humana e da doenças mental com um interesse 
predominantemente financeiro. 
Pode-se considerar que existem posições antagônicas relacionadas ao hospital psiquiátrico: 
alguns o consideram ultrapassado, conceituando-o como agente repressor e de característica 
asilar, enquanto outros classificam-no como o mais importante local terapêutico. 
Como os hospitais psiquiátricos foram responsáveis pela assistência psiquiátrica prestada ao 
longo do tempo, são também responsáveis pela falta de cuidados e maus-tratos aos pacientes. 
Isso ocasionou denúncias e severas críticas a essas instituições. 
No Brasil, na década de 80, como resultado do descaso e abandono ao paciente psiquiátrico, os 
profissionais de saúde mental e de outros segmentos, motivados por esse processo, iniciaram 
discussões para repensarem a atenção em saúde mental no país. Um movimento surgiu, então, 
conhecido como luta antimanicomial, reivindicando uma reforma psiquiátrica com propostas de 
significativas mudanças no modelo de assistência em saúde mental no Brasil. 
Reforma Psiquiátrica 
Trata-se de um processo histórico de formulação crítica e prática que tem como objetivo e 
estratégias o questionamento e a elaboração de propostas de transformação do modelo clássicoe do paradigma da psiquiatria. Nascida da reivindicação da cidadania do louco, o movimento da 
Reforma Psiquiátrica no Brasil desdobrou-se em um amplo e diversificado modo de práticas e 
saberes. É um campo heterogêneo, que envolve a clínica, a política, o social, o cultural e as 
relações com o jurídico. 
Como marco nas últimas décadas, houve a Reforma Sanitária, voltada para o atendimento da 
saúde da população; a VIII Conferência Nacional de Saúde, em 1986, que deliberou sobre a 
necessidade de criar um Sistema Único de Saúde; a I Conferencia Nacional de Saúde Mental, 
1987, e, posteriormente, o II Encontro Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental; a 
Declaração de Caracas, 1990, em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) reuniu países, 
entidades, juristas e parlamentares para discutirem sobre a atenção em saúde mental na 
América Latina. Tais acontecimentos suscitaram a luta, como já foi citado, para desconstruir no 
cotidiano das instituições e da sociedade as formas excludentes de lidar com a loucura. Esse 
movimento para a desinstitucionalização tinha como lema: “Por uma sociedade sem 
manicômio”. 
Em 1989 foi apresentado, pelo deputado estadual Paulo Delgado, o Projeto de Lei n. 3.657/89, 
que tramitou entre a Câmara e o Senado por 12 anos. Uma das propostas era a contensão de 
expansão e diminuição dos leitos psiquiátricos existentes, assim como a substituição progressiva 
das internações pelo tratamento em centros especializados. Finalmente, em 06 de abril de 2001, 
foi aprovada a Lei n. 10.216 da Reforma Psiquiátrica Brasileira. 
Lei n. 10.216/2001 – Reforma Psiquiátrica 
Essa leu estabelece uma diretriz não asilar para o funcionamento público e explicita que o 
tratamento deve visar a reinserção social do paciente em seu meio. Obriga, ainda, que o 
tratamento em regime de internação contemple atendimento integral, inclusive não médico e 
com atividades de lazer e ocupacionais, e proíbe a internação em instituições com características 
asilares. 
Essa lei prevê novas modalidades de atendimento, como Hospitais-Dia, Lares Protegidos, 
Regulamentação da internação compulsória, Centros de Convivência e Cultura, Programas de 
Volta para Casa, Núcleos e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). 
De acordo com o Ministério da Saúde, são metas da Reforma Psiquiátrica: 
• Programar uma política de atenção integral a usuários de álcool e outras drogas; 
• Manter um programa permanente de formação de recursos humanos para a reforma 
psiquiátrica; 
• Desenvolver o Programa de Volta para Casa; 
• Promover os direitos dos usuários e familiares, incentivando a participação no cuidado. 
Avaliar continuamente todos os hospitais psiquiátricos por meio do programa nacional 
de avaliação dos serviços hospitalares; 
• Garantir tratamento digno e de qualidade ao louco infrator (PAILI); 
• Incluir ações da saúde mental na Atenção Básica; 
• Avaliar continuamente todos os hospitais psiquiátricos por meio do programa nacional 
de avaliação dos serviços hospitalares. 
O essencial da Reforma Psiquiátrica são as práticas de cuidado destinadas aos portadores de 
transtornos mentais e a busca pela inserção destes na sociedade. E também como permitir, em 
casos em que ocorrem alterações do comportamento e da crítica ou constrangimentos 
resultantes de sua condição psíquica, que estes sejam tratados com respeito e dignidade. 
Centro de Atenção Psicossocial - CAPS 
O CAPS, segundo o Ministério da Saúde, é um serviço substitutivo, comunitário, que visa o 
cuidado de pessoas que sofrem com transtornos severos persistentes, devendo obedecer ao seu 
território de abrangência, ou seja, esses serviços deverão localizar-se nos distritos sanitários, 
atendendo a população residente nesses locais. 
São princípios básicos dos CAPS: 
• Responsabiliza-se pelo acolhimento de 100% da demanda, dos portadores de 
transtornos severos, obedecendo sua localização territorial, na abrangência de 
atendimento do CAPS; 
• Garantir a presença de profissional especializado durante todo o período de 
funcionamento da unidade; 
• Criar ambiente terapêutico no serviço que possa acolher e cuidar de todos os usuários, 
inclusive daqueles muito desestruturados, que não consigam acompanhar as atividades 
estruturadas na unidade de atendimento. 
Todo trabalho realizado no CAPS deve ter ações de inclusão dos familiares e comprometimento 
com os projetos de inserção social. Cada usuário deve ter um projeto próprio de atendimento, 
ou seja, seu próprio plano terapêutico, em que a atenção é voltada para a real necessidade do 
usuário, respeitando as diferenças regionais, as contribuições de todos os integrantes da equipe 
multiprofissional, as iniciativas locais de familiares e as articulações intersetoriais que 
potencializem suas ações. 
O CAPS deve considerar o cuidado intra, inter e transobjetivo, articulando recursos de natureza 
clínica, incluindo medicamentos, moradia, trabalho, lazer e outros, pelo cuidado clínico e 
programas de reabilitação psicossocial. 
Além dos CAPS, o Ministério da Saúde institui, por meio da Portria n. 106, os Serviços 
Residenciais Terapêuticos, que são casas destinadas a cuidar e a servir de moradia assistida para 
pacientes vindos de internações psiquiátricas de longa duração, com a finalidade de cuidar e 
viabilizar sua inserção social. 
Por muitos anos, várias pessoa viveram internadas em hospitais psiquiátricos, perdendo seus 
laços sociais e familiares, o que as tornou dependentes de uma instituição asilar. 
A atenção em saúde mental, assim, não deve mais se basear nas internações de caráter asilar. 
A história claramente nos mostra que, ao longo do tempo, a Psiquiatria desempenhou o papel 
de excluir e marginalizar. Portanto, é preciso que a inclusão social dos doentes mentais possa 
ser assumida por todos e em especial pelos profissionais de Enfermagem, que não devem mais 
permitir que suas ações sejam voltadas para o controle e para exclusão das pessoas com 
transtorno mental. 
Equipe multiprofissional e cuidados de enfermagem em saúde mental 
A equipe ideal para assistir o paciente psiquiátrico deve ser multiprofissional, formada por 
profissionais especializados que atuem interdisciplinarmente. 
O Ministério da Saúde recomenda que a equipe multiprofissional seja composta pelo 
enfermeiro, médico, assistente social, terapeuta ocupacional, psicólogo, nutricionista, auxiliar e 
técnico em enfermagem e pessoal de apoio (auxiliar administrativo, cozinheira, auxiliar de 
cozinha, oficineira, recepcionista, auxiliar de serviços gerais, porteiro e outros), que têm como 
finalidade normalizar e padronizar os procedimentos e condutas profissionais dentro do Centro 
de Atenção. Esses profissionais têm um papel importante no tratamento e prevenção da doença 
mental. 
Para enfermagem, uma das atribuições mais relevantes é estar com o paciente no dia a dia, 
acompanhá-lo, estabelecendo um cuidado individualizado e coletivo. Estar com o paciente 
significa ouvi-lo e atendê-lo em suas necessidades, contrariando aquele papel de vigilante e 
controlador que tantas vezes foi determinado ao profissional de enfermagem. 
É fundamental respeitar os direitos e as vontades do paciente. Relembrar sempre que ele tem 
uma identidade e que chamá-lo pelo nome demonstra respeito e interesse por ele, contribuindo 
para estabelecer vínculo. E, também, atentar-se para a forma como a comunicação é 
estabelecida com o paciente, pois ela é essencial para a terapêutica. É importante saber que, de 
todas as formas e modos, a comunicação acontece, e que é possível não se comunicar. 
A forma de comunicação mais comum instituída com paciente é a verbal, manifestada por 
palavras escritas e faladas, mas ela pode ocorres não verbalmente, que é a informação sem o 
uso de palavras, por gestos, olhares e outros. 
Estamos constantemente nos comunicando. Cada gesto, cada sorriso, cada toque, cada 
expressão tem sempre um significado. 
Falar em altotom ou fazer promessas que não podem ser cumpridas, com certeza, aumentam 
o sofrimento do paciente e fazem com que ele perca a confiança no profissional. Por isso, é 
fundamental ser sincero e falar sempre a verdade. Historicamente, a prática de enfermagem foi 
alicerçada em mentiras, ameaças e repressões e isso não pode mais persistir nos dias atuais. 
Seguindo-se os passos de estar com o paciente, conhecendo-o, respeitando sua identidade, 
tratando-o com dignidade, respeitando sua cidadania, consegue-se atingir uma relação 
interpessoal verdadeira, que é a atribuição essencial da enfermagem. 
Administrar medicamentos e prestar cuidados físicos, assim como acompanhar o paciente nas 
atividades e grupos terapêuticos são atividades importantes e devem ser desempenhadas com 
competência e responsabilidade. 
Contensões mecânicas e químicas devem ser realizadas com prescrição e em casos extremos, 
com quando a segurança do paciente e de outros estiverem em risco. Os aspectos éticos dessas 
práticas devem ser observados, assegurando ao profissional a recusa de ações que possam 
comprometer a integridade física e moral dos pacientes. 
Psicopatologia 
Noções gerais 
As funções psíquicas estão presentes no ser humano e são responsáveis pela manifestações 
comportamentais. Elas podem modificar suas manifestações quando relacionadas ao ser 
biológico e ao ser histórico-cultural. Alterações ou comprometimentos dessas funções podem 
ocorrer em algum momento da vida, ocasionando quadros psíquicos significativos no transtorno 
mental ou de outra ordem. 
O estudo das anormalidades dessas funções é chamado de Psicopatologia. 
Segundo Jaspers, é a ciência que quer apenas conhecer e reconhecer, caracterizar e analisar não 
o indivíduo, mas o homem. 
A Psicopatologia é responsável pela descrição dos fenômenos psíquicos conforme são 
observados, buscando limitar, distinguir e descrever fenômenos vivenciados pelo paciente e 
relatados por ele. 
Segundo Cheniaux, as principais funções psíquicas são: 
• Orientação: é capacidade de situar-se quanto a si mesmo, ao ambiente e a outros 
aspectos. A avaliação da orientação é um instrumentos valioso para verificação das 
alterações do nível de consciência; 
• Consciência (vigilância): é a competência, do ponto de vista neurológico, de captar o 
ambiente e de se orientar adequadamente; 
• Atenção: é capacidade de se concentrar em determinado objeto ou acontecimento; 
• Pensamento: é a organização das ideias de forma, curso e conteúdo sintonizados entre 
si; 
• Memória: é a capacidade de registrar, manter e evocar fatos já ocorridos. Ela deve 
apresentar fixação, conservação, evocação e localização; 
• Linguagem: é uma forma de comunicação especificamente humana. Por meio dela 
pode-se abstrair e generalizar os elementos da realidade. Tem a finalidade de 
comunicação e expressão de sentimentos e pensamentos; 
• Inteligência: é a capacidade de se utilizar um conjunto de instrumentos de modo a se 
adaptar a qualquer problema da vida; 
• Vontade: é a capacidade de associar a liberdade das ações, atitudes e escolhas e o 
determinismo próprio da condição humana. Para alguns, a vontade está relacionada ao 
desejo; 
• Sensopercepção: constituiu a primeira etapa da cognição, isto é, do conhecimento do 
mundo externo; é responsável por refletir objetivamente a realidade psíquica. 
Os transtornos mentais podem alterar as funções psíquicas, comprometendo, durante uma 
crise, o nível de orientação, de atenção, de consciência, de inteligência, o curso e o conteúdo do 
pensamento, a memória, a linguagem, o afeto, a vontade e sensopercepção. 
Para identificação dessas alterações e entendimento do quadro psíquico, tem-se um importante 
instrumento diagnóstico, que é a avaliação psíquica. Ela consiste no exame psíquico e na 
anamnese do paciente. 
Toda avaliação psíquica, ou seja, do estado mental do paciente deve estar vinculada ao contexto 
no qual ocorre. Tanto a avaliação como o plano de tratamento têm que ser adaptados de acordo 
com a situação e conforme o caso se apresenta. Compõem a avaliação psíquica: 
Entrevista psíquica: é geralmente realizada pelo médico psiquiatra, pelo enfermeiro e com 
informações sobre identificação, queixa principal, história da doença atual, história da doenças 
pregressa, história pessoal, história familiar, história clínica, história do uso de substâncias e 
exame do estado mental do paciente. 
Transtornos mentais 
Noções gerais 
Conhecer e distinguir os aspectos das doenças é importante no desenvolvimento dos cuidados 
de enfermagem. À medida que se tem esse conhecimento, é possível tratar a doença e resgatar 
os aspectos de saúde. 
Transtornos neuróticos 
Nos transtornos neuróticos: 
• A personalidade é socialmente integrada; 
• A vivência interna não perturba o comportamento; 
• Não existe alteração no julgamento da realidade; 
• Reconhece-se o mundo externo; 
• Não existe atividade delirante e alucinatória; 
• A doença é reconhecida e existe o desejo de cura, embora, inconscientemente, o 
indivíduo queira permanecer doente. 
De acordo com a Classificação Internacional dos Transtornos Mentais (CID-10), feita pela 
Organização Mundial de Saúde-OMS, assim são descritos os principais transtornos neuróticos: 
transtorno de ansiedade, transtorno de ansiedade generalizada, fobias, transtorno do pânico e 
transtorno obsessivo-compulsivo. 
Transtorno de ansiedade 
A ansiedade nos permite identificar se estamos vivenciando alguma situação de perigo; ela faz 
parte da vida do ser humano e acompanha todo o seu ciclo de desenvolvimento. A ansiedade 
pode ser normal ou patológica. 
Quando normal, é uma situação difusa, desagradável, que vem seguida de várias sensações 
físicas, como mal-estar, taquicardia, sudorese, náuseas, inquietação e outras. 
A ansiedade patológica pode se manifestar sem nenhum perigo aparente; isso significa que a 
pessoa nem sempre tem consciência do que realmente está estimulando aquele estado ansioso. 
Ela paralisa a pessoa, interfere em seu bem-estar e desempenho, não permitindo que tenha 
condições de enfrentar as situações ameaçadoras. Dentre os distúrbios psiquiátricos, os mais 
frequentes são os distúrbios ansiosos. 
Transtornos de ansiedade generalizada 
O transtorno crônico de ansiedade é caracterizado por preocupações fora de seu contexto rela, 
são excessivas e persistentes. Geralmente, ocorrem manifestações somáticas, como tremores, 
tonturas, tensão muscular e outras. 
Fobias 
Temor persistente, excessivo e irracional, desencadeado pela presença ou antecipação de um 
objeto ou situação específica. São alguns exemplos: 
Agorafobia: é o medo de lugares abertos, na maioria dos casos manifesto pelo medo de sair de 
casa; 
Fobia social: medo excessivo de situações sociais; 
Zoofobia: medo excessivo ou exagerado de animais, mesmo aqueles que não oferecem perigo. 
Transtorno do pânico 
São ataques de ansiedade aguda e grave, manifestos por ataques de pânico. Podem durar 
minutos e raramente horas. O indivíduo apresenta graus variados de ansiedade e depressão. 
São sintomas mais comuns: palpitações, sudorese, tremores finos das mão, sensação de perda 
de fôlego, náusea, medo de perder o controle, enlouquecer ou de morrer, calafrios e outros. 
Transtorno obsessivo-compulsivo 
São pensamentos obsessivos ou atos compulsivos persistentes. A obsessão consiste em ideias, 
pensamentos, sentimentos que se repetem insistentemente. Por mais que a pessoa tente, não 
consegue desvencilhar-se deles. A compulsão é a realização de atos que se repetem muitas 
vezes, mesmo contra a vontade da pessoa. A não realização desses atos, que em sua maioria 
são manifestos como rituais, causam intensa ansiedade e angústia. 
Transtornos psicóticos 
Caracteriza-se por sintomas como alucinação e delírio, pensamento desorganizado e bizarro. 
Ocorre a perda de contato com a realidade. 
Nos transtornos psicóticos: 
• Existe uma intensa desorganizaçãoda personalidade; 
• O pensamento e o comportamento estão alterados; 
• Ocorre um afastamento da realidade, criando-se outra, própria do indivíduo; 
• As concepções são fantasiosas; 
• Ocorre a presença de atividade delirante; 
• As emoções podem apresentar-se inadequadas; 
• O indivíduo geralmente não reconhece que está doente. 
Esquizofrenia 
É um transtorno grave, é considerada a mais incapacitante das doenças mentais. A esquizofrenia 
tem como característica básica alteração no pensar, sentir e relacionar-se com o mundo externo. 
Aproximadamente 1% da população mundial tem esquizofrenia, estimando-se 1 a cada 100 
pessoas. Afeta homens e mulheres igualmente. Os esquizofrênicos acarretam um risco 
relativamente pequeno de comportamento violento, geralmente são menos violentos que as 
pessoas que não possuem a doença. 
A esquizofrenia ocorre em cinco subtipos assim descritos: esquizofrenia catatônica, paranoide, 
desorganizada, residual e indiferenciada. 
Até hoje não se sabe a causa da esquizofrenia. Estudos consideram o resultado da interação de 
vários fatores: genéticos, psicológicos, biológicos, culturais e ambientais. 
Sintomatologia 
Os sintomas da esquizofrenia são classificados em: sintomas fundamentais (distúrbios do 
pensamento, perturbações da afetividade, autismo, ambivalência, distúrbio da vontade e do 
comportamento) e sintomas acessórios (delírios, alucinações e distúrbios catatônicos). 
• Sintomas fundamentais: 
Estuados por Bleuer, são conhecidos como os quatro “as” de Bleuer, incluem os distúrbios na 
associação do pensamento, na afetividade, na ambivalência e no autismo. 
Os distúrbios do pensamento são os mais frequentes, ou seja, existe uma dificuldade de o 
indivíduo “pensar estruturadamente”; manifesta-se, inicialmente, como desconexo e sem 
lógica, chegando à confusão mental. 
• A confusão, às vezes, não é constante e pode ter significado no mundo psicótico; 
• As perturbações da afetividade são de grande variedade, chamando a atenção a 
ambivalência e os duplos sentimentos inconciliáveis, como, por exemplo, amor e ódio 
ao mesmo tempo para com a mesma pessoa; 
• O autismo pode ser entendido como o fechamento dentro de si, constituindo-se outro 
sintoma. 
 
• Sintomas acessórios ou complementares: 
O delírio é definido por Jaspers “como juízos patologicamente falseados”. Portanto, o delírio é 
um erro do ajuizar, que tem origem no transtorno mental. Podemos citar como exemplo o 
indivíduo que acredita que um amigos está controlando sua conduta com ondas magnéticas ou 
que as pessoas de um determinado programa de televisão estão enviando mensagens dirigidas 
a ele, ou que seus próprios pensamentos são ouvidos por outras pessoas. 
A alucinação está presente quando o sujeito percebe estímulos ou objetos que, na realidade, 
não existem. Segundo Paim, na alucinação a imagem fantástica adquire todos os elementos que 
caracterizam a imagem perceptiva, faltando, porém, o estímulo exterior, isto é, o objeto que lhe 
daria origem. 
As alucinações do tipo auditivo são as mais frequentes; aparecem sob forma de zumbidos, 
ruídos, passos e vozes e raramente são de conteúdos amigáveis. 
Os tipos de alucinações visuais, em que os pacientes veem objetos, figuras ou cenas inteiras, são 
mais raros na esquizofrenia. 
Outro tipo é a olfativa e gustativa, sentindo-se um sabor diferente nas comidas e bebidas, que 
geralmente têm um gosto desagradável. 
Nas alucinações do tipo tátil, os pacientes sentem pequenos animais andando sobre a pele, 
como baratas, pulgas, formigas, piolhos e outros. 
Sintomas catatônicos: 
Os sintomas catatônicos são perturbações da motricidade e do impulso e podem variar da 
seguinte forma: estupor, em que o indivíduo encontra-se imóvel e totalmente calado, embora 
esteja lúcido e bastante sensível, e inquietação psicomotora, quando os pacientes não param 
de andar ou de se movimentar, tornando-se, às vezes, agressivos. 
Esses sintomas complementares não são obrigatórios, embora sejam mais impressionáveis. 
Alguns sintomas também merecem destaque, uma vez que são frequentes e geram conflitos no 
convívio social: 
• Falta de motivação e apatia: esse estado é muito comum, é praticamente uma 
unanimidade nos pacientes depois que as crises com sintomas positivos cessaram. O 
pacientes não tem vontade de fazer nada, fica deitado ou vendo TV o tempo todo; 
frequentemente, a única coisa que faz é fumar, comer e dormir. Descuida-se da higiene 
e aparência pessoal. Os pacientes apáticos não se interessam por nada, nem pelo que 
costumavam gostar; 
• Embotamento afetivo: as emoções não são sentidas como antes. Normalmente, uma 
pessoa se alegra ou se entristece com coisas boas ou ruins, respectivamente. Esses 
pacientes são incapazes de sentir como antes. Podem perceber isso racionalmente e 
relatar aos outros, mas de forma alguma podem mudar essa situação. A indiferença dos 
pacientes pode gerar raiva pela apatia consequente, mas os pacientes não têm culpa 
disso e muitas vezes são incompreendidos; 
• Isolamento social: o isolamento é praticamente uma consequência dos sintomas acima. 
Cuidados de enfermagem: 
O paciente não pode ser tratado apenas como um doente, mas como indivíduo, que é único e 
que necessita de cuidados. Por isso, é preciso conhecer o paciente e seus hábitos de forma a 
promover um ambiente que seja o mais confortável e acolhedor, assemelhando-se ao seu 
ambiente familiar. 
É importante estabelecer uma relação de confiança com o paciente, vincular-se a ele e ajuda-lo 
a desenvolver um bom relacionamento com outras pessoas. 
O técnico em enfermagem é um profissional que utiliza-se do acolhimento como instrumento 
de intervenção. Por estar mais próximo do usuário, ele está atento à problemática de saúde do 
indivíduo que busca apoio. As informações trazidas pelos usuários são ouvidas e interpretadas, 
o profissional auxilia o cliente a perceber-se, reposicionar-se subjetivamente, proponto ajuda 
aos seus conflitos e apoiando-o nos seus desejos e sonhos, para resgatar a sua vida cotidiana, 
dando, assim, um primeiro passo para uma intervenção que ajude na reabilitação. 
O paciente psiquiátrico requer cuidados que são básicos e, ao mesmo tempo, especiais, uma vez 
que se lida com alteração do comportamento. Em casos de agitação psicomotora, por exemplo, 
a contenção física deverá ser o último recurso a ser utilizado, ela só poderá ser feita quando 
extremamente necessária e por um curto período de tempo. Esse procedimento deve funcionar 
não como castigo, mas como proteção. É realizado com prescrição médica ou do enfermeiro 
responsável pela unidade. 
Quanto às necessidades físicas do paciente, como alimentação, higiene, vestimenta e outras, a 
enfermagem precisa atendê-lo, estimulando-o para o autocuidado. 
Forçar os pacientes a tomarem medicação, pedindo que levantem a língua para ver se foi 
deglutia ou não, é uma das práticas consideradas ultrapassadas, porque intimidam e humilham 
o paciente, por isso devem ser evitadas. O ideal é estabelecer uma comunicação efetiva. Se ele 
ser recusar a tomar a medicação oral, por exemplo, diga que você sabe que ele não está 
tomando a medicação, esclareça sobre sua importância e tente convencê-lo a aceitá-la, usando 
de bom senso e tranquilidade. O desconhecimento dos benefícios e das limitações do 
tratamento pode levar o paciente a rejeitá-lo. 
Transtornos afetivos 
Esses transtornos são alterações afetivas na regulação do humor, do comportamento e do afeto. 
O humor da pessoa pode se tornar tão intenso e persistente que interfere no funcionamento 
social e psicológico. 
Transtorno bipolar do humor 
São transtornos afetivos caracterizados por oscilações graves e patológicas do humor, 
manifestos por meio de quadros de depressão e mania (euforia). Sua principal causa é genética, 
podendo ser herdade a predisposição em desenvolver a doenças. A frequência estimada é de 
sete em cada 100 habitantes. Ocorremtanto em mulheres quando em homens. É um transtorno 
recorrente, isto é, novos episódios vão ocorrer ao longo da vida. 
Os sintomas do transtorno bipolar do humor podem ser classificados em: mania e depressão. 
Pode ocorrer também o estado misto, em que há episódios de mania e depressão em uma única 
crise. 
Mania 
A fase da mania se caracteriza por: 
• Exaltação do humor, estados de “alegria” exagerada; 
• Irritabilidade, impaciência, comportamento inadequado e provocativo; 
• Agitação, inquietação física e mental; 
• Aumento da energia, da produtividade, começar muitas coisas e não conseguir 
terminar. 
• Achar que possui muitos dons ou poderes especiais; 
• Otimismo e confiança exagerados; 
• Pensamentos acelerados e com ideias de grandiosidade; 
• Aumento do desejo e da atividade sexual; 
• Desinibição, aumento do contato social; 
• Agressividade física e/ou verbal; 
• Insônia e diminuição da necessidade de sono; 
• Tendência a fazer gastos excessivos. 
Depressão 
A depressão atualmente é reconhecida com um grave problema de saúde pública. De acordo 
com a Organização Mundial de Saúde, ela afeta mais de cinquenta milhões de pessoas em todo 
o mundo e é a primeira causa de incapacidade entre todos os problemas no âmbito da saúde. A 
depressão é vivenciada pela alteração do humor, tendo como elemento central o humor triste. 
A depressão aqui descrita refere-se a um quadro relacionado à doença, que compromete o 
corpo, humor e o pensamento. 
A doença depressiva não é uma “fossa” ou um “baixo astral” passageiro; também não é sinal de 
fraqueza ou uma condição que possa ser superada pela vontade ou com esforço. 
O desenvolvimento da doença depressiva deve-se a fatores genéticos, psicológicos e 
ambientais. 
São algumas características da depressão: 
• Tristeza vital: a tristeza é muito intensa, vem acompanhada de mal-estar, é diferente de 
uma tristeza comum; 
• Angústia: é uma queixa constante dos pacientes, sem que eles tenham definição para 
essa sensação; 
• Desesperança: existe um sentimento frequentemente pessimista; 
• Inibição: os movimentos tornam-se lentos e limitados. O pensamento também é lento, 
arrastado e penoso, assim como a linguagem; 
• Risco de suicídio: essa ideia às vezes é frequente ou passa despercebida; 
• Manifestações físicas: mãos frias e cianóticas, aumento ou diminuição da pressão 
arterial, rosto pálido, diminuição dos reflexos, cefaleia e insônia; 
• Baixa autoestima; 
• Retraimento social; 
• Sentimentos de desprezo, apatia ou autorreprovação. 
Os transtornos bipolares podem ocorrer em três tipos: 
Transtorno bipolar I: é a forma clássica e mais grave. Há episódios maníacos ou mistos, isto é, 
com sintomas tanto de mania como de depressão, que se alternam a episódios depressivos 
maiores; 
Transtorno bipolar II: apresenta episódios mais leves de hipomania, alternando com episódios 
depressivos; 
Transtorno ciclotímico: apresenta numerosos episódios, tanto hipomaníacos como depressivos, 
porém não constitui uma depressão maior. 
Cuidados de enfermagem: 
O paciente em depressão requer muito cuidado por parte da enfermagem. 
O risco de suicídio deve ser um alerta constante, principalmente quando o paciente começa a 
manifestar sinais de melhora. É nessa fase que surgem as forças para concretizar a ação. 
A ideia do paciente de desistir da vida pode ser manifesta por isolamento, por interrupção da 
ingestão espontânea de alimentos, por descuido da aparência físicas, requerendo às vezes que 
a enfermagem faça isso por ele. De início, pode ser necessário colocar alimentos na boca do 
paciente e lhe dar banhos. 
O constante estímulo é fundamental para que o indivíduo volte a assumir esses cuidados 
básicos, porém não se deve impor metas difíceis, nem exigir extremas responsabilidades. 
O cuidado de eliminar os objetos de risco, a sua volta, embora definido por alguns autores, não 
parece possível. Tudo pode servir como elemento para retirar a vida, e à medida que as coisas 
lhe são retiradas sem as devidas explicações, podem estar sendo reforçadas suas ideias de 
suicídio. 
A equipe de enfermagem deve estar junto do paciente, para atendê-lo e demonstrar que ele 
tem importância, aspecto que pode ser realizado por meio de pequenas atitudes, tais como 
convidá-lo para alguma atividade que, anteriormente, lhe proporcionava prazer, conversar com 
ele, escutando-o com atenção, sem fazer demasiadas cobranças, entre outras coisas. E estar 
atento e incentivá-lo sempre que possível. 
Além disso, a enfermagem pode também funcionar como elo entre a pessoa com depressão e a 
família, esclarecendo aos familiares a importância deles no processo de tratamento do 
indivíduo. 
No episódio maníaco, é preciso atender às necessidade físicas do paciente, estimulá-lo sempre 
ao autocuidado. Se ele estiver muito eufórico, terá dificuldades em cuidar de si e até mesmo de 
alimentar-se. Por isso, deve-se observar a higienização e a alimentação do paciente nessa fase. 
Como está em quadro de excitação, é importante envolver o paciente em atividades que 
requeiram movimentos motores ou gastos de energia física, pois isso ajudar a canalizar sua 
energia. As atividades que exigem concentração devem ser evitas, pois o paciente terá 
dificuldade para executá-las. 
Proporcionar um ambiente clamo também é importante, pois, se o paciente estiver agitado, 
mais estímulo pode excitá-los ainda mais. 
Dependência química 
Alcoolismo 
O alcoolismo é um problema comum que afeta milhares de pessoa no mundo inteiro. Foi 
incorporado pela OMS à classificação internacional das doenças em 1967 (CID-8), a partir da VIII 
Conferência Nacional de Saúde. O alcoolismo é considerado pela OMS como uma das cinco 
doenças mais incapacitantes. 
Alcoolismo é a dependência do indivíduo ao álcool pelo uso constante, descontrolado e 
progressivo de bebidas alcoólicas, comprometendo seriamente o bom funcionamento do 
organismo e levando a consequências irreversíveis. 
A pessoa dependente do álcool, além de prejudicar a sua própria vida, acaba afetando a sua 
família, os relacionamento sociais e outros. 
Os perigos do álcool 
Apesar de ser aceito pela sociedade, o álcool oferece uma série de perigos tanto pare quem o 
consome quanto para as pessoas que estão próximas. 
Grande parte dos acidentes de trânsito, arruaças, comportamentos antissociais, violência 
doméstica, ruptura de relacionamentos, problemas no trabalho, como alterações na percepção 
e reflexos, o que aumenta a chance de acidentes de trabalho, são provenientes do abuso de 
álcool. 
O alcoolismo é uma doença grave que leva ao desajuste orgânico, psíquicos e social. É 
progressiva e se expande em vários níveis, causando repercussão na vida do indivíduo. 
Causas do alcoolismo 
A ideia de que o alcoolismo tem com causa o fator genético vem sendo acrescida de outros 
fatores, como os psicológicos e o socioculturais. 
Problemas clínicos e complicações psiquiátricas no alcoolista 
Problemas clínicos 
Ao longo do prazo, o álcool prejudica todos os órgãos, em especial o fígado, que é responsável 
pela destruição das substâncias tóxicas ingeridas ou produzidas pelo corpo durante a digestão. 
Dessa forma, havendo uma grande dosagem de álcool no sangue, o fígado sofre uma sobrecarga 
para metabolizá-lo. 
É comum que, no transcorrer da doença, o dependente do álcool apresente alguns problemas 
clínicos, tais como hepatomegalia, hipertensão arterial, tremores, arritmias, perda de pelos, 
ginecomastia, pelagra e outros. 
Complicações psiquiátricas 
Podem ser decorrentes da síndrome de abstinência, que provoca tremores, sudorese intensa, 
insônia, pesadelos, náuseas, vômitos, diminuição progressiva da memória. 
Essa síndrome de abstinência pode evoluir para um quadro dramático, que requer internação, 
é o Delirium tremens (DT). 
O DT pode acontecer também sem que o indivíduo tenha parado de beber. Os sintomas desse 
quadro são: 
• Desorientação de tempoe espaço; 
• Alucinações visuais (pequenos animais que amedrontam o paciente); 
• Tremores, principalmente de mãos e braços; 
• Delírios ou alucinações ocupacionais (como se a pessoa estivesse trabalhando); 
• Ideias de perseguição. 
Sintomas físicos 
Desidratação, hipertensão, hipertermia, taquicardia e sudorese. 
De um modo geral, o alcoolista manifesta insatisfação consigo mesmo e com a vida, sente-se 
frustrado. A vida é cheia de desentendimentos e incompreensão por parte da família e da 
sociedade. As frustrações manifestam-se por apatias, desilusões, desesperança e estado de 
consciência diminuído. 
Cuidados de enfermagem 
Mediante o tratamento do alcoolista, que pode ser com internação ou em regime ambulatorial, 
a enfermagem deve respeitar e compreender o paciente, lembrando que o alcoolismo é uma 
doença. 
As necessidades básicas de alimentação, hidratação, repouso de segurança podem requerer 
ajuda da enfermagem. 
É imprescindível conhecer os locais, dias e horários de funcionamento das reuniões dos 
alcoólicos anônimos (AA), para reforçar os encaminhamentos da equipe técnica. 
Deficiências mentais 
Segundo Ey, Bernard e Brisset, os retardos mentais são insuficiências congênitas do 
desenvolvimento mental e não se pode descartar a influência que o ambiente exerce nesses 
casos. 
Há variedade de deficiências mentais, desde as leves até as mais severas. 
Causas das deficiências 
Em sua maioria, as deficiências não têm uma causa definida. 
Alguns casos podem ser relacionados a fatores genéticos, a traumatismo durante o parto ou a 
toxinfecções na gestação (tuberculose, sífilis e alcoolismo). 
Cuidados de enfermagem 
Junto ao paciente com deficiências mentais, a enfermagem deve ter uma conduta 
especificamente educativa. 
Ensinar a esses paciente os cuidados básicos de higiene pode ser um começo, aumentando-se 
gradativamente os procedimentos. 
Tratamentos psiquiátricos 
Os transtornos emocionais e psiquiátricos foram tratados de diversos modos, várias 
terapêuticas foram empregadas e vêm sendo substituídas com o passar dos tempos. 
O tratamento das doenças mentais é realizado de duas formas distintas, ou seja, com 
abordagens psicoterápicas e com intervenções biológicas. 
Essas abordagens não devem ser encaradas como opostas, mas como complementares. 
Abordagem psicoterápica 
Psicoterapia 
São atitudes e intervenções calculadas e desenvolvidas por meio de diversas técnicas 
empregadas em psicologia para tratamento de transtornos e problemas psíquicos. São 
diferentes de indivíduo para indivíduo e devem ser aplicadas por profissionais habilitados. 
As psicoterapias podem ser em grupo ou individuais. 
Terapêuticas que contribuem para a psicossocialização 
São diversas e, atualmente, fundamentais no tratamento e na reabilitação dos pacientes. Como 
exemplo de terapêutica psicossocial, temos arterapia, musicoterapia, terapias sociais, terapia 
ocupacional e outros. Hoje, são muito utilizadas nas terapêuticas desenvolvidas nos Centros de 
Atenção Psicossocial (CPAS). 
Tratamentos biológicos 
Esses tratamentos são divididos em farmacológicos e em terapêuticas por choque. 
Psicofármacos 
Os medicamentos utilizados na psiquiatria são classificados de acordo com a indicação clínica. 
Os grupos medicamentosos mais comuns são: 
• Hipnóticos: atuam na insônia; 
• Ansiolíticos ou tranquilizantes menores: atuam nas tensões e ansiedades; 
• Antipsicóticos ou neurolépticos: atuam nos sintomas psicóticos; 
• Antidepressivos: atuam na depressão endógena. 
Tão importante quando o medicamento é a forma de administrá-lo. O paciente deve ser 
informado sobre as indicações, possíveis efeitos colaterais e o nome da medicação que está 
usando. 
Em geral, os psicofármacos podem produzir efeitos colaterais, que variam de acordo com o 
medicamento e com a pessoa que o utiliza. Por isso, não se deve desconsiderar as queixas, 
sempre que elas surgirem, e deve-se encaminhar o paciente para uma avaliação com o 
enfermeiro ou o médico. 
Colocar remédios escondidos nos alimentos não é uma atitude correta. E solicitar ao paciente 
que levante a língua para certificar-se de que ele ingeriu o remédio é desagradável. A relação 
mútua de respeito e confiança gerada no decorrer das atitudes diárias da enfermagem evita 
essa situação. 
Terapêuticas por choque 
É um tratamento realizado por meio de estímulo elétrico, conhecido com eletrochoque ou 
eletroestimuloterapia (ECT). Provoca descarga neuronal excessiva, muito parecida com uma 
convulsão. 
Sua prática é reconhecida como terapêutica pela Associação Brasileira de Psiquiatria, esse 
procedimento é, na atualidade, mito questionado, por ter sido utilizado no passado como forma 
de punição aos doentes mentais e como tortura a presos políticos. Os relatório da II Conferência 
Nacional de Saúde Mental (1994) exigiu dispositivos legais que proíbam o uso de práticas 
consideradas violentas, entra as quais o ECT está relacionado. Porém, seu uso está indicado a 
certos estados depressivos, às esquizofrenias e delírios crônicos, se não houver resposta positiva 
dos fármacos utilizados no tratamento.

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